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Numero do processo: 10925.000474/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.122
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 74 /2 00 9- 20 Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.218, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904972/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 72 /2 01 0- 17 Fl. 141DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação – DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 1º trimestre calendário de 2003, conforme indicado na DCOMP nº 22511.14069.290905.1.3.016929 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951106 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$304.684,34 Valor do crédito reconhecido: R$27,97 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 142 3 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 143DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 143 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 145DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 144 7 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 147DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 145 9 Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10142.721278/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/10/2014
CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO.
O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Trata-se de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial.
Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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F. PARIZE EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 2. 72 12 78 /2 01 4- 67 Fl. 243DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Fortaleza/CE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Cuidam os autos da exigência de crédito tributário, relativo à cobrança do Imposto de Importação II (R$ 53.247,26), acrescido de multa de mora (R$ 10.649,45), em virtude de desqualificação de Certificado de Origem relativo a importação (DI nº 14/19602642) com tratamento favorecido no âmbito do Mercosul, conforme artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), internalizado no Brasil pelo Decreto n° 5.455, de 02 de junho de 2005; e artigo 10, II e parágrafo único da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, em desfavor de ANDRÉ E. F. PARIZE EPP. De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 0817), em procedimento de conferência documental, realizada pela autoridade fiscal responsável pela análise da Declaração de Importação em tela foram constatadas algumas incorreções, entre as quais a emissão do Certificado de Origem em data superior a sessenta dias da emissão da Fatura Comercial. Tendo em vista as constatações acima, em 16/10/2014, o importador tomou ciência, através de seu Despachante Aduaneiro, do Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, para apresentar correções, bem como recolher o Imposto de Importação, pelo descumprimento do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), regulamentado pela Instrução Normativa SRF n° 149/2002. A autoridade fiscal, em cumprimento ao disposto no Artigo 10, inciso II, e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, que dispõe sobre os procedimentos de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 244 3 controle e verificação da origem de mercadorias importadas de EstadoParte do MERCOSUL, desqualificou o Certificado de Origem apresentado para acobertar a operação de Importação em tela. Em sendo assim, excluído o tratamento preferencial, pela desqualificação do Certificado de Origem do MERCOSUL, segundo a fiscalização, passa a ser inaplicável a alíquota interna do Mercosul relativa ao Imposto de Importação (II), tornandose aplicável a alíquota relativa a terceiros Estados, a qual, conforme a Resolução Camex nº 94/2014 é de 35%. Conforme o Relatório de Fiscalização, o procedimento adotado pela autoridade fiscal para exigência do tributo, tem embasamento no artigo 570 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 – RA/2009), que dispensa a formalização de processo administrativo fiscal para correção de irregularidades no curso do despacho aduaneiro. Porém com a permissividade de o contribuinte manifestar sua inconformidade, para que então seja lavrado auto de infração para o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Em 27/10/2014, o Importador protocolou resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, ANEXO II, anexando documentos necessários para proceder as correções solicitadas e, ainda, documentos que, em sua tese, afastaria a incidência do art. 10 da IN SRF n° 149/2002. Esses documentos são, segundo consta no Relatório de Fiscalização: “Prorroga de Plazo (Documento emitido pelo exportador Paraguaio à entidade certificadora, UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA, solicitando prorrogação do prazo da Fatura Comercial n° 0010330000064, do dia 26/07/2014 para o dia 06/10/2014); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Exportador (Documento emitido ao exportador com informação de acolhimento de sua solicitação, acima); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Ministério da Fazenda (Documento dirigido à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informando que a entidade certificadora acatou a solicitação do exportador, de alteração da data de emissão da fatura).” Segundo a fiscalização, a Fatura Comercial n° 001033 0000064, emitida em 26/07/2014, foi utilizada pelo importador para instruir o procedimento de Licenciamento de Importação LI n° 14/34772874, substitutiva da LI n° 14/27064533, esta registrada em 28 de julho de 2014, ou seja, é fato que a Fatura Comercial foi emitida em 26/07/2014, não cabendo alegações de que o campo estaria incorreto. Além disso, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, o próprio importador afirma que a data da sua emissão é efetivamente o dia 26/07/2014. Fl. 245DF CARF MF 4 Da análise da documentação apresentada acima, é possível constatar, segundo o autuante, que o pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18) do MERCOSUL e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional. A fiscalização aduz que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF é pacífica no sentido de que, ressalvada a hipótese do § 3° do art. 5º da Constituição Federal de 1988, após regular incorporação ao direito interno, o tratado internacional adquire posição hierárquica idêntica à de uma lei ordinária (ADIMC 1.480 e RE 80.004SE), possibilitando que uma lei ordinária venha a modificálo ou revogálo internamente (o que equivaleria a uma denúncia no âmbito externo), ou seja, no ordenamento jurídico brasileiro, o Tratado Internacional tem força de lei, e assim deve ser interpretado. Aduz, ainda, que, do artigo 96 do Código Tributário Nacional, retirase que os tratados internacionais estão compreendidos no conceito de legislação tributária; e que do capítulo do CTN reservado à Interpretação da Legislação Tributária extraise dispositivo, de seu artigo 111, enfático sobre a obrigatoriedade de interpretação literal de determinados institutos tributários. Na realidade, o CTN, segundo o autuante, impõe que certas normas sejam interpretadas estritamente, impossibilitando ampliações. Nesse diapasão, o CTN afirma, no artigo 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre, dentre outros institutos, a isenção tributária. Sendo assim, a interpretação do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 não poderá tomar dimensões extensivas, por se tratar de benesse tributária, ou isenção tributária. Do próprio texto do artigo 17 do ACE 18 observase a ênfase restritiva, com a palavra "somente". Segundo a fiscalização, é princípio basilar de hermenêutica jurídica aquele segundo o qual a lei não contém palavras inúteis. Ou seja, as palavras devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis. Assim sendo, ainda de acordo com o agente fiscal, não restam dúvidas de que a palavra "somente" contida no artigo 17 do ACE 18 tem a notória função de restrição do período onde é permitido a emissão de um Certificado de Origem no âmbito do Mercosul. Por todo o exposto, não haveria, segundo o autuante, alternativa à autoridade fiscal responsável pelo exame Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 245 5 documental do despacho de importação, senão a interpretação pela desqualificação do Certificado de Origem apresentado para instruir a DI de n° 14/1960711 3. E, assim sendo, para efeitos de aplicação do art. 570 do RA, em específico seu § 3°, em 05/11/2014, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal EAD n° 112/2014, no qual o importador foi intimado a providenciar o recolhimento do Imposto de Importação devido, ou manifestar sua inconformidade quanto à exigência, para que fosse, então, lavrado o Auto de Infração para exercício pleno do contraditório e ampla defesa por parte do importador. Aduz a fiscalização que, em 06/11/2014, o importador protocolou, na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Mundo NovoMS, sua manifestação de inconformidade, ANEXO II, quanto à desqualificação do Certificado de Origem do Mercosul de n° E 0000069540. Assim, foi lavrado o Auto de Infração com o fim de efetuar o lançamento do Imposto de Importação devido, utilizando a alíquota aplicável para importações de Estado não Parte do MERCOSUL, para a mercadoria com NCM 6301.40.00, nos termos da Resolução CAMEX n° 94/2014, alíquota de 35%. De acordo com o autuante, sobre o valor do Imposto de Importação incide a multa de mora de que trata o artigo 746 do Regulamento Aduaneiro/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/1996), no percentual de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20%, sendo que a multa de mora é aplicada em substituição à multa de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, em razão do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002. Da impugnação A autuada foi cientificada do auto de infração em 17/11/2014, pessoalmente, (fl. 03), e apresentou impugnação em 17/12/2014 (fl. 6273), onde alega que: I – DOS FATOS teve ciência da desqualificação do Certificado de Origem em 16/10/2014, quando recebeu a Intimação Fiscal EAD n° 104/2014 (fl. 38/40), em que foi intimada a apresentar carta de correção da fatura e do CRT e recolher o imposto de importação e a multa de mora, e informar na DI os recolhimentos, motivação e as bases legais; Fl. 247DF CARF MF 6 em busca de explicação para o ocorrido, a Impugnante buscou informação junto à empresa fabricante dos produtos que estavam sendo importados, a qual, em resposta, explicou que junto com seu pedido de emissão de certificado de origem para a fatura n° 001 0330000064, protocolado em 06/10/2014, foi apresentado também um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura; a empresa certificadora também emitiu uma correspondência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo/MS em que explica os fatos acima descritos, e confirma a emissão do certificado de origem em virtude do pedido de prorrogação da data e a aceitação dela de tal fato; em 27/10/2014, a Impugnante protocolou resposta à intimação supra (fl.42/43), apresentando as cartas de correção da fatura e CRT e os documentos acima citados. Em resposta aos documentos apresentados, a autoridade fiscal intima a Impugnante, por meio da Intimação Fiscal EAD n° 111/2014 (fl. 45), que fica mantida a exigência do recolhimento do imposto de importação sobre a operação acobertada pela DI nº 14/19607113, que deverá ser feito em 05 (cinco) dias, ou apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade; II DO DIREITO de acordo com o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18, no Anexo “Regime de Origem MERCOSUL”, artigo 14, os requisitos essenciais para a validade do Certificado de Origem são que as mercadorias sejam perfeitamente identificadas e que sejam inequivocadamente originárias do Estado Parte, nos termos dos acordos afirmados, e que a entidade certificadora seja legalmente autorizada a emiti lo; o certificado de origem n° E 0000069540 de 06/10/2014 preenche todos os requisitos essenciais para a sua validade, haja vista que a autoridade fiscal não questionou tais requisitos no Relatório de Verificação Fiscal da Declaração de Importação n° 14/19607113 parte integrante do auto de infração objeto do presente Processo Administrativo Fiscal; o certificado de origem apresentado foi desqualificado porque teria descumprido o disposto no artigo 17 do Quadragésimo quarto Protocolo