Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10660.720894/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Da decisão definitiva de primeira instância cabe recurso voluntário, recurso de oficio ou correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculos existentes no acórdão, nos termos dos art. 33, 34 e 32 do Decreto nº 70.235/72, respectivamente. Não é possível a anulação do acórdão pela própria DRJ que exauriu seu ofício ao proferir sua decisão.
CONTROLE DE LEGALIDADE. O controle de legalidade previsto na Súmula 473 do STF deve ser exercido, no âmbito do processo administrativo, de acordo com os procedimentos previstos em leis específicas, que devem ser obedecidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 15/05/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Da decisão definitiva de primeira instância cabe recurso voluntário, recurso de oficio ou correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculos existentes no acórdão, nos termos dos art. 33, 34 e 32 do Decreto nº 70.235/72, respectivamente. Não é possível a anulação do acórdão pela própria DRJ que exauriu seu ofício ao proferir sua decisão. CONTROLE DE LEGALIDADE. O controle de legalidade previsto na Súmula 473 do STF deve ser exercido, no âmbito do processo administrativo, de acordo com os procedimentos previstos em leis específicas, que devem ser obedecidos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10660.720894/2009-84
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5251029
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-001.548
nome_arquivo_s : Decisao_10660720894200984.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
nome_arquivo_pdf_s : 10660720894200984_5251029.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4872435
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804669730816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 122 1 121 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720894/200984 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.548 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria ITR Recorrente KONRAD ALBERT LAPIERRRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Da decisão definitiva de primeira instância cabe recurso voluntário, recurso de oficio ou correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculos existentes no acórdão, nos termos dos art. 33, 34 e 32 do Decreto nº 70.235/72, respectivamente. Não é possível a anulação do acórdão pela própria DRJ que exauriu seu ofício ao proferir sua decisão. CONTROLE DE LEGALIDADE. O controle de legalidade previsto na Súmula 473 do STF deve ser exercido, no âmbito do processo administrativo, de acordo com os procedimentos previstos em leis específicas, que devem ser obedecidos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 08 94 /2 00 9- 84 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 2 Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado em 09/11/2009, Auto de Infração (fls.01/03) para exigir crédito tributário de ITR, exercício de 2004, no montante total de R$ 106.735,84, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 04/01/2009, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Santa Tereza das Posses" (NIRF nº1. 543.9216), com área total é 9.588,8ha., localizado no Município de Itanhandu/MG. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.03), que acompanha o auto de infração, foi elevado, com base na Tabela SIPT, na qual consta apenas valor médio da região, sem a informação de aptidão agrícola (fls.12), o valor do VTN de R$9.958,65 para R$1.332.531,20 e glosada integralmente a área declarada de Preservação Permanente de 403,3ha. O AR de intimação do contribuinte foi extraviado, conforme informação contida nas fls.42: “O AR referente à Notificação de Lançamento de fl. 1 foi extraviado. Juntouse então Lista de Postagem com AR desta delegacia, fl. 13 e tela Correios, fl. 14, as quais comprovam as datas de Postagem, 23/11/09 e Entregue (ciência do contribuinte), 26/11/09.” Em despacho posterior, fls.45, a Agência da Receita Federal do Brasil em São Lourenço determinou o envio do processo para SACAT de Varginha, consignando: “Considerando a impugnação como intempestiva em contagem de prazo baseada nas informações do despacho de fls. 42, proponho o envio do presente processo A. SACAT / DRF / VAR / MG para prosseguimento.” Ao analisar o processo, a SACAT da Delegacia da Receita Federal em Varginha consignou na Informação Fiscal de fls.48, o seguinte entendimento: O AR SUCOP referente à Notificação de Lançamento N°06106/00017/2009 ITR 2004 (fls. 01 a 05), emitido em 07/11/2009 (fl.16), postado nos Correios no mesmo mês (novembro de 2009 fls.17), e extraviado fl.46) está, pois, nesta situação "extraviado" há mais de 90 dias, sem a ciência do contribuinte. Conforme o Manual de formalização, preparação, apreciação, julgamento e movimentação do processo administrativo tributário MAPROC: "Não havendo comprovação no processo da data da ciência ao Auto de Infração, a impugnação interposta deverá ser considerada tempestiva" Destarte, fazse mister considerar ciente o contribuinte na data do protocolo da impugnação (fl.18), qual seja, 06/01/2010. Portanto, sendo tempestiva a impugnação, proponho o encaminhamento dos autos do presente processo à DRJ BSA Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 123 3 (BRASÍLIA)DF, para apreciação da impugnação total apresentada pelo(a) interessado(a). DA IMPUGNAÇÃO Assim, não localizado o Aviso de Recebimento AR de intimação do contribuinte, a impugnação de fls.18/27, acompanhada dos documentos de fls.28/39, foi considerada tempestiva (fls.47). Na peça impugnatória apresentada, o contribuinte alega em apertada síntese: § A maior parte do imóvel localizase na Mata Atlântica e nos locais mais altos da Serra da Mantiqueira; § A desnecessidade do ADA para exclusão das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente, pois devido a natureza das terras, sua vegetação e relevo, não se pode atribuir às mesmas qualquer valoração econômica, sendo completamente descabido o lançamento suplementar; § O VTN apurável deve ser considerado o de mercado, excluindo aqueles valores relativos a construções e benfeitorias, florestas plantadas, etc., como supramencionado; § Para comprovar suas alegações requer perícia técnica. Cabe ressaltar que o contribuinte não apresenta qualquer laudo para comprovar a área de preservação permanente declarada, tampouco o valor do VTN utilizado. DA PRIMEIRA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente a impugnação para considerar nulo o crédito tributário, nos termos do Acórdão DRJ/BSB n°0337.446 de 16 de junho de 2010, fls.50/56, em decisão assim ementada: ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – DECADÊNCIA. No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Impugnação Procedente.” Em 08/07/2010, o processo foi encaminhado a ARF/São Lourenço para ciência do contribuinte. Em 20/07/2010, foi enviada ao contribuinte correspondência de fls 59 encaminhando cópia do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que extingue totalmente o lançamento”. Essa correspondência retornou, com a informação de “não procurado” no AR (fls.60). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 4 Em email trocados pelos agentes da Receita Federal ficou confirmado que o contribuinte não foi devidamente intimado da decisão, pois apesar do envelope estar etiquetado para o contribuinte, a documentação dentro do envelope referiase a outra contribuinte (fls.64). Em 19/10/2010, a Agencia da Receita Federal em Varginha encaminhou ao chefe da SRF/São LourençoMG, “Aviso de Recebimento — AR para juntada aos processos de Notificações de Lançamento Malha FiscalIR de nº 10660.720894/200984, 10660.720896/200973 e 10660.720902/200992, em nome do contribuinte KONRAD ALBERT LAPIERRE HEILMAN, CPF n° 004.842.56726, que se encontram nessa Agência” (fls.61/63). Em 27/09/2010, foi acostada às fls.75/76, Informação Processual, com seguinte teor: “INFORMAÇÃO PROCESSUAL Tratase o presente processo de notificação de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural relativo ao exercício de 2004 lavrada contra o interessado identificado em epígrafe; A fim de atestar a tempestividade da impugnação de fls. 18/40 apresentada pelo contribuinte, encaminhamos em 05/03/2010 o processo A. Seção de Fiscalização da Delegacia da RFB em Varginha/MG (SAFIS/DRFNAR/MG), fls. 41. Em resposta, fls. 42, a SAFIS nos devolveu o presente processo com a informação de que o AR relativo à notificação de lançamento foi extraviado, mas que a data da ciência do contribuinte se deu em 26/11/2009 em conformidade com o rastreamento do Aviso de Recebimento (A R) no sitio dos Correios, fls. 14; Ato continuo, concluímos pela intempestividade da impugnação e o encaminhamos Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da RFB em Varginha/MG (SACAT/DRFNAR/MG) para possível revisão do lançamento, fls. 45; De acordo com a Informação Fiscal DRFNAR/SACATMG N° 371/2010, fls. 48, aquela seção considerou que a impugnação fora tempestiva e encaminhou o processo para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia (DRJ/BSA/DF) para julgamento, fls. 48; Em 16/06/2010, foi proferido o Acórdão n° 0337.446 pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia DRJ/BSB, que, em suma, julgou por unanimidade a impugnação procedente e o crédito tributário consubstanciado na notificação de lançamento nulo pelo motivo de decadência. Em seu voto, o relator tomou conhecimento da impugnação considerandoa tempestiva pelo extravio do A R e considerou que por ter o contribuinte tomado ciência da notificação do lançamento em 06/01/2010, o lançamento tornouse perfeito e acabado nesta data, tornandose, portanto, decadente; O processo nos foi devolvido para darmos ciência ao contribuinte do Acórdão citado. Em 20/07/2010, encaminhamos através da Comunicação 0188/2010, fls. 59, o referido Acórdão para o endereço do contribuinte. Em 03/08/2010, os Correios Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 124 5 nos devolveram a comunicação postada, fls. 60, sem a devida ciência do interessado. Reencaminhamos a citada Comunicação ao interessado, que foi recebida em 12/08/2010, conforme A. R. de fls. 63. Em 26/08/2010, fomos comunicados pela Eqefic/DRF/RJ1 que o interessado devolveu a correspondência recebida Aquela Equipe informado que o conteúdo da correspondência era a carta cobrança 038/2010, em nome de Maria de Lourdes Gomes do Amaral. Entramos em contato com a contribuinte Maria de Lourdes Gomes do Amaral que nos devolveu a correspondência recebida por ela, onde detectamos o erro cometido no envio da correspondência e o sanamos, fls. 64/74, sendo assim certificamos que o interessado não tomou ciência do Acórdão n° 0337.446; Em 24/08/2010, recebemos o Memorando n° 223/2010/DRFVAR/SAFIS de 19/08/2010 emitido pela Seção de Fiscalização da Delegacia da RFB em Varginha/MG (SAFIS/DRFNAR/MG) encaminhando o A R relativo à notificação de lançamento que anteriormente fora considerado extraviado pela citada Seção, fls. 61/62; Verificase pelo A R de fls. 62 que a ciência do contribuinte realmente se deu em 26/11/2009, o que torna, SMJ, a impugnação intempestiva e o lançamento perfeito e acabado antes da ocorrência do prazo decadencial (30/12/2009), prejudicando, portanto, o Acórdão proferido pela DRJ/BSA/DF; Isto posto, pelos fatos narrados acima e devidamente documentados no presente processo, encaminho o processo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia (DRJ/BSAJDF) para sua manifestação. DA REVISÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após referida Informação Processual, o processo foi levado novamente a julgamento pelos Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Brasília/DF, que decidiram revisar o Acórdão anteriormente proferido para por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação, por ser intempestiva, nos termos do Acórdão DRJ/BSB n°0341.610 de 08 de fevereiro de 2011, fls.77/83, em decisão foi baseada no seguinte entendimento, extraído do voto: “A despeito do teor do Despacho de fls. 48, da SACAT/DRF em Varginha —MG, que atestou a tempestividade da impugnação interposta pelo Contribuinte (As fls. 18/27), considerado cientificado do lançamento na data de protocolização dessa impugnação, em 06/01/2010, por motivo de extravio do correspondente "Aviso de Recebimento", fato esse que motivou a decisão proferida naquela oportunidade (Acórdão DRJ/BSB n° 0337.446, de 16/06/2010, de fls. 50/56), não há como ignorar que, na realidade, esse "AR" foi localizado e trazido aos autos (As fls. 62), atestando que o Contribuinte tomou ciência do lançamento, em 26/11/2009, fazendose necessário proceder a revisão da decisão anteriormente proferida Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 6 (...) Desta forma, em respeito ao principio da legalidade que deve nortear os atos emanados da administração pública e como forma de restabelecer a verdade dos fatos, essencial para a correta aplicação da norma tributaria, cabe rever o Acórdão DRJ/BSB no 03 37.446, de 16/06/2010 (as fls. 50/56), passando se a adotar este novo julgamento.” Intimado dessa nova decisão em 30/03/2011, o contribuinte apresenta na data de 27/04/2011, recurso voluntário, através do qual reitera os termos peças de defesa apresentadas e se insurge contra a tempestividade da Impugnação apresentada, por ter sido o “AR”, entregue na portaria do prédio e não no seu apartamento, visto que o mesmo estava viajando para exterior, conforme comprova cópia do seu passaporte. Em síntese, quanto a tempestividade alega que nos termos da Súmula 09, a intimação seria válida se tivesse sido entrega no domicilio do contribuinte, ou seja, no seu apartamento, e não na portaria do prédio. No seu entender, a intimação não foi recebida no endereço do contribuinte, nos termos do art.23, II do Decreto nº70.235/1972. