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Numero do processo: 11080.005932/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/01/1995 a 28/02/2005
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-008.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(assinado digitalmente) Redator designado
Mário Pereira de Pinho Filho
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/01/1995 a 28/02/2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Redator designado Mário Pereira de Pinho Filho Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
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RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (assinado digitalmente) – Redator designado Mário Pereira de Pinho Filho Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 32 /2 00 7- 05 Fl. 889DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 Relatório Trata-se de auto de infração (AI nº 35.839.473-2) para exigência, na condição de responsável pela caracterização de grupo econômico, de diferença de contribuições previdenciárias relativas à cota patronal e a destinada a outras entidades e fundos - Terceiros, uma vez que não foram incluídos na respectiva base de cálculo valores relativos à ajuda de custo ao empregado estudante e salário-maternidade. Foi apurado ainda que empresa deixou de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço e classificou, erroneamente, suas atividades para fins de fixação do grau de risco de acidente de trabalho. O lançamento refere-se também a glosa dos valores compensados pela empresa em decorrência da ação judicial por força do decurso do prazo (superior a cinco anos), no período de 09/2002 a 02/2005. Após o trâmite processual, com a anulação da primeira decisão, a Delegacia de Julgamento (acórdão 10-32.270) julgou a impugnação procedente em parte para reconhecer a decadência parcial do lançamento. Com base no artigo 173, inciso I, do CTN, contando-se o prazo decadencial quinquenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, foram excluídos os créditos, lançados na matriz da empresa, no levantamento FP, relativos à competência 07/99, competências 01/1995 a 13/1998, do Levantamento FP1 e os créditos referentes às competências 01/99, 07/99 e 13/99 do levantamento FPG. Havendo, nos autos, notícia de recolhimentos parciais, foram ainda atingidos pela decadência, considerado o início da fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, consoante o disposto no parágrafo 4° do artigo 150, do CTN, os créditos relativos às competências 05/2000 e 06/2000, no levantamento FP e às competências 02/2000 a 09/2000, no levantamento FPG. A decisão mantém ainda o entendimento da fiscalização pela prescrição ao direito de compensação de créditos da Contribuinte pela aplicação do prazo de cinco anos, nos termos em que fixado pelo art. 253 do então Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. A 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a homologação tácita do crédito lançado até a competência 11/2000, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN e para determinar que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. O acórdão 2302-003.043 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/01/1995 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se Fl. 890DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica-se o disposto no artigo 150, §4° do CTN. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO APÓS O PRAZO QUINQUENAL PREVISTO NO DECRETO Nº 20.910, DE 1932. IMPOSSIBILIDADE. O direito de compensar crédito tributário reconhecido na esfera judicial prescreve em 5 (cinco) anos, contado a partir da data do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nos presentes autos, a decisão judicial transitou em julgado em 08.1997. Levando em consideração o disposto no art. 168, II, CTN c/c art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o contribuinte poderia compensar seus créditos somente até 08.2002. A partir de então estaria prescrito o direito ao encontro de contas. AJUDA DE CUSTO. AUXÍLIO. EMPREGADO ESTUDANTE O agente previdenciário, tal como exposto no art. 142 CTN, tem a sua atividade vinculada e, como tal, não poderia deixar de exigir o pagamento das contribuições previdenciárias sobre esta rubrica, uma vez que, como dito, o benefício era concedido apenas a determinada categoria de empregados, deixando à margem todos os demais em completo desrespeito ao art. 28, §9º, alínea ‘t’, da Lei nº 8.212/91. SAT. AUTO ENQUADARAMENTO. PARECER PGFN/CRJ nº 2010/2011. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. DOS FATOS GERADORES. SALÁRIO-MATERNIDADE. DESCONTO DE 11% SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35ª à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35ª da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento Fl. 891DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial o qual foi admitido. Com base nos acórdãos paradigmas nº 2301-00.283 e 2401-00.120 devolve-se a este Colegiado a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o contribuinte apresenta suas contrarrazões. Incialmente pugna pelo não conhecimento do recurso sustentando que 1) o recurso versa sobre questão não contemplada na fase contenciosa do processo, 2) o princípio da imutabilidade do lançamento veda a discussão da penalidade aplicada, e 3) a Fazenda Nacional não possui interesse recursal no presente recurso especial, pois seu requerimento converge com o acórdão recorrido. No mérito defende a recorrente o não provimento do recurso. O Contribuinte, concomitantemente, apresentou o seu próprio recurso especial, esse admitido apenas em relação a duas matérias. Com base nos acórdãos paradigmas nº 3302- 01.576 e 3101-00.483, defende o Contribuinte seu direito à compensação integral dos débitos reconhecidos por ação judicial, pois o prazo previsto no art. 168, II do CTN se aplica para o início da compensação, não trazendo o citado artigo prazo para sua conclusão. A segunda tese recursal também trata da retroatividade benigna previsto no art. 106 do CTN, defendendo o contribuinte que a multa de mora do art. 35 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09, retroaja para abrandar a multa de mora prevista nos incisos do art. 35 da Lei 8.212/91, em sua antiga redação. Contrarrazões da Fazenda Nacional pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Do recurso da Fazenda Nacional: Pugna a Fazenda Nacional pela reforma do acórdão recorrido no que tange ao critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna adotado pelo Colegiado recorrido em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cita como paradigmas os acórdãos 2301-00.283 e 2401-00.120. Fl. 892DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 A recorrente sustenta que a retroatividade benigna do art. 106, I do CTN deve levar em consideração a natureza da multa aplicada e não a nomenclatura adotada pelo legislador assim, no caso concreto, para apuração da multa mais benéfica quando da execução do julgado deve-se fazer a comparação entre o art. 35 (na redação anterior) e o art. 35-A da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 10.941/2009. Ocorre que foi exatamente essa a conclusão do acórdão recorrido. Segundo consta do teor do voto vencedor, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Explica o Redator designado: Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35ª da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de oficio, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. Conforme demonstrado na própria peça recursal e bem destacado nas contrarrazões do contribuinte, a conclusão fixada no acórdão recorrido é exatamente a mesma adotada pelos paradigmas o que nos leva ao não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional seja por ausência de divergência interpretativa dos dispositivos normativos, seja por ausência de interesse recursal. Do recurso do Contribuinte: Em relação ao recurso do Contribuinte, o mesmo deve ser conhecido. Conforme exposto, o recurso versa sobre duas matérias. No que tange a discussão acerca do prazo fixado pela legislação para compensação integral de débitos reconhecidos por ação judicial, são citados os acórdãos Fl. 893DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 paradigmas nº 3302-01.576 e 3101-00.483. Ambos paradigmas, embora tratem de tributos diversos, trazem tese de aplicação geral, ou seja, os Colegiados se debruçaram sobre o art. 168, II, CTN para concluir pela possibilidade de compensação da totalidade dos créditos reconhecidos por decisão judicial, considerando que o prazo de cinco anos é exigido para o início da compensação. O despacho de admissibilidade assim resumiu a divergência: O prazo de cinco anos do Art. 168, II, impõe que o contribuinte finalize sua compensação em 5 anos ou a inicie neste período? (grifos do recorrente) Para demonstrar a possível divergência de interpretação à legislação tributária, indica os acórdãos paradigmas transcritos a seguir, onde, segundo o recorrente, baseando-se no Art. 168, II, há precedentes do CARF que corretamente corroboram o entendimento de que o prazo de cinco anos aplica-se ao início da compensação, mas não ao seu fim – entendimento que encontra, ainda, suporte na jurisprudência do STJ e dos Tribunais Regionais Federais. Acórdão n.º 3302-01.576 ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração : 01/07/1988 a 31/10/1995 PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. O prazo para o sujeito passivo compensar administrativamente créditos que tenham sido a ele reconhecidos mediante decisão judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da respectiva decisão, e aplica-se de forma única ao pedido de restituição originalmente apresentado ou à primeira declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido (grifos do recorrente) Acórdão n.º 3101-00.483 ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração : 01/09/2000 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PRESCRIÇÃO Considerando que a prescrição é direito de ação, prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário reconhecido em decisão judicial, contados da data do trânsito em julgado. Uma vez apresentado o pedido de restituição e iniciada a compensação com prestações vincendas, não há que falar-se em prescrição. O direito à compensação poderá ser exercido de forma continua até a liquidação do indébito ou o Fisco poderá restituir o saldo remanescente em dinheiro assim que aprecie e defira o pedido de restituição formulado. Fl. 894DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 Recurso Voluntário Provido. (grifos do recorrente) ... Assevera que, a interpretação dada pelos paradigmas ao Art. 168, II, do CTN, divergiu daquela proferida pelo colegiado recorrido, abrindo a via especial ao CSRF, nos termos do Art. 37, §2º, do Decreto 70.2355, e do Art. 67 do Regimento Interno do CARF, pois, enquanto o acórdão recorrido considera que o prazo prescricional do Art. 168, II, limita o término da compensação, o acórdão paradigma compreende que este dispositivo limita tão somente o início da compensação; não se aplicando, porém, para restringir as efetivas compensações se o primeiro pedido de compensação foi tempestivo. ... A divergência resume-se quanto ao prazo para o término de compensações realizadas por força de decisão judicial, tendo estas compensações iniciadas, tempestivamente, no prazo previsto no art. 168, II do CTN. Enquanto no arresto guerreado decidiu-se que o sujeito passivo teria direito a compensar os créditos reconhecidos em decisão judicial, no prazo quinquenal, contados a partir da data do trânsito em julgado, nos paradigmáticos a conclusão foi no sentido que as compensações poderiam ser realizadas até o limite do crédito, independentemente do prazo de 05 anos do trânsito em julgado da decisão, desde que iniciado tempestivamente. Observamos, portanto, que a divergência tem como foco a melhor interpretação a ser dada ao art. 168, II do CTN, dispositivo que aborda norma geral de direito tributário relacionada à perda do direito do contribuinte de compensar seus créditos e, neste cenário, o fato de os acórdãos tratarem de tributos diversos, é diferença meramente incidental que não impede o conhecimento do recurso. Conclusão: Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso da Fazenda Nacional, e conheço do recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 895DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho - Redator designado. Não obstante as considerações trazidas no voto da i. Relatora, especificamente com relação ao Recurso Especial da Contribuinte, delas divirjo pelas razões de fato e de direito que exponho a seguir. Consta da decisão recorrida que a Contribuinte efetuou compensação de créditos decorrentes de contribuições previdenciárias com origem em decisão transitada em julgado em agosto de 1997. Porém, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em desfavor da ora recorrente, em virtude da glosa das compensações efetuadas entre 09/2002 e 02/2005, ao argumento de que, nesse período, o direito do Sujeito Passivo teria sido alcançado pela prescrição. No intuito de rediscutir a matéria perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, foram apresentados os Acórdãos nº 