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Numero do processo: 10680.907195/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 2618759526.130804.1.3.04-3032[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.168, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 2618759526.130804.1.3.04-3032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.168, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 5/ 20 08 -2 8 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 2618759526.130804.1.3.043032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.168, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 5 4 alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recohido em 30/06/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 7 6 competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10680.907195/200828 Resolução nº 1201000.488 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720448/2011-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
MULTA AGRAVADA. 112,5%. ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. CABIMENTO.
Deve ser mantido o agravamento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente vale-se de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos
MULTA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA.
A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplica-se a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35/01, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/12, afastando-se os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos.Recurso Especial do Contribuinte parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-006.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a retroatividade benigna, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (relator), que lhe deu provimento parcial, para excluir a multa administrativa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran- Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. CABIMENTO. Deve ser mantido o agravamento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente valese de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos MULTA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplicase a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/01, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/12, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos.Recurso Especial do Contribuinte parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 48 /2 01 1- 32 Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a retroatividade benigna, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (relator), que lhe deu provimento parcial, para excluir a multa administrativa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 1594/1601) contra o Acórdão nº 3402002.686 (fls. 1540/1554), proferido em 25/02/2015 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que deu provimento parcial ao recurso voluntário seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre 01/2005 e 06/2006, e; (ii) pelo voto de qualidade, em manter o lançamento quanto as diferenças apuradas, a multa agravada e a multa por informação Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 4 3 incorreta. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D’Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que afastavam a multa por informação incorreta. Designado conselheiro Alexandre Kern para redigir o voto vencedor na matéria em que o relator foi vencido. O recurso especial do contribuinte foi admitido nos termos do despacho de fls. de fls. 1620/1625. O recorrente insurgese com o agravamento da multa com arrimo no art. 44, § 2º, II, da Lei 9.430, motivada pelo atraso no atendimento das intimações, tendo em vista que demoraram mais de 6 meses para serem atendidas, sendo que algumas sequer o foram. Entende que o agravamento da multa "tem por objetivo punir mais severamente o contribuinte que tenha agido com dolo, ou seja com a intenção de dissuadir o Fisco", e que sua aplicação, em consequência, foi inapropriada considerando ter agido de boafé. Alega que o "elemento tipificador da multa é o dolo ou fraude" e que sem eles descabe o agravamento. Irresignase, igualmente, contra a aplicação da multa isolada (art. 12, II, da Lei 8.218/91, com redação dada pelo art. 72 da MP 2.15835). Alega que a multa aplicada será de 5% sobre o valor da operação cuja informação por meio de arquivo magnético foi omitida, limitada a 1% sobre da receita bruta da pessoa jurídica no período. Articula que em nenhum momento o agente fiscal especificou ou individualizou quais as informações incorretas que estavam sendo disponibilizadas pela recorrente, qual o valor individual dessas incorreções e qual o valor auferido pela somatória de todas infrações. Ante tal assertiva, conclui que tal falha, "a obscuridade e imprecisão das informações", faz nascer dúvida acerca de quais valores supostamente estariam equivocados, o que, a seu juízo, "impossibilita a manutenção da cobrança da multa". Diante de tais argumentos, postula que seja afastado o agravamento da multa, com sua consequente redução, e "o cancelamento da multa isolada/regulamentar". A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões (fls. 1627/1633), requereu o improvimento do recurso. É o relatório. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos e fundamentos do despacho que o admitiu. I O AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A simples leitura do relato fiscal (fls. 991/1017), mais especificamente seu item 4.4 (ATRASOS NO ATENDIMENTO DAS REQUISIÇÕES DA FISCALIZAÇÃO), torna mais do que evidente que o contribuinte demorou mais de 01 ano para responder aos questionamentos do Fisco, acabando por procrastinar a conclusão dos trabalhos fiscais, dando azo, inclusive, que parte da cobrança fosse fulminada pela decadência nos termos da decisão recorrida. O artifício utilizado neste mister foi o de descumprir prazos, requerer dilação de prazos, cumprir parcial ou erroneamente as intimações, dificultando, enfim, por vários meios, o procedimento fiscal. De fato, no caso em comento, emerge que a penalidade aplicada é proporcional a conduta do contribuinte, de modo que entendo deva a mesma ser mantida. Assim dispõe o art. 44, da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A natureza punitiva dessas normas é flagrante, não constando em seu conteúdo qualquer consideração acerca do resultado provocado pelo descumprimento do dever do sujeito passivo de colaborar com a Administração Tributária. O antecedente da norma contempla apenas a hipótese de o contribuinte não atender, no prazo marcado, a intimação para Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 6 5 prestar esclarecimentos ou apresentar a documentação requerida, fato este suficiente para autorizar o agravamento da sanção. Da leitura da norma, verificase que a multa é devida independentemente de comprovação por parte de fisco acerca de efetivo embaraço causado à administração tributária em razão da contumácia do sujeito passivo. Não atendida a intimação, presumese o embaraço à fiscalização. A simples falta de atendimento, o desprezo à administração tributária, é fato gerador da multa. De acordo com a lei, portanto, o critério para o agravamento da multa não é subjetivo, mas de ordem objetiva. Desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. A responsabilidade decorre do descumprimento do dever de prestar esclarecimentos e de apresentar os documentos requeridos, não importando, segundo o preceito do CTN, quais os efeitos desse ato. Ademais, responder de forma incompleta significa que não houve resposta de parte das intimações. Logo, configurada a hipótese prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A forma desleixada, desidiosa e negligente do contribuinte no atendimento das solicitações da fiscalização a mim seriam bastante para afastar a alegada boafé, mas não precisamos chegar a tanto, pois, como dito, a norma agravante é de índole objetiva, devendo, por conseguinte, ser mantida a multa no patamar de 112,5%. II A MULTA REGULAMENTAR A fiscalização aplicou a multa regulamentar em virtude de erros e omissões nos dados fornecidos em meio magnético. Assim estabelecem os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001: Art. 11 As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. ... Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: ... II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; ... Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 7 6 Parágrafo único.Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. A multa aplicada no caso concreto foi de 1% sobre a receita bruta da recorrente nos anoscalendário de 2006 e 2008. Intimada, em 02/02/2010 a fornecer vários arquivos magnéticos no prazo de dez dias (fl. 1036 Termo de Constatação nº 2) para fins de conferência em relação ao crédito presumido de IPI, até 19/04/2010 não houve qualquer manifestação da recorrente. Em 18/06/2010, já após 4 meses do início da fiscalização, o contribuinte apresentou arquivos fiscais, verificando a fiscalização que "os arquivos 4.3.2 e 4.3.4, estavam em desacordo com o layout, bem como não foram apresentados os arquivos 4.5.2, motivando as reintimações de 11/08/2010. E assim, sucessivamente, como descrito em minúcia no Termo de Constatação nº 2 (fls. 1035/1046). Pois bem, a empresa, não discute o fato em si, ou seja, admite que apresentou, sistematicamente, arquivos magnéticos com inconsistência que invalidaram sua utilização. O que ela se insurge é quanto ao percentual e a base imponível aplicada pela fiscalização, alegando que em nenhum momento o agente fiscal especificou ou individualizou quais as informações incorretas que estavam sendo disponibilizadas pela recorrente. E daí conclui que essa suposta falha faz nascer dúvida acerca de quais valores supostamente estariam equivocados, o que, a seu juízo, "impossibilita a manutenção da cobrança da multa". A motivação do Fisco foi adequada. Vejase: Em outras palavras, a fiscalização, ante a inconsistência dos dados insertos nos arquivos magnéticos fornecidos, optou por aplicar a multa de um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, e, mais, deixou patente que este valor é muito inferior ao que seria aplicado no percentual de 5% sobre o valor das operações. Ou seja, a motivação da autuação foi a prestação de informações incorretas. Contudo, nos termos do Parecer Normativo RFB 3/2013, o aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei 8.218/1991, suso transcritos, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, sendo que a comprovação da ocorrência desse aspecto material da multa aplicada com esse fundamento legal deve ser feita de modo inequívoco. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 8 7 Deveras, a simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu, se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Assevera o referido PN RFB/2013: "4.4 ...a Lei 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização da maneira contínua... 4.5 Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando obrigatória deve ser demonstrada e comprovada. 4.6 ...A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP 2.15835, de 2001. ... CONCLUSÃO b) o aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico... Portanto, frente a esse entendimento adotado pelo próprio órgão fiscalizador, resta claro que a motivação da aplicação da multa administrativa está em dissonância com seu arrimo legal, que deveria ser o artigo 57 da MP 2.1588, eis que em nenhum momento a fiscalização atestou que a escrituração não ocorreu. Dessa forma, com arrimo no PN RFB 3/2013, deve ser cancelada a multa administrativa por erro material quanto ao enquadramento legal que deu azo à sua aplicação. DISPOSITIVO Forte no exposto, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para cancelar a multa administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheira Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relator do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava somente quanto a aplicação da Multa Regulamentar por prestação de informações incorretas, pelas razões que a seguir passo a declinar. Umas das questões trazidas a debate em Recurso Especial foi sobre à possibilidade de retroação da legislação menos severa em termos de penalidade. Entendo que a luz do art. 106 do CTN, devese afastar a aplicabilidade da norma jurídica posterior desfavorável ao Contribuinte, devendo ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/2001, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/2012, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/1991, que comina pena mais severa ao Contribuinte, pelos seguintes motivos: Antes mesmo de adentrar no mérito, vale ressaltar que analisando a justificativa da Medida Provisória n.º 575/2012, para introduzir o artigo 8º a Lei n.º 12.766/2012 e que teve origem na Emenda n.º 65, foi a seguinte: “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornando as mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Verificase que um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” E mais, na justificativa constante no Parecer Final, com a redação alterada da Emenda n.º 65, e que figurava como art. 9º do Projeto de lei de conversão da Medida Provisória n.º 575/2012, era: Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 10 9 “Quanto à primeira alteração, é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” Agora adentro no mérito, o auto de infração teve por base a Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, que assim dispõe: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 11 10 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, emdespacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifos meus) A imposição de penalidade no âmbito do direito tributário está pautada pela regra da tipicidade cerrada. A multa imposta pela Fiscalização à Contribuinte tem como fundamento a falta ou atraso na entrega dos arquivos: “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 12 11 As penalidades por falta de apresentação de arquivos digitais sofreu significativa alteração com a edição da Lei n.º 12.766/2012, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001 e posteriormente com a edição da Lei n.º 12.873/2013, que promoveu nova alteração no art 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001. Este artigo tratava de penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias e não tratava até o advindo destas alterações, penalidades por problemas na apresentação de arquivos em meio magnético. Entretanto, com as alterações promovidas pela Lei n.º 12.766/2012 foram incluídos penalidades a serem aplicadas em razão da não apresentação da escrituração digital. Segue a transcrição do art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001 com suas devidas alterações: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 13 12 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 14 13 III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 15 14 § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) O art. 16 da Lei 9.779/99 referido na norma dispõe que: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Verificase que o regime jurídico das penalidades aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória foi sensivelmente alterado. Até então, antes da edição da Lei n.º 12.766/2012, não geravam conflitos ou dúvidas quanto a sua aplicabilidade em relação aos do art. 11 e 12 da Lei nº. 8.218/91. Todavia após a nova redação dada pela Lei n.º 12.766/2012 passou a gerar dúvidas no âmbito da RFB. Diante disto, foi publicado o Parecer Normativo RFB n.º 3, de 10 de junho de 2013 que cuidou de analisar as conseqüências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dada pela Lei n.º 12.766/2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário, e assim concluiu: “"4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 16 15 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei n.º12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 17 16 do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN).” (grifei) (...) Conclusão 10. Em conclusão: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência; c) A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN; (...) n) A multa nova mais benéfica retroage para alcançar atos não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. o) A multa de que trata o inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, é por atraso na entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Não bastasse, notese que a distinção das tipificações efetuada pelo Parecer Normativo RFB nº 3/13, conforme analisado acima, deixou de ter sentido com a publicação, em 24 de outubro de 2013, da Lei n.º 12.873/2013, a qual alterou novamente a redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Veja se: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 18 17 ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013)” Com o advento da referida Lei n.º 12.873/2013, o tipo a ser penalizado não é mais “deixar de apresentar”, mas “deixar de cumprir as obrigações acessórias”, a qual é uma tipificação mais ampla do que a anterior. Após a publicação da Lei n.º 12.873/2013, a Receita Federal enfrentou novamente a matéria no Parecer Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015. Onde foram discutidas as questões aqui colocadas, especificamente as penalidades referentes a escrituração digital. Transcrevo abaixo trecho do Parecer que esclarece a penalidade a ser aplicada para os fatos geradores anteriores a edição da Lei nº 12.766/2012. "6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: (...) 7. Em conclusão: Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 19 18 a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; Verificase que a Posição do Parecer COSIT nº 3/2015 caminhou no sentido de manter as posições definidas no Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN, em razão da multa prevista no art. 57, III, da Medida Provisória nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Não há que se distinguir, a conduta de “deixar de apresentar” e a conduta de “não manter os arquivos”, para fins de aplicação da retroatividade benigna, pois a tipificação dada pela Lei n.º 12.783/2013 é “deixar e cumprir as obrigações acessórias”, o que incluiu tanto a conduta de não apresentar os documentos, quanto a conduta de não manter os arquivos à disposição. Também não há como se distinguir as obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n.º 9.779/99 da escrituração digital (arquivos magnéticos) objeto de regulamentação pela Lei n.º 8.218/91. É incontroverso que a realização e manutenção de escrituração digital são espécies do gênero “obrigações acessórias”, cuja base legal é o citado art. 16 da Lei n.º 9.779/99. Tratase de entendimento positivado pelo próprio legislador federal, por meio da citada Lei n.º 12.766/2012, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 215835/2001. Vale ainda citar a Solução de consulta interna Cosit nº 14, de 05 de julho de 2012, que tem o entendimento que devese aplicar a retroatividade benigna nos caso de penalidade menos severa, senão vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. LEI NOVA, Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 20 19 PENALIDADES MENOS SEVERA, ACORDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITO CELEBRADO ANTES DE SUA EDIÇÃO. APLICABILIDADE, EXCETO EM RELAÇÃO A CRÉDITO EXTINTO PELO PAGAMENTO DE PARCELAS. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento aplicase a acordos celebrados antes de sua edição, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento não se aplica às parcelas já liquidadas, porquanto extinto, ainda que parcialmente, o crédito tributário a elas correspondente, por força do art. 156, I, do CTN. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional. Esse mesmo entendimento vem sendo adotado pelos Tribunais Superiores, como se observa dos julgados assim sintetizados: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. MULTA. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA COM ATRASO. ARTIGO 57 DA MP 2.15835/2001. RETROATIVIDADE. LEI MAIS BENIGNA. LEI Nº 12.766/2012. APLICABILIDADE 1. O artigo 57 da MP nº 2.15835/2001 previu a aplicação da multa de R$ 5.000,00 para a hipótese de informações ou esclarecimentos que devam ser fornecidos no prazo estabelecido, incidindo para cada mês/calendário omitido. A multa aplicada no caso deveria limitarse ao valor de R$ 5.000,00, não podendo esse valor incidir para cada mês de atraso, porque tal interpretação, além de não encontrar respaldo semântico ou sistemático, vai de encontro ao art. 112 do CTN. 2. O artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. multa reduzida para R$1.500,00, nos termos da Lei nº 12.766/2012 (art. 8º). (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 500124079.2013.404.7001, 2ª TURMA, Des. Federal OTÁVIO Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 21 20 ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 17/02/2014) "TRIBUTÁRIO REDUÇÃO DA MULTA EXECUÇÃO FISCAL NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA APLICABILIDADE. O artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Recurso provido." (Resp 243188/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, DJ de 24042000, p. 41). "TRIBUTÁRIO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE POSSIBILIDADE. O CTN, por ter status de Lei Complementar, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal presente no art. 35, da Lei 8.212/91, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 60% para 40%. A redução aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado na Lei (art. 106, CTN), na jurisprudência predominante e na doutrina. O Superior Tribunal de Justiça tem afirmado a possibilidade de retroatividade de lei que beneficia o contribuinte. Precedentes. Recurso não conhecido." (Resp 330967/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 04/03/2002, p.198). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. DIFPAPEL IMUNE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 22 21 provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II É pacífico nesta Corte o entendimento segundo o qual a superveniência de lei tributária punitiva mais benéfica retroage para alcançar fatos pretéritos, a teor do disposto no art. 106 do CTN, posicionamento esse aplicável ao inadimplemento de obrigação acessória (DIFPapel Imune). Precedentes. III A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV Agravo Interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp 1371305/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe 25/10/2016) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA. PERCENTUAL. ARTS. 35 DA LEI N. 8.212/91, E 35A, INCLUÍDO PELA LEI N. 11.941/09. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR ESTABELECENDO PENALIDADE MAIS GRAVOSA. APLICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO LEGAL ANTERIOR, MAIS BENÉFICA, A TEOR DO DISPOSTO NO ART. 106, II, C, DO CTN. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 23 22 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ATO DEFINITIVAMENTE JULGADO. ARTS. 111 DO CTN E 515 DO CPC. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. ART. 106, II, DO CTN. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE NA ESFERA JUDICIAL. 1. Não se conhece da suposta violação quando o recorrente indica o dispositivo legal que teria sido vulnerado sem fundamentar a irresignação. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não se considera ato definitivamente julgado a cobrança do tributo impugnada por embargos à execução. 3. A expressão "ato definitivamente julgado" constante do inciso II do art. 106 não se limita à esfera administrativa, alcança os atos assim considerados no âmbito judicial. Precedentes: REsp 218.895/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 11.10.1999; Resp 183.994/SP, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 15.05.2000; REsp 216.912/RS, Rel. Min. MiltonLuiz Pereira, DJ 25.03.2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (Resp 981.251/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 08/11/2007). TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO. LEI MAIS BENIGNA. A expressão "ato não definitivamente julgado" constante do artigo 106, II, letra "c", do Código Tributário Nacional alcança o âmbito administrativo e também o judicial; constitui, portanto, ato não definitivamente julgado o lançamento fiscal impugnado por meio de embargos do devedor em execução fiscal. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, conhecendo se do recurso especial e dandolhe provimento. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 24 23 (EDcl no REsp 181878/RS, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/1999, DJ 22/03/1999, p. 176) Por fim, o Carf ao analisar a questão tem decidido que o art. 57, II da Medida Provisória nº. 2.15835/2001 deve ser aplicado retroativamente, por força do art. 106, II do CTN. Vejase: Acórdão nº 1103000.844 “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).” (grifei) Acórdão nº 1102001.106 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital, mas deixou de apresentar à fiscalização o arquivo magnético solicitado, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 01. é de aplicar a multa prevista no não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, “c”, do CTN . Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 25 24 Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicasse retroativamente o disposto no art.57 da Lei nº 12.873, de 2013, para aplicar a multa de R$ 500,00 por mêscalendário do exercício fiscalizado de 2007, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais. Acórdão nº 1102001.281 Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 Ementa: DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Rejeitase preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Recurso voluntário provido em parte Acórdão nº 1801002.193 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2009, 2010 DIMOB. APLICAÇÃO ALTERAÇÕES LEI Nº 12.766/12. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A lei aplicasse a ato ou fato pretérito, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (artigo 106, inciso II, alínea 'c', do CTN). Acórdão nº 1802002.179 Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 26 25 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007 MULTA PECUNIÁRIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. INFRAÇÃO FORMAL. MATRIZ LEGAL DA PENALIDADE MP N° 2.15835/ 2001 (ART. 57, I). REDUÇÃO DA PENALIDADE PELA LEI Nº 12.766/2012 (ART. 8º). RETROATIVIDADE BENÍGNA. A multa pecuniária aplicada em concreto, por descumprimento de prazo atinente à Dimob, está prevista, cominada, no art. 57, I, da MP 2.15835/ 2001. Redução da multa por lei ulterior ao lançamento fiscal e tratandose de ato administrativo ainda não definitivamente julgado, aplicase a lex mitior, inteligência do art. 106, II, “c”, do CTN (princípio da retroatividade da lei superveniente que comina penalidade mais branda para a infração apenada). Acórdão nº 3201001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. EXAME. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN , extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 27 26 O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.15835/ 2001, EM ATENDIMENTO A RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012. A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015. Acórdão nº 1201001.419 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARQUIVOS DIGITAIS. ATRASO NA APRESENTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, deve ser aplicada retroativamente a multa estabelecida no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, por ser mais benéfica do que aquela imposta com base no art. 12, III, da Lei nº 8.218/1991 para a mesma situação jurídica, qual seja, a apresentação em atraso de arquivos em meio digital. Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 28 27 Processo nº 10314.728318/201563 Acórdão nº 1201001.922 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2015 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com a redação conferida pelo art. 8º da Lei nº 12.766, de27 de dezembro de 2012, devido ao atraso na entrega de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Acórdão nº 1201001.418 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MULTA REGULAMENTAR. ART 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, "c", DO CTN. Por instituir penalidade menos gravosa do que aquela estabelecida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, retroage para regular os ilícitos praticados pelo sujeito passivo durante a vigência da lei antiga. Ademais, vale ressaltar que a própria DRJ reconheceu que, ainda que tardiamente, os arquivos digitais – mesmo que considerados inconsistentes – foram entregues pelo contribuinte (vide fls. 1181 – n.e do processo), ao mesmo tempo que, a referida capitulação da infração, referese à omissão ou prestação incorreta das informações solicitadas. Assim considerando que a multa anteriormente lançada, prevista no inciso III do art. 12 da Lei nº. 8.218/91 é mais gravosa que a nova multa prevista no art. 57, II, da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, com redação dada pela Lei n.º 12.766/2012, deve esta (nova multa) ser aplicada ao presente processo, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 9303006.880 CSRFT3 Fl. 29 28 Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, dou provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto a retroatividade benigna da multa regulamentar por entrega de informações incorretas. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1662DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000764/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2006
DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DE IDÊNTICO TEOR. NÃO VINCULAÇÃO.
