Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.012954/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DATA E HORA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 07. APLICABILIDADE.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 07, a ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Nulidade não verificada.
NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. NÃO OCORRÊNCIA.
Ausentes as demonstrações de cerceamento de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que realizou o ato, não há falar em nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. DESDOBRAMENTO E RESGATE DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. DIVIDENDOS.
A operação "desdobrando e resgate de ações", tal como realizada nos autos e autorizado em processo de consulta, visando à proteção dos interesses dos acionistas importa igualmente em distribuição de parcela do lucro da companhia, de modo a caracterizar-se dividendo, que é isento de tributação.
OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
ADIÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR.
A comprovação de que os juros pagos declarados pelo controlador nacional não foram pagos à controlada no exterior desautoriza a qualificação desses valores como lucro auferido no exterior.
EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1301-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DATA E HORA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 07. APLICABILIDADE. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 07, a ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Nulidade não verificada. NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. NÃO OCORRÊNCIA. Ausentes as demonstrações de cerceamento de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que realizou o ato, não há falar em nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DESDOBRAMENTO E RESGATE DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. DIVIDENDOS. A operação "desdobrando e resgate de ações", tal como realizada nos autos e autorizado em processo de consulta, visando à proteção dos interesses dos acionistas importa igualmente em distribuição de parcela do lucro da companhia, de modo a caracterizar-se dividendo, que é isento de tributação. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal. ADIÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. A comprovação de que os juros pagos declarados pelo controlador nacional não foram pagos à controlada no exterior desautoriza a qualificação desses valores como lucro auferido no exterior. EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.012954/2006-95
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400256
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.689
nome_arquivo_s : Decisao_10380012954200695.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10380012954200695_5400256.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5731282
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252614774784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.012954/200695 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.689 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria IRPJ. Recorrente INVESTLUZ S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DE DATA E HORA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 07. APLICABILIDADE. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 07, a ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Nulidade não verificada. NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. NÃO OCORRÊNCIA. Ausentes as demonstrações de cerceamento de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que realizou o ato, não há falar em nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DESDOBRAMENTO E RESGATE DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. DIVIDENDOS. A operação "desdobrando e resgate de ações", tal como realizada nos autos e autorizado em processo de consulta, visando à proteção dos interesses dos acionistas importa igualmente em distribuição de parcela do lucro da companhia, de modo a caracterizarse dividendo, que é isento de tributação. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ADIÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 54 /2 00 6- 95 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 A comprovação de que os juros pagos declarados pelo controlador nacional não foram pagos à controlada no exterior desautoriza a qualificação desses valores como lucro auferido no exterior. EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Verificase que em desfavor da recorrente foram efetuados lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ (fls. 3/9), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 10/13), da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCofins (fls. 14/17) e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls. 18/21), referentes aos anos de 2001, 2002 ou 2003. O montante do crédito tributário exigido é de R$ 16.173.347,75, já computados os juros moratórios até a autuação e a multa de ofício (75%). Conforme Descrição dos Fatos e Termo de Verificação Fiscal (TVF), foram constatadas pela Fiscalização quatro infrações fiscais (fls. 28/38), assim resumidas: Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 3 3 a) Omissão de Receitas Receita não Contabilizada caracterizada pela falta de contabilização de valor informado na DIRF de empresa coligada (Coelce) a título de "demais rendimentos", em que o fiscalizado alegou tratarse de desdobramento e resgate de ações, sem a devida justificação, conforme item 3 do TVF (Das Infrações Fiscais Verificadas AC de 2003, valor: R$ 21.399.610,69); b) Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real Lucros Auferidos no Exterior falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, de acordo com o item 5 do TVF (AC de 2002 valor: R$ 1.446.022,17; AC de 2003 valor: R$ 7.058.894,48); c) Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, da parcela restante do diferimento da variação cambial, nos termos da MP n° 1.818, de 1999, conforme demonstrado no item 1 do TVF (AC de 2003 valor: R$ 2.781.403,00); d) Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real Exclusões Indevidas redução indevida no lucro real, em virtude de exclusão não autorizada pela legislação do IRPJ, tendo em vista que o contribuinte, intimado a justificála, não o fez de maneira satisfatória, conforme item 4 do TVF (AC de 2001 valor R$ 706.317,60). Assentou a Fiscalização que as exigências fiscais relativas às contribuições PIS, Cofins e CSLL são decorrentes da infração de omissão de receita (Infração "a"). Devidamente notificada das autuações, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 89/124), requerendo o cancelamento dos autos de infração conforme a seguir resumido: a) Em preliminar, sustentou a nulidade do procedimento fiscal, por ofensa às formalidades necessárias à constituição do crédito tributário, previstas nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, em razão de não haverem sido mencionadas a data e a hora da lavratura do AI, nem constar a indicação do cargo do autor do feito; b) Ainda em preliminar de mérito da Infração 2b, alegou a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar crédito tributário relativo a fatos geradores que remontam a períodos de apuração anteriores a 25.12.2001, tendo em vista que o IRPJ se sujeita ao lançamento por homologação e as alterações procedidas pelo Fisco nos lucros da empresa estrangeira controlada pela Investluz (Luz de Panamá) declarados nos anoscalendário de 1999 e 2000, para gerarem as adições na determinação do lucro real de 2002 e 2003 da impugnante (item 2 do AI), não podem prosperar, em razão de aqueles períodos já haverem sido alcançados pela caducidade do direito, requerendo diligência e/ou perícia para demonstrar a ocorrência do fato alegado; c) No mérito, sustentou: i) que o enquadramento legal das infrações descritas nos itens 3 e 4 do AI está lastreado em decreto executivo, e não em lei; ii) Em relação à infração de "omissão de receita" (Infração 2a), sustenta que o pagamento recebido da controlada Coelce não tem natureza de receita, mas de dividendos e/ou valores destinados a restabelecer o patrimônio do impugnante naquela sociedade, por meio da operação denominada resgate de ações pelo valor patrimonial relembrando o histórico da operação que deu azo ao recebimento do valor pago por sua controlada, bem como a legislação que ampara a tese esposada, a qual foi acatada pela Administração Tributária, conforme solução de consulta formulada pela Coelce, nos termos do PAF n° 10380.100554/200474 (cópia anexa); iii) Em Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 relação à infração de "falta de adição de lucros auferidos no exterior" (Infração 2b), concluiu restar configurado que as diferenças apuradas pelo Fisco referemse a pagamentos realizados a beneficiários distintos da Luz de Panamá, ou a encargos da dívida e juros registrados na escrituração contábil pelo regime de competência, o que leva à insubsistência do feito, a qual deve ser reconhecida pela autoridade julgadora; iiii) Em relação à "falta de adição da parcela restante do diferimento da variação cambial do anocalendário de 1999" (Infração 2c), alegou que a adição ocorreu ainda na Distriluz, sociedade que passou, em 1999, a ser controlada pela Coelce, que, por sua vez, teve o seu controle em poder da Investluz, conforme se verifica na Ficha 10 da DIPJ apresentada por aquela sociedade; iv) Em relação à "glosa de exclusão não autorizada na apuração do lucro real limitouse a requerer a realização de diligência e/ou perícia, por entender ser necessário refazer todo o caminho gerado pela exclusão glosada, de forma a se verificar se o correspondente montante efetivamente criou base tributável pelo IRPJ a merecer lançamento. A recorrente reproduziu os argumentos contidos em sua peça de impugnação apresentada contra o lançamento do IRPJ, tanto no que se refere à preliminar de nulidade do feito, quanto às alegações de mérito relativas à infração que repercutiu nas exigências do IRPJ (fls 89/269), Cofins (fls 299/389), PIS (fls 390/481) e da CSLL (fls 484/577), (item 1 – Receita não Contabilizada), apenas fazendo as necessárias adaptações às correspondentes legislações de regência e ao final, o impugnante requereu a realização de diligência ou perícia formulando quesitos e indicando o seu assistente, às folhas 125 e seguintes, juntou documentos. A autoridade julgadora converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução DRJ/FOR n° 974, de 23 de agosto de 2007 (fls. 619/629). Nos termos do acórdão e voto de folhas 929 a 939, a 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, julgou o lançamento parcialmente procedente, afastando as questões preliminares e concluindo, em relação à decadência, que o argumento da recorrente seria relacionado ao crédito tributário decorrente da "falta de adição de lucros auferidos no exterior" (Infração 2b), que repercute no IRPJ com fatos geradores em 31.12.2002 e 31.12.2003, considerando improcedente a alegação, porquanto o alegado revolvimento do lucro (ou prejuízo) da controlada Luz de Panamá interferiria favoravelmente à recorrente, na medida em que os lucros acumulados adicionados têm sua origem nos anos de 2002 e 2003, sendo eles apenas reduzidos pelo prejuízo apurado em períodos anteriores, a respeito dos quais se alega a caducidade. Concluiu assim, que o crédito tributário decorrente da falta de adição dos lucros no exterior tem por fato gerador os períodos em que lucros são apurados pela controlada, a saber, os anos de 2002 e 2003, como demonstra o item 5 do TVF (fl. 37), que não foi contestado e tendo em conta que o lançamento do IRPJ foi cientificado em 21.12.2006, não há falar em decadência do lançamento do imposto com fatos geradores 31.12.2002 e 31.12.2003, seja à luz do § 4° do artigo 150 (lançamento por declaração) ou parágrafo único do artigo 173 do CTN (lançamento por declaração). Após afastar a parcial alegação de decadência, a decisão recorrida registou que as demais questões requeriam incursão fáticoprobatória, passando a examinar tópico por tópico, destacandose que a análise dessas questões partiria da imputação fiscal descrita no AI, passando pelo questionamento feito na Resolução que converteu o julgamento em diligência, e findando com a respectiva resposta atribuída pela autoridade lançadora, em seu Relatório de Diligência. Mencionouse assim, que a autoridade lançadora apenas transcreveu em seu relatório as informações prestadas pela recorrente ao ser indagado sobre exames requeridos na Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 4 5 resolução, razão pela qual aquela autoridade considerou desnecessário cientificar o contribuinte do relatório, descrevendose que o presente litígio versa sobre a inconformidade do contribuinte contra a acusação fiscal de que declarou e/ou recolheu a menor o IRPJ dos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2001 a 2003, em decorrência da constatação dos seguintes fatos: a) omissão de receita; b) falta de adição, na apuração do lucro real, de valores correspondentes a lucros de controladas sediadas no exterior; c) falta de adição de parcela de valor diferido a título de variação cambial excluída em 1999; d) glosa de exclusão não autorizada na determinação do lucro real, que não foi devidamente justificada pelo impugnante. De acordo com a decisão recorrida, a primeira infração acima descrita repercutiu nas bases de cálculo das contribuições sociais (PIS, Cofins, CSLL), tendo sido formalizadas as respectivas exigências como lançamentos reflexos, razão pela qual seria imperioso inicialmente examinar a imputação de omissão de receita decorrente da falta de contabilização de valor informado na DIRF da coligada Coelce, a título de "demais rendimentos", em que a recorrente alegou, sem justificar, tratarse de desdobramento e resgate de ações, conforme TVF. Concluindose, que em verdade, a autoridade lançadora considerou insuficiente a justificativa apresentada, porquanto, segundo a recorrente, a suposta omissão de receita advém de operação de desdobramento e resgate de ações pagos pela Coelce a seus acionistas, como forma de compensar o impacto negativo ocorrido no fluxo de dividendos ocasionado pela amortização do ágio existente na incorporada Distriluz, sendo que para a autoridade lançadora, não bastaram os registros contábeis da operação feitos pela investida, pois seria preciso a comprovação da operação na contabilidade da investidora, o que não teria ocorrido. Com tais premissas, destacou a decisão recorrida o que foi disposto na Resolução, na qual se formulou dois exames a serem realizados pela autoridade lançadora: a) verificar nos assentamentos contábeis da COELCE, a forma de escrituração específica do pagamento realizado à INVESTLUZ no anocalendário de 2003, portanto, em data anterior ao ingresso da consulta administrativa apresentada por aquela pessoa jurídica junto à Superintendência da Receita Federal da 3ª Região Fiscal, que foi autuada sob o n° 10380.100554/200474, e invocada pela defesa para fundamentar a sua tese de não tributação do recurso recebido; acostar aos autos cópias das folhas dos livros contábeis contendo os referidos registros: b) intimar a Autuada a prestar informação objetiva acerca da destinação dada ao recurso recebido, devidamente acompanhada de documentação comprobatória do fato informado, considerando a ausência de escrituração do correspondente valor em seus assentamentos contábeis. Destacouse, portanto, que em resposta, a autoridade lançadora assinalou que a contribuinte apresentou em 07/07/2008 resposta ao quesito “a”, mencionando o Resumo do Evento Calculado referente ao Resgate de Ações através do qual a Investiluz recebeu da Coelce, por intermédio do Bradesco a importância de R$ 21.399.610,69, correspondente ao seu percentual de controle acionário e que não obstante, como o valor contabilizado, referente a esse fato era divergente, foi o contribuinte novamente intimado em 26/08/2008 [fls. 672/673] a prestar esclarecimentos e justificar as diferenças apresentadas entre o valor tido como resgates de ações, ou seja, no valor de R$ 21.399.610,69 e o valor contabilizado, conforme cópia da conta 1033734 [fls. 659/660], de R$ 22.170.000.00 (valor igual ao que consta no extrato bancário do BEC da Investluz). Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Verificouse que essa divergência de valores decorreu do fato de o contribuinte alegar que "embora esteja envidando todos os esforços possíveis, vem expor a sua dificuldade em localizar, no prazo determinado, documentos que justifiquem a diferença apontada na intimação tendo em vista que são relativos a eventos ocorridos há cinco anos (ano calendário de 2003”. Por tais razões foi que a decisão recorrida concluiu que a avaliação das questões apresentadas exige inicialmente que se contextualize e se delineie conceitualmente a operação de "desdobramento e resgate de ações" realizada pela Coelce, atestando que por "desdobramento e resgate de ações" entendese o mecanismo por meio do qual a companhia aumenta o seu número de ações, através de um desdobramento, efetuando em seguida o resgate destas novas ações com base no valor patrimonial antes do desdobramento e o respectivo pagamento aos acionistas, utilizando como lastro a própria Reserva Especial de Ágio (Reserva de Capital), reputando ser esta uma maneira simples e eficaz de a companhia distribuir fundos aos seus acionistas e que após a conclusão do resgate, o acionista terá o mesmo número de ações que possuía antes do desdobramento. Concluiuse, destarte, que a Solução de Consulta SRRF/3a RF/DISIT n° 18, de 16 de fevereiro de 2005, formalizada nos autos n° 10380.100554/200474, descreve o contexto em que se deu a operação (fls. 179/199) e assenta que no ano de 1998, através de leilão público, o consórcio Distriluz Energia Elétrica S.A. (Distriluz) adquiriu o controle societário da Companhia Energética do Ceará – COELCE (COELCE) e tal aquisição resultou, para a Distriluz, no registro contábil de ágio, no valor de valor de R$ 781.519.000,00, em função do preço de aquisição (R$ 987.000.000,00) ter sido superior ao valor patrimonial da COELCE (R$ 205.481.000,00), assinalando que o fundamento econômico do ágio foi a rentabilidade futura da Coelce baseada em previsão de rentabilidade dos resultados de exercícios futuros no prazo da concessão (art. 385, § 2º, inciso II do RIR/99). Registouse que em setembro de 1999, a COELCE concluiu processo de reestruturação societária, incorporando sua controladora a Distriluz. por força da legislação societária e fiscal então vigente (em especial a Lei n° 9.532/97, com redação dada pela Lei n° 9.718/98, e a Instrução Normativa SRF n° 11/99), o ágio anteriormente registrado na controladora, cujo valor em 31 de agosto de 1999 estava avaliado em R$ 775.960.000,00, foi transferido para os registros contábeis da COELCE, sendo contabilizado em conta do Ativo Diferido (Ativo Diferido em Serviço Outras Despesas Diferidas), conforme determinação contida no inciso II do artigo 2º da Resolução n° 269, de 15 de setembro de 1999, da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, sendo que em contrapartida ao registro do ágio, foi contabilizada na COELCE, em conta do Patrimônio Líquido, uma conta denominada Reserva Especial de Ágio, com natureza de Reserva de Capital (artigo 14, § único, e artigo 182, § 1º, alínea "a" da Lei n° 6.404, de 15/12/1976), já que foi formada a partir da incorporação do patrimônio líquido da incorporada, a Distriluz. De acordo com a decisão recorrida, em 07 de março de 2001, a ANEEL, por força de entendimentos em curso com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com a Secretaria da Receita Federal (SRF), expediu o Ofício n° 177/2001 SFF/ANEEL, informando que estava suprimida a obrigatoriedade de a COELCE contabilizar o ágio em conta do Ativo Diferido, tendo sido ao final registrado em subconta do Ativo Imobilizado (Ágio na Incorporação de Sociedade Controladora). Concluiuse, portanto, que no referido processo de incorporação, o ágio anteriormente registrado na Distriluz foi transferido para a COELCE, restando, ao final, contabilizado da seguinte forma: Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 5 7 D = Ágio (Ativo Imobilizado) R$ 775.960.000,00 C = Reserva Especial de Ágio (Patrimônio Líquido) R$ 775.960.000,00 Mencionouse, ademais, conforme o disposto no inciso III do artigo 2º da Resolução n° 269/99, a ANEEL determinou a COELCE proceder à amortização do ágio objeto da incorporação segundo a curva baseada na rentabilidade futura da concessionária (percentuais estabelecidos no anexo à Resolução), limitada ao prazo de concessão (29 anos), tendo sido previsto o término do prazo de amortização para o ano de 2027. Tal amortização se dá com o seguinte lançamento contábil: D = Despesa de Amortização do Ágio (Resultado) C = Ágio (Ativo) Por tais razões, de acordo com a decisão recorrida, o registro da correspondente despesa de amortização do ágio resulta em benefício fiscal para a COELCE, já que a legislação fiscal a considera dedutível para fins do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o processo de incorporação da Distriluz pela COELCE foi submetido à prévia aprovação da ANEEL (tendo sido aprovado nos termos da anexa Resolução n° 269/99) e da Comissão de Valores Mobiliários CVM, a qual condicionou a sua aprovação à adoção de mecanismo de compensação aos acionistas minoritários com o objetivo de anular o impacto negativo no fluxo de dividendos da Companhia, que seria provocado pela diminuição do lucro líquido em decorrência da amortização contábil do ágio (originalmente apurado na aquisição das ações da COELCE pela Distriluz e transferido para a COELCE como resultado da incorporação efetivada). Assentouse assim, que para anular o dito impacto negativo no fluxo de dividendos, mencionado pela CVM, a COELCE adotou, e vinha praticando o mecanismo de "desdobramento e resgate de ações", por meio do qual a Companhia aumenta o seu número de ações, através de um desdobramento, efetuando em seguida o resgate destas novas ações com base no valor patrimonial antes do desdobramento e o respectivo pagamento aos acionistas, utilizando como lastro a própria Reserva Especial de Ágio (Reserva de Capital) e que o mecanismo até então adotado pela COELCE para compensar os seus acionistas pelo impacto negativo no fluxo de dividendos, decorrência da amortização do ágio, era assim representado em termos contábeis: No Desdobramento e No Resgate das Ações: Movimento escritural de ações, sem reflexos contábeis. No Pagamento das Ações Resgatadas: D = Reserva Especial de Ágio (Patrimônio Líquido); C = Caixa. Foi diante disso que em 2003, apesar de ter aprovado o processo de incorporação, a ANEEL questionou o mecanismo de desdobramento e resgate de ações adotado pela Companhia para compensar os seus acionistas, sob a alegação de que a Reserva Especial de Ágio (advinda da incorporação da Distriluz) não possui a substância econômica inerente às contas de Reserva de Capital (a ANEEL entende que apenas o montante de 34% da Reserva Especial de Ágio, correspondente ao benefício fiscal gerado pela amortização do ágio, possui substância econômica). Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 De acordo com a decisão recorrida, depois de instaurado processo administrativo no qual os aspectos contábeis, societários e de regulação foram detida e vivamente discutidos e avaliados, a ANEEL determinou que a COELCE mantivesse registrado na conta Reserva Especial de Ágio (Reserva de Capital) somente a parcela do benefício fiscal decorrente da amortização do ágio conforme consta do Ofício n° 480/2004, de 26 de março de 2004 e para assim dispor, a ANEEL respaldou seu entendimento na Instrução CVM nº 349, de 06 de março de 2001 e essa Instrução, baixada em consequência e para alterar a Instrução CVM n° 319, de 3 de dezembro de 1999, estabelece basicamente que, nos processos de incorporação envolvendo companhias abertas, que já tenham sido realizados, em que a sociedade controlada incorpora a sua controladora, a incorporadora pode adaptar suas demonstrações financeiras mediante a constituição de uma "provisão" para ajustar o saldo contábil líquido da conta de ágio transferida na incorporação ao montante correspondente ao benefício fiscal que advirá da sua amortização (ou seja, 34% do valor consignado na conta de ágio). Ainda de acordo com a decisão recorrida, recolhidos esses dados, quatro pontos se apresentariam à análise: (i) a natureza da operação de desdobramento e de resgate de ações, que o recorrente sustenta ser de distribuição de dividendos, razão pela qual não integraria a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995), do PIS (art. 1º, § 3°, V, "b", da Lei n° 10.637, de 2002) e da Cofins (art. 1º, § 3°, V, "b" da Lei n° 10.833, de 2003; art. 2º, § 2°, II, lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001); (ii) a divergência entre os valores recebidos pela Investluz (R$ 22.170.000,00) e pago pela Coelce (R$ 21.399.610,69), de acordo com os respectivos extratos bancários (fls. 650/651 versus fls. 660/661), fato esse não esclarecido pelo recorrente na diligência, sob a alegação de não ter encontrado documentos que justifiquem a diferença apontada, já que relativos a eventos ocorridos há mais de cinco anos (fls. 668/669); (iii) a determinação correta do valor distribuído, a fim de que o excedente na distribuição, tendo por referência o valor apurado sem a amortização do ágio, não venha caracterizarse doação passível de tributação (art. 365 do RIR/99); (iv) o fato de a operação de recebimento dos recursos não ter sido contabilizada pela Investluz, consoante assinalado pela Resolução de Diligência, fato, por sua vez, não esclarecido pelo recorrente na diligência. Enfrentando o primeiro ponto, cujo cerne é eminentemente de direito, registrou a decisão recorrida, que dividendo é a parcela do lucro apurado pela companhia que é distribuída aos acionistas por ocasião do encerramento do exercício social (balanço), de acordo com previsão estatutária ou legal (art. 202 da Lei n° 6.404, de 1976), esclarecendo que estes não geram nenhum encargo adicional para o acionista, a não ser aquele relacionado à remuneração do capital investido na companhia, sendo que sob essa óptica, a operação "desdobrando e resgate de ações" importa igualmente em distribuição de parcela do lucro da companhia, em valor correspondente àquele que deixou de ser distribuído em virtude da redução do lucro provocada pela amortização do ágio e o valor recebido pelas ações desdobradas não tem como causa jurídica propriamente o lucro líquido quotizado por um percentual estatutário ou legal, pois o lucro está reduzido pela despesa com ágio, mas uma causa jurídica formal, de que legitimamente fazem uso as companhias para atender a interesses societários ou a determinações de órgãos de controle e fiscalização (CVM, CMN, p.ex.), inclusive para fundamentar distribuição adicional do lucro no interesse dos acionistas. De acordo com a decisão recorrida, portanto, o caráter compensatório do mecanismo, cuja adoção foi determinada pelo art. 16 da Instrução CVM n° 319, de 1999 ("Os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não poderão ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado em cada exercício") e deliberada pela Assembleia Geral da Coelce (fls. 652/658), visando à proteção dos interesses dos investidores não controladores, no que igualmente se vê contemplado o investidor controlador. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 6 9 Quanto aos dois pontos seguintes, segunda a decisão recorrida, registramse divergências não somente entre os valores recebidos pela Investluz (R$ 22.170.000,00) e pago pela Coelce (R$ 21.399.610,69), mas também entre esses e o dividendo que caberia ao recorrente levando em conta o montante pecuniário das ações desdobradas e resgatadas (R$ 37.812.503,50 Ata à fl. 653), submetido ao percentual de participação na investida (56,59% fl. 647), que resulta o valor de R$ 21.398.095,23, observando que não é significativa a diferença entre o valor declarado pelo recorrente como pago pela Coelce e aquele firmado em Ata, de modo que se poderia afirmar inexistir excesso de pagamento que se pudesse conjecturar fruto de uma liberalidade. O mesmo não se poderia sustentar, contudo, na confrontação entre o valor efetivamente recebido pela Coelce a título de resgate de ações (R$ 22.170.000,00) e a quantia que caberia ao recorrente investidor por decisão da assembleia da investida (R$ 21.398.095,23), já que a diferença aqui é monetariamente expressiva (R$ 771.904,77), destacando que o recorrente foi intimado por duas vezes no curso de diligência fiscal (fls. 643 e 664/665), e após diversas dilações de prazo concedidas pela Fiscalização, o contribuinte afirmou que não encontrara documentos aptos a justificar aquela diferença, já que eles se reportariam a eventos ocorridos há mais de cinco anos, sendo que este argumento não seria apto a justificar, já que os fatos investigados são de 2003 e a diligência de 2008, sendo certo que o recorrente se achava em fiscalização desde 16.08.2006 (fls. 32/36), salientando que a pessoa jurídica está obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade. Por fim, aludiu a decisão recorrida que o último ponto a ser examinado diz com a prevalência jurídica a ser atribuída ao fato de a operação de recebimento não ter sido contabilizada pela Investluz, consoante assinalado pela Resolução, fato, por sua vez, que não foi esclarecido pelo recorrente na diligência, de sorte que a autoridade fiscal, dando cumprimento ao objeto da diligência, intimou o recorrente a "prestar informação objetiva acerca da destinação dada ao recurso recebido, devidamente acompanhada da documentação comprobatória do fato informado, considerando a ausência de escrituração do correspondente valor em seus assentamentos contábeis", mas não prestou as informações necessárias, tampouco demonstrou a escrituração do fato. Citando o disposto no artigo 251 do RIR/99, a decisão recorrida concluiu que o recorrente deveria ter registrado o fato no Livro Diário, cuja escrituração é obrigatória para contribuinte no lucro real, julgando procedente a infração de omissão de receitas. Em segundo lugar, examinouse a imputação de falta de adição, na apuração do lucro real, de valores correspondentes a lucros de controladas sediadas no exterior (Luz de Panamá), conforme item 5 do TVF. De acordo com a decisão recorrida, cuidandose dos mesmos fatos objeto do PAF n° 10380.012951/200651, que veicula a exigência do IRRF, a Resolução deste processo adotou as recomendações constantes da Resolução DRJ/FOR n° 946, de 09 de agosto de 2007, resultante da conversão em diligência do julgamento do litígio nele inaugurado, para se aferir a procedência dos argumentos da defesa, registrando que em síntese, requeriase que o recorrente prestasse esclarecimentos acerca da assunção da dívida contraída originalmente pela empresa DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, devidamente acompanhada de documentação comprobatória da obrigação para com sua controlada no exterior LUZ DE PANAMÁ, e Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 apresentasse o Certificado de Registro n° SAO/02362 do BACEN, correspondentes aos contratos de câmbios firmados nos anos de 2002 e 2003. A esse respeito, mencionou a decisão recorrida que a autoridade lançadora registrou a manifestação do recorrente nos seguintes termos: "todas as remessas e pagamentos a pessoas vinculadas no exterior foram feitos exclusivamente para a LUZ DE PANAMÁ, e, ainda, que as diferenças encontradas entre as linhas antes indicadas decorrem da própria natureza das informações que devem ser prestadas em cada uma (regime de caixa e regime de competência)", sendo que a decisão recorrida registrou certa perplexidade ao verificar inconsistências entre as afirmações feitas pelo recorrente e os dados que se contêm nos autos, e com o seu retroceder em algumas delas, porquanto em sua defesa (fls. 116/118 e 674/683), o contribuinte detalha a composição dos valores informados em sua DIPJ a título de "Juros pagos ou creditados" (Ficha 3IA, linha 26, da DIPJ/2003 fl 72; Ficha 38, linha 26, da DIPJ/2004 – fl. 81), em confronto com a "Receita Financeira" auferida por sua controlada, Luz de Panamá (Ficha 37, linha 4, da DIP J/2003 – fl. 74; Ficha 44, linha 4, da DIP J/2004 82), concluindo que parte das diferenças tributadas corresponde a pagamentos de "Juros" ao Banco Central Hispano, em decorrência de operações de empréstimo e, para tanto, celebrou Contratos de Câmbio para Transferências Financeiras ao Exterior com diversas entidades financeiras (Citybank, Bankboston, Santander), visando a aquisição de moeda estrangeira, o que pode ser comprovado mediante extratos do Departamento de Capitais Estrangeiros do Banco Central do Brasil (fls. 701/714), sendo que os "Encargos da dívida" corresponderiam a valores contabilizados com base no regime de competência, sem efeito caixa. Diante de tais argumentos, a decisão recorrida procurou explicitar as inconsistências apontadas pela autoridade que determinou a diligência e o respectivo esclarecimento prestado pelo recorrente, assentando, em primeiro lugar, que por ocasião da sua manifestação acerca do Relatório de Diligência, o recorrente conferiu outra qualificação às parcelas que compõem os "Juros pagos ou creditados", ao mesmo tempo que alegou erro de fato na informação prestada a esse título via DIPJ, de sorte que os "Juros pagos ou creditados" referemse "aos juros pagos no ano convertidos em reais com base no dólar da data do respectivo pagamento", justificando que a quantia referida a título de "Encargos da dívida" foi incorretamente adicionada aos "Juros pagos ou creditados", já que "correspondente à despesa contabilizada pelo regime de competência". Diferentemente, ratifica os valores referidos na coluna "A", tratandose dos "juros incorridos (e não necessariamente pagos no ano) em empréstimo tomado junto à Luz do Panamá, considerados pelo Regime de Competência (art. 177, caput, da Lei n.° 6.404/76 Lei das S/As)". De acordo com a decisão recorrida, em vista disso, a contribuinte requereu fossem desconsideradas de sua peça de impugnação as informações de que "as diferenças apuradas das montas de R$ 4.189.341,24 e R$ 841.202,00 foram ou pagamento a outras entidades que não a Luz de Panamá, todas com o devido pagamento de IRRF (...) ou de 'Encargos de Dívidas" e "Juros", nos períodos de 2002 e 2003, referente à contabilização, pelo regime de competência, mas sem efeito caixa, dos ditos 'Encargos e Dívidas'" e que em contrapartida, pretendeu a consideração de que "todas as remessas e pagamentos a pessoas vinculadas no exterior foram feitos exclusivamente para a LUZ DE PANAMÁ, e, ainda, que as diferenças encontradas entre as linhas antes indicadas decorrem da própria natureza das informações que devem ser prestadas em cada uma (regime de caixa e regime de competência)". Concluiuse assim, que mesmo levando em consideração o equívoco cometido, persistiria ainda uma diferença entre os "Juros pagos ou creditados" ("C") e as "Receitas financeiras" ("A"), que a recorrente procurou justificar com base na diversidade nos critérios de contabilização dessas contas, a saber: "as primeiras denominadas 'Operações Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 7 11 Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas', devem informar 'o valor total dos juros pagos ou creditados em operações financeiras registradas no Banco Central do Brasil com pessoas vinculadas', já as últimas, denominadas 'Receitas Financeiras Auferidas com a vinculada no Brasil', devem informar 'o valor total das receitas financeiras auferidas pela filial, controlada ou coligada domiciliada no exterior nas operações efetuadas com a pessoa jurídica vinculada domiciliada no Brasil' (conforme instruções de preenchimento das DIPJs contidas no site na internet da Receita Federal", mencionando que o argumento também não se mostraria consistente, uma vez que as diferenças encontradas, uma positiva (para o ano de 2002) e outra negativa (para o ano de 2003), não refletiriam a diversidade do critério de contabilização. Observouse assim, que a informação trazida esclarece a primeira inconsistência apontada na Resolução DRJ/FOR n° 946/2007, que converteu o julgamento em diligência. A segunda inconsistência verificada pelo relator da Resolução, de acordo com a decisão recorrida, consistiria no fato de o Certificado de Registro n° 241/35.466, de 04.10.1999, emitido pelo Banco Central do Brasil (Bacen), acostado às fls 695/701, referirse a empréstimo tomado por DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, não existindo nos autos quaisquer esclarecimentos da suposta assunção da dívida pelo recorrente, para justificar a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior (LUZ DE PANAMÁ, controlada pelo autuado e seu pretenso credor), a qual não consta em nenhum dos contratos de câmbio firmados com aquele objetivo. Relembrou a decisão recorrida, que a esse respeito, o recorrente aduziu, em sua manifestação acerca do Relatório de Diligência, que as obrigações passaram a ser de titularidade da INVESTLUZ, ao aditar, em 21.06.2001, o Certificado de Registro BACEN n° 241/35.466 (fl. 714) e a alteração do nome do devedor, de Distriluz para Investluz, no Certificado de Registro foi efetuada sem a explicitação ou comprovação do motivo para a realização de tal ato, concluindo que não se tinha a comprovação de uma suposta assunção da dívida pelo recorrente para justificar a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior e igualmente não se poderia considerar elucidado que as remessas de juros ao exterior se destinavam à controlada Luz de Panamá, a despeito de registro contábil em sentido contrário (fls. 719, 724, 734), uma vez que os contratos de câmbio assinalam o Banco Central Hispano como credor de empréstimo tomado pela Distriluz, para fazer capital de giro. De acordo com a decisão recorrida, a terceira inconsistência verificada dá conta de que os contratos de câmbio, juntados por cópias às fls 695/700, fazerem referência a um Certificado de Registro de n° SAO/02362, diferente do número que figura naquele das fls 701/702, de n° 241/35.466.67, tendo o recorrente afirmando que os Certificados são os mesmos e que a alteração de sua numeração se deu com o registro da operação no Sisbacen/Siscomex, entendendo a decisão recorrida, contudo, que de acordo tela do Sisbacen à fl 701, o registro SAO/02362 identifica a operação realizada, enquanto o registro 241/35.466 indica o certificado de origem da operação. Para finalizar, afirmouse que a Resolução assinalou o fato de que os "Juros pagos ou creditados" superam o valor das receitas financeiras informadas como recebidas do recorrente pela controlada no exterior, o que, em princípio, não explicaria as divergências de informação que motivaram a lavratura do auto de infração, sendo que a diferença verificada entre os itens da declaração, vale dizer entre "receitas financeiras" auferidas pela controlada no exterior e os "juros pagos ou creditados" pelo controlador impugnante, não pode ser Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 integralmente qualificada como receita financeira da controlada, tendo em vista os seguintes elementos de convicção já recolhidos acima, a saber: (a) de uma parte, os documentos (Bacen, Siscomex) registram que os juros foram efetivamente pagos pela Investluz ao Banco Central Hispano, em suposta assunção de dívida de empréstimo contratado inicialmente pela Distriluz, de modo que os juros não seriam propriamente receita da controlada (princípio da verdade real), a despeito de registro contábil em sentido contrário (contabilidade); (b) de outra, os "encargos da dívida", que corresponderiam a despesas contabilizadas com base no regime de competência, não figuram nos documentos citados e o impugnante não demonstra a sua origem, não desconstituindo, assim, a qualificação atribuída a essa diferença na DIPJ. Concluiuse, assim, por excluir os juros pagos ao Banco Hispano, mantendo se o cômputo dos "encargos da dívida", na apuração do valor da infração fiscal. Em terceiro lugar, a decisão recorrida analisou a imputação da falta de adição de parcela do valor diferido a título de variação cambial excluída em 1999, no montante de R$ 2.781.403,00, conforme item 1 do TVF, assentandose que segundo planilha inicialmente apresentada pelo contribuinte (fl 52), havia sim despesa ativada de Variação Cambial Passiva a amortizar em 2003, já no demonstrativo de fl. 201, todo o resultado negativo decorrente da variação cambial, no valor R$ 25.217.573,47, fora amortizado nos períodos de setembro de 1999 a dezembro de 2002, registrando assim, que as planilhas diferem entre si basicamente no valor a amortizar, devido a um "ajuste por recuperação" (R$ 2.709.561,51), concluindo que de fato, o resultado negativo em ambas é de R$ 25.217.573,47, assim com a amortização mensal no valor de R$ 547.223,67. Diante desse quadro, consignou a decisão recorrida que cumpria saber se o valor a título de "ajuste por recuperação" foi adicionado na apuração do lucro real do ano calendário de 1999, mencionando que neste propósito, compulsando o Lalur de julho de 1999, a resposta é afirmativa, conforme fl. 759. Por sua vez, na Ficha 10A da DIPJ/2000, não se registra adição específica sob essa rubrica, mas uma adição global na linha "outras adições", no valor R$ 14.571.161,29, de modo que é mister comparálo ao montante das adições registradas no Lalur de 1999. A mesma providência deverá ser adotada em relação aos anos de 2000 a 2002, sendo que, com referência ao ano de 1999, o Lalur do impugnante registra a amortização mensal a partir do mês de setembro (fls. 781/788) e no Lalur da sucedida Distriluz, o lançamento "ajuste por recuperação" foi feito em julho (fl. 754), sendo necessário saber se o valor amortizado de R$ 2.736.118,35 (fl 201), somado ao "ajuste por recuperação" de R$ 2.709.561,51, integrou o valor adicionado informado na DIPJ/2000, concluindo que a era resposta é afirmativa, consoante se verifica no registro no Lalur de dezembro (fl 787). Atestouse ainda, que em relação ao ano de 2000, a Ficha 09A da DIP J/2001 registra, na linha "Despesas Operacionais Soma Parcela Não Dedutíveis", o valor de R$ 6.566.684,04, que segundo o recorrente corresponde à despesa amortizada no ano, a qual deveria figurar na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Lei n° 9.816/99, de art. 2°)". Por sua vez, o Lalur de 2000 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de 6.566.684,04 (fls 820 e 201). Em relação a 2001, concluiuse que a Ficha 09A da DIP J/2002 registra, na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Lei n° 9.816/99, de art. 2°)", a amortização de R$ 6.557.165,23. A seu turno, o Lalur de 2001 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de R$ 6.566.684,04 (fls 848 e 201), concluindo assim, remanescer a diferença de R$ 9.518,81, que não integrou a adição da base de Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 8 13 cálculo do ano de 2001, conforme DIPJ/2002, razão pela qual deve ser adicionada à base de cálculo do ano de 2003. Por fim, referente a 2002, entendeu a decisão recorrida que a Ficha 09A da DIPJ/2003 registra, na linha "Variações Camb AtivasAper Liq (MP 1.85810/1999, art. 30)", o valor de R$ 6.569.856,97, que, segundo o impugnante, corresponde à despesa amortizada no ano, a qual deveria figurar na linha "Ajustes de Obrig e Créd Variação Amortizada (Leis n° 9.816/99 e 10.305/2001)". Por sua vez, o Lalur de 2002 assinala as amortizações mensais de R$ 547.223,67, perfazendo o total no período de R$ 6.569.856,97 (fls 877 e 201), concluindo que, tendo em vista que o resultado negativo inicial foi parcialmente amortizado nos anos de 1999 a 2002, deve ser adicionado à base de cálculo de 2003 o valor não adicionado no ano de 2001, de R$ 9.518,81. Derradeiramente, examinouse a quarta imputação fiscal, consistente na exclusão não autorizada, do valor de R$ 706.317,60, na determinação do lucro real do ano 2001 (fl 63), que não foi devidamente justificada pelo recorrente, conforme item 4 do TVF. De acordo com a decisão recorrida, quando fiscalizado, o contribuinte alegou que o valor excluído na apuração do lucro real referese a imposto de renda do ano, que estava incorretamente afetando o resultado utilizado para o cálculo do próprio imposto, sendo que, ao contrário do que sucedera com as imputações anteriores, a Resolução não levantou questionamento acerca desta infração fiscal, concluindo que o recorrente não mencionou as razões de fato e de direito pelas quais seria indevida a glosa da exclusão, e a alegação apresentada não guarda pertinência com a imputação fiscal, afirmando que prevaleceria a glosa da exclusão. Por todo o exposto, concluiu a decisão recorrida serem procedentes os lançamentos das contribuições (PIS, Cofins e CSLL) e procedente em parte os lançamentos tributários do IRPJ. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. ), reiterando as preliminares e as razões de mérito já relatadas. É o relatório. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Analiso primeiramente a arguição de que o auto de infração seria plenamente nulo na medida em que não teria constado a hora e data de sua lavratura, bem como o cargo da agente fiscalizador e, em relação aos itens 003 e 004, não se teria constado o dispositivo legal infringido pela contribuinte, situações que ofenderiam o disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, acerca das preliminares em exame assim se manifestou a recorrente: “85. Neste ponto, mister apontar a ilicitude intransponível decorrente da ausência de dois requisitos formais do auto de infração exigido pela Lei do PAF: ausência de data e hora da lavratura no corpo da autuação, como também do cargo do Agente Tributário autuante, e em relação aos itens 003 e 004 do Auto, ausência de disposição legal infringida (consta somente um decreto executivo).” Em relação ao primeiro ponto da alegação, consistente na falta de indicação de data e hora da lavratura do auto de infração, entendo que a questão se resolve com o teor da Súmula CARF nº 07, segundo a qual semelhantes ausências não invalidam a autuação quando suprida pela data da ciência, confirase: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Seguramente, o fato de a lei exigir tais indicações se prestam a nortear os prazos processuais e, com isso, assegurar o direito à ampla defesa. No caso em exame, contudo, a recorrente apresentou sua tempestiva Impugnação, revelando que tomou ciência da autuação em data oportuna, situação que ao meu sentir, esvazia a alegação de nulidade por falta de indicação da data e hora da autuação, levandome a rejeitar esta preliminar. Quantos as demais alegações, de ausência de citação do dispositivo de lei, em sentido estrito, e do cargo do agente fiscalizador, na esteira do que entendeu a decisão recorrida tais ocorrências, ainda que constatadas, sem a indicação precisa do prejuízo experimentado pelo contribuinte não têm o condão e invalidar a autuação, porquanto não se amoldam, de imediato, a qualquer das hipóteses descritas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual, rejeito tais alegações. Outro ponto de absoluto relevo a ser enfrentado se relaciona com a alegação de parcial decadência sustentada pela recorrente, arrazoando que o tributo em questão se rege pelo chamado lançamento por homologação e, portanto, seu prazo decadencial deve ser Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 9 15 contado segundo a regra contida no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador). Sustenta a recorrente, destarte, que o item 5 da combatida autuação, versou retificação do que foi declarado nas DIPJ’s, de forma a se incluir na “Luz do Panamá”, empresa estrangeira controlada por ela, valores de receitas financeiras que geraram adições de lucro na controlada que não teriam sido computados na apuração do lucro real na recorrente, referentes aos anoscalendário 1999 e 2003, de R$ 1.446.022,17 e R$ 7.058.894,48, respectivamente, reputando que tais valores não poderiam ser glosados já que ocorrido o fenômeno extintivo, obstando assim o Fisco de efetuar o lançamento de ofício dos valores relativos aos anos de 1999 e 2000. Tal como fez a decisão recorrida ao tratar da coincidente alegação de decadência, registro que tal arguição alcança tão somente o crédito tributário decorrente da "falta de adição de lucros auferidos no exterior" (Infração 2b), que repercute no IRPJ com fatos geradores em 31.13.2002 e 31.12.2003. Por igual turno, assiste razão à decisão recorrida ao concluir não haver falar em decadência parcial, porquanto as glosas se deram, como dito, por considerada falta de adição de lucros auferidos no exterior na determinação do lucro real da recorrente, de sorte que os lucros acumulados adicionados têm sua origem nos anos de 2002 e 2003, sendo eles apenas reduzidos pelo prejuízo apurado em períodos anteriores, a respeito dos quais se alega a decadência. Andou bem a decisão recorrida ao afirmar que “o crédito tributário decorrente da falta de adição dos lucros no exterior tem por fato gerador os períodos em que lucros são apurados pela controlada”, a saber, os anos de 2002 e 2003, como demonstra o item 5 do TVF (fl. 37)”. Diante disso, como o lançamento do IRPJ foi cientificado em 21.12.2006, não há falar em decadência do lançamento do imposto com fatos geradores 31.12.2002 e 31.12.2003, seja à luz do § 4° do artigo 150 ou parágrafo único do artigo 173 do CTN. No tocante ao mérito, a exemplo do registro feito no relatório, convém esclarecer que de conformidade com a Descrição dos Fatos e Termo de Verificação Fiscal (TVF), foram constatadas pela Fiscalização quatro infrações fiscais (fls. 28/38), assim resumidas: a) Omissão de Receitas Receita não Contabilizada caracterizada pela falta de contabilização de valor informado na DIRF de empresa coligada (Coelce) a título de "demais rendimentos", em que o fiscalizado alegou tratarse de desdobramento e resgate de ações, sem a devida justificação, conforme item 3 do TVF (Das Infrações Fiscais Verificadas AC de 2003, valor: R$ 21.399.610,69); b) Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real Lucros Auferidos no Exterior falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, de acordo com o item 5 do TVF (AC de 2002 valor: R$ 1.446.022,17; AC de 2003 valor: R$ 7.058.894,48); c) Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, da parcela restante do diferimento da variação Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 cambial, nos termos da MP n° 1.818, de 1999, conforme demonstrado no item 1 do TVF (AC de 2003 valor: R$ 2.781.403,00); d) Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real Exclusões Indevidas redução indevida no lucro real, em virtude de exclusão não autorizada pela legislação do IRPJ, tendo em vista que o contribuinte, intimado a justificála, não o fez de maneira satisfatória, conforme item 4 do TVF (AC de 2001 valor R$ 706.317,60). O enfretamento, portanto, para conferir certo rigor didático, seguirá a mesma ordem das imputações, iniciandose pela de omissão de receitas. Os argumentos e fundamentos, da contribuinte e da decisão recorrida, respectivamente, foram todos bem descritos no relatório acima minudenciado, valendo registar apenas que a recorrente foi intimada a demonstrar as razões pelas quais não teria declarado o referido rendimento (fl. 33), justificando que o valor de R$ 21.399.610,69, constante da DIPJ da Coelce como "demais rendimentos" pagos à Investluz, se relacionariam a valor correspondente ao "desdobramento e resgate de ações", meio utilizado para compensar o impacto negativo no fluxo de dividendos advindo da amortização de ágio arcado pela Coelce e que esse valor tem natureza de dividendos, não sendo receita tributável (fl. 41). Alega a recorrente, em resumo, portanto, que os valores vertidos pela COELCE como pagamentos a ela, a título de "demais rendimentos", não compõem a base de cálculo do IRPJ, pois são fruto de operação de amortização do ágio decorrente da incorporação da Distriluz Energia Elétrica S.A. (controladora) pela COELCE (controlada), por intermédio de "desdobramentos e resgate de ações", devidamente autorizado pela ANEEL, pela CVM e aferida em sua inteireza pela Receita Federal do Brasil na Consulta Tributária n° 10380.100554/200474 (fls. 179 – 199), tendo substância de (1) dividendos e / ou (2) de valores recebidos com o fito de restabelecer o patrimônio investido pela Recorrente naquela controlada (resgate de ações pelo valor patrimonial). Para melhor compreensão da matéria em litígio, vale lembrar que a recorrente demonstrou, desde os primitivos arrazoados, que o Consórcio Distriluz adquiriu o controle societário da Coelce em 1998, pagando um ágio de R$ 781.519.000,00, sendo certo que os acionistas da Distriluz permutaram suas ações com ações da Investluz, passando esta a controlar a Distriluz. A Coelce, por seu turno, incorporou a Distriluz em 1999, absorvendo o referido ágio em sua contabilidade, em conta do ativo diferido, conforme a legislação em vigor determinava, sendo que o ágio era amortizado proporcionalmente ao tempo da concessão, tal como determinado na legislação vigente à época. Ficou demonstrado ainda, que o registro dessa amortização como despesa consubstanciava um benefício fiscal, uma vez que dedutível na apuração do lucro real e, para compensar o impacto negativo do fluxo de dividendos para os acionistas, causado pela redução do lucro da empresa, a Coelce adotou o mecanismo de "desdobramento e resgate de ações", com respaldo em decisões da ANEEL e da CVM, em que a empresa "aumenta o seu número de ações, através de um desdobramento, efetuando em seguida o resgate dessas novas ações com base no valor patrimonial antes do desdobramento e o respectivo pagamento aos acionistas, utilizando como lastro a própria reserva especial de Ágio (reserva de capital)". O valor recebido pela recorrente de fato não sofre a incidência do IRPJ, já que possuem natureza de dividendos. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 10 17 Relembrese ainda, que a conversão do julgamento em diligência, determinou fossem verificados, nos assentamentos contábeis da Coelce, a forma de escrituração específica do pagamento realizado à Investluz, bem como que a recorrente informasse a destinação dada ao recurso recebido (fls. 626 627), sendo que a recorrente, na comprovação do que argumenta desde o início, juntou os documentos de folhas 650 a 663, relativos à Coelce, constante de registro de resgate de ações (ficha bancária dos valores envolvidos no resgate de ações; ata da assembleia que autorizou o desdobramento e o resgate das ações; registro contábil do resgate das ações; extrato bancário contendo o pagamento do resgate das ações). No curso da referida diligência, contudo, constatouse divergência entre o valor declarado, pela própria recorrente em relação ao resgate das ações (R$ 21.399.610,69) e o valor contabilizado pela Coelce (R$ 22.170.000,00) que coincide com o valor constante no extrato bancário (fl. 664), de sorte que o recorrente, devidamente intimado a comprovar tal diferença afirmou que não localizou os documentos necessários. Substancialmente, nem a decisão recorrida negou a natureza dos rendimentos recebidos, mesmo que tenha apontado o que seria, no seu entender, a correta definição do desdobramento e resgate de ações, mantendo a glosa, todavia, por entender que os valores não teriam sido escriturados pela COELCE (pagadora) de maneira a legitimar a operação, situação que não subsiste, como evidenciado acima, porquanto os documentos juntados na impugnação, em conjunto com os documentos juntados na diligência, comprovam fartamente que a receita é oriunda de operação regular entre investidora e investida, que essa operação tem natureza de distribuição de dividendos e, portanto, não está sujeita ao pagamento de IRPJ. Contudo, devese observar que a Coelce realizou um pagamento de R$ 22.170.000,00 e o valor do resgate das ações atinge apenas o valor de R$ 21.399.610,69, de sorte que a diferença deve ser considerada receita tributável, razão pela qual, voto no sentido de exonerar parcialmente este tópico do lançamento. No tocante segundo ponto da autuação, as imputações da Fiscalização se deram por consideradas “Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real Lucros Auferidos no Exterior”, ou seja, foram verificadas diferenças entre os valores efetivamente pagos a controlada no exterior, a título de "Receitas Financeiras" (Ficha 37, linha 4, da DIPJ), e os valores constantes do Quadro de Participação no Exterior " Juros Pagos ou Creditados", conforme firmado no "Quadro de Operações com Exterior", no item de "Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas Operações Juros Pagos ou Creditados" (Ficha 31 , linha 26, da DIPJ). Temse exigência, portanto, relativa à diferença entre os Juros Pagos ou Creditados à Pessoa Vinculada e a Receita Financeira Auferida com a Vinculada no Brasil, segundo informações extraídas da DIPJ da contribuinte, sendo que as divergências foram observadas entre os valores declarados a título de Receitas Financeiras (Ficha 37, linha 04) do quadro Participações com o Exterior, e no item Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas Operações Juros Pagos ou Creditados, para as quais a Contribuinte foi intimada a apresentar justificativas, não o fazendo a contento, o que levou a Fiscalização a tributar as diferenças verificadas, as quais não foram identificadas como decorrentes do contrato de financiamento especificado no Certificado do Banco Central do Brasil de n° 241/35.466. A recorrente nada inovou em suas alegações em relação ao que sustentou em sua manifestação à diligência realizada antes da decisão recorrida, informando que todas as Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 remessas e pagamentos a pessoas vinculadas no exterior foram feitos exclusivamente para a LUZ DE PANAMÁ, e, ainda, que as diferenças encontradas decorrem da própria natureza das informações que devem ser prestadas em cada uma (regime de caixa e regime de competência), indicando a necessidade de ratificarse, de ofício, suas DIPJ’s. Em relação ao tópico específico, anoto que a decisão recorrida fez uma apurada e detida análise, excluindo, inclusive, parcela da autuação, referente aos pagamentos realizados ao Banco Central Hispano, de modo que impende demonstrar que a análise da decisão recorrida já se deu por considerar a manifestação acerca do Relatório de Diligência, na qual, a recorrente conferiu outra qualificação às parcelas que compõem os "Juros pagos ou creditados", já apreciando, inclusive, o alegado erro de fato na informação prestada a esse título via DIPJ, sendo que a dita análise, já se deu por considerar que os juros pagos referemse "aos juros pagos no ano convertidos em reais com base no dólar da data do respectivo pagamento" e que a quantia referida a título de "Encargos da dívida" foi incorretamente adicionada aos "Juros pagos ou creditados", já que "correspondente à despesa contabilizada pelo regime de competência", bem como a ratificação dos valores dos "juros incorridos (e não necessariamente pagos no ano) em empréstimo tomado junto à Luz do Panamá, considerados pelo Regime de Competência (art. 177, caput, da Lei n° 6.404/76 Lei das S/As)", revelando assim, que o invocado princípio da verdade material já foi utilizado pela decisão objetada para enfretamento das razões da recorrente. Confirase, nesse sentido o item 58 da decisão recorrida, in verbis: (...) 