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Numero do processo: 10909.001562/2005-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não-declarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude referido pela legislação.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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E COM. LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada nãodeclarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o “evidente intuito de fraude” referido pela legislação. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 175/182), com amparo no artigo 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado o pela Portaria MF n.° 147, de 25/06/2007, contra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 15 62 /2 00 5- 13 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 249 2 decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento em parte, pelo voto de qualidade, ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima, mediante o Acórdão nº 30133.892, de 23/05/2007 (fls. 159/173), assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2004 PROCESSUAL. MULTA ISOLADA. DESQUALIFICAÇÃO. Cabe a exigência de multa isolada de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada ,na hipótese do crédito utilizado pelo contribuinte não se referir a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Inteligência do § 4" do art. 18 da Lei n°10.833/03, com a redação dada pela Lei n°11.196, de 21.11.2005. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. REDUÇÃO. A multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, isoladamente aplicada quando da existência de compensações indevidas, somente deve ser lançada se constatado que o instituto da compensação foi utilizado de forma fraudulenta; não há que se considerar a aplicação da multa qualificada se não presentes as hipóteses de fraude. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE" Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial por contrariedade à lei e à evidência da prova, contestando, em síntese, a desqualificação da multa de ofício de 150% para 75%, alegando que o ilícito foi cometido pelo contribuinte com evidente intuito de fraude O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, através do Despacho nº 1370.134407, de fls. 186/188. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 191/209) e Recurso Especial (fls. 210/220), ao qual foi negado seguimento, através do Despacho nº 1.530, de fls. 222/224. Cientificado, o contribuinte agravou, mas o reexame não lhe foi favorável, conforme despacho de fls. 237/239. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 250 3 A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à aplicação de multa isolada qualificada, no percentual de 150%, fundamentada no artigo 18, §§ 2° e 4°, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, combinado com o art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente processo o contribuinte apresentou pedido de restituição, protocolado em 19/01/2005, referente ao resgate de títulos denominados "Obrigações ao Portador", emitidos pela ELETROBRÁS Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cumulado com declarações de compensação, protocoladas em 15/02/2005, para quitação de diversos débitos. O pedido de restituição foi indeferido pois tais obrigações não são administradas pela Secretaria da Receita Federal e as compensações foram consideradas não declaradas, nos termos do art. 74, § 12, II, “e” da Lei nº 9.430/1996, conforme cópia de despacho decisório juntada as fls.54, motivando a aplicação de multa isolada fundamentada no artigo 18, §§ 2° e 4º, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, combinado com o art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inicialmente, há que se afastar qualquer alegação sobre a legitimidade do crédito apresentado para a compensação porque já existe entendimento consolidado no CARF, segundo o qual a Receita Federal não tem competência para promover a restituição ou compensação de obrigações da Eletrobrás. Confirase: Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Verificase que a norma legal que rege a multa de ofício isolada qualificada é o artigo 18 da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que originalmente assim dispunha: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Posteriormente, o art. 25 da Lei nº 11.051/04 deu nova redação para o art. 18, supramencionado, in verbis: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 251 4 Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) A Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, alterou novamente o art. 18 da Lei 10.833, que passou a constar com a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo.” (NR) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 252 5 Por sua vez, o art.44 da Lei 9.430/1996, que determina o percentual da multa aplicada, assim determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os mencionados artigos da Lei n° 4.502/64, assim dispõem: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Logo, a multa lançada no auto de infração tratase de multa isolada, semelhante àquela qualificada (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e percentual de 150%) por guardar relação com o evidente intuito de fraude. Ambos os textos tem como matriz legal os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, que trata de sonegação, fraude e conluio. Dentre as figuras acima, entendo que só seria possível, referendado pela descrição dos fatos no auto de infração, a majoração da multa no caso de ocorrência de fraude, pois os tipos “sonegação” e “conluio” descritos nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/64 não são passíveis de aplicação a crédito tributário constituído e declarado pelo contribuinte, submetidos à compensação, na situação dos presentes autos. Há de se perquirir então a intenção do agente e se restou caracterizado o intuito de fraude a ensejar a aplicação da multa qualificada. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 253 6 Conforme definição legal, caracterizase como fraude toda ação ou omissão dolosa tendente (i) a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou (ii) a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A primeira figura não se adéqua ao caso, já que o crédito tributário está declarado e, portanto, confessado, o que supera a possibilidade de existência de fraude ex ante, sendo aplicável, ao caso, em tese, somente a segunda figura. Por outro lado a fraude não se caracteriza de modo objetivo, ao se reduzir o montante do tributo devido. Para sua configuração, é necessário que o elemento subjetivo esteja presente e suficientemente demonstrado. Assim, é preciso avaliar se o meio utilizado se enquadra em hipótese prevista na legislação. No caso concreto, para que se caracterize a fraude, não basta que a ação ou omissão seja dolosa, mas também que produza seus efeitos sobre montante do imposto devido, no caso relacionado crédito que em relação ao débito que se pretende compensar. Ou seja, por definição legal, em casos como o presente, há fraude quando a ação fraudulenta visa à redução da obrigação (efeito da parte final do dispositivo). A Lei nº 11.051/2004 acrescentou ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996 o § 12, inciso II, alínea “e” que veda expressamente compensação com crédito que “não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” No caso em análise, a declaração do crédito a ser compensado não é passível de compensação por se tratar de crédito que “não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, ou seja, é discutível na parte em que declara o direito e não na que confessa a obrigação. Porém a apresentação e tentativa de demonstração da existência do direito de compensar o crédito tendo como origem o pedido de restituição formalizado no presente processo, relativo a obrigações emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás, representadas pelas cautelas nº 424835, 424867, 424836 e 424837, série HH, em contrapartida ao empréstimo compulsório instituído pelo art. 4º da Lei nº 4.156/1962, claramente trazido aos autos, não nos parece configurar fraude – mesmo porque não há nos autos prova de falsidade ou idoneidade dos documentos apresentados, eles são inválidos como mecanismo de oposição creditícia à Fazenda Pública Federal para efeito de compensação, mas não fraudulentos. Também porque, mesmo sendo inviável a compensação, pois o suposto crédito legalmente não pode ser objeto de compensação, não implica a configuração da fraude, no sentido que lhe empresta o art. 72 da Lei nº 4.502/64. Por mais que semanticamente o termo fraude apresente diversas possibilidades, para efeito de imputação de penalidades devese buscar o perfeito ajuste entre a conduta e a previsão legal. Sendo assim, ainda que reprovável, a conduta da contribuinte não se amolda ao tipo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, não sendo possível ampliar as hipóteses configuráveis como fraude, muito menos utilizar a analogia como forma de penalização do sujeito passivo. Não cabe à autoridade administrativa, por meio de interpretações extensivas, suprir a omissão do legislador na atualização de definições, especialmente em se tratando de cominação de penalidades. No caso teria que ter sido demonstrada a fraude (por exemplo, a apresentação com um documento falso). Assim, correto o acórdão recorrido ao desqualificar a multa de 150%, em face da descaracterização da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, mantendo a multa isolada por compensações indevidas, aplicável no percentual de 75%. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10909.001562/200513 Acórdão n.º 9303004.995 CSRFT3 Fl. 254 7 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendo a exigência de multa isolada de 75%. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001640/2002-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35.
