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Numero do processo: 10935.907060/2011-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/02/2004 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 60 /2 01 1- 29 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015069985) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp 10628.95305.211205.1.2.040041, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.309, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/04/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907060/201129 Acórdão n.º 3803005.089 S3TE03 Fl. 7 3 Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907060/201129 Acórdão n.º 3803005.089 S3TE03 Fl. 8 5 inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em novembro de 2013. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723012/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
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score : 1.0
Numero do processo: 10805.721547/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 24/04/2009
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Cancela-se a multa regulamentar isolada, devida pela compensação considerada não declarada, quando deixa de existir seu fundamento de validade por força de decisão definitiva na esfera administrativa que admitiu a correspondente declaração de compensação. Recurso de ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1302-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 24/04/2009 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Cancela-se a multa regulamentar isolada, devida pela compensação considerada não declarada, quando deixa de existir seu fundamento de validade por força de decisão definitiva na esfera administrativa que admitiu a correspondente declaração de compensação. Recurso de ofício a que se nega provimento.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 24/04/2009 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Cancelase a multa regulamentar isolada, devida pela compensação considerada não declarada, quando deixa de existir seu fundamento de validade por força de decisão definitiva na esfera administrativa que admitiu a correspondente declaração de compensação. Recurso de ofício a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 15 47 /2 01 3- 63 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721547/201363 Acórdão n.º 1302001.496 S1C3T2 Fl. 408 2 Relatório PIRELLI PNEUS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 6.184.506,47, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. A lide bem pode ser compreendida a partir dos seguintes trechos, extraídos do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância: Tratase do Auto de Infração relativo à Multa Regulamentar Isolada, lavrado em 04/06/2013, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 6.184.506,47, em razão de compensação considerada não declarada pelo sujeito passivo na DCOMP nº 13899.88619.240409.1.7.020401, relativamente à matéria revisada no auto de infração de que trata o Termo de Verificação Fiscal juntado ao processo nº 10805.721983/201251. A infração foi discriminada no Termo de Verificação Fiscal da Revisão de Ofício que acompanha o auto de infração, conforme abaixo: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e em cumprimento a determinação do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo André, conforme Registro de Procedimento Fiscal nº 0811400201300155 5, com a finalidade de efetuar a Revisão de Ofício previstas no art. 149 do CTN (Lei n° 5172/66), referente ao Auto de Infração (fls.2048/2050) relatadas no Termo de Verificação Fiscal – Item B1(fls.2012/2015) juntado ao Processo Administrativo Fiscal n° 10805.721983/201251 que trata da Compensação PER/DCOMP entregue de 24/04/2009 referentes a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1995 com decisão judicial não transitado em julgado. 1. A ciência da Revisão de Ofício ocorreu em 28/05/2013 através do Termo de Ciência Fiscal da Revisão de Oficio lavrado nesta data. 2. A revisão do Auto de Infração referese a DCOMP apresentada pela Interessada que foi entregue e informada em 24/04/2009, portanto, posterior vigência da exigência de Multa Isolada que está dentro das hipóteses prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, que tem a seguinte redação: [...] 3. O artigo 74, § 12, II, d da Lei n° 9.430/1996 estabelece o seguinte: [...] 4. A multa exigida isoladamente aplicase o Inciso I do artigo 14 da Lei n° 1.488/2007: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721547/201363 Acórdão n.º 1302001.496 S1C3T2 Fl. 409 3 [...] 5. Portanto o item 15 do Termo de Verificação Fiscal fica alterado conforme abaixo: COMPENSAÇÃO RETIFICADORA CONSIDERADA NÃO DECLARADA VALOR RESTITUIÇÃO – IRRF – AC 1995 R$ 4.472.505,12 CODIGO RECEITA: 5856 COFINS NÃO CUMULATIVO PERIODO DE APURAÇÃO: 03/2009 ENTREGUE: 24/04/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO R$ 8.246.008,62 Multa exigida isoladamente (75%) R$ 6.184.506,47 6. Isto posto, encerramos nesta data os trabalhos relativos ao Registro de Procedimento Fiscal nº 08114002013001555, com a lavratura do presente, onde fica consignado que as verificações realizaramse tomandose por base os procedimentos acima descritos. Esse lançamento substitui e cancela o anterior, indicado no processo n° 10805.721983/201251 (fls. 2048/2050) em que se encontra o lançamento primitivo referente a Outras Multas Administradas Pela RFB, sendo que os demais lançamentos do Auto de Infração juntados ao processo em questão permanecem mantidas. A interessada foi cientificada do auto de infração, em 07/06/2013 (fls. 42). Inconformada, a contribuinte apresentou, em 05/07/2013, por intermédio de seus representantes legais, impugnação acompanhada de documentos. [...] Acerca do mérito da multa regulamentar isolada, diz que a aplicação da penalidade está diretamente atrelada à decisão já proferida pelo CARF na análise do recurso apresentado nos autos do processo nº 10530.002424/200830, relativo à compensação informada na DCOMP nº 13899.88619.240409.1.7.020401, cuja ementa é a seguinte: [...] Informa que inexistiu apresentação de Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de modo que a decisão acima transcrita é imediatamente aplicável e imutável, estando sedimentada a inexistência de vínculo entre o crédito compensado e a ação judicial, não havendo de se falar em compensação não declarada, fato o qual resulta a perda de fundamento para aplicação da multa isolada, configurando, portanto, hipótese de prejudicialidade. E acusa que a referida decisão deixou de ser mencionada pela autoridade fiscal. [...] A 15ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1445.574, de 22/10/2013 (fls. 380/402), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 24/04/2009 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721547/201363 Acórdão n.º 1302001.496 S1C3T2 Fl. 410 4 Cancelase a multa regulamentar isolada, devida pela compensação considerada não declarada, quando deixa de existir seu fundamento de validade por força de decisão definitiva na esfera administrativa que admitiu a correspondente declaração de compensação. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multas) em montante superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (extrato à fl. 403), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, tratase de multa exigida isoladamente, com base no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. A acusação é de que a interessada teria apresentado declaração de compensação (DCOMP) tida como “não declarada”, nos termos do art. 74, § 12, inciso II, alínea d, da Lei nº 9.430/1996. A DCOMP em questão recebeu o nº 13899.88619.240409.1.7.020401, e foi analisada nos autos do processo administrativo nº 10530.002424/200830. Compulsando os autos deste processo, encontro às fls. 367/379 cópia do acórdão nº 1402001.334, proferido nos autos do mencionado processo administrativo nº 10530.002424/200830. Os seguintes excertos são esclarecedores: [...] Em 23 de abril de 2009, conforme demonstram os documentos de fls. 200 e seguintes, a interessada requereu que o crédito correspondente ao pedido de restituição fosse utilizado na compensação de débitos próprios, mediante Declaração Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721547/201363 Acórdão n.