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Numero do processo: 13830.000831/2001-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão nº 17-27.537 (fls. 326 a 342), devolvendo o prazo de 30 (trinta) para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão nº 17-27.537 (fls. 326 a 342), devolvendo o prazo de 30 (trinta) para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão nº 1727.537 (fls. 326 a 342), devolvendo o prazo de 30 (trinta) para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 354/372) em face do Acórdão n. 17 27.537 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo (SP) DRJ/SPOII (efls. 326/342), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 303/315 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .0 00 83 1/ 20 01 -4 0 Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 396 2 13/08/2001 (ciência pessoal) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário: 1998 e 1999 no montante de R$ 793.008,24 sendo R$ 406.193,00 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 82.170,49 de juros de mora calculados até 31/07/2001 e R$ 304.644,75 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 13/18) com fulcro em i) acréscimo patrimonial (não tributado no ajuste anual);e ii) omissão de ganhos de capital de bens e direitos (transferência de bens), conforme o discriminado no Termo de Constatação Fiscal (efls. 19/24). Foi devolvido ao sujeito passivo o prazo de 30 (trinta) dias para pagamento ou impugnação do Auto de Infração IRPF (efls. 13/18) contados da data da ciência do Termo de Intimação Fiscal (efl. 301), ocorrida em 16/08/2001, em virtude de juntada do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n. 0811800.2000.00313.86 (efl. 300). Em face do lançamento em apreço (efls. 13/18), o sujeito passivo apresentou, em 14/09/2001, a impugnação de efls. 303/315 julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente em consonância com o disposto no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 PAF e não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 desse mesmo Decreto, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR MPF. ANÁLISE DE PERÍODO NÃO INDICADO. EMISSÃO DE MPFC PARA INCLUSÃO DE PERÍODO PARA AUTUAÇÃO. Não é caso de nulidade a falta de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para o período diverso, uma vez que resta autorizado o exame de livros e documentos, referentes a outros períodos, com vistas a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. Emitido MPFComplementar para a lavratura do auto, resta regularizado o procedimento fiscal. _ ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. É tributável a variação patrimonial não justificada pelos rendimentos informados na declaração de ajuste igual. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DECORRENTE DE TRANSFORMAÇÃO DE ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS PARA COM FINS LUCRATIVOS. A legislação estabeleceu a forma de aferição da participação societária por ocasião da transformação de entidade sem fins lucrativos para com fins lucrativos, sem definir a forma de tributação. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PERMUTA SEM TORNA. Considerase custo de aquisição de imóvel adquirido por permuta com outro imóvel, o valor do imóvel dado em permuta. GANHO DE CAPITAL. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 397 3 Correta a Apuração de Ganho de Capital na transferência de Bens em valor maior ao de aquisição. Lançamento Procedente em Parte Cientificado do teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342) em 30/01/2009 (efls. 349/350), o agora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 354/372) na data de 03/03/2009, esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: i) em sede preliminar: cerceamento de direito à ampla defesa; e ii) no mérito: inconsistências na apuração do acréscimo patrimonial não tributado; e inexistência de ganho de capital na alienação de bens. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 354/372) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide, delimitado na peça recursal (efls. 354/372), concentra se, preliminarmente, em cerceamento de direito à ampla defesa, e, no mérito, inconsistências na apuração do acréscimo patrimonial não tributado e inexistência de ganho de capital na alienação de bens. Da preliminar O Recorrente inaugura a peça recursal de efls. 354/372 protestando por cerceamento de direito à ampla defesa em virtude da ausência das páginas ausência das páginas n. 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16 do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), nos seguintes termos: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II vem cultivando o hábito de imprimir suas decisões em frente e verso das folhas que numera, deixando à mercê de servidores menos avisados, a conferência e constatação de que as cópias a serem encaminhadas juntamente com a intimação reproduzem o inteiro teor daquelas decisões. Tal prática instala descompasso entre o número de páginas componentes do Acórdão e a quantidade de folhas envolvidas, facilitando a intromissão equívocos prejudiciais ao entendimento de seu conteúdo. No caso vertente, foram encaminhadas com a Intimação, as páginas 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15 e 17, do Acórdão, numeradas no processo como fls. 309 a 317, sendo omitidas as cópias do verso das respectivas folhas, que correspondem às páginas 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16. Inegavelmente, o inteiro teor da decisão encontrase às páginas 1 a 17, o que pode ter passado despercebido ao servidor encarregado de extrair as cópias para juntada à Intimação. A título ilustrativo, 0 Recorrente junta cópia da decisão a ele encaminhada, contendo apenas a página de frente das fls. 309 a 317 do processo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 398 4 A ausência das páginas assinaladas prejudica o conhecimento das razões de decidir, criando obstáculos intransponíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa, garantia assegura pelo art. 5°, LV da Constituição Federal. Diante da falha denunciada, postula o encaminhamento do inteiro teor do Acórdão e a reabertura do prazo para elaboração de recurso voluntário. O demonstrativo de julgamento estampado às páginas 17 do Acórdão (fls. 317 do processo), possibilita constatar a manutenção quase integral da exigência. Daí, a necessidade de conhecer os fundamentos esposados pela Turma Julgadora. Mais à frente, no tópico IV DA DECISÃO, o Recorrente reitera: Como enfatizado no preâmbulo deste petitório, o Recorrente não tem conhecimento do inteiro teor do Acórdão objeto da decisão prolatada pela 63 Turma de Julgamento da DRJSPO II, tendo recebido apenas cópia das páginas 1,3, 5, 7, 9, 11, 13, 15 e 17. Como já consignado, o equívoco denunciado, embora involuntário, inibe o exercício do contraditório e ampla defesa, assegurado pela Carta Constitucional. Outrossim no tópico V DAS RAZÕES RECURSAIS: A Intimação do Acórdão chegou às mãos do Recorrente desacompanhada das fls. 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16. Exatamente esta última, contempla os itens 34 (parte) a 41 do voto elaborado. [...] Na absoluta impossibilidade de contraditar o que não se tem conhecimento, o Recorrente ratifica todo o questionamento lançado em sua Impugnação, especialmente, em relação ao pretenso ganho de capital. Não obstante a possibilidade de o Recorrente ter solicitado cópia integral do processo, ou apenas da decisão recorrida, de forma a suprir o equívoco que denuncia, há de se convir que é obrigação da Administração Tributária disponibilizar ao sujeito passivo o inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), bem assim de quaisquer outros documentos, imprescindíveis ao exercício do amplo direito de defesa e de contraditório, princípios consagrados na Constituição Federal (art. 5°., LV). Nessa perspectiva, acato a preliminar suscitada, impondose, por consequência, a conversão deste julgamento em diligência para que a Unidade de Origem providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), observando, inclusive, as respectivas páginas frente e verso do documento. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 354/372), ACATAR A PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DIREITO À AMPLA DEFESA para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem providenciar a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), com as respectivas páginas frente e verso, devolvendose o prazo de 30 (trinta) para interposição de Recurso Voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903074/2009-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1001-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 78 1 77 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.903074/200967 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.028 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente SISTEMA CANCELLA DE COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 23656.80964.260406.1.3.048259, transmitida em 26/04/2006, (e fls. 02/08), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 74 /2 00 9- 67 Fl. 48DF CARF MF 2 indevido efetuado por meio de DARF, data de arrecadação 29/12/2005, no valor de R$ 1.506,22, período de apuração 30/11/2005. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 831231607, de 09/04/2009 (efl. 05), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal 11/2005 do contribuinte, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Assim dispôs em relatório o Acórdão Recorrido (efls. 34/38): A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 09 33.214 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 33/36), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava e requer indevido direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Cientificada em 10/02/2011 (efl. 39), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/02/2011 (efl. 40), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a DARF, data de arrecadação 29/12/2005, no valor de R$ 1.506,22, período de apuração 30/11/2005. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.903074/200967 Acórdão n.º 1001001.028 S1C0T1 Fl. 79 3 Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de arrecadação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.003807/2004-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO
O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato.
TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO.
O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio.
Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 1999
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato. TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO. O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrente ANDRÉ MULLER CARIOBA ARNDT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato. TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO. O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 07 /2 00 4- 99 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 64 2 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0611.939, de 24/08/2006 (efls. 32/36), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o processo de auto de infração que exige da interessada o recolhimento de RS 200,00 de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício 1999. Constam como fundamentação legal os arts. 88 da Lei n°8.981, de 1995, 27 da Lei n° 9.532, de 1997,70 da Lei n° 10.426, de 2002, 106, II, "c" do CTN e Instrução Normativa SRF n" 166, de 1999. Contra o lançamento, a interessada interpôs tempestiva impugnação, articulada da seguinte forma, em síntese: a. levanta a preliminar de decadência, sob o entendimento de que a contagem do seu prazo se inicia no dia da ocorrência do fato gerador; Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 65 3 b. ainda em preliminar, diz que o lançamento é nulo, por vicio formal, consubstanciado na "assinatura eletrônica/digital"; c. no mérito, alega que, ocorrendo a denúncia espontânea, nenhuma penalidade poderá ser imposta, na melhor inteligência do art. 138 do CTN; d. por fim, reclama da cobrança de juros com base na taxa Selic. A DRJ considerou procedente o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 Ementa: POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de rendimento fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 11/09/2006, conforme Aviso de Recebimento à efl. 40, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/09/2006 (efls. 41/30), conforme carimbo aposto à efl. 41. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto a recorrente reitera todos os mesmos argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, como preliminares alega a decadência do direito de lançar e a nulidade do lançamento, por ter ocorrido vicio formal, consubstanciado na Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 66 4 "assinatura eletrônica/digital"; no mérito alega a denúncia espontânea e se posiciona contra a cobrança de juros com base na taxa Selic. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância, o qual entendo que não merece reparos. E por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever, a seguir, o voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: Preliminar de nulidade A interessada requer a anulação do auto de infração por vicio formal, em face da "assinatura eletrônica/digital" O art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê o seguinte: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. A alegação apresentada é voltada para a assinatura do auditor fiscal. Tal irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não e assinatura eletrônica, como parece entender a interessada. Pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. De qualquer forma, ainda que o auto de infração tivesse levado assinatura eletrônica do auditor, me parece descabido falar em nulidade do lançamento, por não estar presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Não vejo no que o fato prejudicaria a defesa. Em autuação da espécie. indispensável era, para afastar a multa, provar que a declaração não foi entregue depois do prazo estabelecido na legislação ou provar que a entrega da declaração não era obrigatória. A assinatura do fiscal autuante, à toda evidência, ainda que contivesse vício, em nada prejudicaria o direito de defesa. Rejeito a preliminar. Preliminar de decadência. O CTN, no art. 113, § 3º, prevê que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No caso dos autos, houve o descumprimento da obrigação acessória de apresentação, no prazo fixado, da declaração anual de rendimentos do exercício 2000, pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 1995. Não se trata, pois, de lançamento por homologação, que ocorre nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do CTN, e cujo prazo decadencial de cinco anos é contado a partir da ocorrência do fato gerador, como quer a impugnante. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 67 5 Não se tratando de lançamento por homologação, a regra da contagem da decadência é a do art. 173, I, do CTN, qual seja, de que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em se tratando da entrega da declaração de rendimentos, somente depois de decorrido o termo final para o cumprimento dessa obrigação acessória (e não sendo ela satisfeita) é que poderia o Fisco constituir o crédito tributário referente à multa pela sua inobservância, e, portanto, apenas no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração é que se inicia a contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Destarte, em relação ao exercício 1999 cuja declaração simplificada deveria ser apresentada ate 31/05/1999 , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e, portanto, a data de inicio da contagem do prazo de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é 01/01/2000. Logo, o prazo fatal para o lançamento foi 31/12/2004. Corno a interessada foi cientificada em 29/10/2004 (doc. fl. 26), não ocorreu a alegada decadência. Dessa forma, incabível a preliminar. Mérito A multa em análise tem fundamento no art. 88 da Lei n" 8.981, de 1995, que visa punir, não só a falta de cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração de rendimentos, mas também a sua intempestiva apresentação. Ou seja, a não apresentação da declaração de rendimentos no prazo fixado sujeita à aplicação da multa, o que não se modifica pela sua apresentação a destempo, mesmo que espontânea. No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, cabe esclarecer que não se aplica aos casos de inobservância de obrigação acessória à qual estão sujeitos todos os contribuintes. O teor do referido dispositivo é o seguinte: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (...) Da leitura do dispositivo depreendese, claramente, que ele trata de penalidade vinculada a tributo, prevendo uma situação (denúncia espontânea) em que a multa ex officio não pode ser aplicada. Logo, não alcança as penalidades pela inobservância de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Lembrese, ademais, que o art. 113, § 3º, do CTN dispõe que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. E a responsabilidade pela Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 68 6 obrigação principal não é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN. A respeito do assunto, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, corno se depreende a seguir: "Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL tributo, MULTA penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL tributo, Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL multa (penalidade pecuniária) e MULTA inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma única ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar; em regra, a obrigatoriedade do adimplemento obrigação de fazer ou nãofazer; isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. O raciocínio seria o seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em princípio, irrelevante O masco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única consequência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. Mais ainda, temse que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse em aplicar a lei regularmente inserida no mundo jurídico, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nesse sentido, observese o que dispõe o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 69 7 Essa vinculação da autoridade administrativa à norma legal somente deixa de prevalecer quando a norma em questão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que não ocorre com as normas legais que fundamentam a exigência em análise. Dessa forma, e sendo inconteste que a declaração objeto do lançamento foi apresentada a destempo, é de se manter a multa. Juros de Mora com base na Selic A impugnante argui no sentido de que é incabível a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Porém, o auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. Por conseguinte, não cabe, aqui, apreciar razões relativas à validade da exigência de juros com base na taxa Selic, que não é matéria tratada nos autos. CONCLUSÃO Posto isto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter integralmente a exigência. Importante ressaltar que apesar de a recorrente reiterar que deve ser aplicado o artigo 150, § 4º do CTN para a aplicação da decadência, o voto condutor fundamenta com perfeição que a aplicação correta, in casu, é o art. 173, I, do CTN No tocante ao instituto da denúncia espontânea, cumpre acrescentar que o tema tem entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada nos autos, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Em relação à jurisprudência citada, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Diante do exposto, voto por REJEITAR AS PRELIMINARES de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 70 8 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903437/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 37 /2 01 5- 03 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000927/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003
MATÉRIA PRECLUSA. FUNDAMENTO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de questionamento em relação a qualquer um dos fundamentos de exclusão do SIMPLES caracteriza a preclusão da matéria e impede que se afaste os efeitos do ato de exclusão, ainda que se verifique a possibilidade de permanência em face dos demais fundamentos.
Numero da decisão: 1202-001.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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SOLDA E MECÂNICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 MATÉRIA PRECLUSA. FUNDAMENTO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de questionamento em relação a qualquer um dos fundamentos de exclusão do SIMPLES caracteriza a preclusão da matéria e impede que se afaste os efeitos do ato de exclusão, ainda que se verifique a possibilidade de permanência em face dos demais fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 09 27 /2 00 5- 31 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Por economia processual, adotase, na íntegra, o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito, com destaques acrescidos: O contribuinte acima identificado foi excluído do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório executivo DRF/PPE nº 009/2007, em razão do exercício de atividade econômica vedada no sistema simplificado, consistente na locação de mãodeobra (alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/96) e na prestação de serviço de engenheiro ou assemelhado (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96). Os efeitos da exclusão iniciamse a partir de 01/01/2002. 2. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 6170, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 2.1. Alega o contribuinte que o art. 179 da Constituição Federal determina que seja dispensado tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte. Afirma que a Lei n° 9.317/96, ao disciplinar tal tratamento diferenciado, adotou um critério objetivo para caracterizar as microempresas e as empresas de pequeno porte, qual seja, a receita bruta. Aduz que atende a este critério objetivo, de modo que faz juz à opção pelo SIMPLES. Sustenta que a decisão recorrida incide em equívoco ao caracterizar a execução dos serviços de que trata os autos como próprios de engenheiros e técnicos, consistindo o erro na falta de distinção entre as atividades de engenheiro e de técnico, distinção esta prevista na Resolução CONFEA nº 218/73. O art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96 impede a opção pelo SIMPLES da empresa que presta serviço profissional de engenheiro, sendo descabida a interpretação ampla ou o emprega de analogia. A vedação, por ser norma excepcional, deve ser interpretada restritivamente, alcançando apenas os serviços cuja execução exija concurso de profissional legalmente habilitado. Esta exigência não se aplica aos serviços de manutenção e reparação de máquinas em geral e soldas. Interpretação em sentido contrário viola a própria Lei n° 5.194/66. A Resolução 218/73 do CONFEA não regula a Lei n° 9.317/96, de maneira que sua aplicação na hipótese dos autos configura violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, da Constituição Federal). A interpretação extensiva empregada afronta o art. 108, § 1º, do CTN. Cita o contribuinte farta jurisprudência em abono a seus argumentos. O art. 4º da Lei n°10.964/2004 contempla diversas hipóteses em que não se aplica a vedação prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 4 3 dentre as quais destacase a atividade de reparação de veículos automotores, de motos e de aparelhos eletrodomésticos. Estas atividades não são realizadas por engenheiros, razão pela qual é descabido também o desenquadramento de empresa que exerce atividade de manutenção de equipamentos industriais. A Resolução 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, ultrapassou os limites da lei regulamentada (Lei n° 5.194/96), de modo que o desenquadramento não pode ser promovido com base na referida Resolução, sob pena de restar caracterizada a criação de tributo por meio de analogia, ofendendo o princípio da legalidade tributária. Afirma o contribuinte que já se encontra desenquadrado do SIMPLES desde o início do segundo semestre do ano de 2005, tendo migrado para o regime do lucro presumido pelo fato de que ultrapassou o limite de receita bruta admitido no SIMPLES. Assevera que houve inclusive parcelamento de tributos, revelando a situação da empresa, que se encontra com as atividades praticamente encerradas desde setembro de 2006, de modo que não há condições financeiras de suportar com o pagamento dos impostos originados de outro regime. 2.2. Por fim, pede o contribuinte que o recurso seja recebido com efeito suspensivo e que seja admitida a permanência da empresa no SIMPLES, desde 04/01/2002 até quando por iniciativa própria foi desenquadrada do referido sistema. A DRJ decidiu nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. É vedada a opção pelo SIMPLES do contribuinte que exerce atividade de manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Cientificada da decisão em 08/07/2008 (fl.125), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ao CARF, em 30/07/2008 (fls.126141), alegando, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido. Analisando a Representação Administrativa, fls.0103, que apontou como ocorrências, em tese, de hipótese de exclusão do SIMPLES, a prevista no art. 9°, alínea "f", dos incisos XII e XIII e alínea "a" do inciso II, do art. 13, todos da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, o Parecer/Sacat/DRF/PPE/156/2007, de 14 de março de 2007 (fls.43 e ss.), opinou pela exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Consoante o referido parecer, em relação à atividade de locação de mão de obra, concluiuse pela caracterização, considerando que: As provas nas quais baseouse a autoridade do INSS para concluir que a empresa presta serviços de locação de mão de obra, foram ás notas fiscais de prestação de serviço anexadas às fls. 15 á 35. Nas quais há indicação de que tenha havido pagamento dos serviços em função de horas trabalhadas. Como exemplo podemos citar a nota fiscal numero 019, fl. 17, na qual consta como descrição do serviço "Serviços prestados referentes á mão de obra — 794 horas trabalhadas". O que nos permite concluir que teria havido locação de mãodeobra. Em relação à atividade de manutenção mecânica, o referido parecer concluiu no mesmo sentido, considerando que: A Representação apresentada pelo INSS, fls. 01/03, aponta, também, o exercício da atividade de Manutenção Mecânica, a qual depende para seu exercício de profissional habilitação. O que é fato impeditivo a opção pelo Simples, nos termos do inciso XIII, do Artigo 9º da lei 9.317/96: [...] As notas fiscais constantes as folhas 15 a 35 comprovam o efetivo exercício da atividade de Manutenção Mecânica. Como exemplo podemos citar a nota fiscal de numero 155, fl. 19, na qual consta como descrição do serviço "Serviços de manutenção mecânica". A recorrente questiona a exclusão alegando que a vedação à sistemática do SIMPLES não alcança o serviço que presta, qual seja, de manutenção e reparação de máquinas em geral e soldas. Após analisar o caso, a turma da DRJ confirma que a recorrente exerce “atividade de manutenção de máquinas e equipamentos industriais”, mas considera tal atividade impeditiva, por enquadrála como atividade própria de engenheiros, com fulcro no Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 6 5 Ato Declaratório Normativo COSIT nº 04/2000, que, ao interpretar o art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96, no tocante à atividade de manutenção de equipamentos industriais, dispôs que tal atividade caracterizava prestação de serviço profissional de engenharia. Assim, o colegiado de piso entendeu que: 5.6. Portanto, a atividade de manutenção de máquinas é própria de profissionais com habilitação em engenharia. O fato de haver, de fato, eventual prestação destes serviços por profissionais sem esta habilitação não infirma esta conclusão. Todavia, a jurisprudência do CARF encontrase pacificada em sentido oposto. Da análise dos autos, é possível concluir que a situação do contribuinte enquadrase na Súmula CARF nº 57, que dispõe: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De fato, em relação à atividade de manutenção mecânica, inexiste fundamento para a exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Todavia, vejase que a exclusão do SIMPLES em litígio também se deu com fundamento na alínea “f” do inciso XII do art. 9º, da Lei nº 9.317/96, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a:[...] f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; A prestação de serviços através de locação de mão de obra foi demonstrada na representação do INSS com a juntada de notas fiscais, expressamente referidas no Parecer/Sacat/DRF/PPE/156/2007, de 14 de março de 2007 (fls.43 e ss.). A DRJ foi silente sobre o tema, visto que, em sua manifestação de inconformidade, a ora recorrente não se defendeu dessa imputação. Tampouco no recurso voluntário isso foi questionado. Diante disso, verificase que a matéria resta preclusa, pelo que este colegiado está impedido de se manifestar, nos temos do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Como a exclusão do SIMPLES se deu por dois motivos expressamente descritos e fundamentados nos atos administrativos que originaram o Ato Declaratório Executivo DRF/PPE nº 009, de 16/03/2007 (fl.54), ainda que se afaste um dos fundamentos, o segundo permanece. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 7 6 Considerandose que a imputação da locação de mão de obra não foi atacada nos autos, a exclusão, por esse fundamento, é definitiva, inexistindo a possibilidade de se desconstituir os efeitos do ADE referido. Ante o exposto, negase provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11128.726147/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/03/2014
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ÁLCOOL CETOESREARLICO. NCM 3823.70.30 - Álcoois Graxos Industriais - outras misturas de álcoois primários alifáticos (classificação do contribuinte) versus NCM 3823.7010 - Alcoóis Graxos Industriais - Esteáneo (classificação da fiscalização).
