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Numero do processo: 10480.720664/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. USO DE INFORMAÇÕES DA DIPJ.
O descumprimento da ordem fiscal para apresentação de documentos necessários ao lançamento dá razão ao arbitramento. É razoável a utilização de informações de salários provenientes da DIPJ para arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabe prova em contrário, na fase litigiosa, dos valores arbitrados. Descabe, durante o contencioso, o refazimento do lançamento diante de provas contestatórias, sendo possível apenas sua anulação, manutenção ou correção. Corrige-se a base de cálculo arbitrada quando constatado que nela estão contidos valores isentos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999.
Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999.
Numero da decisão: 2301-005.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à improcedência da majoração da multa de ofício e (a.2) ao não cumprimento da intimação; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo, os valores comprovados de bolsas de estágio e de aviso-prévio indenizado.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. USO DE INFORMAÇÕES DA DIPJ. O descumprimento da ordem fiscal para apresentação de documentos necessários ao lançamento dá razão ao arbitramento. É razoável a utilização de informações de salários provenientes da DIPJ para arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabe prova em contrário, na fase litigiosa, dos valores arbitrados. Descabe, durante o contencioso, o refazimento do lançamento diante de provas contestatórias, sendo possível apenas sua anulação, manutenção ou correção. Corrige-se a base de cálculo arbitrada quando constatado que nela estão contidos valores isentos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999. Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. USO DE INFORMAÇÕES DA DIPJ. O descumprimento da ordem fiscal para apresentação de documentos necessários ao lançamento dá razão ao arbitramento. É razoável a utilização de informações de salários provenientes da DIPJ para arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabe prova em contrário, na fase litigiosa, dos valores arbitrados. Descabe, durante o contencioso, o refazimento do lançamento diante de provas contestatórias, sendo possível apenas sua anulação, manutenção ou correção. Corrigese a base de cálculo arbitrada quando constatado que nela estão contidos valores isentos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999. Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 64 /2 01 0- 77 Fl. 854DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à improcedência da majoração da multa de ofício e (a.2) ao não cumprimento da intimação; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo, os valores comprovados de bolsas de estágio e de avisoprévio indenizado. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de auto infração, lavrado em 23/04/2010 (efl. 163), Debcad nº 37.242.0443, para exigência de contribuições sociais relativas a terceiros (SalárioEducação, Incra, Sesc, Sebrae), relativas ao período de 01/2006 a 12/2007, incluindo os décimos terceiros salários (13/2006 e 13/2007). Segundo se constata no relatório fiscal (efls. 38 a 42), o lançamento foi efetuado com base em aferição indireta, em que se considerou os valores das DIPJ para cálculo dos salários de contribuição. A Autuada apresentou impugnação tempestiva (efls. 166 a 178) na qual, em síntese, alegou que a base de cálculo utilizada na aferição indireta, proveniente da DIPJ, conteria parcelas isentas ou não correspondente ao período e que, e, por isso, a informação não poderia ser utilizada como base para o lançamento. Acrescentou, também, que o total declarado em Gfip no 1º trimestre de 2006 não foi R$ 507.363,44, como considerado pela Autoridade Lançadora, mas R$ 735.650,04. A 12ª Turma da DRJ/RJ1 manteve integralmente o lançamento, como se verifica no Acórdão nº 1260.617 (efls. 327 a 332). Do acórdão, foi dada ciência em 06/02/2006 (efl. 336). Em 06/03/2014, a Recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 339 a 511) nos termos seguintes: a) solicitou que o julgamento do presente processo se desse em conjunto com outros autos de infração decorrentes da mesma ação fiscal; b) alegou que não há comprovação de que os documentos solicitados pela Autoridade Lançadora não teriam sido apresentados; Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10480.720664/201077 Acórdão n.º 2301005.510 S2C3T1 Fl. 854 3 c) juntou documentos que comprovariam a incorreção do lançamento; d) alegou que não consta dos autos qualquer termo de intimação para apresentação de documentos; e) alegou ser descabida a aferição indireta, pois não houve recusa de apresentação de documentos; f) alegou que, ainda que possível a aplicação da aferição indireta, não se poderia utilizar a DIPJ para esse fim, porquanto os valores ali informados contém parcelas que não integram o salário de contribuição; g) alegou que as diferenças de valores entre a DIPJ e as GFIPs decorreram justamente do fato de na DIPJ haver a informação de parcelas que não integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias; h) alegou que não incidem contribuições previdenciárias sobre bolsas pagas a estagiários, verbas indenizatórias, valestransporte ou auxílio alimentação, mas que esses valores integraram a informação da DIPJ que foi utilizada para o arbitramento da base de cálculo; i) alegou que não poderiam ter sido incluídos os valores pagos em janeiro de 2006, mas referentes a dezembro de 2005, na base de cálculo daquele período, e, por fim, j) alegou que a multa de ofício não poderia ser majorada por haver deixado de fornecer arquivos digitais, pois não houve qualquer recusa em fornecer documentos, mesmo os digitais. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. A Recorrente questionou, no recurso voluntário, a majoração, em razão do descumprimento de intimação, da multa de oficio aplicada, nos termos inc. I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 19961. Também alegou, a Recorrente, que em nenhum momento se recusou a apresentar documentos, que, durante a ação fiscal, teria apresentado toda a documentação solicitada pelo Agente Fiscal e que não há provas nos autos de que não tenha apresentado os documentos solicitados. Obviamente, essa prova não existiria porque se trata de prova 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ................................................................................ § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 856DF CARF MF 4 negativa, impossível, pois o evento não teria ocorrido. Não há como provar o que não aconteceu! Na verdade, toda e qualquer entrega pessoal de documento em razão de intimação fiscal é documentada em recibo, do qual uma via é entregue ao apresentante dos documentos. Entendo, pois, que caberia à Recorrente fazer prova de que atendera a intimação e apresentara os documentos exigidos, meramente apresentado o recibo de entrega; não o tendo feito, é de se admitir a alegação fiscal de que os documentos não foram apresentados, pois não constam do processo. Todavia, tanto a questão da majoração da multa quanto a contestação do descumprimento da intimação não foram objetos de impugnação e, portanto, não compõem a lide, como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301005.165: Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). Portanto, não conheço do recurso em relação à matéria não impugnada. Admito, pois, na lide, apenas a matéria correspondente à aplicação da aferição indireta. 1 Aplicação da Aferição Indireta Segundo consta do Relatório Fiscal (efls. 38 a 42), apesar de regularmente intimada no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (efls. 2 a 4), a Recorrente teria deixado de apresentar os seguintes documentos essenciais à investigação fiscal: notas fiscais de serviços relativas às compensações efetuadas no exercício de 2006; contratos dos estagiários relativos à rubrica Bolsa Estágio, contratos de prestação de serviços realizados com terceiros, processos trabalhistas, livro de registro de empregados, comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, livros Diários dos exercícios de 2006 e 2007, folhas de pagamento dos meses 01/2007 a 07/2007. De fato, não consta dos autos que tais documentos tenham sido entregues à fiscalização no curso da ação fiscal. A recusa de apresentar os documentos necessários ao trabalho fiscal dá azo ao arbitramento, como estabelecem a Lei nº 8.212, de 1991, e o Decreto nº 3.048, de 1999: Lei nº 8.212, de 1991: Art. 33. ............................................................................................ § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Decreto nº 3.048, de 1999: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10480.720664/201077 Acórdão n.º 2301005.510 S2C3T1 Fl. 855 5 Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Do critério de arbitramento Pois bem, o critério usado para o arbitramento está descrito no Relatório Fiscal (efl. 39), nos termos seguintes: 2.3 Dessa forma a fiscalização usou o procedimento de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciária devidas pelo sujeito passivo, utilizandose dos valores informados como ordenados, salários, gratificação e outras remunerações a empregados, nas Fichas 05 A Despesas Operacionais, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, anos bases de 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008 (DIPJ anexas), de conformidade com o art. 33; § 3º e § 6º; da lei 8.212/91, art. 233, do Decreto 3.048/99 e art. 447, inciso II, da IN 971/09, de 13/11/2009. A Autoridade Lançadora utilizou critério razoável para arbitrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, porquanto as informações das DIPJ utilizadas, provenientes do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados contêm os valores que, em tese, integram o saláriodecontribuição. Da impossibilidade de refazimento do lançamento pela autoridade julgadora A Lei garante, entretanto, que o autuado apresente prova em contrário dos valores que tenham sido arbitrados2. Em regra, os documentos contestatórios devem ser apresentados na impugnação3; mas, em face do princípio da instrumentalidade processual, os documentos apresentados em fase recursal podem ser admitidos, como já decidiu esta turma, por unanimidade, no Acórdão nº 2301004.769, de 13/07/2016: 2 Lei nº 8.212, de 1991: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 3 Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. ............................................................................................. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 858DF CARF MF 6 O art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 contém a regra geral acerca do momento para apresentação das provas pelo contribuinte no processo administrativo fiscal. A produção em momento posterior não impede o julgador de conhecêlas, diante das peculiaridades do caso e das provas apresentadas. Corolário dos princípios da instrumentalidade processual e da busca da verdade material. Constatase que a Recorrente apresentou, na impugnação e no recurso voluntário, elementos a contradizer os valores usados para apuração por aferição indireta. Pretendeu, a Recorrente, que a Autoridade Julgadora, em face dos documentos apresentados, refizesse o lançamento tendose por base não mais os valores das DIPJ, mas os dados constantes da documentação acostada ao apelo. Porém, carece competência aos Julgadores para fazerem novo lançamento, como pretende a Recorrente. O lançamento já foi feito, está pronto e acabado, o crédito tributário foi regularmente constituído e não se poderia, em sede de contencioso, abandonar o critério legalmente utilizado para adotar, intempestivamente, outra forma de apuração. Ou seja, mesmo se apresentasse, na fase recursal, os elementos que haviam sido exigidos na intimação descumprida, não caberia, ao Tribunal Administrativo, retroceder ao momento da fiscalização e modificar o critério usado pela Autoridade Lançadora para refazer o lançamento, mas apenas mantêlo, anulálo ou corrigilo, na medida do que houver sido suscitado na lide. Dos ajustes na base de cálculo, diante de provas aduzidas Observese que o critério de apuração, com base na aferição indireta, deve ser mantido, porquanto amparado na lei, mas pode, entretanto, ser ajustado a vista de eventuais provas em contrário aduzidas após o lançamento. Com efeito, a Recorrente alega que os valores constantes das DIRPJ incluem parcelas sobre as quais não incidiam contribuição previdenciária e, portanto, em relação a essas parcelas, a base de cálculo deverá ser recomposta. A Recorrente alegou, no recurso voluntário, que, nos valores constantes do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ, utilizado como base de cálculo, constariam as seguintes parcelas que não deveriam compor a base de lançamento: a) vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte; b) desconto salarial por faltas; c) parcelas de 2005 referentes a 13º salário, férias, gratificação, horasextras e salários; d) aviso prévio, indenizações, assistência educacional e bolsaestágio. Antes de discorrer sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre cada uma das verbas alegadas pela Recorrente, devese, preliminarmente, verificar se tais verbas estavam contidas na base de cálculo utilizada pela Autoridade Lançadora. De pronto, constatase que, ao consultar as orientações para o preenchimento do Quadro 05A da DIPJ, algumas verbas informadas pela Recorrente não estão contidas na Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10480.720664/201077 Acórdão n.º 2301005.510 S2C3T1 Fl. 856 7 linha 02, que foi utilizada para a aferição indireta, e, portanto, sequer fizeram parte do lançamento: a) a alimentação do trabalhador, como valesrefeição, é informada na Linha 05A/10 Alimentação do Trabalhador; b) as multas trabalhistas são informadas na Linha 05A/19 Multas; c) o 13º salário, assim como as férias, devem ser devidamente provisionados e informados na Linha 05A/22 Provisões para Férias e 13º Salário de Empregados; d) as despesas com saúde, inclusive exames admissionais, bem como as despesas correspondentes a salários, ordenados, gratificações e outras remunerações referentes à área de saúde, tais como assistência médica, odontológica e farmacêutica, são informadas na Linha 05A/28 Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica a Empregados, e e) o valetransporte é informado na Linha 05A/31 Outras Despesas Operacionais. Portanto, não há que se excluir, da base de cálculo, os valores de vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte porque eles não constam do montante indicado no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ. Sobre os descontos salariais por faltas, há que se considerar que os balancetes apresentados (efls. 238 a 326) são demasiadamente sintéticos e não se prestam a comprovar a composição das contas ali dispostas. Por exemplo, a conta 5.2.4.9901 Ordenados deve registrar o saldo dos valores de salários, já descontadas as deduções por faltas porque não correspondem a salários devidos ou pagos. Deste modo, aquela conta seria composta por, pelos menos, uma conta analítica indicativa dos valores brutos de salários, de saldo devedor, e uma respectiva conta redutora analítica, de saldo credor, a corrigir o saldo da conta devedora, contendo as parcelas de salário não devidas em razão de eventuais ausências dos empregados. Se o balancete houvesse sido apresentado na forma mais analítica permitida pelo plano de contas da empresa, e presumindo que a empresa faz sua escrituração com observância das normas e princípios contábeis, deveria seguir a seguinte disposição: 5.2.4.9901 Ordenados 5.2.4.9901XX Salários Brutos 5.2.4.9901YY () Desconto por faltas A Recorrente, em sua impugnação (efls. 170 a 172), bem demonstrou que os valores declarados no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ contêm o saldo da conta 5.2.4.9901 Ordenados. Deste modo, os valores informados na DIPJ, sem prova em contrário, devem ser entendidos como já deduzidos das faltas dos empregados e, portanto, não integraram a base de cálculo. Quanto às verbas que a Recorrente alega serem referentes a 2005, mas que estariam contidas na base de cálculo utilizada pelo Fisco, não assiste razão à Recorrente, pois Fl. 860DF CARF MF 8 na DIPJ, como se sabe, as informações obedecem ao regime de competência, e não ao regime de caixa. Portanto, os dados do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ relativos ao primeiro trimestre de 2006 não podem se referir a fatos contábeis ocorridos em 2005. Ora, considerando que o art. 434 da Lei nº 8.212, de 1991, não deixa dúvidas de que as contribuições previdenciárias também obedecem ao regime de competência, na medida em têm como fato gerador a prestação do serviço, e não o seu pagamento, não subsiste a alegação de que as parcelas de 12/2005 e 13/2005 estariam contidas na referida informação da DIPJ do anocalendário de 2006, pois comporiam, isso sim, os valores declarados no 4º trimestre da DIPJ relativa ao anocalendário de 2005. Excluídas, pois, as verbas que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, não compuseram a base de cálculo, verificase que os valores provenientes das DIPJ poderiam conter montantes relativos a indenizações, assistência educacional bolsaestágio e aviso prévio. Portanto, é necessário verificar, em cada um dos casos, se os requisitos para a exclusão da base de cálculo estão presentes. Quanto às indenizações, a Recorrente não logrou juntar provas suficientes de que se tratavam de parcelas inalcançadas pela contribuição previdenciária, limitandose a alegar, apontar valores e apresentar as folhas de pagamento do período (efls. 378 a 431) e balancetes (efls. 238 a 326), sem que comprovasse, individualmente, a que tipo de indenização se referiam os valores informados. É certo que nem todas as parcelas indenizatórias estão imunes ou isentas da contribuição para a previdência social, o que torna imprescindível que fossem analisadas cada uma das indenizações para verificar a incidência. Não havendo prova suficiente em contrário, há que se manter o lançamento inalterado neste ponto. Quanto à assistência educacional, para que não integre o salário de contribuição, é preciso que sejam cumpridos os requisitos da alínea t e seus itens 1 e 2, do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Porém, a Recorrente não juntou qualquer elemento a comprovar a natureza dessa parcela e sua adequação aos requisitos legais. Por essa razão, deve se manter o lançamento por ausência de prova contestatória hábil a afastálo. A respeito das bolsasestágio, a alínea i do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 determina são isentas desde que o pagamento seja feito nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977. Entretanto, a Recorrente não fez juntar nestes autos nenhum elemento para que se pudesse verificar a aderência do estágio aos requisitos da lei. Apenas acostou uma lista de nomes de estagiários que teriam sido contratados (efl. 433), folhas de pagamento do período (efls. 378 a 431) e balancetes (efls. 238 a 326) que, no máximo, comprovam os valores dependidos, mas não demonstram as condições em que a relação entre a Recorrente e os estagiários se deu. Destaquese que a Recorrente foi intimada a apresentar os contratos de estágio, mas não atendeu à ordem fiscal. Não houve, pois, prova em contrário suficiente a alterar o critério de arbitramento, razão pela qual o lançamento deve também ser mantido neste ponto. Porém, nos autos do Processo nº 10480.720666/201066, a Recorrente juntou alguns termos de compromisso de estágio (efls. 556 a 586 daquele processo). Para os casos em que há o termo de estágio ou o aditivo, entendo que assiste razão à Recorrente e os respectivos valores devem ser excluídos da base de cálculo utilizada na aferição indireta. Apesar de estarem listados na relação, não consta dos autos termos de compromisso para os estagiários Ana, Cynara, Édson, Eduardo, Ilda e Rebbeka. Para a estagiária Flávia, embora não haja o 4 Art. 43. ............................................................... § 2o Considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais na data da prestação do serviço. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10480.720664/201077 Acórdão n.º 2301005.510 S2C3T1 Fl. 857 9 termo de compromisso juntado, há um termo aditivo de prorrogação do estágio. Dos termos de estágio acostados, deriva o seguinte: Tabela 1 Relação dos estagiários com termo de compromisso nos autos do Processo nº 10480.720666/201066 Estagiário Bolsa Início do estágio Fim do estágio Thyago R$ 550,00 01/12/2005 01/06/2006 Denevaldo R$ 550,00 09/12/2005 09/06/2006 Emilia R$ 550,00 23/12/2005 23/12/2006 Sylvia R$ 550,00 23/12/2005 23/06/2006 Joyce R$ 275,00 01/02/2006 01/02/2007 Ludmila R$ 275,00 13/03/2006 13/09/2006 Bruna R$ 550,00 10/04/2006 10/04/2007 Flávia R$ 550,00 24/06/2006 24/06/2007 Pedro R$ 275,00 01/03/2007 01/09/2007 Bruno R$ 1.411,67 16/07/2007 16/07/2008 Karine R$ 250,00 18/07/2007 18/07/2008 Sammara R$ 380,00 03/09/2007 03/09/2008 Andreia R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Cleythianne R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Diloa R$ 380,00 19/11/2007 19/11/2008 Fazendo os cálculos pro rata dos períodos de cada estagiário, a partir dos dados constantes nos termos de compromisso, temse os valores a serem deduzidos da base de cálculo: Tabela 2 Cálculos das bolsas de estágio Bolsas de estágio comprovadas Mês 2006 2007 jan R$ 2.200,00 R$ 1.375,00 fev R$ 2.475,00 R$ 1.109,17 mar R$ 2.640,00 R$ 1.375,00 abr R$ 3.135,00 R$ 1.008,33 mai R$ 3.300,00 R$ 825,00 jun R$ 2.768,33 R$ 715,00 jul R$ 2.750,00 R$ 1.136,22 ago R$ 2.750,00 R$ 1.936,67 set R$ 2.209,17 R$ 3.061,34 out R$ 1.925,00 R$ 3.150,84 nov R$ 1.925,00 R$ 3.293,67 dez R$ 1.796,67 R$ 3.521,67 Acerca do aviso prévio indenizado, a redação do Decreto nº 3.048, de 1999, vigente à época dos fatos geradores das contribuições sob análise, anos de 2006 e 2007, estabelecia, claramente, que não integravam o saláriodecontribuição as importâncias recebidas àquele título: Art. 214. .......................................................................................... §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V as importâncias recebidas a título de: f) aviso prévio indenizado; A disposição regulamentar somente veio a ser revogada com o advento do Decreto nº 6.727, de 2009, ocasião em que aqueles valores passaram a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, neste ponto assiste razão à Recorrente e os Fl. 862DF CARF MF 10 valores correspondentes devem ser excluídos da base de cálculo utilizada para a aferição indireta. Das provas trazidas aos autos (efls. 380 a 458), concluise que a base de cálculo deverá ser corrigida deduzindose os seguintes valores, a título de avisoprévio indenizado: Aviso Prévio Indenizado Mês 2006 2007 jan R$ 26.353,17 fev R$ 350,00 R$ 18.374,66 mar R$ 389,66 R$ 34.664,31 abr R$ 467,42 R$ 9.075,08 mai R$ 6.768,27 R$ 14.715,62 jun R$ 3.592,13 R$ 27.482,66 jul R$ 6.340,00 R$ 12.410,38 ago R$ 2.393,39 R$ 16.785,24 set R$ 3.140,00 R$ 14.980,28 out R$ 3.989,13 R$ 19.665,36 nov R$ 16.330,00 R$ 2.520,00 dez R$ 2.990,00 R$ 10.752,96 Conclusões Voto no sentido de não conhecer, por ausência de prequestionamento na impugnação, a) da alegação de improcedência da majoração da multa de ofício aplicada, e b) do questionamento quanto ao não cumprimento da intimação; no mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para se excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de avisoprévio indenizado. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 863DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000121/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2007
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-005.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos do processo 18088.000137/2008-72, contendo obrigação principal: a) o valor de R$ 70.192,11 na competência set/04 e o valor de R$ 87.496,98 na competência dez/05, relativos ao levantamento M; e b) os valores relativos aos levantamentos AM, AMF e MF. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do cálculo da multa as competências até maio/2003.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrentes FISCHER S/A AGROINDÚSTRIA E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 21 /2 00 8- 60 Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.384 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos do processo 18088.000137/200872, contendo obrigação principal: a) o valor de R$ 70.192,11 na competência set/04 e o valor de R$ 87.496,98 na competência dez/05, relativos ao levantamento M; e b) os valores relativos aos levantamentos AM, AMF e MF. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do cálculo da multa as competências até maio/2003. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentado contra o Acórdão nº 1427.769 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (fls. 2.109/2.141), que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº 37.143.8462, com ciência do Contribuinte em 3/6/08, à fl. 205, com valor consolidado de R$ 2.012.975,37 que foi reduzido após o julgamento de primeira instância para R$ 958.280,08. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 241/308, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela fiscalização contra a recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especialmente correspondentes à parte devida da empresa, por pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais, diretores, no período 01/98 a 09/07. O Relatório Fiscal da Infração informa que pelo descumprimento da obrigação principal — recolhimento dos valores devidos foram constituídos os AIOP Auto de Infração de Obrigações Principais n° 37.143.8438 (parte patronal) e 37.168.3483 (parte segurados). O único fato gerador apurado relativo a contribuições de segurados foi o lançado nos levantamentos relativos a valores em folha de pagamento não declarados em GFIP códigos FND e FNF, que foram reconhecidos pelo sujeito passivo. Fl. 2384DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.385 3 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV e § 3º e § 5º, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 225, IV e § 4º. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista na Lei 8.212/91, art. 32, § 5°, e RPS, art. 284, inciso II, e art. 373. Foi apresentada planilha com o cálculo da multa às fls. 309/312. De acordo com o relatório fiscal do processo 18088.000137/200872, fls. 683/739 daquele processo, os fatos foram identificados nas folhas de pagamento da empresa, ratificados nos registros contábeis. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão nº 1427.769 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (fls. 2.109/2.141), com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/05/2008 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA EM PARTE. A partir da publicação da Súmula Vinculante STF n° 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN. Em se tratando de autuação em razão de descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento, aplicandose a regra geral. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. NULIDADE. INCABÍVEL. O AutodeInfração devidamente motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa, é ato administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, sendo descabida a argüição de nulidade do feito. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ARBITRAMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. RETIFICAÇÃO DE DÉBITO. Integra o saláriodecontribuição do segurado contribuinte individual empresário a remuneração auferida em uma ou mais empresas. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.386 4 É permitido o lançamento de crédito por arbitramento no caso de não exibição dos documentos solicitados e/ou apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em razão da comprovação por ocasião da diligência procedida, cabe retificação do débito para excluir os valores recolhidos em data anterior à autuação e os que não devem compor a base de cálculo. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA MÉDICA, ODONTOLÓGICA E REEMBOLSO DE DESPESAS. Integra o saláriodecontribuição o valor relativo a seguro de vida, pago em desacordo com a legislação pertinente. Integra o saláriodecontribuição o valor atinente a programa de previdência privada, quando não comprovada a regularidade da concessão. Integra o saláriodecontribuição a importância concernente a assistência médica, odontológica e de reembolso de despesas, quando pago em discordância com a legislação correspondente. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. Dada a existência de determinação legal expressa, as intimações são endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação de alegações após o prazo concedido para a empresa se pronunciar enseja o seu não conhecimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta do acórdão de impugnação que: Fl. 2386DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.387 5 A Autuada não questionou os aspectos relativos ao mérito dos Lançamentos "Despesas de Viagens" e "Empréstimos" e parte de "Folha de Pagamento". Concordou e no prazo de defesa efetuou os recolhimentos devidos, conforme cópia de GPS juntada aos autos, já apropriadas, o que resultou na exclusão dos valores referentes aos levantamentos abaixo, lançados no AIOP correlato: DV — de 05/2004 a 09/2007 total; DVF — 06/2003 a 04/2004; EMP — 05/2004 — total; FND — competência 10/2004 — de R$ 13.843,21 para R$ 10.903,21. Contudo, tal importância, embora já quitada, os valores correspondentes continuam a fazer parte dos autos, constando, inclusive do novo demonstrativo elaborado pela Auditoria, uma vez que o julgamento e retificação se reportam à data da autuação, e o recolhimento ocorreu em data posterior, cabendo ao Órgão de origem as providências cabíveis. Foi excluído, por decadência, o período de janeiro/1998 a novembro/2002, aplicandose o disposto no CTN, art. 173, I. Foram também excluídos do cálculo da multa, os valores excluídos no AIOP correlato. A nova planilha com o cálculo da multa foi juntada às fls. 1.751/1.752. Assim, concluiu o julgador de primeira instância que: Diante de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, VOTO PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO E RETIFICO A MULTA APLICADA para, primeiramente, excluir os valores fulminados pela decadência — de 01/1999 a 11/2002, e para o período de 12/2002 a 09/2007 afastar os valores assinalados pela Auditoria e manter a multa no valor remanescente de R$ 958.280,08 (NOVECENTOS E CINQÜENTA E OITO MIL, DUZENTOS E OITENTA REAIS E OITO CENTAVOS), conforme o contido no Voto. Cientificado do Acórdão em 28/5/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 2.143), a autuada FISCHER S.A. — AGROINDÚSTRIA apresentou recurso voluntário em 25/6/10, fls. 2.145/2.155, que contém, em síntese: Afirma que o presente processo possui relação com o de nº 18088.000137/200872. Em face da relação existente entre esses processos administrativos, verificase que, restando cancelada, total ou parcialmente, a exigência da contribuição previdenciária, a mesma sorte deve seguir a pretensão fiscal dessa penalidade. Diante disso, a recorrente junta ao presente a cópia das razões de seus recurso voluntário interposto contra o v. acórdão da Delegacia de Julgamento, proferido nos autos daquele processo, que manteve parte do lançamento da contribuição destinada à Seguridade Social, requerendo que sejam consideradas como integrantes deste. Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.388 6 Questiona a aplicação retroativa da Lei 11.941/09 e o disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Disserta sobre a matéria e entende que a multa deveria ser comparada e aplicada conforme disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Devido à evidente conexão com o processo 18088.000137/200872, pelos mesmos motivos, os autos foram baixados em diligência, conforme Resolução de fls. 2.199/2.245. A fiscalização respondeu à diligência, conforme informação fiscal de fls. 2.248/2.255, e a empresa apresentou a manifestação de fls. 2.263/2.274, todos contendo as mesmas informações apresentadas no processo 18088.000137/200872, relatadas no acórdão daquele processo. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. RECURSO DE OFÍCIO Em 9/2/17 foi publicada a Portaria MF nº 63, que aumentou o limite de alçada para recurso de ofício, que antes era de um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A Súmula CARF nº 103 dispõe que: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Da análise dos autos vêse que foi excluído o valor de R$ 1.054.695,29. Sendo assim, por ser o valor excluído inferior ao novo limite estabelecido na Portaria MF nº 63/17, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. CONEXÃO Por se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, por não informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o julgamento do presente processo fica condicionado ao resultado do julgamento nos processos relacionados, lavrados na mesma ação fiscal. Fl. 2388DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.389 7 MÉRITO No caso em apresso, foi lavrado o auto de infração 18088.000137/200872, que contém o lançamento da obrigação principal que justificou a lavratura do presente AI. Referido auto de infração foi julgado, na mesma sessão de julgamento do presente. Quanto aos valores lançados no AIOP correlato, contendo obrigação principal, considerando apenas os valores mantidos no acórdão de impugnação, conforme acórdão de recurso de ofício e voluntário proferido naquele processo, negouse provimento ao recurso de ofício e deuse provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do levantamento "M" o valor de R$ 70.192,11 na competência set/04 e o valor de R$ 87.496,98 na competência dez/05, e os levantamentos AM, AMF e MF. Ressaltese que naquele processo declarouse a decadência até maio/03 e no presente até nov/02. Contudo, quanto ao mérito do lançamento efetuado em ambos os processos, o julgamento para as competências lá decadentes (e aqui não) é o mesmo, não havendo qualquer novo elemento de fato ou argumento que pudesse determinar a exclusão de valores apurados no período de 12/02 a 05/03, a não ser os que já foram excluídos pelo acórdão de impugnação. Sendo assim, como alega a recorrente, o presente processo deve seguir a mesma sorte daquele, devendo ser excluído do cálculo da multa (coluna 2 BC pró labore) o valor de R$ 70.192,11 na competência set/04, o valor de R$ 87.496,98 na competência dez/05 (ambos relacionados ao levantamento M) e os valores relacionados aos levantamentos AM, AMF e MF. COMPARATIVO DA MULTA Sem razão o recorrente ao entender que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.390 8 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.391 9 caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §§ 4º, 5o e 6º da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. Acrescentese que, sobre a questão, foi aprovada a Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja excluído do cálculo da multa (coluna 2 BC pró labore) o valor de R$ 70.192,11 na competência set/04, o valor de R$ 87.496,98 na competência dez/05 (ambos relacionados ao levantamento M) e os valores relacionados aos levantamentos AM, AMF e MF. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando o auto de infração conexo (processo Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 18088.000121/200860 Acórdão n.º 2401005.711 S2C4T1 Fl. 2.392 10 n° 18088.000137/200872), em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 2392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903817/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devese homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 38 17 /2 00 8- 92 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.903817/200892 Acórdão n.º 3401005.185 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu em parte o direito creditório, considerando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 14/11/2003, transmitiu PER/DCOMP nº 21924.22755.141103.1.3.043614 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 10.369,10 do período de apuração 10/2003, com crédito de PIS/PASEP recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 01/2003, na data de 14/02/2003. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 18/07/2008 (eFls.2), pela não homologação da compensação declarada, argumentando que: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), requerendo a extinção do crédito tributário objeto da compensação sob análise, demonstrando e comprovando que há a disponibilidade do crédito utilizado: a) que realizou o pagamento via DARF (efls.51/52) de contribuição para o PIS/PASEP cód. 8109, no valor de R$ 30.106,98 na data de 14/02/2003 do Período de Apuração 31/01/2003; b) que na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora para o período 1º Trimestre/2003 (efls.53), declarando um débito apurado de PIS – Faturamento para o Período 01/2003 no valor de R$ 19.365,59; c) na data de 07/11/2003, transmitiu Dcomp nº 10399.64671.071103.1.3.049020 vinculando o débito de valor R$ 19.365,59 com o crédito de R$ 30.106.98 o que seria desnecessário, bastando vincular o pagamento via DARF ao débito declarado; d) junta como prova, além da DCTF retificadora, demonstrativos contábeis (livro razão – efls.103 a 106) que Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.903817/200892 Acórdão n.º 3401005.185 S3C4T1 Fl. 4 3 atestam a procedência do crédito utilizado; e) pede considerações ao fato da recentíssima aprovação, à época, do programa na versão 1.1 da PER/DCOMP, através da IN SRF nº 360, de 24/09/2003, quando muitas dúvidas gravitaram em torno desse procedimento; f) tratandose de erro formal, pela desnecessária apresentação de PER/DCOMP nº 10399.64671.071103.1.3.04 9020, deve prevalecer o princípio da verdade material, como se depreende de diversos julgados do CARF e também, do Poder Judiciário. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade. Trata inicialmente, no voto, da compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II da Lei 5.172/1966 (CTN), mas somente com crédito líquido e certo do contribuinte (art.170CTN). Destacase da decisão de piso a seguinte parte: Entretanto, do exame das arguições trazidas pela interessada, e conforme pesquisa no sistema de interesse da RFB (SIEFWEB), fls. 146/150, verificase que o Despacho Decisório apresenta inconsistência, no que se refere à demonstração da utilização da importância correspondente ao DARF, como segue: Analisando a utilização do pagamento promovido através do DARF número de pagamento 3794288898, verificase que é pagamento sem alocações, ou seja, o saldo de crédito disponível, em valor originário, corresponde ao valor total do DARF, R$ 30.106,98 (data da arrecadação 13/06/2003). Verificase que o sistema bloqueou o valor de R$ 22.714,58, para a DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, transmitida em 07/11/2003, para a qual houve a homologação total, encontrandose na situação “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”, homologação concluída; No demonstrativo da utilização do crédito para a DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020 (fl. 148) temse que: Valor pleiteado = R$ 30.106,98 Saldo Disponível antes da utilização = R$ 30.106,98 Valor utilizado = R$ 22.714,58 Saldo disponível após utilização = R$ 7.392,40 (saldo em valor originário) Tal situação, por si só, indicava a existência de saldo remanescente, passível de aproveitamento em declarações supervenientes; Neste ponto, deve ser destacado que o Contribuinte, nos cálculos apresentados, não levou em conta que o débito declarado na DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, com data de vencimento em 14/02/2003, deveria ser atualizado até a data de transmissão desta DCOMP (07/11/2003), com acréscimos dos juros e multa de mora; Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.903817/200892 Acórdão n.º 3401005.185 S3C4T1 Fl. 5 4 É de se destacar que o entendimento passado no voto do acórdão recorrido, teve por base os artigos 28 e 38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323/2003. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.165) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que: “... considerando que o crédito da Recorrente referese ao pagamento a maior e/ou indevido de PIS (PA 01/03), afigurase irregular os acréscimos a titulo de juros e multa aos débitos declarados nos PER/ DCOMP ns. 21924.22755.141103.1.3.043614, 40180.98974.241103.1.3.040006 e 42852.66161.151203.1.3.041964, uma vez que o crédito nasceu anteriormente aos débitos compensados. Os juros indenizam a mora, enquanto a multa constitui penalidade pela mora. Mas, no caso vertente, não se encontrava a Recorrente em mora perante o Fisco, na medida em que os recursos destinados a extinção dos débitos já se encontravam na disponíveis do Erário desde fevereiro de 2003, quando foi efetivado o recolhimento do débito de PIS (PA 01/03), utilizado nas compensações”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica PER/DCOMP nº 21924.22755.141103.1.3.043614 (efls.7), com data de 14 de novembro de 2003, a compensação de débito de COFINS do período 10/2003, com crédito de PIS/PASEP do período 01/2003 (R$ 8.965,93) em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF no valor de R$ 30.106,98. O Auditor Fiscal que elaborou o Despacho Decisório – Nº de Rastreamento: 775592765 (efls.2) foi parcial, quando atestou que a totalidade do DARF – R$ 30.106,98 foi utilizado no PER/DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020, sendo, inclusive, declarado inconsistente pela autoridade julgadora de primeiro grau. Com a Manifestação de Inconformidade e demais demonstrativos juntados aos autos, ficaram os fatos expostos da seguinte forma: a) houve a transmissão de DCTF original para o 1º Trimestre/2003, declarando valor devido de PIS (cód.8109) para o mês de janeiro/2003 R$ 30.106,98 cujo pagamento se deu via DARF, no vencimento, data de 14/02/2003; b) na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora alterando o valor devido de PIS do mesmo período para R$ 19.365,59; c) na data (07/11/2003), apresentou DCOMP nº 10399.64671.071103.1.3.049020 compensando o débito de R$ 19.365,59 com o valor do DARF de R$ 30.106,98; d) a diferença entre o valor do DARF (R$ 30.106,98) e o valor do Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.903817/200892 Acórdão n.º 3401005.185 S3C4T1 Fl. 6 5 débito de PIS de 01/2003, retificado (R$ 19.365,59), parte foi objeto da DCOMP 21924.22755.141103.1.3.043614, no valor de R$ 8.965,93 discutida no presente processo. Existem duas questões fáticas que merecem ser evidenciadas: (i) da desnecessária apresentação de DCOMP para vincular o débito retificado com o DARF de pagamento (mesmo tributo para igual período de apuração); (ii) Falha no sistema da RFB de não fazer a vinculação automática do pagamento com o débito declarado, visto que a totalidade do valor pago permanecia disponível. Isso talvez justifique a preocupação do contribuinte de apontar em seu inconformismo, dúvidas da época, relacionadas a implantação do programa eletrônico – PER/DCOMP 1.1, através da IN SRF 360/2003. No acórdão recorrido ficou evidenciado que a totalidade do pagamento R$ 30.106,98 estava disponível, portanto, atende plenamente ao pleito da recorrente em ver extinto o débito de PIS para a competência 01/2003, no valor de R$ 19.365,59 como também, o débito de COFINS do período 10/2003, de que trata o presente processo. Se atentarmos para os demonstrativos juntados as efls. 250 a 252, disponibilizados pela RFCODAC – Demonstrativo Analítico de Compensação, o saldo remanescente de compensação neste processo corresponde exatamente ao valor da multa de 20% aplicada sobre o valor do débito do PIS do período 01/2003, recolhido na data 14/02/2003. Pode até ter gerado certa confusão nos sistemas eletrônicos da SRF com a apresentação de DCOMP para compensar um débito que já havia sido recolhido no seu próprio vencimento, mas se valer, o fisco, de um ato falho ou desnecessário do contribuinte para penalizálo, entendese ser totalmente improcedente. Partindose do pressuposto, art. 156, II do CTN, que a compensação extingue o crédito tributário e o art. 170 do mesmo diploma legal, que permite à autoridade administrativa autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vejo plenamente presente essa condição, pois a própria autoridade administrativa declarou a disponibilidade do crédito pelo pagamento via DARF. Houve nesse caso a extinção do crédito tributário pelo pagamento, anterior a mencionada compensação. Os procedimentos de atualização conforme demandado pelos artigos 28 e 38 da IN SRF nº 210/2002 e IN SRF nº 323/2003, utilizados no primeiro grau de julgamento para fazer incidir penalidade no processo de compensação, não se aplicam ao caso presente, pois o pagamento realizado via DARF, que corresponde ao crédito do contribuinte, serviu para dar quitação do débito declarado de mesmo tributo e do mesmo período de apuração. A DCOMP 10399.64671.071103.1.3.049020 reflete exatamente esse fato, o que lhe retira os efeitos próprios de pedido de compensação tributária. Afastados os efeitos da Declaração de Compensação 10399.64671.071103.1.3.049020, resta suficiente o crédito, líquido e certo, a realização da compensação declarada na PER/DCOMP 21924.22755.141103.1.3.043614 que deu causa ao processo ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.903817/200892 Acórdão n.º 3401005.185 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000483/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2005
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS.
É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.625/2004.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos relativos aos fretes pagos na aquisição de insumos. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se suspeito, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.625/2004. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos relativos aos fretes pagos na aquisição de insumos. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 83 /2 01 0- 21 Fl. 287DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse suspeito, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS relacionado às receitas de exportação, apurado no 2º trimestre de 2005, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. O crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido por meio do despacho decisório das efls. 165/185, assim sintetizado: "COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA VINCULADA A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO 2º TRIMESTRE DE 2005. O contribuinte que apurar crédito da COFINS na forma da Lei 10.833/03 e não puder utilizálo na dedução de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB e, na impossibilidade de utilizar esse crédito na forma acima citada, poderá solicitar, ao final do trimestrecalendário, o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável |à matéria, principalmente quanto aos créditos que somente podem ser utilizados para a dedução da contribuição devida e aos créditos passíveis de ressarcimento ou contribuição. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá descontar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS, decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. A aquisição de frutas, referidas no art. 28 da Lei nº 10.865, de 2004, sujeitase à alíquota zero do PIS e da Cofins em toda a cadeia econômica, não havendo, portanto, o direito ao creditamento da contribuição, uma vez que não existe crédito a ser mantido na cadeia. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. Impossibilidade da aplicação de rateio proporcional nesta rubrica. FRETES SOBRE COMPRAS. Consoante o art. 289, § 1º, do RIR/1999, os fretes sobre compras das mercadorias adquiridas integra o custo de aquisição desses bens. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADAS ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO." (efl. 167) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão 1669.873 da 6ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO. FRETE NA COMPRA DE BENS. A natureza do crédito com despesas de frete na aquisição de bens segue a Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16349.000483/201021 Acórdão n.º 3402005.596 S3C4T2 Fl. 288 3 natureza do crédito do bem transportado. AQUISIÇÃO DE BEM. OPERAÇÃO SUBMETIDA À ALÍQUOTA ZERO. A compra de bens submetidas à alíquota zero não gera direito à apuração de crédito presumido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 232) Intimada desta decisão em 03/11/2015 (efl. 246), foi apresentado Recurso Voluntário em 03/12/2015 (efls. 247/258) alegando, em síntese, o direito da empresa ao reconhecimento do crédito integral das despesas de frete na aquisição de insumos, e não o cálculo proporcional feito pela fiscalização, por não estar abrangida na previsão legal do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Evidencia que o frete contratado é um negócio jurídico autônomo sujeito à incidência do PIS e da COFINS diferentemente dos bens transportados. Com isso, o fato do valor do frete fazer parte do custo de aquisição da mercadoria não implica na aplicação das mesmas regras de apropriação de créditos dessa mercadoria; Após a juntada de decisão judicial para o julgamento do presente feito em 60 (sessenta) dias (efls. 273/278), o processo foi distribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso voluntário é tempestivo e cabe ser conhecido. Como relatado, entendeu a fiscalização que deveria ser autorizado o crédito sobre os fretes na aquisição de insumo, por integrarem o custo de produção. Contudo, uma vez que o valor do frete compõe o preço do insumo adquirido, sujeito ao crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, a mesma restrição de crédito deveria ser aplicado para o creditamento do frete. Nos termos do Despacho Decisório: "46. Constatamos que, além dos fretes sobre vendas o contribuinte creditouse sobre fretes sobre compras de insumos. 47. A Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de cálculo do crédito passível de utilização pelo contribuinte da contribuição, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. As disposições de tal artigo foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865/2004, contudo, não houve qualquer modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo. 48. Com o advento da Lei no 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei. 49. O art. 15 da citada Lei no 10.833/2003, tratou de estender o comando previsto no inciso IX às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não Fl. 289DF CARF MF 4 cumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I da mesma lei). 50. Frete sobre compras de insumos. Pois bem, inferese que a legislação permite o creditamento de valores relativos a despesas com serviços de frete, desde que tomados de pessoas jurídicas domiciliada no País, nas seguintes hipóteses: (1ª) no caso de se entender o serviço de frete como utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinados à venda (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002) e (2ª) no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). 51. Observese que há a hipótese de creditamento de custos com serviços de frete possível, além das hipóteses expressamente previstas na legislação acima colocadas. Esta se verifica quando o custo deste serviço, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, quando o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem. 52. Embora somente haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete na operação de venda”, quando o ônus for suportado pelo vendedor, há que se observar que, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1º, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). Assim, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins nãocumulativos, uma vez que o frete integra o custo de aquisição das mercadorias. 53. Integrando os fretes sobre compras o custo de aquisição dos insumos, o crédito calculado deve ser dividido em dois tipos: insumos com direito a crédito integral e com direito a crédito presumido. Sobre os fretes de compras de insumos com direito a crédito presumido deve ser aplicada a alíquota reduzida do crédito presumido (0,5775% e 2,66%) e seus valores devem compor a base de cálculo dos insumos com direito a crédito presumido. Desta forma, excluímos esses valores da base de cálculo do crédito integral e os transportamos para a base do crédito presumido." (efls. 180/181 grifei) Diferentemente de outros casos já enfrentados por esta turma1, observase que a fiscalização reconheceu a possibilidade do crédito do frete na aquisição de insumos, com fulcro na previsão do art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003, por se enquadrar no conceito de insumo. Foi reconhecido, portanto, que seriam serviços utilizados como insumos, como considerado pela empresa, conforme indicado em sua DACON (junho/2005, e fl. 36). Entretanto, especificamente para os fretes pagos para a aquisição de insumos sujeitos à apuração pela sistemática do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, a fiscalização entendeu pela necessidade de se aplicar a alíquota reduzida, excluindo os valores da base de cálculo do crédito integral. 1 À título de exemplo: "PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.." (Processo 10675.002237/200488. Sessão 15/03/2016. Relator: Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Acórdão n.º 3402002.965 grifei) Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16349.000483/201021 Acórdão n.º 3402005.596 S3C4T2 Fl. 289 5 Contudo, ao contrário do que pretende a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) deve ser concedido de forma integral, na forma do art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, vez que esse serviço não consta da previsão do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. O cálculo diferenciado do crédito previsto na referida lei se refere, APENAS, aos bens, aos produtos especificados no referido dispositivo legal provenientes de pessoas que se dedicam à atividade agropecuária, e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso do frete. Vejamos os termos do dispositivo legal na redação vigente à época dos fatos geradores objeto do pedido de ressarcimento: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, CALCULADO SOBRE O VALOR DOS BENS referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos." (grifei) A leitura do dispositivo denota que o referido crédito presumido é aplicado na aquisição de bens/produtos de pessoas físicas e jurídicas que se dedicam à atividade agropecuária, identificadas no caput e no §1º da Lei. O montante do crédito é calculado "sobre Fl. 291DF CARF MF 6 o valor dos bens" e não sobre o seu custo de aquisição, dentro do qual se incluiria o frete como mencionado pela fiscalização. Ora, no presente caso, a empresa arcou com serviços de frete, contratados de outras pessoas jurídicas, para a aquisição dos insumos, tratandose de um serviço utilizado como insumo em sua produção devendo, por conseguinte, serlhe garantido o crédito integral de COFINS com fulcro no art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003, independentemente da proveniência desses insumos (pessoas que se dedicam à atividade agropecuária). Isso porque não se pode confundir as despesas incorridas com o frete (serviço utilizado como insumo) com o próprio bem que é transportado. A necessidade de se segregar o valor do frete (serviço utilizado como insumo) do bem que é transportado é bem elucidada pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do Acórdão n.º 3403001938 quanto às aquisições de insumos não tributados, no qual indica: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (Processo n.º 10950.003052/2006 56. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) Como evidenciado pela fiscalização no Despacho Decisório, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de insumos, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de concessão do crédito integral em razão do bem transportado ser sujeito ao crédito presumido, restrição esta não trazida na Lei, como visto. Nesse sentido, afastada a premissa adotada pela fiscalização e sendo esta a única matéria aventada no Recurso Voluntário, deve ser dado provimento ao recurso para ser restabelecido o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos. Diante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para ser restabelecido o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910743/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 43 /2 00 8- 41 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.904, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910743/200841 Acórdão n.º 3201004.114 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903356/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 56 /2 00 8- 38 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.907, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10882.903356/200838 Acórdão n.º 3402005.428 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720854/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
Ementa:
ITR. VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. PRESCINDIBILIDADE.