3302-01.576 e nº 3101-00.483 que versam respectivamente sobre compensação de contribuição para o PIS e para o Finsocial. A despeito disso, de acordo com o voto vencido, embora tratem de tributos diversos, os paradigmas trariam tese de aplicação geral, insculpida no inciso II do art. 168 do CTN. Em razão disso, a divergência teria como foco a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo da norma complementar, que seria comum a ambos os tributos. Ocorre que o art. 168 do CTN trata tão-somente de aspectos gerais relativos à compensação de tributos. As questões específicas aplicáveis a cada tributo são disciplinadas pela legislação ordinária e, sobretudo, por normativos infralegais. No caso em comento, o acórdão recorrido é bastante claro no sentido de que a norma disciplinadora da prescrição do direito à compensação é o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932. De outra parte, no período que aqui se discute, o art. 251 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 estabelecia a forma com que devia se operar o procedimento de compensação ou o pedido de restituição, in verbis: Art. 251. A partir de 1º de janeiro de 1992, nos casos de pagamento indevido ou a maior de contribuições, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importâncias correspondentes a períodos subseqüentes. § 1º A compensação, independentemente da data do recolhimento, não pode ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência, devendo o saldo remanescente em favor do contribuinte ser compensado nas competências subseqüentes, aplicando-se as normas previstas nos §§1ºe 2ºdo art. 247. Fl. 896DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 § 2º A compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. § 3º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 4º Em caso de compensação de valores nas situações a que se referem os arts. 248 e 249, os documentos comprobatórios da responsabilidade assumida pelo encargo financeiro, a autorização expressa de terceiro para recebimento em seu nome, a procuração ou o recibo de devolução de contribuição descontada indevidamente de segurado, conforme o caso, devem ser mantidos à disposição da fiscalização, sob pena de glosa dos valores compensados. § 5º Os órgãos competentes expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Grifou-se) De se esclarecer que, embora o direito creditório da Contribuinte decorra de decisão judicial transitada em julgado em momento anterior à publicação do referido regulamento, o procedimento de restituição ou o pedido de compensação deve observar a norma vigente à época em que se buscava a satisfação do direito. Na esteira do disposto no § 5º do art. 251 do RPS, as Instruções Normativas INSS/DC nº 67/2002 e nº 100/2003 e a Instrução Normativa SRP nº 3/2005 é que estabeleciam os procedimentos necessários à compensação. Tomando por base a Instrução Normativa SRP nº 3/2005, a qual, com relação à matéria em discussão, não se diferencia das normas infralegais que lhe antecederam, tem-se que, no que se refere às contribuições previdenciárias, a compensação era informada diretamente na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, conforme estabelecido em seu manual. Senão vejamos: Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: [...] § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. (Grifou-se) Os normativos acima, aplicáveis à situação retratada na decisão recorrida, revelam que, com relação às contribuições administradas, à época, pelo INSS/Secretaria da Receita Previdenciária, inexistia pedido específico de compensação. O procedimento consistia em, mês a mês, informar o valor a compensar em GFIP, que não poderia ser superior a 30% (trinta por cento) da contribuição devida, e subtrair tal valor do montante do tributo. Na impossibilidade de se compensar o montante a que tinha direito antes de transcorrido o prazo prescricional, seria possível ao contribuinte optar por pedido de restituição. No caso dos acórdãos paradigmas, de modo diverso, a compensação foi requerida por meio de declaração de compensação criada pela Lei nº 10.637/2002, como esclarece o trecho do Acórdão nº 3302-01.576 a seguir transcrito: Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 A par de tal questão, a matéria que resta a julgar administrativamente é a possibilidade de compensação. No presente caso tem-se que a decisão transita da em julgado após a publicação da Lei nº 10.637, de 2002, que criou a declaração de compensação, concedeu à Interessada o direito de compensar indébitos do PIS com o próprio PIS, no âmbito da compensaçãoprevistanoart.66daLein.8.383,de1991. (Grifou-se) De se observar que o a norma infralegal que disciplinava a compensação era a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, cujo § 1º do art. 34 dispunha: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] (Grifou-se) O § 1º do art. 42 da citada Instrução Normativa esclarece que os créditos da Contribuição para o PIS era também compensados por meio de Declaração de Compensação – DCOMP: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...] § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. [...] (Grifou-se) Mesmo à época da prolação da decisão que resultou nesse primeiro paradigma, quando os órgãos de administração tributária já haviam sido unificados a partir da criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (resultante da fusão das extintas Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Receita Previdenciária), a compensação das contribuições previdenciárias permaneceu observando rito semelhante ao estabelecido na Instrução Normativa SRP nº 3/2005, reproduzidos nos arts. 44 a 48 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 Assim, para as exações destinadas ao pagamento de benefícios previdenciários, a compensação deveria ser informada mensalmente em GFIP e o valor dela decorrente deduzido montante apurado, consoante os disposto no § 7º do art. 44 da referida Instrução Normativa nº 900/2008: Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizá-lo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. [...] § 7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. (Grifou-se) O segundo paradigma, Acórdão nº 3101-00.483, que se refere a compensação de contribuição destinada ao Finsocial, a qual também era efetuada por meio de DECOMP, conforme previsto na Instrução Normativa nº 600/2005, faz referência a rito semelhante ao estabelecido na primeira decisão trazida da cotejo. Abaixo trechos do aresto a esse respeito: No caso de medida judicial que reconheça o direito creditório do contribuinte, este ainda pode executar o titulo judicial via execução judicial ou via pedido administrativo de restituição na forma da Instrução Normativa SRF 600/2005. Tanto para o ingresso da execução judicial como para o ingresso do pedido administrativo o contribuinte tem prazo prescricional de cinco anos. [...] Como se isso não bastasse, o Fisco reconhece que a Recorrente tem direito a crédito seja da apreciação do pedido de restituição (fls. 207/209), seja na intimação feita em 11/11/2004 (fls.314/315) pela qual "a contribuinte foi cientificada de proceder as compensações por meio do sistema eletrônico (PER/DCOM), via internet, pois ainda existia uni saldo de R$ 8.646,44, já atualizado ate 01/01/1996. [...] Convém salientar que que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta, consoante previsão contida no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídico-normativo. Há de se repisar que, na decisão recorrida, tem-se situação em que o Sujeito Passivo detinha créditos de contribuições previdenciárias que poderiam ser compensados mensalmente por meio de declaração em GFIP, ou ainda ser objeto de restituição. No caso, a decisão recorrida decidiu por manter a glosa das compensações feitas após o prazo de 5 (cinco) anos do trânsito em julgado da sentença judicial que reconheceu o direito, em razão do entendimento de que, após decorrido esse prazo, tais créditos haviam sido fulminados pelo transcurso do prazo prescricional. Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-008.201 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11080.005932/2007-05 Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar – glosa de compensações de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP – se entendesse pela possiblidade de repetição do indébito, mesmo após o prazo de 5 (cinco) anos de a decisão judicial haver se tornado definitiva. Entretanto, analisando o inteiro teor dos paradigmas vê-se que, conquanto também tratem de reconhecimento de direito a repetição de indébitos em face de decisão judicial, as situações neles retratadas referem, como já se demonstrou, a compensação de contribuições para o PIS e Finsocial efetuadas por meio de DCOMP, em que os procedimentos não guardam qualquer similaridade com as compensações efetuadas por meio de GFIP. Dessarte, forçoso concluir pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim das especificidades fáticas de cada casos. Em razão da dessemelhança entre situação retratada nos autos e nos casos trazidos a cotejo, não há como se afirmar que os colegiados prolatores de tais decisões chegariam a conclusão análoga, caso estivessem diante do cenário aqui refletido. Além do que, o lançamento das contribuições previdenciárias decorreu de também de rito estabelecido nas as Instruções Normativas INSS/DC nº 67/2002 e nº 100/2003 e a Instrução Normativa SRP nº 3/2005, enquanto que nos paradigmas foram as Instruções Normativas SRF nº 600/2005 e RFB nº 900/2008 que serviram de base para glosa e, por se tratarem de normativos diversos, não há como se falar em dissenso jurisprudencial, pois esse somente se verifica em face do mesmo arcabouço jurídico-normativo. Significa dizer que não houve por demonstrada a legislação interpretada de forma divergente em virtude de estarmos diante de normas diversas. Conclusão Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.904799/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Tratase de processo em que a contribuinte transmitiu Pedido de Restituição em que o direito creditório pleiteado tem como origem o pagamento a maior, ou indevido, de CSLL Lucro Presumido; Entretanto, a unidade de origem da RFB indeferiu o pedido de restituição, pois referido valor reclamado fora consumido, utilizado integralmente pela contribuinte para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 79 9/ 20 12 -1 0 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 3 2 Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que requer: a) restituição de valores do IRPJ e da CSLL pagos indevidamente com coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% (atividade em geral); que, entretanto, sua atividade envolveria prestação de serviço de natureza hospitalar e, assim, os percentuais dos coeficientes de presunção do lucro seriam inferiores aos que utilizara na apuração e pagamento desses tributos; b) o pedido de repetição do indébito tributário, para verificação do alegado erro de fato atinente à aplicação dos coeficientes de presunção na apuração e pagamentos dos tributos; a existência do erro de fato na apuração dos débitos desses tributos e recolhimentos, cujos coeficientes corretos de presunção do IRPJ e da CSLL seriam, respectivamente, de 8% e 12% e não 32%; Por fim, a contribuinte reiterou o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Obs: O procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795 se restringiu apenas ao anocalendário 2006. A 3ª Turma da DRJ/Recife, por inexistir conexão processual/probatória, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, conforme Acórdão, cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, bem como, no que pertinente, o seu voto condutor, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição ou compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Mantémse o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Inconformada com a decisão da DRJ/Recife a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, argumentando, in verbis: (...) A causa do indeferimento, por outro lado, foi essencialmente o fato, relatado pela autoridade fazendária, de que tal pagamento, [...], seria relacionado a tributo (CSLL) declarado pelo contribuinte, em DCTF por ele apresentada [...] Ocorre que, embora seja inegável que a recorrente apresentou a referida DCTF, é preciso observar que aquela declaração se deu quando ela erroneamente apurava o imposto de renda (IRPJ) e a CSLL, pela sistemática do lucro presumido, mediante aplicação do percentual de 32% para apuração da base de cálculo sobre a qual incidiriam referidos tributos, quando na realidade, por exercer Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 4 3 atividades hospitalares, deveria aplicar o percentual de apenas 8% para o IRPJ, e 12% para a CSLL, em tal determinação, tendo sido exatamente esta, a causa para os recolhimentos indevidos. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301 000.538, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/201245. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1301000.538): O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Por isso, tomo conhecimento do recurso. A lide objeto dos autos trata do pedido de repetição do indébito tributário de pagamento indevido ou a maior de tributo (s) apurado (s) pelo regime do lucro presumido, no (s) período (s) especificado (s) no PER. Argumenta a recorrente que, nesse (s) períodos (s), exerceu atividade de prestação de serviços hospitalares, fazendo jus à utilização dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, ou seja, 8% (oito por cento) para o IRPJ e 12% (doze por cento) para a CSLL quanto a receitas (faturamento) dessa atividade; que, entretanto, apurara e pagara os tributos com coeficiente de presunção de 32% (atividade em geral), gerando o crédito reclamado nestes autos. As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 5 4 nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: Serviços hospitalares: O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251PR). Serviços hospitalares são "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Custos diferenciados: A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. Sociedade empresária: Entende o STJ que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249 /95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp nº 951.251PR da 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Castro Meira, Sessão de Julgamento de 22/04/2009, publicado no DJe 03/06/2009, in verbis: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, 1º, III, A, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa . Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº11.727/2008. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 6 5 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (STJ REsp: 951251 PR 2007/01102360, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 22/04/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: 20090603 > DJe 03/06/2009 Ainda, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, que se reporta ao citado REsp nº 951.251PR in verbis: (...) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1 . Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares"prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 7 6 restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR , da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (...) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 8 7 Por fim, ainda por ser esclarecedor e sintetizar o entendimento do STJ, quanto às condições para apuração do IRPJ e da CSLL mediante coeficientes reduzidos de presunção do lucro, transcrevo a ementa do Acórdão do TRF/4ª Região, Primeira Turma, Sessão de Julgamento de 22/04/2015, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, in verbis: Ementa TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. LEI Nº 9.249/95. LEI 11.727/98. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. Os artigos 15, § 1º, III, a e 20, da Lei nº 9.249/1995, prevêem a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL para as prestadoras de serviços hospitalares. 2. O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos 'relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade' (RESP nº 951.251). 3. A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. 4. A partir da data da vidência da Lei 11.727, de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95. (TRF4 APELREEX: 50285396820124047000 PR 5028539 68.2012.404.7000, Relator: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, Data de Julgamento: 26/11/2014, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 27/11/2014) Como visto, pelo entendimento do STJ o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251). Compulsando os autos, constato que: 1) Quanto à natureza da atividade prestação de serviço hospitalar: No seu objeto social, a contribuinte possui diversas atividades, além da prestação de serviço hospitalar. Ou seja, juntou aos autos cópias dos Atos Constitutivos e Alterações, com objeto social diversificado, senão vejamos: a) consta do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil de Quotas de Responsabilidade Ltda, com denominação de PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LIMITA, de novembro/1989, registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, em 18/01/1990 (efls. 18/30), como objeto social, conforme CLÁUSULA, in verbis: SEGUNDA O Objeto da sociedade será o de prestação de serviços, na área de saúde, através de assistência médica, odontológica, farmacêutica e outras atividades afins. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 9 8 b) consta do Instrumento Particular de Alteração Contratual da Firma PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/12/2001, registrado no 1º Ofício de Belém do Pará Registro Civil das Pessoas Jurídica, em 20/12/2001 (efls. 18/30), como objeto social, na Cláusula Quinta, in verbis: CLÁUSULA QUINTA O objetivo da sociedade passa a ser o seguinte: 1 Prestação de Serviço na Área de Saúde, através de Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica; inclusive, Laboratoriais e de Diagnóstico, Plano de Saúde, Consultoria, Planejamento, Assessoria, Auditoria, Perícia Médica, Medicina do Trabalho, Administração de Sistemas e Serviço de Saúde, Locação de Mão de Obra, Limpeza, Agenciamento, Conservação, Higienização, Assepsia e Aluguel de Imóveis, Utensílios e Equipamentos. c) consta da cópia da Décima Alteração do Contrato Social da Sociedade PRE SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/06/2007, registrado 03/07/2007 na Junta Comercial do Estado do Pará, como objeto social consignado na Cláusula Segunda (efls. 18/30): Cláusula Segunda DO OBJETIVO SOCIAL O objetivo social é a prestação de serviços nas Atividades de Atenção à Saúde Humana, através de: Serviços Móveis de Atendimento a Urgências e de Remoção de Pacientes; Atividades de Atenção Ambulatorial executada por Médicos e Odontólogos; Atividades de Serviços de Complementação Diagnóstica e Terapêutica; Atividades de Profissionais da Área de Saúde; Atividades de Apoio à Gestão da Saúde; Atividades de Atenção à Saúde Humana Integrada com Assistência Social, Prestada em Residências Coletivas e Particulares. Planos de Saúde; Fornecimento e Gestão de Recursos Humanos Para Terceiros; Limpeza em Prédios e em Domicílios e Aluguel de Bens Móveis, Imóveis, Utensílios e Equipamentos; Atividade Odontológica com Recursos para Realização de Procedimentos Cirúrgicos; Laboratórios Clínicos; Serviços de Diagnósticos por Registro Grágico ECG, EEG e Outros Exames Análogos. Como demonstrado, a contribuinte tem por objeto social atividades diversificadas, e algumas atividades não configuram serviço hospitalar quanto ao (s) PA (s) objeto dos autos, conforme se observa dos seus atos constitutivos. Mesmo em relação à atividade que se considera, em tese, serviço hospitalar, a contribuinte não juntou provas aos autos de que só exercera atividade de serviço hospitalar, que sua receitas decorreram exclusivamente da prestação de serviços hospitalares, quanto ao (s) PA objeto (s) do pedido de restituição de pretenso pagamento indevido ou maior. A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 10 9 Por outro lado, a contribuinte juntou cópia do resultado do procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795, mas, diversamente do alegado pela contribuinte, referese apenas ao ano calendário 2006, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, de 23/03/2011. Portanto, período de apuração diverso do objeto destes autos. A propósito quanto à falta de provas da existência do direito creditório pleiteado, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) 19. Não há, nos autos, prova alguma de que a interessada atendeu, no período de apuração de que se cuida, aos pressupostos estabelecidos para que fosse enquadrada como prestadora de serviços hospitalares. 20. O procedimento fiscal invocado pela inconformada, cujo termo se acha às fls.31/32, dá conta de que o Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, à vista da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, bem como das notas fiscais, contratos de serviços e atestado da Secretaria Municipal de Saúde, concluiu que, no anocalendário 2006, 71% das receitas da empresa tiveram origem em serviços hospitalares, razão pela qual poderia utilizarse dos percentuais de presunção de 8% e de 12% respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. (...) Assim, em relação à natureza da atividade exercida pela contribuinte, quanto ao (s) P.A (s) objeto do pedido de restituição do direito creditório, tornase necessário instrução processual complementar para apuração da receita especificamente da atividade de prestação de serviço hospitalar, seu percentual em relação à receita bruta total do (s) do (s) respectivo (s) período (s) considerado (s) objeto (s) dos autos. 2) Custos diferenciados: Em observância do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na interpretação da Lei nº 9.249/1995 ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia, na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que há necessidade do contribuinte comprovar a existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual, de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Portanto, a contribuinte terá que comprovar custos diferenciados da sua atividade de prestação de serviços hospitalares em relação ao mero exercício intelectual e pessoal de profissão regulamentada, atividade exercida nos consultórios médicos (consultas médicas). 3) Forma da exploração da atividade hospitalar: Diz respeito à organização da atividade de prestação de serviço hospitalar em caráter empresarial, existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Segundo o STJ, a partir da vigência da Lei 11.727/2008 (art.29), ou seja, a partir de 01/01/2009, ainda é condição sine qua non a Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904799/201210 Resolução nº 1301000.556 S1C3T1 Fl. 11 10 exploração da atividade de serviços hospitalares na forma de sociedade empresária para fazer jus ao benefício fiscal da redução dos coeficientes de presunção do lucro. Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.720898/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, passível de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. SÚMULA CARF nº 122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
Numero da decisão: 2401-009.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para aceitar a área de reserva legal de 83,4 ha e a área de preservação permanente de 4,5 ha. Vencidos os conselheiros Rodrigo Lopes Araújo (relator) e José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro que davam provimento parcial ao recurso voluntário para aceitar apenas a área de reserva legal de 83,4 ha.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lopes Araújo - Relator
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo
Nome do relator: RODRIGO LOPES ARAUJO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, passível de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. SÚMULA CARF nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-23T22:16:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-br; dcterms:created: 2021-08-20T14:30:53Z; Last-Modified: 2021-08-23T22:16:33Z; dcterms:modified: 2021-08-23T22:16:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:964332df-196c-489c-8858-291482a54cd1; Last-Save-Date: 2021-08-23T22:16:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-23T22:16:33Z; meta:save-date: 2021-08-23T22:16:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-23T22:16:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-br; meta:creation-date: 2021-08-20T14:30:53Z; created: 2021-08-20T14:30:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2021-08-20T14:30:53Z; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-20T14:30:53Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10945.720898/2011-91 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-009.677 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de julho de 2021 Recorrente IRICA SCHRANCK KAEFER Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, passível de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. SÚMULA CARF nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para aceitar a área de reserva legal de 83,4 ha e a área de preservação permanente de 4,5 ha. Vencidos os conselheiros Rodrigo Lopes Araújo (relator) e José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro que davam provimento parcial ao recurso voluntário para aceitar apenas a área de reserva legal de 83,4 ha. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 08 98 /2 01 1- 91 Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo Relatório Trata-se, na origem, de notificação de lançamento do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo ao imóvel “Fazenda Kaefer Lr 48 a 66 e de 96 a 110 Per 39 – NIRF 3043437-8”, referente a: a) Falta de comprovação da área de produtos vegetais; b) Falta de comprovação da área de pastagem; c) Falta de comprovação do valor de terra nua (VTN) declarado. De acordo com o relatório fiscal (e-fl. 45): Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 09106/00007/2011, o contribuinte não apresentou comprovação das áreas de produtos vegetais e pastagens declaradas, e tampouco apresentou laudo de avaliação do valor da terra nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, e conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Impugnação (e-fl. 56) na qual a contribuinte alega que: Houve erro na declaração do ITR; Não foi declarada a área de preservação permanente de 4,5 ha; Não foi declarada a área de reserva legal de 83,4 ha; O imóvel tem área ocupada com benfeitorias de 2,3 ha; Comprova área de produtos vegetais de 310,0 ha; Comprova área de pastagens de 81,6 ha; Manteve média de 24 cabeças de gado em 2006; Não contesta a área de pastagens de 54,9 ha; O VTN do imóvel é de R$ 4.467.758,40; O imóvel encontra-se arrendado desde 2000, portanto a movimentação de produtos agrícolas está em nome do arrendatário; As notas fiscais de produtor e de compra de produtos comprovam a produtividade do imóvel; O imóvel consta do CCIR, emitido pelo INCRA, como grande propriedade produtiva Lançamento julgado parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). Decisão (e-fl. 504) com a seguinte ementa: Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Áreas de Florestas Preservadas - Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP ou de Utilização Limitada - AUL, como Área de Reserva Legal - ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico, e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA no prazo regulamentar. A prova de uma não exclui a da outra. A partir do exercício de 2007 o ADA passou a ser exigido anualmente. Área Utilizada pela Atividade Rural - Comprovação É possível rever o lançamento que glosou áreas utilizadas pela atividade rural, por não haver sido apresentado comprovação quando do atendimento à intimação, se a impugnação estiver acompanhada de tais comprovantes. Valor da Terra Nua - VTN - Reajustado com base no SIPT O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando o preço de uma das qualidades de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação considerando os demais tipos de terras existentes da propriedade demonstrados na impugnação. A DRJ reconheceu a área de benfeitorias, a área utilizada na atividade rural e o VTN constante do laudo técnico apresentado pela contribuinte, sem entretanto aceitar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pleiteadas pela contribuinte, vez que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Conclusão do voto condutor do acórdão: Finalmente, considerando que a APP e ARL existentes no imóvel não estão regularizadas por meio de ADA; considerando haver sido comprovada a existência de Benfeitorias e Atividade Rural – APV e Pastagem – nas dimensões de áreas constantes de laudo técnico; considerando, ainda, o reajuste do preço de terras conforme os diversos tipos de solo existentes no imóvel; conclui-se haver possibilidade de rever o lançamento, modificando-se os dados conforme DITR retificadora, limitando-se nos itens comprovados. Ciência do acórdão em 23/05/2012, conforme recibo (e-fl. 515). Recurso voluntário apresentado em 22/06/2012, no qual a contribuinte alega que: Desconhecia a obrigatoriedade do ADA; Entregou o ADA do exercício de 2012; Foi firmado termo de responsabilidade de conservação de floresta, averbado junto à matrícula do imóvel, constando que na época de sua elaboração existia 3,75 ha de preservação permanente e 96,36 ha de reserva legal. Os seguintes documentos instruem o processo: Documento e-fl. Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 DITR 3 Termo de Intimação Fiscal 12 Notificação de Lançamento 44 Impugnação 54 Laudo de Avaliação 97 DITR 494 Decisão de 1ª instância 514 Recurso Voluntário 516 Ato declaratório ambiental – ADA 2012 538 Registro de Matrícula 25.394 539 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Relator. Análise de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. Preservação Permanente - Reserva Legal – Termos da decisão de piso No laudo técnico e na DITR retificadora apresentados pela contribuinte, em anexo à impugnação, constam as seguintes informações acerca da área do imóvel: Laudo - uso do solo Área (ha) DITR - Distribuição da área (hectares) Agricultura 310,0056 Produtos vegetais 310,0 Pastagem 81,6000 Pastagens 26,7 Reserva legal 83,4570 Reserva Legal 83,4 Preservação permanente 4,5140 Preservação Permanente 4,5 Área de sede 2,26100 Benfeitorias 2,3 O julgador a quo registrou a aceitação do laudo técnico e demais documentos juntados a título de comprovação do VTN e das áreas objeto do lançamento, porém estas com as dimensões contidas na DITR retificadora. Quanto às áreas de preservação permanente e reserva Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 legal, não foram admitidas por conta da falta de Ato Declaratório Ambiental (ADA) do IBAMA. Do voto condutor do acórdão de primeira instância: 18. Para este tema deve ser esclarecido que, embora demonstrada a existência das áreas em pauta, inclusive constante de averbação da ARL na matrícula, não foram regularizadas para efeitos de isenção tributária, pois, como a impugnante informou, não foi apresentado ADA ao IBAMA. (...) 27. Assim sendo, é possível modificar o lançamento para aceitar a distribuição das áreas de benfeitorias e utilizadas na atividade rural nas dimensões constantes da DITR retificadora e atestadas no referido laudo técnico. (...) 34. Finalmente, considerando que a APP e ARL existentes no imóvel não estão regularizadas por meio de ADA; considerando haver sido comprovada a existência de Benfeitorias e Atividade Rural – APV e Pastagem – nas dimensões de áreas constantes de laudo técnico; considerando, ainda, o reajuste do preço de terras conforme os diversos tipos de solo existentes no imóvel; conclui-se haver possibilidade de rever o lançamento, modificando-se os dados conforme DITR retificadora, limitando-se nos itens comprovados. Destaque-se então, por relevante, os valores relativos ao cálculo do imposto, conforme a tabela abaixo: Campo da declaração Declarado Apurado pela fiscalização Após decisão de 1ª instância Área Total do Imóvel 481,8 481,8 481,8 Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 0,0 Área de Reserva Legal 0,0 0,0 0,0 Área de Produtos Vegetais 350,0 0,0 310,0 Área de Pastagens 128,8 0,0 26,7 Valor de Terra Nua 300.000,00 5.574.907,80 4.467.758,40 Ao se insurgir contra a decisão de piso, a recorrente alega a existência de Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta, averbado junto à matrícula do imóvel (como reserva legal florestal), bem como a necessidade de observância da realidade do imóvel, o que dispensaria o ADA. Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Cabe no entanto ressaltar que não consta dos autos que a então fiscalizada tenha solicitado, antes do lançamento, retificação dos valores das áreas de preservação permanente (APP) e reserva legal (ARL), originalmente declarados como zero. Todavia, da leitura do acórdão da DRJ depreende-se que o julgador a quo admitiu possibilidade de retificação, fundamentando a não aceitação das APP e ARL unicamente por conta da falta do ADA. Considerando que o recurso voluntário tem por objetivo discutir a decisão de primeira instância - nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972 - entende-se como possível o conhecimento de tais matérias, em privilégio ao princípio do contraditório. Ademais, ao menos no que tange à ARL, o documento de registro da matrícula do imóvel foi entregue à fiscalização durante a ação fiscal. Área de Preservação Permanente – ADA - Necessidade Nesse quadro, no que tange à APP, o contribuinte não faz jus à exclusão da área da base tributável. O art. 17-O, §1º, da Lei n° 6.938/1981, com a redação da Lei n° 10.165, de 2000, prevê a obrigatoriedade do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. O art. 10, §3º, I, do Decreto 4.382/2002 previu que as áreas deveriam ser informadas em ADA protocolado nos prazos e condições fixados em ato normativo, para fins de exclusão da base tributável: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo O ADA tem por objetivo permitir a fiscalização por parte do órgão ambiental, dentro do contexto da Política Nacional do Meio Ambiente. Assim, a exigência de que os proprietários rurais apresentem, tempestivamente, o respectivo formulário, destina-se a dar conhecimento ao IBAMA das áreas sujeitas à vistoria prevista no art. 17-O, §5º, também da Lei 6.938/1981. A partir de então as áreas estão passíveis de serem conferidas pelo órgão competente. O ADA é, portanto, requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n° 9.393/96. Dessa forma, não é o bastante que a existência das áreas de preservação permanente nos termos da legislação ambiental: o aproveitamento de tais áreas para fins de ITR Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 necessita da apresentação do ADA tempestivamente protocolado antes da ação fiscal. Nesse sentido, o ADA juntado ao processo (e-fl. 538), protocolado em 22/06/2012, não pode ser aceito, vez que a ação fiscal se iniciou em 17/06/2011 (conforme AR e-fl. 14). Reserva Legal – Averbação Para as áreas de reserva legal é admitida a redução do ITR se houver averbação na matrícula do imóvel, mesmo na ausência de ADA. Entendimento consolidado pela Súmula CARF nº 122, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Salienta-se, contudo, empecilho para que seja reconhecida integralmente a área de 96,36 ha registrada na matrícula do imóvel. Isso porque a própria contribuinte pleiteia, desde a impugnação, o reconhecimento de somente 83,457 ha, justificando ser esta a área efetivamente preservada. É este o valor constante da DITR retificadora apresentada. Assim, tendo em vista que a autoridade julgadora fica restrita aos limites do pedido, deve ser reconhecida a área de 83,457 ha a título de reserva legal. Por fim, quanto à possibilidade de compensação de valores já pagos a título de ITR do exercício 2007, trata-se de matéria estranha ao lançamento, que constituiu somente o crédito relativo à diferença entre o valor apurado e o valor declarado, conforme demonstrativo de e-fl. 47. Conclusão Pelo exposto, voto por: CONHECER do Recurso Voluntário; No mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para aceitar uma área de reserva legal de 83,457 ha. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo Fl. 574DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Redator designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto a área de preservação permanente, capaz de ensejar a reforma do Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA dentro do prazo legal, quanto à área de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural - ITR. Em outras palavras, tanto a autoridade julgadora de primeira instância, bem como o próprio Relator do voto condutor, não questionam a existência da área de preservação permanente, pois esta resta comprovada no Laudo Técnico apresentado. Dito isto, consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7 o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 o , deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (grifamos) Fl. 575DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm#art3 Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal (utilização limitada) e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não apresentação do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. In casu, há nos autos Laudo comprovando a área. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, deve-se admiti-las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa - SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural - ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tão-somente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.00011206- 7/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17-O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.166-67/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto Fl. 576DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 referido diploma autoriza a retro-operância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17-O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região - AMS 2005.36.00.008725-0/MT - e-DJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT - DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.166-67/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.006274-2/PR - 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Pois bem. De acordo com a explanação encimada, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Inclusive, observa-se que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. À vista disso, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adota pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. Fl. 577DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-009.677 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720898/2011-91 Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Neste diapasão, sendo dispensada a apresentação do ADA, impõe-se reconhecer a isenção pleiteada sobre 4,5 ha declarados como área de preservação permanente e comprovada por meio de Laudo Técnico. Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO para aceitar a área de reserva legal de 83,4 ha e a área de preservação permanente de 4,5 ha É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 578DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13855.903310/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3201-001.647