Adicional ao ACE 18; em que pese a condição de que os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data da emissão Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 246 7 da fatura comercial ou durante os sessenta dias subsequentes, o terceiro parágrafo do artigo 17 estipula que as administrações aduaneiras observarão o disposto no Anexo IV do regime, que contém as instruções para o controle do certificado de origem do Mercosul; o Anexo IV a que se refere o artigo 17 acima citado, por sua vez, contém as instruções para o controle dos certificados de origem do Mercosul por parte das Administrações Aduaneiras, e prevê a correção do certificado de origem no caso de constatação de erros formais; nesse Anexo IV, letra “A”, alínea “e”, citado pela mesma norma legal que dispõe que o certificado de origem não deve ser emitido após sessenta dias da emissão da fatura, também dispõe que os erros formais poderão ser corrigidos, e erros formais, segundo o acordo, serão todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem das mercadorias; o erro na emissão do Certificado de Origem em tela foi devidamente justificado pela entidade certificadora perante a Secretaria da Receita Federal, e tal fato não teve qualquer interferência da empresa importadora ora impugnante; a empresa certificadora, acatando o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio, emitiu regularmente o certificado de origem, que acoberta a mercadoria importada por meio da DI n° 14/19607113, com origem paraguaia comprovada, e que em nenhum momento foi questionado pela autoridade aduaneira; nenhuma irregularidade ou suspeita quanto a origem da mercadoria foi levantada. O erro cometido pela entidade certificadora para emissão do certificado de origem não pode ser causa suficiente para ensejar a perda da isenção tributária por parte do contribuinte, que importou a mercadoria de origem do Estado Parte Paraguai regularmente, com o benefício concedido para mercadoria dele originado; a lei não pode ser encarada como instrumento vazio de conteúdo, sobretudo porque os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade se constituem em fundamento de validade para todos os atos da Administração. Nesse sentido, a Lei n° 9.784/99, prevê, em seu art. 2º, VI, que é vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 249DF CARF MF 8 sendo a mercadoria comprovadamente de origem paraguaia, a autoridade fiscal se baseou única e exclusivamente num parágrafo do acordo recepcionado pelo Decreto 5.455/2005, sem levar em consideração os demais dispositivos contidos na mesma norma legal, especialmente naquele específico ao caso em tela, que estipula que todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria, serão considerados erros formais e poderão ser corrigidos (Anexo IV, A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, segundo parágrafo da letra "e"); A jurisprudência também tem se posicionado neste sentido, em casos similares (cita Acórdãos do TRF4, STJ e TRF1); III – DA MULTA DE MORA LANÇADA NO AUTO DE INFRAÇÃO a autoridade fiscal calculou a multa prevista no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430/1996 de forma incorreta no Auto de infração (fls. 3 e 7), pois, segundo a legislação aplicável ao caso, incide a multa de mora, que será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto, e limitada a vinte por cento (art. 61, §1° e §2°, da Lei n° 9.430/1996); a DI n° 14/19607113, foi registrada em data de 12/10/2014, sendo esta a data do fato gerador do imposto. O Auto de Infração foi lavrado em data de 17/11/2014 (fl. 3). Considerando o disposto na norma legal supracitada, a multa de mora é cobrada por dia de atraso, e é calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo legal, o que perfaz tão somente 36 (trinta e seis) dias quando da lavratura do Auto de Infração, que ocorreu em 17/11/2014; Portanto, incorreto o percentual da multa calculada no Auto de Infração, que considerou o teto de 20% (vinte por cento), quando o correto na data da lavratura do Auto de Infração seria de 36 (trinta e seis) dias, multiplicado pela taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), o que perfaz um percentual total de 11,88% (onze inteiros e oitenta e oito centésimos por cento), índice a ser aplicado ao valor do tributo calculado; IVCONCLUSÃO por todo o acima exposto, há que se concluir que a emissão do certificado de origem ocorreu por um erro formal da entidade certificadora, que acatando o pedido de prorrogação da data de emissão, emitiu regularmente o competente certificado de origem, que atesta Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 247 9 incontestavelmente a origem paraguaia da mercadoria objeto do certificado de origem emitido; o erro cometido na aceitação do pedido de prorrogação da data de emissão da fatura não modifica a qualificação de origem da mercadoria, o que o classifica como erro formal, sujeito portanto a correção, nos termos da letra "e" do Anexo IV A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, o que ocorreu com a apresentação da justificativa da emissão do Certificado de origem feita pela entidade certificadora; caso não seja este o entendimento desta douta autoridade julgadora, que seja refeito o cálculo da multa de mora, pois da forma em que foi lançada está incorreta, e tal erro repercutirá em todos os cálculos futuros; isto posto, REQUER: “1.seja o Auto de Infração julgado improcedente e arquivado em caráter definitivo, por ser essa a única medida de inteira justiça; 2.que seja recalculada a multa de mora lançada na data da lavratura do Auto de Infração, por estar incorreta, e que se mantida, repercutirá de forma negativa nos cálculos do débito futuro.” À fl. 173, consta Termo de Constatação, datado de 29/12/2014, segundo o qual: “Tratase de Auto de Infração com lançamento de ofício de Imposto de Importação devido a desqualificação de certificado de origem elaborado em desacordo com as normas vigentes. Ciente do Auto de Infração, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO no qual contesta a desqualificação do Certificado de Origem que dava cobertura a operação de importação e o lançamento efetuado, bem como a multa de mora aplicada. O encaminhamento para a competente Delegacia de Julgamento encontrase no momento pendente de regularização dos documentos de representação. Em paralelo, o interessado impetrou o Mandado de Segurança 0002680 69.2014.4.03.6006 pleiteando a liberação das mercadorias sem garantia (as quais encontramse retidas aguardando regularização da importação). O pedido de liminar foi postergado para momento posterior à chegada de informações solicitadas a esta Inspetoria. Em 19/12/2014 foi encaminhado à Primeira Vara Federal em Naviraí as informações solicitadas”. Às fls. 188198 foram anexadas sentença, Decisão do Reexame Necessário pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e extrato do processamento relativo à citada ação judicial. A Fl. 251DF CARF MF 10 petição inicial e outros documentos relativos ao referido processo já tinham sido anexados pela impugnante às fls. 82 a 155. Quanto à pendência relativa à representação, foram apresentadas, às fls. 182 185, procuração e cópias dos documentos de identificação dos representantes O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Fortaleza/CE (fls 203 a 220), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/10/2014 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO EXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não havendo identidade entre os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a propositura de ação judicial, por si só, não importa em renúncia à instância administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Considerase ineficaz, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, Certificado de Origem emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura comercial que instruiu a declaração de importação. Desqualificado o Certificado de Origem, submetese a importação ao regime comum, aplicandose as alíquotas integrais previstas para as mercadorias objeto da operação. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 229 a 237, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme o despacho de fls 243, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 248 11 De acordo com o relato acima, as questões a serem aqui solucionadas seriam duas: i) existência ou não de concomitância; ii) validade da desqualificação do certificado de origem da mercadoria importada, com a correspondente cobrança da diferença do Imposto de Importação ("II"), multa e juros. Entretanto, com relação à concomitância, a Contribuinte não apresentou em seu recurso voluntário nenhuma consideração atinente ao tema. Assim, aquiesceu com as conclusões adotadas pela DRJ no sentido de inexistência de similaridade entre a discussão travada no Mandado de Segurança n. 000268069.2014.4.03.6006 e o presente processo administrativo, com as quais concordo. 1 Por tais razões, o tema encontrase pacificado, não merecendo maiores considerações nesse momento. Passemos então à questão do certificado de origem. Depreendese da análise do processo, que a controvérsia gira em torno da aceitação ou não de Certificado de Origem do Mercosul apresentado em despacho aduaneiro, em virtude de o tempo decorrido entre a data de emissão deste documento e a data de emissão da fatura estar superior a sessenta dias, contrariando o disposto no artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), que é o tratado internacional que dispõe sobre o tratamento tributário favorecido entre os países membros do Mercosul. Como bem destacado neste processo, em 26/03/1991, foi assinado o Tratado de Assunção, instituindo o Mercosul – Mercado Comum do Sul, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 29/11/1991, foi assinado o Acordo de Complementação Econômica (ACE 18), internalizado no País pelo Decreto nº 550 de 27/05/1992. Esse ACE foi alterado por diversos Protocolos Adicionais, sendo que o 44º Protocolo Adicional, que aprova o texto do atual Regime de Origem MERCOSUL, foi internalizado no País pelo Decreto n° 5.455, de 02/06/2005. No que interessa ao presente caso, para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. Dessa forma, o Regulamento de Origem das Mercadorias definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. No Brasil cabe à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. No despacho de importação, o certificado de origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado. A aceitação do Certificado de Origem do Mercosul depende do cumprimento do disposto nas normas regulamentares. O 44º Protocolo Adicional revogou o 8º Protocolo Adicional ao ACE nº 18, de 1995, que trazia, em seu Anexo I, o Regulamento de Origem das Mercadorias no Mercado 1 Analisandose a petição inicial relativa ao Mandado de Segurança nº 0002680 69.2014.4.03.6006, impetrado pela impugnante, o qual tramitou na 1a Vara da Justiça Federal de NaviraíMS, que faz parte da Jurisdição do Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3), verificase que a ação visava apenas à liberação da carga importada através da DI n° 14/19607113 (objeto da autuação a que se refere o processo em análise), bem como das DI’s nº 14/19608292, 14/19602642, conforme consta do pedido, às fls. 101102. Fl. 253DF CARF MF 12 Comum do Sul. Esse Regulamento de Origem foi disciplinado no Brasil pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11/1997, e pela IN SRF nº 149/2002, a qual ainda está em vigor, agora regulamentando o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18. Quanto ao momento em que o Certificado de Origem pode ser emitido em relação à data da fatura, o artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe: Artigo 17 Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes. (grifei) O certificado de origem deverá ser apresentado perante a autoridade aduaneira do Estado Parte importador no momento do despacho de importação. As administrações aduaneiras, por sua vez, observarão o disposto no Anexo IV deste Regime que contém “As instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras.” Disciplinando tal ponto, o artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 149/2002 determina que: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: I contiver rasuras, correções, emendas ou campos não preenchidos, com exceção daqueles reservados às observações e à identificação do consignatário; II tiver sido emitido anteriormente à data da respectiva fatura comercial ou após sessenta dias da sua emissão; ou III tiver sido firmado por entidade ou funcionário não autorizado. Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. (grifei) No caso ora sob análise, é incontroverso o fato de que a fatura comercial está datada de 26/07/2014 (fls 25), enquanto que o certificado de origem apresentado pelo importador foi expedido em 08/10/2014 (fl. 31). Ou seja, está claro que o certificado de origem o foi emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial correspondente, em desconformidade com a norma acima transcrita. A Recorrente defendese explicando que foi apresentado um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 249 13 de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, o que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura. Enquanto a DRJ entende que tal defesa só confirma que, na data prevista pela lei, não existia o certificado de origem, o que necessariamente acarreta na consequência lógica imposta pelo auto de infração. Entretanto, não é essa a melhor resposta ao problema, de acordo com as normas jurídicas pertinentse e com a jurisprudência deste Conselho. Explico. O 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 trata com acuidade do que se pretende comprovar por meio do certificado de origem, na redação de seu artigo 14: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No caso ora sob análise, em nenhum momento foi alegada qualquer desconfiança com relação à mercadoria em si, ao seu país de origem, à autoridade certificadora, nem qualquer outros problema com relação ao produtor final. Tais fatos, somados à peremptória confirmação pela autoridade certificadora da inexistência de qualquer motivo para a desconsideração do certificado de origem já que acatou o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio , deixam claro que os requisitos do certificado de origem encontramse plenamente preenchidos, conforme o artigo 14 supra transcrito. Ademais, apesar de o mesmo Protocolo determinar a necessidade de apresentação do certificado de origem dentro do prazo de 60 dias da emissão da fatura comercial (artigo 17), não impõe como consequência do descumprimento desse prazo a desqualificação do certificado de origem. O que o referido Protocolo faz é, a partir do seu artigo 18, tratar da verificação e controle do certificado de origem, justamente para que sejam extirpadas quaisquer dúvidas sobre seus requisitos, elencados no artigo 14 acima mencionado. A consequência sobre o descumprimento do prazo de 60 dias imposta pelo presente auto de infração só apareceu no âmbito interno, por meio da Instrução Normativa SRF nº 149/2002, anteriormente mencionada. É esse ato normativo infralegal que determinou a desqualificação do certificado de origem, com a subsequente cobrança da diferença de impostos devidos pela importação, pois deixará de existir o tratamento favorecido no âmbito do Mercosul. Inarredável, portanto, a conclusão pela ilegalidade do artigo 10, inciso II parágrafo único da IN 149/2009, que extrapolou o conteúdo do 44º Protocolo Adicional do ACE 18, ferindo a hierarquia das normas jurídicas, ao criar situação que inexiste no diploma normativo que lhe dá fundamento. Fl. 255DF CARF MF 14 Assim é que, dentro da legislação sobre o certificado de origem no âmbito do Mercosul, o que caberia à autoridade fiscal seria instaurar um procedimento de verificação do certificado de origem, para apurar eventual problema com relação à própria mercadoria ou a sua origem, para então promover a desconsideração dos benefícios fiscais e a respectiva cobrança da diferença tributária. Não poderia, pelo simples problema com relação à data da emissão do certificado, desconsiderálo, passando por cima de todo o tratamento tributário acordado no Mercosul, com vistas ao desenvolvimento do bloco econômico, em clara atuação do direito tributário com fins extrafiscais. Esse entendimento, sobre a necessidade de ser observado o verdadeiro conteúdo dos certificados de origem, para fins de sua eventual desqualificação, já foi enfrentada por este Conselho, conforme se depreende das ementas a seguir colacionadas: Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. — Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1.300, de 04/11/1994 (ex vi art. 106 do CTN), o qual estabelece a validade do Certificado de Origem emitido dentro do prazo de 10 (dez) dias após o embarque da mercadoria. PRECEDENTES da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0305.672, Processo 11128.001770/94 40) Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994 CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1300, de 04/11/1994 (Acórdão: CSRF/0306.033, Processo: 11131.001076/9870) Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE Certificado de Origem válido, não pode ser considerado nulo se não houver prova convincente de sua falsidade. Aplicase a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 1º, do 6º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18). Havendo o contribuinte efetivamente obtido a necessária certificação de que a operação de importação foi realizada entre países signatários do ACE Nº 18, não é exigível o recolhimento dos tributos incidentes na importação. (CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410) Destaco o seguinte trecho do voto do Conselheiro Relator, no julgamento do caso CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410: Não existem dúvidas que o Certificado de Origem foi efetivamente emitido, com todos os elementos essenciais, sendo, portanto, um completo absurdo afirmar a nulidade do mesmo, posto que nos autos não há prova capaz de comprovar a invalidade do Certificado de Origem, nem mesmo causa prejuízo ao fisco a confusão de datas referidas nos autos. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 250 15 Dessarte, no entender desta Relatora não existe na normativa assinada entre os países do Mercosul uma regra impondo a desqualificação do certificado de origem em casos como o presente, além do que inexiste in casu qualquer suspeita quanto à origem ou a qualidade das mercadorias importadas, devendo portanto ser reputado perfeito o tratamento tributário dado às operações internacionais com o cancelamento do respectivo auto de infração. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 257DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe expressamente que "Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes". [grifei e negritei] Como se vê, tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país membro de origem da mercadoria, que atinge a existência/validade do Certificado de Origem, que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino (país membro importador), de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Ora, se os países membros do Acordo Internacional, inclusive o país de destino (no caso, o Brasil), acordaram quanto à proibição de emissão de Certificado de Origem após 60 dias da emissão da fatura comercial correspondente, não faria nenhum sentido esse mesmo país de destino aceitar normalmente, para fins de tratamento tarifário preferencial, um documento emitido com infração à referida norma internacional. Dessa forma, não há qualquer lesão à hierarquia das normas na regulamentação dada pela Receita Federal no art. 10 da IN SRF nº 149/2002, que dispõe sobre a desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial, quando esse tiver sido emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial. A decisão recorrida foi bem motivada quanto à validade da desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial efetuada pela fiscalização que culminou com o presente lançamento, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: (...) Nesse sentido, aplicase a máxima segundo a qual a lei não abriga palavras inúteis. Ora, devese admitir que a cláusula quanto ao prazo de expedição do Certificado de Origem, contida no acordo internacional, tem sua razão de ser, afigurandose relevante para assegurar os objetivos do pacto internacional, segundo a vontade dos países signatários. Por outro lado, se o acordo internacional pretendesse limitar a ineficácia do certificado de origem apenas a determinadas hipóteses, certamente as teria explicitado. Assim, é razoável inferir essa ineficácia, sempre que deixe o documento de preencher qualquer dos requisitos exigidos nos tratados internacionais pertinentes. Impõese concluir que a fruição do benefício tarifário depende do cumprimento dos requisitos estabelecidos no pacto internacional, dentre eles, a apresentação de certificado de origem expedido tempestivamente, o que não foi observado pelo importador. Cumpre esclarecer que cabe a autoridade aduaneira reconhecer ou não a eficácia do Certificado de Origem, consistente na redução tributária; isto é, considerar ou não um documento como hábil, na forma da lei, para produzir determinado efeito fiscal, atividade inerente aos poderes do Fisco, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro/2009: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 251 17 Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Dada a importância do documento em análise como instrumento de certificação da origem da mercadoria, inferese que, ante a ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. Com efeito, se os países participantes estipularam regras obrigatórias para o reconhecimento da origem da mercadoria e, por conseguinte, do benefício tarifário, temse como inadmissível substituir a vontade dos referidos países, manifestada no acordo, com a pretensão de tentar demonstrar a origem por outros meios, sob pena de negar vigência ao acordo internacional. Assim, afora o Certificado de Origem emitido em conformidade com as normas do Mercosul, inexiste qualquer outro meio idôneo que possa suprir essa prova, sem a qual não se pode identificar a origem da mercadoria e reconhecer a redução tarifária. Repitase que a fruição do benefício de redução tarifária importa a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência. O reconhecimento, pelo Fisco, do benefício tributário pactuado entre os países integrantes do Mercosul depende da constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidas nos acordos de regência. (...) Primeiramente cumpre destacar que o previsto no Anexo IV do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 é aplicável nos casos em que sejam detectados erros formais na confecção do Certificado de Origem, e desde que estes sejam avaliados como tais pelas Administrações Aduaneiras. O intento de prorrogar a data da fatura apenas confirma que, realmente, o Certificado de Origem foi emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura. Assim, não se pode dizer que houve mero erro formal da confecção do Certificado de Origem e sim que esse documento foi de fato emitido de modo intempestivo, desrespeitando, portanto, o prazo legal. (...) O pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 do Mercosul e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional, que, como já mencionado, tem status jurídico de lei ordinária. O procedimento adotado pela fiscalização está em acordo com a legislação prevista para o caso, uma vez que o Certificado de Origem n° E0000069540 (fl. 31) possui data de emissão posterior a sessenta dias da data de emissão da fatura original n° 001033 0000064 (fl. 25), apresentada para despacho. Tal situação está prevista na legislação citada anteriormente, e há orientação específica sobre o procedimento a ser adotado para o caso no inciso II, artigo 10, da IN SRF n° 149/2002, que claramente instrui a autoridade aduaneira a desqualificar o certificado de origem quando este for emitido nessas condições. (...) Ocorre que o emprego da razoabilidade e proporcionalidade, pela instância administrativa, não autoriza afastar a aplicação da legislação nem de alterarlhe o Fl. 259DF CARF MF 18 teor com base em critérios subjetivos de justiça, tendo em vista que essa apreciação refoge à competência da autoridade administrativa. A solução inversa, ou seja, assentir com a prorrogação do prazo da fatura com mero o propósito de tornar o Certificado de Origem artificialmente tempestivo, sem que isso esteja previsto na legislação, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914284/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 84 /2 01 2- 22 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.439, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001327/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU
TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a
participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002.
