Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10469.726523/2013-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÕES - COMPENSAÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Dedução a título de despesas médicas com Nutricionista, não existe previsão legal.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE - PLANO DE SAÚDE DE EMPREGADO DOMÉSTICO.
As deduções com despesas médicas e, plano de saúde necessitam serem efetivamente provadas. Despesas com plano de saúde de empregado doméstico não tem previsão legal.
Numero da decisão: 2002-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÕES - COMPENSAÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Dedução a título de despesas médicas com Nutricionista, não existe previsão legal. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE - PLANO DE SAÚDE DE EMPREGADO DOMÉSTICO. As deduções com despesas médicas e, plano de saúde necessitam serem efetivamente provadas. Despesas com plano de saúde de empregado doméstico não tem previsão legal.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10469.726523/2013-69
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948768
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.649
nome_arquivo_s : Decisao_10469726523201369.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10469726523201369_5948768.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7571958
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417719078912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.726523/201369 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.649 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO MARIO SCALAMANDRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÕES COMPENSAÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Dedução a título de despesas médicas com Nutricionista, não existe previsão legal. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE PLANO DE SAÚDE DE EMPREGADO DOMÉSTICO. As deduções com despesas médicas e, plano de saúde necessitam serem efetivamente provadas. Despesas com plano de saúde de empregado doméstico não tem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 65 23 /2 01 3- 69 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10469.726523/201369 Acórdão n.º 2002000.649 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 50/56) contra decisão de primeira instância (fls. 39/41), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Foi lavrada notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física contra o contribuinte acima identificado, do exercício de 2012, no valor total de R$ 11.393,86, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 a 12. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, de dedução indevida com despesas de instrução e compensação indevida de imposto complementar. O contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que: a) Em relação à dedução indevida com despesa de instrução, alega que referese a despesas de sua filha Julia Zacharias Scalamandré, universitária, e que foi respeitado o limite anual individual previsto na legislação tributária; b) No que diz respeito a dedução indevida de despesas médicas referese a despesas do próprio contribuinte, o plano de saúde (Hapvida) pago para sua esposa Jamile Carolina Zacharias e despesas pagas a Dra. Maria Clara Fulco; c) Quanto à compensação indevida de imposto complementar, aduz ser valor de pagamento do imposto devido; Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10469.726523/201369 Acórdão n.º 2002000.649 S2C0T2 Fl. 4 3 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 08/03/2018 (fl. 46); Recurso Voluntário protocolado em 29/03/2018 (fl. 50), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 58/61). Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Despesa de Instrução; b) Compensação Indevida de Imposto Complementar; c) Dedução Indevida com Despesa Médica. Assim o Sr. AFR, descreve os fatos: a) a dedução referente a despesa com instrução, foi lançada em razão da falta de comprovação ou por falta de previsão legal; b) a compensação de imposto complementar, não restou comprovado o recolhimento de imposto complementar; c) a dedução referente a despesa médica, não se considera dedutível despesas com nutricionista. A r. decisão revisanda assim julgou: a) quanto as despesas com instrução utilizadas, o contribuinte não pode deduzir, tendo em vista que se tratam de despesas com ensino de idiomas, cuja utilização não tem previsão legal; b) o imposto complementar glosado referese ao pagamento de cotas do imposto de renda paga pelo código 0211 do exercício de 2011, relativas ao ano calendário de 2010 e não de imposto complementar; c) quanto a dedução de despesas médicas, não é permitido em razão de serem despesas com nutricionista, não havendo previsão legal. Irresignado o recorrente, ataca a r. decisão de origem combatendo as despesas relativas com nutricionista e com plano de saúde de empregado doméstico. As despesas que podem ser dedutíveis do IR, a título de despesas médicas são as seguintes: feitas com dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e hospitais, além dos gastos com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Não está contemplada pela legislação a despesa com nutricionista. Assim, nesta quadra a r. decisão de origem deve ser mantida. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10469.726523/201369 Acórdão n.º 2002000.649 S2C0T2 Fl. 5 4 Diz o recorrente, que a legislação em vigor contempla a possibilidade de o empregador, pessoa jurídica (grifo nosso), deduzir de seu IRPJ, o valor despendido para fins de custeio de plano de saúde do empregado. Entende o recorrente que por equiparação o mesmo deve ser aplicado ao empregado doméstico. Sem razão o recorrente, embora seja louvável sua atitude, o recorrente fez o plano de saúde ao seu empregado doméstico, por mera liberalidade. MANTENHO. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721221/2011-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõem-se às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo.
Numero da decisão: 9202-007.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõem-se às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11065.721221/2011-48
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967487
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.165
nome_arquivo_s : Decisao_11065721221201148.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11065721221201148_5967487.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7629345
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417736904704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 777 1 776 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.721221/201148 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.165 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMBALAGEM CARTON PACK LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 CSP. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 12 21 /2 01 1- 48 Fl. 777DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Em sessão plenária de 12/07/2012, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF julgou o Recurso Voluntário s/n, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2301002.956 (fls. 731 e ss), assim ementado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LEGITIMIDADE PARA O INÍCIO AÇÃO FISCAL.DESAMPARADO DO RESPECTIVO MPF. NULIDADE. VICIO MATERIAL.O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade decorrente dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária.O início de fiscalização sem a devida cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal acarreta a nulidade, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal.Processo anulado. O processo foi encaminhado à PGFN em 05/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 739). De acordo com o disposto no §9º do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data.; portanto o Recurso Especial foi tempestivamente interposto em 26/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 748). O Recurso Especial tem como fundamento o art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a seguinte matéria: Mandado de Procedimento Fiscal MPF Cerceamento de defesa. Inocorrência Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nºs 110300.578 e 1101000.699. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 9202007.165 CSRFT2 Fl. 778 3 O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que irregularidade na emissão do MPF gera nulidade material, no paradigma entendeuse de forma diversa, considerando o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) mero instrumento de controle administrativo, onde até mesmo sua inexistência não caracteriza vícios insanáveis. Em contrarrazões o contribuinte alega, preliminarmente que Não houve demonstração analítica dos julgados, indicando os pontos específicos do acórdão recorrido; Não foi instruído o recurso com cópia do inteiro teor dos acórdãos, com cópia da publicação em que divulgados ou, ainda, com apresentação de cópia de publicação de duas ementas; e, Não foi transcrito integralmente, nem indicada a fonte de onde foram copiadas as ementas. Caso superadas tais preliminares, que o auto é nulo de pleno direito devendo ser negado provimento ao recurso especial. Conforme o relatório fiscal (ff. 32/37) foram apurados por aferição indireta os créditos previdenciários (parte patronal e dos segurados empregados e contribuintes individuais) e contribuições de terceiros (FNDE, INCRA, SESI/SENAI e SEBRAE). O crédito foi constituído com base na remuneração paga devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, informados nas folhas de pagamento e Guias de Recolhimento e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A fiscalização destaca que os segurados constantes nas folhas de pagamento da empresa Incapel Indústria de Caixas de Papelão LTDA, que presta suposto serviço de terceirização para a recorrente, foram considerados empregados e contribuintes individuais da empresa Carton Pack, sendo constatado que as empresas envolvidas possuem administração única consubstanciada nos membros da mesma família, bem como compartilham do mesmo espaço físico e atendimento telefônico. Assim, a base de lançamento foi derivada da tributação de parcelas devidas ao INSS em face da recorrente utilizarse de terceiras empresas que realizavam parte da industrialização.Sociais, conforme determina o manual do SEFIP, item 1.2 Retificação de Informações. É o relatório Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 779DF CARF MF 4 Considero presentes todos os pressupostos de admissibilidade, não obstante as alegações em contrarrazões, que não encontram fundamento regimental, uma vez que há verossimilhança suficiente para admissibilidade. Entretanto o Recurso Especial não merece prosperar, uma vez que a legislação, salvo exceções que não se encontram presentes in casu, exige a expedição regular de Mandado de Procedimento Fiscal para a instauração e execução de procedimento fiscalizatório, não cabendo reparos no constante do acórdão a quo o qual reproduzo, por indubitáveis: 2. Inicialmente, enfrento a questão da regularidade do procedimento fiscalizatório, uma vez que identifico que o auditor fiscal iniciou a fiscalização na empresa, inclusive colhendo informações e dados fiscais, sem, contudo, estar respaldado pelo devido Mandado de Procedimento Fiscal. Registro ainda que a matéria deve ser conhecida de ofício por se tratar de ato procedimental essencial a fiscalização. 