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Numero do processo: 11080.735681/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano-calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2009, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano-calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução.
Aplica-se entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf.
Recurso Parcialmente Conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução. Aplicase entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 56 81 /2 01 2- 46 Fl. 145DF CARF MF 2 Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte Dirf. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.735681/201246 Acórdão n.º 2401004.536 S2C4T1 Fl. 146 3 Relatório Da declaração de ajuste exercício 2010: (efls. 42 a 50) O contribuinte declarou rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor total de R$143.244,66 e imposto retido na fonte de R$43.087,35. Como Rendimentos Isentos e não tributáveis o valor de R$106.683,61; dos quais, R$71.002,66, descrito como "Lei 7.713/88 PROC200271000003816" e R$8.077,52 como "Imposto sobre a renda de anoscalendário anteriores compensado judicialmente neste anocalendário." A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) informou em Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) que pagou ao contribuinte a importância de R$213.007,99, durante o anocalendário de 2009 e reteve R$43.087,35 a título de imposto de renda retido na fonte. Da Notificação de Lançamento: (efls. 10 a 14) A autoridade fiscal emitiu Notificação de Lançamento apontando "omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica" no valor de R$71.002,67 que somados aos rendimentos declarados pelo Contribuinte resultou em imposto suplementar de R$3.243,56, com vencimento em 30/04/2010. Este imposto suplementar está sujeito à Multa de Ofício (75%), nos termos do art. 44, inciso I e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e Juros de Mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme estabelece o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Da Impugnação: (efls. 2 a 9 e 16 a 37) O contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese: 1. que a Justiça Federal lhe concedeu tutela antecipada determinando "a suspensão, pelo prazo de 64 meses, a contar do pagamento do benefício referente ao mês de janeiro de 2002, dos descontos mensais a título de IRRF, sobre 1/3 do valor de seus proventos complementados..." decisão esta que vigorou por apenas seis (6) meses, recebendo o Autor o valor correspondente, remanescendo, assim, 58 meses para o resgate; 2. que o TRF da 4ª Região negou provimento à remessa oficial, confirmando a sentença que transitou em julgado, conforme mostra a certidão judicial de efl. 37; 3. que não se trata de rendimentos omitidos e sim de rendimento declarado como isento e não tributável na declaração de ajuste do anocalendário 2009; 4. requer o cancelamento do lançamento para lhe restituir o valor remanescente. Fl. 147DF CARF MF 4 Da Intimação Fiscal e respectiva Resposta do Contribuinte (efls. 54 a 65) Intimado a apresentar documentos relacionados ao processo judicial nº 2002.71.00.0003816/RS, visando a esclarecer a liquidação da sentença, o Contribuinte apresentou os documentos referentes ao processo nº 2008.71.00.0118257 com os cálculos de liquidação da sentença, emitidos pelo Núcleo de Contadoria da Justiça Federal e as Requisições de pagamento, efls. 64 e 65. Do Despacho Decisório: (efls.67 a 87 e 88 a 89) Por meio do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório nº 322/2014, efls. 88 e 89, a DRF de Porto Alegre/RS, assim se pronunciou: "Em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o interessado alega que os rendimentos omitidos não devem ser tributados por tratarse de contribuições efetuadas à entidade de Previdência Privada na época tributadas (01/89 a 12/95); que teve direito de deduzilas da base de cálculo do Imposto de renda reconhecido nos autos da Ação Judicial nº 2002.71.00.0003816. É o que se confirma no exame do Acórdão relatado naqueles autos (fls. 70/74), ...”existe é o direito à dedução das contribuições recolhidas no período de vigência da Lei 7.713/88 pelo participante (…) da base de cálculo do IR. (...) Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de Renda. (…) Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença (…).”Assim procedeu o interessado, executando a sentença, cujos embargos à execução foram apreciados sob o nº 2008.71.00.0118257 (Decisões fls. 77/80 e 81/86). A consulta processual (fls. 67/69) demonstra ter nos autos do processo principal duas Requisições de Pagamento emitidas pelo Juízo, de onde deduzse que o interessado já teve seu direito plenamente satisfeito. Mantémse a notificação nos seus termos." Da Manifestação de Inconformidade: (efls. 98 a 108) Cientificado do Despacho Decisório em 30/06/2014, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade para manifestarse contrariamente à decisão proferida no Despacho Decisório. Ratifica e reitera os argumentos de sua impugnação anterior. Do acórdão de impugnação: (efls. 113 a 117) A 19ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I DRJ/RJ 1, por meio do acórdão nº 1271.380, decidiu manter integralmente o lançamento com base nos fundamentos, resumidos na sequência. 1. a exclusão dos rendimentos tributáveis da declaração de ajuste, relativa ao exercício de 2010, efetuada pelo contribuinte, não encontra suporte na decisão judicial; 2. a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª região deu provimento à apelação e negou provimento a remessa oficial, estabelecendo que, "quanto a forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença"; 3. a 2ª Turma Especial do CARF negou provimento a recurso deste contribuinte, referente ao exercício de 2008, por meio do acórdão 2802002.590, assim fundamentado: "[...] Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11080.735681/201246 Acórdão n.º 2401004.536 S2C4T1 Fl. 147 5 a) a forma definida pelo Poder Judiciário (dedução até esgotar o valor das contribuições) é diversa da que o contribuinte alega em sua defesa (redução do imposto por período fixo expresso em meses); b) no ponto em que se discute a forma de apurar a dedução há concomitância de discussão com o processo de execução, o que implica não conhecer o recurso voluntário nessa parte; c) nos despachos no curso do processo de execução, ao ser indicado o critério de dedução, indicasse a dedução a partir da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em que começou a haver retenção de imposto sobre a complementação de aposentadoria sob a égide da Lei 9.250/1995 (supostamente teria sido a partir de janeiro de 1996, pois a aposentadoria ocorreu em 1994) e não a partir da ano calendário 2006 como sustenta o recorrente (fls. 3); e d) ainda que o critério judicial dispense os precatórios, pelo que há de documentação nos autos, não se pode concluir que dito provimento autorize a execução do acórdão transitado em julgado pela via administrativa, notadamente pela redução do valor do rendimento tributável no anocalendário 2007, o que é corroborado pelo trâmite do processo de execução.” Assim, aproveitando esses fundamentos, a 19ª Turma da DRJ/RJ 1 concluiu que "o contribuinte deixou de oferecer à tributação, na declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2010, os rendimentos ora lançados no montante de R$71.002,67 e que a inclusão destes como isentos e não tributáveis não se encontrava amparada por decisão judicial, conforme afirmou o impugnante." Manteve inalterado o lançamento. Do Recurso Voluntário: (efls. 123 a 138) Cientificado do acórdão nº 1271.380 em 26/12/2014, AR efl. 121, o Contribuinte interpôs, em 20/01/2015, recurso voluntário com alegações que podem ser assim resumidas: 1. ratifica e reitera os fundamentos contidos em sua impugnação contrária aos valores exigidos por meio de Notificação de Lançamento de efls. 10 a 14; 2. considerase credor da União de valor correspondente a 64 meses de contribuições à PREVI com imposto sobre a renda já recolhidos na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, menos o equivalente a 6 meses recebidos em juízo, em função de tutela antecipada que lhe foi concedida; 3. entende que 1/3 dos proventos que recebeu da fonte pagadora (Previ), durante o ano de 2009, são isentos do imposto sobre a renda, isenção esta reconhecida pelo Poder Judiciário em ação cuja sentença já transitou em julgado; 4. que a sentença lhe reconheceu o direito de receber seu crédito por meio de suas declarações de ajuste, dispensandoo de recorrer a precatórios; 5. o informe de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora (Previ) classificou a totalidade dos proventos como tributáveis, pois a mesma não fazia parte do processo judicial e, portanto, não pode ser responsabilizada pela Receita Federal; Fl. 149DF CARF MF 6 6. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento e, caso seus argumentos não sejam acolhidos, "ad argumentandum tantum", requer a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda (DOU de 26/03/2012). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado em 26/12/2014, AR efl. 121, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/01/2015, conforme consta à efl. 123. Portanto, este recurso é tempestivo e dele conheço. 1.2. DELIMITAÇÃO DA LIDE Neste processo administrativo o que se discute é a natureza tributária de parte dos proventos auferidos pelo Contribuinte durante o anobase de 2009, pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Para o Contribuinte, a terça parte do montante recebido deve ser considerada como rendimentos isentos atendendo a decisão judicial proferida nos autos do processo nº 2002.71.00.0003816/RS, cuja sentença já transitou em julgado. Assim, do total de R$213.007,99 recebidos da Previ, R$71.002,67, seriam isentos do imposto sobre a renda, exatamente conforme informou em sua declaração de ajuste. A autoridade fiscal entende que a sentença proferida no processo judicial supra citado não confere isenção à terça parte dos proventos pagos pela Previ ao Contribuinte, durante o anobase de 2009 e que, portanto, houve omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$71.002,67, exigidos por meio de Notificação de Lançamento. 1.3 PRELIMINARES Não há preliminares. 2. MÉRITO Não assiste razão ao Contribuinte pelos motivos que serão expostos na sequência. Temse que o Contribuinte buscou amparo na decisão judicial proferida no processo nº 2002.71.00.0003816/RS para justificar ter informado, no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de sua declaração de ajuste anual do exercício de 2010, o equivalente a 1/3 do valor total recebido da Previ. Entretanto, com bem afirma o i. relator do acórdão da instância de piso, não consta dos autos determinação judicial no sentido de excluir rendimentos tributáveis da declaração de rendimentos do exercício de 2010, na forma como procedeu o contribuinte. Nem mesmo se constata para esses rendimentos uma classificação, equivocada que seja, como Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11080.735681/201246 Acórdão n.º 2401004.536 S2C4T1 Fl. 148 7 rendimentos isentos ou não tributável, na declaração do imposto de renda retido na fonte (Dirf) sob a responsabilidade da fonte pagadora, no caso, a Previ. Ocorre que o Contribuinte obteve sentença judicial, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que lhe concedeu "o direito à dedução das contribuições recolhidas, no período de vigência da Lei nº 7.713, de 1988, pelo participante (e somente por ele). Este montante não corresponde ao crédito do contribuinte, mas sim à quantia que pode ser deduzida da base de cálculo do IR. Além disso, o montante varia para cada segurado, dependendo do valor da contribuições recolhidas no período. (efl. 28) Ainda no desenvolvimento do seu voto no acórdão, referente à Apelação Cível nº 2002.71.00.0003816/RS, o eminente Desembargador Federal João Surreaux Chagas, confirmou a sentença de primeiro grau e determinou que o valor a ser deduzido da base de cálculo do IR seja apurado em liquidação de sentença, conforme excerto do voto transcrito na sequência: (grifos acrescentados) [...] Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de renda. Confirmase, pois , a sentença. Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença, levandose em conta a declaração de ajuste anual do IR do contribuinte, relativo ao anobase em que se deu cada retenção indevida, de forma que seja determinado o resultado final de exercício (imposto pago x imposto devido." A sentença proferida em abril de 2010, referente aos embargos à execução, nº 2008.71.00011825/RS (fls. 81/85), apresenta fundamentação nos seguintes termos: “ Conforme exposto na decisão que fixou os critérios de cálculo, a forma de cálculo mais adequada para apuração do quantum debeatur aproximase daquela pretendida pela União, que se utiliza das declarações de ajuste do contribuinte relativas ao período em que começou a haver a incidência indevida do tributo sobre os valores relativos à complementação de aposentadoria.(...)” Tudo que foi exposto leva á conclusão de que o recorrente subtraiu dos rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009 valor tributável sem que pudesse alegar estar amparado em decisão judicial, pois, não obstante o trânsito em julgado, a forma de executar o quanto decidido judicialmente ainda estava pendente de decisão final no processo de execução. Além disso, a decisão deste recurso voluntário deve levar em conta que: a) a forma definida pelo Poder Judiciário (dedução até esgotar o valor das contribuições vertidas exclusivamente pelo participante) é diversa da que o contribuinte alega em sua defesa (redução do imposto por período fixo expresso em meses); b) no ponto em que se discute a forma de apurar a dedução há concomitância de discussão com o processo de execução, o que implica não conhecer o recurso voluntário nessa parte; a teor da Súmula CARF nº 1; e Fl. 151DF CARF MF 8 c) nos despachos no curso do processo de execução, efls. 81 a 86, ao ser definido o critério de apuração, indicase a dedução considerando os dados da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em que começou a haver retenção de imposto sobre a complementação de aposentadoria, sob a égide da Lei 9.250, de 1995 (supostamente teria sido a partir de janeiro de 1996, pois a aposentadoria ocorreu em 1994) e não a partir da ano calendário 2006, como sustenta o recorrente (efl. 5). O Recorrente solicita a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda, entretanto, referida portaria dispõe sobre a inscrição em dívida ativa da União e o ajuizamento de execuções fiscais pe Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, assunto que extrapola a competência deste Conselho, impossibilitando sua análise e aplicação. 3. Conclusão: Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à matéria descrita no item "b" anteriormente referenciado, por vedação expressa da Súmula CARF nº 1, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001819/99-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9303-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à DRJ de origem.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS (Presidente em Exercício),
(assinado digitalmente)
ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA PÔSSAS (Presidente em Exercício), ROBSON JOSE BAYERL (suplente convocado), CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA (suplente convocado) , VALCIR GASSEN (suplente convocado), ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, JULIO CESAR ALVES RAMOS, TATIANA MIDORI MIGIYAMA, VANESSA MARINI CECCONELLO.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. PRESCRIÇÃO PARCIAL. Nos termos do entendimento firmado pelo STF no RE n.º 566.621/RS, e pelo STJ no REsp n.º 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da antes de 09/06/2005, é de dez anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação. O prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, aplicase somente aos pedidos formulados após a vigência do art. 3º da LC n.º118/2005. Aplicação da Súmula CARF nº 91 e do art. 62A do RICARF, para reconhecer a prescrição parcial do pedido de restituição/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à DRJ de origem. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS (Presidente em Exercício), (assinado digitalmente) ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 18 19 /9 9- 71 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10875.001819/9971 Acórdão n.º 9303004.176 CSRFT3 Fl. 6 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA PÔSSAS (Presidente em Exercício), ROBSON JOSE BAYERL (suplente convocado), CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA (suplente convocado) , VALCIR GASSEN (suplente convocado), ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, JULIO CESAR ALVES RAMOS, TATIANA MIDORI MIGIYAMA, VANESSA MARINI CECCONELLO. Relatório Tratase de Recursos Especial apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional contra Acórdão n.º 20180.710, do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, conforme decisão proferida com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: PIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESOLUÇÃO DO SENADO Nº 49/95. DECRETOSLEIS NºS 2.449/88 E 2.445/88. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Prazo prescricional para pleitear restituição de 05 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado que suspendeu a vigência de lei que estabelecia tributação, declarada inconstitucional. Recurso provido.” A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls.283/285, que foram acolhidos para retificar o Acórdão supracitado, conforme fls.290/292. A divergência foi suscitada no Recurso Especial em razão da decisão recorrida ter entendimento de que o pedido de restituição/compensação tem prazo de cinco anos contados da Resolução do Senado que suspendeu a vigência de lei que estabelecia tributação e que foi declarada inconstitucional. Alegando que o direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente prescreve em cinco (5) anos contados da extinção do crédito tributário caracterizada pelo pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, c/c art. 150, § 1°, do CTN com interpretação dada pela dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. Para comprovar o dissenso em relação à matéria foram colacionados como paradigmas do recurso, dentre outros citados, os Acórdão n.º 20310.874 e 10515.157. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido em sua integralidade nos termos do Despacho de fls.308/310. O sujeito passivo tomou conhecimento do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, apresentando Contrarazões às fls. 315 a 338, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial. É o Relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10875.001819/9971 Acórdão n.º 9303004.176 CSRFT3 Fl. 7 3 Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Depreendendose da análise dos autos, o Recurso é tempestivo e deve ser admitido. O que concordo integralmente com a análise feita em Despacho de fls. 308/310, eis que se trata de decisão não unânime e restou demonstrada a contrariedade à lei. A controvérsia cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS/Pasep, recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretoLeis n.ºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de n.º 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. O acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 anos contados a partir da data da publicação de referida Resolução do Senado Federal. A Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário, nos termos dos arts. 165, 168, inc. I e 155, inc. I, ambos do CTN e do art. 3º da LC n.º 118/2005, e que, portanto, o pedido de restituição formulado em 30.07.1990 relativo ao PIS dos períodos de apuração de julho/1989 a setembro/1995, já estaria prescrito. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF n.º 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Assim, aplicase ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE n.º 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.269.570. O acórdão do Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do RE n.º 566.621, restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10875.001819/9971 Acórdão n.º 9303004.176 CSRFT3 Fl. 8 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O acórdão do Superior Tribunal de Justiça STJ (REsp n.º 1.269.570), prolatado após a decisão do STF, tem a seguinte ementa: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º,DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10875.001819/9971 Acórdão n.º 9303004.176 CSRFT3 Fl. 9 5 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 6 44.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notada mente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento dos tribunais superiores foi consolidado em súmula por este Pleno, em 09/12/2013, Súmula CARF n.º 91, in verbis: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." No presente caso, o contribuinte protocolizou em 30/07/1999 o pedido de restituição de valores indevidamente pagos a título de contribuições ao PIS/Pasep do período de julho de 1988 a setembro de 1995. Assim, considerado o prazo de 10 anos (cinco mais cinco), contado da ocorrência do fato gerador, para pleitear a restituição, verificase que, na data do protocolo do pedido (30/07/1999), estavam prescritos os pedidos de indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/07/1989, ou seja: julho de 1988 a julho de 1989. Por outro lado, afigurase hígido o pleito de restituição/compensação com relação aos fatos geradores ocorridos após 30/07/1989, ou seja, de agosto/1989 a setembro1995. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10875.001819/9971 Acórdão n.º 9303004.176 CSRFT3 Fl. 10 6 Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para declarar prescrito o pedido de restituição/compensação quanto aos pagamentos efetuados relativos aos fatos geradores ocorridos de julho de 1988 a julho de 1989 e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise do direito creditório com relação aos demais períodos pleiteados. É como voto. ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10580.725374/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 74 /2 00 9- 58 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 9202004.150 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 9202004.150 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 9202004.150 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 9202004.150 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10640.721511/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - BARRAS CHATAS.
