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Numero do processo: 10410.720195/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-005.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 95 /2 01 1- 09 Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59249DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59250DF CARF MF Processo nº 10410.720195/201109 Acórdão n.º 3401005.004 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720246/2016-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3001-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em lhe negar provimento, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não conheceu do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/02/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em lhe negar provimento, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não conheceu do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 168 1 167 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720246/201657 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.438 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente INTERNATIONAL FIRST SERVICE DO BRASIL LOGISTICA DE TRANSPORTES E CARGAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em lhe negar provimento, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não conheceu do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 02 46 /2 01 6- 57 Fl. 168DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração Do texto agora apreciado, extraise, de sua extensão, trechos que merecem ser trazidos à tona em razão de demonstrar os fundamentos legais e o raciocínio jurídico empreendido para alcançar a devida aplicação das normas em debate. Como fundamento para a aplicação da multa, indica o Art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Extraise destes autos o relato da ocorrência, em data de referência, 22/02/2012, que O Agente de Carga INTERNATIONAL FIRST SERVICE DO BRASIL LOGISTICA DE TRANSPORTES E CARGAS LTDA ME, CNPJ Nº10315060000157, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205028175666 a destempo em/a partir de 22/02/2012 12:26, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205032808848. com atracação registrada em 20/02/2012 08:21. IN 800/2007 SISCOMEX carga A legislação em referência estabelece que o controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades destas em portos alfandegados será processado mediante o módulo chamado Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga Sujeição Passiva A classificação do agente de carga como transportador e da abrangência do termo o agente de carga é legitimada pela IN RFB nº 800, de 2007, no seus arts. 2.º 3°, 4° e 5° Ainda, a fim de reforçar o argumento da viabilidade da sugeição passiva do autuado, o auto de infração faz menção ao conceito de intervenientes aduaneiros, presente no aritgo 76, parágrafo segundo Lei n° 10.833, de 2003, considerase o interveniente as pessoas físicas ou jurídicas citadas no art. 76, § 2° CONHECIMENTO ELETRÔNICO Crava importante conceito ao determinar a natureza jurídica do conhecimento eletrônico demontrando o respaldo regulamentar previsto no artigo 2.º , XI da Normativa RFB n. 800/07. PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 169 3 Conforme a norma estatuiu, o prazo mínimo permitido é de 48 horas anteriores à atracação no porto de destino, via de regra, considerando também prazos excepcionais estabelecidos para algumas rotas. O agente de carga, classificado pela norma RFB em exame como transportador, está obrigado a prestar informação sobre as cargas, informação esta lançada nos documentos eletrônicos gerados a partir da desconsolidação do conhecimento eletrônico máster (submaster), o que as faz pela inclusão dos conhecimentos eletrônicos house no sistema de controle. A realização da desconsolidação deve ser feita, via de regra, até o limite das quarenta e oito horas que antecedem ao registro da atracação no porto de destino, considerando prazos inferiores estabelecidos em rotas de exceção, pois é o porto de referência para este tipo de operação. Se realizada após, o próprio sistema está programado para promover o bloqueio, impedindose o prosseguimento das operações de despacho aduaneiro Impugnação Em sede de sua impugnação, comprova a tempestividade de sua peça e argui pela suspensão da exigibilidade do crédito em razão do artigo 151, III. Denúncia Espontânea Retroavidade benigna da nova redação do artigo 102, parágrafo 2.º DL 37/66 Em sua defesa a recorrente, admitindo haver suposto atraso na prestação das informações, evidencia que, mesmo assim, foram apresentadas anteriormente a qualquer ato fiscalizatório, determinando, assim a ocorrência de denuncia espontânea, e sua possibilidade em matéria aduaneira. Considera indevida a autuação por ter sido a informação prestada antes de qualquer ato de fiscalização, não restando à RFB, nenhum tipo de prejuízo Pugna pela aplicacao do 112 do CTN, no sentido de atrair a norma mais favorável ao contribuinte Existência de Liminar vigente Indica a existência de processo judicial 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite na 14.º Vara Federal de São Paulo, anexando, aos autos, a liminar deferida em 29 6 2015 e sua comprovação ao SINDIMIS. DRJ/SPO A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1675.409 22ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2012 REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. Fl. 170DF CARF MF 4 O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O relatório da decisão de primeira instância, por representar de forma fidedigna os eventos ocorridos, merece ser transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para exigência da multa "por não prestação de informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executar", na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 5.000,00. Conforme relato da autoridade fiscal, para o caso concreto em análise, a perda de prazo pela interessada se deu pela inclusão de conhecimento eletrônico – house em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico, conforme descrito na ocorrência 1. Cientificada da autuação, a interessada apresentou defesa, alegando, em síntese, que: a existência de liminar judicial impede a União Federal de exigir penalidades de empresas associadas à SINDICOMIS/ACTC, como é o caso. mesmo tendo havido atraso na prestação de informações através das retificações efetuadas no sistema, foram anteriores ao início da ação fiscal, o que caracteriza denúncia espontânea. em caso de dúvidas, a aplicação do art. 112 do CTN interpreta a lei tributária favoravelmente ao contribuinte. Preliminar de nulidade em função de decisão judicial Alega a impugnante que o Auto de Infração seria nulo em função da decisão judicial nos autos da Ação Ordinária n° 0005238 86.2015.4.03.6100 da 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Analisando a referida decisão, percebese que ela beneficia a Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) e seus associados. Em nenhum momento a referida decisão judicial beneficiou terceiras empresas, alheias ao referido processo, que se encontrem na mesma situação de fato. Compulsando os autos não encontramos qualquer prova de que a impugnante faz parte do rol de associadas da ACTC. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 170 5 Da interpretação à legislação tributária A afirmação da interessada de que deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que prevê tratamento favorável ao contribuinte em caso de dúvidas não se aplica ao caso uma vez que a penalidade descrita pelo art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, transcrita a seguir, é clara ao dizer que deixar de prestar informação, na forma e prazo estabelecidos, é passível de multa, A impugnante não contesta que a informação sobre a carga foi prestada de forma intempestiva, apenas afirma que prestou todas as informações antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização sobre a mesma. Defende assim a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Conclui a autoridade julgadora: inaplicável a instituto da denúncia espontânea em função da maneira como foi instituída a multa em questão. Recurso Voluntário Repisa os argumentos exposta na impugnação; denuncia espontanea e da interpretação mais favorável ao contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa no Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205032808848. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Denúncia Espontânea ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 172DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL. DOS FATOS CE 151205032808848 Consta dos autos a respeito da data inclusão dos dados no sistema da RFB, o dia 22 02 2012 as 12:26:54. A atracação foi registrada em 20/02/2012 08:21. Fundamento Legal da Multa A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 171 7 CONCOMITÂNCIA Foi apresentado em sede de impugnação, o argumento no qual a recorrente faria parte de sindicato autor de ação com identidade de pedido de causa de pedir. Juntou cópia da sentença que se confirma ao compulsar o sítio do TRF3, seção judiciária de São Paulo, no link <<http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=00052388620154036100>>, e consta com último andamento, a data de 24 / 04 /2018. Com o objetivo de comprovar sua inscrição ao ente ativo do processo judicial, traz aos autos cópia do sitio do SINDICOMIS, com menção ao logo da recorrente, conforme o documento de fls. 60. Ainda, a Recorrente trouxe aos autos, cópia da sentença, da qual se extrai os seguintes trechos, a fim de demonstrar a identidade de conteúdo. PROCESSO: 000523886.2015.4.03.6100 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 29/06/2015 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tratase de ação ajuizada por Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966. Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66. Por se tratar de discussão acerca da multa prevista nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, clarificase a identidade de pedido e causa de pedir entre a ação mencionada e os presentes autos administrativos. Deste forma, dáse o entendimento predominante neste Conselho: Acórdão nº 3402001.780 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Fl. 174DF CARF MF 8 A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Recurso Voluntário Negado. E, também, de acordo com a súmula 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Decido Ante o exposto, reconheço a concomitância dos processos. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO TOTALMENTE do recurso para NEGAR PROVIMENTO em razão da CONCOMITÂNCIA. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Conselheiro Relator do Voto Condutor e concessa venia aos meus pares, que entendem diferentemente, pontuo, desde já, que a presente restringese tão somente à questão atinente ao conhecimento do Recurso Voluntário. Da ementa do acórdão, conforme proposta pelo Relator Transcrevo a respectiva ementa, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 172 9 A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Dos termos do voto condutor Reproduzo os trechos do Voto Condutor que referemse à respectiva matéria, ipsis litteris: (...) Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Denúncia Espontânea (...) ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL. (...) CONCOMITÂNCIA Foi apresentado em sede de impugnação, o argumento no qual a recorrente faria parte de sindicato autor de ação com identidade de pedido de causa de pedir. Juntou cópia da sentença que se confirma ao compulsar o sítio do TRF3, seção judiciária de São Paulo, no link <<http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=0005 2388620154036100>>, e consta com último andamento, a data de 24 / 04 /2018. Com o objetivo de comprovar sua inscrição ao ente ativo do processo judicial, traz aos autos cópia do sitio do SINDICOMIS, com menção ao logo da recorrente, conforme o documento de fls. 60. Ainda, a Recorrente trouxe aos autos, cópia da sentença, da qual se extrai os seguintes trechos, a fim de demonstrar a identidade de conteúdo. PROCESSO: 000523886.2015.4.03.6100 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 29/06/2015 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tratase de ação ajuizada por Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de Fl. 176DF CARF MF 10 penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966. Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66. Por se tratar de discussão acerca da multa prevista nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do ou ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, clarificase a identidade de pedido e causa de pedir entre a ação mencionada e os presentes autos administrativos. Deste forma, dáse o entendimento predominante neste Conselho: Acórdão nº 3402001.780 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Recurso Voluntário Negado. E, também, de acordo com a súmula 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Decido Ante o exposto, reconheço a concomitância dos processos. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO TOTALMENTE do recurso para NEGAR PROVIMENTO em razão da CONCOMITÂNCIA. Dos fundamentos quanto a discordância deste conselheiro Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 173 11 De plano, convém pontuar que no caso destes autos resta evidente que os únicos argumentos traçados pelo recorrente dizem respeito ao tema "Denúncia Espontânea", mantendose absolutamente silente quanto a questão respeitante a um possível vício formal na decisão recorrida, em face de sua não desistência da discussão da matéria em âmbito administrativo. Pelo contrário, embora tratase de matéria preclusa, uma vez que não mais suscitada em sede de Recurso Voluntário, como já dito, apenas para salientar, temse que em sua Impugnação (efls. 47 a 52), o reclamante, naquela oportunidade havia suscitado o cancelamento da penalidade imposta justamente por entender que estava albergado por Liminar deferida em Decisão Judicial. Vejamos, verbis: IV Da existência de Liminar vigente no âmbito da Justiça Federal. VEDANDO a União Federal de exigir penalidades (multas) à empresas associadas ao órgão representativo da classe SINDICOMIS / ACTC. Não bastassem todas as argumentações acima expostas que ensejariam o cancelamento da referida penalidade de plano, ainda há uma liminar judicial vigente, que proíbe a União Federal (Receita Federal do Brasil), de exigir multas e penalidades, inclusive a combatida na presente impugnação: Tratase de ação ajuizada em 12/03/2015, pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (SINDICOMIS / ACTC) em face da União Federal, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação para operar no comércio exterior) aos agentes de carga associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão da ilegalidade das sanções previstas nos artigos 18 e 22 da IN 800/2007 e Ato Declaratório Executivo COREP nº 3 de 2008, bem como da possibilidade de reconhecimento de denúncia espontânea, nos termos do u ainda em do artigo 102, 2º, do Decretolei 37/1966, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, Processo nº 0005238 86.2015.4.03.6100, que tramita pela 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo/SP. Nos autos do referido processo judicial a liminar foi deferida na data de 29/06/2015, onde foi determinada judicialmente, que a UNIÃO FEDERAL se abstenha de cobrar tais penalidades de multas, de todas as empresas associadas da ACTC / SINDICOMIS, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, o que ocorre exatamente na presente impugnação. Liminar vigente. Sendo a ora impugnante INTERNATIONAL FIRST SERVICE DO BRASIL LOGÍSTICA DE TRANSPORTES CARGAS LTDA.ME, associada da ACTC / SINDICOMIS, autora daquele processo, possui sobre si, os efeitos de tal decisão que lhe garante juridicamente o não recebimento de tal penalidade. Fl. 178DF CARF MF 12 Desta forma, a aplicação desta penalidade pela RECEITA FEDERAL, ainda está claramente desacatando ordem judicial; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Faço questão de prestar esse esclarecimento preliminar, pois em processos recentes em que fui o Relator, a exemplo do Processo 15771.727118/201439 (Acórdão 3001 000.389), suscitouse questão semelhante, com o diferencial que nestes referidos processos, diversamente do que aqui observase, o recorrente reafirmou seu interesse, independentemente da existência de ação coletiva que o albergava, na manutenção da discussão da matéria em âmbito administrativo, ocasião em que, por razões diversas da chegada no presente Voto Condutor, conclui pelo conhecimento das questões de mérito do feito administrativo, ainda que tivessem sido suscitadas também, pela entidade de classe, perante o Poder Judiciário. É o que expressa a ementa da citada Decisão, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/11/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Ultrapassados esses esclarecimentos preliminares, retornando para minhas razões de divergência, entendo que não há como juridicamente, em face da legislação de regência, harmonizar o conhecimento integral do presente Recurso Voluntário com o entendimento esposado no sentido de que no caso sob exame ocorreu a concomitância, em face da identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Explico. Uma vez que tais alegações, de mérito, já foram submetidas ao Poder Judiciário, não cabe a sua apreciação pelas Instâncias de Julgamento Administrativo, cabendose tão somente aguardar a decisão definitiva a ser proferida naqueles autos judiciais. Sobre essa questão o Parecer Normativo Cosit 07 de 2014, cuja ementa transcrevo, é suficientemente esclarecedor, verbis: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201657 Acórdão n.º 3001000.438 S3C0T1 Fl. 174 13 A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Conforme vêse, ao submeterse determinada matéria à apreciação judicial, em regra, o interessado, ao pretender ver tal ser discutida administrativamente está a desprezar o princípio da unicidade de jurisdição, orientador do sistema jurídico pátrio, na medida em que vinculouse ao deslinde do feito a ser proferido pelo órgão judicante, pois o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 atribui ao poder judiciário o monopólio estatal de dizer o direito no caso concreto; noutros termos, infirmando a competência administrativa para decidir de modo diverso. Com efeito, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Em suma, a opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitantemente à esfera administrativa, torna completamente estéril, pois, a discussão em âmbito não jurisdicional. Não havendo, pois, como conhecerse do Recurso Voluntário, quanto as questões submetidas ao Poder Judiciário, e, ao mesmo tempo concluir que estáse diante de caso típico de concomitância, em face da identidade do pedido e a causa de pedir do processo administrativo e judicial. É como penso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000683/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 01/05/2004
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE.
A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento.
Numero da decisão: 9202-006.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 01/05/2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE. A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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INEXISTÊNCIA. CONSTAM TODOS OS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA O LANÇAMENTO, COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO INFORMADAS PELO CONTRIBUINTE. A NFLD com todos os seus anexos contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado, a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi o próprio contribuinte que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 06 83 /2 00 8- 67 Fl. 612DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 02/705/2006, proferido pela então Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social em 29/03/2007 (fls. 292/299), interpôs pedido de UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA, nos termos do art. 63 do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria n° 88 de 22/01/200, fls. 465/476. EMENTA 'PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM IDÊNTICO 'ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA JUROS E • MULtA, MdRATÓRIA EM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CUJA EXIGIBILIDADE ENCONTRASE SUSPENSA. Depósitos' judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do • implemento do depósito. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO PARCIALMENTE NA PARTE CONHECIDA. Dessa forma, certificado o cabimento do presente recurso, em face do entendimento emanado pelo decisum recorrido, contrario, em diversos aspectos, à interpretação proferida pela Camara de Julgamento do CRPS, devendo o mesmo ser recebido e, posteriormente, julgado procedente pelo Conselho Pleno, anulando, assim, a decisão a quo, ou reformandoa para ser reconhecida a necessidade de serem devidamente expostas as bases de cálculo, aliquotas e fatos geradores d contribuições no comprovado inepto lançamento fiscal, reconhecendose, neste o, a nulidade da NFLD. Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias (artigo 4º), prevê que os recursos com base no inciso II do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Insurgese o contribuinte contra a decisão da Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social que deu provimento parcial ao recurso para excluir do levantamento os acréscimos legais (juros e multa) em face dos depósitos judiciais que foram efetuados tempestivamente pela notificada, considerando que pedira a anulação da NFLD pelo fato de ter o auditor notificante lançado diretamente os valores de contribuição apurados pela contribuinte (os depositados em juizo) em lugar de apurar os valores devidos, demonstrando as bases de cálculo e a aplicação da alíquota. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao SEBRAE. O período do presente levantamento abrange as competências março de 2001 a maio de 2004. Os valores ora lançados estão sendo depositados judicialmente. Decidindo o recurso voluntário o CRPS não reconheceu razão a essa alegação, indeferindo, pois tal pedido de anulação da NFLD. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 613 3 A contribuinte então pede uniformização de jurisprudência transcrevendo vários acórdãos da então 4ª Câmara do CRPS em que, segundo ela, a exigência da demonstração das bases de cálculos e da aplicação da aliquota foi tida como condição da validade do lançamento. As fls. 477/566 junta os acórdãos paradigmáticos. Dos votos da Ilma. Relatora Sandra Regina Macedo destacamse os seguintes ensinamentos. Vejam: "CONSIDERANDO que a NFLD Notificaçdo Fiscal de Lançamento de Débito é clara, informando, por competência, o saláriodecontribuição encontrado, a contribuição dos segurados, as deduções de saláriofamília, bem como a fonte onde foram obtidos tais valores (Relatório de Fatos Geradores), trazendo no Discriminativo Analítico de Débito, por competência, os valores de saláriodecontribuição, de segurados, do SAT, de Terceiros e de Deduções, com as respectivas aliauotas aplicadas discriminadas ao lado desses lançamentos, informando, ainda, os valores recolhidos e as diferenças apuradas, juntamente com o código de fundamentação legal, o qual está minuciosamente detalhado no Relatório de Fundamentos Legais do Débito, trazendo os valores de juros e multa com os respectivos códigos de fundamentação legal; CONSIDERANDO que a leitura desatenta da NFLD, por parte da notificada, não caracteriza cerceamento de defesa, sendo improcedentes suas alegações nesse sentido."( 4a CAJ Camara de Julgamento; Acórdão n.° 533/2003; Protocolo do Recurso n.°: 37177.001015/200147; Relatora Sandra Regina Gomes da S. Macedo) Do voto do Relator Fabio Pereira Fonseca Aires tem se o seguinte entendimento: "Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo o recurso e comprovado o recolhimento de depósito recursal, passo, então, ao exame das alegações da recorrente. Preliminarmente, quanto ao cerceamento de defesa pela ausência de discriminação do cálculo do débito constituído, razão não assiste a recorrente. No relatório fiscal de fls. 25/27, há informações detalhadas sobre as contribuições • lançadas, fatos geradores e bases de cálculo apuradas e ás fls. 28/31 foi juntada planilha identificando as ações trabalhistas e valores das sentenças e acordos considerados. As aliquotas aplicadas estão especificadas no Discriminativo Analítico de Débito de fls. 04/07. "(4a CAJ Camara de Julgamento; Acórdão n.° 669/2006; Protocolo do Recurso n.°: 37172.000008/200527; Relator: Fábio Pereira Fonseca Aires) No mesmo sentido, admitindose a necessidade de serem identificadas as aliquotas, bases de calculo e fatos geradores na Notificação Fiscal, pronunciou em seus votos a Ilma. Relatora Hilda de Oliveira Ramalho: Fl. 614DF CARF MF 4 "Considerando que a alegação da Recorrente de ter a notificação sido lançada com preterição do direito de defesa é improcedente, pois temos o fato gerador das contribuições devidas; a base de cálculo das contribuições; as ali uotas a ilicadas para o cálculo das contribuições a cargo da empresa e as dest das a terceiros e Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 614 5 Fl. 616DF CARF MF 6 Por fim requer a NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em Contrarrazões a Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Estão presentes os requisitos para a interposição de pedido de uniformização de jurisprudência. Inicialmente, registrase que se trata de Pedido de Uniformização de Jurisprudência interposto contra acórdão da Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social recebido pelo CARF como Recurso Especial, conforme despacho nº 1300336/2013. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.000683/200867 Acórdão n.º 9202006.938 CSRFT2 Fl. 615 7 O crédito em discussão referese ao lançamento relativo às contribuições para Terceiros – SEBRAE, devida no período de 03/2001 a 05/2004, cujos valores encontramse depositados judicialmente. Conforme Relatório da Notificação de Lançamento de Débito, o lançamento fiscal em discussão visou à prevenção da decadência, uma vez que as contribuições lançadas são “objeto de discussão judicial através do processo judicial nº 2000.38.00.0313540 da 10ª Vara da Justiça Federal com os valores, objeto desta NLFD, depositados em juízo”. A Segunda Câmara do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os acréscimos legais, em face dos depósitos judiciais. Irresignada insurgese contra tal decisão afirmando que NFLD é nula, pelo fato de ter o auditor notificante lançado diretamente os valores de contribuição apurados pela própria contribuinte (os depositados em juízo) em lugar de apurar os valores devidos, demonstrando as bases de cálculo e a aplicação da alíquota. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Outrossim, o art. 63 da Lei nº 9.430/96, autoriza que em casos como esses o Fisco proceda ao lançamento de ofício, visando prevenir a decadência do crédito tributário. Nesse sentido, Alberto Xavier na obra “Do Lançamento: Teoria do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, pág. 428, leciona, verbis: “A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo do lançamento, decorrente da atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o deposito, nem a liminar em mandado de segurança têm eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poder dever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito.” Outrossim, quanto à alegação de nulidade da NFLD melhor razão não assiste à recorrente. Cabe ressaltar que ao contrário do que afirmou a impugnante, a NFLD com todos os seus anexos, o Relatório Fiscal, contem discriminação clara e precisa do fato gerador, bem como informam que o valor lançado foi aquele obtido das folhas de pagamento elaboradas e apresentadas pela empresa à Auditoria da Previdência, sendo de seu total conhecimento a base de cálculo e a alíquota utilizada para o levantamento da respectiva contribuição devida, uma vez que foi a própria impugnante que informou a base de cálculo em sua folha de pagamento. Fl. 618DF CARF MF 8 Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, o auto de infração e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Ante o exposto, conheço o Recurso Especial do Contribuinte para no mérito, NEGARLHE seguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721297/2011-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 100 1 99 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10860.721297/201135 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.848 – 2ª Turma Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE RODRIGUES DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 12 97 /2 01 1- 35 Fl. 100DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62A do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões e, na oportunidade, interpôs recurso ao qual foi negado seguimento por ausência de preenchimento dos requisitos formais. É o relatório. Voto Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10860.721297/201135 Acórdão n.º 9202006.848 CSRFT2 Fl. 101 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos passarmos ao mérito, julgo necessário que este Colegiado faça uma reanálise quanto ao cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recurso. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva o critério de apuração do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. Me refiro ao fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Fl. 102DF CARF MF 4 Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre decisão ainda não existente no mundo jurídico, entendo que estamos diante de situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001920/2002-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997, 01/07/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
A decisão embargada deve registrar:
Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN artigo 173, inciso I.
