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Numero do processo: 12898.000161/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE.
A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.385
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, vencidos a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis e o conselheiro Thiago Taborda Simões que negavam provimento.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Relator e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 61 /2 00 8- 91 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, vencidos a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis e o conselheiro Thiago Taborda Simões que negavam provimento. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/12/2008 (fls. 03) para exigir contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, no período de 04/2003 a 12/2004. De acordo com o item 3 do Relatório Fiscal, foi realizado o arbitramento com base no art. 33 da Lei nº 8.212/91, onde se confrontou os saldos constantes nas contas nº 411.01.08 e 421.01.08 “Serviços de Autônomo” com os valores lançados nas folhas de pagamento da matriz e filiais. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 130/1162) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro solicitou a comprovação da ciência do auto de infração pela empresa Estácio de Sá Participações S.A., responsável solidária por compor o mesmo grupo econômico (fls. 1165). A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro informou que tal medida não é necessária, haja vista que as empresas possuem o mesmo quadro societário, na mesma proporção de participação do capital social (fls. 1166/1167). A d. DRJ no Rio de Janeiro informou que a coincidência da composição societária não retira a necessidade de intimação da empresa solidária, bem como determinou que os autos fossem encaminhados à Equipe de Controle de Débitos Previdenciários – EQCDP para providências (fls. 1170/1171). Intimada, a empresa Estácio Participações S.A. apresentou impugnação (fls. 1180/1357). A d. DRJ no Rio de Janeiro julgou a impugnação parcialmente procedente, sob o argumento de que: (i) os débitos exigidos até o período de 11/2003 se encontram decaídos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; (ii) a empresa Estácio Participações deve ser retirada do polo passivo da demanda; e (iii) o presente caso versa sobre a contribuição de segurados e não sobre a cota patronal, não havendo que se falar na isenção concedida às entidades beneficentes (fls. 1366/1380). A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1395/1406) alegando que: (i) só combateu os argumentos referentes à isenção pelo fato de o Relatório Fiscal levantar esse ponto, o que só demonstra o descompasso da fundamentação da autuação com os débitos exigidos, situação que configura cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração; (ii) não há qualquer discriminação do rol de empregados que supostamente não tiveram as contribuições recolhidas, não sendo possível apurar as contribuições que teriam sido recolhidas a menor, tampouco contestálas; (iii) o termo de arrolamento de bens é forma de Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 4 compelir o contribuinte ao pagamento do débito tributário, além de ofender ao disposto no art. 198 do CTN. É o relatório. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende que a fundamentação do lançamento está em descompasso com os débitos exigidos, situação que configura cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração. Compulsando os autos, verificase, em um primeiro momento, que não está clara qual contribuição se está exigindo (se cota patronal ou contribuição dos segurados), notadamente pelo fato de o auditor fiscal mencionar tratarse de contribuição previdenciária “incidente sobre as remunerações efetuadas aos segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços” (fl. 85). Além disso, há farta fundamentação no sentido de destacar os motivos pelos quais a Recorrente não é uma entidade beneficente, o que sugere versar o processo sobre a exigência da cota patronal incidente sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Ao analisar o item 26, contudo, verificase que o agente fiscal aplicou a alíquota de 11% sobre a base de cálculo apurada, revelando ser a exigência de contribuição dos segurados. A d. DRJ esclarece esse ponto da seguinte forma (fl. 1368): “3. O Auditor Fiscal autuante desconsidera a isenção alegada pela empresa em relação às contribuições patronais, pelas razões que elenca e que deixamos de reproduzir, tendo em vista que o presente Auto de Infração referese a contribuições de segurados, não alcançadas pelo indigitado benefício fiscal.” Com base nesses fatos, é possível entender haver cerceamento do direito de defesa, na medida em que a linguagem adotada pela fiscalização para demonstrar a contribuição exigida está equivocada. Contudo, no presente caso, constatase outro problema de maior magnitude, senão vejamos. A autoridade fiscal aplicou a aferição indireta para exigir as contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: “As bases de cálculo das contribuições foram aferidas, com base na Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigo 33,§§, pelo valor dos saldos mensais das contas n° 411.01.08 e n° 421.01.08 "Serviços de Autônomo", em confronto com as bases de cálculos constante das folhas de pagamentos dos estabelecimentos matriz e filiais, estando tais valores claramente evidenciados no Demonstrativo Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 6 do Débito Anexo I, parte integrante deste Relatório Fiscal Inicial, onde pode constatar, por estabelecimento, a Base de Cálculo Apresentada em Folha de Pagamento, a Base de Cálculo Contabilizada, a Base de Cálculo Aferida e a Contribuição do Segurado.” De acordo com o texto acima, é possível verificar como a fiscalização procedeu com o cálculo da exigência contrapondo contas contábeis com valores lançados nas folhas de pagamento. Constatase também que foi utilizada a alíquota de 11% de forma indiscriminada, tendo o lançamento resultado na apuração da planilha constante no ANEXO I (fl. 99). De acordo com a referida planilha, percebese que o agente fiscal utilizou aferição indireta de forma global, contrapondo os saldos totais das contas contábeis com as folhas de pagamento. No entanto, pela forma de apuração da base de cálculo (contas contábeis x folhas de pagamento), seria possível, em tese, averiguar a origem das diferenças entre as contas e apurar as contribuições efetivamente devidas pelos segurados, utilizandose as alíquotas corretas para cada um deles. Ocorre que, em momento algum a autoridade administrativa buscou fundamentar a necessidade de utilização do arbitramento e, consequentemente, a forma de apuração indiscriminada das contribuições dos segurados com base na alíquota máxima de 11%. Analisando o TIAF, TIAD e Termos de Intimação Fiscal (fls. 110/120), verificase que o fiscal não solicitou qualquer individualização dos valores contidos nas contas n° 411.01.08 e 421.01.08 "Serviços de Autônomo", de forma a realizar o cotejamento direto, por segurado, com as folhas de pagamento. Portanto, temse que a fiscalização instaurou o arbitramento sumariamente, o que não se admite. Vale dizer, assim, que os pressupostos de fato para a instauração do arbitramento não foram devidamente delineados no processo. Por esses motivos, entendo que o lançamento não foi devidamente fundamentado, deixando de apurar corretamente a matéria tributável, em ofensa ao art. 142 do CTN, em patente vício material. Este Conselho, em caso onde os pressupostos de fato levantados pela fiscalização, para fins de arbitramento, são deficientes, já entendeu pela nulidade do processo, senão vejamos: “ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO QUE CONDUZ À NULIDADE DO LANÇAMENTO. Em conformidade com o §6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 5 7 registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação do lançamento por vício material. QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. Lançamento Anulado.” (CARF, PAF nº 16682.720109/201217, Cons. Rel. Mauro José da Silva, Sessão de 12 de agosto de 2014) Desta forma, entendo que as contribuições ora exigidas devem ser anuladas, por vício material. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de que a presente exigência seja baixada, por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000115/2010-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 01 15 /2 01 0- 24 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de auto de infração em que houve aplicação de multa sobre a Recorrente, em decorrência de verificação fiscal documental realizada no setor de exportação da Receita Federal, em que foi constatado o descumprimento do prazo estabelecido pela Receita. A auditoria relata (fls. 07/09) que, no período de setembro/2008 a junho/2009, a empresa protocolou doze pedidos de retificação dos Conhecimentos Eletrônicos ( CE), listados A fl. 07, para alteração de Transbordo/Baldeação no Exterior, NCM e Consignatário. No entanto, verificouse que já havia vinculação dos CE As Declarações de Importação (DI), descumprindose, desta forma, o prazo previsto nos artigos 22 e 50 daInstrução Normativa (IN) RFB n° 800, de 27/12/2007, com a redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. De acordo com o DecretoLei 37/1966, art. 107, IV, e); deixar de prestar informação sobre veiculo transportador ou carga nele transportada ou suas operações nos prazos estabelecidos pela RFB enseja multa de R$ 5.000,00. "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 8 3 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Devidamente cientificada a Recorrente apresentou Impugnação, em que alegou, inicialmente, que atuou como agente de navegação marítima de empresa transportadora, não podendo figurar no pólo passivo. Defende que não deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, mas apenas retificou por solicitação do consignatário, posteriormente a sua informação, circunstância que não se encontra tipificada. Relata que somente a Lei, em sentido estrito, pode instituir penalidades, sendo que a penalidade que lhe foi aplicada encontra fundamento no parágrafo 1 , do artigo 45 da Instrução Normativa n 800/2007, que, de forma equivocada, definiu a conduta praticada como suscetível de penalidade. Defende que não houve qualquer prejuízo arrecadatório, conforme exige o § 2° do art. 113 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual prevê que a obrigação acessória é instituída no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Afirma que a sua conduta encontrase amparada pelo beneficio da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, já que as informações foram prestadas pela própria impugnante antes de qualquer procedimento administrativo ou medida fiscalizatória neste sentido. Alega que a intenção do legislador foi punir aquelas situações em que a falta de informações do transportador efetivamente causa algum embaraço à fiscalização, legitimando a sua cobrança, o que não ocorreu no caso em tela, pois somente houve o atraso na prestação das informações e que posteriormente foram prestadas espontaneamente. A DRJ decidiu que a Recorrente, mesmo na condição de agente marítimo representa o transportador estrangeiro, inclusive emitindo conhecimentos de embarque e fazendolhe as vezes, informando no Siscomex os dados relativos à mercadoria exportada. Aliás, descreve a DRJ que a Recorrente atuou também como empresa de navegação, em alguns dos transportes relacionados, além de, em todos, ter atuado como agência de navegação,conforme se observa nas Solicitações de Retificação e Consulta de Conhecimento e demais documentos juntados as fls. 12/134. Ora, o representante, no Pais, do transportador estrangeiro, segundo a DRJ, como é o caso da Recorrente, é expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos casos em que se opera a transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n' 2.472, de 1988. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, ou dela se beneficie. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Ainda, a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, ao tratar desta questão em seus artigos 4° e 5°, veio a corroborar expressamente que a empresa de navegação é representada no Pais por agência de navegação, também denominada agência marítima e que as referências normativas ali postas ao transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. A DRJ decidiu que a multa encontrase prevista legalmente, mais especificamente, no artigo 107, inciso IV, alínea 'e', do Decretolei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. E que o artigo 22 da IN RFB n 800/2007, assim dispõe: Ressalta a DRJ que a própria Recorrente admitiu que prestou as informações corretas fora do prazo, e que a IN RFB n 800/2007 somente veio sobre o controle aduaneiro informatizado das embarcações A DRJ ainda decidiu que a penalidade encontrase prevista em Lei, sendo que o simples descumprimento da obrigação acessória constitui hipótese de sua aplicação, ressaltando inclusive que a responsabilidade tributário é objetiva. E quanto ao artigo 138, alegado pela Recorrente, a DRJ decidiu que a denúncia espontânea não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas. Pois a obrigação consiste em registrar no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos, de modo que o registro feito posteriormente não caracteriza a denúncia espontânia, mas sim a conduta infracional. O raciocínio da Recorrente retiraria qualquer eficácila da norma, visto que objetiva o registro na forma e no prazo assinados pela legislação. Dessa forma, a DRJ julgou improcedente a Impugnação, motivo pelo qual a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que repisa os seus argumentos. É o Relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Sobre a preliminar arguida pela Recorrente, além dela figurar como transportadora em determinados casos, conforme relação constante no processo administrativo, o simples fato dela atuar como agente marítimo, representante da transportadora internacional, não faz com que ela não possa figurar no pólo passivo do auto de infração. Pelo contrário! A responsabilidade do representante do transportador encontrase prevista no inciso I, do artigo 95 do DecretoLei n 37/1966, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que concorra para a sua prática: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Dessa forma, a Recorrente é sim parte legítima a figurar no pólo passivo do auto de infração e no processo administrativo fiscal, tendo sido ela quem concorreu para a prática da infração. Com efeito, a multa aplicada sobre a Recorrente encontrase devidamente prevista na legislação, que, a seu turno, expressamente dispõe que a Secretaria da Receita Federal fixará a forma e o prazo estabelecidos para a prestação de informações, in verbis: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O artigo 22 da IN SRF n 800/2007, regulamentando no âmbito da Receita Federal o dispositivo acima transcrito, dispõe que esse prazo seria de 48 (quarenta e oito) horas, prazo esse excedido pela Recorrente, conforme segue: Observese que o dispositivo legal em comento não prevê hipótese de relevação da multa por eventual não prejuízo ao Erário, não sendo esta uma condição para que a multa venha ou não a persistir no presente caso. Relativamente ao instituto da denúncia espontânea, entendo que o artigo 138 do Código Tributário Nacional poderia permitir, em determinados casos, a exclusão da responsabilidade mesmo nos casos de obrigação acessória, posto que o dispositivo estabelece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea.: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Contudo, não me parece a hipótese do presente caso, em que houve a prestação de informações fora do prazo legal, sendo este prazo justamente o fim almejado pelo dispositivo legal, de modo que a Aduana possa ter no Siscomex as informações atualizadas, de acordo com os parâmetros fixados. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 10 7 A denúncia espontânea, nessa hipótese, retiraria a eficácia da norma, obrigando a criação de um sistema de emissão de penalidades assim que o prazo fosse ultrapassado, caso contrário seriam poucos os contribuintes que observariam o prazo fixado pela legislação. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 15956.000415/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presume-se receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê-lo, o contribuinte não comprova.