Numero da decisão: 1301-000.839
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.001327/200536 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.839 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente Real Zincagem Ecológica Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.001327/200536 Acórdão n.º 1301000.839 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Pelo Ato Declaratório Executivo n°. 441.555, de 07 de agosto de 2003, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, Real Zincagem Ecológica Ltda. foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002. O evento informado como causa da exclusão foi o fato de um dos sócios participar com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita global do anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite estabelecido pela legislação que rege o Simples, conforme previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317, de 1996. Em manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPR, a interessada sustentou que sua exclusão ao Simples, com efeito retroativo a 2002 não pode prosperar já que o sócio em questão, tornouse detentor de 33,33% do capital da empresa em 17 de dezembro de 2002, conforme consta da alteração contratual registrada em 20/01/2003, e que, a partir de 2003 optou pelo Lucro Presumido. Argúi questões de irretroatividade da norma, ilegalidade, inexigibilidade da multa dos débitos retroativos. E pede sua permanência no Simples. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu a solicitação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal, correta a exclusão do contribuinte de tal regime simplificado a partir de 01/01/2002, vez que se encontra expressamente consignado na legislação como sendo impeditiva à opção. Ciente da decisão em 28 de agosto de 2007, a interessada ingressou com recurso em 18 de setembro, trazendo aos autos cópias de alterações contratuais da outra empresa de que participa, com o intuito de comprovar que a situação excludente só se concretizou em dezembro de 2002, e postulando que os efeitos da exclusão só incidam a partir de 01/01/2003. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente foi excluída do SIMPLES porque sua sócia, Cláudia Aparecida de Carvalho participava do quadro societário da empresa Cinfer Comércio e Indústria de Ferramentas Ltda., e a receita global das duas empresas no ano calendario de 2001 ultrapassou o limite admitido na legislação para a opção pelo sistema simplificado. O inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317/96 veda a opção pelo Simples à pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite previsto no inciso II do art. 2º da mesma lei. Quanto aos efeitos da exclusão, prevê o inciso IV do art. 15 que ele se produzirá a partir do exercício seguinte àquele em que for ultrapassado o limite. Conforme consta dos autos, a Recorrente optou pelo sistema simplificado em 06 de fevereiro de 1998, e a situação excludente ocorreu em 31/12/2001. A decisão de primeira instância fundamentouse em registros nos sistemas informatizados da Receita que indicam que em 2001 a Sra. Cláudia Aparecida de Carvalho participava com 33% do capital da Real Zincagem e com 33% do capital da Cinfer (fl. 26). Todavia, conforme cópia das alterações contratuais da Cinfer juntada aos autos, a Sra. Cláudia ingressou na Cinfer com 2,5% de participação, a partir da 20ª alteração contratual, ocorrida em 22/08/2001, registrada em 28/08/2002 (fl. 115 a 118); sua participação aumentou para 12,5% a partir da 21ª alteração, ocorrida em 01/12/2002, registrada em 18/12/2002 (fls. 119 a 122), e a 33.33% a partir da 22ª alteração, ocorrida em 05/05/2003 e registrada em 03/11/2003 (fls. 123/125). Assim, como visto acima, a situação excludente só se configurou em dezembro de 2002, e os efeitos da exclusão, com base no inciso IV do art. 15, só se produzem a partir de janeiro de 2003, razão porque, DOU provimento ao recurso do contribuinte. E como voto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.001327/200536 Acórdão n.º 1301000.839 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721050/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2008, 2009
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2202-004.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos de origem não comprovada, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos de origem não comprovada, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 50 /2 01 1- 10 Fl. 435DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 370/372): Por meio do Auto de Infração de fls. 287 a 330 (a numeração digital é a adotada neste acórdão), exigese R$ 147.488,46 de imposto de renda, R$ 110.616,38 de multa de ofício de 75%, e acréscimos legais decorrentes da ação fiscal efetuada em desfavor do contribuinte, acima qualificado, em face da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, da existência de depósitos bancários de origem não comprovada e da não apuração de ganhos de capital na alienação de bem imóvel, cujos fatos subjacentes ocorreram entre 2007 e 2008. (...) 3. Segundo a autoridade fiscal, a alienação do apartamento 1.500 do Condomínio Mucuripe, de propriedade do contribuinte, deuse de forma parcelada e os reajustes incidentes sobre as parcelas não entraram para o cômputo do ganho de capital, sendo tributados, na forma do art. 106 do RIR/99, como omissão de rendimentos recebidos como pessoa física. (...) 4. Prosseguindo, a autoridade lançadora aduz que, mesmo intimado, o contribuinte não conseguiu comprovar a origem do depósito bancário de R$ 150.000,00, creditado, em 19/09/2007, na conta nº 1185934, mantida junto à agência nº 2268 do Banco Bradesco (fl. 43). Assim procedeu ao lançamento por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e art. 849 do RIR/99. 5. A fiscalização apurou que o contribuinte investiu, em conjunto com João Marcos Pozzetti, recursos em dois empreendimentos imobiliários, o Catamarã e o Mucuripe Plaza, em Fortaleza. 6. No empreendimento Catamarã, houve a aquisição das unidades 2101, 2102 e 2202, em 12/09/2003, por meio da participação de 2/3 do contribuinte e 1/3 do Sr. João Marcos Pozzetti, por um valor total de R$ 799.600,00. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 436 3 7. Como a participação do contribuinte foi de 2/3, a aquisição, concernente a este, desses imóveis deuse pelo importe de R$ 533.066,67. 8. O imóvel 2101 foi vendido, em 26/12/2006, a Jean André Roero, pelos valores de R$ 537.759,00, pagos em 02/02/2007; R$ 144.828,00, pagos em 05/02/2007; R$ 336.656,62, pagos em 28/03/2007 e R$ 43.531,27, pagos em 02/05/2007. 9. Considerado o desembolso de corretagem de R$ 53.138,34, o valor líquido importou em R$ 1.009.636,55, sendo que a parte correspondente ao fiscalizado (2/3) redundou em R$ 673.091,03. 10. Assim, o ganho de capital resultou em R$ 140.024,36 (R$ 673.091,03 – R$ 533.066,67), importando no imposto de R$ 18.274,42. 11. Utilizando os mesmos critérios, a autoridade fiscal apurou ganho de capital de R$ 102.754,86 na alienação do apartamento 2102, aplicando os fatores de redução chegou ao montante de R$ 88.086,85 a tributar e R$ 13.213,01 de imposto de renda. 12. Já o apartamento 2202 redundou no imposto de renda sobre ganho de capital de R$ 27.203,51 (fls. 294 e 295) 13. Como mostra o Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital no empreendimento Catamarã, apresentado pelo próprio contribuinte como anexo à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2009, o imposto pago no valor de R$ 36.172,05 referese à unidade 2202. Assim, embora tenha recolhido a mais, o que deve se acertar por meio de pedido de restituição, a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário concernente as demais unidades (2101 e 2102) com a aplicação da penalidade de 75%. 14. No empreendimento Mucuripe, houve a aquisição dos apartamentos 1500, 2000, 2400 e 2500 em parceria com João Marcos Pozzetti, com a participação de ¾ do contribuinte de ¼ do parceiro. 15. A alienação do apartamento 2400 redundou na declaração e no recolhimento de R$ 68.461,88 em 2009 (embora o contribuinte tenha informado à fiscalização que tal recolhimento se refere ao imposto incidente sobre o ganho de capital apurado na venda de todas as unidades do sobredito empreendimento), não sendo objeto dessa operação fiscal, justamente por se referir a fato ocorrido fora do período alcançado pelo MPF. 16. Assim a autoridade fiscal apurou o ganho de capital de R$ 202.583,65 na venda do apartamento 1500, com o imposto de renda de R$ 24.485,06 no ano calendário de 2007 e R$ 1.933,81 no ano calendário de 2008. 17. A alienação do apartamento 2000 gerou o imposto de renda sobre ganho de capital de R$ 22.536,00 em 2007 e R$ 15.024,00 em 2008. Fl. 437DF CARF MF 4 18. A alienação da unidade 2500 deuse em 25/11/2005 para Hans Dieter Rudolf Birkat, não entrando para o cômputo desta autuação. 19. Ciente pessoalmente da autuação em 14/10/2011 (fl. 329), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 336 a 351, protocolizada em 16/11/2011, considerada tempestiva pela unidade de origem (fl. 366), alegando que: I. a autuação é nula, pois não foi respeitado o período de apuração imposto pelo MPF nº 0220100.2010.00692, que era o curso de 2007 e não 2007 e 2008 como considerado pela fiscalização; II. o depósito de R$ 150.000,00, considerado como de origem não comprovada, teve sua origem registrada na Declaração de Ajuste, sendo o depósito feito pelo próprio contribuinte, pois se tratava de dinheiro em espécie que estava sob sua posse, não havendo acréscimo patrimonial, apenas a mutação da classificação de tal verba, não cabendo, assim, a autuação; III. foi recolhido o imposto referente ao ganho de capital na alienação do apartamento 1500 do Condomínio Mucuripe e mesmo se tais valores não tivessem sido tributados, a autoridade fiscal deveria tributar mensalmente os rendimentos sujeitos ao carnêleão (reajuste das parcelas) como determina o art. 106 do RIR/99 e não anualmente como o fez, ademais, houve a inclusão equivocada do depósito bancário de R$ 150.000,00 (dito de origem não comprovada) nos cálculos da tributação desses rendimentos submetidos ao carnêleão; IV. pelos mesmos motivos expostos, não há incidência da multa por falta de recolhimento do carnêleão; V. inexistiu a omissão ou erro na apuração de ganhos de capital, como a seguir fica demonstrado: V.a) O apartamento 2101 foi vendido, em 2007, por R$ 1.062.774,89, pago um valor de corretagem de R$ 53.131,75, repassado o valor de R$ 336.545,52 a João Marcos Pozzetti, restando a si R$ 673.091,03; o valor do custo de aquisição foi apurado equivocadamente pela autoridade fiscal, pois esta não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. O valor correto do custo da aquisição é de R$ 575.725,32. V.b) O apartamento 2102 foi vendido, em 2007, por R$ 1.195.555,07, com corretagem de R$ 66.000,00. João Marcos Pozzetti passou ao contribuinte a importância de R$ 753.036,72. O valor correto de custo foi de R$ 575.725,32. A auditora não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. V.c) O apartamento 2202 foi alienado, em 2008, por R$ 1.195.555,07, com pagamento de R$ 66.000,00 de corretagem. Foi repassado ao contribuinte a importância de R$ 753.036,72 por João Marcos Pozzetti. O valor de custo foi de R$ Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 437 5 575.725,32. A auditora não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. Afirma também que o ano de 2008 não está incluso no MPF. V.d) O apartamento 1500 foi vendido por R$ 1.302.228,37 em 2007. A quitação se deu da seguinte forma: do pagamento de R$ 350.000,00, foi repassado R$ 173.528,00 ao condomínio Mucuripe Plaza para pagamento de acréscimos de custo de construção das unidades 1500 e 2000 do Edifício Vicente Pizon e 2400 do edifício Diogo Leppe. Então, o valor recebido pelo contribuinte foi de R$ 1.128.700,37, com um pagamento de corretagem de R$ 40.136,24. Foi repassado um valor de R$ 205.542,33 para João Marcos Pozzetti, redundando num valor a favor do contribuinte de R$ 883.021,80 após os repasses. O valor correto do custo de aquisição foi de R$ 704.814,12 relativo a parte do peticionário (3/4), sendo incorreto o cálculo da autoridade fiscal. V.e) O apartamento 2000 foi vendido, em 2007, por R$ 1.000.000,00, sendo que a primeira parcela de R$ 600.000,00 foi quitada em setembro de 2007 e a segunda parcela de R$ 400.000,00 em setembro de 2008. O valor correto do custo de aquisição foi de R$ 704.814,12, correspondente a ¾ da participação do contribuinte. 20. Em suas considerações finais, o contribuinte protesta contra o não aproveitamento na apuração do imposto sobre o ganho de capital nas unidades 2101 e 2102 do pagamento feito a maior, dito pela própria autoridade fiscal (R$ 36.172,05 em vez de R$ 27.203,51), do imposto sobre o ganho de capital na alienação da unidade 2202. 21. Conclui que a auditora não podia apurar os débitos e ignorar os créditos. Assim, ao desconsiderar esse crédito, a autoridade fiscal tornou o auto de infração nulo. Em 23 de abril de 2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 369): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão Fl. 439DF CARF MF 6 pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ALEGAÇÕES. PROVAS. EFICÁCIA. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR INSTANTÂNEO. COMPENSAÇÃO. AUTORIDADE LANÇADORA. COMPETÊNCIA. Inexiste previsão legal para que a autoridade fiscal, no exercício da atividade do lançamento, reconheça o direto à restituição de imposto sobre o ganho de capital recolhido a maior e, por consequência, possa compensálo com o apurado em outra alienação da mesma natureza, uma vez que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital é instantâneo. Cientificado em 21/05/2015 (AR fls. 386), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 388/402, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO AUTUAÇÃO DE PERÍODOS NÃO ABRANGIDOS PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega o Recorrente o lançamento seria nulo, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal só abrangia o período de 01/2007 a 12/2007. No entanto, a Autoridade Fiscal promoveu o lançamento de débitos relativos aos períodos de 2007 e 2008. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 438 7 Sem razão o Recorrente. Isso porque, conforme já observado pela decisão recorrida: Não procede a reclamação do impugnante de que a autoridade fiscal tenha invadido período não previsto no MPF, pois o procedimento fiscal originouse na expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 02.2.01.002010006920 em 27 de dezembro de 2010, abrangendo, inicialmente, os fatos econômicos decorridos em 2007 e, posteriormente, foi estendido até dezembro de 2008, por meio de alteração no MPF efetuada em 07/06/2011. Ademais, a posição predominante neste Conselho é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO 2.1) DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 441DF CARF MF 8 Em relação ao depósito bancário de origem não comprovada no montante de R$ 150.000,00 o ora Recorrente, desde a Impugnação, afirma que tratase de valor depositado em dinheiro e já declarado em sua IRPF. A decisão recorrida, todavia, negou provimento à referida alegação por entender que tratase, na verdade, de transferência entre contas e não de depósito em dinheiro conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito. Depósito bancário de origem não comprovada 35. O contribuinte alega que o valor de R$ 150.000,00, considerado pela autoridade fiscal como depósito de origem não comprovada, advém de um depósito retirado do dinheiro “em mãos”, declarado em sua DIRPF. 36. Não há provas nos autos que legitimem tal afirmação, eis que o documento de fl. 205, denota o contrário, pois mostra que houve transferência bancária entre agência e não depósito em mãos. 37. O lançamento foi fundamentado no art. 849 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR), que regulamenta o art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: (...) 43. Como visto, tudo reforça a necessidade do impugnante refutar a imposição fiscal com prova suficientemente forte, capaz de convencer o julgador, o que não acontece no presente caso, pois a prova trazida à lume (fl. 205) mais reforça a tese fiscal. 44. Improcedente a impugnação nesse aspecto. Com efeito, de acordo com o extrato bancário juntado às fls. 205, em 19/09/07 consta o depósito de R$ 150.000,00, documento nº 1092214, cujo histórico é "Transf entre Agencia". O referido depósito foi realizado no Banco Bradesco, Agência 21303, conta 118.5934. Todavia, o contribuinte juntou à impugnação o comprovante de depósito de fls. 363 onde constam os mesmos dados (banco, agência, conta, data e valor) onde consta a informação de que foi realizado depósito em dinheiro. Todavia, tal documento não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil quando da decisão recorrida. Ademais, na DIRPF do anocalendário 2008, Exercício 2009 (fls. 29), foi declarado o montante de R$ 250.000,00 como dinheiro em mãos, tal como afirmado pelo Recorrente. Em face do exposto, entendo devidamente comprovada a origem do depósito bancário, motivo pelo qual o deve ser excluído da base de cálculo do presente lançamento. 2.2) INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO. Parte do lançamento referese aos valores relativos aos juros das parcelas de alienação dos imóveis. Isso porque, os acréscimos legais não compõe o valor da alienação para efeito de apuração do ganho de capital e, sendo assim, deveriam ser recolhidos por meio de carnê leão. Em seu recurso o Recorrente alega que os valores correspondentes aos recebimentos decorrentes da venda do apartamento foram objeto de apuração de ganho de capital e que, mesmo que os valores não tivessem sido tributados, os cálculos realizados pela autoridade lançadora estão equivocados.Isso porque, tais rendimentos decorrem de fatos Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 439 9 geradores mensais, devendo o imposto de renda ser calculado por meio da tabela progressiva mensal e não anual. Sem razão o Recorrente. Quanto aos cálculos, conforme observou a decisão recorrida, o demonstrativo de fls. 303 demonstra que a autoridade fiscal adotou tabela progressiva mensal e não anual como alega o Recorrente. Em relação à alegação de que os referidos rendimentos estariam sujeitos à tributação do ganho de capital igualmente incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, o Regulamento de Imposto de Renda RIR, em seu artigo 123, §6º, dispõe expressamente que: Decreto nº 3.000/99 (RIR) Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do § 4° do art. 117; (...) § 6° Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. (...) Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei n° 7.713, de 1988, art. 8°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 24, § 2°, inciso IV): (...) Art. 620. Os rendimentos de que trata este Capítulo estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais: Diante do exposto, igualmente improcedentes as alegações de não incidência de multa por falta de recolhimento do carnêleão. 2.3) INEXISTÊNCIA DE ERRO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL Alega a Recorrente que custo de aquisição utilizado pela fiscalização para apuração do ganho de capital está errado, uma vez que esta deixou de computar valores extras pagos pela construção do imóvel os quais estariam discriminados nos comprovantes de "Contas recebidas pelo condomínio". Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque os valores mencionados como custos de construção que deveriam compor o custo de aquisição não foram comprovados, conforme a atesta a decisão recorrida: Fl. 443DF CARF MF 10 63. Como se pode ver, a divergência reside no custo de aquisição, sendo R$ 575.725,31 para a defesa e R$ 533.066,67 para a autoridade fiscal. 64. O impugnante aduz que tal diferença advém dos pagamentos comprovados por meio “Contas Recebidas pelo Condomínio” de fl. 354, não considerados pela autoridade lançadora. 65. Não há ao menos explicação por parte da defesa da natureza de tal despesa denominada taxa de obra, assim como não há a comprovação do recolhimento dos boletos enumerados no demonstrativo de fl. 354. 66. Ademais, a declaração apresentada em forma de planilha, não tem o condão de provar o pagamento da despesa a que se refere, e isso está bem claro no Código Civil (Lei nº 10.406/02), em seu art. 320, porém, tal declaração, além de não provar que o desembolso foi do impugnante, faz prova de quitação de débito do devedor em face de seu credor, mas não possui, necessariamente, efeito erga omnes, podendo terceiros exigirem outras formas de comprovação do pagamento, que é o que ocorre no presente caso. 67. Assim prevalecem os cálculos fiscais. É importante ressaltar que a comprovação dos valores alegados pelo Recorrente não foi realizada em grau de recurso. 2.4) COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO A MAIOR Por fim, o Recorrente alega que a autoridade fiscal deveria ter compensado o valor recolhido a maior na alienação do apartamento 2202 com os valores lançados relativos às alienações que se seguiram. Tal alegação foi rejeitada pela decisão recorrida por entender que não existe previsão legal para a referida compensação. Isso porque, a tributação do ganho de capital se dá de forma instantânea. Sendo assim, cada venda com saldo positivo caracterizase como um fato gerador distinto das demais vendas da mesma natureza. A referida conclusão encontra respaldo no item 521 do Perguntas e Respostas do ano de 2008: 521 — É permitida a compensação entre resultados positivos e negativos de distintas alienações realizadas no mês? Não. Os resultados positivos e negativos apurados em operações distintas não podem ser somados algebricamente por falta de previsão legal. O ganho de capital deve ser apurado e tributado em separado em relação a cada alienação Sendo assim, tendo o contribuinte recolhidos imposto à maior relativo a unidade imobiliária 2202, cabe a ele o direito de pedir restituição ou compensação da diferença paga a maior após entregar a Declaração retificadora e apresentar o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital com os dados corrigidos. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 440 11 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir a infração relativa a depósito bancário de origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914241/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. SIMPLES PETIÇÃO PARA RECONSIDERAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E REGIMENTAL. DESOBEDIÊNCIA AO PAF.
Tendo os Embargos de Declaração sido rejeitados por meio de despacho, o simples peticionamento nos autos com repetição dos argumentos não é capaz de mudar o quanto determinado no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1201-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. SIMPLES PETIÇÃO PARA RECONSIDERAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E REGIMENTAL. DESOBEDIÊNCIA AO PAF. Tendo os Embargos de Declaração sido rejeitados por meio de despacho, o simples peticionamento nos autos com repetição dos argumentos não é capaz de mudar o quanto determinado no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 41 /2 00 9- 31 Fl. 322DF CARF MF 2 Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório O presente caso trata de manifestação de inconformidade decorrente do Despacho Decisório nº (de rastreamento) 848708577 que foi considerada intempestiva e, conseqüentemente, não conheceu o mérito. Em síntese, a discussão surge da data de ciência da decisão que, segundo a Receita Federal do Brasil consta em 19/10/2009, e para o Recorrente ocorreu dia 20/10/2009, motivo pelo qual apresentou a manifestação de inconformidade 19/11/2009. Quanto ao mérito, em razão da intempestividade do citado recurso, a autoridade não homologou o direito ao crédito relativo à compensação declarada na DCOMP nº 26924.48492.190209.1.7.041085. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 30/03/2007, de R$ 12.133.737,16, código de receita 2390 (IRPJ ENTIDADES FINANCEIRAS – AJUSTE ANUAL), relativo ao período de apuração de 31/12/2006, do qual seria parte o montante de R$ 8.408.026,25 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 23), fora integralmente utilizado na quitação de débito de IRPJ do referido período, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. Sendo assim, apurou valor devedor consolidado para pagamento ate 30/10/2009, referente ao debito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, no montante de R$9.800.548,96 de principal R$ 1.150.584,44 de juros e de R$1.960.109,79 de multa. A 8ª Turma da DRJ/SP1, julgou intempestiva a manifestação de inconformidade e não conheceu do mérito. O Contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo diversos argumentos relacionados à tempestividade do Recurso. Ao analisar o Recurso Voluntário do contribuinte que, preliminarmente, insurgiuse contra a declarada intempestividade da Manifestação de Inconformidade, esta turma decidiu pela nulidade da decisão da DRJ, vez que diante da divergência das alegações da contribuinte e da DRJ quanto à data do recebimento do AR 20/10/2009 e 19/10/2009 respectivamente, a única forma de dirimir tal dúvida seria por meio do próprio comprovante de AR devidamente assinado e datado, documento o qual não fora juntado aos autos. Os autos do processo foram encaminhados à DRF para posterior encaminhamento à DRJ para julgamento do mérito. A própria DRF apresentou o Despacho de Encaminhamento n. 049/2015 nos autos que traz a seguinte informação e pedido: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16327.914241/200931 Acórdão n.º 1201002.257 S1C2T1 Fl. 256 3 " (...) 3. Ocorre que, em consulta ao sistema SUCOP Imagem, foi encontrado o AR referente ao Despacho Decisório de rastreamento 848708677, com data de recebimento e assinatura do recebedor. Este AR já se encontra anexado aos presentes autos (fl. 272) e nele consta a data de recebimento de 19/10/2009. 4. Diante disso, e levando em conta que a data de recebimento atestada no referido AR confirma a intempestividade da Impugnação da contribuinte, sugiro que o presente processo retorne ao CARF para reconsideração do julgamento." Em razão disso, a presente Turma de Julgamento julgou novamente o presente caso e em decisão de 23/03/2017 (acórdão 1201001.610) apenas conhecer do Ofício para ao fim determinar o cumprimento do acórdão acima mencionado, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA DE PROVAS POSTERIOR AO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação de provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal. Não é possível acatar provas e documentos após o início do julgamento e muito menos após a conclusão do julgamento. Inconformada com a decisão, a PGFN apresentou Embargos de Declaração por meio do qual alega erro material do acórdão embargado. Em despacho de 23/07/2018, os Embargos foram rejeitados por despacho do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, cujo trecho abaixo destaco: Nesse contexto, resta evidente a inexistência do alegado erro material, constatandose, de fato, tão somente a discordância da embargante com o resultado do julgamento, ao defender não ser esta a “melhor solução jurídica para o caso”, pois “implicaria preterição da verdade material para fazer prevalecer normas adjetivas”. Isso significa que a embargante busca valerse de um recurso de cognição restrita, sob a alegação da existência de suposto “erro material”, para obter a reapreciação de questão de mérito já decidida pelo colegiado; entretanto, tal pretensão não se mostra possível na via admitida pelos embargos de declaração. Fl. 324DF CARF MF 4 Pelo exposto, e com fulcro no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), REJEITO os embargos de declaração interpostos, mantendose inalterado o v. acórdão embargado. O presente despacho é definitivo, nos termos do citado dispositivo. Ainda inconformada, a PGFN apresentou o petição nos autos do presente processo, no qual alega o seguinte: A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora que esta subscreve, vem dizer a V. Exa. que está ciente do DESPACHO de fls. 294, que rejeitou os embargos de declaração. Cumpre ressaltar que o acórdão n.