Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11516.002448/2005-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.002448/2005-97
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392226
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-000.158
nome_arquivo_s : Decisao_11516002448200597.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11516002448200597_5392226.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 5682596
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252114604032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 83 1 82 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002448/200597 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.158 – 1ª Turma Especial Data 16 de outubro de 2012 Assunto IRPF Recorrente JESSE JAMES GOMES KOZAKEVITCH Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS (Fls. 52/57), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 44 8/ 20 05 -9 7 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 84 2 Tratase de auto de infração resultante da revisão da declaração de ajuste anual do Interessado relativa ao anocalendário 2001, onde se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 34.701,16, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura do "Demonstrativo das Infrações" (fl. 10), observase que a presente autuação decorre da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência do "processo trabalhista 971/89 da 2a Vara do Trabalho de Florianópolis ". Por ser de direito, o valor do imposto de renda retido na fonte foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados, correspondentes aos rendimentos tributáveis omitidos. Inconformado, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual expõe suas razões de contestação. Aduz que por força de decisão judicial (Acórdão 7649/98 da 2a Turma do TRT da 12a Região) o cálculo do imposto de renda foi efetuado com observância do regime de competência. Afirma que a presente autuação desrespeitou ordem judicial, pois observou o regime de caixa. Alega que a Receita Federal, ao lavrar a presente autuação, "estabeleceu para o requerido um regime distinto da contribuição para o fisco, em relação aos demais autores do processo trabalhista n" 971/89, que tramitou perante a 2a Vara do Trabalho de Florianópolis/SC, contribuintes que dispõem da mesma capacidade contributiva e, sujeitos ao regime de competência, consoante o comando judicial, que ora está sendo desrespeitado, e atuando em desacordo com os preceitos constitucionais vigentes ". Ressalta que "teve gastos com advogado, a título de honorários advocatícios, no importe de R$ 57.415,33". Tendo em vista as alegações apresentadas, o Interessado requereu a "sustação do auto de infração" e, sucessivamente, requereu "a desconsideração da multa de oficio e dos juros de mora, eis que não houve máfé". E o relatório.” Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o Lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de sentença judicial, relativos a trabalho assalariado, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na Fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 85 3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARTIGO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/1996. A exigência no lançamento de ofício da multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. JUROS. ARTIGO 61, § 3 o , DA LEI N° 9.430/1996. A cobrança de juros na forma prevista no artigo 61, § 3o , da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 14/02/2011 (Fl. 57), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2011 (Fls. 60 à 67), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 86 4 para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006194/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000
Cofins. Falta de Recolhimento/Compensação.
Tratando-se de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos.
Ausentes tais elementos, impõe-se a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência
Multa de Oficio e Juros à Taxa Selic. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência.
Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000 Cofins. Falta de Recolhimento/Compensação. Tratando-se de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos. Ausentes tais elementos, impõe-se a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência Multa de Oficio e Juros à Taxa Selic. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.006194/2004-70
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387376
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-001.434
nome_arquivo_s : Decisao_10830006194200470.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10830006194200470_5387376.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
id : 5654717
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252188004352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 939 1 938 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006194/200470 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.434 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2012 Matéria Cofins Pagamento Inferior ao Devido Recorrente Ravage Confecções Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Restando observadas as normas procedimentais e expostos os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, a matéria jurídica pertinente e a forma pela qual foi apurado o quantum, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, que pôde ser exercido em sua plenitude. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ A imposição de multa de 75% quando da lavratura do auto de infração está em perfeita consonância com os diplomas que regem o processo administrativo fiscal e a aplicação de penalidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000 COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Tratandose de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos. Ausentes tais elementos, impõese a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 61 94 /2 00 4- 70 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 940 2 MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0518.493 (fls. 411416), da 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Tratase do Auto de Infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins , lavrado em 26/10/2004, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 375.916,56, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2004, devido às irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07/08: 001 —COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANO 1998 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 941 3 Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1998 a 31/08/1998 e 31/10/1998 a 31/12/1998]. Enquadramento legal: Arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91. Lei n°8.212/91. 002 — COFINS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANOS 1999 E 2000 — (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1999, 31/08/1999 a 30/11/1999 e 31/12/2000]. Enquadramento legal: Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91, Art. 77, inciso III do DecretoLei n° 5.844143; art. 149 da Lei n°. 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n°. 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° L858199 e suas reedições." O citado Termo de Verificação Fiscal, constante de fls. 13/21, assim detalha a infração: "DO CONTEXTO Esta ação fiscal foi iniciada em decorrência da diligência autorizada pelo MPF 08104002003.009530, e teve inicio em 30/12/2003, com a Lavratura de Auto de Infração referente à omissão de rendimentos. O presente trabalho restringiuse aos procedimentos de Verificações Obrigatórias, com a finalidade de apurar se as bases de cálculos e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com relação aos tributos declarados não alcançados pela decadência, estão corretos. Em 30/12/20030 contribuinte foi intimado a: (…) 3) Fornecer relação contendo o número dos processos judiciais e a matéria discutida, em relação às ações judiciais, porventura existentes, impetradas contra a Fazenda Pública Federal (tributos administrados pela Receita Federal); 4) Digitar os dados constantes do programa fornecido em meio magnético juntamente com a intimação, imprimir e assinar o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte e a Planilha do Contribuinte (devolvendo a fiscalização os disquetes, após salvar as informações). Atentandose que os valores correspondentes ao PIS/COFINS diziam respeito Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 942 4 inclusive aos das filiais, caso não houvesse centralização do recolhimento. Em 05/03/2004, novamente foi reintimado nos mesmos termos da intimação anterior. Em 05/03/2004 apresentou posição processual das ações judiciais Impetradas contra a Fazenda Pública Federal, referente ao PIS, ao COFINS e ao FINSOCIAL, bem como apresentou o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte, a Planilha do Contribuinte e os dados digitados no programa fornecido por esta fiscalização. Em 21/05/20040 contribuinte foi intimado a apresentar: 1. Livro Diário e Razão referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 2. Livro Registro de Apuração ICMS referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 3. Livro Registro de Apurado IPI referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 e novembro de 2003; (…) 6. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais de FINSOCIAL; Em 14/06/2004, através de correio eletrônico, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo, pois alguns livros encontravam se com a Fazenda Estadual. Em 04/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como de Relatórios de Planejamento Tributário do IPI. Em 09/08/2004 o contribuinte foi intimado a apresentar: 2. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais contendo as bases de cálculo; 3. Teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL Em 12/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como foi recebido o teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL. Em 26/08/2004 foram devolvidos os Livros de Registro de Apuração de ICMS referentes a filial 50.612.738/000420. Em 20/09/2004 o contribuinte foi novamente intimado a apresentar, por tributo, os itens a seguir: TRIBUTO: PIS (…) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 943 5 TRIBUTO: COFINS 1. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a falta de recolhimento/compensação da COFINS no período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98 tanto para a matriz como para as filiais; 2. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para as diferenças apuradas na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada COF1NS" constante no Anexo 2 daquele Termo; 3.Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, por não constarem das DCTF entregues a partir de fevereiro de 1999, os valores do COFINS que tenham por base de cálculo os valores referentes às receitas financeiras, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada – COFINS" constante no Anexo 2 daquele Termo. "(negrejouse) TRIBUTO: IPI 1 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a utilização de créditos de IPI, relacionados abaixo, decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem, isentos, nãotributados e/ou tributados à alíquota zero; Período Valor 30/11/1999 – R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 2 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, caso discordasse da escrituração do IPI que foi refeita por esta fiscalização de acordo com a planilha "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita” constante no Anexo 3 daquele Termo: Período Valor 30/11/1999 R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 3 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para o fato do estabelecimento corrigir monetariamente, ou acrescer de juros, créditos extemporâneos, ainda que esses créditos fossem legítimos. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 944 6 Em 22/09/2004 foi solicitada prorrogação de prazo através de correio eletrônico. Em 04/10/2004 esta fiscalização solicitou a inclusão das Operações FiscaisInsuficiência de Recolhimento e COFINS Insuficiência de Recolhimento para o anocalendário 1998. Em 06/10/2004 o contribuinte apresentou informações sobre os diversos itens da intimação, bem como apresentou os balancetes de verificação do anocalendário 1998, que foram retidos por esta fiscalização. DAS VERIFICAÇÕES No decorrer dos trabalhos fiscais FORAM VERIFICADOS os fatos abaixo discriminados quanto ao tributo COFINS: 1. Para o período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98, não foram localizados nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, pagamentos referentes à COFINS. Na planilha de compensação apresentada, também não constam valores compensados para este período. Este fato se verifica tanto para a matriz como para as filiais. 2. O contribuinte apresentou os faturamentos, do anocalendário 1998, da matriz e das filiais, mas como a empresa encontrase em fase de encerramento das atividades, inclusive com algumas filiais já canceladas na base de dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, esta fiscalização somou todos as bases de cálculo e está efetuando a constituição do crédito tributário na matriz. 3. Foram apuradas diferenças na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada — COFINS", constante no Anexo I do presente Termo, e planilha "Apuração da Base de Cálculo Pis/Cofins", constante no Anexo 2 do presente Termo. (…)" A contribuinte foi cientificada dos autos em 26/10/2004 (fls. 06). Inconformada, a interessada apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 25/11/2004, impugnação de fls. 311/355, acompanhada de documentos de fls. 356/406. Após breve resumo abrangendo todos os fatos verificados na ação fiscal, protesta, preliminarmente, pelo cerceamento do direito de defesa, ante a relação genérica do enquadramento legal da infração. Diz que a fiscalização não indica de forma clara e objetiva qual seria o dispositivo legal que supostamente veda a compensação efetuada de forma legítima pela autuada. Fundamentase nas disposições do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Também, julga nulo o lançamento, face inobservância dos seguintes princípios: da reserva legal, da legalidade, da motivação e da segurança jurídica. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 945 7 Antes de adentrar no mérito da questão, passa a examinar os conceitos básicos da ação fiscalizadora. Afirma que possui a Administração poder discricionário para decidir e atuar em conformidade com as disposições legais, sempre da melhor forma, a fim de beneficiar os indivíduos por ela administrados, aos quais deve a obrigação de bem estar e cidadania. Ainda nesse diapasão, aponta que a "notificação de lançamento" questionada possui erro latente, vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Fundamentase nas disposições constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN para concluir que "notificação de lançamento" é um lançamento de oficio e acusa que a autoridade fiscal pretende transformála em uma espécie de auto de infração e imposição de multa. Julga que a fiscalização pode propor, mas não impor a multa, "vez que a notificação de lançamento é meramente declaratória e não ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de oficio que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito COMO os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos". E que caso não se entenda pela nulidade do auto de infração, o que admite apenas por argumentação, protesta pela sua retificação e regularização com a disposição legal pertinente ao caso vertente. No mérito, inicia falando da compensação. Diz possuir credito de Pis passível de compensação com parcelas vincendas da própria contribuição, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. E que está convencida do acerto do procedimento e da possibilidade dos abatimentos no âmbito de seu lançamento por homologação. E continua: "Ocorre que, se assim o fizer, respaldadas apenas e tão somente na sua convicção a respeito da matéria, as DCTFs futuras revelarão seu encontro de contas unilateral. Desta forma, a impugnante ajuizou uma ação judicial autuada sob o n°. 97.6010700, visando a declaração, como base de cálculo do PIS, o faturamento auferido no sexto mês anterior ao do recolhimento, em seu valor nominal, não incidindo qualquer índice de correção monetária, desde a edição dos Decretosleis n°. 2.445 e 2.449 ambos de 1988, até março de 1996 (…), bem como declarado como compensável todo o montante de créditos de PIS, resultante da diferença entre o pagamento da contribuição sobre o faturamento auferido no mês anterior (Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88) e o que deveria ter sido recolhido com base no faturamento cru do sexto mês anterior (art.,6°, § único, da Lei Complementar n° 7/70) com o próprio PIS vincendo conforme entendimento pacifico dos tribunais". Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 946 8 Informa que também compensou a Cofins no período de 01/98 a 08/99 a 11/99 e 12/00, com crédito de Finsocial que fora recolhido à alíquota superior a 0,5%, tudo mediante permissivo do art. 66 da Lei n°8 383 de 1991. Acrescenta que o direito de pleitear a restituição dáse após expirado,o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos a partir da homologação tácita, conforme tese do STJ. E que, a despeito de já ter implementado a compensação, pleiteou em juízo autorização para tal procedimento, obtendo sentenças de 1ª e 2ª instâncias favoráveis. Diante de tais pressupostos, conclui que o procedimento fiscal revestiuse de patente ilegalidade. Passa a abordar a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Discorre da possibilidade da compensação do crédito de PIS com outros tributos, independentemente de requerimento, com fulcro no art. 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 10.637, de 2002. Cita jurisprudência e diz que se aplica ao caso o art. 106, inciso II, "a", do CTN, onde é admitida a retroatividade da lei mais benigna a favor do contribuinte, nos casos não definitivamente julgados. Assim, conclui, mais uma vez, que a compensação efetuada pela impugnante obedeceu aos requisitos legais, devendo, portanto, ser anulado o auto de infração. Prossegue tratando da utilização dos créditos de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento. Alega que a legislação infraconstitucional contraria o princípio da nãocumulatividade quando não admite que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Contrapõese ao entendimento de que, por não ter sido cobrado o IPI na operação anterior, inexistiria direito ao crédito, porque levaria à supressão dos incentivos fiscais, que restariam convertidos em mero diferimento de incidência. Argumenta que tal procedimento desvirtua o disposto na Constituição e gera concorrência desleal, pois quem vende produto isento ou com alíquota zero, para concorrer em pé de igualdade, deverá conceder descontos nunca inferiores ao valor do IPI. Cita jurisprudência. Conclui o tópico dizendo que tendo o STF decidido pelo direito de crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não resta mais dúvida de que as empresas têm o direito de proceder ao creditamento do IPI incidente sobre aqueles produtos, diretamente na sua escrita fiscal, crédito esse que deverá ser Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 947 9 corrigido e compensado com os demais tributos arrecadados e administrados pela SRF. A seguir, aborda a questão da extinção do crédito tributário. Alega que, face o crédito oponível contra a Fazenda, efetuou compensação dos valores recolhidos indevidamente, com amparo na declaração de inconstitucionalidade dos valores pagos a maior a título de Pis e Cofins e que, portanto, extinto está o respectivo crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Cita doutrina e protesta seja anulado o auto de infração. Na sequência, argúi a impossibilidade de aplicação de taxa Selic como juros moratórios, por afronta ao art. 9°, inciso I, e art. 161, § 1°, ambos do CTN, devendo o auto de infração ser tomado nulo, posto que se tomou ilíquido ao trazer valores incorretos acerca do cálculo do suposto débito. Faz extenso arrazoado para concluir que a Selic tem características • remuneratórias, sendo ilegal e inconstitucional sua utilização para fins tributários. Cita doutrina e jurisprudência. Passando à multa, julga que o percentual aplicado é absurdo e inaceitável, denotando abuso do poder fiscal. Além do mais, diz que a penalidade não respeita o princípio da proporcionalidade e do nãoconfisco, presentes na Constituição. Faz remissão ao art. 113 do CTN para concluir que também as penalidades podem ser consideradas confiscatórias, pois a obrigação tributária é composta de tributo e penalidade. Cita mais doutrina e jurisprudência. Contrapõese, também, à cobrança concomitante de multa moratória e juros de mora, por caracterizar bis in idem, já que ambos possuem a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias, entendendo que apenas uma deverá ser aplicada e, certamente, aquela que menos onere o devedor. Encerra com o seguinte pedido: "a) sejam acolhidas as preliminares argüidas, declarandose a nulidade do auto de infração MPF n o 08104002003.009530, ou, no mérito, seja julgada totalmente procedente a presente impugnação para desconstituir a autuação em razão de serem inexigíveis os valores lançados como débito da autuada, bem como a respectiva multa e os juros, tendo em vista os argumentos acima expendidos; ou b) caso não seja este o entendimento de V.Sª o que se admite apenas para argumentar, seja julgada indevida ou reduzida a multa aplicada, seja em razão do confisco afrontando o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988, ou, que seja aplicada a pena de MULTA ou de JUROS moratórias sob pena de incorrermos num bis in idem’.” Após delimitar a matéria impugnada, a 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, através do acórdão já referenciado, manteve a exigência fiscal, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 948 10 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999; 30/11/1999, 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido perfeitamente descrito o fato e juridicamente qualificado pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição, com a elaboração de um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a Cofins devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. A formalização da exigência por meio de Auto de Infração com imposição de multa atende ao principio da vinculação do ato administrativo, não contrariando a dispositivo legal ou a ordem judicial. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n°70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999,31/12/2000 COFINS. DIFERENÇA APURADA NA BASE DE CÁLCULO. Constatadas irregularidades na apuração da base de cálculo da COFINS, não infirmadas pela contribuinte, correta é a exigência da diferença da contribuição correspondente. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência para a qual não se logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou compensação. MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 949 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente.” Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) ao cerceamento do seu direito de defesa pelo Auto de Infração não elencar claramente a fundamentação legal da dívida tributária; (ii) à impossibilidade da Notificação de Lançamento em Auto de Infração constituirse em lançamento de ofício, bem como que a este somente caberia propor a sanção e não a aplicar, defendendo, pois, a consequente nulidade deste Auto; (iii) à existência de compensação de créditos oriundos de inconstitucionalidade do aumento de alíquota do FINSOCIAL; (iv) à existência de direito de crédito de IPI incidente na aquisição de insumos isentos; (v) à impossibilidade de aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios; (vi) ao caráter confiscatório da multa de 75% aplicada no Auto de Infração; e, por fim, (vii) à violação do princípio do ne bis in idem pela cobrança cumulativa de multa de mora e juros de mora. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Reproduzo o voto lido em sessão, que representa os fundamentos do Acórdão e foi referendado pela unanimidade dos presentes. Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que diz respeito às preliminares arguidas pelo recorrente, quais sejam a de nulidade do Auto de Infração em face do cerceamento do seu direito de defesa; tal como a nulidade deste pela inobservância dos procedimentos corretos para a realização de lançamento de ofício pela autoridade fiscalizadora; e sua nulidade pela imposição de multa, a qual, todavia, só poderia ser proposta, há de se discorrer o que se segue. Em primeiro lugar cabe esclarecer o que se entende por lançamento tributário. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, fornece a este uma definição legal, qual seja o procedimento administrativo vinculado “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 950 12 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Nesse contexto, os lançamentos podem ser classificados em três categorias: os lançamentos por declaração, os por homologação e os lançamentos de ofício. O lançamento de ofício, a seu turno, pode ser conceituado como aquele que “é feito por iniciativa da autoridade administrativa, independentemente de qualquer colaboração do sujeito passivo. Qualquer tributo pode ser lançado de ofício, desde que não tenha sido lançado regularmente na outra modalidade”. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 19. ed. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 146.) O lançamento de ofício, logo, dentre outras, tem lugar naquelas hipóteses em que o contribuinte o sujeito passivo não faça a apuração ou o pagamento dos tributos aos quais esteja obrigado a realizar, bem como naquelas em que os faz incorretamente. Ou seja, na falta da realização do lançamento por outra modalidade, tem, a Administração Tributária, o dever de proceder ao lançamento de ofício para que possa exigir o pagamento do tributo ou a diferença do tributo devido. O Auto de Infração, desta forma, constituise no meio pelo qual se procede à formalização de lançamento efetuado de ofício pela Administração Tributária, cuja característica principal é sua lavratura pelo agente competente no local da infração. Outrossim, no que se refere ao caso em tela, cabe destacar que o Auto de Infração foi lavrado em conformidade com toda a legislação tributária, constitucional e administrativa pertinente, observando sua natureza de ato administrativo vinculado, de forma a estar patente sua legalidade, que, inclusive, não foi comprovadamente afastada pelo recorrente. Imperioso, portanto, reiterar o que escreveu o Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP ao afirmar que: “Ainda quanto ao procedimento fiscal, da análise dos autos, depreendese que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição em estudo (COFINS). Consubstanciamse no entendimento da Autoridade Fiscal acerca da infração apontada, resumida no início do relatório. Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a contribuição devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada.” Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 951 13 Ainda no que toca às preliminares alegadas, fazse mister apontar que constatada irregularidade ou o não pagamento de determinado tributo, procederseá ao seu lançamento de ofício, que, “para que gere efeitos, deve ser objeto de notificação ao sujeito passivo. O efeito principal dessa notificação é formalizar o dever do sujeito passivo de proceder ao recolhimento do tributo, que antes, era inexigível por falta de condição de exigibilidade”. (AMARO, Luciano da Silva. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 347.) Desse modo, uma vez realizada a notificação, o contribuinte, ciente do lançamento, possuirá prazo de trinta dias para vistas do inteiro teor do processo no Órgão Preparador, bem como para apresentar impugnação escrita, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa, tal como ocorreu pela observância dos documentos presentes nesses autos. Por fim, quanto à suposta impossibilidade de aplicação de multas junto ao lançamento de ofício, observase que verificadas as condições para a imposição de penalidade, a multa, que também é visualizada como uma obrigação tributária principal, deve ser indicada no corpo do Auto de Infração conforme determina o artigo 10 do Decreto n° 70.235 de 1972, o que não viola qualquer princípio tributário, tal como se lê abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Assim, é imperativo negar reconhecimento às pretensões do recorrente no que toca às preliminares alegadas, haja vista a observância dos preceitos legais pelo procedimento de lançamento de oficio realizado. Quanto ao mérito, o recorrente produz sua argumentação no tocante à existência de direito de crédito de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, quando destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento, e que, portanto, estaria legislação infraconstitucional marcada por vício de inconstitucionalidade pois contrariaria o principio da nãocumulatividade previsto na Constituição de 1988. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 952 14 Busca deduzir, ainda, que os créditos tributários em cobrança estariam extintos por compensação com créditos oriundos da declaração de inconstitucionalidade de aumento da alíquota do FINSOCIAL, que teria sido obtida em ações judiciais cuja cópia apresenta. Além disso, contrapõese à multa e aos juros de mora aplicados, por entender que seriam inconstitucionais, bem como amparado na concepção de que a cobrança cumulativa destes caracterizaria uma violação ao ne bis in idem. Seu primeiro argumento reside na alegação de que a legislação infraconstitucional que regulamenta o IPI padeceria de vício de inconstitucionalidade, dada a não observação do princípio da nãocumulatividade por não admitir que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Com relação a este, há de se destacar que este Conselho não é competente para conhecer ou afastar normas jurídicas tributárias em face da alegação de inconstitucionalidade. Nesse sentido, manifestase a súmula CARF número 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em seu artigo 72 prescreve que: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” (grifos nossos) Impossibilitase, portanto, por violação direta de súmula deste Conselho, o conhecimento do presente argumento da inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional do IPI. Corroborando o exposto, tornase importante reprisar a narrativa oferecida pelo Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, “Quanto aos questionamentos que se voltam à validade da lei, na qual se baseia o procedimento levado a efeito pela fiscalização, esclareçase que, por estar devidamente Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 953 15 fundamentada a exigência em norma inserida no ordenamento jurídico, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, "a" e III, "h" e § V' da Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública.” Já em relação à alegação da ocorrência de compensação pelo contribuinte de créditos oriundos de declarações de inconstitucionalidade de aumentos de alíquotas do FINSOCIAL para com os créditos em cobrança e da consequente nulidade do Auto de Infração em face dessa, há de se analisar que não obstante o contribuinte faça prova do ajuizamento dessas ações e dos direitos delas decorrentes, não veio a comprovar satisfatoriamente a realização dessas compensações. Tais provas poderiam ter sido produzidas através da apresentação de cópia dos registros contábeis e fiscais que denotasse a efetivação do referido procedimento no encontro das contas de crédito com os débitos aqui correspondentes, ou mesmo, através da exibição destes quando solicitado pela Administração Tributária nas diversas fiscalizações que efetuou. Assim, no que diz respeito a esta argumentação, em face da inexistência de provas concretas, e sim, de uma mera arguição retórica, tornase impossível reconhecer a pretensão do recorrente. Quanto à aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios, o recorrente defende sua inconstitucionalidade, o que, como já exposto anteriormente, não pode ser analisado por este Conselho, já que aduz a controle de alçada exclusiva do Poder Judiciário. Contudo, somente a título explicativo, fazse mister apontar que esta utilização já é patente neste Tribunal, estando consubstanciada na Súmula CARF nº. 4, a qual é de adoção obrigatória este Conselho: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” No pertinente, ao caráter confiscatório da multa de 75% lançada de ofício, observase que seu lançamento se deu em conformidade com o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face da constatação de infração à legislação tributária. Dessa forma, a aplicação desta encontrase revestida de legalidade, e sua análise, à luz da vedação constitucional ao confisco, apenas para reprisar o que Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 954 16 cansativamente já foi exposto, não pode ser realizada sob pena de afronta à Súmula nº. 2 do CARF. Por fim, o recorrente deduz argumentação no sentido de que a multa de mora e os juros de mora teriam a mesma finalidade remuneratória, e que, por logo, seriam vedados pelo princípio do ne bis in idem. Nesses termos, frisase que a multa tributária é uma obrigação tributária principal ex lege, por força do artigo 113, §1º do Código Tributário Nacional, e cujo fato gerador é a infração à legislação tributária. No presente caso, foi aplicada multa, amparada no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face do não pagamento ou recolhimento de tributos, ou seja, pela infração à obrigações impostas por lei, como se obserca abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os juros de mora, por sua vez, são devidos, ainda que não haja prejuízo, sempre que ocorrer atraso no cumprimento de qualquer obrigação. Desta forma, quando do atraso no pagamento de obrigações tributárias, passase a dever juros de mora. Consolidando esse entendimento postase a Súmula nº. 5 do CARF: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Improcedente é, mais uma vez, a pretensão do recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 955 17 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000548/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS.
Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial..
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE
Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica.
Numero da decisão: 3302-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13056.000548/2004-98
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392244
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-001.654
nome_arquivo_s : Decisao_13056000548200498.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 13056000548200498_5392244.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
id : 5682789
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252193247232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 159 1 158 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13056.000548/200498 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.654 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente AGRO LATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 48 /2 00 4- 98 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório por bem refletir a decisão recorrida. “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo. A Delegacia de origem do processo reconheceu parcialmente o direito creditório. 2. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo do PIS nãocumulativo das receitas provenientes de transferências de ICMS. Defende a legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A partir de tais argumentos requereu o reconhecimento da inexigibilidade do PIS sobre as quantias decorrentes da transferência de saldo credor de ICMS a fornecedores/terceiros. Todavia, entendendo que a interessada não estava legitimada para reivindicar eventual direito creditório, foi indeferida a solicitação da interessada, ratificando a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.” Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000548/200498 Acórdão n.º 3302001.654 S3C3T2 Fl. 160 3 O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo de receitas provenientes de transferência onerosa de créditos de ICMS, bem como da legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A recorrente questiona, em sua peça, a inclusão por parte da Receita Federal, dos valores relativos à transferência de créditos de ICMS na base de cálculo da PIS, alegando que tal operação não implica em receita para a mesma, e mesmo que implicasse, seria qualificada como receita de exportação, caracterizada como isenta e imune à incidência de PIS e COFINS. Passamos agora a discutir tais pontos abordados no recurso voluntário em questão: I – DA INCLUSÃO DOS VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: Prosseguindo, vejo então que a análise de mérito no presente processo restringese primordialmente sobre a exigibilidade ou não de PIS sobre os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. A recorrente alega em sua peça que tais transferências não se caracterizam como receita, e mesmo se receita fosse, seria proveniente de exportações, isenta de tributação por parte de PIS e COFINS. Contudo, no que tange a esse tema controverso, tenho que razão assiste ao contribuinte, posto que a cessão de créditos do ICMS tratase de operação meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. No entanto, previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica – em especial quando o própria contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos –, desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Assim, em verdade, tal operação não transitou em contas de resultado, e nem representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial, utilizando se de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seu(s) fornecedor(es), mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS ou COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela PIS ou COFINS. Nesse sentido decidiu a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, como adiante, no Acórdão no. 20180.505, de 15 de Agosto de 2007: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” II – DOS INSUMOS TIPIFICADOS NA LEGISLAÇÃO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS, COMERCIAIS, INDUSTRIAIS E FINANCEIRAS A sistemática da nãocumulatividade visa evitar o efeito "cascata" da tributação das contribuições ao PIS e COFINS. No caso das contribuições em exame, estas incidem sobre o faturamento ou receita, diferindo dos moldes do IPI e do ICMS, que incidem sobre uma cadeia econômica. Sendo assim, a não cumulatividade do PIS e da COFINS é operada mediante redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre o faturamento em etapas anteriores (Método Subtrativo Indireto). A questão deve ser vista como uma forma de atenuar a incidência dos efeitos destes tributos sobre a receita ou o faturamento, que são altamente nefastos à economia nacional e aos contribuintes de todas as áreas de negócios. As Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, estabeleceram regras com a finalidade de regulamentar a cobrança não cumulativa relativamente às contribuições ao PIS e a COFINS, atendendo a demanda do setor produtivo da economia, com o objetivo de aumentar sua eficiência. Por essa sistemática os contribuintes a ela sujeitos podem apurar créditos correspondentes à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para serem descontados do que for apurado a título de PIS e COFINS. Para a apuração desses créditos foi adotado o critério de listar os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou à respectiva Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000548/200498 Acórdão n.º 3302001.654 S3C3T2 Fl. 161 5 função de INSUMO utilizado na produção de bens e serviços, para a sua dedutibilidade. Obviamente, ser insumo de uma determinada atividade não impõe a que esse mesmo bem ou serviços seja insumo de uma outra determinada atividade econômica. Entendo que o termo insumo, deve ser interpretado de forma extensiva, como sendo aqueles bens e serviços, que adquiridos de pessoas jurídicas no caso concreto, sejam direta e efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, seja na pré, na produção, ou na pósprodução. Por fim, no que tange ao princípio da nãocumulatividade em relação às contribuições ao PIS e à COFINS, divergem da previsão constitucional originária em relação ao IPI e ao ICMS, dependendo, no caso do PIS e da COFINS de regulamentação por lei infraconstitucional, o que ocorreu com a edição das Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, não havendo que se falar em violação ao referido princípio no caso em tela. Assim temos que a aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto a ser fabricado. A própria recorrente afirma, que para fins apuração dos créditos, foram computados créditos sobre aquisições de insumos de serviços de pessoas físicas, bem como, sobre valores de despesas financeiras, despesas administrativas e comerciais.”, sobre esses valores foram procedidas as glosas, e não foram demonstrados nos autos do processo a inserção desses serviços no respectivo processo produtivo. III CONCLUSÃO Neste sentido, conheço do presente recurso, e doulhe provimento parcial. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Declaração de Voto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 O Conselheiro José Antonio Francisco não apresentou a declaração de voto no prazo regimental Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000235/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO, POR FALTA DE ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO PROMOVIDA PELO ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.488, DE 2007. APLICAÇÃO RETROATIVA. SÚMULA CARF Nº 74.
Aplica-se retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO, POR FALTA DE ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO PROMOVIDA PELO ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.488, DE 2007. APLICAÇÃO RETROATIVA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplica-se retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13839.000235/2002-61
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390796
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.670
nome_arquivo_s : Decisao_13839000235200261.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13839000235200261_5390796.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5672327
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252203732992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 223 1 222 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000235/200261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.670 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria IPI Recorrente PCE BEBIDAS LTDA (sucedida por PEPSICOLA ENGARRAFADORA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO, POR FALTA DE ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO PROMOVIDA PELO ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.488, DE 2007. APLICAÇÃO RETROATIVA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 02 35 /2 00 2- 61 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 224 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata o presente de Auto de Infração decorrente de auditoria interna de DCTF, lavrado em 12/11/2001, para constituição de crédito tributário relativo a multa de ofício isolada, no percentual de 75% do IPI pago relativo aos primeiro, segundo e terceiro decêndios de janeiro de 1997, primeiro decêndio de fevereiro de 1997 e primeiro, segundo e terceiro decêndios de março de 1997, em decorrência da falta de pagamento de multa de mora nos recolhimentos efetuados após o vencimento original das exações, fls. 26 a 39. A recorrente impugnou o lançamento alegando em síntese: 1. A natureza constitucional do processo administrativo e a necessidade de garantia da ampla defesa, do contraditório e da busca da verdade material; 2. Que o ajuizamento de ação declaratória – processo nº 98.06115201, em 06/10/1998, objetivando o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea relativa aos pagamentos em atraso, cujas competências são as mesmas deste lançamento, resultaria na desnecessidade de lavratura do auto de infração, bastando que se notificasse a recorrente da ocorrência do fato imponível e do nascimento da relação jurídica; 3. Que há ausência de motivação e causa do lançamento em razão da existência do processo judicial e da verificação da inocorrência da falta de recolhimento da multa de mora, pois que caracterizada a denúncia espontânea; 4. A inobservância do princípio da verdade material por ter lavrado o auto de infração, apesar da existência de processo judicial, e sem levar em consideração o instituto da denúncia espontânea; 5. Que a imposição da multa viola os princípios da vedação expressa de tributo confiscatório, princípio da estrita legalidade; 6. Que, caso não se entenda pelo cancelamento do lançamento, deve a autuação se recair sobre o valor da multa de mora não recolhida à época e não sobre o pagamento do tributo; 7. O protesto pela produção de provas, especialmente a juntada de documentos e perícia contábilfiscal. A Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 14.594, não conhecendo da impugnação, nos termos da ementa que, abaixo, transcrevese: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da impugnação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 225 3 Impugnação não Conhecida. A PEPSICOLA ENGARRAFADORA LTDA, sucessora da PCE BEBIDAS LTDA, cientificada em 16/05/2007, interpôs recurso voluntário em 13/06/2007 (fls. 175 a 202), alegando, além das matérias já aduzidas na impugnação, a possibilidade jurídica de tramitação concomitante dos processos judicial e administrativo. Ao final, pede a declaração da insubsistência do auto de infração. O processo foi encaminhado, inicialmente, à Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, a qual declinou a competência para o Segundo Conselho de Contribuintes. Ainda na fls. 212 a 216, foi juntado o MEMORANDO nº 10830 SECAT/DRF/CPS/10.214, em 29/10/2012, informando que o processo judicial nº 98.0611520 1 transitou em julgado em 22/05/2012, sem qualquer decisão favorável à recorrente e que teria havido renúncia ao direito em que se funda a ação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, esclareçase que o lançamento ora guerreado trata exclusivamente da constituição de crédito tributário relativo a multa de ofício isolada, não havendo qualquer constituição relativa a tributo com multa de ofício vinculada ou juros de mora. Cumpre salientar que a autuação foi fundamentada na falta de recolhimento integral da multa de mora, verificada nos pagamentos em atraso, correspondentes às competências tributárias objeto deste lançamento, com fulcro no artigo 44, incisos I e §1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 226 4 351, de 2007) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a autuação obedeceu ao princípio da legalidade restrita, pois o fato ocorrido – pagamento de tributo após o vencimento do prazo previsto, sem acréscimo de multa moratória – subsumiase na norma do caput combinado com o inciso I e com o inciso II do §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Decorre que a autoridade fiscal procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário, pois é atividade vinculada e obrigatória, conforme a norma do art 1421 do CTN. No caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, previsto no art. 1492 do CTN, em razão da constatação da existência de tributo pago após o prazo de vencimento, sem a inclusão de multa de mora. Ultrapassado este ponto, ressaltase que todas as alegações fundamentadas em inobservância de princípios constitucionais, como a vedação ao confisco, não são oponíveis no âmbito deste Conselho, sendo matéria objeto de súmula e dispositivo expresso regimental. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 227 5 Assim, dispõem os artigos 62 e 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto às demais alegações relativas às preliminares e ao mérito, recaem, em suma, na aplicação do instituto da denúncia espontânea, objeto da ação judicial de nº 98.06115201. Neste ponto, a decisão da DRJ não merece reparos, pois, de fato, constatase que a matéria de defesa da impugnação é idêntica à da ação judicial, conforme constatado no pedido judicial transcrito a seguir: “Isto posto, requer respeitosamente a Vossa Excelência, julgar PROCEDENTE a presente ação, para os fins de declarar a inexistência de relação juridícotributária que obrigue a Autora ao recolhimento das penalidades decorrentes dos pagamentos realizados em atraso , constantes nos autos , assegurandoselhe o direito à exclusão das multas que quer a Ré sejam impostas, reconhecendose, em contrapartida, ter operado, na espécie, o instituto da denúncia espontânea, conforme preceituado pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.” Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 228 6 No tocante à identidade de objeto, a própria recorrente a reconhece, pois que não houve contestação a este ponto. Verificada a concomitância, deixase de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Evidenciase a partir do enunciado que a renúncia à via administrativa independe da modalidade processual e do momento de propositura da medida, ou seja, ainda que a ação tenha sido proposta anteriormente ao lançamento, caracterizada está a renúncia. Portanto, dada a prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas, uma vez verificada a concomitância, deve ser declarada a definitividade do lançamento, devendo a unidade administrativa prosseguir com o feito, se adequando ao decidido no processo judicial, exatamente como decidido no acórdão recorrido. Entretanto, a decisão proferida pela DRJ ocorreu em 12/01/2007, anteriormente à publicação da MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 115/06/2007, cujo artigo 14 modificou a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para os seguintes termos: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 229 7 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Observase que a Lei nº 11.488, de 2007, revogou a multa de ofício isolada, aplicável nos casos de pagamento em atraso, sem multa de mora – inciso II do §1º caso concreto deste lançamento. Aplicase na hipótese, a retroatividade benigna prevista no artigo 1063, inciso II do CTN. Tal matéria, inclusive, foi objeto da Súmula CARF nº 74: Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei no 9.430/96. 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 230 8 Salientase que a concomitância não se aplica em relação à revogação da regra matriz de incidência da multa lançada, pois que esta matéria não compôs a lide judicial, por ser decorrente de legislação superveniente. Assim, o lançamento deve ser declarado improcedente. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901299/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.901299/2009-90
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398064
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.384
nome_arquivo_s : Decisao_10925901299200990.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10925901299200990_5398064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5709239
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252205830144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 410 1 409 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.901299/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.384 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 99 /2 00 9- 90 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 411 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 412 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 413 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 414 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 415 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 416 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.004695/2009-11