Numero da decisão: 1301-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presume-se receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê-lo, o contribuinte não comprova.
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Recorrente TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presumese receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 15 /2 01 0- 41 Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo administrativo que Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições do Simples, relativamente ao anocalendário 2006. Segundo reputou a Fiscalização foram constatadas as seguintes irregularidades: 1 Omissão de receitas não escrituradas; 2 Omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; 3 – Insuficiência de recolhimento. Consta ainda, que em procedimento de diligência, a empresa foi intimada (fl. 24/25), em 15/10/2009, a apresentar em relação ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 os seguintes documentos: 1) Cópias dos atos constitutivos, contrato social e alterações até a presente data; 2) Livro Diário; 3) Livro Razão; 4) Livro Caixa; 5) Livro Registro de Entradas de Mercadorias; 6) Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 7) Livro Registro de Apuração de ICMS; 8) Livro Registro de Apuração de IPI; 9) Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência; 10) Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou de Serviços. Em atendimento à intimação de fls. 20/21, a empresa, por intermédio de sua sócia administradora ANDRESSA SAMPAIO DOS SANTOS, apresentou os seguintes documentos (fls. 28/396): Cópia do Contrato Social e Alteração Contratual 01, Livro de Registro de Entrada de Mercadorias, Livro de Registro de Saida de Mercadorias, Livro de Apuração do ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência e solicitou prorrogação de prazo de 30 (trinta dias) dias para a apresentação dos itens 2 (dois) 3(três) e 4 (quatro) do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL e informou que deixava de atender o item 8 (oito) do Termo de Intimação por se tratar de uma empresa puramente comercial, estando assim desobrigada da escrituração do Livro de Apuração de IPI. Mediante análise da documentação apresentada cotejada com as informações constantes do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização constatou que na Declaração de Informações Econômico — Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2007, anocalendário 2006, a contribuinte declarou receita bruta anual de R$ 784.070,44 e, no entanto, de acordo com o banco de dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano 2006), sua movimentação financeira foi de R$ 6.507.180,81. No Livro de Registro de Saídas do ano calendário 2006, a contribuinte escriturou uma receita bruta anual no montante de R$ 784.070,44, compatível com as notas fiscais apresentadas e com os valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 3 3 Considerada a movimentação financeira incompatível com a receita declarada, a diligência foi transformada em fiscalização e a intimada (fls. 398/399) a apresentar, no prazo de 20 dias: 1) Livro Diário, 2) Livro Razão; 3) Livro Caixa; 4) Livro Registro de Apuração de IPI; 5) Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou de Serviços; 6) Extratos das contascorrentes bancárias, em papel e em meio digital, movimentadas em instituições financeiras no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Em resposta, a empresa informou em 26/11/2009 que estava desobrigada da elaboração do Registro de Apuração de IPI e que já havia entregue as notas fiscais de saída de mercadorias e/ou de serviços em 15/10/2009. Em 07/12/2009 foi a empresa novamente intimada a apresentar os livros Diário, Razão e Caixa e os extratos das contascorrentes bancárias movimentadas em instituições financeiras no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Não tendo a empresa apresentado os extratos bancários, estes foram solicitados às instituições financeiras, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/01, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, cujos extratos estão anexados às folhas 420 a 433, 468 a 481, 486 a 504, 511 a 538, 542 a 582, 586 a 688. De posse dos extratos bancários, a fiscalização elaborou as planilhas de folhas 697 a 807. Na planilha 1 (fls. 698/747), a autoridade fiscal relacionou individualmente os depósitos/créditos bancários no montante anual de R$ 4.984.552,21 e informou ter excluído dos depósitos os valores relativos às transferências de mesma titularidade, estornos, empréstimos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial. Do montante de R$ 4.984.552,21, a fiscalização subdividiu os créditos de acordo com a sua natureza e os relacionou nas planilhas 2 a 6. Na planilha 2 (fls. 748/766) estão relacionados os créditos provenientes de vendas efetuadas através de cartões de créditos no montante de R$ 257.323,57. Na planilha 3 (fls. 767/769) estão relacionados os créditos provenientes de operações de desconto de cheques que importam um montante de R$ 581.633,15. Na planilha 4 (fls. 770/779) estão relacionados os créditos decorrentes de operações de cobranças bancárias e descontos de títulos e importam um montante de R$ 1.611.823,79. Na planilha 5 (fls. 697 e 780/782) estão relacionados os créditos efetuados pelos clientes da fiscalizada sob o histórico de " Recebimento Fornecedor", no montante de R$ 175.316,68. Na planilha 06 (fls. 783/807) estão relacionados os demais créditos no montante de R$ 2.358.455,02 que são principalmente depósitos e transferências. Em 26/05/2010 foi lavrado o TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL SEFIS n° 221/2010 (fls. 692/696), ciência em 01/06/2010, mediante o qual foi a empresa intimada a: 1 comprovar, no prazo de 20 dias, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes conforme planilha 1 em anexo de forma que possam descaracterizar a operação comercial; 2 apresentar, no prazo de 20 dias, os documentos hábeis e idôneos que deram origem aos créditos relacionados na planilha 2 decorrentes de vendas efetuadas através de cartões de crédito; 3 apresentar, no prazo de 20 dias, relação pormenorizada dos cheques descontados com a identificação do CNPJ/CPF conforme relacionado na planilha 3; 4 apresentar, no prazo de 20 dias, os documentos hábeis e idôneos (extratos/planilhas/border6s/boletos bancários/"francesinha") que deram origem as operações de cobranças e descontos de títulos de créditos relacionados nas planilha 4; 5 apresentar, no prazo de 20 dias, a relação de seus clientes, com a identificação do CNPJ/CPF que efetuaram os créditos relacionados na planilha 5; 6 identificar, no prazo de 20 dias, se for Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 o caso, quais dos créditos relacionados na planilha 6, que não são provenientes da sua atividade comercial. Em 22/06/2010 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, cujo pedido foi indeferido (fl. 783) sob a argumentação de que até aquela data a contribuinte nada havia apresentado, nem comprovado, sequer parcialmente atendeu ao Termo de Intimação Fiscal Safis n.º 221/2010 e, foi concedido prorrogação por mais 15 (quinze) dias, sendo que em 07/07/2010, manifestando a respeito do Termo de Constatação, a contribuinte apresentou uma planilha (fls. 784/787), acompanhada de cópia de canhotos de cheques (fls. 795/805), na qual relacionou os cheques que teriam sido emitidos pela contribuinte e depositados em outras contas correntes de mesma titularidade, no montante de R$ 341.300,00. A fiscalização, no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 982/991, assim se manifestou: “A fiscalização analisou e excluiu esses créditos do montante apurado (R$ 341.300,00), pois concluiu tratarse de transferências de mesma titularidade. Diante dos fatos e provas materiais a fiscalização concluiu que a fiscalizada auferiu no ano de 2006 receita bruta no montante de R$ 4.643.252,21 e, tendo em vista que, a fiscalizada emitiu, no ano de 2006, apenas cerca de 17% deste valor em notas fiscais, a diferença entre a receita apurada pela fiscalização e a declarada pela fiscalizada a SRF, compatível com as notas fiscais emitidas, só permite concluir que se trata de vendas efetuadas sem emissão de notas fiscais. 17Conforme relatado no item 12 a fiscalização apurou, conforme identificação das operações de créditos relacionadas nos históricos dos extratos bancários, que dentro da movimentação financeira da fiscalizada existem depósitos correspondentes a créditos por desconto de títulos (duplicatas), cobranças bancárias, descontos de cheques, vendas efetuadas através de cartões de créditos e, ainda, créditos remetidos por clientes da fiscalizada, as quais só podem se originadas em operações comerciais (venda de mercadorias). Portanto, a fiscalização conclui que a fiscalizada auferiu receitas de vendas, perfeitamente identificadas (a partir de suas operações de desconto, cobranças, recebimentos de clientes, recebimentos de vendas efetuadas através de cartões de crédito) no montante de R$ 2.626.097,19 (Planilhas de fls. 939 /960). Esses créditos estão discriminados na planilha anexa "Demonstrativo de receitas não escrituradas" (fls 913 a 934) e serão objeto de lançamento de omissão de receita na infração "receitas não escrituradas" Os demais créditos de origem não comprovada, no montante de R$ 2.017.155,02 relacionados na planilha "Demonstrativo dos depósitos bancários não escriturados" (Planilhas de fls. 961/977) serão objeto de lançamento de omissão de receita por presunção legal na infração "depósitos bancários não escriturados". 20 Os valores declarados pelo contribuinte foram deduzidos dos valores apurados conforme item 18 e estão demonstrados na planilha "Demonstrativo de valores tributáveis" (fls 952). Sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita não escriturada foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fundamento no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, por entender a autoridade fiscal que a contribuinte incorreu na prática de sonegação fiscal ao deixar de emitir notas fiscais, omitindo das apurações mensais da tributação para o Simples grande parte de suas receitas nos 12 (doze) meses do ano calendário 2006, com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste sistema de tributação e de pagar menos tributo. Sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários não escriturados foi aplicada a multa de 112,50%, com fulcro no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que a contribuinte, apesar de intimada e reintimada, deixou de apresentar os livros Diário/Razão ou o livro Caixa juntamente com os extratos bancários. Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscal assim justificou a aplicação da multa: “Demonstrouse ao longo dos autos e pelos recortes legais, acima em destaque, que a fiscalizada cometeu crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao omitir das apurações mensais da tributação para o SIMPLES grande parte das receitas auferidas em cada um dos doze meses do ano calendário de 2006 com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste regime simplificado e favorecido de tributação. A linha de sonegação adotada pela fiscalizada foi efetuar vendas sem emissão de notas fiscais sendo afastada a possibilidade de que a omissão praticada tenha ocorrido por erro, pois a conduta de omissão de receitas, que implicou a apuração e o recolhimento a menor da contribuição para o SIMPLES foi reiterada, pois foi observada para todos os meses do ano de 2006 e confirmada pela apresentação da DIPJ/SIMPLES de 2007 anocalendário 2006. Portanto, face a todos os fatos revelados nos autos, que implicaram a prática de crime contra a ordem tributária na modalidade sonegação fiscal, e tendo em vista ainda o Inciso I, parágrafo 1º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27/12/1996, a multa de oficio referente a infração "receitas não escrituradas" será majorada para 150%. Considerando, ainda, que a fiscalizada, apesar de intimada e reintimada, deixou de apresentar os Livros Diário/Razão ou Caixa juntamente com os extratos bancários e tendo em vista o disposto no parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430 de 27/12/1996, a multa de oficio referente a infração "depósitos bancários no escriturados" será majorada para 112,5%. Consta ainda, que foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fl. 909/912) em nome de THIAGO AUGUSTO SAMPAIO DOS SANTOS (CPF 270.896.398 86) e de ANDRESSA SAMPAIO DOS SANTOS (CPF 262.178.31805), ambos sócios administradores da empresa (fls. 33/34 e 23/32), pelo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, o lucro, conforme art. 124, I, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), e também pela prática de sonegação fiscal, com fulcro nos arts. 135, III, e 137, I, do CTN. Devidamente cientificada dos autos de infração (fl. 966), a empresa, por meio da sócia, Andressa Sampaio dos Santos, apresentou Impugnação (fls. 968/977), alegando, preliminarmente, nulidade do Termo de Encerramento Fiscal sob o argumento de que a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96), à fl. 957, item 22, para justificar a majoração da multa em 150% inexiste. Também, o citado inciso I do parágrafo 1º do art. 44 da legislação citada pelo agente fiscal, à fl. 959, item 27, para dar credibilidade e legalidade à majoração da multa foi revogado pela Lei nº 11.488/07. Quanto ao mérito alegou ter havido apuração de tributo em duplicidade, arrazoando que em relação às vendas com cartão de crédito, a quantia de R$ 257.323,57 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de vendas efetuadas sem escrituração através de cartão de crédito não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários lançamentos na conta corrente do contribuinte. Segundo defendeu, o banco antecipava o crédito correspondente ao valor das vendas a prazo com cartão de crédito efetuadas pela empresa, mediante depósitos na conta corrente, cujo lançamento era denominado DESCONTO DE ORGPAG, e citou por exemplo o depósito no dia 23/01/2006 no valor de R$ 2.405,55 na conta mantida no Banco Bradesco (doc. 4 – fl. 1042/1215), cujo crédito antecipado foi considerado pela fiscalização no demonstrativo de receitas não escrituradas (fl. 925). Em seguida, a operadora de cartão creditava o valor das respectivas vendas nas contas correntes da empresa, cujo lançamento era denominado VENDA CARTÃO DE CRÉDITO, quantias essas, segundo alegou, já haviam sido consideradas pelo agente fiscal como crédito. Por fim, o banco debitava na conta corrente o valor por ele Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 antecipado e pago pela operadora de cartão de crédito, denominado DESCONTO COMERCIAL, encerrando, assim, o ciclo da venda a prazo por cartão de crédito. Citou, como exemplo, o valor de R$ 44,76 creditado em 03/01/2006 pela operadora de cartão e posteriormente debitado pela casa bancária. Alegou ainda, que a fiscalização adicionou e repetiu os mesmos valores em duplicidade na planilha que confeccionou (Demonstrativo de receitas não escrituradas), onerando a maior a contribuinte em R$ 51.944,64, conforme planilha anexa (doc. 5 – fls. 1216/1220) atribuindo vendas não escrituradas inexistentes. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 51.944,64 capitulada como venda através de cartão de crédito tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos valores relacionados aos descontos de cheques, alegou que a quantia de R$ 581.633,15 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de desconto de cheques não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários depósitos e lançamentos na conta corrente do contribuinte. Segundo defendeu, primeiramente consta dos extratos desconto dos títulos e a impugnada fez o primeiro registro do crédito. Em seguida, caso a cártula fosse devolvida pelo banco sacado a quantia anteriormente adiantada pelo banco em forma de desconto de cheque era debitada da conta corrente da contribuinte e este, imediatamente, reapresentava o cheque. No caso, apesar de haver considerado cada um dos descontos iniciais efetuados pelo banco em favor da empresa autuada, o agente fiscal registrou NOVAMENTE todas as REAPRESENTAÇÕES efetuadas pela impugnante no Demonstrativo de Receitas não Escrituradas (fls. 924 e 935), de forma que agravou a situação da contribuinte em R$ 194.892,89, (fls. 1221/1227). Citou como exemplo o extrato da Caixa Econômica Federal (doc. 3), no qual, em 24/04/2006, com a titulação de Débito de Cheque, foi devolvido no valor de R$ 300,00 e posteriormente seguiuse a nova apresentação no dia 25/04/2006, com a denominação de Depósito CH 24 Horas, e o órgão fiscalizador considerou a primeira entrada denominada SICOBTD (Título dado pela CEF para a operação de desconto de títulos), bem assim a reapresentação. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 194.892,89 capitulada como desconto de cheques tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos descontos de duplicatas, defendeu que a quantia de R$ 1.611.823,79 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de cobrança bancária e desconto de duplicatas não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários depósitos e lançamentos de entrada na conta corrente do contribuinte. Alegou que a simples leitura dos extratos acostados (doc. 4) e com o título de DESCONTO ESCRITURAL verificavase que a contribuinte mantinha relacionamento com vários bancos em parceria para o desconto de duplicatas. Segundo, afirmou, caso o título não fosse pago pelo sacado a quantia era subtraída da conta corrente da contribuinte com a denominação de DÉBITO DE DESCONTO DE DUPLICATAS, como ocorreu em 04 de janeiro de 2006 cujo valor do título somava R$ 65,23. Com o pagamento posterior pelo sacado ocorria novo lançamento a crédito na conta corrente, chamado de LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, conforme ocorreu, dentre vários outros, na data de 09 de janeiro de 2006 no valor de R$ 67,30 e o órgão fiscalizador considerou o primeiro lançamento, bem como, o lançamento como crédito da liquidação de cobrança posterior, no momento que o sacado efetua o pagamento em atraso da duplicata (fls. 925 e doc. 3). Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 5 7 Concluiu alegando que em razão de ter considerado e registrado em duplicidade todos os lançamentos intitulados liquidação de cobrança junto aos bancos, mais uma vez teria agravado a situação da contribuinte em R$ 108.455,79, conforme prova acostada à Impugnação (fls. 1228/1234). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 108.455,79 capitulada como desconto de duplicata tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos recebimentos de fornecedor, alegou que a quantia de R$ 175.316,68 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de recebimento fornecedor não corresponderia à realidade, uma vez que na data dos fatos a contribuinte era correspondente bancário do Banco Bradesco, portanto, a quantia de R$ 235,33 que foi creditada na conta corrente da impugnante não se caracteriza receita não escriturada, mas, recebimento de contas diversas. (fl. 1.236). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 235,53. Quantos aos depósitos e transferências, alegou que a quantia de R$ 2.358.455,02 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências não corresponderia à realidade, tendo em vista tratarse de transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1279/1283). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 93.011,35. Quanto às duplicatas extemporâneas, alegou que no cerne do procedimento fiscal investigativo a contribuinte necessitava de maior prazo para arrebanhar documentos e fundamentar sua pretensão e alegação quanto ao montante do suposto débito tributário perseguido. Nesse sentido postulou prazo de 60 (sessenta) dias diligenciar novas juntadas de instrumento probantes a seu favor. Contudo, foi indeferido, nos termos e visão explicitada no item 14 do Termo de Encerramento Fiscal. Segundo alegou, nesta data teria logrado êxito em relacionar as duplicatas que figuram nos extratos bancários ventilados pelo agente fiscal, falseando a verdade e induzindo o leitor à existência de operação de venda, mas que foram emitidas ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para captar recursos em forma de capital de gira em momento de crise financeira, mas que no primeiro sinal de recuperação os respectivos pagamentos foram HONRADOS INTEGRALMENTE, conforme comprovam as autenticações bancárias nas originais das mesmas ora acostadas, cujo total soma R$ 793.296,26 (fls. 1242/1789), devendo ser excluída tal importância, pois se não houve venda, não há tributação. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 793.296,26 tendo em vista que as duplicatas acostadas não representariam venda realizada, bem como, foram utilizadas para formação de capital de giro e posteriormente pagas pela contribuinte. Por fim, solicitou o parcelamento de eventual débito apurado com a consequente redução de 40% da multa. Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Analisando os autos, a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, por meio da Resolução 14.001.499 (fls. 1841/1847) de 25/03/2011, decidiu pela conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: “Verificase que a ciência da intimação solicitando a comprovação da origem dos créditos bancários ocorreu em 01/06/2010 e em 22/06/2010 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, cujo pedido foi indeferido (fl. 783) sob a argumentação de que até aquela data a contribuinte nada havia apresentado, nem comprovado, sequer parcialmente atendeu ao Termo de Intimação Fiscal Safis n.º 221/2010 e, em razão disso, foi concedido prorrogação de apenas 15 (quinze) dias. Na peça impugnatória a contribuinte alegou que no cerne do procedimento fiscal investigativo a contribuinte necessitava de maior prazo para arrebanhar documentos e fundamentar sua pretensão e alegação quanto ao montante do suposto débito tributário perseguido e, nesse sentido, postulou o pedido de prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para diligenciar novas juntadas de instrumento probantes a seu favor. Contudo, o mesmo restou indeferido, nos termos e visão explicitada no item 14 do Termo de Encerramento Fiscal. Analisando os autos notase a enorme quantidade de documentos e lançamentos em conta corrente que, sem sombra de dúvida, exigem trabalho e tempo para analisar e atender ao que foi solicitado pela fiscalização, o que justifica o pleito e a alegação da impugnante de que necessitava maior tempo para juntar documentos para fundamentar a sua pretensão. Por essa razão e considerando que a fiscalização não teve a oportunidade de tomar conhecimento dos documentos e esclarecimentos que só foram presentados na fase impugnatória e a fim de reunir as condições necessárias para um correto e justo julgamento do contencioso administrativo VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização se manifeste sobre os valores que a contribuinte diz ter sido computado em duplicidade na apuração da omissão de receita, bem assim, que registre o que entender de direito, cientificando a interessada. Após a devida análise e revisão dos lançamentos, se este for o caso, que seja a contribuinte cientificada dos termos lavrados para que, querendo, se manifeste”. A fiscalização, por sua vez, expediu intimação à contribuinte (fls. 1852/1855), ciência em 25/04/2011, nos seguintes termos: “5.1 apresentar documentação hábil e idônea que comprove que os lançamentos creditados em sua conta corrente do Bradesco sob o histórico de "desconto orpag" tratamse de vendas efetuadas através de cartões de crédito que foram adiantadas pelo banco e posteriormente creditadas sob o histórico "venda cartão de crédito, ou seja, comprovar que tais créditos referemse a mesma operação comercial. 5.2 apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem que os cheques descontados, que na data do vencimento foram devolvidos por falta de fundos, foram reapresentados Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 6 9 (comprovantes dos depósitos que identifiquem individualmente os cheques depositados). 5.3 apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem que os títulos descontados e não pagos no vencimento foram pagos e creditados novamente em suas contas correntes, ou seja, comprovar que tais créditos são produtos da mesma venda, da mesma operação comercial. 5.4 comprovar que o montante de R$ 235,53 são recebimentos por prestar serviços de correspondente bancário. 5.5 quanto as alegações de transferências de mesma titularidade, comprovar que os depósitos abaixo relacionados foram feitos de forma englobada, ou seja, que há cheques de sua titularidade depositados juntamente com cheques de terceiros: 5.5.1 dia 11/08/2006 — depósito de R$ 5.400,00 no banco 399 do qual, segundo o contribuinte, R$ 4.000,00 corresponderia a um cheque da caixa econômica federal de sua titularidade. 5.5.2 dia 17/11/2006 — depósito de R$ 11.656,00 no banco 237 do qual, segundo o contribuinte, dois cheques no valor de R$ 4.000,00 corresponderiam a cheques do Banco Itaú de sua titularidade. 5.6 comprovar a saída de recursos da conta corrente do contribuinte, coincidentes em datas e valores, que comprovem o efetivo pagamento dos recibos do sacado apresentados na impugnação como sendo documentos "emitidos única e exclusivamente para captar recursos em forma de capital de giro". caso se confirme o desembolso dos recursos, esclarecer: 5.6.1 de que forma foram obtidos os nomes dos sacados, bem como seus CPF/CNPJ e endereços havia concordância dos sacados para a emissão destes títulos? 5.6.2 quem foram os responsáveis pela determinação de emitir estes títulos?” Paralelamente à intimação feita ao contribuinte, para fins de esclarecer as operações de antecipação de vendas a prazo com cartões de crédito, as operações de desconto de duplicatas e de cobranças bancárias, a fiscalização oficiou os bancos Bradesco e Itaú. Foram solicitadas informações complementares ao Banco Bradesco (fl. 1857) nos seguintes termos: 1) Como são feitas as operações de antecipação dos créditos correspondentes às vendas a prazo com cartão de crédito e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações? Por acaso são feitas da seguinte forma: quando o banco antecipa o crédito, é creditado o valor correspondente na conta corrente sob o histórico "DESCONTO DE ORPAG". A operadora de cartão de crédito credita o valor das respectivas vendas na conta corrente em questão sob o histórico "VENDA CARTÃO DE CRÉDITO", e então o banco debita na referida conta o valor por ele adiantado e pago pela operadora de cartão de crédito sob o histórico "DESCONTO COMERCIAL"? Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 2) Como são feitas as operações de desconto de duplicatas e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações? Por acaso são feitas da seguinte forma: quando o banco antecipa o crédito, é creditado o valor correspondente na conta corrente sob o histórico "DESCONTO ESCRITURAL". Caso o titulo descontado não fosse pago pelo sacado, a quantia era subtraida da conta corrente sob histórico "DEBITO DE DESCONTO DE DUPLICATAS", e caso houvesse pagamento posterior pelo sacado ocorreria novo lançamento a crédito sob o histórico "LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA"? Em resposta, o Banco Bradesco informou (fls. 1860/1861): “que o Desconto de Duplicata referese a liberar recursos mediante a transferência ao Banco, de duplicatas de origem mercantil ou prestação de serviços, com dedução no ato dos juros, tarifas e IOF pactuados. O Banco antecipa o crédito, e o valor correspondente na conta corrente, correspondendo ao histórico de "Desconto Escritural", após o vencimento dos títulos e o não pagamento deste pelo sacado, o valor do título mais o acréscimo de mora é debitado na conta corrente do cedente sob o histórico "Débito de Desconto Escritural" mediante saldo disponível; o título retorna a carteira de cobrança principal do cliente de forma que se o sacado efetuar o pagamento ocorrerá o lançamento do crédito especificado como "Liquidação de Cobrança". Salientamos que informações sobre Operações de Antecipação de Crédito, deverão ser endereçadas à VISANET”. A fiscalização também intimou o Banco Itaú S/A (fl. 1862) a esclarecer “Qual a natureza das operações, ou seja, a que se referem as transações que originaram os lançamentos efetuados a crédito da conta acima referida sob os históricos " MOV TIT COBRANCA", "MOV TIT COB DISP", "MOVIMENT TITULO" e "LIQUID TITULO COBRANÇA" conforme planilha anexa (fls. 1863/1864). Em resposta, o Banco Itaú S/A informou (fl. 1870) que as operações descritas na planilha recebida em anexo ao oficio, referemse a movimentações de títulos e juntou as cópias dos títulos localizados (doc. de fls. 1872/1926). Foram enviados ofícios às empresas gestoras de cartão de crédito CIELO S/A (fl. 1929) e a REDEFCARD S/A (fl. 1931) a informar, em relação à TIJOLO RIBEIRAO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA EPP, “como são feitas as operações de antecipação de créditos referentes às vendas a prazo com cartão de crédito e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações. Em resposta a CIELO S/A informou (fl. 1933) que o estabelecimento comercial TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA EPP, CNPJ/MF sob o nº 05.652.133/000166 NUNCA solicitou "antecipação dos créditos correspondentes às vendas a prazo com cartão de crédito", nas operações de Antecipação de Recebimento de Vendas junto a Cielo, conforme (fl. 1.935). Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 7 11 A REDECARD S/A informou que nas operações de antecipação de créditos referentes as vendas com cartão de crédito, relação na qual a Redecard é devedora do Estabelecimento, o Estabelecimento, no caso a TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA. EPP, recebe em sua conta corrente, em prazo acordado entre Redecard e Estabelecimento, o valor de seus créditos, descontados os custos da antecipação da obrigação. A contribuinte, em resposta à intimação de fls. 1852/1855, solicitou prorrogação de 60 dias para atendimento da intimação (fls 1924/1925), o que foi deferido. Decorrido o prazo, solicitou nova prorrogação de mais 30 dias, prazo que novamente foi deferido (fl. 1937). Em 12/08/2011 a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 1938/1941, acompanhados dos documentos de fls. 1942/2574, aduzindo, em síntese: Quanto ao item 5.1 alegou estar "impossibilitado de exercer o contraditório e comprovar o alegado por culpa de terceiros", uma vez que o Banco Bradesco só se pronunciaria após intimado a fazêlo. Quanto ao item 5.2 apresentou documentação denominada "DOC. 1" composto de planilhas e comprovantes de depósitos bancários efetuados em cheques com o fim de comprovar que o agente fiscal agravou a situação do contribuinte em R$. 194.892,89. Quanto ao item 5.3, apresentou documentação denominada "DOC. 2" composto de Extrato de Movimentação da Carteira de Desconto e do Extrato de Movimentação da Carteira de Cobrança com o fim que seja subtraída importância de R$ 59.460,63 atribuída em duplicidade pelo órgão fiscalizador como venda. Quanto ao item 5.4 alegou estar "impossibilitado de exercer o contraditório e comprovar o alegado por culpa de terceiros", uma vez que o banco só se pronunciaria após intimado a fazêlo. Quanto ao item 5.5, apresentou os documentos denominados "DOC. 3" e "DOC. 4" compostos de comprovantes de depósitos em cheques, efetuados de forma englobada, através dos quais comprova que dentre os cheques relacionados há cheques de sua titularidade. Quanto ao item 5.6, o contribuinte informa que na sua impugnação anexou as duplicatas, nas quais constam as autenticações bancárias, mas não comprovou o efetivo desembolso de suas contascorrentes que comprovariam que o pagamento foi por ele efetuado. Limitouse a alegar que não há o que provar, que "efetuou o pagamento dos respectivos títulos" e citou o artigo 320 do Código Civil. Declarou ainda que as informações cadastrais foram obtidas de seu banco de dados, que os sacados não tiveram conhecimento do fato e que os responsáveis pela emissão de tais títulos foram "os responsáveis pelo departamento financeiro na época". Após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, quais sejam planilhas e canhotos de cheques, documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, nova análise dos extratos bancários, informações prestadas pelos bancos Itaú e Bradesco e pela Cielo e Redecard, a fiscalização concluiu que: Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 [...] 11 Em relação ao item 2.1, antecipação de créditos de vendas a prazo através de cartões de crédito, uma vez que o contribuinte, após decorridos 109 dias da ciência da intimação, não comprovou a sua alegação e, ainda com base nas informações prestadas pelo Bradesco, Cielo e Redecard, não há créditos cobrados em duplicidade e, portanto, não há o que se excluir. 12 Em relação ao item 2.2, reapresentação de cheques devolvidos e reapresentados, com base nos extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, nos quais estão relacionados os cheques depositados, a fiscalização conclui que o contribuinte comprovou que há cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados e que devem ser excluídos conforme planilhas abaixo (fls. 2.579 2.580). 13 Quanto ao item 2.3 Desconto de Duplicatas, tendo em vista os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte do Bradesco sob o histórico "Liquidacão de Cobrança" que constam na planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal, que perfazem um montante de R$ 59.451,63 (fls. 2.582 – 2.585) devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização. 14 Quanto ao item 2.4 que alega que R$ 235,33 devese a prestação de serviço como correspondente bancário, mas não comprova, não há o que se excluir. 15 Quanto ao montante de R$ 93.011,35 que alega serem transferências de mesma titularidade e com base na cópia de cheque apresentado, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, e com base nos extratos bancários, a fiscalização conclui o seguinte: 15.1 Na planilha denominada "Doc. 9", apresentada na impugnação, os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta do Bradesco, nessas datas, e que portanto, seriam transferências de mesma titularidade, não serão excluídos, pois no Bradesco no dia 28/08/2006 só houve um depósito de R$ 4.010,00, no dia 14/07/2006 só houve um depósito de R$ 3.089,30 e outro de R$ 151,95, e no dia 29/12/2006 não houve depósito algum. Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 8 13 A essa planilha foi acrescentada o cheque de R$ 3.500,00 de sua conta da CEF que o contribuinte comprovou, através do comprovante de depósito denominado "Doc, 4" apresentado em atendimento a impugnação, que foi depositado em sua conta corrente do Bradesco. Portanto os seguintes depósitos serão excluídos, pois ficou comprovado tratase de depósitos de mesma titularidade: 15.2 Na planilha denominada "Doc. 10", apresentada na impugnação, somente o lançamento creditado no dia 07/02/2006, no banco Itaú, no valor de R$ 1.800,00, não foi excluído pois tratase de um depósito efetuado em dinheiro e portanto não pode ser um depósito de cheque devolvido e que foi reapresentado, como alega o contribuinte. Os demais créditos foram excluídos e encontramse relacionados abaixo (fl. 2.586). 16 Quanto as duplicatas que alega terem sido emitidas única e exclusivamente para captação de capital de giro, uma vez que não comprovou a saída de recursos de suas contas correntes coincidentes em datas e valores, a fiscalização só pode concluir que tais duplicatas são provenientes de sua atividade comercial e, portanto, não há o que se excluir da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal. 17 Desta forma, a fiscalização conclui que da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas" deve ser excluído o montante de R$ 59.451,63 e da planilha "Demonstrativo de depósitos bancários não escriturados" o montante de R$ 190.548,95, de forma que o "Demonstrativo de valores tributáveis", que serviu de base para lançamento do Auto de Infração, ficará da seguinte forma (fl. 2.587). [...] Diante disso, a autoridade fiscal reduziu as “RECEITAS NÃO ESCRITURADAS” a serem tributadas para R$ 1.782.575,12 e os “DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS” para R$ 1.826.606,07. Reaberto o prazo para a contribuinte se manifestar, afirmou que reiterava os termos da impugnação (fl. 2.607). A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão nº 14 43.806, julgou o lançamento parcialmente procedente, rejeitando a preliminar de nulidade, porquanto verificouse ter sido aplicada a legislação vigente à época dos fatos geradores. Quanto ao mérito, relembrou as imputações da Fiscalização e a Diligência determinada, passando ao enfretamento de cada item. Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Relativamente ao item “Recebimento de vendas através de cartões de créditos”, assinalou a decisão recorrida que não ficou comprovada a alegação da recorrente ter sido computado crédito bancário em duplicidade, mantendo a exigência fiscal inalterada. Em relação ao item “Cheques descontados”, assinalou que a contribuinte solicitou a exclusão da quantia de R$ 194.892,89 sob a alegação de ter havido lançamento em duplicidade, contudo, examinando os extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, restou comprovado e reconhecido pela fiscalização que houve cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados, nos montantes de R$ 62.361,24, R$ 23.260,00, R$ 21.016,36, relativamente às contas mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Banco Bradesco, respectivamente, cujos valores individualizados estão relacionados às folhas 2.579 a 2.581, os quais deveriam ser excluídos da tributação, sendo que não haveriam provas para acolher integralmente a pretensão da contribuinte em excluir a quantia de R$ 194.892,89, uma vez que ficou comprovado lançamento em duplicidade de apenas R$ 106.637,60 (R$ 62.361,24 + R$ 23.260,00 + R$ 21.016,36) que devem ser excluídos da tributação. Já quanto ao item “Desconto de duplicatas”, considerados os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, entendeu a decisão recorrida que ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização a duplicidade do valor alegado de R$ 59.451,63, os quais estão relacionados individualmente às folhas 2.582 a 2.585 e devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, afirmandose, todavia, que em relação ao Banco Itaú não foi comprovada a alegação. Quanto ao item “Recebimento Fornecedor”, entendeu a decisão recorrida que as alegações da recorrente estariam desprovidas de provas. Relativamente aos “Depósitos e Transferências”, relembrou a decisão recorrida que a contribuinte pretendia a exclusão da quantia de R$ 93.011,35, supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências, sob a alegação de esse montante corresponde a transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1.279 – 1.283), sendo que nas referidas planilhas foram relacionadas as transferências entre conta corrente da mesma titularidade e os cheques reapresentados, nos montantes de R$ 30.000,00 e R$ 63.011,35, respectivamente. Dito isso, assentouse que analisando os extratos bancários, cópias de cheques, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, verificavase que dos valores relacionados pela contribuinte ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização R$ 19.200,00 como sendo transferências entre contas de titularidade da empresa, acrescido R$ 3.500,00, correspondente à transferência da CEF para o Banco Bradesco, totalizando R$ 22.700,00, julgandose acertado o procedimento fiscal ao não excluir os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que a contribuinte alega terem sido depositados nessas datas em sua conta do Bradesco, porquanto tal alegação não teria sido comprovada. Diante disso, concluiu a decisão recorrida que do valor pleiteado de R$ 63.011,35 que seria depósitos de cheques reapresentados, a fiscalização, corretamente, só não excluiu o crédito de R$ 1.800,00 no dia 07/02/2006, no Banco Itaú, por se tratar de depósito em dinheiro, devendo ser excluídos da tributação o montante de R$ 83.911,35 (R$ 22.700,00 + R$ 61.211,35). Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 9 15 Por fim, quanto ao item “Duplicatas Extemporâneas”, relembrou que a contribuinte solicitou a exclusão da quantia de R$ 793.296,26 tendo em vista que as duplicatas acostadas não representariam vendas realizadas e foram utilizadas para formação de capital de giro e posteriormente pagas pela contribuinte, porém, como ressaltado pela autoridade fiscal em sua Informação (fl. 2.585), a contribuinte não teria comprovado a saída de recursos de suas contas correntes, coincidentes em datas e valores. Diante disso, não haveria como acolher a pretensão da impugnante, concluindo a decisão recorrida que deveria excluir da tributação a importância de R$ 190.548,95 (106.637,60 + 83.911,35) a título de depósito bancários de origem não comprovada e a importância de R$ 59.451,63 a título de omissão de receita não escriturada, passando a omissão de receita. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a preliminar de nulidade e as razões de mérito. É o relatório. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admito o para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração lavrados em desfavor da ora recorrente, na sistemática do SIMPLES, tendo a Fiscalização constatado a ocorrência de omissão de receitas não escrituradas e de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. A insurgência da contribuinte em sede de Recurso Voluntário aventa, substancialmente, as mesmas razões contidas na Impugnação, reputando nulas as exigências fiscais ao argumento de que a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96), à fl. 957, item 22, para justificar a majoração da multa em 150% inexiste. Também, o citado inciso I do parágrafo 1º do art. 44 da legislação citada pelo agente fiscal, à fl. 959, item 27, para dar fundamentar a majoração da multa foi revogado pela Lei nº 11.488/07. Quanto ao mérito, de igual forma procurou defender que os valores exigidos não caracterizariam renda tributável, valendose dos fundamentos relatados acima e, diante da sistemática adotada, cumpre cindir o enfretamento. I – Nulidade A recorrente reputa que a fundamentação legal citada no Termo de Encerramento Fiscal, item 22, fl. 957 (inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/96), para justificar a majoração da multa em 150% é inexistente, sendo que o aludido inciso I do parágrafo 1º do artigo 44 da lei citada pela fiscalização (fl. 959, item 27), para apoiar a majoração da multa foi revogado pela Lei n.º 11.488/07. Observase que a decisão recorrida, ao apreciar idêntica alegação, cuidou de delinear que os autos de infração contêm em sua fundamentação legal, relativamente às multas, a seguinte fundamentação: i) a de 75% art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96; ii) a de 150% art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/9; iii) a de 112% art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. Igualmente se registrou, com acerto ao meu sentir, que também no Termo no Termo de Encerramento Fiscal, item 22, consta como fundamentação da multa de 150% o Inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, e no item 27 do mesmo Termo a autoridade fiscal faz referência ao o Inciso I, parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quanto ao argumento da contribuinte, de revogação dos citados dispositivos, importa registrar assiste também razão à decisão recorrida ao dispor que a Lei nº 11.488/07, manteve a multa de 75% para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata, e de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, continuou apenando os casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, deslocando a previsão da penalidade qualificada do inciso II do caput para o § 1o do Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 10 17 citado dispositivo, mantendo a majoração em 50% das multas no caso de não atendimento à intimação no prazo marcado. Sendo assim, de rigor reconhecer que não houve qualquer erro de fundamentação e também não houve qualquer prejuízo para a defesa, ou incompetência da autoridade administrativa, casos que autorizariam a decretação da nulidade, consoante regra do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, devese lembrar que a contribuinte defendese dos fatos a ela imputados, de sorte que impõese a rejeição da preliminar de nulidade. II – Mérito Quanto ao mérito, a contribuinte torna a aduzir que os lançamentos a título de: vendas cartão de crédito; cheques descontados; desconto de duplicatas; recebimento fornecedor e duplicatas extemporâneas, contêm duplas exigências, mas nada acrescenta aos documentos que foram analisados em Diligência e na decisão recorrida. Sendo assim, importa consignar que o conteúdo decisório, que exonerou todos os itens lançados em duplicidade, o fez com amparo nas conclusões da Diligência, que após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, suas planilhas e canhotos de cheques, documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, nova análise dos extratos bancários, informações prestadas pelos bancos Itaú e Bradesco e pela Cielo e Redecard, concluiu que: [...] 11 Em relação ao item 2.1, antecipação de créditos de vendas a prazo através de cartões de crédito, uma vez que o contribuinte, após decorridos 109 dias da ciência da intimação, não comprovou a sua alegação e, ainda com base nas informações prestadas pelo Bradesco, Cielo e Redecard, não há créditos cobrados em duplicidade e, portanto, não há o que se excluir. 12 Em relação ao item 2.2, reapresentação de cheques devolvidos e reapresentados, com base nos extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, nos quais estão relacionados os cheques depositados, a fiscalização conclui que o contribuinte comprovou que há cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados e que devem ser excluídos conforme planilhas abaixo (fls. 2.579 2.580). 13 Quanto ao item 2.3 Desconto de Duplicatas, tendo em vista os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte do Bradesco sob o histórico "Liquidacão de Cobrança" que constam na planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal, que perfazem um montante de R$ 59.451,63 (fls. 2.582 – Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 2.585) devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização. 14 Quanto ao item 2.4 que alega que R$ 235,33 devese a prestação de serviço como correspondente bancário, mas não comprova, não há o que se excluir. 15 Quanto ao montante de R$ 93.011,35 que alega serem transferências de mesma titularidade e com base na cópia de cheque apresentado, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, e com base nos extratos bancários, a fiscalização conclui o seguinte: 15.1 Na planilha denominada "Doc. 9", apresentada na impugnação, os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta do Bradesco, nessas datas, e que portanto, seriam transferências de mesma titularidade, não serão excluídos, pois no Bradesco no dia 28/08/2006 só houve um depósito de R$ 4.010,00, no dia 14/07/2006 só houve um depósito de R$ 3.089,30 e outro de R$ 151,95, e no dia 29/12/2006 não houve depósito algum. A essa planilha foi acrescentada o cheque de R$ 3.500,00 de sua conta da CEF que o contribuinte comprovou, através do comprovante de depósito denominado "Doc, 4" apresentado em atendimento a impugnação, que foi depositado em sua conta corrente do Bradesco. Portanto os seguintes depósitos serão excluídos, pois ficou comprovado tratase de depósitos de mesma titularidade: 15.2 Na planilha denominada "Doc. 10", apresentada na impugnação, somente o lançamento creditado no dia 07/02/2006, no banco Itaú, no valor de R$ 1.800,00, não foi excluído pois tratase de um depósito efetuado em dinheiro e portanto não pode ser um depósito de cheque devolvido e que foi reapresentado, como alega o contribuinte. Os demais créditos foram excluídos e encontramse relacionados abaixo (fl. 2.586). 16 Quanto as duplicatas que alega terem sido emitidas única e exclusivamente para captação de capital de giro, uma vez que não comprovou a saída de recursos de suas contas correntes coincidentes em datas e valores, a fiscalização só pode concluir que tais duplicatas são provenientes de sua atividade comercial e, portanto, não há o que se excluir da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 11 19 17 Desta forma, a fiscalização conclui que da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas" deve ser excluído o montante de R$ 59.451,63 e da planilha "Demonstrativo de depósitos bancários não escriturados" o montante de R$ 190.548,95, de forma que o "Demonstrativo de valores tributáveis", que serviu de base para lançamento do Auto de Infração, ficará da seguinte forma (fl. 2.587). [...] Está correta a decisão recorrida, destarte, ao dispor que relativamente ao item “Recebimento de vendas através de cartões de créditos”, não ficou comprovada a alegação da recorrente ter sido computado crédito bancário em duplicidade, situação afastada pela pelas informações prestadas pelo Banco Bradesco às folhas 1.860 em diante. Quanto aos cheques descontados, igualmente assiste razão à decisão recorrida ao verificar que os extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados comprovam apenas aquilo que já foi reconhecido pela fiscalização e exonerado pela DRJ, ou seja, os cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados montavam R$ 62.361,24, R$ 23.260,00, R$ 21.016,36, relativamente às contas mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Banco Bradesco, respectivamente, cujos valores individualizados estão relacionados às folhas 2.579 a 2.581, não havendo mesmo, provas para acolher integralmente a pretensão da contribuinte em excluir a quantia de R$ 194.892,89. Relativamente ao item “Desconto de duplicatas”, considerados os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, novamente está correta a decisão recorrida ao pronunciar que foi comprovada a duplicidade do valor alegado de R$ 59.451,63, os quais estão relacionados individualmente às folhas 2.582 a 2.585 e devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, afirmandose, todavia, que em relação ao Banco Itaú não foi comprovada a alegação, residindo aí a diferença de solução, o que não equivale a terse dois pesos e duas medidas, como alega a recorrente, sendo que o item “Recebimento Fornecedor”, está mesmo desprovidas de provas. No que toca aos “Depósitos e Transferências”, como bem relembrou a decisão recorrida, a contribuinte pretendia a exclusão da quantia de R$ 93.011,35, supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências, sob a alegação de esse montante corresponde a transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1.279 – 1.283), sendo que nas referidas planilhas foram relacionadas as transferências entre conta corrente da mesma titularidade e os cheques reapresentados, nos montantes de R$ 30.000,00 e R$ 63.011,35, respectivamente, ou seja, correta a decisão recorrida ao proclamar que a análise dos extratos bancários, cópias de cheques, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, verificase que dos valores relacionados pela contribuinte ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização R$ 19.200,00 como sendo transferências entre contas de titularidade da empresa, acrescido R$ 3.500,00, correspondente à transferência da CEF para o Banco Bradesco, totalizando R$ 22.700,00, os quais já foram devidamente exonerados, mas está acertado o procedimento fiscal ao não excluir os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 respectivamente, que a contribuinte alega terem sido depositados nessas datas em sua conta do Bradesco, porquanto tal alegação não foi comprovada. Correta, portanto, a decisão recorrida ao concluir que do valor pleiteado de R$ 63.011,35 que seria depósitos de cheques reapresentados, a fiscalização, corretamente, só não excluiu o crédito de R$ 1.800,00 no dia 07/02/2006, no Banco Itaú, por se tratar de depósito em dinheiro, e excluindo da tributação o montante de R$ 83.911,35 (R$ 22.700,00 + R$ 61.211,35). Por fim, quanto ao item “Duplicatas Extemporâneas”, revelase o acerto da decisão recorrida ao dispor que, como ressaltado pela autoridade fiscal em sua Informação (fl. 2.585), a contribuinte não teria comprovado a saída de recursos de suas contas correntes, coincidentes em datas e valores. Diante disso, não há mesmo como acolher a pretensão da recorrente. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10880.986224/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/2009-62, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/200962, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 86 22 4/ 20 09 -3 4 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 127 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela DCOMP 19976.54984.040106.1.3.041376, cujo crédito referese a suposto pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do período de apuração de 31/12/2004, no montante original de R$ 111.862,27, com débito de estimativa de CSLL do período de apuração de 31/12/2005 – valor do débito compensado atualizado de R$ 111.862,27. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/SP1, através do Acórdão 16 28.154, constante às efls 71/72: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 01/02, transmitido pela contribuinte em 04/01/2006, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de CSLL no montante de R$ 111.862,27, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 05, no qual não homologa a compensação declarada, em face de tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio , de sua advogada,regularmente constituída, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/16, alegando, em síntese, o seguinte. No anocalendário de 2004, a contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.762.820,93, conforme linha 51 da Ficha 17A da DIPJ/2005. Em absoluta consonância com as melhores práticas, , houve o devido reconhecimento contábil do valor, como passível de recuperação. Do valor ao qual a contribuinte fazia jus à restituição, houve aproveitamento parcial, da ordem de R$ 1.296.878,00, por meio do PER/DCOMP no 40135.39057.070405.1.7.044590, transmitido em 07/04/2005, cuja compensação foi não homologada e cuja manifestação de inconformidade, ainda pendente de julgamento na presente data, é tratada no processo n° 10880.913962/200962. Dessa forma, o valor remanescente favorável à contribuinte, após a dedução do aproveitamento realizado no PER/DCOMP supracitado, totalizava, em valores históricos, R$ 465.942,93. Desse total foi utilizado o valor de R$ 354.080,66 no PER/DCOMP n° 29567.40890.070405.1.3.04.4217, tratado no processo n° 10880.936041/200978, em fase de julgamento. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 128 3 Do valor residual de R$ 111.862,27, foi utilizado para compensação o valor original de R$ 96.466,26, formalizado do presente PER/DCOMP, o qual teve Despacho Decisório desfavorável, originado o processo aqui em análise. Restou, assim, um valor residual de R$ 15.396,01, a ser aproveitado em outros PER/DCOMP. Vez que é incontestável a existência de valores favoráveis A contribuinte, devidamente construído com respaldo nos deveres instrumentais e contábeis, é que se pretende ver reformado o Despacho Decisório de maneira a se homologar a compensação tratada no PER/DCOMP objeto do presente processo. Ocorre que, motivado por erro administrativo cometido no preenchimento do PER/DCOMP, o campo que indica a origem do crédito foi erroneamente aplicado como se fosse "Pagamento indevido ou a maior de CSLL". Entretanto, de maneira alguma isso prejudicaria o pleito formulado pela contribuinte, dada a inconteste vinculação dos créditos reclamados com o saldo negativo de CSLL apurado na competência de 2004. O crédito favorável à contribuinte decorre de excesso de recolhimentos de CSLL durante o ano de 2004, que, dada a peculiaridade de ser originado no bojo de regime anual e de recolhimentos mensais do tributo, tal excesso é chamado de "Saldo Negativo" e não "Pagamento indevido ou a maior". Esse erro meramente formal na caracterização da origem do crédito foi, a nosso ver, o motivo determinante para a autoridade fiscal considerar não homologada a compensação. Todavia, em que pese essa decisão, diante dos elementos probantes acostados à defesa, não há como ser ignorado o fato de que se tratava, em verdade, de "Saldo Negativo", e por tal razão deve a verdade material preponderar, consoante reiteradas decisões nesse sentido. Por todo exposto, requer a contribuinte que: a) Seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para declarar a anulação do Despacho Decisório; b) Sejam determinadas as necessárias correções e adequações das informações constantes do PER/DCOMP, segundo a realizada dos fatos, devidamente comprovados pela documentação acostada aos autos; e c) Seja declarado extinto o débito compensado, com base no artigo 156, inciso II, do CTN. Caso a autoridade julgadora assim não entenda possível, requer, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, para a produção das demais provas que se entender necessárias. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pelo contribuinte, conforme sintetiza a Ementa constante às efls 70: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 129 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2005 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão que julgou improcedente seu pleito em 26/01/2011, (comprovante de AR às efls 76) restou inconformada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/02/2011 (efls 77/84), alegando que o erro de fato no seu pedido não tem o condão de desqualificar seu direito creditório, pedindo ao final pelo reconhecimento de seu direito creditório e homologação da compensação. É o relato do essencial. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente pleiteou compensação de crédito tributário decorrente de suposto Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contraindo erro material no Declaração de Compensação, enquanto informou se tratar de pagamento indevido / a maior. Em análise preliminar identificase que o crédito pleiteado por estes autos é decorrente (residual) das DCOMP 40135.39057.070405.1.7.044590 e 29567.40890.070405.1. 3.044217, constantes dos processos 10880.913962/200962 e 10880.936041/200978 respectivamente, conforme se extrai da própria declaração de compensação às efls 3. Referidos autos são de competência de uma das turmas ordinárias, em razão do valor do processo ser superior a R$ 1.000.000,00, (hum milhão de reais) sendo incompetentes as turmas especiais para julgamento, conforme Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 2°, §2° c/c a Portaria do Ministério da Fazenda n° 3, de 3 de janeiro de 2008, em seu art. 1°. Sendo a matéria em voga a mesma constante daqueles autos e mais, decorrente do mesmo direito creditório, sagaz que o presente processo seja juntado naqueles autos por dependência, prezando assim, pela uniformidade nas decisões. Ante o exposto, determino a juntada dos presentes autos por dependência aos autos do processo 10880.913962/200962, para que julgados conjuntamente. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.909053/2009-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 09 05 3/ 20 09 -5 5 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.909053/200955 Resolução nº 9303000.073 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.909053/200955 Resolução nº 9303000.073 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.909053/200955 Resolução nº 9303000.073 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004295/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Não há autorização legal para que se exclua do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados.
DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba.
COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxílio-doença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do salário-de-contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre as bolsas de estudos e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não há autorização legal para que se exclua do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba. COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxílio-doença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do salário-de-contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre as bolsas de estudos e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não há autorização legal para que se exclua do saláriodecontribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba. COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxíliodoença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do saláriodecontribuição. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 42 95 /2 00 9- 02 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre as bolsas de estudos e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004295/200902 Acórdão n.º 2401003.692 S2C4T1 Fl. 194 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 19.355 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.227.8795. O crédito em questão diz respeito à exigência de contribuições dos segurados. Cientificada pessoalmente do lançamento, em 28/10/2009, a empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, motivo pelo qual interpôs recurso voluntário, fls. 161 e segs., onde apresentou as alegações abaixo. Não está sob litígio os itens VTEVale Transporte, visto que essa parcela foi incluída no parcelamento do programa REFIS. Os pagamentos de convênio odontológico e plano de saúde disponibilizado para os dependentes não pode ser objeto de tributação, posto que extensível a todos os segurados e dirigentes. O entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é de que, em relação aos dependentes, os valores despendidos a título de auxíliosaúde também não integram saláriodecontribuição, devendo receber o mesmo tratamento do benefício dado aos funcionários. O fato de existir carência para alcance dos benefícios de auxíliosaúde e bolsas de estudo não quer dizer que houve atropelo às normas de regência, posto que todos os empregados, após determinado período na empresa, passam a fazer jus aos referidos benefício. O fisco não pode interferir nas normas internas da empresa, deve limitarse a verificar se a regra legal foi cumprida, o que ocorreu integralmente em relação ao auxílio educação e ao plano de saúde. Além de que não se demonstrou a existência de casos de funcionários que tiveram seus pedido de benefícios indeferidos. Ao final, requer a declaração de improcedência das contribuições questionadas. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Auxíliosaúde para dependentes Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para custear o plano odontológico e de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da assistência médica aos dependentes. É o que se percebe dos itens 3 e 4 do relato do fisco, que tratam, respectivamente dos levantamentos PLO PLANO ODONTOLÓGICO PARA DEPENDENTES e PSU PLANO DE SAÚDE PARA DEPENDENTES. Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela no saláriodecontribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação os gastos com assistência à saúde dos empregados seria também aplicável aos valores despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados. A regra geral é que os valores pagos ou creditados aos trabalhadores sejam incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A referência à assistência à saúde encontrase na alínea “q”: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (...) A meu sentir, a verba sob comento veio a fazer parte desse rol de parcelas excluídas da tributação como uma maneira de incentivar as empresas a disponibilizarem assistência médicoodontológica aos seus empregados. Esse beneficio, é bom que se diga, é dado para os trabalhadores não como salárioutilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004295/200902 Acórdão n.º 2401003.692 S2C4T1 Fl. 195 5 Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos empregados e diretores, haja vista que aí passase a remunerálos indiretamente, posto que os valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias. A leitura do dispositivo acima transcrito deixa evidente que a isenção atinge apenas gastos com a assistência médica e odontológica dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes. Destarte, não estando contemplada pela norma desonerativa, os valores gastos pela empresa com planos odontológicos e de saúde dos dependentes dos funcionários devem integrar o saláriodecontribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades. Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos do empregador com o seu quadro funcional daquele direcionado aos dependentes dos trabalhadores. O primeiro prendese a verba disponibilizada para que o trabalho seja desenvolvido sem quebras de produtividade por motivo de saúde, enquanto que o segundo representa um plus na remuneração do segurado, representado pelo custeio da assistência médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes. Diante dessas considerações, independentemente da norma inserta na alínea “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 se caracterizar como isenção ou não incidência, entendo que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos dependentes dos seus empregados, sendo lícita a tributação sobre os levantamentos PLO e PSU. Bolsas de estudo e complemento do auxíliodoença Os levantamentos BE1 e BE2 abrigam os valores repassados a título de bolsas de estudos para segurados a serviço da autuada, ao passo que o levantamento CAD engloba os valores destinados a complemento do auxíliodoença. Para as quantias relativas às bolsas de estudo o fisco asseverou que a tributação se justifica no fato do benefício não ter sido estendido a todos os empregados e dirigentes da empresa. Afirma que a empresa disponibiliza a bolsa de estudo de graduação para os empregados, apenas após o cumprimento de período de experiência e desde que seja o primeiro curso superior do beneficiário. O curso de especialização, assinalase, era pago parcialmente pela autuada aos empregados com mais de um ano de contrato de trabalho e que se dispusessem a participar do plano de sucessão da empresa, conforme previsto em norma interna. Acerca da verba “Complementação do AuxílioDoença”, assim o fisco se pronunciou: “8.3 Como pode ser observado na norma da empresa que trata da regulamentação deste beneficio (ANEXO XVI deste relatório), a notificada somente o concede aos empregados que tenham Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 mais de um ano de empresa na data de entrada do requerimento do beneficio previdenciário. 