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Numero do processo: 18186.000144/2007-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente que o processo a ser juntado por apensação ao presente encontrava-se em sede de apreciação de Recurso Voluntário, quando, em realidade, trata-se de Recurso de Ofício a ser apreciado.
Numero da decisão: 9202-006.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9202-000.143, de 28/09/2017, sem efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 14485.001924/2007-17, que se encontra pendente de apreciação de recurso de ofício, para posterior distribuição ao relator, para julgamento em conjunto dos recursos especiais, por conexão, caso aplicável".
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente que o processo a ser juntado por apensação ao presente encontrava-se em sede de apreciação de Recurso Voluntário, quando, em realidade, trata-se de Recurso de Ofício a ser apreciado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9202-000.143, de 28/09/2017, sem efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 14485.001924/2007-17, que se encontra pendente de apreciação de recurso de ofício, para posterior distribuição ao relator, para julgamento em conjunto dos recursos especiais, por conexão, caso aplicável". (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informavase incorretamente que o processo a ser juntado por apensação ao presente encontravase em sede de apreciação de Recurso Voluntário, quando, em realidade, tratase de Recurso de Ofício a ser apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9202000.143, de 28/09/2017, sem efeitos infringentes, alterar a decisão para: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 14485.001924/200717, que se encontra pendente de apreciação de recurso de ofício, para posterior distribuição ao relator, para julgamento em conjunto dos recursos especiais, por conexão, caso aplicável". (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 44 /2 00 7- 85 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 9202006.295 CSRFT2 Fl. 291 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Através da Resolução nº 9202000.143, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, prolatada na sessão plenária de 28 de setembro de 2017, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do presente feito em diligência, na forma de decisão a seguir (efls. 279 a 286 ): Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n°. 14485.001924/200717, que se encontra pendente de apreciação de recurso voluntário, para posterior distribuição ao relator, para julgamento em conjunto dos Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. Entretanto, o Conselheiro relator do feito observou a existência de lapso manifesto a ser sanado, uma vez que o voto vencedor é claro em afirmar que a pendência existente no processo 14485.001924/200717, da qual depende o presente feito, tratase de apreciação de recurso de ofício e não de recurso voluntário, conforme registrado pela ata da sessão. Sendo patente o lapso, o despacho foi recebido como embargos de declaração através de despacho de efl.288 e incluído em pauta para correção. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. É patente o lapso no teor da decisão, no que diz respeito ao estágio processual do processo 14485.001924/200717, uma vez que o Recurso pendente de apreciação naquele feito tratase de Recurso de Ofício, intentado pela autoridade julgadora de 1a. instância, e não de Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para rerratificar a Resolução no 9202000.143, de 28 de setembro de 2017, sem efeitos infringentes, Fl. 291DF CARF MF Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 9202006.295 CSRFT2 Fl. 292 3 a fim de que passe a constar em sua decisão: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n°. 14485.001924/200717, que se encontra pendente de apreciação de recurso de ofício, para posterior distribuição ao relator, para julgamento em conjunto dos Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável". É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000137/2002-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/05/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA VÁLIDA. SÚMULA CARF 9. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 3201-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/05/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA VÁLIDA. SÚMULA CARF 9. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA VÁLIDA. SÚMULA CARF 9. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 37 /2 00 2- 56 Fl. 233DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Do lançamento Tratase de auto de infração no valor total de R$ 10.694,37 (fls. 16/17), inerente imposição da multa tipificada no § 1°, do art. 3°, do DecretoLei n° 399, de 30/12/1968, regulamentado pelo parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto 91.030, de 05/03/1985), equivalente a 5% do maior salário mínimo vigente no pais, calculada por maço de cigarros cuja pena de perdimento fora aplicada, nos termos do caput do art. 3° do DecretoLei acima mencionado. Segundo o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 1.046/2002 (fls. 77/92), parte integrante do auto de infração em evidência, o lançamento decorreu da apreensão, pela Polícia Federal, de 14.500 (quatorze mil e quinhentos) maços de cigarros de procedência estrangeira, conforme "Oficio n° 0999/2002SR/DPF/DF' do Departamento da Policia Federal do Distrito Federal. A apreensão em tela ocorreu no dia 05/05/2002, na cidade de Luziânia. 0 auto de infração foi lavrado solidariamente em nome dos seguintes contribuintes: 1. Selva Maria de Paiva, CPF 023.377.03134; 2. Bruno Leonardo de Paiva, CPF 797.640.96115; 3. Alfredo Rodrigues Marinho, CPF 188.537.49172; 4. Samara Transportes e Turismo Ltda., CNPJ 01.488.927/0001 85; 5. Sérgio Braga dos Santos, CPF 030.167.01618; 6. Divino Alberto Cavalcante da Silva, CPF 116.520.71172; e 7. Marcos Vinicios França de Andrade, CPF 579.749.26104. Diante de tais fatos, foi aplicada a pena de perdimento da mercadoria, com o concomitante lançamento da multa discriminada no presente relatório. Com respeito à ciência do lançamento e à apresentação de impugnações, há que se ressaltar o seguinte: a empresa Samara Transportes e Turismo Ltda. conheceu do lançamento em 18/06/2002, através dos Correios (vide AR de fls. 134), tendo apresentado, em 21/06/2002, a impugnação de fls. 140/141; a ciência de Selva Maria de Paiva e Bruno Leonardo de Paiva ocorreram respectivamente em 04/07/2002 e 18/06/2002 (vide Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11817.000137/200256 Acórdão n.º 3201003.173 S3C2T1 Fl. 3 3 ARs de fls. 133 e 138), tendo apresentado, em 11/07/2002, a impugnação conjunta de fls. 146/150; os demais autuados foram cientificados, conforme ARs de fls. 133 a 137, mas não apresentaram impugnações ao lançamento. Das impugnações Impugnação apresentada pela autuada Samara Transportes e Turismo Ltda Na referida impugnação de fls. 140/141, a empresa autuada alega, em síntese, que efetuou a venda do veiculo envolvido no cometimento da infração em epígrafe à Sr.a Selva 1, Maria de Paiva, "através de INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS, VANTAGENS, OBRIGAÇÕES E RESPONSABILIDADES (cópia em anexo), passado em cartório"; que, no dia 19 de dezembro de 2001, preencheu o documento (DUT) referente ao veiculo em questão, mas condicionou a transferência à quitação total dos cheques utilizados pela Srª Selva para pagamento do veículo, fato que não ocorreu até a presente data. Acosta cópia do Instrumento Particular de Cessão de Direitos (fls. 142/143), do CRV (fl. 144) e da Autorização de Transferência do Veiculo (fl. 144verso) que corroborariam as suas alegações. Ao fim, e em outros termos, solicita seja julgado improcedente o auto de infração. Impugnação apresentada pelos autuados Selva Maria de Paiva e Bruno Leonardo de Paiva Na referida impugnação de fls. 146/150, os autuados alegam, em apertada síntese, que não há nos autos qualquer prova de que eram eles os proprietários das mercadorias objeto de apreensão e sequer detinham a posse, pois não estavam na referida excursão. Solicitam, ao final, que "deve a decisão vindoura extinguir o feito sem o julgamento do mérito por ilegitimidade passiva" dos defendentes. 0 processo em evidência havia sido distribuído para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, uma vez que a competência originária para o julgamento da lide era da citada Delegacia, conforme Portaria SRF n° 259, de 24/08/2001 (Regimento da Secretaria da Receita Federal então vigente). Todavia, por força da Portaria SRF n° 956, de 08/04/2005, a competência para o julgamento deste processo, dentre outros, foi transferida para esta DRJ. É o relatório." A decisão recorrida proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza está ementada nos seguintes termos: Fl. 235DF CARF MF 4 "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática. LEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade pela infração é do proprietário e/ou do consignatário do veículo quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Constitui infração às medidas de controle fiscal o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa especifica prevista na legislação aduaneira. Lançamento Procedente" Os sujeitos passivos Samara Transportes e Turismo Ltda e Alfredo Rodrigues Marinho interpuseram Recurso Voluntário em 31/03/2008. Na sequência foi expedida a Notificação n° 050/2008 à empresa Samara Transportes e Turismo Ltda notificandoa de que o Recurso Voluntário interposto foi tido por intempestivo. Tal notificação foi recepcionada no endereço da recorrente em 19/05/2008. Os recorrentes indicados protocolizaram petição intitulada de Recurso Voluntário em data de 10/06/2008, em que aduzem que o primitivo Recurso Voluntário não é intempestivo em razão de (i) não ter sido lavrada pela autoridade pública certidão da juntada de tais retornos, a fim de delimitar o início do lapso temporal para interposição de recurso; (ii) Não há a juntada de comunicação da decisão recorrida as demais pessoas acusadas, nem, tampouco, à pessoa de Alfredo Rodrigues Marinho, segundo recorrente; (iii) que a decisão que decretou a intempestividade está a impedir o devido contraditório; (iv) o recorrente Alfredo Rodrigues Marinho sequer havia sido intimado da decisão proferida no acórdão atacado; (v) que por se tratar de diversos autuados, não é possível a contagem de prazo unitária; (vi) que o prazo recursal somente tem início por ocasião da intimação da última parte e (vii) tece alegações de mérito. O processo foi submetido à apreciação deste colegiado, o qual deliberou pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: "Assim, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação dos contribuintes solidariamente responsáveis, Sérgio Braga dos Santos, CPF 030.167.01618, Divino Alberto Cavalcante da Silva, CPF 116.520.71172 e Marcos Vinícius França de Andrade, CPF 579.749.261 04, a recolher o crédito tributário correspondente no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência deste Acórdão, sendo lhes ainda facultado a interposição de recurso voluntário, em igual prazo, junto ao Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme previsto no artigo 33 do Decreto n° Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11817.000137/200256 Acórdão n.º 3201003.173 S3C2T1 Fl. 4 5 70.235, de 06/03/1972." (Resolução 320100.132, de 25 de maio de 2010) A Resolução foi devidamente observada com o envio de notificações através de via postal para (i) Sérgio Braga dos Santos: (ii) Divino Alberto Cavalcante da Silva e (iii) Marcos Vinícius França de Andrade. Em razão das intimações direcionadas para Sérgio Braga dos Santos e Marcos Vinícius França de Andrade terem sido infrutíferas, referidos sujeitos passivos foram intimados através de edital, conforme se depreende do Edital 001/2001 encartado à fl. 213. Com o cumprimento das diligências, não houve manifestação de nenhum dos contribuintes solidariamente responsáveis, tendo o processo retornado a este colegiado para decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Em que pese as alegações dos recorrentes, o Recurso Voluntário interposto é manifestamente intempestivo, não merecendo ser conhecido. Dispõem os art. 5° e 33 do Decreto 70.235/1972: "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Por sua vez, a Súmula CARF n° 9 está ementada nos seguintes termos: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Inicialmente, é de se observar que a petição recursal foi apresentada por Samara Transportes e Turismo Ltda e Alfredo Rodrigues Marinho, tendo este último, não impugnado a exigência fiscal e, conforme consignado pelo Conselheiro Marcelo Ribeiro Fl. 237DF CARF MF 6 Nogueira em seu voto, ingressou no feito com a apresentação de recurso voluntário e alcançado pela preclusão consumativa. A recorrente Samara Transportes e Turismo Ltda foi notificada do teor da decisão de 1ª instância, por via postal, em 20/02/2008 (quartafeira) conforme se depreende do aviso de recebimento AR anexado aos autos (fl. 170). Assim, o lapso temporal para interposição do pertinente recurso voluntário teve início em 21/02/2008 (quintafeira) e marco final em 24/03/2008 (segundafeira) em razão de no dia 21/03/2008 (sextafeira), ter sido feriado nacional (Paixão de Cristo Sextafeira Santa). Como a protocolização da peça recursal somente ocorreu em 31/03/2008 (fl. 172) é flagrante a sua intempestividade. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é uníssona em relação ao tema, conforme precedentes a seguir transcritos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INÍCIO DO PRAZO RECURSAL. NOTIFICAÇÃO POR AR. RECURSO APRESENTADO APÓS TRINTÍDIO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. 1. É válida a intimação por meio de aviso postal com prova de recebimento, no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Confirmado que a intimação foi recebida por funcionário do contribuinte em 16/10/2011 e que em 25/10/2011 a representante legal da empresa obteve cópia dos autos, temse que o prazo de recurso começa a fluir a contar da intimação, sendo, portanto, intempestivo o recurso protocolizado em 25/11/2011. Recurso Voluntário Não Conhecido." (Processo 11041.000139/200859; Acórdão 1402001.687 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 07 de maio de 2014; Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/07/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido." (Processo 10435.723003/201391; Acórdão 2401004.992; Sessão de 08 de agosto de 2017; Conselheiro Carlos Alexandre Tortato) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11817.000137/200256 Acórdão n.º 3201003.173 S3C2T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.908424/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/10/2006
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 84 24 /2 00 9- 25 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10875.908424/200925 Acórdão n.º 1302002.478 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 20/08/2007, a Dcomp de nº 29784.95933.200807.1.3.048644, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL (2484 Estimativa), pago em 31/10/2006, no valor de R$ 89.632,25, a fim de quitar débito do próprio Cofins, relativo à competência dejulho de 2007, no montante de R$ 16.229,56. Em Outubro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 44), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 46). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.908424/200925 Acórdão n.º 1302002.478 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (2484 Estimativa) pago em 31/10/2006. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10875.908424/200925 Acórdão n.º 1302002.478 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720252/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS
São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÂNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litigio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972.
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) NÃO OCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza-se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN. De outra forma, aplica-se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I do CTN.
SIGILO BANCÁRIO
É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, portanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FATO INDICIÁRIO. FATO JURIDICO TRIBUTÁRIO.
A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE REDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciando nos autos os motivos da aplicação da referida multa.
