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Numero do processo: 11070.001821/2006-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2002,2003,2004,2005,2006
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador.
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF).
O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício.
A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS.
A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TERMO INICIAL. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 21 /2 00 6- 50 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 915 2 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 916 3 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0107, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006, fl. 439, com efeitos a partir de 01.07.2001, por embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 12, incisos II e V do art. 14 e inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 445463 com a exigência do crédito tributário no valor de R$160.821,51 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 917 4 na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343; e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 154 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Item 2 Omissão de receitas de atividade pelo cálculo dos tributos pelo regime de tributação pelo lucro arbitrado dos valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso II do art. 530, art. 532, art. 536 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 464482 com a exigência do crédito tributário no valor de R$73.080,80 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 483499 com a exigência do crédito tributário no valor de R$337.299,55 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 500519 a exigência do crédito tributário no valor de R$120.616,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 918 5 Instauração do Litígio Cientificada em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512, a Recorrente apresentou a impugnação em 26.12.2006, fls. 532637, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: As faltas supostamente verificadas que ensejaram o Ato de Declaratório de Exclusão do SIMPLES e os lançamentos dos preditos tributos, não obstante os louváveis esforços da digna Autoridade de Fiscalização, não subsistem, desmerecendo prosperar, em virtude de incontáveis aspectos, dentre esses, com destaque para os seguintes: a) nulidade da ação fiscal e do Processo Administrativo Fiscal por diversos fundamentos. b) ilicitude e nulidade da prova documental que serviu de base para os lançamentos praticados. c) ausência de fundamentos capazes de permitir a exclusão da Impugnante do SIMPLES. d) inexistência de rendimentos não oferecidos à tributação e/ou acréscimo patrimonial a descoberto, além de inviável a exigibilidade, no caso concreto, de quaisquer dos tributos lançados. e) ainda que supostamente existissem motivos para a fiscalização, não haveria créditos tributários a serem exigidos, as bases de cálculo apuradas seriam inadequadas e ilegais, além de todos os demais elementos que formam os atos administrativos impugnados, diante de vícios e ilegalidades, de modo a não procederem sob múltiplos fundamentos. f) em síntese, quanto aos motivos de fato e de direito em que se fundam as pretensões da Impugnante, esses passam pelas diversas nulidades do Processo Administrativo Fiscal, com amparo nos múltiplos fundamentos adiante alinhados, irretroatividade e do princípio da anterioridade e seus efeitos, da insubsistência dos lançamentos por afronta ao artigo 5°, caput e incisos II e LIV, combinados com artigo 170, caput e incisos I a IX (especialmente este), além do seu § único, todos da Constituição Federal, e várias outras normas jurídicas, inexistência de tributos devidos, Declarações Anuais Simplificadas incólumes e seus efeitos, imposições diversas e vedadas sobre uma mesma e única base de cálculo, comprovação da origem da receita tributada e sua declaração já realizada pela Impugnante na época correta, inexistência de lançamento válido com base em documentos obtidos sem amparo na legislação vigente, inexistência de "fato gerador" dos tributos lançados, multas (nulidades e outras questões), além de necessária exclusão ou redução, juros/taxa Selic— ilegalidades e efeitos. Essas e tantas outras questões paralelas fulminam de vez, na íntegra, o Auto de Infração em tela, juntamente como todos os lançamentos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) operados contra a Impugnante. Em relação à nulidade do lançamento, diz que o prazo de fiscalização foi excedido ilegalmente e ainda: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 919 6 A existência de vícios, por menor que se apresentem, seja no procedimento de fiscalização, seja no ato de lançamento, de natureza formal ou quanto ao conteúdo que envolvem, gera a pronta nulidade de tais atos jurídicos. [...] No nomeado Mandado de Procedimento FiscalMPF, além de outras normas lhe albergadas, foi incluído um elemento de crucial importância, sobretudo no caso em exame. Qual seja: o prazo de validade do mandato. [...] A disciplina jurídica, bem como a natureza do mencionando Mandado de Procedimento FiscalMPF, decorrem se sua própria base legal, consoante preceitos antes invocados a respeito da fiscalização e do lançamento, que, inclusive, lhe servem de fundamento legal. Aqueles como normas primárias sobre a matéria, enquanto as aludidas Portarias, em complemento e integração de tais preceitos, como normas secundárias. Nessa perspectiva, é que a natureza do retrocitado Mandado de Procedimento FiscalMPF, ao lado de sua disciplina normativa, passaram a estabelecer normas de plena eficácia e, principalmente, condições de procedibilidade para a fiscalização. Ou mais objetivamente: para a fiscalização ser considerada válida. O desrespeito a uma dessas condições que seja, e no presente caso ocorreu quanto ao prazo de execução do MPF que foi extrapolado sem correspondente prorrogação —ou, pelo menos, prorrogação válida — implica em nulidade de todos os demais atos subseqüentes praticados, de vez que ilegais e sem amparo normativo, contrapondose à inflexível legalidade a que se subordinam, enquanto partes da atividade plenamente vinculada que consiste tais práticas fazendárias. Conforme se observa dos autos, o Mandado de Procedimento FiscalMPF n° 10.1.08.002006001448, de 18 de abril de 2006, e que deu início e autorizou a fiscalização contra a Impugnante, estabeleceu como prazo máximo para sua execução, a data de "16 de agosto de 2006". A renovação de tal Mandado ou prorrogação de seu prazo, não pode ser por mais uma vez e, ainda, em elastério de tempo que supere aquele inicialmente previsto. Também não foi a Impugnante, como requisito imprescindível à validade da fiscalização e demais atos praticados pelo órgão autuante depois de tal data, notificada, na forma da lei, de uma eventual prorrogação de tal prazo. [...] Ante o exposto, requer a Vossa Senhoria se digne acolher a preliminar argüida, consoante seus termos, para reconhecer e decretar a nulidade da (i) ação fiscal em todos os seus termos ou, então, (ii) da comunicação sobre renovação e/ou prorrogação de prazo do Mandado de Procedimento FiscalMPF questionado — se houve —,bem como e independente dessa ocorrência, do processo administrativo em exame, além de todos os seus atos praticados a partir de 16 de agosto de 2006 e, ainda, especialmente, dos lançamentos praticado contra a Impugnante, em todas as suas exigências. No que se refere ao não atendimento aos pressupostos de validade do lançamento argui que: A movimentação circunstancial, transitória, efêmera e irrelevante de valores pelo contribuinte, e que à luz do Direito Financeiro até poderia ser conceituada como "receita" em acepção meramente contábil, nunca, jamais sequer como "receita" em sua acepção financeira, enquanto significante de "aumento de patrimônio", como é assente na doutrina, não exerce qualquer pertinência para o Direito Tributário. E, o que é mais importante: nunca, até por impossibilidade fenomênica ou normativa, se insere no conceito de renda, muito menos é, ou pode Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 920 7 ser, considerada como "fato gerador" de renda. Tampouco ser tida ou qualificada como "lucro" nem como "faturamento", de modo que, no caso concreto, não representa o critério material de quaisquer dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS). Essas premissas, e que antecedem ao exame de mérito quanto aos lançamentos direcionado à Impugnante, foram rotundamente desconsideradas pela ilustre Autoridade Fiscal, eivando de nulidade, ainda no plano prévio e formal, o processo administrativo ora em pauta. Não se trata apenas de uma verificação da existência ou não de "fato gerador". Tratam as questões adiante levantadas, isto sim, de violências mais amplas e de efeitos que se projetam não só sobre a existência ou não de fato gerador, mas, sobretudo, sobre a regularidade e validade do próprio Processo Administrativo Fiscal. [...] Diante dos fundamentos ora reiterados, e singelo exame dos elementos carreados nos autos, cumpre destacar, como fatores determinantes das nulidades apontadas, os seguintes: a) o procedimento administrativo (principalmente na fase de fiscalização), não observou a forma que dele se exige, isto é, com prática de atos vinculados sob a estrita legalidade, a impedir, tanto a eleição de fato gerador fictício em detrimento da Impugnante, assim como a deliberada e nefasta omissão sobre a exigência fiscal e suas causas, a fim de que, então, a Impugnante, naquela oportunidade, pudesse tanto atender às intimações lhe endereçadas, como exercer sua defesa; b) o não deferimento do prazo mínimo e necessário para que a Impugnante promovesse o atendimento, no que possível das informações e documentos lhe exigidos [...], nem fosse esclarecida, antes, tanto de que sofreria arbitramento e seria excluída sumariamente do SIMPLES, bem revela o quanto foi prejudicada em sua defesa e nos efeitos econômicofinanceiros atentatórios ao direito de propriedade nessas circunstâncias sem amparo legal perpetraram os lançamentos e demais atos sancionatórios lhe dirigidos; c) por ocasião dos lançamentos, e como ali consta, diante da precária e insuficiente descrição/motivação desse, principalmente no que tange à multa imposta e sua gradação, de vez que na aplicação de qualquer penalidade a lei determina que a Autoridade Fiscal descreva e fundamente tais aspectos, até para se aquilatar se os fatos jurídicos em que se baseia, assim como se os fundamentos/motivação para aplicação de uma penalidade mais severa efetivamente existem e se aplicam ao caso, além de que regras legais pertinem à situação jurídica versada. Nada existe nos lançamentos, nesse particular. Como conferir validade a um Processo Administrativo Fiscal nessas condições, em aberto prejuízo à Impugnante? Em suma, tais causas de nulidade, vão bem além daquelas previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. Por força do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, para decretar a nulidade do Processo Administrativo Fiscal em referência, em todos os seus atos e termos. Atinente à ocultação e não apresentação de provas, menciona que: No caso vertente, em que os lançamentos efetuados se fundaram nos diversos documentos colhidos pela Autoridade Fazendária mediante (i) quebra indevida e Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 921 8 desnecessária do sigilo bancário e, o mais grave, (ii) de forma ilícita e sem autorização do Poder Judiciário, além de ter havido, apesar do requerimento formulado com tal objeto, (iii) a negativa de cópia do procedimento administrativo, em na época em que pleiteada. Quando passaram a ser de acesso da fiscalização ou, ao depois, integrar o procedimento fiscalizatório, e em cada uma dessas ocasiões, exigiam, sempre, em respeito aos princípios da ampla defesa, do devido processo legal e, em especial, do contraditório, a devida e prévia ciência dessa utilização à Impugnante, juntamente fornecimento de cópias do procedimento administrativo, até para que, se fosse o caso, pudesse complementálos ou contraditálos. Nada disso ocorreu. Essas omissões, infringentes da obrigação de apresentar todas as provas ao fiscalizado, e utilizadas pela autoridade fiscal, atestam a nulidade os Auto de Infração de Lançamentos lavrados, e de resto de todo o processo administrativo tributário. [...] Diante do explicitado, requer o acatamento da prefacial em referência, com a decretação da nulidade do Processo Administrativo Fiscal, em sua totalidade. Sobre a falta de prazo para execução da fiscalização e quebra do sigilo bancário, afirma que: O artigo 196 do Código Tributário Nacional fixa prazo para a ação fiscal e sua conclusão, o que jamais foi cumprido no caso vertente e, mais, tal morosidade se agravou diante da quebra indevida do sigilo bancário, razões quais pelas, também sob essa ótica, a nulidade do processo administrativo é latente, já que incorreu, pelas circunstâncias, em velada ilegalidade. Referente ao cerceamento do direito de defesa, aduz que: Também é patente o cerceamento de defesa ocorrido, em amplo prejuízo da Impugnante — veio a ser duramente sancionada —, tanto (i) por não ter recebido de forma específica e delimitada as solicitações lhe dirigidas, assim como lhe assegurado, antes, o prévio conhecimento do objeto e finalidades que as motivavam, a par das circunstâncias que poderiam aquelas legitimar, quanto (ii) ao ter negado o prazo requerido para, se tivesse então condições, e fosse o caso, atender tais solicitações, notadamente porque todas as demais que estiveram dentro de suas possibilidades e alcance foram devidamente atendidas, consoante atestam as várias informações e documentos em tantas vezes, no curso da investigação fiscal, ao Fisco levados pela Impugnante. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se digne acolher esta e as demais nulidades levantadas, uma a uma, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o Processo Administrativo Fiscal, bem como tornando insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados. Concernente à ilicitude da prova relata que o sigilo bancário tem proteção constitucional e ainda: A Impugnante teve seu sigilo bancário quebrado e violado por ato administrativo, exarado a bel talante da Autoridade Fiscal, consoante descreve o Relatório de Auditoria Fiscal que serve de sustentação aos lançamentos levados a efeitos, ao final. Pertinente à nulidade da RMF justifica que não restou caracterizada a justa causa para o procedimento e ademais: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 922 9 A Autoridade Fiscal signatária dos malsinados Mandados Administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (i) não se fizeram preceder da necessária e fundamentada decisão administrativa que suas expedições, se fosse o caso e permitisse a ordem jurídica vigente, poderiam provocar e (ii) não delimitaram as requisições promovidas estritamente às informações imprescindíveis ao objeto e necessidade da investigação fazendária em curso, permitindo, nesse excesso e desvio de finalidade, não só a obtenção de tais dados em desacordo com seus requisitos de validade, quanto verdadeira devassa na intimidade e demais direitos e garantias da Impugnante, em que pese insuscetíveis de tais transgressões nas referidas circunstâncias. [...] No caso vertente, nem um dos dois pressupostos foi atendido. Não havia processo instaurado contra a Impugnante, e sim mero procedimento fiscalizatório recém iniciado, limitado, à época, tãosomente a auditar o IRPJ. Já nessa oportunidade — nem depois — foi apresentada uma única prova de que aquele meio — quebra do sigilo — era o único possível para se atingir os objetivos fazendários. O pressuposto da indispensabilidade, portanto, também não foi atendido. [...] A requisição administrativa de movimentação financeira, ao violar tanto normas processuais como de direito material, incorre em nulidade absoluta, posto que a quebra do sigilo financeiro da Impugnante foi indevida, já que (a) órfão da imprescindível decisão autorizativa, na forma exigida pelo ordenamento jurídico, (b) limitada a mera e írrita requisição determinada por autoridade sem competência para tanto, (c) sob inexistente motivação, (d) desamparada da prévia prova de indícios por parte do Fisco de autoria e materialidade e nem sequer haver necessidade demonstrada e (e) com inobservância de várias normas constitucionais e legais, além daquelas ditadas pelo critério da proporcionalidade. Nessas circunstâncias, todos os elementos que servem de base e sustentação aos lançamentos questionados, foram obtidos, quando da quebra indevido do sigilo bancário em violação à intimidade e ao sigilo de dados, direitos tutelados constitucionalmente (art. 50, incisos X e XII, da CF), bem como em velado desrespeito à cláusula do devido processo legal (art. 5º, LV, CF), caracterizandose, portanto, como prova ilícita. [...] Respeitante à requisição e quebra do sigilo bancário para além do objeto e limites da fiscalização enfatiza que: Não obstante tenha havido requisição administrativa das informações financeiras/bancárias da Impugnante, aludida circunstância em nada confere licitude à prova que sustenta os lançamentos impugnados. Pelo contrário: conforme asseverado, a prova obtida nas referidas circunstâncias mostrase veladamente ilícita. [...] Na quebra do sigilo bancário da Impugnante não se observou a legislação que norteia a questão. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se dignem acolher a preliminar em tela, para reconhecer e decretar as nulidades levantadas, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o processo administrativo, bem como decretando nulos e/ou insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados, com base em prova ilícita, a par do reconhecimento desta mácula. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 923 10 No que diz respeito à exclusão do Simples interpreta que o ato administrativo correspondente é inválido pois: O detido exame da Representação Fiscal destinada à exclusão da Impugnante do SIMPLES e Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21 de novembro de 2006, subscrito pelo AFRF matrícula n° 8627, aquela acolhendo, com efeitos retroativos a 1° de Julho de 2001, atesta, desde já, a invalidade da exclusão promovida. Essa decorre de dois fundamentos inquestionáveis: (a) a nulidade do procedimento que levou a referida exclusão da Impugnante do SIMPLES e ao simultâneo sancionamento a partir dessa premissa, mediante arbitramento do "lucro" e lançamento dos vários tributos então considerados exigíveis, porquanto em desacordo e violência ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa e (b) a nulidade do Ato Declaratório de exclusão, por desatender requisitos essenciais que lhe seio ínsitos. A invalidade do procedimento administrativo que levou a exclusão da Impugnante do SIMPLES, por si só e por provocar a invalidade também do Ato Declaratório sob igual eiva, por derivado daquele, implica ao final, em igual conseqüência: (i) o restabelecimento da tributação pelo SIMPLES, sem solução de continuidade e, por prejudicados, (ii) a insubsistência dos lançamentos tributários dirigidos à Impugnante, desprezando esse regime jurídico de tributação ao qual submetida e sob direito subjetivo de sua titularidade. [...] Em primeiro lugar, o Ato Declaratório espancado, desbordando até mesmo da Representação Fiscal da qual deriva, se funda em suposto "não atendimento dos requisitos legais para opção [do SIMPLES]", quando tal motivo jamais foi cogitado nos autos, até porque informado pela própria permanência da Impugnante em tal sistema durante vários anos, sem jamais ter apontado qualquer desatendimento nesse plano. Até porque os sempre atendeu. De qualquer modo, ao não guardar a imprescindível congruência com a Representação Fiscal e o que consta dos autos, nem apontar em que consistiria tal desatendimento, desatende os requisitos da motivação, finalidade, formalidade e causa. Em segundo lugar, também se mostra desprovido dos requisitos da competência, motivação, formalidade e causa. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, consoante seus termos, para (i) decretar a nulidade do procedimento de exclusão da Impugnante do SIMPLES, em todos os seus termos e, independente dessa, também a nulidade do Ato Declaratório que aquela veicula e, ainda, (ii) a conseqüente nulidade e/ou insubsistência dos lançamentos tributários direcionados à Impugnante, desconsiderando sua regular situação enquanto tributada pelo Simples. A respeito dos motivos do ato de exclusão, quais sejam: embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária esclarece que não restaram caracterizados porque: Ao contrário do que sem sucesso tenciona sugerir, a Impugnante, desde o primeiro momento, mediante contínuo e intenso esforço, a cada notificação/intimação recebida foi ao Fisco e, sempre que possível, o atendeu. É incontroverso nos autos: nenhuma intimação ficou sem resposta, ainda que, por vezes, a Impugnante viesse a pelejar, no exercício regular de direito e dentro do que lhe conferem as mais comezinhas garantias constitucionais, pela necessária dilação Fl. 926DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 924 11 de prazo. Prazos aqueles, quando alvos de pleito ampliativo, totalmente inviáveis de cumprimento, seja pela exigüidade e insuficiência de tempo, seja pela ausência de especificação e clareza quanto ao objeto das pretensões que veiculavam, seja por impossíveis de atendimento diante de tais objetos, como serve de exemplo — com tamanha eloqüência — aquele concedido para que a Impugnante "justificasse" milhares de lançamentos/registros bancários, que foram vários volumes dos autos e envolvem muitos anos, inclusive de mais de uma agência, quando esta, inclusive por direito legal e constitucional incontroverso nos autos (e admitido pelo Fisco) sequer tinha e tem obrigação de manter escrituração contábil. [...] Em resumo e ao contrário da acusação esgrimada, não praticou nenhuma "irregularidade", sejam aquelas apontadas pelo Fisco ou não. Nem seriam ou são essas, de qualquer forma, eficazes e aptas o bastante para permitir a exclusão do Simples, nem a tributação mais extensa da Impugnante, por essa via inadmitida. Deverá, por conseguinte, ter restabelecida a sua permanência nesse sistema. [...] Em suma: a Impugnante jamais causou embaraço à fiscalização fazendária, nem transgrediu, em momento algum, a legislação do Simples ou qualquer outra. Muito pelo contrário: sua regularidade durante anos, sem qualquer autuação, é a prova candente do estrito cumprimento da legislação atinente ao programa simplificado de recolhimento de tributos em testilha. A improcedência da exclusão é corolário a ser respeitado, pelo que desde logo requer, conjuntamente com os demais pleitos sobre esse assunto formulados. [...] No caso em exame, com muito mais razão, a exclusão deverá ser rejeitada, posto que [...] a Impugnante nem em tal prática sequer incidiu. Diante do explicitado, requer o cancelamento da exclusão ora espancada e eventuais exigências dessa decorrentes. No que tange à falta de motivação e comprovação da ocorrência da infração acrescenta que: O Ato Declaratório em foco veicula normas restritivas de direito subjetivos assegurados à Impugnante, o que faz dele, com muito mais razão, um ato administrativo com validade condicionada à ampla, clara e precisa fundamentação. Não atendendo aludido requisito, sua nulidade é patente e, portanto, reclama pronto cancelamento. No que toca ao ônus da prova estabelece que não houve a necessária apresentação prévia do conjunto probatório por parte do Erário. Defende que, a finalidade da legislação é: [...] incentivar as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos com a previsão de carga tributária mais adequada e passível de atendimento, facilitação e simplificação dos procedimentos e obrigações burocráticas, protegendo as micro e pequenas empresas e retirandoas do mercado informal. [...] A sanção traduzida na exclusão da Impugnante do SIMPLES, mediante acusação de transgressão às disposições legais e normativas listadas no Ato Declaratório impugnado, não pode ser definida nessa simplista e cômoda postura. Concernente a mudança de critério jurídico de forma retroativa expõe que: Eventual exclusão da Impugnante do Simples, se confirmada, implicará sua sujeição cogente a um dos regimes de tributação previstos para o caso (lucro Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 925 12 presumido ou lucro real). Sem contar que, agora e por meio das autuações sofridas, já está sob impacto daquela mais gravosa possível: o lucro arbitrado. Essa alteração do critério jurídico a que até então compelida ao cumprimento de suas obrigações fiscais e tributárias, não pode, por força da garantia da irretroatividade das normas, além da anterioridade ao demandar o recolhimento de tributos em valores, bases de cálculos e alíquotas que até então não tinha o dever constitucional ou legal, importar em retroação. [...] Diante do explicitado, e aventando para a hipótese remota de mantida sua exclusão do Simples, requer a Impugnante, então, (a) sejam os efeitos da exclusão e conseqüente sujeição às exigências daí decorrentes, restritos ao exercício financeiro imediatamente subseqüente àquele em que sobrevier decisão final definitiva (última, depois de exaurida, na forma do Processo Administrativo Fiscal, a esfera administrativa) decretando citada exclusão ou, então, (b) a partir desta data, sempre sem incorrer em qualquer retroação. [...] Nesse contexto, impensável a pretensão esboçada pelo Fisco, qual seja a de retroagir a situação do excluído do SIMPLES à data de sua opção ou, ainda, qualquer outra que não seja àquela em que, segundo as normas do Processo Administrativo Fiscal, reflita a decisão final e definitiva na esfera administrativa. Falece, portanto, legalidade à pretensão fazendária, nos termos em que destinada à Impugnante, no tocante à alvejada retroação de efeitos ao Ato Declaratório de exclusão. [...] Diante do exposto, em caso de mantença da exclusão refutada, sejam seus efeitos aplicados, consoante pretensão pela ordem mais favorável à Impugnante, tão somente a partir (a) do exercício financeiro subseqüente àquele em sobrevinda a decisão final e definitiva pela exclusão ou, então, (b) do mês imediatamente posterior a esta ou, por último, (c) do exercício financeiro subseqüente aquele em que expedido o Ato Declaratório questionado, ou seja, no caso concreto, então a partir de 01/01/2007. Pertinente ao efeito suspensivo da apresentação regular da peça de defesa aduz que: Ratificando a procedência da presente defesa, fundamentalmente quanto ao termo inicial dos efeitos do Ato Declaratório (se mantido) e/ou à possibilidade de regularização de eventuais infringências havidas, como suficiente à permanência no Simples, a Impugnante, amparada no entendimento jurisprudencial administrativo adiante colacionado, pugna, ainda, pelo respeito ao efeito suspensivo que a presente defesa enseja [...]. Em razão do exposto, requer seja conferido e respeitado o efeito suspensivo que a presente defesa provoca, até decisão final e definitiva a respeito da exclusão debatida, afastandose os efeitos do ato administrativo que a veiculada, até referida decisão final. Respeitante à tributação mais favorável e a inviabilidade do “reformatio in pejus” sustenta que: Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher a presente impugnação, juntamente com a documentação inclusa, conferindolhe efeito suspensivo, para, ao final: (a) decretar a nulidade e/ou acatar a inconsistência e improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 23, de 21 de novembro Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 926 13 de 2006, mantendo a Impugnante no SIMPLES, sem qualquer solução de continuidade ou, em caso de entendimento diverso, (b) então, entre as alternativas nesta peça defendidas, limitar os efeitos da exclusão àquele termo inicial que se mostrar mais favorável à Impugnante, expungindo a retroação acenada e/ou exigências de qualquer natureza sobre período pretérito, bem como excluindo quaisquer penalidades e, ainda, deferindose as demais pretensões pela Impugnante nesta peça deduzidas e, outrossim, para (c) se surgir ou remanescer por força do arbitramento havido, dependendo do que doravante se decidir, situação ou possibilidade mais favorável à Impugnante que o restabelecimento do SIMPLES, então aquele manter incólume, se for o caso e em tais aspectos — mais favoráveis — e, independente dessa questão, (d) restringir a incidência e tributação pelo SIMPLES, quando e se for caso, com base no antes expendido, ao faturamento e aos percentuais acima indicados, correspondentes e aplicáveis à espécie. Relativamente à decadência dos tributos lançados aduz que “frente ao expendido, requer o cancelamento de todos os lançamentos (e respectivos importâncias) cujos "fatos geradores" precedem a 23/11/2001, porquanto fulminados pela decadência.” No que diz respeito à adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado afirma: Ante o exposto, requer a desconstituição dos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS ou, então, relativamente aos dois últimos, sejam esses, quanto à base imponivel, limitados ao percentual de arbitramento utilizado para o IRPJ (9,6%) ou, por fim, restritos e refeitos para incidir exclusivamente sobre o faturamento da Impugnante (o resultado de suas revendas de mercadorias) consoante provado nos autos ou, então, consoante provar a fiscalização, sob citada materialidade da hipótese de incidência, sem computar para tanto, à evidência, meros depósitos bancários. Atinente à nulidade e insubsistência dos lançamentos informa que: Diante dessa ingerência e atos praticados, inclusive com pleno aproveitamento e tomado como base para os lançamentos perpetrados em seguida à expedição do Ato Declaratório Executivo em comento pelos dois ilustrados Auditores Fiscais com competência para ação fiscal em referência, acabaram todos eles, por diferentes motivos, extrapolando suas respectivas competências no caso em apreço. Aquele ao intervir e participar indevidamente, porém de forma direta e decisiva, das atribuições e atos afetos com exclusividade a estes últimos, os quais eram, tão somente eles, os responsáveis pela referida investigação fiscal, tal qual consta, inclusive com referida limitação, nos Mandados de Procedimentos Fiscais e documentos correlatos contidos nos autos. Os executantes do referimento procedimento eram, igualmente, apenas referidos Auditores Fiscais. Estes últimos, diante dessa realidade, estavam impedidos de permitir a participação daquele, seja substituindo o trabalho desses, seja realizando outros afetos a eles, e ao final aproveitado para promover a autuação da Impugnante. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar em questão para decretar a nulidade e/ou a insubsistência dos lançamentos realizados relativamente ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com seus consectários. No que tange aos lançamentos efetivados em desacordo com as normas de regência relata que “tais esclarecimentos não se faziam necessários e, então, a quebra de seu Fl. 929DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 927 14 sigilo bancário e a busca e a apreensão realizadas foram comprovadamente frutos de excesso de poder, de arbitrariedade representativa de ilicitude”. Concernente à falta de individualização dos depósitos bancários afirma que o procedimento está eivado de ilegalidade: [...] a) não especificou a fiscalização, quais os documentos e/ou equipamentos que pretendia apreender; b) não individualizou sequer quais deles versavam sobre os tributos que iria investigar, estes nem sequer apontados, quanto mais os períodos alvos da fiscalização em relação a cada uma de tais exações; c) não declinou também a finalidade da prova e sua respectiva relação com os alvos da investigação, relativamente a cada tributo que poderia fiscalizar e d) não listou as circunstâncias pelas quais poderia, naquele momento, afirmar a existência dos documentos pretendidos [...]. No que toca à quebra do sigilo bancário além do objeto e limites da fiscalização o que gera excesso representativo de ilegalidade do qual decorre o cancelamento dos lançamentos enfatiza que: Consoante comprovam mandados administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira sob nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00 2006000026, o limite dos informações possíveis de serem endereçadas à fiscalização estava, em julho de 2006, assim fixado: a) o período objeto da fiscalização era 07/2001 a 12/2005; b) enquanto o tributo objeto da fiscalização, nesse período, era apenas o IRPJ. Porém, excedendo sem validade esses limites, a requisição realizada, a ação fiscal e os lançamentos daí decorrentes não respeitaram a restrição quanto ao tributo alvo de investigação, no período indicado. [...] Diante do expendido, requer a declaração da insubsistência, ou, então, da nulidade, de todos os lançamentos realizados nos autos do Processo Administrativo Fiscal em epígrafe ou, em caso de entendimento contrário, então daqueles que não fizeram parte do objeto da fiscalização definido pelo Mandado de Procedimento Fiscal acima indicado, com os devidos cancelamentos. A respeito da vedação de lançamento com base em depósitos bancários cita que: Além de depósitos bancários não significarem fatos geradores de quaisquer tributos, a tolher todo lançamento a partir ou com base neles pretendidos, conquanto desamparados de validade, inclusive depois da edição da Lei n° 9.430/96, posto que não serve esta para alterar os conceitos de renda — nem da realização de operações de crédito — e de fato gerador da obrigação principal colhidos nos artigos 43, 113, § 1º e 114, do Código Tributário Nacional, este com status de Lei Complementar e, portanto, prevalecentes sobre a regra veiculada na referida Lei Ordinária, ao pretender, sem aptidão, tais conceitos, inclusive o de renda, este enquanto signo representativo de necessário acréscimo patrimonial, contornar. [...] Mesmo que fosse admitida, em tese, a tributação com base nos depósitos bancários, deveria ainda o Fisco, obrigatoriamente, proceder o arbitramento da pretensa renda com base nesses e naquela supostamente consumida, com a imprescindível comprovação desta ocorrência e mais, necessariamente, então, lançar com base na situação mais favorável ao contribuinte, o que não fez, desviandose de sua atividade vinculada. [...] Fl. 930DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 928 15 Diante do expendido, e tendo havido lançamentos com base em depósitos e documentos bancários, em todos os processos administrativos antes especificados, portanto sem qualquer validade, requer a decretação de tal inconsistência, com cancelamento das respectivas exigências tributárias e seus consectários. No que concerne aos limites da competência tributária e à falta de provas para verificação da ocorrência dos fatos geradores aduz que: Depósitos bancários não são "renda", no conceito normativo desta, nem representam "lucro", muito menos "faturamento". Não se pode, ainda que através de Lei Ordinária, alterar o conteúdo e o alcance de tais conceitos, mormente para, em violência à regra do artigo 110 do Código Tributário Nacional, ampliar a competência tributária, rígida e exaustiva, outorgada à União Federal pela Carta Magna vigente. [...] Ante ao expendido, novamente requer a desconstituição dos lançamentos impugnados, por força dos citados fundamentos, em destaque a ausência de ocorrência concreta do fato jurídico correspondente à materialidade da hipótese de incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Impugnante exigido. [...] Ainda que assim não se entenda, ainda que relativamente ao IRPJ e a CSLL, dada a natureza jurídica dessas exações e correspondentes possibilidades quantificativas, se tolere o arbitramento realizado a partir de indevida e injurídica "presunção" alçada a partir de meros depósitos bancários não representativos de quaisquer "receitas" da Impugnante, é igualmente certo que os lançamentos relativos a Cofins e ao PIS, assim como a exclusão da defendente do Simples, dadas as diversidades normativas e fáticas que os cercam, comprovadamente não se sustenta. Não encontra base legal ou constitucional. [...] Meros "depósitos bancários" não são, nunca foram, nem serão faturamento. Não há competência tributária constitucional para se tributar depósitos ou movimentação bancária, pura e simplesmente. [...] Portanto, os lançamentos realizados quanto a COFINS e ao PIS, ao buscarem suporte em normas inaplicáveis ao caso versado, bem como ao tomarem meros e irrelevantes depósitos bancários como critérios material e quantitativo (base de cálculo) das referidas contribuições sociais, quedamse inconstitucionais, ilegais e, no que mais interessa, comprovadamente improcedentes, a ensejar pronta e total desconstituição. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da Cofins, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da contribuição do PIS, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Fl. 931DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 929 16 O ônus de provar a realização da materialidade da hipótese de incidência (o fato jurídico em todos os seus elementos), assim como da presença dos demais substratos necessários aos lançamentos, é da fiscalização, nunca do contribuinte. E aquela, como visto, de tal encargo não se desincumbiu. A Impugnante, por sua vez, encartou aos autos farta e hábil documentação endossando suas alegações, de sorte a inviabilizar, também nesse âmbito, aludidas exigências tributárias. A conseqüência é a insubsistência dos referidos lançamentos, conforme desde já requer. Referente às exclusões a serem promovidas suscita que: Além e independente dos vários excessos nesta defesa já listados, os lançamentos incorreram em outros tantos, ora indicados. São eles: (a) falta de dedução dos valores relativos ao faturamento declarado — Declarações Anuais Simplificadas — naqueles considerados tributáveis para fins dos lançamentos do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com a extirpação da soma de tais valores promovida em desamparo legal e verdadeiro bis in idem; (b) falta de dedução dos valores recolhidos pela Impugnante durante o período alvo dos lançamentos, sob a sistemática do SIMPLES, conforme atestam os respectivos comprovantes — Anexo F; (c) falta de exclusão, na apuração dos "depósitos bancários" tidos por não comprovados, de todos os lançamentos bancários e respectivos valores referentes às transferências entre contas/ag., cheques "internos "/administrativos/AI, depósito de cheques emitidos pela mesma pessoa jurídica, bem como aplicações financeiras e seus resgates, devidamente refletidas nos extratos bancários contidos nos autos, por não significarem qualquer acréscimo e sim mero deslocamento de valores nas contas do mesmo titular [...]. Sobre as múltiplas sanções, aplicação cumulativa com base em uma única e inaceitável presunção, afronta aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, devido processo legal, vedação ao confisco, capacidade contributiva e da legalidade tributária e readequação ao limite tolerável que se impõe procura demonstrar que: Dentre as sanções cumulativas impostas à Impugnante sobressaem: (i) arbitramento do "lucro" — e não se diga que este não tem natureza de sanção, a qual se confirma no próprio acréscimo de 20% sobre os valores devidos com base no lucro presumido, por exemplo —; na penalidade de 20% sobre a base de tributação possível por outros regimes de tributação assegurados ao contribuinte, como por exemplo o lucro real e o lucro presumido; (ii) no lançamento de vários tributos com base em mera presunção fundada em simples e irrelevantes depósitos bancários; (iii) na exclusão do SIMPLES; (iv) na imposição de tributação muito mais gravosa do que aquela resultante do SIMPLES e valores por esta sistemática plena e corretamente satisfeitos; (v) nos efeitos retroativos colimados na exclusão do SIMPLES; (vi) no Arrolamento de Bens e Direitos praticados por força de lançamentos que não se sustentam; (vii) na aplicação de multa de oficio, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores considerados devidos; (viii) na exigência da multa de oficio, mediante anatocismo, bis in idem e aplicação de penalidade sobre penalidade quando incide sobre os percentuais adotados para o arbitramento já majorados pela sanção de 20% (vinte por cento), a despeito de vedada tal prática. [...] Diante do exposto, requer o afastamento dos excessos apontados, para excluir (i) a aplicação de sanção sobre sanção — multa de 75% sobre o percentual majorado do arbitramento, (ii) a multa de oficio em questão, adotandose a de mora no equivalente a 20% sobre eventuais diferenças devidas, (iii) a penalidade de 20% por cento afeto ao arbitramento, ajustando, sem esse acréscimo, a tributação pelos percentuais do lucro presumido, se mais remanescer mais favorável que outros Fl. 932DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 930 17 pleitos defendidos pelo contribuinte, (iv) as penalidades aplicadas com base na presunção referida, (v) restabelecer o Simples, nas condições e limites sustentados pela Impugnante. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita o cancelamento do arrolamento de bens, já que o benefício da dúvida lhe é proveitoso. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher o presente impugnação, dandolhe provimento para: (a) acolher as preliminares argüidas, consoante seus termos e, ainda, principalmente para decretar as nulidades apontadas, uma a uma, ou, então, no mérito, (b) restabelecer o SIMPLES sem solução de continuidade e/ou alterações ou, então, acolher as demais pretensões nesse âmbito formuladas, (c) julgar na íntegra insubsistentes todos os lançamentos objeto do Auto de Infração e Lançamentos em questão, com a exclusão dos respectivos valores e tópicos nesta peça contrariados ou, caso porventura não seja esse o entendimento, (d) afastar todas as inconstitucionalidades, ilegalidades, excessos e erros declinados, com o devido ajuste de valores e delimitação da exigência fiscal em tela e seus acréscimos, consoante forma e parâmetros nesta peça indicados, (e) cancelar e/ou adequar o Arrolamento de Bens e Direitos em ocorrendo quaisquer das hipóteses acima mencionadas e, em qualquer caso, (1) se admitida mais de uma possibilidade de decisão favorável à Impugnante, prestigiar, dentre as autorizadas, aquela que lhe for mais vantajosa. Termos em que p. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: “Lançamento Procedente em Parte”: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11070.001821/200650, ACORDAM os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado: 1) Rejeitar as preliminares arguidas pelo impugnante; 2) Indeferir a solicitação da interessada, mantendo o despacho do Senhor Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo, RS, que excluiu a interessada do SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21/11/2006, considerando os efeitos da exclusão a partir de 01/11/2001; 3) Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devendo ser cancelados os seguintes valores: a) R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b) R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c) R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 931 18 d) R$3.501,40 a título de Cofins, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. 4) Julgar procedentes os lançamentos da multa de oficio no percentual de 75% e dos juros de mora regulamentares, que devem ser aplicados sobre os valores mantidos. 5) Determinar que os valores recolhidos a título de Cofins, na sistemática do Simples, do período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$849,51, sejam considerados quando da quitação da contribuição lançada, como pagos sob procedimento fiscal. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. A emissão do MPF Complementar para ampliar a abrangência da fiscalização inicialmente prevista no MPF Fiscalização não enseja nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto ri° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. A AMPLA DEFESA E O CONTRADITÓRIO Os elementos que demonstram a efetivação do devido processo legal estão presentes in casu, pois a partir da lavratura do auto de infração, foi assegurado ao contribuinte o amplo direito de defesa, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a final decisão a ser proferida na esfera administrativa. EXTRATOS BANCÁRIOS. PROVA LÍCITA Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 932 19 Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA DO PIS, DA COFINS E DA CSLL O direito de proceder aos lançamentos dessas contribuições extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os créditos poderiam ter sido constituídos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão sistemática de receitas representadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada caracterizase como prática reiterada de infração à legislação tributária, situação suficiente para exclusão da empresa do SIMPLES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do SIMPLES pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática, que, no presente caso, começa a partir de 01/11/2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO A Pessoa Jurídica excluída da sistemática do SIMPLES que não possui escrituração regular do Diário e Razão ou Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, é tributada mediante o arbitramento do lucro. OMISSÕES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da não ocorrência da infração. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 933 20 A multa de oficio é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de oficio, não podendo ser reduzida ao percentual de procedimento espontâneo. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo dispensada. LANÇAMENTOS DECORRENTES Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 10.10.2007, fl. 782, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.11.2007, fls. 783910, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. A Recorrente apresentou em 29.05.2013 o aditamento ao recurso voluntário em Petição às fls. 0108 (Anexo) suscitando que: I DO CASO CONCRETO E DAS DETERMINANTES DE INCLUSÃO EM PAUTA E DO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA REQUERENTE 1. O Processo Administrativo Fiscal em referência ingressou nesse órgão de julgamento em 09/11/2007, quando ainda denominado Conselho de Contribuintes. 2. Apesar do longo tempo transcorrido, de congregar arrolamento de bens da empresarequerente e de em seu favor ter se firmado a jurisprudência dos tribunais superiores, o Recurso Voluntário que interpôs ainda não foi incluído em pauta. Nisso, ampliamse os danos conseqüentes e sobra vedada demora no desfecho do caso, cuja solução definitiva vem ditada pelas normas de regências, elementos dos autos e disciplina normativa de atuação do CARF na situação versada, causa desta intervenção. 3. A questão central debatida nos autos reside na ilícita quebra do sigilo bancário da requerente, com obtenção de prova igualmente ilícita e outras conseqüências próprias dessa situação, das quais se destaca a nulidade dos referidos atos e provas, e com ela o direito da requerente de ser mantida no "Simples" sem solução de continuidade e ter cancelados/desconstituídos os lançamentos tributários e "créditos" neles veiculados, sob vícios insanáveis. 4. A cizânia causadora desse desiderato tem origem na invalidade dos atos fazendários praticados (especialmente a quebra do sigilo bancário e com ela a colheita de prova ilícita) com base na da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 62), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. 5. Contudo, em 15/12/2010, quando do julgamento do RE nº 389.808PR, provido por maioria de votos, o plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, em Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 934 21 decisão vinculativa do CARF, encerrou a celeuma exatamente nos termos defendidos pela requerente e a favor dela, impondo inteira observância, sem mais delongas. 6. É o que postula nesta intervenção, motivada pela falta de iniciativa do CARF em assim providenciar. II – DO DIREITO [...] 7. Esse entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF assumiu definitividade na questão em debate, quanto seus ministros, a partir de então, decidemna de forma monocrática (art. 557, do CPC). 9. Justamente por isso, em decisão monocrática publicada em março de 2011, a Min. Carmen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604. [...] 10. Desde então nada mais ha para se discutir nessa questão, e sim dever do Fisco de, com rigor e imediatamente, seguir o entendimento retro, do Supremo Tribunal FederalSTF. 11. No mais, a conveniência e o dever do CARF em respeitar, aplicar e fazer cumprir aludido entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF são incontroversos, estatuídos pelas próprias normas sob as quais opera e/ou por ele e pela União editadas nessa seara. [...] Em suma: desde o julgamento do RE nº 389.808PR deve o CARF não só observar a diretriz firmada pelo STF na questão debatida, como também deixar de aplicar as disposições da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 6º), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e assim também deste ato infralegal, bem como, por conseqüência, respeitar e fazer cumprir tais comandos, nos moldes e para os fins e efeitos defendidos pela requerente nesta petição e em seu Recurso Voluntário, com pretensões nessa linha pendentes de acolhimento, a ser promovido com a devida celeridade. [...] 12. Além das decisões e fundamentos antes colacionados, também amparam os pleitos da requerente, dentre outras, as normas seguintes: a) art. 125, inciso I do CPC e 5º, caput inciso I, da CF porquanto, tendo o plenário do STF decidido pela invalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pelos Órgãos fiscais, sem prévia e especifica autorização judicial, com conseqüentes ilicitude da "prova" colhida nessa situação e nulidade dos lançamentos tributários realizados com base nela, tal qual ocorre no caso concreto, a solução inescusável e definitivamente firmada é e deve ser exatamente igual para todos os contribuintes, em respeito a isonomia prevista nos referidos preceitos normativos. Portanto, a inclusão em pauta do Recurso Voluntário da requerente e correspondente e pleno provimento, nos termos antes indicados, figura imperativo, sem qualquer outra demora; h) art. 557, § 1ºA, do CPC aplicase no caso concreto para ensejar o provimento de plano do Recurso Voluntário da requerente, inclusive por decisão monocratica de lavra do digno Relator, corolário da jurisprudência definitiva do Supremo Tribunal FederalSTF (muito mais do que "jurisprudência dominante") Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 935 22 infirmar a decisão impugnada pelo referido recurso, apontando solução oposta à combatida na citada insurgência recursal; c) art. 5º , inciso LVI, da CF os atos administrativos praticados pela Receita Federal (exclusão do "Simples" e lançamentos tributários conseqüentes) com base em prova Ilícita são nulos de pleno direito, com conseqüente insubsistência deles e dos "créditos tributários" constituídos com ditos vícios; d) arts. 5º , inciso II, 37, caput e 150, inciso I, da CF em razão dos atos administrativos censurados no Recurso Voluntário, além de nulos, afrontarem todos e cada um dos invocados dispositivos constitucionais, caracterizando tributação desamparada, ilícita e insustentável, a ser de pronto cancelada; e) art. 5º, inciso LIV, da CF de vez que, por força do sustentado no Recurso Voluntário e nesta missiva, os atos administrativos impugnados e os "créditos tributários" constituídos por lançamentos também inválidos, são reprochados pelo devido processo legal, além de atentarem contra as garantias e direitos fundamentais da empresa contribuinte, em particular o direito de propriedade; f) art. 5º, inciso LXXVIII, da CF a contribuinterequerente tem a garantia constitucional da "razoável duração do processo" com os "meios" que garantam celeridade na sua tramitação, o que, por si só, confere a solução ora defendida. Vem ela obrigatória, com muito mais razão, quando a ilícita e indevida demora em sua adoção constitui causa de danos materiais e morais ampliados no tempo. III CONCLUSÃO Como demonstrado de forma sólida, farta e conclusiva, sob qualquer ângulo de análise, a solução a ser empreendida no caso concreto, com a devida brevidade, é a defendida pela Requerente. Do contrário, além de ferimento ao plexo normativo invocado, haverá afronta ao interesse público, expondo o erário a efeitos e ônus financeiros cuja ocorrência o CARF tem dever e condições de evitar. ANTE O EXPOSTO, requer a Vossa(s) Excelência(s) o recebimento desta manifestação, inclusive como aditamento ao Recurso Voluntário interposto, para, observando as normas antes colacionadas e o entendimento retro firmado pelo plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, desde logo: (a) entranhála nos autos para que produza seus jurídicos efeitos, (b) incluir em pauta e prover aludido recurso, nos seus termos e pretensões, (c) de modo a restabelecer a permanência da requerente no "Simples" sem solução de continuidade (ou reincluíla nesse sistema de tributação, com iguais efeitos e abrangência temporal apontada) e (d) cancelar/extinguir os lançamentos tributários contra ela praticados, (e) juntamente com os "créditos tributários" por eles constituídos. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo, vale esclarecer no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF1. 1 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 936 23 A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está no Supremo Tribunal Federal (STF) em Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP de relato do Ministro Relator Ricardo Lewandowisk, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 2. Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225> .Acesso em: 09 fev.2014. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 937 24 No que se refere à possibilidade jurídica de proceder ao julgamento do recurso voluntário cabe esclarecer que os autos contêm o procedimento de acesso pela RFB aos dados da movimentação financeira da Recorrente, por meio de RMF dirigida à instituição financeira, sem prévia autorização judicial, questão esta discutida no âmbito do Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo STF 3. Com a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, foram revogados os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Por conseguinte, o efeito de sobrestar o julgamento do recurso voluntário com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte foi afastado e assim o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente aduz que os valores recolhidos a título de Simples devem ser considerados. Em relação aos valores recolhidos a título de Simples, o enunciado da Súmula CARF nº 76: “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.” Está registrado no Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: Dos valores a serem cancelados a) decorrentes dos efeitos da exclusão do SIMPLES a partir de 01/11/2001 Como visto, os efeitos da exclusão do SIMPLES devem se dar a partir de 01/11/2001 e não a partir de 01/07/2001, como definido no Ato Declaratório Executivo (fl. 433). Assim, a receita apurada referente ao mês 10/2001, não deve integrar a base de cálculo do arbitramento do lucro do 4° trimestre de 2001, para fins de apuração do IRPJ, e, por decorrência, das contribuições do PIS, COFINS e CSLL. Os valores que devem ser cancelados são os seguintes: IRPJ — período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 9,60% x 15% = R$970,61 CSLL —período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 12,00% x 9% = R$727,96 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > e <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>.Acesso em: 09 fev.2014. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 938 25 PIS —período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 0,65% = R$438,12 COFINS — período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 3,00% = R$2.022,11 b) decorrentes dos recolhimentos feitos na sistemática do SIMPLES O contribuinte alega que a autuação não deduziu os valores recolhidos sob a sistemática do SIMPLES, juntando para tanto, os comprovantes de fls. 642 a 664. A autoridade fiscal deve considerar os valores dos tributos e contribuições recolhidos referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada no curso da fiscalização, inclusive na hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES. No presente caso, como se vê dos DARF — SIMPLES anexados às fls. 642 a 664, o contribuinte recolheu 3% sobre as receitas declaradas, que segundo o art. 23, inciso I, "a" da Lei n° 9.317/96, alterado pelo art. 3° da Lei n° 9.732/98, corresponde a 1,8% (60%) a titulo de COFINS e 1,2% (40%) a titulo de INSSPatronal [no valor de R$1.479,29 relativamente ao período de novembro de 2001 a dezembro de 2004]. [...] Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devendo ser cancelados os seguintes valores: a. R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b. R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c. R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; d. R$3.501,40 a título de COFINS, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. Nesse sentido, não há mais valores a serem excluídos dos créditos tributários formalizados nos presentes autos pelo lançamento de ofício. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. A decadência é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 939 26 Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, já que há pagamento antecipado, fls. 651673, que inclusive foram considerados em sede de primeira instância de julgamento. As notificações dos Autos de Infração referentes ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 foram efetivadas em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512. Por essa razão não há mais valores lançados alcançados pela decadência. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fl. 782) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de suas alegações. Todos esses atos estão motivados com os 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 5 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 6 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 940 27 fundamentos de fato e de direito, oportunidade em que foram observados todos os prazos legais. Ademais, antes de instaurada a fase litigiosa no procedimento não há que se falar em violação dos princípios constitucionais do processo. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça impugnatória por ter sido alcançada pela preclusão7. A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. O Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006 e os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador8. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 7 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 941 28 A Recorrente suscita que o MPF e o RMF de instauração do procedimento fiscal contêm vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício9. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos10. A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente pode expedir e a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) com a finalidade de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Nesse relatório deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse 9 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 10 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 942 29 de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o princípio da razoabilidade. As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente 11. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em atendimento ao MPF 10108002006001448 (fl. 08), procedemos verificação fiscal na PAPELARIA BELLINASO LTDA (atual COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA), CNPJ 03.107.296/000132, sendo que constatamos o que a seguir será relatado. [...] Na data de 19.04.2006 a fiscalizada foi intimada no Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 09) a apresentar os documentos a seguir listados, no prazo 05 (cinco) dias úteis, previsto no § 1º do art. 19 da Lei 3.470, de 1958, com as alterações introduzidas pelo art. 71 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 [...]. Vencido o prazo, na data de 26.04.2006, a fiscalizada apresentou o Contrato Social e os DARFs. Alegando exigüidade de tempo para providenciar toda a documentação requerida, solicitou mais sessenta dias para atendimento do Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 10). [...] Esta fiscalização considerou que o prazo de 60 (sessenta) dias era exagerado, pois os documentos solicitados, por serem documentos que dizem respeito as operações da fiscalizada, deveriam estar contabilizados e de posse da fiscalizada e, portanto, serem apresentados no prazo de 05 (cinco) dias já concedidos, é o que determina a legislação citada no item 2. acima, contudo, concedemos 30 (trinta) dias de prorrogação, para entrega dos demais documentos (fl. 59). [...] Vencido o prazo da prorrogação, na data de 29.05.2006, a fiscalizada apresentou, Alteração do Contrato Social, Cartão do CNPJ e Livros Caixa de n° 03, 04, 05, 06, e 07. Tendo solicitado mais 30 (trinta) dias para apresentação dos extratos bancários, alegando dificuldades junto às instituições bancárias (fl. 60). [...] Na data de 29.06.2006 esgotouse o prazo da prorrogação solicitada, sendo que a fiscalizada não apresentou os documentos faltantes (extratos bancários), e sequer se pronunciou sobre o assunto. [...] Passados 75 dias da data da primeira intimação para que a fiscalizada apresentasse os extratos bancários, sem que tivesse apresentado, foi reintimada, na data de 03.07.2006, para que no prazo de 05 (cinco) dias úteis cumprisse a requisição (fl. 134). [...] 8. Esgotado o prazo da reintimação, a fiscalizada mais uma vez solicitou prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias (fl. 135). [...] O até aqui exposto evidencia a fiscalizada ao efetuar sucessivas e injustificadas solicitações de prorrogação de prazo, tinha objetivos meramente protelatórios e que os extratos bancários não seriam apresentados, como de fato não foram. Assim o Delegado da Receita Federal de Santo Ângelo, com fulcro no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001, requisitou diretamente às instituições financeiras (Banrisul e Bradesco) os extratos 11 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 943 30 bancários das contas correntes movimentadas pela fiscalizada no período de 01.07.2001 a 31.12.2005 (fls. 150 a 376). [...] Com base nos extratos apresentados pelas instituições bancárias, procedemos levantamento dos créditos efetuados nas contas bancárias movimentadas pela fiscalizada. Na data de 18.09.2006, a fiscalizada foi intimada a, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 377 a 421). [...] Observamos que as instituições bancárias apresentaram os extratos requisitados pela Receita Federal, nas seguintes datas e prazos: a) o Banrisul apresentou os extratos na data de 24.07.2006, 06 (seis) dias após receber a requisição; b) o Bradesco '1111 apresentou os extratos na data de 05.09.2006, 49 (quarenta e nove) dias após receber a requisição. [...] A observação do item [...] acima, objetiva demonstrar que, mesmo que, quando da intimação para apresentar os extratos bancários, a contribuinte não estivesse de posse dos mesmos, poderia têlos solicitado as instituições financeiras e os teria obtido em prazo semelhante ao que eles foram fornecidos à Receita Federal. No entanto, até a data de 18.09.2006, quando a contribuinte foi intimada para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, quando já passados 05 (cinco) meses da intimação inicial para apresentar os extratos, não os apresentou. A data de 18.09.2006 foi tomada por prazo final, pois, se naquela data a fiscalização estava intimando a contribuinte para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, é porque já tinha obtido os extratos diretamente com os bancos. [...] Vencido o prazo, na data de 09.10.2006, a fiscalizada retomou a sua tática de solicitar prorrogações de prazo, agora, como deixou consignado no documento (fl. 422), por pelo menos mais 90 (noventa) dias. Ao usar a expressão "por pelo menos" deixou evidente que estava abrindo a possibilidade de solicitação de novas prorrogações. Solicitou também o fornecimento de cópia integral do procedimento e dos documentos que o compõem. [...] A fiscalização depois de mais uma vez esclarecer a fiscalizada sobre os prazos fixados pela legislação para apresentação de documentos e também sobre os documentos que até então compunham o procedimento, entregou a fiscalizada cópia das Requisições de Movimentação Financeira e dos Extratos Bancários apresentados pelas instituições financeiras. No mesmo documento concedeu mais 20 (vinte) dias para apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 423 e 424). [...] Vencido o prazo, a fiscalizada, ao invés de apresentar os documentos, requereu o deferimento da prorrogação, antes solicitada, de pelo menos 90 (noventa) dias, sem apresentar nenhum documento que justificasse seu pleito (fl. 425). [...] Na data de 10/11/2006, a fiscalizada foi cientificada que a não apresentação de documentos que relativos a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias até a data de 17/11/2006, seria considerado pela fiscalização como não comprovação, dando ensejo a lançamento de ofício com fulcro no art. 42 da Lei 9.430/96. [...] Na data de 17.11.2006, portanto, 60 (sessenta) dias da intimação para que comprovasse a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, a contribuinte voltou a insistir na prorrogação por pelo menos 90 (noventa) dias, como havia solicitado no documento datado de 09.10.2006 (fl. 428). Observamos que a Fl. 946DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 944 31 fiscalizada até a presente data não apresentou nenhum documento que demonstrasse que de alguma forma vinha executando alguma ação no sentido de buscar elementos para atender a intimação da fiscalização, procedimento idêntico ao adotado quando da intimação para apresentar os extratos bancários, quando também não apresentou nenhum documento, apenas alegações. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu o MPF nº 10.1.08.002006001448, fl.12. Está registrado nas RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.002006 000026, fls. 154 e 344: Requisito, termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas ao(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF Florianópolis, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n°3.724, de 2001. [...] Código da RMF : 65993645 [...] Código da RMF : 65700150 [...] A exatidão das informações contidas neste Requisição poderá ser verificada, por intermédio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda gov.br>, mediante a utilização do código acima informado. No presente caso, tendo em vista que a própria Recorrente expressa seu entendimento de que não apresentou os extratos bancários por estar protegida pelo sigilo bancário, estão regulares os procedimentos fiscais. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu os RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00200600002 6, fls. 154 e 344 com a motivação explícita, clara e congruente e ainda precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 945 32 A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para Fl. 948DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 946 33 comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada12. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo13. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade14, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui 12 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 13 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 14 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 947 34 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi reiterada intimada de todos os procedimentos fiscais, Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520. Ainda assim não escriturou toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentou os extratos bancários solicitados e não comprovou a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343 e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 155 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão minuciosamente individualizados no Termo de Intimação, fls. 382427 e o correspondente Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, dos quais a Recorrente foi validamente notificada e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, tampouco se houve algum valor indevidamente incluído no levantamento fiscal. O somatório dos valores mensalmente omitidos constam na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos Mês (A) Valores Creditados nas Instituições Financeiras R$ (B) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) AnoCalendário 2001 Outubro 67.403,68 830,00 66.573,68 Novembro 72.204,48 810,00 71.394,48 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 948 35 Dezembro 141.029,44 900,00 140.129,44 AnoCalendário 2002 Janeiro 72.793,39 1.100,00 71.693,39 Fevereiro 46.836,41 1.200,00 45.636,41 Março 49.553,11 1.120,00 48.433,11 Abril 82.289,28 1.085,00 81.204,28 Maio 113.755,01 1.415,00 112.340,01 Junho 75.560,39 1.386,00 74.174,39 Julho 92.174,15 1.425,00 90.749,15 Agosto 80.142,18 1.384,00 78.758,18 Setembro 84.839,12 1.412,00 83.427,12 Outubro 70.697,59 1.558,32 69.139,27 Novembro 77.176,33 1.533,45 75.642,88 Dezembro 109.256,29 1.584,20 107.672,09 AnoCalendário 2003 Janeiro 108.373,16 1.514,65 106.858,51 Fevereiro 66.637,87 1.585,00 65.052,87 Março 44.002,32 1.830,90 42.171,42 Abril 59.238,77 1.835,48 57.403,29 Maio 59.127,66 1.683,35 57.444,31 Junho 71.940,53 1.694,70 70.245,83 Julho 103.489,02 1.579,80 101.909,22 Agosto 69.719,39 1.637,15 68.082,24 Setembro 63.401,87 1.380,17 62.021,70 Outubro 54.105,73 1.397,75 52.707,98 Novembro 72.117,40 1.326,33 70.791,07 Dezembro 68.905,39 10.800,00 58.105,39 AnoCalendário 2004 Janeiro 161.397,14 1.338,90 160.058,24 Fevereiro 68.547,75 1.477,72 67.070,03 Março 153.032,98 1.239,45 151.793,53 Abril 96.634,22 1.507,10 95.127,12 Maio 110.150,46 3.362,20 106.788,26 Junho 248.551,53 3.854,30 244.697,23 Julho 154.393,52 4.131,20 150.262,32 Agosto 120.716,55 0,00 120.716,55 Setembro 91.634,02 4.471,45 87.162,57 Outubro 108.237,24 4.709,60 103.527,64 Novembro 115.722,39 4.857,06 110.865,33 Dezembro 123.242,97 5.044,77 118.198,20 AnoCalendário 2005 Janeiro 122.915,96 5.369,12 117.546,84 Fevereiro 96.660,72 5.589,08 91.071,64 Março 128.311,69 5.955,30 122.356,39 Abril 97.410,33 6.209,98 91.200,35 Maio 155.678,65 5.629,90 150.048,75 Junho 138.448,27 4.562,20 133.886,07 Julho 151.272,67 2.582,90 148.689,77 Agosto 130.304,10 2.656,20 127.647,90 Setembro 116.303,50 2.662,00 113.641,50 Outubro 157.998,68 1.921,60 156.077,08 Novembro 93.024,52 1.999,60 91.024,92 Dezembro 148.201,24 2.057,30 146.143,94 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 949 36 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: EXCLUSÃO DO SIMPLES 18. Como a contribuinte havia exercido opção para tributação pelo SIMPLES, O Sr. Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo/RS, após análise de REPRESENTAÇÃO FISCAL — EXCLUSÃO DO SIMPLES (fls. 01 a 07), expediu o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SÃO n° 23 de 21 de novembro de 2006 (fl. 433), no qual DECLARA A EXCLUSÃO da empresa PAPELARIA BELINASO LTDA, CNPJ n° 03.107.296/000132, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de julho de 2001. 19. Em conseqüência de sua exclusão do SIMPLES a fiscalizada passa a ser tributada observando as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, como determina o art. 16° da Lei 9.317/96, abaixo transcrito: Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO 20. O art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/, de 29/03/1999, abaixo transcrito prevê as hipóteses de arbitramento do lucro: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 17, e Lei n° 9.430, 1.996, art. 1°): II — a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 21. Na escrituração apresentada pela contribuinte (fls. 64 a 133) não há registros sobre movimentação bancária. Por oportuno transcrevemos abaixo decisão do Conselho de Contribuintes: ARBITRAMENTO — CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA — A existência de conta bancária mantida à margem dos registros da escrituração autoriza o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. 1° Conselho de Contribuintes / 2' Câmara / ACÓRDÃO 10321.263 em 11.06.2003. Publicado no DOU em 18.02.2004. 22. Dessa forma impõese o ARBITRAMENTO DO LUCRO, com fulcro na alínea "a", do inciso II, do art. 530, do RIR199. QUANTIFICAÇÃO DAS RECEITAS DA FISCALIZADA 23. Como a fiscalizada, mesmo após decorridos mais de 60 (sessenta) dias da intimação, não logrou comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, limitando a solicitar prorrogações, sem apresentar uma justificativa Fl. 952DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 950 37 válida para tanto, esta fiscalização, em atenção ao prescrito no artigo 42 da Lei 9.430/96, a seguir transcrito, elaborou o demonstrativo abaixo, que evidencia os valores das receitas utilizados no lançamento de oficio: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] 24. No demonstrativo acima os valores da coluna "CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS", correspondem aos créditos líquidos mensais, assim, os valores que foram creditados e depois estornados, não compõem o valor da coluna. Os créditos e os estornos estão discriminados nas planilhas de fls. 380 a 421. 25. Os valores da coluna "RECEITAS OMITIDAS", correspondem aos créditos bancários não comprovados, diminuídos dos valores declarados pela fiscalizada em suas Declarações Anuais Simplificadas. 26. Observamos que as RECEITAS DECLARADAS, foram declaradas no SIMPLES e, como a fiscalizada foi excluída do SIMPLES, o Arbitramento dos Lucros, além das RECEITAS OMITIDAS também incidiu sobre as RECEITAS DECLARADAS. Obs: No curso dos trabalhos, na data de 09.10.2006 (vide fls. 434 a 437) a fiscalizada promoveu as seguintes alteração cadastrais: a) Nome Empresarial de PAPAELARIA BELLINASO LTDA para COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA; b) Atividade Econômica de COMÉRCIO VAREJISTA DE ARTIGOS DE PAPELARIA para COMÉRCIO A VAREJO DE AUTOMÓVEIS; c) Endereço de RUA BORGES DE MEDEIROS, 289 para RUA SOUZA LOBO, 401. Por esse motivo o Nome Empresarial e o Endereço constantes do Auto de Infração diferem dos constantes nos demais documentos do processo (MPF, Termo de Inicio de Fiscalização, Termos de Intimação). O coeficiente de Arbitramento dos Lucros utilizado no Auto de Infração é o previsto para a Atividade Econômica exercida na época da ocorrência das infrações apuradas qual seja COMÉRCIO VAREJISTAS DE ARTIGOS DE PAPELARIA. Não há que se falar em ocorrência do fato gerador fictício. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificase assim a relevância da quantia que foi efetivamente omitida da tributação no período. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 951 38 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês15. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200916 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF17. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos18. 15 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 16 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 18 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 952 39 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente afirma que deve ser afastada a exclusão do Simples e seus efeitos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Tem cabimento no caso em que a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado e ainda por prática reiterada à legislação tributária. A exclusão surte efeito a partir do mês da ocorrência do fato. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas 19. Consta na Representação Fiscal de Exclusão do Simples, fls. 0411, cujas informações estão comprovadas nos autos: 1. Na data de 19/04/2006, o contador e procurador da empresa foi cientificado do início da fiscalização, ocasião em que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 10108002005001448 (fl. 08) e do Termo de Início de Fiscalização (fl. 09). Chamou a atenção desta fiscalização o fato de que no endereço da empresa existe uma residência , não havendo nenhuma identificação de empresa. 2. Na data de 26/04/2006 a empresa apresentou DARFs de julho/2001 a dezembro/2005 e o Contrato Social da empresa. Na mesma data solicitou prorrogação de prazo para apresentação do restante da documentação solicitada no Termo de Início de Fiscalização (fl. 10). Foi concedida, por esta fiscalização, a prorrogação de prazo solicitada. 3. Na data de 29/05/2006 a contribuinte fiscalizada apresentou a Alteração do Contrato Social, o cartão do CNP) e os livros Caixa números 03, 04,05, 06 e 07(fl. 60). Não apresentou, no entanto, os extratos bancários, solicitando nova prorrogação de 30 dias para apresentálos. Os extratos bancários foram solicitados tendo em vista 19 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 953 40 que a análise da CPMF evidencia substancial movimentação bancária no período fiscalizado. 4. No dia 03/07/2006 reintimamos a contribuinte para apresentação dos extratos bancários. No dia 07/07/2006 a mesma solicitou mais 30 dias para disponibilização dos extratos. Cabe ressaltar que, desde o início da fiscalização até o dia 03/07/2006 transcorreram 79 dias, tempo suficiente para que fossem providenciados os extratos bancários solicitados. 5. No dia 18/07/2006, exatamente 90 dias após o início da fiscalização, e não tendo a contribuinte apresentado os extratos bancários, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira aos Bancos Banrisul e Bradesco. Ressaltese que o Banrisul enviou os extratos no dia 24/07/2006 e o Bradesco enviou no dia 05/09/2006, 49 dias após a emissão do RMF. Visto que os bancos enviaram os extratos bancários num prazo bastante inferior aos 90 dias concedidos ao contribuinte fiscalizado, comprovase a intenção do mesmo de obter sucessivas prorrogações com o fim de protelar a fiscalização. 6. Com base nos extratos bancários apresentados pelos bancos foi elaborado um demonstrativo dos créditos em conta bancária. O contribuinte foi intimado, no Termo de Intimação nº 002 a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados na conta corrente. Cabe ressaltar que a movimentação financeira não foi escriturada no Livro Caixa da empresa. 7. Na data de 09/10/2006 a empresa protocolou pedido de prorrogação de prazo de 90 dias para atender às solicitações do Termo de Intimação nº 002. Apesar de considerar suficiente os 20 dias de prazo concedidos na referida intimação, esta fiscalização concedeu prorrogação de prazo de mais 20 dias para apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem a movimentação financeira nas contas correntes bancárias mantidas pela empresa. 8. No dia 01/11/2006 a empresa fiscalizada protocolou novo pedido de prorrogação de prazo, pedido este indeferido por esta fiscalização. O sucessivo pedido de prorrogação de prazos, sem apresentação de documentação hábil e idônea somente pode ser interpretado como protelação. Fosse diferente disto, os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização seriam apresentados no prazo concedido na primeira prorrogação ao referido termo, visto que os bancos responderam ao RMF expedido pela Receita Federal em prazo bem inferior aos 90 dias que a contribuinte teve para apresentar os extratos. Mesmo assim esta fiscalização concedeu nova prorrogação, de 15 dias, para o contribuinte apresentar os documentos solicitados. 9. Transcorridos os 15 dias da nova prorrogação, novamente o contribuinte protocolou pedido de prorrogação de prazo. Não apresentou também os documentos de receitas, custos e despesas requisitados por esta fiscalização no Termo de Intimação. .Diante disto, consideramos como não comprovados os valores dos créditos em conta bancária [...]. Portanto, do exposto acima, evidenciamos que o contribuinte fiscalizado praticou as seguintes irregularidades: ao não escriturar a movimentação financeira no Livro Caixa da empresa, infringiu o § 1º do art. 7° da Lei 9.317/96. ao não apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização, incorreu no inciso II do art. 14 da Lei 9.317/96. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 954 41 ao não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta corrente, omitiu receitas em todos os meses fiscalizados, incorrendo do inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96. No presente caso, a exclusão deuse de ofício, uma vez que comprovadamente a Recorrente incorreu em embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato, ou seja, 01.07.2001. Em conformidade com a decisão de primeira instância de julgamento o lançamento tem o período de apuração inicial em 01.10.2001 e por essa razão os efeitos devem ser a partir de 01.11.2001. Restou comprovada a motivação do ato de exclusão em relação ao embaraço à fiscalização e à prática reiterada de infração à legislação tributária, cujo efeito surtiu a partir do mês da ocorrência do fato por não escriturar toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentar os extratos bancários solicitados e não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso20. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade21. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 22.. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. A Recorrente argui que o arrolamento de bens não poderia ser promovido. 20 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 22 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 955 42 Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos nos estritos termos normativos, não cabendo ao CARF pronunciarse sobre esse procedimento23. Ademais, o arrolamento de bens está formalizado no processo 11070.001849/200697 que se encontra no Seção de Controle e Acompanhamento Tributário desde 18.12.200624. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 23 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 24 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11070001849200697> . Acesso em 05 fev.204. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904376/2012-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 76 /2 01 2- 04 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/11/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10916.720029/2012-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/01/2008, 30/01/2008, 21/05/2008, 08/06/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/01/2008, 30/01/2008, 21/05/2008, 08/06/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 72 00 29 /2 01 2- 94 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 18471.000819/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 26/03/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.191 1 1.190 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000819/200517 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.462 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2014 Assunto COFINS Recorrente DIG DISTRIBUIDORA GUANABARINA DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte anteriormente identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, abrangendo os períodos de apuração (PA) 03/1999 a 12/2004, no valor (principal) de R$ 66.301,97, com multa de ofício de 75% no valor RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 81 9/ 20 05 -1 7 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.192 2 de R$ 49.726,18, e juros de mora, calculados até 30/06/2005, no valor de R$ 28.912,87, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 144.941,02, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro (Defic/RJO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acostado à inicial. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 270/274, bem como no Termo de Verificação de fl. 268, a AFRF autuante informa que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados, tendo em vista que o contribuinte contabiliza a crédito da conta “Custo de Vendas” os valores recebidos da montadora General Motors do Brasil Ltda GMB, a título de bônus, não os destacando, portanto, em conta específica de receita, e também não os incluindo na base de cálculo do PIS, acarretando recolhimento a menor da contribuição, e ainda que: passaram a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, trazendo em seu artigo 3o o amplo conceito de faturamento/receita bruta, e, desse modo, os valores relativos aos bônus escriturados a crédito na rubrica “3.1.2Custo” devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS;reiteradas decisões administrativas quanto à incidência das contribuições sobre os bônus; • A título de exemplo, podemos verificar (fls. 85/89) a compra de mercadoria efetivada em 2002, cujo pagamento se deu no exercício seguinte, sendo que, para citada operação, observase que o contribuinte já havia debitado o seu custo no resultado apurado em 2002, e o valor do bônus foi recebido em 2003, em operação e momento distintos; • A ação de fiscalização abrange o período de 03/01/99 a 31/12/2004 e os valores que serviram de base de cálculo do presente lançamento de crédito tributário são os constantes do Demonstrativo 01, extraídos do Livro Razão, bem como o Demonstrativo 02, que indica as receitas em totais mensais (fls. 90 a 257); • tendo em vista a quantidade de fotocópias a serem extraídas dos vários Livros Razão, e por estas não ficarem legíveis, o que dificultaria a sua leitura (v. fls. 258/267), elaborouse os Demonstrativos 01 e 02 acima citados, cujo teor é a transcrição fiel do escriturado no Livro Razão, tendo sido os mesmos Demonstrativos devidamente cientificados ao contribuinte. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da contribuição ao PIS (fls. 272/274), cientificado ao contribuinte em 11/07/2005 (v. fl. 269), consistiu no no art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. Io e 3o, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. Io, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; arts. 2°, inciso I, 8o, inciso I, e 9o, da Lei n° 9.715/98; arts. 2o e 3o da Lei n° 9.718/98; arts. 2o, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3o, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/2002. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.193 3 4. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 287. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 09/08/2005, a impugnação juntada às fls. 300/327, e documentos anexos (cópia) de fls. 328/715 (Auto de Infração, fls. 328/348; sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 99.00612663/RJ, fls. 349/362; alteração e consolidação de contrato social, fls. 363/374; procuração e 'carteira de identidade dos representantes da empresa, fls. 375/378; Roteiro de Tributação do PIS/COFINS e Lei n° 10.637/2002, fls. 379/416; Campanhas de Incentivo de Vendas no Varejo, fls. 417/473; Notas Fiscais de Compras da concessionária à montadora, Notas Fiscais de Vendas da concessionária a seus clientes, boletos bancários e operações de pagamento de veículos ao fabricante/GM Factoring, fls. 474/476, fls. 482/649 e fls. 662/715; Diário Geral, fls. 477/481; Razão Contábil, fls. 650/661), com as alegações abaixo resumidas: 5.1. a autoridade fiscal aponta como tributável pelo PIS e COFINS os valores de bônus lançados na contabilidade em contacusto de veículos, concedidos pela fábrica à revendedora, sem se preocupar em analisar e provar o auferimento de receita; muito embora a Lei n° 9.718/98 tenha alterado a regra de tributação das contribuições sociais não quer dizer que se possa distorcer os dados e a realidade negociai, cobra _ as contribuições sobre “receita fictícia”; 5.3. ademais, ainda que, por hipótese, existisse uma receita, não esteve presente 'ra1 e a lavratura do Auto de Infração, a perda de espontaneidade do contribuinte, e a Possibilidade de exigência desses créditos, pois possuía o ora impugnante provimento judicial concedido em Mandado de Segurança, impedindo o recolhimento de PIS e COFINS sobre “outras receitas”, e que surtia efeitos na data da lavratura do Auto de Infração, em 11/07/2005; 5:4. o Auto de Infração é completamente nulo e improcedente, inúmeros são os fatos e provas juntados com a presente defesa, que comprovam a impossibilidade de considerar o bônus como receita tributada pelo PIS e a COFINS; 5.5. a conclusão de que a empresa obteve auferimento de receita se dá pela análise imprecisa e superficial que a fiscalização fez apenas da conta custo de vendas, mas o relato e os dados que aponta são incompreensíveis e nem de longe chegam a descrever as operações que teriam dado ensejo ao ilícito fiscal, não tendo sido checadas as Notas Fiscais dos veículos de entrada, saída, ou mesmo sido verificado qual a natureza jurídica do bônus; 5.6. se a fiscalização entendeu que o bônus sobre os veículos novos seria uma receita recebida pelo impugnante, a princípio não poderia se limitar a indicar como prova meros lançamentos contábeis, que nada demonstram quanto à materialidade do tributo, e que, além de tudo, conforme art. 923 do RIR, fazem prova a favor do contribuinte; 5.7. ao Fisco cabe, consoante art. 924 do RIR, a apresentação das provas dos fatos que dão origem aos seus lançamentos, e, nesses Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.194 4 termos, deveria a fiscalização descrever efetivamente a entrada de um bem econômico, o acréscimo patrimonial recebido, demonstrar e apurar o recebimento concreto de receita, sendo que o presente Auto de Infração não traz sequer a descrição da situação concreta que pudesse configurar fato gerador das contribuições; 5.8. as contas de custo de vendas estão regularmente escrituradas e os lançamentos apontados dos bônus são meros ajustes do preço das mercadorias, não representando recebimento de receitas; 5.9. o ajuste do preço da mercadoria é lançamento obrigatório e correto, posto que o veículo é objeto de Campanha Promocional da GM do Brasil (GMB) e tem o preço reduzido, ou seja, o valor líquido de seu.custo subsiste pelo saldo, sendo que esses meros ajustes contábeis nada provam quanto ao auferimento de receita; 5.10. a afirmação da fiscalização, dando conta de que a compra do veículo é efetivada em um momento e o bônus é recebido em outro, revela falta de conhecimento das operações e dos aspectos negociais; 5.11. o bônus é dado pela montadora ao fabricante na compra do veículo, mediante Campanhas específicas, e é quitado pela revendedora não no momento em que entra no estoque, mas somente depois de revendido ao consumidor final, pagandoo à fábrica com o abatimento de seu preço; as partes podem ajustar condições ao contrato de compra e venda, a teor do que dispõe o ^ 3° Civil, e, por isso, a montadora e a rede de distribuição são livres para ajustar os preço das mercadorias, ainda que calculados depois de sua entrega, não autorizando à fisc' \ç«u Concluir que o bônus seria nova receita o fato dele (bônus) ser concedido como desconto fora da Nota Fiscal de compra; esquecese ainda a fiscalização de todas as peculiaridades de tributação nuw cercam as operações de compra de veículos novos a que é ligado o bônus, tais como: as vendedoras encontramse sujeitas ao recolhimento antecipado das contribuições desde o ano de 2000 (MP 1.99115/2000 substituição tributária), e, com a edição da Lei n° 10.635/2002 passaram a se sujeitar à tributação monofásica na compra de veículos novos, também com a retenção antecipada dos valores das contribuições, que se perfazem sobre o total calculado/presumido, não havendo qualquer dedução dos valores referentes ao bônus; o contribuinte, além de se sujeitar ao recolhimento antecipado das contribuições sobre base presumida o que faz recair os tributos sobre descontos abatidos posteriormente (embora eles não representem receita) ainda por cima é compelido a novo recolhimento pela fiscalização, considerando o bônus como receita nova, de forma dúplice; muito embora o art. 3o da Lei n° 9.718/98 tenha ampliado o conceito de faturamento para receita bruta, tal fato não autoriza a fiscalização deixar de provar que a empresa efetivamente recebeu uma receita, simplesmente verificando o Livro Razão que lhe fora remetido, concluindo superficialmente que os lançamentos na “Conta Custo” seriam receitas; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.195 5 a fiscalização não apurou a conduta do auferimento, não analisou as operações de compra dos veículos e a forma como é estipulado o bônus; o Auto de Infração foi elaborado sem prova concreta de nada, o que se mostra contrário à intenção do legislador, pois o adjetivo “auferida” traduz a ideia de algo novo que é recebido, transformado em bem econômico como um acréscimo ou prestação já satisfeita, e, portanto, os lançamentos corretamente escriturados de redução de custos nem de longe poderiam provar ou representar o ingresso de uma receita passível de tributação, sendo nula a autuação com base nos mesmos, existindo inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes, anulando autos de infração onde não existe a tipificação do ilícito, a descrição exata de sua materialidade, bem como erros, distorções dos fatos e ausência de provas; a fiscalização concluiu pela infração por duplo indício primeiro, apenas pelas contas de custos, supondo de forma imprecisa que o bônus seja receita nova; segundo, supõe a presença dessas receitas, mas não demonstra sua concreta obtenção o que é desautorizado pelo Decrcto n° 45.479, art. 59 e Lei n° 9.784/99, art. 2o, que exige comprovação dos fatos ilícitos e provas concretas de sua ocorrência, devendo o Auto de Infração ser declarado nulo, por violação à tipicidade, ampla defesa, não tendo o contribuinte sequer a obrigação de provar o contrário, uma vez que o ônus da prova da constituição do lançamento cumpre à fiscalização; além disso, o impugnante moveu Mandado de Segurança para outros fins, alheios ao bônus, no qual obteve sentença favorável, que suspendeu a exigibilidade do recolhimento do PIS e COFINS sobre “outras receitas”, pela ampliação do conceito de faturamento "’promovido pela Lei n° 9.718/98, sendo que, na data da autuação fiscal, 11/07/2005, ^;Tv a produção desses efeitos, que se operam até hoje, sendo o Acórdão posterior de 21x; 6/2005, submetido a embargos de declaração; assim, lavrado em 11/07/2005, o Auto de Infração é completamente nulo, '^ii na constituição do crédito como na imposição de multa e juros, pois a autoridade fiscal deveria fundamentar a autuação no art. 3o da Lei n° 9.718/98, se existia, à época do lançamento, sentença que suspendia os efeitos da norma; embora o bônus nada tenha a ver com “outras receitas auferidas pelo contribuinte”, nos termos da ampliação da base prevista no art. 3o, há vício formal na lavratura do Auto de Infração, pois a fiscalização estaria impedida de exigir o tributo do impugnante com base na ampliação do conceito de faturamento, com a constituição dos lançamentos e imposição de multa e juros, sob a égide de provimento judicial; no mérito, o Auto de Infração também deve ser considerado improcedente, uma vez que não representa o bônus receita a ser tributada pelo PIS e COFINS; O impugnante, assim como a totalidade da rede de distribuidoras GMB, mantém com a fábrica contrato de concessão comercial, Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.196 6 objetivando a compra e venda dos veículos novos, peças e acessórios, ou seja, as montadoras vendem os veículos novos às distribuidoras, as quais se comprometem a comercializálos junto aos consumidores finais; como implemento para o comércio de veículos, devido às altas de juros e aumento dos preços, as montadoras de todo o País concedem descontos à rede de distribuidoras, com o abatimento do preço de custo do veículo, que se perfaz no momento em que o mesmo for revendido, e houver a quitação de sua compra junto ao fabricante GM/Factoring; a concessão do bônus é dada de forma notória, por intermédio de Campanhas Promocionais veiculadas a toda a rede de distribuidoras, e não somente a uma ou outra empresa, sendo previamente estipulada pelo fabricante, tendo em vista determinados modelos de veículos e marcas, o que acaba por minimizar a alta dos preços; graças ao bônus obtido, que reduz o custo do veículo, as revendedoras negociam com os consumidores finais em melhores condições, repassando integralmente por intermédio de campanhas promocionais o seu montante, sendo que, na totalidade das Campanhas Publicitárias que comumente são encontradas na mídia e em jornais especializados, são feitos anúncios incentivando a compra pelos consumidores de determinadas marcas de veículos, com o oferecimento de bônus; assim, pela sistemática negociai na concessão do bônus, é fácil verificar a incoerência do Auto de Infração, e a tributação sobre “receita fictícia”, até mesmo porque, a princípio, a revendedora quando adquire determinadas marcas de veículos, já sabe que sobre os mesmos ocorrerá a redução do preço, sendo esses ajustes pré determinados pela GMB e a rede de distribuição; 5.28. o bônus não pode figurar como uma receita, já que o impugnante pagou um preço menor pelo mesmo, na data de sua quitação, representando, de outro modo, uma redução do custo da mercadoria comprada, e os lançamentos correspondentes significam mero ajustamento dos preços, corretamente indicados na contabilidade, devendo ser assim tratados pela fiscalização; 5.29. o preço da mercadoria foi ajustado pelo desconto lançado, não havendo sobrt, nesmo o surgimento de qualquer fato passível de tributação; 5.30. sob a forma demonstrativa (devido ao grande número de documentos), a ’tnpugnante prova com os anexos que junta à impugnação, compras efetuadas sob Campanhas ia montadora, nas quais se concedeu o bônus, ocorridas de 2002 a 2004, sendo que, pelos citados documentos, observase o abatimento do preço de compra do veículo no momento de seu pagamento à montadora/GM Factoring, após a efetivação da revenda, provando inexistir qualquer tipo de ingresso;^ 5.31. como se vê, não há coerência para os lançamentos do bônus pela fiscalização, que representam meros ajustes de preço, jamais podendo configurar receita, ferindo o lançamento fiscal, portanto, os princípios da legalidade e da capacidade contributiva; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.197 7 5.32. ainda que, por hipótese, o bônus fosse concedido ou efetivado depois do pagamento do veículo pelo preço normal, através de devolução de valor, nem assim poderia ser configurado o ingresso de receita, porquanto esta não se confunde com a mera movimentação de valores; 5.33. se, por hipótese, houvesse uma devolução do valor do desconto, da mesma forma ocorreria o reajustamento do preço da mercadoria, sem o ingresso de receita nova, posto que ele não corresponde a qualquer valor de troca, e sim e apenas a redução do preço; 5.34. a tributação da receita bruta, sem a exclusão dos descontos, implica tributar “receita fictícia”; 5.35. como reforço à ausência de tributação sobre qualquer valor que reduza o custo da mercadoria, mencionase o ADI 25/2003 da SRF, que dispõe expressamente não incidir a COFINS sobre os valores que retomam à empresa, como recuperação de tributos; 5.36. contradizendo as afirmações equivocadas do Auto de Infração, menciona se a existência de acórdãos que atestam a impossibilidade de configuração de receita sobre parcela de redução de custo, ou de desconto; 5.37. além disso, a tributação do PIS e da COFINS nas operações com veículos novos, desde o ano de 2000, por intermédio da edição da MP n° 1.99115/2000, dáse de forma diferenciada, segundo o regime de substituição tributária, com a retenção antecipada dos valores devidos pelo impugnante, no momento de sua compra; 5.38. ao adquirir o veículo por intermédio de Nota Fiscal emitida pela montadora, é incluído expressamente em seu bojo a retenção antecipada de PIS e COFINS, calculados pelo seu preço normal, sem considerar o bônus, o que faz com que as contribuições incidam sobre o seu montante (do bônus), sem representar receita ou valor de troca de mercadoria; 5.39. ainda que o veículo novo tenha o preço de compra ajustado pelo valor líquido com o abatimento do bônus, o impugnante sofre a retenção desses tributos acima do que realmente deveria pagar, pois o PIS e COFINS incidem antecipadamente, ignorando esses abatimentos M como se pode provar por Notas Fiscais que deveriam ser excluídos de sua base de cálculo, se verificando o despropósito da autuação fiscal, pois além da empresa ter recolhido contribuições sobre parcela que não representou receita, a fiscalização, desprovido completamente as provas de que houve a inclusão do bônus na base de cálculo, pretende tributar novamente o bônus como nova receita, em total erro; 5.40. posteriormente, com o estabelecimento, a partir de 01/11/2002, do regime monofásico, que consiste em cobrar do fabricante/importador o PIS/COFINS devidos em todas J.S fases da cadeia produtiva, se houve recolhimento antecipado a cargo do fabricante/importador sobre o total do preço da mercadoria, e se o preço da mercadoria foi reduzido pela concessão do bônus, restaria um Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.198 8 crédito em favor do contribuinte, pois a base de cálculo real da operação foi menor; 5.41. além disso, com o estabelecimento do regime monofásico, o valor de aquisição (custo) dos bens e serviços não pode ser utilizado como crédito para compensação com PIS/COFINS devido sobre a receita de venda, ainda que tenham sido onerados pela alíquota de 9,25% pagos pelos fabricantes/importadores aos fornecedores de bens e serviços necessários à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico, já que as receitas obtidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, com a venda dos produtos abrangidos pela incidência monofásica, já se encontram sendo integralmente tributadas pelo PIS/COFINS no fabricante ou importador (à alíquota de 12,5%), sendo tributadas posteriormente nas concessionárias à alíquota zero; 5.42. isto nos mostra a incoerência do raciocínio da autoridade fiscal, que desprezou toda a sistemática de tributação existente na compra dos veículos novos, provocando a duplicidade na tributação do PIS e COFINS, o que não é admitido pelos tribunais administrativos; 5.43. diante do exposto, o impugnante vem requerer que se declare a total nulidade do Auto de Infração, uma vez que não houve prova ou indício do ilícito fiscal, não tendo mesmo existido qualquer investigação nesse sentido, além de não ter sido respeitado os efeitos da medida judicial existente em favor da empresa, que impedia o lançamento e cobrança de multa e juros; em não sendo acatadas as preliminares arguidas, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, uma vez que o bônus não é receita para fins de tributação do PIS/COFINS, representando mero ajuste do preço da mercadoria, e, ainda, pelo fato de que o impugnante não poderia ser submetido à tributação em parcela redutora do custo, em que já houve a retenção antecipada das contribuições. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu a defesa da empresa, conforme Decisão DRJ/RJOII nº 16.703, de 27/07/2007: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. CONCESSIONÁRIAS DE VEÍCULOS. Receitas auferidas a título de bônus sobre a venda de veículos novos, por pagamento nos prazos contratados com o fabricante, compõem a base de cálculo do PIS. LANÇAMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.199 9 Na constituição de crédito tributário que não esteja com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial vigente à ocasião do lançamento, é cabível a aplicação da multa de ofício. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente Intimado da decisão, o contribuinte apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, discutese nos autos a base de cálculo do PIS, onde a autoridade lançadora entendeu que os bônus pagos pelas montadoras às concessionárias devem ser tributados por aquela contribuição. A base do lançamento é clara, como vemos das fls. 69 do v2: Em procedimento de verificação dos valores escriturados e ou pagos,relativamente às contribuições do PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS e da CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS, constatamos que o contribuinte não incluiu nas bases de cálculo dessas contribuições os valores referentes aos Bônus auferidos da montadora General Motors do Brasil Ltda.,que foram escriturados a crédito da conta contábil Custo das Vendas. Intimado, o contribuinte afirma, entre outras alegações, que "o bônus não é receita e sim redução de custo, que é integralmente repassado ao consumidor (....) Com a edição da Lei 9.718/1998, as contribuições em questão passaram a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, trazendo em seu art. 3º o amplo conceito de faturamento/receita bruta, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela empresa e a classificação contábil adotada para as receitas (operacionais e não operacionais). (grifo nosso) Comprovado, então, que o lançamento se deu única e exclusivamente com base na majoração da base de cálculo do PIS realizado pela Lei n.º 9.718/98. Entretanto, há notícia de que a recorrente discutiu este tema judicialmente. Ocorre que, nos autos, não consta qual a decisão tomada naquele processo judicial, informação relevante para a solução da lide. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a recorrente junte aos autos cópia das decisões preferidas nos autos do Mandado de Segurança n° 99.00612663/RJ, bem como certidão narratória deste. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.200 10 Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10880.721278/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
IRPF. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42).