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Inicialmente, é importante analisar se a DRJ tinha competência para anular sua própria decisão, da forma que procedeu no presente processo. A primeira decisão ocorreu em 16/06/2010. A Informação Processual referente a localização do “AR”, confirmando a intempestividade da Impugnação, ocorreu em 27/09/2011, ou seja mais de um ano após ser proferida a decisão de primeira instância que julgou a impugnação procedente. O Decreto nº 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, ao dispor sobre a eficácia e execuções das decisões determina: SEÇÃO IX DA EFICÁCIA E EXECUÇÃO DAS DECISÕES Art.42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Quando a decisão for favorável ao sujeito passivo, cabe também recurso de ofício da decisão, nos seguintes termos: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 125 7 Art.34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício s I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. A mesma norma também prevê a possibilidade de correção de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, quando verificado erro material: Art.32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Em uma interpretação sistemática dos artigos acima, verificamos que a decisão de primeira instância é definitiva, cabendo três possibilidades de revisão: 1. Recurso Voluntário, quando interposto pelo sujeito passivo, dentro do prazo de trinta dias seguintes à ciência da decisão, conforme expressa previsão do art. 33 do Decreto nº 70.235/72; 2. Recurso de Ofício, na forma do art.34 acima transcrito; 3. Correções das inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão, possibilidade expressamente prevista no art.32 acima. Abandonada essas 3 (três) possibilidades, a decisão de primeira instância é definitiva, não cabendo sequer reconsideração: Art.36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. No caso concreto, a DRJ respaldada na Súmula 473 do STF que estabeleça "A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se origina direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial", após proferir decisão atendendo a todos requisitos do art.31 do mesmo diploma legal, anulou sua decisão proferida outra com base em fatos conhecidos após mais de um ano da primeira decisão. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 8 No meu entender, o controle de legalidade previsto na Súmula 473 do STF deve ser exercido, no âmbito do processo administrativo, de acordo com os procedimentos previstos em leis específicas, que devem ser obedecidas. Assim, a lei que expressamente disciplina a matéria, enumerou as possibilidades de revisão da decisão definitiva de primeira instância. A DRJ ao proferir sua decisão, exaure seu ofício, inclusive o art.16 do Decreto nº70.235/72, em seu parágrafo sexto, estabelece: § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. O mesmo decreto ainda prever as conseqüências da decisão definitiva: Art.43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (..) Art.45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Quando da primeira decisão a quo não houve qualquer vício ou ilegalidade. O acórdão proferido atendeu a todos os requisitos do art.31 do Decreto em comento, que dispõe: Art.31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. O processo foi julgado segundo os elementos de prova nos autos, sendo superada a inexistência do AR, segundo manifestação do relator, acompanhado pelos demais membros do Colegiado, pela aplicação da presunção da citação, prevista em lei. Sobre a tempestividade assim expressamente se pronunciou o relator: “Em razão do extravio do "Aviso de Recebimento" correspondente presente Notificação de Lançamento, a impugnação foi considerada tempestiva pelo órgão preparador, tendo considerado como data de ciência a data de protocolização da impugnação, ocorrida em 06 de janeiro de 2010, conforme exposto no despacho de fls. 48. Assim, dela tomase conhecimento.” Dessa forma, verificase que a questão da tempestividade foi analisada na forma que a lei determina para a hipótese de não ser possível determinar a data do recebimento da intimação: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 126 9 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (..) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ao proferir sua decisão, sem qualquer vício, a DRJ esgotou o seu ofício. Não poderia assim, rever o ato administrativo, pois não estava diante de inexatidão material devida a lapso manifesto, erro de escrita ou de cálculo, tampouco a decisão proferida, devido ao valor, não está sujeita a recurso de ofício, sendo portanto, definitiva. Diante do exposto, entendo que a segunda decisão deve ser anulada e mantida a primeira. Tendo sido inicialmente julgado decadente o lançamento, esse é o entendimento que deve ser mantido. Por fim, se aprofundarmos a análise da decadência, face alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo, a mesma conclusão será mantida. Pois bem, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 10 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 127 11 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento e/ou imposto de renda retido na fonte, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, houve pagamento, conforme informação contida na tela da Receita acostadas às fls. 49. Logo, deve se aplicar o artigo 150, §4º, do CTN, utilizado na primeira decisão “a quo”. Constatase portanto, mesmo que observado esse novo preceito legal, o lançamento ainda assim está fulminado pela decadência. Nestes termos, voto no sentido de anular o segundo Acórdão DRJ/BSB n°03 41.610 de 09/02/2011 (fls. 77/83), para manter os efeitos do anterior, Acórdão DRJ/BSB n°03 37.446 de 16/06/2010 (fls.50/56), e por conseguinte, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento por decadência. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 12 Declaração de Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Conforme relatado pela Ilustre Conselheira relatora, tratase de recurso voluntário em que se discute a tempestividade da impugnação apresentada. Expedida a carta de notificação de lançamento do ITR o aviso de recebimento não retornou em tempo hábil para se verificar a tempestividade do recurso, retornando somente após ser prolatado acórdão reconhecendo, de ofício, a decadência do tributo. Assim, a DRJ de origem, após prolatar decisão, foi informada da juntada do AR que comprovava a intempestividade da impugnação e de ofício reformou a decisão para reconhecer a intempestividade. Desta forma, a matéria que deve ser analisada é primeiramente a tempestividade da impugnação e após, se intempestiva a impugnação se seria possível a DRJ de ofício anular a própria decisão. Assim, é inequívoco que o Aviso de Recebimento foi extraviado isso não se discute sendo juntado aos autos somente após ser prolatada decisão da DRJ. Também é inequívoca a imprescindibilidade da juntada do aviso de recebimento aos autos, sendo o tema inclusive objeto da súmula 429 do A. Superior Tribunal de Justiça, n verbis: Sumula 429: “A citação postal, quando autorizada por lei, exige o aviso de recebimento”. A notificação do lançamento de um tributo equivale citação inicial do processo civil e constitui um importante ato processual, tendo em vista que está vinculado ao princípio do contraditório, ao direito de defesa do contribuinte. Neste contexto, não se pode ter como presumida a ocorrência da citação endereçada a pessoa física quando a carta for simplesmente entregue, é imprescindível a prova da sua efetiva entrega no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e que alguém, alguma pessoa física tenha efetivamente recebido a correspondência e não simplesmente sido deixada na caixa de correio. A notificação pelo correio, não obstante ágil, deve ser engendrada de forma a respeitar o grau de importância que o ato encerra. Por essa razão, os requisitos legais não podem ser postergados. Assim, nesta modalidade, para validade do ato é imprescindível o Aviso de Recebimento, pois somente ele faz prova de onde foi efetivamente entregue e a quem foi entregue. Ainda que a identificação pessoal seja irrelevante, ou melhor dizendo, ainda que a notificação possa ser entregue a terceiros, no endereço do domicílio fiscal, por óbvio que deve esse terceiro resguardar idoneidade moral. Assim, por exemplo, não pode a notificação ser entregue ao inimigo capital do contribuinte ou simplesmente ser deixada na caixa de correio, sob pena de não produzir efeitos. Ante a imprescindibilidade do Aviso de Recebimento, vejamos como o seu extravio é tratado pela legislação em vigor: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 128 13 Diz o Decreto nº 70.235/72 que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 14 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Verificase que o Decreto 70.235/72 não trata expressamente do extravio do aviso de recebimento. Vejamos então o Decreto 7.574/2011 que regulamentou o PAF: Art. 11. Considerase feita a intimação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): I se pessoal, na data da ciência do intimado ou da declaração de recusa lavrada pelo servidor responsável pela intimação; II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67); III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso III, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; ou IV se por edital, quinze dias após a sua publicação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113). Tais dispositivos legais também não tratam expressamente do tema. A Lei 9.784/99 também não trata expressamente do extravio do aviso de recebimento, limitandose a afirmar a sua necessidade e que o comparecimento espontâneo do administrado supre a sua falta ou nulidade, in verbis: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1o A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 129 15 VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Vejamos então o Código de Processo Civil, cuja aplicabilidade subsidiária é inquestionável: Art. 221. A citação farseá: I pelo correio; II por oficial de justiça; III por edital. IV por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria. (Incluído pela Lei nº 11.419, de 2006). Art. 222. A citação será feita pelo correio, para qualquer comarca do País, exceto: (Redação dada pela Lei nº 8.710, de 1993) a) nas ações de estado; (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) b) quando for ré pessoa incapaz; (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) c) quando for ré pessoa de direito público; (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) d) nos processos de execução; (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) e) quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) f) quando o autor a requerer de outra forma. (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) Art. 223. Deferida a citação pelo correio, o escrivão ou chefe da secretaria remeterá ao citando cópias da petição inicial e do despacho do juiz, expressamente consignada em seu inteiro teor Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 16 a advertência a que se refere o art. 285, segunda parte, comunicando, ainda, o prazo para a resposta e o juízo e cartório, com o respectivo endereço. (Redação dada pela Lei nº 8.710, de 1993) Parágrafo único. A carta será registrada para entrega ao citando, exigindolhe o carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo. Sendo o réu pessoa jurídica, será válida a entrega a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração. (Incluído pela Lei nº 8.710, de 1993) Art. 224. Farseá a citação por meio de oficial de justiça nos casos ressalvados no art. 222, ou quando frustrada a citação pelo correio. (Redação dada pela Lei nº 8.710, de 1993) Vemos que o Código de Processo Civil também não estabelece o conceito de frustração da citação postal. Resta por fim um último diploma legislativo de aplicação subsidiária ao PAF. Resta examinarmos a Lei de Execuções Fiscais: Art. 8º O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a execução, observadas as seguintes normas: I a citação será feita pelo correio, com aviso de recepção, se a Fazenda Pública não a requerer por outra forma; II a citação pelo correio considerase feita na data da entrega da carta no endereço do executado, ou, se a data for omitida, no aviso de recepção, 10 (dez) dias após a entrega da carta à agência postal; III se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15 (quinze) dias da entrega da carta à agência postal, a citação será feita por Oficial de Justiça ou por edital; IV o edital de citação será afixado na sede do Juízo, publicado uma só vez no órgão oficial, gratuitamente, como expediente judiciário, com o prazo de 30 (trinta) dias, e conterá, apenas, a indicação da exeqüente, o nome do devedor e dos co responsáveis, a quantia devida, a natureza da dívida, a data e o número da inscrição no Registro da Dívida Ativa, o prazo e o endereço da sede do Juízo. § 1º O executado ausente do País será citado por edital, com prazo de 60 (sessenta) dias. § 2º O despacho do Juiz, que ordenar a citação, interrompe a prescrição. Notese que nos termos do inciso III do artigo 8º da Lei de execuções fiscais o decurso de 15 dias sem o retorno do AR tem como conseqüência a preclusão da citação postal impondo e autorizando outros meios de citação inclusive a ficta. Assim, no presente caso deveria a unidade preparadora ter lançado mão de tal expediente, mas não o fez. Notese que às folhas 48 dos autos a unidade preparadora seguiu o que dispõe o Manual de formalização, preparação, apreciação, julgamento e movimentação do processo Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 130 17 administrativotributário MAPROC: "Não havendo comprovação no processo da data da ciência ao Auto de Infração, a impugnação interposta deverá ser considerada tempestiva". No mesmo sentido é a jurisprudência do A. Superior Tribunal de Justiça, para que a citação postal somente se consuma com o retorno do Aviso de Recebimento, in verbis: RMS 24488 / SC RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2007/01486928 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 11/12/2007 Data da Publicação/Fonte DJ 07/02/2008 p. 1 Ementa PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – CITAÇÃO DO EXECUTADO – VIA POSTAL: PRECEDÊNCIA – FAZENDA PÚBLICA – CUSTAS – DESNECESSIDADE DE ANTECIPAÇÃO. 1. A Lei 6.830/80, no seu art. 8º, I, estabelece que a citação do réu, na execução fiscal, farseá pelo correio, com aviso de recepção, se a Fazenda Pública não a requerer por outra forma. A citação por oficial de justiça ou por edital será feita, nos termos do inciso III do mesmo dispositivo, apenas se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15 dias da entrega da carta à agência postal. 2. A Primeira Seção deste Tribunal, uniformizando a jurisprudência das Turmas que a integram, quando do julgamento do EREsp. 