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Numero do processo: 10925.905129/2012-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 29 /2 01 2- 80 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905129/201280 Acórdão n.º 3801002.911 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002029/2010-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1801-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmem Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmem Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmem Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 29 /2 01 0- 78 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Tratase de auto de infração para exigência multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, da empresa supra, no valor de R$ 510,96. Ante Acórdão (fls. 2628) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário formalizado no lançamento à fl.24, interpôs o contribuinte recurso voluntário com base no Art. 33 do Decreto 70.235/72. Em seu recurso voluntário, aduz o contribuinte a improcedência da exigência fiscal, pelo fato de ter supostamente adimplido a referida obrigação, de forma espontânea, isto é, antes de qualquer procedimento fiscal, o que ensejaria na exclusão da responsabilidade por esta infração, consoante disposto no Art. 138 do CTN. Traz em defesa de seu argumento , doutrina e jurisprudência. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço presente recurso, passando ao mérito. Ressaltando ser particularmente favorável à tese aduzida na peça recursal – a expressão “se for o caso”, do Art. 138 do CTN, evidencia que o pagamento de tributo não é elemento indispensável na configuração do instituto da denúncia espontânea, o que permite concluir que esta alcança qualquer tipo de infração e não apenas as decorrentes de violação de obrigações referentes ao pagamento de tributos , aplico ao caso o entendimento solidificado nas jurisprudências administrativa e tributária sobre o tema. Neste sentido: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ : AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10840.002029/201078 Acórdão n.º 1801001.918 S1TE01 Fl. 3 3 Por todo o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 58DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721265/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Eivanice Canario da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Eivanice Canario da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 65 /2 00 8- 35 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 213 a 216: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 1725, relativo(s) ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, ano(s)calendário 2003 e 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 15.375.852,82, incluindo o principal (IRRF), a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. O(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) em 17/12/2008 (fls. 17). De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Pagamentos sem causa/operação comprovada. Tais pagamentos, que foram extraídas da contabilidade do contribuinte, encontram se relacionados às folhas 149165 e resumidos na Tabela 1, a seguir. Tabela 1 – Resumo dos Pagamentos Ano Suposta operação Folhas Valor Total (R$) 2003 Adiantamentos a Cesar Sebastião Sotero Lopes 165 497.278,25 2003 Pagamentos ref. empréstimo sócia Dilygia Lages 164 362.232,99 2003 Pagamentos ref. financiamento Catterpillar 163 267.217,62 2004 Adiantamentos a fornecedores 149160 9.864.366,82 2004 Adiantamentos a Construtora ETAM Ltda 162 1.181.348,92 A recorrente apresentou sua impugnação ao lançamento em 15/01/2009, na qual alegou, em apertada síntese, que: Da ilegalidade do lançamento a) O lançamento foi efetuado com base na mais pura presunção da Autoridade Lançadora, sem qualquer fundamentação legal; b) A pretensão da fiscalização de punir a recorrente pelas conseqüências da falha operacional não encontra qualquer fundamento legal, vez que opera de forma dificultosa, e até mesmo por falta de informação, não omitiu notas fiscais ou mesmo agiu com dolo em qualquer de seus procedimentos; c) Não há provas concretas de atos do contribuinte com o intuito de fraudar a Fazenda Nacional, nem de que a gestão de suas atividades estava em desconforme com os preceitos tributários; Da comprovação dos pagamentos d) Atua no ramo da construção civil, com obras realizadas na Capital e no interior do Estado do Amazonas; e) Os pagamentos a CESAR SEBASTIÃO SOTERO LOPES se deram em decorrência da necessidade do subempreiteiro receber adiantamentos da remuneração pelos serviços prestados no interior do Estado do Amazonas; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 4 3 f) Os pagamentos à sócia DILYGIA LAGES se referem a empréstimos concedidos com a finalidade de fazer o saldo médio daquela junto à Instituição Financeira, que eram devolvidos tão logo superada a necessidade, conforme demonstrativo anexo; g) Os pagamentos à CATERPILLAR se referem ao financiamento obtido junto a esta para aquisição de equipamentos, conforme cópia do Contrato de Mútuo FLT 1908, registrado no Cartório de Registros de Títulos e Documentos — RTD; h) Os adiantamentos a FORNECEDORES se referem tão somente a repasses antecipados aos fornecedores e prestadores de serviços que operam no interior do Estado do Amazonas, em razão da condição periclitante e da difícil situação logística destes, cujas operações encontramse devidamente comprovadas nos registros contábeis; i) Os adiantamentos à CONSTRUTORA ETAM dizem respeito aos pagamentos concernentes à aquisição de matéria prima (CAP20 e Emulsão) necessária para fabricação do asfalto, conforme demonstram cópias dos recibos e notas fiscais em anexo; j) Encontrase, em anexo, cópia de toda contabilidade, referente aos anoscalendário 2003 e 2004, que demonstram e asseveram todas as alegações explanadas. Como prova de suas alegações, a recorrente anexou ao processo os documentos dispostos nos Anexos I e II, a saber: · Cópia da DIPJ 2004 e 2005; · Cópia do Livro de Registro de Apuração ISS; · Cópia de Contrato de Mútuo com a CATERPILLAR; · Cópia das Notas Fiscais, emitidas pela Ipiranga Asfaltos S/A, referente a aquisição de CAP 20 e Emulsão Asfáltica; · Cópia de Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas pela recorrente nos anos 2003 e 2004; · Cópia de Contratos de Prestação de Serviços, entre a recorrente e seus clientes. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes para justificar os pagamentos, ou seja, não trouxe provas da compra e entrega de mercadorias, bem como da contratação e efetiva prestação de serviços, por parte desses fornecedores, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 5 4 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Estão sujeitos a exação do imposto de renda na fonte todos os pagamentos, escriturados ou não, realizados sob qualquer forma, desde o fisco comprove a existência do pagamento e o contribuinte não logre êxito em identificar o beneficiário ou a causa da operação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 222 a 243, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Introdução: Inicia o contribuinte o seu recurso trazendo aspectos jurídicos introdutórios da supremacia constitucional, da estrutura do sistema jurídico brasileiro, princípio da segurança jurídica e da legalidade tributária. II. Decadência: defende a contagem do prazo decadencial também toma por base cada um dos meses de competência e tendo a recorrente sido notificada em 17/12/2008, os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro do exercício de 2003 já haviam decaídos, não se podendo da Recorrente qualquer cumprimento, pois o lançamento foi tardio. III. Reajuste firmado na legislação tributária: a total ausência de demonstração por parte do Agente Atuante. Para o pleno exercício da defesa, principalmente o principio do contraditório que autoriza contradizer e contraditar as alegações e provas formuladas, a conduta do Agente Fiscal a fragilizou porque simplesmente não apresentou como chegou aos valores indicados para que pudesse ser confrontado com as determinações legais e permitir a manifestação total do contribuinte, assim, merece a imediata nulidade da autuação. IV. Os pagamentos do imposto de renda que não foram observados pela autuação fiscal e a verdade material: se requer a Vossas Excelências que em nome do indigitado principio recebam, analisem e julguem as guias de pagamento do imposto de renda que não foram observadas pela autoridade fiscal (doc. 01). Assim, verão, com a devida vênia, que o auto exige algo que não é devido pela Recorrente. V. O contrato de mútuo n. FLT 1908, os efetivos pagamentos referentes aos dois contratos e a verdade material: As mesmas alegações produzidas • anteriormente sobre a verdade material requer sejam observadas neste item. Assim, requer a juntada, a análise e o julgamento do Contrato de Mútuo n. FLT 1908 e os efetivos pagamentos realizados, tanto em relação a este como em relação ao contrato MPS 2850, juntado na impugnação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 6 5 VI. Pagamentos e recebimentos relativos a sócia da Recorrente: As mesmas alegações produzidas anteriormente sobre a verdade material requer sejam observadas neste item. O fato é que efetivamente foram efetivados pagamentos para a sócia a Recorrente para a efetivação de saldo médio bancário, porém tais recursos foram devolvidos, conforme comprovam os documentos anexos. VII. Pagamentos para construtora ETAM: As mesmas alegações produzidas anteriormente sobre a verdade material requer sejam observadas neste item. Junta se cópias das efetivas transferências de recursos e dos comprovantes que atestam a respectiva prestação de serviços Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. No caso em pauta, que trata de IRRF incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou operação sem causa, considerase ocorrido o fato gerador na data do pagamento, conforme art. 674 do Decreto n° 3.000/99, verbis: Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 2 8.981, de 1995, art. 61, §22). §3º O rendimento será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 2 8.981, de 1995, art. 61, §32). (grifou se) Como se pode ver no auto de infração (fls. 17 a 44), a base de cálculo, alíquota, imposto apurado, multa de oficio e juros de mora aplicados estão minuciosamente descritos. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 7 6 Embora tendo sido intimado várias vezes, fls. 02, 05, 06, 11 e 12, o contribuinte não conseguiu justificar os motivos dos equívocos contábeis que culminaram com os pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Aqui, colacionamse as justificativas da autoridade julgadora recorrida, fls. 215verso e 216, verbis: Da comprovação dos pagamentos A recorrente alega que os pagamentos ao Sr. CESAR SEBASTIÃO SOTERO LOPES e os adiantamentos a FORNECEDORES se deram em decorrência da necessidade de repasses antecipados aos subempreiteiros e fornecedores que operam no interior do Estado do Amazonas, em razão da dificil situação logística destes. Todavia a recorrente não traz prova de sua alegação, pois os documentos apresentados (Anexo I 'e II), bem como sua escrituração contábil, não comprovam o fornecimento dos bens e serviços por tais fornecedores à recorrente. Em outras palavras, a recorrente não traz prova da compra e entrega de mercadorias, bem como da contratação e efetiva prestação de serviços, por parte desses fornecedores. As Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas pela recorrente, e os Contratos de Prestação de Serviços trazidos aos autos só revelam o aspecto formal da prestação de serviços por parte da recorrente, e, não, por seus fornecedores. A recorrente aduz ainda que os pagamentos à sócia DILYGIA LAGES se referem a empréstimos concedidos com a finalidade de fazer o saldo médio da sócia junto à. Instituição Financeira, que eram devolvidos tão logo superada a necessidade. conforme demonstrativo anexo. Ocorre que a recorrente não traz o dito demonstrativo. Menos, ainda , traz qualquer documento referente as transferências de numerários (bancárias ou em espécie) para com a sócia DILYGIA LAGES. No que tange aos pagamentos a CATERPILLAR, a recorrente alega que a entrega de numerário se refere ao financiamento obtido junto a esta para aquisição de equipamentos, conforme .cópia do Contrato de Mútuo FLT 1908, registrado no Cartório de Registros de Títulos e Documentos — RID. O histórico dos lançamentos contábeis (fl. 163), que originaram o lançamento, revelam que os pagamentos, supostamente dizem respeito aos financiamentos referentes aos contratos FTL1908 e MPS2850. À folha 164168 do Anexo I, vejo que a recorrente juntou aos autos a cópia de um contrato de mútuo. obtido junto à. CATERPILLAR FINANCIAL S.A.. sob n° MPS2850, assinado em 09/05/2003, para obtenção de um financiamento no valor de R$ 125.216.45, a ser pago em 13 parcelas mensais de R$ 11.199,40, com vencimentos entre 09/05/2003 a 09/05/2004. De efeito, muito embora a recorrente tenha suscitado, como prova do alegado, o Contrato de Mútuo n° FLT 1908, ela trouxe aos autos outro contrato, o de n° MPS2850. Desta feita, em nome da verdade material, passo a apreciar os lançamentos referentes Contrato de Mútuo n° MPS2850. Verifiquei que os pagamentos efetuados em 18/08/03 e 14/10/2003. nos valores de R$ 22.398,80, cada, em tese, correspondem as parcelas 03, 04, 05 e 06 do Contrato MPS2850. Todavia a recorrente não traz prova da efetivo pagamento a CATERPILLAR FINANCIAL S.A. Isto porque, tendo sido o pagamento efetivado Fl. 276DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 8 7 via crédito conta caixa, ou seja. em espécie, a recorrente deveria ter colado aos autos a prova da entrega do numerário ao beneficiário (recibo, comprovante de depósito bancário, etc.). O que não fez. No que diz respeito aos pagamentos efetuados no período de 06/01/2003 e 09/05/2003, supostamente referentes ao Contrato de Mútuo n° FLT 1908, a recorrente não traz qualquer prova de sua alegação. Por fim, a recorrente a firma que os adiantamentos A CONSTRUTORA ETAM dizem respeito aos pagamentos concernentes A aquisição de matéria prima para fabricação do asfalto. Para tanto, colou aos autos cópia das Notas Fiscais Fatura emitidas pela Ipiranga Asfaltos S/A. e destinadas a Construtora ETAM Ltda, referentes a venda de CAP20 e Emulsão Asfáltica. Refuto de pronto a prova apresentada pela recorrente. A uma, porque as notas fiscais não foram emitidas pelo beneficiário do pagamento. A duas, não foram destinadas a recorrente. A três, ainda que as notas fiscais tenham sido expedidas à beneficiária dos pagamentos, não há qualquer evidência que a mercadoria tenha sido destinada a fonte pagadora. A quatro, os vencimento das faturas não guardam correlação entre datas e valores com os pagamentos. Desta feita. considero as alegações de recorrente sobre a causa dos pagamentos improcedentes pela falta ou inidoncidade de provas. Em sede de recurso, não foram apresentados novos elementos de prova para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fossem aceitos os mesmos pedidos. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. A recorrente não enfrentou com argumentos e provas suficientes o que foi caracterizado pela fiscalização, tampouco argumentado pela DRJ na transcrição acima. No presente processo resta insuficiente a instrução das provas prestadas acerca dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica aos beneficiários listados na autuação. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Fl. 277DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.721265/200835 Acórdão n.º 2102002.952 S2C1T2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que as alegações do recorrente em seu recurso não foram acompanhadas de documentação comprobatória mas somente de um indícios vagos de provas com substância necessária diante dos fatos apontados pela fiscalização. Nesse sentido, decidiu a DRJ e o contribuinte na oportunidade do recurso nada acrescentou para esclarecimento das questões. Destarte, não merecendo reparos da decisão recorrida e considerando que permanecem não identificados os beneficiários dos pagamentos, devese manter o lançamento, nos termos em que consubstanciado no Auto de Infração. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002341/2003-74
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. CORREÇÃO PELA SELIC DE RESTITUIÇÃO APURADA EM DIRPF. TERMO INICIAL.
O termo inicial da correção pela SELIC de restituição de IRPF apurada em declaração de rendimentos é o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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CORREÇÃO PELA SELIC DE RESTITUIÇÃO APURADA EM DIRPF. TERMO INICIAL. O termo inicial da correção pela SELIC de restituição de IRPF apurada em declaração de rendimentos é o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 25/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 23 41 /2 00 3- 74 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de requerimento dirigido pelo contribuinte ao Delegado da Receita Federal em Aracaju/SE, por meio do qual pleiteia suposta correção monetária devida de valores recebidos a título de restituição de imposto de renda relativo ao exercício 1998, anocalendário 1997, em que recebeu restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas a titulo de plano de demissão voluntária (PDV), uma vez que o contribuinte considera que seria devida a correção pela SELIC desde a data da homologação da rescisão do contrato de trabalho e não apenas a partir da entrega da DIRPF, como efetuado pela Receita. O pedido foi indeferido pela DRF (fls. 11 e ss.), ao fundamento de que a restituição de valores de IRRF retidos sobre verbas relativas a PDV não foge a regra geral de correção de restituições de imposto de renda, estabelecida pelo artigo 896, parágrafo único, do RIR/99. Insurgindose o contribuinte a fls. 17 e ss., considera que sua situação estaria regida pelos artigos 162 e 165 do CTN. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SalvadorBA, em sessão realizada no dia 27/07/2005, por unanimidade, indeferiu o pedido aos mesmos fundamentos invocados pela DRF, invocando ainda a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n.02/99 e a Instrução Normativa INSRFn.460/2004, que dispõem no mesmo sentido. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 26 , o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 28 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ, e repisando os argumentos esgrimidos em sua manifestação de inconformidade. Em julgamento a Quarta Câmara do CARF (fls.34 e ss.) converteu o julgamento em diligência, baixando os autos à repartição de origem, para: (i) informar se existe processo administrativo anterior, por meio do qual tenha sido reconhecido o direito creditório referente ao IRRF sobre rendimentos de PDV, relativos ao exercício de 1998, anocalendário de 1997; (ii) caso contrário, confirmar se a restituição de que se trata foi efetivamente procedida mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual Retificadora, conforme fls. 03 a 10; (iii) nesse último caso, solicitar a apresentação de documentos que comprovem a natureza dos rendimentos tidos como isentos/não tributáveis, ou seja, se foram efetivamente recebidos no contexto de Programa de Demissão Voluntária – PDV, juntando inclusive cópia do plano e do termo de adesão firmado pelo contribuinte, e emitindo parecer conclusivo sobre a documentação apresentada; (iv) informar se o contribuinte em tela possui ação judicial cujo objeto tenha ligação com o presente processo; (v)após, abrir prazo para que o contribuinte, querendo, se manifeste sobre os documentos porventura juntados aos autos. Em atendimento, a DRF/Aracaju informou a fls.58 e ss. que: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10510.002341/200374 Acórdão n.º 2802002.656 S2TE02 Fl. 80 3 (i) Inexiste processo administrativo anterior, por meio do qual tenha sido reconhecido o direito creditório referente ao IRRF sobre rendimentos de PDV relativos ao exercício de 1998, ano calendário de 1997, conforme cópias anexas do COMPROT, fls. 49/50. (ii) A restituição de que se trata foi efetivamente procedida mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual Retifícadora, conforme does. fls. 03 a 10; (iii) Os documentos que comprovam a natureza dos rendimentos tidos como isentos/não tributáveis, encontramse anexos às fls. 46/47 e 51/57, ou seja, a Habilitação para o Enquadramento no Programa de Incentivo às saídas Voluntárias, objeto da decisão da Diretoria Executiva da PETROBRÁS, o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho e o Documento Interno Petrobrás DIP, através do qual a companhia estabelece a continuidade do PDV, a partir de 01/12/1994. (iv) No Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, doe. de fls. 47, encontrase detalhado que o valor de R$ 45.067,81 (quarenta e cinco mil e sessenta e sete reais e oitenta e um centavos), fora recebido a título de incentivos por demissão voluntária, e o valor de R$ 11.266,95 (onze mil duzentos e sessenta e seis reais e noventa e cinco centavos), foi referente ao Imposto sobre a Renda então retido, os quais também serviram de referência na DIRPF retifícadora, doe. de fls. 03/05, através da qual foi apurada a restituição complementar corrigida no valor de R$ 14.416,98 (catorze mil quatrocentos e dezesseis reais e noventa e oito centavos), conforme doc. de fls. 08. (v) O contribuinte não ingressou com qualquer ação judicial, tendo por objeto o Plano de Desligamento Voluntário PDV, em que a União Federal figure no polo ativo ou passivo, conforme declaração por ele subscrita e que se encontra anexa às Ás 45, a qual pode ser corroborada através de acesso que fiz ao sítio da Justiça Federal em Sergipe, www.jfse.ius.br, em 22 de agosto de 2011.” Foi finalmente concedido prazo ao contribuinte para que, desejando, se manifestasse, tendo o mesmo quedado silente, e, após, retornaram os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, no pedido de adoção de sistemática diversa da empregada pelo Fisco para cálculo da correção pela SELIC da restituição de IR do contribuinte. Creio que a matéria já está suficientemente elucidada nos autos. Não há sistemática diferenciada para pagamento de restituição de IRPF ou sua correção pela SELIC, quando a mesma resulta de retenção na fonte de IR sobre verbas pagas em programa de demissão voluntária. Configurado pelas diligências empreendidas que o contribuinte efetivamente teve IRRF sobre verbas de tal natureza, que apresentou a DIRPF retificadora de fls.3 e ss. e em razão da mesma recebeu restituição, a correção de tal restituição pela SELIC deveria ser calculada, como o foi, nos termos do artigo 896, parágrafo único, do RIR/99. “Art.896. (…) Parágrafo único. O valor da restituição do imposto da pessoa física, apurado em declaração de rendimentos, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos até o mês anterior ao da liberação da restituição e de um por cento no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte (Lei n º 9.250, de 1995, art. 16, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 62).” Tendo sido esta a sistemática adotada no caso do ora recorrente, nada há a deferir. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005426/2008-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, inscrição no CADIN, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, inscrição no CADIN, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.005426/200829 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.434 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente INDUSTRIAS ROMI S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, inscrição no CADIN, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 54 26 /2 00 8- 29 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.005426/200829 Acórdão n.