Os produtos laminados planos, nos termos da Nota 1-K do Capítulo 72 da TIPI, não enrolados e que possuam dimensões, largura e espessura, que se correlacionem do seguinte modo: largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura.
Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) ou l) do Capítulo 72 da TIPI, nem à definição de fios e cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluindo os círculos achatados e os retângulos modificados, nos quais dois lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo, sendo os outros dois retilíneos, iguais e paralelos), deverá ser classificado como "Barra", na posição 72.14 da TIPI.
DIREITO DE CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS.
Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Assim, é de ser mantida a glosa dos materiais refratários, os quais não se caracterizam como produtos intermediários.
APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS.
O fisco deve considerar os créditos regulares na recomposição da conta gráfica, e, em apurando-se diferenças, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, exigi-las, desde que dentro do prazo decadencial, através de auto de infração.
MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO-INCIDÊNCIA.
Não há base legal para a incidência de juros sobre multa de ofício.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para cancelar o lançamento em relação ao item 3 do auto de infração (ajuste no RAIPI); b) por maioria de votos, deu-se provimento quanto à classificação fiscal das barras chatas e quanto à exclusão da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa e os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim, quanto à classificação fiscal das barras chatas. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; e c) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à tomada do crédito sobre materiais refratários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Valter Lobato, OAB/MG 61.186.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL BARRAS CHATAS. Os produtos laminados planos, nos termos da Nota 1K do Capítulo 72 da TIPI, não enrolados e que possuam dimensões, largura e espessura, que se correlacionem do seguinte modo: largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura. Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) ou l) do Capítulo 72 da TIPI, nem à definição de fios e cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluindo os “círculos achatados” e os “retângulos modificados”, nos quais dois lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo, sendo os outros dois retilíneos, iguais e paralelos), deverá ser classificado como "Barra", na posição 72.14 da TIPI. DIREITO DE CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS. Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Assim, é de ser mantida a glosa dos materiais refratários, os quais não se caracterizam como produtos intermediários. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. O fisco deve considerar os créditos regulares na recomposição da conta gráfica, e, em apurandose diferenças, decorrentes de pagamento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 15 11 /2 01 4- 91 Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 824 2 parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, exigilas, desde que dentro do prazo decadencial, através de auto de infração. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃOINCIDÊNCIA. Não há base legal para a incidência de juros sobre multa de ofício. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, deuse provimento para cancelar o lançamento em relação ao item 3 do auto de infração (ajuste no RAIPI); b) por maioria de votos, deuse provimento quanto à classificação fiscal das barras chatas e quanto à exclusão da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa e os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim, quanto à classificação fiscal das barras chatas. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; e c) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à tomada do crédito sobre materiais refratários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Valter Lobato, OAB/MG 61.186. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 825 3 Tratase de Auto de Infração (fls.181/197) lavrado contra o contribuinte acima qualificado e Demonstrativos de fls.198/226, por meio do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 7.538.941,90, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$ 14.401.145,07, em razão de ter sido verificado o que segue. 1 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL Falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial ter promovido a saída de produto com insuficiência de imposto por erro de classificação fiscal. Informa o relatório fiscal (fl. 191) que a empresa industrializou e deu saída a produtos identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735) utilizando NCM 72.14.9100, a qual contempla os produtos como "Barras de ferro ou aço" (alínea m da nota 1 do Capítulo 72 da TIPI). Contudo, entende o Fisco, tais produtos possuem espessura igual a 4,76 mm e largura superior a duas vezes essa espessura, o que os enquadraria na posição 7211 da TIPI (produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos), consoante alínea K da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, a qual estabelece a definição de "produtos laminados planos", classificados na posição 72.11, como "produtos laminados, maciços de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij, em rolos de espiras sobrepostas, ou não enroladas, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm". Informa que os produtos laminados planos estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI, e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento), enquanto as 'barras' estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15, sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. A partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero, por força do disposto no artigo, 1º, inciso I, do Decreto 5.697/2006. Intimada pela fiscalização a justificar a classificação dos produtos definidos como 'laminados planos', na posição 72.14, que contempla a classificação de produtos definidos como 'barras', a empresa informou que o critério adotado para codificação dos produtos por ela vendidos é o mesmo de todas as empresas do ramo, que seguem as normas estabelecidas pela COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) —, à qual se vincula a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) —, em especial a Norma Técnica 1588:1996 que veio estabelecer, segundo as suas palavras, "as conceituações de cada seguimento de aço e, como conseqüência, determinar o que viria ser (conceitualmente falando) cada um dos segmentos e espécies de aço, incluídas as que agora são objeto da presente intimação (''barras chatas"); Entretanto, concluiu a fiscalização, com o emprego das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM), que os produtos "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735) atendem com perfeição às especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI, e, por conseguinte, são definidos obrigatoriamente como 'laminados planos, enquadrandose na posição 72.11. Dessa forma, são tributados pelo IPI à alíquota de 5% (cinco por cento), tendo o Fisco lançado essa diferença (de 0% para 5%) com base na nas operações de venda desses produtos apuradas nas notas fiscais eletrônicas extraídas do Sped (fls. 228/307), conforme item 0001 do auto de infração (fls. 182/183). 2 GLOSAS DE CRÉDITOS INDEVIDOS Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 826 4 Com arrimo nos Pareceres Normativos CST 260/71 e 181/74 foram glosadas as seguintes substâncias refratárias: areia, argamassa, bloco, concreto, massa e tijolo. Já com arrimo no Parecer Normativo CST 65/79 e nas informações prestadas pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal 02, por "não exercerem nenhuma ação direta sobre o produto em elaboração", forma glosados os produtos DISPERSANTE DEPOSITROL PY5204, FLOCULANTE POLYFLOC AP1120P, FORMA RHI ANKOFORM M90SIP 06C, HIPOCLORITO DE CÁLCIO E SPECTRUS CT1300 GE INFRASTRUCTURE. Todos os documentos fiscais de aquisição desses produtos encontramse listados no anexo II (fls. 308/493), estando os totais mensais dessas glosas discriminados no auto de infração à fl. 195, os quais foram utilizados na reconstituição da escrita. 3 AJUSTES NO RAIPI NÃO COMPROVADOS OU REALIZADOS INDEVIDAMENTE Instado a justificar os ajustes listados no item 2 da intimação fiscal 03 (fl. 126/127), em sua resposta o contribuinte se pronunciou somente sobre os ajustes decorrentes do auto de infração constante do processo 10640.721229/201161, alegando o seguinte: Quanto aos demais lançamentos, quedouse silente, o que levou a fiscalização a glosar os mesmos (de 06/2009 a 05/2010), conforme quadro no auto de infração à fl. 196. Em relação aos ajustes decorrentes do auto de infração de 2011, após analisálo, verificou o Fisco "que o total de débitos apurados pela fiscalização por utilização indevida do produto 'fiomáquina', para efeito de lançamento do IPI, é relativo ao período de março de 2006 a março de 2008, e montou em R$ 11.659.703,84, e não R$ 12.535.201,03 conforme alegado e utilizado pelo sujeito passivo como ajuste no RAIPI". Conclui o Fisco que a diferença (R$ 875.497,19) "representa débito não considerado no auto de infração constante do processo 10640.721229/201161, e portanto, não sujeita a ajuste tal como realizado pelo contribuinte, pelo que "entendeu por desconsiderar R$ 875.497,19 do montante dos ajustes realizados pelo contribuinte em agosto de 2011". Contestado o lançamento (fls. 499/528), a 4ª Turma da DRJ/SDR julgou improcedente a impugnação (fls. 619/647). Não resignada, a empresa interpôs o presente Voluntário (fls. 655/689), no qual, em suma, alega: 1 Pede, em preliminar, a decretação de nulidade da r. decisão por indeferimento da prova pericial em relação à glosa dos produtos refratários, pois entende que Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 827 5 "a única forma de elucidar o processo produtivo é através da elaboração de um laudo pericial, o que foi indeferido pela DRJ". Em consequência, pede que "seja anulada a r. decisão para retorno dos autos a origem para que seja determinada a produção de prova pericial, sob pena de ferir o contraditório e ampla defesa". Se assim não for, pede a conversão do presente julgamento em diligência "para elaboração de laudo técnico que demonstre a aplicação dos refratários em seu processo produtivo"; 2 Quanto à correta classificação dos produtos denominados barra chata, que o Fisco reclassificou como "produtos laminados planos" (posição 72.11 da TIPI), discorre sobre seu processo produtivo, consignando que os aços planos possuem como matéria prima a placa de aço, que após as transformações tem como produto final as denominadas "chapas" ou "bobinas". De outro turno, assevera que a categoria de "aços longos" tem como matéria prima o tarugo, sendo que seus produtos finais variam de barras (chatas, quadradas, circulares, sextavadas), perfis a arames, atendendo a vários segmentos econômicos. Conclui que "as diferenças entre os laminados planos e longos decorrem essencialmente das características físicas da matéria prima, bem como dos produtos a serem desenvolvidos". Aduz que Norma Técnica 1588:1996 da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas), à qual se vincula a ABNT, estabelece as conceituações de cada segmento de aço, determinando o que viria a ser cada um dos segmentos e espécies de aço, aí incluídas as espécies de aços da lide. Com base na normatização da COPANT, "todos os produtos glosados inseremse no segmento de aços longos e não no segmento de aços planos", o que, a seu juízo, significa que a barra de aço chata deve ser incluída como "aço longo", sendo que "por pertencerem ao segmento de aços longos que tais produtos são vendidos utilizandose a terminologia de 'Barras Chatas', vinculada à laminação de aços longos". Acresce que a legislação tributária deve ser interpretada de acordo com as normas técnicas que conceituam os processos, produtos e serviços siderúrgicos, não cabendo a TIPI "alargar a definição conceitual do que viria a ser uma barra ou produto laminado plano, mas tão somente atribuir efeitos tributários a cada um desses produtos/definições", estando tais conceitos assentados em normas técnicas competentes que visam harmonizar o entendimento sobre o tema. Alega, ainda, que sempre classificou tais produtos na posição 72.14, mesmo antes do advento do Decreto 5.697/06, quando a alíquota era 5%. No entanto, tal Decreto, afirma, "isentou do IPI os produtos no item 72.14 da TIPI", com o fito de "suprimir a tributação sobre itens que oneravam a cadeia da construção civil", aduzindo que aquela norma não isentou os produtos laminados porque os mesmos não têm relação alguma com a construção civil. 3 Quanto à glosa dos materiais refratários, após discorrer sobre o princípio da nãocumulatividade, afirma que os mesmos revestemse da características de produtos intermediários, pois "apesar de não integrarem o produto final, se consomem, seja pelo desgaste, seja pela transformação (perda de propriedades) no processo produtivo, na condição de elemento indispensável ao processo produtivo". Anota que os mesmos "são essenciais ao processo produtivo da siderurgia e mantém contato físico e atmosférico com o produto em elaboração. Alega que os TIJOLOS REFRATÁRIOS são utilizados em inúmeros equipamentos no decurso do processo produtivo do aço, como, por exemplo, na panela de gusa, na panela de aço, no forno elétrico FEA, no distribuidor de aço líquido, "dentre outros". Informa que são aplicados no equipamento pela via do empilhamento e compõem o revestimento que suporta o aço líquido, cuja temperatura é superior a 1.800 graus Celsius, para Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 828 6 evitar o contato direto do produto com a carcaça do equipamento, pelo que demandam troca periódica, em ciclos de 15 a 30 dias, evitando que o aço destrua o forno da siderúrgica pela altíssima temperatura a que é exposto. Quanto aos BLOCOS REFRATÁRIOS, averba que sua diferença em relação aos tijolos é que aqueles são feitos de concreto, enquanto estes são de argila, sendo seu tempo de reposição inferior a 60 dias, também tendo como função proteger os equipamentos da alta temperatura do aço produzido, tratandose, em seu entender, "claramente de um produto intermediário, pelo que deve ser respeitado o direito ao crédito". Em relação ao CONCRETO REFRATÁRIO, diz serem aplicados nas panelas de aço, distribuidores de aço líquido, alto forno e laminação, possuindo também função de isolamento térmico do maquinário no processo produtivo, sendo sua vida útil nunca superior a 2 meses, podendo em alguns casos "(choque térmico, erosão, etc.)" ser substituídos em ciclos de 15 dias. No que se refere à ARGAMASSA REFRATÁRIA, sua função é a de assentar os tijolos e demais materiais refratários instalados nos equipamentos do processo produtivo do aço, sendo, em geral, sua reposição programada no prazo máximo de 30 dias. Já a MASSA REFRATÁRIA tem aplicação no alto forno, forno elétrico, panela de aço líquido e distribuidor de líquido, sendo sua função precípua compor o revestimento dos equipamentos para auxiliar na proteção contra a atuação do aço em temperaturas elevadas, sendo sua reposição feita em média de 10 a 15 dias. Conclui: "se o contato desses produtos é direto com o aço e se a reposição é feita no máximo mensalmente, presentes os elementos claros para o devido creditamento de IPI. Quanto aos demais refratários, informa que são aplicados no forno elétrico, compondo o revestimento desse equipamento contra a ação do metal lá produzido. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial que vai ao encontro do seu entendimento, afirmando estarem superados os Pareceres Normativos citados pela fiscalização e DRJ. Quanto aos ajustes no RAIPI que levou à glosa do valor de R$ 875.497, consigna que o débito derivase na verdade de dois autos de infração, relativos à mesma infração (um de lançamento 10640.721229/201161 e outro da multa regulamentar por falta de destaque mas com saldo credor 10640.722103/201111). Alega que na coluna "débitos apurados" (doc. 04), o fiscal excluiu o valor de fevereiro/2008 (R$ 581.886,18), vez que atingido pela decadência (fato já observado pela fiscalização), mas não atentou para o fato que ao reconstituir o saldo do PA para R$ 310.894,59, o contribuinte sofreu um abatimento de R$ 270.991,59 sobre o seu saldo credor, que seria utilizado nos meses subseqüentes, efetivamente debitado da conta gráfica da empresa, o que leva os débitos vinculados a totalizarem R$11.930.695,43 e não os R$11.659.703,84 alegados pelo fisco. Insurgese, ainda, contra a multa de ofício no percentual aplicado, entendendo ter a mesma natureza confiscatória. Por fim, mantida a exação, entende não haver previsão legal para incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Lido o relatório na Sessão do dia 17/05/2016, feita a sustenção oral e lido o voto, o procurador da empresa alegou que havia sido juntado aos autos após este relator ter relatado e julgado o presente recurso voluntário, de forma unilateral pela empresa, o laudo técnico de fls. 732/783, que entende a recorrente corroborar com os termos de sua peça recursal. Diante deste fato novo, solicitei ao Sr. presidente desta Turma Ordinária que o processo fosse retirado de pauta, tendo constado na Ata de Julgamento: Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo: 10640.721511/201491 Recorrente: ARCELORMITTAL BRASIL Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 829 7 S.A. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Pediu a retirada de pauta: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Outros eventos ocorridos: Retirado de pauta a pedido do relator, a fim de que se dê vista à Procuradoria da Fazenda Nacional do laudo técnico que estava pendente de juntada aos autos no eprocesso. Os votos proferidos pelo relator, pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro e pelo Conselheiro Waldir Navarro Bezerra serão desconsiderados, em razão da retirada de pauta solicitada pelo relator. Em face dessa causa da retirada de pauta, despachei ao Sr. presidente nos seguintes termos (fl. 785): Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção O Laudo Técnico de fls. 732/783 foi juntado unilateralmente aos autos pela recorrente, em 17/05/2016 (fl. 784), mesmo tendo a r. decisão negado o pedido de perícia. Em face desse fato novo, o processo foi retirado de pauta, conforme consta da Ata de Reunião de julgamento desta Turma Ordinária referente ao período de 17/05/2016 a 19/05/2016. Em face disso, abrase vista dos autos a douta Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) para que: 1 Manifestese acerca da validade da juntada dessa perícia técnica ao processo, uma vez que ela vai de encontro ao decidido pela r. decisão, cujo indeferimento foi uma das questões ventiladas na peça recursal; 2 Caso entenda a PFN que a prova técnica não foi juntada a destempo e em afronta ao decidido pela r. decisão, manifestese sobre seu teor. À sua consideração. À fl. 786, o Sr. presidente determinou o encaminhamento dos autos à PFN "para manifestação". A PFN assim se pronunciou (fls. 788/790): A UNIÃO (Fazenda Nacional), por intermédio da procuradora que abaixo subscreve, vem manifestarse acerca do “laudo pericial” apresentado pela contribuinte, conforme determinação contida no despacho s/nº 4ª Câmara – 2ª Turma. Em breve resumo, a contribuinte acostou aos autos Laudo Técnico às fls. 732/783, não obstante a decisão de primeira instância ter rejeitado expressamente o pedido de perícia, em razão de sua prescindibilidade para o deslinde da causa, conforme se extrai do voto de primeira instância: Quanto ao pedido de perícia, cabe enfatizar que, além de estarem presentes nos autos elementos suficientes para firmar o convencimento necessário ao julgamento da lide, não há como Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 830 8 acatar a premissa de que faltou à fiscalização um conhecimento técnico do setor siderúrgico. Constatase do processo, a existência de elementos que esclarecem de modo satisfatório aspectos relativos à identificação dos produtos sob análise e os critérios utilizados para concluir que estes não se tratam de produtos intermediários, logo sujeitos a glosa dos créditos. Outrossim, notase que a fiscalização utilizou a aplicação das regras do Sistema Harmonizado para a reclassificação na TIPI dos produtos denominados barras chatas. A classificação fiscal não se reveste da condição de aspecto técnico, mas se subordina exclusivamente às normas do Direito Tributário que disciplinam a matéria. Ou seja, a classificação fiscal de mercadorias/produtos é, efetivamente, matéria tributária, obedecendo às regras próprias da legislação específica. Nesse sentido, importa transcrever os preceitos do caput do art. 30 e seu § 1º, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo FiscalPAF: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1º. Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (negritos acrescidos) Portanto, como já mencionado, verificase restar evidenciado o motivo da autuação e a sistemática aplicável à constituição do crédito tributário, bem como clara a compreensão pelo autuado em todo o seu contexto, tanto que contestada em pontos específicos. Há, portanto, informações nos autos suficientes para a autoridade julgadora formar entendimento e convencimento acerca da lide em questão. O pedido de perícia apresenta os requisitos indispensáveis, de acordo com o PAF, art. 16, § 1º, c/c inciso IV, significa dizer, a formulação de quesitos e a indicação do perito. Todavia, evidentemente, a composição do presente litígio administrativo prescinde da realização de perícia, nos termos da argumentação. Com efeito, indeferese o pedido de perícia, por ser prescindível Assim, impossível a juntada e análise de resultado de perícia técnica, quando esse pedido foi expressamente enfrentado e rejeitado pela instância de origem. Assim, tal como ressaltado pelo i. Relator, aceitar a juntada de laudo técnico nesse momento vai de encontro ao decidido pela r. decisão, cujo indeferimento foi uma das questões ventiladas na peça recursal. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 831 9 Outrossim, ainda que não tivesse sido indeferido tal pedido, nos termos do § 4º, e alíneas, e § 5º do art. 16 do Decreto 70.235/72, a contribuinte não poderia, neste momento do processo, apresentar qualquer documento, uma vez que houve a preclusão de tal direito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com efeito, nenhum dos motivos excepcionais previstos na Legislação teria sido comprovado pela recorrente, a fim de justificar a eventual juntada de documentos após a fase impugnatória inicial. Logo, por não restar provada qualquer uma das referidas exceções legais, é de concluir que o direito de apresentar prova precluiu. Nesse sentido é o entendimento referendado no acórdão nº 20177370: PROCESSO ADMINISTRATIVA FISCAL. PRECLUSÃO. A instrução processual é concentrada no momento da impugnação. Considerase precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância a juntada posterior e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Assim, requer não seja admitida a juntada do Laudo Técnico apresentado pela contribuinte, em razão da ocorrência de preclusão, determinandose, por consequência, o seu desentranhamento. Termos em que pede deferimento. Brasília, 13 de junho de 2016. Retornaramme os autos em 28/06/2016. Em 19/07/2016, a recorrente, "diante da ausência de manifestação da União Federal sobre o laudo apresentado pela empresa", junta nova petição na qual traz razões adicionais (fls. 794/801) sobre a questão acerca da classificação fiscal das denominadas "Barras Chatas", onde quer rediscutir o mérito. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 832 10 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Quanto à preliminar de nulidade pelo não acatamento do pedido de perícia é de ser refutada, pois a r. decisão o fez de forma fundamentada de acordo com sua convicção no sentido de que há nos autos elementos suficientes "que esclarecem de modo satisfatório aspectos relativos à identificação dos produtos intermediários, logo sujeitos a glosa dos créditos". Só haveria que se falar em cerceamento ao direito de defesa se o indeferimento fosse desmotivado, o que não ocorreu, como visto. Demais disso, em sua peça inicial averbou que acostaria laudo técnico, o que poderia ter feito nas variadas oportunidades que teve para fazê lo, mas não o fez. Resta claro que não houve qualquer prejuízo à defesa. Portanto, o laudo anexado aos autos de forma unilateral pela recorrente em data posterior à juntada da peça recursal, após, inclusive, este relator já ter lido o recurso voluntário e o julgado, foi feito de forma abusiva pela recorrente, pois totalmente a destempo, nos termos do §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto 70.235/72. A produção de provas no rito deste Decreto se concentra no momento da impugnação, como consabido, a não ser para controverter fato novo ou prova que a prima facie venha ao encontro da verdade material, o que não é o caso. A recorrente não quer ver julgada suas razões, mas sim tentar impôlas a todo custo, como se o processo não tivesse fim e os julgadores não estivessem jungidos ao princípio da livre convicção. Mas, em que pese essa postura da recorrente, os termos do chamado laudo em nada altera a convicção deste julgador quanto à classificação fiscal das barras chatas, até porque não se considera aspecto técnico a classificação fiscal de produtos, conforme explicitado no Decreto 70.235/72, como segue: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1º. Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Assim, rechaço a pugnada nulidade. Também indefiro o pleito da PFN para que o Laudo anexado a destempo seja desentranhado dos autos. A permanência do mesmo é uma forma de deixar documentada a indevida atitude da recorrente e provada sua intenção de tumultuar o feito, pois juntado ao arrepio das normas processuais, uma vez que o pedido de perícia havia sido EXPRESSAMENTE DENEGADO. E, demais disso, ele em nada mudou a convicção deste julgador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS BARRAS CHATAS Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 833 11 Gizese, inicialmente, que de acordo com o RIPI, a classificação fiscal das mercadorias se materializa em um dos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, adotado pelo Brasil por meio do Decreto nº 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1888. De sua feita, o código é obtido mediante a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), das Regras Gerais Complementares (RGC) e notas complementares, todas da Nomenclatura Comum do Mercosul. E, de forma subsidiária, pelas normas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) de Designação e de Codificação de Mercadorias, assim como as Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Portanto, a atividade de definição de classificação fiscal é de natureza tributária, vale dizer, consiste na aplicação da norma tributária ao fato. Portanto, livre está o auditor fiscal para formar sua convicção a respeito, em que pese ser seu dever cercarse do maior número de informações técnicas, mas nunca podendo ir de encontro à sistemática normativa para a classificação fiscal de mercadorias. Segundo a NESH na presente subposição 7211.90 abrange: os produtos semelhantes aos referidos nas posições 72.08 e 72.09, com a diferença, todavia, de terem uma largura inferior a 600 mm. As disposições das posições 72.08 e 72.09 aplicamse, mutatis mutandis, aos produtos da presente posição, com exceção das relativas à largura (ver também as Considerações Gerais do presente Capítulo). Entre os produtos aqui incluídos, podem citarse as chapas universais (placas*), com uma largura superior a 150 mm mas inferior a 600 mm, e as folhas e tiras. As folhas e tiras são normalmente obtidas a quente, por relaminagem de certos produtos semimanufaturados da posição 72.07, e podem voltar a ser laminadas a frio, a fim de se obterem produtos de menor espessura e com melhor qualidade. As folhas e tiras obtêmse igualmente por corte de chapas ou de tiras largas das posições 72.08 ou 72.09. Os produtos desta posição podem ter sido submetidos a diversas operações, tais como estriamento, gofragem, arredondamento de arestas, biselamento, ondulação, etc., desde que essas operações não lhes confiram características de artefatos ou obras incluídas em outras posições. Estes produtos são utilizados principalmente para arquear caixas, tonéis e outros recipientes, para fabricação de tubos soldados, de ferramentas (lâminas de serras, por exemplo), de perfis dobrados, de correias transportadoras, na indústria do automóvel e para produção de numerosos artefatos (para embutimento, dobragem, por exemplo). Esta posição não inclui: Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 834 12 a) Os arames retorcidos, mesmo farpados, em tiras, de ferro ou aço, dos tipos utilizados em cercas (posição 73.13). b) Os grampos ondulados ou biselados, em peça ou cortados nas dimensões próprias, para reunir peças de madeira (posição 73.17). c) Os esboços de obras do Capítulo 82 (incluídos os esboços de tiras para lâminas de barbear). Esta posição não inclui: a) Os arames retorcidos, mesmo farpados, em tiras, de ferro ou aço, dos tipos utilizados em cercas (posição 73.13). b) Os grampos ondulados ou biselados, em peça ou cortados nas dimensões próprias, para reunir peças de madeira (posição 73.17). c) Os esboços de obras do Capítulo 82 (incluídos os esboços de tiras para lâminas de barbear). No Capítulo 72 da TIPI se inserem Ferro fundido, Ferro e Aço, parte de uma classificação mais abrangente, a da Secção XV, relativa aos Metais Comuns e suas Obras. As discordâncias entre Fiscalização e contribuinte estão nas posições 7211 e 7214, cujas pormenorizações se encaixam nos códigos NM 7211.14.00, por parte da Fiscalização, e 7214.91.00, pelo lado do contribuinte. A regra 1ª RGI dispõe que: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas..." Ambos produtos denominados pelo contribuinte de "Barra Chata" têm espessura superior a 4,75 mm (4,76mm), e largura pelo menos duas vezes maior que a espessura (12,70mm e 15,87mm), o que é inconteste. Essas características forçam sua classificação na posição 72.11, como produtos laminados planos. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e alteradas pela Instrução Normativa SRF nº 123, de 22 de outubro de 1998 (suplemento ao Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 1998), relativas à posição 7211, esclarecem na Nota k) que nela só se classificam os produtos laminados planos de ferro ou aço não ligado, de largura igual ou superior a 600 mm, folheados ou chapeados, ou revestidos. Nesta posição se incluem os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1 ij. Com efeito, os esclarecimentos para a reclassificação constam da Nota 1, alíneas k e m, do capítulo 72. Capítulo 72 Ferro fundido, ferro e aço Notas. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 835 13 1.Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e f) da presente Nota, na Nomenclatura, consideramse: .... k)Produtos laminados planos Os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam a definição da Nota 1 ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos do contribuinte, oriundos da laminação, por ele denominados de barras chatas e nessas condições reclassificados pela Fiscalização, considerando as funções principal e secundária, princípio e descrição do funcionamento, bem como forma e dimensão da mercadoria apresentam dimensões que satisfazem a conceituação da alínea “k” acima transcrita: não são enrolados e possuem dimensões, largura e espessura, que se correlacionam do seguinte modo: "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (conversão 12,70mm X 4,76mm) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (conversão 15,87mm X 4,76mm). Dessarte, não há como deixar de reclassificar os produtos no segmento dos aços planos, que indica a posição 7211 como destino do produto, isto é, a posição em que devam situar os produtos que satisfaçam às condições ali especificadas. Em consequência, entendo correta a classificação adotada pelo Fisco. A Norma Técnica 1588:1996 da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas), trazida à baila pela recorrente, pode subsidiar a correta classificação fiscal, mas não se sobrepõe às normas que determinam o caminho a percorrer para que se chegue ao correto código da mercadoria. E também o fato de que vinha classificando tal mercadoria há anos na posição 72.14 não é impedimento para que a posteriori o Fisco a reclassifique, como feito no caso em exame. PRODUTOS REFRATÁRIOS A respeito da glosa dos produtos refratários, tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa e demais produtos refratários glosados não especificados pelo impugnante, a matéria deve ser analisada à luz da legislação pertinente. O art. 164 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002) então vigente, expressamente dispunha que: Art.164. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502/64, art. 25) I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que embora não se integrando no novo produto, forem Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 836 14 consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (negritei) Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65/1979 expressamente reconhece que a expressão “consumidos” “há de ser entendida em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, donde fazem jus ao crédito “as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”, enquadremse no conceito de “produtos consumidos”. Sobre o assunto, o referido parecer informa: 4.2 – Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Para o contribuinte, todos itens refratários são “produtos intermediários” (PI), mesmo que não se integrem física ou quimicamente ao produto final, mas que se desgastem no curso do processo produtivo. Em verdade, os mesmos destinamse à manutenção do seu parque produtivo, das máquinas que vão produzir o produto industrializado e que não podem ser confundidas com o próprio processo produtivo e o produto final a ser obtido. No Recurso Especial nº 1.075.508SC, julgado em 23/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ele bem faz a distinção entre “consumo” do produto e o “mero desgaste” indireto do produto sem ação direta no processo produtivo, que é o caso dos materiais refratários, e que, por isso, não geram direito a crédito de IPI. Desse julgado destacase o excerto abaixo transcrito. Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose “aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumos, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa (sublinhado no original). Por esses mesmos motivos que os materiais refratários utilizados no forno elétrico e panela de aço não geram direito a creditamento do IPI. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 837 15 O Parecer Normativo 260/71, que trata especificamente deste tema dos refratários, e os acórdãos nº 1019786 e 188630, dentre outros, são explícitos quanto à não admissão do crédito de IPI de materiais refratários: Parecer Normativo CST n° 260, de 1971 Substâncias refratárias adquiridas por usinas siderúrgicas e destinadas à construção ou reparo (manutenção) dos fornos e demais instalações. Não constituindo matériaprima ou produto intermediário, estão excluídas do direito ao crédito previsto no inciso I, do Art. 30, do RIPI (Decreto nº 61.514/67). ............. 8 Isto posto, não se aplica à hipóteses em epígrafes o direito previsto no Art. 30, inciso I, do Regulamento aprovado com o Decreto nº 61.514/67, por não atenderem ao conceito nele especificado os produtos refratários e ignífugos adquiridos por indústrias siderúrgicas, vez que não se compreendem como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, destinados que são ao emprego na construção ou reparo (manutenção ou recondicionamento) de seus fornos e demais instalações, tais, como, caçambas, lingoteiras etc., citandose como exemplo as argamassas refratárias; os refratários prémoldados, apresentandose em tijolos, cunhas, suportes, placas, muflas etc., os materiais pulverulentos, tais como a magnesita, a diatomita (kieselgur), a lã de rocha ou de vidro etc., isolantes térmicos empregados para evitar a fuga do calor, nas corridas do forno, bem como as demais misturas destinadas a reparar as partes do revestimento e condutos sujeitos à ação agressiva do banho ígneo. 9 Cumpre ter em vista que os materiais refratários submetidos à ação do metal em estado de fusão e às elevadíssimas temperaturas reinantes no interior dos fornos, lingoteiras, caçambas etc., perdem a resistência que lhes é característica e se desgastam, considerandose desgaste de uma peça o arrancamento de partícula da sua superfície, geralmente por abrasão ou atrito, o qual, quando continuado, termina por inutilizar a peça. O desgaste observado, é certo, é o fator que determina a oportunidade de substituição dos refratários, visando à melhor proteção dos revestimentos das instalações. Mas isto nada tem a ver com o direito ao crédito do tributo incidente sobre as matériasprimas e produtos intermediários consumidos nos artigos objeto da elaboração. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Haja vista, para simples ilustração teórica, que se chegaria ao mesmo resultado se se empregasse (no caso em foco) um refratário imune ao desgaste. Tratase não caber a menor dúvida, de circunstância acidental e não de um requisito essencial do processo de industrialização. Embora o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, tenha reformulado parte do entendimento antes fixado no Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, adaptandoo às inovações introduzidas pelo art. 66, inciso I, do RIPI/1979, que prevalecem até hoje, não Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 838 16 alterou o entendimento segundo o qual o direito ao crédito não se estende a partes e peças de máquinas em nenhuma hipótese, ou seja, ainda que não incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que, por suas qualidades ou características tecnológicas, se desgastem em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que o produto exerçe sobre elas. Em tais condições, semelhante direito ao crédito só foi admitido, em virtude das inovações da legislação decorrentes do RIPI/1979, às ferramentas manuais e intermutáveis que não sejam partes de máquinas. Ademais, o refratário não agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Em outras espécies de equipamento, como os usados em indústrias químicas, os isolamentos térmicos são colocados no lado de fora dos equipamentos e tubulações, e também têm o objetivo de evitar a perda de calor e variações na temperatura. A única diferença para a siderurgia é que na indústria química não é necessário a proteção da parede interna do equipamento, cuja composição (seja metálica ou não), já oferece resistência à abrasão a ao ataque químico. Os refratários colocados no interior de fornos terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Fica claro que o refratário faz parte do equipamento, e este tem a função de transferir calor gerado pela queima do combustível para a substância de interesse. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Se não houvesse a necessidade de proteger a parte interna do equipamento, os refratários seriam colocados do lado de fora, apenas com a função de isolamento térmico. E não teriam qualquer contato com o produto. Assim, o fato de ocorrer ou não contato com o produto fabricado não modifica as qualidades ou características tecnológicas dos refratários, que de qualquer maneira não podem ser incluídos entre as matériasprimas e os produtos intermediários a que ser refere a segunda parte do art. 226 do RIPI/2010. A interferência nas propriedades do aço pela agregação de partículas do refratário é algo indesejado, um efeito colateral negativo, algo que deve ser minimizado tanto quanto possível. E tal efeito negativo só é aceito e suportado em nome do benefício de proteção do equipamento. Não há dúvida de que o refratário entra em contato com o aço. O que se questiona é se o refratário faz ou não parte de um equipamento. E a resposta é SIM. Todos os equipamentos que terão contato direto com o metal líquido já são construídos com a cobertura refratária, e não podem ser usados em separado. Ou seja, os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias siderúrgicas para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitarse a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas desses fornos e panelas necessárias ao processo de fundição e derretimento dos demais insumos para obtenção do aço. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção no equipamento. Ele se desgasta com o uso do equipamento (do mesmo modo que o pneu de um caminhão, os rolamentos de um motor, etc). Não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 839 17 Embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com MP e PI, mas sim com os bens do ativo permanente, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Portanto, concluo os que materiais refratários (tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa) não geram direito ao crédito do IPI, pelo que escorreita a glosa dos mesmos AJUSTE DO RAIPI Por meio de notas fiscais emitidas entre fevereiro de 2006 e agosto de 2007, o contribuinte deu saída ao produto “fio máquina” sem destaque do IPI. Em procedimento fiscal, constatouse que este produto era classificado no código TIPI 7227.90.00, cuja alíquota era de 5%. Em março de 2011, tal irregularidade foi objeto de Autos de Infração. Posteriormente, o contribuinte emitiu notas fiscais complementares onde lançou o valor total de R$ 12.535.201,00, referente a imposto que deixou de destacar nas notas fiscais de saída de “fio máquina”. Tal montante foi consignado como débito no livro Registro de Apuração do IPI relativo a agosto de 2011. No mesmo período de apuração, o contribuinte consignou no livro Registro de Apuração do IPI o estorno do valor de R$ 12.535.201,03, tendo informado que fez tal estorno “para que não houvesse duplicidade de lançamentos”, embora não tenha ficado esclarecido o motivo para o contribuinte ter emitido notas fiscais complementares referentes a imposto que já tinha sido lançado de ofício, e também não foi informado como a empresa chegou ao valor de R$ 12.535.201,0. No procedimento fiscal sob julgamento, a fiscalização constatou que o valor de R$ 12.535.201,03 é superior ao débito lançado de ofício no Auto de Infração lavrado em março de 2011. Portanto, uma parcela deste valor não deveria ter sido objeto de estorno no livro, porque em relação a ela não ocorreu duplicidade de lançamento. Analisando o recurso do contribuinte, observase que ele não contesta o fato de que uma parcela do valor de R$ 12.535.201,03 não poderia ter sido objeto de estorno no livro. A divergência está no montante desta parcela. A fiscalização considerou que o montante do débito incluído no Auto de Infração de março de 2011 foi de R$ 11.659.703,84, correspondente a débitos apurados a partir de março de 2006. A fiscalização esclareceu que, embora tenham sido apurados débitos relativos ao mês de fevereiro de 2006, eles não foram cobrados no Auto, porque este período estava abrangido pela decadência. Em seu recurso, o contribuinte alegou que o total de débitos vinculados ao Auto de Infração de março de 2011 foi de R$ 11.930.695,43 (ou seja, R$ 270.991,59 a mais do que R$ 11.659.703,84). Para que se entenda o montante apontado pela empresa, esclareçase que o livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento apresentava um saldo credor de R$ 270.991,59 no mês de fevereiro de 2006. No citado mês, a fiscalização apurou débitos de R$ 581.886,18. Em função dos débitos apurados, o saldo credor de escrita foi zerado na Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 840 18 reconstituição. Além disto, apurouse um saldo devedor de R$ 310.894,59, que não foi cobrado por causa da decadência. Como o valor de R$ 270.991,59 foi efetivamente debitado da conta gráfica do estabelecimento, a empresa defende que ele seja somado ao montante de R$ 11.659.703,84 (débitos apurados a partir de março de 2006), chegandose ao valor de R$ 11.930.695,43. Entendo que a empresa tem razão em sua argumentação. Assim, neste ponto dou provimento ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao item 3 do Auto de Infração (fl. 189) MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIO. A multa de ofício foi aplicada de acordo com o que dispõe o art. 80 da Lei 4.502/64, com redação do art. 13 da Lei nº 11.488/2007, a qual é válida, vigente e eficaz, pelo que sem qualquer vício a impedir sua aplicação. Contudo a recorrente, entende que ser percentual é desarrazoado, chegando a ter natureza confiscatória. Para que se adentrasse nesse mérito, teríamos de adentrar na análise constitucional da norma legal que a veiculou, o que refoge à competência de órgãos julgadores administrativo, sendo de exclusiva competência do Judiciário. Nesse sentido, o enunciado da Súmula 02 do CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Nesse ponto, adoto o entendimento inserto no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF, julgado em 15/03/2013. Repiso o voto do relator, Henrique Pinheiro Torre, vazado nos seguintes termos, o qual adoto como fundamento de decidir. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 841 19 Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 842 20 Para eliminar quaisquer dúvidas que ainda restassem, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a matéria, conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 04/12/2012: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora o caso paradigmático aresto tratasse de exação de tributo estadual, asseverou o Ministro relator do Agravo: Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. Forte em todo exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao item 3 do mesmo (fl. 189). É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 843 21 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Tratase nesta declaração de voto da questão relativa à classificação fiscal da mercadoria Barra Chata (BCH), bem como da incidência de juros sobre multa de ofício. Quanto às demais matérias, adiro ao voto vista apresentado pela Ilustre Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. 1. Classificação fiscal das "Barras Chatas" Haja vista a existência de divergência entre o Fisco e a Recorrente, entendendo aquele que deveriam ser classificadas, para efeitos de tributação pelo IPI, como "produtos laminados planos" (posição 72.11 da TIPI alíquota de 5%), enquanto esta defende que tais produtos devem ser classificados como "barras" (posição 72.14 da TIPI alíquota zero), é preciso enfrentar com rigor o enquadramento de tais posições. As classificações sobre as quais gira a divergência são as seguintes: 72.11. Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos. 72.14. Barras de ferro ou aço não ligado, simplesmente forjadas, laminadas, estiradas ou extrudadas, a quente, incluindo as que tenham sido submetidas a torção após laminagem. Nas notas explicativas da respectivo capítulo consta o seguinte: K) Produtos laminados planos Os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam a definição da Nota 1 ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de uma largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo, ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificam se como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artigos ou obras incluídos noutras posições. Os produtos laminados planos, de quaisquer formas (excluindo a quadrada ou a retangular) e dimensões, classificam se como produtos de largura igual ou superior a 600 mm, desde que não Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 844 22 tenham as características de artigos ou obras incluídos noutras posições. m) Barras Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) ou l), acima, nem à definição de fios e cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluindo os “círculos achatados” e os “retângulos modificados”, nos quais dois lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo, sendo os outros dois retilíneos, iguais e paralelos). Estes produtos podem: apresentarse dentados, com nervuras, sulcos (entalhes) ou com relevos, produzidos durante a laminagem (vergalhões para concreto (betão*)), ter sido submetidos a torção após a laminagem. Segundo a Fiscalização, para efeitos de enquadramento na TIPI, todo produto deveria primeiro verificar se atende à classificação de 'produto laminado plano' para somente depois, diante da resposta negativa, poder ser classificado como 'barra'. Nesse aspecto, possui razão a fiscalização, visto que a nota explicativa "m" deixa claro a subsidiariedade da classificação "barras" em relação àquelas presentes nas alíneas "ij, k ou l". O critério aplicado pela fiscalização foi o seguinte: não enrolados, de uma largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura. Analisemos essas condições para pertencimento no conjunto L de laminados planos: I) X pertence a L se [(ESPESSURA < 4,75mm) E (LARGURA ≥ 10xESPESSURA)]. II) X pertence a L se [(ESPESSURA ≥ 4,75mm) E (LARGURA > 150,00mm) E (ESPESSURA ≤ LARGURA/2)]. Pois bem, de posse dos requisitos para pertencimento à classe dos laminados planos, como pretendido pela fiscalização, podemos analisar os produtos denominados pelo Recorrente de "Barras Chatas", para verificar se os mesmos estão adequados às condições suficientes. O contribuinte industrializou e deu saída aos produtos comercializados identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735) utilizando a posição NCM 72149100, que contempla os produtos definidos como "Barras de ferro ou aço" (alínea m da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI). Conforme a fiscalização. ambos têm espessura superior a 4,75 mm (4,76mm), e largura pelo menos duas vezes maior que a espessura (12.70mm e 15,87mm). Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 845 23 Isso permite inferir, de plano, que ambos os produtos estão sujeitos ao critério II. [(ESPESSURA ≥ 4,75mm) (LARGURA > 150,00mm) (ESPESSURA ≤ LARGURA/2) Barra Chata 4,76 x 15,87mm Sim Não Sim Barra Chata 4,76 x 12,70mm Sim Não Sim É sabido que na lógica clássica, quando existem diversas condições conectadas por uma ou mais conjunções, somente o atendimento conjunto de todas elas torna atendido o critério o pertencimento à determinada classe. No caso em tela, resta claro que as Barras classificadas pelo contribuinte não se enquadram na classificação proposta pela Fiscalização, visto que requisito necessário é que, caso tenham a espessura maior que 4,75mm, sua largura seja superior a 150mm, sem ultrapassar a metade da largura. A razão do equívoco classificatório resta claro quando se compulsa o relatório fiscal: Verificase, no final do parágrafo, que o fiscal realizou uma interpretação do dispositivo presente na TIPI totalmente desvinculado de sua literalidade. Em sua leitura (largamente equivocada, digase) entendeu que os requisitos seriam os seguintes: I) X pertence a L se [(ESPESSURA < 4,75mm) E (LARGURA ≥ 10xESPESSURA)]. II) X pertence a L se [(ESPESSURA ≥ 4,75mm) E (LARGURA > 150,00mm) III) X pertence a L se [(ESPESSURA ≥ 4,75mm) E (LARGURA > 2x ESPESSURA) Ora, esse critério III não existe no dispositivo que cuidamos de repisar aqui, mais um vez, para que fique claro seu conteúdo: "ou de uma largura superior a 150 mm, se a espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura.". Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 846 24 O que essa regra coloca é que a largura deve ser superior a 150 mm para o enquadramento como laminado plano, mas ao mesmo tempo essa espessura não pode exceder metade da largura. Seria o caso, por exemplo, de um produto com a largura de 150mm e 76mm de espessura, que não poderia ser classificado como laminado. A assunção de uma premissa errada e desvinculada do texto expresso da TIPI gerou o erro de classificação por parte da Fiscalização. Afastada a possibilidade de se incluir os produtos em análise na classificação 72.11, como pretendido pela fiscalização, recaise na classificação na posição 72.14 ("barras"), como pretendido pelo Recorrente. 2. Dos juros sobre a multa de ofício Cabe analisar a questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Essa questão já foi enfrentada em inúmeros julgados no CARF, não sendo uma questão pacífica, entre os quais cito o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 847 25 As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 848 26 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Além disso, pretendo o Conselheiro Relator invocar o art. 43 da Lei 9.430/1996 para determinar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, olvidando que tal dispositivo trata exclusivamente dos casos de autuação de multa isolada, como se depreende da literalidade do seu parágrafo único: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, afasto a incidência dos juros sobre a multa de ofício, por ausência de fundamento legal. 3. Conclusão Assim, dou provimento ao seu Recurso Voluntário para afastar a cobrança de IPI sobre os produtos comercializados identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 849 27 (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735), e afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. É como voto. Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Quanto à classificação fiscal das barras chatas, ao crédito quanto aos produtos refratários e aos juros sobre a multa de ofício, ouso em divergir do Ilustre Relator, pelas razões a seguir expostas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS BARRAS CHATAS Como bem elucidado pelo Ilustre Relator, em conformidade com o RIPI (arts. 16 e 17 dos Decretos n.º4.544/2002 e n.º 7.212/2010) a classificação fiscal das mercadorias é adotada de acordo com um dos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Para a correta interpretação desses códigos, o Regulamento exige a observância das "Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal (...) bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado" (art. 17, RIPI) A classificação fiscal das mercadorias é, portanto, uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada, portanto, em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em recente julgamento neste E. CARF em julgado de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 850 28 A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei). No presente caso, como relatado, as mercadorias da Recorrente "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735) foram enquadradas pela fiscalização no código NCM 72.11 em detrimento do código NCM 72.14.91.00 adotado pela Recorrente: AUTO DE INFRAÇÃO RECORRENTE 72.11. Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos. 72.14. Barras de ferro ou aço não ligado, simplesmente forjadas, laminadas, estiradas ou extrudadas, a quente, incluindo as que tenham sido submetidas a torção após laminagem 7214.91.00 De seção transversal retangular Como se depreende do Auto de Infração sob análise, a fiscalização entendeu pelo enquadramento na posição da NCM 72.11 por entender que estas mercadorias tem espessura igual a 4,76 mm e largura superior a duas vezes essa espessura. Nas exatas palavras da fiscalização: "1) Classificação fiscal incorreta. O estabelecimento industrializou a deu saída aos produtos comercializados identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (código 116294) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (código 121735) utilizando a posição NCM 72149100, que contempla os produtos definidos como "Barras de ferro ou aço" (alínea m da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI). Acontece que tais produtos possuem espessura igual a 4,76 mm e largura superior a duas vezes essa espessura, fato que os enquadra na posição 7211 da TIPI (Produto Laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos), consoante alínea K da Nota 1 do Capítulo 72, a qual estabelece a definição de "Produtos Laminados Planos", classificados na posição 72.11 da citada tabela como: produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam a definição da Nota 1 ij) anterior em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm". Com efeito, os produtos laminados planos estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI, e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento), enquanto as Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 851 29 'barras' são classificadas nas posições 72.14 e 72.15, sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. A partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero, por força do disposto no artigo 1º, inciso I, do Decreto 5.697/2006" (fl. 191 grifei). Entretanto, a simples leitura desta fundamentação do Auto de Infração evidencia um grave vício que macula por completo esta exigência fiscal. Com efeito, observase que a fiscalização não apontou exatamente em qual NCM, dentro da posição 72.11, o produto da Recorrente se enquadraria, não indicado sua subposição exata, com a numeração de, no mínimo, 6 dígitos. Esta deficiência no enquadramento jurídico da autuação é igualmente identificada no trecho da Informação Fiscal na qual o valor do tributo devido foi recalculado (fls. 228/307): Ora, como se depreende da TIPI, existem diferentes subposições dentro da referida posição 72.11, a depender de se tratar de laminados "a quente" ou "a frio": "7211.1 Simplesmente laminados a quente: 7211.13.00 Laminados nas quatro faces ou em caixa fechada, de largura superior a 150 mm e de espessura igual ou superior a 4 mm, não enrolados e não apresentando motivos em relevo 7211.14.00 Outros, de espessura igual ou superior a 4,75 mm 7211.19.00 Outros 7211.2 Simplesmente laminados a frio: 7211.23.00 Que contenham, em peso, menos de 0,25 % de carbono 7211.29 Outros 7211.29.10 Com um teor de carbono superior ou igual a 0,25 %, mas inferior a 0,6 %, em peso 7211.29.20 Com um teor de carbono superior ou igual a 0,6 %, em peso 7211.90 Outros 7211.90.10 Com um teor de carbono superior ou igual a 0,6 %, em peso 7211.90.90 Outros" (grifei) Desta forma, quando da revisão da classificação fiscal, a fiscalização deixou de indicar a precisa NCM na qual os produtos comercializados pela Recorrente se enquadrariam, indicando apenas a posição (72.11) e a alíquota de 5% (indicada na TIPI para todas as subposições acima indicadas). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 852 30 Ora, a ausência da precisa indicação da classificação fiscal da mercadoria no entendimento da fiscalização é um grave erro de direito cometido pela fiscalização, suficiente para anular, neste ponto, o Auto de Infração. Isso porque, com a identificação apenas da posição da NCM (4 primeiros algarismos), não é possível identificar precisamente qual o código da TIPI no qual os produtos da Recorrente se enquadrariam e, por conseguinte, precisar o fato gerador do IPI em conformidade com o art. 2º do RIPI: "Art. 2o O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1o, e DecretoLei no 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1o). Parágrafo único.O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (não tributado) (Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, art.6º)." (grifei) Tratase, portanto, de uma falha na identificação de elemento essencial da regra matriz de incidência tributária, para a efetiva subsunção do fato à norma (antecedente normativo hipótese de incidência), vez que não é possível identificar, no entender da fiscalização, em qual NCM se enquadram, exatamente, as mercadorias. E neste ponto é crucial frisar que, por se tratar de estabelecimento industrial, a Recorrente está obrigada desde 2009 a informar em todas as suas Notas Fiscais emitidas a NCM completa, e não apenas a posição como feito pela fiscalização. É o que exige o inciso V, 'a' e §4º da Cláusula Terceira do Ajuste SINIEF n.º 07/2005, desde sua redação dada pelo Ajuste SINIEF n.º 12/2009: "Cláusula terceira A NFe deverá ser emitida com base em leiaute estabelecido no “Manual de Integração Contribuinte”, por meio de software desenvolvido ou adquirido pelo contribuinte ou disponibilizado pela administração tributária, observadas as seguintes formalidades: (...) V A identificação das mercadorias comercializadas com a utilização da NFe deverá conter, também, o seu correspondente código estabelecido na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, nas operações: a) realizadas por estabelecimento industrial ou a ele equiparado, nos termos da legislação federal; (...) § 4º Nas operações não alcançadas pelo disposto no inciso V do caput, será obrigatória somente a indicação do correspondente capítulo da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. " (Redação com efeitos de 01.01.10 a 31.01.14 grifei). Atualmente, após as alterações na redação deste dispositivo pelo Ajuste SINIEF 22/2013, esta exigência de indicação da NCM completa, não apenas do Capítulo, foi estendida para as demais atividades, para a emissão das Notas Fiscais (NFe) nos modelos 55 e 65. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 853 31 Essa exigência normativa trazida para a emissão das Notas Fiscais evidencia, com veemência, a importância da identificação pela fiscalização do código NCM completo quando da revisão da classificação fiscal, e não apenas da posição como realizado no presente caso. Isso porque, além de impossibilitar a identificação precisa do fato gerador do IPI, a Recorrente não poderia sequer adotar a mesma classificação para as operações futuras, vez que seria impossibilitada de emitir as notas fiscais correspondentes com a indicação, apenas, da posição 72.11. Com isso, mostrase evidente o erro de direito cometido pela fiscalização quando da revisão da classificação fiscal, vez que, após analisar os fatos (dados técnicos das mercadorias) procedeu com um enquadramento jurídico precário, insuficiente, com a incompleta identificação da NCM supostamente aplicável, ferindo a exigência do art. 10, IV e V, do Decreto n.º 70.235/72, que expressam: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias;" (grifei) Em conformidade com a Solução de Consulta COSIT n.º 8/2013, este erro cometido em elemento essencial da regra matriz de incidência tributária macula integralmente a exigência deste ponto por ser "impossível de ser convalidado": "10.1. No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência, qual seja, o pessoal. Há erro no atonorma. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado." (grifei) Tratase, portanto, de um equívoco na valoração jurídica dos fatos pela fiscalização que não é passível de ser revisado à luz do art. 146, do Código Tributário Nacional, na forma sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.130.545, julgado em sede de recurso repetitivo: "(...) 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 854 32 "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) (...) 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1130545/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011 grifei) Diante do exposto, a despeito de outras incongruências jurídicas que possam ter sido cometidas pela fiscalização, entendo que a identificação incompleta da NCM na revisão da classificação fiscal realizada neste caso é suficiente para cancelar a exigência, devendo ser anulado o lançamento neste ponto em conformidade com o art. 53 da Lei n.º 9.784/19991 e com o art. 61 do Decreto n.º 70.235/722. PRODUTOS REFRATÁRIOS A respeito da glosa dos produtos refratários, tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa e demais produtos refratários glosados, divirjo do Ilustre Conselheiro Relator à luz do próprio Parecer Normativo CST nº 65/1979, por ele citado, e da jurisprudência judicial e administrativa já produzida quanto a este tema. 1 "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos." 2 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 855 33 Como mencionado pelo Relator em seu voto, o referido parecer "expressamente reconhece que a expressão “consumidos” “há de ser entendida em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, donde fazem jus ao crédito “as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”, enquadremse no conceito de “produtos consumidos”" (grifei). Esta interpretação do produto intermediário consta, igualmente, no art. 226, I, do RIPI, que expressa: "Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" (grifei) Ora, nesse raciocínio, todos itens refratários geram direito a crédito na condição de “produtos intermediários” (PI), vez que, ainda que não se integrem física ou quimicamente ao produto final, efetivamente se desgastam no curso do processo produtivo e não integram as máquinas e equipamentos em razão de seu rápido desgaste. De fato, o desgaste direto dos materiais refratários no processo produtivo foi reconhecida pelo próprio I. Conselheiro Relator em seu voto, afirmando que "não se questiona que o refratário tem contato com o produto" e que eles devem ser "repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos". Explicou, com clareza, a utilização destes materiais no processo produtivo: "(...) os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias siderúrgicas para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitarse a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas desses fornos e panelas necessárias ao processo de fundição e derretimento dos demais insumos para obtenção do aço." O creditamento foi afastado por entender que os refratários fazem parte das máquinas e equipamentos (e, portanto, seriam do então denominado ativo permanente, atual ativo não circulante), "pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso". Contudo, a ocorrência do desgaste físico/químico direto dos materiais refratários, como premissa fática trazida no relatório, garante o creditamento em conformidade com o Recurso Especial 1.075.508 do E. Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de recurso repetitivo: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 856 34 CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (STJ, REsp 1075508/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 13/10/2009 grifei) De fato, em razão da imediata e integral desgaste dos refratários no curso do processo de produção (premissa consignada no relatório), não se pode considerar que os materiais refratários compõem as máquinas e equipamentos que são por eles protegidos das altas temperaturas no processo produção, devendo ser admitidos como produtos intermediários. Exatamente no sentido de que os materiais refratários são produtos intermediários, manifestaramse o E. Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e este próprio CARF: "IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE ACO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO, RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATARIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE E FABRICADO O PRODUTO FINAL. INTERPRETAÇÃO QUE CONCILIA O DECRETOLEI N. 1.136/70 E O SEU REGULAMENTO, ART. 32, APROVADO PELO DECRETO N. 70.162/72, COM A LEI 4.503/64 E COM O ART. 21, PARAGRAFO 3., DA CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE PELO CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (...) Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 857 35 em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional e legal que proíbe a cumulatividade do IPI" (Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 90205, Rel. Min. Soares Munoz, Primeira Turma, julgado em 20/02/1979, DJ 23031979 p 02103 grifei) "TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPÕE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL." (Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 18.361/SP, Rel. Ministro Hélio Mosimann, Segunda Turma, julgado em 05/06/1995, DJ 07/08/1995, p. 23026 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2004 (...) REFRATÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. O material refratário contido em revestimento de fornos desgastase de forma direta na produção, gerando direito ao crédito do imposto. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado (...) A Primeira Instância considerou que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos (...) Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. (...) Portanto, podese concluir que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. No caso, os refratários que compõem os fornos e entram em contato com o produto fabricado desgastamse de forma direta e integral na produção e, ainda que acidentalmente, incorporamse ao produto fabricado. Notese que o desgaste de forma imediata deve ser considerado o desgaste direto, conforme antes esclarecido, e que o desgaste integral pode referirse a vários ciclos Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 858 36 de produção e ainda não necessariamente implicar o desaparecimento por completo do material, mas sua redução a um estado em que não possa mais ser utilizado. Portanto, nos termos da jurisprudência antiga do Supremo Tribunal Federal acima citada e da adoção recente de sua base teórica pelo Superior Tribunal de Justiça, tais insumos classificamse como produtos intermediários e, portanto, geram direito de crédito." (Processo n.º 10680.006760/200757. Relator Walber Jose da Silva. Acórdão n.º 3302001.954. Decisão por maioria. Voto vencedor do Conselheiro José Antonio Francisco grifei). Assim, à luz da jurisprudência pátria e das premissas fáticas sedimentadas pelo próprio I. Conselheiro Relator, entendo que os materiais refratários (tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa) geram direito ao crédito do IPI como produtos intermediários, na forma do art. 226, I, do RIPI, sendo descabida a glosa procedida pela fiscalização no Auto de Infração. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Na hipótese de ser mantida qualquer exigência fiscal, divirjo do Ilustre Relator quanto à não incidência da Taxa SELIC sobre a multa de ofício, por entender que assiste razão à Recorrente, uma vez que inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, a previsão legal do art. 61, da Lei n. 9.430/96 garante a inclusão dos juros de mora sobre os débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" que sejam pagos a destempo. Esta extensão do que se entende por débito para fins da inclusão dos juros de mora é depreendida do caput e do §3º deste dispositivo legalm que expressam: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Nesta toada, vislumbrase que a multa de ofício não foi incluída como "débitos para com a União" para fins de aplicação dos juros no art. 61 da Lei n.º 9.430/96. Consoante o raciocínio proposto pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, mostrase “ilógico interpretar que a expressão 'débitos' ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput” (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Da mesma forma, não se entende que seria aplicável na espécie o art. 43, da Lei n.º 9.430/96. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 859 37 "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Ora, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de 75% do valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. A ausência de previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício vem sendo reconhecida pela jurisprudência deste CARF, ainda não consolidada (por exemplo, Acórdão 3403002.367, de 24/07/2013; Acórdão 3402002.862, de 26/01/2016 e Acórdão 3402002.929, de 24/02/2016). E aqui, frisese, que não se está afastando de qualquer forma a aplicação da Súmula CARF n.º 43, que determina a inclusão da SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. Com efeito, devese entender por "débitos tributários" para fins de inclusão da SELIC os tributos administrados pela RFB, em conformidade com a expressão do art. 61 da Lei n.º 9.430/96, não podendo estender para as multas de ofício cobradas no mesmo lançamento. Nesse exato sentido: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (Acórdão n.º 3403003.425. Processo n.º 19515.723091/201314 Sessão 13/11/2014 Relator Alexandre Kern e Redator designado Antonio Carlos Atulim especificamente quanto à parte da não incidência dos juros sobre a multa de ofício grifei) 3 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 3402003.804 S3C4T2 Fl. 860 38 Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. CONCLUSÃO Diante do exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para divergir de seu entendimento para dar provimento ao Recurso Voluntário para, além de cancelar o lançamento em relação ao item 3 do mesmo (fl. 189). como proposto pelo Relator, cancelar as exigências constantes dos demais itens vez que: (i) reconheço de ofício o erro de direito cometido pela fiscalização na identificação incompleta da NCM maculou a exigência complementar do IPI na revisão da classificação fiscal, na forma autorizada pelo art. 53 da Lei n.º 9.784/1999; e (ii) deve ser reconhecido o crédito aos materiais refratários na condição de produtos intermediários. Na hipótese de ser mantida qualquer exigência fiscal, deve ser reconhecida a não incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício aplicada, por ausência de previsão legal. É como voto Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 861DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.001022/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 10 22 /2 00 7- 01 Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 13770.001022/200701 Acórdão n.º 9202004.715 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2631DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.100656/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-00.084
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de lançamento dos anoscalendário de 2002 a 2004, em que se exige o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com aplicação da multa de 150%. Diante da falta de apresentação dos livros Diário, Razão e Lalur, apesar do contribuinte ter sido intimado e reintimado a apresentálos, bem como dos documentos que embasaram sua escrituração contábil, o lucro foi arbitrado no período de julho de 2002 a dezembro de 2004, com base na receita bruta escriturada nos livros de registro de apuração do ICMS. Do total das vendas foram subtraídas as transferências entre a matriz e o depósito fechado, além de outras saídas que não representavam vendas (cópia do livro às fls. 94/125). Com o objetivo de apurar a responsabilidade de terceiros, diversas empresas foram intimadas a apresentar a relação de compras efetuadas à fiscalizada e indicar o nome do preposto com quem eram tratados os negócios. Responderam que o preposto da empresa era o Sr. Josival Barbosa da Silva (fls. 130/142). Em circularização aos cartórios foi detectada uma procuração outorgada pela fiscalizada, por meio de seu titular, com conferência de amplos poderes, inclusive a movimentação bancária para os Srs. Josival Barbosa da Silva e Edmilson Coutinho dos Santos (fls. 126/129). Foi considerado como responsável solidário o Sr. Josival Barbosa da Silva, CPF 331.347.82472, conforme Termo de apuração de sujeição passiva solidária, nos termos dos artigos 124, I e 135, II, do CTN (fls. 78/79). Consta no referido Termo que o sujeito passivo solidário pode ter vista ao processo, na DRF. O fato do Sr. Josival negociar em nome da empresa, aliado à sua condição de procurador com amplos poderes, levou o autuante a concluir pela sua participação na gestão da empresa atuando como sócio de fato. Consta às fls. 148 consulta ao sistema CNPJ que indica que no período de até 2005, foram apresentadas declarações de inatividade para os anoscalendário de 2002 e 2003. Foi lavrada representação fiscal para fins penais. Consta na descrição dos fatos caracterizadores do ilícito que a empresa apresentou declarações de IRPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003, na condição de inativa, enquanto que escriturou no Livro Registro de Apuração do ICMS, faturamento de R$ 2.825.551,04 em 2002 e R$ 13.273.648,01 em 2003. No anocalendário de 2004, a fiscalização apurou R$ 13.262.915,60 de receitas escrituradas nos livros fiscais e não declaradas, fatos esses, que motivaram a aplicação da multa de 150%. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. A impugnação contraposta pelo Sr. Josival Barbosa da Silva não foi apreciada, com o argumento de incompetência da Turma Julgadora com base no art. 224, da Portaria MF 30, de 25.02.2005. Destacouse que a responsabilidade de terceiro pode ser discutida numa eventual execução forçada do crédito, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A ciência da decisão foi dada em 19.10.2006. O recurso foi apresentado em 31.10.2006 e foi assinado pelo titular da empresa e pelo responsável solidário. A recorrente discorda do arbitramento do lucro. Afirma que havia condições de ser apurado lucro real, mediante a documentação que dispunha, ou que deveria ter sido demonstrada a inviabilidade da apuração pelo regime do lucro real, o que não ocorreu. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 3 3 Cita jurisprudência do TRF da Primeira Região, sobre a impossibilidade do fisco valerse da escrituração e registros pertinentes ao ICMS para arbitrar o lucro. Destacou que a fiscalização utilizou a receita total de vendas e que subtraiu apenas as transferências entre matriz e o depósito fechado, e que deveriam ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais e os impostos cumulativos cobrados destacadamente do contribuinte substituto, bem como considerar a natureza específica de cada operação, fatos que não teriam sido respeitados pelos autuantes. Sobre a qualificação da multa, aduz que a fiscalização não logrou demonstrar que a recorrente praticou as condutas de sonegação, fraude ou conluio, exigidas para a aplicação da multa de 150%. Afirma que não foi comprovada a conduta dolosa e nem o evidente intuito de fraude. Cita jurisprudência do 1º CC. e doutrina. Alega a violação do princípio da capacidade contributiva, princípio da estrita legalidade tributária e o caráter confiscatório da multa. A recorrente discute a aplicação de juros de mora pela taxa selic. Também discutese no recurso a sujeição passiva solidária. Argumenta que o julgamento de primeira instância deve ser anulado, para que a impugnação relativa à sujeição passiva seja apreciada, de acordo com o art. 224, I, da Port. MF 30/2005, uma vez que o Sr. Josival tornouse sujeito passivo da obrigação tributária e é exatamente por meio da impugnação que se defende da exigência do crédito tributário, do qual dele será exigido, caso permaneça na posição de sócio de fato da empresa autuada. Entende que o fato da DRJ não ter apreciado a impugnação configurase ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, implicando em violação ao princípio insculpido no inciso XXXV, do art. 5º da CF, combinado com o inciso LC, da mesma Carta. Aduz que em nenhum momento tomou conhecimento dos atos e procedimentos ocorridos no âmbito do feito administrativo, bem como das provas juntadas ao processo, salvo quando do momento do próprio lançamento de oficio. Diz que ficou de mãos atadas porque os dados coletados pela fiscalização não foram levados ao seu conhecimento. Na sessão de 16.12.2008, a Sétima Câmara do 1º CC, anulou a decisão de primeira instância para que fosse apreciada a impugnação apresentada pelo Sr. Josival Barbosa da Silva. Pelo acórdão 11 27.736 3' Turma da DRJ/REC, o lançamento foi considerado procedente e foi confirmada a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Josival Barbosa da Silva. Transcrevo do voto condutor do acórdão da DRJ, trecho relativo à apreciação da sujeição passiva solidária: Na referida impugnação, fls. 242/249, questionase a atribuição, pela fiscalização, de responsabilidade tributária com supedâneo no artigo 135 II do Código Tributário Nacional. Alega o impugnante que o referido dispositivo alça o mandatário à condição de pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, concluindo que Fl. 317DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 4 4 somente poderia ser responsabilizado pelo crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica apenas na hipótese de ter agido em excesso de mandato, fato que não restou provado nos autos. Em seguida, realiza digressão acerca do conceito e natureza jurídica do contrato de mandato defendendo que ao se imputar ao mandatário solidariedade passiva, quando este não atua com excesso de mandato ou em desconformidade com a lei, ofenderseia a legislação civil que regulamenta o contrato de mandato e sua execução. Aduz que "o fato de um mandatário cumprir com o seu mister, comprando e vendendo por ordem do mandante, não tem o condão de classificálo como sócio de fato, sob pena de se anular a própria natureza jurídica do contrato de mandato, que se resume no agir em nome do mandatário." Finaliza requerendo a desconstituição da relação jurídica entre o impugnante e o Fisco Federal nascida com o termo de sujeição passiva solidária. Através do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, fls.47/49, a autoridade fiscal informa: "Com o intuito de se apurar a responsabilidade de terceiros nas infrações legislação tributária imputadas ao contribuinte, diversas empresas foram intimadas a apresentar a relação de compras efetuadas à empresa Sebastião de Lima Delfino e indicar o nome do preposto com quem eram tratados os negócios. Em respostas as empresas responderam que o preposto da empresa Sebastião de Lima Delfino, era o Sr. Josival Barbosa da Silva, fls.130/142. Em circularização aos cartórios, foi detectada a existência de uma procuração outorgada pela empresa Sebastião de Lima Delfino, através do seu titular, da qual foram conferidos amplos poderes, inclusive a movimentação bancária, para os Srs. Josival Barbosa da Silva e Edmilson Coutinho dos Santos, fls. 126 a 129." Conclui a autoridade fiscal ante o fato de o Sr. Josival Barbosa da Silva negociar em nome da empresa aliado ao fato de ser procurador com amplos poderes, que o referido senhor participava da gestão dos negócios da empresa atuando como sócio de fato. lnicialmente, cumpre salientar que a autoridade fiscal fundamentou a caracterização da sujeição passiva solidária contida nos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.78/79), nos termos do art. 124,1 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), que assim fala: (...) Ao falar sobre solidariedade tributária passiva que nos interessa no caso presente Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua obra 'Compêndio de Direito Tributário", 2° Volume, páginas 302/305, 1997, Forense, assim se expressa: "22.5.6 Solidariedade tributária passiva Dispondo sobre a matéria, assim se expressa o código Tributário Nacional: Fl. 318DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 5 5 O Código Tributário Nacional, conforme se verifica, admite duas modalidades de solidariedade passiva, assim especificadas: a) solidariedade de fato (CTN art. 124, inciso I), quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Seria o caso, v.g., de três pessoas importarem determinada mercadoria estrangeira ou de cinco pessoas coproprietárias de um bem imóvel. Todas elas ficarão responsáveis, solidariamente, perante a Fazenda Pública respectiva, pelo pagamento do imposto sobre a importação ou do imposto sobre a propriedade predial. A solidariedade nasce em razão da própria natureza do fato gerador da respectiva obrigação, pela própria natureza do imposto em causa. Se várias pessoas participam de fato de determinada obrigação tributária, os efeitos jurídicos abrangerão todas elas, que passam a ser solidárias diante do cumprimento da prestação tributária. Isto, acrescenta Hugo de Brito Machado, "mesmo que a lei especifica do tributo em questão não o diga."; ......” Concluise portanto, que, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador darseá a solidariedade legal presumida. Desta forma, a pessoa que esteja vinculada ao fato gerador é devedora solidária em relação ao crédito tributário. É próprio da atividade negocial a busca do resultado econômico através da realização de operações que caracterizam fatos geradores. O Sr. Josival Barbosa da Silva não consta oficialmente como sócio da empresa autuada, mas, efetivamente, pelas informações e depoimentos obtidos pela fiscalização, era o representante e responsável pela administração das atividades comercial, financeira e administrativa da pessoa jurídica autuada. Deve ser lembrando que os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes, e assim é inegável a solidariedade destes em relação As obrigações que contraem em nome daquela, pois a responsabilidade solidária em tal caso é objetiva, presumida, posto que a situação configurada na lei (art. 124, I) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico (fato gerador). Com todos os elementos coligidos pela fiscalização é inegável que o Sr.Josival Barbosa da Silva tinha interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação; razão pela qual a responsabilidade solidária está , de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 do CTN. Por outro lado, não cabe a discussão que pretende travar quanto a ter ou não agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é uma hipótese de responsabilização pessoal sobre os créditos correspondentes aos atos cometidos com excesso de poderes ou infração de lei, mas que tem como pressuposto o fato de os sócios da pessoa jurídica terem sido vitimas da conduta dolosa de seu administrador. Não é o que se verifica no presente caso, pois o Sr. Josival Barbosa da Silva revestese tanto da qualidade de Fl. 319DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 6 6 administrador com plenos poderes como, também, de sócio de fato da pessoa jurídica. Nessa condição de sócio, inegável que possuía interesse direto sobre o resultado obtido dos atos por ele próprio praticados na condição de administrador. Dai o perfeito enquadramento de sua responsabilidade como solidária nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido o entendimento da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas') que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124. I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (..) (Acórdão n° 10708692, de 18.8.2006). Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido e confirmar a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr.Josival Barbosa da Silva, por estar de acordo com as disposições do art. 124 do CTN. A pessoa jurídica autuada foi intimada da segunda decisão da Turma Julgadora, por edital de fls. 312. Dada ciência da decisão ao Sr. Josival Barbosa da Silva, em 29.10.2009, o mesmo apresentou recurso voluntário, em 25.11.2009, com os seguintes argumentos: a) que o termo de sujeição passiva solidária atribuída ao recorrente pela fiscalização tem como fundamento jurídico, o art. 135, II, do CTN, enquanto que a decisão de primeira instância, apreciou o dispositivo contido no art. 124, I, do CTN, não sendo possível à Turma Julgadora alterar a capitulação legal para conferir legalidade à responsabilização; b) que à luz do art. 135, II, do CTN, a responsabilidade pessoal dos mandatários vinculase à cabal delineação nos atos processuais de que a obrigação decorre da atuação com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, sendo que, somente repousa sobre o recorrente a mera circunstância de o mesmo haver participado, como procurador, das atividades empresariais da pessoa jurídica devedora, e nada mais; c) ainda que sob o espectro do art. 124, I, do CTN, sobressai desarrazoada a sujeição passiva solidária, por inexistência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, visto especialmente, que às pessoas físicas não é dado praticar o fato gerador de tributos atinentes às pessoas jurídicas. d) discorre sobre o contrato de mandato e infere que o mandatário exclusivamente poderá ser responsabilizado pelos atos que praticar no momento em que agir com excesso de mandato, ou seja, quando a sua forma de proceder, ao administrar interesses e patrimônio do mandante, não for condizente com as disposições do contrato celebrado, e que no caso, o recorrente não agiu com excesso de mandato ou infração à lei, de modo que os Fl. 320DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 7 7 efeitos jurídicos dos atos que levou a cabo por conta e ordem do mandante não podem projetar em sua esfera jurídica, até porque tais atos foram praticados dentro dos parâmetros legais; e) afirma que é inaplicável o art.135, II, do CTN, pois os autuantes sequer mencionaram atos que o recorrente pudesse haver realizado em contradição a lei ou com excesso de mandato, e que a exegese desse dispositivo legal, especialmente orientandose pela jurisprudência do STJ, conduz à construção de que a responsabilização pessoal vinculase, obrigatoriamente, à demonstração indelével da prática dos atos com excesso de poderes ou em desconformidade ao contrato social, por parte dos mandatários, não nascendo do simples inadimplemento tributário a possibilidade de subsunção deste artigo ao caso em concreto,.pois, a deflagração de responsabilidade pessoal requer a demonstração prática de atos com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, e que tais atos hajam sido levados a efeitos por quem fosse mandatários, preposto ou empregados; f) que procedimento de tamanha repercussão, que carece da mínima comprovação dos fatos afronta a boafé e à lealdade com que o fisco deve pautar sua relação com os contribuintes, mas que, a fiscalização sequer tentou comprovar a atuação com excesso de mandato ou em infração à lei por parte do recorrente, tendo o mesmo agido nos limites outorgados por meio do contrato de mandato; g) que embora os autuantes hajam afirmado que o recorrente configuravase como sócio de fato da empresa, porquanto negociaria com plenos poderes em seu nome, não seria isto que se depreenderia dos autos, pois, conforme os documentos de fls. 134/141/142, outras duas pessoas, de nome Lúcia e Edmilson, como se notaria das declarações fornecidas pelas empresas MULT VENDAS – Representações e Distribuição e Altogiro Representações Ltda; h) aborda também a inaplicabilidade do art. 124, do CTN, seja porque a Turma Julgadora teria inovado, seja porque estaria ausente a ocorrência da situação fática que tipifica tal relação jurídica obrigacional, por inexistir interesse comum jurídico ou econômico, no que diz respeito na situação comum que promoveu a realização dos fatos geradores apontados; salienta que para que o recorrente pudesse ser qualificado como sujeito passivo da obrigação, uma vez que não teria incorrido na situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador, o fisco, deveria ter, obrigatoriamente, demonstrado o conjunto fático e/ou a conduta daqueles para desencadear tal obrigação solidária, apresentando ainda a norma autorizativa de tal responsabilização diante das provas dos autos, hipótese que não ocorreu; afirma que interesse comum é conceito vago, não oferecendo roteiro seguro para se estabelecer um nexo entre os devedores e que o legislador, no antecedente da norma fixaria os deveres para pessoas não praticantes do fato jurígeno tributário, enquanto em seu conseqüente, ma vez não observadas as prescrições estabelecidas, resultaria na aplicada sanção; seria caso de responsabilidade de terceiros, somente nas hipóteses configuradas em lei; i) distingue a responsabilidade solidária da responsabilidade tributária, a primeira só existiria numa única relação obrigacional em que dois ou mais sujeitos estejam obrigados a satisfazer a integralidade da prestação; destaca que o recorrente não realizou o fato tributável, ou tomou parte dele, até mesmo porque pessoas físicas, sequer poderiam praticar os fatos a partir dos quais se projeta o lançamento tributário e que, o interesse comum hábil a desafiar a responsabilidade solidária não corresponde ao interesse comum de fato, e sim ao interesse jurídico, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário Fl. 321DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 8 8 encontremse em situação de comunhão, como no caso de coproprietários e a incidência do IPTU; traz jurisprudência administrativa e judicial j) para suceder a solidariedade tributária prescrita no art. 124, I, do CTN, duas ou mais pessoas, devem, conjuntamente, praticar o fato tributável, devem participar da relação jurídica cuja conseqüência é a obrigação tributária consubstanciada no crédito, sendo que no caso concreto, o recorrente pessoa física que é, não poderia encontrarse concorrentemente à pessoa jurídica devedora como praticante do fato gerador da obrigação tributária, considerando decorrer o crédito de obrigações tributárias exclusivamente suscetíveis aos entes jurídicos, e que por exemplo, a pessoa física não poderia realizar o fato tributável concernente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do presente lançamento; salienta que sem previsão legal que possa definir condutas que levariam à responsabilidade tributária, a autoridade tributária estaria impedida de definir tais condutas para incluir pessoas alheias aos fatos desencadeadores da relação jurídico tributária; k) a possibilidade de aplicação do art. 124 do CTN assentase obrigatoriamente na apresentação dos atos praticados com participação pessoal e direta dos demandados, justamente para caracterizar e comprovar o interesse comum; procedimento de tamanha repercussão, que carece da mínima comprovação dos fatos supostamente desafiadores da aplicação do art. 124 do CTN ao caso; l) salienta que é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra(s), o acontecimento tipificado na hipótese de incidência e que na configuração da solidariedade é relevante que haja participação pessoal e comum na formação do lucro, e não a mera participação em algum fato econômico ou nos lucros, com vínculo pessoal e diretamente com o fato gerador, fazendo o que está previsto na regra matriz; m) Destaca que a legislação tributária não admite a eleição de sujeição passiva solidária por presunção legal; n) a responsabilidade tributária de terceiros decorrentes de relações jurídicas integradas por sujeitos alheios aos fatos tributados apresentam natureza de sanção administrativa, contudo, a previsão de condutas que levam à responsabilidade deve estar fincada na lei, ante a disposição geral sobre responsabilidade trazida pelo art. 128 do CTN, ou seja, somente a lei, de modo expresso, poderá delinear os contornos das situações fáticas que atribuem responsabilidade pelo crédito tributário; que no caso, em nenhum momento, a fiscalização capitulou as condutas que ele entendia ensejadoras de responsabilidade pelo crédito tributário em qualquer dispositivo legal, falecendo assim, a responsabilização; o) ao caracterizar as relações entre empresas, pessoas e empregados como autorizadoras da sujeição passiva solidária, capitulando o art. 124 do CTN, a fiscalização errou muito, primeiro porque a pessoa que arrolou não integra uma relação obrigacional única, que em virtude de lei, fosse obrigado pela totalidade do adimplemento da obrigação tributária; afastada a sujeição passiva solidária pela inexistência de interesse comum e designação expressa em lei (art. 124, I, II, do CTN), e a responsabilidade pelo crédito tributária estar regulada pelos artigos 128 et seq do CTN, que em nenhum momento foram ventilados pelo fisco, portanto, ambas inaplicáveis; p) a ausência de disposição legal a caracterizar que as condutas ou fatos relatados nos autos são autorizadores de responsabilidade tributária queda por terra o liame obrigacional tributário a se estabelecer entre a recorrente e a pessoa jurídica autuada como Fl. 322DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 9 9 integrantes do pólo passivo; a eleição de pessoas, tanto na sujeição passiva solidária como na responsabilidade pelo crédito tributário regemse pelo princípio da tipicidade cerrada, devendo a lei, de modo expresso, designar estas pessoas ou as condutas que as ligarão à obrigação tributária, quer na qualidade de solidário, quer como responsável, devendo ser afastadas de plano face à ausência de suporte fático e/ou previsão legal, excluindose o recorrente, de qualquer obrigação pelos créditos tributários constituídos contra a pessoa jurídica. Este é o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Os recursos do sujeito passivo e do Sr. Josival Barbosa da Silva atendem às condições de admissibilidade e devem ser conhecidos. Foi considerado como responsável solidário o Sr. Josival Barbosa da Silva, CPF 331.347.82472, conforme Termo de apuração de responsabilidade tributária, nos termos dos artigos 124, I e 135, II, do CTN (fls. 78/79). O primeiro recurso voluntário foi assinado conjuntamente pela empresa e pelo Sr. Josival Barbosa da Silva. Tendo a decisão da Turma Julgadora sido anulada pela não apreciação da responsabilidade solidária, foi proferida nova decisão, com a manutenção da atribuição da responsabilidade solidária. O Sr. Josival apresentou recurso voluntário no qual pede o improvimento ao auto de infração com a desconstituição da relação jurídica entre o recorrente e o fisco federal, nascida com o termo de sujeição passiva solidária. O fato do Sr. Josival negociar em nome da empresa, aliado à sua condição de procurador com amplos poderes, levou o autuante a concluir pela sua participação na gestão da empresa atuando como sócio de fato. Vejamos os termos da procuração, de 26.09.2001, 13.06.2003 e 02.02.2005, outorgada pelo sujeito passivo ao Sr. Josival Barbosa da Silva e Edmilson Coutinho dos Santos: a) praticar diversos atos perante a DRF em Natal, INSS e Repartições públicas, municipais, estaduais, federais e autarquias; b) praticar atos junto a qualquer instituição bancária para o fim de movimentar a conta corrente, contratar empréstimo; c) alienar, hipotecar, dar em penhor, assinar fiança, transigir, firmar compromissos, renunciar direitos, aceitar e avalizar títulos. De fato, o Sr. Josival Barbosa da Silva era procurador da empresa, com amplos poderes, nos períodos autuados. Diligências podem ser determinadas para auxiliar na convicção do julgador, e aplicase à situação dos presentes autos, razão pela qual, o julgamento deve ser convertido em Fl. 323DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.100656/200527 Resolução n.