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Numero do processo: 19515.720073/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESI-SP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultando-se, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestarem-se sobre o assunto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Waltir de Carvalho, Martin da Silva Gesto, Reginaldo Paixão Emos, Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESI-SP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultando-se, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestarem-se sobre o assunto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Waltir de Carvalho, Martin da Silva Gesto, Reginaldo Paixão Emos, Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultandose, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestaremse sobre o assunto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Waltir de Carvalho, Martin da Silva Gesto, Reginaldo Paixão Emos, Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 51.011.0037, atinente ao anocalendário 2009, e relativo a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, destinadas ao Serviço Social da Indústria – SESI (1,5%), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1,0%), e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 531. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 07 3/ 20 13 -7 2 Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Resolução nº 2202000.816 S2C2T2 Fl. 4.314 2 Conforme o relatório fiscal (fls. 595/605), a autuação se refere às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. A fiscalização constatou que somente os empregados do setor de abate poderiam ser enquadrados no FPAS 531, sendo que os demais deveriam ser enquadrados no FPAS 507, de acordo com o art. 137 e Anexo II da IN SRP nº 03/05, vigente à época, e tendo em vista que a atividade preponderante da empresa é a industrialização dos insumos adquiridos. Consta do relato fiscal a informação de que o setor de abate é definido como o setor que abarca as seguintes atividades: (i) recepção dos animais; (ii) condução e lavagem; e (iii) atordoamento, sendo que somente os valores referentes à essas atividades poderiam ser lançados com o FPAS 531. Não obstante impugnada (fls. 4046/4095), a exigência foi mantida pela instância de piso (fls. 3855/3860), dando ensejo à interposição de recurso voluntário em 27/6/2013 (fls. 4101/4126), no qual foi pleiteado, conforme síntese efetuada pelo relator da Resolução nº 2402000.520 (fls. 4207/4212): a) o entendimento da fiscalização de que só o setor de abate pode ser enquadrado no FPAS 531 é incorreto, pois todos os procedimentos realizados até a serragem da carcaça ao meio compõem o setor de abate, devendo ser realizada diligência para determinar até qual procedimento se enquadra no setor de abate; b) o resfriamento e a desossa, procedimentos realizados após o abate, também devem ser qualificados como indústria rudimentar, devendo ser igualmente enquadrados no FPAS 531, eis que não há transformação, nessas fases, de matéria prima em bens de consumo ou produção, que é a definição de indústria que se enquadra no FPAS 507; c) vício do auto de infração, pois este teria sido lavrado contra a matriz incorretamente, uma vez que os fatos são relativos às filiais, não havendo sequer Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) relativo a estas, devendo se considerar que a competência para fiscalizar e cobrar é da DRF competente pela jurisdição de cada filial. (...); e e) caso não seja esse o entendimento, pleiteia o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. À ocasião daquela Resolução deste Colegiado, datada de 26/1/2016, o julgamento foi convertido em diligência para que se procedesse à exata definição das atividades que compõem o setor de abate e qual o critério adotado para essa definição. Realizada tal providência (fls. 4277/4288), e manifestandose o contribuinte sobre o feito (fls. 4300/4309), retornou o processo para prosseguimento. É o relatório. Voto Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Resolução nº 2202000.816 S2C2T2 Fl. 4.315 3 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Não obstante os termos da diligência efetuada, cuja necessidade foi bem apontada pelo relator da Resolução nº 2402000.520, persiste situação que demanda maiores esclarecimentos, a serem obtidos via encaminhamento de nova diligência. Giza o § 2º do art. 49 do Decreto nº 57.375/65, o qual aprovou o Regulamento do SESI: Art. 49. A arrecadação das contribuições devidas ao SESI será feita pelo instituto ou caixa de pensões e aposentadoria a que estiver filiada a emprêsa contribuinte, concomitantemente com as contribuições da previdência social. § 1º O órgão arrecadador, pelos seus serviços, terá direito a uma remuneração fixada e paga na forma do disposto no artigo 255 e seus parágrafos do RegulamentoGeral da Previdência Social, baixado com o decreto nº 48.959A, de 19 de setembro de 1960. § 2º Em face de circunstâncias especiais, as empresas que nela se encontrarem poderão recolher as suas contribuições diretamente ao SESI, mediante autorização do Departamento Nacional, comunicada ao órgão previdenciário competente. (...) Ora, consta nos autos "Convênio para Arrecadação direta com prestação de serviços assistenciais nº 5.199" (fls. 4090/4092), firmado em 03/09/2008 entre o SESI Departamento Regional de São Paulo e estabelecimento do recorrente de CNPJ nº 02.916.265/002727, cuja cláusula segunda prevê que "a partir da assinatura do presente convênio a empresa passará a recolher diretamente ao SESISP, em qualquer instituição bancária dentro do Território Nacional, a contribuição mensal que lhe é devida". Baseado em tal instrumento, o contribuinte alega que os valores devidos pelas filiais enquadradas no FPAS serão pagos diretamente ao SESI, havendo juntado, quando da impugnação, as primeiras folhas de Notificação de débito contra a qual foi apresentada defesa administrativa (fls. 4094/4095). De outra parte, na decisão guerreada, é asseverado que o convênio foi firmado entre o SESISP e filial que não foi objeto de autuação, e que as informações das GFIPs, relativas a essa filial, bem como à matriz, não traziam elementos que refletissem tal contexto. Transcrevase trecho do acórdão: 14.4 No presente caso, entretanto, da análise dos documentos juntados (Doc. 03 e Doc. 04), e das GFIP´s do Contribuinte constantes no sistema GFIP WEB, verificase que o alegado convênio com o SESI de São Paulo não se reflete na presente autuação: 14.4.1 O convênio juntado na defesa (fls. 4.090/4.092) foi assinado entre o SESI SP e a filial CNPJ 02.916.265/002707, que não foi objeto da autuação, em 03/09/2008, com prazo de vigência a partir da data de sua assinatura, conforme Cláusula Sétima. Entretanto o referido estabelecimento 002707 continuou declarando o código soma de terceiros 0079, que corresponde ao FPAS 507 sem nenhum convênio, até 12/2008: (...) Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Resolução nº 2202000.816 S2C2T2 Fl. 4.316 4 Em que pese tais considerações, há que se reconhecer que no documento relativo ao Convênio, temse o parágrafo único da cláusula segunda, no qual é expressamente assinalado que "para efeito de cálculo e recolhimento da contribuição, a empresa considerará os empregados referentes a todos os seus atuais e futuros estabelecimentos, dentro do território do Estado". Além disso, o signatário do instrumento está qualificado como gerente corporativo da empresa, sendo que a notificação de débito de fl. 4161 e ss, que complementa o material apresentado à impugnação, está dirigida ao estabelecimento matriz e traz alusão ("estabelecimentos fiscalizados") que denota englobar várias filiais do recorrente. De todo modo, havendo sido apresentada a Notificação de Débito nº 02533/SP somente em sede de recurso voluntário, entendese deva ser demandado ao SESISP a confirmação dos termos do documento trazido e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas), bem como o período de vigência, facultandose, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora e para o recorrente, manifestaremse sobre a resposta da instituição. Registro, como diferencial a atentar relativamente ao anocalendário 2008 (autuação similar veiculada no processo nº 19515.720072/201328), que para o Convênio em questão foi previsto, em sua cláusula sétima, a duração de um ano, prorrogável automaticamente, então havendo sido ele assinado 03/09/2008, não resta perfeitamente configurado se seria ele aplicável ao último quadrimestre de 2009, anocalendário cuja fiscalização é tratada nos presentes autos. Proponho então, a conversão do julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intime o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência, facultandose, na sequência, oportunidade para a autoridade lançadora, bem como para o recorrente, via intimação, manifestaremse sobre o assunto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001880/00-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000, 01/07/2001 a 30/09/2001
COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. DECISÃO
JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser admitida a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial vigente, ainda não transitada em julgado, quando referida decisão, além de ter reconhecido o crédito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, também
reconheceu o direito à utilização do referido crédito, antes do trânsito em julgado da decisão, na compensação dos referidos débitos. A compensação, no entanto, é realizada sob condição resolutiva e deve ser revista se a decisão final da Justiça for diferente da decisão provisória. Solução de Consulta
Interna Cosit n° 10/2005.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.061
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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Recorrida DRJ em São Paulo - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000, 01/07/2001 a 30/09/2001 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser admitida a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial vigente, ainda não transitada em julgado, quando referida decisão, além de ter reconhecido o crédito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, também reconheceu o direito à utilização do referido crédito, antes do trânsito em julgado da decisão, na compensação dos referidos débitos. A compensação, no entanto, é realizada sob condição resolutiva e deve ser revista se a decisão final da Justiça for diferente da decisão provisória. Solução de Consulta Interna Cosit n° 10/2005. Recurso provido. ACORDAM os membros da 1" câmara / 1" turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em a . provi - to ao recurso. •\ •• MARCOS CÂNDI ri O Pr sidente g rau,: etfr-S_ 14, d ARIA CRISTINA ROZA A COSTA • elatora o Processo n° 13804.001880/00-29 S2 -CIT1 Acórdão n.° 2101 -00.061 Fl. 330 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferia pela DRJ em São Paulo, SP, na qual foi declarado decaído o direito da contribuinte em pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior, a título de PIS. Em sessão realizada em 25/01/2006, o Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: "Em face do que restou estabelecido pelos Membros desta Câmara, voto, com objetivo de melhor instruir o processo, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, à repartição de origem, para que, conclusivamente, pronuncie-se sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de PIS e nos períodos informados pela recorrente, levando-se em consideração o que determina o art. 62, parágrafo único, da LC n2 7/70 ffaturamento do sexto mês anterior), informando, inclusive — caso venham a ser apurados —, os alegados créditos a restituir/compensar (demonstrar). Posteriormente e em caso positivo, manifeste-se sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, com base nos índices fornecedores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar n2 08, de 27/6/1997, bem como proceda de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até que o presente processo seja julgado em definitivo por este Colegiado. Em seguida, após oferecer à recorrente o direito de emitir pronunciamento acerca do resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos a esta Câmara." Retomaram os autos a esta amara para conclusão do julgamento, após realização da diligência requerida. É o relatório. Voto ../"C Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora Os pressupostos de admissibilidade do recurso já foram apreciados. 2 .. Processo n°13804.001880/00-29 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.061 Fl. 331 Na Trata-se de pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, referente à contribuição para o PIS, recolhido a maior que o devido, nos termos dos Decretos- Leis n`'s 2.445/88 e 2.449/88. A recorrente é titular de ação ordinária n°96.0006415-6, conforme informa o relatório fiscal da diligência (fls. 307/308). A compensação foi realizada à vista da tutela antecipada requerida e deferida. . Informa, ainda, a fiscalização que, até a data em que se manifestou, a ação judicial não havia transitado em julgado. Considerando que tanto o processo judicial quanto o processo administrativo, bem como a decisão que concedeu a tutela antecipada são anteriores à edição da Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, a qual introduziu no Código Tributário Nacional o ml. 170-A, vedando a compensação de créditos tributários sztb judice, antes do trânsito em julgado da ação, deve ser observado os termos da Solução de Consulta Interna Cosit n° 10/2005 sobre essa matéria, como segue: "As unidades da Secretaria da Receita Federal devem admitir a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial vigente, ainda não transitada em julgado, quando referida decisão, além de ter reconhecido o crédito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, também reconheceu o direito à utilização do referido crédito, antes do tránsito em julgado da referida decisão, na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão. A compensação, no entanto, é realizada sob condição resolutiva e deve ser revista se a decisão final da Justiça for diferente da decisão provisória." Informa, também, a fiscalização que "Os saldos acumulados desses pagamentos a maior são suficientes para compensar os débitos de PIS dos períodos de apuração de janeiro/97 a setembro/97, julho/2000 a dezembro/2000 e julho/2001 a setembro/2001...". Encontram-se, nestes autos, as compensações dos períodos de apuração compreendidos entre julho de 2000 e dezembro de 2000 e julho de 2001 e setembro de 2001. Em face das conclusões relatadas pela diligência fiscal, voto por dar provimento ao recurso voluntário, deferindo as compensações requeridas nestes autos, sob condição resolutiva, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit n° 10/2005. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. .----- iff . ARIA" C ISTINA ROZÍDA Cql'A 3 Page 1 _0054800.PDF Page 1 _0054900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918872/2016-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 72 /2 01 6- 43 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201643 Acórdão n.º 3201003.549 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.690, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201643 Acórdão n.º 3201003.549 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720506/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 50 6/ 20 14 -7 1 Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Fora constatada, no anocalendário (AC) de 2009, omissão de receita da atividade caracterizada pela falta de emissão de notas fiscais de serviços prestados. Ocorrera, então, o arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, III do RIR/1999, tendo em vista que, sendo intimado, o contribuinte, ora recorrente, não apresentou as notas fiscais e folhas de pagamento, o que impossibilitou a verificação da adequação dos lançamentos contábeis com os respectivos fatos, não permitindo a comprovação da correta apuração do lucro real. O crédito tributário exigido neste processo está composto dos seguintes montantes: IRPJ R$ 18.263.317,35 CSLL R$ 5.505.507,26 COFINS R$ 5.746.435,23 PIS R$ 1.245.061,00 Consta no processo que o contribuinte apresentou DIPJ/2010 tendo como forma de tributação o lucro real. Foi intimado e reintimado a apresentar os livros Diário e Razão, arquivos de notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias e/ou serviços, arquivos digitais das folhas de pagamento de todos os segurados, os comprovantes de retenção de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, sofrida em 2009, e apresentou apenas a DIPJ/2010, os contratos sociais e uma planilha contendo o nº das notas fiscais, valor da nota e valor da retenção da contribuição previdenciária e nome do tomador do serviço. A fiscalização, então, enviou ofício para as Prefeituras de São Paulo e Campinas, solicitando os arquivos de notas fiscais emitidas pelo contribuinte no ano de 2009 e obteve as relações contendo informações das notas fiscais que se encontram no “Anexo 5”. Constatou o fisco que a soma dos valores das notas fiscais informados pelas prefeituras era maior do que os valores declarados pela contribuinte na DIPJ e no Dacon. O lançamento de ofício concretizou essas diferenças apuradas como receitas omitidas, sendo arbitrado o lucro com base nestas e naquelas declaradas pelo contribuinte. Foi aplicada a multa de 225% pela falta de apresentação de esclarecimentos, livros e documentos e de escrituração de parte das receitas auferidas no anocalendário. Foi atribuída responsabilidade solidária ao sócio e administrador da contribuinte Wagner Martins, com fundamento nos arts. 124, I, e 135 do CTN. Impugnação A impugnação apresentada trata dos seguintes pontos: Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 4 3 Decadência para constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores compreendidos entre janeiro a abril de 2009. Defendeuse que o prazo decadencial deve ser contado conforme o previsto no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que o arbitramento foi feito com base nas receitas declaradas em DIPJ, Dacon, DCTF e na contabilidade, não podendo se falar em dolo, fraude. Argumentou que mesmo sobre a receita omitida o prazo decadencial deve ser contado da ocorrência do fato gerador, uma vez que não houve comprovação da ocorrência do dolo e houve pagamento antecipado declarado via DCTF. Expôs que o lançamento é nulo, pois o fisco utilizou para calcular o IRPJ a forma de apuração trimestral, enquanto o contribuinte fez a opção pelo regime de tributação do lucro real anual. Esse fato ofenderia o disposto na Lei nº 9.249, de 1995, art. 24 e o RIR, de 1999, art. 288, e agravaria o lançamento do crédito tributário. Também se alegou que o fisco não teria como apurar o lucro anual, haja vista que o próprio agente fiscal expressamente afirma que o arbitramento dos lucros foi feito com base no Dacon, DIPJ, Sped e contabilidade da empresa. Arguiu que é improcedente a exigência da multa de 150% sobre as receitas declaradas: embora o argumento do fisco autorize a aplicação da multa qualificada somente sobre a receita omitida, referida multa também foi aplicada equivocadamente sobre a receita declarada. Suscita a nulidade do agravamento da multa (art. 957, II, do RIR/1999) sobre as receitas omitidas: o fisco concluiu que a soma dos valores das notas fiscais informadas pelas prefeituras era maior que os valores declarados pela contribuinte e lavrou o auto de infração sem intimar a fiscalizada a explicar as diferenças constatadas. Entendeu que o autuante não quantificou a sonegação, uma vez que não apontou quais as notas fiscais específicas teriam sido não declaradas, sendo imprescindível a intimação formal para que a empresa pudesse demonstrar a incorreção dos valores apontados. Suscita também a nulidade do lançamento do PIS e Cofins: o fisco tributou novamente as receitas já declaradas e constituídas, em DCTF, pela contribuinte a título de PIS e Cofins, o que constitui bis in idem. Relata que o arbitramento é improcedente, pois não houve recusa em entregar os documentos solicitados pela fiscalização. Teria entregue parcialmente os documentos solicitados e quando não era possível atender a intimação por completo, a impugnante formulava pedido de dilação de prazo. Considerando a grande quantidade de empregados e notas emitidas mensalmente, o impugnante, ora recorrente, argui, em seu favor, que precisava de prazo razoável para que fosse possível reunir todas as informações solicitadas pelo fisco. Alega que o arbitramento somente poderia ocorrer caso o contribuinte deixasse de apresentar ao fisco os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa. Ocorre que esses documentos já estavam em posse do agente fiscal, segundo o contribuinte. Tanto é assim, afirma, que o autuante atesta que o arbitramento foi realizado com base no Dacon, DIPJ, Sped e contabilidade da empresa. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 5 4 Conclui o impugnante, ora recorrente, que apesar de não ter conseguido reunir todas as notas fiscais que comprovam a retenção, a autoridade tributária detinha outras maneiras de confirmar as retenções declaradas, seja por meio de consulta às Dirf das fontes pagadoras, seja através da relação das fontes pagadoras disponíveis no site da RFB, através do ecac. Teriam ocorrido erros de digitação no Anexo 7 (que foram transportados para o Anexo 8), que majoraram as receitas omitidas em R$ 2.326.428,37. Citase como exemplo, a nota fiscal nº 9263 em que o valor correto seria R$ 16.576,33 (anexo 5) mas foi lançada no anexo 7 a nota com valor de R$ 1.657.633,00. Além dos erros de digitação, teria o fisco deixado de excluir uma série de notas fiscais canceladas que constaram no Anexo 5. Como exemplo, citamse as notas fiscais 6967 e 8902, nos valores respectivos de R$ 9.601,32 e R$ 1.759,33, as quais constam como canceladas no Anexo 5 (informações das Prefeituras), mas foram indevidamente lançadas no Anexo 7. Segundo o impugnante, ora recorrente, não houve comprovação de ação dolosa para a qualificação da multa, que se deu exclusivamente em virtude de ter sido constatada omissão de receitas. Tais receitas omitidas foram obtidas por meio de relação de notas fiscais emitidas pela própria impugnante, o que comprova que não há prova de dolo. Haveria ilegalidade do agravamento da multa de 150% para 225%: alegase que a falta de apresentação de livros e documentos foi utilizada como fundamento para o arbitramento do lucro e para o agravamento da multa de ofício, o que é ilegal. Argui que do total de R$ 1.846.057,61 que foi declarado como imposto antecipado pela impugnante em DIPJ e Dacon, a Receita Federal já possui confirmado o total de R$ 1.055.961,87, que já foi recolhido pelos tomadores de serviços. Conclui, então, que não seria lícita a conduta do fisco, que penalizou a contribuinte simplesmente porque não conseguiu confirmar as retenções que foram corretamente declaradas em Dacon e DIPJ. A exigência de confirmação de recolhimento dos valores retidos para homologação da compensação declarada pela impugnante é improcedente. Por fim, pugna pela impossibilidade de manutenção do Termo de Arrolamento. No caso de provimento da impugnação, o arrolamento deveria ser revisto. Impugnação do Responsável – Wagner Martins O responsável solidário Wagner Martins apresentou a impugnação, em suma delineando os seguintes pontos: Não tem legitimidade para figurar no termo de arrolamento, pois não restou comprovado que tenha praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 6 5 Nulidade do termo de arrolamento formalizado sem a instauração de mandado de procedimento fiscal (MPF). Segundo o impugnante, tratase de responsabilidade pessoal e não responsabilidade solidária, devendo os bens do impugnante serem exonerados. Não há provas de que o impugnante agiu com dolo, tendo em vista que emitiu notas fiscais, mas o setor contábil incorreu em erro e não repassou tais informações para a DIPJ. Impossibilidade de formalização de termo de arrolamento de bens do sócio, em face de inexistência de previsão legal. Os bens que devem ser arrolados são do sujeito passivo. A formalização do termo de arrolamento de bens do sócio fere o princípio da legalidade (art. 5º, II, e 150, I, da Constituição Federal – CF). Neste passo alega que somente poderá ser formalizado o termo de arrolamento depois da decisão final administrativa comprovando cabalmente a infração à lei e, se eventualmente o sujeito passivo não honrar com os supostos débitos imputados. Prossegue afirmando que o termo de arrolamento é medida excepcional, que não pode ser decretada com apoio exclusivo em supostos débitos da pessoa jurídica, até porque a insuficiência de bens necessários à satisfação das dívidas contraídas consiste, a rigor, em pressuposto para a decretação da falência e desconsideração da personalidade jurídica, o que não ocorreu. Há necessidade de desconsideração da personalidade jurídica para arrolamento dos bens do sócio. Por fim, esclarece que não existem os requisitos constantes do art. 50 do Código Civil, quais sejam: a) abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade; b) confusão patrimonial, aptos a ensejar o redirecionamento do pleito executivo. Acórdão nº 1455.600 – 3ª Turma da DRJ/RPO Nulidade Fora julgada improcedente a alegação de nulidade sob a fundamentação de que, segundo o art. 60 do PAF, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art.59 não importarão em nulidade do lançamento e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Decadência Firmouse o entendimento de que, por estar caracterizada a ocorrência de fraude no período autuado, a contagem do prazo decadencial deslocarase para o art. 173, I, do CTN, ou seja, seu início se deu no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 7 6 Dessa forma, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2010 findando em 31/12/2014. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 28/05/2014, julgouse que não há que se falar em decadência do direito de lançar referidos tributos. Arbitramento Delineouse, inicialmente, que o uso do arbitramento impõese como dever legal e é ato vinculado da autoridade fiscal. Ademais, constatouse que consta no processo que a DIPJ/2010 foi apresentada com a opção pela tributação pelo lucro real anual e, quando intimada e reintimada a apresentar o livro Diário e o Razão, os arquivos de notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias e/ou serviços, arquivos digitais das folhas de pagamento de todos os segurados, e os comprovantes anuais de retenção na fonte sofrida, o contribuinte nada apresentou. Assim, entendeuse que não há que se falar em falta de intimação para comprovação das diferenças apuradas, de modo que a contribuinte foi intimada várias vezes e teve tempo mais do que suficiente, mas não apresentou os elementos solicitados. Constatou a fiscalização que o contribuinte transmitiu a sua Escrituração Contábil Digital (ECD) via Sped, porém sem a devida autenticação na Jucesp. Sendo intimada, em 07/02/2014, a regularizar essa situação, a contribuinte não atendeu a solicitação. Entendeuse, então, que ainda que estivesse desobrigada de escriturar o livro Razão, o Contribuinte, ora recorrente, tinha o dever de apresentar o livro Diário e os demais documentos solicitados pela fiscalização. Não tendo sido apresentados os documentos pelo contribuinte não restou alternativa à fiscalização a não ser o arbitramento do lucro, como previsto na legislação. Concluiuse que, tendo ocorrido a hipótese para o arbitramento, ele deve ser mantido, pois não há arbitramento condicional. Erros Analisando os Anexos 7 e 8 e o demonstrativo de fls.756 a 794, verificouse que assiste razão à contribuinte quanto à nota fiscal nº 9263, pois consta à fl. 785 que é de R$ 16.576,33 o valor da referida nota. Coube, portanto, a autoridade julgadora corrigir esse erro e alterar o valor dos tributos devidos. Quanto às demais diferenças indicadas na impugnação à fl.985, cumpriu registrarse que não foram apontadas as notas fiscais relativas a tais diferenças, motivo pelo qual entendeuse pela impossibilidade de análise da alegação quanto a esses valores. Compulsando o relatório de notas fiscais apresentado pelas Prefeituras, verificouse que as notas fiscais constam como canceladas (fls. 757 e 781) e foram incluídas no Anexo 7. Parte das notas fiscais “canceladas” foram de fato excluídas da tributação, no entanto, o autuante não informou a razão por que não excluiu as de nº 6967 e 8902 da tributação. Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 8 7 Prestouse, então, o julgador a proceder a sua exclusão, atingindo as respectivas bases de cálculo. Dedução. IRRF. Quanto à alegação de que, no lançamento não houve a dedução dos valores do IRRF, entendeuse não assistir razão à contribuinte, uma vez que somente se admite tal dedução se as receitas que deram causa às retenções tiverem sido computadas na determinação do imposto exigido no auto de infração. Ainda que constassem informações de retenções nas Dirf existentes nos sistemas internos da RFB, firmouse ser imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram tais retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real. Entendeuse que a prova deveria ser feita por meio da apresentação dos “informes de rendimentos” fornecidos pelas fontes pagadoras e da contabilidade da contribuinte, documentos não apresentados durante a fiscalização, apesar das várias intimações feitas pelo fisco. O mesmo racional fora adotado para aniquilar qualquer possibilidade de nulidade de PIS e Cofins. Nulidade do lançamento do PIS e Cofins Quanto aos débitos de PIS e Cofins declarados em DCTF como tendo sido compensados por meio de Dcomp, confirmarase a existência da confissão de valores não considerados pela fiscalização, que, desta forma, foram excluídos pela autoridade julgadora. O demonstrativo abaixo perfaz os valores restantes, devidamente exigíveis de PIS e Cofins: Multa de Ofício. Qualificada. Agravada. Notouse que foram omitidas receitas em todos os meses do anocalendário de 2009, o que descarta a possibilidade de erro, devendo ser mantida a exigência da multa qualificada sobre os valores de receita omitida. Entretanto, com relação às receitas declaradas, Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 9 8 entendeuse que não há que se falar em ação dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Portanto, quanto aos tributos relativos a essas receitas declaradas, entendeuse pela redução da multa de ofício para 112,5%. Com relação ao agravamento da multa em 50%, da análise dos autos constatou se que o presente caso se enquadrou perfeitamente na hipótese prevista no inciso II do §2º do art. 44 da Lei nº 9430/96, ou seja, sendo intimada o contribuinte não apresentou os arquivos digitais solicitados. Dessa forma, tendo ocorrido a hipótese descrita na lei, devese manter o agravamento da multa de ofício em 50%, tal como previsto no § 2º acima. Inconstitucionalidade Com relação às alegações de ofensa a princípios constitucionais, esclareceuse que a autoridade administrativa não tem competência para analisar tais questões, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. Termo de Arrolamento de Bens Entendeuse que, no tocante ao arrolamento de bens, temse a observar que, conforme disposições contidas na Instrução Normativa RFB nº 1171, de 2011, deve ser efetuado, para garantia do crédito tributário, sempre que esse ultrapassa, simultaneamente, trinta por cento do patrimônio conhecido do sujeito passivo e R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Todavia o arrolamento é formulado em apartado e não compõe o processo de exigência de crédito tributário, não se inserindo no âmbito de competência do colegiado, definida no art. 212 da Portaria MF nº 125, de 2009, o pronunciamento acerca da regularidade do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. Termo de Sujeição Passiva Solidária Verificouse no processo que Wagner Martins exerceu a gerência da sociedade e agiu com excesso de poderes e infração à lei ao omitir receitas durante todo o anocalendário de 2009 e reduzir os tributos devidos. Segundo a autoridade julgadora, essa conduta reiterada de omitir receitas configurou a ocorrência de fraude, nos termos da Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, portanto a ocorrência do dolo e a infração à lei. Assim, sendo Wagner Martins sócio com poderes de gestão à época, julgouse correta a imputação de sujeição passiva solidária, nos temos do CTN, art. 135, III. Quanto à inclusão da pessoa acima citada no pólo passivo como responsável solidário, nos termos do art. 124, I, do CTN, esclareceuse que se trata de solidariedade de fato, na qual uma pessoa é solidária quando realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 10 9 situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Firmouse o entendimento de que restara claro e evidente que no processo que o sócio administrador conheceu e participou dos atos antes relatados, os quais tiveram como objetivo a omissão de receitas tributáveis. O interesse comum encontrouse materializado na participação societária, pois eventual ganho da sociedade empresária repercutiria direta ou indiretamente no patrimônio do sócio. Restou informar, por fim, que a fiscalização não procedeu a qualquer desconsideração da personalidade jurídica. Entendeuse que a desconsideração da personalidade jurídica é instituto em tudo diferente da solidariedade passiva. Enquanto esta (prevista no art. 264 do Código Civil) é a coobrigação de várias pessoas em uma única e indivisível relação obrigacional, a desconsideração da personalidade jurídica acontece em razão de ter havido “abuso da personalidade jurídica”, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, o que, entendeuse, não foi suscitado pela fiscalização. Conclusão A impugnação, fora, então, julgada parcialmente procedente, mantendose o IRPJ no valor total de R$ 4.805.117,14, a CSLL no valor total de R$ 1.448.735,18, o PIS no valor total de R$ 282.536,36 e a Cofins no valor de R$ 1.303.672,96. Recurso Voluntário O recurso apresentado pela ora recorrente delineia, em idênticos termos, as teses trazidas em sede de impugnação. Recurso Voluntário do Responsável – Wagner Martins O recurso apresentado repisa todos os argumentos trazidos em impugnação, aditando os seguintes pontos, de forma preliminar: Incompetência da fiscalização para imputação de responsabilidade solidária, uma vez que a competência da identificação seria atribuída exclusivamente à PGFN, nos termos do art. 2º, § 5º, I, da Lei nº 6830/80; Impossibilidade de manutenção do termo de arrolamento formalizado em virtude de ofensa dos princípios do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa, repisando, no entanto, os argumentos carreados por meio do recurso voluntário do ora recorrente. Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 11 10 Resolução n. 1201000.227 Em 05/10/16 a presente Turma de Julgamento determinou através da Resolução n. 1201000.227 que o julgamento fosse convertido em diligência para que a delegacia de origem procedesse e recalculasse o seguinte em relação ao período autuado: i) identificação e correção de todos os erros de digitação da planilha de fls. 826 a 891 (“Anexo 7 Planilha Mensal das Notas Fiscais das Prefeituras”), usando como base as informações reais e verídicas contidas na planilha de fls. 756 a 794 (Anexo 5 NFSe – Livro Fiscal – Serviços Prestados – EMBRASE Ano de 2009); ii) exclusão, na planilha de fls. 826 a 891 (“Anexo 7 Planilha Mensal das Notas Fiscais das Prefeituras”), de todos os valores referentes às Notas Fiscais que se encontrem na situação “Cancelada” na planilha de fls. 756 a 794 (Anexo 5 NFSe – Livro Fiscal – Serviços Prestados – EMBRASE Ano de 2009). Resposta à diligência O Termo de Encerramento de Diligência de fls 1884/1885 traz o seguinte: "Trata o presente de Termo de Encerramento de Diligência Fiscal amparada pelo TDPF 08.1.90.002016016865, emitido para atender demanda da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, em função de Recurso Voluntário impetrado pelo contribuinte no âmbito do processo fiscal 19515.720506/201471. 