LANÇAMENTO DE OFICIO - EFEITO CONFISCATÓRIO
Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fático, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.
JUROS TAXA SELIC
Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Cabível a atribuição da responsabilidade solidária, quando comprovado o interesse comum na relação econômica que originaram os fatos geradores da obrigação tributária.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1302-002.398
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litigio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza-se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN. De outra forma, aplica-se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I do CTN. SIGILO BANCÁRIO É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, portanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FATO INDICIÁRIO. FATO JURIDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE REDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciando nos autos os motivos da aplicação da referida multa. LANÇAMENTO DE OFICIO - EFEITO CONFISCATÓRIO Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fático, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. JUROS TAXA SELIC Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Cabível a atribuição da responsabilidade solidária, quando comprovado o interesse comum na relação econômica que originaram os fatos geradores da obrigação tributária. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litigio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I do CTN. SIGILO BANCÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 02 52 /2 01 0- 60 Fl. 12427DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.428 2 É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, portanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FATO INDICIÁRIO. FATO JURIDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE REDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciando nos autos os motivos da aplicação da referida multa. LANÇAMENTO DE OFICIO EFEITO CONFISCATÓRIO Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fático, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. JUROS TAXA SELIC Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Cabível a atribuição da responsabilidade solidária, quando comprovado o interesse comum na relação econômica que originaram os fatos geradores da obrigação tributária. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas Fl. 12428DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.429 3 capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Visto, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Por bem relatar os fatos e argumentos que compõem o objeto deste processo, adoto o relatório da DRJ/BEL, e passo a transcrevêlo: Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (COFINS), referente ao ano calendário de 2006, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 30.06.2010). Fl. 12429DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.430 4 I I DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária a saber: 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A infração verificada foi enquadrada como OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS bancários de origem não comprovada devido à omissão de receita verificada pelos depósitos/créditos em conta corrente com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, conforme enquadramento legal citado no Auto de Infração. 2.2 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude dos fatos abaixo enumerados: Exclusão do SIMPLES com efetivos retroativos a 01/01/2013: Comprovação de interposta pessoa no momento bancário; Livro Razão contendo deficiência na escrituração, que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária da empresa, já que a origem dos recursos relativos aos débitos/ créditos em contas correntes não foi comprovada. Art.530, inciso II, do RIR/99. 2.3 – DA MULTA QUALIFICADA 150% A justificativa para qualificar a multa reside no fato do sujeito passivo ter transmitido “ Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (PJSI) informado que não obteve receitas no ano calendário de 2006, embora tenha realizado movimentação financeira em valores expressivos, através da qual foram constatados depósitos em contas correntes sem origem não comprovada. Acrescentase ainda, o fato de que tais movimentações referemse também, às atividades de outra empresa, sem motivo justificável para tal procedimento adotado por ambas empresas. Assim, temos um conjunto de condutas cujo objetivo não pode ser outro, senão aquelas tendentes a retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, assim como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 2.4 – DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTO IMPOSTO JUROS DE MORA RS MULTA RS TOTALRS IRPJ 252.595,88 99.863,76 378.893,81 731.353,45 PIS 74.911,32 30.523,14 112.366,94 217.801,40 COFINS 345.744,82 140.876,36 518.617,21 1.005.238,39 CSLL 124.468,13 49.327,80 186.702,18 360.498,11 TOTAL 2.314.891,35 Fl. 12430DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.431 5 Com base no art.124 e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de outubro de 1966 lavrouse juntamente com o Auto de Infração, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em nome da empresa QUALIMAX INDUSTRIA E COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE RAÃO LTDA. (CNPJ 06.185.537/000150) em decorrência dos fatos a seguir listados: Conforme Termo de Constatação nº 001/2009, lavrado em 08/04/2009, o funcionário da empresa Qualimax Industria Comercio e Distribuidora de Rações Ltda.Stephenson Jackson R. Silva, também procurador da empresa M E Paz ME, afirma que ambas as empresas estão sob responsabilidade da mesma pessoa; A empresa M E Paz – ME protocolou nesta Seção de Fiscalização, em 26/08/2009 documento no qual afirma que as contas bancárias de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas pela empresa Qualimax Industria Comercio e Distribuidora de Rações Ltda em todas as operações desde agosto de 2004 até o encerramento das mesmas; Clevrson Carlos de Oliveira (CPF nº 696.666.79272) é procurador de ambas as empresas aqui tratadas e, em 30/11/2009, protocolou documento nesta Seção representando a empresa M E Paz – ME; e nesta ocasião apresenta O Livro Razão da empresa Qualimax, amostras de notas fiscais também da empresa que a fiscalizada e boletos emitidos para crédito nas contas correntes da empresa M E PAZ ME; De acordo Com o descrito nos tópicos anteriores, as empresas envolvidas confirmam que exercem suas atividades como se apenas uma única empresa fossem utilizando as mesmas contas bancárias, o mesmo procurador, a mesma sócia e a mesma atividade. Fica, então, evidente a responsabilidade da empresa Qualimax Indústria e Comércio e Distribuidora de Rações Ltda, na qualidade de responsabilidade solidária, por ter interesse comum nos fatos geradores da obrigação tributária aqui tratada, nos termos do art. 124 do CTN. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 16/08/2010, o Contribuinte apresentou impugnação ao Auto de infração (fls.823/926), e alega em síntese: 3.DAS PRELIMINARES 3.1 DA TEMPESTIVIDADE A presente defesa será protocolada, atendendo os dispositivos legais pertinentes (arts. 5º e 15 do Decreto nº 70.235/72), logo tempestiva a Impugnação. 3.2 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO a). Por ter deixado de cumprir os prazos regulamentar para a prorrogação dos trabalhos de auditoria, e também não constatado, no processo, a autorização para a prorrogação; b) . Por ter a fiscalização, concedido prazos inferiores ao solicitado; c) Suspeição de autoridade por haver perseguição por parte da Fiscalização, tendo em vista a fiscalização de empresas do mesmo grupo; d). Por ter solicitado levantamento e cruzamento das informações financeiras constantes nos livros contábeis e não atendido; e). Por ter lavrado o Auto de Infração logo após o termino da intimação para apresentação de documentação; Fl. 12431DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.432 6 4DO MÉRITO EM RELAÇÃO AOS ELEMENTOS DE PROVA Alega em síntese: a) A empresa, em epigrafe, explorou suas atividades até junho/2004, e por decisão do seu titular foi admitido o Sócio entrante Erivan Fernandes Cavalcante, CPF nº 606.717.66287, e foi criada a Qualimax Industria e Comercio e Distribuidora de Rações, com CNPJ nº 06.185.534/000150; b) Que a empresa Qualimax Industria Comércio e Distribuidora de Ração Ltda, ora constituída, devido ao crédito financeiro, utilizou as contas bancárias da Impugnante para a manutenção de seu negócio; c) Que outro fato relevante, é que utilizou a estrutura administrativa da Impugnante, tais como faturamento, cadastro de fornecedores, emissão de boletos bancários entre outros; d) –Que apesar de não ser atendido a solicitação de prazo, de 150 (cento e cinquenta dias), para a apresentação da documentação, comprova, através da planilha de número 1, com relação dos boletos emitidos em favor da empresa M E PAZ ME, juntamente com as cópias das notas fiscais emitidas pela empresa Qualimax Industria, Comercio e Distribuidora de Ração Ltda; e) Que anexou as planilhas II, III, IV, V e VI, onde constam os cruzamentos entre depósitos efetuados nas contas Correntes, bem como as cópias das Notas Fiscais emitidas contra clientes para a comprovação da origem financeira; f) Que vários documentos lançados a títulos de receita para compor a base de cálculos forma duplicados e por outras vezes foram desconsiderados estornos de lançamentos e até memso erros de valores lançados, conforme planilha de fls. 863; g) – Que está facilmente demonstrada o vínculo financeiro entre as empresas M E PAZ – ME e a QUALIMAX , como por exemplo: Segue cópia do cheque 003713 da mesma conta corrente Banco Bradesco S.A da Empresa M E Paz ME, emitido e depositado na C/C da empresa Qualimax Industria e Comércio de Rações Ltda, comprovando a vinculação financeira entre as empresas. h) Que apesar de existir sigilo bancário, direito constitucional, e a empresa alegala na defesa pedindo nulidade do auto de Infração, a Fiscalização solicita os extratos às Instituições Financeiras e muitas vezes obtém êxito; i) – Que os numerários utilizados para elaboração do referido Auto de Infração, foram os mesmos que seviram para os pagamentos de fornecedores da QUALIMAX INDUSTRIA, COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE RAÇÃO LTDA; j) Que R$ 179.190,80, laçando em 22/11/2006, referese a Cédula de Crédito Bancário que representa operação financeira entre a empresa e o Banco; k) – Que está apresentado todos os documentos necessários para a comprovação da improcedência do Auto de Infração; l). Em relação à multa qualificada de 150% e o princípio do não confisco alega: Podemos observar nos Autos que a empresa em todos as solicitações prontamente atendeu a Atuante, e está ainda insiste em tese de intuito de fraude por parte da empresa e seus administradores; Fl. 12432DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.433 7 Como pode Sr. Delegado, haver fraude por parte da empresa, se as provas para a autuação foram fornecidas pela empresa? Como a empresa estaria com tal interesse ou ânimo como explica a autuante se todas as provas utilizadas para o lavramento do presente Auto foram fornecidas pela própria empresa? (fls 869) Certamente a multa de 150% quanto a tal circunstância, além de consubstanciar a ilegalidade, tem uma feição de confiscar do contribuinte quase a totalidade do valor que não é mais devido à Fazenda pela efetivação da homologação, extinção e decadência do crédito tributário. (fls 871) m) Em relação a taxa SELIC alega: A taxa SELIC, pretendida pela a Fazenda Pública posteriormente a janeiro de 1997, é manifestadamente inconstitucional. o) A empresa QUALIMAX INDUSTRIA COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE RAÇÃO LTDA, qualificada como responsável solidária apresentou Impugnação ao Auto de Infração (fls 876/926), trazendo as mesmas argumentações acima mencionadas; p). Não constam nos Autos, Impugnação expressa ao arbitramento do Lucro (item II – 2.2), para tanto será considerada Matéria não Impugnada: q) – Para consubstanciar as suas argumentações, a Impugnante citou algumas decisões administrativas. No julgamento das razões acima expostas, a DRJ/BEL julgou procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme denota a ementa do acórdão a seguir transcrito: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Ano Calendário: 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÂNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litigio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e Fl. 12433DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.434 8 controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I do CTN. SIGILO BANCÁRIO É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, portanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FATO INDICIÁRIO. FATO JURIDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE REDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciando nos autos os motivos da aplicação da referida multa. Fl. 12434DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.435 9 LANÇAMENTO DE OFICIO – EFEITO CONFISCATÓRIO Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fático, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. JUROS TAXA SELIC Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Cabível a atribuição da responsabilidade solidária, quando comprovado o interesse comum na relação econômica que originaram os fatos geradores da obrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – ARBITRAMENTO DO LUCRO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão de impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação deste Conselho, reiterando os mesmos argumentos aduzidos na sua impugnação, sem rebater nenhum argumento lançado pelo acórdão da DRJ/BEL. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Tendo em vista a ciência formal do acórdão DRJ em 27 de maio de 2011 (vide fls.1179), fica caracterizada sua tempestividade. Sendo assim, conheço do presente recurso. Cabe frisar, que nos termos do §3º, do art. 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329, de 2017, adoto como razões de decidir parte da decisão recorrida, que abaixo transcrevo, litteris: Fl. 12435DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.436 10 “02 – DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que: Art. 100 . São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativos a que a lei atribua eficácia normativa: [grifei] Vejase também o Parecer Normativo CST nº 390/1971: Entendase que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação a contribuinte parte no processo de que decorre a decisão daquele colegiado. Logo, mesmo que o Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26 A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/2005. 03 DA NULIDADE DO AUTO INFRAÇÃO 01 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Verificase que a contribuinte argui a nulidade do ato administrativo resistido sob o fundamento de que deve ser reconhecida “ a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa”, pelas seguintes razões: Por ter deixado de cumprir os prazos regulamentar para a prorrogação dos trabalhos de auditoria, e também não constatado, no processo, a autorização para a prorrogação; Por ter, a fiscalização, concedido prazos inferiores ao solicitado; Suspeição de autoridade por haver perseguição por parte da Fiscalização, tendo em vista a fiscalização de empresas do mesmo grupo; Por ter solicitado levantamento e cruzamento das informações financeiras constantes nos livros contábeis e não foi atendido; Fl. 12436DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.437 11 Por ter lavrado o Auto de Infração logo após o termino da intimação para apresentação de documentação; Porém, não é essa situação que se apresenta os autos. Consta no MPF, que o procedimento fiscal é fiscalização do IPJ do período de 01/2006 a 12/2006(fls. 107). O Contribuinte foi intimado a apresentar, conforme o Termo de Início de Fiscalização, os livros caixa e de inventário, do ano calendário de 2006, logo, de acordo o MPF. Vejamos o comando de § 1º do art.7º da Portaria nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 7º O MOFF, o MPF D e o MPFE conterão: I A numeração de identificação e controle; II Os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV O prazo para a realização do procedimento fiscal; V O nome e a matricula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI – O nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificação relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. Foi mencionado também, no referido termo, a possibilidade do contribuinte verificar a autenticidade, através da página da Secretária da Receita Federal do Brasil na internet (http:// www.receita.fazenda.gov.br), com a informação do CNPJ e do código de acesso nº 41649602, conforme assenti no art. 