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Numero do processo: 10469.900511/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1302-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 91 1 90 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.900511/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.070 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Sendo o saldo negativo indicado em pedido de compensação composto de parcela de IRRF e não possuindo, o contribuinte, o informe de rendimento, é dever desse a apresentação de documentação para comprovação do seu direito creditório. O ônus de desconstrução do que restou decido em Despacho Decisório é do contribuinte e sempre através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 05 11 /2 01 0- 60 Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte Companhia Energética do Rio Grande do Norte ora Recorrente, transmitiu PerDcomp, na qual, como consta do acórdão recorrido, pretendia utilizar de "crédito de saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 5.788.462,60, com origem no período de apuração encerrado em 31/12/2004", para quitar débito de sua responsabilidade. Contudo, em despacho decisório exarado, contatouse a inexistência da totalidade do crédito indicado no pedido de compensação, tendo em vista que não identificou se a integralidade dos crédito de IRRF que compunha aquele saldo negativo. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, o Recorrente alegou, em síntese, como se observa do acórdão proferido pela DRJ no Recife (PE) que "utiliza, como dedução na apuração do IRPJ, as antecipações apresentadas no sistema da empresa com o status de arrecadadas, de forma a assegurar que seus clientes, os órgãos públicos e as demais entidades (Lei n.º 10.833, de 2003) farão o recolhimento dos tributos retidos, procedimento que, contudo, não pode gerar distorções para a Receita Federal." Para corroborar com os seus argumentos, o Recorrente apresentou, além dos documentos constitutivos e de representação, apenas uma solução de Consulta que foi formulada por outro contribuinte (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), na qual a administração fazendária esclarece que "na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos" (fl. 19 e seguintes). Contudo, entendendo que o contribuinte não comprovou de forma correta o seu direito creditório, a DRJ no Recife (PE) indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 PROVAS DOCUMENTAIS. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Conforme preconiza o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, é na impugnação que as provas documentais devem ser apresentadas, precluindo o direito de fazêlo posteriormente, salvo se ocorrentes as hipóteses excepcionais previstas nas alíneas do mesmo parágrafo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Em seu apelo, junta aos autos tabela com os "tributos retidos na fonte ano 2014" e solução de consulta por ele formulada, em que a SRRF da 4ª Região Fiscal chega às mesmas conclusões que foram apresentadas na anterior solução de consulta acostada aos autos pelo Recorrente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10469.900511/201060 Acórdão n.º 1302003.070 S1C3T2 Fl. 92 3 Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR, em 19/07/2012 (fl. 62 e 63), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 16/08/2012 (comprovante de fl. 76), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2004, que tinha em sua composição IRRF que, supostamente, foi retido e recolhido por órgãos públicos. Tendo em vista a falta de informe de rendimentos para comprovar a parcela de IRRF que compunha aquele saldo negativo, argumentou, arrimado em Soluções de Consulta exaradas pela Receita Federal do Brasil, que seu direito creditório poderia ser comprovado com outros documentos, notadamente com os registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora. Contudo, mesmo sabendo que, na ausência dos informes de rendimentos, deveria comprovar o direito creditório com outros documentos, o Recorrente não trouxe aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, qualquer documento para comprovar o seu direito. Em Recurso Voluntário, como mencionado, além de outra Solução de Consulta, que, desta vez, foi formulada pelo próprio Recorrente, este acostou aos autos apenas uma planilha denominada "TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE ANO 2004" (fl. 71). Contudo, em total contradição ao que restou decidido nas soluções de consulta, que a própria defesa invoca, o Recorrente não apresentou nenhum dos documentos que aquelas soluções dizem como necessários para comprovação do direito creditório de IRRF, em substituição aos informes de rendimentos. Como sabido, em atenção ao princípio da verdade material, no processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi Fl. 93DF CARF MF 4 alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Contudo, mesmo com esse direcionamento que o Princípio da Verdade Material dá ao procedimento administrativo fiscal, não se pode perder de vista que o ônus para comprovar as alegações, em especial o direito creditório, é do contribuinte, ainda mais quando tem resposta de consulta formulada à Receita Federal do Brasil neste sentido. É ilógico pensar que, mesmo sabendo que, para comprovar o seu direito creditório, deveria ser apresentada documentação específica, o contribuinte não fornece essa documentação e, ao mesmo tempo, alega que tem direito ao crédito com base no entendimento exarado pela Receita Federal de que a comprovação deve se dar com a apresentação daqueles documentos. Não se pode perder de vista, inclusive, que as decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grande parte, vão ao encontro do que restou consignado nas respostas das consultas formuladas pela Receita Federal do Brasil, ou seja, admitese a comprovação com outros meios do direito creditório, em detrimento do informe de rendimentos. Entretanto, é ônus do contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, o seu direito creditório. Neste sentido, vejase ementa de julgado proferido pelo CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções (DIRF). APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. CONDIÇÕES. Para que as deduções a título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, fazse necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10469.900511/201060 Acórdão n.º 1302003.070 S1C3T2 Fl. 93 5 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Número do Processo 10880.015062/9707 Acórdão nº 1301001.847 Sessão de 08/12/2015). Ocorre que, no presente caso, como mencionado, o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar o seu direito creditório apresentou, tãosomente, planilha por ele elaborada, em que supostamente constam os valores que foram retidos e recolhidos pelas fonte pagadoras (órgão públicos) a título de IRRF. Além desta planilha, não há mais nenhum documento nos autos, tais como demonstrações contábeis, faturas e/ou notas fiscais e os comprovantes dos valores creditados em conta bancária, que pudessem, de alguma forma, ratificar as informações constante na planilha elaborada pelo contribuinte. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ no Recife (PE). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722984/2015-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO.
Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Valores recebidos a outro título sujeitam-se à tributação.
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO APÓS O LANÇAMENTO.
Constatado que o contribuinte fazia jus às deduções comprovadas, deve-se autorizar a sua inclusão, respeitados os limites legais, mesmo após o início do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as deduções no montante de R$ 6.680,33 (seis mil seiscentos e oitenta reais e trinta e três centavos).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Valores recebidos a outro título sujeitam-se à tributação. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO APÓS O LANÇAMENTO. Constatado que o contribuinte fazia jus às deduções comprovadas, deve-se autorizar a sua inclusão, respeitados os limites legais, mesmo após o início do procedimento fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as deduções no montante de R$ 6.680,33 (seis mil seiscentos e oitenta reais e trinta e três centavos). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Valores recebidos a outro título sujeitamse à tributação. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO APÓS O LANÇAMENTO. Constatado que o contribuinte fazia jus às deduções comprovadas, devese autorizar a sua inclusão, respeitados os limites legais, mesmo após o início do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as deduções no montante de R$ 6.680,33 (seis mil seiscentos e oitenta reais e trinta e três centavos). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 29 84 /2 01 5- 87 Fl. 111DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos e glosa de IRRF indevidamente compensado. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ São Paulo. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 84/94. Em síntese, informa que recorreu ao Órgão concessor da reforma, solicitando seja considerada a retroatividade do benefício. Pede o sobrestamento do processo. Entende que faz jus a deduções legais (despesas com dependente, educação e saúde), não declaradas originariamente na DIRPF, que solicita sejam incluídas em sede de revisão de ofício. É o relatório. Voto José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O processo encontrase devidamente instruído para julgamento, não se justificando seu sobrestamento. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10730.722984/201587 Acórdão n.º 2001000.507 S2C0T1 Fl. 3 3 moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Depreendese da leitura dos dispositivos que somente são alcançados pela isenção os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Demais rendimentos, de outra natureza, devem se sujeitar à regra geral de tributação. No presente caso, para o anocalendário tratado, os rendimentos recebidos pelo contribuinte não se enquadram no conceito de aposentadoria, reforma ou pensão, haja Fl. 113DF CARF MF 4 vista que a concessão de sua reforma só ocorreu em 20/01/95, conforme cópia de Diário Oficial da União juntado pelo próprio recorrente. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. 13º SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. O recorrente insurgese contra a glosa do IRRF. Informa que o valor glosado corresponde ao imposto retido por ocasião do pagamento do décimo terceiro salário. Cumpre informar que o 13º Salário sujeitase à tributação exclusiva na fonte, não sendo passível de compensação na Declaração de Ajuste Anual, haja vista tratarse de tributação definitiva. Por estas razões, há de ser mantida a glosa efetuada a este título. DEDUÇÕES LEGAIS. O recorrente reivindica utilizarse das deduções legais com dependente, educação e saúde. Solicita a revisão do lançamento, para inclusão destas despesas, que não foram originalmente declaradas na DIRPF. Na decisão de primeira instância, a autoridade julgadora indeferiu o pedido, ao argumento de que estas despesas, de declaração facultativa, não podem ser aceitas após o lançamento. Com a devida vênia, discordo do entendimento. Em primeiro lugar, há que se analisar se o recorrente faz jus e comprova as despesas que pretende incluir. Atendidos os requisitos, entendo que não há óbice a sua aceitação, até porque estas não foram objeto de tratamento anterior e não haverá oportunidade futura para o contribuinte se aproveitar destas deduções. Em consequência, entendo que o contribuinte faz jus e comprovou as seguintes despesas, que devem ser consideradas no lançamento: Despesas com Dependentes. Comprovou a relação de dependência (esposa). Por esta razão acato a dedução no limite legal, R$ 1.974,72. Despesas com Educação. Comprovou que realizou despesas próprias com instituição de ensino superior. Por esta razão acato a dedução no limite legal, R$ 3.091,35. Despesas médicohospitalares: Total das despesas médicas aceitas: R$ 1.614,26. a) Fundo do Exército: Acato a despesa solicitada, cujo valor coincide com o Informe de Rendimentos da Fonte Pagadora: R$ 374,26. b) Hospital das Clínicas de Niterói: R$ 800,00. c) UNIC Dentária – Roberta de Freitas Tuche: R$ 440,00 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10730.722984/201587 Acórdão n.º 2001000.507 S2C0T1 Fl. 4 5 Em relação ao pedido de inclusão de despesas com ASCIBRAS/UNIMED, salientese que não pode ser aceito, nos termos da legislação, haja vista que somente são dedutíveis as despesas cujo ônus tenha sido suportado pelo declarante. Conforme comprovante anexado aos Autos, referido plano de saúde tem como titular pessoa jurídica, de forma que deve ser indeferida esta dedução. Desta forma, devese alterar o lançamento para acatar as deduções de despesas no montante de R$ 6.680,33. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento parcial, para o fim de aceitar a dedução de despesas no valor de R$ 6.680,33, conforme explanado acima. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000166/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRRF. COMPOSIÇÃO SALDO NEGATIVO.
