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Numero do processo: 13808.002462/2001-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - .IRP3
Ano calendário: 1997
Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE
RECE1TA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem ou a efetiva entrega dos suprimentos não lurem comprovadas corn documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores.
PRESUNÇÃO LEGAL E ONUS DA PROVA Nas infrações lançadas por
presunção legal cabe ao sujeito passivo o ônus da prova. de que O fato presumido ado ocorreu..
LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL,
PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que
fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há, fatos ou
argumentos novos a ensejar conclusão diversa„
Numero da decisão: 1802-000.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votp que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECE1TA.. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem ou a efetiva entrega dos suprimentos não lurem comprovadas corn documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. PRESUNÇÃO LEGAL E ONUS DA PROVA Nas infrações lançadas por presunção legal cabe ao sujeito passivo o ônus da prova. de que O fato presumido ado ocorreu.. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há, fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa„ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votp que integram o presente julgado. EDITADO EM: 0'4, r 2 H , Participaram da sessão-de .julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, josé de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, .Nelso Kichel, Andre Almeida Blanco e JoãôzFrancisco Bianco Relatório Por econamia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da dccisao recorrida, f1s.392/393, que a seguir transcrevo: Trata o presente . feito de autos de infracao de IRRI e rejle,vo.s (fls 54/71)relativos ao exercicio de 1998, ano-calemlário de 1997, cuja exigéncia fiscal totaliza R$ 53 829,26, incluindo multa e juros calculado.s até 30/04/2001. 2 A autuaçao foi motivarhi pela igiuraçõo das seguintes irregular idades 2.1 Empréstimos concedidos pc/os .sócio.s Joao Linz Salgueito Araujo e Antonio Carlos S. Araujo, cuja origem e el iliva entrega de recursos nao fin comprovada (Teimo de (l'onstalaçaii de Irrep,ularidades ri" 1 -----f/s 44/46) 2.2 Niio comprovaçao do recebimento de emprestimo efetuado pela Lugano Incorporações Lida. o que, após proceder-se a recompo.sição da conta Caixit„gerini um Saldo Credor da referida tubrica contábil (Termo de Consta/ação de Irregularidades' n°02 Its-. 48/51) 3 Ern decort(?ncia clis so, foram lavrados os seguintes autos de infiaçõo - 3 1 IRPJ - Fundamento legal artigos 195, inciso 11, 197, eaput parágrafii tin/co , 226, 228 e 229 do RIR/1994 e artigo 24 da Lei 9 249/1995 3 2. PIS - hindamento legal artigo 3", alínea "b", da LC 07/1970, artigo patágrafo único, da LC 17/1973, ritulo 5, capitulo 1, SVOO 1, alinea "b", itens 1 e ii, do Regulamento do P18/PASEP, aprovado pela Portaria MP' 142/1982, artigo 24, §. 2', da Lei .9, 249/1995 e artigos ineisoi, $ 0. 8". inciso I, e 9' da MP 1.2/2/1995 e suas reedições, eornialidadas pela Lei 9.715/1998 3 3 CO/:INS - Fundamento legal Artigos 1' e 2" da LC 70/1991 e art 24, 2", da Lei 9.249/1995. 3 4 CSLL - Fundamento legal • artigo 2', caput e da Lei 7 689/1988, artigos 19 e 24 da Lei 9 249/1995, artigo 1" da Lei 9.3/6/1996 e artigo 28 da Lei 9430/1996. 4 Fin 24/05/2001, a interessada tomou ciéncia dos autos de iukacao e, em 2.5/06/2001, apresentou defesa, fls. 74/82, 143/151 212/220e 283/291.. 5 No tocante ao ingresso de numerário entregue pela Lugano Incorpotações Lida., a interessada aduz que pagamento teria sido efentado na forma de depósito bancário (R$ 21 463,15) e quita çao de alguns de seus c//bibs (R$ 1 026,62, R$ 7 165,90, R$ 19 669,43 c R$ 800,00) 2 Proccsso 13808.002462/200 I -15 Si-1E02 Acórctio ii 1802-00,743 • Fl 2 o Também eia relação ao.s einpréstimo.s de sécios, alega que teriam sido r:letuados mechanic depositiis e pagamentos de débitos da impugnante, conforme demonstrativo de fl.s. 80/81. 7 Tendo ein vista a cópia do .1?ezzáo da Lugano Incorporações Imobiliárias Lida, CWPI 59.691 683/0001-13 acostada aos autos, onde se verifica o lançamento do devo/ação do empréstimo (11 106), o processo foi encaminhado a Dryro.spo/DipAc (Ils 357/358), para realização de difigneia nos livros e doeumentos contribeis e fiscais da Lugano, coin intuito de veiificar se Os pagamentos e depósito bancário teriam sido, de fato, C/e5 liiiado à quitação empréstimo concedido 11010 impugnante 8 Os dados apurados encontram-se consignados na lufbrinaçáo Fiscal de fls .384/385 9 A imptignante manifestou-se sobre a referido informação fiscal, nos termos do artigo 44 da Lei 9..784/1999 als 386/388) A _Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão n" [6-11..070, de 11 de outubro de 2006, cientifica.do ao contribuinte em 19/11/2008, con forme o Aviso de Recebimento (AR), f1.405, que, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes em 17/ -12/2008, fis.414/421., Aduz o recorrente que, apresentada tdefesa na la Instancia Administrativa os autos foram julgados parcialmente procedentes tendo a autoridade julgadora considerado improcedente o auto de infração relativamente ao empréstimo de R$ 50.000,00 que a. Recorrente recebeu da empresa I;ugano Incorporações Ltda e mantida a autuação relativamente a pseudo não comprovação da entrega de valores emprestados pelos sócios Joao Luiz Salgueiro Araujo e Antonio Carlos Salgueiro Araújo, no que se insurge contra este ultimo entendimento, dizendo que: no tocante aos empréstimos efetuados pelos soeios, o julgador concordou com sua existência, mas entendeu que não houve efetiva comprovação da entrega de 11.1.1Met4TOS 010.. Sobre a entrega dos numerários emprestados pelos mencionados sócios Antonio Carlos Salgueiro Araújo e Luiz Salgueiro Araújo, alega a recorrente que tal entrega se deu através de deposito e pagamentos de débitos da Recorrente, confbrme passa a demonstrar 11.419 A recorrente sustenta que não houve pot - parte da fiscalização a adequada investigação dos documentos .juntados na defesa e afirma. que nesse aspecto a fiscalização contraria os julgados administrativos do Conselho de Contribuintes colacionados a. 11.417, no sentido de que os fatos levantados pela -fiscalização sejam irrefutavelmente comprovados. Por flui requer seja. dado integral provimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheira Relatora, Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade .previstos 110 Decreto n". 70,235/72 e alterações posteriores, dele tomo conhecimento. De inicio vale recordar que a autuação foi motivada pela apuração das seguintes irregularidades 1") Não comprova <ão do recebimento de emprestimo efetuado pela Lugano Ineorporações .1.1da o quo, após pi voodoo-se o reC0111pOskao da conta Caixa, gorou um SC11(10 Credo,- da referida rubi ica contabil (7C71110 de Coristatação do Irregular idades n'(2 — fls 48/51) 2"9 Empréstimo.s concedidas pelos .1o5o Luiz Salgueiro Araujo e Antonio ( arlo.s S Araujo, cuja origcm e eletiva entrega de recurso.s.- não comprovada (rermo de (Amstatação de Irregularidade.s. n° --. 17s 44/46). A decisão de primeiro grau julgou o lançamento improcedente em telação ao primeiro fato e, manteve o auto de in fração em relação à segunda irregularidade acim a . apontada por considerar que não foi comprovada a efetiva entrega dos recursos à autuada. A decisão recorrida no voto condutor do acórdão (11.394) demonstra ir exaustão de modo explicito, claro e congruente os fatos que motivaram sua conclusão para a sustentação da omissão de receita por prcsunçã.o legal , vejamos: 13 A arguição de que o Sr Antonio Carlos . S. Araino e o Sr ...loão Luiz S de Araajo teriam obtido empréstimo junto ao BANESPA se confirma pelo extrato bancário de 17.108 e 126, evidenciando que estes dispunham de capital stificiente para efetuar as ahididos 0W/fl 0', limos 14 Entretanto, as documento.s apresentados para provar a efetividade da entrega rid() evidenciam uma correlação com Os lançamentos apontadas pela fiscalização, constituindo-se de pagamentos de débitos alguns tend° como sacado a (mines° Lugano Incorporadora Imobiliária Lida (fls. 139/.140). além do documento deft 112, que .sequer identifica o nome do .sacado. A interessada apresenta ainda fichas de controle da empresa acusando o recebimento de impo, tancias a titulo de empréstimos„ que, por Si SO, não são prova cabal e inequívoca de que tais recursos firrain entregues pelos sócios. 15 AYSI1Y, não tendo a impugnante logrado comprovar a efetividade da entrega de numerário, legitima ii pretensão do fisco, baseada na presunção de que tais recursos decoireram de receitas omitidas e mantillas it margem da tributação, devendo .ser mantido o lançamentofinmalizado pela autoridade fiscal. li Processo n" I 3508 002462/200 I -15 SiE02 Adw(Lio n 180240 743 F I 3 Como se vê, no item 13 acima a decisão de primeira instancia constatou que os socios Antonio Carlos S.. Araújo Sr João Luiz S.. de Araújo teriam obtido empréstimo .junto ao BANFSPA, con firmados pelo extrato bancário de -fl..108 e 126, no que restou evidenciado que estes dispunham de capital suficiente para efetuar os aludidos empréstimos, porem nos itens seguintes (14 e 15) considcrou incomprovado que os sócios tenham efetivado a entrega dos recursos li empresa a configurar o real suprimento de caixa. Em sede reeursal, a recorrente repisa. que a entrega dos numerários emprestados pelos mencionados socios Antonio Carlos Salgueiro Araujo e Luiz Salgueiro Araújo, se deu através de deposit() e pagamentos de débitos da Recorrente, conforme tenta convencer com o demonstrativo de 11419. Indubitavelmente, a tributação de omissao de receita, caracterizada pela não comprovação da origem e efetiva entrega d.e numerário, esta amparada no art. 229 do Regulamento do Impost° de Renda, consolidado no Decreto n" 1.041, de 11 de janeiro d.e 1994 (RIR/ 1994) a seguir transcrito, cuja matriz legal é o Decreto-lei 1598/77, art 12, parágrafo 3", e Decreto-lei I 648/78, art. V', II: "Art. 229 - Provada, por indicios na eseritura(do do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, autoridade tributária poderá arbitrar coin base no valor dos roeursos errixa . forneeidos à enzpresa por administradores, sócios da sociedade ndo anónima, titular da empresa OU pelo acionista eon trolador da contpanhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos min ,.forem comprovadamente demonstradas (Grifei) Vê-se que o artigo transcrito atribuiu aos contribuintes o Onus de produzir provas cumulativas e indissociáveis sobre dois fatos: origem e efetividade dos recursos de caixa fOrnecidos por pessoas ligadas. No que diz respeito à comprovação d.e origem, sua inclusão na norma visou impedir que recursos em algum momento desviados da escrituração retornem, legalizados, ao patrimônio da empresa.. Já a prova da efetividade da entrega do numerário é necessária a fi ui dc reprimir lançamentos contábeis fictícios que visem legitimar, pela via do ingresso no caixa, recursos que -passaram a margem da tributação. Assim, somente a apresentação de documentos que suportem, cumulativamente, a origem idônea e a efetividade da entrega dos suprimentos de caixa, a qualquer título, tern a capacidade de afastar o previsto no art.. 229, do R1R/1994: a consideração dos aportes não comprovados como receitas omitidas . Sabendo-se que, a capacidade financeira dos supridores, por si so, não prova para clidir a presunção de omissão de receitas na pessoa juridica, tem-se que comprovação da efetiva entrega do valor a empresa deve ser feita através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes ern datas e valores com os registros da. contabilidade. 0 mero registro na contabilidade, sem documento externo quc o lastreie, não (.; meio de prova. Portanto, a falta. de comprovação da eletiva entrega dos recursos pelos sócios, enseja a presunção legal de omissão de receitas em montante equivalente ao valor não comprovado.. <— Compulsando-se Os autos é possível concluir que tanto a autuação quanft o . julgamento d.e primeira instância não se fundaram em meros indícios, mas partiram dos indícios (suprimento de caixa) para caracterizar a presunção de omissão dc receitas como previsto legalmente A recorrente alega que a entrega dos numerários emprestados pelos socios deu-se através de deposito e pagamentos de débitos da Recorrente, relacionados em planilha a 11.41 9 e, argni que cabe ã fiscalização comprovar os Laos levantados. Nesse ponto a recorrente repete, em sede recursal, os mesmos argumentos e documentos trazidos na impugnação ao que não merece reparo ao assentado na decisão recorrida no item 14 acima transcrito que também adoto corm razão de decidir: 14. Entretanta, ay documentos cyrresentaday para provar a efetividade da entrego não correlação coin os lancamentos. apontados pela fiscalização, constiluindo-se de pagamcnto.s. de débitos - alguns tendo como .sacado a empresa Lugano Ineorporadora imobiliária Lido (IN 139/140), além do document() de 11 112, que .sequer identifica o nome do sacado A interessada apresenta ainda fichas de controle da empresa acusando o recebimento de importãneiay a titulo de empr("stimas„ que, por si sá, nau 5ão prova cabal e inequivoca de que tars recursos. !brain entregues pelos sócioy. 15 Assim, nau tendo a impugnante logrado comprovar a eletividade da entrega de numerário, legitima a pretensão do fisco, baseada na presunção de que tais recursos decorreram de receitar omitidas e mantidas à margem da tributação, devendo .ser mantido o lançamenio fin matizado pela autoridade fiscal Ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, o mero registro containi do aporte de recurs() emu documentos sem Ibreu probante da efetiva entrega do numerário pelo sócio ir pessoa jurídica não são suficientes para atestar que o lino presumido não ocorreu. Assim, o assentamento contábil de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica não atesta o ingresso do aporte no domínio da pessoa juridica. A. comprovação desse fito demandaria apresentação dc conjunto probatório coincidente em data e montante com Os apart-es de numerários. 