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Numero do processo: 18471.001586/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 86 /2 00 8- 12 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 9 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; Fl. 510DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 10 3 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja Fl. 511DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 11 4 cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 12 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 13 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 14 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 515DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 15 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 16 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 517DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 17 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 518DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 18 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 519DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 19 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 20 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 21 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 22 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 23 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 24 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 25 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 26 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 27 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 28 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 29 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 530DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 30 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 31 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 32 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 33 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 34 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 535DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 35 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 536DF CARF MF
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Numero do processo: 13893.720620/2017-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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Numero do processo: 13889.720162/2017-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 01 62 /2 01 7- 18 Fl. 35DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Não apresentou o Laudo expedido por serviço médico oficial com o enquadramento da doença para fins de isenção de imposto de renda. Não cabe à autoridade lançadora ou à autoridade de trânsito proceder ao enquadramento da patologia." 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE: Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 26. Em síntese, alega ser portadora de moléstia. Informa que recebe proventos de aposentadoria e solicita o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13889.720162/201718 Acórdão n.º 2001000.313 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 37DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 27. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. Vejase, por exemplo, das três assinaturas apostas no documento, à exceção da primeira, não é possível sequer identificar os profissionais emitentes do documento. Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13889.720162/201718 Acórdão n.º 2001000.313 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 39DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.721498/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.896
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 08 38.647, da 7ª Turma da DRJ/FOR, proferido na sessão de 20 de abril de 2017: Tratase de auto de infração referente à multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação referente ao transporte internacional de carga, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. O lançamento, que totalizou R$ 55.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pelo sujeito passivo, dando origem ao litígio a ser apreciado no presente julgamento. Da Autuação Consta na descrição dos fatos do auto de infração que a multa aplicada foi decorrente do atraso no fornecimento de dado(s) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 89 .7 21 49 8/ 20 13 -6 8 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 3 2 relativo(s) à(s) carga(s) ali indicada(s), cuja responsabilidade pela prestação das informações legalmente exigidas era da empresa autuada. Foi esclarecido pela fiscalização que as informações a serem prestadas no âmbito do transporte internacional de mercadorias, bem como os respectivos prazos para esse fim, foram definidos na Instrução Normativa (IN) RFB nº 800/2007, editada com fundamento legal no artigo 37 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. A autoridade autuante destacou a importância da obrigação em foco para aprimorar o controle das operações de comércio exterior, de forma a proporcionar maior agilidade no despacho aduaneiro, e discorreu sobre a responsabilidade da empresa autuada pela irregularidade apurada. Com base nos exames realizados a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali fixada. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 10/09/2013 e, em 04/10/2013, apresentou impugnação (fls. 5682) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no pólo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Para reforçar sua tese, a defesa cita doutrina e decisões dos tribunais superiores (STF, exTFR, STJ), relativas às funções e à responsabilidade por indenização e tributária do agente marítimo. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, a informação foi prestada pela própria impugnante, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Cerceamento do direito de defesa devido a falha na descrição dos fatos. Não constam no corpo do Auto de Infração elementos importantes para a perfeita compreensão da acusação, tais como a identificação do(s) navio(s) envolvido(s) e a data em que as informações foram apresentadas e aquela em que deveriam ter sido prestadas. Tal omissão caracteriza a inobservância de requisito essencial na lavratura do referido ato e acarreta prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo. d) Duplicidade de pena pela mesma conduta. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma suposta infração, pois o lançamento guerreado não levou em consideração que a multa em foco Fl. 294DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 4 3 é aplicável apenas uma vez a cada navio/viagem, como já decidiu a própria Receita Federal. e) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa aplicada pela fiscalização deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade imposta é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Ao final a impugnante requer a nulidade do Auto de Infração e, sucessivamente, que o mesmo seja julgado improcedente. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose a cobrança da penalidade, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. DESCRIÇÃO SINTÉTICA DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento cuja descrição dos fatos não contemple todas as informações relacionadas com a infração apurada, mas apresente elementos suficientes para o perfeito entendimento da acusação, de forma a possibilitar o pleno exercício do direito de defesa pelo autuado. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO DE NORMA EM PLENO VIGOR A PRETEXTO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é estritamente vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na Fl. 295DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 5 4 prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA EM DESACORDO COM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. O descumprimento da obrigação de prestar as devidas informações referentes ao transporte internacional de cargas é punido com multa específica, que é aplicável em relação a cada registro exigido realizado fora do prazo ou em desacordo com a realidade dos fatos, independente da quantidade de vezes que a referida infração seja constatada numa mesma escala ou viagem do veículo transportador. A citada multa é aplicável uma vez em relação a cada registro, ainda que mais de um campo tenha sido informado com erro ou atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na oportunidade de sua impugnação, fazendo juntar ao processos documentos relacionados a outro processo em que figurou como parte, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: I Da Concomitância A DRJ analisando memorando enviado pela Procuradoria da Fazenda Nacional solicitando providências à COANA a respeito de decisão judicial que versava sobre a multa em discussão no presente processo, entendeu por bem ter havido a renuncia da instância administrativa da matéria. Vale ressaltar que a recorrente em sua peça impugnatória não informa a existência da ação noticiada pela PGFN. Verificase que o processo judicial tem como parte autora o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CENTRONAVE, da qual a recorrente é associada, fato esse incontroverso, tendo em visa ter a própria recorrente afirmado tal situação. No entanto, a recorrente alega em sua defesa não ter expressamente autorizado a CENTRONAVE a contender em seu nome, no que se refere a possibilidade de se ter a aplicação da denúncia espontânea em seu favor, uma vez ter a recorrente trazido as informações imputadas como não feitas antes de qualquer inicio de procedimento fiscal por parte da Aduana. Pois bem. Em que pese a recorrente ser associada da CENTRONAVE, o que em tese permite à segunda representar a primeira judicialmente em assuntos de relevância para a Fl. 296DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 6 5 categoria, não há nos autos documentos que comprovem a expressa autorização para tal representação, vale dizer, não há documentos que comprove a filiação da recorrente à entidade de classe e/ou que indique quais os poderes dispensados a CENTRONAVE na defesa de seus associados. Conforme se vê não restam dúvidas quanto ser a recorrente associada da CONTRONAVE, autora do processo judicial sobre o qual recai a alegação de concomitância, resta dúvida, no meu sentir, quanto a extensão de sua representatividade, tendo em vista a inexistência de documentos nos autos que indiquem referida informação. Desta feita, entendo ser necessária a realização de diligência para que seja oportunizado à requerente a juntada de documentos que demonstrem a extensão da representatividade garantida a CENTRONAVE na esfera judicial, fato este que pode interferir no resultado do presente julgamento. Assim, proponho a realização de diligência para que: a) a Autoridade Fiscal Aduaneira oficie a CENTRONAVE para que a mesma informe se a recorrente expressamente lhe autorizou a representála judicialmente junto ao processos noticiado pela PGFN à COANA, e em caso positivo, juntar ao processo documento que comprove a autorização; b) a Recorrente junte ao processo as cópias do processo judicial noticiado pela PGFN, notadamente peça inaugural da demanda, atos constitutivos da CENTRONAVE, lista de seus associados, outros documentos que comprovem a expressa autorização dos associados para a representação judicial, e particularmente, se houver, cópia de correspondência desautorizando a CENTRONAVE a representála. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.952206/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 20 6/ 20 09 -9 2 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 4 3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720868/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO
É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI.
Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
Numero da decisão: 3201-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 68 /2 01 1- 07 Fl. 5867DF CARF MF 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: (...)Tratase de Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO, que não reconheceu direito de crédito relativo ao 3º trimestre de 2007, pleiteado com fundamento no art. 11 da Lei 9.779, de 1999, através do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 35686.27411.181007.1.1.014570, transmitido em 18/10/2007, no valor de RS 1.585.278,88 e não homologou as compensações vinculadas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, que integra o Despacho Decisório, foi realizada auditoria para análise conjunta de PER/DCOMP relativos a créditos do 3º trimestre de 2007 ao 1º trimestre de 2008, protocolizados pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga – CBPI – tendo por objeto créditos apurados pela filial inscrita no CNPJ sob nº 33.069.766/000343, a qual, com a incorporação pela empresa IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A –IPP, foi sucedida pela filial da IPP inscrita no CNPJ sob n° 33.337.122/014187. No curso da auditoria foram detectadas dois tipos de infrações, a saber: erro na classificação fiscal de produtos, resultando em falta de lançamento de imposto e aproveitamento de crédito básico indevido. O motivo da glosa de créditos foi em síntese, o fato de decorrerem de aquisições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) empregados em “óleos lubrificantes”, produtos nãotributados (“NT”) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006 – TIPI/2007, o que não foi aceito, conforme fundamentação exposta no citado TVF. Também foram glosados créditos extemporâneos cujo aproveitamento não observou a legislação de regência. A reconstituição da escrita resultou na apuração de saldos devedores em todos os períodos de apuração relativos aos pedidos analisados, indicando a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que levou ao seu indeferimento, dada a inexistência de saldo credor a ressarcir. Também foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 16682.720900/201227. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, assinada por procuradores habilitados, na qual alega, em síntese: que industrializa e comercializa óleos lubrificantes, os quais são derivados de petróleo, imunes por força do art. 155, §3º, da Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 615 3 Constituição Federal de 1988 e que lançou os créditos decorrentes de insumos neles empregados com base em resposta favorável obtida através na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000; a definição dos referidos óleos como derivados de petróleo teria fundamento no art. 6o, inciso III, da Lei n°. 9.478/1997 Lei do Petróleo bem como nas definições da Portaria n° 17/2009 da Agência Nacional do Petróleo ANP, órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil e que o autuante estaria equivocado ao insistir que seriam derivados de petróleo apenas as Fl. 5700 RS PORTO ALEGRE DRJ Processo 16682.720868/2011 07 Acórdão n.º 1053.393 DRJ/POA Fls. 3 3 substâncias que decorrem do refino; ou seja, da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição; a TIPI/2007 não faz distinção entre os óleos lubrificantes obtidos imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos), sendo todos classificados no item 2710.1 e que os óleos lubrificantes produzidos são compostos por mais de 70% de óleos de petróleo, conforme documentação que anexa; não teria sido intimada da revogação da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, e que a mudança repentina e injustificada do entendimento fazendário teria violado a segurança jurídica; questiona a possibilidade de um ato infralegal, como o ADI nº 05/2006 sobreporse ao Decreto n° 4.544/ 2002 – Regulamento do IPI, norma hierarquicamente superior; a vedação ao aproveitamento de créditos em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos NT seria cabível apenas nos casos de não incidência em sentido estrito, onde não há processo de industrialização; é questionável a aplicação da Súmula 20 do CARF, pois nenhum de seus precedentes decorreria de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito, sendo que nem mesmo as súmulas vinculantes, aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, poderiam ser aplicadas a situações distintas de seus precedentes; relaciona decisões favoráveis proferidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, reconhecendo a imunidade de seus produtos e manutenção dos efeitos da antes citada Solução de Consulta..(...) Seguindo a marcha processual normal, irresignado com a r. decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, querendo reforma, sob a seguinte argumentação: Fl. 5869DF CARF MF 4 · Preliminarmente – inexistência de decadência parcial; cerceamento de defesa; · Mérito: possibilidade de usufruir os créditos; não poderia existir interpretação restritiva pelas Autoridades Fazendárias; inaplicabilidade da súmula 20/CARF; aplicação da NT aos produtos Recorrentes; aplicabilidade de consulta fiscal – SRRF/ 7ª. RF/DIST, no. 248/00; aplicação da decisão TRF 1ª. Região – 000632620.2014.4.01.0000/DF; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Em relação ao pedido preliminar para que se oportunize a ampla defesa, não merece prosperar tal pleito, uma vez, que foi oportunizado a ampla, ao mais, não foi demonstrado qual prejuízo sofreu ou qual produção de prova foi cerceada. Já em razão da decadência faço analise com o mérito, pois, o resultado é dependente da conclusão do Julgado. O Recorrente busca a compensação de crédito por meio de PER/DCOMP relativo ao IPI nas aquisições de insumo na fabricação de produtos NT na TIPI. Contudo, é de ressaltar que tal matéria já teve o assunto enfrentado por essa Turma com Relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Moreira, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuracã̧o: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE. VINCULAÇAÕ. É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula no 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisicõ̧es de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito reconhecido em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 616 5 dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensacã̧o/ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito crédito não reconhecido (J.25/04/17) Ainda em recentes julgados neste Conselho adotou o mesmo o mesmo posicionamento, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Acórdão: 9303006.520 Número do Processo: 13710.000165/200378 Data de Publicação: 23/05/2018 Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores Fl. 5871DF CARF MF 6 da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado. Número do Processo: 10882.002150/200627 Data de Publicação: 02/04/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. OBRIGATORIEDADE. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, inequivocamente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo do IPI (Adoção da jurisprudência do STJ, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015) Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 617 7 GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicamse somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Número do Processo: 16682.720900/201227 Data de Publicação: 15/03/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Diante desse fato, ̧ reconhecese o acerto do procedimento da fiscalizaçaõ que apontou o aproveitamento indevido de créditos informado na PER/DCOMP, objeto de compensação neste processo , além da falta de recolhimento do IPI devido conforme restou decidido. Assim, no curso da auditoria fiscal promovida em decorren̂cia da compensação declarada, foram os créditos glosados, pois que se revelaram indevidos após a reconstituiçaõ da escrita fiscal. Correta a decisão da DRJ/Porto Alegre, pois o crédito levado à compensação e submetido a julgamento naquela instância naõ gozava dos requisitos de liquidez e certeza necessária à homologação da compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Ademais, no presente caso não se vislumbra fatos necessários para o afastamento da Súmula 20 do CARF, devendo ser aplicada ao caso conforme ementada: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ademais a mais, deve ser afastada a prescrição, uma vez, da transmissão da PER/DCOMP ao despacho decisório, e da ciência do, com isso não decorrendo os 5 (cinco) anos para reconhecimento da homologação tácita (prescrição) nos termos doa art. 74, §5º da Lei 9430/96. Com isso, o voto é no sentido de conhecer do Recurso, e negar provimento. Relator Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 5873DF CARF MF 8 Fl. 5874DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720003/2012-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 03 /2 01 2- 67 Fl. 45DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.678,44, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 16 dos autos, conforme decisão da DRJ: “III a Os valores pagos ao Plano de Saúde através do Ministério da Saúde descontados mês a mês nos contra cheques, estão no respectivo Informe de pagamentos emitido pelo respectivo Plano, não me foi disponibilizado mas, posso afirmar com toda segurança que o valor informado no Comprovante de Rendimentos do Ministério da Saúde no campo 6 Informações Complementares Despesas MédicoOdontoHospitalares no valor de R$. 1.597,00, que sou a única beneficiária do referido Plano de Saúde. Quanto ao Plano de Saúde da Unimed Noroeste Fluminense no valor de R$. 3.047,88 o informe anexo está bem claro que sou a única beneficiária deste Plano de Saúde. III b Quanto a glosa no valor de R$. 1.450,00 em referência no item II estou anexando os comprovantes de pagamentos (3 xeroxs anexos), juntamente com a Declaração de Retificação e Ratificação da profissional Priscila Britto Pereira, comprovando o respectivo endereço, número de inscrição no respectivo Conselho de Classe, CPF e identificação do beneficiário dos serviços prestados, para a devida comprovação.” A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 28/03/2014, no acórdão 0950.832, às efls. 27 a 30, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando as glosas com a Unimed Noroeste Fluminense e com a a profissional Priscila B. Pereira, como se vê: No caso em apreço, declaração prestada pela fisioterapeuta Priscila B. Pereira afasta a motivação do lançamento ao indicar o endereço da prestadora dos serviços; assim as despesas constantes dos recibos por ela emitidos, no total de R$ 1.450,00, devem ser acatadas (fls. 13 a 16). Já pelo documento Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13786.720003/201267 Acórdão n.º 2002000.292 S2C0T2 Fl. 46 3 de fl. 12, relativo à Unimed Noroeste Fluminense, fica evidenciado que o gasto com plano de saúde foi exclusivamente em benefício próprio; assim, cabe restabelecer como dedução o montante de R$ 3.047,88 (valor um pouco menor que o pleiteado de R$ 3.056,40). Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 36 a 43, no qual alega que é contribuinte do Plano de Saúde há muitos anos e por residir no interior do Rio de Janeiro, onde há dificuldade para encontrar profissionais na área de saúde, teve que contratar outro Plano de Saúde (UNIMED) É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/04/2014, efls. 35, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/05/2014, efls. 36, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela glosa das seguintes despesas médicas: · Despesas médicoodontohospitalares Ministério da Saúde R$ 1.597,00; · UNIMED Noroeste Fluminense R$ 3.056,40; · Priscila Britto Pereira R$ 1.450,00; Primeiramente, cumpre destacar que a DRJ afastou a glosa das despesas médicas da UNIMED Noroeste Fluminense e com a profissional Priscila Britto Pereira, subsistindo autuação apenas em relação aos descontos de despesas médicas, odontológicas e hospitalares em nome da contribuinte fornecida pelo Ministério da Saúde. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 47DF CARF MF 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No documento de efls. 11, há comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte em nome da contribuinte, fornecido pelo Ministério da Saúde, ficando evidenciado que, do total de seus rendimentos, houve desconto de despesas médico odontohospitalares no importe de R$ 1.597,00, motivo pelo qual afasto a presente glosa. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13786.720003/201267 Acórdão n.º 2002000.292 S2C0T2 Fl. 47 5 Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002952/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADENCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN.