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Art.4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art.23 do Decreto nº 70.235, de março de 1972, com redação dada pelo art.67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darse á por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Fl. 12437DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.438 12 Como vimos acima a ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art.23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darse á por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. No caso da pessoa física ou jurídica não possuir acesso a Internet poderá verificar a autenticidade do Mandado comparecendo a uma unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entendo que esta é uma questão menor no que tange à anulabilidade do lançamento, pois o MPF é, na verdade, um instrumento de gerenciamento e planejamento da atividade fiscal, conclusão a que se chega pela leitura dos arts. 1º e 2º da Portaria SRF nº 3.007, de 26.11.2001.Apesar de o referido diploma normatizar os tipos e prazos de validade dos MPFs, bem como o seu conteúdo, em nenhum momento pretendeu inovar a ordem jurídica para acrescentar uma nova hipótese de declaração de nulidade do lançamento. Compulsado os autos, principalmente o Termo de Verificação de Infração Fiscal Histórico da Fiscalização, consubstanciado na documentação anexa, verifiquei que a fiscalização iniciou em 04/03/2009 e encerrou em 20/07/2010 (mais de um ano após o início), logo a fiscalizada teve tempo suficiente para apresentar os livros fiscais, documentos solicitados, fazer levantamentos, cruzamentos, e atender todas as dúvidas verificadas pela Fiscalização e não o fez. Ademais, poderia apresentar as comprovações por ocasião da Impugnação, que é outro momento oportuno. Sae apresentadas, passaremos a analisar a seguir (no mérito), observando as argumentações, e documentos apresentados. Quanto a argumentação de: Suspeição de autoridade por haver perseguição por parte da Fiscalização, tendo em vista a fiscalização de empresas do mesmo grupo, não prospera, pois pelos fatos descritos, na fiscalização, verifiquei que as empresas tinham interesse comum nos fatos econômicos que originaram a fiscalização, e indícios fortíssimos de sonegação fiscal, o que foram objeto de análise por parte da Fiscalização. E relação os itens acima analisados, cumpre esclarecer que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que no decurso da ação fiscal não existe litígio ou contraditório. Para comprovar tal assertiva é suficiente a transcrição do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972 verbis: “ Art. 14 A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é fase na qual os agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. É a partir da lavratura do auto de infração que o contribuinte, em discordando da exigência fiscal, poderá opor resistência à pretensão, respaldo pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, assim inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário. Assim, o devido processo legal pelo qual pugna a interessada, como resulta notório dos autos, encontrase rigidamente preservado. Fl. 12438DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.439 13 Além do mais, o auto de infração é um mero procedimento, considerase o procedimento como a sucessão encadeada de atos que prepara um ato final, enquanto processo implica, além do vínculo entre os atos, vínculos jurídicos entre os sujeitos, envolvendo direitos, deveres, poderes na relação processual. Processo implica, sobretudo, atuação dos sujeitos sob o prisma contraditório. E a lide começa após começa após a lavratura do Auto de Infração. Logo, na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa, porque auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que sempre poderá fazêla, inclusive para dizer que é nulo ou improcedente. A lei determina quais são os casos de declaração de nulidade do lançamento, e são aqueles expressos no art.59 do Decreto 70.235, de 6.3.1972 (decreto este com força de lei), in verbis: “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Verifica se, ínsito nesse artigo, encontramse as exigências formais e materiais do lançamento tributário, extraídas da definição contida no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ao contrário do que afirma a Impugnante, a Fiscalização descreveu os pormenorizadamente os fatos (fl. 02 a 81), anexou as provas aos autos, e enquadrou adequadamente os fatos à legislação pertinente. Logo, tudo de acordo com o art.142 do CTN. 3 DA DECADÊNCIA A recorrente suscita sutilmente (não expressamente) a extinção dos créditos tributários pela decadência nos dizeres de seu argumento: Certamente a multa de 150% quanto a tal circunstância, além de consubstanciar a ilegalidade, tem uma feição de confiscar do contribuinte quase a totalidade do valor que não é mais devido à Fazenda pela efetivação da homologação, extinção e decadência do credito tributário. (Fls. 871) (grifei) Na dúvida, demonstro, caso seja esta intenção da Impugnante, que não assiste razão a argumentação. O IRPJ, assim como as contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COFINS), está sujeito ao lançamento por homologação do pagamento, nos termos do art. 150 do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo Fl. 12439DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.440 14 ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [grifei] Para esta espécie de lançamento, o legislador houve por bem fixar um prazo para homologação de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do mesmo artigo. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [grifei] Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento sujeito a homologação do pagamento é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Todavia, para que se opere este prazo decadencial mister que o contribuinte tenha efetuado recolhimento, ainda que parcial, do tributo e, ainda, não tenha agido com dolo, fraude ou simulação. É que se depreende da leitura dos dispositivos supra citados. Não havendo, recolhimento do contribuinte ou tendo este agido como dolo, fraude ou simulação, aplicase o a regra geral de decadência estampada no art.173, inciso I, do CTN. Art.173. O direito de Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso especifico, mesmo que fosse aplicada a regra mais benéfica, do § 4º do art. 150 do CTN, ao fato gerador mais longínquo (31/01/2006), poderia ser constituído o crédito tributário até 31/01/2011. Como a ciência do Auto de Infração foi em 20/07/2010, logo não há que se falar em extinção do crédito tributário por decadência. II DO MÉRITO EM RELAÇÃO AOS ELEMENTOS DE PROVA 01 DO SIGILO BANCÁRIO Em relação ao sigilo bancário, direito constitucional, e a empresa alegála na defesa pedindo nulidade do Auto de Infração, a Fiscalização solicita os extratos às Instituições Financeiras e muitas vezes obtém êxito. Sobre o tema, tenho que a obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste. Explica se. Inicialmente, no que concerne à obtenção dos dados relativos à movimentação bancário, cabe esclarecer que o art. 38 da Lei 4.595, de 1964, já autorizava a ação fiscal, conforme se depreende de sua leitura: Fl. 12440DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.441 15 Art. 38. As instituições financeiras conservação sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houver processo instaurados e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6º O dispositivo no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames serem conservados em sigilo, não podendo ser utilizados se não reservadamente. § 7º A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicandose no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outas sanções cabíveis. [Grifouse] Constatase que o texto legal enumerava apenas dois requisitos para permitir ao Fisco o exame de documentação bancária: a existência de um processo instaurado e a manifestação da autoridade competente, considerandoos indispensáveis. Não há a exigência de autorização judicial. Ocorre que, a autoridade administrativa, ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, estava se valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter o mínimo de eficácia e dar, não só aos órgãos de fiscalização tributária, mas à toda sociedade um resultado que demonstre, de maneira inequívoca, haver indícios de omissão de rendimentos em certas condutas. Vedar ao Fisco o acesso a este tipo de informação seria amordaçar o próprio Estado que, diante de evidência trazidas arrecadação da CPMF, deveria se manter calado sem a capacidade de efetivar uma ação de fiscalização que produzisse resultados à altura da verdade dos fatos cristalinamente evidenciados pela movimentação bancária dos contribuintes. Ademais, todos os contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, estão obrigados a prestar informações ao fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de rendimentos, ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, momento em que pode serlhes exigida a documentação comprobatória (artigo 927 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000 de 1999). Pode ocorrer, no entanto, de o contribuinte negarse a apresentar tais comprovantes, ou até mesmo nem os possuir, restando ao fisco buscálo nas instituições onde se deram as transações, como em bancos. Assim, o fornecimento de informações por instituições bancárias vem apenas substituir o dever ao qual estão sujeitos os contribuintes por lei. É o próprio Código Tributário Nacional em seu artigo 197, inciso II, que impõe a obrigação de os bancos e outras instituições financeiras prestarem informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Fl. 12441DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.442 16 Art.197 – Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II – os bancos, casas bancários, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; [...] Observese ainda que, assim como os funcionários dos estabelecimentos bancários, os agentes fazendários estão ao dever de resguardar as informações apuradas, não só em virtudes do sigilo bancário, mas em função de um manto maior, que é o sigilo fiscal. O mero repasse dos dados à Receita Federal pelo banco não infringe este dever. A transferência destas informações a terceiros é que significaria a quebra do sigilo. Em um procedimento administrativofiscal somente têm acesso às informações auditadas os agentes do Fisco e o próprio contribuinte. O segredo, portanto, permanece intocado. De qualquer maneira, cumpre notar que o art.38 da Lei nº 4.595, de 1964, foi, posteriormente, substituído, no que se refere às investigações fiscais, pelo art. 8 da Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, in verbis: Art. 8 Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art.38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose no caso de descumprimento deste prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º. Ressaltese que a utilização do dispositivo legal supra pelas autoridades administrativas, além de correta, era obrigatória, em razão do caráter vinculado de sua função, sendo improfícuas as arguições sobre a sua inconstitucionalidade. No entanto, a matéria em foco foi tratada pela Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, que teve seu artigo 6º regulamentado pelo Decreto 3.724, da mesma data. Seu artigo 1º, § 3º, inciso VI, artigo 5º e artigo 6º preceituam: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Fl. 12442DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.443 17 Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de folhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Com relação à limitação/vedação estipulada no § 2º do art. 5º da Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, de que “as informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. ”, verificase que não se aplica ao presente caso pois estamos na fase posterior do conhecimento da infração tributária, visto que já se tinha apurado que havia uma movimentação financeira incompatível com a receita declarada decorrente das informações recebidas relativas a CPMF, nos moldes do § 2º do art. 5º No caso dos autos, os extratos bancários foram solicitados tendo em vista o disposto no § 4º do art. 5º da Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, de que “ recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos”. Por outro lado, ao mesmo tempo que a Legislação dá ao Fisco esta prerrogativa, ela impõe aos servidores públicos aos quais vieram a ter conhecimento, por dever de ofício, das informações bancárias e mesmo àquelas protegidas pelo manto do sigilo fiscal sérias restrições, inclusive com a tipificação penal do ato de revelar fato de que tenha ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. Para melhor compreensão, seguem abaixo os citados dispositivos: Decreto 3.724/2001 Fl. 12443DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.444 18 Art. 8º O servidor que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida nos termos deste Decreto, em finalidade ou hipótese diversa da prevista em lei, regulamento ou ato administrativo, será responsabilizado administrativamente por descumprimento do dever funcional de observar normas legais ou regulamentares, de que trata o art.116, inciso III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, se o fato não configurar infração mais grave, sem prejuízo de sua responsabilização em ação regressiva própria e da responsabilidade penal cabível. Art.9º O servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação de que trata este Decreto, constante de sistemas informatizados, arquivos de documentos ou autos de processos protegidos por sigilos fiscal, com infração ao disposto no art. 198 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), ou no art.116, inciso VIII, da Lei nº 8.112, de 1990, ficará sujeito à penalidade de demissão, prevista no art.132, inciso IX, da citada Lei nº 8.112, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. Art. 10 O servidor que permitir ou facilitar, mediante atribuição, fornecimento ou empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas os sistemas de informações, bancos de dados, arquivos ou a autos de processos que contenham informações mencionadas neste Decreto, será responsabilizado administrativamente, nos termos da legislação especifica, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. Parágrafo único. O disposto neste artigo também se aplica no caso de o servidor utilizarse, indevidamente, do acesso restrito. Código Penal Art.325. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitarlhe a revelação: Pena – detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. A matéria em foco é reguladora, também, nos arts.918,998 e 999 do vigente Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/1999. Decreto 3.000/1999 Art.918. Iniciado o procedimento fiscal, os Auditores Fiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº 4.595, de 1964 (Lei nº 4.595, de 1964, art.38, §§ 5º e 6º, e Lei nº 8.021, de 1990, art. 8º). Art.998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei nº 5.172, de 1966, arts.198 e 199). Fl. 12444DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.445 19 (...) § 2º A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever de ofício, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei nº 5.844, de 1943, art .201, § 1º). § 3º É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei nº 5.844, de 1943, art.201, § 2º). Art.999.Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de ofício ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei nº 5.844, de 1943, art.202). Portanto, a legislação tributária, ao conceder a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras, está dando instrumentos para o Fisco poder levar a contento aquilo que a sociedade clama que ele o faça, qual seja, dar eficácia às normas tributárias. Pois de nada valeria a obrigação de entrega da declaração, se à Administração fosse vedado verificar a veracidade das informações prestadas. No entanto, por outro lado, obedecendo ao mandamento do artigo 5º, inciso X, da CF, da inviolabilidade da intimidade, a legislação obriga um sério comportamento ético profissional dos servidores que tenham conhecimento destas informações. Aí, sim, está o sigilo bancário pleiteado na impugnação, e não na transferência de informações bancárias de instituições privadas para um órgão de Estado, que, possui a responsabilidade de sigilo em um espectro maior que é o sigilo fiscal que ao bancário absorve. Apesar de ser legal as informações bancárias obtidas nos moldes acima, In casu, não houve qualquer ilegalidade no procedimento de obtenção de informações bancárias, pois foi o próprio Contribuinte que apresentou (fls.144/145), quando intimado, seus extratos bancários. Logo as provas obtidas pela fiscalização são licitas e legitimas para instruir o lançamento. 