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Numero do processo: 18470.722107/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
LUCRO PRESUMIDO. IMPEDIMENTO À OPÇÃO. LIMITE DE RECEITA. EMPRESA INATIVA. INOCORRÊNCIA. Para efeito de aferição do limite de receita bruta por mês de atividade da empresa, para adoção do lucro presumido, o fato de não ser auferida receita em determinado período não é suficiente para deduzir que a empresa esteja inativa.
Recurso de oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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IMPEDIMENTO À OPÇÃO. LIMITE DE RECEITA. EMPRESA INATIVA. INOCORRÊNCIA. Para efeito de aferição do limite de receita bruta por mês de atividade da empresa, para adoção do lucro presumido, o fato de não ser auferida receita em determinado período não é suficiente para deduzir que a empresa esteja inativa. Recurso de oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 21 07 /2 01 1- 01 Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.722107/201101 Acórdão n.º 1402001.228 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 1a. TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I – RJ, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho em face da decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência ABEINSA BRASIL PROJETOS E CONSTRUCOES LTDA. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 48/56, lavrado pela DRF Rio de Janeiro 2 RJ, contra Abeinsa Brasil Projetos e Construções Ltda, relativo ao ano calendário 2006, para exigir, pela sistemática do lucro real, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 6.591.315,69, acrescida de multa proporcional de 75% e de juros de mora. Conforme consta do auto de infração e do Termo de Constatação Fiscal de fls. 44/47, foi apurado que o autuado adotou indevidamente a sistemática de tributação do lucro presumido no anocalendário 2006, já que no ano anterior auferira receita superior ao limite estabelecido pelo art. 46 da Lei nº 10.637/2002, que é de R$ 4 milhões por mês em atividade. Segundo a fiscalização, o autuado só esteve em atividade no último trimestre de 2005, uma vez que só emitiu sua primeira nota fiscal de serviços em dezembro e sua receita bruta foi de R$ 37.512.202,82. Tendo em vista que a empresa possuía contabilidade regular e por entender que o arbitramento de lucro é modalidade excepcional que só se aplica quando esgotadas as possibilidades de apurar o lucro real, a fiscalização apurou a CSLL devida de 2006 através do lucro real, com base no balanço e balancetes mensais fornecidos pelo autuado, e dela subtraiu a quantia já declarada pelo lucro presumido. Cientificado da autuação em 29.03.2011 (fl. 56), o autuado apresentou, em 28.04.2011, a impugnação de fls. 198/234, com as seguintes alegações, em síntese: A fiscalização pautouse em presunção, ignorou a documentação apresentada para demonstrar o início das atividades e não se empenhou em verificar em que meses o autuado desenvolveu atividades; Explicou como se desenvolvem as atividades necessárias à preparação de proposta para construção, manutenção e operação de linhas de transmissão de energia elétrica e como atuou no leilão da Aneel; Desde março de 2005 já desenvolvia análise, seleção e contratação de fornecedores de equipamentos, de materiais e de prestadores de serviços de engenharia, conforme contratos ora juntados, celebrados naquele mês; A partir daí, celebrou contratos, recebeu propostas de fornecimento de equipamentos e materiais e de prestação de serviços, gerenciou medições e faturamentos de fornecedores e de prestadores de serviços, analisou as especificações técnicas dos projetos, coordenou reuniões com fornecedores, prestadores de serviços e clientes, etc, conforme atestam as cópias dos mais de 200 documentos ora acostadas, separadas por mês, de abril a dezembro de 2005; Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.722107/201101 Acórdão n.º 1402001.228 S1C4T2 Fl. 0 3 Portanto, no período verificado entre a assinatura do contrato de concessão (15.3.2005) e o término do anocalendário de 2005, desenvolveu ininterruptamente as atividades de gerenciamento e de coordenação da construção das instalações de transmissão de energia elétrica, atividades que somente se encerraram quando da entrega das linhas de transmissão devidamente energizadas; O conceito de atividade não se restringe ao faturamento, que somente ocorreu em dezembro de 2005, quando teve início a fase de execução das obras de construção civil; Como começou suas atividades no 1º trimestre de 2005, sua receita não excedeu o limite legal mensal, portanto, podia optar pelo lucro presumido em 2006; O percentual da multa de ofício é abusivo; e A taxa Selic não pode incidir sobre créditos de natureza tributária e, muito menos, sobre a multa de ofício. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. IMPEDIMENTO À OPÇÃO. LIMITE DE RECEITA. EMPRESA INATIVA. Para efeito de aferição do limite de receita bruta por mês de atividade da empresa, para adoção do lucro presumido, o fato de não ser auferida receita em determinado período não é suficiente para deduzir que a empresa esteja inativa. LUCRO PRESUMIDO. IMPEDIMENTO À OPÇÃO. LUCRO ARBITRADO. Quando constatado que o contribuinte optou indevidamente pelo lucro presumido, a fiscalização deve, obrigatoriamente, arbitrar o lucro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REQUISITOS ESSENCIAIS. DEMONSTRAÇÃO DO QUANTUM. A determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido, são requisitos indispensáveis ao lançamento de ofício, sem os quais é inválida a exigência. Impugnação Procedente. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este Conselho. É o relatório. Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.722107/201101 Acórdão n.º 1402001.228 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de ofício preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: A conclusão da fiscalização de que o autuado só iniciara suas atividades no 4º trimestre de 2005 foi explicada pelo fato de ele só ter emitido a primeira nota fiscal de serviços prestados no mês de dezembro. Todavia, o fato de uma empresa não auferir receita em determinado período não implica, necessariamente, que ela esteja inativa. São outros os fatores que determinam se a pessoa jurídica está ativa ou inativa, segundo a definição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 591/2005 (atualmente, pela IN SRF Instrução Normativa RFB nº 1.103/2010), a seguir reproduzida: “Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial durante todo o anocalendário. Parágrafo único. A pessoa jurídica que tenha realizado qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro será considerada ativa.” No caso aqui discutido, os três contratos de engenharia e de fornecimento celebrados em março de 2005 (fls. 330/380), em que a empresa autuada é signatária e parte intervenienteanuente, por si sós, já demonstram que ela estava em atividade desde aquele mês. O autuado também juntou à defesa diversos outros documentos, tais como especificações técnicas de materiais, cartas, guias de remessa de documentos, contratos de fornecimento, contrato de estudos geotécnicos, faturas de serviços contratados, cotações de preços, propostas de execução de serviços, projeto executivo, propostas de fornecimento, contratos de prestação de serviços, contrato de terraplanagem, cartas convite, proposta comercial, contratos de construção e montagem, contrato de obras civis e montagem eletromecânica, agendamento de visitas técnicas e reuniões, lista de materiais, comunicados de liberação de material, memórias de cálculo, medições de serviço, planilha de preço, proposta de fabricação e proposta de execução de projeto. O exame desses documentos deixa muito claro que autuado realizou atividades operacionais em todos os meses, desde março até novembro de 2005, o que contraria o entendimento da fiscalização de que as atividades tivessem começado no 4º trimestre e, por conseqüência, invalida o alegado impedimento de adoção pela sistemática do lucro presumido em 2006. Assim sendo, é forçoso cancelar o lançamento. Ademais, caso se confirmasse a opção indevida pelo lucro presumido, a fiscalização deveria, obrigatoriamente, aplicar o regime de tributação do lucro arbitrado e não o do lucro real (como consta do auto de infração), por expressa determinação legal. É o que dispõe o artigo 47 da Lei nº 8.981/95, aqui reproduzido: Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.722107/201101 Acórdão n.º 1402001.228 S1C4T2 Fl. 0 5 “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; (..................) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.” (grifei) O comando inserto no inciso IV independe da existência de contabilidade regular ou da possibilidade de apuração do lucro real, que foram as justificativas dadas pela fiscalização para tributar pelo lucro real. A presença desses dois fatores pode afastar a aplicação dos incisos I a III, mas não inibe a aplicação do inciso IV, por se tratar de causas diferentes de arbitramento. Certamente, as causas de arbitramento instituídas pela lei não são cumulativas, pois, se assim fosse, o fisco não poderia, por exemplo, arbitrar o lucro de qualquer pessoa jurídica que tivesse optado pelo lucro real, diante da não ocorrência da situação descrita no inciso IV. Quisesse o legislador que, além da opção indevida pelo lucro presumido, fosse necessária a imprestabilidade da escrituração para determinar o arbitramento do lucro, teria feito constar a condição no dispositivo legal. A forma de tributação adotada pela fiscalização invalida, irremediavelmente, o auto de infração. Por fim, mesmo que houvesse fundamento para invalidar a apuração pelo lucro presumido e fosse devida a utilização do lucro real, seria necessário que a fiscalização demonstrasse a origem dos valores da CSLL devida que indicou no auto de infração, por força do artigo 142 do CTN (Lei nº 5.172/66), que estabelece que, na constituição do crédito tributário pelo lançamento, a autoridade administrativa deve “determinar a matéria tributável” e “calcular o montante do tributo devido”. No presente caso, a apuração da CSLL não foi demonstrada no auto de infração ou no Termo de Constatação Fiscal, nem em outras peças dos autos, e, além disso, os valores também não constam do balanço ou balancetes mensais (fls. 132/156), com base nos quais a fiscalização afirmou ter apurado a CSLL. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18470.722107/201101 Acórdão n.º 1402001.228 S1C4T2 Fl. 0 6 A instrução do lançamento tem por fim, também, garantir o devido processo legal, pois só assim podem o contribuinte e os órgãos julgadores certificarse da correção do quantum do tributo cobrado. Ante a ausência do requisito essencial, não pode prosperar o lançamento. (...)” Consoante acima fundamentado, estou plenamente convencido de que a empresa iniciou suas operações em março/2005, haja vista os contratos de prestação de serviço de fls. 330 a 380. O fato de ter auferido receitas, pelo regime de caixa, apenas em dezembro/2005, não autoriza a inferência de que somente esse mês deve ser considerado para fins de determinação do limite para enquadramento no Lucro Presumido. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.722605/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
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Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E SIDNEY ROBERTO PETYK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 05 /2 01 0- 17 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722605/201017 Acórdão n.º 2302002.094 S2C3T2 Fl. 211 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado empregado, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa SIDNEY ROBERTO PETYK, pelos serviços prestados na construção civil, no período de 11/1998 a 09/1999. A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de edital, conforme informação contida no processo. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.150/165, pugnou pela procedência parcial da autuação, excluindo do lançamento as competências de 02/1999 a 09/1999, por nulidade formal, em face do instituto da retenção instituído pela Lei n.º 9.711/98. Ainda inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722605/201017 Acórdão n.º 2302002.094 S2C3T2 Fl. 212 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722605/201017 Acórdão n.º 2302002.094 S2C3T2 Fl. 213 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722605/201017 Acórdão n.º 2302002.094 S2C3T2 Fl. 214 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11060.005989/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.
O lançamento foi realizado abrangendo as competências de 01/2003 a 12/2003 em razão de o contribuinte ter sido excluído do Sistema de Recolhimento Simplificado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
A discussão sobre a exclusão do SIMPLES é da competência da 1ª Seção do CARF, situação que não influi diretamente nos julgamentos da 2ª Seção do mesmo Conselho.
O recurso administrativo endereçado à Primeira Seção do CARF não tem efeito suspensivo e não impede que a autoridade fiscal efetue o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. O Recurso Voluntário sobre a exclusão do SIMPLES foi julgado em 12/04/2012 e a exclusão mantida por unanimidade.
O efeito da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. Não existe, pois, nenhum óbice para que o processo seja julgado imediatamente.
A ciência do lançamento ocorreu em 31/12/2008, situação que implica o reconhecimento da decadência relativamente ao período anterior à competência 12/2003. A decadência operou-se de acordo com a regra disposta no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que houve pagamento, mesmo que parcial, para os segurados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior à Lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º da portaria conjunta RFB/PGFN nº 14, de 04.12.2009.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. O lançamento foi realizado abrangendo as competências de 01/2003 a 12/2003 em razão de o contribuinte ter sido excluído do Sistema de Recolhimento Simplificado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. A discussão sobre a exclusão do SIMPLES é da competência da 1ª Seção do CARF, situação que não influi diretamente nos julgamentos da 2ª Seção do mesmo Conselho. O recurso administrativo endereçado à Primeira Seção do CARF não tem efeito suspensivo e não impede que a autoridade fiscal efetue o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. O Recurso Voluntário sobre a exclusão do SIMPLES foi julgado em 12/04/2012 e a exclusão mantida por unanimidade. O efeito da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. Não existe, pois, nenhum óbice para que o processo seja julgado imediatamente. A ciência do lançamento ocorreu em 31/12/2008, situação que implica o reconhecimento da decadência relativamente ao período anterior à competência 12/2003. A decadência operou-se de acordo com a regra disposta no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que houve pagamento, mesmo que parcial, para os segurados. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior à Lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º da portaria conjunta RFB/PGFN nº 14, de 04.12.2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. 1) O lançamento foi realizado abrangendo as competências de 01/2003 a 12/2003 em razão de o contribuinte ter sido excluído do Sistema de Recolhimento Simplificado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2) A discussão sobre a exclusão do SIMPLES é da competência da 1ª Seção do CARF, situação que não influi diretamente nos julgamentos da 2ª Seção do mesmo Conselho. 3) O recurso administrativo endereçado à Primeira Seção do CARF não tem efeito suspensivo e não impede que a autoridade fiscal efetue o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. O Recurso Voluntário sobre a exclusão do SIMPLES foi julgado em 12/04/2012 e a exclusão mantida por unanimidade. 4) O efeito da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. Não existe, pois, nenhum óbice para que o processo seja julgado imediatamente. 5) A ciência do lançamento ocorreu em 31/12/2008, situação que implica o reconhecimento da decadência relativamente ao período anterior à competência 12/2003. A decadência operouse de acordo com a regra disposta no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que houve pagamento, mesmo que parcial, para os segurados. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 59 89 /2 00 8- 15 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11060.005989/200815 Acórdão n.º 2803001.951 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior à Lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º da portaria conjunta RFB/PGFN nº 14, de 04.12.2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11060.005989/200815 Acórdão n.º 2803001.951 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativo às contribuições previdenciárias, quota patronal, com base nos valores pagos a segurados contribuinte individual e a segurados empregados no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2003. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de novembro de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AI Debcad nº 37.160.3900 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO REFLEXO. Tratandose de lançamento reflexo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao processo decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Urge destacar que, à época, a empresa ora Recorrente era optante pelo Regime de apuração Simplificada de Arrecadação, SIMPLES FEDERAL. A Recorrente teve lançada contra si, em decorrência do Ato Declaratório de Exclusão do Simples de 25/04/2007, o lançamento reflexo referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003. Resta caracterizada a decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário, visto que transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data da autuação e do período exigido (ano de 2003). O lançamento está eivado de irregularidades, uma vez que afrontado, a um só tempo, o princípio da verdade material, da segurança jurídica, da legalidade, da vedação ao confisco, por lançar contra o contribuinte imposto que fora recolhido corretamente no Sistema Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11060.005989/200815 Acórdão n.º 2803001.951 S2TE03 Fl. 5 4 do Simples, estando suspensa a Exclusão do Simples Federal por meio de Recurso Voluntário direcionado ao CARF, onde já obteve êxito parcial no julgamento da Impugnação frente à DRJ. Diante do exposto, a recorrente requer: a) Seja declarada a nulidade da autuação em epígrafe, visto que se encontra decaído o direito de o Fisco lançar as competências compreendidas entre 01/01/2003 a 31/12/2003, visto que fulminadas pela decadência; b) A anulação do Auto de Infração nº 37.160.3900, tendo em vista que as contribuições previdenciárias exigidas serem totalmente irregulares, conforme demonstrado no processo em epígrafe, devendo ser reformado acórdão ora guerreado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11060.005989/200815 Acórdão n.º 2803001.951 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado abrangendo as competências de 01/2003 a 12/2003, em razão de o contribuinte ter sido excluído do Sistema de Recolhimento Simplificado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A ciência do lançamento ocorreu em 31/12/2008, situação que implica o reconhecimento da decadência relativamente ao período anterior à competência 12/2003. A decadência operouse de acordo com a regra disposta no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que houve pagamento, mesmo que parcial, para os segurados. A discussão sobre a exclusão do SIMPLES é da competência da 1ª Seção do CARF, situação que não influi diretamente nos julgamentos da 2ª Seção do mesmo Conselho. O recurso administrativo endereçado à Primeira Seção do CARF não tem efeito suspensivo e não impede que a autoridade fiscal efetue o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. O Recurso Voluntário sobre a exclusão do SIMPLES foi julgado em 12/04/2012 e a exclusão mantida por unanimidade. O efeito da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. Não existe, pois, nenhum óbice para que o processo seja julgado imediatamente. Com efeito, ao contrário das afirmações da recorrente, observase que os procedimentos realizados pela autoridade administrativa incumbida da apuração do crédito tributário, bem como dos julgadores a quo, foram pautados em estrita observância da legislação tributária / previdenciária, não restando espaço para a promoção de qualquer alteração no lançamento. Não houve, portanto, malferimento aos princípios da ampla defesa, do contraditório e devido processo legal e muito menos cobrança indevida de tributos. De igual modo, também não existe, in casu, flagrante de ilegalidade e inconstitucionalidade das multas aplicadas em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. No concernente à discussão apontada no parágrafo anterior, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11060.005989/200815 Acórdão n.º 2803001.951 S2TE03 Fl. 7 6 As multas decorrentes de lançamento de ofício foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações cometidas pelo contribuinte. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de trata lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior à Lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º da portaria conjunta RFB/PGFN nº 14, de 04.12.2009. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720983/2010-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO.