1. No referido processo a Fiscalização gerou diversas planilhas cujos dados foram obtidos de relações de notas fiscais apresentadas pelas prefeituras dos municípios de São PauloSP e CampinasSP. Essas relações não foram apresentadas no formato de planilhas digitais mas sim como meros arquivos impressos. Cabe relembrar que a Fiscalização se viu obrigada a solicitar as informações para as prefeituras em função de o contribuinte, após ter sido intimado por quatro vezes, não ter apresentado os dados solicitados. 2. Na relação apresentada pela Prefeitura de Campinas, além das informações de cada nota fiscal, constavam as totalizações por período bem como o total geral, o que ao final facilitou muito a conferência e a validação das informações, além do fato de a quantidade de notas ser substancialmente menor do que as notas de São Paulo. 3. Já no que se refere à relação de notas fiscais apresentada pela Prefeitura de São Paulo a conferência e validação ficou muito prejudicada em função de não termos os valores totais para que pudessemos, ao final, checar as informações individuais que foram planilhadas manualmente. 4. Não obstante os esclarecimentos acima, a Fiscalização reconhece algumas inconsistências nos valores planilhados relativos Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 12 11 exclusivamente à relação apresentada pela Prefeitura de São Paulo. Em função disso e mediante a solicitação de diligência foi enviado memorando à Prefeitura de São Paulo a qual, desta vez, nos enviou uma planilha eletrônica relativa às informações constantes das folhas 756 a 794 do Anexo 5 ao Termo de Verificação Fiscal do processo 19515.720506/201471. 5. Com a planilha em mãos foi possível a geração de novas planilhas com os valores das receitas omitidas uma vez que, mesmo com os novos dados, o valor total das receitas ainda é maior que o valor declarado restando portando ainda valores omitidos. Os valores lançados como receitas declaradas permanecem, portanto, inalterados uma vez que os valores constantes em DCTF relativos a PIS e COFINS já foram levados em consideração pelo próprio CARF que inclusive procedeu às devidas alterações. 6. Assim sendo geramos as seguintes planilhas: Anexo 13 – Comparação dos valores corretos levantados na presente diligência com os valores anteriormente considerados, nota a nota – Nova Planilha Anexo 14 – Resumo da Planilha do ANEXO 13 acima – Nova Planilha. Anexo 15 – Valores omitidos – Diferença entre Receita Total e Declarada – Substitui o Anexo 8 (fl. 892 do processo). Anexo 16 Planilha demonstrativa do cálculo IRPJ – Receitas Omitidas – Substitui o Anexo 9 (fl 893 do processo). Anexo 17 Planilha demonstrativa do cálculo CSLL – Receitas Omitidas – Substitui o Anexo 10 (fl 894 do processo). Anexo 18 Planilha demonstrativa do cálculo da COFINS – Receitas Omitidas – Substitui o Anexo 11 (fl 895 do processo). Anexo 19 Planilha demonstrativa do cálculo do PIS – Receitas Omitidas – Substitui o Anexo 12 (fl 896 do processo). 7. Diante do exposto fica o contribuinte cientificado do encerramento desta diligência tendo o prazo de 10 (dez) dias, conforme art. 44, Lei 9.784 de 29/01/1999, para, caso não concorde com os resultados da mesma, apresentar contrarazões por escrito na própria Delegacia de Fiscalização, situada na Avenida Pacaembu, 715, 4º andar, Santa Cecília, São Paulo SP, aos cuidados da Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, Esther Antonioli Guimarães Martins, Chefe da Equipe Fiscal 01." Manifestação da Recorrente Intimada do resultado da diligência, a ora Recorrente apresentou os seguintes argumentos: Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 13 12 i) ofensa aos Princípios da Ampla Defesa, Contraditório, Devido Processo Legal e Isonomia em razão da concessão de apenas 10 (dez) dias pela autoridade fiscalizadora para que a ora Recorrente se manifestasse acerca do resultado da diligência; ii) decadência dos fatos geradores de janeiro a dezembro de 2009; iii) ocorrência de novo lançamento, uma vez que todos os anexos que embasaram o lançamento anterior foram integralmente modificados e iv) ratificação dos demais termos do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Da diligência Tendo em vista que foram identificadas por este julgador algumas inconsistências nos números apresentados pelo trabalho fiscal, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem corrigidos eventuais erros na planilha de fls. 826 a 891 (Relação de Notas Fiscais das Prefeituras) e também que fossem excluídas as notas fiscais na condição de canceladas. A delegacia de origem elaborou o trabalho solicitado e apresentou relatório conclusivo e anexos analíticos onde constam efetivas alterações nos valores que foram considerados à época do lançamento. São planilhas com milhares de linhas que equivalem a milhares de notas fiscais. Ao final, a ora Recorrente foi intimada para que se manifestasse no prazo de 10 (dez) dias sobre a conclusão da diligência. A Recorrente apresentou manifestação onde traz os argumentos já expostos no relatório ao norte, dentre os quais destaco a ofensa à ampla defesa, contraditório, devido processo legal e isonomia, tendo em vista o exíguo prazo de 10 (dez) dias para se manifestar sobre trabalho complexo que envolve diversos documentos e demonstrativos que trazem importantes alterações sobre os valores do lançamento de origem. Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201471 Resolução nº 1201000.395 S1C2T1 Fl. 14 13 Entendo que neste ponto cabe razão à Recorrente, pois, é pacífico neste Conselho que a concessão de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste sobre eventuais diligências é a medida correta para resguardar o direito à ampla defesa do contribuinte e que está em conformidade com a Lei . 7.684 e com o Decreto n. 70.235/72 (PAF). Neste sentido foi o acórdão n. 1103000.975 da 3°Turma da 1°Câmara desta 1°Seção, cujo relator foi o ilustre Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RESULTADO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO REQUISITO DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. O sujeito passivo deve ser cientificado do resultado de diligências sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, sendolhe assegurado prazo legal de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o acórdão proferido pelo órgão de primeira instância sem observância de tal requisito. Desta sorte, visando resguardar ao contribuinte o seu direito à ampla defesa e considerando também o Princípio da Economia Processual, no sentido de que se evite que o processo prossiga com investimento de tempo e recurso do Poder Público para que depois tenha que retroceder em razão de vícios, entendo que a medida mais acertada é a devolução do prazo para que a Recorrente se manifeste sobre a conclusão do trabalho de atendimento à diligência solicitada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a delegacia de origem intime o contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias sobre a conclusão da diligência. Decorrido referido prazo, retornem os autos para julgamento por esta Turma. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2020DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.006831/2008-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 68 31 /2 00 8- 21 Fl. 154DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social (outras entidades terceiros). Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. O acórdão nº 2301002.247 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 Ementa: SALÁRIO INDIRETO – ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 18050.006831/200821 Acórdão n.º 9202006.711 CSRFT2 Fl. 155 3 deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, Fl. 156DF CARF MF 4 portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 18050.006831/200821 Acórdão n.º 9202006.711 CSRFT2 Fl. 156 5 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 158DF CARF MF 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 18050.006831/200821 Acórdão n.º 9202006.711 CSRFT2 Fl. 157 7 inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 160DF CARF MF 8 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 18050.006831/200821 Acórdão n.º 9202006.711 CSRFT2 Fl. 158 9 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000148/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO EM ATRASO. INCIDÊNCIA.
A iniciativa do sujeito passivo, efetuando o recolhimento em atraso do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, não afasta a multa de mora, de índole indenizatória (sanção/re ssarcimento), destituída do caráter de punição (sanção/punição).