3. As provas carreadas nos autos demonstram que o auditor fiscal apresentou o MPF n.º 10.1.07.00.201001627, datado de 18/08/2010, e recebido pelo contribuinte em 19/08/2010. Em seguida apresentou o MPF n.º 10.1.07.00201001621, datado de 21/10/2010, e recebido pela empresa em 22/10/2010. 4. Ocorre que o MPF “01621” foi emitido somente em 21/10/2010, ao invés de 05/08/2010, como informado no documento fiscal e nos termos do relatório fiscal e o MPF “01627” foi exarado em 18/08/2010. De maneira que o lapso temporal de quase duas semanas entre as datas de início da fiscalização e a emissão dos mandatos determina que houve irregularidade na atuação fiscal. Reforça meu entendimento o cotejamento entre as datas apostas nos documentos e a informação trazida pelo próprio auditor (f. 32): “Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.07.00201001621, em 05/08/2010, nos termos da Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, determinando esta ação fiscal”. 5. A legislação, salvo exceções, exige a expedição regular de Mandado de Procedimento Fiscal para a instauração e execução de procedimento fiscalizatório. Esse é o teor dos dispositivos que tratam da matéria: “Portaria nº 11.371/2007: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). “Decreto nº 3.724/2001: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fl. 780DF CARF MF Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 9202007.165 CSRFT2 Fl. 779 5 Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil”. “Decreto 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”. 6. Ainda segundo a mesma Portaria, entende se por fiscalização as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo (art. 3º) . Com isso, resta demonstrado que a fiscalização iniciou o procedimento fiscalizatório sem a cobertura do respectivo MPF, colhendo, inclusive, informações essenciais ao lançamento fiscal, conforme se descreve do lançamento fiscal: “Em visita a filial 01Cruzeiro do sul, a Incapel, pudemos observar o que segue: o endereço das duas empresas é o mesmo, Travessa Kolling nº 60. – única entrada e saída para ambas empresas. – dois relógios ponto, lado a lado na única entrada das empresas. – refeitório único. – única sala para atendimento onde fui recepcionado pela empregada Tamires, registrada na Incapel. Solicitei a Tamires permissão para conhecer o parque fabril, esta ligou para Sra. Marisa (sócia administradora da Incapel) solicitando a permissão para o meu pedido, que foi negado. Pedi então para falar ao telefone com a Sra. Marisa e esclareci que era apenas visita de rotina, ao que fui autorizado acompanhado do Sr. Jair (Incapel). Passamos a visita confirmando entrada única, ambiente de trabalho único, questionamos ao Sr. Jair que empregados eram da Incapel ou Carton Pack, ao que me respondeu que não sabia identificar se eram da Incapel ou da Carton Pack, e realmente não tínhamos como identificar onde iniciava ou terminava esta ou àquela empresa. – nas duas oportunidades de diligência na filial 01(Cruzeiro do Sul) e Incapel, não encontramos a sócia administradora da Incapel Sra. Marisa. – as empresas estão situadas em um mesmo espaço físico (prédio, terreno)”. Fl. 781DF CARF MF 6 7. Reconheço que o prazo para emissão do MPF pode ser iniciado posteriormente a ação fiscal, excepcionalmente, nos casos previstos no artigo 5º da Portaria 11.371 quando houver a demonstração de “flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária ou previdenciária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRFB deverá iniciar imediatamente o procedimento Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo”. 8. Entretanto, a fiscalização não traz qualquer informação no sentido de enquadrar a situação do contribuinte à exceção prevista na norma, de tal forma que o procedimento adotado pelo agente do fisco contraria as regras legais estabelecidas para corroborar o seu trabalho. 9. O prejuízo para o contribuinte é patente, haja vista que foi obrigado a prestar informações e apresentar dados fiscais contrariamente ao que dispõe as normas. Além do mais estamos imbuídos em observar o controle de legalidade dos atos administrativos. Dentro do estado de Direito e do que dispõe o artigo 142 do CTN admitese que o representante do fisco possa adentrar nas empresas para executar o seu trabalho de fiscalização, contudo, deve estar coberto pelo respectivo MPF, sob pena de estabelecer verdadeira desordem em nosso sistema jurídico. 10. Vale ressaltar que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados sendo, ainda, instrumento de controle da atividade de fiscalização, o que efetivamente não se observa no presente caso. 11. Outra causa de nulidade que deixo registrada, no meu entender, é a ausência de notificação da empresa Incapel, preterindo o seu direito da ampla defesa e do contraditório, considerando que a referida empresa sofreu efetivamente os efeitos do lançamento com o enquadramento de seus empregados como se fossem da empresa Carton Pack. 12. Havendo a desconsideração de relação jurídica, a não intimação da empresa Incapel configurase como afronta às regras do lançamento fiscal, notadamente porque estamos a falar de empresa optante pelo SIMPLES, portanto com regime próprio de tributação. Ausente esse procedimento o fisco violou o direito da ampla defesa e do contraditório, no que resulta na declaração de nulidade do ato praticado. 13. Feita estas considerações e com base no art. 59 do Decreto 70.235/1972, voto por anular o lançamento fiscal, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 9202007.165 CSRFT2 Fl. 780 7 Frente ao exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Peço licença a ilustre conselheira Patrícia da Silva, para divergir do seu entendimento quanto ao cumprimento das regras pertinentes a lavratura do presente AI, mais especificamente sobre o alcance do Mandado de Procedimento Fiscal. Na verdade, observase, da análise da impugnação e do recurso voluntário do contribuinte, que o mesmo nem mesmo questionava qualquer irregularidade acerca da emissão dos MPF ou mesmo nulidade do lançamento em relação a este quesito, trazendo apenas outras irregularidades que entendia deviam ser revistas. Ou seja, de pronto, entendo que a nulidade de um lançamento deve vir respaldada pela alegação de cerceamento do direito defesa do contribuinte, posto que, se o mesmo conseguiu se defender das imputações legais que lhe foram atribuídas, nulidade nesse ponto não há. Nesse sentido, entendo que a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, visa dar segurança ao contribuinte de que a autoridade que se apresenta para intimálo a apresentar documentos, possui poderes para tanto, evitando fraudes. No caso, irregularidades quanto a sua emissão podem ser convalidadas com a sua cientificarão ao contribuinte durante o procedimento fiscal, ou mesmo sua prorrogação no desenvolvimento do procedimento fiscal. A nulidade de atos encontrase, salvo as alegadas e demonstradas pelo contribuinte, adstritas àquelas prevista no art. 59 do Decreto 70.235, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 783DF CARF MF 8 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Observase que no presente caso, além de não ter sido suscitada qualquer nulidade quanto a emissão do MPF, o mesmo foi regularmente emitido e informado no relatório fiscal não havendo razões para nulidade declarada. Por outro lado, no acórdão recorrido, cita o relator outro MPF, além do mencionado pela fiscalização, que digase não identifiquei dita informação nos presentes autos, porém mesmo que fosse identificada, jamais ensejaria nulidade do lançamento. Consta no presente Auto de Infração, Termo de Início de Procedimento fiscal TIPF, fls. 62 com a ciência ao contribuinte em 19/08/2010, Termo de Intimação Fiscal, fl. 64, indicando os documentos a serem apresentados, cientificado em 22/10/2010, e, por fim, Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, fl. 66, em 25/03/2011. Ou seja, não há que se falar em não ciência do contribuinte, e existência de MPF no período do lançamento, independente da coincidência de datas. Ou seja, o contribuinte teve ciência de todos os instrumentos necessários ao desenvolvimento do procedimento, ademais não há que se falar em descumprimento da Portaria 11.327/2007, posto que existiu MPFF emitido: “Portaria nº 11.371/2007: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Observase também o cumprimento das regras pertinentes ao lançamento descritas no Decreto 70.235/72, que assim, prescreve: “Decreto 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 9202007.165 CSRFT2 Fl. 781 9 Por fim, transcrevo trechos do paradigma Acórdão 110300.578 de 23/11/2011, que também bem descreve as regras aplicáveis ao lançamento fiscal e a exigência do MPF, senão vejamos: De plano, portanto, a impossibilidade das disposições da Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, a qual criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e/ou outras que lhe sucederam, disporem contrariamente ao estatuído na norma processual em questão. Nesse contexto, tenho que eventuais alterações, lacunas, omissões ou prorrogações do mandado de procedimento fiscal, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis, uma vez que voltado a questões da administração tributária, notadamente como meio de controle e acompanhamento das ações fiscais, sem o condão, portanto, de constituir elemento indispensável à validade do ato administrativo do lançamento, atividade vinculada e obrigatória por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), .cujos pressupostos para surtir os efeitos a que se destina têm sede, apenas, no Decreto nº 70.235, de 1972, a ver pelo seu artigo 1º que reza: “Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal.” Considerando, todos os pontos acima avaliados, entendo que não há nulidade a ser declarada no acórdão recorrido, contudo, afastada a nulidade, deve o processo retornar a Câmara Ordinária para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13933.720164/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/06/1998 a 26/01/2009
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, a preclusão se materializa e o recurso não merece prosperar.