Numero da decisão: 9303-006.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303-004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A decisão embargada deve registrar: “Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 20 /2 00 2- 47 Fl. 865DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela SADIA S.A contra o Acórdão nº 9303004.249, de 14 de setembro de 2016, fls. 820 a 8251, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997,01/07/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Consta do respectivo acórdão: · Devese ler: Não constatei nenhuma forma de pagamento no restante dos períodos base lançados o que torna alcançáveis os períodos base setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998, com amparo no art. 173,I do CTN. Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 866 3 A Recorrida, ora Embargada, interpôs Recurso Especial de divergência objetivando a reforma do Acórdão proferido pelo então 2° Conselho de Contribuintes em razão, entre outros, da aplicação do prazo decadencial previsto pelo CTN artigo 150, 4° em detrimento do CTN artigo 173, inciso L. Ao apreciar o Recurso Especial de divergência, entretanto, o v. Acórdão de fls. 644/666 deu parcial provimento ao recurso especial para determinar a aplicação da contagem do prazo decadencial com base no CTN artigo 174, inciso I. Em razão do flagrante erro material, a ora Recorrida/PGFN opôs embargos de declaração visando a correção e ou saneamento do equívoco incorrido para constar a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN ao invés do artigo 174, I do mesmo diploma legal. Ocorre que, ao acolher os embargos de declaração opostos pela Recorrida, o v. Acórdão ora embargado, por unanimidade, afastou a decadência do período de setembro/1996 a dezembro/1998 com base na seguinte premissa: a aplicação do artigo 173, inciso I do C IN afastaria a decadência relativa à cobrança do período de setembro/1996 a dezembro / 1998. Os Embargos foram admitidos conforme despacho de fls 861. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Os Embargos Declaratórios são tempestivos e apontam a contradição, merecendo ser conhecidos. O voto condutor da decisão embargada registra que tratam os autos de “...auto de infração lavrado em 18/09/2002, por falta de recolhimento do PIS nos períodos de 07/96 a 12/96 e 07/98 a 09/98 e 11/98. “ (fls. 821). Na verificação da ocorrência de Fl. 867DF CARF MF 4 decadência, aplicou expressamente a regra do art. 173, inc. I, do CTN, com o seguinte resultado (fls. 824, sublinhado no original): (...) Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. (...) Ora, tomando o período de apuração mais remoto, setembro de 1996 – o dies a quo do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 01/01/1997. O mesmo vale para os PAs de outubro e novembro de 1996 (o termo inicial do prazo decadencial do fato gerador ocorrido em 31/12/1196 é 01/01/1998, já que o lançamento só poderia ser efetuado depois do vencimento da obrigação, em meados de janeiro de 1997). O direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nesses períodos de apuração decaiu, portanto, em 01/01/2002, antes da lavratura do Auto de Infração de que se trata, em 18/09/2002. Ou seja, em se aplicando o prazo decadencial de que trata o CTN em seu artigo 173, inciso I, o termo a quo do prazo quinquenal 'T do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", referentes às cobranças dos fatos geradores objeto dos períodos de setembro/1996 a dezembro/1996, teria início em 01/01/1997, encerrandose em 31/12/2001. Nesse sentido, é equivocada a premissa fática de que a aplicação do prazo decadencial do CTN artigo 173, inciso I afastaria a decadência das cobranças objeto do período de setembro/1996 a dezembro/1998. Dessa forma, afigurase como essencial a correção do erro material e consequente eliminação da contradição apontada a fim de que seja retificada a parte dispositivo v. Acórdão para que seja reconhecida a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes para reretificar o acórdão embargado, a fim de sanar o erro material nos termos acima expostos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 867 5 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 869DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003905/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO
PRESUMIDO/ARBITRADO.
O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa
foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1301-000.578
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO PRESUMIDO/ARBITRADO. O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO PRESUMIDO/ARBITRADO. O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 280 2 Relatório CONTENPLAC INDÚSTRIA DE COMPENSADOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR. Trata a lide de Pedido de Restituição (fl. 01), protocolizado em 30/03/2007, mediante o qual a interessada pleiteia a restituição de R$ 790.639,48, alegadamente pagos a maior a título de IRPJ sobre o Crédito Presumido de IPI de que tratam as Leis nº 9.363/1996 e nº 10.276/2001, “posto que estes créditos foram adicionados integralmente a base de cálculo presumida do IRPJ e CSLL no regime de tributação do Lucro Presumido/Arbitrado” nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. Seu principal argumento é de que os valores do ressarcimento do IPI, registrados como recuperação de custos, não se constituiriam em receita, não sendo também alcançados pela legislação do imposto de renda e da contribuição social. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR) os indeferiu, mediante o Despacho Decisório de fls. 86/89, por concluir que os valores relativos ao ressarcimento do IPI não seriam dedutíveis da base de cálculo dos tributos aqui discutidos. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 118/123), trazendo argumentos que foram assim resumidos pelo ilustre relator do processo, em primeira instância: 6. O art. 53 da Lei nº 9.430/96 expressa categoricamente sobre os valores recuperados com ressalva de sua não incidência quando o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido no período a que se refere a origem dos valores recuperados. 7. Além disso, o STF limita o conceito de faturamento para atingir tão somente a venda de mercadorias e serviços, excluindo quaisquer outros ingressos, inclusive excluindo a recuperação/ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, para qualquer forma de apuração do lucro, real, presumido ou arbitrado. Colaciona a decisão do STF no RE 346.0846/PR. 8. Deve ser aplicada a taxa Selic na restituição em razão de pagamento indevido, conforme o art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95, e do art. 52 da IN SRF n° 600/2005. 9. Por fim, requer o deferimento do Pedido de Restituição, corrigido pela taxa Selic. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0625.579, de 25/02/2010 (fls. 235/237v), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 281 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. As receitas relativas ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins sofrem tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ciente da decisão de primeira instância em 10/03/2010, conforme documento de fl. 239, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 19/03/2010 (registro de recepção à fl. 241, razões de recurso às fls. 241/249), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: • A recorrente reclama que o acórdão recorrido em nenhum momento se teria manifestado sobre seu “principal alicerce”, o acórdão nº 10196.877, em caso que entende similar ao seu. Sustenta que aquela decisão, por ela colacionada, se teria espelhado no art. 53 da Lei nº 9.430/1996, “que prevê a ressalva para as empresas que apuram o Lucro na modalidade de Lucro Presumido ou Arbitrado, em não adicionar valores recuperados para determinação da apuração do Imposto de Renda”. • Acrescenta que o embasamento legal mencionado no acórdão combatido não guarda relação com a matéria discutida, e que meras instruções normativas ou instruções de preenchimento de declarações não se poderiam sobrepor a lei específica versando sobre o assunto. • Invoca jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região, no sentido de que o ressarcimento do crédito presumido do IPI não se constitui em receita da empresa, mas tão somente incentivo fiscal destinado a desonerar as exportações. • Faz acostar aos autos cópias de recibos de entrega de suas DIPJ, com as quais pretende comprovar que, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, apurou seu lucro sob o regime do lucro arbitrado. • Reitera as razões acerca da incidência da taxa Selic sobre as restituições aqui pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 282 4 Preliminarmente, cabe observar que o recurso voluntário, na trilha do que já havia acontecido por ocasião da manifestação de inconformidade, não alcança a totalidade do direito creditório pleiteado. É que, ao longo do processo, toda a argumentação do contribuinte se dirige para o IRPJ incidente sobre os valores ressarcidos de créditos presumidos de IPI originários da Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/2001. Isto se torna especialmente claro diante da leitura do pedido original (fls. 02/17), em que nenhum outro tipo de crédito é mencionado. Não obstante, no demonstrativo de fl. 26, aparecem valores, entre aqueles adicionados no quarto trimestre de 2004, que correspondem a outras rubricas, identificadas simplesmente como “conta gráfica”, nos montantes de R$ 16.208,40, R$ 19.439,43, R$ 78.300,00, R$ 144.358,47, R$ 106.000,00, R$ 79.746, 96 e R$ 46.000,00. O exame de outros documentos acostados ao processo (por exemplo, fls. 209, 201, 220, 224, 230) leva ao entendimento de que se trataria do direito de manutenção do crédito de IPI incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei nº 491/69, art. 5º e Lei nº 8.402/92, artigo 1º, inciso II). Embora tais valores estivessem contidos no pedido original de R$ 790.639,48, o fato é foram negados pela DRF Curitiba, e a manifestação de inconformidade sobre eles silenciou, não se estabelecendo o litígio. Corretamente, também a DRJ Curitiba deixou de abordar o assunto e, mais uma vez, o contribuinte, em seu recurso voluntário, não teceu qualquer comentário sobre essa matéria. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Ainda que houvesse sido trazida à baila no recurso voluntário (e não o foi), descaberia sobre ela qualquer apreciação. Passo então à análise do recurso voluntário interposto, o qual discute o direito creditório decorrente da incidência (equivocada, no entender da interessada) do IRPJ sobre os créditos presumidos de IPI. Tais créditos, que teriam sido erroneamente adicionados à base de cálculo do imposto, totalizam R$ 467.961,18 (1º trimestre de 2002); R$ 228.912,23 (2º trimestre de 2002); R$ 270.245,26 (3º trimestre de 2002); R$ 291.385,85 (2º trimestre de 2003); e R$ 1.414.000,15 (4º trimestre de 2004). Conforme se pode depreender do relatório que antecede a este voto, a lide gira, em última análise, em torno da natureza do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/1996, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos a serem utilizados no processo produtivo de produtos a serem exportados. No bojo da discussão se encontra também a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) sobre esses valores. A discussão sobre a natureza desses créditos não é nova, e tem gerado manifestações e decisões não uniformes. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, filiome à corrente que entende que se trata da recuperação de custos anteriormente incorridos, ainda que por presunção legal. Para minha convicção é decisiva a disposição expressa da lei que instituiu o benefício, no sentido de que o crédito constitui ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos. Não se poderia cogitar de ressarcimento se não estivesse o custo dos insumos onerado pelas contribuições. Firmado esse ponto, a aplicabilidade do art. 53 da Lei nº 9.430/1996, invocado pela recorrente, é indiscutível. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 283 5 A questão foi abordada de forma clara e objetiva no acórdão nº 110300.3591, no excerto que transcrevo a seguir. Embora naquela oportunidade se cuidasse de CSLL, o raciocínio é integralmente aplicável também ao IRPJ. Quanto à questão de mérito, se analisado o mecanismo criado pela Lei nº 9.363/96, inferese que este objetiva o ressarcimento de parcela dos custos, correspondente ao acréscimo aos preços, pelo fornecedor, que repassa os encargos de PIS e COFINS incidentes sobre as vendas por ele efetivadas. É o que se infere do art. 1º, que diz: Art 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo (grifei) Diante disso, por se tratar de recuperação de custos, o art. 53 da Lei nº 9.430/96 (art. 521, § 3º, e 536, § 3º, do RIR/99) é categórico quanto à tributação, ou não, pela CSLL, dessa rubrica, com definição, no caso, favorável ao pleito da recorrente: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram ao período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Portanto, conforme se infere do artigo acima reproduzido, associado à definição, quanto à natureza do beneficio concedido, fornecida pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96, não existe espaço para outra interpretação que autorize contornar a determinação direta contida na ressalva do art. 53, suso reproduzido, de que as recuperações de custos não integram o lucro presumido ou arbitrado, isto quando as recuperações se refiram a períodos em que foram adotadas tais formas de tributação. Observo que o reconhecimento da natureza da rubrica como recuperação de custos não implica, de forma automática, sua não tributação pelo IRPJ. Ao contrário, o raciocínio contábil leva ao entendimento, confirmado pelo artigo 53 acima reproduzido, de que a regra é a da incidência tributária. Senão vejamos: No momento da aquisição dos insumos, no valor pago pelo adquirente se encontram embutidos, ainda que por presunção da lei, as contribuições pagas nas etapas anteriores da cadeia produtiva. O valor da aquisição, assim majorado, é levado inicialmente a débito de estoques e posteriormente transferido para a conta de resultado representativa dos custos. Desta forma, o resultado contábil apurado é reduzido. Se esse resultado contábil é o ponto de partida para o resultado tributável (lucro real), então este também é reduzido. Em caso 1 Processo nº 10980.003912/200785, Acórdão 110300.359, de 11/11/2010. Relator Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 284 6 contrário (lucro presumido ou arbitrado, baseado somente nas receitas), o resultado tributável não sofre alteração. Em um segundo momento (geralmente, em outro período de apuração), ao obter, amparado na lei, o ressarcimento de parte do custo dos insumos, não é mais possível fazer o ajuste nos custos, anteriormente levados à apuração de um resultado já encerrado. O crédito correspondente é feito, então, em conta de resultado e, aqui, pouco importa sua natureza, desde que o resultado contábil restará majorado. Não tenho dúvidas de que, em se tratando de contribuinte tributado com base no lucro real, o resultado tributável será também majorado, de forma a equilibrar a redução no período anterior. Se, por outro lado, a tributação for feita com base no lucro presumido ou arbitrado, impõese a adição à base de cálculo, ressalvadas as situações excepcionadas pelo anteriormente mencionado art. 53 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, as situações que não conduziram, no período anterior, à redução do resultado tributável. No caso concreto, as adições feitas pelo contribuinte, correspondentes aos créditos presumidos de IPI, ocorreram no primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano calendário 2002, no segundo trimestre do anocalendário 2003 e, ainda, no quarto trimestre do anocalendário 2004 (vide demonstrativo à fl. 26). Nesses períodos, sua tributação foi feita com base no lucro presumido (anoscalendário 2002 e 2003) e no lucro arbitrado (anocalendário 2004), conforme se verifica nos documentos de fls. 251/258. Por outro lado, os créditos se referem à recuperação de custos incorridos na aquisição de insumos nos quatro trimestres dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 e, ainda, no primeiro trimestre do anocalendário 2003, conforme se depreende do demonstrativo de fl. 26 e dos demais documentos acostados ao processo. Em todos esses anos o contribuinte foi tributado com base no lucro presumido, pelo que se revela descabida a adição à base de cálculo do imposto dos valores do crédito presumido de IPI. Quanto ao pleito referente ao acréscimo de juros SELIC aos valores a serem restituídos, tenhoo por inócuo, desde que essa incidência é definida por lei (art. 39 da Lei nº 9.250/1996) e não consta que haja qualquer litígio ou dúvida a esse respeito. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, reconhecendo ter sido indevida a adição da recuperação de custos em foco (Crédito Presumido de IPI) à base de cálculo do IRPJ. Em decorrência, reconheço como indevido o imposto incidente sobre tal acréscimo à base de cálculo, o qual deve ser restituído, após confirmação dos pagamentos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 285 7 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.000636/2010-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007
EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO.
Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas.
Numero da decisão: 1003-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO. Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 36 /2 01 0- 04 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão DRJ/FNS nº 07 31.941, de 11.07.2013, da 5ª Turma DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Por economia processual e por entender estar bastante detalhado, utilizarei o relatório elaborado pela primeira instância administrativa, conforme abaixo: I DA REPRESENTAÇÃO FISCAL Tratase da exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, mediante o Ato Declaratório Executivo – ADE n° 14, de 23 de fevereiro de 2010, em face da CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS (inciso IV, artigo 14 da Lei n° 9.317/96, de 05 de dezembro de 1996, e inciso IV, artigo 23 da IN SRF 608/06) e, conseqüentemente, por incidir na vedação imposta pela alínea f, inciso XII, artigo 9º da referida lei (CESSÃO OU LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA). Consoante o Termo de Representação Fiscal, a ação fiscal foi desenvolvida nas empresas Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. – ME, ora Excluída, e Vale Norte Industrial Mercantil Ltda. (CNPJ nº 02.682.551/000108), onde foram identificadas situações que corroboram com o referido ADE, as quais passo a relatar, resumidamente, a seguir: a) com base nos contratos sociais das empresas, e alterações posteriores, constatase o uso do mesmo espaço físico pelas empresas e que o objeto social das duas se completam desde o início de suas atividades “Comércio Atacadista de Madeira; Representações de Madeiras e Compensados; Desdobramento de Madeira; Fabricação de Madeira Laminada e de Chapas de Madeira Compensada ou Aglomerada e Fabricação de Portas de Madeira”. b) inferese do quadro de pessoal que a Interessada opera com locação de mão de obra, tendo em vista que, até 2007, a Vale Norte não possuía nenhum segurado sob seu registro. c) verificase que a totalidade da atividade é feita pela Vale Norte, sob a direção do casal Wilfried e Eliana: a administração, o atendimento, o financeiro, o acabamento, a produção (a serra de toras era dentro da empresa mãe até meados de 2007), o expediente, a execução do serviço, compra e venda de mercadorias, almoxarifado, estoque de mercadoria acabada, transportes etc.. d) constatase que a Excluída utilizada imóvel, equipamentos, máquinas e meios de transportes de propriedade da Vale Norte por meio de comodato contrato de cessão gratuita de uso (...).O contrato de aluguel somente teve início em 2010 com a presença Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 4 3 fiscal, ainda assim, apenas do terreno e da construção pré moldada. As ferramentas para a execução do trabalho continuam incluídas no contrato de cessão gratuita de uso. e) concluise que o faturamento da Pinheiro é basicamente para pagar a sua folha de pagamento e os seus encargos. Enquanto isso a Vale Norte que encaminha toda a matéria prima através de uma nota de remessa para industrialização da Defendente, ficou apenas com os custos sobre o prólabore de seus dois administradores. Em outras palavras, o que se constata é a simulação de terceirização de mãodeobra, quando da criação da Excluída no regime simplificado de tributação, e a existência de grupo econômico controlado pela Vale Norte. f) verificase que, apesar de ter empregado registrado em 2002, a Pinheiro não teve movimentação financeira sequer para pagar os seus empregados. g) da analise nos livros contábeis apresentados pela Pinheiro não foram constatados lançamentos de custos e despesas necessários (ou imprescindíveis) ao desenvolvimento de suas atividades como energia elétrica, água, telefone etc. Mesmo com a criação de novo parque industrial (a serraria em 2007), a Vale Norte continua pagando a conta de luz em seu nome. Tal fato demonstra que os custos das empresas se confundem e que o controle contábil da Interessada é meramente figurativo. h) constatase que a Excluída depende 100% da Vale Norte, visto que em sua contabilidade não há registros com encargos, despesas com luz, água, telefone, matéria prima, aquisição de ativo imobilizado, existem apenas lançamentos com notas de remessa para industrialização, emitidas pela Vale Norte. i) a Vale Norte, através de seus administradores, nomeia seus próprios familiares procuradores com poderes ilimitados para gerir seus negócios e movimentar contas bancárias. (vide procurações). Após todas as constatações, a autoridade fiscal concluiu que as empresas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, evidenciado pela unicidade de comando exercida pelos representantes legais da Vale Norte, Srs. Wilfried Prachthauser e Eliana Prachthauser, e pela UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS (seus filhos), que não os verdadeiros donos, na formação do quadro societário da empresa Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. ME. Bem como, que a conduta foi tomada com intuito de afastar a incidência das contribuições previdenciárias (cota patronal) da empresa Pinheiro, por meio da opção indevida pelo SIMPLES FEDERAL, no período de 01/2002 e 06/2007, motivo pelo qual deve ser vedada a sua permanência na sistemática de arrecadação simplificada. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 5 4 II DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada da exclusão, a Interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, por meio de procurador legalmente constituído, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir sintetizadas: Esclarece que os argumentos que motivaram a expedição do ADE nº 14, de 23 de fevereiro de 2010, não coadunam com a realidade, posto que não foi constituída por interposta pessoa, tampouco realiza operação de prestação de serviços de locação/cessão de mãodeobra. Prossegue contrapondo, por tópico, os fatos levantados pela autoridade fiscal, como segue: 1. DA REALIDADE FÁTICA Nesse tópico a Interessada aborda questões como: composição societária, sede e objeto social das empresas e os verdadeiros motivos que conduziram a sua constituição; inexistência de transferência de empregados, de simulação de terceirização e de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas; dos custos e despesas da atividade e da administração e gerenciamento financeiro. Diz que, embora a autoridade fiscal tenha relatado com exatidão a sequência com que se deu a alteração formal da participação no capital social, os argumentos de que se utilizou não são hábeis a caracterizar constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco formação de grupo econômico de fato. Discorre, ampla e exaustivamente, sobre os motivos que levaram a sua constituição, tais como: a) os atuais sócios da manifestante entenderam que seria interessante que ambas as empresas funcionassem próximas uma da outra, não só porque os custos (especialmente com transporte de mercadorias) seriam menores, mas, também, porque, em sendo assim, o auxilio do Sr. Wilfried seria mais efetivo e constante. Por isso se instalou nas proximidades da Vale Norte Ltda. b) no ano de 2007, então, o seu sócio menor de idade, Felipe Anel Prachthauser, atingiu a idade de 20 (vinte) anos e como já se sentia preparado para, juntamente com sua irmã, administrar a Excluída, o Sr.Wilfried deixou a sociedade, embora até os dias atuais permaneça auxiliandoos. Nesse mesmo ano ampliou suas atividade para atender a demanda que provinha da Vale Norte. c) dado que não dispunha de recursos suficientes para adquirir maquinários necessários para executar as suas novas atividades, a Vale Norte emprestou gratuitamente não só equipamentos como também, móveis, utensílios de escritório e um espaço maior para sua nova sede. Segue reforçando a tese de que a forma de composição do quadro societário e, bem assim, as alterações da sede e do objeto social da peticionaria (Pinheiro Indústria de Madeiras Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 6 5 Ltda. ME) e da empresa Vale Norte Industrial Ltda. não são circunstâncias capazes de caracterizar eventual constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco fraude/subterfúgio no intuito de ludibriar o fisco, sobretudo porque, como visto, a criação da primeira (ou seja, da peticionária) é fruto único do auxilio que o Sr.Wilfried e sua esposa Eliana deram e continuam dando a seus filhos, os quais compõem o seu quadro societário. Esclarece cada uma das situações que podem resultar em grupo econômico, a fim de provar que nenhuma das empresas participa no capital da outra, tampouco exerce o controle da outra. Discorda da autoridade lançadora quando afirma que o objeto social das duas empresas é semelhante, porque foi criada por sócios com a finalidade de prestar serviços à Vale Norte. Assevera que as empresas não foram constituídas no mesmo pátio, mas, sim, próximas uma das outras para facilitar o auxílio prestado por seus pais Wilfried e Eliana (sócios da Vale Norte), e nem executam suas atividades no mesmo pátio, posto que a atividade de uma é diferente da outra. Contesta a alegação de que houve transferência de empregados da Vale Norte apenas porque ela possui mais empregados e, também, não concorda com informação de que parte de seus empregados trabalha na Vale Norte. Esclarece que desde o inicio de sua constituição presta serviços à Vale Norte, os quais antes eram executados por ela própria. O que implicou na admissão de grande parte dos empregados dispensados da Vale Norte, porque eles possuíam muita experiência no que faziam. Frisa que essa situação não comprova a formação de grupo econômico ou a utilização de interposta pessoas. Aduz que, esporadicamente, alguns dos seus empregados ingressam no estabelecimento da Vale Norte para a realização dos serviços contratados com a Excluída. Reforça que não existe relação de subordinação na prestação de serviços realizada por seus funcionários na sede da Vale Norte, razão pela qual não há que se falar em locação de mãodeobra. Prossegue afirmando a inexistência dos requisitos legais para caracterização de locação de mãodeobra. Discorda dos argumentos apresentados pela fiscalização que deram suporte ao Ato de Exclusão, e que, por consequência, lastrearam o presente auto de infração, por entender que são insuficientes, inexistentes e não encontram guarida na legislação. Fala sobre o mercado e a crise econômica a fim de justificar o seu baixo faturamento. Sustenta que o fato da Vale Norte ser seu principal cliente não pode caracterizar fraude/simulação de serviços terceirizados, posto que é uma situação comum entre diversas empresas no país. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 7 6 Registra que foi criada com a ajuda de seus pais porque não desfrutava de experiência, capacidade e estrutura suficientes para competir com empresas do mesmo porte. Afirma que se presta serviço para Vale Norte para o qual foi contratada –recebendo a matéria prima e transformando em produto industrializado — não há que se falar em simulação, pois “tal não implica conferência ou transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem, declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, tampouco pósdatação ou antedatação de documentos”. Diz que as benesses que recebem da Vale Norte decorrem da relação de parentesco existente ente os sócios das empresas, e se justificam dado o desejo de seus pais (sócios da Vale Norte) em auxiliarem os seus filhos (sócios da Excluída) na edificação e constituição de seu próprio negocio. Reforça que a sua administração não se confunde com a da Vale Norte, ainda que receba auxílio informal de seus pais (sócios da Vale Norte), haja vista tratarse de pessoas jurídicas distintas, sem dependência hierárquica ou comando de uma sobre a outra. 2. DO DIREITO 2.1. Da Prescrição Administrativa/Decadência Esclarece que a legislação estabelece o prazo de 05 (cinco) anos para que a administração reveja seus próprios atos, assim sendo, tendo se passado mais de 8 (oito) anos de sua inscrição no SIMPLES sem qualquer oposição ao pedido de inscrição, decaiu o direito da administração excluíla do referido regime simplificado de tributação. 2.2. Da inexistência de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas Reprisa a questão da independência administrativa, das benesses recebidas da Vale Norte, do auxílio informal dos pais, da ausência dos requisitos legais para configuração de grupo econômico, da independência das sedes, da inexistência de transferência de empregados entre as empresas, do faturamento inexpressivo em face da pouca experiência no mercado, em fim, tudo que já foi abordado nas tópicos anteriores. 2.3. Da não realização pela autuada de operação de prestação de serviços de locação de mãodeobra Apresenta a legislação e jurisprudência que tratam da conceituação de mãodeobra, a fim de se ver afastada da imputação de locação de mãodeobra. Narra, exaustivamente, sobre os requisitos legais necessários para caracterização de cessão/locação de mãodeobra, onde alega que seus serviços não se enquadram em nenhuma das hipóteses lá previstas. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes que tratam de locação de mãodeobra com o fim de justificar o eventual Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 8 7 deslocamento de seus empregados para executar os serviços no estabelecimento da tomadora de serviços, no caso a Vale Norte. 2.4. Da aplicação de analogia para a exigência de tributo Sustenta que a autoridade fiscal utilizouse da legislação comercial e/ou trabalhista para reputar configurada a existência de grupo econômico, bem como ter caracterizado os serviços prestados como cessão/locação de mãodeobra sem ao menos estarem listados no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Reprisa as situações necessárias para se configurar grupo econômico, reforçando a tese de que a autoridade fiscal criou hipótese de incidência, por analogia, para exigir tributos sem lei que previamente o estabelecesse. 2.5. Da impossibilidade de desconsideração dos atos jurídicos de constituição da autuada Alega ilegalidade do ADE nº 14/2010 por ter considerado que foi constituída mediante simulação/fraude, e como conseqüência ter desconsiderado o ato jurídico de sua constituição e têla excluída do SIMPLES FEDERAL. Defende que os atos e negócios jurídicos não podem ser desconsiderados pela autoridade administrativa antes que seja editada legislação própria. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. A manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente, mantendose o Ato Declaratório DRF/FNS nº 14, de 23/02/0210 e a conseqüente exclusão da empresa do Simples. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário ratificando os fatos e fundamentos apontados na manifestação de inconformidade e requerendo a reforma do acórdão DRJ/FNS nº 0731.941, de 11.07.2013, e o cancelamento do ADE nº 14, de 23/02/0210. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Inicialmente, importante observar que esse processo foi inicialmente distribuído para a 2ª Seção. Em despacho constante nos autos, fls. 286 e 287, o Ilmo. Conselheiro declinou da competência e informou que a citada empresa também foi excluída do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 9 8 Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), mediante ADE nº 15/2010, com tramitação no Processo de nº 13971.000635/201051, o qual, segundo informações do Comprot, também está pendente de julgamento de recurso voluntário. O objeto deste processo é a exclusão do SIMPLES Federal. Ainda consta nos presentes autos, através de despacho de encaminhamento, a notícia de que há outros três processos que discutem crédito tributário previdenciário os de nºs 13971.000642/201053,13971.000643/201006 e 13971.000644/201042, que estão vinculados aos presentes autos (processo de nº13971.000636/201004), e encontramse sobrestados, aguardando julgamento do presente processo por Resolução do colegiado na SECAM da 4ª Câmara da 2ª Seção de julgamento. Feitos esses esclarecimentos, iniciamos a análise dos fatos apontados no Recurso Voluntário. A Recorrente aponta em seu recurso fatos que entende ser suficientes para justificar a criação da empresa conforme ocorreu. Aduz que o motivo principal era a intenção dos pais em ajudar o negócio dos filhos, tendo socorridoos não apenas financeiramente, mas também através de instrumentos necessários para início no negócio. Que todo o desenvolvimento da empresa girou em torno da VALE NORTE porque essa seria o início mais vantajoso, haja vista a proximidade de objetos sociais e, como também, para ser um primeiro cliente da empresa iniciante. Ocorre, contudo, que tais justificativa não desmentem os fatos evidenciados na fiscalização, que apontou, desde o início de atividade da Recorrente, está subordinada ao comando e supervisão do Sr. Wilfried. Tanto é que, no início, um dos sócios era, inclusive, de menor. Aponta que o Sr. Wilfried sempre procurou socorrer a empresa, que, conforme demonstrado na auditoria fiscal, não possuía faturamento suficiente para manter os empregados que possuía e ainda auferir lucro. Segundo as alegações da Recorrente em suas peças de defesa, a VALE NORTE Ltda estava intimamente relacionada com a Recorrente, e que, em inúmeras situações, socorreu financeiramente, inclusive pagando impostos e encargos, como também ajudou através de instrumentos e imóvel e, principalmente, através da experiência administrativa dos administradores da VALE NORTE. A fiscalização ainda apurou que os empregados, embora admitidos formalmente pela Recorrente, trabalhavam na estrutura da VALE NORTE. É certo que duas empresas podem atuar num mesmo espaço, desde que seja possível identificar seus funcionários, os ativos e espaços de cada empresa individualmente, o que não ocorre no presente caso. A Recorrente, em seu recurso voluntário, busca fundamentar a independência das empresas, alegando inclusive que a Recorrente possuía outros clientes, no entanto não colacionou aos autos qualquer prova de suas alegações. O planejamento das empresas de um mesmo grupo tem que ser revestido não só de economia tributária, mas também de um propósito negocial. Nos presentes autos, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar o propósito negocial das empresas, limitandose a justificar os fatos unicamente em razão de relação de parentesco. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 10 9 Na verificação in loco realizada pela fiscalização, bem como pelas alegações da Recorrente, restou evidenciado que toda a administração e controle dos funcionários era exercida pelo VALE NORTE, a própria sóciagerente da Recorrente, inclusive, se apresentou como funcionária do grupo no momento da fiscalização. Não logrou êxito a Recorrente em justificar o fato de a VALE NORTE não possuir funcionários desde 2002 e todos os funcionários da Recorrente estarem trabalhando para a VALE NORTE, inclusive dentro do espaço físico dessa. Apenas em meados de 2007 a VALE NORTE efetuou contratações de empregados. É digno registrar que essa prova caberia à Recorrente e não à fiscalização, que se limitou a consignar aquilo que estava verificando in loco. Logo, não há como acolher as alegações de que as duas empresas seriam distintas e independentes entre si, cada uma com seus próprios administradores. Em razão do conjunto probatório colacionado aos autos, conclui.se que existe confusão administrativa e de funcionários, o que leva ao fato de que a existência autônoma da recorrente não está configurada, não se vislumbrando outra razão para a separação formal entre as empresas que não reduzir a incidência de tributos. As operações se revestem de aparente legalidade, contudo apurando os fatos a conclusão leva a outro resultado que não está amparado na legislação. Atinente à realização de operações relativas à cessão de mão de obra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. No caso em tela, não há dúvidas de que a Recorrente colocou à disposição da contratante sua mão de obra, cujo trabalho foi realizado primordialmente nas dependências da VALE NORTE, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. A Recorrente, em 2004 e 2005 chegou a ter uma média de 70 funcionários, os quais trabalhavam na execução de serviços para a VALE NORTE e, muitas vezes, nas dependências dessa. A Alegação de que estavam lá executando serviços contratados não restou comprovado, visto que a fiscalização encontrou a maior parte dos funcionários trabalhando na VALE NORTE. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço e empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Os sujeitos do contrato de trabalho são: (a) o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação e (b) o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 11 10 Assim, podese inferir que a pessoa jurídica empregadora não realiza operação relativa à locação de mão de obra .Para contextualizar a questão vale transcrever excertos da Solução de Consulta COSIT nº 312, de 06 de novembro de 2014, que apresenta outros elementos: 10. Concluise, assim, que quando uma empresa cede trabalhadores a outra empresa, ela transfere a essa outra empresa a prerrogativa que era sua de comando desses trabalhadores. Ela abre mão, em favor da contratante, do seu direito de dispor dos trabalhadores que cede; abre mão do seu direito de coordenálos. Dizer, então, que trabalhadores de uma empresa contratada estão à disposição de uma empresa contratante de serviços significa dizer que essa empresa contratante pode deles dispor; pode deles exigir a execução de tarefas dentro dos limites estabelecidos, previamente, em contrato, sem que eles necessitem, para executálas, reportarem se à empresa que os cedeu. Nesse tipo de contrato o objeto é a mão de obra. Nesse tipo de contrato a empresa contratante define a quantidade de trabalhadores que ela necessita para executar serviços que são de sua responsabilidade. [...] 14. Esse, inclusive, tem sido o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme pode ser constado na ementa de acórdão proferido por esse Tribunal, abaixo transcrita (destacouse):TRIBUTÁRIO. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE DO ATO.1. A prestação de serviços pela empresa contratada, com a utilização de mãodeobra própria, a qual permanece sob a sua direção e dependência exclusiva, havendo apenas o deslocamento dos trabalhadores até o local da execução, seguindose a prestação do serviço sob as ordens da contratada não se confunde com a atividade de locação de mãodeobra, que pressupõe que a empresa simplesmente coloque os seus empregados à disposição do tomador de serviços, o qual determina as diretrizes de trabalho e comanda a realização do serviço.2. Não tendo restado evidencia, na representação fiscal, de forma inequívoca, a cessão de mãodeobra, deve ser declarado nulo o ato que determinou a exclusão da autora do SIMPLES.(Processo 500421972.2013.404.7208, Segunda Turma, D.E. 27/05/2014) É fato incontroverso que a administração era exercida pelo Sr. Wilfried, visto que a própria Recorrente confirma ter esse orientado e atuado internamente na administração da Recorrente. É incontroverso ainda que a VALE NORTE não possuía nenhum funcionário, exceto os administradores até meados de 2007. Diante de todas as provas nos autos, entendese ter havido a utilização de mãodeobra da Recorrente na empresa VALE NORTE, sem a devida formalização necessária. O acórdão de piso acertadamente destacou: Destaco que não se trata de analisar o objeto social da empresa como locação de mãodeobra, mas, sim, de se verificar se a prestadora, para atingir o seu objetivo social – que no presente Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 12 11 caso é industrialização de madeiras presta serviços com a natureza de cessão de mãodeobra. No presente caso, à vista dos elementos constantes dos autos, verifico que estão presentes os requisitos essenciais na caracterização da cessão de mãodeobra. E, ainda, robustecendo as evidências do caso aqui tratado, destaco as seguintes declarações prestadas pela Excluída: “(...) alguns serviços são prestados dentro do estabelecimento da Vale Norte para facilitar a sua execução”. “(...) que os empregados da peticionária não são locados ou colocados no ambiente ou estabelecimento de seus clientes, mas neles ingressam com o simples propósito de realizarem sua atividade, ou seja, com o objetivo de ali realizarem a prestação de serviços contratada”. “(...) a peticionária não recebem ordens dos representantes ou funcionários de seus clientes, tampouco de seus funcionários e/ou representantes legais, mas, apenas, eventualmente, algumas instruções e diretrizes, acerca da forma como almejam o serviço contratado, o que, como visto, não configura subordinação ou hierarquia”. Ora, não se pode falar em “eventualidade” quando se estar diante de um cliente exclusivo (Vale Norte). Quero dizer que, se os serviços são prestados com habitualidade à Vale Norte, utilizandose de recursos e estrutura por ela providos e, como dito pela própria Excluída, dentro das sua dependências e sob suas instruções e diretrizes, é irrelevante para o processo identificar os motivos que a levaram a adotar tal procedimento. A Recorrente aduz ainda a existência de decadência administrativa, sob o fundamento de que teria decaído o prazo de análise da exclusão do Simples por parte do Fisco, visto estar a empresa há 8 anos na sistemática. Ocorre, porém, que a Recorrente comete equívoco quanto a essa questão, haja vista que inexiste crédito em litígio nos presentes autos. Por concordar com os fundamentos do acórdão de piso, transfiro abaixo seus argumentos: A interessada sustenta que decaiu o direito da administração excluíla do SIMPLES FEDERAL, porquanto o prazo para rever seus próprios atos é de cinco anos. De se dizer de início, que a tese levantada pela Interessada é equivocada. Explico: Primeiro, porque o caso que aqui se discute é exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 13 12 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES e não da constituição de crédito tributário. Depois, porque contrariamente a atividade de lançamento de crédito tributário, que estaria limitada aos prazos previstos pelos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN, a administração pode rever seus atos a qualquer tempo. Por essa razão, não há que se falar em perda do direito de excluir a Interessada do SIMPLES FEDERAL, posto que não se tratar de lançamento de crédito tributário. A Recorrente ainda busca caracterizar a existência de analogia para cobrança de tributos, no entanto, o caso dos presentes autos se limita ao objeto de exclusão da empresa do Simples Federal em razão de auditoria fiscal realizada na Recorrente que apontaram a existência de interpostas pessoas e cessão de mãodeobra. A exigência de quaisquer tributos não poderá ser analisado neste processo. Por fim, a Recorrente destaca ter havido desconstituição de ato jurídico de constituição da Recorrente, porém tal fato não corresponde à realidade. A fiscalização limitou se unicamente à verificar fatos e coletar provas que demonstraram não ter a Recorrente o direito de fazer parte do sistema simplificado de pagamento dos tributos Simples Federal em razão de vedações impostas pela lei. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.006711/2010-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 67 11 /2 01 0- 84 Fl. 104DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. Lançamento e acórdão de impugnação entendem insuficientes para a comprovação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O litígio é apenas sobre os pagamentos de despesas médicas a fisioterapeuta Ana Claudia, dentista Helga Ferreira e pagamentos a Unimed, plano de saúde, conforme indicado no recurso voluntário. Outras despesas não foram objeto do recurso. A fundamentação para a recusa, em relação aos documentos litigados, restringiuse a recusar por falta de identificação do beneficiário; falta de previsão legal, assim genericamente. Contribuinte apresentou declaração das profissionais, e da Unimed indicando o beneficiário, motivo da glosa. Essa comprovação é suficiente para aceitar os documentos. De toda maneira, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 3 3 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Fl. 106DF CARF MF 4 V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Assim, satisfeita a fundamentação do lançamento e na ausência de indicação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 4 5 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.005884/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DRAWBACK-SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA.