º 140200.084 S1C4T2 Fl. 10 10 diligência, para que a autoridade fiscal, mediante a realização das diligências que forem necessárias, esclareça quais atos de gestão foram praticados pelo Sr. Josival Barbosa da Silva, inclusive na condição de procurador da autuada, como por exemplo, se assinava cheques em nome da empresa, etc. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo, a ser cientificado ao Sr. Josival Barbosa da Silva e à pessoa jurídica autuada, que poderão se manifestar, no prazo de 30 dias, caso entendam necessário. As demais matérias contidas nos recursos voluntários serão apreciadas quando do retorno dos autos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 324DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 12045.000507/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 07 /2 00 7- 19 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 867DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 869DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 12045.000507/200719 Acórdão n.º 9202004.697 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 871DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.726261/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial sobre o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia à instância administrativa. Súmula Carf n. 01.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da renúncia ao contencioso administrativo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial sobre o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia à instância administrativa. Súmula Carf n. 01. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial sobre o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia à instância administrativa. Súmula Carf n. 01. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da renúncia ao contencioso administrativo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 62 61 /2 01 3- 14 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Recurso voluntário interposto em 30/06/2015 que visa reverter o acórdão 16 61.302 21a. Turma da DRJ SPO, que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para o crédito tributário lançado no processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 03/06/2015. O lançamento decorreu do fato da contribuinte ter declarado os rendimentos recebidos do Comando do Exército e da Advocacia Geral da União como isentos por moléstia grave, no valor total de R$ 328.503,00. A recorrente alega que os valores recebidos são decorrentes da própria aposentadoria e de pensão do exército, e que o diagnóstico de neoplasia maligna data de 12/01/2005. Teria uma medida cautelar em antecipação de tutela de 18/11/2008 aonde ficara suspensa a exigibilidade do imposto de renda incidente sobre os proventos da autora a partir daquela data. Apesar de ter obtido êxito na ação, a mesma encontra sob análise no Tribunal Regional Federal, tendo em vista recurso interposto pela União. O laudo técnico apresentado contém informação de que "a doente pode ser considerada clinicamente curada após cinco anos sem evidência de câncer, ou seja, após Fevereiro de 2010". Contudo, o próprio perito informa que o conceito de cura clínica é operacional e relacionase ao risco diminuído de recidiva associado a não evidência de doença macroscópica. Anexou ao processo documentos referentes à ação judicial, na qual está especificado que a recorrente pleiteia a isenção do imposto de renda em relação à sua aposentadoria desde o diagnóstico da neoplasia maligna, em 12/01/2005, a sua pensão militar por morte recebida desde 07/2006. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 12448.726261/201314 Acórdão n.º 2401004.489 S2C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme os documentos acostados aos autos, a recorrente está litigando judicialmente sobre o crédito tributário deste processo. Enfatizo que o recurso voluntário tratou apenas dos proventos de aposentadoria e de pensão por morte que a contribuinte recebe. Desta forma, tendo em vista a concomitância dos processos, entendo que renunciou à instância administrativa. Nesse sentido a Súmula n.1 deste Conselho, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 11610.003039/2001-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que DAVAM provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
(assinado digitalmente)
MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que DAVAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. (assinado digitalmente) MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS - Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que DAVAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. (assinado digitalmente) MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 03 03 9/ 20 01 -1 4 Fl. 682DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 9 ___________ RELATÓRIO Do pedido e do despacho decisório O presente feito referese a pedido de restituição do saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2000, a fl. 03 (todas as referências se reportam à numeração do eprocesso), cumulado com pedidos de compensação. Abaixo, transcrevo a composição do valor pleiteado: Lucro Real do Período 1.289.858,93 Imposto de Renda Apurado no Período 298.464,73 Imposto de Renda Retido na Fonte (412.764,69) Imposto de Renda Pago por Estimativa (1.154.402,06) Saldo Apurado DIPJ AC 2000 Exercício 2001 (1.268.702,02) Atualização Juros SELIC (124.967,15) Saldo a Restituir 1.393.669,17 Esse valor foi indeferido pelo despacho de fls. 172174. As razões apontadas pela autoridade foram as seguintes: a) o valor que consta da DIRF do Banco Citibank S/A, única fonte existente, foi de R$ 407.954,68, que é menor que aquela indicada na DIPJ no valor de R$ 412.764,69; b) o valor total de estimativas informado na DIPJ foi de R$ 1.154.402,06, o qual diverge do total informado nas DCTF dos quatro trimestres no montante de R$ 1.191.078,15. Ademais, tais valores foram integralmente compensados com saldo negativo de períodos anteriores, conforme DCTF de fls. 145150; c) os saldos negativos apurados pelo contribuinte nas suas DIRPJ e DIPJ dos exercícios de 1996 a 2000 apresentariam inconsistências com informações constantes de outros sistemas da SRF. Ademais, em relação ao exercício de 2000, o interessado registrou como receitas financeiras e operações de swap o valor de R$ 23.477.092,67, quando o correto, segundo informe da fonte, seria de R$ 76.508.799,95. Com base nas referidas informações e recalculando o imposto devido no exercício de 2000, a autoridade confeccionou o demonstrativo abaixo: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 10 3 d) no exercício de 2001 (ano que pleiteia a restituição), registrou despesa de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 5.670.779,00, mas sem consignar em sua DIRF qualquer informação sobre o IRRF correspondente; e) por fim, consignou que, do primeiro trimestre de 2001 ao último de 2003, o interessado efetuou compensações com saldos negativos de exercícios anteriores no montante de R$ 11.427.366,72. Da manifestação de inconformidade O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 183194, por meio da qual teceu os seguintes argumentos: a) com relação ao IRRF do exercício de 2001, ano cujo saldo negativo se pleiteia a restituição, apresenta informe de rendimento em valor superior àquele que foi registrado na sua DIPJ; b) a divergência de valores de estimativa entre a sua DIPJ do exercício de 2001 com as respectivas DCTF, se deve ao erros nestas últimas que está sendo objeto de retificação; c) Em relação aos anos anteriores, realmente, no exercício de 1996, houve imposto a pagar no montante de R$ 300.722,50. No entanto, recolheu equivocadamente o valor de R$ 2.280.756,84, além do PISDedução no valor de R$ 114.037,85, conforme DARF´s que anexa; d) como usou o saldo negativo do exercício de 1996, conforme acima descrito, para compensar estimativas dos anos seguintes, os valores não são aqueles apontados pela autoridade fiscal, mas sim: d.1) para o exercício de 1997: saldo credor de R$ 642.956,31; d.2) para o exercício de 1998: saldo credor de R$ 2.098.889,61; e) para o exercício de 1999, além do indevido não reconhecimento das estimativas compensadas, a autoridade fiscal não reconheceu integralmente o montante de R$ 2.809.412,93 mais IRRF de dezembro no valor de R$ 101.585.58 e incentivo fiscal à atividade áudio visual no valor de R$ 49.730,66, o que totaliza um saldo credor de R$ 865.436.52; Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 11 4 f) no tocante ao exercício de 2000, a divergência apontada pela autoridade decorre do fato de que as instituições financeiras informam as receitas pelo regime de caixa, enquanto a interessada registra pelo regime de competência; ademais, incorretamente a autoridade deixou de considerar as compensações de estimativas; somando todos esses valores, faz jus a um saldo credor nesse ano de R$ 15.990.776,76; g) no computo total, faz jus ao saldo credor acumulado de R$ 16.779.487,15; h) com relação aos juros sobre capital próprio do período, aduz que o IRRF foi recolhido conforme DARF anexo; i) por fim, em relação às compensações promovidas em períodos posteriores, aduz que possuía, como demonstrado, saldo negativo suficiente. Da diligência Por meio do despacho de fls. 464465, a DRJ baixa o feito em diligência com o fito de verificar a divergência quanto ao IRRF do exercício de 2001. O resultado de fls. 575 576 corrobora o valor adotado pela autoridade local. O contribuinte, por meio da peça de fls. 580582 se conforma com o resultado da diligência. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento proferiu decisão às fls. 606615 pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Para tal, teceu os seguintes fundamentos: a) Em relação ao saldo negativo do exercício de 1996, entendeu que o direito de o contribuinte pleitear o valor estaria decaído pelo transcurso do prazo de 5 anos e também por não ter comprovado ter realizado pagamento a maior; b) Em relação ao saldo negativo do exercício de 1997, não se poderia reconhecer as compensações de estimativas por dois motivos: (i) não se pode mais retificar a "declaração de rendimento pelo lapso temporal" e (ii) impossibilidade de restituição de valores supostamente pagos indevidamente em razão de decadência; c) Em relação ao saldo negativo do exercício de 1998, estaria correta a redução (de R$ 2.382.364,24 para R$ 2.098.889,61) promovida pela autoridade local no valor de IRRF, uma vez que a interessada não comprovou o montante de retenção informado em sua declaração; ademais, também está correta a redução das estimativas pela glosa das compensações; d) Em relação ao saldo negativo do exercício de 1999, também estaria correta o não reconhecimento das compensações de estimativas; e) Em relação ao saldo negativo do exercício de 2000, considera que a autoridade errou uma vez que somou as receitas financeiras, mas deixou de considerar o IRRF correspondente. Ao refazer os cálculos com os valores corretos do imposto retido, constatou Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 12 5 que o imposto a pagar é reduzido de R$ 3.221.275,10 para R$ 529.485,20. Todavia, continua a inexistir saldo negativo para o período. f) Por fim, em relação ao saldo negativo do exercício de 2001, que corresponde ao objeto do presente pleito, consigna que a redução do IRRF teve o aval do interessado após o resultado da diligência. Ademais, o imposto de renda devido deve ser recalculado em função da glosa de despesa de juros sobre o capital próprio de R$ 5.670.778,00, uma vez que o interessado não apresentou a DIRF com o valor do IRRF correspondente. Desse modo, o ajuste deixa de ser relativo a saldo credor para corresponder a "IR a pagar" no valor de R$ 148.992,73. Abaixo, reproduzo a tabela confeccionada pela autoridade julgadora: Do recurso voluntário O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 618627, por meio do qual teceu as seguintes razões: a) Como pode ser visto do quadro de apuração, a DRJ reconheceu as estimativas compensadas no ano de 2000. Assim, a razão do indeferimento se restringe à suposta indedutibilidade dos JCP. Nada obstante, a falha de não ter consignado em sua DIRF o valor correspondente ao IRRF não dá azo à glosa dos JCP. Para tal basta o pagamento, que está comprovado pelo documento de fl. 638. b) Apesar de considerar que a razão acima é suficiente para contraditar a decisão recorrida e, assim, obter o deferimento do pedido, tece considerações acerca das questões atinentes aos demais períodos, como a inexistência de decadência relativamente ao exercício de 1996, o reconhecimento de estimativas compensadas pelos saldos negativos e a não existência de omissão de receitas financeiras. É o relatório do essencial. VOTO VENCIDO De início, cumpre consignar que a autoridade local redigiu um longo despacho para fundamentar o indeferimento do pedido. Nele, teceu minuciosos cálculos acerca da apuração do imposto de renda dos períodos anteriores àquele a que se refere o crédito pleiteado, bem como apontou compensações em períodos posteriores consideradas, supostamente, de valores elevados e inconsistentes. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 13 6 Tais demonstrações serviram para comprovar a sua premissa de que o crédito pleiteado não possuiria certeza e liquidez. No entanto, o problema é que não demonstrou a relação de causalidade entre uma coisa e outra. Na verdade, é, no mínimo, estranho ter deixado de demonstrar a apuração do imposto em relação ao período sob análise. Ora, se estava a analisar um suposto direito de crédito de um determinado ano, deveria ter aferido o valor de apuração que, na sua avaliação, era o correto para aquele mesmo ano e não apontar um rol de supostas inconsistências em anos anteriores e posteriores para aduzir que o cálculo do interessado não era seguro. É difícil de entender até qual foi a razão (ou razões) exata que levou a autoridade ao não reconhecimento. Teria não reconhecido as estimativas do exercício de 2001? O esforço que fez para recalcular os ajustes dos anos anteriores nos leva a essa direção, afinal essas estimativas foram compensadas com saldos negativos pretéritos. Contudo, havia saldo negativo anterior suficiente (no caso, em relação aos exercícios de 1997 e 1998) para compensar as estimativas de 2001. Teria então considerado que esses saldos negativos deveriam ser empregados para quitar os impostos calculados nos exercícios de 1999 e 2000 antes de compensar as estimativas do exercício de 2001? Ora, se foi isso, o erro é grave, por duas razões. Primeira, os valores não foram lançados. Não são devidos, pois. Apesar de haver alguma controvérsia aqui no CARF, entendo que a autoridade tem o poder/dever de verificar todos os elementos do período a que se reporta o crédito pleiteado, inclusive após o prazo de decadência. Isso não implica que possa "apurar" um valor supostamente devido, mas não lançado, que seja capaz de inibir uma restituição de outro ano. Segunda, a autoridade não pode afastar a compensação promovida ou pleiteada pelo interessado para promover compensação de ofício segundo seus próprios critérios. A compensação de ofício é sempre atividade suplementar. É realizada apenas se o particular não empregou o crédito para realizar uma compensação voluntária nas hipóteses contempladas pela lei, como é o caso de compensação de tributos da mesma espécie. Ao analisar a lide, a DRJ, diferente e corretamente em relação ao procedimento adotado pela autoridade local, demonstra a apuração do imposto que considera correta para o ano em disputa. Ao constatar imposto devido, evidentemente, conclui que não há crédito a ser reconhecido. Nessa apuração, considerou as estimativas compensadas com saldos negativos de exercícios anteriores. Provavelmente, mas isso não está claro, avaliou que os saldos negativos dos exercícios anteriores apontados pela própria autoridade local eram suficientes para a referida compensação. Digo, porém, "provavelmente", porque o julgador fez um longo esforço para demonstrar não haver saldo negativo nos demais períodos pretéritos, esforço este absolutamente inútil, considerando a premissa adotada. Seja como for, a lide se resumiu, como bem apontado pelo recorrente, à dedutibilidade dos JCP. Nesse caso, fez prova do recolhimento do imposto de renda na fonte no valor exato devido. A despesa com os JCP foi de R$ 5.670.779,00, enquanto o valor recolhido foi de R$ 850.616,81 com o código correspondente e na medida exata da aplicação da alíquota de 15%. Assim, uma vez indevida a glosa, só me resta reconhecer o crédito tributário relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado pelo interessado. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 14 7 Voto, pois, para dar provimento ao recurso voluntário com o fito de reconhecer o valor integral pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001 e para efetuar as compensações pleiteadas até o limite deste crédito reconhecido. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. VOTO VENCEDOR Apesar do, como sempre, bem fundamentado voto do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, acompanhado por alguns dos conselheiros, a maioria da turma entendeu que seria mais razoável, antes de tomar uma decisão final, baixar o julgamento em diligência para dar oportunidade à Recorrente de explicar e comprovar contabilmente como se formaram seu "créditos" nos anos anteriores (1996 a e 2001). No caso, nem o Despacho Decisório, nem a Recorrente, que pleiteia a compensação, foram minuciosos no seu trabalho, carecendo os autos de um aprofundamento em torno de como os saldos negativos evoluíram, uma vez que o resultado de cada ano impacta no seguinte. Não está muito claro como o saldo negativo de 2001, ora em discussão, se formou a partir dos anos anteriores. O Despacho Decisório apresentou óbices a essa formação, como, por exemplo, uma suposta ocorrência de decadência e a existência de débitos não lançados de anos anteriores. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que, ao contrário do que afirmam o Despacho Decisório e o Acórdão da DRJ, o crédito de 1995/1996 não deriva de um saldo negativo de IRPJ, mas de um pagamento a maior realizado por ela. Houve também juntada de novos documentos em sede de Recurvo Voluntário, outro elemento que indica a importância de uma diligência. Como os fatos e as provas não estão ainda completamente claros, o feito deve ser baixado em diligência, conforme explicado na conclusão a seguir. Conclusão Pelo exposto, voto por baixar o julgamento em diligência para as seguintes providências: Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11610.003039/200114 Resolução nº 1401000.400 S1C4T1 Fl. 15 8 a) a Autoridade de Origem deve intimar a Recorrente para que, em prazo de 15 dias, explique e comprove a formação do saldo negativo relativo ao ano calendário de 2001, que está ora em discussão, o que requer considerar os anos anteriores (1996 a 2000), questionados pelo Despacho Decisório. b) Transcorrido o prazo, a Autoridade de Origem deverá se manifestar, no prazo de 15 dias, sobre o as informações apresentadas pela diligência, apontando quais são os óbices ainda existentes à compensação e tecendo quaisquer outros comentários que julgar importantes para o julgamento do feito. c) A Autoridade de Origem deve, então, intimar novamente a Recorrente para que, no prazo de 10 dias, teça suas considerações finais acerca da diligência. d) Ao final, os autos devem retornar a esta turma para julgamento. (assinado digitalmente) MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Fl. 689DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721251/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PRODUÇÃO DA PROVA. Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o animus de convencimento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO INDIRETA.