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o contribuinte.
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição
Numero da decisão: 3401-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2014 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ÁLCOOL CETOESREARLICO. NCM 3823.70.30 Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos (classificação do contribuinte) versus NCM 3823.7010 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo (classificação da fiscalização). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o contribuinte. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 61 47 /2 01 4- 17 Fl. 317DF CARF MF 2 convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem retratar os fatos contidos nos autos, adotase o relatório da DRJ/SP (efl. 264 e ss.), cujo relator fora o atual conselheiro Jorge Lima Abud: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 05/08/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, no valor de R$ 17.674,72, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa CORFERLY COSMÉTICA LTDA submeteu a despacho de Declaração de Importação n° 14/05254264, registrada em 18/03/2014, 13.440 kg de produto químico descrito como “álcool cetoesrearlico” em forma sólida, fabricado na Alemanha. A mercadoria foi classificada no código tarifário 3823.70.30 – Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos, cujas alíquotas aplicadas são de 2,00 % para o Imposto de Importação, 0,00 % para o Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, 1.65 % para o PIS e 7,60 % para a Cofins. A partir do laudo de análise, a fiscalização concluiu que a correta classificação da mercadoria seria no código NCM 3823.70.10 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo) que possui as seguintes alíquotas: 14,00 % para o Imposto de Importação, 0,00 % para o Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, 1.65 % para o PIS e 7,60 % para a Cofins. O Importador, atendendo à decisão judicial, efetuou depósito no valor dc RS 9.462.19, referente à diferença entre o valor que já havia sido recolhido pela aplicação da alíquota de 2% e o valor a ser recolhido pela alíquota de 14%. A fiscalização entende que caso seja comprovado que a mercadoria foi classificada incorretamente pelo contribuinte, também devam ser pagas as multas previstas nos artigos 7 11 I e 7251 do Decreto 6.759.2009. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 02/09/2014 (fls. 42), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 30/09/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 46 à 76, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: PRELIMINAR DE NULIDADE (grifo do Relator originário). ⊙ NATUREZA CONSTITUCIONAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL Como é sabido, o direito ao devido processo legal na via administrativa foi elevado à garantia fundamental constitucional, espelhandose, repetidamente, em vários dispositivos, como o direito à ampla defesa e ao contraditório, (direito de ser ouvido), à publicidade dos atos decisórios, dupla instância de decisão, fundamentação das decisões, defesa técnica, produção de provas, proibição de tribunais de exceção etc. Tal elevação se deu não somente porque o constituinte assim o quis, mas porque o direito positivo pátrio, cujo fundamento de validade se ampara no texto constitucional, configurase Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 318 3 em um sistema de normas, as quais devem manterse consentâneas entre si, em seus elementos e suas relações, sob pena de inviabilidade do próprio sistema. N (sic) relação jurídicotributária, o nascimento do título executivo não decorre de decisão judicial, muito menos de vontade do devedor, mas tão somente por ato unilateral do credor, consubstanciado na inscrição do débito na dívida ativa. E suas prerrogativas não param aí, sendo notórias suas garantias e privilégios, assim como estabelecidos no Capítulo VI, do Título III do C.T.N., bem como na legislação tributária extravagante, a exemplo da ação cautelar fiscal. Tais características denotam o caráter instrumental do crédito tributário. Ora, se por um lado ao crédito tributário são asseguradas tais prerrogativas, notadamente aquelas que atribuem ao próprio credor, ao st ' . nte, a constituição de seu crédito, a garantia constitucional ao pro st, administrativo, mais do que instrumento de constituição da lívida, onfigurase em verdadeira limitação do poder fiscal. Na ausência de condenação judicial ou expressa manifestação de vontade do devedor, o processo administrativo constituise em contrapartida mínima do contribuinte. Devem, por isso, serlhes assegurados os mesmos tipos de garantia do processo judicial, vez que este não existe. Neste aspecto, a teleologia do processo administrativo é idêntica à do processo judicial: solução de conflitos, na busca da verdade material. Não se admite, por isso, o sofisma de ser o processo administrativo secundário, vez que, em última análise o contribuinte poderia socorrerse da via judicial. Conforme se depreende, o processo administrativo faz, de fato, as vezes do processo de conhecimento. Admitir o contrário significa afirmar a própria negação ao sistema de limitações ao poder de tributar imposto pela Constituição Federal. Junta textos da doutrina de Ada Pellegrini Grinover: (O Processo em sua UnidadeII, Forense, 1.98., pg. 57 Grifos da impugnante) Junta textos da doutrina de Geraldo Ataliba: (Princípios do Procedimento Tributário, in Revista Fisco e Contribuinte, junho/75, p 464, gritos da Impugnante). Junta textos da doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello: (Curso de Direito Administrativo, 8a ed., ver., atual e ampl., São Paulo: Malheiros, 1996, p. 306). Concluise, pois, que o princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa e consiste no dever de • verificação, pela autoridade fiscal, exaustiva e imparcial, dos eventos ocorridos faticamente, para fins de aferição de eventual nascimento de obrigação tributária. Assim, se a Administração Pública tem porfinalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é obvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse Pelas presunções, fundamentase na ocorrência de fatos que, a "priori", não se podem conhecer facilmente. Assim, admitidos referidos artifícios no direito positivo, e sendo o direito positivo um sistema normativo, somente se concebem em face dos princípios norteadores do processo administrativo, vale dizer, as presunções não podem se sobrepor à busca da verdade material pela administração pública. Por essa razão, fazse necessário delimitar até que ponto pode um indício, fazendo parte do Fl. 319DF CARF MF 4 conjunto probatório, servir para sustentação da pretensão tributária do Fisco. Isso porque, embora haja norma prevendo a f ss ilidade do Fisco, pelos elementos de que dispõe, acusar o contribuinte J ) cometimento de infrações, por estar a administração pública, obrigatoriamente, atrelada ao princípio da verdade material, conforme já aludido, fazse necessário que o agente fiscal, ainda que existente o indício, aprofunde sua pesquisa para a busca de provas de que houve a ocorrência do fato imponível, sua função precípua. Se o agente do fisco não possui um fato ou situação contundente para provar determinada situação, deverá ir em busca de outros elementos para verificar se, em conjunto, podem ou não produzir a prova. • O princípio da verdade material impõe ao agente fiscal o esgotamento de aferição dos eventos, para então, ante a situação sistemicamente permitida pelo ordenamento jurídico, lançar mão das presunções legais. Ora, se há indícios e presunções, a administração pública não tem certeza do fato pelo qual o contribuinte poderá estar sendo acusado; contudo, tem conhecimento de fatos indicativos de que aconteceu determinada situação, cabendo, nesse caso, ir em busca da verdade material, que poderá ser revelada mediante simples aprofundamento do trabalho de fiscalização. Não lhe sendo possível esta verificação, então, poderá lançar mão das presunções legais. De seu turno, verificada a certeza da ocorrência do evento, esta elide o indício, vez que maior e mais forte. ⊙ A INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL NA PRESENTE AUTUAÇÃO No caso dos autos, partindo de indícios e presunções, a administração pública lavrou o presente auto de infração sob a alegação de tratarse de recolhimento a menor de Imposto de Importação por uso de NCM supostamente incorreto, gerando diferencial de 12% (doze por cento) na alíquota utilizada para cálculo do referido imposto. Entretanto, conforme será demonstrado adiante, não considerou o agente fiscal que o NCM utilizado, o qual fixa a alíquota de 2% (dois por cento) encontrase devidamente embasado em Laudo Técnico sobre o produto! Referido laudo, comprova o enquadramento do produto em questão no NCM 3823.70.30, através da aplicação das Normas de Interpretação contidas na NESH – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, bem como através da própria análise laboratorial pormenorizada do produto. Além disso, conforme consta nos anexos do Laudo, o próprio fabricante Sasol Germany GmbH, detalha instruções, com destaque para o anexo A5, em que podem ser verificadas as distinções entre o "nafol 1618" (álcoo1 steárico" e o "nafol 1618h" (álcool cetoestearílico), ou seja, em tal material vid nciamse as DISTINÇÕES de composição química, peso molecular, ponto de fusão e densidade! (does. anexos) De um modo mais específico, na segunda parte do parecer técnico, consta um estudo comparativo entre as conclusões sobre a classificação do produto "nafol 1618h" e a classificação merceológica, constante da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado), sobretudo, no que se refere ao capítulo 38. A solução de Consulta agora proferida, afirmou de modo simplório, tratarse de produto a ser enquadrado no NCM 3823.70.10 alíquota de 14%, por supostamente não se tratar de "mistura" de alcoóis primários alifáticos, mas sim de simples álcool estearílico, CONTRARIANDO ABSURDAMENTE A PRÓPRIA INSTRUÇÃO DO FABRICANTE DO PRODUTO! Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 319 5 Ora Nobres Julgadores, não pode o Fisco de modo tão superficial, emitir simples opinião diversa do próprio fabricante do produto, tratando o tema de modo tão subjetivo, a fim de aumentar a arrecadação em prejuízo do contribuinte! Evidente neste sentido, a inobservância do PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL, dentre outros, o que não pode nem deve prevalecer! A comprovação da situação fática ensejadora da 1avvratura do AIIM, pertence ao Fisco, sendo que sua ausência configura NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL, conforme entendimento do CARF. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Analisando terminologicamente, a palavra Proporcionalidade dá uma conotação de proporção, adequação, medida justa, prudente e apropriada à necessidade exigida pelo caso presente. Neste sentido, tal princípio tem como escopo evitar resultados desproporcionais e injustos, baseaado em valores fundamentais conflitantes, ou seja, o reconhecimento e a aplicação do princípio permitem vislumbrar a circunstância d e que o propósito constitucional de proteger determinados valores fundamentais deve ceder quando a observância intransigente de tal orientação importar a violação de outro direito fundamental mais valorado. In casu, ainda que o Nobre Julgador entenda não ser o caso de considerar de plano NULO o Auto de Infração ora impugnado, melhor saída será CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, de modo que se realize PERICIALMENTE a análise do produto em questão, a fim de se constatar a veracidade sobre a real composição do produto, posto que somente assim eliminarseá a controvérsia, reestabelecendo A VERDADE MATERIAL. Assim, com suporte no princípio da verdade material, requer desde já seja reconhecida a nulidade da autuação ou, se assim Vossa Senhoria não entender, que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se realize PERÍCIA sobre o produto, por ser medida justa! ⊙ NULIDADE DO LANÇAMENTO CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Como se não bastasse a impropriedade da autuação, considerando o posicionamento meramente subjetivo do Fisco, verificase a irregularidade da cobrança em detrimento ao fato do presente crédito encontrarse com a exigibilidade suspensa! Ora, de que valeu o contribuinte de boafé efetivar o depósito do montante integral nos autos do Mandado de Segurança inicialmente mencionado, se o Fisco ainda assim procedeu a autuação?! Transcreve o artigo 151 do Código Tributário Nacional. Realmente não se justifica exigirse que a Fazenda Pública, mesmo existindo depósito da quantia questionada em ação judicial contra ela movida pelo contribuinte, formalize um lançamento tributário sob pena de decadência do seu direito de lançar. Tal exigência, além de ser desprovida .de fundamento a luz dos dispositivos do Código Tributário Nacional, consubstancia exigência que levaria a Administração Tributária a desenvolver atividade inteiramente inútil! Neste sentido, portanto, há de se reconhecer a nulidade de pleno direito do lançamento ora impugnado, haja vista a evidente ilegalidade de cobrar algo que encontrase pago sob a égide dos efeitos do deposito do montante integral realizado e devidamente comprovado, nos autos Fl. 321DF CARF MF 6 no mandado de segurança impetrado para liberação do produto importado. Tal situação, também ocorreu em razão da autoridade fiscal não ter procedido ao seu poder/dever de busca da verdade material, mediante aprofundamento de sua fiscalização. Digase que sequer vislumbrou esta possibilidade, frisese, igualmente indiciária, já que mesmo a impugnante procedendo a exibição da documentação comprobatória da suspensão da exigibilidade do crédito, a autoridade promoveu o lançamento irregular. O ora alegado se comprova cabalmente mediante a inexistência de qualquer menção, na presente autuação, pelo agente fiscal acerca de diligências por ele efetuadas e/ou requeridas, além da documentação exigida. Na realidade, consta na autuação que o agente fiscal simplesmente procedeu o lançamento, sem considerar a existência do depósito do montante integral em mandado de segurança, o que demonstra o erro cometido por dita autoridade administrativa no lançamento em questão e, por consequencia, a sua nulidade. DO MÉRITO Conforme mencionado ‘ anteriormente, o agente fiscal, ao lavrar o auto de infração em questão, considerou existência de pagamento "supostamente" a menor de imposto de importação originado por uso supostamente incorreto de NCM. Entretanto, como conforme já explicitado, o NCM utilizado encontra respaldo em Laudo Técnico de análise do produto em questão, no qual sobreveio confirmação de seu enquadramento no código 3823.70.30, cuja alíquota é de 2% (dois por cento). Não há qualquer justificativa ou embasamento legal que ampare o procedimento do agente fiscal, que considerou o produto enquadrado o código 3823.70.10 (alíquota de 14%), logo, é improcedente o auto de infração. Da análise do Laudo Técnico juntado, restou conclusivo o parecer para utilização do código 3823.70.30, vejamos: O teor do Parecer Técnico 179/11 estabelece que o produto estudado, ISiAFOL 1618H, tratase de um produto da indústria química, caracterizandose como um álcool graxo industrial e, mais particularmente, como uma mistura de alcoóis primários alifáticos (mistura equivalente dos alcoóis cetílico e estearílico, também denominada álcool cetoestearílico), utilizado na área cosmética, na formulação dos seguintes produtos: cremes para as mãos e pés; cremes para cabelos (creme rinse), etc: A classificação de mercadorias na Nomenclatura é regida pelas Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado, sendo o teor de sua primeira regra o seguinte: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas Posições e Notas, pelas Regras seguintes." O produto estudado, NAFOL 1618H, ou seja, uma mistura de álcoois primários alifáticos, 110 código tarifário 3823.70.30, atende perfeitamente, à luz das Regras Gerais de interpretação da Pauta, ao dispôs' ' nos textos dessa posição e das notas da Seção e Capítulo e não contraria os textos das referidas posição e n tas.. Ora Nobre Julgador, da análise do conteúdo do Parecer em questão verificasse a plausibilidade do direito invocado, posto que respeitadas as formas e normas aplicáveis a correta interpretação da classificação fiscal aplicável. Ademais, a conclusão técnica baseiase essencialmente no fato de tratarse de uma "mistura" de alcoóis que tecnicamente contém PARTES IGUAIS, o que se leva a crer, Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 320 7 s.m.j., pela impossibilidade de definição como álcool esteárico ou cetílico, mas única e simplesmente como "cetoestearílico", enquadrandose, por consequência, no NCM 3823.70.30 já utilizado pela impugnante. Assim, a presente autuação não merece ser acolhida, porquanto existem elementos fáticos probatórios suficientes para o deslinde da controvérsia, notadamente o Laudo Técnico produzido, sobretudo, diante da evidente boafé da impugnante em fundamentar legalmente o uso do NCM em comento. Não obstante, subsistindo opiniões divergentes sobre a referida classificação, sabido é que o tema em questão não há como ser definido através de mera subjetividade, demandando, entretanto, aprofundamento mediante PERÍCIA TÉCNICA, na qual será possível o desempa e de qualquer opinião, arrolandose os quesitos necessários á conc isi o. Neste sentido, o princípio da AMPLA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA emerge do direito à ampla defesa, que inclusive admite a utilização de todos os meios de provas pertinentes à lide submetida ao julgamento administrativo. Tal garantia é conferida expressamente aos litigantes em Processo Administrativo através do art. 5Q LV da CF/88. Não podem por si mesmo, a legislação processual administrativa ou o órgão julgador obstaculizarem o exercício do direito à prova, sob pena de incidência em cerceamento de defesa, nem criar presunções fazendárias absolutas ou relativas que colimem INVERTER O ONUS PROBANDI ou EXIGIR PROVA NEGATIVA. Deste modo, pleiteiase no caso concreto que seja considerado válido o Laudo Técnico apresentado, reconhecendose, por consequência, como correto o uso do NCM 3823.70.30, de modo que seja o presente auto de infração julgado improcedente. Entretanto, caso Vossa Senhoria assim não entenda, melhor saída não há, senão a conversão do julgamento em diligência, de forma a realizar a competente perícia técnica sobre o produto. (...). (Negritos do Relator). À unanimidade de votos, da DRJ/SP, manteve o crédito tributário exigido, por meio da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2014 Importação de produto químico descrito como “álcool cetoesrearlico”, com classificação no código tarifário 3823.70.30 Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos. A fiscalização concluiu que a correta classificação da mercadoria seria no código NCM 3823.70.10 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo. O Laudo do fabricante, por si só, não tem qualquer força indicativa e muito menos normativa. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o importante na sua argumentação. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que possui força normativa, explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição. Perícia negada. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia. Prova disso é que a impugnação sequer apresenta quesitos. Fl. 323DF CARF MF 8 A Recorrente tomou ciência do acórdão em 18/12/2014 (AR de efl. 285), vindo a interpor recurso voluntário em 16/01/2014 (efl. 289), no qual basicamente repete os argumentos da impugnação, acrescentando que a multa deve ser cancelada por flexibilização do artigo 136 do CTN, vez que demonstrada sua boafé – formalizou consulta fiscal; manifestou sua discordância no Sistema SISCOMEX sobre a correção do NCM e recolhimento do diferencial de alíquota do II, baseandose em Laudo Técnico; impetrou MS para a liberação do produto importado, obtendo liminar com depósito judicial integral; apresentou impugnação em face do AIIM, com novo exame pericial, diante da existência de 2 (dois) laudos técnicos divergentes/conflitantes , permitindo que o julgador aja com equidade (artigo 108 do CTN), colacionando jurisprudências em seu favor. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário é tempestivo e dele se toma conhecimento. Quanto às preliminares de violação do direito de defesa e suas derivações sobre o assunto, temse que razão não socorre a Recorrente, vez que apresentou sua impugnação, juntou laudo, enfim, discutiu profundamente o assunto e obtive resposta da Administração Pública, bem como interpôs seu voluntário, de modo que as afasto. O ponto central da discussão é saber se o produto importado é uma mistura de álcoois primários alifáticos. A decisão da DRJ/SP foi no ponto ao citar respostas advindas do laudo de assistência técnica LAB 190/14, cujas partes mais importantes se destaca (efl. 279 e ss.): 1. Não se trata de mistura de Alcoóis Primários Alifáticos. Tratase de mistura constituída de 51,1% de Álcool Estearlico e 48,9% de Álcool Cetílico, com características de cera. Um Álcool Estearlico industrial. Um Ácido Graxo (*Gordo) Industrial. (...) O laudo de assistência técnica n° LAB 190/14 refutou o fato do produto em questão ser uma mistura de Alcoóis Primários Alifáticos. O laudo de assistência técnica n° LAB 190/14 identificou o produto como uma de mistura constituída de 51,1% de Álcool Estearlico e 48,9% de Álcool Cetílico, com características de cera. Um Álcool Estearlico industrial. Um Ácido Graxo (*Gordo) Industrial. (...) Tratando da posição 3823, menciona o relator da DRJ/SP (efl. 280): 5) As misturas de álcoois primários alifáticos, habitualmente compostas por álcoois com seis a treze átomos de carbono. Tratase de líquidos obtidos geralmente pela síntese Oxo. E prossegue com seu pensamento: Portanto, as própria Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 321 9 álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o importante na sua argumentação. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que possui força normativa, explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição. Na impossibilidade de proceder a classificação tributária do produto enquanto misturas de álcoois primários alifáticos, atribuise a classificação tributária do produto pela característica predominante: 51,1% de Álcool Estearlico. Portanto, para a classificação tributária o código NCM adequado é o 3823.70.10. A decisão proferida pelo acórdão recorrido, adentrou no assunto e decidiu corretamente, aliás, aproveitandoa para fins de fundamento do presente voto, como razões de decidir, evitandose repetições de fundamento que se chegaria ao mesmo desiderato, situação permitida pelo § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Por tais razões, não há reparo a ser feito na decisão de piso, e assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13906.000178/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matérias-primas de produtos acabados.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
