Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18088.000636/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE.
Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Restando comprovado nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poder-dever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados.
RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE.
Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
Numero da decisão: 2301-006.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28), para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Restando comprovado nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poder-dever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18088.000636/2008-60
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6035440
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.202
nome_arquivo_s : Decisao_18088000636200860.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANTONIO SAVIO NASTURELES
nome_arquivo_pdf_s : 18088000636200860_6035440.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28), para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7826488
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119763779584
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-17T17:36:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-17T17:36:18Z; Last-Modified: 2019-07-17T17:36:18Z; dcterms:modified: 2019-07-17T17:36:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-17T17:36:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-17T17:36:18Z; meta:save-date: 2019-07-17T17:36:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-17T17:36:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-17T17:36:18Z; created: 2019-07-17T17:36:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2019-07-17T17:36:18Z; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-17T17:36:18Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18088.000636/2008-60 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.202 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2019 Recorrente WALDIR CERVINI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Restando comprovado nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poder-dever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 28. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 36 /2 00 8- 60 Fl. 434DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e da representação fiscal para fins penais (Súmula Carf nº 28), para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 402/426) interposto em face do Acórdão nº 17-37.544 (e-fls 379/397) prolatado pela DRJ São Paulo II em sessão de julgamento realizada em 20 de janeiro de 2010. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-37.544 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 314/329 1 , acompanhado dos demonstrativos de fls. 330/334 2 , além das planilhas de fls. fls. 307/313 3 , relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos anos- calendário de 2003, 2004 e 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 266.199,71, composto de: Imposto R$ 72.988,84 1 Auto de infração anexado às e-fls 331/346. 2 Demonstrativos anexados às e-fls 347/351. 3 Planilhas anexadas às e-fls 324/330. Planilha resumo de créditos com origem comprovada (e-fls 324); Planilhas resumo de créditos com origem NÃO comprovada (e-fls 325/330). Fl. 435DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 Juros de mora (calculados até 31/10/2008) R$ 34.421,65 Multa Proporcional R$ 158.789,22 Conforme descrição dos fatos de fls. 316/329 4 , a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: - omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos da pessoa jurídica Cooperativa dos Ex-Funcionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos, CNPJ 01.396.542/0001-98. Em diligência levada a efeito junto à pessoa jurídica, constatou-se que os rendimentos pagos foram oriundos de honorários advocatícios/peritagem, e, portanto, tributáveis. Não houve retenção na fonte e os rendimentos foram omitidos pelo contribuinte em suas DIRPF dos exercícios 2004 e 2005. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 324, 325 e 326; - omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, no valor de R$ 150,00, recebidos de Pinhokar Acessórios para Veículos Ltda., CNPJ 67.720.714/0001-45, referente à diferença entre os rendimentos constantes no Comprovante de Rendimentos e de Imposto de Renda Retido na Fonte fornecido pela citada fonte pagadora (R$ 3.360,00) e o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF do exercício 2006 (R$ 3.210,00). Fato gerador, valor tributável e enquadramento leal as fls. 325 e 326; - omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 326/327 5 . Consta ainda, que intimado a apresentar os extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, contas de investimento, referentes ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 (fl. 06), o contribuinte solicitou prorrogações de prazo (fls. 16/17) e em 28/05/2008 (fls. 20/145), apresentou os extratos solicitados, à exceção dos extratos do Banco Santander Banespa, apresentados em 10/06/2008 (fls. 117/145). Todavia, intimado e reintimado a comprovar a origem dos depósitos (fl. 259), o contribuinte permaneceu em silêncio quanto às solicitações do Fisco, tendo se limitado a solicitar uma única prorrogação de prazo. O lançamento dos valores omitidos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada foi efetuada com aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I § 1º da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, ou seja, no percentual de 225%, compostos da seguinte forma: 75% pelo lançamento de ofício, qualificação da multa em 75% por estar evidente o intuito doloso da infração cometida e mais o agravamento da multa em mais 75% por não atendimento à intimação no prazo estabelecido. 4 E-fls. 333/346. 5 E-fls 343/344. Fl. 436DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 Cientificado do lançamento por via postal em 27/11/2008 (AR a fl. 339), o autuado apresentou, em 22/12/2008, a impugnação de fls. 340/355 6 , por intermédio de procurador (procuração a fl. 356), alegando: - em relação aos recebimentos da Cooperativa – os valores que serviram para que a fiscalização efetuasse o lançamento de imposto deveriam ter sido tributados na fonte, aquelas dos anos de 2003 e 2004, o que não ocorreu, portanto, cabe a fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento. De qualquer forma, pelo menos o recebimento de 2004 está sendo bitributado, pois fez parte da movimentação bancária, que recebeu indevida tributação; - em relação aos depósitos bancários: - DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO EM DUPLICIDADE: conforme se verifica do auto de infração, o Sr. Fiscal tributou o contribuinte relativamente a vários valores creditados em conta bancária, indevidamente, e sem uma análise mais profundas, pois existem saques de cadernetas de poupança de anos anteriores, liberação de depósitos (tributou o depósito e depois a liberação do mesmo), apresentando planilha com os alegados valores tributados em duplicidade as fls. 342/344; - quanto às demais movimentações bancárias: - OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: - apesar de apresentar os extratos, grande parte com a origem dos recursos e transferência para bancos em depósitos, o fisco não aceitou, lançando a multa relativamente ao que chamou de omissão de receita; - o auto de infração reveste-se de nulidade de conformidade com o artigo 400, § 6º do RIR/80, transcrevendo julgado do TRF da 5ª Região e o § 6 do citado artigo do RIR/80: “Verificada a ocorrência de omissão de receita, será considerado lucro líquido o valor correspondente a 50% dos valores omitidos (Decreto-lei n.º 1648/78, art, 8º, § 6º)”; - cita a Súmula 182 do TRF que declara: É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base em apenas extratos ou depósitos bancários. Transcreve parte de julgado do Conselho de Contribuintes; - conclui que não existiu omissão de receita e como a fiscalização quer que sejam demonstrados individualmente os valores depositados? Por exemplo, houve várias movimentações durante um determinado mês e vários depósitos originários, portanto, não se pode exigir que para cada movimento haja um depósito com valor correspondente; - INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ABUSIVA: - a multa ora exigida do recorrente (a qual perfaz 225% do valor principal do crédito tributário sob discussão) possui inequívoco efeito confiscatório, em ofensa ao estatuído no inc. IV do art. 150 da CF/88. O efeito confiscatório é constitucionalmente vedado tanto no que tange à quantificação de tributo quanto no que concerne à quantificação da sanção pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Transcreve doutrina; 6 Impugnação anexada às e-fls 357/372. Fl. 437DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 - a jurisprudência do Col. Supremo Tribunal Federal já pacificou a matéria a respeito da equiparação de multa excessiva ao efeito confiscatório. Cita julgados; - para multa não possuir caráter confiscatório e seguindo a orientação jurisprudencial, a mesma deveria ser fixada, no máximo em 20%; - vale dizer ainda que não houve dolo de espécie alguma e o Sr. Fiscal foi atendido em tudo o quanto exigiu, pois quando necessário foi requerido prazo para atendimento do pedido e houve sim concordância com o pedido; QUANTO À TIPIFICAÇÃO CRIMINAL REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - transcreve o art. 1º, inciso I da Lei n.º 8.137/90 para afirmar que o sr. Auditor Fiscal entende que o contribuinte omitiu ou prestou declarações falsas, ainda que parcialmente, a autoridade fazendária da ocorrência de fatos geradores das obrigações tributárias principais, - esta denuncia esbarra com a verdade e imputa não só recebimentos da Cooperativa de Ex-Funcionários da CBT e também outros fatos, como os depósitos bancários sem comprovação, sem qualquer elemento mínimo de convicção; - no caso em especial, é certo que o contribuinte sempre informou à Receita Federal e se por qualquer motivo deixou de constar na declaração anual de rendimentos alguns parcos rendimentos da Cooperativa da CBT, pode no máximo ser responsabilizado como inadimplente e não como sonegador; - quanto aos depósitos bancários, o assunto já está todo exposto, sendo certo que não representa receita e também indevida a sua tributação; - por fim, requer que seja tornado nulo o auto de infração ou alternativamente, seja deduzido do auto de infração o valor declarado em sua declaração anual de rendimentos; sejam desconsiderados todos os lançamentos relativos à movimentação bancária e se mantido, requer alternativamente, sejam excluídos do auto de infração os valores que foram esclarecidos e ainda, alternativamente, se mantido o auto de infração seja a multa reduzida a 20%. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-37.544 2.1. Ao julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, o acórdão tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Fl. 438DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 Restando comprovado nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poder-dever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. SÚMULA 182 DO TFR - FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar- se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada posteriormente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. QUALIFICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL A multa de ofício qualificada, prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, só pode ser aplicada quando comprovado nos autos o evidente intuito de fraude. A não comprovação da origem dos depósitos bancários, por si só, não permite a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA. A exasperação da multa por desatender a intimação justifica-se se os esclarecimentos solicitados forem imprescindíveis à fiscalização, nos termos legais. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DA IRRESIGNAÇÃO NO RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo de representação fiscal para fins penais não obedece ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto n.º 70.235/72. Assim, não compete à autoridade administrativa julgadora de 1ª instância se pronunciar quanto à legitimidade da lavratura de representação fiscal para fins penais. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. Fl. 439DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. 2.2. A decisão da turma julgadora a quo determinou a redução da multa de ofício aplicada sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada referente ao ano-calendário 2004, de 225% para 75% (e-fls 396). 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 402/426), são deduzidas, em síntese, as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação: (fls) BASE LEGAL MENCIONADA NO AUTO DE INFRAÇÃO (405) Em relação aos recebimentos da Cooperativa (406) Em relação aos depósitos bancários: (406) DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO EM DUPLICIDADE (406/411) Planilha resumo CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 7 (407/411) QUANTO AS DEMAIS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS (412) OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO DECLARADA 8 (412/415) INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ABUSIVA (415/421) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS PROC, 18088.000637/2008-12 (422/425) 3.1. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 425/426) DO PEDIDO Diante de tudo quanto exposto, e, com amparo na garantia constitucional do contraditório pleno (art. 5°, LV) o recorrente vem requerer à autoridade julgadora o que segue: a) seja alterada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo-SP. Acórdão n° 17-37544 - 4a Turma da DRJ/SP2, para que 7 Em relação à planilha (e-fls 407/408) alega que teria havido duplicidade: saques de cadernetas de poupança de anos anteriores, liberação de depósitos (tributou o deposito e depois a liberação do mesmo). 8 Sustenta aplicabilidade do artigo 400, § 6° do RIR/80. Fl. 440DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 seja tornado nulo o Auto de Infração objeto da presente pelos motivos e fundamentos já expostos; b) Alternativamente requer seja deduzido do auto de infração o valor declarado em sua declaração anual de rendimentos; c) sejam excluídos do auto de infração os valores movimentados de origem de caderneta de poupança, como já exposto e esclarecido; d) ainda alternativamente, se mantido o auto de infração, seja a multa reduzida a 20%; e) que a existência desse recurso seja comunicado aos Órgãos competentes encarregados de inscrever e de enviar à execução os créditos da União, para evitar que antes do crédito estar definitivamente constituído (CTN art. 174), na pendência desse recurso, venha o mesmo a ser levado indevidamente à execução fiscal, antes do crédito estar definitivamente constituído (CPC.arts.586 e 618, I). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDAA MMUULLTTAA AABBUUSSIIVVAA 5. Não conheço das alegações deduzidas às e-fls 415/421 do recurso voluntário. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ LLAAVVRRAATTUURRAA DDEE RREEPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO FFIISSCCAALL PPAARRAA FFIINNSS PPEENNAAIISS 6. Não conheço das alegações deduzidas às e-fls 422/425 do recurso voluntário. Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PPRREELLIIMMIINNAARR -- AALLEEGGAAÇÇÃÃOO DDEE NNUULLIIDDAADDEE CCOOMM BBAASSEE NNOO AARRTTIIGGOO 440000,, §§ 66ºº DDOO RRIIRR//8800 7. Ao iniciar a argumentação no tópico intitulado "OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO DECLARADA" (e-fls 412/415), o Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração com base em dispositivo do RIR/80. Entretanto, entendo que a decisão de primeira instância perfez abordagem adequada da matéria, ao rejeitar tal preliminar, e fundamentar esta decisão na norma estatuída pelos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/1972. Acolho, pois, os fundamentos da decisão de primeira instância para rejeitar a questão preliminar suscitada no recurso. Fl. 441DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-37.544 O impugnante afirma que o auto de infração reveste-se de nulidade, de conformidade com o artigo 400, § 6º do RIR/80, que tem como base legal o Decreto- lei n.º 1.648/78, art. 8º, § 6º, que diz que verificada a ocorrência de omissão de receita, será considerado lucro líquido o valor correspondente a 50% dos valores omitidos. Assim, preliminarmente é necessário discorrer sobre a nulidade no processo administrativo que é tratada pelos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, que dispõem: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. .......... Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Segundo o Decreto 70.235/72 só é nulo, portanto, o auto de infração que for lavrado por autoridade incompetente ou se o for em desacordo com o seu artigo 10, que estabelece os requisitos que deve conter obrigatoriamente o auto de infração, a seguir transcrito: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Verifica-se, pelo exame do processo, que foram observados quando da lavratura do auto de infração todos os requisitos previstos no dispositivo acima transcrito e, ainda, que não ocorreram os pressupostos elencados no art. 59 do Decreto 70.235/72, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente – Auditor Fiscal Fl. 442DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 da Receita Federal – perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal. Ademais, o invocado art. 400, § 6º do RIR/80 trata da tributação das pessoas jurídicas, tendo como base legal o Decreto-lei n.º 1.648, de 18 de dezembro de 1978, que altera a legislação do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e dá outras providências, não se aplicando, pois, ao auto de infração que trata de imposto de renda das pessoas físicas. Cabe destacar que ainda que tal dispositivo fosse aplicado ao caso, o mesmo não acarretaria a nulidade do lançamento, mas apenas alteraria o cálculo do imposto devido. Ressalte-se que o contribuinte identificou o conteúdo material da exigência formulada, e contra ela interpôs suas alegações, sem exceção. Assim, tendo a autoridade lançadora agido com estrita observância das normas legais que regem a matéria em questão, conclui-se pela validade do lançamento, não se vislumbrando no procedimento a ocorrência de vícios de ordem processual ou material que ensejem sua nulidade. Preliminar rejeitada. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-37.544 MMÉÉRRIITTOO -- DDAASS DDEEMMAAIISS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS DDEEDDUUZZIIDDAASS NNOO RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO.. 8. Verificada a coincidência entre as razões deduzidas no recurso e aquelas ofertadas ao tempo da impugnação, e por concordar com a análise feita pela decisão de primeira instância, destacadamente na parte que traz a abordagem das alegações concernentes à suposta duplicidade (e-fls 406/411 do recurso voluntário), faz-se uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57 § 3º do Regimento Interno do CARF, e adota-se como razões de decidir os mesmos fundamentos apresentados no voto prolatado pelo Relator da turma julgadora a quo, que guardam pertinência com as alegações relacionadas ao mérito do recurso. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-37.544 Versam os autos sobre omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação aos rendimentos omitidos, recebidos de pessoas jurídicas, o interessado não contesta o seu recebimento, mas alega que deveriam ter sido tributados na fonte, cabendo a fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento. Sobre a omissão de rendimentos, cumpre ressaltar que o art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, assim dispõe: “Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decreto-lei nº 5.844/43, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172/66, art. 149, Lei nº 8.541/92, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): (...). Fl. 443DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 III – fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; (...). VI – omitir receitas ou rendimentos.” (grifei) O § 2º do artigo 147 do Código Tributário Nacional determina: “Art. 147 – O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. (...) § 2º - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” O art. 11 da Lei n.º 8.981/1.995 observa que, a partir de 1º de janeiro de 1.995, a pessoa física deverá apurar o saldo em reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Vê-se, então, que o descumprimento destes mandamentos provoca o poder-dever do Fisco de, em revisão à declaração, corrigir estes desvios e efetuar o lançamento de ofício sobre os valores omitidos. Em relação à alegação de que cabe a fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento, cumpre dizer que o art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN) assim prescreve: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (grifei) Urge, pois, analisar o inteiro teor deste artigo em consonância com a legislação específica do imposto de renda. De plano, esclareço que a presente relação jurídica tributária, objeto do auto de infração de fls. 314/329 versa sobre o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), dos exercícios de 2004 a 2006, anos-calendário de 2003 a 2005, cuja hipótese de incidência é anual. Não trata a presente lide sobre Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de responsabilidade da fonte pagadora, com hipótese de incidência mensal. Pelos artigos 43 e 45 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), depreende-se que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica e que contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, sendo ele, o contribuinte, no dizer do inciso I do parágrafo único do artigo 121 do CTN, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. Fl. 444DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 Nos termos do parágrafo único do artigo 45 e do inciso II do parágrafo único do artigo 121, ambos do CTN, a fonte pagadora dos rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, Cooperativa dos Ex-Funcionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos, reveste-se de sujeito passivo, na situação de responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte: “Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” À luz dos dispositivos supracitados, a responsabilidade da fonte pagadora dos rendimentos pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte decorre de lei e não exclui a obrigação tributária pelo pagamento do imposto imputável ao contribuinte pela sua relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, mesmo que os rendimentos não tenham sido tributados na fonte, por omissão da fonte pagadora o beneficiário dos rendimentos, na condição de contribuinte do imposto de renda, deve tributá-los na Declaração de Ajuste Anual. A ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimento não exclui a sua natureza tributável, nem exonera o beneficiário do rendimento da obrigação de incluí-lo, para tributação, na declaração de ajuste anual, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, conforme aduz o art. 45 do Código Tributário Nacional – CTN. Há de se acrescentar que tanto na hipótese do Imposto de Renda Retido na Fonte ser antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual como na hipótese de tributação exclusiva na fonte, o sujeito passivo da obrigação tributária é o beneficiário do rendimento, não a fonte pagadora. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo. Quando a legislação tributária impõe à fonte pagadora a obrigação de reter o imposto, não modifica o contribuinte da obrigação tributária apurada na Declaração de Ajuste, que continua sendo a pessoa que adquiriu a disponibilidade jurídica ou econômica da renda ou dos proventos tributáveis (CTN, arts. 45 e 121, parágrafo único, I). Assim, é de se manter a tributação dos valores recebidos de pessoa jurídica e omitidos nos anos-calendário 2003 e 2004. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS Fl. 445DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 A lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei n° 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se- á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.º. Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2.º. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3.º. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.º. No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações (grifei). §6.º. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.” O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos utilizando-se depósitos bancários injustificados desde que demonstrados os sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e desde que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebe-se claramente que na vigência da Lei nº. 8.021/90 o fator que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, que deviam ser comprovados pela fiscalização, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n.º 8.021/90, tendo entrado em vigor a Lei nº. 9.430/1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº. 9.481/1997, deu suporte à presente autuação, e que assim dispõe: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 446DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Art. 88. Revogam-se: (...) XVIII – o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990” Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador - as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.” No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas – (JUSTEC-RJ-1979-pg. 806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº. 9430/96 é presunção relativa, presunção juris tantum, que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Fl. 447DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 No caso em tela, a fiscalização, de posse dos valores movimentados nas contas do contribuinte mantidas junto às instituições financeiras, intimou-o e reintimou-o a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nela efetuados. Faz-se necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão- somente a inquestionável observância do diploma legal. O contribuinte alega que os rendimentos recebidos de pessoa jurídica - Cooperativa dos Ex-Funcionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos - em 2004 estariam sendo bitributados, pois fizeram parte da movimentação bancária. Entretanto, não demonstra quais depósitos corresponderiam aos rendimentos de pessoa jurídica omitidos na declaração de ajuste anual, prova esta que caberia ao impugnante, pela inversão do ônus da prova legalmente estabelecida. Também não pode prosperar o argumento deve ser deduzido do auto de infração o valor declarado na declaração anual de rendimentos do contribuinte, uma vez que o mesmo não demonstra quais depósitos corresponderiam a tais rendimentos. Também alega que vários valores creditados em conta bancária foram tributados indevidamente, pois existiriam saques de cadernetas de poupança de anos anteriores, liberação de depósitos (tributou o depósito e depois a liberação do mesmo), apresentado as fls. 342344, extensa lista de tais valores. Ocorre que em exame aos extratos bancários constata-se a improcedência do alegado, uma vez que de fato há nos extratos depósitos bloqueados e posterior liberação. Todavia, cuidou o auditor-fiscal ao elaborar a planilha resumo Créditos com origem não comprovada, de fls. 308/311 de incluir somente os depósitos liberados. Quanto a saques de cadernetas de poupança, é identificado como tal, o seguinte depósito (extrato a fl. 26), que será excluído da tributação: BANCO AGÊNCIA CONTA DATA HISTÓRICO VALOR (R$) 001 0295 80186-0 10/02/2004 POUPANÇA 10.000,00 Já os valores depositados no Banco Real (356), na agência 0301, conta n.º 008703400, que corresponde à caderneta de poupança, não serão excluídos, por não serem transferência de poupança para conta corrente, mas sim depósitos efetuados diretamente em conta de poupança, cuja origem não se comprovou, conforme extratos de fls. 85/95 (depósitos de R$ 9.000,00 em 15/09/2004, R$ 3.998,20 em 08/06/2004, R$ 2.716,82 em 07/05/2004, R$ 2.392,96 em 11/05/2004, R$ 2.235,58 em 07/07/2004, R$ 1.778,00 em 03/05/2004, R$ 1.446,96 em 06/05/2004, R$ 1.380,00 Fl. 448DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.202 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000636/2008-60 em 04/05/2004, R$ 1.372,00 em 11/08/2004, R$ 956,00 em 14/06/2004 e R$ 730,00 em10/09/2004). Caberia também ao contribuinte apresentar documentação hábil e idônea para comprovar que há valores transferidos que foram considerados depósitos em outro banco. Quanto ao fato de haver saldo negativo nas contas bancárias, o mesmo não invalida a presunção de omissão de receita caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada. Como já mencionado anteriormente, a demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidência de datas e valores, não cabendo a “comprovação” feita de forma genérica fundada em meras alegações e indícios indiretos. Por sua vez, é indispensável esclarecer que a Súmula 182 do antigo TFR, refere- se a um momento histórico distinto, tendo sido editada no Diário de Justiça, de 07/10/85, pág. 17.483, quando não era possível formular-se presunção legal com base em depósitos bancários. A partir da vigência da Lei nº 8.021/90, formulou-se um novo enunciado prescritivo que torna lícita a utilização do depósito bancário como presunção legal de omissão de rendimentos. Portanto, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não há reparos a serem feitos no lançamento. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-37.544 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Em vista do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações relacionadas à inconstitucionalidade e à lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais e, na parte conhecida, por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902861/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2012 a 31/03/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2012 a 31/03/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.902861/2015-01
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036960
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.286
nome_arquivo_s : Decisao_10865902861201501.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10865902861201501_6036960.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7829911
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119782653952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.902861/201501 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.286 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente LIMERCART INDUSTRIA E COM DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2012 a 31/03/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 28 61 /2 01 5- 01 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.902861/201501 Acórdão n.º 3401006.286 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 73DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.902861/201501 Acórdão n.º 3401006.286 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900493/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2011
AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei.
SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR.
Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar.