Numero da decisão: 3201-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 22/06/1998 a 26/01/2009 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, a preclusão se materializa e o recurso não merece prosperar.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13933.720164/2014-81
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948110
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.673
nome_arquivo_s : Decisao_13933720164201481.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13933720164201481_5948110.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7570620
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417742147584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 354 1 353 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13933.720164/201481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.673 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria Ressarcimento Recorrente DALLEGRAVE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/1998 a 26/01/2009 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, a preclusão se materializa e o recurso não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 3. 72 01 64 /2 01 4- 81 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 355 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 277 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 263, que manteve o não reconhecimento do crédito de IPI pleitado, nos mesmo moldes do Despacho Decisório de fls. 92. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 99 a 101) apresentada em 06 de fevereiro de 2015 contra despacho decisório de 18 de dezembro de 2014 (efls. 92 a 95), cientificado em 21 de janeiro de 2015, que indeferiu sumariamente pedido apresentado em formulário de papel, em 27 de outubro de 2014, de ressarcimento do IPI de créditos reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado, relativamente a créditos de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, adentrados ao estabelecimento entre junho de 1998 e janeiro de 2009. A razão do indeferimento sumário foi a adoção de meio inidôneo para a formulação do pedido, uma vez que deveria ser utilizado o pedido eletrônico, nos termos do art. 113, §§ 2º a 5º, da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, conforme previsto no art. 111 da citada Instrução Normativa. Esclareçase que a decisão judicial transitou em julgador em 16 de junho de 2010, havendo a Interessada apresentado o pedido de habilitação dos créditos em agosto de 2012. A habilitação foi denegada sob o fundamento, contido em parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, de que, embora tenha transitado em julgado a decisão, o Supremo Tribunal Federal mudara o seu entendimento a respeito da matéria. A Interessada apresentou, então, recurso hierárquico, que foi julgado em seu favor pela Divisão de Tributação da SRRF da 9ª RF, por meio de despacho decisório de 24 de maio de 2013. À vista do provimento do recurso e com base em informação fiscal (cópias de efls. 75 e 76), novo despacho decisório da Sacat/DRF/PTG, de 09 de agosto de 2013 (efl. 77), reconheceu e confirmou "o entendimento dos requisitos constantes nos incisos I a V do § 4º da IN SRF nº 1.300/2012", ressalvando que a habilitação de créditos não implica seu reconhecimento ou liquidação. Seguiuse, então, o pedido de ressarcimento em espécie apresentado pela Interessada em formulário. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 356 3 Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, inicialmente, a impossibilidade de apresentação de "restituição via PERDCOMP", em razão de o PGD1 gerar um erro, que não permitiria que as informações fossem "declaradas nos campos referidos pelo julgador", conforme cópias de telas apresentadas (efls. 83 a 86). Acrescentou que teria sido informado sobre um problema na programação do sistema, "que não estaria permitindo aos contribuintes solicitar a restituição administrativa". Tal hipótese teria sido confirmada pelo despacho decisório, que esclareceu que, "em relação a créditos decorrente de decisão judicial, há previsão normativa apenas para apresentação de declaração de compensação (DCOMP) [...]". Assim, teria sido demonstrado o uso correto do formulário. Posteriormente, foram juntados aos autos os documentos de e fls. 113 a 261, dando conta da existência de tutela antecipada, concedida em processo judicial apresentado pela Interessada, com a finalidade de evitar a inércia na distribuição de julgamento do presente processo. Pretendia a Interessada que o processo fosse julgado no prazo de trinta dias, com cominação de multa diária em caso de descumprimento, em razão do esgotamento do prazo de 360 para emissão de decisão administrativa. A tutela antecipada foi, entretanto, concedida nos seguinte termos (destaques do original): [...]Destarte, configurada a omissão da ré, reconhecido o direito da parte autora em ter seu pedido analisado em tempo razoável (artigo 5º, inciso LXXVII, da Constituição Federal) e, tendo esgotado o prazo legal para a administração pública analisar o pedido, vislumbro, em sede de juízo de cognição sumária, a relevância do direito invocado. 4. Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido de tutela antecipada. Para tanto, determino que a ré, no prazo de 60 (sessenta) dias (TRF4 501499386.2015.404.0000, Primeira Turma, Relator Jorge Antônio Maurique), analise e decida o processo administrativo fiscal n° 13933.720164/201481, sob pena de multa diária, fixada no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Intimemse as partes desta decisão. 5. Citese a ré (União Fazenda Nacional), para, querendo, responder à presente ação, no prazo legal. É o relatório." Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 357 4 A decisão de primeira instância da DRJ/SP foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/1998 a 26/01/2009 IPI. RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. INDEFERIMENTO SUMÁRIO DO PEDIDO PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE NO DESPACHO DECISÓRIO. Na hipótese de impossibilidade jurídica do pedido de ressarcimento, em face da legislação tributária, sua apresentação poderá ser efetuada em formulário, mas o pedido será sumariamente indeferido pela autoridade fiscal, situação que não implica nulidade, se o despacho decisório satisfaz a todos os requisitos legais de validade, especialmente quanto à fundamentação. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. Havendo o despacho decisório da autoridade fiscal indeferido o pedido de ressarcimento em espécie de créditos de IPI, em razão das restrições previstas no art. 100 da Constituição Federal, considerase não contestada a matéria, por não haver sido abordada fundamentadamente na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em fls. 353 consta a decisão judicial de antecipação de tutela que determinou prazo para o julgamento do presente processo. Recebida a decisão, o processo foi devidamente pautado às pressas, em desacordo com a regras, procedimentos e regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 358 5 trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A origem, certeza e liquidez dos créditos solicitados, é matéria que ficou expressamente reservada para esta esfera do Poder Público, nos termos da decisão judicial de fls 335 (Mandado de Segurança nº 98.00.219765) : Por "ressalvado o direito da autoridade impetrada de verificar a regularidade do procedimento", é possível concluir que cabe à autoridade administrativa, no âmbito do procedimento administrativo fiscal, verificar a regularidade do procedimento de ressarcimento. Foi o que a autoridade administrativa fez no Despacho Decisório de fl.s 92 e na decisão de primeira instância proferida na DRJ/SP de fls. 263, que trataram, sim, de forma expressa, a questão do ressarcimento em dinheiro, ressarcimento em espécie do que não foi compensado anteriormente, um ressarcimento residual. O ressarcimento em espécie é o que foi negado e não foi contestado pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade. Assim, resta preclusa a matéria que negou o creditamento, porque o ressarcimento em espécie, mesmo se a questão da formalidade do pedido via Per Dcomp fosse superada, não foi objeto da Manifestação de Inconformidade. Portanto, a decisão de primeira instância continua válida e o crédito deve ser negado, dentro das mesmas razões e fundamentos. Em adição às razões de decidir, ainda que a matéria preclusa fosse objeto deste julgamento, é importante registrar que a Súmula 461 do STJ determina o seguinte: "Súmula 461 Órgão Julgador PRIMEIRA SEÇÃO Data da Decisão 25/08/2010 Fonte DJE DATA:08/09/2010 RSTJ VOL.:00219 PG:00731 Ementa O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado." Este Conselho, não possui competência, por ausência de previsão legal, para, de ofício, adicionar ou subtrair razões de defesa ao recurso do contribuinte. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 359 6 Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13933.720164/201481 Acórdão n.º 3201004.673 S3C2T1 Fl. 360 7 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904554/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.999631/2009-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.904554/2009-10
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958509
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.669