É prescindível a apresentação do ADA para comprovar a existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente. É necessário, entretanto, comprovar a averbação da área de reserva legal e a apresentação de laudo demonstrando a existência da área de preservação permanente.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Havendo sido protocolizado o respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA antes do início da ação fiscal, é possível deduzir as áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2202-004.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa do VTN declarado e da área de preservação permanente, e para reduzir a glosa da área de reserva legal, considerando 50% do imóvel como de reserva legal. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Ronnie Soares Anderson. Manifestou intenção em apresentar declaração de voto o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. PRESCINDIBILIDADE. É prescindível a apresentação do ADA para comprovar a existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente. É necessário, entretanto, comprovar a averbação da área de reserva legal e a apresentação de laudo demonstrando a existência da área de preservação permanente. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Havendo sido protocolizado o respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA antes do início da ação fiscal, é possível deduzir as áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa do VTN declarado e da área de preservação permanente, e para reduzir a glosa da área de reserva legal, considerando 50% do imóvel como de reserva legal. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rosy Adriane da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 08 54 /2 01 1- 13 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 168 2 Silva Dias, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Ronnie Soares Anderson. Manifestou intenção em apresentar declaração de voto o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de notificação de lançamento lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito tributário de ITR em função da não comprovação do VTN, da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente declaradas. Tendo o Recorrente impugnado o lançamento, a DRJ manteve integralmente o crédito tributário. INconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 21/11/2011 foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 12/21) em desfavor do Contribuinte, esclarecendo que, mesmo após ser regulamente intimado, o Contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal no imóvel rural, razão pela qual tais informações foram glosadas. Também, que não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarada, razão pela qual o VTN foi arbitrado com base no SIPT. A extrato do SIPT foi anexado à fl. 11. Intimado em 07/12/2011 (fl. 23), o Contribuinte protocolou Impugnação (fls. 25/33 e docs. anexos fls. 34/47) em 06/01/2012 (fl. 52). Foi então formalizado "Termo de Informação Fiscal" (fls. 69/84) no qual se propôs o deferimento parcial da Impugnação, e que foi integralmente adotado pelo Despacho Decisório nº 003/2013ITR (fl. 85). Cientificado em 03/04/2013 (fl. 88), o Contribuinte então protocolou Manifestação de Inconformidade (fls. 94/107) em 22/04/2012 (fl. 109). Analisando a questão, a Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 169 3 DRJ proferiu o acórdão nº 03057.219, de 20/11/2013 (fls. 125/140), que manteve integralmente o lançamento e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 DA NULIDADE. DO PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com a legislação vigente, além de ter sido possibilitado ao interessado, por ocasião da entrega tempestiva de sua impugnação, exercer plenamente o seu direito de defesa, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa ou de qualquer outra irregularidade que pudesse implicar na nulidade da correspondente Notificação de Lançamento. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do cálculo do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do respectivo ADA, além de comprovada a averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2006, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2006, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA ALÍQUOTA APLICADA. DA MULTA. DOS JUROS DE MORA. A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 05/12/2013 (fl. 144), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 153/157 e docs. anexos fls. 158/159) em 30/12/2013 (fl. 160), argumentando, em síntese: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 170 4 · Que a falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel não é elemento impeditivo para o aproveitamento da isenção na apuração do ITR; · Que o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, com redação dada pela MP 2.16667, de agosto de 2001, dispensou a comprovação prévia da averbação das áreas de preservação permanente na matrícula do imóvel e a existência de ato declaratório do IBAMA para que tais áreas sejam excluídas da base de cálculo do ITR; · Que o acórdão 2201001.567, de 17/04/2012, já reconheceu a averbação a título reserva legal de 50% da área do presente imóvel, dispensando a apresentação de ADA; · Que comprovou por meio de NIRFs que há áreas dadas em comodato. Nesse sentido, uma vez que recai ITR sobre as NIRFs, então incluir tais áreas no presente lançamento implica bitributálas; · Que a área não tem valor comercial por força da Resolução 013/2006, que bloqueou a matrícula do imóvel, inviabilizando a averbação de projetos de manejo sustentável. Exatamente por isso, por não haver valor comercial, o Contribuinte considerou um valor simbólico, o qual foi desconsiderado indevidamente pela autoridade lançadora; e · Que, em suma, deve ser reformada a decisão recorrida para excluir da base de cálculo as áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como as oferecidas em comodato, bem como para retificar o VTN. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, o argumento referente às áreas dadas em comodato não consta na Impugnação, tendo precluindo o direito do Contribuinte em relação a tal ponto. Portanto conheço parcialmente do Recurso, limitando a lide ao arbitramento do VTN e às glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Do VTN A autoridade lançadora esclareceu que o Contribuinte foi regularmente intimado, mas não comprovou o VTN declarado por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, razão pela qual o VTN foi arbitrado com base no SIPT. O Contribuinte, por sua vez, desde a Impugnação insiste que o imóvel não tem valor comercial em função de intervenções estatais que inviabilizam a sua utilização e, por esse motivo, conclui que o VTN arbitrado com base no SIPT não pode ser aceito. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 171 5 Compulsando os autos, constatase que a autoridade lançadora anexou aos autos o extrato SIPT (fl. 11) no qual baseou o seu arbitramento: Conforme o printscreen acima, é possível observar que o referido sistema não distinguiu os VTNs em função da aptidão agrícola. Entretanto, esse é um elemento indispensável, conforme o art. 14, § 1º, da Lei. nº 9.393/1996 com art. 12, II, da Lei nº 8.629/1993. Sem a distinção por aptidão agrícola, o SIPT não preenche os requisitos de certeza mínimos para apuração da base de cálculo, se tornando imprestável para fins de arbitramento do VTN. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica desse e.CARF: VTNVALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 172 6 PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Por outro lado, uma vez reconhecida a subavaliação do imóvel por parte do Contribuinte, acolhese o VTN apurado com base em Laudo por ele apresentada. (acórdão CSRF nº 9202006.050, de 28/09/2017) VTNVALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. (acórdão CSRF nº 9202005.699, de 27/07/2017). Nesse caminho, uma vez que deve ser desconsiderado o VTN arbitrado pela autoridade lançadora, deve ser restituído o valor declarado pelo Contribuinte. Da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal A autoridade lançadora registrou também que o Contribuinte, apesar de regularmente intimado, não logrou comprovar a isenção das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal. Especificamente, esclareceu que: Para que o contribuinte pudesse se beneficiar da redução, na área total do imóvel, das áreas declaradas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, a fim de estabelecer a área tributável para o cálculo do ITR, conforme art. 10, §1º, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.393/96, tornavase necessário que houvesse protocolado, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir da data final do prazo de entrega da DITR, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão delegado através de convênio, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) que reconhecesse as áreas beneficiadas, de acordo com o art. 17O, §1º da Lei nº 6.938/81, com redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, combinado com o art. 10, §3º do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 (RITR/2002), e art. 9º, §3º da IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002. (...) Para as áreas de preservação permanente definidas no art. 2º da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), pode ser necessário, ainda, Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), que comprovem as áreas assim declaradas, identificando o imóvel rural e sua localização através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 173 7 geodésico brasileiro, e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a título de preservação permanente. Por sua vez, no caso de imóvel que, no todo ou em parte, esteja inserido em áreas declaradas por ato do Poder Público como de preservação permanente, conforme artigo 3º do Código Florestal, se faz necessária a apresentação de certidão do reconhecimento específico do órgão público competente, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. No caso das áreas de reserva legal, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no Decreto 1.282, de 19 de outubro de 1994, tornavase necessário que o contribuinte apresentasse documento que comprovasse a localização da área de reserva legal, aprovada nos termos do §4º do art. 16 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), incluído pela Medida Provisória 2.16667/01, além de que, dispusesse, até o último dia do ano anterior a que se refere o fato gerador, da averbação dessas áreas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro imobiliário competente, conforme preceitua o §8º do art. 16 Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), incluído pela Medida Provisória 2.16667/01, combinado com o art. 12, §1º do Decreto nº 4.382/02 (RITR/2002) e art. 11, §1º da IN SRF nº 256/02. Por sua vez, o Contribuinte insurgese contra essas glosas, argumentando pela desnecessidade de ADA para a área de preservação permanente e de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, em especial com base na redação do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996. De qualquer forma, já na sua impugnação, esclareceu que na matrícula do imóvel está consignado que 50% da sua área é de reserva florestal. O que é mais, que o art. 16, I, da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal) estabelecia que as propriedades rurais situadas na Amazônia Legal, que é o caso, deveriam respeitar um mínimo de 80% de área de reserva legal (comando mantido no art. 12, I, 'a', da Lei nº 12.651/2012). Preliminarmente, é necessário registrar que o Recorrente se equivoca na leitura do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, ora revogado. A verdade é que o comando ali contido era claro no sentido dispensar a PRÉVIA comprovação por parte do declarante. Isso significa que a comprovação não era exigida antes da declaração; pelo contrário, só se fazia necessária APÓS a declaração, e caso viesse a ser fiscalizado. Mais, o próprio comando legal continua esclarecendo que o sujeito passivo estava sujeito ao pagamento da diferença, acrescida de juros e multa, caso restasse comprovada a inexatidão da declaração. Em suma, não se pode argumentar que o Contribuinte estivesse dispensado de qualquer comprovação apenas porque não devia fazêla antes da declaração. De qualquer forma, constatase que o Contribuinte efetivamente juntou aos autos Certidão do Cartório de Imóveis na qual consta a averbação de área de reserva florestal de 50% do imóvel (fls. 38/42, em especial fl. 39). Outrossim, juntou aos autos também ADA's apresentados ao IBAMA em 2008, porém, como bem chamou atenção a DRJ, protocolado após o prazo. Convém registrar que a legislação tributária, especificamente no art. 10, § 1º, II, 'a', da Lei nº 9.393/1996, é cristalina ao estabelecer que as áreas de preservação permanente Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 174 8 e de reserva legal não compõem a base de cálculo do ITR. Essa isenção é objetiva, e não está sujeita a condição, desde que seja configurada a natureza jurídica exigida. Por sua vez, o STJ já tem posição consolidada no sentido de que a apresentação do ADA é dispensável para que se configure a isenção. Também ali na Corte Superior se entendeu que a isenção é objetiva, desde que reste configurada a natureza jurídica da área. Nesse sentido, por exemplo, os seguintes precedentes: TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fáticoprobatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. (REsp 1668718/SE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2017, DJe 13/09/2017) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1395393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 31/03/2015) Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 175 9 Outros precedentes no mesmo sentido são os acórdãos: · REsp 1647980/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/03/2017, DJe 20/04/2017; · AgRg no REsp 1310972/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/06/2012, DJe 15/06/2012; · AgRg nos EDcl no REsp 1342161/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe 10/02/2014; · REsp 1648391/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/03/2017, DJe 20/04/2017; e · EDcl no AgRg no REsp 1315220/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 08/05/2014. Em outras palavras, o ADA é uma das formas pelas quais o Contribuinte pode demonstrar a natureza jurídica da área, mas não a única. É de se admitir que, com razão, o STJ exige que a área de reserva legal esteja devidamente averbada na matrícula do imóvel. Esse é, efetivamente, a averbação da área de reserva legal é elemento que constitui tal área, é o elemento formal que lhe dá a natureza jurídica respectiva. Tal exigência, entretanto, não se estende para a área de preservação permanente, conforme o entendimento da própria Corte: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. SÚMULA N. 283/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INAPLICABILIDADE DO ÓBICE SUMULAR. DEVIDA IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DO ACÓRDÃO. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUMENTO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. AVERBAÇÃO PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO. NECESSIDADE. PRECEDENTES. (...) 3. A Área de Preservação Permanente não necessita estar averbada no registro do imóvel para gozar da isenção do ITR, exigência esta obrigatória apenas para a Área de Reserva Legal, inclusive aquela majorada por ato espontâneo do proprietário do imóvel rural. 4. O § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 (incluído pela MP 2.166/2001) apenas legitima ao contribuinte a declaração, sponte sua, do que entende devido a título de ITR, sem revogar as exigências prevista no art. 16 c/c o art. 44 da Lei n. 4.771/1965, que impõem a averbação da Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, cuja ausência inviabiliza o gozo do benefício fiscal e, consequentemente, a glosa do valor declarado. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1429300/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2015, DJe 25/06/2015) Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 176 10 Efetivamente, a área de preservação permanente se constituí pela própria natureza geográfica do imóvel. Conforme os arts. 2º e 3º do Código Florestal (vigente à época do lançamento), são as áreas que preenchem determinados requisitos fáticos, como as áreas de largura mínima de 30 metros ao redor de cursos d'água de até 10 metros de largura ou áreas de largura mínima de 50 metros ao redor de nascentes, e.g. Nesses casos, a só identificação de que as áreas preenchem esses requisitos fáticos é suficiente para que se reconheça a isenção. In casu, o Contribuinte logrou demonstrar, devidamente, a averbação da área de 50% do imóvel como de reserva legal (fl. 39), mas não 80% como pleiteia. Igualmente, trouxe aos autos uma planta, delimitando o imóvel e identificando os rios e igarapés em seus confins firmada por Engenheiro Agrônomo, na qual ele é expresso em identificar uma área de APP de 18.708,8042 ha. Em suma, porque comprovou a existência das áreas de reserva legal no montante de 50%, inferior ao declarado e glosado, e de preservação permanente no montante de 18.708,8042 ha, superior ao montante declarado e glosado, e sendo prescindível a apresentação de ADA caso reste comprovada a real natureza das áreas, deve ser dado provimento parcial ao recurso também nesse ponto. Da decisão pelas conclusões As considerações acima expostas são os fundamentos do voto deste relator. Contudo, nos termos do art. 63, § 8º, do Anexo II ao RICARF, quando por maioria dos conselheiros, ou pelo voto de qualidade, se acolher apenas as conclusões do relator, fazse necessário consignar os fundamentos que efetivamente levaram à conclusão do acórdão. In casu, como se percebe do dispositivo do presente acórdão, metade da turma, inclusive o Presidente, que tem o voto de qualidade, votou pelas conclusões, sendo necessário, portanto, indicar as razões adotadas pela maioria. Entretanto, no caso concreto, o i.Presidente da Turma optou por apresentar Declaração de Voto, na qual pormenoriza os seus fundamentos de decidir. Por esse motivo, acredito ser suficiente esclarecer que, pelo voto de qualidade, a turma entendeu pelo cancelamento da glosa das áreas de preservação permanente em função de o Contribuinte ter protocolado o ADA antes do início da fiscalização. Remetese à declaração de voto para análise aprofundada da questão. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso para cancelar a glosa do VTN, para cancelar a glosa da área de preservação permanente e para reduzir a glosa da área de reserva legal, considerando 50% do imóvel como de reserva legal. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 177 11 Declaração de Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Ainda que comungue das conclusões do D. Relator quanto ao cancelamento da glosa das áreas de preservação permanente, divirjo no tocante à fundamentação, sob entendimento que prevaleceu no Colegiado. A exigência do ADA para fins de reconhecimento da isenção do ITR encontrase no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. §§ 2º a 5º (omissis) Tratase, portanto, de exigência assentada em lei, devendo ser alertado, outrossim, que a eventual dispensa de comprovação prévia relativa às áreas de interesse ambiental, conforme o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, se refere ao fato de que o contribuinte não tem de municiar o Fisco, quando da entrega da DITR, dos elementos probatórios que amparam as deduções pleiteadas, como sói acontecer com os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Porém, uma vez sob procedimento fiscal, cabe ao contribuinte trazêlos para atestar o cumprimento das condições legais, de modo que possa excluir as áreas ambientais declaradas da incidência do ITR; nesse sentido, ademais, o disposto no art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002. E, ainda que se reconheça a existência de decisões do STJ em sentido diverso do acima compartilhado, o fato é que estas, quando afastaram a tributação das APP pelo gravame contestado, não o fizeram ao lume do disposto no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Portanto, na ausência de disposição normativa que imponha a observância a tais decisões por parte deste Colegiado, delas dissinto, por entender não perfilarem o melhor entendimento ao não abordarem os efeitos daquela prescrição legislativa sobre a matéria. Nessa linha, vale também registrar que não está sob discussão se a existência das áreas de preservação permanente, conforme o art. 2º da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), prescindem ou não de declaração ou ato administrativo do poder público, mas sim das condições para que áreas do gênero possam ser excluídas da tributação pelo ITR. Com efeito, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 178 12 as repercussões tributárias dessa existência carecem de normatização própria, que ultrapassa a esfera da legislação estritamente ambiental. Vale anotar, ainda, que o § 7º do art. 10º da Lei nº 9.3.393/96, revogado pela Lei nº 12.651/12 (Novo Código Florestal), apenas esclarecia que o ITR era tributo sujeito à homologação, não implicando tal situação em inexigibilidade de apresentação do ADA, como aventado por alguns. Noutro giro, é inegável que a entrega do ADA visa possibilitar ao IBAMA a verificação das informações prestadas pelos contribuintes em suas DITR, até mesmo porque aquele órgão é que dispõe de estrutura operacional e técnica apta a checar, in loco, as feições reais do imóvel e cotejálas a descrição contida naquela declaração. Assim, entregue o ADA conforme respectivo protocolo, há uma presunção relativa de que as áreas ali consignadas possuem, sendo o caso, interesse para fins de preservação dos sistemas ecológicos, permitindo a sua dedução da área tributável do imóvel. Ulterior fiscalização ambiental, entretanto, pode constatar a falta de correção das informações prestadas no ADA e na DITR, do que se dará a devida ciência à RFB. A legislação prevê a fiscalização pelo IBAMA não só pelo inegável expertise que os técnicos desse órgão possuem na matéria, mas também pelo fato de que as vistorias e verificações por eles realizadas são levadas a efeito por agentes públicos, no exercício de suas competências funcionais. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, cabe asseverar, primeiramente, que não é matéria afeta à lei a fixação de prazo para o cumprimento de obrigações acessórias; por exemplo, o prazo para a entrega de declarações tais como DCTF e DIPJ costumam ser fixados, periodicamente, por meio da edição de Instruções Normativas da RFB, normas de caráter regulamentar exaradas com fulcro nos arts. 100, I do CTN, e 16 da Lei nº 9.779, de 10 de janeiro de 1999. Desta sorte, ainda que a disciplina do ADA enquanto documento a ser preenchido e entregue à administração federal seja de competência do IBAMA, não vislumbro óbices para que os efeitos tributários sejam atribuídos somente aos ADAs entregues dentro de um determinado prazo, definido por ato infralegal da RFB. Não obstante tais considerações, convém ponderar que o fato de a entrega do ADA ter se dado a destempo não configura motivo suficiente, por si só, para limitar o direito do contribuinte ao gozo da isenção a que faz jus no que diz respeito ao ITR. Poderia ensejar, por exemplo, a imposição de sanção pela protocolização do documento fora do prazo previsto, mas não a impossibilidade de se deduzir, da base de cálculo do imposto, as áreas preservadas. Vale lembrar que o art. 2º, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, impõe à administração pública o dever de observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo que o seu inciso XIII prescreve que nos processos administrativos serão observados os critérios de interpretação da norma administrativa da forma que melhor atender o fim público a que se dirige. Destaquese, entretanto, que tais assertivas não favorecem ao contribuinte que infringe seu dever de colaboração para com a administração tributária, apresentando o ADA não só de maneira intempestiva, como também tão somente após premido pelo início de Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10215.720854/201113 Acórdão n.º 2202004.672 S2C2T2 Fl. 179 13 ação fiscal em seu desfavor, momento em que já não está abrigado pelo benefício da espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. No particular, o contribuinte apresentou o ADA relativo ao exercício 2008 em 17/10/2008, ou seja, posteriormente à data final para a entrega da DITR/2008, a qual, de acordo com a IN/SRF nº 746/2007 c/c a IN/IBAMA nº 76/2005, era no dia 30/069/2008. Não obstante, entendese tal fato não ser impeditivo para a dedução das áreas de preservação permanente, em conformidade com o ponderado linhas acima, e com o prevalente entendimento a respeito de situações do gênero, estabelecido na CSRF, do qual colho, a título de exemplo, os acórdãos nos 9202006.824 (j. abr/18), 9202003.620 (j. mar/15) e 9202003.474 (j. dez/14), do qual colho a seguinte passagem: (...) Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. (...) Ante o exposto, acompanho, pelas conclusões, o voto do D. Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.900372/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 37 2/ 20 08 -1 3 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.900372/200813 Resolução nº 3401001.414 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 20443.78002.050204.1.3.045064 a compensação de débito de IRPJ (cód.2089) do período de apuração 4º Trim./2003 no valor de R$ 786,87 acrescido de multa R$ 12,98 e juros R$ 7,87 totalizando R$ 807,72 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 675,18 do período de apuração 01/2003, data de arrecadação 14/02/2003, no valor de R$ 1.114,04. Do Despacho Decisório A DRF de Santa Maria/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/04/2008, rastreamento nº 757800339 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face da inexistência do crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do PIS declarado para o período de apuração 01/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), contendo apenas, em seu texto, o seguinte: “... demonstrar através de documentos e planilhas em anexo, como foram realizadas as compensações via per/dcomp, feita a verificação, entendemos que houve erro no preenchimento da ficha DÉBITO CSLL. Por outro lado, a referida empresa encontrase em situação regular perante a este órgão conforme se comprova na solicitação de pesquisa em anexo, com exceção de uma da parcela de n.2 do parcelamento n. 13047.000.287/200768, que segundo informações junto a Agência em Cachoeira do Sul, foi motivado pelo intervalo entre a formalização do parcelamento e do envio para a instituição financeira para débito em conta e outro pequeno valor de R$ 96,99. Ambos serão liquidados em breve”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 DCTF. PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. No final do voto o julgador faz menção à DIPJ da Contribuinte, que essa tem caráter meramente informativo e não se configura confissão de dívida, valendose para esse fim a DCTF, instituída pela IN SRF nº 129 de 1986. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.41) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, argumentando: (i) que efetuou pagamentos de valores a maior que o devido de Contribuição para o PIS/PASEP; (ii) que a empresa apurou o PIS/PASEP utilizando a alíquota Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11060.900372/200813 Resolução nº 3401001.414 S3C4T1 Fl. 4 3 de 1,65% e não a alíquota correta para aquele período de 0,65% e seu regime de tributação era o Lucro Presumido; (iii) faz juntada a título de prova cópia do Livro Diário, Razão, planilha demonstrativa dos créditos apurados correspondentes as diferenças entre alíquotas e cópia dos DARFs pagos; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A questão central desses autos está voltada para a ausência de DCTF retificadora, de forma a evidenciar o crédito que a contribuinte alega ter, pelo recolhimento de valores de PIS/PASEP a maior que o devido, valendose de alíquota não apropriada para o regime de tributação adotado no ano de 2003. Sobre esse fato é esclarecedora a planilha produzida às fls.92: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.900372/200813 Resolução nº 3401001.414 S3C4T1 Fl. 5 4 Por outro lado foi juntado no processo cópia dos livros, Diário e Razão, com o intuito de provar a procedência do crédito declarado, através de seus registros contábeis. O acórdão recorrido faz referência a DIPJ que tem caráter meramente informativo e não para confissão de dívida, mas por ser de caráter informativo serve para confrontar dados com as demais declarações (DACON/DCTF). Quanto a citação de jurisprudência de negativa do indébito por falta de prova, não podendo a União ser condenada à restituição dos valores postulados, sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa, contrário senso, havendo o pagamento de tributo em valor a maior que o devido, a sua negativa traria enriquecimento sem causa ao erário. Por ser singelos os argumentos da contribuinte ao se manifestar nos autos, não lhe retira o direito de uma melhor apuração dos fatos diante das provas documentais carreadas ao processo, bem como de outras acessíveis ao fisco a esclarecer de forma convincente sobre a realidade dos créditos pleiteados. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11060.900372/200813 Resolução nº 3401001.414 S3C4T1 Fl. 6 5 1 confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte corresponde aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; 2 confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; 3 após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. Esgotado o prazo para manifestação, seja providenciado o retorno dos autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721610/2011-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO.
Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA.
