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Numero do processo: 13986.000179/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/10/2005
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
INSUMOS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS.
Os gastos de combustíveis utilizados no processo produtivo da empresa, desde que não seja para o abastecimento de veículos, dá direito ao crédito correspondente.
Numero da decisão: 3402-004.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento parcial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/10/2005 INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. INSUMOS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS. Os gastos de combustíveis utilizados no processo produtivo da empresa, desde que não seja para o abastecimento de veículos, dá direito ao crédito correspondente.
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CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. INSUMOS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS. Os gastos de combustíveis utilizados no processo produtivo da empresa, desde que não seja para o abastecimento de veículos, dá direito ao crédito correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento parcial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 79 /2 00 5- 13 Fl. 1532DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Por bem relatar o feito, tomo de empréstimo o relatório apresentado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Cofins, relativo ao 3° Trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo deferimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens destinadas precipuamente ao transporte de produtos acabados, aquisição de serviços de transportes de documentos, aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como pela inclusão de receitas não consideradas pelo contribuinte no rateio proporcional. A interessada apresentou manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Aduz que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para o transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais, são insumos consumidos na fase final de industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção da Requerente. Afirma que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto de crédito de Cofins sobre as aquisições de insumos de materiais de embalagem. Aduz que a Lei n° 10.833/2003, em seu artigo 3°, permite o desconto de créditos calculados sobre insumos necessários a obtenção de produtos elaborados pela contribuinte, em sentido amplo e sem restrições. O conceito de insumo presente no art. 8°, §4º, da IN SRF n° 404/2004 define a amplitude do conceito de insumo, incluindo toda e qualquer aquisição de material de embalagem. Afirma ainda que o legislador foi além, possibilitando o crédito inclusive sobre armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (art. 3°, IX, da Lei n° 10.833/03). Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 3 3 Em relação a aquisição de combustíveis e lubrificantes, afirma que os mesmos são, de fato, utilizados no processo de fabricação. Como prova, a recorrente anexa plano de contas e balancetes mensais. Ressalta que os combustíveis e lubrificantes utilizados em seus diversos veículos encontramse escriturados em sua contabilidade em contas distintas, e não foram objeto de pedido de ressarcimento. Requer, desta forma, a inclusão na base de cálculo do crédito de PIS não cumulativo os valores referentes a embalagens destinadas ao transporte e combustíveis e lubrificantes. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0719.645, de 23 de abril de 2010. Em seguida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando suas razões de Impugnação. Por entender necessários maiores esclarecimentos, o Conselheiro Gilson Rosemburg propôs a conversão do julgamento em diligência com o acato do Colegiado para que a fiscalização responda as seguintes perguntas: a) Todos os custos com embalagens dizem respeito aos invólucros utilizados para o acondicionamento e transporte dos produtos finais? b) Qual o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes utilizados no processo produtivo do recorrente? c) Qual o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes consumidos pelos veículos (automóveis) que não fazem parte do processo produtivo do recorrente? Esses valores foram computados no pedido de ressarcimento da Cofins? Prestados os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, foi exarada a informação fiscal de fls. 15141527. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. De início, cumpre delimitar a lide. Apesar dos diversos fundamentos da glosa de créditos objetos do pedido de ressarcimento do Contribuinte, este se insurgiu apenas contra dois deles: i) a glosa dos créditos de embalagens de acondicionamento; e ii) glosa dos créditos de combustíveis e lubrificantes. Fl. 1534DF CARF MF 4 Logo, como ponto de partida, é necessário a reprodução da forma como está C. Turma Ordinária de Julgamento, e o próprio CARF, tem entendido os limites às possibilidades de creditamento da sistemática não cumulativa das mencionadas contribuições sociais. Nesse sentido, ilustrativa é a cita do Acórdão 3403002.656, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (grifo nosso) É dizer, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins aceita creditamento de bens e serviços utilizados como insumos que sejam pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou a prestação de serviços. Independem, nesse aspecto, a opção de modelo produtivo adotada pelo contribuinte, este abrangido pela liberdade de organização negocial do empresário, e o fato do emprego dos insumos ser direto ou indireto, como veiculado no Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 4 5 O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (grifo nosso) (...) Recentemente o Superior Tribunal de Justiça encampou essa visão ampla do conceito de insumos para PIS e Cofins, especialmente no voto vencedor de lavra do Ministro Mauro Campbell Marques, no REsp 1.246.317, publicado em 29/06/2015, onde definiu insumo nos seguintes termos: Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifos nossos) Têmse, portanto, os critérios de pertinência ou instrumentalidade (que viabiliza a atividade), atrelado a critérios consequenciais da ausência do bem ou serviço, que são a impossibilidade da atividade ou perda de qualidade substancial. Tratase de critérios amplamente vagos, restando necessária a consolidação de elementos que reduzam essa indeterminação e os tornem mais funcionais. Não se exige que o bem ou serviço seja essencial, haja vista que o Fisco não pode se intrometer no modelo de produção ou prestação de serviços do contribuinte, mas sim que, escolhido um modelo, haja a pertinência entre este e aqueles. Todavia, o critério para identificação dos insumos de PIS e Cofins sofreu um novo acréscimo, a nosso juízo, no Acórdão 9303003.079, relatado pelo Cons. Rodrigo Cardozo Miranda e julgado em 13/08/2014, no qual em ilustrativo voto é considerada uma extensão daquela posição anteriormente citada: para além do vínculo de pertinência com a produção do bem ou realização do serviço, entendeu a CSRF que “o creditamento deve se dar de forma ampla, observando apenas os limites previstos na própria legislação”, e arremata o voto do relator: Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à Fl. 1536DF CARF MF 6 venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Um ponto merece esclarecimento aqui. Falase em critério relacional nos dois últimos acórdãos mencionados, entretanto, não se trata do mesmo tipo de relação: enquanto no primeiro considerouse uma relação funcional entre o bem ou serviço adquirido com a produção de outro bem ou a realização de um serviço, é dizer, a relação entre as materialidades da atividade econômica tomada com a atividade que será realizada pela empresa; no segundo, diferentemente, a relação é entre os custos despendidos e a receita auferida, ou seja, o foco recai sobre o produto da atividade econômica, e não sobre ela mesma, com a diferença que nesse caso se excluiriam as limitações existentes na legislação das contribuições em relação ao creditamento. Parecenos ser esta a visão atual do CARF sobre a matéria. Dito isto, podemos passar às glosas de crédito contestadas. I) Material de Embalagem O valor total glosado da base de cálculo de créditos da Cofins relativos a aquisições de materiais de embalagem, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal de fls. 1200/1219, foi de R$ 163.547,59. A glosa em referência, mantida pela DRJ/Florianópolis, incluiu os itens calços, caixas de papelão, bups, cantoneiras, espelho, pino c/ cabeça, puxador cazaza steel, caixas e bja de cartão corrugado ondulado, conforme discriminado às fls. 1205/1210 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 041/2015, a interessada apresentou descrição detalhada de seu processo produtivo, descrevendo a etapa de embalagem da seguinte forma (arquivo não paginável à fl. 1492, arquivo “Item 2 – Descrição detalhada do processo produtivo.pdf”): “10) Embalagem: Depois de acabados os produtos são embalados nas caixas de papelão. Nessa etapa são utilizadas as caixas de papelão, bups, calços, cantoneiras, bandejas de cartão corrugado ondulado, papelão ondulado, papel seda natural, fitas e etiquetas. Também acompanham os produtos as ferragens de acabamento, sendo os puxadores, espelhos, pinos, corte de EVA, dentre outros”. Também foram apresentadas fotos e respectivas descrições dos materiais de embalagem (arquivo não paginável à fl. 1492, arquivo "Item 3 Registros fotográficos dos materiais de embalagem.pdf"), que constam em fls. 15161518, e também se esclareceu que os itens "espelho, pino c/ cabeça e puxador cazaza steel" não seriam material de embalagem, e sim insumos da produção: Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 5 7 Diante disso, responde a fiscalização, ao questionamento "a", da seguinte forma: A partir das informações apresentadas, é possível responder ao questionamento “a)” concluindo que, a exceção dos itens “espelho”, “pino c/ cabeça” e “puxador”, com base de cálculo glosada no valor total de R$ 16.646,00, todos os custos com Fl. 1538DF CARF MF 8 embalagens dizem respeito aos invólucros utilizados para o acondicionamento e transporte dos produtos finais. O tema do creditamento de materiais de embalagem utilizados no acondicionamento da produção é velho conhecido deste Colegiado, tendo sido enfrentado no Acórdão CARF nº 3402003.097, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, ocasião em que foi dado provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, neste ponto, por maioria de votos (vencido apenas o Conselheiro Jorge Freire). Reproduzo abaixo os fundamentos adotados naquela oportunidade: Com relação ao material de embalagem, entendo que pode ser considerado como insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não seja um bem ativável, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme demonstra abaixo parte do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. O critério adotado no acórdão mencionado foi exatamente a condição da embalagem não ser ativável, o que resta absolutamente comprovado nos autos pelas imagens dos materiais de embalagem, visto que se tratam, precipuamente, de isopor, papelão e papel, itens notoriamente sujeitos a uma vida útil inferior a um ano. Cabe mencionar, inclusive, que em recentíssima decisão proferida no Proc. nº 13981.000082/200551, a 3ª CSRF julgou, em Outubro de 2017, por maioria, no sentido de autorizar o crédito de PIS/Cofins nos materiais de embalagem para transporte, desde que não sejam ativáveis. Nessa linha, entendo dever ser revertida a glosa perpetrada sobre os materiais de embalagem de acondicionamento. Quanto aos itens "espelho, pino c/ cabeça e puxador cazaza steel" (que correspondiam ao valor de R$ 16.646,00) da glosa analisada neste item, os mesmos devem ter a glosa revertida, por se tratarem de insumos, apesar de acompanharem o móvel para serem Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 6 9 anexados ao produto final apenas na etapa de montagem (ferragens de acabamento), mas o que não o desnatura como insumo do produto final. Desse modo, voto por reverter integralmente as glosas de materiais de embalagem de acondicionamento e dos itens "espelho, pino c/ cabeça e puxador cazaza steel". II) Combustíveis e Lubrificantes O valor total glosado da base de cálculo de créditos da Cofins relativos a aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal de fls. 1200/1219, foi de R$ 70.765,20. Reproduzo abaixo as conclusões da diligência, por elucidarem perfeitamente a questão: A partir das informações constantes no razão analítico (fls. 816/823), no plano de contas (fls.1248/1267) e no balancete contábil analítico (fls. 1270/1302), constatouse que a empresa segrega os custos com combustíveis e lubrificantes, mantendo contas separadas para cada máquina, equipamento, veículo e postos de operação. Assim, com base nas informações prestadas pela interessada em recurso voluntário e em atendimento às intimações efetuadas no curso da presente diligência, foi possível reconstruir a memória de cálculo relativa aos custos com combustíveis e lubrificantes, acrescentando informações e detalhes quanto à utilização dos referidos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo, conforme apresentado na tabela abaixo: Fl. 1540DF CARF MF 10 Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 7 11 Os valores pleiteados conferem com os registrados na contabilidade da empresa. No entanto, verificouse que alguns dos custos com combustíveis e lubrificantes não foram devidamente comprovados. Primeiramente, constatouse que as notas fiscais de números 012870, 012913, 012944, 209118, 209866, 210022 e 213161 referemse a serviços de lavações, lubrificações e filtros. Dessa forma, os custos vinculados a tais notas fiscais devem ser glosados, uma vez que evidentemente não se tratam de custos com a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes. Também foram considerados como não comprovados todos os custos com combustíveis e lubrificantes contabilizados no livro Diário com o histórico “Saídas Almoxarifado”, uma vez que tais custos decorrem de transferência de produtos dentro da própria empresa. Segundo o disposto no art. 3º, § 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/2003, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Além disso, o art. 3º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, estabelece que o crédito relativo a bens para revenda e a bens utilizados como insumo será apropriado no mês da aquisição. Assim, para fins de apropriação dos créditos nãocumulativos de PIS e de Cofins, os custos com combustíveis e lubrificantes devem ser apropriados no mês da aquisição de pessoa jurídica Fl. 1542DF CARF MF 12 domiciliada no País, e não no momento em que o insumo é disponibilizado para sua utilização dentro da empresa. Dessa forma, aceitouse apenas os custos com combustíveis e lubrificantes relacionados a documentos fiscais que comprovam a aquisição de outra pessoa jurídica domiciliada no País. Por sua vez, os custos com combustíveis e lubrificantes provenientes de saídas de almoxarifado não foram aceitos, visto que decorrem de transferências internas. Ademais, não foram apresentados documentos comprobatórios (notas fiscais) das aquisições relativas a “Saídas Almoxarifado”, solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 305/2015, de modo que se impõe a glosa de tais custos por falta de comprovação. As glosas relativas aos custos não comprovados com combustíveis e lubrificantes foram relacionadas no arquivo “Glosas – Combustíveis e Lubrificantes – 3T2005.xls” (Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável, fl. 1513), totalizando base de cálculo no montante de R$ 47.625,69 no trimestre. Diante do exposto, é possível esclarecer ao questionamento “ b )” respondendo que o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes utilizados no processo produtivo do recorrente é de R$ 70.765,20, conforme registrado na contabilidade da empresa. No entanto, constatouse que do valor total contabilizado apenas R$ 23.139,51 foi devidamente comprovado. (...) Por fim, quanto ao questionamento “ c )” respondese que o valor dos custos com combustíveis e/ou lubrificantes consumidos pelos veículos (automóveis) que não fazem parte do processo produtivo do recorrente é de R$ 7.029,77, conforme contabilizado no Balancete Contábil Analítico (fls.1270/1302), A fiscalização corretamente segregou as entradas de combustíveis advindos do Almoxarifado da empresa (através das quais não seria possível se comprovar o direito ao crédito), daquelas adquiridas de terceiros e utilizadas no processo produtivo da empresa. Dessa modo, voto por reverter parcialmente a glosa dos créditos de combustíveis, reconhecendo o crédito no valor de R$ 23.139,51, nos termos da Informação Fiscal. III) Conclusão Ante exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: i) reverter integralmente as glosas de materiais de embalagem de acondicionamento e dos itens "espelho, pino c/ cabeça e puxador cazaza steel". ii) reverter parcialmente a glosa dos créditos de combustíveis, reconhecendo o crédito no valor de R$ 23.139,51, nos termos da Informação Fiscal. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 13986.000179/200513 Acórdão n.º 3402004.880 S3C4T2 Fl. 8 13 É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901053/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.157
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 53 /2 01 2- 89 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901053/201289 Acórdão n.º 3301004.157 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.491. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901053/201289 Acórdão n.º 3301004.157 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13227.901053/201289 Acórdão n.º 3301004.157 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905202/2009-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C. P. A. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 02 /2 00 9- 08 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 9101003.333 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720003/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços, devendo este ser excluído da base de calculo do credito presumido.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO.