0 requisito da dupla comprovação da efetividade da entrega e da origem idônea dos recursos supridos as pessoas juridicas por pessoas ligadas instrumentaliza a exigência da legislação fiscal, mais propriamente o art, 229 do RIR de 1994. No tocante à infração capitulada como suprimento de numera rio, por se tratar de uma presunção legal juris tantum, ela tem a força de transferir o onus da prova da autoridade fiscal .para o sujeito passivo da relação juridico-tributária, com relação aos latos objeto de autuação, porem, na presente, -hipótese, a recorrente não conseguiu infirmar a imputação apresentando prova hábil e irrefutável em seu favor, inconteste que o suprimento de numerário caracteriza-se como uma das presuncOes legais capituladas como omissão de receitas, as qua's, entretanto, por serem relativas e após a efetiva demonstração da sua ocorrência pela autoridade fiscal, admitem a produção de prova ern contrário pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária, exigindo-se, contudo, que sejam por ele apresentadas provas suficientes a. desconstituirem a autuação. / iirr. gem a qualquer diseussao em torno da presunção de omissão de receita nelas disciplinada, As normas legais que regem à espécie são .perfenamente claras, não dando Procosso 11" J3808 002'162/200 1 15 S1-1 . E02 Acnrao n ." 1802-00.743 Fl. 4 pois caberia à contribuinte elidir a imputação referente ao suprimento de num.erário, através da comprovação e cumprimento de dois requisitos essenciais: a prova da origem e da efetividade da entrega dos recursos ii empresa pelos seus sócios que foram registrados coin° supostos suprimento de numerários.. A jurisprudência administrativa sobre o assunto tem-se mostrado pacifica em entender que o suprimento de caixa da pessoa juridica., mediante a entrega de valores pelos respectivos sócios, cuja eletividade da. transação nito esteja devidamente comprovada caracteriza-se como indicio veemente de omissilo de receita, visto que os aspectos da origem e entrega dos recursos pelas fisicas i pessoa jurídica constituem-se em requisitos cumulativos e indissociáveis, exigindo dupla comprovação sem que a existência de um dispense a do outro ., Necessário faz-se, portanto, que seja produzida prova irrefutável, coincidente em datas e valores, da transferência dos recursos das pessoas fisicas para o patrimônio da pessoa jurídica, haja vista que quando não fbr produzida prova suficiente ii comprovação, con figura-se a ocorrência da presunção de que os recursos utilizados supostamente entregues pessoa jurídica originaram-se, na verdade, de receitas auferidas por ela própria, provenientes da prática de anterior OM issão de receitas passive], portanto, de tributação. Com efeito, não havendo a recorrente trazido aos autos a comprovação da eletiva entrega dos suprimentos de caixa realizados pelos sócios em agosto dc 1997, no total de R$ 37.119,42, ( R$ 22.11.9,42 - Sócio: João Luiz S. Araújo e R$ 15.000,00 - Sócio : Antonio Carlos S. Araújo) configura-se a situação como presunção de omissão de receitas não desconstituida pelo contribuinte, razão pela qual deve ser mantida , a exigência.. Quanto aos lançamentos reflexos, CSIT, PIS e COHNS, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada. a mesma decisão profcrida para o imposto de renda, na. medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, Pelo exposto, voto_no sentido de NEGAR provimento ao recurso _
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900348/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 48 /2 01 4- 16 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900348/201416 Acórdão n.º 3401003.720 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900348/201416 Acórdão n.º 3401003.720 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900348/201416 Acórdão n.º 3401003.720 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720187/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.941
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 87 /2 01 2- 10 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720187/201210 Acórdão n.º 3302003.941 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.588. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720187/201210 Acórdão n.º 3302003.941 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720187/201210 Acórdão n.º 3302003.941 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720187/201210 Acórdão n.º 3302003.941 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720187/201210 Acórdão n.º 3302003.941 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720425/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2012
NULIDADE POR IMPRECISÃO DO LANÇAMENTO.
Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. se certos ou errados, serão objeto de apreciação no mérito.
STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. ATIVO ECONÔMICO OFERTADO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. CONTRAPRESTAÇÃO PELO TRABALHO.
Os planos de "stock options" concedidos pela empresa, avaliados no caso concreto, revelam a existência de uma relação entre o benefício oferecido e a prestação de serviço pelo beneficiário. O ativo econômico proporcionado ao trabalhador pela empresa são as opções de compra de ações, e não as ações subjacentes a essas operações.
Por um lado, a empresa oferece uma vantagem ao trabalhador; de outro, o beneficiário deve continuar vinculado à contratante, prestando serviços pelo lapso de tempo mínimo estabelecido, denominado de período de carência ou "vesting", até adquirir o direito ao exercício das opções de compra das ações.
No que tange às opções de compra de ações, há ausência de risco e onerosidade para o prestador de serviço.
STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. EXERCÍCIO DO DIREITO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. BASE DE CÁLCULO.
Apura-se a base de cálculo na data do exercício do direito de compra das ações, quando aperfeiçoa-se o fato gerador pela vantagem econômica, consistente na remuneração sob a forma de utilidade, oriunda da aquisição das ações.
LEI TRIBUTÁRIA. TERCEIROS. INCRA. SENAC. SESC. SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da lei tributária que estabelece a exigência de contribuições destinadas a terceiros, assim compreendidas entidades e fundos.
(Súmula Carf nº 2).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidas a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2012 NULIDADE POR IMPRECISÃO DO LANÇAMENTO. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. se certos ou errados, serão objeto de apreciação no mérito. STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. ATIVO ECONÔMICO OFERTADO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. CONTRAPRESTAÇÃO PELO TRABALHO. Os planos de "stock options" concedidos pela empresa, avaliados no caso concreto, revelam a existência de uma relação entre o benefício oferecido e a prestação de serviço pelo beneficiário. O ativo econômico proporcionado ao trabalhador pela empresa são as opções de compra de ações, e não as ações subjacentes a essas operações. Por um lado, a empresa oferece uma vantagem ao trabalhador; de outro, o beneficiário deve continuar vinculado à contratante, prestando serviços pelo lapso de tempo mínimo estabelecido, denominado de período de carência ou "vesting", até adquirir o direito ao exercício das opções de compra das ações. No que tange às opções de compra de ações, há ausência de risco e onerosidade para o prestador de serviço. STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. EXERCÍCIO DO DIREITO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. BASE DE CÁLCULO. Apurase a base de cálculo na data do exercício do direito de compra das ações, quando aperfeiçoase o fato gerador pela vantagem econômica, consistente na remuneração sob a forma de utilidade, oriunda da aquisição das ações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 25 /2 01 4- 67 Fl. 2691DF CARF MF 2 LEI TRIBUTÁRIA. TERCEIROS. INCRA. SENAC. SESC. SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da lei tributária que estabelece a exigência de contribuições destinadas a terceiros, assim compreendidas entidades e fundos. (Súmula Carf nº 2). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidas a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.692 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO), que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido nos Autos de Infração, conforme ementa do Acórdão nº 1669.149 (fls. 2.508/2.545): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2012 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidade. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriode contribuição. STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA MERCANTIL. DESCARACTERIZAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações, em afronta ao caráter mercantil da operação, os ganhos auferidos configuram remuneraçãoutilidade e integram o saláriodecontribuição. AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos dos Autos de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa aos lançamentos, Fl. 2693DF CARF MF 4 estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. Os Autos de Infração (AI´s) encontramse revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Sobre os débitos da União decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61 § 3º c/c Art. 5º § 3º, ambos da Lei 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto pelos Autos de Infração: 1. AI DEBCAD n.º 51.018.4928 (fls. 03/10), no montante de R$ 16.188.567,39 (dezesseis milhões, cento e oitenta e oito mil, quinhentos e sessenta e sete reais e trinta e nove centavos), consolidado em 19/12/2014, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 03/2010 a 12/2012; 2. AI DEBCAD n.º 51.018.4936 (fls. 11/18), no montante de R$ 4.128.340,53 (quatro milhões, cento e vinte e oito mil e trezentos e Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.693 5 quarenta reais e cinquenta e três centavos), consolidado em 19/12/2014, referente a contribuições destinadas a terceiros (SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 03/2010 a 12/2002. O Relatório Fiscal (fls. 21/72), referente ao Processo Previdenciário COMPROT nº 19311.720425/201467, comum aos dois AI’s, em síntese: 1. Assevera que os fatos geradores das contribuições apuradas nos autos de infração tiveram como origem o levantamento de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneraçãoutilidade decorrente de Programas de Opções de Compra de Ações (Stock Options) pagas a diretores e empregados da empresa, de suas coligadas e controladas; 2. Afirma que por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 75/76) e demais Termos de Intimação foram solicitados documentos e esclarecimentos sobre os Planos de Opção de Compras de Ações; 3. Traz a definição e formas de implementação dos Planos de Opções de Compra de Ações (Stock Options Plans), os seus objetivos e a fala sobre a supervisão e regulamentação existente no Brasil (Item 4 do RF – fls. 23/26); 4. Discorre sobre a tributação, a nível internacional, dos Planos de Opções, citando as legislações vigentes em Portugal, Inglaterra EUA e Brasil (Item 5 do RF – fls. 26/32); 5. Observa que para um efetivo entendimento do assunto, devem ser consideradas a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Lei 8.212/91 (Lei do Custeio da Seguridade Social), a Doutrina e a Jurisprudência Trabalhista; 6. Em relação à legislação trabalhista, diz que ela não proíbe a adoção desses tipos de planos; 7. Cita o inciso I, do art. 22, da Lei 8.212/91 para dizer que incidem contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados que lhes prestam serviços, e o art. 28 desta mesma Lei que define o salário contribuição; 8. Transcreve doutrinas e julgados da Justiça do Trabalho; 9. Afirma que é necessário se determinar a natureza jurídica dos Planos de Stock Options, Mercantil ou Remuneratória, para verificar se há ou não incidência das contribuições previdenciárias e conclui dizendo Fl. 2695DF CARF MF 6 que no Brasil esta incidência só estará afastada quando a natureza jurídica do Plano for mercantil; 10. Diz que para se determinar a natureza jurídica dos Planos devese analisar determinados aspectos desses planos e apresenta uma tabela com esses aspectos: 11. Observa que, segundo consta no Estatuto Social da Companhia, compete ao Conselho Administrativo a prerrogativa de outorgar opção de compra ou subscrição de ações, de acordo com os Programas de Outorga de Opção de Compra ou Subscrição aprovados em Assembléia Geral. Transcreve o contido no inciso IV, do artigo 12, e o inciso XVIII, do art. 20, ambos do Estatuto Social então vigente. 