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DESAPROPRIAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 12 78 /2 01 2- 51 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Contra o contribuinte, MARIO CELSO LOPES, foi lavrado o auto de infração de fls. 165/168, acompanhado dos demonstrativos às fls. 169/170 e do denominado Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012 às fls. 172/184, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário de 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 2.401.287,88. Como descrito no referido Auto de Infração, a exigência decorreu de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel rural, conforme Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, parte integrante do auto de infração (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 167), com aplicação de multa no percentual de 75%. No referido Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, às fls. 172/184, o autuante relata suas constatações, como segue: Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPROMISSO IRRETRATÁVEL DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEL RURAL, datado de 13/06/2005 (cópia fornecida pelo contribuinte), o contribuinte e seu cônjuge, Juçara Eliane Storti Correa Lopes, CPF 023.511.05826, adquiriram dos espólios de Wanda Coelho de Moraes e José Benedito Viana de Moraes, representados pelo inventariante José Luís Viana de Moraes, CPF 051.533.73827, um imóvel rural denominado Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com área de 8.246 hectares, pelo preço de R$ 11.000.000,00, que deveria ser pago em três parcelas nas datas e valores seguintes: R$ 3.300.000,00, na data da assinatura do instrumento particular (13/06/2005) e R$ 7.700.000,00 em 29/07/2006, corrigidos pelo IGPM. O imóvel adquirido consta da matrícula 49.088 do CRI de Três Lagoas MS, que foi encerrada em 01/10/2010 (folha 7 da matrícula 49.088), vez que o contribuinte, depois de adquirir o imóvel, requereu o desmembramento da respectiva área, resultando nas seguintes áreas e matrículas: Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Gl, com área de 224,5975 hectares, matrícula 56.573; Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro G2, com área de 4.508,0498 hectares, matrícula 56.574; Parque Natural Municipal do Pombo, com área de 3.300,0011 hectares, matrícula 56.575. Somandose essas áreas chegase a área total do imóvel de 8.032,6484, um pouco menor do que a área citada no Instrumento Particular citado no parágrafo anterior. Em 08/09/2009, antes mesmo da transferência definitiva da propriedade ao contribuinte, o que só veio a ocorrer em 16/10/2009 (folha 06 da matrícula 49.088), foi lavrada pelo Tabelionato Traci Batista dos Santos de Três Lagoas MS, Escritura Pública de Desapropriação Amigável, em que consta que a Prefeitura de Três Lagoas MS desapropriou a área de 3.300,0011 hectares, denominada Parque Natural Municipal do Pombo, correspondente à matrícula 56.775 do CRI de Três Lagoas MS, resultante do desmembramento da matrícula 49.088. Por meio da referida Escritura Pública de Desapropriação Amigável, o imóvel adquirido em 13/06/2005, por meio de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 3 3 instrumento particular, com área de 8.246 hectares pelo preço de R$ 11.000.000,00, conforme consta do Instrumento Particular, ou 8.032,6484 hectares, pelo preço de R$ 10.768.111,82, conforme matrícula 49.088 do CRI de Três Lagoas MS, foi parcialmente alienado à Prefeitura de Três Lagoas, isto é, foram alienados 3.300,011 hectares, correspondentes a 41,08% da área que consta no Registro de Imóveis. A partir da DITRDIAC/ DIAT 2008, apresentada pelo inventariante José Luís Viana de Moraes, também consta a área de 8.032,6484. A desapropriação é uma forma de alienação e os ganhos de capital dela decorrentes estão sujeitos à tributação, conforme determina o § 4º do artigo 117 do RIR/99: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). (destacamos com grifo e negrito) Cientificado do lançamento por via postal em 29/02/2012 (AR à fl. 185), o contribuinte apresentou, em 15/03/2012, a impugnação de fls. 189/235, por intermédio de procurador (documento à fl. 237), acompanhada dos documentos de fls. 239/282, aduzindo as razões sintetizadas a seguir: I – Dos fatos: traz resumo da autuação. II – Do direito 1 – Preliminarmente 1.1. Da nulidade do processo administrativo decorrente da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário do impugnante A infração foi apurada exclusivamente em decorrência da quebra do sigilo bancário do impugnante, pois os três pagamentos efetuados pela Prefeitura Municipal de Três Lagoas/MS, embora nominativos a José Luis Viana de Moraes, foram depositados na conta corrente do impugnante. O Termo de Constatação Fiscal datado de 24/02/2012, anexo ao Auto de Infração, comprova que os valores acima discriminados foram extraídos exclusivamente da análise das movimentações financeiras do impugnante. O agente fiscal iniciou suas justificativas com as expressões: "Consta no extrato de conta corrente mantida pelo contribuinte no Banco..." ou "consoante demonstrativo de depósitos e créditos bancários... verificamos que nos extratos do banco...". Não restam dúvidas de que o montante considerado tributável foi inteiramente apurado em Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 decorrência de um ato ilegal, imoral e arbitrário praticado pelo Fiscal denominado "quebra do sigilo bancário". Demonstraremos que o ato praticado pelo Auditor Fiscal é absolutamente ilegal e vicia todo o procedimento administrativo tributário a partir de sua ocorrência, de modo que todos os demais atos praticados em consequência da quebra do sigilo são nulos de pleno direito e, portanto, inaproveitáveis. De acordo com as informações prestadas pelo Fiscal e da cópia do extrato bancário apresentado, comprovase que ele requisitou a diversas instituições financeiras, ilegalmente e sem fundamento jurídico algum que justificasse a medida, todas as movimentações da conta corrente e da conta poupança de titularidade do impugnante no período compreendido entre 01/01/2006 a 31/12/2009. Frisase que a quebra do sigilo bancário ocorreu logo no início da fiscalização e que não havia, nem tampouco houve, ao menos um motivo para justificar a perpetração de medida tão agressiva por parte do Fisco, devassando a privacidade do impugnante, em absoluto desprezo ao direito fundamental da privacidade, previsto no artigo 5º, inciso X, de nossa Carta Política (que transcreve). Necessário lembrar que o Poder Público deve respeitar os direitos individuais de todos os contribuintes, principalmente suas intimidades, privacidades, propriedades, livres iniciativas etc., que devem permanecer invioláveis mesmo diante dos poderes de fiscalização, possibilitando a quebra, somente em casos excepcionais, mediante intervenção do Poder Judiciário. Por isso, foram considerados inconstitucionais os dispositivos da Lei Complementar 105/2001 (art. 5º e 6º) que praticamente tornaram esse sigilo inexistente, porquanto deixavam nas mãos da administração, parte interessada, e não do Poder Judiciário, o juízo acerca da presença das circunstâncias que justificassem a quebra do sigilo bancário, o que levava o Fisco a praticar arbitrariedades e ilegalidades, impedindo qualquer direito de defesa, como visto nestes autos. A inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, em especial dos dispositivos que autorizavam o Fisco a requisitar informações financeiras do contribuinte fiscalizado, já foi, inclusive, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808 PR, onde se decidiu que, por força do inciso XII do art. 5º da Constituição Federal, apenas o Judiciário, órgão imparcial, é que detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário, e mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos (transcreve o inciso XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988). Também o Superior Tribunal de Justiça, ao enfrentar a questão pertinente à indispensabilidade da prévia autorização judicial para efeito da quebra de sigilo bancário, acertadamente decidiu que apenas o Poder Judiciário pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às movimentações financeiras do correntista/contribuinte (cita jurisprudência). No mesmo sentido os Tribunais Pátrios vêm acolhendo esse entendimento (segue citação de jurisprudência). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 4 5 Diante das decisões acima transcritas, temse que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 389.808PR, com efeito de REPERCUSSÃO GERAL, prevista no artigo 543C, do Código de Processo Civil, apenas consolidou o entendimento já pacificado pela jurisprudência pátria. Há de se destacar, por fim, que a decisão proferida pela Suprema Corte reorienta aqueles poucos julgadores que, até então, sustentavam entendimento em sentido contrário, possuindo, no campo fático, os mesmos efeitos das decisões tomadas em processos submetidos ao Supremo Tribunal Federal sob regime de repercussão geral, como se vê de recentíssima decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de que transcreve excerto. Por essas razões, tanto o STF como o STJ decidiram não ser possível a quebra do sigilo no curso do processo administrativo sem a manifestação de autoridade judicial, e muito menos por simples solicitação de autoridade administrativa ou do Ministério Público. Sendo uma providência excepcional, exige não apenas cautela e prudência por parte do magistrado, como também indícios instrutórios mínimos de autoria e materialidade delitiva. Deve ser acompanhada de uma fundamentação razoável, de um motivo racional, de uma suspeita objetiva e fundada. Deve haver, ainda, uma relação de pertinência entre a prova pretendida, com as informações bancárias, e o objeto das investigações em curso. Isto é, deve ser demonstrado que a providência requerida é indispensável ao êxito das investigações. Cita doutrina e jurisprudência. A circunstância de a administração estatal acharse investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever de observar, para efeito do correto desempenho de tais prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da República. Ante todo o exposto, fica demonstrada a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, de modo que o montante, supostamente tributável, apurado em razão da ilegalidade apontada, deve ser desprezado para fins de tributação, já que o ato ilegal é nulo de pleno direito e, como tal, não pode produzir qualquer efeito ao impugnante, devendo o auto de infração ser declarado nulo ante as legalidades apontadas. 1.2. Do reconhecimento da inconstitucionalidade no processo administrativo fiscal Em decorrência do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o processo administrativo foi equiparado ao processo judicial, assegurandose a ambos o devido processo legal, com obediência ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 No princípio da ampla defesa inserese a garantia de enfrentamento de discussão relativa à inconstitucionalidade das leis. Se a autoridade administrativa tem convicção de que a norma é inconstitucional, é sua obrigação, como servidora da lei, fazer prevalecer a norma constitucional e não a lei inconstitucional. O enfrentamento da constitucionalidade da lei não significa a proclamação pela Autoridade Julgadora Tributária se a lei é ou não constitucional, mas em reconhecer e acatar a manifestação do Supremo Tribunal Federal, já pronunciada, acerca do assunto. Nesse sentido, vale destacar a redação do art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como visto alhures, a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n. 389.808PR tem sido admitida e acolhida por todos os Tribunais inferiores, ante o fato de competir ao Excelso Pretório a interpretação definitiva da Carta Magna. Nesse sentido, os efeitos dessa decisão conferem à causa a mesma natureza dos feitos submetidos ao regime de Repercussão Geral, razão pela qual é perfeitamente possível a aplicação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a fim de admitir o reconhecimento da inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário. Em sendo assim, requer seja declarada a nulidade, por vício de legalidade do processo administrativo em epígrafe. 2. Do Mérito 2.1. Da tributação decorrente da análise das movimentações financeiras do impugnante Repisa que é de se concluir pela ilicitude do procedimento do agente fiscal, ao obter as provas que culminaram no auto de infração, vez que não houve comprovação da existência de ordem judicial a amparar a quebra do sigilo bancário do impugnante. III Da ilegalidade da exação do ganho de capital com base na IN/SFR 84/01 Utilizando se de meios discricionários que desrespeitaram a ordem constitucional brasileira, o agente fiscal desconsiderou, arbitrariamente, os valores da terra nua de aquisição (2005) e alienação (2008) das declarações dos DIAT's do imóvel rural desapropriado, apresentados pelo antigo proprietário da área. Transcreve o art. 10 da IN nº 84/2001. Assim, e acordo com o dispositivo acima invocado, somente na ausência da DIAT, na qual deverá constar o valor da terra nua VTN, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 5 7 ser equiparados aos valores constantes dos respectivos instrumentos negociais, em nítido descompasso com a legislação de regência. A priori, vale ressaltar que a Administração Pública está incontestavelmente sujeita ao princípio da legalidade (CF, art. 37, caput), de modo que sua atuação normativa é totalmente vinculada aos limites da lei (CF, art. 84, ÍV), afora as exceções constitucionalmente previstas (CF, art. 84, VI). A Instrução Normativa é ato de competência ministerial que atende a uma necessidade sistemática exigida pela estrutura político administrativa adotada pela Constituição, restringindo seus efeitos à coordenação dos instrumentos do Poder Executivo com vistas a dar exequibilidade às leis, decretos e regulamentos, nos termos do disposto no art. 87 da CF/88. Desse modo, não há como a instrução normativa ser figura autônoma, criando, modificando ou extinguindo direitos e obrigações, sob pena de invadir seara alheia e malferir a ordem constitucional no que atine às competências e atribuições de cada Poder, não havendo como a Secretaria da Receita Federal baixar instrução normativa inovando no ordenamento jurídico, ou seja, implicando criação, modificação ou extinção de direitos ou deveres não estabelecidos em lei prévia. Assim, a Lei 9.393/96, ao adotar hipótese de lançamento por homologação e instituir o novo procedimento para o cálculo e recolhimento do ITR, válido a partir do exercício de 1997, estabeleceu que o VTN refletirá o preço de mercado das terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), instaurando processo de autoavaliação da terra nua. A Lei 9.393/96 estipulou que os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos, porque representativo do preço das terras Somente no caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o que não ocorreu no caso in voga, a lei especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras, de cuja viabilização encarrega o próprio Fisco (neste caso, o Sistema de Preços de Terras foi instituído por meio da Portaria SRF n.° 447/2002). Ocorre que o valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior e acatado pelo agente fiscal, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, caso em que não é albergada a hipótese dos autos. Desse modo, havendo idêntico valor da terra nua declarada nas DIAT’s de aquisição e alienação, não há que se falar em ganho de capital. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Além disso, a própria Instrução Normativa SRF 84/2001 demonstra lisura na operação de aquisição e alienação em relação aos valores da terra nua VTN declarados, da parte do imóvel desapropriado, não havendo o que se falar em ganho de capital. No que tange à alegação de que as DIAT’s entregues nos anos de 2008 e 2009 foram realizadas pelo antigo proprietário do imóvel rural, em nada altera a realidade fática documental dos autos, pois os valores declarados em ambos exercícios foram idênticos. Sopesadas as circunstâncias do caso, verificamos mais um exagero, considerar absolutamente imprestáveis as informações da DIAT dos exercícios de 2008 e 2009, como faz crer o agente fiscal. A um, porque ausente qualquer inexatidão ou fraude nos valores efetivamente declarados pelo antigo proprietário. A dois, porque se a própria Receita reconhece que a entrega do DIAT do ano de 2008 (considerado ano da venda do imóvel põr força do art. 24 da IN SRF 84/01) “sem precisar fazêlo”, tal como agiu o antigo proprietário, ficam reforçados os argumentos de que houve mero equívoco referente a uma obrigação acessória, e não uma conduta dirigida à obtenção de alguma vantagem. A três, porque, em se tratando de declaração relativa a um imposto real, a questão sobre quem prestou ou deveria ter prestado as informações pertinentes não assume maior relevância, máxime quando inexistente qualquer indício de má fé. Assim, para efeitos de apuração do valor da terra nua, não se pode dar por inexistentes as informações veiculadas na DIAT 2005 (data de aquisição) e na DIAT 2008 (data da alienação). Cita jurisprudência. Desta forma, o valor da escritura pública de desapropriação amigável, considerada como custo de aquisição pelo Agente Fiscalizador, deveria persistir exclusivamente se o imóvel rural fosse adquirido antes do ano de 1.997, o que não é a hipótese dos autos, devendo a presente sanção ser afastada integralmente, por falta absoluta de amparo legal. IV Da aplicação e efetividade da Súmula 42 do CARF O Agente Fiscal simplesmente ignorou o teor da Súmula 42, in verbis: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Ao contrário do que afirma o Agente Fiscal, essa súmula tem aplicação direta em todos os órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública, com efeito vinculante a todas as decisões, e obrigatoriamente deverão ser respeitados por todas as autoridades e fiscais do Brasil, sob pena de responsabilidade funcional. Com o intuito de pôr uma pá de cal neste tema, o Ministério da Fazenda publicou a Portaria 383, de 12 de julho de 2010, que não deixa margem a dúvidas sobre o efeito vinculante das súmulas do CARF. Portanto, inteiramente aplicável ao caso vertente a Súmula 42 do CARF. Cita jurisprudência administrativa. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 6 9 Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso da fazenda publica em ressarcilo (cita doutrina). É por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Cumpre trazer à baila os dispositivos constitucionais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXIV. a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da divida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. §5º. São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins. Entrementes, o simples fato de a Constituição Federal somente fazer referência à isenção no artigo 184, § 5°, da CF/88, não tem o condão de afastar o mesmo efeito no caso da aplicabilidade do artigo 5°, inciso XXIV, para a hipótese vertente, porque os dois dispositivos constitucionais se referem à desapropriação, conferindo às verbas pagas em virtude deste ato estatal natureza indenizatória, de reposição das perdas sofridas pelo contribuinte, um em razão de reforma agrária e outro em favor da necessidade ou utilidade pública. Nos dois casos, a vontade do Estado prevalece em detrimento da do contribuinte, pois na desapropriação, por qualquer das normas constitucionais suso mencionadas, o contribuinte não expressa sua vontade, não estabelece valor ao seu imóvel, ou seja, não parte deste o interesse na alienação do seu bem, ficando sujeito à vontade do Estado. Não se trata, pois, de simples ato de alienação de bem imóvel, onde as partes transigem, negociam, com o fito de se chegar a um denominador comum, mas, sim, de uma retirada forçada de propriedade, em defesa de bem maior comum à sociedade, razão pela qual o contribuinte é indenizado por tal conduta. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Aliás, referida matéria fora objeto, inclusive, da Súmula n° 39 do extinto Tribunal Federal de Recursos, nos seguintes termos: Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica/física, em decorrência de desapropriação amigável ou judiciária. Da mesma forma o artigo 161 da Constituição Federal de 1988, ao autorizar a desapropriação de propriedade territorial rural, estabelece a obrigatoriedade de "justa indenização". Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado (cita jurisprudência). Diante de todo o exposto, o Impugnante protesta pela devida acuidade na apreciação desses fundamentos jurídicos a fim de afastar integralmente o ganho de capital auferido ilegalmente pelo Agente Fiscal, declarandose nulo o auto de infração em razão da quebra de sigilo do Impugnante, ou mesmo, improcedente por falta absoluta de amparo legal da exação que ensejou a presente autuação. Do pedido: Ex positis, demonstradas as ilegalidades e arbitrariedades perpetradas contra o impugnante em todo o procedimento de fiscalização, melhor sorte não há senão o acolhimento das preliminares supra arguidas, declarando se o Auto de Infração nulo pelas ilegalidades apontadas, ou mesmo, julgando integralmente improcedente o lançamento tributário auferido pelo Agente Fiscal, como medida de lídima e escorreita justiça! A DRJ ao apreciar as razões do recorrente julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2008 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 7 11 fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. Comprovado, pela documentação acostada aos autos, que o contribuinte auferiu ganho de capital na alienação de imóvel rural que não ofereceu à tributação, cabe manter a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Objetivamente o Auto de Infração, a exigência decorreu de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel rural, conforme Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, parte integrante do auto de infração (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 167), com aplicação de multa no percentual de 75%. De acordo com os autos, Em 08/09/2009, antes mesmo da transferência definitiva da propriedade ao contribuinte, o que só veio a ocorrer em 16/10/2009 (folha 06 da matrícula 49.088), foi lavrada pelo Tabelionato Traci Batista dos Santos de Três Lagoas MS, Escritura Pública de Desapropriação Amigável, em que consta que a Prefeitura de Três Lagoas MS desapropriou a área de 3.300,0011 hectares, denominada Parque Natural Municipal do Pombo, correspondente à matrícula 56.775 do CRI de Três Lagoas MS, resultante do desmembramento da matrícula 49.088. Para o deslinde da questão colocada em controvérsia nestes autos, é preciso saber se seria possível à União exercer sua competência impositiva, exigindo o imposto de renda sobre a diferença apurada entre o custo de aquisição do imóvel do recorrente e o valor por ele recebido a título de indenização pela desapropriação do referido bem. Na lição do jurista CARLOS AUTRAN MASSENA “A desapropriação, instituto de direito público, é uma das garantias constitucionais do direito de propriedade.” (cfr. Desapropriação, Editora Rio, 1976, pág. 11). Como já dá para perceber, a desapropriação é instituto que deve ser enxergado pela ótica constitucional, desprezandose qualquer outra norma, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. É a própria Constituição Federal, portanto, que assegura aos expropriados a justa e prévia indenização em função da desapropriação de bem imóvel por necessidade pública ou interesse social. Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso da fazenda Pública em ressarcilo. Como bem destaca HELY LOPES MEIRELLES, “A indenização justa é a que cobre não só o valor real e atual dos bens expropriados, à data do pagamento, como, também, os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário, decorrentes do desalojamento do seu patrimônio. Se o bem produzia renda, essa renda há de ser computada no preço, porque não será justa a indenização que deixe qualquer desfalque na economia do expropriado. Tudo que compunha seu patrimônio e integrava sua receita há de ser reposto em pecúnia no momento da indenização; se o não for, admite pedido posterior, por ação direta, para complementarse a justa indenização. A justa indenização inclui, portanto, o valor do bem, suas rendas, danos emergentes e lucros cessantes, além de juros compensatórios e moratórios, despesas judiciais, honorários de advogado e correção monetária” grifos do original (cfr., Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 25ª edição, 2000, pág. 565). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 8 13 Como se vê, a doutrina é suficiente clara ao entender que justa indenização é expressão que só admite ampla interpretação, sob pena de desvirtuar os desígnios do legislador constituinte. Para a indenização ser justa, é preciso que nela também estejam compreendidos todos os valores que efetivamente repõem a perda suportada pelo beneficiário dos rendimentos. É exatamente por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Deve ser observado que, se fosse possível a exigência do imposto sobre os rendimentos decorrentes de desapropriações, inegavelmente ocorreria uma redução indevida no valor indenizado, igualmente desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização. Essa matéria já possui entendimento sumulado no CARF: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Assim, entendo não ser cabível a exigência do imposto de renda sobre a os rendimentos em decorrência de desapropriações, seja pela sua natureza eminentemente indenizatória, seja porque o tributo iria desfalcar o preço, desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização em dinheiro. Compreendo a indignação expressa no Termo de Verificação Fiscal, pela autoridade autuante, e que gozou da empatia da autoridade de primeira instância. Reconheço que é de causar estranheza que um imóvel recentemente adquirido e sobre o qual não se quitou completamente o pagamento, possa ter parte deste desapropriado, por um valor significativamente superior, num período imediatamente posterior. Inobstante o ganho extraordinário evidente do recorrente, o fato concreto é que a luz da jurisprudência administrativa e judicial, o eventual ganho de capital em desapropriações não são fatos geradores tributáveis. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11131.721131/2012-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA.
As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada.
CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA.
O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo).
DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS.
Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236-IFP/RJ.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada. CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA. O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236-IFP/RJ. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 8.472 1 8.471 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.721131/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.127 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria AIADUANA Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TECIDOS E CONFECÇÕES SÃO FRANCISCO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada. CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA. O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 11 31 /2 01 2- 05 Fl. 8472DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236IFP/RJ. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 25/10/2012 (fls. 8159 a 8252, com ciência pessoal em 08/11/2012 fl.81601), para exigência de Imposto de Importação (em função de apuração de valor aduaneiro superior ao declarado nas DI de fls. 8161 a 8164) acrescido de multa de 150% e juros de mora, de multa por falta de licença de importação e de multa por classificação fiscal incorreta (em função de descrição incompleta e classificação incorreta na NCM 5211.32.00, de licenciamento dispensado, quando o correto seria na NCM 5211.42.90, sujeita a licenciamento nãoautomático, em relação às DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001), de multa por omissão ou informação inexata ou incompleta (nas DI de fls. 8166 a 8171), e de multa substitutiva de perdimento (pela utilização de faturas comerciais falsas em importações). São ainda exigidas a contribuição para o PIS/PASEPimportação e a COFINSimportação decorrentes, em auto de infração lavrado e cientificado na mesma data (fls. 8211/8212 e 8231/8232), também com multa de 150% e juros de mora. O total da primeira autuação é de R$ 23.114.480,56, sendo R$ 22.807.354,44 referentes à multa substitutiva de perdimento. Nas outras duas autuações, os totais são, respectivamente de R$ 13.267,81 e R$ 61.117,00. No Relatório Final de Procedimento Fiscal de fls. 8085 a 8158, narrase basicamente que: (a) a fiscalização se fundamenta em documentos e informações obtidas da empresa fiscalizada, em sistemas informatizados da RFB e em pesquisas na web; (b) o foco da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8473DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.473 3 fiscalização era nas importações efetuadas nas NCM 5210.19.10, 5211.32.00, 5512.19.00, 5513.2390, 6005.34.00, 6006.31.00, 6006.32.00, e 6006.34.00, registradas de 31/07/2007 a 31/12/2010; (c) após intimações, restaram sem apresentação os documentos referentes à negociação das mercadorias, e catálogos/informações técnicas sobre os produtos importados, livros de apuração de IPI e Registro de Apuração e controle de estoque; (d) a empresa tem capital social integralizado de R$ 150.000,00 (sendo os sócios Orlando Tadeu Bastos Fonseca/99% e Izabella Fonseca/1%); (e) a empresa registrou, entre 2007 e 2010, 340 importações (e nenhuma exportação), sendo 212 nas classificações acima relacionadas, totalizando US$ 16.528.237,06, sendo 62% das operações selecionadas para o trabalho fiscal; (f) apesar de registrar receita bruta de aproximadamente 102 milhões de reais (correspondendo as importações a aproximadamente 40% das receitas declaradas), a empresa não informou a entrada de mercadorias do mercado externo nas DIRPJ dos anoscalendários de 2007 a 2009; (g) a descrição incompleta ficou caracterizada nas DI no 09/04675402/001 e no 09/0467544 55/001 (nas quais não consta o tipo de beneficiamento do tecido: cru, branqueado, tinto, estampado, de fios de diversas cores ou outros, sendo que tal descrição é indispensável para a classificação fiscal nas diversas subposições da posição 5211 da NCM, e exigida expressamente no Anexo único do ADE Coana no 02/2005) e nas DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001 (para as quais, além da questão referente à incompletude nas informações, o erro de classificação ensejou necessidade de licença de importação); (h) a falsidade das faturas comerciais instrutivas “evidenciouse em razão da divergência entre informações delas constantes em relação a outros documentos” (escrituração fiscal digitalEFD, faturas proforma, contratos de câmbio e swifts, entre outros), e pela apresentação à fiscalização de duas vias de fatura (invoice) de mesma numeração; (i) intimada a se manifestar sobre as divergências, a empresa não as justifica nem apresenta documentação que comprove as transações; (j) a inidoneidade das faturas estendese aos conhecimentos de transporte apresentados para instrução das DI; (k) o subfaturamento se comprovou por pagamentos informados pela empresa em valores superiores aos constantes nas faturas; (l) em relação ao exportador panamenho “SHELMOR TEXTILES” (intermediário constante nas importações de tecidos fabricados pela “ZHEJANG HENGXIN TEXTILES”), as 103 importações (quase todas originárias e provenientes da China) foram instruídas com faturas comerciais falsas (nas quais o mesmo signatário, por exemplo, assina de forma diferente); (m) o detalhamento das falsidades encontradas, de forma individualizada/agrupada, por faturas consta às fls. 8096 a 8121), mas pode ser sintetizado da seguinte forma: as faturas recorrentemente eram de valores e com descrições diferentes dos fornecidos para fins de licenciamento, e das faturas “proforma”, e não conferiam com os pagamentos efetuados, além de existirem diferentes assinaturas por um mesmo signatário; (n) nas importações efetuadas de outros fornecedores estrangeiros,os preços praticados eram inferiores aos das outras importadoras do mesmo fornecedor, e as faturas de diferentes empresas apresentam mesma forma de composição numérica, também existindo assinaturas diferentes para um mesmo signatário, conforme detalhamentos individualizados/agrupados de fls. 8122 a 8151; (o) sendo aplicável o perdimento, na impossibilidade de apreensão das mercadorias (verificada a partir de resposta da empresa sobre a destinação dada às mercadorias) aplicase multa substitutiva no valor aduaneiro das mercadorias; (p) no cálculo dos tributos e penalidades, foi considerado o valor aduaneiro declarado ou apurado nos termos dos arts. 75 e 77 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (demonstrativos de fls. 7956 a 7967163 DI; e 7968 a 7980135 DI com falsidade na fatura); e (q) foi efetuada representação fiscal para fins penais pelo cometimento, em tese, dos crimes previstos nos arts. 298 e/ou 299 do Código Penal e no inciso I do art. 1o da Lei no 8.1371990. A empresa apresenta impugnação à autuação em 10/12/2012 (fls. 8259 a 8309), alegando, em síntese, que: (a) não há prova de subfaturamento nos autos, nem provas Fl. 8474DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 de remessas ilegais ou em valores superiores aos contratados com o exportador estrangeiro; (b) a grande maioria das variações apontadas se refere a descontos comerciais negociados com o exportador, em função das substanciais variações cambiais no período; (c) no demonstrativo de valor apurado, há indicação de “subfaturamentos em valores irrisórios” (v.g. subfaturamento de R$ 748,26 em uma importação com valor aduaneiro de R$ 145.007,60, e de R$ 1,35 em uma DI com valor aduaneiro de R$ 1.846,07, num total subfaturado de 0,4% (R$ 2.482,40 em R$ 550.961,67) em 16 DI apontadas, sendo “inimaginável que a impugnante tivesse o dolo para praticar a fraude, em valor tão ínfimo, como relatado pela fiscalização”; (d) o fato de haver divergências entre a fatura comercial e a fatura proforma não comprova a existência de subfaturamento (v.g. as diferenças em relação à DI no 08/00925186, que se deveram a fechamento do negócio em quantidade menor que a prevista na “proforma”); (e) a autoridade fiscal adotou procedimentos diferentes para casos idênticos, na análise dos documentos apresentados, às vezes considerando e às vezes desconsiderando anotações manuscritas em faturas (v.g. análise das DI no 08/18032485 e DI no 08/00925186); (f) há equívoco no demonstrativo de valor aduaneiro apurado em relação à DI no 09/13444825 (que, em verdade, está tratando da DI no 09/13974972; (g) a autoridade aduaneira desconhece a realidade das transações comerciais de tecidos, onde é usual o pagamento antecipado, assim como divergências em relação às importações efetivadas, sendo em um mesmo contrato de câmbio normalmente vinculadas mais de uma importação (na prática, o que se vê é um conta corrente entre importador e exportador, havendo um acerto de contas em negociações futuras, o que não é ilegal nem fere as normas do BACEN); (h) a simples diferença entre os valores constantes no contrato de câmbio e na fatura não devem ser base exclusiva para a alegação de subfaturamento; (i) a autuação com base em meros indícios/presunções fere a verdade material; (j) é inimaginável que um importador, agindo com dolo, venha apresentar à fiscalização todos os elementos de sua prática ilícita; (k) em relação às DI no 09/1630255 0/001 e no 10/01010185/001 (para as quais, além da questão referente à incompletude nas informações, o erro de classificação ensejou necessidade de licença de importação), entre outras, a classificação fiscal não foi incorreta, não podendo ser usada a descrição na EFD (nome comercial do produto) para descaracterizar o declarado na DI (e, ainda que houvesse o erro de classificação, ele não deve ser penalizado, conforme jurisprudência do CARF); (l) em relação às “descrições incompletas”, se a fiscalização tivesse dúvidas em relação aos tecidos, deveria ter solicitado laudo técnico, não podendo em função de anotações manuscritas entender como caracterizada a falsidade nas faturas; (m) a fiscalização baseia suas conclusões sobre termos técnicos, como TACTEL, exclusivamente em sítios da internet (em oposição, v.g., a parecer técnico de engenheiro em outras importação da empresa), e eventual incompletude ou incorreção não traria vantagem tributária alguma, no caso; (n) a falsidade apontada em 161 faturas comerciais são das mais variadas espécies, sendo que para a grande maioria, a “falsidade” decorre de divergências entre a fatura comercial e a fatura proforma (que é mera proposta de negócio, que pode inclusive não acontecer), ou de subfaturamento (que não foi comprovado, e, mesmo que fosse, ensejaria penalidade diversa, conforme entendimento do STJ); (o) “para que se caracterize a falsidade, pressupõese a existência do elemento dolo”; (p) ao comparar os preços com os praticados por outros importadores, a fiscalização deixou de considerar as quantidades e os períodos de embarque, e, mesmo assim, caracterizou subfaturamento (e falsidade) pelo fato de os preços estarem, v.g., 4,84%, ou 0,34% abaixo dos demais praticados, o que viola a legalidade, a proporcionalidade e a razoabilidade; (q) em relação às diferentes assinaturas de um mesmo exportador, não há nos autos nenhuma prova grafotécnica, não tendo o fiscal condições técnicas de concluir sobre o tema, e a empresa já solicitou ao exportador que indique quem assinou cada fatura, o que seria encaminhado pela empresa ao julgador, futuramente; (r) ainda que houvesse falsidade ideológica, seria inaplicável a pena de perdimento, por contrariar o princípio da vedação ao confisco; e (s) não há fundamentação nos autos para o agravamento da multa (levada ao patamar de 150%), e o intuito de fraude deve ser comprovado, não podendo ser imputado por presunção. Fl. 8475DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.474 5 A decisão de primeira instância é proferida em 23/05/2013 (fls. 8339 a 8391), no sentido de que: (a) a qualificação da multa (150%) deve ser mantida, por restar comprovada a fraude (art. 72 da Lei no 4.502/1964), tendo a empresa exercido seu direito de defesa sobre a matéria; (b) houve pagamentos efetuados em valores superiores aos declarados nas faturas comerciais, caracterizando o subfaturamento, não podendo ser aceita a alegação de descontos ou problemas cambiais, visto que desamparada de documentos comprobatórios idôneos; (c) houve, assim, subfaturamento em todas as DI apontadas no subitem 4.2.1.1. do Relatório Fiscal, exceto a DI no 09/00830403, na qual houve somente “inidoneidade da fatura”, igualmente punível com o perdimento; (d) na DI no 09/13444825 não houve subfaturamento, somente falsidade, devendo em relação a ela ser exonerada a exigência de tributos; (e) a fiscalização provou o alegado, não havendo sido o auto lavrado por indícios ou presunções, nem violada a verdade material, visto que as negociações entre importador e exportador devem ser consignadas documentalmente; (f) houve incorreção na classificação adotada nas DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001 (tendo a empresa sido anteriormente sido autuada pelo mesmo motivo); (g) em relação à incompletude nas informações, agiu com acerto a fiscalização, e a empresa, mesmo intimada, não apresentou qualquer informação adicional, e as informações retiradas da internet pelo fisco (em relação a TACTEL) são corroboradas por órgão oficial da ABIT; (h) não é preciso ser “expert” para constatar com segurança que as assinaturas (v.g. as das faturas 61 e 74) são diferentes; e (i) a multa substitutiva do perdimento tem previsão legal, não podendo ser afastada pelo julgador administrativo sob fundamento de inconstitucionalidade. Cientificada da decisão de piso em 20/06/2013 (AR à fl. 8411), a recorrente apresenta em 19/07/2013 (fls. 8412 a 8468) Recurso Voluntário, no qual basicamente reitera as argumentações externadas em sede de impugnação, acrescentando que houve descumprimento das regras de valoração aduaneira estabelecidas pelo AVA/GATT, e que o julgador de piso praticamente desconsiderou as razões expressas na impugnação, e limitouse a repetir as alegações constantes do Auto de Infração. Junta ainda carta do fornecedor “SHELMOR TEXTILES” (com tradução juramentada) na qual este confirma que todas as assinaturas apostas nas faturas são realmente suas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São temas controversos no presente processo: (a) a incorreção em classificação fiscal, ensejadora de ausência de LI para a classificação correta (em 2 Declarações de ImportaçãoDI); (b) a incompletude/inexatidão de informações prestadas em declarações de importação; e (c) a existência de falsidade em faturas comerciais, ensejadora da pena de perdimento, substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (com falsidade que não afeta o valor aduaneiro, e, em alguns casos, com subfaturamento ou ajuste do valor aduaneiro). A exigência de tributos nos presentes autos não é autônoma, mas decorrente Fl. 8476DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 de importações com subfaturamento ou ajuste do valor aduaneiro. O resumo das infrações imputadas nas 162 DI objeto da autuação se encontra às fls. 7947 a 79552. 