A inexistência do crédito implica não homologação da compensação realizada e exigibilidade do débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. A inexistência do crédito implica não homologação da compensação realizada e exigibilidade do débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 20 1 19 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720983/201039 Recurso nº 949.414 Voluntário Acórdão nº 3802001.380 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente MONTECARLO VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. A inexistência do crédito implica não homologação da compensação realizada e exigibilidade do débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 83 /2 01 0- 39 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Belém/PA, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa:INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos relevantes registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, reproduzo a seguir o relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS (fls. 3/5), no valor de R$ 8.712,77, relativo ao 2º trimestre/2006. Consta dos autos DCOMP com a utilização do crédito. O Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, por meio do Relatório acostado nas folhas 21 a 24 apurou a inexistência do direito creditório pleiteado. Com base no mencionado Relatório, o Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belém emitiu o Despacho Decisório n° 541/2011 indeferindo o Pedido de Ressarcimento (fl. 25). A DRF/Belém através do Parecer SEORT nº 850/2011 e do Despacho Decisório nº 832/2011 (fls. 26/27) não homologou as compensações declaradas na DCOMP 23064.43251.200209.1.3.105905. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10280.720983/201039 Acórdão n.º 3802001.380 S3TE02 Fl. 21 3 Cientificada em 01/12/2011 (AR à fl. 35) a interessada apresentou, tempestivamente, em 26/12/2011, manifestação de inconformidade (fls. 71/96) na qual, alega: a) A decisão guerreada não merece prosperar, haja vista que está alicerçada em bases frágeis visto que sequer houve atenção do AFRFB em fundamentar sua decisão, negando vigência à Lei Federal específica, restringindo direito assegurado por lei com base em Instrução normativa e violando o princípio da igualdade em razão de dar tratamento tributário diverso em razão do tipo de atividade exercida, como exporseá a seguir; b) Não bastasse a ausência de pressupostos de validade macularem o ato em questão, a ausência de fundamentação e irregularidade de forma causam ao recorrente grave cerceamento de seu direito de defesa; c) Com efeito, não há possibilidade jurídica de garantir uma defesa eficaz dos direitos do recorrente se o ato sancionatório não possui fundamentação fático jurídica ou forma legal. d) Fazse necessário o recorrente ter conhecimento amplo e irrestrito dos motivos determinantes do não atendimento do seu pleito. É imprescindível que a autoridade fiscal indique os fundamentos legais que inviabilizam, no seu entender, o deferimento de seu direito. Da mesma forma, é imprescindível que o ato administrativo, principalmente os sancionatórios, respeitem à forma legal, ou seja, que expressamente defiram ou indefiram o pedido. e) A ausência destes requisitos do ato administrativo inviabilizam a regular prática do direito de defesa do recorrente, o que macula de ilegalidade o próprio ato, que deve ser anulado em obediência ao art. 5º, LV da Constituição Federal; f) Caso a preliminar de nulidade do ato administrativo seja ultrapassada, o que só se admite para argumentar, e visando tentar proceder, mesmo que sem parâmetros, a defesa da recorrente passamos a expor as razões de fato e direito a seguir delienadas; g) Com o advento da Lei n° 11.033, de 2004, os revendedores de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, quando adquirirem produtos sujeitos à alíquota 0 (zero) na saída, como ocorre com os sujeitos a tributação "monofásica", poderão proceder a escrituração e manutenção do PIS e da COFINS decorrente das aquisições realizadas dos fabricantes e importadores; h) O artigo 17, da Lei n° 11.033/04, autoriza a manutenção pelo revendedor dos créditos decorrentes de venda com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 i) Diante da clareza do art. 17, da Lei n° 11.033/04, não há como negar aos atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, determinadas máquinas e veículos, autopeças, pneus e câmarasdear etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos; j) A vedação aos créditos nos casos de incidência monofásica, bem como dos produtos constantes da Lei n° 10.485/02, apenas prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03, em especial incisos III e IV, do § 3º , do art. 1º; k) No que tange as vendas dos produtos e mercadorias arrolados no § 1º , do art. 2º, da Lei n° 10.833/03, somente os produtores e importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias e produtos; l) E mesmo que se entenda que a restrição do § 1º , do art. 2º , da Lei n° 10.833/03 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, também após as alterações perpetradas pela Lei n° 10.865/04, o que se admite por mera hipótese, tal restrição restou afastada pelo art. 17, da Lei n° 11.033/04; m) O referido art. 17, da Lei n° 11.033/04, a claras luzes, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3°r L bf da Lei n° 10.833/03. que negava o aludido direito ao crédito, nos termos do art. 2o , § I o , da Lei de Introdução ao Código Civil; n) Em hipótese alguma podese permitir que Instrução Normativa faça o papel de Lei, restringindo, limitando um direito que a Lei instituiu sem fazer as restrições que tenta impor a RFB. Não pode a RFB legislar por meio de Instrução Normativa, simplesmente porque ela não é LEI; o) Entretanto, contrariando o princípio constitucional da legalidade e extrapolando sua competência, a Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, editada pela Receita Federal, impôs limitação à fruição do direito a manutenção dos créditos em comento não prevista na lei que pretensamente veio normatizar; p) Assim, se o legislador, por meio art. 17 da Lei n° 11.033/2004, instituiu o direito do contribuinte manter os créditos decorrentes das vendas no mercado interno realizadas com isenção, suspensão, alíquota zero e não incidência, ele o fez traçando suas próprias condicionantes previstas no citado artigo. Ou seja, se verificada a ocorrência de uma das hipóteses previstas, terá o contribuinte direito de manter os referidos créditos; q) Ilegal, portanto, a Instrução Normativa n° 594/2005 limitar o exercício do direito ao estabelecer, condicionar quais produtos vendidos nas condições expressas pela lei (isenção, suspensão, alíquota zero e não incidência) geram direito à manutenção do crédito e quais não geram; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10280.720983/201039 Acórdão n.º 3802001.380 S3TE02 Fl. 22 5 r) Apesar dos argumentos acima delineados a RFB passou a partir de 2007 a adotar entendimento contrário à possibilidade de manutenção dos créditos aqui discutidos, de forma que além de negar vigência à Lei Federal, passou a Constituição Federal, ao desrespeitar o princípio da igualdade tributária previsto em seu art. 150, II; s) O princípio da igualdade proíbe que seja estabelecido um tratamento diferenciado entre os contribuintes em uma mesma situação sem que haja critérios legitimadores dessa diferenciação entre os mesmos. Ou seja, para que haja discriminação, devem existir motivos razoáveis para tal. No caso em questão, inexiste motivação para o ato segregador, razão pela qual a negativa de manutenção dos créditos ora pleiteados viola o princípio da igualdade tributária, como será demonstrado a seguir; t) Ademais, o próprio artigo 17 da Lei n° 11.033/2004 não faz (e nem poderia) nenhuma distinção em relação à forma de tributação da origem do crédito. Aliás, a parte final do dispositivo, exige apenas que os créditos estejam vinculados a essas operações de venda; u) Desta forma, concluise que qualquer limitação à manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime "monofásico", estando o contribuinte vinculado à sistemática da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Ao final, requer que: a) Seja declarada a nulidade do ato administrativo; b) Caso seja ultrapassada a preliminar argüida, pugna pela reforma da decisão. Em 20/04/2012, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 21/05/2012, apresentou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na presente manifestação de inconformidade. No final, requereu que a reforma do Acórdão recorrido e, por consequência, a homologada a compensação declarada. Em 04/06/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. No presente Recurso, a Interessada reiterou a alegação de nulidade do Despacho Decisório, com base no argumento de que, além da ausência dos pressupostos de validade, o citado ato não possuía a fundamentação fáticojurídica nem a forma instituída em lei, causando grave cerceamento ao seu direito de defesa. Não assiste razão à Recorrente, pois, o contestado Despacho Decisório atende adequadamente os pressuposto de validade, posto que proferido por autoridade competente e na forma estabelecida no artigo 285, II, da Portaria MF nº 125, de 2009, e no art. 57 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Além disso, o referido Despacho foi devidamente motivado, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 501 da Lei nº 9.784, de 1999, pois, dele faz parte os fundamentos de fato e de direito aduzidos no Relatório Fiscal de fls. 29/30, os quais permitiram à Recorrente pleno conhecimento da razão da glosa do valor do crédito pleiteado, o que é confirmado pela robusta defesa colacionada aos autos. Por todas essas razões, fica demonstrado que o contestado Despacho Decisório não apresenta qualquer mácula que possa conspurcar a sua validade. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do mérito. No mérito, a controvérsia limitase questão atinente ao direito de a Recorrente creditarse do valor da Contribuição para o PIS/Pasep paga pelos fabricantes e importadores de veículos, autopeças, pneus novos de borracha e câmarasdear de borracha, nos termos do regime monofásico instituído pela Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Alegou a Interessada que, na condição de varejista, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, asseguravalhe o direito de creditarse do valor da referida Contribuição para o PIS/Pasep paga pelos fabricantes ou importadores dos referidos produtos, pois, o citado preceito legal, havia revogado o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003. Por sua vez, a Turma de Julgamento a quo manteve o Despacho Decisório, com base no argumento de que o citado art. 17 não havia revogado o referido preceito legal nem tampouco tinha o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei expressamente vedava. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10280.720983/201039 Acórdão n.º 3802001.380 S3TE02 Fl. 23 7 Previamente, é oportuno esclarecer que, a partir da vigência das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao lado dos regimes de cobrança cumulativo, monofásico e de substituição tributária, anteriormente vigentes, passou a existir o regime nãocumulativo de cobrança das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, mantendo cada um dos regimes as peculiaridades em relação à forma de apuração das referidas Contribuições, por conseguinte, as regras de um regime não pode ser aplicada ao outro, por exemplo, as regras do regime cumulativo não se aplicam ao regime de substituição tributária, assim como as regras do regime monofásico não se aplicam ao regime da nãocumulatividade. No caso em apreço, pretende a Recorrente utilizar os créditos relativo às aquisições dos produtos sujeitos ao regime monofásico, que, como próprio nome sugere, a cobrança das citadas Contribuições realizase de forma concentrada, em única fase, na operação de venda realizada pelo produtor ou importador e excluída da cobrança as operações seguintes da cadeia de comercialização do produto, normalmente, as operações de venda no atacado e varejo. Logo, se não há cobrança das referidas Contribuições nestas etapas, por conseguinte, as aquisições também não geram o direito a crédito. O direito de dedução ou apropriação dos referidos crédito darse apenas em relação às aquisições dos produtos submetidos ao regime nãocumulativo, em que a cobrança ocorre de forma plurifásica, o que exclui os produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica. Por força dessa característica, nos citados diplomas legais consta disposição expressa que veda o direito de creditamento nas operações de aquisição de produtos sujeitos a outros regimes de cobrança. No âmbito do regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, tal proibição encontrase determinada no art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no § 1º do art. 2º, ambos da Lei nº 10.637, de 2002, cujos dispositivos relevantes para o caso em tela seguem reproduzidos a seguir: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 2º Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 III no art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V no caput do art. 5º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] – grifos não originais. O referido preceito legal, inequívocamente, veda o direito de descontar crédito em relação às receitas decorrentes das operações de revenda (geralmente atacado e varejo), submetidos ao regime de tributação monofásica, em especial, os produtos revendidos pela Recorrente, relacionados nos incisos III a V do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002. Ora, se não é permitido o desconto do crédito, não há que se falar em sua manutenção, por uma razão óbvia: não se pode manter o que não existe. Aliás, a manutenção do crédito somente ocorrerá nas hipóteses em que, previamente, admitido o crédito, compreendendo apenas às aquisições dos produtos submetida ao regime da nãocumulatividade, inclusive as receitas decorrentes das revendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, conforme estabelecido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifo não original) Em relação ao direito de crédito, o referido preceito legal estendeu aos produtos revendidos com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, o mesmo tratamento conferido aos produtos revendidos com tributação normal, no âmbito do regime da nãocumulatividade das referidas Contribuições, ampliando o regime da nãocumulatividade para os produtos vendidos com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O referido art. 17 não revogou o art. 3º, I, “b”, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme alegou a Recorrente. Ele apenas ampliou as possibilidades do direito de crédito previsto no regime da nãocumulatividade, sem qualquer alteração nas regras do regime monofásico de cobrança das referidas Contribuições. Também não procede a alegação da Recorrente de que a Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, era ilegal, pois, o referido Ato normativo apenas explicitou o sentido e alcance normativo contido nos preceitos legais anteriormente transcritos. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10280.720983/201039 Acórdão n.º 3802001.380 S3TE02 Fl. 24 9 Portanto, tratase de ato que está em perfeita consonância com os princípios da legalidade e da hierarquia das normas. Por fim, não tem respaldo jurídico, alegação da Recorrente de que a negativa da manutenção dos créditos em apreço contrariava o princípio da igualdade tributária, uma vez que atribuía tratamento diferenciado entre contribuintes que se encontravam na mesma situação. Com efeito, a concessão de créditos aos atacadistas e varejistas dos produtos sujeitos a cobrança monofásica, hipótese admitida apenas para argumentar, a meu ver, é que afrontaria de forma direta o princípio da igualdade tributária, pois, na prática, além do benefício do não pagamento das citadas Contribuições na operação de revenda, haveria ainda a concessão de um benefício fiscal, na forma de crédito, sem qualquer previsão legal e em total afronta ao disposto no art. 176 do CTN. Na prática, a aplicação desse entendimento implicaria desoneração de toda a cadeia de comercialização de produtos notoriamente adquiridos por setores mais aquinhoados da sociedade, haja vista que o valor cobrado na etapa inicial da cadeia seria devolvido integralmente no final, contrariando o que determina o princípio da equidade na forma de participação no custeio da seguridade social, previsto no inciso V do art. 195 da CF/1988. Se há vedação a dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado pela Recorrente, inexiste o direito creditório utilizado na presente DComp, o que inviabiliza a homologação da compensação declarada. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10730.000048/2002-05
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1996 a 31/08/1998
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep é de 05 anos contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS.