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390387
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-000.592
nome_arquivo_s : Decisao_10980004695200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10980004695200911_5390387.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5669106
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252211073024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.004695/200911 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.592 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de setembro de 2014 Assunto IRPF Recorrente LUIZ ALBERTO SPITZ. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 69 5/ 20 09 -1 1 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO SPITZ, lavrouse contra o epigrafado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2005, fls. 296 a 302, exigindo R$ 768.198,09 de imposto e R$ 576.148,56 de multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os esclarecimentos da autuação encontramse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 207 a 214, na planilha de depósitos justificados de fls. 215 e 216 e na de créditos não justificados de fls. 217 a 295, integrantes do auto de infração, conforme consignado à fl. 300. No Termo de Verificação consta que a presente autuação decorreu da fiscalização da movimentação bancária, referente ao anocalendário de 2005, do contribuinte José Arnaldo Spitz, que declarou possuir somente uma conta corrente, de n° 11.4002 da agência 10012 da Caixa Econômica Federal, da qual o autuado era cotitular, e que, em síntese, alegou serem os depósitos decorrentes de pagamentos de clientes da empresa Teleficha Comércio de Cartões ME, CNPJ 01.950.461/000198, excetuados os de salário e de dois empréstimos. O autuado foi pessoalmente intimado, em 22/08/2008 — fls.39 a 66, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos existentes em sua conta bancária, no anocalendário de 2005, mas não apresentou qualquer resposta. Ao ser intimado, em 14/10/2008 — fls. 67 a 69, a identificar e separar os depósitos com finalidade particular dos efetuados por conta da atividade da pessoa jurídica da qual ele e o irmão eram sócios, com a devida comprovação, respondeu, por intermédio de procurador, que não havia depósitos particulares na conta bancária fiscalizada e declarouse sem condições de informar as receitas e despesas da pessoa jurídica e também impossibilitado de separar os créditos bancários consignados nos extratos, alegando necessitar as fotocópias dos cheques que compuseram os depósitos. Ao ser intimada a apresentar contratos, notas fiscais e outros documentos que embasaram a elaboração de seu Livro Caixa, a empresa Teleficha declarou não possuir conta bancária própria e que somente foram escrituradas como receita o percentual recebido pela distribuição de cartões telefônicos físico e virtuais de operadoras de telefonia móvel, fls. 109 a 118, apresentando alguns contratos e notas fiscais dos meses de novembro a Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 4 3 dezembro de 2005, afirmando serem as únicas que mantinha arquivadas, fls. 489 a 566 do Anexo I. A autoridade autuante, no Termo de Verificação, salientou a não apresentação da escrituração contábil da empresa Teleficha e que, nos contratos de prestação de serviços apresentados, foi verificado que a TIM Sul e a Brasil Telecom transferiam a posse dos cartões para aquela empresa, que ficava obrigada a pagar o valor integral acertado na operação, independente do êxito na revenda aos interessados. Também, ressaltou que, como nas respostas às intimações efetuadas aos titulares da conta bancária investigada, eles afirmaram a impossibilidade de separar os créditos bancários consignados nos extratos em razão desses agruparem vários cheques de clientes, foi efetuada Requisição de Informações Financeiras à CEF para obtenção do desdobramento dos depósitos bancários de valor superior a R$ 30.000,00, os quais foram integralmente repassados ao fiscalizado, fls. 119 a 148, para que ele identificasse os depósitos particulares e os comerciais, com a devida comprovação. Porém, o contribuinte respondeu afirmando que "os dados obtidos não se demonstraram suficientemente esclarecedores", em razão de não possuir a microfilmagem dos cheques e de a escrita da empresa somente revelar o valor global da venda efetuada, fls. 149 a 151, apresentando somente a correlação de alguns depósitos e documentos, fls. 152 a 181. Os depósitos acatados como justificados por esses documentos estão relacionados na planilha às fls. 212 e 213. No Termo de Verificação consta que a "cobrança simples" pagas pela Fasamed Comércio Farmacêutico, identificada nos documentos fornecidos pela CEF, fls. 122 a 148, foi devidamente comprovada por meio de ordem de compra de fls. 152 a 154. Também foi destacado que mesmo de posse da cópia de alguns cheques, suscitados como imprescindíveis, o contribuinte não conseguiu correlacionálos com depósitos, fls. 182 a 194. Como não foi identificado qualquer depósito no valor das cópias de cheques apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que, embora nominais à Teleficha, não foram vinculados aos depósitos na conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Assim, o lançamento somente admitiu como comprovada a origem dos depósitos relacionadas na planilha de fls. 215 e 216, além dos atribuídos à Fasemed, tendo sido os sem origem justificada, fls. 217 a 295, considerados como omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n° Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 5 4 9.430, de 1996, observado o rateio entre os dois titulares da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Cientificado do lançamento em 20/05/2009, conforme "AR" de fl. 305, o contribuinte apresentou, em 19/06/2007, por intermédio de procurador — fl. 323, a impugnação de fls. 307 a 322, acompanhada dos documentos de fls. 324 a 488, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 489. Alega ter apresentado os extratos bancários solicitados da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF, referentes ao anocalendário de 2005, e declarado à fiscalização não possuir outras contas bancárias e que 99,99% da movimentação da conta corrente referiase a depósitos de cheques oriundos da atividade comercial da empresa Teleficha Comércio de Cartões Ltda. — ME, da qual é sócio juntamente com seu irmão, Luiz Alberto Spitz, co titular da conta corrente. Traça histórico da empresa Teleficha, asseverando ser uma empresa familiar, cujo capital de giro inicial teria sido o crédito obtido na empresa TIM por meio de hipoteca de seu imóvel residencial. Dessa forma iniciou a atividade de "retirar os cartões telefônicos na T1M, e providenciar a distribuição nos pontos de vendas, RECEBENDO os pagamentos, quitando o crédito, fazendo jus assim, a 10% do valor do cartão, conforme contrato em anexo". Afirma que a entrega nos pontos de vendas era efetuada por colaboradores, todos parentes do contribuinte, sendo o valor total das vendas contabilizado diariamente na empresa e depositado na conta bancária dos sócios, em dinheiro e cheques, estimados em mais de 200 diariamente, para quitar as Notas Fiscais da operadora e possibilitar nova obtenção de crédito para prosseguir em sua atividade. Ressalta receber muitas vezes cheques de terceiros, que somados aproximavamse do valor da entrega, ratificando ser impossível comprovar todos os depósitos efetuados. Assevera que os valores questionados pela fiscalização não podem ser caracterizados como renda omitida, em razão de serem originários de crédito obtido junto à operadora de telefonia e para ela terem retornado, resultando que somente o percentual contratado era disponibilidade da empresa Teleficha, a qual foi tributada e os respectivos impostos recolhidos pela pessoa jurídica. Insiste que todos os valores creditados na conta corrente são pertencentes às operadoras de telefonia, à exceção da margem contratual da empresa Teleficha, dos salários e dos empréstimos pessoais. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 6 5 Alega que a comprovação de suas afirmações está "nos pagamentos feitos e nas saídas dos valores da conta corrente" e que "as notas fiscais de pagamento/reembolso de cartões feitos as operadoras de telefonia (anexas) demonstram com meridiana clareza tal situação". Enfatiza que a movimentação bancária "anormal" parou de ocorrer a partir de dezembro de 2005, quando a Teleficha Ltda. passou a ter conta corrente própria. Insiste na dificuldade de atender "as disposições da fiscalização", afirmando ser a identificação dos créditos bancários humanamente impossível e economicamente inviável, em razão de a entrada de valores ter sido efetuada de forma difusa e sem muito controle e, também, porque não possuía as cópias dos cheques, cuja obtenção de microfilmagem custaria R$ 28,00 por folha, onde no verso estaria identificado o cliente da Teleficha. Declara ter sido utilizada a conta pessoal dos sócios e irmãos somente na fase inicial do negócio e para evitar burocracia. Ratifica ser fácil a identificação da saída dos recursos para as operadoras de telefonia, por meio de notas fiscais pagas/reembolsadas pela Teleficha. Entende que os valores mensais da apuração de rendimentos comprovariam tratarse do mesmo capital de giro obtido com a hipoteca do imóvel residencial, suscitando que os valores mensais jamais teria ultrapassado o limite concedido pelas operadoras. Salienta ter sempre atendido as intimações da fiscalização, considerando tendenciosa e ilegal a forma de apuração adotada pelo lançamento e alegando que a CEF, apesar de ter afirmado que apresentaria a cópia de título de sua compensação, não o fez. Insiste que diariamente eram depositados mais de 200 cheques dos mais variados valores, que apareceram nos extratos bancários de forma consolidada, sem os valores individualizados. Aduz que a própria tabela de créditos bancários considerados como de origem não comprovada atestaria que os recebimentos da empresa Teleficha se davam de diferentes formas: por boletos de cobrança, dinheiro ou cheques. Esclarece não haver correlação entre as Notas Fiscais da Teleficha e os depósitos, em razão daquelas representarem o total das vendas e não os valores e títulos recebidos. Informa que a Teleficha, à época dos fatos, era optante do Simples, não estando sujeita à escrituração contábil e Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 7 6 com os lançamentos efetuados de forma simplificada no Livro Caixa. Alega que das quatro microfilmagens de cheques obtidos junto a CEF, duas estavam ilegíveis, impossibilitando a verificação da origem do recebimento. Sustenta ter acostado aos autos cópia de tela do sistema da CEF atestando que todos os boletos emitidos tinham como credor a empresa Teleficha, mas a conta creditada era a dos sócios, porque a pessoa jurídica não possuía conta bancária. Afirma que a fiscalização já considerou duas importâncias recebidas na forma de COB COMP, que foram objeto de intimação à CEF. Dessa forma, considera inconsistente e conflitante que os demais créditos com o histórico COB COMPE sejam mantidos no lançamento, os quais totalizariam R$ 657.752,24, conforme planilha que afirma estar anexando "(doc.6)". Insurgese contra a autuação baseada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, alegando que a presunção legal não é absoluta e não deve ser aplicada isoladamente, sem que sejam avaliadas as circunstâncias de cada caso, sustentando que o § 5° possibilitaria a sua não utilização em razão de considerar evidenciado que a movimentação financeira decorre da atividade comercial da empresa Teleficha Ltda. Cita decisão do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese de que a evidência exclui a responsabilidade, afirmando estar juntando aos autos cópia integral do acórdão. Aduz que o seu patrimônio e de familiares não correspondem ao de pessoas que tenham usufruído e ocultado mais de cinco milhões de reais. Considera arbitrária a exigência baseada unicamente em créditos em conta corrente, em razão da pessoa física não estar obrigada à escrituração contábil, afirmando que o lançamento com base somente em presunção contradiz os princípios da reserva legal e da estrita legalidade, sendo imprescindível que a fiscalização demonstre efetivamente a renda auferida. Traz diversos questionamentos acerca da tributação com base em depósitos bancários, enfatizando que a movimentação financeira não caracterizaria renda. Insiste que a movimentação financeira autuada é da empresa Teleficha, enquadrada no sistema de tributação Simples e que só passou a ter conta bancária em dezembro de 2005, ressalvando que a margem de lucro da pessoa jurídica era no máximo de 10% do valor dos depósitos e que qualquer apuração de variação patrimonial deveria ter sido efetuada na Brasil Telecom ou na Tim Celular, a quem pertencia 90% dos recursos Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 8 7 transitados por sua conta corrente, conforme entende ser a determinação dos arts. 43 e 45 do Código Tributário Nacional. Considera inaceitável não terem sido acatados como origem de depósitos bancários a atividade da empresa Teleficha, destacando ter sido comprovado que a empresa e os sócios não possuíam outras contas bancárias e que a conta corrente fiscalizada refletia a movimentação bancária dos três envolvidos. Aduz que o limite de R$ 80.000,00, definido no art. 849, § 2°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR, deveria ter sido aplicado para cada titular da conta, suscitando que a presunção de omissão de rendimentos desapareceria quando os depósitos não comprovados fossem inferiores a esse limite. Afirma que os depósitos bancários somente ensejariam lançamento quando fosse demonstrada a relação entre o valor omitido e o respectivo depósito, fato que considera não caracterizado no presente caso. Sustenta que os créditos bancários deveriam ter sido apurados mensalmente e não somados no final do ano calendário, considerando que em alguns meses não haveria incidência de IR em razão do limite de isenção. Enfatiza que a dificuldade de elucidação individualizada de cada depósito, por não estar a pessoa física obrigada a possuir escrituração bancária, teria levado o Conselho de Contribuintes a "admitir a redução de até 50%" antes da edição do DecretoLei n° 241 de 1988. Solicita a produção de prova pericial a cargo de pessoa habilitada, especificando os quesitos, e que a CEF seja intimada a apresentar cópia de todos os microfilmes de cheques depositados na conta corrente fiscalizada e dos boletos de cobrança emitidos e quitados mediante COB COMP. Finaliza solicitando o deferimento da prova pericial, a desconstituição do auto de infração e que, caso mantido o lançamento, sejam excluídos da base de cálculo os boletos recebidos, os cheques devolvidos, os empréstimos, o salário e o limite anual de R$ 160.000,00, além do cálculo do imposto devido "na fórmula do carnê leão". Pede ainda a produção das demais provas admitidas no direito admissíveis, em especial a documental que acompanha a presente impugnação e relaciona os documentos apresentados junto com a impugnação. A DRJ julgou o impugnação procedente em parte, nos termo da ementa a seguir: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea, que, se tratando de presunção legal, transfere ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EFETUADOS POR PESSOA JURÍDICA. FINALIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São tributáveis os créditos bancários na conta correntes de sócios, mesmo que provenientes de pessoa jurídica, para os quais não houve a respectiva escrituração e nem foram apresentados as correspondentes notas fiscais, de maneira a comprovar a que título se deu a transação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados a débito, nas contas bancárias, relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 10 9 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos e também o de perícia, por prescindível, quando as questões levantadas encontramse dentro do ônus probatório do requerente e independe de conhecimento técnico especializado não dominado pelo julgador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 11 10 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. Na realidade a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da presunção legal. A intimação a apenas um titular, ainda que todos sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários, sendo que a própria renda já é presumida. No caso concreto inferese conforme documentos que a conta da Caixa é conta conjunta com o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ. Está claro nos autos que o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ, foi intimado a apresentar extratos bancários e ao mesmo tempo comprovar a origem dos depósitos no mesmo. Não está claro se o referido cotitular recebeu uma relação individualizada de depósitos para comprovar. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providencias: 1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se o Sr. José Arnaldo Spitz, recebeu por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem, ou tão somente, foi solicitado ao mesmo que apresentase os extratos e demonstrase a origem de todos os depósitos. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 12 11 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 13 12 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000807/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/10/2000
ACE - 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE - 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador.