2 EM RELAÇÃO AOS ELEMENTOS DE PROVA D PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. O contribuinte recorrente contesta, em síntese: A empresa, em epigrafe, explorou suas atividades até junho/2004, e por decisão do seu titular foi admitido o Sócio entrante Erivan Fernandes Cavalcante, CPF nº 606.717.66287, e foi criada a Qualimax Industria e Comercio e Distribuidora de Rações, com CNPJ nº 06.185.534/000150: Que a empresa Qualimax Industria Comércio e Distribuidora de Ração Ltda. Ora constituída, devido ao crédito financeiro, utilizou as contas bancárias da Impugnante para a manutenção de seu negócio; Que outro fato relevante, é que utilizou a estrutura administrativa da Impugnante, tais como faturamento, cadastro de fornecedores, emissão de boletos bancários entre outros; Que apesar de não ser atendido a solicitação de prazo, de 150 (cento e cinquenta dias), para a apresentação da documentação, comprova, através da planilha de Fl. 12445DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.446 20 número I, com relação dos boletos emitidos em favor da empresa M E PAZ ME, juntamente com as cópias das notas fiscais emitidas pela empresa Qualimax Industria, Comércio e Distribuidora de Ração Ltda. Que anexou as planilhas II, III, IV, V e VI, onde constam os cruzamentos entre depósitos efetuados nas Contas Correntes, bem como as cópias das Notas Fiscais emitidas contra esses clientes para a comprovação da origem financeira; Que vários documentos lançados a título de receita para compor a base de cálculo forma duplicados e por outras vezes foram desconsiderados estornos de lançamentos e até mesmo erros de valores lançados, conforme planilhas de fls.863; Que está facilmente demonstrada o vínculo financeiro entre as empresas M E PAZ ME e a QUALIMAX, como por exemplo: Segue cópia do Cheque 003713 da mesma conta corrente Banco Bradesco S. A da empresa M E PAZ ME, emitido e depositado na C/C da empresa Qualimax Industria e Comércio de Rações Ltda, comprovando a vinculação financeira entre as empresas. Que apesar de existir sigilo bancário, direito constitucional, e a empresa alegala na defesa pedindo nulidade do Auto de Infração, a Fiscalização solicita os extratos às Instituições Financeiras e muitas vezes obtém êxito; Que os numerários utilizados para elaboração do referido Auto de Infração, foram os mesmos que serviram para os pagamentos de fornecedores da QUALIMAX INDUSTRIA, COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DA RAÇÃO LTDA: Que R$ 179.190,80, lançado em 22/11/2006, referese a Cédula de Credito Bancário que representa operação financeira entre a empresa e o Banco; Que está apresentando todos os documentos necessários para a comprovação da improcedência do Auto de Infração. É oportuno analisar o que determina o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com as modificações do artigo 4º da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, base do lançamento: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimido, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterse ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 12446DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.447 21 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. [...] Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Depreendese, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Dessa forma, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas a falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta – corrente do contribuinte. Em outras palavras, pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “ fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “ fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “ fato gerador” as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: “ Art.333. O ônus da prova incumbe: I Ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II Ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 12447DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.448 22 Art.334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV Em cujo favor, milita presunção legal de existência ou de veracidade”. [ Destaque nosso] No texto abaixo reproduzido, extraído de “ Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (Justec RJ; 1979: 806), José Luiz Bulhões Pedreira sinteza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com os as características descritas na lei correspondente, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativo) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Veja as alegações trazidas pela Impugnante, na qual elaborou as PLANILHAS I/VI; Que apesar de não atendido a solicitação de prazo, de 150(cento e cinquenta dias), para a apresentação da documentação, comprova, através da planilha de número I, com relação dos boletos emitidos em favor da empresa M E PAZ – ME, juntamente com as cópias das notas fiscais emitidas pela empresa Qualimax Industria, Comércio e Distribuidora de Ração Ltda; Que anexou as planilhas II, III, IV, V e VI, onde constam os cruzamentos entre depósitos efetuados nas Contas Correntes, bem como as cópias das Notas Fiscais emitidas contra clientes para a comprovação da origem financeira. Ao analisar as planilhas constatei que a Impugnante apresenta uma relação dos boletos (PLANILHAS I/IV), a maioria vencidos a partir 01/2006, emitidos pela Qualimax a seus clientes, nos quais os consideram como justificativas dos créditos nas contas da Impugnantes. No entanto, os valores listados não são coincidentes com os valores depositados, e não constam, nos autos, comprovações de que estes valores foram oferecidos a tributação das empresas envolvidas (M E PAZ QUALIMAX). No caso em tela, não há que se falar em ausência de provas do fato indiciário para o lançamento, vez que a fiscalização trouxe aos autos: Os extratos bancários das contas mantidas junto as Instituições Financeiras, comprovam a existência dos créditos bancários que deram origem ao lançamento, no qual quando intimado a comprovar a origem dos valores creditados não o fez por completo. Assim, ante existência da prova cabal do fato indiciário da presunção legal, caberia ao contribuinte apresentar sua contraprova, ou seja, comprovar que apresentou à fiscalização os documentos comprovar que apresentou à fiscalização os documentos comprobatórios da origem dos créditos bancários, ou apresentalos na impugnação. Fl. 12448DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.449 23 No entanto, alguns valores a impugnante conseguiu provar que a tributação estava inadequada pelo equivoco da Fiscalização (fls 862,863 e 866); Vejamos a análise: Não houve duplicidade para os valores de R$ 2.401,00 e R$ 2.892,40 creditados na corrente, em 03/01/2006, a Impugnante não comprovou se ofereceu ou não a tributação. Dos valores 43.819,07, lançado em 26/01/2006, concordo com a Impugnante que o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls. 933); O valor do crédito no valor de R$ 655,00 é inferior ao creditado na conta corrente (R$ 656,00), a Impugnante não comprovou se ofereceu ou não a tributação. A diferença de R$ 1,00 é benéfica ao contribuinte. Dos valores 24.623,25, lançado em 14/06/2006, concordo com a Impugnante que o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls.939); Dos valores 41.193,37, lançado em 24/08/2006, concordo com a Impugnante o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls.941); Dos valores 25.532,87, lançado em 14/09/2006, concordo com a Impugnante o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls.943); O valor do crédito de R$ 156, 00 é inferior ao creditado na conta corrente (R$ 456,00), a Impugnante não comprovou se ofereceu ou não a tributação. A diferença de R$ 300,00 é benéfica ao contribuinte (fls.945); Dos valores 14.207.54, lançado em 14/09/2006, concordo com a Impugnante que o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls.947); Dos valores 6.636,36, lançado em 03/10/2006, concordo com a Impugnante que o valor foi lançado em duplicidade, pois apesar de ter sido feito dois depósitos neste valor um foi estornado, veja o extrato bancário trazido pelo Contribuinte (fls.949); Não houve duplicidade para o valor de R$ 808,65, creditado na conta corrente, em 01/11/2006, a Impugnante não comprovou se ofereceu ou não a tributação. O valor do crédito no valor de R$ 1.393,00 é superior ao creditado na conta corrente (R$ 1.333,00), A diferença de R$ 60,00 é prejudicial ao contribuinte, logo será desconsiderado a diferença na tributação (fls.953); Não houve duplicidade para o valor de R$ 84,00, creditado na conta corrente, em 01/11/2006, a Impugnante não comprovou se ofereceu ou não a tributação. Em relação ao valor de R$ 179.190,80, a que o Contribuinte alega referirse à Cédula de Crédito Bancário, que representa operação financeira ente Empresa e o Banco, concordamos com a alegação da Impugnante, a própria Fiscalização, ao compor Fl. 12449DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.450 24 a planilha dos créditos a serem comprovados, relaciona o valor como OPERAÇÃO CAPITAL DE GIRO (fls. 74), logo não há como considerar um valor a este título como receitas omitidas pela empresa. Após análise, veja como ficou os valores comprovados e cálculos dos tributos exonerados: TABELA 01 DEMONSTRATIVO DOS VALORES COMPROVADOS DATA VALOR COMPROVADO TOTAL MENSAL TOTAL TRIMESTRAL Obs 26/01/2006 R$ 43.819,07 R$ 43.819,07 1º TRIMESTRE R$ 43.819,07 14/06/2006 R$ 24.623,25 R$ 24.623,25 2º TRIMESTRE 24/08/2006 R$ 41.193,37 R$ 41.193,37 14/09/2006 R$ 25.532,87 28/09/2006 R$ 14.207,54 R$ 39.740,41 3º TRIMESTRE R$ 79.933,78 03/10/2016 R$ 6.736,36 R$ 6.736,36 09/11/2006 22/11/2006 R$ 179.190,80 R$ 179.190,80 4 º TRIMESTRE R$ 185.987,16 Fl. 12450DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.451 25 TABELAS 2 DEMOSNTRATIVO DO IRPJ EXONERADO PERIODO VR COMPROVA DO COEF. % VR TRIBUTÁVE L ALQ. % IMP.EXONERAD O 1 R$ 43.819,07 9,60% R$ 4.206,63 15% R$ 630,99 2 R$ 24.623,25 9,60% R$ 2.363,83 15% R$ 354,57 3 R$ 79.933,78 9,60% R$ 7.673,64 15% R$ 1.151,05 4 R$ 185.987,16 9,60% R$ 17.854,77 15% R$ 2.678,22 TABELA 3 DEMONSTRATIVO DA CSLL EXONERADA PERIOD O VR COMPROVADO COEF.% VR TRIBUTÁVEL ALQ.% IMP.EXONERADO 1 R$ 43.819,07 12,00% R$ 5.258,28 9% R$ 473,25 2 R$ 24.623,25 12,00% R$ 2.954,79 9% R$ 265,93 3 R$ 79.933,78 12,00% R$ 9.592,05 9% R$ 863,28 4 R$ 185.987,16 12,00% R$ 22.318,46 9% R$ 2.008,66 TABELA 4 DEMONSTRATIVO DA PIS EXONERADO PERIODO VR COMPROVADO COEF.% VR TRIBUTÁVEL ALQ.% IMP.EXONERADO JANEIRO R$ 43.819,07 12,00% R$ 5.258,28 9,00 R$ 473,25 2 R$ 24.623,25 12,00% R$ 2.954,79 9,00 R$ 265,93 3 R$ 79.933,78 12,00% R$ 9.592,05 9,00 R$ 863,28 4 R$ 185.987,16 12,00% R$ 22.318,46 9,00 R$ 2.008,66 TABELA 4 DEMONSTRATIVO DA PIS EXONERADO Fl. 12451DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.452 26 PERIODO VR COMPROVADO ALIQ.% VALOR EXONERADO OBS JANEIRO R$ 43.819,07 0,65% R$ 284,82 JUNHO R$ 24.623,25 0,65% R$ 160,05 AGOSTO R$ 41.193,37 0,65% R$ 267,76 SETEMBRO R$ 39.740,41 0,65% R$ 258,31 OUTUBRO R$ 6.736,36 R$ 43,79 NOVEMBRO R$ 179.250,80 R$ 1.165,13 TABELA 5 DEMONSTRATIVO DA COFINS EXONERADA PERIODO VR COMPROVADO ALIQ. % VALOR EXONERADO OBS JANEIRO R$ 43.819,07 3,00% R$ 1.314,57 JUNHO R$ 24.623,25 3,00% R$ 738,70 AGOSTO R$ 41.193,37 3,00% R$ 1.235,80 SETEMBRO R$ 39.740,41 3,00% R$ 1.192,21 OUTUBRO R$ 6.736,36 3,00% R$ 202,09 NOVEMBRO R$ 179.250,80 3,00% R$ 5.377,52 Em face do exposto, consideramos parcialmente procedente a tributação. 3DA MULTA QUALIFICADFA – 150% E DO PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO A Impugnante alega em síntese: Podemos observar nos Autos que a empresa em todas as solicitações prontamente atendeu a Autuante, e está ainda insiste em tese de intuito de fraude por parte da empresa e seus administradores; Como pode Sr. Delegado, haver fraude por parte da empresa, se as provas para a autuação foram todas fornecidas pela empresa? Como a empresa estaria com tal interesse ou ânimo como explica a autuante se todas as provas utilizadas para o lavramento do presente Auto foram fornecidas pela própria empresa? (fls.869) Certamente a multa de 150% quanto a tal circunstância, além de consubstanciar a ilegalidade, tem uma feição de confiscar do contribuinte quase a Fl. 12452DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.453 27 totalidade do valor que não é mais devido à Fazenda pela efetivação da homologação extinção e decadência do crédito tributário. (fls.871). Ao fisco federal cabe aplicar as penalidades definidas em lei. Conforme Enquadramento Legal aposto no auto de infração, a multa de lançamento de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. O art.44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, dispõe que, nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude. É este o teor do referido artigo: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts.71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Hoje, é o § 1º do artigo 44 que trata da multa qualificada: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). a) na forma do art.8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). b) na forma do art.2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.4488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Cumpre explicar que os fundamentos na legislação fiscal para a imputação da fraude latu sensu vinculamse às hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, in verbis: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 12453DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.454 28 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstância materiais; (grifei). II das condições pessoas de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72 Fraude é toda ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art.73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71e 72. Veja as razões que levaram a Fiscalização a qualificar a multa: A justificava para qualificar a multa reside no fato do sujeito passivo ter transmitido “Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI) informado que não obteve receitas no ano calendário de 2006(fls.85 a 104), embora tenha realizado movimentação financeira em valores expressivos, através da qual foram constatados depósitos em contas correntes sem origem não comprovada. Acrescentase, ainda, o fato de que tais movimentações referemse também às atividades de outra empresa, sem motivo justificável para tal procedimento adotado por ambas empresas. Assim, temos um conjunto de condutas cujo objetivo não pode ser outro, senão aquelas tendentes a retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, assim como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Compulsando os autos, constatei que as imputações feitas pela fiscalização estão confirmadas através de documentos hábeis (Declarações e Demonstrativos de Base de Cálculos consubstanciados em Extrato Bancários). É evidente que os fatos apurados nos autos se subsumem as hipóteses acima descritas, já que a empresa impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, não podendo ser acolhida a alegação da empresa. As recorrentes ainda alegam o caráter de confisco das multas aplicadas. Entretanto, é inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 145, § 1º, determina que os impostos serão graduados em função da capacidade contributiva do contribuinte. E mais, em seu artigo 150, inciso IV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Ocorre que tributo não deve ser confundido com penalidade. O princípio que norteia a imputação penal, cujo caráter é agressivo, tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivas à coletividade. Nessa linha, temse orientado o Conselho de Contribuintes: “ CONFISCO A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal”.(Ac.10242741, sessão de 20/02/1998). Fl. 12454DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.455 29 “ MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art,112 do CTN”. ( Ac 201 71102, sessão de 15/10/1997). Outrossim, aplicação de multa de oficio (regulamentar, qualificada ou agravada) está devidamente fundamentada na legislação tributária (art.44 da Lei nº 9.430/96). Pelo que, as alegações de ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais (art.116, inc. III, da Lei nº 8.112/ 1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art.142 do Código Tributário Nacional – CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do art.142 do CTN a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Assinalese que tal é a determinação do Parecer Normativo da COSIT/SRF nº 329/1970; Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Por fim, o art. 7º da Portaria MF nº 58/2006 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. 4— DA TAXA SELIC — INCONSTITUCIONALIDADE A recorrente sustenta a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC. Como juros mora, por ofensa aos artigos 150, I, e 192, §3°, da CF. Isto porque seus índices não são estabelecidos por lei, mas, sim, por regulamento, e por serem superiores à 12%. Primeiramente, há de se considerar que o art. 161, § 1°, do CTN ressalvou a possibilidade aplicação da taxa de juros com base em lei ordinária. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falia, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são cálculos à taxa de um por cento ao mês. [grifei] O art. 61 da Lei n° 9430/96, por sua vez, determinou que: Art.61.0s débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos Fl. 12455DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.456 30 nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo OU da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3' do art. 5°, a partir do primeiro dia cio mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n°9.716, de 1998) O § 3º do art. 5° da Lei n° 9.430/96, por seu turno, dispôs que: §3° As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Nesse sentido, a incidência de juros de mora, sobre débitos de natureza tributária, a partir de 01/01/1997, com base na taxa SELIC, que a impugnante reputa inaplicável, por ofensa a princípios constitucionais, está prevista no § 30 do art. 61 c/c § 3º do art. 50 da Lei n°. 