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Numero do processo: 13888.914675/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.146
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 46 75 /2 01 1- 11 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.914675/201111 Acórdão n.º 9303006.146 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.811, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 31/12/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/12/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.914675/201111 Acórdão n.º 9303006.146 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.914675/201111 Acórdão n.º 9303006.146 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.914675/201111 Acórdão n.º 9303006.146 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13888.914675/201111 Acórdão n.º 9303006.146 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.907303/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.107
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 30 3/ 20 12 -3 4 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.907303/201234 Resolução nº 3201001.107 S3C2T1 Fl. 113 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.907303/201234 Resolução nº 3201001.107 S3C2T1 Fl. 114 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.907303/201234 Resolução nº 3201001.107 S3C2T1 Fl. 115 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.907303/201234 Resolução nº 3201001.107 S3C2T1 Fl. 116 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001893/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
EMPRESA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE
Correta a indicação da empresa como contribuinte, ainda que extinta por incorporação, na hipótese da fiscalização se certificar da existência de pendências impeditivas da "baixa" do CNPJ da incorporada.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO
Não comporta a presunção de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício, quando o contribuinte comprova que as obrigações foram escrituradas a partir da utilização de prática comercial de antecipação de pagamentos válida e usual.
DESCONTOS CONCEDIDOS.
Não tendo sido comprovada a natureza de desconto dos valores deduzidos a este título, a glosa deve ser mantida.
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Para que custos e despesas sejam dedutíveis, é necessária a apresentação de prova documental hábil e idônea de que são usuais, normais e necessários às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora, sob pena de glosa.
SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, nos termos da Súmula 554 do STJ.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF.
IRPJ. REFLEXOS.
O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao item 01 - omissão de receitas (ocorrência "A" passivo fictício).
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: EMPRESA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE Correta a indicação da empresa como contribuinte, ainda que extinta por incorporação, na hipótese da fiscalização se certificar da existência de pendências impeditivas da "baixa" do CNPJ da incorporada. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO Não comporta a presunção de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício, quando o contribuinte comprova que as obrigações foram escrituradas a partir da utilização de prática comercial de antecipação de pagamentos válida e usual. DESCONTOS CONCEDIDOS. Não tendo sido comprovada a natureza de desconto dos valores deduzidos a este título, a glosa deve ser mantida. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Para que custos e despesas sejam dedutíveis, é necessária a apresentação de prova documental hábil e idônea de que são usuais, normais e necessários às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora, sob pena de glosa. SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, nos termos da Súmula 554 do STJ. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF. IRPJ. REFLEXOS. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
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SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE Correta a indicação da empresa como contribuinte, ainda que extinta por incorporação, na hipótese da fiscalização se certificar da existência de pendências impeditivas da "baixa" do CNPJ da incorporada. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO Não comporta a presunção de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício, quando o contribuinte comprova que as obrigações foram escrituradas a partir da utilização de prática comercial de antecipação de pagamentos válida e usual. DESCONTOS CONCEDIDOS. Não tendo sido comprovada a natureza de desconto dos valores deduzidos a este título, a glosa deve ser mantida. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Para que custos e despesas sejam dedutíveis, é necessária a apresentação de prova documental hábil e idônea de que são usuais, normais e necessários às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora, sob pena de glosa. SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, nos termos da Súmula 554 do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 93 /2 01 0- 19 Fl. 4241DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF. IRPJ. REFLEXOS. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS) decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao item 01 omissão de receitas (ocorrência "A" passivo fictício). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 833/863) que exigem IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), referentes ao ano calendário de 2005, lavrados contra a empresa Versalhes Comércio de Produtos Eletroeletrônicos Ltda. ("Versalhes"), empresa esta incorporada pela Recorrente em 30/07/2007, em virtude das seguintes infrações: 001 OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE Omissão de Receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso II, e 288, do RIR/99. Fl. 4242DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 3 3 002 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS OMISSÃO DE DESCONTOS INCONDICIONAIS/ABATIMENTOS Majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil de descontos incondicionais e/ou abatimentos obtidos, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, e 293, do RIR/99. 003 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS OMISSÃO DE DEVOLUÇÃO DE COMPRAS Majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil de devolução de compras, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, § 1 ° , 290, 292 e 293, do RIR/99. 004 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS Valor apurado conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300, do RIR/99 Mais precisamente, os fatos apurados foram assim relatados no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 827/832): A empresa tem a atividade de comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, CNAE 4753900, e com relação ao ano calendário de 2005, o Contribuinte apresentou a DIPJ Lucro Real anual. Ao examinarmos o livro de Registro de Entradas de Mercadorías, do Contribuinte, constatamos que o valor total das compras de alguns fornecedores eram inferiores aos valores constantes das informações do Contribuinte, contidas nas DIPJs de terceiros. E, na DIPJ 2006 n° 0840741 (cópia anexa ao processo), referente ao anocalendário de 2005, o Contribuinte informou na ficha 53B o valor das suas compras no total de R$227.255.059,39. Tendo em vista que as informações sobre o Contribuinte, contidas nas DIPJs de Terceiros, sobre o volume de compras efetuadas pelo mesmo no anocalendário de 2005, divergiam do Fl. 4243DF CARF MF 4 volume de compras informadas em sua DIPJ 2006 (AC2005), procedemos a circularização junto aos seus fornecedores, onde, devidamente autorizados pelos MPFs vinculados abaixo relacionados, solicitamos a relação das vendas e recebimentos ocorridas no anocalendário de 2005. FORNECEDORES clrcularlzados CNPJ MPFVINCULADO SONY MUSIC ENTERTAINMENT BRASIL LTDA. 43.203.520/000104 08.1.90.002009034560 SONY BRASIL LTDA 43.447.044/000177 08.1.90.002009034578 SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. 00.280.273/000137 08.1.90.002009034586 L G ELETRÔNICS DA AMAZÔNIA LTDA 00.801.450/000183 08.1.90.002009034594 ELECTROLUX DA AMAZÔNIA LTDA 02.421.684/000120 08.1.90.002009034608 CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A 04.169843/000177 08.1.90.002009034616 ENVISION INDÚSTRIA DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. 04.176.689/000160 08.1.90.002009034624 PHILIPS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA 04.182.861/000199 08.1.90.002009034632 CLIMAZON INDUSTRIAL LTDA. 04.222.931/000195 08.1.90.002009034640 VIDEOLAR S.A. 04.229.761/000170 08.1.90.002009034659 CALOI NORTE S/A 04.301.024/000131 08.1.90.002009034667 SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A 04.400.552/000148 08.1.90.002009034675 PANASONIC DO BRASIL LIMITADA 04.403.408/000165 08.1.90.0020090434683 MICROSERVICE TECNOLOGIA DIGITAL DA AMAZÔNIA LTDA 34.525.444/000162 08.1.90.002009034691 FUJIFILM DA AMAZÔNIA LTDA 34.561.944/000150 08.1.90.002009034705 GRADIENTE ELETRÔNICA S/A 43.185.362/000107 08.1.90.002009034713 Tendo em vista que o Contribuinte, efetuou os lançamentos contábeis de compras e respectivos pagamentos de forma sintética, solicitamos a relação de todos pagamentos efetuados aos fornecedores no anocalendário de 2005 e também a abertura da conta do Passivo de Fornecedores apurado em 31 / 12 / 2005 . O Contribuinte nos apresentou as duas planilhas solicitadas, que foram juntadas ao processo. Das informações obtidas junto aos referidos fornecedores, selecionamos as compras que tiveram os respectivos pagamentos efetuados no anocalendário de 2005 pelo contribuinte Versalhes Comércio de Produtos Eletroeletrônicos Ltda., e confrontamos com aquelas devidamente relacionadas pelo Contribuinte nas planilhas apresentadas, de pagamentos feitos aos fornecedores e do Passivo em 31 / 12 / 2005 . Desse cruzamento das informações encontramos algumas divergências em pagamentos (inclusive no ano do pagamento), descontos financeiros obtidos, baixa de valores pelo fornecedor a título propaganda/veiculação, devolução parcial/total de compras com pagamento informado pelo Contribuinte, e outras situações, as quais relacionamos cada uma delas em ANEXOS numerados de 01 à 1 1 e intimamos o Contribuinte em 12 / 03 / 2010 a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e a indicação do respectivo lançamento contábil (acompanhado do demonstrativo analítico / razão auxiliar se o mesmo não estivesse individualizado), as referidas operações de compras e/pagamentos relacionadas naqueles anexos. A seguir, transcrevemos um resumo mensal das ocorrências apontadas nos anexos. Fl. 4244DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 4245DF CARF MF 6 Da Intimação com 1 1 anexos entregue em 12/03/2010 não recebemos nenhuma resposta. Em 30/03/2010 enviamos ao Contribuinte uma Reintimação por via postal, com ARAviso de Recebimento n° RK986946115 BR, entregue em 05/04/2010 da qual também não recebemos resposta. Os pagamentos informados como recebidos pelos fornecedores no anocalendário de 2005, dos quais o Contribuinte não informou em sua listagem de pagamentos, ou os relacionou na listagem do passivo em 31/12/2005, somam a quantia de R$24.268.869,42; Como nenhum documento ou esclarecimento nos foi apresentado, ficou evidenciado que esses pagamentos foram feitos com recursos movimentados à margem da escrituração. No mesmo período, os descontos concedidos pelos fornecedores (financeiro/propaganda/veiculação/outro), não foram identificados pelo Contribuinte em sua escrituração, nem esclarecidos em relação às diferenças entre os valores informados nas listagem de pagamentos efetuados e os efetivos dispêndios. Tais valores somam a quantia de R$2.509.51 5,69; As devoluções de mercadorias informadas pelos fornecedores, cujos valores o Contribuinte informou na listagem de pagamentos as respectivas quitações no anocalendário de 2005, também não tiveram os devidos lançamentos comprovados, configurando assim uma omissão de devolução de compras no valor de R$ 91.423,98. Quanto aos pagamentos de compras informados na listagem do ac2005 , cujas vendas e recebimentos não foram confirmadas pelo fornecedor, no valor de R$630.561,56, o Contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada ou sua comprovação, motivo que nos levaram a glosar tais custos. A falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas, autoriza a presunção de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas omitidas. Quanto aos valores relacionados a título! de descontos (financeiro/propaganda/veiculação/outro) obtidos dos fornecedores, a quantia a ser registrada como estoque de mercadorias e / respectivo pagamento, é o valor efetivamente dispendido na aquisição das mesmas; As compras pagas, cujas mercadorias foram devolvidas aos fornecedores e,1 os pagamentos de compras não confirmadas pelo fornecedor, uma vez que o Contribuinte não apresentou nenhuma documentação ou justificativa, nem comprovou a devida contabilização, também não integram o seu custo. Contra os Autos de Infração, a contribuinte apresentou Impugnação às fls. 910/963, acompanhada dos documentos de fls. 964/2.255. Em síntese, alega que: houve erro material na identificação do sujeito passivo, haja vista que o lançamento se volta à empresa incorporada (Versalhes), juridicamente extinta com o Fl. 4246DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 5 7 arquivamento dos atos societários de incorporação na JUCESP, ao invés de se voltar a empresa incorporadora, ou seja, a interessada (Cia. Brasileira de Distribuição); a fiscalização aplicou uma presunção ilegal para justificar a aplicação de outra presunção; o anocalendário de 2005 constitui marco inicial das atividades comerciais da Versalhes, que passou a ser o "braço" do Grupo Pão de Açúcar no que se refere às aquisições de produtos eletroeletrônicos. Os fornecedores enxergavam a Versalhes como parte integrante do Grupo Pão de Açúcar, tal como faziam em relação à interessada. E especialmente no início das atividades foi comum que, em determinadas situações, a Recorrente socorresse financeiramente a Versalhes, assumindo direta ou indiretamente algumas obrigações, no contexto de um modelo negocial de centralização de caixa; não houve falta de escrituração de pagamentos capaz de ensejar a aplicação da presunção legal de omissão de receitas em relação ao montante de R$ 3.218.600,27. Isso porque, a partir do levantamento das 75 (setenta e cinco) Notas Fiscais, constatouse que se referem a operações de vendas para a Versalhes, mas que não deram entrada em seu estabelecimento. O registro contábil e fiscal (Livros Registro de Entrada) das compras foi realizado diretamente na interessada (CBD), empresa sucessora do acervo patrimonial da Versalhes (autuada).; além das transações que se revestiam da forma de antecipação de pagamentos a fornecedores, realizados com recursos do caixa centralizado, outra constatação muito recorrente que não foi levada em consideração diz respeito a política de finanças que muitos fornecedores tinham (a ainda hoje tem) de antecipar (descontar) o recebimento dos títulos de créditos junto a clientes, em instituições financeiras de sua confiança. Como exemplo seriam os fornecedores LG Eletronicas (Anexo 01) e Sony (Anexo 11) onde foram apuradas as maiores divergências os quais antecipavam seus recebíveis junto ao Banco Safra e BankBoston. Na contabilidade da Versalhes, como esta não havia antecipado os pagamentos, as obrigações ficavam mantidas até o vencimento original dos títulos, em sua maior parte no início do AC 2006; a glosa dos custos levada a cabo por meio das ocorrências "B", "C" e "D" é infundada e não se sustenta diante das provas acostadas aos autos; a cobrança de multa de ofício na sucessão não tem cabimento; a incidência de juros com base na taxa Selic é indevida. Com o fito de sanear os autos, estes foram baixados em diligência pela DRJ, conforme despacho de fls. 2.262/2.264, nos seguintes termos: Por não constarem nos autos elementos que permitam firmarse convicção a respeito da idoneidade dos documentos acostados aos autos, pela impossibilidade do confronto destes com os registros contábeis que sustentariam, bem assim da sua capacidade para afastar, ainda que parcialmente a autuação, questionase: são os documentos acostados em fls. 949/1557, hábeis e idôneos para justificar a manutenção, em 31/12/2005, na Fl. 4247DF CARF MF 8 contabilidade da Versalhes Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. do montante R$ 24.268.869,42, que foram considerados como pagos com recursos estranhos à contabilidade? são os documentos acostados em fls. 1559/2089, hábeis e idôneos para a afastar da autuação o valor de R$ 117.351,00, relativo a descontos concedidos e não contabilizados? são os documentos acostados em fls. 2142/2170, hábeis e idôneos para a afastar da autuação a glosa do montante de valor de R$ 630.561,56, tido corno majoração de custos? A fiscalização diligenciou junto ao contribuinte e apresentou o Relatório Fiscal (fls. 2.302/2.307) que assim conclui: 20. Desta forma, em resposta ao quesito I, inquirido pela DRJ/SPOI, concluímos os seguintes valores: Valores que justificam permanecer no passivo em 31/12/2005: R$ 17.992.284,15 Valores que não justificam permanecer no passivo em 31/12/2005: R$ 6.276.585,27 [...] 