A pessoa jurídica cujo sócio participe com mais de 10% no capital social de outra empresa e a receita bruta em conjunto tenha ultrapassado o limite legal no ano-calendário de 2002 deve ser obrigatoriamente excluída do Simples Federal a partir do ano-calendário de 2003.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontramse previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. A pessoa jurídica cujo sócio participe com mais de 10% no capital social de outra empresa e a receita bruta em conjunto tenha ultrapassado o limite legal no anocalendário de 2002 deve ser obrigatoriamente excluída do Simples Federal a partir do anocalendário de 2003. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 16 10 /2 01 1- 83 Fl. 991DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 965 à 985) interposto contra o Acórdão n° 0436.738, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 947 à 960), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Conforme se extrai dos presentes autos, a Recorrente teve sua exclusão do SIMPLES Nacional efetuada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Joinville n° 186, de 08 de setembro de 2011 (fl. 282). O motivo para a retirada daquele regime tributário foi fundamentado no art. 3º, § 4º, inciso V, da lei Complementar nº 123, de 2006, verbis: Art. 3° Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 992 3 V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário reiteram aqueles veiculados na Manifestação de Inconformidade. A Recorrente sustenta a ilegalidade de sua exclusão em diversos argumentos, conforme se aduz abaixo. Ademais, acrescenta que o Acórdão a quo limitouse a transcrever o teor da Fiscalização, sem tecer fundamentos a lastrear o desiderato decisório. Cumpre transcrever a síntese relatada no indigitado Acórdão da DRJ, por relatar precisamente o conteúdo da defesa, conforme autorizativo do § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: a) que o ato fiscal carece de base fática e legal que o fundamente, pois foi emitido apenas com base em presunções simples, não amparado em lei, citando os arts. 3º, 109 e 110 do CTN, uma vez que o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte é exaustivo quanto à hipótese de impedimento para a opção, o que significa que é vedado ao agente fiscal utilizarse de analogias, presunções previstas em lei ou extensão de conceitos com a finalidade de aproximar a situação fática a uma hipótese de exclusão; b) aduziu que a LC 123/2006 não proíbe que empresas sujeitas ao Simples cooperem entre si ou conjuguem forças para seus objetivos individuais. Assim, o Grupo Meta nada mais é do que a combinação de esforços comerciais, com a finalidade única de potencializar a captação de clientes na região norte do estado de Santa Catarina. As empresas optaram por uma estratégia de marketing unificada, sendo este o motivo da criação do nome “Grupo Meta”, uma marca unificada, sob as quais diversas empresas poderiam prestar diferentes serviços, facilitando o acesso na contratação dos serviços utilizados, conforme o objeto social das empresas que compõe o Grupo Meta; e que essa estratégia muito se assemelha à utilizada por empresários que formam condomínios de lojas denominados “Shopping Center”, pois embora utilizem uma marca comum, o nicho de mercado que compõe o Grupo difere sensivelmente, o que em momento algum foi analisado ou considerado pela fiscalização; c) ressaltou que a Meta Multiservice distribui todo o lucro gerado em sua atividade para seus respectivos sócios, conforme as declarações de imposto de renda, fator este que por si só é suficiente para demonstrar sua autonomia em relação às empresas parceiras; d) salientou que, em superficial análise dos contratos sociais é possível verificar que os sócios da Meta Multiservice não são administradores de qualquer outra pessoa jurídica, consoante legislação e jurisprudência citadas. Aduziu que em nenhum momento o Fiscal demonstrou que os sócios da Meta Multiservice realizaram atos exclusivos de administração de alguma das outras empresas que compõem o suposto grupo econômico, limitandose apenas a colacionar informações obtidas no sitio da internet (www.grupometa.com) e o verdadeiro Fl. 993DF CARF MF 4 pecado foi ter aderido a uma estratégia de marketing mais agressiva, caracterizada pelo compartilhamento de um sítio com outras empresas ligadas à prestação de serviços; e) elencou as 10 (dez) empresas que supostamente integrariam o grupo econômico identificado na fiscalização, para concluir que as sócias não são administradoras ou equiparados de outra pessoa jurídica com faturamento que supere o limite do Simples, sendo irrelevante o fato de uma das sócias ser exsócia de qualquer outra. A diferenciação entre as empresas pode ainda ser constatada a partir da emissão de diferentes alvarás pela Prefeitura local, fato que reforça a autonomia e diferenciação entre elas; f) defendeu a transferência de funcionários entre as empresas, pois inexiste na legislação do Simples previsão de exclusão do regime para empresas que admitem funcionários oriundos de outras empresas submetidas ao mesmo regime de tributação; o mesmo se aplicando para a hipótese de tomada de empréstimos em relação a quaisquer pessoas físicas ou jurídicas. Por fim, solicitou a improcedência do ato declaratório questionado. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Mérito Na análise meritória, noto que não assiste razão à Contribuinte. 1. Da exclusão do SIMPLES Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 993 5 Por primeiro, impende destacar que, conforme relatado acima, o Acórdão da DRJ restou muito bem fundamentado. O fato de se colacionar trechos da Fiscalização para sustentar o decisum em nada macula seu conteúdo; pelo contrário, restaramse evidentes os aspectos factuais que serviram como base do Voto condutor. Conforme bem exposto no Acórdão a quo, a Fiscalização comprovou de forma clara a existência de um grupo composto por 11 (onze) empresas, cujas estruturas físicas e societárias demonstram a vinculação entre elas. Ademais, é de se ressaltar as diversas operações de empréstimos entre as aludidas empresas, bem como as movimentações de segurados, que dão especial magnitude ao feito. Transcrevo alguns trechos do Relatório de Fiscalização, que amparam de forma cabal a conclusão exarada pela Autoridade Fiscal: 2. DO GRUPO META 2.1. Consultandose a página do GRUPO META na internet (www.grupometa.com, acesso em 13/07/2011), verificase que o mesmo se apresenta como sendo constituído por cinco (5) “empresas” (ou “unidades de negócios”) distribuídas por especialidades, que são: METARH MULTISERVICE: desenvolve atividades dos segmentos de Recrutamento,Seleção, Trabalho Temporário e Terceirização de Mãodeobra; META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL: presta serviços de Contabilidade Empresarial com ênfase em Planejamento Tributário, Assessoria na Gestão Financeira e de Custos e Assessoria em Gestão de Recursos Humanos; META SISTEMAS: desenvolve atividades de tecnologia de gestão, destacando sempre o completo gerenciamento da informação e a integração das soluções como importantes diferenciais competitivos para uma empresa; PRUMO: dedicase ao estudo e propositura de soluções nas seguintes áreas: trabalhista, comercial, societária e cível; META FOLPAG: especializada em terceirização dos serviços de administração de pessoal dentro do sistema de gestão da empresa cliente, com pessoal especializado nos principais sistemas do mercado. 2.2. Na época (13/07/2011), quando se acionava o hiperlink “NOSSO TIME” do site do grupo, o mesmo apresentava o quadro de administradores do GRUPO META da seguinte forma: UDÉLCIO DEMCZUK – DIRETOR PRESIDENTE; LUIS CARLOS SUSSENBACH – DIRETOR CONTÁBIL; IARA SANDRA ARNDT JAHN – DIRETORA DE RH; MAURÍCIO WOEHL JR – DIRETOR CONTÁBIL – IN COMPANY; VIVIANNE MORAS MEDEIROS – DIRETORA ADMINISTRATIVA –JARAGUÁ DO SUL; Fl. 995DF CARF MF 6 PRISCILA CONORATTE – GERENTE DE ADM DE PESSOAL; ROSANA CASARI – GERENTE COMERCIAL; VIVIANE DE ALCÂNTARA – GERENTE CONTÁBIL IN COMPANY; ROSEMERI EICHHOLZ HART – GERENTE ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO; ROSILENE EICHHOLZ – GERENTE CONTÁBIL; ADMIR S TAVARES JÚNIOR – GERENTE CONTÁBIL – IN COMPANY; ADRIANA DEBATIM – GERENTE FISCAL; VANESSA CARVALHO VICENTE – GERÊNCIA DE SUPORTE ADMINISTRATIVO/JURÍDICO; VALÉRIA SANTOS – GERENTE COMERCIAL – META SISTEMAS. 2.3. Na parte inferior da página inicial do site aparecem os 2 endereços do GRUPO META, da seguinte forma: Grupo META Joinville Rua Max Colin, 726 –América Cep: 89204040 – 47 3431 5700. Grupo META Jaraguá do Sul Rua Presidente Epitácio Pessoa, 85 – Centro Cep 89251100 – 47 3276 0700 2.4. Consultandose o CNPJ, verificase que há, pelo menos, 11 empresas localizadas nos endereços do GRUPO META (principalmente de Joinville/SC), cujos sócios são pessoas relacionadas como diretores ou gerentes do GRUPO META e cujas atividades são idênticas às que constam na apresentação das unidades de negócios do GRUPO META. São elas: a) Empresa: META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA, CNPJ: 00.158.995/000113, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 03, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315731, Fax: 4734315703, Segundo Telefone: 4734315700, Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 6920601 –ATIVIDADES DE CONTABILIDADE, Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (ADMINISTRADOR), LUIS CARLOS SUSSENBACH, CPF 680.925.04091, Exsócios: ADRIANA BRODBECK, CPF 936.668.29953, MAGALI OLIVIA ARAÚJO DE OLIVEIRA, CPF 827.406.82972, DANIELE LINDNER DE OLIVEIRA, CPF 970.709.63904, SOLANGE DALFOVO, CPF 890.486.52987, GIRUCIA LEITE DE ANDRADE, CPF 527.876.72949, MAURÍCIO WOEHL JÚNIOR, CPF 003.838.52951. b) Empresa: META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA EPP, CNPJ: 09.280.402/000161, Endereço: RUA PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA, 85, CENTRO, CEP 89251 100, JARAGUÁ DO SUL/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 47 34315703, Segundo Telefone: 4734315731, Correio Eletrônico: joel@grupometa.com, CNAE: 6920601 – ATIVIDADES DE CONTABILIDADE, Sócios: MAURÍCIO WOEHL JÚNIOR, CPF 003.838.52951, VIVIANNE MORAS MEDEIROS, CPF Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 994 7 030.475.56997 (ADMINISTRADORA), Exsócios: GIRUCIA LEITE DE ANDRADE, CPF 527.876.72949, UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934. c) Empresa: MT SERVIÇOS CONTÁBEIS S/S LTDA EPP, CNPJ: 10.907.030/000130, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 7, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 4734315700, Segundo Telefone: , Correio Eletrônico: juliane.fabiola@grupometa.com, CNAE: 6920601 – ATIVIDADES DE CONTABILIDADE, Sócios: ROSILENE EICHHOLZ, CPF 496.371.93987 (ADMINISTRADORA), MAURÍCIO WOEHL JÚNIOR, CPF 003.838.52951. d) Empresa: META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP, CNPJ: 04.083.454/000124, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, AMÉRICA, CEP 89204 040, JOINVILLE/SC, Telefone: 47 34315700, Fax: 4734315703, Segundo Telefone: 4734315731, Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 7810800 – SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA, Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (ADMINISTRADOR), IARA SANDRA ARNDT JAHN, CPF 531.089.57953, Exsócios: EDINA FRANKOWIAK FRIEDRICH, CPF 419.402.45915, WILMAR MANSKE, CPF 481.592.04949, VANESSA CARVALHO VICENTE, CPF 006.073.23930. Filial– CNPJ: 04.083.454/000205, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 2, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC,Telefone: 4734315700, Fax: 47 34315703, Filial – CNPJ: 04.083.454/000477, Endereço: RUA PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA, 85, CENTRO, CEP 89251 100, JARAGUÁ DO SUL/SC,Telefone: 4734315700, Fax: 47 34315703. e) Empresa: METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA, CNPJ: 08.824.227/000163, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 9, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 47 34315700, Fax: 4734315703, Segundo Telefone: 4734315731, Correio Eletrônico: joel@grupometa.com, CNAE: 8129000 ATIVIDADES DE LIMPEZA NÃO ESPECIFICADAS ANTERIORMENTE, Sócios: ADMIR DA SILVA TAVARES JÚNIOR, CPF 865.915.76134 (ADMINISTRADOR), IARA SANDRA ARNDT JAHN, CPF 531.089.57953, Exsócios: WILMAR MANSKE, CPF 481.592.04949, ADRIANA BRODBECK, CPF 936.668.29953, UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934, LUIS CARLOS SUSSENBACH, CPF 680.925.04091. f) Empresa: META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP, CNPJ: 09.007.486/000164, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 4, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315731, Fax: 47 34315703, Segundo Telefone: 4734315700, Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 8211300 SERVIÇOS COMBINADOS DE ESCRITÓRIO E APOIO ADMIN., Sócios: VANESSA CARVALHO VICENTE, CPF 006.073.23930 Fl. 997DF CARF MF 8 (ADMINISTRADORA), VIVIANE DE ALCÂNTARA VIEIRA FRANCA, CPF 018.665.72938, Exsócios: GIRUCIA LEITE DE ANDRADE, CPF 527.876.72949, UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934, ADRIANA BRODBECK, CPF 936.668.29953. g) Empresa: META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, CNPJ: 03.990.768/000148, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 5, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 47 34315700, Fax: 4734315703, Segundo Telefone: 4734315731, Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 7820500 – LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA, Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (ADMINISTRADOR), LUIS CARLOS SUSSENBACH, CPF 680.925.04091, Exsócios: WILMAR MANSKE, CPF 481.592.04949, ADRIANA BRODBECK, CPF 936.668.29953. Filial –CNPJ: 03.990.768/000229, Endereço: RUA REINALDINO SCHAFFEMBERG DE QUADROS, 583, SALA 03, ALTO DA XV, CEP 80040280, CURITIBA/PR, Telefone: 41 30159824, Fax: 4130159824, Filial – CNPJ: 03.990.768/0005 71, Endereço: RUA PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA, 85, CENTRO, CEP 89251 100, JARAGUÁ DO SUL/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 4734315703. h) Empresa: META FOLPAG S/S LTDA EPP, CNPJ: 02.281.408/000104, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 1, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 47 34315731, Fax: 4734315703, Segundo Telefone: 4734315700, Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 8211300 SERVIÇOS COMBINADOS DE ESCRITÓRIO E APOIO ADMIN., Sócios: IARA SANDRA ARNDT JAHN, CPF 531.089.57953, (ADMINISTRADORA), ADRIANA BORGES DEBATIM, CPF 902.128.19968, Exsócios: ANA CRISTINA SPIEKER, CPF 005.618.38950, ERVIN ARTUR SPIEKER, CPF 094.356.97968, VANESSA CARVALHO VICENTE, CPF 006.073.23930, RICARDO BELEGANTE, CPF 866.429.52987, ROSILENE EICHHOLZ, CPF 496.371.93987, ADMIR DA SILVA TAVARES JÚNIOR, CPF 865.915.76134. i) Empresa: PRUMO CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, CNPJ: 04.014.335/000110, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 8, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 4734315700, Segundo Telefone: Correio Eletrônico: CNAE: 6920601 – ATIVIDADES DE CONTABILIDADE, Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (ADMINISTRADOR), Exsócios: MÁRIO CELSO PAIXÃO PEREIRA, CPF 130.539.65020, WILMAR MANSKE, CPF 481.592.04949. j) Empresa: PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA, CNPJ: 00.637.225/000153, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 10, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 4734315700, Segundo Telefone: Correio Eletrônico: rubia@grupometa.com, CNAE: 63119 00 – TRATAMENTO DE DADOS, PROVEDORES, SERVIÇOS DE..., Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (SÓCIOADMINISTRADOR), LUIS CARLOS SUSSENBACH, CPF 680.925.04091, Exsócios: ADRIANA BRODBECK, CPF 936.668.29953. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 995 9 k) Empresa: META SISTEMAS E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, CNPJ: 13.266.162/000118, Endereço: RUA MAX COLIN, 726, SALA 11, AMÉRICA, CEP 89204040, JOINVILLE/SC, Telefone: 4734315700, Fax: 47 34315703, Segundo Telefone: 4734315731, Correio Eletrônico: joel@grupometa.com, CNAE: 6204000 – CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, Sócios: UDÉLCIO DEMCZUK, CPF 600.459.22934 (ADMINISTRADOR), LUIS CARLOS SUSSENBACH, CPF 680.925.04091. 