1. Da classificação fiscal (e seu impacto no licenciamento) As duas DI objeto da autuação por erro de classificação são as DI no 09/16302550 (adição 001) e no 10/01010185 (adição 001). Na autuação (itens 002 e 003 fls. 8164/8165), afirmase que as mercadorias em tais DI foram descritas de forma incompleta e classificadas incorretamente no código NCM 5211.32.00, em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), quando o correto seria o código 5211.42.90 (que exige tratamento administrativo de licenciamento nãoautomático), conforme RGI/SH no 1 e no 4 e RGC no 1. E que a classificação incorreta deu ensejo à importação de mercadoria sem o devido licenciamento por parte da SECEX, sendo cabíveis, assim, as multas por erro de classificação (art. 84, I da Medida Provisória no 2.15835/2001) e por ausência de licença de importação (art. 169, I “b” do DecretoLei no 37/1966). No Relatório Final de Procedimento Fiscal (fls. 8088 a 8091), a fiscalização aponta casos anteriores de incorreção na classificação, retificados no curso do despacho aduaneiro, com pagamento de multas (DI no 09/15021093/001; no 09/17631140/001; no 09/14855462/001002; no 08/13469257/001002 e no 08/14107650). Em relação às duas DI objeto da autuação, ambas tratam de mercadoria descrita como “tecidos plano misto, composto por 81% algodão, 18% poliéster e 1% elastano em ponto de sarja com relação de textura de 03 fios, título: urdume 606 dtex e trama: 258dtex” (NCM 5211.32.00). A descrição é incompleta, por não discriminar o beneficiamento dos tecidos. A fiscalização narra ainda que nos registros de entrada da escrituração fiscal digital (EFD), tais tecidos importados são identificados como “INDIGO LYCRA 198A BLUE”. Com base em tal identificação, e em pesquisa em sítio web (www.casapinto.com.br), a fiscalização conclui que o tecido corresponde ao denominado tecido “denim”, utilizado para vestuários popularmente designados por “jeans”. E, a partir da conclusão, aplica as RGI/SH no 1 e no 4. “RGI/SH no 1: Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...) RGI/SH no 4: As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes.” (grifo nosso) Não há controvérsia em relação à RGI/SH no 1, visto que a classificação declarada pela empresa também é na posição 5211. E, sabendose a posição, partese para a RGI/SH no 6: 2 A tabela de fls. 7947 a 7955 contém 301 linhas porque traz as infrações agrupadas por adição, e não por DI. Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.475 7 “RGI/SH no 6: A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” (grifo nosso) O texto da subposição declarada pela empresa (5211.32) dispõe: “tecidos de algodão contendo menos de 85%, em peso, de algodão, combinados, principal ou unicamente, com fibras sintéticas ou artificiais, com peso superior a 200g/m2. Tintos. Em ponto sarjado, incluído o diagonal, cuja relação de textura não seja superior a 4”. E texto da subposição que a fiscalização considera correta dispõe, de forma diversa (5211.42): “tecidos denominados denim”. Parece, assim, que a fiscalização tomou como correta a informação da nota de entrada (EFD), chegando à conclusão de que “ÍNDIGO BLUE” é semelhante a “denim”, e que por semelhança (RGI/SH no 4), a mercadoria seria classificada na subposição 5211.42. E seguiu aplicando a RGC no 1, do MERCOSUL: “RGC no 1: A As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível”. (grifo nosso) Com base nesse comando (e no Ato Declaratório Executivo Coana no 22/2005, que trata das informações necessárias para descrição completa de têxteis) chegou o fisco à classificação entendida como correta: 5211.42.90. Vêse que o raciocínio empreendido pelo fisco encontra obstáculos exatamente no ponto em que toma como correta a informação da EFD, ao invés da registrada na DI, sem motivação específica (afinal de contas, qualquer uma das duas poderia ser a incorreta). Nas palavras do fisco (fl. 8091): “Em razão da fidedignidade de que deve ser revestida a EFD que registra a movimentação das mercadorias (codificação atribuída pela empresa) estoque e vendas, configurase a efetividade da descrição das mercadorias constante da EFD” Crêse, contudo, que a principal motivação para que a fiscalização duvidasse da correção da descrição da mercadoria na DI (acreditando na EFD) é a externada ao final do tópico referente a classificação fiscal (item 4.1.2 do Relatório Fiscal, p. 8092/8093): “Ressaltamos que, conforme especificado no item 4, alínea “b”, no curso do despacho aduaneiro da DI no 09/17631140 (fls. 4.849/50) foi constatado que a mercadoria originalmente descrita identicamente a essas duas DI, também classificada pelo importador no código tarifário da NCM 5211.32.00, na verdade era tecido plano denim com fios de trama sem tingimento (crus) e fios de urdume tintos em índigo blue (c.i. 73000), classificados no código tarifário da NCM 5211.42.10”. (grifos no original) Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 A motivação se mostra razoável, principalmente diante do comando do art. 68 da Lei no 10.833/2003: “Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. (grifo nosso) Poderia então o fisco presumir que a mercadoria era idêntica à da DI no 09/17631140, classificandoa na NCM 5211.42.10, passando a ser ônus do importador apresentar prova em contrário. Mas não o fez, entendendo ser correta uma terceira classificação, sem motivação explícita e justificada: 5211.42.90. Entendese, assim, não haver fundamento técnico para a classificação adotada pelo fisco na autuação em relação às DI no 09/16302550 (adição 001) e no 10/01010185 (adição 001), pelo que deve ser afastado o lançamento das multas por erro de classificação e, por decorrência, das multas relativas a ausência de licenciamento, decorrentes da reclassificação. É de se destacar, por fim, em relação a classificação fiscal, que embora se esteja afastando aqui o lançamento para as citadas DI, estáse longe de concordar com as afirmações da recorrente de que “o fisco só pode dar nova classificação de mercadoria importada se houver laudo técnico que embase a reclassificação pretendida” (fl. 8440), e que “a correta descrição da mercadoria na DI não enseja penalidade” (fl. 8441). A primeira afirmativa é absolutamente improcedente, não sendo a existência de laudo técnico uma condição necessária para reclassificação (prova disso é o próprio comando do citado art. 68 da Lei no 10.833/2003). E a segunda reflete entendimento em relação a legislação já revogada, como se depreende da jurisprudência trazida no recurso voluntário. 2. Das incorreções nas informações prestadas na declaração de importação Outra imputação da autuação é a de que houve incompletude ou incorreção na descrição declarada das mercadorias, em relação às DI relacionadas às fls. 8166 a 8171, nas quais estão também incluídas as duas DI descritas no item 1 deste voto, referente a classificação fiscal: no 09/16302550 e no 10/01010185. A multa aplicada para tal conduta é a prevista no art. 69 da Lei no 10.833/2003: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.476 9 omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque.” (grifo nosso) E a multa referida no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001 dispõe: “Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis.” (grifo nosso) No Relatório Final de Procedimento Fiscal são detalhadas as incompletudes/incorreções. Em relação às DI no 09/04675402, no 09/04675445, no 09/16302550 e no 10/01010185, referidas no item 4.1 do Relatório (fls. 8092/8093), a conduta imputada é a de incompletude, em função do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) Coana no 22, de 23/09/2005, que dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Tal ADE estabelece, em seus arts. 1o e 2o: “Art. 1o A descrição completa de fios e tecidos, importados ou exportados, classificados nos Capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), compreende a informação das características relacionadas no Anexo Único a este Ato Declaratório. Parágrafo único. A descrição da mercadoria aplicase ao item, dentro de cada adição da declaração de importação ou de exportação. Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Art. 2o Considerase incompleta a descrição da mercadoria que não atender ao disposto no art. 1o, caracterizando a infração prevista no § 1o combinado com o inciso III do § 2o, ambos do art. 69 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no caso de falsa declaração de conteúdo.” Assim, ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). Não se está aqui a discutir matéria tributária, mas controles aduaneiros (que vão muito além do aspecto tributário). Vejase que a multa é por “omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”. Assim, já de início é de se afastar a argumentação da recorrente de que não teve vantagem tributária alguma, ou ocasionou dano ao Erário com as incompletudes. A recorrente, ao invés de questionar o teor do ADE, ou informar que de fato cumpriu suas disposições, alega que “a grande maioria das ditas incompletude ou incorreção (sic) está relacionada por identificação, pela fiscalização, de anotações manuscritas nas Notas Fiscais de Entradas”(fl. 8442), passando a discutir a terminologia “TACTEL”, entre outras, e novamente afirmando que “para a desclassificação de tais descrições seria necessária a apresentação de um laudo técnico” (fl. 8443). A peça recursal não refuta a contento a imputação em relação às quatro DI citadas no item 4.1 do Relatório (DI no 09/04675402, no 09/04675445, no 09/16302550 e no 10/01010185), que tratam de incompletude em face do ADE, devendo em relação a elas ser mantido o lançamento da multa por prestação incompleta de informações. E o afastamento do erro de classificação, efetuado no item 1 deste voto, em relação às DI no 09/16302550 e no 10/01010185, não prejudica a manutenção da multa por prestação incompleta de informações, infração de teor diverso, e perfeitamente tipificada, no caso. Falta, no entanto, analisar as DI/adições restantes. E nelas brota a confusão efetuada pelo fisco entre a incorreção/inexatidão e a falsidade. Afirma a fiscalização já no início do item 4.2 do Relatório que “a divergência entre a descrição do tecido importado contida na EFD e na invoice instrutiva da DI configura além da descrição incorreta, a falsidade ideológica da invoice instrutiva” (fl. 8093). Sobre a falsidade se tratará no item seguinte deste voto (3), mas desde já se deve esclarecer que diante de falsidade na descrição da mercadoria, não há que se apenar a conduta de inexatidão/incompletude (como sugere o próprio parágrafo único do art. 2o do citado ADE). Assim, nas DI em que se aplicam as duas penalidades, só deve ser mantida a multa por prestação incompleta/inexata de informações se afastada a falsidade na descrição. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. Fl. 8481DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.477 11 Pelo quadro de fls. 7947 a 7955 (“Demonstrativo de Infrações”), percebese, em relação às DI/adições restantes, nas quais se constatou “incompletude ou inexatidão da descrição detalhada da mercadoria”, que na maioria dos casos se detectou ainda “falsidade da invoice instrutiva”, ou ainda “falsidade da invoice instrutiva e subfaturamento do valor declarado das mercadorias”. Assim, as demais DI/adições serão analisadas dentro dos itens seguintes, quer seja a conduta evidenciada afeta a falsidade ou a incorreção. 3. Da falsidades (e incorreções) apontadas pelo fisco Cabem considerações, logo de início, sobre alguns excertos da autuação que revelam uma compreensão equivocada do que seja revelador de “falsidade”. Ao iniciar o tópico “Da falsidade das faturas comerciais instrutivas” do relatório fiscal (fl. 8093), afirmase que: “A falsidade das commercial invoices / faturas comerciais evidenciouse em razão da divergência entre informações delas constantes em relação a outros documentos, Escrituração Fiscal Digital – EFD, faturas proformas, contratos de câmbio / swifts e outros elementos explicitados no caso concreto” E seguese apontando jurisprudência deste CARF sobre falsidade ideológica, que sequer trata de divergência entre EFD e fatura, ou da relação entre as divergências e a falsidade. A confusão persiste quando se entende como indicador de falsidade a divergência com a fatura proforma (que sequer representa documento instrutivo, ou representativo da integridade/definitividade da transação). Totalmente infundada, assim, a conclusão do fisco retirada de trecho de frase de resposta da empresa autuada (fl. 8094), no sentido de que: “...as proformas invoices comprovariam as negociações feitas. Divergências entre essas e as invoices revelam a inidoneidade desses documentos (sic)”. Por óbvio, nem a declaração da empresa nem excerto de explicação do sítio dos correios (trazido na autuação) tornam a fatura proforma um documento comprobatório de transações, e oponível à fatura para reconhecêla falsa. Tais considerações revelam a dificuldade da fiscalização em discernir a “falsidade” da “incompletude ou inexatidão”. Erra ainda o fisco ao afirmar (fl. 8093) que: A falsidade ideológica de invoice instrutiva de DI evidenciase também pela apresentação a esta fiscalização de duas vias da invoice de mesma numeração da invoice instrutiva da DI e da divergência entre a descrição do tecido importado e outras informações constantes de proforma invoice e invoice instrutivas de DI. Fl. 8482DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 Havendo duas faturas comerciais de diferentes teores para uma mesma importação, estáse diante de falsidade material. E a divergência entre a fatura e outras informações não a torna necessariamente falsa (ou verdadeiras tais “outras informações”). Se, por um lado, peca o fisco ao tecer considerações gerais sobre a falsidade, é de se salientar que no tratamento específico há condutas graves imputadas na autuação, a exemplo da já citada existência de duas faturas para uma mesma operação. 4. Da análise individualizada/ agrupada das Declarações de Importação SHELMOR TEXTILES Passase assim a analisar as demais declarações de importação (DI) que foram especificamente objeto da autuação, iniciando pelas importações efetuadas do fornecedor estrangeiro SHELMOR TEXTILES (item 4.2.1 do Relatório Fiscal fls. 8095 a 8121). O fisco, em relação às DI citadas no item 4.2.1.1 do Relatório Fiscal (DI no 08/13469230, no 08/13469249, no 08/15670871; no 08/15743658; no 08/16514156; no 08/16520873; no 08/16528815; no 08/16603361; no 08/16703978; no 08/17013789; no 08/17428679; no 08/17428687; no 08/17687534; no 08/18027287; no 08/18028461; no 08/18032485; no 08/20144414 e no 09/00830403 fls. 8096 a 8103), detecta haver divergência entre os valores constantes nas faturas comerciais e aqueles remetidos ao exterior. A empresa justifica as diferenças por meio de planilha que teria créditos decorrentes de pagamentos realizados a maior em tais importações, e utilizados para pagamento das mercadorias importadas por meio da DI no 09/00830403, em decorrência da crise cambial de 2008. A planilha não é aceita pelo fisco, por estarem seus dados em contradição com as informações prestadas à SECEX, para efeitos de licenciamento, e à RFB nas declarações de importação (sendo os pagamentos a maior efetuados depois da emissão das faturas e do embarque das mercadorias, quando o valor final das mercadorias já era conhecido). A DRJ mantém a autuação em relação a tais declarações, expressando que “não é plausível que, em uma negociação internacional, somente uma parte, em controle próprio, faça o acompanhamento dos descontos”, o que é refutado pela recorrente ao argumento de que “tanto não o é (plausível) que todas as negociações e descontos realizados nas operações foram previamente acordados entre a ora peticionante e seus fornecedores”. E a prova de que foram acordados seria o fato de que na DI no 09/00830403 (valor de US$ 92.120,00) foram efetuados apenas dois pagamentos, nos valores de US$ 9.285,08 e US$ 50.355,50). A seguir são detalhadas 17 destas 18 declarações de importação. Não foi encontrado no Relatório Fiscal o detalhamento específico da imputação em relação à DI no 08/16520873 (que, segundo a autuação e a planilha de fls. 7947 a 7955 seria “falsidade da invoice instrutiva”). Afastase, assim, de plano, a penalidade aplicada em tal DI, por ausência de especificação da motivação do lançamento. (A) DI no 08/13469230, no 08/13469249, no 08/15670871 e DI no 09/00830403 Para as três primeiras DI (no 08/13469230/adições 001 e 002; no 08/13469249/adições 001 e 002; e no 08/15670871/adições 001 e 002) a conduta imputada é Fl. 8483DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.478 13 de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria”. Como afirmamos de início, consideramos insuficiente para caracterização da falsidade a divergência entre a fatura e a proforma. Para as três DI em análise a fiscalização informa ainda (fl. 8097/8098) que havia divergência entre os dados informados para obtenção de licença de importação e aqueles prestados ao fisco, o que constituiria tentativa de importação de mercadoria com burla aos controle administrativos, mas que após a obtenção de licenças de importação substitutivas as importações foram, ao final, autorizadas exatamente para as mercadorias descritas nas faturas comerciais. Não houve, assim, fuga ao controle administrativo (tendo existido, no máximo, a obtenção de licença de importação após o embarque, objeto de multa específica, que parece ter sido aplicada antes do desembaraço da mercadoria, pelo que depreende do segundo item do quinto parágrafo da fl. 8091). Resta, de irregularidade, somente a remessa em valor diferente do constante na fatura, que a empresa justifica como desconto em função da crise cambial. Contudo, a justificativa não encontra amparo documental, e, mesmo que encontrasse, tal “ajuste” de valor não poderia simplesmente ser efetuado em controle paralelo, mas sim no corpo das próprias declarações de importação, na forma prevista no Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT). Para tais DI, da mesma forma pela qual se conclui inevitavelmente que errou o importador (existindo ou não de fato o referido desconto), não se consegue, com os elementos trazidos pelo fisco, chegar à conclusão de que as faturas eram “falsas”, tendo o importador ali inserido os dados com convicção de que não refletiam a operação efetivamente concretizada, de modo a ensejar a aplicação da pena de perdimento com base no inciso VI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966. Não se configura, assim, nem falsidade nem subfaturamento. Com os elementos colacionados, chegase, no máximo, à conclusão de que as informações eram incorretas/inexatas, cabendo a exigência das diferenças de tributos em relação aos valores corretos (além de encargos/multas cabíveis), a serem obtidos também de acordo com as regras pactuadas pelo Brasil no âmbito do GATT (visto que não se evidencia, no caso, fraude, sonegação ou conluio, elementos que permitiriam a aplicação do disposto no caput do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835). Ao final do Relatório Fiscal (fl. 8156), informase que “no cálculo dos tributos e penalidades foi considerado o valor aduaneiro declarado ou apurado apresentado nos Demonstrativos de Valor Aduaneiro Declarado e Apurado (fls. 7956/85), nos termos do disposto nos artigos 75 e 77 do Regulamento Aduaneiro/2009)”. Utilizouse, então, a fiscalização, das disposições do GATT, a princípio. Em relação às três declarações de importação que aqui se analisa, extraemse do referido demonstrativo (fl. 7982) os seguintes montantes em relação ao valor da mercadoria na condição de venda (VMCV) declarado e apurado (constituindo a diferença entre eles os montantes efetivamente remetidos e vinculados às importações “Pag. a maior”), e, por consequência, após as deduções e acréscimos (que não são objeto de contencioso) o valor aduaneiro (VAbase de cálculo do imposto de importação) declarado e apurado: DI Adição VMCV declarado (US$) Pag. a maior (US$) VMCV apurado (US$) VA declarado (R$) VA apurado (R$) 001 53.835,00 1.801,49 55.636,49 94.280,27 97.201,43 08/13469230 002 13.590,00 453,51 14.043,51 23.735,58 24.470,35 001 14.213,00 469,43 14683,06 24.824,78 25.586,24 Fl. 8484DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 08/13469249 002 53.234,08 1.762,86 54996,94 93.227,90 96.085,54 001 51.985,00 3.638,08 55.623,08 108.119,08 115.109,32 08/15670871 002 13.140,00 916,92 14.056,92 27.250,28 29.011,45 Assim, percebe que o fisco não foge às disposições do Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, porque, utilizandose do primeiro método de valoração aduaneira, objetiva chegar ao valor de transação, ou seja, o efetivamente pago/a pagar pela mercadoria (não havendo nenhuma documentação que ampare valores divergentes de remessa cambial). Os documentos referentes às três declarações de importação encontramse, respectivamente, às fls. 2249/2266, 2267/2286 e 2287/2314. A DI no 08/13469230, registrada em 29/08/2008, e desembaraçada em canal verde em 01/09/2008, foi instruída com a fatura comercial no 130 (fl. 2255, datada de 01/03/2008, indicando pagamento antecipado de US$ 10.914,71, e à vista de US$ 56.510,29), e teve remessas ao exterior no valor de US$ 58.765,29 à vista (fl. 2263, contrato em 02/07/2008) e US$ 10.914,71 antecipado (fls. 2265, contrato em 04/03/2008). Assim, foi indicada remessa a mais de US$ 2.255,00 (que, rateada entre as duas adições, resultou nos US$ 1.801,49 e nos US$ 453,51 constantes da tabela retromencionada). O mesmo fenômeno ocorre na DI no 08/13469249 (canal verde / fatura no 129fl. 2273 / remessa a maior de US$ 2.232,29fls. 2280/2282) e na DI no 08/15670871 (canal vermelho, com valor de frete retificado / fatura no 211fl. 2297/ remessa a maior de US$ 4.555,00). Os valores adotados pela fiscalização como base para o lançamento, assim, correspondem exatamente àqueles que a recorrente em sua planilha (rejeitada pelo fisco e pela DRJ) de fl. 2259, alega ter pago a maior e acabou “usando” na liquidação da fatura no 181, referente à DI no 09/00830403. Por isso o fisco não acusa a existência de subfaturamento em tal DI, mas somente “falsidade na invoice instrutiva” (se adotasse a mesma sistemática, o fisco concluiria que em tal declaração houve, ao revés, “superfaturamento”). Mas, como exposto anteriormente, não se visualiza, nas declarações citadas, falsidade na fatura comercial, seja material ou ideológica. Há, sim, um entendimento da fiscalização de que diante da ausência de justificativa documentada para a divergência entre o valor remetido ao exterior e o declarado na fatura, o preço efetivamente pago/a pagar seria o total remetido, o que a seu ver constituiria “subfaturamento”, cabendo a exigência de multa e das diferenças em relação aos tributos. Como já expresso, acordamos com a exigência das diferenças de tributos decorrentes da falta de recolhimento em função do preço efetivo apurado, cabendo somente o afastamento da multa por “subfaturamento”, visto não ter sido comprovada a existência de “falsidade nas faturas comerciais”. Ao verificar, então, como foram exigidas as diferenças de tributos na autuação (item 001: “falta de recolhimento” fls. a 8161 a 8164), percebese que o “valor tributável” apontado para o imposto de importação em relação às três DI citadas (fl. 8162) é o constante na tabela a seguir, à qual agregamos uma coluna, que demonstra que tais valores correspondem exatamente à diferença entre o valor aduaneiroVA declarado e o VA apurado (cf. tabela neste voto anteriormente reproduzida): DI Adição Valor tributável II Diferença entre VA declarado e VA tributado 001 2.921,16 2.921,16 08/13469230 002 734,77 734,77 Fl. 8485DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.479 15 001 761,46 761,46 08/13469249 002 2.857,64 2.857,64 001 6.990,24 6.990,24 08/15670871 002 1.761,17 1.761,17 Aplicandose a alíquota do imposto de importação prevista para as mercadorias descritas nas três DI (26%) sobre as diferenças, chegase aos montantes expressos na autuação (R$ 759,50; R$ 191,04; R$ 197,97; R$ 742,98; R$ 1.817,46; e R$ 457,90), seguindose a ordem das linhas da tabela. Assim, cabível a manutenção dos lançamentos a título de imposto de importação, estendendose ainda o raciocínio às contribuições (decorrentes) objeto do lançamento. E igualmente procedentes os valores exigidos a título de juros de mora, sendo a matéria inclusive já sumulada no âmbito do CARF (Súmula no 4). Contudo, o percentual aplicável para a multa deve ser de 75%, tendo em vista não estarem comprovadas as circunstâncias que permitem sua majoração ao patamar de 150% em relação às citadas DI. Afastase, assim, em relação às DI (no 08/13469230/adições 001 e 002; no 08/13469249/adições 001 e 002; e no 08/15670871/adições 001 e 002), a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas) e a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). Afastase ainda a imputação de falsidade em relação à DI no 09/00830403, também por carência probatória, visto que os valores pagos (agora a maior) ali estariam vinculados ao mesmo entendimento do fisco de que basta a divergência na remessa para caracterizar a “falsidade”. (B) DI no 08/15743658 Na DI no 08/15743658 (adições 001 e 002) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. A “falsidade” apontada é a divergência entre a descrição da mercadoria importada na fatura comercial “tecidos em malha 100% poliéster” (no 133, fl. 2320) e a descrição constante da nota fiscal de entrada apresentada ao fisco “helanca” feita a mão (fl. 2333), sendo que o tecido helanca é composto por fios de poliamida. Segundo o fisco, resta comprovada a falsidade também “pela discriminação de tecido diverso ao importado”. Novamente os dados iniciais das licenças de importação eram incompatíveis, mas acabaram, por fim, retificados e amoldados, ainda que posteriormente ao embarque (o que ocasionou a exigência de multa antes do desembaraço). Sobre este tema, sobre as divergências com a proforma, e sobre o fato de o valor remetido divergir do indicado na fatura, remetemos ao tópico anterior “(A)” deste item 4, mantendo o entendimento ali externado. Sobre a “falsidade” pelo fato de a descrição na DI ser diferente da constante na nota de entrada, esclarecese que: (1) a fatura descreve as mercadorias como “tecido em malha circular de trama contendo em peso 100% de fibra sintética de poliéster tinto, título: Fl. 8486DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 210 DETEX; peso: 130g/m2, largura 178 cm, NCM 6006.3200” e “tecido em malha circular de trama contendo em peso 100% de fibra sintética de poliéster branqueado, título: 210 DETEX; peso: 130g/m2, largura 178 cm, NCM 6006.3100”; (2) a declaração de importação correspondente foi registrada em 06/10/2008, e recebeu o canal vermelho de conferência aduaneira (portanto, com verificação efetiva das mercadorias por servidor da RFB), tendo sido desembaraçada em 09/10/2008; (3) verificandose a citada nota de entrada (fl. 2333), não encontrei nenhuma menção a “helanca”, mas sim uma descrição acordante com a da fatura comercial, o que me leva a crer que nesse aspecto houve equívoco por parte da autoridade autuante. Há duas anotações manuscritas na nota fiscal (reproduzidas abaixo), mas em nenhuma delas consigo sequer imaginar que esteja escrita a palavra “helanca”: O que parece desejar o fisco é rechaçar tanto o texto impresso na declaração de importação (que, repitase, foi objeto de verificação, inclusive tendo servidor aduaneiro competente examinando fisicamente a mercadoria) quanto o descrito na fatura comercial e na nota fiscal de entrada, considerando correto uma anotação manuscrita aposta nesta última, no qual estaria descrito que o tecido é, em verdade. “helanca”. Tal argumentação está distante de ensejar convicção por parte do julgador. Afastase, assim, em relação à DI no 08/15743658 (adições 001 e 002) a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”), e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas, que, da mesma forma expressa no tópico anterior, devem ser mantidas em relação ao imposto de importação e às contribuições). E, afora a questão referente à suposta anotação manuscrita, não indica a fiscalização objetivamente qual a conduta de descrição incompleta/inexata, pelo que se afasta também a multa de 1% por inexatidão/incompletude em relação a tal DI. (C) DI no 08/16514156, no 08/16528815, no 08/16603361, no 08/1670397 8, no 08/17687534, no 08/18027287 e no 08/18032485 Nas DI no 08/16514156 (adição 001), no 08/16528815 (adição 001), no 08/16603361 (adições 001 e 002), no 08/16703978 (adições 001 e 002), no 08/17687534 (adições 001 e 002), no 08/18027287 (adição 001) e no 08/18032485 (adição 001) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” (conforme itens 4.2.1.1.c, 4.2.1.1.d, 4.2.1.1.f, 4.2.1.1.h, 4.2.1.1.i/primeira DI, e 4.2.1.1.j do Relatório Fiscal). A situação, seja no que se refere à licença de importação, às diferenças em relação à proforma, ou à remessa cambial a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. Destarte, afastase em relação às referidas DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial Fl. 8487DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.480 17 e subfaturamento”) e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças a serem exigidas a título de imposto de importação e contribuições). (D) DI no 08/17013789; no 08/17428679, no 08/17428687 e no 08/18028461 Para as DI no 08/17013789 (adições 001 e 002), no 08/17428679 (adição 001), no 08/17428687 (adição 001) e no 08/18028461 (adição 001) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” (esta última somente em relação à primeira DI, cf. itens 4.2.1.1.g e 4.2.1.1.i/segunda DI, do Relatório Fiscal). A situação, no que se refere à remessa a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. E, no que se refere à inexatidão/incompletude em relação à primeira DI, é semelhante à descrita no tópico “(B)” do mesmo item 4, só mudando a palavra manuscrita na nota de entrada, que agora é “tactel” (estando longe o rabisco no corpo da nota, reproduzido abaixo, de comprovar que seria outra a mercadoria desembaraçada em canal vermelho, e descrita de forma igual em todos os documentos, inclusive a própria nota de entrada fl. 2073). Contudo, a situação é diferente no que se refere a licenciamento. Não consta para estas DI que a licença de importação (LI) que amparou em definitivo as mercadorias tenha sido emitida em total conformidade com a fatura comercial. Pelo contrário, há menção ao fato de que descreviam “os mesmos tecidos e as mesmas quantidades da fatura, mas “com valores unitários e totais superiores ao das respectivas fatura e proforma”. Em relação à proforma, já tratamos aqui de sua irrelevância para configuração de falsidade. Mas a LI é o documento autorizador da importação. E, não espelhando os dados da LI as mercadorias efetivamente importadas, a conclusão é de que a importação foi efetuada ao desamparo de autorização do órgão competente. Cabível seria, assim, que a fiscalização não desembaraçasse as mercadorias enquanto não fosse obtida LI totalmente acordante com a importação efetiva (em que pese, no caso, terem sido todas as DI desembaraçadas, as duas primeiras em canal vermelho de conferência aduaneira, cf. fls. 2057 e 2095, não tendo este relator localizado nos autos informação sobre o canal de conferência atribuído às demais). Após o desembaraço, e verificada incorreção na análise inicial, poderia haver a revisão das declarações de importação, mas a penalidade aplicável certamente não seria atrelada a subfaturamento nem a falsidade na fatura comercial, como proposto nos autos. Assim, tendo em conta que não pode inovar o julgador na aplicação de penalidade (o que no caso não se daria somente pelo reenquadramento da conduta, mas pela identificação de conduta diversa do subfaturamento e da falsidade na fatura: a importação ao Fl. 8488DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 desamparo de autorização), somente se segue aqui a mesma linha adotada nos tópicos “(A)” e “(B)” do item 4 deste voto, afastandose a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”) e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças a serem exigidas a título de imposto de importação e contribuições). No que se refere à primeira DI (no 08/17013789), rechaçase ainda a multa de 1% por inexatidão/incompletude, não objetivada nos autos. (E) DI no 08/20144414 Para a DI no 08/20144414 (adição 001), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” (item 4.2.1.1.k do Relatório Fiscal). A situação, no que se refere às diferenças em relação à proforma, ou à remessa cambial a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. Cabe destacar que em relação a esta DI sequer se toca no tema do licenciamento na importação. Destarte, afastase em relação à DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”), e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas em relação ao imposto de importação e às contribuições). (F) DI no 07/09462080 Na DI no 07/09462080 (adição 001), já relacionada no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal, a conduta imputada é exclusivamente de “falsidade da invoice instrutiva”. A fiscalização afirma (fl. 8103) que: “A inidoneidade da fatura instrutiva dessa DI evidenciase não somente pela diferença da assinatura do mesmo signatário nela aposta em relação as outras invoices em nome do mesmo fornecedor e ao ‘packing list’, mas também em razão de divergências com a proforma invoice de mesma numeração e de inconsistências entre os termos de pagamentos nela estipulado (sic) e os pagamentos realizados e da própria invoice ter sido emitida em 18/03/2007, depois do embarque das mercadorias em 17/03/2007”. (grifo nosso) Reiterese a irrelevância das divergências com a proforma para caracterização de falsidade, acrescentandose que o fato de os pagamentos terem sido efetuados de forma diversa da estipulada (em que pese não haver alteração de valor, sequer cogitando o fisco subfaturamento, no caso) e as datas (seja da fatura ou da LI obtida) serem posteriores ao embarque também não conduzem à “falsidade”, se ausente a evidenciação do dolo. Novamente o fisco revelase inconformado com a emissão de LI posteriormente ao embarque e à emissão da fatura comercial e, apesar de já ter exigido a multa por LI a destempo antes do desembaraço, ainda busca utilizar tal fato como indício de “falsidade” na fatura comercial. De tudo o que alega o fisco, somente parece relevante o fato de que haja diferentes