Inexistindo a apuração do imposto a ser homologado ou o recolhimento antecipado deste, não há como aplicar o disposto no art. 150, §4º, do CTN, devendo, no caso, ser utilizado o disposto no art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial.
GANHO DE CAPITAL. IMOVEIS RURAIS. DIAT.
A falta de apresentação de DIAT, relativamente ao ano de aquisição e ao de alienação força a consideração dos valores constantes nos instrumentos que caracterizaram a compra e venda dos imóveis rurais analisados.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADENCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Inexistindo a apuração do imposto a ser homologado ou o recolhimento antecipado deste, não há como aplicar o disposto no art. 150, §4º, do CTN, devendo, no caso, ser utilizado o disposto no art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. GANHO DE CAPITAL. IMOVEIS RURAIS. DIAT. A falta de apresentação de DIAT, relativamente ao ano de aquisição e ao de alienação força a consideração dos valores constantes nos instrumentos que caracterizaram a compra e venda dos imóveis rurais analisados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Inexistindo a apuração do imposto a ser homologado ou o recolhimento antecipado deste, não há como aplicar o disposto no art. 150, §4º, do CTN, devendo, no caso, ser utilizado o disposto no art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. GANHO DE CAPITAL. IMOVEIS RURAIS. DIAT. A falta de apresentação de DIAT, relativamente ao ano de aquisição e ao de alienação força a consideração dos valores constantes nos instrumentos que caracterizaram a compra e venda dos imóveis rurais analisados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 29 52 /2 00 7- 63 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10675.002952/200763 Acórdão n.º 2202004.632 S2C2T2 Fl. 138 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10675002952/200763, em face do acórdão nº 0927.765, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 08 de janeiro de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "O auto de infração de fls. 4/9 exige do sujeito passivo, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 132.598,02 (cento e trinta e dois mil, quinhentos e noventa e oito reais e dois centavos), composto da seguinte forma: R$ 54.300,00 de imposto; R$ 40.725,00 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 37.573,02 de juros de mora (calculados até 31/08/2007). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte, a Fiscalização apurou, conforme descrito à fl. 5, a falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital: “No curso da ação fiscal, o sujeito passivo não comprovou o recolhimento do ganho de capital referente às transações de fl. 10. Existe divergência entre o preço de venda constante do título de transferência e aquele informado pelo fiscalizado (ƒl. 53), em relação aos imóveis 2 e 3 da planilha mencionada anteriormente. Assim, foram adotados os valores das escrituras. O valor do custo foi considerado aquele constante nas declarações de renda. Para os imóveis 01 e 02 o custo considerado foi de ZERO, pois não constam nas declarações de renda, nem tampouco o fiscalizado apresentou comprovante, apesar de devidamente intimado. " Por intermédio de procurador habilitado (instrumento de fl. 81), o autuado apresentou a impugnação de fls. 67/76, em 15/10/2007 (carimbo dos correios no envelope colacionado à fl. 77), na qual aduziu, em síntese, acerca: 1 da tempestividade da peça impugnatória; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10675.002952/200763 Acórdão n.º 2202004.632 S2C2T2 Fl. 139 3 2 da preliminar de decadência atinente às infrações apontadas para os fatos geradores de 01/02/2002 e 10/07/2002, considerandose a previsão estampada no art. 150,§ 4°, do CTN, e o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, expresso nos Acórdãos 10612750 (sessão de 19/06/2002), 104 19069 (sessão de 05/11/2002) e 10612782 (sessão de 11/07/2002), uma vez que o interessado somente em 13/09/2007 fora cientificado do lançamento; 3 no mérito, ao apurar o ganho de capital, o agente fiscal identificou o valor de venda incorretamente, porquanto alheia ao que determina a IN SRF n. 84/2001, já que o seu art. 19, § 1°, VI, dispõe que para os imóveis adquiridos a partir de 1997 o valor de alienação da terra nua consiste naquele declarado no DIAT do ano de alienação e não o constante da escritura; 3.1 nesse propósito, requereu o impugnante, à fl. 75, o prazo de quinze dias para a juntada dos DIAT”s e, com isso, provar qual o valor de alienação que deve ser considerado para fins de cálculo do ganho de capital; de mesma sorte, os custos de aquisição também são os constantes dos DIAT”s os quais serão juntados em dez dias; 3.2 com relação às vendas do ano de 2002, o agente fiscal considerou como “zero” o custo de aquisição, o que é incompatível com o valor da terra nua no DIAT; « 3.3 caso entenda que o custo do bem deve ser o valor da escritura de compra, o imóvel vendido em fevereiro de 2002 deve ter o custo de R$ 30.000,00 e o vendido em julho de 2002 o custo de R$ 90.000,00, conforme constam nas escrituras, as quais serão juntadas no prazo de quinze dias; ainda em relação ao imóvel vendido em fevereiro de 2002, a escritura de alienação demonstra que o preço da transação foi o de R$ 30.000,00, sendo a importância de R$ 52.000,00 adotada apenas para efeito de apuração do ITBI. Posteriormente, em 13/11/2007 (carimbo dos correios no envelope juntado à fl. 89), o procurador do contribuinte ofereceu a petição de fls. 79/80 no intuito de apresentar as escrituras de compra dos imóveis alienados no decorrer do ano calendário 2002, onde constam os valores de custos correspondentes a R$ 30.000,00 (imóvel residencial fls. 85/86) e R$ 90.000,00 (imóvel. rural fls. 83/84). A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, parcialmente o crédito tributário lançado. A parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação: "Diante do disposto, não há quaisquer reparos a se fazer no tocante aos imóveis rurais vendidos a Ricardo Safatle Soares e Jorge Abraão Neto, conforme itens “3” e “4”, do demonstrativo de fl. 10, quando foram apurados os ganhos de capital de R$ 160.000,00 (22/09/2003) e R$ 40.000,00 (20/11/2003), respectivamente. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10675.002952/200763 Acórdão n.º 2202004.632 S2C2T2 Fl. 140 4 Por outro lado, mesmo mantido o valor da venda do imóvel transmitido a Valdemir Alves, em 10/07/2002, de R$ 110.000,00, há que se reconhecer o seu custo de R$ 90.000,00, consignado na escritura de fls. 83/84, de 27/07/1999; daí, apurase o ganho de capital equivalente a R$ 20.000,00 (R$ 110.000,00 R$ 90.000,00). Em face das necessárias modificações e com base nos demonstrativos de fls. 7/8, o imposto apurado assume o seguinte contorno: O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 118/128, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido, principalmente, no que tange a forma como calculado o ganho de capital. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Decadência. Assevera que os fatos geradores ocorridos em 28/02/2002 e 31/07/2002 já estariam decaídos, nos termos do §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Porém, a tese trazida à baila pela pelo recorrente não é procedente. Conforme auto de infração, em fl. 6, o sujeito passivo não comprovou o recolhimento do ganho de capital referente as transações de fl. 11. Assim, desde já, importa destacar que, para a atração do disposto no art. 150, §4º do CTN, temse por necessário o pagamento antecipado, ou, ainda, a declaração do débito. Assim, não verificandose a existência de alguma dessas condições, temse que aplicável o disposto no art. 173, I, do CTN. Assim, como ambos os fatos geradores visados foram pertinentes a períodos do anocalendário 2002, a contagem do prazo para o lançamento tributário iniciouse em 01/01/2003, ultimandose, assim, em 31/12/2007. A constituição do crédito tributário ocorreu em 13/09/2007 (ciência do contribuinte AR de fl. 76), previamente, portanto, ao quinquênio estabelecido. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10675.002952/200763 Acórdão n.º 2202004.632 S2C2T2 Fl. 141 5 Ante o exposto, rejeito a preliminar de decadência. Mérito. No mérito, observase que a Fiscalização identificou 4 (quatro) imóveis, cujas alienações geraram ganhos de capital ao contribuinte: 1 um imóvel residencial, localizado na Rua Adolfo Carlos Carísio, 311, em Araguari/MG; 2 uma propriedade rural, na Fazenda Jordão ou dos Verdes e Brejo Alegre, em Araguari/MG; 3 uma propriedade rural, localizada em Catalão/GO; e 4 uma propriedade rural, localizada em Ouvidor/GO. Para o imóvel de nº “1”, por sua natureza (residencial), não comporta a alegação contribuinte acerca de valores declarados em DIAT (Documento de Informação e Apuração do ITR). Salientase que, neste caso, a Fiscalização adotou o valor de R$ 52.000,00 como preço da venda ocorrida, contudo, a DRJ de origem, entendeu pela procedência parcial da impugnação para reduzir o valor de alienação para R$ 30.000,00. O contribuinte não trouxe provas para infirmar tal lançamento, deve ser mantido, portanto. No tocante aos imóveis rurais, não obstante a previsão tanto para a determinação do custo de aquisição quanto da venda o Valor da Terra Nua VTN constante do DIAT, conforme previsto no art. 136 do RIR/1999, temse que o contribuinte nada apresentou de provas nesse sentido, seja no decorrer da ação fiscal, seja na fase impugnatória ou, ainda, na recursal. Em assim sendo, há que se observar o que estabelece o art. 10, § 2°, da IN SRF nº 84/2001: “§ 2°. Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante dos respectivos documentos de aquisição e de alienação." Diante do disposto, não há quaisquer reparos a se fazer no tocante aos imóveis rurais vendidos a Ricardo Safatle Soares e Jorge Abraão Neto, conforme itens “3” e “4”, do demonstrativo de fl. 10, quando foram apurados os ganhos de capital de R$ 160.000,00 (22/09/2003) e R$ 40.000,00 (20/11/2003), respectivamente. Assim, carece de razão o recorrente, pois não provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Pedido de diligência. Por fim, importa referir que o ônus da prova é do contribuinte, não cabendo este Colegiado realizar diligências, quando o próprio contribuinte deveria trazer tais Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10675.002952/200763 Acórdão n.º 2202004.632 S2C2T2 Fl. 142 6 documentos aos autos. Assim, improcede o pedido de diligência formulado pelo recorrente, conforme artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99. Conclusão. Ante o exposto, voto rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000148/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, se interposto após o prazo estipulado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 3301-004.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10665.723002/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CONCEITO DE INSUMOS COM BASE NO CRITÉRIO DE ESSENCIALIDADE.
Os gastos com fretes no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, e na transferência de insumos e de produtos em elaboração da filial para a matriz, geram direito ao crédito de COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente.
Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz não geram direito ao crédito de COFINS, pois são gastos incorridos após o encerramento do processo produtivo da Recorrente e não são fretes em operações de venda.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. FRETE.
As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de COFINS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração.
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR.