Restando demonstrado documentalmente que as operações tidas pela fiscalização como exportação indireta referiam-se, na verdade, a operações de exportação direta, deve-se cancelar a exigência fiscal constante do auto de infração.
Numero da decisão: 2301-004.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Eduardo Cantelli Roccam OAB/SP 237.805.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRODUÇÃO DA PROVA. Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o “animus” de convencimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO INDIRETA. Restando demonstrado documentalmente que as operações tidas pela fiscalização como exportação indireta referiamse, na verdade, a operações de exportação direta, devese cancelar a exigência fiscal constante do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Eduardo Cantelli Roccam OAB/SP 237.805. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 12 51 /2 01 2- 69 Fl. 12234DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente, relativo às contribuições previdenciárias patronais, inclusive GIILRAT, incidentes sobre a receita de comercialização da produção agroindustrial, oriunda de “exportações indiretas” realizadas entre 01/01/2009 e 31/12/2010. Ou seja, ao invés de a Recorrente exportar diretamente sua produção agroindustrial, ela supostamente a revendia para empresas comerciais exportadoras ou “trading companies”, que cuidavam de remetêla ao exterior. O fundamento legal da exigência encontrase no art. 22A da Lei nº 8.212/91: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. O lançamento fiscal foi realizado com o intuito de prevenir a decadência, já que a Recorrente discute a validade da cobrança das contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produtos rurais perante o Poder Judiciário, havendo suspensão da exigibilidade do respectivo crédito tributário. Em vista da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a fiscalização lançou apenas o valor do principal e dos juros de mora, deixando de constituir qualquer multa. Os valores envolvidos, em atualizados em 04/05/2012, são os seguintes principal ................................................................... R$ 14.506.357,20 juros de mora ............................................................. R$ 2.796.631,47 TOTAL ...................................................................... R$ 17.302.988,67 Para determinação da base de cálculo, a fiscalização lastreouse exclusivamente em informações prestadas pela Recorrente, constantes de demonstrativos que indicariam o valor mensal de receita com “exportações indiretas”, conforme noticia o Relatório Fiscal que acompanha o auto de infração (fls. 1323) e a resposta à intimação fiscal (fls. 99 121). Fl. 12235DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.721251/201269 Acórdão n.º 2301004.832 S2C3T1 Fl. 12.235 3 Cientificada do lançamento em 07/05/2012, a Recorrente apresentou impugnação defendendo, em essência, erro material na determinação da base de cálculo, porquanto os valores considerados pela fiscalização retratam receitas decorrentes de exportação direta, e não de exportação indireta. Para comprovar o alegado, promoveu a juntada de vasta documentação (são mais de 11.000 folhas). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, no entanto, julgou improcedente a defesa apresentada. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário a este CARF, defendendo (i) cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de apreciação dos documentos juntados após a impugnação, e (ii) erro material, em virtude da apuração equivocada da base de cálculo pela fiscalização. Em 09/10/2014, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência, a fim de que a DRJ/Ribeirão Preto esclarecesse, “com base nos documentos que corroboram os autos, se ela considerou as exportações realizadas como sendo de maneira direta ou indireta”. A DRJ/Ribeirão Preto respondeu que “o lançamento fundase em receitas de exportação da produção rural realizadas indiretamente pelo contribuinte e não oferecidas à tributação”. Intimada a se manifestar, a Recorrente reforçou sua linha de defesa e aproveitou a ocasião para juntar laudo elaborado por consultoria especializada (fls. 11909 12231). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 14/01/2013 e o recurso voluntário foi interposto em 08/02/2013. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega como matéria de recurso (i) cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de apreciação dos documentos juntados após a impugnação pela decisão de primeira instância, e (ii) erro material, em virtude da apuração equivocada da base de cálculo pela fiscalização. Como esses dois pontos estão intrinsicamente ligados, passo a analisálos em conjunto. Mais de quatro anos – e de doze mil folhas – já se passaram desde a lavratura do auto de infração e somente nesta altura do processo administrativo é possível enxergar o grande erro de comunicação perpetrado entre Fisco e Contribuinte. De um lado, a fiscalização – que tinha o dever funcional de investigar a ocorrência dos fatos que dão origem à obrigação tributária e de fundamentar o correspondente ato administrativo de lançamento com provas sobre a existência de tais fatos – promove a Fl. 12236DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 lavratura do auto de infração baseado exclusivamente em informações constantes de planilhas fornecidas pelo contribuinte. As fases do “iter” fiscalizatório encontramse descritas no relatório que acompanha o auto de infração, merecendo destacar os seguintes trechos (fls. 1819 – os grifos são nossos): 5 – Assim, tratase o presente Auto de Infração de exigência de contribuições sociais devidas ao INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre receita de exportação da produção rural, realizada por intermédio de empresas interpostas (“TRADING COMPANIES”). 5.1 – A rigor de informações constantes em Declarações de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica – DIPJ, dentre elas as Fichas 64 e 70 – Informações Previdenciárias, nos exercícios de 2009 a 2011, anos calendário 2008 a 2010, a empresa declarou valores a título de Receita de Exportação Direta de Produtos de Fabricação Própria. Assim, não declarou valores a título de exportação indireta, ou seja, aquela efetuada por empresa comercial exportadora (“trading companies”). 5.2 – Contudo, após intimação, forneceu vários demonstrativos, relativos aos anos calendários declinados que indicam, entre outros, valores mensais (receitas) de Exportação Indireta, ou seja, realizada por intermédio de “TRADING COMPANIES”. (...) 6.3 – Assim, e considerando que a empresa forneceu os demonstrativos que indicam, entre outros, valores mensais de produtos exportados indiretamente, ou seja, por intermédio de “TRADING COMPANIES” e excluídas das receitas tributadas, evidente que a empresa não estava cumprindo as determinações da IN SRP nº 03/2005 e da IN RFB 971/2009. (...) 7 – Informase que a base de cálculo utilizada, isto é, os valores mensais das exportações indiretas, foram extraídos dos demonstrativos fornecidos em meio magnético pela empresa (validado pelos SVA – Sistema e Autenticação de Arquivos Digitais) e exigido contribuição por substituição, no percentual de 2,60% sobre o faturamento (Previdência Social 2,5% + SAT 0,1%), nos termos dos incisos I e II do art. 22A da Lei 8.212/1991. Destaquese que em outros AI’s foi exigida contribuição ao SENAR no percentual de 0,25% (§6º, do artigo 22A da Lei 8.212/1991). Os documentos utilizados para determinar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, referidos nos trechos acima transcritos, resumemse a dois demonstrativos, constantes das fls. 111 e 117, sendo possível reproduzilos no voto: Fl. 12237DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.721251/201269 Acórdão n.º 2301004.832 S2C3T1 Fl. 12.236 5 De outro lado, o contribuinte, ora Recorrente, repete em suas peças de defesa que os números constantes do demonstrativo intitulado “Receitas Export Indireta” dizem Fl. 12238DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 respeito a operações de exportação direta, e não a operações de exportação indireta... Enfim, sem contextualizar as informações que forneceu à fiscalização, refuta a natureza de exportação indireta seguidamente. Realmente, do ponto de vista da fiscalização (também compartilhado pela DRJ/Ribeirão Preto), tal afirmação pareceu ter soado a algo sem sentido, que beirava a um comportamento contraditório ou mesmo a um expediente protelatório, especialmente porque a própria Recorrente forneceu, às fls. 102121, o demonstrativo intitulado “Receitas Export Direta” juntamente com o demonstrativo “Receitas Export Indireta”, com números completamente diferentes. Aliás, esse é o momento adequado para tratar da alegação de cerceamento de defesa. Na mesma linha de pensamento já exposta pela DRJ/Ribeirão Preto, afigurame, com a devida vênia, que a Recorrente não laborou para comprovar o erro material alegado e, se o fez, não o foi de modo eficiente. Não restou demonstrada a concatenação lógica entre, de um lado, o suposto equívoco da fiscalização na determinação da base de cálculo (lançamento com base no demonstrativo “Receitas Export Indireta”) e, de outro, as supostas provas trazidas aos autos que corroborariam a afirmação da Recorrente. Não à toa que o relator do acórdão recorrido transcreveu em seu voto a seguinte lição doutrinária, ilustrando aquela deficiência da defesa: “Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. O acórdão recorrido não deixou de analisar as provas colacionadas pela Recorrente. Apenas entendeu que, diante do acervo probatório produzido, o lançamento de ofício deveria ser mantido. Até aquele momento processual, portanto, as 2 folhas contendo o demonstrativo “Receitas Export Indireta” pesaram mais do que as 12.000 folhas contendo informações esparsas de memorandos de exportação, registro de operações de exportação no Siscomex, declaração de despacho, “invoices” e notas fiscais. Desse modo, refuto a alegação de cerceamento de defesa. Pois bem. O erro de comunicação aludido no início do voto somente foi desvelado por ocasião da manifestação da Recorrente, juntada em 02/04/2015, às fls. 11912 (os grifos são nossos): O grande equívoco, que foi demonstrado na Impugnação e no Recurso Voluntário, é que ao denominar o demonstrativo como “Receitas Export Indireta” estava a Recorrente se referindo a operações onde figurou como exportadora direta do açúcar adquirido de outras usinas produtoras de açúcar, e não exportando indiretamente como entendeu a fiscalização. O demonstrativo foi assim apresentado, pois se trata de uma segregação gerencial para controle interno da própria Recorrente. Quer dizer, ambas as partes tratavam sobre a mesma operação de exportação indireta. Mas enquanto a fiscalização entendia que a empresa atuava como encomendante (remetente da produção agroindustrial a outra empresa brasileira), a Recorrente agia como Fl. 12239DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.721251/201269 Acórdão n.º 2301004.832 S2C3T1 Fl. 12.237 7 empresa comercial exportadora ou “trading company” (destinatária da produção que realiza a exportação direta). Às fls. 11929, o laudo pericial encomendado pela Recorrente esclarece o procedimento adotado ao afirmar que parte das operações de exportação direta decorriam de compras no mercado interno para posterior exportação. Os documentos então juntados ao processo parecem comprovar o alegado: notas fiscais emitidas por outras empresas brasileiras (encomendantes), remetendo produtos com o fim específico de exportação para a Recorrente (denominações sociais no período: Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool, Cosan S/A Açúcar e Álcool, Raízen Energia S/A, mas a raiz do CNPJ não mudou, sendo 08.070.508); nota fiscal de exportação emitida pela Recorrente, com descrição da origem da operação no campo de “dados adicionais”; memorando de exportação, relacionando a nota fiscal de exportação com o registro de exportação, embarque etc. telas do Siscomex, com informações sobre as operações de exportação, relacionando o registro de exportação com as notas fiscais de exportação. Por exemplo: Período Unidade da Recorrente Valor NF de remessa com fins de exportação NF de exportação Memo de exportação Registro de Exportação Jul/2009 Bonfim R$ 284.151,40 NF 22396 fls. 1127 NF 36470 fls. 1126 fls. 1125 RE 09/0751588 fls. 11281136 Além disso, a partir dos valores constantes dos Memorandos de Exportação, verifico ser possível comprovar, por amostragem, a identidade entre os valores constantes desses documentos e aqueles constantes do demonstrativo “Receitas Export Indireta”: Fl. 12240DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 FILIAL PERÍODO VALOR FLS. FILIAL PERÍODO VALOR FLS. Bonfim abr/09 645.704,39 1.026 Tamoio jan/09 1.160.486,87 1.264 0065‐32 11.667,76 1.062 0074‐23 112.124,71 1.282 33.365,08 1.077 1.626.002,08 1.299 3.466,33 1.095 803.060,10 1.317 24.064,56 1.109 533.386,54 1.337 718.268,12 4.235.060,30 Bonfim jul/09 284.151,40 1.125 Barra nov/09 1.301.051,57 2.480 0065‐32 0003‐30 495.955,10 2.497 1.797.006,67 Bonfim ago/09 203.001,60 1.142 0065‐32 Ipaussu jul/10 2.157.962,51 3.849 0069‐66 Gasa jul/09 7.442,58 1.215 0068‐85 Ipaussu ago/10 204.975,82 3.961 0069‐66 5.504.901,01 3.980 Gasa set/09 630.491,94 1.246 1.946.944,21 4.179 0068‐85 7.656.821,04 Por fim, às fls. 12204 e seguintes, a Recorrente reforça a sua linha de argumentação ao juntar cópia dos acórdãos proferidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF (dentre eles, o acórdão nº 2402004.338, de 08/10/2014), relativos a autuações idênticas, envolvendo apenas período diverso (ano de 2008). Naquela oportunidade, o colegiado reconheceu o erro material e anulou os lançamentos de ofício. À vista do exposto, resta evidenciado o equívoco cometido pela fiscalização na determinação da base de cálculo. Embora a informação contida no demonstrativo “Receitas Export Indireta” aparentasse ser uma confissão autêntica de dívida, ela se mostrou traiçoeira, porque aceita como prova definitiva de eventos tributáveis. Referido demonstrativo, ao contrário, deveria constituir ponto de partida dos trabalhos fiscais ou, quando menos, refletir a sua conclusão tão logo a fiscalização tivesse examinado toda a documentação relativa às exportações indiretas (notas fiscais de remessa, notas fiscais de exportação, informações constantes do Siscomex etc.). Não à toa que o ordenamento jurídico, para conferir liquidez e certeza ao ato administrativo de lançamento, assegura certas prerrogativas à fiscalização, a exemplo do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, independentemente de restrições legais (art. 195, CTN). Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, a fim de cancelar o lançamento de oficio. Fl. 12241DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.721251/201269 Acórdão n.º 2301004.832 S2C3T1 Fl. 12.238 9 É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 12242DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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