12. Fala que no período fiscalizado foram exercidas as opções referentes a 6 Planos de Opções de Compra de Ações para Dirigentes e Empregados (2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009) e estavam vigentes 4 Programas de opções (2002 Anexo XI, 2004 Anexo XII, 2005 Anexo XIII e 2009 Anexo XIV); 13. Reproduz no item 8 do RF (fls. 36/49), através de imagens extraídas dos respectivos arquivos, os principais pontos de cada um dos Programas de Opções vigentes no período fiscalizado, quais sejam: Conceituação, Objetivos, Colaboradores elegíveis, Planos anuais, Aspectos Determinantes da Natureza Jurídica dos Planos de Stock Options MERCANTIL REMUNERATÓRIA Não existe qualquer vínculo com o contrato de trabalho Concessão do benefício está vinculada diretamente ao desempenho ou a metas de produtividade Método de exercício autorizado implica onerosidade e risco para o empregado Método de exercício autorizado no ato concessivo da premiação não implica ônus ou risco ao beneficiário É extensivo a todos os funcionários É a empresa quem seleciona os beneficiários Não objetiva fidelizar o trabalhador na empresa Complementação ao salário fixo contratado, entre outras hipóteses de utilização do plano de opções como estratégia de remuneração variável Inexiste qualquer conotação de caráter retributivo As ações são custodiadas ao empregado de forma subsidiada pela empresa, que prefixa o preço em valor bem abaixo do mercado Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.694 7 Eleição dos participantes, Definição do número de ações para cada Plano e a forma de sua distribuição entre os Participantes, Outorga das Opções, Restrição à transferência das Opções, Exercício das Opções, Momento em que as Opções se tornam maduras, Prazo máximo para o exercício das Opções, Pagamento das ações subscritas, Da venda das ações à companhia e da Venda das Ações, Preço de Venda à companhia, Restrições relativas as ações subscritas ou compradas, Consequência do desligamento dos Participantes, Prazo de vigência do programa; 14. Reproduz no item 10 do RF (fls. 50/52), através de imagens extraídas dos respectivos arquivos, os principais pontos de cada um dos Planos de Opções vigentes no período fiscalizado, quais sejam: · Para os Planos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 são considerados Participantes os empregados e administradores eleitos pelo Conselho de Administração da Companhia bem como os administradores e empregados de outras sociedades que estejam sob e o seu controle direto ou indireto, e que assinarem o Instrumento Particular de Outorga de Opção de Compra ou Subscrição de Ações (Contrato de Opção); · Para o plano de 2009, serão eleitos Participantes do Programa, os diretores e empregados da Companhia ou de outras sociedades que estejam sob o seu controle, direto ou indireto, que alçarem, no mínimo, 50% (cinquenta per cento) do valor líquido recebido a título de participação nos lucros e resultados do períodobase do 2008 na compra de ações de emissão da Companhia; 15. Enumera, no item 11 do RF (fls. 52/62), 64 Razões para o lançamento, para, ao final, concluir que os Planos de Stock Options são remunerações dadas aos empregados e contribuintes individuais, cujas características de salário de contribuição estão presentes porque: · O benefício foi concedido pelo trabalho, já que é concedido de forma favorecida somente àqueles que possuem relação de trabalho ou prestação de serviços para o sujeito passivo; · Integraramse ao patrimônio do trabalhador, pois representaram ganhos para o trabalhador, integrando sua remuneração, já que propiciaram o aumento do patrimônio do trabalhador; · É irrelevante seu título, pois o que importa é a natureza jurídica do pagamento/benefício, já que é um ganho decorrente do trabalho; · Não se pode conceituar como negócio mercantil, pois não há risco algum, característica inerente a esse tipo de negócio. Fl. 2697DF CARF MF 8 16. Aponta o risco como sendo o fator determinante para que o Stock Options se afaste da natureza meramente remuneratória e, no Item 12 do RF (fls. 62/64), traz argumentos que apontam no sentido de que, nos Planos objeto da fiscalização, estava ausente este fator; 17. Afirma que a data da ocorrência do fator gerador como sendo aquela em que houve o exercício da opção e não o momento da outorga da opção; 18. Informa que foi considerado como base de cálculo das contribuições previdenciárias a diferença entre o valor de mercado das ações e o valor pago por elas no exercício das opções (valor intrínseco); 19. Indica que foram elaborados “Demonstrativos do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício” com subtotais por competência (anexo IV e VI – fls. 119/133 e 148) e discriminação por Beneficiário e Operação (anexo V e VI – fls. 134/148). A Contribuinte tomou ciência pessoalmente do Auto de Infração, em 19/12/2014 (fls. 03 e 11) e, tempestivamente, em 19/01/2015, apresentou sua Impugnação (fls. 2.381/2.443, com documentos anexos nas fls. 2.444 a 2.489), onde inicialmente registra que a fiscalização lançando mão de uma "tese" geral e pautada em interpretações que não levam em conta o caso concreto, tenta enquadrar os Planos de Stock Options da Contribuinte em uma espécie de situação "guardachuva" que se amoldaria à conveniência administrativa, para fins de exigir contribuições previdenciárias. Aduz restar constatado que os Autos de Infração violam o art. 142 do CTN, ante a imprecisão da acusação fiscal, o conflito entre premissas e conclusões do trabalho fiscal e a absoluta ausência de motivação adequada e específica que pudesse viabilizar a constituição do crédito tributário. Conclui sua Impugnação asseverando o que segue: (I) no caso concreto, os participantes efetuaram pagamento em dinheiro para o exercício das opções, comprovando a onerosidade dos Planos de Opção de Compra ou Subscrição de Ações da Impugnante e, com isso, afastando de pronto a acusação fiscal de ter havido pagamento de suposta "remuneraçãoutilidade"; (II) os Planos de Opção de Compra ou Subscrição de Ações da Impugnante não têm natureza remuneratória pelo trabalho, mas sim mercantil (compra e venda), de modo que o participante decide (por livre e espontânea vontade) adquirir ações e assumir o risco (perda ou ganho) do negócio no mercado de capitais; (III) o suposto "beneficio" do participante, correspondente à diferença entre o preço do exercício da opção de compra das ações e o valor da ação na Bolsa de Valores, não representa remuneração paga, devida ou creditada pela Impugnante para retribuir o trabalho, nos termos dos artigos 22 e 28 da Lei n° 8.212/91; (IV) o resultado do exercício da opção de compra das ações implicou para os participantes, quando muito, "ganho eventual", e, por mais este motivo, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do item 7 da alínea "e" do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991; Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.695 9 (V) não deve prosperar a exigência das contribuições destinadas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, por terem sido calculadas sobre a folha de salários de período posterior a Emenda Constitucional n° 33/2001; e (VI) os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada, por falta de previsão legal. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 12ª Turma da DRJ/SPO, esta julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o crédito constituído pelos Autos de Infração, considerandoos revestidos das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, e estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, tendo sido formulados de modo que a Autuada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. O Contribuinte teve ciência do Acórdão nº 1669.149 em 13/08/2015, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes, no link Processo Digital, conforme atestado pelo TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM (fl. 2.559). Em 11/09/2015, tempestivamente, protocolou seu Recurso Voluntário (fls. 2.562/2.646), onde alega que: 1. Nos lançamentos tributários não há precisa identificação dos fatos que levaram à apuração da matéria tributável e que existem contradições que maculam a motivação do ato administrativo na sua origem, o que enseja o cancelamento da exigência fiscal por afronta ao art. 142 do CTN; 2. No caso concreto, os participantes dos Planos de Stock Options efetuaram pagamentos em dinheiro para o exercício das opções, comprovando assim a onerosidade desses Planos e, com isso, afastando a acusação fiscal de ter havido suposto pagamento de “remuneraçãoutilidade”; 3. Os Planos de Opção de Compra ou Subscrição de Ações do Contribuinte não têm natureza remuneratória pelo trabalho, mas sim natureza mercantil de compra e venda, de modo que o participante decide, por livre e espontânea vontade, se vai adquirir as ações e com isso assumir os riscos do negócio no mercado de capitais, podendo perder ou ganhar dinheiro; 4. O suposto “benefício” do participante dos Planos, correspondente à diferença entre o preço do exercício da opção e o valor da ação na Bolsa de Valores, o chamado “Valor Intrínseco”, não representa remuneração paga, devida ou creditada pela Contribuinte para retribuir o trabalho, nos termos dos artigos 22 e 28 da Lei nº 8.212/91; 5. O resultado do exercício da opção de compra das ações implicou para os participantes, quando muito, “ganho eventual”, e, por mais esse motivo, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, Fl. 2699DF CARF MF 10 nos termos do item 7, da alínea “e”, do § 9º, do artigo 28 da Lei nº 8.212/91; 6. A exigência das contribuições destinadas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE não deve prosperar, uma vez que foram calculados sobre a folha de salários de período posterior a Emenda Constitucional nº 33/2001; 7. Na hipótese remota de ser mantida a exigência fiscal, os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu provimento, para reformar a decisão de 1ª instância, cancelando integralmente os Autos de Infração lavrados. Protesta também pela Sustentação Oral de suas razões recursais em Sessão de Julgamento. Encaminhado o Processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, foi solicitado à Fazenda Nacional, em 23/10/2015, que apresentasse CONTRARRAZÕES ao recurso voluntário. Em 02/12/2015 a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, suas Contrarrazões (fls. 2.654/2.683), onde rebate pontualmente cada um dos argumentos aduzidos pela Contribuinte em seu Recurso Voluntário e finaliza requerendo que seja NEGADO provimento ao Recurso, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.696 11 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade por imprecisão do lançamento violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional A Recorrente alega em sua peça recursal que há uma clara afronta ao art. 142 do CTN, em face da imprecisão da acusação fiscal e ausência de motivação adequada e específica capaz de viabilizar a constituição do crédito tributário, comprometendo materialmente os Autos de Infração na sua origem. Assevera que a autoridade lançadora é incongruente na eleição do momento da configuração do fato gerador e respectiva base de cálculo, quando afirma a existência de um acréscimo patrimonial auferido pelos participantes dos planos de opções de compras de ações, no momento da outorga, e, posteriormente, de forma contraditória, aduz que no momento da outorga das opções os participantes teriam apenas uma expectativa de direito, considerando, para fins de apuração da base de cálculo a data do exercício da opção. Nos termos consignados no Relatório Fiscal, o Auditor argumenta que as opções de compras foram outorgadas ao trabalhador como forma de estímulo e recompensa pelo trabalho e que tem caráter de contraprestação aos serviços realizados. Notoriamente, verificase que o lançamento parte de uma premissa, com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, quando estabelece em vários itens do Relatório Fiscal que o conceito legal de remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, não se limita ao pagamento em dinheiro, mas também mediante dação de um benefício, afirmando que os segurados auferiram benefício econômico ao adquirirem as ações no âmbito dos Programas de Opções de Compra de Ações (itens 11 e 11.4 do Relatório Fiscal, fls. 52/53). Ao tratar das razões do lançamento (item 11, fls. 52 em diante), considera que houve pagamento de “remuneração em utilidades” pelos serviços prestados por segurados empregados e contribuintes individuais e que referida “remuneração” ocorreu no momento da outorga ao trabalhador, consignando o caráter de contraprestação aos serviços realizados, o que corresponderia ao fato gerador indicado no lançamento (itens 11.4, 11.37, 11.50, 11.5). Fl. 2701DF CARF MF 12 Mais adiante, em seu Relatório, a autoridade lançadora adota o momento do exercício das opções como o da ocorrência do fato gerador e estabelece como base de cálculo a diferença entre o valor de mercado e o valor de exercício das ações que chamou de “valor intrínseco”. Vejamos: Ou seja, a definição do momento da ocorrência do fato gerador e da base de cálculo estabelecida na conclusão do relatório fiscal não se coaduna com a descrição inicial que fez o Auditor Fiscal nas razões do lançamento (item 11), para definir o momento de ocorrência do fato gerador, o que evidencia incertezas na acusação fiscal. É cediço que o lançamento tributário não pode comportar inconsistências em seus aspectos intrínsecos, fato gerador (aspecto temporal) e na eleição na base de cálculo imponível (aspecto quantitativo), sob pena de acarretar em nulidade na própria constituição do crédito tributário, por ofensa ao disposto no art. 142 do CTN: Percebese que o presente lançamento é genérico e traz muitas incongruências na sua fundamentação, no entanto, com relação ao ponto específico do momento do fato gerador e da base de cálculo, concluiu pela adoção do momento do exercício das opções como o da ocorrência do fato gerador e estabelece como base de cálculo a diferença entre o valor de mercado e o valor de exercício das ações que chamou de “valor intrínseco”. Não obstante todas as questões suscitadas pela recorrente quanto à nulidade por falta de fundamentação, entendo que referida matéria deve ser reservada ao exame do mérito de demanda. Isso porque o lançamento foi fundamentado e delimitado a sua base de incidência tributária. Se existem inconsistências relevantes, elas serão posteriormente analisadas. Assim, entendo que não merece acolhida o pleito recursal quanto a nulidade por falta de motivação no lançamento. Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.697 13 Mérito Dos Planos de Opções de Compra de Ações (Stock Options Plans) A matéria em comento, já bastante conhecida neste Egrégio Conselho, encontrase muito bem conceituada no presente processo administrativo fiscal, tanto pela recorrente, como pela autoridade fiscal através do Relatório de lançamento (fls. 21/72). Os planos de opções de compra de ações de uma determinada empresa permitem aos empregados, administradores ou prestadores de serviços a possibilidade de aquisição de ações da empresa a qual estão vinculados, ou de empresas do mesmo grupo. Nesses planos são ofertadas, a determinados profissionais, a opção de compra de ações por um preço prédeterminado, cujo exercício poderá ser realizado a partir de uma data futura previamente determinada. Na definição de Fábio Ulhoa Coelho os Stock Options configuram "negócio jurídico, pelo qual a companhia se obriga a partir da declaração de vontade do executivo beneficiário (exercício da opção) e pagamento por este preço, a entregarlhe ações de sua emissão, em quantidade e espécie previamente definidas no instrumento de opção" (Curso de Direito Comercial. Volume 2. 