O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
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MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 40 /2 00 2- 35 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 171 2 o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, auto de infração de fls. 84/86, acompanhado dos demonstrativos de fls. 03 e 87/88, do Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 76/77, da Planilha de Créditos, integrante do TVF (fls. 78/82) e do Termo de Encerramento de fl. 89, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas do anocalendário de 1.998, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 304.440,45 (doc. à fl. 84), sendo: Imposto R$ 127.019,55 Juros de Mora (calculado até 31/01/2003) R$ 82.156,24 Multa de Ofício Proporcional R$ 95.264,66 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 172 3 O auto em questão decorreu da constatação da Omissão de Rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada, apurados conforme TVF, resultando na descrição a seguir e no demonstrativo do Fato Gerador e do Valor Tributável ou Imposto constante da fl. 85, conforme enquadramento legal indicado à fl. 86, com aplicação da multa de 75%. “Omissão de rendimentos caracterizados por valores depositados/creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (ões) fmanceira(s), em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações conforme Termo de Verificação.” A fundamentação da multa de ofício e dos juros de mora se encontra descritos à O contribuinte, cientificado via postal em 28/02/2.003 (AR à fl. 91), apresentou, em 20/03/ 2.003, impugnação de fls. 92/110, que passo a relatar. Preliminarmente, Do Mandado de Procedimento Fiscal. Que o MPF de n° 08.1.90.002001 01019 0, foi prorrogado sucessivas vezes, sendo que, em 13/12/2001, conforme MPF n° 08.1.90.002001 01019 0 6, a ação fiscal foi prorrogada até 12/01/2002; ocorre que ficou surpreso ao receber o Termo de Ciência de MPF e de Continuidade do Procedimento, lavrado no dia 20/12/01, informando do prosseguimento até 12/01/2002, imaginando que se encerrara em 13/12/01, conforme determinava o MPF, ou seja, estaria extinto por decurso de prazo (de acordo com o inciso II, do artigo 15 da Portaria SRF n° 1265, de 22/11/99), eis que a ciência ao contribuinte da prorrogação, através da entrega de MPFC deve ser anterior ao vencimento, resultando na ineficácia e na invalidade o desconhecimento por parte do contribuinte; Nessa esteira, afirma que o descumprimento das formalidades legais e obrigatórias, vicia o procedimento ab initio, uma vez que a atividade fiscal é vinculada e regrada, sem possibilidade de discricionariedade, devendo ser declarado nulo; Da falta de alocação dos valores tributados na DIRPF AC 1998 Apresentada a DIRPF como isento, questiona o fato de não se ter deduzido na autuação o valor de R$ 10.800,00, referente à isenção anual do IRPF, decorrendo bi tributação desse valor, conforme artigos 165 a 169 do CTN; requer, assim, diligência para correção do auto de infração; Do descumprimento da IN SRF n° 246/2002 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 173 4 Afirma que “a Fiscalização contrariando o disposto na IN SRF n°. 246/2002, lançou os rendimentos supostamente omitidos de forma mensal ao invés de considerar como ajuste anual”, indaga, ainda, que esta IN ao disciplinar os procedimentos de lançamento da espécie, estabelece que os rendimentos omitidos sejam considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira; mas não se identificando a origem dos recursos omitidos, embora a apuração seja mensal, a tributação se dará na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente e aplicação da multa de 75 ou 150%, conforme o caso; Contesta que, por outro lado, comprovada a origem dos rendimentos omitidos que deram suporte aos depósitos ou aplicações, na apuração mensal, para fins de tributação será levada em conta a sua natureza, aplicandose a multa de 75 ou 150%, conforme o caso, “sem prejuízo da aplicação da multa isolada de 75% quando o rendimento estiver sujeito ao pagamento mensal do imposto (camêleão), na forma do artigo 8o da Lei n°. 7.713/88; Afirma verificar que foi descumprido o disposto no ato normativo, “considerando que todo o rendimento omitido por pessoa física estava sujeito à tributação mensal obrigatória (camêleão)” (fl. 97); Do Mérito Da presunção de Omissão de Receitas Contesta que, por falta de justificativa da intimação, a fiscalização procedeu à somatória dos valores depositados em conta corrente no Banco Itaú, o que considera eivado de ilegalidades, uma vez que: A ação fiscal fora deflagrada devido ao cruzamento da DIRPF do autuado em face dos valores da Movimentação Financeira, prestada pelas Instituições financeiras; Afirma que a constatação de omissão, com base estrita nos sistemas internos da SRF é meramente indício Hominis; que tais inputs têm a função de deflagrar uma investigação, não se prestando como prova documental e material por não reunir outros suportes probatórios documentais do fato a ser provado; tratandose de presunção de omissão de receitas, que exige a reunião de requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para se concluir a ocorrência de fato gerador de tributo; padecendo, o lançamento, dos princípios de segurança e certeza; Acrescenta que para caracterizar omissão de receitas pelos depósitos bancários, é necessário se comprovar o nexo causai entre os depósitos e o fato que representa a omissão, fato que não restou comprovado; Continua por afirmar ser atribuição das autoridades fiscais a prova da omissão de receita, questionando que a suposta Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 174 5 omissão não foi caracterizada por prova material, tampouco fora intimado a demonstrar de forma individualizada a suposta omissão, somente de forma genérica; colaciona acórdãos do Conselho de Contribuintes (fl. 100); Argumenta estar o lançamento eivado de ilegalidades, eis que depósitos bancários não constituem renda e tampouco disponibilidade econômica de renda e proventos; Aceita a possibilidade de ocorrer arbitramento do rendimento, desde que tenha como base uma renda presumida, através de gastos incompatíveis com a renda disponível, o que deixando margens a sinais exteriores de riqueza, provavelmente houve renda auferida e consumida, passível de tributação; Para o arbitramento com base em depósitos bancários, afirma ser imprescindível a demonstração de gastos realizados em relação aos créditos das contas correntes, devendo, a fiscalização, rastrear os cheques para caracterizar renda consumida; Mister se faz também para amparar o lançamento, estabelecer um nexo causai entre cada depósito e o rendimento omitido, que se não demonstrado, deve ser declarada a sua nulidade; Da quebra do Sigilo Bancário Questiona a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, por ferir dispositivo constitucional; considerando que as normas que possibilitam a quebra do sigilo de forma administrativa pelo Fisco, equivale ao afastamento de uma cláusula pétrea, o que considera inconstitucional; Da Lei n° 9.311/96 e do Decreto n° 3.724/2001 Fundamentando a fiscalização no artigo 11, § 2o da Lei n° 9.311/96, afirma o impedimento da utilização das informações financeiras para fins do imposto de renda, como preceituava o § 3o, acrescentando que o próprio § 2o violava as normas constitucionais no tocante ao sigilo bancário, salientando que a quebra do sigilo bancário não podería ser levada a cabo sem autorização judicial prévia, resultando na inconstitucionalidade e ilegalidade da fiscalização; Considerando o decreto tão inconstitucional quanto a Lei Complementar n° 105/2001, contesta que a fiscalização inverteu a ordem dos fatores uma vez que só pediu informações ao autuado após ter requisitado informações às instituições financeiras, o que resulta em nulidade da autuação. Do princípio da Isonomia Contesta o fato do artigo 42 da lei n° 9.430/96 exonerar os que, no anocalendário, creditaram em suas contas valores até R$ 80.000,00 inadmissível uma vez que tal valor é muito superior á renda anual de muitos brasileiros, atingindo os que estão além Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 175 6 dele, colocandoos à mercê da quebra do sigilo e da devassa fiscal, o que viola o princípio da isonomia constitucional; Conclui a impugnação requerendo a nulidade e a insubsistência do feito cancelando o auto de infração. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento (fls. 125/141), nos termos da seguinte ementa: NULIDADE Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastase a preliminar de nulidade argüida. NULIDADE MPF EXTINTO POR DECURSO DE PRAZO. Não é causa de nulidade a extinção do MPF por decurso de prazo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Após Io de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não lograr comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO ANUAL. Conforme disposição legal expressa, os rendimentos omitidos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, apurados nos meses de recebimento, ficam sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à epoca. SIGILO BANCÁRIO ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n.° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ATOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 176 7 Refoge à competência da autoridade administrativa a apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Cientificado do acórdão da DRJ em 14/08/2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/09/2008 (fls. 146/171), renovando as alegações aduzidas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Tendo em vista as nulidades arguidas em preliminar pelo recorrente, passo a examinálas precedentemente ao mérito. De pronto, afasto a preliminar de nulidade da aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 177 8 Acerca da alegada irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que macularia o lançamento e provocaria sua nulidade, a decisão recorrida detalhadamente enfrentou o ponto, posição com a qual concordo e adoto como razões de decidir. Está pacificado o entendimento na jurisprudência administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), seja ele de Fiscalização, de Diligência ou Especial, prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal, embora também permita aos contribuintes aferir se a ação fiscal que se realiza é realmente originária do órgão tributário, se o servidor é da carreira de auditoria, quais são os tributos envolvidos, período, etc. Ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, sem, jamais, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. A jurisprudência do CARF já pacífica acerca do assunto: Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto n° 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão n° 20180670 Relator Maurício Taveira e Silva) E, para que não pairem dúvidas sobre a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal para diligenciar e fiscalizar os contribuintes, observemse os seguintes artigos do RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999): Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 178 9 § 1° A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Em suma, o MPF não é o meio hábil para se considerar iniciada, continuada ou finalizada uma fiscalização, mas instrumento de controle da RFB e que, disponibilizado ao contribuinte, permitelhe conhecer detalhes do procedimento que será levado a efeito em seu estabelecimento. Como dito alhures, é remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO VALIDADE A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n°s 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez Acórdão n° 10196351). Do mesmo modo: Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão n° 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 179 10 Igualmente, os Acórdãos n°s 10809653, Relator Cândido Rodrigues Neuber; 10248948, Relator José Raimundo Tosta Santos; 10422515, Relator Antonio Lopo Martinez. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF n° 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto n° 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei n° 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo (Processo n° 16327.002075/200252 3a Câmara 1° Conselho de Contribuintes Sessão em 28/02/2007 Relator Flávio Franco Corrêa Acórdão 10322886). Assim sendo, resta claro que eventual perda de validade de um Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não enseja a nulidade de todo o procedimento fiscal. Em relação à nulidade do lançamento suscitada por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5°, XII, da Constituição Federal, considera o recorrente que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, posteriormente sedimentada pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema, pelo STF. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 180 11 Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral n° 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no “leading case” RE n° 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE n° 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF n° 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar n° 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF n° 35: ”O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ” Ou seja, podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1° do artigo 144, do CTN). Em relação à arguição de violação ao princípio da isonomia, de matriz constitucional, no que tange à aplicabilidade da Lei nº 9.430/1996, cabe a invocação da já citada Súmula CARF n° 2, a qual declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 181 12 Assim, rejeito as preliminares de nulidade arguidas. Do mérito De início, impende ressaltar que não merece prosperar o inconformismo do recorrente quanto à falta de alocação dos valores tributados na DIRPF, anocalendário 1998. Não merece retoque os fundamentos externados pela decisão de piso ao asseverar: “há que esclarecer que por ocasião da apuração do imposto, a parcela referente à isenção anual de R$ 10.800,00 já é computada, conforme se depreende do demonstrativo de apuração de fl. 87, em que está embutido, na parcela a deduzir (R$ 4.320,00), o montante de R$ 2.970,00, resultado da aplicação da alíquota de 27,5% na parte isenta”. No tocante ao descumprimento da IN SRF n° 246/2002, do mesmo modo, analisou bem a decisão de piso ao entender que: “o impugnante se equivocou quando afirmou que a Fiscalização descumpriu tal Instrução Normativa, uma vez que, conforme art. 2º desse dispositivo, os valores foram computados nos meses em que os créditos foram efetuados, sendo tributados, conforme art. 4º, na declaração de ajuste anual, como se depreende do demonstrativo de apuração à fl. 87. Cabe esclarecer, ainda, não haver qualquer respaldo a afirmação de que “todo o rendimento omitido por pessoa física estava sujeito à tributação mensal obrigatória (canêleão)”. No que pertine à matéria de fundo do presente lançamento, que corresponde à omissão de rendimentos proveniente de depósitos de origem não comprovada, temse uma da presunção legal, estabelecida pelo art. 42, da Lei nº 9.430/1996, em que ao Fisco só cabe trazer os indícios que a expõe ao mundo jurídico, momento em que o onus probandi se reverte em desfavor do sujeito passivo, que dele deverá se safar, com os meios legais e documentais possíveis, sob pena de ver aflorar o fato gerador que estava latente, surgir a obrigação tributária respectiva e a subseqüente constituição do crédito tributário, via lançamento. Em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (juris tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 182 13 A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.° 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, a Fiscalização pode lançar mão da figura da presunção legal, como nos casos de omissão de receitas, oportunidade em que resta provocada, como dito, a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil, art. 333, II atualmente, art. 373, II). Neste cenário, certo que a presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é absoluta, antes comporta a possibilidade de a acusada elidir o trabalho do Fisco de perpetrar os lançamentos calcados na hipótese prevista no referido dispositivo, desde que carreie aos autos documentos, livros e comprovantes que destruam a pretensão da Autoridade Fiscal, visto que, como dito, a presunção tem cunho de relatividade. Pois bem, a análise dos documentos que compõem todo o presente processo administrativo, desde os Termos e Intimações emitidos pela Fiscalização, passando pelas respostas da contribuinte, os autos de infração, o Relatório Fiscal, o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, as diversas impugnações e os documentos juntados por ambas as partes, até se chegar a esta fase do julgamento, pósrecurso voluntário, mostra que a presunção não restou elidida. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19515.001640/200235 Acórdão n.º 2201003.757 S2C2T1 Fl. 183 14 administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. De fato, como exaurido pela decisão recorrida, para se contrapor às imputações feitas pela Fiscalização, os recorrentes limitaramse a desfilar longo arrazoado bem concatenados, digase mas mero arrazoado, sem o principal, ou seja, a juntada de documentos coincidentes em datas, valores ou contemporâneos aos fatos que pudesse elidir o trabalho fiscal. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta corrente do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida, e no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002528/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF.
Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratando-se de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A retroatividade benigna aplica-se a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar.
Numero da decisão: 2402-005.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A retroatividade benigna aplicase a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 28 /2 00 9- 98 Fl. 209DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19515.002528/200998 Acórdão n.º 2402005.687 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, por meio do Auto de Infracão (Al) DEBCAD n.° 37.117.5895, no montante de R$ 4.924.874,21 (quatro milhões, novecentos e vinte e quatro mil e oitocentos e setenta e quatro reais e vinte e um centavos), consolidado em 30/06/2009, referente a contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, Incra, Sesc e Sebrae), incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), relativas a competências de 01/2004 a 13/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 128 a 130, informa que: o débito lançado foi apurado, mediante exame dos seguintes livros e documentos, analisados no decorrer da ação fiscal, apresentados pelo contribuinte à fiscalização, quando para tanto intimado, através do “Termo de Inicio da Ação Fiscal” TIAF: a) Relação Anual de Informações Sociais RAIS Anos Calendário de 2004 a 2007; b) Folhas de Pagamento de empregados de 01/2004 a 12/2008 e 13° Salário; c) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, de 01/2004 a 12/2008; e, d) Livros Diário dos exercícios de 2004 e 2005; foram realizados trabalhos de verificação e confronto dos valores das contribuições sociais devidas com as efetivamente declaradas e recolhidas, tendo sido apurados débitos, por meio dos levantamentos AJ C e FPA; com relação ao levantamento AJC (Ajuda de Custo) no exame das rubricas constantes das folhas de pagamento, se identificou que, para as filiais localizadas em Fernandópolis/SP (CNPJ 63.054.266/000480) e Descalvado/SP (CNPJ 63.054.266/0006 4l), houve o pagamento de ajuda de custo em mais de uma competência para os mesmos empregados, devendo integrar o salário de contribuição, o que não foi considerado pela empresa; o levantamento FPA (débito não declarado em GFIP) se refere a diferença de valores de remunerações informadas em folhas de pagamento com as declaradas em GFIP, na Matriz (CNPJ 63.054.266/000137) e nas filiais CNPJ 63.054.266/000307, 63.054.266/000480, 63.054.266/000560 e 63.054.266/000641; a não declaração em GFIP constitui omissão de fato gerador, existindo indícios, em tese, de crime de sonegação de contribuições sociais, previsto no art. 337A incisos I e III, do Código Penal DecretoLei n.° 2.848, de 07/12/1940 com redação dada pela Lei n 9.983, de 17/07/2000; constituem fatos geradores das contribuições lançadas: os valores das remunerações pagas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamento e RAIS, abrangendo o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 e não declarados em GF IP, estando estes discriminados no Relatório de Lançamentos; os valores devidos a Previdência Social oriundos de remunerações pagas aos segurados empregados declarados em GFIP`s e não recolhidos em época própria não foram Fl. 211DF CARF MF 4 considerados nesta ação fiscal, por equivalerem a confissão de divida e sua cobrança estar a cargo da DERAT Delegacia de Arrecadação da Receita Federal do Brasil; a base legal que ensejou o presente lançamento encontrase na legislação constante do relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, que integra este A1. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao AI: IPC Instruções para o Contribuinte; DAD Discriminativo Analítico de Débito; DSD Discriminativo Sintético de Débito; DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento; RL Relatório de Lançamentos; RDA Relatório de Documentos Apresentados; RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados; FLD Fundamentos Legais do Débito; REPLEG Relatório de Representantes Legais; e, VÍNCULOS Relação de Vínculos. Foram juntados, também, pela fiscalização: MPF Mandado de Procedimento Fiscal; TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal; TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; Termos de Intimação Fiscal; Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal; e, TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Foram juntados, pela fiscalização, ao Al n.° 37.1 17.5887 (Processo 19515002529/200932), cópias de alguns documentos da empresa, entre os quais se destacam folhas de pagamento e GFIP's da matriz e das filiais objeto de lançamento por meio deste AI. E, consta, às fls. 132, termo de juntada de processo, segundo o qual, em 30/06/2009, este processo foi apensado ao processo de n.° 19515002529/200932. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 30/06/2009 (fls. 03), a empresa apresentou, em 29/07/2009, a impugnação de fls. 133 a 144, com documentos anexos às fls. 145 a 167 (Procuração, e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, de Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 31/10/2007, e do Estatuto Social adaptado às Leis 10.406/2002 e 11.127/2005, aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária de 11/01/2007), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Das considerações iniciais: Informa a empresa que o relatório fiscal, de forma concisa, descreve que o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 não declaradas em GFIP e destacadamente reembolso de despesas, e que referida exigência não poderia prosperar. Do cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa: Segundo a impugnante, a afirmação de forma unilateral e genérica de que teria deixado de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impediria a perfeita identificação da obrigação inadimplida, sendo que o obscurantismo do ato administrativo o inquinaria de nulidade. Sustenta que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar os princípios da legalidade e da motivação, celebrados pelos artigos 37 e 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, e artigos 97, inciso I, e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19515.002528/200998 Acórdão n.º 2402005.687 S2C4T2 Fl. 4 5 administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988. Para ela , a infra ao cometida, a fundamenta ao jurídica e a base imponível deveriam estar indicadas de forma precisa, de modo a respaldar a validade da autuação, . p . i . possibilitando, com sua identificação, o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Alega, então, que houve, no caso, violação aos artigos 2° e 50, inciso II da Lei n.° 9.784, de 29/01/1999, e conclui que padece de vício de nulidade a constituição do crédito sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Da decadência: Afirma a empresa que o lançamento das contribuições previdenciárias é denominado por homologação, aplicável aos tributos em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame do Fisco, dispondo o INSS de cinco anos para homologar o pagamento, e que, findo este prazo sem que 0 Fisco tenha se manifestado, se operariam os efeitos da decadência e se considera tacitamente homologado o pagamento antecipado, feito pelo sujeito passivo, extinguindose, conseqüentemente, o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN). Informa que, nesta modalidade de lançamento, o prazo contase a partir da ocorrência do fato gerador e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que se extinguiu o seu direito de rever e homologar o lançamento, como ocorre nas hipóteses de lançamento direto (art. 173, I do CTN). Segundo ela, a jurisprudência do STJ teria se reorientado, corretamente neste sentido, citando o “Resp 180.879SP, STJ, 2” Turma, unânime, 1552001”, segundo o qual “havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador”. Relata que a natureza tributária das contribuições dos artigos 149 e 195 da Constituição Federal foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e que a Lei Ordinária n.° 8.212/91, em seus artigos 45 e 46, teria fixado o prazo de 10 (dez) anos para a constituição dos créditos oriundos das contribuições sociais e para a sua cobrança, contrariando as regras contidas no CTN. Destaca que a Constituição de 1988 reservou à lei complementar a competência para disciplinar a matéria atinente à decadência tributária; e que a Lei n.° 5.172/66, recepcionada como lei complementar, estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir e cobrar o credito tributario sendo que as contribuições, sociais são espécies de tributos. Alega que os dispositivos dos artigos 45 e 46 ferem o principio da competência legislativa, pois, se o Constituinte outorgou competência ao legislador complementar para regular normas gerais de direito tributário, dentre as quais a decadência, somente o legislador complementar poderia disciplinar tal matéria, sob pena de inconstitucionalidade por inobservância do quorum especial e qualificado. Fl. 213DF CARF MF 6 Faz menção, então, à Súmula Vinculante n.° 08, ressaltando os efeitos vinculantes introduzidos pela Emenda Constitucional n° 45 de 30/12/2004, ao acrescentar o artigo 103A da Constituição Federal, regulamentada pela Lei n.° 1 1.417, de 19/12/2006. E conclui que, no seu entendimento, restariam decadentes as exigências tributárias do período de 01/2004 a 06/2004. Da multa: Destaca, aqui, a empresa, algumas modificações introduzidas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória n.° 449/2008, já convertida em lei, transcrevendo os artigos 32A e 35, em sua nova redação, e informa que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, regulamenta os efeitos mais benéficos de forma retroativa. E afirma que restou cristalino que não houve aplicação da penalidade mais benéfica, ate' mesmo diante dos valores conflitantes consignados no relatório fiscal. Do pedido: Para ela, assim, restaria demonstrada a necessidade de revisão do ato impugnado para declarar a sua nulidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: Assumo: OUTROS TRIBUTOS ou CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO Do RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a terceiros a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça 0 procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais 'que amparam a autuação. _ DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições de terceiros, mencionadas no artigo 3° da Lei n.° 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19515.002528/200998 Acórdão n.º 2402005.687 S2C4T2 Fl. 5 7 O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O cálculo para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação vigente à época dos fatos geradores com os termos da Lei n.° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 01/02/2011 (fl. 190), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 191 e segs., em 28/02/2011, o recurso voluntário repisa os argumentos já levantados em sede de impugnação em relação ao cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa, decadência/prescrição e penalidade mais benéfica. Diante do exposto, requer seja decretada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 01/02/2011, interpôs recurso voluntário no dia 28/02/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA Em linha com a decisão de primeira instancia, entendo que os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa e os anexos do AI ofereceram as condições necessárias para que o contribuinte conhecesse o procedimento fiscal e apresentasse suas alegações de defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, não há que se falar em declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. DECADÊNCIA Insurgese o Recorrente que, no seu entendimento, restariam decadentes as exigências tributárias do período de 01/2004 a 06/2004. É de se ressaltar, no caso, que, no presente Auto de Infração (AI), lavrado e cientificado à empresa em 30/06/2009, foram lançadas, por meio dos levantamentos FPA e AJC, contribuições destinadas a terceiros, nas competências 01/2004 a 13/2007. Tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, com o reconhecimento, pelos ministros do STF, de que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária como a decadência, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “b” da Constituição Federal, deve ser observado. agora,_pe1a Administração Pública. o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.