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Numero do processo: 10855.910199/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 03/05/2007
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 01 99 /2 00 9- 25 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.116 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL – código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2006 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32 (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 52 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 199.292,45 (cento e noventa e nove mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e cinco centavos), conforme ficha 17 , linha 42 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, linha 54 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 3398.43301.030507.1.3.04 1226, transmitida em 03/05/2007, a mesma fez a devida compensação do valor de RS 21.721,96 (vinte e um mil, setecentos e vinte e um reais e noventa e seis centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, recolhido a mais em 30/12/2006 no valor de R$ 24.621,61 (vinte e quatro mil, seiscentos e vinte e um reais e sessenta e um centavos). 7 Feita a compensação ainda restou um saldo de crédito original no valor de R$3.974,18 (três mil, novecentos e setenta e quatro reais e dezoito centavos). Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de setembro de 2006, no valor de R$ 24.621,61, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de setembro de 2006, no valor de R$ 24.621,61, assim declarado na DCTF de setembro de 2006 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 5 4 Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 6 5 Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de setembro de 2006 e da própria DIPJ/2007, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 7 6 de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2006, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.721476/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS. OMISSÃO.
Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de parte da pretensão recursal, cabe a correspondente integração via embargos.
SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS SIMPLES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Revelada terceira empresa como mera interposta de pessoa jurídica que se aproveita de expediente simulatório, esta pode se utilizar dos recolhimentos efetuados sob o regime simplificado por aquela, respeitados os percentuais legais, na quitação das contribuições previdenciárias por ela devidas.
Numero da decisão: 2202-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302-003.649, de modo a determinar que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.619-2 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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SIMPLES. Embargante OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de parte da pretensão recursal, cabe a correspondente integração via embargos. SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS SIMPLES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Revelada terceira empresa como mera interposta de pessoa jurídica que se aproveita de expediente simulatório, esta pode se utilizar dos recolhimentos efetuados sob o regime simplificado por aquela, respeitados os percentuais legais, na quitação das contribuições previdenciárias por ela devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302003.649, de modo a determinar que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.6192 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 76 /2 01 2- 94 Fl. 985DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Versa o presente processo sobre lançamentos de contribuições previdenciárias (fls. 6/69) incidentes sobre a folha de pagamentos e demais rendimentos pagos ou creditados à pessoa física que presta serviços a pessoa jurídica, havendo sido constituídos autos de infração relativos à cota patronal (DEBCAD nº 37.360.6192), destinados a outras entidades (DEBCAD nº 37.360.6206), além de multa por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD nº 37.360.6184). Conforme narrado pela fiscalização (fls. 30/69), o autuado manteve empregados alocados em empresa distinta (ARM Confecções Ltda.), constituída em separado para fins de ser optante pelo Simples, com o objetivo de afastar a incidência de contribuições patronais, dado que o contribuinte foi tributado pelo Lucro Real no anocalendário 2007 e pelo Lucro Presumido nos anoscalendário 2008 a 2010. Afirmou o Fisco que os empregados registrados formalmente na empresa ARM Confecções Ltda. executavam sua atividades com empregados do contribuinte, utilizando veículos, instalações, máquinas e equipamentos a ele pertencentes, caracterizando assim aquela pessoa jurídica como empresa de fachada, criada com o fito precípuo de que o faturamento se enquadrasse nos limites do regime simplificado. Impugnada a exigência (fls. 381/410), foi ela mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 566/585), sendo que depois da interposição do recurso voluntário (fls. 591/678), o sujeito passivo apresentou uma série de pedidos de desistência do litígio em razão de parcelamento e/ou pagamento (fls. 679/781), sendo tal desistência total no que concerne aos DEBCAD nos 37.360.6206 e 37.360.6184, e parcial quanto ao DEBCAD nº 37.360.6192. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2302 003.649 em 12/02/2015 (fls. 801/815), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PARCELAMENTO. A desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que a para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. APROVEITAMENTO DOS VALORES PAGOS PELA EMPRESA CONTRATADA (ATO SIMULADO). SIMPLES NACIONAL. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2202004.759 S2C2T2 Fl. 986 3 Reputo válido o pleito do contribuinte no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, para abatimento do valor do débito lançado (cota patronal). O contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 911/918) os quais foram aceitos via Despacho de Admissibilidade (fls. 981/983) para fins de que fosse sanada omissão do vergastado, o qual acatou a pretensão de aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do Simples para abatimento do valor lançado nas competências de 11 a 13/2008, mas não se pronunciou quanto à questão no que tange às competências 07/2007 a 10/2008. Registrese, como fecho, que foi também interposto recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 817/825), e oferecidas as correspondentes contrarrazões pelo contribuinte (fls. 923/929), o qual apresentou, ainda, petição (fls. 963/964) solicitando o julgamento dos embargos antes do prosseguimento do trâmite do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 07/10/2015 (fl. 909), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 13/10/2015 (fls. 911 e ss). A relatora do recurso voluntário assim se pronunciou sobre a matéria focada (fls. 814/815): (...) Em relação ao Auto de Infração nº AI 37.360.6192 (cota patronal), aduz o contribuinte às fls. 755/761 que após a edição da Lei nº 12.996/14, a empresa pagou parcialmente os débitos correspondentes às competências de 11/2008, 12/2008 e 13/2008 com os descontos concedidos pela respectiva legislação, permanecendo em aberto, neste período, tão somente a parcela correspondente ao valor pago pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP (contratada – ato simulado) no âmbito do SIMPLES NACIONAL. Neste toar, pretende o contribuinte o abatimento do valor lançado e não pago, nas competências 11/2008, 12/2008 e 13/2008, com o montante recolhido pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, ficando, com isso, a discussão administrativa restrita a este período e ao aproveitamento do respectivo valor. Daí porquê pleiteou a desistência parcial do Recurso Voluntário. A auditoria realizada na empresa Objeto Brasil Confecções Ltda. EPP constatou a simulação na contratação de empregados por interposta pessoa jurídica. Por causa disso, procedeu à apuração da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de pagamento dos empregados que estavam formalmente Fl. 987DF CARF MF 4 registrados através da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, mas que trabalhavam para a empresa OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA EPP. Isto posto, em decorrência das remunerações discriminadas na folha de pagamento da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP terem dado origem a apuração do valor lançado, reputo válido o pleito do contribuinte (OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA EPP) no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ARM CONFECÇÕES LTDA EPP). Sem embargo de seus argumentos, eles seriam, a priori, igualmente aplicáveis ao período compreendido entre 07/2007 e 10/2008, que não foi abordado no voto. A omissão deuse, provavelmente, pelo fato de não ter se apercebido de que, às fls. 680 e ss, o contribuinte já havia, apresentando os documentos pertinentes, se manifestado no sentido de que: 4. De outra parte, com relação ao AI nº 37.360.6192, débitos vencidos até 30/11/2008, a contribuinte permanece com a discussão administrativa apenas no tocante aos abatimentos decorrentes dos pagamentos implementados pela terceira empresa no âmbito do SIMPLES. Todas as demais pendências vencidas até 30/11/2008 foram pagas à vista, conforme anexos (docs. anexos). Tal equívoco deve ter se verificado em razão de ter sido juntado posteriormente outro pedido de desistência (fls. 755/761), este sim referente às competências 11 a 13/2008, correspondendo ao contexto refletido na decisão embargada. Assim, com relação a todo o período abrangido pela autuação havia o contribuinte pleiteado o aproveitamento das parcelas paga pela terceira empresa no âmbito do Simples. Pois bem, não dissinto do entendimento do acórdão embargado no sentido de acatar a postulação por tal aproveitamento, respeitados, evidentemente, os percentuais legais do recolhimento simplificado correspondentes à contribuições em comento. De fato, o inciso VI do art. 13 da Lei Complementar nº 126/06 preconiza que o recolhimento mensal do Simples abrange a contribuição patronal previdenciária de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212/91. E, em casos similares ao ora enfrentado, devem ser aproveitados os tributos já pagos pela pessoa jurídica reconhecida como sendo mera interposta pessoa da empresa que é a verdadeira titular da capacidade contributiva, e responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas fade à contratação de prestadores de serviços. Com efeito, o deslocamento artificial da responsabilidade tributária via expediente simulatório não é eficaz perante o Fisco, conclusão essa que deu azo, inclusive, ao lançamento guerreado. Por seu turno, constituiriase incoerência lógica intrínseca, em desvelar se a simulação, mas não possibilitar que os tributos pagos pela empresa de fachada sejam aproveitados pelo titular material das atividades exercidas e responsável pelos tributos delas decorrentes. Tendo em vista tais constatações, a não consideração dos tributos já pagos pela pessoa interposta, ainda que sob o regime de recolhimento simplificado, como compensáveis com os débitos lançados, constituiriase em locupletamento indevido da Fazenda Pública, caso simplesmente denegada, ou possivelmente implicaria violação aos princípios constitucionais da eficiência e da duração razoável do processo, se condicionada à posterior formulação de pedido de restituição. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2202004.759 S2C2T2 Fl. 987 5 Sendo assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302003.649, de modo que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.6192 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935912/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 12 /2 00 9- 70 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 113, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 115, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720607/2012-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
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Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 07 /2 01 2- 02 Fl. 157DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 18.944,55, por não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.491,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 18.944,55, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasília, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Preliminar Suposta decadência Fl. 159DF CARF MF 4 Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 4 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas manifestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 161DF CARF MF 6 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 18.944,55). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 5 7 No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Fl. 163DF CARF MF 8 Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 6 9 dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720296/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 96 /2 00 8- 28 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 1.404.382,05 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 30/11/2003, sob código de receita n 2362. A recorrente foi intimada pela DRFLimeira para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, vindo aos autos a resposta junto com documentados comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP exarou o despacho decisório não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no final do anocalendário de 2003 o valor do IRPJ pago durante aquele ano foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente. Registra que a anotação feita pela contribuinte em no demonstrativo por ela elaborado mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), antes da dedução das estimativas mensais. Assevera, ainda, que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido "recolhido a maior" (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirma que não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor, nem tampouco crédito tributário em favor da União por conta do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, eis que extinto por pagamento. Regularmente cientificada, ingressou a interessada com a tempestiva peça recursal, acompanhada dos documentos, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, que a decisão foi proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), inclusive porque alterouse a base de cálculo do tributo, bem assim, que suportada Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 4 3 apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduz que no contexto de tributo sujeito a "lançamento por homologação" a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte. Lembra que até mesmo nas hipóteses em que a infração à legislação, tributária não resulte na exigência de crédito tributário fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento.. Reafirma que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de quantia recolhida a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de monta superior àquela declarada. Assevera que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta). Assim, estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda apagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado. Por fim, realça que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento e requer que os débitos indicados no DARF encaminhado para a impugnante juntamente com o despacho decisório ora impugnado fiquem com a exigibilidade suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do artigo 74, §9° e §11, da Lei n°9.430, de 1996”. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, como se pode extrair da ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: A decisão recorrida se fundamenta em premissas equivocadas, haja vista que a discussão sobre a necessidade de lançamento referese à valoração do crédito, pois a retificação de ofício da DIPJ revelase condição prévia para mudança nos valores declarados como "estimativas recolhidas", "IRPJ devido" e "IRPJ a pagar" fundamentos utilizados pela DRF/Limeira para negativa do crédito postulado na compensação. Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ: não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Recorrente apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado; é necessário que efetue lançamento. Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 6 5 O acórdão recorrido equivocase ao confundir o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais; pois, no caso específico da estimativa, a opção é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente, com a consequente homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.941, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10865.720297/2008 72, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de novembro de 2003. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de outubro de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.941): "O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 14/10/2009 e protocolou Recurso Voluntário em 29/10/2009. Constatada a tempestividade do presente recurso, deste conheço. Este processo trata da discussão quanto à negativa de homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 25650.06888.120304.1.3.043878 pela DRF/Limeira, que assim o fez por apurar a inexistência do crédito indicado na referida declaração. A PER/DCOMP mencionada, surgiu porque o contribuinte considerou que do pagamento de R$ 6.163.720,21 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de novembro de 2003, R$ 3.792.647,04 seriam indevidos e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário e o débito de Cofins nãocumulativa do mês de fevereiro de 2004. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 7 6 De acordo com a unidade preparadora, houveram duas retificações da DCTF. Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro era R$ 6.163.720,21, mas após o encerramento do período a retificou a fim de reduzilo para R$ 2.371.073,17, mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 90). A partir dos demonstrativos encaminhados pelo próprio contribuinte, a DRF/Limeira concluiu que a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento, com apuração do lucro real do período (fls. 14 a 17), devidamente registrado no Livro Diário (fls. 53 a 73) e depois com base na receita bruta (fls. 36 a 42). A alteração na forma de apuração do IRPJ poderá ser procedida dentro do anocalendário, já que não se trata da figura do pagamento, propriamente dito, mas sim de antecipações do quantum devido a título de IRPJ, já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2º da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele recolhido, não se poderá mais falar em antecipações feitas a maior, mas sim em saldo negativo (ou a pagar) de IRPJ; este sim sendo passível de repetição. No entanto, como pontuado pela decisão recorrida, no caso dos autos não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim, dos "excessos" mensais, dentre os quais o do mês de novembro em análise. Isso porque, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2º da Lei n.º 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, o contribuinte considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou as declarações objeto deste processo, para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. A DRF/Limeira, não homologou a PER/DCOMP sob o fundamento que findo o período de apuração, não pode a contribuinte alterar a sistemática de apuração para calcular a estimativa com base na receita bruta. Registrase, também, que a Unidade Preparadora não aceitou a exclusão da adição do depósito judicial de INSS no ajuste anual, no montante de R$ 1.741.981,39 (fl. 110) – que teria originado suposto recolhimento a maior no mês de novembro/2003 (R$ 417.275,10) – pois através das informações prestadas pelo contribuinte, apurou que este não havia comprovado que este valor não havia sido efetivamente deduzido como despesa; bem como porque, em razão do regime de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 8 7 competência, este valor não poderia ser apropriado como despesa no anocalendário seguinte. Pois bem. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Contudo, tal posicionamento foi superado pela súmula CARF n.º 84, verbis: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 9 8 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Da leitura da súmula acima vêse claramente que o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado consistente na diferença entre o valor recolhido e o valor devido com base na estimativa mensal incidente sobre a recita bruta, homologando as compensações até o montante requerido pelo contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000263/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 02 63 /2 00 7- 59 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 439DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721813/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXAME DE ESCRITA. AUDITOR FISCAL. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51).