O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C,do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto.
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços, devendo este ser excluído da base de calculo do credito presumido. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C,do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-18T21:34:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-18T21:34:25Z; Last-Modified: 2018-02-18T21:34:25Z; dcterms:modified: 2018-02-18T21:34:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:d91aeedd-4231-4665-8943-fc6de0dd850d; Last-Save-Date: 2018-02-18T21:34:25Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-18T21:34:25Z; meta:save-date: 2018-02-18T21:34:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-18T21:34:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-18T21:34:25Z; created: 2018-02-18T21:34:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-02-18T21:34:25Z; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-18T21:34:25Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.986 1 1.985 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720003/200893 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.887 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO IPI Recorrente HC BRASIL TÊXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços, devendo este ser excluído da base de calculo do credito presumido. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C,do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 03 /2 00 8- 93 Fl. 1986DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto. PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 1711 a 1724) apresentada em 09 de fevereiro de 2009 contra despacho decisório (efl. 1705) de 07 de janeiro de 2009, cientificado em 09 de fevereiro de 2009, que homologou parcialmente declarações de compensação apresentadas a partir de 27 de fevereiro de 2004, relativas a créditos presumidos de IPI dos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2003, escriturados no 4º trimestre de 2003. O despacho decisório baseouse na Informação Fiscal de efls. 1681 a 1704. Segundo a Informação, houve ajustes nos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, relativamente ao seguinte: 1 – Incorreção na informação do estoque final do mês de fevereiro (linha 20 do DCP); 2 – Compras com direito ao crédito dos meses de janeiro a março (linha 13 do DCP), relativamente ao que constou do livro Registro Apuração do IPI (LRAIPI); 3 – Inclusão indevida de serviços de transporte e frete (CFOP 1.62, 2.62, 1.352, 2.3,52) na linha 12 do DCP; 4 – Aquisições de estabelecimentos inativos (que apresentaram declaração de inatividade); Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.987 3 5 – Aquisições de cooperativas; 6 – Aquisições de produtos que não geram direito a crédito (tesouras, agulhas e cabides). O despacho decisório concluiu o seguinte: 1. DEFERIR PARCIALMENTE O PEDIDO DE RESSARCIMENTO n° 26264.42777.260304.1.5.016232, reconhecendo o direito ao crédito no valor de R$ 1.472.402,31 (um milhão, quatrocentos e setenta e dois reais e trinta e um centavos); 2. HOMOLOGAR as Declarações de Compensação n° 38490.80012.290204.1.3.015942, 05469.67649.290204.1.3.01 0362, 17579.57655.310304.1.7.01 8375 (que retificou a 01129.52241.160304.1.3.018179), 11140.90027.301104.1.3.01 7423, 37467.58988.031204.1.3.011556, 00369.58258.201204.1.3.011536, 20761.27031.240105.1.3.01 0082, 01486.89784.280205.1.3.016092, 32851.72888.300305.1.3.013443, 06930.77978.220405.1.3.01 3831, 00667.99515.290405.1.3.019813, 12427.59149.310505.1.3.01 9787 e 07411.88155.140605.1.3.01; 3. HOMOLOGAR PARCIALMENTE a Declaração de Compensação n° 40336.92761.290705.1.3.019211, restando saldo devedor de R$ 2.171,22 (valor original) do débito de estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido relativo a mês de janeiro de 2005 e restando integralmente devedores os débitos da estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido nela listados relativos aos períodos de apuração abril, maio e junho de 2005; 4. NÃO HOMOLOGAR as Declarações de Compensação no 15782.44827.290805.1.3.019599, 30658.45696.290905.1.3.01 0100, 01529.89630.261005.1.3.017716, 05690.71850.111006.1.3.017615, 15859.08906.131106.1.3.01 5355, 29346.63508.131206.1.3.013336, 00386.09728.120107.1.3.019050 e 24125.84634.150207.1.3.01 0728, 15268.60452.120307.1.3.019703. Na manifestação de inconformidade, a Interessada não contestou o ajuste de estoque do final do mês (item 1). Em relação aos demais itens, alegou o seguinte: Compras com direito a crédito: a presumida fidedignidade do LRAIPI não retiraria da Fiscalização o ônus de prova; além disso, teria havido erro na totalização dos valores de CFOP 1.11 e 2.11, demonstrando “valores inferiores aos consignados no Livro Registro de Entradas e Apuração de ICMS perfeitamente escriturados e registrados pelo contribuinte”; Fretes: “Os fretes em questão representam na operação de compra dos insumos um custo que está intrinsecamente ligado Fl. 1988DF CARF MF 4 ao custo de aquisição do produto, sendo assim este transporte está relacionado ao valor da matériaprima adquirida, compondo a base de cálculo desta rubrica para fins do cálculo do crédito presumido de IPI”; Fornecedores inativos: a apresentação de declarações de inatividade não implicaria a falta de recolhimento das contribuições, as operações teriam sido comprovadamente realizadas e o crédito seria presumido (e não efetivo); Aquisições de cooperativas: analisando as disposições da Lei n° 9.363, de 1996, e citando opinião da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, defendeu o direito de crédito, em razão de o direito referirse à totalidade das aquisições; Em relação aos produtos que não gerariam créditos, alegou que os cabides seriam utilizados no acondicionamento da mercadoria produzida, “de tal sorte que a mercadoria ao chegar ao cliente esteja pronta para ser aposta na área de vendas, ou seja, os produtos chegam às lojas com os cabides e estão prontos para serem colocados nos suportes denominados araras”; mencionou o Parecer CST n° 65, de 1979. Nada mencionou quanto às agulhas e tesouras e, ao final, requereu a incidência de juros Selic. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. GLOSA. AJUSTE DO ESTOQUE FINAL E PRODUTOS QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. AGULHAS E TESOURAS. NÃO CONTESTAÇÃO. A falta de contestação, na manifestação de inconformidade, de glosas efetuadas pela Fiscalização, relativamente a ressarcimento de crédito presumido de IPI, implica ausência de litígio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Não existe previsão legal para incidência de juros Selic sobre ressarcimento de crédito presumido de IPI, especialmente quando o montante em litígio seja objeto de compensação, realizada na data da apresentação do pedido. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.988 5 CUSTOS DOS INSUMOS. DIVERGÊNCIAS ENTRE APURAÇÃO EM DCP E ESCRITA FISCAL (LRAIPI). PROVA. No limite dos valores comprovados pelo sujeito passivo, admite se a inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos valores de custos de insumos glosados, por divergência entre os valores informados no DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) e no LRAIPI (livro Registro de Apuração do IPI). AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INATIVAS. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. A constatação de que fornecedores do contribuinte apresentaram declaração de inatividade no respectivo anocalendário não demonstra, por si só, a não realização das operações e não pode embasar, por representar mera presunção, a glosa dos custos das aquisições da base de cálculo do crédito presumido. CUSTO DE AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. LEI N° 9.363, DE 1996. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. A apuração do crédito presumido pelo método da Lei n° 9.363, de 1996, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos, admite a inclusão de custos relativos a aquisições de não contribuintes das contribuições PIS/Pasep e Cofins (até 3º trimestre de 2001). CUSTO DE AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. MÉTODO ALTERNATIVO DA LEI N. 10.276, DE 2001. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do crédito presumido pelo método alternativo não admite, por expressa disposição legal, a inclusão de custos relativos a aquisições de não contribuintes das contribuições PIS/Pasep e Cofins e não está abrangida pelo entendimento definitivo do Superior Tribunal de Justiça relativo ao método originalmente criado pela Lei n° 9.363, de 1996, que não trazia expressamente tal restrição (a partir do 4º trimestre de 2001). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido Parcialmente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No presente recurso, a Empresa, em suma, insurgiuse quanto as seguintes questões: 1) aquisição de serviços de transportes; 2) aquisições de produtos que não geram direito a crédito (cabides); 3) aquisições de cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e COFINS;e 4) incidência da Selic sobre o crédito a ressarcir. Fl. 1990DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Como já dito antes, a discussão da lide se dá quanto as glosas do crédito presumido de IPI calculado sobre os seguintes itens: 1) aquisição de serviços de transportes; 2) aquisições de produtos que não geram direito a crédito (cabides); 3) aquisições de cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e COFINS;e 4) incidência da Selic sobre o crédito a ressarcir. Aquisição de Serviços de Transportes Assevera a Recorrente que os fretes objeto de glosa representam, na operação de compra dos insumos, um insumo que está intrinsecamente ligado ao custo de aquisição do produto, sendo assim, este transporte está relacionado ao valor da matériaprima adquirida, compondo a base de cálculo desta rubrica para fins do cálculo do crédito presumido de IPI. Segundo a jurisprudência deste colegiado, os fretes na aquisição de insumos integram o custo de aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, compondo a base do crédito presumido, desde que estejam inclusos na nota fiscal de compra do bem ou se demonstre, no caso de constar em documento fora da nota fiscal, a vinculação de cada conhecimento de transporte as nota fiscal de compra do insumo. Nesse sentido há decisões deste Conselho, a exemplo dos acórdãos, a seguir citados, que transcrevo parte da ementa referente a matéria objeto da discussão: FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Não restando comprovado que os conhecimentos de transporte encontramse vinculados única e exclusivamente a uma nota fiscal de compra e que o frete estava incluso no preço da mercadoria, deve este ser excluído da base de calculo do credito presumido. (Acórdão nº 340200.217 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, de14 de agosto de 2009) DESPESAS COM FRETES. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.989 7 (Acórdão nº 3101001.658 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, de 01 de maio de 2014) No caso concreto, é incontroverso que os referidos fretes não compuseram os valores das notas fiscais de entrada dos insumos, estando em documento a parte. Tampouco, a Recorrente trouxe aos autos comprovação que demonstre, de forma analítica com planilha, que os conhecimentos de transporte estão ligados as notas fiscais de aquisição de insumos que compuseram a base de cálculo do crédito presumido. A inserção dos fretes na base de cálculo do ressarcimento do crédito presumido de IPI impõe a Recorrente o ônus de provar o direito pretendido. Assim, quanto aos fretes, uma vez que não estão incluídos nas notas fiscais de aquisição dos insumos e não sendo comprovada a sua vinculação com as notas fiscais de aquisição dos referidos insumos, não devem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI por se caracterizarem como mera prestação de serviços e não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem ou prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, nas hipóteses previstas nas leis nº 10.276, de 2001 e nº Aquisições de produtos que não geram direito a crédito (cabides) Quanto a glosa dos cabides, a Recorrente alega, em suma, que se trata de um produto adquirido de terceiro com o fim específico de acondicionar a mercadoria produzida pela requerente de tal sorte que a mercadoria ao chegar ao cliente esteja pronta para ser posta na área de vendas, ou seja, os produtos chegam as lojas com os cabides e estão prontos para serem colocados nos suportes denominados araras. Não assiste razão a Recorrente nas suas argumentações, pois os cabides utilizados não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizado na industrialização do produto final. Acrescentar um cabide em uma peça de roupa para pendurála não se constitui em industrialização por qualquer das modalidades previstas no RIPI/2002, vigente à época, em seu art.4º(Decreto nº 4.544/20021). Por certo, não se identifica a operação como acondicionamento, conforme alegado pela Recorrente, uma vez que um cabide não possui qualquer característica de embalagem. Acondicionamento se constitui em operação que importe em alterar a apresentação do produto pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria. O cabide não se enquadrando como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem e não sofrendo qualquer operação de industrialização até a obtenção do 1 “Art. 4º. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento).” Fl. 1992DF CARF MF 8 produto final, os valores relativos a sua aquisição devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, estando correta a glosa realizada pela Autoridade Tributária. Direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre aquisições de cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e COFINS Esta matéria, já há muito debatida nas turmas do CARF, hodiernamente é julgada de modo uniforme por força da aplicação §2 do art.62 do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015. Segundo o referido dispositivo, as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os fundamentos do entendimento do STJ a respeito do tema se encontram bem delineados na decisão abaixo transcrita, prolatada em sede de julgamento de Recurso Especial (REsp nº 993.164 MG) representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS∕PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363∕96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23∕97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10∕STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363∕96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23∕97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363∕96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS∕PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.990 9 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" . 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38∕97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363∕96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12).5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23∕97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313∕2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419∕2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS∕PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23∕97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363∕96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS∕PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso Fl. 1994DF CARF MF 10 de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS∕PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287∕RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433∕ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034∕PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021∕CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617∕CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733∕CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392∕RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367∕98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363∕96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392∕RN). 