Numero da decisão: 1301-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.900482/2014-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.900493/2014-59
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023220
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.886
nome_arquivo_s : Decisao_10530900493201459.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10530900493201459_6023220.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.900482/2014-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7794793
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119784751104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.900493/201459 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.886 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente MINERAÇÃO CARAÍBA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 04 93 /2 01 4- 59 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 3 2 à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.900482/201479, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MINERAÇÃO CARAÍBA S.A. recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente. A Declaração de Compensação foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP transmitido, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, no período de apuração em questão, sujeitouse ao recolhimento dos tributos no regime de tributação pelo Lucro Presumido. Neste contexto, na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de IRPJ e efetuou recolhimentos em Darf em três cotas. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou DIPJ retificadora, identificandose a existência de indébito tributário. Ato contínuo, transmitiu PER/DCOMP objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de outros débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base na DIPJ retificadora, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 5 4 Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegouse a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que a DIPJ retificadora e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado na DIPJ original e na retificadora) decorrente de pagamento a maior que o devido (somatório dos Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma a quo julgoua improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, afirmou que a DRJ inovou ao exigir prova dos erros que deram ensejo à retificação da DIPJ e, a fim de contrapor os argumentos da DRJ de que somente a DIPJ retificadora não faria prova do recolhimento indevido, apresentou documentos que comprovariam que na DIPJ original, embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução. Os documentos também demonstrariam que não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.881, de 14/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10530.900482/2014 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.881): O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para manter na íntegra o despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas. Entendeuse que o contribuinte, além de não retificar a DCTF e o crédito pleiteado já estar totalmente alocado a outros débitos, não comprovou o suposto erro no cálculo do tributo devido, não sendo hábil para tanto somente a transmissão de DIPJ retificadora. Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito pleiteado referese a pagamento indevido de IRPJ decorrente de suposto preenchimento incorreto da DIPJ original, posteriormente retificada. O contribuinte, contudo, não retificou a DCTF em que constava o débito declarado, tendo a turma julgadora de primeira instância indicado ser esse o primeiro óbice ao reconhecimento de crédito requerido, uma vez que o crédito pleiteado estaria totalmente alocado ao débito declarado em DCTF. Contudo, a ausência de retificação da DCTF, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito pleiteado, podendo levar ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 7 6 administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito, justamente o segundo ponto levantado pela DRJ como razão para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. No caso concreto, a Recorrente novamente anexou aos autos as fichas das DIPJs original e retificadora, apontando, agora, claramente os supostos erros na determinação do IRPJ devido que teria cometido em razão de erro no preenchimento da DIPJ original e, consequentemente, no valor de IRPJ confessado na DCTF, quais sejam: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 8 7 embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução; não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”; documento que confirmaria a retenção de IRPJ na fonte referente a seus rendimentos constante nas DIRF em que aparece como beneficiária. Frisase, a bem da verdade, que o único documento novo apresentado, em realidade, é aquele que comprovaria a retenção de IRPJ. Desse modo, como o contribuinte entendia que a discriminação dessas informações constantes na DIPJ Retificadora, por si só, seria suficiente a demonstrar o crédito pleiteado, apresentou tal informação para contrapor a decisão de primeira instância, a teor do que dispõe a alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, tratase de informação disponível nos sistemas da RFB, o que, isoladamente, não justificaria sua inadmissão para fins de comprovação do direito alegado, competindo à administração instruir os autos de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/991. Nesse contexto, e considerando que a análise do mérito do pedido do contribuinte, no que diz respeito à comprovação do erro no preenchimento da DIPJ original, não foi alvo de análise pela unidade e pela DRJ, entendo que não seja o caso de conversão do julgamento em diligência, pois, se assim procedêssemos, implicaria supressão de instância, não permitindo ao contribuinte ter o direito de discutir provas em duas instâncias. Desse modo, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, voto no sentido de se afastar o óbice da ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e dar provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise de mérito do presente processo, reiniciandose o exame do pedido. É importante ressaltar que o presente voto é pelo provimento parcial do recurso voluntário, por meio de acórdão, e não a conversão do julgamento em diligência situação que implicaria que a decisão fosse exarada em forma de resolução2. Ou seja, uma vez superado o óbice preliminar que fundamentou o despacho decisório e a decisão de primeira instância quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a retomada do exame, desde a unidade origem com a prolação de um despacho decisório complementar , permite ao contribuinte, em tese, que em caso de eventual indeferimento do pleito do contribuinte em relação ao mérito de seu pedido, rediscuta a matéria em duas instâncias, ou seja, a apresentação de nova manifestação de inconformidade, e, se for o caso, novo recurso voluntário3. 1 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 2 Nos termos do § 4º do art. 63 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 63. [...] § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. 3 Ressaltase que o procedimento adotado (prover parcialmente ao recurso), além de permitir ao contribuinte manter seu direito a eventuais dois recursos sobre o mérito do pedido, contribui para a diminuição do fluxo Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10530.900493/201459 Acórdão n.º 1301003.886 S1C3T1 Fl. 9 8 Dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto desnecessário de processos entre as Delegacias da Receita Federal do Brasil e o CARF, uma vez que, em caso de reconhecimento integral do direito requerido nesse reexame realizado pela unidade de origem, os autos não terão que retornar ao CARF para aguardar novo julgamento (que, nesse caso, em realidade, implicaria mera homologação do resultado da diligência). Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000008/2009-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o paradigma tratou de situação fática bem como de legislação de regência distintas daquelas do acórdão recorrido
Numero da decisão: 9303-008.570
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o paradigma tratou de situação fática bem como de legislação de regência distintas daquelas do acórdão recorrido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16832.000008/2009-60
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021349
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.570
nome_arquivo_s : Decisao_16832000008200960.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 16832000008200960_6021349.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7789571
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119793139712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.017 1 1.016 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16832.000008/200960 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.570 – 3ª Turma Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o paradigma tratou de situação fática bem como de legislação de regência distintas daquelas do acórdão recorrido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 08 /2 00 9- 60 Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.018 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3302002.686, de 19 de agosto de 2014 (fls. 506 a 522 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte, relativo à falta/insuficiência de recolhimento/declaração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidência não cumulativa, referente aos períodos de apuração de 01/2005, 05/2005 e 07/2005, no valor principal de R$ 1.192.384,48, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 27/02/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 2.657.963,37. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o procedimento administrativo instaurado com a autuação padece de vício insanável, eis que impossibilita o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa da impugnante, impondose a decretação de sua nulidade; b) apesar de descrever os fatos que supostamente dariam lastro ao lançamento de oficio, a autuação não aponta o dispositivo legal que obrigaria o contribuinte a promover tais deduções mediante apresentação de Per/Dcomp; Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.019 3 c) o lançamento não identifica o fato gerador da obrigação correspondente (CTN, art. 142), não contém "a disposição legal infringida" (Dec. n.º 70.235/72, art. 10, IV), como é de preceito; d) causa espécie o entendimento do agente fiscal, de que seria necessária a apresentação de Per/Dcomp para dedução dos valores correspondentes às contribuições retidas; e) a menção aos artigos 1º, 3º e 5º da Lei n.º 10.833/03 tratam, genericamente, apenas das hipóteses de incidência da COFINS e do creditamento no regime não cumulativo de apuração da aludida contribuição, não guardando qualquer relação com a falta imputada à impugnante falta de apresentação de Per/Dcomp para a dedução dos valores retidos por autarquias e dos recolhidos em desembaraço aduaneiro; f) no mérito, verificase que a questão central do auto referese a suposta necessidade de apresentação de Per/Dcomp para a dedução dos valores retidos em fonte por autarquias, a título de COFINS, e/ou dos valores da contribuição recolhidos no desembaraço aduaneiro; g) de acordo com o que dispõe a Lei n.º 10.833/2003 e Instrução Normativa n.º 475/2004, a Cofins retida na fonte pela fonte pagadora representa antecipação do devido e, como tal, é passível de dedução (e não compensação) do total devido. E essa dedução é promovida pelo próprio contribuinte que sofreu a retenção, independentemente de qualquer outra formalidade ou procedimento administrativo; h) a realização da dedução é autorizada "relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção", não havendo distinção entre a retenção ocorrida no período da dedução ou em período anterior; i) a corroborar tal entendimento, quando da edição da Medida Provisória 413/08, convertida na Lei n.º 11.727/08, foi introduzida a possibilidade de compensação dos valores retidos em fonte a título de COFINS com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Regulamentando o referido procedimento, a Instrução Normativa n.º 900/08 determinou que tal compensação fosse realizada por meio de Per/Dcomp. Por fim, requer preliminarmente que seja declarado nulo o auto de infração, porque desprovido de qualquer fundamentação legal ou, assim não se entendendo, no mérito, seja cancelado o lançamento, reconhecendose as deduções dos valores referentes a COFINS Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.020 4 retida em fonte por autarquias e/ou recolhidos em importação pela impugnante, afastandose a alegada necessidade de apresentação de PerDcomp. . A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial, para que fossem deduzidas do lançamento as retenções de Cofins efetuadas pelas fontes pagadoras e informadas em DIRF, nos períodos de janeiro, maio e julho de 2005. conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. Inexistindo qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DE COFINS DECORRENTES DE IMPORTAÇÃO. LEI Nº 10.865, DE 2004. ÔNUS DA PROVA. Os créditos da nãocumulatividade de Cofins decorrentes de importações são provados mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, de modo a identificar a natureza do crédito e sua subsunção às hipóteses legais de creditamento. Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.021 5 RETENÇÕES INFORMADAS PELAS FONTES PAGADORAS EM DIRF. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIOS DE INVERACIDADE. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA COFINS DEVIDA. As retenções efetuadas e informadas pelas fontes pagadoras em DIRF devem ser deduzidas da Cofins devida, caso não haja indícios da inveracidade das informações prestadas, especialmente quando estas fontes pagadoras informarem no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI as retenção efetuadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 525 a 531) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao entendimento quanto a comprovação dos valores de Cofins retidos na fonte. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de n.ºs 10323022 e 10514858. A comprovação dos julgados se deu pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 533 a 536, sob o argumento que de um lado, no acórdão recorrido se entendeu que, no caso de dedução da contribuição retida na fonte a prova não se faz apenas através da apresentação dos comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras, podendo ser aceitos outros elementos de prova, como as informações contidas nas DIRF’s entregues pelas fontes pagadoras. Por outra via, os acórdãos paradigmas, ao tratarem do Imposto de Renda Retido na Fonte, adotaram entendimento diverso, decidindo que a prova da retenção na fonte do imposto de renda se faz através do Comprovante de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte fornecido pela fonte pagadora, por expressa disposição legal, não bastando, no caso, carrear aos autos elementos por ele mesmo produzidos. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.022 6 O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls.633 a 635, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 758 a 762. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 696 a 703 manifestando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não seja conhecido por sua intempestividade, bem como pela ausência de divergência jurisprudencial. O Contribuinte também apresentou Recurso Especial de Divergência às fls. 773 a 779, sendo que este não foi admitido, conforme despacho de fls. 979 a 983. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não deva ser admitido, ainda que o Recurso seja tempestivo, pelos motivos a seguir. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte, relativo à falta/insuficiência de recolhimento/declaração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. E entendimento do agente fiscal, de que seria necessária a apresentação de Per/Dcomp para dedução dos valores correspondentes às contribuições retidas. A Turma em sede de Recurso Voluntário entendeu por unanimidade de votos, que fossem deduzidas do lançamento às retenções de Cofins efetuadas pelas fontes pagadoras e informadas em DIRF, nos períodos de janeiro, maio e julho de 2005, conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.023 7 RETENÇÕES INFORMADAS PELAS FONTES PAGADORAS EM DIRF. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIOS DE INVERACIDADE. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA COFINS DEVIDA. As retenções efetuadas e informadas pelas fontes pagadoras em DIRF devem ser deduzidas da Cofins devida, caso não haja indícios da inveracidade das informações prestadas, especialmente quando estas fontes pagadoras informarem no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI as retenção efetuadas. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 525 a 531) a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao entendimento quanto à comprovação dos valores de Cofins retidos na fonte. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de nºs 10323022 e 10514858. O acórdão paradigma n.º 10323.022 diz respeito a retenções comprovadas por notas fiscais, enquanto no presente caso a demonstração ocorreu por meio de comprovantes de retenção, verificados no sistema da própria RFB. E o mérito do acordão paradigma, trata da restituição decorrente do IRRF retidos sobre serviços prestados a terceiros, segue trechos do acordão: Por óbvio, a escrituração contábil e os documentos subscritos pela própria pessoa contra ela fazem prova; o contrário, porém, não é verdadeiro. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo produzidos; deverá ratificálos por outros meios probatórios, cuja formação não tenha dependido exclusivamente da sua vontade. No caso específico do imposto de renda retido na fonte, esse entendimento está estampado expressamente na própria lei (art. 55, Lei n° 7.450/85), que exige para o reconhecimento do direito creditório a apresentação do comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora. Vejamos a redação do dispositivo legal: Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.024 8 "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". Dessarte, a apresentação de meras notas fiscais, que são documento elaborados pelo próprio interessado, não é suficiente para comprovar alegado direito. Verificase que hipótese enfrentada no paradigma diz respeito as retenção comprovadas em nota fiscais, diferente do caso de autos que trata de auto de infração lavrado relativo à falta/insuficiência de recolhimento/declaração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Pela não apresentação de Per/Dcomp para dedução dos valores correspondentes às contribuições retidas. No acórdão nº 10514.858, inexiste qualquer divergência quanto à matéria presente nos autos, pois se discutiu a possibilidade de comprovação de retenção por meio de notas fiscais, e não se instaurou qualquer controvérsia quanto a utilização de comprovantes de retenção constantes nos sistemas da SRF, como ocorre no presente caso, segue breve trecho do acordão que trata das retenções (IRPJ o montante retido (IRRF) : Ocorre que a simples apresentação de notas fiscais, sem o acompanhamento de qualquer comprovante de que os valores foram efetivamente recolhidos não se presta, por si só, como prova da retenção na fonte do imposto de renda. A prova efetiva a esse título se faz através do Comprovante de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte fornecido pela fonte pagadora, que não foi juntado aos autos. No caso do acórdão paradigma, foram encontradas diferenças entre as DCTF, DARF e DACON relativamente a recolhimentos de Pis e Cofins em decorrência de retenções de autarquias, conforme dispõe o artigo 64 da Lei nº 9.430, de 1996 e os artigos 34 a 36 da Lei nº 10.833, de 2004. Ou seja estamos tratando dos comprovantes de retenção fornecidos pelas outras fontes pagadoras. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16832.000008/200960 Acórdão n.º 9303008.570 CSRFT3 Fl. 1.025 9 Assim, verificase que as Situações fáticas são totalmente diferentes. Entendo desta maneira que não ficou comprovada a divergência jurisprudencial, pois é evidentemente, que a situação fática e jurídica do paradigma não pode ser apreciada como divergente daquela do acórdão a quo. Por essas razões, voto por não conhecer do Recurso Especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1025DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010296/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Erro de Cálculo ou de Apuração. Demonstração do FAto.