58. Em vista disso, requer, em homenagem ao princípio da verdade material, que sejam desconsideradas de sua peça de impugnação as informações de que "as diferenças apuradas das montas de R$ 4.189.341,24 e R$ 841.202,00 foram ou pagamento a outras entidades que não a Luz de Panamá, todas com o devido pagamento de IRRF (...) ou de 'Encargos de Dívidas" e "Juros", nos períodos de 2002 e 2003, referente à contabilização, pelo regime de competência mas sem efeito caixa, dos ditos 'Encargos e Dívidas'". Em contrapartida, roga a consideração de que "todas as remessas e pagamentos a pessoas vinculadas no exterior foram feitos exclusivamente para a LUZ DE PANAMÁ, e, ainda, que as diferenças encontradas entre as linhas antes indicadas decorrem da própria natureza das informações que devem ser prestadas em cada uma (regime de caixa e regime de competência)". (...) Sendo assim, necessário verificar apenas se a decisão recorrida conferiu correta interpretação aos fatos sucedidos, sendo inegável, entretanto, que seu juízo foi emitido já com base nos argumentos que a contribuinte sustenta em sede de Recurso Voluntário, daí porque, desnecessária qualquer manifestação acerca da aplicação do princípio da verdade material. Aliás, cuidando do conteúdo que remanesce para apreciação, tenho para mim que a decisão recorrida acertou ao consignar no tópico 59, que “mesmo levando em consideração o equívoco cometido, persiste a diferença entre os juros pagos ou creditados e as receitas financeiras”, já que alegada diversidade nos critérios de contabilização dessas contas, as primeiras denominadas 'Operações Registradas no Banco Central Pessoas Vinculadas', devem informar 'o valor total dos juros pagos ou creditados em operações financeiras registradas no Banco Central do Brasil com pessoas vinculadas', já as últimas, denominadas 'Receitas Financeiras Auferidas com a vinculada no Brasil', devem informar 'o valor total das Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.012954/200695 Acórdão n.º 1301001.689 S1C3T1 Fl. 11 19 receitas financeiras auferidas pela filial, controlada ou coligada domiciliada no exterior nas operações efetuadas com a pessoa jurídica vinculada domiciliada no Brasil'. Diante disso, correta a conclusão da decisão impugnada ao mencionar que estas diferenças não refletem a diversidade do critério de contabilização. Igualmente assiste razão à decisão recorrida ao observar uma inconsistência verificada pelo fato de o Certificado de Registro n° 241/35.466, de 04.10.1999, emitido pelo Banco Central do Brasil (Bacen – fls. 695/701), referirse a empréstimo tomado pela DISTRILUZ ENERGIA ELÉTRICA LTDA, e a despeito do que afirma a recorrente, nada há nos autos que comprove a assunção da dívida pela recorrente, a justificara remessa dos juros pela recorrente à empresa sediada no exterior LUZ DE PANAMÁ. Com efeito, não subsiste o argumento da recorrente de que as obrigações passaram a ser de titularidade da INVESTLUZ, ao se aditar o Certificado de Registro BACEN n° 241/35.466 (fl 714), porquanto, tal como registrado na decisão recorrida, a alteração do nome do devedor, de Distriluz para Investluz, no Certificado de Registro foi efetuada sem a explicitação ou comprovação do motivo para a realização de tal ato, ou seja, não há elementos que indiquem a assunção da dívida, ficando igualmente ausente uma justificativa válida para a remessa dos juros contratuais à empresa sediada no exterior. No mesmo sentido, não se pode considerar elucidado que as remessas de juros ao exterior se destinavam à controlada Luz de Panamá, a despeito de registro contábil em sentido contrário (fls 719, 724, 734), uma vez que os contratos de câmbio assinalam o Banco Central Hispano como credor de empréstimo tomado pela Distriluz, para fazer capital de giro. Por fim, também não socorre a recorrente o fato de que os contratos de câmbio, juntados por cópias às folhas 695 a 700, fazerem referência a um Certificado de Registro de n° SAO/02362, diferente do número que figura naquele das folhas 701 a 702, de n° 241/35.466, porquanto a recorrente afirma, unicamente, que os Certificados são os mesmos e que a alteração de sua numeração se deu com o registro da operação no Sisbacen/Siscomex, mas bem demonstrou a decisão recorrida, consoante tela do Sisbacen (fl. 701), que o registro SAO/02362 identifica a operação realizada, enquanto o registro 241/35.466 indica o certificado de origem da operação. Não se pode desconhecer também, que a Resolução assinalou o fato de que os "Juros pagos ou creditados" superam o valor das receitas financeiras informadas como recebidas da recorrente pela controlada no exterior, o que, em princípio, não explicaria as divergências de informação que motivaram a lavratura do auto de infração. Sendo assim, a exemplo do que fez a decisão recorrida, de rigor reconhecer que a diferença verificada entre "receitas financeiras" auferidas pela controlada no exterior e os "juros pagos ou creditados" pelo controlador, ora recorrente, não pode ser integralmente qualificada como receita financeira da controlada, salvo, é claro, a parcela reconhecida pela decisão recorrida, razão pela qual, neste ponto específico, nego provimento ao Recurso Voluntário. Na sequência, resta o último ponto objeto do inconformismo da recorrente, relacionado à glosa da exclusão de R$ 706.317,60, objeto do item 004 do Auto de Infração, sendo que a recorrente, para o tópico em questão, limitouse a afirmar que “quanto à glosa da exclusão de R$ 706.317,60, esta tem de ser objeto diligência/perícia que refaça todo o iter por Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 ela gerado, de forma a se verificar se esse montante efetivamente "criou" base cálculo tributável pelo IRPJ que possa se agora cobrada da Recorrente”. Ora, a exemplo do que mencionou a decisão recorria, o contribuinte nada esclareceu acerca da referida glosa, não justificando os motivos pelos quais procedeu à exclusão censurada, limitandose a referir ser necessária a realização de diligência, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de manter a autuação em questão. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para os fins de reformar a decisão recorrida julgando insubsistente, em relação à autuação de omissão de receitas do resgate das ações que atinge o valor de R$ 21.399.610,69, mantendo as demais acusações fiscais nos exatos termos da decisão impugnada. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.001439/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/03/2003
Devida a contribuição sobre a diferença de receita apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Estende-se ao processo decorrente o decidido no principal. A compensação de valores recolhidos ao Simples deve ser solicitada em procedimento próprio.
Recurso desprovido
Numero da decisão: 1401-000.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2002 a 31/03/2003 Devida a contribuição sobre a diferença de receita apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Estende-se ao processo decorrente o decidido no principal. A compensação de valores recolhidos ao Simples deve ser solicitada em procedimento próprio. Recurso desprovido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10140.001439/2003-60
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401396
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-000.995
nome_arquivo_s : Decisao_10140001439200360.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10140001439200360_5401396.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva, e Mauricio Pereira Faro.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5735437
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252625260544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.001439/200360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401000.995 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria COFINS Recorrente ITA JÓIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2002 a 31/03/2003 Devida a contribuição sobre a diferença de receita apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Estendese ao processo decorrente o decidido no principal. A compensação de valores recolhidos ao Simples deve ser solicitada em procedimento próprio. Recurso desprovido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva, e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 14 39 /2 00 3- 60 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10140.001439/200360 Acórdão n.º 1401000.995 S1‐C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, por bem resumir a questao, adoto o relatorio da decisao a quo: Ita Jóias Ltda. EPP, acima qualificada, foi lançada no valor total do crédito tributário de R$ 27.619,00 relativo A. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora calculados até 30/05/2003 e multa proporcional, de oficio, conforme Auto de Infração e demonstrativos de fls. 110120, calculada sobre as receitas registradas nos livros fiscais, apuradas nos períodos de 31/01/2002 a 31/03/2003, pois a empresa, enquadrada no Simples como Empresa de Pequeno Porte, auferiu no decorrer do AC 1999, ano anterior A opção, receita bruta omitida e não declarada no montante excedente ao limite permitido para ingressar no sistema; razão pela qual dele foi excluída (fls. 111). 2. Intimada em 10/06/2003 (fls. 110), a autuada apresentou impugnação em 09/07/2003 (fls. 130133), alegando, em síntese, após historiar a autuação, que o ponto crucial da questão está no levantamento das supostas omissões de receitas decorrentes de depósitos bancários, da qual já foi tributada pelo IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, no processo n° 10140.001438/200315, o qual é improcedente conforme exaustivamente argumentou na impugnação apresentada naqueles autos, mormente nos tópicos "ilegalidade da utilização dos dados da CPMF para fins de lançamentos de outros tributos" e "depósito bancário não é renda", e que dada a relação de causa e efeito existente com aquele processo, há que se observar o que ali for decidido. Por fim, afirmou que se mantida a autuação destes autos, há que ser compensado o pagamento efetuado no sistema simplificado. 3. Foi juntada cópia do Acórdão n° 3.727, de 7/05/2004, proferido no processo 10140.001438/200315, julgando procedentes os lançamentos neles constantes (fls. 140157). Analisando a questão, entendeu o orgão julgador de Primeira Instância por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2002 a 31/03/2003 Ementa: DIFERENÇA APURADA. TRIBUTAÇÃO. Devida a contribuição sobre a diferença de receita apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Estendese ao processo decorrente o decidido no principal. A compensação de valores recolhidos ao Simples deve ser solicitada em procedimento próprio. Lançamento Procedente Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10140.001439/200360 Acórdão n.º 1401000.995 S1‐C4T1 Fl. 4 3 Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a Ita Jóias Ltda. EPP interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conforme mencionado pelo próprio contribuinte, a discussão aqui posta, muito embora trate de exigência de COFINS, é de competência dessa Seção em razão da vinculação existente entre a discussão aqui posta e a discussão travada nos autos do Processo Administrativo nº 10140.001438/200315. Dessa forma e nos termos requeridos pelo próprio contribuinte nos autos do recurso voluntário apresentado, deve ser aplicado ao presente caso o resultado do julgamento ocorrido no do Processo Administrativo nº 10140.001438/200315. No Processo Administrativo nº 10140.001438/200315 discutiuse a exigência tributos e contribuições: IRPJ, MULTA ISOLADA, PIS/FAT, CSLL, COFINS. As bases de cálculo apuradas pela fiscalização foram devidamente expostas pela recorrente e, no que importa ao presente caso, omissão de receitas caracterizada por valores creditados em contas correntes mantidas em instituição financeira, em relação as quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nestas operações. No que pertine a esse ponto, entendeu a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte por manter a autuação referente a omissão de receita, conforme se verifica do acórdão 10515.428, já transitado em julgado. Dessa forma e considerando a decorrência da presente discussão com o Processo Administrativo nº 10140.001438/200315, nego provimento ao presente recurso voluntário. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10140.001439/200360 Acórdão n.º 1401000.995 S1‐C4T1 Fl. 5 4 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901368/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.901368/2006-17
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400281
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-000.347
nome_arquivo_s : Decisao_10380901368200617.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10380901368200617_5400281.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5731307