º 1302001.496 S1C3T2 Fl. 411 5 de Compensação Eletrônica Retificadora nº 13.899.88619.240409.1.7.020401, com débitos de COFINS do período de apuração de março de 2009. [...] Dos fundamentos acima concluo que: a) o crédito oferecido à compensação decorre do SNIRPJ do anocalendário de 2005 e não de crédito reconhecido na esfera judicial; b) que em face da decisão da CSRF reconhecendo a decadência não é possível alterar o valor do imposto devido no anocalendário de 1995. c) que a unidade de origem, na execução do acórdão, confira a materialidade do montante das retenções de fonte que importaram no valor do saldo negativo (R$ 4.472.505,12). ISSO POSTO, voto, no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a desvinculação entre o crédito oferecido para compensação e a ação judicial, determinando o retorno dos autos à DRF para exame do mérito do pedido. Ao final, aquele Colegiado acordou1 em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a desvinculação entre o crédito e a ação judicial, e determinar o retorno dos autos à DRF para exame do mérito do pedido. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 DCOMP. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETOS DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de ação judicial buscando o reconhecimento de que está correto determinado procedimento contábil adotado na DIPJ não torna litigioso e nem concomitante, com a ação judicial, o débito apurado pelo contribuinte, objeto de pedido de compensação mediante DCOMP. No caso concreto, pelo que se extrai da DIPJ Retificadora do anocalendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124), a recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ (4.472.505,12), "decorrente de antecipações de IRRF sobre receitas financeiras". Conforme já decidido pela CSRF, no caso concreto, decorridos mais de 5 anos, a autoridade fiscal não pode glosar despesas, apontar receitas tributáveis ou critério de correção das demonstrações financeiras para alterar o valor do saldo negativo. Tal fato importaria, por linhas transversas, fazer lançamento para exigir crédito em relação a período já extinto pela decadência. Contudo, tem a autoridade fiscal a prerrogativas de conferir se as retenções de IRRF, bem como os pagamento das estimativas, que serviram para constituir o saldo negativo efetivamente ocorreram. A recorrente declarou que sofreu retenção em razão de aplicações financeiras no valor de R$ 4.472.505,12. Este fato, ou 1 Acórdão nº 1402001.334, de 06/03/2013, processo nº 10530.002424/200831, Relator Cons. Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721547/201363 Acórdão n.º 1302001.496 S1C3T2 Fl. 412 6 seja, a efetividade destas retenções não foi analisado pela fiscalização, cautela que se recomenda antes do homologação da declaração de compensação. Como se vê, a situação da DCOMP apresentada pela interessada foi reanalisada pela Administração Tributária, no curso de regular processo administrativo, sendo certo que o acórdão acima transcrito não mais a considerou “não declarada” e determinou seu retorno à Unidade de origem para a apreciação do mérito da compensação declarada. Diante disso, nenhum reparo se há de fazer à decisão tomada em primeira instância no presente processo. A multa aplicada por compensação considerada “não declarada” não pode subsistir, pelo que voto por negar provimento ao recurso de ofício, afastando em definitivo a exação correspondente. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.002167/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-001.028
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido.
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/03/2011 por NELSON MALLMANN, 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, ANTÔNIO IVAN PEREIRA MONTEBELLO,, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) no valor total do crédito tributário de R$ 2.213.236,04, conforme Auto de Infração, demonstrativos e termo de fls. 276288 (vol. II). O lançamento ocorreu em razão da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações ocorridas nos anoscalendários 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, conforme Termos de Constatação Fiscal (fls. 259275), que fazem parte integrante da autuação e demais documentos que o instruem. Intimado em 08/08/2006 (no AI, fls. 282, vol. II), o contribuinte apresentou impugnação em 06/09/2006 (fls. 291305, vol. II), alegando, em síntese, o seguinte: a) ilegalidade na quebra do sigilo bancário, realizada no exercício de 2000, que foi arbitrária, devendo ser desconsiderada as informações contidas nas suas contas bancárias, vez que a legislação que dá suporte à quebra do sigilo está sendo questionada judicialmente (Adin 2406), vez que fere os direitos à intimidade e privacidade dos cidadãos, dos quais a inviolabilidade do sigilo bancário é corolário do disposto no art. 5 0, X e XII da Constituição Federal, não podendo sua quebra ocorrer sem autorização judicial; b) o lançamento do imposto de renda é lançamento por homologação, fluindo o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, conforme o § 4°, do artigo 150, cio CTN. No caso, os fatos geradores ocorridos entre 30/06/2000 a 31/08/2001, contidos no Auto de Infração, encontramse decaídos, devendo ser desconsiderados pela autoridade administrativa; c) no mérito, a movimentação bancária não demonstra a aquisição de renda, sendo indevido o lançamento tributário baseado apenas em saldo bancário consoante já decidiu o extinto TFR na Súmula n° 182. Assim, no conceito de renda o movimento financeiro não pode representar a renda da pessoa física, tendo em vista que pela conta corrente podem passar valores significativos sem que haja qualquer acréscimo patrimonial, notadamente porque as pessoas físicas estão desobrigadas de escrituração contábil. Para que os depósitos constituam renda tributável é necessária que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, a saber: aquisição de imóveis, carros etc.; d) a fraude não se presume, sendo indevida a aplicação de oficio da multa no importe de 112,5%, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes, devendo ser desconsiderado o agravamento da multa vez que a omissão de rendimentos não pode caracterizar intuito de fraude; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/03/2011 por NELSON MALLMANN, 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.002167/200612 Acórdão n.º 220201.028 S2C2T2 Fl. 2 3 e) quanto aos juros aplicados com base na taxa Selic, são inconstitucionais e vem sendo repelida pelos tribunais conforme julgados que citou, sendo cabível os juros de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do CTN. —,421. Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração e que seja desconsiderado o agravamento da multa de lançamento de oficio e aplicado juros de 1% ao mês (art. 161, § 1°, CTN); e que as decisões proferidas e intimações sejam encaminhadas à Rua Prudente de Moraes, 454, Centro, Piracicaba/SP, CEP 13400 310. Juntou procuração, documentos pessoais e cópia do AI (fls 306316). A competência para o julgamento deste processo foi transferida da DRJ/SPO II para a DRJ/CGE por meio da Portaria RFB n° 725/2008 (DOU de 14/05/2008). A DRJCampo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Inexiste sigilo bancário para o Fisco, o qual deve guardar, sob pena de responsabilidade, as informações obtidas na forma da lei. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do tributo lançado de oficio é de cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Sujeitamse à tributação os rendimentos omitidos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. A exasperação da multa por desatender a intimação somente se justifica se os esclarecimentos solicitados forem imprescindíveis à fiscalização. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de primeira instância às fls 321, insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário de fls. 332/347 ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/03/2011 por NELSON MALLMANN, 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi cientificada ao contribuinte através do correio em 26/02/2009 (fls. 321). Entretanto a peça recursal, somente, foi protocolada 30/03/2009, conforme atesta documento de fls. 332, portanto, fora do prazo fatal de 30 dias. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/03/2011 por NELSON MALLMANN, 26/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906221/2012-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 21 /2 01 2- 48 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906221/201248 Acórdão n.º 1802003.188 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13802.000481/97-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/1993 a 31/12/1995
OMISSÃO DE RECEITA. NÃO PROVADA.
A presunção legal de que trata o § 2º do art. 343 do RIPI/82 é no sentido de que, provada a existência de receita omitida - indício, presume-se que tal receita seja originada de venda não registrada (faturamento), logo tributada pelo IPI.
Para fatos geradores ocorridos antes da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não se sustenta a presunção de omissão de receitas com base exclusivamente em depósitos bancários de origem não comprovada.