° 5.172. de 25/10/1966 ~ tanto para as contribuições previdenciárias como para as contribuições destinadas a terceiros. sendo ambas consideradas tributos. Cabe observar que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, como as contribuições em tela, aplicase o prazo decadencial dos artigos 150, parágrafo 4°, ou 173, inciso I, do CTN, a seguir transcritos, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente. No presente caso, ao se analisar conjuntamente os anexos “RDA Relatório de Documentos Apresentados” e “RADA Relatório de Apropriação de Documentos Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19515.002528/200998 Acórdão n.º 2402005.687 S2C4T2 Fl. 6 9 Apresentados” dos AI”s 37.117.5887, 37.117.5895, 37.117.5909 e 37.117.591›7, bem como o anexo “DAD Discriminativo Analítico de Débito” e o Relatório Fiscal do presente AI, e tendo em vista o fato de que os valores recolhidos pela empresa e deduzidos das contribuições apuradas pela fiscalização são separados apenas entre “Tot. INSS” e “Tot. Terc.” e o fato de que não há, nos autos, prova de que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou siinulação, se constatam as situações a seguir descritas. a) Levantamento FPA Estabelecimentos 63.054.266/000137, 63.054.266/000307. 63.054.266/000480. 63.054.266/000560 e 63.054.266/000641: abrange competências entre 01/2004 e 13/2007; quanto às competências 01/2004 a 05/2004, temse que nelas não houve pagamento antecipado (ainda que parcial) de contribuições destinadas a terceiros, aplicandose a elas o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo que, dentre tais competências, nenhuma se encontra fulminada pela decadência o prazo para lançar a competência 05/2004 terminou em 31/12/2009, data posterior à constituição do presente crédito, que se deu em 30/06/2009; quanto às competências 06/2004 em diante, temse que, de qualquer forma, não se encontram fulminadas pela decadência, seja pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I do CTN, seja pelo disposto no artigo 150, parágrafo 4° do referido diploma legal, uma vez que a lavratura do presente AI e a sua ciência pela empresa ocorreram em 30/06/2009. b) Levantamento AJC Estabelecimentos 63.054.266/000480 e 63.054.266/000641: abrange competências entre 02/2004 e 1 1/2005; para este levantamento, não há antecipação de pagamento, tendo em vista que a Autuada não promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre o fato gerador AJUDA DE CUSTO, entendendo que tal rubrica não integra o salário de contribuição, de forma que se aplica, aqui, o disposto no artigo 173, inciso I do CTN; Deste modo, constatase não há, .neste levantamento, qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga objeto de lançamento aqui é 02/2004, correspondendo o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, no caso, a 01/01/2005, sendo que a decadência para lançar esta competência somente ocorreria em 01/01/2010 e que a constituição do crédito se deu anteriormente a tal data, mais especificamente, em 30/06/2009. Deste modo, se constata que não há. neste AI. qualquer competência fulminada pela decadência. E, portanto, temse que não deve ser, aqui, atendido o pedido da empresa no que tange à decadência do período de 01/2004 a 06/2004. DA APLICAÇÃO PENALIDADE MAIS BENÉFICA Fl. 217DF CARF MF 10 Não tendo sido indicado claramente o dispositivo legal que se pretende aplicar de forma mais benéfica ao caso em tela, entendo que não procede a alegação da Recorrente neste aspecto. Tendo em vista o acima, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.014060/2005-88
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2001
SIMPLES. OPÇÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. LIMITE DE FATURAMENTO. RECEITA BRUTA GLOBAL.
A aplicação do art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996 exige a presença de dois requisitos: 1) um dos sócios ou o titular da empresa optante deve participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa; e 2) o somatório do faturamento das empresas deve ultrapassar o limite anual previsto na legislação do Simples.
Os dois requisitos da situação excludente devem andar juntos, pautando-se pela mesma referência temporal. São as condições jurídicas observadas na “Data da Ocorrência” da situação impeditiva que devem balizar a análise da validade formal e material do ato de exclusão. O excesso de receitas deveria
ter sido caracterizado quando ainda havia a participação societária em
comum. A ausência da participação societária na “Data da Ocorrência”
compromete o ato de exclusão do Simples.
Numero da decisão: 1802-000.934
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
1.0 = *:*
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2001 SIMPLES. OPÇÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. LIMITE DE FATURAMENTO. RECEITA BRUTA GLOBAL. A aplicação do art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996 exige a presença de dois requisitos: 1) um dos sócios ou o titular da empresa optante deve participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa; e 2) o somatório do faturamento das empresas deve ultrapassar o limite anual previsto na legislação do Simples. Os dois requisitos da situação excludente devem andar juntos, pautando-se pela mesma referência temporal. São as condições jurídicas observadas na “Data da Ocorrência” da situação impeditiva que devem balizar a análise da validade formal e material do ato de exclusão. O excesso de receitas deveria ter sido caracterizado quando ainda havia a participação societária em comum. A ausência da participação societária na “Data da Ocorrência” compromete o ato de exclusão do Simples.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES. OPÇÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. LIMITE DE FATURAMENTO. RECEITA BRUTA GLOBAL. A aplicação do art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996 exige a presença de dois requisitos: 1) um dos sócios ou o titular da empresa optante deve participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa; e 2) o somatório do faturamento das empresas deve ultrapassar o limite anual previsto na legislação do Simples. Os dois requisitos da situação excludente devem andar juntos, pautandose pela mesma referência temporal. São as condições jurídicas observadas na “Data da Ocorrência” da situação impeditiva que devem balizar a análise da validade formal e material do ato de exclusão. O excesso de receitas deveria ter sido caracterizado quando ainda havia a participação societária em comum. A ausência da participação societária na “Data da Ocorrência” compromete o ato de exclusão do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 83 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 479.473, de 07 de agosto de 2003, emitido pela DERAT São Paulo (fl. 2), com efeitos a partir de 01/01/2002, e assim fundamentado: Data da opção pelo Simples: 07/07/2000 Situação excludente (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 038.419.92838. CNPJ 64.616.998/000136. Data da ocorrência: 31/12/2001 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º , IX; art.12; art.14, I; art.15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002: art.20, IX; art.21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Primeiramente, a Contribuinte apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS nº 08180/479473, com pedido de revisão do ato em rito sumário, alegando que o sócio que motivou a exclusão desligouse da sociedade em 20/11/2001, mas esta SRS foi considerada improcedente, nos seguintes termos (fls. 21/22): ADE Nº 479.473(07) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação são insuficientes para demonstrar que a CNAE informada no Cadastro não correspondia à atividade mencionada nos estatutos sociais. A alteração de atividade foi feita APÓS a exclusão. A Contribuinte, então, apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 1, e a DERAT/SP, identificando que houve erro na decisão acima transcrita, prolatou novo Despacho (fl. 42), desta vez com estes fundamentos: Exclusão mantida por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado nem foi apresentada prova documental contradizendo as informações constantes em nossos sistemas de processamento de dados. No exercício apontado, foi detectada participação de sócio ou titular com mais de 10% em outra(s) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 85 4 empresa(s), cujo somatório de receita bruta adicionado à receita bruta da própria solicitante ultrapassou o limite legal. Na seqüência, após ser novamente cientificada, a interessada apresentou outra manifestação de inconformidade (fl. 44), com os documentos de fls. 45 a 50, alegando que antes de qualquer notificação da Receita Federal, alterou seu Contrato Social, com a inclusão e exclusão dos sócios em 20/11/2001, e que também formalizou o Documento Básico de Entrada (DBE) para registro no cadastro do CNPJ. Como já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I indeferiu a solicitação da Contribuinte, manifestando suas conclusões com a seguinte ementa (fls. 70 a 73): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 SÓCIO DE OUTRA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10%. RECEITA BRUTA GLOBAL. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global, no ano calendário de 2001, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Solicitação Indeferida Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 21/01/2010, a Contribuinte apresentou em 12/02/2010 o recurso voluntário de fls. 78 e 79, com os seguintes argumentos: está havendo inversão de análise. Com o devido respeito, como pode a empresa ter sido excluída do simples em data de 01/10/2002., se o sócio que causava a restrição para o Simples, Maurício Salomão Fadel, retirouse da empresa em novembro de 2001? na pior das hipóteses, o que se relata por amor a argumentação, poderia a empresa requerente ter seu desenquadramento do simples no período em que o referido sócio mantevese vinculado à mesma, ou seja, 07/07/2000 até 20/11/2001, assim mesmo se no referido período se constatasse a incorreção prevista na lei 9.317/96, o que ainda dependeria de demonstração, pois, pelo voto indicado, o problema somente foi verificado no período do ano de 2001; não existiu dolo, o que não vincularia a referida conduta a nenhuma punição, principalmente quando se verifica a evidente ocorrência da prescrição para qualquer tipo de cobrança. Qualquer ato de desenquadramento a partir de 11/2001 é indevido e de ocorrência não legal; assim, requer seja verificada a ocorrência da confusão que se apresenta, para isentar a Recorrente de qualquer tipo de responsabilidade, vista que não pode o fato Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 86 5 gerador ser posterior ao ato, e o ato deuse em Nov/2.001, não comportando desenquadrannento após o saneamento da incorreção, o que configuraria afronta ao princípio da anterioridade do ato administrativo e devido processo legal, vez que a recorrente em nenhum momento foi chamada a sanear nenhuma irregularidade, o que fez de forma espontânea. Este é o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 