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Numero do processo: 13864.000525/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR.
É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material.
Numero da decisão: 2301-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 25 /2 01 0- 15 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, referente às contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados ao seu serviço, destinadas ao SENAC e SEBRAE, pertinentes ao período de 01/2007 a 12/2007, quanto aos estabelecimentos 0002 a 0007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Recorrente (a) informou código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando deveria ter sido 515 e, por conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115. Em virtude de tal conduta, a Recorrente teria deixado de recolher valores a título de contribuições previdenciárias destinadas ao SENAC e ao SEBRAE, pelo lhe foi imputado o pagamento no montante de R$ 471.397,25 (quatrocentos e setenta e um mil trezentos e noventa e sete reais e vinte e cinco centavos), referente aos referidos tributos. Ciente da autuação em 22/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2011. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Exercício: 2007 As empresas de teleatendimento devem contribuir para o SENA (FPAS 515), por serem prestadoras de serviços que não se enquadram em quaisquer das atividades relacionadas na redação original do anexo II da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. A previsão expressa da atividade de call center no FPAS 515 pela Instrução Normativa RFB nº 785, de 19 de novembro de 2007, não tem o condão de alterar a determinação legal vigente, mas tãosomente orientar os contribuintes sobre como deve ser interpretada a lei tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, interpôs Recurso Voluntário em 11/10/2011, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) No exercício a que se refere a autuação recorrida, qual seja, o ano de 2007, a cobrança da contribuição de terceiros era regulamentada pela Instrução Normativa da SRP nº 3 de 14/07/2005, que previa que o enquadramento no Código FPAS era efetuado pela própria empresa, considerandose, para tanto, a atividade econômica por ela exercida, de acordo com a Tabela de Códigos FPAS constante da referida IN; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 4 3 2) A IN RFP nº 785/2007, por sua vez, trouxe nova Tabela de Códigos FPAS, alterando significativamente a forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS, uma vez que vinculou o referido Código FPAS ao Código CNAE da empresa, de modo que a atividade de teleatendimento desenvolvida pela Recorrente não somente passou a ser expressamente listada na Tabela de Códigos FPAS, como também passou a ser enquadrada no Código FPAS 515; 3) A alteração acima mencionada, contudo, só entrou e vigor em 02 de janeiro de 2008, portanto, não havia menção expressa à atividade desenvolvida pela Recorrente no ano de 2007, tendo a própria empresa realizado seu enquadramento e procedido ao recolhimento das contribuições em questão seguindo as alíquotas indicadas para o Código FPAS 566; 4) No exercício de 2007, enquanto vigente a IN SRP 03/2005, não havia qualquer outro enquadramento possível para a atividade da Recorrente, senão aquele realizado, sob Código FPAS 566; 5) A aplicação da IN RFP nº 785/2007 a fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor implica em violação ao art. 106 do CTN, que apenas permite a retroatividade de lei mais benéfica ou quando se tratar de lei meramente interpretativa; 6) É evidente a impossibilidade de aplicação retroativa de novo critério de enquadramento na Tabela de Códigos FPAS, sob pena de violação ao principio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. 7) A autuação recorrida é nula em razão de não demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador, com a descrição do fato e a sua comprovação, no que diz respeito ao enquadramento da atividade realizada pela Recorrente ao Código FPAS 515 vigente no ano de 2007. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 5 4 Preliminarmente Da nulidade da autuação Afirma a Recorrente que, em 2007, período de apuração do presente auto, o enquadramento no código FPAS era efetuado pela própria empresa, a qual, por sua vez, considerando a atividade exercida, escolheu o código 566. Aduz ainda que, apenas com versão da Tabela de Códigos FPAS trazida pela IN RFP nº 785/2007, houve alteração significativa na forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS e, a partir de 02 de janeiro de 2008, a atividade de teleatendimento passou a ser expressamente listada na tabela de Códigos FPAS, seguindo o código 515. Ocorre que, à época, o enquadramento no FPAS era de fato designado à responsabilidade da empresa. Contudo, a Recorrente optou pelo código 566, código este que a excluía da obrigação de recolher determinadas contribuições, a exemplo das destinadas ao SENAC e SEBRAE. Ora, o FPAS tem como finalidade precípua a de indicar as obrigações tributárias das empresas, de modo que a informação ao Fisco do número correspondente já indica as diversas obrigações principais e acessórias a que a empresa está submetida, permitindo, inclusive, apurar o valor da contribuição devida. Ainda que coubesse à empresa escolher o FPAS, evidentemente que esse número não poderia ser aleatório, pois a empresa teria a seu favor um “cheque em branco” para se submeter ao regime jurídico que bem entendesse. Nesse caso de inexistência de previsão expressa da atividade da empresa no rol dos FPAS, caberia a esta identificar aquele em que seu regime jurídico se enquadraria, o que, segundo o Fisco, foi feito pela empresa de forma equivocada, levandoa a ser autuada. Ocorre que, conforme se observa do procedimento fiscal, em momento algum se verifica a fundamentação da autoridade fiscal para o enquadramento da atividade da Recorrente no código 515, ao invés do código 566 adotado pela empresa. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. [1] Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto deinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 6 5 realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 7 6 (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN. Por fim, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Nesse mesmo sentido, o Decreto n.º 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, traz em seu artigo 38, §1º, a determinação de que o fato motivador da exigência deve ser comprovado: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” Ainda, o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, em seu inciso II, do art. 59, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, o que ocorreu no caso em exame, uma vez que, por não saber o que levou o Fisco a entender por enquadramento diverso daquele por ela realizado, não pode a Recorrente contraditar devidamente esse entendimento. Desta feita, comprovado está que a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram a autuação, incorrendo o presente lançamento flagrante em vício material. No caso em apreço, basta uma análise perfunctória do descrito no Relatório Fiscal de fls. 36, para que não pairem dúvidas acerca da fragilidade deste, que não permite um correto entendimento do Recorrente, para sua defesa, tampouco do julgador, que não possui parâmetros concretos para se basear em seu julgamento. Por outro lado, a consulta mencionada no relatório fiscal aos órgãos “competentes”, que no entender da Fiscalização seria outro meio formal de verificação do FPAS devido, permitindo que a dúvida fosse sanada, o que poderia impedir o presente lançamento, ressaltese contudo, que a ausência de consulta prévia, pelo contribuinte, não ilide o Fisco da responsabilidade de fundamentar a autuação, demonstrando e comprovando os motivos pelos quais a atividade exercida deveria ter sido enquadrada no código FPAS 515, ao invés do 566, tampouco seria obrigação da Recorrente ter efetuado qualquer consulta, mas sim que essa obrigação, quanto a possível ilicitude do enquadramento realizado, seria do Fisco ao fiscalizálo e discordar do enquadramento, fundamentar e motivar as suas razões, assim não fazendo deve ser anulado por vício material o presente lançamento. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 8 7 Por todo o exposto, não vislumbro outra possibilidade, senão anular o presente Auto de Infração, por vício material. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para votar por ANULAR o lançamento por estar este eivado de vício material, diante da ausência de motivação adequada do fato gerador da obrigação tributária em questão. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13161.720116/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Numero da decisão: 2201-001.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN, nos termos do voto do relator.
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN, nos termos do voto do relator. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 16 /2 00 7- 42 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 0419.159 – 3ª Turma da DRJ/CGE que julgou improcedente a impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 07 a 11, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 355.398,28, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Bera Rio, com área total de 3.256,2 ha., NIRF 3.095.7630, localizado no município de Navirai/MS. Em razão dos fatos relatados, foram glosadas a área de preservação permanente e de reserva legal, esta última integrante da area de utilização limitada, e alterado o valor da terra nua do imóvel com base no SIPT — Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (fls, 06). Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 06. A cientificação do lançamento realizouse por via postal em 28/12/2007 (fls. 12), e o interessado apresentou a impugnação de fls. 15 a 29, em 15/01/2008, onde argumentou, em suma, o que segue: 1) Houve violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, visto que recebeu um Termo de Intimação em 2005 onde não constava a exigência de apresentação de laudo de avaliação do imóvel, sendo nula a Notificação de Lançamento, por violação ao art. 5 0, inciso LVI, da Constituição Federal; para ilustrar seu entendimento quanto ao direito A ampla defesa e ao contraditório transcreveu textos doutrinários e jurisprudência judicial; 2) Seguindo o disposto nos artigos 1 0, 80 e 11 da Lei n.° 9.393/1996, apresentou a Declaração Anual do ITR informando área total do imóvel de 3.256,2 ha., preservação permanente de 859,0 ha. e reserva legal de 951,8 ha., dados que não foram considerados na autuação; 3) 0 fato gerador do ITR está expresso no art. 29 do CTN; a apuração e pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, como expresso no art. 10 da Lei n.° 9.393/1996; o valor da terra nua atribuído pelo Erário ao imóvel não pode prevalecer visto que esse encontrase em situação diversa dos demais imóveis rurais da regido, por possuir áreas baixas de várzeas, sujeitas a alagamentos e seu tipo de solo é diferenciado dos demais; em eventual valorização da terra nua, haverá aumento do valor das benfeitorias, culturas e pastagens, devendo ser mantido o valor declarado. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 107 3 4) Consta da matricula do imóvel averbação de reserva legal no percentual de 20% da área total, que equivale a 651,24 ha.; em processo retificatório, o Incra reconheceu a existência de reserva legal, com a constatação "in loco", a legislação especifica prevê a averbação da reserva legal no cartório de Registro de Imóveis, mas não estipula prazo para a averbação; 5) Existe no imóvel Lea de preservação permanente de 859,02 ha., constatada pelo mera, conforme laudo emitido por funcionário desse órgão; 6) Não havia obrigatoriedade de entrega do ADA ao Ibama devido à dificuldade que esse órgão ambiental teve para normatizar e implementar a exigência contida na Instrução Normativa 67/1997; transcreveu jurisprudência judicial buscando amparar seu entendimento quanto ã falta de prazo para averbação da reserva legal e desnecessidade de entrega do ADA ao Ibama; 7) Pelos dados apresentados, apurase grau de utilização da terra superior a 80% , devendo recolher o tributo com a aliquota de 0,3%, o que fez no prazo legal. A DRJ rejeitou as alegações proferindo acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72 e cumpridos os requisitos contidos no art. 11 do mesmo Decreto, além de ter sido dado ao contribuinte o direito de apresentar a impugnação, instaurando o contraditório, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Por expressa determinação legal, para a exclusão da tributação do ITR sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e outras é necessária a comprovação da existência efetiva dessas areas e cumprimento da exigência legal de entrega do ADA ao Ibama. VALOR DA TERRA NUA. A base de calculo do imposto sell o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o Contribuinte recorre juntando novos documentos. É o relatório do necessário Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Conheço do recurso por ser tempestivo. Inicialmente rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Isso porque a notificação de início de ação fiscal foi realizada na forma editalícia em razão da ineficácia da vai postal. Ademais, o contraditório administrativo fiscal se instaura com a apresentação da impugnação, antes disso o que há é a fase inquisitiva. No mérito parcial provimento merece o presente recurso. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 108 5 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. Entendo estarem presentes os requisitos para a fruição da dedução da área de Reserva Legal da base de cálculo do tributo em questão, é que na matrícula está averbada uma área de 20% totalizando 651,24 hectares de Reserva legal nos seguintes termos: Procedese a esta averbação a requerimento do proprietário, datado de 22 de setembro de 1.997, para constar no imóvel objeto desta matricula, a existência da reserva legal de 20%, onde nao e permitido o corte raso ou estando desmatada, destinase a reposição florestal na conformidade das Leis n 2 4.771, de 15 de setembro de 1.965 e n 2 7.803, de 18 de julho de 1.989. 0 referido e verdade e dou fé. Navirai, 22 de setembro de 1.997. Neste termos é a jurisprudência desta turma: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 6 (Processo nº 10540.000033/200357 – Relator Gustavo Lian Haddad) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS. Quando a averbação de Termo de Compromisso com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições parelas com aquelas previstas para a reserva legal, caracterizase como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável. MULTA DE OFÍCIO – INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). (Processo nº 13971.002054/200597 – Relator Gustavo Lian Haddad) Por outro lado, para o gozo do benefício de exclusão da base decálculo da área de preservação permanente não se faz necessária a apresentação do ADA, desde que comprovada a sua existência. No caso em apreço o documento emitido pelo INCRA demonstra a existência da APP, a apresentação do ADA é requisito dispensável, o que não ocorre com a averbação em cartório para a Reserva Legal. Contudo, há averbação de 20% da área a título de reserva legal, conforme averbação nº 3 (fls 41). O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal. Sustenta, como relatado anteriormente, que a SRF não obteve, junto aos órgãos competentes, as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT trazendo como comprovação os documentos de fls. 34 (fls.,37 do PDF). O art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 109 7 §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, o arbitramento se baseou nas informações prestadas pelo Município e não exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 06. Entretanto, deixou de considerar que parte da área é composta por várzea e que para este tipo de área o valor da terra nua é diferente. A existência desta área de várzea, ao meu ver, está devidamente comprovado pelo documento de fls 36, emitido pelo INCRA. Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser recalculado o VTN arbitrado e considerado no cálculo a área de 854,66ha de várzea ao valor de R$ 353,00/ha. Por tais razões dou parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN linha 17 do demonstrativo de apuração em R$ 1.649.548,50. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 8 É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000795/97-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996
AUSÊNCIA DE PROVA DO ILÍCITO. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA PONDERADA PELA FISCALIZAÇÃO.