Ressalvada a hipótese de súmula editada no âmbito do CARF, o julgador administrativo não está vinculado a decisões adotadas em razão da análise de processo diverso, ainda que relacionada à mesma matéria e ao mesmo contribuinte.
O instrumento adequado para se evitar divergência de posicionamento no âmbito do CARF em razão de fatos análogos, privilegiando o princípio da segurança jurídica, é o recurso especial.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As razões de prova de que dispuser o contribuinte devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em momento processual posterior.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE.
A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estender-se a cursos em nível de graduação ou pós-gradual.
Não se afigura suficiente para afastar a isenção prevista em lei, relativa ao auxílio educação, a demonstração de que os curso oferecidos aos empregados e dirigentes no âmbito do programa de formação seja de nível superior.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA.
Não há previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de bolsa de estudos oferecidas a dependentes de empregados e dirigentes vinculados à empresa, ainda que esse benefício esteja previsto em convenção coletiva de trabalho.
A previsão de determinado benefício em convenção coletiva de trabalho não exclui a incidência das contribuições previdenciárias a ele relativas a menos que exista previsão legal expressa nesse sentido.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
O Código de Defesa do Consumidor não tem aplicação em se tratando de multa por descumprimento de obrigação tributária.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos sob a forma de bolsa de estudos a empregados e dirigentes da empresa e para que seja aplicada a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2006 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DE IDÊNTICO TEOR. NÃO VINCULAÇÃO. Ressalvada a hipótese de súmula editada no âmbito do CARF, o julgador administrativo não está vinculado a decisões adotadas em razão da análise de processo diverso, ainda que relacionada à mesma matéria e ao mesmo contribuinte. O instrumento adequado para se evitar divergência de posicionamento no âmbito do CARF em razão de fatos análogos, privilegiando o princípio da segurança jurídica, é o recurso especial. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As razões de prova de que dispuser o contribuinte devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em momento processual posterior. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estender-se a cursos em nível de graduação ou pós-gradual. Não se afigura suficiente para afastar a isenção prevista em lei, relativa ao auxílio educação, a demonstração de que os curso oferecidos aos empregados e dirigentes no âmbito do programa de formação seja de nível superior. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. Não há previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de bolsa de estudos oferecidas a dependentes de empregados e dirigentes vinculados à empresa, ainda que esse benefício esteja previsto em convenção coletiva de trabalho. A previsão de determinado benefício em convenção coletiva de trabalho não exclui a incidência das contribuições previdenciárias a ele relativas a menos que exista previsão legal expressa nesse sentido. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. O Código de Defesa do Consumidor não tem aplicação em se tratando de multa por descumprimento de obrigação tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
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MATÉRIA DE IDÊNTICO TEOR. NÃO VINCULAÇÃO. Ressalvada a hipótese de súmula editada no âmbito do CARF, o julgador administrativo não está vinculado a decisões adotadas em razão da análise de processo diverso, ainda que relacionada à mesma matéria e ao mesmo contribuinte. O instrumento adequado para se evitar divergência de posicionamento no âmbito do CARF em razão de fatos análogos, privilegiando o princípio da segurança jurídica, é o recurso especial. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As razões de prova de que dispuser o contribuinte devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em momento processual posterior. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estenderse a cursos em nível de graduação ou pósgradual. Não se afigura suficiente para afastar a isenção prevista em lei, relativa ao auxílio educação, a demonstração de que os curso oferecidos aos empregados e dirigentes no âmbito do programa de formação seja de nível superior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 64 /2 00 7- 87 Fl. 564DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. Não há previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de bolsa de estudos oferecidas a dependentes de empregados e dirigentes vinculados à empresa, ainda que esse benefício esteja previsto em convenção coletiva de trabalho. A previsão de determinado benefício em convenção coletiva de trabalho não exclui a incidência das contribuições previdenciárias a ele relativas a menos que exista previsão legal expressa nesse sentido. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. O Código de Defesa do Consumidor não tem aplicação em se tratando de multa por descumprimento de obrigação tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos sob a forma de bolsa de estudos a empregados e dirigentes da empresa e para que seja aplicada a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1421.145, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP – DRJ/RPO (fls. 487/505) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada sob o Debcad nº 37.072.8866 para a apuração de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados nas competências 07/2001 a 12/2006. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido: Relatório Fiscal A Auditoria Fiscal conclui que as bolsas concedidas aos próprios empregados e aos seus dependentes são consideradas Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, inciso I da Lei n° 8.212/91. Constam às fls. 48/154 Planilhas contendo a discriminação dos segurados empregados beneficiados, seus respectivos dependentes, os valores individualmente percebidos, os salários de contribuição, a base de cálculo e as contribuições dos segurados empregados. Impugnação Dentro do prazo regulamentar a Empresa Notificada contestou o Lançamento através do instrumento de fls. 168 a 202, consubstanciada nas seguintes alegações: Dos fatos. Reportase ao contido no Relatório Fiscal e transcreve trecho. Fl. 566DF CARF MF 4 O lançamento não merece subsistir . Por primeiro, cumpre deixar consignada a presença da decadência, precisamente aqueles decorrentes dos fatos geradores ocorridos no ano de 2001. Os valores recebidos a título de Bolsa de Estudos não compõem o Salário Contribuição, portanto, não são integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por fim, a multa aplicada é confiscatória, bem como a Taxa SELIC não pode ser aplicada, visto ser inconstitucional e ilegal. Da Preliminar. Da Decadência e do Prazo Decadencial de 05 anos. Tece elaborado arrazoado sobre o assunto. Cita e transcreve Doutrina e dispositivos legais. Conclui que a RFB não exercitou seu direito dentro do prazo e, portanto, o direito ao crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos no ano de 2001 está extinto pela decadência. Da Inconstitucionalidade do Art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Constituição Federal preceitua que caberá à lei complementar dispor sobre prescrição e decadência que em nosso ordenamento jurídico está recepcionado pelo Código Tributário Nacional. Transcreve farta Jurisprudência. Ao final afirma que os Tribunais superiores chancelam a tese de que o prazo decadencial é de 05 anos. Menciona também o recente posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça que afastaram o art. 45 da Lei 8212/91 por ser inconstitucional. Do Direito. Da inverdade da Premissa Utilizada Para Sustentar o Presente Lançamento. O cerne da questão cingese: os valores pagos a título de Bolsa de Estudo são integrantes do SaláriodeContribuição, que é base de cálculo das contribuição previden iárias? Respondese: Não. É inverídico o baluarte que deu ensejo ao lançamento, demonstrando a total improcedência desta NFLD, visto que o valor pago a título de Bolsa de Estudo aos segurados e seus dependentes não é parte integrante do Salário de Contribuição. Da Não Integração dos Valores Pagos a Título de Bolsa de Estudos no SalárioContribuição. O fato de o valor pago a título de bolsa de estudo não ter natureza de salário de contribuição é disposição expressa de Lei. A CLT deixa expressamente consignado que o montante percebido por funcionário, concedido pelo empregador, a título de educação NÃO é considerado salário. Transcreve o art. 458. Mas não é somente este o dispositivo legal que afirma não consistir salário de contribuição. Consta na própria Lei de Custeio da Previdência Social que os valores a título de bolsa de estudo não integram o SalárioContribuição. Transcreve o art. 28, §9°, alínea "t" da Lei n° 8.212/91. É texto expresso da lei. Não há como interpretar tal dispositivo legal de maneira diferente. Salienta que a bolsa de estudo concedida é um valor concernente a plano educacional, de curso de capacitação e qualificação profissionais, e vinculado às atividades desenvolvidas pela Impugnante, tal como pode ser aferido de seu estatuto social, documento que segue anexado. A bolsa de Estudo concedida é para todo e qualquer empregado e dirigente da mesma o que deixa transparecer ainda mais não ser tal verba componente do salário. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 4 5 A concessão da bolsa é cláusula de Convenção Coletiva, tanto para a categoria de professores quanto para a dos Auxiliares de Administração Escolar. Demonstra que está obrigada a fornecer a Bolsa de Estudo, pois se não o fizer poderá sofrer sanções advindas do descumprimento da convenção coletiva. Não tem qualquer disponibilidade ou poder de decisão sobre a concessão ou não de referidas bolsas. Apresenta considerações acerca das convenções coletivas. Transcreve trecho da Convenção de 2002 e menciona que mesmas disposições encontramse nas Convenções dos anos subseqüentes tanto na que se refere aos Professores como aos Auxiliares de Administração Escolar de Ensino Superior, destacando que nas convenções que vigoraram pelo ano de 2001, houve cláusula denominada "Programa de Capacitação e Qualificação Profissionais". Ambas as convenções restou expressamente reconhecido que tal benefício não integra o salário, visto que não possui caráter remuneratório. A Bolsa de Estudo, tal como reconhecido pela própria convenção, é transitória e não habitual, portanto, não tem caráter remuneratório, não sendo salário de contribuição. Pela explanação evidenciou que os valores pagos a título de bolsa de estudo não integram o salário de contribuição. Não há qualquer dúvida acerca de tal conclusão. O STJ é pacífico neste sentido. Transcreve Julgados. Conclui que desta feita, a Bolsa de Estudo concedida se amolda com precisão à hipótese descrita na alínea "t", § 9% art.28 da Lei no 8.212/91. Evidente, pois, que não deve integrar o SalárioContribuição. Por este motivo, não é base de cálculo das contribuições previdenciárias. Da Multa Aplicada. A multa punitiva imposta é inaplicável ao caso em epígrafe, bem como atingiu caráter confiscatório de modo que não pode prevalecer. Transcreve Doutrina. Discorre sobre o assunto. Transcreve Julgado. Conclui que, de todo o exposto, que a multa é incabível e, portanto, deve ser anulada. Todavia se assim não entender, deve ser reconhecida a inconstitucionalidade da multa. Da Taxa SELIC. A aplicação da taxa SELIC mitiga vários princípios constitucionais, merecendo ser rechaçada tal aplicação. Menciona e transcreve dispositivos da legislação pertinente. Conclui que diante dos fatos e fundamentos declinados, o lançamento deverá ser julgado insubsistente. Do Requerimento. Requer que seja julgado totalmente improcedente o presente lançamento, ou se este não for o entendimento, que seja o lançamento ao final extinto pela decadência, bem como pelas ilegalidades e inconstitucionalidades da aplicação da Taxa SELIC e da multa, ou ao menos seja esta última reduzida. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova, tais como documentais, testemunhais e outros. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, conforme pode se verificar da ementa da decisão recorrida: Fl. 568DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO. Sujeitamse ao prazo decadencial de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador as contribuições relativas às competências em que se verifique o pagamento parcial da obrigação. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. BOLSAS DE ESTUDO. A previsão legal de exclusão do saláriodecontribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise a educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não englobando os cursos superiores e desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. BOLSAS DE ESTUDO CONCEDIDAS A DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Integram o saláriodecontribuição os valores relativos a bolsas _de estudo concedidas a dependentes de segurados empregados ainda que a concessão das mesmas decorra de previsão contida em instrumento normativo. MULTA. CONFISCO. As contribuições sociais não recolhidas nas épocas próprias estão sujeitas à multa moratória irrelevável. A multa aplicada encontra respaldo na legislação vigente. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação da SELIC para fixação dos acréscimos incidentes sobre o crédito previdenciário lançado pela fiscalização encontra respaldo na legislação vigente. 1NCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instancia administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdenciário deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 5 7 processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário (fls. 508/542) o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e alega adicionalmente o que segue: a concessão da Bolsa é cláusula de Convenção Coletiva, tanto para a categoria dos Professores quanto para a dos Auxiliares de Administração Escolar; deveria a fiscalização buscar a desconstituição das normas da Convenção Coletiva por meio do órgão competente para, somente depois de tal desconstituição, afastar sua aplicação, fazendo incidir as contribuições previdenciárias. a competência para desconstituir a Convenção Coletiva é outorgada pela CLT ao Ministério do Trabalho e Previdenciária e à Justiça do Trabalho; não existe qualquer contrariedade legal nas disposições contidas nas Convenções Coletivas a que se submete; as relações jurídicas concretizadas sob a égide da norma contida em Convenção Coletiva caracterizaram a prática de atos jurídicos perfeitos, impassíveis de serem desconstituídos por mera prerrogativa dos agentes da Receita Federal do Brasil. a multa não pode prevalecer no percentual em que foi aplicada, posto que existe outra lei mais benéfica, que deve retroagir. Faz referência à Medida Provisória nº 449/2008; ao repisar questões sobre a propalada inaplicabilidade da Taxa Selic como fator de correção dos tributos objeto de lançamento, discorre sobre possibilidade de manifestação sobre a constitucionalidade de leis pela esfera administrativa. Repisa pedidos apresentados por via impugnatória, requer que seja declarada a nulidade da decisão recorrida e a juntada de novas provas. Por fim a recorrente atravessou petição dando conta do julgamento de recurso voluntário relativo a matéria semelhante, nos autos do Processo nº 11444.000672/200705, cuja decisão que lhe foi favorável (Acórdão 2201003.222). É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 570DF CARF MF 8 Extensão dos Efeitos da Decisão Adotada no Acórdão nº 2201003.222 ao Presente Julgado Quanto a adoção dos fundamentos presentes no Acórdão nº 2201003.222, de 15/07/2016, para considerar procedente o recurso voluntário em “observância à segurança jurídica”, compete esclarecer que uma turma de julgamento não está vinculada a decisões proferida por outros colegiados, ainda que em razão de situações semelhantes. Para se evitar divergências de posicionamento no âmbito do CARF em razão de fatos análogos, privilegiando o princípio da segurança jurídica, o instrumento adequado é o recurso especial, previsto no inciso II do art. 64 e nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. In verbis: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: [...] II Recurso Especial; e [...] Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] Desse modo, inexiste previsão para que determinado colegiado adira às razões suscitadas por outro, a menos que haja coincidência de entendimento ou nas hipóteses previstas em lei ou no Regimento Interno do CARF, o que não é o caso. Produção de Provas De acordo com o inciso III e o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o litígio, bem assim os pontos de discordância e as razões e provas em favor do contribuinte devem ser mencionados na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que se verifique as situações relacionadas no citado § 4º. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 6 9 Desse modo, não restando verificadas as circunstâncias arroladas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, é precluso o direito da recorrente quanto a apresentação de novas provas. Pelas razões aqui expostas, indefiro o pedido de apresentação de provas apresentado pela recorrente. Incidência de Contribuições sobre Bolsa de Estudos Alega a recorrente que as importâncias referentes à bolsa de estudos não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias por não ter natureza salarial. Fato esse que restaria expressamente consignado no § 2º do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que abaixo se transcreve: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valôres atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII –(VETADO) [Grifouse] Ocorre que o § 2º do art. 458 da norma trabalhista não irradia efeitos automáticos sobre matéria tributária. É importante ressaltar que, de acordo com o princípio da especialidade, norma especial afasta a incidência da norma geral. In casu, estandose diante de matéria de índole tributária, o regramento a ser considerado no que atina à incidência ou não de Fl. 572DF CARF MF 10 contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação é aquele estabelecido na Lei de Custeio Previdenciário. A base de cálculo das contribuições previdenciária é o denominado salário decontribuição. Nos termos do art. 28 da Lei n° 8.212/1991, em relação a empregados e trabalhadores avulsos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Reparese que o saláriodecontribuição abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas quanto ao caráter oneroso da bolsa de estudos concedida pela recorrente a seus empregados e respectivos dependentes, sendo desnecessário tecer maiores comentários a esse respeito, visto que a própria recorrente deixou de tratar desse requisito. Do mesmo modo, sendo o benefício pago no contexto da relação laboral, estando inclusive previsto em acordo coletivo de trabalho, resta caracterizada sua índole retributiva, bem assim a habitualidade dessa parcela. De se ressaltar que, a despeito do que entende a recorrente, a habitualidade referida na legislação previdenciária está relacionada à empresa, ou seja, o fato de o sujeito passivo oferecer bolsa de estudos a seus empregados de forma habitual, fazendo constar o direito a esse benefício em convenção coletiva, é, por si só, suficiente para caracterizar a existência de tal condição. Assim, mesmo podendo o benefício ser considerado transitório, cessando quando da conclusão curso, por exemplo, isso não afasta o requisito da habitualidade. Apercebase, pois, que os planos educacionais aqui referidos ostentam natureza nitidamente remuneratória e, desse modo, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias vai depender de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o qual, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal no âmbito da Lei de Custeio Previdenciário. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência do fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º dispunha: Art. 28. [...] Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 7 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Notese que a isenção referida nos dispositivo acima abrange: planos educacionais que visem à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Referido plano: não pode ser utilizado em substituição de parcela salarial; e deve ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Em vista disso, (fls. 45/48) e considerando o disposto na Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), o Relatório Fiscal do lançamento apresenta as seguintes considerações: 2.4. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, definiu a Educação Básica como sendo a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, ficando, dessa forma, estabelecido que todo plano educacional desenvolvido pela empresa que vise seu empregado cursar qualquer série até o Ensino Médio está isenta de contribuição previdenciária. Não integra o saláriodecontribuição, ainda, os cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculadas às atividades desenvolvidas pelos trabalhadores na empresa. 