10. A Súmula Vinculante 10∕STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10∕STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.991 11 REsp 1035847∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188∕SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Recurso Especial nº 993.164 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, julgado em 13/12/2010, DJe:17/12/2010)) A matéria também já se encontra sumulada pelo STJ, in verbis: Súmula STJ nª 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O STJ, portanto, afastou as limitações que a IN SRF º23/97 estabeleceu quanto ao cálculo do crédito presumido sobre aquisições de insumos de cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, uma vez que a referida norma extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96. No entanto, a instância a quo negou provimento ao recurso neste ponto sob a justificativa de que a Interessada optou em apurar o crédito presumido pela sistemática alternativa prevista na Lei nº 10.276/01 que apresentaria dispositivo expresso determinando que a base de cálculo do crédito presumido do IPI deve considerar apenas as aquisições de produtos sobre os quais incidiram as contribuições para o PIS e para a COFINS e que, por isso, as determinações do STJ quanto a matéria da Lei nº9.363/96, não se aplicariam ao caso concreto ora analisado. Discordo do entendimento da DRJ, conforme passo a explicar. O paradigma do STJ não faz referência expressa ao regime alternativo de Crédito Presumido de IPI constante na Lei nº10.276/01, mas entendo que os fundamentos da Fl. 1996DF CARF MF 12 decisão também se aplicam ao referido regime por tratar de matéria semelhante ao Crédito criado pela Lei nº 9.363/96 . Segundo a referida decisão, a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição. Sendo assim, a base de base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, sem condicionantes. O fato de haver a incidência ou não na última fase na cadeia é irrelevante para o cálculo do crédito presumido de IPI pois o produto rural adquirido carrega em parte do seu custo o reflexo das contribuições incidentes em cascata de etapas anteriores. Ademais, tendo o crédito presumido de IPI natureza jurídica de subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, não há necessidade de provar a incidência das contribuições para que uma aquisição de insumo integre o cálculo, sendo a sua sistemática de apuração diferente, portanto, de restituição de contribuições. Partilhando do mesmo entendimento de aplicação do repetitivo do STJ aos pedidos de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI calculados sob o regime alternativo previsto na Lei nº10.276/01, transcrevo a seguir as ementas de alguns julgados do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE. As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplicase também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.992 13 (Acórdão 3403002.536, CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, Data da Decisão 22/11/2013) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 Ementa:IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplicase também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS IMPORTADOS.IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o disposto nos arts. 1º da Lei nº 9.363/96 e 1º, §1º, I da Lei nº 10.276/01, apenas insumos adquiridos no mercado interno ensejam crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES SOBRE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Fretes sobre vendas não configuram matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, razão pela qual não geram crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão nº 3403002.390, CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, Data da Decisão:26/08/2013) Fl. 1998DF CARF MF 14 Portanto, a Recorrente tem direito de calcular o seu crédito presumido sobre as aquisições de insumos de cooperativas. Incidência da SELIC sobre o crédito a ressarcir A Recorrente também pleiteia que o seu crédito reconhecido seja corrigido pela taxa SELIC a partir da data do protocolo do seu pedido de ressarcimento. Da mesma forma que a matéria anterior, esta também se subsume ao estabelecido no §2 do art.62 do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015. Segundo o referido dispositivo, as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os fundamentos do entendimento do STJ a respeito do tema se encontram bem delineados na decisão abaixo transcrita, prolatada em sede de julgamento de Recurso Especial (REesp nº1.035.847/RS) representativo de controvérsia: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção:EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 13971.720003/200893 Acórdão n.º 3402004.887 S3C4T2 Fl. 1.993 15 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A matéria também já se encontra sumulada pelo STJ, in verbis: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. O STJ entendeu, portanto, que a oposição de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, sendo legítima a incidência de correção monetária a partir da data do protocolo, sob pena de enriquecimento sem causa do fisco. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 2000DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.001681/2003-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3001-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri , Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 16 81 /2 00 3- 41 Fl. 255DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri , Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Tratam os presentes autos, de matéria trazida a este Conselho que se cinge à aplicação da taxa Selic sobre o crédito reconhecido. Neste sentido, fazse breve relatório, transcrevendose a decisão prolatada em sede de Delegacia de Julgamento e a breve exposição das razões recursais, DRJ O assunto em voga foi assim ementado: Acórdão 1434.523 8 ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não incide atualização monetária, calculada pela variação da taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI. DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar os acontecimentos fáticos, são relatados a seguir: Trata se de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI, acumulado no 4º trimestre de 2002, no montante de R$ 49.301,05, e homologou parcialmente as compensações declaradas no processo. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13807.001681/200341 Acórdão n.º 3001000.206 S3C0T1 Fl. 256 3 A contribuinte pleiteou, mediante processo administrativo, o ressarcimento do saldo credor de IPI, no valor de R$ 49.768,32 de e a compensação deste crédito com os débitos cadastrados no processo apensado n° 13807.002460/200390. A delegacia de origem glosou o valor de R$ 467,27, em razão de escrituração indevida das notas fiscais de compras de insumos do período, inclusive dos créditos do IPI relativos as entradas desses insumos, em face de a empresa fornecedora ter dado baixa no seu CNPJ por incorporação, conforme documentação e demonstrativos as fls. 91/92, 102 e 128/131. Regularmente cientificada da compensação parcial de seu débito, a requerente apresentou manifestação de inconformidade para que se aplique a taxa SELIC ao crédito homologado/compensados, desde o dia do protocolo até o efetivo pagamento do referido pedido de reconhecimento de créditos. Acrescentou que os débitos remanescentes da compensação foram incluídos no parcelamento, nos termos da Lei n° 11.641/2009, cujos comprovantes seguem anexos à presente manifestação, ressaltando que aqui não se pretende questionálos, ou seja, são reconhecidos pela empresa e estão sendo regulamente pagos. Por fim, solicitou que caso se entenda não ser cabível a pretensão, que a manifestação seja esta recebida como pedido de ressarcimento complementar, com fundamento no artigo 5o inciso XXXIV da Constituição Federal de 1988, e seja a mesma encaminhada ao agente fiscal competente, em atendimento ao Princípio do Formalismo Moderado, da Celeridade e do Princípio Constitucional da Eficiência da Administração Pública. Recurso Voluntário Entende que nenhuma disposição veda a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos de IPI, e a inexistência de tais vedações seria o fundamento do direito da recorrente, à incidência da taxa Selic, como indexador apto a recompor o poder monetário. Pugna, alternativamente, pela aplicação do artigo 39 da lei 9250/95. Juntou acórdãos do CC e STJ. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Fl. 257DF CARF MF 4 Mérito Em que pese haver entendimento da CSRF a caso análogo aos autos, não pode ser replicado vez que lá se trata de restituição, aqui, compensação. Acórdão nº 9303004.964 – 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil). Diversamente, no caso dos autos, por se tratar de compensação, aplicase o seguinte precedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Em seguida, trechos do voto que perfaz o entendimento deste conselheiro: Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13807.001681/200341 Acórdão n.º 3001000.206 S3C0T1 Fl. 257 5 do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721402/2016-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 14 02 /2 01 6- 35 Fl. 77DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 51 a 55, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, ano calendário de 2012, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos, relativo a fonte pagadora Ministério dos Transportes, no valor de R$ 21.853,88, gerando assim um saldo de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 404,45. A interessada foi cientificada da notificação em 30/05/2016 (fls.50) e apresentou impugnação em 15/06/2016 , instruída co documentos de fls, 03 e 23. Alega, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e junta novo laudo, cumprindo mais uma vez as exigências legais. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10640.721402/201635 Acórdão n.º 2001000.229 S2C0T1 Fl. 3 3 A contribuinte apresentou laudo, entretanto entende a DRJ que não está nos moldes estabelecidos na legislação acima. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Principalmente porque, em sede de recurso voluntário, em virtude do indeferimento do pleito pela DRJ pela falta de localização da CNES da Instituição, a Recorrente junta novo laudo pericial, com mesmo teor, assinado pela médica assistente, com o carimbo da instituição de saúde onde foi periciada, qual seja o Hospital Universitário da UFJF, CNPJ 12.126.437/002510, CNESHUJF 2218798, e referendado pelo superintendente do HU UFJF. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 79DF CARF MF 4 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pela Contribuinte da sua condição de portadora de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portadora de moléstia grave . (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906467/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 64 67 /2 01 1- 15 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.906467/201115 Acórdão n.º 3201003.286 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.397, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.906467/201115 Acórdão n.º 3201003.286 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.906467/201115 Acórdão n.º 3201003.286 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.906467/201115 Acórdão n.º 3201003.286 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.721730/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2010, 2011
IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - AFAC. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Estando demonstrado que os recursos repassados representavam pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), cumprindo os requisitos exigidos pela legislação, o aporte de recursos financeiros efetuados não se caracteriza como uma operação de crédito correspondente a mútuo, razão pela qual não é suficiente para a configuração do fato gerador do IOF, previsto no artigo 13 da Lei nº 9.779/99.
COMPROVANTE PAGAMENTO IMPOSTO.
Tendo sido demonstrado pelo contribuinte que determinado valor cobrando no auto de infração já foi devidamente recolhido aos Cofres Públicos, necessário se faz o cancelamento da exigência fiscal.
PERD/COMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Uma vez transmitido PERD/COMP (confissão de dívida) pelo contribuinte, pelo qual compensa com seus créditos determinado débito, e este último vem a ser cobrado em auto de infração, deve ser cancelada a exigência de ofício sobre esse débito, que poderá ser eventualmente cobrado caso não homologada a compensação tributária
IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICAS RELACIONADAS. OTM. TRANSPORTE. HOLDING. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA.
A Lei 9.779, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros.
No caso dos autos, os valores contabilizados nas contas auditadas constituem remuneração ou reembolso pelos serviços prestados por empresas subcontratadas no plano de atuação OTM (operador de transporte multimodal), que, no caso, são controladas/coligadas.
Assim, ficou comprovado que há relações comerciais entre as empresas, justamente pelo fato da Contribuinte operar o OTM. Ela subcontrata as empresas controladas do grupo para a realização de diversas atividades de transporte. Porém, por ser holding responsável pelo gerenciamento do grupo, o faturamento é nela centralizado e contabilizado, consolidando os recebimentos que são posteriormente divididos entre suas controladas. Em outras palavras, a holding faturava os serviços em sua integralidade, e posteriormente pagava os valores devidos às demais empresas do grupo que prestaram serviços para o adimplemento do contrato.
Não há empréstimo, uma vez que os valores constituem acertos de contas entre as empresas, não havendo, portanto, posterior restituição do dinheiro em espécie, requisito para configuração do mútuo (artigo 586 do Código Civil). Portanto, não há sujeição à incidência do IOF.
IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial sujeitam-se à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99.
Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a cobrança do IOF conforme os valores apurados na diligência de fls. 1375 a 1385 (mantendo-se unicamente a cobrança dos valores constantes da Tabela 27 - IOF Ajuste Final 1210502002001 ALL Brasil); e, (ii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto ao item da atuação fiscal referente ao IOF cobrado sobre os valores constantes na Conta 1210502012001 (empresa controlada All Overseas). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento. Neste item, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo votou pelas conclusões.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010, 2011 IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Estando demonstrado que os recursos repassados representavam pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), cumprindo os requisitos exigidos pela legislação, o aporte de recursos financeiros efetuados não se caracteriza como uma operação de crédito correspondente a mútuo, razão pela qual não é suficiente para a configuração do fato gerador do IOF, previsto no artigo 13 da Lei nº 9.779/99. COMPROVANTE PAGAMENTO IMPOSTO. Tendo sido demonstrado pelo contribuinte que determinado valor cobrando no auto de infração já foi devidamente recolhido aos Cofres Públicos, necessário se faz o cancelamento da exigência fiscal. PERD/COMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Uma vez transmitido PERD/COMP (confissão de dívida) pelo contribuinte, pelo qual compensa com seus créditos determinado débito, e este último vem a ser cobrado em auto de infração, deve ser cancelada a exigência de ofício sobre esse débito, que poderá ser eventualmente cobrado caso não homologada a compensação tributária IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICAS RELACIONADAS. OTM. TRANSPORTE. HOLDING. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu artigo 13, definiu como fato gerador do IOF a operação em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 17 30 /2 01 3- 38 Fl. 1419DF CARF MF 2 No caso dos autos, os valores contabilizados nas contas auditadas constituem remuneração ou reembolso pelos serviços prestados por empresas subcontratadas no plano de atuação OTM (operador de transporte multimodal), que, no caso, são controladas/coligadas. Assim, ficou comprovado que há relações comerciais entre as empresas, justamente pelo fato da Contribuinte operar o OTM. Ela subcontrata as empresas controladas do grupo para a realização de diversas atividades de transporte. Porém, por ser holding responsável pelo gerenciamento do grupo, o faturamento é nela centralizado e contabilizado, consolidando os recebimentos que são posteriormente divididos entre suas controladas. Em outras palavras, a holding faturava os serviços em sua integralidade, e posteriormente pagava os valores devidos às demais empresas do grupo que prestaram serviços para o adimplemento do contrato. Não há empréstimo, uma vez que os valores constituem acertos de contas entre as empresas, não havendo, portanto, posterior restituição do dinheiro em espécie, requisito para configuração do mútuo (artigo 586 do Código Civil). Portanto, não há sujeição à incidência do IOF. IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial sujeitamse à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a cobrança do IOF conforme os valores apurados na diligência de fls. 1375 a 1385 (mantendose unicamente a cobrança dos valores constantes da Tabela 27 IOF Ajuste Final 1210502002001 ALL Brasil); e, (ii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto ao item da atuação fiscal referente ao IOF cobrado sobre os valores constantes na Conta 1210502012001 (empresa controlada All Overseas). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento. Neste item, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo votou pelas conclusões. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 112 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 17.896.184,24, sobre os quais ainda incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: 3. Os valores autuados foram apurados a partir dos fatos relatados no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls.488492, onde a autoridade fiscal assim se manifesta: (...) 3. Da Análise aos Registros Contábeis e do Crédito Tributário Constituído; O plano de contas contábil adotado pelo sujeito passivo (holding de seu grupo econômico), relaciona no 'Realizável a Longo Prazo' (Ativo Não Circulante), a conta denominada Partes Relacionadas' (cód. 12105), a qual, em suas subcontas, quer sintéticas, quer analíticas, é representativa de fluxo de recursos financeiros entre a ALL América Latina Logística S.A. e as demais empresas conglomeradas. Nessa contextura, algumas dessas subcontas registraram no ano de 2009 freqüentes saldos diários devedores, indicando, naquele ano, as cessões de créditos da holding (mutuante), para empresas por ela controladas (mutuarias). Conseqüentemente, na forma do art. 128 do CTN (Lei n.° 5.172, de 25/10/1966) e na explícita definição da Lei n.° 9.779, de 19/10/1999, art. 13, §§ Io e 2o, a mutuante ALL América Latina Logística S.A., CNPJ n.° 02.387.241/000160 é a responsável pelo cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao IOF incidente sobre tais cessões. Sem embargo, dentro do mencionado grupamento contábil denominado 'Partes Relacionadas', as subcontas que em variados períodos do anocalendário de 2009 apresentaram saldos devedores foram as seguintes: • 1210502032 ALL — Argentina' (conta sintética contendo as contas analíticas 1210502032001 ALL Argentina' e 1210502032002 Variação Cambial', ambas referentes a ALL América Latina Logística Central S.A., empresa argentina); Fl. 1421DF CARF MF 4 • 1210502002001 ALL do Brasil' (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126) • 1210502005001 ALL Intermodal (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Intermodal S.A. CNPJ n.° 03.172.874/000114) ; • 1210502008001 Ferroban" (conta analítica referente a FERROBAN / ALL América Latina Logística Malha Paulista S.A. CNPJ n.° 02.502.844/000166) ; • 1210502007001 Ferronorte' (conta analítica referente a FERRONORTE/ALL América Latina Logística Malha Norte S.A.CNPJ n.° 24.962.466/000136); • 1210502022001 Ferronorte Locadora de Vagões* (conta analítica referente a FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES S.A. CNPJ n.° 09.931.497/000112) ; • 1210502031001 Jpespe' (J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195); • 1210502009001 Novoeste' (conta analítica referente a NOVOESTE / ALL América Logística Malha Oeste S.A. CNPJ n.° 39.115.514/0001 28) ; • 1210502012001 Overseas' (conta analítica referente a ALL OVERSEAS empresa caimanesa); • 1210502011001 Portofer' (conta analítica referente a PORTOFER TRANSPORTE FERROVIÁRIO LTDA. CNPJ ^^835^8/000151); • 1210502014001 Santa Fé Vagões (conta analítica referente a SANTA FÉ VAGÕES S.A. CNPJ n.° 06.186.839/000142); Além dessas, porém fora do aludido agrupamento 'Partes Relacionadas', mas igualmente contido no 'Realizável a Longo Prazo", a conta ' 1210301001 Jpespe', componente do subgrupo '12103 Adiant p/Futuro Investimento', é mais uma conta representativa de fluxo de recursos, ou haveres, vertidos da holding para uma de suas controladas, no caso a J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195, o que faz com que os saldos devedores dessa conta também estejam sujeitos à tributação pelo IOF, ao menos enquanto os respectivos valores cedidos não tenham sido registrados como capital social da investida ou, eventualmente, devolvidos à origem. De todo modo, no que tange as contas (i) '1210502002001 ALL do Brasil' (ALLAmérica Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126), (ii) '1210502032 ALL Argentina' (América Latina Logística Central S.A.). e (iii) '1210502012001 Overseas' (ALL OVERSEAS), constam dos autos, os seguintes documentos apresentados pelo sujeito passivo: (i) Instrumentos Particulares de Adiantamentos para Futuros Aumentos de Capital com os correspondentes termos de efetivação de transferências parciais de numerários, (ii) Contratos Internacionais de Mútuo e respectivos Contratos de Câmbio, e (iii) Ata de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 09/03/2007, com Boletins de Subscrição de Ações de nº 1/63 a 6/63. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 113 5 Nada obstante, no que concerne à primeira dessas contas ('1210502002001 ALL do Brasil"), os referidos instrumentos particulares, dois no total, foram firmados, respectivamente, em 09/06/2009 e 09/12/2009, descrevendo adiantamentos para futuro aumento de capital orçados, no primeiro documento, em até R$ 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), a serem efetuados entre 10/06/2009 e 05/12/2009, e, no segundo, com orçamento previsto de até R$ 325.000.000,00 (trezentos e vinte e cinco milhões de reais), em adiantamentos efetuáveis no período de 09/12/2009 a 18/05/2010. Nesse caso, quer os Instrumentos Particulares de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital apresentados, quer os correspondentes termos dos adiantamentos parciais, não se prestam para comprovar seus efeitos junto a terceiros, visto que, na ocasião em que foram elaborados, não foram levados a registro público, em clara oposição e, portanto, ao desamparo do que preconiza o art. 221 do Código Civil (Lei n. 10.406, de 10/01/2002). Ademais esses documentos se referem genericamente a limites "até" os montantes citados, caracterizando, na verdade a cessão de créditos rotativos, sem clara definição do valor do principal a ser realmente utilizado nas operações creditórias que reportam. Relativamente à segunda conta citada ('1210502032 ALL Argentina'), os Contratos Internacionais de Mútuo, ainda que acompanhados dos respectivos contratos de câmbio, também não se aproveitam para a demonstração cabal junto a terceiros, de que os valores cedidos, as condições e os prazos de devolução que descrevem, foram de fato préestabelecidas, haja vista que, além da aparente falta de registro da data de reconhecimento cartorial das assinaturas firmadas por representantes da mutuante (ALLAmérica Latina Logística S.A.), observase também, ainda nos citados contratos de mútuo, a completa ausência de qualquer assinatura nos respectivos campos reservados a representantes da mutuária (América Latina Logística Central S.A. ALL Argentina). Já com relação à terceira conta mencionada, em que pese o prévio registro público dos documentos apresentados, eles, na verdade, referemse a condições e prazos fixados para aquisição de ações emitidas pela própria ALL América Latina Logística S.A., sem que os respectivos textos façam qualquer menção a Overseas (ALL OVERSEAS). Portanto, tais documentos, per se, não podem ser tomados como comprobatórios de algum virtual acordo, eventualmente selado entre a ALL América Latina Logística S.A. e a destinatária contábil dos recursos escriturados a debito na conta 1210502012001 Overseas'. Dessa maneira, diante da ausência de inconteste documentação comprobatória de que as partes envolvidas (mutuante e mutuarias) estabeleceram previamente os montantes das operações de mútuos que, entre si, efetuariam no transcorrer Fl. 1423DF CARF MF 6 do ano de 2009, temse que a incidência tributária do IOF relativa a toda e qualquer das contas contábeis discriminadas no presente Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal se enquadra na situação prevista na redação atual do art. 7o, I, "a' do Decreto 6.303, de 2007, ou seja, a que se aplica aos créditos rotativos, em que não há prévia definição do valor do principal a ser utilizado em tais operações creditórias. Assim, não só os respectivos somatórios mensais dos saldos devedores diários dessas contas sujeitamse ao IOF à alíquota de 0,0041%, mas, nesse caso, também o somatório mensal dos acréscimos diários devedores, dessas mesmas contas, submetese à alíquota adicional de 0,38%, conforme prescrevem os §§ 15 e 16 desse citado art. 7º, do Decreto n.° 6.303, de 2007. (...) 4. A contribuinte foi cientificada da exigência em 27/03/2013. Na impugnação de fls. 508534, argumenta: (...) como será objeto de esclarecimento nas páginas seguintes, a Processada teve, pelo d. fiscal autuante, a sua contabilidade desconsiderada para os efeitos de apuração da base de cálculo do imposto objeto da exigência ora guerreada, fazendo incidir sobre todos os valores constantes do saldo das contas das subsidiárias as alíquotas de 0,0041% e 0,38%, de acordo com critério próprio e que, em muitas das vezes, carece de fundamento legal para sua imposição. O que, de fato, ocorreu na contabilidade apresentada e analisada pela fiscalização foi que os valores que eventualmente serviram de empréstimos para as controladas da Processada, com seus devidos contratos de mútuo e com o IOF devidamente recolhido, foram creditados nas contas operacionais existentes entre a Processada e suas controladas/coligadas, já que o sujeito passivo se constitui em uma empresa que opera como OTM OPERADOR TRANSPORTADOR MULTIMODAL DE CARGAS, devidamente autorizado pela ANTT (doc. 02). Desta forma, caso o d. fiscal autuante tivesse seccionado as operações, distinguindo e identificando os valores que se direcionavam a reembolso de despesas, adiantamento para futuro aumento de capital ou, ainda, transferências para PAGAMENTO de transporte ferroviário de cargas, transportes estes subcontratados pela Processada às suas controladas/coligadas/subsidiárias, verificaria que todas os lançamentos contábeis estão em conformidade com as determinações legais e que nenhum prejuízo ao Erário foi impingido. Como se vê, houve desídia da fiscalização na apuração concreta dos fatos geradores do imposto ora inquinado já que, somente a planilha contendo a identificação pormenorizada das relações comerciais operacionais havidas entre as empresas, denominadas DCL's (Despacho de Carga Lotação), conta com mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) páginas, com lançamentos individuais das faturas com clientes (doc. 03 amostragem) e que, ao final, serviriam de base para que o Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 114 7 pagamento fosse realizado pela Processada às suas controladas/coligadas, em evidente remuneração ou reembolso pelos serviços prestados que foram subcontratados. O que havia por parte da empresa Holding, ora Processada, em relação às suas controladas era, de fato, um pagamento similar ao que se chama comumente de "faturado", tendo as coligadas prestado vários serviços durante determinados prazos e que recebiam, como de praxe, os valores relativos às despesas havidas com os transportes efetuados (reembolsos), ou mesmo o pagamento pelos serviços subcontratados, todos de forma consolidada, e devidamente faturados pelas coligadas contra a holding Processada. (...) SÍNTESE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA PROCESSADA E PELAS EMPRESAS CONTROLADAS E/OU COLIGADAS (...) A fim de operar sua finalidade, a Processada se utiliza das malhas ferroviárias e rodoviárias para transporte dos produtos que lhe são contratados, sendo que as malhas ferroviárias possuem concessões públicas, algumas das quais concedidas às controladas ou coligadas da Processada, assim como os vagões para transportes dos diferentes produtos (grãos, combustíveis, minérios, etc.) e os armazéns para alocação de ditos produtos. A exemplificar: tendo sido a Processada contratada para transportar uma carga do ponto A para o ponto C, porém, sendo a mesma detentora de empresas concessionárias das linhas ferroviárias distintas, capazes de cobrir o trajeto até os limites do ponto A ao ponto B e do ponto B ao ponto C, precisará ela se utilizar da malha férrea de duas empresas controladas para realizar o serviço contratado, fazendo chegar a carga até o seu destino final ("C"). Tal hipótese de utilização de trecho de ferrovia, cujo uso e gozo pertencem a "terceiro", surge como meio indispensável da plenitude da prestação de serviço e vem prevista no artigo 6o do Decreto n° 1.832/96 (...). Ocorre que, via de regra, a Processada subcontratava os transportes contratados pelos Clientes às suas controladas/coligadas que, por certo, receberiam o valor do transporte ao faturarem este serviço contra a controladora (sua contratante Doc. 05 correlação Notas Fiscais x DCL's). Porém, como detentora de participação relevante no capital de suas controladas/coligadas, a Processada recebia valores dos contratos junto aos seus clientes (Usiminas, BUNGE Alimentos, Cargill Agrícola, Votorantin Cimentos, Cia Brasileira de Petróleos, etc doc. 06 Cópia do Livro de entradas), relativos às operações desempenhadas individualmente por cada uma, pois que também possuíam operações independentes das havidas em conjunto com a Holding Processada sem que, com isso, houvesse Fl. 1425DF CARF MF 8 qualquer pagamento por operação de crédito (Acréscimos ao Saldo Devedor) que pudesse ensejar o fato gerador do Imposto sobre Operações Financeiras. (...)"2 DO DIREITO (...) 2.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL ALL do Brasil (ALL America Latina Logística Malha Sul S/A) (...) Ora Senhor Julgador, considerar como operações de empréstimo adiantamentos para futuro aumento de capital, exclusivamente por ausência de averbação em Registro Público, não resiste a nenhuma lógica, seja ela do ponto de vista do Direito Civil seja em face do Direito Tributário. Esse "formalismo" criado e exigido pelo fiscal autuante inexiste no ordenamento de regência do I0F e caracteriza de sua parte uma presunção de ilegalidade, até mesmo fraude na operação, uma simulação, no mínimo, praticada por uma empresa do quilate da contribuinte, companhia aberta, seja a Investidora seja a Receptora do investimento, ressaltese, sujeitas, ambas, à auditoria externa e às normas da CVM. Saiba o douto fiscal autuante que fraude não se presume, tem que ser inequivocamente demonstrada, comprovada. (...) Tratandose de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital entre 2 empresas do mesmo grupo econômico não é imperioso e indispensável que se leve a registro o documento firmado entre as partes, para que produza os devidos efeitos legais. Até mesmo para os fins judiciais, em conformidade com o art. 585, II, do CPC, o instrumento particular dispensa até a assinatura de testemunhas para produzir efeitos, necessitando a assinatura de 2 testemunhas apenas e tão somente para que se constitua em título executivo extrajudicial, mas não desnatura a força probante do documento. (...) Portanto, ao revés do afirmado pela fiscalização, não houve qualquer ou empréstimo fictício na operação sub censura, tendo toda a documentação colocada a sua disposição se prestado SIM a comprovar a legitimidade das operações, já que, independentemente da ausência de averbação dos contratos em Registro Público, ato absolutamente dispensável em se tratando de empresas do mesmo grupo e das normas do Direito Civil, os adiantamentos tiveram o seu objetivo, a destinação prévia, devidamente atingido, qual seja, o AUMENTO DE CAPITAL DA EMPRESA RECEPTORA DO INVESTIMENTO, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A! Este Adiantamento Para Aumento de Capital foi devidamente formalizado pela empresa Receptora do Investimento e pode ser verificado pela Delegacia de Julgamento através do exame de cópia fiel da AGE de aumento do capital social da empresa acima citada, realizada em 18/05/2010, com registro na JUCEPAR em 25/05/2010, bem como a indispensável Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 115 9 homologação do aumento pela Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT (doe. N° 07), a qual está subordinada, na qualidade de concessionária de serviços públicos, consoante Portaria SMR 9, de 28/10/2010, DOU de 05/11/2010. [...]2.1.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL J. P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda. Idêntico entendimento aplicou o d. fiscal autuante no que concerne à conta de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital da controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., (...) Neste ponto, mais uma vez, fica explicitada a má vontade com que o d. fiscal analisou a documentação da Processada, uma vez que os valores relativos a esta conta, que totalizava à época R$ 62.641.592,93, foram devidamente integralizados ao capital social da controlada em 30/11/2009, então já com a denominação de Multimodal Participações Ltda., através de sua 4a alteração contratual datada de 30/11/2009, registrada na JUCEPAR sob o n° 48.911/100 (doc. 09) Desta forma, mais uma vez, improcede a pretensão fiscal de exigir IOF sobre os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC contabilizados à controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., conforme os argumentos apresentados no tópico anterior. 