15 ed. Saraiva São Paulo 2011). A concessão do plano tem como objetivo fomentar a visão empreendedora do empregado em concernência aos objetivos do empregador. Ao aderir ao programa o profissional sentese estimulado a permanecer na empresa e trabalhar para a evolução dos resultados dos negócios, a fim de obter ganhos futuros com as vendas de ações, sem, contudo, evitar as perdas em virtude dos riscos inerentes ao negócio. Dessa forma, o objetivo dos planos de SOs é possibilitar a participação dos profissionais no crescimento da empresa, alinhando os interesses da companhia aos dos beneficiários dos planos, na medida em que o sucesso do empreendimento tem reflexo na valorização de suas ações no mercado. Assim, conceitualmente, referidos planos de outorga de ações tem natureza de operação mercantil, conforme se constata em diversas doutrinas e jurisprudência. O próprio Auditor Fiscal assevera nesse sentido na acusação fiscal (item 11.1, fl. 52). No ordenamento jurídico brasileiro a normatização da outorga encontrase positivada no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Fl. 2703DF CARF MF 14 Em face da ausência de previsão na legislação tributária e na trabalhista, os questionamentos acerca da sua natureza jurídica se instauram quando da análise específica dos planos, dos riscos incorridos e das características dos pagamentos realizados. Basicamente a controvérsia gira em torno da verificação da natureza dos planos e da sua configuração como mercantil ou remuneratória, subsumindose, neste último caso, às regras do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil, cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, caracterizandoos como remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. Caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento, há de ser mantida a sua natureza mercantil. Ocorre que no presente caso não ocorreu uma análise individualizada dos planos. A metodologia utilizada pela acusação fiscal para a perfectibilização do lançamento é genérica e imprecisa. A fiscalização, com base em características colacionadas de alguns planos de opções de compras (itens 8.1 a 10.6, fls. 36/52), afastou a natureza mercantil da totalidade dos programas apresentados, sem, contudo, indicar individualmente onde estariam caracterizadas a ausência de onerosidade e de risco, principais aspectos para retirar dos planos sua natureza mercantil, ou, em outras palavras, darlhes caráter de remuneração. Segundo a acusação fiscal, no período fiscalizado (01/01/2010 a 31/12/2012) foram exercidas as opções com relação aos Planos de Opções de Compras de Ações, aprovados em assembléia geral, de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 (7, fl. 35) e encontravamse vigentes os programas de 2002, 2004, 2005 e 2009 (7.5, fl. 36). Compulsando os autos, verifico a vasta documentação juntada ao lançamento, não tendo a autoridade fiscal se debruçado sobre os aspectos individuais de cada um dos planos objetivando refutar a sua natureza mercantil e comprovar que se tratava de remuneração subsumida às regras de incidência das contribuições previdenciárias (documentos: Programas Stock Options, fls. 244/370 e 400/405; SOP 2009 – único citado no relatório fiscal, fls. 373/385 e 440/443; Instrumento Particular de Outorga, fls. 448/1.550; Termos de Exercício com recibos de pagamento indicando o número do cheque do opcionista para pagamento da opção exercida, fls. 1.551/1.914). Importante, nesse ponto, trazer à colação que o salário utilidade ou salário in natura, indicado na acusação fiscal ao tratar das razões do lançamento (item 11, fls. 52 em diante), se consubstancia na remuneração paga pelo empregador sob a forma de utilidades, pressupondo a entrega direta de forma habitual, consoante dispõe o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.698 15 É certo, contudo, que o salário in natura, concedido de forma direta, gratuita e habitual, não tem nenhuma relação com o contexto dos Planos de Opções de Compra de Ações, em que na outorga da opção existe apenas uma expectativa de direito condicionada a um evento futuro e incerto, que, poderá ou não ser realizado, por livre e espontânea vontade do participante. Tanto isto é verdade que o participante pode, voluntariamente, não exercer a opção, o que descaracteriza a natureza de remuneração que, em nenhuma hipótese, comporta opção em face de não existir remuneração facultativa. No ponto de vista explanado pela fiscalização, o contribuinte estruturou o programa para mitigar o risco e os custos envolvidos nas operações, pois ofereceu, gratuitamente, as opções de compras de ações a preço fixo a beneficiários eleitos a critérios definidos pela empresa, razão porque foi constatada a ocorrência de fato descrito no art. 22, I e II da Lei nº 8.212/91, por caracterizar o salário de contribuição (11.6, 11.7 e 11.8), fundamentos estes acatados pela decisão de piso. Em contraponto à argumentação da fiscalização, a Recorrente aduz que não há nos Planos e contratos firmados com os participantes, nenhuma cláusula para reduzir riscos e preço de exercício da opção, além de não existir qualquer atuação da empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos segurados empregados e contribuintes individuais. Somente haverá outorga de opções, caso a companhia, no anocalendário anterior, tenha auferido lucros suficientes que permita a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas, o que depõe a favor do comprometimento entre a outorga das opções e os resultados da empresa. Afirma ainda que o preço de exercício da opção deverá corresponder ao valor da ação no momento da aprovação do respectivo plano com estabelecimento de parâmetro com base nas variações de mercado de capitais, o qual não poderá ser inferior ao valor médio da cotação das ações da companhia e será atualizado monetariamente pelo IPCA do IBGE até a data do exercício da opção pelo participante. Na data do exercício da opção o participante deverá pagar em dinheiro o preço fixado, não havendo qualquer incentivo ou subsídio por parte da empresa. Como já destacado anteriormente, é da natureza dos planos estimular os participantes a serem acionistas da companhia, com todos os direitos e deveres inerentes, harmonizando as relações entre colaboradores e empresa, pois o crescimento da empresa também se reveste em benefício para os participantes, o que estimula ainda mais a produção e ao compromisso entre as partes envolvidas. Os riscos inerentes aos SOPs são de uma clareza solar quando se constata que o participante, mesmo assinando por liberalidade o Instrumento Particular de Outorga, aguarda o prazo de maturidade do Plano e, dentro desse período, fica comprometido com o crescimento da empresa para com isso obter ganhos na compra de ações. Mas, opcionalmente, pode não exercer o direito de compra em virtude da baixa performance das ações da empresa na Bolsa de Valores; da mesma forma os riscos existem quando, após exercer o direito de opção, ocorra a queda das ações na Bolsa, deixando assim de obter ganhos por força do mercado financeiro; configura ainda risco para o opcionista quando, durante o período de maturação, aplique seus recursos em outros investimentos e ao final, não exerce a opção por absoluta falta de capital disponível para tal; ou mesmo quando resolve exercer a opção, pagando um valor maior que o de mercado, em virtude da perspectiva de aumento na performance das ações na Bolsa de Fl. 2705DF CARF MF 16 Valores, com a expectativa de obter vantagens financeiras futuras no momento em que resolver vendêlas. Especificamente com relação ao plano de 2009, único analisado no Relatório de Lançamento (13 a 13.5, fls. 64/65), o Auditor Fiscal entendeu que ocorreram alterações importantes nos critérios de elegibilidade dos participantes e que acarretou em inexistência de riscos. Vejamos: Nesse ponto, vejo uma total incongruência na argumentação apresentada pela fiscalização. Ao mesmo tempo em que afirma que para ter direito a participação no Plano de 2009, os diretores e empregados eleitos pelo Conselho de Administração da Companhia, teriam que comprovar a aplicação de no mínimo 50% (cinquenta por cento) do valor líquido recebido a título de PLR no período base de 2008, na compra de ações de emissão da companhia, o que já demonstra a onerosidade e risco desde a outorga da opção (item 13.2), conclui que não considera tal situação um risco para o participante, mas tão somente um requisito a ser cumprido para ingressar no programa (item 13.3). De outra banda, conclui que, se o participante se sujeitou a tais regras de ingresso, sem dúvida praticou, por sua conta e risco, um ato de natureza mercantil e emenda afirmando que tal ato, cuja natureza é mercantil, não muda as características remuneratórias do Plano de Compra de Ações (13.5). Enfim, é ato de natureza mercantil ou remuneratório? Claramente, pela análise apresentada, a conclusão que se chega é a da natureza mercantil do plano de 2009, destacado de forma específica pela acusação fiscal. Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.699 17 Em alegações recursais, quando explana sobre a efetiva presença do risco, aduz que a área técnica da empresa constatou que com relação ao Plano de 2009, questionado pela autoridade fiscal no lançamento, que tem prazo máximo de exercício de 8 (oito) anos (até 2017), 6 (seis) dos participantes que aceitaram a outorga e permaneceram na companhia não exerceram a opção e outros 6 (seis) participantes exerceram apenas parcialmente, conforme se confere do quadro extraído da fl. 2608: A Recorrente explica que o preço de exercício da opção fixado no momento da outorga (2009) era de R$ 22,25 e, após atualização monetária pelo IPCA acumulado até setembro de 2015, totalizou R$ 32,76, sendo que em 1/09/2015, 02/09/2015, 03/09/2015 e 04/09/2015, o valor da cotação da ação da empresa (NATU3) na Bolsa de Valores era de R$ 22,17, R$ 22,82, R$ 22,50 e R$ 21,67, respectivamente (fonte: HTTP://natu.infoinvest.com.br). Constatase que a maior ou menor atividade de exercício dos planos outorgados depende, dentre outros fatores, do desempenho das ações da empresa na bolsa, o que corrobora com o entendimento de que os riscos inerentes ao negócio mercantil estão presentes, e, ademais, não ficou demonstrado a existência de nenhuma garantia dada pela empresa no sentido de mitigar tal risco caso, após exercer a opção, ocorra uma desvalorização da ação a ponto de trazer prejuízo financeiro ao adquirente. Não ficou também demonstrada a existência de nenhuma garantia no sentido de assegurar ganhos reais na hora da venda. Retornando para as razões gerais da acusação fiscal, também não vejo a desqualificação dos SOPs da empresa Recorrente por falta de onerosidade. O próprio Auditor Fiscal, peremptoriamente, afirma que o Plano de Compras de Ações em questão tem por pressuposto o caráter oneroso para o participante (11.5, fl. 53): O fato de não ocorrer desembolso no momento da opção, de forma alguma elimina sua onerosidade. Conforme bem pontuou o Auditor Fiscal, no momento da outorga Fl. 2707DF CARF MF 18 existe apenas uma expectativa de direito que somente com o exercício da aquisição das ações essa expectativa reputase perfeita e acabada: O caráter oneroso decorre justamente do pagamento do preço quando do exercício. Preço este, previamente estipulado na opção, após avaliações técnicas de mercado e devidamente corrigido monetariamente até o seu efetivo desembolso. Portanto, presente a onerosidade, não há que se falar em natureza remuneratória dos SOPs. Por fim, não vislumbrei nos presentes autos elementos contundentes de desvirtuamento do plano que afastem a natureza mercantil do negócio firmado pelos participantes. Assim, resta constatado que não há comprovação na peça acusatória que fundamente as razões que levaram o Auditor Fiscal a concluir pela ocorrência de remuneração indireta a empregados e contribuintes individuais que ensejem a aplicação da norma de tributação previdenciária, razão porque afasto a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.700 19 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para discordar de seu ponto de vista, por acreditar que as opções outorgadas pela empresa fiscalizada aos respectivos segurados ostentam natureza remuneratória e, nessa condição, são parte integrante da base de cálculo das contribuições sociais, e aquelas reflexas devidas a terceiros. Consideração Iniciais Reconheço que é possível atribuir ao Stock Options Plan (SOP) uma natureza de operação mercantil, desde que estejam presentes na situação concreta as características que afastam a natureza remuneratória para as opções de compra de ações ofertadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Entretanto, via de regra o que se observa é que as empresas estabelecidas no país utilizam os planos de outorga de opções de compra de ações como uma ferramenta de remuneração variável, cujos aspectos essenciais da modelagem escolhida pela companhia encontram subsunção na regra de incidência das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. Para a formação da convicção do julgador sobre a matéria controvertida devem ser avaliados todos os elementos de prova carreados ao processo administrativo pelas partes por ocasião da formalização do crédito tributário em auto de infração e da apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, tais como os programas, planos e contratos de outorgas de opção de ações. A motivação do lançamento não tem seu alicerce construído apenas em um ou outro tópico da narrativa do agente lançador, senão que a acusação fiscal tem a pretensão de manterse rígida com base na confrontação integral do conjunto fáticoprobatório produzido durante o procedimento de auditoria, nos termos do Relatório Fiscal que acompanha os autos de infração (fls. 21/72). Como se observa do relato fiscal, para escapar à natureza remuneratória e, por conseguinte, à incidência tributária, é pressuposto que as características dos programas/planos de opção de ações ofertados pela empresa estejam submetidas à onerosidade e ao risco, com desvinculação do trabalho prestado pelo beneficiário (item 12, às fls. 62/64). Essa percepção para desconstituir a acusação fiscal não passou despercebida pela recorrente, que buscou demonstrar, durante a fase contenciosa, a presença nos programas/planos por ela aprovados de elementos que evidenciassem a predominância da natureza mercantil (fls. 2.562/2.646). Sem sucesso, no entanto. Fl. 2709DF CARF MF 20 Planos de Opções de Compra de Ações Como bem destacado pela Relatora, os planos de opções de compra de ações ofertados aos trabalhadores da recorrente estão respaldados nos seguintes documentos: Programas de Opção de Compra de Ações, anos 2002, 2004, 2005 e 2009, aprovados pelo Conselho de Administração, Planos de Opção de Compra de Ações, anos 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, aprovados na Assembleia Geral, e os respectivos Contratos (instrumentos particulares de outorga de opção de compra ou