2.5. Assim sendo, fica evidente que as bolsas de estudo, parcial ou total, concedidas a segurados empregados da entidade em questão, assim como a seus dependentes, integram o saláriode contribuição, por não se moldarem à hipótese excludente do § 9º, letra "t", do art. 28 da Lei 8.212/91. Na mesma linha defendida pelo Fisco, a decisão recorrida assenta que: Primeiramente, quanto ao nível de ensino custeado. Os gastos referemse à concessão de bolsas de estudo de cursos de nível superior, o qual está fora do alcance da isenção, que contempla somente os níveis fundamental, médio e profissional (cursos de capacitação e qualificação profissionais), nos termos da Lei n° 9.394/96, não englobando a educação superior. Vale lembrar que o artigo 21 da Lei n° 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, prevê: A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela Fl. 574DF CARF MF 12 educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Observe que, para beneficiarse do auxílioeducação de que trata a alínea "t", o plano educacional deve caracterizarse pelo oferecimento de educação básica e de curso de capacitação e qualificação profissional. Pela leitura do artigo 21 da Lei no 9.394/96, transcrito, verificase que a Educação Básica compreende para os fins do plano educacional da alínea "t" o ensino fundamental e ensino médio. Assim, apenas o plano educacional desenvolvido pela empresa que vise seu empregado cursar qualquer série até o Ensino Médio estará isento de contribuições previdenciárias. (Grifouse) De fato, não há como se fazer uma análise mais detalhada a respeito do alcance da isenção referida na alínea “t” do § 9º da Lei nº 8.212/1991 sem recorrer à Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. À luz do art. 22 dessa norma: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. É impassível o entendimento de que a educação básica é formada pela educação infantil, o ensino fundamental e o médio. Contudo, os demonstrativos acostados aos autos pela Fiscalização (fls. 49 e ss) dão conta de que os planos educacionais ofertados pelo sujeito passivo abrangem somente cursos de nível superior na modalidade de graduação e pós graduação. Restanos aferir, por conseguinte, se referidos curso (de nível superior) poderiam ou não ser considerados como qualificação ou capacitação profissional. Embora qualificação ou capacitação profissional não encerrem conceitos legais ou doutrinários absolutamente precisos, o Dicionário Online de Português atribuilhes os seguintes significados: Qualificação: Ato ou efeito de qualificar. Atribuição de uma qualidade, um título (...). Condições referentes à formação profissional e experiência, sugeridas para o exercício do cargo, função etc. 1 Capacitação: Ação ou efeito de capacitar, de tornar capaz; aptidão. Ato de se tornar apto, habilitado, de passar a possuir uma habilitação. [Por Extensão] Preparação, ensino, conhecimento dados a alguém para que essa pessoa desenvolva alguma atividade especializada: capacitação em negócios2. Recorrendose a essa significação, é possível inferir que a qualificação está voltada para a obtenção de conhecimentos e habilidades necessários para que o indivíduo esteja apto a exercer determinado mister. A capacitação, por sua vez, é focada no aprimoramento pessoal para o desenvolvimento de aptidões para a atuação em contextos profissionais mais específicos. Retornandose mais uma vez à LDB, notadamente a seu Capítulo III (Da Educação Profissional e Tecnológica), importanos transcrever o art. 39 da Lei, na redação vigente à época dos fatos geradores: 1 Disponível em: <https://www.dicio.com.br/qualificacao/>, Acesso em: 30/015/2018. 2 Disponível em: <https://www.dicio.com.br/capacitacao/>, Acesso em: 30/05/2017. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 8 13 Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissional. Vejase que esse ou outros dispositivos presentes na norma educacional não restringe a educação profissional à educação básica. Ao revés disso, esclarece que essa modalidade de ensino, na qual se inserem os cursos de capacitação e qualificação, integrase às diferentes formas de educação, o que, no meu entender, significa dizer que a educação profissional pode ser desenvolvida não somente no contexto da educação básica, mas também do ensino superior de graduação e pósgraduação. Se considerarmos o art. 39 da LDB, na redação dada pela Lei nº 11.741/2008, o qual objetivou não somente fazer referência à educação tecnológica, mas também esclarecer o alcance da expressão “educação profissional”, essas constatação mostrase ainda mais evidentes. Vejamos a íntegra do novel dispositivo: Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; II – de educação profissional técnica de nível médio; III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Grifouse) De se esclarecer que o exame aqui empreendido não buscou ampliar a isenção compreendida na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 em detrimento do disposto no art. 111 do CTN, e sim apreender o real alcance da norma. Fl. 576DF CARF MF 14 Desse modo, por entender que qualificação e capacitação profissional não se restringem à educação básica, penso que, com relação aos empregados da recorrente, para efetuar o lançamento a autoridade autuante deveria ter comprovado que os curso oferecidos i) não estavam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa; ii) eram utilizados em substituição a parcela salarial; ou iii) que os planos educacionais não eram extensíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Não tendo o Fisco adotado essa providência, deve ser provido o recurso voluntário, neste ponto, para excluir da autuação os valores relativos aos cursos ofertados aos empregados ou dirigentes do sujeito passivo. No que se refere às bolsas ofertadas aos filhos dos empregados a situação é completamente diversa. É que a regra isentiva faz referência a “plano educacional que vise à educação básica (...) e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”. Observe que o regramento aqui referido (Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea t) não faz menção a plano de educacional ofertado a filhos, mas tãosomente a empregados e dirigentes da empresa, não havendo como estender o favor legal a hipóteses que não estejam expressamente prevista em lei visto que, neste ponto, estarseia infringindo o art. 111 do CTN que impõe a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre isenção de tributos. Ademais, a justificativa apresentada na peça recursal de que as bolsas de estudos referemse cursos de nível superior de capacitação e qualificação profissional vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa mostrase contraditória em relação aos dependentes de empregados e dirigentes. Ora, além de não haver previsão legal para o oferecimento de capacitação ou qualificação a filhos dos segurados a serviço da empresa, carece de sentido que seu plano educacional esteja também voltado à formação e ao aperfeiçoamento, em atividades que lhe são próprias, de pessoas físicas que não lhe prestam qualquer tipo de serviço. Sobre a jurisprudência suscitada no apelo recursal, além de não vincular o julgador administrativo, essa é no sentido de que “não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados”, não acudindo o sujeito passivo no que se refere ao valor da bolsas de estudos ofertadas aos filhos desses empregados. No que atina à convenções coletivas, embora não se desconheça o seu caráter normativo, essas não têm o condão de excluir a incidência de contribuições previdenciárias, a menos que exista previsão legal nesse sentido. A esse respeito, o art. 176 do CTN estabelece: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. (Grifouse) Reiterese que inexiste qualquer previsão legal no sentido de isentar os valores pagos a título de bolsas de estudos em favor de dependentes de segurados da Previdência Social a serviço da empresa, ainda que esse benefício esteja previsto em convenção coletiva. Assim, mostrase desnecessária a adoção de qualquer providência em Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 9 15 relação a citado instrumento, inclusive no sentido de desconstituílo, como devaneia o sujeito passivo. Aliás não há no Relatório Fiscal ou nos demais documentos anexos à NFLD qualquer referência quanto à hipotética invalidade das convenções coletivas celebradas entre a empresa e seus empregados. Ainda sobre as convenções coletivas, peço vênia para reproduzir trecho da decisão recorrida que bem reflete meu entendimento a respeito desse assunto: Acordos Coletivos: Com relação aos instrumentos normativos invocados pela Impugnante, não se desconhece que os mesmos encontram amparo no ordenamento jurídico vigente e têm força de lei entre as partes signatárias. As Convenções Coletivas de Trabalho, obrigam as parte envolvidas, mas não detêm a faculdade de se contrapor disposições inseridas em lei específica quanto à incidência das contribuições sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados. Portanto, não pode a notificada se eximir da responsabilidade sob alegação de que estava amparada na Convenção Coletiva, ao dispor sobre a bolsa de estudos. Sobre a matéria, vale transcrever doutrina de Hugo de Brito Machado: “As convenções particulares podem ser feitas e são juridicamente válidas entre as partes contratantes, mas nenhum efeito produzem contra a Fazenda Pública”. (Curso de Direito Tributário, Malheiros, 1997. p 100) Embora estabeleçam obrigações e direitos, não têm o condão de excluir determinada verba do conceito de saláriodecontribuição trazido pela legislação previdenciária. Ainda que dispondo de eficácia normativa, tais instrumentos quando redigidos de forma a não considerar determinada verba como sujeita à incidência das contribuições lançadas, não podem sobreporse à legislação previdenciária no que tange à definição do saláriodecontribuição (artigo 28 da Lei n° 8.212/91). Manifestação sobre a Constitucionalidade de Leis na Esfera Administrativa Inferese no recurso voluntário que a decisão a quo foi no sentido de que “a esfera administrativa está impedida de se manifestar acerca de declaração de inconstitucionalidade, por ser função exclusiva do poder judiciário”, razão pela qual “estaria impossibilitada, a esfera administrativa, de reconhecer as inconstitucional idade da multa e da Taxa Selic”. Contudo, entende a contribuinte não ter requerido a declaração de inconstitucionalidade de quaisquer normas, mas “demonstrar foi que a multa, tal como estipulada, assim como a aplicação da Taxa Selic se mostram inconstitucionais”. Em seguida, o sujeito passivo reproduz jurisprudência e doutrina que diz respaldar sua tese e dedica boa parte de seu apelo para defender que o julgador administrativo está obrigado a apreciar questões afetas as aspectos constitucionais das normas relacionadas ao processo administrativo fiscal. No seu entender: os órgãos da administração podem e devem analisar e afastar a aplicação de norma que seja inconstitucional. Não se trata de declarar a inconstitucionalidade de tal norma, mas sim de deixar Fl. 578DF CARF MF 16 de aplicála por ser a mesma maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Não obstante esses e outros argumentos trazidos no apelo recursal, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 10 17 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastar lançamento de crédito tributário, inclusive no que ser refere a juros e multa, sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Asseverese que os normativos encimado, bem assim a Súmula CARF nº 2 não se restringem à impossibilidade de o julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei, mas também de afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sem razão a recorrente. Multa Aplicada Sobre o propalado caráter confiscatório da multa aplicada, demonstrouse acima que a autoridade autuante pautouse nas disposições legais relativas à matéria para a determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À Fl. 580DF CARF MF 18 autoridade administrativa, em vista do disposto no art. 3º do CTN, cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Quanto ao dever de observância, pela Administração Pública, a princípios consagrados na Constituição, referido no art. 2º da Lei nº 9.784/1999, impende ressaltar que o primeiro deles é justamente o princípio da legalidade o qual impõe a estrita obediência às normas legais em vigor quando da prática de determinado ato administrativo. No presente caso, o dispositivo vigente quando da aplicação da multa em razão do descumprimento da obrigação tributária era o art. 35 da Lei nº 8.2121/1991, o qual foi rigorosamente acatado pela autoridade administrativa por ocasião da autuação. A respeito das decisões judiciais colacionadas no tópico do recurso em que se discute à questão da multa, cabe mais uma vez ressaltar que tais decisões não vinculam o julgador administrativo, além de não respaldarem as alegações recursais visto não se amoldarem ao caso sob análise. Sobre a redução da multa para o percentual de 2%, nos termos do § 1º do art. 52 da Lei nº 8.078/1990, na redação dada pela Lei nº 9.298/1996, deveria o representante da recorrente saber que esse percentual, por constar do Código de Defesa do Consumidor, é aplicável às relações estabelecidas com base naquele Código. No que se refere às contribuições previdenciárias, à época da ocorrência do fato gerador, a multa pelo seu não recolhimento, como já se disse, era aquela referida no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Assim, considerandose que a multa aplicada levou em consideração as norma legais de regência, as quais encontramse em pleno vigor, carece de razão as asserções recursais quanto ao malferimento do princípio de vedação ao confisco ou de que o percentual da multa deveria ser reduzido para 2%. Em vista disso, nego provimento ao recurso voluntário em relação à presente matéria. Retroatividade Benigna Ainda a respeito da multa aplicada, com o advento da Medida Provisória Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, houve profunda alteração nas regras relativas ao cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Nesse passo, não obstante o auto de infração ter sido lavrado em face das normas vigentes à época do lançamento, verificase possível a retroação da novel legislação, em benefício do sujeito passivo, em razão do disposto no art. 106 do CTN. In verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 11 19 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifos nossos) Na sistemática anterior, constatada a falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (inciso do II do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 – redação antiga), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória (§§ 4º e 5ºdo art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 – dispositivos revogados). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas (descumprimento da obrigação principal) variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. O descumprimento da obrigação acessória era punido com multa correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Com a edição da Medida Provisória 449/2008, inseriuse o art. 32A na Lei nº 8.212/1991, com a seguinte redação: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 582DF CARF MF 20 Além disso, foi também alterado o art. 35 e incluído na Lei de Custeio Previdenciário o art. 35A. Referidos artigos dispõem: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19963. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19964. Do exame dos dispositivos acima descritos é possível concluir que: a) o art. 32A aplicase a situações em que se verifica, mediante procedimento de ofício, isoladamente, a não entrega de GFIP ou sua entrega com incorreções ou omissões; b) o art. 35 referese a multa de mora decorrente do pagamento em atraso, mas espontâneo, de contribuições previdenciárias (0,33% ao dia limitada a 20%); e c) o art. 35A trata da multa aplicada em procedimento de ofício no patamar ordinário de 75%, por descumprimento da obrigação principal e/ou acessória. Ressaltese que, no caso de procedimento de ofício, inaplicável é a multa prevista na nova redação do art. 35, 0,33% ao dia limitada a 20%, visto que voltada ao recolhimento em atraso, porém espontâneo do tributo. Pois bem, para sabermos qual à multa aplicável ao caso concreto, atendendo à retroatividade benigna estabelecida na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, será necessário analisar as peculiaridades envolvidas na ação fiscal que deu origem ao lançamento, posto ser necessário que as penalidades sopesadas apresentem natureza material semelhante, tendo em vista que as normas cotejadas devem estar voltadas para condutas de mesma espécie. Para tanto, necessário verificar se o procedimento fiscal redundou exclusivamente na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória (não entrega ou entrega de GFIP ou sua entrega sem informação relativa a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias) ou se, além disso, o sujeito passivo deixou de recolher os tributos não informados na guia. Assim, caso se esteja diante de infração exclusivamente pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas nos revogados §§ 4º ou 5º do art. 32 da 3 Art.61 .Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 12 21 Lei nº 8.212/1991, a penalidade mais benéfica deve ser aferida a partir da comparação entre tais dispositivos e aquelas referidas no art. 32A da mesma lei, inserido pela Medida Provisória 449/2008. No procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura da presente NFLD, foram apurados valores que a empresa autuada não considerou como base de cálculo de contribuições previdenciárias e, portanto, não computou no cálculo da contribuição previdenciária devida (obrigação principal), deixando, também, de declarar tais valores em GFIP, o que deu causa a autuação pelo descumprimento dessa obrigação acessória. Ressaltese que, a partir da inclusão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, ocorrendo também o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente de erro ou omissão em GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído, ou seja, incabível, com fulcro na norma atual, a aplicação simultânea de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. Nesse caso, a multa mais benéfica deve ser calculada a partir da comparação entre soma da multa aplicada nos lançamento pelo descumprimento da obrigação principal, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época do lançamento) e da referente à obrigação acessória de que trata o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época da ocorrência do fato gerador) com a multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Convém ressaltar que o entendimento trazido neste voto e adotado por ocasião do lançamento está em consonância com o que dispõe a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, que trata tanto de lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Taxa Selic Sobre esse assunto, cabem as mesmas considerações sobre a impossibilidade de se afastar a aplicação da lei que institui referido índice de correção sob o fundamento de que “tal incidência mitiga vários princípios constitucionais”. Aduz ainda a recorrente que: Se aplicarmos a Taxa SELIC sem lei anterior e específica a respeito , haverá aumento de tributo e ficará desrespeitado o princípio contido no art. 150, inciso I da Constituição Federal , que reza não ser possível exigir se ou aumentarse tributo sem lei que o estabeleça. Contudo, a incidência da Taxa Selic sobre contribuições previdenciárias pagas após a data de vencimento não tem nenhuma relação com instituição ou aumento de tributo, não devendo prosperar as alegações recursais acerca desse assunto. Ademais, a imposição da Taxa Selic sobre contribuições sociais objeto de lançamento, à época do lançamento, encontravase expressamente prevista no art. 34 da Lei nº 8.212/1991. Senão vejamos: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, Fl. 584DF CARF MF 22 ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.(Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Correta, pois, a aplicação do índice adotado pelo Fisco, tendo em vista que o art. 144 do CTN preleciona que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada. Esse entendimento é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que entendeu como legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, consoante assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003. Confirase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Assim, não vejo como acolher o entendimento esposado no apelo da contribuinte acerca da ilegalidade de cobrança de juros, haja vista os valores descritos no lançamento fiscal estarem em consonância com a legislação tributária transcrita acima, dado que as contribuições sociais não recolhidas à época própria se sujeitam aos juros SELIC, de caráter irrelevável. A propósito, como destacado na decisão do STJ, e ao revés do que entende a recorrente, a incidência de juros moratórios na forma aplicada pela Fiscalização está em perfeita consonância com o art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso daquele previsto no caput desse artigo (161), a taxa prevista em tal legislação é que deve ser aplicada e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa cabível, reiterese, é a Selic. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse) Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11444.000764/200787 Acórdão n.º 2402006.286 S2C4T2 Fl. 13 23 Somente a título de esclarecimento, o art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar para o estabelecimento de juros moratórios a incidir sobre tributos. Importa mencionar ainda que o CARF uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4, de observâcia obrigatória no pelos colegiados deste Conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Pelas mesmas razões acima relatadas, nego provimento ao recurso também nesta parte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por indeferir o pedido de produção de novas provas, afastar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos sob a forma de bolsa de estudos a empregados e dirigentes da empresa e para que seja aplicada a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928992/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.528