Numero da decisão: 1302-001.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Eduardo Andrade, Guilherme Polastri, Waldir Rocha, Hélio Araújo e Márcio Frizzo
.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/06/1993 a 31/12/1995 OMISSÃO DE RECEITA. NÃO PROVADA. A presunção legal de que trata o § 2º do art. 343 do RIPI/82 é no sentido de que, provada a existência de receita omitida - indício, presume-se que tal receita seja originada de venda não registrada (faturamento), logo tributada pelo IPI. Para fatos geradores ocorridos antes da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não se sustenta a presunção de omissão de receitas com base exclusivamente em depósitos bancários de origem não comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Eduardo Andrade, Guilherme Polastri, Waldir Rocha, Hélio Araújo e Márcio Frizzo .
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NÃO PROVADA. A presunção legal de que trata o § 2º do art. 343 do RIPI/82 é no sentido de que, provada a existência de receita omitida indício, presumese que tal receita seja originada de venda não registrada (faturamento), logo tributada pelo IPI. Para fatos geradores ocorridos antes da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não se sustenta a presunção de omissão de receitas com base exclusivamente em depósitos bancários de origem não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Eduardo Andrade, Guilherme Polastri, Waldir Rocha, Hélio Araújo e Márcio Frizzo . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 2. 00 04 81 /9 7- 84 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Peço vênia aos meus pares, para transcrever o relatório dos autos exarado pela Conselheira Carmen Saraiva, parte integrante da Resolução a fls. 181 e segs., o qual assim informa: “Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado Auto de Infração às fls. 3146 com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 976.618,12 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao período de junho de 1993 a dezembro de 1995. O lançamento fundamentase na omissão de receita da venda de produtos industrializados sem emissão de nota fiscal apurada a partir do confronto entre os valores escriturados e os depósitos bancários efetuados na conta corrente nº 70511.50930006 do Banco Sudameris Brasil S/A de titularidade da Recorrente. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso II do art. 29, alínea “b” do inciso I e alínea “c” do inciso II do art. 55, art. 59, art. 107, inciso IV do art. 112 e § 2º do art. 343 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 – RIPI, de 1982. Em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 0630, o procedimento administrativo investigatório foi motivado pelo Memorando SRRF 8ª RF nº 976, de 1996 que encaminhou o Ofício MPF/SP/Ccrim nº 8057, de 16.09.1996 e a Representação MP/SP/Ccrim nº 11266, de 1996. Consta que os sócios e administradores da Recorrente, Antônio Carlos Ferreira, CPF 041.722.55809 e Roberto Carlos Ferreira, CPF 039.614.53888, também o são de outras pessoas jurídicas, que por sua vez utilizaram notas fiscais inidôneas para acobertar vendas produtos, conduta essa que pode ser caracterizada como crime contra a ordem tributária (art. 1º e art. 11 da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Cientificada em 30.07.1997, fl. 43, a Recorrente apresentou a impugnação em 29.08.1997, fls. 5255. Diz que não participou da conduta da pessoa jurídica emitente das notas consideradas fiscais inidôneas. Afirma que há erros nos cálculos das exigência, os quais discrimina. Conclui que o lançamento do IRRF deve ser anulado como também os de PIS, Cofins e IPI, que lhe são decorrentes. Está registrado como resultado da Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO nº 00.117, de 27.11.2001, fls. 98101: “Lançamento Procedente. Restou ementado Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Data do fato gerador: 30/06/1993 a 31/12/1995 Ementa: AUTO REFLEXO. O decidido no mérito do IRRF, em decorrência da omissão de receita, repercute na tributação reflexa. Notificada em 29.12.2001, fls. 105/109, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.01.2002, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13802.000481/9784 Acórdão n.º 1302001.519 S1C3T2 Fl. 189 3 Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. No Despacho DRF/SPO de 24.04.2003, o seguimento do recurso voluntário foi negado por falta de efetivação do depósito recursal (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), fl. 115. Em conformidade com o Despacho DRF/SPO, de 12.01.2012, a exigência do depósito recursal foi afastada (ADI STF nº 1976, de 28.03.2007) e foi dado seguimento ao recurso voluntário, fls. 174175. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório.” Em seu recurso voluntário, a recorrente apresenta as seguintes razões de defesa: a) que a autuação ora contestada, deuse por reflexo ao AIIMIRRF, lançado em 30.07.97, contra a recorrente, que deu origem ao Processo nº 13802.000485/9735. b) que entende a recorrente que, julgado nulo o AIIMIRRF, por decorrência todos os outros autos de infração, inclusive este, serão igualmente nulos, posto que o acessório segue o Principal; c) que ficou induvidosamente demonstrada a incapacidade financeira de a autuada, em manter valor tão expressivo de depósito em conta bancária, como sendo de sua propriedade; d) que ainda que tal fato espelhe a realidade, da total impossibilidade econômica da recorrente, temos mais que, totalmente injurídico o lançamento de multa baseada unicamente em depósitos bancários; e) que este tipo de punição com base em presunções, terá que ter ampla comprovação que convença o julgador, da sua procedência e licitude; f) que a simples dedução de omissão de receita não prospera e cabe ao fisco investigar por outros meios, tais como o acréscimo patrimonial, sinais exteriores de riqueza, tanto da empresa como dos sócios, fatos que não foram demonstrados; g) que as aplicações de sanções não podem ter como base a presunção, ela depende do mínimo de prova que obrigatoriamente deve ser produzida pelo fisco, daí, a razão pela qual nossos Tribunais julgam descabido o lançamento de multa de Imposto de Renda, pelo fisco, por presunção em extratos bancários; h) que, ante o exposto, espera e requer seja este apensado ao recurso interposto nos autos do Processo nº 13802.000485/97 35, por conexão e que sejam julgados simultaneamente, assim, com o julgamento de nulidade do referido processo, este, como acessório, igualmente será julgado nulo. O Processo nº 13802.000485/9735 foi julgado por esta 2ª TO, tendo o Relator, Conselheiro Waldir Rocha, proferido o seguinte voto (Acórdão 1302001.261): “O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de autuação de IRRF incidente sobre receitas omitidas, com base no art. 44 da Lei nº 8.541/92. Com base nas omissões, foram também lavrados autos de PIS e COFINS, como Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 reflexos, neste mesmo processo 13802.000485/9735 – IRRF (fls. 713 e segs.) – PIS (fls. 741 e segs) – COFINS (fls. 727 e segs.). Protesta a recorrente que as receitas tidas por omitidas teriam sido apuradas pelo Fisco por presunção, sem base legal, com fulcro exclusivamente em depósitos bancários. Compulsando os autos, é de se concluir que isto foi o que, de fato, ocorreu. Após a extensa descrição dos fatos no Relatório Fiscal, eis a conclusão do AuditorFiscal, à fl. 707 (item 14 do Relatório Fiscal, grifos no original): 14 – Diante de todo o exposto, entendemos, como originados de vendas, realizadas pela epigrafada, e não escrituradas, os valores dos depósitos e cobranças bancárias, que superam as receitas escrituradas, mencionadas nos documentos de fls. 64/138, 268/555 e 563/616, (resumidos as fls. 265/267) como segue: É bem verdade que o procedimento fiscal teve origem em denúncia (fls. 9 e segs.) oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra os sócios da empresa ora recorrente. Não obstante, tão somente três cheques, emitidos pela Indústria Plástica Azulplast Ltda. para pagamento de mercadorias recebidas ao abrigo de notas fiscais tidas por inidôneas, emitidas por Placifer Comercial Ltda., três cheques, repito, foram emitidos nominalmente à Plast Bena e depositados em sua contacorrente. Não encontro nos autos o resultado dessa denúncia, nem qualquer outro documento que demonstre que as vendas teriam sido feitas, de fato, pela Plast Bena, tratandose a Placifer de mera interposta pessoa. Ao fim e ao cabo, diante dos três cheques mencionados e da ausência de maiores esclarecimentos, a autuação foi feita considerandose a movimentação bancária de três anos (1993, 1994 e 1995), totalizada mensalmente (apenas depósitos e cobranças bancárias), e comparada às receitas escrituradas. Os excessos foram tidos como omissão de receitas, sendo importante registrar que não identifiquei, no extenso Relatório Fiscal (fls. 689 e segs. da sequência do sistema eprocesso), a base legal para que tais diferenças pudessem ser imputadas a receitas omitidas. A decisão recorrida manteve a acusação de omissão de receitas (fl. 863 do eprocesso) com base no art. 181 do RIR/80, verbis: Art. 181. Provada por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decretoslei nºs 1.598/77, art. 12, § 3°, e 1.648/78, art. 1°, II). Pareceme frágil tal sustentação. Diante dos fatos descritos, por certo que há indícios da existência de omissão de receitas, mas o dispositivo Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13802.000481/9784 Acórdão n.º 1302001.519 S1C3T2 Fl. 190 5 em epígrafe prevê que a receita omitida seria arbitrada com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa pelas pessoas ali especificadas, o que não ocorreu no caso concreto. Não é demais lembrar que, à época dos fatos geradores (anoscalendário 1993, 1994 e 1995) ainda não estavam em vigor as disposições do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tenho, assim, que a conclusão do Fisco acerca de receitas omitidas não se deu por presunção legal (quando restaria invertido o ônus da prova), mas por presunção simples. E assim sendo, o ônus de provar é do Fisco, ainda que tal prova se pudesse fazer pela reunião de indícios, variados, fortes e convergentes, que pudessem firmar a convicção do julgador. Não é o que ocorre aqui. Os três cheques, depositados na conta da interessada, ainda que à míngua de justificativa comprovada, são insuficientes para que se possa afirmar que a movimentação bancária de três anos decorre de vendas não escrituradas. Insubsistente a omissão de receitas, não se há de cogitar da cobrança sobre esses valores do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) nem das contribuições para o PIS e a COFINS. Voto, pois, pelo provimento do recurso voluntário, cancelandose integralmente os lançamentos.” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 53, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, ressalto que o lançamento fiscal em tela se originou do mesmo procedimento de fiscalização que deu origem aos lançamentos do IRRF, Cofins e PIS, objeto do PAF nº 13802.000485/9735, pois o Termo de Início de Fiscalização a fls. 3 destes autos, informa que a fiscalização do IPI foi determinada pela mesma Ficha Multifuncional (nº 96.01096) que deflagrou a fiscalização daqueles tributos. Não obstante estejamos diante da mesma situação fática já apreciada por esta Turma, em decisão da qual eu acompanhei o voto do Relator, o presente caso guarda certa peculiaridade, qual seja, o enquadramento legal do auto de infração, específico para o IPI, mormente, quando verificamos que a principal razão para o provimento do recurso voluntário, nos autos do PAF nº 13802.000485/9735, foi que, à época dos fatos geradores (anos calendário 1993, 1994 e 1995) ainda não estavam em vigor as disposições do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o que fez com que o Relator concluisse o seguinte: “Tenho, assim, que a conclusão do Fisco acerca de receitas omitidas não se deu por presunção legal (quando restaria invertido o ônus da prova), mas por presunção simples. E assim sendo, o ônus de provar é do Fisco, ainda que tal prova se pudesse fazer pela reunião de indícios, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 variados, fortes e convergentes, que pudessem firmar a convicção do julgador. Não é o que ocorre aqui. Os três cheques, depositados na conta da interessada, ainda que à míngua de justificativa comprovada, são insuficientes para que se possa afirmar que a movimentação bancária de três anos decorre de vendas não escrituradas.”. Assim, entendo que devemos analisar o enquadramento legal do auto de infração do IPI, para, então, verificar se as conclusões acerca do lançamento do IRRF, acima transcritas, se aplicam ao lançamento do IPI, ora sub examine. A fls. 45, consta o enquadramento do auto de infração do IPI, qual seja: Artigos 55, I, "b” e II, "c” e 107, II, c/c 343, parágrafo 2º ; 29, II; 112, IV e 59, todos do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981/82. Vejamos, então, como dispõe o art. 343, § 2º, do RIPI/82: “Art. 343. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502/64, art. 108). .......................................................................................................... § 2º – Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior (Lei nº 4.502/64, art. 108, § 2).” Note que a inteligência do dispositivo acima transcrito parte da premissa de que a receita omitida resta provada, ainda que pela via indireta da presunção. Ou seja, a presunção legal criada pelo § 2º acima transcrito é no sentido de que, provada a existência de receita omitida – indício, presumese que tal receita seja originada de venda não registrada, logo tributada pelo IPI (logicamente, desde que o contribuinte seja um industrial ou equiparado). No caso em tela, entretanto, como bem salientou o Relator do Acórdão 1302 001.261, Conselheiro Waldir Rocha, não há, nos autos, documento que demonstre que as vendas teriam sido feitas, de fato, pela Plast Bena, tratandose a Placifer de mera interposta pessoa. A autuação foi feita considerandose a movimentação bancária de três anos (1993, 1994 e 1995), totalizada mensalmente (apenas depósitos e cobranças bancárias), e comparada às receitas escrituradas, sendo que os excessos foram tidos como omissão de receitas, mas o Relatório Fiscal não informa a base legal para que tais diferenças pudessem ser imputadas a receitas omitidas. A conclusão do Fisco acerca de receitas omitidas se deu por presunção simples, logo, o ônus de provar era do Fisco. Ocorre que os três cheques, depositados na conta da recorrente, ainda que à míngua de justificativa comprovada, são insuficientes para que se possa afirmar que a movimentação bancária de três anos decorre de vendas não escrituradas. Por todos esses motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13802.000481/9784 Acórdão n.º 1302001.519 S1C3T2 Fl. 191 7 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13227.720395/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE.
Matéria de ordem pública pode ser analisada de ofício e a qualquer tempo, desde que instaurado o litígio, o que ocorre por meio da apresentação tempestiva da impugnação. Incabível a apreciação de alegada matéria de ordem pública quando não conhecida a impugnação, por intempestividade.
IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA, POR INTEMPESTIVIDADE. LIMITES DA MATÉRIA A SER APRECIADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO.
Cabe à Turma julgadora administrativa de segunda instância apreciar tão- somente a matéria trazida no recurso voluntário relativa à tempestividade da impugnação, não devendo ser conhecido o recurso na parte que extrapole a questão apreciada em primeira instância. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso negado.