A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada.
Saldo Negativo de IRPJ. Verificação de Existência e Composição. Decadência.
A verificação da existência e composição do saldo negativo de IRPJ, desde que não implique lançamento de crédito tributário, não se submete às regras de decadência previstas nos artigos 150, §4º, e 175, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Saldo Negativo de CSLL. Compensação com Débitos de Estimativa de IRPJ. Declaração de Compensação. Processo Administrativo.
A compensação de saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, por se tratar de tributos diferentes, só poderia ser feita mediante processo administrativo, formalizado a partir de declaração de compensação específica.
Numero da decisão: 1301-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Erro de Cálculo ou de Apuração. Demonstração do FAto. A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada. Saldo Negativo de IRPJ. Verificação de Existência e Composição. Decadência. A verificação da existência e composição do saldo negativo de IRPJ, desde que não implique lançamento de crédito tributário, não se submete às regras de decadência previstas nos artigos 150, §4º, e 175, inciso I, do Código Tributário Nacional. Saldo Negativo de CSLL. Compensação com Débitos de Estimativa de IRPJ. Declaração de Compensação. Processo Administrativo. A compensação de saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, por se tratar de tributos diferentes, só poderia ser feita mediante processo administrativo, formalizado a partir de declaração de compensação específica.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.010296/2007-32
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6031571
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.954
nome_arquivo_s : Decisao_10830010296200732.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10830010296200732_6031571.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7819647
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119807819776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 124 1 123 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010296/200732 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.954 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Matéria IRPJ INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO Recorrente LOJAS REUNIDAS DE CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ERRO DE CÁLCULO OU DE APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DO FATO. A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VERIFICAÇÃO DE EXISTÊNCIA E COMPOSIÇÃO. DECADÊNCIA. A verificação da existência e composição do saldo negativo de IRPJ, desde que não implique lançamento de crédito tributário, não se submete às regras de decadência previstas nos artigos 150, §4º, e 175, inciso I, do Código Tributário Nacional. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A compensação de saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, por se tratar de tributos diferentes, só poderia ser feita mediante processo administrativo, formalizado a partir de declaração de compensação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 02 96 /2 00 7- 32 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 125 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por LOJAS REUNIDAS DE CALÇADOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0529.701, da 4ª Turma da DRJ Campinas, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve o despacho decisório proferido no processo nº 10830.002948/200331 (em apenso), não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, em consequência, não homologando as compensações; também manteve integralmente o lançamento do crédito tributário de IRPJ e da multa isolada, objeto deste processo (10830.010296/200732). Os fatos podem ser assim resumidos. A recorrente, em maio de 2003, apresentou em formulário de papel uma declaração de compensação pela qual buscava compensar parte do saldo negativo de IRPJ do ano base 2001 com um débito de R$ 45.000,00 de Imposto de Renda na fonte, incidente sobre juros sobre capital próprio JCP (código de arrecadação 5706), relativo à primeira semana de janeiro de 2003. Ao examinar a declaração de compensação, a autoridade administrativa constatou que o saldo negativo do ano base 2001 era menor do que o valor apurado pela recorrente, de modo que o crédito se mostrou insuficiente tanto para compensar o Imposto de Renda na fonte incidente sobre JCP, quanto para compensar as estimativas do ano base subsequente (2002). Em conformidade com essa constatação, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. Paralelamente, representou para que se fizesse o lançamento do Imposto de Renda do ano base 2002 e da multa isolada relativamente à parcela das estimativas não pagas, nem compensadas. A composição do saldo negativo do ano base 2001 consistia exclusivamente das estimativas dos meses de maio e novembro de 2001. A estimativa de maio, no valor de R$ 105.968,39, foi compensada com saldo negativo de IRPJ. A de novembro, no valor de R$ 91.717,57, foi extinta com pagamento e compensação. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 126 3 Considerando que as estimativas foram extintas, em grande parte, por compensação com saldos negativos de anos anteriores, o Fisco se viu impelido a verificar tais saldos negativos. Nessa verificação, que retrocedeu a 1995, constataramse erros de preenchimento da DIPJ dos anos de 1996 e 1998 que inflaram os respectivos saldos negativos. Também foi constatado que uma parcela do saldo negativo foi utilizada para compensar débitos de IR retido na fonte. Além disso, a Fiscalização percebeu que a compensação parcial da estimativa de novembro de 2001 foi feita com saldo negativo de CSLL, o que, à época, só era permitido mediante processo administrativo. A recorrente, todavia, procedeu a essa compensação como se IRPJ e CSLL fossem o mesmo tributo. A situação pode ser visualizada no quadro abaixo: ESTIMATIVAS de 2001 MÊS VALOR MAIO 105.968,39 NOVEMBRO 91.717,57 TOTAL 197.685,96 IMPOSTO DEVIDO IMPOSTO 15% 53.037,30 ADICIONAL 10% 11.358,20 TOTAL 64.395,50 SALDO NEGATIVO 133.290,46 SALDO NEGATIVO AJUSTADO IRPJ DEVIDO 64.395,50 ESTIMATIVAS 85.821,72 SALDO NEGATIVO 21.426,22 CONFORME DIPJ ANO BASE 2001 MÊS VALOR PAGAMENTO COMPENSAÇÃO PAGAS/COMPENSADAS MAIO 105.968,39 0,00 105.968,39 105.968,39 NOVEMBRO 91.717,57 51.646,51 40.071,06 91.717,57 TOTAL 197.685,96 197.685,96 ALTERADA PELA FISCALIZAÇÃO MÊS VALOR PAGAMENTO COMPENSAÇÃO PAGAS/COMPENSADAS MAIO 105.968,39 0,00 34.175,21 34.175,21 NOVEMBRO 91.717,57 51.646,51 0,00 51.646,51 TOTAL 197.685,96 85.821,72 Com essas correções, o saldo negativo de IRPJ ficou reduzido a R$ 21.426,22, que já não era suficiente para compensar o IR na fonte incidente sobre o JCP (objeto do processo 10830.002948/200331), nem para compensar as estimativas no ano base 2002, o que rendeu ensejo à autuação objeto deste processo. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 127 4 Contra essa decisão e o subsequente lançamento de crédito tributário foi apresentada impugnação, a que a DRJ CPS negou provimento. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Constatada a falta de recolhimento do imposto, diante da não homologação de compensações de estimativas do período de apuração, mostrase correta a formalização de lançamento de ofício para a exigência das diferenças. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MÊS DE AGOSTO DE 2002. É cabível a exigência de multa isolada, no percentual de 50%, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhida ou compensada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. Na há limitação temporal para a edição de ato administrativo que, ao constatar a impossibilidade de compensação efetuada pela interessada, entre tributos e contribuições de espécies diferentes, sem a formalização do respectivo processo administrativo, nos termos da legislação aplicável à época dos fatos, considera inválida tal compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A restituição de saldo negativo da IRPJ, com a posterior compensação, condiciona se à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução no cálculo do imposto devido, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES, ATÉ 30 DE SETEMBRO DE 2002. Com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, que revogou a Instrução Normativa n° 67, de 1992, e da Instrução Normativa SRF n° 93, de 15 de setembro de 1997, a compensação independentemente de requerimento somente se daria entre tributos e, contribuições da mesma espécie e no recolhimento de importância correspondente a períodos posteriores ao crédito, de sorte que as demais compensações deveriam ser objeto de pedido perante a autoridade administrativa, mediante a formalização de processo administrativo. Não reconhecido o direito creditório pleiteado, não se homologa a compensação declarada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, alegando três pontos: 1) erro na apuração do saldo negativo; 2) decadência, ou nas palavras da própria recorrente: "...a existência de saldos creditórios alcançados nitidamente pela prescrição"; e 3) a possibilidade de compensar o saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, sem formalização do pedido mediante a constituição de processo administrativo para esse fim. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Ressalvada a alegação de "prescrição" e de compensação de saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, a recorrente não demonstrou, de forma específica, o suposto erro de apuração do saldo negativo. Tratase, portanto, de alegação genérica, o que não se admite, pois aceitar esse tipo de argumento genérico atrairia para o órgão julgador o encargo de refazer todo o levantamento a fim de encontrar o erro ou de provar que ele não existe. Ao sujeito passivo cabe apontar de modo específico e objetivo o erro de cálculo ou de apuração, demonstrando a forma correta. O despacho decisório indicou erros no preenchimento da ficha 09 da DIPJ dos anos de 1996 e 1998, que refletiram no montante do saldo negativo do ano base 2001. Desse ponto, porém, a recorrente passou ao largo. Não há contestação específica. Não procede, por outro lado, a alegação de decadência. A decadência prevista no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN alcança o direito de constituir crédito tributário por meio de lançamento. No caso dos autos, não se trata nem constituição de crédito tributário, nem de redução de prejuízo, que demandariam a realização de lançamento. Aqui a questão consiste em reduzir o saldo negativo de IRPJ, considerando que o valor fora majorado em razão de erros no preenchimento das DIPJ; bem como em excluir parcelas do crédito já utilizadas para compensar débitos de IR retido na fonte. Destaquese que não houve desconstituição de compensações anteriores ao ano 2000, mas retificação dos saldos negativos, caso em que não se aplicam as regras de decadência do art. 173, inciso I, e art. 150,§ 4º, ambos do CTN. Nesse sentido apontam as seguintes decisões do CARF: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Acórdão nº 9101003.994, Redator designado Cons André Mendes de Moura) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 129 6 GLOSA DE PARCELAS QUE COMPÕEM O SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. O procedimento de verificação do saldo negativo de IRPJ utilizado em compensação não está limitado pelo prazo decadencial de que trata o § 4º do art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. INAPLICABILIDADE. O instituto da homologação tácita não se aplica às compensações anteriores a outubro de 2003. Somente a partir da edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a existir prazo para homologação das compensações declaradas, mediante a alteração do § 5º do art 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Não há que se falar em homologação tácita nos casos de quitação de estimativas mediante compensação via DCTF efetuada antes do surgimento da DCOMP. (Acórdão nº 1401003.324, Relator Cons. Luiz Augusto de Souza Gonçalves) COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventuais saldos negativos da CSLL e do IRPJ, indicado pela contribuinte nas declarações de rendimentos. PROCESSUAL. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. NULIDADE SUPRÍVEL POR FORÇA DOS PRECEITOS DO ART. 59, § 3º, DO DECRETO 70.235. É nulo, ainda que parcialmente, o acórdão da DRJ que inova os fundamentos fático jurídicos adotados pela Unidade de Origem para indeferir o pleito compensatório do recorrente. E possível, entretanto, suprir tal vício, na forma do art. 59, § 3º, do Decreto 70.235, se for possível julgar o pleito em favor do contribuinte, no ponto em que se observou a nulidade. SALDO NEGATIVO DE CSLL DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO A DECISÃO PROFERIDA EM OUTRO PROCESSO EM QUE O ALUDIDO SALDO É CONVOLADO EM LANÇAMENTO. Dependendo o direito creditório de decisão definitiva a ser proferida em outro processo, em que o saldo negativo inicialmente pleiteado se converte em lançamento de tributo, o trânsito em julgado de decisão que mantém a autuação culmina, como consequência lógica, com o reconhecimento da inexistência deste mesmo direito creditório neste processo. ENCARGOS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE OS DÉBITOS CONFESSADOS POR MEIO DE DCOMP IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTE PROCESSO. Os débitos confessados por meio de DCOMP e respectivos encargos moratórios devem ser discutidos nos processos em que constituídos e não neste feito, cuja análise se restringe ao direito creditório postulado. (Acórdão nº 1302003.306, Relator Cons. Gustavo Guimarães da Fonseca) Mesmo correndo o risco da redundância, vale destacar o fato de que não houve desconsideração de qualquer pagamento ou de compensação realizada, salvo a compensação de saldo credor de CSLL. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 130 7 Quanto à compensação do saldo credor de CSLL com estimativas de IRPJ, não se pode perder de vista a noção elementar de que a compensação (modalidade de extinção do crédito tributário), embora direito do contribuinte, deve ser efetuada em conformidade com a legislação tributária, observandose os requisitos e limites em vigor no momento em que o ato se realiza. No caso dos autos, no momento em que a compensação foi formalizada, a legislação em vigor não admitia compensação em DCTF de tributos de distintos. Para tais casos, exigiase a formalização de processo específico, a partir de declaração de compensação em formulário de papel. Esse, pois, havia de ser o procedimento a adotar na hipótese de compensação de saldo negativo de CSLL com estimativas de IRPJ, sob pena de invalidade e ineficácia do ato praticado pelo contribuinte. A propósito, o voto condutor da decisão recorrida faz um histórico das regras pertinentes à compensação, ao longo dos anos, o qual vale reproduzir: 26. No que se refere ao mérito da questão até aqui tratada, ou seja, sobre a impossibilidade de aproveitamento de saldos negativos de CSLL de períodos anteriores para a compensação de estimativa do IRPJ, formalizado em período anterior a 1º de outubro de 2002, para melhor esclarecer a contenda, fazse imperioso um breve histórico da legislação tributária acerca da compensação, ante as razões de defesa apresentadas. 27. A Lei n° 8.383, de 1991, autorizou, em seu art. 66, a compensação entre tributos e contribuições de mesma espécie no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes, facultando a opção pelo pedido de restituição: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. [redação dada pela Lei n° 9.069, de 1995] § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. [redação dada pela Lei n° 9.069, de 1995] § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. [redação dada pela Lei n° 9.069, de 1995] § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." [redação dada pela Lei n° 9.069, de 1995) 28. Na oportunidade, a RFB (então DpRF), regulamentando o procedimento de compensação, fez publicar a Instrução Normativa DpRF n° 67, de 26 de maio de 1992, autorizando a compensação independentemente de requerimento à autoridade administrativa, cumprindo à contribuinte a obrigação da guarda da documentação comprobatória da compensação efetuada, enquanto não prescritas eventuais ações pertinentes. Esclareceu o normativo que no preenchimento da DCTF, a contribuinte deveria informar o valor de cada tributo ou contribuição efetivamente apurado, não devendo ser considerados eventuais ajustes decorrentes da compensação. 29. Assim, o procedimento de compensação seria objeto de controle na escrituração da pessoa jurídica, única e exclusivamente, sujeita à auditoria pela fiscalização. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 131 8 30. A Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996, determinou a informação em DCTF das compensações efetuadas, a partir de 1º de janeiro de 1997. 31. Desta feita, a partir de 1º de janeiro de 1997, iniciase um controle, ainda que incipiente, do direito creditório utilizado pela contribuinte em suas compensações, incipiente, porque permitia o acesso às informações sobre compensações apenas quando se tratava de pessoa jurídica obrigada à apresentação da DCTF. Referida declaração (DCTF), portanto, por apresentar tais características, não foi imbuída do condão de formalizar a compensação ali discriminada. 32. Com a publicação da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi autorizada a compensação entre quaisquer tributos e contribuições: "Art 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." 33. Seguiuse, então, a publicação da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, que revogou a Instrução Normativa n° 67, de 1992, e da Instrução Normativa SRF n° 93, de 15 de setembro de 1997, prescrevendo que a compensação independentemente de requerimento somente se daria entre tributos e contribuições da mesma espécie e no recolhimento de importância correspondente a períodos posteriores ao crédito, de sorte que as demais compensações deveriam ser objeto de pedido perante a autoridade administrativa, mediante a formalização de Processo Administrativo. 34. Confirmase, mediante tais atos normativos, o cunho meramente informativo da DCTF, quanto às compensações ali informadas (com ou sem processo), eis que prescrito outro instrumento para a formalização da compensação (processo administrativo), quando necessário o respectivo requerimento perante a Autoridade Administrativa. 35. Nesse contexto, o fato de a interessada ter informado a compensação em DCTF da estimativa de IRPJ do mês de novembro de 2001 em nada interfere na solução do litígio, uma vez que para a necessária formalização da compensação entre tributos/contribuições de espécies diferentes, ela deveria ter formalizado processo administrativo, o que não foi providenciado. 36. Dessa forma, não há reparos a serem feitos no Despacho Decisório transcrito no relatório, permanecendo a apreciação efetuada, ou seja, a de que somente houve a extinção de R$ 51.646,51 referente àquela estimativa, mediante pagamento, valor este que somado ao valor compensado da estimativa de maio (R$ 34.175,21), resultou em saldo negativo do IRPJ, para o anocalendário de 2001, na importância de R$ 21.426,22. (grifos do original) (fls. 87 a 89) Em suma, a ineficácia da compensação do saldo negativo de CSLL decorre da inobservância das regras que regiam a compensação ao tempo dos fatos. Por fim, não é ocioso registrar que os DARFs apresentados pela recorrente não têm pertinência com a situação examinada, porquanto se referem a períodos posteriores ao examinado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.010296/200732 Acórdão n.º 1301003.954 S1C3T1 Fl. 132 9 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908251/2012-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.908251/2012-90
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019759
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.206
nome_arquivo_s : Decisao_13888908251201290.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 13888908251201290_6019759.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. - Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7778064
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119813062656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.908251/201290 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.206 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 16 de abril de 2019 Assunto NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035106 emitido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 25 1/ 20 12 -9 0 Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 3 2 eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 16633.60778.261011.1.3.044915. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$50.611,81, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/06/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. MG BELO HORIZONTE DRJ Fl. 92 Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0219.23266.1HIQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 13888.908251/201290 Acórdão n.º 0261.079 DRJ/BHE Fls. 3 3 No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 4 3 contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 5 4 Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 879). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 6 5 Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 7 6 julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13888.908251/201290 Resolução nº 3001000.206 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.720103/2011-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
Numero da decisão: 2002-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: : Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13881.720103/2011-24
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029195
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.249
nome_arquivo_s : Decisao_13881720103201124.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13881720103201124_6029195.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) : Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: : Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7815122
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119846617088
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-05T18:13:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-05T18:13:55Z; Last-Modified: 2019-07-05T18:13:55Z; dcterms:modified: 2019-07-05T18:13:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-05T18:13:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-05T18:13:55Z; meta:save-date: 2019-07-05T18:13:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-05T18:13:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-05T18:13:55Z; created: 2019-07-05T18:13:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-05T18:13:55Z; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-05T18:13:55Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13881.720103/2011-24 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-001.249 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente OSWALDO INACIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) : Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: : Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 51/53) contra decisão de primeira instância (fls. 44/47), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 01 03 /2 01 1- 24 Fl. 121DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720103/2011-24 a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentou-se em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação, pois considerou como dedutível dois rendimentos comprovados pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 24 e 25. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boa-fé. Em 22/05/2018 (fls. 60/63), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrando-se a proporcionalidade pretendida, em relação aos valores recebidos da Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89. Determina-se, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. Em 31/01/2019 (fls. 102/104), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 91/97, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 02/04/2014 (fl. 57); Recurso Voluntário protocolado em 30/04/2014 (fl. 51), assinado pelo próprio contribuinte. Em julgamento primeiro (fls.60/63), no qual se estabeleceu o direito a ser aplicado, resolveu-se baixar os autos em diligência para que o contribuinte juntasse extrato analítico das contribuições de todo o período, em relação aos valores recebidos da Pessoa Fl. 122DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720103/2011-24 Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, o que foi feito às fls. 73/78. Após a juntada do extrato, a RFB se manifestou sobre o extrato e se pronunciou dizendo que “... considerando-se o entendimento de que o contribuinte faria jus a reduções correspondentes ao total de contribuições de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, o resultado do exercício 2004 passaria de imposto a pagar de R$ 2.201,65 para imposto a restituir de R$ 781,73 e o resultado do exercício 2006 passaria de imposto a pagar de R$ 3.051,79 para imposto a pagar de R$ 2.769,86. Os demais exercícios permaneceriam inalterados” (fl. 91), tendo instruído seu relatório com os demonstrativos de fls. 92/97. Dado o retorno da diligência, onde se vê que para o ano calendário 2007, em discussão na presente demanda, não se alterou o resultado apurado, é de rigor a manutenção da acusação fiscal. Registro, por relevante, que a manifestação do contribuinte de fls. 111/113, repete as razões do recurso e requer novamente a aplicação de regra de três simples para se encontrar a proporcionalidade de isenção pretendida, o que já foi rechaçado pela decisão de fls. 60/63, que anotou ser incorreta tal aplicação, pois, estar-se-ia incluindo no cálculo as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000273/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS.
O pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desconformidade com a lei específica integra o salário de contribuição.
AUXÍLIO-CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 64.
Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória (Súmula CARF nº 64).