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, por conexão com o processo nº 13855.720820/2011-73, do mesmo contribuinte, já distribuído a conselheiro integrante desta Turma.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. PREÇO PREDETERMINADO. Recorrente MAGAZINE LUIZA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, por conexão com o processo nº 13855.720820/201173, do mesmo contribuinte, já distribuído a conselheiro integrante desta Turma. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Magazine Luíza S/A, na qual pede reforma da decisão proferida pela DRJ. O processo cuida de DCOMP lastreada em créditos de PIS/Cofins, cuja compensação não foi homologada pela DRF/Franca/SP. Por bem relatar os fatos ocorridos, adoto trechos do relatório da DRJ: (...) De acordo com o relatório (...), a requerente, em 10/09/2001, firmou contrato com a Fininvest para formação de uma joint venture financeira (Luizacred). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .9 03 31 0/ 20 09 -1 5 Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 3 2 No contrato, ficou estabelecida a cessão do direito de exclusividade nas operações de crédito da contribuinte à financeira, sem remuneração, e que o Magazine Luiza prestaria serviços à financeira, tendo direito à remuneração estipulada no acordo. Em meados de 2007 a contribuinte contratou serviços de auditoria externa, que concluiu que o contrato entre ela e a Fininvest teria efeitos tributários, em relação às contribuições sociais, diversos daqueles reconhecidos pela empresa à época. Sendo assim, de acordo com o relatório, a contribuinte: ...alterou a tributação da receita da prestação de serviços à Fininvest do regime nãocumulativo para o cumulativo, tendo inclusive retificado as DCTFs desde 2004 formalizando parcialmente este entendimento, já que não retificou as Dacons correspondentes. Isto porque em razão do acordo considerou a fiscalizada tratarse de contrato firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003 sujeito às condições estabelecidas na alínea b, do inciso XI, do art. 10 da Lei no 10.833/03, quais sejam: contrato com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. Nesta nova interpretação, entende a fiscalizada que o contrato de prestação de serviços atende às condições para ter suas receitas tributadas pelo regime cumulativo. Cabe dizer que referido regime de tributação para a COFINS e PIS está regulamentado pela Instrução Normativa no 658/2006. Nesta definese que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Desta forma, a requerente, ao passar a considerar as receitas decorrentes desse contrato como tributadas pelo regime cumulativo, recalculou as contribuições devidas, apresentando DCTFs retificadoras a partir de 2004, contendo os débitos apurados no regime cumulativo, e diversos PER/DCOMP compensando esses novos débitos e outros valores devidos com o crédito relativo à diferença entre as contribuições calculadas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. No entanto, a fiscalização não concordou com o entendimento da auditoria externa com relação às receitas da prestação de serviços à Luizacred, pelos seguintes motivos (realces meus) 1 Da repactuação do contrato com a incorporação de lojas novas pelo Magazine Luiza: Além do acordo inicial firmado em 2001 que levantou as bases da “joint venture”, também foram celebrados contratos entre o Magazine Luiza e a Fininvest denominados Memorandos de Entendimento nos quais as partes estabelecem remuneração a ser paga pela financeira pela potencial geração de lucro decorrente do efetivo aumento do número de pontos de venda, conforme estabelecido. Apesar de haver disposição expressa nos Memorandos de Entendimento de que haveria remuneração de receita auferida pelo Magazine Luiza em decorrência da ampliação da sua rede de lojas, e de conter referência à negociação do direito de exclusividade pelo Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 4 3 Magazine para a Fininvest, não foram tratadas estas incorporações de lojas novas como alterando o contrato inicial. Consta nos Memorandos de Entendimento que parte da aquisição seria paga pela Luizacred por força do aumento do número dos pontos de vendas, afinal foram adquiridos os pontos de venda nas Lojas Madol, Lojas Arno Palavro, Base Lar Eletromóveis e Kilar Móveis e Decorações. Por estas aquisições as partes Magazine Luiza e Fininvest repactuaram o contrato inicial, eis que houve inclusive a remuneração extra em milhões de reais ao Magazine pelos novos pontos de venda e pela nova base de clientes envolvida em cada um dos memorandos de entendimento. (...) A leitura dos memorandos de entendimento nos permite a inequívoca conclusão de que se trata de repactuação do contrato anterior. (...) Mais ainda. Estabelecese inclusive um aditamento de dez anos no prazo dos direitos de exclusividade da Luizacred e no direito de preferência do Fininvest para as novas lojas abertas ou adquiridas. (...) Assim, o preço predeterminado em 2001 pelo contrato inicial foi refeito em cada um dos Memorandos de Entendimento em que a cadeia de lojas aumentou. 2 Da incompatibilidade entre o preço predeterminado legalmente definido e as receitas de serviços auferidas pelo Magazine Luiza Na consideração do que seja preço predeterminado, o conceito está amarrado com a manutenção dos valores recebidos para contratos firmamos antes de 31/10/2003. De acordo com o assentado, a legislação dos tributos em comento permitiu o reajuste de preços em casos delimitados. Quando há reajustes de preços, foi emoldurado pela lei como o conceito deve ser interpretado. (...) Interpretase da leitura que o preço predeterminado pode ser alterado apenas pela exceção acima disposta, vale dizer, em decorrência de variação de custos de produção. Tratase de índices oficiais de variação de preços, afinal a alteração deve refletir o custo de produção ou índice de correção monetária de insumos utilizados. Não se aplica ao caso em análise, isto porque o preço cobrado pelo serviço será sempre variável, pois se altera conforme o volume de contratos de financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do Magazine. A remuneração obtida pela auditada deriva da prestação de serviços de captação de financiamentos, tendo seu valor limitado em 6,8% do valor total dos contratos de financiamento gerados mensalmente. Assim, os valores fixos por operação estabelecidos no inciso I, do item 2.12.3 do acordo de associação não são aplicados, eis que a remuneração nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 sempre foi calculada sobre o volume financiado. (...) Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, a remuneração pelo contrato não se trata de preço predeterminado, mas de receita que sofre variação em função do faturamento da fiscalizada com os serviços prestados. Este faturamento é afetado por cláusulas outras que custos de produção ou de insumos. Tratase de um percentual sobre o montante captado em financiamento para a financeira Fininvest. Como era de se esperar, este montante tem acréscimo no tempo, seja em função da quantidade de clientes captados, como também em proporção com os valores captados de financiamento que aumentam em função de taxa de juros cobrada, ou da condição macroeconômica ao tempo do empréstimo, assim como outras variáveis de mercado. Descabe dizer que os valores recebidos seriam os fixados nos incisos do item I, do item 2.12.3, do acordo de associação. Isto porque no período em análise jamais foram aplicados os valores fixos, pois a cláusula I.2, do item 2.12.3 sempre foi aplicada no período. E esta cláusula prevê um índice variável de remuneração. Para que fosse admitido o reajuste de preços próprio dos contratos com preço predeterminado nos moldes fixados pela citada lei, a variação deveria decorrer de variação de custos, mas a variação de receitas decorre da variação dos contratos de financiamento captados diariamente com a clientela (...) O argumento de que se fosse mantida a mesma quantidade de lojas e os contratos de financiamento fossem os mesmos, também seria mantido o preço do contrato, não é cabível. Os preços fixados desde o início são variáveis no tempo, conforme demonstram as receitas mensais com os serviços. Em nada se aproximam do preço fixo definido em lei. O legislador quando assim o fez, objetivou manter as condições tributárias de contratos de longo prazo com preços fixados por produto ou predefinidos por período de execução contratual. 3 Da imunização dos efeitos fiscais sobre os preços fixados no contrato inicial com a Fininvest No contrato fixado com a Fininvest as partes neutralizaram os efeitos fiscais de tributos sob faturamento no inciso IV do item 2.12.3. Afinal, estipularam que “os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções de custo por ganho de escala”. A cláusula acima ao estabelecer o preço do serviço sem considerar os tributos sobre a receita afasta nitidamente o caráter de preço predeterminado previsto na lei. Com a mudança da tributação não há desequilíbrio econômicofinanceiro, pois o preço acertado exclui os tributos. O próprio contrato estabelece o novo preço final juntamente com qualquer mudança do tributo. (...) ... o preço fixo estabelecido no contrato exclui os tributos sobre a receita, portanto qualquer mudança na tributação se reflete/refletiu imediatamente no preço final. Sendo assim, a fiscalização indeferiu os recálculos da contribuinte relativos à receita obtida junto à Luizacred e considerou os novos débitos referentes ao regime cumulativo das contribuições inexistentes, Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 6 5 cancelando as DCTFs retificadoras e não homologou os PER/DCOMP contendo esse tipo de crédito. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, (...), alegando, em preliminar, que o direito creditório ora discutido está relacionado com o processo no 13855.721049/2011 51, em que foi apurado crédito tributário, em parte, em função das mesmas infrações apuradas no presente. Desta forma, inferiu que o presente depende da decisão final naquele processo, assim requer o sobrestamento do presente até que essa decisão ocorra, por se tratar de questão prejudicial, a teor do art. 265, IV, do Código de Processo Civil (CPC). Quanto ao mérito, argumenta que o acordo entre a Luizacred e a requerente abrangeria dois contratos: Assim, verificase a existência de dois contratos perfeitamente autônomos: (i) cessão do direito de exclusividade da Requerente à Luizacred; e (ii) prestação de serviços pela Requerente à Luizacred que, ao final, irão compor, juntamente com os outros acordos constantes do Instrumento Particular de Associação um contrato do tipo coligado. Ou seja, todos esses "acordos" estarão congregados no mesmo instrumento contratual, qual seja, o Instrumento Particular de Associação. De fato, o aviamento da Requerente, ou seja, a sua incontestável reputação no mercado de comércio varejista de móveis e eletrodomésticos e a existência de um número expressivo de clientes que já utilizaram os seus serviços, produziu, entre outros, um bem propriamente dito, de inegável valor econômico e absolutamente autônomo, qual seja, a capacidade de atrair clientes para negócios diretamente relacionados a tal ramo de comércio. (...) Nesse sentido, observase que o acesso à exploração da carteira de clientes da Requerente para a contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor corresponde a um bem imaterial, integrante de seu fundo de comércio e passível de ser cedido a terceiros interessados. (grifei) Assim, conclui a impugnante, a cessão do direito de exclusividade, isto é, a cessão da exploração da carteira de clientes da requerente, configuraria uma alienação de um bem intangível, ou seja, de “ativo permanente” ou ativo nãocirculante, de acordo com nova denominação prevista na Lei no 11.941, de 2009 (nova Lei das S/A) e em nada se confundiria com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred. Prossegue a postulante: Destaquese que o contrato originalmente firmado tem caráter de contrato coligado e, portanto, congrega diversas relações jurídicas em si. Uma delas, somente, é a prestação de serviços que a Autoridade Fiscal acredita ter sido repactuada. Em verdade, como ela própria verificou, tais Memorandos tratam do direito de exclusividade cedido pela Requerente à Luizacred e, como ativo intangível que é, sequer Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 7 6 estaria sujeito à tributação pelo PIS e pela COFINS, pelas regras anteriormente citadas. Ou seja, sequer estarseia a discutir sua inclusão ou não nas regras de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. E, de fato, não é essa a discussão em voga. (grifos originais) Portanto, os valores repactuados nos memorandos citados pela fiscalização não têm relação com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred, mas sim com o direito de exclusividade anteriormente acordado, que, por se tratar de alienação de ativo permanente não é tributado pelas contribuições sociais. Quanto ao aditamento de dez anos no prazo de exclusividade, também alega que não há que se falar em prorrogação do contrato de prestação de serviços, porquanto a alteração somente atingiu a parcela adstrita à cessão do direito de exclusividade. Ainda que a prorrogação se referisse à prestação de serviço, não haveria que se falar em novação, pois esta pressupõe a existência de obrigação anterior que se extingue com a constituição de nova, criação dessa nova obrigação em substituição à anterior e intenção de novar. Concluindo “que somente haveria novação se fossem operadas mudanças significativas na obrigação original, as quais atinjam um de seus três elementos essenciais (objeto, credor ou devedor) acima mencionados e haja efetivamente intenção de novar.” Quanto à prefixação do preço, alega que: ...o fato de estabelecer percentual sobre a totalidade das receitas decorrentes dos contratos não descaracterizaria a prédeterminação do preço, na medida em que o índice já representa uma prédeterminação em si mesmo. De fato, no presente caso, a remuneração descrita na cláusula 2.12.3 traz valores em reais por mês a serem pagos à Requerente pelos serviços prestados, sendo que o subitem I.2 estabelece limitação a tal remuneração a 6,8% do valor total dos contratos firmados. Tanto a remuneração ordinária quanto a cláusula limitante são perfeitamente prédeterminadas e buscam, justamente, a previsão e, mais importante, a manutenção do equilíbrio econômico do contrato no tempo, que é valor mais importante apregoado na norma do PIS e COFINS em comento. Não há, portanto, que se falar em sua não aplicação por não pré determinação do preço: ao contrário, a combinação da remuneração ordinária em Reais com a limitação a percentual da totalidade das receitas advindas dos contratos somente reforça e reafirma o caráter prédeterminado do instrumento firmado. (...) Ademais, não se alegue que a ampliação da cadeia de lojas representaria variação do preço. O aumento do esforço laboral, nesta, como em outra atividade econômica, pode e deve, ser melhor remunerada, Isso não significa reajuste do preço, mas pagamento proporcional ao esforço empenhado na execução de atividades. Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, argúi ainda a requerente que a fiscalização não teria reconhecido os créditos nas operações realizadas com a Zona Franca de Manaus (ZFM) por entender que o contrato com a Fininvest se conformaria à modalidade de preço prédeterminado. Após um breve histórico sobre a sistemática de creditamento pelas contribuições sociais sobre as compras originadas da ZFM, a contribuinte alega, em resumo, que se creditava à alíquota de 5,6% e, no momento em que atentou que estaria sob o regime misto – com receitas cumulativas e nãocumulativas –, passou a se creditar à alíquota de 9,25%. Seguindo a marcha processual, a DRJ proferiu decisão julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. Transcrevese a parte da ementa de interesse: (...) CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma do acórdão da DRJ apresentando as seguintes alegações, em síntese: a) sobrestamento do feito, para aguardar decisão do PAF 13855.721049/2011 51, que trata sobre auto de infração, donde se discute existência de credito tributário, decorrente da alteração de regime de apuração e julgamento conjunto de outros 34 processos; b) que o contrato de constituição da empresa Luizacred (MAGAZINE LUIZA E BANCO FININVEST) pelo regime cumulativo, foi firmado antes de 31 de outubro de 2003; c) que os contratos de exclusividade e de prestação de serviços são autônomos, e que a prédeterminação do preço estava previsto em cláusula contratual; d) que o art. 109 da Lei 11.196/05 determina que os reajustes de preços com base nos custos não serão considerados para fins de descaracterização do preço pré determinado, disposição aplicável ao presente caso; e) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13855.903310/200915 Resolução nº 3201001.647 S3C2T1 Fl. 9 8 VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.641, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 13855.720934/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.641): "O recurso é tempestivo e merece ser conhecido. O processo foi a mim distribuído em 29/08/18, sendo ele paradigma. Após inclusão em pauta, o Contribuinte requereu que este processo fosse julgado em conjunto com os autos 13855.720820/201173, de Relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, sendo distribuído em 17/03/16, conforme sítio do CARF. Por se tratar de processos idênticos, de processos já conexos na DRJ, com mesma decisão, devem ser os processos reunidos para julgamento nos termos do art. 6º, I, do ANEXO II, RICARF. Assim, os autos devem ser remetidos para a 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara desta Seção de Julgamento, com o lote de repetitivos, ao Conselheiro Winderley Morais Pereira, diante da conexão nos autos 13855.720820/201173." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado resolveu pela remessa do presente processo para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, ao Conselheiro Winderley Morais Pereira, diante da conexão com o processo 13855.720820/2011 73. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.915488/2016-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: Trata-se de análise do pedido de ressarcimento eletrônico (PER) nº 19158.68171.260412.1.1.01-0198 (fls. 201/226), no valor de R$843.582,91, relativo ao saldo credor do IPI apurado pelo estabelecimento filial de CNPJ 02.817.041/0003-62 ao final do 1º trimestre calendário de 2012. Vinculado ao PER acima, ou seja, tendo como lastro creditório o aludido pleito de ressarcimento, a contribuinte interessada transmitiu declaração eletrônica de compensação (DCOMP) de débito próprio. A análise do direito creditório objeto do PER – e das respectivas compensações declarada nas DCOMPs – consta do Despacho Decisório nº 119554477 (fl. 227), que não reconheceu o direito creditório e, assim, indeferiu o ressarcimento pleiteado, tendo, consequentemente, não homologado a compensação declarada, conforme o exposto a seguir. (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 48 8/ 20 16 -3 2 Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.785 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915488/2016-32 Os detalhamentos sobre o direito creditório não reconhecido e a não homologação da compensação constam das fls. 230/232 além do Auto de Infração e Informação Fiscal de fls. 113/157. Cientificada do Despacho Decisório pela via postal em 17/02/2017 (fls. 228/229), a interessada, por meio de procuradores (fls. 102/106), protocolou em 21/03/2017 (fls. 12/13), a sua manifestação de inconformidade de fls. 14/22 nos seguintes termos: "I. FATOS A Requerente (...) tem por objeto social, dentre outros, a fabricação, importação e exportação, fornecimento, montagem, instalação de Aerogeradores para geração de energia eólica. Em razão das suas atividades, está sujeita a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como aos benefícios fiscais relacionados a sua atividade econômica, sendo um deles a tributação à aliquota zero de IPI em produtos chamados Aerogeradores, classificados na TIPI sob o nº 8502.31.00. Por se enquadrar no benefício acima, a GE POWER acumula créditos de IPI em montantes expressivos e solicita à Receita Federal do Brasil, trimestralmente, o ressarcimento destas quantias através de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (“PER”). (...) Sabendo que a RFB analisa a qualidade do crédito e realiza o pagamento somente após alguns anos, a Contribuinte optou por compensar o crédito com débitos federais do mesmo ente público, através da DCOMP (...). Contudo, teve contra si lavrado o presente despacho decisório que não homologou a mencionada DCOMP e indeferiu as compensações pleiteadas na PER em referência. O presente despacho decisório se deu em consequência do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810400.2016.00609, encerrado com a lavratura de Auto de Infração corporificado no Processo Administrativo nº 10830-727.851/2016-50 (DOC. 03). Conforme constatação fiscal no Auto de Infração supracitado, o acúmulo do crédito se deve em sua maior parte às operações com os produtos chamados Aerogeradores, de fabricação da Requerente, classificados na TIPI sob a posição 8502.31.00 e tributados à alíquota zero. Contudo, no entender da fiscalização, a empresa incorreu em equívoco na classificação fiscal dos elementos que compõem o produto em apreço, de forma a recalcular os saldos credores do IPI no período analisado, identificando saldo devedor de IPI, cobrando, ainda, multa proporcional, multa isolada e juros de mora. A Fiscalização alega que o elemento "conversor de energia ou frequência" deve se sujeitar à classificação fiscal apartada na posição 8504.40.90 (...). Com isso, a alíquota correta seria a de 15%. Todavia, conforme demonstrado na Impugnação da Contribuinte, apresentada nos autos do processo administrativo nº 10830-727.851/2016-50 (DOC. 04), decorre de trabalho precário da Fiscalização que, desamparado de auxílio técnico para proceder à análise dos equipamentos em questão, não compreendeu sua natureza e função, cometendo generalizado equívoco de fato acerca dos mesmos. Neste sentido, a presente manifestação de inconformidade questiona a não homologação das compensação feitas com crédito cuja existência ainda é controvertida, pois é objeto de processo ainda não definitivamente julgado. Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.785 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915488/2016-32 Caso o resultado daquele processo seja favorável à Requerente, será confirmada a existência do crédito compensado e o presente despacho decisório não subsistirá. Caso seja desfavorável, os valores serão quitados, também confirmando a constituição do crédito utilizado. Em outras palavras, não há razão para o presente despacho decisório combatido. E pelo exposto acima, que será detalhado nos tópicos a seguir, objetivando a reforma do r. despacho, a GE POWER apresenta a presente manifestação de inconformidade onde demonstra existir o crédito de IPI do 1º trimestre de 2012 pleiteado, devendo ser ele integralmente reconhecido. II. MÉRITO - DA IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DE CRÉDITO ENQUANTO PERDURA PROCESSO ADMINISTRATIVO NO QUAL É DISCUTIDO. PREJUDICIAL EXTERNA (...) Tendo em vista que as compensações foram indeferidas em razão da glosa dos créditos após fiscalização, a d. Delegacia da Receita Federal do Brasil houve por bem cobrar os débitos compensados utilizando crédito indeferido. O ponto neste procedimento que aqui se ataca é o fato de que o pressuposto para o despacho decisório é falho: a qualidade do crédito glosado de IPI ainda é objeto de contencioso administrativo não julgado, o que inviabiliza a afirmação de inexistência de crédito. A natureza do processo administrativo é de instrumento de controle interno dos atos da administração tributária e o crédito tributário somente tem sua constituição definitiva com decisão irreformável. Em outras palavras, a administração tributária não pode ver como definitivo decisão emanada em despacho decisório antes de proferida decisão irrecorrível em processo judicial que o questiona. E é isso que vemos no caso em tela – mesmo pendente a decisão final no processo administrativo onde se combate o Auto de Infração que glosou o crédito de IPI (...), seu efeito e consequente compensação com débitos futuros, já estão sendo indeferidos pelo presente despacho combatido. Ademais,existe causa suspensiva da exigibilidade desses valores consubstanciados originalmente no Processo Administrativo nº 10830-727.851/2016-50, até que haja o trânsito em julgado administrativo, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional c/c artigo 74, §11º da Lei nº 9.430/1996: (...) Até que se decida definitivamente pela procedência do processo administrativo acima mencionado, estão perfeitas e intactas as informações prestadas pela Requerente em seus livros de apuração de IPI (RAIPI) em 31/12/2011, sendo válido o respectivo saldo credor apurado e utilizado no procedimento de compensação. Qualquer entendimento em sentido contrário, como já advertido, consubstanciaria em tentativa de se exigir de modo transverso aqueles valores cuja exigiblidade [sic] foi obstada em decorrência de pendência de processo administrativo. A jurisprudência do CARF é clara ao reconhecer essa “prejudicialidade externa”: “PAF -NORMAS PROCESSUAIS –RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO –QUESTÃO PREJUDICIAL –SOBRESTAMENTO DO FEITO –O julgamento de lançamentos de ofício derivados de negativa a pleito de restituição/compensação, por dependeram da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.785 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915488/2016-32 dada ao direito creditório controvertido, Recurso.”