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Numero do processo: 10805.905758/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. INOCORRÊNCIA.
Apenas as impugnações tempestivamente apresentadas, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação para exigência do crédito tributário, formalizadas por escrito e acompanhadas dos documentos que embasam as razões do recurso instauram validamente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Inteligência dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. INOCORRÊNCIA. Apenas as impugnações tempestivamente apresentadas, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação para exigência do crédito tributário, formalizadas por escrito e acompanhadas dos documentos que embasam as razões do recurso instauram validamente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Inteligência dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. INOCORRÊNCIA. Apenas as impugnações tempestivamente apresentadas, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação para exigência do crédito tributário, formalizadas por escrito e acompanhadas dos documentos que embasam as razões do recurso instauram validamente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Inteligência dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 57 58 /2 01 2- 76Fl. 160DF CARF MF 2 Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de despacho decisório eletrônico, cientificado ao contribuinte em 20/03/2013, relativo ao PER/DCOMP 07596.72520.310512.1.3.046181, que não homologou a compensação apresentada, fundado na vinculação do crédito a outros débitos. Em 27/08/2013 o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade aduzindo que teve conhecimento do referido despacho ao tentar emitir CND; que não foi cientificado por via postal, mas por edital; que houve modificação do seu endereço em 08/2012, todavia, devido a problemas burocráticos, não conseguiu promover a alteração junto à SEFAZ/SP em tempo hábil; e, que a não homologação da compensação decorreu de erro de preenchimento na DCTF e DACON, já devidamente corrigidos. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou o recurso perempto, por inobservar o trintídio legal para seu protocolo. Em recurso voluntário requereuse a declaração de nulidade da intimação editalícia, por inválida, e, por arrastamento, a decisão de primeiro grau administrativo, que não conheceu do recurso, porquanto não houve qualquer diligência para se intimar os sócios da pessoa jurídica, ante a infrutífera intimação postal do contribuinte; além do que, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não teria sido observado pela unidade preparadora/julgadora, sendo nula de pleno direito a intimação realizada, oportunidade que referenciou jurisprudência administrativa e judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A alegação central de defesa aduz que, sob sua ótica, frustrada a intimação postal da pessoa jurídica, com retorno do Aviso de Recebimento – AR com informação “mudouse”, deveria a Administração Tributária envidar esforços para diligenciar/cientificar os seus sócios, de maneira que, ao não adotar essa providência, violou o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, pois o esgotamento de todas as possibilidades de ciência, antes da utilização do edital, era medida impositiva, o que inquinaria de nulidade a intimação assim realizada. Para facilitar o exame da questão, transcrevo, na parte que interessa, o dispositivo em comento: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10805.905758/201276 Acórdão n.º 3401004.306 S3C4T1 Fl. 11 3 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 162DF CARF MF 4 c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” (destacado) Cumpre assinalar, por primeiro, que os meios de intimação pessoal, postal ou eletrônico não se sujeitam a ordem preferencial, sendo válida a intimação postal encaminhada ao endereço constante dos cadastros da RFB (domicílio de eleição), sendo que a frustração de intimação por um dos meios listados permite a intimação editalícia. Acentuese que o art. 23, § 1º, reproduzido, não exige que todos os meios de ciência disponíveis sejam esgotados antes de se adotar a intimação por edital, bastando que a modalidade escolhida, sem ordem de preferência, frisese, mostrese infrutífera. Nesse diapasão, sem resultado a intimação pessoal, e.g., não há necessidade de tentativa de realização por via postal ou eletrônica, bastando a inocuidade de uma delas para possibilitar o emprego do edital, o que exatamente aconteceu no caso vertente, onde a intimação postal restou frustrada, consoante noticia o despacho de efl. 104, abrindo caminho para a afixação da intimação por meio de edital. De outra banda, não procede a alegação que os sócios da pessoa jurídica deveriam ser intimados, antes da utilização do edital; a uma, porque o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não impõe essa exigência, e, a duas, porque, pelo princípio contábil da entidade (Resoluções CFC 750/93 e 1.282/10), o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de seus sócios, de maneira que não extinta, não há porque intimar seus sócios para exigirlhes crédito tributário de sujeição passiva daquela, como é o caso sub examine. Não custa lembrar que toda essa situação foi desencadeada pela falta de diligência do próprio contribuinte que, segundo informou em seu recurso inaugural, transferiu seu endereço em agosto/2012 o que se atesta, inclusive, pela data de depósito da alteração Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10805.905758/201276 Acórdão n.º 3401004.306 S3C4T1 Fl. 12 5 contratual na JUCESP (efls. 37/45) , no entanto, 05 (cinco) meses após, em janeiro/2013, quanto intimado por via postal, ainda não havia regularizado a sua situação cadastral perante a RFB, com a indicação do novel endereço. Assim, após analisar o quadro fático, infiro que inexiste qualquer vício que inquine as intimações realizadas, estando, ambas, em plena conformidade com o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que regula a ciência dos atos administrativos no processo administrativo fiscal, de sorte que a decisão recorrida mostrase acertada ao não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, não restando instaurada a fase litigiosa do procedimento, ex vi dos arts. 14 e 15 do mesmo diploma, verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (…) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Pelo exposto, constatase que a manifestação de inconformidade é intempestiva e, nessa condição, não deveria mesmo ser conhecida, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000219/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2006 A 30/06/2006 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 19 /2 00 8- 73 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000219/200873 Acórdão n.º 3201003.361 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.906, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 16349.000219/200873 Acórdão n.º 3201003.361 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.900249/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 02 49 /2 00 9- 02 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10835.900249/200902 Acórdão n.º 1401002.217 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.006530/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 20/01/2006 a 31/01/2008
HABILITAÇÃO PARA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
O Carf não é competente para apreciar o cancelamento de habilitação em comércio exterior, cf. art. 76 da Lei 10.637/2002, combinado com o rito processual previsto na Lei 9.784/99
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-003.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o patrono Dr. José Ribamar Barros Penha, OAB/DF 34.127, escritório Penha Advogados Associados.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/01/2006 a 31/01/2008 HABILITAÇÃO PARA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. O Carf não é competente para apreciar o cancelamento de habilitação em comércio exterior, cf. art. 76 da Lei 10.637/2002, combinado com o rito processual previsto na Lei 9.784/99 Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o patrono Dr. José Ribamar Barros Penha, OAB/DF 34.127, escritório Penha Advogados Associados.
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CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. O Carf não é competente para apreciar o cancelamento de habilitação em comércio exterior, cf. art. 76 da Lei 10.637/2002, combinado com o rito processual previsto na Lei 9.784/99 Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o patrono Dr. José Ribamar Barros Penha, OAB/DF 34.127, escritório Penha Advogados Associados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 65 30 /2 00 8- 57 Fl. 800DF CARF MF 2 Relatório Para relatório, transcrevo trecho do despacho à fl. 393: Tratase de Auto de Infração (fls. 16) propondo o cancelamento da habilitação da pessoa jurídica DISPET INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA para operar sob o regime aduaneiro especial de importação de embalagens préformas classificadas no código 3923.30.00, ex 01, da TIPI. A motivação para o cancelamento teria sido a manipulação dos dados informados ao Fisco, com recolhimento a menor do PIS/PASEP e COFINS, infrações estas apuradas nos autos do processo n° 10909.005900/200839, que encontrase para julgamento pelo CARF, conforme pesquisa no sistema COMPROT. O Auto de Infração, lavrado em 6 de novembro de 2008, teve como embasamento legal: art. 76, inciso III, alínea 'h', da Lei n° 10.833/2003; arts. I o , 3o , inciso II, 4 o e 5 o da IN SRF n° 604/2006; arts. 2o , 3o , 15, 18, 19, 20, 22, 482, 483, 485, 491, 504 e 602 do Decreto n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro). A ciência do contribuinte ocorreu em 17 de novembro de 2008. Todavia, na mesma data, a interessada também foi cientificada de decisão assinada pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajaí, excluindoIhe do regime especial (fls. 162163). Em 27 de novembro de 2008, a autuada protocolou recurso no qual questiona o rito processual adotado e requer a suspensão da decisão de exclusão até que sejam julgados em última instância administrativa os lançamentos efetuados através do processo 10909.005900/200839. Tal recurso foi enviado para apreciação da Diana/SRRF 9a RF (fls. 356 357), cujo parecer foi pela observância do rito processual definido nos parágrafos 8o , 9o e 10 do art. 76 da Lei n° 10.833/2003 (fl. 358). (...) Assim, na data de 16 de março de 2009, foi concedido prazo de 20 (vinte) dias para apresentação de impugnação ao Auto de Infração (fl. 359), a qual foi protocolada pelo contribuinte em 3 de abril de 2009 (fls. 360382). O presente processo foi então encaminhado ao Carf para apensação ao processo 10909.005900/200839. Todavia, em 02/06/2011, o presente processo veio a julgamento, que foi convertido em dligência (Resolução 3201000.258), para sobrestamento até o julgamento final do processo 10909.005900/200839. Tendo o processo 10909.005900/200839 sido julgado definitivamente na esfera administrativa, o presente processo volta a este Carf para julgamento. É o relatório. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10909.006530/200857 Acórdão n.º 3201003.503 S3C2T1 Fl. 801 3 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. Juízo de conhecimento Não há, no presente processo, matéria de conhecimento do Carf. Não há, além disso, Recurso Voluntário. O processo veio ao Carf para apensação ao processo 10909.005900/200839 somente, e por equívoco, foi julgado separadamente. O presente processo trata do cancelamento da habilitação para operação em comércio exterior da empresa, nos termos do art. 76, §§ 8º a 11º da Lei 10.637/2002. Art. 76. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções: (...) III cancelamento ou cassação do registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação para utilização de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, exercício de atividades relacionadas com o despacho aduaneiro, ou com a movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos, na hipótese de: (...) § 8o Compete a aplicação das sanções: (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) I ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal responsável pela apuração da infração, nos casos de advertência ou suspensão; ou II à autoridade competente para habilitar ou autorizar a utilização de procedimento simplificado, de regime aduaneiro, ou o exercício de atividades relacionadas com o despacho aduaneiro, ou com a movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos, nos casos de cancelamento ou cassação. § 9o As sanções previstas neste artigo serão aplicadas mediante processo administrativo próprio, instaurado com a lavratura de auto de infração, acompanhado de termo de constatação de hipótese referida nos incisos I a III do caput. § 10. Feita a intimação, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implicará revelia, cabendo a imediata aplicação da penalidade. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Fl. 802DF CARF MF 4 § 10A. A intimação a que se refere o § 10 deste artigo será: (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 11. Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 12. O prazo a que se refere o § 11 poderá ser prorrogado quando for necessária a realização de diligências ou perícias. § 13. Da decisão que aplicar a sanção cabe recurso, a ser apresentado em 30 (trinta) dias, à autoridade imediatamente superior, que o julgará em instância final administrativa. § 14. O rito processual a que se referem os §§ 9o a 13 aplicase também aos processos ainda não conclusos para julgamento em 1ª (primeira) instância julgados na esfera administrativa, relativos a sanções administrativas de advertência, suspensão, cassação ou cancelamento. Esse procedimento é interno à Receita Federal, e não há previsão legal ou regulamentar de que tramite sob o rito do PAF – Decreto 70.235/72, isto é, que seja julgado em segunda instância administrativa pelo Carf. A competência para revisão da decisão é da autoridade imediatamente superior, cf. §13. O rito processual, portanto, é o da Lei 9.784/99, combinado com o art. 76 da Lei 10.637/2002, já citado. O art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, diz: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O instrumento para declinação de competência poderia ser outro, como um mero despacho de devolução, porém, tendo havido já decisão colegiada do Carf neste processo, tenho por bem submetêlo novamente ao colegiado, para consolidação da declinação de competência. Desse modo, voto por não tomar conhecimento da matéria pertinente ao presente processo. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10909.006530/200857 Acórdão n.º 3201003.503 S3C2T1 Fl. 802 5 Fl. 804DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908852/2012-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 74 1 73 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908852/201226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.138 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria COFINS Recorrente NASCIMENTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 52 /2 01 2- 26 Fl. 74DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041991000 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 34377.86496.150312.1.7.047779, enviada em 15/03/2012, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 15.322,26. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, tendo sido homologado parcialmente a compensação. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 1.761,25 de principal, R$ 87,74 de multa e R$ 161,50 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente apresentou argumentos no sentido de reconstruir a sinopse histórica dos fatos. Pagamento a maior Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 75 3 Em julho de 2011, teria efetuado pagamento de COFINS referente ao mês de junho de 2011, no valor de R$ 68.713,15, enquanto, na verdade, deveria ter recolhido valor menor. DACON Retificadora Isto posto, ou seja, de sua percepção pelo pagamento a maior, em dezembro de 2011, apresentou DACON retificadora, na qual apurou COFINS, junho de 2011, no valor de R$ 53.290,89. Dcomp Ainda no mês de março de 2012, manuseou Per/Dcomp 34377.86496.150312.1.7.047779 e 24430.76907.220312.1.3.045067, na intenção de compensar referido pagamento a maior. Documentos anexados Anexou, nesta manifestação de inconformidade, extrato da DCTF, Despacho Decisório e DACON. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1450.767 11ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração junho de 2011, no valor de Fl. 76DF CARF MF 4 R$ R$ 15.322,26, transmitido através do PER/Dcomp nº 34377.86496.150312.1.7.047779. A DRF Florianópolis não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 7, proferido em 03/01/2013, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 24/01/2013 (fl. 8), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, para argumentar que o crédito seria decorrente de recolhimento a maior da contribuição. Alegou que teria declarado em Dacon e DCTF valor maior do que o débito devido, e que, posteriormente, teria efetuado a correção, restando saldo de pagamento disponível. Concluiu para solicitar a homologação do PER/Dcomp nº 34377.86496.150312.1.7.047779. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja: O argumento da interessada limitouse a suposto erro no preenchimento de DCTF, o qual, uma vez sanado, demonstraria o indébito alegado na Declaração de Compensação. Ocorre que a mera retificação da DCTF não pode ser aceita como prova, já que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. No presente, o interessado limitouse a alegar que a retificação da DCTF faria surgir saldo de pagamento disponível, sem apresentar qualquer documentação que lastreasse tal argumento. Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a recorrente apresenta o cabimento e tempestividade, refazendo, a seguir, o quadro histórico já apresentado na manifestação de inconformidade. Dando continuidade, põe em elenco suas razões para a reforma da decisão de primeiro piso. Dacon Retificadora A recorrente julga suficiente a apresentação de DACON retificadora para comprovar a correta apuração da base de cálculo da Cofins, e a cabal demonstração do pagamento a maior efetuado. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 76 5 Dcomp A recorrente refaz os fatos pelo quais apresentou Dcomp requerendo a homologação da compensação declarada. Documentos Anexados A recorrente, em sede recursal, juntou cópia dos DARF pagas a maior, DCTF original e retificadora, Dacon retificada e original, Dcomp e cópia do Razão. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Recorrente, segundo consta no Termo de Ciência de Abertura de Mensagem, mediante o respectivo DTE, tomou ciência do acórdão que julgou sua Manifestação de Inconformidade em 15 de outubro de 2014. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 27 de outubro de 2014. Tempestivo, portanto, o Recurso Voluntário. Em decorrência, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia em razão de pagamento a maior. A comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar a devida sincronicidade entre as declarações acessórias as quais encontrase submetida, em especial a DACON e Dcomp. E, conforme visto, em sede de manifestação de inconformidade, buscou sustentar a legitimidade de seu crédito a que foi rechaçado por 2 motivos: desrespeito às formalidades da IN 900/08, para fins de cancelamento da primeira Dcomp; e, a utilização do crédito apontado na Dcomp e pagamento DARF. Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na Dcomp. Fl. 78DF CARF MF 6 A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 77 7 a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele Fl. 80DF CARF MF 8 julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 78 9 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real Fl. 82DF CARF MF 10 ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 79 11 de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Fl. 84DF CARF MF 12 Momento para apresentação da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Parto do entendimento que o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 é claro e suficiente em seu regramento quanto ao momento de apresentação das provas. Não deixando margem para juntadas posteriores à manifestação de inconformidade. Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10983.908852/201226 Acórdão n.º 3001000.138 S3C0T1 Fl. 80 13 Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001457/2003-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de ensino de línguas estrangeiras no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81.
Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
Numero da decisão: 9101-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo -Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de ensino de línguas estrangeiras no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo -Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 304 1 303 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.001457/200321 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.392 – 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USA CURSO DE IDIOMAS LTDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de ensino de línguas estrangeiras no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 14 57 /2 00 3- 21 Fl. 304DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Simples Federal, por meio de Ato Declaratório nº 396.535, de 02 de outubro de 2000, no qual se identifica como causa de exclusão a identificação de “atividade econômica não permitida para o Simples” (fls. 17). O contribuinte apresentou impugnação contra este ato (fls. 2/4 e 20/35). O requerimento foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo, em acórdão assim ementado (fls. 77/85): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de . Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: ESTABELECIMENTO DE ENSINO. OPÇÃO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de ensino ou treinamento, por assemelharse à de professor, estão impedidas de optar pelo Simples. CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Solicitação Indeferida Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 100/108), alegando, em síntese: (i) que a Constituição Federal incentivaria empresas de pequeno porte; (ii) as empresas que tenham faturamento dentro do limite previsto no artigo 2º, da Lei nº 9.317/1996 poderia optar pelo Simples; (iii) o artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996 ofenderia o princípio da isonomia, assegurado pelo artigo 150, da Constituição Federal; (iv) as atividades do contribuinte não se enquadrariam no artigo 9º XIII, da Lei nº 9.317/1996, notadamente porque a Lei nº 5.692/1971 (Lei de Diretrizes e Bases da Edução Nacional) não abrangeria cursos de idiomas estrangeiros; (v) acrescenta, por fim, que o artigo 9º, XIII deveria ter interpretação restrita, na forma do artigo 111, do Código Tributário Nacioanl. Consta dos autos, ainda, cópia do Mandado de Segurança impetrado pelo SINDELIVRE – Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas de Assistência Social, de Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11610.001457/200321 Acórdão n.º 9101003.392 CSRFT1 Fl. 305 3 Orientação e Fromação Profissional no Estado de São Paulo, para assegurar aos seus associados (Cursos Livres) a adesão ao Simples (Processo nº 97.00086097 e Apelação nº 2000.03.99.069958 – fls. 198/205) e sentença julgando procedente o citado processo (fls. 206/211). A 2ª Turma do extinto 3º Conselho de Contribuinte resolveu por vbaixar o processo em diligência, para (fls. 219 – volume 2), para confirmar se o contribuinte era associado do Sindicato ao tempo da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança, como também para juntada de certidão de objeto e pé. Atendendo parcialmente à intimação, o contribuinte apresentou o comprovante de sua associação ao referido Sindicato em 15/02/1997, além de cópias obtidas no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 249). Nesse contexto, a Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 253/257 volume 2): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2000 SIMPLES. ESCOLA DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS, O art. 17, XVI, combinado com o art. 18, 5°B, I, da Lei Complementar n° 123/2006, permitem que as escolas de línguas estrangeiras de micro e pequeno porte possam recolher tributos na forma do Simples Nacional, desde que se dediquem exclusivamente a essa atividade ou não exerçam outra que seja objeto de vedação. Recurso Voluntário Provido. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/03/2010 (fls. 260), que interpôs recurso especial em 26/03/2010 (fls. 260, pdf 44), sustentando divergência a respeito da retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 para legitimar a permanência da contribuinte no Simples Federal, com o acórdão paradigma nº: 30335326, nos seguintes termos: "a alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato.” O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 279/281): O confronto das ementas e dos fundamentos dos votos dos acórdãos recorrido e paradigma demonstra que a recorrente logrou comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial. Verificase que a decisão do acórdão recorrido admitiu a inclusão da ' contribuinte no SIMPLES, com base nas disposições da Lei Complementar n° 123/2006 aplicadas Fl. 306DF CARF MF 4 retroativamente ao fato gerador correspondente ao exercício de 2000 (...) Já a decisão do acórdão paradigma concluiu pela impossibilidade da aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN, não tendo admitido a inclusão no SIMPLES, com base na aplicação retroativa das disposições da Lei Complementar ri° 123/2006, de contribuinte que à época da ocorrência do fato gerador se submetia às vedações existentes no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996, como se lê na ementa, retro transcrita, c nos fundamentos do voto vencedor, do acórdão paradigma n" 30335.326, fls. 253 dos presentes autos.(...) Dessarte, no uso da competência conferida no §1°, do art. 68, Anexo 1, do Regimento Interno do CARF, satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado em 07/12/2010 (fls. 284), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 21/12/2010, requerendo não seja conhecido o recurso ou, subsidiariamente, sejalhe negado provimento. Alega o contribuinte que: (i) O acórdão paradigma (30335326) não teria similitude fática com o acórdão recorrido; (ii) O contribuinte não dependeria de habilitação profissional para exercíciod e sua atividade, inexistindo vedação na Lei nº 9.317/1996 para adesão ao Simples Federal; (iii) Seria inconstitucional a Lei nº 9.317/1996 ao definir atividades que poderiam optar pelo regime simplificado; (iv) A atividade de professor, como regulada pela Lei de Diretirzes e Bases da Educação Nacional, seria distinta da atividade de ensino de idomas estrangeiros; (v) defende que o artigo 9º deveria ser interpretado restritivamente, de acordo com o artigo 111, do Código Tributário Nacional; (vi) finalmente, a Lei Complementar nº 123/2006 confirmaria a possibilidade de adesão do contribuinte ao Simples. É o relatório. Voto Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11610.001457/200321 Acórdão n.º 9101003.392 CSRFT1 Fl. 306 5 Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso é tempestivo, alegando o contribuinte que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma (nº 30335.326). De fato, a situação fática relatada naquele acórdão tem alguma distinção com o caso dos autos, destacandose trecho do relatório do paradigma (nº 30335.326): Tratase de Impugnação devido à exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo n° 557.798, de 02/08/2004 de fl. 122, fundamentado em situação excludente, qual seja, "receita bruta no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal", com data da ocorrência em 31/12/2002. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do acórdão paradigma (30335.326), conforme voto vencedor: A meu ver, na esteira da jurisprudência atualmente dominante no Superior Tribunal de Justiça, descabe, na espécie, a aplicação da retroatividade benigna disciplinada no art. 106 do Código Tributário Nacional. (...) Efetivamente, a alteração da legislação que trata das vedações à opção ao Simples, em verdade, institui um novo regime que, ainda que mais benéfico, somente produz efeitos a partir da sua vigência. O acórdão recorrido trata de exclusão do Simples pelo exercício de atividade que a Receita Federal entendeu vedada pela Lei nº 9.317/1996. Ao analisar o presente processo, decidiu a Turma a quo no acórdão recorrido, nos termos do voto condutor: Não obstante, o art. 17, XVI, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, veio a permitir a opção pelo Simples das escolas de línguas estrangeiras de micro e pequeno porte que se dediquem exclusivamente a essa atividade ou não exerçam outra que seja objeto de vedação. Esse é o caso dos autos. Há jurisprudência deste Conselho reconhecendo a possibilidade de aplicação imediata, em sede de processo administrativo fiscal, da Lei Complementar n° 123/2006, a fim de reconhecerse o direito ao enquadramento do Simples das escolas de idiomas: (...) Em razão do permissivo legal previsto na Lei Complementar n o 123/2006, voto pelo provimento do recurso voluntário. A despeito de pequena distinção fática (o paradigma trata de exclusão por superação do teto para adesão ao Simples, enquanto o recorrido trata de atividade vedada), ambos os acórdãos analisam a possibilidade de aplicação retroativa de normas que alterem as condições para adesão ao Simples. Diante disso, entendo presente a similitude fática suficiente ao conhecimento do recurso especial. Diante disso, e também adotando as razões do Presidente de Câmara, conheço do recurso especial da Procuradoria. Fl. 308DF CARF MF 6 Além disso, não conheço das alegações do contribuinte recorrido a respeito de possível inconstitucionalidade da Lei nº 9.317/1996, por força do Decreto nº 70.235/1972 e Regimento Interno do CARF. Passo a enfrentar o mérito. Lembro que a Turma a quo julgou recurso voluntário e, sessão de 7 de julho de 2008, decidindo por provêlo com a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. Lembro que a Lei Complementar nº 123/2006, com redação alterada pela Lei Complementar nº 128/2008, com redação conferida pela Lei Complementar n. 147 / 2014, autorizou a inclusão de escolas de línguas estrangeiras no Simples Nacional: Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) § 5ºB Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5ºD deste artigo; Não obstante isso, equivocada ada a decisão recorrida por vislumbrar a possibilidade de retroatividade dos efeitos da Lei Complementar n. 123, afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11610.001457/200321 Acórdão n.º 9101003.392 CSRFT1 Fl. 307 7 Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Dentre os julgamentos que originaram a Súmula CARF 81, alguns trataram da irretroatividade da Lei Complementar n. 123, quais sejam: Em julgamento realizado em 13 de março de 2017, esta Turma da CSRF decidiu pela impossibilidade de aplicação da Lei Complementar nº 123 de forma retroativa, conforme acórdão 9101002.574 do qual se transcreve ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 SIMPLES. LEI 9.317/1996. ACADEMIA DE GINÁSTICA. ATIVIDADE VEDADA. As academias de ginástica exercem atividades assemelhadas às de fisicultor, sendo vedada a opção pelo Simples Federal, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DESTA LC Número do acórdão Atividade analisada / assunto 9101000.809 Atividades descritas na Lei nº 9317, art. 9, incisos V e XIII 9101000980 Limpeza e conservação 9101001.001 Atividade de manutenção do físico corporal (academia) 1402000168 Desenvolvimento de programas de informática 3801000165 Engenharia e assemelhados 3801000.039 Professor 380300.045 Curso de idiomas Fl. 310DF CARF MF 8 Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de academias de ginástica no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006. Esclareço que, em seu recurso especial, a Procuradoria pede para “restaurar o inteiro teor da r. decisão de primeira instância no sentido de manter o Ato Declaratório de exclusão do Simples”, pedido que não é integralmente acolhido pelo presente voto. Isto porque a Turma a quo não analisou de forma suficiente a matéria que lhe foi devolvida pela interposição de recurso voluntário – notadamente o cerne da discussão no processo administrativo relacionado à interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 (recurso voluntário às fls. 100, do qual se destaca: “Concluise, portanto, que a Contribuinte não exerce atividade típica de professor, tão pouco assemelhada, por não estar sujeita à autorização ,' e fiscalização do Poder Público, bem como por não estar abrangida pela Lei 5.692/71”). Diante disso, proponho a baixa dos autos para complemento ao julgamento pela Turma a quo e, assim, voto pelo provimento parcial ao recurso especial. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06. Voto, ainda, pela baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000967/2010-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. TRANSFERÊNCIA EM REDUÇÃO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DOS ACRÉSCIMOS DO VALOR NOMINAL.