nome_arquivo_s : Decisao_10880904554200910.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10880904554200910_5958509.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.999631/2009-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7594621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417744244736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.904554/200910 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.669 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP COMPENSAÇÃO Recorrente NESTLÉ WATERS BRASIL BEBIDAS E ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.999631/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 54 /2 00 9- 10 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.904554/200910 Acórdão n.º 1402003.669 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a quo, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de estimativas, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o Per/Dcomp recebeu da Delegacia da Receita Federal DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o pagamento a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que não restariam dúvidas da existência do crédito em seu favor, decorrente de pagamento indevido de estimativa, e que o mesmo seria passível de repetição conforme o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, alega que a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN RFB nº 900/2008, que retirou o cerne do art. 10 da anterior IN. Da decisão da DRJ : A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do Per/Dcomp objeto do presente processo. Para fundamentar sua decisão, alegou que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, encontrando guarida a validade do art. 10 da IN. Ademais, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não ocorre a retroatividade. No seu entender, normas de compensação são de direito material, válidas enquanto vigentes. No caso, o Per/Dcomp foi transmitido na vigência da IN SRF nº 600/2005, que seria a norma aplicável. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que repisa as mesmas alegações da sua manifestação de inconformidade. Em síntese, alega que tem o direito à compensação do pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL pois a vedação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005 não encontra respaldo no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.904554/200910 Acórdão n.º 1402003.669 S1C4T2 Fl. 4 3 Ademais, haveria aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008 que suprimiu a vedação do art. 10º da IN SRF nº 600/2005. Cita jurisprudência deste E. Carf a respeito do tema. Entende que a não homologação da compensação acarreta enriquecimento sem causa da Administração Pública, que manterá em seus cofres quantia a que não faz direito, o que atenta contra o princípio da moralidade administrativa e da vedação ao confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.659, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.999631/2009 10, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.659): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um Per/Dcomp, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido de estimativas, em que o Despacho Decisório denegou tal pleito por entender que somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, citando o enquadramento legal do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A recorrente, na sua manifestação de inconformidade, alega que a existência do direito creditório atende os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, e a IN SRF nº 600/2005 extrapolou quando o regulamentou. Ademais, a IN RFB nº 900/2008 revogou a IN SRF nº 600/2005, retirando o óbice do art. 10. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.904554/200910 Acórdão n.º 1402003.669 S1C4T2 Fl. 5 4 A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, citando que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o que lhe dá validade ao art. 10. Ademais, normas de compensação seriam de direito material, não retroagindo quando revogadas, como foi o caso da edição da IN RFB nº 900/2008. Em sede recursal, repisa os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade. Do mérito O tema em discussão é exclusivamente sobre a possibilidade legal da recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, em contraponto ao então vigente art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Tal impedimento normativo foi utilizado para justificar a denegação da homologação no Despacho Decisório, bem como na decisão de primeiro grau administrativo, não ocorrendo nenhuma análise da materialidade do direito creditório ou da sua quantificação nos autos, embora a recorrente tenha trazido alguns documentos quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade. Tal matéria de âmbito jurídico sob apreço é tema há muito debatido neste E. Carf (e no seu predecessor, E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da súmula Carf nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Como se observa da leitura da súmula acima transcrita, e ao encontro da forma que defende a recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Por conseguinte, o óbice imposto à recorrente, tanto no despacho decisório quanto na decisão da DRJ não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Cabe destacar que não há qualquer limitação temporal da aplicação da súmula Carf nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito envolvendo o pedido de compensação. Se não bastasse o exposto acima, robustecese tal situação com inúmeros precedentes desta 1ª Seção de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.904554/200910 Acórdão n.º 1402003.669 S1C4T2 Fl. 6 5 Julgamentos do Carf, que especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005, exemplificado pelo acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, sob a relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Desta forma, merece reforma o v. Acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da recorrente. Contudo, como já mencionado anteriormente, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do direito creditório em questão, decorrente do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa, em virtude do afastamento jurídico e sumário da regularidade da postura da recorrente. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.904554/200910 Acórdão n.º 1402003.669 S1C4T2 Fl. 7 6 Todavia, tal análise não deve ser procedida por esta segunda instância administrativa, sob pena de supressão de instância, bem como do próprio direito de defesa da recorrente, devendo os autos serem remetidos à unidade local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindo novo Despacho Decisório, com o prosseguimento regular do processo, se necessário. Diante de todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com base na súmula Carf nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser o processo encaminhado para a D. unidade local competente para nova análise do direito creditório pleiteado. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, com base na Súmula CARF nº 84 (revisada), para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900193/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente.
Numero da decisão: 2402-006.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13502.900193/2006-95
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958497
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.877
nome_arquivo_s : Decisao_13502900193200695.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13502900193200695_5958497.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7594568
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417784090624
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-29T00:49:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-29T00:49:47Z; Last-Modified: 2019-01-29T00:49:47Z; dcterms:modified: 2019-01-29T00:49:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-01-29T00:49:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-29T00:49:47Z; meta:save-date: 2019-01-29T00:49:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-29T00:49:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-29T00:49:47Z; created: 2019-01-29T00:49:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-01-29T00:49:47Z; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-29T00:49:47Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 285 1 284 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900193/200695 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.877 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos os seguintes excertos do Acórdão nº 1515.764, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Salvador/BA, fls. 234 a 238: Tratase de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório DRF/CCI n° 0309/2007, às fls. 157/165, de 05 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 01 93 /2 00 6- 95 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13502.900193/200695 Acórdão n.º 2402006.877 S2C4T2 Fl. 286 2 outubro de 2007, que não homologou a declaração de compensação n° 15206.38893.031003.1.3.042789, em razão do não reconhecimento do direito creditório a que ela foi vinculada. Segundo informações prestadas pela interessada, o direito creditório decorreria de recolhimento indevido realizado por empresa por ela sucedida, através do DARF discriminado, às fls. 03. O recolhimento seria indevido por tratarse de IRRF incidente sobre juros remetidos ao exterior em decorrência de créditos obtidos junto a importador estrangeiro destinado a financiar exportações brasileiras, quando a alíquota do IRRF incidente sobre este tipo de operação tinha sido reduzida a zero pelo art. 1°, inciso XI, da Lei n° 9.481, de 1997, com a redação dada pelo art. 20 da Lei n° 9.532, deste mesmo ano. O importador estrangeiro teria antecipado o valor total do pagamento referente aos produtos que seriam exportados, enquanto que a empresa sucedida pela interessada se obrigou a quitar o valor devido, do principal em produtos, cujos embarques deveriam ocorrer entre o 7° e o 42° mês a partir, do desembolso dos recursos no exterior, sobre os quais incidiriam juros semestrais, comprometeuse também a arcar com todas as despesas necessárias à realização da operação. A autoridade fiscal esclareceu que o gozo do referido benefício foi disciplinado pela Portaria MF n° 70, de 31 de março de 1997, na qual foi estabelecido que a comprovação da operação em questão deveria atender às normas específicas expedidas pelo Banco Central do Brasil. Neste sentido, foi editada a Circular BACEN n° 2.751, de 10 de abril de 1997; que dispôs sobre a comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras (norma transcrita, às 162/163). Analisando a documentação apresentada pela interessada, mais especificamente o Certificado de Autorização n° 214/00617 emitido pelo Banco Central do Brasil, às fls. 131/151, que autorizou a citada operação de pagamento antecipado de exportação, a autoridade fiscal constatou que os encargos acessórios pagos pela interessada se referiam a: “distribuction fee, structing fee, bank fre, supply bond fee, contigent buyer fee” e despesas gerais. Assim, em razão das remessas não terem sido a título de comissões, mas sim de taxas (fee) e despesas gerais, foi concluído que a referida remessa não gozava do benefício fiscal de alíquota zero para o IRRF, consequentemente, não foi reconhecido o direito creditório informado na declaração de compensação, nem foi homologada a compensação. Tendo sido cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 185/217, alegando, em síntese, que: a) em decorrência da operação já relatada, a sociedade incorporada remeteu ao exterior em favor do importador, em 05/06/2000, R$ 1.851.051,00 (equivalente a US$ 1.034.077,82) relativos aos juros incidentes sobre o financiamento obtido, Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13502.900193/200695 Acórdão n.