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252627357696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 306 1 305 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.901368/200617 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.347 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2014 Assunto PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO Recorrente TECNOMECANICA ESMALTEC LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 36 8/ 20 06 -1 7 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 307 2 Relatório: Tratase de recurso voluntário. Na origem foi realizado pedido de Restituição relacionado a diversos outros pedidos de Compensação pela recorrente, sendo o crédito apontado referente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002, exercícios de 2002 e 2003 respectivamente, os quais totalizam, segundo a recorrente, o valor de R$ 915.201,94. Dessa forma a empresa recorrente visou compensar suas obrigações tributárias relativas aos anoscalendário de 2003 e 2004, como demonstrado nas PER/DCOMPs de fls. 2/67, cujos números relaciono abaixo: PER/DCOMPs 39511.42830.151003.1.3.025950 Ressarcimento (crédito) /Compensação (débito) 30760.89768.221003.1.3.022002 Compensação (débito) 13367.10902.151203.1.3.020122 Ressarcimento (crédito) / Compensação (débito) 13412.76622.171203.1.3.025344 Compensação (débito) 03869.46538.301203.1.3.020040 Compensação (débito) 17993.15670.301203.1.3.020019 Compensação (débito) 01607.75549.070104.1.3.020326 Compensação (débito) 37558.39012.070104.1.3.020679 Compensação (débito) 04548.20383.150104.1.3.025855 Compensação (débito) 07036.98340.300404.1.3.022196 Compensação (débito) 02060.16129.300804.1.3.024421 Compensação (débito) 18942.02348.300307.1.7.021089 Compensação (débito) 42421.91355.300307.1.7.024598 Compensação (débito) 26024.10684.300307.1.7.027671 Compensação (débito) 16260.25246.160408.1.7.026899 Compensação (débito) Verificase nos autos que a recorrente foi intimada, por três vezes, para sanar irregularidades nos PER/DCOMPs n.º 39511.42830.151003.1.3.025950 e 13367.10902.151203.1.3.020122 (fls. 132/137), pois havia divergências entre os valores do crédito informados na DIPJ/2002 e naqueles PER/DCOMPs. Mesmo após tais intimações, não houve quaisquer correções nos PER/DCOMPs transmitidos a RFB. Desta maneira, em 23/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório (fls. 68) pela Delegacia da Receita Federal de Fortaleza/CE não homologando as compensações informadas nos 15 (quinze) PER/DCOMPs supratranscritos. Em síntese, a decisão da autoridade fiscal de origem foi assim motivada: PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 39511.42830.151003.1.3.025950. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 308 3 Período de apuração do crédito: Exercício 2003 – 01/01/2002 a 31/12/2002. Tipo de crédito: Saldo Negativo de IRPJ. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 915.201,94. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 622.766,54. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 39511.42830.151003.1.3.025950; 30760.89768.221003.1.3.022002; 13367.10902.151203.1.3.020122; 13412.76622.171203.1.3.025344; 03869.46538.301203.1.3.020040; 17993.15670.301203.1.3.020019; 01607.75549.070104.1.3.020326; 37558.39012.070104.1.3.020679; 04548.20383.150104.1.3.025855; 07036.98340.300404.1.3.022196; 02060.16129.300804.1.3.024421; 18942.02348.300307.1.7.021089; 42421.91355.300307.1.7.024598; 26024.10684.300307.1.7.027671; 16260.25246.160408.1.7.026899. Intimada do despacho decisório em 06/11/2008 (fl. 75), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 77/87) alegando, em síntese, a comprovação de existência do saldo negativo a título de IRPJ pleiteado por meio das declarações do contribuinte dos exercícios de 2002 e 2003, merecendo destaque dos seguintes trechos a fim de esclarecimento da situação fática dos autos: (...) No exercício de 2002, ano calendário de 2001, o saldo apurado fora de R$ 186.692,50 (cento e oitenta e seis mil e seiscentos e noventa e dois reais e cinquenta centavos). Já no exercício de 2003, ano calendário de 2002, o saldo negativo de IRPJ apresentado fora de R$ 622.766,54 (seiscentos e vinte e dois mil setecentos e sessenta e seis reais e cinquenta e quatro centavos). Diante da existência, no ano de 2003, de um saldo negativo cumulado no total de R$ 915.201,94, haja vista a cumulação do saldo apresentado na DIPJ do exercício de 2002 com o do exercício de 2003, a Peticionante deu inicio às declarações de compensação. As compensações efetuadas com o Saldo Negativo apurado na DIPJ 2002 têm a PER/DCOMP 39511.42830.151003.1.3.02.5950 como inicial. Entretanto, ao preencher a referida PER/DCOMP, a pessoa jurídica acima qualificada, equivocadamente, informou que o saldo Fl. 308DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 309 4 negativo do imposto de renda era do exercício de 2003, quando o correto seria do exercício de 2002. Ademais, como a referida PER/DCOMP foi enviada em 2003, a pessoa jurídica somou o saldo da DIPJ 2002 com o saldo da DIPJ 2003. Ocorre que, em virtude da informação equivocada aposta na PER/DCOMP 39511.42830.151003.1.3.02.5950 quanto ao exercício do crédito, todas as demais PER/DCOMP onde constava o exercício de 2003 foram vinculadas à PER/DCOMP 39511.42830.151003.1.3.02.5950 e por consequência não homologadas. Como se pode observar na ficha 12 A da DIPJ 2002 e no demonstrativo anexo, podese constatar a existência do crédito tributário (R$ 186.692,50) em favor da Impugnante. Por outro lado, as compensações efetuadas com o Saldo Negativo apurado na DIPJ 2003 têm a PER/DCOMP 13367.10902.151203.1.3.020122 como inicial. Como se pode observar na ficha 12 A da DIPJ 2003 e no demonstrativo anexo, podese constatar que o contribuinte apresentou crédito no valor de R$ 622.766,54. Assim, a empresa utilizou o crédito existente em seu favor referente aos saldos negativos de IRPJ dos exercícios de 2002 e 2003 de R$ 915.201,94 (valor originário) e efetuou a compensação com débitos de períodos posteriores. (...) O presente processo administrativo fiscal foi remetido à 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que ponderou o seguinte (fls. 138/142): Sobre a alegação de que a lide abrange os saldos negativos correspondentes ao anocalendário 2001 (exercício 2002) e ao anocalendário 2002 (exercício 2003), registro de antemão que, somandose os valores informados pelo contribuinte, R$ 186.692,50 (relativo ao anocalendário 2001) e R$ 622.766,54 (relativo ao anocalendário 2002) totalizase a importância de R$ 809.459,04, e não o valor de R$ 915.201,94, como mencionado na peça de defesa. Também não há dúvidas de que o contribuinte efetivamente indicou o exercício 2003 (anocalendário 2002) no preenchimento dos PER/DCOMP. Convém dizer, ainda, que se encontra sob a minha relatoria o processo administrativo n° 10380.912673/200987, em cujos autos foram apreciadas 17 Declarações de Compensação vinculadas ao crédito oriundo do saldo negativo de IRPJ, exercício 2002 (anocalendário 2001). Vale destacar que, a despeito da constatação apontada acima, analisandose pormenorizadamente os PER/DCOMP tratados no presente processo (documentos de fls. 1 a 66), enxergase a possibilidade de que as compensações tenham sido promovidas pelo sujeito passivo em dois blocos, com base nas seguintes vinculações: BLOCO 1: PER/DCOMP com o crédito inicial: 1) 39511.42830.151003.1.3.025950 (fls. 2/6), valor informado de R$ 915.201,94; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 310 5 Demais PER/DCOMP vinculados: 2) 30760.89768.221003.1.3.022002 (fls. 7/10) BLOCO 2: PER/DCOMP com o crédito inicial: 3) 13367.10902.151203.1.3.020122 (fls. 11/15), valor informado de R$ 622.766,54; Demais PER/DCOMP vinculados: 4) 13412.76622.171203.1.3.025344 (fls. 16/19); 5) 17993.15670.301203.1.3.020019 (fls. 20 a 23); 6) 03869.46538.301203.1.3.020040 (fls. 24/27); 7) 01607.75549.070104.1.3.020326 (fls. 32/35); 8) 37558.39012.070104.1.3.020679 (fls. 28/31); 9) 04548.20383.150104.1.3.025855 (fls. 36/39); 10) 16260.25246.160408.1.7.026899 (fls. 40/43, retificador do 19686.87159.300104.1.3.02 9033); 11) 07036.98340.300404.1.3.022196 (fls. 44/49); 12) 02060.16129.300804.1.3.024421 (fls. 50/53); 13) 42421.91355.300307.1.7.024598 (fls. 54/57, retificador do 16445.98705.150904.1.3.022523); 14) 18942.02348.300307.1.7.021089 (fls. 58/62, retificador do 19217.79407.151004.1.3.026922); 15) 26024.10684.300307.1.7.027671 (fls. 63/67, retificador do 04248.92469.121104.1.3.020332). Em sua conclusão, resolveu a DRJ baixar os autos em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências, consideradas úteis para a solução deste processo administrativo destes autos, bem como do processo administrativo nº 10380.912673/200987, conforme consta às fls. 142: a) verificar a autenticidade dos documentos acostados aos autos dos dois processos administrativos, informando os valores dos saldos negativos de IRPJ, relativos aos anoscalendário 2001 e 2002, lastreados por tais elementos; b) intimar o contribuinte para demonstrar de forma cabal que o pleito contido no PER/DCOMP nº 39511.42830.151003.1.3.025950 referese ao saldo negativo de IRPJ correspondente ao anocalendário 2001 (exercício 2002), pois a alegação de que o somatório dos saldos negativos dos exercícios 2002 e 2003 atingem R$ 915.201,94, não ficou devidamente comprovada; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 311 6 c) para cumprir o desiderato previsto nos itens “a” e “b”, se necessário, intimar o contribuinte para esclarecer ponto que eventualmente ainda se apresente dúbio; d) ao final, elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, acrescentando quaisquer outras informações que sejam de interesse para o deslinde da questão, cientificandose o contribuinte sobre o inteiro teor da diligência realizada, e facultandolhe o prazo de trinta dias para adotar novas razões de defesa. Dessa forma, os autos seguiram para a DRF de origem, onde depois de tomadas todas as medidas requeridas e necessárias, proferiuse a Informação Fiscal (fls. 205/210) datada de 16/09/2014 (cientificada a recorrente em 21/10/2011, conforme fls. 217). Segundo concluiu a DRF na Informação Fiscal, restou comprovado o saldo negativo de R$ 597.593,40 passível de compensação, referente ao anoexercício de 2003, bem como a quantia a pagar de R$ 106.820,82 de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, quanto ao anoexercício de 2002. A recorrente se manifestou sobre a Informação Fiscal em 24/10/2011 (fls. 220/222), ratificando seus argumentos prévios de que teria direito à integralidade do saldo negativo declarado nos PER/DCOMPs. Oportunamente, juntou os documentos às fls. 223/233, dos quais se destaca o Informe de Rendimentos Financeiros emitido pelo Banco do Brasil (fls. 223) a fim de comprovar o IRRF recolhido através desta fonte pagadora. Por conseguinte, os autos retornaram a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Fortaleza/CE (DRJ/FOR), sendo proferido o Acórdão nº. 0825.058 (fls. 238/248) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 77/87) apresentada pela recorrente, cuja ementa transcrevese abaixo (fl. 238): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência de prova inequívoca da procedência dos elementos de composição do saldo negativo de IRPJ (IRRF e estimativas) acarreta o reconhecimento parcial do direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação declarada, até o limite do valor reconhecido em favor do contribuinte. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não integram o saldo negativo as estimativas, cuja compensação não foi homologada administrativamente, por se tratar de meras antecipações de tributos, cuja exigibilidade não tem o caráter de certeza e liquidez necessário à cobrança e inscrição em dívida ativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 312 7 Direito Creditório Reconhecido em Parte. Intimada da decisão supratranscrita em 13/05/2013 (fl. 250), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 12/06/2013 (fls. 252/277) e documentos de fl. 278/302, no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Preliminarmente, requereu a determinação de paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança dos débitos declarados não compensados, presentes nos autos de Processo Administrativo Fiscal n.º. 10380908.635/2008 49 (exercício de 09/2004, valor de R$ 33.027,69) e 10380908.636/200893 (exercício de 08/2004, valor de R$ 150.103,21), com base no art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; (ii) No mérito, alegou que existiu preclusão administrativa temporal, quanto à decadência do direito do Fisco de efetuar alteração nos créditos apurados nas DIPJ de 2002 e 2003 por ter havido lapso temporal superior a cinco anos; (iii) Que é juridicamente inadmissível que a autoridade administrativa efetuasse a revisão dos créditos informados na DIPJ 2002 e na DIPJ 2003, tendo em vista que ocorreu a decadência do direito do Fisco em retificar os valores dispostos nessas declarações, com base no art. 150, do Código Tributário Nacional; (iv) Que não é admitido ao Fisco proceder a um lançamento decorrente de não homologação de DIPJ depois da homologação na forma do art. 150, CTN, ou seja, decorrido o prazo decadencial de cinco anos após os fatos geradores envolvidos; (v) Que, embora a Administração Tributária tenha o dever de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte em sua Declaração de Compensação, o Fisco não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte; (vi) Que após o decurso do prazo decadencial, o Fisco não poderá mais recalcular as bases de cálculo de IRPJ apuradas pelo contribuinte, ainda que no âmbito de eventual processo de compensação, já que a homologação (expressa ou tácita) confere definitividade à apuração feita pelo contribuinte; (vii) Que existiu ofensa ao princípio da verdade material nos autos em relação à diligência realizada na origem, já que o julgador da DRJ desconsiderou valores confirmados pela diligência, no tocante ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, reduzindo o valor identificado no relatório de diligência do montante de R$ 597.593,40 para R$ 513.166,43; (viii) Que, em relação ao valor de R$ 106.820,82 de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (exercício de 2002) a ser pago pela recorrente, o mesmo não merece prosperar, devendo ser homologada a compensação integral requerida nos PER/DCOMP relacionado a estes autos; (ix) Que recentemente a recorrente logrou êxito ao localizar o lançamento em seu livro diário que comprova a retenção do valor de IRRF de R$ 109.513,18, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 313 8 sobre aplicações financeiras realizadas no BANEQ, documento constante à fl. 302 dos autos, linha 12; (x) Que, em relação ao valor de saldo negativo de IRPJ de R$ 597.766,54, concernente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, quantia esta verificada pela diligência realizada nos autos como valor comprovado de saldo negativo de tal exercício, tem que o mesmo não merece prosperar, visto que restou comprovado nos autos que o valor de R$ 622.766,54 é passível de compensação; (xi) Que a diferença glosada pelo julgador da DRJ de origem, na quantia de R$ 84.416,97, se deu pela desconsideração das antecipações mensais realizadas no período de Fevereiro/2002 e Julho/2002 que não foram homologadas pelo Fisco, bem como não foram objeto de cobrança nos autos do processo administrativo nº. 10380.912673/200987; (xii) Que as DCOMP apresentadas pela recorrente para adimplemento das antecipações mensais referentes a tais períodos (02/2002 e 07/2002), em caso de seu indeferimento, serão cobradas nos autos dos processos administrativos que as controlam, não cabendo no caso a aplicação do bis in idem; (xiii) Que segundo os documentos colacionados aos autos, restou comprovado o direito ao crédito informado, o qual faz jus à compensação requerida, visto que as declarações estão de acordo com as exigências fiscais e permitem a verificação da regularidade dos procedimentos adotados para a compensação dos créditos tributários por meio das PER/DCOMP constantes nestes autos; (xiv) Que há necessidade de realização de perícia contábil neste caso, com a emissão de parecer técnico pela Receita Federal, para se averiguar a existência do crédito indicado na DIPJ 2002, com a análise dos documentos trazidos aos autos pela recorrente que comprovam a retenção em fonte de imposto de renda sobre aplicações financeiras realizadas pelo Banco do Brasil (documento de fls. 223), bem como do documento constante ao Anexo I do recurso voluntário; (xv) Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no recurso voluntário; (xvi) Juntou documentos às fls. 278/302. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 314 9 Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Como visto, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ/FOR) converteu o julgamento em diligência (fls. 138/142) com o intuito de intimar o contribuinte a apresentar documentação que comprovasse o montante do saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica passível de compensação nos PER/DCOMP apresentados. A Informação Fiscal (fls. 205/210), proferida pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE em 16/09/2014, atestou a existência de saldo negativo de R$ 597.593,40 (em relação ao exercício de 2003) em favor da recorrente, passível de compensação, bem como a quantia de R$ 106.820,82 de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (exercício de 2002) a ser pago pela contribuinte. Observase que, especificamente a respeito do exercício de 2002, anocalendário de 2001, segundo bem demonstrado pelo Acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR, conforme segue às fls. 244, a diligência apurou o seguinte: Na diligência, apurouse a inexistência de saldo negativo (no valor de R$ 186.692,50) pleiteado na DIPJ, anocalendário 2001, revelandose na apuração do ajuste anual o saldo de imposto a pagar no valor de R$ 106.820,82, tendo em vista que: a interessada informou na ficha 12A da DIPJ, anocalendário 2001, às fls. 104, o valor de R$ 217.983,18, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), e R$ 5.314.365,99, a título de imposto mensal pago por estimativa [parte compensada com IRRF e parte recolhida em DARF], totalizando a importância de R$ 5.532.349,17; quando intimada a comprovar as antecipações, relacionou, às fls. 171, os pagamentos mensais de estimativa de imposto de renda feitos por meio de DARF, no valor de R$ 1.641.522,70, e o valor de IRRF sobre aplicações financeiras, no valor total de R$ 3.858.522,64), significando, a título de antecipações durante o anocalendário 2001, um valor global de R$ 5.500.043,34 [menor do que o valor informado na DIPJ: diferença de R$ 32.303,83 = R$ 5.532.349,17 – R$ 5.500.043,34]; os DARF, apesar de divergirem dos valores informados na DIPJ foram confirmados pelos sistemas da RFB; com relação ao IRRF, a interessada logrou comprovar os valores informados na ficha 143 da DIPJ, exceto a importância de R$ 261.209,49, referente às parcelas do Banco do Brasil (R$ 151.696,11) e BANEQ (R$ 109.513,38); Assim, entendeu a autoridade fiscal que a empresa não comprovou a antecipação no montante de R$ 293.513,32 [R$ 261.209,49 de IRRF + R$ 32.303,83 de diferença informada pela própria interessada], Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 315 10 alterando o cálculo do saldo negativo de R$ 186.692,50 para imposto de renda a pagar no valor de R$ 106.820,82. Logo, o saldo negativo do exercício de 2002, primeiramente informado pela recorrente, na quantia de R$ 186.692,50, não restou comprovado após realização da diligência pela origem. De tal quantia foi reduzido o valor de R$ 32.303,83, representado pela divergência do valor total entre as estimativas informadas como pagas na DIPJ/2002 e aquelas apontadas no Relatório confeccionado pela recorrente às fls. 169 dos autos. Assim, em tese, o saldo negativo ao qual a recorrente teria direito a compensar era de R$ 154.303,83. A DRF de origem, outrossim, verificou na diligência (fls. 207/208) que a recorrente não logrou comprovar as retenções relativas a imposto retido na fonte (Ficha 43 da DIPJ/2002 – fls. 113/114 dos autos) em relação a duas fontes pagadoras, o Banco do Brasil e o BANEQ, conforme tabela constante à fl. 207, reproduzida abaixo: Valor Declarado Valor Comprovado Diferença Apurada Fonte Pagadora Rendimento IRRF Rendimento IRRF Rendimento IRRF 01. Banco do Brasil S/A 7.032.136,73 1.403.370,29 6.258.473,58 1.251.674,18 773.663,15 151.696,11 02. BANEQ 547.566,89 109.513,38 0,00 0,00 547.566,89 109.513,38 TOTAL 7.579.703,62 1.512.883.67 6.258.473,58 1.251.674,04 1.321.230,04 261.209,49 Assim, a soma da diferença apurada do Imposto de Renda Retido na Fonte das fontes pagadoras (Banco do Brasil e BANEQ) foi de R$ 261.209,49. Desse valor foi deduzido o montante acima mencionado de R$ 154.303,83 (resultado do saldo negativo comprovado do exercício de 2002), de forma que se obteve a quantia de R$ 106.820,82 a título de Imposto de Renda a pagar pela recorrente. No entanto, em manifestação sobre o resultado da diligência fiscal, a recorrente juntou aos autos o Informe de Rendimentos Financeiros expedido pelo Banco do Brasil S.A., no qual a primeira vista, comprovaria o recolhimento de IRRF no valor de R$ 1.407.165,98 (um milhão, quatrocentos e sete mil, cento e sessenta e cinco reais e noventa e oito centavos). A DRJ, por conseguinte, a fim de analisar o documento em questão, trouxe aos autos as informações prestadas na DIRF do Banco do Brasil (fls. 235/237), sendo que verificou a retenção de R$ 846.319,19, sob o código 3426 (rendimentos de capital, aplicações financeiras de renda fixa, exceto fundos de investimento – PJ), e de R$ 405.354,99 sob o código 5273 (operações swap), nos termos destacados abaixo (fls. 245): Com relação aos valores retidos pelo Banco do Brasil, a interessada apresenta em sua defesa o documento de fls. 223. Para melhor analisar a prova, na busca da verdade material, anexei as informações prestadas na DIRF, pelo Banco do Brasil (fls. 235/237), referente ao anocalendário 2001. Observase, no detalhamento mensal da DIRF, que o Banco apresentou à Receita Federal duas modalidades de rendimentos financeiros auferidos pela interessada. Na primeira modalidade, a empresa sofreu retenção de imposto de renda no valor anual de R$ 846.319,19, sob o código 3426 (rendimentos de capital, aplicações financeiras de renda fixa, exceto fundos de investimento – Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 316 11 PJ). Na segunda, a empresa sofreu retenção de imposto de renda no valor anual de R$ 405.354,99, sob o código 5273 (operações swap). Verificando que na DIRF do Banco do Brasil não continha todas as informações de retenção de imposto de renda sobre rendimentos da recorrente, como demonstrado através do Informativo Bancário apresentado, concluiu o acórdão da DRJ, a meu ver de maneira descabida, ser provável que a importância não demonstrada expressamente na DIRF da instituição bancária estava implícita nos demais valores expressamente informados na declaração, declarando insuficiente a prova apresentada pela recorrente, como segue: Cotejando essas informações, podese pensar num primeiro momento que não constou da DIRF a retenção de imposto de renda, no valor de R$ 155.491,80, referente a CDB/RDB Renda Fixa (mês de setembro de 2001), contida no documento trazido aos autos pela manifestante (fls. 223). Por outro lado, é provável que essa importância esteja incluída na retenção realizada sob o código 3426, pois o valor informado na DIRF para o mês de setembro de 2001 atingiu o patamar de R$ 494.242,30. A meu ver, esse documento apresentado somente após o relatório da diligência não é suficientemente hábil para firmar a convicção no sentido de que o Banco teria cometido um equívoco por ocasião do preenchimento da DIRF. Tratase de cópia de uma folha isolada de um documento aparentemente incompleto, sem assinatura, que não foi acompanhado de outros elementos capazes de assegurar o direito alegado. A interessada poderia ter reforçado a sua defesa apresentando os registros contábeis, além de outros comprovantes das operações bancárias efetivamente realizadas com o Banco do Brasil durante todo o anocalendário 2001, mas não o fez. (...) É fato que nas informações da DIRF do Banco do Brasil trazido aos autos pela DRJ não constam todas as retenções realizadas pela instituição conforme demonstradas pela recorrente através do Informe emitido pela instituição bancária. No entanto, não se pode utilizarse de juízo subjetivo para prever que os valores individual e expressamente informados através do Informe bancário (fls. 223) estariam lançados na DIRF da instituição de maneira distinta (a menor) e implicitamente. Ou seja, é incabível a conclusão que a parcela alusiva à retenção de imposto de renda, no valor de R$ 155.491,80, referente à CDB/RDB Renda Fixa (mês de setembro de 2001), provavelmente estaria incluída na retenção sob o código 3426, mormente porquanto o valor de R$ 494.242,30 é exatamente o valor que se verifica no Informe de Rendimentos apresentado (fls. 223) e proporcional ao rendimento daquele mês (setembro/2001). Desta maneira, fazse necessário esclarecimento sobre a divergência entre o Informe de Rendimentos apresentado pela recorrente ás fls. 223 e a DIRF do Banco do Brasil trazida aos autos pela DRJ, verificando efetivamente os valores retidos na fonte sobre os rendimentos da recorrente no anocalendário de 2001. Outrossim, a recorrente juntou aos autos, às fls. 302, página do seu livro diário a fim de comprovar a retenção de IRRF sobre aplicações financeiras realizadas no Banco Equatorial – BANEQ, corroborando o seu direito quanto ao pedido de compensação do valor pleiteado relativo ao exercício de 2002, anocalendário 2001. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.901368/200617 Resolução nº 1302000.347 S1C3T2 Fl. 317 12 Isso significa que, em tese, o valor de R$ 109.513,38, relativo à diferença apurada quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte da fonte pagadora BANEQ (conforme tabela de fls. 207 da Informação Fiscal), estaria comprovado. De fato verifico que o documento constante à fl. 302 dos autos, em sua linha 12, consta o lançamento do valor de R$ 109.513,38 com a descrição “IRRF sem aplicação financeira”, o que, a princípio, demonstra a declaração da retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte pelo BANEQ. No entanto, muito embora a verossimilhança das alegações da recorrente demonstrada pelo documento em análise, é indispensável que a recorrente apresente documentos hábeis que lastrearam o lançamento contábil apontado (fls. 302), ou quaisquer outros que possibilitem concluir de forma cabal a efetiva retenção do respectivo valor. Desta forma, em observância ao princípio da verdade material, entendo pertinente converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem tome as seguintes providências: a) Analise o Informe de Rendimentos (fls. 223) apresentado pela recorrente, diligencie junto ao Banco do Brasil esclarecendo as divergências entre este documento e a DIRF do Banco do Brasil apresentada pela DRJ (fls. 235/237) e verifique os valores efetivamente retidos na fonte sobre os rendimentos da recorrente no anocalendário de 2001 com relação esta instituição bancária; b) Intime a empresa recorrente para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente os documentos que lastrearam o lançamento contábil apontado (fls. 302), ou quaisquer outras provas idôneas e suficientes a comprovar idôneas e suficientes a comprovar a retenção do respectivo valor; c) Após este prazo, que o agente fiscal emita parecer conclusivo sobre os documentos constantes nos autos, as provas colhidas junto ao Banco do Brasil, a contabilidade do contribuinte e a DIRF, manifestando expressamente sobre a existência de saldo negativo quanto ao exercício de 2002, anocalendário de 2001; Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904206/2012-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10746.904206/2012-92
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401903
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.580
nome_arquivo_s : Decisao_10746904206201292.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10746904206201292_5401903.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5738212
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252633649152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 8 1 7 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904206/201292 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.580 – 3ª Turma Especial Data 15 de outubro de 2014 Assunto Compensação Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 20 6/ 20 12 -9 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 9 2 para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.855, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 10 3 da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 11 4 foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 12 5 DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 13 6 processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 14 7 A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904206/201292 Resolução nº 3803000.580 S3TE03 Fl. 15 8 A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.905399/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.905399/2011-21
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384041
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.162
nome_arquivo_s : Decisao_10850905399201121.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850905399201121_5384041.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5642257
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252659863552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.905399/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.162 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente VIADIESEL TRANSPORTE E COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 53 99 /2 01 1- 21 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905399/201121 Acórdão n.º 3801004.162 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730184/2012-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91.