464.586/RS, decidiu não estar a Fazenda Pública sujeita à antecipação das despesas com o correio para realização da citação via postal, ao fundamento de que tais despesas estão incluídas no conceito de custas. Precedentes. 3. Recurso ordinário provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso ordinário, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com a Sra. Ministra Relatora. REsp 504869 / PR RECURSO ESPECIAL 2003/00314480 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 07/08/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 08/09/2003 p. 311 RSTJ vol. 179 p. 221 Ementa PROCESSO CIVIL EXECUÇÃO FISCAL CITAÇÃO POR EDITAL: LEF E CPC. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 18 1. A LEF é bem mais drástica que o CPC, em se tratando de citação editalícia, permitindo essa modalidade de chamamento se não retornar o aviso de recebimento da carta citatória (art. 8º, III da Lei 6.830/80). 2. O art. 231 do CPC impõe outras condições para que se faça a excepcional citação, mas permite que possa a lei estabelecer diferentemente (art. 231, III). 3. Jurisprudência do STJ em divergência. 4. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Franciulli Netto, João Otávio de Noronha, Castro Meira e Francisco Peçanha Martins votaram com a Sra. Ministra Eliana Calmon Interessante é ainda o voto da Exma Senhora Relatora Eliana Calmon ao afirmar que: “A Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830/80) estabelece no art. 8º as regras de citação, autorizando que se faça por oficial de justiça ou por edital, se a citação pelo correio não se consumar, com o retorno do AR aviso de recebimento da entrega da carta citatória, sem o qual autorizada está a citação por edital”. Desta forma, entendo que não retornando o aviso de recebimento em quinze dias após a sua postagem, ainda que tenha efetivamente sido entregue ao contribuinte, perdeu o ato a sua eficácia, devendo ser utilizado outro meio para notificação do contribuinte, seja ela pessoal ou por edital. No caso em análise não poderia o Erário ficar de mãos atadas esperando Sine Die o retorno do Aviso de Recebimento, para só então verificar se houve ou não a notificação e finalmente poder verificar a tempestividade de recursos e a ocorrência de eventual decadência. A mora da Empresa de Correios e Telégrafos não pode atar o Erário ao ponto de lhe causar a decadência do crédito tributário. Desta forma, seja para o bem ou para o mal do contribuinte ou do Erário, deve ser fixado o conceito de ineficácia da notificação postal. Há de se ter um termo final razoável para o retorno do aviso de recebimento. A lei entendeu como razoável quinze dias, em que pese o meu entendimento em contrário. Assim, decorrido o exíguo prazo deixa o ato de existir para o direito. O que passa a existir é um novo ato declarando a ineficácia da notificação postal, que será o fundamento de validade para a notificação pessoal ou por edital. Mas, no presente caso, não houve qualquer ação posterior da Fazenda Nacional, que permaneceu inerte, vindo o contribuinte espontaneamente apresentar a sua impugnação, dando se por notificado na data do protocolo da impugnação. No caso concreto temos um conflito entre a verdade material e a segurança jurídica, o direito de uma prestação estatal semelhante a prestação jurisdicional. Tratase portanto de uma presunção legal, criada para compatibilizar a obrigatoriedade do ato Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 131 19 citatório/intimatório, enquanto garantia do contraditório e da ampla defesa, com a efetividade da tutela “jurisdicional”, que ficaria prejudicada se, frustrada a citação real, o processo fosse paralisado sine die. É necessária a estabilização da relação processual, é necessária a certeza do direito. Já ensinava Geraldo Ataliba que “O Direito é, por excelência, acima de tudo, instrumento de segurança. Ele é que assegura a governantes e governados os recíprocos direitos e deveres, tornando viável a vida social. Quanto mais segura uma sociedade, tanto mais civilizada. Seguras estão as pessoas que têm certeza de que o Direito é objetivamente um e que os comportamentos do Estado ou dos demais cidadãos não discreparão”.1 Desta forma, em que pese a incansável busca pela verdade material no processo administrativo fiscal há de ter limites sob pena de incerteza do direito. Penso que para determinados atos processuais não deve ser aplicada a verdade material, não ao ponto de se tornar o direito material incerto. Assim, extraviado o aviso de recebimento e decorrido o prazo estabelecido no inciso III do artigo 8º da Lei 6.830/80, não se deve mais olhar para tal ato sob pena de instabilidade do processo administrativo fiscal, sob pena de insegurança jurídica. Somase a isso o fato de que o princípio da verdade material não é absoluto, principalmente em relação a citação, pois do contrário jamais seria admitido no direito a citação ficta. Aliás, a intimação no processo administrativo fiscal não prima pela verdade material, uma vez que se contenta com a simples entrega no domicílio fiscal, sendo desnecessário o recebimento pessoal pela destinatário presumindo, por exemplo, que deixada na portaria da residência do contribuinte a mesma será entregue. Não há verdade material neste ato! Cabe ainda salientar que no presente caso houve a preclusão consumativa. Isso porque, conforme salientado pela ilustre Ministra Eliana Calmon a citação postal somente se consuma com o retorno do aviso de recebimento, desta forma sendo praticado qualquer outro ato capaz de suprir o ato não consumado operase a preclusão em desfavor deste. Não se pode preterir o ato jurídico perfeito de comparecimento espontâneo do contribuinte ao processo em favor do eventual retorno do aviso de recebimento. Também devemos lembrar que a prova da tempestividade ou intempestividade deve ser feita no momento da interposição do recurso, a jurisprudência é pacífica neste sentido, in verbis: AgRg no Ag 1371909 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2010/02217229 Relator(a) Ministro MARCO BUZZI (1149) Órgão Julgador T4 QUARTA TURMA Data do Julgamento 13/12/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 01/02/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO DECISÃO MONOCRÁTICA NÃO CONHECENDO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO, ANTE A INTEMPESTIVIDADE 1 República e Constituição. Malheiros Editores., São Paulo, 1998. 2ª ed. atualizada por Rosolea Miranda Folgosi. p. 184. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 20 DO RECURSO ESPECIAL 1. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO, NA DATA DE INTERPOSIÇÃO DO RECLAMO, MEDIANTE DOCUMENTO IDÔNEO, QUANTO À EXISTÊNCIA DE FERIADO LOCAL ÔNUS DO AGRAVANTE 2. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRIMENTO POSTERIOR PRECLUSÃO CONSUMATIVA 3. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE BIFÁSICO DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO VINCULA ESTA CORTE RECURSO DESPROVIDO. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão (Presidente), Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. AgRg no Ag 1381358 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2010/02086205 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 15/09/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 21/09/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROTOCOLO ILEGÍVEL. AFERIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. A decisão agravada foi acertada ao não conhecer do agravo de instrumento por o protocolo do recurso especial estar ilegível, o que impossibilita a aferição de sua tempestividade. 2. Quanto ao argumento de que a irregularidade na formação do instrumento poderia ter sido causada em razão de equívoco na digitalização dos autos físicos, não há nenhuma comprovação nos autos que corrobore tal alegação, além de que caberia à agravante diligenciar a fim de obter certidão comprobatória dessa afirmação. Ao contrário, há certidão à fl. 89, atestando que o documento constante da fl. 36 (página que consta o protocolo do recurso especial) encontrase "de difícil ou impossível visualização". 3. Não se admite a juntada tardia de documentos para aferir a tempestividade do recurso especial, ante o óbice da preclusão consumativa. 4. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 132 21 Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. AgRg no REsp 1247390 / MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00710720 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 16/06/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 24/06/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE SUSPENSÃO DO PRAZO RECURSAL. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO NO MOMENTO DA INTERPOSIÇÃO. COMPROVAÇÃO EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. 1. A demonstração da tempestividade do recurso especial, em razão de feriado local, deve ser feita, no mínimo, com a singela menção do fato nas razões recursais, acrescida da inexistência de óbice processual no despacho de admissibilidade do recurso perante o Tribunal "a quo", conforme precedente do STF, da relatoria da Min. Ellen Gracie, no AI EDAgR 621.929/PR,, DJ 22.8.2008. 2. Precedente: EDcl no AgRg no Ag 1.054.151/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 17.3.2009, DJe 14.4.2009. 3. Não se admite a juntada tardia de documento a fim de comprovar atempestividade, ante o óbice da preclusão consumativa. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Mas ainda resta verificar outra hipótese, qual seja se o reconhecimento extemporâneo da intempestividade poderia ensejar a nulidade da decisão que, conhecendo da impugnação decretou de ofício a decadência. Pois bem, mesmo que a impugnação fosse intempestiva penso não ser possível a reforma da decisão, por inexistência de previsão legal. Isso porque o órgão competente para reformar as decisões da DRJ, salvo as hipóteses dos artigos 32 e 59 do Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 22 Decreto 70235/72, o que ao meu ver não são aplicáveis ao caso, uma vez que não há ilegalidade ou erro material da decisão, de escrita ou de cálculo. No momento em que foi proferida não havia nos autos prova em sentido contrário do que foi decidido. Ademais, a verdade material do ato processual não pode prejudicar a verdade material do ato de lançamento, se aceitarmos que a verdade material deve sempre prevalecer termos que analisar todos os recursos ainda que intempestivos. Por fim cabe ressaltar que a decisão anulada não traz qualquer prejuízo para o Erário Público, muito pelo contrário, prejuízo traz a decisão anulatória pois ira impor um execução fiscal nula e acarretará ônus de sucumbência ante a manifesta decadência do crédito tributário em questão. Assim não há nulidade a ser sanada, é o que diz a jurisprudência: REsp 402353 / RJ RECURSO ESPECIAL 2001/01372498 Relator(a) Ministro FERNANDO GONÇALVES (1107) Órgão Julgador T4 QUARTA TURMA Data do Julgamento 26/08/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 08/09/2003 p. 334 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO POSTAL. MANDATÁRIO. AUSÊNCIA PODERES. VERIFICAÇÃO. ANÁLISE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. PREJUÍZO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. DESCABIMENTO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEXAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. POSSIBILIDADE. 1. A verificação de eventual irregularidade na citação de pessoa jurídica realizada em sua representante, supostamente sem poderes para tanto, reclama reexame da matéria fática, inviável na instância especial (súmula 07/STJ). 2. Ante a ausência de prejuízo processual, não há que se falar em nulidade levantada em preliminar, de acordo com o princípio da pas de nullité sans grief, ainda mais quando o recorrente tem a decisão meritória em seu favor. 3. A matéria referente à utilização da variação cambial como indexador dos contratos de arrendamento mercantil, encontrase pacificada no âmbito da Segunda Seção desta corte (Resp nº 472594/SP), orientado no sentido da divisão dos encargos decorrentes da abrupta mudança ocorrida na cotação da moeda americana entre arrendante e arrendatário, metade para cada um, a partir de janeiro de 1999. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial e, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 10660.720894/200984 Acórdão n.º 2201001.548 S2C2T1 Fl. 133 23 nessa parte, darlhe provimento. Os Ministros Aldir Passarinho Junior, Barros Monteiro e Cesar Asfor Rocha votaram com o Ministro Relator. Ausente, ocasionalmente, o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. Desta forma, voto em sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação, bem como a decadência do direito de lançar o crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 15/05/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em Exercício da 1a Turma Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
score : 1.0
Numero do processo: 10711.002181/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.317
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, em converter os autos em diligência. Vencidos o relator Marcelo Ribeiro Nogueira, bem como os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relator Designado Mércia Helena Trajano D’Amorim.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10711.002181/2007-21
conteudo_id_s : 6453968
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-000.317
nome_arquivo_s : 320100317-10711002181200721 -201203.pdf
nome_relator_s : MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10711002181200721_6453968.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, em converter os autos em diligência. Vencidos o relator Marcelo Ribeiro Nogueira, bem como os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relator Designado Mércia Helena Trajano D’Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
id : 4876574