2.2 CONTRATOS INTERNACIONAIS DE MÚTUO CÂMBIO PAGAMENTOS EFETUADOS DE IOF IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O d. fiscal autuante, em sua linha de raciocínio, entendeu por bem desclassificar a contabilidade da Processada para caracterizar todo o saldo existente na conta da coligada ALL ARGENTINA (CONTA 1210502032) como sendo fato gerador do imposto sob exame, (...) Ocorre que as únicas operações de mútuo havidas entre a Processada e a 'ALL Argentina' foram devidamente comprovadas com os respectivos contratos internacionais de mútuo e seus registros perante o órgão competente, o Banco Central do Brasil, consoante comprovam os documentos constantes de fls. 278/302, já anexados a este processo. Com relação a estes contratos, a Processada efetuou regularmente os pagamentos relativos ao Imposto sobre Operações Financeiras devido, consoante PER/DCOMP ora anexada (doc. 10) (...) No que tange aos demais movimentos existentes na conta analisada pela d. fiscalização, vale relembrar o resumo das operações da Processada e suas controladas/coligadas feito Fl. 1427DF CARF MF 10 acima, vez que a Processada contratava com seus clientes e subcontratava suas controladas, responsabilizandose pelo reembolso da despesas ou pagamento pelo transporte efetuado de acordo com a necessidade de seus clientes. (...) 2.2.1 SANTA FÉ VAGÕES S/A INSTRUMENTOS PARTICULARES DE MÚTUO IOF DEVIDAMENTE RECOLHIDO E COMPROVADO IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O mesmo procedimento foi utilizado com a controlada SANTA FÉ VAGÕES S/A, no que concerne às operações de mútuo com contratos devidamente formalizados entre as partes. O d. fiscal autuante simplesmente desconsiderou a contabilidade e os contratos apresentados, assim como não apurou ou computou os pagamentos efetuados a título de recolhimento do IOF devido, ora devidamente anexados (doc. 11), e que servem para infirmar a exigência fiscal neste particular, devendo também ser cancelada a exigência relativa à subconta 1210502014001 (fls. 406).(...) ALL OVERSEAS EXERCÍCIO DE STOCK OPTIONS NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCIDÊNCIA DE IOF No ponto da autuação fiscal relativo à subconta da coligada ALL OVERSEAS, apresentou a Processada à fiscalização os documentos acostados às fls. 229/236 (doc. 13), justiçando a movimentação como sendo (fls. 203): "Conta 1210502012 — Overseas: O valor constante nessa conta tratase de depósito efetuado por beneficiário do programa de Stock Option da companhia o qual era residente no exterior. Desta forma não houve contrato de câmbio para a operação. Segue anexo a ATA do conselho de Administração realizada em 09 de março de 2007. Nesta Ata os valores referentes ao beneficiário depositante constam nas letras 'A' a lF' e totalizam o valor de R$ 5.750.000,00. A diferença entre esse valor e o valor depositado referese a atualização do IGPM no período de março de 2007 até a data do depósito. Segue ainda a ATA de subscrição de ações para comprovação da origem do depósito. Posteriormente o valor foi transferido para a conta da ALL no Brasil." Pela leitura dos esclarecimentos acima, verificase que a opção de ações exercida por sócio, com a remuneração devida por elas, não se enquadra na definição de "operação de crédito" de que trata o art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007), e não pode ser utilizado para majorar a base de cálculo do imposto sob censura, devendo ser cancelada a exigência neste ponto. CONTA CORRENTE OPERACIONAL EXISTENTE PARA CONTROLE DE PAGAMENTOS DAS COLIGADAS/CONTROLADAS SUBCONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS, REEMBOLSO DE DESPESAS E ESTORNOS Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 116 11 NÃO CONSIDERADOS PONTO COMUM ÀS 11 (ONZE) EMPRESAS COLIGADAS/CONTROLADAS (...) como já apresentado anteriormente, laborou em equívoco a fiscalização por evidente desídia na análise de mais de 320.000 (trezentos e vinte mil) lançamentos, constantes da contabilidade sob a descrição de DCUs DESPACHO DE CARGA E LOTAÇÃO, que tratam da movimentação havida para a prestação do serviço de transporte pelo modal ferroviário, e que refletem claramente a movimentação, individualizada por Fornecedor e que, tendo como contrapartida os pagamentos feitos pela Holding, ora Processada, na qualidade de OTM Operador Transportador Multimodal, evidenciam a lisura do procedimento e o afastamento de qualquer argumento quanto à sua inclusão na base de cálculo do IOF, por absoluta ausência de previsão legal. (...) Ademais, este procedimento é largamente utilizado pelas maiores empresas do País que possuem coligadas que prestam serviços correlacionados, objetivando a otimização dos procedimentos financeiros de compensação, através da criação de um caixa único, para extinção de obrigações das partes signatárias, como forma de pagamento simplificado, evitandose deslocamentos de fundos e despesas, garantindo às partes contratantes maior poder de negociação perante seus fornecedores e instituições bancárias, possibilitando, indubitavelmente, melhor administração financeira dos seus recursos. A adoção de sistema de contacorrente de gestão única é, portanto, prática comum entre empresas coligadas de grande porte, caso da Processada, que prestam serviços a clientes comuns, já que agiliza o fluxo e a remuneração dos serviços, cujo saldo não se constitui, de forma alguma, em concessão de crédito de uma ou outra sociedade, afastando assim a tipicidade do art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007). [...]Por outro lado, o conceito civil de mútuo segundo a melhor doutrina, no caso dos autos o mútuo feneratício, vai em sentido totalmente oposto àquele que o d. fiscal tenta empregar para impor a tributação de IOF à Processada, pois que o mesmo pressupõe a entrega de dinheiro à outrem, transferindolhe a propriedade, para que o mesmo seja utilizado pelo mutuário da forma como lhe aprouver. Assim, estamos diante de caso totalmente peculiar, pois a fiscalização não somente desclassificou toda a contabilidade da Processada como, também, utilizouse de uma contacorrente, de caixa único de gestão, para reunir o somatório do suposto saldo devedor diário e acréscimos ao saldo devedor, sem considerar que a Processada possui contratos em conjunto com suas coligadas e que a prática deste tipo de gestão, em negócios Fl. 1429DF CARF MF 12 complexos, é largamente utilizada sem que se configure hipótese de incidência de IOF. (...) DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA ART. 57, IV, C/C ART. 36 DO DECRETO n° 7.574/2011 NECESSIDADE DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DOS LANÇAMENTOS A FIM DE SE APURAR OU AFASTAR OS EVENTUAIS FATOS GERADORES DO IMPOSTO OBJETO DA AUTUAÇÃO (...) Como dito anteriormente, o d. fiscal autuante, ao se deparar com a enorme quantidade de lançamentos constante dos livros razão diário, transmitidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e ao verificar que a sua análise criteriosa envolveria a verificação e cruzamento de informações constantes em mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) folhas de lançamentos, cada uma com mais de 50 lançamentos, totalizando cerca de 320.000 (trezentos e vinte mil) itens a verificar, tendo que se identificar as contraprestações de serviços, os créditos financeiros e os estornos realizados, simplesmente desconsiderou a Escrituração Contábil Digital (ECD) e glosou todos os lançamentos da conta como sendo operações de crédito sujeitas à incidência de IOF. Aplicou, sem sombra de dúvidas, a chamada "lei do menor esforço", transferindo o ônus da prova ao contribuinte, no caso, à Processada. (...) Assim, é de clareza solar que a fiscalização utilizouse de presunções para desclassificar a escrituração da Processada, (...) Esta é a razão pela qual o deferimento de realização de perícia decorre do princípio da ampla instrução probatória e que, segundo a melhor doutrina, advém do princípio da ampla defesa, (...) Descarte requer a Processada se digne V. Sa. em determinar a realização de perícia na escrituração contábil analisada pelo d. fiscal autuante, relativa ao ano de 2009, a fim de que sejam segregados os valores dos lançamentos relativos às operações comerciais e societárias (AFAC) dos valores relacionados às operações financeiras e, destas, sejam evidenciadas quais se referem a operações de mútuo ou crédito passíveis de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras, devendo ser computado, por seu turno, os pagamentos efetuados pela Processada a este título. (...) Sobreveio então o Acórdão 0642.479, da 2ª Turma da DRJ/CTA, dando parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AFAC. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 117 13 Impõese afastar a incidência do IOF sobre valores movimentados a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital AFAC quando devidamente capitalizados e registrados na Junta Comercial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com de adiantamentos de despesas à empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta corrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 1232/1258, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. O caso veio para julgamento deste Conselho em 28 de abril de 2016, gerando o pedido de diligência por meio da Resolução n. 3402000.786, para que fosse realizada prova pericial, com a individualização das operações efetivamente sujeitas à incidência IOF (mútuo de recursos financeiros), segregandoas dos montantes que configuram simplesmente operações comerciais entre as empresas do grupo (pagamentos das coligadas/controladas, subcontratação de serviços, reembolso de despesas e estornos) , ou seja, para apresentar conclusão sobre escrituração da Recorrente relativamente ao ano de 2009, respondendo os quesitos por ela mesmo formulados em sua impugnação relativamente à autuação da sua conta corrente (fls 532 e 533). Ato contínuo veio aos autos a resposta da Fiscalização de (Relatório Fiscal de fls 1375 a 1385). Ocorreu então a ciência eletrônica do contribuinte, que apresentou manifestação subsequente (fls 1402 a 1415), com as seguintes conclusões Fl. 1431DF CARF MF 14 1. Que a documentação acostada aos autos e toda a documentação suplementar solicitada pela diligência COMPROVA, irretorquivelmente, o equívoco cometido pelo d. fiscal autuante, que GLOSOU a contabilidade da Recorrente e considerou toda a movimentação financeira operacional da Recorrente – CONTACORRENTE OPERACIONAL – como base de cálculo do IOF, em total descompasso com a legislação de regência do tributo, em flagrante ofensa ao princípio da legalidade; 2. Que o d. auditor perito não efetuou a determinação contida no acórdão desta I. Turma Julgadora, na medida em que deixou de responder devidamente aos quesitos 1.2, 1.3 e 2, deixando de efetuar a segregação dos lançamentos, identificando as operações comerciais e as possíveis e supostas operações efetivamente de crédito, para apuração da competente base de cálculo do imposto indevidamente lançado; 3. Que a conclusão da diligência comprova que o Auto de Infração utilizou valores que não se enquadram no art. 13, da Lei nº 9.799/99, tendo identificado cerca de 95% (noventa e cinco por cento) das operações contábeis como sendo não passíveis de incidência do IOF; 4. Que, quanto aos 5% (cinco por cento) restantes das operações da Recorrente, não foi identificada e classificada nenhuma operação de crédito sujeita a incidência do IOF, limitandose o d. auditor perito a informar uma suposta base imponível em sua Tabela27 – IOF Ajuste Final; e 5. Que, ao final, deixou a fiscalização e a diligência fiscal de cumprir com o ônus de provar suas razões para manutenção da exigência fiscal, não tendo contestado a veracidade e a legitimidade dos lançamentos havidos nas contas contábeis da Recorrente, haja vista a regularidade das informações prestadas e constantes dos Livros da Recorrente. Desta forma, por tudo o que expôs e produziu nos presentes autos, e diante de todas as considerações acima aduzidas, a Recorrente roga a esta Turma que, lastreada no notório saber jurídico de seus Ilustres Julgadores, se dignem em dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, reformandose a decisão proferida pela d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, para se reconhecer a total insubsistência do Auto de Infração sub censura, que desconsiderou a contabilidade da Recorrente para fazer incidir o IOF sobre todas as operações havidas entre a Recorrente e suas coligadas/controladas, cancelandose o respectivo Auto de Infração, Por fim, os autos foram devolvidos à 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 118 15 Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário foram anteriormente analisadas e acolhidos, uma vez que constituem pressupostos processuais. Sobre o conhecimento do recurso de ofício, destaco que mesmo com a alteração promovida pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, elevando o limite de alçada para o seu conhecimento no âmbito do contencioso administrativo fiscal para o montante de R$ 2.500.000,00 o qual deve ser observado nesse momento processual a teor da Súmula 103 do CARF1 , o presente caso preenche os requisitos para a apreciação por este Conselho. Passo então ao mérito dos recursos, analisandoos pelos mesmos tópicos que foram apresentados pela Contribuinte em sua impugnação e recurso voluntário, assim como pela DRJ em sua decisão. 1. Recurso de ofício 1.1. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL – CONTA 1210502002001 ALL DO BRASIL (CONTA ANALÍTICA REFERENTE A ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S.A. CNPJ N.° 01.258.944/000126) A autoridade fiscal desconsiderou os instrumentos particulares de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), firmados em 09/06/2009 e 09/12/2009 sob o argumento de que não foram levados a registro público, contrariando o disposto no artigo 221 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/01/2002). Outro fato que levou o fisco a desconsiderar tais contratos como sendo de AFAC, se refere aos limites de crédito ali estabelecidos os quais não estariam claramente definidos, visto que o termo “até“ lhes impõe caráter de flexibilidade. Por tais razões, a autoridade lançadora entendeu as operações caracterizariam cessões de créditos rotativos, sujeitas ao IOF. Todavia, a Contribuinte trouxe aos autos provas e argumentação contundente sobre o seu direito, que foram muito bem analisadas pelo Acórdão da DRJ, nos seguintes termos: Às fls.1.0951.102, está a cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 18/05/2010 e registrada na JUCEPAR em 25/05/2010, promovida pela empresa ALL América Latina Logística Malha Sul S.A., CNPJ 01.258.944/000126, oportunidade em que foi deliberado o seguinte: "Aumentar o capital social e homologar o aumento, por subscrição privada, no valor de R$ 475.500.000,00 (quatrocentos e setenta e cinco milhões e quinhentos mil reais), mediante a emissão de 107.151.203.891 novas ações ordinárias e 163.019.250.654 novas ações preferenciais, ao preço de R$ 0,001760 por ação, com base no artigo 170, § 1o, inciso II, da 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 1433DF CARF MF 16 Lei n.° 6.404/76, tendo em vista notadamente seu valor patrimonial. As ações emitidas participarão integralmente dos resultados do exercício social em curso, através da subscrição e integralização pelo acionista identificado no Boletim de Subscrição, arquivado na sede da Companhia, mediante o aproveitamento de créditos detidos nesta data pelo acionista subscritor contra a Companhia." 25. Observese que o valor integralizado naquela oportunidade corresponde à totalidade das duas AFAC realizadas pela impugnante e mais um pouco. A data da assembléia observa o prazo máximo estipulado pelo segundo contrato e, assim, é de se considerar comprovado o destino dos valores repassados pela ora impugnante àquela empresa. 