subscrição de ações), e seus aditivos, relativos à Outorga de Opção de Compra de Ações aos beneficiários (fls. 244/1.450). De início, digo que há um aspecto de fundamental importância para a correta definição da natureza jurídica da parcela concedida aos segurados empregados e contribuintes individuais. Consoante depreendese da documentação que respalda o lançamento tributário, o ativo concedido pela empresa referese às opções de compra das ações, e não às ações subjacentes a essas opções. As opções de compra de ações correspondem a um direito concedido pela companhia, que poderá ser exercido em certo lapso temporal, normalmente no prazo máximo de 6 (seis) anos, e permite a compra de um determinado número de ações da empresa a um preço individual fixado previamente, atualizado monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), denominado de "preço de subscrição ou compra das ações". Contudo, a condição para o exercício das opções de compra das ações está atrelada, em todos os casos identificados nos autos, ao cumprimento pelo beneficiário de um período de carência ou "vesting", em inglês, chamado também de "período de maturação", equivalente a 3 (três) ou 4 (quatro) anos, pelo qual deve permanecer prestando serviços à empresa. Na minha compreensão dos fatos, é mais que evidente a natureza contraprestacional da vantagem oferecida em forma de opções de compra de ações, evidenciada pelo período de "vesting", no qual o trabalhador deve persistir vinculado à empresa, oferecendo a sua força de trabalho. Tratase de uma política de remuneração não concedida a todos os colaboradores, pois a eleição dos beneficiários e a forma da distribuição no número de ações entre os participantes consideram uma análise prévia e criteriosa da performance e relevância do profissional, avaliados segundo os parâmetros definidos pela própria empresa, tais como a importância e essencialidade da função, a potencialidade do participante, o envolvimento em projetos estratégicos e o valor agregado que este oferece à companhia (fls. 257/258, por exemplo). As condições ofertadas pela empresa para aquisição pelos beneficiários do direito de comprar as suas ações no futuro são diferenciadas daquelas oferecidas a interessados externos, inclusive com a possibilidade de financiamento parcial do preço de subscrição de compra ou subscrição, quando autorizado pelo Conselho de Administração, o que implica afastar, desde logo, a ideia de uma natureza eminentemente mercantil das operações no âmbito da companhia. Os programas estabelecidos pela empresa não se submetem às regras comuns de mercado, não havendo extensão a todos colaboradores e tampouco ao público em geral. O direito de opção de compra de ações é conferido em caráter personalíssimo, de maneira que o Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.701 21 beneficiário não pode ceder ou transferilo a qualquer título a terceiros, salvo hipótese de falecimento. Ademais, em todos os programas, há cláusulas específicas prevendo o tratamento às opções de compra e aos lotes de ações já passíveis de aquisição em casos de encerramento do contrato de trabalho ou fim do mandato do administrador, de aposentadoria ou invalidez permanente. Os eventos de dispensa que configure ou não justa causa recebem uma abordagem diferenciada (fls. 270, por exemplo). Verifico, portanto, uma relação entre o benefício oferecido e a prestação de serviço pelo empregado ou administrador. Vale dizer, a empresa proporciona, por um lado, uma vantagem ao trabalhador; de outro, o colaborador deve continuar vinculado à contratante, prestando serviços pelo lapso de tempo mínimo estabelecido até adquirir o direito ao exercício das opções de compra das ações (opções maduras). Não está em jogo aqui, ao contrário do que sustenta a recorrente, a relação jurídica de natureza mercantil que se estabelece posteriormente entre as partes, no momento do exercício das opções de compra, aliás uma operação facultativa, de livre escolha do trabalhador. Por isso, a natureza retributiva das opções de compra de ações, que caracteriza a natureza remuneratória, não diz respeito ao negócio jurídico da aquisição das ações subjacentes aos planos. Daí porque, em contraponto à I. Relatora, não há contradição no item 13 do Relatório Fiscal, quando o agente lançador faz menção a aspecto específico do Plano de 2009, e chama a atenção para que não se confunda os requisitos de ingresso no programa de ações com o próprio programa em si, tendo em conta a prática de ato de natureza mercantil somente quando efetivamente o colaborador faz a opção pelo direito de compra ou subscrição das participações societárias. Por sua vez, no que tange às opções de compra das ações, não há que se falar em onerosidade, pois o beneficiário não paga para adquirir o direito de opção, que lhe é concedido de forma gratuita, como retribuição pelo trabalho prestado à empresa ao longo do prazo ajustado. Está ausente, ao contrário do mercado de opções, uma relação mercantil entre as partes. Naquele o direito de comprar, ou não, o ativo financeiro por um preço fixo em data futura demanda o pagamento de um prêmio para ter a opção, que não se confunde com o preço do bem que deverá ser pago na hipótese de o interessado, ao final, optar por exercer o direito de compra do ativo. Obviamente, o preço de exercício despendido para se adquirir as ações subjacentes à opção é um ato jurídico oneroso. Todavia, não é disso que estamos tratando. Prosseguindo, passo a análise da questão da existência de risco nos programas/planos e contratos individuais firmados com os beneficiários. Como alhures dito, a empresa concede ao trabalhador, como contraprestação ao trabalho prestado, um ativo econômico distinto das ações subjacentes ao plano de opções. No que diz respeito às opções de compra das ações, nenhum risco aflige o trabalhador. Com efeito, o risco de perda financeira que existe referese à variação do preço das ações da companhia no mercado, e não à opção de compra de ações. Até o momento Fl. 2711DF CARF MF 22 do exercício do direito a compra das ações, não há risco algum para o trabalhador, que pode se decidir, sem qualquer consequência patrimonial, se exercita ou não o direito de opção das ações. Em virtude da prestação de serviço no período de "vesting", o trabalhador poderá obter, se fizer opção pela compra das ações, um valor de remuneração adicional variável conforme a diferença entre o preço de mercado, na data do exercício da opção, e o preço de exercício préfixado pela companhia. O ganho obtido poderá ser maior ou menor, dependendo do momento do exercício da opção pela aquisição das ações. Se, no entanto, não exercer o direito, por não lhe parecer vantajoso, simplesmente nada perderá, pois também nada desembolsou pelo direito à opção de compra das ações. Tal situação é plenamente compatível com as formas de remuneração variável no direito brasileiro, em que o ganho não é certo, tampouco a sua quantificação é determinada, porém jamais haverá prejuízo ao salário fixo do trabalhador, nem ao seu patrimônio pessoal. 1 Quanto ao fato gerador, aperfeiçoase no momento no qual há o exercício das opções de compra das ações, pois configurada a remuneração sob a forma de utilidade, a partir do qual o beneficiário pode fruir as vantagens advindas da aquisição do ativo financeiro. Até então, não há qualquer vantagem econômica ao beneficiário das opções, dadas as restrições contratuais existentes. Dessa maneira, correto o procedimento fiscal que considera a data de ocorrência do fato gerador "aquela em que houve o exercício das opções", levando em conta a base de cálculo como a diferença entre "o valor das contribuições para aquisição das ações, estipulado nos contratos e atualizado até a data da compra, (...), e o valor de mercado das ações na data de liquidação financeira das referidas aquisições" (item 14, às fls. 65/66). A base de cálculo é equivalente ao montante que o beneficiário deixou de desembolsar caso tivesse adquirido o mesmo ativo, na mesma quantidade, no mercado de valores mobiliários, na condição de um terceiro sem vínculo com a empresa. No momento da outorga das opções de compra das ações, é verdade, o exato valor de mercado das ações na data de aquisição pelo participante é parâmetro desconhecido das partes. Por outro lado, tal aspecto é inerente à política de remuneração variável baseada em ações. Não significa, no entanto, que a empresa não tem conhecimento da amplitude do compromisso assumido, na medida em que, previamente à implantação e divulgação dos planos, realiza um estudo criterioso para estimar a vantagem econômica que será oferecida ao beneficiário na hipótese de ele decidir pela aquisição das ações. Caso o valor de exercício estipulado foi igual ao preço de mercado à época da outorga, a empresa basicamente estará demarcando o valor final com a valorização do preço das ações que projeta ao longo do tempo. Caso conceda um deságio, já naquela data, com relação ao preço de mercado, significa que está disposta a permitir ao trabalhador um ganho maior quando do exercício das opções de compra das ações. Cabe deixar claro que os acontecimentos subsequentes à incidência da norma previdenciária são irrelevantes para a configuração ou modificação da obrigação tributária 1 Nesse sentido, ver: SILVA, Andrea Gonçalves Silva. Stock options plan como uma forma de remuneração flexível. Dissertação (Mestrado em direito). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2004. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.702 23 surgida. Isso porque a partir da decisão acerca do exercício das opções, que ocorre em momento posterior a entrega da contraprestação pela empresa, o trabalhador comportase como um investidor, sujeito às flutuações inerentes aos riscos normais do mercado de capitais. Com o exercício da opção pela aquisição das ações pelo beneficiário, a vantagem econômica oferecida em razão do trabalho devolvido à empresa foi incorporada a sua esfera patrimonial, não tendo identificado nos programas/planos quaisquer restrições significativas ao aproveitamento integral, estando livres os participantes para a alienação das ações adquiridas e recuperação vantajosa dos valores empregados. A título de argumento alternativo, a recorrente sustenta que o exercício da opção outorgada representou para os participantes, quando muito, um ganho eventual, que escapa à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Tenho para mim que a eventualidade da remuneração na legislação previdenciária, que diz respeito ao chamado ganho eventual, está associada a incerteza, a imprevisão da sua retribuição, o que revelase incompatível com a previsão do direito nos planos de outorga de opção de compra ou subscrição de ações, pois já integrante da expectativa do segurado empregado. De fato, a estrutura básica dos planos define a relação dos participantes e respectivas quantidades de opções outorgadas pela companhia. Cumpridas as exigências previstas no programa/plano, dentre elas o período de maturação, o participante terá direito à subscrição de novas ações ou à compra de ações em tesouraria, bastando a comunicação formal à empresa no prazo fixado. Relativamente aos segurados na condição de contribuintes individuais, inclusive, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação. Portanto, sob qualquer ótica, está presente a natureza remuneratória das parcelas apuradas pela fiscalização aos segurados empregados e contribuinte individuais, devendose manter as conclusões da decisão de piso. Contribuições devidas a terceiros Sobre as questões suscitadas no recurso voluntário no tocante às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, no sentido de que não haveria mais autorização constitucional para exigência das exações tributárias, a partir da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001, imperioso se faz destacar a proibição de controle de constitucionalidade pela Administração Tributária. É tarefa exclusiva do Poder Judiciário avaliar a compatibilidade da norma jurídica em nível de lei ordinária com os preceitos constitucionais, sendo que argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Fl. 2713DF CARF MF 24 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Juros sobre Multa de Ofício Por derradeiro, quanto à incidência dos juros de mora com relação à multa de ofício, também não assiste razão à recorrente. Ressalvo minha posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 19311.720425/201467 Acórdão n.º 2401004.861 S2C4T1 Fl. 2.703 25 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, Fl. 2715DF CARF MF 26 devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720016/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.839
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 16 /2 01 3- 11 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.720016/201311 Acórdão n.º 3302003.839 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.622. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.720016/201311 Acórdão n.º 3302003.839 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.720016/201311 Acórdão n.º 3302003.839 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.720016/201311 Acórdão n.º 3302003.839 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10469.720016/201311 Acórdão n.º 3302003.839 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730208/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.066
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.730208/201360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.066 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 02 08 /2 01 3- 60 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.979. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.730208/201360 Acórdão n.º 3302004.066 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.901136/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.664
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 36 /2 00 9- 21 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901136/200921 Acórdão n.º 3201002.664 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.443. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901136/200921 Acórdão n.º 3201002.664 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901136/200921 Acórdão n.º 3201002.664 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004894/2001-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. INEXISTÊNCIA. FACULDADE DA ADMINISTRAÇÃO.