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804798705664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.002181/200721 Recurso nº Resolução nº 3201000.317 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 01/03/2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente AGROPLANTA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, em converter os autos em diligência. Vencidos o relator Marcelo Ribeiro Nogueira, bem como os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relator Designado Mércia Helena Trajano D’Amorim. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Marcelo Ribeiro Nogueira Relator. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10711.002181/200721 Resolução n.º 3201000.317 S3C2T1 Fl. 2 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 77.128,26, referentes A. multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%, classificação fiscal incorreta). A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 03/07556420 (fls. 11 a 19) submeteu a despacho mercadoria descrita como "CONCENTRADO DE ZINCO", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 2608.00.90: 2608.00 MINÉRIOS DE ZINCO E SEUS CONCENTRADOS 2608.00.90 Outros Com base no Laudo de Análise n° 0298/03, do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fl. 07), efetuado com base em amostra retirada da mercadoria em questão, e que indicou que a mercadoria tratase de "minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita)", a fiscalização concluiu que a mercadoria não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. Assim, com base nas informações acima e nas regras de classificação fiscal, a fiscalização reclassificou as mercadorias para o código da NCM 2608.00.10: 2608.00 MINÉRIOS DE ZINCO E SEUS CONCENTRADOS 2608.00.10 Sulfetos Tendo em vista que a descrição apresentada pela interessada e o erro na classificação fiscal, a fiscalização lançou a multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente e, aplicou a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Regularmente cientificada (AR, fl. 21 verso), a interessada apresentou impugnação de folhas 22 a 36, anexando os documentos de folhas 37 a 48. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o LABOR não fez qualquer citação técnica detalhada a respeito do percentual de esfarelita, e se nessa condição em que se apresenta, o mesmo descaracteriza o produto como sendo um Concentrado de Zinco; Que, o produto é concentrado de zinco e está corretamente descrito. É Um produto de qualidade industrial, cuja composição tem produto de origem mineral à base de zinco, e não sendo somente minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita), enquadrase corretamente na posição NCM/TEC 2608.00.90; Que, requer seja convertido o julgamento em diligência para que o LABOR retifique o entendimento firmado no Laudo, formula os quesitos que entende pertinentes (fl. 27). O não atendimento à solicitação implica em cerceamento ao seu direito de defesa; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10711.002181/200721 Resolução n.º 3201000.317 S3C2T1 Fl. 3 3 Que, as mercadorias importadas estão amparadas por licenciamento automático, que não deixa de ser licenciamento regular. Há que se aplicar ao caso o disposto no Parecer COSIT SRF n° 477/88 e Ato Declaratório COSIT SRF n° 10/97; Que, não é cabível a aplicação da penalidade por erro de classificação fiscal; Requer, seja o auto de infração em tela julgado totalmente improcedente e insubsistente, caso persista alguma dúvida a respeito, requer sejam providenciadas diligencias ao LABOR, ao Instituto Nacional de Tecnologia. Protesta pela juntada de novos documentos, bem como pela juntada "a posteriori" de laudo pericial antes ou após a realização da perícia, bem como indicação de assistente técnico e apresentação de quesitos suplementares; A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A mercadoria constituída por "minério de zinco, sulfeto de zinco (esfarelita)" classificase no código NCM 2608.00.10 por aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueirarelator Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. O recurso voluntário se inicia com a arguição de três preliminares de nulidade, por cerceamento do direito da defesa da recorrente por não realização de nova perícia, solicitada pela mesma, pela atecnicidade do laudo pericial e por erros constantes do laudo pericial, entendo que todas as matérias arguidas são relativas à valoração da prova pelos julgadores de primeira instância, que enfrentaram amplamente a questão, possibilitando a plena Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10711.002181/200721 Resolução n.º 3201000.317 S3C2T1 Fl. 4 4 defesa da recorrente, não havendo como se falar em cerceamento do direito de defesa, logo, rejeito as preliminares. Ademais, não me parece também que os argumentos postos pela recorrente são suficientes para negar validade ao laudo técnico produzido pela fiscalização, pois não trouxe aos autos qualquer elemento ou indício ou início de prova para afastar a legalidade do laudo produzido, assim, igualmente, nego o pedido de realização de nova perícia. Observese que a recorrente teve tempo mais que suficiente para trazer aos autos um laudo crítico, o que não fez. Ultrapassado o julgamento das preliminares acima, foi levantada uma preliminar pela Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim., para conversão do julgamento em diligência, no que fui vencido pela douta maioria deste Colegiado por voto de qualidade. Marcelo Ribeiro Nogueira – relator Voto VencedorMércia Helena Trajano D’Amorim Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 77.128,26, referentes à multa do controle administrativo e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%, classificação fiscal incorreta). Os fatos controversos são se a mercadoria descrita para fins de obtenção de licença para importação e correspondente despacho aduaneiro é divergente da mercadoria efetivamente importada; situação que acarretou na reclassificação fiscal da mercadoria, do código NCM 2608.00.90 para o código NCM 2608.00.10, segundo a fiscalização. O julgamento de primeira instância foi no sentido de manter o crédito tributário. Tendo em vista que o litígio referese à desclassificação fiscal dos produtos importados, e consequente exigência, dentre elas, da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, pelo motivo abaixo: se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, em que modalidade do sistema administrativo, a respectiva importação encontravase inserida: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático. Registro que a importação brasileira, de uma forma geral, esteve sujeita a tratamento administrativo, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não automática e atualmente nas modalidades: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex n° 23, de 14/07/2011. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10711.002181/200721 Resolução n.º 3201000.317 S3C2T1 Fl. 5 5 Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Após a efetivação da diligência, retornem os autos para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D’AmorimRelator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000358/2005-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A ausência de definição da referida doença na CID 10 justifica que, para fins de comprovação da doença, seja considerado o conjunto de elementos representados pelos Laudos Médicos Oficiais constantes dos autos.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A ausência de definição da referida doença na CID 10 justifica que, para fins de comprovação da doença, seja considerado o conjunto de elementos representados pelos Laudos Médicos Oficiais constantes dos autos. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11543.000358/2005-34
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5244305
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.266
nome_arquivo_s : Decisao_11543000358200534.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 11543000358200534_5244305.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
id : 4850906
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804802899968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 78 1 77 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.000358/200534 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.266 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente PAULO ROBERTO LOPES GHIDETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. A ausência de definição da referida doença na CID 10 justifica que, para fins de comprovação da doença, seja considerado o conjunto de elementos representados pelos Laudos Médicos Oficiais constantes dos autos. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 03 58 /2 00 5- 34 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2001, anocalendário 2000, em virtude de a autoridade fiscal ter reclassificado para rendimentos tributáveis o valor de R$31.178,85 que haviam sido declarados pelo contribuinte como rendimentos isentos (por moléstia grave). Como fundamento para a reclassificação dos rendimentos, foi apontado que, para comprovação do benefício da isenção, o contribuinte apresentou documentos que foram submetido à apreciação do Setor de Orientação e Análise Tributária, o qual reputou que os documentos não atendem ao estabelecido no art. 30 da Lei 9.250/1995, que prevê a apresentação de laudo pericial de serviço médico oficial, devidamente revestido de detalhamento suficiente para conclusão de que o contribuinte é portador de moléstia grave (fls. 10). O lançamento foi impugnado, essencialmente, por meio da apresentação de uma série de documentos que buscavam demonstrar a existência de moléstia grave passível de assegurar ao contribuinte a isenção do imposto de renda. A Delegacia de Julgamento decidiu pela procedência do lançamento por entender inexistir um laudo médico oficial que ateste a presença de paralisia irreversível incapacitante ou qualquer outra das doenças previstas na Lei 7.713/1988, pois: a) contribuinte foi avaliado em 2004 tendo sido diagnosticado: plegia do braço esquerdo e paresia importante da perna esquerda(fl.24), sequela de AVC c/hemiplegia do braço esquerdo(I69) e à fl.26 foi dado o seguinte parecer operado de aneurisma cerebral e programada outra cirurgia com o mesmo fim com seqüelas de hemiplegia esquerda e déficit visual.Tais descrições não se enquadram no conceito de moléstia grave prevista na lei fiscal. b) os documentos de fls.27 e 28 que foram expedidos por médicos particulares, não podendo ser aceitos para comprovação da moléstia grave; c) o documento apresentado à fl.32 assinado por médico do Trabalho. Tal documento narra os antecedentes médicos do interessado mencionando as perícias médicas realizadas desde 22 de dezembro de 1998. Nenhuma das doenças mencionadas estão previstas expressamente na lei isentiva; e d) o laudo médico se revista do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para tornarse um meio capaz de formar a convicção da autoridade fiscal. Ciente da decisão de primeira instância em 26/10/2009, o recorrente apresentou recurso voluntário em 24/11/2009, no qual apresenta os seguintes argumentos: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000358/200534 Acórdão n.º 2802002.266 S2TE02 Fl. 79 3 1. desde que notificado a prestar esclarecimentos todos os documentos que comprovam a moléstia grave foram apresentados à Receita Federal; 2. no final de 1998 sofreu dois aneurismas cerebrais e derrame cerebral, sendo submetido a várias intervenções cirúrgicas, após as quais ficou com seqüelas irreversíveis, sobretudo no braço esquerdo e na perna esquerda, caracterizando a paralisia irreversível, que lhe assegura direito a isenção desde 09/11/1998; 3. o documento expedido pelo INSS declara que o contribuinte se enquadra entre os que possuem o benefício da isenção tributária, nos seguintes termos: “"Em atendimento a sua solicitação datada de 13/10/2004 acerca de Declaração Médica para ; fins de comprovação de Isenção de Imposto de Renda junto a Receita Federal, informamos" , que após avaliação pelo Médico ' Perito Supervisor deste Instituto, o_ segurado referenciado; apresenta patologia que enquadrase entre aquelas eu dão direito a isenção de Imposto de Renda (169), conforme cópia do CPM em anexo." 4 .desde a primeira perícia, em 02/07/1999, o perito oficial já havia declarado a incapacidade do contribuinte, tratase de doença que, a princípio, poderia ter seus reflexos negativos reduzidos, porém, mesmo realizando o tratamento desde a data da cirurgia até a data da última perícia médica do INSS, a paralisia incapacitante e irreversível de alguns membros se manteve intacta, razão pela qual foi deferida, definitivamente, a aposentadoria do contribuinte; 5. para evitar procedimentos judiciais tornase necessário oficiar ao INSS para que disponibilize cópia integral de todo o procedimento de aposentadoria do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese o direito à isenção do imposto de renda com base no inciso XIV da Lei 7.713/1988, tendo como ponto central a comprovação da existência de “paralisia irreversível e incapacitante” por meio de laudo médico oficial. É incontroverso que os rendimentos são proventos de aposentadoria. Em síntese, o órgão julgador de primeira instância ratificou o entendimento da autoridade fiscal de que o laudo médico expedido por serviço médico oficial não descreve a doença de forma suficiente a permitir concluir a existência da referida doença ou de qualquer outra prevista na lei isentiva. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Isto decorre de os laudos mencionarem diversas doenças, sem mencionar em momento algum a expressão “paralisia irreversível e incapacitante”. A título de exemplo, tais laudos mencionam CID10 – I67 (fls. 23), I69, plegia do braço esquerdo e paresia importante da perna esquerda, “faz jus à isenção de imposto de renda (fls. 24), I69 com hemiplegia do braço esquerdo (fls. 25), CID secundário G819 (hemiplegia não especificada) e seqüelas de hemiplegia esquerda e défict visual (fls. 26). Os laudos de fls. 27 e 28 não atendem ao requisito “expedido por serviço médico da União, dos Estados ou dos Municípios”. No despacho no processo 35524.000641/200471 do INSS, assinado por Médico do Trabalho, em relato do histórico médico do segurado é informado, entre outras coisas, que: a) “Em 07/06/1999 após exame medico pericial de ordem 03 realizado em 04/06/99, foi sugerido aposentadoria por invalidez e descrito pelo perito "...sequelas de hemiplegia esquerda e déficit visual". b) “06Pela analise dos Antecedentes Médicos Periciais conforme descrito acima, podemos afirmar que o segurado apresentava patologia CID 10: G81.9, Hemiplegia, que se enquadra entre as doenças que isentam desconto de Imposto de Renda na Fonte desde a data de 22/12/1998 quando a mesma foi constatada pela Pericia Medica do INSS.” O termo “paralisia irreversível e incapacitante” adotado pela Lei 7.713/1988 não possui um código na CID10. O código I69 referese a seqüelas de doenças cerebrovasculares (http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm. Acesso em 20/03/2013). Nos Manuais de Perícias Médicas consta, dentre as diversas espécies de paralisia, a hemiplegia, doença da qual o contribuinte estava acometido conforme laudo oficial de fls.25/26, ao passo que a doença denominada plegia somente é equiparada quando o perito fizer a menção "equivalente à paralisia irreversível e incapacitante". (Ver por todos: http://www.periciamedicadf.com.br/manuais/ministeriodefesa3.10.php. Acesso em 20/03/2013). O citados Manuais informam, ainda, que nem toda paralisia – quer seja hemiplegia ou qualquer outra espécie – é , por si só, classificada como “paralisia irreversível e incapacitante", este termo é cabível exclusivamente quando, esgotados os recursos terapêuticos da medicina especializada e os prazos necessários à recuperação motora, permanecerem distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade. De um lado não cabe às autoridades tributárias classificar uma hemoplegia ou plegia como “paralisia irreversível e incapacitante", esta é uma tarefa do médico perito, de outro lado, não cabe ao médico perito reconhecer o direito à isenção, esta incumbência cabe às autoridades tributárias. Não obstante, a menção no laudo médico oficial acerca do direito à isenção por moléstia grave é um fato que não pode ser ignorado, pois é um indício a favor do contribuinte. É a ausência de cumprimento às formalidades da perícia médica – menção expressa ao termo usado na lei que causa uma profusão de litígios, com prejuízos ao contribuinte e à Administração Tributária. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000358/200534 Acórdão n.º 2802002.266 S2TE02 Fl. 80 5 Em virtude de serem limitados poderes de que dispõem os contribuintes quanto à objetividade das informações constantes dos laudos médicos destinados a fazer valer direitos na seara jurídica, devem ser analisados os laudos oficiais de forma contextualizada e no seu conjunto probatório, ainda que não haja a menção “paralisia irreversível e incapacitante" em um laudo médico oficial. Citase como precedente o Acórdão nº 10616185, de 02/03/2007, que voto condutor contém o seguinte excerto. (...) Diante da ausência quer na lei quer na CID 10 de definição precisa do que vem a ser a moléstia "paralisia irreversível e incapacitante" há que se considerar o conjunto de elementos representados pelos Laudos Médicos Oficiais e em aproximação aos elementos constantes da CID 10 e dicionário técnico da área médica, este em preferência ao "Dicionário Aurélio". Dessa maneira, concluise que os documentos oficiais expedidos pelo INSS comprovam que o contribuinte desde 1999 era portador de paralisia irreversível e incapacitante – na espécie hemiplegia – o que justificou sua aposentadoria por invalidez e a menção ao enquadramento dentre as doenças da Lei 7.713/1988. Notese que o Manual de Perícia Médica antes indicado não exige a irreversibilidade da paralisia como requisito indispensável, o que se exige é que após os prazos necessários à recuperação motora, permaneçam distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade, como é o caso do reconhecimento de que a limitação motora do segurado, ora recorrente, classificavase no grau 3 do Anexo III do Decreto 3.048/1999, Grau 3 Sofrível cinqüenta por cento Amplitude completa de movimento contra a gravidade sem opor resistência (item 5, fls. 32). Devese, portanto, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905877/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO.
A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem nem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes, nem para subsidiar lançamento fiscais.
Numero da decisão: 1801-001.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem nem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes, nem para subsidiar lançamento fiscais.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10840.905877/2009-05
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5242505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.398
nome_arquivo_s : Decisao_10840905877200905.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10840905877200905_5242505.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
id : 4842499
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804809191424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.905877/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.398 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria Compensação Darf pagamento indevido Recorrente CENTRO AVANÇADO EM ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem nem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes, nem para subsidiar lançamento fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 58 77 /2 00 9- 05 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1431.678/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 43 a 47, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 12/2000. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que teria direito ao crédito informado em PER/DCOMP. A autoridade competente, ao proferir a decisão, teria desconsiderado informações contidas em DCTF retifícadora, e tomado por base apenas as informações prestadas em DCTF original. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade e homologada a compensação declarada. [...] Voto [...] O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações. [...] O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda ". Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.905877/200905 Acórdão n.º 1801001.398 S1TE01 Fl. 3 3 [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB, e juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 29/12/10, fls. 50; Recurso – 21/01/11, fls. 51) o Recurso de fls. 51 a 56, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) o indeferimento da Dcomp foi ocasionado porque a administração tributária desconsiderou a entrega da DCTF retificadora; b) o despacho decisório, por não considerar a referida DCTF, restringiuse a cotejar a Dcomp com a DCTF original; c) a turma julgadora de primeira instância argumentou que se faz necessário a comprovação do erro que ensejou a retificação da DCTF, inovando os termos do despacho decisório; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 d) em virtude dos princípios da verdade material, ampla defesa e do contraditório, impõese a reforma do acórdão e reconhecerse, ainda que em sede recursal, os documentos acostados aos autos para a comprovação do direito da recorrente em repetir o indébito tributário e ter a homologação da compensação pleiteada. A empresa anexa ao recurso cópias: do contrato social; do acórdão recorrido; CNPJ; planilhas com valores de tributos recolhidos e a recuperar de vários trimestres; da DIPJ 2001, retificadora; do DARF cujo recolhimento pretende ser repetido. Observo que a DCTF retificadora do 4º trimestre de 2000, acusando sem qualquer valor de IRPJ a pagar, foi apresentada conjuntamente à manifestação de inconformidade e foi recepcionada em 26/06/09 – fls. 14. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente requer a repetição de suposto indébito recolhido, por DARF, a título de IRPJ, Lucro Presumido, relativo ao 4º trimestre de 2000. Argumenta que entregou DCTF retificadora e que esta, por si só, faz prova do erro cometido e do direito à repetição e conseqüente compensação com outros débitos, a ser homologada. Constato dos autos que o Despacho Decisório que indeferiu o Per/Dcomp, por não haver sido justificado pela requerente o erro no recolhimento supostamente havido a maior ou indevidamente, foi emitido em 25 de maio de 2009, com ciência dada à pleiteante em 29 de maio de 2009 (fls. 04 e 07). Ocorre que a recorrente apresenta como prova do erro cometido cópia de DCTF retificadora, relativa ao 1º trimestre de 2000, entregue em 26 de junho de 2009, ou seja, após ter sido cientificada do despacho denegatório (fls. 14). Em nenhum momento do processo a recorrente explica o porquê ter requerido a devolução do tributo pago, originalmente informado em DIPJ e DCTF. Por conseguinte, a recorrente modificou as informações prestadas à administração tributária e zerou o valor do tributo que anteriormente havia recolhido como devido, em DCTF, após transmitir ao Per/Dcomp em questão. Daí que não havia como a autoridade a quo considerar as informações ‘retificadas’ em DCTF que não tinha sequer sido entregue antes do despacho decisório ser emitido. A desconsideração dos valores ‘zerados’ veiculados na DCTF retificadora ocorreu porque esta ainda não existia. Cabe salientar, ainda, que a retificação de DIPJ, após a transmissão do Per/Dcomp também não tem o condão de legitimar a restituição requerida. A DIPJ é um documento cuja natureza é meramente informativa e prescinde da exibição da contabilidade da contribuinte, lastreada em documentação hábil, ainda que de forma resumida como é o caso das empresas que optam pelo regime de apuração do Lucro na forma Presumida. Mesmo as Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.905877/200905 Acórdão n.º 1801001.398 S1TE01 Fl. 4 5 empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas a manter registros contábeis, dos quais apuram os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Inconcebível, pois, a argumentação da recorrente em alterar para saldo negativo os tributos devidos sem a mera justificação dos porquês, sem apresentar qualquer documentação contábil que comprove a mudança dos resultados trimestrais, pretendendo que se admita como prova declaração preenchida pela própria em momento posterior à ciência do despacho denegatório. Nada a impediria de retificar a DCTF, mas a retificação das declarações entregues pelos contribuintes devem vir acompanhadas de provas dos erros cometidos e retificados a posteriori. Se houvesse efetivamente erro no cálculo do tributo devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Mas a comprovação dos valores modificados pela empresa após a entrega das declarações originais deve ser feita cabalmente pela retificante. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação bancária registrada por completo (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos, apenas declarações com informações prestadas a destempo. Em outra acepção, a recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.905877/200905 Acórdão n.º 1801001.398 S1TE01 Fl. 5 7 No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903652/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.903652/2009-48
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5245379
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-000.213
nome_arquivo_s : Decisao_10510903652200948.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10510903652200948_5245379.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4858756
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804816531456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.903652/200948 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.213 – 2ª Turma Especial Data 07 de maio de 2013 Assunto Diligência Recorrente RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 65 2/ 20 09 -4 8 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.213 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 20/06/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 31329.23926.200606.1.3.044427, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: maio/2006; vencimento: 20/06/2006 principal: R$ 1.526,74; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 1.526,74. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 31329.23926.200606.1.3.044427 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 1.272,47 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 1.272,47 Crédito Atualizado: R$ 2.169,69 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 1.526,74 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 895,40 Saldo do Crédito Original: R$ 377,07 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 1.272,47. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.213 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 20/06/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.213 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 31329.23926.200606.1.3.044427, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de Simples (código 6106), no valor original de R$ 1.272,47, com débito de mesma natureza, referente ao período de maio/2006. A DRF de Aracajú não homologou a compensação efetuada pela contribuinte alegando que (fl. 10): “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” O DARF mencionado no despacho acima foi alocado para quitar o débito do Simples (código 6106) referente ao período de apuração de 01/05/2002. A DRJ de Salvador (BA) entendeu em seu acórdão que o despacho não merecia qualquer reparo. Ao contrário da DRJ, não consigo entender da mesma forma. Isto porque alega a Recorrente, e não refuta a DRJ, que foi excluída do Simples retroativamente a 01/01/2002. Ora, se de fato houve a exclusão, parece ilógico que haja qualquer alocação na forma defendida pela DRF, tendo em vista que o lançamento não ocorreu nesta modalidade e com esse código, eis que como efeito da exclusão, todos os seus tributos são recalculados com base no lucro real ou no lucro presumido. Com efeito, tudo indica que houve uma antecipação dos tributos nos Simples, não homologados pela Receita Federal do Brasil, o que não gerou o pretenso crédito tributário na modalidade do Simples, tendo havido portanto o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, conforme prevê o CTN, art. 142 e seguintes. Ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.213 S1TE02 Fl. 6 5 débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.213 S1TE02 Fl. 7 6 A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento do Simples, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRF Aracajú: a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar. Concluída a diligência fiscal, a DRF Aracajú deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.932953/2009-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Peça de Defesa Intempestiva. Ausência de Litígio.