Numero da decisão: 3202-001.018
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Matéria de ordem pública pode ser analisada de ofício e a qualquer tempo, desde que instaurado o litígio, o que ocorre por meio da apresentação tempestiva da impugnação. Incabível a apreciação de alegada matéria de ordem pública quando não conhecida a impugnação, por intempestividade. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA, POR INTEMPESTIVIDADE. LIMITES DA MATÉRIA A SER APRECIADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Cabe à Turma julgadora administrativa de segunda instância apreciar tão- somente a matéria trazida no recurso voluntário relativa à tempestividade da impugnação, não devendo ser conhecido o recurso na parte que extrapole a questão apreciada em primeira instância. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso negado.
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente TSA AMAZÔNIA LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Matéria de ordem pública pode ser analisada de ofício e a qualquer tempo, desde que instaurado o litígio, o que ocorre por meio da apresentação tempestiva da impugnação. Incabível a apreciação de alegada matéria de ordem pública quando não conhecida a impugnação, por intempestividade. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA, POR INTEMPESTIVIDADE. LIMITES DA MATÉRIA A SER APRECIADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Cabe à Turma julgadora administrativa de segunda instância apreciar tão somente a matéria trazida no recurso voluntário relativa à tempestividade da impugnação, não devendo ser conhecido o recurso na parte que extrapole a questão apreciada em primeira instância. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 03 95 /2 01 2- 08 Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de lançamento de ofício em desfavor da contribuinte acima identificada referente ao períodos de apuração 01/01/2009 a 01/12/2009, em virtude de Omissão de Receita sujeita à contribuição para o PIS/PASEP incidência não cumulativa. Cientificada em 27/04/2012 (fls. 11/12) a interessada apresentou, em 04/06/2012, Impugnação (fls. 868/908) na qual alega que: a) A Impugnação é tempestiva; b) O lançamento é nulo, em virtude de cerceamento de seu direito de defesa pela falta de clareza do Auto de Infração; c) As receitas auferidas pela Defendente no ano de 2009, são decorrentes de operações de transporte junto a tradings, tais operações se encontram acobertadas pela suspensão determinada no inciso II do § 6.º do art. 40 da Lei n.º 10.865/2004. d) A Carta Magna em seu inciso I do § 2.º do artigo 149 trouxe a existência da imunidade da Contribuição Social sobre as receitas decorrentes de operação de exportação; e) A multa de 75% ultrapassa os limites da razoabilidade e enseja bitributação senão bis in idem, o que torna o tributo confiscatório, violando o art. 150, inciso IV da Constituição da República. Ao final requer: a) que sejam acolhidas as preliminares de cerceamento ao direito de defesa; b) “(...) a improcedência da Aça Fiscal, posto que não qualquer fato gerador da obrigação (...)”; c) em caráter alternativo a redução da multa aplicada.” A DRJBelém/PA não conheceu da impugnação (efls. 4.591/4.593), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A defesa apresentada fora do prazo legal não comporta julgamento quanto às alegações de mérito, vez que não caracteriza impugnação e não instaura a fase litigiosa do procedimento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 4.607/4.624), alegando, em síntese: Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.720395/201208 Acórdão n.º 3202001.018 S3C2T2 Fl. 4.635 3 que, mesmo tendo considerado a impugnação intempestiva, a DRJ deveria ter analisado a questão preliminar arguida, referente à alegação de cerceamento do direito de defesa perpetrado pelo Auto de Infração, visto tratarse de matéria de ordem pública, que deve ser conhecida de oficio e a qualquer tempo; reafirma a existência de nulidade do Auto de Infração, por cerceamento do seu direito de defesa. Aduz que a peça de autuação em nenhum momento identificou qual o fato gerador realizado que teria levado à incidência da contribuição social, impossibilitando a contribuinte, assim, de impugnar incisivamente a autuação. por outro lado, afirma que o período indicado no Auto de Infração, de janeiro a dezembro de 2009, é muito extenso, de modo que isso trouxe prejuízo à contribuinte para prestar as informações requeridas e também para impugnar as assertivas que lhes foram imputadas. No mais, repisa, praticamente, os mesmos argumentos de defesa trazidos na impugnação. Não há qualquer manifestação no sentido de demonstrar a tempestividade da impugnação oferecida. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Descabe razão à recorrente quando manifestase no sentido de que a preliminar de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, suscitada na impugnação, por se tratar de matéria de ordem pública, deveria ter sido analisada de ofício pela DRJ, mesmo tendo a contribuinte apresentado defesa extemporânea. A apresentação tempestiva da impugnação é que faz instaurar o litígio. Não sendo esta apresentada no prazo definido por lei, não restará qualquer litígio a ser apreciado, tampouco qualquer questão a ser conhecida de ofício, visto que não se tem por instaurada a competência concreta do órgão julgador, que a detém somente de maneira abstrata, mas que necessita do oferecimento tempestivo da impugnação para tornarse concreta. É certo que matéria de ordem pública pode e deve ser apreciada de ofício e a qualquer tempo, desde que, entretanto, tenhase instaurado o litígio, o que não ocorreu no caso ora em apreço, vez que a impugnação fora apresentada a destempo. A tempestividade constituise em requisito genérico de admissibilidade dos recursos e é questão de ordem pública, uma vez que a extemporaneidade da apresentação do recurso no caso, da impugnação faz com que se tenham por verdadeiros os fatos alegados pela autoridade fiscal na autuação. Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Neste sentido é o entendimento manifesto do STJ, conforme exemplifica a ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE DO ARESP. PRAZO DE 5 DIAS. SÚMULA 699/STF. PEDIDO DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA MERITÓRIA, DE OFÍCIO, PARA SUPERAR VÍCIO PROCEDIMENTAL NA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é pacífica no sentido de que, em se tratando de matéria criminal, o prazo para interposição de agravo contra decisão que não admite o especial é de 5 (cinco) dias. 2. A matéria encontrase sumulada na Suprema Corte, enunciado n..699, in verbis: "O prazo para interposição de agravo, em processo penal, é de cinco dias, de acordo com a Lei 8.038/90, não se aplicando o disposto a respeito nas alterações da Lei 8.950/94 ao Código de Processo Civil." 3. A possível dúvida que se instalara com a edição da Resolução n. 451/2010 do STF foi afastada e está agora formalmente esclarecida pela Resolução 472, de 18.10.2011, que acrescentou ao art. 1º ao parágrafo único. 4. A pretensão de se obter a apreciação, ainda que de ofício, de matéria de ordem pública, para que, superando vício procedimental na interposição do recurso, este Tribunal Superior examine matéria de mérito, mostrase, por certo, imprópria e inadequada. 5. Em outras palavras, o exame de questões de ordem pública, passíveis de análise em qualquer momento e grau de jurisdição, só se mostra possível, perante esta Corte Superior de Justiça, após o conhecimento, por este Tribunal, do respectivo recurso interposto pela parte. Precedentes do STJ. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp 283687 / MG Agravo Regimental nos Embargos de Declaração em Recurso Especial 2013/00229169.Rel. Min. Jorge Mussi. Julgamento de 14/05/2013) Assim, não tendo sido apresentada a impugnação dentro do prazo legal, não seria possível à DRJ examinar qualquer questão de ordem pública que tenha sido suscitada pela contribuinte na impugnação, vez que tal análise só seria cabível após o conhecimento da impugnação, restando possível à autoridade julgadora somente apreciar a questão referente à tempestividade daquela peça de defesa. Quanto a esta matéria, em sede de recurso voluntário, não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova, ou sequer um único argumento, para combater a intempestividade do oferecimento da impugnação declarada pela DRJ, restando, pois, convalidada extemporaneidade da impugnação oferecida e de todo acertada a decisão administrativa de primeira instância, que não a conheceu. Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13227.720395/201208 Acórdão n.º 3202001.018 S3C2T2 Fl. 4.636 5 Por outro lado, temse que as matérias trazidas no recurso voluntário que não se relacionam à extemporaneidade da impugnação e a seus efeitos não podem ser apreciadas por este Colegiado, visto que são devolvidas à instância ad quem apenas as matérias que foram objeto de decisão pela instância a quo. Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recuso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13896.912037/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 12 03 7/ 20 09 -3 3 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 430 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 431 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual, entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamentase no fato de que a data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais e contábeis do crédito, assevera que: i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu direito ao crédito pleiteado, junta planilha e cópias de contratos, fichas e documentos que comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado; ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo. iii) A DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação. iv) A retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor da contribuinte, motivo pelo qual qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ter sido iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia de Julgamento. v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras. vi) O despacho decisório e o acórdão recorrido cercearam o direito de defesa, por isso são nulos, ma vez que: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 432 4 a) o primeiro não lhe deu oportunidade para, em momento anterior a sua emissão, apresentar justificativas e documentação detalhadas e não contém fundamentação coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão. b) o segundo apresenta argumento até então não considerado, o de serem necessárias provas robustas sobre a verdade material, quando não seria mais possível apresentar tais provas. Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 433 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ambas as decisões estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que o despacho decisório contenha erro, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora não havia sido considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude do que se propõe no decorrer deste voto. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida via internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório em 01/02/2012. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 434 6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 435 7 Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado. O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403 001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Sobre os efeitos da anulação do despacho decisório O Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 436 8 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A distinção entre nulos e sanáveis mostra que o Decreto nº 70.235, de 1972, aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc. No caso deste processo, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode sanada. Em decorrência, propõese que a anulação do despacho decisório se opere com efeitos a partir desta decisão. Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal de origem proceder à nova análise do direito de crédito pleiteado com base na DCTF retificadora, inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 437 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas que teriam sido pagas a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tal procedimento é disciplinado em atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, a recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS a receita decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o contraditório e ampla defesa. Não obstante as alegações da recorrente, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.912037/200933 Resolução nº 3801000.636 S3TE01 Fl. 438 10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Registrese, por oportuno, que, apesar de não existir norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendolhe ofertada posteriormente essa oportunidade quando da instalação do contraditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de 1ª Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto das contribuições do PIS e da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 37083.000545/2005-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/07/2001, 31/03/2005
NULIDADE POR FALTA DE HABILITAÇÃO LEGAL
Matéria já sumulada por esta Corte - Simula nº 08, onde reduz a termo que o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
AUXÍLIO ESCOLAR
As bolsas de estudos concedidas pela empresa aos dependentes de seus empregados integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial.
ABONO SALARIAL
Somente a legislação é que estabelece e o que integra e o que não integra a base de cálculo tributária e suas exceções. Jamais um Convenção Coletiva de Trabalho irá determinar o que integra.
Quanto a habitualidade, da mesma forma a lei é que determina, e tem-se que o artigo 214, §9°, alínea 'j' e §10, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõem que não integram o saláriode--contribuição, os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por forca de lei;
No caso em tela a Recorrente não quer que integra a Bse de cálculo alegando que não havia a habitualidade e que foi determinado pela convenção coletiva de trabalho.
MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS.
Matérias não recorridas em recurso voluntário não há de ser apreciado se não se trata de matéria de ordem pública.
Julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente
Numero da decisão: 2301-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação a dependentes de segurados nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nestas questões; b) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que retificavam a multa; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do abono, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso nesta questão. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
Redator designado: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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AUXÍLIO ESCOLAR As bolsas de estudos concedidas pela empresa aos dependentes de seus empregados integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. ABONO SALARIAL Somente a legislação é que estabelece e o que integra e o que não integra a base de cálculo tributária e suas exceções. Jamais um Convenção Coletiva de Trabalho irá determinar o que integra. Quanto a habitualidade, da mesma forma a lei é que determina, e temse que o artigo 214, §9°, alínea 'j' e §10, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõem que não integram o salário— decontribuição, os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por forca de lei; No caso em tela a Recorrente não quer que integra a Bse de cálculo alegando que não havia a habitualidade e que foi determinado pela convenção coletiva de trabalho. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Matérias não recorridas em recurso voluntário não há de ser apreciado se não se trata de matéria de ordem pública. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 08 3. 00 05 45 /2 00 5- 76 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação a dependentes de segurados nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nestas questões; b) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que retificavam a multa; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do abono, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso nesta questão. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Redator designado: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37083.000545/200576 Acórdão n.º 2301003.801 S2C3T1 Fl. 10 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para formalização da exigência de Contribuição Previdenciária incidente sobre salários pagos sob forma de auxilio educação e abono salarial, não declarados em GFIP e não recolhidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, acrescidos de juros de mora, apurados com base nas folhas de pagamentos, GFIP, Guias da Previdência Social — GPS, Guia de Recolhimento para Terceiros, Livros Diário e Razão, recibos de pagamentos de salários, Estatuto Social e Atas de Assembléias da Companhia. De acordo com o Relatório da NFLD, o débito referese a contribuições dos segurados (não descontadas), patronais, seguro acidente do trabalho e terceiros, não recolhidas aos cofres públicos nos prazos legais. Regularmente intimada apresentou impugnação com suas razões, cujas quais foram suficientes para mudarem tão somente a questão do auxilio à educação dos empregados e dirigentes que atenda aos requisitos de universalidade de acesso e não constitua substituição de parcela salarial, onde, entendeu a decisão de piso, estão cobertos pela excepcionalidade da alínea "t" do §9° do Art. 28 da Lei n° 8.212/91. Portanto, a decisão singular entendeu que, com exceção dos auxílios pagos aos dependentes, os demais estão amparados pela legislação, não incidindo contribuição previdenciária. Em 29.OUT.2008 foi intimada da decisão e em 24.NOV.2008 interpôs o presente recurso, alegando: i) nulidade por falta de habilitação legal; ii) do auxílio escolar; iii) do abono salarial. Eis a síntese do necessário. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. i)NULIDADE POR FALTA DE HABILITAÇÃO LEGAL Matéria já sumulada por esta Corte, cuja qual me rendo à sua supremacia e sigo a sua inteligência. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Assim, sem razão a Recorrente. ii) DO AUXÍLIO ESCOLAR A legislação previdenciária sempre foi muito rigorosa quanto alguns benefícios que as empresas davam aos seus empregados, entre ela o salário educação, onde, em regra geral incidia contribuição previdenciária neste benefício. Hodiernamente, diante do evento da publicação da Lei n° 12.513/2011, que alterou o art. 28, § 9º, alínea "t", da Lei n° 8.212/1991, onde estabelece que não mais integra o salário de contribuição para fins de contribuição previdenciária o benefício de educação, conforme mencionado abaixo: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: .. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: .. t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;" Fl. 611DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37083.000545/200576 Acórdão n.º 2301003.801 S2C3T1 Fl. 11 5 Urge dizer ainda que o art. 18, § 6º da Lei nº 8.036/1990, que trata dos depósitos mensais do FGTS, não se incluem na remuneração do empregado as parcelas elencadas no citado § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. ‘In verbis’: "Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. .... § 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998)" Desta forma, assiste razão a Recorrente, pelas conclusões a não inserção de contribuição previdenciária nas verbas pagas à título de auxílio escolar, cuja qual não incide por conta de novel legislação, mas não por força de obrigação em CCT. iii) ABONO SALARIAL A Recorrente se rebela contra a incidência de contribuição previdenciária em abono salarial ou abono especial, eis que determinado pela CCT. Entretanto, enganado está, eis que só a legislação é qeu estabelece o que integra e o que não integra a base de cálculo tributária e suas exceções. Ademais, uma convenção coletiva de trabalho é o que frente a legislação? Instrumento corporativo, modificativo ou substitutivo? Talvez corporativo, se o que contratado não afrontar a lei, incorporandose ao ordenamento jurídico. No ordenamento tributário o CTN determina que somente a lei poderá instituir, extinguir, majorar, reduzir, definir fato gerador ou modificar sua base de cálculo, segundo inteligência do artigo 97, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .... IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto no artigo, 21, artigo 26, artigo 39, artigo 57 e artigo 65; .... § 1º Equiparase à majoração do tributo, a. modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. ... Fl. 612DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Logo, para criar exceção a base de cálculo é necessária que a lei o faça, não podendo um acordo coletivo legislar sobre a base dc incidência das contribuições previdenciárias. Referente a habitualidade, temse que o artigo 214, §9°, alínea 'j' e §10, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõem que: Art. 214. (.) § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por forca de lei; § 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Assim, da mesma forma somente a legislação é que irá dispor sobre ganhos eventuais, a fim de excluílos da base de cálculo da contribuição. Não havendo previsão legal, ou se previsto em lei mas pagos em desacordo com a mesma, tais parcelas integram a remuneração do empregado, constituindo base de cálculo da contribuição previdenciária. Sem razão a Recorrente. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: Fl. 613DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37083.000545/200576 Acórdão n.º 2301003.801 S2C3T1 Fl. 12 7 “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se Fl. 614DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Fl. 615DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37083.000545/200576 Acórdão n.º 2301003.801 S2C3T1 Fl. 13 9 Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, eis que há de serem excluídos da base de cálculo os auxílios educação, mantendose as demais exações de acordo com a decisão de piso. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Voto Vencedor Bernadete de Oliveira Barros Redatora Permitome divergir do entendimento do Relator de que as bolsas de estudo concedidas pela recorrente aos dependentes dos seus empregados não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 De fato, conforme disposto na alínea “t”, do citado § 9º, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Não há dúvidas de que o pagamento de bolsas de estudo aos dependentes dos empregados não está incluído nas hipóteses de isenção previstas na referida letra “t” do § 9º, art. 28, Lei 8.212/91, compondo, portanto, o saláriodecontribuição. O custeio da educação dos filhos dos empregados pela empresa representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária Nesse sentido, voto por manter os valores relativos às bolsas de estudo dos dependentes dos empregados na base de cálculo da contribuição previdenciária e, conseqüentemente, na NFLD em tela. É como voto. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 26 /11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001697/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FONTE PAGADORA.
Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), deve-se exonerar o contribuinte da exigência fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis.
Numero da decisão: 2201-002.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica).
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FONTE PAGADORA. Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), deve-se exonerar o contribuinte da exigência fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FONTE PAGADORA. Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), devese exonerar o contribuinte da exigência fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 16 97 /2 01 0- 86 Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica). Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1189/1209, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.315.062,70. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: É atribuição da autoridade administrativa verificar a real ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e determinar a matéria tributável, pois “o lançamento se constitui em instrumento de averiguação de fatos tendo o sentido de identificar matéria de interesse à tributação”, porém, o ato administrativo combatido “ofende seus pressupostos ao inferir situação que reputa própria de Imposto sobre a Renda que, em verdade, a ele não se afeiçoa”; O ato administrativo afastase “das balizas da neutralidade e atochase exigência exagerada, eis que desmedida, muito superior ao razoável, fruto de presunção e manifestamente confiscatória”; O valor recebido da Brasilprev – Seguros e Previdência S.A. se refere a resgate antecipado de benefício de plano de previdência privada e foi tributado exclusivamente na fonte em razão da Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11634.001697/201086 Acórdão n.º 2201002.436 S2C2T1 Fl. 3 3 opção do contribuinte, na forma dos arts. 1º e 2º da Lei nº 11.053/2004; A Fiscalização ignora o regime adotado pelo impugnante para a tributação da atividade rural, demonstrando incoerência no procedimento adotado em face da dualidade ou multiplicidade de entendimento pois, ao proceder a soma dos valores das Notas Fiscais de Produtor à exigência decorrente dos valores dos extratos bancários, a Fiscalização desprezou a natureza destes recursos; Ao admitir as Notas Fiscais de Produtor como prova do fato gerador e desconsiderar a natureza de atividade rural do rendimento, a Fiscalização acabou por adotar o princípio da divisibilidade da prova, ou seja, diante de um conjunto de fatos que se comunicam, acatou o que lhe seria benéfico e recusou o que lhe seria contrário, tal conduta é inadmissível no plano do direito positivo, uma vez que a prova, no caso as Notas Fiscais que totalizam R$ 23.320,00, faz parte de um contexto indissociável e a contabilidade do contribuinte, conhecida do Fisco, não pode ser desconsiderada; O impugnante protesta pela apresentação de sua contabilidade a fim de evidenciar que a base de cálculo apurada pela Fiscalização não pode ser admitida; Ressalta ainda que está presente no valor comercial da produção rural a contribuição social sobre o valor mercantil do produto e este deve ser sumariamente excluído da incidência do IR pois se trata de valor que, na composição do preço do produto rural, tem destinação certa e préestabelecida; Protesta pela produção de provas no sentido de demonstrar que os elementos compulsados e adotados no lançamento são frágeis e pecam pela inserção de elementos estranhos a espécie que se cuida, e, subsidiariamente, protesta pela produção de razões complementares, requerendo produção de prova pericial; A providência administrativa mostrase despropositada diante da dualidade de tratamento, uma vez que o impugnante sofreu, para mesmo exercício, sujeição de exigência de crédito tributário na modalidade de pessoa jurídica, inscrito ex officio (CNPJ 12.824.442/000131), com base em mesma natureza, ou seja, depósitos e créditos em conta corrente bancária e, ao aplicar para alguns valores a regra de tributação na pessoa física e em outros a de atividade econômica habitual na pessoa jurídica, a fiscalização constituiu crédito tributário manifestamente exagerado e indevido; A medida fiscal é insegura, pois o Auto de Infração está sustentado em infundada presunção e, conforme entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, “o simples indício de créditos ou depósitos em conta corrente não são suficiente para a atribuição de omissão de receitas, a1) porque é indispensável examinar a natureza específica dos mesmos, e a2) exige comprovação da receita consumida com a variação patrimonial, em face da Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 aquisição disponibilidade econômica de renda ou de proventos, sendo indispensável à constituição incontroversa do nexo causal entre o depósito (crédito) e o fato que represente omissão de rendimentos”; Protesta, novamente, “pela produção de todas as provas para a dissecação da natureza dos depósitos e evidenciação de que o I. não esposa variação patrimonial, consectária da disponibilidade econômica de renda ou proventos”, bem como produção de prova pericial; A multa aplicada é ilegal, abusiva e fere o princípio do não confisco; É inadmissível a atualização do valor das operações que serviram de base de cálculo da multa, devendo ter como “marco inicial a diligência fazendária dentro do conceito da atividade vinculada que é o lançamento”. 