A base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial, e, no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação desses bens.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em reconhecer, de ofício, a decadência dos fatos geradores ocorridos até novembro/1996; e, II) no mérito, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso, que substituiu a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, ausente momentaneamente, votaram pelas conclusões.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial, e, no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação desses bens. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em reconhecer, de ofício, a decadência dos fatos geradores ocorridos até novembro/1996; e, II) no mérito, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Júlio César AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 00 48 /2 00 2- 05 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso, que substituiu a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, ausente momentaneamente, votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Os fatos foram assim narrados no Acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança da Cofins relativa aos períodos de janeiro/96 a agosto/98 em virtude de empresa ter excluído da base de cálculo da contribuição receitas de aluguéis que constitui atividade da empresa. A contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa, em síntese: 1. receitas provenientes de locação de imóveis não constituem faturamento nos termos da Lei Complementar n°70/91; 2. o faturamento, base de cálculo da Cofins, no período, era entendido, por força da lei, como receita bruta advinda de vendas de mercadorias e da prestação de serviços, sendo que os aluguéis não se confundem com prestação de serviços nem venda de mercadorias, razão pela qual, a receita deles advinda não constitui base de cálculo da contribuição; e 3. promoveu o recolhimento relativo ao fato gerador de agosto/98 razão pela qual tal período não é objeto de litígio. A DRJ em Belo Horizonte MG manifestouse no sentido de julgar procedente o lançamento em relação à parcela impugnada. A contribuinte foi cientificada da decisão em 14/12/05, fl. 180, por meio do recurso voluntário interposto em 13/01/06, demonstra seu inconformismo com a decisão proferida pela instância a quo, argüindo em sua defesa as mesmas razões esposadas na inicial. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.000048/200205 Acórdão n.º 9303002.092 CSRFT3 Fl. 262 3 Foi efetuado depósito recursal segundo documentos de fl. 182 permitindo o seguimento do recurso interposto. Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. As receitas decorrentes da locação de imóveis, quando esta for uma das atividades objeto da pessoa jurídica, estão sujeitas à incidência da Cofins, nos termos da Lei Complementar n° 70/91. Recurso negado. Irresignada, a Autuada recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, e o conseqüente cancelamento do auto de infração. O especial do Sujeito Passivo foi admitido, nos termos do despacho de fl. 239. Contrarrazões ao apelo do sujeito passivo vieram às fls. 242 a 252. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão da incidência da Cofins sobre as receitas de aluguel de imóveis próprios locados a lojistas estabelecidos no Shopping Center autuado. Antes de adentrar nessa questão, fazse necessário examinar a questão da decadência, que suscito de ofício, posto que, entre o fato gerador e o lançamento decorreram mais de 5 anos. Analisando os autos, verificase que o lançamento fora efetuado para constituir crédito tributário relativos à diferença entre a contribuição devida e a recolhida pelo sujeito passivo, para os períodos de apuração auditado, há, para todos eles, pagamento antecipado de parcela da contribuição devida, conforme documento de fls. 31 a 33. De outro lado, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, como visto linhas acima, houve antecipação do pagamento da contribuição, haja vista o lançamento ter sido efetuado pelas diferenças entre o tributo recolhido/depositado e o efetivamente devido, vide fls. 31 a 33. Desta feita, o termo inicial é a data de ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que a ciência do lançamento deuse em 28 de dezembro de 2001, nessa data, o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos até novembro de 1996 encontravase decaído. Na parte remanescente, não assiste razão à recorrente, conforme demonstrar seá linhas abaixo. A questão ora submetida a debate, gerou grande celeuma na jurisprudência administrativa e, também, na Judicial. Isso porque, chegou a prevalecer o entendimento de que as receitas de aluguel de bens imóveis não comporiam o faturamento das sociedades empresárias locadoras, posto que aluguel não representaria serviço e, portanto, a receita dele decorrente não integraria a receita bruta de venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Todavia, essa questão encontrase superada, em ambas as instâncias, judicial e administrativa. Isso porque, passouse a admitir que o conceito de faturamento, englobaria as receitas decorrentes das atividades empresariais exercidas pelas sociedades empresárias. Assim, no caso de uma sociedade imobiliária ou que tenha em seus objetivos sociais o aluguel de imóveis ou até de bens imóveis, as receitas decorrentes dessas atividades integrariam o faturamento, e, como tal, estaria sujeito às contribuições que tenham como hipótese de incidência o faturamento. A discussão judicial deslocouse da natureza jurídica dos aluguéis e centrou se no conceito de faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. Nesse sentido, é jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo, pode citar o posicionamento da 1ª Seção desse Tribunal, manifestado em diversos julgados, entre os quais se destacam AGRESP 504.078/SP, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 29.09.2003; AGRESP 328.319/BA, 2ª Turma, Min. Paulo Medina, DJ de 13.05.2002; AGA 512.072/SP, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 01.12.2003; RESP 210.335/PR, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 06.09.1999; ERESP 166.374/PE, 1ª Seção, Rel. p/ o acórdão Min. Eliana Calmon, DJ de 10.06.2002, desse último, merece ser transcrito o seguinte excerto 'A Lei Complementar 70/91 dispõe: A contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.000048/200205 Acórdão n.º 9303002.092 CSRFT3 Fl. 263 5 Pareceme que a segunda parte do artigo é explicativa, quer dizer: é o faturamento. E o que é faturamento? É o resultado econômico de uma atividade empresarial. Não me atenho a tipicidades fechadas em matéria de contribuição social, porque, pareceme, esta é própria para o imposto de renda. No momento em que estou trabalhando com a contribuição social, uma lei complementar me diz que ela incidirá sobre o faturamento para, posteriormente, eu ter artigos que venham explicitamente excluindo as incidências. Pareceme que seria quase que impossível não considerar uma atividade econômica pelo só fato de essa atividade ter como mercadoria um bem imóvel, e aí digo que a aplicação da palavra está no sentido de — 'bem que está dentro do comércio e possa ser objeto de transação' — mercadoria neste sentido. Não vejo sentido, inclusive de natureza ontológica, para a exclusão de um atividade absolutamente rentável, como é a incorporação de imóveis. Se a intenção do legislador fosse exatamente a não incidência, isso viria absolutamente expresso nos artigos, quanto aos aspectos da nãoincidência, então a leitura que faço do art. 2º da Lei Complementar 70/91, pareceme absolutamente compatível com o art. 195, antes da Emenda Constitucional 20. Ademais, depois desta, porque a alteração constitucional, pela Emenda 20, também, mais uma vez, para mim, foi um desdobramento explicativo, quase para dizer: 'faturamento ou receita como sinônimos'; apenas o legislador constitucional, talvez, até para evitar um semnúmero de demandas que já se avizinhavam especialmente em relação à COFINS veio a dar esta explicitação com a Emenda Constitucional 20: mercadorias, no art. 2º da Lei Complementar 70/91, está empregada como resultado de uma atividade empresarial, e não como uma coisa móvel e destinada ao comércio. Este conceito, que é oriundo do Código Comercial, específico do Direito Comercial não me parece que seja o sentido aplicado e dado pelo Direito Tributário onde, o que importa é o fenômeno econômico. Assim, tenho que interpretar as normas de nãoincidência e de isenção de uma forma muito restritiva.' No Recurso Especial nº 1.010.388 PR (2007/00932189), o relator : Ministro Teori Albino Zavascki, assim dispôs: (...) Pela mesma razão, isto é, considerando como base de cálculo da contribuição todas as quantias integrantes do faturamento da empresa, a jurisprudência da Seção equiparou, posteriormente, a atividade de compra e venda de imóveis à de locação desses bens (AGA 512.072/SP, 1ª Turma, Min, José Delgado, DJ de 01.12.2003; EARESP 504.078/SP, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 17.11.2003; EEERES 110.962/MG, 1ª Seção, Min. Luiz Fux, DJ de 17.03.2003; RESP 210.335/PR, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 06.09.1999; EDRESP 149.094/PB, 1ª Turma, Min. Garcia Vieira, DJ de 27.04.1998). 4. Nessa linha de entendimento, segundo a qual (a) a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição. 5. Pelas razões expostas, acolho os embargos de declaração, na forma da fundamentação, negando provimento ao recurso especial. É o voto. No mesmo sentido, os seguintes julgados desta Corte: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. POSSIBILIDADE. 1. Sendo a base de incidência do PIS e da Cofins o resultado das receitas auferidas pela atividade empresarial – faturamento –, impõese reconhecer a sujeição das receitas provenientes das operações de locação de bens móveis a essas contribuições. 2. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 923.905/RS, Segunda Turma, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 22.11.2007). "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. POSSIBILIDADE. 1. A Primeira Turma, nos EDcl no REsp 534.190/PR (DJ de 6.9.2004), de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, julgados à unanimidade, entendeu ser devida a contribuição da COFINS à sujeição das receitas auferidas com a operação de locação de bens móveis. 2. Agravo regimental desprovido." (AgRg no Ag 846.958/MG, Primeira Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 29.06.2007). Esse foi o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, pelo que não merece reforma. Ressaltese, por oportuno, que essa matéria, está sendo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos1, na sistemática do art. 543, C do CPC. A jurisprudência deste Colegiado não tem discrepado da posição exposta acima. A CSRF adotou, em diversos julgados, de que a prestação de serviços, no caso, deve ser entendida num sentido mais amplo, conforme as ementas abaixo reproduzidas: COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS. FATURAMENTO. As empresas que se dedicam à locação de imóveis, estão obrigadas ao pagamento da Cofins, uma vez que, por alugarem imóveis, 1 A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 929.521/SP, sujeito ao regime dos " recursos repetitivos', reafirmou o entendimento de que "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" ( Rel. Ministro Luiz Fux. DJ de 01/10/2009). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.000048/200205 Acórdão n.º 9303002.092 CSRFT3 Fl. 264 7 prestam um serviço, o que é suficiente para materializar o fato gerador e a base de cálculo da Lei Complementar no 70, de 1991. (CSRF/0202.030) COFINS – ALUGUEL DE IMÓVEIS – FATURAMENTO – As empresas que se dedicam à locação de imóveis, estão obrigadas ao pagamento da Cofins, uma vez que, por alugarem imóveis, prestam um serviço, o que é suficiente para materializar o fato gerador e a base de cálculo da Lei Complementar 70/1991, a qual prevê, explicitamente como base de cálculo a receita bruta não só da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços,mas, simplesmente, "de serviços de qualquer natureza", expressão denotadora de uma amplitude que não pode ser restringida pelo intérprete. (CSRF/0201.449) COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COM IMÓVEIS. As receitas decorrentes de atividade de venda e locação de bens imóveis sujeitamse à incidência da Cofins, por integrarem esses valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. (CSRF/0202.432) O Supremo Tribunal Federal, em decisões recentes, tem adotado o mesmo entendimento. No Agravo Regimental no RE 371258/SP, decidiu o Tribunal o seguinte: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais Em seu voto, o Ministro Cézar Peluso, Relator, destacou o seguinte: Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas de locação de bens imóveis, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Releva ainda destacar que a sociedade empresária autuada é um Shopping Center e tem por finalidade, ou melhor por objeto social, dentre outras atividades, a locação de bens imóveis. Ora, a sociedade empresária que tenha na locação de bens, sejam móveis, imóveis, próprios ou de terceiros, sua atividade principal, os rendimentos advindos de tal atividade são operacionais, integram o seu faturamento e, portanto, estão sujeitas à incidência da Cofins. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Com essas considerações, de ofício, declaro a decadência do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos ate o período de apuração relativo a novembro de 1996, inclusive, e, na parte remanescente, voto por negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720524/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
SOLIDARIEDADE. ART. 124 DO CTN. POSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DO ÔNUS TRIBUTÁRIO A QUALQUER DOS DEVEDORES COOBRIGADOS. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A APENAS UM DOS CONDÔMINOS.
O art.124, I, do CTN prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Trata-se da solidariedade de fato. O exemplo clássico de tal solidariedade ocorre nos impostos incidentes sobre imóveis, na hipótese da existência de domínio em condomínio. Nessa linha, por exemplo, seriam solidários pelo ITR devido os co-proprietários de um imóvel rural, não importando a fração detida por cada um, podendo o fisco cobrar de qualquer um deles. Imputando o fisco a totalidade da exação a algum dos condôminos, age em conformidade com a estrita dicção legal, não havendo qualquer nulidade no lançamento.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR.
Nos termos do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR.
VTN. ARBITRAMENTO A PARTIR DO SIPT. CONTRADITA A PARTIR DE ESCRITURA DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL AUDITADO. POSSIBILIDADE.
O arbitramento do VTN a partir do SIPT é meio hábil para definir o elemento central da base de cálculo do ITR. Pode tal VTN ser contraditado a partir de laudo técnico que avalie a propriedade rural ou mesmo outro meio de prova que denuncie de forma clara o valor da propriedade, como a escritura de compra e venda da propriedade.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE TIPIFICADA NO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ.
No tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o ITR lançado, deve-se anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de diligência, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 2.244,6 hectares e um VTN de R$ 1.720.686,29.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ART. 124 DO CTN. POSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DO ÔNUS TRIBUTÁRIO A QUALQUER DOS DEVEDORES COOBRIGADOS. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A APENAS UM DOS CONDÔMINOS. O art.124, I, do CTN prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Tratase da solidariedade de fato. O exemplo clássico de tal solidariedade ocorre nos impostos incidentes sobre imóveis, na hipótese da existência de domínio em condomínio. Nessa linha, por exemplo, seriam solidários pelo ITR devido os coproprietários de um imóvel rural, não importando a fração detida por cada um, podendo o fisco cobrar de qualquer um deles. Imputando o fisco a totalidade da exação a algum dos condôminos, age em conformidade com a estrita dicção legal, não havendo qualquer nulidade no lançamento. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 24 /2 00 8- 35 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR. VTN. ARBITRAMENTO A PARTIR DO SIPT. CONTRADITA A PARTIR DE ESCRITURA DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL AUDITADO. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN a partir do SIPT é meio hábil para definir o elemento central da base de cálculo do ITR. Pode tal VTN ser contraditado a partir de laudo técnico que avalie a propriedade rural ou mesmo outro meio de prova que denuncie de forma clara o valor da propriedade, como a escritura de compra e venda da propriedade. ITR. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE TIPIFICADA NO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. No tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o ITR lançado, deve se anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de diligência, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 2.244,6 hectares e um VTN de R$ 1.720.686,29. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 2102002.327 S2C1T2 Fl. 3 3 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Relatório Em face do contribuinte ANTÔNIO ZOZIVAL MILFONT SOBREIRA, CPF/MF nº 028.412.58149, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/11/2008, auto de infração, decorrente da revisão da DITRexercício 2004 do imóvel código NIRF nº 7.097.241 9, denominado Fazenda Novos Dourados, com área total de 17.391,9 hectares, quando a autoridade fiscal procedeu as seguintes alterações: Declarado Alterado pela fiscalização Área de preservação permanente 6.956,4 hectares 0 Área de reserva legal 3.478,3 hectares 0 Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal 3,0 hectares 0 Valor da Terra Nua R$ 10.000,00 R$ 4.669.203,39 As glosas e alteração acima assim foram motivadas pela autoridade autuante (fls. 2 e 3): Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de interesse ecológico e/ou de servidão florestal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (...) Para o município de CORUMBÁ, os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, para exercício de 2004 é de R$ 268,47, o VTN arbitrado é a média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural para o exercício. (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0422.877, de 10 de dezembro de 2010. O Acórdão acima, em resumo, assim decidiu as controvérsias postas na impugnação: (...) 46. Passandose à situação concreta, a glosa em pauta, como reiteradamente visto, ocorreu em virtude da ausência de resposta à intimação. Na impugnação foram apresentados laudo técnico, ADA/2000 e matrícula do imóvel. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 2102002.327 S2C1T2 Fl. 4 5 47. Com relação à APP, dos 6.956,4ha declarados, no laudo e no ADA se atesta a existência 4.489,2ha, fato que possibilita a aceitação desta dimensão. 48. Relativamente à ARL, dos 3.478,3ha declarados, no laudo e no ADA se confirma a existência 2.244,6ha. Porém, embora parcialmente comprovada, diferentemente quanto à APP, esta parte da ARL não poderá ser considerada, pois, sua averbação na matrícula ocorreu em 12/07/2006, intempestivamente, portanto, para o exercício em foco. 49. A respeito da AIE, não houve menção na impugnação, no laudo técnico e nem no ADA. 50. Em razão disso, parte das áreas em pauta não deveriam estar declaradas como isentas, pois, não estão amparadas para essa concessão e, assim, a sua informação configura declaração incorreta, fato que confirma estar correta a aplicação da multa de ofício, não havendo como modificar o enquadramento legal desta. (...) 54. Na questão do VTN, o procedimento da fiscalização é que, quando da análise das DITR se verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o Fisco deve intimar o declarante a comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, e que demonstre as fontes de pesquisa idôneas, as amostras que contenham informações de negociações concretas, com dados similares ao do imóvel avaliando, entre outros. 55. Como já tratado, o laudo não foi apresentado ao Fisco, razão pela qual foi procedida a alteração do VTN com a utilização da tabela do SIPT. (...) O contribuinte foi intimado da decisão acima em 03/06/2011 (fl. 83). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/07/2011 (fl. 85). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. deve ser declarado nulo o lançamento, pois não houve intimação aos demais coproprietários, com violação dos arts. 121 e 124 do CTN; II. a apresentação do ADA é condição suficiente para o reconhecimento da área de reserva legal, não sendo a averbação intempestiva um impeditivo para a fruição dessa isenção, até porque há jurisprudência Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 administrativa que autoriza o reconhecimento no caso de averbação até a apresentação da impugnação; III. considerando que houve um majoração da área total do imóvel, por georreferenciamento, conforme laudo técnico apresentado, devese reconhecer o impacto dessa majoração nas áreas de preservação permanente e reserva legal, com deferimento das exclusões das áreas informadas a tais títulos na DITR auditada; IV. juntou aos autos cópia da certidão de propriedade e ônus que demonstra que o imóvel auditado foi alienado a terceiros, em 2006, por 50% do valor arbitrado nestes autos. Ademais, vêse que há discrepância entre o arbitramento do exercício auditado (2004) e do exercício 2005, quando neste o valor foi menor, tudo aliado à informação em laudo técnico que demonstra a rentabilidade do imóvel, esta em linha com o valor informado na DITR auditada; V. não pode ser aplicada a multa de ofício genérica da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicada somente a penalidade específica prevista na Lei nº 9.393/96. Em resumo, o recorrente pede que seja declarado nulo o lançamento, por ausência de intimação aos coproprietários, por cerceamento do direito de defesa. Alternativamente, seja reconhecida a APP, a Reserva Legal e o VTN como declarado originalmente na DITR auditada, convertendo, se for o caso, o julgamento em diligência, como pedido na impugnação, para concretizar o princípio da verdade material. Por fim, se for o caso, pede a aplicação da penalidade na forma da Lei nº 9.393/96. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/06/2011 (fl. 83), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/07/2011 (fl. 85), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/07/2011, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, aqui se rejeita o pedido de conversão do julgamento em diligência, pois não há qualquer necessidade de prova pericial ou de investigação in loco para decidir a lide, pois se trata de meras glosas das áreas de preservação permanente (restabelecida em parte pela Turma da DRJ), reserva legal e Área de Interesse Ecológico/Servidão Florestal, agregado da majoração do VTN, matérias que devem ser debatidas nos limites dos laudos técnicos e demais documentos formais exigidos pela autoridade fiscal (ADA, averbação cartorária da área de reserva legal e certidão de propriedade do imóvel auditado) e acostados aos autos. Dessa forma, caberia ao fiscalizado ter produzido a documentação exigida pela Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 2102002.327 S2C1T2 Fl. 5 7 autoridade fiscal, inclusive na impugnação, para fazer valer os valores e áreas declarados na DITR auditada. O deferimento de diligência, neste momento processual, somente postergaria desnecessariamente a solução do litígio, na busca de prova que deveria ter sido produzida em momento anterior, pelos contribuinte. Na forma acima, rejeitase o pedido de conversão do julgamento em diligência, devendo o feito ser apreciado em face da prova já produzida e acostada aos autos, não havendo qualquer necessidade de produção de prova adicional. Agora se passa a apreciar as defesas na forma discriminadas no relatório. No item I do relato, o contribuinte pede a decretação da nulidade do lançamento, por ausência de intimação do coproprietário. O art. 124, I, do CTN prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Trata se da solidariedade de fato. Ora, o exemplo clássico de tal solidariedade ocorre nos impostos incidentes sobre imóveis, na hipótese da existência da propriedade em condomínio. Nessa linha, por exemplo, seriam solidários pelo ITR devido os coproprietários de um imóvel rural, não importando a fração detida por cada um, podendo o fisco cobrar de qualquer um deles. E, no caso destes autos, vêse que o imóvel é detido em copropriedade pelo autuado e mais dois condôminos (fl. 39), podendo, assim, o fisco cobrar o imposto de qualquer dos condôminos coproprietários. Não estava a autoridade lançadora obrigada a intimar cada coproprietário, mas poderia imputar toda a exação a qualquer um deles, como terminou ocorrendo em face do autuado Antônio Zozival Milfont Sobreira, cabendo a este, caso pague a exação lançada, se socorrer em regresso contra os outros coproprietários. Dessa forma, não há qualquer nulidade no lançamento, que poderia ser imputado em desfavor de quaisquer dos coproprietários da Fazenda Novos Dourados. Em relação às áreas de preservação permanente e reserva legal (itens II e III do relato), devese evidenciar que esta Turma de Julgamento (e a 2ª Turma da CSRF) entende que não há necessidade de apresentação de ADA tempestivo para exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (onde se encontra também a área de reserva legal) da incidência do ITR, pois se o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR, para os exercícios posteriores a 2001, tal Lei não fixou prazo para apresentação do ADA, parecendo descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo (precedentes: Acórdãos nºs 210200.528; 210200.530; 210200.640; 210201.704; 2102002.090; 9202 001.907; 9202002.105; CSRF/0306.162). Já a averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. Já a exigência da averbação Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final até quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos isentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. O entendimento acima pode ser visto nos arestos abaixo desta Turma: Acórdão nº 210201.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto de ementa) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 2102002.327 S2C1T2 Fl. 6 9 Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Acórdão nº 210201.815, sessão de 8 de fevereiro de 2012 (excerto) ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. No caso destes autos, vêse que a decisão recorrida já reconheceu a APP que constou no ADA (4.489,2 hectares – fls. 34 e 67) e no laudo técnico, este datado de 21 de julho de 2000 (fl. 30). Entretanto, deveria ter também reconhecido a área de reserva legal que constou no mesmo ADA (2.244,6 hectares) e no já referido laudo técnico, pois esta foi averbada em 12 de julho de 2006, no percentual de 20% da propriedade auditada (fl. 39), em momento anterior ao início da presente ação fiscal (05/10/2007 – fl. 10). Indo mais além, entendo que somente deve ser reconhecia a APP (como já constou na decisão da DRJ) e a Reserva Legal nos limites informados no ADA, não se devendo majorálas pela ocorrência de um incremento da área do imóvel em decorrência de georreferenciamento, pois, como antes demonstrado, o ADA é condição obrigatória para exclusão da APP e reserva legal do ITR. Para o contribuinte fruir de uma área majorada de APP e reserva legal, deveria ter apresentado novo ADA, o que não ocorreu nestes autos. Com as considerações acima, entendo que se deve deferir apenas a exclusão de uma área de reserva legal de 2.244,6 hectares. No tocante ao VTN arbitrado pela autoridade fiscal (item IV do relato), vêse que o recorrente o combate a partir da certidão de propriedade e ônus, na qual se vê que o imóvel auditado foi alienado em 27/09/2006 por R$ 2.258.524,29 (fl. 44), por uma discrepância na avaliação do VTN do exercício 2005 e pela discriminação do imóvel no laudo técnico. Pede, por último, que seja restabelecido o VTN declarado, no importe de R$ 10.000,00. Aqui se deve anotar que o autuado havia declarado os valores de R$ 200.000,00 e R$ 337.838,00, a título de benfeitorias/Culturas, Pastagens Cultivadas e Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Melhoradas e Florestas Plantadas, respectivamente, importes que não foram contraditados pela autoridade fiscal (fl. 04). Obviamente que não se pode acatar um VTN de R$ 10.000,00, como declarado, pois tal valor está completamente fora de proporção com o valor da alienação do imóvel. Entretanto, pareceme que o valor da alienação, como importância total da propriedade, está adequadamente representado pela Certidão Pública de Compra e Venda, descrita na matrícula do imóvel (fl. 44), na qual se vê que o imóvel foi adquirido pela empresa MMX Corumbá Mineração Ltda. por R$ 2.258.524,29, em setembro de 2006, do recorrente e outros. Tratase de informação em instrumento com fé pública, representativo da alienação em exercício próximo ao fiscalizado, suficiente para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Assim, entendo que o VTN do exercício 2004 deve ser arbitrado a partir do valor acima, do qual devem ser deduzido os valores de 200.000,00 e R$ 337.838,00, declarados a título de benfeitorias/Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas, respectivamente. Dessa forma, o VTN para o exercício 2004 deve montar R$ 1.720.686,29. Obviamente que a eventual discrepância do VTN para o exercício 2005, com base no SIPT, não impactará a conclusão acima, que está tomando como meio de arbitramento o próprio valor de alienação trazido pelo recorrente. Por fim, no tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado (item V do relato), devese anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vêse, então, que a multa de ofício aplicada nestes autos está em perfeita sintonia com o que determina a legislação tributária do ITR, devendo incidir no percentual de 75% sobre o imposto mantido nesta instância administrativa. No ponto, sem razão o contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR o pedido de diligência, de AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 2.244,6 hectares e um VTN de R$ 1.720.686,29. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 2102002.327 S2C1T2 Fl. 7 11 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15578.000312/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PROVAS.
Para a utilização do benefício previsto no inciso III, artigo 5º, da Lei nº 10.637/02 - isenção de receita de exportação -, é preciso comprovar que as mercadorias foram exportadas ou transferidas com o fim específico de exportação. In casu, a ausência de comprovação específica neste sentido, o registro no CFOP de mercadorias comercializadas no mercado nacional e o aproveitamento do crédito pelo adquirente da mercadoria impedem o reconhecimento da exclusão da tributação.
PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXPORTAÇÃO. GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO. IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. REGRAS DE ISENÇÃO.
O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. Trata-se de receitas acessórias às principais, que decorrem do contrato de exportação. Neste sentido, a isenção da contribuição ao PIS e Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei nº 10.637/2002, também alcança a variação cambial destes valores.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Somente insumos utilizados na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para excluir a variação cambial ativa da base de cálculo da exação; pelo voto de qualidade, para manter as glosas dos créditos efetuados pela fiscalização; por unanimidade de votos para manter a glosa de receita de exportação (vendas para a CVRD). Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Fez sustentação oral o Dr. Tarek Moysés Moussallem, OAB/ES 8132.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Relatora
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Redator designado.
