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Numero do processo: 10111.000229/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
Recurso voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-005.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 29 /2 00 5- 63 Fl. 1133DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração referentes às diferenças de tributos em face da reclassificação fiscal de mercadoria importada mediante a Declaração de Importação (DI) nº 05/04238790, multas de ofícios correspondentes e multa administrativa por erro de classificação fiscal. Entendeu a fiscalização que a classificação adequada para a mercadoria seria no código NCM/SH 8526.91.00, com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 221, de 23 de agosto de 2004, e também no Acórdão da 1ª Turma da DRJ nº 6607, de 23 de abril de 2004, rejeitando a classificação adotada pela contribuinte na DI (NCM/SH 8525.20.13) para o produto descrito como máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos. A interessada impugnou o lançamento, alegando e requerendo, em síntese: a) nulidade do auto de infração por inépcia; b) a função predominante da "máquina móvel" é a de telecomunicações, e não de radionavegação (acessória); c) seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial, as Notas 3, 4 e 5; d) inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo 14/20032; e) laudo técnico apresentado confirma o enquadramento tarifário 1 Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20 de agosto de 2004 DOU de 23.8.2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo no 10168.002623/200408, declara: Art. 1º Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificamse no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 2 de setembro de 2003. 2 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 02 de setembro de 2003 DOU de 4.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS) na Nomenclatura Comum do Mercosul. Revogado pelo ADI SRF Nº 22, de 20 de agosto de 2004. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.312 3 adotado pelo importador; f) argumentos de natureza econômica também confirmam a função principal do MCT (Terminal de Comunicação Móvel); e, g) por fim, requer o afastamento das penalidades e encargos moratórios, em conformidade com o disposto no incido III e no parágrafo único do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para a verificação de eventual concomitância com a via judicial, tendo a fiscalização apresentado suas informações e a impugnante sua manifestação. Após, foi proferida decisão desfavorável à impugnante sob os seguintes fundamentos principais: Com base nos elementos trazidos aos autos por ambas as partes, o indício de concomitância com a via judicial foi afastado, vez que a classificação fiscal do MCT não está sendo discutida em nenhuma das ações judiciais em que se identificou tal possibilidade. Um aspecto crucial não foi devidamente valorado na definição da função mais importante do MCT. Tratase da FINALIDADE ESPECÍFICA que levou à criação dele e que ainda hoje é o PRINCIPAL OBJETIVO desse tipo de equipamento: possibilitar a supervisão em movimento do veículo onde ele é instalado. A função de comunicação é importante, mas atua como MEIO para atingir os fins a que o aparelho se destina. Sendo o MCT caracterizado como uma combinação de máquinas para realizar diferentes funções e a autolocalização via GPS, considerada a função mais importante, é na classificação fiscal referente ao dispositivo que desempenha essa função que o equipamento como um todo deve ser enquadrado. Não é relevante o fato de o MCT poder ser utilizado sem esse aparelho, ainda mais quando se sabe que, mesmo assim, ele ainda poderia desempenhar a referida função, como deixou claro o laudo técnico apresentado pela impugnante. Diferentemente do que alega a impugnante, tanto seu Estatuto Social como a Autorização da Anatel, na realidade, comprovam a importância da função de autolocalização geográfica, que é desempenhada pela placa GPS, mas que o MCT também seria capaz de realizar mesmo sem essa placa, de acordo com os laudos técnicos trazidos pela própria impugnante. Conforme demonstrado, todas as Soluções de Consulta suscitadas pela defesa confirmam que a principal função dos equipamentos analisados é o rastreamento dos veículos em que eles são instalados. A definição de código para enquadramento diferente do adotado pela fiscalização devese a peculiaridades próprias dos aparelhos examinados ou das decisões. Ademais, nenhum dos aparelhos objeto das consultas trazidas pela impugnante foi considerado como uma combinação de máquinas, como é o caso do MCT. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta da Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244, de 27 de agosto de 2003, declara: Artigo único. Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 1135DF CARF MF 4 A impugnante apresentou laudos técnicos emitidos pela Universidade de Brasília (UnB) que, embora concluam que a função principal do MCT é a de comunicação, trazem informação que reforçam o entendimento quanto à relevância de função de autolocalização. Ambos os pareceres afirmam que, mesmo sem a placa receptora GPS, o equipamento ainda seria capaz de fornecer a localização do veículo, conforme reproduzido a seguir. Ou seja, essa placa até pode ser um acessório, mas o mesmo não pode ser dito sobre a função de autolocalização. Independentemente da análise quanto à efetiva caracterização do costume jurídico em relação às importações do MCT anteriores ao ADI SRF nº 14/2003, fica evidente a inocorrência desse instituto para as operações realizadas após a edição desse Ato, como é o caso ora examinado. Portanto, indeferese o pedido da impugnante para dispensa das penalidades e encargos moratórios. Cientificada pela via postal em 15/05/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/06/2013, suscitando as seguintes preliminares: i) impossibilidade de juntada tardia de documentos pela autoridade preparadora; ii) necessidade de desconsideração dos documentos em idioma estrangeiro; e iii) ilegalidade na referência à opinião da OMA. No mérito, as alegações da recorrente foram assim resumidas por ela: 1. Não se pode conceber a utilização de documentos juntados tardiamente pela fiscalização, em idioma estrangeiro e, ainda, que a autuação utilize como fundamento informações em site inexistente ou que tenham que ser traduzidos pelo contribuinte, via Google, do lituano para o português. Assim, havendo outros fundamentos não viciados para a autuação, apenas esses devem ser levados em consideração. 2. O MCT é equipamento que permite o envio e recebimento de mensagens alfanuméricas entre central e frota, ou a partir de pontos fixos distantes (ilhas, estações em florestas, etc), consulta a banco de dados (relevante para secretarias de segurança, empresas de energia elétricas, etc), telemetria, e localização. No conceito genérico de rastreamento (que não guarda real precisão técnica) incluise toda essa gama de atividades, que possuem como base a comunicação. A telecomunicação, por excelência, é sempre um meio, um canal, para permitir a comunicação entre dois pontos distantes entre si, razão pela qual o argumento do v. acórdão referenda o aqui alegado. 3. Essas funcionalidades, inclusive a localização (que é função acessória), não caracterizam radionavegação. O MCT não indica rota e direção para o motorista de um veículo. E tampouco permite, em termos práticos, sua utilização para a radionavegação nem mesmo com o auxílio à distância de um operador na central. Cogitarse isso é desconhecer o funcionamento técnico do equipamento, a função para o qual foi projetado e, especialmente, a sua utilização prática. 4. Por essa razão, casos idênticos ao presente, envolvendo a Recorrente, já foram apreciados pelo Conselho de Contribuintes, atual CARF. A Egrégia Segunda Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, por seis votos a um, e a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade e quanto ao mérito, entenderam como correta a classificação fiscal do MCT utilizada pela Recorrente no Recurso n° 130.748 (Recurso Especial n° 302130.748). E a Egrégia 2a Turma da 1a Câmara da 3a Seção do CARF, também à unanimidade e sobre o mérito, entendeu da mesma forma quando do julgamento dos Recursos Voluntários n.s 143.883; 143.902; 143.903 e 143.905; 5. A Receita Federal já reconheceu, em Solução de Consulta relativa a equipamento em tudo semelhante ao MCT, como correta a classificação adotada pela Recorrente. E referida Solução de Consulta foi proferida posteriormente ao recebimento da opinião da OMA alegadamente sobre assunto idêntico; 6. Em equipamentos com função de localização praticamente idêntica à do MCT e sem nenhuma função de comunicação a Receita Federal também Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.313 5 reconheceu, em Soluções de Consulta, que a classificação não é de radionavegação, aplicando enquadramentos semelhantes, com os devidos ajustes, ao utilizado pela Recorrente. Isso porque localização e radionavegação são distintos; 7. Por mais que se esforce o v. acórdão em distorcer a lógica adotada pelas Soluções de Consulta, as conclusões destas foram pela classificação dos equipamentos similares como de comunicação. É inverídico que a Solução de Consulta baseada no laudo do ITUFES mencionado no acórdão mas não trazido aos autos, e que simplesmente informa que o equipamento é de rastreamento, conceito absolutamente distinto de radionavegação concluiu que a finalidade do equipamento seria localização. 8. Para a Anatel e para os Estados, os serviços prestados por meio do MCT são de comunicação de dados, estando portanto sujeitos aos tributos daí decorrentes; 9. Conforme laudo técnico da Universidade de Brasília, a ser considerado nos termos do artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, o MCT deve ser enquadrado nas posições 8525.20.13 (anterior à Resolução CAMEX n° 43/2006) ou 8517.62.71, por adequarse, palavra por palavra, na descrição da NCM; 9.1 O laudo técnico atesta que a função principal do MCT é a de comunicação, e que o posicionamento ou localização do veículo constitui função acessória; 9.2 Para tanto, atesta que a comunicação funciona independentemente da existência da placa GPS (localização), mas que a função de posicionamento ou localização tornase inoperante sem a função de comunicação; 9.3 O laudo conclui, ainda, que o MCT não possui função de radionavegação; 9.4 Não possui qualquer fundamento lógico ou técnico a tentativa do v. acórdão de valerse de resposta do laudo para fundamentar sua tese. O MCT tão somente permite uma outra forma de localização, sem o uso do GPS, que não é utilizada em termos práticos e não significa em absoluto maior relevância da função de localização. Caso se queira trilhar essa linha irrelevante de argumentação, em realidade a Recorrente oferece redundância tripla e com utilização prática para a comunicação, o que denotaria então uma maior importância da comunicação pela lógica do v. acórdão. 10. Ainda que ultrapassados os óbices que impedem seja levada em consideração a opinião da OMA quando do julgamento deste Recurso, temse que aquela não é suficiente para abalar o direito da Recorrente à classificação fiscal adotada; 11. A opinião da OMA não foi extraída no âmbito de procedimento vinculativo aos países membros e tampouco foi internalizada no ordenamento pátrio, não estando inserida no anexo à Instrução Normativa SRF n° 873/08. Logo, a mera opinião pode, sim, ser desconsiderada pelas autoridades alfandegárias e pelas autoridades julgadoras; 12. A consulta de 10 linhas formulada à OMA pela COANA seria considerada ineficaz se apreciada no âmbito da IN SRF n° 740/07, uma vez que não continha os elementos mínimos que permitissem uma completa análise do equipamento. É possível que a forma lacônica da consulta e as informações contidas no site cujo conteúdo se desconhece tenham induzido a OMA a erro quanto à correta classificação do equipamento 11. Financeiramente, a receita de comunicação gerada pelo MCT no ano da primeira autuação, idêntica à presente, foi de 88,2967% contra 11,7033% da receita de localização (com uso do GPS). Assim, a comunicação é a função principal do equipamento não só tecnicamente, mas também do ponto de vista econômico e de utilização pelo cliente. O v. acórdão nada dispõe sobre esse fundamento; 12. O GPS corresponde a tão somente cerca de 4,5% do custo total do MCT, o que demonstra a inviabilidade comercial deste caso se tratasse de equipamento cuja Fl. 1137DF CARF MF 6 função principal fosse a localização. O v. acórdão também nada dispõe sobre esse fundamento. Em 31/03/2015 foi juntada petição pela recorrente mediante a qual se aponta a "concomitância quanto ao mérito da demanda e requerse o prosseguimento do feito administrativo no que diz respeito às mencionadas violações ao artigo 146 e ao artigo 100 do Código Tributário Nacional, ensejadoras, respectivamente, do cancelamento do auto ou ao menos do afastamento de multa e juros". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Após a interposição do recurso voluntário, a interessada apresentou petição noticiando da propositura de ação judicial com os seguintes pedidos: Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.314 7 (...) Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Dessa forma, tendo em vista que a matéria central discutida no presente processo, acerca da classificação fiscal, é objeto da ação ordinária nº 0047878 47.2014.4.01.3400, não se pode aqui conhecer da referida matéria. O mesmo acontece em relação ao requerimento de afastamento da penalidades como base no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, que não deve ser conhecido no âmbito deste recurso voluntário. Conhecese, no entanto, o recurso voluntário na parte relativa às alegações de nulidades do auto de infração e de violações aos arts. 100 e 146 do CTN. As alegações de nulidade não prosperam acerca da juntada tardia de Parecer da OMA em idioma estrangeiro, já que tal Parecer não tem caráter vinculante e a interessada pode se manifestar sobre ele, em observância ao princípio do contraditório. Fl. 1139DF CARF MF 8 As decisões anteriores prolatadas pelo CARF não possuem caráter vinculante para a Receita Federal em relação a outros lançamentos, ainda que em relação ao mesmo sujeito passivo, eis que não se trata de decisões para as quais a lei tenha atribuído eficácia normativa, nos termos do art. 100, II do CTN, nem tampouco de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). Ademais, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, e nessa parte, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001253/2005-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 12 53 /2 00 5- 51 Fl. 88DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0919.175, da 1ª Turma da DRJ/JFA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, devido à prática de atividade vedada. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, conforme o relatório, a seguir: Relatório Em Representação Administrativa elaborada por AuditorFiscal da Previdência Social, às fls. 05/06, foi relatado que a contribuinte prestou serviço de cessão de mãodeobra, conforme contrato realizado com a COVEPE Comércio de Veículos Pesados Ltda. Em análise realizada pela Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, às fls. 01/03, foi proposta a exclusão da contribuinte do Simples. Em conseqüência, foi emitido o Ato Declaratório Executivo (ADE) n.° 39/2005 (fl. 26), efetivando a exclusão do Simples “em razão da constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação a opção pela sistemática tributária em questão, no caso, locação de mãodeobra, por força do artigo 9°, inciso XII. alínea "f" da Lei n.° 9.317/96'”, com efeitos a partir de 1°/0l/2002. de acordo com o disposto no artigo 24, § 1°, inciso II, da IN SRF n° 608/2006, A contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 34/35, pedindo para que seja mantida no Simples, em resumo, sob os seguintes argumentos: a) A empresa Presta serviços exclusivos de lanternagem e pintura b) A empresa não utiliza, na execução de serviços, nenhuma engenharia mecânica. c) A empresa presta todos os seus serviços em sua área de instalação. d) A empresa obedece os demais critérios de enquadramento do SIMPLES. É o relatório Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente apresenta os mesmo argumentos já reportados no relatório acima e pugna (repetindo a manifestação de inconformidade): · A tempo e modo, a recorrente apresentou. impugnação demonstrando que a empresa presta serviços de lanternagem e pintura, não loca de mãodeobra e nem serviços de engenharia mecânica. · a recorrente foi constituída em 1999, pela união dos sócios: Paulo Antonio Mendonça e Renaldo do Carmo, com o objetivo de prestar Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 3 3 serviços de manutenção e reparo de caminhões, ônibus e outros veículos; · ao mesmo ano, locou parte do estabelecimento da empresa Covepe Comercio de Veiculos Pesados Ltda, inscrita no CNPJ 20628.285/000206, para exercer seu objetivo social; · doravante, a recorrente e a Covepe firmaram um contrato de prestação de serviços de lanternagem, tendo por objetivo a realização, pela recorrente, de lanternagem e pintura nos veículos da Covepe; · sendo assim, a empresa em questão nada mais é do que uma oficina mecânica que firmou, por um certo período de tempo, um contrato de exclusividade com a Covepe, consoante regra clara do art. 170 da Constituição Federal que permite a livre iniciativa dos cidadãos e indivíduos; · alega o instituto da verdade material (cita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais acórdão 0304.371; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar" um contrato e dizer que as suas cláusulas foram executadas e que essas execuções foram de maneira contrária ao texto da lei. · ademais, o AuditorFiscal previdenciário deveria demonstrar que a recorrente contratava funcionários e cedia essa mãodeobra para realizar serviços à Covepe; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar” um contrato e dizer que foram “cedidos funcionários", conforme diz determinada cláusula. · noutro giro, o AuditorFiscal e a 1° Turma do DRJ/JFA não podem tirar a eficácia da Lei 10.964/2004, segundo a qual as oficinas mecânicas podem optar pelo Simples; · afirma que a recorrente é uma oficina mecânica e que não foi provado pelos fiscais que a recorrente cedia mãodeobra; · requer: Em face do exposto, recebido e autuado o presente Recurso Voluntário pede a esse egrégio Conselho de Contribuintes, por uma de suas Turmas que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o Acórdão proferido pela 1” Turma da DRJIJFA para manter a recorrente como optante do Simples, tornando sem efeitos o Ato Declaratório Executivo 39/2005, que excluíra a recorrente do Simples. · Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos na forma prevista no art. 16 III §4° e art. 18 do Decreto 70.235, em especial a prova documental que ora apresenta e a produção de prova pericial e testemunhal. Fl. 90DF CARF MF 4 · Requer, a teor do art. 16 e 33 do Decreto 70.235, seja o recorrente intimado pessoalmente da decisão a ser proferida por esse egrégio Conselho, bem como dos demais atos a serem lavrados com a instauração do processo tributário administrativo. Na realidade, a exclusão da recorrente não se deu, única e exclusivamente, por conta de uma interpretação do contrato de exclusividade, como alega a recorrente, muito embora, o objeto deste deixa muito claro que o objeto é a locação/cessão de mãodeobra: Constitui o objeto ,do Contrato os serviços de lantenagem em caminhões, ônibus, tratores, veículos de passeio, utilitários e afins, os quais a CONTRATADA se obriga a prestar á CONTRATANTE, no endereço, sito à av. Cristiano Ferreira Varella n°59,Vila Isa, em Governador Valadares MG. Parágrafo Primeiro: Exercer controle sistemático de visitas periódicas de supervisores e/ou assemelhados no intuito de obter alto padrão de execução de serviços. . Parágrafo Segundo: Substituir de imediato, independentemente de apresentação de motivos e sempre que exigido pela CONTRATANTE qualquer profissional cuja atuação ou comportamento seja julgado prejudicial, inconveniente ou insatisfatório á disciplina ou ao interesse do serviço. Parágrafo Terceiro: Arcar com o pagamento de todos os encargos de natureza social e tributária que incidam ou venha a incidir sobre a prestação de serviço ora pactuado, devendo a CONTRATADA prestar mensalmente á CONTRATANTE, anexando aos documentos de cobrança do serviços, comprovantes de.quitação de todas as obrigações de âmbito Federal, Estadual e Municipal ( trabalhistas, tributárias e sociais, etc) inerentes ao mês anterior. ParágrafoSexto: Fazer identificação dos funcionários por intermédio de crachá, com todos os dados pessoais do empregado (nome, cargo, data de admissão, etc), para cumprimento de normas do Ministério do Trabalho. CLÁUSULA SEGUNDA CARGA HORÁRIA _ Os serviços a serem executados, terão de obedecer ao horário estabelecido pela CONTRATANTE, que atualmente é de 07:42 às 11:30 horas e de 13:00 ás 18:00, podendo ser modificado caso seja necessário, já que a CONTRATADA executa tais serviços nas dependências da CONTRATANTE. E, por fim, a cláusula terceira estabelece que haja a retenção de 11% do valor bruto da Nota Fiscal, para atendimento às regras da Seguridade Social (OS 203/99), a qual trata justamente do assunto, como segue: Estabelece procedimentos para arrecadação e fiscalização das contribuições incidentes sobre a remuneração decorrente da prestação de serviços através de empreitada de mãodeobra e/ou mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário e de cooperativa de trabalho Na representação administrativa (fl 6), foram anexados documentos probantes, dentre eles, notas fiscais de prestação de serviços. Na NF 15, fica clara a retenção de 11%, como acima citado, o que contraria as alegações da recorrente e constitui prova de que a empresa faturava por locação/cessão de mâodeobra.. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, peço a devida vênia para adotar a decisão da DRJ, a qual reproduzido, parcialmente, o voto: À luz do precitado Parecer, dada a similaridade entre os conceitos de locação de mãodeobra, cessão de mãodeobra e empreitada exclusivamente de mãodeobra. e' vedada a opção pelo Simples às pessoas jurídicas que realizem operações que tenham por objeto esses serviços. O referido Parecer conclui também pela vedação à opção às pessoas jurídicas que estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lci n” 9.528/97, art. 4°). Observo que tal vedação decorre do fato de que as atividades em questão implicam uso intensivo de mãodeobra. Assim, permitir que pessoas jurídicas que exerçam tais atividades possam ingressar no Simples pode acarretar sérias perdas a seguridade social. No caso, restou caracterizada a cessão de maodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91. Isto porque pelo “Contrato de Prestação de Serviço de Lanternagem” realizado entre a contribuinte (contratada) e a COVEPE z Comercio de Veiculos Pesados Ltda (contratante) houve a colocação de funcionários da contratada a disposição da contratante nas dependências desta e a prestação de serviços contínuos. Tal contrato visou à terceirização de serviços de lanternagem a serem prestados a clientes da contratante. As cláusulas primeira e segunda estabelecem que os serviços serão prestados nas dependências da contratante. Ha inclusive previsão que a contratada comunique à contratante para que esta disponibilize sua sede em caso de serviços a serem realizados nos sábados. domingos e feriados. Interessante notar que no contrato supraeitado o endereço de ambas é praticamente o mesmo, diferindo apenas por conter o da contribuinte a informação “sala 1”. Já a continuidade do serviço está caracterizada pela cláusula sexta: que estabelece prazo de vigência indeterminado para 0 contrato. Por fim, observo que, de acordo com a cláusula terceira e as notas fiscais acostadas aos autos, houve a retenção de 11% de INSS nos termos prescritos no art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação da contribuinte, mantendo a exclusão do Simples efetuada pelo Ato Declaratório Executivo n°39/2005 Quanto aos requerimentos da recorrente, quanto a prova documental que ora apresenta e a produção de prova testemunhal, temse que nenhuma outra prova nova foi anexada ao recurso e desnecessário inquiri testemunhas para o caso em tela. Fl. 92DF CARF MF 6 Requer, também, que a recorrente seja intimada pessoalmente da decisão deste CARF, bem como dos demais atos a serem lavrados. A ciência das decisões é dada de acordo com as normas em vigor: via postal, edital (na falta de êxito da via postal) e via eletrônica (quando aplicável essa opção). Conseqüentemente, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000449/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 49 /2 00 7- 15 Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1720DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724305/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 05 /2 01 1- 39 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.974. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001861/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403-002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 1/ 20 09 -8 0 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 348 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.001860/200935 37.230.5555 (Emp/SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001861/200980 37.230.5563 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001859/200919 37.230.5547 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001857/200911 37.205.0190 (AI 34) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001858/200966 37.205.0204 (AI52) Obrig. Acessória Dívida Ativa Processo não localizado 37.205.0212 (AI59) Obrig. Acessória Processo não localizado 37.205.0182 (AI 30) Obrig. Acessória O presente processo trata do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de PLB (Pagamento de Pró Labore) e AUT (Autônomos), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) para serem parceladas. Em sessão plenária de 13/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.477 (efls. 243 a 257), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÓLABORE. DECADÊNCIA. Tratase de lançamento efetuado na vigência da Súmula Vinculante n° 8, STF. Nesta linha, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 349 3 aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN, a decadência alcançaria contribuições correspondentes a fatos geradores ocorridos até 11/2003, como a integralidade do lançamento referese a competências posteriores, não há que se falar em decadência no presente lançamento. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓLABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verifica se que os valores apontados nas contas correntes dos sócios como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar prólabore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. No mérito, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304." O processo foi encaminhado à PGFN em 25/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 982 do processo principal) e, em 19/12/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 259 a 274 (Despacho de Encaminhamento de efls. 999 do processo principal). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita as seguintes matérias: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, porém examinandose apenas a segunda matéria, conforme despacho de 14/06/2017 (efls. 275 a 279). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 350 4 a autoridade fiscal considerou como prólabore, sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados através de pagamentos diretos ou indiretos na forma de pagamentos de despesas particulares (suas, de familiares e terceiros); de acordo com o relatório fiscal, a empresa desembolsava valores para quitar diversas despesas pessoais dos sócios, tais como o pagamento de despesas com cartão de crédito, veículos, empregados pessoais (motorista, domésticos, fazenda), condomínio, seguro residencial, compras de equipamentos, contas diversas e abatimento de contratos pessoais de mútuo; ademais, realizava transferências bancárias e depósitos nas contas correntes particulares dos sócios, bem como de familiares e de terceiros; em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore; juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta Lucros Acumulados, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores; todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que não fez prova de suas alegações, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados; a Contribuinte, então, por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore; tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, que concluiu que, para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore, seria necessário que no balanço contábil da empresa os valores estivessem lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração; todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma: primeiramente em face da preclusão; ademais, porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado; não é dado ao Contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do Recurso Voluntário, já que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao CARF; logo, a rigor, a argumentação expendida pela Contribuinte em sede de Recurso Voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 351 5 todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação; ora, é sabido que não é o nome dado a uma rubrica ou a uma conta contábil que define a natureza jurídica real do pagamento efetuado pela empresa aos sócios; no caso concreto observouse que a empresa autuada arcava com o ônus de diversas despesas pessoais dos sócios, o que obviamente representa uma remuneração indireta; não há dúvida de que, quando a empresa paga a despesa pessoal do sócio, este deixa de despender recursos financeiros para a sua quitação, representando um acréscimo patrimonial para si, de sorte que, muito embora não haja um recebimento de pagamento em espécie, ocorre uma substituição no pólo devedor, assumindo a empresa as despesas do sócio; assim sendo, o resultado prático é o mesmo que o pagamento direto: o sócio é beneficiado pela assunção de dívidas por parte da empresa e deixa de despender numerário proveniente do seu patrimônio pessoal, logo é patente a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre tais valores despendidos em favor dos sócios, eis que se caracterizam como prólabore indireto; ademais, constatouse a existência de várias transferências bancárias e depósitos destinados aos sócios e familiares, em relação aos quais a Contribuinte alega tratarse de crédito da empresa junto aos sócios, porém não juntou qualquer documento que comprovasse o empréstimo alegado; não tendo se desincumbido do ônus probatório que lhe cabia, correta está a tributação dos repasses efetuados, que também se caracterizam como prólabore; a esse respeito, cabe destacar que a contabilidade só faz prova a favor do contribuinte desde que fundamentada em documentação idônea (outros subsídios) nos termos do art. 226, do Código Civil; todo o lançamento deve estar lastreado na causalidade, de sorte que os registros existentes em contabilidade pressupõem uma fonte formal de sua origem; é a finalidade contábil do controle das mutações patrimoniais que assim determina; no caso concreto, o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que corroborasse a alegação de que os repasses decorreriam da contratação de empréstimo dos sócios junto à empresa; concluise, nesse contexto, que em verdade as operações realizadas objetivaram o pagamento de remuneração disfarçada na forma de contrato de mútuo, sujeitandose, portanto, à tributação; de todo o exposto, resta claro que os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados por meio de pagamentos diretos ou indiretos na forma de despesas particulares caracterizamse como prólabore e, nessa condição, sujeitamse à incidência de Contribuições Previdenciárias. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 352 6 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose a integralidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 16/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 284), a Contribuinte, em 23/10/2017, ofereceu as Contrarrazões de efls. 317 a 324 e interpôs o Recurso Especial de efls. 287 a 297. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Falta de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente a Recorrente limitouse a rediscutir a matéria, sem demonstrar a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente, assim não se pode cogitar do conhecimento do apelo, em vista do não atendimento a um dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial. Imprestabilidade do acórdão paradigma os acórdãos confrontados estão delineados por premissas fáticas distintas, pelo que não se vislumbra a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional; no caso em tela é evidente a falta de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido e o conhecimento e eventual provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional consistirá em desvio da finalidade da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não pode ser admitido; conforme registrado pelo acórdão recorrido os valores objeto de autuação não transitaram em conta de despesa e “tem liquidações parciais no curto prazo”; o que evidencia que a decisão atingida passou antes pela análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o “registro de valores a receber dos sócios”, a “obrigação da empresa para com os mesmos sócios” e “liquidações parciais no curto prazo (vide razão contábil fls 879 a 883); por seu turno, os acórdãos trazidos pela recorrente como paradigmas deixam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação; além disso, nos casos dados como paradigmáticos, restou evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios, ao contrário do caso ora recorrido, em que foram constatadas liquidações parciais, ou seja, situações fáticas distintas. Do Mérito para repetir, se analisadas as contas contábeis apontadas, se chegará à conclusão de que não se referem os referidos pagamentos a prólabore, na medida em que contabilizados em contas diversas; e não se referem a prólabore, porquanto os sócios, apesar de nos termos do contrato social terem opção da sua retirada, efetivamente, e de comum acordo, nunca exerceram tal opção no exercício fiscalizado; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 353 7 nesse sentido fala mais alto o balanço, que não indica qualquer pagamento de prólabore e, longe do que afirmou a decisão recorrida, faz prova inconteste disso; tais numerários, conforme reconhecido pelo acórdão recorrido, não transitaram pelo resultado do exercício, nem em conta de despesa, sendo integralmente registrados em conta patrimonial, como parte do ativo circulante realizável a curto prazo; portanto, em nada se relacionam com prólabore e não podem ser considerados base de calculo das contribuições sociais devidas. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 17/11/2017 (efls. 329 a 335), admitindose a rediscussão da decadência. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: a decisão recorrida entendeu de analisar o instituto da decadência sob o comando do art. 173, I do CTN, vez que, segundo ali apontado, “não houve recolhimento para os fatos geradores discutidos”, ou seja, para as contribuições lançadas no Auto de Infração; daí concluiu que não foi efetuada “qualquer antecipação”; já as decisões paradigmáticas entenderam pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da rubrica exigida no auto de infração, ou seja, o pagamento, ainda que sob outra rubrica, caracteriza a antecipação de pagamento, ao abrigo da Súmula CSRF 99; conforme se comprova da corrente vencida, a recorrente efetivamente realizou recolhimentos de Contribuição Social no período sob discussão, ainda que em outra rubrica, motivo pelo qual não se pode falar em falta de recolhimento: “A DRJ, todavia, ao julgar a defesa administrativa da Recorrente, entendeu aplicável ao caso a regra disposta no art. 173, I, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Neste sentido, negligenciou a DRJ/SP ao deixar de considerar o fato de ter a Recorrente realizado pagamento a menor de contribuições previdenciárias no período fiscalizado. Vale dizer, neste ponto, que os recolhimentos realizados restaram inclusive comprovados mediante GPS apresentadas pela Recorrente às fls. 195/199. Destarte, considerando o que preleciona a legislação vigente e a jurisprudência sobre o tema, necessário o reconhecimento da decadência dos créditos previdenciários referentes ao período de 01/2004 a 05/2004.” (destaques da Contribuinte) considerando que somente em 02/06/2009 foi cientificada a lavratura do Auto de Infração, é de se reconhecer que já haviam transcorrido mais de cinco anos para a constituição do crédito tributário relativamente aos meses de janeiro a maio de 2004, pelo que se impõe a extinção do crédito tributário, tanto no que tange ao suposto pagamento de pró labore, como também em relação ao pagamento de autônomos. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 354 8 Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a decadência do período de janeiro a maio de 2004. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 14/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.071 do processo principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 19/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de e fls. 1.083 do processo principal), as Contrarrazões de efls. 336 a 346, com os seguintes argumentos: no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento; aliás, a Contribuinte sequer entendia cabível exigir as contribuições ora lançadas; é por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN, em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva; ressaltese que não há que se falar em recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se a Contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores; no caso em apreço, os valores lançados não foram reconhecidos pela Contribuinte, e tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 355 9 O presente processo cuida do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de AUT (Autônomos) e PLB (Pagamento de Pró Labore), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) em face de adesão a parcelamento, de sorte que a respectiva exigência tornouse definitiva. Assim, remanescem em litígio a decadência relativa aos períodos de 01 a 05/2004 e, no mérito, os levantamentos PLB (Pagamento de Pró Labore). Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este suscita duas matérias, a saber: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. A primeira matéria resta clara no Recurso Especial, conforme se depreende do seguinte trecho: "Anotese que, em atenção à norma regimental, serão apresentados, quanto a cada matéria objeto de insurgência, até duas ementas para a caracterização do dissídio. As razões abaixo elencadas servirão, a um só tempo, para alicerçar a admissibilidade recursal e para fundamentar as razões para modificação do julgado ora recorrido. (...) Em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore. Juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta LUCROS ACUMULADOS, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores. Todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que a documentação juntada pelo contribuinte não fez prova de suas alegação, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados. O contribuinte, então, por ocasião da interposição do recurso voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 356 10 contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore. Tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, o qual concluiu que para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore é 'necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração'. Todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma. A um em face da preclusão. A dois porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado. Inicialmente, cumpre destacar que não é dado ao contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do recurso voluntário. Com efeito, é sabido que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao Conselho. Logo, a rigor, a argumentação expendida pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo. Todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação." Entretanto, compulsandose o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 1.007 a 1.011), constatase que essa matéria não foi objeto de exame. No que tange à segunda matéria suscitada pela Fazenda Nacional pagamento de prólabore indireto em sede de Contrarrazões a Contribuinte suscita o não conhecimento do Recurso Especial, alegando, em síntese: falta de indicação, no Recurso Especial, do dispositivo legal objeto de interpretação divergente; imprestabilidade dos acórdãos paradigmas, que não guardariam similitude fática com o acórdão recorrido. Quanto ao segundo ponto, a Contribuinte argumenta que no acórdão recorrido os valores objeto da autuação não transitaram em conta de despesa e haveria liquidações parciais no curto prazo, o que evidenciaria a análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o registro de valores a receber dos sócios, a obrigação da empresa para com os mesmos sócios e liquidações parciais no curto prazo (razão contábil às fls 879 a 883). Os acórdãos paradigmas, por sua vez, teriam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação, restando evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 357 11 No que tange a esta segunda matéria, importa salientar que, no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, somente foi analisado o segundo paradigma, Acórdão nº 240102.544, desprezandose o primeiro, Acórdão nº 2403002.120. Assim, para que as partes não sejam prejudicadas, e no sentido de respeito ao devido processo legal e à ampla defesa, voto por converter o julgamento em diligência à Câmara a quo, para complemento do exame de admissibilidade, no que tange à primeira matéria preclusão bem como quanto ao primeiro paradigma indicado para a segunda matéria Acórdão nº 2403002.120. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.720410/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário.
DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Maurício Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente HERMELINO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 10 /2 01 1- 84 Fl. 115DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0359.871, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls.2631), referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$16.764,28, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$63.626,56. • pagamento de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Apresentou Nota Fiscal de Prestação de Serviços. Este estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 7.200,00 para MARIZA HELENA AGOSTINI FONTANA. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Os recibos não trazem o endereço; • Declarou despesas médicas no valor de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 116 3 • Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou comprovantes. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Pagou as despesas médicas aos profissionais e à Clínica Sante, na época própria e conforme manda a legislação vigente. Para a Clínica Sante, solicitou a emissão de Nota Fiscal. Todos os pagamentos feitos a Celso Carvalho Ferrari e para a Clínica Sante foram através de cheques. Aos outros profissionais, o pagamento foi feito em dinheiro. Quanto ao fato de o agente fiscal solicitar documentos que comprovem o tratamento, está aguardando os profissionais enviarem a ficha dentária e os prontuários médicos. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o pagamento em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e guardar cópias. Está indignado pelo motivo de ter que apresentar mais provas, além das que já apresentou. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que não atestado de forma hábil e idônea o gasto realizado, isto é, não demonstrada inequivocamente a efetiva transferência de recursos, há que manter a glosa. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 81/83, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 117 5 Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso em análise, vários recibos tiveram a sua glosa motivada por não estar presente no respectivo documento a indicação do beneficiário do serviço. Fl. 119DF CARF MF 6 O exame da documentação acostada pelo recorrente revela em que, com exceção apenas do recebido emitido por Cecília Afonso Ferreira, no valor de R$ 420,00, todos os outros constam, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, o Sr. Hermelino de Oliveira, o recorrente. Não trilha bom caminho a intepretação – aparentemente adotada pela fiscalização e corroborada pelo órgão julgador de piso segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa do paciente. Assim, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Neste sentido, temse entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013, cuja ementa se reproduz abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Outro ponto a ser analisado, diz respeito à aceitação dos recibos apresentados como meio de prova do efetivo pagamentos das despesas médicas, cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. É fato, conforme a ciência processual já há muito firmou, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando em prova inequívoca da realização de um pagamento. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 118 7 Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O acórdão atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos. Ao contrário, as razões que o julgador de primeiro grau pretendeu trazer, com o devido respeito, não restaram suficientemente claras para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados. Vale observar, ainda, que o entendimento que aqui se partilha é o de que é perfeitamente possível que a autoridade julgadora busque, com respaldo nas normas acima mencionadas, elementos adicionais para a formação de sua convicção, porém a decisão que exsurge da análise dessas provas deve ser devida e coerentemente fundamentada, forte no dever geral de motivação das decisões e da proteção à boafé do contribuinte. Neste contexto, passase ao exame de cada uma das glosas de forma individualizada: Ø Despesas de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Motivo da Glosa: * O estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. O estabelecimento não se enquadra nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde; * A Nota Fiscal de Prestação de Serviços número 00000103 de 10/11/2006 tem descrição dos serviços feita de forma genérica como SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS AO PACIENTE HERMELINO DE OLIVEIRA. Não existe especificação do serviço prestado, qual o valor de diárias, o que consumiu, entre outros. Com vistas a comprovar o seu direito à dedução do montante em análise, o contribuinte trouxe aos autos: (i) nota fiscal eletrônica de serviços emitida pela SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA, no valor de R$ 46.000,00, com a seguinte discriminação dos serviços: “serviços médicos prestados ao paciente Hermelino de Oliveira” – fls. 5 e 34; (ii) ficha médica; (iii) relatório de enfermagem; (iv) relatório de medicamentos aplicados; (v) avaliação pré operatório; e (vi) termo de consentimento – fls. 35 a 57. Fl. 121DF CARF MF 8 Ademais, no corpo do recurso voluntário apresentado, esclareceu o recorrente que o estabelecimento SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA possui, em seu Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, CNAEs secundários (fl. 90), conforme abaixo detalhado: Entendo, assim, que restou devidamente comprovada a realização da despesa em análise, impondose o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem descrição genérica como tratamento odontológico e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos recibo do prestador de serviços contendo o nome, o CPF e o endereço deste (fl. 6). À fl. 64, junta novamente o referido recibo, com a cópia da ficha dentária / orçamento emitido pelo mesmo prestador. Inexistindo, pois, vícios formais no recibo apresentado pelo recorrente, impõese o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem a descrição genérica como TRAT ODONTOLOGICO e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99 Tal como em relação ao caso precedente, ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos (fl. 7 e 85) recibo do prestador de serviço com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 119 9 Assim, inexistindo vício formal no documento apresentado, impõese o restabelecimento da dedução glosada pela fiscalização. Ø Despesas de R$ 7.200,00 para MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado não esclarece quem foi o paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Correta a fiscalização neste particular. O contribuinte apresentou diversos recibos emitidos por Marisa Helena A. Fontana, no valor total de R$ 7.200,00, os quais, entretanto, não atendem integralmente aos requisitos legais, na medida em que não trazem o endereço do beneficiário. Registrese, pela sua importância, que a ausência do endereço foi um dos motivos aduzidos pela fiscalização para promover a glosa dos respectivos valores. Assim, o contribuinte poderia ter sanado essa lacuna com a apresentação da impugnação ou, até mesmo, do recurso voluntário em análise, mas não o fez. Procedente a glosa neste particular. Ø Despesas de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56 No que tange à glosa em voga, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, reconhece a procedência desta. Ø Despesas de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA Motivo da Glosa: * Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECILIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou os comprovantes. Razão não assiste à fiscalização e, por conseguinte, ao órgão julgador de primeira instância que corroborou o entendimento daquela. De fato, o contribuinte logrou trazer aos autos recibo emitido pelo prestador de serviço contendo todos os requisitos exigidos pela legislação de regência da matéria. Registrese, pela sua importância, que, no recibo em análise, consta como pagador (tomador do serviço, conforme entendimento exposto linhas acima), a Sra. Betânia Binnoto de Oliveira, a qual consta como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 123DF CARF MF 10 Assim, considerando que as despesas médicas relativas ao tratamento de dependentes, nos termos da legislação supra transcrita, podem ser levadas à dedução e que o recibo apresentado não contém vícios formais, impõese o afastamento da glosa em questão. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas comprovadas pelo contribuinte por meio dos respectivos recibos nos termos acima descritos, no montante de R$ 54.740,00 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta reais), conforme abaixo demonstrado: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA 46.000,00 CELSO CARVALHO FERRARI 5.720,00 RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO 2.600,00 CECILIA AFONSO FERREIRA 420,00 54.740,00 GLOSAS AFASTADAS Por conseguinte, ficam mantidas as seguintes glosas: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA 7.200,00 VERA CRUZ ASSOCIACAO DE SAUDE 1.736,56 8.936,56 GLOSAS MANTIDAS É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com profissionais da área médica, de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 120 11 Faço registrar as considerações promovidas pela autoridade autuante. Confirase: A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaquei) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 125DF CARF MF 12 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vejase, não basta que tenha havido a despesa. É imprescindível que tenha sido efetivamente PAGA pelo contribuinte. De Início, a despesa reputase comprovada por meio da indicação do nome, endereço e nº do CPF de quem recebeu o pagamento, sendo que, por outro lado, a comprovação do efetivo pagamento não se dá, por óbvio e necessariamente, por meio dessa mera indicação. Da leitura do dispositivo encimado, inferese que não basta que haja um pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. Assim, penso que há de se comprovar, quando intimado, o pagamento de despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo, da ocupação do contribuinte (em regra, profissionais liberais), valores envolvidos (em geral, abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em comparação aos rendimentos tributáveis declarados, tipo das despesas médicas envolvidas (a rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por planos de saúde), dentre outros. Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que "todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Nessa linha, cumpre destacar as observações promovidas pelo acórdão vergastado, no que toca à despesa com a Sante Assistência Médica Ltda, cuja nota fiscal daria conta de seu pagamento em cheque, e à comprovação do efetivo pagamento daquelas despesas, ainda que referidos pagamentos tivessem se dado em espécie. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 121 13 Assim sendo, uma vez não atendida a intimação, no sentido de que fosse comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que a manutenção do lançamento é um imperativo. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.952199/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 19 9/ 20 09 -2 9 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 4 3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000290/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002
Ementa:
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE.NAO REALIZADO. INFRAÇÃO -1\1;6n0 CARACTERIZADA.
Para a caracterização da infração imputada incumbiria A. autoridade lançadora demonstrar que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, de modo a
caracterizar que esses produtos foram revendidos à margem da escrituração fiscal e contábil e apurar o valor das omissões com base nos respectivos pregos médios de venda ou de compra, nos termos dos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999.