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 92 /2 00 8- 92 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.928992/200892 Acórdão n.º 3302005.528 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo/SP pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que os valores referentes ao período foram recolhidos a maior gerando direito a compensar, sendo que os dados da DCTF foram corrigidos posteriormente por meio de DCTF retificadora, sendo os débitos devidamente compensados, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação declarada. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16031.390. Após ciência ao acórdão de primeira instância apresentou o recurso voluntário , sem argüições preliminares, no que concerne à tempestividade. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.928992/200892 Acórdão n.º 3302005.528 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.517, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.517): "Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 17/06/2011, sexta feira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 108. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 21/07/2011 (fl. 53), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 19/07/2011, na terçafeira anterior, ao do protocolo recursal, em 21/07/2011. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecê la." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade do Recurso Voluntário não atendendo a requisito essencial de admissibilidade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908643/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/08/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 43 /2 00 9- 77 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 26/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908643/200977 Acórdão n.º 1302002.856 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.934229/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 29 /2 00 8- 09 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934229/200809 Acórdão n.º 3302005.510 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.254. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934229/200809 Acórdão n.º 3302005.510 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.934229/200809 Acórdão n.º 3302005.510 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.934229/200809 Acórdão n.º 3302005.510 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.934229/200809 Acórdão n.º 3302005.510 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720600/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OU SEGURADO EMPREGADO. DEVER DE COMPROVAR É ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É dever da contribuinte apresentar as provas no sentido de que as verbas constantes em sua folha de pagamento são relativas a pagamento de serviços prestados por terceiros, que trabalham por conta própria, segurados autônomos, etc.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE
Quando demonstrada pela fiscalização a existência da constituição de grupo econômico de fato mediante a unicidade de comando entre empresas, bem como a confusão em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos entre as empresas, é permitida a caracterização do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Recorrente FRIGORIFICO BEEF NOBRE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OU SEGURADO EMPREGADO. DEVER DE COMPROVAR É ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É dever da contribuinte apresentar as provas no sentido de que as verbas constantes em sua folha de pagamento são relativas a pagamento de serviços prestados por terceiros, que trabalham por conta própria, segurados autônomos, etc. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE Quando demonstrada pela fiscalização a existência da constituição de grupo econômico de fato mediante a unicidade de comando entre empresas, bem como a confusão em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos entre as empresas, é permitida a caracterização do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 06 00 /2 01 5- 31 Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.108 2 Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1033/1064, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, de fls. 810/826, que julgou improcedente a impugnação da Frigorífico Beef Nobre LTDA e pelos responsáveis solidários, mantendo integralmente o lançamento de Contribuições Previdenciárias de fls. 23/29 (DEBCAD 51.047.9367), consolidado em 9/3/2015, relativo às competências de 01/2010 a 12/2010, e de fls. 30/39 (DEBCAD 51.047.9375), consolidado em 9/3/2015 com ciência dos RECORRENTES em entre 24/4/2015 e 19/5/2015, conforme o ARs de fls. 699/708 e Editais de Intimação de fls. 702 e 707. Foram lavrados os seguintes autos de infração: (i) DEBCAD 51.047.9367, relativo às contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa devidas na alíquota de 20%, bem como a alíquota SAT/RAT de 3% acrescido do correspondente FAP (1,1786), incidentes sobre o total das remunerações não declaradas em GFIP pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês aos segurados empregados, no Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.109 3 valor global histórico de R$ 1.405.675,02, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício qualificada de 150%; (ii) DEBCAD 51.047.9375, relativo às contribuições previdenciárias descontadas de cada trabalhador na folha de pagamento, não declarada em GFIP e não recolhida aos cofres públicos, no valor global histórico de R$ 442.117,12, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício qualificada de 150%. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 40/54) as contribuições lançadas são referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês aos segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhida os cofres públicos. Também segundo o relatório fiscal, a apuração do crédito foi feita considerando as informações da IPEI nº CG2014003 emitida pelo Núcleo de Pesquisa e Investigação da 1º Região Fiscal, bem como através de “documentos arrecadados no Mandado de Busca e Apreensão autorizado no processo nº 0010855702014436000, no interesse do Inquérito Policial IPL nº 0218/2013 (000396178.2014.403.6000), da Polícia Federal.” Foram objeto de investigação os arquivos digitais da Folha de Pagamento referentes ao anocalendário de 2010 (fls. 338/678) e o arquivo digital da escrituração contábil do exercício de 2010. A autoridade lançadora ressaltou que os fatos geradores e os valores devidos ao INSS declarados na GFIP foram excluídos deste lançamento, visto que foram quitados por recolhimentos efetuados por meio de GPS. Logo, não há aproveitamento de GPS neste processo. Através de tal análise constatouse que no período de janeiro/2010 a dezembro/2010 a RECORRENTE não declarou em GFIP as remunerações pagas aos segurados empregados, conforme planilha abaixo (fl. 51): Por sua vez, no mesmo período de apuração também foram descontadas contribuições dos empregados que não foram repassadas aos cofres públicos, nos seguintes termos: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.110 4 A autoridade fiscal entendeu também pela formação de grupo econômico de fato, formado pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas: O auditor entendeu pela configuração do grupo econômico de fato tomando como base a similaridade dos quadros societários, a unidade de direção e controle, a unidade Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.111 5 do aproveitamento dos resultados, bem como a execução de atividades para fins comuns, tudo conforme descrito abaixo (fls. 42/46): 3.2. CONTRIBUIÇÃO DAS PESSOAS ENVOLVIDAS. Impossibilitado de permanecer à frente de seus empreendimentos, após o encerramento das atividades do FRIGORÍFICO CAMPO OESTE — INDÚSTRIA COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.539.662/000122, amplamente noticiada e ainda presente nos meios de comunicação, o modus operandis e o patrimônio amealhado pelo exproprietário do CAMPO OESTE, Reginaldo da Silva Maia, foi transferido às pessoas mencionadas no preâmbulo, as quais, esforçamse no desempenho do papel de proprietários de direito das empresas agrupadas quando em verdade estão sob as ordens do verdadeiro dono. Com efeito, as presenças dos filhos Danielle da Silveira Maia e Rodrigo da Silveira Maia, da exexposa Márcia Cristina Bressan Silveira e da atual companheira Adriana Calderaro à frente das empresas agrupadas, são instrumentos por meio dos quais Reginaldo da Silva Maia exerce seu poder de comando dos negócios e dá seguimento a suas atividades empresariais. 3.2. EXECUÇÃO DE ATIVIDADES PARA FINS COMUNS. No procedimento fiscal apurouse que o Grupo Mala achase estruturado nos segmentos operacional/industrial e imobiliário/investimentos. Na parte operacional do grupo encontramse o Frigorífico Beef Nobre Ltda. e outros frigoríficos alguns com atividades paralisadas; e, Calderaro Engenharia e Empreendimentos Ltda. (transporte de matérias primas animais para abate e produto acabado carnes industrializadas). No outro segmento estão as incorporadoras e administradoras de bens resultantes das atividades operacionais do grupo, RM Participações e Empreendimentos Ltda. e Meridional Participações Eirelli (atividades imobiliárias e administração de bens). As pessoas físicas arroladas revezamse nos segmentos citados administrando ou recebendo bens do grupo em seus nomes sob o comando de Reginaldo da Silva Maia, contribuindo cada uma das pessoas físicas e jurídicas com seus esforços e até com recursos próprios na consecução de fins comuns. 3.3. APROVEITAMENTO NOS RESULTADOS. Disfarçados em empréstimos, adiantamentos, pagamento de serviços prestados, pagamento de fornecedores, ou de forma explícita em pagamento de custos, gastos e despesas operacionais das pessoas jurídicas; ou, de diversas despesas pessoais dos envolvidos, os resultados obtidos são aproveitados em comum. 3.4. UNICIDADE DE DIREÇÃO E CONTROLE. A contribuição e o esforço de cada uma das pessoas agrupadas — inclusive praticando fraude e simulação — é decisiva para ocultação do verdadeiro dono do Frigorífico Beef Nobre, entretanto, documentos comprobatórios de atos de gestão' confirmam que a disponibilização de móveis, acerto de pagamento de honorários, combinação de depósitos bancários, ordem a exfuncionário para não mais comparecer ao trabalho, acerto para compra de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.112 6 equipamento, tudo passa pelo crivo administrativo e gerencial do real proprietário Reqinaldo da Silva Mala, estando todas as pessoas agrupadas sob sua direção e controle. Em uma mensagem a assessoria jurídica pede ao dono de fato: "... Senhor Reginaldo, ... veja quem o senhor quer que seja o procurador para representar a empresa..." (destacamos). 3.5. QUADROS SOCIETÁRIOS. A administração das empresas agrupadas no período a que corresponde o lançamento tributário, 01/01/2010 a 31//12/2014, foi exercida por familiares e pessoas ligadas ao sócio de fato que se revezaram como sócios, sóciosgerentes e administradores sob a coordenação de Reginaldo da Silva Maia. Os quadros a seguir demonstram as participações societárias dos sócios formais. (...) 3.8. DECISÃO DA JUSTIÇA FEDERALMS. No processo de execução fiscal n2 000316687.2005.403.60003 foi reconhecido judicialmente a existência de grupo econômico e a indisponibilidade de bens para garantia de débitos inscritos em dívida ativa e, cautelarmente, de débitos a serem inscritos, formado pelas empresas agrupadas. Por oportuno citamos, com destaque nosso, assentamentos da peça judicial. "Evidenciada a existência de confusão patrimonial entre as agravadas e de um mesmo poder de controle, que justifica o reconhecimento do grupo econômico e a consequente responsabilidade solidária de seus integrantes pelas obrigações tributárias para com a Previdência Social, merece reparo a decisão agravada." "Notase, ainda, que a partir de 1994, a mencionada sociedade passou por inúmeras alterações no contrato social, na estrutura societária e na constituição do patrimônio (cfr. Docs. 01 e 02), todavia, em todas elas, a administração foi sempre exercida pelos integrantes da mesma família (MAIA)— tal fato levanta robustas suspeitas Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.113 7 de que o objetivo da família era proteger o patrimônio do Grupo Econômico". (Destaque nosso). 3.9. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Registros efetuados na Escrituração Contábil Digital depositada no SPED e documentos de caixa reunidos nos ANEXOS 01 a 07 comprovam pagamentos efetuados pelo Frigorífico Beef Nobre Ltda. de custos, gastos, despesas operacionais e despesas pessoais das pessoas agrupadas. Caminhões registrados em nome da Calderaro Engenharia e Empreendimentos Ltda. são utilizados, sem ônus, pelo sujeito passivo. Veículos de propriedade de pessoas jurídicas são utilizados, fora do expediente, por pessoas físicas, comprovando que os negócios particulares de cada uma das pessoas envolvidas se confundem com os do sujeito passivo, em evidente abuso de personalidade jurídica e desvio de finalidade. Quanto à multa qualificada, a fiscalização entendeu que o sócio JOSÉ ANTÔNIO FERREIRA DE SOUZA apesar de integrar o quadro societário investido na função de sócio administrador, não exerce nenhum controle dos negócios e “não aparenta ter condições econômicas necessárias à sua plena atuação como empresário do segmento do agronegócio ou capacidade técnica para desempenho efetivo da administração da indústria frigorífica”. Desta forma, seu ingresso na sociedade se deu com a finalidade de dissimular e esconder os verdadeiros sócios, ensejando a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% com base no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Também argumentou a qualificação da multa com base no cotejo das informações detalhadas em GFIP com a folha de pagamento da empresa, o que atestaria a prática das hipóteses ensejadoras da punição qualificada, pois o RECORRENTE: 1º) Transmitiu, via conectividade, arquivo da GFIP em conformidade com a Folha de Pagamento, 238 empregados em média. 2º) Em 18/11/2010 transmitiu nova GFIP com 1 empregado apenas, para não gerar inconsistência na expedição de Certidão Negativa, alterando ardilosamente o documento anterior, reduzindo tributo e prejudicando direitos dos segurados quando da requisição de benefícios previdenciários. Agindo assim, não serão emitidas Intimações para Pagamento – IP, pois, no batimento GFIP x GPS o sistema não apurará crédito a exigir. Portanto, a empresa incorreu nas práticas de sonegação, fraude e conluio, previstas nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/1964 Da Impugnação Tomando ciência dos lançamentos entre as datas entre 24/4/2015 e 19/5/2015, conforme o ARs de fls. 699/708 e Editais de Intimação de fls. 702 e 707, a RECORRENTE bem como os responsáveis solidários apresentaram impugnação conjunta de fls. 725/765 em 18/5/2015. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.114 8 “Cientificados dos lançamentos, dentro do prazo legal, a autuada e os responsáveis solidários pelos débitos que compõem este processo apresentam uma única impugnação, aduzindo, EM SÍNTESE, o que se segue. Do lançamento. As impugnantes foram autuadas por deixarem de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração pagas aos prestadores de serviço autônomos, considerados contribuintes individuais, consoantes anexos “A e B” e “C e D”, na forma do art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, acrescida da multa de 30% sobre o valor do débito e juros pelo índice SELIC. O lançamento é improcedente e deve ser decretado nulo de pleno direito. Ofensa ao Princípio da Legalidade Objetiva. Ausência de Tipicidade. Inexistência de obrigação tributária. Discorre fartamente sobre o tema, aduz que a aplicação da Lei não pode extrapassar os efeitos para que foi criada, sob pena de aviltar o seu conteúdo formal, fazendo alcançar fatos inimputáveis; logo, a imposição sob esse escopo é vorazmente nula. O lançamento de ofício negou vigência a todos os princípios constitucionais que norteiam o sistema tributário. Discorre sobre o contido nos Anexos “A a D” – EPAS nºs. 507 0 e 6200, trata exaustivamente do contido no art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91, que a contribuições descritas nos relatórios “A a D”, carecem de legalidade, concluindo ser nula de pleno direito a exigência. Princípio da Eventualidade. Juros de Mora – Inaplicabilidade da Taxa SELIC. Transcreve legislação pertinente, aprofundase na criação da Taxa SELIC, traz o art. 161, § 1º, do CTN, aborda fartamente a questão da aplicação da Taxa SELIC como juros moratórios para as contribuições sociais, concluindo que tal não se reveste de legalidade e constitucionalidade, devendo ser aplicado somente juros de mora à razão de 1% ao mês e atualização monetária por índice oficial que reflita a inflação do período (IPCA). Inexistência de Grupo Econômico de fato. Ausência de responsabilidade solidária. Inaplicabilidade do art. 124 do CTN. Dispõe que a fiscalização concluiu sobre a existência do grupo econômico de fato aplicando as disposições do art. 124, I, do CTN. Os responsáveis solidários não possuem interesse jurídico na situação que deu origem aos fatos geradores lançados, correspondente a exigência da contribuição previdenciária para o FUNRURAL. Reforça que a imputação foi feita por amostragem, porquanto carente de provas. No processo criminal, somente o sócio Reginaldo da Silva Maia foi denunciado, tendo sido liberados os demais solidários, assim como o Ministério Público Federal concluiu que todas as demais pessoas e bens constritados, extraídos do relatório produzido unilateralmente pela RFB não foram suficientes para mantêlas hígidas. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.115 9 Cita e transcreve trechos de doutrinadores e jurisprudências, discorrendo que estas pacificaram o tema, afastando a sujeição passiva de terceiros estabelecidas no art. 124 do CTN, ainda que haja invocação que pertençam a um mesmo grupo econômico, onde o interesse factual ou meramente econômico não autoriza a imputação da responsabilidade solidária. Tanto a solidariedade quanto o grupo econômico não se presumem, sendo que para configuração destes, o interesse jurídico deve estar devidamente evidenciado e comprovado, sob pena de sucumbirse por nulidade absoluta. As presunções contidas no relatório utilizado para desferir a responsabilidade e/ou solidariedade tributária dos impugnantes foram afastadas pelo próprio Ministério Público Federal restando ilegal impor as disposições contidas no art. 124 do CTN. Também não é possível aferir do contexto a real e efetiva causa jurídica de vinculação dos impugnantes frente à empresa autuada, não sendo possível balisarse nas disposições do art. 135 do CTN. A aplicação deste importante instrumento consolidase na sua índole essencialmente na responsabilidade subjetiva. Sem a efetiva comprovação dos respectivos atos, insubsiste a tentativa de imposição de sujeição passiva solidária ademais porque tratase de responsabilidade subsidiária, sendo que na existência de bens em nome do devedor, suficientes para satisfazer o crédito exeqüendo, não há espaço para aplicação do art. 135 do CTN, tal qual se vê no termo de penhora anexo. Transcreve jurisprudência. Aduz ainda que “as datas de criação/fundação das empresas responsabilizadas são díspares; os sócios também; por sua vez, o ramo de atividade desenvolvido não possui quaisquer congruências ou semelhanças para que possam exprimir interesse comum. O entrelaçamento realizado é medida inóspita à ordem jurídica, representando uma pretensão jactanciosa e mendaz, no intuito único de causar prejuízo aos mesmos.” Incontroversa a total ausência de interesse jurídico e/ou comum necessário à sujeição passiva solidária dos impugnantes sobretudo porque no relatório do IPI nº CG 2014003 não há quaisquer outros elementos suficientes para mantêlas no polo passivo da cobrança, inexistindo sequer interesse econômico, restando inaplicáveis as disposições dos artigos 124 e 135 do CTN, devendo ser decretada a nulidade da responsabilização. Requer seja reconhecida a ausência de sujeição passiva em relação às contribuições devidas pelos prestadores de serviços autônomos tipificados no art. 15 c/c art. 30, inciso II, da Lei nº 8.212/91, decretando a nulidade do lançamento diante da ausência de tipicidade legal, afastando a duplicidade de contribuição previdenciária para a mesma fonte arrecadadora. Requer ainda, caso seja vencida a questão suscitada anteriormente, que seja reconhecida a ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC sobre os juros moratórios, determinando a incidência de juros de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.116 10 do CTN, acrescido de atualização monetária pelo índice oficial do IPCA, haja vista que o art. 34 da Lei nº 8.212/91 e art. 13 da Lei nº 9.065/95 encontramse eivados de ilegalidade e inconstitucionalidade. Requer por fim, caso sejam vencidas as questões suscitadas anteriormente, que os demais impugnantes sejam excluídos do lançamento diante da ausência de formação de grupo econômico de fato e inexistência de responsabilidade solidária descrita no art. 124 do CTN. Da Decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP Quando do julgamento do caso, a DRJ em Ribeirão Preto/SP, às fls. 810/826, julgou improcedente as impugnações apresentadas, mantendo integralmente o lançamento através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço e recolher o produto arrecadado. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. SAT / RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, controle ou a administração de um mesmo grupo de pessoas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 e 135, DO CTN. ILICITUDE. COMPROVAÇÃO. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.117 11 Diante de expressa previsão legal, nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN, é cabível a responsabilização solidária de pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador e de administradores ou representantes de pessoas jurídicas pelos créditos tributários decorrentes, uma vez comprovada a prática de condutas ilícitas. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade das normas com plena vigência. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Tem expressa previsão legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No mérito, entendeu que o contribuinte aduziu diversas alegações de violação a princípios constitucionais, que nos termos da súmula nº 2 do CARF e do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 não são óbice a aplicação da legislação. Portanto “não compete à instância administrativa de julgamento manifestar se sobre eventuais violações a princípios constitucionais ou de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais, que não tenham sido retirados do nosso ordenamento jurídico pelos órgãos competentes, observandose que a atuação do fisco restringiuse aos comandos determinados em dispositivos legais vigentes e constantes no REFISC e no anexo FLD dos AIOP. Tal disposição aplicase também à utilização da Taxa Selic conforme abaixo.” Entendeu também pela legalidade da cobrança da taxa Selic, pela legalidade da multa de ofício por expressa previsão legal, bem como pela consolidação do lançamento administrativo da multa qualificada de 150% por ausência de impugnação quanto a este quesito; e pela formação de grupo econômico, visto que a impugnada não apresentou nenhuma documentação e/ou argumento apto para desqualificar as provas documentais apresentadas pela fiscalização. Desta forma, uma vez demonstrado o grupo econômico de fato, as empresas respondem solidariamente pelo débito. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE e responsáveis solidários, intimados da decisão da DRJ entre 16/6/2016 e 21/06/2016, conforme comprovam os ARs de folhas 1001 e 1009, bem como a intimada através do edital nº 12/2016, conforme comprovado pelo termo de fls. 1031, Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.118 12 apresentaram o recurso voluntário de fls. 1033/1064 em 4/7/2016 e protocolou novamente a mesma peça às fls. 1067/1098 em 8/7/2016 (recursos iguais, via física e via digital). Em suas razões de recurso, o RECORRENTE e responsáveis reiteraram os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Em que pese se tratar de um sujeito passivo e de diversos responsáveis tributários, o presente voto analisará a matéria de forma única e contínua, pois foi apresentado apenas um recurso voluntário para todos os sujeitos passivos da obrigação. Da Ofensa ao Princípio da Legalidade Objetiva Sustenta o RECORRENTE que inexiste dever legal de recolher contribuições previdenciárias sobre a remuneração objeto do presente lançamento, pois “correspondem ao pagamento de serviços prestados por terceiros, que trabalham por conta própria, segurados autônomos, notadamente honorários advocatícios, fretes e carretos.” Destacase que o contribuinte não contesta a legalidade da obrigação de recolher a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, tampouco a necessidade de repassar aos cofres públicos os valores por ele recolhidos. Apenas se limita a argumentar, genericamente, de que TODOS os beneficiários listados pela fiscalização são prestadores de serviço autônomos. Não merece prosperar os argumentos dos RECORRENTES. A autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, compilou no Doc. 10 do relatório Fiscal (fls 338 e seguintes) a Planilha de Folha de Pagamento objeto do presente processo. Basta uma análise rápida para inferirse que os cargos ocupados são objetos de relação empregatícia (e não prestação de serviços de terceiros como tenta aduzir a RECORRENTE) são eles: Auxiliar, faxineiro, faturista, telefonista, lombador, balanceiros, oficial, etc. Verificase no relatório fiscal que as conclusões da autoridade são embasadas em uma série de provas documentais, ademais, foi dado por diversas vezes ao contribuinte a Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.119 13 possibilidade de entregar documentos que comprovem que se trata de prestação de serviços de terceiros, em especial o contrato de prestação de serviços advocatícios, a nota fiscal e serviço, dentre outros. Em momento nenhum o contribuinte apresentou um documento sequer para contrapor a vasta dilação probatória produzida pelo fisco. O RECORRENTE se limita a alegações genéricas. Como se sabe, o RECORRENTE arrasta para si o ônus de identificar, em cada um desses documentos apresentados, os dados que lhe forem favoráveis e ao mesmo tempo proceder a uma acurada análise de natureza técnica do conjunto desses dados e, finalmente, cotejar, de maneira circunstanciada, os seus resultados e conclusões para serem avaliados pelos dados trazidos pela Fiscalização. O julgador não pode ser visto como patrono da contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ele. Portanto, se o contribuinte não junta prova capaz de comprovar suas alegações, não cabe ao julgador acatalas. Portanto, deve ser mantido o lançamento de contribuições previdenciárias. Do Grupo Econômico de Fato Também entendo sem razão o contribuinte e os responsáveis solidários quanto ao pedido de não reconhecimento do grupo econômico de fato. No presente lançamento, a autoridade lançadora apresenta diversos argumentos que atestem a existência do grupo econômico e a correlação do RECORRENTE com os fatos geradores objeto de lançamento, acostando diversos documentos no sentido de comprovar a existência de unidade de gestão e direção e o aproveitamento nos resultados. Conforme o relatório de fls. 38/51, assim afirma a autoridade fiscalizadora: 3.2. CONTRIBUIÇÃO DAS PESSOAS ENVOLVIDAS. Impossibilitado de permanecer à frente de seus empreendimentos, após o encerramento das atividades do FRIGORÍFICO CAMPO OESTE — INDÚSTRIA COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.539.662/000122, amplamente noticiada e ainda presente nos meios de comunicação, o modus operandis e o patrimônio amealhado pelo exproprietário do CAMPO OESTE, Reginaldo da Silva Maia, foi transferido às pessoas mencionadas no preâmbulo, as quais, esforçamse no desempenho do papel de proprietários de direito das empresas agrupadas quando em verdade estão sob as ordens do verdadeiro dono. Com efeito, as presenças dos filhos Danielle da Silveira Maia e Rodrigo da Silveira Maia, da exexposa Márcia Cristina Bressan Silveira e da atual companheira Adriana Calderaro à frente das empresas agrupadas, são instrumentos por meio dos quais Reginaldo da Silva Maia exerce seu poder de comando dos negócios e dá seguimento a suas atividades empresariais. 3.2. EXECUÇÃO DE ATIVIDADES PARA FINS COMUNS. No procedimento fiscal apurouse que o Grupo Maia achase Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.120 14 estruturado nos segmentos operacional/industrial e imobiliário/investimentos. Na parte operacional do grupo encontramse o Frigorífico Beef Nobre Ltda. e outros frigoríficos alguns com atividades paralisadas; e, Calderaro Engenharia e Empreendimentos Ltda. (transporte de matérias primas animais para abate e produto acabado carnes industrializadas). No outro segmento estão as incorporadoras e administradoras de bens resultantes das atividades operacionais do grupo, RM Participações e Empreendimentos Ltda. e Meridional Participações Eirelli (atividades imobiliárias e administração de bens). As pessoas físicas arroladas revezamse nos segmentos citados administrando ou recebendo bens do grupo em seus nomes sob o comando de Reginaldo da Silva Maia, contribuindo cada uma das pessoas físicas e jurídicas com seus esforços e até com recursos próprios na consecução de fins comuns. 3.3. APROVEITAMENTO NOS RESULTADOS. Disfarçados em empréstimos, adiantamentos, pagamento de serviços prestados, pagamento de fornecedores, ou de forma explícita em pagamento de custos, gastos e despesas operacionais das pessoas jurídicas; ou, de diversas despesas pessoais dos envolvidos, os resultados obtidos são aproveitados em comum. 3.4. UNICIDADE DE DIREÇÃO E CONTROLE. A contribuição e o esforço de cada uma das pessoas agrupadas — inclusive praticando fraude e simulação — é decisiva para ocultação do verdadeiro dono do Frigorífico Beef Nobre, entretanto, documentos comprobatórios de atos de gestão' confirmam que a disponibilização de móveis, acerto de pagamento de honorários, combinação de depósitos bancários, ordem a exfuncionário para não mais comparecer ao trabalho, acerto para compra de equipamento, tudo passa pelo crivo administrativo e gerencial do real proprietário Reqinaldo da Silva Mala, estando todas as pessoas agrupadas sob sua direção e controle. Em uma mensagem a assessoria jurídica pede ao dono de fato: "... Senhor Reginaldo, ... veja quem o senhor quer que seja o procurador para representar a empresa..." (destacamos). 3.5. QUADROS SOCIETÁRIOS. A administração das empresas agrupadas no período a que corresponde o lançamento tributário, 01/01/2010 a 31//12/2014, foi exercida por familiares e pessoas ligadas ao sócio de fato que se revezaram como sócios, sóciosgerentes e administradores sob a coordenação de Reginaldo da Silva Maia. Os quadros a seguir demonstram as participações societárias dos sócios formais. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.121 15 3.6. PRESTADORES DE SERVIÇ0S E FUNCIONÁRIOS2. Nas práticas administrativas e operacionais o FRIGORIÍFICO BEEF NOBRE tem a “assessoria” do contador João Lemos Sandy, CPF 468.176.62915 em Mato Grosso do Sul; e, as demais empresas agrupadas contam com os serviços do contador Agnaldo José Zamberlan Ossucci, CPF 618.646.09915. Como foi dito no item 2.1, o sócio formal José Antônio Ferreira de Souza, CPF 171.400.99120 foi empregado do sujeito passivo no regime da CLT, no período de 01/02/2010 a 31/01/2011, a partir de 12/2012 consta no banco de dados de trabalhadores informados na GFIP como contribuinte individual (exautônomo Cat 13 e não como empresário Cat 11) vale dizer que este trabalhador foi empregado e atualmente presta serviço a si próprio guindado que foi a “sócio formal”. Situação análoga ocorre com o verdadeiro dono Reginaldo da Silva Maia, a partir de 01/02/2011 quando foi admitido no regime da CLT tornouse empregado da empresa na qual de fato é o dono. 3.7. DECISÕES JUDICIAIS TRABALHISTAS MS. Dignas de notas são as assentadas no despacho proferido pela Justiça Trabalhista no processo 0027500042009.5.24.00763: (...) 3.8. DECISÃO DA JUSTIÇA FEDERALMS. No processo de execução fiscal nº 000316687.2005.403.60003 foi reconhecido judicialmente a existência de grupo econômico e a indisponibilidade de bens para garantia de débitos inscritos em dívida ativa e, cautelarmente, de débitos a serem inscritos, formado pelas empresas agrupadas. Por oportuno citamos, com destaque nosso, assentamentos da peça judicial. "Evidenciada a existência de confusão patrimonial entre as agravadas e de um mesmo poder de controle, que justifica o reconhecimento do grupo econômico e a consequente responsabilidade solidária de seus integrantes pelas obrigações tributárias para com a Previdência Social, merece reparo a decisão agravada." Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.122 16 "Notase, ainda, que a partir de 1994, a mencionada sociedade passou por inúmeras alterações no contrato social, na estrutura societária e na constituição do patrimônio (cfr. Docs. 01 e 02), todavia, em todas elas, a administração foi sempre exercida pelos integrantes da mesma família (MAIA)— tal fato levanta robustas suspeitas de que o objetivo da família era proteger o patrimônio do Grupo Econômico". (Destaque nosso). 3.9. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Registros efetuados na Escrituração Contábil Digital depositada no SPED e documentos de caixa reunidos nos ANEXOS 01 a 07 comprovam pagamentos efetuados pelo Frigorífico Beef Nobre Ltda. de custos, gastos, despesas operacionais e despesas pessoais das pessoas agrupadas. Caminhões registrados em nome da Calderaro Engenharia e Empreendimentos Ltda. são utilizados, sem ônus, pelo sujeito passivo. Veículos de propriedade de pessoas jurídicas são utilizados, fora do expediente, por pessoas físicas, comprovando que os negócios particulares de cada uma das pessoas envolvidas se confundem com os do sujeito passivo, em evidente abuso de personalidade jurídica e desvio de finalidade. Importante salientar que a apuração dos fatos decorre, também, de documentos arrecadados no Mandado de Busca e Apreensão autorizado no processo nº 0010855702014436000, no interesse do Inquérito Policial IPL nº 0218/2013 (000396178.2014.403.6000) da Polícia Federal. Entendo que todos os fatos acima apontados e verificados pela fiscalização convergem para o entendimento de que há um grupo econômico de fato. Tudo começa pela forma com que a RECORRENTE iniciou suas atividades. Conforme relatado, o Frigorífico Campo Oeste (pertencente a Reginaldo da Silva Maia, um dos RECORRENTES solidários) teve as suas atividades encerradas por ação fraudulenta que culminou no não pagamento de tributos, assim como de dívidas perante os fornecedores (conforme noticiado pela imprensa), o que tornou os sócios impossibilitados de permanecerem a frente dos negócios. Em paralelo ao encerramento das atividades do Frigorífico Campo Oeste, em 11/11/2008, a pessoa jurídica Campo Limpo – Comércio de Produtos Alimentícios LTDA. alterou sua razão social para FRIGORÍFICO BEEF NOBRE LTDA. – a RECORRENTE principal (fls. 290/296) e sucedeu ao Frigorífico Campo Oeste nas atividades e no modus operandis. Nesta oportunidade, a Sra. Danielle da Silveira Maia (filha do Sr. Reginaldo da Silva Maia, exsócio do Frigorífico Campo Oeste) passou a ser dona de 100% do capital social do Frigorífico Beef Nobre (fls. 306/308). Contudo, conforme exposto no relatório fiscal, “não há comprovação do efetivo ingresso no caixa da entidade do numerário correspondente à integralização deste capital”. Ademais, há a informação de que a Sra. Danielle da Silveira Maia transferiu metade de suas cotas a José Antônio Ferreira de Souza, que era empregado da RECORRENTE no regime da CLT no período de 01/02/2010 a 31/01/2011 (fls. 309/311). Contudo, também, não há registro de bens ou direitos em nome do sócio ingressante conversíveis no montante do capital social investido. Os fatos acima narrados pela autoridade fiscal convergem para o entendimento de que tais participações societárias são fictícias e não ocorreram de fato. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.123 17 A fiscalização apurou também que a RECORRENTE é a parte operacional de um grupo de diversas empresas (RM PARTICIPAÇÕES LTDA., MERIDIONAL PARTICIPAÇÕES EIRELLI e CALDERARO ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA.) e demonstra também como as citadas empresas e pessoas físicas envolvidas se beneficiaram das atividades operacionais da RECORRENTE, haja vista que as execuções das atividades eram voltadas para fins comum de todos os envolvidos, de forma que os resultados obtidos eram, também, aproveitados em comum por todos. Conforme item 3.3, os aproveitamentos nos resultados eram “disfarçados em empréstimos, adiantamentos, pagamento de serviços prestados, pagamento de fornecedores, ou de forma explícita em pagamento de custos, gastos e despesas operacionais das pessoas jurídicas; ou, de diversas despesas pessoais dos envolvidos”, o que denota o aproveitamento comum. Ademais, de acordo com o item 3.4 do Relatório Fiscal, quem operava o grupo era o Sr. Reginaldo da Silva Maia, que atuava como verdadeiro dono da RECORRENTE, praticando atos de gestão como disponibilização de móveis, acerto de pagamento de honorários, combinação de depósitos bancários, ordem a exfuncionário para não mais comparecer ao trabalho, acerto para compra de equipamento, conforme documentos de fls. 227/237. E, no período fiscalizado, os indivíduos à frente das empresas solidárias eram pessoas da família (filhos, companheira, exesposa) ou ligadas ao Sr. Reginaldo da Silva Maia, conforme demonstram os quadros societários de fls. 43/44. A confusão patrimonial entre a RECORRENTE, as demais empresas do grupo e as pessoas físicas envolvidas fica evidente quando a fiscalização constata, mediante análise da Escrituração Contábil Digital e de documentos diversos (acostados às fls. 55/226), que a RECORRENTE efetuava pagamentos de custos e despesas pertencentes às empresas e pessoas físicas agrupadas. No que diz respeito à RM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA., a autoridade fiscal acostou documentos comprovam o pagamento, pela RECORRENTE, de diversas despesas da mencionada responsável solidária (custas trabalhistas, despesas com IPVA e DAEs do Estado do MS, combustível, compra de materiais elétricos, DARF, depósitos judicial e de oficiais de justiça, DARESP, etc.), conforme documentos de fls.55 e 62/74. Ademais, a RM PARTICIPAÇÕES é quem arrenda para a RECORRENTE as instalações frigoríficas de 8.200m² edificada sobre o terreno de 36ha pelo valor mensal de R$ 15.000,00, conforme contrato particular de fls. 56/61, o que demonstra ser bem inferior ao preço de mercado. Tal situação foi, inclusive, destacada pela Justiça do Trabalho, no processo nº 002750004.2009.5.24.0076, como uma constatação de que a RM PARTICIPAÇÕES LTDA se presta “apenas a ocultar o patrimônio do Grupo Maia, cujo ramo econômico se confunde com a finalidade industrial do complexo frigorífico em questão”, na medida em que é irrazoável “que quem constrói ou adquire um complexo industrial frigorífico de tal porte (valor estimado de R$ 15.000.000,00 a R$ 20.000.000,00 (...)) possa ter meramente a intenção de praticar a atividade de locação em lugar da natural prática da atividade a que se destina o empreendimento”. O excerto do processo trabalhista foi acostado às fls. 247/255. Em relação à MERIDIONAL PARTICIPAÇÕES EIRELLI, a fiscalização acostou às fls. 75/83 registros contábeis de pagamentos, feitos pela RECORRENTE, de despesas tributárias (ITR) da MERIDIONAL, além de empréstimos da ordem de R$ Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.124 18 5.649.643,00. Apresentou também documentos que atestam pagamentos feitos pela RECORRENTE de despesas tributárias (GPS) da MERIDIONAL. No que diz respeito à CALDERARO ENGENHARIA E EMPREENDIEMTNOS LTDA., a autoridade lançadora verificou que diversos veículos automotores registrados em nome dessa empresa (caminhões frigoríficos, carros de passeio, caminhões boiadeiros, etc.) são cedidos, sem ônus, para uso da RECORRENTE. Também acostou documentos que atestam o pagamento de consórcios, energia elétrica, peças e serviços, financiamentos e diversos outros boletos bancários, todos de obrigação da CALDERARO, sendo que foram pagos pela RECORRENTE (fls. 84/113). Quanto ao Sr. Reginaldo da Silva Maia, conforme já descrito, houve a constatação de que ele é o sócio de fato e que pratica os atos de gestão da RECORRENTE (fls. 227/237). A fiscalização juntou, também, cópias de documentos que comprovam o pagamento pelo RECORRENTE de despesas pessoais do Sr. Reginaldo, como: despesas com veículos, plano UNIMED, contas de telefone e água, despesas de voo, consórcios, boletos diversos, além do adiantamento de R$ 644.412,00 e do empréstimo de R$ 1.013.005,00 (fls. 114/170). Foi acostada escrituração contábil comprovando que, no período de 14/07/2011 a 24/12/2012, a RECORRENTE pagou à Sra. Adriana Calderaro o valor total de R$ 259.916,59 lançados nas mais diversas contas contábeis (despesas diversas, fornecedores diversos, telefone e internet, etc.) sendo que a contrapartida dos pagamentos eram sempre as mesmas contas bancárias destinadas aos pagamentos de “salários” do Sr. Reginaldo da Silva Maia (contas conjuntas). Anexou, também, diversos documentos comprovando o pagamento, por parte da RECORRENTE, de despesas pessoais da Sra. Adriana através de: depósitos e transferências bancárias, quitação de boletos e faturas de despesas pessoais, pagamentos de financiamentos, investimentos imobiliários, TED/DOC diversos, totalizando R$ 1.161.852,92 no período de 05/09/2011 a 31/12/2013 (fls. 171/212). Acostouse documentação em que se verifica o pagamento, pela RECORRENTE, de despesas pessoais do responsável solidário Sr. Rodrigo da Silveira Maia, que, inclusive, é pessoa estranha ao quadro societário da empresa RECORRENTE, além de diversas transferências bancárias (fls. 213/222). Por fim, a fiscalização verificou que 03 meses após o início do procedimento fiscal foram registrados 44 imóveis em nome da Sra. Marcia Cristina Bressan Silveira, sendo que 37 deles foram registrados unicamente no dia 24/10/2012 (fls. 262/263). Ademais, acostou documentos comprovando que a empresa RECORRENTE pagou despesas pessoais da Sra. Marcia, como boletos do Condomínio do Edf. Vanguarda, IPTU, depósitos bancários (fls. 223/226). Os fatos acima demonstram uma clara confusão patrimonial envolvendo a empresa RECORRENTE e os mencionados responsáveis solidários, além de um mesmo poder de controle, o que representa a existência de um grupo econômico de fato. Ademais, conforme bem observado pela autoridade fiscal, a 6ª Vara Federal da Seção de Mato Grosso do Sul, nos autos da execução fiscal nº 000316687.2005.4.03.6000, reconheceu a existência do grupo econômico de fato entre as empresas ora incluídas como responsáveis solidárias no presente lançamento, ocasião em que constatou que o objetivo da família era proteger o patrimônio do grupo econômico (fls. 256/261). Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.125 19 Importante salientar que, ao contrário das demais pessoas físicas incluídas como responsáveis na presente demanda, o Sr. Reginaldo da Silva Maia não faz parte formalmente de nenhuma das empresas que compõe o grupo Maia. Contudo, tal fato não é empecilho para a responsabilização solidária do Sr. Reginaldo, haja vista que, conforme já demonstrado, o mesmo era o gestor de fato da empresa RECORRENTE, conforme documentos de fls. 227/237. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao incluir Sr. Reginaldo da Silva Maia como responsável solidário desta autuação, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, pois o mesmo possui nítido interesse comum nos negócios da RECORRENTE. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) Nos termos do art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em relação aos débitos de natureza previdenciária, caso dos presentes autos, o art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 dispõe o seguinte: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10140.720600/201531 Acórdão n.º 2201004.583 S2C2T1 Fl. 1.126 20 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Neste sentido, por todo o acima exposto, entendo que resta comprovada a existência do grupo econômico conforme descrito no Relatório Fiscal, na medida que a fiscalização apontou de qual forma os responsáveis solidários praticaram atos de interesse comum com a empresa RECORRENTE, se beneficiando da situação ensejadora do lançamento. Portanto, entendo que não há motivo que justifique qualquer alteração a ser feita no polo passivo solidário desta autuação. Da Taxa Selic O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção do crédito tributária pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.720758/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 23/10/2009 a 13/11/2012
OCULTAÇÃO. ENCOMENDANTE. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INADEQUAÇÃO DA SANÇÃO.
A insuficiência de provas para a configuração da infração de ocultação do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões.
Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeita-se a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerando-se essa parte do lançamento.
PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, assim a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondo-se a exoneração da exigência dos impostos correspondente.
REDUÇÃO. ALÍQUOTA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMPORTAÇÃO.