Estando comprovado nos autos que o contribuinte sofreu a retenção de IRRF decorrente de rendimentos financeiros e que reconheceu em sua contabilidade e na DIPJ este rendimento, os levando à tributação, o direito creditório deve ser reconhecido.
Numero da decisão: 1302-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que foi substituído no colegiado pelo conselheiro (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimento) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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COMPOSIÇÃO SALDO NEGATIVO. Estando comprovado nos autos que o contribuinte sofreu a retenção de IRRF decorrente de rendimentos financeiros e que reconheceu em sua contabilidade e na DIPJ este rendimento, os levando à tributação, o direito creditório deve ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que foi substituído no colegiado pelo conselheiro (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimento) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 01 66 /2 00 9- 78 Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Através de pedido de compensação transmitido pelo ora Recorrente, Empresa Gontijo de Transporte Ltda., pretendeuse quitar débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ (AC 2005). Nos termos do despacho decisório de fl. 96, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SP) reconheceu quase que a totalidade do crédito tributário requerido pelo contribuinte. A parcela não reconhecida, por ausência de comprovação (informe de rendimentos), se refere a IRRF no valor de R$8.802,73 (R$227.843,52 R$219.040,79). Devidamente intimado do despacho decisório proferido, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual afirma que "certamente a diferença se refere a imposto de renda retido na fonte pelo Banco do Brasil S/A da empresa Transportes Rodoviários M. Sul Ltda., CNPJ nº 02.147.010/000180, no mês de Junho de 2005, empresa esta que foi incorporada pelo contribuinte, em maio de 2005, (...)". Com base na documentação acostada aos autos junto com a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente aduz que o valor retido pela instituição financeira da entidade incorporada seria de R$8.752,06 e que a ausência de comprovação ou identificação deste crédito se deu porque, "certamente a DIRF enviada pela instituição financeira também informou que os rendimentos e o IRF em questão se referem ao Transportes Rodoviários M. Sul Ltda.". Contudo, alega que a sua contabilidade "reconheceu o rendimento e o imposto de renda na fonte, conforme cópia do Diário e Razão, (...)". Desta feita, requereu, o Recorrente, o reconhecimento do seu direito creditório. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do Recorrente, uma vez que, no entendimento daquele colegiado, o direito creditório não foi devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos. Intimado do inteiro teor do acórdão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e junta aos autos, além da documentação anteriormente apresentada, informe de rendimentos emitido pelo Banco do Brasil, em nome da empresa Transportes Rodoviários M. Sul Ltda. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência do acórdão recorrido no dia 09/12/2013 (fl. 168), apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 06/01/2014 (fl. 170 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16306.000166/200978 Acórdão n.º 1302003.129 S1C3T2 Fl. 220 3 Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO Como relatado acima, ao analisar os PerDcomp's de restituição e compensação apresentados pelo contribuinte, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil não reconheceu parte mínima do crédito indicado, relativo ao IRRF. O valor não reconhecido foi de R$8.802,73. O contribuinte, por sua vez, argumentou que o crédito não reconhecido seria relativo à retenção sofrida pela empresa Transportes Rodoviários M. Sul Ltda. do Banco do Brasil, tendo em vista receitas auferidas de aplicações junto àquela instituição financeira. A Recorrente argumentou e comprovou, ainda, que incorporou a referida empresa de Transportes e que o valor das receitas financeiras foi devidamente levado à tributação. De fato, com toda venia, ao contrário do que decidiu a DRJ no acórdão recorrido, como se denota da documentação acostada aos autos, o direito creditório do contribuinte restou devidamente comprovado. Primeiro, consta dos autos às fls. 135 e seguintes, os documentos societários que comprovam a incorporação da empresa Transportes Rodoviários M. Sul Ltda. pela Recorrente, bem como o "instrumento de extinção" daquela empresa (fl. 144). No que tange ao direito creditório, o Recorrente, através de cópia do livro diário acostado aos autos (fls. 186 e seguintes), comprovou que (i) contabilizou o resgate da aplicação no valor de R$500.000,00, (ii) reconheceu contabilmente o rendimento financeiro no valor de R$42.142,22 oriundo de aplicação no Banco do Brasil e que (iii) contabilizou o valor de R$8.752,06, relativo ao IRRF retido pelo Banco. Por outro lado, na DIPJ acostada aos autos (fl. 17), resta demonstrado que foram reconhecidas receitas financeiras no valor de R$2.706.039,38 (Ficha 6A, Linha 24). Não se pode perder de vista, inclusive, que as decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grande parte, vão ao encontro do que restou aqui afirmado, ou seja, admitese a comprovação com outros meios do direito creditório, em detrimento do informe de rendimentos, sendo ônus do contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, o seu direito creditório. Neste sentido, vejase ementa de julgado proferido pelo CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1993 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. Fl. 221DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções (DIRF). APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. CONDIÇÕES. Para que as deduções a título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, fazse necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Número do Processo 10880.015062/9707 Acórdão nº 1301001.847 Sessão de 08/12/2015). Contudo, como se não bastasse a documentação juntada aos autos quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte acostou aos autos "Informe de Rendimentos" (fl. 185) emitido pelo Banco do Brasil em nome da empresa Transportes Rodoviários M. Sul Ltda., no qual pode se verificar que houve a retenção, no mês de Junho/2005, de IRRF no valor de R$8.752,06. Não há dúvidas portanto do direito creditório do contribuinte, que, ao contrário do que restou decidido pela instância julgadora a quo, está devidamente comprovado nos autos. Assim, DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Recorrente, para, reformando a decisão administrativa que analisou os pedidos de restituição e compensação e o acórdão proferido pela DRJ de São Paulo, reconhecer o direito creditório no valor de R$8.752,06 (oito mil setecentos e cinquenta e dois Reais e seis centavos), nos exatos termos comprovados pelo contribuinte no presente processo. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16306.000166/200978 Acórdão n.º 1302003.129 S1C3T2 Fl. 221 5 Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720655/2014-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS COM EDUCAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos de despesas com educação, devidamente comprovados, nos termos da legislação tributária, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720655/201407 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.672 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente LUCINDA ULKOWSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DESPESAS COM EDUCAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos de despesas com educação, devidamente comprovados, nos termos da legislação tributária, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, onde foi glosada dedução de despesas com instrução, no valor de R$ 2.720,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 06 55 /2 01 4- 07 Fl. 145DF CARF MF 2 A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Salvador. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 115. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das deduções efetuadas. Foi anexada à f. 118, Declaração da Escola Monteiro Lobato, com relação dos pagamentos efetuados, decorrentes de despesas com instrução da dependente da recorrente. Às f. 119 e ss., foram juntados comprovantes de pagamentos de boletos relativos às referidas despesas. Assim, as razões apontadas no lançamento e pela decisão de primeira instância foram supridas com os documentos trazidos com o recurso voluntário. Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10494.000490/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
INCIDÊNCIA CIDE-COMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO.
A Lei n° 10.336. de 19 de dezembro de 2001. prevê a incidência da CIDE- combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies.
DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DO PRESENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A autoridade lançadora confirmou a ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos a quatro importações.
A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada.Ano-calendário: 2000
Numero da decisão: 3302-005.923
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INCIDÊNCIA CIDE-COMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO. A Lei n° 10.336. de 19 de dezembro de 2001. prevê a incidência da CIDE- combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DO PRESENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A autoridade lançadora confirmou a ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos a quatro importações. A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada.Ano-calendário: 2000
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INCIDÊNCIA CIDECOMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO. A Lei n° 10.336. de 19 de dezembro de 2001. prevê a incidência da CIDE combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DO PRESENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A autoridade lançadora confirmou a ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos a quatro importações. A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada.Anocalendário: 2000 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 04 90 /2 00 6- 97 Fl. 393DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório O auto de infração sob julgamento lançou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de que trata o art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, incidente sobre o valor da importação de gás propano e de gás butano, acrescida de juros de mora e multa de oficio, perfazendo, na data da lavratura do Auto de Infração que constituiu o lançamento, o crédito tributário no valor de R$ 39.791.923,03. Aproveitase o RELATÓRIO do Acórdão de Recurso Voluntário. Tratase de retorno de diligência, que teve como origem o auto de infração para o lançamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustíveis. Do auto de infração, fls. 04/18, extraemse as seguintes informações: A autuada foi importadora contumaz de gases liquefeitos de petróleo, classificados na posição 2711 da Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM da Tarifa Externa Comum — TEC, até o final do ano de 2005. Entre esses gases, figuram o propano comercial (NCM 2711.12.10) e o butano comercial (NCM 2711.13.10). De janeiro a outubro de 2002, a autuada submeteu a despacho 73.691,539 t de propano e 94.435,164 t de butano, por meio das declarações de importação (DI) discriminadas nas tabelas abaixo, registradas nas datas correspondentes abaixo indicadas. (...) Ocorre que a empresa importadora não promoveu o pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Cide — combustíveis, instituída pela Lei no 10.336 de 19 de dezembro de 2001, e normatizada pelas Instruções Normativas SRF n° 107, de 28 de dezembro de 2001 e no 219, de 10 de outubro de 2002 (atualmente normatizada pela IN SRF n° 422, de 17 de maio de 2004). A contribuinte apresentou, então, impugnação administrativa, fls. 62 e seguintes, onde arguiu em síntese: Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 3 3 Autuação em duplicidade das DI's, a Impugnante afirma que a maior parte das DIs, destacadas pela autoridade fiscal no auto de infração em referência já foram objeto de autuação em outros autos de infração; No mérito: Afirma que a IN SRF 107/01 não prevê a incidência da CIDE sobre a importação de propano e butano, mas tão somente sobre a importação do GLP e seus derivados, e que a IN SRF 219/02, que expressamente prevê a incidência da CIDE sobre as importações de gases propano e bntano, foi editada em 10 de outubro de 2002, de maneira que a norma não poderia regular os fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição; Sustenta que na Lei n° 10.336/01 não há referência expressa ao propano e ao gás butano em sua forma bruta e que, nos exatos termos do art. 3° da Lei 10.336/01, a única hipótese legal para incidência da CIDE sobre gases faz referência expressa e exaustivamente ao Gás Liquefeito de Petróleo GLP, seja ele derivado de petróleo, gás natural ou nafta; Suscita que também a IN 107/01 não fez referência expressa ao propano e ao butano, restringindose, quanto aos produtos tributados, aos limites impostos vela Lei. Assim, as importações realizadas pela Petrobrás, no período de janeiro a outubro de 2002, foram levadas a cabo sem o recolhimento da CIDE, ante a inegável falta de previsão legal e normativa para tanto; Em 10 de outubro de 2002, ao arrepio de todo o nosso sistema de normas, editou a Instrução Normativa n. 