2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador.
3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador.
4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 27/10/2000 ACE - 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE - 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10209.000807/2005-82
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391297
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.276
nome_arquivo_s : Decisao_10209000807200582.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10209000807200582_5391297.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5673267
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252236238848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 111 1 110 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000807/200582 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.276 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria II AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/10/2000 ACE 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 07 /2 00 5- 82 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 41.598,26, objeto do Auto de Infração fls. 02/12. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação no 00/10361027, em 27/10/2000, submeteu a despacho aduaneiro 380,572 tonelada métrica de GLP (BUTANO), classificável na NCM/SH código 2711.13.00 e NALADI SH 2711.13.00 utilizandose da redução de 100% da alíquota do Imposto de Importação conforme Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai. Esclarece a fiscalização de forma minudente no relatório de fls. 04/08, a seguir resumidamente demonstrado: a) No Certificado de Origem apresentado está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 00RY1258D emitida pela YPF situada na Argentina e não apresentada no despacho; b) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de nº PIFSB nº 1060/2000, fl. 21, emitida em 21.11.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 112 3 situada em Trinidad e Tobago, país não membro do MERCOSUL; c) no conhecimento de embarque, fl.20, que assegura a propriedade da mercadoria, verificase que não está consignada a Petrobras International Finance Company, sa empresa situada em Trinidad e Tobago e emissora da fatura comercial apresentada para despacho aduaneiro; d) a “A PFICO é a empresa que consta na Declaração como exportador (fls.25), o que acarreta Trinidad e Tobago ser o país de aquisição. e) ratifica ainda a fiscalização: “Nesta operação está caracterizada a intervenção de um terceiro país não membro do Acordo na qualidade de exportador, visto que a empresa através da correspondência UMREMAN/CMB 019/02 de 19/08/02 , (fls.30 a 32), confirma que adquire a mercadoria da Argentina, revende para sua subsidiária, a empresa a Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador. E ainda, mesmo que a empresa exportadora, situada em Trinidad e Tobago se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário nos termos do Decreto nº 1.914 de 22 de maio de 1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, que no campo 24 – Observações do Certificado de Origem faça constar que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente.” (sic). Cientificado do lançamento em 28/09/2005, conforme fls.03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 31/10/2005 a impugnação de fls. 36/45, nos termos a seguir resumidos: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo a operação comercial em foco, ou seja, a Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, GLP (BUTANO), produzido na Argentina, junto à empresa YPF S/A, reduzindo a alíquota de 100% com base no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), firmado entre os aludidos países; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela YPF, de nº 00RY1258D, e outra pela PIFSB, de nº PIFSB1060/00, expedida pela PFICO, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Argentina; a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 destacando que razão alguma assiste ao órgão autuante pois não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro país, nos termos da Resolução nº 252, pois esta apenas reproduziu em seu artigo nono a íntegra do artigo 2º da Resolução 232, o qual não definiu a figura do operador; – ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com os países integrantes do acordo, mormente a Argentina, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman, “ou seja houve um equívoco no preenchimento da Declaração de Importação” na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; a PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda. O próprio AuditorFiscal reconheceu que o contribuinte procedeu a importação de produtos derivados de petróleo da YPF S/A, situada na Argentina, com transporte diretamente para o Brasil, conforme Certificado de Origem; quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu próprio corpo; o Certificado de Origem foi expedido na Argentina, contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a YPF S/A, e a certificação, propriamente dita , do Ministério da Indústria e Comércio daquele país. O Certificado de Origem trouxe a indicação da fatura comercial expedida pela YPF de nº 00RY1260D. Tudo conforme previsto na norma; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, a fim de que seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; – tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1º, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 113 5 – ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a referida taxa como taxa de juros moratórios; – tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; cita respeitável jurisprudência. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 69/84), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para a) considerar devido o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação, no valor de R$ 16.045,00, acrescido da multa de mora e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável; e b) exonerar o crédito tributário relativo à multa de ofício de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 12.033,75, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 27/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. Em 20/7/2010, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 76). Inconformada, em 9/8/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 77/103, no qual, em relação ao parcela do auto de infração julgada procedente, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou que fosse observado os julgados do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais que decidiram favoravelmente à recorrente, por diversas vezes, a matéria sobre supostas Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 irregularidades em operação de triangulação comercial, especialmente, em relação a que aqui está sendo tratada. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese ao tratamento tributário e aduaneiro dado à operação de importação de GLP (BUTANO), formalizada por meio da Declaração de Importação (DI) no 00/10361027, registrada em 27/10/2000. Para a fiscalizãção, a autuada descumpriu as regras do regime de origem, logo, não fazia jus à redução tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do Imposto de Importação (II), prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai, executado no Brasil pelo Decreto 550/1992. De modo contrário, sustenta a recorrente que foram atendidos todos requisitos do regime origem, logo, a referida operação de importação estaria contemplada com à preferencia tarifária fixada no citado Acordo. Os requisitos da operação de importação exigidos para que as mercadorias originárias dos Estados Partes beneficiemse do tratamento tarifário preferencial previsto no referido Acordo encontramse estabelecidos no artigo 10º do Regulamento de Origem das Mercadorias no MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, promulgado pelo Decreto 1.568/1995, que dispõe sobre a execução do referido Protocolo, e que tem o seguinte teor: Artigo 10º Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. A esses efeitos se considera expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do MERCOSUL; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância de autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito estiver justificado por razões geográficas ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estiverem destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o transporte ou depósito, nenhuma operação diferente das de carga ou descarga ou manipulação Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 114 7 para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. c) poderá aceitarse a intervenção de operadores de outro país desde que, atendidas as disposições de a) e b), exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia quanto ao atendimento dos requisitos atinentes à expedição direta do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador, no caso, respectivamente, Argentina e Brasil, uma vez que o conhecimento de carga (fl. 21), que serviu de lastro à operação, informa que a mercadoria foi embarcada na Argentina e entregue no Brasil. Também não há qualquer dúvida sobre a origem da mercadoria, que é originária da argentina. O ponto fulcral da controvérsia cingese ao atendimento dos requisitos Regime de Origem do MERCONSUL, especificamente o atendimento das exigências relativas a operação de intervenção do operador de outro país não participante do ACE18, no caso, a empresa exportadora Petrobras International Finance Company Pifco, situada nas Ilhas Cayman. Da leitura da alínea “c” do referenciado artigo 10º, inferese que, em relação à operação comercial, a norma expressamente admite a interveniência de um operador econômico de outro país não integrante dos Estados Partes do ACE18. No entanto, para essa situação excepcional, a norma em comento exige que a operação atenda duas condições. A primeira, que o operador interveniente do terceiro país emita fatura comercial. A segunda, que o Certificado de Origem seja emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. Em consonância e complementando o disposto na alínea “c” do referenciado artigo 10º, exige o Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.914/1996, que criou novo modelo do Certificado de Origem do MERCOSUL, instituído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, que, no caso de operações comerciais em que há interveniência de operador econômico de um terceiro país não participante do Acordo, que se faça constar do campo 14 (Observações) do Certificado a informação de que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. Para melhor compreensão dessa exigência, reproduzse a seguir o texto da quarta nota que consta no dorso do novo formulário, in verbis: NOTAS O presente certificado: [...] poderá ser aceita a interveniência de um operador de outro país, sempre que sejam atendidas as disposições previstas neste certificado. Em tais situações o Certificado será emitido pelas Entidades Certificantes habilitadas para tal fim, que fará constar no campo 14 – Observações – que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. (grifos não originais). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Aliás, as referidas notas encontramse reproduzidas no Certificado de Origem apresentado para amparar a operação de importação em apreço (fl. 25). O texto da nota em destaque, de forma clara, esclarece que, havendo a interveniência de um operador de outro país, a operação de importação deve ser realizada por conta e ordem do operador interveniente, no caso, a Pifco, situação que não se vislumbra na operação de importação em apreço. Com efeito, noticiam os autos que, na operação de importação em tela, a intervenção da operadora Pifco, situada em um terceiro país não membro do Acordo, deuse na qualidade de exportadora e não como real importadora, como exige a nota em comento. No caso, a função de importador de fato e direito foi exercida pela Petróleo Brasileiro S/A. – Petrobras, o que caracteriza a operação em comento como tendo sido realizada em nome e sob a responsabilidade integral da própria Petrobras (importadora de fato e direito). No caso, não houve operação de importação por conta e ordem de interveniente situado em outro país não participante do Acordo, mas sim importação realizada pela própria autuada de pessoa jurídica localizada em terceiro país não integrante do Acordo, no caso Trinidad e Tobago, que foi o país da aquisição informado na DI que amparou o despacho aduaneiro de importação da mercadoria (fls. 21/24). Aliás, sobre esse fato inexiste controvérsia nos autos, posto que, por meio da correspondência de fls. 33/35, a própria importadora e autuada (Petrobras) confirma que a mercadoria fora comprada na Argentina pela exportadora Pifco, que, posteriormente, revendeu lhe, para fim de importação para o Brasil, o operação que foi realizada pela própria autuada, conforme explicitado na referida DI. As informações contidas na citada DI e nos demais documentos que instruíram o correspondente despacho aduaneiro de importação, também corroboram a conclusão aqui esposada de que, no caso em questão, não teve operador interveniente e tampouco operação de importação por conta ordem de interveniente, mas operação de importação realizada diretamente pela autuada sem a interveniência de operador de outro país estranho ao Acordo, conforme explicitado nos fragmentos de textos que seguem transcritos: a) informação extraída do verso do Conhecimento de Carga (fl. 22), in verbis: ENDOSSED TO THE ORDER OF PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY FOR AND BEHALF OF REPSOL – YPF TRADING Y TRANSPORTE S. A (RYTTSA). ENDOSSED TO PETROLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRAS PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY P. O. BOX 1092 GRAND CAYMAN – CAYMAN ISLAND b) informação extraída das fichas da DI (fls. 14, 26 e 27), ipsis litteris: Importador CGC: 33.000.167/074490 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS [...] Exportador Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 115 9 Nome: PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Logradouro: BANKAMERICA BUILDING, FORT STREET Numero:00000 Complemento: P. O. BOX 1092 Cidade: GEORGE TOWN Estado: GRAN CAYMAN País de Aquisição: TRINIDAD E TOBAGO [...] Fabricante/Produtor Nome: YPF S/A Logradouro: AV. ROQUE SAENES PENA Numero:000777 Complemento: Cidade: BUENOS AIRES Estado ARGENTINA País de Origem: ARGENTINA Com base nessas informações, fica evidenciado que aqui não se trata de descumprimento de mera formalidade, como alegou a recorrente, mas da falta de atendimento de requisito material necessário para que a operação fosse contemplada com a redução tarifária do ACE – 18, ou seja, que a mercadoria originária dos Estados Partes fosse importada dos correspondentes País, o que não ocorreu no caso em apreço. Além disso, ainda que fosse caracterizada a operação de importação por conta e ordem da Pifco, o que se admite apenas para argumentar, sob ponto vista formal, a ausência dessa informação no campo 14 (Observações) do Certificado de Origem de fls. 24/25, certamente, implicaria descumprimento da exigência determinada no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE – 18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Aliás, no campo 14 referido Certificado, consta a seguinte informação: Por cuenta y orden de REPSOLYPF TRADING Y TRANSPORTE, S.A. Po de la Castellana, 278 —28046 Madrid, Espana Com essa informação, o referido Certificado ampararia uma operação de importação por conta e ordem da interveniente REPSOL YPF TRADING Y TRANSPORTE S.A, o que não se vislumbra na operação de importação em questão. Por todas essas razões, fica cabalmente demonstrado que a operação de importação em tela não atende os requisitos materiais fixados na alínea “c” do artigo 10º do Regulamento de Origem do MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, executado pelo Decreto 1.568/1995, e tampouco o requisito formal determinado no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE–18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Desse modo, resta impossibilitada a aplicação do tratamento preferencial tarifário pleiteado pela autuada na referida DI e, noutro giro, o acerto da fiscalização ao Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 proceder o lançamento do crédito tributário devido na referida operação importação, sem qualquer redução tributária. A recorrente alegou que a documentação coligida aos autos atendia fielmente ao que determinava o art. 2º da Resolução nº 232, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), executada pelo Decreto 2.865/1998, a seguir transcrito: Artigo 2º Incorporar ao Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: "Segundo Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". "Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação". (grifos não originais) Sem adentrar no mérito se a operação de importação em tela atende ou não aos requisitos do citado preceito normativo, é certo que ele, expressamente, permite que a mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI seja faturada de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, “identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”. Entretanto, não se pode olvidar que o referido comando normativo aplicase apenas às operações de importação submetidas ao Regime Geral de Origem da ALADI, atualmente consolidado pela Resolução nº 252, do Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999. É pertinente ressaltar que no texto consolidado da Resolução nº 252, o texto do artigo 2º Resolução nº 232 encontrase reproduzido na íntegra no ARTIGO NONO. Por força dessa circunstância, a operação de triagulação comercial permitida no citado comando normativo, inequivocamente, não se aplica ao caso em tela, regido peloas regras do Regulamento de Origem do MERCOSUL, aprovado pela Decisão nº 6, do Conselho do Mercado Comum do MERCOSUL, e que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.568/1995 Para justificar a sua pretensão, a recorrente colacionou ao recurso em apreço farta jurisprudência administrativa do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relativa ao Regime Geral de Origem da ALADI, matéria estranha ao objeto da presente controvérsia. Por essa razão, deixase de fazer qualquer comentário a respeito. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 116 11 Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10235.001221/2005-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTOS. NULIDADE