9.430, de 1996, diploma legal fruto da emanação da vontade do Poder Legislativo Nacional, cuja elaboração seguiu o processo legislativo constitucionalmente previsto. Tem, portanto, a seu favor, a presunção de legitimidade que é própria das leis. Acontece que as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n°. 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Ressalto que a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, como inconstitucionais e/ou ilegais. No mais, a utilização da taxa de juros SELIC, para fim tributário, é definido por lei específica, qual seja a Lei n° 9.430/96, não sendo aplicadas, portanto, as disposições da legislação extravagante. IV — DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA EMPRESA QUALIMAX INDUSTRIA COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE RAÇÃO LTDA. Vejamos as razões que levou a Fiscalização a considerar a empresa QUALIMAX como responsável solidária: Fl. 12456DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.457 31 Com base no art. 124 e 135 do Código Tributário Nacional — CTN, Lei n°5.172 de 25 de outubro de 1966, lavrouse juntamente com o Auto de Infração, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em nome da empresa QUALIMAX INDUSTRIA E COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE RAÃO LTDA. (CNPJ 06.185.537/000150), em decorrência dos fatos a seguir listados: Conforme Termo de Constatação n° 001/2009, lavrado em 08/04/2009, o funcionário da empresa Qualimax Indu.stria Comercio e Distribuidora de Rações Ltda. Stephenson Jackson R.Silva, também procurador da empresa M E Paz — ME, afirma que ambas as empresas estão sob responsabilidade da mesma pessoa; A empresa M E Paz — ME protocolou nesta Seção de Fiscalização, em 26/08/2009, documento no qual afirma que as contas bancárias de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas pela empresa Qualimax Industrhi Comercio e Distribuidora de Rações Ltda. em todas as operações desde agosto de 2004 até o encerramento das mesmas; Clevrson Carlos de Oliveira (CPF n°696.666.79272) é procurador de ambas as empresas aqui tratadas e, em 30/11/2009, protocolou documento nesta Seçao, representando a empresa M E PAZ — ME; e nesta ocasião apresentou o Liwo Razão da empresa Qualimax, amostras de notas fiscais também da empresa que a fiscalizada e boletos emitidos para crédito nus contascorrentes da empresa a fiscalizada e boletos emitidos para crédito nas contas correntes da empresa M E PAZ ME; De acordo Com o descrito nos tópicos anteriores, as empresas envolvidas confirmam que exercem suas atividades como se apenas uma única empresa fossem utilizando as mesmas contas bancárias, o mesmo procurador, a mesma sócia e a mesma atividade. Fica, então, evidente a responsabilidade da empresa Qualimax huhistria e Comércio e Distribuidora de Rações Lida, na qualidade de responsável solidária, por ter interesse comuns nos fatos geradores da obrigação tributária aqui tratada, nos termos do art 124 do CTN (grifei) Ao analisarmos os argumentos de defesa da Responsável Solidária, verificamos que ela própria confirma esta condição ao afirmar que: A empresa, em epigrafe, explorou suas atividades até junho/2004, e por decisão do seu titular foi admitido o Sócio entranhe Erivan Fernandes Cavalcante, CPF nº 606.717.66287, e foi criada a Qualimax Industria e Comércio e Distribuidora de Rações, com CNPJ n° 06.185.534/000150; Que a empresa Qualimax Industria Comércio e Distribuidora de Ração Ltda., ora constituída, devido ao crédito financeiro, utilizou as contas bancárias da Impugnante para a manutenção de seu negócio; Que outro fato relevante, é que utilizou a estrutura administrativa da Impugnante, tais como faturamento, cadastro de fornecedores, emissão cle boletos bancários entre outros; Que apesar de não ser atendido a solicitação de prazo, de 150 (cento e cincoenta dias), para a apresentação da documentação, comprova, através da planilha de número I, com relação dos boletos emitidos em favor da empresa M E PAZ ME, juntamente com as cópias das notas fiscais emitidas pela empresa Qualimax Industria, Comércio e Distribuidora de Ração Ltda.: Fl. 12457DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.458 32 Que está facilmente demonstrada o vínculo financeiro entre as empresas M E PAZ ME e a QUALIMAX, como por exemplo: Segue cópia do Cheque 003713 da mesma conta corrente Banco Bradesco S.A da empresa M E PAZ ME, emitido e depositado na C/C da empresa Qualimax Industria e Comércio de Rações Ltda., comprovando a vinculação financeira entre as empresas. Que os numerários utilizados para elaboração do referido Auto de Infração, foram os mesmos que serviram para os pagamentos de fornecedores ila QUALIMAX INDUSTRIA, COMÉRCIO E DISTIUBUIDORA DE RAÇÃO LTDA; Pelo exposto, fica claro a responsabilidade da empresa QUALIMAX INDUSTRIA COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE RAÇÕES LTDA., na qualidade de responsável solidária, por interesse comum nas relações econômicas que deram origem aos fatos geradores da obrigação tributária, nos termos do art. 124 do CTN. V DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada o arbitramento do lucro (ITEM II 2.2 DO RELATÓRIO). VI DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COHNS), no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Ademais, verificase que a recorrente acosta varias notas fiscais da empresa QUALIMAX em seu recurso voluntário, fazendo referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja cancelado o lançamento contra ele efetuado pela autoridade administrativa. Ao se analisar os presentes autos, fazendose um cotejo entre os pedidos, relativamente à impugnação ao Termo de Verificação Fiscal, impugnação ao lançamento e peça recursal, verificase, além de informações controversa/inconsistentes, em síntese, que a recorrente traz os mesmos argumentos, os quais em nada acrescentam ou provam as divergências apontadas pela fiscalização. Ou seja, para esse relator fica claro que a Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ/BEL de forma genérica, fazendo mera referência as razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merece prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo, que entendeu pela manutenção da omissão de rendimentos. Dessa generalidade, é possível inferirse que a própria motivação do lançamento deixou de ser da fundamentação do auto de infração. Essa afirmativa coadunase com o prescrito no art. 17, do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 12458DF CARF MF Processo nº 10240.720252/201060 Acórdão n.º 1302002.398 S1C3T2 Fl. 12.459 33 Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/201345 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitase a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrandose, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Por fim, cabe ressaltar, que determinadas matérias não trazidas à baila na impugnação, porém, foram suscitadas em sede de Recurso Voluntário, e pelo fato das instâncias julgadoras terem competência para apreciar e julgar matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). A este Carf cabe tão somente o julgamento das matérias sujeitas a recurso voluntário (art. 1º do Anexo II do Ricarf). Logo, deixo de apreciálas em sede de Recurso Voluntário, por restarem precluídas. Conclusão À vista do exposto, rejeito as questões preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 12459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006020/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-005.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise da matéria não preclusa.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE FINSOCIAL RECONHECIDO JUDICIALMENTE. RETORNO DE DILIGÊNCIA EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Recorrente PEDRO MACCARI IRMÃOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise da matéria não preclusa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 60 20 /2 00 3- 19 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 371 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3401001.938, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em não conhecer parte do Recurso, por preclusão, e na parte conhecida dar provimento parcial para, nos exatos termos da informação fiscal de fl. 248, cancelar o lançamento no período de apuração 04/2001, reduzilo a R$ 6.359,14 em 05/2001 e mantêlo igual a R$ 7.224,06,no período 06/2001. Esses dois valores (montantes do principal) devem ser exigidos com multa de mora, como decidido na primeira instância, e os juros de mora respectivos. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou procedente em parte auto de infração da Cofins, de modo a determinar a exigência da multa de mora no lugar da multa de ofício lançada. O lançamento devese, segundo a fiscalização, a compensação indevida cujos créditos têm origem na Ação Ordinária nº 94.00.056451, relativo a indébito do Finsocial. 2. A DRF em Porto Alegre concluiu, analisando as DCTF's nas quais a contribuinte declarou extintos os débitos de Cofins dos períodos de janeiro a junho de 2001 por força de compensação com créditos de Finsocial, e cotejando tais valores com os créditos propriamente ditos, com base na decisão judicial e nas bases de cálculo declaradas nas DIPJ's, que o valor pago a maior que o devido seria suficiente apenas para a extinção dos débitos de Cofins dos períodos de janeiro a abril (parcialmente) de 2001, ficando em aberto os valores devidos de abril (parcial) a junho do mesmo ano, objeto do lançamento, conforme explicitado no Relatório da Atividade Fiscal (fls. 114/115), com base nos Demonstrativos de fls. 86/113. 3. A interessada apresenta impugnação ao lançamento de ofício (fls. 119/141) relatando que a ação judicial foi impetrada por ela e outra contribuinte, a qual, por estar inativa, optou pela restituição dos valores pagos a maior que o devido via precatório. Assim, preliminarmente, questiona os cálculos efetivados pela autoridade administrativa, já que se diferenciam dos cálculos para o precatório em favor da outra impetrante da ação judicial. Argumenta que a Procuradoria da Fazenda Nacional acatou os cálculos apresentados pela outra demandante e que incluíam os juros da taxa Selic. Quanto ao mérito, volta a criticar a forma de cálculo utilizada pela autoridade administrativa, a qual, a seu ver, não utilizou todos os índices de correção do indébito, a saber, INPC e taxa Selic. Segundo argumenta, a utilização da taxa Selic não foi pedida na exordial , simplesmente porque a mesma não havia ainda sido criada. Da mesma forma, a sentença proferida em instância singular foi prolatada em 27/10/1995, portanto também anterior à edição da Lei n° 9.250, de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 372 3 26/12/1995. Seu entendimento estaria respaldado pelo disposto na Norma de Execução Conjunta SRF /COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho de 1997, que reconheceria a compulsoriedade do acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic a partir de 1º de janeiro de 1996. Ante tais considerações, requer o cancelamento do auto de infração. O Acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 INDÉBITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA ESTRITA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. Indébito reconhecido judicialmente pode ser restituído e compensado na esfera administrativa com obediência estrita à decisão do Judiciário, sendo que quando a sentença transitada em julgado não especifica os índices de correção monetária do indébito a opção pela via administrativa leva à aplicação dos índices oficiais da correção empregados pela administração tributária. Recurso não conhecido em parte, por preclusão, e provido em parte no restante". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo o provimento do apelo, para efeito de reforma do acórdão recorrido e conseqüentemente a retificação da correção monetária do IPC, bem como com a inserção do efetivo valor original do indébito tributário reconhecido judicialmente. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 9303002.130 (dissenso jurisprudencial: aplicação do IPC no ano de 1990) e 3803003.593 (possibilidade de corrigir o erro material do fisco ao equivocarse quanto ao valor original do indébito reconhecido pelo poder judiciário verdade material versus preclusão). O recurso foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 352/358. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, sustentando que não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do título judicial. Conforme bem salientado pelo acórdão recorrido, é impossível o conhecimento de novos fundamentos deduzidos pelo contribuinte apenas na fase de interposição do recurso voluntário, tendo em vista a ocorrência de preclusão. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 373 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito há duas controvérsias: (i) aplicação do IPC no ano de 1990, e (ii) a possibilidade de corrigir o erro material do fisco ao equivocarse quanto ao valor original do indébito reconhecido pelo poder judiciário verdade material versus preclusão. No que tange o direito à inclusão dos expurgos inflacionários em compensação/restituição de créditos tributários, ainda que a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente neste sentido, entendo que assiste razão a Contribuinte, para tanto, utilizo como fundamento em minhas razões de decidir o Acórdão nº 9303004.202, sessão de julgamento realizada em 07 de julho de 2016, da lavra da Ilustre Conselheira Érika Costa Camargos Autran, por se tratar de matéria idêntica, passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicadospara os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 374 5 Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1ºDE DEZEMBRO DE 2008 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 375 6 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal". Referente a preliminar de preclusão argüida pela Fazenda Nacional, entendo que não houve preclusão, considerando que a Contribuinte quando apresentou Recurso voluntário demonstrou e solicitou a atualização monetária com base na Taxa SELIC, em que pese o Acórdão DRJ nº 0919.061, não ter se pronunciado sobre a matéria, a correção monetária foi objeto de prequestionamento no item “d” do Recurso Especial provido pelo. Acórdão CSRF/0201.870, que devolveu todas as demais matérias à Instância Inferior de Julgamento. Forte nestas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise da matéria não preclusa. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Acórdão n.º 9303005.763 CSRFT3 Fl. 376 7 Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37284.000830/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 04/10/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 08 30 /2 00 7- 92 Fl. 407DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 37284.000830/200792 Acórdão n.º 2202004.296 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009123/2008-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 23 /2 00 8- 52 Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10830.009123/200852 Acórdão n.º 9202005.817 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 912DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001715/2010-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 15 /2 01 0- 73 Fl. 403DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.197.3724, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 25/05/2010, no valor de R$ 56.551,27 (cinqüenta e seis mil, quinhentos e cinqüenta e um reais e vinte e sete centavos), acrescidos de juros e multa de mora, que ensejaram a cobrança das contribuições sociais dos trabalhadores segurados empregados, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição em relação ao aviso prévio indenizado e o 13° salário indenizado pagos na rescisão de contrato de trabalho no período de 02/2009 a 10/2009, e em relação ao vale refeição concedido aos empregados no período de 03/2008 a 10/2009, e ainda cobrança de diferenças de contribuições decorrentes de alterações nas alíquotas. Essas contribuições não foram descontadas da remuneração dos empregados pela empresa. Por meio desse AI, o sujeito passivo está sendo notificado de levantamentos que abrangem as contribuições sociais previstas no artigo 11, § único, alínea "c", da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, a saber, contribuições dos trabalhadores incidentes sobre o seu salário decontribuição. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/07/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.456 (fls. 353/365), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salárioreflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salário Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 9202006.177 CSRFT2 Fl. 3 3 reflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salárioreflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Entender que o fato de ser o contribuinte um “devedor contumaz” de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 05/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 26/08/2016, o presente Recurso Especial (fls.367/382). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação às seguintes Fl. 405DF CARF MF 4 matérias: a) cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte e b) aviso prévio indenizado e 13º salárioreflexo. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, em relação ao item a cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/10/2016 (fls. 385/389). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2803003.456, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 02/03/2017, o contribuinte apresentou não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 9202006.177 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 385. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 407DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 9202006.177 CSRFT2 Fl. 5 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 409DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 9202006.177 CSRFT2 Fl. 6 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 411DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 9202006.177 CSRFT2 Fl. 7 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, conforme lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 413DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.900081/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida
Numero da decisão: 1401-000.548
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/2006-65, Fl. 290 DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/2006-47 Acórdão n.º 1401-000.548 S1-C4T1 Fl. 2
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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NÃO VINCULAÇÃO. APRECIAÇÃO DA NORMA Apesar de a solução de consulta somente constituir norma aplicável ao consulente, temse que a mesma pode ser considerada como princípio informativo para aplicação do direito à parte não consulente. De toda forma, nada impede que o julgador, ao conhecer da matéria posta em julgamento, dê solução equivalente ao posicionamento reiteradamente aceito no âmbito de soluções de consulta respondidas pela RFB. TRANSPORTE. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A atividade de carga e descarga de mercadorias como acessória de um serviço de transporte de mercadorias, sujeitase a mesma tributação aplicada ao serviço de transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem um contrato de transporte. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/200665, Fl. 290DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 2 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, nos termos do disposto no § 7º do art. 58 do RICARF. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente momentaneamente o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Relatório A Recorrente é uma empresa privada cujo objeto social consiste na prestação de “serviço de LOCAÇÃO DE GUINDASTES LEVES E PESADOS”, conforme se extrai de seu contrato social em vigor. Nos anoscalendário 2000 e 2001, a Recorrente apurou o imposto de renda pela sistemática de lucro presumido, tendo aplicado o percentual de 32% sobre a totalidade de sua receita bruta para fixação do lucro tributável. Ainda, a Recorrente aderiu a um parcelamento, objetivando pagar débitos de imposto de renda relativos a referidos anoscalendário, consolidado no processo nº 10510.003859/200163, em que indicou, como imposto de renda em débito, aquele apurado pela composição do percentual de 32% sobre o total da sua receita bruta. Referido parcelamento foi encerrado em 31 de julho de 2003 com o pagamento da última parcela. No entanto, o contribuinte, acreditando ter recolhido imposto de renda a maior durante referidos anoscalendário e no respectivo parcelamento, promoveu a retificação de suas DIPJ’s 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, assim como as respectivas DCTF’s, para fazer constar parte de suas receitas como sujeitas ao percentual de 8% para definição do lucro tributável, e não de 32% como havia sido originalmente declarado. Assim, após as retificações, a Recorrente apurou um crédito de imposto de renda decorrente de pagamento indevido. Segundo a Recorrente, o erro incorrido nas declarações originais referese ao percentual de lucro presumido incidente sobre parte dos serviços prestados. Isso porque, segundo defende, quando o serviço de guindastes estiver atrelado a um serviço de transporte, deve a respectiva receita estar sujeita ao percentual de 8% para definição do lucro tributável. Desta feita, a Recorrente promoveu a segregação dos valores oferecidos à tributação, para sujeitar aqueles decorrentes de serviços de transporte ao percentual reduzido, mantendo os demais serviços no percentual de 32% para determinação da base de incidência do imposto. Fl. 291DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 3 Identificado o recolhimento indevido e a maior, a Recorrente apresentou as DCOMP’s consolidadas nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/200647, 10510.900082/2006 91, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/200627, 10510.900093/2006 71 e 10510.900094/200616. Como crédito, em todas elas foi apontado a diferença pela revisão do percentual do lucro presumido de 32% para 8% em parte das receitas oferecidas à tributação pelo imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 e no já citado parcelamento. O primeiro processo posto em julgamento foi o de nº 10510.900081/200647. Neste feito, após analise das notas fiscais emitidas pelas Recorrente nos anoscalendário 2000 e 2001, a Autoridade Fiscal, assim como a DRJ que analisou a manifestação de inconformidade, entendeu por afastar as declarações retificadoras, ao argumento de que as notas fiscais apresentadas pela Recorrente como respaldo à aplicação do percentual de 8% para o lucro presumido não seriam de transporte, pelo que não teria ocorrido o suposto pagamento indevido viabilizador do crédito objeto de restituição. A decisão restou assim ementada: Acórdão _ 1519.4682ªTurma da DRJ/SDR Sessão de 29 de maio de 2009 Processo 10510.900081/200647 Interessado ETINHO GUINDASTES LTDA CNPJ/CPF 01.323.131/000172 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida Por conseqüência, todas as demais DCOMP’s que apontaram o mesmo direito de crédito, após análise da manifestação de inconformidade, tiveram sua solicitação indeferida sob o mesmo fundamento. Inconformada, a Recorrente aviou recurso voluntário em referidos processos, objetivando revisão do julgamento, sob os seguintes argumentos: Fl. 292DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 4 1) Nos processo nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, que a decisão do processo nº 10510.900081/200647 não pode servir de fundamento para o indeferimento dos respectivos pedidos de compensação, para os quais sequer foi solicitada a apresentação da documentação da Recorrente; 2) Em todos os processos, no mérito, que a Recorrente exerce duas atividades, quais sejam, (i) locação de guindastes e (ii) serviço de guidastes com transporte de cargas, devendo este sujeitarse à tributação à base de 8%, e não de 32%, pelo que os valores recolhidos a maior caracterizamse como pagamento indevido. Dada a identidade material dos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento conjunto dos processos. É este, em suma, o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator Os recursos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos legais, deles conheço. PRELIMINAR. NULIDADE DOS JULGAMENTOS. Nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, a Recorrente argüiu a nulidade dos julgamentos posto que a decisão que indeferiu o direito de crédito tomou como base o julgamento realizado no processo nº 10510.900081/200647. Sem razão a Recorrente. Os processo ora em julgamento, em especial os supra indigitados, referemse a pedidos de compensação em que se aponta como objeto de restituição o mesmo direito creditório, qual seja, o recolhimento indevido a maior de imposto de renda apurado pela sistemática de lucro presumido nos anoscalendário 2000 e 2001, cujos pagamentos foram consolidados por meio do parcelamento decorrente do processo nº 10510.003859/200163. Desta feita, a solução dada em um dos processos deverá ser a mesma para todos os demais. Isso porque, caso seja reconhecido, total ou parcialmente, o direito creditório Fl. 293DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 5 postulado pela Recorrente, a homologação das respectivas DCOMP’s deverá ser promovida no limite do direito de crédito reconhecido. Não existem outras questões em litígio que não sejam relacionadas ao reconhecimento do direito creditório, que é comum a todos os processos. Desta feita, não reconhecido o direito creditório em um processo, a mesma solução deve ser dada a todos os demais. No caso em apreço, a inexistência do direito creditório decorrente de suposto recolhimento indevido a maior do imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 foi reconhecida no processo nº 10510.900081/200647, devendo a mesma solução alcançar os demais processos em que se pleiteia a restituição do mesmo direito creditório. Pelo exposto, afasto a preliminar invocada. MÉRITO. DEFINIÇÃO DO DIREITO APLICÁVEL. No mérito, aduz a Recorrente que parte de seu faturamento não se refere à prestação de serviços de guindastes, mas sim a serviços de transporte que envolvem a utilização de caminhões munck, responsáveis por içar as mercadorias que serão transportadas nos respectivos caminhões, pelo que a receita decorrente deste serviço de transporte estaria sujeita ao percentual de 8% para fins de identificação do lucro tributável no sistema de apuração pelo lucro presumido. Segundo seu alega: A base legal, desse entendimento encontrase respaldada na Lei n° 8.981/95, art. 44, Lei n° 9.249/95, arts. 15 e 29, Lei n° 9430/96, arts. l, 25 e 26, Processo de Consulta n° 007/99. 4ª Região Fiscal e Decisão n° 99/98 da 8ª Região Fiscal. Albergadas na jurisprudência da Receita Federal, transmitida mediante a Decisão—N° 99/98, da oitava Região Fiscal, as pessoas jurídicas prestadoras de serviço com guindaste, acompanharam corretamente esse entendimento, e assim, passaram a tributar as receitas relativas a referida atividade com o percentual de 8% (oito por cento) e 32% a atividade e locação de guindaste. Foi o que fez o recorrente. O que torna ineficaz a Decisão da Delegacia de Julgamento de Salvador (Ba)., aqui combatida. Da legislação invocada pela Recorrente, inferese que as empresas prestadoras de serviço em geral submetemse ao percentual de lucro presumido de 32%, sendo que as empresas de transportes de carga sujeitamse ao percentual de lucro presumido de 8%. Já das soluções de consulta tomadas como fundamento para as retificações realizadas pela Recorrente, extraise o seguinte: LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS E GUINDASTES Fl. 294DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 6 O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8% (oito por cento),para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido.Dispositivos Legais: Lei n° 8.981/95, art. 44; n° 9.249/95, arts. 15 e 29 e n° 9.430/96, arts. 1º, 25 e 26. Processo de Consulta n° 007/99. Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 4a. Região Fiscal. Publicação no DOU: 01.07.1999. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECISÃO Nº 99 de 25 de Maio de 1998 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8%, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido. Para serviços de locação de guindaste este percentual será de 32%. A decisão recorrida afastou a aplicação de referidas soluções de consulta, ao entendimento de que a Recorrente não foi a consulente nessa consulta, pelo que a decisão ali prolatada à ela não se aplicam. Da análise do bojo normativo em análise, identifico que, de fato, a Recorrente não foi parte das soluções de consulta por ela invocadas, pelo que, apesar de as soluções de referidas consultas poderem ser invocadas como princípio informativo para interpretação das normas aplicáveis ao caso, as mesmas não possuem efeito vinculante para fins de se encontrar o direito aplicável à espécie. Nesse contexto, as soluções de consulta invocadas não formam direito subjetivo à parte que não participou do respectivo processo, podendo o referido entendimento ser, ou não aplicado, conforme a análise o caso concreto. Restanos, então, definir o direito aplicável à espécie. Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 7 De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Neste sentido, existem inúmeras soluções de consulta da RFB, valendo ressaltar o seguinte entendimento: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 306 de 26 de Novembro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. A atividade de carga e descarga de mercadorias no pátio do estabelecimento não é propriamente caracterizada como transporte de mercadorias, mas atividade que normalmente acompanha o transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem obrigatoriamente um contrato de transporte, e a receita for auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Pelo exposto, entendo que somente quando o serviço de guindastes, içamentos e correlatos forem arte de um contrato de serviço de transporte é que a sua receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido, para fins de incidência do imposto de renda. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 8 MÉRITO. SUBSUNÇÃO DA NORMA AO FATO. Diante do exposto acima, temse que os serviços de transporte estarão sujeitos ao percentual de 8% incidente sobre a receita bruta auferida, sendo que todos os demais sujeitamse ao percentual de 32%. Da análise da documentação acostada pela Recorrente, identifico que a maioria dos serviços descritos nas notas fiscais estão sujeitos ao percentual de 32%, por se referirem a serviços de munck, em que não está especificada a existência de transporte de mercadorias, locação demunck, locação de guindastes e serviços de içamento não diretamente relacionados a serviços de transporte. No entanto, nas seguintes notas fiscais, estão especificados serviços de transporte, a saber: Fls. Nota fiscal nº Serviço Valor (R$) 55 1132 Serviço de munck para transporte de 01 arco cirúrgico do Hospital João Alves Filho para o Hospital Ciurgica 150,00 59 1090 Serviço de carreta de feiradesom para Aracajú 2.000,00 62 1122 Serviço de carreta para transporte de peças e de um chaminé 900,00 74 1087 Serviço de munck para transporte de caixas de Aracajú para 600,00 76 1083 Serviço de munck – 120 km rodados 520,00 89 1449 Serviço de munck para transporte de materiais 9.920,00 93 1461 Serviço de munck para transporte 150,00 123 1386 Serviço de munck – 140 km rodados 290,00 129 1374 Serviço munck para transporte de uma máquina de coco 210,00 167 1170 Serviço de munck para levar uma estátua na cidade de Tobias Barreto – SE 310,00 177 1140 Serviço de munck para transportar um misturador de Pedra Branca – SE para Renascença – SE e viceversa 1000,00 178 1137 Serviço de munck – 138 km rodados 288,00 Fl. 297DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900081/200647 Acórdão n.º 1401000.548 S1C4T1 Fl. 9 179 1182 Serviço de munck para transportar um arco cirúrgico de um hospital a outro 150,00 Os serviços descritos nas notas fiscais supra elencadas tratam nitidamente de serviços de transporte, estando os mesmos sujeitos ao percentual de 8% para fins de apuração do lucro presumido. Quanto aos serviços descritos nas demais notas fiscais juntadas aos autos, entendo não estar configurado o serviço de transporte, pelo que a eles se aplica o percentual de 32%. Diante do exposto, tendo o recolhimento do imposto de renda sido promovido totalmente com base no lucro presumido apurado pelo percentual de 32%, entendo que parte dos valores recolhidos pela Recorrente tratase de pagamento indevido a maior, passível de restituição. Deve, assim, a autoridade preparadora, considerandose os períodos trimestrais de formação do lucro presumido, acatar as retificações promovidas nas DCOMP’s e DIPJ’s com relação às receitas acima discriminadas, calculandose o lucro presumido sobre referidas bases no percentual de 8%. Feita essa composição, e apurado o pagamento a maior, devem ser homologadas as DCOMP’s no limite do direito creditório ora reconhecido, levandose em consideração, por período, o crédito apontado em cada uma das DCOMP’s. Voto, assim, pelo provimento parcial dos recursos para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 298DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001083/2007-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 17/04/2002 a 27/12/2002
IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. PERFUMES (EXTRATOS). CONCENTRAÇÃO ODORÍFERA. NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002. VIGÊNCIA.