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
Numero da decisão: 2301-006.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo os valores pagos a título de auxílio-creche (Súmula Carf nº 64). Votou pelas conclusões o Dr. Marcelo Freitas de Souza Costa.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. O pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desconformidade com a lei específica integra o salário de contribuição. AUXÍLIO-CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 64. Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória (Súmula CARF nº 64). RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11634.000273/2008-80
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6035437
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.098
nome_arquivo_s : Decisao_11634000273200880.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANTONIO SAVIO NASTURELES
nome_arquivo_pdf_s : 11634000273200880_6035437.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo os valores pagos a título de auxílio-creche (Súmula Carf nº 64). Votou pelas conclusões o Dr. Marcelo Freitas de Souza Costa. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
id : 7826482
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119860248576
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-16T17:09:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-16T17:09:49Z; Last-Modified: 2019-07-16T17:09:49Z; dcterms:modified: 2019-07-16T17:09:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-16T17:09:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-16T17:09:49Z; meta:save-date: 2019-07-16T17:09:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-16T17:09:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-16T17:09:49Z; created: 2019-07-16T17:09:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-07-16T17:09:49Z; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-16T17:09:49Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11634.000273/2008-80 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301-006.098 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2019 Recorrentes SERCOMTEL S/A TELECOMUNICACOES FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. O pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desconformidade com a lei específica integra o salário de contribuição. AUXÍLIO-CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 64. Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória (Súmula CARF nº 64). RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo os valores pagos a título de auxílio-creche (Súmula Carf nº 64). Votou pelas conclusões o Dr. Marcelo Freitas de Souza Costa. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 73 /2 00 8- 80 Fl. 273DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 1. Trata-se de julgar recurso de ofício e recurso voluntário (e-fls 252/269) interpostos em face do Acórdão nº 06-22.491 (e-fls 231/246) prolatado pela 5ª Turma da DRJ Curitiba, em sessão de julgamento realizada em 04/06/2009. 2. Para compreensão da exigência fiscal, assim como do litígio devolvido a este Colegiado, faz-se a transcrição do relatório contido na decisão recorrida: (início da transcrição contida no relatório do Acórdão nº 06-22.491) O presente AI – Auto de Infração de obrigação principal, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$2.405.003,51, de acordo com o Relatório Fiscal tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos denominados Terceiros: 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: - os valores pagos a segurados a título de participação (ou distribuição) de lucros e resultados: item 3.1; - os valores pagos a segurados a título de auxílio creche, auxílio a filho portador de deficiência, auxílio funeral, e cesta escolar: item 3.2; - os valores pagos a segurados a título de anuênio, prêmio assiduidade, abono de natal e compensação de acordo: item 3.3; - os valores de prêmios de vendas pagos a segurados: item 3.4; - os valores pagos a título de patrocínio a entidades mantenedoras de equipe de futebol profissional: item 3.6. A empresa foi cientificada deste AI em 19/05/2008 (fls.190). Em 18/06/2008, ingressou com defesa (...) Decadência Em seguida, argúi preliminar de decadência. Afirma que todo importe apurado atinente ao período anterior a maio de 2003 deve ser considerado extinto. Diz que a decadência está patente e que os valores apurados e lançados de 1998 a 2003 estão extintos. Requer o seu arquivamento. Participação nos lucros ou Resultados da Empresa A esse respeito diz a autuada que a participação nos lucros ou resultados constitui direito social dos trabalhadores urbanos e rurais originados em decorrência da função social da propriedade. Cita a Constituição Federal em seu art. 7º, inciso XI. Faz um breve relato histórico sobre o assunto e termina lembrando a lei 10.101/2000 que, segundo ela, dispõe sobre a matéria. Diz que diante da Constituição fica claro a natureza não salarial da participação nos lucros e nos resultados. Após citar alguns trechos doutrinários diz que a autoridade fiscal fundamenta suas autuações em irregularidades na forma de pagamento da participação nos lucros e resultados. Que nenhuma das razões apontadas pela fiscalização é suficiente para desconfigurar tal pagamento. Afirma que convalidam o posicionamento da empresa: 1º - a forma redacional do Auditor Fiscal, quando fala em indícios. Diz a empresa que indícios não tem o condão de provar nada, pois inexiste qualquer Fl. 274DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 possibilidade de substituição do critério da lei por critério pessoal e discricionário do agente público. 2º - a PLR não tem natureza salarial, não pode ser base de incidência de encargo trabalhista ou previdenciário. É direito social dos trabalhadores. 3º - qualquer valor a ser constituído a esse título é inconstitucional; 4º qualquer valor pretendido pelo Fisco, atinente ao período de 1998 a 2003 está extinto pela decadência; 5º - porque os funcionários da empresa têm a perspectiva de receber tal verba ao final de cada exercício financeiro, o que não desvirtua o plano de pagamento da PLR e a incerteza e eventualidade do seu recebimento; 6º - nem todos os anos apurados foram celebrados acordos para pagamento da PLR; 7º - a forma de fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas ao pagamento da PLR sempre foi decidida por acordo coletivo, intermediado pelo SINTTEL – Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no estado do Paraná e homologado pelo Ministério do Trabalho, através de sua Delegacia em Londrina; 8 - para cada acordo coletivo consta a forma de pagamento da participação, a cláusula discriminando a natureza jurídica da verba, nos exatos moldes do art. 3º caput da Lei nº 10.101/2000; 9 – a participação nos lucros e resultados sempre foi objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, que estiveram representados por uma comissão de empregados e por acordo coletivo; 10º - os pagamentos a título e PLR sempre foram realizados duas vezes no mesmo ano civil, nos moldes do art. 3º, § 3º da Lei 10.101/2000, da seguinte forma: metas não financeiras até 30 de janeiro e metas financeiras até 15 de abril (ou 15 dias após a publicação do balanço da empresa e demonstrativos de seus resultados de exercício). Cada um dos pagamentos efetuado aos funcionários foi ratificados pelo Sindicato de Classe. Portanto são nulos os Autos de Infrações lançados contra a empresa e devem ser julgados improcedentes. Auxílio creche, auxílio a filho portador de deficiência, auxílio funeral e cesta escolar Com referência a este item a empresa diz que para que uma verba seja considerada remuneração deve ter natureza salarial. Assim nem todas as verbas recebidas pelo empregado se refere a remuneração. Diz ainda que as parcelas não salariais podem ser de natureza indenizatória, instrumentais, de direito intelectual, de participação nos lucros empresariais, etc. Que as verbas aqui pagas não o foram a título de contraprestação do serviço realizado, são parcelas não salariais, elencados no art. 458, § 2º da CLT. Diz que todas as verbas pagas a título de auxílio creche, auxílio a filho portador de deficiência, auxílio funeral, e cesta escolar são benefícios previstos em Acordos Coletivos de Trabalho. Em seguida, descreve, segundo ela, o que dizem tais acordos a respeito das remunerações acima citadas. Fl. 275DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 Conclui afirmando que os lançamentos efetuados com referência a essas verbas são insubsistentes e improcedentes. Primeiro porque são decadentes e segundo não são verbas salariais, não se sujeitando às contribuições previdenciárias. Assim merecem os Autos de Infração 37.109.855-6, 37.156.082-9 e 37.156.083-7 serem julgados improcedentes e insubsistentes para ser anulados e arquivados. Anuênio, Prêmio de Assiduidade, Abono de Natal, Compensação de Acordo e Prêmios de Venda Afirma o contribuinte que as verbas pagas a título de Anuênio, Prêmio de Assiduidade, Abono de Natal e Compensação de Acordo são parcelas previstas em Acordos Coletivos de Trabalho. Diz que a Fiscalização se insurgiu contra tais verbas porque foram pagas a título de indenização pelo fim do anuênio, do prêmio assiduidade e do abono de natal. Diz que a partir de 1998, a verba anuênio passou a não sofrer atualizações e para suprir essa falta a empresa e o sindicato de classe convencionaram que seriam realizados pagamentos a título de indenização, para ressarcir direito trabalhista não fruído em sua integralidade. Que situação idêntica ocorreu com as verbas prêmio assiduidade e abono de natal, conforme se lê dos acordos juntados na impugnação. Compensação de acordo também foi paga a título de compensação para manutenção do nível da remuneração, ou seja, se refere a acerto de contas entre empresa e empregados, através de acordo coletivo. A não sujeição à incidência está na alínea l do inciso VI do art. 72 da IN/SRP 003/2005. Assim, os fatos geradores dessas verbas são improcedentes e nulos. Os valores pagos a título de prêmios de vendas estão extintos pela decadência e são parcelas não salariais nos termos da alínea j, inciso VI do art. 72 da IN 003/2005. Alíquota da multa aplicada sobre a competência 11/99 sobre todas as verbas Diz que houve um equívoco no cálculo da multa sobre a competência 11/09, pois no relatório FLD – Fundamento Legal do Débito consta a informação 15% após o 15º dia do recebimento da notificação, sendo que foi aplicada uma multa de 30%, contrariando o discriminativo fornecido pela Fiscalização. Pede que os valores sejam declarados nulos, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Requerimento Que seja acolhida a impugnação para que sejam anulados os autos de infração lançados contra a empresa; Cancelamento do débito reclamado; A reunião dos autos 37.109.855-6, 37.156.082-9 e 37.156.083-7, por se tratarem dos mesmos fatos geradores, versando as impugnações sobre idêntica matéria; Junta aos autos documentos que poderão sustentar a defesa apresentada; Requer perícia nos cálculos apresentados e indica os assistentes técnicos. (final da transcrição contida no relatório do Acórdão nº 06-22.491) 2.1. Faz-se a transcrição da ementa; Fl. 276DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 AI 37.156.083-7 TERCEIROS. É devida a contribuição destinada aos fundos ou entidades denominadas Terceiros, de acordo com a legislação pertinente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. O pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desconformidade com a lei específica integra o salário de contribuição. AUXILIO CRECHE. O auxílio creche pago em desconformidade com a legislação trabalhista, sem estar devidamente comprovado, integra o salário de contribuição da empresa. CESTA ESCOLAR Pagamentos efetuados aos segurados empregados a título de cesta-escolar, em desacordo com a norma legal, integram o salário de contribuição. AUXILIO A FILHO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA Integra o salário de contribuição o pagamento de verba de auxílio a deficiente, em pecúnia, incidindo, assim, as contribuições previstas em lei. AUXILIO FUNERAL Não integra a base de cálculo para incidência de contribuições a importância paga pela empresa a título de auxílio-funeral ou assistência à família em razão do óbito do segurado. DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA VINCULANTE. APLICAÇÃO DO CTN. Por força da Súmula Vinculante 8 editada pelo STF, é inconstitucional o prazo de dez anos estabelecido na legislação previdenciária para a Seguridade Social constituir seus créditos. O lançamento das contribuições sociais, inclusive a aplicação de penalidade pecuniária, obedece à regra do prazo qüinqüenal estabelecido pelo Código Tributário pátrio. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS PARA DEFERIMENTO. INDEFERIDO. O requisito fundamental para o deferimento da perícia requerida pela parte é a constatação de sua real necessidade pela autoridade julgadora para formação de seu convencimento. Além disso, o requerimento deve ser formulado nos termos previstos pela legislação reguladora do Processo Administrativo Fiscal. 2.2. Também de interesse o dispositivo: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o valor devido de R$291.391,82 e excluindo R$2.111.526,92 por motivo de decadência e R$2.085,77 por motivo da exclusão do auxílio funeral. Por se tratar de decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais), em cumprimento à Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, deverá ser encaminhado recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 277DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 3. Interposto o Recurso Voluntário (e-fls 252/269), deduz nas razões as mesmas alegações ofertadas por ocasião da impugnação, ao reiterar que não configuram as hipóteses de incidências das contribuições lançadas sobre "Auxílio Creche "Auxílio a Portador de Deficiência e Cesta Escolar, assim como sobre a Participação nos Lucros e Resultados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. DO RECURSO DE OFÍCIO 4. Neste processo específico, relacionado à exigência de parte da contribuição destinada as fundos ou entidades denominadas "Terceiros", a exoneração do crédito atinge o montante de R$ 2.113.611,69. As visões dos documentos reproduzidos nos subitens 4.1 e 4.2 servem de suporte para aferir o montante exonerado (R$ 2.405.003,51 - R$ 291.391,82). 4.1. Apresenta-se a visão parcial do Discriminativo Sintético de Débito - DSD (e-fls 54), ao informar o montante original do crédito lançado: R$ 2.405.003,51. 4.2. Útil também reproduzir a visão parcial do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR (e-fls 230), indicando o valor remanescente: R$ 291.391,82. Fl. 278DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 4.3. Presentemente, no teor da Portaria MF nº 63, de 2017, o reexame necessário ocorre quando o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais): Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 4.4. De acordo com a Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 4.5. Considerando que foi exonerado montante de R$ 2.113.611,69, inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 2017, não conheço do recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 5. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. MÉRITO Das contribuições previdenciárias sobre "Auxilio Creche", "Auxilio a Filho Portador de Deficiência" e, "Cesta Escolar" 6. Sustenta a Recorrente que não há incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de "Auxilio Creche", "Auxilio a Filho Portador de Deficiência" e, "Cesta Escolar". 7. No que respeita ao auxílio-creche, assiste-lhe razão. A controvérsia acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas recebidas a título de auxílio-creche já foi pacificada com a edição da Súmula CARF nº 64. Súmula CARF nº 64: Fl. 279DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. 