Numero da decisão: 9303-007.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas de produtos acabados. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 01 78 /2 00 5- 11 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 597 2 (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Contribuinte, ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra Acórdão nº 330200.636, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa ficou assim redigida: Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 598 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/PASEP as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. PEDIDO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não é de ser deferido o pedido de realização de prova, mesmo a pericial, feito perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, se o contribuinte não requereu a realização de tais provas em primeira instância. Recurso Voluntário Negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte, aduz divergência jurisprudencial referente ao direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto as despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas, produtos acabados e na prestação de serviço realizado pela empresa. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 9303 01.035 e 320200.226. Em seguida o Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao Recurso, especialmente em relação ao creditamento de PIS e Cofins relativos a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados, conforme depreendese o despacho de admissibilidade, ás fls 574/577. Houve reexame de Admissibilidade, ás fls. 578/579, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente de Câmara. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, ás fls. 587/593, requer seja negado provimento ao recurso e mantida a decisão recorrida. No essencial é o Relatório. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 599 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos de COFINS apurados sob o regime nãocumulativo, referente ao 2º trimestre de 2005, decorrentes de operações de exportação. Decido. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, cingese a divergência com relação ao conceito de insumo para fins de ressarcimento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS, especialmente sobre aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 600 5 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 601 6 mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 602 7 Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve: “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 603 8 Centrandose a divergência dos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social, a industrialização e exportação de couros, a utilização de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados, é essencial atividade empresária exercida pela Contribuinte. Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 604 9 essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 604DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 605 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS, referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13906.000178/200511 Acórdão n.º 9303007.670 CSRFT3 Fl. 606 11 Fl. 606DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.018464/2002-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
BASE DE CÁLCULO. CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREV COMPLEMENTAR
Para determinação dessa base de cálculo toma-se por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do Anexo C, Item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, com inclusão dos Programas Previdencial, Administrativo e Investimentos, deduzindo-se do Saldo Disponível Para Constituições a Formação de Reservas Matemáticas e a Formação de Reservas de Contingências, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação.
Numero da decisão: 1201-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 BASE DE CÁLCULO. CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREV COMPLEMENTAR Para determinação dessa base de cálculo toma-se por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do Anexo C, Item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, com inclusão dos Programas Previdencial, Administrativo e Investimentos, deduzindo-se do Saldo Disponível Para Constituições a Formação de Reservas Matemáticas e a Formação de Reservas de Contingências, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação.
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RENÚNCIA. SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 BASE DE CÁLCULO. CSLL. ENTIDADE FECHADA DE PREV COMPLEMENTAR Para determinação dessa base de cálculo tomase por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do Anexo C, Item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, com inclusão dos Programas Previdencial, Administrativo e Investimentos, deduzindose do Saldo Disponível Para Constituições a Formação de Reservas Matemáticas e a Formação de Reservas de Contingências, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 84 64 /2 00 2- 24 Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo do auto de infração que exige R$273.640,43 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com fatos geradores no 1º e 2º trimestres de 1997, porque a autuada não recolheu a CSLL (financeiras) devida; foi aplicada a multa de 75%, págs. 2.857/2.886; os fatos estão descritos no Termo de Verificação de Ação Fiscal às págs. 167/186 e as bases de cálculo estão demonstradas às págs. 187/195. 2. O autuante informou no Termo de Verificação de Ação Fiscal, que: Conforme orientação dos pareceres 743/88 da PGFN e 1064/93 da PGFN/CRJN, face à decisão não definitiva da autoridade judicial, efetuamos o lançamento da CSLL, com suspensão de exigibilidade de cobrança enquanto pendente da decisão final. 3. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação que foi objeto do Acórdão nº 91.161, de 15 de dezembro de 2005, pela DRJ em Rio de Janeiro DRJ/RJ1, págs, 623/632, que considerou o lançamento procedente: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A existência de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas, consoante ADN COSIT n° 3/1996 e Port. MF n° 258/2001. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL das entidades de previdência privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. As provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituições, no Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 4 3 programa previdencial, são apenas as reservas matemáticas e a reserva de contingências. A reserva de contingências tem como limite máximo 25% da reserva matemática. Lançamento Procedente (...) ACORDAM os membros da 3a Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, por unanimidade de votos, nos termos do Relatório e do Voto que passam a integrar o presente julgado, REJEITAR a preliminar de nulidade, DEIXAR DE CONHECER da impugnação, no que se refere à sujeição passiva, e JULGAR PROCEDENTE o lançamento. 4. Cientificado em 17/03/2006, pág. 637, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 644/675, a seguir resumido. 5. Pugna pela nulidade da autuação, alegando suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, porque a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência privada ABRAPP, da qual faz parte, impetrou Mandado de Segurança Coletivo nº 2001.51.010248010 contra a incidência da contribuição e historia ter sido negada liminar, contra decisão que foi interposto Agravo de Instrumento, com efeito suspensivo; e sentença denegatória foi publicada na data da ciência dos autos em 26/12/2002; e que houve Recurso de Apelação que foi recebido com efeitos devolutivo e suspensivo; portanto, estava suspensa a exigibilidade; cita jurisprudência. 6. No mérito, que até a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, as EFPC eram regidas pela Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1997, regulamentada pelo Decreto nº 81.240, de 1978; descreve características especificas e que adotam regramento contábil específico e que o superávit não é lucro, pois não visam lucro, motivo pelo qual não devem sofrer a incidência da CSLL; que não há correlação entre o regime jurídico a que está subordinada, com aplicabilidade da CSLL; e a fiscalização entendeu abusiva e ilegitimamente que o conceito de lucro alcança o superávit apurado pela EFPC. 7. Por amor ao debate, apesar do entendimento exposto no parágrafo anterior, considera ilegítima a base de cálculo utilizada, pois incluiu parcelas indevidas; descreve que as EFPC possuem quatro fundos, conforme plano de contas da Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social: a. Programa Previdencial: receitas de contribuições dos associados e patrocinadora; destina 85% para pagamento de aposentadorias, pensões, pecúlios e provisões para tanto; b. Programa Administrativo: 15% das receitas do programa Previdencial são destinados a este programa, a fim de custear despesas administrativas, e o saldo que restar é destinado às provisões e reservas técnicas; c. Programa de Investimento: receitas dos investimentos feitos com os recursos do Programa Previdencial e cujo resultado é revertido para os desembolsos daquele programa ou para as provisões para tanto; d. Programa Assistencial: esta Fundação não presta serviço assistencial a seus associados, portanto, não há este programa. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E conclui que somente o plano previdencial poderia ser utilizado para fins de uma pretensa incidência da CSLL sobre o superávit; e que a Solução de Consulta Cosit nº 7 de 26 de dezembro de 2001, assim se pronunciou: ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. CSLL. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das Entidades Fechadas de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. Para determinação dessa base de cálculo tomarseá por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do ANEXO C, item '5', da Portaria MPAS n° 4.858, de 26 de novembro de 1998, deduzindose do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTINGÊNCIAS, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL.) 9. Refaz a apuração fiscal, orientada pela Solução de Consulta supra, para destacar que: a. as provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituição de provisões, no Programa Previdencial, serão apenas as provisões técnicas das companhias de seguros (item 29 da Solução de Consulta); b. saldo do Programa de Investimentos, na verdade, é uma provisão técnica composta pela Cota de Quitação por Morte e Invalidez sobre os empréstimos contraídos vide Regulamento de Empréstimo, expediente do atuário e cópia da Ata de Reunião Extraordinária de 06/02/1995), não pode ser base para CSLL, pois o art. 13, V da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, impede que esses valores integrem a base de cálculo; c. saldo do Programa Administrativo, para cobrir deficiências na cobertura dos gastos administrativos e que poderá ser revertido para cobertura de déficit técnico, tal como reserva de contingência (Portaria MPAS nº 4.858, de 1998; art. 69 da LC nº 109, de 2001; item 1.2.7.2 do inciso IV do Anexo à Portaria SPC). d. é inócuo o efeito das Adições e Exclusões, dado que parte de um resultado antes das provisões: A esse respeito, cabe esclarecer que, diferentemente da situação apresentada pelas sociedades mercantis e industriais, a base de cálculo sugerida para as EFPC torna inócuo o efeito de qualquer adição ou exclusão realizada. Primeiramente, ela não parte, como nas demais sociedades, de um resultado do exercício. Parte de um resultado antes de provisões que, após apuração, permite a exclusão do próprio resultado líquido apresentado após as deduções das provisões matemáticas e outras, resultado líquido esse que é destinado à formação de reservas. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 6 5 Ou seja, não existe, na composição da Demonstração de Resultado do Exercício, uma provisão denominada Formação de Reservas de Contingências. Esse item, que representa uma exclusão da base, é o próprio resultado. Em outras palavras, a Formação da Reserva de Contingências, conforme prevê a mencionada Portaria SPC, é a própria destinação do resultado. e. e demonstra à pág. 662, que a correta apuração para os quatro trimestres de 1997, evidencia resultados nulos, o que é coerente com a finalidade não lucrativa da entidade, e destaca que: Ressaltase que o resultado líquido ajustado, que seria o formador das reservas de contingências caso fossem consideradas as adições e exclusões determinadas pela legislação fiscal, não extrapolaram o limite de 25% das reservas matemáticas, o que tornaria inquestionável sua exclusão da base. 10. Aponta ausência de suporte legal para a exigência da CSLL; Na tentativa de dar suporte legal para a presente exigência, a Fiscalização arquitetou raciocínio partindo da Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, alterada pela Emenda Constitucional n° 10/96, utilizando, ainda, o art. 22, § 1o, da Lei n° 8.212/91, art. 17 da Lei n° 4.595/64 e art. 201, § 6o, do Decreto n° 3.048/99. Contudo, conforme será demonstrado à saciedade, não há lei que eleja as Entidades Fechadas de Previdência Complementar como contribuintes da CSLL e muito menos preveja o superávit como base de cálculo da contribuição. (...) Advertese para o fato de que, embora o § 1o do art. 22 faça menção expressa às EFPCs, vem esse dispositivo regulamentar a cobrança de contribuições devidas ao INSS, incidentes sobre folha de salários e remuneração de diretores. Por tal razão, a sua aplicação, via transversa, nos moldes previstos pela mencionada Emenda n° 1/94, só pode ocorrer relativamente às hipótese cabíveis, ou seja, quando tratarse de entidade que| aufere lucros, não se lhe aplicando quando um contribuinte referido não possuir finalidade lucrativa, como é o caso presente. Por conseguinte, o que dispõe o inciso III do art. 72 dos ADCT é que o Fundo Social de Emergência receberá parcela decorrente da majoração da CSLL, cobradas das pessoas jurídicas arroladas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212/91, sujeitas àquela contribuição. 11. E conclui, transcrevendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes, de que descabe a tributação pela CSLL nas EFPC . Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 7 6 12. O Primeiro Conselho de Contribuintes, 7ª Câmara, proferiu o Acórdão nº 107 09.503, de 18 de setembro de 2008, págs. 771/777, que reconheceu de ofício decadência, cancelando a autuação: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendario: 1997 Ementa:LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA FATO GERADOR. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4o, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos. PRAZO DECADENCIAL CSLL. Tendo o STF por meio do RE 559.8829, confirmado a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, e à vista da aprovação da Súmula vinculante n° 8, o prazo decadencial para que a Fazenda Nacional efetue o lançamento da CSLL é de 5 anos. 13. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, págs. 781/797, que foi admitido, págs. 803 e 838/845, e que se sintetiza a seguir. Recurso Especial. PFN. 14. Aponta que a decisão diverge da jurisprudência do Conselho sobre o prazo decadencial para constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do tributo (falta de pagamento), sendo aplicável o art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Contrarrazões ao Recurso Especial da PFN/União. 15. O contribuinte, págs. 842/850, contrapôs os argumentos a seguir resumidos. 16. Pugna pela inadmissibilidade do Recurso Especial; aponta ausência de paradigma, para conhecimento do mesmo; assevera ser entendimento pacífico da CSRF que a regra do art. 150, § 4º do CTN, somente admite seu afastamento na hipótese de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso. 17. Tendo sido admitido o Recurso Especial da PFN, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF proferiu o Acórdão nº 9101001.493, de 24 de outubro de 2012, págs. 855/869, no qual deu provimento ao Recurso Especial do Procurador: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 8 7 com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4o e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à câmara a quo para exame do mérito. 18. Esta Turma do CARF, então, emitiu a Resolução nº 1201000.412, de 11/04/2018, para diligenciar sobre os valores limite de constituição das Reservas de Contingências, nos 1º e 2º trimestres de 1997, e se sobra superávit para base de cálculo da CSLL. 19. Em cumprimento à determinação, a DRF no Rio de Janeiro/RJ emitiu o Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal, págs. 907/911. 20. Cientificada, a Recorrente apresentou Resposta, págs. 1.216/1.224, na qual reitera que as EFPC operam sem buscar lucro, conforme determina o art. 41 da Lei nº 6.435, de 1977, e art. 31 da Lei Complementar nº 109, de 2001, e por isso não devem sofrer incidência da CSLL, diferentemente das entidades abertas de previdência; não apuram lucro ou prejuízos, mas superávits ou déficits; aduz que o diligenciante incorreu em equívoco, pois incluiu parcelas indevidas na base de cálculo, pois os superávit não pode ser distribuído, inexistindo disponibilidade jurídica ou financeira, pois tal valor já possui destinação previa, para composição de reservas técnicas, ou seja, será necessariamente internalizado; que o real superávit somente é apurado após a formação de reservas matemáticas, de fundos e contingências previdenciais, enquanto que a fiscalização utilizou como base de cálculo o saldo disponível para constituições. Ou seja, não existe, na composição da DRE uma provisão denominada FORMAÇÃO DE RESERVAS DE CONTINGÊNCIA. Esse item, que representa uma exclusão da BC, é o próprio resultado. Em outras palavras, a Formação da Reserva de Contingências, conforme previa portaria SPC vigente à época é a própria destinação do Resultado. No caso das EFPC, ao ajustar o saldo disponível para constituições por conta de uma adição, o procedimento gera efeito direto e na mesma proporção sobre o resultado líquido (superávit destinado à formação de reservas de contingências), que, repetimos, é base de exclusão! 21. É o relatório. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 22. À vista do afastamento da decadência, a Turma analisou o Recurso Voluntário e decidiu pela Resolução nº 1201000.412 de 11/04/218; neste voto, portanto, não mais se discute decadência, uma vez decidida a não decadência pela CSRF. 1 Nulidade. 23. A Recorrente a pleiteou, alegando suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, porque impetrou Mandado de Segurança Coletivo contra a incidência da contribuição que, ao final, foi recebido com efeitos devolutivo e suspensivo; a. Verificouse que o MS 2001.51.01.0248010, cujo novo número é MS 002480174.2001.4.02.5101, encontrase suspenso, desde 17/03/2017, para aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal – STF no Recurso Extraordinário nº 612.686/SC, Tema 699, conforme Despacho obtido em http://procweb.jfrj.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp; a consulta realizada por ocasião do presente voto, informa a mesma posição em 29/10/2018; b. Verificouse renúncia à instância administrativa: conforme a Súmula CARF nº 1, a Recorrente renunciou à discussão sobre a incidência da CSLL sobre a EFPC: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. c. Auto de infração. Nulidade: de acordo com o art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), não sendo este o presente caso, dado que, conforme consignado na Resolução, sobre a possibilidade de constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, há abundante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF, a respeito de que a suspensão da exigibilidade de um tributo, determinada em medida judicial, não interrompe nem suspende o fluir do prazo decadencial, nem impede o lançamento fiscal para prevenir a decadência, restando o crédito tributário constituído, com a exigibilidade suspensa; d. À vista do exposto, não se acolhe a preliminar de nulidade do auto de infração. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 10 9 2 Mérito. Delimitação da lide. 24. A exigibilidade ou não da CSLL das EFPC será decidida pelo Supremo Tribunal Federal STF no Recurso Extraordinário n. º 612.686/SC, que terá repercussão geral. 25. Por isso, no mérito, a presente lide se refere à base de cálculo da CSLL, uma vez que a sua incidência ou não sobre as EFPS será decidida no STF. 2.1 BASE DE CÁLCULO 26. Citemse Acórdãos do CARF, que versam sobre a questão: Data da Sessão 12/06/2012 Nº Acórdão 1301000.926 Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas, para no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (...) INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO. Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. Data da Sessão: 09/04/2013 Nº Acórdão 1301001.141 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros deste colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e negar provimento para considerar devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente (Selic). Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri quanto à concomitância da matéria nos processos administrativos e judicial e à existência do fato gerador da CSLL, e Wilson Fernandes Guimarães que votou pela aplicação da taxa de juros de mora de 1% em vez da Selic. Ementa(s) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997 INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO. Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 11 10 Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. 27. Acórdão nº 10709.557, de 13/11/2008, do Primeiro Conselho de Contribuintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998, 1999 CSLL. PESSOAS JURÍDICAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. Ainda que as entidades de previdência privada estejam sujeitas à incidência da CSLL, para que o lançamento fosse mantido, o superávit da entidade deveria ser ajustado para resultado comercial. (Grifouse.) 28. O período autuado, 1997, encontravase regido pela Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1997, que dispôs sobre as entidades de previdência privada, inclusive as fechadas, e determinou que estas não poderão ter fins lucrativos e que: Art. 39. As entidades fechadas terão como finalidade básica a execução e operação de planos de benefícios para os quais tenham autorização específica, segundo normas gerais e técnicas aprovadas pelo órgão normativo do Ministério da Previdência e Assistência Social. (...) § 3º As entidades fechadas são consideradas instituições de assistência social, para os efeitos da letra c do item II do artigo 19 da Constituição. (Vide Decretolei nº 2.064, de 1983) (Revogado pelo Decreto Lei nº 2.065, de 1983) Art. 86. Compete exclusivamente ao Ministério da Previdência e Assistência Social, velar pelas fundações que se enquadrem no conceito de entidade fechada de previdência privada, como definido nos artigos 1º e 4º desta Lei, derrogado, a partir de sua vigência, no que com esta conflitar, o disposto nos artigos 26 a 30 do Código Civil e 1.200 a 1.204 do Código de Processo Civil e demais disposições em contrário. 