EDITADO EM: 10/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PROVAS. Para a utilização do benefício previsto no inciso III, artigo 5º, da Lei nº 10.637/02 isenção de receita de exportação , é preciso comprovar que as mercadorias foram exportadas ou transferidas com o fim específico de exportação. In casu, a ausência de comprovação específica neste sentido, o registro no CFOP de mercadorias comercializadas no mercado nacional e o aproveitamento do crédito pelo adquirente da mercadoria impedem o reconhecimento da exclusão da tributação. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXPORTAÇÃO. GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO. IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. REGRAS DE ISENÇÃO. O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 12 /2 00 8- 11 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. Tratase de receitas acessórias às principais, que decorrem do contrato de exportação. Neste sentido, a isenção da contribuição ao PIS e Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei nº 10.637/2002, também alcança a variação cambial destes valores. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente insumos utilizados na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para excluir a variação cambial ativa da base de cálculo da exação; pelo voto de qualidade, para manter as glosas dos créditos efetuados pela fiscalização; por unanimidade de votos para manter a glosa de receita de exportação (vendas para a CVRD). Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Tarek Moysés Moussallem, OAB/ES 8132. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator designado. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 739 3 Relatório Tratase de crédito de PIS não cumulativo, acumulado em virtude de exportação §1º, artigo 5º1, da Lei nº 10.637/02 – apurados no terceiro trimestre de 2004, compensados com débitos de IRPJ e CSLL por meio de DComp. Após analisar o pleito da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal DRF/Vitória – exarou Despacho Decisório (fls. 143), concluindo pela homologação parcial do crédito pleiteado (deferido: R$ 589.338,22), com base no Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 127/142) que, nos termos do relatório de primeira instância administrativa consignou, em resumo: “1) A produção da CIA Coreano Brasileira de Pelotização — KOBRASCO é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS; 2) O exame da escrita contábil e fiscal, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo e dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. No que tange à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, foram realizados ajustes e adições adequandoos ao que foi disciplinado pela legislação tributária; 3) Ao analisar os DACON constatouse que praticamente toda a produção da empresa foi destinada ao mercado externo. Como revelam os Livros Registro de Apuração do ICMS, balancetes e Notas Fiscais de venda, a empresa destinou grande parte de sua produção para a sua coligada Companhia Vale do Rio Doce CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob o Código Fiscal de Operação 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 1 “Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (destaquei) Fl. 740DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para a fruição do beneficio da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim especifico de exportação não é admitido, conforme art. 21, § 2 ° da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou em seus Livros de Entradas as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 e 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação; 6) Em verdade, tratase de comercialização normal no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador; 7) A própria CVRD, em atendimento ao Termo de Solicitação de Documentos, anexou consulta formulada internamente em que alega estar utilizando os créditos decorrentes dessas vendas; 8) De acordo com a definição legal dada à expressão "fim especifico de exportação", para o gozo do beneficio fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, § 1 °, a Lei 9.532/97, art. 39, § e o Decretolei 1.248/72, art. 1°, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues no pátio do remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial da KOBRASCO não está compreendido em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil; 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela interessada à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição ao PIS, pois não se enquadram na definição de fim especifico de exportação; 11) O sujeito passivo equivocouse ao não incluir na base de cálculo do PIS as variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Desse modo, os lançamentos registrados a crédito representam uma receita tributável devendo compor sua base de cálculo; 12) Analisando a contabilidade do sujeito passivo, constatouse que foi adotado o regime de competência das variações cambiais. Assim, para fins de apuração da base de cálculo do PIS nãocumulativo, foram considerados os valores registrados no Balancete, considerando as variações cambiais ativas decorrentes de conta dos passivos e dos ativos, não fazendo jus à Fl. 741DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 740 5 apuração do saldo mensal positivo entre as variações cambiais ativas e passivas como realizado por ele; 13) Intimado, o contribuinte apresentou planilhas elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS não cumulativo; 14) Foram efetuadas glosas em alguns serviços contratados, tendo em vista não se enquadrarem na definição de insumos delineada pela legislação; 15) O conceito de insumo adveio do Decreto 247/2002. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve ser necessariamente aplicado ou consumido na produção ou fabricação dos do produto; 16) Foram elaboradas as tabelas de Serviços Contratados Diretos — Serviços Excluídos (fl.118) onde são discriminados os contratos que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, visto não se enquadrarem na definição de insumos. A Planilha de Apuração da BC dos Créditos da Contribuição não cumulativa (fl. 119) corresponde à soma dos serviços que serviram de base para o cálculo dos créditos e que foi transportada para a Planilha de Apuração da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 120/125); 17) Não houve correção a ser efetuada nos gastos relativos a Despesas Financeiras, mantendose os valores originais fornecidos pelo sujeito passivo; 18) Foram elaboradas as Planilhas de Apuração a Contribuição para o PIS (fls. 120/125). O campo Receita da Exportação foi preenchido já com seus valores líquidos, retratando nada mais do que os valores lançados a crédito no Livro Balancete da empresa menos os valores lançados a débito. Foi utilizado o saldo das respectivas contas. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais dos Passivos, no mês de julho; 19) O sujeito passivo informou ter adotado o regime de rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, sendo então utilizada essa metodologia no preenchimento das planilhas de apuração da contribuição; 20) Foi elaborada a Planilha de Compensação (fl. 126), a qual ilustra as compensações efetuadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência. Não foi possível homologar em sua totalidade as compensações efetuadas, tendo em vista a insuficiência de créditos; 21)0 direito creditório apurado, passível de compensação foi de R$ 589.338,22.” – destaquei. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Irresignada com a decisão que concedeu parcialmente os créditos pleiteados, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 151 a 171), alegando, em síntese, conforme relatado pela decisão de primeira instância administrativa, a saber: “1) A Requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inciso I da CF). O art. 5º da Lei nº 10.637/2002, repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 5º da Lei 10.637/2002 referese diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação; 6) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de "receita decorrente de operação de exportação"; 7) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pelo PIS; 8) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/2002; 9) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 10) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 11) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 741 7 12) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3º da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 13) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à contribuição para o PIS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; 14) Por fim requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade com a finalidade de reformar in totum o despacho decisório. Outrossim, requer a produção de todos os meios de prova cabíveis no processo administrativo fiscal.” – destaquei. Após analisar as razões apresentadas, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ II – proferiu o acórdão nº 1326.801, por meio do qual manteve o entendimento apresentado pela Delegacia da Receita Federal, conforme ementa registrada a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim especifico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição ao PIS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto.” – destaquei. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 244/298), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação esclarecendo, ainda, que, ao contrário do alegado pela decisão recorrida, as pelotas foram remetidas diretamente do estabelecimento industrial para recintos alfandegado. Neste sentido, discorre sobre o fato de que as pelotas ficaram armazenadas no estabelecimento da empresa (que não era alfandegário) e foram transferidas direto para o recinto alfandegado da CVRD. Ainda, alega a Recorrente que devem ser analisados os fatos (de que mercadoria direcionada para recinto Fl. 744DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 alfandegário tem que ser exportada, dos memoriais de exportação e de ser a Recorrente eminentemente exportadora), não os códigos de entrada e saída da mercadoria, que indicam que as pelotas não foram exportadas, em prol da verdade material. Requer, ainda, a realização de diligência. Consta ainda dos autos documentação juntada pela Recorrente à posteriori, a título de documentos novos, que trouxeram à colação (i) o contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente; (ii) memorando de exportação; (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; (v) cartas de correção das notas fiscais (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS; (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação), ainda que fatos geradores distintos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de crédito de PIS apurado pelo sistema não cumulativo, supostamente devido ao contribuinte nos termos do §1º, artigo 5º, da Lei nº 10.637/02, a saber: “Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em Fl. 745DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 742 9 dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (destaquei) As glosas foram realizadas pelas seguintes razões: (i) inexistência de comprovação da exportação das pelotas; (ii) não inclusão, na base de cálculo do PIS, das variações cambiais passivas; (iii) utilização de insumos que não foram consumidos diretamente no processo produtivo (fls. 119/120 – Vol. I) Passemos à análise de cada item, separadamente. (i) Inexistência de Comprovação de Exportação O primeiro item a ser analisado referese à alegação da Recorrente de que os produtos em referência estariam incluídos no inciso III, do artigo 5º, da Lei nº 10.637/02, por terem sido transferidos com o fim específico de exportação. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, concluiuse que as pelotas comercializadas no período de julho a setembro de 2004 não foram exportadas em virtude: (i) do fato de as mercadorias terem sido entregues em área considerada não alfandegária; (ii) do código de classificação (CFOP) das mercadorias, adotado pela Requerente (remetente) e pela CVRD (receptora); (iii) do aproveitamento do crédito tributário pela CVRD. Em relação ao primeiro item analisado, a consideração de que a mercadoria teria sido entregue em estabelecimento não alfandegário, conforme se depreende dos termos do Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente pretende que seja reconhecido que a saída de seus produtos ocorreu diretamente para o pátio da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD – que é área alfandegada, verbis: Trecho do Rec. Voluntário – fls. 258 – Vol. II – Fls. Digital 65 “Com efeito, o mapa esquemático em questão demonstra que o trajeto das pelotas exportadas ocorre em duas fases: lª) as pelotas deixam a área de produção da RECORRENTE e são destinadas à estocagem nos pátios da própria RECORRENTE; e, 2ª) as pelotas deixam os pátios da RECORRENTE por meio de esteiras e são destinadas por essas esteiras diretamente para os pátios da VALE, que são considerados área alfandegadas, de acordo com o que prescreve o ADE da 7ª RF de n° 320, de 14 de setembro de 2.006.” Para tanto, discorre sobre o fato de que as mercadorias ficam armazenadas em estabelecimento próprio da Recorrente, considerado simples armazém. Este estabelecimento, no entender da Recorrente, por não ser autônomo, é uma extensão da própria empresa, razão pela qual a entrega da mercadoria só pode ser considerada ocorrida no momento da transferência para o pátio da Vale. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Pareceme que a questão não é tão singela quanto faz parecer a defesa. Foi a própria CVRD quem definiu, para a fiscalização, o momento que lhe foi entregue a mercadoria, a saber: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 134) “Intimados a empresa destinatária (CVRD) a elucidar como se operou a entrega das pelotas de minério de ferro, e, no caso de as mesmas terem sido diretamente remetidas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a apresentar a documentação suporte de tais remessas. Foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida (fl 94). Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da KOBRASCO. Convém salientar que, apesar da KOBRASCO estar instalada próxima a terminais portuários, seu estabelecimento não está compreendido em área ou recinto alfandegado. Simultaneamente, foi oficiado junto a Inspetoria da Receita Federal do Brasil com vistas a elucidar acerca do alfandegamento dos pátios das usinas de pelotização das empresas coligadas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Atendendo ao ofício, constatouse que referidos pátios não são alfandegados, estando as áreas de alfandegamento da CVRD definidos no ADE SRRFO7 N° 320/2006, publicado no DOU de 18/09/2006 (fls. 95\98), o que não engloba as áreas dos pátios das usinas de pelotização.” No mais, na hipótese de as mercadorias terem sido encaminhadas diretamente para o recinto alfandegário, as empresas envolvidas possuiriam os documentos suporte necessários para este procedimento, o que não ocorre in casu, verbis: “...foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida (fl 94).” Todavia, não foram apresentados documentos neste sentido, apenas alegações acerca do procedimento logístico da Recorrente, o que por si só não comprova a exportação das mercadorias. No que se refere ao segundo e terceiro itens, consubstanciados no erro constatado nos códigos de classificação (CFOP) das mercadorias e no aproveitamento do crédito tributário pela CVRD, a alegação Recorrente está vinculada à premissa adotada, uma vez que a mercadoria só vai para área alfandegada, a conseqüência lógica é que se trata de exportação e qualquer registro em sentido contrário foi realizado indevidamente (erro formal). Registrase que a fiscalização apurou que as pelotas transferidas foram registradas como se tivessem sido comercializadas no mercado interno, a saber: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 131/132) “Verificase, em pesquisa ao Convênio CONFAZ s/n°, de 15 de dezembro de 1970, com as alterações impostas pelo Ajuste SINIEF 06/00 e 07/01, que desde 1° de janeiro de 2001 vigoram CFOP próprios para as operações com fim especifico de exportação. Desde então as saídas de produção do Fl. 747DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 743 11 estabelecimento para trading company ou para empresa comercial exportadora, com fim especifico de exportação, passaram a ser identificadas pelos códigos 5.86 e 5.501, cujo registro nos livros do destinatário das mercadorias/produtos correspondem aos códigos 1.86 e 1.501 1 , respectivamente. Assim, muito embora o contribuinte insira no campo "Informações Complementares" nas Notas Fiscais a expressão "remessa com o fim especifico de exportação", a identificação da natureza das operações como vendas de produção do estabelecimento, enquadrandoas nos CFOP 5.11 ou 5.101, revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para fruição do beneficio da isenção fiscal. (...)” Assim, uma vez que a Recorrente não comprovou (sequer alegou) que os procedimentos indicados pela fiscalização estão errados, forçoso concluir que realmente as mercadorias estavam registradas como se pertencentes ao mercado nacional. Esta questão por si só é problemática, mas o que torna inviável o argumento da Recorrente, a meu ver, é a conseqüência deste fato. Conforme esclarecido pela fiscalização, a classificação da mercadoria como transitada no mercado nacional, gerou a possibilidade do adquirente da mercadoria (no caso CVRD) se creditar do tributo por proceder à exportação do produto. E foi exatamente o que ocorreu no caso em análise. De acordo com declaração da CVRD, constante dos autos, no ano de 2004, nos meses de julho a dezembro, foi realizado o aproveitamento do crédito em virtude da exportação (fls. 118). Esta conseqüência, por si só, elide a presunção pretendida pela Recorrente, neste sentido: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 131/132) “Observe que ao declarar nas Notas Fiscais a natureza da operação via CFOP 5.11 e 5.101, o contribuinte dá suporte para que o destinatário de seus produtos, enquanto não decaído o direito, aproveite créditos de PIS nãocumulativo vinculados ás aquisições, o que em uma operação eminentemente com fim especifico de exportação não é admitido, consoante o próprio Art. 21 § 2° da IN 600/2005, acima transcrito. Tais conclusões foram corroboradas ao analisar os documentos do destinatário das pelotas de minério de ferro, qual seja, o estabelecimento de CNPJ 33.592.510/022042, pertencente à Companhia Vale do Rio Doce, empresa coligada do sujeito passivo. Baseado na operação identificada nas Notas Fiscais da remetente, em muitos casos este estabelecimento escriturou em seus Livros Registro de Entradas as compras realizadas junto à KOBRASCO como aquisições normais no mercado interno, com CFOP 1.12 e 1.102 (fls. 159/174). Não se pode olvidar, todavia, que também há registros nos citados livros com os códigos CFOP 1.86 e 1.501, contudo, e mesmo nestes casos, enquanto não decair do seu direito poderá o estabelecimento matriz da CVRD, munido das Notas Fiscais de aquisições, requerer o aproveitamento do crédito de PIS por meio de compensação ou ressarcimento. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Ademais, não se vislumbra poder o contribuinte utilizarse de informações ambíguas por ele inseridas em documentos fiscais obrigatórios para garantirlhe o beneficio da isenção sem, entretanto, afastar a possibilidade de o destinatário das mercadorias aproveitarse do crédito, em desacordo com a legislação tributária.” Impossível, portanto, a aplicação da proposta da Recorrente, de presunção de destino da mercadoria (exterior) em razão de ter sido transferida para recinto alfandegário. Logo, ainda que fosse uma realidade, in casu, a questão posta pela Recorrente não é suficiente para a conclusão pretendida, razão pela qual mantenho a glosa neste particular. Necessários alguns esclarecimentos acerca dos documentos trazidos aos autos após o recurso voluntário, quando do julgamento do recurso. Em prol do princípio da verdade material, ante a natureza dos documentos, os mesmos foram recebidos e discutidos pela Turma em preliminar de diligência. Conforme relatado, foram apresentados os seguintes documentos: (i) contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente; (ii) memorando de exportação; (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; (v) cartas de correção das notas fiscais (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS; (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação), ainda que fatos geradores distintos. Todavia, após a discussão dos temas e análise das informações trazidas, o colegiado concluiu que os documentos apresentados não eram suficientes para gerar a diligência pleiteada, razão pela qual negouse a preliminar suscitada. Em relação ao (i) contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente e (ii) os memorandos de exportação; entendeuse que não são documentos suficientes para contrapor os fatos averiguados nos autos, posto que se tratam de documentos de particulares das empresas , sem força pública. Da mesma forma em relação aos (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); haja vista que seria preciso verdadeira auditoria fiscal para comprovar as informações constantes dos relatórios. Ainda, em relação ao (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; não foi considerado suficiente para contrapor aos fatos trazidos à colação pela fiscalização quando do indeferimento do crédito pleiteado. Melhor sorte não se aplica às (v) cartas de correção das notas fiscais e à (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS. Neste caso a questão é que o colegiado entendeu que atualmente, passados 11 anos da ocorrência do fato gerador, a produção de prova da época referese é impossível de ser realizada, posto que a realidade já está alterada. Tal raciocínio depreendese, por exemplo, do fato de que as cartas de correção foram feitas após 5 anos do fato gerador (em abril/2011, sendo que os fatos geradores ocorreram em 2004), sem qualquer produção de efeitos fiscais. Logo, o Colegiado entendeu que a prova produzida não tem a força pretendida pela Recorrente, porque não produz nenhum efeito fiscal. Por outro giro, consta dos autos declaração da Vale S. A. no sentido exatamente oposto ao que agora apresenta a Recorrente, de que se creditou de créditos de PIS e COFINS na operação de compra de pelotas da Kobrasco. Isto é, não se pode considerar as declarações da Vale, tendo em vista que elas se contradizem, seriam necessários Fl. 749DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 744 13 outros indícios para gerar uma diligência em um processo administrativo que já está em fase de julgamento de segunda instância administrativa. No que se refere à (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco, afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; o Colegiado também entendeu que seriam necessárias provas complementares. É que nesta mesma declaração, a Vale afirmou que vende pelotas para o mercado interno. Como saber se a pelota comprada da Kobrasco não foi mesmo direcionada para o mercado interno? Conforme vinha sendo afirmado pela própria Vale nos documentos analisados pela Fiscalização? A simples declaração da Vale, em vista das patentes divergências em suas declarações, não é suficiente, seria preciso analisar os fatos à época em que ocorreram. Não há meios desta auditoria obter sucesso quase dez anos após a venda da mercadoria. Para melhor compreensão, cito trecho da carta da Vale, verbis: Trecho da Carta da Vale, trazida à colação pela Recorrente quando do julgamento do recurso voluntário: “A VALE S.A. reitera que nos termos contratuais adquiriu pelotas produzidas pela KOBRASCO, as quais foram fornecidas com o fim especifico de exportação e que de fato foram todas revendidas e exportadas para o exterior. Nessa operação, a VALE S.A. atua na qualidade de comercial exportadora, recebendo o produto em sua área portuária localizada na Ponta de Tubarão. A VALE S.A. informa que efetuou e efetua venda de pelotas no mercado interno, as quais se originam de produção de suas usinas próprias e de industrialização por encomenda. O volume de vendas de pelotas no mercado interno é inferior a quantidade produzida, restando volume para ser exportado, como tem sido feito ao longo dos anos. Esta informação esta demonstrada de modo bem claro para o período de 31/12/2002 a 31/12/2008 no ANEXO CJNICO de 8 (oito) páginas.” – destaquei. Ademais, em relação à (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação); importa esclarecer que este tribunal está desvinculado das decisões de primeira instância administrativa tendo, inclusive, competência de reformar aquelas decisões. No que se refere à decisão em si, sua análise é suficiente para constatar que foi proferida com base, principalmente, nas provas apresentadas naquele processo. Conforme se depreende da decisão citada, o julgador analisou os elementos trazidos pela Recorrente juntamente com a contabilidade, concluindo que houve a operação de exportação. Constato que parte dos documentos trazidos agora pela Recorrente, no momento do julgamento, também foram apresentados naquele processo administrativo, todavia, registro que aqueles autos continham ainda mais elementos, os quais, analisados conjuntamente, foram entendidos pelos julgadores como suficientes para a comprovação dos fatos pretendidos. Todavia, sendo o período distinto, não se aplicam as mesmas conclusões, visto que em um período as mercadorias podem ter sido vendidas para o mercado interno enquanto em outro período para o mercado externo. Tais análises, aliada ao fato de que este processo referese a pedido de ressarcimento, procedimento no qual, como é cediço, a prova deve ser realizada pelo contribuinte, levou à conseqüência de indeferimento do pedido formulado. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 (ii) Das Variações Cambiais Passivas Outro fator que reduziu o crédito da Recorrente é o entendimento da fiscalização de que a Recorrente deveria ter incluído na base de cálculo do PIS não cumulativo o valor referente às variações cambiais dos contratos de exportação. Em relação a este ponto, entendo que duas questões devem ser analisadas: (i) a redução do crédito em virtude do aumento da base de cálculo do tributo; (ii) a tributação das variações cambiais dos contratos de exportação. No que se refere à redução do crédito em razão do aumento da base de cálculo do tributo, em virtude de a fiscalização entender pela inclusão dos valores referentes às variações cambiais dos contratos de exportação na base do PIS não cumulativo2, necessário realizar ponderação de caráter técnico. O procedimento de revisão da base de cálculo do PIS representa problema no quantum que representa o débito, não no valor crédito pleiteado. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) o PIS que entende ser devido a fiscalização, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos apurados (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos valores pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, o Fisco concluiu pela glosa parcial em razão de “descontar”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre as variações cambiais acima referidas). Pareceme – e tenho me manifestado neste sentido3 que o Agente Fiscal incorreu em grave erro, por confundir a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente à variação cambial dos contratos de exportação). 2 Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 135) “33. O sujeito equivocouse ao não incluir no bojo da base de cálculo do Pis não cumulativo os valores decorrentes das variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Deste modo, os lançamentos registrados a crédito representam uma receita tributável devendo compor sua base de cálculo. 34. Sobre o assunto, sabese que a gestão patrimonial imprime ao patrimônio da entidade, constantes variações. As variações representam os acréscimos e as reduções que resultam na situação liquida patrimonial. As variações que acrescem a situação liquida patrimonial são denominadas de variações ativas e as que reduzem de variações patrimoniais passivas. 35. Dentro desse contexto, as variações ativas são provenientes do aumento de valores do ativo e da diminuição de valores do passivo e as variações passivas decorrem da diminuição dos valores do ativo ou do acréscimo dos valores do passivo. 36. Nesta vereda, podese afirmar que nem toda variação ativa decorre do ativo, assim como a variação passiva não somente provém do passivo, devendo o subgrupo variação cambial dos passivos, compor a base de cálculo do Pis nãocumulativo.” 3 Fabiola Cassiano Keramidas, in "Pis e Cofins à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", artigo intitulado "PIS e COFINS Não Cumulativos o pedido de ressarcimento e a glosa de créditos pelo aumento do débito", fls. 115/125, MP Editora. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 745 15 Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, ao meu sentir, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valor, o que tornaria possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que a cobrança de quaisquer valor a título de tributo, depende da prévia constituição deste – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, é de se concluir que os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Este posicionamento encontra respaldo na jurisprudência desta casa, a saber: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULAIIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . 1NCABÍVEL. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte.” (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Conselheiro Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Esta razão, em meu entender, já é suficiente para a improcedência da glosa em comento. Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 746 17 Outro argumento que deve ser analisado referese à tributação das variações cambiais dos contratos de exportação. A questão controversa referese ao entendimento de que estas receitas devem ser classificadas como receitas de exportação, por estarem vinculadas a contratos desta natureza, e não meras receitas financeiras. Neste particular, empresto o raciocínio desenvolvido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ – que concluiu pela extensão do contrato de exportação à variação cambial, tratando toda a receita (principal e acessório) como exportação verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. RECEITA DECORRENTE DA EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS PARA O EXTERIOR. ISENÇÃO. LEI N. 10.637/02 E MP N. 2.158 35/01. ALCANCE. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. ART. 9º DA LEI N. 9.718/98. OFENSA À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. ATRIBUIÇÃO DO STF. 1. A jurisprudência desta Corte Superior está consolidada no sentido de que a isenção da contribuição ao PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior também alcança a variação cambial positiva desses valores. 2. Esse entendimento não ofende a cláusula de reserva de plenário, pois não existiu declaração de inconstitucionalidade de lei a ensejar a aplicação do art. 97 da Constituição da República, nem mesmo de forma velada, mas mera interpretação de regra jurídica. 3. Esta Corte não se presta à análise de afronta a dispositivo constitucional, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo regimental não provido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp 969.194/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, em sessão de 16/12/2010, publ. in DJU de 10/02/2011) “TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. INCIDÊNCIA. 1. No contrato de câmbio, com variação cambial positiva, não pode haver tributação na forma do art. 9º da Lei 9.718/98. 2. A regra de imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal estimula a exportação e deve ser interpretada extensivamente. 3. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Fl. 754DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 4. Recurso especial desprovido. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp 1064722/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, em sessão de 16/04/2009, publ. in DJU de 06/05/2009) “RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃOINCIDÊNCIA. REGRAS DE ISENÇÃO E DE IMUNIDADE. 1. A isenção da contribuição ao PIS e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei nº 10.637/2002, também alcança a variação cambial positiva destes valores. 2. O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. 3. Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambias positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente. 4. Precedentes da Segunda Turma. 5. Recurso especial não provido. (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1059041/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,em sessão de 07/08/2008, publ. in DJU de 04/09/2008) “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. ISENÇÃO. 1. A isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes da exportação de mercadorias, estabelecida no art. 14 da Lei 10.637/2002, abrange a variação cambial positiva desses valores. Precedentes da Segunda Turma do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp 981.757/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, em sessão de 18/12/2008, publ. in DJU de 24/03/2009)” – destaquei. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 747 19 Desta feita, por uma razão ou outra, concluo pela impossibilidade de redução do crédito tributário pela inclusão das variações cambiais dos contratos de exportação na base de cálculo do PIS não cumulativo. (iii) Insumos Não Consumidos Diretamente no Processo Produtivo O último item glosado pela fiscalização referese aos insumos não consumidos diretamente no processo de industrialização da Recorrente. Nos termos do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 138): “50. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve estar em consonância com a definição esboçada pela legislação fiscal, ou seja, o serviço prestado deve necessariamente ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto. 51. Assim sendo, serviços administrativos, serviços de auditoria, serviços decorrentes de atividades meio estariam fora dessa definição, não configurando serviços sujeitos a apuração de créditos da contribuição.” A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.637/02 – PIS Não Cumulativo Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei4; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei5; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 4 Nova redação: "a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei;" dada pela Lei nº 11.727, de 2008 5 Nova redação: "b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei;" Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado6; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica7. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 6 Nova redação: "VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços." Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 7 Nova redação: "IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica." Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 748 21 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes8, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. 8 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita9 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem 9 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 749 23 ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco10: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." 10 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário11. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges12: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29013 e 29914 do RIR/99. 11 Lei nº 10.833/03, art. 3º, 12 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin 13 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 750 25 Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 14 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 26 efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 15 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita16, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins. como se depreende do Relatório do mencionado Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2552/2008 (fls. 127/142), constato que o objeto da empresa é, verbis: “As informações constantes dos sistemas da RFB, assim como aquelas colhidas em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a Cia Coreano Brasileira de Pelotização — Kobrasco, neste parecer designado apenas de Kobrasco, atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro, com sua planta industrial situada no complexo CVRD — Ponta de Tubarão, em Vitória/ES. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para Companhia Vale do Rio Doce CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo.” Já de acordo com os termos do Recurso Voluntário (fls. 245), o objeto social da empresa está consubstanciado: 15 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei 16 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 763DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 751 27 “A RECORRENTE é sociedade empresária cujo objeto societário é a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Nesse contexto, na consecução de seus fins societários, a RECORRENTE adquire minério de ferro bruto ('pellet feed') da COMPANHIA VALE DO RIO DOCE — CVRD e, em seu estabelecimento fabril (usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas destinadas a venda no mercado externo.” Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI17, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. De acordo com a premissa adotada, entendo que para gerar crédito de PIS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL e NECESSÁRIO para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao seu objeto social. Prestador de Serviço Serviço Prestado Novo Rumo Serviços Topográficos serviços topográficos Vega Engenharia Ambiental operação e manutenção do aterro industrial Minerconsult Engenharia serviços de estudos e desenvolvimento de engenharia Ecoambiental sensibilização e promoção da consciência ambiental AFECC serviços paramédicos ambulatoriais e atendimento às paradas das usinas Vitória RH Conservadora e Serviços serviços técnicos para execução e coordenação das atividades do arquivo técnico e operação Metacon Engenharia serviços técnicos de engenharia de projetos industriais 17 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 764DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 28 Ecosoft Consultoria manutenção e monitoramento da qualidade do ar Progen Projetos gerenciamento e engenharia projetos gerenciamento e engenharia Sindus Manutenção e Sistemas Industriais serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental Cepemar Serviços de Consultoria serviços de consultoria em meio ambiente EPC estudos e desenvolvimento de engenharia ECM estudos e desenvolvimento de engenharia Chole Monitoramento de Máquinas coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos Teodolito Topografia e Serviços Gerais serviços topográficos Agência Estado serviços de informação de dados Concremat Engenharia e Tecnologia serviços técnicos para execução e coordenação das atividades de engenharia Deloitte Touche Tomatsu serviços de auditoria Em vista do objeto social da Recorrente ser a produção de pelotas de minério de ferro, de todos os serviços que foram glosados como insumos, entendo que devem ser mantidas as glosas dos contratos referentes às empresas: RH Conservadora e Serviços, Agência Estado, Deloitte Touche Tomatsu, por entender que são serviços necessários à qualquer empresa, não especialmente àquelas que desenvolvem a atividade da Recorrente. Concedo os demais serviços glosados em virtude de entendêlos utilizados, imprescindíveis e relacionados ao objeto social da Recorrente. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, posto que presentes os pressupostos de admissibilidade, para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo o crédito dos insumos pleiteados (com exceção daqueles referentes aos contratos firmados com RH Conservadora e Serviços, Agência Estado, Deloitte Touche Tomatsu); bem como o crédito decorrente da exclusão da base de cálculo do valor relativos às variações cambiais. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado quanto às glosas dos créditos Fl. 765DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000312/200811 Acórdão n.º 3302001.692 S3C3T2 Fl. 752 29 Discordo do entendimento da Ilustre Relatora em relação ao conceito de insumos, para efeito do direito de crédito. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição, expressamente ditada pelo texto legal, é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Em segundo lugar, os insumos precisam ser utilizados na produção, vale dizer, devem fazer parte do processo produtivo. Nesse contexto é que devem ser examinados os itens seguintes tratados no presente recurso. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 30 Dessa forma, nem mesmo os serviços prestados pelas empresas RH Conservadora e Serviços, Agência Estado, Deloitte Touche Tomatsu caracterizamse como insumos, uma vez que não são aplicados na produção. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação a essa matéria e por acompanhar a Relatora em relação às demais. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 767DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 11/09/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10580.725823/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 23 /2 00 9- 68 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.385,79, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725823/200968 Acórdão n.º 2201001.779 S2C2T1 Fl. 3 3 como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido foram considerados os valores das diferenças salariais devidas (URV), incluindo atualização e os juros, mensalmente distribuídos no período de abril de 1994 a agosto de 2001. Foi observado, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725823/200968 Acórdão n.º 2201001.779 S2C2T1 Fl. 4 5 o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Ceres Miriam Moura de Oliveira apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Nulidade Decisão Recorrida Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 No que concerne à alegação de nulidade da decisão recorrida verifico, pois, que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o Acórdão da Delegacia de Julgamento, constatase que, ao contrário do afirmado pela defesa, a decisão singular apreciou, ainda que de forma sucinta, a matéria em litígio. No que toca a alegada legitimidade ativa, a decisão recorrida concluiu que é da competência exclusiva da União exigir o imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF). Sobre a suposta quebra na capacidade contributiva, entendeu o julgador a quo que a tributação independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente. Ressaltese que o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas na peça recursal, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Afastase, portanto, esta preliminar. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Quebra do Principio Constitucional da Capacidade Contributiva Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725823/200968 Acórdão n.º 2201001.779 S2C2T1 Fl. 5 7 Sobre a alegação de quebra do principio constitucional da capacidade contributiva, esclareço, pois que tal princípio é voltado ao legislador, para estabelecer as formas de tributação, como por exemplo, progressividade para os tributos diretos e/ou seletividade para os indiretos. Em verdade, diferentemente do que alega a defesa, a autoridade fiscal não deseja receber tributo superior ao efetivamente devido, mas, simplesmente, aplicar a lei. A bem da verdade, todos os dispositivos fiscais foram aplicados em estrita obediência às atividades específicas da administração tributária. Além do que, o contencioso administrativo não é o foro apropriado para o exame de questões relativas à constitucionalidade de leis. Somente quando há declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, é permitido às autoridades fiscais afastarem a aplicação desses dispositivos (arts. 97 e 102 III, da Constituição Federal, Decreto n°2346, de 10 de outubro de 1997 e Parecer PGFN/CRE nº 948, de 02/06/1998). Corroborando, o Jurista Hugo de Brito Machado, em ensaio sua obra "O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança", publicado no volume Processo Administrativo Fiscal coordenado por Valdir de Oliveira Rocha Dialética 1995 esclarece: Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazêlo. A decisão tornarseá assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição'. Não é outro o entendimento deste Órgão Administrativo, consoante a Súmula CARF Nº 2: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725823/200968 Acórdão n.º 2201001.779 S2C2T1 Fl. 6 9 É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 246DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725823/200968 Acórdão n.º 2201001.779 S2C2T1 Fl. 7 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.725823/200968 Recurso nº: 884.006 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.779. Brasília/DF, 15 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 247DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10183.002443/2010-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA. CABIMENTO
O retardamento na entrega da DCTF constitui infração formal.