26. Juntou, também, cópia do Diário Oficial da União, datado de 05/11/2010, onde consta a Portaria nº 9 da Superintendência de Marcos Regulatórios autorizando a alteração do Estatuto Social, conforme aprovado pela Assembléia acima mencionada. Ou seja, todos os documentos corroboram a defesa apresentada pela Recorrente: os valores transacionados se referem ao AFAC. Ademais, o argumento da Fiscalização sobre a ausência de registro público ou a questão do limite de crédito não possuem amparo legal para desconsiderar os instrumentos particulares utilizados pelas empresas. Sobre esse ponto, lembremos que a principal finalidade dos Registros Públicos é garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos (conforme artigo 1º da Lei nº 6.015/73 Lei dos Registros Públicos), na função de regulamentar o artigo 236 da Constituição Federal,2 dispondo sobre serviços notariais e de registro. Neste contexto normativo, o registro de documentos é importante para que tenham oponibilidade a terceiros, mas não consiste em requisito de validade dos documentos ora sob análise, é isso que diz o artigo 221 do Código Civil citado pela Fiscalização. Corroborando tal normativa de direito material, na Seção VII do Código de Processo Civil encontramos os dispositivos que corroboram a validade e os efeitos dos instrumentos particulares em apreço, em termos probatórios/processuais. Vejamos: Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. Art. 409. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Parágrafo único. Em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: 2 Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 119 17 I no dia em que foi registrado; (...) Art. 410. Considerase autor do documento particular: I aquele que o fez e o assinou; (...) Art. 411. Considerase autêntico o documento quando: I o tabelião reconhecer a firma do signatário; II a autoria estiver identificada por qualquer outro meio legal de certificação, inclusive eletrônico, nos termos da lei; III não houver impugnação da parte contra quem foi produzido o documento. (...) Art. 412. O documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída. (...) Art. 428. Cessa a fé do documento particular quando: I for impugnada sua autenticidade e enquanto não se comprovar sua veracidade; II assinado em branco, for impugnado seu conteúdo, por preenchimento abusivo. Parágrafo único. Darseá abuso quando aquele que recebeu documento assinado com texto não escrito no todo ou em parte formálo ou completálo por si ou por meio de outrem, violando o pacto feito com o signatário. Art. 429. Incumbe o ônus da prova quando: I se tratar de falsidade de documento ou de preenchimento abusivo, à parte que a arguir; II se tratar de impugnação da autenticidade, à parte que produziu o documento. Neste ponto, incumbe destacar que a Fiscalização teve acesso às informações sobre os atos societários da Contribuinte, que são exatamente os mesmos trazidos à apreciação deste Conselho. Tal informação é relevante pois se a autoridade fiscal, no ínterim do procedimento de fiscalização, entendesse que os atos praticados pela empresa fiscalizada não eram merecedores de fé, deveria ter se desincumbido do ônus da prova (artigo 429 do NCPC) de demonstrar eventual abuso na composição destes documentos, que não corresponderiam a realidade. Fl. 1435DF CARF MF 18 Contudo, não ocorreu qualquer movimento nesse sentido. A Fiscalização tão somente registrou no TVF o que viu e sua interpretação sobre os instrumentos particulares. Ressalto ainda que o registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro da Ata da Assembléia Geral Extraordinária (25/05/2010) é compatível com os momentos em que os atos societários sucederam, todos muito anteriores ao início da fiscalização federal (25/05/2012). Assim, em síntese, temos que: i) a lei não obriga o registro público dos instrumentos particulares em questão para que tenham validade entre as partes contratantes e para fins tributários; ii) “o documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída” (artigo 428 do NCPC); iii) “as declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário" (artigo 408 do NCPC); iv) e no presente caso não há qualquer controvérsia sobre a autenticidade dos documentos (ata da assembleia geral extraordinária sobre o AFAC, registrada na Junta Comercial e com posterior publicação no Diário Oficial da União da alteração do Estatuto Social); v) os valores objeto de fiscalização são compatíveis com os atos societários em questão, sendo despropositada a afirmação da autoridade fiscal sobre a falta de limite/flexibilidade dos valores aportados entre as empresas. Assim, restou claro que a Contribuinte apresentou documentos plenamente capazes de demonstrar que os valores estampados na Conta 1210502002001 constituem AFAC mantidas com a empresa ALLAmérica Latina Logística Malha Sul S.A., CNPJ 01.258.944/000126, a qual não configura hipótese de incidência do IOF, imposto incidente sobre o mútuo entre pessoas jurídicas não financeiras. Embora tal discussão seja pormenorizada no julgamento do recurso voluntário, cumpre desde já registrar que para a existência do mútuo é necessário “o empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). Evidente, portanto, que o AFAC, forma de se proceder a capitalização de uma sociedade que necessita de recursos mediante aportes de sócios, na qual claramente não haverá a restituição dos valores, não há incidência do IOF. Este Conselho possui firme jurisprudência no sentido de que somente deverá incidir o IOF sobre AFAC na hipótese de este tipo de operação desrespeitar os ditames legais, passando a configurar como mútuo (Processo nº 16682.721207/201191, Acórdão nº 3301002.282, Sessão de 27 de março de 2014; Processo n. 10980.002141/200717, Acórdão 330200.616). 3 3 Ementa(s) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto IV 70.235, de 1972, e incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MUTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. As operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, realizadas sem prazo de vencimento definido e por meio de lançamentos em contacorrente, sujeitamse A. incidência do IOF sobre operações de credito. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IOF. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 120 19 Dessarte, tendo no presente caso a capitalização dos recursos ocorrido no prazo estabelecido no Parecer Normativo CST nº 17/1984 e nos termos da à Instrução Normativa SRF nº 127, de 08/09/1988, 4 deve ser cancelada a exigência do IOF sobre os AFAC mantidas com a empresa ALLAmérica Latina Logística Malha Sul S.A., CNPJ 01.258.944/000126, conta nº 1210502002001. Não fosse o bastante, a Autoridade Fiscal de origem, respondendo aos quesitos da perícia requerida por este Colegiado, fez questão de fazer constar que não se manifestaria sobre os documentos relativos ao AFAC (fls 1385), o que só corrobora a má interpretação que havia lhe sido anteriormente conferida, já que nenhum argumento foi trazido em oposição ao julgamento da DRJ a respeito do tema. In casu, todas as provas apresentadas convergem no sentido de que estamos diante de AFAC, e não de qualquer forma de empréstimo de valores entre sociedades ligadas, razão pela qual não devem ser submetidos à tributação pelo IOF nos termos pretendidos pela autoridade fiscal no presente auto de infração. Sem necessidade de reforma, portanto, o Acórdão recorrido nesse parte. 1.2. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 09.085.491/000195. CONTA Nº 1210301001 A autoridade fiscal entendeu que esta conta representava fluxo de recursos da holding e que os saldos devedores nela constantes também estariam sujeitos ao IOF, ao menos enquanto tais valores não fossem registrados como capital social da investida. Sobre os argumentos e provas apresentadas pela Recorrente, foram precisas as considerações explanadas pela decisão a quo, nos seguintes dizeres: 30. Atacando este item, afirma que os valores foram integralizados ao capital social da controlada em 31/11/2009, já sob a denominação de Multimodal Participações, por meio de sua 4ª alteração contratual registrada na JUCEPAR sob o nº 48.911/100. O responsável pela retenção e recolhimento do 1OF incidente sobre operações de mútuo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AFAC. Incabível a incidência do tributo sobre valores remetidos a titulo de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital — AFAC devidamente capitalizados e registrados em Junta Comercial. (Processo 10980.002141/200717; Acórdão 3302000.616) 4 Os adiantamentos de recursos financeiros, sem remuneração ou com remuneração inferior às taxas de mercado, feitos por uma pessoa jurídica à sociedade coligada, interligada ou controlada, não configuram operação de mútuo, sujeita à observância do disposto no art. 21 do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, desde que: a) entre a prestadora e a beneficiária haja comprometimento, contratual e irrevogável, de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; e b) o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira Assembleia Geral Extraordinária ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora”. Fl. 1437DF CARF MF 20 Menciona um documento como sendo de nº 09. 31. O documentos nº 9 (fls. 1.1131.125) a que se refere a impugnante é a 3ª Alteração do Contrato Social e Consolidação da investida, oportunidade em que foi aprovada a alteração da denominação da J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações para Multimodal Participações Ltda. O registro ocorreu em 29/08/2008. 32. Em 05/02/2010 foi registrada a 4ª alteração do Contrato Social e Consolidação, fls. 1.1261.137, aprovando aumento de capital da Multimodal no importe de R$628.928.377,00. A reunião houvera ocorrido em 30/11/2009, contudo, o registro ocorreu em 02/2010. 33. Pois bem, também neste quesito, cabe razão à contribuinte. Analisando a planilha correspondente a essa conta, fls. 438444, notase que ela apresentou saldo devedor até 30/11/2009, data da referida 4ª assembléia. Muito embora o aumento de capital tenha sido em volume muito maior que o saldo da conta, entendo que o fato de a conta ter sido zerada justamente na data da assembléia que decidiu pelo incremento do capital social na Multimodal e, ante o fato de que a ata foi registrada antes de qualquer manifestação por parte do fisco, restou comprovado que o valor de R$ 62.641.592,93 (saldo da conta) está embutido no aumento proposto. Ou seja, aqui também a documentação apresentada pela Contribuinte foi apta a demonstrar que o fluxo de recursos na realidade representava AFAC (adiantamentos foram devidamente integralizados no capital social da controlada em 30/11/2009), o qual não deve ser tributado pelo IOF, conforme visto no item 1.1. acima. Também há de ser mantido, portanto, o Acórdão recorrido que bem decidiu a questão da CONTA Nº 1210301001 J. P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 09.085.491/000195. 1.3. CONTRATOS INTERNACIONAIS DE MÚTUO CÂMBIO PAGAMENTOS EFETUADOS DE IOF IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Com relação à conta da empresa coligada ALLArgentina conta nº 1210502032, a Fiscalização desconsiderou os Contratos Internacionais de Mútuo, mesmo quando acompanhados dos respectivos contratos de câmbio, tendo em vista a falta de registro da data do reconhecimento cartorial das assinaturas e a falta de assinatura dos representantes da América Latina Logística Central S.A. ALL Argentina. Mais uma vez o Acórdão da DRJ corretamente analisou as provas e o direito da Contribuinte, fazendo constar que: 37. Na peça de defesa a contribuinte apresenta a memória de cálculo do imposto devido e alega que além de comprovação mediante a apresentação dos contratos de câmbio, descabe o lançamento, tendo em vista que os valores do IOF foram objeto de PER/DCOMP ora anexada (doc.10). (...) 40. Na peça de defesa a autuada junta cópia de PER/DCOMP recepcionada pelo Serpro em 18/05/2010. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 121 21 41. O PER/DCOMP mencionado, que recebeu o número 06496.28201.180510.1.3.023028 e está com sua análise suspensa aguardando o reconhecimento do direito creditório do documento de apuração. 42. Percebase que a atitude do sujeito passivo em transmitir a PER/DCOMP é anterior a qualquer iniciativa do fisco para efetuar o lançamento (...) Nos termos dos §§ 2º e 6º do artigo 73 da Lei nº 9.430/1996, a declaração de compensação por parte do sujeito passivo da obrigação tributária tem como efeito a extinção, sob condição resolutória, do crédito tributário, bem como a confissão de dívida dos débitos nela estampados. Vejamos: Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Diante deste cenário, no qual a ALL América Latina Logística S/A confessou via PER/DCOMP (fls. 1.144 1.145) sua dívida de IOF, uma vez que incorreu nos fatos geradores do imposto por ter concedido empréstimos à ALLArgentina, no anocalendário de 2009, é de fato necessário o cancelamento do parte da autuação referente aos mesmos débitos. Afinal, além de ter se perpetrado causa da extinção do crédito tributário pela compensação, nos moldes do artigo 156, inciso II do CTN ainda que pendente da condição resolutória , a potencial cobrança do crédito tributário resta salvaguardada, já que mesmo que não seja homologada a PER/DCOMP, os referidos valores poderão/deverão ser exigidos pela Administração Tributária via devida processo administrativo. Por essa razão é que se permanecessem no presente lançamento, os débitos poderiam potencialmente ser objeto de cobrança em duplicidade. Há de ser mantido, portanto, o Acórdão a quo a respeito desta questão. 1.4. SANTA FÉ VAGÕES S/A – INSTRUMENTOS PARTICULARES DE MÚTUO – IOF DEVIDAMENTE RECOLHIDO E COMPROVADO – IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. CONTA 1210502014001 Neste ponto novamente a DRJ destacou com clareza o trabalho probatório apresentado pela Contribuinte, reconhecendo a imprecisão de autuação por abarcar valores a título de IOF já recolhidos. Colaciono a seguir suas razões: Fl. 1439DF CARF MF 22 47. Neste item, a contribuinte afirma que se trata de mútuo e que a autoridade fiscal não apurou ou computou os pagamentos efetuados a título de recolhimento do IOF devido, ora anexados como doc. 11 e, assim, a exigência deve ser cancelada. Monta uma planilha demonstrando os valores repassados e o imposto pago. 48. Pois bem, analisando os documentos apresentados, impõese acatar o contrato de fls. 1.1461.151, no importe de R$ 1.638.450,53, que coincide em data e valor (já descontado o IOF, conforme cláusula 1.3), com o repasse efetuado em 27/03/2009, com prazo até 14/04/2009. Ocorreu na referida conta um lançamento a crédito, em 07/05/2009, no importe de R$ 5.780.089,72 que, em tese, engloba este valor. O contrato é regular e foi registrado em cartório na data de sua assinatura e, o IOF teria sido quitado em 03/04/2009, conforme documento de fl. 1.153. 49. O segundo contrato apresentado, fls. 1.1541.159 se refere ao repasse de R$ 115.500,48, firmado em 17/04/2009 e registrado em cartório em 24/04/2009, que tem como validade a data de 30/04/2009 (doc. arrecadação à fl. 1.163). 50. Um outro contrato (fls. 1.1611.167), no valor de R$ 1.144.830,69, nos mesmos termos dos anteriores, com vigência até 14/04/2009, foi firmado em 03/04/2009 e registrado na mesma data (doc. arrecadação à fl.1.168). 51. Mais um, às fls. 1.1691.175, no importe de R$ 2.510.259,52, firmado em 27/04/2009, e com validade até 04/05/2009, foi registrado naquela mesma data e o doc. da arrecadação está à fl. 1.176. 52. Desta forma voto por acatar os contratos acima e assim reduzir a base de cálculo do tributo. Irretocável a decisão recorrida, baseada nas provas apresentadas pela Contribuinte, que se desincumbiu plenamente do seu ônus probatório, mostrando fato extintivo da pretensão fazendária, já que o crédito tributário encontrase extinto pelo pagamento do IOF (artigo 373, inciso II do CPC e do artigo 156, inciso I do CTN). 2. Recurso voluntário 2.1. ALL OVERSEAS EXERCÍCIO DE STOCK OPTIONS NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCIDÊNCIA DE IOF CONTA 1210502012001 Encontrase devidamente comprovado nestes autos que os valores constantes na Conta 1210502012001, referente à empresa controlada All Overseas, corresponde a depósito relacionado ao Sr. Alexandre Behring Costa pelo exercício de opção de compra de stock options. Com efeito, a Ata do Conselho de Administração, de 09 de março de 2007 aparece o beneficiário como digno da soma de R$ 5.750.000,00. A Recorrente informa, no entanto, que o valor efetivamente disponibilizado pelo Sr. Alexandre Behring Costa foi de R$ Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 122 23 6.606.242,61 em razão da atualização do IGMP no período de março de 2007. Também o comprovante de transferência em dólares (swift, uma vez que beneficiário reside no exterior), de USD 1,023,852 e USD 1,829,570, cuja cotação à época era de R$ 2,3152, dos valores foram apresentados pela Recorrente (fls 1246 e 1247). Esse valor de R$ 6.606.242,61 é muito próximo ao lançado pela autoridade fiscal, e que, segundo esclarecimento prestado pela Recorrente, só não é absolutamente igual pois a taxa de câmbio por ela adotada é do último dia útil do mês, o que culmina nesse fino ajuste. As stock options, como bem se sabe, são opções de compra de ações da própria empresa, oferecidas a executivos e empregados para atrair ou reter talentos. O funcionário pode comprar essas ações por um preço préestipulado e normalmente menor que o de mercado, após um período de carência. Essa opção de compra pode dizer respeito a ações de qualquer das empresas do grupo econômico, sem qualquer limitação que não seja traçada pelo próprio plano de stock options da companhia. Assim, em se tratando de grupo econômico, não vejo problema que os valores tenham sido transacionados com empresa controlada, uma vez que os documentos acostados aos autos claramente apontam a origem da operação, que em nada se aproxima a créditos correspondentes a operações de mútuo, aptos a ensejar a incidência do IOF, nos moldes do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. Deve, portanto, ser cancelada a autuação no que diz respeito ao exercício de compra de stock options. 