25. Dessa forma, em resposta ao inquirido pela DRJ no quesito II, concluímos que os já referidos documentos acostados são hábeis e idôneos para afastar a autuação em questão. [...] 29. Dessa forma, em resposta ao inquirido pela DRJ no quesito III, concluímos que os já referidos documentos acostados não são hábeis e idôneos para afastar a autuação em questão. A contribuinte, após notificada do resultado da diligência, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2.312/2.326). Quanto ao item "I", alega que a fiscalização não analisou toda a documentação e que cometeu equívocos na composição dos valores comprovados. Além disso, requer a juntada de Parecer de auditoria (fls. 2.327/2.343) que atesta a regularidade desse ponto. No tocante ao quesito "II", aduz que a análise do fisco ficou restrita, não contemplando a totalidade da documentação juntada e que deveria ser vista. E quanto ao item III, sustenta erro de critério adotado. Tramitado o feito, a DRJ (fls. 3.875/3.889) novamente determinou o retorno dos autos para a delegacia de origem, nos seguintes termos: Em face do exposto, voto pela transformação do julgamento em RESOLUÇÃO, a fim de que os autos sejam novamente enviados à delegacia de origem para que a fiscalização responda conclusivamente aos seguintes quesitos: Fl. 4248DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 6 9 QUESITO 1 Referese à OCORRÊNCIA "A". Teria de fato a fiscalização não esgotado a análise documental, bem assim incorrido nas falhas acima apontadas? Em caso afirmativo, solicitase a análise dos documentos faltantes e/ou a correção das falhas acima apontadas, indicadas nos excertos da planilha reproduzidos na Manifestação de Inconformidade, indicando a nova base de cálculo apurada, quanto à essa ocorrência. QUESITO 2 Referese à OCORRÊNCIA "B". Solicitase a complementação da análise dos documentos abrangendo todos os acostados em 1649/2177, a fim de se verificar se tais documentos são hábeis e idôneos para afastar da autuação o valor de R$ 2.509.515,69, relativo a descontos concedidos e não contabilizados? QUESITO 3 Referese à OCORRÊNCIA "C fls. 2178/2226, cuja exigência sobre os R$ 91.423,98, deuse por entender a fiscalização ter ocorrido omissão de devolução de compras. Sobre esses documentos apesar de relacionados na diligência anterior não havia se pronunciado a fiscalização. Assim, questionase: são os referidos documentos hábeis e idôneos para afastar a autuação sobre o montante de R$ 91.423,98. Em atendimento, a fiscalização elaborou o Relatório Fiscal de fls. 3.913/3.917, concluindo que apenas parte dos valores da ocorrência B (603.169,83, de 2.509.515,69) também deveriam ser excluídos. O contribuinte novamente se manifestou (fls. 4.005/4.022). Reitera suas alegações quanto à necessidade de cancelamento integral da exigência ou, quando menos, que seja determinada a realização de nova diligência fiscal, a fim de esclarecer as omissões que permanecem nos relatórios emitidos nas duas diligências realizadas. Em Sessão de 18 de dezembro de 2014, a DRJ julgou os Autos de Infração parcialmente procedente, acatando a redução final proposta e consolidada na segunda diligência. A ementa da decisão (fls. 4.126/4.160) possui a seguinte redação: EMPRESA EXTINTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. Correta a indicação da empresa, ainda que extinta, como contribuinte, por ser ela a pessoa que praticou o fato gerador da obrigação tributária. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da incorporação, inclusive por eventual multa de ofício e demais encargos legais. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A omissão de receita caracterizase pela manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não reste comprovada. Enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas. Fl. 4249DF CARF MF 10 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÕES. Deve ser exonerada a parcela do tributo indevidamente lançada decorrente de erros na apuração da base de cálculo utilizada. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase à CSLL, ao PIS/Pasep e à Cofins a mesma solução dada ao lançamento do IRPJ. Essa decisão foi objeto de recurso de ofício e dela o contribuinte tomou ciência em 23/04/2015 (fls. 4.178), sendo que, em 22/05/2015, interpôs recurso voluntário (fls. 4.181/4.230). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e, assim como o recurso de ofício, atende os requisitos de admissibilidade. A fiscalização resumiu as autuações em quatro ocorrências: (Ocorrência A): omissão de receitas de R$ 24.268.869,42 caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (art. 281, inciso II, do RIR/1999) (Ocorrência B): ausência de registro contábil de descontos incondicionais e/ou abatimentos obtidos no valor de R$ 2.509.515,69; (Ocorrência C): omissão de devolução de compras de R$ 91.423,98; e (Ocorrência D): glosa de custos em razão de não comprovação (R$630.561,56). Informa a fiscalização ter extraído tais valores dos cruzamentos realizados com as informações de 11 (onze) fornecedores (fls. 744), prestadas ao longo da fiscalização após intimações específicas. A fiscalização, então, preparou 11 (onze) anexos (um para cada fornecedor) e os encaminhou ao contribuinte, em 12/03/2010, para justificar as incongruências identificadas. Reintimou o contribuinte, em 05/04/2010, mas não obteve retorno. Dessa forma, não restou outra alternativa senão autuar a empresa com base na caracterização de omissão de receitas e glosa de custos/despesas, como determina a lei. Fl. 4250DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 7 11 Entendo que nenhum reparo cabe à metodologia adotada pela autoridade fiscal autuante. Por não ter recebido nenhuma resposta acerca das diferenças apuradas, o fisco corretamente enquadrou o fato na hipótese de presunção legal de omissão de receitas, assim como efetuou as glosas por falta de comprovação do dispêndio, invertendo o ônus da prova ao sujeito passivo com respaldo na legislação indicada nos Autos de Infração. Sujeito Passivo No final do TVF restou relatado que: E DO ENCERRAMENTO Registramos que, dos documentos recebidos do Contribuinte, consta que o mesmo e também outras empresas foram incorporados pela sócia Cia. Brasileira de Distribuição S.A. CNPJ n° 47.508.41 1/000156, conforme aprovado na Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 30/07/2007 (cópia da alteração do contrato social, do protocolo de incorporação e justificação e da ata da AGE, juntadas ao processo). Da consulta (juntada ao processo) na Junta Comercial do Estado de São Paulo, ou seja, ficha cadastral da Versalhes Comércio de Produtos Eletroeletrônicos Ltda. (exdenominada Versalhes Empreendimentos e Participações Ltda.) consta que: No sistema da SRFB, (consulta juntada ao presente processo, datada de 24/06/2010), consta que a empresa VERSALHES COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA., está em situação suspensa desde 03/07/2008, motivo: baixa iniciada ainda não deferida. Em vista do acima exposto, o lançamento de ofício foi efetuado em nome da VERSALHES COMERCIO DE PRODUTOS ELETROELETRÔNICOS LTDA. Fl. 4251DF CARF MF 12 Nesse ponto a Recorrente alega que os Autos de Infração foram lavrados contra pessoa jurídica extinta por incorporação, fato este que ensejaria a nulidade das cobranças. Razão não lhe assiste. Isso porque a autoridade lançadora se certificou da incorporação e, portanto, da conseqüente extinção da Versalhes e sucessão pela CBD , mas justificou a emissão da autuação em nome da contribuinte Versalhes (e não da responsável CBD) em razão de pendências na "baixa" da empresa incorporada. No caso em apreço, digase, é inquestionável que a pessoa jurídica que praticou o fato gerador da obrigação tributária de que decorre o lançamento objeto do presente processo foi a empresa Versalhes Comércio de Produtos Eletroeletrônicos Ltda. (contribuinte), cuja sucessora por incorporação é a empresa Companhia Brasileira de Distribuição. Tratase de fato conhecido e certificado nos autos, o que afasta a caracterização de erro de identificação de sujeito passivo. A CBD, enquanto responsável por sucessão, é a parte que de fato sempre compôs a lide, não havendo qualquer prejuízo processual na qualificação das partes. A emissão da autuação em nome da Versalhes (contribuinte), repitase, foi justificada, afinal o procedimento de extinção ainda não havia sido deferido no momento de emissão dos autos. Não vislumbro, portanto, nenhum vício na identificação do sujeito passivo. Ocorrência A: Passivo fictício (R$ 24.268.869,42) A contribuinte sustenta que foi possível determinar cada uma das hipóteses de presunção de omissão de receitas aventadas como sendo passivo fictício, a saber: a) R$ 3.218.600,27 (três milhões, duzentos e dezoito mil, seiscentos reais e vinte e sete centavos), resultantes da somatória das providências de códigos '03' e '0304', que se referem à infração de omissão de receitas pela suposta falta de escrituração contábil de pagamentos aos fornecedores Philips, Videolar, Semp Toshiba, Panasonic, Gradiente e Sony (respectivamente Anexos '04', '05', '06', '07', '10' e '11'); e b) R$ 21.050.269,15 (vinte e um milhões, cinquenta mil, duzentos e sessenta e nove reais e quinze centavos), resultantes da somatória das providências de códigos '05' e '08 09', que se referem à infração de omissão de receitas pela suposta manutenção em passivo de obrigações já pagas aos fornecedores LG Eletronics, Philips, Panasonic, Gradiente e Sony (respectivamente Anexos '01', '04', '07', '10' e '11'). A partir do levantamento, que de fato encontrase instruído com vasta documentação, o Recorrente alega existir dois graves erros que contaminam a caracterização de passivo fictício. O primeiro erro seria o de que a fiscalização não considerou o fato de que os pagamentos para esses fornecedores ocorreram com recursos de terceiros, ou seja, que não houve débitos diretos em conta corrente da contribuinte Versalhes. Nesse sentido, a Recorrente quitava direta ou indiretamente as obrigações de Versalhes com fornecedores quando esta pessoa jurídica não tinha condições de saldar as obrigações, passando, por conseqüência, a figurar como credora no exato montante dos passivos originais. Fl. 4252DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 8 13 Ao assim proceder, e este procedimento é, segundo argumenta, usual no mercado, não haveria que se falar em falta de escrituração de pagamentos, como quer fazer crer o fisco como razão do lançamento, já que os valores ditos como recebidos pelos fornecedores foram pagos pela CBD (agente centralizados do grupo) ou por uma instituição bancária, e não pela Versalhes. Já o segundo erro consistiria no fato de que a fiscalização ignorou a prática de antecipação de pagamentos a fornecedores. À época, alguns fornecedores, tais como LG e Sony os quais deram as principais diferenças levantadas antecipavam seus recebíveis com instituições financeiras (BankBoston e Safra, respectivamente), a fim de obter recursos financeiros para continuar a dar giro operacional em suas atividades. Outra prática amplamente adotada, mas que não foi levada em conta pela fiscalização. Na contabilidade da contribuinte, como esta não havia antecipado os pagamentos, as obrigações permaneciam registradas até o vencimento original dos títulos, em sua maior parte no início do ano calendário de 2006. Tendo em vista que os fornecedores lhe informavam que haviam descontado os títulos com instituições financeiras, no vencimento, Versalhes efetuava os pagamentos as respectivas instituições credoras, pelo montante integral. Daí a existência de grande parte das divergências identificadas. Após a DRJ ter solicitado diligência para melhor apurar os fatos e provas acostadas aos autos, a autoridade fiscal responsável acatou e concordou com as justificativas apresentadas pelo contribuinte quanto às práticas comerciais e operacionais adotadas, mas entendeu a autoridade diligenciante que nem todo o passivo restaria comprovado. Assim, do total originário considerado neste item (R$ 24.268.869,42), o fisco reconheceu a comprovação do montante de R$17.992.284,15, remanescendo a omissão de R$6.276.585,27. Vejase: A Quesito I 6. Com relação ao quesito I, procedemos ao levantamento de todas as operações de compra e venda, cujos pagamentos foram imputados pela fiscalização como efetivados pelo próprio autuado no ano de 2005, resultando no auto de infração em comento, resumidas na tabela abaixo: 7. As informações oriundas dos fornecedores acima indicavam que os valores foram recebidos no decorrer do ano de 2005, e, portanto, concluiu a Fiscalização que, por conseguinte, não poderiam constar no passivo da empresa autuada em AC‐2005 FORNECEDOR Anexo do AI Valor Total R$ LG ELETRONICS 01 3.489.081,31 PHILIPS 04 4.353.749,20 VIDEOLAR 05 546.779,65 SEMP TOSHIBA 06 259.000,00 PANASONIC 07 6.052.643,20 GRADIENTE 10 1.863.993,37 SONY 11 7.703.622,69 TOTAL 24.268.869,42 Fl. 4253DF CARF MF 14 31/12/2005. Entretanto, não foram informadas pelos fornecedores as reais empresas que efetuaram os respectivos pagamentos. Tampouco, a Fiscalização não se preocupou em se assegurar de que fora a empresa autuada que realizou os pagamentos em questão. 8. A fim de responder ao quesito I, analisamos a documentação acostada ao PAF, em especial a documentação indicada pela DRJ, de fls. 949 a 1557, que fazem parte da impugnação ao auto de Infração, e pudemos constatar que os pagamentos em comento, em parte ou totalidade (dependendo do fornecedor), foram feitos, em 2005, por outras empresas CBD, Banco Safra, Bank Boston , enquanto que, a Versalhes quitou esses compromissos, com as empresas pagantes já citadas, somente em 2006. 9. Esse tipo de operação financeira é usual entre grandes empresas e bancos, quando um fornecedor, para melhorar seu fluxo de caixa, tem interesse em antecipar seus recebíveis e negocia os valores a receber com outras empresas ou bancos, que antecipam os valores, obtendo uma importante receita financeira nessas operações. 10. Desse modo, analisamos 421 operações de compra e venda entre a Versalhes e os fornecedores antes indicados, [...]. 