Numero da decisão: 1302-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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AUDITOR FISCAL. O AuditorFiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 273 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 274 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJSimples do período fiscalizado. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. QUALIFICAÇÃO. NÃO CONFISCO. É legal a exigência da multa no percentual de 75% no caso de lançamento de ofício. É correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA MORATÓRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Inexiste previsão legal para aplicação no campo do direito tributário da multa moratória de 2% prevista no Código de Defesa do Consumidor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE No lançamento do crédito tributário, por expressa disposição legal, cobrase juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 275 4 Indeferese o pedido de perícia quando as provas existentes nos autos são suficientes para a solução da lide. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: O processo é de autos de infração do Simples Federal (fls. 02/78), exigindo o crédito tributário no valor consolidado de R$ 1.192.674,75, conforme demonstrativo à folha 02. A exigência é referente ao anocalendário de 2006 (AC/2006). Os lançamentos estão distribuídos pelos tributos integrantes do Simples, incluindo valor do principal, mais multa regulamentar no percentual de 75% e agravada no percentual de 150%, e juros moratórios. Os detalhes do procedimento fiscal e o resultado da apuração estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 81/83, cujo resumo é o seguinte: – A motivação da fiscalização foi a diferença encontrada entre os valores declarados à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZ/BA), através de DMA mensais (Declaração e Apuração Mensal do 1CMS), e os declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), através da Declaração Anual do Simples (DSPJSimples). – A contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (TIF) e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em 23/09/2009 (fls. 79/80), solicitando livros e documentos necessários ao procedimento. – A contribuinte compareceu à fiscalização em meados de outubro de 2009 e entregou cópia de suas DMAs, sem nenhum protocolo, e não mais entrou em contato. – A contribuinte foi intimada, através do Termo de Intimação nº 001, em 27/10/2009, a entregar os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou. – A contribuinte foi reintimada, através do Termo de Reintimação nº 001, em 11/12/2009, a entregar todos os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou. – Novamente a contribuinte foi reintimada, em 22/01/2010, via Termo de Reintimação nº 002, a entregar os livros e documentos requeridos no TIF. Finalmente ela se manifestou, em 25/02/2010, onde esclarece que não possui Livro Caixa e muito menos escrita contábil, além de declarar que sua receita de vendas é aquela constante em suas DMAs (fl. 90). – Utilizouse, então, como receita tributável, os valores declarados como receita pela contribuinte à SEFAZ/BA, através das DMAs. – As diferenças apuradas entre as receitas de vendas constante nas DMAs e o declarado como receita na DSPJSimples do AC/2006 dão os valores de R$ 3.499.819,97 e R$ 310.340,07 respectivamente. A soma desses valores dá o montante de R$ 3.810.160,04. – Em face disso, a Fiscalização lavrou os autos de infração de fls. 02/78, utilizando as receitas declaradas nas referidas DMAs/ICMS. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 276 5 – Justificou a aplicação da multa de 150%, cento e cinqüenta por cento, no art. 957, II, RIR/99, art. 44 da Lei 9.430/99, c/c os art. 71 e 72 da Lei 4.502/1964, pela ação da autuada tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, pois à luz dos elementos demonstrados, em especial o fato de ter declarado ao Fisco Federal receita menor, em contraponto àquela efetivamente apurada e declarada à SEFAZ/BA. – A declaração à RFB com valores bem inferiores ao realmente auferido demonstra a intenção de impedir ou retardar o acesso da autoridade fazendária às informações que possibilitassem a correta obtenção da base de cálculo devida. – Em face do exposto, lavrouse Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 10580721816/201021. Em 02/03/2010, a autuada tomou ciência pessoalmente do feito, conforme assinatura do seu Procurador à fl. 04 do processo (ver instrumento às fls. 122/125). Em 31/03/2010 foi apresentada a impugnação de fls. 127/133, alegando a defendente, em linhas gerais, que o feito não merece prosperar, eis que eivado de inúmeros vícios e irregularidades que, desde logo, o torna insubsistente, além de, comportar no mérito uma análise mais profunda, tendo em vistas as alegações resumidas a seguir. (i) Em preliminar, haveria vício formal no item "Termo de Encerramento" do auto de infração, pois consta que a data de seu encerramento foi em 24/02/2010, às 10h02 min, no entanto, houve a omissão do período fiscalizado. (ii) Refere