Não existe obrigação legal a determinar a realização de intimação ou diligência no curso da análise de processos de restituição/compensação. A norma do art. 7º, parágrafo único da IN SRF nº 21/97 apenas permite a realização de diligências, não configurando obrigação cujo descumprimento acarrete nulidade do procedimento.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído.
IRRF. RETENÇÃO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
A apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência enquanto a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo). Tal descasamento deve ser levado em consideração na análise da formação do saldo negativo, devendo ser deferida a compensação do imposto de renda de fonte uma vez comprovados a retenção e o oferecimento do rendimento à tributação, mesmo que em anos-calendário diversos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano (Relatora) e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, a fim de reconhecer o direito creditório reconhecido na diligência no valor de R$286.177,08.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto- Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente, justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. INEXISTÊNCIA. FACULDADE DA ADMINISTRAÇÃO. Não existe obrigação legal a determinar a realização de intimação ou diligência no curso da análise de processos de restituição/compensação. A norma do art. 7º, parágrafo único da IN SRF nº 21/97 apenas permite a realização de diligências, não configurando obrigação cujo descumprimento acarrete nulidade do procedimento. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. IRRF. RETENÇÃO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência enquanto a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo). Tal descasamento deve ser levado em consideração na análise da formação do saldo negativo, devendo ser deferida a compensação do imposto de renda de fonte uma vez comprovados a retenção e o oferecimento do rendimento à tributação, mesmo que em anoscalendário diversos. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 48 94 /2 00 1- 52 Fl. 694DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano (Relatora) e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, a fim de reconhecer o direito creditório reconhecido na diligência no valor de R$286.177,08. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente, justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Relatório Tratase de Pedido de Restituição apresentado em 31 de agosto de 2001 relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, no valor original de R$ 313.020,47. Posteriormente, a partir de 11 de março 2002, foram entregues Pedidos de Compensação, Declarações de Compensação e PER/DCOMPs. O Despacho Decisório proferido pela DERATSP em 23 de fevereiro de 2007 (fls.212219) reconheceu o saldo negativo de R$244.427,76, consignando o quanto segue: Das considerações gerais na data da formalização do pedido de restituição, não havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, contados da apuração do saldo credor; ao final do anocalendário 2000 foi apurado saldo negativo, haja vista a existência de IRRF e recolhimentos de estimativas; no decorrer do anocalendário foram levantados balancetes de suspensão/redução; Das estimativas do ano calendário 2000 Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 695 3 nos meses de janeiro e fevereiro, o imposto de renda apurado foi parcialmente compensado com IRRF (R$1.138,90 e R$25.068,82), sendo os saldos devedores (R$44.447,45 e R$64.276,23) compensados com saldo negativo de período anterior, de acordo com as DCTF correspondentes. No mês de março, o imposto de renda apurado foi integralmente compensado com IRRF. Nos demais meses do ano não foi apurado imposto de renda a pagar; de acordo com demonstrativo apresentado pelo interessado (fl.121, 2ª parte), o saldo negativo apurado em 31/12/99 foi parcialmente empregado na compensação de parte da estimativa de janeiro/2000 (R$17.603,78) e da integralidade da estimativa de fevereiro/2000 (R$64.276,23). As retenções na fonte declaradas em DIRF foram suficientes para compor a parcela do saldo credor utilizada em tais compensações; quanto ao restante da estimativa de janeiro/2000 (R$26.843,67), verificase no demonstrativo (fl.121, 1ª parte) que foi compensado com o saldo negativo apurado em 31/12/98 (DIPJ/99), proveniente de retenções na fonte (R$130.134,22) e de estimativa de dezembro/1998 (R$762,16), esta compensada com saldo negativo de período anterior; em razão da divergência entre os valores de IRRF informados na DIPJ/99 e os constantes do sistema IRF/CONS, o contribuinte foi intimado a apresentar cópias autenticadas dos informes de rendimentos relativos ao anocalendário 1998, tendo entregue os documentos de fls.183/189 e 191. Alguns informes já constavam do sistema IRF/CONS; quanto aos informes de fls.186 e 187, as respectivas receitas de juros sobre capital próprio não integraram a base de cálculo do imposto devido, sendo que o de fl.186 referirseia ao ano calendário 1997, motivos pelos quais não foram considerados na análise; de acordo com a Ficha 07 da DIPJ/99, constatase que os demais rendimentos foram oferecidos à tributação, com exceção dos relativos a juros sobre capital próprio (código 5706), a respeito dos quais consta apenas o valor de R$76,00 em vez de R$1.746,96 constante do informe de rendimentos, razão pela qual será considerado apenas o valor de IRRF correspondente à alíquota de 15% sobre a receita efetivamente declarada (art.837 do RIR/99), qual seja R$11,40; o IRRF a ser deduzido do imposto devido em 1998 totaliza R$99.054,08; recomposta a apuração relativa a 31/12/98, verificouse a existência de IR a pagar, razão pela qual se desconsiderou a compensação relativa à parte da estimativa de janeiro de 2000 efetuada a partir do saldo negativo apurado naquele período; Do IRRF no anocalendário 2000 Fl. 696DF CARF MF 4 o interessado utilizou como dedução do imposto devido o total de R$234.721,85, confirmado em DIRF; as receitas de operações de swap (R$69.491,04 código 5273) não teriam sido inseridas na Linha 21 da Ficha 06A, não se podendo considerar na apuração o respectivo IRRF (R$13.898,16), conforme art.837 do RIR/99; quanto às receitas de aplicação financeira de renda fixa (códigos 3426 e 6800), o valor constante na Linha 24 da Ficha 06A Outras receitas financeiras (R$898.334,49) seria inferior ao total constante em DIRF (R$1.038.158,51), razão pela qual o IRRF foi considerado proporcionalmente à receita declarada, ou seja, apenas R$178.936,78 em vez de R$206.787,94; de acordo com as receitas oferecidas à tributação, apenas seria possível considerar o IRRF no total de R$192.972,81, decorrente da soma das seguintes parcelas: R$14.036,03 (cód. 6813) e R$178.936,78 (cód.6800); Das conclusões com a reconstituição da apuração ao final do anocalendário 2000, apurouse um saldo negativo de R$244.427,76; as compensações foram homologadas até o valor do saldo negativo devidamente atualizado. De acordo com extrato PROFISC, os débitos declarados em 11/03/2002 (fl.81) não estão sendo exigidos, vez que foram objeto de compensação com o crédito reconhecido. Devidamente cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alega, in verbis: “(...) II DO DIREITO 7 — Com relação ao argumento mencionado no item 5.1 acima, a Recorrente esclarece que a receita de juros sobre capital próprio (R$ 207.276,96), declarada no informe de rendimentos emitido pela Cia Real Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, foi oferecida à tributação através da adição na apuração do Lucro Real, conforme Linha 15, da Ficha 10 da DIPJ/1999, anocalendário de 1998 (doc. 6), não podendo, dessa forma, ser desconsiderado o valor de IRRF na composição do saldo a restituir. 8 — Alega ainda, o Ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal que o Pedido de Restituição foi deferido parcialmente em decorrência da análise da proporcionalidade da receita financeira em relação ao IRRF, levando a uma análise e conclusão totalmente incorreta, pois não considerou o reconhecimento das receitas sobre aplicações financeiras nos termos do parágrafo 1º do artigo 729 do RIR/99. 9 — Ocorre que tal assertiva encontrase equivocada, não servindo de fundamento suficiente para obstar o deferimento total do Pedido de Restituição. Vejamos. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 696 5 10 — De acordo com o mencionado Despacho Decisório, foram examinadas as receitas oferecidas à tributação na DIPJ e observouse que a divergência ocorreu em relação às receitas de operações de swap e aplicações financeiras de renda fixa. A D. Autoridade Fiscal ao comparar os valores lançados na DIPJ, (ganhos auferidos no mercado de renda variável e outras receitas financeiras), Linhas 21 e 24, da Ficha 06A, com os valores existentes em DIRF, cometeu um lamentável equivoco, pois a apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo), nos termos do artigo 731 do RIR199. 11 — Assim, se um título de renda fixa for adquirido em um exercício e seu vencimento ocorrer em outro exercício, a receita será tributada via apuração do lucro real em dois ou mais exercícios, ficando, obviamente, prejudicada a comparação da receita de um único exercício, como fez a D. Autoridade Fiscal, com os valores de IRRF constantes na DIRF. Adotandose este correto entendimento, a conclusão é a de que o valor apurado de IRRF está correto. 12 — Anexamos os informes de rendimentos que comprovam o saldo de IRRF, declarado na DIPJ/2001, anocalendário de 2000, utilizado em compensações de débitos tributários, conforme previsto no parágrafo 2º, artigo 943 do RIR/1999 (doc's 7 a 9). 13 — Resta claro que a Recorrente não poderá ser penalizada com a redução indevida de sua restituição, pois seguiu corretamente todas as normas previstas na legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, e a sua DIPJ 2001, ano calendário de 2000, não poderá ter seus valores alterados haja vista que os procedimentos adotados pela Recorrente estão amparados pela legislação fiscal dos respectivos valores (...).” Em 29 de outubro de 2007, a DRJ em São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado (fls.442/445): SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Intimada em 2 de janeiro de 2008 (fl. 447), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 1o de fevereiro de 2008 (fls.470/472) sustentando, em síntese: antes do despacho decisório, não teria sido intimado para prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimento parcial do pleito; Fl. 698DF CARF MF 6 a autoridade fiscal agira de forma indevida ao comparar as receitas de um único exercício, quando, no caso de aplicações financeiras, existe a possibilidade de as receitas serem contabilizadas ao longo de mais de um exercício; os rendimentos de aplicações financeiras seriam tributados levandose em conta o regime de competência, enquanto o aproveitamento do IRRF observaria o regime de caixa, ou seja, poderia ser compensado no anocalendário de sua efetiva retenção; “... para melhor entendimento dessa D. Autoridade Julgadora a Recorrente anexa planilhas demonstrativas das apropriações mensais dos rendimentos decorrentes das aplicações financeiras, cópias do razão contábil, livro Diário relativos aos anoscalendário de 1999, 2000 (docs 3 a 11)”; quanto à receita de juros sobre capital próprio teria sido oferecida à tributação, conforme informação de adição ao lucro real (ficha 10, linha 15, da DIPJ). O fato de não ter declarado em local correto na DIPJ (ficha 07, linha 22), não poderia servir de óbice ao aproveitamento do IRRF. Em julgamento ocorrido em 28 de janeiro de 2011, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, tendo proferido a Resolução 140100.061, que reproduzo: De acordo com relatório supra, o direito creditório pleiteado foi concedido apenas parcialmente pelas razões abaixo sintetizadas. Eventos relativos ao AC 1998 com repercussão parcial na estimativa de janeiro/2000 A) o IRRF no valor de R$ 31.091,54 (cód. 5706), não foi considerado vez que os rendimentos a título de juros sobre capital próprio não teriam sido oferecidos à tributação (R$207.276,96 fl. 187 – fonte pagadora: Cia Real Corretora de Câmbio e Val. Mobiliários, CNPJ nº 62.178.421/000164). De acordo com telas do sistema IRF CONSULTA (fls.151/159) também não constam as informações acerca dos supostos rendimentos e retenção. B) Os rendimentos a título de juros sobre capital próprio (cód. 5706), constantes do sistema IRF CONSULTA totalizam R$1.746,96, conforme quadro abaixo, enquanto que apenas R$78,00 teriam sido declarados em DIPJ, razão pela qual o IRRF foi considerado proporcionalmente a este rendimento: Eventos relativos ao próprio anocalendário 2000 C) As receitas de operações de swap (R$69.491,04 código 5273) não foram inseridas na Linha 21 da Ficha 06A, não se podendo Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 697 7 considerar na apuração o respectivo IRRF (R$13.898,16), conforme art.837 do RIR/99; D) De acordo com o valor constante na Linha 24 da Ficha 06A Outras receitas financeiras da DIPJ/01, o montante das receitas de aplicações financeiras em renda fixa (R$ 898.334,49 cód. 3426 e 6800) seria inferior ao total constante em DIRF (R$1.038.158,51), razão pela qual o IRRF foi considerado proporcionalmente à receita declarada, ou sejam, apenas R$178.936,78 em vez de R$206.787,94. Por sua vez, o recorrente afirma ter declarado, como adição ao lucro real, os rendimentos a título de juros sobre capital próprio, relativo ao anocalendário 1998, na linha 15 da Ficha 10 de sua DIPJ/99 (“Outras Adições”), conforme fl.406. Também sustenta, com relação às demais aplicações financeiras, que os rendimentos, cuja apropriação obedeceria ao regime de competência, teriam sido tributados em outros exercícios, sendo o IRRF apenas passível de ser compensado quando de sua efetiva retenção. Para comprovar o que alega, anexou planilhas que demonstrariam as apropriações mensais de tais rendimentos e cópias de livros contábeis e fiscais relativos aos anos calendário 1999 e 2000 (fls.446/543). À luz deste quadro, entendo, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, que cabe à Receita Federal do Brasil realizar verificações adicionais, levandose em conta: que a Ficha 10 da DIPJ/99 não foi anexada pela fiscalização, não se podendo descartar a possibilidade de entrega de alguma retificadora; a ausência de assinatura ou chancela da fonte pagadora no informe de fl.187; a documentação acostada pela defesa e alegações relacionadas ao oferecimento à tributação dos rendimentos financeiros com base no regime de competência, relacionados às retenções glosadas. Por todo o exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo – DERAT (SP): a) confirme perante a fonte pagadora a veracidade do informe de fl.187, bem como verifique se os respectivos rendimentos foram de fato oferecidos à tributação, ainda que declarados no campo “Outras adições” da DIPJ/99 (Ficha 10, linha 15), como sustenta o recorrente; b) quanto aos demais rendimentos de aplicações financeiras, relativos às retenções glosadas, verifique, à luz da documentação acostada pela defesa e de outra mais a ser exigida durante a diligência, se já foram oferecidos à tributação, na forma como alega o contribuinte; c) adote medidas outras que entender pertinentes ao deslinde da controvérsia; Fl. 700DF CARF MF 8 d) descreva, em relatório circunstanciado, todas as providências; e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. O Relatório de Diligência de fls. 640645, datado de 27 de setembro de 2013, retornou com as seguintes verificações: II— Da confirmação do informe de rendimento fl. 187 4. Foi enviada intimação (fl.556) à empresa Alfa Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A. para confirmação do informe de rendimentos a. fl.187. 