8. Não lhe assiste razão, contudo, nas alegações relativas à não incidência de contribuições sobre as demais verbas: "Auxilio a Filho Portador de Deficiência" e "Cesta Escolar". Quanto a essas verbas, afigura-se correta a decisão de primeira instância, ao argumentar sobre a inexistência de previsão para que tais verbas não integrem o salário-de- contribuição do segurado, de acordo com o parágrafo 9° do artigo 28, da Lei nº 8.212/1991. MÉRITO Das contribuições previdenciárias sobre "Participação nos Lucros ou Resultados — PLR" 9. Como se pode divisar, há coincidência entre as alegações deduzidas na fase recursal e aquelas deduzidas por ocasião da impugnação, e diante da análise minuciosa feita pela decisão de primeira instância, na abordagem das irregularidades no pagamento da verba a título de PLR, muito bem identificadas pela fiscalização, faz-se a transcrição da parte do voto inserto na decisão de primeira instância que procedeu a análise específica da matéria. (início da transcrição contida no voto do Acórdão nº 06-22.491) Levantamento PL 2 – Participação – período de 07/1999 a 01/2006 ... Com referência à participação nos lucros e nos resultados da empresa a Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, estabelece que: Art.2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I- comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II- convenção ou acordo coletivo. §1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I- índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II- programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2 o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3 - ... ... §2 o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 280DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 Fiscalização em seu relatório fiscal, sobre tais instrumentos, informa que: 3.1. A empresa efetuou acordos anuais com seus funcionários, representados por comissões e intermediados pelo sindicato Sinttel – Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no estado do Paraná, para pagamentos de valores a título de participação (ou distribuição) de lucros e resultados. Estes acordos foram efetuados separadamente dos acordos coletivos normais realizados com o sindicato Sinttel. 3.1.1. A Lei 10.101 de 19/12/00 dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, determinando no caput do seu artigo 2° que esta deverá ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. O parágrafo 1° do mesmo artigo estabeleceu que nos instrumentos decorrentes das negociações devem constar regras claras e objetivas para o cálculo dos valores pagos, prevendo como possíveis critérios e condições : índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Além disso, o parágrafo 2° do artigo 3° vedou os pagamentos de valores em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. 3.1.2. A Lei 10.101/00 convalidou os atos praticados com base na Medida Provisória 1.982-76 de 26/10/00, resultante das diversas reedições da Medida Provisória número 794 de 29/12/94, onde inicialmente foi regulamentada a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. O parágrafo único do artigo 2° da MP 794/94 já previa anteriormente as condições indicadas no parágrafo 1° do artigo 2° da Lei 10.101/00, e o parágrafo 2° do artigo 3° desta medida provisória vedava os pagamentos em periodicidade inferior a um semestre. 3.1.2.1. Uma das medidas provisórias resultantes das diversas reedições foi a MP 1.982-65 de 10/12/99, onde já constava a exigência do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10.101/00. 3.1.3. Com a análise dos acordos efetuados foram considerados como remunerações diversos valores pagos de 05/98 a 01/06, pois foram encontradas características que permitem concluir que não foram respeitadas as condições previstas na Lei 10.101/00, e nas medidas provisórias anteriores. É necessário lembrar que esta ação fiscal se restringiu ao período de 01/98 a 12/06. ... Depois de apresentar as várias irregularidades encontradas, referentes ao levantamento participação nos lucros da empresa, relativamente ao período decaído, conforme consta às fls.121-147 dos autos, as quais deixamos de transcrever aqui por entendermos desnecessárias, o Auditor Fiscal, continuando seu relatório, mostra o que foi encontrado no período não decaído: 3.1.6. O "Acordo de Participação nos Resultados" do exercício de 2003, efetuado em 22/04/03, indicou no seu Anexo 1 uma meta individual determinada pela aplicação de uma "prova de conhecimento" aos seus funcionários, com a seguinte observação no campo "forma de cálculo" : "... O não atingimento da nota aqui estabelecida implica no não recebimento do percentual correspondente à perspectiva individual." (cópias do texto deste acordo e do seu respectivo Anexo 1 foram incluídas no Anexo 1 deste relatório fiscal. Porém, esta prova não foi aplicada, de acordo com o item 5 da ata da 97ª reunião do Conselho de Administração, realizada em 25/11/03, "... A decisão de suspensão da prova de conhecimentos, tomada pela Diretoria, ocorreu em razão de que a companhia estava no período previsto para realização das provas, em processo de auditoria ..., situação que dificultaria a condução dos trabalhos ... . Outra situação ... foi que os valores a serem gastos com a impressão do material de estudo para a realização da mesma, seria superior ao percentual financeiro a ser pago aos colaboradores em decorrência da realização e bom desempenho na prova. Diante do exposto o Conselho de Administração ratificou a retificação do PLR - Programa de Participação nos Lucros e Resultados, com a suspensão do item pertinente a realização de prova individual de conhecimentos.". Fl. 281DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 3.1.6.1. Desta forma, os pagamentos efetuados pela empresa a título de participação nos lucros e resultados, correspondentes a esta meta, foram indevidos. O Anexo 2 deste relatório fiscal mostra um quadro com estes pagamentos para cada funcionário, de acordo com uma relação fornecida pelo setor de recursos humanos da Sercomtel, que separou os valores em dois tipos : linear e proporcional. A última coluna do quadro mostra a soma destes dois valores, e a última linha indica o total de R$ 57.030,78, pago em 01/04 junto com as demais verbas correspondentes às metas não-financeiras do acordo de 2003. 3.1.7. O "Acordo de Participação nos Resultados" do exercício de 2005, feito em 31/01/05, indicou no seu Anexo 1 as metas que deveriam ter sido atingidas para o pagamento das parcelas de verbas a título de participação nos lucros e resultados, com apenas uma meta financeira : a "rentabilidade" (cópias do texto deste acordo e do seu Anexo 1 constam no Anexo 3 deste relatório fiscal). 3.1.7.1. O Anexo 1 do acordo de 2005 também indicou várias metas não financeiras separadas em 3 grupos : "satisfação do cliente", "participação de mercado - fixa", "participação de mercado - celular", e "retenção de clientes" como metas de "clientes"; "frequência de acidentes" e "participação em eventos institucionais" como metas de "colaboradores"; "indicador do processo" como meta de "áreas". 3.1.7.2. A meta financeira não foi atingida, pois a rentabilidade calculada foi inferior ao percentual de 2,8% indicado como meta mínima para este indicador no Anexo I. Portanto, não foram pagas pela empresa verbas correspondentes à meta financeira. Isto pode ser visto na planilha de cálculo fornecida pelo setor de recursos humanos da Sercomtel (com cópia também no Anexo 3 deste relatório fiscal), que não cita este indicador. 3.1.7.3. As metas não-financeiras foram atingidas de formas diferentes como pode ser visto na planilha. Por exemplo, a "satisfação do cliente" atingiu 83% assegurando o pagamento de 19,32% do valor da folha de pagamento como verba a título de participação nos lucros e resultados (a folha de pagamento utilizada como base de cálculo refere-se à competência de 12/05, conforme o acordo). Este percentual de 19,32% é indicado em um dos quadros do Anexo III do acordo de 2005 (com cópia também no Anexo 3) correspondendo ao resultado de 83% atingido. De acordo com o segundo quadro da planilha deveria ter sido pago um total de 61,13% da folha de pagamento a partir dos resultados atingidos, correspondente às metas não financeiras dos grupos de "clientes" e "colaboradores". 3.1.7.4. No último quadro da planilha de cálculo, denominado de "Processos", estão os resultados atingidos na meta "indicador do processo" (esta era a última meta não - financeira). Percebe-se que são indicados pagamentos entre 5,15% e 6,50% da folha de pagamento, de acordo com o resultado atingido em cada área (2 áreas não alcançaram o resultado mínimo, e os segurados integrados nestes dois setores não tiveram direito à verba deste indicador). 3.1.7.5. Assim, se somarmos os percentuais de 61,13% e 6,5% observamos que o máximo que deveria ter sido pago seria 67,63% da folha de pagamento, o que não ocorreu. Uma antecipação foi paga em 12/05, no total de R$ 908.136,08 e uma segunda quantia foi paga em 01/06, no total de R$ 628.065,18. Se somarmos os dois valores obtemos o total final de R$ 1.536.201,26. Se dividirmos este valor pelo total de R$ 1.658.874,49 da folha de pagamento de 12/05 (citado no 1° quadro da planilha de cálculo do Anexo 3) temos 92,61% da folha de pagamento, um percentual bem superior à 67,63%. 3.1.7.6. Desta forma, o pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados desconsiderou totalmente o acordo de 31/01/05 que havia sido efetuado. Isto já era previsto na cláusula 3ª do "Acordo Coletivo de Trabalho" assinado em 20/12/05, onde constam as seguintes informações : "A Sercomtel pagará, ..., no dia 20.12.2005, a título de antecipação da participação nos lucros e resultados, ..." e "Caso a empresa não atinja os resultados mínimos estabelecidos no Programa de Participação de Lucros e Resultados, no mês de apuração (abril/06), o valor adiantado, será automaticamente Fl. 282DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 convertido em abono salarial, arcando a empresa, com todos os encargos decorrentes do referido pagamento.". Como pode ser visto a própria Sercomtel considerou as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados como remuneratórias, ao usar a denominação de "abono salarial". 3.1.8. Além dos problemas identificados acima, a periodicidade com que a Sercomtel efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados desrespeitou a vedação do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10.101 de 19/12/00 : são vedados os pagamentos de valores em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, a empresa pagou estas verbas nas competências de : 01/00, 03/00, 01/01, 12/01, 01/02, 04/02, 12/02, 01/03, 04/03, 12/05, 01/06. 3.1.9. O Anexo 4 deste relatório fiscal mostra na sua coluna 7 os valores das verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados para cada funcionário, em cada competência. Os valores destas verbas foram indicados em relações fornecidas pelo setor de recursos humanos da empresa. As somas dos valores na coluna 7 do Anexo 4 em cada mês correspondem aos valores do Quadro 1 a seguir. 3.1.9.1. O Relatório de Lançamentos em anexo mostra, nos códigos de levantamento PL1 e PL2 os valores do Quadro 1 a seguir (não declarados em GFIP's - Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social a partir de 01/99). Em 01/04 o valor de 57.030,78 corresponde apenas às verbas relativas à meta da prova de conhecimento do acordo de 2003, já explicadas acima. Quadro 1 ... A par das diversas irregularidades apontadas pela Fiscalização em seu relatório, é de se notar que, a despeito de haver Acordos de Participação nos Resultados o que se constata é que nem sempre tais acordos foram plenamente cumpridos pela autuada. Depois, constatou a Fiscalização que, contrariando a lei, a Sercomtel efetuou pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil (item 3.1.8 do relatório). A empresa em sua impugnação nem se manifestou a respeito. Cumpre realçar que o fisco tem que se ater às normas legais disciplinadas pela Lei. E a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 determina que: §9º. Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; Desse modo, a Fiscalização não tinha outra alternativa a não ser a de efetuar o lançamento. E nesse sentido, cumpre esclarecer que a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único do art. 142 da Lei no 5.172/1966, CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe, pois, à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo e foi exatamente o que ocorreu no presente caso. (final da transcrição contida no voto do Acórdão nº 06-22.491) Fl. 283DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.098 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000273/2008-80 CONCLUSÃO 10. Em vista do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício (subitem 4.5 supra); e por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para aplicar a Súmula CARF nº 64 e excluir do lançamento as verbas pagas a título de auxílio-creche (item 7 supra), mantendo-se as demais exigências (itens 8 e 9 supra). (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000909/2008-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
Numero da decisão: 2002-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13881.000909/2008-05
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6034536
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.248
nome_arquivo_s : Decisao_13881000909200805.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13881000909200805_6034536.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7824841
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119867588608
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-15T17:49:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-15T17:49:05Z; Last-Modified: 2019-07-15T17:49:05Z; dcterms:modified: 2019-07-15T17:49:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-15T17:49:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-15T17:49:05Z; meta:save-date: 2019-07-15T17:49:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-15T17:49:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-15T17:49:05Z; created: 2019-07-15T17:49:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-15T17:49:05Z; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-15T17:49:05Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13881.000909/2008-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-001.248 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente OSWALDO INACIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 41/45) contra decisão de primeira instância (fls. 31/36), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 09 09 /2 00 8- 05 Fl. 129DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.248 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000909/2008-05 a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentou-se em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boa-fé. Em 18/04/2018 (fls. 49/52), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrando-se a proporcionalidade pretendida, em relação aos valores recebidos da Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89. Determina-se, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. Em 31/01/2019 (fls. 110/112), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 99/105, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 17/10/2013 (fl. 40); Recurso Voluntário protocolado em 18/11/2013 (fl. 41), assinado pelo próprio contribuinte. Em julgamento primeiro (fls.49/52), no qual se estabeleceu o direito a ser aplicado, resolveu-se baixar os autos em diligência para que o contribuinte juntasse extrato analítico das contribuições de todo o período, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fl. 130DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.248 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000909/2008-05 - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, o que foi feito às fls. 85/90. Após a juntada do extrato, a RFB se manifestou sobre o extrato e se pronunciou dizendo que “... considerando-se o entendimento de que o contribuinte faria jus a reduções correspondentes ao total de contribuições de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, o resultado do exercício 2004 passaria de imposto a pagar de R$ 2.201,65 para imposto a restituir de R$ 781,73 e o resultado do exercício 2006 passaria de imposto a pagar de R$ 3.051,79 para imposto a pagar de R$ 2.769,86. Os demais exercícios permaneceriam inalterados” (fl. 99), tendo instruído seu relatório com os demonstrativos de fls. 100/105. Dado o retorno da diligência, onde se vê que para o ano calendário 2006, em discussão na presente demanda, não se alterou o resultado apurado, é de rigor a manutenção da acusação fiscal. Registro, por relevante, que a manifestação do contribuinte de fls. 119/121, repete as razões do recurso e requer novamente a aplicação de regra de três simples para se encontrar a proporcionalidade de isenção pretendida, o que já foi rechaçado pela decisão de fls. 49/52, que anotou ser incorreta tal aplicação, pois, estar-se-ia incluindo no cálculo as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001733/2008-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO, RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Matéria não combatida em sede de impugnação, não se conhece no Recurso Voluntário.
OMISSÂO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária.