Compete o titular de o procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário, no caso concreto fazia-se necessário demonstrar a necessidade do ajuste aduaneiro aos preços praticados pelo contribuinte, ausente impõe em cancelar o lançamento. A Administração fiscal deve exigir o tributo nos termos da legislação em vigor, não detém o condão de fixar alíquotas, principalmente, quando essa é determinada por média aritmética.
Numero da decisão: 3403-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Lacasa Maya, OAB nº 163.222/SP.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti (ausente) e Marcos Tranchesi Ortiz.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 AUSÊNCIA DE PROVA DO ILÍCITO. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA PONDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. Compete o titular de o procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário, no caso concreto faziase necessário demonstrar a necessidade do ajuste aduaneiro aos preços praticados pelo contribuinte, ausente impõe em cancelar o lançamento. A Administração fiscal deve exigir o tributo nos termos da legislação em vigor, não detém o condão de fixar alíquotas, principalmente, quando essa é determinada por média aritmética. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Lacasa Maya, OAB nº 163.222/SP. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti (ausente) e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 95 /9 7- 19 Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício da decisão que cancelou o crédito tributário constituído decorrente de suposta declaração a menor do valor aduaneiro pela importação de veículos referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e do Imposto de Importação – II dos fatos geradores dos períodos de apuração de 30.08.1994 a 30.12.1996. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, aproveita se o relatório da decisão recorrida. “Relatório. 0 presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 01/35 lavrados para a exigência do Imposto de Importação, juros de mora e multa de oficio no valor de R$9.489.803,29, e do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio no valor de R$2.922.695,64, totalizando um crédito tributário no valor de R$12.412.498,93. A empresa Suzuki do Brasil foi intimada da autuação como responsável solidária. Segundo relato da fiscalização a autuação foi originada da constatação de declaração de valor aduaneiro a menor nas importações realizadas pela importadora acima qualificada nos anos de 1994 e 1995, embora o período fiscalizado, de acordo com as intimações feitas (fls. 61,48, 49, 55, 69), tenha abrangido os anos de 1993 a 1997. A importadora realizou importações de veículos da marca Suzuki e a autoridade aduaneira, suspeitando que existisse vinculação com o exportador que influenciasse o preço da transação, intimou à autuada e a empresa Suzuki do Brasil para prestar informações e comprovar que os valores aduaneiros atendiam aos preceitos do Acordo de Valoração Aduaneira. A operação comercial consistia em a empresa Suzuki do Brasil determinar a introdução dos veículos de sua marca através da importadora Coimex. Após a importação, as mercadorias eram vendidas aos revendedores autorizados da Suzuki conforme disposto em contrato, sendo que a empresa Suzuki do Brasil cobrava destas revendedoras uma diferença entre o preço de venda determinado para as revendedoras e o valor faturado pela Coimex a titulo de "consultoria técnicoadministrativa". Pelas informações prestadas pelas interessadas foi afastada a hipótese de vinculação entre importador e exportador, todavia a fiscalização concluiu que deveria ser ajustado o valor aduaneiro nos termos do art. 8. °, parágrafo 1. 0, do Acordo de valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n.° 92.930/86 com o acréscimo dos valores de prestação de serviços cobrados da Suzuki do Brasil As revendedoras por serviços de assessoria técnica administrativa, com base no exame dos seguintes contratos e documentos: Contrato entre a Coimex e a Suzuki do Brasil: comprova que a transação era feita entre a Suzuki do Brasil e seus revendedores, atuando a Coimex como mera intermediária para obtenção dos Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 15 3 benefícios do FUNDAP. A Coimex agia sempre por conta e ordem da Suzuki do Brasil (fls. 91/117). Contratos entre a Suzuki do Brasil e os revendedores da Suzuki: a primeira se declara como única e exclusiva importadora e distribuidora de veículos Suzuki e aparecem clausulas em que o poder de citar preços é sempre da primeira (fls. 77/90). Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Técnica Administrativa: firmado entre a Suzuki do Brasil e as revendedoras cobrando a diferença entre o preço real de venda e o faturado pela Coimex (fls. 118/121). Notas fiscais de serviços prestados emitidos pela Suzuki do Brasil para seus revendedores onde são cobradas importâncias a titulo de "Assessoria Técnica Administrativa". Termo de Diligência realizada na empresa Suzuki do Brasil as fls. 70/71. Com base nestas provas, a fiscalização buscou os valores correspondentes as referidas prestações de serviços que constavam em notas fiscais de serviços emitidas pela Suzuki do Brasil para seus diversos revendedores e os listou como valor tributável do Imposto de Importação as fls. 09/10 e do IPI as fls. 26, todas do Auto de Infração. As fls. 74/76 constam relações com os valores mensais de faturamento de serviço apurados em diligência fiscal realizada na empresa Suzuki do Brasil nos anos de 1994, 1995 e 1996, bem como a demonstração da alíquota de IPI obtida através da média ponderada dos modelos importados no período. Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados da empresa Suzuki do Brasil e notas fiscais de serviços prestados foram juntados as fls. 128/196. A responsabilidade pelas obrigações tributárias foram atribuída importadora Coimex e a Suzuki do Brasil com base no art. 31 do DecretoLei n.° 37/66 e art. 124, I, do Código Tributário. Atribui responsabilidade à empresa Coimex por infração ao Regulamento do IPI, Decreto n.° 87.981/82, e considera a empresa Suzuki também responsável pelo tributo por entender que esta promoveu a entrada dos veículos no território nacional. Intimadas da autuação, as interessadas apresentaram impugnações, alegando o que segue: COIMEX: 1 A impugnante é empresa comercial denominada de "trading company" e comercializa vários produtos importados, a destacar os veículos da marca Suzuki. A partir do mês de junho de 1996 foi intimada várias vezes pela Receita Federal a apresentar documentos e esclarecimentos quanto à possível vinculação da Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 mesma com o exportador que afetasse o valor das importações. Foi comprovada a inexistência de vinculação e que o valor das transações não foi afetado. Todavia a fiscalização entendeu proceder aos ajustes previstos no art. 8. ° do Acordo de Valoração. 2 Preliminarmente protesta pela nulidade do Auto de Infração pelas seguintes razões: 2.a) 0 Auto de Infração, como ato administrativo de lançamento deve conter os pressupostos de validade que lhe são intrínsecos, identificando além do fato descrito em lei como gerador da obrigação tributária e o estabelecimento de vinculo entre esse fato e determinada pessoa, é imperativo que o lançamento quantifique o montante devido, determinando a base de cálculo e alíquota aplicada à espécie. No entanto com base em presunção os agentes fiscais concluíram que a cobrança de consultoria técnica administrativa por parte da empresa Suzuki do Brasil era uma complementação de preço justificando os ajustes do valor da importação declarado pela impugnante por ocasião do desembaraço aduaneiro. Na elaboração do auto, com base nestas suposições, foram colhidos os valores de prestação de serviços lançados pela Suzuki sem análise, já que dentre os lançamentos efetuados constam serviços de assistência técnica e de reparos nos veículos de propriedade de pessoas físicas. Junta cópia das notas fiscais as fls. 377/389. Além disto, para obtenção das alíquotas de IPI foi elaborada uma média ponderada das alíquotas vigentes de IPI para cada tipo de veiculo importado a cada ano calendário. Depreendese, disto tudo, que o processo previsto no Acordo de Valoração Aduaneira foi completamente desprezado, pois não foi sequer verificada a correspondência entre o preço de compra e venda dos veículos praticados pela impugnante e os dos serviços prestados pela empresa Suzuki do Brasil. Não existem provas nos autos desta correspondência, obrigando a impugnante a fazer prova negativa, o que não se admite, em regra, no direito brasileiro. Tal procedimento contraria o parágrafo 3 •0 do art. 8.° do referido Acordo. Não é permitido ao Agente Fiscal, na elaboração do lançamento, extrapolar os limites da lei que regula a atividade administrativa. A criação de uma alíquota média de IPI demonstra desrespeito ao principio da legalidade. 2. b) 0 lançamento não pode ser revisto sendo nos termos dos arts. 145 e 149 do CTN e nenhuma das hipóteses ali descritas ocorreu no caso em apreço. Nos termos também do art. 447 do Regulamento Aduaneiro a eventual exigência de crédito tributário deve ser formalizada até cinco dias contados do término da conferência. Defende o ato de homologação expressa do lançamento no momento do desembaraço aduaneiro. 3 No mérito alega que não há vinculação entre a impugnante e o exportador. A fiscalização de maneira confusa menciona que a empresa Suzuki do Brasil é a importadora, todavia é inquestionável que a impugnante é a importadora, estando indicada em todos os documentos da importação. A fiscalização afirma que a interessada é mera intermediária, no entanto não existe contrato de intermediação com o exportador. 0 fato é que Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 16 5 a impugnante importa e comercializa os veículos da marca Suzuki sob licença da empresa Suzuki do Brasil que é a detentora dos direitos de importação desses produtos. Relata a atividade operacional das importações por ser uma empresa fundapeana. 4 As situações determinantes de ajustes descritas no art. 8. ° do Acordo não se identificam com a forma de realização das operações efetivamente praticadas. Assim devem ser adicionados ao valor de transação os montantes pagos direta ou indiretamente pelo importador ao exportador, ou seja, os valores despendidos pelo importador em função da aquisição da mercadoria, mesmo que a titulo de direitos por uso de marca, participação nos resultados, etc. No entanto estes encargos são exclusivamente aquela intrínseca importação e efetivamente suportados pelo importador. Os fiscais cometeram equívocos atribuindo aos revendedores autorizados à condição de importadores dos veículos e em outros momentos afirmam que a Suzuki do Brasil é a importadora. 5 As inclusões no valor da transação determinadas pelo Acordo de Valoração Aduaneira são aquelas exclusivamente inerentes à importação. Sendo a base de cálculo o meio de dimensionamento do aspecto material da hipótese do imposto e deve ser relacionado ao fato legalmente previsto como gerador da obrigação tributária. Neste sentido inadmissível que os valores pagos pelos concessionários da marca à Suzuki do Brasil, em contraprestação de serviços prestados pela segunda aos primeiros, enquadrarseiam em uma das situações determinantes de ajuste do valor aduaneiro nos moldes do art. 8. °. A fiscalização não pode estabelecer qualquer vinculo entre as vendas dos automóveis pela impugnante e a prestação de serviços pela Suzuki do Brasil. Ademais se cada cobrança a titulo de serviços fosse referente a cada unidade de veiculo vendido, seria injustificável a adoção de uma alíquota de IPI determinada por média ponderada. 6 A impugnante trata também dos fatos geradores do H e IPI e o principio • da legalidade a que deve se ater a administração tributária. 7 Foi também indevidamente aplicada à penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, prevista somente para casos de prática de condutas ilícitas, de natureza punitiva e não moratória. No entanto a infração praticada alegada no Auto de Infração consiste em mero pagamento de tributos fora do prazo. 8 Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração. SUZUKI DO BRASIL: 1 A impugnante é distribuidora exclusiva de automóveis da marca Suzuki no Brasil, sendo, por conseqüência, a única detentora dos direitos de uso dessa marca, bem como dos direitos de importação e comercialização desses produtos. Contratou a importadora Coimex, por questões logísticas e Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 operacionais, para importação de veículos. A impugnante tinha o encargo de adotar as providências necessárias ao incremento das vendas de veículos desta marca, o que abrange a determinação, coordenação e apoio A. implementação de estratégias administrativas, técnicas e publicitárias, uniformes em todo o território nacional, necessárias ao aumento da participação desses produtos no mercado. Para tanto cobrava dos revendedores o preço da prestação de seus serviços de assessoria e consultoria técnico administrativa, através de notas fiscais fatura. 