87 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a validade do Ato Declaratório Executivo n° 479.473, de 07 de agosto de 2003, que promoveu a sua exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2002. A razão da exclusão é que um dos sócios da interessada detinha mais de 10% do capital de outra empresa, e a receita bruta global das empresas, no anocalendário de 2001, ultrapassou o limite legal, nos termos da Lei 9.317/1996, art. 9º, IX: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...). IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º; (...) A aplicação desta norma de vedação exige que estejam presentes dois requisitos: 1 um dos sócios ou o titular da empresa optante deve participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa; e 2 o somatório do faturamento das empresas deve ultrapassar o limite anual previsto na legislação do SIMPLES. No caso em questão, o Instrumento de Alteração Contratual nº 416292, registrado no 3º Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de São Paulo em 20/11/2001, comprova que o Sr. Maurício Salomão Fadel (CPF 038.419.92838) desligouse dos quadros da Recorrente naquela referida data (fls. 45 a 47), modificação que foi informada à RFB e devidamente processada no sistema CNPJ (fl. 61). O Ato Declaratório de exclusão, por sua vez, indica como “Data de Ocorrência” o dia 31/12/2001, mas nesta data o sócio em questão não mais integrava o quadro social da Recorrente, pelo que resta comprometido o primeiro dos dois requisitos acima mencionados. Poderia se alegar que a “Data de Ocorrência” valeria apenas para apurar o somatório dos faturamentos anuais, e que o atendimento do primeiro requisito não demandaria a participação no capital social ao longo de todo o ano de 2001, mas apenas em um determinado período dele. Este parece ter sido o entendimento da Delegacia de Julgamento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 88 7 Contudo, não considero correta esta interpretação, porque o texto legal não possibilita um desmembramento no aspecto temporal da referida norma impeditiva. A meu ver, os dois requisitos da situação excludente devem andar juntos, pautandose pela mesma referência temporal. É justamente essa a finalidade da indicação de uma “Data de Ocorrência” no Ato Declaratório. Assim, em 31/12/2001 deveriam estar caracterizados tanto a participação societária quanto o excesso de receita, mas a participação societária já não mais existia nesta data. No contexto dos autos, temos apenas a informação de que o somatório das receitas em 2001 totalizou R$ 1.350.256,05 (R$ 63.610,50 da Recorrente e R$ 1.286.645,55 da empresa C O T Clínica Ortopédica Tatuapé Ltda CNPJ 64.616.998/000136). Contudo, o excesso de receitas deveria ter sido caracterizado quando ainda havia a participação societária em comum. Com efeito, a “Data de Ocorrência” poderia se dar no máximo até 20/11/2001, mas não em 31/12/2001. Registro ainda que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes é favorável aos Contribuinte inclusive quando o afastamento da situação impeditiva (retirada do sócio) se dá após a “Data de Ocorrência”: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. TITULAR OU SÓCIO COM MAIS DE 10% DE PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA E RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. Havendo comprovação da retirada da empresa do sócio que participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa e não restando outro impedimento, o contribuinte adquire o direito de sua readmissão no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES, no ano subseqüente ao da regularização.(Acórdão nº 30334.436, de 14/06/2007). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANO CALENDÁRIO: 2002. Simples. Exclusão. Participação superior a 10% de sócio desta no capital de outra sociedade empresária. Limite ultrapassado quando considerado o somatório da receita bruta. Impedimento cessado. Reinclusão. É legítima a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando motivada na inobservância do limite da receita bruta decorrente de participação superior a 10% de sócio desta no capital de outra sociedade empresária enquanto não cessado o impedimento. (Acórdão n° 39300.006, de 29/09/2008). Ementa: SIMPLES. OPÇÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. LIMITE FATURAMENTO. RECEITA BRUTA GLOBAL. Para justificar a exclusão do Sistema Simplificado é necessário que se faça presente, obrigatória e conjuntamente, dois requisitos: 1) o Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.014060/200588 Acórdão n.º 180200.934 S1TE02 Fl. 89 8 somatório do faturamento das empresas ultrapasse o limite previsto na legislação no SIMPLES;2)haver participação com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa. No caso em comento os dois requisitos estão presentes até 30/10/2003, admitindose a sua reinclusão a partir de 01/01/2004. (Acórdão n° 30334753, de 13/09/2007). Sendo assim, com mais razão ela deve ser favorável quando o afastamento da situação impeditiva se dá antes da “Data da Ocorrência”, como ocorre nesse caso. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13851.000315/2006-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO.
Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis.
EFEITO RETROATIVO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
Numero da decisão: 1801-000.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinhos Machado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
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IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinhos Machado. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Fl. 89DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 80 2 Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/AQA/SP nº 07, de 24 de março de 2006, com efeitos a partir de 03/04/2002, fl. 23, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1° Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 03/04/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: Soares & Soares de Araraquara Ltda ME CNPJ: 05.023.173/000149 Data da opção pelo Simples: 03/04/2002 Situação excludente: Conforme apurado no processo administrativo 13851.000315/200681, a empresa presta serviços de construção civil. Data da ocorrência: 03/04/2002 Art. 2° A exclusão do Simples tem fundamento: a na lei 9317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, aplicados especificamente o artigo 9°, incisos V e XII, item f, artigo 12, artigo 13, inciso II e artigo 14, inciso I, b na Instrução Normativa SRF n° 608, de 09.01.2006, artigo 20, inciso V e parágrafo 3°, artigo 22, inciso II e artigo 23, inciso I e parágrafo único. Art. 3º A exclusão do simples surtirá os efeitos previstos no artigo 15°, inciso II, da lei 9317, de 05.12.1996, com a redação dada pela lei n° 11.196, de 21.11.2005, e no artigo 24°, inciso IX, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09.01.2006. Cientificada em 30/03/2006, fl. 24, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 28/04/2006, fls. 25/26, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que sua opção foi regularmente deferida a partir do início de suas atividades de prestação de serviços de alvenaria em 03/04/2002. Esclarece que em 2005, pesquisando o sítio da RFB, tomou ciência das alterações no alcance da atividade de construção de imóveis, que contemplava aquele objeto de seu contrato social. Por esta razão, solicitou sua exclusão voluntária em 01/01/2006. Consta como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 20.260, de 01/09/2008, fls. 51/54: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado Fl. 90DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 81 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 03/04/2002 CONSTRUÇÃO CIVIL. ATIVIDADE PRÓPRIA DE PROFISSÃO REGULAMENTADA.INCONSTITUCIONALIDADE IRRETROATIVIDADE. Uma vez caracterizado o exercício de atividade de construção civil, é vedada a opção ou permanência no SIMPLES. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Os efeitos da exclusão, nos termos da lei, se produzem desde a data da ocorrência da situação excludente. Notificada em 13/10/2008, fl. 56, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07/11/2008, fls. 57/59, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; [...] XII que realize operações relativas a: [...] Fl. 91DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 82 4 f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; [...] § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. [...] Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No Ato Declaratório Normativo nº 30, de 14 de dezembro de 1999, está registrado que o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação: [...] Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: I a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II sondagens, fundações e escavações; III construção de estradas e logradouros públicos; Fl. 92DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 83 5 IV construção de pontes, viadutos e monumentos; V terraplenagem e pavimentação; VI pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. A hipótese de indeferimento da opção da requerente pelo Simples com efeito desde 03/04/2002 fundamentada na atividade de construção de imóveis, pressupõe a obtenção de receita proveniente dessa atividade, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. No Contrato Social, fls. 03/09 está registrado como objeto a prestação de serviços de alvenaria tal como expressamente confirmado Recorrente. Assim, analisando as informações constantes nos autos verificase que ela se dedica à construção de imóveis, cuja atividade é vedada pelo Simples. Nesse sentido, o ato de exclusão está correto. A Recorrente diz que sua opção foi efetuada regularmente. Sobre esta questão, cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preencha todos os requisitos legais. Todavia, o deferimento liminar da sua opção não retira da autoridade fiscal a obrigatoriedade do exercício das atividades inerentes à função pública (art. 149, art. 195 e art. 196 do Código Tributário Nacional). No presente caso, a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como esse procedimento não foi adotado voluntariamente desde a data da verificação da situação excludente pela Recorrente, houve a exclusão de ofício pela autoridade competente no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento das condições legais. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão não poderia optar pelo Simples. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos da exclusão. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 84 6 Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06//2010 (https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&s Reg=200900296277&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 01/02/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.124.507 MG (2009/00296277) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MADEPLACAS LTDA ADVOGADO : HÉLCIO GERALDO DE OLIVEIRA CORRÊA E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...] 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13851.000315/200681 Acórdão n.º 180100.584 S1TE01 Fl. 85 7 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Neste sentido, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 03/04/2002, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias, uma vez que incorreu em situação excludente. Por conseguinte, o efeito retroativo da exclusão de ofício do Simples não pode ser alterado, uma vez foi aplicada regularmente a legislação de regência. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 95DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10980.004686/2003-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO.
Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que os pedidos de restituição foram encaminhados em 2002, 2003 e 2004 para a recuperação de saldo negativo de IRPJ de 1998.
Numero da decisão: 9101-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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DECADÊNCIA. Recorrente MOINHOS UNIDOS BRASIL MATE S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que os pedidos de restituição foram encaminhados em 2002, 2003 e 2004 para a recuperação de saldo negativo de IRPJ de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 46 86 /2 00 3- 26 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10980.004686/200326 Acórdão n.º 9101002.998 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de recurso especial ineterposto em face do acórdão n. 1301 00421 (Efls. 1128 ss.), cujo relatório se aproveita para narrativa dos fatos que deram origem ao presente julgamento: "Relatório MOINHOS UNIDOS BRASIL MATE SA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0619.439, de 02 de outubro de 2008, da l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 771, proferido pelo Chefe do Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, pelo qual foi homologada parcialmente a compensação pleiteada pelo interessado. A origem do direito creditório informado pelo interessado é o montante de IRPJ negativo apurado em 31.12.1998, no valor de R$ 512.260,98. A unidade de origem reduziu esse saldo negativo em R$ 21.134,06, correspondente à parcela não confirmada de IRRF do qual o contribuinte se considerava beneficiário. Foi também deduzido daquele saldo o valor de R$ 56.118,73, referente às compensações sem processo (art. 14 da IN SRF n° 21/97) de débitos do ano de 2002, informadas em DCTF. Ainda de se acrescentar que outra parcela do saldo do IRPJ negativo, no valor de R$ 188.229,29, fora utilizada pelo interessado em compensações informadas no processo n° 10980.013025/200219, pelo que o saldo remanescente do direito creditório pleiteado é de R$ 246.778,90. Os débitos a compensar encontramse discriminados nas Declarações de Compensação de fls. 1 a 5 e nas 53 DCOMPs de fls. 92 a 652. Uma dessas DCOMPs (de fls. 101 a 118) visou retificar a DCOMP de fls. 119 a 138. Porém, o interessado aumentou o valor do débito, em desrespeito ao art. 59 da IN SRF n° 600/2005, o que levou a unidade de origem a não acatar tal retificadora e proceder imediata cobrança da parcela correspondente ao acréscimo do débito (R$ 46,80). Parte das DCOMPs eletrônicas foi apresentada após o transcurso do prazo decadencial, cujo termo de inicio foi considerado pela unidade de origem como 1°.4.1999, data a partir da qual o sujeito passivo poderia proceder à compensação do saldo negativo de IRPJ de 1998 com o imposto apurado a partir de abril do ano subseqüente. Assim, somente os débitos informados em DCOMPs apresentadas até 31.12004 foram compensados e os demais (à exceção daquele informado na DCOMP retificadora não admitida) tiveram a Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10980.004686/200326 Acórdão n.º 9101002.998 CSRFT1 Fl. 4 3 compensação não homologada. Remanesceu um saldo de imposto negativo de R$ 125.772,57, não utilizado para compensação em vista da decadência. Em 30.7.2007, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 789) e, em 23.8.2007, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 792 a 814, como seguinte teor: a) que por um equivoco, utilizara em seu pedido de restituição o formulário de fl. 4 do Anexo VI da IN SRF n° 210/2002, que é destinado para pedido de compensação; porém, que não permanecera inerte com relação a seu direito e que deve prevalecer a verdade material, de modo a ser afastada a decadência; b) que deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial conhecida como 5 + 5, ou seja, a de que o prazo decadencial flui apenas quando decorridos os cinco anos da homologação do lançamento; c) que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 não deve retroagir a fatos anteriores à sua vigência pois, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, essa retroatividade ofende o principio constitucional da autonomia e da independência dos poderes; d) que as divergências existentes entre os números da RFB e os da interessada quanto as compensações sem processo no ano de 2002 podem ter se refletido na diferença apontada no processo no 10980.013023/200211, que também é objeto de manifestação de inconformidade, motivo pelo qual deve ser reaberto prazo para conciliação das citadas diferenças; e) que deve ser desconsiderada a carta cobrança emitida contra a interessada. A l a Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 06 19.439, de 02 de outubro de 2008, indeferiu a solicitação de compensação com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, mesmo os sujeitos a lançamento por homologação, é de cinco anos e se conta do pagamento indevido seja qual for a sua causa, nos temos do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISIRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de argüição de inconstitucionalidade de lei, por tratarse de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Ciente da decisão de primeira instancia em 15/10/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2008 conforme carimbo de recepção à folha 1060. No recurso interposto (fls. 1060/1084) a recorrente traz os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade.” Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10980.004686/200326 Acórdão n.º 9101002.998 CSRFT1 Fl. 5 4 O recurso foi julgado pelo acórdão n. 130100.421 (Efls. 1128 ss.), em que se que manteve o entendimento de que o pedido de restituição deveria ser formulado no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do voto vencedor. Leiase a sua ementa: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 da referida Lei, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo prescricional de repetição do indébito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 1a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (Relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor." A contribuinte interpôs então recurso especial (Efls. 1319 ss.) com o objetivo de que se aplique o prazo decenal para a recuperação dos créditos em questão, na linha da jurisprudência judicial que trata da tese dos "cinco mais cinco". O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade às Efls. 1381 ss. e a Recorrida tomou ciência com o despacho de Efls. 1386, sem apresentação de contrarrazões. Passase então à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora O recurso é tempestivo e dele o conheço, nos termos do despacho de admissibilidade. Tratase de pedidos de restituição encaminhados em 2002, 2003 e 2004 para a recuperação de saldo negativo de IRPJ de 1998, pleito este que, por formulado anteriormente à vigência da Lei Complementar n.118/05, deve observar o prazo decenal correspondente aos cinco anos decadenciais para o lançamento de ofício/homologação tácita do pagamento antecipado, somado de mais cinco anos prescricionais para o pedido Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10980.004686/200326 Acórdão n.º 9101002.998 CSRFT1 Fl. 6 5 de restituição, nos termos do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10980.004686/200326 Acórdão n.º 9101002.998 CSRFT1 Fl. 7 6 Subsumese, portanto, a questão, à Súmula CARF 91, de obrigação vinculada deste colegiado, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte, com o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal em Curitiba para manifestação sobre a liquidez e certeza dos créditos tratados no item c.2 do despacho decisório, anteriormente considerados decaídos. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1396DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912097/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.811
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 97 /2 01 2- 28 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.838, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912097/201228 Acórdão n.º 3301003.811 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722509/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL. DOAÇÃO. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E JURÍDICA
O imposto sobre a renda incide não apenas sobre a disponibilidade econômica, mas também sobre a disponibilidade jurídica. Nesse caminho, no caso de ganho de capital, ainda que o preço da venda não foi pago ao alienante, mas sim a terceiro, não é suficiente para afastar a apuração do ganho de capital.