2.5. Pelo exposto, verificase que UDÉLCIO DEMCZUK, que aparece no site como DIRETOR PRESIDENTE do GRUPO META, consta no CNPJ como SÓCIOADMINISTRADOR das seguintes empresas: META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC), META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP, META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, PRUMO CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA e, META SISTEMAS E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Além disso, consta como exsócio das empresas META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC), METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA e, META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP. 2.6. Logo abaixo da indicação do diretor presidente, o site do GRUPO META apresenta LUÍS CARLOS SUSSENBACH no cargo de DIRETOR CONTÁBIL. Pois bem, o CNPJ indica que este DIRETOR é sócio da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC), META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA e, META SISTEMAS E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Consta ainda a condição de exsócio METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA. 2.7. Na seqüência, o GRUPO META, em seu site, apresenta IARA SANDRA JAHN no cargo de DIRETORA DE RH. No CNPJ ela aparece como sócia da META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP e da METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA, além de constar como sóciaadministradora da META FOLPAG S/S LTDA EPP. 2.8. MAURÍCIO WOEHL JÚNIOR, qualificado no site do GRUPO como DIRETOR CONTÁBIL – IN COMPANY, aparece nos quadros societários das empresas como sócio da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC) e da MT SERVIÇOS CONTÁBEIS S/S LTDA EPP, e como exsócio da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC). 2.9. VIVIANNE MORAS MEDEIROS, DIRETORA ADMINISTRATIVA –JARAGUÁ DO SUL é sócia Fl. 999DF CARF MF 10 administradora da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC). 2.10. VIVIANE DE ALCÂNTARA, GERENTE CONTÁBIL IN COMPANY, é sócia da META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP. 2.11. ROSILENE EICHHOLZ, GERENTE CONTÁBIL, é sócia administradora da MT SERVIÇOS CONTÁBEIS S/S LTDA EPP e exsócia da META FOLPAG S/S LTDA EPP. 2.12. ADMIR S TAVARES JÚNIOR, GERENTE CONTÁBIL IN COMPANY, consta como sócioadministrador da METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA e como exsócio da META FOLPAG S/S LTDA EPP. 2.13. ADRIANA DEBATIM, GERENTE FISCAL, é sócia da META FOLPAG S/S LTDA EPP. 2.14. VANESSA CARVALHO VICENTE, GERENTE DE SUPORTE ADMINISTRATIVO/JURÍDICO, é sócia administradora da META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP e exsócia da META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP e da META FOLPAG S/S LTDA EPP. 2.15. Além destes em atividade no grupo, há os exdirigentes, pessoas que aparecem como exsócias de várias empresas do GRUPO META, como: 2.15.1. ADRIANA BRODBECK: exsócia da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC), METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA, META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP, META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA e, PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA. 2.15.2. GIRÚCIA LEITE DE ANDRADE: exsócia da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC), META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC) e, META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP. 2.15.3. WILMAR MANSKE: exsócio da META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP, METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA, META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA e, PRUMO CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. 2.16. Os objetivos sociais de todas as empresas correspondem àqueles relacionados nas 5 unidades de negócios do GRUPO META (serviços contabilidade, terceirização de recursos humanos, sistemas de informação, consultoria jurídica e administração de pessoas). 2.17. As sedes sociais de todas as empresas, exceto da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC) é a mesma que consta como endereço do GRUPO Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 996 11 META em JOINVILLE/SC (RUA MAX COLIN, 726), acrescentado de complemento “SALA “NN””. Já o endereço do GRUPO em JARAGUÁ DO SUL/SC (RUA PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA, 85) é a sede social da META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC) e dos estabelecimentos filiais da META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP e da META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA. 2.18. Os números de telefones e de fax informados ao CNPJ por todas as empresas (47.34315700, 34315703 e 34315731) são os mesmos. O mesmo se aplica aos endereços de correio eletrônico informado (rubia@grupometa.com e joel@grupometa.com). 2.19. Concluise, portanto, que as 11 empresas mencionadas, constituídas nas formas de sociedades simples e empresárias, integram um grupo econômico de fato (GRUPO META), pois se encontram de fato estabelecidas nos mesmos endereços, utilizam os mesmos terminais de comunicação, têm sócios e administradores comuns e atuam nas mesmas atividades correlatas. 2.20. Conforme dados da DIPJ, a receita bruta auferida pela META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC) nos exercícios de 2008 e 2009 foi de R$ 3.816.868,32 e R$ 3.349.919,27, respectivamente. Logo, tomandose apenas uma empresa do grupo, ultrapassase o limite para adesão ao SIMPLES NACIONAL. 3. DA META MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP (META MULTI SERVICE) 3.1. Como a interessada desta representação é a META MULTISERVICE, passase a seguir a uma análise específica e mais detalhada desta empresa. 3.2. DOS SÓCIOS E DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA 3.2.1. Quando de sua constituição em 13/08/2007, eram sócios UDÉLCIO DEMCZUK e GIRÚCIA LEITE DE ANDRADE, cada um com 50% das cotas e o primeiro com poderes de administração. 3.2.2. Em 15/09/2008, com 2ª alteração contratual, a sócia ADRIANA BRODBECK CARDOSO passa a integrar o quadro social no lugar de GIRÚCIA LEITE DE ANDRADE, que se retira. Ocorre também a redistribuição das cotas, com o sócio administrador UDÉLCIO DEMCZUK passando a deter 9.900 cotas (99%) e a outra sócia, 100 cotas (1%). 3.2.3. A 3ª alteração contratual, de 15/01/2009, informa a retirada dos 2 atuais sócios, que são substituídos por VANESSA CARVALHO VICENTE e VIVIANE DE ALCÂNTARA VIEIRA FRANÇA, cada uma passando a deter 50% das cotas e ambas com atribuições de administração. Fl. 1001DF CARF MF 12 3.2.4. Conforme já exposto, a sócia VANESSA CARVALHO VICENTE consta no site do GRUPO META no cargo de “GERENTE DE SUPORTE ADMINISTRATIVO/JURÍDICO”, e a sócia VIVIANE DE ALCÂNTARA VIEIRA FRANÇA, no cargo de “GERENTE CONTÁBIL – IN COMPANY”. Quanto aos “ex sócios” da interessada, UDÉLCIO DEMCZUK é apresentado no site do GRUPO META como o “DIRETOR PRESIDENTE”. 3.2.5. Além disso, todos os antigos e atuais sócios da META MULTISERVICE, foram sócios e/ou empregados de outras empresas do GRUPO META. Veja: 3.2.5.1. UDÉLCIO DEMCZUK (sócio e administrador entre 13/08/2007 e 15/01/2009): de acordo com dados do CNPJ, é SÓCIOADMINISTRADOR das seguintes empresas: META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JOINVILLE/SC) (META OC JOI), META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP, META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, PRUMO CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA e, META SISTEMAS E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Além disso, consta como exsócio das empresas META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL S/S LTDA (de JARAGUÁ DO SUL/SC) (META OC JGS) e METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA. 3.2.5.2. GIRÚCIA LEITE DE ANDRADE (sócia entre 13/08/2007 e 15/09/2008): consta no CNPJ a condição de ex sócia da META OC JOI e META OC JGS. 3.2.5.3. ADRIANA BRODBECK CARDOSO (sócia entre 15/09/2008 e 15/01/2009): conforme dados do CNPJ, tratase de exsócia da META OC JOI, METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA, META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA e PACTO PROCESSAMENTO DE DADOS S/S LTDA. O Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, por sua vez, indica que foi empregada da empresa individual de UDÉLCIO DEMCZUK no período de 01/03/1994 a 31/08/1994 e da META OC JOI no período de 01/09/1994 a 10/07/1996. 3.2.5.4. VANESSA CARVALHO VICENTE (sócia e administradora a partir de 15/01/2009): consulta ao CNPJ indica que é exsócia da META RECURSOS HUMANOS LTDA EPP e da META FOLPAG S/S LTDA EPP. Também foi empregada da META OC JOI no período de 18/05/2005 a 15/08/2005, conforme dados do CNIS. 3.2.5.5. VIVIANE DE ALCÂNTARA VIEIRA FRANÇA (sócia e administradora a partir de 15/01/2009) : Consultandose o CNIS, verificase que foi empregada da META OC JOI nos períodos de 19/06/2000 a 04/06/2003, 01/07/2003 a 12/2003 e 02/01/2004 a 19/02/2009. 3.2.6. Disto concluise que: 3 dos antigos e atuais sócios da META MULTISERVICE figuram no quadro de dirigentes do GRUPO META; 4 foram ou são sócios e/ou administradores de outras empresas do grupo, e; 3 foram empregados de empresa do GRUPO META. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 997 13 3.3. DA SEDE SOCIAL 3.3.1. A META MULTISERVICE tem sede social à RUA MAX COLIN, 726, SALA 4, BAIRRO AMÉRICA, CEP 89.204040, JOINVILLE/SC, conforme cláusula 2ª do contrato social. 3.3.2. Como já mencionado, tratase do mesmo endereço do GRUPO META em JOINVILLE/SC, onde ainda estão sediadas outras empresas do grupo. Devese destacar que o complemento “SALA 4” não tem o condão de constituir endereço distinto, pois não há unidade autônoma nesta edificação. 3.4. DO OBJETO SOCIAL 3.4.1. O atual objeto social da interessada META MULTISERVICE, de acordo com a cláusula 3ª, é “Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, serviço de limpeza em instalações prediais, além dos serviços de recepção, portaria e manutenção, serviço de limpeza não especializada, limpeza especializada diversa, atividades paisagísticas, atividades de tele atendimento, serviços domésticos, serviços de carga e descarga, inclusive executado utilizando empilhadeira/guinchos/guindaste, serviços de carga e descarga de embarcações, inclusive operadores portuários serviços de almoxarifado”. Até a 3ª alteração contratual de 15/01/2009 (que alterou de forma significativa o objeto social) a empresa tinha por objeto social a “prestação de serviços de consultoria empresarial na área contábil”. 3.4.2. Os contratos de prestação de serviços (2010/2011) apresentados tratam de terceirização de mãodeobra, principalmente de serviços de conservação e limpeza. 3.4.3. As notas fiscais de prestação de serviços se referem a serviços de assessoria contábil/assessoria (até 06/2010, sendo esta espécie de serviço exclusiva até 02/2010), de apoio administrativo e de serviços de limpeza (a partir destas competências). 3.4.4. Quanto à atividade econômicoprofissional desenvolvida até o início de 2009 (serviços contábeis), tratase dos mesmos serviços então prestados por duas outras empresas do grupo.Com efeito, a META OC JOI funciona desde 22/08/1994 em ATIVIDADES DE CONTABILIDADE – CNAE 6920601. Já a META OC JGS opera desde 07/12/2007 no mesmo ramo, em JARAGUÁ DO SUL/SC. Já as atividades desenvolvidas desde o início de 2009 (terceirização de mãodeobra) também são prestadas por outras empresas do grupo, como a METARH MULTISERVICE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE LIMPEZA LTDA e a META TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA. 3.4.4. Logo, a META MULTISERVICE atuou e continua atuando no mesmo ramo econômico profissional de outras empresas do grupo. (...) 3.6. DOS EMPRÉSTIMOS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO Fl. 1003DF CARF MF 14 3.6.1. O plano de contas contábil indica a hipótese da META MULTISERVICE conceder e tomar empréstimos de outras empresas do grupo. Com efeito, há no ativo a conta sintética ATIVO / ATIVO NÃO CIRCULANTE / ATIVO REALIZÁVEL À LONGO PRAZO / CRÉDITOS DE COLIGADAS E CONTROLADAS abrigando as seguintes contas analíticas: “1.2.01.01.01 META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL – CURITIBA”, “1.2.01.01.01 META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL – JOINVILLE”, “1.2.01.01.0 META RECURSOS HUMANOS” e “1.2.01.01.01 META TRABALHO TEMPORÁRIO”. E no passivo, há a conta sintética PASSIVO / PASSIVO NÃO CIRCULANTE / EXIGÍVEL A LONGO PRAZO / DÉBITOS COM COLIGADAS E CONTROLADAS subordinando as contas analíticas “2.2.01.03.01 META RECURSOS HUMANOS”, “2.2.01.03.02 META FOLPAG” e “2.2.01.03.03 META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL”. 3.6.2. O Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2009 informa saldos de R$ 7.062,41 na conta “1.2.01.01.0 META ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL CURITIBA”, R$ 1.457,22 em “1.2.01.01.01 META RECURSOS HUMANOS” e R$ 31.185,95 em “2.2.01.03.02 META FOLPAG”, apresentando as demais contas de empréstimos com saldo zerado. 3.6.3. Os razões das contas acima estão às fls. 038 a 043 e 083 a 084 do livro razão nº 03, de 2009. 3.6.4. Já o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2010 apresenta saldo apenas na conta “2.2.01.03.01 META RECURSOS HUMANOS”, de R$ 16.000,00, estando as demais contas de empréstimos intragrupo zeradas. 3.6.5. Os razões de 2010 das contas estão às fls. 050 e 127 a 128 do livro razão nº 04, de 2010. 3.6.6. Logo, os empréstimos habituais entre empresas do GRUPO META é mais uma prova da existência de grupo econômico, pois caracteriza a combinação de esforços para realização dos objetivos sociais. 3.7. DA MOVIMENTAÇÃO DE SEGURADOS 3.7.1. Consultandose os dados dos segurados no CNIS, verificase que alguns empregados desligados da META OC JOI foram admitidos pela META MULTISERVICE no dia seguinte ao do desligamento do vínculo anterior, nos mesmos cargos e com remunerações quase idênticas, conforme se demonstra a seguir: Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 998 15 3.7.2. Verificase também a existência de empregados desligados da META MULTISERVICE que, em seguida, foram recontratados por outra empresa do GRUPO META: 3.7.3. Os eventos acima indicam transferências de fato de empregados entre as empresas do GRUPO META envolvendo a META MULTISERVICE. Com esteio nessas inequívocas constatações, o Auditor da Receita Jorge Hirata concluiu pela inequívoca existência de grupo econômico, conforme segue: 4. DA CONCLUSÃO 4.1. Diante do exposto, concluise que a interessada META MULTISERVICE é uma das 11 sociedades (simples e empresárias) que integram o GRUPO META, pois: encontramse de fato estabelecidas nos mesmos endereços; informam os mesmos telefones, fax e emails; têm, de fato, sócios e administradores comuns; atuam nas mesmas atividades correlatas; fazem empréstimos habituais entre elas, e; movimentam empregados entre elas, combinando esforços. 4.2. O GRUPO META apresenta VANESSA CARVALHO VICENTE como sua “GERENTE DE SUPORTE ADMINISTRATIVO/JURÍDICO” e VIVIANE DE ALCÂNTARA como sua “GERENTE CONTÁBIL – IN COMPANY”, sendo ambas as atuais sócias e administradoras da interessada. Dos antigos sócios, UDÉLCIO DEMCZUK é o “DIRETOR PRESIDENTE” do grupo. Todos foram empregados de alguma empresa do GRUPO META antes de ingressar no quadro societário da META MULTISERVICE ou sócios de outras empresas do grupo. 