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Numero do processo: 13884.904314/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 14 /2 01 0- 15 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13884.904314/201015 Acórdão n.º 3302005.761 S3C3T2 Fl. 93 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao terceiro trimestre de 2003. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13884.904314/201015 Acórdão n.º 3302005.761 S3C3T2 Fl. 94 3 que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 90 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 81 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 82 a 88) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000116/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DA EMPRESA, TERCEIROS, GILLRAT. Discriminativo Analítico de Débito - DAD. Discriminativo Sintético de Débito - DSD. Aproveitamento de valores recolhidos.
Os documentos DAD e DSD, parte integrante da notificação, são hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado e a correção dos montantes lançados em matéria de contribuição previdenciária e de contribuição devida a terceiros.
Numero da decisão: 2301-005.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-02.235, de 29/07/2011, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DA EMPRESA, TERCEIROS, GILLRAT. Discriminativo Analítico de Débito - DAD. Discriminativo Sintético de Débito - DSD. Aproveitamento de valores recolhidos. Os documentos DAD e DSD, parte integrante da notificação, são hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado e a correção dos montantes lançados em matéria de contribuição previdenciária e de contribuição devida a terceiros.
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OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DA EMPRESA, TERCEIROS, GILLRAT. Discriminativo Analítico de Débito DAD. Discriminativo Sintético de Débito DSD. Aproveitamento de valores recolhidos. Os documentos DAD e DSD, parte integrante da notificação, são hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado e a correção dos montantes lançados em matéria de contribuição previdenciária e de contribuição devida a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 230102.235, de 29/07/2011, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 16 /2 00 7- 95 Fl. 621DF CARF MF 2 Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 230102.235 (efls 345/354) exarado pela da Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, do CARF em sessão de julgamento realizada em 29 de julho de 2011. 1.1. Por bem delimitar a inconformidade apontada, transcrevese parte do despacho de admissibilidade dos embargos (efls 618/620): Em 29 de julho de 2011, foi julgado o Acórdão nº 230102.235 (efls 345 a 354), que recebeu as seguintes ementas : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração : 01/11/2001 a 30/04/2003 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Constou no dispositivo do Acórdão : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 622 3 Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cientificado do Acórdão n.º 230102.235 em 14/08/2012 (AR de efl. 369), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 20/08/2012 (protocolo de efl. 370), os Embargos de Declaração de efls. 370 a 386. Posteriormente em 11/10/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efl. 608) apresentou complementação dos Embargos de efls. 609 a 616. Segundo o embargante, a decisão exarada no acórdão 230102.235 deixou de apreciar fatos relevantes e determinantes à anulação do Lançamento de Débito, tendo como suporte tão somente a afirmação da ocorrência da preclusão consumativa e deixando de examinar erros materiais em relação à base de incidência das contribuições devidas à seguridade social bem como o aproveitamento dos recolhimentos vertidos aos cofres públicos. Cita a DECISÃO DE NOTIFICAÇÃO de 1ª instância que admitiu como regular a eleição pela autoridade fiscal do faturamento como base de incidência de apenas alguns estabelecimentos da empresa, e da mesma forma homologou a eleição de alguns estabelecimentos para aproveitamento dos valores recolhidos. Assevera que a Lei n° 10.256/2001, ao incluir o artigo 22A na Lei n° 8.212/91, define como base de incidência a totalidade do faturamento sem exclusão de quaisquer estabelecimento. Alega que há vício insanável no lançamento quanto a eleição da base de incidência do fato gerador, pois estabeleceu como base para o lançamento tão somente o faturamento de alguns estabelecimentos, com exclusão ilegal de outros. Ressalta que, a dicção da lei 10.256/2001 determina que sua aplicação abrange o contribuinte em sua totalidade, ou seja, matriz e todos os seus estabelecimentos filiais, não comportando portanto a opção delineada pela Autoridade Lançadora de recolhimentos na condição de agroindústria para determinados estabelecimentos de uma mesma empresa e de recolhimentos normais na atividade industrial para outros estabelecimentos. Por fim, discorre sobre o Princípio da Verdade Material no curso do Processo Administrativo Fiscal, anexando aos autos Laudo Técnico elaborado por Perito Contábil. Posteriormente, juntou aos autos petição onde, além de reafirmar pontos contidos nos Embargos, requer a juntada da Solução de Consulta COSIT n.º 34/2016 emanada pela Receita Federal. É o breve relato. 1.2. Complementase, também, por pertinente, excerto que perfaz a análise conclusiva quanto à admissibilidade dos presentes embargos: Antes de proceder à análise do pedido em tela, importa salientar que se trata de Embargos de Declaração, previsto no art. 65 do RICARF, pelo qual o embargante pode obter o esclarecimento dos pontos obscuros do acórdão embargado, o Fl. 623DF CARF MF 4 enfrentamento de questão não enfrentada, quando houver omissão ou a reparação ou eliminação de eventuais contradições que porventura contenha. (grifos nosso) Com relação ao enfrentamento da questão quanto a possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos a todos os estabelecimentos do contribuinte, constato que assiste razão à embargante. No seu Recurso Voluntário, especificamente à efl. 280 (pag. 15 do Recurso), o recorrente incluiu um tópico específico quanto "a possibilidade de cotejamento entre filiais". Já no acórdão embargado, apesar de constar no Relatório, o conselheiro relator não enfrentou esse tema. Destaco trecho do relatório : d) Que a criação de filiais ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, não havendo que se falar em impropriedade do cotejamento, vez que este apenas se trata de um encontro de contas; Observase que na Decisão Notificação de 1ª instância, a autoridade administrativa no item 15 (efls. 259 a 260) tratou do assunto. Portanto, é necessário que o colegiado se pronuncie com relação ao cotejamento entre os valores lançados considerando o faturamento total da empresa e os pagamentos realizados pela empresa de forma global, mediante a prolação de novo acórdão. Conclusão Diante do exposto, devese acolher os embargos de declaração e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vista a sanar os vícios apontados pelo sujeito passivo. 2. Constam dos autos os documentos que se relaciona a seguir: 2.1. Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.580.3488, datada de 28/11/2003, (efls 91/94); 2.2. DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.038/0305/2004 (efls 256/261), de 6/12/2004, que julgou procedente a autuação fiscal. 3. Para concluir, transcrevese o inteiro teor das alegações deduzidas sob o título "A possibilidade de cotejamento entre filiais" no bojo da peça recursal (efls 280): Em sua decisão, a autoridade julgadora questionou o cotejamento realizado entre as filiais da empresa numa forma englobada, afirmando que os débitos subtraidos dos créditos deveriam ser feitos separadamente para cada filial. Ora, não pode prevalecer, também neste sentido, a presente decisão, uma vez que esse entendimento iria contra o próprio conceito de empresa, como pessoa jurídica, considerando sua personalidade jurídica. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 623 5 A personalidade jurídica da sociedade é como um todo, não há que se falar em segmentação, considerando, ainda, o disposto no artigo 985 do Código Civil: "Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150)." Assim, a personalidade jurídica caracterizase pelo registro do contrato social da empresa. Esse registro não é feito em nome de cada filial e sim da empresa como um todo. A criação de filiais apenas ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, mas não caracteriza segmentação do negócio, da responsabilidade, do contribuinte. Desta forma, não há que se falar em impropriedade do cotejamento demonstrado pela recorrente, uma vez que este apenas tratase de um encontro de contas. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. Adoto os fundamentos expostos no despacho de admissibilidade (efls 618/620) para conhecer dos embargos, e passo à análise. 5. De acordo com o art. 65, Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, são cabíveis embargos de declaração, nos seguintes casos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 6. Pela leitura do relatório contido no Acórdão embargado, no trecho dedicado à síntese das alegações (efls 347), podese extrair o tópico relacionado no item "d)": d) Que a criação de filiais ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, não havendo que se falar em impropriedade do cotejamento, vez que este apenas se trata de um encontro de contas; 7. E ao examinar o inteiro teor do voto produzido em tal acórdão, não resta dúvida quando à inconformidade verificada na decisão embargada, por deixar de enfrentar parte das questões suscitadas no recurso voluntário, especificamente, as alegações deduzidas sob o título " A possibilidade de cotejamento entre filiais " (efls 280). Fl. 625DF CARF MF 6 8. Por este modo, assiste razão à embargante, devendo ser acolhidos os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Passase à análise dos pontos omissos no acórdão atacado. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ PPOOSSSSIIBBIILLIIDDAADDEE DDEE CCOOTTEEJJAAMMEENNTTOO EENNTTRREE FFIILLIIAAIISS NNAA FFOORRMMAA PPRREETTEENNDDIIDDAA PPEELLOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE 9. Para fins de integração do acórdão embargado, cumpre salientar que, em sede de embargos, de cognição limitada, a matéria devolvida para apreciação do Colegiado está adstrita às circunstâncias e elementos de prova presentes nos autos, para fins de proceder o saneamento da omissão verificada que, no caso sob exame, se concentram nas alegações deduzidas sob o título "A possibilidade de cotejamento entre filiais " (efls 280). [item 3 supra] 10. Detendonos na exigência fiscal formalizada pela NFLD DEBCAD nº 35.580.348 8, de 28/11/2003, nos termos do Relatório fiscal, abrange as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros. 10.1. Transcrevese o trecho do relatório fiscal (efls 92): O crédito lançado na notificação em destaque é decorrente do cotejamento efetuado com base nos valores das contribuições devidas, com os valores das contribuições recolhidas pela empresa. Por se dedicar à produção agroindustrial, a empresa, durante o período abrangido pela notificação, efetuou recolhimentos conforme o artigo 22 da Lei n° 8.212191, sem observar as alterações decorrentes da legislação vigente, quais sejam, Lei n°10.256/2001, Instrução Normativa INSS/DC n°060/2001 e Instrução Normativa INSS/DC n°068/2002. Conforme exposto, a empresa notificada efetuou os recolhimentos em desacordo com a legislação vigente, considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias, as remunerações pagas aos segurados empregados, quando deveria ter utilizado o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Além das contribuições devidas com base na comercialização da produção, a agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, deve recolher as contribuições descontadas dos segurados empregados e dos trabalhadores avulsos, e as incidentes sobre o total das remunerações ou das retribuições pagas ou creditadas, a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais. Também deixou de recolher em sua totalidade as contribuições destinadas as outras entidades e fundos, conforme previsto no artigo 94 da Lei n° 8.212191. Apensados a este relatório, seguem os anexos I e II com os quadros demonstrativos das diferenças apuradas e lançadas nesta auditoria, sendo que os valores da comercialização da produção foram extraídos com base em planilhas elaboradas e Fl. 626DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 624 7 fornecidas pela empresa, cujas cópias seguem anexas à 1° via desta notificação. 10.1.1. Documentos citados no relatório fiscal, Anexo I e Anexo II, estão juntados, respectivamente às efls 96/101 e às efls 102/111. 10.1.2. Já os documentos apresentados pelo contribuinte e aproveitados ao longo do procedimento fiscal estão anexados às efls 112/140. 10.2. Constam dos autos o Discriminativo Analítico de Débito DAD (efls 06/53) e o Discriminativo Sintético de Débito DSD (efls 54/75). 11. A DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.038/0305/2004 (efls 256/261), exarada em 6/12/2004 julgou procedente a autuação fiscal, com a seguinte ementa: PRODUÇÃO RURAL. AGROINDÚSTRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O contribuinte é Agroindústria, conforme dispõe o art. 72 da IN INSS/DC nº 68, de 10/05/02. Não cabe pronunciamento de inconstitucionalidade pelo órgão administrativo. Os atos administrativos são vinculados. A planilha apresentada na defesa não traduz os créditos da empresa dentro deste levantamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE 12. Verificase que a decisão de primeira instância, a partir das efls 260, perfaz análise concludente acerca da mesma questão suscitada ao tempo da impugnação, e com precisa e minuciosa fundamentação assevera a inconsistência e falta de plausibilidade das alegações fundadas nas duas planilhas (efls 223/224) contidas no bojo da impugnação (tais planilhas guardam correspondência com documentos do processo em papel com numeração 194/195 adotada ao tempo da emissão da decisãonotificação). 12.1. Digase de passagem, que tais planilhas parecem ter sido elaboradas e fornecidas ao contribuinte pelo próprio auditor fiscal autuante, fato que mereceu por parte da autoridade julgadora de primeira instância, uma detida análise da questão e elaboração de capitulo decisório minucioso para procurar dirimir as dúvidas suscitadas a respeito do cotejamento pretendido. 12.2. Por sua relevância, transcrevo e adoto como fundamento de decidir o trecho compreendido entre as efls 259/260: Em relação as planilhas apresentadas, verificamos a impropriedade da defesa, ao alegar que os débitos subtraídos dos créditos resultariam o valor máximo de R$ 300.000. As tabelas apresentadas pelo contribuinte dizem respeito aos valores devidos a Previdência Social, isto é, contribuição da parte de empregado, patronal e Seguro de Acidente do Trabalho. Nestas planilhas, fls. 194/195, foram excluídas as contribuições de terceiros. Para fazer o cotejamento de créditos e débitos, devese analisar cada filial separadamente, e não de forma englobada como fez a defesa. Isso porque, existe filial onde só houve lançamento de créditos de terceiros. É o que acontece nas filiais 56.643.018/005800, 56.643.018/007179, 55.643.018/002452, 55.643.018/000913, 55.643.018/000590, 55.643.018/000409 que são referentes a créditos de terceiros e não a valores devidos a Previdência Social. Ocorre também, Fl. 627DF CARF MF 8 que ha muitas competências da planilha de fls. 194 sem lançamentos, sendo incabível dizer que existem créditos em competências sem lançamentos. É o que acontece na filial 55.643.018/005559, onde só houve lançamento em Dez/01, Nov/02, Abr/03, e em sua planilha aparecem créditos em vários meses sem lançamentos. Neste lançamento não estão sendo cobrados valores sobre 13º Salário, portanto, inexistem a favor do contribuinte tais créditos da planilha de fls.194 incidentes sobre tal rubrica. As colunas da planilha de fls. 194 referente a filial 55.643.018/010552 e 55.643.018/010390 não possuem créditos a favor da empresa, tendo em vista que nestas colunas só há competências referentes ao 13º Salário, e estas não estão sendo cobradas. Apesar de o contribuinte apresentar R$ 0,00 de créditos na planilha de fls. 194 em relação a filial 55.643.018/010390 (filial de Botucatu) e a filial 56.643.018/010552 (filial Barueri) , já foram abatidos os valores referentes aos créditos do contribuinte conforme observado na tabela de fls. 98/99, onde existe a redução pelo valor já pago pela empresa. Na coluna referente à matriz 55.643.018/000166 de fls. 194, não foi efetuado lançamento nas competências de janeiro/2002, maio/2002, julho/2002, agosto/2002 e nem novembro/2002 à abril/2003. Portanto, não há crédito para a empresa nas demais competências, pois todas as competências onde houve lançamento, o valor de crédito é nulo. Na planilha de fls. 195, coluna referente à filial 55.643.018/000247, somente houve lançamento de valores devidos a Previdência Social nas competências em Dezembro/2001 e Setembro/2002 e Outubro/2002. Na planilha de crédito de fls. 194 referentes a tais competências, constam como zero nos valores referente à Previdência Social. Somente há lançamento de créditos de terceiros (dez/01, out/02 e jan/03 a abr/03) conforme fls.100. Portanto, não existem créditos que tenham deixado de ser considerados a favor do contribuinte. 13. No caso dos autos, parte integrante da notificação, o Discriminativo Analítico de Débito DAD (efls 06/53) e Discriminativo Sintético de Débito (efls 54/75) são os documentos hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado. Tais documentos discriminam os fatos geradores, as contribuições devidas, os períodos a que se referem, bem como os créditos considerados por período e por rubrica, e por isso, aptos a demonstrar a higidez da apuração dos montantes lançados em matéria de contribuição devida à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros. 14. Em vista do exposto, e considerando a análise minuciosa e conclusiva da decisão de primeirainstância ao tratar da matéria devolvida ao Colegiado em sede de embargos, entendo possível integrar a decisão do Acórdão embargado, nº 230102.235, negandose provimento ao Recurso Voluntário nessa questão. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 15. Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, suprindo a omissão, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 628DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 625 9 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 18183.720044/2018-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS SOLICITADOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização documentos solicitados, necessários à verificação de sua situação perante a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2301-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS SOLICITADOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização documentos solicitados, necessários à verificação de sua situação perante a Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001633/2010 52, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 44 /2 01 8- 51 Fl. 212DF CARF MF 2 decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.190, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 191 a 193), do qual utilizo o relatório fiscal: Tratase de infração ao artigo 33, §§2° e 3o, da Lei 8.212, de 24/07/91, c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Segundo Relatório Fiscal de fl.05, a Prefeitura Municipal de Carangola, intimada, por meio do Termos de Intimação Fiscal datados de 18/06/2010 e 21/06/2010, a exibir documentos solicitados pela fiscalização, deixou de apresentar as memórias de cálculo das compensações efetuadas nas competências 05/07, 10/07, 04/08 e de 09/08 a 12/08, cópia das Apólices de Seguros relativo aos estagiários contratados e Acordo de cooperação firmado entre a Prefeitura e as Instituições de Ensino intervenientes. i De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.08), a penalidade no valor de R$14.317,78 foi aplicada com base nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c artigo 283, inciso II, alínea 'j' do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e atualizada pela Portaria MPS/MF 333 de 29/06/2010. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.31, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls.34/40). Em suma: aduz que a aplicação da multa deuse, especificamente, por ter a Prefeitura solicitado (dentro do prazo hábil) dilação do prazo superior aos 02 dias concedidos, para atender às solicitações; alega que, quando requisitada, apresentou prontamente os documentos solicitados, tanto que, em nenhum momento o fiscal responsável mencionou conduta diversa da contribuinte. E que, em relação aos documentos que não possuía, fez declaração expressa nesse sentido, como no caso do AI 37.285.4680 e 37.285.4699; afirma que a autuação ocorreu com base nas informações prestadas e documentos entregues; assevera que a aplicação da multa não se deu por descumprimento da legislação tributária, mas sob interpretação do que o Fisco considera ou não correto; argumenta que uma das incorreções apontadas pela fiscalização referese às compensações nas GFIP de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18183.720044/201851 Acórdão n.º 2301005.570 S2C3T1 Fl. 3 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 196). Em 15/04/2011 (efl. 209), foi apresentado recurso voluntário (efls. 197 a 204), sendo repetidas as razões da impugnação. O pedido consiste em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, informou que (efl. 3010 do processo principal 10630.001638/201085): O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/201063) determinou o julgamento dos processos Fl. 214DF CARF MF 4 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA MULTA APLICADA Por espelhar meu entendimento, assumo, mutatis mutandis, as razões do acórdão recorrido, que transcrevo: A Prefeitura Municipal de Carangola foi autuada por ter infringido o disposto no artigo 33, §§2° e 3º, da Lei 8.212/91 c/c artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme relatado, a autuada, apesar de intimada, por meio dos Termos de Intimação Fiscal, deixou de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, dentre os quais: as memórias de cálculo das compensações efetuadas nas competências 05/07, 10/07, 04/08 e de 09/08 a 12/08. Ou seja, a Prefeitura foi autuada por ter deixado de apresentar os documentos solicitados e não por apresentar GFIP com informações incorretas no tocante à compensação, como alega a autuada em sua defesa. Apesar de alegar que apresentou tal documentação e que em nenhum momento o fiscal responsável mencionou conduta diversa, as informações constantes nos autos demonstram exatamente o contrário. A documentação que deixou de ser apresentada à fiscalização gerou, inclusive, a glosa da compensação, conforme lançamento fiscal efetuado (Processo 10630.001631/201063, DEBCAD 37.294.6828). Quanto a dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada, constatase que a Prefeitura foi intimada a apresentar a documentação em 06/2010 e que a autuação somente ocorreu em 20/07/2010, ou seja, até aquela data a Prefeitura poderia apresentar a documentação, que não seria autuada, mas não o fez. A documentação solicitada era necessária para verificar e situação da Prefeitura perante a Seguridade Social, bem como Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18183.720044/201851 Acórdão n.º 2301005.570 S2C3T1 Fl. 4 5 para comprovar que estava correta a realização da compensação. Assim, sendo inconteste o cometimento da infração, o órgão público sujeitouse à multa punitiva, aplicada conforme disposto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso II, alínea 'j' e atualizada, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333 de 29/06/2010, como corretamente aplicada pela fiscalização. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário apurado.no presente Auto de Infração. Transcrevo os arts. Citados da lei 8.212, de 1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Fl. 216DF CARF MF 6 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.011343/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados.