Numero da decisão: 2202-004.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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DOAÇÃO. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E JURÍDICA O imposto sobre a renda incide não apenas sobre a disponibilidade econômica, mas também sobre a disponibilidade jurídica. Nesse caminho, no caso de ganho de capital, ainda que o preço da venda não foi pago ao alienante, mas sim a terceiro, não é suficiente para afastar a apuração do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 09 /2 01 0- 58 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 215 2 Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de IRPF em função de omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital. Tendo a DRJ negado provimento à Impugnação, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 24/11/2010 foi lavrado auto de infração (fls. 137/147), para constituir crédito de IRPF, identificando "001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação em anexo" fl. 139; Conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls. 148/155), · Que também foram instauradas fiscalizações em relação a Juvenil e Ademar Cenci, coproprietários do imóvel; · Que "constatouse que esse imóvel não foi informado na ficha de ganho de capital (rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva) da DIRPF/2008 (fl. 121), nem foi localizado qualquer pagamento referente ao ganho de capital nos sistemas eletrônicos da RFB durante o anocalendário de 2007." (fl. 149); · Que o Contribuinte, bem como seus irmãos Juvenil e Ademar Cenci, condôminos em iguais partes do imóvel alienado, informaram ter havido um acordo verbal de doação das respectivas participações no imóvel em favor do último; · Que a adquirente efetivamente pagou o preço da compra integralmente ao sr. Ademar Cenci; · Que, "não houve transferência legal da posse do imóvel das partes pertencentes a Anadir e a Juvenil Antônio para Ademar Cenci, os três irmãos respondem independentemente por 33% da propriedade do imóvel" (fl. 149); · Que, a despeito de ter informado em resposta a intimação durante a fiscalização que deixou de declarar o imóvel em sua DAA a partir de Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 216 3 2001, esse fato não é verdade, podendo ser identificado nas declarações anexas; · Que foi utilizado como custo de aquisição o valor declarado pelo Contribuinte na DIRPF/1996 e como valor de alienação 33% do valor pago pela adquirente; e · Que, tendo em vista que o lançamento se deu contra espólio, foi lançada a multa nos termos do art. 49 do DecretoLei nº 5.844/1943. Intimada em 26/11/2010 (fl. 158), a Contribuinte apresentou Impugnação em 27/12/2010 (fls. 160/165 e docs. anexos fls. 166/195). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 0647.110, de 20/05/2014 (fls. 199/203), que negou provimento à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. SUJEITO PASSIVO. O proprietário de imóvel que aufere ganho de capital em decorrência de sua alienação está sujeito ao pagamento de imposto de renda. Intimada em 24/06/2014 (fl. 209), e ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23/07/2014 (fls. 210/212), argumentando, em síntese: · Que o julgamento da DRJ é nulo por não ter franqueado a participação do Contribuinte, levando ao cerceamento do seu direito de defesa; · Que o lançamento está errado por não ter ocorrido disponibilidade econômica, já que não houve percepção de valores e que o Recorrente não auferiu ganho algum; É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 217 4 Preliminar nulidade do acórdão recorrido Em primeiro lugar, o Contribuinte argumenta pela nulidade do acórdão recorrido por não ter sido franqueada a sua participação na reunião de julgamento da DRJ. Acontece que a matéria já foi analisada por esse e.CARF em diversas oportunidades, sendo interessante citar, por exemplo, o acórdão CARF nº 2402005.808, de 09/05/2017, que restou assim ementado: FALTA DE CIÊNCIA PRÉVIA E DE PRESENÇA DE ADVOGADO. JULGAMENTO PELA DRJ. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Consoante regra o art. 25 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, os julgamentos de primeira instância do contencioso tributário federal serão realizados no âmbito das DRJ, órgãos de deliberação interna, sem a participação das partes ou previsão de ciência prévia da data da sessão, sem que isso acarrete prejuízo à defesa, à qual é conferida a devida oportunidade de formular suas razões e carrear provas, motivo pelo qual não há falar em nulidade. Essa decisão foi assim fundamentada: No tocante à nulidade aventada em virtude de ter sido realizada sessão "secreta" da DRJ/FNS sem intimação dos advogados do contribuinte, não prospera o arrazoado do recorrente. Alegações do gênero vêm sendo seguidamente repelidas pelo poder judicante, vide, ilustrativamente, a AC nº 5049862 61.201.4.04.7000/PR, j. 16/9/2015 pelo TRF da 4ª Região, e a AMS 11119 SP 001111925.2007.4.03.6100, j. 5/9/2013 pelo TRF da 3ª Região. Isso porque o art. 25, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela MP nº 2.15835/ 01, definiu que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal são órgãos de deliberação interna, da qual participam somente os julgadores e não representantes das partes, não havendo tampouco previsão legal para que estas sejam intimadas previamente das sessões decisórias. De resto, lembrese que ao contribuinte é facultada ampla oportunidade de apresentar sua defesa previamente ao julgamento, produzir as provas cabíveis face à autuação e ainda recorrer de eventual decisão de primeira instância, da qual é devidamente cientificado, com a qual eventualmente não concorde. No mesmo sentido o acórdão CARF nº 2201003.669, de 06/06/2017, que restou assim ementado: PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. DRJ. INTIMAÇÃO PRÉVIA. JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 218 5 As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil. É relevante transcrever o seguinte trecho do voto condutor: “Nulidade da decisão recorrida ausência de intimação para a sessão de julgamento Sustenta a recorrente a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de não ter sido intimada para participar da sessão de julgamento na DRJ. O Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela RFB, assim dispõe: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 25, inciso I; Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7º, §5º). Grifouse. Como se vê, as sessões de julgamento na DRJ não são públicas. Não existe previsão legal para que seja atendido o pleito da recorrente, razão pela qual afastase, de plano, a argüição de nulidade.” Adoto os mesmos fundamentos neste julgamento: não há previsão expressa para a participação do Contribuinte na sessão de julgamento perante a 1ª instância; a mera ausência do Contribuinte ou de seu representante durante a reunião de julgamento não implica cerceamento do seu direito de defesa, vez que esse é exercido pela apresentação da impugnação e pela adequada análise durante o julgamento. Mérito Da doação Argumenta o recorrente pela impossibilidade de tributação pelo imposto de renda por ausência de disponibilidade econômica. Segundo esclarece seu raciocínio, teria efetuado doação em favor de seu irmão, que foi quem vendeu o imóvel, auferindo todo o rendimento e, portanto, sendo também o Contribuinte de todo o tributo. Nesse contexto, não tendo recebido quaisquer valores pelo negócio que levou à transferência da propriedade do imóvel, não pode sofrer exação. Não assiste razão ao contribuinte. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 219 6 Em primeiro lugar, vale lembrar a regulamentação dada à doação pelo artigo 541 do Código Civil (2002): Art. 541. A doação farseá por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. A doação verbal suscitada pelo Recorrente não tem validade jurídica e não leva à transferência da propriedade de bem imóvel. Pode, isso sim, ser causa (jurídica) da alienação, inclusive a terceiro é o caso de doação indireta, na qual o doador entrega a credor do donatário determinada coisa para pagar a dívida do donatário. Contudo, a doação só ocorrerá no momento em que for formalizada de acordo com os requisitos legais. In casu, a alienação só ocorreu quando da venda do imóvel para o terceiro, momento este em que deve ser considerado o fato gerador e apurado o ganho de capital. Portanto, a doação verbal ventilada pelo Contribuinte não teve validade ao menos não teve validade até o momento em que o doador e o donatário (Recorrente e irmão) formalizaram a transferência do imóvel ou do preço recebido pela sua venda. De qualquer sorte, o CTN, em seu artigo 43, traz como fato gerador do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza. Assim, quando o Contribuinte alega não ter percebido ganho de capital, pois um suposto terceiro obteve a disponibilidade econômica relativo à venda do imóvel, o contribuinte desconsidera a viabilidade da aquisição da disponibilidade jurídica enquanto fato gerador. É nesse contexto, por exemplo, que a Lei inclui como fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital mesmo os casos em que a alienação ocorre por uma doação. Em outras palavras, se o donatário recebe o imóvel pelo valor de mercado, e não pelo valor constante na declaração do doador, então este terá auferido um ganho de capital, e sofrerá a respectiva tributação, ainda que se entenda que a disponibilidade não foi econômica, mas tão somente jurídica. Pois bem. Constatase pela análise das provas constantes nos autos que o Recorrente era proprietário do imóvel e que alienouo em favor do comprador. Portanto, mesmo que o Contribuinte não tenha percebido a disponibilidade econômica da venda do imóvel, mesmo que se aceite que ela foi auferida pelo seu irmão, percebeu disponibilidade jurídica, vez que o imóvel alienado era formalmente de sua propriedade e foi alienado por valor superior àquele constante na sua DAA. Portanto, não assiste razão ao Recorrente pelo argumento de que inocorreu disponibilidade econômica. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.722509/201058 Acórdão n.º 2202004.142 S2C2T2 Fl. 220 7 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720038/2008-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
Numero da decisão: 9202-005.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 22.126,37.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 22.126,37. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 516 1 515 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13227.720038/200855 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.744 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ FRANCISCO ALFERES SIQUEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 22.126,37. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 38 /2 00 8- 55 Fl. 516DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 15/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário nº 917.935, prolatandose o Acórdão nº 210202.013 (efls. 486 a 491), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada é situação extrema que não deve ser aplicada nos casos onde a soma dos depósitos efetivados nas contas bancárias do contribuinte é bastante inferior aos rendimentos declarados, mormente se o contribuinte foi selecionado para fiscalização em face da existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Recurso Voluntário Provido” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 492). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 17/11/2012, e, em 30/11/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 505), foi interposto o Recurso Especial de efls. 493 a 504. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a dedução, da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores constantes da Declaração de Ajuste Anual. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de 11/04/2014 (efls. 506/507). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a questão dos autos cingese à discussão acerca da possibilidade, ou não, de se excluir da base de cálculo do Imposto de Renda decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem, os rendimentos tributados declarados pelo contribuinte, sem a devida correlação; ocorre que, conforme se pode extrair do voto vencedor do acórdão, a eminente relatora desconsidera a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e aceita a Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13227.720038/200855 Acórdão n.º 9202005.744 CSRFT2 Fl. 517 3 exclusão, sem a devida prova no que tange à compatibilidade entre as Notas Fiscais apresentadas e os rendimentos auferidos indicados na Declaração de Ajuste Anual; o regramento legal ora analisado dispõe que "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações"; observese que o dispositivo legal é cristalino em sua determinação, sem suscitar qualquer controvérsia na interpretação do intuito legislativo: verificados depósitos na conta do contribuinte, este é instado pela autoridade fiscal a comprovar, por documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, sob pena de presumirse não tributados e sujeitos a lançamento, portanto o ônus da prova é do contribuinte; neste passo, está o CARF violando a legislação sobre o tema, negandolhe vigência na forma como se apresenta, ao possibilitar a exclusão dos rendimentos declarados, mesmo na ausência de provas ou de autorização no § 3º do mencionado artigo que, exaustivamente, elencou as hipóteses de supressão de valores da base de cálculo da exigência, quais sejam: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I ‑ os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II ‑ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (redação dada pela Lei 9.481/97) cumpre a tal instituição respeitar a legislação na forma como apresentada, e esta, por sua vez, repitase, determina que cabe ao contribuinte a comprovação, por documentação hábil e idônea, acerca da procedência dos valores informados pela autuação como depósitos bancários sem comprovação de origem; ao revés, o colegiado está violando frontalmente a regra existente, subvertendo o intuito da norma; sob o pretexto da equidade, desrespeita o ordenamento jurídico pátrio, mais especificamente a clara regra do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, para fazer valer o que entende mais correto e coerente; com efeito, ausente qualquer prova do contribuinte acerca do vínculo entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, havendo regramento legal expresso determinando a exigência fiscal pertinente à omissão de receitas decorrente de tais depósitos, não há respaldo para o "abatimento" perpetrado pelo colegiado, demandando a reforma do acórdão em tela. Fl. 518DF CARF MF 4 Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose a decisão de 1ª instância. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2004, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, considerandose que o total das receitas da atividade rural constantes da Declaração de Ajuste Anual do exercício em questão superou o total dos depósitos bancários. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não poderia ser efetuada de forma genérica, e sim observar a coincidência de datas e valores. A jurisprudência do CARF é no sentido de que, apesar da não identificação individualizada dos depósitos com os rendimentos tributados na declaração, é cabível a exclusão do valor a eles correspondente da base de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimentar os rendimentos declarados. Nesse passo, obviamente que não é admissível a exclusão de valores que, a despeito de constarem da Declaração de Ajuste Anual, não há comprovação de que efetivamente tenham sido tributados, como é o caso do total das receitas de atividade rural, mormente quando estas foram largamente absorvidas por despesas que não foram verificadas, como ocorreu no presente processo. Com efeito, o objetivo da exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores tributados na Declaração de Ajuste Anual, é evitar que haja dupla tributação. Entretanto, na situação em tela a exclusão do total de receitas da atividade rural, quase todo absorvido por despesas que sequer foram verificadas (como se fez no acórdão recorrido), termina por conferir o efeito contrário, ou seja, a total ausência de tributação, seja como depósitos bancários, seja como rendimentos de atividade rural. Assim, somente pode ser excluído da base de cálculo dos depósitos bancários do exercício de 2004 o valor de R$ 22.126,37, correspondente aos rendimentos efetivamente tributados na atividade rural (fls. 21 e 25). Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 22.126,37. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13227.720038/200855 Acórdão n.º 9202005.744 CSRFT2 Fl. 518 5 Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.736318/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
PROCESSUAL - INTEMPESTIVIDADE - Não observado o prazo consignado na legislação de regência, não há como conhecer dos recurso voluntários.