4.3. O fato acima descrito constitui impedimento legal para o ingresso da interessada META MULTISERVICE no regime do SIMPLES NACIONAL, conforme previsto no artigo 3º, § 4º, inciso V, da LC 123/2006, pois os antigos e atuais sócios foram/são administradores de fato de outras empresas do GRUPO META, cuja receita bruta ultrapassa o limite do SIMPLES NACIONAL, posto que, conforme item 2.20 retro, basta a receita bruta de uma das empresas do grupo (META OC JOI) para se extrapolar este limite. Fl. 1005DF CARF MF 16 5. Portanto, desde a data que fez a opção pelo SIMPLES NACIONAL (01/01/2009) a interessada META MULTISERVICE se enquadra, de fato, no artigo 3º, § 4º, inciso V, da LC nº 123/2006, sendo irregular sua opção e permanência neste regime. Logo, sujeitase à exclusão obrigatória do SIMPLES NACIONAL, conforme artigo 30, inciso II, da LC nº 123/2006. Dessa forma, não comungo da perspectiva da Recorrente, a qual, embora bem elaborada, não se mostra consentânea com a exposição fática apresentada no deslinde do PAF. Assim, conforme especialmente ressaltado no item "4.2." transcrito acima, restou claro o enquadramento nos ditames art. 3º, § 4º, V, da lei Complementar nº 123, de 2006: Art. 3° Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Portanto, resta patente o acerto do Acórdão de piso, o qual manteve a exclusão da Contribuinte, afastando, de plano, a hermenêutica exposta em sede recursal, segundo a qual teria ocorrido desrespeito à verdade material. Aliás, foi justamente na detida análise probatória e no escorreito deslinde processual que se pôde identificar com precisão a irregularidade causadora do desenquadramento do SIMPLES Nacional. Nessa trilha, os elementos fáticos conduzem à inequívoca conclusão inversa àquela advogada em sede recursal. Destarte, não há como acolher a vertente defensiva na qual se busca atribuir o compartilhamento de estrutura física para o funcionamento das empresas, bem como a divisão de despesas em conjugação de esforços e estratégias de marketing (dentre outros argumentos), tal como ocorre nos "Shopping Centers". Conforme repisado alhures, a ampla análise documental e fática realizada tanto pela fiscalização, quanto pela DRJ, foram aprofundadas. Portanto, descabe a alegação da Contribuinte alusiva à suposta falta de avaliação das provas dos autos. Em resumo: Não há qualquer dúvida sobre a efetiva formação de grupo econômico, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal. Quanto ao mais, não identifico qualquer malferimento aos arts. 109 e 110 do CTN, haja vista a ausência de quaisquer inovações ou ilações conceituais por parte da Autoridade Fiscal e do Acórdão a quo. A todo momento foi observado critérios estritamente Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 999 17 técnicos adstritos à legislação tributária. Tampouco há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica (art. 50 do Código Civil), pois a autuação se ateve estritamente aos aspectos a ela inerentes. Ainda tendo como base o enorme conjunto probatório nos presentes autos, rechaço o argumento atinente à autuação fiscal por mera "presunção". Outrossim, cumpro com o mister de abortar o tema exposto na Tese de Doutorado na Universidade de São Paulo USP (2010), de autoria da i. Dra. Florence Haret, com o título "Presunções no Direito Tributário: Teoria e prática", a qual disserta de forma assaz detalhada o tema, de modo que transcrevo breves trechos os quais considero elucidativos ao caso em tela: 1.5.7 A presunção no direito tributário (...) Geraldo Ataliba, na linha do acima exposto, admiteas comomeio de prova, isto é, forma específica de raciocínio, habilitado pelo direito para fazer ingressar no sistema enunciado factual: “a presuncã̧o é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado”.86Na mesma linha, Aires F. Barreto e Cléber Giardino oferecem o seguinte entendimento quanto ao termo ora estudado: O ato ou processo presuntivo, intelectual que é,ocorre e se esgota no plano do raciocínio. Prestase a induzir convicção quanto à existência de fato (por definição, desconhecido), dado o reconhecimento da ocorrência de outro, do qual geralmente depende.Firma, assim, a aceitacã̧o da veracidade ou verossimilhança do chamado “fato suposto” (fato presumido). A partir desses enunciados elucidativos, vêse que os autores reforca̧m a possibilidade de a presunção ser assumida como ato (produto) ou como processo, ambos pertencentes ao campo do inteligível, isto é, assumidos como linguagem, pensada e comunicada. Nada tem de real, no sentido vulgar (e superado) da palavra. Prestase a induzir convicção e, com ela, aceite da veracidade ou verossimilhanca̧ do chamado “fato suposto” (ou presuntivo) para fins de incidência jurídica. Assim, para o direito, tanto o ato quanto o processo da presuncã̧o, tanto as formas presuntivas juris et de jure quanto as juris tantum, têm caráter normativo. A distinção procedida pelos autores entre as referidas regras dáse mais quanto aos destinatários do que à sua própria natureza, que será sempre norma. (fls. 6465) 2.1.9. Presunção como meio de prova Para tratar sobre presuncã̧o e meios de prova é preciso, antes, dizer algumas palavras sobre o sentido desse último termo. São inúmeros os significados dados à expressão meios de prova. Podem ser considerados tanto (i) documento, suporte físico quanto (ii) enunciado que ele – meio – veicula, i.e., conteúdo do papel. Do mesmo modo, incluise no campo semântico do vocábulo a ideia de (iii) atividade dos sujeitos perante o julgador Fl. 1007DF CARF MF 18 enquanto ação de enunciar; também (iv) o sujeito ou o objeto em relacã̧o ao qual essa atividade recai. Ainda, admitesea como (v) uma série ordenada de atos executados na forma da lei; ou (vi) como resultado de processo. Por fim, (vi) como atividade do intelecto realizada pelo julgador ao travar contato com os autos, ou até (vii) como o objeto de per si. Enfim, vêse que as opções semânticas são inúmeras, razão pela qual, antes mesmo de estabelecer o vínculo entre presuncã̧o e meios de prova, é necessário delimitar o sentido dos termos. (...) Na construcã̧o do fato jurídico tributário, provas e presunções, em sua totalidade, funcionam no universo jurídico como formas ou técnicas de constituicã̧o do fato jurídico. Contudo, havemos de convir que algumas presunções assumem regimes jurídicos diferentes das provas, razão pela qual distinguemse umas das outras. Todas são normas, reforcemos, mas com força ou função diversas. Umas farão irromper tipo factual abstrato, prescrito em lei na forma de conteúdo hipotético geral. Outras atuarão como norma introduzida de sentido deôntico incompleto, constituindo o fato em seu consequente. Algumas ainda cumprirão o papel de norma introdutora – geral e concreta – inserindo a norma constitutiva do fato em seu consequente. Nas primeiras, teremos verdadeirashipóteses, lá se encontrando as presunções ditas legais ou de conteúdo hipotético. Na segunda forma, obteremos proposições que funcionam como provas (ou conteúdo de provas), constituindo de per si o fato juridicamente relevante e que dá ensejo a um prescritor. Nas terceiras, é que se acham as presuncõ̧es como meios de prova, de onde faremos a correlação necessária com as presunções exaradas pelos aplicadores do direito, também conhecidas como do tipo humana ou hominis.Portanto, podese concluir, de acordo com nossas premissas, que meios de prova são somente as presunções realizadas pelo aplicador do direito, inserindo, no procedimento ou processo administrativo e judiciário, as provas constitutivas do fato mediante linguagem competente. Consultemos a síntese proposta por Pontes de Miranda que compartilha, sob outros termos, a noção ora proposta: A [...] presuncã̧o legal (presumptio iuris) [...], em vez de meio de prova, é o conteúdo de regras jurídicas que estabelecem a existen̂cia de fato jurídico (e.g. direito), sem que se possa provar o contrário (presumptiones iuris et de iure, presunções legais absolutas), ou enquanto não se prova o contrário (presuncõ̧es legais relativas). Tais presunções se distinguem, portanto, das presuncõ̧es meios de prova,presumptiones facti ou hominis, e das normas legais sobre provas, que fixam a força probatória do meio de prova.13 Reforcemos que fazem prova, sem ser meio de prova, todas as presunções legais, e não somente as absolutas como afirmou Rubens Gomes de Sousa no seguinte trecho: “[...] a presunção absoluta não é meio de prova: é norma dispositiva (ainda que apenas com o alcance atrás definido), de vez que determina que tal fato tem tal natureza ou tais efeitos e os tem por forca de lei” Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 1000 19 As presuncõ̧es relativas são também provas na medida em que o direito de contestação do fato (no contraditório e na ampla defesa) nada modifica sua natureza de norma introduzida, conteúdo de direito substantivo, constitutiva de fato jurídico. O fato, impugnado ou não, antes mesmo de qualquer manifestação contrária, é norma introduzida, realidade válida até prova em contrário e sua consequente expulsão. Como toda unidade jurídica, a regra apenas sai do sistema mediante procedimento e linguagem competente. A invalidade deve sempre ser declarada. A expulsão da norma, conteúdo de fato presuntivo, só se dá mediante produção de outra regra jurídica que prevê em seu consequente a retirada da norma introduzidapresuntiva viciada, como teremos oportunidade de estudar na últimaparte deste trabalho. Portanto, não se pode afirmar haver poder probatório tão somente às presunções absolutas, pois outros tipos presuntivos, como já vimos, são constitutivos de enunciados factuais e de realidade jurídica. Nesse passo, tais características são também atribuídas às presunções juris tantum ou relativas. ( fls. 8184) Por fim, tocante aos demais argumentos exposados pela Recorrente, sigo por inteiro o Acórdão da DRJ, cujo teor adoto desde já como fundamentação do presente decisum, conforme autorizativo do § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/99, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: A contribuinte não questionou a conclusão da fiscalização de que o total da receita bruta das empresas excedeu o limite previsto na legislação para permanência no Simples Nacional, mas sim a própria existência do grupo econômico, em razão das participações dos mesmos sócios, sustentada pela fiscalização, que impediria tal opção. (...) E com fulcro nesses dados e na legislação retro reproduzida, concluiu pela exclusão da empresa do Simples Nacional, a qual efetivouse com a emissão do ADE nº 186/2011. Verificase que as razões apresentadas na Representação Fiscal e no Despacho Decisório, cujos excertos foram reproduzidos acima, não foram infirmadas pela manifestante, em que pese o seu esforço, restando incólumes, a nosso ver, as seguintes arguições das autoridades preparadoras: a) há um grupo econômico, que a Meta Multiservice integra, pois juntamente com as demais empresas do grupo atuam no mesmo ramo econômico e cuja receita bruta global ultrapassou o limite de opção ao Simples Nacional; b) possuem a sede social no mesmo endereço: Rua Max Colin, 726, sala 4, Bairro América, CEP 89.204040, Joinville/SC (cláusula 2ª do contrato social); c) os contratos de prestação de serviços apresentados referemse à terceirização de mãodeobra, especialmente serviços de conservação e limpeza; d) os serviços contábeis antes prestados, também o eram por duas outras empresas do grupo; e) as Fl. 1009DF CARF MF 20 empresas do grupo tomam empréstimos entre si; f) há movimentação de empregados entre as empresas, alguns encerram seu contrato de trabalho com uma empresa e no dia imediato é contratado por outra do mesmo grupo e local (v. fls. 12 13) etc. A contribuinte, por sua vez, limitouse a questionar a formação do Grupo Econômico, argumentando que inexiste vedação legal no fato de empresas independentes cooperarem entre si, adotando estratégia igual a um Shopping Center etc. Contudo, não prosperam suas alegações. (...) A comparação da manifestante (do grupo Meta) com um Shopping Center é desarrazoada e diversa, vez que neste o empresário constrói uma ampla área de venda e loca os espaços a inúmeras empresas, independentes e sem nenhuma ligação comercial ou social com o proprietário do empreendimento, que recebe aluguéis pela locação do espaço, sendo a atuação do Grupo Meta totalmente diferenciada. O fato de a impugnante distribuir lucro para seus sócios também não serve para desfigurar o grupo existente e demonstrar independência, sendo irrelevante para o fim pretendido, pois obviamente os lucros são divididos consoante acordo interno previsto nos estatutos de cada uma. O simples fato de os sócios integrarem as sociedades é suficiente para evidenciar a participação conjunta nas sociedades, uma vez que não integraram a organização dessas empresas de forma gratuita, evidentemente. A concessão pela Prefeitura de alvarás para cada empresa igualmente não evidencia a inexistência do grupo e do interesse comum entre as empresas. E ainda que inexistam proibições para a transferência ou troca de empregados entre as empresas do grupo, tal fato indica claramente a existência de patrimônio comum, organização única, buscando o mesmo fim. Os empréstimos mútuos corroboram tal conclusão. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10920.721610/201183 Acórdão n.º 1002000.346 S1C0T2 Fl. 1001 21 Fl. 1011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724169/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR. CRÉDITOS.
Podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos.
Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03.
Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiu-se o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador.
Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA
A Declaração de Compensação foi transmitida em 26/10/07 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12. Portanto, não se deu a homologação tácita de trata o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96
Numero da decisão: 3301-004.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR. CRÉDITOS. Podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiu-se o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A Declaração de Compensação foi transmitida em 26/10/07 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12. Portanto, não se deu a homologação tácita de trata o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96
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A. INDÚSTRIAS QUÍMICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR. CRÉDITOS. Podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 69 /2 01 2- 01 Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.043 2 trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A Declaração de Compensação foi transmitida em 26/10/07 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12. Portanto, não se deu a homologação tácita de trata o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negava provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 254.571,01, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 2o trimestre de 2006 . O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição em 26/10/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 961/965, reconheceu em parte o direito creditório, no montante de R$ 215.969,70, homologando as compensações efetuadas até esse limite, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.044 3 Cientificada do despacho decisório 25/10/2012, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fls. 754/766), alegando que tendo se passado prazo superior a cinco entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Não se conforma com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da não cumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03." A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1050.202, de 23 de maio de 2014, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. RESTITUIÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE – Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. E, de qualquer forma, a ciência do Despacho Decisório que homologou em parte a compensação ocorreu Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.045 4 dentro do limite legal de cinco anos previsto em lei para o exame do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de Pedido de Ressarcimento (PER) de crédito de COFINS, no valor de R$ 254.571,01, referente ao 2° trimestre de 2006. Em 26/10/2007, apresentou declaração de compensação vinculada ao PER. A DRF glosou créditos que julgou não estarem de acordo com a legislação aplicável (Despacho Decisório, fls. 961 a 965, e Informação Fiscal, fls. 935 a 956) e, por conseguinte, homologou as compensações tão somente até o limite do crédito acatado (R$ 215.969,70). A única glosa que a recorrente contestou em suas defesas é a dos créditos calculados sobre fretes incorridos para transporte de mercadorias entre seus estabelecimentos. A DRJ ratificou o procedimento fiscal. PRELIMINAR DECADÊNCIA A recorrente pleiteou o cancelamento do crédito tributário constituído por força da não homologação integral dos créditos pleiteados. Aduz que o PER foi protocolizado em 30/08/07 e a ciência do despacho decisório em data posterior à limite, que, no seu entender, seria 30/08/12. O pedido não merece guarida. Primeiro, porque, em sede do presente processo, não houve constituição de crédito tributário, porém indeferimento e não homologação parciais de PER e de DCOMP, respectivamente. E, segundo, caso o pleito tenha como objetivo o de ver reconhecida a homologação tácita dos pedidos de ressarcimento ou de compensação, ainda que por via oblíqua, também não merece prosperar. O § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 versa sobre homologação tácita de Declaração de Compensação (DCOMP) e não de Pedido de Ressarcimento (PER), como segue: Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.046 5 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" E, como a DCOMP foi transmitida em 26/10/07 (fls. 957 a 960) e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12 (Termo de Ciência, fls. 973 e 974), não se deu a homologação tácita de trata o dispositivo legal acima transcrito. Desta forma, nego provimento à "preliminar de decadência." MÉRITO Concordo com os argumentos da recorrente, sumariados no relatório. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.047 6 Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) CONCLUSÃO Nego provimento à preliminar de decadência. Dou provimento aos argumentos que sustentaram o reconhecimento do direito ao registro de créditos da COFINS sobre despesas com fretes incorridas para transporte de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo titular. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10855.724169/201201 Acórdão n.º 3301004.861 S3C3T1 Fl. 1.048 7 Fl. 1056DF CARF MF
score : 1.0