Não sendo infração de natureza tributária a entrega serôdia de declaração, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não é abarcada pela denúncia espontânea; é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo.
INTIMAÇÃO FISCAL PARA ENTREGA DE DCTF
O contribuinte que, instado pelo fisco para proceder entrega da DCTF dentro de novo prazo dado e o faz nesse prazo, faz juz à redução de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da multa aplicada pelo auto de infração por descumprimento de obrigação acessória autônoma, em face da aplicação da inteligência do inciso II do § 2º do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002.
Numero da decisão: 1802-001.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA. CABIMENTO O retardamento na entrega da DCTF constitui infração formal. Não sendo infração de natureza tributária a entrega serôdia de declaração, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não é abarcada pela denúncia espontânea; é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. INTIMAÇÃO FISCAL PARA ENTREGA DE DCTF O contribuinte que, instado pelo fisco para proceder entrega da DCTF dentro de novo prazo dado e o faz nesse prazo, faz juz à redução de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da multa aplicada pelo auto de infração por descumprimento de obrigação acessória autônoma, em face da aplicação da inteligência do inciso II do § 2º do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA. CABIMENTO O retardamento na entrega da DCTF constitui infração formal. Não sendo infração de natureza tributária a entrega serôdia de declaração, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não é abarcada pela denúncia espontânea; é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. INTIMAÇÃO FISCAL PARA ENTREGA DE DCTF O contribuinte que, instado pelo fisco para proceder entrega da DCTF dentro de novo prazo dado e o faz nesse prazo, faz juz à redução de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da multa aplicada pelo auto de infração por descumprimento de obrigação acessória autônoma, em face da aplicação da inteligência do inciso II do § 2º do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 24 43 /2 01 0- 78 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 97 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 98 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.83/92 contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande (fls. 48/51) que julgou improcedente a impugnação ao auto de infração – multa por atraso na entrega da DCTF do mês de março/2006, mantendo a exigência do crédito tributário. Quanto aos fatos: consta do auto de infração (fl. 13), lavrado em 23/03/2010, que a contribuinte entregou a DCTF do mês de março/2006 com 6 (seis) meses, ou fração de mês, de atraso. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva: 08/05/2006; b) data de entrega: 16/10/2006 (fl. 14). montante dos tributos informados na DCTF: R$ 626.153,15; multa de 2% ao mês, ou fração de mês, por atraso, limitada a 20% sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 6 x 2% x R$ 626.153,15 = R$ 75.138,37; redução da multa em 25% (entrega dentro do prazo de intimação) = R$ 75.138,37 x 75% = R$ 56.353,77. Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por canto) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo da 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00, no caso de inatividade, e de RS 500,00, nos domais casos.A multa cabível foi reduzida em 25% (vinte e cinco por cento) em vitude de entrega da declaração dentro do prazo fixado em intimação, exceto caso no caso da multa aplicada ter sido a mínima. Fundamentação legal: Arts. 113, § 3º, e 160 da Lei nº 5.172 de 26/10/1966 (CTN); art. 11 do Decretolei nº 1.968, de 23/11/1982, com redação dada pelo art. 10 do Decreto nº 2.065, de 26/10/1383; art. 30 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995; art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 13 de 24/02/2000; art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 99 4 A contribuinte tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 01/04/2010 (fl. 15); apresentou impugnação em 03/05/2010 de fls. 01/07, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a impugnação seja conhecida, suspendendose, por conseguinte, a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN; que, apesar da DCTF relativa ao mês de março/2006 ter sido entregue somente em 16/10/2006 cujo prazo de vencimento era 08/05/2006, nenhum prejuízo foi ocasionado ao Fisco Federal; que, não obstante o descumprimento de prazo de obrigação acessória (art. 113, § 2º, do CTN), a sanção, no caso concreto, deve prestigiar o princípio da razoabilidade; que, repetindo, o mero descumprimento de obrigação acessória (entrega de DCTF com cinco meses e oito dias de atraso) não ocasionou prejuízos à arrecadação federal quanto aos tributos e contribuições do período de apuração março/2006; que, por conseguinte, revelase irrazoável a aplicação e exigência do valor da multa objeto dos autos, pugnando pela reforma da decisão recorrida e pela insubsistência do lançamento fiscal; que, na hipótese de entendimento pela aplicação da multa, há necessidade de sua redução; que a multa deve ser reduzida de R$ 56.353,77 para R$ 31.307,66; que, diversamente do apurado pelo fisco, foram cinco meses e oito dias de atraso, e não 6 meses; que, diversamente do calculado pelo fisco, faz jus à redução de 50% da multa e não somente 25%, pois a DCTF foi apresentada a destempo, mas de forma espontânea, antes do início de qualquer procedimento de ofício (Lei nº 10.426/2002, art. 7º, § 2º, I); que, corrigido o lançamento fiscal, impõese a intimação da contribuinte para recolher, no prazo de trinta dias, o crédito tributário retificado, ainda com o benefício da redução da multa em 50% (Lei nº 8.218/91, art. 6º, I, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941/2009). A DRJ/Campo Grande, por sua vez, apreciando o litígio, como mencionado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário objeto dos autos, conforme Acórdão de fls. 48/51, cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO. ENTREGA EM ATRASO. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa quando, estando obrigado à entrega declaração, o contribuinte o fizer com atraso. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 100 5 INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RES PONSABILIDADE. IRRELEVÂNCIA DOS EFEITOS E EXTENSÃO DOS ATOS. A responsabilidade por infrações à legislação tributária, salvo disposição legal em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. E vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 30/12/2011 – sextafeira (fl. 81), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/01/2012 de fls.83/92, reiterando as razões apresentadas na instância a quo. Por fim, ante as razões já resumidas anteriormente, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecida a insubsistência do lançamento fiscal; que, caso esse não seja o entendimento dos julgadores, o que se admite apenas a título de argumentação, pediu, então, a redução da multa aplicada. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 101 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da multa regulamentar aplicada, por intermédio do auto de infração, em face de descumprimento de obrigação acessória autônoma pela contribuinte, ou seja, entrega da DCTF do mês de março/2006, com cinco meses e oito dias de atraso. O prazo fatal para entrega tempestiva da DCTF do mês de março/2006 foi 08/05/2006; porém, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 16/11/2006. Nas razões do seu recurso, a recorrente, primeiramente, reconheceu que cumprira a obrigação acessória serodiamente; porém, objetou que esse fato não teria gerado prejuízo ao fisco, pois todos os tributos e contribuições desse período de apuração foram apurados e declarados; que, por conseguinte, a aplicação da penalidade e a exigência do respectivo valor não seria razoável; que a decisão recorrida deve ser reformada, para afastamento da exigência fiscal, pois a obrigação acessória foi cumprida de forma espontânea ainda que tardiamente (a destempo). Por fim, a recorrente, na eventualialidade de entendimento diverso (exigência da multa), pediu redução do seu valor. A argumentação da recorrente não merece prosperar. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação e da fiscalização, e o simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Descumprida a obrigação acessória, a responsabilidade pela infração à legislação administrativotributária, salvo disposição legal em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, é despiciendo perquirir se houve, ou não, prejuízo material pelo ato do descumprimento da obrigação acessória, pois a responsabilidade por infração administrativo tributária é objetiva. A obrigação acessória prevista na legislação de administração dos tributos (obrigação de entrega de DCTF), por não ter natureza de tributo (não está relacionada a fato gerador de tributo), é autônoma, sendo inaplicável, por conseguinte, o instituto da denúncia espontânea, no caso de seu cumprimento tardio e espontâneo. Nos tribunais pátrios, de jurisdição judicial, esse entendimento é prevalente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 102 7 Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ, José Delgado, no REsp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda, cujo entendimento é, igualmente, aplicável à entrega tardia da DCTF, pois são dois exemplos de descumprimento de obrigação acessória autônoma, in verbis: "A configuração da denúncia espontânea, como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." Esse entendimento jurisprudencial, também, é seguido no EAREsp n° 258141/PR, cujo acórdão tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. PRECEDENTES. 1. (omissis) 2. (otnissis) 3. (omissis) 4. A entidade 'denúncia espontánea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 103 8 6. (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." Por fim, nessa linha de entendimento, ainda por ser elucidativo, transcrevo a ementa do seguinte julgado do TRF/2ª Região: TRIBUTÁRIO. ENTREGA DCTF EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. LEGALIDADE. 1. Conforme iterativa jurisprudência do STJ, somente são albergadas pela denúncia espontânea as infrações de natureza tributária, quer sejam principais ou acessórias. 2. O retardamento na entrega do DCTF constitui mera infração formal. 3. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. 4. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação autônoma, não abarcada pela denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. 5. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do Fisco na medida em que criará dificuldades na fase de homologação do tributo. 6. Remessa e recursos conhecidos e providos. (AMS NUM: 97.02.329043 REG: 02 TURMA: 06 DEC: 1506 2004 REL: JUIZ POUL ERIK DYRLUND) Na esfera administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também, nesse diapasão, pronunciouse sobre o assunto e destaco, aqui, a ementa do Acórdão CSRF n° 020.829, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez: "DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.” Ademais, por ser essa matéria de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 104 9 Pelo exposto, demonstrada está a inaplicabilidade da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN para cumprimento tardio, a destempo, de obrigação acessória autônoma. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. REDUÇÃO DE 25% PARA APRESENTAÇÃO DA DCTF APÓS INTIMAÇÃO FISCAL E DENTRO DO NOVO PRAZO DEFINIDO NA INTIMAÇÃO FISCAL A recorrente questiona o cálculo ou a apuração da multa aplicada, alegando que o seu valor não seria R$ 56.353,77 e, sim, apenas R$ 31.307,66. Aqui, também, a recorrente não tem melhor sorte. O art. 7º da Lei nº 10.426/2002 dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III (...) IV (...) 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 105 10 IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...) No relatório, o cálculo da multa está devidamente transcrito e demonstrado, em face da transcrição, nessa parte, do auto de infração. Para o cálculo da multa pela entrega tardia da DCTF, a fiscalização utilizou, corretamente, o percentual de 12%, pois, conforme consta do dispositivo legal transcrito acima, a multa é de 2% para cada mêscalendário de atraso ou fração de mês. No caso, como a contribuinte entregou a DCTF com 5 (cinco) meses e 8 (oito) dias de atraso, o percentual da multa é, realmente, 12% (doze por cento). A recorrente, também, questionou que, quando da emissão do auto de infração, foi dada redução de multa de 25% (vinte e cinco por cento) e não 50% (cinquenta por cento) a que faria jus. Nesse ponto, também, o lançamento não merece reparo, pois, antes da lavratura do auto de infração, a fiscalização da RFB intimou, sim, a contribuinte para apresentar a DCTF do mês de março/2006, conforme cópia da tela de fl. 46, onde consta que a contribuinte tomou ciência da intimação fiscal em 13/10/2006, cujo prazo limite dado pela fiscalização para apresentação da DCTF de março/2006 foi o dia 01/11/2006. Em face dessa intimação fiscal (fl. 46), a contribuinte apresentou a DCTF de março/2006 em 16/10/2006 (fl. 14 ). Logo, foi aplicada corretamente a redução de 25% (vinte e cinco por cento) de que trata o art. 7º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.426/2002, pois a contribuinte, somente após ser instada pelo fisco, entregou a DCTF dentro do novo prazo dado. A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 01/04/2010 (fl. 15). O transcurso de todo esse tempo, entre a ciência da intimação fiscal para apresentação da DCTF (13/10/2006) e a lavratura do auto de infração (01/04/2010), é irrelevante, ou seja, não tem o condão de afastar a responsabilidade pela infração, pois, como visto, a entrega da DCTF não foi espontânea e o lançamento da multa ocorreu tempestivamente antes do prazo decadencial. Por isso, a aplicação de redução de 25% (vinte e cinco por cento) da multa está em consonância com o dispostivo legal transcrito acima. Por fim, a recorrente alegou, ainda, que faria jus a redução da multa de 50% (cinquenta por cento) de que trata a Lei nº 8.218/91, art. 6º, I, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941/2009). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10183.002443/201078 Acórdão n.º 1802001.248 S1TE02 Fl. 106 11 Ora, essa redução da multa só é aplicável para pagamento a vista do crédito tributário não impugnado objeto do auto de infração, quando efetuado no prazo de até 30 (trinta) dias da ciência do auto do auto de infração, conforme consta, inclusive, do corpo do auto de infração, no campo intimação, onde ainda estão citados os suscitados dispositivos legais (fl. 13). No caso, entretanto, a contribuinte preferiu discutir, impugnar, o lançamento fiscal, não efetuando o pagamento no prazo legal, perdendo o direito à redução. Logo, não faz jus a tal redução. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13675.000112/96-95