º 2403002.434 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face de acórdão de impugnação, referente ao Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.176.5722 no valor original de R$ 1.353.620,31 (um milhão trezentos e cinqüenta e três mil seiscentos e vinte reais e trinta e um centavos), lavrados em face de Indústrias Romi S.A. O Auto de Infração foi lavrado em 12 de dezembro de 2008, abarcando a autuação os períodos de 01/01/2003 a 31/12/2007. O auto de infração foi lavrado para evitar a decadência, tendo como fundamento a exigibilidade de contribuições previdenciárias em relação a serviços tomados de cooperativas de trabalho médico e odontológico, decorrente do art. 22, inciso IV da Lei n. 8.212/91, tomando como base de cálculo as faturas emitidas pelas cooperativas. Para as faturas emitidas pela UNIMED Santa Barbara D’Oeste – Cooperativa de Trabalho Médico, utilizouse a base de cálculo de 30% sobre o valor bruto da nota, conforme previsto no art. 291, inciso I, alínea “a”e parágrafo único da IN MPS/SRP n. 03/2005. Para os valores pagos à UNIODONTO de Americada – Cooperativa de Trabalho Odontológico e INIODONTO de São Paulo – Sistema Nacional de Cooperativas Odontológicas, não estando os serviços e materiais fornecidos discriminados nas notas fiscais, a parcela foi calculada em 60% do valor bruto da nota fiscal, conforme art. 292 da IN MPS/SRP n. 03/2005 A contribuinte apresentou Certidão da Justiça Federal da Terceira Região, referente ao processo n. 2000.61.09.0021965, com liminar deferida em favor do não recolhimento das contribuições previdenciárias, dispensando o recolhimento da alíquota de 15%, do valor bruto da fatura de prestação de serviços para o período fiscalizado. Apresentou inclusive guias de depósito judicial para o período de 01/2002 a 03/2005, valores os quais foram considerados como crédito pelo fiscal, tendo feito suas devidas apropriações no ANEXO III do auto de infração. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 228/230. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 09ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 27.715, de fls. 260/264, mantendo parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 Ementa: MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO. A suspensão da exigibilidade do crédito implica tãosomente na suspensão dos atos executórios de cobrança, que são aqueles referentes à inscrição em Dívida Ativa e à propositura da Ação de Execução Fiscal, não impedindo a Fazenda Pública de fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIAS. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadências, para crédito cuja exigibilidade houver sido suspensa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A DRJ deixou de recorrer de ofício em razão de o valor exonerado não ter sido superior ao limite de alçada correspondente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 282/287, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando em suma que o presente processo é ato executório de crédito tributário com exigibilidade suspensa. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.005426/200829 Acórdão n.º 2403002.434 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 307 temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE – DA CONCOMITÂNCIA DO MÉRITO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Conforme já relatado, tratase de lançamento para fins de evitar a decadência, uma vez que o contribuinte ajuizou demanda judicial para se ver desobrigado ao recolhimento da contribuição de 15% pagos às cooperativas, qual seja, a ação judicial n. 2000.61.09.002196 5, o que atrai a Súmula CARF 01. Destaque que em busca realizada no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, percebese que o processo encontrase sobrestado em razão do RE 595.838/SP, o qual teve reconhecida a repercussão geral, nos termos abaixo, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXIGIBILIDADE. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 9.876/99. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 595838 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 14/05/2009, DJe027 DIVULG 11022010 PUBLIC 12022010 EMENT VOL0238904 PP00844 ) O processo ainda não foi julgado e encontrase em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal. Razão pela qual não se analisará o mérito da incidência da contribuição previdenciária. DO MÉRITO O recorrente alega que o presente processo é meio executório do crédito tributário e que não pode estar sofrendo tal constrangimento em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada pelo poder judiciário. No entanto, destaquese que não merece provimento as alegações recursais, uma vez que o instituto do lançamento para evitar decadência está positivado no ordenamento jurídico e é de validade reconhecida pela doutrina e jurisprudência, conforme se percebe do precedente abaixo: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 PIS. DCTF. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA Fl. 315DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A prévia confissão do crédito tributário via DCTF, indicando depósitos judiciais efetuados,não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo vício no lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenir a decadência. Precedente do CSRF. Recurso voluntário negado. (CARF, Terceira Seção de Julgamento, Acórdão 3202000.899 2a Câmara / 2a Turma Ordinária, sessão de 24 de setembro de 2013) O lançamento teve apenas o condão de constituir o crédito tributário na forma do artigo 142, caput e parágrafo único, do Código Tributário Nacional, e não de tornálo exigível. Nesse sentido, leciona Alberto Xavier: A suspensão regulada pelo art. 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2a Ed., Forense, Rio de Janeiro, 1997) No mesmo sentido leciona James Marins: Com efeito, no nosso regime de Direito positivo consubstanciado no Código Tributário Nacional fazse impostergável o poder dever da Administração Fazendária em formalizar o crédito tributário, impondo imperativamente à autoridade fiscal (sob pena de responsabilidade funcional) a obrigação de observar o prazo decadencial previsto em lei para a realização do lançamento (dever de não perpetuar dúvidas ou inseguranças), sob pena de que venha a não mais poder realizálo validamente por padecer de caducidade. Assim, não só a Administração Fazendária pode como deve formalizar o crédito em discussão (lançar), sob pena de decadência do direito de fazêlo, mesmo estando em curso a ação judicial de natureza preventiva (anterior ao lançamento) com o condão de suspender a exigibilidade do crédito( seja por depósito, caução, ou por qualquer decisão judicial para tanto eficiente, liminar, sentença ou acórdão). Deve formalizálo, porém, apenas e unicamente para a precípio finalidade de obstar a decadência. (MARINS, James, Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial, 5a Edição, Dialética, 2010, p. 200) O art. 63 da Lei n. 9.430/96 dispõe que na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativa a tributo de competência da União, a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora e determina inexigível a multa de ofício, conforme a redação abaixo: Fl. 316DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.005426/200829 Acórdão n.º 2403002.434 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por fim, destaquese que a carta de cobrança recebida pelo recorrente, tratase do documento de fl. 278, intimação n. 13886/AME/008211/2011, datada de 18 de junho de 2011, que intima o contribuinte do resultado do acórdão da DRJ para interposição de recurso voluntário e, caso não o fizesse, que regularizasse o débito sob pena de encaminhamento do processo à procuradoria para inscrição no CADIN. A Lei 10.522/02, que dispõe sobre o Cadastro Informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais, não abarca a sua inscrição no referido cadastro, ante o teor do art. 7º inciso II, uma vez que a exigibilidade do crédito está suspensa e, eventual inscrição sua, enseja em responsabilidade funcional do servidor, nos termos da Lei 8.112/90. Assim, não cabe a sua inscrição e a menção em intimação por servidor não competente para proceder a inscrição é insuficiente para caracterizar o ato como de cobrança. Portanto, demonstrada a legalidade no lançamento para evitar a decadência, e tendo o julgador de piso afastado a exigibilidade da multa, fazendo apenas remanescer o principal mais os juros, que são devidos ante o teor da Súmula CARF n. 5, não merece prosperar a alegação recursal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10280.722059/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO INCORRETA DOS FATOS. NULIDADE.
É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade por vício formal, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de nulidade e, no mérito, negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (12/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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DESCRIÇÃO INCORRETA DOS FATOS. NULIDADE. É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade por vício formal, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de nulidade e, no mérito, negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (12/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 59 /2 00 9- 53 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722059/200953 Acórdão n.º 2801002.843 S2TE01 Fl. 141 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00203/2009, de fls. 01/04, emitida em 06/07/2009, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2005, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São Paulo”, cadastrado na RFB sob o nº 6.739.4965, com área declarada de 9.260,0 ha, localizado no município de Moju – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 113.802,44 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 30/07/2009 (R$ 54.295,14) e da multa proporcional (R$ 85.351,83), perfaz o montante de R$ 253.449,41. A ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00028/2007, de fls. 11/12, cuja ciência se deu por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 14), para apresentar, relativamente a DITR, do exercício de 2005, os seguintes documentos de prova: 1º Laudo de Engenheiro Civil que demonstre a área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural existente no imóvel em 01/01/2005; 2º cópia da matrícula atualizada do registro imobiliário; 3º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA; 4º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 5º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou, e 6º Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722059/200953 Acórdão n.º 2801002.843 S2TE01 Fl. 142 3 identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, qualquer documento de prova a correspondência de fls. 25/27 e documentos de fls. 28/32, foram recepcionados em 21/07/2009, portanto, depois da data de emissão da presente Notificação , a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a glosa integral da área declarada de preservação permanente, de 7.408,0 ha, e rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 569.212,00 ou R$ 61,47/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o município onde se localiza o imóvel, com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando imposto suplementar de R$ 113.802,44, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 14/07/2009 (AR/cópia de fls. 53), o interessado postou sua impugnação, em 11/08/2009 (às fls. 34), anexada às fls. 35/37, instruída com os documentos de fls. 38/52. Em síntese, alega e requer o seguinte: informa que adquiriu, de boa fé, imóveis rurais que lhe foram oferecidos, localizados na Margem Esquerda do Furo Jabotinema, afluente do Pacajá, no município de Moju – PA, entre os quais consta a Fazenda São Paulo, NIRF 6.739.4965; naquela ocasião lhe foram apresentados, pelas pessoas que intermediaram o negócio, documentos que certificavam a veracidade e regularidade no registro dos imóveis; para sua surpresa, soube a posteriori, por fontes não oficiosas, que corre ação judicial movida pelo Ministério Público do Estado do Pará, objetivando o cancelamento de falsas escrituras de imóveis rurais, dentre os quais havia grande probabilidade de estarem os imóveis que adquiriu, em face de ocorrência de indícios que tais imóveis foram vendidos a compradores distintos, por diversas vezes; achou por bem continuar cumprindo a obrigação acessória de entrega das declarações anuais do ITR, até o desfecho da situação, posto que uma investigação por sua própria conta no Estado do Pará o oneraria em demasia e ampliaria o prejuízo que é iminente; o lançamento não pode prevalecer, pois foi efetuado sem respeitar o prazo concedido para que o impugnante pudesse apresentar sua manifestação e/ou documentos (conforme despacho, datado de 23/06/2009, foi reaberto o prazo por mais Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722059/200953 Acórdão n.