A redução da alíquota do PIS e da COFINS incidentes na importação de papel está condicionada ao atendimento das prescrições legais, o que no caso é retratado pela necessidade de comprovação de que o importador é representante da fábrica estrangeira de papel.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO CAPAZ DE DETERMINAR TAL RESPONSABILIZAÇÃO.
A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado.
Recurso Voluntário provido em parte
Crédito tributário mantido em parte
Numero da decisão: 3402-005.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em julgar os Recursos Voluntários da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário da empresa Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda. para cancelar as exigências contra ela autuadas; (b) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da empresa Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda., para qual deverá ser mantida a exigência do PIS-Importação e da Cofins-importação retratadas nas DI's números 91/5362346001; 91/57006657001, 91/5706657002, 91/7265879001, 91/7632588001, 91/7632588002, 10/04431971001, 11/03070888001, 11/05192735001, 11/0538772201, 11/06945141001, 11/0694514002, 11/10223910001, 11/10223910002, 11/10722321001, 11/10722321002; 11/11/11043908001, 12/17560884001, 12/20021239001, 12/20021239002, 12/16070301001 e 12/20142214001. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowiks, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral ao recurso. Em relação ao valor remanescente, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso quanto a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowiks, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento neste ponto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 5.969 1 5.968 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.720758/201401 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.378 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria Interposição fraudulenta Recorrente PLEXPEL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PAPEL LTDA ME e outro Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/10/2009 a 13/11/2012 OCULTAÇÃO. ENCOMENDANTE. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INADEQUAÇÃO DA SANÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração de ocultação do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões. Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeitase a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerandose essa parte do lançamento. PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, assim a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondose a exoneração da exigência dos impostos correspondente. REDUÇÃO. ALÍQUOTA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMPORTAÇÃO. A redução da alíquota do PIS e da COFINS incidentes na importação de papel está condicionada ao atendimento das prescrições legais, o que no caso é retratado pela necessidade de comprovação de que o importador é representante da fábrica estrangeira de papel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 07 58 /2 01 4- 01 Fl. 5969DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO CAPAZ DE DETERMINAR TAL RESPONSABILIZAÇÃO. A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado. Recurso Voluntário provido em parte Crédito tributário mantido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar os Recursos Voluntários da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário da empresa Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda. para cancelar as exigências contra ela autuadas; (b) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da empresa Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda., para qual deverá ser mantida a exigência do PISImportação e da Cofinsimportação retratadas nas DI's números 91/5362346001; 91/57006657001, 91/5706657002, 91/7265879001, 91/7632588001, 91/7632588002, 10/04431971001, 11/03070888001, 11/05192735001, 11/0538772201, 11/06945141001, 11/0694514002, 11/10223910001, 11/10223910002, 11/10722321001, 11/10722321002; 11/11/11043908001, 12/17560884001, 12/20021239001, 12/20021239002, 12/16070301001 e 12/20142214001. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowiks, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral ao recurso. Em relação ao valor remanescente, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso quanto a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowiks, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento neste ponto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.970 3 1. Por bem retratar o caso, adoto como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 0837.338 (fls. 5.609/5.669), proferido pela DRJ de Fortaleza/CE, o que passo a fazer nos seguintes termos: Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativos à cobrança do Imposto de Importação II (R$ 1.544.041,73), do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (R$ 702.742,74), da contribuição para o PIS/PASEP/Importação (R$ 211.290,16), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins/Importação (R$ 1.005.154,51), acrescidos de multa proporcional e juros, e da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (R$ 6.139.256,34), conforme previsto no art. 23, inciso V e § 3º, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010, em desfavor de PLEXPEL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PAPEL LTDA ME (PLEXPEL) e FATOR DOIS COMÉRCIO DE PAPÉIS COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA (FATOR DOIS). Tais lançamentos ocorreram em sede de fiscalização aduaneira de zona secundária, relativa às DI descritas no auto de infração, registradas pela empresa FATOR DOIS, decorrente da instauração de procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na Instrução Normativa (IN) SRF n° 228, de 21 de outubro de 2002, conforme Relatório de Fiscalização, anexo ao Auto de Infração. No período coberto pelo MPF, a autuada FATOR DOIS, segundo a fiscalização, registrou importações de papel na modalidade direta, nas quais ocultou o encomendante predeterminado das mercadorias, a PLEXPEL, sendo que tal ocultação acarretou também o não reconhecimento da imunidade de impostos e da redução das alíquotas das contribuições sociais para o PIS e Cofins nas importações de papel imune, conforme detalhado no Termo de Constatação nº 02. Nesse mesmo Termo, assinala a fiscalização que: (...). 2. Uma vez notificados acerca da exigência fiscal e aduaneira aqui retratada, os contribuintes apresentaram suas respectivas impugnações as fls. 3.741/3.776 (Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda.) e 5.147/5.175 (Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda.), as quais foram julgadas improcedentes pelo acórdão sobredito, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/10/2009 a 13/11/2012 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia, quando esta providência revelarse prescindível para instrução e julgamento do processo. Fl. 5971DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, permitindo o direito de defesa, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. A ampla defesa e o contraditório só se fazem imprescindíveis após a instauração do processo administrativo fiscal de exigência. Antes disso, durante a fiscalização, procedimento inquisitório, não se pode falar em cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/10/2009 a 13/11/2012 OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA. A operação de comércio exterior realizada para comprador predeterminado, sem que haja a sua indicação na declaração de importação, caracteriza a ocultação do verdadeiro adquirente. PAPEL IMUNE. ADQUIRENTE COM REGISTRO ESPECIAL. SIMULAÇÃO DE VENDA. DESVIO DE FINALIDADE. A importação de papel com imunidade tributária e sua revenda para empresa com Registro Especial não é condição suficiente para afastar a responsabilização do importador pelo desvio de finalidade. Verificada a revenda para terceira empresa, com a utilização de simulação do negócio jurídico, fica comprovado o desvio do papel, por falta de observância da correta utilização do produto na finalidade constitucionalmente prevista, ensejando a cobrança dos tributos e contribuições que deixaram de ser recolhidos e consectários legais. IMPORTAÇÃO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Quando apurada a falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, fica caracterizado o dano ao Erário impondo a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. OCULTAÇÃO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.971 5 solidariamente pelo crédito tributário decorrente. É responsável solidário o terceiro oculto, destinatário final de mercadorias importadas mediante esquema fraudulento, conforme dicção do artigo 124, inciso I, do CTN e artigo 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic está em conformidade com o disposto na legislação de regência. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 23/10/2009 a 13/11/2012 COFINSIMPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. PAPEL PARA IMPRESSÃO DE JORNAIS E PERIÓDICOS. REPRESENTAÇÃO DA FÁBRICA ESTRANGEIRA. NÃO COMPROVAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. PERDA DA REDUÇÃO. A redução da alíquota da COFINSImportação e da Contribuição para o PIS/PASEPImportação, incidentes sobre a importação de papel destinado à impressão de jornais e dos papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, da TIPI, destinados à impressão de periódicos, está condicionada à comprovação, pelo importador, da condição de representante da fábrica estrangeira de papel no país. Havendo ocultação do real importador, e verificandose ausência de prova de representação por parte deste, descabe a redução. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Devidamente intimados, os contribuintes apresentaram seus respectivos recursos voluntários as fls. 5.693/5.718 (Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda.) e 5.804/5.828 (Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda.). 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Os recursos voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. Fl. 5973DF CARF MF 6 I. As circunstâncias fáticas que gravitam em torno do caso decidendo 6. Em primeiro lugar, para o devido julgamento do caso é indispensável um maior detalhamento dos fatos aqui tratados. 7. Conforme se observa dos autos, os lançamentos aqui debatidos ocorrerem em sede de fiscalização aduaneira de zona secundária, relativa às DI's descritas no auto de infração e registradas pela empresa Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda. ("Fator Dois"). Tal fiscalização, por sua vez, decorreu da instauração de procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, conforme Relatório de Fiscalização (fls. 162 a 197), anexo ao Auto de Infração (fls. 02 a 161). 8. Segundo a acusação, no período fiscalizado (outubro de 2009 a novembro de 2012), a empresa Fator Dois registrou importações de papel na modalidade direta ocultando o real encomendante de tais bens, a empresa Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda. ("Plexpel"). Ainda segundo a imputação fiscal, tal interposição teria sido provada, enquadrandose no art. 23, inciso V, §§1o e 3o do Decretolei n. 1.455/761. 9. Por sua vez, como a empresa importadora Fator Dois possuía regime especial para a importação de papel imune, a acusação que lhe fora imputada também redundou na exigência dos valores devidos a título de II e IPIimportação para as DI's autuadas, bem como o PISimportação e a COFINSimportação originalmente incidentes com alíquota zero (art. 4o do Decreto 5.171/04). 10. Tais exigências também foram solidariamente impostas em prejuízo da empresa Plexpel, na qualidade de real adquirente das mercadorias importadas, conforme se observa do termo de constatação n. 02 (fl. 195), conjugado com o termo de sujeição passiva solidária (fl. 3.510). A responsabilização da exigência aduaneira amparouse no art. 106, incisos III e IV, c.c. o prescrito no art. 674, inciso VI, todos do Decreto n. 6.759/09. Por sua vez, a responsabilização decorrente da exigência dos tributos fundouse no art. 124, inciso I do CTN. 11. De forma sucinta, este é o cenário fáticojurídico que gravita em torno do caso em julgamento. II. Da suposta ausência de motivação do ato administrativo e pretenso cerceamento de defesa em prejuízo da recorrente Plexpel 12. Preliminarmente, a recorrente Plexpel alega que sua responsabilização estaria amparada em ato administrativo eivado de nulidade, uma vez que carente de motivação, o que também implicaria cerceamento de sua defesa. 1 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)." Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.972 7 13. Segundo a recorrente tal ato administrativo seria carente de motivação uma vez que, durante todo o procedimento fiscalizatório, não foi chamada uma vez sequer para apresentar documentos ou prestar informações a respeito dos fatos investigados, o que, por seu turno, também redundaria no já mencionado cerceamento de defesa. 14. Ainda que a recorrente discorde do conteúdo do lançamento perpetrado pela fiscalização, não há que se falar em carência de motivação. Ao longo das mais de 30 páginas do termo de constatação n. 02 (fls. 162/197), inclusive do específico tópico da responsabilização solidária da empresa Plexpel, é possível constatar que a fiscalização motivou a presente exigência fiscal de forma clara e congruente, indicando, detalhadamente, todas as circunstâncias fáticojurídicas para esse fim. 15. Ademais, ainda que se admita um contraditório mínimo na fase procedimental que antecede o lançamento propriamente dito, o que, digase de passagem, já defendi neste tribunal em outras oportunidades2, não há, no presente caso em julgamento, ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Isso porque todos as provas apresentadas pela fiscalização como esteio da presente exigência são provas documentais, i.e., de caráter estático e, portanto, previamente produzidas sem a possibilidade de qualquer ingerência por parte da recorrente. 15. Assim, uma vez dada a oportunidade do recorrente manifestarse substancialmente a respeito de tais documentos já na fase processual, i.e., após a apresentação de impugnação, como de fato ocorreu no caso decidendo, está garantido o devido processo legal no plano concreto. 16. Tratase, por fim, de convocar a ratio decidendi extraída dos precedentes que deram origem à súmula CARF n. 463. Tendo a fiscalização previamente os elementos de provas suficientes para a exigência fiscal e, ainda, sendo tais provas de caráter estático, não há que se falar em ofensa ao devido processo legal por parte da autuação correlata que, sem ouvir o contribuinte na fase procedimental, imputalhe qualquer tipo de exigência. 17. Nesse sentido, afasto a preliminar aventada pela recorrente Plexpel. II. A acusação de interposição fraudulenta e o suposto desvio de finalidade do papel imune 18. No mérito, os contribuintes se insurgem contra a acusação de interposição fraudulenta desenvolvida pela fiscalização. Para alcançar alguma conclusão a respeito deste ponto, mister se faz retomar quais foram os elementos de prova que embasaram a exigência fiscal, ou seja, é fundamental retomar o termo de acusação fiscal n. 02. 19. Pois bem. Da leitura do aludido termo é possível observar que o principal elemento de prova desenvolvido pela fiscalização para sustentar a presente exigência é o curto espaço de tempo entre o desembaraço das mercadorias importadas pela empresa Fator Dois e a sua posterior revenda, já no mercado interno, para a empresa Plexpel. Somase a esta suposta prova o fato da empresa Fator Dois não possuir capacidade para estocagem dos produtos por 2 Conforme se observa, "v.g.", do voto por mim declarado no âmbito do acórdão n. 3402002.869. 3 "Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." Fl. 5975DF CARF MF 8 ela importados e, consequentemente, do próprio porto já remetêlas ao pretenso adquirente oculto. É o que se observa, por exemplo, do seguinte trecho do sobredito documento fiscal: (...). (...). 20. Segundo a fiscalização, entre o desembaraço e a remessa para a empresa Plexpel transcorria um prazo que variava em torno de 03 dias, o que de fato é verdade. A questão, entretanto, que deve ser respondida é: comercialmente falando, a aquisição do bem importado por parte da empresa Fator Dois e, consequentemente, a possibilidade desta comercialmente negociar os bens importados, de fato só ocorre no ato do desembaraço? Para responder tal questão convém analisar mais detidamente, ainda que por amostragem, o documento 1.3.1 do eprocesso (fls. 257/398), expressamente destacado pelo fiscal no termo de constatação n. 02 (fl. 179). 21. Conforme se observa do registro de importação acostado a fl. 257, os bens importados e retratados na DI n. 09/14690692 foram registrados em 23/10/09 e, por estarem sujeitos ao canal vermelho de conferência aduaneira, desembaraçados em 03 de novembro de 2009 (fl. 257). Ato contínuo, tais bens foram transportados ao adquirente no mercado interno em 04/11/09, conforme atesta CTRC de fl. 280. Há, portanto, apenas 01 dia entre o desembaraço da mercadoria e a sua remessa para o adquirente no mercado interno, sendo este exíguo prazo, sob a ótica fiscal, seria a pretensa prova da existência de um encomendante predeterminado. 22. Antes, todavia, de tomar qualquer conclusão precipitada com base apenas nestes dados pinçados pela fiscalização, mister se faz aprofundar na análise da específica importação sobredita, ventilando todos os fatos que cercaram tal operação. Nesse sentido, destaquese que os bens retratados na DI n. 09/14690692 foram embarcados no exterior em 07 de setembro de 2009 (fls. 270/271), sendo objeto de contrato de câmbio liquidado nesta mesma data, conforme atesta documento de fls. 274/278. Isto é, entre o pagamento do bem importado pela empresa Fator Dois e o conhecimento do embarque da mercadoria para o Brasil (07/09/2009) e sua efetiva remessa ao adquirente no país (04/11/2009), transcorreu prazo não de 01 dia, mas de quase 60 dias. Diante deste cenário, perguntase: não é crível que após o conhecimento do embarque da mercadoria importada a empresa Fator Dois já comece a negociar tal carga com adquirentes no país, evitando, por conseguinte, arcar com o custo para a manutenção de um espaço físico para a estocagem de tais bens, bem como o custo com o frete do porto para o seu estoque e então para o adquirente no mercado interno? 23. O que a análise detalhada de todos os dados que cercam a importação sobredita deixa claro é que o prazo para a negociação comercial do bem importado é muito superior ao prazo médio de 03 dias indevidamente apontado pela fiscalização. Registrese, ainda, que a dinâmica acima retratada se repete para todas as demais DI's compreendidas na Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.973 9 autuação em comento, o que liquida o pretenso fundamento invocado na autuação para sustentar a pretensa interposição fraudulenta. 24. Outro ponto ventilado pela fiscalização é no sentido de que a empresa Fator Dois não possui armazém próprio para estocar os bens por ela importados e que tais bens são diretamente remetidos do porto ao adquirente no mercado interno, algumas vezes no próprio container que chega do exterior, o que também serviria como elemento de prova para atestar a suposta fraude. É o que se depreende, por exemplo, do seguinte trecho da manifestação fiscal: (...). (...). 25. Tal conclusão parte do equivocado entendimento quanto a existência de um encomendante prévio, entendimento este repitase aparentemente conformado apenas por conta do "curto" prazo existente entre o desembaraço da mercadoria e sua revenda no mercado interno. Como desenvolvido alhures, essa alegação temporal já está rechaçada por este voto, uma vez que não condiz com a realidade fática do caso. Todavia, ainda que se admita como verdadeira a assertiva fiscal, convém indagar: o importador no Brasil é obrigado a ter um espaço para estocagem dos bens por ele importados ou, quando muito, é obrigado a estocar tais bens, ainda que mediante a contratação de um prestador de serviço? Ademais, o importador está impedido de remeter a mercadoria importada diretamente do entreposto aduaneiro para o adquirente no mercado interno? Todas as respostas para tais questionamentos são negativas, até porque, admitir tese em contrário, é contraporse ao disposto no art. 39, inciso II da lei n. 5.025/66, in verbis: Art. 39. As mercadorias importadas e depositadas em armazéns gerais alfandegados poderão ser mantidas em depósitos durante o prazo a ser estabelecido em Regulamento. Parágrafo único. Dentro do prazo referido neste artigo, as mercadorias importadas poderão: (...). I Ser devolvidas ao país de origem ou ali reexportadas para o exterior, total ou parcialmente, de uma só vez ou em lotes ou Fl. 5977DF CARF MF 10 parcelas, independentemente de tributos, provada, entretanto, no ato, a sua correspondência com os documentos de embarque, conforme dispuser o Regulamento. 26. No mesmo diapasão era o que dispunha o RIPI/2002, vigente à época dos fatos: Art. 421. No caso de produtos que, sem entrar no estabelecimento do importador ou licitante, sejam por estes remetidos a um ou mais estabelecimentos de terceiros, o estabelecimento importador ou licitante emitirá: I nota fiscal relativa a entrada, para o total das mercadorias importadas ou licitadas; e II nota fiscal, relativamente à parte das mercadorias enviadas a cada estabelecimento de terceiros, fazendo constar da aludida Nota, além da declaração prevista no inciso VII do art. 341, o número, série, se houver, e data da nota fiscal referida no inciso I. 27. Não obstante, embora destaque a atuação da Plexpel como a principal cliente da Fator Dois, a própria fiscalização reconhece que a importadora possuía outros clientes para quem regularmente efetuava a venda de papéis importados. É o que se observa do seguinte trecho do termo de constatação n. 02: (...). (...). (...). 28. Conforme atesta a própria fiscalização, no período em comento a Fator Dois efetuou vendas para 17 empresas diferentes, o que demonstra que a recorrente Fator Dois não se tratava de uma empresa destinada a ocultar uma específica pessoa jurídica no país. 29. Outro ponto destacado pela fiscalização e que também merece ser rechaçado diz respeito ao "reduzido percentual de resultado bruto declarado" pela empresa Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.974 11 Fator Dois, o que também seria prova da fraude. Vejamos o que diz a fiscalização a esse respeito: (...). (...). 30. Segundo se observa dos trechos alhures destacados, a fiscalização relata com uma aparente estranheza o fato de uma empresa possuir um lucro bruto de aproximadamente 20% e cujo lucro líquido, em alguns períodos, chegou a aproximadamente 15%, como ocorrido, v.g., no terceiro trimestre de 2012. Data venia, a fiscalização parece desconhecer a realidade empresarial do país. Com exceção de alguns específicos e escassos nichos empresariais (como bancos e empresas automotivas), um lucro líquido de quase 15% é algo positivamente incomum, o que atesta que a operação perpetrada pela empresa Fator Dois no período fiscalizado tinha um promissor propósito financeiro, gerando lucros, o que só atesta a legitimidade de tais importações e não o contrário. 31. Aliás, ainda nessa toada, assim se manifesta a fiscalização: (...). Fl. 5979DF CARF MF 12 (...). 