Não há de ser anulado o lançamento erigido através de regular processo administrativo fiscal.
LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL.
Apenas os valores relativos às despesas de consumo são dedutíveis no livro Caixa sendo indedutíveis as aplicações de capital.
LIVRO CAIXA RETIFICADO PELO CONTRIBUINTE
Goza de presunção da validade a retificação levada à efeito pelo próprio recorrente, em obediência aos regramentos legais, devendo pois ser considerado para todos os fins legais.
LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES E COMPROVAÇÕES
A fim de que possam ser consideradas pela autoridade fiscal como dedutíveis, as despesas escrituradas em Livro Caixa devem obedecer aos conceitos e definições legais e tem de ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos, cujo ônus é do contribuinte.
MULTA ISOLADA. (CARNE-LEÃO). IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO.
Não cabe a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) quando incidentes sobre uma mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 15.957,20 referente à multa isolada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTOS. NULIDADE Não há de ser anulado o lançamento erigido através de regular processo administrativo fiscal. LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL. Apenas os valores relativos às despesas de consumo são dedutíveis no livro Caixa sendo indedutíveis as aplicações de capital. LIVRO CAIXA RETIFICADO PELO CONTRIBUINTE Goza de presunção da validade a retificação levada à efeito pelo próprio recorrente, em obediência aos regramentos legais, devendo pois ser considerado para todos os fins legais. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES E COMPROVAÇÕES A fim de que possam ser consideradas pela autoridade fiscal como dedutíveis, as despesas escrituradas em Livro Caixa devem obedecer aos conceitos e definições legais e tem de ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos, cujo ônus é do contribuinte. MULTA ISOLADA. (CARNE-LEÃO). IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) quando incidentes sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10235.001221/2005-18
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5385744
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-002.851
nome_arquivo_s : Decisao_10235001221200518.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10235001221200518_5385744.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 15.957,20 referente à multa isolada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5648088
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252336902144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 404 1 403 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10235.001221/200518 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.851 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANTÔNIO CABRAL DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTOS. NULIDADE Não há de ser anulado o lançamento erigido através de regular processo administrativo fiscal. LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL. Apenas os valores relativos às despesas de consumo são dedutíveis no livro Caixa sendo indedutíveis as aplicações de capital. LIVRO CAIXA RETIFICADO PELO CONTRIBUINTE Goza de presunção da validade a retificação levada à efeito pelo próprio recorrente, em obediência aos regramentos legais, devendo pois ser considerado para todos os fins legais. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES E COMPROVAÇÕES A fim de que possam ser consideradas pela autoridade fiscal como dedutíveis, as despesas escrituradas em Livro Caixa devem obedecer aos conceitos e definições legais e tem de ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos, cujo ônus é do contribuinte. MULTA ISOLADA. (CARNELEÃO). IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) quando incidentes sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 12 21 /2 00 5- 18 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 405 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 15.957,20 referente à multa isolada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (fls.03/12 ), Exercício 2002, Ano Calendário 2001, no valor total de R$84.481,18, incluindo imposto, multa de oficio de 75% e juros de mora, lavrado em decorrência das seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas; b) Dedução Indevida de despesas de Livro Caixa; c) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de Carne Leão; 0 sujeito passivo, inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 02/12/2005(fl.07), apresentou impugnação em 03/01/2006 (fl. 60/76), alegando, em síntese, que: a) Pelo Livro Caixa apresentado em 2002 verificase que as despesas nele consignadas "erradamente" somam R$87.193,15 e pelo novo Livro Caixa foi apresentado apenas R$47.709,36 (R$87.193,15 R$39.483,79); b) Acontece que o Livro Caixa original ostenta o valor de R$125.182,53; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 406 3 c) Como a Fazenda Nacional não pode aproveitarse do "erro" do contribuinte, o valor acima deverá representar as despesas contraídas durante o Exercício de 2001; d) A correção desses erros acaba por eliminar o fato gerador, deixando, obviamente, de existir tributo, segundo o art.114, do CTN; e) Deve prevalecer com a correção dos erros aritméticos o primeiro Livro Caixa; f) Quando a digna Autoridade Fiscal convenceu o contribuinte/impugnante que deveria elaborar um "novo" Livro Caixa não imaginara que, mesmo assim, o mesmo receberia "nova"glosa, agravando a situação tributária do mesmo; g) Em decorrência do novo entendimento da digna autoridade fiscal entende o contribuinte/impugnante que foi violado o principio da boa fé que rege todas as relações jurídicas; h) Considerando que todas as despesas foram necessárias para o exercício digno da profissão de advogado não há como ser consideradas inválidas para efeito de tributação; i) Nesse sentido é a não aceitação das despesas do profissional liberal como a compra de modernos instrumentos de trabalho, tais como computadores, impressoras, livros, sob a alegação de que se trata de despesas operacionais e não de consumo, ultrapassando o ano fiscal; j) Diante dos fundamentos expendidos, pede que seja considerado como válido o primeiro Livro Caixa que ostenta o valor de R$125.182,53; 1) Houve clara omissão da DRF/AP quanto às despesas compulsórias relativas a instrução (R$5.100,00) e médicas (R$1.315,92); m) Prejuízo pela não incidência dos juros e correção monetária do carnêleão recolhido antecipadamente; n) Ilegalidade da aplicação da multa isolada de 75%, por ser incompatível com a ordem jurídica tributária justa, citando, em sua defesa, precedente do CC, em que é o recorrente, referente ao processo n° 10235.000951/200259; o) Parte da documentação que firmam o Livro Caixa já se encontra nos autos, juntando aos autos os documentos das despesas que foram glosadas; Em vista das alegações acima, requer: a) Declarar nula a aplicação da multa isolada; b) Julgar totalmente ou parcialmente procedente a presente impugnação. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 407 4 Dessa forma, temse que o contribuinte não impugnou a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, resultando no valor de R$ 10.418,23, conforme planilha abaixo, relativo ao principal do imposto suplementar, sem prejuízo da incidência de multa de oficio e juros de mora, pelo que tais créditos devem ser apartados para cobrança imediata. EXERCÍCIO 2002 DISCRIMINAÇÃO VALORES (EM R$) BASE DE CALCULO DECLARADA 558.436,62 INFRAÇÕES NÃO IMPUGNADAS 37.884,48 TOTAL 596.321,10 ALÍQUOTA 27,5% PARCELA A DEDUZIR 4.320,00 IMPOSTO DEVIDO 159.668,30 IR PAGO 149.250,07 IR NÃO CONTESTADO 10.418,23 Permanece como objeto deste litígio a quantia de R$ 10.858,04 referente ao IRPF/2002, mais os correspondentes acréscimos legais de multa de oficio e juros de mora. É o relatório.” Passo adiante, a 2a Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL. Apenas o valor relativo As despesas de consumo é dedutível no livro Caixa. De outro lado, as aplicações de capital são indedutíveis. São despesas dedutíveis as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como material de escritório, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação. Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto 6, não se extingam com sua mera utilização. MULTA ISOLADA. (CARNÊLEÃO). REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE 75% PARA 50%. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 408 5 A lei nova que prevê penalidade menos severa que a vigente ao tempo da prática da infração deverá ser aplicada retroativamente aos fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte Cientificado em 07/02/2008, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2008 (fls.361/395), reiterando sua argumentação apresentada na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares a serem analisadas. Contudo o recorrente requer “medida liminar” “para sustar qualquer procedimento fiscal por parte da DRFB/AP com relação à inscrição na Divida Ativa do valor de R$ 10.418,23 e seu consectário de R$ 7.813,67.”, “utilizando por analogia os arts. 797 e 798, do Código de Processo Civil.” (sic) Quanto a medida liminar requerida, sem adentrar ao mérito de sua pertinência, entendo que não assiste razão ao recorrente, pela falta de interesse/objeto, haja vista que, nos termos do processo administrativo fiscal delineadas no Decreto 70.235, bem como pela dicção do Código Tributário Nacional ex vi do seu artigo 151, inciso III, o crédito tributário encontrase atualmente, por força do julgamento do presente recurso administrativo, com exigibilidade suspensa, o que por si só já afasta o provimento pleiteado pelo recorrente, que portanto, não merece ser acolhida. A única exceção no que tange ao crédito tributário lançado à época, diz respeito a parcela da exigência de imposto no valor de R$ 10.418,23, que deverá ser submetida à imediata cobrança em autos apartados (fl. 352), vez que se trata de parcela não impugnada pelo contribuinte, ora recorrente, que portanto, se tornou definitiva. Sem nomear de preliminar, argui o recorrente a nulidade do Auto Infração, que em seu sentir malferiu diversos preceitos constitucionais, entre eles o da isonomia, bem como incorreu em “erros de lançamento”. Neste ponto, entendo que o processo administrativo de que trata, transcorreu da forma prevista pela legislação de regência, não havendo qualquer mácula que o torne nulo, haja vista o preenchimento dos requisitos legais e respeito aos ditames do PAF, devendo ser afastada a argüição de nulidade suscitada pelo contribuinte, em síntese, por inexistir vício que comprometa o lançamento, ou mesmo desrespeito a qualquer direito do ora recorrente. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 409 6 Quanto ao mérito, propriamente dito, o recorrente inicialmente se insurge contra a aplicação da multa isolada de 75%, taxandoa a de ilegal e que seria “incompatível com a ordem jurídica tributária justa.” De se destacar que, quanto a este ponto, a autoridade administrativa encontra se vinculada à legislação de regência, a saber, o artigo 116, inciso III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN), sendo obrigada a seguir a aplicação da legislação pertinente. Ora, não há que se falar em ilegalidade da norma aplicada, quando existe expressa previsão legal vigente a embasar sua aplicação. Mesmo se a intenção do recorrente foi taxar de inconstitucional e não de ilegal a multa aplicada, não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF apreciar alegação de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula CARF nº2 que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, a legislação é por demais clara, sendo certo que no caso em análise, o contribuinte somente pode considerar (e escriturar) como dedutíveis as despesas referentes ao custeio e necessárias a sua atividade, que sempre devem vir acompanhadas das competentes documentações necessárias, por ocasião da fiscalização. No presente caso, apesar de entender como dedutíveis as despesas com água, luz e telefone, inclusive eventualmente os livros utilizados no exercício da profissão de advogado, como no presente caso, verifico que a documentação apresentada pelo recorrente se compõem de: a) documentos que apesar de se referirem a despesas dedutíveis, se referem a outro imóvel (Av. Presidente Vargas, n.831) diverso daquele consignado na abertura do Livro Caixa (R. Cora Coralina, 902), b) outros comprovantes de despesas que não estão em nome do contribuinte não podem, portanto, ser considerados pela fiscalização, c) documentos referentes a aquisição de bens não comprovadamente utilizados no exercício da profissão. Quanto a validade do Livro Caixa retificado, tendo em vista que a retificação do Livro Caixa, foi apresentada pelo próprio contribuinte, não há que cogitar qualquer violação ao principio da boa fé, devendo este, o retificado, prevalecer para todos os efeitos legais. Quanto a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, consoante jurisprudência Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, não é devida concomitantemente com a multa de ofício. Neste sentido, diversos julgados desde Egrégio Conselho, in verbis: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 410 7 oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. E ainda, verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) Quanto às decisões administrativas colacionadas pelo recorrente, não podem ser aplicadas ao caso dos presentes Autos, como precedente, na medida em que não existe lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituindo, pois, norma complementar do Direito Tributário. Desta forma, não pode ser estendida genericamente a outros casos, eis que somente se aplica sobre a questão em análise e apenas vincula as partes envolvidas naquele litígio. Diante do exposto, julgo PROCEDENTE EM PARTE o presente recurso, para afastar a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, na medida da concomitância com a multa de ofício, equivalente à R$ 15.957,20. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10850.905394/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.905394/2011-06
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384036
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.157
nome_arquivo_s : Decisao_10850905394201106.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850905394201106_5384036.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5642247
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252361019392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.905394/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.157 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente VIADIESEL TRANSPORTE E COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 53 94 /2 01 1- 06 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001179/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS.