Manifestação de inconformidade intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1801-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Peça de Defesa Intempestiva. Ausência de Litígio. Manifestação de inconformidade intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.932953/2009-27
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5245548
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.435
nome_arquivo_s : Decisao_10680932953200927.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10680932953200927_5245548.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4858925
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804910903296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.932953/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.435 – 1ª Turma Especial Sessão de 7 de maio de 2013 Matéria Restituição / Compensação Recorrente EPC ENGENHARIA PROJETO CONSULTORIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEÇA DE DEFESA INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Manifestação de inconformidade intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, não conheceu da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 29 53 /2 00 9- 27 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em referência, contra despacho decisório que não homologou as compensações declaradas. Pelo PERDCOMP de fl. a interessada pretendeu compensar débitos próprios com direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 8.563,32. De acordo com o despacho decisório as parcelas que compõem o crédito, informadas na DIPJ perfazem R$ 691.755,12, enquanto que o IRPJ devido monta em R$ 683.191,80. Cientificado do despacho decisório em 20/10/2009 (AR fl. 1.157), apresentou manifestação de inconformidade em 20/11/2009. Na defesa alegou, inicialmente, a tempestividade da peça, pois, afirma, teria sido notificada do despacho decisório em 21/10/2009, tendo apresentado a manifestação de inconformidade trinta dias após, ou seja, em 20/11/2009. No mérito, assinalou ter trazido aos autos, para demonstrar a veracidade da DCOMP, (i) as notas fiscais emitidas em 2004 e (ii) os extratos bancários correspondentes a cada pagamento de cada nota fiscal do exercício de 2004. Discorreu acerca da verdade material, tendo solicitado ao final, caso os comprovantes e notas fiscais anexos não bastassem para o convencimento do julgador, a produção de prova pericial contábil ou prova documental, para comprovar os valores pleiteados no PER/DCOMP. Em quota de fl. 1158, foi atestada a intempestividade da impugnação. A Turma Julgadora de 1a. instância consignou que a intimação do despacho decisório teria sido formalizada, por via postal, em 20/10/2009, como demonstraria o AR à fl. 1.157, situação confirmada pelo sistema Sucop. Assim, como a peça de defesa teria sido protocolizada somente em 20/11/2009, caracterizada estaria a intempestividade, razão pela qual não se tomou conhecimento da manifestação de inconformidade. Notificada da decisão, em 25/10/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 1.273 do processo digital, apresentou a interessada, em 24/11/2011, recurso voluntário. Em sua defesa aduz, inicialmente, que não teria recebido a correspondência contendo a intimação do despacho decisório na data aposta no AR. Nesse sentido a correspondência teria sido recebida, em 20/10/2009, pelo porteiro do edifício em que localizado o seu domicilia, após o encerramento do expediente de trabalho da empresa contribuinte. Por tal motivo somente teria recebido a correspondência, das mãos do porteiro, no dia seguinte, ou seja, em 21/10/2009, razão pelo qual o prazo para apresentação da defesa deve ser considerado a partir dessa última data. Afirma que a pessoa que recebeu a correspondência, na condição de porteiro, nunca constou de seu quadro de funcionários, razão pela qual não deteria competência para receber a correspondência em seu nome, o que seria de conhecimento do funcionário dos correios. Discorre acerca do princípio do formalismo moderado e da verdade material para concluir que a peça de defesa deve ser conhecida, ainda que tenha sido considerada intempestiva. É o relatório. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932953/200927 Acórdão n.º 1801001.435 S1TE01 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. É inconteste que a interessada perdeu o prazo para a apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade. A cópia do AR à fl. 1.157 prova que a empresa foi cientificada do despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações, em 20/10/2009. Assim, o prazo de 30 dias passou a correr do dia 21/10/2009, uma quartafeira, tendose esgotado em 19/11/2009, uma quintafeira. A manifestação de inconformidade protocolizada no dia 20/11/2009, sextafeira, é, portanto, intempestiva. Diante da intempestividade da peça de defesa apresentada sequer houve instauração de litígio a ser apreciado por este órgão de julgamento. Cumpre observar, ainda, que as argüições no sentido de que a correspondência com a notificação teria sido recepcionada pelo porteiro do prédio em que se localiza o domicilio da recorrente, que não é funcionário da empresa, e somente teria sido recebida na empresa no dia seguinte, em 21/10/2009, não tem relevância. Este órgão de julgamento já tem posicionamento pacificado, no que toca à questão invocada pela recorrente, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A peça de defesa, protocolizada intempestivamente, portanto, não instaurou litígio, razão pela qual o recurso voluntário interposto não deve ser provido. Este é o meu voto. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora . Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000490/2004-86
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
EXERCÍCIO: 2000
Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - INEXISTÊNCIA DE VALORES DECLARADOS - Se a contribuinte apresenta declaração de informações sem registro de vendas e não entrega DCTF, não há que se recepcionar argumento no sentido de que esses mesmos documentos possam concorrer para a verificação da idoneidade dos seus cálculos e recolhimentos.
ARBITRAMENTO - INEXISTÊNCIA - Não merece ser conhecida a argumentação que toma por base regime de apuração não utilizado pela autoridade fiscal (no caso vertente, a contribuinte rebela-se contra um suposto arbitramento, sendo que o lançamento de ofício foi efetuado com base no LUCRO PRESUMIDO).
INCONSTITUCIONALIDADES - À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos.
JUROS SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 105-17.108
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200806
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 2000 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - INEXISTÊNCIA DE VALORES DECLARADOS - Se a contribuinte apresenta declaração de informações sem registro de vendas e não entrega DCTF, não há que se recepcionar argumento no sentido de que esses mesmos documentos possam concorrer para a verificação da idoneidade dos seus cálculos e recolhimentos. ARBITRAMENTO - INEXISTÊNCIA - Não merece ser conhecida a argumentação que toma por base regime de apuração não utilizado pela autoridade fiscal (no caso vertente, a contribuinte rebela-se contra um suposto arbitramento, sendo que o lançamento de ofício foi efetuado com base no LUCRO PRESUMIDO). INCONSTITUCIONALIDADES - À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
turma_s : Quinta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 19615.000490/2004-86
anomes_publicacao_s : 200806
conteudo_id_s : 4255044
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 105-17.108
nome_arquivo_s : 10517108_156940_19615000490200486_007.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Wilson Fernandes Guimarães
nome_arquivo_pdf_s : 19615000490200486_4255044.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
id : 4839641
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:07:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045804961234944
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-21T13:39:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-21T13:39:14Z; Last-Modified: 2009-08-21T13:39:14Z; dcterms:modified: 2009-08-21T13:39:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-21T13:39:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-21T13:39:14Z; meta:save-date: 2009-08-21T13:39:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-21T13:39:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-21T13:39:14Z; created: 2009-08-21T13:39:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-21T13:39:14Z; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-21T13:39:14Z | Conteúdo => CC01/CO5 Fls. 1 a2:44g'.1 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "-M-"- QUINTA CÂMARA Processo n° 19615.000490/2004-86 • Recurso n° 156.940 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - EX.: 2000 Acórdão II° 105-17.108 Sessão de 26 de junho de 2008 Recorrente PANATY INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida 3' TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 2000 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - INEXISTÊNCIA DE VALORES DECLARADOS - Se a contribuinte apresenta declaração de informações sem registro de vendas e não entrega DCTF, não há que se recepcionar argumento no sentido de que esses mesmos documentos possam concorrer para a verificação da idoneidade dos seus cálculos e recolhimentos. ARBITRAMENTO - INEXISTÊNCIA - Não merece ser conhecida a argumentação que toma por base regime de apuração não utilizado pela autoridade fiscal (no caso vertente, a contribuinte rebela-se contra um suposto arbitramento, sendo que o lançamento de oficio foi efetuado com base no LUCRO PRESUMIDO). INCONSTITUCIONALIDADES - À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n° 19615.000490/2004-86 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-17.108 Fls. 2 J • 1 IS ALV S residente W LSON FE Nk, •,41 iN • RÃES Re . to Formalizado em: 15 AGO 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA, ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Relatório PANATY INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de IRPJ e Reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins; e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL), relativas ao exercício de 2000, formalizadas a partir de imputação de omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnações aos feitos fiscais (fls. 586/605; 619/636; 651/679 e 691/720), por meio das quais ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que os autos de infração careceriam de fundamentação, falta de clareza e objetividade quanto à indicação do dispositivo supostamente infringido por ela, o que dificultaria e cerciaria o seu direito de defesa, amplamente assegurado a nível constitucional (art. 50, inciso LV); - que teria sido violado, também, o principio do devido processo legal; - que o autuante não teria provado que ela omitira receita, tornando nula a autuação fiscal; - que para a apuração da receita bruta omitida a Fiscalização teria se valido de meios heterodoxos, incompatíveis com a legislação de regência, utilizando-se, apenas, da 2 Processo n° 19615.000490/2004-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-17.108 Fls. 3 diferença apurada entre os dispêndios e recursos originados por ela nos quatro trimestres de 1999; - que a metodologia adotada seria incorreta, vez que o art. 51 da Lei n° 8.981/1995 enumeraria exaustivamente, sem admitir ampliações, os percentuais e as possibilidades de determinação do lucro quando a receita bruta da empresa é omitida; - que a contribuição social sobre o lucro não incide sobre o patrimônio; - que a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, não poderia ter modificado o conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da Cofins