Numero da decisão: 3401-004.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO EM ATRASO. INCIDÊNCIA. A iniciativa do sujeito passivo, efetuando o recolhimento em atraso do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, não afasta a multa de mora, de índole indenizatória (sanção/re ssarcimento), destituída do caráter de punição (sanção/punição).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan- Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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RECOLHIMENTO EM ATRASO. INCIDÊNCIA. A iniciativa do sujeito passivo, efetuando o recolhimento em atraso do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, não afasta a multa de mora, de índole indenizatória (sanção/re ssarcimento), destituída do caráter de punição (sanção/punição). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 48 /2 00 7- 93 Fl. 145DF CARF MF 2 1. Adoto, como relatório, por fiel aos fatos, aquele elaborado pelo julgador de primeiro piso: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à multa paga a menor no valor de R$ 63.697,15, correspondente aos períodos de apuração 01/2002 a 11/2002 e juros recolhidos a menor no valor de R$ 2.629,49, correspondente ao período de apuração de 05/2002 (fls. 53 a 69), calculados sobre o valor da contribuição para a COFINS, em decorrência de auditoria interna efetuada pela Delegacia Especial de Instituição Financeira no Rio de Janeiro. Na Descrição dos Fatos (fl. 54), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais sobre o valor da contribuição para a COFINS recolhida após o prazo de vencimento. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado à fl. 54. Após tomar ciência da autuação em 10/04/2007 (fl. 57), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 01 a 10, recepcionada em 09/05/2007, alegando, em resumo, que: a) Deve ser aplicada a regra contida no art. 138 do CTN, ou seja, a denúncia espontânea. b) Todo contribuinte que espontaneamente declarar seus débitos, apresentando o pagamento do principal mais os juros, está isento da incidência da multa. c) O art. 18 da MP n° 303/2006 e o art. 14 da MP n° 351/2007 alteraram a nova redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, suprimindo o trecho anterior que fazia referência ao 'pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória', que seria exatamente a hipótese de denúncia espontânea. d) Após o advento da MP, não há mais fundamento legal para se exigir a multa moratória quando o pagamento do tributo é feito após o vencimento do prazo, desde que acrescido dos juros e da denúncia espontânea. e) O auto de infração foi lavrado em data posterior à publicação das MP, o que foi ignorado pela fiscalização. f) A alteração ocorrida na legislação, por ser benéfica ao contribuinte, possui efeitos retroativos nos termos do art. 106, II, do CTN. Ao final, requer seja julgada procedente a Impugnação e insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19740.000148/200793 Acórdão n.º 3401004.488 S3C4T1 Fl. 146 3 2. Em 30/06/2010, a 4ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1330.065, situado às fls. 81 a 83, de relatoria da AuditoraFiscal Maria Aparecida da Silva Correa, entendeu, por unanimidade de votos, ser a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. MULTA DE MORA. Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 A iniciativa do sujeito passivo efetuando o recolhimento em atraso do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sob pena de perder seu teor de espontaneidade, objetiva evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta a multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. 3. Intimada por meio de envio postal em 14/05/2012, conforme aviso de recebimento de fl. 87, a contribuinte apresentou, em 13/06//2012, recurso voluntário, situado às fls. 88 a 100, em cujas razões reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. Reproduzo, abaixo, as razões utilizadas pela decisão a quo para decidir pela manutenção do auto de infração lavrado, julgando improcedente a impugnação: O presente lançamento originouse da realização de auditoria interna na DCTF relativa ao ano calendário de 2002. Foi constatado, segundo a descrição dos fatos e demonstrativos constantes do auto de infração, o recolhimento da contribuição para a COFINS devida, correspondente aos meses de 01/2002 a 11/2002, no valor principal após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória e com recolhimento a menor dos juros no período de 05/2002. Assim sendo, foi efetuado o Fl. 147DF CARF MF 4 lançamento de ofício da multa de mora e dos juros. Aduz a Impugnante não ser devida multa moratória, visto haver recolhido a contribuição e os juros correspondentes antes de qualquer procedimento administrativo. Não se insurgiu quanto à cobrança dos juros no mês de 05/2002. A mora surge, de acordo com o disposto no Código Civil (art. 394), com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. Inexistindo pagamento na data determinada, configurase a mora e as imposições legais dela decorrentes. Os acréscimos moratórios estão assim previstos no artigo 59 da Lei n° 8.383, de 1991, e no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996 (...). (...). Portanto, a incidência da multa moratória, quando se verifique recolhimento intempestivo, é determinada por lei, e é devida inclusive quando ocorra denúncia espontânea. Com efeito, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, se o contribuinte denuncia, voluntariamente, uma infração à legislação tributária, fica excluída a sua responsabilidade tributária pela infração praticada, ficando afastada a aplicação das sanções cabíveis. Entretanto, a multa moratória não tem natureza de penalidade por infração à legislação tributária, diferentemente da multa de ofício, revestida de caráter punitivo. O entendimento da Administração acerca da matéria está exposto no Parecer Normativo CST n° 61, de 23/10/1979 (DOU de 26/10/1979), nos seguintes termos: "4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4.2 Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. E a multa proposta por ocasião do lançamento. E aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir, (grifouse) 4.3 A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. E penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios ". (...) Da mesma forma entende Fábio Fanucchi, em seu Curso de Direito Tributário Brasileiro, 4a Ed., Resenha Tributária, 1977, p. 453/454: "O atraso no recolhimento de tributos, quando o sujeito passivo proviaenctü a regularização de sua situação perante a Fazenda Pública, sem que a isto seja compelido por ação fiscal, dá como Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19740.000148/200793 Acórdão n.º 3401004.488 S3C4T1 Fl. 147 5 resultado a necessidade de aduzir à parcela tributária multas moratórias e juros de mora, conforme preceitos expressa e geralmente integrados nos textos das diversas legislações tributárias específicas (federal, estaduais e municipais). Estas são penalidades de natureza civil, simplesmente repositivas, que pretendem colocar o valor do crédito em situação idêntica àquela que ele possuía à época em que o seu pagamento deveria ter sido satisfeito, ou, que pretendem ressarcir a Fazenda Pública dos prejuízos causados pelo atraso no recebimento de valores que lhe caiba deter em época anterior". Ainda, os autores Hiromi Higuchi e Fábio Hiroshi Higuchi, assim se "A responsabilidade de que trata o art. 138 não se refere ao pagamento do tributo ou ao cumprimento de obrigação acessória de fazer, mas tratase da responsabilidade pessoal ou não do agente quanto ao crime, contravenção ou dolo referidos nos arts. 136 e 137 do CTN. O art. 138 está dizendo que a responsabilidade do agente quanto às infrações conceituadas em lei como crimes, contravenções ou dolo específico é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. O art. 138 não está dispensando qualquer multa moratória. O equivoco ocorre pela interpretação isolada do art. 138 e não em conjunto com os arts. 136 e 137 que tratam da responsabilidade por infrações". (Imposto de Renda das Empresas, editora Atlas, 27"edição, 2002, p. 575) Assim, sempre que se verifique pagamento efetuado após o vencimento do prazo, é devida a multa de mora, que não tem natureza de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento. Alega ainda o contribuinte falta de base legal para a exigência da multa, considerando a alteração efetuada na redação do art. 44 da Lei n° 9430/96. Ocorre que, como já explicitado, a fundamentação legal para o lançamento da multa de mora recolhida a menor está prevista no art. 61 da Lei n° 9430/96. O art. 44 da Lei n° 9430/96 referese a lançamento de ofício de multa punitiva. E a alteração promovida em sua redação suprimiu o lançamento da multa isolada de ofício, correspondente a 75%, que era prevista quando do recolhimento de tributo ou contribuição efetuado fora do prazo legal. Como podemos observar inexistiu o lançamento da multa isolada. Concluise pois estar equivocada a interpretação do contribuinte, relativamente as alterações promovidas no art. 44 da Lei n° 9.430/96. 5. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Fl. 149DF CARF MF 6 Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 6. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720086/2015-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/08/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que o recurso especial possa ser conhecido, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial pela apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação similar à do acórdão recorrido, tenha dado interpretação divergente à legislação aplicável.