20. Desta forma, em resposta ao quesito I, inquirido pela DRJ/SPOI, concluímos os seguintes valores: Valores que justificam permanecer no passivo em 31/12/2005: R$ 17.992.284,15 Valores que não justificam permanecer no passivo em 31/12/2005: R$ 6.276.585,27. O contribuinte questiona o resultado da diligência, afirmando que o cancelamento deveria ter sido integral. Anexa documentação como suporte, notadamente laudo contábil que atesta a existência de equívocos cometidos pelo fisco, bem como a regularidade do passivo questionado, manifestandose, no final, pela insubsistência integral desta parte do lançamento. Com efeito, o laudo em questão está acostado às fls. 2.327/3.871, foi elaborado pela empresa PricewaterhouseCoopers e teve por escopo a análise das correspondentes transações financeiras e contábeis que englobaram (a) os pagamentos aos fornecedores efetuados diretamente por Versalhes; (b) as antecipações de dinheiro efetuadas por CBD aos fornecedores, em nome de Versalhes; (c) a identificação dos registros contábeis efetuados por Versalhes quando da liquidação financeira das notas fiscais de aquisição de mercadorias, considerandose as seguintes hipóteses: (i) pagamentos diretos aos fornecedores; (ii) pagamentos efetuados em favor de CBD, face a determinadas assunções de obrigações junto a fornecedores; e (iii) pagamentos diretos efetuados a algumas instituições financeiras que descontaram os títulos emitidos pelos fornecedores contra Versalhes. Fl. 4254DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 9 15 Após detalhar e validar os aspectos contábeis e operacionais da liquidação das obrigações junto aos fornecedores, na mesma linha da diligência, o estudo em questão chega a seguinte conclusão: IV. Conclusão Do exposto, concluímos que: a) os pagamentos diretos aos fornecedores efetuados por Versalhes não apresentaram inconsistências em seus registros financeiros e contábeis; b) as antecipações de pagamentos aos fornecedores por CBD não apresentaram inconsistências em seus registros financeiros e contábeis; c) em relação aos pagamentos efetuados por Versalhes em favor de CBD, não identificamos inconsistências nos registros financeiros e contábeis de Versalhes; e d) em relação aos pagamentos efetuados por instituições financeiras aos fornecedores, efetuamos a conciliação dos valores das notas fiscais e do relatório financeiro de Versalhes, de modo que não identificamos divergências relevantes, aliás, tal como já ressaltado neste relatório. Os correspondentes pagamentos efetuados por Versalhes em favor das instituições financeiras não apresentam inconsistências nos registros financeiros e contábeis de Versalhes. V. Anexos Segue abaixo descrição da composição dos Anexos que acompanham o presente relatório: Anexo I Relação das 559 notas fiscais constantes no relatório financeiro; Anexo II Relatório composto pelos seguintes documentos e organizado da seguinte forma: 1) abertura dos pagamentos constantes no extrato bancário; 2) extrato bancário; 3) cópia das notas fiscais que compõem o extrato bancário; 4) cópia da página do Livro Diário Geral e/ou Razão da Versalhes com o lançamento das notas fiscais; e 5) cópia da página do Livro Registro de Entrada da Versalhes, com a escrituração das notas fiscais. Anexo III Diagramas explicativos das análises efetuadas nos bancos de dados eletrônicos fornecidos pela Sociedade Anexo IV Planilhas eletrônicas contendo a consolidação dos testes e cruzamentos efetuados, bem como os arquivos eletrônicos originais da Versalhes. Diante dessa documentação complementar trazida aos autos pela Recorrente, nova diligência foi requerida pela DRJ, para que a autoridade competente confirmasse a Fl. 4255DF CARF MF 16 existência dos equívocos alegados, bem como analisasse os documentos e esclarecimentos de mérito invocados pelo contribuinte com a Manifestação. O resultado da segunda diligência foi motivado em apenas 4 (quatro) parágrafos (fl. 3.914). Nas palavras do auditor fiscal responsável: Resposta ao Quesito I: O relatório conclusivo elaborado por esta fiscalização analisou as 421 operações de compra/venda de mercadorias objeto da autuação, fato que pode ser verificado prontamente na planilha apresentada com o resumo por fornecedor dos valores correspondentes à essas operações, cuja soma das situações discriminadas em 5 espécies, A, B, C, D e E, qualificadas no relatório, perfazem o total da autuação. Portanto, a afirmação do contribuinte "analisou apenas 421 operações, quando na verdade, havia muitas outras" não procede. Em relação a classificação de operações com o status "D", qual seja, "não foram apresentados elementos necessários para a decisão", o contribuinte alega falha da fiscalização pelo fato de haver informações na coluna "quitação pela Versalhes das suas compras pagas pela CBD". Podese verificar nas planilhas questionadas, como em todas as outras, que para considerarse os elementos apresentados suficientes para decidirse pela exclusão da exigência do lançamento na operação específica, há que se considerar que o conjunto de informações deva estar completo e consistente, tal como nas situações classificadas como tipo "A", "B" e "C". Esse conjunto de informações é composto em nota fiscal, quitação das compras informadas pelos fornecedores, quitação de compras por terceiros e quitação de compras pela Versalhes. Cada item desse conjunto é composto ainda por outros elementos, dentre outros o extrato bancário atestando o pagamento pela Versalhes ao terceiro ou ao próprio fornecedor. Em uma análise superficial das planilhas questionadas na manifestação de inconformidade, classificadas na situação "D", já é possível verificarse que não foram apresentados extratos bancários com valores compatíveis com a consolidação de pagamentos, razão pela qual os campos específicos não foram preenchidos e portanto o conjunto de elementos não foi suficiente para afastar a autuação, sendo assim, não foram apresentados elementos necessários para a decisão de exoneração do lançamento. Por oportuno, em sua manifestação de inconformidade o contribuinte adverte no item 19 a falta de preenchimento do valor correspondente a situação A do fornecedor Philips, que de fato ocorreu por um lapso, porem é de verificação imediata que não altera o resultado dos valores mantidos ou exonerados visto que foi considerado na totalização e por essa razão, sequer questionado pelo impugnante. Esse valor de R$ 1.543.200,00 é a soma das situações "A" na planilha do fornecedor citado, parte integrante do relatório anterior. Dessa forma, concluise pela improcedência das alegações de que trata o quesito, não havendo assim alterações na base de cálculo apurada quanto a essa ocorrência., concluise pela improcedência das alegações de que trata o quesito, não Fl. 4256DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 10 17 havendo assim alterações na base de cálculo apurada quanto a essa ocorrência. Ao se manifestar (fls. 4.005), o contribuinte reitera o argumento de ausência de análise integral dos documentos e operações, bem como sustenta que os extratos bancários constam dos autos, conforme evidenciado pelo referido laudo emitido por renomada empresa de auditoria, indicando ainda exemplos pontuais de valores indevidamente mantidos (cf. itens 19 a 36). A decisão recorrida, porém, afastou a caracterização da aludida omissão, sob uma justificativa genérica, in verbis: "[...] os documentos colacionados pelo impugnante foram exaustivamente analisados pela fiscalização em atendimento a solicitação dessa turma de julgamento. Tanto é assim que do montante original de R$ 24.268.869,42 foram considerado pela fiscalização como comprovados R$ 17.992.284,15, remanescendo R$ 6.276.585,27 exigidos a título de passivo fictício, por não restarem devidamente comprovados. Sobre este valores aduz o manifestante, não ter a fiscalização analisado os documentos trazidos aos autos, o que não merece prosperar. Portanto, correta a manutenção da exigência sobre o valor tido como não comprovado." A decisão, segundo penso, merece ser reformada nesse item. Isso porque a prática comercial e contábil adotada pela contribuinte, após esclarecida e comprovada, foi validada expressamente pela fiscalização e ratificada no laudo contábil apresentado. Não custa lembrar que aproximadamente 70% do valor considerado nesse item da autuação foi cancelado já em sede da primeira diligência, diligência esta que também certificou que a origem do passivo possui justificativa diante da sistemática de pagamentos adotada. A discussão, portanto, passou a girar em torno da efetiva comprovação da liquidação de 30% (correspondente a R$6.276.585,27) do montante originário tomado como base. É interessante notar, ainda, que a fiscalização teve por escopo, conforme relatado, a auditoria de passivo (operações de compras) no valor total de R$ 227.255.059,39. O valor que remanesce na discussão representa apenas 2,7% deste total, fato este que evidencia a regularidade da contabilidade da contribuinte, sugerindo que, na verdade, a controvérsia consistiria em face do conciliamento das informações bancárias com as contábeis. Outro ponto que chama atenção, e que parece dar sinais de que o problema, nesse caso, realmente teria sido de conciliação de valores (financeiro com contábil), e não de criação de passivo fictício propriamente dito, é o de que o universo de operações analisadas pela fiscalização (421 Notas Fiscais, conforme certificado nos autos) não contempla a totalidade das operações que lastreiam o período contábil tomado como parâmetro (559 Notas Fiscais, conforme registra e comprova o laudo). Fl. 4257DF CARF MF 18 O relatório (ou laudo) contábil que sequer mereceu uma página de consideração no relatório de diligência constitui, a meu ver, documento técnico importante para o desfecho da lide e sua conclusão deveria ter sido confrontada com a da autoridade diligenciante. De qualquer forma, o fato é que o laudo demonstra as 559 Notas Fiscais, que totalizam R$ 31.361.913,32 (soma das operações de aquisições dos fornecedores conhecidos e localizados na Zona Franca de Manaus), em quatro grandes grupos: (i) notas fiscais antecipadas por instituições financeiras; (ii) notas fiscais antecipadas por CDB; (iii) notas fiscais pagas diretamente pela Versalhes; e (iv) pagamentos efetuados por Versalhes relativos às antecipações efetuadas por CDB e instituições financeiras. Como anexos do laudo, foram preparados "dossiês" para cada uma das situações, dossiês estes compostos essencialmente pela relação dos valores envolvidos (analíticos e sintéticos), Registro de Entradas, Razão, Notas Fiscais e comprovantes financeiros. Essa prova produzida pela Recorrente, segundo penso, não só atesta que a prática comercial adotada é legítima e comum e que a e contabilidade é confiável, mas também que as diferenças apontadas não se sustentam em face de uma conciliação mais técnica. Não procede, ademais, a alegação de que se valeu a diligência fiscal na segunda diligência, segundo a qual os extratos relativos as operações contempladas no item "D" (relativo aos valores mantidos) não teriam sido apresentados, uma vez que a Recorrente comprovou que o referido laudo, além de fazer menção a estes documentos financeiros, anexou os extratos nos referidos dossiês. A título ilustrativo da dificuldade e equívoco da conciliação do fiscal, a Recorrente traz como exemplo, dentre outros, a operação de R$ 214.240,000 objeto da NF emitida em 08/10/2005 (fls. 3.312) pelo fornecedor Philips, demonstrando que realmente teria sido quitada no bojo de um pagamento global de R$ 4.415.389,47 feito pela CBD e posteriormente reembolsado pela contribuinte Versalhes. (fls. 4.005, itens 20 a 29), razão pela qual a fiscalização jamais encontraria individualização no extrato. Enfim, diante das provas produzidas pela contribuinte, entendo que restou demonstrada a validade do modelo de negócio e registros contábeis praticados, razão pela qual afasto a imputação de omissão de receita caracterizada por passivo fictício, cancelando as exigências decorrentes da "Ocorrência A". Ocorrência B: Glosa de custos por omissão de descontos (R$2.509.515,69) Esse item da autuação foi assim motivado no TVF (fls. 830): No mesmo período, os descontos concedidos pelos fornecedores (financeiro/propaganda/veiculação/outro), não foram identificados pelo Contribuinte em sua escrituração, nem esclarecidos em relação às diferenças entre os valores informados na listagem de pagamentos efetuados e os efetivos dispêndios. Tais valores somam a quantia de R$ 2.509.515,69. Fl. 4258DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 11 19 Mais adiante, ao indicar a legislação que daria suporte ao lançamento, o TVF e o Auto de Infração indicam os artigos 249, I, 251 e parágrafo único1, 289, 290, I e 293, todos do RIR/992. Do valor inicial considerado como base de cálculo deste item da autuação, a autoridade fiscal responsável propôs a redução de R$603.169,83, redução esta acatada pela DRJ com base na seguinte passagem do relatório de diligência: Resposta ao Quesito II: Tendo em vista tratar este quesito de ampliação da abrangência do quesito II da resolução anterior, analisamos a totalidade das operações objeto de autuação na denominada Ocorrência B, motivada por "omissão de descontos incondicionais ou abatimentos nos custos dos bens vendidos no valor de R$ 2.509.515,69." A autuação alcançou operações com sete fornecedores, cujo resultado das análises estão discriminadas nas planilhas respectivas apontadas adiante, anexas e parte integrante do presente relatório, onde as conclusões relatamos a seguir: LG Eletronics da Amazônia Ltda. Foram apresentados pelo contribuinte em sua impugnação os elementos relacionados na Planilha I, donde se conclui que as compras foram quitadas por instituição financeira junto ao fornecedor com obtenção de descontos e a Versalhes as liquidou pelo valor integral, levandonos à proposição de exoneração total do crédito constituído nesse caso. 1 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). 2 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Fl. 4259DF CARF MF 20 Electrolux da Amazônia Ltda. Foram apresentados pelo contribuinte em sua impugnação apenas os elementos relacionados na Planilha II, que correspondem a seis operações. Dessas, houve dois casos onde o pagamento foi feito pelo valor total da nota fiscal, devendo portanto ser exonerada a exigência e os outros quatro casos o contribuinte pagou com desconto, valores esses que deverão ser mantidos. O detalhamento encontrase na planilha referida. Envision Indústria de Produtos Eletrônicos Ltda. Foram apresentados elementos para todas operações objeto da autuação, porém a liquidação desses pagamentos pela Versalhes ocorreu de forma total em alguns casos, com desconto conforme autuação em outros, e com desconto inferior ao autuado em outros três casos, conforme detalhado na Planilha III. Philips da Amazônia Indústria Eletrônica Ltda. Foram apresentados pelo contribuinte em sua impugnação notas fiscais e consolidações de pagamentos, porem os únicos extratos bancários apresentados, às fls 1774 e 1782, são de titularidade da Companhia Brasileira de Distribuição, não havendo nenhum elemento que indique de que forma a Versalhes liquidou esses pagamentos. Sendo assim, não constam no processo elementos que justifiquem a exoneração do lançamento nesse caso. Videolar S/A Foram apresentados elementos para todas operações objeto da autuação, porém a liquidação desses pagamentos pela Versalhes ocorreu com desconto inferior ao autuado em seis operações, caso em que ocorrerá exoneração parcial do lançamento, e com o desconto objeto da autuação nas demais operações, casos em que o lançamento deve ser mantido. As operações e conclusões estão detalhadas na Planilha IV. Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda. Foram apresentados pelo contribuinte em sua impugnação apenas os elementos relacionados na Planilha V. Dessas, temos quatro casos onde o pagamento ocorreu com desconto inferior ao autuado, casos em que ocorrerá exoneração parcial do lançamento. Nos demais casos o contribuinte pagou com desconto, valores esses que deverão ser mantidos. O detalhamento encontrase na planilha referida. Gradiente Eletrônica S/A. Foram apresentados pelo contribuinte em sua impugnação notas fiscais e consolidações de pagamentos, porem o único extrato bancário apresentado, às fls 2177, são de titularidade da Companhia Brasileira de Distribuição, não havendo nenhum elemento que indique de que forma a Versalhes liquidou esses pagamentos. Sendo assim, não constam no processo elementos que justifiquem a exoneração do lançamento nesse caso. RESUMO. Fl. 4260DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 12 21 Resumindo os trabalhos referentes ao presente quesito, sintetizamos na tabela abaixo a apuração efetuada para cada fornecedor de que tratou a autuação referente à Ocorrência "B" apontando os valores com proposta de exoneração do lançamento: FORNECEDOR Valor com proposta de exoneração do lançamento LG Eletronics da Amazônia Ltda. R$ 101.395,74 Electrolux da Amazônia Ltda. R$ 46.951,26 Envision Industria de Produtos Eletrônicos Ltda. R$ 412.492,90 Philips da Amazonia Indústria Eletrônica Ltda. nihil Videolar S/A R$ 16.414,93 Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda. R$ 25.915,00 Gradiente Eletrônica S/A. nihil TOTAL R$ 603.169,83 A Recorrente pede o cancelamento integral do item. Aduz, preliminarmente, que houve erro de capitulação da infração, bem como que as operações foram comprovadas, razão pela qual não há que se falar em glosa. Nas suas palavras: "o próprio ponto de partida de raciocínio adotado pelo agente fiscal está errado, haja vista o disposto no artigo 373, do RIR/99, abaixo transcrito, para entender que os descontos financeiros obtidos NÃO DEVEM ser registrados como redutores de estoque, mas como receitas financeiras". Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). Pois bem. Ainda que descontos, sob o ponto de vista técnico, sejam passíveis de enquadramento enquanto redutores de receita, a meu ver isto não compreende o enquadramento da infração, bem como não impediu a devida compreensão da matéria efetivamente debatida, que é o direito ou não ao aproveitamento do efeito fiscal da exclusão dos valores na apuração do lucro real. A meu ver não é nulo o Auto de Infração quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal, como no caso. No âmbito do CARF, aliás, existem decisões nesse sentido. Vejase: NULIDADE DO LANÇAMENTO ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Seja a descrição fática quanto jurídica, e, assim, o Fl. 4261DF CARF MF 22 fundamento, o motivo ou a motivação se encontram claros, assim como os dispositivos legais e infralegais a eles correspondentes. Nesse quadro, a indicação da capitulação legal equivocada evidencia mero erro material. E disso não se divisa nenhum prejuízo ao direito de reação da RECORRENTE. Nulidade inexistente. (Acórdão n. 110300.207. Sessão de 19/05/2010). LANÇAMENTO FISCAL. ANOCALENDÁRIO 2006. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão n. 1802002.147. Sessão de 25/06/2014). No que diz respeito ao mérito, cumpre notar que os documentos colacionados pela Recorrente foram apreciados pela fiscalização, não havendo motivos para discordar da conclusão pela manutenção da exigência sobre a parcela considerada não comprovada após duas diligências fiscais. Ocorrência C: Devolução (R$ 91.423,98) A contribuinte alega, mas a meu ver não comprova com documentação hábil, que a operação de fato seria devolução. Esse fato também foi bem evidenciado pela autoridade fiscal responsável pela diligência. Vejase: [...]. O contribuinte não alega em nenhum momento que as mercadorias não foram devolvidas, ao contrário, discorre sua tese de defesa calçada na hipótese da ocorrência da devolução e por outro lado não apresentou nenhum elemento que sequer indique que as devoluções objeto da autuação foram consideradas na apuração do custo das mercadorias vendidas (CMV), limitandose a afirmar que os pagamentos pelas mercadorias devolvidas foram compensados em compras futuras, fato que em nada altera o CMV. Desse modo, propomos a manutenção integral dos valores lançados relativos à ocorrência "C". Nesse sentido, a manutenção integral dos valores lançados relativos à "ocorrência C" não merece reparo. Fl. 4262DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 13 23 Ocorrência D: Despesas não comprovadas (R$ 630.561,56) A glosa das despesas foi assim motivada no relatório de diligência: C Quesito III A fim de responder ao quesito III, analisamos a documentação acostada ao PAF, em especial a documentação indicada pela DRJ, de fls. 2142 a 2170, que fazem parte da impugnação ao auto de infração, e pudemos constatar que as operações de compra, objeto desse quesito, compõem compras de mercadorias referentes às notas fiscais n°s 2473, 2474, 2650, 44266 a 44270, 46190 e 48808, emitidas pelo fornecedor FUJI PHOTO FILM DA AMAZÔNIA LTDA, perfazendo o valor total de R$641.551,06. e agregadas ao custo pelo valor de R$630.561,56. Entretanto, é de constatação imediata de que essas mercadorias foram adquiridas pela CBD, destinadas a uma de suas filiais, conforme as notas fiscais acostadas às fls. 2149 a 2158 pelo próprio impugnante, nas quais, consta claramente a razão social da CBD, o endereço e o CNPJ da filial em questão. Sendo assim, a Versalhes ao registrar as mencionadas compras em seus registros contábeis, e , com isso, majorando os seus custos, procedeu irregularmente. No recurso voluntário a Recorrente novamente esclarece que a despesa teria sido incorrida no contexto de uma compensação de crédito que a CBD detinha com a Fujifilm, mas não comprova essa compensação com meio probatório adequado, como a demonstração clara da causa do pretenso negócio, correspondência de valores entre os registros das partes ou vinculação contratual, o que prejudica o direito à dedução fiscal. Para fins de apuração do lucro real, são dedutíveis as despesas que, não registradas como custo, sejam necessárias para o desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica e para a manutenção da respectiva fonte produtora. A regra geral para conferir dedutibilidade a determinado gasto é a de que ele deve ser usual ou normal no tipo de transação ou operação exigida pela atividade da empresa, além de ser passível de comprovação. Das orientações trazidas pelo RIR/99, notadamente o artigo 2993, concluise que não existe uma lista taxativa de despesas que são ou não dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, devendo a dedutibilidade ser aferida a partir da função da despesa no contexto das atividades desempenhadas pela pessoa jurídica. Nesses termos, para ser dedutível, a despesa deve ser usual e normal para a realização das transações exigidas pela atividade da empresa e devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos. 3 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 4263DF CARF MF 24 As pessoas jurídicas tributadas com base lucro real podem comprovar suas despesas dedutíveis por meio de qualquer documentação hábil e idônea, mas desde que fique claramente demonstrada a natureza da despesa, o beneficiário, a efetiva aquisição de bem e/ou serviço e o valor da operação, sob pena de tornar o dispêndio indedutível. Nesse caso concreto, todavia, entendo que o contribuinte não comprovou os requisitos da dedutibilidade das despesas, razão pela qual a glosa deve ser mantida. Exigência de multa na sucessão por incorporação Sobre o tema, cumpre observar que o STJ (1a Seção. Resp 923.012/MG), em julgamento ocorrido na sistemática dos recursos repetitivos, consolidou o entendimento favorável à imputação de multa na hipótese de sucessão. Vejase: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701). [...] 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 14 25 A matéria, aliás, encontrase sumulada desde 09/12/2015, com a aprovação da Súmula 554 do STJ, que assim dispõe: “na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão”. Nesse sentido, correta a aplicação da multa de ofício nesse caso concreto. Juros sobre multa de ofício A previsão de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está configurada no bojo do artigo 161, do CTN: “Artigo 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A análise desse dispositivo, notadamente a palavra “crédito”, deve ser feita levando em conta que o lançamento é ato que formaliza a exigência do valor do principal, juros e multa de ofício, passando esses valores a compor a obrigação tributária. O crédito tributário, pois, tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias. Isso não significa dizer que a referida norma equipare tributo a multa, afinal, por definição, tributo não tem natureza de sanção. A circunstância de o contribuinte ser imputado ao pagamento de multa não dispensa o pagamento do tributo apurado. Tanto o tributo quanto a multa decorrem de fatos previstos na lei e, por integrarem o crédito, estão sujeitos aos juros de mora. Esse é também o entendimento das duas Turmas do STJ, conforme se observa das ementas transcritas a seguir. “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (STJ. 2ª Turma. REsp 1.129.990/PR. Dje 01/09/09). “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA Fl. 4265DF CARF MF 26 DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (STJ. 1ª Turma. REsp 834.681/MG. Dje 02/06/10). Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A título ilustrativo, veja os seguintes julgados: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão CSRF 9101000.539. Sessão de 02/07/14). “Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício”. (Acórdão CSRF 9101001.474 Sessão de 26/09/12). “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Acórdão CSRF 9303002.399. Sessão de 15/08/13). Adotando essa linha jurisprudencial, considero legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, conforme artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar as exigências decorrentes do item 001 OMISSÃO DE RECEITAS dos Autos de Infração (Ocorrência "A": Passivo Fictício). É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 4266DF CARF MF Processo nº 19515.001893/201019 Acórdão n.º 1201001.977 S1C2T1 Fl. 15 27 Fl. 4267DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720058/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belém/PA, que julgou parcialmente procedente1 a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Sociais (“COFINS”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre seguinte fato: pela análise do DACON, demais documentos e informações prestadas pelo contribuinte, a Fiscalização entendeu que foram 1 Pelo valor exonerado estar abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n. 3 de 03/01/2008, não foi interposto recurso de ofício. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 05 8/ 20 14 -4 7 Fl. 7045DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 334 2 utilizados créditos indevidos na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativa, no importe R$ 3.999.005,68 e R$ 18.419.665,84, respectivamente, incluídos nesses valores multa proporcional de 75% e juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis (...) 2. Segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 11/26 foram apuradas as seguintes infrações: a) Apuração indevida de créditos originados de notas fiscais de terceiros, referentes a despesas que na verdade pertencem à tomadora dos serviços prestados pela impugnante e que foram objeto de reembolso, sendo o valor lançado na conta “recuperação de despesa nº 35210” e não oferecido à tributação. Intimada, a empresa não apresentou esclarecimentos ou documentos; b) Créditos apurados sem comprovação documental. Intimada, a empresa novamente não apresentou esclarecimentos ou documentos que sustentassem o aproveitamento dos créditos; c) A fiscalização verificou que a impugnante aproveitou em julho/2009 créditos referentes a notas fiscais emitidas em novembro e dezembro de 2008 e que já haviam sido utilizados nos respectivos períodos de apuração. Intimada a prestar esclarecimentos a impugnante de novo silenciou; d) A impugnante utilizou para abater as contribuições referentes aos períodos lançados, saldos credores de períodos anteriores que já haviam, segundo a fiscalização, sido consumidos até o PA janeiro/2009, nada restando para os seguintes. O contribuinte foi cientificado de tal fato e intimado a apresentar esclarecimentos, através do termo de verificação e intimação fiscal de 05/09/2013, não apresentando qualquer esclarecimento ou documento. e) Complementa a fiscalização: (...) 68. Não existe a figura do crédito de PIS e COFINS nãocumulativo extemporâneo. O crédito é informado no período da aquisição do bem ou serviço utilizado como insumo, e, através da ficha 14 (PIS) e 24 (COFINS), o saldo não utilizado em um determinado período (linha 14: saldo remanescente) é transferido para o período seguinte a título de saldo de créditos de períodos anteriores (linha 01).” 3. Cientificada em 24.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 26.03.2014, impugnações de mesmo teor, uma para o PIS/Pasep e outra para a Cofins, nas quais apresenta as alegações abaixo. a) Nulidade em função de erro na capitulação da infração; (...) Ora, se houve o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS que não são devidos, como descrito na infração capitulada, a lógica seria a simples glosa do valor desses créditos, reduzindose o saldo credor acumulado das contribuições, sem a cobrança do débito de PIS/COFINS apurado nesses períodos e sem a cobrança da multa de ofício de 75%. Por outro lado, se inexiste saldo credor acumulado, essa informação deveria ter sido explicitada na tabela de apuração do PIS/COFINS, mas isso não Fl. 7046DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 335 3 foi feito na Tabela 02 Anexa ao Termo de Constatação, impossibilitando que a Impugnante tenha conhecimento de forma como foi apurado o montante exigido na autuação.” b) “Decadência do crédito tributário consubstanciado no auto de infração, relativo aos créditos de PIS/COFINS anteriores a 24.2.2009”; c) Relativamente à glosa dos créditos sobre despesas recuperadas, a empresa alega que não poderia ser feita em virtude da mesma já haver estornado de forma espontânea os referidos créditos. (...) d) Ainda na mesma infração, procura demonstrar através de planilhas e de extratos do Razão o estorno dos créditos e, em seguida, defende o direito ao crédito sobre as citadas despesas: (...) e) Na segunda infração, referente à glosa de créditos por falta de comprovação, argumenta que o simples fato de ter deixado de apresentar todas as notas ficais exigidas pela fiscalização no curso da ação fiscal não justifica a glosa, uma vez que é possível comprovar as despesas por outros meios, citando como exemplo os comprovantes de pagamento e entrada. (...) f) Relativamente à terceira infração apontada utilização de créditos referentes a períodos anteriores e já utilizados nos períodos correspondentes – aduz que (...) embora a DACON esteja preenchida de forma equivocada, com base na documentação fiscal e contábil da Impugnante faturas, notas fiscais de entrada e de saída e livro razão notadamente analisandose as contas específicas do seu balanço/plano de contas em que estão registrados os créditos e débitos de PIS/COFINS, verificase que não houve qualquer creditamento em duplicidade.” g) Na quarta infração (saldos credores de períodos anteriores já utilizados), a impugnante, alega que (...) 75. Com base em todos esses precedentes devese, no caso concreto, prestigiar o princípio da verdade material, inclusive por meio de conversão do feito em diligência, para se ratificar a existência de saldo de crédito a suportar a redução de base de cálculo realizada nesse período, reconhecendose a insubsistência da glosa pretendida no auto de infração.” h) Aponta ainda a impossibilidade da aplicação da multa de ofício, uma vez que a ação fiscal trata unicamente de glosa de créditos e não constituição de crédito tributário; i) Reclama também da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; j) Ao final, requer: (...) que sua impugnação seja acolhida, com a declaração de nulidade ou de improcedência do auto de infração; (...) protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, notadamente por meio de juntada de prova documental suplementar e da realização de diligência, ocasião em que desde já nomeia como sua assistente técnica (...). Fl. 7047DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 336 4 Antes do julgamento em primeiro grau, o processo foi baixado em diligência para que se confirmasse a validade e a aptidão de gerar crédito de 4 notas fiscais (Metalpier nº 2403; Semetre nº 1231; Hojura nº 23 e Halliburton nº 1649). Em sua resposta (Relatório de fls. 1015/1020), a Fiscalização afirmou que ficou constatado que a despesa/custo representada pelas notas fiscais não foram comprovadas como sendo necessária a atividade operacional da impugnante, “sendo mantida a glosa do referido dispêndio.” Sobreveio então o Acórdão 0131.863, da 3ª Turma da DRJ/BEL, julgando parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA. DESPESAS RESSARCIDAS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. Tanto a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS/Pasep), quanto a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), são claras ao prever o direito ao crédito calculado, dentre outros, sobre os valores de bens adquiridos para revenda ou de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso presente nenhuma das hipóteses ocorreu, não tendo a empresa incorrido em despesa para aquisição de bens a serem revendidos ou para a prestação de serviços, inexistindo, portanto, direito ao crédito. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA. DESPESAS RESSARCIDAS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. Tanto a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS/Pasep), quanto a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), são claras ao prever o direito ao crédito calculado, dentre outros, sobre os valores de bens adquiridos para revenda ou de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso presente nenhuma das hipóteses ocorreu, não tendo a empresa incorrido em despesa para aquisição de bens a serem revendidos ou para a prestação de serviços, inexistindo, portanto, direito ao crédito. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração Fl. 7048DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 337 5 seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. Os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, cancelando os créditos tributários nos valores de R$ 3.379,21 (PIS/Pasep) e R$ 15.564,86 (Cofins), ambos do PA 08/2009, referente às notas fiscais 23 HOJURA ASBUILT 3D LTDA e 1649 HALLIBURTON, revertendose a glosa de créditos. Irresignada, a contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 1267 – 1303, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento tributário, além de apontar nulidade da decisão a quo por cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não foram analisadas as provas e argumentos trazidos em sede de impugnação. O caso veio para julgamento deste Conselho em 26 de abril de 2016, gerando a Resolução n. 3402000.781, para a produção de perícia, como requer o artigo 18 caput do PAF, bem como o artigo 464, §1º, inciso II e III do Novo Código de Processo Civil, no sentido da conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão, especialmente: i) a existência de saldos credores desconsiderados pela Fiscalização quando do lançamento tributário; ii) a efetividade dos estorno dos créditos mencionados no item III.1 do termo de constatação fiscal; iii) existência de documentação suficiente para sustentar o direito aos créditos mencionados no item III.2 do termo de constatação fiscal; iv) a ocorrência ou não de créditos utilizados em duplicidade, inexistentes ou prescritos, postos nos itens III.3 e III.4 do termo de constatação fiscal. Assim, foi juntado aos autos o laudo da Fiscalização de fls 1407 a 1467, respondendo todos os quesitos formulados. Entretanto, contrariando um dos itens requeridos por este Colegiado por meio da Resolução n. 3402000.781, não foi feita a intimação da Recorrente acerca do conteúdo do laudo pericial (vide despacho de fls 6805), mas sim a imediata devolução dos autos para o CARF dar prosseguimento ao julgamento. Por essa razão, em 30 de agosto de 2017 este Colegiado, por meio da Resolução n. 3402001.037, determinou a abertura de vista para possibilitar o contraditório da Recorrente, que, a seu turno, trouxe aos autos a petição de fls 6838 a 6869. Nesse arrazoado, a Recorrente pugna pela nulidade da perícia, uma vez que (i) efetuada pelo mesmo auditor fiscal que lavrou o auto de infração; (ii) ter sido elaborada sem sua participação; (iii) conter erro de metodologia, pois baseiase no DACON e não nos demais documentos que deveriam ser analisados; (iv) não avaliar toda a documentação oferecida e alterar o critério jurídico para manter as glosas perpetradas no lançamento tributário. Reafirma a existência de decadência in casu bem como o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, ratificando seu recurso voluntário. Conclui sua manifestação requerendo a decretação de nulidade do auto de infração ou, subsidiariamente, a complementação do laudo de acordo com os elementos trazidos pela Perita/assistente técnica da Recorrente, ou ao menos que o Perito seja intimado a se manifestar expressamente sobre os itens III.2., III.4., III.5. e III.7 de sua manifestação. É o relatório. Fl. 7049DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 338 6 Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme se depreende do relato acima, o presente processo foi objeto da Resolução n. 3402000.781, por meio da qual se buscava elementos suficientes para alcançar o devido entendimento a respeito dos fatos sob contraditório. Permanecese sem todos esses elementos. Isto porque o laudo pericial apresentado aos autos está incompleto em alguns pontos. Explico. A autuação fiscal versa sobre infrações relativas a (i) créditos sobre despesas reembolsadas; (ii) créditos não comprovados documentalmente; (iii) créditos em duplicidade; (iv) créditos e saldo credor prescritos ou inexistentes; No que tange aos créditos não comprovados documentalmente, o quesito 5 e o quesito complementar i.3. do pedido de perícia requeriam que fossem analisadas as notas fiscais apresentadas pela Contribuinte, para certificar a existência de documentação suficiente para sustentar o direito aos créditos mencionados no item III.2 do termo de constatação fiscal. Dando cumprimento à requisição deste Colegiado, o perito da União segregou as notas fiscais em cinco grupos (fls 1.455 a 1.457): a) documentos analisados pela DRJ e cujo crédito já fora concedido; b) documentação apresentada foi suficiente para comprovar o crédito; c) documentação cujo cópia apresentada está ilegível; d) documentação não identifica se o custo é necessário; e) documentação não identifica o navio ou o contrato. Ocorre que, ao efetuar esse trabalho, o laudo pericial não abarcou todas as notas fiscais que constam da autuação. Com efeito, sobre esse item o auto de infração apresenta 65 notas fiscais (fls 17 e 18), enquanto o laudo pericial tratou de 51 notas, muito embora a integralidade tenha sido disponibilizada para análise. Assim, é necessária a complementação da perícia, para que sejam examinadas, nos moldes requeridos pela Resolução n. 3402000.781, as seguintes notas fiscais: Fl. 7050DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 339 7 Outrossim, as notas alocadas pelo perito como "d) documentação não identifica se o custo é necessário", foram desconsideradas porque "não foi apresentado o contrato no vernáculo oficial, fato que impediu a análise". Tratase unicamente do contrato firmado entre a Recorrente e terceira empresa, que gerou os custos que dariam direito ao crédito, uma vez que as notas fiscais já se encontravam à disposição para a perícia. Todavia, a Recorrente não havia sido intimada para a apresentação de tal documento, tendo apresentadoo espontaneamente em fls 6873 a 6981. Por essa razão, igualmente merece complementação a perícia para que o citado contrato (fls 6873 a 6981) possa compor a perícia realizada, dirimindo a controvérsia sobre o direito ao crédito em questão. Finalmente, contatase que com relação aos créditos que teriam sido tomados sobre despesas reembolsadas, pela análise do DACON, a Fiscalização entendeu que não foram efetivados estornos pela Recorrente. Todavia, a assistente técnica, em seu laudo produzido à pedido da Recorrente (fls 6770 a 6778), com base em sua contabilidade, identificou os referidos estornos de crédito. Ademais, tal laudo da assistente técnica demonstra que o saldo credor que a Recorrente possuía era suficiente para não ter débito nenhum a ser exigido no período em questão, mesmo se fossem procedentes as infrações apontadas no auto de infração. Dessarte, aproveitando a oportunidade de dar maior efetividade ao contraditório, bem como lapidar a prova técnica que vem sendo efetivada no presente processo tendo sempre em vista o dever de cooperação de todas os sujeitos que participam do processo (artigo 6º do Novo Código de Processo Civil), na busca de uma solução de mérito justa e efetiva , cumpre que também haja uma complementação do laudo do Perito da União de acordo com os elementos trazidos pela assistente técnica da Recorrente, manifestandose o Perito da União Fl. 7051DF CARF MF Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402001.260 S3C4T2 Fl. 340 8 expressamente sobre os itens III.2., III.4., III.5. e III.7 da manifestação apresentada pela Recorrente (fls 6838 a 6869), com base no laudo de fls 6770 a 6778 e a documentação que o sucede. Assim, voto por converter novamente o processo e diligência, nos termos do artigo 18 caput do PAF, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, deve o perito responsável pela elaboração do laudo de fls 1407 a 1467, complementálo, no seguinte sentido: i) analisar as 14 notas fiscais faltantes, destacadas na tabela acima. ii) com relação à "d) documentação não identifica se o custo é necessário", refazer a sua análise, tendo agora como elemento o contrato de fls 6873 a 6981. iii) manifestarse expressamente sobre os itens III.2., III.4., III.5. e III.7 da petição apresentada pela Recorrente (fls 6838 a 6869), com base no laudo de fls 6770 a 6778 e a documentação que o sucede. iv) depois de efetivadas tais providências, seja aberta vista dos autos à Recorrente e à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, querendo, manifestemse sobre a complementação da perícia. É como voto. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 7052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904810/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.290
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 81 0/ 20 11 -7 8 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904810/201178 Resolução nº 3402001.290 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.031, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904810/201178 Resolução nº 3402001.290 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904810/201178 Resolução nº 3402001.290 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904810/201178 Resolução nº 3402001.290 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904810/201178 Resolução nº 3402001.290 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002036/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E CONFINS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA.
1. Ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tenha característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação, desde a vigência da redação originária, foi viabilizada com a edição da Instrução Normativa SRF 636/2006, cujo art. 5º previu, além da sua entrada em vigor a partir da data da sua publicação, a produção de efeitos a partir de 1º de agosto de 2004 (fato incontroverso).
2. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito adquirido dos contribuintes à fruição do benefício do citado regime suspensivo a partir de 1º de agosto de 2004.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Ávila e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E CONFINS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. Ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tenha característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação, desde a vigência da redação originária, foi viabilizada com a edição da Instrução Normativa SRF 636/2006, cujo art. 5º previu, além da sua entrada em vigor a partir da data da sua publicação, a produção de efeitos a partir de 1º de agosto de 2004 (fato incontroverso). 2. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito adquirido dos contribuintes à fruição do benefício do citado regime suspensivo a partir de 1º de agosto de 2004. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Ávila e José Renato Pereira de Deus.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 500 1 499 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.002036/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.282 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MBL ALIMENTOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E CONFINS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. Ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tenha característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação, desde a vigência da redação originária, foi viabilizada com a edição da Instrução Normativa SRF 636/2006, cujo art. 5º previu, além da sua entrada em vigor a partir da data da sua publicação, a produção de efeitos a partir de 1º de agosto de 2004 (fato incontroverso). 2. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito adquirido dos contribuintes à fruição do benefício do citado regime suspensivo a partir de 1º de agosto de 2004. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 20 36 /2 00 9- 27 Fl. 500DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Ávila e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os Autos de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 04 a 15) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 16 a 27), conforme demonstrativos abaixo: [...] Os Autos de Infração acompanhados dos respectivos termos, demonstrativos e anexos (fls. 28 a 257) relatam as seguintes ocorrências: Falta/Insuficiência de Recolhimento de PIS e Cofins (Faturamento). Incidência nãocumulativa. O contribuinte suspendeu o pagamento do PIS e da Cofins do período de 01/2005 a 03/2006, em virtude do art. 9° da Lei n° 10.925, de 23/07/2004, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.051, de 29/12/2004, in verbis: [...] Conforme documentação de fls. 28 a 31, o contribuinte foi intimado, nos seguintes termos: 1 confirmar os valores das Receitas/Créditos/Pagamentos constantes do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS/COFINS com base nos valores das Receitas e dos Créditos obtidos no Demonstrativo de Apurações de Contribuições Sociais (DACON) entregue pelo contribuinte Anexo 01. 2 prestar os esclarecimentos em relação a FALTA DE REGULARIZAÇÃO dos recolhimentos dos débitos de PIS/COFINS do período de 01/2005 a 03/2006 após a ciência da Solução de Consulta. Em resposta à intimação (fls. 33 a 34), o contribuinte alegou que "o art. 17 da Lei n° 10.925/2004 determinou que o art. 9° passaria a produzir efeitos a partir de 01/08/2004". Manifestou também o entendimento de que “a norma é autoaplicável e independe de qualquer regulamentação para sua aplicação”, Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 501 3 razão pela qual passou a não recolher as mencionadas contribuições sociais. Quanto aos valores apurados com base nos Demonstrativo de Apurações de Contribuições Sociais (DACON) apresentados pelo contribuinte, do período de 01/2005 a 03/2006, cujo demonstrativo seguiu anexo ao Termo de Intimação de fls. 28 a 31, não houve manifestação do contribuinte. Segundo a fiscalização, a suspensão nas vendas, tratadas no art. 9°, § 2°, da Lei n° 10.925, de 2004, dependia do estabelecimento dos termos e condições pela Secretaria da Receita Federal e essa regulamentação ocorreu apenas com o advento da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24 de março de 2006 (D.O.U. de 04/04/2006), posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006 (D.O.U. de 25/07/2006), abaixo transcrita: [...] Assim, por entender que a suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS e da Cofins, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, é aplicável somente a partir de 04 de abril de 2006, conforme dispõe o art. 11, inc. I, da IN SRF n° 660, de 2006, a autoridade fiscal houve por bem efetuar o lançamento das contribuições apuradas no período de 01/2005 a 03/2006. II DA IMPUGNAÇÃO Cientificado por via postal das autuações em 02/04/2009 (fls. 257), o interessado apresentou, em 30/04/2009, a impugnação (fls. 350 a 361) e documentos anexos, para alegar o que se segue: Inicialmente, discorre sobre a sua atividade e afirma que é sociedade anônima, tendo como atividade principal a criação de suínos, conforme atesta seu estatuto social. Informa que, nos termos do artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 com alterações introduzidas pela Lei n° 11.051/2004, suspendeu os recolhimentos do PIS e da Cofins em suas vendas. Alega que não pode prevalecer o entendimento da Delegacia da Receita Federal de que a empresa só possuía o direito de suspender tal recolhimento a partir de abril de 2006, pois o art. 17 da Lei n° 10.925/2004 previu a entrada em vigor da referida suspensão a partir de 1° de agosto de 2004, in verbis: Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1° de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei;[...] A seguir, reitera que as alegações trazidas pela fiscalização não procedem, argumentando, nestes termos: Fl. 502DF CARF MF 4 A lei é o fundamento da faculdade do Poder Executivo de regulamentar, esta é a premissa que deve nortear a análise da presente impugnação. No ordenamento jurídico pátrio as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal sujeitamse ao princípio da legalidade, só podendo surgir com a finalidade específica de trazer elementos diferenciais que eventualmente tenham o condão de executar alguma lei. Cita ainda o art. 37 da Carta Magna destacando o princípio da legalidade, afirmando que a Administração Pública deve se submeter aos estritos termos da Lei, quando da edição de instruções normativas em respeito a esse princípio. E continua apresentando os seguintes argumentos, a seguir sintetizados: a) De acordo com a pirâmide jurídica a Instrução Normativa está abaixo da Lei, não podendo abrogála, nem modificála, submetendose às disposições legais e inspirandose em suas diretivas, sem as contrariar e muito menos tirarlhes a validade. b) A Instrução Normativa n° 660/2006 regulamentou os artigos 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925/2004, e a sua invocação/aplicação não trouxeram novos elementos imprescindíveis à aplicação daquela lei. c) É incontroverso que a norma encontravase válida, posta no ordenamento jurídico e não prescindia de qualquer novo elemento operacional que dependesse de normatizacão o que aliás se comprovou com o próprio advento da Instrução Normativa. Ademais, consoante já indicado, a lei expressamente colocou em vigência imediata o art. 9° da Lei n° 10.925/2004. d) Os procedimentos adotados pela empresa se coadunam com a legislação que previu a suspensão do recolhimento do PIS e da Cofins, e não extrapolam em momento algum os termos lá estabelecidos, o que inclusive pode ser verificado no auto de infração, uma vez que a fiscalização não fundamenta a exigência em descumprimento da lei. e) Embora o I. Agente Fiscal afirme que a suspensão só poderia ser aplicada depois da edição da Instrução Normativa, também não indica a infração de qualquer ato em desacordo com a Instrução Normativa, em que nada resta a concluir senão que a suspensão dos recolhimentos realizados pelo contribuinte estão em perfeita harmonia com a prescrição legal. f) Da análise do art. 2° da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regulamentou o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, encontramse os princípios norteadores do processo administrativo, dentre eles, o princípio da finalidade. A devida aplicação desse princípio acaba por afastar e tornar nulo o auto de infração, uma vez que a autuação diverge da finalidade, pois a empresa foi autuada mesmo seguindo os estritos termos da lei, não desrespeitando em momento algum os limites lá estabelecidos. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 502 5 g) A presente exigência além de desrespeitar o princípio da legalidade fere o princípio do não confisco, uma vez que pretende a fiscalização a cobrança de tributo contrário ao que prevê a legislação, que garante o seu não recolhimento, o que leva ao enriquecimento ilícito do Fisco. Ao fim, requer seja julgada procedente a impugnação, declarando a nulidade dos autos de infração, bem como seja julgado improcedente o lançamento de débito, remetendose o processo ao arquivo. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO PIS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. A suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS/Pasep, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, aplicase somente a partir de 4 de abril de 2006, conforme dispõe o art. 11, inc. I, da IN SRF n° 660, de 2006. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA COFINS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. A suspensão da exigibilidade da contribuição da Cofins, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, aplicase somente a partir de 4 de abril de 2006, conforme dispõe o art. 11, inc. I, da IN SRF n° 660, de 2006. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 504DF CARF MF 6 Em 14/4/2015, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformado, em 14/5/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 463/478, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide compreende questões preliminar e de mérito. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade das autuações, sob o argumento de que não fora indicada a legislação por ela descumprida, nem indicados os motivos específicos do lançamento, consoante prescreve o princípio administrativo da motivação, vinculado ao princípio da legalidade. No caso, diferentemente do alegado pela recorrente, consta da descrição dos fatos integrante das presentes autuações tanto o preceito normativo infringido pela recorrente, quanto o motivo das autuações. Com efeito, a leitura das peças de autuação revela que o motivo do lançamento foi a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período de 01/2005 a 03/2006, com infração ao disposto no art. 11, I, da Instrução Normativa SRF 660/2006, que determinava que a referida suspensão somente ocorreria a partir de 4 de abril de 2006. Além disso, nas peças defensivas colacionados aos autos, a recorrente demonstrou pleno conhecimento do motivo das autuações e do comando normativo infringido, o que é suficiente para infirmar qualquer imputação de afronta ao seu direito de defesa que, aliás, foi adequadamente exercido. Assim, como os referidos autos de infração atendem os demais requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972, fica afastada qualquer imputação de ilegalidade ou mácula que possa compromenterlhes a higidez e legitimidade. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Em relação ao mérito, o ponto fulcral da controvérsia cingese definição do termo inicial de vigência do regime de suspensão da exigibilidade das citadas contribuições, instituído pelo art. 9° da Lei 10.925/2004, cuja redação originária tinha o seguinte teor, in verbis: Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 503 7 atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifos não originais) Em seguida, a Lei 11.051/2004 deu ao referido preceito legal a seguinte redação: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8odesta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Em face do disposto em ambos os preceitos legais em destaque, por entender que referido preceito legal tinha eficácia limitada, a autoridade fiscal concluiu que a fruição do benefício advindo do referido regime suspensivo somente poderia ocorrer a partir de 4 de abril de 2006, data da vigência da Instrução Normativa SRF 636/2006, que estabeleceu, em caráter inaugural, os termos e condições para a implementação do regime em comento. Inclusive, essa data foi expressamente reafirmada no art. 11, I, da Instrução Normativo SRF 660/2006, a seguir reproduzido: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e Fl. 506DF CARF MF 8 [...] Por sua vez, baseada no entendimento de que a norma veiculada pelo art. 9º da Lei 10.925/2004 era autoaplicável, a recorrente alegou que o citado regime suspensivo teve plena eficácia desde de 1º de agosto de 2004, data que entrou em vigor, nos termos do art. 17 do citado diploma legal. E com base nesse entendimento, a recorrente suspendeu o recolhimento das contribuições calculadas sobre as receitas de vendas realizadas no período de janeiro de 2005 a março de 2006, objeto das presentes autuações. Com base nesses breves esclarecimento, resta demonstrado que a presente lide diz respeito a cobrança das contribuições, cujos fatos geradores ocorreram no período de janeiro de 2005 a março de 2006. No caso, ao atribuir à RFB a competência para estabelecer os termos e condições do regime suspensivo em comento, tanto o teor da redação originária, quanto o teor da nova redação dada ao art. 9º da Lei 10.925/2004, revela que a plena eficácia do regime prescindia da edição de norma complementar a ser editada pela RFB. Assim, dada essa característica, inequivocamente, a referida norma não era autoaplicável, como alegou a recorrente, mas de eficácia limitada. E a complementação exigida pelo referido preceito legal somente ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF 636/2006, que entrou em vigor em 4 abril de 2006, data da sua aplicação, porém, com efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004, ou seja, a partir da vigência da redação originária do art. 9° da Lei 10.925/2004, conforme estabelecido no seu art. 5º, a seguir transcrito: Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Em seguida, a matéria passou a ser disciplinada pela Instrução Normativo SRF 660/2006, que não só revogou a Instrução Normativa SRF 636/2006, como estabeleceu, no inciso I do seu art. 11, anteriormente transcrito, que o regime suspensivo em apreço somente produziria efeitos a partir de 4 de abril de 2006, data da vigência e publicação da Instrução Normativa revogada. Diante desses fatos, duas questões precisam ser esclarecidas. A primeira, se a RFB tinha competência para atribuir efeitos retroativos aos termos e condições estabelecidos na Instrução Normativa SRF 636/2006, para plena eficácia do regime suspensivo instituído pelo art. 9º da Lei 10.925/2004. E como se trata de condições para eficácia de preceito normativo que beneficia o contribuinte, não se vislumbra qualquer óbice quanto a atribuição de efeitos pretéritos aos comandos normativos veiculados pela citado diploma normativo que, inequivocamente, tem natureza estritamente regulamentar da norma jurídica vigente instituidora do citado regime de suspensivo. A segunda, se a RFB poderia alterar, para reduzir, o prazo de eficácia dos efeitos atribuídos pela Instrução Normativa revogada, especialmente, tendo em conta que a Instrução Normativa revogadora visou apenas corrigir ou complementar as condições para fruição do regime suspensivo. Além disso, induvidosamente, tratase de norma que restringe direitos do contribuinte anteriormente assegurados pelo ato normativo revogado. Dadas essas condições, há no ordenamento jurídico do País disposições constitucionais e legais que, expressamente, vedam o efeito retroativo pretendido pelo no art. 11, I, da Instrução Normativo SRF 660/2006, a exemplo, do art. 5º, XXXVI, que assegura a todos que a lei nova não poderá prejudicar o direito adquirido. Ademais, em relação ao assunto, Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 504 9 dispõe o art. 1º, § 4º, do Decretolei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro) que as “correções a texto de lei já em vigor consideramse lei nova”. E como se trata de lei nova, ou melhor, como se trata de nova Instrução Normativa, na parte que ela inovou, a sua eficácia darseia somente a partir da sua vigência, ocorrida com a publicação do citado ato. Não se pode olvidar, ademais, que na seara tributária, a lei só pode retroagir nas situações, expressamente, elencadas no art. 106 do CTN, o que não se enquadra a alteração introduzida pelo art. 11, I, da Instrução Normativo SRF 660/2006. Além disso, se adotado o entendimento esposado pela autoridade fiscal e mantido pelo órgão de julgamento de primeiro grau, certamente, o princípio da segurança jurídica restaria afrontado. Com base nessas considerações, de cunho estritamente jurídico, não resta dúvida que o inciso I do art. 11 da Instrução Normativo SRF 636/2006 não poderia atribuir efeitos normativos pretéritos aos fatos jurídicos consolidados sob a égide da IN revogada. Dado esse contexto jurídico, no caso, entendese cabível a suspensão da exigibilidade da cobrança das referidas contribuições para os fatos geradores ocorridos no período de 01/08/2004 a 03/04/2006, desde que atendidas as condições estabelecidas no referido ato normativo revogado. No mesmo sentido, porém, por razões ligeiramente distintas, foi a conclusão esposada pelo nobre Conselheiro Rosaldo Trevisan no voto condutor do Acórdão nº 3403 003.507, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Novamente abstraindose dos demais requisitos estabelecidos no artigo, não é difícil concluir que o comando do § 2o afirma que a norma seria aplicável segundo os termos e condições que ainda seriam estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Nenhuma sombra de autoaplicabilidade em qualquer dos comandos legais. Contudo, a então Secretaria da Receita Federal SRF (hoje RFB) publicou a norma regulamentar em abril de 2006: a IN SRF no 636/2006, como revela sua própria ementa, “dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos”. E para esclarecer ainda mais o objetivo da norma infralegal, seu art. 1o logo avisa: “esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8o, 9o e 15 da Lei no 10.925, de 2004”. Mais claro impossível. E a suspensão foi disciplinada (atendendo ao comando legal) no art. 2o da IN: [...] Como o art. 5o da IN SRF no 636/2006 estabelece que a norma entrava em vigor na data de sua publicação (04/04/2006), mas produzia efeitos retroativos a 01/08/2004, a partir da edição da IN SRF no 636/2006 era perfeitamente aplicável a suspensão, sem qualquer limitação, inclusive em relação às operações Fl. 508DF CARF MF 10 anteriores a sua vigência: esse era o desejo inequívoco da própria Receita Federal. Mas, em 25/07/2006, a IN SRF no 636/2006 foi revogada pela IN SRF no 660/2006, que deu tratamento mais detalhado à suspensão, em seus arts. 2o, 3o e 4o. Merece destaque, para nossa análise, o texto do art. 11 da IN SRF no 660/2006: [...] Confesso que tenho extrema dificuldade em fazer a leitura que a fiscalização fez do art. 11. O art. 11 não está a dizer que a suspensão só é aplicável a partir de 04/04/2006 (e nem poderia, porque a IN SRF no 636/2006 já havia retroagido a 01/08/2004 sua aplicação). Está a dizer tão somente que a IN SRF no 660/2006 (“esta Instrução Normativa”), em relação à nova disciplina que deu à suspensão, mais detalhada, produz efeitos a partir de 04/04/2006. De 01/08/2004 e 03/04/2006 aplicouse a IN SRF nº 636/2006. Entender o contrário seria como cambalear na insegurança jurídica de Instruções Normativas que retroagem e depois “desretroagem” a aplicação de comandos legais, o que beira ao absurdo. Imagine a situação: o contribuinte cumpre norma vigente editada pela Receita Federal e, meses depois, com a edição de nova norma (que revoga a anterior), descobre que deveria ter agido de acordo com a segunda norma no período em que ela nem era vigente. É exigir o poder de clarividência do contribuinte. Voltando à juridicidade, temse que a Lei fixou caso de suspensão, condicionado a termos e condições estabelecidos pela Receita Federal. E a Receita Federal disciplinou especificamente o artigo que tratava da suspensão, tornandoo aplicável. E mais, retroagiu a norma disciplinadora infralegal à data de produção de efeitos da Lei (01/08/2004), chancelando a utilização da suspensão por quem já a entendia autoaplicável (o que não é o caso deste julgador, mas parece ser o caso da recorrente). Em suma, a nosso ver o art. 9º da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela SRF. Mas a SRF, ao regulamentar a matéria em abril 2006 (IN SRF nº 636/2006), permitiu a suspensão retroativamente a agosto de 2004. É certo que a Receita Federal acabou criando um problema para ela própria, que parece ter tentado resolver na IN SRF nº 660/2006 (que possivelmente buscava “desretroagir” a retroação da IN SRF no 636/2006). Mas o fenômeno que ocorreu entre a IN SRF nº 660/2006 e a IN SRF no 636/2006 foi o da revogação (como literalmente esclarece o art. 12 da primeira), e não o da “anulação” (ex tunc). Por mais que a IN SRF nº 636/2006 tenha sido revogada, é inegável que ela produziu, antes da revogação, efeitos jurídicos, que não podem ser ignorados. Em outras palavras, a IN SRF nº 636/2006 não foi anulada por vício ou ilegalidade; ela foi revogada por conveniência da Administração. Assim, não há como desconstituir relações advindas sob sua égide. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 505 11 Sem sair da juridicidade, mas voltando ao caso analisado nestes autos, percebese que incorreu em interpretação equivocada a fiscalização, ao não admitir a suspensão no período de 01/08/2004 a 03/04/2006, invocando o art. 11 da IN SRF nº 660/2006. As operações efetuadas a partir de agosto de 2004, como disse anteriormente, a meu ver, não deveriam ser contabilizadas com a suspensão a que se refere o art. 9º da Lei no 10.925/2004, mas a IN SRF nº 636/2006, editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente o art. 9º o permitiu. E a edição da IN SRF nº 660/2006 não afastou a retroatividade estabelecida pela IN SRF nº 636/2006, mas tão somente revogoua. Assim, cabível a suspensão para o período de 01/08/2004 a 03/04/2006, e afastada se torna a motivação da autuação nesse tópico.1 Da mesma forma, decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento Recurso Especial (REsp) nº 1.160.835, cujo enunciado da ementa segue transcrito: TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. SÚMULA 284/STF. PIS/COFINS. SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. Não se conhece de Recurso Especial em relação a ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Hipótese em que se discute a data a partir da qual passou a ter eficácia o benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins, previsto no art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. O Tribunal de origem entendeu que o termo seria 30.12.2004 (publicação da Lei 11.051/2004). 3. O Fisco aponta ofensa ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, que remeteria o termo inicial do benefício à regulamentação. Defende a suspensão da incidência a partir de 4.4.2006, data prevista na IN SRF 660/2006 (argumento principal). 4. Também indica violação do art. 34, II, da Lei 11.051/2004. Sustenta que a suspensão da exigibilidade não poderia ter eficácia antes de 1º.4.2005, conforme previsto nesse dispositivo legal (argumento subsidiário). 5. O art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, faz referência aos "termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF", para fins de aplicação do benefício fiscal. A Fazenda defende que este benefício, portanto, é previsto por norma de eficácia limitada, a depender da disciplina pela SRF para sua aplicação. 1 BRASIL. CARF. Acórdão nº 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015. Fl. 510DF CARF MF 12 6. A primeira Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal que regulou a matéria foi a IN SRF 636, publicada em 4.4.2006. Seu art. 5º previa o início de vigência retroativamente, a partir de 1º.8.2004, data prevista consoante o art. 17, III, da Lei 10.925/2004 como termo inicial do benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins. 7. A IN SRF 636/2006 não tem, por si só, o condão de infirmar o acórdão recorrido, pois, logicamente, o confronto dessas duas normas (IN SRF 636/2006 e Lei 11.051/2004) permite apenas reconhecer o benefício a partir de 30.12.2004 (data mais recente, entre o início de eficácia da IN SRF 636/2006 1º.8.2004 e o da Lei 11.051/2004 ? 30.12.2004), como decidiu o Tribunal a quo. 8. A Fazenda Nacional defende que a posterior IN SRF 660, publicada em 25 de julho de 2006, revogou a IN SRF 636/2006 (publicada em 4.4.2006, previa o início de eficácia retroativamente, a partir de 1º.8.2004) e acabou com a previsão de retroatividade do benefício. Essa segunda IN determinou que o benefício teria eficácia somente a partir de 4.4.2006, quando publicada a primeira Instrução (argumento principal). 9. É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. 10. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor da contribuinte pela Lei 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações significativas em relação à normatização da matéria, restringindose a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. 11. Ademais, ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tem característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação foi viabilizada pela publicação da IN SRF 636/2006, cujo art. 5º previu sua entrada em "vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004" (fato incontroverso). 12. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do benefício a partir de 1º.8.2004; no caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (data de publicação da Lei 11.051, que ampliou o benefício em seu favor). 13. De fato, o acolhimento do pleito da Fazenda significaria impedir o aproveitamento do benefício entre 30.12.2004 (data da ampliação da suspensão em favor da contribuinte pela Lei 11.051/2004) e 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006), o que já havia sido reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal quando da publicação da IN SRF 636/2006 (art. 5º desse normativo). Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10183.002036/200927 Acórdão n.º 3302005.282 S3C3T2 Fl. 506 13 14. Segundo a Fazenda Nacional, ainda que não se aceite 4.4.2006 como termo inicial para o benefício (data prevista na IN SRF 636/2006), impossível reconhecêlo antes de 1º.4.2005 (data prevista no citado art. 34, II, da Lei 11.051/2004 argumento subsidiário). 15. Há erro no argumento subsidiário da recorrente, pois a discussão recursal referese ao art. 9º da Lei 10.925/2004 (suspensão da incidência do PIS/Cofins) e não ao art. 9º da Lei 11.051/2004 (crédito presumido). Foi o benefício do crédito presumido que teve sua eficácia diferida para o primeiro dia do 4º mês subsequente ao da publicação (art. 34, II, da Lei 11.051/2004), mas isso não tem relação com o presente litígio. 16. A alteração do art. 9º da Lei 10.925/2004, ampliando o benefício fiscal de suspensão de incidência do PIS/Cofins em proveito da recorrida (objeto desta demanda), foi promovida pelo art. 29 da Lei 11.051/2004 (e não por seu art. 9º). Esse dispositivo legal (art. 29) passou a gerar efeitos a partir da publicação da Lei 11.051/2004, nos termos de seu art. 34, III, como decidiu o Tribunal de origem. 17. O art. 34, II, da Lei 11.051/2005, suscitado pela Fazenda, referese a matéria estranha ao debate recursal, de modo que carece de comando suficiente para infirmar o fundamento do acórdão recorrido. Aplicase, nesse ponto, o disposto na Súmula 284/STF. 18. Recurso Especial não provido.2 (grifos não originais) Por todas essas razões e tendo em conta que a presente lide diz respeito a cobrança das contribuições, cujos fatos geradores ocorreram no período de janeiro de 2005 a março de 2006, ou seja, durante a vigência da Instrução Normativa SRF 636/2006, resta demonstrado que as cobranças objeto das presentes autuações foram indevidas e, por conseguinte, elas devem ser canceladas. Por todo o exposto, votase pela rejeição da preliminar de nulidade das autuações e, no mérito, pelo provimento do recurso, para determinar o cancelamento dos valores das contribuições lançadas. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 2 BRASIL. STJ. REsp 1160835/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/04/2010, DJe 23/04/2010. Fl. 512DF CARF MF 14 Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724960/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
LEI ESTADUAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em exame de constitucionalidade de lei estadual por parte do CARF, uma vez que dito diploma legal não declarou isenção de Imposto de Renda mas tão somente viabilizou o pagamento administrativo de diferenças salariais judicialmente reconhecidas.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-006.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em exame de constitucionalidade de lei estadual por parte do CARF, uma vez que dito diploma legal não declarou isenção de Imposto de Renda mas tão somente viabilizou o pagamento administrativo de diferenças salariais judicialmente reconhecidas. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 49 60 /2 01 0- 19 Fl. 242DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2801003.207, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 8.364,14, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 51/56, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 60/88. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 92/105, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 243 3 URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte Intimado à fl. 113, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração às fls. 114 e ss., alegando omissão e obscuridade em relação a ementa e a fundamentação, os quais foram inadmitidos, às fls. 129 e ss. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 138/168, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de Fl. 244DF CARF MF 4 apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 3. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 4. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 5. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Às fls. 216/222, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 223/224, que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fls. 229. Às fls. 232 e ss., à Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, fazendo breve argumentação e requerendo a manutenção do acórdão recorrido. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 8.364,14, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 244 5 O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias:, “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e Fl. 246DF CARF MF 6 c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 245 7 Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade Fl. 248DF CARF MF 8 o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 246 9 Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Fl. 250DF CARF MF 10 Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu neste sentido: "Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR.” Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 247 11 Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Fl. 252DF CARF MF 12 Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 248 13 Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória e também quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios dar lhe provimento para afastar a exação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e suscita as seguintes matérias: violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu antigo Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda; e não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. De plano, relativamente à primeira matéria arguida suposta violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62, do Anexo II, do RICARF não se vislumbra onde residiria o alegado desrespeito aos citados atos legais, já que a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, em momento algum concedeu isenção de Imposto de Renda às verbas ora tratadas. O que dita lei fez foi simplesmente considerar tais rendimentos como de natureza indenizatória, o que de forma alguma pode se confundir com benefício isentivo referente a tributo de Fl. 254DF CARF MF 14 competência da União, cuja concessão é privativa de lei federal. Assim, não há que se falar em pronunciamento de inconstitucionalidade por parte do CARF, já que não se examinou norma isentiva estadual e sim, repitase, lei que visou apenas viabilizar o pagamento administrativo de diferenças salariais reconhecidas judicialmente. No que tange à segunda matéria suposta não incidência do Imposto de Renda sobre as diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória esclareçase que o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43, do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: "Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 249 15 Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, tal tese baseiase no fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 256DF CARF MF 16 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à última matéria suscitada não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que tal exoneração estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas, recebidas no contexto de rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Confirase: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10580.724960/201019 Acórdão n.º 9202006.395 CSRFT2 Fl. 250 17 prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. (grifei) Assim, uma vez que as verbas ora tratadas diferenças de URV não foram recebidas no contexto de rescisão de contrato de trabalho, tampouco foram consideradas isentas de Imposto de Renda, não há que se falar que os juros de mora sobre elas incidentes estariam livres de tributação. Destarte, tratandose de verba principal tributável diferenças de URV obviamente que a verba paga a título de juros de mora segue a mesma natureza da verba principal a que os acessórios se referem. É o que determina o art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) Fl. 258DF CARF MF 18 XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904430/2009-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e já pago pelo Contribuinte. Após a conclusão da diligência pela Unidade de Origem, o processo deverá retornar ao CARF, concluso para julgamento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e já pago pelo Contribuinte. Após a conclusão da diligência pela Unidade de Origem, o processo deverá retornar ao CARF, concluso para julgamento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e já pago pelo Contribuinte. Após a conclusão da diligência pela Unidade de Origem, o processo deverá retornar ao CARF, concluso para julgamento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efl. 36 e ss): Tratase de declaração de compensação em que o contribuinte afirma possuir crédito referente a pagamento indevido ou a maior de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 04 43 0/ 20 09 -7 3 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10283.904430/200973 Resolução nº 3001000.016 S3C0T1 Fl. 3 2 PIS/PASEP do período de apuração de 12/2001, no valor de R$ 1.206,57, compensando com este o débito de R$ 517,02 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus, por intermédio de despacho decisório eletrônico, não homologou a compensação declarada. Consta da referida decisão: “A partir das características ,do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. []Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com a decisão, de que tomou ciência em 29/04/2009, a contribuinte apresentou.tempestivamente, em 22/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega "(...) que após a transmissão do Per/Dcomp nº 27135.890.240106. 1.3. 045444 a empresa recebeu um pedido de Execução Fiscal protocolado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, sob o n” 10283201776/200410 e Inscrição na Dívida Ativa n" 21 4 04 001235 56, relacionado ao Imposto Unificado Simples, objeto de compensação deste Per/Dcomp. Diante do Pedido de Execução Fiscal a empresa optou por pagar o referido débito, aderindo ao programa PAEX e parcelando a divida, que hoje se encontra totalmente quitada, tendo sua última parcela paga em 30/04/2009. 'Í (...) solicitamos o cancelamento do Per/Dcomp em questão e acolhida a Manifestação de lnconformidade ) A DRJ/Belo Horizonte ementou da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. O pedido de cancelamento de PER/DCOMP somente será deferido .caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário (efl. 44 e ss), a Recorrente, em suma, repete o pedido de cancelamento do débito por duplicidade de cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães – Relator. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10283.904430/200973 Resolução nº 3001000.016 S3C0T1 Fl. 4 3 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 764,87 (efl. 7), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A Recorrente afirma que o Despacho Decisório deve ser cancelado porque “o débito já se encontrava em cobrança na PGFN, inclusive, havia recebido Pedido de Execução Fiscal sob n°. 21 4 04 00123556, relacionado ao Imposto Unificado Simples, optou por parcelar o débito através do Programa PAEX, que hoje se encontra totalmente quitado”. Entendo que não há nos autos elementos suficientes para comprovar, ou não, que os valores em litígio estejam sendo cobrados em duplicidade. Assim, para que se possa concluir sobre as matérias em questão, fazse necessária, preliminarmente, a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e já pago pela Contribuinte. Após a conclusão da diligência pela unidade de origem, o processo deverá retornar ao CARF, concluso para julgamento. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720073/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para sanear os autos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para sanear os autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL dos anos calendários de 2011 e 2012 e imposição de multa isolada pelo não recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2011, lavrados em face da pessoa jurídica acima identificada. No relatório da decisão de primeira instância consta (fls. 299 a 303): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 07 3/ 20 15 -2 1 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 408 2 Este processo referese à autuação de ERJ ADMINISTRAÇÃO E RESTAURANTES DE EMPRESAS LTDA, CNPJ 44.164.606/000138, constituindo crédito tributário referente a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL dos anos calendários de 2011 e 2012, e imposição de multa isolada pelo não recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2011. A autoridade fiscal também impôs, na autuação, a responsabilização tributária a SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO, CPF 974.777.02887, sócioadministrador da empresa, sob o entendimento de ter incorrido em situação que se subsume ao art. 135 do Código Tributário Nacional (Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto). Os montantes lançados correspondem ao descrito a seguir: Dos fatos Durante procedimento de Revisão de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, em conformidade ao Registro de Procedimento Fiscal nº 0812400/00616/2014, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em JundiaíSP, a fiscalização constatou divergências entre os valores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica a Pagar e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a Pagar, informados na DIPJ 2012 (ano calendário 2011) e na DIPJ 2013 (anocalendário 2012), e os débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, referentes aos mesmos períodos. A autoridade fiscal intimou a autuada, em 16/12/2014 (AR datado de 18/12/2014, conf. fls. 2 a 4), a justificar no prazo de vinte dias as divergências constatadas, anexando à intimação demonstrativo com as divergências apuradas. O AuditorFiscal Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 409 3 requereu, ainda, que a resposta viesse acompanhada de cópia integral dos Lalur dos anoscalendários de 2011 e 2012. A contribuinte protocolou resposta em 08/01/2015 (conf. fls. 5 a 21). No documento, informou que a DIPJ referente ao anocalendário de 2011 fora entregue com informações equivocadas, visto não ter sido efetuado o aproveitamento de prejuízos fiscais na apuração do IRPJ e CSLL do referido exercício – informação que poderia ser verificada no Lalur. Informou também que por equívoco no preenchimento da DIPJ acabara por considerar tal informação indevidamente, tendo ficado responsável por efetuar também as retificações da DCTF que por erro de processo fora entregue sem declarar tais débitos e não alterada até aquele momento. Solicitou ainda autorização para efetuar as retificações de DCTF e DIPJ, informando os débitos corretos conforme o arquivo Sped Contábil, o qual já constaria na base da Receita Federal autenticado. Anexou documentos contábeis constando valores que seriam retificados na DIPJ e DCTF, referentes aos dois anos. Em 22/01/2015 a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte por via postal, informando que a ação fiscal já em andamento excluiria a espontaneidade para promover a retificação da escrituração contábil, DCTF e/ou DIPJ referentes aos tributos e períodos fiscalizados. Houve recusa no recebimento em 27/01/2015 (conf. fls. 22 e 23), razão pela qual a Fiscalização realizou, em 05/02/2015, a intimação pessoal (conf. fl. 24). Em 10/03/2015, a contribuinte foi intimada do prosseguimento da ação fiscal por meio eletrônico, conf. fls. 25 e 26, com a ciência dada em 11/03/2015. Em 22/04/2015, o Auditor Fiscal lavrou o Termo de Verificação Fiscal (fls. 239 a 244) e os Autos de Infração (fls. 246 a 269), referentes aos lançamentos de principal, juros e multa de mora referentes aos tributos IRPJ e CSLL recolhidos insuficientemente; qualificação da multa pela conduta de ocultação do fisco dos verdadeiros montantes dos tributos devidos, impedindo assim a sua cobrança; e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2011 (ano em que a contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e CSLL). A contribuinte foi intimada por meio de Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, lavrado em 22/04/2015 (fls. 271 a 272), com ciência dada por meio eletrônico em 22/04/2015 (fls. 273 a 275). Em 25/05/2015, a contribuinte protocolou impugnação contra os autos de infração (fls 280 a 288). Do Termo de Verificação Fiscal No TVF, a Autoridade Fiscal informa que efetuou a revisão das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ dos exercícios de 2012 e 2013, relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL da impugnante. No decorrer do procedimento, foram confrontados as DIPJs, os Livros de Apuração do Lucro Real – Lalur, e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Afirma que a impugnante tem por atividade econômica a prestação de serviços de administração e restaurantes de empresas, e que apurou o IRPJ para os anoscalendário em comento pelo Lucro Real. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 410 4 Informa que, nos períodos em que a contribuinte havia apurado valores devidos do IRPJ e da CSLL, a mesma havia declarado inicialmente os valores apurados dos tributos em DCTF, porém posteriormente retificou as declarações e zerou tais dívidas tributárias. O Fiscal entendeu que a motivação para tal procedimento somente poderia ter sido a vontade deliberada de não permitir ao Fisco que efetuasse a cobrança administrativa dos verdadeiros valores devidos. Embasou tal interpretação no fato de que a DCTF é o ato pelo qual a contribuinte constitui sua dívida tributária, nos termos da IN RFB 1.110/2010. Constatou também a Autoridade Fiscalizadora que a contribuinte não declarou nem recolheu as estimativas de IRPJ e CSLL a que estava obrigada em 2011, pois optara pela apuração anual dos tributos. Por conta disso, entendeu aplicável a multa isolada de 50% sobre os valores das estimativas que deixaram de ser declarados e recolhidos, nos termos do art. 228 e § único do RIR/99, e nos artigos 43 e 44, inciso II, alínea b da lei 9.430/96. Considerou que a atitude da contribuinte de zerar as DCTFs que estavam com valores inicialmente declarados e correspondentes aos apurados em sua contabilidade e Lalur evidencia a vontade deliberada de ocultar do Fisco os verdadeiros montantes dos tributos devidos, impedindo, assim, sua cobrança, o que impõe a aplicação da multa qualificada, nos termos do dispostos nos artigos 256 e 957 do RIR/99. O Fiscal observa que, em resposta à Intimação Fiscal de 16/12/2014, sobre as diferenças detectadas entre os valores apurados nas DIPJ e os débitos declarados e zerados em DCTF, a contribuinte admitiu as irregularidades apontadas, tanto que pleiteou autorização para retificar os valores declarados (retificação que não pode ser autorizada, conforme art. 9º, II da IN RFB 1.110/2010). Informa também que lavrou Representação Fiscal para Fins Penais, por entender que a conduta da contribuinte teria se enquadrado na previsão do art. 1º da Lei nº 8.137/90, como crime contra a ordem tributária, o que acarreta também a responsabilização do diretorpresidente da empresa, SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO, por força do disposto nos artigos 124, 128 e 135, II do CTN. Conclui informando que foi constituído crédito tributário, por meio de Autos de Infração, lavrados conforme artigo 836 do RIR/99, nos quais são informados os tributos exigidos, os cálculos referentes aos mesmos, os fundamentos legais. Da Impugnação Na impugnação, a empresa contesta a interpretação do Auditor Fiscal sobre os fatos, segundo a qual a motivação da contribuinte, ao declarar os tributos apurados na DCTF e posteriormente retificar a declaração zerando os valores, seria a vontade deliberada de não permitir à Receita Federal efetuar a cobrança administrativa dos verdadeiros valores devidos do IRPJ e CSLL nos períodos de apuração apontados. Alega que em momento algum pretendeu lesar o Fisco. Informa ainda que, instada a se manifestar sobre a irregularidade apontada, explicou que a DIPJ referente ao anocalendário de 2011 foi entregue com informações equivocadas por não ter havido o aproveitamento dos prejuízos fiscais na apuração de IRPJ e CSLL do mencionado exercício. Alega que “tal informação poderia ser validada no Lalur, e por equívoco no preenchimento da DIPJ a contribuinte acabou por considerar tal informação indevidamente.” Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 411 5 Aduz que acrescentou também que, “por erro de procedimento, as retificações da DCTF foram entregues sem declarar tais débitos, solicitando autorização para efetuar as devidas retificações, vez que os débitos corretos já se encontravam lançados no arquivo Sped Contábil (inclusive já autenticado na base da Receita Federal).” Sustenta que teria restado claro que a empresa reconheceu o erro e jamais poderia ser penalizada como foi, principalmente quando tentou corrigilo. Esclarece ainda que “a empresa não se insurge contra a cobrança do tributo em questão, mesmo porque o reconheceu quando ingressou no parcelamento regulado na forma da Lei nº 12.996 de 18 de junho de 2014.” Discorre ainda sobre a vedação no Direito pátrio da utilização do tributo com efeito de confisco, recorrendose a doutrina e a jurisprudência administrativa e judicial, observando inclusive entendimento do Supremo Tribunal Federal segundo o qual o princípio do nãoconfisco atingiria não só tributos como também multas. Afirma pretender “reduzir das multas para patamares aceitáveis, ou melhor, suportáveis pelo contribuinte.”. Alega que a “multa foi aplicada nos percentuais de 75% e 150%, sobre o valor tributável sem prejuízo do imposto devido com base no art. 44, inc I, II “b” e § 1º da Lei nº 9.430/96.” Conclui reafirmando e resumindo os pedidos: “1 – a admissibilidade do presente recurso a fim de julgálo PROCEDENTE para que sejam canceladas as multas aplicadas. 2 – o reconhecimento do efeito suspensivo do processo administrativo, não sendo possível cobrar o crédito tributário até a verificação da eficácia preclusiva do trâmite administrativo, bem como a abstenção de qualquer prática de natureza repressiva em desfavor da Requerente e a não inscrição em Dívida Ativa; 3 – seja reconhecida a regularidade fiscal quanto aos valores em discussão, com a conseqüente expedição de certidão negativa de débito e/ou certidão positiva com efeito de negativa; 4 – sejam reduzidas as multas aplicadas para patamares suportáveis pela empresa contribuinte.” Requer ainda “a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, especialmente a juntada de novos documentos.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011, 30/06/2012 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 412 6 Cabe a aplicação de multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o tributo devido quando o sujeito passivo praticar condutas que indicam dolo da prática de sonegação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As multas de ofício pecuniárias vinculadas aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei ordinária federal, sendo de aplicação obrigatória por parte da autoridade lançadora e observância pelas autoridades julgadoras que compõem o contencioso administrativo. CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao IRPJ aplicase à CSLL. Manejado o Recurso Voluntário (fls. 337 a 347), foram repisadas as alegações da impugnação e mais: a) que todas as infrações foram impugnadas, inclusive os lançamentos das multas isoladas e a inclusão do sócio como responsável solidário; b) "a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade, desproporcional ao eventual prejuízo causado, desta forma seria justo e correto, nessas circunstâncias, manter apenas a multa de ofício", conforme jurisprudência do CARF; c) "punir contribuintes com multas qualificadas, com lastro em juízo discricionário da fìscalização, é verdadeiro atentado à ordem jurídica, aos princípios da proteção da confiança, da razoabilidade, da proporcionalidade, da proibição de excesso, da boafé, da presunção da inocência ê, acima de tudo, da justiça d) "no que concerne a limites percentuais para se dizer da ocorrência de confisco, a despeito da inexistência legal de um limite percentual em relação ao montante devido, o Supremo Tribunal Federal não tem se esquivado de considerar confiscatórias multas tributárias que superem 30% (trinta por cento) do tributo devido, nos casos de não recolhimento tempestivo"; e) "o percentual de multa de 75% tem sido considerado abusivo pelo Supremo Tribunal Federal, por violação à vedação de utilização do tributo com efeito de confisco e por violação à capacidade contributiva"; f) "no tocante à responsabilização tributária imposta ao Sr. Simon Bolivar da Silveira Bueno, agiu de forma equivocada o Fisco, vez que a transferência da responsabilidade ao sócio dependeria da prática por ele de atos ilícitos, que ocorrem no âmbito da gestão empresarial, seja praticando esses atos com excesso de poderes ou com infração à lei ou ao contrato social", o que não ocorreu. Ao final, requer "a admissibilidade do presente recurso a fim de julgálo PROCEDENTE, alterandose a decisão guerreada para: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 413 7 a) impedir a aplicação concomitante de multa de ofício com a multa isolada; b) que sejam reduzidas as multas aplicadas para patamares suportáveis pela empresa contribuinte; c) cancelar a responsabilização tributária imposta a Simon Bolivar da Silveira Bueno. Por derradeiro, deve a decisão emanada da autoridade fiscal atender à disposição do artigo 31 do Decreto no 70.235/72". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. O recurso é tempestivo. Verificase, contudo, que o procurador primeiramente constituído substabeleceu o mandato (fl. 336) ao Sr. Célio Antonio de Andrade. Não houve reconhecimento de firma quanto a esse documento, nem, tampouco, foi anexado documento do signatário. Também, não consta do instrumento o número no CPF do substabelecido nem mais nenhum outro dado, nem vieram anexas cópias de quaisquer documentos. No recurso (fls. 337 a 347) não há a identificação do signatário. Também, conforme página de autenticação do eprocesso, o recurso foi assinado digitalmente por E.F. Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. EPP: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 414 8 Em consulta ao CNPJ/QSA na internet, verificase que o Sr. Célio Antonio de Andrade não faz parte do quadro social da referida pessoa jurídica: Portanto, não há como se afirmar que o signatário do recurso detinha poderes para representar a contribuinte. Conclusão. Proponho, pois, a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a comprovar a identidade do subscritor do recurso e os poderes deste para representála. É como voto. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 19311.720073/201521 Resolução nº 1201000.321 S1C2T1 Fl. 415 9 (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.004856/2003-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa informe se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa informe se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 04 85 6/ 20 03 -6 8 Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Resolução nº 9101000.044 CSRFT1 Fl. 2.329 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 1980/1994) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10808.394 (efls. 1948/1977), pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 07/07/2005, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício, acolhida decadência do IRPJ e CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998 e negado provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: IRPJ PIS DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4o do"" artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Decadente a exigência do IRPJ e PIS em relação aos fatos geradores ocorridos até 31 de agosto de 1998, quando a ciência da autuação pela interessada se deu em 26/09/2003. COFINS e CSLL DECADÊNCIA ACOLHIDA É cristalino o entendimento de que sendo o lançamento da COFINS e da CSLL por homologação, decai em 05 (cinco) anos o direito da Fazenda em procedêlo, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO A falta de comprovação, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, dos saldos das contas componentes do passivo do balanço patrimonial autoriza a presunção legal que as obrigações foram pagas com receitas mantidas à margem da escrituração, cabendo à contribuinte a prova da improcedência desta presunção. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ GLOSA DE DESPESAS VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVO NÃO COMPROVADO São indedutíveis na apuração do Lucro Real as despesas cuja efetividade não é comprovada por documentos hábeis e idôneos, mormente quando inexistente o passivo sobre o qual se baseou a variação monetária. TAXA SELIC TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Resolução nº 9101000.044 CSRFT1 Fl. 2.330 3 mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde janeiro de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. PIS COFINS TRIBUTAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS Por força do disposto na Lei n° 9.249/95, art. 24, § 2o , o valor da receita omitida deve ser considerado como base de cálculo do PIS e da Cofins. CSL PIS COFINS LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido no julgamento da exigência principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos lançamentos dela decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. A PGFN interpôs recurso especial, por contrariedade à lei, com base no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes vigente à época, em face do entendimento da decisão recorrida em reconhecer a decadência para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998, aplicando a contagem para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Protestou a recorrente pela aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 2004/2005) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2011/2019) pugnando pela manutenção da aplicação da contagem decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Resolução nº 9101000.044 CSRFT1 Fl. 2.331 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Registrese que se trata de recurso em face de contrariedade à lei, com fulcro no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. A matéria devolvida diz respeito à decadência. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Resolução nº 9101000.044 CSRFT1 Fl. 2.332 5 de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Resolução nº 9101000.044 CSRFT1 Fl. 2.333 6 Os presentes autos tratam de apreciar a decadência para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998. Ocorre que, como se trata de processo antigo, a discussão centrouse na aplicação do já revogado art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social, razão pela qual em nenhum momento consta informação ou discussão a respeito da existência de pagamentos ou declaração com efeito de confissão de dívida para as contribuições sociais (nos termos da tese consolidada pelo Recurso Especial n.º 973.733/SC). Dessa maneira, tornase imprescindível o retorno dos autos para a unidade preparadora, para que se verifique se as contribuições sociais em debate foram objeto de pagamento ou de declaração com efeito de confissão de dívida (inclusive parcelamento). Orientase pelo preenchimento de planilha nos moldes a seguir, para cada tributo e fato gerador: Tributo FG Valor objeto de confissão de dívida em declaração Valor pago Poderá a unidade preparadora incluir informações complementares se considerar pertinente. Voto, portanto, no sentido de determinar o retorno dos presentes autos para a para a unidade preparadora, para informar se as contribuições sociais (CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998) foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do presente voto. A PGFN e a Contribuinte devem tomar ciência do resultado da diligência para se manifestar estritamente sobre seu conteúdo, e na sequência os presentes autos devem retornar para julgamento do presente Colegiado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2333DF CARF MF
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