º 2402006.877 S2C4T2 Fl. 287 3 embora tenham sido registrados a título de "encargos acessórios" pelo Banco Central do Brasil, através do Certificado n° 214/00617, às fls. 131; b) embora estivesse convicta de que a alíquota do IRRF incidente , sobre a remessa fosse zero, acabou por efetuar o recolhimento deste imposto y no montante de R$ 627.614,72. O motivo foi que o Banco Bradesco S.A. condicionou o fechamento do contrato de câmbio para efetuar a remessa à comprovação da não incidência do IRRF na operação ou o seu efetivo recolhimento; c) tendo efetuado recolhimento de imposto indevido, compensou parcela do valor creditório decorrente com débito próprio administrado pela Receita Federal do Brasil. Entretanto, a citada compensação não foi homologada pelo Fisco; d) a decisão que não homologou a compensação fundamentouse no fato da remessa não dizer respeito à comissão. Entretanto, sua verdadeira natureza é a de juros pela utilização de capital alheio para financiamento das exportações realizadas; e) quando do registro de tal remessa junto ao Banco Central do Brasil, os valores foram equivocadamente denominados "encargos acessórios", fazendo crer que estes se tratavam de despesas diversas assumidas diretamente pela Requerente. Entretanto, o referido equívoco pode ser percebido a partir da própria descrição constante nos Certificados do BACEN que fazem referência a "distribution fee", "structurin fee", "bank fee", "supply bond fee", "contigent buyer fee" e "despesas gerais". Tais encargos têm naturezas diversas, variando entre taxas bancárias a garantias de pagamento de empréstimos. Assim, em razão da importadora não poder cobrar tais encargos por não se tratar de instituição financeira, concluise que só poderiam ter natureza de juros cobrados em decorrência do repasse de empréstimos por ela contraídos à sucedida da interessada; f) mesmo que não fosse reconhecida a natureza de juros à remessa realizada, a interessada faria jus à redução para zero da alíquota do IRRF incidente sobre tal operação, pois a real intenção do legislador ao editar a norma que concedeu o benefício fiscal foi a de desonerar as operações de exportação, objetivando fomentar as exportações e tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo; g) a interpretação literal que o Fisco deu à lei de isenção é totalmente descabida, pois ignora por completo os motivos e a finalidade pelos quais foi editada. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência sob o argumento de que os encargos acessórios não gozam do benefício fiscal de isenção de IRRF. Cientificada da decisão de primeira instância, em 19/6/08, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 246, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13502.900193/200695 Acórdão n.º 2402006.877 S2C4T2 Fl. 288 4 fls. 275 a 276), interpôs o recurso voluntário de fls. 247 a 273, em 17/7/08, no qual repete, basicamente, os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Tendo em vista que a Recorrente traz, basicamente, os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, reproduziremos no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, a decisão de primeira instância, com a qual concordamos e mantemos: O foco central do litígio está na identificação da natureza jurídica dos valores remetidos ao exterior, em razão dos quais a sucedida da interessada efetuou o recolhimento do IRRF, no montante de R$ 627.614,72, e cuja parcela pretende ver compensada com débito próprio. A interessada alega que os valores foram remetidos a título de juros, e que faz jus ao benefício fiscal previsto no art. 1°, inciso XI, da Lei n° 9.481, de 1997, que reduziu a zero a alíquota do IRRF incidente sobre tais remessas. Em contrapartida, a autoridade fiscal competente decidiu não homologar a compensação declarada, fundamentandose no registro da remessa constante no Certificado de Autorização n° 214/00617 emitido pelo Banco Central do Brasil, que informou tratarse de encargos acessórios, portanto, não beneficiados pela isenção do IRRF. No Certificado de Autorização n° 214/00617, às fls. 131/151, emitido pelo Banco Central do Brasil, está consignada a operação contratada entre OPP Petroquímica S.A. (sucedida pela interessada) e a Overseas Export Ltd. (fmanciador /importador), que consistia no pagamento antecipado de exportação, no valor de US$ 110.000.000,00, e que tinha como objetivo propiciar o capital de giro da empresa brasileira. Analisando o referido documento verificase que: a) no item n° 8, às fls. 132, estava previsto que sobre o pagamento antecipado incidiriam juros de 1,75% ao ano acima da Libor semestral, reajustável semestralmente, contados sobre o saldo devedor do principal, a partir da data do desembolso dos Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13502.900193/200695 Acórdão n.º 2402006.877 S2C4T2 Fl. 289 5 recursos no exterior. O imposto de renda incidente sobre estes juros ficaria por conta do devedor, e uma eventual redução ou isenção estaria condicionada à apresentação de manifestação da Secretaria da Receita Federal; b) no item n° 9, às fls. 133, estava previsto, também, o pagamento de encargos acessórios a título de distribuction fee, structuring fee, bank fee, supply bond fee, contingent buyer fee e despesas gerais; c) no Anexo n° 1, às fls. 137/142, foram registradas diversas remessas para o exterior, tanto a título de encargos acessórios quanto a título de pagamento de juros. Entretanto, a remessa sobre a qual incidiu o IRRF em lide, às fls. 137, foi registrada exclusivamente a título de encargos acessórios. Verificase, portanto, que a autoridade fiscal baseouse em documentação hábil e idônea para identificar a natureza jurídica dos valores remetidos ao exterior, concluindo que os "encargos acessórios" tratavase de taxas e despesas diversas e não de juros ou comissões que gozassem do benefício fiscal de isenção de IRRF. A interessada alegou que o Banco Central do Brasil equivocou se ao registrar tal remessa como "encargos acessórios" e não como juros. Entretanto, não apresentou qualquer prova ou planilha de cálculo demonstrando que os valores remetidos correspondiam aos juros previstos contratualmente. Ao contrário do alegado, verificase que na data da remessa em questão, em 05/06/2000, foram registradas remessas tanto a título de encargos acessórios quanto a título de pagamento de juros, levando a crer que se tratam de remessas com naturezas distintas. Foi alegado, também, que os encargos acessórios tinham a mesma natureza dos juros, pois a empresa mutuante não era entidade financeira que pudesse cobrar as citadas taxas e que na realidade somente estava repassando os encargos dos empréstimos que ela mesma tinha tomado para efetuar o pagamento antecipado dos produtos. Entretanto, esta alegação, também, não pode ser acolhida, pois afronta os termos contratuais objeto do Certificado de Autorização n° 214/00617, às fls. 131/151, emitido pelo Banco Central do Brasil, no qual estão discriminados separadamente os juros dos encargos acessórios, com percentuais e momentos de pagamentos distintos e sem qualquer vínculo a um outro empréstimo, e sim ao ingresso dos recursos no país. A interessada alegou, ainda, que independentemente da natureza jurídica dos encargos acessórios, faria jus ao benefício fiscal de isenção prevista no art. 1°, inciso XI, da Lei n° 9.481, de 1997, pois a real intenção da referida norma foi a de desonerar as operações de exportação, com o objetivo de fomentar as exportações e tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo. Apoiouse em doutrina e jurisprudência para sustentar seu entendimento, entretanto, além destas não Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13502.900193/200695 Acórdão n.º 2402006.877 S2C4T2 Fl. 290 6 tratarem do caso específico, tais posicionamentos não vinculam a decisão administrativa. O certo é que o art. 111, inciso II, do CTN determina a interpretação literal da legislação tributária que concede benefícios fiscais, e assim procedendo não há como estender o requerido benefício a valores remetidos ao exterior a título de encargos acessórios, quando a lei não o faz expressamente. Diante do exposto, concluise que não restou configurado o alegado recolhimento indevido, consequentemente, inexiste o direito creditório vinculado na declaração de compensação apresentada pela interessada. (Grifos no original) Ademais, tratandose de isenção tributária, entendemos que a interpretação deve estar limitada à expressão literal da norma, sendo nessa linha, inclusive, a seguinte lição de Hugo de Brito Machado1: Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a ampliação do alcance, como sua restrição. Dessa forma, uma vez que que a convenção celebrada ente o Brasil e o Japão não afasta, expressamente, os prêmios de seguros da incidência tributária, se incluíssemos tais prêmios na isenção, estaríamos indo além do que diz o texto legal e afrontando o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 1 MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 32ª edição, Malheiros, São Paulo, 2011, p. 114. Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.909882/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11065.909882/2012-84
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5965485
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.442