o princípio da legalidade, para dizer que o exercício de tarefas de auditoria ou perícia contábil, por lei, é reservado aos profissionais de contabilidade de nível superior, legalmente inscritos no Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Assim, a função de Auditor Fiscal, exige que o agente público exerça papel privativo de contador inscrito no CRC, sendo nulo de pleno direito o procedimento efetivado por profissional incompetente. (iii) O autuante a acusa a autuada de ter declarado valores menores ao fisco Federal, em comparação ao declarado nas DMAs, sem ter observado a condição de empresa optante do Simples, nem o percentual incidente por faixa de receita bruta acumulada (evolução de alíquotas), nem qualquer verificação fática das vendas reais nos documentos da empresa, bem como nos documentos fiscais que estão em poder da Sefaz/BA, pois a presunção do Fisco Federal se deu apenas em números registrados na DMA que a própria impugnante desconhece. (iv) O auto de infração não demonstra, discriminadamente, mês a mês, a quantia deixada de declarar pela contribuinte, o que importa na falta de transparência do ato administrativo como comanda a Constituição em seu art. 37, caput. Fala de fortes indícios para o dolo e máfé, por parte do autuante. (v) Teria havido, na realidade, arbitramento injustificado da base de cálculo dos tributos exigidos, dado que não se pode verificar qualquer diferença supostamente devida sem o devido processo legal e sem que haja a verificação real das vendas, pois o fato do serviço contábil deixar de informar devidamente as DMAs não é motivo para cobrança de imposto, sem contar que o Autuante sequer verificou junto ao Fisco Estadual da Bahia se houve ou não algum problema na transmissão das DMAs, e se os valores que estão em seu poder são reais. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 277 6 (vi) Levandose em conta que existe junto ao Estado da Bahia o dever de sigilo fiscal, como poderia o fiscal Autuante ter acesso a dados das DMAs, e se isso ocorreu, como se pode atestar que as informações são fidedignas? Principalmente pelo fato de o TVF se encontrar com valores do Simples, DMAs e Diferenças, totalmente divorciadas, sem qualquer possibilidade de verificação real dos valores apurados. (vii) Indaga que se o próprio documento fiscal declara que há diferença entre as declarações do Fisco Estadual e do Fisco Federal, chegase à conclusão de que houve pagamento dos impostos, sendo que a presunção do fiscal Autuante não deve prevalecer para se achar valores, sem o devido processo legal. Urge perícia técnica para verificação e apuração dos valores reais e devidos. (viii) Alega que o próprio fiscal incorre em contradição quando declara no termo de encerramento que devolveu todos os documentos e livros no estado que foram recebidos, onde ao mesmo tempo declara que não recebeu nenhum livro e que o contribuinte declarou que os valores apurados nas DMAs estavam corretos. Portanto, a autuação não pode prosperar, uma vez que embasada em erros grosseiros e atitudes insensatas do autuante. (ix) Dessarte, não seria procedente a alegação do autuante de que não fora fornecido os livros caixa e livros fiscais, principalmente pelo fato da mesma não ser obrigada a manter ou gerar estes livros, sendo necessária, então, a verificação dos documentos fiscais do Autuado, ou até mesmo a verificação da fidedignidade das informações junto ao fisco estadual, fato a que o autuante não se deu ao trabalho. (x) No tocante aos acréscimos legais, entende que o Fisco Federal, além de aplicar juros moratórios em percentual acima do permitido em nosso ordenamento jurídico, aplicou multa confiscatória na ordem de 150%. Lembra que com o advento da Lei 9.298/96 a multa por inadimplemento no Brasil, passou para o máximo percentual de 2%, dado a realidade econômica atualmente reinante no país. (xi) Sendo a ampla defesa corolário do devido processo legal, a autuada requer a instalação de perícia contábil, na forma contida no nosso ordenamento jurídico, desde já indicando como assistente técnico a contabilista Ana Rita Oliveira Barbosa, inscrita no CRC/BA sob o nº 20.294/03, com escritório na Rua Costa Brito, 106, centro, Jequié Bahia. (xii) Pelos vícios, irregularidades e ilegalidades apontados na defesa, requer, em preliminar, a declaração de nulidade da pretensão fiscal, sobretudo por ter sido procedida por agente incompetente e inabilitado, ou a sua improcedência total, por não ter ocorrido, no mérito, às infrações imputadas pelo autuante. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 278 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Auditoria não realizada por contador inscrito no CRC. Alega a recorrente a nulidade do auto de infração, por ter sido este lavrado por auditorfiscal, sem a comprovação de sua habilitação contábil e registro no CRC, e portanto, incompetente para tal função. A jurisprudência deste Conselho é remansosa no sentido de que o auditor fiscal é competente para examinar os livros e documentos da pessoa jurídica, bem como para lavrar os autos de infração que daí decorram, questão, inclusive, já sumulada por esta Corte Administrativa (Súmula CARF nº 08), senão vejamos: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Súmula 8 do 1º CC e 5 do 2º CC De se ver que o tema não dá margem a novas elucubrações. (b) Solicitação de perícia para apurar fatos geradores obtidos por provas alheias à contabilidade. A recorrente também se insurge contra a forma de apuração do crédito, que foi apurado com base na diferença apurada entre as DMA prestadas à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e da DIPJ Simplificada. Entende necessária realização de perícia para que sua escrita seja analisada, para ali verificar a ocorrência dos fatos geradores. Verifico, da análise do processo, que a autoridade fiscal intimou a recorrente para apresentar a escrita no Termo de Início de Procedimento Fiscal de 17/09/2009, no Termo de Intimação Fiscal de 22/10/2009, no Termo de Reintimação Fiscal de 09/12/2009, e no Termo de Reintimação Fiscal de 20/01/2010. A recorrente, por seu turno, informou à fiscalização, em sua resposta datada de 25/02/2010 (fl.90): que sua receita de vendas é o mesmo valor declarado no DMA da Sefaz Bahia; que a empresa não possui contabilidade; que a empresa não tem livro caixa. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 279 8 Neste sentido, além da prova representada pela própria DMA (pois foi prestada pela própria recorrente), há a confissão da recorrente quanto à veracidade daquela, e, conseqüentemente, quanto à falsidade dos dados declarados na DIPJ Simplificada. Neste sentido, os fatos geradores não dependem de perícia para serem provados, pois já o são, com base nas provas acostadas, posto que a base de cálculo do Simples é a receita bruta acumulada. (c) Violação de sigilo no intercâmbio de informação entre as Fazendas O intercâmbio de informação entre as diversas Fazendas desde há muito é permitido, sendo regulado pelo art. 199 do CTN, senão vejamos: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Neste sentido, não subsiste alegação de violação de sigilo da Fazenda Estadual, vez que não há, in casu, quebra de sigilo, mas mera cooperação entre as Fazendas, legalmente permitida. (d) Multa de ofício (75% e 150%) Caráter confiscatório. Inocorrência. Aplicação da multa de 2% prevista no CDC. Impossibilidade. A defendente ainda postula ser confiscatória a multa de 70% (sic). Verificase que a autoridade aplicou multas de ofício de 75% (para as diferenças de recolhimento) e de 150% (para os valores não declarados). A multa de 75% está cominada no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 para incidir sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de recolhimento e de declaração (entre outros). No caso vertente, a autoridade a aplicou sobre as diferenças resultantes da inclusão das receitas omitidas no cálculo dos valores declarados/pagos, que implica alteração dos percentuais incidentes sobre os valores originalmente declarados. Já a multa de 150% está cominada no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/96 para ser aplicada diante de situação prevista nos art.71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No caso presente, a autoridade constatou omissão de receita, e conduta tendente a ocultar fatos geradores da autoridade tributária, pela prestação de declaração ao Fisco Federal em dissonância com as informações prestadas ao Fisco Estadual. Vêse que as normas aplicadas são válidas e vigentes. Assim, não é possível no âmbito administrativo deixar de aplicálas sob alegação de ser inconstitucional. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 280 9 Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à aplicação da substituição da multa de ofício aplicada pela multa de 2% importa asseverar que a relação jurídicotributária não se identifica como relação de consumo, descabendo a aplicação do percentual invocado. A questão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, estando já sumulada (Súmula Carf nº 51). Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (e) Alegações em descompasso com as provas dos autos Faz a recorrente diversas alegações em descompasso com as provas existentes. Assim, constato que o crédito tributário não foi arbitrado, vez que tal modalidade de apuração nem mesmo é cabível no regime do Simples. Verificase, da análise do auto de infração, que a autoridade fiscal submeteu as receitas aos percentuais determinados na Lei nº 9.317/96. Por outro lado, não procede a alegação de que inexiste termo de início de fiscalização no auto de infração, baseado no fato de que o auto de infração não informa qual o dia em que se iniciou a fiscalização. Com efeito, a expressão acima sublinhada possui significado técnico específico no direito tributário, designando a peça escrita mediante a qual a autoridade dá início ao procedimento fiscal, marcando o dia em que a espontaneidade do contribuinte é interrompida. Não há como confundilo com o período de apuração (no caso, 01/01/2006 a 31/12/2006), o qual delimita os fatos geradores que serão examinados no procedimento fiscal. À luz desta explicação, vêse com hialina clareza que não faz sentido questionar a existência do termo de início de fiscalização no corpo do auto de infração. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 281 10 Também não subsiste a alegação de que o agente cobrou correção monetária. De acordo com os autos de infração lavrados, vêse claramente não haver qualquer cobrança sob tal rubrica. Assim, voto para rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 281DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908078/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 07 8/ 20 12 -8 1 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 42299.17038.220812.1.3.045526 a compensação de IPI (cód.5123) do período de apuração 07/2012 no valor de R$ 3.558,81 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 392.312,84 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 2.907,05. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042017483 (efls.13), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) a compensação é resultante do não aproveitamento na apuração do PIS e COFINS no regime não cumulativo no ano calendário de 2010, do crédito dos impostos retidos na fonte (PIS 0,65% e COFINS 3%) sobre as notas fiscais de serviços prestados de Assessoria Administrativa, emitidas pela própria empresa; b) foi apurado, declarado e recolhido o valor de R$ 392.312,84 de COFINS para o mês 05/2010, quando o correto seria de R$ 376.492,15 cuja diferença corresponde o valor nominal de R$ 15.820,69 equivalente aos 3% retidos na fonte sobre as NFPS relacionadas às fls. 39: c) em se tratando de erro meramente material no cumprimento de obrigações acessórias da contribuinte, a alternativa existente para corrigilo é através de declaração retificadora, o que foi feito com a transmissão de nova DCTF na data de 15/01/2013; d) foi anexado aos autos para provar suas alegações, além da DCTF Retificadora (efls.28 a 32), DACON (efls.34/35) e informes de rendimento (efls.38 a 42). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 6ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 25/06/2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.67) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que desde as alterações introduzidas pela MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art.18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original; (b) que os sistemas da Receita Federal que cruzam os dados constantes em documentos eletrônicos (DCTF, DACON, PER/DCOMP, etc.), não são suficientes para dizer da liquidez ou não do crédito e em determinados casos, expõe a necessidade de intimação prévia do contribuinte para esclarecimentos, o que não ocorreu no presente caso; (c) ratificando os demais argumentos e provas trazidos com sua inicial manifestação, apresenta o SPED CONTÀBIL, evidenciando o preenchimento de todos os requisitos previstos na Lei 9.430/96 e IN nº 1300/2012, para obter o reconhecimento de seu crédito tributário; (d) a única declaração que inicialmente não expressava o valor correto do débito era a DCTF, a qual foi sanada através de retificadora transmitida na data de 15/01/2013. Todos os documentos fiscais e contábeis apresentados são idôneos e hábeis a comprovar a realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 5 4 vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou e comprovou através de documentos e declarações que o crédito apresentado, diferença entre o valor efetivamente devido de COFINS no mês de maio/2010 e o valor recolhido via DARF, corresponde ao valor da COFINS retida na fonte sobre NFPS de sua emissão. A controversa fisco/contribuinte se instaurou quando da análise pela unidade de origem, da PER/DCOMP apresentada, que o valor do débito declarado em DCTF era o mesmo contido no DARF discriminado para o mês 05/2010. Constatado o erro, a interessada tratou, imediatamente, de corrigilo com a transmissão de DCTF Retificadora. O fisco, por sua vez, expressou entendimento de que a DCTF Retificadora não seria o suficiente para assegurar o crédito pleiteado, quando desprovida de elementos de provas irrefutáveis para garantirlhe a alteração pretendida, de redução do débito incialmente declarado. A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais e contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 6 5 certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 7 6 (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003268/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 68 /2 00 8- 39 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720417/2017-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 17 /2 01 7- 06 Fl. 125DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos. 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da PORTO ALEGRE. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 103/107. Em síntese, alega ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna, desde agosto de 2011). Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico, apesar de ser simples, atende as exigências da Lei, complementados por exames laboratoriais. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10140.720417/201706 Acórdão n.º 2001000.307 S2C0T1 Fl. 3 3 Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 70. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Fl. 127DF CARF MF 4 Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. A interessada apresenta Laudo Médico emitido pelo Serviço de Dermatologia Dr. Günter Hans, que não identifica o serviço médico oficial a que estaria vinculado. Ademais, o próprio texto do documento não menciona diagnóstico, mas procedimento ("exérese de lesão"). Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