Numero da decisão: 2301-005.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-00.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário".
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 240300.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário". (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 13 43 /2 00 7- 26 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de embargos opostos pela Fazenda em face do Acórdão 240300971 prolatado pela exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007 (efls 142/146). 2. Transcrevese, por pertinente, o inteiro teor do despacho de admissibilidade de embargos (efls 175/176): Trata o presente processo do lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores de aquisição de produto rural (carvão vegetal) de pessoas físicas, constantes nas notas fiscais de entrada e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades (SENAR). A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG manteve o lançamento nos termos do Acórdão nº 02.15.594, de 24/07/2007. Em 19/01/2012 foi proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o Acórdão nº 240300.971 (efls. 142/146), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, sob o fundamento de inconstitucionalidade do artigo 25, I, da Lei nº 8.212/1991. Em 19/06/2012 a Delegacia da RFB em Sete Lagoas/MG apresentou Embargos à Declaração (efls. 153/154) alegando a existência de obscuridade no Acórdão, uma vez que, em 29/01/2009, o crédito sob exame havia sido baixado por liquidação. Foram juntadas as telas do sistema da Dataprev que comprovam o pagamento (efls. 151/152). Em 26/01/2015 os Embargos foram rejeitados, conforme Despacho nº 2403 004 (efls. 156/158), pela sua intempestividade. Inconformada a DRF/Sete LagoasMG apresentou, em 30/04/2015, novo Despacho (efl. 165) onde alega que houve manifesto equívoco na decisão prolatada pela 3ª TO/4ª Câmara/2ª Seção CARF, "dado haver a contribuinte desistido tacitamente do recurso interposto com a extinção sem ressalva do débito em discussão (§2º, art. 78 Portaria MF Nº 256/2009)". Destaca ser competência dos presidentes de turmas de julgamento do CARF a correção de inexatidões materiais dos acórdãos, a teor artigo 17, VII, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (atualmente Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Mediante análise dos autos, verifico a ocorrência dos seguintes erros materiais: a) o pagamento é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, I, CTN). Uma vez extinto o crédito tributário, não há mais que se falar em julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, havendo desistência tácita do seguimento da lide; b) o acórdão nº 240300.971, de 19/01/2012, deu provimento ao recurso voluntário, com fundamento na inconstitucionalidade do artigo 25, I da Lei nº 8.212/1991, conforme seguinte excerto do voto do relator: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 179 3 Relevante destacar que o artigo 25 da Lei n° 8.212/91 que respaldou a autuação, foi alterado pelo art.1° da Lei n° 8.540/92. Mais relevante e crucial é conhecer que recente Recurso Extraordinário, n° 596.177/RS, julgado no Pretório Excelso, sob a relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, decidiu pela inconstitucionalidade do art.1° da Lei n 8.540/92. Nestes termos, estando a empresa desobrigada de descontar , não há que se falar em repassar. ... Assim, em razão de a exação prevista no artigo art. 25, I da Lei n 8.212/91, motivo da autuação em comento, ter sido julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, cumpre me declarar de ofício a nulidade do lançamento. c) entretanto, conforme documento Fundamentos Legais do Débito FLD (e fls. 33/35), a fundamentação legal para o lançamento foi o art. 25, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 09/07/2001, cuja constitucionalidade não foi atacada no julgamento do RE nº 596.177/RS. Pelo exposto, entendo que foi omitida questão sobre a qual deveria pronunciarse a turma no Acórdão nº 240300.971, de 19/01/2012, devendo o mesmo ser revisto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Isso posto, admito os embargos e determino o retorno dos autos ao relator, para prosseguimento do julgamento. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO 3. Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, dele conheço. 4. Os embargos de declaração são cabíveis para: a) esclarecer obscuridade, suprir omissão ou eliminar contradição entre a decisão do acórdão e seus fundamentos; e b) suprir omissão de ponto sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora. Em hipóteses excepcionais, podem serlhes dados efeitos infringentes. A apreciação dos embargos está consignada a partir do item 9 do presente voto. Fl. 180DF CARF MF 4 EEMMBBAARRGGOOSS IINNOOMMIINNAADDOOSS 5. Além da omissão apontada pelos embargos de declaração admitidos, foram verificados lapsos manifestos por não ter sido reconhecida a circunstância alertada pela Delegacia de Sete Lagoas, concernente à informação constante nos autos de que "em 29/01/2009 o crédito tributário foi baixado por liquidação, conforme documentos às fls. 151 e 152. " 6. Propõese a admissão e acolhimento dos embargos inominados, com base no artigo 66 do RICARF, para o saneamento do equívoco, visto que já estaria evidenciada a extinção sem ressalva do débito, tal como previsto no artigo 156, I do Código Tributário Nacional; e em vista do disposto no § 3º do artigo 78, Anexo II, do RICARF, restaria configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, destacadamente a corporificada pelo acórdão embargado (Acórdão 240300971). 7. Dessa forma, à luz do disposto nos §§ 4º e 5º, art. 78, Anexo II do RICARF, o processo deve retornar à unidade da administração tributária da origem para prosseguir na exigência do crédito tributário objeto de desistência, tornandose insubsistentes todas as decisões que forem favoráveis ao sujeito passivo; e, se for o caso, apartar os autos com retorno do processo ao CARF, para apreciação da matéria eventualmente não contemplada pela desistência. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Voto, portanto, por acolher os embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão 240300.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário". DDAA AAPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDOOSS EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO CCAARRÁÁTTEERR SSUUBBSSIIDDIIÁÁRRIIOO 9. Na eventualidade de não prosperar a solução proposta no item precedente, passase à apreciação dos embargos de declaração opostos em face do acórdão Acórdão 2403 00.971, de 19/01/2012. DDAA FFUUNNDDAAMMEENNTTAAÇÇÃÃOO CCOOMM BBAASSEE EEMM IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDEE LLEEII 10. Do voto do relator do acórdão embargado é possível verificar que foi determinante o entendimento sobre suposta inconstitucionalidade na exação, como se evidencia na conclusão: Assim, em razão de a exação prevista no artigo art. 25, I da Lei n 8.212/91, motivo da autuação em comento, ter sido julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, cumpre me declarar de ofício a nulidade do lançamento. 11. Detendonos em excerto do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito da NFLD 37.022.47441 (efls 43/47) para ter noção dos contornos da exigência fiscal. Este relatório é parte integrante dat,Notificação Firale Lançamento de Débito NFLD, referente às contribuições previdenciárias descontadas sobre os valores de aquisição de produto rural(carvão vegetal) de pessoas físicas, constantes nas notas fiscais de entrada e, devidas pelos mesmos: à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho até 06/97; ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 180 5 de incidência de• incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho a partir de 07/97 e;as destinadas a terceiros (SENAR). Na condição de sub rogada, a empresa deixou de recolher tais valores, no prazo legal estabelecido, como é de sua responsabilidade.2 Período do lançamento do débito: 01/2002 a 12/2002. 11.1. Conforme se vê às efls 44, a exigência é composta por dois levantamentos: Levantamento RPF — Referente aos valores relativos à aquisição de produto rural de pessoa fisica, declarado na GFIP, no período de 12/2002 a10/2005. Levantamento PRD: Referese aos valores relativos à aquisição de produto rural de pessoa física, não declarado na GFIP, no período de 01/2002 a 12/2002. Nas competências 11 e 12/2002, referese apenas às diferenças entre os valores declarados e os não declarados. 11.2. Transcrevese, por pertinente, trecho retirado do Relatório de Fundamentos Legais do Débito : CONTRIBUIÇÃO DA PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A TRABALHADOR AUTÔNOMO (SOBRE A PRODUÇÃO RURAL) Competências :01/2002 a 12/2002, 0112003, 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 0907.2001), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) e parágrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8540, de 22.12.92, e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.072001); Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., I e V, "a, art. 200, I, paragrafos 1.(revogado, posteriormente pelo Decreto 4.032, de 26.1.01), 4., 5., 7. e art. 216, III e IV e paragrafo 5., com as alteracoes dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99. CONTRIBUICAO (PESSOA FISICA EQUIPARADA AO AUTONOMO) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFICIOS EM RAZAO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZACAO DO PRODUTO Competências :11/2002 a 12/2002, 01/2003, 06/2003 a 07/2003, 01/2004 a 02/2004, 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com a redação posterior dada pela Lei n. 10.256, de 10.07.01, II (com a redação dada peia Lei n. 9.528, de 10.12.97), e parágrafos 3. e 4. (acrescentados pela Lei n. 8.540, de 22.12.92); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 9., V, '"a , art. 200, /I, paragrafos 1. (revogado, posteriormente, pelo Decreto 4.032, de 26.11.01), 4., 5. e 7. e art. 216, III, IV e paragrafo 5.. TERCEIROS SENAR CONTRIBUICAO SOBRE A COMERCIALIZACAO DA PRODUCAO RURAL PRODUTOR RURAL PESSOA Física EQUIPARADO A AUTONOMO/EMPREGADOR RURAL PESSOA FISICA Competências; 11/2002 a 12/2002, 01/2003, 03/2003 a 06/2003 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.01), art. 30,1V, X e art. 94, com as alterações introduzidas pela Lei 9.528, de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.1191; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.07.01) Lei n. 9.528, de 10.12.97, art. 6.(com Fl. 182DF CARF MF 6 a nova redacao dada pelo art. 3. da Lei n. 10.256, de 09.07.01) e 13; Lei n. 10.256, de 09.072001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 10.06.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.0193, art. 11, II, paragrafos 2., 3., 4., 5. e6 e art.14; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafoa 4., E. e 7., artigos 200A, 2008 e 201C, "ceou( e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 41032;de 26.11.01,), ãrt. 216, III, IV. VI , paragrafo 5. e art. 274, paragrafo 1. (com a redacao dada pelo Decreto 4.032, de 26.11.2001). A PARTIR DE 28.10.2004 Lei n. 8.212, de 2417.91, art. 25 A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), art. 30,1V, X, com as alteracoes introduzidas pela Lei n. 9.528, de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.12.91; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art. 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.072001); Lei n. 9.528, de 10.12.97, art. 6. (com a nova redacao dada pelo art 3 da Lei n. 10.256, de 09.07.2001) e 13; Lei n. 10256, de 09.07.2001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 1106.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.03.92 art. 11, II, paragrafos 2., 3., 5. e 6. e art. 14; Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafos 4., 5. e 7., artigos 200A, 200B e 201C, caput e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 4.032, de 26.11.2001), art. 216, III, IV, VI, paragrafo 5.; MP n. 222 de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1. TERCEIROS SENAR CONTRIBUICAO SOBRE A COMERCIALIZACAO DA PRODUCAO RURAL PRODUTOR RURAL PESSOA FISICA EQUIPARADO A AUTONOMO/EMPREGADOR RURAL PESSOA FISICA Competências : 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), art. 30,1V, X, com as alteracoes introduzidas pela Lei n 9 528 de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.12.91; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art. 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.07.2001); Lei n. 9.528, de 1112.97, art. 6. (com a nova redação dada pelo art. 3. da Lei n. 10.256, de 09.07.01) e 13; Lei n. 10.256, de 09.07.2001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 10.06.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.03.93, art. 11, II, paragrafos 2., 3., 5. e 6. e art. 14; Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafos 4., 5. e 7., artigos 200A, 200B e 201C, caput e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 4132, de 26.11.2001), art. 216, III, IV, VI, paragrafo 5.; MP n 222 de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5256, de 27.10.2004, art. 18, I. 12. O acórdão embargado incorre em omissão, pois não faz enfrentamento com a necessária acuidade da questão relacionada à fundamentação legal da exigência fiscal. Isso porque, com relação aos dispositivos legais retrocitados destacadamente, os acrescentados ou com redação determinada pela Lei nº 10.256/2001, não há, em matéria tributária, nenhuma decisão vinculante proferida pelo STF, sob o rito do art. 543B do CPC (antigo CPC). 13. Para ilustrar, entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal sobre a matéria pode ser sintetizado com a transcrição da ementa contida no Acórdão CSRF nº 9202005.128 (sessão de julgamento: 24/01/2017) da lavra do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 181 7 TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança 14. Reconhecida a omissão no acórdão embargado e considerando que o Recorrente não deduziu alegações distintas daquelas que já tinham sido apreciadas pela decisão de primeira instância, com base no artigo 57, § 3º do RICARF, propõese, para fins de integrar o acórdão embargado, adotar os fundamentos da decisão contida no Acórdão 0215.594 exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007. 14.1. Inicialmente, transcrevese o teor da ementa e do dispositivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/10/2005 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. NÃO REPASSE AO INSS DE IMPORTÂNCIA ARRECADADA DO PRODUTOR PESSOA FÍSICA NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. A empresa adquirente, na condição de subrogada, é a responsável pelo recolhimento das contribuições sociais devidas pelo produtor rural pessoa física, nas obrigações pela comercialização da produção rural que com esse realizar, no prazo estabelecido pela legislação previdenciária. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento • de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Fl. 184DF CARF MF 8 Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e considerar procedente o lançamento, mantendo o credito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.022.4744. 14.2. Transcrição do voto contido no acórdão 0215.594 (efls 126/128): A impugnação apresentada é tempestiva, portanto, deve ser conhecida. O contribuinte discorda da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, sob a alegação de que ê irreal, fere seus direitos, cumpre suas obrigações e suspeita da conduta da fiscalização. Entretanto, nada apresenta que comprove suas alegações ou demonstra incorreções no trabalho fiscal. Acrescentese que as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social que anexa, fls. 73/118, não correspondem ao lançamento em questão, que diz respeito à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias devida na comercialização da produção rural adquirida de pessoa física e não á falta de informação de fatos geradores nos documentos tratados no artigo 32, inciso IV, da Lei 8212, de 1991. Logo nenhuma revisão merece ser feita no presente lançamento. As contribuições previdenciárias exigidas, conforme relatório fiscal, foram apuradas com base nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, das Guias de Recolhimento — GPS e Notas Fiscais de Entrada documentos emitidos e de guarda da própria impugnante, e ainda, que a constituição do crédito previdenciário está fundamentada, nos dispositivos elencados no relatório "Fundamentos Legais do Débito", fls. 30/32, onde destacamos: Lei N°8.212, de 24 de Julho de 1991: Art, 30. IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997) DecretoLei 2.848 — Código Penal, de 07 de dezembro de 1940: "Apropriação indébita previdenciária" "Art. 168A Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:" (Acrescido pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000) Determina o artigo 37 da Lei 8.212, de 1991, que: constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 182 9 de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A falta de recolhimento, no prazo legal, das importâncias retidas dos segurados configura, em tese, crime contra a Previdência Social previsto no art. I68 A do Código Penal, introduzido pela Lei n.° 9.983, de 2000, o que ensejou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP. Referida representação será examinada pelo Ministério Público, na forma do art. 616 da Instrução Normativa SRP 03, de 14/07/2005 (DOU de 15/07/2005), não competindo ao Órgão Julgador Administrativo averiguar provimento da denúncia oferecida pela fiscalização. Relativamente ao pedido de perícia, a recorrente não demonstra em que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados para justificar a perícia; não apresenta quesitos, nem indica perito, considerando, assim, não formulado o pedido, nos termos do § 1ª do art. 11 c/c inciso IV do artigo 9° da Portaria Ministro de Estado da Previdência Social MPS n° 520 de 19.05.2004, DOU.: 20.05.2004 , que rege o contencioso administrativo fiscal de primeira instância: Art. 11. A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão Notificação, aquelas que considerar prescindireis, protelatórias ou impraticáveis. § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou pericia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9° Art. 9°A impugnação mencionará: IV as diligências ou puirias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostas os motivos que as justifiquem com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. A presente Notificação de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais c normativos que disciplinam o assunto, consoante discriminado nos Fundamentos Legais do Débito, às fls. 30/32, e ao disposto nos artigos 33 e 37 da Lei 8.212, de 1991, (fim da transcrição do voto contido no acórdão 0215.594) 15. Em vista do exposto, na eventualidade de não prosperar a solução indicada no item 8 supra, propõese, para fins de integrar o acórdão embargado, adotar os fundamentos da decisão contida no Acórdão 0215.594 exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007. (Assinado digitalmente) Fl. 186DF CARF MF 10 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000788/2003-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM.