8.4 Ao impor aos empregados uma carência para pleitearem o beneficio, a empresa diferenciaos de outros empregados que, a priori, possuem a mesma prerrogativa quanto ao gozo de um beneficio. O efeito prático é que os empregados com mais de um ano de empresa, adquirem um plus salarial em relação a seus pares exercentes das mesmas funções” Vejamos o que dizem as normas que tratam da exclusão das verbas sob comento do saláriodecontribuição, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (...) Vêse que o legislador no quesito educação pretendeu afastar da incidência de contribuição previdenciária as verbas disponibilizadas aos segurados empregados a título de educação básica e para cursos de capacitação e qualificação profissionais, todavia, erigiu as seguintes condições para validade da regra isentiva: a) que os cursos profissionais sejam vinculados à atividade da empresa; b) que a disponibilização do benefício não fosse utilizada como complemento salarial; e c) que o acesso ao plano educacional estivesse disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Para autoridade fiscal e também para o colegiado de primeira instância a empresa descumpriu a exigência constante na letra “c” acima, posto que, ao condicionar a concessão da verba à data de ingresso do segurado no emprego, excluiu de parcela do seu quadro funcional o direito ao benefício. Vêse, portanto, que o cerne da questão repousa em determinar se a imposição de tempo mínimo para que os empregados façam jus à concessão do plano de educação contraria o dispositivo legal encimado. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004295/200902 Acórdão n.º 2401003.692 S2C4T1 Fl. 196 7 Inicialmente é curial se ressaltar que a exegese de normas tributárias que tratam de isenção deve obedecer ao comando do art. 111, II, do Código Tributário Nacional1, não cabendo, portanto, interpretações extensivas para as mesmas. Nessa linha, a norma constante da alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 é enfática ao prescrever “...todos os empregados e dirigentes”, não se devendo alargar a interpretação para abarcar a situação em que o benefício é estendido apenas a funcionários com determinado tempo de contrato. Assim, uma interpretação literal da regra de isenção acima citada, levame a concluir pela incidência de contribuições sobre as despesas com educação, haja vista que a empresa deixava à margem desse benefício parcelas dos seus empregados. Basta observar que um empregado com menos de um ano de empresa e que já tivesse concluído o primeiro curso de graduação jamais poderia obter o benefício, a menos que fosse alterado o regulamento empresarial. Para reforçar meu entendimento, trago à baila precedente dessa mesma Turma de Julgamento, no julgamento do recurso apresentado no bojo do processo n. 18471.001791/200870, cujo Acórdão correspondente carregou a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL/AUXÍLIO EDUCAÇÃO. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. De conformidade com o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional/Auxílio Educação, conquanto que extensivo a sua totalidade, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de 24 meses), caracterizase como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. (...) Recurso Voluntário Negado. É certo que alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 foi alterada pela Lei n. 12.513/2011, deixando de exigir que o benefício em questão fosse estendido a todos os empregados, como se pode ver: 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;(...) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011). Ocorre que a norma acima não pode ser aplicada ao presente lançamento, posto que posterior à ocorrência dos fatos geradores. Assim, deve ser mantida a exigência sobre as “Bolsas de Estudo”. Esse entendimento deve ser estendido ao benefício da “Complementação do AuxílioDoença”, posto que alínea “n” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também exige, para que a verba não se sujeite à exação previdenciária, que esta seja disponibilizada indistintamente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Assim, o fato da empresa deixar de conceder o benefício aos trabalhadores com menos de um ano de contrato de trabalho afasta do caso concreto a norma acima citada, sendo legítima a tributação sobre esses valores. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.008727/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.233
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF:
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Não se aplica
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Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele feito pela autoridade julgadora de 1ª instância, que complemento ao final: “Trata o presente processo de lançamento suplementar de imposto de renda da pessoa física (código 2904) no valor de R$ 1.728,30, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 1.296,22 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de rendimentos correspondente ao exercício 2004, anocalendário 2003 e, efetuado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 17/19, lavrada em 25/06/2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 08 72 7/ 20 07 -8 7 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.008727/200787 Resolução nº 2801000.233 S2TE01 Fl. 54 2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 18 a fiscalização constatou omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 7.550,51 recebidos a titulo de juros na Ação Declaratória n° 29013/92 que tramitou na 1ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de CuritibaPR. Consta do relato da autuação que os juros referemse a permanência do valor em depósito durante o período de 15/04/2003 a 20/11/2003. Cientificado do lançamento em 28/06/2007 por via postal (cópia do AR de fl. 35), o interessado ingressou em 30/07/2007, por intermédio de advogados regularmente constituídos (procuração de fl. 09) com a impugnação de fls. 01/06. Alega que "obteve êxito em ação movida em face do Estado do Paraná — autos tramitados em primeira instância perante a la Vara da Fazenda Pública da Capital, sob o n.°. 29013/1992 — percebendo o montante bruto de R$ 168.915,84." Afirma que desse bruto restoulhe liquido o valor de R$ 100.081,30 sendo que o valor de R$ 7.550,51 é proveniente "dos rendimentos de caderneta de poupança auferidos no interregno de 15/04/2003 (data da abertura da caderneta de poupança) a 20/11/2003 (data do levantamento)."; salientando que este valor foi depositado em conta poupança no Banco Itaú. Protesta que a autuação é "precipitada e desarrazoada", devendo ser julgada improcedente uma vez que o valor de R$ 7.550,51 não se refere a juros recebidos na Ação Declaratória no 29013/92 mas, sim, 6. "rendimentos decorrentes de caderneta de poupança". Argumenta que "os valores devidos ao Impugnante relativos à sentença transitada em julgado, foram depositados pela parte Ré em conta poupança junto ao Banco Itaú, na data de 15 de abril de 2003 e, por razões processuais diversas, o levantamento do numerário ocorreu tão somente em 20 de novembro de 2003". Aduz que efetuado "o depósito em nome de todos os beneficiários encerrouse no âmbito judicial a discussão do direito que a ação objetivou" e; que a "partir deste marco, os rendimentos ou qualquer alteração aplicados aos valores, não são atribuídos aos efeitos da citada ação judicial, mas sim de acordo com a natureza da destinação dada aos mesmos". Sustenta que foi aberta uma conta de caderneta de poupança junto ao Banco Itaú por ser praxe nos depósitos judiciais porem, poderseia ter "optado por um outro tipo de aplicação financeira" e; que houve "imprecisão semântica" do advogado da ação ao discriminar verbas como `Juros de poupança desde o depósito — R$ 7.550,51' uma vez que "os termos corretos que deveriam constar desta declaração seria: Rendimentos de poupança desde o depósito judicial — R$ 7.550,51." Defende que estes valores relativos aos rendimentos de caderneta de poupança independeram da decisão judicial e; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.008727/200787 Resolução nº 2801000.233 S2TE01 Fl. 55 3 que estes rendimentos não estão sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Junta documentos”. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CURITIBA julgou a impugnação improcedente, nos termos do voto do Relator, do qual destaco o seguinte: Com efeito, no caso em exame, verificase pelo documento de fl. 23, datado de novembro de 2003, no qual consta a prestação de contas relativa ao crédito do contribuinte constante dos "Autos n° 29013/92 em trâmite perante a l a Vara da Fazenda Pública da Capital", que o montante total de R$ 100.081,30 corresponde a soma do valor liquido devido no montante de R$ 92.530,79 com os "Juros de poupança desde o depósito" no montante de R$ 7.550,51. Verificase também, no mesmo documento de fl. 23, que consta informação de que o valor de R$ 99.502,89 (correspondente a soma mencionada menos os valores relativos à CPMF, às custas cartorárias e às custas de precatório) foi depositado em 20/11/2003 no Banco Itaú S/A, conta corrente n° 67953 9, Agência n° 4011. Pela cópia da certidão de fl. 25, datada de 03/03/2004, atestase que "em data de 07.05.1993 foi proferida sentença, julgando o pedido dos autores", onde se acolheu os cálculos do contador no sentido de ser "devido ao autor José Antonio Fernandes Neto" o montante de R$ 92.530,80. Atestase também que somente na data de 20/11/2003 foi expedido alvará autorizando os advogados do autor a levantar a importância devida no montante total de R$ 6.608.207,07. Na hipótese, resta evidente que os juros auferidos em decorrência da mencionada ação acompanham o principal, desde o suposto depósito efetuado na data de 15/04/2003 na conta poupança aberta junto ao Banco Itaú (conforme alegam os patronos do impugnante) até a data do levantamento da importância devida em 20/11/2003 e, por isso, devem ser tributados, a teor do que dispõe o inciso XIV, do art. 55, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999.”: O contribuinte foi cientificado dessa Decisão em 20 de setembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento na fl. 38, tendo protocolado recurso voluntário ao CARF em 18 de outubro de 2010, fl. 39, onde alega, em síntese, que: O Recorrente, pessoa física, recebeu o valor bruto de R$ 168.915,84 (cento e sessenta e oito mil, novecentos e quinze reais e oitenta e quatro centavos), em face de ação judicial movida contra o Estado do Paraná, nos autos do processo n° 29.013/1992. Ao preencher a Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2004, dentre outras verbas, declarou como isentos o valor de R$ 7.550,51 (sete mil quinhentos e cinqüenta reais e cinqüenta e um centavos). Esse valor referese aos rendimentos sobre depósito em caderneta de poupança obtidos entre o período de 15/04/2003 (data de abertura da conta) a 20/11/2003 (data do levantamento do depósito), conforme se verifica pelas cópias dos documentos novamente anexados. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.008727/200787 Resolução nº 2801000.233 S2TE01 Fl. 56 4 Os valores devidos ao Recorrente em decorrência da sentença transitada em julgado foram depositados pela parte Ré, em conta poupança junto ao Banco Itaú, na data de 15 de abril de 2003 e, por razões processuais diversas, o levantamento do numerário ocorreu tão somente em 20 de novembro de 2003. Salienta que o montante recebido na mencionada ação é referente aos valores principais devidos pelo réu, permanecendo em trâmite a ação no que tange à parcela devida a titulo de juros moratórios. Sendo rendimentos auferidos em caderneta de poupança, não há falar em tributação pelo Imposto de Renda, haja vista a regra de isenção constante do artigo 39, inciso VIII do Decreto 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). na eventualidade de não se acatar seu entendimento, discorre sobre a diferença entre juros compensatórios e juros moratórios, à luz da doutrina, defendendo a não incidência do imposto de renda sobre juros de mora, que, em seu entender, têm natureza indenizatória; É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação movida em face do Estado do Paraná, tendo por objeto um “redutor de salários” que fora aplicado sobre os vencimentos (vantagens de caráter pessoal), como pode ser constatado pela cópia da Certidão na fl. 14. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, com a determinação judicial para que fosse feita a retenção do imposto na fonte. Na Notificação de Lançamento, descrevemse os fatos (fl. 18) assim: “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 7.550,51 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF)sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00.” Contudo, a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.008727/200787 Resolução nº 2801000.233 S2TE01 Fl. 57 5 “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.008727/200787 Resolução nº 2801000.233 S2TE01 Fl. 58 6 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima voto por SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13951.000927/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. LIBERALIDADE.