Sujeitam-se à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional.
NULIDADE.
Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO.
Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo.
MULTA AGRAVADA.
Mantém-se a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria "MPF", os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Sujeitam-se à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantém-se a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10820.001179/2010-01
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393260
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.907
nome_arquivo_s : Decisao_10820001179201001.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
nome_arquivo_pdf_s : 10820001179201001_5393260.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria "MPF", os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5684954
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252367310848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001179/201001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.907 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ. Omissão de Receitas. Juros Recebidos Recorrente BRACOL HOLDING LTDA. Recorrida 3ª Turma da DRJ/RPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Sujeitamse à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 11 79 /2 01 0- 01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 3 2 INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria "MPF", os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela BRACOL HOLDING LTDA. contra o Acórdão n. 1437.522 proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO em face do julgamento que manteve na íntegra os Autos de Infração de IRPJ e CSLL. Os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, respectivamente nos valores totais de R$ 1.245.947,41 e de R$ 448.541,07, foram lavrados após a Fiscalização ter apurado, no ano calendário de 2005, omissão de receitas de juros não escriturados no valor de R$ 1.877.840,93. De acordo com o Relatório do Acórdão recorrido, relata o fisco que, em procedimento fiscal realizado na empresa BASF S/A – CNPJ 48.539.407/000118, constatou se que: a) Houve transação simulada de "compra" do estabelecimento da Bracol de CNPJ n° 01.597.168/003961 pela empresa BASF S/A. Tal transação, na verdade, não passou de simples compra de créditos indevidos de IPI pela BASF S/A; b) No contrato relativo à referida transação, datado de 20/03/2003, na cláusula VII (Preço), nos itens 3 e 3.1 há previsão de remuneração com base na taxa SELIC. c) Há aditivo do contrato mencionado na alínea anterior, datado de 17/06/2003, que também trata da referida remuneração. d) Na escrituração contábil da BASF S/A foram registrados os valores correspondentes à remuneração citada nas alíneas "b" e "c" acima mencionadas. A fiscalização consultou a escrituração contábil do sujeito passivo (Bracol Holding Ltda) referente ao ano de 2005, que foi apresentada em arquivos digitais, e não identificou escrituração de valores correspondentes às remunerações devidas pela BASF S/A. Foi encontrado apenas um registro efetuado em 31/03/2005 no valor de R$ 336.965,20, a crédito da conta 91301000012 (Juros recebidos). A contribuinte foi intimada várias vezes a informar se houve escrituração dos valores das citadas remunerações e quais as contas contábeis em que foram realizados tais registros. Como não houve resposta, em 27/11/2009, os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, mais uma vez, o seu procurador alegou que não dispunha da documentação requerida. Como as intimações não foram atendidas, a multa de ofício foi agravada em 50%, a teor do § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Foi efetuado o lançamento de ofício tributandose o valor total dos juros escriturados e pagos pela BASF S/A para a contribuinte, excluindose apenas o valor de R$ 336.965,20, que foi registrado na sua contabilidade. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com as impugnações de fls. 139 a 158 (IRPJ) e fls. 180 a 199 (CSLL), subscritas pelos procuradores Fernando Dantas Casillo Gonçalves e Tiago Dias de Amorim (fls. 159/173), alegando: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 5 4 · O auto de infração é nulo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), art. 59, I, porque os AFRF autuantes não possuem competência para constituir o crédito tributário do IRPJ, que é privativa de servidores vinculados à Derat/SP, por ser o IRPJ tributo cujas questões fiscais devem ser realizadas por fiscais com jurisdição no domicílio fiscal da empresa, ou seja, São Paulo, capital; · O auto de infração também é nulo porque a “Autorização para Reexame de Período já Fiscalizado” emitida pelo Superintendente não transferiu a competência de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo e de servidores jurisdicionados no município de São Paulo, capital, para a DRF/Araçatuba e seus servidores; · Outra causa da nulidade do auto de infração reside no fato de que não se respeitou os termos do MPFF. Por esse documento o local indicado para a realização dos trabalhos fiscais foi somente o endereço da impugnante localizado no município de São Paulo, capital, jamais tendo sido permitida a realização de atividades no município de Araçatuba, Estado de São Paulo, como pretenderam os supracitados AFRFB em total inobservância aos termos do MPFF. Além disso, não existiu válida delegação de competência da Derat/SP para a DRF/Araçatuba, porque isso também deveria estar escrito no MPFF, considerando a legislação aplicável, sendo mais um motivo para a nulidade de todos os trabalhos fiscais e do presente auto de infração; · Mesmo na hipótese do MPFF não estar viciado com as irregularidades apontadas anteriormente, persiste uma circunstância geradora da nulidade de todo o trabalho fiscal. O auto de infração é nulo, porque os trabalhos fiscais que lhe embasaram estão viciados por terem sido realizados com fundamento em MPFF sem validade jurídica, uma vez que foi emitido por autoridade atuando em delegação de competência relacionada à função de Delegado da Receita Federal do Brasil (RFB), violando o art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. A realização de trabalhos fiscais por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal e diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte ocasiona a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente; · O auto de infração deve ser cancelado em razão da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, que tem validade de 60 (sessenta) dias, salvo se for prorrogado por ato escrito, nos termos do art. 7º, § 2º do PAF. Todos os procedimentos fiscais realizados a partir da emissão do citado termo o foram de forma irregular pela perda de sua validade; · A impugnação merece ser provida, porque a impugnante não foi intimada previamente a se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, ofendendo o art. 44 da Lei nº 9.784,de 1999. Os autuantes deveriam ter intimado a Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 6 5 impugnante e concedido um prazo razoável para a preparação dos documentos para análise no seu estabelecimento no município de São Paulo, Capital. Não foram observados os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784, de 1999, já citada; · Para a validade do lançamento seria imprescindível que o auto de infração contivesse os fundamentos jurídicos do lançamento, especialmente os dispositivos que estabelecem ser a impugnante sujeito passivo, bem como os relativos à base de cálculo e alíquotas utilizadas para a apuração do quantum debeatur supostamente devido aos cofres públicos. Deveriam ter sido citados os arts. 146, 147, I (que define como contribuinte a pessoa jurídica domiciliada no Brasil), 219 (que define o lucro real como base de cálculo para o caso da impugnante), 541 e 542 (que define a alíquota aplicável e adicional); · A fundamentação jurídica inadequada afronta a Constituição Federal (CF), arts. 5º, LV, 37, o princípio da publicidade, o Código Tributário Nacional (CTN), arts. 3º, 142 a 144, e o PAF, art. 10, IV; · Na presente autuação os motivos de direito não existem, pois a fiscalização não demonstrou juridicamente de forma adequada, precisa e clara, os dispositivos legais necessários para garantir a fundamentação jurídica do lançamento do IRPJ, não bastando, para garantir esse embasamento, dispositivos que apenas tratam de aspectos específicos e operacionais do tributo federal; Houve cerceamento do direito de defesa por não terem sido demonstradas as razões jurídicas necessárias para o lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário. O fisco cerceou seu direito de defesa, pois não demonstrou como apurou tributos se os valores das operações não foram apropriados como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e por ter efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre essas mesmas bases de cálculo; · Houve ofensa ao art. 9º do PAF, uma vez que foi cientificada do auto de infração, mas não foram apresentados os seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração. Tal fato prejudicou o seu direito de exercer a defesa no prazo de 30 (trinta) dias, conforme garantido pela legislação, uma vez que somente tomou conhecimento do inteiro teor os documentos citados pelo AFRF no auto de infração no dia 15/12/2009, ou seja, uma semana depois da ciência da autuação. A perda desse prazo causou prejuízo à defesa, porque considerando terem os documentos relacionados ao caso sido emitidos há mais de cinco anos e, muitos deles, de titularidade de empresa na qual não mais participam a família “Bertim”, todo o prazo de trinta dias deveria ser aproveitado para a busca de todos os documentos. Assim, o auto de infração deve ser cancelado, porque não foi apresentado à impugnante juntamente com todos os seus anexos, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 7 6 ou, ao menos, ser cancelada a ciência da impugnante, com a reabertura de novo prazo para apresentação de impugnação; · O lançamento é nulo pois o fisco, ao apurar o IRPJ devido, não levou em consideração a existência de valores negativos do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 1.279.949,53 e R$ 470.351,13, respectivamente, conforme comprovam as fichas 12 A e 17 da DIPJ 2006 encaminhada à RFB, o que não resultaria imposto devido; · O auto de infração deve ser cancelado, pois ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; · O auto de infração deve ser cancelado, pois a fiscalização não demonstrou que a impugnante praticou o fato gerador do tributo. Considerando que os supostos juros foram pagos em produtos e não em dinheiro, como reconhecido pelos próprios autuantes, não existe contabilização de receita da forma realizada no auto de infração, porque isso somente seria possível se houvesse pagamento em dinheiro que não foi o caso; · A multa agravada de 112,5% deve ser cancelada, pois não está presente no processo nenhuma das hipóteses previstas no parágrafo 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que somente não apresentou todos os documentos solicitados porque eles não estavam em seu poder e tendo em vista o curto prazo concedido para o levantamento de todos os documentos relativos à período superior a cinco anos; · Requereu, caso não seja cancelado o auto de infração, que seja reaberto o prazo de trinta dias para impugnar, em razão do não fornecimento dos anexos da autuação; · Requereu que também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos o advogado no seguinte endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 3311, 6º andar, São Paulo, Capital. Os membros da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto acordaram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa abaixo: Acórdão 1437.522 3ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 30 de abril de 2012 Processo 10820.001179/201001 Interessado BRACOL HOLDING LTDA. CNPJ/CPF 01.597.168/000199 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 8 7 Sujeitamse à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. O início do procedimento fiscal previne a jurisdição, na hipótese de competência concorrente entre as unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 9 8 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em suma: Nulidades: a) A nulidade do feito, pelo indeferimento do pedido de reabertura de prazo para impugnação, tendo em vista que não houve a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos; b) A incompetência dos AFRFB de Araçatuba para constituírem o crédito tributário do IRPJ; c) A Autorização para Reexame do Período já fiscalizado não transferiu competência para a DRF Araçatuba; d) Os descumprimentos às normas dos MPF emitido; e) O fato de que o MPF deveria ser emitido pela Superintendente da Receita Federal f) A perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; g) A falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da fiscalização, conforme art. 44 da Lei 9.784/99; h) A inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 10 9 i) O cerceamento do direito de defesa ao não ter a fiscalização demonstrado como pode ser possível exigir tributos da Recorrente se os valores das operações não foram apropriadas como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e ter este contribuinte efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre estas mesmas bases de cálculo; j) Não observância dos direitos e deveres previstos na Lei 9.784/99; l) A falta de apuração do IR considerando o valor negativo existente na contabilidade da empersa; No Mérito, repisa os argumentos já expostos na