2 Preliminarmente alega os seguintes argumentos: 2. a) Ilegitimidade passiva: a impugnante executa atividades e cobra pelos serviços de assistência técnica, administrativa e comercial, na medida em que cabe a ela o incremento das vendas de veículos da marca Suzuki. Já a empresa Coimex é a responsável pela importação dos veículos cobrando dos revendedores varejistas o preço dos veículos por ela vendidos. A fiscalização baseada nas suposições de que os valores cobrados pela impugnante dos revendedores fosse um complemento dos valores aduaneiros, colheu os valores das prestações de serviços que constavam nos livros fiscais municipais para, sobre eles, calcular os tributos que entenderam devidos. Com base nestas mesmas suposições entenderam que a impugnante teria interesse comum nas importações dos veículos efetuadas pela Coimex e, por esta razão, também seria contribuinte e responsável pelas obrigações tributárias. No entanto a impugnante não procedeu à importação dos veículos nem determinou como estas importações se realizariam. Sua função era apenas de indicar as quantidades, modelos e os lapsos de tempo em que os produtos seriam absorvidos pelos consumidores, controlando o estoque destes produtos para prejudicar a todos os envolvidos na distribuição. Não pode a autoridade aduaneira exigir tributos sobre fatos e de pessoas não expressamente descritas em lei. Os atos administrativos devem estar estritos ao principio da legalidade. São inaplicáveis os arts. 128 e 14, I do CTN. 0 art. 82 do RA caracteriza as situações de interesse comum. 2. b) Protesta pela inexistência dos pressupostos de validade do lançamento e da impossibilidade de revisão do lançamento utilizando os mesmo argumentos trazidos pela importadora Coimex em sua impugnação e transcritos nos itens 2.a) e 2.b) acima. 3 No mérito aborda as mesmas questões trazidas pela impugnante Coimex, acrescentando, ainda, a interpretação da Decisão COSIT n.° 14 e 15, ambas de 15/12/1997, que tratam da constituição de acréscimo ao valor aduaneiro de valores pagos pelas concessionárias As detentoras do uso da marca no pais pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil, desde que estas comissões sejam assumidas pelo exportador. 4 Contesta, pelos mesmos argumentos que a Coimex, a aplicação da multa de oficio. Junta notas fiscais de serviços prestados As fls. 467/478. Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 17 7 0 processo foi encaminhado A DRJ/Rio de Janeiro, competente para julgamento A época da impugnação, a qual converteu o julgamento em diligência conforme despacho de fls. 487/488, onde solicita que a autoridade lançadora esclareçam os motivos pelos quais 1.0) recusaram como "valorcritério" do Acordo de Valoração, a lista de preços de fabricantes estrangeiros que a Coimex informou ter apresentado, 2. °) concluíram que os valores pagos pelas concessionárias A Suzuki do Brasil constituíam comissões pela importação, indicando como elementos probatórios serviços de assistência técnico administrativa que não tenham sido efetivamente contratados e prestados e 3.0) apuraram o IPI mediante aplicação de alíquota média sobre os valores mensais da receita de serviços da Suzuki, ao invés de aplicar a alíquota própria de cada modelo de veiculo sobre o valor do serviço correspondente. Solicita também que se pronunciem sobre as manifestações das impugnantes acerca dos valores que correspondem à prestação de serviços de assistência técnica e reparos de veículos de propriedade de pessoas físicas e jurídicas que os adquiriram de revendedores autorizados, especialmente em relação às notas fiscais de fls. 376/388. A autoridade lançadora, então, intimou as autuadas a prestarem informações acerca dos serviços de assistência técnica, cálculo do rateio das despesas destes serviços, dos valores de venda dos veículos, entre outros esclarecimentos referentes a estas despesas e valores de importação. As impugnantes forneceram às respostas As fls. 494/495, 538/539, 542/546, informando, basicamente, que não possuem documentos contábeis com o citado rateio, reforçando os argumentados apresentados nas impugnações quanto aos procedimentos de venda e dos serviços prestados. Após estas respostas fornecidas pelas impugnantes, a fiscalização junta à informação de fls. 547/548, esclarecendo o que segue: 1) que a lista de preços não foi aceita pois se enquadram em nenhuma das hipóteses elencadas no art.8, § 2, b, do Acordo de valoração Aduaneira. 2) os valores foram considerados como "comissão de importação" porque são despesas suportadas pelo comprador e se tratam de comissões cobradas diretamente e ligadas com a importação do veiculo. Não há evidências de que os serviços foram realmente prestados, a não ser as notas fiscais em que nada ficou constatado. 3) não identificaram na contabilidade valores que pudessem ser ligados diretamente a despesas de assistência técnica e reparos das concessionárias. Não existem condições de se saber se as despesas de fls. 376/388 foram executadas e reembolsadas através das notas de serviço, pois não há explicação na contabilidade sobre o assunto. Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 4) os tributos foram apurados pela média, porque se aplicassem a alíquota de IPI para cada importação e depois efetuassem a soma, teriam o mesmo valor se usassem a média. A média é neutra e as impugnantes não demonstram o contrário. Com estas informações e tendo em vista a mudança de competência das Delegacias de Julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Florianópolis para julgamento. Em sessão de 26/04/2002 o presente processo foi julgado, tendo sido exarado o Acórdão n.° 770, que encontrase as fls. 551/590, cujo resultado foi à manutenção do lançamento, nos termos das seguintes ementas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância as suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Caracterizase a solidariedade passiva tributária entre o representante exclusivo para comercialização de veículos de determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos legais), quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em nome próprias importações e revendas de veículos dessa marca. Contratos firmados entre a representante exclusiva e diversas concessionárias, mencionando a intervenção desse terceiro nas transações comerciais reforçam a comprovação da solidariedade. PRAZO DECADENCIAL. VALOR ADUANEIRO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos aos tributos aduaneiros extinguese depois de cinco anos, contados do fato gerador. Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 18 9 0 Valor Aduaneiro encontrase no escopo das matérias atinentes ao despacho aduaneiro passíveis de revisão por parte da autoridade fiscal. 0 prazo de cinco dias para a liberação da mercadoria anteriormente ao desembaraço, tratase de período de tempo procedimental, relativo somente ao despacho aduaneiro, não se constituindo em prazo decadencial de formalização da exigência tributária. REVISÃO DE OFÍCIO. Agindo o contribuinte em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deve proceder à revisão e se for o caso, exigir, por meio do lançamento, os tributos que deixaram de ser pagos, além dos demais acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFICIO. É cabível a exigência da multa de oficio, quando constatado a não recolhimento de tributos após o seu vencimento. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO. Integram o valor aduaneiro, as parcelas cobradas das concessionárias, sempre vinculadas à revenda de veículos importados, tendo por objeto a prestação de serviços pela representante da exportadora no Pais a essas concessionárias, relativos às atividades comerciais de concessão comercial de veículos automotores de vias terrestres, notadamente, ao licenciamento do uso diversificado da marca, expressões e sinais de propaganda dentre outros. INCIDÊNCIA DO IPI NA IMPORTAÇÃO. MAJORAÇÃO DA BASE DE CALCULO. FATO GERADOR. 0 fato gerador do IPI na importação constitui o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, cuja base de cálculo é o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis. Uma vez majorado o valor de transação de mercadoria importada, em decorrência dos ajustes previsto no AVA, resta exigir de oficio a diferença do respectivo crédito tributário. As fls. 599/836 as interessadas apresentaram recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes repisando os argumentos de suas impugnações, acrescentando, ainda, contra a decisão de 1.a instancia, as seguintes alegações: Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 i) a autoridade julgadora se pronunciou sobre pontos que não foram alegados pela defesa, tais como cerceamento de defesa e não cumulatividade do IPI; ii) deixou de se manifestar sobre pontos fundamentais ao deslinde da questão tais como falta de previsão legal para fixação de alíquota média de IPI e o acréscimo ao valor de transação de valores pagos por outras pessoas em razão de serviços de assistência técnica e de reparo em veículos; iii) apesar de ter afastado o motivo determinante da lavratura do auto de infração, vinculação entre exportador e importador, manteve a exigência fiscal. 0 Conselho de Contribuintes, em sessão de 25/01/2005, exarou o Acórdão n.° 30236.621, rejeitando a preliminar de nulidade, dando provimento ao recurso impetrado pelas interessadas, com base nas Decisões Cosif n.'s 14 e 15/97 (fls. 933/973). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial contra esse acórdão a Câmara Superior de Recursos Fiscais alegando contrariedade a evidência das provas e violação do art. 8. °, 1, d, do AVA, requerendo o restabelecimento do acórdão de primeira instancia (fls. 975/981). A empresa Coimex apresentou as ContraRazões as fls. 990/1002. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 25/02/2008, proferiu o Acórdão n.° 302128.097, acolhendo a preliminar de nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instancia, para que outra seja proferida, desta vez abordando todas as questões trazidas nas impugnações, em especial as questões referentes à falta de previsão legal para fixação de alíquota média de IPI, o acréscimo ao valor de transação de valores pagos a Suzuki por outras pessoas que não as concessionárias, determinando, ainda, a ciência das interessadas da diligência efetuada, devendo ser reaberto prazo para impugnações complementares (acórdão As fls. 1027/1033). Cientificadas as atuadas, as mesmas apresentaram as impugnações de fls.1042/1074, salientando o descabimento do argumento da fiscalização quanto A base legal para a recusa do valor critério, artigo 1, § 2.b, do AVA, quando este dispositivo se aplica somente se houver vinculação entre exportador e importador, fato este afastado pela própria fiscalização. Repisam, também, os argumentos referentes Às comissões que não estão vinculadas As importações e da utilização de alíquota média para cálculo do IPI. Salientam que nos autos constam documentos contábeis relativos À emissão de fatura, cópias de folhas de pagamento referentes os prestadores de serviço (contratados, exatamente, para sua execução) e balancetes analíticos, oferecendo, portanto, documentação suporte eficiente para evidenciar a prestação de serviços, contrariando as alegações a fiscalização quanto À falta de prova da prestação de serviços. A empresa Suzuki do Brasil junta os seguintes Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 19 11 documentos: balancete, demonstrativo de resultado, fichas de empregados, folhas de pagamento e DIPJ's, As fls. 1075/1620. E o relatório”. Sobreveio decisão da DRJ, ora recorrida de ofício, cancelando o lançamento em decorrência de: “Há que se ressaltar que é dever da autoridade lançadora instruir os autos com todos os elementos de prova que entender necessários à comprovação do ilícito tributário, não competindo À autoridade julgadora substituir o papel daquela autoridade preenchendo as lacunas da autuação. Por estas razões já entendo que são improcedentes os lançamentos dos tributos exigidos, e por conseqüência, dos acréscimos legais. Mas ainda há que destacar a total ilegalidade da eleição de alíquota média de IPI, obtida por média ponderada das alíquotas de IN incidentes sobre determinados modelos de veículos em determinados intervalos de tempo. Ora, muito não há o que se dizer sobre tal procedimento, totalmente equivocado da fiscalização. Pelo principio basilar da legalidade, a autoridade fiscal deve exigir a obrigação tributária, no caso o IPI, nos termos da legislação em vigor, fazendo incidir sobre o valor aduaneiro da mercadoria importado a alíquota aplicável para cada produto, em função justamente da seletividade deste tributo. A fiscalização não comprovou, e nem poderia visto inexistir, o fundamento legal para aferição de média ponderada de alíquotas de IPI. Finalmente, por entender que não houve a competente demonstração da necessidade de ajuste do valor aduaneiro dos veículos importados, que, destaquese, sequer foram relacionados com as importações efetuadas, e ainda pela ilegalidade da aplicação de alíquota média de IPI, julgo IMPROCEDENTE os lançamentos a que se referem os autos de infração do presente processo”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Impõe o conhecimento do presente recurso porque presentes estão os pressupostos de admissibilidade, constatado que o valor desonerado ultrapassa o valor fixado para efeitos de alçada. Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 Acusação inicial motivadora do auto de infração é de que a Cia Importadora e Exportadora Coimex ao importar veículos da marca Suzuki tivesse vinculação com o exportador capaz de influenciar no preço da transação. Face os contratos de representação dos veículos no Brasil pela Suzuki do Brasil foi arrolada como devedora solidária. As empresas intimadas a prestar informações demonstraram e comprovaram que os valores aduaneiros atendiam os preceitos do Acordo de Valoração Aduaneira. Posteriormente, a mesma Autoridade Atuante abandonou acusação de vinculação do importador com o exportador e concluiu que deveria ser ajustado o valor aduaneiro nos termo do art. 8º, parágrafo 1º, do Acordo de Valoração aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930/86, acrescendo os valores referentes à prestação de serviços cobrados pela Suzuki do Brasil das revendedoras por serviços de assessoria técnica administrativa com base nos contratos e o livro de registro de prestação de serviços. Acolheuse a preliminar de nulidade do auto de infração. A meu sentir andou bem o Julgador de Piso, como restou assentado na decisão. Assim, a decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, que também adoto: “E ainda mais inconsistente é a análise da fiscalização no que diz respeito ao próprio valor aduaneiro que se pretende ajustar. Sequer a fiscalização individualizou e correlacionou os veículos importados com os respectivos serviços que integrariam, ou deveriam integrar, a base de cálculos dos tributos devidos na importação. 0 lançamento deve conter os pressupostos legais, no fiel cumprimento do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Ainda que se pudesse admitir a tributação dos valores que não foram acrescidos ao valor de transação, ou seja, calculando os tributos somente pela diferença do valor acrescido, a exigência da obrigação tributária deve se dar dentro da legalidade, atendendo aos demais critérios para a constituição do crédito tributário. Estou me referindo, inicialmente, ao fato gerador dos tributos. No caso do Imposto de Importação, a data do registro da DI, nos termos do art. 19 do CTN combinado com o art. 23 do DecretoLei n.° 37/66, a data considerada como tendo ocorrido o fato gerador para efeitos de cálculo do tributo é a data do registro da declaração. No relatório fiscal estão relacionados diversos valores agrupados por mês, valores estes, como já disse, retirados do livro de registros de serviços prestados pela Suzuki do Brasil. Além de que estes valores de serviços não foram devidamente relacionados com os respectivos valores aduaneiros dos veículos Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 20 13 importados, não houve, também, a indicação da data destas importações. Conseqüentemente o lançamento não foi devidamente constituído no que diz respeito À demonstração da matéria tributável correspondente ao fato gerador da obrigação tributária. Há que se ressaltar que é dever da autoridade lançadora instruir os autos com todos os elementos de prova que entender necessários à comprovação do ilícito tributário, não competindo à autoridade julgadora substituir o papel daquela autoridade preenchendo as lacunas da autuação. Por estas razões já entendo que são improcedentes os lançamentos dos tributos exigidos, e por conseqüência, dos acréscimos legais. Mas ainda há que destacar a total ilegalidade da eleição de alíquota média de IPI, obtida por média ponderada das alíquotas de IN incidentes sobre determinados modelos de veículos em determinados intervalos de tempo. Ora, muito não há o que se dizer sobre tal procedimento, totalmente equivocado da fiscalização. Pelo principio basilar da legalidade, a autoridade fiscal deve exigir a obrigação tributária, no caso o IPI, nos termos da legislação em vigor, fazendo incidir sobre o valor aduaneiro da mercadoria importado a alíquota aplicável para cada produto, em função justamente da seletividade deste tributo. A fiscalização não comprovou, e nem poderia visto inexistir, o fundamento legal para aferição de média ponderada de alíquotas de IPI. Finalmente, por entender que não houve a competente demonstração da necessidade de ajuste do valor aduaneiro dos veículos importados, que, destaquese, sequer foram relacionados com as importações efetuadas, e ainda pela ilegalidade da aplicação de alíquota média de IPI, julgo IMPROCEDENTE os lançamentos a que se referem os autos de infração do presente processo”. Sendo assim, voto no sentido de manter a decisão recorrida e negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10283.720639/2011-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. JIPES.
A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ISENÇÃO. JIPES. A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 39 /2 01 1- 09 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 04/07/2011, lavrado para exigir o IPI, multa de ofício e juros de mora em relação à falta de lançamento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009. A empresa autuada está localizada na Zona Franca de Manaus e é fabricante dos veículos da marca comercial MAHINDRA SUV 4X4. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização constatou o seguinte: 1) a empresa monta veículos no Polo Industrial de Manaus; 2) a empresa deu saída da Zona Franca de Manaus a produtos classificados na posição 8703.3310 da NCM, conforme a planilha CÁLCULO DO IPI POR DECÊNDIO ANO 2008 E 2009; 3) essa classificação se refere a automóveis de passageiros, para os quais não se aplica a isenção do IPI prevista no DecretoLei nº 288/67. Regularmente notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, sem síntese, o seguinte: 1) Nulidade do auto de infração, pois a fiscalização indicou uma classificação fiscal (8703.3310) que corresponde a produto não fabricado pela recorrente. O projeto industrial e os documentos de venda do produto (doc. 11), indicam que se trata de veículo utilitário “Jipe”, com capacidade para até 7 pessoas, classificado no código 8703.3390 da NCM; 2) Ao contrário do afirmado no auto de infração, o produto fabricado pela recorrente desde 2007 é um “Jipe” enquadrado no código 8703.3390 e atende aos requisitos estabelecidos no Ato Declaratório Normativo nº 32, de 28 de setembro de 1993, da Cosit, que estabelece quais as características que um veículo deve conter para ser classificado como jipe na NCM; 3) Em razão do enquadramento como jipe, a SUFRAMA expediu o Laudo de Operação 363/2007 e o Laudo de Produção 55/2007, com prazo de validade indeterminado, atestando o direito da impugnante à produção do VEÍCULO UTILITÁRIO JIPE, de acordo com o Processo Produtivo Básico estabelecido no Anexo XIII do Decreto nº 783/93, bem como a fruição dos incentivos fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 288/67; 4) Ao expedir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/08 (Doc. 13), o Denatran, levando em consideração o disposto no ADN 32/93, deixou claro que se trata de um veículo de uso misto, tipo utilitário, carroçaria jipe; 5) Em períodos anteriores ao ano de 2007 houve discussão sobre o enquadramento dos veículos na posição indicada pela fiscalização no auto de infração, mas a SUFRAMA emitiu o Parecer 611/2005COJUR/PROJU (Doc. 17), que ratificou a validade da Resolução SUFRAMA nº 281/2002, confirmando que se trata de um veículo utilitário, apto a gozar de todos os benefícios fiscais do Decretolei nº 288/67; 6) Invocou a seu favor o Parecer Normativo nº 02, de 24/03/1994 (Doc. 18), que determina que se um veículo de passageiros puder ser enquadrado como “jipe” e como “veículo de uso misto”, deverá ser classificado como veículo de uso misto, em razão dos códigos de veículos de uso misto estarem em ordem numérica superior aos dos jipes (RGI3C), o que confirma a correção da classificação adotada pela recorrente no código 8703.3390; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 3 3 7) Com a Resolução 166/2009 a SUFRAMA aprovou o Projeto Industrial de Atualização da recorrente, na forma do Parecer Técnico de Projeto 128/2009, tendo sido ratificado o direito à fruição dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do Decretolei nº 288/67; 8) A competência para a concessão do incentivo é da SUFRAMA. Todos os atos emitidos pela SUFRAMA integram a legislação tributária. O contribuinte realizou as operações com os Jipes amparado nos atos específicos da SUFRAMA, devendo ser excluído o crédito tributário e as penalidades impostas; 9) Sustentou a possibilidade de discutir a inconstitucionalidade das leis na esfera administrativa, impugnou a multa e os juros de mora com base na taxa Selic e requereu perícia técnica. Posteriormente à impugnação, o contribuinte juntou aos autos parecer jurídico elaborado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins, Relatório Técnico nº 39/2011 e o Ofício 6808/SPR/CGAPI/COPIN da SUFRAMA. Por meio do Acórdão nº 24.583, de 29 de março de 2012, a 3ª Turma da DRJ – Belém, julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração, pois a recorrente entendera o alcance da imputação que lhe foi feita. Não foram conhecidas as alegações de inconstitucionalidade, em razão da incompetência da autoridade administrativa. Foi rejeitado o pedido de perícia, em face da providência ter sido considerada desnecessária. No mérito, entendeu a DRJ que o Decretolei nº 340/67, posteriormente alterado pelo Decretolei nº 355/68, esclareceram que os automóveis de passageiros excluídos do beneficio previsto no Decretolei nº 288/67 seriam os compreendidos na posição 87.02, incisos 1 e 2 da tabela anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo Decretolei nº 34/66. Na referida posição estariam enquadrados os automóveis de uso misto. Posteriormente, quando da criação da NBM pelo Decretolei nº 1.154, de 1º de janeiro de 1971, a Receita Federal, por meio da IN 40/72, atualizou a relação de veículos que estariam compreendidos na expressão “automóveis de passageiros”, na qual constava expressamente o código NBM 8702.0100 (veículos tipo ‘jipe”, com trações nas 4 rodas, com ou sem polia para transmissão de força). Nessa linha, considerando a classificação fiscal das mercadorias na TEC, segundo a Resolução nº 43, de 22 de dezembro de 2006, da Câmara de Comércio Exterior, e na TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, concluiu a DRJ que as exceções previstas na legislação da ZFM, quando se referem a “automóveis de passageiros”, abrangem os veículos classificados na posição 8703. Assim, ainda que haja projeto aprovado pela SUFRAMA, o Decretolei expressamente veda a concessão de tal benefício para os veículos de uso misto. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 20/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/05/2012, no qual além de atacar os fundamentos do acórdão de primeira instância, reprisou e reforçou os argumentos oferecidos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com base no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 deixo de apreciar as nulidades alegadas e passo direto ao exame do mérito. Versa o caso concreto sobre o direito à isenção do IPI em relação aos veículos fabricados e saídos da Zona Franca de Manaus nos anos de 2008 e 2009. Verificase nos autos que a SUFRAMA reconheceu em 2006 o direito à isenção do IPI à MOTOREX –INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA por meio da Portaria nº 439/2006 (fl. 165), e que, posteriormente, a autarquia expediu a Portaria nº 45/2007 por meio da qual concordou com a incorporação da MOTOREX pela ora recorrente e também com a transferência de todos os direitos e obrigações referentes aos projetos aprovados pela SUFRAMA (fl. 164). Assim a BRAMONT MONTADORA INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A passou a produzir os veículos MAHINDRA SUV 4X4, sendo beneficiária dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 288/67 por sucessão da MOTOREX – INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS. Na parte em que interessa ao deslinde deste processo, os fatos geradores ocorreram sob a égide do art. 9º, §§ 1º e 2º, combinado com art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 8.387/91. O referido dispositivo legal isentou do IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do território nacional, excetuadas as mercadorias referidas no art. 3º, § 1º. Entre as exceções expressamente relacionadas encontramse os automóveis de passageiros. A questão que se apresenta é determinar se os jipes estão ou não estão incluídos na vedação contida no art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67. Tratandose de isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a investigação a respeito do que se considera “automóvel de passageiros” necessariamente deve passar pelo exame da respectiva Tabela de Incidência, a teor do disposto no art. 130 do RIPI/2002. Nesse passo, o cotejo entre o Laudo Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 443 a 457), que efetuou a análise do veículo MAHINDRA SUV 4X4, e as características estabelecidas pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 32/93 revela que se trata de um veículo de passageiros que preenche os requisitos para ser enquadrado na TIPI como jipe. Tanto isso é verdade, que o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/2008 expedido pelo Denatran enquadrou o veículo como sendo da espécie misto, do tipo utilitário e com carroçaria jipe (fl. 223). Portanto, tratase de um veículo de uso misto, ou seja, que segundo a acepção das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (NESH), se presta tanto ao transporte de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 4 5 pessoas, quanto ao transporte de mercadorias e que possui características tais como altura do solo, ângulos de ataque e de saída, tração nas quatro rodas e câmbio com marchas normais e reduzidas, que lhe permitem operar em terrenos “fora de estrada”, inacessíveis aos veículos denominados “de passeio”. É cediço que os veículos automotores são classificados no Capítulo 87 da Tabela de Incidência do IPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006 (TIPI/2006). A Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a classificação deve ser feita com base nos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Pois bem, o exame dos textos das posições do Capítulo 87 não oferece outra alternativa de classificação para o veículo em questão que não seja a posição 8703, uma vez que se trata de um veículo preponderantemente utilizado para o transporte de passageiros. O critério determinante para a classificação dos veículos no Capítulo 87 não é ser jipe ou veículo de passeio, mas sim ser veículo destinado ao transporte de pessoas ou ao transporte de mercadorias. Se for destinado ao transporte de dez ou mais pessoas a classificação ocorre na posição 8702. Se for destinado ao transporte de até 9 pessoas a classificação ocorre na posição 8703. E se for destinado ao transporte de mercadorias a classificação se dá na posição 8704. Partindo da premissa de que o veículo está classificado na posição “8703 – Veículos de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para o transporte de pessoas (exceto os da posição 8702), incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida”, entenderam a autoridade administrativa e a DRJ Belém que o veículo MAHINDRA SUV 4x4 estaria excluído da isenção prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67, por força do disposto no art. 3º, § 1º do mesmo decreto, em razão de o veículo estar enquadrado em uma posição da TIPI destinada a veículos de passageiros. Realmente, como bem apontou a DRJ – Belém, o DecretoLei nº 340/67, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 355/68, estabeleceu expressamente que a isenção prevista nos arts. 3º e 9º do DecretoLei nº 288/67 não se aplicava aos produtos da posição 87.02, incisos 1 e 2 da Tabela de Incidência do IPI anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei nº 34/66. A referida posição englobava os veículos passageiros e os veículos de uso misto. Entretanto, a interpretação vertida no acórdão de primeira instância não pode ser aplicada ao caso concreto, que versa sobre fatos geradores ocorridos durante os anos de 2008 e 2009. Isto porque o art. 3º, § 2º do DecretoLei nº 288/67 estabelece que o rol de exceções à isenção do § 1º pode ser alterado por decreto. E com base nessa autorização legal, o Decreto nº 783, de 25 de março de 1993, estabeleceu o processo produtivo básico para os produtos industrializados na Zona Franca, constantes dos seus anexos I a XV. No anexo XIII do Decreto nº 783/93 se pode verificar que existe a previsão do processo produtivo básico para jipes. Na observação nº 4 do Anexo XIII consta expressamente que “(...) Para os efeitos deste decreto, os veículos automóveis para transporte de mercadorias são exclusivamente os compreendidos na Posição 8704 e os jipes são exclusivamente os compreendidos na Posição 8703 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH); (...)”. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O Decreto nº 783/93 revogou as disposições em contrário e teve vigência e eficácia a partir da data de sua publicação (DOU de 26/03/1993, Seção I, pág. 3791/3796). Concluise que a partir de 26/03/1993, o Decreto nº 783 tornou juridicamente possível a concessão da isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 aos veículos de passageiros, desde que possam ser classificados como jipes na posição 8703 da TIPI. Considerando que o veículo MAHINDRA SUV 4X4 atende aos requisitos do ADN Cosit nº 32/93 para ser enquadrado como jipe da posição 8703 e tendo em vista as Portarias de fls. 165 e 164 expedidas nos anos de 2006 e 2007 pela SUFRAMA, concluise que a ora recorrente é beneficiária de ato administrativo de efeito concreto que regularmente reconheceu a isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 para os jipes MAHINDRA SUV 4X4. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância e determinar o cancelamento do auto de infração. Antonio Carlos Atulim Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13056.000173/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 73 /2 00 9- 71 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente s Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. A ora Recorrente solicitou o ressarcimento de crédito básico e presumido do IPI, referente ao 2º trimestre de 2009, no valor total de R$ 409.302,02, por meio do PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530, transmitido em 17 de julho de 2009. Na mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 27049.98737. 170709.1.3.01.9101, pleiteando o aproveitamento, mediante compensação, da parcela de R$ 17.006,58. Foi realizada auditoria para analisar a legitimidade desse crédito, bem como do crédito objeto do PER/DCOMP nº 88864.57289.201009.1.1.011600, relativo ao 3º trimestre de 2009 (processo administrativo nº 13056.000286/200976), no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte (relatório de fls. 329 a 337): foram detectados indícios de inclusão indevida de gastos com prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido, o que motivou a realização de fiscalização previdenciária que resultou em lavratura de auto de infração, objeto do processo 11065.001584/201082 e formalização de duas representações fiscais para fins penais, a primeira, pela constatação da prática de fato considerado crime, em tese, de sonegação fiscal previdenciária art. 337A, I, do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940, com alterações da Lei 9.983, de 14/07/2000; e a segunda, por crime, em tese, contra a ordem tributária, Lei nº 8.137, de 1990, art. 1°, I. o relatório da ação fiscal relativa às Contribuições Previdenciárias está reproduzido às fls. 277 a 325, onde consta em resumo, o entendimento da fiscalização no sentido de que as empresas do mesmo grupo Calçados Laesa Ltda., Calçados Joice Ltda. e Calçados Siberia Ltda., optantes do Simples, foram criadas com o objetivo de reduzir os tributos incidentes sobre a folha de pagamentos da requerente, sendo os empregados destas empresas, de fato, funcionários de Calçados Status Ltda.; tendo em vista que o art. 59 da Lei nº 9.069, 29 de junho de 1995 determina a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária aos contribuintes que praticarem atos que configurem crimes contra a ordem tributária, a Fiscalização da DRF em Novo Hamburgo propôs o deferimento parcial do pedido, com o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 407.726,93 e o reconhecimento do direito ressarcimento de créditos básicos do mesmo imposto, com fundamento no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, no valor de R$ 1.575,09: em decorrência, foram emitidos os Despachos Decisórios de fls. 341 e 353, que deferiram parcialmente o pedido de ressarcimento formalizada no PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530 e homologaram até o limite do Fl. 893DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 12 3 deferimento a compensação declarada no PER/DCOMP nº 27049.98737.170709.1.3.019101. Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, alegando, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo, por não trazer as informações suficientes à formulação da sua defesa, uma vez que o Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo e a Intimação não teriam mencionado os motivos que levaram ao indeferimento parcial do pedido de ressarcimento, sendo necessário dirigirse à repartição para solicitar cópia de todo o processo para entender o ocorrido. Quanto ao mérito, alega inicialmente que, em virtude do princípio da “presunção de inocência” a que se refere o art. 5º, inc. LVII, da Constituição Federal, a Administração não poderia ter aplicado o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, deixando de reconhecer o direito creditório, antes que o Poder Judiciário houvesse proferido sentença penal condenatória sobre o fato apontado como crime pela Fiscalização. Por outro lado, entende que não cabe à Administração Tributária, integrante do Poder Executivo Federal, julgar se houve, ou não, prática de ato criminoso contra a ordem tributária, a teor do disposto no inc. XXXVII do mencionado dispositivo constitucional. No seu entendimento, a configuração da prática de crime, de qualquer tipo, só se daria o trânsito em julgado de decisão criminal na esfera judicial, tendo a autoridade administrativa usurpado a competência do Poder Judiciário, ao aplicar sanções sem o devido processo legal. Sustenta também que, de acordo com o princípio da tipicidade cerrada, que norteia o Direito Tributário Nacional, a pena aplicada aos que forem condenados pela prática de crimes contra a ordem tributária seria a perda dos incentivos fiscais de redução ou isenção, hipótese em que não se enquadraria o crédito presumido, o qual seria o ressarcimento econômico do custo dos tributos como forma de viabilizar as exportações. Prossegue afirmando que o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995 seria aplicável apenas ao Imposto de Renda, pois está inserida no art. 618 do Regulamento do referido Imposto (Decreto nº 3.000, de 1999). Tal determinação não se aplicaria ao IPI, pois não há qualquer menção no Regulamento do mesmo imposto, devendose considerar que sua aplicação a hipóteses que nela não estão previstas teria decorrido do uso da analogia, o que é inaceitável por violar o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estabelecidos pela ordem jurídica vigente. Anexa cópia da impugnação interposta nos processos administrativos nº 11065001.582/201093, 11065001.583/201038, 11065001.584/201082, 11065001.585/ 2010 27 e 11065001.586/201071, informando que deseja considerar seus argumentos como transcritos na presente impugnação. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentadas, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. Incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no ano calendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o cerne da presente controvérsia gira em torno da definição se o caso concreto preenche os requisitos necessários para a aplicação da penalidade prescrita no art. 59 da Lei n° 9.069/95. Para tanto, colocase uma questão prejudicial, que é justamente definir se o crédito pleiteado pela Recorrente se qualifica como “incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária”. Afinal, sendo negativa a resposta a esta indagação, fica prejudicada a análise acerca da necessidade ou não de sentença penal transitada em julgado reconhecendo a prática de crime contra a ordem tributária ou mesmo de decisão administrativa definitiva também nesse sentido. Pois bem. A ora Recorrente teve seu pedido de ressarcimento indeferido, sob o argumento de que seria incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 59 da Lei 9.069/95, o qual preserve o seguinte: Art. 59 A prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária (Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão a pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Como é possível perceber da simples leitura do texto acima transcrito a hipótese de incidência prevista é a prática, pelo contribuinte de "atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Já a consequência corresponde à “perda de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação”. Ocorre que o crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96 não tem natureza jurídica de incentivo ou benefício de redução ou isenção previsto na legislação. De fato, não se verifica nesses casos o desconto, via redução ou isenção, do imposto devido. Pelo contrário, o mecanismo estabelecido pelo legislador corresponde à outorga de um crédito, figura esta, por óbvio, totalmente oposta à isenção ou redução do imposto. Por conseguinte, tendo o legislador determinado a perda apenas dos incentivos e benefícios relacionados à redução ou isenção dos tributos e verificandose que o caso concreto envolve incentivo de outra natureza (creditícia), não se sustenta a decisão recorrida. Ao enfrentar o presente tema no Recurso Especial nº 222.242, o Conselheiro Henrique Torres chegou à idêntica conclusão. Nas suas palavras: Fl. 895DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 13 5 Desta feita, nos casos de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, a restrição trazida no art. 59 transcrito linhas acima aplicase, independentemente, de haver ou não condenação penal daquele beneficiário que tenha praticado atos que configurem crime contra a ordem tributária. Todavia, no caso dos autos, a natureza jurídica do crédito presumido de IPI não se enquadra corno incentivo e beneficio de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Vejase que o legislador restringiu a aplicação da norma aos casos de incentivos e benefícios ligados à redução ou isenção tributária. O crédito presumido, não se enquadra nem como redução, nem como isenção, é incentivo creditício. Por conseguinte, a norma inserta no art. 59 da Lei 9.069/1995 não o alcança. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente ao ressarcimento de eventuais créditos presumidos do IPI, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir da data da transmissão do pedido de ressarcimento/compensação, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 896DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10680.720844/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 44 /2 01 0- 01 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 18/19), a empresa deixou de incluir em folha de pagamentos remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviço, constante do Anexo I. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 19) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.410,79, atualizada por meio da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/04/2010 (fl.01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 26/55) – acompanhada de anexos de fls. 56/129 –, alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, afirma que é nulo o Auto de Infração lavrado por agente do Fisco que executa trabalho de auditoria ou revisão contábil sem ser contador habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade; 2. No mérito, argumenta não incidir contribuição previdenciária sobre os fatos geradores que deram origem ao presente lançamento. Cita a Constituição Federal (CF), artigos 149 e 195, a Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I, e aduz que somente há incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas remuneratórias pagas ao empregado em razão da contraprestação de trabalho desempenhado por este. Cita a CLT, artigos 457 e 458, e entende que a remuneração comporta o salário e as gorjetas; 3. o abono assiduidade é gratificação e não integra o salário de contribuição por se tratar de um prêmio. Cita jurisprudência. Acrescenta que era pago de modo eventual, fato que impede a incidência de contribuição previdenciária. Cita doutrina; 4. o abono assiduidade foi feito uma única vez para alguns funcionários. Diz que o mesmo raciocínio deve ser aplicado ao pagamento de premiação trimestral. Quanto ao pagamento do abono de férias CCT, afirma também não haver incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, alínea “e”, item 6, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 3 3 e a CLT, artigos 143 e 144. Diz ter pago o abono de férias conforme previsto em Convenções Coletivas de Trabalho e que jamais ultrapassou o limite de vinte dias do salário de cada empregado. Cita jurisprudência; 5. a ajuda de custo paga a empregados e contribuintes individuais, cita doutrina e afirma que tem o objetivo de proporcionar condições para execução do serviço, não se tratando de valores pagos pela contraprestação dos serviços; 6. quanto as diárias de viagem, diz serem pagamentos ligados à viagem feita pelo empregado para prestação de serviços ao empregador. Cita a CLT, artigo 457, jurisprudência e doutrina. Conclui que agiu corretamente; 7. a autoridade fiscal se enganou quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a titulo de abono CCT e indenização CCT, pois são desvinculadas do salário e foram pagas de forma eventual. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9° , alínea “e”, item 7, e jurisprudência; 8. com relação à multa aplicada de 75%, diz ser improcedente, e afirma que deveria ser de 20% com base na Lei 9.430/96, artigo 61, §2°. Cita a CF, artigo 150, e diz que a multa aplicada é confiscatória. Cita jurisprudência. Diz ser improcedente a aplicação de juros pela SELIC. Disserta sobre a matéria; 9. requer o reconhecimento da insubsistência do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0233.843 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 133/134) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais teriam natureza indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de preparar as folhas de pagamento sem a discriminação individualizada: (i) dos segurados empregados, seu cargo, função ou serviço prestado; e (ii) as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. Tais segurados foram devidamente delineados no Anexo I, com a discriminação da competência, base de cálculo, nome do segurado, código e a descrição da conta que não foi oferecida à incidência da contribuição previdenciária. Assim, a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados dos empregados que lhe prestaram serviços, constantes do Anexo I (fls. 18/20). Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2006. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 4 5 I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (empregados), de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009, reajustou os valores da multa aplicada. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 5 7 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos: 10680.720842/201011 (AIOP 37.262.8460) e 10680.720843/201058 (AIOP 37.270.9435). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação às verbas pagas a título de abonos, ajuda de custo e premiação trimestral –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise dos processos da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão dos processos da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Esses processos de constituição da obrigação principal assentaram em sua ementa os seguintes termos: “[...] VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONOS ASSIDUIDADE, FÉRIAS E CCT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Assiduidade, Abono Férias CCT e Abono CCT, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo concedida de forma fixa e contínua aos segurados empregados e contribuintes individuais. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO TRIMESTRAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo (premiação trimestral) aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Por depender do desempenho individual do trabalhador, a verba paga a título de premiação trimestral tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. VERBA PAGA A TÍTULO DE DIÁRIAS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente não incidência da contribuição social. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]”. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001697/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE.
É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.
Numero da decisão: 3401-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente).
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 97 /2 00 9- 44 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do segundo trimestre de 2009 (fls.1/4), com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei nº 10.637/02, recebida pela RFB em 23/07/2009. Na análise, a autoridade fiscal glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. A autoridade fiscal relatou que o fornecimento desse serviço de mãoobra poderia ter sido utilizado como insumo, contudo, entendeu que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada (fls.68/76). A Contribuição apresentou manifestação de inconformidade (fls. 95/107), mas a DRJ em Porto Alegra/RS manteve as glosas, ao prolatar acórdão (fls.135/145) com a seguinte ementa: “PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS – SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS À CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 06/07/2011 (fl.147) e interpôs Recurso Voluntário 04/08/2011 (fls.148/166), com as alegações resumidas abaixo: 1 O despacho decisório é nulo em razão do cerceamento de defesa, vez que a autoridade fiscal não apontou os fundamentos legais que levaram à desconsideração do negócio realizado entre a Recorrente e as terceirizadas. Além disso, a DRJ, para manter o indeferimento, utilizouse de normas não apontadas no despacho decisório; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.001697/200944 Acórdão n.º 3401002.261 S3C4T1 Fl. 170 3 2 As três empresas foram constituídas regulamente e recolhem todos os seus tributos; 3 Foram vários ateliers de calçados terceirizados que prestaram serviço à empresa Recorrente, bem como a empresa Adão Acker prestou serviços a outras empresas, conforme demonstrados nos documentos anexos à manifestação de inconformidade, o que descaracteriza a alegação do fisco de que as terceirizadas prestavam serviços com exclusividade à Recorrente; 4 O fato de Solange Matte, dona da empresa de mesmo nome, ser esposa de Lauro Henrique Matte, sócio administrador da Recorrente, como relatado pela autoridade fiscal, não descaracteriza a independência e autonomia das duas empresas; 5 O desmembramento da empresa para que uma cuide de parte específica da produção, além de necessária para o aprimoramento da produção, é utilizada como planejamento tributário, elisão fiscal, não havendo proibição legal; 6 Para se seja aplicada a desconsideração dos atos jurídicos praticados, prevista no art. 116, Parágrafo Único, do CTN, deve ser provada a ocorrência da simulação ou da dissimulação; Ao fim, a Recorrente pediu que seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamento legal e, caso assim não se entenda, sejam as glosas efetuadas declaradas ilegais e se reconheça o direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pediu o ressarcimento do PIS do segundo trimestre de 2009, mas parte do crédito foi glosada em razão de a autoridade fiscal entender que as empresas que prestavam serviço de fornecimento de mãodeobra eram, na verdade, do mesmo grupo empresarial. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 O cerne da questão é saber se as operações da Recorrente com as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte consiste na prestação de serviço de fornecimento de mãodeobra ou se, na realidade, tratase de grupo econômico, cuja separação é uma simulação. Mas, antes da análise dessa questão, deve ser analisada a questão de nulidade arguida pela Recorrente. 1. Da nulidade do despacho decisório A Recorrente alega que o despacho decisório é nulo, pois não utilizou qualquer fundamento legal para glosar os créditos. Nesse ponto, tem razão a Recorrente. Realmente, tanto no relatório fiscal, denominado nesses autos como “auto de infração”, quanto no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei nº 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para declarar nulo o relatório fiscal, nestes autos denominado de “auto de infração”, o despacho decisório e o acórdão da DRJ, devendo os autos retornarem à delegacia de origem para elaboração de um novo relatório fiscal e despacho decisório, apontandose a norma legal na qual se apóia a desconsideração do negócio praticado entre a Recorrente e as empresas terceirizadas. É como voto. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.001697/200944 Acórdão n.º 3401002.261 S3C4T1 Fl. 171 5 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721899/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91.
Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE.
A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE PESQUEIRA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 18 99 /2 00 9- 98 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 95 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 16/11/2009 para constituição de crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Conforme Relatório Fiscal de fls.15/16, foi lavrado Auto de Infração em razão de a recorrente ter deixado de informar em GFIP, no período de 02/2007 a 11/2008, os pagamentos efetuados aos segurados empregados (comissionados, com contrato de trabalho e mandato eletivo) e contribuintes individuais. Também relata a autoridade fiscal que considerou, na aplicação das multas, o contido no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte. Após ciência pessoal da autuação em 19/11/2009, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 28/39. A DRJ Recife, conforme acórdão de fls. 51//55, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 25/03/2011 (fls. 57), interpôs, em 25/04/2011, o recurso de fls. 59/88, no qual alega, em apertada síntese, que: * ausência de individualização dos segurados; * não obrigatoriedade de retenção e recolhimento pela empresa da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas; * impossibilidade de aplicação de multa às pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007; * caso seja mantida a aplicação da multa, requer a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário, com a finalidade de ver reformada a decisão guerreada e, como conseqüência, anular o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Contribuição do Segurado Contribuinte Individual. Responsabilidade pelo Recolhimento. Aduz a recorrente que não estaria obrigada à retenção e respectivo recolhimento da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas. Apesar do presente Auto de Infração referirse simplesmente à obrigação acessória consistente na apresentação da GFIP com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, para que não pairem dúvidas quanto à legitimidade da exigência da referida contribuição, que foi lançada em outro Auto de Infração (processo 10435.721902/200973), face à ausência de recolhimentos pela recorrente, e também porque o cálculo da multa baseouse no valor da contribuição devida e não declarada, cumpre destacar o quadro normativo que embasa a exigência. A alegação é desprovida de qualquer viso de lógica ou juridicidade. Com efeito, estipula o artigo 21 da Lei n° 8.212/91 que, regra geral, a alíquota de contribuição dos segurados contribuintes individuais será de 20% sobre o respectivo saláriodecontribuição. Assim, se o contribuinte individual prestar serviço a pessoa física (um taxista, por exemplo), não haverá a denominada cota patronal, pois o contratante não se enquadra no conceito de empresa ou equiparado (artigo 15 da Lei n° 8.212/91). Destarte, incide somente a referida contribuição, na alíquota de 20%. Esta é a regra geral, como afirmado. No entanto, se a prestação de serviço ocorrer a empresa ou equiparado empresa ou equiparado (artigo 15 da Lei n° 8.212/91), como incidirá a contribuição destes entes (artigo 22, III, da Lei n° 8.212/91), a legislação permite uma redução de alíquota da contribuição do contribuinte individual, para não encarecer tanto o custo da mão de obra. Vejamos o que dispõe o artigo Com efeito, dispõe o artigo 30, § 4º, da Lei nº 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Art. 30. (...) § 4o Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriode contribuição.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 96 5 Como a contribuição patronal é de 20%, a dedução de 45% equivale a 9%, redundado numa alíquota de 11%, ao invés da regra anteriormente referida (contribuição do segurado contribuinte individual de 20% sobre o respectivo saláriodecontribuição). Ou seja, prestando serviços a empresas ou equiparados, na prática, haverá uma cota patronal de 20% e um cota do segurado contribuinte individual de 11%. Até o advento da Lei n° 10.666/03, cada parte, empresa ou equiparado e contribuinte individual, era responsável pelo recolhimento de sua contribuição. Todavia, com o advento da Lei nº 10.666/03, a contribuição do contribuinte individual, regra geral, passou a ser retida e recolhida diretamente pela empresa: Lei n° 10.666/03 Art.4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). Tal obrigação foi transposta para a Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 351/2007, mas hoje encontrase com a seguinte redação, decorrente da Lei n° 11.933/2009: Lei n° 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (...) b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência;(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). Quanto à responsabilidade da recorrente, que deixou de efetuar os respectivos descontos e recolhimentos, cumpre transcrever o parágrafo 5° do artigo 33, também da Lei n° 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Art. 33. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Assim, depreendese facilmente que há inequívoco embasamento legal para a exigência da contribuição devida pelo contribuinte individual. Ressaltamos que a argumentação supra justificase apenas como supedâneo da legitimidade do procedimento fiscal como um todo e também porque o cálculo da multa baseouse no valor da contribuição devida e não declarada . De toda sorte, é de bom alvitre repisar que a referida contribuição encontrase lançada em outro Auto de Infração (processo 10435.721902/200973). Sendo assim, nenhum razão assiste à recorrente. Ausência de Individualização dos Segurados. Alega ainda a recorrente vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados, o que implicaria em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O inconformismo da recorrente foi devidamente rechaçado pela decisão a quo: Em relação aos prestadores de serviços pessoas físicas, através da planilha de fls. 479/625 do AI 37.249.5940, o autuante informou a data do empenho, o número do empenho, o valor do serviço prestado, o nome do prestador de serviço (segurados contribuintes individuais envolvidos no lançamento) e o histórico do serviço prestado. Sendo assim, desnecessária a juntada dos empenhos ou recibos de pagamento, haja vista que bastaria ao autuado, legítimo possuidor dos mesmos, verificando qualquer irregularidade nos valores lançados, juntálos a fim de fazer prova a seu favor. Já às fls. 63/389 do A I 37.249.5940, o autuante juntou, mês a mês, cópia do resumo das folhas de pagamento, também possibilitando ao autuado o contraditório e a ampla defesa, haja vista que é ele, também, o legitimo possuidor dos documentos fotocopiados, bem como saber quais segurados estão envolvidos no lançamento. Ora, se está de posse das folhas de pagamento relativas aos resumos juntados pelo autuante, basta ao autuado consultálas para saber quem são os segurados empregados envolvidos. Também, por meio dos discriminativos de fls. 4/28 do AI 37.249.5940, é possível se enxergar as bases de cálculo apuradas e as alíquotas aplicadas pela auditoria fiscal. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 97 7 Já o sujeito passivo da obrigação tributária, Município de Pesqueira, está amplamente identificado nos cabeçalhos das folhas que compõem a autuação. Outrossim, não há qualquer prejuízo em se fazer referência neste AI a elementos de prova juntados a outros autos constituído na mesma ação fiscal e, da mesma forma, cientificado ao sujeito passivo. Tal situação, ademais, privilegia o princípio constitucional da eficiência, aqui tomado no sentido do gasto com material, bem como o princípio da informalidade que rege o Processo Administrativo Fiscal. Concluise, assim, que não houve qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo sido o quantum devido extraído de documentos que guardam relação direta (aferição direta) com os fatos geradores de contribuições previdenciárias, restando claro todos os elementos das hipóteses de incidência das contribuições lançadas. Portanto, forte nos argumentos do acórdão a quo, concluise que não merece guarida o pleito da recorrente de reconhecimento de vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados. Multa. Entes Públicos. A recorrente alega ainda a impossibilidade de aplicação de multa às pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007. A redação original do § 9° do artigo 239 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispensava as pessoas jurídicas de direito público do pagamento de multas calculadas como percentual do crédito. Todavia, a partir de fevereiro de 2007, com o advento do Decreto 6.042/2007, a redação do referido dispositivo foi alterada, revogandose tacitamente a vedação à imposição de multa às pessoas jurídicas de direito público. E vejase que, no caso dos autos, não foi aplicada penalidade referente ao período anterior a fevereiro de 2007, quando ainda não estava em vigor a nova redação do art. 239, § 9º, do Regulamento da Previdência Social. Diante do exposto, fazse apropriada a atribuição da penalidade à pessoa jurídica, nas competências posteriores a janeiro de 2007, tal como lavrado o Auto de Infração. Cumpre ainda destacar que a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre o custeio da Seguridade Social, equipara os órgãos e entidades da administração pública a empresas em geral, in verbis: Lei n° 8.212/91 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Assim, a lei atribui, às pessoas jurídicas de direito público, o mesmo tratamento, no que toca as obrigações e ônus decorrentes das contribuições previdenciárias. Inclusive, a Advocacia Geral da União, já emitiu o Parecer, datado de 18/02/2004, aprovado nos termos do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no sentido da legitimidade da aplicação de multas aos entes públicos e, conseqüentemente, da ilegalidade da previsão antes contida no art. 239, § 9º: Parecer nº AC – 16 Adoto nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União, para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER Nº AGU/GV01/04, de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do Consultor da União, Dr. GALBA MAGALHÃES VELLOSO, e submetoo ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40 da referida Lei Complementar.Brasília, 12 de julho de 2004. ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA AdvogadoGeral da União (*) A respeito deste Parecer o Excelentíssimo Senhor Presidente da República exarou o seguinte despacho: Aprovo. Em 12 de julho de 2004. PARECER Nº AGU/GV 01/2004 PROCESSO Nº 46010.001869/200223 ASSUNTO: PARECERES H31366, H71768, H78269, L 038, L102 E SR12 DA EXTINTA CONSULTORIA GERAL DA REPÚBLICA. INAPLICABILIDADE DE MULTAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. ART. 295 DO DECRETO Nº 72.77173. REEXAME.EMENTA: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. (...) XIV. O Decreto e a Lei referidos no Parecer L038 não mais subsistem, o que torna o parecer superado como pronunciamento acerca do direito positivo, por n ão ser ele calcado em princípio geral que sobrevivesse a mutações legislativas, mas apenas naquelas disposições específicas a respeito da questão previdenciária, hoje regida pelas Leis nºs 8.212 e 8.213/91, bem como pelo Decreto nº 3.048/99, o qual, assinalese, traz em seu artigo 239, § 9º, dispositivo que isenta de multa por atraso de recolhimento as pessoas jurídicas de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 98 9 direito público, as massas falidas e missões diplomáticas, o que não encontra amparo na lei regulamentada, que disso não trata. XV. Este Decreto é o único e indevido impedimento para a Previdência cobrar multas de pessoas jurídicas de direito público. Ilegal em face da Lei que regulamenta, é inconstitucional por estabelecer o que não pode, além de ferir o princípio da isonomia, bem como da moralidade, eficiência, legalidade e impessoalidade previstos no Art. 37 da Constituição. (...) (destaques nossos) Portanto, correta a interpretação dada à aplicação das multas às pessoas jurídicas de direito público pela autoridade fiscal e pelo órgão de julgamento a quo, não merecendo prosperar o inconformismo da recorrente. Multas. Direito Intertemporal. A recorrente invoca, por fim, quanto à aplicação da multa, a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. De largada, é preciso ressaltar que estamos tratando apenas das competências posteriores a janeiro de 2007, pois, como visto no tópico acima, para o período anterior, nenhuma multa foi lançada no Auto de Infração em comento. Ademais, também é necessário consignar que tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, consistente na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Por se tratar de período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, a recorrente foi autuada com base no artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Relata a autoridade fiscal que considerou, na aplicação das multas, o contido no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte. Todavia, discordamos do critério utilizado pela autoridade fiscal para a apuração da multa mais benéfica. Senão vejamos. A multa aplicada no presente Auto de Infração foi aquela prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Lei n° 8.212/91 Art. 32. (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei n° 11.941/09, o dispositivo acima transcrito foi revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, I, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3° deste artigo. (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 99 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado à GFIP, pois para este já teria sido introduzida, pela mesma Lei nº 11.941/2009, a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionadas ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, na medida em que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726397/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 97 /2 01 1- 91 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 36) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.029, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726397/201191 Acórdão n.º 1803001.871 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10530.900739/2008-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%.
Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Numero da decisão: 1801-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%. Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade completa do contribuinte, escriturada à época dos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Constatado nos autos que o Despacho Decisório descreveu fartamente a situação fática da contribuinte e as razões de indeferimento do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, e dele constou a fundamentação legal, não se caracteriza o cerceamento de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NOVA EM FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 39 /2 00 8- 44 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1523.087/10 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, fls. 37 e 38, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 19 a 23. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente de pedido de restituição do valor de RS 10.523,64 referente ao pagamento indevido ou a maior do IRPJ lucro presumido, código 2089 do período de apuração 01/2004, requerido através do PER/DCOMP 02879.92978.191104.1.3.041738, para compensação com o débito do IRPJ lucro presumido, código 2089, do 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 7.720,69 (fl. 22). Através do Despacho Decisório Eletrônico n° 759919132 (fl . ll ) , o pedido foi negado pela DRF de Feira de Santana sob a seguinte justificativa: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 10.523,64. À partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp". Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 3 3 Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF a informação de que " existem pagamentos em duplicidade para o tributo IRPJ (2089), referente ao período de apuração 31/01/2004, conforme descrição abaixo e documento em anexo". Cita 02 recolhimentos efetuados em 31/01/2004 no valor de R$ 10.523,64 nas datas de 31/03/2004 e 30/04/2004. [...] Como visto, o contribuinte pretende obter a restituição do pagamento do valor de R$ 10.523,64 referente ao pagamento em duplicidade do IRPJ lucro presumido, código 2089 do período de apuração 01/2004. Alega que efetuou 02 pagamentos no citado valor, em 31/03/2004 e 30/04/2004, respectivamente. [...] A análise das DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do período, indica que o contribuinte apresentou a 1a DCTF em 14/05/2004, confessando um débito de IRPJ lucro presumido para o 1o trimestre de 2004, no valor de RS 37.470,85, alocando para a quitação deste débito 03 DARF nos seguintes valores: O primeiro no valor de R$ 6.177,87. o segundo no valor de R$ 20.769,34 e o por último, um DARF no valor de R$ 10.523,64 (fls. 28 a 34). Se os efeitos da primeira DCTF permanecessem, se confirmaria alegação do contribuinte, do pagamento em duplicidade do valor de R$ 10.523,64, já que o sistema SINAL comprovou 02 recolhimentos neste valor, em 31/03/2004 e 30/04/2004, e apenas um recolhimento estava alocado ao débito declarado na 1a DCTF. Ocorre, entretanto, que em 22/11/2004, o contribuinte apresentou DCTF retificadora, alterando a confissão dos seus débitos relativos ao IRPJ do Io trimestre de 2004, código 2089, de R$ 37.470,85 para R$ 48.137,93, alocando como pagamento destes débitos os seguintes DARF: O primeiro no valor de R$ 6.177,87, o segundo no valor de R$ 20.769,34, o terceiro no valor de R$ 10.523,64, o quarto também no valor de R$ R$ 10.523,64 e por último um DARF no valor de R$143,44, perfazendo um total de R$ 48.137,93, mesmo valor do Débito confessado para o período, o que confirma a inexistência de valor disponível para restituição. Estranhamente, em 09/05/2009, o contribuinte retifica a 2a DCTF e exclui todos os débitos antes confessados. Em 19/11/2009, procede a 4ª retificação da DCTF, desta vez restabelecendo a confissão de todos os débitos, com exceção do débito do IRPJ do 1o trimestre de 2004, que inicialmente foi confessado como sendo de R$ 37.470,85, depois retificado para R$ 48.137,93 e inexplicavelmente desapareceu na DCTF retificadora de 19/11/2009, atualmente ativa. [...] No caso específico, o fato gerador do IRPJ do 1o trimestre de 2004, ocorreu no último dia 31/03/2004, e o Despacho Decisório foi emitido em 09/05/2008, tendo como lastro, as informações prestadas pelo próprio contribuinte, na sua 2a DCTF retificadora enviada em 22/11/2004 cujas informações espelhavam a inexistência de qualquer saldo disponível para restituição, já que todos os DARF recolhidos, inclusive o que é objeto do presente processo, estavam alocados ao débito do 1o trimestre de 2004 confessado em DCTF. As alterações da DCTF efetuadas em 09/05/2009 e 19/11/2009, por terem ocorrido após 05 anos da ocorrência do falo gerador, não podem produzir nenhum efeito jurídico, uma vez que o lançamento já estava homologado, não mais podendo ser objeto de retificação.” Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 40 a 46, inovando os termos da defesa exordial, em síntese: a) exerce a atividade de laboratório de análises clínicas ligada à assistência à saúde, praticando serviços hospitalares. b) entende ser o despacho decisório nulo por ausência de motivação; o indeferimento do pleito deuse por mero cruzamento de informações sem uma análise da liquidez e certeza do indébito tributário; cita doutrina sobre os atos administrativos vinculados e a necessária motivação; em um processamento eletrônico podem ocorrer falhas ocasionadas por erro de preenchimento dos contribuintes, não contemplando a verdade material, pelo que as informações veiculadas nestas declarações são inaptas para desconstituir o direito pleiteado; isto tudo causa o cerceamento de defesa e, portanto, o despacho é nulo; c) quanto ao mérito, a recorrente defende que no anocalendário em questão apurou o lucro na forma presumida utilizando o coeficiente indevido de 32% sobre a receita bruta total, quando deveria ter aplicado o percentual de 8%; d) argúi que formulou consulta à Administração Tributária e obteve parecer favorável ao seu propósito, no sentido de ser declarado que as atividades laboratoriais de análises clínicas são considerados serviços hospitalares, inclusive com caráter retroativo; cita a ementa da Solução de Consulta SRRF/5ª RF, de 16 de fevereiro de 2007, processo administrativo nº 10530.002386/200653; e) com fulcro no entendimento da Solução de Consulta, refez os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, utilizando o percentual de 8%, tornandose credor do indébito formado pela diferença de percentuais; f) desta forma, as DIPJ e DCTF ativas no momento do Despacho Decisório não espelhavam a verdade material dos fatos, espelhada na contabilidade; estes erros podem ser saneados de ofício, consoante dispõe o art. 147, §2º, do Código Tributário Nacional (CTN); Por fim, requer que a retificadora da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2004 seja admitida para o reconhecimento do crédito e as compensações pleiteadas sejam homologadas. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 28/07/10, fls. 39; Recurso – 24/08/10, fls. 40 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o fato de o Despacho Decisório ser emitido eletronicamente não lhe abstrai os atributos do ato administrativo. Nem tampouco a simplicidade do procedimento fiscal que faz o cotejo entre os valores declarados pelo próprio contribuinte e aqueles veiculados nos Per/Dcomp. A análise é sumária, porém plena de eficácia. Como todo ato administrativo goza dos atributos de presunção de legitimidade, legalidade e autoexecutoriedade. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 4 5 A motivação do ato em questão está bem explícita em seu bojo e tanto assim que a recorrente entendeu perfeitamente que o crédito solicitado, pago por Darf, foi integralmente utilizado para quitar débito de tributo acusado nos sistemas. Os quadros demonstrativos analíticos expõem inclusive os períodos de apuração, código de receita, valor total do Darf, data da arrecadação, número do pagamento, valor original e para qual período e tributo foi alocado para quitálo. Não procede, portanto, a alegação de cerceamento de defesa, salientandose que a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade argumentando que o pagamento havia sido realizado em duplicidade, o que constatouse, nos autos, não ser a verdade material dos fatos e agora, em sede recursal, vem expor a verdadeira razão de o porquê estar pleiteando a devolução dos pagamentos efetuados para quitação de débitos então espontaneamente apurados. No mérito, a pretensão da recorrente tampouco merece acolhida. A argumentação apresentada pela recorrente em esfera recursal está ferida pela preclusão processual. O requerimento da recorrente em obter a devolução do crédito tributário porque entende praticar serviços hospitalares e haver recolhido os tributos federais pela apuração indevida do Lucro Presumido são matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, mutatis mutandis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A apreciação de matéria nova ofende o princípio do duplo grau de jurisdição. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº CSRF / 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Todavia, pelo amor ao embate jurídico, esclareçase à recorrente que a Solução de Consulta avocada não lhe favorece, haja vista a sua ementa ser genérica para todos os casos em que há a dúvida de poder ou não enquadrarse como prestadora de serviço Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 hospitalar. Verifiquese a ementa (única parte apresentada pela recorrente da referida consulta formulada): “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES. A pessoa jurídica que exerça a atividade de laboratório de análises clinicas ligada à atenção e assistência à saúde, 9atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n°. 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n°. 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n°. 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 da Lei n°. 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrarse nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n°. 480, de 2004. Esse entendimento aplicase retroativamente. (grifos não pertencem ao original) À época da apuração do tributo em tela, a Instrução Normativa (IN) SRF nº 480/04, em seu artigo 27, §§ 1º e 2º, estabelecia: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. A norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico – que também atua em área ligada à atenção e assistência à saúde – se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir ao termo “prestação de serviço hospitalar”. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 5 7 Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. (grifos não pertencem ao original) A recorrente, pois, não faz qualquer prova de que enquadrase no conceito de prestação de serviço hospitalar. E, nos casos de repetição de indébito tributário, o ônus da prova é da parte que requer. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Destarte, afastada a alegação de que a Solução de Consulta invocada favorece a requerente, por seu caráter genérico e não individualizado, acompanhase no todo as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância, a saber, que as retificações a destempo da DCTF atribuindo o valor 0,00 (zero) para o IRPJ do 1º trimestre de 2004 não pode/deve ser admitida, pelo que corretos os pagamentos efetuados pela recorrente, cujos valores foram calculados em acordo com o percentual de 32% para a apuração do lucro na forma presumida, consoante determinação legal. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 6 9 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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