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa n. 107/01 e a IN 219/2002 ato administrativo extrapolou os limites impostos pela Lei 10.336/01, aumentando as hipóteses de incidência da CIDE para importações de gases diversos do GLP, único gás cuja exação da CIDE em sede de importação e comercialização possui amparo legal e que teve efeitos retroativos; Ela faz a diferenciação entre o gás liquefeito de petróleo produto da mistura de gases e o propano e butano gases liquefeitos em forma bruta , o que impede a tributação pela CIDE das operações envolvendo estes dois últimos produtos. O propano e o butano comerciais são produtos bastante purificados, que possuem especificações próprias e são utilizados comumente como combustíveis industriais, aerossóis e maçaricos de corte e solda. Já o GLP constitui uma mistura genérica de hidrocarbonetos C3 e C4 (com 3 e 4 átomos de carbono), que deve atender a uma determinada especificação, cuja utilização principal é como gás de cozinha; Afirma que a própria Nomenclatura Comum do Mercosul diferencia o GLP do propano e do butano; Defende que a disposição legal de incidência da CIDE sobre a importação de gás liquefeito de petróleo, prevista no inciso V do Fl. 395DF CARF MF 4 art. 3°. da Lei 10.336/01 somente autoriza a incidência do tributo sobre o gás liquefeito de petróleo, mais conhecido como GLP, independentemente de ser tal combustível proveniente do petróleo, do gás natural ou da nafta. Conclui que resta inconteste a ilegalidade da disposição contida na Instrução Normativa SRF 219/2002, que amplia os limites da lei e determina a incidência do tributo sobre gases diversos daquele descrito na norma legal; Insurgese contra a retroatividade da Instrução Normativa 219, de 10 de outubro de 2002, por considerar afronta à Constituição Federal; Postula pela observância do Princípio da Legalidade; Afirma que a multa de 75% é inconstitucional e ilegal e que a atualização deve ocorrer pela TR e não pela SELIC; A DRJ/Florianópolis propôs a realização de uma diligência, fls. 171, para verificar o seguinte: Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 55 a 75, onde requer, em sede de preliminar, a desconstituição de parcela do crédito tributário neste exigido, haja vista que se referem à operação de importação que já foram objeto de autuação nos processos fiscais n° 10494.001184/2002 44, 10494.001183/200208, 11050.001119/200331 e 11050.001093/200371, cujas cópias dos respectivos autos de infração encontramse juntadas as 101 a 118. Em face do alegado, se faz necessário o retorno dos autos à unidade de preparo a fim de que as doutas autoridades lançadoras verifiquem a veracidade das informações fornecidas pela autuada, tomando, por conseguinte, as medidas legais cabíveis. Sobreveio, então, a seguinte informação, fls. 203: Informo que, após pesquisa no sistema Profisc, fls. 124 a 136, e resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 008/2007, fls. 140 a 150, as únicas declarações de importação (Dl) que constam do processo n° 10494.000490/200697 e que não foram objeto de autuação em outros processos de lançamento em Auto de Infração são as DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. O restante das DI do referido processo já tinham sido objeto de lançamento nos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/200208, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371. Tal fato ocorreu por dois problemas: a falta de comunicação de órgãos da própria SRF, onde foram feitos lançamentos por órgãos de despacho, em revisão aduaneira, e não foram informados estes lançamentos a esta Seção de Fiscalização Aduaneira, seção de jurisdição da sociedade; e a falta de informação da própria sociedade empresária que, mesmo tendo ciência que se tratava de uma fiscalização sobre a Cide, com a respectiva identificação das DI em estudo, nada declarou sobre os lançamentos já efetuados. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 4 5 A DRJ/Florianópolis proferiu decisão, fls. 205/239, cuja ementa é descrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/01/2002 a 30/10/2002 CIDECOMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO DE PROPANO E BUTANO BRUTOS LIQUEFEITOS. INCIDÊNCIA. Em estrita observância ao disposto no art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 2001, e no Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incide sobre a importação de propano e butano liquefeitos, respectivamente, classificados nos códigos 2711.12.10 e 2711.13.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Desta feita, importa salientar que a Instrução Normativa SRF n° 219, de 2002 não criou nova hipótese de incidência tributária nem se caracteriza como ato expressamente interpretativo. NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis e demais normas inseridas no ordenamento jurídico, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Valores comprovadamente lançados em duplicidade devem ser cancelados. Fl. 397DF CARF MF 6 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. Com fundamento no art. 2° da Portaria MF n° 375, de 7 de dez/2001, foi interposto recurso de ofício, mas que a partir do advento da Portaria MF n° de fevereiro de 2017, estabeleceu novos limites de alçada. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, fls. 249/270, onde repisou os argumentos da impugnação. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde houve a conversão do feito em diligência, resolução n° 32020 000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama, para, fls. 338: Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal do Brasil, com o intuito de se clarificar: ü Se o gás butano e o gás propano seriam uma espécie de gás liquefeito de petróleo; ou ü Se o gás butano e o gás propano compõem o gás liquefeito de petróleo GLP. Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Vale descrever os acontecimentos no transcorrer da elaboração da diligência solicitada que não teve o resultado almejado: Às fls. 342, a Recorrente vem apresentar os quesitos solicitados na resolução e indicar assistente técnico; Às fls. 348, há uma petição da Recorrente de 27 de novembro de 2015, solicitando prorrogação de prazo e solicitando informações complementares a fim de auxiliar na identificação do comprovante de pagamento; Às fls. 352, há uma petição da Recorrente de 23 de dezembro de 2015, solicitando novamente a designação do perito indicado; Às fls. 355, há um termo de intimação n° 004/2016, de 06 de abril de 2016, solicitando a prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Às fls. 357, há uma cópia do termo de intimação n° 006/2015, 09 de março de 2015, a respeito da resolução n° 32020000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama; Às fls. 366, há um termo de intimação n° 004/2016, de 13 de abril de 2016, reintimando para apresentação da prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 5 7 Às fls. 367, há prova da recusa em receber a intimação por parte da Recorrente. A 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302‑005.226, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de ofício e, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora. Entendeu a Turma que: ü Quanto ao recurso de ofício, a Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, prevê novos limites de alçada; ü Observase que a Lei n° 10.336, de 2001, quando prevê a incidência da CIDE sobre o gás liquefeito de petróleo não coloca a expressão em sentido estrito, logo, observase que desde o advento da lei já há previsão legal para a cobrança do referido tributo sobre ü propano e butano, pois eles são gases liquefeitos do petróleo. O GLP em sentido estrito seria o conhecido gás de cozinha, que é uma mistura do propano e do butano; ü O fato de a IN n° 107, de 28 de dezembro de 2001, não fazer previsão expressa do nome propano e butano não impede a incidência da CIDE combustível sobre os referidos gases liquefeito de petróleo, pois o ato administrativo simplesmente utilizou a terminologia da lei; ü Quando a Secretaria da Receita Federal, em 10 de outubro de 2002, editou a Instrução Normativa n° 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa n° 107/01, não criou qualquer hipótese nova de incidência tributária, por tal motivo, não desrespeita o Princípio da Legalidade Tributária, mas apenas esclareceu com maior detalhes; sendo esta, justamente, a função de uma instrução normativa, que é detalhar os aspectos da legislação, tendo como fim sanar qualquer tipo de dúvida; ü O fato de a IN n° 219, de 2002, ter efeitos retroativos também não afronta o Princípio da Irretroatividade, uma vez que a Lei n° 10.336, de 2001, já prevê a incidência tributária sobre o chamado gás liquefeito de petróleo, a instrução normativa em questão apenas esclareceu possível dúvida que existisse e a incidência tributária é fenômeno que ocorre desde a edição da lei no ano de 2001; ü O fato de a NCM diferenciar não impede a incidência tributária, pois ela é baseada na terminologia gás liquefeito de petróleo; ü O período de autuação é de janeiro a outubro de 2002, neste período, conforme relatado anteriormente, havia a incidência da CIDEcombustíveis, contudo, somente a partir da IN SRF n° 219, de Fl. 399DF CARF MF 8 10 de outubro de 2002, é que a legislação deixou ainda mais especificado com os NCMs, pois a IN SRF n° 107, de 2001, trazia o NCM 2711.19.10. Nesse sentido, deve ser aplicado o artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que afasta a imposição de penalidades, cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo, não considerando infracional a conduta do contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em face do Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302‑ 005.226, em razão de obscuridade verificada na decisão. Alegou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o valor exonerado pela primeira instância supera o limite definido na Portaria MF nº 63/2017, de R$ 2.500.000,00. Considerando que o valor inicialmente exigido no auto de infração era de R$ 39.791.923,03 e que, após decisão da DRJ, o crédito tributário foi reduzido para R$ 1.154.384,63, temse, s.m.j., que o montante exonerado foi de R$ 38.637.538,40. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça por qual razão deixou de conhecer o recurso de ofício, dado que o valor exonerado pela DRJ supera o limite de alçada, de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017. Em 21 de maio de 2018, em Despacho de Embargos, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através de seu Presidente, entendeu que a decisão limitouse à transcrição do dispositivo regulamentar do limite de alçada, sem contudo articular suas razões para concluir pela inadmissibilidade do apelo. A falta merece saneamento. Por isso, determinou que fossem encaminhados os autos para nova distribuição no âmbito da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, uma vez que a relatora, Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, não mais compõe os quadros de Conselheira do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 21 de maio de 2018, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para articular as razões do porquê do Recurso de Ofício ser inadmissível. 2. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 6 9 O Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302005.226, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 26 de fevereiro de 2018. Os autos digitais foram encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para ciência da decisão embargada, em 13/03/2018 (folhas 384). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3° do art. 7° da Portaria MF n° 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 12/04/2018 (fls. 388), é francamente tempestivo. 3. DA OBSCURIDADE O voto condutor da decisão embargada assim se pronunciou (fls. 377): 2. Do Recurso de Ofício Quanto ao recurso de ofício, a Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, prevê novos limites de alçada: Portaria MF n° 63, de 2017 Art. 1° O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1°O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2° Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Portanto, não se conhece do recurso de oficio. A decisão limitouse à transcrição do dispositivo regulamentar do limite de alçada, sem contudo articular suas razões para concluir pela inadmissibilidade do apelo. A falta merece saneamento. 4. DO INDEFERIMENTO A resposta ao deslinde dessa demanda é encontrada no início do RELATÓRIO da Resolução n° 3202000.158, de 25 de setembro de 2013, folhas 328 e 329 do processo digital, que transcrevo abaixo: O auto de infração sob julgamento lançou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de que trata o art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, incidente sobre o valor da importação de gás propano e de gás butano, acrescida de juros de mora e multa de oficio, perfazendo, na data da lavratura do Auto de Infração que constituiu o Fl. 401DF CARF MF 10 lançamento, o crédito tributário no valor de R$ 39.791.923,03 (fls. 02 a 15). Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado totalmente improcedente a autuação (fls. 62 e ss.). Em face da alegação da autuada, apontando a duplicidade de lançamento do presente crédito tributário, determinouse a realização de diligência para que verificasse sua veracidade, à luz dos documentos trazidos, em cópia, pela autuada (fls. 171 e ss.). Desta feita, a unidade de preparo procedeu à pesquisa junto ao Sistema Sincor, Profisc, Consultapc, Coinfpropc, colacionando suas respectivas telas as fls. 173 e ss., emitindo, em conseqüência, o MPFD no 10.1.54.002007000146, com vista à expedição do Termo de Diligência Fiscal n° 008/2007 (fls. 188), para solicitar da autuada o envio de documentos que comprovassem o pagamento ou qualquer lançamento em Auto de Infração relativo à CIDE relativamente às operações de importação processadas, por meio das DI's n° 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. Em resposta, a intimada carreou aos autos os documentos de fls. 190 e ss. Da análise dos referidos documentos, a autoridade lançadora afirma que (sic): "as únicas declarações de importação (DI) que constam do processo n° 10494.000490/200697 e que não foram objeto de autuação em outros processos de lançamento em Auto de Infração são as DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. Os restante das DI do referido processo já tinham sido objeto de lançamento nos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/200208, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371". (fl. 203). Conclusos os autos, a DRJ julgou parcialmente procedente o auto de infração (fls. 205 e ss.). De fato, a DRJ anulou os lançamentos que implicavam em duplicidade de cobrança, nas seguintes palavras: De plano, importa tratarmos, por primeiro, das alegações preliminares trazidas pela autuada em sua defesa, sendo que de antemão, abordase a questão relativa a preliminar de duplicidade de lançamento de crédito tributário. Conforme se viu no relatório supra, em atendimento à diligência proposta, a autoridade lançadora confirmou a acusada ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos às importações submetidas a despacho, por meio das Declarações de Importação n° 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662, posto que, conforme o Fisco observou, as demais importações discriminadas nas planilhas de fls. 08 a 10 já tinham sido objeto de autuação anterior, conforme demonstram os autos dos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/2002 08, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 7 11 Portanto, a parcela do crédito tributário ora exigido que guarda concomitância com retromencionados processos deve ser cancelada, importando, por conseguinte, na redução do crédito tributário exigível para um montante de R$ 1.154.384,63, sendo R$ 468.213,76, a titulo de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, R$ 351.160,32, a titulo de multa de oficio de 75%, e R$ 335.010,55, a titulo de juros de mora. Em outras palavras, a lide se restringe às exigências decorrentes das importações realizadas por meio das DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. (Grifo e negrito nossos) Ø Folhas 11 do processo digital. Ø Folhas 12 do processo digital. Ø Folhas 12 do processo digital. Ø Folhas 13 do processo digital. A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada estabelecidos pela Portaria MF n° 63, de 2017. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional sem efeitos infringentes. Jorge Lima Abud. Fl. 403DF CARF MF 12 Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008543/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2002
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
As medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, correspondente ao preço de venda praticado pelo fabricante, o que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002, informando que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. Assim, o IPI compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS recolhido por substituição tributária nas operações com veículos automotores novos.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não assistindo razão ao contribuinte quanto à existência de direito creditório, incabível a realização de diligência para apurar/confirmar o montante a ser ressarcido.
Numero da decisão: 3302-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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H. VEICULOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. As medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, correspondente ao preço de venda praticado pelo fabricante, o que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002, informando que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. Assim, o IPI compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS recolhido por substituição tributária nas operações com veículos automotores novos. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não assistindo razão ao contribuinte quanto à existência de direito creditório, incabível a realização de diligência para apurar/confirmar o montante a ser ressarcido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 43 /2 00 5- 30 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 220 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora / MG. (DRJ/JFA), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, cuja ementa segue transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 (sic) INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. Ausente na legislação de regência da matéria dispositivo legal ou infralegal que permita a exclusão do IPI da base de cálculo do Pis, não merece reparos o indeferimento do respectivo pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem foi apresentado pedido de restituição, formulado por Recreio B. H. Veículos S.A., concessionária Volkswagen da região de Belo Horizonte/MG, com fulcro em suposta inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Instrução Normativa nº 54/2000, que disciplina a inclusão do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS nas operações de venda de veículos automotores pela montadora à concessionária. Em síntese o contribuinte alega que após a edição da MP nº 199115/00 (art. 44), com reedições posteriores e conversão na Lei nº 10.485/02 (art. 3º), as contribuições para o PIS e COFINS sobre o comércio varejista de veículos passaram a ser devidas na forma de substituição tributária, mediante recolhimento antecipado pelas montadoras (fabricantes), figurando as concessionárias como substituídas. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 221 3 Aduz o contribuinte que a base de cálculo deveria ser o preço de venda do fabricante, sem a inclusão do IPI, o que teria sido erroneamente modificado por meio da IN nº 54, de 19.05.2000, em flagrante afronta ao artigo 150, I, da CF/1988, bem como ao artigo 97, IV, do CTN. Pugna pela restituição de R$ 53.420,18, relativa ao PIS dos meses de 01.2001 a 10.2002. O Despacho Decisório de fls. 120 a 122 que indeferiu o pedido, não reconhecendo o direito creditório, o fez sob a alegação de que as medidas provisórias tem força de lei, não competindo à Receita Federal analisar (in)constitucionalidade de atos normativos, bem como não caber ao SEORT decidir sobre a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 125 a 134), a concessionária insurgese contra uma suposta alegação de ilegitimidade que sequer foi ventilada no despacho decisório, defendendo ser ela parte legítima para pleitear a restituição, vez que é quem suporta o ônus da exação. Aduz ainda que não se pode exigir PIS sobre IPI, pede a homologação da "compensação" e que seja declarada a inexistência de "saldo devedor" (sic). Por fim, solicita diligência para conferência dos cálculos caso seja necessário. Preliminarmente, o acórdão recorrido declarou a incompetência da DRJ para avaliar inconstitucionalidade de normas. No mérito, a decisão guerreada aduz que: a) não há que se cotejar a Medida Provisória nº 2.03724/2000 com a Lei nº 9.718/1998, vez que a alteração na referida lei, no que tange ao inciso I, do §2º, do art. 3º, que versa sobre a exclusão do IPI da base do PIS e da COFINS, somente foi alterada pela MPv nº 627/2013, sendo que nem mesmo a MPv 1.99115/2000, mencionada pela contribuinte cuidou de alterar a exclusão do IPI da base de cálculo; b) de acordo com o art. 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718/1998, o IPI só se exclui da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (sic). Desta forma, a Volkswagen não paga PIS/COFINS sobre o IPI embutido na receita da concessionária, mas apenas sobre aquele embutido em sua própria receita, não se podendo falar em exclusão do IPI sobre a receita do substituído por falta de previsão legal. Em recurso voluntário, a contribuinte se insurge novamente contra uma alegação de ilegitimidade que não foi ventilada nem no despacho decisório e nem no acórdão recorrido. Aduz que cobrar PIS sobre o IPI contraria a Constituição Federal e que o art. 3º, §2º da Lei nº9.718/1998 autoriza a exclusão. Pede, ao fim, seja declarada a inexistência de saldo devedor e seja homologada a compensação (sic), bem como seja realizada diligência para novo cálculo caso assim se entenda necessário. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 222 4 Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 02.12.2014, tendo protocolado o Recurso Voluntário em 30.12.2014. Assim, é tempestivo o recurso em análise. Impende esclarecer que os pedidos a) e b), formulados pelo contribuinte na peça recursal não se coadunam com a discussão dos autos, vez que tratam de declaração de compensação, enquanto o presente PAF cuida de pedido de restituição. Ademais, o recorrente dedica a maior parte de sua argumentação para afastar suposta alegação de ilegitimidade que sequer foi ventilada, seja no despacho decisório ou seja no acórdão da DRJ/JFA. Por seu turno, a DRJ/JFA, fundou suas razões de decidir no art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que determina que a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, bem como alegou ainda que segundo o inciso I, do §2º do aludido dispositivo, excluise da receita bruta o valor do IPI e o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, criando aparente confusão entre a decisão e as razões de decidir. O contribuinte nada disse a esse respeito. Em suma, dissonantes dos autos algumas das razões tanto do recorrente quanto da DRJ. Entretanto, em homenagem ao princípio da verdade material, e buscando cumprir o papel que cabe a este conselho, analisarseão os pedidos do contribuinte com base no que se pode inferir de todo o conjunto fático probatório, no sentido de que pretende ele ver reconhecido direito à restituição do valor do PIS sobre o IPI, embutido no preço por ele pago à montadora quando da aquisição de veículos para revenda. 1 Da suposta inconstitucionalidade da inclusão do IPI na base de cálculo do PIS nas operações de venda de veículos automotores por fabricantes e importadores. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esse é o teor da Sumula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não se pode conhecer, no âmbito deste tribunal administrativo, de matérias que envolvam tal tipo de análise. Entretanto, com o único intuito de esclarecer e informar as razões pelas quais não deve prosperar o pedido de restituição formulado pelo contribuinte, imperioso tecer alguns comentários sobre a legislação que instituiu o regime de substituição tributária de PIS e COFINS sobre as operações de compra e venda de veículos automotores. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 223 5 A Medida Provisória nº 1.99115/2000 atribuiu aos fabricantes e importadores de veículos, na condição de substitutos tributários, a responsabilidade pela cobrança e recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS devidas pelos comerciantes varejistas. Tal medida estabeleceu ainda que a base de cálculo da cobrança por substituição seria o preço de venda praticado pela pessoa jurídica fabricante. Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703, e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. As reedições posteriores da MP 199115/2000 mantiveram a sistemática até a MP 2.15835/2001, que reproduziu o comando supracitado em seu art. 43. Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 54, de 19.05.2000, o parágrafo único do art. 44 da medida provisória nº 1.99115/2000 foi regulamentado, passando a dispor expressamente que o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI compõe o preço de venda do fabricante para efeitos da cobrança e arrecadação do PIS e da COFINS por substituição tributária. Art. 3º Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no preço de venda do fabricante ou importador. § 1º Considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação. A IN SRF nº 54/2000 foi revogada pela IN SRF nº247/2002, ainda vigente, permanecendo expressa a disposição de que o IPI deve ser incluído na base de cálculo do PIS substituição tributária, aplicável às operações com veículos automotores realizadas pelos fabricantes ou importadores. Art. 49. A base de cálculo da substituição prevista no art. 5º corresponde ao preço de venda do fabricante ou importador de veículos. § 1º Considerase preço de venda o valor do produto acrescido do IPI incidente na operação. Como é sabido, o regime de substituição tributária consiste em concentrar a arrecadação do tributo em uma etapa da cadeia de comercialização, responsabilizando o contribuinte que a realiza pelo recolhimento devido nas demais etapas, em consonância com o disposto no §7º do art. 150 da CF/1988. Nas operações com veículos automotores, a legislação instituidora do regime de substituição tributária do PIS atribuiu a responsabilidade pela cobrança e recolhimento da Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 224 6 contribuição aos fabricantes ou importadores, na condição de substitutos, alçando os comerciantes varejistas (concessionárias) à condição de substituídos. Não há dúvidas de que o IPI pago pelas concessionárias às montadoras, quando da aquisição de veículos para revenda, irá compor o custo do veículo a ser revendido e, conseqüentemente, será repassado ao preço praticado na operação de revenda ao consumidor final, compondo, portanto, o faturamento da concessionária. Não fosse o regime de substituição tributária, a base de cálculo sobre a qual a concessionária iria calcular o valor devido para o PIS seria o faturamento obtido, assim entendida a receita auferida com a revenda de veículos automotores, na qual, como já visto, está incluído o valor do IPI pago à concessionária quando da aquisição do veículo revendido. Assim, no regime normal de apuração das contribuições, os comerciantes varejistas têm como base de cálculo o preço de venda de seus produtos aos consumidores finais, no qual estão incluídos todos os custos vinculados ao produto, inclusive o valor do IPI recolhido pelo fabricante. Destarte, por ser a substituição tributária mera antecipação do recolhimento devido em operação futura, não se pode admitir que em razão de tal antecipação ocorra a alteração da regra matriz de composição da base de cálculo, reduzindo o montante devido. Se assim quisesse o legislador da norma instituidora do regime, teria expressamente consignado tal possibilidade. Ademais, não se pode confundir a base de cálculo do PIS e COFINS devidos por substituição tributária, com a base de cálculo das mesmas contribuições quando cobradas fora do regime constitucional de antecipação. Conquanto o IPI não componha a base de cálculo da contribuição devida pelo fabricante de produtos não alcançados pela substituição tributária, como já exposto, uma vez realizada a cobrança desse imposto, ele passa a compor o custo de aquisição da mercadoria, sendo repassado pelo comerciante ao preço de revenda e, conseqüentemente, representa uma parte do valor pago pelo consumidor final, passando a compor, indiretamente, a base de cálculo (receita) das contribuições ao PIS e a COFINS devidas pelos comerciantes varejistas. Por se tratar de antecipação do pagamento cujos fatos geradores ocorrerão posteriormente, deve a base de cálculo da substituição tributária ser a mais aproximada possível daquela que seria utilizada nas etapas que estão sendo substituídas. Nesse sentido, temse que as medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, qual seja, o preço de venda praticado pelo fabricante (e não somente a receita por ele auferida). O que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002 estabelecendo que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. No que tange ao disposto no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, utilizado pela DRJ/JFA como fundamento para afastar a pretensão da recorrente, urge aclarar que se trata de norma aplicável à apuração normal das contribuições ao PIS e COFINS, não se podendo aplicála indistintamente aos casos especiais, cuja disciplina se dá por lex specialis, tal como a substituição tributária. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 225 7 No mesmo sentido decidiu o STJ no julgamento do REsp 665126 SC. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3º, § 2º, I). DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. 1. A Instrução Normativa SRF nº 54/2000, revogada pela IN SRF nº 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (montadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória nº 1.99115/2000, atual MP nº 2.15835/2001, editada antes da Emenda Constitucional nº 32). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.991 15/2000, e artigo 3º, caput, da IN SRF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitouse a definilo como o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgência especial dirigese ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3º, da Instrução Normativa SRF nº 54/2000, em virtude do disposto no inciso I,do § 2º, do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, verbis: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;"4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Março Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesma assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, mantendose a higidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, elencadas em seu § 2º. 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as"vendas canceladas", os"descontos incondicionais", o"IPI"e Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 226 8 o"ICMS"cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerentemente, elucidam a quaestio iuris:"... o regime de substituição tributária envolve uma presunção de fato gerador. O fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, especialmente no que diz respeito à exclusão do IPI. Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IPI. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele fabricante deve a título de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do IPI). (...) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o faturamento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa é a apuração do faturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final. Logo, quando se pergunta qual o faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. (...) O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o faturamento (base de cálculo) de cada um deles. (...) Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3º, § 1º, I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3º, § 1º, I, referese apenas a Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 227 9 pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado no documento fiscal."(fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9. Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. 10. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ REsp: 665126 SC 2004/00815763, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 21/08/2007, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 01.10.2007 p. 214) Assim, têmse que a inclusão do IPI na base de cálculo do regime de substituição tributária do PIS e da COFINS nas operações com veículos está em perfeita consonância com a gênese do instituto antecipatório, não cabendo a este tribunal afastar a aplicação dos dispositivos que as instituíram e regulam, principalmente sob o fundamento alegado pelo contribuinte. 2 Do Pedido de Diligência Por não assistir razão à recorrente quanto ao fundamento basilar da existência do direito creditório pleiteado, incabível a realização de diligência que objetiva a conferência/apuração do montante a ser ressarcido, razão pela qual não se acolhe tal pedido. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720327/2013-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 03 27 /2 01 3- 26 Fl. 1802DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório O presente processo teve início com a lavratura de dois autos de infração, DEBCAD 51.010.1356, referente à exigência de contribuições à cargo da Autuada, devidas à Seguridade Social; e DEBCAD 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em razão de falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, quanto aos créditos informados, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no período de 03/2011 a 08/2011. O Recurso Especial analisado neste julgamento referese apenas ao DEBCAD 51.010.1364, que formaliza a exigência da multa isolada. O Relatório Fiscal de efls. 1822 assim descreve os fatos que ensejaram a autuação: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve qualquer autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 061/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez, com base, simplesmente, em decisões judiciais que favoreceram terceiros interessados, as quais definiram a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes a 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamentos na rubrica Horas Extras. A Contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS, que considerou procedente o lançamento. (Acórdão efls. 1.246 a 1.259). Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.792 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário o qual foi julgado na Seção do dia 04/10/2017 da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, que proferiu a decisão, consubstanciada no Acórdão nº 2301005.168 (efls. 1.716 a 1.746), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012 REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS, GOZADAS OU INDENIZADAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário de contribuição, nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. O caráter remuneratório dos adicionais de férias, gozadas ou indenizadas, (art. 7°, XVII, da CF) é inequívoco, pois tratamse de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. A incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13º salário está prevista expressamente na legislação tributária. (Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 7º). RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A aplicação da multa isolada por falsidade de declaração, prevista pelo art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.488, de 2007, é necessário que reste caracterizado o dolo, ou seja, a vontade de apresentar declaração falsa. Fl. 1804DF CARF MF 4 A decisão foi assim registrada: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, (b) por maioria de votos lhe dar parcial provimento para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração; vencidos os conselheiros João Maurício Vital e Andrea Brose Adolfo, que negavam a provimento ao recurso voluntário. O processo foi encaminhado à PGFN em 17/10/2017 (Despacho de Encaminhamento, efls. 1.747) que, em 27/11/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.776), interpôs o Recurso Especial de fls. 1.748 a 1.756. O Recurso visa rediscutir a multa isolada, aplicada no caso de inserção de informação falsa em GFIP. Alega a Fazenda Nacional que a multa tem previsão expressa no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/96, dispositivos esses que estabelecem a incidência da multa isolada, no percentual de 150%, nos casos de apresentação de declaração falsa com vista à obtenção de compensação indevida. Cita os Acórdãos do CARF nºs. 2403 001.294 e 2301002.736, cujas ementas transcreve e que corroborariam suas alegações. A Fazenda Nacional argumenta que, no caso sob exame, a Contribuinte compensou créditos que “dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza”. Daí conclui que a compensação pleiteada foi fundada em declaração falsa, configurandose a hipótese prevista no referido § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. Reportandose ao art. 97 do CTN, a Fazenda Nacional argumenta que “ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgador recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei...” Intimada do Acórdão nº 2301005.168, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que admitiu o REsp da PGFN, em 05/02/2018 (AR, fls. 1.787), o contribuinte não apresentou contrarrazões. Cientificada do Acórdão nº 2301005.168, do Recurso Especial e do Despacho que lhe deu seguimento (Termo de Intimação, efls. 1.785 e AR efls. 1.787, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.793 5 Quanto ao mérito, como se depreende do próprio acórdão recorrido, a contribuinte fez compensações de valores alegadamente indevidos de verbas indenizatórias e de direitos creditórios de retenção de Fundo de Participação dos Municípios. O acórdão recorrido considerou indevidas as compensações e manteve as glosas dos valores compensados. Quanto à multa isolada, todavia, o acórdão recorrido considerou indevida a exação sob o fundamento de que o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 prevê duas possibilidades de penalidades, a multa de mora, limitada a 20%, no caso de ausência de dolo, e a multa isolada, no percentual de 150%, no caso de declaração falsa, caracterizado o dolo, e que, no caso, não se identificou elementos caracterizadores do dolo, conforme o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: Verificase que o citado art. 89 carreia dois tratamentos diversos para os casos de compensação indevida, (a) quando não se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa de mora, o qual é limitado ao percentual de 20% pelo art. 61 da Lei 9.430, de 1996, por expressa remissão do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, e (b) quando se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa isolada, no percentual de 150%, face ao disposto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. Uma vez que ambos os casos tratam de compensação indevida e, não havendo previsão para a aplicação conjunta das duas multas, é evidente que deve existir um critério diferenciador para a aplicação das aludidas multas; a meu juízo, tal critério é a existência, ou não, do dolo de praticar uma declaração falsa. [...] No caso concreto, face à análise do conjunto probatório, não me convenci da existência do dolo; as justificativas apresentadas pela recorrente foram por mim rechaçadas, manteve as glosa das compensações mas penso que a compensação indevida em análise mais provavelmente se deve à falta de assessoramento capacitado do que ao dolo de apresentar declaração falsa. Cumpre, portato, mediante a interpretação do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido, decidir sobre a(s) multa(s) aplicável(eis) no caso de redução do pagamento de contribuições em GFIP mediante compensação indevida. Reza o art. 89, da lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] Fl. 1806DF CARF MF 6 § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caputdo art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, o art. 89, caput, da Lei n° 8.212/1991, prevê que as contribuições somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o § 9º prevê que sobre o valor da compensação indevida deve incidir os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da mesma lei, e que tem a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.794 7 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a incidência da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, aplicada em dobro, no caso de declaração falsa. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, antes de examinar o caso concreto, convém analisar a possibilidade jurídica da incidência cumulativa das multas previstas no § 9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e no § 10 da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.320, de 1.996. Da leitura dos §§ 9º e 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, constatase facilmente que o primeiro cuida de acréscimos legais pela mora em relação às contribuições que deixaram de ser pagas tempestivamente em decorrência da compensação indevida. Tais acréscimos seriam os mesmos devidos em qualquer circunstância em que houvesse pagamento de tributo a destempo. Já o § 10 referese a uma multa punitiva em razão da prática de apresentar declaração falsa. São duas penalidades distintas para duas infrações distintas: multa de mora pelo pagamento do tributo a destempo e multa punitiva pela apresentação de declaração falsa. Notese que essa situação não se compara à da aplicação da multa moratória em razão do pagamento espontâneo fora do prazo versus a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Tratase aqui de lançamento de ofício, mas não do tributo que deixou de ser pago, posto que este já fora declarado, mas das penalidades. Fique claro também que não se trata no caso de aplicação da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O § 10, do art. 89, da Lei 8.212, de 1991 referese a esse dispositivo apenas para determinar o percentual da multa aplicável, vale dizer, apenas diz que a multa deverá ser aplicada no percentual ali mencionado. Poderia, inclusive, apenas ter se referido ao percentual de 75%, sem referirse à Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, não é o caso de aplicação de uma ou de outra penalidade, da multa de mora ou da multa isolada, mas de, verificadose que, além da falta de pagamento da contribuição no prazo em razão de compensação indevida situação que enseja a incidência da multa e dos juros de mora – houve a prática de apresentação de declaração falsa, exigirj, em razão desta conduta, também da multa isolada. Superada essa questão cumpre, então, verificar o cabimento, no caso, da multa prevista no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1808DF CARF MF 8 O relatório Fiscal (fls. 18 a 22) assim justifica as glosas das compensações: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 06/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez com base, simplesmente, em decisões judiciais que favorecem terceiros interessados, as quais definiam a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes ao 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamento na rubrica Horas Extras. 8. Observese que a legislação em vigor reza que incide contribuição previdenciária tanto sobre 1/3 de férias quanto sobre as horas extras. 9. Portanto, por falta total de respaldo legal e/ou judicial, a compensação efetivada é, incontestavelmente, indevida, sendo a mesma GLOSADA integralmente. 10. Tais fatos acima descritos caracterizam a falsidade nas declarações apresentadas por meio das GFIPs. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos, trazia as seguintes orientações sobre a compensação: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo nacompensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.795 9 Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; [...] XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Como se vê, a Instrução Normativa vedava expressamente a compensação de créditos que não fossem passíveis de restituição ou de ressarcimento, e, no caso, os créditos pleiteados não eram passíveis de restituição ou ressarcimento. Isso não significa que o contribuinte não poderia pleitear a restituição desses créditos. O que não poderia era, sem ter pleiteado a restituição e sem ter o direito reconhecido, lançar mão dos valores para reduzir o valor das contribuições a pagar. Assim, ao pleitear a compensação desses créditos, que, repitase, a Contribuinte sabia indevidas, incorreu sim em prestação de declaração falsa. Declaração falsa é aquela que, conscientemente, não corresponde à verdade. É diferente do erro, do mero engano, em que o agente insere informação inverídica, porém, pensando estar inserindo informação verdadeira. Informar em declaração entregue ao Fisco que detém um crédito passivo de restituição ou ressarcimento quando não tem o reconhecimento de que esse crédito é passível de restituição, configura efetivamente falsidade da declaração. E não cabe, em sede de simples pedido de compensação, analisar o mérito quanto a eventuais questionamentos sobre a incidência dos tributos anteriormente pagos com os quais se pretende subtrair valores a pagar. No pedido de compensação devem ser informados créditos restituíveis, portanto, com direito creditório reconhecido. Se o contribuinte entendia indevidos certos pagamentos, poderia pleitear a restituição mediante procedimento próprio. Fl. 1810DF CARF MF 10 Nesse ponto é importante distinguir a condição de prestar declaração falsa, prevista no § 10 , do art. 89, da lei nº 8.212, de 1991 da exigência de demonstração do evidente intuito de fraude, prevista no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Conforme referido acima, a Lei nº 8.212, de 1991 reportase ao inciso I, do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 apenas para indicar o percentual da multa, logo, também não atrai a aplicação do § 1º do mesmo artigo. Aliás, quisesse o legislador que a multa fosse devida apenas nos casos de evidente intuito de fraude, teria dito isso, ou apenas invocado o § 1º do artigo 44, como vez em relação ao inciso I do mesmo artigo. Portanto, não se cogita aqui de demonstração de evidente intuito de fraude, mas apenas de falsidade de declaração, conforme referido linhas acima. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer a multa isolada. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1811DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925308/2016-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 08 /2 01 6- 87 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.514. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.674257/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 57 /2 01 1- 59 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.827, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720480/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 2009, 2010
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA REDITAMENTO.
A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos,
inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
Numero da decisão: 3302-005.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre despesas de movimentação do açúcar para o navio. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor
Nome do relator: Walker Araujo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2009, 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA REDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 80 /2 01 3- 51 Fl. 7929DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.930 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre despesas de movimentação do açúcar para o navio. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bom retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 7.8507.870: Tratase de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) formalizada nos autos de infração de fls. 7.722/7.737 (a numeração tem como referência a versão digitalizada dos autos eprocesso). O feito, relativo aos anoscalendário de 2009 e 2010, constituiu crédito tributário na cifra de R$ 1.414.330,89 incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. A autuação decorre de auditoria fiscal que teve como foco de investigação a apuração de créditos do regime não cumulativo sobre dispêndios com fretes internos e serviços de movimentação de açúcar. As constatações relatadas pela fiscalização se desdobraram em dois autos de infração que tramitam em processos distintos: o presente, cujo crédito tributário foi lançado com a imposição da multa de ofício e o de nº 16004.720497/201317, também julgado nessa sessão, relativo ao crédito cuja exigibilidade foi suspensa por decisão judicial. Fl. 7930DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.931 3 No Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.694/7.721, a autoridade detalha os motivos do lançamento que a seguir vão resumidos. A pessoa jurídica fiscalizada Virgolino de Oliveira S/A Açúcar e Álcool tem como objeto societário a fabricação e comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar. É entidade cooperada da Copersucar (Cooperativa de Produtores de Canade Açúcar do Estado de São Paulo). A relação entre as usinas cooperadas e a Copersucar em relação ao PIS/Cofins está regulada na Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006. A norma prevê a apropriação pelas usinas cooperadas, dos créditos gerados pela cooperativa nos termos dos artigos 3º da Lei nº 10.637, de 2002, 3º da Lei nº 10.833, de 2003 e dos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, podendo os créditos servir como desconto dos débitos de PIS e de Cofins apurados nos termos do art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996. Nessa sistemática de apuração de PIS/Cofins, as usinas cooperadas informam mensalmente seus créditos próprios à Copersucar e esta última rateia os seus créditos entre as usinas cooperadas. A Copersucar recolhe, como responsável, o PIS e a Cofins devida pelas usinas cooperadas, conforme disposto no art. 3º da IN SRF nº 635, de 2006. Como a Copersucar se enquadra como cooperativa de produção uma vez que comercializa a produção de açúcar e álcool das usinas cooperadas, ela apura alguns créditos de PIS/Cofins referentes às despesas de armazenagem e movimentação, corantes e fretes, os quais são rateados entre as usinas cooperadas. A fiscalizada foi intimada a apresentar a documentação relativa aos créditos gerados pela Copersucar e apropriados por ela própria como usina cooperada e a esclarecer alguns pontos relacionados aos créditos gerados pela cooperativa com referência às despesas com armazenagem e frete. Trabalho paralelo teve curso na própria Copersucar, que foi intimada a colocar à disposição da auditoria fiscal os papéis relacionados às despesas de serviços descritos como frete. Atendendo ao pleito fiscal, a cooperativa também informou ser beneficiária de decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança com relação ao direito de apurar créditos não cumulativos de PIS e de Cofins sobre fretes no transporte interno. Informa o Termo ainda que a Copersucar também formulou Consulta à Receita Federal sobre a mesma matéria tratada na ação de Mandado de Segurança, tendo sido cientificada de que a SRRF 8ª Região decidiu desfavoravelmente a sua pretensão. O Termo de Verificação passa então a identificar as infrações constatadas no curso da fiscalização. Analisa, primeiro, os créditos apurados pela Copersucar e rateados entre as usinas cooperadas sobre as despesas com movimentação de açúcar. O inciso IX, art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, restringe o creditamento das despesas incorridas nas operações de venda apenas ao frete e àquelas relacionadas à armazenagem. Não há previsão de apuração de crédito sobre dispêndios com movimentação de mercadorias, no caso, aquelas envolvidas no embarque de açúcar no navio. A autoridade autuante relata a forma como identificou, por meio das notas fiscais emitidas pela empresa Cia Auxiliar de Armazéns Gerais (do grupo Copersucar), os Fl. 7931DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.932 4 valores de movimentação e embarque de açúcar, alvo de glosa por falta de previsão legal quanto à possibilidade de creditamento. O Termo de Verificação detalha como alcançou os valores dos créditos de PIS e de Cofins a serem glosados com relação às despesas com movimentação de mercadorias rateadas pela Copersucar entre as usinas cooperadas. Planilhas de fls. 7.700/7.701 descriminam as glosas. No cálculo dos valores a serem levados ao auto de infração, prossegue a auditoria, foram considerados os saldos de créditos da nãocumulatividade detidos pela fiscalizada. Tabela iniciada à fl. 7.702 expõe os montantes que devem ser constituídos de ofício em razão de insuficiências de saldo de créditos não cumulativos para enfrentar as glosas efetivadas no procedimento fiscal. O lançamento correspondente corresponde à matéria tratada no auto de infração em exame. O relato da auditoria continua com os comentários sobre os créditos apurados sobre as despesas com fretes internos, relativos ao transporte do açúcar entre a usina produtora e o entreposto portuário. Nos termos do já citado inciso IX do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, somente as despesas de frete relacionadas às operações de venda permitem a apuração de créditos não cumulativos. Todavia, a Copersucar calculou e rateou para a fiscalizada créditos com origem em despesas sobre fretes internos, não relacionados a operações de venda. A fiscalização aponta que