A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1003-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 07 88 /2 00 3- 20 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 191 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 0002191 às fls. 1120, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$19.192,50. Em relação ao 1º e 3º trimestres de 1998 constam nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800449620 e 0000100199800584810 os débitos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2973, apurado com base no lucro real. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 1 e 4 L 7689/88; ART 25 COMB C/ ART 57 L 8981/95; ARTS 1 e 19 L 9249/95; ARTS 2 E 6 (COMBS c/ ART 28) E ARTS 30, 55 E 60 L 9430/96; ART 69 L 9532/97. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0617.025, de 06.03.2008, efls. 118122: PROCURAÇÃO IRREGULAR. Não se conhece de impugnação subscrita por advogado constituído por pessoa não detentora do poder de administração da pessoa jurídica autuada. Impugnação não Conhecida [...] No caso dos autos, existe uma assinatura, mas nada identifica o signatário; e a rubrica não confere com aquelas espelhadas no contrato social. Logo, nenhum indício autoriza sequer a inferir que se trata da assinatura de algum dos legítimos representantes da autuada. Por conseqüência, o advogado que subscreve a impugnação de fls. 0107 carece de legitimidade para representála, o que inviabiliza o conhecimento da peça defensória. Consta na Informação Fiscal DRF/Joinvile/SC, de 27 de abril de 2009, fls. 123124: Por sugestão do senhor relator, procedemos à análise do auto de infração, objetivando possível revisão de oficio do lançamento. [...] Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 192 3 AÇÃO JUDICIAL 9801041625 PIS SEMESTRALIDADE O auto de Infração n° 2191, de 16/06/2003 lançou débitos de CSLL dos períodos de apuração de janeiro e julho de 1998, tendo em vista a não validação das vinculações declaradas pelo contribuinte, com supostos créditos decorrentes das ações judiciais 9801020458 e 9801041625. [...] AÇÃO JUDICIAL 9801020458 FINSOCIAL A Ação Judicial n° 9801020458, foi ajuizada em 24 de Abril de 1998 visando: a) A declaração de inconstitucionalidade das alterações das alíquotas do FINSOCIAL promovidas pelas leis n° 7689/88, 7894/89, 8147/90; b) A Existência de crédito em favor dos autores e autorizar a compensação deste crédito com débitos de COFINS, IRPJ, CSLL e PIS. [...] Verificamos não haver amparo para qualquer revisão de ofício do lançamento lavrado pelo auto de infração n° 2191 de 16/06/2003, visto que as compensações pretendidas pelo contribuinte contrariam o teor das decisões judiciais transitadas em julgado. Notificada em 12.05.2009, efl. 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2009, efls. 129141, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que tange à homologação tácita defende que: A Lei 9.784/99 é o norte do processo administrativo. Aqui estão insculpidos direitos do cidadãoadministrado face à administração. [...] Destarte, por determinação legal, tem a autoridade impetrada o prazo de 30 dias para decidir sobre os requerimentos a ela apresentados, podendo este prazo ser prorrogado por uma única vez, por mais 30 dias. [...] Em suma, evidenciado que após a apresentação do recurso, o prazo previsto em lei decorreu muito .acima do determinado, deve ser deferida a homologação tácita da defesa apresentada pelo contribuinte. [...] Como se não bastasse os prazos estabelecidos nas normas especificas que regem o procedimento administrativo, destacamos o prazo homologatório previsto no Código Tributário Nacional [...]. Assim, efetivada a impugnação, fica obrigada a Secretaria da Receita Federal a fazer a análise no prazo legal e extinguir ou não o crédito tributário. Porém, há que se considerar o prazo homologatório, quer seja, ele expresso, quer seja ele tácito, lembrandose que se em cinco anos da apresentação do requerimento não houver qualquer manifestação da administração, reputarseá homologado tacitamente o pedido do contribuinte. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Respeitante à legitimidade do procurador enfatiza que: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 193 4 Como podese observar pela documentação anexa, o representante da empresa apenas mudou sua assinatura, comprovada pelos documentos em anexo, que demonstram tratarse da mesma pessoa, documentos estes cuja idoneidade podem ser facilmente atestadas. No que concerne ao pedido conclui que: PELO EXPOSTO, requerse a este Egrégio Conselho de Contribuintes o encerramento do processo administrativo e extinção do crédito por falta de julgamento em tempo hábil; e, se assim não entender, o julgamento das razões alegadas na primeira instância, pois o processo foi corretamente instruído, retornando o mesmo a primeira instância de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente argui que a procuração geral para o foro, foi outorgada por instrumento particular regularmente assinado e que habilita o advogado a praticar todos os atos do processo. O Decreto nº 9.094, de 17 de julho de 2017, que trata da simplificação do atendimento prestado aos usuários dos serviços públicos, ratifica a dispensa do reconhecimento de firma e da autenticação em documentos produzidos no País, já que a diretriz entre a Administração Pública e os usuários dos serviços públicos é a presunção de boafé. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0617.025, de 06.03.2008, efls. 118122: Por óbvio, ninguém pode delegar a terceiro poderes e competências que ele próprio não detenha. O instrumento de mandato de fls. 08 registra que os poderes são outorgados pela empresa autuante Mani Bebidas Ltda , mas omite o nome da pessoa física que, detentora do poder institucional de administrar a impugnante, o estaria outorgando aos mandatários, como se vê na seguinte reprodução do instrumento de mandato: [...] A irregularidade poderia ser relevada, caso existissem semelhanças entre as assinaturas conhecidas de algum dos sócios da impugnante e aquela estampada na procuração. Entretanto, em face da visível discrepância entre a assinatura aposta na procuração de fls. 08 e as assinaturas, espelhadas às fls. 10, pertencentes aos dois Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 194 5 sócios que subscrevem o contrato social da impugnante, esta foi intimada a apresentar (fls. 112) cópia do contrato social e/ou alteração contratual apta a comprovar que a pessoa que assinou a procuração se encontra legalmente investida na condição de seu administrador. Em resposta, a autuada apresentou nova cópia do contrato social (fls. 115 116). Ocorre, contudo, que as assinaturas dos sócios da impugnante, Sr. Silvio Valandro e Sra. Mariane Nossol Valandro, estampadas às fls. 10 e 116, não guardam qualquer semelhança com a assinatura aposta na procuração de fls. 08, que omite quem a subscreveu. [...] Ora, considerando a flagrante discrepância entre a assinatura estampada na procuração e as assinaturas dos sócios únicos administradores, nos termos da cláusula 13 do contrato social (fls. 10) , impõese a conclusão de que, até prova em contrário, a pessoa que teria outorgado aos causídicos o poder de representação, não é administrador da impugnante. A regra peremptória do art. 37 do Código de Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, é que, sem instrumento de mandato, o advogado não será admitido a procurar. Acrescentese que o art. 38, do mesmo Código, condiciona a validade da procuração conferida por instrumento particular à circunstância de estar assinada pela parte. No caso dos autos, existe uma assinatura, mas nada identifica o signatário; e a rubrica não confere com aquelas espelhadas no contrato social. Logo, nenhum indício autoriza sequer a inferir que se trata da assinatura de algum dos legítimos representantes da autuada. Por conseqüência, 0 advogado que subscreve a impugnação de fls. 0107 carece de legitimidade para representála, o que inviabiliza o conhecimento da peça defensória. Estando assim convencido, voto pelo não conhecimento da impugnação. Na procuração por instrumento particular que acompanha a impugnação a Recorrente outorgou poderes para, entre outros, ao Sr. Agnaldo Chaise, OAB/SC nº 9.541, o fim específico de promover a defesa na esfera administrativa e judicial" aos outorgantes, fl. 08 (art. 105 do Código de Processo Civil) com a seguinte assinatura: Por seu turno na procuração por instrumento particular juntada ao recurso voluntário a Recorrente outorgou poderes para, entre outros, ao Sr. Arão dos Santos, OAB/SC nº 9.760, "defender seus direitos e interesses em todas e quaisquer ações em que o (a,s) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 195 6 outorgante (s) figure (m), seja (m) como autor (a,s), réu (ré,s) assistente (s), oponente (S), podendo ditos procuradores, para tal fim,usar dos poderes das cláusulas "ad judicia" e "ad negotia"" aos outorgantes, fl. 178 (art. 105 do Código de Processo Civil) com a seguinte assinatura: A Recorrente ratifica a legitimidade do procurador que "como podese observar pela documentação anexa, o representante [...] apenas mudou sua assinatura, comprovada pelos documentos em anexo, que demonstram tratarse da mesma pessoa, documentos estes cuja idoneidade podem ser facilmente atestadas." O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância (inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 196 7 Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001390/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa e vicio na origem do procedimento fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS.
E devido o lançamento de oficio sobre rendimentos de aluguéis percebidos pelo sujeito passivo. Não havendo comprovação inequívoca das alegações apresentadas na impugnação que ataca o lançamento fundamentado em relatório detalhado da autoridade lançadora, a infração apurada há de ser mantida.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS.
Constatada a omissão, é devido o lançamento de oficio para tributar, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. Para apuração do imposto, considera-se o valor da alienação deduzido do custo de aquisição, sendo permitido excluir da base de cálculo a corretagem suportada pelo alienante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.
MULTA ISOLADA DE 50%.
Verificada a impossibilidade de identificar a fonte pagadora dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo sujeito passivo, a multa isolada deve ser cancelada.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DE 150%.
Constatada a ocorrência de prática dolosa tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, é devida a aplicação da multa de oficio qualificada, entretanto, não restando evidenciada, de modo inequivoco, tal prática a qualificação da multa deve ser excluía.
Numero da decisão: 2402-006.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento parcial para reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar de 75%, onde essa foi aplicada no percentual de 150%
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa e vicio na origem do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. E devido o lançamento de oficio sobre rendimentos de aluguéis percebidos pelo sujeito passivo. Não havendo comprovação inequívoca das alegações apresentadas na impugnação que ataca o lançamento fundamentado em relatório detalhado da autoridade lançadora, a infração apurada há de ser mantida. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS. Constatada a omissão, é devido o lançamento de oficio para tributar, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. Para apuração do imposto, considerase o valor da alienação deduzido do custo de aquisição, sendo permitido excluir da base de cálculo a corretagem suportada pelo alienante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os créditos serão analisados individualizadamente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 90 /2 00 8- 29 Fl. 912DF CARF MF 2 observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. MULTA ISOLADA DE 50%. Verificada a impossibilidade de identificar a fonte pagadora dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo sujeito passivo, a multa isolada deve ser cancelada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DE 150%. Constatada a ocorrência de prática dolosa tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, é devida a aplicação da multa de oficio qualificada, entretanto, não restando evidenciada, de modo inequivoco, tal prática a qualificação da multa deve ser excluía. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar de 75%, onde essa foi aplicada no percentual de 150% (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 913DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 913 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 540 usque 558, voltado contra Acórdão emanado da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, às fls. 511/532, que, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Transcrevo, por bem delinear a causa até a interposição do apelo, o relatório da decisão guerreada. Confirase: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado por Auditor Fiscal da DRF Brasília (DF), o Auto de Infração de fls. 426/454, referente ao imposto de renda pessoa física do ano calendário 2003. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: A presente ação fiscal foi levada a efeito junto ao contribuinte por determinação do Ministério Público Federal e teve como objetivo verificar a efetividade da concessão de um empréstimo de R$ 200.000,00 pelo autuado a Carlos Augusto Lourenço Bahouth, sendo também objeto de apreciação no procedimento de oficio a movimentação financeira e a falta de apuração de ganhos de capital nas alienações de imóveis. 0 Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade lançadora registra que, no período de 16/05/2007 a 02/06/2008, o sujeito passivo foi intimado várias vezes no sentido de apresentar justificativas e documentos acerca das matérias alcançadas no procedimento fiscal em causa, conforme fls. 441/447. Para justificar o empréstimo de R$ 200.000,00 ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, bem como a origem dos respectivos recursos, o contribuinte apresentou cópia de um contrato particular, no qual informa que o empréstimo foi realizado em 27/02/2003, declarando que o lastro do empréstimo é proveniente de venda de imóvel em 2002. Fl. 914DF CARF MF 4 A autoridade lançadora destaca que o contrato em causa não possui requisitos fundamentais de validade e, em 31/12/2003, a declaração de bens e direitos apresentada pelo sujeito passivo não registra dinheiro em espécie nem saldos bancários, não sendo confirmado nos extratos do período em apreço saques que justificassem a origem da importância emprestada, fls. 172, 424 e 442. Depois do inicio da ação fiscal, o contribuinte apresentou proposta para retificar a declaração de bens e direitos, fazendo consignar a existência de créditos de empréstimos, dinheiro em espécie, créditos a receber da venda de um imóvel e dividas junto a familiares, nos valores de R$ 200.000,00, R$ 160.000,00, R$ 75.000,00 e R$ 226.666,66, respectivamente, fl. 44. A autoridade lançadora informa que não acatou a proposta de retificação, tendo em vista que não foi comprovada a disponibilidade financeira, sendo o efeito tributário repercutido na pessoa do tomador do suposto empréstimo de R$ 200.000,00. Da análise da documentação apresentada, juntamente com as demais informações obtidas perante terceiros, a autoridade fiscal apurou as infrações a seguir enumeradas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal As fls. 428/453: 001 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS DE PESSOA FÍSICA Os valores dos alugueis foram informados pelo sujeito passivo nas justificativas dos depósitos bancários e considerados nos meses em que foram recebidos, fls.428/429 e 443. 002 — OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS Os impostos devidos foram apurados levando em consideração os meses da ocorrência dos fatos geradores. 0 ganho de capital corresponde A alienação dos seguintes imóveis: • Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB; • Unidade G, SMPW Quadra 05 CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB; • Prédio Comercial no lote 06, C12, Bloco J, Taguatinga (DF); • Apartamento 503, Quadra 10B, Lote 05, Caldas Novas (GO); • Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF); Fl. 915DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 914 5 • Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF). Para o imposto decorrente da omissão de ganho de capital na alienação dos imóveis denominados Unidade G, Apartamento 503, Casa Residencial nos lotes 17/19 e Casa QSB 16, diante da ocultação dos bens e por ausência de declaração das alienações, a autorida e lançadora qualificou a multa de oficio em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e dos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137/1990. 003 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA A autoridade lançadora anotou na descrição dos fatos e no Termo de Verificação fiscal que o contribuinte, intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados mensalmente em conta corrente bancária. 004 — MULTAS ISOLADAS Tais multas foram lançadas mensalmente em razão do recebimento de aluguéis de pessoa fisica sem o recolhimento antecipado de imposto de renda a titulo de carn6 leão. DA IMPUGNAÇÃO Depois da ciência do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação As fls. 457/468. Inicialmente faz referência aos termos do lançamento para, em seguida, expor suas razões de defesa. Cerceamento do Direito de Defesa Menciona que o lançamento foi efetuado sem considerar as provas , e esclarecimentos juntados pelo contribuinte, bem como as justificativas dos demais intimados pela fiscalização, sendo a ação fiscal direcionada para depósitos bancários, não disponibilizando informações ao contribuinte que auxiliassem na sua defesa, culminando com um Auto de Infração repleto de informações truncadas e sem nexo. Alega cerceamento do direito de defesa também pelo fato de a fiscalização não ter requerido ao fiscalizado a apresentação dos Fl. 916DF CARF MF 6 contratos de locação, os nomes dos locatários, a quantia a ser recolhida, data de pagamentos ou informações afins, limitando se a autoridade lançadora a solicitar justificativas sobre depósitos bancários. Alegando situações excludentes, aduz que o relatório fiscal da autoridade lançadora reflete iniciativa de compor valores apenas para lançar, mas que não são considerados para justificar a origem do empréstimo de R$ 200.000,00 concedido ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, em 27/02/2003, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa diante de informações no Auto de Infração que permitem a defesa integral das acusações. Do Empréstimo Para justificar a origem do empréstimo de R$ 200.000,00, concedido ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, o contribuinte esclareceu que alienou imóvel e se socorreu de parentes, todavia, a fiscalização não aceitou a explicação, mesmo o sujeito passivo tendo se disponibilizado a acertar a declaração de bens. Argumenta que recebeu no anocalendário 2002 valores que pertenciam ao espólio de seu pai e, como inventariante, também lhe coube a administração da parte dos imóveis que cabia a sua mãe e aos seus seis irmãos, recursos que formaram a origem para o empréstimo. Afirma que o contrato de empréstimo foi firmado sob a égide da confiança que as partes mantinham entre si, com prazo máximo para quitação em 365 dias, sem, contudo, fugir ao disciplinado no Código Civil, ainda mais quando realizado entre particulares podem ser pactuados de forma oral e tácita. Sobre o empréstimo concedido ao Sr. Carlos Augusto, acrescenta que credor e devedor gozam de amizade reciproca e muitas vezes esta relação é alternada, dispensando contratos e cobrança juros. Assevera que alguns valores que compõem o montante do empréstimo foram adquiridos no ano de 2002, estando, portanto, decadente a sua exigibilidade. Menciona que a fiscalização não levou em consideração o ganho de capital e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem para justificar o valor do empréstimo. Entende que comprovou ter disponibilidade financeira para arcar co Q_ empréstimo ao Sr. Carlos Augusto, não sendo plausível e legal a cobrança desses valores por meio do presente Auto de Infração. Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas sujeito ao Carr& Ledo Manifesta que a locação de imóveis se perfaz dentro das normas do direito, tendo como locadores empresas que, além de reterem os valores a titulo de imposto de renda, repassa para conta do contribuinte os valores dos aluguéis por meio de depósitos bancários. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 915 7 Entende que parte dos valores de aluguéis pertence à esposa do contribuinte que administrava uma clinica médica e recebia rendimentos próprios de outras atividades e, por administrar as contas bancárias de forma adjacente, não pode o contribuinte arcar com a tributação da totalidade dos valores. Afirma ser completamente improcedente o auto de infração quanto omissão de rendimentos oriundos de aluguéis, estendida esta improcedência para as multas de oficio e isolada, bem como juros de mora e atualizações monetárias. Pugna pela exclusão da multa isolada, haja vista que o contribuinte não percebeu rendimentos de pessoas físicas. Ganho de Capital na Alienação de Bens 0 sujeito passivo salienta que apresenta novamente as justificativas para comprovar que não houve omissão de ganho de capital, quais sejam: 1. Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. Em 2003, outorgou uma procuração ao Sr. Olair Francisco com poderes para a venda do imóvel, contudo, a alienação nunca foi concretizada, sendo o imóvel relacionado em todas as declarações de bens do contribuinte nos anos subseqüentes, o que se prova por meio da certidão de ônus reais emitida pelo cartório competente e anexada aos autos. 2. Unidade G, SMPW Quadra 05 CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. Imóvel loteado e vendido por partes sem o recolhimento de imposto sobre o ganho de capital, haja vista o entendimento de que somente seria devido ao final do loteamento e da venda completa de todos os lotes, pois não teria como apurar o custo individual de cada lote. 3. Prédio Comercial no lote 06, C12, Bloco J, Taguatinga (DF). Imóvel alienado em 2002 e, por decurso do tempo, nada hi de ser cobrando por ter ocorrido a decadência. 4. Apartamento 503, Quadra 10B, Lote 05, Caldas Novas (GO). Houve um lapso do contribuinte no tocante ao recolhimento do imposto de renda sobre o presente ganho de capital, posto que no meio de muitas vendas de imóveis não se recorda de todas operações. 5. Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF). Adquiriu o imóvel em 2002 pelo valor de R$ 315.000,00 e alienou no ano de 2003 por R$ 371.250,00. Todavia, recebeu R$ 240.000,00 em 2003 e o restante em 2004, motivo pelo qual entende não haver omissão de ganho de capital em 2003. Fl. 918DF CARF MF 8 6. Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF). Este imóvel não chegou a integrar o patrimônio do contribuinte, pois foi recebido como parte de pagamento da venda do imóvel Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF), sendo que o corretor responsável pela venda lhe repassou apenas R$ 190.000,00, o mesmo valor da aquisição, ficando com ele a diferença entre alienação e custo do imóvel. 0 sujeito passivo concorda com a omissão de Ganho de Capital descrita no item 4. De outra forma, discorda da aplicação da multa de oficio de 150% sobre os ganhos de capital omitidos na alienação dos imóveis denominados Unidade G, Apartamento 503, Casa Residencial nos lotes 17/19 e Casa QSB 16, por entender que a omissão descrita caracteriza mero erro e não dolo, simulação ou fraude, considerando ainda que apresentou as justificativas quando questionado. Depósitos Bancários O impugnante alega que em resposta a todas as intimações foi enfático em comprovar os depósitos, fazendo referencia que os créditos alegados como não justificados não corroboram o valor neles apresentados. Menciona que é praticamente impossível comprovar todos os depósitos realizados na conta do contribuinte, porque praticamente a totalidade dos depósitos listada é composta por vários cheques. Citou o depósito de R$ 1.304,21, realizado no dia 23/06/2003, o qual corresponde ao somatório de vários cheques. Esclarece que, no anocalendário 2003, as pessoas jurídicas Auto Posto Ribeiro Ltda, Torneadora e Mecânica Santos Ltda e Ribeiro e Januário Empreendimento Eletrônicos Ltda, nas quais detinha participação societária, utilizavam sua conta bancária para transações monetárias. Da mesma forma procedeu com a Carla Clinica Médica, que era administrada por sua esposa. O contribuinte, como inventariante no processo de inventário de seu falecido pai e em razão da administração dos imóveis e empresa da família, recebeu e efetuou pagamentos, repassou valores para seus irmãos e sua mãe, conforme procuração. As despesas dos cartões de crédito e prestações de financiamento ‘do automóvel da esposa, bem como os cartões de crédito de cada um dos filhos, são debitados em sua conta corrente, demonstrando que não é o único a lidar com a conta bancária — todos sacam e também depositam. Entende que os valores estão justificados, não restando ao contribuinte arcar com o pagamento de um Auto de Infração que não lhe diz respeito exclusivamente. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 916 9 Protesta pela aplicação da Lei n° 9.430/1996, a qual estabelece que somente os depósitos bancários de valores elevados devem ser justificados, sendo relevados os de pequena monta. Repisa o fato de que parte dos valores objeto da presente infração pertence a sua esposa, a qual possuía rendimentos próprios, motivo pelo qual o fiscalizado não pode arcar com o ônus total da autuação. Multa Isolada 0 contribuinte discorda da aplicação da multa isolada, argumentando que os rendimentos em apreço não estão sujeitos ao recolhimento na modalidade carnd leão, porquanto os recebimentos são oriundos de pessoas jurídicas, cujos valores compõem receita do contribuinte e de sua esposa, a qual apresenta declaração em separado. Menciona que o Conselho de Contribuintes veda a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio, por ferir o principio constitucional da dupla punibilidade. De igual modo, considera descabida a qualificação da multa de oficio de 150%, por não existir prova efetiva de dolo, fraude ou simulação, mas mera omissão de rendimentos ocasionada por lapso. Pedido Requer o cancelamento do Auto de Infração. Junta aos autos os documentos de fls. 521/590. Em seu Recurso, preliminarmente, aponta que teria havido cerceamento de defesa por parte da Fazenda, uma vez que o Contribuinte teria sido induzido a erro durante a fiscalização, não sabendo, realmente, quais documentos deveriam ser juntados ou quais depósitos seriam analisados individualizadamente e, por isso, a defesa do ora apelante estaria limitada aos termos determinados pelo i. Auditor Fiscal. Afia que não ficaram explícitos quais os depósitos deveriam ser esclarecidos por parte do Contribuinte e não teria sido levado em consideração de que os depósitos que teriam sido juntados à Impugnação. Anexa, quanto aos meses do ano de 2003, diversos extratos dos depósitos feitos (fita de caixa) na conta do contribuinte que não foram citados pela fiscalização e que, por tal motivo, teria dificultado a defesa na presente demanda. São eles: 1) Depósito considerado no extrato do mês de janeiro de 2003 de R$225,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 125,00 (n. cheque 850295) e R$ 100,00 (n. cheque 003444); 2) Depósito considerado no extrato do mês de janeiro de 2003 de R$5.322,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 3.132,00 (n. cheque 850072), R$ 70,00 (n. cheque 000143), R$ 70,00 (n. cheque 575638), R$150,00 (n. cheque 100204) e R$ 1.900,00 (n. cheque 000638); Fl. 920DF CARF MF 10 3) Depósito considerado no extrato do mês de março de 2003 de R$560,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 442,00 (n. cheque 000819) e R$ 118,00 (n. cheque 850480); 4) Depósito considerado no extrato do mês de março de 2003 de R$191,66 que corrésponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 75,14 (n. cheque 595098) e R$ 116,02 (n. cheque 850289); 5) Depósito considerado no extrato do mês de abril de 2003 de R$1.144,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 1.000,00 em dinheiro, R$ 124,00 (n. cheque 001411) e R$ 20,00 (n. cheque 000839); 6) Depósito considerado no extrato do mês de abril de 2003 de R$10.220,69 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 6.052,69 (n. cheque 002777), R$ 38,00 (n. cheque 850415), R$230,00 ( n. cheque 851108), R$3.800,00 (n. cheque 850113) e R$ 100,00 (n. cheque 000859); 7) Depósito considerado no extrato do mês de maio de 2003 de R$5.299,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 340,00 (n. cheque 013448), R$ 130,00 (n. cheque 009189), R$ 2.000,00 (n. cheque 100275), R$ 123,00 (n. cheque 000153) e R$ 2.706,00 (n. cheque 000084); 8) Depósito considerado no extrato do Ines de junho de 2003 de R$1980,70 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 1.564,00 (n. cheque 000579), R$ 28,90 (n. cheque 000692), R$ 57,80 (n. cheque 850669), R$ 250,00 (n. cheque 850005) e R$ 80,00 (n. cheque 001400); 9) Depósito considerado no extrato do Ines de junho de 2003 de R$9.448,27 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 3.000,00 (n. cheque 850163), R$ 6.391,27 (n. cheque 000199) e R$ 57,00 (n. cheque 850135); 10)Depósito considerado no extrato do mês de junho de 2003 de R$70,70 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 39,90 (n. cheque 079234) e R$ 30,80 (n. cheque 002664); 11)Depósito considerado no extrato do rites de junho de 2003 de R$8.654,89 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 154,89 (n. cheque 003130) e R$ 8.500,00 (n. cheque 000394); Fl. 921DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 917 11 12)Depósito considerado no extrato do mês de julho de 2003 de R$1.399,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 215,00 (n. cheque 655951) e R$ 1.184,00 (n. cheque 001673); 13)Depósito considerado no extrato do mês de julho de 2003 de R$1.593,12 que corresponde na verdade a dezessete depósitos nos valores: R$ 57,29 (n. cheque 850133), R$ 27,00 (n. cheque 006124), R$ 124,00 (n. cheque 001057), R$ 102,49 (n. cheque 300004), R$ 74,64 (n. cheque 001391), R$ 40,00 (n. cheque 700204), R$ 55,00 (n. cheque 850243), R$ 25,00 (n. cheque 001489), R$ 50,00 (n. cheque 001012), R$ 100,00 (n. cheque 850447), R$ 120,00 (n. cheque 850770), R$ 140,00 (n. cheque 850155), R$ 146,00 (n. cheque 850425), R$ 110,00 (n. cheque 049633), R$ 51,00 (n. cheque 814279), R$ 170,00 (n. cheque 300416) e R$ 200,00 (n. cheque 850409); 14)Depósito considerado no extrato do mês de agosto de 2003 de R$2.054,22 que corresponde na verdade a quatro depósitos nos valores: R$ 1.520,00 (n. cheque 470811), R$ 377,00 (n. cheque 000443), R$ 43,00 (n. cheque 850113) e R$ 113,77 (n. cheque 410683); 15)Depósito considerado no extrato do mês de setembro de 2003 de R$2.804,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 132,00 (n. cheque 000214) e R$ 2.672,00 (n. cheque 573206); 16)Depósito considerado no extrato do mês de setembro de 2003 de R$2.668,72 que corresponde na verdade a treze depósitos nos valores: R$ 107,00 (n. cheque 000597), R$ 2.000,00 (n. cheque 400066), R$ 43,20 (n. cheque 850043), R$ 65,00 (n. cheque 000015), R$ 43,00 (n. cheque 004197), R$ 66,87 (n. cheque 001747), R$ 20,00 (n. cheque 662109), R$ 64,00 (n. cheque 900202), R$ 77,65 (n. cheque 000069), R$ 30,00 (n. cheque 00085), R$ 65,00 (n. cheque 851171), R$ 53,00 9n. cheque 850239) e R$ 34,00 (n. cheque 900211); 17)Depósito considerado no extrato do mês de outubro de 2003 de R$6.531,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 5.651,00 (n. cheque 000221) e R$ 880,00 (n. cheque 001722); Fl. 922DF CARF MF 12 18)Depósito considerado no extrato do mês de outubro de 2003 de R$2.320,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$2.000,00 (n. cheque 100489), R$ 70,00 (n. cheque 000245), R$ 70,00 (n. cheque 900023), R$ 60,00 (n. cheque 850639) e R$ 120,00 (n. cheque 000230); 19)Depósito considerado no extrato do mês de novembro 2003 de R$4.000,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 3.000,00 (n. cheque 100548) e R$ 1.000,00 (n. cheque 850450); 20)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$10.100,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 700,00 (n. cheque 001072), R$ 9.000,00 (n. cheque 850653) e R$ 400,00 (n. cheque 850063); 21)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$6.070,00 que corresponde na verdade a quatro depósitos nos valores: R$ 10,00 (n. cheque 850669), R$ 2.520,00 (n. cheque 000919), R$ 3.190,00 (n. cheque 851969) e R$ 350,00 (n. cheque 001737); 22)Dep6sito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$1.032,00 que corresponde na verdade a doze depósitos nos valores: R$ 210,00 (n. cheque 850669), R$ 70,00 (n. cheque 850935), R$ 70,00 (n. cheque 850547), R$ 200,00 (n. cheque 003780), R$ 40,00 (n. cheque 093417), R$ 25,00 (n. cheque 670024), R$ 110,00 (n. cheque 900232), R$ 47,00 (n. cheque 850572), R$ 50,00 (n. cheque 850122), R$70,00 (n. cheque 900182), R$ 70,00 (n. cheque 900214) e R$ 70,00 (n. cheque 000946); 23)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$2.590,77 que corresponde na verdade a seis depósitos nos valores: R$ 1.165,00 (n. cheque 000683), R$ 170,00 (n. cheque 850145), R$ 622,00 (n. cheque 850147), R$ 151,77 (n. cheque 850502), R$ 232,00 (n. cheque 001259) e R$ 250,00 (n. cheque 000310); 24)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$217,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 47,00 (n. cheque 850572) e R$ 170,00 (n. cheque 850667); 25)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$35.000,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 918 13 R$ 2.000,00 (n. cheque 400147), R$ 30.000,00 (n. cheque 013195) e R$ 3.000,00 (n. cheque 100547); 26)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$3.200,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 2.700,00 (n. cheque 000179), R$ 400,00 (n. cheque 003623) e R$ 100,00 (n. cheque 850396). Advoga no sentido de que a fiscalização estaria eivada de equívocos materiais, não podendo a autoridade administrativa, ainda que se esteja diante da inversão do ônus da prova, utilizarse de "mecanismos que distorçam o entendimento" do contribuinte. E continua, às fls. 548: "Era dever da autoridade requerer, através de intimações, a prova que necessitava para demonstrar o alegado pelo contribuinte, caso entendesse pertinente e não valerse de que o mesmo deixou de apresentálas, quando sequer sabia que era isso que devia ser feito. Ora, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários e alguns parcos documentos, veio aos autos e indicou que se tratavam de aluguéis, de vários depósitos, etc e mesmo depois de anunciar por diversas vezes do que se tratava a autoridade remeteu outras intimações sem ao mesmo questionar quanto aos documentos que fundamentavam as alegações do contribuinte, antes voltou a questionar apenas quanto aos depósitos bancários." Por considerar indevida a fiscalização por falta de fundamentação, requer a nulidade do auto por cerceamento de defesa. No mais, reprisa os mesmíssimos argumentos expostos na sua Peça de Defesa, acrescentando somente capítulo quanto a qualificação da multa, alegando que não caberia a aplicação de multa de 150% ao caso, por não tratarse de fraude mas, sim, mero equívoco que já teria sido, inclusive, justificado nas razões de defesa. Requer, portanto, o cancelamento do auto de infração. Junta, às fls. 559/565, extratos de Depósito em conta corrente. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Como se depreende do AR de fls. 539, o sujeito passivo tomou ciência da r. Decisão de piso em 17/08/2010, protocolando seu recurso em 03/09/2010, sendo, portanto, tempestivo. Verificando o que de mais consta dos autos, podese verificar que o apelo preenche também os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, à exceção do item II do Recurso Voluntário [Fl. 548] titularizado como "DO EMPRÉSTIMO" Como já esposado na decisão a quo, não foi imputada nenhuma infração ou lançamento referente ao empréstimo de R$ 200.000,00 que teria sido feito pelo Contribuinte a Carlos Augusto Lourenço Bahouth. Confirase o que salientado pelo i. Fiscal, às fls. 482: Intimado a comprovar a efetividade da concessão do empréstimo e a origem dos recursos emprestados, o fiscalizado apresentou cópia de um contrato particular de empréstimo, • que foi anexado As fls. 172, no qual Carlos Augusto Lourenço Bahouth declara que recebeu a quantia de R$200.000,00 em 27.02.2003, referente a um empréstimo pessoal. Sobre a origem dos recursos informou que o dinheiro emprestado é proveniente de venda de imóvel em 2002. Destacamos que em sua declaração de bens e direito relativamente A situação em 31.12.2003 não consta disponibilidade fjjianceira não são registrados dinheiro em espécie e nem em saldo bancários. h. kjQkit , Também da análise dos exatos bancários não foram confirmados saques em conta do contribuinte que justificassem este empréstimo. Verificamos que o contrato apresentado não dispõe sobre itens fundamentais como juros, data de vencimento da obrigação, embora o valor emprestado fosse significativo. [...] Uma vez que não foi comprovada a disponibilidade financeira, o fisco não acatou as justificativas do fiscalizado. O efeito tributário incidiu sobre o tomador do suposto empréstimo, também sob fiscalização. Portanto, haver decisão quanto a tal matéria seria entrar em demanda que não integra o presente processo, operando efeitos em lide que segue apartada. Outrossim, para além de ser matéria estranha aos autos, vislumbramos falta de interesse processual eis que não sendo autuado em razão de tal rubrica, sua batalha em tal tema somente se justificaria em defesa do direito alheio. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 919 15 Por não encontrar substância ou atender aos requisitos de admissibilidade, voto por não conhecer o Recurso Voluntário apenas neste ponto, mantendo assim o que já fora decido pela DRJ. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE. Aponto, desde logo, que preliminar de nulidade por cerceamento de defesa não merece guarida. Isso porque, por diversas ocasiões, o contribuinte foi chamado aos autos para entrega de documentos. À guisa de exemplo, as intimações de fls. 4 (com pedido de prorrogação às fls. 7, e respondida às fls. 8/257), fls. 259 (com pedido de prorrogação às fls. 272), fls. 274 (respondida às fls. 285/372) e fls. 373 (com pedido de prorrogação de prazo às fls. 378 e respondida às fls. 379/465) . Após as intimações, foi lavrado o Auto de infração de fls. 481/493, em que o i. Auditor explicita todas as razões para a lavratura do auto, conforme determinado pela Lei1. Daí houve intimação do Recorrente, às fls. 495, para resposta, tempo em que foi apresentada sua Impugnação. Denotase, portanto, que não houve, em momento algum, cerceamento do direito de defesa do recorrente, posto que ele sempre esteve presente nos autos e teve conhecimento de todo o caminho percorrido pelo Fisco para a constituição do Auto. Não logra êxito em demonstrar qualquer bruma que dificultasse o entendimento no cumprimento de qualquer das exigências requisitadas ou, ainda, sobre a necessidade/impossibilidade de entrega de quaisquer documentos que julgasse necessários para a instrução do procedimento. Como reza o inc. II do art. 373 da Carta Processual Civil, aplicável no processo administrativo tributário, o ônus da prova recai sobre aquele que busca modificar, impedir ou extinguir um direito, neste ponto tal posição é ocupada pelo Recorrente. Por conseguinte, alegar que não estava "claro" como deveria ser apresentada sua Impugnação ou mesmo o Recurso Voluntário não convém, até porque tratase de norma legal. Vêse, pois, que o recorrente apenas reagita a matéria de cerceamento sem, no entanto, ter qualquer fundamento. Com isso posto, resta inconteste que, ao contrário do que alegado no recurso, não existem quaisquer equívocos ou prejuízos a ampla defesa e contraditório que importem em nulidade por cerceamento de defesa. Não há que se falar, de igual modo, em falta de fundamentação ou de "elasticidade" demasiada no trabalho fiscal, posto que os autos se encontram processualmente saneados e materialmente bem respaldados. Logo, a preliminar não prospera devendo ser afastada. 1 Art. 10 do Decreto n° 70.235/72: Fl. 926DF CARF MF 16 3. MÉRITO. 3.1. DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS. Diz o relatório fiscal (fls. 482): Verificamos nos documentos encaminhados pelos Cartórios de Registro de Imóveis que o fiscalizado alienou vários imóveis sem a devida apuração do ganho de capital, sendo que alguns imóveis não eram declarados pelo contribuinte. Algumas alienações de imóveis somente vieram ao conhecimento do fisco porque o fiscalizado teve que justificar a origem de depósitos bancários em conta de sua titularidade, e apresentou contrato particular de compra e venda. Argumenta o Recorrente, nos mesmíssimos moldes de sua Impugnação, que haveria cerceamento de defesa, inicialmente que, "porquanto que a autoridade fiscal ou faz prova de que o contribuinte dispunha de valores suficientes para resguardar o empréstimo ou de que o mesmo não infringiu as normas pertinentes ao ganho de capital. NÃO pode a fiscalização argüir em seu favor duas alternativas excludentes, brincando com a seriedade do feito, na ânsia de lançar algo e livrarse da incumbência, vedando ao contribuinte saber ao certo o que compõe de fato e de direito a sua imposição tributária." (fls. 550) Já tendo sido analisada a premissa de cerceamento de defesa (e conseqüentemente afastada), serão analisadas, de forma pormenorizada, as compras e vendas realizadas. 3.1.1 UNIDADE A, SMPW QUADRA 05, CJ 13, LOTE 07, PARK WAY, BSB. Salienta o Relatório Fiscal, às fls. 51: Conforme Instrumento Público de Procuração, as fls. 76 do Anexo I, em 06.02.2003, o fiscalizado outorgou poderes, em miter irretratável, a Olair Francisco, CPF 380.956.10100, para, em relação ao imóvel acima identificado, vender, transferir, transmitir posse, domínio, direito e ação, dentre outros pelo preço de R$40.000,00. Intimado a esclarecer a operação o contribuinte apresentou a certidão de ônus real, no qual sob protocolo 170.486, o Cartório de 40 Oficio de Registro de Imóveis informa que o imóvel é de propriedade do fiscalizado e sobre ela não ele não existe ações reais e pessoais. Considerando que a procuração tem caráter publico e que no modo os poderes foram outorgados, em caráter irrevogável, caracteriza a venda do imóvel, por meio do chamado "contrato de gaveta". Não foi apresentado o instrumento público de revogação da procuração. O Contribuinte, por sua vez, tanto na Impugnação, quanto no Apelo: (...) o contribuinte, no ano de 2003, outorgou uma procuração para o Sr. Olair Francisco dandolhe poderes para a venda do imóvel em comento. Contudo, a venda nunca foi perfectibilizada* por esse mero procurador, constando o Fl. 927DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 920 17 imóvel em todas as declarações dos anos subseqüentes do contribuinte. Ainda, verificase a propriedade através da Certidão de ônus Real anexada em seara de investigação a esse feito. (grifo do original fls. 552) A DRJ, ao analisar a questão, firmou que: Não obstante os argumentos de que o imóvel não foi alienado, cumpre esclarecer que, para apuração do ganho de capital, são considerados as operações que importem em alienação a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, nos termos do disposto no § 3 0, do art. 3 0, da Lei n° 7.713/1988: (...) Dessa forma, diante da fundamentação cravada pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração, bem como a procuração em causa própria outorgada pelo sujeito passivo ao Sr. Olair Francisco, acostada à fl. 76, considerase efetuada a alienação em 06/02/2003. Analisandos os argumentos e documentos acostados aos autos, não é possível acolher o pleito recursal. Embora, mesmo após devassar as contas do Recorrente, o fisco não tenha identificado qualquer ingresso compatível com a operação imobiliária em foco e a despeito do imóvel tido por alienado continuar registrado sob propriedade do Recorrente, conforme Certidão juntada aos autos às fls. 291 outras questões favorecem a tese fiscal. Percebam que a fl. 663 consta procuração em causa própria conferida ao Sr. Olair para que promova a venda do imóvel em questão a quem quiser, não tendo tal documento validade estipulada, sendo irretratável e irrevogável. Notem ainda que o Recorrente utiliza tal forma de alienação em diversas outras oportunidades, como comprador ou vendedor, sempre negociando imóveis por meio de procuração. Embora não reste claro que tratase de procuração em causa própria, tal como previsto no Código de 1916 Art. 1317, I e, atualmente, regrado no Art. 685 do Código Civil promulgado pela Lei 10.406/022, eis que faltam informações quanto a quitação do preço e a possibilidade de transferência para sí, o fato de não haver prazo para execução do mandato, permite que tal imóvel seja negociado com terceiros a qualquer tempo. Assim, pode manter o imóvel em sua posse e dele usufruir como se proprietário fosse e, desejando, alienálo décadas depois. Com isso, o vendedor deixaria de registra ganho de capital e o comprador deixaria de pagar ITBI, por exemplo. Portanto, o fato de manter a propriedade, não é suficiente para descaracterizar a compra e venda, ainda que por meio do chamado contrato de gaveta. 