29. O Decretolei nº 2.064, de 19 de outubro de 1983, revogado pelo Decretolei nº 2.065 de 26 de outubro de 1983, determinou: Art. 6º As entidades de previdência privada referidas nas letras a do item I e b do item II do artigo 4º da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977, estão isentas do imposto de renda de que trata o artigo 24 do Decretolei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982 Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 12 11 30. E o Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, que revogou o anterior, e está em vigor, determina da mesma forma: Art. 6º As entidades de previdência privada referidas nas letras "a"do item I e "b", do item II, do Art. 4, da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977, estão isentas do Imposto sobre a Renda de que trata o Art. 24 do DecretoLei nº 1.967 de 23 de novembro de 1982. § 1º A isenção de que trata este artigo não se aplica ao imposto incidente na fonte sobre dividendos, juros e demais rendimentos de capital recebidos pelas referidas entidades. § 2º O imposto de que trata o parágrafo anterior será devido exclusivamente na fonte, não gerando direito à restituição. § 3º Fica revogado o § 3, do Art. 39, da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977. 31. A revogação do § 3º do art. 39 da Lei nº 6.435, de 1977, e decisão do STF definem que a EFPC não são imunes. 32. Finalmente, cabe notar que a MP nº 16 de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, determina: Art.5o As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2002. 33. Contudo, a autuação em discussão se refere ao anocalendário 1997. 34. A Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de setembro de 1998, no seu ANEXO C, item “3”. DISCRIMINAÇÃO (+) () (+/) () (+) (+/) (=) (/+) (/+) (/+) (/+) (/+) (=) (/+) (+) () (+/) () (+) (+/) (=) (/+) (/+) PROGRAMA PREVIDENCIAL RECEITAS DESPESAS RECURSOS ORIUNDOS/TRANSFERIDOS PARA PROG. ASSISTENCIAL CUSTEIO ADMINISTRATIVO RECURSOS ORIUNDOS DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO RESULTADO DOS INVESTIMENTOS PREVIDENCIAIS SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES FORMAÇÃO/REVERSÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS FORMAÇÃO/REVERSÃO DE FUNDOS FORMAÇÃO/REVERSÃO DE CONTINGÊNCIAS OPERAÇÕES TRANSITÓRIAS ATUALIZAÇÃO/REVERSÃO DOS RESULT. DE EXERCÍCIOS ANTERIORES RESULTADO DO EXERCÍCIO SUPERÁVIT/DÉFICIT TÉCNICO PROGRAMA ASSISTENCIAL RECEITAS DESPESAS RECURSOS ORIUNDOS/TRANSFERIDOS PARA PROGRAMA PREVIDENCIAL CUSTEIO ADMINISTRATIVO RECURSOS ORIUNDOS DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO RESULTADO DOS INVESTIMENTOS ASSISTENCIAIS SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 13 12 (/+) (+) (+) () () (+/) (=) (/+) (/+) (/+) FORMAÇÃO/REVERSÃO DE FUNDOS FORMAÇÃO/REVERSÃO DE CONTINGÊNCIAS OPERAÇÕES TRANSITÓRIAS PROGRAMA ADMINISTRATIVO RECURSOS ORIUNDOS DE OUTROS PROGRAMAS RECEITAS DESPESAS RECURSOS TRANSFERIDOS PARA OUTROS PROGRAMAS RESULTADOS DOS INVESTIMENTOS ADMINISTRATIVOS SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES FORMAÇÃO/REVERSÃO DE FUNDOS FORMAÇÃO/REVERSÃO DE CONTINGÊNCIAS OPERAÇÕES TRANSITÓRIAS (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () (+/) (+) () () (+/) (=) (/+) (/+) (/+) PROGRAMA DE INVESTIMENTOS RENDA FIXA RECEITAS DESPESAS RENDA VARIÁVEL RECEITAS DESPESAS INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS RECEITAS DESPESAS OPERAÇÕES COM PARTICIPANTES RECEITAS DESPESAS OPERAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS COM PATROCINADORA (S) RECEITAS DESPESAS OUTROS INVESTIMENTOS RECEITAS DESPESAS RELACIONADAS COM O DISPONÍVEL RECEITAS DESPESAS OUTRAS RECEITAS DESPESAS CUSTEIO ADMINISTRATIVO RESULTADOS RECEBIDOS/TRANSFERIDOS PARA OUTROS PROGRAMAS SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES FORMAÇÃO/REVERSÃO DE FUNDOS FORMAÇÃO/REVERSÃO DE CONTINGÊNCIAS OPERAÇÕES TRANSITÓRIAS INSTRUÇÕES ESPECÍFICAS Nos Programas Previdencial, Investimentos e Assistencial: O item “Custeio Administrativo” representa o valor líquido das importâncias transferidas ao Programa Administrativo para a cobertura dos respectivos custos administrativos. No Programa Administrativo: O item: “Recursos Oriundos de Outros Programas” representa a soma das transferências mencionadas acima. O item “Recursos Transferidos para Outros Programas” representa as sobras do Programa Administrativo, não utilizadas para formação do Fundo desse Programa, devolvidas ao Programa de origem (Previdencial ou Assistencial). Nos Programas Previdencial, Assistencial e Administrativo: O item “Resultado dos Investimentos”, representa o valor líquido das importâncias transferidas do Programa de Investimentos aos demais Programas a título de remuneração dos respectivos investimentos. No Programa de Investimentos: Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 14 13 O item “Resultados Transferidos para Outros Programas” representa a soma das transferências mencionadas acima. 35. O lançamento fiscal se baseou na Solução de Consulta Cosit nº 1, de 2001, que foi a mesma base da Solução de Consulta nº 7, de 2001, formulada em resposta a consulta do Sindicato das Entidades Fechadas de Previdência Privada. 36. A DRJ/RJO1 transcreveu Solução de Consulta nº 7, de 2001 no voto, págs. 628/630; esta determina que a base de cálculo da CSLL é o resultado apurado segundo a Demonstração do Resultado do exercício, no Anexo C, item 3 da Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de novembro de 1998, destacandose: 29. Deflui disso que, na Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C, item "3 ", da Portaria MPAS n9 4.858, de 1998, as provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituição de provisões, no programa previdencial, serão apenas as provisões técnicas das companhias de seguro e capitalização e das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. 31. Assim, concluise que, na Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998, as provisões a serem deduzidas do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES, no programa previdencial são apenas as RESERVAS MATEMÁTICAS e a RESERVA DE CONTINGÊNCIA, as quais após serem deduzidas, via de regra, fornecem o resultado superavitário a se sujeitar à incidência de CSLL, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL. 32. São aqui consideradas técnicas as reservas matemáticas e de contingência. A primeira, necessária para garantir os compromissos atuariais dos planos de beneficios, e a segunda, constituída na forma do Decreto nº 606, de 20 de julho de 1992 e da Lei Complementar nº 109, de 2001. Portanto, não são consideradas técnicas, tomandose por base o Balanço Patrimonial exposto no ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS n24.858, de 1998, a Reserva para Ajustes do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto nº 606, de 20 de julho de 1992. (...) 37. De todo o exposto, concluise que: a) A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das EFPP é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. Para determinação dessa base de cálculo tomarseá por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do ANEXO C, item "3 ", da Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de novembro de 1998, deduzindose do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTINGÊNCIAS, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 15 14 (...) 37. O contribuinte, intimado, havia apresentado os demonstrativos trimestrais de apuração da CSLL de 1997, págs. 34/39; reproduzse os do 1º e 2º trimestres: a. 1º trim/1997: Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 16 15 b. 2º trim/1997: Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 17 16 38. No recurso voluntário, pág. 662, a Recorrente apresenta a demonstração de forma diferente, porém em ambas apura base negativa para a CSLL. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 18 17 39. Conforme os argumentos no Recurso Voluntário, identificase que, em última análise: a. discorda da adição dos saldos disponíveis para constituições apurados nos Programas Administrativo e de Investimentos; b. neutraliza as adições e exclusões, ao considerálas na apuração do valor de () Formação de Reservas de Contingência. 40. Comparandose a apuração da Recorrente com a apuração fiscal, verificase que: 1º trim/1997 1º trim/1997 2º trim/1997 2º trim/1997 AI Rec Vol AI Rec Vol págs. 188 662 189 622 PROGRAMA PREVIDENCIAL Saldo disponível para constituições 14.979.931,75 14.979.931,75 15.932.062,87 15.932.062,87 () Formação Reservas Matemáticas 2.522.112,41 2.522.112,41 2.008.302,22 2.008.302,22 () Formação Reserv Contingência 12.457.819,34 13.058.415,22 (*) 17.940.365,09 18.004.048,50 (*) PROGRAMA ADMINISTR Saldo para formação de Fundos 460.390,32 0,00 408.523,43 0,00 PROGRAMA DE INVESTIMENTOS Saldo para Formação de Fundos 5.709,26 0,00 7.259,18 0,00 Resultado 454.681,06 600.595,88 401.264,25 63.683,41 Adições Contingências Fiscais 704.822,50 704.822,50 752.619,90 752.619,90 Exclusões Dividendos 104.226,62 104.226,62 688.936,49 688.936,49 BC da CSLL 1.055.276,94 0,00 464.947,66 0,00 CSLL devida alíquota 18% 189.949,85 0,00 83.690,58 0,00 (*) (*) PROGRAMA PREVIDENCIAL Saldo disponível para constituições 14.979.931,75 15.932.062,87 (+ Adições) 704.822,50 752.619,90 () Exclusões 104.226,62 688.936,49 Saldo disponível para constituições ajustado 15.580.527,63 15.995.746,28 () Formação Reservas Matemáticas 2.522.112,41 2.008.302,22 () Formação de fundos previdenciais 0,00 0,00 (=) Superávit ajustado, destinado à formação de reservas 13.058.415,22 (*) 18.004.048,50 (*) 41. Informa o Termo de Verificação Fiscal: Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 19 18 Cabe ainda destacar que tanto o Decreto n° 606 como a LC n° 109, determinam que a reserva de contingência sempre terá como limite máximo para sua constituição o valor equivalente a 25% da reserva matemática, ou seja, para a aplicação da dedutibilidade das reservas concluise que os valores constituídos como reserva matemática não sofreriam qualquer tipo de limitação, enquanto que a reserva de contingência, independente da data de sua constituição ou contabilização, estaria sempre sujeita ao limite de 25% da reserva matemática constituída. 2.1.1 Adição dos saldos disponíveis para constituições apurados nos Programas Administrativo e de Investimentos; 42. Verificase, à pág. 187, os saldos disponíveis para constituições das reservas: a. Previdencial : 1º trim/1997: R$ 14.979.931,75; 2º trim/1997: R$15.932.062,85 b. Administrativo: 1º trim/1997: R$ 460.390,73; 2º trim/1997: R$408.523,44 c. Investimentos: 1º trim/1997: R$ ()5.709,26; 2º trim/1997: R$()7.259,18 43. Todos estes resultados constam como formadores do superávit/déficit do Programa Previdenciário, na Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de setembro de 1998, ANEXO C, item “3”, transcrito neste voto, portanto devem ser considerados na base de cálculo da CSLL. 44. Citese a Solução de Consulta nº 1, de 2001: 21. Devese atentar para o fato de que as entidades de previdência privada fechadas adotam sistema contábil próprio, mais precisamente uma planificação contábil padrão, aprovada pela Portaria MPAS n 24.8'58, de 26 de novembro de 1998. Por essa planificação contábil, os programas desenvolvidos por essas entidades dividemse em previdência!, assistencial, administrativo e de investimentos. O importante em termos de apuração do resultado, é que a Portaria MPAS n?4.858, de 1998, estabelece, em seu ANEXO C, item "3", a Demonstração do Resultado do Exercício, a qual abrange os quatro programas por elas desenvolvidos. 