nome_arquivo_s : Decisao_11065909882201284.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11065909882201284_5965485.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7624307
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417811353600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.909882/201284 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.442 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA E TERRAPLANAGEM KASA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 98 82 /2 01 2- 84 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.909882/201284 Acórdão n.º 3302006.442 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DComp), em razão do transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre a data da arrecadação e a data da transmissão da DComp. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo o seguinte: a) o prazo para se pleitear a restituição do crédito extinguese a partir da data da transmissão da declaração de compensação, sendo equivocado o entendimento de que a extinção do crédito em tributo sujeito ao lançamento por homologação ocorre a partir do pagamento antecipado; b) o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já apreciou a questão (REsp 1.002.932/SP), concluindo que o prazo para se pleitear a restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da Lei Complementar nº 118/2005 segue a tese dos cinco mais cinco anos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10045.732, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito de se pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou de utilizar o indébito para fins de compensação decai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando que o termo inicial para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito fosse a data de entrega da DCTF retificadora, em conformidade com o decidido no REsp 1.002.932/SP, julgado na sistemática de recursos repetitivos. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.909882/201284 Acórdão n.º 3302006.442 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.436, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11065.909876/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.436): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe ao termo inicial para repetição do indébito tributário. A recorrente pleiteia que o termo inicial seja contado a partir da entrega de DCTF retificadora, a qual teria constituído o crédito cujo extinção por pagamento seria indevida. A matéria foi pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do § 2º1 do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11065.909882/201284 Acórdão n.º 3302006.442 S3C3T2 Fl. 5 4 estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.909882/201284 Acórdão n.º 3302006.442 S3C3T2 Fl. 6 5 HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11065.909882/201284 Acórdão n.º 3302006.442 S3C3T2 Fl. 7 6 privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados após 09/06/2005, como é o caso dos presentes autos (DCOMP entregue em 29/11/2010), devese considerar a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado, no caso 15/02/2005, sendo este o termo inicial para contagem do prazo prescricional de cinco anos e não no momento de entrega de DCTF retificadora. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, no presente processo, a DComp foi transmitida em 29/11/2010, após, portanto 09/06/2005, tendo o pagamento sido antecipado em 15/03/2005, termo inicial para a contagem do prazo prescricional de cinco anos. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.910316/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.691
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.910316/2012-23
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961038
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.691
nome_arquivo_s : Decisao_10580910316201223.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580910316201223_5961038.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7604786
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417837568000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.910316/201223 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.691 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente ALLIMED COMÉRCIO DE MATERIAL MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, cuja homologação não se deu nos termos requeridos pela recorrente. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados no fato de que teria tributado erroneamente à alíquota de 3% as receitas de venda de produtos de Código NCM 9018.39.29, sujeitos à alíquota zero (Decreto nº 6.426/2008), tendo, inclusive, retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório para constar o valor correto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 31 6/ 20 12 -2 3 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10580.910316/201223 Resolução nº 3402001.691 S3C4T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, vez que ela, em desacordo ao disposto no art. 147 do CTN, limitouse à retificação da DCTF, sem a comprovação do erro correspondente. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que o recolhimento a maior poderia ser facilmente comprovado pelas Notas Fiscais juntadas, bem como pelos livros fiscais da empresa, comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB e pela sua Declaração de Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.683 de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.910312/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.683): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O julgador a quo salientou em sua decisão que: "Para que fosse possível apurar se houve tributação indevida de parte de suas receitas, o interessado deveria ter apresentado todas notas fiscais do período de apuração, acompanhadas dos livros contábeis, para que se pudesse contabilizar as receitas totais, apartar as receitas tributadas à alíquota zero e comparar a Cofins devida com o montante recolhido". Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou os documentos reclamados na decisão recorrida, os quais, poderiam, em tese, comprovar o seu direito creditório ou parte dele. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10580.910316/201223 Resolução nº 3402001.691 S3C4T2 Fl. 4 3 julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932406/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.932406/2009-67
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948045
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.458
nome_arquivo_s : Decisao_10980932406200967.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980932406200967_5948045.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7570555
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417864830976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.932406/200967 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.458 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BROSE DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 06 /2 00 9- 67 Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10980.932406/200967 Acórdão n.º 3301005.458 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.280, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10980.932406/200967 Acórdão n.º 3301005.458 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900341/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO INTEGRALMENTE.
Demonstrada a integralidade do direito creditório indicado na declaração de compensação há homologação da compensação.
Numero da decisão: 1301-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão apontada, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 16.903,03 e homologar as compensações até o limite de crédito disponível.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO INTEGRALMENTE. Demonstrada a integralidade do direito creditório indicado na declaração de compensação há homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10510.900341/2006-84
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5949811
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.508
nome_arquivo_s : Decisao_10510900341200684.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 10510900341200684_5949811.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão apontada, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 16.903,03 e homologar as compensações até o limite de crédito disponível. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7573146
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417866928128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 442 1 441 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.900341/200684 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301003.508 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Embargante Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú/SE Interessado BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO INTEGRALMENTE. Demonstrada a integralidade do direito creditório indicado na declaração de compensação há homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 03 41 /2 00 6- 84 Fl. 442DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão apontada, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 16.903,03 e homologar as compensações até o limite de crédito disponível. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10510.900341/200684 Acórdão n.