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 202-02039
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O 39 Recurso n.° 80.017 Recorrente IDEAL ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS S/C LTDA. Recorrid a DRF EM BAURU - SP CONSÓRCIOS - Operações realizadas som autorização do Ministerio da Fa zenda (Lei n9 5.768/71, art. 7 9 ). Aplicação da multa prevista no art. 12, II, "a", da mesma lei, que deve recair sobre os bens objeto da ope tração A penalidade prevista na alínea "b", seguinte, deve ser propos ta à autoridade competente. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatadds e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por IDEAL ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de outubro de 1988 ,...-ct, z? o(42- ytri--c.„ JOS ALVES DA FON5SEC - RESIDENTE(R tut O VALDO Ti, C' D DE IVEI - RE • IR OL atIO .VE RA )W$05 ANJOS- PROCURAEOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 15 DEZ 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA IIELENA JAIME, ELIO ROTHE, ERNESTO FREDERICO ROLLER (Suplente) , AL- DE DA COSTA SANTOS JÚNIOR, JOSÚ LOPES FERNANDES e SEBASTIAO BORGES TAQUARY. 4) ),> A19. 4P-999..9( .;:c11.-=-,t,of MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. • 10.825-001.246/87-38 Recurso n.°: 80.017 Acordar: n.°: 202-02.039 Recorrente: IDEAL ADMINISTRADORA DE CONSORCIO S/C LTDA. RELATÓRIO - Conforme Termo de Verificação de fls. 41, que ins- trui o Auto de Infração, em fiscalização especial realizada so- bre a atividade de consórcios para a aquisição de veículos, foi constatado que a empresa acima identificada não possuía autori- zação do Minist grio da Fazenda para a realização da referida o- peração de consórcios, não obstante a existência de grupos já formados e em plena atividade. Em consequência, foi instaurado o citado auto de infração (fls. 01), que descreve a falta em questão como sê- roi° operando sem'prévia autorizaççao", com infringência do art. 7 9 , inc. I, da Lei n 9 5.768, de 1971, regulamentada pelo Decreto n 9 70.951, de 1972. Que foram retidos os documentos relacionados no Termo de Retenção de fls. 02 e seguintes, com a relação dos con sorciados, bens e respectivos valores, bem como regulamentos do consórcio, cujos valores serviram de base para o cálculo da mui ta proposta, prevista no art. 68, II, 'a' do acima referido re- gulamento. A exigência é- tempestivamente impugnada, em longo arrazoado, que resumimos. Preliminarmente; com invocação de nulidade do auto e infração, sob a alegação de que o regulamento da Lei n9 y9‘768/71, aprovado pelo Decreto n 9 70.951/72, pelo art. 74, não -segue 0(ï SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.825-001.246/87-38 -02- AcOrdão n 9 202-02.039 dá competência ao fiscal para a lavratura da referida peça, mas apenas, para "proceder a fiscalização." "Fica patente que os Srs. Fiscais extrapolaram suas funções, procedendo a lavratura do auto em desconformidade com a atual legislação sobre consOrcio." Invoca dispositivo da IN-SRF n 9 48/81 sobre a fa- culdade que tem a autoridade concedente da autorização, no caso de empresas já em funcionamento, de fazer retroagir os seus efeitos, "nos casos em que essa providência seja de todo aconse lhável." - que entende militar em seu favor. Que o valor das multas exigidas também implica a nulidade do feito, pois, por força do art. 12 da Lei n° 5.678/ 71, em que se funda a exigência, o valor da multa é igual ao valor total dos bens direitos ou serviços, fato que torna 'tal imposição de caráter confiscatOrio da propriedade, o que a tor- na inconstitucional. Que por outro lado, tal multa incide sobre o valor dos bens; que, todavia a operação realizada pela Administradora - e a administração de poupança dos consorciados, mediante a remu notação contida na "taxa de administração." Assim, que a base de cálculo adotada pela fiscali- zação, sobre os bens, e não sobre os serviços, o que torna ile- gal o ato administrativo, além de, como dito, inconstitucional. No mérito, diz que a Impugnante encontra respaldo para exercer a sua atividade econOmica .na norma constitucional da "liberdade de iniciativa" (Art. 160,1), e no art. 153, que declara invioláveis os "direitos concernentes ã liberdade". -segue- c)\'\\ ite.irmj;ç,v4t, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ãk-Rw!› - Processo n 9 10.825-001.246/87-38 03- AcOrdão n 9 202-02.039 Que, mediante previa processo documental, apresentou à autoridade pública toda a documentação contendo os 'requisitos e exigências, bem como demonstrando, de maneira inequívoca, suas condições de capacidade para o exercício da atividade. Que, mesmo depois de haver demonstrado a sua capaci- dade para o empreendimento, e mesmo a despeito da insistente so- licitação, pela manifestação da autoridade pública, esta se faz omissa, quando deveria prestar-se aos seus fins, ou seja, prati- cando seus atos de administração, decidindo em face do ato con- creto. Que, dentro de "prazo razoável" não foi deferido nem examinando o seu podido de autorização. Logo, que inadimissi - vel, face â inação do poder público e em face dos princípios cons titucionais, que o poder público impeça ou obstaculize o inicio ou a manutenção de atividades licitas, se respeitadas as condi- ções de capacidade. Assim, demonstra-se que o auto de infração inconce bível, porque a realidade social se impõe de tal forma ao legis- lador, interprete e aplicador da lei, o que torna impossível ig- norar-se a demora e a burocracia dos serviços públicos. Por isso,que a IN-SRF 048/81, conforme trecho invoca do, mais realista e visa o interesse social e dela se extrai a ilação de ser cabível às Administradoras de ConsOrcio colocarem em pratica suas atividades antes mesmo de serem a tanto autoriza das, desde que aguardem prazo razoável para decisão administrati va (prazo esse já transcorrido). -segue- ,, .444?4, .c SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 44. Processo n9 10.825-001.246/87-38 -04- Acórdão n 9 202-02.039 Que se deve atentar, finalmente, para a circunstãn - cia de que a própria lei (Instrução Normativa) admite que as au- torizações tenham efeito retroativo, estã, ela própria, a admitir que se pode dar autorizações a Consórcios que estejam em ativi- dade, sem estar (ainda) para tanto autorizados. Que cabe esclarecer que os grupos formados estão sen do regularmente contabilizados, com os respectivos pagamentos dos impostos, tanto na esfera municipal, como na federal, bem como estão entregando normalmente os bens aos seus consorciados. Logo, não age a impugnante de má-fé. Informação dos autuantes, como invocação das disposi çOes legais que exigem a prévia autorização do Ministério da Fa- zenda para a realização das operações de que se trata, bem como daquele que preve a penalidade aplicável para o seu descumpri- mento, que são, respectivamente, os artigos 7 9 e 12, que são transcritos. Que a autuada, operava, na data da fiscalização, no ramo de administração de grupos de Consórcios, sem a previa auto rização do Ministério da Fazenda, conforme, alfas, confessa na sua impugnação. Que o fato de existir pedido de autorização protoco- lizado no órgão da Secretaria da Receita Federal, pendente de a- preciação, não autoriza a Administradora a iniciar as operações, como quer a impugnante. A decisão recorrida, em longa apreciação dos fatos e da impugnação, diz que a Impugnante, ao suscitar questões .de constitucionalidade, invocando suas condições de capacidade, de- monstra tão-somente Um excesso de precaução, ou uma defesa iria- -segue 1/ / )»13 -t-- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 4filtP 10.825-001.246/87-38 Processo n 9 -05- Acárdão n 9 202-02.039 portunamente preventiva, pois tais atributos,em momento algum_So ram desmerecidos ou atacados. O que se buscou foi aplicar corre- tamente a lei ordinária, na parte atinente às conseqüências,ap6s o descumprimento, pela empresa, desta mesma legislação. Considera, por outro lado, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária indepente da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo apenas excluída pela denúncia espontâ- nea da infração, se acompanhada do pagamento da multa devida, o que, "in casu", não ocorreu. Que a autuada estava praticando a atividade de que se trata sem a competente autorização sujeita, pois3s penali- dades propostas no auto de infração. Por essas principais razões, indefere a impugnação e mantem a exigência. Em recurso tempestilro a este Conselho, diz a recor- rente, em síntese, que, na espácie, as operações realizadas pela recorrente, a teor do seu objetivo social, consistem na adminis- tração de poupança dos consorciados, mediante a remúneração con- tida na "taxa de administração". Esse e °valor do serviço presta= do. Esse e valor da operação. Que, não obstante, a decisão recorrida, ao validar o auto, exige a referida multa do art. 12 obre o valor total dos veículos havidos pelos consorciados integrantes dos grupos forma dos, em flagrante violação à norma legal que invoca como funda- mento. Que os veículos adquiridos não são,nem nunca 'foram -segue / I -'''bto*'‘ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.825-001.246/87-38 -06- AcOrdão n9 202-02.039 de propriedade da recorrente. São adquiridos diretamente dos pro dutores/revendedores, pelos consorciados que não são partes nest se feito. Com esse fundamento, entende que a multa porventura cabível, não deveria ser calculada<sobre os atitomOveis, mas 'so- bre os serviços prestados. Que é inaplicável a referida multa, conforme 'doei- sOes judiciais que identifica. Que, também pelo mérito, a exigência não se susten- ta. Que o art. 7 9 da Lei n 9 5.768/71, quando condiciona essa atividade ã prévia autorização do Ministério da Fazenda é flagrantemente inconstitucional, assim como 5 o art. 9 9 do mesmo diploma, quando não se refere a condiçOes de capacidade financei ra, enveredando para a reguilamentação de limites e modalidades operacionais. - Que, na espécie, a recorrente demonstrou, pela jun- tada da documentação pertinente, preencher as condiçOes de capa- cidade necessárias e suficintês ao exercício da atividade em te- la. Que se é verdade que,em nosso sistema, é facultado ã lei deferir ao Executivo certa margem dentro da qual pode atu- ar discricionariamente, editando regras e atos concretos adequa- dos ã situação de fato que necessita ser enfrentada, não é menos verdade que é vedado a esse Poder inovar no campo jurédico,extra masando o contido na lei. 1 -segue- // 1A.; 4gr ws,"., SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 45 Processo n 9 l0.825001.246/87-38 -07- AcOrdão n? 202-02.039 - O regulamento e atos normativos subsequentes sobre a matéria não podem inovar na ordem jurídica estabelecendo condi - çOes e, em conseqUencia, fazendo exigências e impondo restriçêes que a lei não prevê. E que, ainda que a prOpria lei , outorgasse ao Executivo tais atribuiçOes, ela seria inconstitucional, por violação ao art. 6 7 da Constituição Federal. Por outro lado, E bem de ver que a recorrente aten - deu as condiçOes gerais a que alei se refere, para obter a auto rização, eis que submeteu ã autoridade administrativa toda a do- cumentação hábil a demonstrar sua capacidade para o exercício da atividade em tela. Nestas condiçaes, estava habilitada ao exercicio da mesma, sendo inconsistente a autuação contra ela lavrada. g o relatOrio. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO TANaUTO DE OLIVEIRA Inquestionavelmente, ã época em que se realizou a fiscalização, a ora Recorrente operava na administração de grupo de consOrcios, sem a prévia autorização do Ministério da Fazenda como ela prOpria reconhece, não obstante o extenso arrazoado com o que pretende justificar o fato. Também,como se sabe, a referida atividade exige ex - pressa autorização do Ministério da Fazenda, "ex-vi" do disposto no art. 7 7 da Lei n 7 3.768, de 20 de dezembro 'de 1971. E, por força do art. 12 do referido diploma legal,"a realização" de tais operaçaies, "sem prévia autorização" sujeita o infrator à multa conforme proposta no auto de infração e manti da pela decisão recorrida. -segue - 1/1701)) ‘))-)P ria5: Gl SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -08- Processo n 9 10.825-001.246/87-38 AcOrdão 11 9 202-02.039 Essa multa, ainda, conforme expresso no citado art.1Á II, "a", é igual "ao valor total dos bens, diretos ou serviçosq :. constituirem objeto da operação, não inferior a 500 vezes o maio sal grio mínimo vigente no Pais." E esses bens, para efeitos do cãlculo da multa, sã. precisamente aqueles arrolados no Termo de Reten gode fls., qu4 instrui o auto de infração, com os respectivos valores, que cons tituem o "objeto da operação", a despeito de querer a recorrent. que recaia a multa sobre o valor dos serviços que presta. Voto, pois, pelo não provimento do recurso, para man ter açdecisão4recorrida, inclusive quanto 'à providencia indicad. na sua parte final, no que diz respeito ã' aplicação da pena pro vista na alínea "b", inc. II do art. 12 da referida Lei fig 5.768/71, a qual deverá' ser proposta, como ali indicado. Sala das Sep7s, 1 de outubro de 1988 's/ O VALDO TANCREDO DE OLIVEI à 77 " í
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