Numero da decisão: 1302-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos (do contribuinte e do responsável) por intempestivos.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlso Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: PROCESSUAL - INTEMPESTIVIDADE - Não observado o prazo consignado na legislação de regência, não há como conhecer dos recurso voluntários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos (do contribuinte e do responsável) por intempestivos. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlso Cesar Candal Moreira Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.627 1 4.626 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.736318/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria Simples exclusão arbitramento do lucro Recorrente SKY TEAM AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO LTDA., PETER ALEXANDER MARCO WEBER E ANNA MARGARETA WEBER GERHRMANN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: PROCESSUAL INTEMPESTIVIDADE Não observado o prazo consignado na legislação de regência, não há como conhecer dos recurso voluntários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos (do contribuinte e do responsável) por intempestivos. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlso Cesar Candal Moreira Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 63 18 /2 01 2- 48 Fl. 4629DF CARF MF 2 Relatório Cuidam os autos de Ato Declaratório de exclusão do contribuinte do Simples Nacional, por prática reiterada de infração à Lei Complementar de nº 123 e consequente arbitramento do lucro relativo aos anos calendários de 2008 e 2009, apurandose, na espécie, créditos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para esclarecer os fundamentos da autuação, adoto, parcialmente, o relatório da DRJ cujo trecho reproduzo abaixo: Consta no Relatório da Ação Fiscal (RF) que a fiscalização constatou discrepância entre os valores declarados pela contribuinte nas declarações do Simples e nas Dirf. Circularizou, então, as companhias aéreas nacionais e internacionais, que confirmaram os valores declarados em Dirf. Diante da apuração de omissão de receitas, a empresa foi excluída do Simples e foi intimada a fazer opção pela tributação pelo lucro real ou presumido. Como não houve manifestação da contribuinte a esse respeito, foi feito o arbitramento do lucro, exigindose os tributos devidos sobre a receita bruta. Foi aplicada a multa de 75% sobre a receita declarada pelo Simples Nacional e 150% sobre a receita omitida Cientificados tanto da exclusão intentada por meio do Ato Declaratório de nº 146/2012 (fls. 3976) quanto do auto de infração (fls. 4022/4121) e, também dos termos de sujeição passiva juntados a fls. 4288 e ss e 4293 e ss, o contribuinte e o sujeito passivo Anna Margareta Weber Gerhrmann opuseram manifestação de inconformidade; a despeito do sujeito passivo Peter Alexander Marco Weber ter sido cientificado por meio de Edital (fls. 4292), já que infrutífera a intimação postal (AR de fl. 4291), este não opôs qualquer manifestação. Da manifestação de inconformidade da Contribuinte, extraemse as seguintes alegações de defesa, resumidas no acórdão recorrido e cujo relatório, mais uma vez, adoto . É consolidadora e assim é intermediadora da venda de passagens aéreas junto às mais diversas agências de viagens e turismo e recebe remuneração a título de incentivo pelas vendas transacionadas, que é variável em razão da análise de metas, volume de vendas, etc. Não comercializa passagens aéreas diretamente aos usuários/consumidores, mas mantém relações comerciais com terceiros (agências de viagens/turismo). .É improcedente a afirmação do fisco de que não há nenhum documento ou indicação em fatura ou mesmo em contrato que vincule algum valor a outra pessoa jurídica que não a própria fiscalizada.: .Existe previsão contratual do pagamento para a contribuinte de comissões e incentivos (British Airways, IATA). . Da prova do vínculo entre as empresas (Consolidadora, agência e Cia. Aérea): anexa cópia (fl. 4169) de um nota fiscal de serviço da agência Casa Branca e uma fatura de serviços Fl. 4630DF CARF MF Processo nº 11080.736318/201248 Acórdão n.º 1302002.354 S1C3T2 Fl. 4.628 3 emitida pela contribuinte, ambas datadas de 20/03/2007( período não autuado). . Com fundamento em lei complementar o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) editou a Resolução nº 38, de 2008, que determina que a microempresa e a empresa de pequeno porte podem, opcionalmente, utilizar a receita bruta total recebida no mês (regime de caixa) em substituição à receita bruta auferida (regime de competência), exclusivamente para determinação da base de cálculo mensal do imposto. · Conforme entende a jurisprudência, a receita bruta a ser considerada é tãosomente o valor da intermediação do serviço, visto que não se trata de uma prestação completa. · Sendo a receita o ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, vinculado ao exercício da atividade empresarial decorrente da contraprestação em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, não se pode considerar como receita própria da consolidadora a parte relativa aos terceiros (agências de viagens ou companhias aéreas). · Solicitou a concessão do prazo de trinta dias para a juntada de documentação. · Solicitou que seja considerado improcedente o Ato Declaratório Executivo nº 146, de 2012, restabelecendo a situação de regularidade da empresa em relação ao Simples Nacional. A recorrente, Anna Margareta Weber Gerhrmann, por sua vez, em suas razões de insurgência, argumentou, em apertada síntese, que: a) a desconsideração da personalidade jurídica somente poderia se dar por meio de decisão judicial, na forma do art. 50 do Código Civil Brasileiro; b) que o art. 135 do CTN, pressupõe a prático de ato ilícito atribuível aos administradores, não bastando para a caracterização deste fatotipo apenas a falta de recolhimento de tributos; c) tendo sido oposta manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do simples, seria ilícito o lançamento de tributos calculados a partir do regime ordinário previsto na legislação de regência, já que não se teria sido concretizados os efeitos da predita exclusão enquanto não julgada a defesa do contribuinte; d) seriam indevidos os lançamento pelas razões já postas na manifestação de inconformidade do contribuinte. Instada a se manifestar, a DRJ houve por bem julgar improcedentes as alegações do contribuinte e do sujeito passivo, mantendo intocados o ato de exclusão e o crédito tributário constituído por meio do auto de infração. Fl. 4631DF CARF MF 4 Os recorrentes foram cientificados do resultado do julgamento por comunicação postal em 09/12/2013 (ARs de fls. 4413, 4415 e 4417); o contribuinte, primeiramente, apresentou pedido parcial de desistência da discussão para inclusão de débitos em parcelamento (fls. 4420); em seguida, ele e os dos sujeitos passivos interpuseram seus recursos em 09/01/2014 (fls. 4470 e ss, 4506 e ss e 4529 e ss), basicamente reiterando os argumentos até aqui propostos. A fls. 4551/4553, ante a desistência parcial das razões de defesa, e inclusão de partes da dívida em parcelamento, foi juntado termo de transferência de dívidas para o PA de nº 11080733.513/201305, concernente ao aludido parcelamento. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recorrentes, como já afirmado no relatório (e demonstrado pelos respectivos ARs), tiveram ciência do julgamento realizado pela DRJ em 09/12/2013, uma segunda feira; nesta esteira, considerandose como termo a quo o dia 10/12/2013 (terçafeira), o prazo de que dispunham para ofertar os seus competentes recursos findarseia em 08/01/2014 (uma quartafeira). Os recursos, entretanto, foram protocolizados em 09/01/2014 e, portanto, uma dia após o decurso do prazo legal, descrito no art. 15 do Decreto 70.235/75. Uma vez que intempestivos os recursos voluntários manejados, deixo, deles, de conhecer. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4632DF CARF MF
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