No regime de drawback-suspensão, para os fatos geradores ocorridos até 28/07/2010, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. Inexistindo exceção normativa que afaste tal obrigação e nem se desincumbindo o contribuinte de comprovar o atendimento de tal exigência, ele sujeita-se à autuação fiscal pelo descumprimento do regime.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial, basta que seja comprovada divergência na interpretação e aplicação do ordenamento jurídico pelo colegiado recorrido em relação a um acórdão paradigma e que o eventual provimento ao Recurso Especial tenha o condão de alterar a decisão recorrida, ainda que haja diferenças fáticas acidentais entre as questões discutidas nos acórdãos paradigma e recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DRAWBACKSUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de drawbacksuspensão, para os fatos geradores ocorridos até 28/07/2010, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. Inexistindo exceção normativa que afaste tal obrigação e nem se desincumbindo o contribuinte de comprovar o atendimento de tal exigência, ele sujeitase à autuação fiscal pelo descumprimento do regime. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial, basta que seja comprovada divergência na interpretação e aplicação do ordenamento jurídico pelo colegiado recorrido em relação a um acórdão paradigma e que o eventual provimento ao Recurso Especial tenha o condão de alterar a decisão recorrida, ainda que haja diferenças fáticas acidentais entre as questões discutidas nos acórdãos paradigma e recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 58 84 /2 00 8- 25 Fl. 1134DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de créditos tributários (compostos por tributo, multa e juros moratórios) referentes a tributos vinculados à importação, conforme quadro a seguir: TRIBUTO CRÉDITO EFLS. II 11.390.161,32 02 a 78 IPI 178.855,45 79 a 90 COFINS 1.015.263,44 91 a 99 PIS 220.418,52 100 a 108 Os lançamentos decorreram de descumprimento do Regime Aduaneiro Especial Drawback, com suspensão dos tributo, para importações cujas DI foram registradas entre 23/08/2001 e 02/02/2005. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 16/10/2008, estando o relatório com descrição dos fatos e enquadramentos legais disposto às e fls. 109 a 156. Os lançamentos decorreram do inadimplemento do Regime Aduaneiro Especial Drawback, com suspensão dos tributo, para quatro Atos Concessórios, para os quais a empresa não conseguiu comprovar a vinculação física dos produtos importados para com aqueles que exportava. O sujeito passivo não possuía adequado controles ou mesmo segregação no armazenamento dos produtos químicos que importava. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 563 a 589. Em 16/06/2010, a 1ª Turma da DRJ/SP2, apreciou a impugnação e, no acórdão nº 1741.741, às e fls. 783 a 799, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Ciente do resultado do julgamento em 07/07/2010, ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 815 a 854, em 05/08/2010. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 23/05/2012, resultando no acórdão de nº 310201.499, às efls. 876 a 884, o qual teve a seguinte ementa: MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.135 3 Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto da impugnação. O acórdão teve a redação abaixo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive Em face da nulidade decretada, agora a 23ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 25/10/2012, prolatou novo acórdão, de nº 1641.643, cuja cópia está às efls. 907 a 946. Este acórdão, chegou às mesmas conclusões do anterior e por isso considerou improcedente a impugnação, mantendo novamente o crédito tributário lançado. Intimado (efl. 947) do novo acórdão em 13/11/2012 (efl. 958), a contribuinte interpôs novo recurso voluntário, às efls. 961 a 996, em 12/12/2012. Em sucinta resenha, as matérias esgrimidas no recurso foram: a) a fiscalização não logrou comprovar a prática de irregularidades, carecendo de motivação a autuação que não indicou qual insumo teria sido utilizado de forma indevida ou mesmo comercializado no mercado interno; b) há alegação de que existe falta de controle de produção e estoques que chegam a demonstrar a existência de produção sem insumos correspondentes, sugerindo aquisição de insumos sem notas fiscais, sendo inverídica tal conclusão; c) houve desconsideração do programa de controle de produção de forma arbitrária e precipitadas; d) ao realizar o levantamento quantitativo a fiscalização deixou de considerar a existência de saldo de produtos já elaborados em estoque ; e) alegadas irregularidades em relação a determinados insumos ao testar o programa de controle da contribuinte foi estendida indevidamente a todos os insumos, desconsiderando que haviam saldos iniciais de insumos em estabelecimentos da contribuinte e de terceiros suficientes para viabilizar o processo produtivo; f) o fisco, sem fazer adequada conferência adequada da aplicação dos insumos importados sob regime de drawback, optou pela acusação de desvio desses produtos para o mercado interno; g) o compromisso de exportar o produto final em determinado prazo era cumprido pela contribuinte, contudo, o fisco exigiu prova de vinculação física com "controle por lote", método não factível para o sistema produtivo da recorrente; h) considerandose que o prazo decadencial para a autuação era o do art. 150, § 4º do CTN, e tendo os Atos Concessórios prazos finais de cumprimento em 18/07/2003 e 28/07/2003, os lançamentos notificados ao contribuinte em 16/09/2008 já haviam decaído; Fl. 1136DF CARF MF 4 i) não seria aplicável juros de mora sobre a multa de ofício. Em face do novo recurso voluntário, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento exarou nova decisão, na sessão de 19/08/2014, resultando no acórdão nº 3403003.146, às efls. 1014 a 1043, com a seguinte ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO. FÍSICA. FLEXIBILIZAÇÃO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE DOS INSUMOS. Tratandose de insumos caracterizados como bens fungíveis e inexistindo prejuízo ao fisco e fraude por parte do contribuinte, aplicase o princípio da razoabilidade com base no art. 2º da Lei nº 9.784/99 e em precedentes do STJ para o fim de afastar a exigência da vinculação física entre os insumos importados sob o regime de drawback e os produtos exportados. O acórdão foi assim redigido: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, que apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198. O voto condutor afastou as preliminares que levariam à nulidade e á decadência, para, no mérito, primeiramente, afirmar que apesar de o contribuinte ter o ônus de comprovar a existência de vinculação física, incumbiria ao fisco demonstrar os fatos que desqualificariam os controles informatizados por ela utilizados e isso a fiscalização não teria feito, ainda que a própria contribuinte admitisse a falta dos controles para os anos de 2001 e 2002, sendo assim, haveria que se cancelar o lançamentos para os períodos a partir do ano calendário de 2003; em segundo, o relator contesta a exigência de vinculação física por entender ser exigência além da determinada por lei, descolada do princípio da razoabilidade ao qual deveria a administração pública obedecer e, nos casos de bens fungíveis, inexistiria prejuízos, seja ao fisco seja livre concorrência. Importante salientar que, por uma questão lógica, o primeiro fundamento, que abriria a discussão de eventual provimento parcial ao recurso voluntário, resta prejudicado pelo segundo fundamento, que é suficiente para dar provimento total do recurso. Portanto, em que pese o voto do relator abranger ambos os fundamentos, na decisão, pelo provimento total dado ao recurso voluntário, o colegiado adotou apenas esse segundo fundamento que, aliás, é o único fundamento constante da ementa. Embargos de declaração da Fazenda Cientificada do acórdão nº 3403003.146 em 17/09/2014, (efl. 1044), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração ao acórdão, às efls. 1045 a 1047. Afirma que a Turma teria anulado parte do lançamento, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, em face do voto do relator, sem contudo afirmar se o vício que acarretaria a nulidade era material ou formal, entendendo ser necessário que a Câmara complemente o acórdão, sanando essa omissão. No despacho de efls. 1050 e 1051, em 08/10/2014, o Presidente da3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, não admitiu os embargos, em razão de a Turma, por maioria, não ter decidido pela nulidade mas pela desnecessidade de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.136 5 atendimento ao princípio da vinculação física, na esteira de julgados do STJ. O acórdão não cancelou o lançamento em razão de qualquer nulidade, mas pelo mérito. Recurso especial da Fazenda Intimada do resultado dos embargos em 08/10/2014 (efl. 1052), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 15/10/2014, às efls. 1053 a 1063. A Procuradora indica existência de divergência em relação à necessidade de comprovação da vinculação entre o insumo importado e o produto exportado para aferição do regime aduaneiro de drawback. Para sustentar as divergências, ela apresenta dois acórdãos paradigmas, de números 3202000.403 e 930301.248, que, em situações fáticas similares, consideraram que os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente aqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, enquanto o acórdão recorrido entendeu ser desnecessária a demonstração de tal vinculação. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/05/2015, no despacho de e fls. 1065 a 1067, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do acórdão nº 3403003.146 e do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional (eflç. 1077), a contribuinte apresentou contrarrazões, às efls. 1079 a 1096, relativamente ao recurso especial de divergência da Fazenda. Inicialmente, a contribuinte protesta pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda, porque que o acórdão recorrido não utilizaria como fundamento apenas o princípio da vinculação física, mas também a existência de vício na motivação da autuação, ao não lograr desqualificar o meio de prova utilizado pela autuada. Nesse ponto o recurso especial de divergência da Procuradora não se manifesta. Além disso, não haveria similitude fática entre a matéria do acórdão a quo e a dos acórdãos paradigmas. O primeiro paradigma, nº 3202000.403 trata de aplicação de esmaltes em cerâmicas, produtos destacáveis com informações quanto ao consumo do insumo e provas de entradas e saídas de mercadorias, o caso em litígio, há mistura de ingredientes para formar outro produto final, por transformação. Já o acórdão paradigma nº 930301.248 também seria de situação fática distinta, pois nele se analisa o adimplemento do compromisso com o regime de drawback quanto a aspectos ligados ao registro de exportação, absolutamente distinto do processo ora em testilha. No mérito, aduz questões já trazidas em recursos anteriores, mas inova ao tratar do que chama de nova sistemática do drawback, baseado no art. 17 da Lei nº Fl. 1138DF CARF MF 6 12.350/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 12.350/2010 e que veio a ser regulamentada pela Portaria Conjunta RFB /Secex nº 1.618 de 02/09/2014, que inseriu o art. 5ºA na Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010 com essa finalidade. Pleiteia que não se conheça do recurso especial de divergência da Fazenda, por ausência de pressupostos para tanto e, caso conhecido, que seja desprovido para que se mantenha a decisão do acórdão nº 3403003.146.. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial do sujeito passivo é tempestivo. Conhecimento Com relação às contrarrazões do sujeito passivo, é importante iniciar sua análise pelo pressuposto de que, para conhecimento do recurso especial da Procuradora, basta que, com base em um dos acórdãos paradigma, seu eventual provimento possa vir a alterar a decisão recorrida. Em primeiro lugar, enfrento a alegação de insuficiência do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para alteração do resultado da decisão recorrida, em face de não ter enfrentado todos seus argumentos. Como esclarecido no relatório, a decisão recorrida, conforme se depreende claramente da leitura de seu dispositivo, deu provimento total ao Recurso Voluntário e, na ementa, registra apenas a questão do afastamento da exigência da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados. Assim, entendo como mero obter dictum a colocação subsidiária do relator, de provimento parcial, pela falta de comprovação, pela fiscalização, da insuficiência dos controles da contribuinte, utilizados nos períodos a partir de 2003. Aliás, mesmo que essa questão subsidiária tivesse sido enfrentada pelo colegiado recorrido, o provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional já seria suficiente para alterar a decisão recorrida em parte. Portanto, verifico o interesse recursal da Fazenda Nacional no caso, confirmo que o recurso a ela aproveita e, consequentemente, rejeito a alegação de insuficiência do recurso. Passo, agora, à análise da alegação da existência de diferenças fáticas essenciais entre as situações enfrentadas nos acórdãos paradigma e aquela discutida na decisão recorrida. Quanto ao acórdão paradigma 3202000.403, discordo do argumento de que as características dos produtos impediria a comprovação da divergência. Com efeito, entendo ser meramente acidental essa diferença fática, não prejudicando a existência de divergência quanto à necessidade de comprovação da identidade física entre os insumos importados e os componentes do produto exportado. No acórdão paradigma nº 3202000.403, a discussão central é justamente sobre a demonstração de que os insumos importados fossem aplicados nos produtos Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.137 7 exportados, conforme referidos nos Atos Concessórios e assim atender a legislação de regência. Logo, não interessa se há transformação de um produto em outro ou simples acréscimo de peça em máquina para que se exija a vinculação física entre insumo e mercadoria a ser exportada e, consequentemente, o controle dessa vinculação. Assim, a situação de fato tem similitude suficiente em face da legislação de regência e é isso que permite a utilização do acórdão como paradigma. O fato de um único paradigma, dos dois indicados, atender ao critério de divergência já seria suficiente para aceitação do recurso especial de divergência da Fazenda, restando despicienda a análise do segundo paradigma. O aresto modelo nº 930301.248, não permite concluir que a matéria recorrida fosse a vinculação física do insumo com o produto exportado. Compulsando o acórdão, parece que tal matéria foi trazida de forma indireta, tendo em vista que se os registros de exportação utilizados para adimplir o compromisso de exportação não se vinculavam aos atos concessórios, nesse sentido, tampouco se pode comprovar que os insumos importados compuseram as exportações. Ou seja, a falta de vinculação física decorre da falta de controle do próprio RE. De qualquer sorte, se a matéria foi admitida no recurso especial da Fazenda naquele processo, há no mínimo indício de que se haja similitude fática. Porém, conforme já colocado, não se faz necessário entrar em maiores detalhes nessa discussão. Por fim, como já salientado acima, a existência de um único acórdão que preencha os requisitos para conhecimento do recurso especial de divergência basta para se dê seguimento ao recurso, por isso dele conheço. Mérito. Passo, agora, à análise da alegação da existência de diferenças fáticas essenciais entre as situações enfrentadas nos acórdãos paradigma e aquela discutida na decisão recorrida. Como salientado pela contribuinte em suas contrarrazões, é bem verdade que em 02/09/2014, a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1.618 veio para alterar a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467 de 25/03/2010, referida no voto acima visando permitir a aplicação da fungibilidade no drawback brasileiro. Fez tal regulação pela introdução do art. 5ºA, com a seguinte redação: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: Fl. 1140DF CARF MF 8 I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e (V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. § 2º O disposto no caput: I não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; II admitese também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; III poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. § 4º A apuração da equivalência de preços mencionada no inciso IV do § 1º será efetuada descontandose a variação cambial, podendo ainda ser acatadas alterações no preço da mercadoria de até 5% (cinco por cento) em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. § 5º Não se aplica o disposto no inciso IV do § 1º às mercadorias idênticas, assim consideradas aquelas iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência. § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA. § 7º Não será considerada a equivalência de mercadorias nas operações em que for constatada a ocorrência de fraude ou prática de preços artificiais, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Contudo, há que se notar que ela também criou um marco temporal para aplicação do artigo, em seu § 6º, afirmando que a nova disposição só se aplicaria a "fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA". Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.138 9 Como toda norma, não podemos tomar por vãs as palavras que criam limitações a sua aplicação e, no caso sob análise, os fatos geradores dos tributos lançados se vinculam a importações realizadas anteriormente à 28/07/2010, pois as DIs tiveram seus registros entre 23/08/2001 e 02/02/2005 (efls. 14 a 78). Logo, por expressa disposição da norma que veio a regular a não vinculação dos insumos importados às exportações, aos fatos geradores analisados nesse processo não se aplica o critério pretendido pela contribuinte em suas contrarrazões. Entendo que a Portaria Conjunta RFB/SECEX, nº 1.618, de 2014 não seja mero ato interpretativo, mas sim o ato necessário para dar eficácia ao comando legal, sem o qual a lei não seria aplicável. Salientese que essa portaria contém expressa determinação do período temporal de sua aplicabilidade. Dessarte, com fulcro na argumentação acima expendida, inexistindo exceção normativa para o caso em apreço à época dos fatos geradores, entendo ser obrigatório que se comprovasse a integral utilização dos insumos importados no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas, sob pena de descumprimento dos Atos Concessórios e perda do benefício do regime de drawback suspensão. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para darlhe provimento quanto a matéria recorrida, para afastar a prejudicial de desnecessidade de comprovação da vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e a composição do produto final exportado, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001441/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA
O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA
Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.
ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
Numero da decisão: 2401-005.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 41 /2 00 8- 14 Fl. 1556DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1127.501 (fls. 1513/1522): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. NATUREZAS DISTINTAS. O crédito em tela tem por objeto as contribuições sociais inadimplidas pelo sujeito passivo, tendo assim, no direito tributário, natureza obrigacional principal, distinta, portanto, daquela decorrente do dever instrumental de prestar informações á. Seguridade Social por meio de GFIP, esta última de caráter acessório. PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA. Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública Federal o planejamento fiscal, a ser entabulado pela Receita Federal do Brasil, decidindo, neste contexto, as empresas que serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público, a conveniência e a oportunidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.190.2665, consolidado em 15/09/2008, relativo às contribuições sociais patronais incidentes sobre remunerações pagas a servidores ocupantes de emprego público, cargos em comissão e contratados por tempo determinado, não amparados por regime próprio de previdência social do Estado da Paraíba, cujas remunerações constam das folhas de pagamento da respectiva Secretaria de Saúde, onde prestaram serviços no período de 01/2004 a 12/2004, devidamente identificados nas fls. 56 a 292, no valor de R$ 3.940.242,70 (fls. 02/30). Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 3 3 De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 46/50): 1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, constantes no Relatório de Lançamentos (RL) e lançados por meio de levantamento próprio, no de código FSE, no período de 01 a 12/2004; 2. Os fatos geradores das contribuições lançadas não foram regularmente declarados, nem o órgão comprovou a declaração, em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 3. Foram consideradas no lançamento, mas não deduzidas das contribuições apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento constitutivo de crédito previdenciário, GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, independentemente de haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório de Documentos Apresentados (RDA), por não corresponderem aos mesmos fatos geradores das contribuições lançadas; 4. Não foram deduzidas cotas de salário família, pois não foram apresentados os documentos necessários â comprovação dos pagamentos e da observância dos requisitos suficientes à concessão do benefício; Em 18/09/2008 o sujeito passivo tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fls. 02) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou impugnações fls. 308 a 327, instruída com os documentos nas fls. 328 a 1476. Em sua Impugnação, o Contribuinte afirma que a fiscalização não considerou a totalidade das GFIP e GPS na confecção do lançamento, colacionadas às fls. 346/1476, e informa que as unidades hospitalares pertencentes à rede estadual promovem a confecção das citadas guias e também recolhem as contribuições sociais a seu encargo. Por fim, requer, dentre outras coisas, perícia, para exame integral da documentação relativa aos arquivos de remessa das correspondentes GFIP, por entender imprescindível para o deslinde da controvérsia. Em 22/12/2008 a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em Diligência (fls. 1481/1484) para que a fiscalização efetuasse os seguintes esclarecimentos: 1. A origem dos valores considerados, para fins de dedução, contidos no Relatório de Documentos Apresentados — RDA; 2. Os valores das GPS, em cada competência, que foram considerados na confecção do presente processo; 3. Se as GPS, colacionadas pela defesa, foram consideradas no lançamento, justificando, em caso negativo, as razões de sua não inclusão; Fl. 1558DF CARF MF 4 4. Se o credito em apreço envolve as unidades hospitalares citadas pela defendente nos documentos acostados à sua impugnação; 5. Se as GFIP, trazidas na impugnação, têm alguma ligação com o presente processo. Em havendo, demonstrar, por competência envolvida, como foram as mesmas consideradas no lançamento. Em não havendo, assinalar os respectivos motivos. Em resposta à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora se manifestou às fls. 1485/1490, onde esclareceu que os fatos geradores objeto do processo em apreço foram declarados parte em GFIP da Secretaria de Saúde e de suas unidades hospitalares, parte nas GFIP da Secretaria de Administração, porém no CNPJ do Governo do Estado da Paraíba. Elaborou planilha (fls. 1491/1498) contendo as Guias da Previdência Social existentes em favor da Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e suas unidades hospitalares, salientando a inexistência de saldo a deduzir do presente processo. O Contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 14/05/2009 (AR – fl. 1510), mas não se pronunciou dentro do prazo legal. Diante disso, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1127.501, em 10/09/2009, a 7ª Turma concluiu pela rejeição integral das argumentações da impugnação e, em consequência, pela procedência do lançamento. Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC (AR – fl. 1551) e, em 18/12/2009, inconformado com a decisão tomada interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1525 a 1550. No RV faz um breve Resumo da Contenda (fls. 1527/1529) para em seguida, em síntese, argumentar: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito, em face do indeferimento da produção de prova pericial indispensável ao desate da controvérsia e o cerceamento do direito de defesa (fls. 1529/1531); 2. Sobre a ilegitimidade passiva da Autoridade Estadual autuada por ausência de competência para representar o Estado da Paraíba, autuado (fls. 1531/1535); 3. Sobre a Improcedência da autuação uma vez que a obrigação previdenciária principal restava cumprida, conforme comprovado nos autos (fls. 1535/1547). Finaliza o RV requerendo: 1. A decretação de nulidade absoluta do feito, ante a configuração do cerceamento ao direito de defesa do recorrente, consubstanciado na imotivada negativa da produção da prova pericial oportunamente requerida, e indispensável ao esclarecimento dos fatos; 2. Em não sendo acolhida a preliminar acima suscitada, o provimento integral do recurso para julgar improcedente o lançamento indevidamente realizado. É o relatório Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude do indeferimento na realização de perícia, por entender indispensável aos destrame da controvérsia. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência e o Auditor Fiscal esclareceu os fatos suscitados (fls. 1485/1489). Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente quedouse inerte. Após os esclarecimentos oferecidos, o julgador de primeira instância entendeu que os elementos contidos no processo administrativo eram suficientes para a formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescinde da realização de prova pericial. Consoante dispõe o Decreto 70.235/1972 que estabelece as regras do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela Recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Fl. 1560DF CARF MF 6 Ademais, foi determinada a realização de diligência para os esclarecimentos que se fizeram necessários. Diante disso, a fiscalização apresentou relatório conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância. O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa e a juntada de provas que entendesse importantes para fundamentar suas alegações. Restou, portanto, restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Ilegitimidade passiva Segundo o Recorrente o lançamento foi realizado na pessoa do titular da Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva. Não procede a alegação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria, razão porque não merece guarida a ilegitimidade suscitada. Mérito Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e disserta acerca do cumprimento da obrigação acessória. Traz alegações gerais sobre o recolhimento e repasse das contribuições previdenciárias exigidas e afirma que ocorreu o cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo. Pois bem. O lançamento trata da exigência de contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime próprio da Previdência Social, que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba, nas competências 01/2004 a 13/2004, sendo as bases de cálculo obtidas das folhas de pagamento. Em atendimento a diligência proposta pela DRJ (fls. 1481/1483), o Auditor Fiscal apresentou os esclarecimentos às fls. 1485/1489, em que assevera que as contribuições previdenciárias correspondentes aos fatos geradores vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba foram recolhidas de duas formas: (i) com relação às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, declarados nas GFIP's da Secretaria da Saúde e de suas unidades hospitalares, foram recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's (08.778.268/000160, 08.778.268/000241, 08.778.268/000322), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma parte dos fatos geradores relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, servidores comissionados e prestadores de serviços não amparados por RPPS, confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do Estado (08.761.124/000100), por meio da retenção nas cotas do FPE no valor correspondente ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e suas unidades hospitalares, são inferiores as correspondentes contribuições confessadas nas respectivas GFIP's, relacionadas no RDA do lançamento. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 5 7 Consoante se verifica dos esclarecimentos realizados e dos documentos adunados aos autos, as informações e os recolhimentos das contribuições devidas foram efetuadas parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma GFIP constam fatos geradores de diferentes Secretarias, o que dificulta, sobremaneira, o controle da fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da obrigação tributária. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos, transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual peço vênia para acrescentar às razões de decidir: Por sua vez, as GPS colacionadas ao feito pela impugnante achamse especificadas na planilha de fls. 738/741. Foram incluídas nas deduções entabuladas nos AI 37.190.2673 e 37.190.2649, lavrados na mesma ação fiscal, consoante relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA, as fls. 42/44 do AI 37.190.2673. Não ha, assim, saldo a deduzir do presente processo. De igual sorte, não há como acolher o termo de amortização de divida fiscal, firmado com o INSS, colacionado as fls. 164/172, porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente processo. Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na Secretaria de Administração do Estado, que diz ser essencial para apuração adequada do crédito em tela, é mister ressaltar que a escolha do órgão a ser fiscalizado está dentro de uma política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo da Administração Pública Federal. Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por questões de conveniência e oportunidade, a inspeção, em um mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de outra. De qualquer sorte, a impugnante poderia, como integrante do Governo Estadual, demandar junto à. citada Secretaria de Administração ou outro órgão do Executivo estadual, eventual documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao credito em discussão e trazêla aos autos, não havendo expressa necessidade de se entabular fiscalização em órgão distinto do demandado. Não restou, assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refutase prescindível a perícia requestada, mesmo porque não foram elaborados quesitos, nem apontado perito, considerandose, em Fl. 1562DF CARF MF 8 conseqüência, como não formulado o mencionado pedido, consoante regramento plasmado no § 1°, do art. 16, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93. Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1563DF CARF MF
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