2 “Conferido o mandato com a cláusula “em causa própria”, a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais”. Fl. 928DF CARF MF 18 Desse modo, voto por manter o lançamento quanto ao ganho de capital referente a Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. 3.2.2 UNIDADE G, SMPW QUADRA 05 CJ 13, LOTE 07, PARK WAY, BSB. Quanto a tal Unidade, a fiscalização impôs que: "Conforme escritura As fls. 177, em 07.05.2003 a unidade G foi alienada pelo preço de R$160.000,00 a Nelson Guimarães da Fonseca, CPF 358.869.00187. Embora tenha declarado a alienação deste imóvel o fiscalizado não apurou o ganho de capital nesta operação." A DRJ decidiu que: "A escritura pública de compra e venda apresentada à fl. 177 demonstra que o imóvel foi vendido por R$ 160.000,00, em 07/05/2003. A fiscalização apurou custo de aquisição proporcional de R$ 18.750,00 e, em conseqüência, ganho de capital de R$ 141.250,00. No entanto, o sujeito passivo comprova que suportou despesas de corretagem na alienação do presente bem, no valor de R$ 10.000,00, conforme recibo trazido fl. 250. Assim, nos termos do § 5° do art. 123 do Decreto n° 3.000/1999, a infração decorrente de ganho de capital será reduzida de R$ 141.250,00 para R$ 131.250,00." O Recorrente se manifesta: "(...) conforme já exposto anteriormente em razões de defesa, o contribuinte loteou o imóvel em comento, tendo vendido por partes e deixado de recolher os valores de ganho de capital por entender que somente seria devido ao final do loteamento e da venda completa de todos os lotes. Isso porque não teria como apurar de forma individual, sem que compusesse o ganho total, tomando em conta a apuração do custo total do imóvel e não de cada lote." Sem reparos na decisão de piso. Isso porque, o loteamento não exime o contribuinte da apuração de ganho de capital, uma vez que a alienação dos imóveis não integrantes da incorporação ou loteamento é tributada como ganho de capital da pessoa física de seu titular, ou não se sujeita à tributação, se atendidas as condições dos arts. 22 (bens de pequeno valor) e 23 (único imóvel) da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Mantida, assim, a infração. 3.2.3 PRÉDIO COMERCIAL NO LOTE 06, C12, BLOCO J, TAGUATINGA (DF). O Relatório Fiscal dá conta de que: O imóvel acima identificado foi alienado em 24/09/2002, para Hélio Alves de Andrade, CPF 455.283.90630, nas seguintes condições: R$50.000,00 de entrada e o restante em 06 parcelas Fl. 929DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 921 19 de R$25.000,00 vencendo a primeira em 24.10.2002 e as demais em igual dia dos meses subseqüentes, conforme escritura As fls. Assim, em 2002 foi recebido o valor de R$125.000,00 e em 2003 o valor de R$ 75.000,00, não foi apurado o ganho de capital. 0 custo de aquisição deste imóvel foi de R$13.000,00 e a parte a que faz jus o fiscalizado é de 1/6 do imóvel (...) Tendo em vista o regime de caixa a que estão sujeitas As pessoas fisicas, foi apurado o ganho de capital proporcional As parcelas recebidas no ano de 2003, conforme abaixo demonstrado: A DRJ, por sua vez: Realmente o imóvel foi alienado em 2002, contudo, parte do valor da venda foi paga ao sujeito passivo em 2003, como mostra a descrição dos fatos assentada à fl. 444. Dessa forma, conforme estabelece o art. 140 e §§ do Decreto n° 3.000/1999, o ganho de capital foi apurado na proporção dos valores recebidos em 2003. O Contribuinte, em sua Impugnação e Apelo: Conforme expõe a autoridade fiscal, o imóvel foi alienado no ano de 2002, data essa em que foi apurado o ganho de capital, por essa razão, não há nada a ser cobrado pelo fisco, por decurso de prazo. Por ter ocorrido a decadência, conforme decidiu o STF. Conforme esculpido no art. 21 da Lei nº 7.713/88, adicionada ao Decreto nº 3000/99, em seu art. 140, concluise: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Além disso, o §1º do art. 140, incluído apenas no Decreto: §1ºPara efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Portanto, não há que se falar, no caso, em decadência do direito de lançar, uma vez que dentro do prazo de 5 (cinco) anos determinado pela Súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal.8 Mantenho, portanto, o lançamento. 3.2.4 CASA RESIDENCIAL, LOTES 17/19, QSA 14, TAGUATINGA (DF). O RF, às fls. 485: Fl. 930DF CARF MF 20 Conforme escritura As fls. , em 08/09/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado 41/ para REINALDO WAGNER TAVEIRA, CPF 182.944.561/97 por R$ 371.250,00. Este imóvel foi adquirido em 01.04.2002 pelo valor de R$ 315.000,00. Essa operação não foi declarada pelo contribuinte e somente veio ao conhecimento do fisco quando foram apresentadas justificativas para comprovar a origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. Conforme consta do contrato de compra e venda em 2003 foi recebido o valor de R$240.000,00 o restante em 2004 Este lançamento é relativo ao ganho de capital auferido no ano de 2003, o ganho de capital sobre os valores recebidos em 2004 será objeto de lançamento posterior. 0 ganho de capital proporcional A parcela recebida em 2003 é de R$36.363,64 conforme demonstrado a seguir: A d. DRJ, ao analisar o caso diz que: Está correta a apuração de ganho de capital registrada A. fl. 445. Do valor da alienação — R$ 371.250,00 —, o sujeito passivo recebeu R$ 240.000,00 em 2003 e o restante em 2004. Assim, no anocalendário autuado, conforme estabelece o art. 140 e §§ do Decreto n° 3.000/1999, o ganho de capital foi apurado proporcionalmente ao valor de R$ 240.000,00. O Contribuinte, em seu Recurso, reprisando as razões de sua Impugnação alega que: (...) conforme dispõe a própria autoridade fiscal o presente imóvel foi adquirido no ano de 2002 pelo valor de R$ 315.000,00 e vendido no ano seguinte (2003) pelo valor de R$ 371.250,00. Ocorre que no ano de 2003 não foi apurado ganho de capital com a venda, pelo simples motivo de não ter incidido ganho de capital nessa alienação. No ano de 2003 o valor recebido pelo contribuinte decorrente da alienação foi apenas de R$ 240.000,00, ou seja, parte do investimento inicial, não tendo havido ganho algum. Contudo, novamente é descabida a cobrança da multa qualificada a 150% apenas por erro do contribuinte no ano seguinte, quando se configurou o ganho de capital, ainda mais quando não há prova de que houve dolo, simulação ou fraude para o não recolhimento do ganho de capital. Além disso, repisa a situação quando a própria autoridade fiscalizadora refere, em seu relatório (pg. 20), que o fiscalizado apresentou documentos de aquisição e venda quando intimado a justificar deposito bancários em conta de sua titularidade. Vislumbrase que a iniciativa do contribuinte nunca foi de simular, fraudar e muito menos agiu com dolo, do contrário não teria apresentado as justificativas quando questionado. Atentamos para o fato de que nunca lhe foi perguntado sobre esse recolhimento, muito menos exigido, por essa razão tratarse apenas de mera omissão que não se agrava com multa de 150%. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 922 21 Neste ponto a insurgência do Recorrente se limita a qualificação da multa. Nesta operação, diferente do que ocorra em outra realizada por meio de procuração, ou contrato de gaveta, o contribuinte, como a própria fiscalização registra, efetivou o negócio as claras, promovendo o registro público do contrato de compra e venda. Sendo sua única infração neste caso o não pagamento e ausência de declaração, não restando demonstrado nenhum ardil, simulacro ou fraude dolosamente comentida com o intuito de ilidir obrigação tributária. O artigo 44, da Lei 9.430/96, determina que: "Art. 44 Nos casos de lançamentos de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição": I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, Pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 7 1, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." O entendimento quanto a tal matéria já está há muito assentado no âmbito desta Corte, pondose à luz a Súmula CARF nº 14, que reza: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, em análise do caso, e muito embora a omissão de tais pagamentos não tenham sido únicos, posto que tal omissão também ocorreu quanto a outras unidades (que serão a seguir tratadas), não entendo como devida a multa no patamar de 150%, uma vez que não fora devidamente comprovada a intenção deliberada de omitir os valores devidos a título de ganho de capital. Assim entendese porque a Fiscalização não foi capaz de comprovar nenhum comportamento arredio por parte do Contribuinte ou mesmo que houvesse, em qualquer momento, falsidade material ou ideológica, ou ainda que teria o fiscalizado deixado de atender às intimações. Com efeito, à míngua de comprovação do dolo por parte do contribuinte, tendo ele mesmo reconhecido o erro quanto ao ganho de capital de tal empreendimento, deve ser a multa agravada de 150%, reduzida ao patamar de 75%, mantendose no entanto, a necessidade do recolhimento do valor de R$ 36.363,64 referente ao ganho de capital na alienação do imóvel. Fl. 932DF CARF MF 22 3.2.5 APARTAMENTO 503 CONDOMÍNIO RESIDENCIAL ECOLOGIC PARK DAS TERMAS, RUA JUSCELINO KUBISTHECK QUADRA 1° B, LOTE 05, CALDAS NOVAS E CASA — QSB 16, TERRENO 08, TAGUATINGA — DF. Quanto a tais imóveis, diz o RF, às fls. 485, respectivamente, que: "Conforme escritura As fls. , em 21/08/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado para MIRTES GERALDA MARTINS, CPF 062.925.69187 por R$ 70.000. Este imóvel foi adquirido em 01/03/2000 pelo valor de R$ 48.000,00, todavia não constou das declarações de bens do fiscalizado, que apresentou os documentos de aquisição e venda quando foi intimado a justificar depósitos bancários em conta de sua titularidade. O ganho de capital= R$22.000,00 (R$70.000,00 – R$48.000,00)." "Conforme documentos As fls. , em 17/11/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado para HIZA MARIA S CARPINA, CPF 782.228.00159, em 17/11/2003 pelo valor de R$210.000,00. O custo de aquisição em 08/09/2003 foi de R$190.000,00, (fls. ) Na aquisição e a alienação do imóvel foram utilizados instrumentos particular de compra e venda, não foram declarados e somente vieram ao conhecimento do fisco quando da apresentação de justificativas dos créditos em conta bancária. Ganho de Capital = R$ 20.000,00 (R$210.000,00 – RS190000,00)" A DRJ. tratou apenas da Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF), nos termos que (fls. 526): Diz o impugnante que adquiriu o imóvel por R$ 190.000,00 e o alienou por R$ 210.000,00, tudo no anocalendário 2003, no entanto, suportou despesas de corretagem de R$ 20.000,00, motivo pelo qual não houve omissão de ganho de capital. Compulsando os autos, extraise da fl. 390 que o imóvel foi mesmo alienado por R$ 210.000,00, no entanto, documentação alguma foi apresentada para comprovar o efetivo pagamento da alegada despesa de corretagem, o que resulta na manutenção da infração aplicada pela autoridade lançadora. O apelante, na mesma linha do tópico anterior, aduz, que: Apartamento 503 Condomínio Residencial Ecologic Park das Termas, Rua Juscelino Kubistheck Quadra 1° B, lote 05, Caldas Novas: no presente caso houve um lapso por parte do contribuinte, no tocante ao ganho de capital, pois no meio de muitas vendas de imóveis não pode recordarse de todos. Contudo, novamente é descabida a cobrança da multa qualificada a 150% apenas por erro, quando não há prova de que houve dolo, simulação ou fraude para o não recolhimento do ganho de capital. (...) (...) Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 923 23 Casa — QSB 16, Terreno 08, Taguatinga — DF:o imóvel em comento não constou também na apuração por ter o contribuinte recebido o mesmo como parte do pagamento da venda do imóvel referido no item 05 acima (Casa residencial Lote 17/19 na QSA 14 Taguatinga). Importa salientar que essa casa sequer chegou a ficar no patrimônio do contribuinte, considerandose que o corretor que vendeu a casa, quando da realização do negócio, ficou com o saldo da diferença entre o valor de entrada do imóvel no negócio e a venda que o corretor mesmo realizou, tendo repassado apenas o valor de R$ 190.000,00. Assiste parcial razão ao Recorrente. Já como anteriormente antecipado, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar o recolhimento dos valores, só por si não caracteriza evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44, da Lei nº 9.430/96. A mera infração de dispositivo de Lei, mesmo em casos em que o resultado é a diminuição do pagamento do tributo, não é autorizado ao Fiscal presumir o intuito de fraude. Tal observação deve acompanhar prova que o sujeito efetivamente empenhouse em induzir a autoridade administrativa a erro, seja forjando documentos ou por juntarse a outros indivíduos para a conduta fraudulenta. Fiandose em tais premissas, voto por reduzir a multa aplicada para o patamar de 75%, uma vez que o próprio Contribuinte foi quem trouxe aos autos as informações quanto a tais alienações, conforme reconhecido pelo i. Auditor Fiscal: "(...) e somente vieram ao conhecimento do fisco quando da apresentação de justificativas dos créditos em conta bancária." No mais, forçoso reconhecer a necessidade do recolhimento do imposto, uma vez que o Contribuinte não logrou êxito na comprovação de que não houveram tais alienações ou que o valor teria ficado com o corretor. Por isso, voto por reduzir a multa ao patamar de 75% e mantenho a necessidade do recolhimento dos valores de R$ 22.000,00 e R$ 20.000,00, respectivamente, referentes à alienação dos imóveis Apartamento 503 Condomínio Residencial Ecologic Park das Termas, Rua Juscelino Kubistheck Quadra 1° B, lote 05, Caldas Novas e Casa — QSB 16, Terreno 08, Taguatinga — DF. 3.3. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O REFISC registra: "Omissão de Rendimentos no valor de R$251.659,00 caracterizada por valores creditados em conta corrente mantida junto ao Bradesco, durante o ano de 2003, cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea conforme determina o art. 849 lido Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99." (...) Fl. 934DF CARF MF 24 "E o contribuinte foi então intimado a comprovar os valores depositados em conta corrente no ano calendário de 2003 no valor de R$757.336,72 (fls ). O montante excluído de R$505.677,64 compreende os valores de cheques devolvidos, e de créditos oriundos de alienações dos imóveis(...)" Quando do Julgamento, a DRJ decidiu que: (...) as alegações resumidas (...) não são insuficientes para afastar a ocorrência do fato gerador da infração em apreço. A simples citação de um depósito composto por vários cheques, a utilização da conta do sujeito passivo para débitos em nome de sua esposa e seus filhos, a menção de que sua conta era utilizada para movimentar transações de pessoas jurídicas e valores relacionados a inventário dos bens de seu falecido pai, em nenhum momento nos autos lograram comprovar, com documentação hábil e de forma individualizada, a origem dos depósitos e créditos relacionados pela fiscalização na omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários. Não prospera a menção feita na impugnação que as explicações foram solicitadas pela autoridade lançadora com imprecisão, tendo em vista que está evidente nos autos que a fiscalização solicitou justificativas ao contribuinte e requereu comprovação da origem dos depósitos como foram consignados nos extratos bancários." O recorrente, em seu Recurso, reprisa os mesmos termos da sua Impugnação quanto a tal matéria. Sem razão o apelo. Conforme balizado pela decisão a quo, haveria necessidade de comprovação individualizada dos depósitos bancários para que fosse afastada a determinação de que, sobre eles, incidiriam o imposto de renda. Nesse ponto, esclareceu a decisão objurgada: "Como se verifica dos termos do dispositivo legal acima, o depósito bancário cujo titular da movimentação, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, tornase sujeito à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos, enquadrandose perfeitamente na situação que configura ocorrência de fato gerador, conforme preconiza o art. 43 do CTN." De fato, ainda que o recorrente participasse de diversas empresas, conforme afirmado às fls. 555, deveria identificar todos os depósitos efetuados em sua conta. Muito embora tal tarefa compreenda trabalho faraônico, não pode este Tribunal afastar a tributação incidente sobre tais valores sem a mínima certeza de que não são, indiscutivelmente, fatos geradores de imposto de renda. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 924 25 Ademais, se além de ter participação societária em diversas empresas, o recorrente também geria recursos de familiares, haveria a necessidade de comprovação de repasse de tais valores, o que poderia (aqui facilmente) ser realizado. Não se olvida que o apelante tornouse inventariante no processo de falecimento de seu pai, conforme documento acostado às fls. 95, no entanto, conforme esposado, haveria a necessidade de fundamentação e idônea demonstração do repasse dos valores que fossem alusivos a tal objeto. Quanto a isso, o entendimento desta Corte é Sumular3: Súmula CARF nº 32 A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Por não ter logrado êxito em provar que sobre os depósitos não haveria incidência do imposto perseguido, nossa posição resta alinhada ao entendimento da DRJ no sentido de manter o lançamento. 3.4. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO E MULTA ISOLADA. O Termo de Verificação Fiscal, aponta, às fls. 483: "O contribuinte informou de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas durante o ano calendário de 2003, no valor de R$15.120,00, valor inferior ao efetivamente recebido, conforme informado por ele mesmo em suas justificativas de depósitos bancários, as fls. Embora alegasse que somente uma parte lhe pertencia não logrou comprovar esta informação. Destacamos que nem mesmo o nome do inquilino foi declarado, tampouco a qual dos seus imóveis se referia a locação. Considerando que o valor do aluguel foi depositado mensalmente em sua conta corrente e que não foi comprovado o seu repasse a terceiros o valor da diferença apurada foi lançado a titulo de rendimentos omitidos." A Delegacia julgou no sentido da manutenção do lançamento, sob o argumento de que: "O contribuinte declarou sua esposa como dependente na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004, anocalendário 2003, fl. 424. Com efeito, nos termos da legislação tributária, não merece guarida a alegação exposta no parágrafo anterior, haja vista a obrigatoriedade de informar na declaração todos os rendimentos percebidos pelo declarante e seus dependentes. Neste caso, como os 'cônjuges não apresentaram declaração em separado, fica excluída a hipótese de se tributar os aluguéis produzidos pelos bens comuns do casal na proporção de 50% para cada cônjuge, devendo a totalidade dos referidos 3 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018 Fl. 936DF CARF MF 26 rendimentos ser informada na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge que declarou o outro como seu dependente, nos termos do art. 6° do Decreto n° 3000/1999. Verificase, do conteúdo das fls. 353 e 443 que o próprio contribuinte afirma que os rendimentos objeto da omissão apurada são oriundos de alugueis, todavia, não é possível identificar a fonte pagadora de tais rendimentos, motivo pelo qual a Multa Isolada será cancelada. Portanto, os documentos constantes dos autos mostram que a infração deve ser mantida, pois o contribuinte confirmou o recebimento dos alugueis, contudo, sem a incidência da multa isolada, uma vez não ser possível a identificação da fonte pagadora dos respectivos rendimentos. As manifestações do Contribuinte repetemse em sua Impugnação e Recurso, dando conta de que: "(...) há que se atentar que em momento algum lhe foi requisitado tais informações, porquanto a autoridade fiscal direcionou toda a sua fiscalização para as justificativas de depósitos bancários, não tendo questionado ou exigido que lhe fossem informada a origem das locações, quais eram os inquilinos, de que imóveis se tratavam ou mesmo de quem era os valores." E continua, às fls. 551: "A locação de imóveis perfezse dentro das normas do direito, tendo como locadores empresas que além de reterem os valores a titulo de imposto de renda, por tratarse de um recolhimento exclusivo de fonte, também repassaram os valores dos aluguéis para as contas do contribuinte através de depósitos bancários (tudo conforme se verifica das declarações constantes neste presente feito)." (...) "Ainda, é de excluirse a multa isolada, quando comprovado que o contribuinte não percebeu seus rendimentos de pessoas fisicas, portanto, não estava sujeito ao carnêleão (Recurso Voluntário, Acórdão n. 150575, 6a Câmara, Rela. Ana Maria Ribeiro dos Reis)." Não assiste razão ao Recorrente. Confirase o texto do primeiro item do Termo de Intimação Fiscal 02, às fls. 259: 1 Informar e comprovar a origem dos depósitos bancários, listados em anexo, referentes à sua conta corrente no Banco Bradesco S/A efetuados nos anos de 2003, 2004 e 2005. Portanto, em havendo depósitos referentes a locação de imóveis, nada mais claro que demonstrar por quem foram depositados e a qual imóvel é referente. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 925 27 Muito embora tenha restado evidente, ainda pela decisão de piso, que os valores são realmente devidos a título de aluguel, não houve confirmação acerca de serem feitos por pessoa jurídica ou sequer mera indicação de quais imóveis se referem. Esbarra de novo o contribuinte no que já exposto no sentido de que bastaria, a tempo da interposição do recurso, juntar documentação hábil e idônea de tais alugueres para que fosse afastado o lançamento, o que, como visto, não foi feito. Embora o Recorrente questione a aplicação de multa isolada, este foi afastada pela DRJ, e devido ao valor o reexame não se faz necessário, razão pela qual não há que se julgar tal ponto. No que concerne ao crédito tributário voto por mantêlo conforme lançado. 3.5. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Em conformidade com as alegações recursais os pedidos de revisão da penalidade qualificada já fora analisado caso a caso de modo pormenorizado, sendo dispicienda nova analise neste ponto. CONCLUSÃO, Ante a tudo que fora exposto voto por conhecer parcialmente do Recurso, afastando a preliminar de nulidade e no mérito darlhe parcial provimento apenas para redução da multa de oficio nos caso mencionados no voto. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.721136/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/11/2011
COISA JULGADA EM MANDADO DE SEGURANÇA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS.
Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo.
Numero da decisão: 3402-005.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que não conheciam do recurso em razão da concomitância.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que não conheciam do recurso em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 11 36 /2 01 2- 29 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em discussão, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Fortaleza quando da lavratura do acórdão n. 0828.333 (fls. 126/132), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de Autos de Infração referentes a Imposto de Importação, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, não recolhidos em razão de o importador ter optado por discutir na Justiça o direito à imunidade tributária. O lançamento foi formalizado com exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial, e teve sua validade questionada pelo sujeito passivo, instaurandose assim a lide ora apreciada. Da Autuação Conforme consta na descrição dos fatos, os Autos de Infração foram lavrados com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1. O importador deixou de recolher os tributos referentes à Declaração de Importação (DI) indicada, estando amparado por decisão proferida no Mandado de Segurança n° 500707747.2011.404.7208/SC, que reconheceu o direito à imunidade pleiteado, embora a autuada não tenha demonstrado perante a fiscalização o atendimento dos requisitos legais para gozo desse benefício fiscal. 2. O lançamento dos tributos não recolhidos no prazo legal foi realizado com exigibilidade suspensa, por força da mencionada decisão judicial, objetivando prevenir a decadência. A base normativa dos Autos de Infração foi indicada no campo ENQUADRAMENTO LEGAL. Da Impugnação Irresignada com o lançamento, do qual tomou ciência em 8/6/2012, a autuada apresentou impugnação (fls. 8695), em 6/7/2012, na qual defende o direito à imunidade tributária, na condição de entidade de assistência social, e contesta a validade do lançamento, em razão de ter sido intimada a recolher o crédito constituído, apesar de estar amparada por decisão judicial reconhecendo o referido benefício fiscal, bem como a inclusão de juros de mora, uma vez que foi autorizada judicialmente a não recolher os tributos em questão. (...). Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10909.721136/201229 Acórdão n.º 3402005.549 S3C4T2 Fl. 231 3 2. Devidamente processada, a impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/11/2011 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria discutida judicialmente, em relação à qual o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no Poder Judiciário. Caso haja matéria diferenciada no processo administrativo, esta deve ser apreciada, ainda que a eficácia da decisão fique subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INTIMAÇÃO PARA RECOLHER NO LANÇAMENTO. MERA IRREGULARIDADE. A intimação para recolher crédito tributário com exigibilidade suspensa configura mera irregularidade e não acarreta a nulidade do correspondente lançamento, mormente porque a informação quanto à suspensão consta na própria intimação e na descrição dos fatos do Auto de Infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/11/2011 AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA. A decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não interrompe a fluência dos juros de mora, que visam compensar o credor pela falta dos recursos que deveriam ter sido entregues pelo devedor, e incidem independente do motivo que determinou a falta do pagamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 150/153, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. 4. Em sede de resolução (3402001.303 fls. 163/167) este Colegiado resolveu converter o presente julgamento em diligência para que fossem colacionados aos autos cópia do processo judicial correlato (autos n. 500707747.2011.404.7208), bem como Fl. 232DF CARF MF 4 certidão de inteiro teor, o que foi devidamente cumprido, conforme se observa dos documentos de fls. 192/227. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Os reflexos dos autos n. 500707747.2011.404.7208 para a resolução da presente lide 7. Conforme se observa dos autos, a discussão aqui travada diz respeito à existência ou não de imunidade em favor da recorrente, questão esta que não foi enfrentada pela instância a quo em razão da concomitância com a discussão desenvolvida no bojo do mandado de segurança autuado sob o n. 500707747.2011.404.7208, originalmente com trâmite pela 2a Vara da Justiça Federal de Itajaí/SC. 8. Nesse sentido, inclusive, é o explícito teor do acórdão recorrido, in verbis: Acórdão ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, por unanimidade de votos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em: I) NÃO CONHECER DA IMPUGNAÇÃO em relação ao direito à imunidade tributária, por se tratar de matéria objeto de ação na Justiça, DECLARANDO DEFINITIVO o lançamento no tocante a esse aspecto, devido à renúncia em discutilo na via administrativa, sendo que a exigibilidade do crédito tributário deve permanecer suspensa, por força de decisão proferida no processo judicial, ressalvada a hipótese de revogação superveniente dessa decisão; (...). III) DECLARAR que o presente julgamento fica subordinado ao provimento final do Judiciário no Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte para reconhecer o direito à imunidade tributária, perdendo automaticamente sua eficácia, no todo ou em parte, acaso se torne incompatível com o resultado definitivo dessa ação judicial. (...) (grifos nosso). 9. Pois bem. Em momento processual anterior ao presente julgamento e por inexistir documentos que atestassem, com segurança, o desfecho da sobredita demanda judicial, este Colegiado resolveu converter o presente julgamento em diligência (resolução n. 3402001.303 fls. 163/167) para que fossem colacionados aos autos cópia do processo judicial aqui mencionado, bem como certidão de inteiro teor, o que foi devidamente cumprido, conforme se observa dos documentos de fls. 192/227. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10909.721136/201229 Acórdão n.º 3402005.549 S3C4T2 Fl. 232 5 10. No sobredito mandamus o contribuinte formulou o seguinte pedido: (...). V – DO PEDIDO 36. Em face do acima exposto, requer: (a) a concessão de medida liminar, sem prévia manifestação da parte contrária, e independentemente de caução, determinando à autoridade coatora que promova imediatamente, quando do despacho aduaneiro do bem descrito na Proforma Invoice nº 163 e Invoice nº 168A, o desembaraço aduaneiro do referido bem independentemente do pagamento de tributos sobre a importação (II, IPI, PISimportação e COFINSimportação); (b) a notificação da autoridade coatora, para que preste as informações no prazo legal; (c) a intimação do digno representante do Ministério Público, para que se manifeste nos autos; (d) seja, ao final, concedida a segurança, para assegurar, em caráter definitivo, o direito líquido e certo de obter a completa e incondicional liberação do produto a ser importado pela Impetrante, conforme Proforma Invoice nº 163 e Invoice nº 168 A, sem a exigência dos tributos sobre importação, reconhecendose a imunidade da Impetrante em relação aos referidos tributos, declarandoos inexigíveis. (...) (grifos nosso). 11. Conforme consta da certidão de inteiro teor de fls. 206/207, referida decisão transitou em julgado com decisão judicial que reconheceu a imunidade tributária da recorrente e, por conseguinte, afastou a incidência tributária na operação de importação aqui detalhada. 12. Importante registrar que o referido trânsito em julgado ocorreu em 14/05/2014, ou seja, depois de instaurada a lide administrativa, cujo fato deflagrador é a apresentação da impugnação do contribuinte datada de 06/07/2012. Tratase, portanto, de fato superveniente, o qual pode ser aventado pelo contribuinte – como de fato foi – após a interposição de suas peças defensivas, nos termos do art. 342, inciso I do Código de Processo Civil1, aqui aplicado de forma subsidiária. Logo, tal fato deve ser apreciado por este Tribunal Administrativo para fins de julgamento. 13. Uma vez reconhecido o fato superveniente, mister se faz verificar quais são os seus reflexos para o resultado da presente lide. Nesse esteio, já antecipo que o conhecimento do referido fato superveniente implica o advento de dois efeitos. 14. O primeiro e mais notório deles é no sentido de rechaçar eventual argumento de uma pretensa concomitância entre o caso decidendo e àquele materializado nos 1 Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; (...). Fl. 234DF CARF MF 6 autos judiciais n. 500707747.2011.404.7208. Isto porque, para que haja concomitância de instâncias é imprescindível existir duas ou mais lides análogas que tramitem conjuntamente, afinal, um dos escopos da concomitância é evitar o advento de decisões contraditórias entre si. Acontece que, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial antes do término da instância administrativa, referida concomitância deixou de existir, havendo, em verdade, a necessidade de se sobrepor a decisão lá proferida em razão da supremacia da instância judicial em detrimento da instância administrativa. 15. Logo, inexistindo a sobredita concomitância, compete agora definir quais os reflexos do trânsito em julgado da decisão judicial aqui analisada para a resolução do presente processo administrativo, sendo este o segundo efeito do fato superveniente noticiado pelo contribuinte. 16. Em relação a este segundo efeito do fato superveniente não é necessário maiores digressões. Como visto do teor da sentença judicial lavrada nos autos n. 5007077 47.2011.404.7208, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, o Poder Judiciário reconheceu a imunidade da recorrente e, por conseguinte, a injuridicidade da cobrança das exações aqui debatidas. 17. Logo, não há alternativa para o presente caso além de cumprir estritamente o teor da sobredita decisão judicial, ou seja, repisar o cancelamento da presente exigência fiscal. Dispositivo 18. Diante do exposto, conheço o recurso voluntário para lhe dar integral provimento. 19. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724172/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR. CRÉDITOS.
Podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos.
Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03.
Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiu-se o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador.
Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA
A Declaração de Compensação foi transmitida em 26/10/07 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12. Portanto, não se deu a homologação tácita de trata o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96
Numero da decisão: 3301-004.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO TITULAR. CRÉDITOS. Podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 72 /2 01 2- 17 Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10855.724172/201217 Acórdão n.º 3301004.863 S3C3T1 Fl. 1.043 2 trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A Declaração de Compensação foi transmitida em 26/10/07 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12. Portanto, não se deu a homologação tácita de trata o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negava provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 457.064,03, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 1o trimestre de 2007 . O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição em 26/10/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 902/906, reconheceu em parte o direito creditório, no montante de R$ 345.560,48, homologando as compensações efetuadas até esse limite, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10855.724172/201217 Acórdão n.º 3301004.863 S3C3T1 Fl. 1.044 3 Cientificada do despacho decisório em 25/10/2012, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fls. 754/766), alegando que tendo se passado prazo superior a cinco entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Não se conforma com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da não cumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03." A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1050.202, de 23 de maio de 2014, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. RESTITUIÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE – Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. E, de qualquer forma, a ciência do Despacho Decisório que homologou em parte a compensação ocorreu Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10855.724172/201217 Acórdão n.º 3301004.863 S3C3T1 Fl. 1.045 4 dentro do limite legal de cinco anos previsto em lei para o exame do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de Pedido de Ressarcimento (PER) de crédito de COFINS, no valor de R$ 457.064,03, referente ao 1° trimestre de 2007. Em 26/10/2007, apresentou declaração de compensação vinculada ao PER. A DRF glosou créditos que julgou não estarem de acordo com a legislação aplicável (Despacho Decisório, fls. 902 a 906, e Informação Fiscal, fls. 875 a 897) e, por conseguinte, homologou as compensações tão somente até o limite do crédito acatado (R$ 345.560,48). A única glosa que a recorrente contestou em suas defesas é a dos créditos calculados sobre fretes incorridos para transporte de mercadorias entre seus estabelecimentos. A DRJ ratificou o procedimento fiscal. PRELIMINAR DECADÊNCIA A recorrente pleiteou o cancelamento do crédito tributário constituído por força da não homologação integral dos créditos pleiteados. Aduz que o PER foi protocolizado em 30/08/07 e a ciência do despacho decisório em data posterior à limite, que, no seu entender, seria 30/08/12. O pedido não merece guarida. Primeiro, porque, em sede do presente processo, não houve constituição de crédito tributário, porém indeferimento e não homologação parciais de PER e de DCOMP, respectivamente. E, segundo, caso o pleito tenha como objetivo o de ver reconhecida a homologação tácita dos pedidos de ressarcimento ou de compensação, ainda que por via oblíqua, também não merece prosperar. O § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 versa sobre homologação tácita de Declaração de Compensação (DCOMP) e não de Pedido de Ressarcimento (PER), como segue: Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10855.724172/201217 Acórdão n.º 3301004.863 S3C3T1 Fl. 1.046 5 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" E, como a DCOMP foi transmitida em 26/10/07 (fls. 898 a 901) e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/10/12 (Termo de Ciência, fls. 914 e 915), não se deu a homologação tácita de trata o dispositivo legal acima transcrito. Desta forma, nego provimento à "preliminar de decadência." MÉRITO Concordo com os argumentos da recorrente, sumariados no relatório. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS os fretes incorridos no transporte de mercadorias, tenham eles sido incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular ou em vendas de produtos. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10855.724172/201217 Acórdão n.º 3301004.863 S3C3T1 Fl. 1.047 6 Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402 002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) CONCLUSÃO Nego provimento à preliminar de decadência. Dou provimento aos argumentos que sustentaram o reconhecimento do direito ao registro de créditos da COFINS sobre despesas com fretes incorridas para transporte de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo titular. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720275/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavêlo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 02 75 /2 00 8- 50 Fl. 195DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição do ITR, exercício 2006 no valor principal de R$ 102.325,62, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.319.1161 SERINGAL CABECEIRA. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Leal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 113/131, para restabelecer a APP de 100 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 142/163 aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração está encravado em área de interesse ecológico, onde se pode constatar que 100,0 % da área do imóvel ficou inserida na Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia. Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 3 3 3 Que está averbada junto à matrícula do imóvel, a responsabilidade da empresa em preservar todas a áreas manejadas num período de 20 anos. E isso seria o suficiente. Ademais, as áreas onde foram exploradas com projeto de manejo florestal sustentado, são consideradas pela legislação como áreas produtoras de madeiras, e são isentas de imposto. 4 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 12%, configuraria confisco da propriedade privada; e 5 Que o imóvel sofreu invasão pelo movimento denominado "LIGA CAMPONESA POBRE LCP"; que devido ao esbulho possessório sofrido não pode explorar economicamente o imóvel; que a recorrente perdeu a posse do imóvel; e 6 Que com a criação de novos municípios, o imóvel passou a pertencer aos Municipios de Cujubim e Machadinho D´oesteRO; que o Município de Cujubim está muito distante do Município de Ariquemes, e as terras daquela localidade valem muito menos das localizadas no município de Ariquemes, por ser localizado fora da Br 364, local de difícil acesso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.02.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Da ilegitimidade passiva: Quanto à alegação de que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que foi invadido, em função de não poder mais dele se utilizar, tenho que não merece prosperar. De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 180/186, lavrada em 15.09.2008, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picinato. Tanto o DIAT/DITR/2006, quanto os ADA/1997, protocolizado em 11.11.2002 e ADA/2003, protocolizado em 17.06.2004, foram apresentados em nome do recorrente. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido supostamente invadido afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Fl. 197DF CARF MF 4 Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se dado/mantida à data do fato gerador em questão (01.01.2006), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida. Vejamos: A cópia da Assentada da Audiência de Justificação Prévia de fls. 33, lavrada em 27.03.2002 nos autos do PJ 002.02.0019370, noticia a decisão de manutenção do recorrente na posse do imóvel que lá não especifica. Já às fls. 32, há um extrato da Sentença, supostamente publicado no DOE em 19.09.2002, que determinou que a autora (aqui recorrente) fosse definitivamente mantida na posse do imóvel lá em litígio. A certidão de fls. 37, nos autos do processo 10240.720273/200871, também de minha relatoria, além de certificar a intimação do representado legal da LCP LIGA CAMPONESA POBRE da decisão encimada, registrou a presença no local em 23.03.2002 de várias pessoas, estando algumas com capuz e outras armadas. Frisese, não se identificou nada mais nos autos que demonstrassem o esbulho, sequer turbação da posse, à época do fato gerador. O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Manutenção ou Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá, junto ao possuidor de direito, por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, ou nela ser definitivamente mantido, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser cobrado dos "invasores", o que não se afigura 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 4 5 razoável, sob o ponto de vista de sua identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. VTN: No que toca ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega, en passant, que o VTN seria menor em função da então localização do imóvel, que teria se alterada em decorrência da criação de novos município. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Ora, O VTN médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 14% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Ariquemes/RO, consoante atesta a autoridade julgadora de piso, não deixando a menor dúvida quanto à sua subavaliação. A alegação de que, com a criação de novos municípios, o imóvel teria passado a pertencer a outro e a não mais ao de Ariquemes, desacompanhada do laudo de avaliação acima mencionado, não merece melhor sorte, na medida em que tanto no RGI, quando no CAFIR, cuja atualização é de responsabilidade do recorrente, a localização do imóvel permanece inalterada, ou seja, em Ariquemes/RO. Na própria DIAT/DITR/06 apresentada pelo recorrente constou este município como o de localização do imóvel. Impõese destacar, que por meio de consulta aos sites oficiais dos municípios de Machadinho D´ Oeste e Cujubim, pôdese verificar que os mesmos foram criados, respectivamente, em 11.05.1988 e 22.06.1994. A seu turno, a Escritura Pública de Compra e Venda de 27.03.2000, (em data bem posterior à criação do município mais novo) onde figuraram como outorgante vendedora a Sra Eunice Picinato e outorgante comprador o recorrente, qualificou os imóveis lá negociados da seguinte forma: Seringal Cabeceira: lote de terras rural denominado "Cabeceira", situado no município de Ariquemes/RO, com área total de 90.783.357 m2. NIRF 5.319.1161 Seringal Novo Mundo: lote de terras rural denominado "Seringal Novo Mundo", situado nos municípios de Ariquemes e Machadinho D´Oeste/RO, com área no município de Ariquemes de 19.938,99 ha e e área no município de Machadinho de 7.400,00 ha, perfazendo a área total de 27.338,99 ha. NIRF 5.316.6078 Fl. 199DF CARF MF 6 O fato acima, por si só, conduz ao entendimento de que não houve erro de fato no preenchimento do DIAT/DITR, tampouco na informação constante do CAFIR, que atestam o município de Ariquemes como o de localização do imóvel de NIRF 5.319.1161. Ademais, como esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2006 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Ariquemes/RO, a alegação do recorrente poderia denunciar algum prejuízo em função do VTN utilizado pela Fiscalização, apenas se demonstrado que a alteração da municipalidade tivesse se dado de fato já àquela época e que os demais contribuintes do ITR a observaram para fins de atualização do CAFIR e da apresentação das correspondentes DITR, de forma a promover significativa alteração na base sistêmica de consultas utilizada para a obtenção daquele valor médio por hectare. Não é o que se verifica nos autos. E lembrese: trata de valor estimado, utilizado pelo Fisco ao amparo do artigo 14 da Lei 9.393/96, ante à falta de comprovação, pelo contribuinte regularmente intimado, de um valor que melhor espelhe a realidade do imóvel. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 40, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à APP, à ARL e ao VTN declarado e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 5 7 As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível do tributo. É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. Entretanto, o ADA supostamente apresentado em 11.11.2002 (fls. 22), continha as seguintes informações: Diferentemente, no ADA de 2003, supostamente apresentado em 17.06.2004 e do qual se valeu a DRJ para restabelecer a APP de 100 ha, não consta Área de Interesse Ecológico declarada. Confirase: Ou seja, toda a discussão calcada no aproveitamento dessas áreas, tais como, ARL de 80% do imóvel, segundo sua localização, e sua integral inserção em área de Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia, não Fl. 201DF CARF MF 8 deveriam, a rigor, ser aqui apreciadas, na medida em que não integraram o litígio original pelo fato de não ter sido declarada, em sua DITR auditada, área de interesse ecológico. O não acatamento das informações que constaram essas sim em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. Vale frisar, que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, aquelas que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 6 9 reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Trago à colação excerto do acórdão recorrido, com o qual concordo, que concluiu pela impossibilidade da dedução da área inserida na reserva florestal criada pelo Estado de Rondônia, por entender que tal circunstância não dera ensejo à ampliação das restrições de uso que se tem nas áreas de preservação permanentes e nas áreas de reserva legal. Não obstante constar dos autos a referida Certidão da SEDAM, constatase da Descrição da área pertencente à Zona 4 que o imóvel nela situado pode ser realizado o aproveitamento extrativo com manejo dos recursos florestais. Tanto isso é verdade que a própria contribuinte declarou em sua DITR/2006, uma área de exploração extrativa de 1.200,0 ha, que não foi glosada pela fiscalização. Ademais, na Certidão de Inteiro Teor do imóvel, às fls. 65/67, constam averbações de que no imóvel estavam previstas explorações de madeira, confirmando que as áreas integrantes da referida Zona 4, foram objeto de Plano de Manejo Sustentado, aprovado pelo IBAMA, para exploração extrativa (madeira). Constatase, ainda, que existe a intenção de utilizar ou manter essa área na atividade rural, posto que nessa Certidão, não obstante o fato de a impugnante não ter juntado aos autos os documentos hábeis comprobatórios da exploração extrativa, como consta em item específico da matéria, além das averbações sobre o plano de manejo feitas no ano de 1998, existem averbações do ano de 2006 para essa finalidade. Nesse diapasão, faz parte, também, dos autos, o ADA referente a 2003, às fls. 70, no qual consta a declaração de uma área de reserva legal de 4.450,0 ha e a declaração de uma área com plano de manejo florestal de 4.000,5 ha, corroborando que essa área do imóvel estaria, de fato, destinada à exploração extrativa. Glosa da ARL: Já no que concerne à glosa da ARL, mantida pelo acórdão de piso, tenho que o procedimento e conclusão adotados não merecem reparos. Vejamos. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN2, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 203DF CARF MF 10 Assim sendo, o artigo 10 da Lei 9.393/96 disciplina os contornos da apuração do ITR, verbis. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 7 11 fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do Fl. 205DF CARF MF 12 imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.3 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. 3 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 8 13 Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após Fl. 207DF CARF MF 14 aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 4 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 5 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; 4 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. 5 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 9 15 II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu Fl. 209DF CARF MF 16 aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10240.720275/200850 Acórdão n.º 2402006.569 S2C4T2 Fl. 10 17 Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .6 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, notase que da área de 7.262,6 ha utilizada pelo recorrente, a Fiscalização validou a de 4.539,1 ha, que se refere exatamente àquela informada 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 211DF CARF MF 18 no ADA de 11.11.2002 (fls. 22) e averbada, quando do fato gerador, à margem do registro do imóvel. Destaquese que no ADA de 2003 (fls. 80), constou a informação de ARL ainda menor (4.450,0 ha). Junto à matrícula do imóvel, há, apenas em junho de 2006, retificação da ARL averbada para os 7.262,6 ha de que pretendeu se valer o autuado. Assim procedendo, agiu acertadamente a autoridade autuante, quando aceitou a ARL que constou no ADA de 2002 e que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel à dada do fato gerador. Da alíquota: Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 12% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse, diferentemente do imaginado pelo recorrente, da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722350/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. AGRAVAMENTO. MULTA.
O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício em 50%.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS
SÓCIOS DE FATO.
É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiando- se diretamente dos recursos não ofertados à tributação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte.
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa (relatora), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello, Leonam Rocha de Medeiros, que lhe deram provimento parcial, apenas para afastar a responsabilidade pessoal do art. 135, III do CTN, e afastar o agravamento da multa de ofício reduzindo-a de 225% para 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Carlos de Assis Guimarães - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa (relatora), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello, Leonam Rocha de Medeiros, que lhe deram provimento parcial, apenas para afastar a responsabilidade pessoal do art. 135, III do CTN, e afastar o agravamento da multa de ofício reduzindo-a de 225% para 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora (assinado digitalmente) Jose Carlos de Assis Guimarães - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. AGRAVAMENTO. MULTA. O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício em 50%. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DE FATO. É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiando se diretamente dos recursos não ofertados à tributação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 50 /2 01 2- 09 Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2159 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa (relatora), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello, Leonam Rocha de Medeiros, que lhe deram provimento parcial, apenas para afastar a responsabilidade pessoal do art. 135, III do CTN, e afastar o agravamento da multa de ofício reduzindoa de 225% para 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora (assinado digitalmente) Jose Carlos de Assis Guimarães Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório 1. O presente processo administrativo trata de lançamentos referentes a tributos e contribuições apurados pela sistemática do Simples Nacional durante o ano calendário de 2009. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2160 3 2. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva contra o Sr. Manasses Cruz Silva e contra o Sr. Dante Alighieri Mantuan (fls. 1412/1416 e 1417/1421). 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, trechos do relatório constante da decisão de primeira instância: “Consta do Termo de Verificação às folhas 1383/1409 que: 1. O Termo de Início de Procedimento Fiscal, emitido em 16/04/2012, solicitando a apresentação de documentos e esclarecimentos sobre a não inclusão na Declaração Anual do Simples Nacional – DASN da totalidade dos valores recebidos de Órgãos Públicos da Administração Federal vinculados a vendas de mercadorias, foi encaminhado à contribuinte, por via postal, para o endereço constante no cadastro do CNPJ da RFB, mas devolvido pelos Correios; 2. Na data de 02/05/2012 foi realizada diligência em que se constatou tratarse do endereço de uma residência, tendo sido, então, afixado edital no espaço franqueado ao público da Defis/SPO; 3. Foram também enviados por via postal Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 03/05/2012, aos endereços dos sócios atuais da contribuinte, o Sr. Manasses Cruz Silva e o Sr. Luiz Carlos Ferrari Carvalho, dando conhecimento do procedimento fiscal instaurado e intimandoos a apresentar os mesmos documentos e esclarecimentos relacionados no Termo de Início de Fiscalização, mas igualmente devolvidos pelos Correios à Defis/SPO por serem os destinatários desconhecidos das pessoas presentes no local de entrega; 4. Assim, em 24/05/2012 foi emitido Termo de Embaraço à Fiscalização, cientificado à empresa e aos seus sócios mediante edital, e em 28/08/2012, baixado o CNPJ em virtude da inexistência de fato da empresa; 5. Com base nos extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras, em atendimento à “Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF”, foi apurado o ingresso de recursos por meio de depósitos/créditos nas contas correntes, cuja origem era desconhecida, no total de R$ 3.422.541,77; 6. Na quantificação dos depósitos/créditos de origem desconhecida foram excluídos os valores referentes a transferências entre mesma titularidade, estornos de débitos, empréstimos, devolução de cheques emitidos, dentre outros, conforme tabela no item 6 do Termo de Verificação; 7. Também foram constatados créditos/depósitos efetuados pelos órgãos do Poder Público Federal com base nos pagamentos registrados no sistema SIAFI, no valor de R$ 4.250.422,87, cujas origens, portanto, estão comprovadas; 8. A despeito da receita total auferida pela empresa no ano calendário 2009, de R$ 7.672.964,64 (3.422.541,77 + Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2161 4 4.250.422,87), na DASN somente foi declarado o valor de R$ 1.156.255,97 a título de receita bruta, sem que a contribuinte tenha esclarecido os motivos de tal divergência, apesar de intimada por edital; 9. Desta forma, a diferença de R$ 6.516.708,67 foi considerada como receita de venda omitida, para fins de apuração da base de cálculo dos tributos integrantes do Simples Nacional, segregada no subitem 10.4 entre “omissão de receitas da atividade” (advindas das vendas para órgãos públicos) e “depósitos de origem não comprovada” (presunção); 10. Consequentemente, foi lançada de ofício a insuficiência de recolhimento dos tributos apurados pela sistemática do Simples Nacional em virtude da alteração dos percentuais aplicados sobre a receita bruta acumulada na DASN no ano calendário de 2009; 11. Também foi formalizada a representação fiscal para fins de exclusão do Simples Nacional a partir do ano calendário seguinte; 12. No que tange aos sócios, Sr. Manasses Cruz Silva e Sr. Luiz Carlos Ferrari Carvalho, ambos não localizados, ingressaram formalmente na sociedade em 22/01/2009, tratandose de interpostas pessoas utilizadas para ocultar o real administrador da empresa e fraudar a Fazenda Pública, pois não possuíam capacidade econômica para adquirila; 13. Quanto aos “exsócios” Sra. Andréia Tenório dos Santos Costa e Sr. Dante Alighieri Mantuan, apesar de saírem da empresa fiscalizada em 16/01/2009, este último continuou praticando “com exclusividade” a movimentação financeira da empresa, conforme elementos disponibilizados pelas instituições financeiras, tais como cartões de assinatura e assinatura em todos os cheques emitidos no ano calendário de 2009, sendo que a 3ª Alteração do Contrato Social, que registrava a sua saída da sociedade, sequer foi encaminhada aos bancos; 14. Em procedimento de circularização nos 30 (trinta) cartórios de notas da comarca de São Paulo, não foram localizadas procurações outorgadas pela empresa fiscalizada, por conseguinte, o Sr. Dante Alighieri Mantuan agia junto aos bancos, diretamente, como responsável legal e não como procurador, gerindo “de fato” os negócios; 15. O Sr. Dante Alighieri Mantuan vem mantendo a atividade de comércio de materiais e suprimentos para informática/escritório, o mesmo ramo da autuada, como é verificado em ata de processo licitatório junto a órgão estadual, onde há o seu registro como representante da empresa Stone Distribuidora de Informática Ltda. (Filial) CNPJ nº 11.421.198/000284; 16. Mais elementos de prova estão nas cópias dos cheques emitidos pela fiscalizada, onde aparecem como beneficiários a empresa Luanda Comércio de Suprimentos para Informática, Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2162 5 CNPJ 10.742.589/000157, que era representada, também pelo Sr. Dante Alighieri Mantuan em processo licitatório; 17. Há, também, cheques emitidos para os responsáveis legais da LUANDA e para a empresa Nova Supri Distribuidora de Produtos de Informática Ltda. – ME, CNPJ 09.256.990/000106, da qual o Sr. Dante Alighieri Mantuan era sócio administrador no período de 03/10/2007 a 30/09/2009; 18. O controle com exclusividade pelo Sr. Dante Alighieri Mantuan, mesmo após sua retirada da empresa, é mais uma vez percebida, pois permaneceu inalterado o Correio Eletrônico cadastrado junto ao CNPJ da Fiscalizada, vinculado a uma das suas empresas; 19. Por restar comprovado que os sócios de direito foram utilizados pelo verdadeiro dono da empresa, Sr. Dante Alighieri Mantuan, que administrou e movimentou contas bancárias mesmo após sua saída do quadro societário, inclusive mantendo relações comerciais com outras empresas de sua propriedade ou que representava, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra o Sr. Manasses Cruz Silva e contra o Sr. Dante Alighieri Mantuan; 20. Sobre os tributos lançados foi aplicada a multa majorada no percentual de 225%, além de ter sido formalizada Representação Fiscal para Fins Penais por restar caracterizada situação que, em tese, configura Crime Contra a Ordem Tributária. 4. A contribuinte e os sujeitos passivos solidários foram cientificados, porém somente o Sr. Dante Alighieri Mantuan apresentou impugnação na qual alega, em síntese que: I. Das Nulidades 4.1. Os autos de infração são baseados em meras presunções, razão pela qual devem ser declarados nulos. A fiscalização não apresentou provas concretas da suposta utilização de interpostas pessoas na empresa autuada, tampouco acerca do Sr. Dante figurar como sócio de fato. 4.2. Considera que a fiscalização pretende inverter o ônus da prova ao fundamentar o lançamento em presunções, o que acaba por obstar o exercício da ampla defesa pelo solidário. 4.3. O Termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo por ter sido lavrado por autoridade incompetente nos termos do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, visto que é de atribuição exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional a inclusão de responsáveis no curso do processo executivo fiscal. II. Da Ilegitimidade Passiva 4.4. A inclusão do Sr. Dante enquanto responsável não tem fundamento, pois quem realiza o fato tributável é a pessoa jurídica e não o ora Recorrente que é exsócio da empresa autuada e se afastou em momento anterior ao período de apuração. Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2163 6 4.5. A responsabilidade prevista no artigo 135 exige a comprovação de prática de atos contrários às leis societárias e ao estatuto ou contrato social por pessoa que ocupe cargo de gestão na empresa, cargo este que o ora Recorrente não ocupava no ano calendário de 2009. No mais, o mero inadimplemento não enseja a responsabilização do dirigente da empresa fiscalizada. Diante das razões expostas, o solidário requer o afastamento da respectiva responsabilidade. 4.6. A Fiscalização afirma que o Sr. Dante seria sócio de fato em razão de ter continuado a gerir os recursos da empresa autuada, entretanto o ora Recorrente apenas auxiliou os novos adquirentes da empresa na função de mandatário, por um determinado tempo, já que detinha o know how e contato comercial com bancos, fornecedores e clientes. 4.7. Não há que se responsabilizar o ora Recorrente em razão de eventual dissolução irregular da sociedade autuada, pois até a sua retirada em 16/01/2009 a empresa estava funcionando regularmente. III. Da Aplicação Incorreta da Multa e dos Juros de Mora 4.8. É incabível a aplicação da multa de ofício majorada, pois a fiscalização não comprovou que o Impugnante praticou qualquer ato com o objetivo de fraude e não se verificou no presente caso os elementos previstos pelo artigo 44, da Lei nº 9.430/96, em relação ao percentual de multa para os casos de sonegação, fraude e conluio. 4.9. Os juros de mora sobre a multa de ofício devem ser afastados por ausência de base legal, visto que o artigo 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, restringe os juros sobre o valor principal lançado. 5. Em sessão de 16 de fevereiro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade dos votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1541.507 (fls. 1990/2005), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A competência privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para constituir o crédito tributário mediante lançamento de ofício se completa com a identificação do sujeito passivo, o que inclui a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária de terceiro, quando caracterizada tal situação. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2164 7 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa de ofício no percentual de 150% sobre a receita omitida na Declaração Anual do Simples Nacional DASN. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. AGRAVAMENTO. MULTA. O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício em 50%. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 6. A DRJ/SDR julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 6.1. A alegação do solidário de nulidade dos autos de infração por terem sido lavrados com base em meras presunções não se sustenta, visto que o procedimento fiscal não foi arbitrário ou ilegal. Não houve ofensa ao artigo 142 do CTN. 6.2. A alegada nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária por falta de motivação e por ter sido lavrado por autoridade incompetente também não se sustenta. A sujeição passiva do Sr. Dante Alighieri Mantuan foi devidamente motivada no Termo de Verificação e lastreada em diversas provas presentes nos autos. No mais, é de competência privativa do Auditor Fiscal constituir o crédito tributário identificando o sujeito passivo, incluindose o contribuinte e todos os responsáveis solidários, nos termos do artigo 121 do CTN. 6.3. Sobre o mérito da responsabilização solidária do ora Recorrente, apesar de ter alienado sua participação na sociedade, o Sr. Dante continuou assinando todos os cheques em nome da empresa autuada durante o ano de 2009 sem possuir uma procuração para Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2165 8 representar a empresa. No mais, o conjunto probatório reunido pela fiscalização permite concluir que o quadro societário da Fera & Alves era composto por interpostas pessoas e que o Sr. Dante era quem de fato administrava a empresa. 6.4. Quanto à multa qualificada, sua aplicação foi completamente justificada na medida em que a contribuinte ocultou o recebimento de receitas da DASN relativa ao ano calendário de 2009 e reduziu o valor dos tributos a pagar, demonstrando clara sonegação e prática fraudulenta e ilícita dos sujeitos passivos. No mais, o agravamento da multa se justifica pela falta de atendimento do prazo para apresentação de esclarecimentos. 6.5. Por fim, é entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a taxa SELIC é aplicável aos juros incidentes sobre a multa de ofício. 7. Cientificada da decisão (Edital Eletrônico nº 002017733 de 05/06/2017, fl. 2042 e Edital nº049/2017 de 22/05/2017, fl. 2044) o contribuinte Fera & Alves Comércio de Eletroeletrônicos Ltda. ME e o responsável solidário Manasses Cruz Silva não apresentaram Recurso Voluntário. 8. O responsável solidário Sr. Dante Alighieri Mantuan, ora Recorrente, cientificado da decisão (AR de 11/05/2017, fl. 2043) interpôs Recurso Voluntário (fls. 2047/2086) em 09/06/2017, reiterando as razões já expostas em sua Impugnação (fls. 1764/1799), em especial para requerer: (i) a declaração de nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva; (ii) o afastamento da responsabilidade solidária com a devida exclusão do Recorrente do polo passivo; e (iii) o afastamento da qualificação e agravamento da multa. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 9. O Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 10. Em razão da inexistência de contestação das matérias relativas à omissão de receitas, não comprovação de depósitos bancários, exclusão da empresa da sistemática do Simples Nacional e responsabilização solidária do Sr. Manasses Cruz Silva, a presente decisão esta adstrita à análise dos fundamentos apresentados pelo responsável solidário, o Sr. Dante Alighieri Mantuan. Considero, portanto, incontroversas as matérias não contestadas. Questões Preliminares I. Da Ausência de Nulidades Formais 11. O Recorrente alega que o Auto de Infração é nulo em razão do lançamento se basear em meras presunções. Alega, ainda, que o Termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo por ter sido lavrado por autoridade incompetente, por considerar ser atribuição Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2166 9 exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional a indicação de responsáveis. Contudo, tais alegações de nulidade não se sustentam. 12. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, o que não se verifica no presente caso. 13. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 14. No presente caso, não verifico qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. 15. Da análise dos autos, verifico que houve a descrição detalhada do fato gerador dos tributos, assim como de seu enquadramento legal. A matéria e a determinação da exigência tributária estão perfeitamente identificadas. Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2167 10 16. No mais, diferentemente do que foi alegado pelo Recorrente, a fiscalização não fundamentou o lançamento em meras presunções. A comprovação material pode ser feita por um conjunto de indícios ou provas indiretas que, em conjunto, tem o condão de estabelecer a inequivocidade de uma situação de fato. Foram trazidos vários elementos de provas hábeis, por consequencia lógica, a encadear as conclusões apresentadas no relatório de ação fiscal. 17. Os elementos probatórios utilizados pela fiscalização são contundentes o suficiente para atender os requisitos formais e materiais previstos no Decreto nº 70.235/72 e na Lei nº 9.784/99. 18. O contribuinte notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e não teve seu direito de defesa cerceado, ao passo que apresentou impugnação administrativa para contrapor a exigência, o que demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal. 19. Sobre a alegada incompetência do agente que realizou a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, cabe apontar que o auditor fiscal, ao lavrar o auto de infração, tem a competência e o dever de identificar o sujeito passivo, nos termos dos artigos 10, inciso I e V, do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN1. 20. Portanto, para fins de dar efetividade à responsabilidade tributária, o lançamento é o ato administrativo competente para indicar o sujeito passivo da obrigação, sob pena de não o fazendo ou o fazendo com erro, constituirse em ato inválido. 21. Nesta esteira, o artigo 121 do CTN define como sujeito passivo da obrigação principal tanto o contribuinte, "quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador", como o responsável, "quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Logo, o auditor fiscal é autoridade competente tanto para lançar o crédito tributário em face do contribuinte como dos responsáveis tributários designados por lei. 22. No mais, caso o solidário só fosse chamado a compor a relação jurídico tributário quando da constituição do definitiva do crédito tributário (conclusão do processo administrativo e consequente inscrição do débito na Dívida Ativa da União pela Procuradoria da Fazenda Nacional), aí sim restaria cerceado o direito de defesa do responsável solidário por não ter tido a oportunidade de contestar tal circunstância por meio do respectivo processo administrativo tributário. É justamente a falta de oportunidade/acesso à esfera administrativa tributária que implica em violação à ampla defesa e ao contraditório. 23. Do exposto, a constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade dos autos de infração e do termo de sujeição passiva solidária. Mérito I. Da Responsabilidade Solidária 1 Acerca das atribuições dos órgãos do Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria da Fazenda Nacional, ver disposições da Lei nº 11.457/2007, diretrizes alinhadas ao CTN e ao Decreto nº 70.235/72. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2168 11 24. Com relação a responsabilidade solidária capitulada no artigo 124, inciso I, do CTN, cabe trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Confirase o teor do dispositivo: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” 25. O termo "interesse comum" não pode ser considerado como um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico, mas tratase de interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 26. Nas palavras do ilustre Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli: "O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária." (Processo nº 13161.720264/201577, Acórdão nº 1201001.974, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 21 de fevereiro de 2018) 27. Para restar configurada a responsabilidade solidariedade tributária em questão, as pessoas constantes do dispositivo devem efetivamente participar do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária no mesmo polo da relação jurídica, como os co proprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão2. 28. Com efeito, não pode ser aplicado às pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (e.g. vendedor vs comprador) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador". A chamada comunhão de interesses jurídicos entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo, é condição sine qua non para aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. 2 Sobre o tema, vale referenciar DARZÉ, Andréa Medrado. Responsabilidade Tributária Solidária. Breves Considerações sobre os Artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional. In: Grandes Questões em Discussão no CARF. São Paulo: Foco Fiscal, 2014, p. 3637. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2169 12 29. Nesse sentido, são as lições de Luciano Amaro3 acerca da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei (já agora nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 30. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) 3 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2170 13 Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2171 14 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). 2. Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 31. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 32. No presente caso, consigno não se tratar de responsabilização por mero inadimplemento tributário, visto que o Sr. Dante tinha interesse comum na omissão de receitas, situação esta que constituiu o crédito tributário. A fiscalização demonstrou no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1412/1416) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1383/1409) que o Recorrente, apesar de ter se retirado da sociedade autuada em 16/01/2009, permaneceu como “sócio de fato” da empresa. 33. A fiscalização verificou que o Recorrente continuou a movimentar as contas bancárias da autuada no ano de 2009, todos os cheques emitidos pela empresa autuada durante o referido ano foram assinados pelo Sr. Dante e a alteração contratual que registrava a saída do Recorrente e a entrada dos novos sócios sequer foi encaminhada para ciência das instituições financeiras. 34. Outros fortes indícios foram verificados pela fiscalização e apontados no Termo de Sujeição Passiva Solidária, verbis: “4.7. Ademais, nos trabalhos de investigação, diferentemente dos sócios atuais, Dante Alighieiri mantuan, vem mantendo a atividade de comércio de materiais e suprimentos para informática, o mesmo ramo da fiscalizada, como é verificado na Ata de Registro de Preços nº 012/20011 – FAMESP/HEB, processo nº 593/2011 – FAMESP/HEB, Modalidade Licitação: Pregão Presencial 018/2011 – Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospital /Hospital Estadual Bauru – HEB FAMESP/HEB., onde há o registro de Dante Aliguieri Mantuan como representante da empresa STONE DISTRIBUIDORA DE INFORMÁTICA LTDA. (FILIAL) CNPJ: 11.421.198/000284. 4.8. Mais elementos de prova estão nas cópias dos cheques emitidos pela fiscalizada que aparecem como beneficiários a Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2172 15 empresa LUANDA COMÉRCIO DE SUPRIMENTOS PARA INFORMÁTICA, CNPJ 10.742.589/000157, que era representada também por Dante Alighieri Mantuan em processo licitatório (...). 4.9. Existem, ainda, diversos cheques emitidos pela fiscalizada para a empresa NOVA SUPRI DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA – ME, CNPJ 09.256.990/000106, na qual Dante Alighieri Mantuan era sócio administrador no período de 03/10/2007 s 30/09/2009, como segue: (...) 4.10. O controle com exclusividade por Dante Alighieri, mesmo após sua retirada da empresa, é mais uma vez percebida, pois permaneceu inalterado o Correio Eletrônico cadastrado junto ao CNPJ da Fiscalizada vinculado a uma das suas empresas, ou seja: dante@vgcente.com.br”. 35. O Recorrente não foi capaz de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar suas alegações em sede de Impugnação e Recurso Voluntário, como se verifica, por exemplo, pela ausência de documentos que comprovem figurar como mero mandatário da empresa autuada, o que justificaria sua atuação relativa às movimentações financeiras. Portanto, não foi capaz de enfrentar com provas os fatos expostos no Termo de Verificação Fiscal e de Sujeição Passiva Solidária. 36. Em relação ao Sr. Dante, foi emitido, ainda, termo de responsabilização pessoal, de acordo com o artigo 135, inciso III, do CTN, vez que, enquanto sócio “de fato”, praticou os ilícitos previstos no referido artigo. 37. Apesar do Recorrente não constar enquanto sócio no contrato social durante o período fiscalizado (sua retirada se deu em 16/01/2009 e o período de fiscalização foi de 31/01/2009 a 31/12/2009), a decisão de piso manteve sua responsabilidade pessoal por entender que o inciso III do artigo 135 do CTN também deve ser aplicado para quem de fato administra a pessoa jurídica. 38. Contudo, considero que tal raciocínio não pode prosperar. O artigo 135 responsabiliza pessoalmente os agentes que praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos e, em razão da gravidade dessas práticas, o legislador apontou expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2173 16 III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.(grifos nossos) 39. A partir da leitura dos dispositivos, fica claro que a responsabilização pessoal não é aplicável ao Recorrente no presente caso, pois ele não se enquadra no inciso III do artigo 135 do CTN. 40. O Sr. Dante, apesar de continuar a praticar atos pela empresa autuada e ter interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, não era sócio com poder de gerência e não detinha poderes para ser um mandatário ou preposto, conforme diligência realizada pela fiscalização em trinta cartórios de notas da comarca de São Paulo que não encontrou procuração outorgando poderes da empresa para o exsócio Dante. 41. Ademais, nos termos do artigo 108, §1º, do CTN, na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária não pode vale se da analogia para exigir tributo não previsto em lei. Da mesma forma, as autoridades fiscal e julgadora não podem incluir a figura do sócio de fato no rol do artigo 135, inciso III, do CTN, especialmente quando, formal e legalmente, o Sr. Dante não mais fazia parte da sociedade. 42. Diante do exposto, acolho parcialmente o pedido da Recorrente para afastar a responsabilização pessoal imputada com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN e mantenho a responsabilização solidária prevista pelo artigo 124, inciso I, do CTN. II. Da Presença dos Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada 43. Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional. A r. autoridade fiscal deve comprovar que o Recorrente teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2174 17 44. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” 45. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. 46. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 47. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 48. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 49. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 50. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2175 18 presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 51. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier4, a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 52. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 53. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 54. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 55. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 56. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. 57. In casu, a autoridade autuante comprovou cabalmente que a empresa autuada buscou, em conluio com o Recorrente, fraudar o fisco ao (i) utilizar interpostas pessoas, ocultando o real proprietário e beneficiário da empresa; (ii) utilizar alteração contratual fictícia; (iii) fornecer domicílios tributários falsos por parte dos sócios atuais, na tentativa de não serem localizados frustrando as cobranças do fisco; e (iv) não comunicar à Receita Federal o paradeiro da empresa. 58. No mais, a autoridade demonstrou a prática de sonegação fiscal em razão do contribuinte intencionalmente não ter declarado sua receita bruta real do ano de 2009 e não ter recolhido os tributos incidentes sobre suas receitas na tentativa de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. 4 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2176 19 59. Entendo que restaram comprovadas, através do trabalho fiscal (fls. 1383/1409), a prática de sonegação, fraude e conluio por parte da empresa autuada e dos responsáveis solidários, em conduta que se amolda à descrita nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. 60. Portanto, em vista dos elementos trazidos pela autoridade fiscal, deixo de acolher o pedido do Recorrente para que seja afastada a qualificação da multa de ofício. III. Do agravamento da multa (de 150% para 225%) 61. O agravamento da multa de ofício foi levado a efeito com base no artigo 44, § 2°, inciso I, da Lei n° 9.430/96: (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; 62. Considero que a aplicação do agravamento da multa só é cabível quando a falta de atendimento das intimações pelo contribuinte impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não ocorreu no presente caso. 63. Nessa linha, inclusive, foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornar se inaplicável o agravamento da multa. (Processo nº 13884.004558/200369, Acórdão nº 9202004.290, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 19 de julho de 2016, Relator Gerson Macedo Guerra). 64. Por fim, a própria Súmula CARF nº 96, dispõe que: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". 65. Feitas estas considerações, insta consignar que o responsável solidário sequer participou da fase fiscalizatória, ingressou nos autos apenas quando da lavratura do termo de sujeição passiva solidária e, portanto, não deve "arcar" com o agravamento da multa em razão do não atendimento das intimações pela empresa Fera & Alves. 66. Desta forma, considero é inaplicável o agravamento da penalidade. IV. Aplicação de Juros com base na Taxa SELIC Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2177 20 67. Outro ponto questionado pela Recorrente é a aplicação de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa. Segundo ela, os juros de mora incidem ou sobre o tributo ou sobre a multa e não sobre ambos. 68. A taxa SELIC é aplicada aos juros dos créditos fiscais, conforme disposto no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 69. Os artigos 113, §1º e 139, do Código Tributário Nacional, determinam que o crédito tributário, de onde decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 70. Logo, a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, disposta no artigo 61 supra descrito, deve englobar a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de ofício proporcional punitiva. É assim que a jurisprudência do C. CARF entende: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. JUROS SELIC. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2178 21 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Processo nº 15469.000384/2007, Acórdão nº 2301005.162, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção, Sessão de 4 de outubro de 2017, Relator Alexandre Evaristo Pinto) 71. A partir de tais esclarecimentos, resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com os tributos devidos, se não paga no vencimento, sujeita se aos juros de mora por força do disposto no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Portanto, não acolho o pedido do Recorrente. Conclusão 72. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para afastar a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III, do CTN e afastar o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado. Em que pese o bem fundamentado voto proferido pela ilustre conselheira relatora, este colegiado divergiu da sua conclusão quanto ao afastamento da multa agravada e da responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III, do CTN do Sr. Dante Alighieri Mantuan. Em seu voto, a relatora aplicou a Súmula CARF nº 96 para afastar a multa agravada. No entanto, como a recorrente foi autuada na sistemática do Simples Nacional, a referida Súmula não se aplica ao caso concreto. Noutro giro, a fiscalização assim motivou o agravamento da multa (TVF fls. 1.385/1.386): Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2179 22 Como visto, o fisco aplicou multa de 75% (setenta e cinco por cento), conforme disposto no art. 957, inciso I, do Decreto n°. 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), com o agravamento 50% previsto no art. 959 do mesmo diploma legal, Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2180 23 tendo em vista a falta de resposta a todos os Termos de Intimação Fiscal, inclusive ao Termo de Início da Ação Fiscal. Por todo o exposto, mantémse a multa agravada de 112,50% imputada pelo fisco no lançamento fiscal, pela completa falta de cooperação da autuada com a fiscalização, não atendimento das intimações, nada disponibilizou à fiscalização quanto a livros e documentos solicitados, desde o termo de início de fiscalização até o encerramento do procedimento fiscal, e ainda, pela sua inexistência de fato no endereço cadastrado teve o seu CNPJ baixado pela própria fiscalização. Quanto ao Sr. Dante Alighieri Mantuan, a relatora entendeu que a responsabilização pessoal não lhe é aplicável, pois não se enquadra nas pessoas elencadas no inciso III do artigo 135 do CTN. E, justifica a sua conclusão da seguinte forma: O Sr. Dante, apesar de continuar a praticar atos pela empresa autuada e ter interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, não era sócio com poder de gerência e não detinha poderes para ser um mandatário ou preposto, conforme diligência realizada pela fiscalização em trinta cartórios de notas da comarca de São Paulo que não encontrou procuração outorgando poderes da empresa para o exsócio Dante. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.402/1.403) a seguinte explicação, verbis: Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2181 24 Ainda, como razão de decidir, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação do voto condutor da decisão de piso quanto à responsabilidade pessoal do Sr. Dante Alighieri Mantuan, in verbis: Os atos ilícitos cometidos pelo interessado legitimam sua responsabilização pessoal pelos créditos tributários da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, III do CTN: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (...) Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2182 25 Neste sentido, vejase conclusão do Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, já mencionado neste voto: c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; Importante transcrever trechos da Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1, de 17 de dezembro de 2010, Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 08/2010, que dispõe sobre responsabilidade tributária: A Fiscalização deve incluir no lançamento de ofício todos os responsáveis, nos termos do art. 135 do CTN de que tiver condições de comprovar o vínculo, pois o Parecer PGFN CRJ/CAT n° 55/2009 não refuta esse entendimento, tendo em vista que corresponde a uma orientação adotada pela PGFN no sentido da tese utilizada nos Tribunais. Quanto à natureza dessa responsabilidade, nos termos do Parecer acima citado e da jurisprudência do STJ, não há dúvida tratarse de responsabilidade solidária. No que diz respeito ao elemento subjetivo, o item 59 do Parecer afirma que a jurisprudência maciça do STJ caminha no sentido de que é o dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo ou culpa. Os precedentes que ensejaram a Súmula 435 do STJ afirmam que compete ao sóciogerente demonstrar que não agiu com dolo, culpa, fraude ou excesso de poderes. Em razão desses argumentos, a Fiscalização pode enquadrar os sujeitos passivos nas hipóteses tratadas pelo artigo ainda que não consiga demonstrar o dolo. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: Infração ao contrato social ou estatuto deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. Excesso de poder: não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). Infração à lei: não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. Se a pessoa jurídica foi constituída por interpostas pessoas, o lançamento das infrações apuradas deve ser com multa qualificada, pois foram alteradas características do fato gerador (sujeito passivo). Nesse caso, os reais administradores também respondem solidariamente com a pessoa jurídica. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 19515.722350/201209 Acórdão n.º 1201002.309 S1C2T1 Fl. 2183 26 Ante a dissolução irregular da pessoa jurídica e incapacidade financeira dos sócios incluídos na sociedade, correta a sujeição passiva do seu real administrador. (Grifamos) Nesse sentido, trago a colação a ementa do Acórdão nº 1201002.254 desta Turma, sessão de 13 de junho de 2018, do Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, que, por unanimidade de votos, manteve a responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, III, do CTN, nos representantes de fato da contribuinte, embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, verbis: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DE FATO. É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiandose diretamente dos recursos não ofertados à tributação. Assim, por todo o exposto, mantenho a responsabilidade solidária do Sr. Dante Alighieri Mantuan nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 2183DF CARF MF
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