Numero da decisão: 1302-000.947
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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FL 1446 SI-C3T2 FL 1.387 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10932.000290/2007-17 RectirL;o n° 905.962 De Oficio Acórdão n° 1302-00.947 — 3' Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2012 Matéria IRPJ-Omissão de Compras Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FORT HOUSE PRODUTOS MÉDICO HOSPITALARES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. 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Marcos Rodrigues de Mello - Presidente 1.Jooumenta assinado contorail.; 1».+ ilent:cado riigOinonte oro 24i6912012 por UZ IU vA TO,SNHO MAC; iADO 1fEMA NOri'-117nA SOU7?, Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA H. 1447 S1 -C3T2 Fl. 1.388 CARL ML Processo n° 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 AO, 40" - • L- uiz-Ta—deu Matosinho Machado - Relator ED rTA DO t i: DJJJ-»Oi3 articiparam do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio odrigo Frizo e Cristiane Silva Costa. It 241/i);.,,,r) 'do :q intet,rn 24/00,2012 t.op; I.. j',L I RE.'-.1.! 2 0211012012 pc' MOEMA NOC3(J1-Y.iRA SOUZA Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CAIZI: NIT FT. 1448 Processo n° 10932.000290/2007-17 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.389 Relatório FORT HOUSE PRODUTOS MEDICO HOSPITALARES, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 8.133.525,28, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, 11 03. Cientificada dos lançamentos, em 25/06/2007, na pessoa de sua representante legal (cf. 3 a Alteração e Consolidação de Contrato Social, de fls. 741/746), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 738/740, em 24/07/2007, alegando em sua defesa as razões de fato e de direito sintetizadas no relatório do acórdão recorrido que adoto, in verbis: Após explicitar a fundamentação da autuação e dos documentos de suporte, contesta a afirmação de que a empresa não teria apresentado os esclarecimentos sobre as diferenças apuradas, em suas palavras: • "tivemos três reuniões na sede da empresa onde sempre foi dito ao Sr. Ciro que estaríamos inteiramente A. disposição para esclarecimentos bem como estaria sempre disponível todo e qualquer documento necessário ao andamento da fiscalização"; • "quanto a esclarecimentos das diferenças, essas nunca foram apresentadas de forma clara, apenas dito que havia discrepância entre os dados"; • "diversas vezes informamos ao Sr. Ciro que todas as notas fiscais de venda efetivamente foram tributadas e escrituradas e os valores declarados no IRPJ eram a expressão de verdade"; • "também foi dito ao Sr. Ciro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAiDAS DO ICMS estavam em desacordo com a legislação, por conterem erros que vamos demonstrar a seguir"; • "na ocasião, foi dito também que tais livros já haviam sido objeto de lançamento formal emitido pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo". Reafirma que não espelham a realidade das operações as informações constantes das planilhas do Anexo I — Receitas 2002 (Livro Registro de Saídas, Livro Apuração de ICMS e Livro Registro de Serviços Prestados) e do Anexo VI — Compras 2002 (Livro Registro de Entradas). Nas palavras da defesa: "3) RECEITAS FATURADAS — VENDAS Conforme Notas Fiscais emitidas e todas disponibilizadas a esta fiscalização demonstramos através da Planilha (anexo IV), as receitas efetivas das operações de vendas a saber: • RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS R$ 10.123.582,12 • RECEITA DE VENDAS DE SERVIÇOS R$ 210.547,90 (y. n n 2 %::J2-2 dc: 24/02:)01 pc))))...),J)2 )Afii_LJ N4A1()S))\))--)0 MP , C)-;ADC ))))11) ))/ . 1'));(())),' )),) M) ) ))FMA )\ , 02', 1_;EIT;ts SO,;/A Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Dr ('ARI7 ii Fl, 1449 Processo n° 10932.000290/2007-17 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.390 • RECEITA TOTAL R$ 10.334.130,02 • RECEITA CONFORME DIPJ R$ 10.335.530,19 4) COMPRAS DE PRODUTOS Conforme Notas Fiscais recebidas e todas devidamente escrituradas contabilmente, bem como liquidadas junto aos respectivos fornecedores, as operações de compras de mercadorias conforme planilha (anexo V) são: • COMPRAS DE MERCADORIAS R$ 6.793.093,90 • COMPRAS CONFORME D1PJ R$ 5.956.903,10" 5) CONCLUSÃO Diante dos documentos anexos e planilhas que fazem parte integrante desta IMPUGNAÇÃO, fica claro que houve erro grave de interpretação dos documentos manuseados, bem como não houve confrontação dos documentos físicos apresentados com os dados transcritos de forma errônea por nossa empresa. Fica claro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS não espelham a realidade das operações de compra es venda, também claro que tal documento já foi objeto de verificação e multa formal por parte da Secretaria de Fazenda do Estado de Sao Paulo. De forma alguma o nobre fiscal considerou os demais documentos apresentados, mesmo estes estando em seu poder, apenas limitou-se a considerar os valores totais dos livros de entrada e saída e pior maquilou os CFOP, deixando claramente de excluir os valores de operações adversas as operações de compra e venda, conforme demonstra o anexo VI. Não resta dúvidas do erro técnico, o que torna nulo o Auto de Infração, uma vez demonstrado que todos os valores efetivamente oriundos das operações, que resultam em RECEITAS e DESPESAS, foram escrituradas e tributadas na forma da legislação em vigor". Para amparar as razões de defesa apresentadas, a contribuinte procedeu juntada ao processo das seguintes planilhas assim designadas: 1. ANEXO IV — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE VENDAS de fls. 874/1049, nas quais estão arroladas as notas fiscais de venda, por nilmero, cliente, n° do pedido, data da fatura e valor, totalizadas mensalmente, por número total de notas fiscais emitidas e valor total; 2. ANEXO V — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS de fls. 1050/1103, nas quais estão arroladas as notas fiscais de compra, por fornecedor identificado pela denominação social, n° da nota fiscal de entrada, data, n° da nota fiscal, n° de parcelas, valor da nota e total a pagar, totalizadas mensalmente por valor; 3. ANEXO VI — PLANILHAS DEMONSTRAÇÕES DAS EXCLUSÕES de fls. 1104/1109, nas quais dos valores mensais e anuais das saídas e das entradas anteriormente demonstrados nos ;sd oq411 MP ;1' 2 221 2 de 24 ,02i2C,ç;1 • '! •,, r1'. 24 , 09[2012 poi' LUZ VIAC. 7012 p01 moE:vit, NOGUE;RA 4 r —12 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA ;Dr CAM MI. 1450 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.391 anexos IV e V são procedidas exclusões com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações — CFOP. A 2' Turma da DRJ em CAMPINAS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°05-31.317, de 09 de novembro de 2010 (fls. 1152/1160), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do principio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de oficio, independentemente de pedido do interessado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 • Decadência. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento de oficio, para constituir de oficio o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos a contar da data de ocorrência do fato gerador. Deve ser cancelada a parte da exigência formalizada a destempo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Compras. Constatada a ocorrência de compras não contabilizadas, deve o contribuinte ser intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras. Apenas se não comprovada a origem dos recursos é que pode ser efetuado o lançamento por omissão de receitas. Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Vendas. válida a imputação de omissão de receitas verificada no confronto entre as notas fiscais emitidas e a escrituração dos livros fiscais (livros Registro de Saídas e de Apuração de 'CMS) e a escrituração comercial e as declarações apresentadas Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. ao r, ccc rC 2,2(,(. -2 se 2Ii12 0/2001 Auteacado digit firii 24 C22 2 pc impresso em 02/1(201? moEmA Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 CAR!' Processo n' 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 FL 1451 S1-C3T2 Fl. 1.392 Os erros porventura ocorridos na escrituração devem ser regularmente comprovados mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte. Como a exoneração de credito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de oficio a este Colegiado com base no art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e na Portaria MF n' 3/2008. A interessada não apresentou recurso voluntário, conforme despacho de fls. 1377, sendo que o crédito tributário mantido foi transferido para o processo n° 10943.000004/2011-62, conforme informação as fls. 1384. o Relatório. <Pgitalme.nte corlomv,, o 2002 d 2,„"0 8'2 ():31 NrIte er,■ 2412012012 por Lji 0 2012 1 101 11 : NOGUER/4 Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA D1 CARE ME El. 1452 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.393 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Quanto h. admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 10 0 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela , ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, aprecio inicialmente a questão da decadência reconhecida de oficio pela turma julgadora de primeira instancia. 1. Da Decadência parcial das contribuições ao Pis/Cofins O acórdão de primeira instância reconheceu de oficio a decadência do lançamento relativo ao Pis e à Cofins referentes aos períodos de apuração encerrados até o mês de maio de 2002. A relatora do acórdão recorrido observou que o sujeito passivo declarou as ditas contribuições em DCTF e efetuou os correspondentes pagamentos mensais. Assim, tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos citados reconheceu ter se consumado a decadência, nos termos do art. 150, § 4' do Código Tributário Nacional. Fundamentou o seu entendimento no acórdão do Superior Tribunal de Justiça — STJ, em Recurso Repetitivo, prolatado no Recurso Especial n°973.733 - SC (2007/0176994- 0), relatado pelo Ministro Luiz Fux. A jurisprudência predominante entende que a decadência é questão de ordem pública, devendo ser reconhecida inclusive de oficio, conforme acórdão proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTA' RIO — AGRAVO REGIMENTAL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, § 4° E 173 DO CTN) — NULIDADE ABSOLUTA — CONHECIMENTO EX OFFICIO — LIMITES DO RECURSO ESPECIAL mentr, a:, ;(4fo,ent(,:. co tcr no n 2, 2(:1:: 2 do 2410',-;i2;')1 : OO oro 24 ICA):2G I 2 por 7t\DEJ MAT OSINFIO MAC, ) em Ü7dP or MOEMA NCGUE Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 C RF Mr' FL 1453 Processo n° 10932.000290/2007-17 sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.394 1. 0 prequestionamento é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer as nulidades absolutas. 2. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio, por ser matéria de ordem pública. Assim, se ultrapassado o juízo de conhecimento, por outros fundamentos, abre-se a via do especial (Súmula 456/STF). 3. Hipótese em que se conheceu do recurso especial por violação do art. 161 do CTN, ensejando no seu julgamento o reconhecimento ex officio da decadência. 4. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, 5S' 40, do CT1V). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamentos antecipados, aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Crédito tributário fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 7. 0 julgamento do recurso especial com observância as regras técnicas que the são inerentes não importa em negativa de prestação jurisdicional, supressão de instância ou contrariedade a qualquer dispositivo constitucional, inclusive aos princípios do devido processo legal, ampla defesa ou contraditória. 8. Agravo regimental provido para prover em parte o recurso especial e reconhecer, de oficio, a decadência. AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 939.714 - RS (2007/0194706-8) — Relatora Ministra Eliana Cahnon — .Dje 21/02/2008 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MA TERIA DE ORDEM PÚBLICA. 1. A decadência, por ser matéria de ordem pública, deve ser declarada a qualquer tempo, perante as instâncias ordinárias, até de oficio. Precedentes. 2. Não havendo apreciação pela Corte de apelação sobre a alegada decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores remontam ao ano de 1999, cabe o retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que novo julgamento seja proferido. diwtamie'ne contofm;) en em em 24:09'2012 por LU;/.. F,IATOSU* 02: 1 0»44 1? pm M4)171,,Itt NOGUFIRA SOIZA 1 ) 8 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DIs CAR!' MI' H. 1454 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.395 3. Prejudicialidade das demais questães suscitadas. 4. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 1.082.600 - PR (2008/0185333-7) — Relator Ministro Castro Meira— DJe 17/03/200. Ante ao exposto e tendo a decisão recorrida adotado o entendimento exarado no acárddo proferido pelo STJ no REsp. n° 973.733/SC, no âmbito de recursos repetitivos, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, voto por negar provimento ao recurso de o fie o nesta parte. 