2.2. CONTA CORRENTE OPERACIONAL EXISTENTE PARA CONTROLE DE PAGAMENTOS DAS COLIGADAS/CONTROLADAS SUBCONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS, REEMBOLSO DE DESPESAS E ESTORNOS NÃO CONSIDERADOS PONTO COMUM ÀS 11 (ONZE) EMPRESAS COLIGADAS/CONTROLADAS A Recorrente afirma que não ocorreu o fato gerador do IOF in casu. Isto porque os valores vinculados às Contas que foram objeto de autuação dizem respeito a operações entre ela e demais pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico. No seu sentir, tal situação não se enquadra na hipótese de incidência traçada pela legislação para o referido imposto, o mútuo, capaz de lhe atribuir a condição de responsável pelo pagamento do IOF. Vejamos a legislação sobre o fato gerador do IOF, utilizada como fundamento da autuação fiscal: Artigo 13 da Lei n. 9.779/99: Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. Fl. 1441DF CARF MF 24 § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Artigos 2º, inciso I, alínea “a” e 3º, §3º, inciso III, do Decreto n. 6.306/2007 Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (...) § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos; II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Pois bem. Diante dos supratranscritos mandamentos legais, a Recorrente afirma que as operações que levaram aos lançamentos tributários são relativos a conta corrente, cujo objeto é a centralização de caixas das empresas, com gestão unificada das disponibilidades. Assim, ao tributar tais valores pelo IOF, que fora do mercado financeiro só incide sobre os contratos de mútuo, a Fiscalização estaria infringindo o princípio da legalidade, ao ir na contramão do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. Tal diferenciação entre contrato de mútuo e contrato de conta corrente, existente de fato, deve ser precisamente aplicada ao caso concreto, demonstrandose que as transações entre empresas relacionadas se subsomem a uma ou outra hipótese. No presente caso, não havendo contrato firmado entre as empresas relacionados, a análise da natureza jurídica das transações restringese aos demais documentos e informações prestadas pelo contribuinte. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 123 25 Registro nesse sentido, trecho do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão n. 3102002.318: É indubitável que o contrato de conta corrente e de mútuo são distintos, porém, a meu ver, esta não é questão relevante para o deslinde da controvérsia, mas sim a natureza das transações financeiras que a recorrente realizou com as demais empresas do grupo, isto é, se tais operações representavam, na essência, uma operação de mútuo financeiro ou uma mera operação de conta corrente. Com efeito, enquanto nos contratos de conta corrente o que se objetiva é a compensação entre créditos e débitos das partes, dispensando reciprocamente os pagamentos diretos, 5 nas operações de mútuo, há “o empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). São situações jurídicas que, portanto, não se confundem. Contudo, é possível que nos contratos de conta corrente haja, concomitantemente, operações de concessão de crédito correspondente ao mútuo. Somente em tais situações é que haverá evento capaz de ensejar a tributação pelo IOF, como expressamente estabelecido pelo artigo 13 da Lei n. 9.779/99. É o que ressalta o Superior Tribunal de Justiça, ao afirmar que a abertura de crédito é uma das formas de realização da “operação de crédito”, assim como o mútuo, prevista no artigo 13 a Lei n. 9.119/99, 6 de modo que deve sim ensejar a tributação pelo IOF. Vale destacar o trecho do voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, bem como a ementa atribuída ao Recurso Especial n. 1.239.101 – RJ: “Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de ‘operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas’ e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. 5 Além das modalidades comuns de empréstimo por descontos de títulos à ordem, adquiriram grande incremento o contrato de financiamento, a abertura de crédito e a conta corrente. (...) Na conta corrente (que pode combinar com a abertura do crédito), as partes ajustam um movimento de débito e crédito, por lançamentos em conta, e podem estipular que os saldos credores, para um ou para outro, vencerão juros. (...) A maior utilidade da conta corrente é produzir a compensação de créditos e débitos, dispensando reciprocamente os pagamentos diretos. (PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil – VOL. III – Contratos. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2007, 12ª ed, p 354 e 355 6 Não se olvida aqui que este dispositivo legal tem sua constitucionalidade contestada, perante o Supremo Tribunal Federal, no RE 590186/RS com repercussão geral reconhecida. Esse julgamento, contudo, ainda é pendente, de modo que o CARF deve aplica a lei em seus exatos dizeres (súmula CARF n. 2) até que sobrevenha eventual declaração de inconstitucionalidade por parte do Pretório Excelso. Fl. 1443DF CARF MF 26 É por esse motivo que o §1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente” Ementa: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. Recurso especial não provido Tem sido esse o posicionamento da jurisprudência do CARF (Acórdão 3301 002.282 Processo 16682.721207/201191; Acórdão 3301001.520 Processo 10680.016007/200851; Acórdão 340200270 Processo 10920.000809/20079820402386; Acórdão 20402386 Processo 10675.003563/200241; Acórdão 3302000.616 Processo 10980.002141/200717; Acórdão nº 3302002.264 Processo nº 10480.722140/2010¬11) De tudo isso, percebese que o problema a ser enfrentado não se esgota na discussão de existir ou não um contrato de conta corrente – com as características que lhe são particulares, tão bem desenvolvidas pela doutrina jurídica – entre a Contribuinte e qualquer outra empresas do grupo econômico. Sobre a impossibilidade de o IOF incidir indiscriminadamente sobre toda e qualquer transação abrigada pelo contrato de conta corrente, não há dúvida. A questão palpitante é, isto sim, o fato de a conta corrente ser utilizada para a concretização de empréstimos entre as empresas (pela abertura de crédito, por exemplo), o famigerado mútuo, “empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). Sobre a qualificação do mútuo, ressalto que o prazo pode ser livremente estipulado pelas partes, e que, como se trata de grupo empresarial, não há necessidade de estabelecimento de juros sobre os valores emprestados (artigos 591 e 592 do Código Civil).7 7 Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 124 27 Nesse sentido, o Conselheiro Natanael Martins, depois de acurada explanação sobre a natureza do contrato de conta corrente na doutrina de Fran Martins,8 Carvalho de Mendonça,9 Pontes de Miranda10, conclui justamente sobre a indispensabilidade de verificação dos negócios jurídicos operados através da conta corrente, conforme se depreende dos trechos a seguir transcritos: IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART. 21 DO DL. 2.065/83 CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente. (...) Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a causa jurídica das remessas individualmente consideradas, ocorrendo, apenas, espécie de paralisação de sua exigibilidade, ao menos até o encerramento da conta. O Conselho de Contribuintes, em reiterados acórdãos, tem exarado o entendimento de que o contacorrente e o mútuo são institutos jurídicos distintos, de modo que, casuisticamente, deve ser avaliada a origem das remessas que integram a conta corrente para que se possa discernir sua real natureza. Ocorre que, como já se disse, o contrato de conta corrente é, na verdade, contrato normativo, destinado a regular, apenas e tão somente, o tratamento a ser dados a cada uma das remessas, não interferindo em suas respectivas causas. Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dívidas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível 8 " (...) é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores sejam bens, títulos ou dinheiro anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço" (Contratos e Obrigações Comerciais, Ed Forense, 14ª Edição, p. 397 e seguintes) 9 "a) O contrato de conta corrente 'supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes'. Essas operações não se liquidam imediatamente e sim são anotadas nas contas, como partidas de débito e crédito. Ao final do prazo convencionado, ou no fim de um ano, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo. Esse será o resultado da diferença entre os débitos e os créditos. b) (..) c) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois essa averiguação só se obterá no momento do encerramento da conta. As remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só será reconhecido pelas partes ao fazerse o balanço para a verificação final d) As remessas de cada correntista, perdendo a sua individualidade, unificamse na massa de débitos e de créditos, não podendo, assim, dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução." 10 "Pontes de Miranda, em seu Tratado de Direito Privado (Ed. BookSeller, § 4.615 e seguintes), ressalta a normatividade do contrato de conta corrente, haja vista que se destina a regular o tratamento a ser conferido a remessas, de diversas origens, efetuadas entre as partes contratantes." (trecho retirado do próprio voto citado) Fl. 1445DF CARF MF 28 fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de conta corrente compreende remessas decorrentes de duplicatas recebidas pela interligada em nome da Recorrente, como também despesas a pagar pela Recorrente à interligada, liquidandose o saldo apurado ao final de cada mês. Ou seja, os valores lançados na conta corrente em análise não caracterizam contra to de mútuo, de modo que não se deve pretender seja aplicado à hipótese o DecretoLei n° 2.065/83." Corroborando esse entendimento, confirase a ementa do Acórdão n° 10180.803, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "IRPJ — Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo." (Recurso n° 132.337, Sétima Câmara, Acórdão n° 10706.903, Rei. Natanael Martins) Ratificando tudo quanto exposto, a doutrina especializada de Antônio da Silva Cabral11 traz a seguinte lição da obra de Pontes de Miranda: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) ‘Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisaremse os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só 11 Negócios de Mútuo entre Empresas do Mesmo Grupo”. In. Direito Tributário Atual n. 10, p. 2855 Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 125 29 ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente. Passemos então à análise das particularidades do caso. A Recorrente opera como OTM – Operador Transportador Multimodal de Cargas, mediante autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), sendo também holding do grupo econômico de empresas de transporte. É o que se verifica do artigo 2º do seu ato constitutivo: Sobre a atividade de OTM, destaco excerto do sítio da Agência Nacional de Transporte Terrestre, 12 que em poucas palavras resume as características e funcionamento deste setor, segundo sua legislação de regência: A Lei nº 9.611, de 19 de Fevereiro de 1998, define não só a operação do Transporte Multimodal de Cargas, como as responsabilidades dos agentes envolvidos. Além de conceituar a operação de Transporte Multimodal de Cargas, cumpre apresentar as definições legais para o OTM e para o contrato único de transporte, elementos chaves da operação. 12 http://www.antt.gov.br/index.php/content/view/4963/Multimodal.html Fl. 1447DF CARF MF 30 O Transporte Multimodal de Cargas é aquele que: utiliza duas ou mais modalidades de transporte; é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal – OTM; e é regido por um único contrato. Definese o OTM como a pessoa jurídica, transportadora ou não, contratada como principal para a realização do Transporte Multimodal de Cargas, da origem até o destino, por meios próprios ou por intermédio de terceiros. Este operador assume a responsabilidade pela execução desses contratos, pelos prejuízos resultantes de perda, por danos ou avaria as cargas sob sua custódia, assim como por aqueles decorrentes de atraso em sua entrega, quando houver prazo acordado. Suas atividades incluem, além do transporte, os serviços de coleta, unitização, desunitização, consolidação, desconsolidação, movimentação, armazenagem e entrega da carga ao destinatário. O exercício da atividade do OTM depende de prévia habilitação e registro na ANTT. No caso de transporte multimodal de carga internacional, o OTM será beneficiário do regime especial de trânsito aduaneiro para desembaraço da carga. Para isso, deverá se licenciar na Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas – CTMC evidencia o contrato de transporte multimodal e rege toda a operação de transporte, desde o recebimento da carga até a sua entrega no destino. Dessa forma, criase a figura do Operador de Transporte Multimodal de Cargas (OTM) com suas atribuições, sendo a principal a gestão de todas as prestações de serviço porta a porta mediante um contrato único. (grifei) Tendo isto em vista, a Recorrente informa que em grande medida os valores contabilizados nas contas auditadas pela fiscalização constituem remuneração ou reembolso pelos serviços prestados por empresas subcontratadas no plano de atuação OTM, que, no caso, são controladas/coligadas. Não sendo, portanto, empréstimos ou operações de crédito. Continua demonstrando que há relações comerciais entre as empresas, justamente pelo fato da Recorrente operar o OTM. Ela subcontrata as empresas controladas do grupo para a realização de diversas atividades de transporte. Porém, por ser holding responsável pelo gerenciamento do grupo, o faturamento era nela centralizado e contabilizado, consolidando os recebimentos que eram posteriormente divididos entre suas controladas. Em outras palavras, a holding faturava os serviços em sua integralidade, e posteriormente pagava os valores devidos às demais empresas do grupo que prestaram serviços para o adimplemento do contrato. Destaco abaixo trecho de um dos Contratos Prestação de Serviços de Transportes Intermodal trazido aos autos (fls 639), que confirma tudo quanto alegado: Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 126 31 (...) (...) Fl. 1449DF CARF MF 32 (...) Entretanto, a Fiscalização não considerou qualquer valor lançado a título de pagamento de fornecedores e clientes individuais de cada coligada, de modo que o somatório dos saldos diários e acréscimos mensais (fls 473 a 485) entendidos como mútuo chegou a casa de dezenas de bilhões de reais. Ou seja, a autoridade fiscal assumiu que haveria in casu um financiamento de 220 bilhões de reais, que deveriam estar disponíveis como crédito pela Recorrente às empresas controladas. Por essa razão a Recorrente apresentou amostragem para demonstrar a inconsistência do auto de infração (fls 602 a 638). São 320.000 lançamentos contábeis em 6.400 páginas. Assim, todo o trabalho de defesa nesse item resumiuse à demonstração de que as contas autuadas são o caixa único do grupo, utilizado para a extinção das obrigações das empresas relacionadas, “como forma de pagamento simplificado, evitandose deslocamento de fundos e despesas, garantindo às partes contratantes maior poder de negociação perante seus fornecedores e instituições bancárias, possibilitando, indubitavelmente, melhor administração financeira dos seus recursos”, nas suas palavras. Compulsando a documentação apresentada pela Contribuinte, restou evidente que existiam de fato operações comerciais praticadas entre as empresas do grupo contabilizadas nas Contas utilizadas como base de cálculo par a exigência do IOF. Os serviços e clientes são comuns às empresas. Os Contratos Prestação de Serviços de Transportes Intermodal, o fato de a holding operar como OTM e demais provas apresentadas pela Contribuinte não deixam dúvidas sobre isso. Contudo, a própria Contribuinte assumiu em seu Recurso Voluntário que dentre a enormidade de lançamento contábeis postos nas Contas Contábeis em questão, porventura poderiam haver diminutos valores correspondentes à mútuos entre as empresas. Por isso foi deferido o pedido de perícia relatado acima, de modo a preservar seu direito a somente ser tributada sobre montantes que efetivamente componham a base de cálculo do IOF. Para tanto, foram formulados os seguintes questionamentos e requerimentos: i) Designar servidor – preferencialmente diverso daquele responsável pelo lançamento tributário – para, como perito da União, proceder a prova pericial e apresentar o respectivo laudo, COM A INDIVIDUALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES EFETIVAMENTE SUJEITAS À INCIDÊNCIA DO IOF (mútuo de recursos financeiros), SEGREGANDOAS DOS MONTANTES QUE CONFIGURAM SIMPLESMENTE OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE AS EMPRESAS DO GRUPO (pagamentos das coligadas/controladas, subcontratação de serviços, reembolso de despesas e estornos) , ou seja, apresentar conclusão sobre a escrituração da Recorrente Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 127 33 relativamente ao ano de 2009, respondendo os quesitos por ela mesmo formulados em sua impugnação relativamente à autuação da sua contacorrente (fls. 532 e 533), quais sejam: 1 Queira o d. perito segregar nas 6.416 páginas relativas às DCL’s que lhes foram disponibilizadas, os seguintes lançamentos: 11 Ingressos de recursos através de pagamentos por clientes oriundos de Contratos de Prestação de Serviços; 12 A individualização, por coligada, dos ingressos acima bem como a sua distribuição por coligada e ou controlada; 13 A identificação dos estornos de lançamentos que não produziram qualquer efeito contábil e ou financeiro, consoante comprova a Processada mediante a juntada da Planilha anexa. (doc. 12); 14 A correlação entre as faturas/Notas Fiscais emitidas de Prestação de Serviços (receita) e os valores mantidos nas conta correntes analisadas pela fiscalização. 