e, também, não poderia ter aumentado a alíquota da Cofins - que teria ocorrido vício na conversão da Medida Provisória 1.724, de 1988, na sobredita Lei 9.718, e que esta teria desrespeitado aspectos formais estatuídos no Texto Supremo para a edição de lei, ressentindo-se, por essas razões, do vício da inconstitucionalidade que a torna nula de pleno direito; - que a multa de oficio, bem como os juros de mora com a aplicação da taxa Selic, seriam inconstitucionais, cabendo à administração apreciar a inconstitucionalidade de ato normativo. A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, através do Acórdão n° 11- 15.983, de 11 de agosto de 2006, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. PRELIMINAR DE NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, sem a ocorrência de vícios com relação à forma, competência, objeto, motivo ou finalidade, não há falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. INDICAÇÃO DE SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A indicação de saldo credor de caixa induz a caracterização de omissão de receita, que se diz provada, nesse caso, por forma indireta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - PIS, COFINS e CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 767/789, por meio do qual sustenta (em apertada síntese): 3 Processo n° 19615.000490/2004-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-17.108 F1s. 4 - que as DCTF e DIPJ apresentadas por ela, além de outros documentos fiscais de que dispunha, eram suficientes à verificação da idoneidade dos cálculos e recolhimentos relativos ao regime de apuração adotado; - que nenhuma das hipóteses previstas no art. 47 da Lei n° 8.981, de 1995, autorizam, no caso presente, a mudança de aferição da base de cálculo de lucro presumido para lucro arbitrado; - que todas as circunstâncias autorizadoras da determinação do tributo devido por meio de arbitramento, contidas no artigo acima mencionado, pressupõem dolo ou culpa do contribuinte e revestem-se de caráter punitivo, admissivel quando se pode atribuir à empresa as causas que impossibilitam a apuração do lucro real obtido; - que o art. 51 da Lei n° 8.981, de 1995, enumera de forma exaustiva, sem admitir ampliações, as possibilidades de determinação do lucro arbitrado quando a receita bruta da empresa não é conhecida, e, dentre as alternativas ali contidas, nenhuma se aproxima daquela utilizada pela Fiscalização (valores de saída das mercadorias vendidas por ela); - que a Lei n° 9.718, de 1998, alargou as bases de cálculo do PIS e da COFINS em absoluta dissonância com a previsão constitucional (art. 195, I), que autorizava a instituição de contribuição sobre o faturamento, e não sobre a totalidade das receitas; - que a majoração da aliquota da COFINS de 2% para 3% importou em flagrante ofensa ao principio da isonomia, além do que, a majoração da aliquota fixada em lei complementar somente poderia ser veiculada por outra lei complementar; - que a Lei n° 9.718/98 criou uma nova fonte de custeio para a Previdência Social sem que fosse respeitada a exigência do parágrafo 4 0, do art. 195, da Constituição Federal, qual seja, a exigência de lei complementar, uma vez que a base de cálculo prevista não tinha qualquer identidade com àquelas elencadas no inciso I deste mesmo artigo; - que a Lei n° 9.718/98 só poderia ser editada com base na Constituição vigente à época de sua edição, e não com suporte na Emenda Constitucional n° 20/98, que lhe é posterior; - que a Emenda Constitucional n° 20/98, que alterou o disposto no art. 195, I, determinou que a contribuição social poderia incidir sobre a receita ou sobre o faturamento, e não sobre os dois, cumulativamente; - que a aplicação da multa de oficio de 75% afronta o principio da capacidade contributiva, na medida em que tem caráter nitidamente confiscatório, não servindo para legitimá-la a sua instituição por lei; - que seriam inaplicáveis, em razão de inconstitucionalidade, os juros de mora calculados com base na taxa Selic. A Recorrente, amparada em textos doutrinários, protesta, ainda, pela possibilidade dos órgãos administrativos apreciarem a constitucionalidade das leis. 4 Processo n° 19615.000490/2004-86 CC01/CO5 . Acórdão n.° 105-17.108 Fls. 5 É o Relatório. Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de exigências de IRPJ e Reflexos, relativas ao exercício de 2000, formalizadas a partir de imputação de omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Irresignada com a decisão prolatada em primeiro grau, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. Sustenta a Recorrente que as DCTF e DIPJ apresentadas por ela, além de outros documentos fiscais de que dispunha, eram suficientes à verificação da idoneidade dos cálculos e recolhimentos relativos ao regime de apuração adotado. Afirma que nenhuma das hipóteses previstas no art. 47 da Lei n° 8.981, de 1995, autorizam, no caso presente, a mudança de aferição da base de cálculo de lucro presumido para lucro arbitrado (para ela, todas as circunstâncias autorizadoras da determinação do tributo devido por meio de arbitramento, contidas no artigo em referência, pressupõem dolo ou culpa do contribuinte e revestem-se de caráter punitivo, admissivel quando se pode atribuir à empresa as causas que impossibilitam a apuração do lucro real obtido). Argumenta que o art. 51 da Lei n° 8.981, de 1995, enumera de forma exaustiva, sem admitir ampliações, as possibilidades de determinação do lucro arbitrado quando a receita bruta da empresa não é conhecida, e, dentre as alternativas ali contidas, nenhuma se aproxima daquela utilizada pela Fiscalização (valores de saída das mercadorias vendidas por ela). Afirma que a Lei n° 9.718, de 1998, alargou as bases de cálculo do PIS e da COFINS em absoluta dissonância com a previsão constitucional (art. 195, I), que autorizava a instituição de contribuição sobre o faturamento, e não sobre a totalidade das receitas e que a majoração da alíquota da COHNS de 2% para 3% importou em flagrante ofensa ao princípio da isonomia. Adita que a majoração da alíquota fixada em lei complementar somente poderia ser veiculada por outra lei complementar. Sustenta que a Lei n° 9.718/98 criou uma nova fonte de custeio para a Previdência Social sem que fosse respeitada a exigência do parágrafo 4°, do art. 195, da Constituição Federal, qual seja, a exigência de lei complementar, uma vez que a base de cálculo prevista não tinha qualquer identidade com àquelas elencadas no inciso I deste mesmo artigo, e que a referida lei só poderia ser editada com base na Constituição vigente à época de sua edição, e não com suporte na Emenda Constitucional n° 20/98, que lhe é I posterior. Diz que a Emenda Constitucional n° 20/98, que alterou o disposto no art. 195, I, determinou que a contribuição social poderia incidir sobre a receita ou sobre o faturamento, e não sobre os dois, cumulativamente. Argumenta que a aplicação da multa de oficio de 75% afronta o princípio da capacidade contributiva, na medida em que tem caráter nitidamente confiscatório, não servindo para legitimá-la a sua instituição por lei. Aduz, ainda, que seriam inaplicáveis, em razão de inconstitucionalidade, os juros de mora calculados com base na taxa Selic e que os órgãos administrativos são competentes para apreciarem a constitucionalidade das leis. Vejamos, de início, os fatos apurados pela Fiscalização.dr 0 14 •• , ' 5 .. • Processo n° 19615.000490/2004-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-17.108 Fls. 6 Em conformidade com Relatório de Fiscalização de fls. 34/48, temos: ... Em 30/11/2004, através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 42 (fls. 298/316), a contribuinte fiscalizada foi intimada a comprovar/justificar a origem dos recursos utilizados para suportar a diferença apurada entre as aplicações de recursos e as disponibilidades, sendo aquelas (as aplicações) superiores a estas (as disponibilidades nos quatro trimestres de 1999, conforme planilhas do LEVANTAMENTO DO FLUXO FINANCEIRO — LUCRO PRESUMIDO). No referido Termo foi informado ao contribuinte que não havendo a comprovação da origem de tais recursos, os mesmos serão tributados como omissão de receitas conforme art. 281, inciso I e 528 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR/99), com redação dada pelo Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 12, § 2°, Lei n°9.430/96, art. 40. No Livro Razão do ano de 1999 apresentado pelo contribuinte não está registrada nenhuma conta corrente bancária. Logo, todo e qualquer pagamento efetuado pela empresa foi através do caixa. Assim, havendo fluxo financeiro negativo indica necessariamente o saldo credor de caixa. Do referido Termo, podem ser extraídas, ainda, as seguintes informações: - antes de computar no saldo do CAIXA os pagamentos não escriturados (diferença negativa entre o total das disponibilidades e as aplicações apuradas), a Fiscalização promoveu ajustes na referida conta, eis que detectou impropriedades no registro de pagamentos; e - no ano sob investigação (1999), a Recorrente apresentou Declaração de Informações (DIPJ) sem consignar qualquer valor a título de vendas, e não apresentou DCTF. A contribuinte foi intimada e reintimada a prestar esclarecimentos acerca da origem dos recursos que poderiam dar suporte à diferença apurada entre as aplicações e as disponibilidades (Termos de Intimação às fls. 298/299 e 317/318). Entretanto, não se manifestou. A contribuinte não juntou qualquer documento, seja na impugnação, seja no recurso, capaz de demonstrar a improcedência da apuração promovida pela Fiscalização. Diante desse quadro e considerados os argumentos expendidos pela Recorrente, os lançamentos devem ser mantidos, vez que: 1. se a contribuinte apresenta declaração de informações sem registro de vendas e não entrega DCTF, não há que se recepcionar argumento no sentido de que esses mesmos fdocumentos possam oncorrer para a verificação da idoneidade dos seus cálculos e recolhimentos; 6 . • Processo n° 19615.000490/2004-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-17.108 Fls. 7 2. os argumentos da Recorrente acerca de arbitramento do lucro não guardam relação com os autos, vez que a autoridade fiscal não adotou tal regime para apurar a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL (a Fiscalização adotou a mesma sistemática utilizada pela contribuinte, qual seja, LUCRO PRESUMIDO); 3. as alegações da Recorrente acerca de supostas inconstitucionalidades da Lei n° 9.718/98, sobre a interpretação da Emenda Constitucional n° 20/98 e acerca de uma eventual violação do principio da capacidade contributiva em razão da multa aplicada, diferentemente do sustentado por ela, não podem ser apreciadas em seara administrativa, estando tal entendimento pacificado no âmbito deste Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme súmula n° 2, abaixo reproduzida. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. relativamente à aplicação da taxa juros SELIC, a matéria, da mesma forma, já se encontra pacificada no âmbito deste Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme súmula n° 4, abaixo reproduzida. A partir de 1 0 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2008. WILS (') ARÃES 7 Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000095/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 29/06/2001, 31/07/2001, 06/09/2001, 28/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 28/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002
PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA.
Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art. 543-C do Código de Processo Civil. Hipótese de aplicação do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
PREJUDICIALIDADE.
Não sendo reconhecido o direito creditório, a análise das questões que lhe são acessórias torna-se prejudicada.