impugnação, alegando em síntese: a) A inexistência de infração; b) A decadência; c) A inexistência da prática do fato gerador; d) A penalidade confiscatória Requereu, por fim, o provimento do recurso voluntário para ser cancelado o Acórdão recorrido em razão de não ter sido reaberto o prazo para apresentação de nova impugnação e não ter sido apreciado diversas e importantes razões de defesa, com o retorno dos autos para primeira instância proceder novo julgamento. Sucessivamente, requer que seja reformado o Acórdão recorrido com o total cancelamento do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A recorrente apresentou em seu recurso voluntário vários argumentos de nulidades dos autos de infração objeto do processo em epígrafe, os quais serão abaixo analisados. a) A nulidade do feito, pelo indeferimento do pedido de reabertura de prazo para impugnação, tendo em vista que não houve a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos O contribuinte em sua impugnação e novamente em seu recurso voluntário alegou ter sofrido prejuízo ao exercício de sua defesa por ter os Auditores Fiscais, por ocasião da intimação dos autos de infracão, deixado de entregar naquele momento os anexos e de todos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 11 10 os materiais que fundamentaram a elaboração dos autos de infração, descumprindo as determinações do art. 9o do Decreto n. 70.235/72, que assim prescreve: Decreto n. 70.235/72 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Compulsando o processo o que se constata na verdade é que o contribuinte foi diversas vezes devidamente intimado (intimação pessoal) a entregar documentações, a prestar esclarecimentos, a contribuir com a fiscalização, todavia sempre dificultou o andamento dos trabalhos. Em verdade nada trouxe o contribuinte aos autos, seja na impugnação ou no recurso, para provar o alegado de prejuízo ao seu exercício da ampla defesa. Nem mesmo a petição de solicitação da documentação que alega não ter sido entregue pela Fiscalização. Por outro lado, analisando os autos de infração de IRPJ e CSLL verificouse que foram lavrados cumprindo as formalidades legais essenciais previstas no art. 10 do PAF, tais como: a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, o Demonstrativo de Apuração dos tributos e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, contendo as condições necessárias para produzir o efeito que lhes compete, conforme determina o CTN, art.142. Eles se fizeram acompanhar do Termo de Verificação de Infração Fiscal, no qual foram descritos todos os fatos e apurações feitas pela fiscalização, todos os valores das receitas de juros omitidas, discriminados mês a mês. Por não vislumbrar no procedimento fiscal constante do presente processo prejuízos ao exercício de defesa do contribuinte deixo então de acatar esse argumento de nulidade. b) A incompetência dos AFRFB de Araçatuba para constituírem o crédito tributário do IRPJ; O Decreto nº 70.235, de 1972 regula a hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não jurisdiciona o contribuinte: Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 12 11 (...) § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (ressaltei) (...) Art. 9º § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º. A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Renumerado de 2º para 3º, pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93)(ressaltei) Portanto, o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. c) A Autorização para Reexame do Período já fiscalizado não transferiu competência para a DRF Araçatuba; d) Os descumprimentos às normas dos MPF emitido; e) O fato de que o MPF deveria ser emitido pela Superintendente da Receita Federal; f) A perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; Tratandose os itens “c”, “d”, “e”, e “f” a respeito de supostas nulidades do MPF, passase a analisalos conjuntamente. Primeiramente, cabe destacar que a ação fiscal em tela, executada por auditores fiscais lotados na DRF/Araçatuba, encontrase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002009 044565 (fls.4/5 ) emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo, o que, desde já, afasta a nulidade “f” levantada pela recorrente. Em relação ao MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, cumpre registrar que consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 13 12 O MPF constituise, assim, em instrumento de controle que se presta, tão somente, a possibilitar à RFB acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos auditoresfiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por lei e pela Administração. Sendo assim, não cabe interpretar que qualquer irregularidade no MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (CF, art.37), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Inclusive esse entendimento já se encontra sedimentado no presente Conselho, a saber: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105330 do Processo 13982001173200170 Data 05/12/2005 Ementa recurso "ex officio" MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma Acórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data 28/01/2008 Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002 NULIDADES. AUSÊNCIA Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 14 13 DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido. Quanto à extrapolação de prazo de fiscalização, esclarecese que o MPF Fiscalização nº 08.1.90.002009 044565 (fls.4/5 ) foi prorrogado eletronicamente nos termos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, conforme DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES abaixo: MPF prorrogado até: 01 de Março de 2010. MPF prorrogado até: 30 de Abril de 2010. MPF prorrogado até: 29 de Junho de 2010. MPF prorrogado até: 28 de Agosto de 2010. MPF prorrogado até: 27 de Outubro de 2010. MPF prorrogado até: 26 de Dezembro de 2010. Considerando que os autos de infração foram lavrados e cientificados no dia 11/11/2010 não há que se falar em expiração do prazo da fiscalização que se findaria em 26/12/2010. g) A falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da fiscalização, conforme art. 44 da Lei 9.784/99; Alega a contribuinte não ter sido devidamente intimada do prazo de 10 dias previsto no art. 44 da Lei n. 9.784/99 para se manifestar acerca do Termo de Encerramento da Fiscalização. Não procede tal alegação porquanto o presente processo ter sido formalizado em obediência ao Decreto n. 70.235/72, concedido os prazos lá previstos, não restando necessidade de aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. Vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o PAF, que é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. h) A inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; Com relação à alegação de nulidade por ausência de fundamentação jurídica ou motivação inadequada do auto de infração em desrespeito ao art. 9º do PAF, novamente não assiste razão à contribuinte uma vez que resta devidamente informada nos autos de infração a origem da autuação, ou seja, omissão de receitas de juros não escrituradas decorrente de uma operação de venda de estabelecimento com aproveitamento dos créditos de IPI lá existentes. Tal fato foi inclusive reconhecido e relatado pela própria contribuinte em sua impugnação. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 15 14 Os motivos e a fundamentação jurídica dos autos de infração estão devidamente demonstrados em suas peças, todas devidamente cientificada ao contribuinte, que inclusive foi exaustivamente e previamente intimado a se manifestar nos Termos de Constatação Fiscal sobre os fatos que ensejariam a lavratura dos autos de infração. Dessa forma, não vislumbramos ter havido qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. i) O cerceamento do direito de defesa ao não ter a fiscalização demonstrado como pode ser possível exigir tributos da Recorrente se os valores das operações não foram apropriadas como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e ter este contribuinte efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre estas mesmas bases de cálculo; Não merecem prosperar as alegativas da Recorrente. Os autos de infração foram lavrados justamente por omissão de receita, não declarados, não contabilizados e nem oferecida à tributação. Há nos autos provas da própria fonte pagadora (BASF S/A) afirmando ter realizado os pagamentos, cópia do contrato da operação jurídica que ensejou a receita omitida, bem como cópia dos livros contábeis da BASF S/A contabilizando a operação. Portanto não se pode alegar ofensa ao direito de defesa se foi dado ao contribuinte diversas oportunidades para se manifestar e explicar acerca da existência ou não das receitas omitidas, seja por ocasião dos Termos de Constatação Fiscal, por ocasião da Impugnação e mesmo do Recurso Voluntário, mas mesmo assim nada foi dito pela empresa. j) Não observância dos direitos e deveres previstos na Lei 9.784/99; Conforme já relatado na alínea “g”, no processo administrativo tributário federal devem ser observadas as regras contidas no Decreto nº 70.235 /72 e não na Lei 9.784/99. l) A falta de apuração do IR considerando o valor negativo existente na contabilidade da empresa; A contribuinte alega, também, que o fisco não levou em consideração a existência de valores negativos do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 1.279.949,53 e R$ 470.351,13, respectivamente, conforme comprovam as fichas 12A e 17 da DIPJ 2006 encaminhada à RFB. De acordo com o Acórdão recorrido a contribuinte declarou em sua DIPJ 2006 apurou tais valores negativos de IRPJ e CSLL, levando em consideração os valores declarados a título de imposto de renda e CSLL mensal pagos por estimativa (fl. 17). Tais estimativas, entretanto, não foram efetivamente pagas por meio de Darf, mas sim por compensação solicitada em processos fiscais de restituição/ressarcimento, os quais foram indeferidos por falta de apresentação de documentos que comprovassem o crédito alegado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 16 15 Não obstante a tal constatação pela autoridade julgadora de 1ª instância, vale destacar que o contribuinte foi devidamente intimado por ocasião da fiscalização a apresentar livros contábeis (Razão e Diário), planilhas de saldos, arquivo de lançamentos contábeis, tabela de plano de contas, tabela de centro de custo/despesa, e todos os demais que reputassem necessários para informação da fisacalização. Dessa forma, os alegados saldos negativos de IRPJ e CSLL não foram comprovados pela contribuinte, razão pela qual não se pode considerálos na apuração dos tributos devidos do presente lançamento. Quanto ao MÉRITO, julgamos também pelo improvimento do presente recurso voluntário, mantendose na íntegra a decisão de 1ª Instância, pelas razões a seguir. m) A inexistência de infração; A contribuinte alega que, como os supostos juros foram pagos em produtos e não em dinheiro, não existindo contabilização de receita da forma realizada no auto de infração. A esse respeito dispõe o CTN, em seu art. 43, que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, determinando em seu § 1º que a incidência do imposto independe da denominação da receita, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela LC nº 104, de 10/01/2001): CTN Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Ficou comprovado no processo que a contribuinte, na transação realizada com a BASF, auferiu receita de juros e, embora, não tenha sido recebida em dinheiro deve ser oferecida à tributação. A recorrente, por outro lado, não apresentou qualquer documentação ou argumentação jurídica capaz de ilidir a caracterização do ilícito fiscal. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 17 16 n) A decadência; A contribuinte alega que, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, decaiu o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento. Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, relativamente ao IRPJ e CSLL, verificase que a contribuinte optou pela apuração anual dos citados tributos, ocorrendo o fato gerador em 31 de dezembro de 2005. Dessa forma, considerandose que o fato gerador ocorreu em 31/12/2005 e a ciência do auto de infração em 11/11/2010, concluise, tendo em vista o disposto no CTN, art. 150, §4º, que não houve decadência relativamente àqueles tributos. o) A penalidade confiscatória A recorrente traz ainda a alegação da natureza confiscatória da multa aplicada por violar o art. 150, IV da Constituição Federal de 1988. Ocorre que tal multa está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores, e tal diploma legal encontrase em vigor e foi legitimamente inserto na ordem jurídica pátria, por isso, considerando a estrita vinculação legal da atividade administrativa, não poderia a fiscalização, tampouco este colegiado, afastar sua aplicação, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 18 17 Registrese ainda que a ofensa do dispositivo legal que veicula a multa imposta a princípios constitucionais não é matéria oponível na via administrativa e, sobre isso, foi editada a Súmula nº 2, aprovada na sessão plenária de 18 de setembro de 2007, de aplicação obrigatória por este colegiado, por observância ao disposto no art. 72, § 4º, do precitado Regimento Interno. Referida Súmula possui o seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo exposto, conhecemos do presente recurso voluntário, visto que atendidos os pressupostos legais, entretanto NEGO PROVIMENTO pelas razões supra descritas. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
score : 1.0