2 Queira o d. perito informar, após a segregação das receitas das contas fiscalizadas e sua confrontação com a documentação física relativa aos lançamentos, os saldos de cada coligada definidos para: Adiantamento da Futuro Aumento de Capital (AFAC), pagamentos a fornecedores, estornos, pagamentos de impostos, pagamento de dividendos, Stock Options, e todos os demais itens constantes da listagem de lançamentos, a fim de se identificar a base de cálculo imponível. 3 Protesta a Processada pela realização de perícia complementar, se necessário, com o oferecimento de quesitos suplementares, para esclarecimentos indispensáveis à solução da controvérsia. ii) Dar ciência do laudo técnico à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iii) Devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento.” Pois bem. Pela análise do laudo de apresentado pela Fiscalização (fls 1375 a 1385), constatamos que depois de todo o levantamento da contabilidade e sua confrontação com os documentos fiscais da Contribuinte (Baixa Fornecedores, Pagamento OTM, Correlação nos DCL´s Despacho de Carga Lotação , estornos, notas fiscais, contratos, fretes, etc), não só do ano de 2009, mas também de 2007 e 2008, de acordo com tudo o que foi fornecido pela Contribuinte em atenção aos termos de intimação, a autoridade de origem apresentou as seguintes conclusões: Como já mencionado anteriormente, deste o item 1.2 deste relatório, identificamos operações somente da ALL Malha Sul, ou ALL do Brasil, uma vez que foi somente este informado como Fl. 1451DF CARF MF 34 transportador nas faturas relacionadas na planilha apresentada pela contribuinte em resposta ao TIF04. Portanto, para as demais contas não temos elementos que alterem os valores ou decisões anteriores à esta diligência. Quanto à base de cálculo imponível, somente para a conta ALL do Brasil, se encontra na Tabela 27 IOF Ajuste Final 1210502002001 ALL Brasil. Os valores de IOF foram obtidos através da soma no último dia do mês dos saldos diários devedores da conta do Ativo 1210502002001 – ALL do Brasil e aplicada a alíquota de 0,0041%, conforme dispõe o artigo 7º, I, “a”, dos Decretos nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, além do adicional de 0,38% sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, conforme determina o §15º e §16º do art. 7º do Decreto nº 6.306 de 14 de dezembro de 2007, alterado pelo Decreto nº 6.339 de 03 de janeiro de 2008. Quanto a segregação das receitas das contas fiscalizadas e suas confrontações com a documentação física relativa aos lançamentos referentes ao Adiantamento da Futuro Aumento de Capital (AFAC) e Stock Options não houve levantamento pericial uma vez que já ocorreu decisão favorável ao contribuinte conforme Acórdão 0642.479 – 2ª Turma da DRJ/CTA, de 29 de julho de 2013. A referida tabela 27 (documento não paginável), apresenta a seguinte soma final: Base de Cálculo de IOF sobre operações entre mútuos realizados no anocalendário de 2009 Ano 2009 Demonstrativo do IOF Conta do Ativo: 1210502002001 ALL do Brasil IOF MALHA SUL jan/09 24.590,80 fev/09 198.518,37 mar/09 806.892,49 abr/09 489.257,18 mai/09 482.177,14 jun/09 0,00 jul/09 0,00 ago/09 59.142,97 set/09 0,00 out/09 238.531,37 nov/09 763.426,83 dez/09 0,00 Conforme coloca a própria Contribuinte (fls 144) a conclusão da diligência comprova que o Auto de Infração utilizou valores que não se enquadram no art. 13, da Lei nº 9.799/99, tendo identificado cerca de 95% (noventa e cinco por cento) das operações contábeis como sendo não passíveis de incidência do IOF. Portanto, os citados valores constantes da Tabela 27 representam 5% das operações escrituradas na Conta em questão. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10980.721730/201338 Acórdão n.º 3402004.932 S3C4T2 Fl. 128 35 Deste modo é imperioso que este Conselho reconheça que o trabalho da Fiscalização foi falho, pois fez incidir o imposto sobre simples operações comerciais entre as empresas do grupo econômico. Já que a Conta Contábil operacional era utilizada para registrar de operações comerciais entre partes relacionadas, não se sujeitam à incidência do IOF, imposto federal que incide sobre operações de crédito correspondentes à mútuo (artigo 13 da Lei n. 9.779/1999 e artigos 2º e 3º do Decreto n. 6.306/2007). Não há empréstimo, uma vez que os valores constituem acertos de contas entre as empresas, não havendo, portanto, posterior restituição do dinheiro em espécie, requisito para configuração do mútuo (artigo 586 do Código Civil). Destaco que foi exatamente esta a ratio firmada pelo CARF no Acórdão n. 340200.472. Lá julgouse inexistir mútuo em contrato de contacorrente puro (em que havia adiantamento de recursos a fornecedor de serviços regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução de serviço). O mesmo se diga em relação ao Acórdão n. 0105.472, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisou contrato de conta corrente, cujos saldos eram compostos por valores de cobrança de duplicatas sacadas pela empresa, decorrentes da prestação de serviços comuns às empresas ligadas. Vale destacar trecho do voto do Conselheiro Relator Julio Cesar Alves Ramos, quando do julgamento do Processo 10746.001486/200394 (Recurso n° 237.710 Voluntário, Acórdão n° 340200.472), cuja lógica aplicase claramente ao presente caso: Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido Este mesmo Colegiado já apreciou questão bastante semelhante, no julgamento dos Processos n. 10120.722726/201236 (Acórdão n. 3402002.987) e 16682.720978/201241 (Acórdão 3402003.855), decidindo pela não incidência do IOF sobre operações comerciais entre partes relacionadas economicamente. Por fim, saliento que não merece prosperar a pretensão da Recorrente com relação aos montantes mantidos pela Diligência (Tabela 27), sob o argumento de que a Fiscalização não comprovou tratarse de mútuo. Ora, a diligência foi feita justamente para separar os montantes transacionados que comprovadamente diziam respeito à operações comerciais, daqueles que não havia documentação capaz de embasar tal fato. Afinal, a própria Contribuinte em seu recurso voluntário assumiu que poderiam haver valores correspondentes a mútuos ali Fl. 1453DF CARF MF 36 registrados, afirmação essa que foi certificada por essa relatora na análise do histórico dos lançamentos no Livro Razão, que registram "mútuos" em algumas passagens. Diferente, portanto, da situação julgada por esse Colegiado no Acórdão 3402 003.018, levantado pela Contribuinte por supostamente militar em seu favor. Explico. Lá a Contribuinte autuada separava suas operações em Contas diferentes (“Mútuo a Receber – Comp Ligadas”, e “Conta Corrente – Comp. Ligadas”). Por essa razão, nesse julgamento, apesar de ter sido exonerada a parte relativa à Conta Corrente já que tratando de processo decorrente de auto de infração, cabe à fiscalização o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fiscal, e a presunção legal da escrituração era favorável à Contribuinte , foi mantida por unanimidade a autuação sobre as operações registradas na Conta “Mútuo a Receber – Comp Ligadas”, justamente porque competia à Contribuinte fazer prova de fato impeditivo, extintivo, modificativo de seu direito (lançamentos no livro razão, empréstimos a ensejar a cobrança de IOF, não o são), conforme o artigo 373 do Código de Processo Civil. Em outras palavras, a Recorrente não foi capaz de demonstrar que inexistem a operações de crédito correspondente a mútuo com outra empresa do grupo econômico sobre a pequena parcela (5%) dos lançamentos que foram mantidos pela diligência fiscal. Esses foram os negócios jurídicos que geraram os débitos e créditos contabilizados na conta corrente contábil da Recorrente e são tais negócios jurídicos – e não a conta corrente contratual em si – que determina a existência de operação de crédito correspondente ao mútuo. Correto portanto o procedimento da Fiscalização de lançar o IOF em relação aos valores contabilizados nas contas. Dessa forma, continua sendo necessário entender que o movimento financeiro ocorreu sem prazo definido e sem valor principal, sendo, portanto, correta a conduta da autoridade lançadora em proceder ao lançamento do IOF sobre a somatória dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, devendo ser mantida essa parte da Autuação. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) negar provimento ao recurso de ofício e ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a atuação fiscal referente ao IOF cobrado sobre os valores constantes na Conta 1210502012001 (empresa controlada All Overseas) e cancelar a cobrança do IOF conforme os valores apurados na diligência de fls 1375 a 1385 (mantendose unicamente a cobrança dos valores constantes da Tabela 27 IOF Ajuste Final 1210502002001 ALL Brasil). Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1454DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.003531/2005-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e, posteriormente, na MP 16, de 2001, convertida na Lei n.º 10.426/2002.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício, por não ser esta objeto de antecipação de pagamento, extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dicção do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrente W. C. MOREIRA MATERIAIS DE CONSTRUCAOME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000, 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e, posteriormente, na MP 16, de 2001, convertida na Lei n.º 10.426/2002. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício, por não ser esta objeto de antecipação de pagamento, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dicção do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 31 /2 00 5- 21 Fl. 54DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fls. 41/44) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 35/37), datada de 28/04/2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0113.712, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2001 (fl. 03) e Ano Calendário 2000 (fl. 11), deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente (fls. 01/02), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. PRÉVIA INTIMAÇÃO FISCAL. No caso de entrega intempestiva da DCTF, mesmo sem prévia intimação fiscal, a multa por atraso na apresentação deve ser mantida. Lançamento Procedente O auto de infração em espécie foi lavrado em 10/06/2005, na DRF Belém, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10280.003531/200521 Acórdão n.º 1002000.083 S1C0T2 Fl. 49 3 2.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 1.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 2.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, requereu a aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar as multas aplicadas. Ponderou, outrossim, que teria ocorrido a decadência do direito de lançar no que se refere as DCTF's trimestrais do ano 2000. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, a despeito de bastante reduzido, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, que pode ser suavizada no processo administrativo fiscal, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. No juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, ver aplicado o instituto da denúncia espontânea ou, então, que fosse reconhecido a eventual decadência quanto as multas derivadas das DCTF's do ano de 2000. Pois bem, no que atine a denúncia espontânea, relativa a entrega extemporânea de declaração, este Conselho já possui enunciado sumular afastando a sua aplicação nos casos de multa por atraso na entrega de declaração, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 Fl. 56DF CARF MF 4 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Quanto a suposta decadência, melhor sorte não lhe assiste. Isto porque, o prazo decadencial para lançamento não havia sido extrapolado. Vejase que o prazo final de entrega da primeira DCTF do ano de 2000 foi em 15/05/2000, enquanto isso o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), dispõe que o direito da Administração Tributária constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o primeiro dia seria em 01/01/2001, sendo o prazo fatal em 01/01/2006, por sua vez, o auto de infração lançou os créditos tributários em 10/06/2005 (fl. 11), dando ciência a recorrente em 12/07/2005 (fls. 28/31). Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Dito isto, ressaltese que a IN SRF 126 exigia a entrega da DCTF a tempo e modo. Ponderese, pela oportunidade, que a referida norma tem como último suporte de validade o art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, de 1988, que enuncia: "Art. 34, § 5.º, Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos § 3.º e § 4.º." Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.003531/200521 Acórdão n.º 1002000.083 S1C0T2 Fl. 50 5 Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Fl. 58DF CARF MF 6 Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10280.003531/200521 Acórdão n.º 1002000.083 S1C0T2 Fl. 51 7 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Fl. 60DF CARF MF 8 Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10280.003531/200521 Acórdão n.º 1002000.083 S1C0T2 Fl. 52 9 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001149/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.371, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 49 /2 00 9- 69 Fl. 417DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 357 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11516.001149/200969 Acórdão n.º 3302000.349 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 419DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 411/4015 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 243 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 243): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11516.001149/200969 Acórdão n.º 3302000.349 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 171/181 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 179 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 421DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nos Pedidos de Ressarcimento PERDCOMP, fls. 01 a 04, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 05 a 59, e nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 82 a 131. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa — SRF no 247, de 21 de novembro de 2002. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 141 a 157, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do PIS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 30, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 138 a 140, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11516.001149/200969 Acórdão n.º 3302000.349 S3C3T2 Fl. 5 7 Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 160 a 162. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 158 a 159, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls.163, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 148 a 164 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Fl. 423DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 424DF CARF MF
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