32. A fiscalização parte do pressuposto que o valor cobrado a maior da empresa Plexpel seria mais um indício da fraude aqui tratada, enquanto em verdade é exatamente o contrário. Ora, se a empresa Fator Dois de fato estivesse apenas acobertando a adquirente no mercado interno, o valor da venda das mercadorias importadas tenderia a diminuir, já que o risco empresarial da importadora também diminuiria, uma vez que o custo e o risco da operação "simulada" ficaria sob responsabilidade da real adquirente, i.e., a empresa Plexpel. 33. Mas não é só. A própria fiscalização tem a resposta para o motivo dessa diferença na precificação do bem importado: (...). (...). 34. A singela discrepância quanto ao preço praticado decorre da diferença na condição de pagamento, sendo que, para algumas operações perpetradas entre a Fator Dois e a Plexpel, o pagamento ocorreu em 21 parcelas. Aliás, se há uma característica das operações realizadas entre as recorrentes e que rechaça a figura da ocultação é exatamente a venda parcelada dos bens importados, afinal, neste tipo de fraude o que acontece é exatamente o contrário, ou seja, o importador de direito recebe antecipadamente valores para arcar com a operação realizada em benefício do adquirente de fato, o que, inclusive, justifica o importador a praticar um preço abaixo do mercado quando comparadas com operações análogas e não simuladas. 35. Por fim, não há nos autos qualquer prova de uma negociação direta entre a empresa Plexpel e as empresas exportadoras, o que também é um comportamento típico em Fl. 5980DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.975 13 operações que de fato se enquadram na condição de interposição fraudulenta, o que só reforça que as importações aqui tratadas decorrem de um negócio jurídico lídimo. 36. Assim, diante deste cenário fático, resta claro que a acusação aqui direcionada contra as recorrentes não se sustenta no âmbito fáticoprobatório. Como consequência, a exigência correlata, i.e., dos tributos incidentes em tais operações de importação (II, IPI, PIS e COFINS), também perdem a sua sustentação, já que só se manteriam na remota hipótese de se admitir como fraudulenta as importações fiscalizadas, o que implicaria concluir que tais operações foram de fato perpetradas por uma empresa (Plexpel) que não era dotada do regime especial para a importação de papel imune, regime este inequivocadamente detido pela empresa Fator Dois. 37. Aliás, em caso análogo ao aqui tratado, em que também envolvia importação de papel imune pela Fator Dois, mas em "benefício" de outro suposto ocultado (Contemp Comércio de Papéis Ltda.), esta turma julgadora, por intermédio do acórdão n. 3402004.151, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, também afastou, por unanimidade de votos, a conclusão indevidamente alcançada pela fiscalização de que na operação ali tratada teria ocorrido interposição fraudulenta. É o que se depreende do teor da precisa ementa do citado acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 OCULTAÇÃO. ENCOMENDANTE. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INADEQUAÇÃO DA SANÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração de ocultação do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões. Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeitase a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerandose essa parte do lançamento. PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, assim a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondose a exoneração da exigência dos impostos correspondente. Fl. 5981DF CARF MF 14 REDUÇÃO. ALÍQUOTA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMPORTAÇÃO. A redução da alíquota de PIS/Pasepimportação e de Cofins importação na importação de papel está condicionada ao atendimento das prescrições legais e do regulamento, no caso, a necessidade de comprovação de que o importador é representante da fábrica estrangeira de papel. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário provido em parte. 38. Da leitura do relatório do sobredito acórdão é possível constatar que, apesar de operações de importações distintas, as acusações lá desenvolvidas são muito próximas das que foram realizadas no presente caso. 39. Nesse sentido, encaminho o meu voto para afastar a exigência aduaneira aqui tratada (pena de perdimento convertida em multa), bem como as exigências tributárias correlatas (II, IPI, PISimportação e COFINSimportação). 40. Ressaltese, entretanto, que para o PISimportação e para a COFINS importação de algumas específicas DI's, a exigência tributária também apresenta outro fundamento autônomo, qual seja, o fato do importador não ser à época dos fatos o representante no Brasil da fábrica estrangeira de papel, questão essa que será analisada no tópico imediatamente subsequente do presente voto. III. A exigência de contribuições sobre o papel importado pela inexistência do preenchimento de um dos requisitos para o gozo da redução de alíquotas 41. Não obstante, conforme se observa do reiteradamente citado termo de constatação n. 02, parte das DI's fiscalizadas e que foram objeto de autuação de PIS importação e COFINSimportação tiveram tais exações exigidas com base em fundamento autônomo. Segundo a fiscalização, para algumas DI's em específico, além da suposta interposição fraudulenta alhures refutada, a redução da alíquota das contribuições em análise para zero também seria indevida, uma vez que a recorrente Fator Dois não teria feito prova da representação comercial do fabricante estrangeiro no país. Este é o caso das seguintes operações fiscalizadas: Fl. 5982DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.976 15 42. Tal questão não é nova para esse colegiado, o qual enfrentou este tema no âmbito do processo n. 19647.005217/200802, de relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Naquela oportunidade compartilhei da posição vencida que fora desenvolvida pela Relatora nos seguintes termos: (...). Haja vista que a imunidade referente ao papel restringese aos impostos (artigo 150, inciso VI, alínea "d" da Constituição), a legislação ordinária criadora do PISimportação e Cofins importação (Lei n. 10.865/2004), dando cumprimento ao valor constitucional de incentivo à cultura, informação e educação, determinou a redução de alíquotas nas operações de importação de papel. Vejamos o seu texto: Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: (...) Fl. 5983DF CARF MF 16 § 10. Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d, da Constituição Federal, ressalvados os referidos no inciso IV do § 12 deste artigo, quando destinado à impressão de periódicos, as alíquotas são de: I 0,8% (oito décimos por cento), para a contribuição para o PIS/PasepImportação; e II 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento), para a Cofins Importação. (...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (...) IV – papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno; A Recorrente utilizou, em suas operações de importação para as mercadorias classificadas no código NCM 4810.19.90, o beneficio explicitado no artigo 8º, §10°, incisos I e II da Lei n° 10.865/2004 (chamemos de "redução de alíquota para papel destinado a periódicos"). Já para as mercadorias classificadas no NCM 4810.19.89, utilizou o beneficio explicitado no artigo 8º, § 12°, inciso IV da Lei n° 10.865/2004 (doravante designada como "alíquota zero para NCMs específicos"). Ocorre que o Decreto n. 5.171/04 foi editado para regulamentar os citados §§ 10 e 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/04, e, ao fazê lo, trouxe como condição determinante para o direito à fruição do benefício, que a empresa importadora seja representante de fábrica estrangeira do papel, para venda das mercadorias importadas exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas. Vejamos seu conteúdo: Decreto n.º 5.171, de 2004 Art. 1º Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição, ressalvado o disposto no art. 4º deste Decreto, quando destinado à impressão de periódicos, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINSImportação são de: I 0,8%, para a Contribuição para o PIS/PASEP Importação; e II 3,2%, para a COFINSImportação. Fl. 5984DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.977 17 § 1º O disposto no caput aplicase somente às importações realizadas por: I pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas; e II empresa estabelecida no País como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas no inciso I. (...) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação nas operações de importação de: (…) IV papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos, até 30 de abril de 2008, ou até que a produção nacional atenda oitenta por cento do consumo interno; Ora, não é preciso adentrar em maiores digressões: o Decreto regulamentador criou requisito não previsto em lei, qual seja, que a empresa importadora figure como representante de fábrica estrangeira de papel no Brasil. Com efeito, enquanto a Lei n. 10.865/2004 trazia critério objetivo (importar o papel destinado à periódico; e importar papel de tais e quais NCMs), o Decreto criou requisito subjetivo, pois diz respeito à constituição social da empresa importadora (representante de fábrica estrangeira de papel). Inarredável, portanto, a conclusão pela ilegalidade do artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04, que extrapolou o conteúdo da Lei n. 10.865/2004, ferindo a hierarquia das normas jurídicas. A ilegalidade de tal ato normativo está disposta não só em nível constitucional, por meio do princípio da legalidade (artigo 150, inciso I)4 e da determinação que os decretos são expedidos pelo próprio Poder Executivo para a fiel execução da lei (artigo 84, inciso IV),5 mas também explicado pela lei complementar (artigos 97 e 99 do Código Tributário Nacional CTN), quando estabelecem a função dos instrumentos introdutores de normas do direito tributário (leis, tratados, convenções internacionais e decretos): 4 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 5 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Fl. 5985DF CARF MF 18 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65 Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Outrossim, o CTN, em seu artigo 176 do CTN é explicito sobre ser de competência da lei, em sentido estrito, o estabelecimento de condições e requisitos exigidos para a concessão de isenções. Lembremos seu texto: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Justamente por essas razões que o Poder Judiciário, ao debruçarse sobre a mesma questão ora analisada, rechaça a aplicação do artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04, única razão trazida pela autoridade fiscal ao lavrar o presente auto de infração. Nesse sentido, colaciono abaixo ementa de Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região: Ementa TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. LEI Nº. 10.865/2004. EXIGÊNCIA. REPRESENTANTES DE FÁBRICA ESTRANGEIRA DE PAPEL. DECRETO Nº. 5.171/2004. ILEGALIDADE. 1. No caso, não merece reparos a sentença que concedeu a segurança para que a autoridade coatora se abstenha de exigir, como condição para o gozo das alíquotas diferenciadas do PIS/COFINS Importação de que tratam os arts. 8.º, parágrafos 10 e 12, III e IV, da Lei 10.865/2004, a prova de que as impetrantes figuram como representante de fábrica estrangeira de papel, conforme previsto no art. 1.º, parágrafo 1.º, II, do Decreto n.º 5.171/2004, tendo em vista a ilegalidade de tal exigência. 2. É que, ao regulamentar os parágrafos 10 e 12, do art. 8o., e o inciso IV, do art. 28, da Lei 10.865, de 20 de abril de 2004, o Decreto 5.171 criou uma exigência que não está inserida na legislação específica, de modo a excluir a empresa dedicada à importação de papéis para a sua ulterior revenda no mercado interno da alíquota zero. 3. "O Decreto 5.171, de 2004, ao regulamentar dispositivos da Lei 10.865, do mesmo ano, não pode estabelecer exigências não previstas nem estabelecidas na norma". (APELREEX 200883000098692, Desembargador Federal Vladimir Carvalho, TRF5 Terceira Turma, 17/04/2009). 4. Apelação e Remessa Oficial improvidas. (Processo APELREEX 200883000071479, APELREEX Apelação/Reexame Necessário 3287, Relator Desembargador Fl. 5986DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.978 19 Federal Francisco Barros Dias. TRF5, Segunda Turma, DJE Data::02/06/2010 Decisão UNÂNIME) Assim, entendo que: i) o artigo 26A do Decreto 70.235/72 e a Súmula CARF n. 2 não permitem que o CARF afaste ato normativo por inconstitucionalidade, mas silenciam sobre questões afetas à ilegalidade, justamente porque é da precípua competência desse Tribunal julgar os processos administrativos efetuando juízo sobre a legalidade dos atos normativos que embasam as autuações fiscais; ii) o artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04 é ilegal, pois criou requisito não previsto em lei; iii) a Recorrente cumpriu todos os requisitos exigidos pela Lei n. 10.865/2004 para usufruir das reduções de alíquota referente ao PISimportação e à COFINSimportação sobre as mercadorias que foram objeto da fiscalização. 43. Adoto como minhas as razões de decidir supra transcritas e desenvolvidas pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, o que faço com fundamento no art. 50, §1º da lei 9.784/996, motivo pelo qual também afasto a pretensão fiscal tratada no presente tópico do voto. III.a Da pretensa responsabilidade da empresa Plexpel para a exigência de contribuições sobre o papel importado pela inexistência do preenchimento de um dos requisitos para o gozo da redução de alíquotas 44. Não obstante, em relação à empresa Plexpel existe fundamento autônomo suficiente para afastar a pretensão das contribuições sobre o papel importado, conforme será desenvolvido a seguir. 45. Como visto ao longo do termo de constatação n. 02, bem como do termo de sujeição passiva solidária, a responsabilização da empresa Plexpel em face das exigências de natureza fiscal retratadas nesta demanda teve por fundamento o disposto no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional7, i.e., pelo fato de pretensamente existir um interesse comum das recorrentes com a situação que redundou no fato gerador objeto da autuação. 46. Para verificar se tal conclusão é adequada juridicamente, mister se faz delimitar o conteúdo semântico da expressão interesse comum. Nesse sentido, insta desde já destacar que a legislação tributária não faz tal conformação, tarefa essa que fica sob responsabilidade da doutrina8 e da jurisprudência, para quem interesse comum só tem as 6 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." 7 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)." 8 "O art. 124 prevê duas hipóteses de solidariedade: a) em relação às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e b) referente às pessoas expressamente designadas em lei. A primeira hipótese está redigida em linguagem bastante vaga, não traduzindo com acuidade o que quer significar. Comprador e vendedor têm interesse comum na transmissão da propriedade de imóvel, mas nem por isso podem Fl. 5987DF CARF MF 20 pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos tem “interesse comum” na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos9. Assim, ter interesse comum significa partilhar a prática do fato tido como gerador. 47. Também tratando do “interesse comum” para fins de incidência do dispositivo legal alhures citado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é clara ao entender que para a sua configuração não basta o mero interesse econômico, havendo a especial necessidade de haver um interesse jurídico no fato gerador do tributo. Nesse sentido: Ementa TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) (g.n.). Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (STJ; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) (g.n.). ser devedores solidários. A solidariedade tributária, que é sempre passiva, somente pode existir entre sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional." (COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo, Saraiva, 2012. p. 210.). 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 476. Fl. 5988DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.979 21 48. Como visto, a incidência do PISimportação e da COFINSimportação para algumas específicas DI's fiscalizadas decorreu do fato da empresa Fator Dois não preencher um dos requisitos formais para o gozo da alíquota zero, qual seja, ser representante comercial das empresas exportadoras no Brasil. Tal fato, entretanto, não era de conhecimento da empresa Plexpel. Mais do que isso, levando em conta que a Fator Dois possuía regime especial para fins de gozo de imunidade com operações de papel importado, é crível admitir que a Plexpel pressuponha que a Fator Dois também fruía do benefício destinado ao PIS e a COFINS. 49. Ademais, afastada a acusação de interposição fraudulenta, também não há que se falar um interesse jurídico comum, nos termos alhures expostos, das recorrentes na prática da importação, fato gerador das contribuições em cobro. Logo, deve ser afastada a responsabilização da empresa Plexpel para a exigência tributária mantida neste tópico do voto. III. Dos juros sobre a multa 50. Por fim, de forma subsidiária, os recorrentes contestam a incidência dos juros sobre a multa, questionamento este que perdeu seu objeto, haja vista que o presente voto é no sentido de afastar a integralidade da pretensão fiscal aqui debatida. Dispositivo 51. Diante do exposto, voto por dar integral provimento aos recursos voluntários interpostos por Plexplel Comércio e Indústria de Papel Ltda. e Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda. 52. É como voto. Diego Diniz Ribeiro. Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. I. Da exigência de contribuições sobre o papel importado pela inexistência do preenchimento de um dos requisitos para o gozo da redução de alíquotas Conforme se observa do termo de constatação n. 02, parte das DI's fiscalizadas e que foram objeto de autuação de PISimportação e Cofinsimportação tiveram tais exações exigidas com base em fundamento autônomo. Segundo a fiscalização, para algumas DI's em específico, além da suposta interposição fraudulenta alhures refutada pelo Conselheiro Relator, a redução da alíquota das contribuições para zero também seria indevida, uma vez que a recorrente Fator Dois não teria feito prova da representação comercial do fabricante estrangeiro no país. Este é o caso das seguintes operações fiscalizadas: Fl. 5989DF CARF MF 22 Tal questão não é nova para esse Colegiado que, por meio do Acórdão nº 3402004.151, sob minha relatoria, manteve essa exigência fiscal, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: Relativamente ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação, a redução a zero das suas alíquotas do papel quando destinado à impressão de jornais e periódicos é tratada pelo art. 8º, §12 da Lei nº 10.865/2004, regulamentado pelo Decreto nº 6.842, de 07/05/2009, nos seguinte termos: [Lei nº 10.865/2004] Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: ... § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: III papel destinado à impressão de jornais, pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei, ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno;(vide Lei nº 11.727, de 2008); IV papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno; (Vide Lei nº 11.727, de 2008). [Decreto nº 6.842/2009] Art. 1o Ficam reduzidas a zero, até 30 de abril de 2012 ou até que a produção nacional atenda a oitenta por cento do consumo interno, as alíquotas da Contribuição Fl. 5990DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.980 23 para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de: I papel destinado à impressão de jornais; e II papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, da TIPI, destinados à impressão de periódicos. § 1o O disposto neste artigo aplicase somente às aquisições ou importações realizadas por: I empresa jornalística, editora que explore a indústria de jornal ou gráfica impressora de jornais, na hipótese do inciso I do caput; II empresas que explorem a impressão de periódicos utilizando papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90 da TIPI; III no caso de importação, empresa estabelecida no País como representante da fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas nos incisos I e II deste parágrafo. [grifei] Alega a recorrente que o papel por ela importado, exportado pelas empresas ROXCEL, DAIEI PAPERS e BENGTSON TRADING AB, é produzido em outras fábricas no exterior, sendo que ela teria apresentado documentos que atestariam a relação existente entre as fabricantes e as empresas exportadoras, as quais figurariam como representantes das primeiras no comércio de papéis sulamericano por questões de logística. Sobre essa questão, a fiscalização assim se pronunciou no Relatório Fiscal: (...) A FATOR DOIS em atendimento à intimação desta fiscalização apresentou cartas de representação dos fabricantes estrangeiros TAIWAN LUNG, HAINAN JINHAI, PT INDAH, GOLD EAST, CANADIAN PAPER CONECTION e SHANDONG SHENNING (Doc. 3.2). As cartas dos fabricantes STORA ENSO MOORIM PAPER, ARTIC PAPER e TULLIS RUSSEL informam apenas que a FATOR DOIS era cliente ou importadora, dos produtos. Assim, resta não comprovada a condição de representante do fabricante estrangeiro dessas quatro últimas empresas (Doc. 3.2). Foram apresentadas também cartas dos exportadores estrangeiros ROXCEL e ELOF HANSSON. A carta da ROXCEL declara que a FATOR DOIS a representaria na venda dos papéis fabricados por empresas indicadas, dentre elas, SUN PAPER CHINA SHANDONG FACT, SHANDONG BOHUI PAPER INDUSTRY CO., LTD e JSC "SOLIKAMSKBUMPROM", PT. PABRIK KERTAS TJIW.I KIMIA TBK e PT. INDAH KIAT SERANG MILL e a [carta] da ELOF HANSSON declara que a FATOR DOIS a representaria. Entretanto, tais documentos não podem ser aceitos, porque a representação teria que ser do fabricante estrangeiro para a FATOR DOIS e não para terceiros, ainda que tivesse sido declarada pelo fabricante a representação ao terceiro (Doc. 3.2). Não foram apresentadas cartas de representação dos fabricantes SUNPAPER CHINA SHANDONG FACT, SHANDONG BOHUI PAPER INDUSTRY CO., LTD e JSC "SOLIKAMSKBUMPROM" e PT. PABRIK KERTÁS TJIWI KIMIA TBK e PT. INDAHKIAT SERANG MILL, em razão de carta do fornecedor acima mencionada não se prestara fazer prova de representação de fabricante estrangeiro. Assim, resta também comprovada a condição de não representante desses cinco fabricantes estrangeiros. (...). Assim, diante do não atendimento ao expressamente determinado no Decreto acima, no que concerne à necessidade de que a importadora, ora recorrente, fosse Fl. 5991DF CARF MF 24 representante das fábricas estrangeiras de papel, no caso, das empresas SUNPAPER CHINA SHANDONG FACT, SHANDONG BOHUI PAPER INDUSTRY CO., LTD, incabível a redução de alíquota para as contribuições pleiteada nas importações objeto das DI´s números DI's nºs 11/03070888 e 11/11043908, acima especificadas, devendo ser mantida a exigência tributária do PIS/Pasepimportação e da Cofinsimportação correspondente no auto de infração sob análise. Quanto à decisão judicial obtida pela Associação Nacional dos Distribuidores de Papel – ANDIPA, não há qualquer efeito vinculativo para este CARF, eis que a recorrente sequer alegou que fosse membro da referida associação. (...). A questão enfrentada no acórdão n. 3402004.151 é aqui repetida, uma vez que a recorrente limitase a apresentar declarações de fabricantes estrangeiras no sentido de que a Fator Dois representaria tais empresas na venda de papéis fabricados por outras empresas indicadas pela exportadora, o que, todavia, não é suficiente para atender a exigência prescrita no Decreto nº 6.842/09. Assim, com base nos mesmos fundamentos externados no acórdão nº 3402 004151, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto no sentido de manter a exigência do PISimportação e da COFINSimportação para as seguintes DI's: 91/5362346001; 91/57006657001, 91/5706657002, 91/7265879001, 91/7632588001, 91/7632588002, 10/04431971001, 11/03070888001, 11/05192735001, 11/0538772201, 11/06945141001, 11/0694514002, 11/10223910001, 11/10223910002, 11/10722321001, 11/10722321002; 11/11/11043908001, 12/17560884001, 12/20021239001, 12/20021239002, 12/16070301001 e 12/20142214001. Ressaltese, todavia, que a exigência aqui mantida deve permanecer apenas sobre a empresa Fator Dois, sendo imperiosa a sua exoneração em relação à empresa Plexpel. Como visto ao longo do termo de constatação n. 02, bem com do termo de sujeição passiva solidária, a responsabilização da empresa Plexpel em face das exigências de natureza fiscal retratadas nesta demanda teve por fundamento o disposto no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional10, i.e., pelo fato de pretensamente existir um interesse comum das recorrentes com a situação que redundou no fato gerador objeto da autuação. Para verificar se tal conclusão é adequada juridicamente, mister se faz delimitar o conteúdo semântico da expressão interesse comum. Nesse sentido, insta desde já destacar que a legislação tributária não faz tal conformação, tarefa essa que fica sob responsabilidade da doutrina11 e da jurisprudência, para quem interesse comum só tem as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos tem “interesse comum” na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo 10 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)." 