Numero da decisão: 3201-000.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 29/06/2001, 31/07/2001, 06/09/2001, 28/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 28/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art. 543-C do Código de Processo Civil. Hipótese de aplicação do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. PREJUDICIALIDADE. Não sendo reconhecido o direito creditório, a análise das questões que lhe são acessórias torna-se prejudicada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10945.000095/2005-78
conteudo_id_s : 5241680
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.981
nome_arquivo_s : Decisao_10945000095200578.pdf
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 10945000095200578_5241680.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4842125
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045805225476096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000095/200578 Recurso nº 170.940 Voluntário Acórdão nº 3201000.981 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23/05/2012 Matéria RESTITUIÇÃO ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS DIVERSOS Recorrente MONDAY COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 29/06/2001, 31/07/2001, 06/09/2001, 28/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 28/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art. 543C do Código de Processo Civil. Hipótese de aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. PREJUDICIALIDADE. Não sendo reconhecido o direito creditório, a análise das questões que lhe são acessórias tornase prejudicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mara Cristina Sifuentes (substituta convocada), e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o processo de pedido de restituição de multas de mora incidentes sobre recolhimentos de PIS e de Cofins, fl. 01, protocolizado em 19/01/2005, em relação aos pagamentos efetuados entre 02/02/2001 e 31/10/2002, conforme DARF (cópias) de fls. 11/45 e planilha de fl. 10. 0 valor total do referido pedido, atualizado até outubro/2004, importa em R$ 47.369,60. À fl. 01, consta como motivo do pedido: "Crédito Proveniente de multas pagas indevidamente devido a denúncia espontânea (art. 138, CTN)"; nesse documento diz ainda a interessada (campo 3 — Demonstrativo do cálculo da restituição): "foram utilizados os DARF'S de parcelamento com recolhimento em atraso, o período de recolhimento dos DARF'S se estende de fevereiro de 2001 a outubro de 2002." Além dos documentos mencionados, instruem o processo, no essencial: cópia do cartão CNPJ (fl. 03); cópia de documentos societários (fls. 04/06); declaração de que o crédito pleiteado não é objeto de outro pedido de ressarcimento e nem foi utilizado para abatimento de seus débitos (fls. 07/08). Em 08/04/2005, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Foz do IguaçuPR, conforme despacho decisório e informação fiscal Seort/DRF/Foz n.° 078/2005 de fls. 46/47, em razão de que os pagamentos pleiteados, são relacionados a processos de parcelamento de PIS e Cofins, sendo que parcelas de parcelamentos não correspondem a pagamentos espontâneos de débito, afastandose, assim, o instituto da denúncia espontânea. A fl. 48, consta cópia da intimação Seort n.° 111/2005, datada de 11/04/2005, para dar ciência à interessada do indeferimento de seu pedido. As fls. 49/66, consta a manifestação de inconformidade, interposta pela interessada em 03/05/2005, por intermédio de procurador (mandato de fl. 71), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após breve relato das ocorrências havidas no processo até a emissão do despacho decisório, alega (item "II — Do direito — Impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente") que em razão do Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000095/200578 Acórdão n.º 3201000.981 S3C2T1 Fl. 2 3 disposto no art. 138 do CTN, quando do pagamento espontâneo de débito tributário, não deveria incidir qualquer espécie de penalidade. Na seqüência (item III — "Ainda do direito — do caráter sancionatório da multa aplicada"), em extenso arrazoado, valendose da doutrina e da jurisprudência, tenta demonstrar o caráter sancionatório das multas de mora. No item IV ("Do direito aos juros Selic"), defende a incidência de juros Selic sua pretendida restituição; já, no item V ("Da correção monetária — atualização pelo INPC"), peticiona a incidência, sobre os valores a restituir, do índice integral do INPC. Ao final, requer o provimento de seu recurso e o conseqüente deferimento de seu pedido, na forma exposta. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 05/03/2008, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 0616.982 (fls. 80/84): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 29/06/2001, 31/07/2001, 06/09/2001, 28/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 28/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal em 16/04/2008 (fl. 86), tendo protocolado seu recurso voluntário em 16/05/2008 (fls. 88/99), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sede de manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 09/06/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Penso que o cerne consiste em saber se a confissão de dívida acompanhada do pagamento parcelado do débito tributário afasta a espontaneidade para fins de aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, ou seja, para fins de exclusão da multa. Para analisar a questão de forma apropriada, entendo pertinente transcrever o art. 138 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. O dispositivo invocado pela Recorrente não faz qualquer menção ao pagamento parcelado do tributo devido, o que, a princípio, torna a sua aplicação imprópria para o caso em análise. Deveras, o objetivo do legislador ao incluir esse dispositivo no ordenamento jurídico foi fomentar o cumprimento da obrigação tributária sem a necessidade de mobilizar a fiscalização. Nessa linha de pensamento, registro que o cumprimento da obrigação tributária revelase perfeito apenas quando da extinção do crédito tributário, sendo certo que o parcelamento constitui hipótese de mera suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o pagamento integral do mesmo. Ademais, se o próprio programa de parcelamento impõe a confissão de dívida para que os débitos sejam nele inscritos, entendo que a espontaneidade é discutível na medida em que a ação do devedor é induzida por uma condição de pagamento melhor do que a usual. Convém registrar, por fim, que a questão já foi objeto de análise pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.102.577/DF, o qual seguiu o regime do art. 543C do Código de Processo Civil. Confirase a ementa desse julgado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1102577/DF, Rel. MIN. HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009) Sendo este aresto um recurso repetitivo, aplico o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. As questões acessórias trazidas à lume pela Recorrente tornamse prejudicadas face a esse entendimento, razão pela qual reservome o direito de não analisálas. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000095/200578 Acórdão n.º 3201000.981 S3C2T1 Fl. 3 5 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900246/2008-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10320.900246/2008-80
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5242275
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.117
nome_arquivo_s : Decisao_10320900246200880.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10320900246200880_5242275.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4842337
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045805268467712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 39 1 38 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.900246/200880 Recurso nº 3 Voluntário Acórdão nº 3403002.117 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria PIS PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente FASCEMAR FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 02 46 /2 00 8- 80 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório FASCEMAR FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 25498.07790.250504.1.3.040002, por meio do qual requereu a restituição de indébito, no valor de R$ 2.863,64, por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de PIS, efetuado em 25/11/2003, e declarou sua compensação com débito de Cofins. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 757722438, fl. 14, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, fls. 1 e 2, por meio da qual o declarante alega erro no valor do débito de PIS do PA 01/10/2003 a 31/10/2003 e que o crédito utilizado na compensação não foi demonstrado na DCTF original, equívoco sanado na DCTF retificadora enviada depois da ciência do Despacho Decisório. Instruiu sua Manifestação de Inconformidade com cópia do Despacho Decisório, do PER/DComp e da DCTF original. A DRJ/FOR3ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 0819.678, de 22 de dezembro de 2010, fls. 24 a 28, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova do erro alegado, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FOR3ª Turma. O arrazoado de fls. 32 a 36, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que, ao constatar o erro na apresentação da declaração original e após a expedição do despacho decisório em referência, apresentou DCTF retificadora, oportunidade em que introduziu no sistema de informações da Receita Federal as informações sobre o crédito que dispunha junto à Fazenda Nacional em decorrência do recolhimento à maior. Desta feita, antes da apresentação da Manifestação de Inconformidade que provocou a decisão recorrida, todas as condições para o aproveitamento do crédito em questão já haviam sido atingidas, inclusive com a apresentação de todos os novos documentos que a recorrente dispunha na oportunidade, conforme regramento do art. 16, §4°, "b", do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF, que transcreve. No caso, os documentos juntados aos autos foram produzidos posteriormente à apresentação da PER/DComp, mas integraram a Manifestação de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900246/200880 Acórdão n.º 3403002.117 S3C4T3 Fl. 40 3 inconformidade apresentada pela recorrente em todos os seus efeitos, restando, assim, devidamente comprovados a ocorrência de erro da recorrente na declaração e recolhimento do tributo, ocasionando pagamento à maior e a existência de crédito a compensar. Entende que a decisão recorrida merece reforma, tendo em vista que todos os requisitos necessários para o deferimento da compensação em questão se encontram presentes nos autos, restando cabalmente comprovadas a ocorrência de erro por parte da recorrente quando da declaração e pagamento do tributo em questão e da existência do crédito perseguido. Pelo exposto, requerse que seja julgamento inteiramente provido o presente recurso, reformando integralmente a decisão guerreada para, em reconhecendo a existência do crédito perseguido pelo recorrente, se autorize a compensação requerida, sendo, assim, declarado extinto o crédito tributário. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 24 a 28 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFOR4ª Turma nº 0819.678, de 22 de dezembro de 2010. Liminarmente, informo que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o débito da contribuição do PA de interesse não seja aquele confessado na DCTF original. Há tão somente sua alegação. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710— RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83— PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA– VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO– NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL –ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES– Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ– Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ –RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) A prova do alegado direito creditório é ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900246/200880 Acórdão n.º 3403002.117 S3C4T3 Fl. 41 5 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nem mesmo a DCTF retificadora, transmitida após a ciência do DDE, quando o contribuinte não mais dispunha de espontaneidade hábil para conferirlhe a mesma natureza da DCTF original1, aporta aos autos a prova da liquidez e certeza do crédito oposto na compensação, atributos requeridos pelo art. 170 do CTN. 1 Inteligência do art. 11 da INRFB nº 903, de 2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração riginariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 E não se diga que o contribuinte não teve como apresentar a prova requerida. Nos termos do art. 16 do PAF, que o recorrente demonstrou bem conhecer, o rito do processo administrativo fiscal federal facultalhe a produção probatória até o momento processual da reclamação2, quando a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/10/2003 a 31/10/2003) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. 2 Até a Manifestação de Inconformidade, nos processos de restituição, ressarcimento e compensação de tributos e contribuições federais. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001503/2004-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.207
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10925.001503/2004-66
conteudo_id_s : 5244676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.207
nome_arquivo_s : Decisao_10925001503200466.pdf
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 10925001503200466_5244676.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4855486
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045805297827840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.001503/200466 Recurso nº 137.317 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.207 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HÉLIO JOÃO CARDON ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Hélio João Cardon foi lavrado o auto de infração de fls. 02/05, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2000, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Reserva Legal. A Segunda Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 30239.317, que se encontra às fls. 167/172 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Tendo o contribuinte trazido aos autos laudo técnico e cópia de documentos que comprovam o atendimento dos requisitos legais, deve ser reconhecido o direito à isenção do tributo, na forma da lei. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 25/07/2008 (fls. 173) a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os Embargos de Declaração de fls. 176/178 que, em sessão de 15/10/2008, foram, por unanimidade, conhecidos porém rejeitados (acórdão nº 30239.80). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001503/200466 Acórdão n.º 920202.207 CSRFT2 Fl. 2 3 Assim, intimada em 21/01/2009 (fls. 185) do acórdão que rejeitou os embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 188/197, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste Colegiado no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel em data anterior à ocorrência do fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR (acórdão nº 30130.475). Ao Recurso Especial foi dado seguimento conforme Despacho nº 2101 0094/2010, de 04/06/2010 (fls. 199/200). Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 204/206. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional foi admitido para discussão sobre a necessidade de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma o acórdão nº 30130.475, in verbis: Acórdão n° 30130.475: "ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área do imóvel definida como de reserva legal só poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não em data posterior. Negado provimento por unanimidade". Com efeito, pelo exame da ementa dos paradigmas colacionados resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, ao examinar a documentação trazida aos autos durante a fiscalização, especialmente a cópia da matrícula do imóvel, verifico a existência da averbação, em 25/01/2001, da área de reserva legal no montante de 326,16ha (matrícula 1.764– fls. 20). A existência da reserva legal em questão foi, inclusive, reconhecida pela d. Autoridade Fiscal quando da lavratura do auto de infração (fls. 03), embora tenha sido Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 ressaltado pela referida autoridade que ela se deu em data posterior à ocorrência do fato gerador e que não foi apresentado o ADA para o exercício em questão. Verifico que de fato a reserva legal foi averbada em 25/01/2001, posteriormente ao fato gerador objeto do presente lançamento que se verificou em 01/01/2000, mas antes do início do procedimento fiscal (que se deu em 08/06/2004 – fls. 10). A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001503/200466 Acórdão n.º 920202.207 CSRFT2 Fl. 3 5 de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001503/200466 Acórdão n.º 920202.207 CSRFT2 Fl. 4 7 ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. No presente caso, tendo havido a contestação da glosa da área de reserva legal pela autoridade fiscal a averbação na matrícula (fls. 10), ainda que posterior ao fato gerador, comprova sua existência. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