2.1.2 Adições/Exlusões. 45. Citese o Termo de Verificação Fiscal: A contribuição em questão incide, nos termos da Constituição, sobre o lucro. Como visto, a Lei 7.689/88 define como base de cálculo da CSLL o resultado positivo do exercício, ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei. 46. No que tange às Adições de Contingências Fiscais e Exclusões de Dividendos, cabe obedecer à determinação da Solução de Consulta nº 7, de 2001 (de mesmo teor que a Solução Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 20 19 de Consulta Cosit nº 1, de 2002), que determina que as Adições e Exclusões serão posteriores ao resultado. 47. Citese a Solução de Consulta nº 1, de 2001: 31. Assim, concluise que, na Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS 4.858, de 1998, as provisões a serem deduzidas do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES, no programa previdencial, são apenas as RESERVAS MATEMÁTICAS e a RESERVA DE CONTINGÊNCIA, as quais após serem deduzidas, via de regra, fornecem o resultado superavitário a se sujeitar à incidência de CSLL, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL. (...) 37. De todo o exposto, concluise que: a) A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das EFPP é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. Para determinação dessa base de cálculo tomarseá por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do ANEXO C, item "5", da Portaria MPAS nM. 858, de 26 de novembro de 1998, deduzindose do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTINGENCIAS, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. 48. O Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal, págs. 907/911, relatou: Apresentamos a seguir um quadro resumo da constituição das Reservas Matemáticas e Reservas de Contingências no 1o e 2o trimestre de 1997 contabilizadas: Descrição 31/12/1996 1o trim./97 (R$) 2o trim /97 (R$) Constituição Reservas Matemáticas 2.522.112,41 (2.008.302,22) Saldo de Reservas de Matemáticas 223.116.525,92 225.638.638,33 223.630.336,11 Limite Reserva Contingência = 25% da Reserva Matemáticas 55.779.131,48 56.409.659,58 55.907.584,03 Constituição Reserva Contingências 12.457.819,34 17.940.365,07 Saldo Res. ContingênciasAjustado 12.569.765,40 25.027.584,74 42.967.949,81 Saldo Res. Contingências s/Ajuste 38.749.455,54 51.207.274,88 69.147.639,97 Res. Contingência Rec. Voluntário 13.058.415,22 18.004.048,50 O superávit técnico apurado em 1996 foi no montante de RS 38.749.455,54, e inicialmente este valor foi contabilizado (na Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 21 20 conta 2322.010000005) como Reservas de Contingências em 31/12/1996, conforme demonstrativo dos auditores independentes (pág. 20 deste processo e balancete de 1996). Nesta mesma data, a autuada apresentava um déficit técnico contabilizado (na conta 2321.020000007) de R$ 26.179,690,14 de exercícios anteriores que posteriormente foi compensado com o superávit de 1996, resultando num saldo ajustado contabilizado (na conta 2321.010101091) de Reservas de Contingências de R$ 12.569.765,40, em 01/01/1997 (conforme razão de janeiro de 1997). Isso justifica a diferença de saldos da Reserva de Contingências na tabela supra (R$ 38.749.455,54 e R$ 12.569.765,40). Vale dizer, que o contribuinte se utilizou, em 01/01/1997, de um déficit técnico oriundo de exercícios anteriores (não aproveitado contabilmente até 1996), procedimento este que foi levado em conta na autuação. Assim, como consideramos (na autuação e na presente diligência) o saldo ajustado das Reservas de Contingências, o demonstrativo supra evidencia que os valores utilizados no 1o e 2o trimestres de 1997, tanto do Autuante como do Recorrente poderiam ser utilizados na formação da Reserva de Contingência, devido ambos estarem abaixo do limite de 25% da Reserva de Matemática. Entretanto, se o Colegiado (CARF) entenda não considerar o ajuste nas Reserva de Contingências, os reflexos na tabela acima seriam: i) no 1o trimestre poderiam ser utilizados os valores tanto do Autuante como do Recorrente, e ii) no 2o trimestre de 1997, contudo, o valor constituído de Reserva de Contingência estaria limitado ao montante de R$ 4.700.309,15, que corresponde à diferença do saldo ajustado da reserva de contigência no 1o trimestre (RS 51.207.274,88) e o limite calculado para a mesma no 2 trimestre (R$ 55.907.584,03). Estaríamos, nessa hipótese diante de agravamento da exigência, devido à queda das Reservas de Matemáticas ocorridas neste período, que exigiria auto de infração complementar, insuscetível de realização no plano prático, em face da decadência já ocorrida. O valor utilizado pelo Autuante foi o valor devidamente contabilizado pelo Recorrente, de acordo com os balancetes e razões anexados. 2: Demonstrativo do Superávit para a base de cálculo da CSLL, nos 1o e 2o trimestres de 1997. Descrição 1°trim./97 (R$) 2o trim./97 (R$) PROGRAMA PREVIDENCIAL Saldo disponível para constituições 14.979.931,75 15.932.062,87 () Formação de Reservas Matemáticas 2.522.112,41 (2.008.302,22) () Formação de Reservas de Contingências Contábil 12.457.819,34 17.940.365,07 PROGRAMA ADMINISTRATIVO Saldo para a formação de Fundos 460.390,32 408.523,43 Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 22 21 PROGRAMA DE INVESTIMENTOS Saldo para a formação de Fundos (5.709,26) (7.259,18) Resultado do programa Administrativo e Investimento 454.681,06 401.264,25 AdiçõesContingências Fiscais 704.822,50 752.619,90 Exclusões Dividendos 104.226,62 (688.936,49) SUPERÁTIV (para base de cálculo da CSLL) 1.055.276,94 464.947,66 (...) O superátiv apurado no 2o trimestre de 1997, no demonstrativo acima, no valor de R$ 464.947,66 foi calculado com base na Reserva de Contingência Ajustada pela autuada em 01/01/1997. Caso desconsidere o ajuste efetuado na conta de Reserva de Contingência, o limite de Reserva neste período será de R$ 4.700.309,15, devido à queda das Reservas de Matemáticas neste período, que resultaria num superátiv para base de cálculo da CSLL de R$ 13.240.055,92. (...) Para determinação dessa base de cálculo tomamos por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do ANEXO C, Item "3", da Portaria MPAS n° 4.858/98, com inclusão dos Programas Previdencial, Administrativo e Investimentos, deduzindose do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE RESERVAS DE CONTINGÊNCIAS, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação (Grifouse.) 49. O auto de infração exige CSLL, demonstrada nas págs. 188/189 (fls. 183/184), apurada sobre as mesmas bases de cálculo apontadas pelo relatório de diligência: a. 1º trim/1997: Base de cálculo R$1.055.276,94, CSLL R$189.949,85; b. 2º trim/1997: Base de cálculo R$ R$159.949,85, CSLL; R$83.690. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10768.018464/200224 Acórdão n.º 1201002.663 S1C2T1 Fl. 23 22 Fl. 1246DF CARF MF
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Numero do processo: 14074.000946/2008-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
Numero da decisão: 1003-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
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DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 07 4. 00 09 46 /2 00 8- 82 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0331.032, de maio 2009, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSA, às fls. 2425, julgando procedente o lançamento (fls. 16) da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, do ano calendário de 2006, no valor de R$ 200,00 nos moldes da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCFT na forma em que foi consignada no auto de infração.. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, às fls. 2932, argumentando, em síntese: (i) que faz jus ao desconto de 50% (cinquenta por cento) aplicado sobre o valor da multa mínima (R$ 200,00), para pagamento à vista, correspondendo a mesma a R$ 100,00 (cem reais), e, (ii) ainda, à redução dessa quantia ao montante de 10% (dez por cento), benefício de previsto na Lei nº 11.727/2008, ou seja, o crédito tributário, efetivamente devido, seria de apenas 10,00 (dez reais), cujo, recolhimento, inclusive, já fora efetuado (fls. 15). É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 43 3 O recurso voluntário, de fls. 29/32, apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Ademais, conforme mencionado no relatório, versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao ano calendário de 2006. Tal penalidade pecuniária aplicada foi de R$ 200,00, multa mínima prevista no art. 7°, § 3°, inciso I da Lei n° 10.426/20021. Cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, mas sim o montante devido, o qual seria, em seu entendimento, somente 10% do valor para pagamento à vista (desconto de 50%, vide fls. 16), ou seja, R$ 10,00, visto ser ela pessoa jurídica inativa, com fulcro na Lei n° 11.727/2008, art. 30, que assim reza: "Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3o do art. 7o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2o do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento)".(Grifouse). Analisando a legislação, entendo que assiste razão à Recorrente no tocante à redução a 10% do valor lançado, pois os requisitos para gozo deste benefício foram por ela cumpridos, quais sejam: a) ser associação sem fins lucrativos (vêse pelo estatuto a fl. 07); b) que o anocalendário de declaração entregue em atraso seja até 31.12.2008 ( caso em análise a DCTF referese ao ano calendário de 2006), e, c) apresentada após o prazo legal, mas antes de qualquer procedimento de ofício (DCTF enviada em10/11/2008, fls. 17). . Ademais, em que pese a penalidade tributária aplicada ser referente ao ano calendário de 2006, portanto, anterior à data da vigência da Lei n° 11.727/08), é certo que art. 106, II, "c" do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados, como o presente, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a fato ou ato perfeito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como indicação; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 1 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 44 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(Destacouse) Dessa forma, o mencionado dispositivo possibilita que a penalidade mais severa decorrente da lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, seja substituída por uma menos severa, advinda da lei nova, como caso em voga. Assim, a Recorrente tem direito à redução do valor da multa, objeto do lançamento, na forma disposta no art. 30, da Lei n° 11.727/2008. Logo, a Recorrente, faz jus a tal benefício que deve incidir sobre o valor formalizado originalmente no lançamento, levandose em consideração a redução de 50% (cinquenta por cento). para pagamento à vista, prevista no próprio auto de infração (vide fls. 16). Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901701/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2009
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 17 01 /2 01 3- 61 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.145, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 5 4 posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
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