º 2801002.843 S2TE01 Fl. 143 4 vinte dias), portanto, o prazo concedido expiraria somente no dia 13/07/2009 e o lançamento foi realizado em 06/07/2009, em total desconsideração ao prazo então concedido; ainda, por razões que não pôde o impugnante ter acesso junto ao Cartório de Registro de Imóveis (e ao que acredita que se deu pela constatação pelos entes públicos competentes de irregularidade na venda do imóvel), foi cancelada a matrícula no Cartório de Registro de Imóveis; portanto, por inexistência do imóvel, conforme informado à Receita Federal, o lançamento cabe ser cancelado, bem como a declaração de ITR que lhe deu origem; diante da declaração de inexistência do registro, fica demonstrado a inexistência do Imóvel Rural que acreditava o requerente ter adquirido, o que torna insubsistente qualquer acessório por inexistir o principal, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da Notificação, requer seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o lançamento fiscal reclamado e qualquer outro efeito oriundo do seu objeto, além de protestar pela produção de outras provas, especialmente pela juntada de outros esclarecimentos e/ou documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 114/121, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Não comprovado nos autos, com documentos hábeis, que a matrícula do imóvel, constante do correspondente título translativo de propriedade, não existe no competente Cartório de Registro de Imóveis, tratandose de imóvel inexistente, cabe manter o lançamento e o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, o Recorrente sustenta, basicamente, (i) a nulidade do Auto de Infração, ante suposto cerceamento à ampla defesa em fase fiscalizatória; (ii) a impossibilidade de prosperar o lançamento, haja vista o cancelamento da inscrição imobiliária do imóvel ensejador do ITR em cobrança. É o relatório. Voto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722059/200953 Acórdão n.º 2801002.843 S2TE01 Fl. 144 5 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A decisão recorrida rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pelo impugnante, com base na seguinte conclusão: Inicialmente, cabe deixar registrado que o fato de a presente Notificação de Lançamento ter sido lavrada, em 06/07/2009, portanto, antes de expirado o novo prazo de 20 (vinte) dias, concedido pela autuante para que o interessado pudesse atender ao solicitado no referido Termo de Intimação Fiscal (às fls. 11/12 e 40), não pode implicar na nulidade dessa Notificação, conforme aventado pelo requerente. Cabe considerar que, além de os documentos encaminhados pelo interessado, em atendimento a essa intimação fiscal, somente terem sido recepcionados pela autuante em 21/07/2009, portanto, depois de expirado esse prazo de 20 (vinte) dias então concedido, a contar de 23/06/2009 (às fls. 38), o interessado, à luz do art. 23, inciso III, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, já tinha sido devidamente intimado, por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 14 e 41, publicado em 02/06/2008, com data de ciência em 17/06/2008, para apresentar os documentos relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal nº 02101.00028/2007. Isto em razão ter sido infrutífera a tentativa de intimação por via postal, sendo devolvida a intimação encaminhada ao contribuinte no endereço por ele indicado na sua DITR/2005 (extrato/Sucop de fls. 13). Entretanto, discordo do referido entendimento, pois, além de restar confirmado que a presente Notificação de Lançamento foi lavrada antes de expirado o prazo de 20 (vinte) dias concedido pela autuante para que o interessado pudesse atender ao solicitado em Termo de Intimação Fiscal, revelase ilegítima a intimação editalícia promovida pela DRF de origem, porquanto não comprovado que a intimação postal se mostrou infrutífera, haja vista que não consta dos autos o correspondente Aviso de Recebimento (AR), devolvido diretamente pelo Correio à repartição fiscal. A pesquisa ao sistema de informação da RFB denominada "Consulta Postagem", embora seja documento subsidiário, não pode, a meu ver, ser utilizada isoladamente para provar que a intimação postal se mostrou infrutífera. Assim, o defeito apresentado reveste a natureza de vício de forma, porquanto a exteriorização das razões de fato encontrase divorciada do pressuposto fático que autorizaria o agente fiscal a efetuar o lançamento. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício formal, da presente Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722059/200953 Acórdão n.º 2801002.843 S2TE01 Fl. 145 6 Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13629.720578/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
Exclusão do Simples
O excesso de receita bruta no ano-calendário anterior, regularmente apurado em processo administrativo, implica a exclusão de ofício da sistemática de pagamentos do Simples Nacional.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Excesso de Receita Bruta. Exclusão do Simples. Efeitos
Os comandos legais que regem o Simples Federal determinam que obrigatoriamente haverá exclusão, por opção ou de ofício, quando a empresa ultrapassar o limite de receita bruta permitido para se beneficiar dessa sistemática, verificando-se, os efeitos dessa exclusão, a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite de receita bruta estabelecido. (arts. 9 º, I 12, 13, I, II a, 14, I e 15, IV da Lei n º 9.317, de 1996).
Numero da decisão: 1801-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS Os comandos legais que regem o Simples Federal determinam que obrigatoriamente haverá exclusão, por opção ou de ofício, quando a empresa ultrapassar o limite de receita bruta permitido para se beneficiar dessa sistemática, verificandose, os efeitos dessa exclusão, a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite de receita bruta estabelecido. (arts. 9 º, I 12, 13, I, II “a”, 14, I e 15, IV da Lei n º 9.317, de 1996). ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 05 78 /2 01 1- 10 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta no anocalendário anterior, regularmente apurado em processo administrativo, implica a exclusão de ofício da sistemática de pagamentos do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em respeito à economia processual, transcrevo trechos do relatório adotado na Resolução 1801000.192, de 06/03/2013, desta 1a. TE / 3a. CAM / 1a. SEÇÃO do CARF: Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade, julgou as exigências consubstanciadas nos autos parcialmente procedentes. Histórico, conforme relatório da DRJ em Juiz de Fora/MG: Contra o interessado foram lavrados os Autos de Infração, AnoCalendário 2006, para exigir IRPJSimples e reflexos, no valor total de R$ 451.630,18, com a multa de ofício qualificada de 150%, conforme enquadramento legal constante nos autos, e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. Consta do relato do agente fiscal que uma vez constatada incompatibilidade significativa entre a movimentação financeira e a receita bruta declarada à Receita Federal o contribuinte foi intimado, a apresentar os seus extratos bancários. Diante da não apresentação foram emitidas RMF aos bancos Real (atual Santander), Mercantil do Brasil, Banco do Brasil e à Cooperativa de Economia e Crédito dos Comerciantes de Confecções do Vestuário de Timóteo Ltda, através de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF. De posso dos extratos apresentados pelas instituições bancárias, a equipe de fiscalização analisou e depurou todos os valores creditados excluindo os créditos que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas e também as receitas já escrituras em seus livros. Na seqüência, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº. 0002, com ciência em 10/06/2011, o contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e Fl. 827DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.720578/201110 Acórdão n.º 1801001.931 S1TE01 Fl. 3 3 idônea, a origem dos recursos discriminados em seu anexo. No entanto, após decurso do prazo, nada foi apresentado. Uma vez que a movimentação financeira não justificada apresentou um volume muito alto estaria demonstrado, segundo a convicção da fiscalização, a vontade clara de omitir informações, caracterizando o dolo e, assim, justificada estaria a qualificação da multa. Com base em representação formalizada pela auditoria fiscal foram expedidos os Atos Declaratórios Executivos nº. 15 e 16, para exclusão da empresa do Simples Federal, a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional, a partir de 01/07/2007. Intimado em 29/09/2011, o interessado apresentou, em 31/10/2011, impugnação para os autos de infração e manifestações de inconformidade para os Atos Declaratórios Executivos nº. 15 e 16. Na impugnação tempestivamente apresentada a contribuinte argüiu, inicialmente, a nulidade do procedimento fiscal por considerar ilegal a apreensão de seu Livro Razão. Haveria mácula no procedimento, ainda, porque a suposta infração teria sido apurada fora do seu estabelecimento. Alegou também a incompetência do agente fiscal por não constar de MPF autorização para análise de contas bancárias e, assim, caracterizada estaria a violação do sigilo bancário. No mérito defendeu que a exigência se baseou em meros indícios e presunções e afirmou que não havia qualquer pressuposto de fato ou de direito que amparasse a quebra de seu sigilo bancário. Questionou a retroatividade dos efeitos de sua exclusão do Simples por entender que a apresentação da impugnação suspenderia os referidos efeitos retroativos, eis que os fatos estariam pendentes de decisão definitiva. Defendeu a ilegalidade da multa de ofício qualificada pela ausência de dolo, fraude ou simulação. Foram apresentadas manifestações de inconformidade contra a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, nas quais a contribuinte afirmou que os atos de exclusão foram arbitrários, eis que sem motivação. Reiterou os demais argumentos apresentados na impugnação. A 1a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou procedente em parte a impugnação e excluiu a circunstância qualificadora da penalidade. As manifestações de inconformidade apresentadas contra a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional foram julgadas improcedentes. Notificada da decisão, em 08/03/2012 (AR à fl. 782 do processo digital) apresentou, a interessada, em 05/04/2012 (conforme cópia do envelope de postagem), recurso voluntário, no qual reproduz todas as razões de defesa deduzidas anteriormente resumidas nos seguintes tópicos: 1) apreensão irregular do livro razão prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa gerando nulidade absoluta dos autos de infração; Fl. 828DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 2) que houve ilegalidade do procedimento uma vez que não consta do Mandado de Procedimento Fiscal –MPF autorização ou determinação específica para que fossem analisadas as contas bancárias do Impugnante; 3) violação do sigilo fiscal das movimentações bancárias do impugnante pela fiscalização federal – nulidade do lançamento sem autorização judicial; 4) que a fiscalização em nenhum momento apresentou motivos suficientemente hábeis ou indícios concretos da conduta supostamente delituosa para justificar a quebra unilateral de seu sigilo bancário; 5) que todos seus lançamentos contábeis estão corretos e que não houve omissão de receita e a comprovação se dá pela comparação de todos os dados informados nos livros fiscais já apresentados no curso da fiscalização; 6) ausência de fundamento legal da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira; 7) que não há qualquer menção no MPF nº. 06111.00.201000055 das hipóteses previstas nos incisos I a XI do art. 3º do Decreto nº. 3.724/2001, ou seja, não há fundamentação legal no ato administrativo de requisição de informações sobre movimentação financeira do contribuinte, resultando viciado tal procedimento; 8) da impossibilidade de atribuição de efeitos retroativos ao ato de exclusão do impugnante do Simples Federal e Simples Nacional; 9) que toda a autuação lavrada teve como alicerce a sua exclusão do Simples Federal e Nacional, imputandolhe a omissão de rendimentos no exercício de 2006; 10) que os atos de exclusão do Simples Federal e Nacional não estão aptos a produção de efeitos válidos, ante a apresentação de recurso por parte do contribuinte, tornando nulo o lançamento; 11) que as multas impostas pela fiscalização no percentual de 150% sobre o pretenso crédito tributário tem o absurdo argumento de omissão de receitas e representam afronta aos preceitos da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; 12) que o lançamento que lastreou a exclusão da empresa no Simples Federal e Nacional ainda está sob questionamento, ante a apresentação de impugnação por parte do contribuinte, sendo os atos declaratórios prematuros, não se prestando à produção de efeitos regulares, por explícita violação ao devido processo legal, o que impõe sua nulidade; 13) que ficou prejudicada também a motivação de exclusão do Simples. Tendo em vista a revogação do Artigo 62A, parágrafos 1o. e 2o. do Regimento Interno do CARF, que determinava o sobrestamento do julgamento do presente processo, retornam os autos em pauta para prosseguimento. É o relatório. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.720578/201110 Acórdão n.º 1801001.931 S1TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. As preliminares suscitadas devem ser todas afastadas. Argüições como as que se limitam a questionar a validade da apreensão de livros e documentos fiscais, a afirmar que não houve autorização específica para analise de contas bancárias, ou ainda, que não haveria fundamento legal para expedição de RMF, em âmbito de procedimento fiscal regularmente instaurado, não são inéditas neste Colegiado e se revelam como meramente protelatórias. No presente caso foram observados todos os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. No mérito, a omissão de receitas está plenamente caracterizada. Por meio de ação de fiscalização direta, intentava a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB verificar a regularidade fiscal da empresa, com movimentação financeira incompatível com as declarações prestadas ao Fisco, com opção pelo Simples. Assim é que a empresa foi regularmente intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e seus extratos bancários. A intimação foi atendida parcialmente, tendo sido apresentados os Livros Diário e Razão. Os extratos bancários não foram apresentados, nem qualquer justificativa para não apresentação foi oferecida à auditoria fiscal. Em face da não apresentação dos extratos bancários solicitados foram emitidas requisições – RMF – às instituições financeiras. De posse dos extratos bancários e dos livros contábeis apresentados a auditoria constatou que nem toda a movimentação financeira se encontrava devidamente registrada no Livro Razão, o que motivou a elaboração de demonstrativos contendo os valores creditados nas contascorrentes bancárias mantidas pela empresa, com os expurgos de valores Fl. 830DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 que não representavam ingressos de recursos. Referido demonstrativo foi cientificado a recorrente para que esta comprovasse a origem dos recursos. Mas a recorrente, de forma reiterada, deixou de atender às solicitações da auditoria para que comprovasse a origem dos recursos creditados em contascorrentes bancárias. Dessa forma, em que pese as oportunidades dadas no curso do procedimento fiscal para apresentar a comprovação da origem lícita dos recursos, a recorrente optou por calarse. Importa consignar que a legislação em vigor permite a presunção de omissão de receitas formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada . É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o t i tular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos uti l izados nessas operações [destaques acrescidos]. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea . Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas da atividade operacional, ou caso sejam, que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. O depósito bancário não se constitui em fato gerador de tributo. Todavia, a partir da edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o contribuinte não fizer prova da origem dos recursos depositados em suas contas correntes e de investimentos, pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas, fato integrante da base de cálculo dos tributos em discussão. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titulas das contas correntes e de investimentos, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Há, portanto, disposição legal expressa no sentido de considerar omissão de receitas, depósitos bancários que não tiverem sua origem comprovada pelo titular da conta. Logicamente, quando o contribuinte observa as obrigações tributárias principais e acessórias, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados, e têm a Fl. 831DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.720578/201110 Acórdão n.º 1801001.931 S1TE01 Fl. 5 7 sua origem identificada na contabilidade, regularmente amparada em documentação de suporte. O que não é o caso em apreço, em que se limita a defesa a meras argüições, estas sim absolutamente desprovidas de amparo legal , no sentido de que os depósitos bancários não podem ser considerados como receitas omitidas, ainda que não tenham sido comprovados pelo seu titular. A omissão de receitas restou, enfim, claramente configurada e este aspecto da autuação foi confirmado pela autoridade julgadora de primeira instância. Da mesma forma justificada está a exclusão da empresa, no anocalendário 2007, do regime de tributação do Simples Federal e do Simples Nacional, em vista da extrapolação do limite de receita bruta auferido no anocalendário 2006, ano imediatamente anterior à exclusão. O artigo 9 º, incisos I e II c/c com o artigo 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.317/1996, que instituiu o Simples Federal, assim dispõem: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I – na condição de microempresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II – na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). A fiscalização apurou que a contribuinte, durante o anocalendário de 2006, auferiu receitas no montante total de R$ 2.571.224,65, conforme dados colhidos das Instituições Financeiras que transacionavam com a empresa e os valores declarados na DSPJ/2007, o que implicava sua exclusão daquele Sistema de apuração e recolhimento de tributos, a partir do anocalendário seguinte. os efeitos da exclusão devem se operar a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite, no caso, a partir do anocalendário 2007, conforme dispõe o inciso IV do art. 15 do mesmo diploma legal: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; A exclusão do Simples Nacional, a partir de julho de 2007, também está perfeitamente motivada pela extrapolação do limite de receita bruta no anocalendário anterior, 2006. conforme o que estabelece a Lei Complementar nº 123/2006 e suas alterações. LC 123/2006 Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Resol.CGSN 04/2007 Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Resol.CGSN 15/2007 Art. 5º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: XI – for constatado, quando do ingresso no Regime do Simples Nacional, que a ME ou a EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007.. Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: VII – a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses previstas nos incisos XI e XII do art. 5º. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 833DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.720578/201110 Acórdão n.º 1801001.931 S1TE01 Fl. 6 9 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15165.002003/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 20/09/2002 a 23/04/2004
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3202-001.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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PERDIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BSD COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E OUTROS ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 20/09/2002 a 23/04/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 20 03 /2 00 7- 57 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.388 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou procedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ, verbis: Tratam os autos do presente processo de ação fiscal levada a efeito contra a empresa em referência que resultou na lavratura do Auto de Infração para fins de lançamento do correspondente crédito tributário, no valor de R$ 23.324.005,59, constituindo a multa de que trata o art. 23, IV, §§ 1º a 3º do DecretoLei nº 1.455, de 07.04.1976, incluídos pelo art. 59 da MP nº 66 de 29.08.2002, convertida na Lei nº 10.637 de 30.12.2002 c/c o art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833 de 29.12.2003. A exigência em questão está calcada na hipótese de prática de dano ao erário em função da interposição fraudulenta de pessoas, ensejando a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias despachadas para consumo pela autuada ao amparo das declarações de importação registradas entre 20.09.2002 a 23.04.2004, devido à impossibilidade de sua apreensão. A fiscalização informa que a empresa autuada teve a sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) declarada inapta a partir de 20.09.2002, por meio do Ato Declaratório nº 9, de 29.04.2005, em decorrência da representação que concluiu que sua constituição social se deu com o uso de interpostas pessoas, sendo que os sócios ostensivos, Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues, não possuíam capacidade financeira sequer para o início das atividades empresarias. Intimada a contribuinte e demais responsáveis solidários (pessoas físicas), conforme o Edital Secat nº 059/2007 (fl. 574), irresignados, apresentam impugnação: 1) A pessoa jurídica BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. apresenta defesa às fls. 867 a 884. Argumenta que ocorreu cerceamento de defesa pelo fato de o auto de infração ter sido lavrado antes da imposição da sanção administrativa. Aduz a ausência de motivação idônea para sustentar a multa aplicada. Afirma que a mera alusão ao processo de inaptidão não pode constituir pressuposto para a autuação em tela, pois o objeto do processo de inaptidão Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.389 3 é a penalidade de inaptidão da inscrição no cadastro do CNPJ e o do presente processo é a multa pecuniária decorrente da conversão da pena de perdimento, inexistindo, portanto, pressupostos que permitam a aplicação da pena de multa retroativa a 20.09.2002, o que caracteriza ausência de motivação. Requer, por conseguinte, a nulidade da autuação e subsidiariamente, em caso de manutenção da multa, a restituição dos tributos pagos nas operações de importação. 2) Leon Knopfholz apresenta defesa às fls. 595 a 603. Alega que no decorrer da ação penal ficou comprovado que nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa autuada (BSD), fato que ensejou a alterarão do posicionamento do Ministério Público Federal em favor da sua absolvição. Cita depoimentos da ação penal. Argumenta que o Ministério Público, na ação penal, concluiu que os reais proprietários e dirigentes da empresa seriam Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpern. Solicita sua exclusão do pólo passivo da presente exação, na condição de responsável solidário. Em anexo à defesa, junta as alegações finais do MP. 3) Calmon Knopfholz apresenta defesa às fls. 729 a 738. Alega também que na ação penal ficou comprovado que nunca se beneficiou diretamente dos resultados da autuada (BSD), fato que, igualmente, ensejou o reposicionamento do Ministério Público Federal em favor da absolvição, exceto quanto sua participação em um contrato de mútuo, fato este que não liga significa ser beneficiário ou controlador da empresa autuada. Argumenta também que por conta das alegações finais trazidas na ação penal em referência existem provas que corroboram sua alegação quanto à ausência de responsabilidade nas atividades exercidas e nos resultados auferidos pela BSD. Salienta que somente atuou na empresa na condição de funcionário encarregado pelo desenvolvimento de produtos. Cita depoimentos da ação penal do qual é réu. Solicita a exclusão da responsabilidade solidária e junta as alegações finais do MP em anexo à defesa. 4) Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum apresentam impugnação às fls. 892 a 898. Alegam a impossibilidade de prosseguimento da exigência formalizada no presente auto de infração até a conclusão da ação penal pública, uma vez que referida ação penal é questão prejudicial ao processo administrativo fiscal. Razão pela qual solicitam o sobrestamento desse processo administrativo. As autuadas, na condição de responsáveis solidárias, requerem também que suas alegações finais, proferidas no âmbito do referenciado processo penal, Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.390 4 ora juntadas às fls. 920 a 968, sejam aceitas como parte da defesa. Alegam também que o réu Rolando Rozenblum Elpern está sendo responsabilizado pelo fato de ser diretor da empresa, o que configura responsabilidade objetiva. Sustentam não haver comprovação da autoria e materialidade dos delitos, fls. 961 a 966. Contestam os dados utilizados na ação penal, em especial, a planilha do valor das mercadorias. À fl. 1001, a unidade de origem esclarece que são tempestivas as impugnações apresentadas por Leon Knopfholz, Calmon Knopfholz e BSD Comercial Importação e Exportação Ltda., nesse ato representada por Paulo Oscar Goldstein. O expediente juntado às fls. 1002 a 1004, demonstra o retorno do processo à unidade de origem para fins de informar existência de eventual processo judicial, sendo que, à fl. 1005, evidenciase o retorno do processo a esta Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento. À fl. 1006, foi formalizada diligência cujo objeto era a comprovação de que ação judicial cível possuía o mesmo objeto deste processo administrativo, a confirmação da tempestividade da impugnação apresentada por Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum (fls. 892 a 898), bem assim, a juntada de cópia do processo nº 10907.000957/200438, que a autuação fiscal faz referência à fl. 02. Em despacho de fls. 1009 a 1010, informouse que o processo judicial em questão era uma Ação Penal Pública. À fl. 1013, foi formalizada outra diligência, desta feita, para alertar que a unidade de origem não havia cumprido o solicitado na diligência anterior, quanto a comprovação da tempestividade das impugnações de fls. 892 a 898, bem como, quanto a ausência de intimação das autuadas. Às fls. 1038 a 1047, Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum apresentam novas razões de impugnação. Alegam a impossibilidade de a exigência abranger DIs cujas mercadorias se encontram na posse da RFB, conforme evidencia a fl. 251 do Anexo III. Salientam que pelo conteúdo desse referido documento denotase que as mercadorias apreendidas (PAF nº 10907.000129/200661) foram entregues ao representante legal da empresa, mediante termo de fiel depositário, todavia, não há nos presentes autos cópia dessa autuação, acarretando a nulidade do lançamento em apreço. Afirmam também que da cópia da sentença penal nº 2006.70.000122997, juntada às fls. 193 a 249, evidenciase a ordem de confisco decretada pelo juízo criminal no que diz respeito às mercadorias discutidas nos autos do PAF nº 10907.000957/200438 e do PAF nº 10907.000129/200661. Alegam inexistir prova de que a RFB requisitou e não obteve sucesso na busca das mercadorias objeto da presente conversão em multa. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.391 5 Ressaltam que existe sentença penal de absolvição de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Solicitam, uma vez mais, improcedência do auto de infração. Às fls. 1051 e 1052, a contribuinte BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. apresenta suas razões complementares. Alega que a diligência somente confirma o exposto na impugnação quanto a ausência de motivação idônea da autuação fiscal. Argumenta que a autoridade fazendária limitouse a fazer remissão ao processo de representação para inaptidão como se o mesmo fosse pressuposto para adoção da pena de perdimento e conseqüente conversão em multa pecuniária. Argüi que o processo de representação tem por objeto importações havidas através de 29 DIs, sendo que o presente processo se refere a 385 DIs, das quais 28 integram o auto de infração referente ao PAF nº 10904.000957/200438. No expediente de fl. 1055, a unidade de origem informa que somente as impugnações apresentadas por Leon Knopfholz, Calmon Knopfholz e BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. são tempestivas. Ressaltando que o adendo à impugnação protocolizada pela empresa BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. é intempestivo. Na informação SARAC nº 263/2009, juntada às fls. 1057 a 1060, a ALF/ Paranaguá presta esclarecimentos à PFN no que se refere a Ação Ordinária nº 2009.70.08/0003351, em que a autora (BSD) requereu a invalidação do auto de infração 0917800/00375/08, constante do PAF nº 10907.002525/200895, que lançou a multa no valor de R$ 3.773.622,17, em virtude de conversão da pena de perdimento aplicada nos autos do PAF nº 10907.000129/200661, pela impossibilidade de apreensão da mercadoria. Na referida ação a empresa afirma que as 24 DIs objeto da penalidade já foram incluídas em processo anterior de multa de conversão (PAF nº 10907.002003/200757), que possui idêntico fundamento legal, ferindo o princípio do “non bis in idem”. A unidade de origem informa acerca desta questão que: as mercadorias relacionadas pela autora nas 24 DIs citadas foram de fato objeto de penalidade de perdimento constante no processo 10907.000129/200661. Em sentença, foi autorizado ao Fisco exigir a apresentação das mercadorias ao fiel depositário (Paulo Oscar Goldstein) ou equivalente em dinheiro, sendo que tal providência possibilitará a efetivação da pena de perdimento criminal decretada. Instado a apresentar as mercadorias, Paulo Oscar Goldstein afirmou que houve a perda de objeto do termo de fiel depositário por força da lavratura de auto de infração (PAF nº 15165.002003/200757) para imposição de multa equivalente ao valor aduaneiro. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.392 6 Informou ainda que as mercadorias foram liberadas para utilização industrial e comercial, o que caracteriza a situação do art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Ao contrário do informado, o presente processo não contempla todas as mercadorias do PAF nº 10907.000129/200661. Somente foram incluídas as DIs nº 03/0948850 e 03/09109218. O próprio fiel depositário confirmou que não dispõe dessas mercadorias. No extrato da Ação Penal Pública nº 2006.70.00.0122997, perante a 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba PR, juntado às folhas 1072 a 1102, após a sentença, foi proferido o despacho abaixo colacionado, vejamos: Observando as razões do MPF, constatase que não houve recurso contra a absolvição de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, Rosi Aparecida Gonçalves Santos e Leon Knopfholz. Quanto a eles, certifiquese o trânsito em julgado e realizemse as comunicações e anotações necessárias. 2. Na esteira da manifestação do MPF (fl. 2926), indefiro a concessão do beneficio da suspensão condicional do processo ao acusado Calmon Knopfholz, uma vez que, diante do conteúdo da certidão de fls. 29152916 e da decisão de recebimento de denúncia de fls. 29232924, o acusado não atende aos requisitos subjetivos impostos pelo artigo 89 da Lei 9.099/95 para a concessão do benefício, por responder a outra ação penal. Quanto à Enriqueta, este Juízo já havia consignado a falta do preenchimento dos requisitos objetivos (fls. 2.8762.877), sendo oportuna, de todo modo, a manifestação do MPF quanto à igual falta de preenchimento dos requisitos subjetivos (fl. 2.926). 3. Intimemse as Defesas dos condenados Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Paulo Oscar Goldenstein, Michael Domingues, Laury Lucir Geremia, Vitorio Afonso Breda, Sergio Voltolini, Enriqueta Angela Ninvanoli e Calmon Knopfholz, para, querendo, apresentarem contrarrazões ao recurso do MPF em oito dias. Fica na oportunidade intimada a Defesa de Calmon e Enriqueta do que consta no item anterior. Intimemse ainda as Defesas de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, Rosi Aparecida Gonçalves Santos e Leon Knopfholz, quanto ao trânsito em julgado das absolvições. 3. Apresentadas as contrarazões ou decorrido o prazo, extraiase cópia das peças necessárias para eventual execução provisória. Após, remetamse os autos ao TRF4, observando que as defesas dos acusados pugnaram pela apresentação das razões de recurso em segunda instância. Em decisão administrativa de primeira instância, exarada no Acórdão 0717.863 dessa 2ª Turma de Julgamento (fls. 1063 a 1070), julgouse improcedentes as impugnações, mantendose integral do crédito tributário exigido em relação a todos os autuados (a contribuinte, pessoa jurídica e os responsáveis solidários, pessoas físicas). Em razão de revelia por Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.393 7 intempestividade, não foram conhecidas a impugnação de fls. 892 a 898 e a impugnação complementar de fls. 1038 a 1047. Intimados às fls. 1105 a 1115, apresentaram recurso ao CARF: Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum (fls. 1121 a 1127) para, em síntese, alegar a tempestividade da primeira impugnação apresentada e, por conseguinte, requere o retorno dos autos à delegacia de julgamento (1ª Instância Administrativa) para conhecimento das impugnações apresentadas. BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. (fls. 1131 a 1141), para aduzir: a) a ausência de procedimento fiscal prévio à autuação fiscal, o que prejudicaria o direito de defesa; b) que deveria haver a possibilidade da impugnante de se manifestar previamente à autuação fiscal; c) que a apuração da interposição fraudulenta é pressuposto da pena de perdimento, sendo que tal apuração deve ser objeto de processo próprio; d) que o desembaraço aduaneiro em favor da impugnante somente poderia ser alterado em procedimento de revisão aduaneira, o que não ocorreu no caso. Ao final, além de reiterar seu pedido de restituição, requer a nulidade da multa imposta ou, alternativamente, o reconhecimento ao direito de compensação dos impostos pagos na importação com o valor apurado no auto de infração. Leon Knopfholz (fls. 1148 a 1156), aduzindo que: a) no decorrer da referida ação penal ficou evidenciado que jamais foi beneficiário das ações perpetradas pela BSD Comercial Importação e Exportação Ltda., fato que ensejou o pedido de absolvição por parte do Ministério Público; b) uma vez que sua inclusão no pólo passivo dessa exação se deve única e exclusivamente à ação penal cujo resultado final foi sua absolvição, deve o auto de infração ser julgado improcedente em relação ao recorrente. Requer sua exclusão como responsável solidário, pois jamais controlou a empresa em questão (BSD). Calmon Knopfholz não apresentou recurso voluntário. O Ofício nº 4122337 da Justiça Federal, juntado à fl. 1164, dá conta de que a ação penal nº 2006.70.00.0122997/ PR se encontra no TRF4 para julgamento de recurso de apelação. Desse processo observa se, na sentença juntada às fls. 1166 a 1222 que foram absolvidos Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, e Leon Knopfholz por ausência de prova suficiente para a condenação e condenados Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Calmon Knopfholz por crimes contra o Erário Público. Do Acórdão nº 320100.0748, exarado pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 1234 a 1238), extraise o que segue: ASSUNTO: NORMAS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.394 8 do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verificase a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Para melhor compreensão, reproduzo trecho do referido julgado. (...) Voto (...) Conforme atesta a própria autoridade