assinaturas para um mesmo signatário. Mas a fiscalização não diz objetivamente Fl. 8489DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.481 19 quais os documentos que deveríamos comparar para perceber que há divergências nas assinaturas. A única pista sobre o assunto constante no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal é a remissão aos documentos de fls. 518 a 534, instrutivos da DI. E neles há apenas dois assinados pelo Gerente Geral da SHELMORE TEXTILES S.A., Sr. Mordy Ashkenazi, às fls. 529 e 530, sendo aparentemente idênticas as assinaturas. É certo que, em nome da verdade material, pudemos verificar que o Sr. Mordy Ashkenazi realmente assina as faturas de forma bem “diversificada”, como se percebe, exemplificativamente, analisandose as faturas no 61 (fl. 529), no 74 (fl. 542) e no 64 (fl. 576), para ficar apenas nos documentos geograficamente próximos aos citados no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal: Fatura n. 61 (fl. 529) Fatura n. 74 (fl. 542) Fatura n. 64 (fl. 576) A recorrente afirma que “não há nos autos nenhuma prova grafotécnica que dê suporte à afirmação de que as assinaturas do representante do fornecedor sejam falsas” e que junta carta de seu fornecedor SHELMORE TEXTILES S.A., com tradução juramentada, na qual este alega que todas as assinaturas apostas nas faturas são realmente suas (fls. 8337/8338). Por certo que o julgador não é perito grafotécnico, mas a magnitude das diferenças aqui destacadas faria com que qualquer caixa de banco (que também não é perito grafotécnico, mas profissional qualificado a outras atividades), por cautela, não descontasse um cheque do Sr. Askenazi. E a afirmação do fornecedor de que simplesmente todas as dezenas de faturas comercias indicadas são suas (sem que se possa saber se as apresentadas ao fisco correspondem às emitidas no exterior) não assegura a idoneidade dos documentos. Mas, por outro lado, o fisco não traz, afora a assinatura, nenhum elemento significativo que aponte para a falsidade especificamente em relação à fatura no 61 (fl. 529). Fica assim a dúvida: qual(is) das faturas acima seria(m) verdadeira(s) e qual (is) seria(m) falsa(s)? Não se pode simplesmente partir do pressuposto de que todas são falsas. Assim, formase convicção de que paira suspeita de inidoneidade sobre as faturas assinadas pelo Sr. Askenazi (que tem “diversificadas” formas de assinálas), mas esse elemento, por si, não torna as faturas por ele assinadas todas falsas. E, na DI em análise, não visualizo elementos adicionais que permitam formar convicção pela falsidade da fatura no 61. A fiscalização contentase com os documentos apresentados (e, inclusive, com os valores declarados), sem aprofundar a investigação (v.g. Fl. 8490DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 com diligências, apreensões de documentos e obtenção de dados junto a terceiros) mas deseja aplicar a pena de perdimento (substituindoa por multa no valor aduaneiro da mercadoria) por concluir serem falsas as faturas, falsidade que não resta devidamente comprovada (em que pese estarmos convictos de que a fiscalização estava no caminho certo, apenas tendo parado na metade dele). Assim, voto pelo afastamento da multa substitutiva do perdimento, por não restar comprovada a “falsidade na fatura comercial”. (G) DI no 07/10370550 Na DI no 07/10370550 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.3 do Relatório Fiscal (fls. 8103/8104), a conduta imputada é igualmente a “falsidade da invoice instrutiva”. Contudo, agora o fisco, além da questão referente às assinaturas “diversificadas”, apresenta elementos irrefutáveis da falsidade na fatura comercial. A fatura apresentada como instrutiva da DI (DI registrada em 06/08/2007, e que foi desembaraçada em canal vermelho, no dia 17/08/2007), diverge dos valores declarados na própria DI. As quantidades são exatamente as mesmas, mas a fatura que deve ter instruído a DI, para estar de acordo com os dados da declaração, indicou como valores unitários US$ 3,28 (adição 001) e US$ 3,38 (adição 002), enquanto que a fatura comercial apresentada no procedimento de fiscalização (no 74, fl. 542) traz como valores unitários US$ 2,32 (para ambas as adições). Há, no caso, configuração de duplo faturamento para a mesma mercadoria, o que, por óbvio, não se perpetra sem dolo, e constitui “falsidade”, ensejando a aplicação da pena de perdimento (inciso VI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966). Sendo impossível a apreensão para fins de aplicação da pena de perdimento, por não ser a mercadoria localizada, ou por ter sido consumida ou revendida, cabível a substituição do perdimento por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na forma do § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Assim, em relação à DI em comento, resta integralmente mantida a multa lançada em substituição à pena de perdimento. (H) DI no 07/12521679 e no 07/12539268 Nas DI no 07/12521679 (adições 001 e 002) e no 12539268 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.4 do Relatório Fiscal (fl. 8104), também se imputa a conduta de “falsidade da invoice instrutiva”. Mas os indícios apresentados se resumem a divergências em relação às faturas proforma e a dados sobre prazo de pagamento. Agregase a informação de que a vinculação da remessa cambial abarcou também faturas de fornecedor diverso (CHINA PROSPER), instrutivas da DI no 07/10372005, o que seria impossível. E, por fim, atribuise a falsidade na fatura no 64 a pequena divergência encontrada no frete. Novamente é preciso recordar que se está a imputar conduta de “falsidade”, e não de simples incorreção. Assim, a imputação requer elementos probatórios de envergadura Fl. 8491DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.482 21 proporcional, não sendo suficientes os dados narrados pelo fisco para que se comprove a falsidade ensejadora do perdimento. A DI no 07/12521679 foi registrada em 17/09/2007 (e desembaraçada em 21/09/2007, no canal amarelo de conferência, cf. fl. 566), e antes do desembaraço houve retificação do peso (de 24.820,00 kg para 25.000,00 kg), entendendo agora o fisco que houve “falsidade” na fatura (no 64 fl. 576) porque não foi alterado, em consequência, o valor do frete, o que não encontra guarida em qualquer disposição normativa. Ademais, sequer questiona o valor aduaneiro (que seria afetado pela eventual majoração do frete, nos moldes em que deseja o fisco). No que se refere à remessa cambial, não passa o fisco das menções aos manuscritos no final das folhas (v.g. 587 e 589), não aprofundando a investigação para lograr comprovar dolo, nem a efetiva falsidade das informações inseridas na fatura comercial. Assim, voto pelo afastamento da multa substitutiva do perdimento, por não restar comprovada a “falsidade na fatura comercial” em relação às citadas DI. (I) DI no 07/13992330 e no 07/14167350 Na DI no 07/13992330 (adições 001 e 002) e no 07/14167350 (adição 001), tratadas nos itens 4.2.1.5 e 4.2.1.6 do Relatório Fiscal (fl. 8105), também se imputa a conduta de “falsidade da invoice instrutiva”, justificada pela diferença entre fatura e nota fiscal de entrada (nesta constando com descrição única a mercadoria que figurava em duas distintas adições da primeira DI), pelas diferenças entre fatura e proforma e divergências no que se refere a serem os pagamentos à vista ou antecipado (sem alteração de valor) em ambas as DI. Novamente, ausente qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva das DI, pelo que se afasta a exigência da multa substitutiva do perdimento. (J) DI no 08/00922470, no 08/02352922, no 08/00922489 e no 08/03135674 Para as DI no 08/00922470 (adição 001) e no 08/02352922 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.7 do Relatório Fiscal (fls. 8105/8106), a conduta imputada é “falsidade da invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. A inexatidão/incompletude se deve à falta de informação do beneficiamento do tecido, informação indispensável na descrição declarada (cf. item IV do Anexo Único do ADE Coana no 22/2005). E, como referido ao início deste voto, no item 2, que trata de “incorreções nas informações prestadas na declaração de importação”, a recorrente, ao invés de questionar o teor do ADE, ou informar que de fato cumpriu suas disposições, alega que “a grande maioria das ditas incompletude ou incorreção (sic) está relacionada por identificação, pela fiscalização, de Fl. 8492DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 anotações manuscritas nas Notas Fiscais de Entradas”, afirmando que “para a desclassificação de tais descrições seria necessária a apresentação de um laudo técnico”. Havendo previsão normativa específica para o detalhamento, e sendo este inexistente na declaração de importação, caracterizada está a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias, como já explicitado neste voto. Assim, deve ser mantida a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere à existência de “falsidade”, fica patente a confusão entre falsidade e incorreção, pelo autuante, no seguinte excerto (fl. 8106): “Essas descrições declaradas idênticas as (sic) das faturas instrutivas são incompletas em razão de não informarem o beneficiamento do tecido, corroborando a inidoneidade das invoices” (...) A inidoneidade das faturas é também evidenciada pela divergência com as respectivas proformas e pela realização de pagamentos em condições diferentes das estipulada (sic) nas invoice 70” (grifo nosso) Conforme se reitera ao longo deste voto, não há que se confundir a incorreção ou a omissão na fatura com sua “falsidade”. Parece o autuante imaginar que qualquer dado da fatura que esteja incorreto é de fato “falso”, sem necessidade de que se comprove o dolo, e tal raciocínio se repete invariavelmente na autuação. Em relação à DI no 08/00922489 (adição 001), tratada no item 4.2.1.8 do Relatório Fiscal (fl. 8106), a conduta imputada é também “falsidade da invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Mas a inexatidão/incompletude se deve à falta de informação da titulação do tecido, informação indispensável na descrição declarada (cf. item V do Anexo Único do ADE Coana no 22/2005). E, novamente, não se encontra oposição específica à inexatidão/incompletude, por parte da recorrente, nem prova de falsidade por parte da “fiscalização”. Na DI no 08/03135674 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.14 do Relatório Fiscal (fl. 8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com proforma e com remessas (temas já exaustivamente tratados neste voto), e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” (também pela não informação de titulação do tecido), igualmente sendo ausente a oposição específica à inexatidão/incompletude, por parte da recorrente, e a prova de falsidade por parte da “fiscalização”. Ausente então, em relação às citadas DI, qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva, afastase a exigência da multa substitutiva do perdimento, restando aplicável, no caso, somente a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (K) DI no 08/00925186 Para a DI no 08/00925186 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.9 do Relatório Fiscal (fl. 8106), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, Fl. 8493DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.483 23 “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sob alegações muito semelhantes às externas no tópico “(A)” do item 4 deste voto. Por mais que agora a expressão “tactel” pareça realmente ter sido aposta de forma manuscrita na nota de entrada (cf. figura abaixo), há que se destacar que fazer prevalecer tal manuscrito sobre o que consta na própria nota, na fatura, e na DI (também submetida a canal vermelho de conferência aduaneira, com efetiva verificação da mercadoria por autoridade aduaneira competente), sem elementos que comprovem o alegado, não tem qualquer fundamento jurídico. Afastase, assim, em relação a tal DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). Contudo, neste item há oposição específica da empresa no Recurso Voluntário (fls. 8429 a 8431). Enquanto o fisco afirma que houve pagamento em valor superior (US$ 85.535,87) ao da fatura (US$ 75.735,85), a empresa anexa (ainda em sua impugnação fls. 8312 a 8319) consulta ao SISCOMEX (que indica contratação de câmbio de US$ 75.735,85, resultado da soma de 17.149,48+34.115,03+8.186,37+16.284,97). Os valores são perfeitamente compatíveis com as anotações do contrato de câmbio (v.g. fl. 2440), que o fisco nos itens iniciais aceitou e agora rechaça. Não há, assim, sequer fundamento para a exigência da diferença de tributos, quanto mais para alegarse subfaturamento. Deve assim ser afastada a exigência do imposto de importação e das contribuições, assim como dos decorrentes juros de mora e multa de ofício. E, afora a questão referente à suposta anotação manuscrita, não indica a fiscalização objetivamente qual a conduta de descrição incompleta/inexata, pelo que se afasta também a multa de 1% por inexatidão/incompletude em relação a tal DI. (L) DI no 08/01159657, no 08/01160116, no 08/01612564, no 08/0240642 9, no 08/03135666, no 08/05348861, no 08/05461536, no 08/09019188, no 08/09699022, no 08/009888348, no 08/10742653, no 08/10742661, no 08/11396961, no 08/11843810, no 08/11844050, no 08/11844484, no 08/12110956, no 08/12265887, no 08/14115998, no 08/14617900, no 08/14624728, no 08/15670880, no 08/15670898, no 08/17683423 e no 08/20141970 Para as DI (no 08/01159657/adições 001 e 002; no 08/01160116/adições 001 e 002; no 08/01612564/adições 001 e 002; no 08/02406429/adições 001 e 002; no 08/05348861/adições 001 e 002; no 08/05461536/adições 001 e 002; no 08/0901918 Fl. 8494DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 8/adições 001 e 002; no 08/09699022/adições 001 e 002; no 08/009888348/adições 001 e 002; no 08/10742653/adições 001 e 002; no 08/10742661/adições 001 e 002; no 08/1139696 1/adições 001 e 002; no 08/11843810/adições 001 e 002; no 08/11844050/adições 001 e 002; no 08/11844484/adições 001 e 002; no 08/12110956/adições 001 a 004; no 08/1226588 7/adições 001 a 003; no 08/14115998/adição 001; no 08/14617900/adição 001; no 08/14624728/adição 001; no 08/15670880/adição 001; no 08/15670898/adição 001; no 08/17683423/ adições 001 e 002; e no 08/20141970/adição 001), tratadas no item 4.2.1.10 do Relatório Fiscal (fl. 8107), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, sob diversas alegações: pagamento antecipado, diferença nas assinaturas, divergências entre fatura e proforma, e outras inconsistências (relacionadas a título exemplificativo para algumas DI). Tendo em vista o já exposto em relação às divergências com proforma tópico “(A)” deste item 4 , às diferenças de assinatura tópico “(F)” deste item 4 , e carecendo as demais inconsistências apontadas de base jurídica para configuração de “falsidade” às faturas comerciais, percebese novamente que a fiscalização contentase com os resultados parciais de um trabalho inacabado, e confunde o que ela própria denomina de “divergências” e “inconsistências” com “falsidade”. Pelo teor da autuação e do demonstrativo de fls. 7947 a 7955 percebese que em relação à DI no 08/09019188 paira ainda a imputação de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Tal incompletude/inexatidão, segundo o Relatório Fiscal, estaria novamente atrelada ao fato de existir anotação manuscrita, indicando “tactel”, em nota de entrada. Sobre o tema, remetemos ao tópico “(K)” deste item 4. É de se destacar, por fim (ao menos deste tópico), que no mesmo item 4.2.1.10 do Relatório Fiscal há menção a DI que sequer consta da autuação (DI no 08/1226585 2), e, por isso, não será objeto de análise no presente julgamento. Assim, afastase, em relação às DI relacionadas, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), cabendo ainda cancelar, em relação à DI no 08/09019188, a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (M) DI no 08/01638237 e no 08/01638253 Para as DI no 08/01638237 (adições 001 e 002) e no 08/016382533 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.11 do Relatório Fiscal (fls. 8107/8108), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, sob as já citadas alegações de divergência com proforma tópico “(A)”, mas sem alteração de valor. Na primeira DI há ainda a imputação de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sob alegações muito semelhantes às externas no tópico “(K)” do item 4 deste voto (ao invés de “tactel”, a expressão manuscrita agora é “linhão”). Afastase, então, em relação às DI relacionadas, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), cabendo ainda cancelar, em relação à DI no 08/01638237, a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. 3 No Relatório Fiscal esta DI está indicada com dígito errado (7, ao invés de 3). Fl. 8495DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.484 25 (N) DI no 08/01722769 e no 08/0172854 Na DI no 08/01722769 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.12 do Relatório Fiscal (fls. 8108/8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”. A razão é o pagamento em condições diversas das pactuadas (com atraso), e sem imposição de mora. Há ainda ausência de vinculação do contrato de câmbio à respectiva fatura comercial. Conclui o fisco que “a ausência de informação não significa que efetivamente não tenha sido destinado parte desse valor para pagamento da fatura”, “pois caso a empresa tivesse informado, esse valor ultrapassaria o valor total da invoice”, comprovando subfaturamento. Assim, e na impossibilidade de identificar o valor que talvez tivesse sido pago a maior, o fisco aplica a pena de perdimento (substituída por multa) constatando a ocorrência de “falsidade”. Na DI no 08/0172854 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.13 do Relatório Fiscal (fl. 8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” por razões muito parecidas, atreladas a divergência entre forma de pagamento indicada na DI e remessas. Em ambos os casos há novamente confusão entre “incorreção”/ “divergência” e “falsidade”. O fisco não comprova de que forma a inexistência de mora no pagamento, ou na divergência de remessa, implicou “falsidade” na fatura comercial, cabendo o afastamento da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) nas DI citadas. (O) DI no 08/03206040, no 08/03212741, no 08/03286010, no 08/0328602 8, no 08/03968595, no 08/17428660 e no 08/20263316 Na DI no 08/03206040 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.15 do Relatório Fiscal (fls. 8109/8110), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Em relação à “incompletude/inexatidão”, a informação faltante novamente é a titulação do tecido, o que nos remete ao tópico “(J)” deste item 4, sendo nesse aspecto procedente o lançamento. No que se refere à “falsidade” e ao “subfaturamento”, ambos se devem a diferença entre o valor da fatura (US$ 79.790,00) e os pagamentos efetuados (US$ 82.085,85), não reconhecendo o fisco as anotações no contrato de câmbio, que vinculariam parte do pagamento a outra DI. Em seu Recurso Voluntário (fls. 8434 a 8439) a empresa afirma que a alocação parcial do câmbio se deve a prática de mercado, em virtude do elevado número de transações com os mesmos fornecedores, argumento que é até plausível, mas não convence se desamparado de elementos probatórios (como é o caso). Na DI no 08/3212741 (adições 001 e 002), também tratada no item 4.2.1.15 do Relatório Fiscal, a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência entre o valor da fatura e os pagamentos efetuados (sem alteração de valor). Como já afirmado repetidas vezes neste voto, tal alegação, por si, é insuficiente para caracterização de “falsidade”. Na DI no 08/3286010 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.16 do Relatório Fiscal (fl. 8110), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, porque a DI foi retificada durante a conferência, em virtude de laudo técnico, não tendo sido alterada a fatura. Se procedente a afirmação do fisco, toda retificação de DI em virtude de laudo técnico ensejaria “falsidade” da fatura comercial. Aparece novamente aqui a confusão Fl. 8496DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 26 entre “incorreção” e “falsidade”. E, vejase, a incorreção na descrição foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). Na DI no 08/17428660 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.37 do Relatório Fiscal (fl. 8119), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, porque a DI foi retificada durante a conferência, em virtude de constatação de divergência na quantidade, não tendo sido alterada a fatura. Novamente há que se concluir que se procedente a afirmação do fisco, toda retificação de DI ensejaria “falsidade” da fatura comercial. De novo presente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. E, vejase, a incorreção na quantidade foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). E a conjectura de que teria havido pagamento por meios ilegais ou evasão de divisas também passa ao largo de qualquer elemento probatório. Na DI no 08/20263316 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.39 do Relatório Fiscal (fl. 8120), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, e também é devida a retificação na DI, alternadose descrição e classificação, e de LI, corrigindose o país de procedência. Mais uma vez patente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. E, novamente, a incorreção foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). Na DI no 08/03286028 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.17 do Relatório Fiscal (fls. 8110/8111), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva” (por divergências entre fatura e remessa cambial), e “incompletude/inexatidão” (sendo a informação faltante novamente a titulação do tecido). Nenhum assunto novo, assim. Na DI no 08/03968595 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.18 do Relatório Fiscal (fl. 8111), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, em virtude de inconsistência interna da fatura (o valor indicado na fatura comercial é inferior à soma das parcelas à vista e a prazo nela própria indicados), sendo as remessas efetuadas divergentes de ambos os valores. Persiste, assim, a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. Ausente então, em relação às citadas DI, qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva, ou ainda subfaturamento, cabendo o afastamento da multa substitutiva do perdimento. Resta mantido, contudo, em relação à DI no 08/03206040 o lançamento de crédito tributário em relação ao imposto de importação e às contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75% (em virtude de não estarem presentes circunstâncias qualificadoras) e a multa de 1% por inexatidão/incompletude, e na DI no 08/03286028 somente a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (P) DI no 08/11396945 Na DI no 08/11396945 (adições 001 a 004), tratada no item 4.2.1.17 do Relatório Fiscal (fls. 8110/8111), a conduta imputada é diferenciada por adição. Para todas as adições (001 a 004) afirma o autuante que a “falsidade”/inidoneidade decorre de inconsistência interna da fatura (o valor total US$ 81.061,66 diverge da soma dos valores indicados como pagamento antecipado e à vista no próprio documento US$ 81.115,01) e de divergência com a proforma. A remessa cambial foi no valor de US$ 81.115,01. Em relação às adições 003 e 004, há ainda imputação de “incompletude/inexatidão”, faltando a titulação do tecido. Fl. 8497DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.485 27 O curioso é que no Demonstrativo de Infrações (fls. 7947 a 7955) tratase de ajuste de valor aduaneiro para as adições 001 e 002, e de subfaturamento para as adições 003 e 004, como se a existência de “incompletude/inexatidão” nas adições 003 e 004 fizesse com que o ajuste de valor se tornassese subfaturamento. Contudo, na autuação referente aos tributos, todas as diferenças são exigidas com multa qualificada (150%). Não se vê falsidade em nenhuma das adições da DI, nem subfaturamento, embora haja efetivamente diferença de tributos a recolher. A inconsistência, não tendo sido justificada, e compatível o maior valor com a remessa, justifica a exigência das diferenças de tributos, mas não com multa de ofício de 150%, visto não restar configurada circunstância qualificadora. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantida, para as adições 001 a 004, a exigência do imposto de importação e das contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75%, sendo ainda procedente o lançamento, para as adições 003 e 004, da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (Q) DI no 08/04087320, no 08/05343339, no 08/05386410, no 08/1346922 2, no 08/14091703, no 08/06249697, no 08/06264319 e no 08/06310930 Na DI no 08/04087320 (adições 001 a 005), tratada no item 4.2.1.19 do Relatório Fiscal (fls. 8111/8112), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por ter sido apresentada ao fisco uma fatura sem assinatura, e com valores inferiores aos pagamentos nela estipulados, e com identificação de tecido diverso do registrado nas notas fiscais de entrada. Novamente ausente qualquer prova de “falsidade”. Em relação à fatura sem assinatura, poderia ter sido adotada uma das providências descritas no art. 70 da Lei no 10.833/2003 (não constando nos autos qualquer iniciativa nesse sentido). Para as DI no 08/05343339 (adições 001 e 002), no 08/05386410 (adições 001 e 002), no 08/13469222 (adições 001 e 002) e no 08/14091703 (adições 001 e 002), também tratadas no item 4.2.1.19 do Relatório Fiscal, além da “falsidade na invoice instrutiva” (com a alegação de que estava escrito “helanca” à mão nas notas de entrada, argumento já fartamente analisado neste voto v.g. no tópico “K” deste item 4), imputase “incompletude/inexatidão” (por diferir a descrição de tais textos manuscritos). Na DI no 08/06249697 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.21 do Relatório Fiscal (fl. 8112), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com a proforma, tema já fartamente abordado neste voto. Nas DI no 08/06264319 (adições 001 e 002) e no 08/06310930 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.22 do Relatório Fiscal (fls. 8112/8113), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com a proforma, e na forma de pagamento indicada, ambos os temas reiteradamente disciplinados neste voto. Ausente, assim, tanto a falsidade imputada quando a descrição incompleta/inexata, sendo totalmente improcedente o lançamento neste tópico. (R) DI no 08/05461528, no 08/19255399, no 08/19261348, no 08/0988832 1 e no 08/11309562 Fl. 8498DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 28 Para as DI no 08/05461528 (adição 001), no 08/19255399 (adição 001) e no 08/19261348 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.20 do Relatório Fiscal (fl. 8113), imputase “falsidade na invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão”, ambas pela falta do tipo de beneficiamento do tecido. Na DI no 08/09888321 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.29 do Relatório Fiscal (fls. 8116/8117), e na DI no 08/11309562 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.32 do Relatório Fiscal (fl. 8117), imputase “falsidade na invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão”, ambas pela falta da informação da titulação do tecido. Já manifestamos que a informação sobre o beneficiamento e a informação da titulação dos tecidos são indispensáveis no tópico “(J)” deste item 4, pelo que entendemos cabível o lançamento da multa de 1% por inexatidão/incompletude. Contudo, entender, como deseja o autuante, que a omissão de tal informação “reforça a inidoneidade das faturas”, entendendoas “falsas”, é salto lógico incompatível com a exegese dos comandos normativos correspondentes. Assim, para as cinco DI, afastase a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantémse a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (S) DI no 08/06310949, no 08/11309546, no 08/11309554, no 08/0640952 0, no 08/09019196, no 08/09019200, no 08/09351638, no 08/09443672, no 08/09888330, no 08/09443699, no 08/10266525, no 08/10266517, no 08/11396970, no 08/16703960 e no 08/18028925 Para as DI no 08/06310949 (adições 001 e 002), no 08/11309546 (adições 001 e 002) e no 08/11309554 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.23 do Relatório Fiscal (fls. 8113/8114), imputase “falsidade na invoice instrutiva” por argumentos exaustivamente tratados neste voto (divergência com a proforma e na forma de pagamento indicada/remessas, e dados manuscritos nas notas de entrada). Na DI no 08/06310949 imputa se ainda “incompletude/inexatidão”, sem indicação precisa da motivação, afora as anotações manuscritas na nota de entrada. Na DI no 08/06409520 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.24 do Relatório Fiscal (fl. 8114), nas DI no 08/09443699 (adições 001 e 002) e no 08/10266525 (adições 001 e 002), na DI no 08/11396970 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.33 do Relatório Fiscal (fls. 8117/8118), e na DI no 08/16703960 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.36 do Relatório Fiscal (fls. 8118/8119), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, também por divergência com a proforma e na forma de pagamento indicada/remessas. Para as DI no 08/09019196 (adições 001 e 002) e no 08/09019200 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.25 do Relatório Fiscal (fls. 8114/8115), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências com a proforma e dados manuscritos nas notas de entrada, que acabam ainda ensejando a imputação de “incompletude/inexatidão”, nos moldes da DI no 08/06310949. Na DI no 08/09351638 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.26 do Relatório Fiscal (fl. 8115), nas DI no 08/09443672 (adições 001 a 004) e no 08/09888330 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.27 do Relatório Fiscal (fls. 8115/8116), na DI no 08/10266517 (adições 001 a 004), tratada no item 4.2.1.30 do Relatório Fiscal (fl. 8117), e na Fl. 8499DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.486 29 DI no 08/18028925 (adição 001), tratada no item 4.2.1.38 do Relatório Fiscal (fls. 8119/8120), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências com a proforma. Por fim, na DI no 08/12112185 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.35 do Relatório Fiscal (fl. 8118), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências que já foram objeto de retificação em relação a licenciamento, cabendo remissão ao tópico “(D)” deste item 4. Assim, ausente a fundamentação para a aplicação das penalidades propostas, pelo que se revela totalmente improcedente a autuação em relação às citadas DI. (T) DI no 08/10472290 Na DI no 08/10472290 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.31 do Relatório Fiscal (fl. 8117), a conduta imputada é “falsidade”/inidoneidade decorrente de inconsistência interna da fatura (o valor total US$ 92.286,10 diverge da soma dos valores indicados como pagamento antecipado e à vista no próprio documento US$ 92.850,85) e de divergência com a proforma. A remessa cambial foi no valor de US$ 92.850,85. Da mesma forma tratada no tópico “(P)” deste item 4, o ajuste de valor aduaneiro é efetuado com a aplicação de multa qualificada, imputandose falsidade à fatura. Contudo, como lá registrado, não se vê falsidade, embora haja efetivamente diferença de tributos a recolher. A inconsistência, não tendo sido justificada, e compatível o maior valor com a remessa, justifica a exigência das diferenças de tributos, mas não com multa de ofício de 150%, visto não restar configurada circunstância qualificadora. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantida a exigência do imposto de importação e das contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75%. (U) DI no 08/11396996 Na DI no 08/11396996 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.34 do Relatório Fiscal (fl. 8118), a conduta imputada é “falsidade”/inidoneidade decorrente de inconsistência interna da fatura, mas agora indicandose na fatura US$ 72.820,00, maior do que o efetivamente pago (US$ 72.776,87), aliada a divergência com a proforma. Não se vê nenhuma falsidade no exposto, da mesma forma que não se viu tópico “(P)” deste item 4 quando a divergência ensejava recolhimento de diferença de tributo. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento. (V) DI no 09/00831701 Fl. 8500DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 30 Na DI no 09/00831701 (adições 001 a 009), tratada no item 4.2.1.40 do Relatório Fiscal (fls. 8120/8121), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “subfaturamento”. Novamente se está a tratar de DI que já foi objeto de retificação no curso do despacho, antes do desembaraço, em razão de descrição incorreta e desconformidade da classificação, em virtude de laudo técnico, tendo sido também o valor FOB retificado para maior. E assumese tal incorreção, que já foi objeto de tratamento específico, como corroboradora de “falsidade”, o que seria endossado pela divergência com a proforma, e em relação às remessas cambiais. Nenhum tema novo, assim. E, havendo superioridade dos valores remetidos em relação aos indicados na fatura, afirma o autuante ter sido “comprovada cabalmente a falsidade dessa fatura instrutiva e o subfaturamento do valor declarado das mercadorias”. Como já tratado aqui em diversos tópicos deste item 4 (v.g. tópico “A”), não se amolda a conduta descrita ao subfaturamento, embora as diferenças decorrentes da remessa não justificada possam ensejar a exigência de tributos, sem a qualificação da multa. Assim, cabível a manutenção dos lançamentos a título de imposto de importação e contribuições, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício de 75%, tendo em vista não estarem comprovadas as circunstâncias que permitem sua majoração ao patamar de 150% em relação à DI. Contudo, deve ser afastada a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). 5. Da análise individualizada/ agrupada das Declarações de Importação demais fornecedores Utilizando a mesma subdivisão adotada no Relatório Fiscal, para facilitar o acompanhamento, passase a analisar as DI decorrentes de importação de outros fornecedores (ACELINK LIMITED, CHINA PROSPER ENTERPRISES LIMITED, RIZHAO HUAWEI SPINING AND WEAVING CO. LTD, e TEXTRA PTE item 4.2.2 do Relatório Fiscal fls. 8121 a 8151). E, a fiscalização, antes de ingressar no tratamento das DI em espécie, narra (fls. 8121/8122) que a diferença de preços praticados pela importadora em relação a tecidos idênticos (do mesmo fabricante) importados por outra empresa “corrobora a falsidade das invoices instrutivas das importações” (nos exemplos, citamse importações da empresa a preços unitários de US$ 3,59, comparado com o de outras US$ 3,77/3,78, e preços unitários de US$ 3,76, comparado com o de outras US$ 3,77/3,78). Em relação a outras mercadorias, informa o fisco que não foi possível comparar preços, porque a fiscalizada era importadora exclusiva. Já pelo início da argumentação, parece desconhecer o autuante as regras que disciplinam a valoração aduaneira. Diferenças de preço (ainda mais na magnitude detectada) não são necessariamente elementos caracterizadores, por si só, de “falsidade”. São, no máximo, indícios de subvaloração ou subfaturamento. Havendo subvaloração (emprego inadequado das disposições do Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, do qual o Brasil é signatário), devem ser empregadas as regras e os seis métodos sequenciais ali definidos. Não fica à escolha da fiscalização com quais mercadorias será comparada a importação, nem fica a cargo da fiscalização a determinação do Fl. 8501DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.487 31 que seja uma mercadoria idêntica. Na hipótese de afastamento do primeiro método (valor da transação), a definição de mercadoria idêntica se extrai do segundo método de valoração aduaneira. E ainda, inexistindo importação de mercadoria idêntica, não é impossível comparar, mas devese partir para os métodos subsequentes (sempre mediante afastamento, um a um, dos métodos antecedentes), como o de mercadoria similar (terceiro método), e assim por diante. Havendo subfaturamento, e não sendo possível objetivar o preço efetivamente praticado, a disciplina não é a prevista internacionalmente no Acordo de Valoração Aduaneira, mas a estabelecida nacionalmente no caput do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001: “Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. (grifo nosso) Como se vê, a determinação da base de cálculo do imposto de importação não é discricionária, mas seguindo critérios normativamente estabelecidos. E, ao que tudo indica, a autuação sequer parte para tais métodos, porque não logra afastar objetivamente o valor de transação (primeiro método). No máximo, ajustao às remessas efetuadas. Ainda na parte introdutória do item 4.2.2 do Relatório Fiscal, a fiscalização informa que também para os outros fornecedores há ocorrência de faturas com assinaturas diferentes de um mesmo signatário, acrescentando casos de faturas de fornecedores diferentes com mesma regra de formação numérica ou identidade gráfica, e faturas de um mesmo fornecedor com distintos padrões visuais. Como são frequentes as repetições de argumento (pois a autuação foi organizada por fornecedor e por DI, e não por assunto), serão recorrentes as menções a assuntos já analisados no item 4 deste voto. Fl. 8502DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 32 (A) DI no 07/09226666, no 07/09223425, no 07/09590410, no 07/0945826 0, no 07/10001058, no 07/09461555, no 07/12535807, no 07/09593028, no 07/10008834, no 07/12532107 e no 08/05538628 Nas DI no 07/09226666 (adição 001)4, no 07/09223425 (adição 001) e no 07/09590410 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.1 do Relatório Fiscal (fl. 8122), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura, além de anotações manuscritas na nota de entrada (agora com a expressão “poliviscose”). Tais anotações manuscritas ensejaram ainda, para a DI no 07/09590410, a atribuição de “incompletude/inexatidão”. Nas DI no 07/09458260 (adição 001), e no 07/10001058 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.2 do Relatório Fiscal (fl. 8123), nas DI no 07/09461555 (adição 001), e no 07/12535807 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.2.3 do Relatório Fiscal (fls. 8123/8124), na DI no 07/09593028 (adição 001), tratada no item 4.2.2.75 do Relatório Fiscal (fl. 8126), na DI no 07/10008834 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.6 do Relatório Fiscal (fls. 8126/8127), na DI no 07/12532107 (adição 001), tratada no item 4.2.2.8 do Relatório Fiscal (fl. 8129), e na DI no 08/05538628 (adição 001), tratada no item 4.2.2.9 do Relatório Fiscal (fls. 8129/8130), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura. Nenhum argumento novo, portanto, mas as mesmas motivações já rechaçadas por diversas vezes nos tópicos do item anterior (4) deste voto. Vejase novamente que o fisco revela preocupação com o fato de o valor das proformas ser substancialmente diferente do constante nas faturas. Mas tal situação foi corrigida no curso do despacho, antes do desembaraço, sob controle da própria fiscalização aduaneira, tendo sido ainda obtido licenciamento substitutivo junto ao órgão competente (tendo sido recolhidas multas em função de tais condutas, à época). Assim, afastase para as citadas DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), e em relação à DI no 07/09590410, também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (B) DI no 07/09590401 Na DI no 07/09590401 (adição 001), tratada no item 4.2.2.4 do Relatório Fiscal (fl. 8124), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por ter sido apresentada ao fisco uma fatura sem assinatura (fl. 159), e com valores, pesos e classificação diferentes dos constantes da DI, e outra assinada (fl. 158), que está em conformidade com a DI. Acusa ainda a fiscalização que a fatura sem assinatura é silente quanto às condições de pagamento. A situação é bem diferente da destacada no tópico “(G)” do item 4 deste voto (duplo faturamento), no qual a fatura entregue divergia da apresentada para desembaraço. Aqui, a fatura apresentada para desembaraço está em conformidade com a DI, não podendo desejar o fisco que prevaleça o documento não assinado sobre aquele apresentado no despacho. Ademais, na linha do expresso no tópico “(Q)” do item 4 deste voto, fatura sem assinatura equivale a ausência de fatura. 