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 1. 00 09 27 /2 00 8- 16 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13951.000927/200816 Acórdão n.º 2801003.603 S2TE01 Fl. 42 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/CTA (Fls. 116), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física — IRPF, relativo ao exercício de 2007, anocalendário 2006, no valor original de: Demonstrativo Valor imposto Suplementar (sujeito a multa de oficio) R$ 1.524,10 Multa de Oficio R$ 1.143,07 Juros de Mora (até 30/06/2008) R$ 192,95 Total R$ 2.860,12 Conforme a Descrição dos Fatos (fl. 08), o lançamento é resultado da glosa de parte de pensão judicial declarada a maior. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: Após intimado, apresentou seus documentos ao fiscal e foi informado da glosa do valor de R$12.800,00 considerado indevidamente deduzido à titulo de pensão alimentícia. A fundamentação foi que o valor excedeu o estipulado na separação homologada, correspondente a um saláriomínimo (R$4.000,00 ao ano). Argumenta que após quinze anos os filhos cresceram e foram aprovados em vestibulares em faculdades localizadas fora da regido em que residem. Afirma que ofertar ensino superior é obrigação da União que repassa esta função às Universidades privadas ficando o contribuinte com o respectivo ônus. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13951.000927/200816 Acórdão n.º 2801003.603 S2TE01 Fl. 43 3 Alega que o salário mínimo é insuficiente para pagar as despesas essenciais e com a Universidade. Informa que os filhos apenas estudam e necessitam da ajuda do impugnante para se manterem nos cursos. Alega que não se podia sobreviver, à época, com R$ 166,00 mensais. Os filhos universitários são dependentes do impugnante não importando quem ficou com a guarda. Nesse sentido cita jurisprudência do TRF4. Afirma que já demonstrou a elevação do valor da pensão que, além de princípios religiosos, deuse por divida moral. Argumenta que a divida moral não necessita estar fixada na decisão judicial porque o dever de pai de prestar alimentos aos filhos não cessa quanto estes atingem 18 anos. Após citar outro trecho do voto do Desembargador Federal Vilson Darós (TRF4), conclui que o valor declarado condiz com a realidade e buscou dar aos filhos uma vida mais digna. Afirma que o valor pago, mesmo sem previsão no acordo judicial, é dedutivel em Declaração de Ajuste de Imposto de Renda — DIRPF. Acosta em complemento jurisprudência do TRF4. Por fim, pede o acolhimento e provimento de sua impugnação e o restabelecimento de sua DIRPF original. Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para dedução de despesas com dependentes, pensão judicial e com instrução é necessária a previsão legal e comprovação idônea. Cientificado em 12/08/2010 (fls. 32), o Recorrente interpos Recurso Voluntário em 06/09/2010 (fls. 33 a 39), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13951.000927/200816 Acórdão n.º 2801003.603 S2TE01 Fl. 44 4 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o litígio de glosa da dedução de parte da pensão alimentícia no valor de R$12.800,00. Alega o recorrente que não haveria a necessidade de decisão judicial ou acordo homologado pela justiça para que os valores pagos aos seus filhos fossem considerados como dedutíveis. Não merece reforma o Acórdão recorrido. Como bem frisado pelo Relator da DRJ, a legislação do Imposto de Renda é clara ao permitir somente a dedução das importâncias pagas a título de pensão em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; in verbis: Decreto n° 3.000, de 29/03/1999 — RIR/1999 Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n° 9.250, de 1995, art. 4 0, inciso II). No presente caso, o recorrente, até o presente momento, não apresentou qualquer prova da existência de sentença judicial, ou acordo judicial, que determine o pagamento de pensão alimentícia maior que o já fixado de um salário mínimo (já considerado pela fiscalização). Sem tal comprovação, é de se deduzir que os valores entregues pelo recorrente aos seus filhos, são oriundos de mera liberalidade daquele; não se constituindo tais valores em pagamentos de pensão alimentícia. Por fim, alega o recorrente que a multa aplicada é inconstitucional, em razão da sua natureza confiscatória. Contudo, este Conselheiro não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade alegada; em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obigatória: Alegações de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, o pedido de não aplicação da multa de ofício, não pode ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 44DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13951.000927/200816 Acórdão n.º 2801003.603 S2TE01 Fl. 45 5 I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a glosa de deduções, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a glosa da dedução, é cabível a aplicação da multa de ofício. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 45DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 11128.007287/2006-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/10/2002
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF.
A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra b, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais.
O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautar-se em análise objetiva de cada caso concreto, levando-se em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada.
A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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IPI. II. TEMPLO. Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/10/2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada. A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 72 87 /2 00 6- 82 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 1 e seguintes) de valores pagos a título de Imposto de Importação (I.I.) e Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.), na importação relativa à Declaração de Importação n° 02/09262863, registrada em 17/10/02 (fls. 44/48), por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II e IPI importação, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de despacho de fls. 56, determinando a retificação da Declaração de Importação constante dos autos. Intimado a apresentar documentos contábeis e fiscais comprobatórios de que as mercadorias em exame integraram seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade, o contribuinte informou da dificuldade em obter a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco anos e limitouse a apresentar a declaração solicitada pela autoridade fiscal de que não houve o repasse ou aproveitamento do crédito de IPI nesta operação. O despacho decisório e a decisão de primeira instância, diante da falta de comprovação documental, negaram integralmente o pedido de restituição e em recurso o contribuinte reitera suas alegações iniciais, ou seja, que o indeferimento não foi precedido por qualquer vistoria "in loco", além de proferido sem que a autoridade fiscal tivesse esgotado as possibilidades daquilo que queria ver provado, o que teria cerceado seu direito de defesa, pois foilhe negado o direito de produzir, de forma integral, as provas pertinentes; que constrói e mantém Templos, sendo certo que todos os produtos importados na DI ora em discussão foram instalados em capelas de sua construção, conforme pode ser verificado em diligência ao local; e anexa decisões administrativas proferidas por outras unidades da Receita Federal, favoráveis à restituição, para material semelhante. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007287/200682 Acórdão n.º 3202001.345 S3C2T2 Fl. 417 3 Iniciado o julgamento do recurso voluntário, a douta Turma, seguindo o voto do Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA decidiu converter o julgamento em diligência. Observese: Entendo que o processo, no seu estado atual não comporta julgamento, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, para que, seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação produzida em sua impugnação e repetida no corpo deste recurso voluntário, especialmente quanto à utilização dos produtos importados na Dl ora em discussão em capelas de sua construção e da não utilização dos créditos correspondentes de IPI, nem a transferência do encargo financeiro. Com o objetivo de atender à diligência determinada pelo CARF, intimouse a ora recorrente para apresentar documentação comprobatória da utilização dos bens importados para seu objetivo social, tendo a contribuinte informado, em síntese, que a documentação em questão era guardada por uma empresa terceirizada, INTERFILE, cujo galpão fora incendiado, conforme demonstra inquérito judicial, anexado aos autos, e petição informando à Receita Federal desse acontecimento, sendo possível, contudo, o exame in loco da utilização dos bens importados pela fiscalização. A recorrente acrescentou, ainda, que possui Solução de Consulta, reconhecendo seu direito à imunidade tributária e que, em outra DI, a SAORT do Aeroporto de Viracopos concordou com a retificação da declaração, por ter verificado a utilização dos bens importados em templos da associação. Em seqüência à resposta da contribuinte, foi exarada a seguinte informação fiscal: Sra Chefe, Em atendimento à requisição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no citado processo para que seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para verificação dos documentos fiscais e contábeis, através da Intimação n° ..., foi solicitado ao contribuinte que apresentasse seus documentos fiscais e contábeis com o objetivo de apurar a veracidade da alegação quanto: • Utilização dos produtos importados em capelas de sua construção; • Utilização dos créditos correspondentes de IPI e; • Não transferência do encargo financeiro; Em resposta á intimação citada o sujeito passivo alega que os documentos fiscais e contábeis solicitados foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 O contribuinte requer, em substituição à apresentação da documentação solicitada, que seja realizada vistoria dos bens in loco. No presente caso, quando se deseja apurar a veracidade da alegação da utilização dos créditos correspondentes de IPI e a não transferência do encargo financeiro, entendo não ser possível reconhecer a veracidade das alegações diante da impossibilidade das verificações contábeis e fiscais, tendo em vista a alegação do contribuinte em não possuir os documentos necessários, devido ao incêndio. Cabe lembrar que cabe ao contribuinte zelar pela guarda dos livros e documentos enquanto durar o respectivo processo administrativo. Através do inquérito policial, notase que o incêndio acorreu em 04/07/2011, quase três anos após a ciência da primeira intimação, em 02/09/2008, demonstrando, assim, que o mesmo já não os possuía á época. Quanto à utilização dos produtos importados em capelas de sua construção e levando em consideração a alegação do requerente que se coloca a disposição para demonstrar in loco que os bens importados são de seu patrimônio, entendo mais uma vez, que cabe ao contribuinte o encargo de provar que estes bens são de seu patrimônio, através de documentos fiscais e contábeis, como, por exemplo, o livro Registro de Inventário, notas fiscais e outros documentos que achar pertinente. Sua solicitação para que se substitua à apresentação da documentação por uma vistoria dos bens in loco, não se justifica, pois somente uma visita não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que os bens, aqui em questão, são bens que não contém especificidade, isto é, numero de serie, numero de identificação, bens que não contém identificação individual. Importante citar ainda mais dois agravantes: • As descrições genéricas apresentadas nas declarações de importação (fls. 53 a 57) a saber: "ARRUELAS PARA FIXADORESPINOS; PINOS FIXADORES; COLA PARA ISOLACAO; ISOLACAO DE DUTO”, que impossibilita a precisa identificação dos mesmos in loco. • Já se passaram mais de 9 anos da importação das mercadorias, sendo essas, em muitos casos, bens não duráveis: cola para isolação, isolação de duto, etc. Posto isto, proponho o encaminhamento deste processo ao CARF para continuidade do julgamento. À sua consideração. Com a informações acima transcritas, o processo foi remetido para o CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007287/200682 Acórdão n.º 3202001.345 S3C2T2 Fl. 418 5 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A Recorrente possui o direito à imunidade tributária na importação de bens, reconhecido nos processos de consulta SRRF 8ª RF DISIT 227/2004 (IPI) e 254/2004 (II), ambos juntados aos autos, cujas ementas são as seguintes: Solução de Consulta nº 227/2004 EMENTA: IMUNIDADE. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal não abrange o IPI incidente nas saídas de produtos industrializados dos estabelecimentos industriais ou equiparados. É devido o imposto nas saídas desses bens quando adquiridos por aquelas entidades, mesmo que sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados ao desempenho de suas finalidades essenciais. Está, todavia, abrangido pela imunidade prevista no precitado dispositivo constitucional o IPI incidente no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. ***** Solução de Consulta nº 254/2004 EMENTA: IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ABRANGÊNCIA. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da CF, de artigos com significado religioso, destinados a atender suas finalidades essenciais, está abrangida pela imunidade dos templos de qualquer culto constante da Constituição Federal, estendendose ao Imposto sobre a Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, por se tratar de operações de bens vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. O enquadramento dos bens importados como vinculados às finalidades essenciais a entidade religiosa deverá pautarse em análise objetiva em cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição conforme prevista em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, assim como outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. As mencionadas soluções de consulta constantes dos autos deixam claro, que para o reconhecimento da imunidade do IPI e II na importação de bens, é necessário “o enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade”. Concordo com o entendimento das soluções de consulta mencionadas, no sentido de reconhecer o direito da Recorrente à imunidade do IPI e do II, incidentes na importação de bens condizentes a sua finalidade social. Dessa forma, o litígio restringese à valoração dos elementos comprobatórios, nos termos do art. 29 do PAF. Nesse sentido, o CARF proferiu Resolução para que fosse feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação da Recorrente, de que utilizou os bens importados para suas finalidades sociais. Entretanto, como constatado na Diligência, a recorrente informou que não possuía os documentos fiscais e contábeis solicitados, pois estes foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado, mas que, segundo a entidade, a vistoria dos bens in loco permitiria ver que os bens foram incorporados ao seu patrimônio ou destinados à sua finalidade social. Na ótica da autoridade preparadora, porém, uma visita in loco não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que a natureza dos bens, aqui em questão (arruelas para fixadores; pinos fixadores; cola para isolação etc.), são bens que não contém especificidade, isto é, número de série, número de identificação. Concordo com as conclusões da diligência, realizada pela autoridade preparadora. Efetivamente, a natureza dos bens importados não permitem sua vinculação com as finalidades essenciais da entidade, sendo do particular o ônus da prova, nos pedidos de restituição, que fundamentou o indébito alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Diante do exposto, voto do sentido de NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007287/200682 Acórdão n.º 3202001.345 S3C2T2 Fl. 419 7 Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10746.904180/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 0/ 20 12 -8 2 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.829, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904180/201282 Resolução nº 3803000.554 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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