No caso, diferenças fáticas e jurídicas existentes entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, impedem a comprovação da divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-006.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2011 a 30/08/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para que o recurso especial possa ser conhecido, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial pela apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação similar à do acórdão recorrido, tenha dado interpretação divergente à legislação aplicável. No caso, diferenças fáticas e jurídicas existentes entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, impedem a comprovação da divergência jurisprudencial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 13.987 1 13.986 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11762.720086/201580 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.798 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria 51.674.4162 II NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA DE VÍCIO/VÍCIO FORMAL VERSUS VÍCIO MATERIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOCIEDADE COMERCIAL E IMPORTADORA HERMES S.A EM RECUPERACAO JUDICIAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/08/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para que o recurso especial possa ser conhecido, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial pela apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação similar à do acórdão recorrido, tenha dado interpretação divergente à legislação aplicável. No caso, diferenças fáticas e jurídicas existentes entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, impedem a comprovação da divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 86 /2 01 5- 80 Fl. 13987DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado (efls. 03 a 07) para constituição de crédito tributário referente a multa substitutiva ao perdimento, decorrente ocultação de sujeitos no comércio exterior. A autuação resultou em multa no montante de R$ 77.852.253,16, ao contribuinte em 03/10/2015 (efl.7.568) e ao responsável solidário (Maxivendas S/A) em 07/10/2015 (efl.7.569). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a sociedade Maxivendas S/A teria realizado importações em nome próprio, tendo, para isso, porém, utilizado recursos de terceiros, ocultando a participação da sociedade Hermes, do mesmo grupo econômico, que não tinha habilitação para operar no Siscomex e que adquiriu a totalidade das importações da Maxivendas, para revenda no mercado interno. Relevante referir que, em outro processo, decorrente da mesma ação fiscal, foi exigida "multa por cessão de nome", prevista no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007. Irresignada, em 09/01/2009, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 7576 a.7609, alegando, resumidamente o que segue: não haveria problema no fato de as sociedades terem o mesmo quadro societário e o mesmo endereço se justifica, pelas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico; a operação é lícita, com a Maxivendas importando mercadorias e as vendendo para Hermes, para revenda no mercado interno; teria havido erro na quantificação da multa substitutiva ao perdimento, por dois motivos: (a) não teriam sido apresentadas as planilhas de cálculo e (b) impossibilidade de verificar se a multa se referia às mercadorias apontadas como existentes no estoque da Hermes; não teria havido comprovação de dolo nas operações. A 1ª Turma da DRJ/FNS, apreciou a impugnação em 28/09/2016, e no acórdão nº 0738.934, às efls. 13901 a 13915, consideroua procedente, exonerando o crédito tributário exigido. O acórdão de primeira instância afastou parte das alegações da impugnante, especificamente quanto à necessidade de comprovação de simulação ou de dano ao erário, para tipificação da multa aplicada, afastou, no caso, a relação de dependência entre o presente lançamento e a aplicação da multa por cessão de nome, entretanto, reconheceu vício formal no lançamento, por erro de interpretação de fatos e documentos, apontando incoerência nos valores referentes às infrações identificadas, em diferentes documentos do processo. Em face do valor do crédito exonerado, houve recurso de ofício ao CARF. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 24/07/2017, dandolhe provimento no acórdão de nº 3201 003.018, às efls. 13936 a 13947, o qual teve a seguinte ementa: RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA. VÍCIO DE FORMA. OCORRÊNCIA. É nulo por vício formal, o auto de infração uma vez identificada a ocorrência de vício de forma relativo ao “perdimento”, à sua “multa substitutiva”, sua declaração independe do mérito Fl. 13988DF CARF MF Processo nº 11762.720086/201580 Acórdão n.º 9303006.798 CSRFT3 Fl. 13.988 3 decidido nos autos que carrearam a multa por “cessão de nome”, uma vez que o “perdimento” não seria julgado com base no fato da “ocultação”. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. No voto, foram reconhecidos os seguintes vícios na autuação: (i) erro na quantificação da multa substitutiva ao perdimento, uma vez que o auto de infração continha 3 planilhas, a partir das quais era possível identificar valores distintos para a soma dos valores aduaneiros, utilizados como base para cálculo da multa em tela e (ii) impossibilidade de identificar se a multa calculada continha, ou não, as mercadorias que foram apontadas como ainda existentes nos estoques da adquirente. Em face dos vícios reconhecidos, pelo teor do voto condutor, foi negado provimento ao recurso de ofício para que houvesse o retorno dos autos à unidade de origem da autuação, visando à promoção de novo lançamento, para sanar as falhas apontadas, no prazo de cinco anos contados da definitividade decisão. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3201003.018 em 21/08/2017 (efl. 13948), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 01/09/2017, às efls. 13949 a 13957. A Fazenda indica existência de divergência, pois na decisão recorrida o erro no procedimento de apuração foi subsumido à hipótese de nulidade do lançamento, enquanto, no acórdão paradigma nº 240100.434, tal matéria foi tratada como erro suscetível de revisão no exercício do controle de legalidade que tem lugar no curso do processo administrativo fiscal. O Presidente da 3ª Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 25/09/2017, no despacho de efls. 13974 a 13976, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Tanto a contribuinte quanto o responsável solidário foram intimados (efls. 13980 e 13981) do acórdão nº 3201003.018 em 18/10/2017 (efls. 13984 e 13985), não tendo apresentado contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 13989DF CARF MF 4 O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento Analisandose o acórdão paradigma, que teve decisão por maioria, vencido o relator, observase as seguintes características: O crédito tributário apurado era relativo a contribuições previdenciárias devidas ao INSS apurados por arbitramento, no percentual de 60% sobre valores de notas fiscais e que em seu julgamento de primeira instância teve determinada a realização de diligência para correta apuração dos valores. Em decorrência da diligência, o valor lançamento foi reduzido. O relator do acórdão paradigma afirmou, em seu voto, à efl. 13966, que a autoridade lançadora teria mudado o critério jurídico da apuração e concluiu que essa alteração ensejaria nulidade do lançamento, nos seguintes termos: Na hipótese de autos, uma vez constatada a incorreção na base de cálculo admitida pela fiscalização ao promover o lançamento, o fiscal autuante propôs a retificação parcial do débito, passando a adotar o valor total das Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela UNIMED Como se observa, a autoridade lançadora, com o fito de manter débito eivado de vícios, mudou o critério jurídico da apuração do crédito tributário, o que é repudiado pelo nosso ordenamento jurídico, consoante se infere do artigo 146 do Código Tributário Nacional, que estabelece o seguinte; (...) (Negritei.) Já, o redator do voto vencedor do acórdão paradigma, afirmou, à efl. 13970, que essa alteração não ensejaria mudança de critério jurídico, afastando a nulidade do lançamento, no caso, conforme a seguir: Não vislumbro a nulidade apontada pelo ilustre conselheiro relator. Não se trata de mudança de critério jurídico. Tratase, ao meu ver, da adoção da base de cálculo proposta pelo contribuinte em sede de impugnação Assim, me parece que o paradigma tem como discussão central se houve ou não de mudança de critério jurídico na apuração da base de cálculo no caso concreto, pois mesmo o voto vencido afirma que, vencida a nulidade nele apontada,havia que ser acatada a retificação do crédito lançado. No caso objeto do acórdão recorrido, a discussão é outra, a contribuinte afirma não saber como foi apurado o valor lançado e não propõe qualquer alteração da base de cálculo, o que impossibilitaria sua contestação específica, quanto ao valor da multa. Por essa razão as decisões a quo afirmaram a existência de vício formal Assim, o acórdão paradigma trata de vício em razão de alegada modificação de critério jurídico do lançamento, já o acórdão a quo, trata de inconsistências no cálculo do crédito tributário devido e se elas seriam ou não caracterizadoras de vício no lançamento. Ora, as questões não são similares, tanto em matéria jurídica (tributos distintos e nulidades por aspectos jurídicos distintos) quanto em matéria de fato (erro no cálculo da multa sem que o Fl. 13990DF CARF MF Processo nº 11762.720086/201580 Acórdão n.º 9303006.798 CSRFT3 Fl. 13.989 5 contribuinte saiba como corrigir e erro na apuração da base de cálculo do tributo demonstrado pelo contribuinte). Dessarte, com a devida vênia do Presidente da 3ª Seção, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 13991DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904916/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.468
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 16 /2 01 1- 63 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 348 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 176/183), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 10.774,82, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 349 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 350 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.968 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 351 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 352 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 353 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 354 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10840.904916/201163 Acórdão n.º 3301004.468 S3C3T1 Fl. 355 9 Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 11962.000345/2007-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revê-lo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas.