MULTA AGRAVADA. ART.35-A DA LEI 8212/91
O artigo 35-A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.681
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91. MULTA AGRAVADA. ART.35-A DA LEI 8212/91 O artigo 35-A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.730184/2012-51
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398183
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.681
nome_arquivo_s : Decisao_11080730184201251.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080730184201251_5398183.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5709451
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252665106432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730184/201251 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.681 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente WS CRANES INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91. MULTA AGRAVADA. ART.35A DA LEI 8212/91 O artigo 35A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 01 84 /2 01 2- 51 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.730184/201251 Acórdão n.º 2803003.681 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.730184/201251 Acórdão n.º 2803003.681 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. 1. O presente processo administrativo (DEBCAD Nº 51.022.2544), lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, corresponde a contribuição dos segurado empregados (8% a 11%), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (FOPAG X GFIP), período 01/2009 a 03/2010, 06, 08, 12 e 13/2010. O r. acórdão – fls 825 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Direito da contribuinte ao aproveitamento dos recolhimentos dos valores recolhidos a maior (01/2009 a 11/2009). · Inexigibilidade da multa agravada. · Requer em relação ao aproveitamento dos valores recolhidos a maior no período compreendido entre 01/2009 e 11/2009, sejam baixados os autos em diligência para se determinar o valor a maior de fato a empresa recolheu. Em relação à Multa Agravada, que seja limitada a 112.5%. · O AIOA DEBCAD nº 51.022.2560 (CFL 30), foi liquidado por pagamento. É o relatório. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.730184/201251 Acórdão n.º 2803003.681 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DOS RECOLHIMENTOS ENTRE 01/2009 A 11/2009 A recorrente alega que "... conforme relatório do agente fiscal, a empresa recolheu em GPS, entre os meses de 01/2009 a 11/2009, valores superiores ao que era efetivamente devido (nos termos do cálculo da autoridade fazendária). No entanto, diante do não esclarecimento da contribuinte do motivo pelo qual havia se equivocado ao recolher indevidamente, o fiscal entendeu por glosar os créditos da empresa...". Equivocado seu entendimento. A autoridade fiscal afirma que intimou a empresa para que esclarecesse diferenças entre os recolhimentos e o que declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Como considerou os esclarecimentos insatisfatórios, não sendo possível identificar os fatos geradores, não aproveitou a sobra de recolhimentos. Em momento algum foi afirmado que houve recolhimento a maior, tampouco foram glosados créditos. Os valores apurados foram detalhadamente explicitados, em minuciosas planilhas, tendo como base os lançamentos contábeis presentes nas rubricas INSS, INSS sobre férias e INSS sobre 13º salário, em anexo à conta contábil 21.10.400.0100000 137.6, fls 191 a 193 do razão ano 2009 e fls 176 a 179, razão 2010, conforme anexado aos autos. Os valores apurados não foram impugnados, a demonstrar o acerto do lançamento. DA MULTA AGRAVADA Lei 8212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 856DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.730184/201251 Acórdão n.º 2803003.681 S2TE03 Fl. 6 5 Por seu turno, o art. 44 da lei 9430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Acréscimo de 50% não atendimento de intimação Lei 9430/96 art. 44, parágrafo 2º: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei; O relatório fiscal informa: 13) A empresa não apresentou os arquivos da Folha de Pagamento do período de 01/2009 a 12/2010 no formato do MANAD – Manual Normativo de Arquivos Digitais da SR, conforme solicitado no TIPF, em anexo. Foi apresentada a folha de pagamento processada por meio eletrônico em arquivo PDF. Pela não entrega dos arquivos digitais a multa de oficio foi agravada em 50% , de acordo com a Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941, publicada no DOU em 28/05/09, resultante da conversão da Medida Provisória nº449, de 3 de dezembro de 2008. A conduta apontada justifica o agravamento da multa, que deve ser mantido. Ressaltese que a legislação citada deixa claro que a penalidade independe de avaliação quanto ao elemento subjetivo, determinando sua aplicação independentemente de dolo ou culpa. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.730184/201251 Acórdão n.º 2803003.681 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005667/97-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31 de janeiro de 1995
NULIDADE. VICIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando
a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada.
Numero da decisão: 3201-000.680
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / lª turma ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para anular a decisão desta Câmara, e, no mérito, por maioria de votos, anular o auto de infração por vicio material.
Redator designado: Conselheiro Marcelo Nogueira.
Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Luis Eduardo Garrossino Barbieri que anulavam o auto de infração por vicio formal.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31 de janeiro de 1995 NULIDADE. VICIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11128.005667/97-85
conteudo_id_s : 5385124
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_111280056679785.pdf
nome_relator_s : Mércia Helena Trajano D'Amorim
nome_arquivo_pdf_s : 111280056679785_5385124.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª câmara / lª turma ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para anular a decisão desta Câmara, e, no mérito, por maioria de votos, anular o auto de infração por vicio material. Redator designado: Conselheiro Marcelo Nogueira. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Luis Eduardo Garrossino Barbieri que anulavam o auto de infração por vicio formal.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 5646194
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-03T20:40:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-03T20:40:57Z; created: 2014-10-03T20:40:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2014-10-03T20:40:57Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2014-10-03T20:40:57Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713047252681883648
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906469/2012-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/03/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/03/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906469/2012-17
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5389766
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.767
nome_arquivo_s : Decisao_10935906469201217.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935906469201217_5389766.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5664325
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252682932224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906469/201217 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.767 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/03/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/03/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 69 /2 01 2- 17 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.917, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 04685.91643.180612.1.2.044927, rastreamento nº 041907965, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 5.920,81, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 28/02/2011, efetuado em 25/03/2011, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906469/201217 Acórdão n.º 3802002.767 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/03/2011 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906469/201217 Acórdão n.º 3802002.767 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906469/201217 Acórdão n.º 3802002.767 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906469/201217 Acórdão n.º 3802002.767 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900059/2009-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10940.900059/2009-80
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5394468
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.702
nome_arquivo_s : Decisao_10940900059200980.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10940900059200980_5394468.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5690038
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252687126528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 84 1 83 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900059/200980 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.702 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PRIDELI IND E COM DE PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 59 /2 00 9- 80 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 38842.50194.120906.1.3.049965, por meio da qual a contribuinte, valendo se de um crédito de R$ 22.999,52, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código 2172), recolhido em 25/10/2002, no valor de R$ 23.691,67, extinguiu um débito de Cofins não cumulativa (código 5856), do período de apuração de agosto de 2006, com vencimento em 15/09/2006, no valor principal de R$ 38.664,49. Em 18/02/2009 foi emitido despacho decisório de homologação parcial da compensação (Rastreamento 821027310), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava parcialmente utilizado para a quitação do débito de Cofins cumulativa do período de apuração de setembro de 2002, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido e insuficiente para a compensação do débito indicado na DCOMP. Cientificada do despacho decisório a interessada apresentou, em 13/05/2009, a manifestação de inconformidade acompanhada de cópia dos instrumentos societários e de um demonstrativo de crédito (relativo ao DARF de Cofins recolhido em 25/10/2002). Na manifestação a interessada sustenta a existência de crédito (relativamente ao pagamento Cofins utilizado na DCOMP) invocando a aplicação do princípio da Igualdade Tributária em relação às Instituições Financeiras. Afirma que as empresas dessa atividade econômica gozam do direito à exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais no apuração da base de cálculo da COFINS e do PIS, consoante as previsões contidas nas Leis n.° 9.718/98 e 10.637/2002, recolhendo as referidas contribuições sobre o Lucro Bruto, enquanto que as empresas em geral recolhem sobre as Receitas. Sustenta que tal situação colide com os princípios constitucionais de igualdade, equidade, e da capacidade contributiva. Diz que não existe razão para a concessão desse privilégio somente a uma categoria empresarial e que não resta outra alternativa senão estender o benefício às demais pessoas jurídicas. Para fundamentar o seu entendimento transcreve diversas Jurisprudências acerca do assunto. Requer, à vista do exposto o reconhecimento do direito à restituição, referente ao pagamento indevido a título de COFINS, e a não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0635.682, de 29/02/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.900059/200980 Acórdão n.º 3802003.702 S3TE02 Fl. 85 3 Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea não ocorre nos casos de compensação não homologada, tendo em vista que esse benefício exige a quitação do tributo devido e dos juros de mora conjuntamente com o declaração do débito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 COFINS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. EMPRESAS COMERCIAIS. As empresas comerciais sujeitamse à contribuição de acordo com as normas tributárias estabelecidas para o seu tipo de atividade econômica, não sendo possível invocar a aplicação do princípio da isonomia tributária para fazer incidir para as mesmas as normas aplicáveis às instituições financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer o mesmo privilégio concedido às instituições financeiras, permitindo se a dedução/compensação, na base de cálculo da COFINS e do PIS, das despesas operacionais incorridas em sua operação. Anexa planilhas onde o mesmo vem recolhendo a COFINS e o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito. Sendo assim, não resta dúvida acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior desde aquela competência até os dias atuais. Assim como, não deve incidir a multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Mérito Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do despacho decisório observa a homologação parcial da compensação, onde verifica que resta saldo disponível inferior ao crédito pretendido e insuficiente para a compensação do débito indicado na DCOMP. A Recorrente solicita o reconhecimento do seu direito à restituição, referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Inicialmente, para que a compensação declarada pela recorrente possa ser homologada pela autoridade administrativa, e surta os efeitos desejados, ou seja, a extinção de um crédito tributário fazse necessário a existência do direito creditório informado na DCOMP. A recorrente invoca a aplicação de regras tributárias concernentes às empresas financeiras, no entanto, esse aproveitamento feriria o princípio da legalidade, criando novas regras de tributação em detrimento daquelas já legalmente estabelecidas. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação. No entanto, o êxito só decorre desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos, o que não restou configurada essa possibilidade. Multa moratória Por fim, para fruição do benefício do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), exigese do sujeito passivo, como condição primordial, que ele, efetue o pagamento do tributo devido e dos juros de mora concomitantemente com a declaração do débito. Como é sabido, a compensação tributária, equivalente ao pagamento, extingue o crédito, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do § 2° do art. 74 da lei de n° 9.430/96. No caso, não confirmando a existência de crédito total, não há o pagamento integral do tributo, restando um débito e em mora, daí perfeitamente aplicável a incidência da multa moratória. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.900059/200980 Acórdão n.º 3802003.702 S3TE02 Fl. 86 5 Por todo o exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720364/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10670.720364/2011-31
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5399720
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-000.468
nome_arquivo_s : Decisao_10670720364201131.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 10670720364201131_5399720.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Leo Meirelles do Amaral.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5730932
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252690272256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.348 1 1.347 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.720364/201131 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.468 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de setembro de 2014 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente COTEMINAS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Leo Meirelles do Amaral. Tratase de crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias, correspondentes a parte patronal, inclusive SAT/RAT (DEBCAD 37.284.9369), contribuições previdenciárias de ônus dos segurados (DEBCAD 37.284.9377) e contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE) (DEBCAD 37.284.9386), incidentes sobre diferenças de horas extras devidas em razão de redução ficta de hora de trabalho noturno e redução de intervalo intrajornada, bem como incidentes sobre subsídio supermercado e subsídio material escolar, no período de janeiro a dezembro de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 36 4/ 20 11 -3 1 Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.720364/201131 Resolução nº 2301000.468 S2C3T1 Fl. 1.349 2 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, decadência qüinqüenal do direito do Fisco; não incide contribuição previdenciária sobre subsídios alimentação e material escolar; que as horas extras calculadas pelo Fisco são meras expectativas, pois sequer foram pagas pela empregadora. A primeira instância deu parcial provimento à impugnação para excluir do lançamento as contribuições sociais previdenciárias cujos fatos geradores foram objeto de reclamação trabalhista e cuja execução está a cargo Justiça do Trabalho, bem como referente ao segurado Raimundo Teixeira Filho, para quem a Justiça do Trabalho negou o pleito de horas extras. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário sustentando, preliminarmente, a decadência qüinqüenal do direito do Fisco de efetuar o lançamento, com base no artigo 150, § 4º do CTN e no mérito, que a fiscalização, para o cálculo das horas extras, não se baseou em decisões já proferidas pela Justiça do Trabalho em casos análogos ou mesmo nas Convenções Coletivas de Trabalho, as quais autorizam a redução do trabalho intrajornada, o que reflete no cálculo das horas extras; ademais não se atentou para lista anexada pela recorrente com os segurados que haviam ingressado com reclamação trabalhista. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Com a Emenda Constitucional nº 45/2004 foi incluído o artigo 114, inciso VIII, à Constituição Federal atribuindo competência à Justiça do Trabalho para executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no artigo 195, I,a e II, bem como seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. No caso em debate sustenta a recorrente que não foi considerado nos autos que diversos funcionário ingressaram com ação trabalhista, conforme listagem na relação que integrou o Anexo E, bem como não teria observado que as Delegacias Regionais do Trabalho com jurisdição sobre os estabelecimentos autuados emitiram Portarias convalidando a redução do intervalo computada no cálculo das horas extras. Diante desse cenário, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade administrativa: i) intime o sujeito passivo a apresentar todas as reclamações trabalhistas promovidas pelos segurados, bem como as Portarias das Delegacias do Trabalhos e Acordos e Convenções Coletivas, todas vigentes à época dos fatos geradores; ii) produza Informação Fiscal após a entrega dessa documentação; e iii) intime o sujeito passivo para no prazo de 30 (trinta) dias manifestese sobre a Informação, para após, retornar os autos ao CARF. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