4 No Relatório Fiscal esta DI está indicada com um dígito a menos (07/0922666, ao invés de 07/09222666). 5 No Relatório Fiscal há dois itens 4.2.2.7, um na fl. 8126 e outro nas fls. 8127 a 8129. Estáse aqui a tratar do primeiro. Fl. 8503DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.488 33 Não comprovada a “falsidade” apontada, deve ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). (C) DI no 07/09591807 Na DI no 07/09591807 (adição 001), tratada no item 4.2.2.5 do Relatório Fiscal (fl. 8125), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, havendo ainda “ajuste no valor aduaneiro”. Novamente há apresentação de duas faturas comerciais à fiscalização, uma assinada (fl. 190) e outra não (fl. 189), com valores, pesos e classificações diferentes. Já se disse aqui que deve ser afastado de plano o documento não assinado, que não é admissível como fatura comercial. A fatura assinada indica um frete de US$ 4.306,00, em desconformidade com o frete indicado no conhecimento de carga (US$ 4.708,00 fl. 191). O valor constante da fatura, já incluído o frete declarado de US$ 4.306,00, é de US$ 77.772,92, e deve ser ajustado, em função do valor correto de frete, para US$ 78.174,92. A importação, pelo que detectou o fisco, ainda não havia sido paga integralmente. Não se vê, assim, qualquer prova de “falsidade” na fatura, devendo ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). O que se comprova é que o valor do frete inserido na fatura diverge daquele informado no conhecimento de carga (que se assume como correto). Não havendo justificativa plausível para a divergência, cabível a inclusão da diferença na base de cálculo do imposto de importação (como determina o Acordo de Valoração Aduaneira) e nas contribuições decorrentes. Assim, mantémse a exigência de imposto de importação e contribuições, acrescidos de juros de mora, apenas reduzindose o percentual da multa de ofício para 75% (em virtude da ausência de comprovação da ocorrência de circunstância qualificadora). (D) DI no 07/10372005 Na DI no 07/10372005 (adições 001 a 007), tratada no item 4.2.2.76 do Relatório Fiscal (fls. 8127 a 8129), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”. Narra a fiscalização que houve retificação da DI antes do desembaraço, alterandose a descrição do tecido nas sete adições, e, assim, “as invoices instrutivas identificam mercadorias diversas às efetivamente transacionadas, o que já revela a inidoneidade desses documentos”. Além disso, há divergências com proforma, e registrase 6 No Relatório Fiscal há dois itens 4.2.2.7, um na fl. 8126 e outro nas fls. 8127 a 8129. Estáse aqui a tratar do segundo. Fl. 8504DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 34 que não foi comprovado pagamento em relação a aproximadamente 45% do valor declarado na importação. Novamente insurgese a autuação em relação a dados da DI e das LI correspondentes que realmente estavam incorretos, mas foram retificados antes do desembaraço (após o pagamento de multas referentes às incorreções). Entende o fisco simplesmente que aquelas incorreções, objeto das retificações, ensejariam a “falsidade” da fatura comercial, com o que não se pode concordar. Como já exposto no tópico “(O)” do item 4 deste voto, patente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. Na linha do que parece entender o fisco, praticamente toda retificação de DI ensejaria “falsidade” da fatura comercial. Ausente qualquer prova de “falsidade” na fatura, deve ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). (E) DI no 09/07297840, no 09/09440810, no 09/10243730, no 09/1080316 6 e no 09/12134199 Nas DI no 09/07297840 (adição 001), no 09/09440810 (adição 001), no 09/10243730 (adição 001), no 09/10803166 (adição 001) e no 09/12134199 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.10 do Relatório Fiscal (fls. 8130 a 8132), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sendo ainda para a DI no 09/07297840 identificada a ocorrência de “subfaturamento”. Narra a fiscalização que DI diversa (no 10/00375791, instruída com fatura em nome da TEXTRA, descrevendo “tecido de malha urdidura, contendo 96% de fibras sintéticas de poliéster e 4% de elastano, estampado, título: 166 detex, peso: 208,08g/m2, largura: 150cm, com fios de borracha”, classificado na NCM 6005.34.00, foi retificada no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço, tendo em vista a constatação de incorreção na descrição e na classificação (exigindose multa e diferenças de tributos), para: “tecido de malha trama, estampado, contendo 96% de poliéster e 4% de elastano (sem fios de borracha), peso: 208,08g/m2, título: 166 detex, largura: 150cm”, classificado na NCM 6006.34.00. A empresa registrou outras cinco DI com mercadorias classificadas na NCM 6005.34.00, e descrição idêntica, relacionadas na tabela de fl. 8131 (exatamente as cinco tratadas neste tópico). Nas notas de entrada, não é mencionada a existência de fios de borracha, e, para a mercadoria importada por meio da DI no 09/12134199, é mencionada composição diversa (100% poliéster). Intimada a justificar as divergências, a empresa apenas informou que adotava nas notas de entrada o nome de fantasia do tecido. Diante da justificativa infundada (visto que não se está, nas notas de entrada, a usar efetivamente nome de fantasia), e do fato de as notas de entrada tratarem efetivamente de tecidos diversos (v.g. malha circular ao invés de urdidura), o fisco reiterou solicitação para esclarecimentos, não atendida. Conclui, assim, a fiscalização, que as mercadorias descritas nas DI não correspondem efetivamente às importadas (e descritas nas notas de entrada, assim como nos registros de saída). A fatura comercial, em nome da TEXTRA, instrutiva da DI no 09/07297840, tem ainda valores (US$ 55.569,43) divergentes em relação às remessas cambiais (US$ Fl. 8505DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.489 35 70.989,32 e US$ 15.200,00), embora haja vinculação manual em rodapé de apenas US$ 40.369,43 em relação à primeira remessa. Tal divergência, segundo o fisco, comprovaria ainda “subfaturamento”. Em seu Recurso Voluntário (fls. 8434 a 8439) a empresa afirma que a alocação parcial do câmbio se deve a prática de mercado, em virtude do elevado número de transações com os mesmos fornecedores, argumento que é até plausível, mas não convence se desamparado de elementos probatórios (como é o caso). Em relação às quatro DI restantes, haveria apenas “falsidade”, em função de divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura. Aqui a fiscalização deu um passo a mais: verificou incompatibilidade documental na descrição (não afastada pela empresa) entre as mercadorias importadas e aquelas que passaram a integrar o estoque da empresa. E a utilização da DI diversa (no 10/00375791) está em consonância com o art. 68 da Lei no 10.833/2003, citado no item 1 deste voto. Mas após tal passo novamente parou o fisco. Veja que a presunção legal permitiria a reclassificação das mercadorias descritas de forma idêntica (da NCM 6005.34.00 para a 6006.34.00), e a exigência das diferenças, considerando a descrição corrigida. Mas o fisco lança somente as diferenças decorrentes da divergência na remessa cambial, em relação à DI no 09/07297840. Assim, bastou ao fisco apurar a divergência, imputando a conduta de “falsidade” em relação às faturas, afirmando haver “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Não há nenhuma prova de falsidade. Contudo, o fato de as mercadorias estarem descritas de forma semelhante nas DI, aliados aos dados das notas de entrada, nos permite concluir ter havido divergência na descrição das mercadorias no corpo da DI. Assim, para as cinco DI, afastase a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e mantémse a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere ao apontado “subfaturamento” na DI no 09/07297840, entendese que há ausência de comprovação da justificativa por parte da recorrente, e ausência de comprovação de dolo por parte do fisco. Assim, afastase a imputação de “subfaturamento” e mantémse a exigência das diferenças em relação ao imposto de importação e às contribuições, acrescidas de juros de mora e da multa de ofício de 75% (em função da ausência de demonstração de circunstâncias qualificadoras). (F) DI no 09/09633651, no 09/10673270 e no 10/01941065 Nas DI no 09/09633651 (adições 001 e 002), no 09/10673270 (adições 001 e 002) e no 10/01941065 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.11 do Relatório Fiscal (fls. 8132/8133), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Fl. 8506DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 36 Além da informação de divergências com a proforma e em relação às remessas, a fiscalização novamente detecta incompatibilidade entre as descrições das faturas e as descrições das mesmas mercadorias importadas nas notas de entrada da empresa. Contudo, nas DI agora em análise, ao contrário do narrado no tópico “(E)”, não opera nenhuma presunção, havendo dúvida se o dado correto seria o da fatura ou o da nota de entrada, o que nos remete a discussão já travada no item 1 deste voto, quando transcrevemos o que nos parecia ser uma convicção do fisco (fl. 8091) de que a nota de entrada gozaria de maior credibilidade que o declarado na própria DI (e, na maioria dos casos, conferido por servidor aduaneiro): “Em razão da fidedignidade de que deve ser revestida a EFD que registra a movimentação das mercadorias (codificação atribuída pela empresa) estoque e vendas, configurase a efetividade da descrição das mercadorias constante da EFD” Não entendemos restar comprovado, no caso, nem “falsidade”, nem sequer “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, pelo que deve ser afastada a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (G) DI no 09/11100193, no 09/15794432, no 09/17311323 e no 10/04367874 Nas DI no 09/11100193 (adições 001 e 002), no 09/15794432 (adições 001 e 002), no 09/17311323 (adição 001) e no 10/04367874 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.12 do Relatório Fiscal (fls. 8133 a 8135), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. As mercadorias descritas nas DI são “tecidos de fibras sintéticas descontínuas, contendo 100% poliéster, em ponto de tela, título: 90 detex, largura: 152 cm, peso: 102 g/m2, tintos e branqueados”, e “... título: 90 detex, largura: 152 cm, peso: 102 g/m2, tintos”, classificadas, respectivamente, nas NCM 5512.19.00 e 5512.11.00. O fisco informa ainda que a primeira DI foi desembaraçada no canal vermelho de conferência, mas sem a emissão de laudo técnico. Nas DI no 09/11100193, no 09/17311323 e no 10/04367874, a EFD (fls. 6143 e 6146) revela que os tecidos eram “tactel peletizado 1.7”. Novamente a empresa informou, quando intimada, que em virtude de erro os tecidos foram cadastrados pelo nome de fantasia. Na DI no 09/11100193, a EFD (fl. 6145) discrimina “cetim charmousse”, o que não contraria a classificação declarada, mas a cópia da nota fiscal apresentada (não se indica a página) continha a expressão “tactel” manuscrita. Destaca ainda o fisco que a empresa não apresentou a descrição completa dos tecidos para os códigos da EFD, e que a inidoneidade das invoices evidenciase ainda em razão de divergência com a proforma e nas condições de pagamento. Novamente a fiscalização se contenta com as informações que colheu, deixando de verificar o que efetivamente ocorreu no caso, e partindo do pressuposto de que prevalecem informações da EFD e outras manuscritas em notas de entrada sobre as detalhadas na fatura comercial instrutiva e na declaração de importação, inclusive no caso em que Fl. 8507DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.490 37 selecionada a DI para canal vermelho com verificação dos tecidos por servidor competente. Há que se ter elementos mais conclusivos para o que deseja imputar o fisco. E a inexatidão imputada se refere a dados da EFD, em relação a importações para as quais o detalhamento foi efetuado nas DI e na fatura comercial. Ausente, assim, a falsidade e a inexatidão/incompletude, pelo que deve ser, para as DI indicadas neste tópico, cancelado o lançamento. (H) DI no 09/12645894, no 09/13444825, no 09/13974972, no 09/1425673 9, no 09/16057903, no 09/16699565, no 09/13232445, no 09/15023010, no 09/14254159, no 09/17301999 e no 10/02459143 Nas DI no 09/12645894 (adição 001), no 09/13444825 (adições 001 e 002), no 09/13974972 (adição 001), no 09/14256739 (adições 001 e 002), no 09/16057903 (adição 001)e no 09/16699565 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.13 do Relatório Fiscal (fls. 8135 a 8137), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Para a no 09/13444825 houve ainda a imputação de “subfaturamento” e a exigência de imposto de importação e contribuições (afastada pela DRJ, pelo fato de ter havido equívoco na autuação). Narra o fisco que em todas as DI houve omissão da informação sobre o beneficiamento do tecido. Sobre o assunto, remetemos ao tópico “(J)” do item 4 deste voto, no qual já informamos que a omissão de tal informação nas DI é caracterizadora da situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo aplicável a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere à imputação de “falsidade”, é novamente calcada em divergências com proforma, condições de pagamento e informações da EFD. Mantendo o entendimento reiteradamente externado neste voto, ausente resta a comprovação de “falsidade”. Nas DI no 09/13232445 (adição 001), no 09/15023010 (adição 001), no 09/14254159 (adição 001) e no 09/17301999 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.14 do Relatório Fiscal (fls. 8137 a 8140), e na DI no 10/02459143 (adição 001), tratada no item 4.2.2.19 do Relatório Fiscal (fl. 8144), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Novamente a “falsidade” por divergências com proforma, condições de pagamento e informações da EFD, e a “incompletude/incorreção” por ausência de informação sobre beneficiamento. Assim, para as DI referidas neste tópico, afastase a imputação de “falsidade”, e a correspondente multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento), mantendose a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (I) DI no 09/14453470 Fl. 8508DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 38 Na DI no 09/14453470 (adição 001), tratada no item 4.2.2.15 do Relatório Fiscal (fl. 8140), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. No entanto, no detalhamento da DI parece que a conduta imputada (sem o correspondente lançamento) é de que haveria erro de classificação fiscal (e não “inexatidão/incompletude na descrição da mercadoria”. Sustentase a “inidoneidade” da fatura pela divergência de peso entre invoice e proforma e pelas informações de EFD, novamente carecendo de substância probatória a imputação do fisco. Afastase, então, para a referida DI, a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), e também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (J) DI no 10/01938935 e no 10/10552386 Nas DI no 10/01938935 (adição 001) e no 10/10552386 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.16 do Relatório Fiscal (fls. 8140/8141), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Além das comumente citadas divergências com proforma e com informações de EFD (que devem, segundo o autuante, prevalecer sobre as descritas na DI e na fatura), agora o fisco detecta divergência relevante por si só, semelhante à já mencionada no tópico “(C)” deste item 5: a da fatura com o outro principal documento instrutivo da DI, o conhecimento de carga, na DI no 10/01938935. A fatura instrutiva de tal DI (fl. 3105) indicava peso bruto de 23.941,60 kg, e o conhecimento de carga (fl. 3109) 25.090 kg, sendo que ambos tratavam de 1190 rolos de tecido. Examinando a divergência, não nos parece (assim como provavelmente não pareceu ao AFRFB que desembaraçou a DI em canal vermelho, com exame documental e verificação das mercadorias cf. fl. 3101) que se trate de “falsidade”, mas de efetiva divergência. A divergência entre fatura e conhecimento teria maior dimensão se fosse ao revés (conhecimento de carga indicando peso menor que a fatura), pois aí haveria discussão inclusive sobre a propriedade da mercadoria excedente. Não há, então, comprovação de “falsidade”, assim como não há detalhamento específico da “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” em relação às mercadorias importadas, o que motiva o afastamento tanto da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) quanto da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (K) DI no 10/02457035, no 10/02911070, no 10/02459135, no 10/0689715 3, no 10/02927635, no 10/02931438, no 10/02933848, no 10/08534970, no 10/06419634, no 10/12626220, no 10/08376541, no 10/09188781, no 10/10556330, no 10/14884294, no 10/15923668, no 10/18884868 e no 10/18885686 Nas DI no 10/02457035 (adição 001) e no 10/02911070 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.17 do Relatório Fiscal (fls. 8141/8142), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as Fl. 8509DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.491 39 razões não são substancialmente diferentes das já repetidamente tratadas neste voto (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Nas DI no 10/02459135 (adição 001) e no 10/06897153 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.18 do Relatório Fiscal (fls. 8142 a 8144), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões também não destoam das recorrentemente citadas neste voto (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Agregase somente uma: a existência de concessão de desconto pelo fornecedor em data posterior ao desembaraço. Nas DI no 10/02927635 (adição 001), no 10/02931438 (adição 001), no 10/02933848 (adição 001) e no 10/08534970 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.20 do Relatório Fiscal (fls. 8144/8145), nas DI no 10/06419634 (adição 001) e no 10/12626220 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.21 do Relatório Fiscal (fls. 8145/8146), na DI no 10/08376541 (adição 001), tratada no item 4.2.2.23 do Relatório Fiscal (fl. 8147), na DI no 10/09188781 (adição 001), tratada no item 4.2.2.24 do Relatório Fiscal (fls. 8147/8148), e na DI no 10/10556330 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.25 do Relatório Fiscal (fls. 8148/8149), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões se repetem (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Nas DI no 10/14884294 (adição 001) e no 10/15923668 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.26 do Relatório Fiscal (fl. 8149), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões são basicamente as aqui externadas (divergência com proforma, nota de entrada e nas condições de pagamento). Na DI no 10/18884868 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.27 do Relatório Fiscal (fl. 8150), e na DI no 10/18885686 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.28 do Relatório Fiscal (fls. 8150/8151), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões não fogem muito ao aqui já discutido (divergência com proforma, com EFD e nas condições de pagamento, e “inconsistência” interna da fatura por não indicar o prazo para pagamento). Na DI no 10/21357202 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.29 do Relatório Fiscal (fl. 8151), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, por divergência com proforma, nota de entrada e condições de pagamento, e “inconsistência” interna da fatura, que indica pagamento integral à vista, mas na parte inferior discrimina pagamento antecipado). Nenhuma dessas alegações conduz à “falsidade”, não havendo em nenhum caso, detalhamento específico de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, mesmo nas remissões à EFD. Devem ser afastadas, assim, a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e a multa de 1% por inexatidão/incompletude, nas DI referidas neste tópico. (L) DI no 10/07152305 Fl. 8510DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 40 Na DI no 10/07152305 (adição 001), tratada no item 4.2.2.22 do Relatório Fiscal (fls. 8146/8147), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, fundamentada em divergência com proforma e nas condições de pagamento, e na existência de retificação efetuada na DI antes do desembaraço, alterando a descrição da mercadoria, o que tornaria “falsa” a fatura). Novamente presente a confusão entre “falsidade” e “incorreção”, e ausente a comprovação da existência de conduta apenada com a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), que deve ser, então, afastada. (M) DI no 10/07152305 Por fim, não foi possível localizar, nem no Relatório Fiscal, nem na decisão de piso, detalhamento da conduta praticada em relação à DI no 08/16703986 (adição 001), pelo que se considera improcedente a autuação em relação a tal declaração, por ausência de motivação. 6. Da alegação de confisco Alega a recorrente (fls. 8456 a 8462) ser a multa aplicada em substituição ao perdimento confiscatória. Contudo, tal multa tem expressa previsão legal: § 3o do art. 23 do Decreto Lei no 1.455/1976, e não pode ser afastada sob fundamento de inconstitucionalidade por este tribunal administrativo, como esclarece a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Procedente, assim, a aplicação de tal multa, na hipótese tratada no tópico “(G)” do item 4 deste voto, a única na qual restou mantida a imputação de falsidade. Cabe ainda destacar que a questão referente à qualificação da multa foi debatida ao longo do voto, em cada tópico específico. 7. Considerações a título de síntese Como resultado da análise individualizada das declarações de importação que foram objeto da autuação, percebese que há generalizada confusão, por parte do autuante, em relação à distinção entre “incorreção” e “falsidade”, e que se dá excessiva força a documento (fatura proforma) que sequer tem disciplina na legislação, e não vincula de forma alguma a negociação. Há ainda valorização de informações manuscritas (às vezes ilegíveis) em detrimento do que espelha o teor de todos os documentos instrutivos da operação (em diversos casos após a fiscalização aduaneira ter examinado fisicamente a mercadoria, chegando à conclusão de que não havia incorreção). Por outro lado, é patente a falta de organização da autuada, que dificultou sobremaneira a vinculação das informações (v.g. cambiais), e alterava rotineiramente as informações prestadas no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço (isso fica Fl. 8511DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.492 41 patente pelo enorme número de LI substitutivas e pela quantidade significativa de penalidades que a ela forma aplicadas no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço, nas DI que agora são revisadas). Mas daí a concluir que a “desorganização” seria dolosa/deliberada, tendo um fim, há uma distância que não foi percorrida pelo fisco. A fiscalização atribuiu invariavelmente a falsidade em DI para as quais houve divergência de remessa cambial, ainda que irrisória (para mais ou para menos), ou mesmo nos casos em que a divergência sequer tangenciou o valor, mas se resumiu à forma de pagamento. Assim, acabou por propor a aplicação da pena de perdimento (substituída por multa no valor da mercadoria) por “falsidade” em hipóteses nas quais somente conseguiu provar “divergências”. A impressão que se tem, ao final da leitura, é de que na maioria dos casos havia indícios suficientes (por exemplo, as faturas com assinaturas diferentes) para que a fiscalização aduaneira aprofundasse as investigações do ocorrido, comparando os documentos apresentados com outros eventualmente obtidos com despachantes/intervenientes/adquirentes, reunindo arsenal probatório que efetivamente indicasse “falsidade”. Na forma em que foram apresentados os fatos na autuação (e no Relatório Fiscal), e com os documentos aqui acostados, verificamse poucas “falsidades” e muitas “incorreções” (daí a manutenção daquelas objetivamente configuradas), e não se duvida que tais “incorreções” possam ter sido deliberadamente inseridas, mas incumbiria ao autuante a prova de suas alegações de “falsidade”, ônus do qual este não se desincumbe a contento nos autos. Por derradeiro, para facilitar a liquidação do presente acórdão pela unidade local, apresentase tabela7 que sintetiza o resultado do julgamento, por declaração de importação: DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 07/0922266‐6 1 FII FII ‐ 5.A 07/0922342‐5 1 FII FII ‐ 5.A 07/0945826‐0 1 FII FII ‐ 5.A 07/0946155‐5 1 FII FII ‐ 5.A 07/0946208‐0 1 FII FII ‐ 4.F 07/0959040‐1 1 FII FII ‐ 5.B 07/0959041‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.A 07/0959180‐7 1 FII/AVA/CT FII CT (J/M‐75%) 5.C 07/0959302‐8 1 FII FII ‐ 5.A DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 07/1000105‐8 1 FII FII ‐ 5.A 07/1000883‐4 1 e 2 FII FII ‐ 5.A 07/1037055‐0 1 e 2 FII ‐ FII 4.G 07/1037200‐5 1 a 7 FII FII ‐ 5.D 07/1252167‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.H 07/1253210‐7 1 FII FII ‐ 5.A 7 Os dados referentes a cada DI/adição foram retirados da autuação e do Demonstrativo de Infrações de fls. 7947 a 7955 (lançado), e do próprio voto (constando coluna referente às rubricas afastadas, mantidas e o local do voto onde se encontram informações sobre cada uma delas). Fl. 8512DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 42 07/1253580‐7 1 e 2 FII FII ‐ 5.A 07/1253926‐8 1 e 2 FII FII ‐ 4.H 07/1399233‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.I 07/1416735‐0 1 FII FII ‐ 4.I 08/0092247‐0 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0092248‐9 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0092518‐6 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF/CT ‐ 4.K 08/0115965‐7 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0116011‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0161256‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0163823‐7 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.M 08/0163825‐3 1 FII FII ‐ 4.M 08/0172276‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.N 08/0175285‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.N 08/0235292‐2 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0240642‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0313566‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0313567‐4 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0320604‐0 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%)/DIM 4.O 08/0321274‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0328601‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0328602‐8 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.O 08/0396859‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0408732‐0 1 a 5 FII FII ‐ 4.Q 08/0534333‐9 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/0534886‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0538641‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/0546152‐8 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/0546153‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0553862‐8 1 FII FII ‐ 5.A 08/0624969‐7 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0626431‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0631093‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0631094‐9 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.S 08/0640952‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0901918‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.L 08/0901919‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0901920‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0935163‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.S DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 08/0944367‐2 1 a 4 FII FII ‐ 4.S 08/0944369‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0969902‐2 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0988832‐1 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.R 08/0988833‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0988834‐8 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1026651‐7 1 a 4 FII FII ‐ 4.S Fl. 8513DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.493 43 08/1026652‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1047229‐0 1 e 2 FII/AVA/CT FII CT (J/M‐75%) 4.T 08/1074265‐3 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1074266‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1130954‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1130955‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1130956‐2 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.R 08/1139694‐5 1 a 4 FII/AVA/CT (adições 1 e 2), e FII/DIM/SF/CT (adições 3 e 4) FII (adições 1 e 2), e FII/SF (adições 3 e 4) CT (J/M‐75%) para as adições 1 e 2, e DIM/CT (J/M‐75%) para as adições 3 e 4 4.P 08/1139696‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1139697‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1139699‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.U 08/1184381‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1184405‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1184448‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1211095‐6 1 a 4 FII FII ‐ 4.L 08/1211218‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1226588‐7 1 a 3 FII FII ‐ 4.L 08/1346922‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/1346923‐0 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1346924‐9 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1409170‐3 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/1411599‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1461790‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/1462472‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1567087‐1 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1567088‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/1567089‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1574365‐8 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF CT (J/M‐75%) 4.B 08/1651415‐6 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1652087‐3 1 FII FII ‐ 4 08/1652881‐5 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1660336‐1 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 08/1670396‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1670397‐8 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1670398‐6 1 FII FII ‐ 5.M 08/1701378‐9 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1742866‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/1742867‐9 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1742868‐7 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D Fl. 8514DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 44 08/1768342‐3 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1768753‐4 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1802728‐7 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1802846‐1 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1802892‐5 1 FII FII ‐ 4.S 08/1803248‐5 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1925539‐9 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/1926134‐8 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/2014197‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/2014441‐4 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.E 08/2026331‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 09/0083040‐3 1 FII FII ‐ 4.A 09/0083170‐1 1 a 9 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.V 09/0467540‐2 1 DIM ‐ DIM 2 09/0467544‐5 1 DIM ‐ DIM 2 09/0729784‐0 1 FII/DIM/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%)/DIM 5.E 09/0944081‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/0963365‐1 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 09/1024373‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1067327‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 09/1080316‐6 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1110019‐3 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 09/1213419‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1264589‐4 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1323244‐5 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1344482‐5 1 FII/DIM/SF/CT SF/CT (afastados pela DRJ) e FII DIM 5.H 09/1397497‐2 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1425415‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1425673‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1445347‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.I 09/1502301‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1579443‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 09/1605790‐3 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1630255‐0 1 CF/LI/DIM CF/LI DIM 1 e 2 09/1669956‐5 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1730199‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1731132‐3 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 10/0101018‐5 1 CF/LI/DIM CF/LI DIM 1 e 2 10/0193893‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.J 10/0194106‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 10/0245703‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0245913‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0245914‐3 1 FII/DIM FII DIM 5.H 10/0291107‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K Fl. 8515DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.494 45 10/0292763‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0293143‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0293384‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0436787‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 10/0641963‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0689715‐3 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0715230‐5 1 FII FII ‐ 5.L 10/0837654‐1 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0853497‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0918878‐1 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1055238‐6 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.J 10/1055633‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1262622‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1488429‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1592366‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1888486‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1888568‐6 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/2135720‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K Legenda: AVA: o lançamento se deve a ajuste do “valor aduaneiro” CF: o lançamento se deve a “desconformidade da classificação fiscal” CT: houve lançamento de crédito tributário (imposto de importação e contribuições) para a DI/adição, com acréscimo de juros de mora e multa qualificada (150%) CT (J/M75%): foi mantido o lançamento no que se refere ao imposto de importação e às contribuições, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício de 75% (não qualificada) DIM: o lançamento se deve a “descrição incompleta das mercadorias” ou a “incompletude ou inexatidão da descrição declarada da mercadoria” FII: o lançamento se deve a “falsidade na invoice instrutiva” LI: o lançamento se deve a “importação ao desamparo de LI” SF: o lançamento se deve a “subfaturamento do valor declarado das mercadorias” Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída ao final do voto. Rosaldo Trevisan Fl. 8516DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 46 Fl. 8517DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10166.900886/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INADMISSIBILIDADE.
Não deve ser admitido o Recurso Voluntário que não impugnou qualquer dos fundamentos apresentados pela decisão de primeira instância para indeferir o pedido do contribuinte.