2. Da imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. A autoridade fiscal entendeu ter ocorrido omissão de receitas caracterizada pela não contabilização de custos, fundamentando a infração no art. 41 da Lei n° 9.430/1996 e no art. 286 do Regulamento do Imposto de Renda RIR11999 (Decreto n°3.000/1999). A decisão recorrida entendeu que a infração não restou caracterizada, na medida em que a própria autoridade fiscal reconheceu em seu termo de verificação fiscal que não encontrou irregularidades ao verificar, por amostragem, a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento das compras, conforme excerto do voto abaixo transcrito: No que diz respeito à exigência constituída com fundamento na omissão de receitas por falta de contabilização de compras, o lançamento somente poderia subsistir se o contribuinte não tivesse conseguido comprovar a origem regular dos recursos utilizados nas aquisições. Conforme fez constar a fiscalização do termo de constatação acima transcrito, o contribuinte foi intimado no curso do procedimento (fls. 43) a apresentar a documentação que comprovasse a origem dos recursos utilizados no pagamento de suas compras, e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada ndo teria indicado irregularidades. Transcreve-se novamente o excerto mencionada para que não pairem dúvidas: Intimamos o contribuinte a apresentar documentação que comprove a orient dos recursos utilizados para o pagamento de suas compras (lis . 43) e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada não indicou irregularidades. Diante dos fatos assim descritos, não pode subsistir a imputação de omissão de receitas, por falta de contabilização de compras, haja vista que a contribuinte teria comprovado a origem dos recursos utilizados, e conforme expressainente consignado, a regularidade fiscal dos recursos assim utilizados — tratar-se-ia de recursos não tributáveis ou de recursos tributáveis oferecidos à tributação. Mais adiante o voto vencedor observa ainda que a auditoria realizada limitou- se ao "simples confronto entre as notas fiscais de compra, a escrituragdo fiscal e a escrituraçao comercial", quando seria necessária uma "auditoria quantitativa nos estoques da empresa", para atender ao dispositivo legal que prevê a apuração de_ceceitas com base em levantamento quantitativo por espécie. Lyoc,e , Ito radc „p6nte cocf-otrne M n 2. 2 -.2 de 24/0512.k1 24!Nt2s.f112 LUZ M,ACÍOSNI - ',0 (2 MOE Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DI-. CAR!? NV 1 !455 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.396 Não me afigura que seja essencial para a caracterização da hipótese legal invocada para dar suporte ao lançamento que o contribuinte não tenha logrado demonstrar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras não escrituradas, como sustenta a decisão recorrida. Tal situação seria indispensável para caracterizar a omissão de receitas apure 0i.. c‘7,rn base na falta de escrituração de pagamentos efetuados, prevista no inc. II do art. 281 do R11{/ 1999. No entanto, entendo que a imputação não pode subsistir pela segunda razão apontada io acórdão recorrido. Como bem observou a decisão recorrida "o valor tributado ex-officio sob tal fundamento decorre da diftrença de compras entre os valores escriturados no Livro Registro de Apuração de ICMS e os valores informados na DIRT, o que não atende aos ditames do dispositivo legal invocado para fundamentar o lançamento. Entendo que, de fato, a autoridade fiscal não se desincumbiu em aprofundar a investigação com vistas a demonstrar a ocorrência de omissão de receitas nos moldes previsto no art. 286 do RIR/99, in verbis: Art. 286. A omissão de receita poderá, tanibéin, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matérias- primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41). § 12 Para os fins deste artigo, apurar-se-á a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 41, §12). § 22 Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 22). § 32 Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicam-se, também, as empresas comerciais, relativamente as mercadorias adquiridas para revenda (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 39. Para a caracterização da infração imputada, seria necessário que a autoridade lançadora demonstrasse que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, em seu fluxo de entradas e saídas, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos A margem da escrituração fiscal e contábil e; a partir dos elementos colhidos, apurar o valor das omissões com base nos respectivos preços médios de venda ou de compra, nos moldes previstos nos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999. rte o;rn 1P da '9?.420'01 24i0Ç;i2()1 2 por LU17 TAL , fOS'M-,0 f)() IOEMA NOGUdRA SOUt•• Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA iD17 CARY' MI H. 1456 Processo n° 10932.000290/2007-17 S I -C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.397 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio quanto a imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. 2.1 Tributação Reflexa: CSLL, PIS e Cofins Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2° do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e das contribuições ao PIS e à Cofins, as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso também em relação à CSLL, Pis e 3. Conclusão /77 Pelas razões anter o mente expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. Luiz Tadett -Matosinho Machado (..rj Z.200-2 c:f. 24 10e,12CD1 24i0f“2012 MA» SN ';(-) imrre3sc, T, 07'10:20: 2 or MOEM A NOGUIT. SCU7A Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA
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Numero do processo: 10830.902147/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 47 /2 00 9- 63 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 111 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 57/66) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 29, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 39187.49290.290405.1.3.045009 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (29/04/2005). A recorrente, às folhas 72/78, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 112 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 113 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 114 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003694/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.
EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho.
Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
Numero da decisão: 2401-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 94 /2 00 9- 10 Fl. 427DF CARF MF 2 menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 3 3 HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1624.729/2010, às e fls. 255/267, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente à alíquota de 11%, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 09/12 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no Auto de Infração abaixo relatado: Conforme depreende do Relatório Fiscal, as remunerações foram pagas a título de rendimentos (lucros de revenda) de distribuidores independentes, também chamados de “Descontos sobre valor de Venda”, mas que, na realidade, são valores pagos a contribuintes individuais, denominados “supervisores” que participam do resultado de vendas de produtos de outros contribuintes individuais, considerados pela empresa como “distribuidores” ou “supervisores” de nível mais baixo. Referido relatório afirma ainda que os contribuintes individuais “distribuidores” cadastramse junto à empresa, por indicação de outro contribuinte individual, “distribuidor ou supervisor”. Aprovado o cadastro, o “distribuidor” só pode adquirir os produtos da empresa através de quem o indicou, “primeiro supervisor qualificado em linha ascendente”, ou seja, ou adquire produtos que já pertencem àquele supervisor” ou da empresa, por intermédio deste. A partir do momento em que o “distribuidor” indica outras pessoas, ele se toma supervisor e passa não somente a adquirir produtos com preço estabelecido pelo seu volume de vendas e de seus indicados “distribuidores”, mas também recebe valores resultantes das vendas destes últimos, seja diretamente, pela diferença entre o valor de aquisição da Herbalife e venda posterior ao “distribuidor” (Lucro no varejo, segundo o plano de vendas e marketing), seja por pagamento direto pela Herbalife quando os produtos forem adquiridos diretamente pelo supervisor de nivel inferior (Lucro no Atacado), sendo estes últimos, os valores considerados na autuação. De acordo com a Fiscalização, os valores pagos aos contribuintes individuais, chamados de “supervisores”, em qualquer nivel em que se encontre, na “pirâmide”, constituem remuneração como contraprestação pelos serviços prestados de venda de produtos para e pela empresa, seja para o consumidor final, seja para “distribuidores”, seja para “supervisores” de nível inferior, e de indicar outras pessoas que venderão produtos e cujos lucros de venda serão repartidos entre a “Herbalife”, seus “supervisores” e distribuidores. Esclarece ainda o Relatório Fiscal que não se deve acolher as alegações da empresa (resposta ao Temo de Intimação n°3) de que essas remunerações teriam sido objeto de análise pela Fiscalização, em período anterior (janeiro a dezembro de 1999), nos termos do Relatório Fiscal da NFLD 35.002.9067, uma vez que, naquela ação fiscal, não foram analisadas as DIRF e DIPJ que serviram de base de dados para o presente lançamento. Alerta também que: "... a única menção aos "Descontos sobre o valor de venda" daquele relatório trata, no item 3.2.2, do valor pago a menor pelo "supervisor" ou "distribuidor" quando adquire os produtos para, com venda por preço maior do que o da aquisição, possa auferir lucro (Lucro Varejo, segundo o plano de vendas e marketing da empresa). Por fim, informa a Fiscalização que foram localizados, na conta contábil “2l1l2.1.08.01.004 Comissões a Pagar”, totais lançados de mesmo valor dos totais dos anexos do Relatório Fiscal e com históricos relativos a pagamento de “comissões”. Fl. 429DF CARF MF 4 A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, apenas para retificar o crédito de acordo com a documentação ofertada pela contribuinte. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 273/292, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s n° 19515.003692/200912 (AI n” 37.160.5113) e 19515003694/2009 10 (Al n” 37.160.5130). De forma preliminar, afirma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Quanto ao mérito, primeiramente versa sobre as características do seu canal de vendas, nos seguintes termos: Egrégio Conselho, o que se deseja aqui é demonstrar que o negócio Herbalife é absolutamente singular e de maneira nenhuma' se amolda a um simples contrato de prestação de serviços. Os distribuidores independentes realmente compram e revendem os produtos que levam a marca da Recorrente. Raros são os que pleiteiam sua devolução e subseqüente ressarcimento e os que o fazem só conseguem se seguirem `a risca as normas e procedimentos da empresa, dentre as quais a de o produto objeto de devolução ainda ostentar qualidade para posterior comercialização. Neste sentido, pedese licença para juntar alguns comprovantes que demonstram o procedimento de recompra de produtos pela Recorrente. O sistema de vendas diretas da Recorrente denominase multinível, posto que os distribuidores independentes não lucram apenas com as revendas a varejo dos produtos adquiridos da empresa, mas também auferem lucros de atacado e, além disso, percebem ganhos denominados royalties e bônus. Todos esses proventos variam de valor dependendo do atingimento de determinados resultados, podendo mesmo não ser pagos a quem, a despeito de ter se dedicado ao negócio Herbalife, não tenha atingido tais resultados. Ademais, é importante pontuar que 0 distribuidor independente em nenhum momento é obrigado a Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 4 5 comprar os produtos da Recorrente ou a dedicarse ao seu negócio Herbalife, tanto menos a trabalhar ”x” ou ”y" horas por mês. Se ele simplesmente nada fizer, continuará sendo um distribuidor independente até o fim do período de validade de seu contrato. Se resolver desistir do negócio, poderá devolver os produtos que adquiriu. Como está dito na página 35 do Plano de Vendas & Marketing e Normas de Conduta, “A oportunidade de ser um Distribuidor Independente é inteiramente voluntária Notase, portanto, que o distribuidor independente não trabalha para a Recorrente. Ele é seu parceiro comercial. Ele compra os produtos da Recorrente e os revende no mercado, a consumidores finais. Os produtos portanto, passam a ser do distribuidor e, portanto, é impossível que, em se tratando de bens próprios, haja prestação de serviços de venda a terceiros. como equivocadamente se grafou no AIIM. Explicita sobre o lucro no varejo e no atacado, temse que o lucro no varejo decorre da compra do produto por um preço inferior ao sugerido para a venda ao consumidor final, ou seja tratase de um desconto dado ao distribuidor que varia de 25% a 50%, equivocandose a autuação ao afirmar que o lucro advém da venda a outro distribuidor. Quanto ao lucro no atacado, temse que um distribuidor que esteja qualificado para obter um desconto superior ao de um distribuidor que esteja em sua linha descendente pode comprar o produto da Impugnante e revendêlo ao distribuidor descendente, auferindo o lucro de uma revenda no atacado, situação que também ocorre quando o distribuidor na linha descendente adquire o produto diretamente da empresa; Nesse ponto, a recorrente demonstra por meio de tabelas como são distribuídos os percentuais de vendas: a Herbalife fica sempre com 50%, enquanto que os outros 50% são repassados ao distribuidor que fez a compra diretamente da Herbalife, o qual, por falta de qualificação, deve repassar parte desse percentual aos distribuidores de sua linha ascendente. Portanto, tratase, se verdadeiros ganhos comerciais e não de ganhos decorrentes de contraprestação por serviços prestados. Afirma que a própria fiscalização admitiu tratar o lucro no atacado de repartição de ganhos obtidos com a venda de produtos da recorrente. Alega não poder chamar de serviço uma atividade de compra, revenda e rateio de lucros, não havendo que se falar que os distribuidores prestam serviços de indicação de outras pessoas que serão distribuidores, para posterior repartição dos lucros entre Herbalife distribuidores e supervisores. Ou seja, fica evidente que o recebimento de lucro no atacado não está diretamente ligado a qualquer esforço que esse distribuidor realize em prol da contribuinte, mas sim, e exclusivamente, ao atingimento dos objetivos necessários à qualificação desse distribuidor como apto a receber os tais lucros no atacado. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Fl. 431DF CARF MF 6 Esclarece a diferença entre os lucros no atacado (rebates de desconto) e as remunerações por serviços, tecese breves linhas sobre os demais valores pagos pela Recorrente aos distribuidores independentes que a tanto se qualificam. É que a Recorrente paga valores denominados royalties e bônus aos distribuidores independentes. Sobre tais rubricas, a Recorrente não só retém a contribuição previdenciária dos distribuidores como recolhe a parte da empresa, declarando tudo em GFIP, em DIP] e em DIRF, como aliás mencionou o respeitável acórdão recorrido, em seu item 4.12., todavia em flagrante confusão com os lucros no atacado, referidos anteriormente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES JULGAMENTO EM CONJUNTO Aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s "irmãos". Entendo superada tal alegação, posto que os processos encontramse apensados e serão julgados na mesma sessão. DA DECADÊNCIA A contribuinte firma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 5 7 Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626 o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 433DF CARF MF 8 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 6 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 435DF CARF MF 10 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais não constantes nas GPS e GFIP, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, como se extrai do Relatório Fiscal do Auto de Infração, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e às Guias da Previdência Social GPS, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias em relação ao período ora debatido. Por clareza ao debate, para aqueles que entendem que o pagamento antecipado deve guardar relação com o fato gerador, ou seja, recolhimento referente a contribuinte individual. Vale explicitar que nos autos não a documentação probatório específica quanto a esta rubrica. No entanto, durante todo o procedimento fiscal a contribuinte ventila essa afirmação, sendo que em nenhum momento a fiscalização contesta. Assim, fato incontroverso. Ademais, a própria autoridade julgadora de primeira instância afirma a existência de pagamento em relação aos contribuintes individuais, in verbis: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 7 11 4.29. Observouse que os valores que constam na coluna “INSS PAGO”, da planilha apresentada pela Impugnante, equivalem aos que ela informa como devidos pelos contribuintes individuais, nas GFIP, conforme relatório “Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo DCBC”. 4.30. Assim, verificada a necessidade de retificar os créditos, que somados aos já declarados em GFIP encontramse acima do limite máximo, construiuse a planilha “Retificação das Contribuições dos Contribuintes Individuais” (fls. 196/277), cabendo esclarecer que, nela, foram individualizados apenas os contribuintes individuais que se enquadram na situação descrita, bem como esclarecer que: a) a coluna “GFIP” demonstra os valores declarados nas GFIP; b) a coluna “AI” informa os valores lançados no Auto de Infração; c) a coluna “GFIP+LANÇ” indica a soma dos valores das colunas citadas nos itens anteriores; d) a coluna “V. EXCL. AI”, informa os valores que devem ser excluídos do lançamento, por excederem aos limites máximos de R$ 264,00 (competências 01 a O4/2004) e R$ 275,95 (competências 05/2004 a 12/2004). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/09/2009, com a devida ciência da contribuinte constante do AR (fl. 72), a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO NEGÓCIO HERBALIFE LUCRO NO ATACADO MARKETING MULTINÍVEL Primeiramente cabe esclarece quais as vertentes sobre a resolução do lançamento, são elas: se as atividades desempenhadas pelos consultores configuramse como prestação de serviços à Herbalife, estamos diante de uma hipótese de incidência tributária, onde o “lucro no atacado” pago a eles constitui remuneração, fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, com razão a autoridade lançadora; ou caso se conclua ser mera relação mercantil, ganho comercial, estaríamos fora da hipótese de incidência das contribuições, conforme defendido pela contribuinte. A recorrente, rebatendo as contribuições aqui exigidas, expôs todo o funcionamento de seu canal de vendas ("negócio herbalife"), diferenciando todas as "operações da cadeia" e, enfatizando sempre que a relação entre ela e os consultores independentes é, e sempre foi, comercial (de compra e revenda). Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressaltese, nesse sentido que, quando a venda é Fl. 437DF CARF MF 12 efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem atividades, inclusive no Brasil, os valores referentes às vendas efetuadas em seu nome, mas para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa. Isto porque, de fato, tratase de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem de direito. Explica que o ganhos comerciais são o “lucro no varejo” e o “lucro no atacado”, que são caracterizados por descontos outorgados pela Herbalife ao consultor, transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos. Ressalta que apesar de o “lucro no atacado” envolver repasse financeiro ao consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto. Assevera que os ganhos decorrentes de serviços, denominados royalties e bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das equipes de vendas”, dependem da qualificação e têm correlação direta com os volumes de venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos. Arrazoa que o consultor ao assinar o contrato e se tornar um consultor independente, constrói um verdadeiro negócio para si e para sua família, acostando aditamentos contratuais para demonstrar a transferência do negócio Herbalife a sucessores familiares dos Consultores. Expõe que o consultor qualificado ao desconto pode comprar o produto da Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes têm direito de adquirir (geralmente, menor que o da ascendente), ou pode permitir que eles comprem diretamente da Herbalife com o desconto menor, e esta devolve ao consultor ascendente a diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é também denominado “desconto remanescente”. Argumenta que a indicação de outras pessoas, nem o volume de vendas efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto. Acrescenta que se trata de ganho comercial, que pode ser auferido sem qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”, inclusive porque, o consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão retorna ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo inclusive ser ultrapassado por um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Insurgese quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do Vendedor Direto, constante do site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (‚ABEVD‛), norma orientativa, não restritiva, e que, quando refletida na prática de cada uma de suas associadas, admite particularidades. E, se bem se compreendeu os tipos de receita auferidos pelos consultores dependentes da Recorrente, expostos no item 16 e seguintes desta peça, Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 8 13 notarseá que a estrutura de ganhos da Recorrente situase exatamente dentro dos patamares sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de outros consultores independentes. Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso concreto, uma vez que, além de ser genérica, trata da contraprestação pelo agenciamento de novos consultores, que, como já se viu, é remunerado pela Recorrente por meio de bônus e royalties. Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda ou divulgação de produtos do consultor em prol da Recorrente. Na realidade, a atividade de Recorrente que é em prol dos consultores independentes. Ademais, também não prospera o entendimento da autoridade julgadora de que o lucro no atacado seria um "plus ao serviço prestado pelo consultor de nível superior, como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as vendas da própria Herbalife, (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez que obteria o mesmo percentual de desconto.(...) A pr{tica do ‘lucro por atacado’ abre caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um consultor independente, incentivandoos a atrair mais pessoas à rede, e aumentarem seu volume de compras diretamente da Herbalife". Afirma que não existe o interesse do consultor em linha ascendente de fomentar as compras dos consultores em linha descente, a fim de garantir a sua qualificação para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual. Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Tratase de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária Argumenta que embora o consultor não esteja obrigado a se dedicar ao negócio Herbalife e trabalhar determinadas horas por dia, aqueles que evoluem na escala e obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta que pessoas naturais que assim exercem sua atividade comercial, com intuito de lucro são equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A situação ora em debate, se encaixa no sistema de compensação multinível (marketing multinível/marketing de rede), que se trata de uma estratégia empresarial de distribuição de bens e serviços, onde a divulgação dos produtos se dá pela indicação “boca a boca” feita por distribuidores independentes. Por esse trabalho, tais distribuidores recebem bônus, que seriam utilizados nas milionárias campanhas de propaganda tradicional. Além da indicação dos produtos, os distribuidores poderão indicar outros distribuidores e, assim, construir uma organização de escoamento de produtos com possibilidades de ganhos ilimitados. Fl. 439DF CARF MF 14 Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila alguns apontamentos acerca da matéria (marketing multinível), por não estarmos tão habituados ao tema. O marketing multinível também tratado, às vezes, como marketing de rede, teve origem nos EUA, nos idos dos anos 1940. Desde então, passou por vários ciclos, adaptou se a diferentes momentos da economia mundial e se espalhou por diversos países. No Brasil, há vários modelos de negócios já consolidados baseados nesse formato e hoje é a atividade profissional principal (em alguns casos, a única) de muita gente. Os negócios do tipo multinível baseiam o seu sistema de comercialização em dois pilares fundamentais: a venda direta e a criação de uma rede. A venda direta consiste em ir diretamente aos consumidores para oferecer e vender os produtos ou serviços da empresa, de uma forma pessoal ou através do uso da Internet. Enquanto a criação de uma rede consiste em convidar outras pessoas para que participem como Distribuidores Independentes na empresa de multinível, na qual estás associado. Se aceitarem entrar na empresa, passarão a formar parte da rede e vai ganhar uma vantagem por cada venda feita pelos distribuidores recrutados. Vale esclarecer ainda, que não podemos confundir o MMN (marketing multinível) com as pirâmides. A primeira é uma atividade legalizada, baseada na comercialização de produtos e serviços, baseandose em princípios e fundamentos éticos e legais e pode gerar bons rendimentos aos parceiros, dependendo, é claro, dos resultados de cada um. Já as pirâmides financeiras são negócios totalmente distintos do marketing multinível. Elas são esquemas ilegais de movimentação