Numero da decisão: 9202-006.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais dos responsáveis solidários. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva, apenas quanto ao não conhecimento dos recursos dos responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revêlo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais dos responsáveis solidários. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva, apenas quanto ao não conhecimento dos recursos dos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 2. 00 03 45 /2 00 7- 96 Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.129 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302002.559, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Cãmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 20 de junho de 2013 (efls. 2024 a 2043). Ali, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/03/2007 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal afazer, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ATRASO NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições sociais ou o descumprimento de obrigação acessória previstas na Lei nº 8.212/91, será lavrada de oficio Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.130 3 notificação de lançamento ou auto de infração, sendo assegurado ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para apresentar defesa, observado o disposto no Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Enviados os autos à autuada e responsáveis solidários para fins de ciência do Acórdão, ocorrida, respectivamente Schultz & Puppim Ltda. ME em 03/09/2013 (efl. 2061), Auto Serviço Costa Pereira Ltda em 17/07/2013 (efl. 2051) e Supermercado Schawbach e Tesch Ltda., em 18/07/2013 (efl. 2052), todas as cientificadas, apresentaram, ao mesmo tempo, em 31/07/2013 (efls. 2063, 2080 e 2096), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (vide, respectivamente efls. 2063 a 2068 e anexos, 2080 a 2084 e anexos e 2096 a 2100 e anexos). Os recursos todos possuem idêntica argumentação, sendo assim, relatados aqui em conjunto. Alegase, em todos os pleitos, divergência em relação ao decidido pela 3a Turma Especial da 2a. Seção deste Conselho, em, no âmbito do Acórdão no. 2803002.180, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2803002.180 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. SAT/GILRAT. REENQUATRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.131 4 MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: I por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento e respectivo crédito tributário a título de contribuições ao SAT, declarando a sua a improcedência Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. II por unanimidade, a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212 1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, limitado até o valor lançado a título de multa nos presentes autos. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais argumenta a contribuinte em sua demanda que, conforme já ressaltado em sede de impugnação e Recurso Voluntário, a alíquota a ser aplicada in casu seria de 1% e não de 2%, tendo decorrido esta última de enquadramento realizado de forma superficial pela autoridade fiscal, a partir do CNAE da autuada. Requer, assim,que seja reformada a decisão do CARF, a fim de que seja decretada a nulidade do auto de infração. Os pleitos restaram regularmente admitidos, na forma de despacho de efls. 2113 a 2118. Após envio em 06/01/2016 à Fazenda Nacional, para fins de ciência (efl. 2119), esta apresentou contrarrazões datadas de 12/01/2016 (efl. 2127), de efls. 2120 a 2126, onde alega que: a) De acordo com o inciso II do art. 22 da Lei 8.212/91, a empresa encontra se obrigada a recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Já o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048, de 1999, mais especificamente em seu art. 202, §3o., dispõe que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.132 5 b) Conforme consignado no acórdão recorrido, o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; c) Desse modo, sendo a atividade de Comércio varejista de mercadorias em geral, CNAE 52.124/00, classificada pela legislação previdenciária como de grau de risco médio, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, não merece quaisquer reparos o presente lançamento. Cita, a propósito, o Acórdão 2302002.404. Requer, assim, que ser negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Câmara a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a tais requisitos de admissibilidade. Todavia, divirjo do exame de admissibilidade de efls. 2113 a 2118, quanto ao conhecimento do Recurso para os devedores solidários Auto Serviço Costa Pereira Ltda. (CNPJ 39.790.191/000178) e Supermercados Schawbach e Tesch Ltda. (CNPJ 36.001.790/000177). Explico. Cediço, a partir do teor de impugnações de efls. 210 a 220 e 230 a 244, manifestações de efls. 847 a 863 e 672 a 690 e Recursos Voluntários de efls. 947 a 969 e 979 a 999, que, em nenhum momento, até o Recurso Especial, questionaram os devedores solidários citados a matéria sob litígio (enquadramento na alíquota de 2%), tendo se limitado a argumentar contrariamente a sua presença no pólo passivo da relação jurídicotributária. Daí, se entender ter o Acórdão recorrido se limitado a decidir sobre a matéria tão somente quanto ao contribuinte Schultz & Puppim Ltda. ME, sendo a este contribuinte que se refere a parte do Acórdão conjunto que delibera acerca da matéria aqui recorrida (vide, de forma clara efls. 2026 a 2028 e 2040 a 2043). Assim, não restou prequestionada a matéria em litígio pelos devedores solidários, devendose, em obediência aos ditames do art. 67, §5o. do RICARF vigente, conhecer parcialmente do Recurso, exclusivamente quanto ao contribuinte Schultz & Puppim Ltda. (CNPJ 03.936.083/000113). Passo, então, à análise de mérito quanto ao devedor principal supra. Tratase aqui de situação fática onde o contribuinte autuado, na forma de seu contrato social (vide efl. 594), reconhece como seu objetivo social o Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com predominância de produtos alimentícios Supermercados (código CNAE 52.124/00), tendo tal enquadramento sido o utilizado pela Fiscalização para fins de lançamento. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.133 6 Baseouse o lançamento na constatação de a contribuinte ter utilizado, para fins de recolhimento da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), a alíquota de 1%, quando, contrariamente, estabelecia o anexo V do Decreto no. 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social), em sua redação original aplicável à época dos fatos geradores em questão, uma alíquota aplicável de 2%, tendo sido, assim, objeto de lançamento as diferenças não declaradas/recolhidas. Ainda, estabelecia, a propósito, o art. 202 do mesmo Regulamento da Previdência Social, em sua redação vigente à época, quanto ao enquadramento para fins de determinação da alíquota aplicável à contribuição SAT/GILRAT: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1o As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2o O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4o A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 11962.000345/200796 Acórdão n.º 9202006.668 CSRFT2 Fl. 2.134 7 Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3oe 5o.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Da leitura dos dispositivos acima, resta clara a correção do procedimento da autoridade fiscal: A empresa, que se autoenquadrara contratualmente na atividade primária de Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com predominância de produtos alimentícios, não obstante ter, na época dos fatos geradores objeto do lançamento, a obrigação legal de declarar em GFIP e recolher a contribuição sob análise à alíquota de 2% (em plena consonância, com a atividade preponderante constante de contrato social), o fez em alíquota inferior, ou seja, autoenquadrandose erroneamente no que diz respeito à alíquota aplicável, restando perfeitamente cabível, destarte, a revisão pela autoridade fiscal e o consequente lançamento realizado. Ainda, a argumentação da autuada se limita a, seguidamente, afirmar que deveria ter sido enquadrada em risco diverso, sem, todavia, produzir, seja em sede impugnatória, ou em sede de Recurso Voluntário, quaisquer elementos probatórios que dessem suporte à sua alegação. Diante do exposto, considero escorreito o lançamento realizado, e, destarte, quanto ao Recurso conhecido, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 2134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908545/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 45 /2 01 1- 70 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.470. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.375, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10850.908545/201170 Acórdão n.º 3301004.601 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 192DF CARF MF
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