5. Em resposta (fls.558/566), a fonte pagadora confirmou o crédito a empresa Transamérica Representações e Participações Ltda., CNPJ 62.398.391/000100 (atual denominação Nova América Holdings Ltda.), no valor de R$ 207.276,96, a titulo de Juros sobre Capital Próprio do balanço encerrado em 31/12/1998, sobre o qual foi retido e recolhido o IR Fonte de R$ 31.091,54. 6. Embora não tenha sido apresentada a DIRF e DCTF, conforme solicitado na intimação, verificouse, por meio da análise da DIPJ/1999 — AC 1998 da fonte pagadora, que o houve pagamento a titulo de juros sobre capital próprio. 7. Na Ficha 07 — Demonstração do Resultado da DIPJ/1999 — AC 1998 (fls.568), da fonte pagadora Cia Real Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários (atual Alfa Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A.), CNPJ 62.178.421/000164, consta na Linha 40 despesa de juros sobre capital próprio no valor de R$ 1.776.000,00. 8. Considerando que a empresa Nova América Holdings Ltda. possui 11,67% de participação na Cia Real Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários (fl.571) e aplicandose esta participação ao montante de R$ 1.776.000,00, obtémse o valor de R$ 207.276,96, conforme consta no informe de rendimentos. 9. Foi confirmado o pagamento no valor de R$ 266.000,00, código de receita 5706 (Tela SIEF Pagamento â. fl1.571), que equivale à 15% da despesa de juros sobre capital próprio sofrida pela Cia Real Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários. 10. O montante recebido pela interessada no valor de R$ 207.276,96 consta informado na linha 15 (Outras Adições) da Ficha 10 — Demonstração do Lucro Real (fl.569), portanto, a retenção correspondente de R$ 31.091,54 foi adicionada ao montante do IRRF (Linhal3) para recalculo do imposto de renda a pagar AC 1998 (período 01/10/1998 a 31/12/1998), de acordo com quadro abaixo: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 698 9 11. Pelo exposto, confirmouse, para efeito de compensação, o saldo negativo de IRPJ AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998) no valor de R$ 23.083,38. III — Compensações sem processo não comprovadas 12. Ocorre que, de acordo com DCTF, (fls.573/574), foram constatados débitos de IRPJ, período de apuração jan/99 e jun/99, compensados sem processo. O interessado, então, foi intimado (fl.575) a esclarecer qual foi o crédito utilizado e a apresentar cópias autenticadas do Livro Diário e Razão para comprovação. 13. Em resposta (fls.577/604), o interessado informa que: • O valor de R$ 19.577,37 (IRPJ — jan/99) teria sido compensado com saldo credor lRPJ de ano calendário 1996 e com saldo credor de 1RPJ AC 1998 (período 01/01/1998 a 30/09/1998 — houve cisão parcial); • O valor de R$ 43.343,90 (IRPJ — jun/99) teria sido compensado com saldo credor IRPJ AC 1998, período 01/01/1998 a 30/09/1998 (antes da cisão), e período 01/10/1998 a 31/12/1998 (após cisão). Porem, deixou de comprovar a informação acima por meio de apresentação de cópias autenticadas do Livro Diário e Razão. 14. Ressalto que o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ AC 1998, período 01/01/1998 a 30/09/1998, foi objeto de compensação formalizada no processo 11831.000220/0003, donde verificouse a inexistência das compensações dos débitos em questão. 15. Quanto ao crédito relativo ao saldo negativo IRPJ AC 1998, período 01/10/1998 a 31/12/1998, confirmouse, conforme item 10, o valor de R$ 23.083,38, que não é suficiente para compensar integralmente o débito no valor de R$ 43.343,90. 16. Pelo exposto, não resta crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ AC 1998 (01/10/1998a 31/12/1998) que possa ser utilizado para compensação de parte da estimativa mensal IRPJ de janeiro /2000 no valor de R$ 26.843,67. III — Da verificação do oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes àretenção das demais aplicações financeiras. 17. Conforme f1.197 do Despacho Decisório, foi glosada parte das retenções sobre aplicações financeiras, pois não houve o Fl. 702DF CARF MF 10 oferecimento integral a tributação dos rendimentos correspondentes. 18. Da análise dos documentos juntados (cópias do razão contábil, do livro Diário e planilhas das aplicações financeiras, fls.445/543) pelo interessado, verificouse que houve o oferecimento a tributação de valor correspondente as retenções sofridas sobre os rendimentos das aplicações financeiras, inclusive sobre operação de swap, no ano de 1999, de acordo com o regime da competência, embora a retenção na fonte tenha ocorrido no ano de 2000. 19. Do confronto entre os valores retidos, conforme DIRF (fls.116/118, 138/143, 151/159), nos anos de 1998 a 2000, com os valores das receitas correspondentes informados na DIPJ (fls. 95/97, 123/124, 144/146), observase o oferecimento à tributação a maior que o constante na DIRF nos anos de 1998 e 1999, em montante equivalente ao não oferecido à tributação no ano calendario de 2000, de acordo com quadro abaixo: 20. Portanto, confirmase o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 234.722,13, conforme D1RF (fl.116). 21. Por todo exposto, o valor do imposto de renda a pagar foi recalculado para fins de compensação, de acordo com quadro a seguir: 22. O valor da Linha 13 recalculado é de: R$ 166.880,84 (Total de IRRF — R$ 234.722,13 menos valor de IRRF utilizado nas estimativas mensais e considerado na Linha 16 — R$67.841,29). Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 699 11 23. O valor da Linha 16 permanece inalterado, pois não foi comprovada pelo interessado a compensação de parte da estimativa de IRPJ jan/2000 (R$ 26.843,67) com saldo negativo de 1RPJ AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998). Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte consignou (fl. 674675): (i) o item 23 do Relatório de Diligência informa que não foi comprovada a compensação de parte da estimativa de IRPJ jan/2000 no valor de R$ 26.843,67 com saldo negativo de IRPJ AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998). Ocorre que esse valor foi compensado na vigência da IN SRF 21/1997, onde a compensação era realizada sem a necessidade de formalização de processo junto à Receita Federal, exigência essa que passou a existir após a publicação da IN SRF 210/2002. O valor de R$ 26.843,67 compensado relativo à estimativa de janeiro/2000, é justamente o saldo credor do IRPJ AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998), confirmado no item 11 do Relatório de Diligência, conforme faz prova o documento "Demonstrativo de Aproveitamento de Créditos Tributários" cujo valor de R$ 23.072,00 (atualizado) foi utilizado para pagamento por compensação ocorrido em 29/02/2000, (fl. 676). (ii) Os débitos de IRPJ dos meses de jan/99 e jun/99, que foram objeto da resposta a intimação fls. 577/604, também foram compensados na vigência da IN SRF 21/97, sem a mencionada formalização de processo junto à Receita Federal, cujas compensações ocorreram nos dias 28/02/1999 e 31/07/1999, respectivamente, conforme indicado no "Demonstrativo de Aproveitamento de Créditos Tributários" que tem como origem o saldo credor declarado nas DIPJ's AC 1995 (01/01/1995 a 31/12/1995); AC 1998(01/01/1998 a 30/09/1998); AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998) (fl. 677680). Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de março de 2017. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1615.259, da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações que visavam à utilização de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário 2000. Primeiramente, alega a Recorrente que o despacho decisório é nulo por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimento parcial do pleito. Entendo que assiste razão à Recorrente. Fl. 704DF CARF MF 12 À época em que formulado o pedido de restituição vigorava a IN SRF 21/1997, cujo artigo 7o possuía o seguinte teor: Art. 7º Compete à autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRFA), do domicílio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente à parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta n º 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a autoridade competente poderá determinar seja efetuada diligência fiscal prévia, nos estabelecimentos do contribuinte, de modo a constatar, face à sua escrituração contábil e fiscal, a veracidade dos dados apresentados. Compulsando os autos verificase que, de fato, muito embora os autos tenham sido encaminhados para tratamento manual (fl. 213), antes da decisão que reconheceu apenas parcialmente os créditos pleiteados não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos adicionais ou esclarecimentos. No caso, tivesse a ora Recorrente tido a oportunidade de esclarecer alguns aspectos tais como o fato de que, por se tratar de receitas de aplicações financeiras, a apropriação contábil ocorre pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo), nos termos do artigo 731 do RIR/99 – talvez todo este processo administrativo que tramita há quase 17 anos poderia ter sido evitado. O parágrafo único do artigo 7o da IN 21/1997 não traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais, hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova. Tal circunstância revela que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, eis que foi proferido despacho decisório em cerceamento do direito de defesa do contribuinte (art. 59, II, do Decreto 70.235/1972). Entretanto, como fiquei vencida na parte relativa à declaração de nulidade, passo a analisar o mérito. Conforme relatado, as duas questões que ficaram pendentes de verificação após o acórdão da DRJ foram objeto da diligência, a qual reconheceu o crédito no valor de R$286.177,08, restando em aberto o valor de R$26.843,67. Em síntese, os itens 12 a 16 do Relatório de Diligência revelam que este valor não foi reconhecido porque, embora tenha sido confirmado o valor de R$ 23.083,38 relativo ao saldo negativo IRPJ AC 1998, período 01/10/1998 a 31/12/1998, este sequer foi suficiente para compensar integralmente o débito de R$ 43.343,90 referente ao IRPJ de junho de 1999. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13808.004894/200152 Acórdão n.º 1401001.873 S1C4T1 Fl. 700 13 Desse modo, não restou crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ AC 1998 (01/10/1998 a 31/12/1998) que pudesse ser utilizado para compensação de parte da estimativa mensal IRPJ de janeiro de 2000 no valor de R$ 26.843,67, ficando esta em aberto. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, uma vez vencida quanto à preliminar de nulidade, dar parcial provimento, a fim de reconhecer o direito creditório no valor de R$286.177,08. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Voto Vencedor Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado Em relação à alegação de nulidade aventada pelo recorrente em razão de não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimento parcial do pleito, discordo dos termos do voto vencedor pelos motivos que passo a apresentar. Nos termos da regulamentação dos procedimentos de compensação que à época vigoravam, IN SRF 21/1997, assim estabelecia o artigo 7o: Art. 7º Compete à autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRFA), do domicílio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente à parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta n º 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a autoridade competente poderá determinar seja efetuada diligência fiscal prévia, nos estabelecimentos do contribuinte, de modo a constatar, face à sua escrituração contábil e fiscal, a veracidade dos dados apresentados. Como se observa da referida norma a dicção legal PODERÁ não implica numa obrigação de que a autoridade tributária realize diligências em todos os processos que são submetidos à sua análise. Com a implantação de sistemas eletrônicos de controle e fiscalização a análise de pedidos de restituição/compensação realizase pelo batimento dos valores de composição de crédito informados pela empresa em suas DIPJ ou PER/DCOMP com os valores de retenções na fonte, pagamentos, parcelamentos, etc que se encontram registrados nos diversos sistemas informatizados. Assim, a realização de diligência junto ao contribuinte somente é necessária quando há a necessidade de esclarecimento de algum fato que não seja conseguido mediante consulta aos sistemas de controle. Fl. 706DF CARF MF 14 No caso em tela, inclusive, foi realizada uma intimação à empresa solicitando cópias dos comprovantes de rendimento do ano de 1998 que influiriam na composição do saldo de crédito do ano 2000. Assim sendo, como a norma do art. 7º, parágrafo único da IN SRF nº 21/97, não é impositiva, mas sim, permissiva do direito da autoridade tributária determinar diligências, entendo não existir nulidade no fato de não ter havido intimação específica em relação ao presente processo. Nesta linha de entendimento voto por não conhecer da nulidade alegada pelo recorrente, por não existir obrigação legal de realização de intimação e/ou diligências durante o procedimento de análise de compensações/restituições apresentados pelos contribuintes. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 707DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.720186/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA posteriormente a tal marco.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso, apenas com relação à APP - Área de Preservação Permanente. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para (i) restabelecer a glosa da área de preservação permanente de 2.612,00 ha e (ii) restabelecer a glosa da ARL - Área de Reserva Legal apenas no que ela ultrapassar o total averbado de 6.296,35 ha, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas em relação à área de reserva legal e, ainda, a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA posteriormente a tal marco. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 86 /2 00 8- 35 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 244 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso, apenas com relação à APP Área de Preservação Permanente. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para (i) restabelecer a glosa da área de preservação permanente de 2.612,00 ha e (ii) restabelecer a glosa da ARL Área de Reserva Legal apenas no que ela ultrapassar o total averbado de 6.296,35 ha, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas em relação à área de reserva legal e, ainda, a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). . Relatório Da autuação ao recurso voluntário Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural – ITR, tendo em vista a divergência entre os valores apurados de área de preservação permanente, área de reserva legal e o valor da terra nua declarados pelo contribuinte em sua DITR/2005. Tal divergência implicou no valor de imposto lançado de R$ 506.555,65 em notificação de lançamento às efls. 04 a 07, cientificado ao contribuinte em 15/12/2008 (efl. 08). O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 62 a 79, em 05/01/2009. Já a DRJ/CGE, no acórdão 0422.880, prolatado em 10/12/2010, às efls. 103 a 114, considerou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Inconformado, em 1º/02/2011, o contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 121 a 145, alegando, em síntese que: § se deva reconhecer a área declarada de reserva legal, pois decorrente da lei ambiental e comprovada por Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 245 3 averbação no registro de matrícula, no laudo técnico apresentado e requerimento do ADA; § se deva reconhecer a área declarada de preservação permanente, pois decorrente da lei ambiental e comprovada por averbação no registro de matrícula, no laudo técnico apresentado (efls. 48 a 60) e requerimento do ADA, inclusive em valor superior ao declarado; § seja reconhecida a apresentação do requerimento referente o Ato Declaratório Ambiental — ADA, mesmo intempestivo, ou sua desnecessidade; § ainda que se afaste o Laudo Técnico de Avaliação do VTN, o que se admite apenas ad argumentadum, é de se acolher o valor da terra nua declarado por não possuir a Receita Federal tabela de preços elaborada com atendimento a legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pelo contribuinte. Acórdão do recurso voluntário O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 20/01/2012, resultando no acórdão 210201.773, às efls. 150 a 157, que tem a seguinte ementa: ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel. Recurso Voluntário Provido O acórdão teve o seguinte teor: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 246 4 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que dava parcial provimento, mantendo o arbitramento do VTN. Embargos da Fazenda Cientificada do acórdão em 19/04/2012 (efl. 158), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração em 23/04/2012, às efls. 159 e 160, por entender nele haver omissão ao não justificar o afastamento do art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/1981 e do art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 73, de 2000, vigentes à época do fato gerador do tributo. Por isso não seria tempestivo o ADA e inexistente o direito ao benefício fiscal. Tais embargos foram rejeitados por unanimidade de votos no acórdão nº 2102 002.400 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, pois apontou no acórdão a discussão sobre a intempestividade do ADA; inexistiria a omissão arguida. RE da Fazenda Nacional Intimada do resultado dos embargos em 07/01/2013 (efl. 166), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 08/01/2013, manejou recurso especial de divergência (efls. 167 a 188) ao acórdão. Afirma a Procuradora que, partindo de premissas fáticas idênticas, o acórdão recorrido dispensa a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA tempestivamente enquanto o paradigma afirma a indispensabilidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de gozo da isenção, ou ao menos o seu requerimento ao órgão competente, em tempo hábil, ou seja, dentro do prazo legalmente estabelecido. Tudo isso, seja em relação à área de reserva legal, seja em relação à área de preservação permanente. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 39100037 e 210100.442. Em relação à área de reserva legal, há acórdão paradigma, de nº 30130.475, que exige a sua averbação junto ao cartório de registro de imóveis, em data anterior àquela do fato gerador da obrigação tributária. No tocante ao valor da terra nua VTN, o acórdão recorrido aceitou o valor declarado pelo contribuinte, apesar de o laudo por ela apresentado não seguir as normas vigentes da ABNT, divergindo dos acórdãos paradigmas nº 30238.750 e nº 302 39.396, que exigiria o atendimento a tais normas por parte do laudo apresentado. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão recorrido. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho de efls. 191 a 196, datado de 20/11/2015, entendendo por lhe dar seguimento, apenas em relação as matérias que tratam das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mas não em relação ao VTN, pois esse trata de valoração de provas e inexistir semelhança na situação fática com a dos paradigmas. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 247 5 Em sede de reexame de admissibilidade do recurso especial, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no despacho de efls. 197 e 198, acolheu integralmente o despacho anterior, e negou o seguimento relativo ao VTN. Contrarrazões do contribuinte Intimado (Intimação nº 304/2016, efl. 207) do acórdão do recurso voluntário nº 210201.773, do recurso especial da Fazenda, em 13/05/2016 (efl. 215), o contribuinte veio a apresentar contrarrazões, em 27/05/2016, conforme consta às efls. 225 a 238. Na sua argumentação o contribuinte reafirma a necessidade de apreciação dos fatos pela verdade material e argumenta que tanto a desnecessidade de apresentação do ADA para usufruir do beneficio fiscal de excluir as áreas de preservação permanente e a de reserva legal. Além disso haveria averbação da área de reserva legal às margens da matrícula do imóvel, confirmada pelo laudo técnico, com força probante superior ao do ADA. Apresenta jurisprudência administrativa e judicial que suportariam sua tese. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso a ser analisado é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de apresentação, tempestiva, de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2005. Área de preservação permanente No caso concreto, se encontra ADA acostado aos autos, protocolado em 26/09/2007 (efls. 12 e 13). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1º, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. A interpretação literal e restritiva quando da concessão de benefício fiscal, decorrente do art. 111 da Lei nº 5172 de 25/10/1966 CTN, impõe que se exija a apresentação do ADA. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 248 6 Minha posição histórica era no sentido de acatar a apresentação do ADA de acordo com prazo estabelecido em instrução normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitava a sua entrega em até seis meses contados a partir do término do prazo de entrega da DITR (conforme disposto no inc. I do § 3º do art. 9º da IN RFB nº 256 de 11/12/2002, vigente á época do fato gerador). A declaração do exercício de 2005 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2005, conforme dispunha o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554, de 12/07/2005. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2005 poderia ser entregue até o dia 30 de março de 2006. No presente caso, ele só foi protocolado em 26/09/2007, assim, em meu entendimento, o foi de forma intempestiva. Todavia, tendo em vista o posicionamento majoritário deste colegiado no sentido de admissão do referido ADA desde que protocolizado antes do início da ação fiscal, saliento que aquele ato foi protocolizado em 26/09/2007, após o início da ação fiscal, que se deu em 23/07/2007, como se observa na intimação fiscal, à efl. 02, que origina o procedimento. O contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento daquela intimação em 14/08/2007, o que corrobora tal entendimento. Assim, considerando que a maioria dos membros do colegiado entende que o marco temporal para entrega válida do ADA, para fins de exclusão da tributação da área de preservação permanente, é o início da ação fiscal, me curvo ao entendimento da maioria, para, ainda assim, dar provimento ao recurso da Fazenda, restabelecendo a glosa da área de preservação permanente de 2.612,00 ha (efl. 06). Área de reserva legal Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1º de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que a área declarada de 10.562,86 ha, concedida pelo recorrido a título de tal reserva, ficou documentada como existente, a partir de sua averbação no registro competente à época da ocorrência do fato gerador (efl. 372). A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 249 7 b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal concedida no recorrido é no montante de 6.296,35 ha e este teve sua averbação realizada conforme datas apresentadas no quadro a seguir. Saliento que o valor declarado da área de reserva legal glosado foi de 6.529,00 ha (efl. 06) . Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador é que deve ser concedida. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, § 8º, (com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.05858 de 27/12/2000) na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em Matrícula Área do Imóvel (hectare) Área averbada (hectare) Data da averbação 6.177 1399,19 699,59 10/02/2000 (efl. 19) 6.178 1399,19 699,59 01/09/1994 (efls. 17) 6.179 1399,19 699,59 24/06/1987 (efl. 21) 6.180 1399,19 699,59 01/09/1994 (efl. 23) 6.181 1399,19 699,59 01/09/1994 (efl. 25) 6.182 1399,19 699,59 01/09/1994 (efl. 27) 6.183 1399,19 699,59 01/09/1994 (efl. 29) 6.184 1399,19 699,59 24/06/1987 (efl. 31) 6.185 1399,19 699,59 01/09/1994 (efl. 33) Total 12.592,69 6.296,35 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 250 8 momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/2005, com a averbação tempestiva das áreas de reserva legal entre 24/06/1987 e 10/02/2000, no montante de 6.296,35, é de se admitir a dedução deste valor da base de cálculo do ITR, dandose parcial provimento ao recurso especial quanto a esta matéria. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso especial da Procuradora da Fazenda Nacional, para: (a) considerando intempestiva a obrigatória apresentação do Ato Declaratório Ambiental, restabelecer a glosa da área de preservação permanente de 2.612,00 ha e (b) para restabelecer a glosa da área de reserva legal apenas no que ela ultrapassar o total averbado de 6.296,35 ha. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10183.720186/200835 Acórdão n.º 9202005.599 CSRFT2 Fl. 251 9 Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.928020/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/06/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.723
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 20 /2 00 9- 12 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15374.928020/200912 Acórdão n.º 3201002.723 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.012. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15374.928020/200912 Acórdão n.º 3201002.723 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15374.928020/200912 Acórdão n.º 3201002.723 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
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