O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas - Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de COFINS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração. COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 02 /2 01 1- 71 Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte CODIL ALIMENTOS LTDA para análise de Pedido de Ressarcimento, referente a créditos de PIS e Cofins NãoCumulativa. Conforme Despacho Decisório, o crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido, tendo a fiscalização glosado créditos referentes a fretes de diferentes classificações/modalidades. O contribuinte apresentou Impugnação, alegando, em síntese: (...) 2.2 MÉRITO (...) 1.1) Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca). (...) A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, embora o Contribuinte tenha direito ao crédito presumido sobre as aquisições de arroz em casca efetuadas de Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 4 3 pessoas físicas, nos termos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, corroborado pela Solução de Consulta n° 90 SRRF/6ªRF/Disit, este não se valeu deste direito, deixando de efetuar o creditamento das contribuições. O I. Auditor Fiscal, inovando, de forma contrária à legislação pertinente, insiste na teoria de que, se o Contribuinte não se utilizou do crédito presumido que tem direto, sobre a matéria prima (arroz em casca) adquirida de pessoas físicas, não pode se utilizar do crédito referente ao serviço de transporte (frete) contratado para realizar o transporte dessa matéria prima para a unidade industrial. Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. O fato do Contribuinte não se utilizar de crédito a que tem direito, não lhe impede de aproveitar os demais créditos. Assim, o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado a este o valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial do Contribuinteadquirente, cujo ônus assumiu. Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.2) Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. O Douto AuditorFiscal, em seu Termo de Verificação, glosa o creditamento das contribuições PIS e COFINS sobre fretes de retornos de mercadoria remetida para industrialização por encomenda, sob o argumento que este não se caracteriza como "insumo". Insta discordar do entendimento do I. Auditor. O processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 5 4 inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo. Para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. Somente após a entrada deste produto no estabelecimento do Contribuinte é que se caracteriza a finalização do processo produtivo. (...) 1.3) Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.4) Fretes na aquisição de insumo importado. (...) As aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, está sujeita à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento do Contribuinteimportador, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.5) Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. (...) Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 6 5 O Arroz em Casca é matéria básica de nossa industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. A logística de transporte desta matéria prima obedece a dois procedimentos alternativos: a) vem diretamente dos produtores rurais estabelecidos no Estado do Rio Grande do Sul para a unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG; b) é armazenado na filial estabelecida no Rio Grande do Sul, para posterior remessa à unidade Matriz do Contribuinte. Em ambos os procedimentos o destino final é o mesmo, ou seja, a entrega da matéria prima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. O insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, critério adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.6) Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. (...) Para melhor entendimento, fazse necessário individualizar cada transferência da filial para a matriz, por natureza: (...) 1.6.a) Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz: No tocante à transferência de arroz semielaborado, ou na expressão do I. Auditor "produto inacabado", da filial de Capivari do Sul para a matriz em Minas Gerais, o I. Auditor Fiscal procedeu a glosa do crédito fiscal sob o argumento de Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 7 6 não tratarse de frete contratado para entrega de produto acabado diretamente aos clientes adquirentes. Não pode prevalecer o posicionamento adotado pelo I. Auditor, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) I.6.b) Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz: (...) Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. Portanto, são efetivas despesas inerentes diretamente às operações de venda, cujo ônus foi suportado pelo Contribuinte. (...) I.6.c) Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 8 7 1.7) Fretes em transferências não identificadas (Transferências de Embalagens). (...) Embora o I. Auditor Fiscal tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os CTRCs incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". (...) Ora, se o custo total do "insumo embalagem" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: matéria prima, materiais intermediários e a própria embalagem. (...) 1.8) Fretes na compra de insumos de PJ com alíquota zero. (...) As aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, estão sujeitas à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial do Contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total da mercadoria e/ou matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (mercadoria e/ou matériaprima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 9 8 Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.9) Fretes nas compras de insumos de PJ com suspensão da contribuição. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, considerando que os insumos não foram tributados pelas contribuições (suspensão), também os fretes na aquisição dos mesmos não geram direito ao crédito. Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que a aquisição da referida matéria prima (arroz em casca) gera direito ao crédito presumido, conforme já citado. Portanto, sendo a aquisição passível de creditamento das contribuições, o correspondente serviço de transporte (frete) também gera direito ao crédito, por integrar o custo de aquisição. (...) 1.10) Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.11) Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Tratamse de serviços de transporte (fretes) referentes as seguintes operações: a) Compras de material de uso e consumo Vr. R$ 506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$ 5.040,00 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20; (...) Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que os referidos serviços de transporte (fretes) encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 10 9 portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. (...) 1.12) Despesas com reajustes de fretes (20%). Referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios, cuja respectiva base de cálculo está demonstrada na fl. 737, conforme Anexo I Parte B, pag. 1/4, do Termo de Verificação Fiscal item "glosa obs 16" no valor de R$ 129.684,04. II) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ: Referemse às operações de compra de "arroz em casca" efetuadas junto à pessoas jurídicas. O I. Auditor Fiscal procedeu a glosa dos referidos créditos, sob o argumento de que, estando a operação com tributação suspensa, não gera direito ao crédito de PIS e COFINS. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. Assim, nas referidas aquisições o Contribuinte pode apropriar se do credito presumido equivalente a 35% das alíquotas aplicáveis ao PIS e a COFINS, ou seja: 0,5775% > (35% de 1,65%) aplicável ao PIS 2,6600% > (35% de 7,60%) aplicável à COFINS (...) III) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre vendas: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. A DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos, procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 02045.066. Em síntese, o provimento foi parcial em relação aos seguintes itens: a) Fretes nas compras de Pessoa Física (arroz em casca); b) Fretes na compra de insumos de Pessoa Jurídica com suspensão da contribuição (produtos agropecuários); c) Despesas com reajustes de fretes (20%); e d) Itens classificados pelo contribuinte como “Fretes” sobre aquisição de Matéria Prima de PJ. Todos estes valores se referem a dispêndios passíveis de gerar crédito presumido de PIS e COFINS, no entender da Turma julgadora, motivo pela qual o cálculo desses créditos se deu da mesma forma como seria o cálculo do crédito presumido do próprio Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 11 10 insumo, ou seja, apenas no percentual de 35% das alíquotas de 1,65% (Pis/Pasep) e 7,6% (Cofins). Em relação aos demais itens objeto da Manifestação, as glosas foram mantidas. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pugnando pela improcedência de praticamente todas as glosas mantidas pela DRJ/BHE, inclusive aquelas relacionadas aos itens em que obteve decisão procedente em parte, excetuando apenas os tópicos referentes a "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ" e "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre Vendas". Nesta peça processual, limitouse a repisar exatamente os mesmos argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.234, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.722999/201142, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.234): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre Compras: I.1 Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados para envio das matérias primas (arroz em casca) adquiridas de pessoas físicas à unidade industrial para beneficiamento. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 12 11 Alega que o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado ao valor do serviço de transporte (frete) contratado. Em seu entendimento, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), seria "óbvio" que a parte que foi tributada (frete) deveria compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do frete referente ao transporte de suas aquisições de bens para revenda ou de insumos produtivos teria creditamento de forma autonôma em relação a tais bens, pois também seria um "insumo" do processo produtivo: Portanto, definição do termo "insumos" necessita levar em consideração as realidades operacionais de cada atividade, seja comercial, industrial ou de serviços. A não aplicação do termo "insumos" significa desconsiderar todo um universo de custos e despesas, sem os quais não é possível gerar a receita alcançada pela exigência de PIS/COFINS e, consequentemente, proceder à comercialização de mercadorias. Entretanto, o entendimento do Recorrente não procede. Não há previsão legal para o crédito sobre os fretes nas aquisições, apenas sobre o frete nas operações de venda, como se depreende da legislação de regência: Lei nº 10.833, de 29 de Dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 13 12 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Todavia, de acordo com os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR99), os custos com o transporte (frete) também devem estar compreendidos no custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda e no custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção. Assim, de forma indireta, não autônoma, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, em decorrência da permissão legal contida nos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000/1999. Ocorre que o valor desse crédito do frete tem que ser calculado juntamente com o cálculo do crédito referente ao bem que foi transportado, acrescendose ao valor pago pelo bem o valor do frete e, assim, obtendose o custo de aquisição. Sobre esta valor devem incidir as alíquotas do PIS e da Cofins. Consequentemente, se a incidência das contribuições sobre o bem adquirido está suspensa, ou se incidem à alíquota Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 14 13 zero, ou se o crédito é concedido sob a forma presumida, o mesmo ocorrerá com o crédito referente ao valor do frete, porque não se trata de dois créditos distintos, mas de um único crédito, referente ao custo de aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo, como bem destacou a Autoridade Fiscal autuante: 15) Para gerar direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo, é necessário que o valor do frete na compra esteja vinculado a um insumo cuja aquisição gerou crédito, quer seja básico ou presumido. Por conseqüência, o valor do crédito gerado pela despesa com frete na compra tem a mesma natureza e segue a mesma sistemática de cálculo do crédito gerado pelo bem cujo custo ele compôs, quanto a se tratar de crédito básico ou presumido. O recorrente, no entanto, tem entendimento distinto, como se pode extrair dos seguintes excertos do seu Recurso Voluntário: Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. (...) Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Como se depreende de suas afirmações aqui colacionadas, o Recorrente entende que os cálculos do crédito são distintos: um referente à aquisição do bem, que se dá de forma presumida; e outro para o crédito sobre o frete referente a esse mesmo bem, que deve se dar "pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes". Portanto, o Recorrente não pretende adicionar o valor do frete ao custo de aquisição, mas sim descontar integralmente as contribuições incidentes sobre o frete, como se fosse crédito básico. O valor das contribuições incidentes sobre o frete nas operações de venda pode ser descontado dessa forma porque existe previsão legal para tanto, porém o mesmo não ocorre com o frete nas aquisições. Este não tem crédito autônomo, ao passo que aquele sim. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 15 14 Concluise, portanto, que, se para as aquisições da matéria prima "arroz em casca", de Produtor Rural pessoa física, a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, o crédito referente ao frete desse insumo deve ser calculado da mesma forma. Logo, correta a decisão de piso que considerou devido o crédito relativo ao frete, porém apenas no percentual de 35%, aplicado às respectivas aquisições na apuração do crédito presumido. I.2 Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Alega o Recorrente que o processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo, pois para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. A Autoridade Fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal, descreve a natureza do serviço de transporte: 20) Tratase de fretes contratados pelo contribuinte para retorno ao seu estabelecimento de arroz de sua propriedade que fora remetido em casca ao estabelecimento de outra empresa, onde passou por processo de perboilização. Como se verifica, tratase de operação diretamente vinculada ao processo produtivo do Recorrente. Considerando que tais remessas para industrialização por encomenda são essenciais para a produção do produto final, o frete na remessa dos produtos para essa industrialização integra o custo da produção. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos aos custos com industrialização por encomenda, nesse caso, o frete. Assim, voto por restabelecer o crédito glosado. I.3 Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 16 15 Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1 (...) I.5 Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de insumo da filial para a matriz. Alega que o Arroz em Casca é matéria básica para industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. Sua logística de transporte segue dois procedimentos alternativos, sendo que em ambos o destino final é o mesmo, a entrega da matériaprima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. A Autoridade Fiscal sustenta que são se trata de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e tampouco de frete na operação de venda do produto acabado. Logo, não haveria previsão legal que autorizasse o creditamento, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico tratarse de serviço de transporte essencial ao processo produtivo da empresa, devendo ser concedido o direito ao crédito. Com efeito, os produtores de arroz que fornecem a matériaprima para o Recorrente encontramse em diversas localidades espalhadas pelo Estado do Rio Grande do Sul. Estando esse material armazenado inicialmente em unidades (filiais) da Recorrente, e sendo o frete em questão utilizado para transportar esse material até sua matriz, para fins de industrialização, não há mais que se falar em frete na aquisição de insumos, muito menos de frete em operações de venda, mas sim de serviço essencial ao seu processo produtivo, a caracterizarse como insumo, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Se o modelo produtivo do Recorrente, a tornála viável economicamente, se baseia na existência de uma unidade industrial central, a qual recebe sua matériaprima estocada em diversas unidades da empresa, o frete entre estes estabelecimentos da Recorrente é essencial à produção, sendo insumo desta. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito. 1 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 17 16 I.6 Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. I.6.a Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Alega que não pode prevalecer o posicionamento adotado pela Fiscalização, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. Sustenta a Autoridade Fiscal que as operações se referem a fretes empregados no transporte interno de produtos inacabados, produtos acabados e subprodutos que são levados de um estabelecimento ao outro da mesma empresa. Logo, não se tratando de despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador), referidas despesas não poderiam gerar direito a créditos das contribuições, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico, à semelhança do item anterior, tratarse de serviço essencial ao processo produtivo da empresa, devido à necessidade do produto ainda em elaboração ser transportado até outra unidade da empresa para as etapas finais de sua industrialização, devendo ser concedido o direito ao crédito. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito em relação ao frete na transferência de produto em elaboração. I.6.b Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz Questão semelhante à tratada no item precedente, com a diferença de que aqui tratase de produto acabado, e não de produto em elaboração. Sendo frete relativo ao transporte de produto já acabado, não há como tratar este serviço como insumo do processo produtivo, tendo em vista que este já se encontra encerrado. Alega o Recorrente tratarse de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 18 17 por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Afirma ainda que essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. O argumento do Interessado, no entanto, é improcedente. Não há como entender que este frete estaria caracterizado como "frete na operação de venda", pois a venda ainda nem sequer ocorreu. Conforme afirmação do próprio Recorrente, tratase apenas de uma movimentação de produtos por questões logísticas, de praticidade e de tempo, a fim de deixálos mais próximos do mercado consumidor (clientes): Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Portanto, não se trata de uma movimentação por conta de uma venda realizada, mas apenas para deixar os produtos mais próximos do mercado consumidor, até mesmo para facilitar uma venda futura. Além disso, apesar de afirmar que se trata de uma etapa da operação de venda, o Recorrente não apresenta qualquer prova de que a venda dos produtos transportados já tenha ocorrido; pelo contrário, afirma que se trata de "ciclo mediato de comercialização superveniente à produção". Não foram trazidas aos autos notas fiscais de venda nem conhecimentos de transporte que pudessem comprovar que os bens movimentados já estavam vendidos anteriormente. Nesse contexto, voto por manter a glosa dos referidos créditos. I.6.c Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 19 18 1.7 Fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial. Alega o Recorrente que, embora a Fiscalização tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os "CTRC's" incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". Conforme análise anterior, no item sobre "Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz", caso os fretes aqui discutidos se referissem realmente a "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, o Recorrente teria direito ao crédito, por se configurar como um serviço essencial a uma etapa do processo produtivo, no caso, o empacotamento do produto acabado. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova referente à natureza do frete utilizado. Observese que, desde a realização do procedimento fiscal a Autoridade Tributária já se ressentia da ausência de documentos capazes de permitir a identificação das operações, deixando tal fato consignado no Termo de Verificação Fiscal. Tratandose de pedido de ressarcimento, incumbe ao Recorrente fazer prova das suas alegações, o que não ocorreu. Assim, diante da ausência de elementos probatórios, mantenho a glosa dos créditos. 2 (...) 1.10 Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1.11 Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Afirma o Recorrente que tratamse de fretes referentes às seguintes operações: a) compras de material de uso e consumo Vr. R$506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$5.040,00 2 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 20 19 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20. Alega que a Fiscalização equivocouse em não considerar que os referidos fretes encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. Material de uso e consumo, de maneira geral, não são essenciais à área de produção, estando mais relacionados com setores administrativos; ativo imobilizado não gera crédito das contribuições de forma direta, devendo ser ativado e posteriormente ocorrer o creditamento sobre os encargos de depreciação, e ainda assim caso o bem imobilizado esteja sendo utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; e mercadorias não especificadas não geram direito ao crédito das contribuições pela impossibilidade de identificar sua natureza. Nesse contexto, voto pela manutenção da glosa efetuada. 1.12 Despesas com reajustes de fretes (20%), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável A Autoridade Fiscal identificou que no mês de março/2007 a transportadora TRANSCODIL emitiu os CTRC nº 770 e 47911 a título de reajuste de 20% sobre os valores de alguns fretes, totalizando R$ 129.684,04 (conforme Anexo I Parte B do TVF). Esses valores de reajuste foram considerados pelo contribuinte como base para créditos de PIS/Cofins em DACON. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso, pelas razões aqui expostas nos itens aos quais correspondem. Alega o Recorrente, na Manifestação de Inconformidade, que estas despesas referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios. No Recurso Voluntário, limitouse a repisar exatamente o mesmo argumento, nada acrescentando. A DRJ/BHE decidiu que a parte do crédito relativa aos itens cuja glosa foi mantida, também deve ser glosada; por outro lado, os créditos relativos aos itens I.1 e I.9, cujos créditos foram parcialmente reconhecidos, devem ser mantidos, no percentual de 35% das contribuições, conforme foi mantido o crédito sobre os respectivos fretes. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso. O Recorrente não apresentou os CTRC nº 770 e 47911, ou qualquer outro documento que possibilitasse identificar a natureza do frete que Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 21 20 estava sendo reajustado. Dessa forma, não é possível sequer confirmar se o frete parcialmente aceito pela DRJ/BHE foi objeto deste reajuste. Não havendo qualquer prova adicional, não há elementos para alterar o quanto decidido pela instância de piso. Assim, voto por manter as glosas no mesmo percentual de 65%. (...) Serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão) 3Em primeiro lugar, há se de considerar que o custo de aquisição é composto pelo valor da matéria prima (MP) adquirida e pelo valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial da contribuinte (adquirente). Assim, uma vez que o custo total é composto por uma parte não tributada (MP) e outra parte integralmente tributada (frete), a parcela tributada (frete) compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições. Logo, há de se assentir que o frete enseja direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Os fretes na aquisição de insumo importado, por seu turno, consistentes nas aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, estão sujeitos à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento da contribuinte (importadora), onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das prefaladas contribuições. Tal insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado na técnica do custo por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições em apreço. Assim, é possível se afirmar que, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi oferecida à tributação (frete), a parcela do frete compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS e, logo, enseja direito ao crédito, bem como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Por fim, igual vetor argumentativo move as aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, que estão sujeitas à 3 Entendimento vencedor nas questões nele abordadas. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 22 21 tributação das contribuições com alíquota zero, não controvertendo as partes a este respeito. Ocorre que, da mesma forma, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial da contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das referidas contribuições e, logo, compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, ensejando idêntico direito ao crédito. Logo, uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Neste sentido, ademais, o Acórdão CARF nº 3401005.170, proferido em sessão de 24/07/2018, de minha relatoria, que decidiu, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa, desde que não se vislumbre suspensão da incidência das contribuições na venda. COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. Assim, voto por dar provimento também para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão)." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10665.723002/201171 Acórdão n.º 3401005.237 S3C4T1 Fl. 23 22 transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1016DF CARF MF
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