º 1301003.508 S1C3T1 Fl. 443 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da acórdão embargado, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o presente processo da declaração de compensação n° 38258.82489.240903.1.3.045302, (fls. 01 05), por meio da qual a Recorrente compensou o débito da contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL referente ao período de apuração de julho de 2001, no valor original de R$ 85.404,64, utilizandose para tanto de crédito oriundo de pagamento da CSLL relativo ao mês de outubro de 1999, efetuado em 30/11/1999, no valor de R$ 102.307,67. Em análise primitiva do feito foi proferido o Despacho Decisório de folhas 55 a 58, por meio do qual não se homologou a compensação declarada, assentando para tanto que a contribuinte asseverava haver realizado pagamento indevido, cabendo, portanto, verificar a relação entre o montante pago e o valor efetivamente devido, considerando ainda, que o crédito reivindicado era resultante de retificação de declaração, sendo que a autoridade administrativa elaborou quadros demonstrativos contemplando as declarações apresentadas (DCTF e DIPJ, fls. 07/24). Após referir cada valor e considerandose o fato de ter havido retificação de declaração, assentou a autoridade administrativa que em princípio caberia verificar a procedência das retificações, registrando que tal verificação, no entanto, seria prescindível, porque a Recorrente fora submetida à ação fiscal relativamente a esta matéria, da qual resultou o lançamento de oficio da CSLL devida no ajuste, no valor de R$ 250.950,83, objeto do processo administrativo n° 10510.002160/200429. Relata a autoridade administrativa que em conformidade com a descrição dos fatos consignada no apontado auto de infração, reproduzido nestes autos às folhas 25 a 34, do montante de R$ 660.071,51, deduzido pelo contribuinte a título de 1/3 da COFINS efetivamente paga, fora glosada a quantia de R$ 543.748,66, tendo sido mantido apenas o valor de R$ 116.322,85, referente aos pagamentos da COFINS de fevereiro e março de 1999. Diante disso, com a glosa da dedução de 1/3 da COFINS efetivamente paga, no entender da autoridade administrativa se impunha a revisão da ficha 29 da DIPJ (Cálculo da CSLL por Estimativa), na forma do demonstrativo abaixo, o que implicaria para o mês de outubro um valor devido de CSLL maior que o informado na original, assinalando que ainda que procedentes fossem as retificações das declarações, não caberia o pleito formulado pelo interessado, pois ao se apurar débito em declaração retificadora em montante inferior ao da original, por óbvio, deveria o contribuinte pleitear a restituição da diferença entre o valor pago por ocasião da declaração original e o valor devido após a retificadora, que no caso em análise seria de R$ 55.141,86. Todavia, para aquela autoridade, o que pretendeu a Recorrente foi a devolução de todos os créditos vinculados ao débito original, pois além do pagamento efetuado em 30/11/1999, os créditos utilizados no processo n° 10510.000329/0057 para compensar parte da CSLL devida também estão sendo objeto de novo pedido de restituição, com a apresentação das declarações de Fl. 444DF CARF MF 4 compensação n°s 37844.41744.061103.1.7.046631, 13720.54173.061103.1.7.04 3386 e 01421.81003.010404.1.7.048905 (fls. 35 46). Atestouse que em substituição aos referidos créditos, o contribuinte efetuou novo recolhimento no montante de R$ 99,95 (fl. 10) e apresentou as DCOMP 08392.94591.2409031.3.048491 e 30698.32553.240903.1.3.040986 (fls. 47 53), por meio das quais o débito remanescente apurado na DCTF retificadora fora compensado com créditos de pagamento indevido ou a maior de CSLL referentes aos meses de agosto e setembro de 1999, respectivamente, concluindo assim, ser descabida a pretensão da Recorrente por total ausência de dispositivo legal que a autorize, porquanto o CTN prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua troca por outro tipo de crédito. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em resumo que os fundamentos para o não reconhecimento do crédito sequer consideraram a discussão administrativa relativa à glosa da dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga, através do processo administrativo n° 10510.002160/200429, o qual ainda estaria pendente. Justificou que as eventuais divergências apontadas no Despacho Decisório decorrem tão somente da comparação efetivada entre a DIPJ anterior e a DIPJ retificadora do ano de 1999, as quais inclusive foram promovidas anteriormente ao início da ação fiscalizadora, de modo que não haveria como imputar à Recorrente qualquer atitude desabonadora em relação a tais retificações, uma vez que realizada em estrita observância à legislação norteadora (transcreve art. 1°, §§ 1° e 2°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 166/99, de 23 de dezembro de 1999). Salientou que os recolhimentos efetivados tiveram por base somente a estimativa, conforme ficha 29, todavia, e por ocasião das compensações, o sistema PER/DCOMP solicitava a origem dos DARF que compunham o crédito e erroneamente a informou o crédito como decorrente de pagamento a maior e/ou indevido, quando o correto seria balizarse no resultado negativo obtido no ano de 1999, conforme depreendese das informações constantes na Ficha 30, linha 31, de sorte que não haveria como prosperar o entendimento da DRF/AJU em relação compensação efetivada pela Recorrente, no valor de R$ 85.404,64, devendo esta ser integralmente acolhida. Mencionou ainda, que em nada obstante deveria se observar que o crédito apurado foi informado à Secretaria da Receita Federal — SRF em 01/11/2002, anteriormente a Fiscalização ensejadora do Auto de Infração, o que nada ofende a legislação vigente (transcreve art. 4° da IN SRF n° 166/99) e que somente no encerramento do exercício, com a apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou base de cálculo negativa, pode verificar se os pagamentos por estimativas mensais eram compensáveis com o montante apurado no balanço anual, e se prejuízo fiscal/base de cálculo negativa ocorreu, certamente foram pagos indevidamente, momento em que se inicia a possibilidade de restituição. Argumentou que os apontamentos do Despacho Decisório em relação às informações contidas nas declarações originais apresentadas pela Recorrente, não devem ser considerados, por não se encontrarem amparados pela legislação, pois a própria legislação editada pela administração fazendária (IN SRF n° 166/99) reconhece o direito ao contribuinte de retificar suas declarações de rendimentos de forma que substitui a declaração anterior, de sorte que não poderia a autoridade administrativa valerse das informações constantes na declaração original para balizar seu julgamento, uma vez que a declaração retificadora há de ser recebida pelo órgão arrecadador como se original fosse (cita jurisprudência administrativa sobre o assunto), requerendo assim, a homologação integral das compensações efetivadas, valendose dos créditos oriundos da apuração de CSLL no ano de 1999; Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10510.900341/200684 Acórdão n.º 1301003.508 S1C3T1 Fl. 444 5 o reconhecimento do direito creditório decorrente da CSLL no ano de 1999, conforme demonstrado na DIPJ do período e sejam homologadas as compensações realizadas através do sistema PER/DCOMP, especialmente a de n° 38258.82489.240903.1.3.045302. A 2a Turma da DRJ em Salvador/BA, nos termos do acórdão e voto de folhas 98 a 104, deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, assentando para tanto, que um dos fundamentos expostos no Despacho Decisório da DRF/AJU para a não homologação da compensação em apreço foi o fato de ter havido a lavratura do Auto de Infração de que trata o processo n° 10510.00260/200429, por meio do qual houve glosa parcial da dedução a título de 1/3 da Cofins efetivamente paga, levada ao ajuste anual, resultando em lançamento de CSLL devida no ajuste anual de 1999, no valor de R$ 250.950,83, ao invés do saldo negativo informado na DIPJ Retificadora do exercício de 2000, no montante de R$ 292.797,83. Segundo a decisão recorrida, a autoridade fiscal demonstra que em razão da aludida glosa a CSLL devida no mês de outubro seria no valor de R$ 138.633,13, superior aquele declarado na DCTF original, de R$ 135.119,00, todavia, não considerou tal fato determinante para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte, pois na recomposição do ajuste anual do exercício de 2000, feita no referido Auto de Infração, foi computada como estimativa mensal de CSLL paga durante o anocalendário de 1999 a importância de R$ 758.765,50, informada na DIPJ Retificadora (fl. 24), que é o somatório das estimativas mensais declaradas na DCTF Retificadora, significando dizer que relativamente ao mês de outubro de 1999, foi considerada apenas a quantia de R$ 79.977,14 constante da DCTF Retificadora. Dito isso, segundo a decisão recorrida o que seria fundamental para o não reconhecimento do direito creditório no valor integral pretendido pela contribuinte, é o fato de que a legislação tributária não permite que se modifique a forma de extinção de um crédito tributário e consoante relatado na DCTF original a contribuinte declarou CSLL devida por estimativa em outubro de 1999 no valor de R$ 135.119 00, quitada parte com pagamento efetuado por meio de DARF, no valor de R$ 102.307,67, em 30/11/1999, e parte por compensação (processo 10510000329/0057). Posteriormente, retificou a DCTF apurando CSLL para o citado período de apuração, no valor de R$ 79.977,14 e pretende quitar uma parte com pagamento por meio do DARF, no valor de R$ 99,99, e o restante por compensação declarada nas DCOMP 08392.94591.240903.1.3.048491 e 3060.32553.240903.1.3.040986, considerando que, efetivamente, tal pretensão seria inadmissível, pois quando a contribuinte apresentou a DCTF retificadora, o débito ali declarado já se encontrava extinto por meio do pagamento de R$ 102.307,67 efetuado anteriormente. Concluiuse assim, que do total do crédito pleiteado no presente processo, apenas a diferença entre o pagamento de R$ 102.307,67, realizado em 30/11/1999, e o débito de R$ 79.977,14, declarado na DCTF Retificadora, no montante de R$ 22.330,53, constitui pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN, passível de restituição ou compensação, ratificando os esclarecimentos contidos no Despacho Decisório da DRF/AJU, no sentido de que com relação ao pagamento de R$ 99,95, a contribuinte pode requerer a sua restituição ou utilização na compensação de débitos, mediante pedido de restituição ou de declaração de compensação específica, e de que as compensações do restante do valor declarado na DCTF retificadora, declaradas nas DCOMP n° 08392.94591.2409031.3.048491 e 30698.32553.240903.1.3.040986, perdem a sua efetividade, em face da inexistência Fl. 446DF CARF MF 6 de tais débitos, homologandose assim, as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Devidamente notificada do conteúdo decisório acima relatado (fl. 109), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 