fiscal preparadora, os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deles tomo conhecimento. Antes de analisar as peças recursais da BSD – Comercial Importação e Exportação Ltda e do Sr. Leon Knopfholz, analiso aquela que foi interposta conjuntamente pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Isso porque, de acordo com a decisão recorrida, a sua impugnação foi intempestiva. Entretanto, tais Recorrentes comprovaram que o prazo previsto no Decreto nº 70.235 de 1972 foi observado, inclusive em atenção ao Ato Declaratório Normativo nº 19 de 2007 e à jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls.1123/1126). Vejamos: (...) Considerando que a impugnação em questão foi tempestiva e não foi analisada pelo órgão julgado de 1ª instância, valhome novamente da jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para tratar do assunto. Vejamos: (...) Diante do exposto, decido anular a decisão recorrida de modo que as razões da impugnação ofertada pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern sejam apreciadas e julgadas pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Florianópolis/SC. Dando prosseguimento ao feito, a unidade de origem (fl. 1350) encaminha os presentes autos para que novo Acórdão seja proferido. Desta feita, propõe seja reconhecida impugnação apresentada conjuntamente por Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.395 9 Em face dessas circunstâncias, o presente processo foi reencaminhado para esta DRJ, dando lugar ao novo julgamento a que estão sendo os autos ora submetidos. É o Relatório. Em sua decisão, a DRJ de Florianópolis houve por bem julgar procedente a impugnação. A ementa do acórdão foi assim formulada: DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. LANÇAMENTO. FUNDAMENTO INCABÍVEL. A declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ não constitui, por si só, fundamento legal para a aplicação da pena de perdimento ou da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas que não foram passíveis de apreensão. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. Antes de adentrar à questão central do autos, é importante transcrever o Relatório IRFCTA/SARAT 12/2004 de fls. 354 e seguintes para o entendimento de todas as operações e pessoas envolvidas na autuação: Trata o presente processo da representação para declaração de inaptidão do cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da empresa BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda por não comprovação da origem dos recursos empregados na manutenção das operações de comércio exterior. O presente processo traz às folhas 01 à 41 cópia do auto de infração pertencente ao PAF n°: 10907.000957/200438, que atribuiu a pena de perdimento à diversas mercadorias introduzidas no território nacional mediante operações fraudulentas tendo a participação da empresa BSD na condição de pessoa jurídica interposta. Destacamos os fatos a seguir elencados. Através de diligências foram levantados os seguintes elementos, fls.12e 13: 1A empresa BSD foi constituída em 17/07/2000 pelos Senhores Paulo Oscar Goldenstein e pelo Sr. Michael Domingues. 20s Srs. Paulo e Michael tinham no ano de 2002 bens declarados no valor total de R$ 203.000,00. 3 A empresa apresentava Capital Social de R$ 100.000,00 em 13/11/2003 4De Agosto de 2002 à Outubro de 2003 a empresa realizou importações no Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.396 10 valor de R$ 23.689.694,00. Em contrapartida, até 13/12/2002, o recolhimento do IPI sobre a revenda das mercadorias para o mercado interno foi de apenas R$ 3.700,00, fl. 572. 5 Segundo a DIPJ a BSD realizou entre Agosto e Dezembro de 2002 compras à vista no valor de R$ 5.655.523,69 e as dívidas junto aos fornecedores foram de R$ 3.560.758,94. 6Embora a principal atividade da empresa se relacione com o fabrico de malas bolsas, valises e outros artigos de viagem a mesma importou R$ 10.062.117,00 em peças e acessórios de bicicletas. Dando prosseguimento ao MPF 0910700.2003.001960, em 27 de Novembro de 2003, fls. 1041 à 1043, a BSD foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, o Livro Diário, Livro Razão, Livro de Registro de 1PI, Livro de Registro de Estoque, Livro de Registro das Entradas e Saídas relativas aos exercícios de 2002 e 2003 bem como as notas fiscais de entrada e saídas relativas ao mesmo período entretanto, a BSD, apesar dos diversos pedidos de prorrogação de prazo para apresentação, até o momento não os apresentou. Os sócios ostensivos da BSD no ano de 2002, os Senhores Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues não possuíam recursos suficientes que pudessem amparar as operações de comercio exterior nos níveis apresentados. Para o ano de 2002 o Sr. Paulo declarou bens e direitos no valor de R$ 138.300,00, fl. 489, e o Sr. Michael R$ 61.706,79, fl. 491. Uma outra possível fonte provedora dos recursos à BSD seria o Sr. Calmon Knopfholtz. Supostamente o Sr. Calmon emprestou à BSD à quantia de R$ 1.500.000,00 instrumentalizada através de contrato de mútuo, fls. 629 e 630, ref. fls. 1. 120 à 1122. Em 09/03/04 a empresa foi intimada, fl. 1122, a comprovar a efetiva migração dos recursos provenientes do suposto mútuo para a empresa BSD e até o momento não apresentou os comprovantes que assegurassem a efetividade da operação. O provedor de tais recursos o Sr. Calmon também foi intimado a comprovar a suposta operação de mútuo, fl. 1120 e em resposta à intimação apenas limitouse a apresentar cópia do contrato de mutuo, fl. 1121. O Sr. Calmon foi sócio da falida empresa 1KA Irmãos Knopfholz S.A. e atualmente trabalha como consultor da área de malas para a BSD, fls. 580 à 582. Segundo os sistemas informatizados da SRF o Sr. Calmon recebeu nos últimos 05 anos um total de R$ 55.600,00do INSS e não possui outra fonte de rendimentos declarada sendo que o total de seu patrimônio declarado seria de R$ 110.834,00, portanto, 14 catorze vezes menor que o suposto mútuo por ele efetuado demonstrando, desta forma, a ausência de capacidade Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.397 11 financeira para sustentar a eventual operação de empréstimo fls.629, 628 e 465 à 472. O Sr. Calmon possui condenação por não recolhimento de contribuição previdenciária e também por uso de documento falso para obter um financiamento de US$ 700.000,00 junto ao Banco do estado do Paraná BANESTADO, fts 34, 1057 à 1068. FAMÍLIAS ROZENBLUMTROSMAN Entre Agosto de 2000 e abril de 2001 a empresa BSD ficou estabelecida no endereço à Avenida Batel , n° 1.750 sala 219, Bairro Batel Curitiba.Tal endereço coincide com o endereço das empresas Ozxy indústria e comércio e SV Assessoria, fl. 49 que também é o endereço do Sr. Sérgio Voltolini, que presta serviços à BSD.(ANEXO I — Relação das Empresas, Endereços e Principais Envolvidos) O Sr. Sérgio foi procurador da empresa uruguaia Biraco Sociedad, que até 2002 era sócia controladora da empresa Ozxy juntamente com as Senhoras Karina Rozenblum e Noemi Roseblum. Os procuradores com amplos poderes da empresa Ozxy são os Senhores Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpem.fi. 618 Em abril de 2002, a sede da empresa BSD Industrial foi transferida para um imóvel situado à margem da Rodovia BR 376 —km 14 , São José dos Pinhais. Tal imóvel foi locado à BSD pela empresa uruguaia Kennyblock Sociedad Anônima. Em 22 de julho de 2002, a empresa Kennybllock, à titulo de integralização de Capital, transferiu o imóvel em questão para a empresa Replecta Participações Ltda, da qual é societária, e esta por sua vez possui o mesmo endereço da empresa Ozxy Industria —Av. Marechal Floriano Peixoto, 228, conj. 1403. Conforme a DIPJ de 2002 o aumento de capital efetuado pela empresa Replecta permitiu que a mesma passasse a controlar a empresa OXZY. Em junho de 2002 a empresa Replecta alugou novamente o imóvel para a empresa importadora Excelbag Com. Imp. Exp. Ltda pertencente aos senhores Leon Knopfholtz e Helena Reich. Com isso as empresas BSD e EXELBAG locaram em simultaneidade o mesmo imóvel. A locação simultânea de imóvel foi utilizada pelas empresas W 54 e Ebav Comércio de Bolsas esta administrada pelos Senhores Vitório Afonso Breda e Helena Reich mãe de Leon Knolphoz. O Senhor Isidoro Rozenblum Trosman recebeu procuração outorgada pelo Senhor Vitório Breda para administrar a empresa EBAVComércio de Bolsas. O senhor Vitório Breda juntamente com os Senhores Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozemblum Elpem, Noemi Elpem K. de Rozemblum, José Eduardo de Oliveira, Hermogene Alves de Oliveira e João Kravitz Filho estiveram envolvidos com operações irregulares realizadas pelas empresas : (1) Sundown, (2) Santa Edwiges e (3) SBM Comércio, fis. 33, e 636 à 659. O Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.398 12 Sr Vitório foi empregado da empresa W 54 nos anos de 2000 e 2001.e atualmente exerce o cargo de gerente administrativo da BSD Industrial. A em presa EBAV tem 94 % de seu Capital Social pertencente à empresa Rostany Trading. O representante legal da empresa Rostany Trading é o Senhor Laury Geremia, advogado dos Rozemblum Trosman. Em 30 de outubro de 2002 a Replecta Participações firmou novo contrato de locação com a BSD em substitução ao firmado pela Kennyblock. O imóvel em questão situado è BR 376 é domicílio das empresas Sundovvn do Brasil Industrial Comercial Distribuidora de Bicicletas Ltda e da Jet Point Transportes Ltda administrada por Karina Rozenblum filha do Sr. Isidiro Rozenblum Trosman. Os sócios da BSD Senhores Paulo Oscar Goldestein e Michael Domingues trabalharam até 2001 paras as empresas Kenton do Brasil Comercial Ltda e W 54 —Artigos de Viagens Ltda ambas já administradas por Isidoro Rozenblum Trosman e Wilson Luiz Cunha Rodrigues. O controle da Kenton do Brasil passou ao Senhor Paulo Oscar Goldestein em 2002. O Sr. Paulo Oscar Goldestein trabalhou para a empresa SBM Com. E Imp. de Peças para Veículos Ltda denunciada pelo Ministério Público como empresa de fachada pertencente à família RozemblumTrosman utilizando subfaturamento nas importações. O Sr. Michael Domingues saiu da direção da BSD Industrial. Atualmente é gerente de marketing da Construtora Casa trabalhando com a marca Casa Personalite ambas as marcas de propriedade da Ozxy Indústria fl. 728. Todos os cargos de gerência na BSD Industrial são exercidos por empregados ou exempregados ligados às empresas da família Rozenblum Trosman. Em procedimento de diligencia na BSD os servidores da SRF foram recepcionados pela gerente financeira Sr. Rosi Aparecida Gonçalves dos Santos ex empregada das empresas Kenton do Brasil e Sundown do Brasil Comercio de Bicicletas Ltda pelo Sr. Vitório Afonso Breda réu em dois processo por contrabando e descaminho e ex empregado do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman na empresa W 54 e pelo Sr. Laury Lucir Geremia advogado cujo visto consta em diversas alterações contratuais da empresa BSD, faz a representação em ações judiciais de pessoas ligadas à família Rozemblum Trosman e, possui dois escritórios principais sendo que um deles tem o mesmo endereço da empresa Ozxy Industria e Comercio de Artigos Esportivos empresa administrada pela filha e esposa do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman e o outro em local cujo telefone pertence à Sra. Rosangela M. Voltolini, fls. 982 e 983, que em conjunto com seu esposo Sr. Sérgio Voltolini, responsável pela SV Assessoria Empresarial Ltda no qual o endereço coincide com o endereço das empresa OZXY Industria, Replecta Participações e já foi utilizado pela BSD, fl. 49, são responsáveis pela contabilidade da BSD Industrial. O casal Voltolini já operou a empresa CYM Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.399 13 Asimex do Brasil interrelacionada com empresas pertencentes à família Trosman.fls. 36 e 895. A partir de 01/08/2002 a BSD Industrial passou a importar partes e peças de bicicletas e motocicletas e também malas da marca 1KA. Este tipo de mercadorias coincide com o que era importado pela W54 —Artigos de Viagens. A antiga fabricante da malas 1KA era a empresa IKA Irmãos Knopfholz S.A. cuja falência foi decretada em 1996. A marca IKA foi transferida para a empresa Ozxy Industria e Comercio controladas pelo