7. Conclui requerendo cancelamento da medida fiscal e, novamente, solicitando produção de razões adicionais e de prova pericial. A 6ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Provado nos autos que o contribuinte auferiu rendimento em decorrência do exercício da atividade rural e não o ofereceu à tributação, na forma da lei, procedese, de ofício, ao respectivo lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Estabelecida a presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação constitucional ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação. JUROS DE MORA. DIRPF. TERMO INICIAL. Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11634.001697/201086 Acórdão n.º 2201002.436 S2C2T1 Fl. 4 5 O termo inicial para fluência dos juros sobre o imposto de renda sujeito ao ajuste anual ocorre após o término do prazo estabelecido para a entrega da declaração de rendimentos. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia destinase à formação da convicção do julgador quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 23/01/2013, por meio do Edital 003/2013, afixado em 07/01/2013 (fl. 3351), Aparecido Domingues dos Santos apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário em 18/02/2013 (fls. 3353 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta segunda instância, ao lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, penso que assiste razão ao recorrente. Analisando detidamente o extrato do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB), fl. 3218, verificase que o valor de R$ 17.556,21, com o IRRF de R$ 2.633,43 (15%), referese a resgate de plano de previdência privada da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, CNPJ 27.665.207/000131. Da análise do documento é possível inferir que a fonte pagadora, por erro, consignou na DIRF o cód. 0561 (trabalho assalariado). Ademais, do exame da DIRPF/2005, fls. 3372, constatase que o contribuinte não se beneficiou do IRRF no valor de R$ 2.633,43. Portanto, apesar de não constar expressamente na DAA, quadro rendimento tributado exclusivamente na fonte, a opção do recorrente foi por considerar o rendimento da Brasilprev como exclusivo na fonte, na forma da Lei nº 11.053/2004, regulamentada pela Instrução Normativa nº 588/2005: Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Lei 11053/2004 Art. 1o É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. Instrução Normativa 588/2005 Tributação de resgates e benefícios beneficiário optante Art. 13. É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1º de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda, exclusivamente na fonte, às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11634.001697/201086 Acórdão n.º 2201002.436 S2C2T1 Fl. 5 7 V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. (...) Ante a esses argumentos, não deve subsistir o lançamento a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Omissão de Rendimentos da Atividade Rural No que tange à omissão de rendimentos da atividade rural, compulsandose o Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, fl. 3305, constatase que o recorrente apurou o resultado da atividade rural pela diferença entre as receitas e as despesas. Portanto, não é o caso de se utilizar o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento, conforme prevê o art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 – Decreto nº 3000/1999: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei n° 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei n° 9.250, de 1995, art. 18, § 1°). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei n° 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei n° 9.250, de 1995, art. 18, §3°). § 4° É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5° O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7° O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. (grifei) Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Pelo que se vê, o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento deverá ser utilizado nos casos de falta de escrituração do livro caixa. Entretanto, não é o caso dos autos, pois a fiscalização considerou como regular a escrituração do livro caixa, tanto que manteve integralmente as despesas ali consignadas, conforme se observa às fls. 3375/3376. Assim, como o recorrente apurou o resultado da atividade rural pela diferença entre as receitas e as despesas dessa atividade, inviável aplicar o arbitramento da base de cálculo à razão de 20% sobre a omissão de rendimentos da atividade rural. Por fim, como não houve glosa de despesa escriturada no livro caixa, o valor da contribuição social, que compõe o preço do produto rural, foi considerada como dedução da receita. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada A autoridade fiscal constituiu a exigência com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Passando às questões pontuais de mérito, alega o recorrente que “... proveniente do mesmo Mandado de Fiscalização sofreu, para o mesmo exercício, sujeição de exigência de crédito tributário na modalidade de pessoa jurídica, inscrito ex officio, com base em idêntica natureza, ou seja, movimento em conta corrente bancária”. Assevera ainda que os depósitos bancários desacompanhados de elementos fáticos não podem ser considerados renda tributável, pois tais valores podem resultar de atividade não sujeita ao imposto ou de valores já tributados. Por fim, afirma que atuava como intermediário no comércio com suínos e que recebia apenas uma comissão entre 1,0 a 1,5%, portanto não é lícito tributar o valor integral do depósito bancário. Quanto à alegação de que recebia apenas uma comissão entre 1,0 a 1,5% sobre a intermediação no comércio de suínos, verifico, pois, que o contribuinte juntou em seu recurso planilhas de controle recebimento, notas fiscais de produtor rural e declaração desses mesmos produtores informando que atuou como “intermediário comissionado” na entrega de animais a frigoríficos e abatedouros, além de receber os valores devidos em nome dos declarantes. Contudo, analisando detidamente a planilha intitulada “Controle Recebimento e Repasse Cargas Frigorífico Estrela e Repasse de Valores para Produtores”, fls. 3642/3663, verificase que os valores referemse ao anocalendário de 2007, portanto diferente do ano objeto da exação (2005). No que tange à planilha “Controle Recebimento e Repasse Cargas Frigorífico Jorge Basso”, fls. 3664/3667, relativo ao ano calendário 2005, constatase que os valores indicados nos documentos foram considerados como comprovado pela autoridade Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11634.001697/201086 Acórdão n.º 2201002.436 S2C2T1 Fl. 6 9 fiscal às fls. 3281/3282. Nesse caso, embora tenha destacado nas planilhas uma comissão entre 1,0 a 1,5% sobre as notas fiscais, penso que o documento produzido pelo contribuinte, por si só, não é apto a comprovar o valor recebido a esse título, já que representa apenas indícios de suas alegações, cuja validade necessita de provas adicionais para descaracterizar a autuação. Em que pese a grande quantidade de documentos carreados, cumpre deixar assentado que a comprovação, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, a entrada do recurso em seu movimento bancário. Portanto, há necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita a comprovar vários créditos em conta. Frisese ainda que quando não está presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis. Ademais, não há como acolher a alegação da defesa de que os depósitos bancários de origem não comprovada foram tributados na pessoa jurídica, já que o recorrente não logrou comprovar essa ocorrência. Ressaltese que a inexistência de acréscimo patrimonial não tem o condão de refutar a presunção legal de omissão de rendimentos ora analisada. Portanto, não há como afirmar que os valores analisados neste Auto de Infração se originaram em atividade econômica habitual capaz de equiparar o contribuinte à pessoa jurídica, eis que, vale repisar, a origem dos depósitos não foi comprovada. Por fim, a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, bem como as inúmeras jurisprudências colacionadas em sua peça recursal, são absolutamente inaplicáveis, visto que a matéria foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Ante a todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência o item 1 do auto de Infração Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11634.001697/201086 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.436. Brasília/DF, 16 de julho de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11634.001697/201086 Acórdão n.º 2201002.436 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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