º 1201001.021 assim dispõe: Nestes termos, face à ausência de apresentação nos autos do comprovante de recebimento (AR) onde conste a assinatura do contribuinte, de forma que reste comprada de forma inequívoca, a data em que a ora Recorrente teve ciência do julgado, não há que se falar em intempestividade da Impugnação apresentada, conheço do presente recurso para DECLARAR a NULIDADE da decisão da 8ª Turma da DRJ/SP1, sendo assim, DETERMINO o retorno dos autos para a 8ª Turma da DRJ/SP1 para julgamento da Impugnação apresentada. Diante da juntada do AR aos autos, e da demonstração cabal e inequívoca da intempestividade da impugnação, data máxima vênia, parecenos que a DRJ/SP1 tem autorização para não proceder a novo julgamento, eis que o fundamento de validade que sustentava a decisão do CARF – a dúvida – não mais existe. Posteriormente, o Banco do Brasil (sucessora do Banco Nossa Caixa) apresentou petição no qual junta o tão discutido AR aos autos: É o relatório Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16327.914241/200931 Acórdão n.º 1201002.257 S1C2T1 Fl. 257 5 Voto Conselheiro LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Primeiramente, cabe esclarecer que o Recurso Voluntário da contribuinte já fora julgado por esta Turma de Julgamento que determinou a nulidade da decisão da DRJ e ordenou o julgamento de mérito em primeira instância administrativa. Numa seqüência lógica do exposto no parágrafo acima, resta claro que esta Turma somente deveria voltar a apreciar este processo em eventual Embargos de Declaração. Mesmo assim, em homenagem ao Princípio do Contraditório, o despacho da DRF fora analisado e julgado. Após isso, a PGFN apresentou Embargos de Declaração que foram de pronto rejeitados através de Embargos. Não obstante, a PGFN peticionou nos autos para apresentar o singelo argumento de que entende que a DRJ tem condições de não cumprir o que fora determinado pelo CARF, ou seja, proceder a novo julgamento do caso. Tal atitude da PGFN beira o desrespeito ao PAF, ao Regimento deste Conselho e aos Princípios da Eficiência e da Economia Processual. O processo administrativo deve se movimentar para frente. Os argumentos da PGFN já foram rejeitados e a decisão do CARF deve ser cumprida. Destaco aqui trecho do Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida no despacho em que rejeitou os Embargos apresentados: Por ocasião da prolação do Acórdão nº 1201001.610, o colegiado teve a oportunidade de se confrontar com a prova apresentada pela unidade administrativa, a qual, conforme destaca a embargante, comprova a ciência do contribuinte na data de 19/10/2009, e não em 20/10/2009, consoante alegava a defesa. No voto condutor deste acórdão não há nenhuma contestação quanto a este fato (de que a ciência do contribuinte se deu em 19/10/2009, e não em 20/10/2009), senão apenas a ratificação do entendimento já manifestado no anterior Acórdão nº 1201 001.021, qual seja, o de que “face à ausência de apresentação nos autos do comprovante de recebimento (AR) onde conste a assinatura do contribuinte”, a manifestação de inconformidade deve ser tomada por tempestiva. E a forma pela qual foi feita tal ratificação, ou seja, o fundamento jurídico para a não aceitação daquela prova Fl. 326DF CARF MF 6 apresentada pela unidade administrativa, foi a preclusão, consoante exposto na ementa do julgado, já ao norte transcrita, bem como no seguinte excerto final do voto condutor, verbis: “(...) o argumento trazido se pauta em localização e juntada de documento (prova) aos autos em data posterior não somente ao início do julgamento, mas posterior ao encerramento dele, ao arrepio das regras do PAF.” (grifei) Assim, face à total inexistência de qualquer sombra ou sinal de base legal para os argumentos apresentados pela PFGN, determino novamente o óbvio, ou seja, que se cumpra o quanto determinado no acórdão n. 1201001.610, ou seja, que os autos retornem à DRJ para novo julgamento de mérito do presente caso. Tal conclusão é ratificada pelo comprovante de AR juntado pela Recorrente que demonstra a data de recebimento (20/10) e a conseqüente tempestividade da Impugnação que fora apresentada. Conclusão Nestes termos, REJEITO os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO apresentados. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.907676/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 9303-007.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 76 /2 00 9- 11 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 435 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 354 a 389), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 3202000.657, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 341 a 350), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA PRÓPRIA. A extração de minério (pedra de ardósia) de mina, pertencente a filial, para ser industrializada e exportada pela empresamatriz recorrente não permite a apuração do crédito presumido do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pois este exige a aquisição de matéria prima, a qual pressupõe, necessariamente, que o insumo tenha sido adquirido de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO. ÓLEO DIESEL E ENERGIA ELÉTRICA. MINERADORA. Ressalvado o entendimento do Relator, impende aplicar a Súmula CARF nº 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, a taxa SELIC não incide sobre o ressarcimento de tributos. Recurso voluntário negado. Em Exame (fls. 403 a 409) e Reexame (fls. 410 e 411) de Admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso, apenas em relação à discussão sobre a atualização pela Taxa SELIC no ressarcimento do Crédito Presumido de IPI. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 413 a 428), alegando que, a teor das decisões vinculantes do STJ, só cabe a atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em ressarcimento quando há oposição ilegítima do Fisco, ou seja, limitandose Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 436 3 assim à parcela que foi indeferida pela Unidade de Origem e posteriormente reconhecida nas instâncias administrativas de julgamento, em decisão definitiva. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a atualização pela Taxa SELIC no caso de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Utilizome aqui do voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, desta mesma 3ª Turma da CSRF: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 437 4 considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 438 5 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 439 6 data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; Resp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, Dje 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. MinistraMARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, Dje 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 440 7 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 441 8 Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10665.907676/200911 Acórdão n.º 9303007.004 CSRFT3 Fl. 442 9 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Resta saber, então, se houve oposição ilegítima estatal na análise, pela Unidade de Origem, do direito creditório, posteriormente revertida nas instâncias de julgamento. Sim, em parte. A decisão da DRJ Juiz de Fora (fls. 289 a 308), julgando a Manifestação de Inconformidade, reconheceu um valor adicional ao já reconhecido no Despacho Decisório, cabendo então a atualização pela Taxa SELIC, sobre esta parcela (*), mas somente a partir de 360 dias. (*) Importante se faz ressaltar que, no que tange à parcela que foi eventualmente reconhecida logo de início (como ocorreu no caso concreto, já que o reconhecimento foi parcial, conforme Despacho Decisório à fl. 2), sobre ela nunca cabe atualização monetária, por ausência de previsão legal, pois claro está que a discussão que foi aqui trazida à tona só se justifica quanto ao suposto direito creditório objeto de decisão denegatória. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC sobre a parcela revertida no contencioso a favor do mesmo, a partir de 360 dias do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000202/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de pedido de ressarcimento inserto na DCOMP n° 17137.98809.091204.1.7.014050 por meio da qual a Requerente pleiteia direito creditório fundado em crédito presumido oriundo da Lei nº 10.276/2001, com regulamentação dada pela IN SRF 69/2001, referente ao terceiro trimestre de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 20 2/ 20 06 -5 4 Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16349.000202/200654 Resolução nº 3402001.389 S3C4T2 Fl. 1.161 2 Em 21 de outubro de 2008, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT/SP exarou Despacho Decisório (fls.849 a 852), reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, por entender ter havido incorreções no cálculo efetuado pelo sujeito passivo, conforme apuração fiscal. A decisão recebeu a seguinte ementa: Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 891 a 893), alegando que no cálculo do custo de aquisição deveria ser adicionado o ICMS incidente nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos. Segundo seu entendimento, no cálculo fiscal foi tomado como base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor contábil das aquisições de matérias primas, valor este que não inclui o ICMS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em sessão de julgamento ocorrida em 27 de fevereiro de 2015, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, e não reconheceu o direito creditório. Transcrevo a ementa do Acórdão 0956.963 (fls. 1124 a 1128) em sua integralidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO. O crédito presumido devido ao contribuinte é calculado, em seu regime alternativo, nos termos do disposto nas Leis nº 9.363/96 e 10.276/2001. Não sendo detectada qualquer falha na trilha operacional seguida pelos agentes do Fisco Federal, é de se manter incólumes os valores finais deferidos. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16349.000202/200654 Resolução nº 3402001.389 S3C4T2 Fl. 1.162 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão de primeira instância administrativa, o sujeito passivo apresentou seu Recurso Voluntário (fls.1130 a 1155), repisando as alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, no sentido que teria direito ao crédito incentivado de IPI que teve origem em recolhimentos do PIS e COFINS na aquisição de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, considerando o ICMS embutido em tais custos, fazendo jus a diferença não homologada. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A recorrente alega que teria direito ao crédito incentivado de IPI que teve origem em recolhimentos do PIS e COFINS na aquisição de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, considerando o ICMS embutido em tais custos, fazendo jus a diferença não homologada. Transcrevo excerto do Recurso Voluntário, com suas alegações e demonstrativos: Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16349.000202/200654 Resolução nº 3402001.389 S3C4T2 Fl. 1.163 4 Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16349.000202/200654 Resolução nº 3402001.389 S3C4T2 Fl. 1.164 5 É incontroverso que o ICMS incidente nas aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem fazem parte da base de cálculo do crédito presumido, conforme expressa previsão regulamentar: Art. 14. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos de MP, de PI e de ME, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente. Dessa forma, não é possível aferir os valores apresentados pela recorrente, que confrontam com aqueles apurados pela Autoridade Fiscal, com base exclusivamente nos documentos acostados ao processo. Como o direito creditório deve ser apurado considerando o custo efetivo das matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem utilizadas no processo produtivo, e há controvérsia nos valores apresentados, a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando os valores efetivos do custo conforme escrita contábil e fiscal do sujeito passivo. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora (i) esclareça se considerou no cálculo do crédito presumido requerido pelo sujeito passivo os valores do custo efetivo das matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem utilizadas no processo produtivo, considerando o ICMS que incidiu sobre tais aquisições; (ii) apresentar um demonstrativo com as informações extraídas da escrita fiscal e contábil do sujeito passivo com base no valor de custo, considerando o ICMS incidente nas aquisições, confrontando com os demonstrativos apresentados pela recorrente nos quadros à fls.1135. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16349.000202/200654 Resolução nº 3402001.389 S3C4T2 Fl. 1.165 6 Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.903180/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO.
Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/07/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/07/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 31 80 /2 01 1- 84 Fl. 386DF CARF MF 2 competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/07/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 21, datado de 03/04/2012, que indefere pedido de restituição/ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao segundo trimestre de 2007 (fls. 97 a 339 – transmissão em 30/07/2007), e não homologa compensação a ele vinculada, gerando a exigência dos débitos indevidamente compensados, em valor original de R$ 2.159.067,00, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%). Às fls. 3 a 25 consta Manifestação de Inconformidade datada de 15/05/2002, na qual se argumenta, em síntese, que: (a) houve decadência do direito de glosar os créditos lançados em DCP até 17/04/2007; e (b) houve diversos erros cometidos pela fiscalização na apuração do IPI, como (b1) exclusão dos valores relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, matéria já reconhecida pelo STJ (na sistemática dos recursos repetitivos, no bojo do REsp no 993.164/MG), pelo CARF e pela própria Fazenda Nacional (Ato Declaratório no 14/2011); (b2) desconsideração das notas fiscais de entrada de carvão vegetal, considerando apenas as notas de saída dos fornecedores (exemplificando com algumas notas que efetua os pagamentos com base nas notas de entrada, exatamente da forma que escritura); (b3) a base de cálculo eleita pela lei é o valor das aquisições de insumos (e não das vendas, como adotado pelo fisco), e não exclui o IPI; e (b4) deve haver atualização monetária, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 387 3 Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 18/03/2014 (fls. 348 a 352), acordandose unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que tendo as glosas de crédito sido efetivadas em procedimento fiscal e formalizadas em processo administrativo de auto de infração específico, que foi regularmente impugnado, a análise da manifestação de inconformidade acerca do não reconhecimento do direito creditório deve levar em conta o resultado do julgamento da impugnação ao auto de infração, nos aspectos que concernem à apuração do saldo credor passível de ressarcimento, e, concluído que as glosas devem ser mantidas, os cálculos de apuração do direito creditório devem contemplar essas glosas. Ciente da decisão de piso em 15/04/2014 (cf. AR de fl. 366), a empresa apresentou recurso voluntário em 07/05/2014 (fls. 367 a 384), agregando que: (a) em relação à decadência, há precedente do CARF que endossa as razões de defesa (no processo no 10840.003399/200301); (b) o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência; (c) em relação às aquisições de carvão vegetal, é irrelevante o fato de ter ou não havido incidência das contribuições na etapa anterior, endossando que o pagamento do carvão e a escrituração eram feitos com base nas notas de entrada; (d) não há previsão legal, na legislação de regência, para exclusão do IPI incidente sobre aquisições; (e) também não há previsão legal, na legislação de regência, para que os estoques sejam considerados no cálculo do crédito presumido do IPI; e (f) há precedentes do CARF, inclusive da CSRF, que entendem cabível a atualização, pela Taxa SELIC, dos créditos presumidos de IPI. O processo foi encaminhado ao CARF, pelo despacho de fl. 385, em 15/05/2014, sendo a mim distribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Restam contenciosas, após o recurso voluntário, as seguintes matérias: (a) (in)existência de decadência; (b) (des)respeito a precedente julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG); (c) cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada; (d) exclusão do IPI incidente sobre aquisições e de estoques, no cálculo do crédito presumido; e (e) (im)possibilidade de atualização dos créditos à Taxa SELIC. Como esclarece a decisão de piso, logo de início, todas essas matérias foram analisadas no auto de infração lavrado no processo administrativo no 10665.720367/201225: Fl. 388DF CARF MF 4 Assim, a análise das matérias a seguir é simples reprodução (com leves adaptações) da externada no citado processo no 10665.720367/201225, que está sendo julgado por esta turma de julgamento na mesma data. As razões de decidir, aqui e acolá, são necessariamente as mesmas. Da decadência Ainda em sua manifestação de inconformidade, alegou a recorrente que houve decadência de o fisco glosar créditos lançados em DCP ou no RAIPI até 17/04/2007 (cinco anos da data em que tomou ciência do despacho decisório – 17/04/2012), pois o crédito tributário exigido se referiria a glosas de crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007. Afirma também a recorrente que percebeu, em 2007, que apurou crédito presumido a menor, e retificou, ainda em 2007, os DCP relativos ao mencionado período (2002 a 2007), apurando novo valor de crédito presumido de IPI. A alegação de decadência, no entanto, não encontra guarida na legislação tributária. Endossese que confunde a recorrente lançamento de crédito tributário com glosa de crédito presumido de IPI, e insiste na confusão, em sua peça recursal, ao afirmar que “a glosa é um lançamento”, confundindo o ato de lançar com o efeito de rechaçar um crédito presumido. Assente neste tribunal administrativo o posicionamento neste sentido, sendo minoritário e superado o entendimento contrário externado pela recorrente em precedente de 2005, e pouco relevante o entendimento externado por órgão estadual em relação a tributo distinto. Mencionemse, a título exemplificativo, precedentes desta turma de julgamento: COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. (Acórdão no 3401003.102, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23 fev. 2016) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 388 5 “DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.” (Acórdão no 3401 004.009, Rel. Cons. Fenelon Moscoso de Almeida, unânime em relação ao tema, sessão de 28.set.2017) Mas, no caso concreto, a situação é ainda mais clara, no sentido da inexistência de decadência, ainda que se venha a discordar, eventualmente, do posicionamento aqui externado de início. Vejase que a recorrente pretende, em 2007, ampliar seu direito a crédito presumido de IPI (no período de 2002 a 2007), mediante retificação das informações prestadas ao fisco, e entende que a fiscalização já não poderia rever tais informações, contando o prazo das entregas originais. Seria o mesmo que registrar, no ano de 2007, uma retificação gerando restituição dos tributos referentes ao período de 2002 a 2007, e entender que o fisco, v.g., em 2010, ao analisar o pedido de restituição decorrente da retificação, já não poderia rechaçar nenhum crédito anterior a 2005. Assim, por uma e por outra razão, cabe, igualmente, afastar a alegação de decadência. Das aquisições de pessoas físicas (REsp no 993.164) A fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computadas originalmente nas declarações da recorrente. E a DRJ endossou a glosa, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG) trata da Lei no 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Sustentase, na peça recursal, que o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência. Nesse aspecto, entendemos assistir razão à recorrente. Colacionese, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO Fl. 390DF CARF MF 6 NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 389 7 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento Fl. 392DF CARF MF 8 em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 390 9 fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o Fl. 394DF CARF MF 10 PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 391 11 determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Nesse sentido decisões unânimes recentes desta turma de julgamento, nos Acórdãos no 3401004.457 a 459, de 22/03/2018, sob minha relatoria: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas. Do cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada A fiscalização glosou, no valor das aquisições de carvão vegetal, a diferença entre o valor da nota fiscal de entrada da recorrente e o valor da nota fiscal de saída do fornecedor, por não terem incidido as contribuições sobre tais diferenças, conforme prescreve o § 1o do art. 1o da Lei no 10.276/2001 (aqui já transcrito), não havendo notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores. A recorrente afirma que não há meios adequados ao fornecedor de carvão vegetal, na saída de seu estabelecimento, para medição precisa da metragem do referido produto (adotando metragem referencial), e que, por isso, toma em conta o valor constante de suas notas de entrada, emitidas com medição precisa, destacando que o valor de tais notas corresponde ao efetivamente pago, como busca comprovar exemplificativamente. Como destacou o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), a glosa não se deveu a simples aspecto formal (ausência de nota fiscal complementar por parte do vendedor), mas ao fato de não haver incidência das contribuições, requisito estabelecido na lei que concede o crédito presumido de IPI, como atesta o próprio TVF (item 13): 13) (...) Como não foram emitidas notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores, sobre tais diferenças não incidiram as contribuições sociais PIS e COFINS, requisito para que integrassem a base de cálculo do crédito presumido de Fl. 396DF CARF MF 12 IPI, conforme § 1o do artigo 1 o da Lei 10.276/2001. Por isso, essas diferenças devem ser excluídas na apuração dos custos dos insumos com direito ao crédito presumido. Os dados transcritos no referido anexo foram obtidos dos arquivos digitais entregues pelo sujeito passivo e descritos no item 7 deste termo. (grifouse) E endossou o exposto com o art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o): “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1 o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.” (grifo nosso) Assim, a afirmação de defesa no sentido de que “o fisco, para decidir qual nota considerar, adotou critério sem qualquer fundamento lógico” é absolutamente equivocada, visto que o fisco usou critério expressamente previsto em lei. Em sua defesa, a empresa afirma ainda apresentar, como “prova cabal” do direito ao crédito, alguns conjuntos de notas fiscais e respectivos comprovantes de depósito/cheques, e que, em nenhum momento questionou o fisco que toda a contabilização da empresa (“custos discriminados nos balancetes, balanços, demonstrações de resultado, etc”) é tomada com base nas notas fiscais de entrada. Fosse a discussão, no processo, direcionada à simples apuração de créditos básicos das contribuições, decorrentes da nãocumulatividade, até entenderíamos passíveis de análise tais alegações, em nome da verdade material, a exemplo do que decidiu este colegiado no Acórdão no 3403003.449, de minha relatoria, no sentido de que incumbiria ao fisco investigar o valor real das aquisições, e se este condiz com o registrado contabilmente. No entanto, como exposto, estamos aqui a tratar de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, regido por legislação própria, que, como exposto, expressamente faz menção às notas de venda do fornecedor. E, nesse cenário, desnecessário ao fisco perscrutar sobre o cotejo entre contabilização e pagamento. Correta, assim, a glosa fiscal, nesse aspecto, ao tomar em conta as notas de venda, e não as notas de entrada. De fato, incumbiria à recorrente, em sua defesa, que busca afastar a aplicação expressa do comando legal, apresentar, de forma minuciosa e organizada (não com documentos de amostragem insignificante, e sem detalhamento que os conecte silogisticamente aos valores autuados), provas de que as notas de saída não corresponderam, individualizadamente, aos valores contabilizados, ou que foram complementadas. Assim como incumbiu ao fisco o detalhamento em planilhas (vide Anexos do TVF, no processo referente à autuação) de todas as glosas, nota fiscal por nota fiscal, exigese da defesa igual labor, não podendo a argumentação genérica, ou exemplificativa desconectada de indicação expressa de quais tópicos se está a contestar operar em desfavor do lançamento regularmente