a produção das usinas cooperadas fica disponibilizada para a Copersucar nas unidades de produção. Ou seja, a Copersucar possui em cada uma das usinas cooperadas (inclusive na fiscalizada) unidades filiais, nas quais estão estocados o açúcar e o etanol produzidos. Assim, toda a produção das cooperadas fica sob poder da Copersucar, que determina para quem e como deve ser comercializada essa produção. Nesse contexto, os fretes referemse ao transporte das filiais produtoras da Copersucar para a unidade filial da mesma em Santos SP, que, em momento posterior efetua a exportação. A previsão legal mencionada não alcança os fretes de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso em análise, é este o fato sobre o qual a Copersucar gera créditos e repassa à fiscalizada. Lembra que Copersucar formulou Consulta dirigida à Receita Federal, indagando sobre a possibilidade de apurar créditos sobre os referidos fretes, tendo obtido resposta negativa, conforme Solução de Consulta n° 296 SRRF08/DISIT. A decisão judicial favorável obtida pela cooperativa sobre a matéria, por meio do Mandado de Segurança (processo n° 002081228.2010.4.03.6100), prossegue o Termo, ainda pende de decisão definitiva o que impede a fiscalizada de utilizar esses créditos nos DACON. Essa situação justifica a glosa. O relato segue com a apresentação dos critérios usados pela auditoria na determinação dos valores a serem glosados a titulo de créditos sobre fretes internos. Demonstrativo de fls. 7.718/7.719 identifica mensalmente as glosas. O documento ao final esclarece que, após as glosas de créditos de PIS e de Cofins relativos às despesas com movimentação de mercadorias, foram zerados os saldos de créditos originalmente declarados no DACON. Assim, os valores a serem lançados de PIS e de Cofins como consequência das glosas dos créditos sobre os Fl. 7932DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.933 5 fretes internos correspondem aos próprios valores glosados, já que não havia mais saldos de créditos passíveis de aproveitamento. Porém, arremata, diante da medida judicial que protege a contribuinte quanto à apuração de créditos não cumulativos sobre as despesas com fretes internos, a constituição do crédito correspondente se dará sem a imposição da multa de ofício ficando o crédito com sua exigibilidade suspensa. O lançamento correspondente corresponde à matéria tratada no auto de infração que integra o processo administrativo nº 16004.720497/201317, também julgado nessa sessão. Notificada do lançamento em 19/09/2013, em 18/10/2013 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 7.758/7.811, alegando em síntese e fundamentalmente que: a) impugnação única deve servir ao presente processo e ao de nº 16004.720497/201317 (referente ao lançamento do crédito decorrente da glosa de créditos apurados sobre as despesas relacionadas aos fretes internos) em razão da coincidência da matéria, do sujeito passivo e dos motivos da autuação; b) a impugnante se creditou dos valores de créditos de PIS e COFINS repassados pela Copersucar, a título de rateio dos bens e das despesas com serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; tais valores, somados aos créditos próprios apurados como usina cooperada, foram utilizados nas respectivas DACON; c) a fiscalização considerou que a Impugnante teria se apropriado indevidamente de créditos decorrentes de despesas pagas pela Copersucar à Cia. Auxiliar de Armazéns Gerais, decorrentes da prestação de serviços de embarque de açúcar no Porto de Santos, valendose, para tanto, de uma interpretação negativa da literal disposição das normas de regência; a auditoria também glosou créditos calculados sobre as despesas com frete sob o argumento de que apenas os fretes nas aquisições de insumos e os relacionados às operações de venda permitem a apuração de créditos da nãocumulatividade; d) o auto de infração é viciado porque embasa o feito no inciso IX da Lei nº 10.637, de 2002, dispositivo que não guarda relação com a apuração de créditos não cumulativos de PIS e de Cofins sobre despesas com frete interno (intercompany) e movimentação de açúcar (embarque nos navios), em desrespeito ao art. 142 do CTN; há também o desvirtuamento do conceito de insumo, já que as rubricas alvo da glosa constituemse em despesas essenciais ao cumprimento dos objetivos da entidade; e) o lançamento em foco desrespeita ordem judicial que garante à autora, a Copersucar, repassar para a cooperada os créditos sobre os fretes; é ainda incabível o entendimento da auditoria de que a ação não teria eficácia imediata tendo em vista ainda pender de decisão definitiva; isto porque ao caso não se aplica o art. 170A do CTN já que não se trata de compensação de direito de crédito que exige o trânsito em julgado de decisão que considere indevida determinada exação; f) dentre as atividades operacionais da Impugnante está a de industrialização e comercialização de açúcar, configurandose imperativo que disponha de meios operacionais e logísticos suficientes para permitir a realização completa do seu negócio de exportação, aí incluídos despesas de frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação dos seus produtos) e, ao fim, do embarque do açúcar para os navios de exportação (despesas denominadas nas notas fiscais como "Movimentação", Fl. 7933DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.934 6 "Serviços de Operação Portuária", "Transbordo de Carga", "Segundo Giro" e "Ad Valorem"); g) a atividade de exportação do açúcar, em regime de 'pool’ envolve, em território nacional, uma série de operações necessárias que envolvem o transporte, recebimento, descarga rodoviária e/ou ferroviária, armazenagem e elevação/embarque do açúcar nos navios; parte dessas tarefas é realizada pela Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, a mando da Copersucar; pela realização desse conjunto de serviços, a Copersucar remunera a Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, e, posteriormente, rateia as despesas relativas a esses serviços com as empresas cooperadas, suas fornecedoras, dentre as quais se encontra a Impugnante. h) notase, assim, a absoluta essencialidade dos desembolsos realizados pela Impugnante para que possa auferir receitas no desempenho de sua atividade exportação/venda cooperada, pois apenas mediante o transporte, recebimento no porto, armazenagem (para formação de lotes para exportação) e embarque do açúcar nos navios, e o transporte até o destinatário final (o que pressupõe a movimentação da mercadoria no porto) é que se torna possível realizar a operação de exportação; i) embora o dispositivo legal de que se valeu a fiscalização para fundamentar a autuação objeto do presente processo administrativo (artigo 3°, inciso IX da Leis n° 10.833/03, extensível a contribuição ao PIS/Pasep) faça menção expressa às despesas com armazenagem, há, no inciso II do referido artigo 3° das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, previsão mais ampla, que autoriza os contribuintes a tomarem créditos de PIS e Cofins calculados sobre despesas com "bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes"; j) o desenho constitucional do regime da nãocumulatividade impõe à Administração Pública o reconhecimento dos créditos de PIS e Cofins aproveitados pela impugnante; as rubricas questionadas no procedimento se caracterizam como serviços imprescindíveis para a realização de sua atividade empresarial; a restrição interpretativa ao conceito de insumo emprestado da legislação do IPI pela Receita Federal do Brasil vai na contramão da próprio legislação das contribuições; o IPI é tributo que incide sobre o consumo de bens; PIS e Cofins são contribuições que incidem sobre a receita; assim, o conceito de valor agregado afeto ao IPI não se aplica para o PIS e Cofins; o conceito de insumo deve ser entendido de modo mais amplo, na linha do conceito aplicável ao imposto sobre a renda, como defende a doutrina e transparece na jurisprudência; nessa medida todas as despesas cujos créditos forma glosados integram a matriz de insumos da fiscalizada e são geradoras de crédito no regime não cumulativo; k) os valores pagos à Companhia Auxiliar de Armazéns Gerais, responsável pelo conjunto de atividades que envolvem a movimentação, o manuseio e a armazenagem do açúcar no porto até o embarque nos navios contratados navios, correspondem a despesas diretamente relacionados à cadeia produtiva da Impugnante; sem tais serviços, não haveria a conclusão do ciclo comercial da autuada; l) os valores glosados pela fiscalização não se referem a fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa desvinculados de qualquer operação de venda; o frete relativo às transferências do açúcar para exportação somente é depositado em entreposto portuário para o fim de compor o lote de exportação, mas o açúcar já sai da Unidade Cooperada Produtora com a exclusiva finalidade de ser embarcado para o exterior ou seja, estritamente atrelado a uma operação de venda; Fl. 7934DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.935 7 seria impossível à Impugnante exportar seu produto (açúcar) em dinâmica diversa daquela verificada no procedimento (estocagem da produção nas usinas para posterior transporte aos armazéns gerais da empresa COPERSUCAR que promove a venda no mercado internacional); a produção açucareira já sai diretamente da Unidade Produtora para o estabelecimento portuário apto a proceder às operações portuárias; de acordo com os procedimentos de praxe e de lei que regem a matéria; tendo em vista a particularidade da mercadoria é impossível a transferência direta da Unidade Produtora para os compartimentos do navio (mero transbordo de carga em operação de transporte midtimodal); m) ainda que a fiscalização entenda que o frete interno não tenha sido contemplado pelo comando emergente do inciso IX, do artigo 3o, da Lei n° 10.833, de 2003, tais dispêndios nada mais são do que despesas suportadas pela Impugnante para a consecução de sua atividade fim, que, na espécie, é a venda do açúcar ao mercado externo; tanto assim é que o Poder Judiciário reconheceu, na ação mandamental movida pela Copersucar, que o custo dos valores despendidos a título de frete no transporte entre estabelecimentos da impetrante ou entre o impetrante e armazéns gerais e alfandegários, podem ser creditados, visto, que no caso em tela, constituem ônus suportado pelo impetrante; Em 07 de março de 2014, a impugnação apresentada pela Recorrente foi, por unanimidade de votos, julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. INCLUSÃO DE DISPOSITIVO NÃO RELACIONADO À INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DOS FATOS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento, que, a despeito de haver mencionado dispositivo legal não relacionado à situação descrita nos autos, também inclui o dispositivo legal de regência dos fatos bem como descreve com detalhes a infração e a impugnação revela que o contribuinte exerceu amplamente seu direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS NO ARMAZÉM OU EMBARQUE. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA. Os custos e despesas incorridos com movimentação de mercadorias no armazém ou no embarque, não geram créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS NO ARMAZÉM OU EMBARQUE. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA. Os custos e despesas incorridos com movimentação de mercadorias no armazém ou no embarque, não geram créditos no regime da nãocumulatividade. Fl. 7935DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.936 8 Ciente da decisão em 04.04.2014 (fls. 7.879), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06.05.2014 (fls. 7.8827.917), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede impugnatória. É relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 04.04.2014 (fls.7.879) e protocolou Recurso Voluntário em 06.05.2014 (fls.7.8827.917) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminar II. 1 Nulidade do Auto de Infração A recorrente entende que o ato administrativo seria nulo por ter a fiscalização relacionado na base legal o inciso IX da Lei nº 10.637/20022, dispositivo que não guarda relação com os glosados créditos apurados sobre despesas de movimentação do açúcar e fretes desvinculados das operações de venda. A decisão recorrida afastou as pretensões da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: Observou a contribuinte com razão que o dispositivo não se relaciona ao objeto das glosas. Porém, esse equívoco da fiscalização em nada modifica a validade formal do lançamento. Vejase que as referências ao dispositivo acima transcrito vêm sempre acompanhadas (fls. 7.697 e 7.714) também de alusões ao art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, esse sim, dispositivo relacionado à situação relatada pelo fiscal. No mais, observase que a descrição do objeto da glosa está bem detalhada nos autos possibilitando o pleno exercício do direito de defesa por parte da impugnante que de fato, demonstrou na impugnação ter pleno conhecimento das razões da autuação. De acordo com a decisão recorrida. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 7936DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.937 9 Isto porque, o fato de parte da capitulação utilizada pela fiscalização estar incorreta, não se presta para anular o Auto de Infração quando a descrição dos fatos permite ao contribuinte pleno conhecimento dos motivos que ensejaram o lançamento fiscal. Neste sentido, destaco alguns trechos do relatório fiscal que apresentam os fatos e fundamentos que ensejaram o lançamento fiscal: (...) Portanto, entendo que o erro em parte da capitulação anteriormente noticiado, não é suficiente para ensejar qualquer declaração de nulidade do Auto de Infração. III. Mérito III.1 Conceito de Insumos para Fins de Creditamento Antes de enfrentar a questão tratada neste tópico, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Fl. 7937DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.938 10 Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma, tornouse nãocumulativo. A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a qual vem disciplinando o regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS. Já em 30 de outubro de 2003, foi editada a Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime não cumulativo para a COFINS. No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir, dentre outros, o parágrafo 12, o qual dispõe que "a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b e ; e IV do caput, serão nãocumulativos." No que concerne ao sistema de créditos, o aproveitamento se encontra disposto nos artigos 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, prevendo que os custos e despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos, senão vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 7938DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.939 11 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) É de se ver, que a legislação infraconstitucional permitiu os créditos de insumos, sem impor qualquer restrição, ou seja, adquirindo bens ou serviços que sejam utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições. Ressaltase, por oportuno, que eventual restrição ao aproveitamento de créditos de insumos surgiu com o advento da Lei nº 10.865/2004, que trouxe a vedação de créditos no valor pago pela mão de obra de pessoa física, bem como na hipótese de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito Como se vê na decisão de piso, foi adotado pela autoridade fiscal como critério para definição de insumos as Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, podendose concluir que a Receita Federal do Brasil aplicou a definição de insumo da legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se tratam de tributos de materialidades completamente distintas. Referidas IN´s, mitigaram a nãocumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto criaram diversos óbices e restrições na apuração dos créditos instituídos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de mencionar os ensinamentos de Natanael Martins3, a saber: "o conceito de insumo, contemplado na sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar determinado serviço. 3 O conceito de insumos na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. IN PISCOFINS Questões Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007. Fl. 7939DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.940 12 Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo". Com efeito, insumo4 é a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com características próprias, divididos entre insumos diretos e insumos indiretos, conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007: É de se notar, que o termo "insumo" não poder ser utilizado de maneira restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de encontro com o princípio da nãocumulatividade. Destarte, os dispêndios direitos ou indiretos incorridos na produção ou prestação de serviços devem ser considerados como insumos e, consequentemente, serem computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale destacar o atual posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, conforme denotase da ementa do v. acórdão nº 3403002.656: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e necessários ao processo 4 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entre (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entrem na elaboração de certa quantidade de bens e serviços”. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870. Fl. 7940DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.941 13 produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Feito estas considerações, na qual manifesto entendimento contrário aos critérios adotados pela autoridade fiscal, passo agora analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário que dizem respeito a: (i) fretes internos; (ii) despesas relativas à movimentação do açúcar para o navio. III.1.a Fretes Internos Nos termos do relatório fiscal de fls. 7.6947.721, a fiscalização glosou os créditos da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: Para entender a natureza dos fretes internos, cabe esclarecer que a produção das usinas cooperadas fica disponinilizada para a COPERSUCAR nas unidades de produção. Ou seja, a COPERSUCAR possui em cada uma das usinas cooperadas (inclusive na fiscalizada) unidade filias, nas quais estão estocados o açúcar e o etanol produzidos. Dessa forma, toda a produção das cooperadas fica sob poder da COPERSUCAR, que determina para quem e como deve ser comercializada essa produção. Nesse contexto, em regra, tais fretes referemse ao transporte da produção das filiais da COPERSUCAR para a unidade filial da mesma em Santos SP , para que esta, posteriormente, efetue a exportação. Há ainda alguns fretes de transporte das unidades filiais da COPERSUCAR para os amrazéns de estocagem, conforme cópias das notas fiscais juntadas (por amostragem) às fls.4.4764.496. Fl. 7941DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.942 14 Conforme já ressaltamos, o inciso IX do artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a frete na operação de venda. Destarte, a previsão legal não abrange os fretes de mercadorias acabadas entre os estabelecimentos do mesmo grupo. No caso em análise, é este o fato sobre o qual a COPERSUCAR gera créditos e repassa à fiscalizada. Ainda que a COPERSUCAR possa argumentar que a transferência de mercadorias acabadas entre seus próprios estabelecimentos seja operação que represente etapa essencial às suas atividades, não encontra respaldo em lei, isto porque somente há previsão para o crédito relativo a frete na aquisição de insumos e frete nas operações de venda. Por sua vez, a Recorrente alega, em síntese, que dentre as suas atividades operacionais da está a de industrialização e comercialização de açúcar, configurandose imperativo que disponha de meios operacionais e logísticos suficientes para permitir a realização completa do seu negócio de exportação, aí incluídos despesas de frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação dos seus produtos) No presente caso, entendo que referidas despesas de transportes não se caracterizam como frete nas operações de venda, passível de creditamento, mais mera despesa de transporte de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o centro de distribuição. Como cediço, as normas de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. Há também direito ao crédito sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Entretanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre a industria e o Porto para formação de lote de exportação em recintos alfandegados, que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Portanto, entendo que deve ser mantida a glosa relativa aos serviços de transportes discutidos neste tópico. III.1.b Despesas relativas à movimentação do açúcar para o navio Neste ponto a fiscalização glosou os créditos da recorrente, por entender que as despesas de movimentação do açúcar exportado (embarque do açucar nos navios), não são Fl. 7942DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.943 15 passíveis de creditamento por total ausência de permissivo legal que autorize o desconto de créditos. Por sua vez, a Recorrente, em síntese, alegou que a atuação da prestadora de serviços portuários relativo a movimentação do açúcar para os compartimentos, consiste em etapa indissociável do transporte da mercadoria, razão pela qual é de se tratar a despesa como parcela do custo do transporte. Em relação a este tema, este Relator já se posicionou favoravelmente ao direito do contribuinte nos seguintes termos5: Considerando a operação realizada pela Recorrente, e pelo fato dela ter especificado os dispêndios com referidos serviços, entendo que estes são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, não podendo, a pessoa jurídica prescindir desses serviços, não sendo eles opcionais, nem atividademeio e tampouco despesa administrativa. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nas hipóteses relativas aos gastos com estes serviços tem entendido que integram o custo dos bens, e o direito do crédito é assegurado no art. 3º da e da lei 10.833/03, senão vejamos: (cfr. Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência que o julgador considerar prescindível ao deslinde do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013) 5 Acórdão: 3302003.199 Processo 11624.720020/201311 Sessão 17 de maio de 2016. Fl. 7943DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.944 16 Por este motivo, entendo que há de ser reconhecido o direito da Recorrente ao crédito de PIS/COFINS incidente nesta operação. Neste cenário, considerando que referidos serviços são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pela Recorrente, entendo que a glosa deve ser totalmente revertida. IV Conclusão Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa das despesas de movimentação do açúcar para o navio. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Vinícius Guimarães, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de PIS/COFINS, no regime não cumulativo, com relação às despesas portuárias diversas, em especial, no presente caso, os gastos com movimentação e embarque de açúcar. Em seu voto, o i. relator assinala que os referidos dispêndios seriam necessários ao processo produtivo atinente à atividade econômica da recorrente, afigurandose como passíveis de creditamento das contribuições nãocumulativas. Distanciome de tal entendimento pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, importa recordar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições nãocumulativas, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência atual do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular, de forma estrita, o conceito de insumos à relação de pertinência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Fl. 7944DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.945 17 Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e a duração do processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser Fl. 7945DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.946 18 deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços durante o processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas incorridas antes ou depois do processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Ou seja, os bens ou serviços consumidos enquanto perdurar o processo produtivo são considerados insumos, enquanto que os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado o processo produtivo, "por mais que possam ser necessários à produção", não se enquadram no conceito de insumos. Filiome ao conceito de insumos acima esposado. Não basta que a despesa seja necessária ao processo produtivo: é fundamental que ela seja incorrida dentro do limite espaço temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tendo em vista tal conceito de insumos e voltando ao caso concreto, há que se concluir que gastos portuários, como é o caso dos serviços de movimentação e embarque de açúcar, ainda que, eventualmente, possam se mostrar necessários à atividade econômica da pessoa jurídica, como bem pontuou o i. relator, não podem ser considerados insumos, uma vez que constituem despesas incorridas após o processo produtivo. De fato, os referidos dispêndios ocorrem após o período de duração do processo produtivo, não guardando a fundamental e necessária relação de pertinência com a produção, razão pela qual não se aplica a eles o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS nãocumulativos. Há que se ressaltar, por fim, que os citados gastos aduaneiros não podem ser confundidos com os gastos com armazenagem ou transporte (frete), uma vez que correspondem, evidentemente, a categorias ontologicamente distintas, resultando daí tratamentos jurídicos distintos no que concerne à possibilidade de crédito de PIS/COFINS: enquanto despesas com armazenagem e frete podem, sob certas condições, gerar direito ao crédito de PIS/COFINS, por expressa previsão legal, os gastos com serviços portuários dos produtos acabados não dão direito a crédito, uma vez que 1) não representam insumos e 2) não há norma tributária prevendo seu creditamento. Fl. 7946DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.947 19 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente quanto à possibilidade de creditamento das despesas com serviços portuários diversos movimentação e embarque de açúcar. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 7947DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALKER ARAUJO em 23/08/2018 14:38:00. Documento autenticado digitalmente por WALKER ARAUJO em 23/08/2018. Documento assinado digitalmente por: PAULO GUILHERME DEROULEDE em 31/08/2018, VINICIUS GUIMARAES em 24/08/2018 e WALKER ARAUJO em 23/08/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0918.13175.JUR0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B10A8ED0029E60E85FC2367C59791E9003A0B6CC8DF166E7C23F6F367EC4C788 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16004.720480/2013-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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