11 "O art. 124 prevê duas hipóteses de solidariedade: a) em relação às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e b) referente às pessoas expressamente designadas em lei. A primeira hipótese está redigida em linguagem bastante vaga, não traduzindo com acuidade o que quer significar. Comprador e vendedor têm interesse comum na transmissão da propriedade de imóvel, mas nem por isso podem ser devedores solidários. A solidariedade tributária, que é sempre passiva, somente pode existir entre sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional." (COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo, Saraiva, 2012. p. 210.). Fl. 5992DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.981 25 pagamento do imposto todos os condôminos12. Assim, ter interesse comum significa partilhar a prática do fato tido como gerador. Também tratando do “interesse comum” para fins de incidência do dispositivo legal alhures citado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é clara ao entender que, para a sua configuração, não basta o mero interesse econômico, havendo a especial necessidade de haver um interesse jurídico no fato gerador do tributo. Nesse sentido: Ementa TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) (g.n.). Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (STJ; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) (g.n.). Como visto, a incidência do PIS/Pasepimportação e da Cofinsimportação para algumas específicas DI's fiscalizadas decorreu do fato da empresa Fator Dois não preencher um dos requisitos formais para o gozo da alíquota zero, qual seja, ser representante comercial das empresas exportadoras no Brasil. Tal fato, entretanto, não era de conhecimento da empresa Plexpel. Mais do que isso, levando em conta que a Fator Dois possuía regime especial para fins de gozo de imunidade com operações de papel importado, é crível admitir que a Plexpel pressuponha que a Fator Dois também fruía do benefício destinado ao PIS e a COFINS. Ademais, afastada a acusação de interposição fraudulenta, também não há que se falar um interesse jurídico comum, nos termos expostos pelo Ilustre Relator, das recorrentes na prática da importação, fato gerador das contribuições. Logo, deve ser afastada a responsabilização da empresa Plexpel para a exigência tributária mantida neste tópico do voto. II. Dos juros de mora sobre a multa de ofício 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 476. Fl. 5993DF CARF MF 26 Por fim, de forma subsidiária, os recorrentes contestam a incidência dos juros sobre a multa, questionamento este que merece análise em favor da empresa Fator Dois, haja vista a manutenção de parte da exigência tributária debatida em seu prejuízo. Por sua vez, nos termos do voto proferido pelo Conselheiro Relator, tal discussão perdeu seu objeto em relação à empresa Plexpel, haja vista o provimento integral do seu específico recurso voluntário. Entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/7913, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral14: 13 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 14 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 5994DF CARF MF Processo nº 11131.720758/201401 Acórdão n.º 3402005.378 S3C4T2 Fl. 5.982 27 Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [grifos desta Redatora] A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que, por sua vez, pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 15 15 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. Fl. 5995DF CARF MF 28 Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, conforme enunciado abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, na parte em que divirjo do entendimento do Conselheiro Relator, voto no sentido de manter, para a empresa Fator Dois Indústria e Comércio de Papéis Ltda., a exigência do PIS/Pasepimportação e da Cofinsimportação retratadas nas DI's números 91/5362346001; 91/57006657001, 91/5706657002, 91/7265879001, 91/7632588001, 91/7632588002, 10/04431971001, 11/03070888001, 11/05192735001, 11/0538772201, 11/06945141001, 11/0694514002, 11/10223910001, 11/10223910002, 11/10722321001, 11/10722321002; 11/11/11043908001, 12/17560884001, 12/20021239001, 12/20021239002, 12/16070301001 e 12/20142214001, bem como dos juros de mora sobre a multa de ofício relativamente aos montantes dessas contribuições. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 5996DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720036/2011-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 36 /2 01 1- 21 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 481DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 483DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 485DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15940.720036/201121 Acórdão n.º 9202006.794 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000672/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal confirme, ou não, a transferência das DI´s objeto da autuação do Ato Concessório nº 200200/36248 para o Ato Concessório 200400/27295, autorizada pela SECEX/DECEX.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal confirme, ou não, a transferência das DI´s objeto da autuação do Ato Concessório nº 200200/36248 para o Ato Concessório 200400/27295, autorizada pela SECEX/DECEX. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Autos de Infração de II Imposto de Importação e IPI vinculado Imposto sobre Produtos Industrializados, relativos a DI´s registradas em 2002 e 2003, vinculadas ao AC nº 200200/36248, mas excedentes aos limites autorizados de importação com suspensão dos tributos, não tendo havido exportações que justificassem o excesso de importação, conforme Relatório de Fiscalização de efls. 22/29. Em impugnação, a recorrente alegou que solicitou a migração das DI´s objeto da autuação para o AC 200400/27295, o que fora deferido pelo DECEX. Pugnou, ainda, que as obrigações de ambos atos concessórios foram adimplidas e foi efetuada a baixa pelo DECEX sem qualquer inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 67 2/ 20 06 -1 8 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 748 2 A Quinta Turma da DRJ/Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0824.096, considerando a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 21/03/2002, 22/04/2002, 17/05/2002, 03/06/2003, 11/07/2003 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. IMPORTAÇÃO EXCEDENTE. Deve ser normalmente tributada a quantidade excedente de mercadoria importada em relação ao limite autorizado no ato concessório de drawback.. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, deduzindo que: 1. O DECEX deferiu o pedido de transferência das DI´s objeto da autuação para o AC 200400/27295; 2. O Comunicado DECEX nº 21/97 não tem força normativa na medida que o artigo 17, II do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 não dá competência ao DECEX para editar normas administrativas, mas sim, exclusivamente, à SECEX, que, na Portaria SECEX nº 4/1997 não estabeleceu o limite de 15% do valor das mercadorias importadas para a realização das transferências para outro ato concessório; 3. O Comunicado DECEX nº 21/1997 é hierarquicamente inferior à Portaria SECEX nº 4/1997, não podendo inovar em relação a esta; 4. Houve cumprimento do prazo de exportação relativo às DI´s objeto da autuação quando analisadas no âmbito do AC 200400/27295; 5. A matériaprima de NCM 3901.30.90 foi expressamente autorizada e inexistiu excesso de importação; 6. O DECEX, ao examinar os dois atos concessórios, considerou estar presente o requisito da vantagem cambial em favor da União, tendoos deferidos e considerados cumpridos e, portanto, baixadoos; Ao final, pede o reconhecimento de validade dos atos concessórios 2002 00/36248 e 200400/27295. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 749 3 Inicialmente, é necessário delimitar a lide do processo. A autuação ocorreu pelo descumprimento do compromisso de exportação no AC nº 200200/36248, precisamente em razão de que cinco DI´s constam no sistema SISCOMEX como vinculadas ao referido AC, excedendo os limites de importação autorizados e não havendo exportações para acobertar o excedente importado. A única alegação de defesa em impugnação foi que referidas DI´s foram transferidas para o AC 200400/27295, mediante autorização do DECEX. A DRJ, por sua vez, entendeu que a transferência fora irregular, por ter excedido as normas previstas no Comunicado DECEX nº 21/1997, quanto ao limite de 15% do valor das importações para efeito de teto do valor das importações transferidas e quanto à cronologia utilizada, ou seja, foram transferidas as mais antigas e não as mais recentes. Em razão da alegação de impugnação, a DRJ passou a tecer considerações sobre a verificação do compromisso do AC 200400/27295, bem como inovar quanto ao argumento de que a matériaprima de NCM 3901.30.90 não foi expressamente autorizada no AC 2002 00/36248. Entendo que a lide perpassa pela definição de competência da RFB e do SECEX/DECEX quanto à autorização/deferimento de solicitação de transferência de DI´s de um ato concessório para outro. A concessão do Regime Especial Aduaneiro de Drawback era regulado pela Consolidação das Normas do Regime de Drawback (CND) disposta no Comunicado DECEX nº 21/1997. Tal comunicado fora expedido no âmbito da competência prevista no inciso II do artigo 17 do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 (aprovava a estrutura regimental do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) e da Portaria SECEX nº 4/1997, cujos dispositivos dispunham: Decreto nº 1.757/1995: Art. 1° Ficam aprovados a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, na forma dos Anexos I e II, a este Decreto. [...]ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO [...]CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS [...]Art. 17. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I coletar, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior; II autorizar operações de importação e exportação e emitir documentos especiais quando exigidos por acordos bilaterais e multilaterais assinados pelo Brasil; III elaborar, acompanhar e avaliar estudos sobre a evolução da comercialização de produtos e mercados estratégicos para o comércio Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 750 4 exterior brasileiro, com base nos parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. Portaria SECEX nº 4/1997: O Secretário de Comércio Exterior, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no art. 16, inciso I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, resolve: I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, conforme o disposto nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, com alterações, seguirá o disposto nesta Portaria. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Esclareçase que a separação das competências da RFB e da SECEX (DECEX) quanto ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi objeto da Súmula CARF nº 1001, cujo paradigma nº 930301.248, bem delineou as competências de cada órgão. A respeito, transcrevese excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: "Em relação ao conflito aparente de atribuições entre a administração tributária e a Secex, que emitira o ato concessório do drawback, entendo não haver tal desarmonia, pois o órgão fazendário e o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior exercem atribuições distintas, mas que se complementam: um aprova o plano de exportação, confere a documentação apresentada pelo exportador e emite o ato concessário da importação vinculada; o outro fiscaliza a consecução do plano para verificar se o importador atendeu as condições do incentivo fiscal que lhe foi concedido. Se por um lado Administração Tributária não é dada competência para emitir, modificar ou anular ato concessório de drawback, cabe a ela, exclusivamente a ela, verificar o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de importações, ainda que essas tenham sido amparadas por regimes aduaneiros especiais que suspendam ou isentem o pagamento do tributo, corno o drawback. (grifos não originais). Em outro giro, não é razoável pretenderse que a legislação tenha conferido atribuição para o Fisco auditar as importações realizadas ao amparo de drawback, c, uma vez procedida a auditoria e constatadas irregularidades na execução do regime aduaneiro especial — irregularidades essas que evidenciem o descumprimento das condições do incentivo á exportação e justifiquem a perda do direito ao favor 1 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 751 5 fiscal —, seja vedado aos agentes do Fisco cumprirem o dever de oficio de lançar o crédito tributário devido. Ora, o ato concessório não pode se sobrepor ao CTN, que exige da autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário devido. Também não parece razoável atribuir á. Fiscalização o papel de mero coadjuvante da Secex, pois se atribuísse à autoridade fazendária o dever de examinar as importações vinculadas aos atos concessórios, mas sem qualquer atribuição para reprimir, por meio de autuação, as irregularidades de natureza fiscal, estarseia reduzindo a Receita Federal a mero auxiliar da Secex, e os seus agentes a simples auxiliares de conferentes de notas fiscais e de faturas comerciais." A matéria já foi abordada em outros julgados nesta turma, como o proferido no voto condutor do Acórdão nº 3302003.519, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo excerto transcrevese abaixo: "Em relação ao regime drawback suspensão, a competência do Decex e da fiscalização do RFB são distintas e complementares, conforme claramente explicitado nos preceitos normativos da Portaria MEFP 594/1992 e da Portaria Secex 25/2008. De acordo com os referidos atos normativos, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme expressamente estabelecido no art. 512 da Portaria Secex 25/2008. A atividade de verificação do compromisso de exportar é feita com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). Porém, ao assim proceder, o beneficiário do regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Decex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). E se as quantidades e os valores de importação e exportação compromissados forem idênticos aos valores das importações e exportações efetivamente realizadas dentro do prazo de validade do regime, automaticamente, o sistema emite a comprovação do adimplemento do respectivo ato concessório. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limitase a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por estar sujeita a verificação posterior por parte da fiscalização da RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: 2 Art. 51. Compete ao DECEX a concessão do regime de drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 752 6 [...]De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, em especial, o compromisso de exportação, bem como o cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Em suma, com base no teor dos citados atos normativos, inferese que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação. Logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. Cabe à RFB a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação. Portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização do cumprimento dos compromissos de importações e exportações vinculadas ao regime, quando, se confirmado o integral cumprimento, a suspensão dos tributos convertese em isenção; de outra parte, se comprovado o inadimplemento total ou parcial do regime, o procedese o lançamento dos tributos devidos, com os acréscimos legais devidos." Verificase, assim, que a competência da RFB se limita à verificação das condições assumidas no ato concessório, como a análise do compromisso de exportar e o princípio da vinculação física. Porém, a ela não cabe emitir, modificar ou anular o ato concessório, atividades inseridas na competência da SECEX/DECEX. De fato, a Portaria SECEX nº 4/1997 e o Comunicado Decex nº 21/1997 dispuseram sobre a liquidação do compromisso de exportação e a autorização para transferência de mercadorias importadas para outro ato concessório, nos seguintes termos: Portaria SECEX nº 4/1997: X DA LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO Art. 43 O compromisso de exportação vinculado ao Regime de Drawback, modalidade suspensão, será liquidado mediante a comprovação de uma das condições a seguir: [...]Art. 44 Mediante expresso pedido da empresa beneficiária, o Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) poderá transferir mercadorias importadas ao amparo do Regime, modalidade suspensão, e não utilizadas em produtos exportados para outro Ato Concessório de Drawback da beneficiária. § 1º A transferência deverá ser solicitada antes do vencimento do prazo para exportação do Ato Concessório de Drawback original, e obedecerá à ordem das importações vinculadas, das mais recentes para as mais antigas. § 2º O termo final para exportação, do Ato Concessório de Drawback, para o qual foram transferidas as mercadorias importadas, Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 753 7 deverá respeitar os limites previstos para os prazos de suspensão, a contar da data da Declaração de Importação mais antiga. Art. 45 A emissão de novo Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, em favor de empresa com compromisso de exportação vencido, fica condicionada ao cumprimento das disposições previstas no art. 43. Comunicado DECEX nº 21/1997: TÍTULO 26 Considerações Gerais 26.1 Caso a beneficiária apresente documentação que comprove a efetiva importação e exportação nas condições constantes do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, será considerado cumprido o compromisso de exportação vinculado ao Regime.26.2 A liquidação do compromisso de exportação se dará mediante:[...] 26.6 Poderá ser autorizada a transferência de mercadoria importada para outro Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, até o limite de 15% do valor das importações realizadas, mediante expresso pedido da beneficiária.1. A transferência deverá ser solicitada antes do vencimento do prazo para exportação do Ato Concessório de Drawback original, e obedecerá à ordem das importações, das mais recentes para as mais antigas.2. A transferência será abatida das importações autorizadas para o Ato Concessório de Drawback receptor.3. O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, para o qual foi transferida a mercadoria importada, observará o limite máximo de 2 (dois) anos para a permanência no País a contar da data da Declaração de Importação mais antiga vinculada ao Regime, principalmente quanto à mercadoria transferida de outro Ato Concessório de Drawback. Constatase, deste modo, que a competência para transferir as mercadorias importadas de um ato para outro era de competência do Departamento de Operações de Comércio Exterior DECEX, órgão integrante da Secretaria de Comércio Exterior, não cabendo à RFB emitir, modificar ou anular tal ato, nem, por óbvio, desconsiderálo. A fiscalização não observou a existência de transferência das DI´s para vinculação ao AC nº 200400/27295, nem verificou o eventual descumprimento deste ato. Já a DRJ discorreu sobre irregularidades contidas na transferência, o que não lhe cabia, em razão da falta de competência para tanto, já delineada acima, a teor da Súmula CARF nº 100. Porém, deixou dúvidas quanto à efetivação da transferência das DI´s, em vista dos documentos apresentados e consulta ao SISCOMEX Importação, conforme exceto abaixo: "Com base nos documentos apresentados, constatouse que o DECEX concedeu um novo Ato Concessório suspensão (direto) a impugnante, AC 200400/27295, 17/02/2004. A TAB 05 apresenta as NCMs e as respectivas quantidades das mercadorias autorizadas a importar pelo AC 200400/27295. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 754 8 As DI´s vinculadas ao citado AC 200400/27295 e indicadas no RDC eletrônico para fins de comprovação e baixa do ato estão na TAB 06. Como se pode observar, as DI´s indicadas pela fiscalização como excedente ao limite autorizado de mercadorias a importar do AC 200200/36248 foram transferidas e apresentadas, segundo alega o interessado, para comprovação de baixa do AC 200400/27295. [...]Em pesquisa realizada no Siscomex Importação, constatouse que as cinco DI´s (02/02480520, 02/03544204, 02/04414037, 03/04674804 e 03/05843391), objeto da lide, estão vinculadas ao AC 200200/36248, até a presente data, conforme pode se verificar nas consultas dos extratos das DI´s anexados ao processo. Com base no estabelecido no Comunicado Decex nº 21/97 no CAPITULO V COMPROVAÇÕES 19.3 Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback." Destarte, para que não haja dúvidas sobre a efetiva autorização de transferência das DI´s, alegada pela recorrente, voto para converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal confirme, ou não, a transferência das DI´s objeto da autuação do Ato Concessório nº 200200/36248 para o Ato Concessório 200400/27295, autorizada pela Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13502.000672/200618 Resolução nº 3302000.773 S3C3T2 Fl. 755 9 SECEX/DECEX (inclusive mediante ofício, se alguma dúvida persistir), com juntada de documentos que comprovem a conclusão obtida. Ao final, facultar o prazo de trinta dias para manifestação da recorrente, nos termos do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 755DF CARF MF
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