Recurso Voluntário não Admitido.
Numero da decisão: 3102-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO. Recorrente CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DO DISTRITO FEDERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INADMISSIBILIDADE. Não deve ser admitido o Recurso Voluntário que não impugnou qualquer dos fundamentos apresentados pela decisão de primeira instância para indeferir o pedido do contribuinte. Recurso Voluntário não Admitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender, dentre outras razões, que uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 08 86 /2 00 8- 10 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratam os autos de declaração de compensação transmitida em 02/09/2004, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 4.228,78, relativos à Contribuição para o PIS/Pasep PIS, com créditos relativos a pagamento indevido ou a maior também de PIS, referente ao período de apuração de 15/07/2004. Em despacho decisório (fl. 05) emitido em 24/04/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 33251.34809.020904.1.3.040003, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF informado, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Cientificada da decisão em 05/05/2008 (fl. 05 – verso), a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 23/05/2008 (fls. 01 a 03), alegando, em síntese, que efetuou, em 20/05/2008, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 2º trimestre de 2004, em especial do valor do PIS devido do período de apuração de abril de 2004 (Fls. 23). Informa também que efetuou a retificação do Per/Dcomp nº 29637.90627.170604.1.3.046311, alterando o DARF referente ao direito creditório, como tendo origem em pagamento indevido ou a maior de PIS referente ao período de apuração de março de 2004 (fls. 32 a 37). Indica que, da retificação do Per/Dcomp nº 29637.90627.170604.1.3.046311, verificase saldo de R$ 1.871.63 e que da retificação da DCTF, crédito de 2.557,15, existindo, portanto, crédito suficiente para a compensação de R$ 4.228,78. Por fim, requer revista a decisão administrativa que não homologou a compensação realizada.. A DRJ em Brasília julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.900886/200810 Acórdão n.º 3102002.203 S3C1T2 Fl. 13 3 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho limitandose a afirmar o seguinte: O débito no valor de R$ 4.228,78, referente ao PIS/PASEP do período de apuração 30.06.2004 e vencimento em 15.07.2004 foi inscrito na PGFN em 17.03.2011 sob o n 10 7 11 00002549, sendo extinto com pagamento realizado em 29.04.2011 no valor de R$ 28.566,78, este é composto pelos valores originais de R$ 8.464,68, R$ 4.228,78, mais a multa e juros. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a autoridade recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes argumentos: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. O contribuinte, por outro lado apresentou Recurso Voluntário (fl. 55) contra a referida decisão, limitandose a alegar o seguinte: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 O débito no valor de R$ 4.228,78, referente ao PIS/PASEP do período de apuração 30.06.2004 e vencimento em 15.07.2004 foi inscrito na PGFN em 17.03.2011 sob o n 10 7 11 00002549, sendo extinto com pagamento realizado em 29.04.2011 no valor de R$ 28.566,78, este é composto pelos valores originais de R$ 8.464,68, R$ 4.228,78, mais a multa e juros. Da simples leitura da íntegra do Recurso Voluntário, verificase que o Recorrente não impugnou qualquer dos fundamentos da decisão de primeira instância para indeferir do seu pedido, resumindose a alegar que o débito objeto do pedido de compensação teria sido pago, sem, contudo, apresentar sequer um argumento para sustentar o crédito, que é justamente o objeto do presente litígio. Afinal, não paira qualquer dúvida sobre o débito, que fora devidamente confessado em DCTF. Ocorre que para a válida interposição de recurso voluntário é necessário que o contribuinte refute, de maneira específica, os fundamentos da decisão recorrida. Em outras palavras, é imposto ao recorrente o ônus de evidenciar os motivos de fato e de direito suficientes à reforma da decisão ataca, trazendo argumentos capazes de infirmar todos ou alguns os fundamentos da decisão que se pretende modificar, sob pena de vêla mantida. Motivar ou fundamentar um recurso é criticar a decisão recorrida, indicando os erros que ela contém, e não trazer alegações de forma genérica ou alheias à lide, fundadas no mero inconformismo, como ocorrido no caso em análise, acarretando por conseguinte, ofensa direta ao princípio da dialeticidade, prevista no art. 514, II do CPC, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. Sobre o conteúdo e alcance do princípio da dialeticidade, Cassio Scarpinella Bueno, assim defendeu: O "princípio da dialeticidade" (...) atrelase com a necessidade de o Agravante demonstrar as razões de seu inconformismo, revelando por que a decisão lhe traz algum gravame e por que a decisão deve ser anulada ou reformada. Examinado o princípio desta perspectiva, é irrecusável a conclusão de que ele está intimamente ligado à própria regularidade formal do recurso e ao entendimento, derivado do sistema processual civil (...), de que não é suficiente a interposição do recurso mas que o Agravante apresente, desde logo, as suas razões. Aplicação correta do princípio aqui examinado encontrase na Súmula 182 do STJ, segundo a qual: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (...) Embora os enunciados (e os precedentes) dessas Súmulas digam respeito a específicas modalidades recursais, é correto e desejável sua ampliação para albergar quaisquer recursos. Importa, a este respeito, destacar que o recurso deve evidenciar que a decisão precisa ser anulada ou reformada, e não que o Agravante tem razão. É inepto o recurso que se limita a reiterar as razões anteriormente expostas e que, com o proferimento da decisão, foram rejeitadas. A tônica do recurso é remover o obstáculo criado pela decisão e não reavivar razões já repelidas. O recurso tem de combater a decisão jurisdicional naquilo que ela o prejudica, naquilo que ela lhe nega pedido ou posição de vantagem processual, demonstrando o seu desacerto, do ponto Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.900886/200810 Acórdão n.º 3102002.203 S3C1T2 Fl. 14 5 de vista procedimental (error in procedendo) ou do ponto de vista do próprio julgamento (error in judicando). Não atende ao princípio aqui examinado o recurso que se limita a afirmar a sua posição jurídica como a mais correta. .1 Como se vê, o recurso deve ser apresentado com os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão prolatada, não sendo reconhecida a súplica sem a devida fundamentação. Neste sentido, é o entendimento pacífico da Suprema Corte: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DO CONTEÚDO DA DECISÃO ATACADA. INEFICÁCIA COMO MEIO DE MODIFICAÇÃO DO PRONUNCIAMENTO JUDICIAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ENUNCIADOS SUMULARES 284/STF E 182/STJ. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS EM CURSO NO STJ. DESNECESSIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. À parte incumbe manifestar a sua irresignação com dialética suficiente para evidenciar eventual desacerto do pronunciamento atacado, sob pena de, não o fazendo, ter o seu recurso fadado ao insucesso. Aplicação do princípio da dialeticidade e do enunciado sumular 284/STF. 2. "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada" (Súmula 182/STJ). 3. "O artigo 543C do Código de Processo Civil não previu a necessidade de sobrestamento nesta Corte Superior do julgamento de recursos que tratem de matéria afeta como representativa de controvérsia, mas somente da suspensão dos recursos nos quais a discussão esteja estabelecida nos tribunais de segunda instância" (AgRg no REsp 1.327.009/RS, Quarta Turma, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 19/11/12). 4. Agravo regimental não conhecido. Como é possível perceber, no caso em análise é incontestável a ofensa ao princípio da dialeticidade, uma vez que o Recorrente nada mencionou a respeito dos supostos fundamentos para afastar a decisão recorrida, limitandose apenas a afirmar a insubsistência e improcedência da comunicação do acórdão, e requerendo que fosse acolhido o recurso para cancelar o débito fiscal, quando na verdade o que se discutia era a existência ou não de crédito. Neste contexto, não há dúvidas que o recurso voluntário não deve ser admitido, por lhe faltar um dos pressupostos essenciais que é justamente a insurgência quanto aos fundamentos da decisão recorrida. Pelo exposto, voto por NÃO ADMITIR o presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] 1 BUENO. Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. Vol. 5. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Andréa Medrado Darzé Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13056.000066/2004-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO.
Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte.
Numero da decisão: 1202-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nereida de Miranda Finamore Horta e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 66 /2 00 4- 38 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 342 2 Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nereida de Miranda Finamore Horta e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Tratase o presente processo de duas Manifestações de Inconformidade (fls. 215/227 e fls. 254/259) apresentadas em decorrência de três despachos decisórios proferidos na discussão de um mesmo direito creditório, decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica – IRPJ, períodobase 4º Trimestre de 2003, no montante de R$ 1.164.211,10 (fl. 24), informadoe pleiteado através da PER/DCOMP nº 05079.98435.090207.1.7.020667 (fls. 62/66). Em 30/01/2004, a Recorrente, antiga PROPÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., protocolou a PER/DCOMP,conforme fl. 02, vinculada a esse processo. A própria Recorrente apresentou uma petição em 08/01/2007 (fls. 17/18), solicitando a alteração do débitode IRPJ de R$ 166.920,60 para R$ 0,01, por não existirem débitos no 4º trimestre de 2003, justificando tal alteração para não anular o processo e, em consequência, manter o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2003 e todas as demais compensações transmitidas posteriormente. Sendo assim, a Delegacia da Receita Federal, tendo em vista a não existência do débito de IRPJ, excluiu do sistema e arquivou o processo. Em fevereiro de 2007 e maio de 2008, a Recorrente transmitiu outras Declarações de Compensação (fls. 60 a 114) para compensar débitos diversos utilizando o crédito Saldo Negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2003 no valor de R$ 1.164.211,10. Para análise dos pedidos, foi solicitado o desarquivamento do aludido processo. Após o desarquivamento do processo, a autoridade competente solicitou a revisão do processo administrativo. Em decorrência da revisão, foi proferido Despacho Decisório (fls. 187/191),queconcluiu que o saldo negativo informado era incorreto, sendo o correspondia, de fato, a R$ 127.361,61, e RECONHECEU PARCIALMENTE “O DIREITO CREDITÓRIO em favor da interessada no valor de R$ 127.361,61 (cento e vinte c sete mil trezentos e sessenta e um reais e sessenta e um centavos) referente ao Saldo Negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2003. Por conseguinte, homologo a compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação DComp até o limite do crédito ora reconhecido e não homologo a compensação dos débitos que ultrapassarem o limite” e determinou o arquivamento dos autos. Em 13/06/2011 foi proferido um novoDespacho (fls. 203), que analisou as declarações de compensação apresentadas pela Recorrente. Foram listados números de Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 343 3 PER/DCOMP, com compensações homologadas, homologadas parcialmente, não homologadas e não admitidas. Inconformada, a Recorrente apresentou duas Manifestações de Inconformidade que, conformerelatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), resumem bem as alegações apresentadas. Vejamos: “Primeira Manifestação de Inconformidade A recorrente diz que é fato incontroverso que sofreu retenções de imposto na fonte e que tais valores foram recolhidos aos cofres públicos. Afirma que a própria Receita Federal já havia fiscalizado o crédito da manifestante, acatandoo e permitindo sua compensação. Em tendo o fisco validado o saldonegativo, não poderia rever de ofício a decisão, pois o caso não se enquadra nas situaçõesautorizadas pelo art. 149 do CTN. Não existiria, então, base legal para a revisão da habilitaçãodo crédito já realizada pela Receita Federal. Outro argumento é de que a revisão da homologação do crédito teriaocorrido mais de cinco anos da entrega do documento original que constituiu o saldo negativode IRPJ. O documento que constituiu o saldo negativo do IRPJ, teria sido entregue em30/01/2004 e ciência da segunda revisão de ofício teria ocorrido em 12/04/2011. Entende a recorrente que se não for reconhecida a integralidade do saldonegativo, deve ser reconhecida a existência de um pagamento a maior. Alternativamente pede que não se exijam multa, juros e atualizaçãomonetária em face das compensações não homologadas, com base no § único do art. 100 doCTN. A empresa teria agido conforme a decisão administrativa proferida pela administração e,havendo mudança de entendimento, não pode a contribuinte ser penalizada.” “Segunda Manifestação de Inconformidade A contribuinte voltou ao processo para se pronunciar sobre o segundo despacho decisório (fls. 215/227). Diz, em síntese, que desconhece as razões pelas quais dois PER/DCOMP foram considerados como não admitidos. Pede a nulidade da decisão, pois inexistente fundamentação. Os PER/Dcomp em tal situação teriam o número inicial de 23080 e 34242.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/RS) julgouimprocedente as Manifestações de Inconformidade apresentadas pela Recorrente nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA.RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 344 4 Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 286/302), utilizando, em síntese, os mesmos argumentos das Manifestações de Inconformidade. Assim, em sede preliminar: (i)Arguiu a nulidade do despacho decisório pela falta de fundamentação, acarretando assim cerceamento de defesa; (ii) Alegou a ocorrência da decadência, uma vez que a segunda revisão de ofício da homologação ocorreu mais de cinco anos da entrega da declaração; (iii) Sustentou a homologação do crédito, uma vez que a própria Receita Federal do Brasil já havia fiscalizado o crédito da Recorrente, acatandoo e permitindo sua compensação; (iv) Arguiua impossibilidade da revisão de ofício, por não respeitar o artigo 149 do Código Tributário Nacional CTN. No mérito alegou: (i) A subsunção do fato à norma, por não haver norma que determine a possibilidade de análise da homologação, que não o artigo 149 do CTN; (ii) Que os valores que compuseram o saldo negativo de IRPJ para o ano de 2003, compostos de IRRF, foram efetivamente recolhidos; (iii) Que tendo ocorrido a retenção na fonte do Imposto de Renda no ano de 2003 e esta retenção sendo devidamente lançada nos registros contábeis em face do principio da competência, não poderia haver impedimento para sua utilização; (iv) De forma subsidiária o reconhecimento do erro de fato devido ao pagamento a maior; (v) Por fim, alegou que deve ser afastada a multa, os juros e a atualização monetária aplicada. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 345 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise das preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente a Recorrente alega a falta de fundamentação do despacho decisório, ocorrendo assim cerceamento do direito de defesa. Tal alegação não merece prosperar. Conforme verificado nos autos, o Despacho Decisório (fls. 174/178) expôs de forma clara todos os motivos que levaram à não homologação do pedido de compensação, ilustrando inclusive com tabelas que demonstraram o valor total do Saldo Negativo de IRPJ, no valor de R$ 127.361,61, conforme fl. 177. Sendo assim, por estar amplamente motivado, em nada afeta o direito de defesa suscitado pela Recorrente. A Recorrente alega ainda a ocorrência da decadência, no sentido de que da data do protocolo do pedido de compensação até o momento da segunda revisão de ofício da homologação teria se passado um prazo superior a cinco anos, o que não ocorreu. O Pedido de Compensação foi protocolado em 30/01/2004, conforme fl. 02.Ocorre que a própria Recorrente apresentou uma petição em 08/01/2007 (fls. 17/18), solicitando a alteração do débitode IRPJ de R$ 166.920,60 para R$ 0,01, por não existirem débitos no 4º trimestre de 2003, justificando tal alteração para não anular o processo e, em consequência, manter o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2003 e todas as demais compensações transmitidas posteriormente. Sendo assim, por não existir débito, e devido a um erro de fato da Recorrente, a autoridade administrativa resolveu por bem excluir o débito apresentado no PER/DCOMP e arquivar o processo, fato este ocorrido em 24/01/2007. Posteriormente, em 22/12/2010, com base no disposto dos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) e do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, realizou o reexame do processo, tendo em vista os novos pedidos da Recorrente, verificando, assim, débito perante a Receita Federal, motivo pelo qual proferiu o Despacho Decisório de fls. 174/178, em 12/04/2011. A Recorrente alega que o despacho proferido em 24/01/2007 homologou o crédito, o que não ocorreu. Apenas em 12/04/2011 a Delegacia da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório homologando parcialmente o crédito. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 346 6 Sendo assim, não há que se falar em decadência, uma vez que o arquivamento ocorreu por próprio pedido da Recorrente, e só foi realizado o reexame tendo em vista os novos pedidos de compensação. Cumpre mencionar o trecho do despacho proferido em 24/01/2007: “Considerando que: a) a DCTF retificadora (fl. 56) não apresenta IRPJ; b) o contribuinte solicitou restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL (fl.02) e informou débito para o mesmo período em declaração de compensação (fl. 01). Isso configura erro de fato uma vez que as duas situação não são compatíveis; c) não há débito de IRPJ por isso não podemos alterar o valor para R$ 0,01 Opino pela exclusão do débito de IRPJ do sistema PROFISC e posterior arquivamento deste processo uma vez que se trata de DECOMP e o valor da mesma será zerado.” Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega que a Receita Federal homologou o crédito no primeiro despacho, em 24/01/2007. Conforme bem explanado no Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS): “No caso concreto não houve sequer a análise ou homologação da compensação, eis que a empresa optou por informar um débito inexistente, de um centavo de IRPJ. Em não existindo tal débito, a “declaração de compensação” não tinha objeto, pois pretendia compensar o nada. E, por isso, o processo foi arquivado. Ora, caso fosse interesse da empresa ver analisado e restituído todo o seu crédito, não deveria ter apresentado declaração de compensação (sem nada compensar), mas pedido de restituição, também previsto na IN já referida: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição”. A premissa sustentada pela recorrente é portanto, inválida. O processo foi arquivado em janeiro de 2007 porque não havia débito a compensar e, assim, sem análise do direito creditório.” Como última preliminar, a Recorrente suscitou a impossibilidade da revisão de ofício, por não haver previsão legal para tal procedimento. Tal alegação também não merece prosperar. O reexame do processo administrativo encontra respaldo legal nos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n 0 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 347 7 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e do art.23 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, as hipóteses de nulidade do processo administrativo fiscal estão presentes no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que não indicam essa alternativa: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Sendo assim, rejeito as matérias em sede preliminar. II – MÉRITO No mérito, a Recorrente alega a subsunção do fato à norma, sendo que reexame foi realizado de acordo com a Lei. Tal questionamento já foi comprovado acima, em relação às preliminares. O reexame do processo administrativo baseouse nos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e do art.23 do Decreto n° 70.235/72. Em relação à alegação de que a Recorrente sofreu retenção a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, cumpre novamente expor o voto do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/RS), com o qual compartilho: “Outro argumento da defesa: o de que teria havido pagamento a maior de IRRF. A retenção e o recolhimento foram efetuados por terceiras empresas, as fontes pagadoras. Essas fontes pagadoras por terem efetuado pagamentos à requerente, tinham obrigação legal de efetuar a retenção na fonte. Não houve, assim, pagamento indevido, nem pagamento a maior, já que calcularam e recolheram o tributo no montante previsto na legislação.” (não destacado no original) Na realidade, a Recorrente baseiase na premissa de que o fisco já havia reconhecido o direito creditório no despacho realizado em 2007,o que não ocorreu. Não Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 348 8 contesta ter reconhecido receitas a menor, nem traz qualquer outro argumento que possa modificar a situação. Por fim, a Recorrente alega que deve ser afastada a multa, os juros e a atualização monetária aplicada. Sustenta que não deve ser penalizada pelo motivo de mudança do entendimento da Receita Federal do Brasil. Mas uma vez, resta claro que a defesa da Recorrente baseouse no fundamento de que o despacho proferido em 24/01/2007 conheceu o direito creditório. Conforme já demonstrado, o despacho não reconheceu tal direito. Vale mais uma vez mencionar o voto do Acórdão da DRJ/RS, com o qual compartilho por elucidar a questão: “Não é verdade, não houve anterior reconhecimento de direito creditório e nem poderia ter havido, por falta de previsão legal. Em 2004 a empresa entregou uma “Declaração de Compensação” (fl. 2)com a qual procurava – inicialmente – compensar um débito de IRPJ de R$ 166.920,60. Aapresentação de “declaração de compensação” estava prevista, à época, na Instrução NormativaRFB nº 210 de 30/09/2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo atributo ou contribuiçãoadministrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálona compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aquaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivomediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2º compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condiçãoresolutória da ulterior homologação do procedimento. O objeto da declaração de compensação é, como o nome diz, acompensação de um débito com utilização de um crédito. O fisco, analisando o procedimento efetuado, poderá homologar, ou não, a compensação efetuada. O direito creditório pode sermuito superior ao valor compensado. A análise de DCOMP pelo fisco, no tocante ao crédito,fica limitada a verificar se a contribuinte possui crédito suficiente para efetuar aquelacompensação. No caso concreto, em determinado momento a contribuinte procurou compensardébito de um centavo, contra crédito de mais de um milhão de reais. Fosse o débito real,efetivo, a análise do fisco cingirseiaa verificar se a contribuinte possuía direito creditóriosuficiente para compensar um centavo. Se houvesse tal crédito, a compensação estariahomologada. O restante do direito creditório não estaria reconhecido, pois o objeto do pedido éa homologação daquela compensação.”(não destacado no original) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 349 9 Portanto, tendo em vista todo o acima exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidadee negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10183.002858/2006-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) INTEMPESTIVO, MAS APRESENTADO ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Tratando-se de Área de Preservação Permanente - APP decretada por meio de legislação estadual e declarada em DITR, cujo Ato Declaratório Ambiental - ADA foi apresentado, ainda que intempestivamente, mas anteriormente ao início da fiscalização, tal deve ser excluída da base tributável do ITR.
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem a exigência do ADA.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
Hipótese em que o Recorrido não apresentou o ADA tempestivamente, tampouco averbou a área na matrícula do imóvel, não comprovando, portanto, a área de reserva legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a glosa da área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior Relator
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Redator-Designado
EDITADO EM: 13/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) INTEMPESTIVO, MAS APRESENTADO ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Tratandose de Área de Preservação Permanente APP decretada por meio de legislação estadual e declarada em DITR, cujo Ato Declaratório Ambiental ADA foi apresentado, ainda que intempestivamente, mas anteriormente ao início da fiscalização, tal deve ser excluída da base tributável do ITR. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem a exigência do ADA. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que o Recorrido não apresentou o ADA tempestivamente, tampouco averbou a área na matrícula do imóvel, não comprovando, portanto, a área de reserva legal. Recurso especial provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 28 58 /2 00 6- 65 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a glosa da área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – RedatorDesignado EDITADO EM: 13/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01/08, através do qual se exige, do interessado, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2002, no valor original de R$ 1.170.685,54, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, incidente sobre o imóvel rural denominado " Fazenda Guaporé", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 1.091.4560, localizado no município de Vila Bela da Santíssima Trindade/MT. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal fl. 06/07, que foi apurado falta de recolhimento do ITR do exercício de 2002 após alteração da declaração do contribuinte, por não terem sido comprovadas as informações ali consignadas; que, o interessado foi intimado a apresentar Ato Declaratório Ambiental, Certidão ou Matricula atualizada no Registro Imobiliário e Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, com o objetivo de comprovar as áreas de preservação permanente e utilização Fl. 811DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 18 3 limitada/reserva legal, consideradas para efeito de cálculo do ITR; que, em resposta intimação a contribuinte apresentou simples cópia de matricula, Laudo Técnico e Mapa. Em sua impugnação o contribuinte requereu: a) a retificação de oficio da declaração (do ano de 2002, com relação as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Florestal Legal do imóvel em questão, considerando como de 100% (cem por cento) o Grau de Utilização da Terra (GUT), conforme Laudo técnico, nos termos do que dispõe o artigo 148 do Código Tributário Nacional, b) REALIZAR, caso essa Delegacia não se dê por satisfeita quanto aos documentos já apresentados e mais por aqueles que acompanham a impugnação, VISTORIA no imóvel rural, a fim de constatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como o Grau de Utilização da Terra constantes do Laudo Técnico, o que, restaria observada a norma constante do artigo 14 da Lei n° 9.393/96; c) DEFERIR a produção de prova pericial, nos termos do que permite artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, para a apuração das areas de reserva legal (utilização limitada), preservação permanente, valor da terra nua, bem como a aferição do Grau de Utilização Terra — GUT, sendo estes os quesitos a serem respondidos, indicando tanto o Engenheiro Agrônomo Jacob Kaiser, inscrito no UREA n° 2.469/DMT, com Caixa Postal n° 3545, CEP: 78070970, CuiabáMT, Fone: (65) 3391 1376.; d) JULGAR PROCEDENTE a Impugnação, tomando sem efeito o Auto de Infração, em razão de sua ilegalidade/inconstitucionalidade, julgando inexigível o crédito tributário lançado através da referida autuação, seja quanto ao imposto em si, seja no que tange a multa e os juros de mora, que como meros acessórios devem seguir a mesma sorte do principal no qual se fundamentam. A DRJ ao analisar a questão, alegou que o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA e que o laudo não discrimina, caso a caso, cada Area de preservação. Em sede de Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, deu provimento, em parte, ao recurso interposto pelo contribuinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 DESAPROPRIAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Comprovado que em 20/12/2001 o INCRA foi imitido na posse de parte do imóvel, é descabida a cobrança do ITR a ela relativo, no exercício de 2002. VTN. Demonstrado que, a área do imóvel é a constante do laudo relativo ao exercício de 2002 e sendo este mesmo laudo convincente, contendo inclusive a demonstração de todos os dados utilizados na amostra, deve ser acatado o VTN nele avaliado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Falta amparo legal para a exigência de ADA tempestivamente protocolizado, mesmo após o advento do artigo 10 da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, que acrescentou o artigo 17 O e parágrafo 1 0 A Lei n° 6.938, de 1981, estabelecendo que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4 MULTA DE MORA. Não tendo sido objeto da autuação e nem existindo qualquer menção A multa de mora nos autos, não há como tomar conhecimento do recurso a ela relativo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Ante a decisão proferida pelo colegiado a quo, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial para trazer a discussão à apreciação desta Turma da CSRF. O Recurso Especial é de divergência, com no fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, contra o Acórdão n° 320100.157, da l a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 507 a 521), julgado na sessão plenária de 21 de maio de 2009, que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte para reduzir a área total do imóvel, reverter as glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal, e fixar o Valor da Terra Nua —VTN de acordo com o laudo apresentado, totalizando R$660.284,90. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 525 a 529), que foram rejeitados (fl. 547). Cientificado dessa decisão em 4 de agosto de 2010 (fl. 547v), o recorrente apresentou o presente recurso tempestivamente no mesmo dia (fls. 549 a 563), apontando divergências com o Acórdão n° 30134.354, da l a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 26 de maio de 2008, e com o Acórdão n° 30239.244, da 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 29 de janeiro de 2008, para discutir a obrigatoriedade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA para a dedução das áreas de preservação permanente de reserva legal da base de calculo do:ITR, conforme ementas abaixo transcritas Acórdão n° 30134.354 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2002 ITR EXERCÍCIO 2002. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo essa expressamente obrigação (art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1 ° da Lei n° 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Acórdão n° 30239.244 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por Fl. 813DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 19 5 documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção prolatou Despacho n. 21000445/2010 — lª Câmara [fls. 575 e ss] que deu seguimento ao Recurso Especial interposto: Verifico, então, que os paradigmas decidiram que é obrigatória a apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir as áreas de preservação permanente de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido afastou essa obrigação, sendo que todas as decisões se referem a exercícios posteriores ao de 2000. Assim, patente está a divergência jurisprudencial. Intimado a se manifestar, o Contribuinte apresentou contrarrazões que reiteram os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o recurso e demonstrada a divergência quanto à obrigatoriedade da apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir as áreas de preservação permanente de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido afastou essa obrigação, sendo que todas as decisões se referem a exercícios posteriores ao de 2000, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Em sua peça recursal, a Fazenda Nacional fundamenta que a exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA é obrigatória para o ITR desde 2001 com base na redação prevista no artigo 17O, da lei n° 6.938/1981, em conformidade com a norma que estabeleceu o beneficio tributário (art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96). Segundo entendimento da autoridade fiscal, o direito do contribuinte está diretamente relacionado com a necessidade da apresentação da declaração ao órgão competente (IBAMA). Entende que a norma não exige que a comprovação das informações seja prévia, mas que esta deve ser feita para que sejam demonstradas provas das situações utilizadas para justificar a dispensa do pagamento do tributo, e que os laudos acostados aos autos não seriam meios de provas suficientemente complexos para suprir a ausência do ADA. Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da Fl. 814DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 6 veracidade das informações prestadas, foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo sido entregue, naquele momento, cópia das matrículas dos imóveis, nas quais constam averbação de áreas de utilização. Ainda, o contribuinte na impugnação e no recurso voluntário aduz que apresentou laudo onde constam área de preservação permanente de 9.873,9286 ha e área de reserva legal de 872,3345 ha. Conforme se verifica da autuação lavrada, a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17º O da Lei 6.938/8. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que: “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA”. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem penas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. A meu ver, o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Portanto, resta claro que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da Fl. 815DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 20 7 verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Dito isto, não me parece razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Ademais, o decisum recorrido faz menção expressa que áreas relativas a ARL e APP foram devidamente comprovadas, inclusive, por meio de ADA tido por intempestivo [fls. 51920]: [...]No que concerne às Áreas isentas, a glosa foi de todos os 9.532,4 hectares declarados como área de preservação permanente. A fiscalização alegou que o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA e que o laudo não discrimina, caso a caso, cada Área de preservação. Quanto A Área de utilização limitada, o interessado apresentou cópia de matricula onde consta que 50% da area do imóvel estava averbada a titulo de reserva legal. Porém, também para esta área, não há ADA tempestivamente protocolizado. 0 contribuinte havia apresentado ADA, recebido via Internet pelo IBAMA em 31/03/2006, em que constam Área de preservação permanente de 10.400,0 hectares e Área de reserva legal de 609,25 ha. Fez juntar também laudo onde é feita menção á uma "reserva florestal de 10.634,0178 ha, sendo 725,4474 ha de vegetação nativa e 9.908,5704 ha de preservação permanente". Explica a diferença entre os dois documentos aduzindo que antes de o laudo ficar pronto deu entrada no ADA e que a retificação não pode ser realizada em decorrência de problemas sérios no site do IBAMA. [...]Quanto aos fatos, todos os números acima expostos, que constam tanto da averbação, quanto do laudo e do próprio ADA, intempestivamente apresentado, confirmam que a propriedade tinha pelo menos os 9352,4 hectares de área isenta declarados. [Grifo nosso] Por tais razões, visto que devidamente comprovada a existência de ARL e APP nos termos declarados pelo contribuinte, CONHEÇO do Especial interposto, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Voto Vencedor Fl. 816DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 8 Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Designado Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto à área de reserva legal. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que devem ser excluídas da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Sendo recorrente a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 21 9 Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), assim dispunha o anterior Código Florestal, Lei n.º 4.771/65 (revogado pela Lei n.º 12.651/2012), o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 818DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 10 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as Fl. 819DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 22 11 “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarecia o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social (previsão mantida nos artigos 7º e 8º do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012). Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos eram assim estabelecidos pelo antigo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001: “Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. §1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. §3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, Fl. 820DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 12 cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. §4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Io plano de bacia hidrográfica; IIo plano diretor municipal; IIIo zoneamento ecológicoeconômico; IVoutras categorias de zoneamento ambiental; e Va proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. §5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico EconômicoZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: Ireduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e IIampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. §6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: Ioitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; IIcinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e IIIvinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. §7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 821DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 23 13 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. §9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. §10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. §11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art.44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: Irecompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; IIconduzir a regeneração natural da reserva legal; e IIIcompensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. §1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. §2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. §3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade Fl. 822DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 14 for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. §4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. §5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matrícula do imóvel, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da antiga Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e previsão do §1º do artigo 14 do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispunha o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 e do que dispõe atualmente o §4º do art. 18 da Lei 12.651/12, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, foi prorrogada para junho de 2012, de acordo com o que estatui o Decreto n.º 7.719/2012, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos Fl. 823DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 24 15 proprietários, a fim de que pudessem cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 16 Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, Fl. 825DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 25 17 nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. Em relação à reserva legal, esta está sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso especial do procurador, para manter a glosa da área de reserva legal. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 826DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 13884.904297/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 42 97 /2 00 9- 74 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração dezembro de 2003, no valor original de R$ 2.883,83, com débitos de PIS/PASEP que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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