113 128), relatando os fatos sucedidos, aventando preliminar de nulidade porquanto a decisão recorrida teria consignado que "ratifico os esclarecimentos contidos no Decisório da DRF/AJ, no sentido de que, com relação ao pagamento de R$ 99,95, a contribuinte pode requerer a sua restituição ou utilização na compensação de débitos, mediante pedido de restituição ou de declaração especifica, e de que as compensações do restante do valor declarado na DCTF retificadora, declaradas nas DCOMP's nos 08392.94591.240903.1.3.048491 e 30698.32553.240903.1.3.040986, perdem a sua efetividade, em face da inexistência de tais débitos", mas, segundo afirmou a Recorrente o novo débito informado na DCTF retificadora no valor de R$ 79.977,14 não foi extinto pelo pagamento imputado de ofício pela Administração, mas sim pela compensação promovida através do pagamento no valor de R$ 99,95 e compensações declaradas nas DCOMP's 08392.94591.240903.1.3.048491 e 30698.32553.240903.1.3.040986. Diante disso, reputou a Recorrente que seria nulo de pleno direito o trecho do despacho decisório que simplesmente afasta a análise das DCOMP's e determina que a Recorrente requeira a restituição do valor pago pois, ao assim proceder em relação aos débitos e créditos declarados em evidente afronta ao artigo 165 e 170 do Código Tributário Nacional. Quanto ao mérito do seu direito creditório defendeu que a compensação extingue o crédito tributário sob condição de ulterior homologação, aduzindo que nos termos da legislação a declaração retificadora substitui integralmente as informações originalmente prestadas, de sorte que as informações prestadas na DCTF original pela Recorrente foram substituídas em sua integralidade pelas informações prestadas na DCTF retificadora, de modo que o valor de R$ 79.977,14 constituído através da DCTF retificadora não pode ser interpretado de outra forma senão como novo débito e como tal inconcebível admitir que tenha sido extinto por pagamento anterior, requerendo a completa homologação da compensação declarada. Em sessão de 05 de março de 2013, este Colegiado decidiu dar provimento integral do recurso voluntário conforme ementa abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não se confunde com nulidade o fato de a decisão recorrida deixar de apreciar determinado ponto por entender ter havido perda do objeto em relação ao argumento quando isso se dá em virtude da sua compreensão de mérito acerca do crédito indicado pela contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO INTEGRALMENTE. Demonstrada a integralidade do direito creditório indicado na declaração de compensação não há falar em homologação integral da compensação. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10510.900341/200684 Acórdão n.º 1301003.508 S1C3T1 Fl. 445 7 Em 14 de agosto de 2014 foram protocolados Embargos de Declaração opostos pelo Ilustre Delegado da Receita Federal do Brasil em Aracajú/SE, reputando que acórdão atacado padeceria do vício de contradição, que foram acatados nos termos abaixo, conforme Despacho de fl. 278: Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Ilustre Delegado da Receita Federal do Brasil em Aracajú/SE, reputando que acórdão atacado padeceria do vício de contradição porquanto mencionou que não haveria nestes autos determinação de apensamento ao Processo Administrativo nº 10510.900343/200673, razão pela qual não se reconheceu a conexão entre os feitos e julgouse o presente processo separadamente. Assiste razão à Autoridade Embargante. Com efeito, cuidase de evidente erro material ao não se verificar, na caixa eletrônica do sistema, que o processo nº 10510.900343/200673, de fato se encontrava apensado, contendo, como fez ver a Autoridade Embargante, determinação de julgamento em conjunto. Diante disso, inarredável a conclusão de que a decisão embargada está mesmo acoimada com a pecha da contradição, entendo imperioso o conhecimento dos presentes Embargos para os fins de determinar o retorno dos autos a este Colegiado para os fins de apreciação do Recurso Voluntário contido no PA nº 10510.900343/200673, que deverá ser apenso a este processo. Foram anexados aos presentes autos, copia do processo 10510.900343/2006 73. É o relatório. Fl. 448DF CARF MF 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Tendo em vista o Despacho Decisório de fl. 278 que reconheceu contradição na decisão embargada passase a apreciação do Recurso Voluntário contido no PA nº 10510.900343/200673, que foi apensado ao presente processo. Preliminarmente, vale pontuar que o acórdão do presente processo, no. 1301001.143, deu provimento ao respectivo Recurso Voluntário nos termos do trecho do voto condutor abaixo transcrito: A recorrente argui que relativamente à CSLL da competência de outubro de 1999, verificou, primitivamente, valor devido no total de R$ 135.119,00, sendo o referido débito extinto por meio de: i) pagamento via DARF no valor de R$ 102.307,67 (fl. 06); ii) por compensação no valor de R$ 32.811,33 (fl. 40), tal como minudenciado no relatório, contudo, a contribuinte retificou suas declarações para os fins de modificar a base de cálculo relativa ao mês de outubro de 1999 (fls. 08, 09 e 22), fazendo constar o valor de R$ 79.977,14, modificando ainda, a forma de extinção do novo débito: i) pagamento via DARF de R$ 99,95 (fl. 10); ii) compensações pelas Declarações 08392.94591.240903.1.3.048491, no valor de R$ 76.183,36 (fls. 47 – 49); iii) 30698.32553.240903.1.3.040986, no valor de R$ 3.693,83 (fls. 50 – 53). Diante disso, considerando que havia recolhido em momento anterior à retificação o valor de R$ 102.307,67 e promovido a compensação de R$ 32.811,33, cuidou a contribuinte de pleitear a compensação destes valores (objeto do presente processo), já que considera que o valor devido da CSLL de outubro de 1999 foi extinta nos moldes da declaração retificadora, tornando o pagamento primitivo um indébito. (...) O que remanesce para discussão, portanto, é saber se a recorrente, por ocasião da retificação da DCTF em questão poderia modificar a forma de extinção dos débitos e pleitear a integralidade do valor pago anteriormente. Ora, quer me parecer que a recorrente tem absoluta razão ao sustentar que a DCTF retificadora (fls. 08, 09 e 22), substituiu a retificada em sua integralidade, de sorte que tendo sido alocadas novas modalidades de extinção para o valor de R$ 79.977,14, é certo que o pagamento anterior tornouse passível de restituição. Equivocada, destarte, a decisão recorrida ao dispor que do total do crédito pleiteado no presente processo, apenas a diferença entre o pagamento de R$ 102.307,67, realizado em 30/11/1999, e o débito de R$ 79.977,14, declarado na DCTF Retificadora, no montante de R$ 22.330,53, constitui pagamento indevido, com efeito, o direito creditório da contribuinte foi integralmente demonstrando revestindose dos atributos de certeza e liquidez. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10510.900341/200684 Acórdão n.º 1301003.508 S1C3T1 Fl. 446 9 Em síntese com o acima relatado temos que para o mesmo mês de outubro de 1999 foram apresentadas duas DCTFs: DCTF 1 (original) Débito: R$ 135.119,00 Pagamento: DARF de R$ 102.307,67 + Compensação de R$ 32.811,33 DCTF 2 (retificadora) Débito: R$ 79.977,14 Pagamento: DARF de R$ 99,95 + Compensação de 76.183,36 + R$ 3.693,83 Tendo em vista o acórdão acima mencionado, a Recorrente passou a gozar de crédito do valor originalmente pago via DARF no valor de R$ 102.307,67 já que a DCTF retificadora foi liquidada sem contar com tal valor pago. Neste sentido deu provimento ao pleito da Recorrente de compensálo com o débito de Julho de 2001 no valor de R$ 85.404,64. Por sua vez, o processo 10510.900.343/200673, cujo Recurso Voluntário passase a analisar, cuida de compensação de parte do crédito de outubro de 1999 no valor de R$ 102.307,67 com débitos da própria CSLL, do período de apuração de dezembro de 2000, no valor original de R$ 43.406,51. No entanto, as autoridades fiscais, nos termos do Despacho Decisório DRF/AJU n° 470/2007, entenderam por bem não homologar a compensação, pois tal crédito já teria sido utilizado para compensar o débito de Julho de 2001 no valor de R$ 85.404,64, objeto do presente processo (10510.900341/200684). Apesar dos argumentos apresentados pelo Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, de que, na época, o processo 10510.900341/200684 ainda estava pendente e desta forma, deverialhe ser reconhecido o direito creditório em sua integralidade, reconhece que os litígios são conexos e devem ser analisados em conjunto. Partindose da premissa que o crédito da CSLL do mês de outubro de 1999 foi reconhecido como válido em sua totalidade (R$ 102.307,67) e apenas parte foi utilizado para compensação dos débitos de Julho de 2001 (R$ 85.404,64), voto no sentido que a parte remanescente do direito creditório seja concedido para fins de compensação dos débitos de dezembro de 2000. Fl. 450DF CARF MF 10 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos para sanar a omissão apontada e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório em valor original R$ 16.913,03 e homologar a compensação requerida até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917151/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.917151/2013-17
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5960961
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.394
nome_arquivo_s : Decisao_10880917151201317.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880917151201317_5960961.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7604333
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417870073856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917151/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.394 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 51 /2 01 3- 17 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917151/201317 Acórdão n.º 3302006.394 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.443, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917151/201317 Acórdão n.º 3302006.394 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917151/201317 Acórdão n.º 3302006.394 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