Antes e depois do período ao longo do qual vigeu a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, identificavam-se e classificavam-se como extratos/perfumes os produtos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento).
Numero da decisão: 9303-006.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para manter o auto de infração em relação aos períodos anteriores a 01/08/2002 e também para manter o auto de infração em relação ao período posterior a 01/08/2002, nas situações em que a concentração de perfume for superior a 15%, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PERFUMES (EXTRATOS). CONCENTRAÇÃO ODORÍFERA. NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002. VIGÊNCIA. Antes e depois do período ao longo do qual vigeu a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, identificavamse e classificavamse como extratos/perfumes os produtos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para manter o auto de infração em relação aos períodos anteriores a 01/08/2002 e também para manter o auto de infração em relação ao período posterior a 01/08/2002, nas situações em que a concentração de perfume for superior a 15%, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 10 83 /2 00 7- 41 Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 3.750 a 3.756) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, buscando a reforma do Acórdão nº 3201002.014 (fls. 3.732 a 3.748) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de janeiro de 2016, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/04/2002 a 27/12/2002 RETORNO DE DILIGÊNCIA. Tendo em vista o não atendimento ao questionamento essencial proposto na diligência, julgase a matéria tal como se apresenta no processo. Não resta dúvida que os laudos motivadores do Auto de Infração não são hábeis, pois o método “por diferença” não permite a exata indicação do percentual. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES (EXTRATOS). ÁGUASDE COLÔNIA. As mercadorias referidas como “águasdecolônia” no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom no 253/2002 (vigente na lavratura do Auto de Infração), em vigor até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom no 344/2006, de 13/12/2006. Por todos os motivos nos autos, há que se considerar os produtos como “águasdecolônia”, sendo correta a classificação da importadora. O processo tem origem em autos de infração lavrados para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de multa de ofício e juros de mora; de multa do controle administrativo por falta de Licenciamento de Importação e de multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria. Os produtos importados são perfumes de diversas marcas que, conforme descrição contida na autuação, são similares àqueles objeto de outras importações que já haviam sido submetidos à análise laboratorial naquelas ocasiões, conforme comprovam as DFs e os laudos obtidos. Por meio da permissão contida no art. 30 do Decreto nº 70.235/72, houve a utilização de laudo produzido em outro processo tratando de produto idêntico, originário do mesmo fabricante e com iguais marca e especificação, concluindo a Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 4 3 Fiscalização por classificar as mercadorias como perfume, e não como água de colônia ou água perfumada como indicado pela importadora. A autoridade fiscal, portanto, entendeu como sendo a classificação fiscal adequada o código NCM 3303.00.10 (alíquota de IPI de 40%), ao invés do código NCM 3303.00.20 (alíquota de IPI de 10%) indicado pela importadora. Da referida alteração de classificação fiscal decorreu a exigência da diferença do IPI, bem como todas as demais obrigações do presente processo administrativo. Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.428 a 1.469), a qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão nº 0711.694, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cancelando a exigência da multa por falta de licença de importação, bem como o IPI e a multa de 1% exigidos em duplicidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/04/2002 a 27/12/2002 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a desclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, na classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. PERFUMES. Produtos de perfumaria que possuem concentração de substâncias odoríferas entre 10% e 30% são considerados "Perfumes (extratos)", classificandose no código NCM 3303.00.10. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/04/2002 a 27/12/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.° 12/1997. Estando as mercadorias descritas com todos os elementos necessários à sua identificação de tal forma que permitisse a utilização da prova emprestada, há que se aplicar o ADN COSIT n.° 12/1997, não se aplicando a multa por falta de licenciamento de importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Não resignada com a decisão na parte que lhe foi desfavorável, a Contribuinte apresentou recurso voluntário. Após a realização de diligência, consoante Resolução nº 3201 000.330 (fls. 3.718 a 3.721), sobreveio julgamento de provimento do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 3201002.014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/01/2016 (fls. 3.732 a 3.748), ora recorrido, para Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 5 4 considerar como correta a classificação fiscal dos produtos como “águas de colônia”, conforme indicado pela importadora. Nessa oportunidade, a Fazenda Nacional insurgese por meio de recurso especial (fls. 3.750 a 3.756), suscitando divergência jurisprudencial com relação à metodologia para apuração da quantificação de substância essencial para proceder à classificação fiscal do produto “águadecolônia”. Segundo a Recorrente, foram interpretados de modo divergente os seguintes dispositivos: art. 49, inciso II do Decreto nº 79.094/77 e o art. 36, inciso I da IN SRF nº 157/1998, acrescido pela IN SRF nº 152/2002. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 9303001.732. Nas suas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) O método de análise por cromatografia aferição por diferença atende ao art. 36, inciso I da IN SRF nº 157/1998, acrescido pela IN SRF nº 152/2002, não havendo ilicitude ou desvio de procedimento quando da sua realização, sendo reconhecido como método cientificamente válido. Por isso, o laudo só poderia ser refutado por meio de prova produzida em contrário pela parte recorrida, o que não ocorreu nos autos; (b) Após discorrer sobre o Sistema Integrado de Designação e Codificação de Mercadorias, cuja Convenção Internacional foi promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988 e aprovada pelo Decreto Legislativo nº 71/1998, aduz que o desdobramento da NESH da posição 3303 em “perfumes” e “águasde colônia” existem somente no Brasil, não sendo tratados no Sistema Harmonizado, razão pela qual os critérios de distinção entre os dois conceitos devem ser inferidos a partir das bases firmadas no Decreto nº 79.094/77; (c) O acórdão recorrido adotou como fundamento central a inidoneidade do procedimento adotado no exame de laboratório aferição “por diferença” e não a caracterização em si dos produtos da TIPI, método que foi atestado como correto pelo acórdão indicado como paradigma; (d) Por fim, requer seja provido o recurso especial e reformado o acórdão recorrido. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do despacho s/nº, de 04/04/2016 (fls. 3.758 a 3.762), pois comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 3.769 a 3.794) requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos constantes no art. 67 do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Os acórdãos recorrido e paradigma foram proferidos em processos administrativos em que figura como Sujeito Passivo a importadora CISA TRADING S.A., bem como tratando de produtos idênticos, importados no decorrer do ano de 2002, quando vigia a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002 (vigente em 01/08/2002). No entanto, verificase terem sido sustentados em fundamentos jurídicos diversos, razão pela qual não está presente a necessária divergência jurisprudencial. A decisão recorrida entendeu por dar provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes argumentos: (a) o método de “aferição da diferença” para obtenção da substância odorífera é impreciso pois há outras substâncias não odoríferas, além da água e do álcool, que devem ser expurgadas; (b) o laudo técnico não efetuou corretamente a medição do teor da essência/extrato; (c) consoante o disposto na Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253, de 01/08/2002, o produto será águadecolônia, se sua concentração odorífera for igual ou inferior a 15% e (d) na hipótese de apresentarem concentração superior a 15%, o registro da ANVISA somado a outros argumentos, constituirseiam em razões suficientes para a classificação fiscal dos produtos como águasdecolônia. No acórdão nº 9303001.732, indicado como paradigma, as mercadorias importadas foram consideradas como perfumes exclusivamente com base no argumento de ser cientificamente válido o laudo (Labana), bem como que somente se consideram águade colônia os produtos cuja substância odorífera (essência/extrato) não exceda a 10%, nos termos do Decreto nº 79.094/77. Assentase o recurso especial da Fazenda Nacional em apenas um dos argumentos utilizados pela decisão recorrida para provimento do recurso voluntário e manutenção da classificação fiscal dos produtos como águasdecolônia, qual seja, da validade do laudo Labana e aplicação do art. 49 do Decreto nº 79.094/77, segundo o qual se tratam os produtos de perfume. Tanto as razões recursais quanto o julgado paradigma, não tratam da aplicação ou não da Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002 para aferição da classificação das mercadorias, ponto central da decisão pretendida modificar. Além disso, não abordam a influência do registro da Anvisa para se determinar em qual posição da NESH devem ser enquadrados os produtos. Eventual pronunciamento desta 3ª Turma da CSRF sobre a matéria trazida em recurso especial não teria o condão de, por si só, refutar os demais argumentos autônomos trazidos no acórdão recorrido, suficientes para a extinção dos autos de infração. Mostrase, Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 7 6 portanto, imprestável o presente recurso especial por não ter atacado todas as matérias distintas presentes no julgado recorrido. Nesse sentido, também são as Súmulas 283 do STF e 126 do STJ, in verbis: STF, Súmula 283: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. STJ, Súmula 126: É inadmissível recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e na parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Além disso, depreendese que a decisão recorrida não afastou a aplicação do Decreto nº 79.094/77, mas sim entendeu não ter sido efetuada a correta medição do teor de composição aromática dos produtos em questão nos laudos emprestados anexados aos Autos de Infração. Nessa esteira, o julgamento do apelo especial da Fazenda Nacional invariavelmente adentraria ao reexame das provas constantes dos autos, o que é expressamente vedado nesta esfera de julgamento. Para elucidar a assertiva, transcrevese trecho da decisão recorrida: [...] O referido Decreto ( 79.094/1977) , dispunha dos percentuais para Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). e b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídas pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão." Tendo em vista que nos laudos emprestados anexados aos Autos de Infração não foi feita a correta medição do teor de composição aromática dos produtos em questão e ser o critério diferenciador das "águasdecolônia" em relação aos perfumes, já que nos mesmos é atestado que a quantidade de "substâncias odoríferas" foi apurada por diferença, ou seja, não houve medição precisa da sua composição aromática, mas sim apuração aritmética de um percentual obtido após a exclusão da água e do álcool contidos nos produtos. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional por ausência de comprovação da divergência jurisprudencial. Mérito Tendo sido ultrapassada a admissibilidade do recurso especial e entendido a maioria do Colegiado por conhecer do apelo, necessário adentrarse à análise de mérito. Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 8 7 Cingese a controvérsia em se determinar a classificação fiscal dos produtos importados, se no código 3303.0020 (específico para água de colônia), defendido pela Contribuinte, ou no código 3303.0010 (perfumes, extratos), segundo entendimento da Autoridade Fiscal. De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH as águas de colônia possuem menor concentração de óleos essenciais e título menos elevado de álcool empregado, em comparação aos perfumes. Não trazem, portanto, para diferenciação entre uma categoria e outra, quaisquer percentuais. Estes foram posteriormente estabelecidos no Decreto nº 79.094/1977 que especificava os produtos cujo registro estava afeto à competência da Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Lei nº 9.782/99), dentre eles os perfumes. Consoante o Decreto nº 79.094/1977, os percentuais de concentração para perfumes eram de, no mínimo, 10 % (dez por cento) e, no máximo, 30% (trinta por cento). As águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares estavam dentre os produtos com dissolução de até 10% (dez por cento) de composição aromática sem álcool de diversas graduações, na forma líquida, portanto, menores a 10% (dez por cento). Os laudos emprestados utilizados como embasamento pelos Autos de Infração utilizaramse do método de apuração da quantidade de "substâncias odoríferas" nos produtos por diferença apuração aritmética de um percentual após a exclusão da água e do álcool contidos nos produtos, não havendo a medição precisa de sua composição aromática. Portanto, tratase de método impreciso, uma vez que no percentual residual, além da substância aromática, também estão compreendidos emolientes, ésteres graxos, antioxidantes, solventes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores, etc. O método empregado pelos laudos periciais limitase a identificar a quantidade de álcool e de água nos produtos, não servindo de base sólida para a exigência fiscal. De outro lado, a CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, por meio da Nota COANA/COTAC/DINOM nº 253, de 01/08/2002, esclareceu os critérios adotados para enquadrar uma preparação odorífera como "perfume ou extrato" ou "águadecolônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. Consoante referidas diretrizes, aqueles que apresentam concentração odorífera abaixo de 15% (quinze por cento) enquadramse como "águadecolônia". Referida Nota COANA nº 253/2002 foi expedida por solicitação de consulta formulada pela Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, e vigorou até 13 de dezembro de 2006, quando foi alterada pela Nota COANA/COTEC/DINOM nº 00344/2006, que passou a considerar o percentual de 10% (dez por cento) como delimitador do conceito das águasdecolônia. As importações registradas posteriormente a 13/12/2006 deverão submeterse à disciplina do Decreto nº 79.094/1977, que não é o caso dos presentes autos. As mercadorias em discussão no presente feito, portanto, possuem concentração aromática igual ou abaixo de 15% (quinze) por cento, enquadrandose na classificação TEC 3303.00.20 (específica para águadecolônia), mesmo se considerado o critério por "diferença", conforme laudos técnicos acostados aos autos. Tendose em conta que, como referido anteriormente, (a) as Notas Explicativas referemse à Posição 3303 como um todo, diferenciando as águas de colônia dos perfumes pela Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 9 8 sua mais fraca concentração em óleos essenciais, sem especificar grau de concentração; e (b) o Decreto nº 79.094/77 estabelece os percentuais primeiramente para fins de registro na Anvisa e não para classificação fiscal das mercadorias, mesmo que eventualmente houvessem produtos com concentração ligeiramente superior a 15% (quinze por cento), há razões suficientes para serem enquadrados como águasdecolônia e classificados no código 3303.00.20. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Conhecimento do Recurso Especial Embora a louvável abordagem do assunto oferecida pela i. Relatora do processo, trazendo à luz jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal sobre os critérios de admissibilidade do recurso adotados naquelas Cortes, ouso defender posição divergente na interpretação do tema. Como a seguir se demonstrará, ainda que haja matérias autônomas em relação às quais o recorrido não diverge dos paradigmas, é flagrante a ocorrência de divergência na aplicação da legislação tributária. Como se depreende dos autos, os paradigmas consideraram aplicável à espécie o art. 49 do Decreto nº 79.094/77, que remete ao enquadramento da mercadoria sub examine como perfume. O recorrido, por seu turno, em circunstâncias fáticas idênticas, optou pela aplicação da Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, do que resultou a classificação da mercadoria como águadecolônia. Ora, se há dois dispositivos legais passíveis de serem adotados pelas turmas do CARF, e determinado colegiado considera que um deva ser aplicado em detrimento de outro, enquanto outro colegiado adota leitura contrária, fazendo prevalecer o dispositivo rejeitado pelo primeiro, então não vejo como deixar de reconhecer o dissenso jurisprudencial. Quanto a isso, também não me parece importante o fato de os paradigmas e a recorrente não terem feito menção a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002. Não se exige manifestação expressa sobre todas as questões, nuances e regras envolvidas na decisão tomada. Se da interpretação dada à legislação resulta a rejeição silenciosa de determinado dispositivo em preferência a outro, estará materializado o dissenso. O mesmo se diz em relação à falta de enfrentamento da questão atinente ao influência do registro da Anvisa no enquadramento tarifário da mercadoria. A omissão sobre determinado assunto não importa na descaracterização do dissenso a respeito de outro. Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 10 9 Mérito No mérito, pela clareza e precisão com que aborda a matéria, adoto, no que couber, o voto do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, acórdão nº 9303005.498, de 15 de agosto de 2017, que a seguir transcrevo. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, trata se de decisão por maioria (nãounânime), proferida antes de 30/06/2009, e foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Quanto à alegada contrariedade à lei ou à evidência da prova entendo como procedente. A decisão recorrida, afastou a aplicação do art. 49, II, do Decreto nº 79.094/77, que, ao tratar do sistema de vigilância sanitária a que se submetem medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneantes e outros, diferenciava "extratos" de "águas de colônia". Segundo o referido dispositivo regulamentar, os primeiros eram constituídos pela solução de uma composição aromática em concentração mínima de 10% e máxima de 30%; já as águas de colônia eram constituídas pela dissolução até 10% de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas. Na hipótese em análise, verificouse, segundo os laudos periciais presentes nos autos, que os produtos classificados apresentam concentrações de essências em percentuais de 10,4%, 12,7%, 12,3% e 11,3%. Portanto, todas as concentrações de substâncias odoríferas eram superiores a 10%, configurando os produtos como “perfumes (extratos)”. No caso, a decisão recorrida não considerou o resultado dos laudos periciais presentes nos autos, por não concordar com o método "por diferença" utilizado, bem como não observou o percentual máximo de 10% de substâncias odoríferas, optando por considerar um percentual limite 15%, conforme interpretação advinda da Nota Coana/Cotac/Dinom n°253/2002. Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 11 10 Diante da comprovação da contrariedade à evidência da prova, e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da classificação fiscal dos produtos relacionados no relatório supra, e do método utilizado para aferir o percentual de substâncias odoríferas com a finalidade de classificar os produtos. A questão em análise já foi apreciada por esta turma julgadora da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluiu pela validade do método utilizado nos laudos e pela classificação dos produtos no código NCM 3303.00.10 (perfume). Tratase do Acórdão nº 9303001.732, com voto condutor da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos excertos transcrevo abaixo e adoto seus fundamentos como razão de decidir: “Inicialmente, devese enfrentar os argumentos de defesa contrários ao laudo técnico. Neste ponto, insurgiuse a autua contra o método utilizado nos Laudos de Análise, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, sob a alegação de que os produtos analisados possuiriam "outros componentes" que não teriam sido detectados nos exames em questão. Para proceder a reclassificação fiscal das mercadorias ora sob exame, a fiscalização utilizou os Laudos de Análise n° 1383.03 e 1383.09 (fls. 38 a 41), que tratam do exame dos mesmos produtos "Amarige de Givenchy Eau de Toilette" e "Organza de Givenchy Eau de Parfum", importados por meio de outra DI, de n° 01/08635311 (fl. 120). De outro lado, ambas as DIs versam sobre importação de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, com isso, como bem asseverou a decisão de primeira instância, é legítima, nesse caso, a utilização Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 12 11 da prova emprestada, uma vez comprovado o atendimento dos quesitos estabelecidos no 1art. 30, § 3°, letra 'a' do Decreto n° 70.235/72. Ressaltese, por oportuno que preditos laudos foram emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, órgão público federal que integra o Ministério da Fazenda, e que detém a competência específica para proceder à análise laboratorial dos produtos importados. Assim, nos termos do disposto no caput desse artigo, esses laudos devem ser adotados em seus aspectos técnicos, salvo se demonstrada sua improcedência, o que não é o caso sob exame, vez que recorrente, em momento algum, juntou outro laudo que contrapusesse os resultados constantes do Laudo em discussão. [...] Ressaltese que os Laudos de Análise, ora em exame, indicam que o teor dos componentes dos produtos analisados foi identificado mediante o teste de Cromatografia Gasosa, atendendo, ao disposto, ao disposto no art. 36, inciso I da IN SRF n° 157/1998, acrescido pela IN SRF n° 152/2002. De outro lado, à quantificação por diferença é método cientificamente válido, posto que se os componentes de determinada substância são conhecidos, identificandose a proporção individual de cada um deles temse a do todo. Assim, por exemplo, se uma substância X é composta dos elementos A, B e C, a soma desses elementos vai representar o todo, pois A + B + C = X. Partindose dessa equação, podese encontrar a quantidade de qualquer um dos elementos. Se A, B e X são conhecidos, para se encontrar o valor de C, basta armar a equação: C = X – A – B. O resultado se obtém com a resolução de uma simples equação de primeiro grau. Aliás, esse método é simples e seguro. Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 13 12 No caso dos autos, segundo o Laudo de Análise, fl. 38, o perfume é constituído de solução HidroAlcoólica e de substâncias odoríficas. Os exames apontaram que o teor de álcool representava 76,8%, e o de água 4,4%. Utilizandose o método da diferença, temse que: Produto (100%) = 76,8 % Álcool + 4,4 % água + X % substância odoríferas. 100% = 76,8% 4,4% + X% => X = 100 – 76,8 – 4,4 => X = 18,8. Como se ver, o método da diferença é simples e matematicamente irrefutável.” Dessa forma, concluo pela plena validade do método utilizado nos laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami. Reproduzo, novamente, tabela com os percentuais de substância odorífera em cada produto, aferido pelos laudos, cujos percentuais variaram entre 10,4% a 12,7%: PRODUTO %SUB.O DOR. LAUDO GUCCI NOBILLE 10,4 1481.01 GUCCI ACCENTI 12,7 1481.02 GUCCI ENVY 12,3 1481.03 GUCCI RUSH 11,3 1481.04 Ultrapassada a questão da metodologia adotada no laudo de análise acima aludido, passase, à questão da classificação fiscal os produtos mencionados. A posição NCM/SH 3303 é dividida em 3303.00.10 para perfumes (“extratos”) e 3303.00.20 para águas de colônia. O Sistema Integrado de Designação e Codificação de Mercadorias é formado por posições de quatro dígitos, que são subdivididos em subposições de 1º nível (5º dígito) e subposições de 2º nível (6º dígito). De acordo com a mencionada Convenção, cada parte contratante pode criar, no âmbito de sua nomenclatura, subdivisões para a classificação de mercadorias em nível mais Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 14 13 detalhado que o Sistema Harmonizado, utilizando subdivisões ao nível de item (7° digito) e subitem (8º dígito). No caso da posição 3303, resta claro que o desdobramento nas espécies ‑ ‑ʺperfumes (extratos)ʺ e ʺáguas de colôniaʺ foi criado ao nível de item (7° digito), o que demonstra que se trata de uma abertura válida somente para o Brasil, eis que o 7º dígito não compõe o código do Sistema Harmonizado. Essa observação explica o motivo pelo qual as NESH da posição 3303, embora apontem a existência de ʺPerfumes (extratos)ʺ e ‑ ‑ʺÁguas de colôniaʺ, não estabeleceram os critérios merceológicos de diferenciação dessas categorias, pois tal desdobramento não existe no Sistema Harmonizado. Nesse contexto, conforme destacado no Acórdão 9303001.732, “a interpretação sistemática e teleológica da legislação tributária relativa ao comércio exterior leva à conclusão de que, sendo a diferenciação dos itens "Perfumes (extratos)" e "Águasde colónia" válida somente para o País, é certo que os critérios de distinção desses conceitos deve ser inferida a partir da legislação nacional específica do setor”. Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: 11 — Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 15 14 Constatase que o critério de diferenciação entre os "extratos" e as "águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares", encontravase definido à época dos fatos, de forma objetiva, na legislação pátria. Partindo da idoneidade dos laudos técnicos e da plena validade do método utilizado, passando pela constatação dos percentuais de concentração aromática que variaram entre 10,4% a 12,7%, concluise que os produtos analisados são considerados "Perfumes (extratos)", já que os percentuais apurados excedem o limite de 10 % definido na legislação específica para classifica los como águadecolônia. Uma vez identificado o produto, se perfume ou se água perfumada, e essa identificação é feita de acordo com a concentração estabelecida nesse dispositivo legal, para se proceder a codificação desses produtos na NCM/SH, na TEC ou na TIPI, basta seguir as regras de classificação de mercadorias, como corretamente procedeu a Fiscalização e o órgão julgador de primeira instância, concluindo pelo código NCM 3303.00.10. A decisão recorrida considerou também o disposto na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1/8/2002, que teria se manifestado acerca dos critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "águadecolônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, nestes termos: 7.1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90" GayLussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são dificeis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.1 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 16 15 etílico de 90° GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toileite" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85" GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Águadecolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5% e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80"GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7.5 "Eau fratche"é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70° ou 80° GL, havendo poucas variantes de "eau fraiche" que não empregam álcooL Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendose em mente o exposto e considerando as NESH podese afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águasdecolônia" englobam as chamadas "eau de patfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "cais fraiche" (subitem 7.2 a 7.5). Desta forma, na vigência da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1º/8/2002, para efeitos de classificação fiscal, consideravase o produto como "água de colônia" quando o teor de essência fosse inferior a 15%. O mesmo órgão reviu seu posicionamento por meio da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 344, 13/12/2006, adotando entendimento em consonância com o Decreto n° 79.094, de forma que, a partir dessa alteração, passaram a ser classificadas no código 3303.00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 12466.001083/200741 Acórdão n.º 9303006.006 CSRFT3 Fl. 17 16 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas graduações. Constatase, entretanto, que as importações ora tributadas foram formalizadas em período anterior à vigência da NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002, de 1/8/2002 a 13/12/2006. Dessa forma, não há que se considerar o disposto na referida nota, mostrandose correta a classificação determinada pela Autoridade Fiscal, em obediência ao disposto no Decreto n° 79.094, de 5/1/1977. Ainda que o referido Decreto tenha sido posteriormente revogado pelo Decreto n° 8.077/2013, à época dos fatos estava plenamente em vigor. Restaurando o lançamento efetuado relativo ao principal, também devem ser restauradas as penalidades incidentes sobre as infrações, conforme decisão de primeira instância. Cumpre destacar que o voto do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas não analisa circunstâncias fáticas idênticas as de que aqui tratamos. Neste, nem todas as importações foram registradas em data anterior à NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002, do que decorre que a constatação do penúltimo parágrafo do voto não se aplica in totum no vertente caso. Inobstante, o dispositivo deste acórdão é claro em prover apenas parcialmente o recurso, decisão que está em perfeita sintonia com os fundamentos do voto proferido no acórdão nº nº 9303005.498. Neste termos, voto por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência contida no auto de infração controvertido (i) para as importações de mercadoria com concentração odorífera superior a 15% e (ii) para todas as importações realizadas antes do dia 01/08/2002. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3873DF CARF MF
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