financeira. Portanto, estamos diante de um negócio legal. Feitas às considerações encimadas, passamos a expor o nosso entendimento. Apesar de estarmos falando de uma matéria não usual, esta já foi apreciada por este Egrégio Conselho, pela 1º Turma Ordinária da 3º Câmara da 2º Seção de Julgamento, em sessão de 06 de novembro de 2014, acórdão de nº 2301004.218. Por oportuno, transcreve se o voto do ilustre Relator Wilson Antonio de Souza Correa, no tocante a matéria aqui discutida: DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE TRABALHO ENTRE A RECORRENTE E SEUS DISTRIBUIDORES E COMPRADORES DE SEUS PRODUTOS Em síntese a Recorrente diz que faz parte do grupo FLP – Forever Living Products, que por sua vez fabrica e comercializa produtos de saúde e outros do gênero. E, como integrante do grupo FLP atua na área de vendas diretas e utiliza um ‘Plano de Marketing Único’, que incentiva e apóia a compra e o uso dos seus produtos através de uma rede de compradores. Explica que a rede de compradores funciona com indicação de outros compradores, sendo assim: A é comprador e indique B, para que indique C e assim sucessivamente, sendo que o primeiro, ou seja, A, recebe sobre as suas compras na FLP e sobre as compras dos indicados sucessivamente, formando uma rede, onde quem é o primeiro recebe mais, já que todas as compras a ele serão contabilizadas. Neste planejamento todos os compradores para comprarem e venderem mais têm que realizar mais indicação de compradores e fazer um trabalho forte de marketing, sendo que a tarefa Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 9 15 principal não é o marketing sim a venda, para eles, distribuidores, sendo que o primeiro é um mero instrumento para realização do segundo, razão pela qual se revela impróprio o entendimento da decisão de piso ao comparar este procedimento com a venda direta que aduz o estatuto do vendedor. Desta forma, explicita, os valores pagos aos distribuidores pela Recorrente não se refere a venda, mas sim a compra por ele realizada, não esquecendo cada qual pertencer a uma rede de compradores o que possibilita a variação de ganhos, ou seja, quanto mais distribuidores ele tiver, mais ele terá de bonificação. Assim, poderemos resumir o ponto nodal da questão, pois para a Fiscalização os valores pagos aos prestadores de serviços têm como base as vendas por eles realizadas e para a Defendente os valores pagos têm como base as compras realizadas por seus contratantes/compradores. É como se ela estivesse bonificando os seus compradores, ou seja, quanto mais compra, mais recebe bônus e ela é paga por seus distribuidores para gerir este ‘Plano de Marketing Único’, ainda que seja 1 real ao mês. O contrato apresentado nos autos não deixa dúvida quanto a sua literalidade de que a prestadora de serviço é a Recorrente que também é remunerada, ainda que seja 1 real por mês. E onde ela ganha nesta transação comercial? Na venda do produto por ela produzido e no marketing gratuito do seu produto. Para a Recorrente não há legislação que tribute a operação acima e não pode a fiscalização, por analogia enquadrar os distribuidores como contribuintes individuais. Aduz também a Recorrente que os prêmios distribuídos por ela não podem ser considerados como pagamento de contraprestação de serviço, isto porque os valores que transitam pelo patrimônio dela a título de VAR, são devolvidos na forma de prêmio. Registro minhas reverências ao projeto elaborado pela Recorrente, eis que de fato ele não contraria nenhuma legislação, mas o tenho como desfigurado pelo simples fato de os distribuidores não serem distribuidores e sim vendedores, conforme o Estatuto do vendedor que o conceitua como uma pessoa que participa do sistema de distribuição de uma empresa de venda direta. Podendo ser agente comercial independente, contratado por empreitada, revendedor ou distribuidor independente, representante empregado ou por conta própria, franqueado ou similar. Assim, não vejo razão à Recorrente, também neste quesito. DO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS – BONIFICAÇÕES A Recorrente alega que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização está equivocada, eis que a sua operação realizada pelo seu Plano de Marketing Único é diferenciado de uma rede de vendedores/distribuidores, pois o vendedor que se encontra Fl. 441DF CARF MF 16 no topo da lista é beneficiado por compras indireta de outros distribuidores/compradores/vendedores. Como dito acima, o planejamento foi elaborado e se admitíssemos o projeto estaríamos diante de distribuidores conforme consta no contrato e não vendedores, conforme é a realidade fática. Sendo considerados vendedores a operação cai na vala comum e neste sentido a base de cálculo acompanha a regra geral, havendo como base as vendas realizadas como um todo. Entretanto, quando trata das BONIFICAÇÕES, onde informa a Fiscalização que observou divergências entre os valores declarados na DIRF como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e os informados na GFIP da Recorrente, sendo incluindo na base da cálculo do lançamento, o que julgo indevido, eis que ausente a comprovação de fato gerador que possa justificar. Veja, a bonificação declarada e que não consta na DIRF não representa um fato ou conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação jurídica de pagar um tributo determinado. Alguns doutrinadores do direito tributário propõem distinguir fato descrito na hipótese legal (hipótese de incidência) e fato imponível. Nesse sentido, a definição de Geraldo Ataliba é precisa: "Tal é a razão pela qual sempre distinguirmos estas duas coisas, denominando hipótese de incidência ao conceito legal (descrição legal, hipotética de um fato, estado de fato, ou conjunto de circunstâncias de fato) e fato imponível, efetivamente acontecido num determinado tempo ou local, configurando rigorosamente a hipótese de incidência". O Código Tributário Nacional do Brasil (CTN) utiliza a expressão fato gerador tanto no momento que se refere ao que Geraldo Ataliba chamou de hipótese de incidência tanto quanto ao fato imponível, deixando para que o intérprete da norma reconheça o significado referido segundo o contexto em que se encontra. O CTN faz menção ao fato gerador nos artigos 114 e 115. De acordo com o texto do artigo 114 do CTN, fato gerador da obrigação principal é a hipótese definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Por sua vez, o artigo 115 diz que fato gerador da obrigação acessória é a hipótese que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Nesta seara, vejo que as bonificações não estão rigorosamente incluídas em hipótese de incidência, razão pela qual excluo do lançamento, conforme requerido pelo Recorrente. Com razão em parte. Face a isto, a conclusão do ilustre Relator, consoante voto parcialmente acima transcrito, foi no sentido de, naquele caso, dar parcial provimento ao recurso voluntário para "reconhecer que não deve compor a base de cálculo as bonificações pagas ao Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 10 17 vendedores/empregados por ausência de comprovação do fato gerador", decisão esta que foi acompanhada por unanimidade pelos demais Conselheiros daquela Colenda Turma. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo ilustre Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, venho discordar que há uma relação de trabalho, ou até mesmo de emprego, pois os chamados "Consultores"/"Distribuidores" não podem ser considerados como "Vendedores", o que daria ensejo a incidência de contribuição previdenciária, considerandoos como contribuintes individuais, ou ainda, como empregados. Nesse sentido, em 16 de fevereiro de 2016, quando da apreciação do processo nº 16832.000057/201036, o qual sobreveio o acórdão nº 2402004.992, a 2º Turma Ordinária da 4º Câmara da 2º Seção de Julgamento deste Conselho, com a relatoria do Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, acordaram por unanimidade em dar provimento ao recurso voluntário, por compreenderem que não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as "bonificações", não têm como contrapartida prestação de serviços à recorrente por Distribuidores/Vendedores de produto por ela fornecidos. Vejamos a ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato, de sorte que sua realização no âmbito tributário ocorre com a aplicação do princípio da verdade material, o qual permite que no processo administrativo o julgador busque a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Recurso Voluntário Provido. Analisando a operação comercial da recorrente, me filio ao entendimento acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de "lucros no atacado" aos "consultores" dos produtos da recorrente. Fl. 443DF CARF MF 18 Verificase que na modelagem de negócio da contribuinte, conforme demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que os consultores autorizados adquirem produtos com desconto da recorrente para revendêlos e parte do valor, como obrigação da recorrente com os seus consultores, são repassados a estes, em conformidade com os critérios estabelecidos. Explico. Ao atingir determinado nível de qualificação, o consultor independente se torna um verdadeiro atacadista. A Recorrente, por sua vez, conhecedora das limitações destes consultores independentes que não possuem estrutura logística estrutura básica para a correta armazenagem dos produtos (que, no caso da Recorrente, por se tratar de produtos alimentícios, exige maiores cuidados), veículo para fazer o transporte de quantidades maiores, contrato com transportadora, dentre outros – e financeira – disponibilidade de caixa para comprar, armazenar e transportar o produto até o consumidor final , para operacionalizar sua atividade comercial, a Recorrente toma para si tais responsabilidades e garante o ganho comercial advindo da operação de venda para o consultor independente. Tratase de verdadeira reserva de mercado, assegurada pela Recorrente, e concretizada pelo repasse do lucro no atacado para o consultor para tanto qualificado. Com isso, a peticionante garante que o consultor qualificado para auferir lucro no atacado não se oponha à aquisição do produto diretamente a ela, o que poderia facilmente ocorrer se não lhe fosse dada a garantia de que seu ganho seria mantido. Nessa esteira, a Recorrente assegura também que: (i) não haverá falta de produto no mercado, por conta de eventual indisponibilidade de caixa de algum consultor; (ii) os produtos ficarão armazenados de maneira correta e conforme exigido pela legislação pertinente; (iii) os produtos chegarão ao destino com rapidez e segurança; (iv) os lucros no atacado serão repassados no prazo correto e a quem de direito, quando há mais de um consultor beneficiado pela mesma operação de venda. E, o ponto mais importante para a saúde do ‚negócio Herbalife, assegura tratativas pacíficas entre a empresa e seus consultores, evitando atritos comerciais. Entendo, portanto, que a relação jurídica entre a contribuinte, uma empresa de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de nutrição, controle de peso, entre outros do gênero, com seus consultores não possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes, no que concerne o lucro no atacado, é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Neste sentido, como muito bem destacou o ilustre Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, no voto do acórdão nº 2402004.992, que peço vênia para substanciar os fundamentos já expostos, senão vejamos: (...) não somente pelo que se plasma nos instrumentos analisados, mas também pela realidade dos fatos, apenas para argumentar, sabese que, assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, de forma que o que vale é a ocorrência real dos fatos e não o que está escrito. Assim, mesmo que não fossem textualmente compreendidos os instrumentos envolvidos, dado ao que não se constata nenhuma prestação de serviço dos beneficiários dos bônus para a recorrente, tomandose por fundamento o princípio da primazia da realidade, não há o que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária ora exigida. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 11 19 Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse considerada a existência de uma relação prestacional entre a empresa e os beneficiados (compradores e vendedores), mesmo assim, reiterese, o referido bônus daquela relação não decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciamse ou decorrem de mera devolução de valores colocados sob a guarda e/ou administração da recorrente pelos distribuidores autorizados. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. Ora, entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração para retribuir o trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre o "lucro no atacado" pago aos consultores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque os valores pagos, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a recorrente por Consultores/Vendedores de produtos por ela fornecidos. Tratandose de uma relação puramente mercantil. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para decretar a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 445DF CARF MF
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