(Processo nº 13819.001586/2003-16. Recurso nº 143888. Acórdão nº 107-08.101. Relator Natanael Martins). Assim,torna-se ilegal o presente despacho decisório ante a existência de prejudicialidade da discussão dos créditos da Requerente e, consequentemente,a glosa perpetrada pela RFB não pode se manter até o trânsito em julgado do Processo Administrativo acima referenciado. II.1. DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO, INDEPENDENTEMENTE DA DECISÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO VINCULADO. Conforme acima desenvolvido, claro remanesce o fato de que a presente compensação não poderia ter sido objeto de despacho decisório, já que sua composição ainda pende de decisão administrativa final. Ocorre que, independentemente do resultado de tal decisão, mesmo assim, não poderia subexistir cobrança, senão vejamos: Na hipótese do processo administrativo vinculado ser julgado em favor da Contribuinte, não haverá dúvida que existente é o crédito utilizado, pois composto e utilizado corretamente, não existindo razão ao despacho decisório aqui atacado. Caso o mesmo processo administrativo tenha resultado em defavor [sic] da Contribuinte, confirmará a cobrança inicial e será quitada mediante pagamento. Tais valores também, necessariamente, irão compor o saldo negativo do exercício de 2009 da Contribuinte, não o alterando em nenhum aspecto. Como composto estaria em sua integralidade, o presente despacho decisório que questiona a parte do saldo negativo inicialmente indeferida também não teria razão de existir, já que estaria completamente suportado, agora por pagamento em DARF e não mais compensação. Ou seja, o julgamento da presente manifestação de inconformidade deve ser favorável independentemente do resultado do processo administrativo vinculado com o saldo negativo aqui defendido já que não há dano algum ao erário com a efetivação da compensação pleiteada, em nenhuma hipótese. Não faz nenhum sentido que se insista na cobrança de um débito – e é o que vai ocorrer se a existência do crédito não for reconhecida – se há prova de sua inexistência. Dessa forma, como visto, incorreto foi o procedimento das d. autoridades fiscais em não homologar a utilização do crédito de IPI tido pela Contribuinte, posto que invevitavelmente [sic] existente, razão pela qual merece ser acolhida a presente manifestação de inconformidade, objetivando a sua reforma. III. CONCLUSÃO E DO PEDIDO Diante de todo o exposto, restou demonstrado que: (i) ainda não é final a decisão acerca do Auto de Infração lavrado sobre a qualidade do crédito de IPI, pois apresentada Impugnação por parte da GE POWER, razão pela qual o presente despacho decisório não poderia ter sido lavrado; (ii) mesmo que pendente de julgamento o processo administrativo que defende a existência do crédito pleiteado, deve a presente manifestação de inconformidade ser julgada procedente, tendo em vista que inevitavelmente haverá a constituição do crédito, seja pela confirmação em decisão favorável ou pelo pagamento, em caso de decisão desfavorável. Em razão disso, é a presente manifestação de inconformidade para requerer: Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.785 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915488/2016-32 (i) seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para que sejam integralmente extintos os débitos ora cobrados diante da comprovação de que há crédito de ressarcimento de IPI suficiente para homologar integralmente as compensações realizadas por meio da PER/DCOMP objeto de discussão nestes autos; ou (ii) subsidiariamente, seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade pelo fato de que ainda não é definitiva a decisão que ensejaria a suposta inexistência do crédito pleiteado ou, ao mínimo, aguardem a decisão daquele processo administrativo vinculado. (iii) por fim, caso entendam V. Sas. que são necessários novos elementos para que se demonstre o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade real, a Requerente requer lhe seja assegurada a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, de forma a comprovar que não pode ser compelida a recolher os débitos que lhe estão sendo imputados." A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório que não homologou integralmente o pedido de compensação, em razão do resultado do Auto de Infração nº 10830.727851/2016-50 julgado pela instância “a quo” que, acarreta reflexos redutores diretos na legitimidade do valor do saldo credor do IPI. Irresignada com a decisão “a quo”, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo, em síntese apertada, suas razões de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto em lei. Passa-se, assim, na sua análise. Conforme exposto anteriormente, constasse que a DRJ condicionou o direito creditório da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos do PA 10830.727851/2016-50 (ainda não julgado definitivamente). Aquele processo, resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Como se vê, a decisão definitiva que será proferida no processo nº 10830.727851/2016-50, por envolver questões conexas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão proferida no processo administrativo nº 10830.727851/2016-50 repercutirá nestes autos, sendo, necessário apurar o reflexo daquela decisão ao presente caso. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para: (i) determinar o sobrestamento deste processo até a definitividade da decisão processo o PA 10830.727851/2016-50; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva proferida no processo Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.785 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915488/2016-32 10830.727851/2016-50 com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721302/2015-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência para avocar processo conexo, consoante especificado no voto da Relatora.
(assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10935.903911/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.662
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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DILIGÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 03 91 1/ 20 13 -2 6 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.903911/201326 Resolução nº 3402001.662 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Belém PR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra o indeferimento do Pedido de Restituição de credito decorrente de pagamento a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS sobre Folha de pagamento. No Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Cascavel (PR), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para o Pedido de Restituição solicitado. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Cientificada da referida decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que a retificação da DCTF, mesmo que após a primeira notificação de indeferimento, bem como o Pedido de Restituição, foram efetivados com base nos termos da IN nº 635/2006, mormente quanto ao artigo 28, que constitui aos contribuintes do PIS Folha a que se refere o inciso III do artigo 1º, e não incluiu as Sociedades Cooperativa de Médicos e, portanto, não foram declaradas contribuintes do PIS folha, fato este, ratificado no artigo 29 da referida IN em que, não relacionadas no artigo 29, sequer a Cooperativa de Médico constitui fato gerador do PIS folha; b) diante das razões expostas, requer a revisão do Despacho Decisório, seu respectivo cancelamento com a consequente ratificação e homologação, dos Pedidos de Restituição dos valores recolhidos pela Recorrente a título de PIS sobre Folha de Pagamento, referente ao período de Agosto de 2008 a Dezembro de 2012. Ao final, clama pela acolhida do recurso para o fim de assim ser decidido pela procedência da retificação da DCTF e da homologação do Pedido de Restituição. Na sequência, o processo foi distribuído para seu julgamento, que seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido no Acórdão nº 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do PAF nº 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No entanto, na condição de Conselheiro Relator deste processo, conforme previsão dos artigo 66 c/c artigo 65, § 1º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, este Conselheiro apresentou Embargos Inominados por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão que integra os autos, que desta forma conclui em sua parte dispositiva: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.903911/201326 Resolução nº 3402001.662 S3C4T2 Fl. 4 3 "(...) 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo". (Grifei) No entanto, verificase que os documentos constantes dos presentes autos atestam a tempestividade da interposição do Recurso Voluntário. Posto isto, os Embargos opostos foram admitidos pelo Presidente da Turma, por estar comprovado a inexatidão material da decisão embargada, para que seja analisado o Recurso Voluntário e haja a prolação de um novo Acórdão pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.631 13 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903880/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.631) 1: "Com os mesmos fundamentos do despacho de admissibilidade (fls. 158/159), conheço e acolho os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário para analisar as razões recursais. Com efeito, como indicado no relatório, os presentes Embargos foram interpostos por este Conselheiro por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão nº 3402 005.627, de 27/09/2018 (fls. 153/155), que concluiu pela intempestividade do recurso interposto em sua parte dispositiva. No entanto, verificase que atestam os documentos constantes dos presentes autos que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 30/03/2017, conforme Termo de Ciência Eletrônica (Portal eCAC), enquanto o recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 144. Portanto, encontrase tempestivo a apresentação do Recurso Voluntário, devendo ser conhecido. Assim, cabe ser acolhidos os Embargos de Declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, para adentrar em seu mérito. (...) 1 Foram transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento do paradigma. Íntegra da Resolução paradigma pode ser consultada no processo 10935.903880/201311. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.903911/201326 Resolução nº 3402001.662 S3C4T2 Fl. 5 4 Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.903911/201326 Resolução nº 3402001.662 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902169/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.159
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informe se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado com certificado digital)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informe se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informe se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, atrelado a crédito de COFINS não cumulativo, cujo fundamento é a sua integral vinculação com outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 02 16 9/ 20 11 -9 9 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10925.902169/201199 Resolução nº 3401001.159 S3C4T1 Fl. 3 2 A manifestação de inconformidade defendeu a efetiva existência do crédito utilizado, por recolhimento a maior de COFINS, devido à tributação de produtos sujeitos à alíquota zero, nos termos do art. 28, III da Lei nº 10.865/2004 e art. 1º da Lei nº 10.925/04; que houve retificação da DACON demonstrando a origem do crédito; e, que seu crédito não poderia ser indeferido sem exame de sua procedência. Os documentados anexados aos autos foram o despacho decisório eletrônico e a folha de rosto da DACON. A DRJ Florianópolis/SC julgou o recurso improcedente ao argumento que não foi comprovada a liquidez e certeza do crédito, diante da ausência de retificação da DCTF correspondente antes da formalização do pedido de restituição. Em recurso voluntário o contribuinte justificou a falta de retificação da DCTF como forma de aclarar o indébito, explicando que, para demonstrar a apuração dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins e a improcedência do recolhimento, reajustou apenas a DACON e, mutatis mutandi, reiterou a argumentação deduzida na peça exordial. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.142, de 25 de abril de 2017, proferida no julgamento do processo 10925.900027/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.142: "O recurso protocolado preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Com todas as vênias à decisão recorrida, entendo equivocado o raciocínio lá externado, consoante o qual a caracterização do indébito tributário decorre da retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 165, caput do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo indevidamente recolhido, seja qual for a modalidade do seu pagamento. Exigir a preliminar retificação da DCTF como condição para processamento da repetição do indébito, equivale a estabelecer o prévio protesto para devolução do tributo indevidamente recolhido. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10925.902169/201199 Resolução nº 3401001.159 S3C4T1 Fl. 4 3 Não há na legislação de regência, seja lei, decreto ou mesmo instrução normativa, até onde se saiba, qualquer dispositivo que textualmente imponha a retificação da DCTF como condição sine qua non para a restituição de tributo. É lógico que a sistemática adotada pela RFB, a partir do controle eletrônico das restituições e compensações, pelos sistemas informatizados específicos, pressupõe a retificação das DCTF a fim de disponibilizar os valores vinculados aos DARFs respectivos para utilização nas compensações transmitidas através da Declarações de Compensação – DCOMP, todavia, não se deve confundir a mecânica dos controles informatizados com as premissas adotadas pelo direito, na regulação das relações jurídicas havidas na sociedade. A meu sentir, a caracterização do indébito tributário se consubstancia pela prova do direito alegado, não guardando qualquer relação com retificação de declarações, meras obrigações acessórias que são. Como dito, se não existe norma que imponha a retificação de DCTF como procedimento prévio à restituição de tributo pago indevidamente, padece de fundamentação adequada a decisão que indefere o pleito formulado sob tal argumento. Por outro lado, não se pode perder de vista que o despacho decisório reclamado – o efetivo objeto de contestação – não está inquinado de vício algum, haja vista que, de fato, por ocasião da compensação formulada, o crédito indicado estava vinculado a outro débito, tal como informado em DCTF. Portanto, válido a priori o despacho decisório, restando examinar a procedência do arrazoado do recorrente. Nesse passo, sustentou o recurso manobrado que a demonstração da correta apuração do PIS/Pasep e Cofins devidos no mês de outubro/2005, a justificar o recolhimento indevido, estaria concretizada na retificação da DACON, apresentada após a transmissão da DCOMP, mas antes do despacho decisório. Em exame do documento em questão (DACON) confirmase que sua transmissão se deu em 29/10/2007, antes da emissão do despacho decisório eletrônico, ocorrido em 01/02/2012, e que, de fato, não apontou a apuração de débito de Cofins ou PIS/Pasep a pagar no período de apuração de outubro/2005. Todavia, a simples juntada da DACON, ainda que integralmente, não é suficiente para fazer prova do direito alegado pelo recorrente, que para aferição da procedência de suas informações requer o confronto com os dados registrados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, entendimento sedimentado nesta turma julgadora. Isso porque, se a ausência de retificação da DCTF não é motivo suficiente para a denegação de crédito pleiteado, da mesma maneira, não é possível o seu reconhecimento exclusivamente a partir de uma retificação de DACON transmitida antes de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10925.902169/201199 Resolução nº 3401001.159 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a ser o DACON, pelo menos, um princípio de prova a justificar a conversão do julgamento em diligência, como remansosa jurisprudência deste sodalício, não se pode esquecer que a repetição do indébito in casu está fundada na indevida tributação de produtos sujeitos à alíquota zero, o que exige a verificação da apuração da base de cálculo como um todo, não sendo possível a identificação ou indicação de um documento único que possa refletir essa situação com a segurança necessária ao reconhecimento do direito creditório vindicado, senão o esquadrinhamento dos documentos e dos livros do período de apuração. Como não bastasse, distintamente dos demais casos aqui examinados, a causa para indeferimento do pleito, pela decisão de primeiro grau, não se assentou na ausência de prova da existência do crédito vindicado, mas a pura e simples falta de retificação da DCTF, o que, a meu sentir, exige o ajuste da jurisprudência fixada em situações envolvendo despacho eletrônico. Por todo o exposto, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Registrese que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma, face a similitude entre ambos, também a justificam neste processo, no qual o contribuinte também juntou a DACON retificadora. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10925.902169/201199 Resolução nº 3401001.159 S3C4T1 Fl. 6 5 · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727509/2015-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, á Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, á Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
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Por bem descritos os fatos o relatório do Acórdão nº 1462.090, exarado pela 4ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETO, objeto do Recurso Voluntário, adotamos e transcrevemos seus termos : Tratase de impugnação de lançamento de crédito tributário lavrado através de Auto de Infração contra a contribuinte em epígrafe, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 27 50 9/ 20 15 -8 5 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10120.727509/201585 Resolução nº 3301000.836 S3C3T1 Fl. 168 2 montante de R$ 90.762,72, relativo à multa isolada de que trata o art. 74, §17, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 12.249, de 2010. As razões e fundamentações do auto de infração estão resumidas no quadro abaixo: DEMAIS INFRAÇÕES Á LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INFRAÇÃO : COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO No processo administrativo de nº 10120.729209/201298, a Declaração de Compensação de nº 38682.96904.260213.1.3.095001 foi não homologada pelo Despacho Decisório nº 410/2015DRF/GOI. O pedido de ressarcimento foi indeferido e não homologada a compensação do débito de R$ 1.881.525,43. Sendo assim, a base de cálculo da multa isolada prevista no artigo 74, § 17, da lei nº 9.430/96 será de R$ 1.881.525,43 Fato Gerador Multa 26/02/2013 940.762,72 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 26/02/2013 e 26/02/2013: § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10. O presente processo (Auto de Infração) foi apensado1 ao processo nº 10120.729209/201298. A ciência do Auto de Infração foi dada à contribuinte em 24/09/2015 (fl.49). Dentro do prazo regulamentar, a requerente apresentou Impugnação, alegando, em apertada síntese, o que se segue: Da suposta improcedência da multa isolada Afirma a contribuinte que a multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 "não se conforma com o direito de petição inserto no art. 5ª, inciso XXXIV, alínea "a", da CF/1988". Traz a baila jurisprudência do TRF da 4º região e informa que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu repercussão geral sobre a matéria em discussão. Ao final do item requer que o referido dispositivo (§17 do art. 74) seja interpretado segundo a Constituição, de forma a se concluir que sua aplicação, no presente caso, é totalmente inadequada. Do pedido de sobrestamento do auto de infração A requerente defende, caso seja mantida a multa, o sobrestamento do presente processo até decisão final nos autos do processo principal (PA nº 10120.720057/2014 20), sobre o qual pende o julgamento da Manifestação de Inconformidade. Diz ainda que a previsão legal para o sobrestamento do julgamento está no §18, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dos Pedidos Por fim, a contribuinte requer: (a) o recebimento e conhecimento da presente Impugnação, por atender aos pressupostos legais; (b) pelas razões fáticas e jurídicas apresentadas, que seja julgado nulo o auto de infração ora guerreado, ou, se não, que seja sobrestado o processo ora em discussão até o julgamento final do processo administrativo principal Pedido de Ressarcimento. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10120.727509/201585 Resolução nº 3301000.836 S3C3T1 Fl. 169 3 2. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO, ao analisar os argumentos apresentados, assim decidiu, na ementa do Acórdão : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA.. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Ausência de previsão legal. Ocorrendo o julgamento do processo do auto de infração simultaneamente ao do de ressarcimento, não existe a possibilidade de conflito entre as decisões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Inconformada com a decisão da DRJ, a requerente interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, repisando as razões apresentadas na impugnação, nos seguintes itens, já bem descritos no reproduzido relatório da DRJ (observese que os números dos itens são os do recurso voluntário apresentado) : I Dos fatos II – Dos fundamentos para reforma do Acórdão 2.1 – Da improcedência da multa isolada 2.2. Do sobrestamento do auto de infração III – Dos pedidos 3.1 – o conhecimento e recebimento do presente recurso, 3.2 – pelas razões fáticas e jurídicas apresentadas, requer seja julgado o auto de infração ou, se não, seja sobrestado o processo ora em discussão até o julgamento final do processo administrativo nº 10120.729209/201298. 4. É o relatório. Voto 5. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. CONCLUSÃO 6. Diante da petição de fls. 142, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10120.727509/201585 Resolução nº 3301000.836 S3C3T1 Fl. 170 4 7. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.918131/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1402-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. O litígio em questão envolve Dcomp com alegado direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior de tributo federal. O despacho decisório denegou totalmente a compensação por improcedência do crédito original pleiteado. Por esta razão, a Declaração de Compensação não foi homologada. Em manifestação de inconformidade, alega que recolheu a maior que o devido no período, pelo que teria o direito pleiteado. Apresentou DCTF retificadora após ciência do despacho decisório. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 18 13 1/ 20 09 -1 1 Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.437 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.918131/2009-11 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à mesma, por unanimidade. Houve a constatação que não houve comprovação do erro nos autos, e que a mera DCTF retificada após ciência do despacho decisório não basta, e a DIPJ teria caráter meramente informativo. O contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, no qual, em essência reforça os pontos já alegados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório do que entendo necessário. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. Do recurso voluntário: O caso nos autos tem sido relativamente comum para análise e deliberação neste colegiado (e presumo que todos os demais). Envolve, em síntese, um pedido de compensação de um direito creditório baseado num alegado erro do contribuinte quando do seu pagamento e, na maioria dos casos, declarado em DCTF, mas totalmente alocado a outro débito. Após, sendo processada o PER/Dcomp, há despacho decisório denegando seu pleito, geralmente porque o valor pago já está declarado e alocado em DCTF, não estando disponível para eventual repetição. O contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade, com alegações explicando o erro ocorrido, mas sem trazer elementos comprobatórios do ocorrido, que na esmagadora das vezes envolveria o diário, razão e/ou Lalur. No caso dos autos, trouxe a DCTF retificadora (após ciência do despacho decisório) e a fichas da DIPJ. A decisão a quo, baseada apenas no que consta na manifestação de inconformidade, denega o pleito do contribuinte, pois não haveria um crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN, e que o contribuinte deveria ter trazido outros elementos probatórios (explicitados acima) para demonstrar o alegado. Contudo, não é o caso da decisão a quo dos autos – ela, de forma bem singela, apenas repete o fundamento do despacho decisório, sem nada avançar na análise com base na peça manifestatória, e nem orienta o contribuinte a trazer novos elementos. Com isso, sem esclarecimento de como demonstrar o que alega, o contribuinte acaba repetindo, o que entende seu direito, que houve um erro quando dos preenchimentos dos dados. Este colegiado e em muitas outras decisões tem superado a questão de preenchimento constante na DCTF ou até erros que não mudem a natureza do PER/Dcomp, desde que ocorra a comprovação do direito. Contudo, muitas vezes por certo desconhecimento, o contribuinte não sabe que com base no art. 147, §1º do CTN, instaurado o litígio, tem que trazer Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.437 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.918131/2009-11 uma demonstração cabal do que alega, ou seja, seus livros contábeis/fiscais, dependendo do que queira provar. Nestas circunstâncias, não basta trazer a DIPJ e/ou DCTF – são elementos probatórios um tanto unilaterais do contribuinte. Porém, em nenhum momento, pelos autos, houve a uma orientação a respeito ao contribuinte, que em muitas circunstâncias processuais, é uma parte hipossuficiente nesta relação, no processo administrativo fiscal. Assim, entendo que para o adequado deslinde do mérito, torna-se necessária uma reanálise dos autos, buscando novos elementos contábeis e fiscais junto ao contribuinte, para demonstrar o seu alegado direito. Por conseguinte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO PARA DILIGÊNCIA, para se verificar, com base nas alegações apresentadas na peça recursal, e outros entendidos pertinentes pela autoridade fiscal local, intimando o contribuinte a apresentar, eventualmente, o Lalur e/ou diário/razão, se há o direito creditório pleiteado pela recorrente. Após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. Do procedimento de diligência, elaborar relatório e cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, nos termos supracitados. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