Sr. Isidoro Rozenblum Trosman e seu filho Rolando. Em uma entrevista realizada pelo Jornal Gazeta Mercantil o Sr. Rolando declarou ser o proprietário da lKA investindo para isso a quantia perto de R$ 2.500.000,00. Essa declaração vai de encontro ao fato de que a real proprietária da marca IKA é a empresa Ozxy da qual o Sr. Rolando e o Sr Isidoro Rozenblum Trosman constituem—se procuradores. A licença para uso da marca IKA pela empresa W 54 aram a ser importadas pela BSD. A marca Kenton foi transferida para a empresa Ozxy e a Ozxy por sua vez autorizou a BSD a fazer uso da marca. foi cancelada em 01/10/2002 e anteriormente em 09/05/2002 a empresa BSD já estava licenciada à utiliza la. A empresa Brandclass Indústria e comércio de Artigos de Viagens Ltda tem como sócios a empresa Ozxy Industria e comercio de Artigos Esportivos Ltda e a Sra. Helena Reich. A Sra . Helena Reich é mãe do Sr. Leon Knopfholtz ligado ao antigo grupo IKA Irmãos Knopfliolz S.A e a Ozxy Industria tem como sócias as Sras Karina e Noemi Rozenblum filha e esposa do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman. Através das empresas Brandclass, BSD e Excel Bag os Senhores Leon Knopfholtz e sua mãe continuaram os négócios da empresa falida IKA Irmãos Knopfholz S.A sem saldar as dividas com seus credores. (Hoje, objeto de ação em processos de execução)fl. 579. As malas IKA foram inicialmente importadas pela empresa CYM ASIMEX ( empresa operada pelo casal Voltolini) até setembro de 2000 para, então, a W54 sucedêla nas operações de importação até 2002 e após, a BSD. As empresas CYM e W54 estão na condição de inexistência/Inaptas perante cadastro da SRF. Em relação as partes e peças de bicicletas distribuídas pela Kenton do Brasil, anteriormente importadas pela W54 e pela CYM estas passaram a ser importadas pela BSD. A marca Kenton foi transferida para a empresa Ozxy e a Ozxy por sua vez autorizou a BSD a fazer uso da marca. Através de diligências na empresa BSD, constatouse que diversas mercadorias em seu estoque, importadas através da empresa W54, são da marca INAGO e TOKO, fl. 543. Os arquivos do INPI registram que a Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.400 14 propriedade destas marcas eram inicialmente da empresa Golden Com Imp e Exp de Produtos Manufaturados Ltda que transferiu para a empresa Krsale Comércio cujos ex sócios foram os Senhores: Saul Chervonagura Trosman, Rolando Rozenblum Elpem e Isidoro Rozenblum Trosman.fls, 744 Também foi constatado nas dependências da BSD Industrial baterias da marca "Yacht Battery" cujo registro junto ao NP' está em nome da empresa Golden Com Imp e Exp de Produtos Manufaturados Ltda, fl. 695. Parte das mercadorias importadas pela BSD em despacho na DRF Paranaguá estão etiquetadas com logo da marca Sundown Peças. Outrossim, a Kenton do Brasil registrou no INPI a marca Trosman. O auto de infração concluiu que as empresas de importação e distribuição se sucedem e são abandonadas seqüencialmente mas os produtos, as marcas, os beneficiários pela sua comercialização e os fornecedores estrangeiros permanecem os mesmos. O objetivo das empresas envolvidas no processo é a importação e distribuição de bicicletas, motocicletas e suas peças e recentemente malas de forma fraudulenta através da sonegação de tributos incidentes no comercio exterior e nas operações de revenda no mercado nacional. Por fim as empresa, após de cumprido seus objetivos, eram transferidas para pessoas sem capacidade econômico financeira para saldar seus débitos fiscais. A constituição da BSD Industrial se deu com o uso de interpostas pessoas que demonstraram não terem capacidade financeira sequer para o inicio de suas atividades. Não houve comprovação : (1) da origem dos recursos e (2) disponibilidade dos recursos tanto pela BSD quanto de seus supostos financiadores. Além da interposição fraudulenta de pessoas para a realização de operações de comércio exterior o auto de infração menciona outros ilícitos efetuados pela BSD tais como; subfaturamento de importações, distribuição de mercadorias sem o recolhimento dos tributos, falsificação de documentos e simulações de operações comerciais. (grifos no original) A decisão recorrida apontou que “A declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ não constitui, por si só, fundamento legal para a aplicação da pena de perdimento ou da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas que não foram passíveis de apreensão”. Por outro lado, na descrição dos fatos realizada pelo auditor de fiscal no auto de infração (fls. 382/421), ficam demonstradas todas as fases do “esquema” engendrado pela BSD Industrial e demais pessoas físicas, inclusive com a existência de mútuos entre as partes envolvidas físicas, o que consubstancia, a meu ver, a interposição fraudulenta de terceiros. Destaco, a seguir, o trecho final da referida descrição: Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.401 15 Como dito anteriormente, a constituição da empresa BSD INDUSTRIAL se deu com o uso de interpostas pessoas, das quais demonstrouse não terem capacidade financeira nem, ao menos, para o início das atividades, servindo a BSD INDUSTRIAL de véu para ocultar os reais interessados. E mais. Não houve comprovação nem da origem dos recursos, nem da transferência, nem da disponibilidade tanto pela própria autuada, quanto pelos financiadores de suas atividades. Portanto, por presunção legal, artigo 23, § 2° do DecretoLei n° 1.455/76, a conduta da autuada se enquadra em uma das hipóteses consideradas como dano ao erário, qual seja, infração descrita no mesmo, artigo 23, V do citado diploma legal. Mesmo que se tomassem como provadas a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos, o que poderia afastar a presunção de interposição fraudulenta, os elementos trazidos ao presente Auto de Infração demonstram que BSD INDUSTRIAL foi criada com o objetivo de ocultar os reais interessados e beneficiários das importações, o que igualmente caracteriza a infração punível com o perdimento das mercadorias. Conforme a decisão da DRJ anteriormente cancelada (fls. 1.067), foi constastado, no processo administrativo n° 10907.001617/200421, que não houve comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, além da infração de inexistência de fato. Logo, em processo administrativo fiscal, já está estabelecido que a empresa não comprovou a origem dos recursos, sendo tais recursos de terceiros. Assim, ouso discordar da decisão recorrida, pois não se trata somente de declaração de inaptidão de pessoa jurídica. Restou sim presumida a interposição fraudulenta de terceiros, infração penalizada com a pena de perdimento das mercadorias por configurar dano ao Erário, conforme previsão legal do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação da Lei n. 10.637/2002: “Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” (grifouse). Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.402 16 Em razão das mercadorias não mais terem sido localizadas ou terem sido consumidas, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente a seu valor aduaneiro, como determina o §3º, do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002, in verbis: §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.403 17 No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.404 18 por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). ... Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.405 19 hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros tempos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.406 20 a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importador, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. (...) Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifouse) Por fim, no direito aduaneiro, a responsabilidade solidária por infrações não é exclusiva para aqueles que se beneficiaram das infrações (artigo 124 do CTN). Há também responsabilidade pela prática infracional, conforme artigo 95, inciso I, do Decretolei n°37/1966. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.407 21 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Art.95 Respondem pela infração: 1 conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901318/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 18 /2 01 2- 51 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2007, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito da COFINS não cumulativa reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$2.141.712,25, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou COFINS devida a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$257.176,06, sendo R$116.327,15 de COFINS não cumulativa devido e R$87.245,36 de multa de ofício e R$53.603,55 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito da contribuição reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito da COFINS não cumulativa homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 194 3 período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos da COFINS não cumulativa, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos da COFINS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração – falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte – caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0945.068, datado de 18/07/2013, às fls. 138/152, sob as seguintes ementas: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 157/177), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – a Decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora em Minas Gerais seja reformada e seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia remanescente de R$ 1.884.536,19, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo à COFINS não cumulativa relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro o § 4º do artigo 150 e do parágrafo único do artigo 149 do CTN, em razão de inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, o que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os valores glosados pela Fiscalização a título de COFINS não cumulativa, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007 no valor de R$ 6.006.174,08; V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente a decadência do direito de lançar relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 2006 (janeiro a dezembro), e restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18; VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo à COFINS não cumulativa, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições da COFINS, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos da COFINS objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 195 5 no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos valores glosados para o período de 01/2006 a 08/2007, no valor de R$ 6.006.174,08; (iv) reconhecimento da decadência do direito de lançar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2006, e seja restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18, a questão a ser decidida neste processo é o ressarcimento do saldo credor da COFINS não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2007, no valor original de R$1.503.040,02, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 196 7 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...].” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 197 9 Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos da COFINS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 7,6 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que onerados pela contribuição; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato, por terem sido adquiridos com alíquota zero, não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e a bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram créditos; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 198 11 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos a devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10925.907267/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 67 /2 01 2- 01 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 4.747,05, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/08/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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