A transferência de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F a sócio em redução de capital enseja a tributação dos acréscimos correspondentes à valorização dos títulos, postergada conforme disposto na Portaria MF nº 785/1977. Tais acréscimos, registrados em conta de reserva de atualização, devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real.
MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INAPLICABILIDADE AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DE ASSOCIAÇÕES.
O Método da Equivalência Patrimonial (MEP) constitui critério contábil previsto na lei que rege as sociedades anônimas para avaliação do investimento no capital de empresas controladas ou coligadas, que são sociedades com fins econômicos, não se aplicando à propriedade de títulos patrimoniais de associações sem fins lucrativos, como eram a Bovespa e a BM&F.
DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE ASSOCIAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO ÀS CORRETORAS ASSOCIADAS. GANHO DE CAPITAL.
Não se pode reconhecer o processo de desmutualização das Bolsas como uma de cisão parcial de associação com destinação de patrimônio à sociedade com fins econômicos, devendo a conversão dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F em ações das sociedades anônimas criadas ser caracterizado como dissolução parcial das associações, com devolução de patrimônio às corretoras associadas, com a aplicação dos valores recebidos no aporte de capital nas sociedades anônimas então constituídas. A diferença entre o valor das ações recebidas e o dispendido na aquisição dos títulos patrimoniais se sujeita à incidência de IRPJ.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário.
Não se aplica a Súmula CARF nº 105 porque a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, nos seguintes termos: por maioria de votos, em relação (i) à atualização da reserva e (ii) à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que deram provimento ao recurso nessas matérias; por maioria de votos, em relação (iii) à concomitância, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; e, por voto de qualidade, em relação (iv) aos juros sobre multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
Julgamento iniciado na reunião de 01/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. TRANSFERÊNCIA EM REDUÇÃO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DOS ACRÉSCIMOS DO VALOR NOMINAL. A transferência de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F a sócio em redução de capital enseja a tributação dos acréscimos correspondentes à valorização dos títulos, postergada conforme disposto na Portaria MF nº 785/1977. Tais acréscimos, registrados em conta de reserva de atualização, devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INAPLICABILIDADE AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DE ASSOCIAÇÕES. O Método da Equivalência Patrimonial (MEP) constitui critério contábil previsto na lei que rege as sociedades anônimas para avaliação do investimento no capital de empresas controladas ou coligadas, que são sociedades com fins econômicos, não se aplicando à propriedade de títulos patrimoniais de associações sem fins lucrativos, como eram a Bovespa e a BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE ASSOCIAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO ÀS CORRETORAS ASSOCIADAS. GANHO DE CAPITAL. Não se pode reconhecer o processo de desmutualização das Bolsas como uma de cisão parcial de associação com destinação de patrimônio à sociedade com fins econômicos, devendo a conversão dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F em ações das sociedades anônimas criadas ser caracterizado como dissolução parcial das associações, com devolução de patrimônio às corretoras associadas, com a aplicação dos valores recebidos no aporte de capital nas sociedades anônimas então constituídas. A diferença entre o valor das ações recebidas e o dispendido na aquisição dos títulos patrimoniais se sujeita à incidência de IRPJ. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. Não se aplica a Súmula CARF nº 105 porque a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, nos seguintes termos: por maioria de votos, em relação (i) à atualização da reserva e (ii) à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que deram provimento ao recurso nessas matérias; por maioria de votos, em relação (iii) à concomitância, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; e, por voto de qualidade, em relação (iv) aos juros sobre multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 01/2018. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. Recorrente GUIDE INVESTIMENTOS S.A. CORRETORA DE VALORES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. TRANSFERÊNCIA EM REDUÇÃO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DOS ACRÉSCIMOS DO VALOR NOMINAL. A transferência de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F a sócio em redução de capital enseja a tributação dos acréscimos correspondentes à valorização dos títulos, postergada conforme disposto na Portaria MF nº 785/1977. Tais acréscimos, registrados em conta de reserva de atualização, devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INAPLICABILIDADE AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DE ASSOCIAÇÕES. O Método da Equivalência Patrimonial (MEP) constitui critério contábil previsto na lei que rege as sociedades anônimas para avaliação do investimento no capital de empresas controladas ou coligadas, que são sociedades com fins econômicos, não se aplicando à propriedade de títulos patrimoniais de associações sem fins lucrativos, como eram a Bovespa e a BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE ASSOCIAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO ÀS CORRETORAS ASSOCIADAS. GANHO DE CAPITAL. Não se pode reconhecer o processo de desmutualização das Bolsas como uma de cisão parcial de associação com destinação de patrimônio à sociedade com fins econômicos, devendo a conversão dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F em ações das sociedades anônimas criadas ser caracterizado como dissolução parcial das associações, com devolução de patrimônio às corretoras associadas, com a aplicação dos valores recebidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 67 /2 01 0- 29 Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.175 2 no aporte de capital nas sociedades anônimas então constituídas. A diferença entre o valor das ações recebidas e o dispendido na aquisição dos títulos patrimoniais se sujeita à incidência de IRPJ. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do anocalendário. Não se aplica a Súmula CARF nº 105 porque a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, nos seguintes termos: por maioria de votos, em relação (i) à atualização da reserva e (ii) à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que deram provimento ao recurso nessas matérias; por maioria de votos, em relação (iii) à concomitância, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; e, por voto de qualidade, em relação (iv) aos juros sobre multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 01/2018. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.176 3 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório GUIDE INVESTIMENTOS S.A. CORRETORA DE VALORES (atual denominação de INDUSVAL S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS) recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 662/685, contra o acórdão nº 1301000.111 (efls. 559/588), que negou provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.177 4 incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §1º., IV, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (Grifei) A Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (efls. 598/605) em face do acórdão em questão, os quais foram rejeitados por meio do Despacho de efls. 652/654. Na sequência, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência, por meio do qual aponta dissídio jurisprudencial em relação a: (i) falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em Março de 2007, em razão da operação de redução de capital social incorreta aplicação do artigo 249 do RIR/1999; (ii) ausência de subsunção dos fatos ocorridos na desmutualização das bolsas à hipótese prevista no artigo 17 da Lei nº 9.532/97; (iii) não ocorrência de hipótese de DDL no presente caso desconsideração contábil apresentada pelo contribuinte; (iv) inaplicabilidade de multa isolada em razão do encerramento do anobase; (v) duplicidade de cobrança impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; (vi) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. O recurso foi parcialmente admitido por meio do Despacho de efls. 985/996 (não foi admitido somente quanto à matéria referente ao item "iii" "não ocorrência de hipótese de DDL no presente caso desconsideração contábil apresentada pelo contribuinte"). O entendimento foi confirmado por meio do Despacho de Reexame de Admissibilidade de e fls. 997/998. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.178 5 Tendo em vista que a Contribuinte não fora devidamente intimada dos despachos em questão, o processo foi remetido à unidade preparadora (Despacho de Saneamento de efl. 1064), sendo a Contribuinte cientificada em 27/03/2017 (efl. 1072). Em face do seguimento parcial de seu recurso especial, a Contribuinte apresentou petição denominada "agravo" (efls. 1076 e ss), a qual foi apreciada por meio do Despacho de efls. 1104 e ss, sendo exarada a seguinte decisão: "NEGO CONHECIMENTO ao agravo e INDEFIRO o pedido de retificação do exame de admissibilidade por não restar demonstrado lapso manifesto ou inexatidão material a ser saneado". Com relação à primeira matéria do recurso especial (Falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta 'Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais', em Março de 2007, em razão da operação de redução de capital social incorreta aplicação do artigo 249 do RIR/1999), a Recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de nº 1103001.047. Transcrevese a ementa do paradigma na parte de interesse: Acórdão nº 1103001.047: BOLSAS DE VALORES CONSTITUÍDAS SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÕES CIVIS. DESMUTUALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CISÃO. Os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizandose a sua exclusão na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. As associações civis são passíveis de cisão, não se limitando tal instituto apenas às pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). A desmutualização das bolsas de valores processo de reorganização da sua estrutura societária, alterandoas de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas não resulta em receita tributável sujeita à incidência de IRPJ e CSLL nas corretoras decorrente da valorização dos títulos patrimoniais (avaliados pelo valor contábil atualizado pelo patrimônio líquido das bolsas) permutados por ações. Descabida a alegação do Fisco de devolução de patrimônio das bolsas às corretoras associadas. Afirma a Recorrente que o entendimento do acórdão recorrido no sentido de que o valor disponibilizado ao seu sócio em redução de capital, registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do período de março de 2007, nos termos do artigo 249 do RIR/99, não pode ser aceito, pelas seguintes razões: (i) inaplicabilidade do artigo 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/99 ao caso, visto que não se trata de lucro/rendimento não tributado, mas sim de reserva de atualização; (ii) impossibilidade de se tributar o resultado de equivalência patrimonial, de acordo com o disposto nos artigos 225 e 388 do RIR/99; e (iii) que a Portaria MF nº 785/77 permite a utilização dos valores contabilizados como reserva de atualização dos títulos patrimoniais para aumento de capital, sem que isso implique a tributação do montante. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.179 6 Com relação à segunda divergência apresentada, "Ausência de subsunção dos fatos ocorridos na desmutualização das bolsas à hipótese prevista no artigo 17 da Lei nº 9.532/97", a Recorrente apresentou como paradigmas os acórdãos nºs 1103001.047 (já referido acima) e 3403001.734. Transcrevese a ementa do segundo paradigma na parte de interesse: Acórdão nº 3403001.734: SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Nesse ponto, a Recorrente defende, em síntese, que não deve prevalecer o entendimento do acórdão recorrido de que à operação sob análise se aplica o previsto no art. 17 da Lei nº 9.532/97, uma vez que no processo de desmutualização sofrido pelas bolsas de valores, "não existiu qualquer devolução de ativos", mas sim "apenas a substituição dos títulos patrimoniais pelas ações das sociedades anônimas resultantes da transformação das antigas associações". Rechaçando o entendimento de que teria ocorrido a devolução de ativos, a Recorrente defende que o processo de desmutualização não implicou a extinção das Associações Bovespa e BM&F, e sim na cisão parcial dessas, operação não vedada para associação civil sem fins lucrativos. Afirma, ainda, que o acórdão recorrido deve ser reformado quanto ao entendimento de que as atualizações realizadas nos termos da Portaria MF nº 785/77 sofreram mera postergação na sua tributação, "uma vez que o efeito de neutralidade tributária para esse tipo de situação é o mesmo aplicável às contrapartidas positivas do MEP". Tendo em vista que a terceira matéria apresentada pela Recorrente não foi admitida, passase à quarta divergência, referente à "Inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase de 2007". Afirma a Recorrente que "as multas isoladas cobradas nesse processo somente poderiam ser exigidas caso o Fisco tivesse verificado ausência de seu recolhimento antes do término do anobase de 2007". Apresentou como paradigmas os acórdãos nºs 110300.200 e 10321.253, cujas ementas são transcritas abaixo: Acórdão nº 110300.200: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. A multa isolada por falta de recolhimento das estimativas não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, quando efetivamente já se conhece o montante efetivo do tributo devido ou do prejuízo apurado. Acórdão nº 10321.253: IRPJ MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.180 7 em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente. O mesmo ocorre, no caso de ocorrência de prejuízo fiscal no exercício. Revelase, portanto, improcedente a cominação de multa. A quinta divergência suscitada referese à "Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício Necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 105", tendo sido apresentados como paradigmas os acórdãos nºs 910100.966 e 1401000.765. Transcrevese as ementas dos acórdãos paradigmas, na parte de interesse: Acórdão nº 9101000.966: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1401000.765: MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo. Afirma a Recorrente que caso se entenda pelo não cancelamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, tal cobrança não pode se dar concomitantemente com a multa de ofício, entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 105. A Recorrente apresentou como sexta divergência a "Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", sustentando que ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, "os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada nesse processo, por absoluta ausência de previsão legal". Apresenta como paradigma o acórdão nº 910100.722, cuja ementa é transcrita a seguir: Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.181 8 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. Ao final, requer o conhecimento e o provimento do recurso especial, com a reforma do acórdão recorrido e o cancelamento integral dos autos de infração. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.000/1.062). Principia a Recorrida fazendo breve explanação acerca do processo de desmutualização das bolsas Bovespa e BMF, descrevendo as operações levadas a cabo pela Recorrente. Aduz, em apertada síntese, que as operações levadas a cabo pela Recorrente em 30 de março de 2007 representaram efetiva distribuição de ganhos, uma vez que ao reduzir o capital social e transferir os títulos patrimoniais que detinha ao seu único acionista (Banco Indusval S.A.), a Recorrente "distribuiu os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, acumulados ao longo do tempo, e que, até então, não haviam sofrido qualquer tributação". A distribuição realizada representou nítido benefício patrimonial em favor do único acionista e dos acionistas deste, a quem foram repassados os títulos patrimoniais citados. Ocorre que "o requisito para a postergação da tributação do ganho de capital experimentado pela valorização dos títulos não é apenas a manutenção em conta de reserva de capital, mas, sobretudo, não haver distribuição dos acréscimos", conforme disposto na Portaria nº 758, de 1977. Dessa forma, tendo havido a distribuição, "não há correções a serem feitas no lançamento de ofício realizado". Quanto ao processo de desmutualização, a Fazenda defende, em síntese, que: (i) o ordenamento jurídico brasileiro não admite a aplicação dos institutos da cisão e da incorporação às sociedades civis, tendo as operações societárias resultado, na verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F; (ii) a Recorrente deveria ter oferecido à tributação os valores do patrimônio das associações extintas que lhe foram devolvidos, uma vez que se tratavam de entidades isentas, observandose o artigo 17 da Lei nº 9.532/1997; (iii) a inaplicabilidade do Método de Equivalência Patrimonial para avaliação do patrimônio de associações, uma vez que se trata de método de avaliação de investimento e não, método de apuração de patrimônio social; (iv) a Portaria nº 785/77 apenas previu a postergação da tributação dos ganhos obtidos pelas pessoas jurídicas que operavam na Bolsa de Valores para quando houvesse a redução de seu capital social ou a sua extinção, situações em que "as corretoras deveriam pagar tributo no momento em que recebessem de volta sua parcela do patrimônio investido" e "fosse verificada a ocorrência de ganho de capital". Com relação à "Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício", a Fazenda Nacional argumenta que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, resultou da falta de recolhimento de tributo (IRPJ/CSLL) por parte da empresa, enquanto a multa isolada, fundada no art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento da sistemática de recolhimento por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL. Distingue, portanto, a infração consistente no não recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, daquela consistente na omissão de receitas apurada ao final do ano calendário. Assim, defende que "a contribuinte cometeu dois atos ilícitos distintos, previstos em lei, e há uma pena para cada um deles". Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.182 9 Sobre a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após o término do anocalendário, a Procuradoria afirma que "não existe limitação no sentido de que a multa isolada somente pode ser aplicada antes da apuração definitiva do imposto". Quanto à "Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa" de ofício, a Fazenda defende que "revelase correta a exigência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre toda a obrigação tributária principal, o que inclui a multa de ofício", com base nos artigos 44, inc. I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. Adverte que "caso os ilustres julgadores entendam que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não abrange a multa de ofício, é preciso deixar claro que, ainda assim, incidiriam juros de mora à taxa de 1% ao mês", com base no artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer "seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Cumpre registrar, no entanto, que a admissão do recurso no tema "Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício Necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 105", só se mantém em relação ao segundo paradigma (acórdão nº 1401000.765), eis que no primeiro (acórdão nº 910100.966), o lançamento da multa isolada foi feito com base no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, antes da alteração promovida nesse dispositivo pela Medida Provisória nº 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), sendo que a Súmula CARF nº 105, como se verá adiante, diz respeito à multa "lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996". Antes de enfrentar cada uma das matérias do recurso, impende fazer breve síntese da autuação fiscal. O Termo de Verificação de Infração TVI (fls. 145 a 151, Volume V1 do e processo), informa que a ora Recorrente, na condição de corretora de títulos e valores, detinha no anocalendário da autuação (2007), títulos de sócio patrimonial da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa Mercantil e de Futuros BM&F, condição, à época, para operar nessas bolsas. Tais títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F representavam frações ideais dos respectivos patrimônios e estavam sujeitos a atualizações de seus valores através de informações fornecidas pelas próprias bolsas com base na variação dos seus patrimônios líquidos. Os títulos eram registrados na conta Ativo Permanente Investimentos, e as referidas atualizações eram registradas como acréscimos ao valor dos títulos em contrapartida à subconta "Reserva de Atualização de Títulos", integrante da conta de Reserva de Capital do Patrimônio Líquido. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.183 10 Indica também o TVI que, em 30/3/2007, antes da desmutualização das bolsas, foi aprovada redução do capital social da Recorrente mediante cancelamento de ações e transferência para seu único acionista (Banco Indusval S/A) de 6 Títulos Patrimoniais da Bovespa, 1 Título de Membro de compensação da BM&F e 1 Título de Corretora da BM&F, todos pelos respectivos valores contábeis. Na mesma data, o Banco Indusval S/A também reduziu seu capital no mesmo montante procedido pela ora Recorrente, transferindo os mesmos títulos patrimoniais das bolsas aos seus acionistas. Também na mesma ocasião, os acionistas do Banco Indusval S/A venderam à Corretora (Recorrente) os títulos anteriormente cedidos ao Banco Indusval S/A pela Corretora (Recorrente), pelo mesmo valor, retornando os títulos à Recorrente. De outra banda, em 28/08/2007 e em 01/10/2007 ocorreu, respectivamente, a desmutualização da Bovespa e da BM&F, tendo a Recorrente recebido pela devolução dos títulos patrimoniais que detinha 1.294.244 ações da Bovespa Holding e 9.879.625 ações da BM&F S/A. Vale destacar excerto da descrição da desmutualização da Bovespa e da BM&F contido no TVI para melhor compreensão do processo: BOVESPA A BOVESPA foi criada em 07 de março de 1967 a partir da transformação da antiga Bolsa Oficial de Valores de São Paulo. No curso de sua existência a BOVESPA efetuou diversas emissões, desdobramentos e cancelamentos de títulos patrimoniais, de modo que, em 28 de agosto de 2007, data do processo conhecido como desmutualização, o patrimônio da entidade era representado por 758 títulos patrimoniais. Conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 28.08.07 foi autorizada a execução da desmutualização que consistiu num primeiro momento na cisão parcial da BOVESPA com a redução de seu patrimônio em 99,97%, permanecendo na BOVESPA somente 0,3% de seu patrimônio. O patrimônio cindido foi incorporado pelas empresas Bovespa Serviços e Participações S/A (BVSP) e Bovespa Holding S/A. Posteriormente a Bovespa Holding incorporou as ações da BVSP e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC. (...) B BM&F Em 20/09/2007, conforme Ata da Assembléia Extradordinária, ocorreu o processo conhecido como "Desmutualização" da BM&F, com a deliberação dos membros e m Assembléia Geral Extraordinária que as suas atividades passariam a ser exercidas por nova companhia aberta, com fins lucrativos, intitulada Bolsa de Mercadorias e Futuro BM&F S/A. Tal procedimento foi efetuado por meio de cisão parcial de uma parcela do patrimônio da BM&F incorporado pela nova sociedade. O valor da parcela cindida foi de R$ 1,28 bilhão, com base no Balancete levantado em 31/08/2007. Assim, em 01/10/2007, em decorrência da operação, o capital social da BM&F S/A passou a ser de R$ 901.877.292,00 divididas em 901.877.292 ações ordinárias que foram distribuídas aos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, conforme tabela abaixo: Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.184 11 Entendendo, em síntese, que os acréscimos patrimoniais decorrentes das atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas deveriam ser tributados no momento da sua distribuição (considerada ocorrida por ocasião da redução do capital social), e que no processo de desmutualização das bolsas a transformação dos títulos patrimoniais em ações representou devolução do capital aos associados na forma de ações, a Fiscalização assim descreve os ilícitos fiscais ocorridos com a redução do capital social e com a desmutualização das bolsas: Levado a efeito a operação de redução de capital com a capitalização da reserva de atualização de títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F e o processo de desmutualização das bolsas verificase um ganho de capital de R$ 16.732.642,66 que deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do exercício do anocalendário 2007 para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (INFRAÇÃO Nº 1), bem como na apuração das estimativas mensais dos meses de março, agosto e outubro o que enseja a aplicação de multa isolada (INFRAÇÃO N° 2). Os valores tributáveis lançados corresponderam a: A) O montante entregue pela Corretora na operação de redução do seu capital em 30 de marco, originário da reserva de atualização de títulos patrimoniais das bolsas ainda não tributado, reduzido do custo de aquisição dos respectivos títulos patrimoniais; B) A mais valia correspondente a diferença verificada entre o novo valor de aquisição dos títulos em 30.03.2007 e valor na data das desmutualizações, a saber: (...) A infração relativa à letra “A” acima teve como fato gerador março de 2007, e o fundamento principal para autuação, o art. 249 do RIR/99. A parcela relativa à letra “B” acima, por sua vez, teve como fato gerador agosto de 2007 (desmutualização da Bovespa) e outubro de 2007 (desmutualização da BM&F), e foi fundamentada no art. 61 da Lei nº 10.426, de 2002, 17 da Lei nº 9.249, de 1995, e no que restou orientado pela Solução de Consulta nº 10, proferida em 10 de outubro de 2007, pela Administração Tributária, em resposta a consulta formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores (CNB), quando buscou o entendimento da Receita Federal a respeito das implicações tributárias advindas do processo de desmutualização. Além disso, constatou a Fiscalização que "deveria ter sido adicionado ao lucro líquido o valor de R$ 86.985,90 referente à presunção disfarçada de lucros por transferência de ações da BM&F S/A a pessoa ligada e o valor de R$ 10.000,00 referente a prejuízo inexistente na alienação de investimentos", o que resultou na "INFRAÇÃO Nº 2", que não foi admitida para análise desta CSRF. Na parte que teve seguimento no exame de admissibilidade, o cerne do recurso interposto pela Corretora autuada diz respeito à adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL procedida no lançamento de ofício (A) do montante por ela entregue na operação de redução do seu capital, em 30/03/2007, originário da reserva de atualização de títulos patrimoniais das bolsas ainda não tributado, reduzido do custo de aquisição dos respectivos títulos patrimoniais; e (B) da mais valia correspondente à diferença verificada entre o novo valor de aquisição dos títulos em 30/03/2007 e o valor dos títulos patrimoniais, na data das desmutualizações da Bovespa e da BM&F, que ela detinha dessas bolsas. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.185 12 O deslinde da questão relativa à tributação da valorização dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F por ocasião de transferência dos títulos ou mesmo da desmutualização das bolsas principia pelo exame da natureza jurídica dessas entidades e da sua relação com as sociedades corretoras que nelas operavam. Nesse passo, temse que até a chamada desmutualização das Bolsas, ocorrida no ano de 2007, a Bovespa e a BM&F eram constituídas como associações civis sem finalidade lucrativa, cujo patrimônio era dividido em títulos patrimoniais, os quais eram de aquisição obrigatória pelas sociedades corretoras admitidas como membro1. Anualmente o valor dos títulos patrimoniais era atualizado com base nas demonstrações financeiras do exercício social da Bolsa. Como associações constituídas para fins não econômicos, as Bolsas se submetiam ao regramento dado pelo Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 2002) às associações, fixado em seus arts. 53 a 61. Do ponto de vista tributário, releva assinalar que, não tendo finalidade lucrativa, tais associações eram isentas de IRPJ e CSLL, a teor do que dispõe o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. Detentoras de títulos patrimoniais na(s) bolsa(s) em que operavam, as sociedades corretoras estavam obrigadas a registrar os títulos e as atualizações anuais de valor correspondentes conforme o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. E, como consignado no Termo de Verificação de Infração TVI (fls. 145 a 151, Volume V1 do eprocesso), os títulos deveriam ser registrados em conta do grupo Ativo Permanente Investimentos, e as atualizações deveriam se refletir em conta Reserva de Atualização de Títulos, integrante do grupo Patrimônio Líquido – Reserva de Capital. Da Falta de Adição ao Lucro Líquido do Valor Registrado na Conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais" A questão que se coloca aqui é, em síntese, se os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das Bolsas detidos por corretora associada (a Recorrente), acréscimos esses registrados em conta de reserva de capital em conformidade com a Portaria MF nº 785/1977, sujeitamse, ou não, à incidência de IRPJ e CSLL por conta da transferência desses títulos a sócio da corretora em operação de redução de capital. Resumidamente, nas operações que se discute no presente tópico, realizadas no dia 30/3/2007 (TVI, fls. 147 e 148), a Recorrente capitalizou o saldo da conta de reserva em que os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das Bolsas eram refletidos (conta "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais"). E reduziu seu capital, no montante de R$ 16.774.786,83 mediante cancelamento de ações, entregando ao seu sócio (Banco Indusval) os títulos das Bolsas nesse valor. A Fiscalização (TVI, fls. 151 e 152) considerou que a Portaria MF nº 785/1977 autorizava as corretoras "a postergar a tributação dos acréscimos ao valor de aquisição dos títulos patrimoniais (...) para o momento em que houvesse a redução do capital ou ocorresse a sua extinção". E que, no momento em que "os valores que compunham as 1 Vide Regulamento aprovado pela Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 1.656, de 26/10/1989, que disciplinava a constituição, a organização e o funcionamento das Bolsas de Valores. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.186 13 reservas de atualização foram utilizados para aumento de capital, e, ao mesmo tempo, compuseram o montante distribuído ao sócio Banco Indusval em operação de redução de capital (...) ocorreu a disponibilidade econômica, fato gerador da incidência tributária previsto no artigo 249 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1.999 (Regulamento do Imposto de Renda)". Assim, aplicando o art. 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/1999, o qual "contempla a tributação de acréscimo patrimonial ainda não tributado, independentemente se houve ou não trânsito por conta de resultado, ou seja, mesmo que ele tenha sido contabilizado diretamente em conta do patrimônio líquido", a Fiscalização apurou de ofício ganho de capital atributar correspondente ao "montante entregue pela Corretora na operação de redução do seu capital em 30 de março, originário da reserva de atualização de títulos patrimoniais das bolsas ainda não tributado, reduzido do custo de aquisição dos respectivos títulos patrimoniais" (item "A" TVI, fls. 154 e 155), o que importou em um total de R$ 14.187.809, 27 (considerados todos os títulos patrimoniais transferidos para o sócio Banco Indusval). Não há reparos aqui ao juízo alcançado pela DRJ e pela 3ª Turma da 1ª Câmara, que refutaram a alegação de inaplicabilidade do art. 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/1999, trazida pela Recorrente na Impugnação e no Recurso Voluntário e agora repisada no presente Recurso Especial. Como se vê abaixo, a Portaria MF nº 785/1977, possibilita a não tributação dos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas decorrente de alteração do patrimônio social delas, comandando a constituição de reserva para tal (sublinhouse): O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com fundamento no que dispõe o art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237). Mas a não tributação do acréscimo de valor dos títulos se coloca na Portaria MF nº 785/1977 de forma transitória, até que ele "seja distribuído". Nesse sentido, acerta a Fiscalização quando registra que a Portaria em questão opera postergação da tributação da valorização dos títulos. Dito isso, é inconteste que no momento em que a valorização dos títulos registrada na reserva compõe o montante entregue pela Recorrente a seu sócio em operação de redução de capital a tributação do acréscimo patrimonial ali consubstanciado, ainda não tributado, se impõe por força do que dispõe o art. 249 do RIR/1999 aqui em relevo (sublinhou se): Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.187 14 I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: I ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alíneas "f", "g" e "i "); Vejase que o inciso I do parágrafo único art. 249 do RIR/1999 ao abarcar "as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem" é suficientemente amplo para incluir as reservas que abrigam a maisvalia acumulada dos títulos das bolsas, ainda não tributada, e distribuída ao sócio da Recorrente, razão pela qual improcede o seu argumento de que esse dispositivo não se aplica ao caso por não se tratar de lucro/rendimento não tributado. Além da inaplicabilidade do art. 249 do RIR/1999 ao presente caso, argumenta também a Recorrente a possibilidade de utilização dos valores contabilizados como reserva de atualização dos títulos patrimoniais para aumento de capital, sem que isso implique a tributação do montante. Mas a capitalização da reserva de atualização dos títulos patrimoniais veio no bojo da operação de transferência dos títulos da Recorrente para seu sócio ocorrida no mesmo dia 30/3/2007, pela via da redução de capital. A toda evidência, ocorreu ali justamente a situação de distribuição do montante correspondente à valorização dos títulos a que se refere o item I da Portaria, que encerra a postergação de tributação e enseja a incidência de IRPJ e CSLL sobre o acréscimos patrimonial verificado. Ainda que se diga que a reserva foi aplicada em aumento de capital, a capitalização da reserva foi seguida de redução de capital, com a entrega dos títulos ao sócio (Banco Indusval), no mesmo dia, conforme antes assinalado. Vejase, a propósito, que a própria Portaria MF nº 785/1977, ao permitir a utilização dos valores da reserva de atualização dos títulos para aumento de capital, submete os aumentos de capital assim procedidos às regras contidas no art. 237 do Regulamento do Imposto de Renda, vigente à época da edição da Portaria (RIR/1975, Decreto nº 76.186/1975). E esse dispositivo comandava a tributação, como lucro distribuído, das reservas aproveitadas em aumento de capital com isenção no caso de ocorrer redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes. Confirase: Art. 237 Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes, o valor das reservas e dos lucros em suspenso que tenham sido aproveitados em aumento de capital com isenção do imposto será tributado na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.188 15 ou o titular, sujeitos ao imposto na declaração de rendimentos ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução (Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º). Observese, também que o RIR/1999 traz disposição semelhante a essa no § 3º de seu art. 658, o qual estatui que "se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação pertinente, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular". Não se está aqui a trazer nova fundamentação à autuação fiscal mas sim evidenciar a lógica que permeia a tributação da mais valia correspondente à valorização dos títulos da Bolsas por ocasião de sua distribuição ao sócio nas operações levadas a cabo pela Recorrente. Alega, por fim a Recorrente, que os acréscimos de que aqui se trata resultariam da equivalência patrimonial e, consequentemente, não poderiam sofrer tributação a teor do que dispõem os arts. 225 e 388 do RIR/1999. Não parece ser o caso. Com efeito, o art. 388 do RIR/1999 trata do ajuste do valor contábil de investimento pelo valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida, ou seja, do Método da Equivalência Patrimonial (MEP), sendo que, como estabelece o artigo seguinte do RIR (art. 389), a contrapartida desse ajuste, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não é computada na determinação do lucro real, no que se convenciona chamar de "neutralidade tributária" do MEP. Ocorre que o registro dos títulos patrimoniais de Bolsas de Valores e a avaliação de investimentos pelo MEP habitam espaços bastante diferentes e não se pode pretender estender a neutralidade tributária do MEP à valorização dos títulos patrimoniais de Bolsas de Valores. Com efeito, aqui se está tratando de critério de contabilização dos títulos representativos do patrimônio das Bovespa e da BM&F, associações de fins não econômicos, pelas corretoras que nelas operam, critério esse fixado pelo Conselho Monetário Nacional no exercício de sua função normatizadora das Bolsas. Já o MEP constitui critério contábil para avaliação do investimento no capital de empresas controladas ou coligadas, que são sociedades com fins econômicos, critério esse previsto na lei que rege as sociedades anônimas (Lei nº 6.404, de 1976). Ora, associações e sociedades são tipos de pessoas jurídicas absolutamente diversos. Com efeito, as associações são constituídas para fins não econômicos, sem finalidade lucrativa, e se regem por regras distintas daquelas a que se submetem as sociedades, essas, sim, com finalidade de lucro. Deveras, no Código Civil de 2002 as associações ocupam o Capítulo II do Título II do Livro I da Parte Geral, arts. 53 e ss, ao passo que as sociedades se encontram no Título II do Livro II da Parte Especial, arts. 981 e ss, como se vê a seguir (sublinhouse): PARTE GERAL LIVRO I DAS PESSOAS Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.189 16 (...) TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS (...) CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. (...) PARTE ESPECIAL LIVRO II DO DIREITO DE EMPRESA (...) TÍTULO II Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Assim, em linha com a conclusão a que chegou a Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão nº 1101000.833, de 8/11/2012, não se pode cogitar de avaliação de investimento por valor de patrimônio líquido quando se fala de títulos patrimoniais das Bolsas, uma vez que na propriedade de título patrimonial de associação não há nem investimento (no sentido de participação societária), nem patrimônio líquido (na medida em que se está tratando de um título patrimonial representativo do patrimônio social de uma associação civil sem fins lucrativos). Observese, ainda, que no MEP o acréscimo não tributável na sociedade investidora corresponde a acréscimo sujeito à tributação na sociedade investida, enquanto que no caso dos títulos patrimoniais das Bolsas o acréscimo, não tributável quando do seu registro na Corretora, corresponde à superavit havido em associação, o qual não é tributável. Além disso, a sociedade investidora que aplica o MEP tem poderes para influenciar nas decisões da sociedade investida, o que não ocorre na relação entre Corretora e Bolsa de Valores. Aparte do já referido acórdão nº 1101000.833, vários são os julgados de Turmas ordinárias do CARF que vão pela impossibilidade de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das Bolsas detidos pelas corretoras associadas, como por exemplo: acórdão nº 1202000.813 (2ª Câmara/2ª Turma, 12/6/2012, Redatora Designada Viviane Vidal Wagner), Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.190 17 acórdão nº 1301001.225 (3ª Câmara/1ª Turma, 12/6/2013, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior), acórdão nº 130200.880 (3ª Câmara/2ª Turma, 11/4/2012, Relator Marcos Rodrigues de Mello) e acórdão nº 1402001.214 (4ª Câmara/2ª Turma, 3/10/2012, Relator Antônio José Praga de Souza). Esta 1ª Turma da CSRF, por sua vez, recentemente também se manifestou no mesmo sentido nos acórdãos nº 9101002.462 (de 19 de outubro de 2016, Relator André Mendes de Moura) e nº 9101003.016 (de 9 de agosto de 2017, Redator André Mendes de Moura), como se vê do trecho de ementa a seguir que consta nos dois julgados (sublinhouse): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro. Vale transcrever trecho do antes citado acórdão nº 9101002.462 em que o Relator André Mendes de Moura bem fundamenta a impossibilidade de atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa nos moldes do MEP: Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF nº 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei nº 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF nº 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.191 18 Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Os arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. (...) Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei nº 6.404, de 1976) ou no direito tributário. Pelo todo exposto, é de se negar provimento ao recurso especial nessa parte, mantendose a decisão recorrida. Da Ausência ou não de Subsunção dos Fatos Ocorridos na Desmutualização das Bolsas ao art. 17 da Lei nº9.532, de 1997. Como antes relatado, na mesma data em que os títulos da Bovespa e da BM&F de que aqui se trata foram transferidos ao seu acionista único, acabaram eles retornando à titularidade da Recorrente, uma vez que o Banco Indusval S/A também reduziu seu capital, transferindo os títulos aos seus acionistas, sendo que estes os venderam à Recorrente, pelo mesmo valor. Mais adiante, quando ocorreu a desmutualização da Bovespa e da BM&F (respectivamente em 28/08/2007 e em 01/10/2007), e elas passaram a se constituir como sociedades anônimas, a Recorrente recebeu ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, em correspondência aos títulos. Conforme consignado no Termo de Verificação de Infração, a desmutualização da Bovespa consistiu na "cisão parcial" da associação Bovespa (redução do seu patrimônio em 99,97%, permanecendo na associação somente 0,03% do valor total) e incorporação do patrimônio cindido pelas empresas Bovespa Serviços e Participações S/A Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.192 19 BVSP e Bovespa Holding S/A. Posteriormente, a Bovespa Holding incorporou as ações da BVSP e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC. Pela incorporação da parcela cindida da associação Bovespa pela Bovespa Holding, cada associado recebeu determinado número de ações de emissão da Bovespa Holding. No caso da BM&F, o processo foi semelhante. Entendendo que, na desmutualização, a transformação dos títulos patrimoniais das Bolsas em ações representou devolução do capital de instituição isenta aos seus associados na forma de ações (na inteligência do art. 17 da Lei nº 9.532/1997), a Fiscalização adicionou à base de cálculo do IRPJ e da CSLL a mais valia correspondente à diferença entre o valor pago por ocasião da aquisição dos títulos em 30/03/2007 e o valor patrimonial dos títulos da Bovespa e da BM&F na data da respectiva desmutualização. A Recorrente alega, no entanto, que não se aplica ao caso o previsto no art. 17 da Lei nº 9.532/1997, uma vez que no processo de desmutualização não ocorreu devolução de ativos, mas tão somente a substituição dos títulos patrimoniais pelas ações das sociedades anônimas resultantes da transformação das antigas associações, sendo que a desmutualização não implicou a extinção das Associações Bovespa e BM&F, mas, sim, a cisão parcial dessas, operação não vedada para associação civil sem fins lucrativos. Afirma, ainda, que o acórdão recorrido deve ser reformado quanto ao entendimento de que as atualizações realizadas nos termos da Portaria MF nº 785/77 sofreram mera postergação na sua tributação, "uma vez que o efeito de neutralidade tributária para esse tipo de situação é o mesmo aplicável às contrapartidas positivas do MEP". Como se viu anteriormente, no entanto, não há que se falar na aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das Bovespa e da BM&F, sendo que a Portaria MF nº 785/1977 não estabelece neutralidade tributária em relação à atualização desses títulos, mas posterga sua tributação até eventual distribuição. Dito isso, cumpre verificar se a desmutualização das Bolsas atrai ou não a incidência do art. 17 da Lei nº 9.532/1997. Como antes assinalado, até a desmutualização, a Bovespa e da BM&F tinham natureza de associação sem fins lucrativos. Regiamse, assim, pelas regras próprias que o Código Civil de 2002 fixa para este tipo de pessoa jurídica, que, como antes referido, se distingue das sociedades justamente pela não persecução de fins econômicos. Entre essas regras específicas se encontra a do art. 61, que estatui que no caso de dissolução da associação, seu patrimônio só pode ser destinado aos seus associados ou a outra entidade igualmente sem fins econômicos. Vejase: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Nesse contexto, embora a Recorrente refira ter havido cisão parcial das Bolsas na desmutualização, a qual não implicou a extinção das associações Bovespa e BM&F, verificase que a figura da cisão não se amolda às associações. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.193 20 Com efeito, no âmbito do Código Civil de 2002, o instituto da cisão, juntamente com os da transformação, da incorporação e da fusão somente é previsto para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, todos eles dentro do já destacado Título II (Da Sociedade) do Livro II (Do Direito de Empresa) da Parte Especial do Código, mais precisamente no Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Vejase, a propósito, que, como bem destaca a Conselheira Edeli Pereira Bessa no já citado acórdão nº 1101000.833, de 8/11/2012, "quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso", como no § 2º do art. 51 que enuncia que "as disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado". Também não se poderia cogitar da aplicação do instituto da cisão às associações com estribo no que fixa a Lei nº 6.404/1976, uma vez que, como referido alhures, esta lei se aplica às Sociedades Anônimas, universo ainda mais restrito que o das Sociedades de que trata o antes referido Subtítulo II (Da Sociedade Personificada) do Código Civil de 2002. Nesse contexto, ainda que possa uma associação segregar parte de seu patrimônio, para com essa parte formar outra pessoa jurídica, essa operação não se confunde com a cisão de que tratam os arts. 1.113 a 1.122 do Código Civil de 2002 ou mesmo da Lei nº 6.404/1976. E mesmo que se denomine tal operação como "cisão", o que se tem é, em verdade, uma dissolução, ainda que parcial, da associação, e, nessa condição, o patrimônio retirado só pode ser destinado, como se viu, à associado ou outra associação sem fins econômicos. Sendo assim, não se pode reconhecer o processo de desmutualização das Bolsas como de cisão parcial de associação com destinação de patrimônio à sociedade com fins econômicos. Nesse passo, a conversão dos títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F em ações das sociedades anônimas criadas deve ser caracterizado como dissolução parcial das associações com devolução de patrimônio às corretoras associadas, com a aplicação dos valores recebidos no aporte de capital nas sociedades anônimas então constituídas. Dito isso, temse que no campo tributário, as associações "que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos" gozam de isenção de IRPJ e CSLL de acordo com o que dispõe o art. 15 da Lei nº 9.532/1997. Nesse contexto, o art. 17 dessa norma traz disposição específica para o caso de devolução de patrimônio pela associação, estabelecendo que a diferença entre o valor (em dinheiro ou de bens ou direitos) devolvido e o que fora entregue para a formação do patrimônio da associação se sujeita à incidência dos impostos isentados pelo art. 15. E, especificamente, para o caso em que o destinatário da devolução é pessoa jurídica, o § 3º do art. 17 fixa que a diferença em questão deve ser "computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita", ao passo que o § 4º estabelece a forma de tributação pela CSLL. Confirase: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.194 21 § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Ora, tendo no processo de desmutualização das Bolsas ocorrido dissolução parcial das associações com devolução de patrimônio às corretoras associadas, verificase a hipótese do antes transcrito art. 17 da Lei nº 9.532/1997. Em recente julgado desta 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101002.696, de 16 de março de 2017), em que se decidiu pela incidência de IRPJ e CSLL sobre o acréscimo patrimonial havido no processo de desmutualização das bolsas, o Relator Rafael Vidal de Araujo foi preciso ao caracterizar a efetiva devolução de patrimônio havida por ocasião da desmutualização, na inteligência do art. 17 da Lei nº 9.532/1997 em questão. Vale transcrever excerto do julgado: O texto do referido art. 17 da Lei nº 9.532/1997 não dá margem para uma linha de interpretação que coloca as hipóteses de devolução e de substituição (de patrimônio) como possibilidades tão excludentes uma da outra, como se fossem conceitos jurídicos com conteúdos específicos e contrapostos. Devolver significa enviar de volta, restituir algo a alguém. E substituir significa colocar em lugar de, trocar. Nas próprias palavras do referido dispositivo legal, a devolução é de patrimônio, que pode estar representado por dinheiro, ou por quaisquer bens ou direitos. O que se devolve não são os próprios títulos (porque estes já pertenciam ao associado), e nem o mesmo patrimônio que o associado um dia entregou à associação para nela ingressar (o mesmo bem, o mesmo direito, etc.). O que se devolve é algum bem, algum direito, ou mesmo uma quantia em dinheiro que vai "substituir" os antigos títulos. No caso do art. 17 da Lei nº 9.532/1997, a devolução "de patrimônio" vai sempre se dar com a substituição dos títulos por alguma outra coisa. Aliás, se for para se apegar ao significado literal da palavra, nem se pode defender a idéia de que só haveria devolução se o que estivesse sendo devolvido fosse o próprio patrimônio da sociedade, porque o patrimônio da sociedade, na maioria dos seus itens, nunca pertenceu ao associado. O que se entrega para o associado é um patrimônio (representado por quaisquer bens, direitos ou dinheiro) em devolução (ou em substituição) de um patrimônio antigo do associado (também representado por quaisquer bens, direitos ou dinheiro), que ele um dia entregou para a associação. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.195 22 Até daria para aceitar a tese de que houve mera "substituição", na forma defendida pela contribuinte, se tivesse havido a troca dos títulos de uma instituição sem fins lucrativos por títulos de outra instituição sem fins lucrativos. Mas, diante do contexto ora analisado, não é razoável defender que houve mera substituição dos títulos de uma instituição sem fins lucrativos (entidade isenta de tributos) por ações de uma sociedade anônima, sem que se veja aí a devolução de um patrimônio formado após muitos anos de gozo de isenções tributárias. Registro novamente que a devolução de que trata o art. 17 da Lei nº 9.532/1997 é uma devolução de patrimônio, e não de um bem específico, de um direito específico, ou do mesmo valor em dinheiro que foi entregue anteriormente à associação. A devolução aqui tratada se caracteriza em função daquele que recebe algo "de volta" (no caso, um bem qualquer, um direito qualquer, ou uma quantia em dinheiro), e que é entregue por quem havia recebido algo anteriormente. Não é necessário que se devolva um item específico do patrimônio da associação. Nem mesmo importa se o que está sendo entregue a título de devolução chegou a ingressar efetivamente no patrimônio da associação. Se a associação entregou algo (ações da S/A) em "substituição" daquilo que gerava um vínculo específico dela com o associado (no caso, os títulos), não há como deixar de ver aí uma "devolução" de patrimônio, inclusive com extinção total ou parcial do vínculo que existia entre associado/associação sem fins lucrativos. Não há dúvida de que a associação, por meio de seus órgãos, participou dos atos que levaram aos eventos de desmutualização, e consentiu em devolver patrimônio aos seus associados. Essa devolução se deu por meio das ações da sociedade anônima que a associação também decidiu criar. O patrimônio que o associado tinha indiretamente, e que era representado pelos títulos da associação, deixou de existir. Esse patrimônio foi a ele devolvido, na forma de ações de uma S/A. A vontade individual do associado, em relação ao conjunto de eventos de transformação das bolsas, é irrelevante para que se possa visualizar a devolução de patrimônio. Basta notar que se tivesse ocorrido simplesmente a extinção da associação, com devolução de patrimônio aos associados, a tributação aqui em pauta se daria da mesma forma, independentemente de o associado ter ou não consentido individualmente com a extinção da associação. Desse modo, repisando as palavras do acórdão recorrido, não há duvida de que a operação de desmutualização envolveu a devolução de patrimônio da entidade isenta, que era constituída como associação civil sem fins lucrativos, verificandose a hipótese do antes transcrito art. 17 da Lei nº 9.532/1997. Decisão neste sentido se alinha não só às decisões recentes desta 1ª Turma da CSRF (citese, além do acórdão nº 9101002.696 referido acima, os acórdãos nº 9101002.462, de 19 de outubro de 2016, Relator André Mendes de Moura; e nº 9101003.016, de 9 de agosto de 2017, Redator Designado André Mendes de Moura, mencionados no tópico anterior do presente voto), como traduz a posição dominante nas Turmas Ordinárias da 1ª Seção do CARF. Citese, exemplificativamente, além dos acórdãos antes referidos, o acórdão nº 1402001.522 Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.196 23 (4ª Câmara/2ª Turma, 3/12/2013, Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto), bem como os mais recentes acórdãos de nºs 1401001.650 (4ª Câmara/1ª Turma, 8/6/2016, Relator Antônio Bezerra Neto) e 1201001.395 (2ª Câmara/1ª Turma, 3/3/2016, Redatora Ester Marques Lins de Sousa). Alinhase, também, a diversos julgados no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, dentre os quais cumpre destacar os que seguem: TRF da 3ª Região, apelação cível nº 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19/7/2012: MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. TRF da 3ª Região, AC 2008.61.00.0087063/SP, Relator Juiz Convocado RUBENS CALIXTO, D.E. de 23.07.2012: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.197 24 2.Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. Também aqui, portanto, é de se negar provimento ao recurso especial. Aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas Em relação à aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, a Recorrente alega em síntese que as multas isoladas cobradas no presente processo somente poderiam ser exigidas caso o Fisco tivesse verificado ausência de seu recolhimento antes do término do anocalendário de 2007, bem como que tal cobrança não pode se dar concomitantemente com a multa de ofício, entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 105. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.198 25 Como se vê no Termo de Verificação de Infração TVI (fls. 145 a 151, Volume V1 do eprocesso), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL teve fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. A exigência da multa isolada foi mantida tanto pela autoridade julgadora de 1ª Instância quanto no julgamento do Recurso Voluntário, de forma acertada, uma vez que as penalidades exigidas são autônomas e incidem sobre infrações distintas, como se verá a seguir. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a penalização da falta de recolhimento das estimativas mensais foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Confirase a redação original do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.199 26 A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionouse majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do anocalendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observese: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). As conseqüências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.200 27 Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 9101 00.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.201 28 Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Destaquese, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do anocalendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do anocalendário, sujeitase a Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.202 29 outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente2. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do anocalendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explicase. O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Vejase, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20093 [...] ANEXO I I ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20124 [...] ANEXO ÚNICO [...] II ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. 2 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 3 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009. 4 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.203 30 Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] III ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] PORTARIA Nº 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20135 [...] ANEXO I I Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101 001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20146 [...] ANEXO I [...] II Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA 5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013. 6 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.204 31 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101 001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 1102 00.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindoa, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendose à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindose nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351", de 2007, ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiuse, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.205 32 e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares7 à parcela do litígio já pacificada. Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007. Isso ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Nesse sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da Súmula CARF nº 105 reportamse, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira 7 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010: [...] Anexo II [...] Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: [...] XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; [...] Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa, facultada a presença das partes ou de seus procuradores. [...] § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. [...] Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.206 33 conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.207 34 de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.208 35 de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Como antes referido, no presente processo a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim e diante do todo o exposto, não há falar na aplicação ao caso da Súmula CARF nº 105, como reclama a Recorrente Sobre a impossibilidade de lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas após o encerramento do anocalendário, vale repisar que quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Mas não é só isso que o legislador quis dizer. Em verdade, quando menciona que a multa é devida ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, estáse dizendo também que essa multa é aplicada após o encerramento do anocalendário. Ora, com a devida vênia à tese defendida aqui pela contribuinte, se a multa não pudesse ser cobrada após o encerramento do anocalendário, como ela poderia ser exigida ainda que tivesse sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa? Assim, a exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental, e pode ser exigida, sim, mesmo que encerrado o anocalendário, porque punese a conduta de não recolhimento de uma obrigação tributária. Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento8. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. O recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. Assinalese, por fim, que a conjugação dos argumentos contrários à aplicação da multa isolada depois do encerramento do anocalendário e favoráveis à adoção do princípio da consunção resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do anocalendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal9 e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. 8 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 9 Neste sentido também é a abordagem desenvolvida pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, no voto condutor do Acórdão nº 1402002.245. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.209 36 Não merece acolhida, portanto, o recurso interposto no que se refere à presente matéria. Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício No tema dos juros de mora sobre a multa de ofício, em julgado de 14/06/2016, esta Relatora proferiu voto no sentido de afirmar a incidência de juros sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros desta 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir expendidas. O mesmo posicionamento foi subscrito pela Turma em julgados posteriores (citese, por exemplo, os acórdãos 9101002.501 e 9101002.510, ambos de 12/12/2016). A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.210 37 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401 001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.211 38 Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.212 39 não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Argumentam alguns, de outra banda, que o art. 161, caput, do CTN, ao ressalvar a possibilidade de "imposição de penalidades cabíveis" evidenciaria que a referência a "crédito não integralmente pago no vencimento" diz respeito, apenas, ao tributo não recolhido. Cumpre, no entanto, esclarecer que tal ressalva revela, na verdade, que o artigo em tela prestase a permitir a aplicação de multas de caráter moratório em decorrência da impontualidade no pagamento do tributo. Logo, à luz do caput do art. 161 do CTN, não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.213 40 Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Argumentase, ainda, que a previsão específica de incidência de juros de mora sobre multas isoladas contida no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, seria desnecessária caso o art. 61, § 3º, da mesma lei incluísse as multas, uma vez que elas (multas isoladas) já representariam os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" referidos pelo § 3º do art. 61 em tela. Cumpre observar, no entanto, que o art. 43 em questão trata da hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", cuja designação, por si só, já evidencia dúvida acerca de sua Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 9101003.376 CSRFT1 Fl. 1.214 41 integração ao conceito de "débitos decorrentes de tributos e contribuições" e a consequente necessidade de disposição legal específica para determinar a aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas em tais circunstâncias, distintamente do que ocorre com as multas de ofício proporcionais, sempre exigidas em conjunto com os tributos ou contribuições não declarados e não recolhidos, em claro vínculo de decorrência. Aliás, como bem observa o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no voto condutor do Acórdão nº 9303004.407: Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Também em relação a esse tópico, portanto, não deve ser acolhido o recurso da Contribuinte. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901250/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 50 /2 00 9- 46 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.908, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 09476.88721.210605.1.7.040892, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de fevereiro de 2002, com débito(s) relativo(s) ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) , período de apuração de 4ª trimestre de 1996. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901250/200946 Acórdão n.º 1302002.590 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.018267/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 20904 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não é nulo o acórdão de 1 a. instância que aprecia as alegações da contribuinte e fundamenta a decisão, ainda que sucintamente. BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ - o atraso ou a omissão na entrega da DIPJ, pela pessoas jurídicas obrigadas enseja a aplicação das penalidades previstas no art. 7 o. da lei n° 10.426/2002. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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NULIDADE. Não é nulo o acórdão de 1a. instância que aprecia as alegações da contribuinte e fundamenta a decisão, ainda que sucintamente. BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ o atraso ou a omissão na entrega da DIPJ, pela pessoas jurídicas obrigadas enseja a aplicação das penalidades previstas no art. 7o. da lei n° 10.426/2002. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MGS MINAS GERAIS SIDERURGIA LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que manteve a exigência consubstanciada no presente processo. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 13, com exigência do crédito tributário no valor de R$314.059,65, referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, do Exercício de 2005, anocalendário de 2004. Como enquadramento legal citouse: art. 106, inciso II, letra “c”, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 27 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Cientificado do lançamento em 15/10/2007 (AR de fl. 15) protocolou a impugnação de fls. 01/04, documentação de fls. 05/12, em 12 de novembro de 2007, com as argumentações a seguir sintetizadas. A punição sofrida é exagerada uma vez que a entrega do documento ocorreu antes de qualquer intimação. A Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, no período em que vigorou – justamente o lapso temporal sob apreciação – tornou inexistente a infração combatida. Salienta que se trata de situação distinta da de omissão de rendimentos, merecendo aplicação de penalidade moderada – mediante aplicação da pena mínima , conforme autoriza a Lei nº 10.426, de 2002, além da própria Instrução Normativa nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Assevera que a penalidade pecuniária aplicada merece ser reduzida a padrões tidos como razoáveis, posto que, no montante em que está sendo exigida, afigurase absurda e meramente arrecadatória, excluindo qualquer finalidade educativa que a pena possa ter. A Lei nº 10.426, de 2002 em seu art. 7º, §3º, inciso II prevê aplicação da multa mínima no valor de R$500,00. Diz que se a lei previu penalidades em patamares diversos, é certo que a intenção do legislador foi a de dosimetrar a pena de acordo com a gravidade da infração, “temperandoa” com a finalidade educativa. Dessa forma, para se determinar o valor da multa a ser aplicada, há de se distinguir entre a ausência de entrega de DIPJ e a sua entrega em atraso, anteriormente a qualquer intimação ou procedimento de fiscalização Alega que efetivamente entregou a DIPJ antes de qualquer procedimento fiscalizatório, não pode ser penalizada com uma multa tão elevada. Conclui que a penalidade imposta não se coaduna com a falta cometida devendo ser aplicada a multa mínima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 3 Com fundamento no art. 2º da Lei n.º 9.784, de 1999, diz que a administração pública obedecerá, entre outros, os princípios da legalidade, da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A multa imposta caracteriza negação do princípio da gradação da pena, isso é a pena deve ser dosimetrada, levandose sempre em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida, bem como a intenção do infrator. E, no presente caso, o que se vê é a falta mínima ser punida com a pena máxima. Transcreve entendimento do Supremo Tribunal Federal, externado em Recurso Extraordinário. Roga que se determine a aplicação da pena mínima em face da falta cometida, porquanto evidente a inexistência de má fé e a efetiva entrega da DIPJ, ainda que em atraso. Requer, a aplicação da MP nº 303, de 2006. E, caso não se entende pela aplicação da pena mínima e nem pelo cancelamento da penalidade, hipótese que já importariam em violação ao legítimo direito da impugnante, espera que seja determinada a redução da multa aplicada, tendo em vista o aspecto educativo da pena e o inequívoco exagero incorrido pela Fiscalização. A decisão recorrida está assim ementada: Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Uma vez caracterizada a entrega em atraso de Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, devida é a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando em preliminar a nulidade do acórdão recorrido por não ter apreciado adequadamente uma de suas alegações, bem como repisa os argumentos da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de exigência de multa por atraso na DIPJ/2005 (anocalendário). no valor de R$ 314.059,65. Consoante auto de infração de fl. 13, a declaração, cujo prazo era 30/6/2005, foi entregue em 05/06/2006, sendo que na apuração da penalidade foi aplicado o percentual de 2% ao mês do imposto de renda devido, limitado a 20%, reduzido a 50% em razão da entrega espontânea. Passo a apreciar as alegações recursais. De inicio o recorrente requer a nulidade da decisão de 1a. instância, alegando que (verbis): No entanto, no caso sob apreciação, foi formulada expressa argumentação no sentido de que a Medida Provisória n° 303/06 alterara a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, inclusive, deixando de considerar como infração punível com multa, a conduta da Recorrente. No entanto, o pleito formulado foi descartado com um singelo "não se aplicando ao caso", que, data venha, não responde ao questionamento colocado pelo Contribuinte. A omissão, com o devido respeito, é causa suficiente da nulidade da decisão recorrida, o que espera seja reconhecido por esse eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de 1a. instância apreciou a alegação aduzindo que a MP 303/06 “perdeu a eficácia por Ato do Congresso Nacional, não se aplicando ao presente caso”. Verificase, pois, que apesar de sucinta nessa parte, a decisão recorrida firmou entendimento de que ao perder eficácia, a MP não se aplicaria ao caso. Rejeito a preliminar, pois, entendo que a questão foi suficientemente apreciada, sendo passível de contestação em sede de recurso, o que foi feito pela contribuinte. Mérito. A recorrente não questiona o atraso na entrega da DIPJ, mas aduz que “se trata de situação distinta da omissão de informações e, por tal razão, merece aplicação de penalidade de forma moderada — mediante a aplicação da pena mínima , conforme autoriza a Lei n° 10.426/02, além da própria Instrução Normativa n° 255, de 11 de dezembro de 2002.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 5 Afirma, ainda, que “a penalidade pecuniária aplicada merece ser reduzida a padrões tidos como razoáveis, posto que, no montante em que está sendo exigida, afigurase absurda e meramente arrecadatória, excluindo qualquer finalidade educativa que a pena possa ter... Isto porque, a Lei n° 10.426/02, que dispõe, dentre outros assuntos, sobre a DIPJ, prevê a possibilidade de aplicação da multa mínima, qual seja R$500,00, consoante determina seu art. 7o., §3o., inciso II . A meu, tal qual asseverado na decisão de 1a. instância, não cabe razão ao recorrente, conforme adiante fundamentado. A Lei nº 10.426, de 2002, base legal da exigência, disciplinou em seu art. 5º: Art. 5º A apresentação da declaração após o prazo de que trata o art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões sujeita o contribuinte às seguintes multas: I de 2 % (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00 (quinhentos reais). (Grifei) O art. 7º da Lei n.º 10.426, de 2002 com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004 diz que o sujeito passivo que deixar de apresentar a DIPJ nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, e sujeitarseá à multa no percentual de 2% ao mês calendário ou fração, limitado a 20%, incidente sobre o montante dos tributos declarados. Ao contrário do que defende a recorrente, esse dispositivo legal se aplica não só às hipóteses aos casos de falta de declaração, mas por determinação expressa de seu texto, aplicase, também, à hipótese tratada no presente lançamento, que é a de apresentação da DIPJ fora do prazo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 6 Apresentar declarações é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser uma “obrigação de fazer”, necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, uma penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível é, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. Nesse sentido é vasta a jurisprudência deste Conselho, a exemplo dos acórdãos: Acórdão 10196.497 de 6/12/2007 “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS o atraso ou a omissão na entrega da DIPJ, pela pessoas jurídicas obrigadas enseja a aplicação das penalidades previstas no art. 7o. da lei n° 10.426/2003. Recurso não Provido”. Acórdão 180200.435 de 7/04/2010 REQUISITOS PARA A APLICAÇÃO DA MULTA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA ART. 7° DA LEI 10.426/2002 No caso de não apresentação de DIPJ no prazo legal fixado, mas havendo entrega da declaração a destempo, antes de qualquer procedimento de oficio, mostrase totalmente desnecessária e sem qualquer sentido a inumação para a apresentação de declaração original, uma vez que essa já fora apresentada. A única medida cabível, c necessária, é a aplicação da multa pela inobservância do prazo de entrega da DIPJ, combinandose o inciso I do art. 7° da Lei 10.426/2002, com o inciso I do § 2° do mesmo artigo. exatamente como ocorreu no caso em tela. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO DO IMPOSTO QUE SERVIU DE BASE PARA O CÁLCULO DA MULTA Comprovado o atraso na entrega da DIPJ, cabe a exigência da multa sobre o imposto de renda devido e declarado, o qual não pode ser modificado para fins de alteração da multa aplicada sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem o erro alegado. Os fundamentos da decisão de 1a. instância a seguir transcritos, que peço vênia para adotar, são precisos, e respondem aos demais questionamentos repisados na peça recursal: A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas: se a DIPJ foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Como dito, a multa foi fixada no percentual de 2% ao mêscalendário ou fração, limitado a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DIPJ, ainda que integralmente pago. O § 3º do art. 5º da IN nº 541, de 2005 diz que a multa mínima a ser aplicada é de R$ 500,00. Isso significa que, se, da aplicação do percentual de 2%, resultar valor menor do que R$ 500,00, o valor da multa a ser exigida será igual a R$ 500,00. Não é o que ocorre na espécie. Da aplicação do percentual de 2%, resulta valor igual a R$ 314.059,65. Conseqüentemente, o valor da multa deve ser R$ 314.059,65, porque este valor é maior do que R$ 500,00. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 7 Os contribuintes que apresentam a DIPJ antes de qualquer procedimento de ofício e os que o fazem em razão de ação fiscal recebem tratamento diferenciado, conforme §2º do art. 7º da Lei n.º 10.426, de 2002. A apresentação da DIPJ antes do procedimento de ofício é hipótese de redução da multa. Referida redução, de 50%, já foi concedida no lançamento. No caso, se o pagamento ocorresse até 27/11/2007 o valor devido seria de R$ 157.029,82. A análise da procedência do valor exigido não depende da aferição de fatores tais como a extensão do dano ao erário causado pela infração ou a intenção do infrator. A legislação de regência não os contempla como condicionantes. Não há nisso nenhum defeito. De acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Visto que a multa foi aplicada conforme a legislação determina, ela não pode ser afastada. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple as hipóteses alegadas como razão para a dispensa da multa em lide. Relativamente aos princípios de direito, como os invocados, cabe dizer que eles norteiam o legislador e não o aplicador da lei. Realmente, as variações de intensidade da punição em razão do tempo de atraso e de outros critérios são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. O lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, já atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os invocados princípios. Conseqüentemente, não se pode falar, no caso, em abuso de poder ou desvio de finalidade da autoridade administrativa. De toda sorte, afastar a multa em lide com base em princípios de direito seria negar validade à disposição expressa de lei. Ocorre que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento da legislação vigente, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN). O lançamento de oficio se fez dentro da mais estrita legalidade. A obrigação acessória e a punição pelo seu descumprimento decorrem de lei. As normas infralegais expedidas pela administração, citadas nos autos limitamse a regulamentar os decretosleis, medida provisória e lei, aplicados no auto de infração. No que tange a alegação de que a multa excede aos padrões de razoabilidade, verificase que a base de cálculo está em estrita consonância com a legislação que ampara a cobrança. Descabe aos julgadores administrativos, seja nas DRJ, seja no CARF, apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legais em vigor. Nesse sentido a súmula n 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente reitera que a MP nº 303, de 29 de junho de 2006, teria deixado de considerar a entrega em atraso da declaração como infração punível com multa pecuniária. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.018267/200780 Acórdão n.º 140200.657 S1C4T2 Fl. 0 8 Sou pelo entendimento que aludida MP teve plena eficácia durante a sua vigência, ocorre que tanto a peça recursal quanto a peça impugnatória não esclarece especificamente qual disposição da MP 303/2006 se aplica às multa por descumprimento de obrigações acessórias, mais precisamente de entrega de declarações. As alterações da MP 303/2006 se deram quanto ao artigo 44 da Lei 9.430/1996, que trata da multa de ofício isolada ou proporcional, calculada sobre tributos devidos, que não é o caso do autos. Por fim, não assiste razão ao recorrente quando pleiteia os benefícios da denúncia espontânea no presente caso, por se tratar de obrigação acessória, puramente formal, de entrega de declaração. Já é entendimento assente, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que as responsabilidades autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência de um fato gerador, não estão alcançadas pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional – argüida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da DCTF, bem como de outras declarações, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. O fato de a declaração ter sido apresentada espontaneamente não implica na exclusão da penalidade, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, a exemplo dos julgados abaixo, cuja ementa transcrevese: “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda fora do prazo legal, sujeita o contribuinte à multa por atraso no valor de R$165,74, quando este seja superior a 1% do imposto devido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Recurso improvido.” Acórdão: CSRF/0104.920 DENÚNCIA ESPONTÂNEA – O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não alcança o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória.” Acórdão: CSRF/0103.721” Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, confirmando a exigência da penalidade. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10950.007050/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 CONEXÃO. SUSPENSÃO DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO PAF. PROCESSO JÁ JULGADO EM DEFINITIVO. Não se acolhe pedido de suspensão do processo de declaração de compensação, por conexão com processo de auto de infração, por falta de previsão no PAF e, sobretudo, quando já há decisão definitiva do CARF mantendo o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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SUSPENSÃO DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO PAF. PROCESSO JÁ JULGADO EM DEFINITIVO. Não se acolhe pedido de suspensão do processo de declaração de compensação, por conexão com processo de auto de infração, por falta de previsão no PAF e, sobretudo, quando já há decisão definitiva do CARF mantendo o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10950.007050/200806 Acórdão n.º 140200.735 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TRANSPORTE COLETIVO CIDADE CANCAO LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/26, em que foram declarados crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2003, no valor originário de R$ 60.945,05, e débitos de estimativas de IRPJ e CSLL, e de IRRF, todos do ano calendário 2004. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Maringá, em 02/12/2008, às fls. 50/53, a autoridade fiscal homologou parcialmente as compensações. Cientificada da decisão em 12/12/2008, conforme AR de fl. 57, tempestivamente, em 12/01/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 58/63, através de seu procurador, procuração A fl. 64, acompanhada dos documentos de fls. 65/81, que se resume a seguir: a. Alega que foi fiscalizada, conforme MPF n° 09.1.05.002006 003314, tendo sido exigido IRPJ (R$ 108.266,38) e CSLL (R$ 27.810,15), nos autos do processo 10950.002491/200641; b. Explica que apresentou impugnação contra os autos de infração, mas que decisão proferida em 02/08/2007 considerou os lançamentos procedentes, tendo sido interposto recurso voluntário junto ao CARF; e que o recurso encontrase em andamento, com última movimentação datada de 22/10/2008; c. Reclama que, apesar do andamento do recurso, recebeu em 10/12/2008, uma intimação da DRF/Maringá, para efetuar o recolhimento dos débitos discutidos, o que justifica a interposição da presente manifestação de inconformidade, tendo em vista que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa em virtude da pendência do recurso; d. Cita o art. 151 do CTN, e argumenta que o processo n° 10950.007050/200806 , que deu origem à presente intimação, e que exige o recolhimento dos débitos, trata exatamente da mesma matéria (saldo negativo da CSLL do ano calendário 2003) discutida no processo 10950.002491/200641; e. Transcreve passagem do relatório produzido pela DRF/Maringá acerca do processo n° 10950.007050/200806; f. Entende que fica perfeitamente demonstrado que a exigibilidade do crédito encontrase suspensa, haja vista que seu mérito está sendo discutido, não podendo a União compelir o contribuinte ao recolhimento sob pena de inscrição em divida ativa; g. Salienta que a Constituição Federal garante a ampla defesa e o contraditório, sendo por isso necessário a espera do julgamento das matérias arroladas no recurso administrativo pendente no CARF; Fl. 223DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10950.007050/200806 Acórdão n.º 140200.735 S1C4T2 Fl. 0 3 h. Requer a suspensão do presente processo até o julgamento final do recurso n° 161977 em trâmite no CARF. Em 13/05/2009 o contribuinte protocolou a petição de fls. 84/86, acompanhada dos documentos de fls. 86/161, requerendo nos seguintes termos: i. Afirma que, em consulta aos sistemas da RFB, verificou a existência de um crédito fiscal em aberto, relativo ao código 5706 (IRRF), no valor de R$ 6.072,58; j. Explica que o mencionado crédito referese ao mesmo crédito compensado no processo 10950.007050/200806, através da Dcomp n° 10662.50993.110304.1.3.03 6095; e que, em diligências, verificou que ocorreu equivoco na realização da compensação, ao ser informado o período de apuração como 02/2004; k. Justifica que o período de apuração do crédito fiscal de código 5706 é 03/2004, com data de vencimento em 10/03/2004, conforme DCTF e demais documentos anexos; I. Requer: i) a correção da compensação, com período de apuração em 03/2004, com data de vencimento em 10/03/2004; ii) a suspensão do julgamento, com o envio dos autos à DRF/Maringd, para correção do equivoco; 4.Á fl. 161, verso, consta despacho da DRJ/Curitiba, encaminhando o processo A DRF/Maringá para providencias, em face do pedido de correção da compensação. A DRF de origem confirmou o erro cometido pelo contribuinte, quanto ao período de apuração do IRRF, mas informou que a homologação está correta, já que a alteração do vencimento ocorreu no mesmo mês, não havendo alteração na Selic acumulada, conforme despacho de fl. 170. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DA CSLL. CORREÇÃO DO CRÉDITO. Mantémse a decisão que homologou parcialmente as compensações com crédito de saldo negativo da CSLL, reduzido pela DRF em virtude de auto de infração exigindo valores dessa contribuição. CONEXÃO. SUSPENSÃO DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO PAF. PROCESSO JA JULGADO EM DEFINITIVO. Não se acolhe pedido de suspensão do processo de declaração de compensação, por conexão com processo de auto de infração, por falta de previsão no PAF e, sobretudo, quando já há decisão definitiva do CARF mantendo o lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, aduzindo que (verbis): O presente processo refer&se a cobrança do saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. Informase que correlato a este processo foi constituído o processo administrativo n. 10950.002491/200641 referindose a cobrança do saldo negativo do Imposto de renda. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10950.007050/200806 Acórdão n.º 140200.735 S1C4T2 Fl. 0 4 A fim de demonstrar que ambos processos tratam da mesma matéria, transcrevese abaixo parte do relatório produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR: "A Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá, levou a cabo a auditoria fiscal resultando na lavratura do auto de Infração consubstanciado no processo administrativo de n. 10950.002491/200641 (despesas de Juros de Capital Próprio). Na oportunidade foi apurada a CSLL no montante de R$30.272,60, que, deduzido do valor declarado como pago por estimativa (R$2.462,45 declaração original), resultou no crédito tributário de R$27.810,15 (principal) fls. 40 a 46". Relembrando a Recorrente foi fiscalizada, conforme MPF n. 09.1.05.002006 003314, de 29 de setembro de 2006, em decorrência das seguintes exigências: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica no valor de R$108.266,38, devido a adições não computadas na apuração do lucro real excesso de R$441.430,96 de juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio (JCP) fato gerador em 31/12/2003); b) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido de R$27.810,15. A Recorrente esgotou a fase administrativa no processo • administrativo n. 10950.002491/200641, conforme informação utilizada pelo r. Julgador da DRJ de Curitiba/PR, porém, interpôs ação judicial autuada sob o n. 5000775.69.2010.404.7003 em tramite na la Vara Federal de Maringá/PR, sob as seguintes alegações em relação ao mérito: (...) Outrossim, necessário se faz preconizar que as Instruções Normativas SRF n's 93/1997 e 41/1998, que regulamentam os juros sobre o capital próprio, não estipulam de forma expressa quando os juros devam ser remunerados, pagos ou creditados. Deve ser ressaltado que, se julgada procedente a pretensão da Recorrente (em conformidade com o precedente jurisprudencial do ST3) na ação judicial movida contra a Fazenda Nacional, consequentemente o crédito tributário apurado neste processo administrativo será anulado. Assim, verificase que razão assiste a Recorrente em apresentar o presente Recurso Voluntário, pois, demonstra que o crédito tributário cobrado foi constituído de maneira irregular devendo ser anulado em sua totalidade. III. CONCLUSÃO: ANTE TODO O EXPOSTO, é a presente para PEDIR aos Eméritos Julgadores que, conheçam ,do presente Recurso, dando de conseqüência integral PROVIMENTO, ao fito de reformar totalmente a r. decisão, julgando totalmente improcedente o Auto de Infração, que declarou devido o crédito tributário pela ora Recorrente. Outrossim requerse: a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força do art. 151 do CTN; b) o agendamento de pauta da sessão de julgamento, para que a Recorrente, por intermédio de seus procuradores, realize defesa oral no momento oportuno. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10950.007050/200806 Acórdão n.º 140200.735 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, em litígio a pretensão do contribuinte de ver a exigibilidade do crédito tributário suspensa em razão de litígio judicial ainda em andamento quanto ao crédito que não foi reconhecido em DCOMP. Tal qual asseverado na decisão recorrida, não há previsão legal no PAF (Decreto 70.235/1972) ou no CTN (Lei 5.164/1966) que ampare essa pretensão. Mais a mais, a Súmula No. 1 do CARF estabelece: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. É certo que essa súmula não se aplica diretamente ao caso, mas por vias transversas o que o contribuinte pretende é que seja ao menos aguardado o desfecho da esfera judicial, procedimento também vedado pela súmula. Outrossim, em que pese este Conselho, a DRJ e da DRF não terem competência para manifestar sobre a aludia matéria, em face da ação judicial, a unidade de origem deve cumprir rigorosamente a sentença judicial, quando transitada em julgado e, se for o caso, ajustar o valor das exigências. Por sua vez, a contribuinte deve fazer prova do trânsito em julgado da ação judicial e da decisão que lhe foi favorável. Frisese que não cabe a este Conselho analisar os efeitos ou a extensão da decisão judicial. Na hipótese de contribuinte entender que a decisão judicial não está sendo devidamente cumprida, deverá buscar guarida junto ao próprio poder judiciário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 226DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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