constituído, ou da glosa fiscal devidamente motivada. Ademais, não se noticia aqui tenha o fisco adotado procedimento semelhante ao que se viu no referido Acórdão no 3403003.449 (uso do valor da nota de entrada somente quando este fosse menor do que o constante da nota de venda, operando sempre em prejuízo do crédito). Pelo contrário, o critério aqui adotado pela fiscalização, como visto, além de Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 392 13 uniforme, tem expressa guarida legal (art. 3o da Lei no 9.363/1996, aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o). Assim, tanto as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas (aqui reconhecidas no tópico anterior) quanto as de pessoas jurídicas (reconhecidas pela própria fiscalização) devem gerar crédito tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Da existência de erros no cômputo do crédito presumido Alega ainda a recorrente que a fiscalização, erroneamente, excluiu do cômputo do crédito o IPI incidente sobre aquisições e que considerou estoques no cálculo sem previsão legal. Como expôs o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), incluindo menção subsidiária à legislação do imposto de renda, a expressão “valor total das aquisições” de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, constante na lei (art. 2o da Lei no 9.363/1996, aplicável ao regime alternativo por força do já mencionado art. 1o, § 5o da Lei no 10.276/2001) não inclui, por óbvio, o IPI incidente sobre as aquisições, destacado na nota fiscal. Sobre a tomada em conta os estoques, no cálculo, a própria fiscalização esclarece, no TVF, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), que decorre do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, e que opera em benefício da empresa: 8) Segundo os Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP e memórias de cálculo apresentadas, o sujeito passivo optou pela apuração do crédito presumido do IPI com base na contabilidade com Custo Integrado. Porém, verificamos que no período de 2002 a 2007 a escrituração contábil do sujeito passivo não atendia aos requisitos para cálculo do Crédito Presumido com base no custo integrado, pois a atualização dos estoques era efetuada apenas no último dia de cada mês pelo preço médio das compras mensais, mesmo critério adotado para apuração dos custos dos insumos consumidos na industrialização em cada mês. Para utilizar a apuração com base no custo integrado a pessoa jurídica deve manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens é efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, em que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. Além disso, o sistema de custos deve permitir a identificação de Matérias Primas, Produtos Intermediários, Material de Embalagem, energia elétrica, combustíveis e do valor da prestação de serviços na industrialização por encomenda sujeitos à incidência das contribuições sociais PIS e COFINS. (...) Fl. 398DF CARF MF 14 17) No anexo 8, elaborado com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, explicitamos os valores dos estoques a serem considerados na apuração dos custos mensais com direito ao crédito presumido do IPI. O valor do carvão vegetal foi excluído do estoque devido à impossibilidade de se determinar se o insumo estocado em cada mês havia sido adquirido de Pessoa Física, Pessoa Jurídica ou recebido em transferência de uma das fazendas do próprio sujeito passivo. Desta forma, considerouse que todo o carvão vegetal adquirido em um mês foi consumido no próprio mês da aquisição, resultando em critério mais benéfico ao sujeito passivo. Como se percebe, diante do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, o fisco buscou apurar o crédito com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, de modo a não prejudicar a fruição de créditos totalmente pelo fato de não ser possível distinguir o carvão vegetal adquirido daquele, v.g., vindo da própria empresa. Não há argumento da recorrente no sentido de que cumpria os citados requisitos, nem de que o critério adotado pelo fisco não lhe seria mais benéfico. Restringese a defesa a afirmar que foram levados os estoques em consideração ao arrepio das normas que regem a matéria. Olvidase a defesa, neste ponto, que a própria lei (art. 3o) remete à regulamentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é tratada nas Instruções Normativas no 69/2001, 315/2003 e 420/2004, que fundamentaram o cálculo, como explicitado também no TVF (itens 17 e 18), e que expressamente remetem a estoques. Como se percebe, pela simples leitura do TVF, não houve ofensa à legislação, mas mácompreensão, pela defesa, da metodologia adotada, digase, por não ter a empresa cumprido requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado. Nada há de incorreto no procedimento fiscal. Ao que parece, busca paradoxalmente a defesa que o descumprimento dos referidos requisitos a beneficie. Não procedem, assim, as alegações recursais de erro no cômputo do cálculo do crédito presumido. Da atualização do crédito presumido Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 393 15 A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Também neste tópico assiste razão à recorrente, ainda que parcial, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 400DF CARF MF 16 Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. Em precedente de minha relatoria, em agosto de 2014, decidi exatamente nesse sentido, com acolhida unânime do colegiado. Na ocasião, tomei como termo inicial a data do pedido ao qual houve oposição estatal ilegítima: “Assim, e tendo em conta que o despacho decisório representou oposição à fruição do crédito, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas, é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido, como já vem entendendo unanimemente esta turma, v.g., no Acórdão no 3403002.892”. (Acórdão no 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21 ago. 2014) (grifo nosso) Em sede de embargos, questionou a Fazenda a invocação do REsp nº 1.035.847 para crédito presumido, alegando que o precedente se presta somente a crédito básico, e não a crédito escritural. Os embargos foram unanimemente rejeitados no colegiado. E, na ocasião foram colacionados diversos precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. (CSRF, Acórdão no 9303002.881, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 20.fev.2014)” (grifo nosso) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 394 17 As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão no 9303002.906, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 9.abr.2014)” (grifo nosso) Consultandose aqueles autos, no acompanhamento processual no sítio web do CARF, percebese que houve interposição de recurso especial pela Fazenda, ainda não apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). De qualquer sorte, de lá para cá o posicionamento da CSRF caminhou para o seguinte entendimento, externado recentemente: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão no 9303006.250, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 26 jan 2018, maioria, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que dava provimento parcial para considerar como termo inicial a data da ciência do despacho decisório)” (grifo nosso) Fl. 402DF CARF MF 18 Realmente, há que se configurar exatamente o momento em que se dá a oposição estatal ilegítima, pois é ela que faz com que o crédito escritural enseje atualização, por força de decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). O voto do relator (Min. Luiz Fux), no citado REsp nº 1.035.847 trata exatamente de um caso de oposição ilegítima por omissão (mora). Isso é notado na leitura do texto do voto condutor do acórdão, unanimemente acatado na parte que se refere à atualização monetária do ressarcimento. Percebese que o julgamento do STJ cuja ementa foi transcrita remete à oposição constante de ato estatal, que poderia ser interpretada tanto na forma de ação (indeferimento do pleito) quanto de omissão (mora na análise do pedido) e que isso exsurge da própria situação fática que enseja o acórdão, relatada pelo Min. Luiz Fux (vejase que não houve indeferimento no caso, mas mora na análise): “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.”(grifos nossos) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Retornando ao caso em análise nestes autos, percebese, já de início, que o pedido de ressarcimento foi transmitido em 30/07/2007 (PER de final 6187 – fls. 97 a 339). E, nos itens 1 e 2 do TVF, no processo referente à autuação no 10665.720367/201225, que o pedido se referiu a créditos de 2002 a 2007, decorrentes de retificação efetuada em 2007, e foram analisados apenas em 2012: “1) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil na execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 06107002011001473, vinculado ao sujeito passivo acima identificado, elaboramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL para descrever os fatos relativos às irregularidades apuradas nesta ação fiscal que teve como objetivos: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10665.903180/201184 Acórdão n.º 3401005.215 S3C4T1 Fl. 395 19 1.a) verificar a procedência e o cálculo dos créditos presumidos de IPI vinculados aos pedidos de ressarcimento formalizados em 2007, nos termos da Lei 10.276/2001, dos artigos 179, 181, e 183 a 188 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI, Decreto 4.544/2002, e das Instruções Normativas SRF nº 69/2001, 315/2003 e 420/2004; (...) 2) Inicialmente, cabe informar que os ressarcimentos de IPI pleiteados pelo sujeito passivo em 2007 se referem a créditos presumidos de IPI vinculados a exportações realizadas nos anos de 2002 a 2007. Tal situação ocorreu pelo fato da empresa ter efetuado retificações, em 2007, dos Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP apresentados originalmente ao fisco federal desde o ano 2002, incluindo nas bases de cálculo dos créditos as aquisições de carvão vegetal de fornecedores pessoas físicas, insumos esses que não foram computados nos DCP originais. Além disso, o sujeito passivo, ao escriturar no livro Registro de Apuração do IPI os valores das diferenças de créditos presumidos apuradas nos DCP retificadores, corrigiu tais valores pela taxa SELIC acumulada desde os períodos de referência até as datas de escrituração nos livros. Tais procedimentos não encontram qualquer respaldo na legislação tributária federal.” Sendo o pedido efetuado em 2007, retificando dados de 2002 a 2007, jamais poderia ter sido corrigido pela SELIC retroativamente, pois, até a retificação (e, inclusive após ela ter sido efetuada pelo sujeito passivo), não havia oposição estatal ilegítima a seu aproveitamento. A primeira oposição estatal, e que aqui, agora, se considera ilegítima (também por força de precedente vinculante do STJ a referente a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas) ocorreu em 2012, mais de 360 dias após os pedidos de ressarcimento. Tem se, então, um caso de oposição por omissão (mora), e que enseja, adotado o entendimento do STJ, de observância obrigatória pelo CARF, a atualização pela Taxa SELIC, somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do pedido. De qualquer sorte, não cabe atualização alguma dos créditos para os quais não houve oposição estatal (créditos acatados pela fiscalização, sequer discutidos especificamente neste contencioso), ou para os quais a oposição estatal foi legítima (créditos cuja glosa foi mantida). E, ao que parece nos autos, a utilização dos créditos demandados se daria ainda em 2007, e não prospectivamente, o que torna acessória a menção ao prazo de 360 dias. De qualquer modo, cabe a atualização, pela Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento, até a data de sua utilização, para créditos decorrentes de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Fl. 404DF CARF MF 20 Cabe à unidade de origem da RFB a verificação das datas efetivas de utilização do crédito, devendo este ser corrigido apenas após 360 dias do pedido, e até a data da efetiva utilização, se posterior ao decurso desses 360 dias. Considerações Finais – parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/07/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 405DF CARF MF
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