Numero da decisão: 2002-001.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente a previdência oficial no valor de R$ 3.429,31, bem como determinar o recálculo do imposto pelo regime de competência, considerando as tabelas e as alíquotas próprias a que se refiram os rendimentos acumulados.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO, RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Matéria não combatida em sede de impugnação, não se conhece no Recurso Voluntário. OMISSÂO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11543.001733/2008-14
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029200
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.245
nome_arquivo_s : Decisao_11543001733200814.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 11543001733200814_6029200.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente a previdência oficial no valor de R$ 3.429,31, bem como determinar o recálculo do imposto pelo regime de competência, considerando as tabelas e as alíquotas próprias a que se refiram os rendimentos acumulados. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7815132
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119872831488
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-05T18:02:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-05T18:02:21Z; Last-Modified: 2019-07-05T18:02:21Z; dcterms:modified: 2019-07-05T18:02:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-05T18:02:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-05T18:02:21Z; meta:save-date: 2019-07-05T18:02:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-05T18:02:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-05T18:02:21Z; created: 2019-07-05T18:02:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-07-05T18:02:21Z; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-05T18:02:21Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11543.001733/2008-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-001.245 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente THEREZINHA CRISTINA FADINI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO, RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Matéria não combatida em sede de impugnação, não se conhece no Recurso Voluntário. OMISSÂO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente a previdência oficial no valor de R$ 3.429,31, bem como determinar o recálculo do imposto pelo regime de competência, considerando as tabelas e as alíquotas próprias a que se refiram os rendimentos acumulados. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 90/103) contra decisão de primeira instância (fls. 81/87), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 17 33 /2 00 8- 14 Fl. 139DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A presente Notificação de Lançamento originou-se da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2006, ano calendário 2005, quando foi apurado o seguinte crédito tributário: O lançamento decorre da constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos do Trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica: constatou-se omissão de rendimentos, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 1.696,32, recebidos da Prefeitura Municipal de Vitória. Na apuração do imposto devido foi compensado IRRF de R$ 52,14. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista: constatou-se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 8.374,75, proveniente da Ação Trabalhista RT nº 658/1992. Foram apurados com base nos documentos apresentados pela contribuinte, rendimentos tributáveis no montante de R$ 46.746,25, sendo: R$ 42.592,83(principal) (+) R$ 8.412,70(IRRF) (-) R$ 4.259,28(Honorários Advocatícios). Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: glosa de R$ 8.412,70, referente à Ação Trabalhista n° 658/1992, Banco Santander S/A, por falta de comprovação. As alterações promovidas na Declaração em decorrência das infrações, o enquadramento legal, assim como os valores apurados, encontram-se identificados nos Demonstrativos anexos à Notificação de Lançamento. A contribuinte impugnou o lançamento, fls. 1/27, com as alegações que se seguem, em síntese. Sustenta que não existe a omissão de rendimentos apurada, mas mero equívoco da impugnante no preenchimento da declaração, uma vez que ao declarar os rendimentos (R$ 49.713,18), deveria ter declarado R$ 59.748,25, pois subtraiu do montante recebido na ação trabalhista o imposto retido na fonte e os honorários advocatícios pertinentes à ação trabalhista, processo n° 0658.1992.002.17.00, movida contra o então Banco Meridional. Imposto de Renda Suplementar 1.906,90 Multa de Ofício –75% (Passível de Redução) 1.430,17 Juros de Mora (até 03/2008) 439,15 Imposto de Renda Pessoa Física 5.992,91 Multa de Mora (Não passível de redução) 1.198,58 Juros de Mora (até 03/2008) 1.380,16 Total do Crédito Tributário Apurado 12.347,87 Fl. 140DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Acerca da glosa do IRRF, afirma que sofreu a retenção de imposto de renda, no valor de R$ 8.412,70, e também teve retida a contribuição do INSS, no valor de R$ 3.429,31, sobre os rendimentos oriundos da ação trabalhista em causa, conforme documentação comprobatória, anexa. Segue argumentando que a retenção do imposto de renda é responsabilidade da fonte pagadora, a teor dos artigos 27 e 28 da Lei nº 10.833/2003; que caso não entenda pelo imediato julgamento do feito, pugna por diligência nos autos do processo trabalhista em tela. Argui que é incabível a aplicação de multa de 75% sobre o valor do tributo, uma vez que o erro cometido no montante dos rendimentos foi sem intenção de lesar o fisco. Requer seja acolhida a impugnação para o fim de cancelar o lançamento e reconhecer a restituição devida, em valores atualizados. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. GLOSA IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a efetividade da retenção do IRRF objeto da glosa, cabe restabelecer na Declaração de Ajuste Anual a compensação do imposto correspondente. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que: - a decisão de piso cometeu equívocos em seu julgamento; - faltou fundamentação quanto a hipótese fática sobre a aplicação de multa; - como não houve omissão, não causou gravame algum ao fisco federal; - em relação à compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, está sendo punida por conduta praticada por terceiro; - houve cerceamento de defesa. Requer a reforma do Acórdão, bem como a anulação do mesmo por cerceamento de defesa. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 141DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 02/04/2013 (fl. 128); Recurso Voluntário protocolado antes mesmo de receber a notificação, em 13/11/2012 (fl. 90), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista; b) Omissão de Rendimentos de Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício; c) Compensação Indevida de Imposto de Renda retido na Fonte. Às fls. 107/109, relata o Sr. AFRF que: - Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou- se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ ********8.374,75, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Rendimentos declarados a menor, provenientes de Ação Trabalhista RT 658/1992, conforme demonstrado a seguir: Rendimentos tributáveis: R$ 46.746,25, sendo: R$ 42.592,83 (principal) (+) R$ 8.412,70 (IRRF) (-) R$ 4.259,28 (honorários advocatícios). Rendimentos tributados com base nos documentos apresentados pela contribuinte. - Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou- se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********1.696,32, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ ********52,14. - Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou- se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 8.412,70. Glosa do imposto de Renda Retido na Fonte, proveniente da Ação Trabalhista RT 658/1992, por falta de comprovação. A contribuinte não apresentou o DARF de recolhimento do IRRF declarado. Fl. 142DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Em julgamento, a r. decisão revisanda julgou procedente em parte a impugnação, assim se manifestando: De início, saliente-se que a defesa é parcial, porquanto a contribuinte não contestou a omissão de rendimentos, no valor de R$ 1.696,32, recebidos da Prefeitura Municipal de Vitória. Considera-se, portanto, matéria não impugnada, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. - Quanto a Omissão de Rendimentos decorrentes de Ação Trabalhista Examinando as planilhas carreadas aos autos pela defendente, fls. 43/50, rendimentos oriundos da Ação Trabalhista, processo nº 0658.1992.002.17.009, em conjunto com os valores declarados em DIRPF (fls. 75/77), chegam-se aos seguintes valores: Rendimentos Principal (+) 42.592,83 IRRF(+) 8.412,70 Honorários Adv (-) 4.259,25 Rendimentos Tributáveis(=) 46.746,28 Rendimentos Declarados(-) 38.371,50 Diferença Devida (=) 8.374,78 O lançamento em causa considerou o montante dos rendimentos tributáveis recebidos (R$ 46.746,28) e deduziu os valores declarados (R$ 38.371,50), resultando em uma omissão de rendimentos tributáveis no importe de R$ 8.374,78, cujos valores são corroborados com a documentação carreada aos autos pela notificada. Dessa forma, resta caracterizada a omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, na forma identificada pela autoridade lançadora, razão pela qual tem-se como procedente a infração. - Quanto a Compensação Indevida de IRRF No caso sob análise, a interessada juntou Resumo dos Cálculos da Ação Trabalhista n° 0658.1992.002.17.009, emitidos pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (fls. 43/50), cujo documento comprova que a contribuinte sofreu a retenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos oriundos da mencionada Ação Trabalhista, no montante de R$ 8.412,70. O Alvará Judicial nº 933/2008(fl. 66) determina que o Banco do Brasil efetue o pagamento do IRRF a favor da Receita Federal, no valor de R$ 8.412,70, referente à reclamante Therezinha Cristina Fadini, processo Trabalhista 0658.1992.002.17.009. Desse modo, a impugnante faz jus à compensação do valor correspondente na Declaração de Ajuste Anual, tendo-se como improcedente a glosa de IRRF no valor de R$ 8.412,70. Relativamente à contribuição do INSS que a contribuinte alega ter sido descontada sobre os rendimentos da Ação Trabalhista em tela, no valor de R$ Fl. 143DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 3.429,31, a documentação carreada aos autos pela interessada não confirma essa alegação. Verifica-se por meio do Resumo dos Cálculos da mencionada Ação Trabalhista (fl. 50), que não houve contribuição a título de INSS de responsabilidade do reclamante, pois no campo destinado à contribuição do INSS (reclamante) consta R$ 0,00. Daí depreende-se que a contribuinte não sofreu o ônus da contribuição previdenciária em questão, portanto, não tem direito a essa dedução na Declaração de Ajuste Anual. Acerca do pedido de exclusão da multa de ofício, frise-se que, uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente poderá ser satisfeito com os encargos correspondentes. A Administração Tributária, por sua vez, submete-se ao princípio da legalidade, e o lançamento tributário, segundo o art. 142 do Código Tributário Nacional, é atividade administrativa plenamente vinculada. Verificada a ocorrência do fato gerador, deve a autoridade fiscal constituir o crédito tributário correspondente, com os acréscimos determinados por lei. Desta forma, havendo previsão legal para o cálculo da multa de ofício, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar os valores legalmente estabelecidos a esse título. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, lançando preliminar de mérito, invocando o cerceamento do direito de defesa, combatendo o mérito, juntando documentos. Por primeiro afasto o aludido cerceamento de defesa, em razão de que não ocorreu nenhum obstáculo ao recorrente no sentido de dificultar sua defesa, eis que pode articulá-la livremente expondo suas razões de fato e direito, juntando inclusive documentos. A r. decisão primeira, decidiu que não houve impugnação quanto a omissão de rendimentos no valor de R$ 1.696,32, recebidos da Prefeitura Municipal de Vitória, incidindo então o art. 17 do Decreto n° 70235/72. Quanto a Omissão de Rendimentos decorrentes de Ação Trabalhista, a r. decisão primeira, assim julga: O lançamento em causa considerou o montante dos rendimentos tributáveis recebidos (R$ 46.746,28) e deduziu os valores declarados (38.371,50), resultando em uma omissão de rendimentos tributáveis no importe de R$ 8.374,78, cujos valores são corroborados com a documentação carreada aos autos pela notificada. Dessa forma fica caracterizada a omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual na forma identificada pela autoridade lançadora, razão pela qual tem-se como procedente a infração. Neste item, a contribuinte tem parcial razão. Fl. 144DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Inicialmente destaco que a contribuinte está equivocada e confusa quanto aos valores declarados como rendimentos tributáveis recebidos, e se diz porque apesar de em sua DAA constar como total de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo titular o valor de R$ 49.713,18 (vide fl. 76), desse total apenas R$ 38.371,50 se refere ao recebido na ação trabalhista que foi o objeto da omissão, sendo que os outros R$ 11.341,68 são recebimentos da fonte pagadora IESP – Instituto Estadual de Saúde Pública, que não está em discussão nestes autos. Dito isto, o fisco considerou como omisso o valor de R$ 8.374,78, pois foi recebido da ação trabalhista o total de R$ 51.005,53, deduzido o valor de R$ 4.259,25 pago a título de honorários advocatícios, restando um saldo de R$ 46.746,28 de rendimento tributável, e porque declarado apenas R$ 38.371,50, haveria uma omissão de R$ 8.374,78. Ocorre que a apesar da decisão primeira ter dito que nada foi recolhido a título de recolhimento previdenciário, isso não corresponde a documentação dos autos, pois verifica-se que a ação trabalhista de fato foi em litisconsórcio ativo, e o recolhimento previdenciário foi feito em conjunto conforme se comprova através do documentos de fl.52, sendo que os documentos de fls. 47 e 57 comprovam o recolhimento de R$ 3.429,31 a título de recolhimento previdenciário, que deve ser deduzido da base de cálculo do imposto. Assim, dá provimento parcial para se deduzir da omissão o valor de R$ 3.429,31, ficando pois uma omissão no valor de R$ 4.945,47. Dada a natureza do crédito ser de rendimento recebido acumuladamente, é de se determinar o recálculo do imposto para aplicar o regime de competência, conforme decisão vinculando do STF. Quanto a multa, uma vez apurado em auto de infração saldo de imposto a pagar, decorre da lei a incidência da multa de 75%, no particular, conforme determina o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, de texto simples e auto explicativo. Portanto nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito dar-lhe parcial provimento para se deduzir da omissão o valor de R$ 3.429,31, ficando pois uma omissão no valor de R$ 4.945,47, e ainda determinar o recalculo do imposto para aplicar o regime de competência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 145DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-001.245 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.001733/2008-14 Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
