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Numero do processo: 13227.902005/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 20 05 /2 01 1- 27 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.141. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721739/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA EM DINHEIRO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A VALIDADE DO CONTRATO.
Para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, assim como para a existência dos seus efeitos, é indiferente a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros.
Numero da decisão: 2401-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Recorrente HERMÍNIO BENTO VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA EM DINHEIRO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A VALIDADE DO CONTRATO. Para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, assim como para a existência dos seus efeitos, é indiferente a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 17 39 /2 01 3- 75 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 459 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1265.318, de 13/05/2014, cujo dispositivo tratou de considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 436/439): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUSPENSÃO. A suspensão do crédito tributário exigido somente ocorrem em face das hipóteses legais previstas nos incisos do art. 151 do CTN. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 360/383, que o processo administrativo, na origem, é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2008, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias e outros bens mediante contrato de permuta, com pagamento de parcela complementar, em dinheiro, comumente denominada de torna. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 384/390. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 460 3 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 22/10/2013, tendo o contribuinte impugnado, em 21/11/2013, a exigência fiscal (fls. 392 e 396/398). 4. Intimado em 26/05/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 440/441, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 24/06/2014, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 443/447): (i) a operação de alienação não se efetivou, eis que o précontrato firmado pelas partes em 30/09/2008 acabou não se concretizando, dada a existência de condição suspensiva (cláusula quarta); (ii) além disso, o negócio jurídico está sob discussão judicial, cuja finalidade é o reconhecimento da nulidade dos atos praticados; e (iii) uma vez declarado nulo a transação, dela não decorre efeito jurídico algum, inexistindo razão para a manutenção do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 461 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. De acordo com a documentação que instrui o processo administrativo, o autuado firmou, na condição de vendedor, contratos de permuta de participações societárias e outras avenças com determinadas pessoas físicas, pactuando a troca entre quotas de capital social e ações de titularidade do vendedor com outros bens e direitos pertencentes aos permutantes compradores: (i) permuta de participações societárias das empresas Irmãos Muffato & Cia Ltda, Cerro Verde Transportes e Logística S/A (fls. 31/43); e (ii) permuta de participações societárias das empresas Televisão Londrina Ltda, Rádio e Televisão Tarobá Ltda e Muffato Hotel Ltda (fls. 44/52). 6.1 Com a finalidade de compensar as diferenças entre as avaliações atribuídas pelas partes no que diz respeito aos bens e direitos abrangidos nas operações de permutas, foi estipulado um complemento financeiro mediante recebimento de torna avaliada em dinheiro, dividida em 24 (vinte e quatro) parcelas, tendo como beneficiário o vendedor (Cláusula Terceira, às fls. 38 e 47). 7. A apuração do ganho de capital pela fiscalização deuse proporcionalmente à primeira parcela em dinheiro, no montante de R$ 501.970,83, comprovadamente recebida pelo contribuinte através de depósito em conta bancária, visto que as 23 (vinte e três) parcelas seguintes foram depositadas em conta judicial (fls. 323). 8. Por sua vez, o recorrente sustenta, em síntese, que o negócio jurídico não produziu efeitos, além de estar "sub judice", com vistas à decretação da nulidade do pré contrato assinado entre as partes. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 462 5 9. Pois bem. Os argumentos de defesa são precários e insuficientes para invalidar o lançamento fiscal. O agente lançador detalhou no Termo de Verificação Fiscal, o que foi corroborado pelo votocondutor do acórdão recorrido, que os contratos firmados entre as partes envolvidas estão perfeitos e acabados, aptos a produzirem seus efeitos práticos. 9.1 Senão vejamos a redação dos instrumentos de vontade, especificamente as Cláusulas Quarta e Sexta (fls. 40/42 e 49/50): (...) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 463 6 10. Conforme previsto na Cláusula Quarta, foi estabelecida tão somente uma condição suspensiva perante terceiros, devida à necessidade de avaliação dos bens e direitos. Todavia, entre os signatários, segundo a Cláusula Sexta, o negócio jurídico foi considerado consumado e acabado, provocando desde a sua assinatura o cumprimento das obrigações assumidas no instrumento de pactuação, descabendo a qualificação de um negócio jurídico condicional para efeitos tributários. 11. Tanto é assim, que referente à torna, fracionada em vinte e quatro vezes, em cada contrato, procedeuse ao pagamento pelos compradores da primeira parcela diretamente ao contribuinte, por meio de crédito em conta mantida em instituição financeira, no valor total de R$ 501.970,83. 12. Com o recebimento deste valor em dinheiro, é inegável a existência de aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda, representando, em consequência, acréscimo patrimonial para o contribuinte, sujeito à incidência do imposto de renda sobre o resultado positivo do ganho de capital. 13. No que tange à ocorrência do fato gerador e produção de seus efeitos com relação à primeira parcela da torna em dinheiro, uma vez que perfeito e acabado o negócio jurídico, não tem relevância no campo tributário a falta de transferência de domínio dos bens móveis e imóveis que compõem a operação, devido ao curso da ação judicial que se discute a validade do contrato entre as partes, nem ganha significância o depósito judicial das demais parcelas a título de compensação em dinheiro da permuta, esperando o resultado do litígio instaurado. 13.1 O efetivo cumprimento de todas cláusulas pactuadas é uma questão alheia ao fato gerador da obrigação tributária. 14. Do mesmo modo, uma eventual declaração de invalidade do negócio jurídico pelo Poder Judiciário, nos termos das leis que regem o direito privado, nenhuma implicação terá sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nesse sentido, o que dispõe o art. 118 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 15. Destarte, tendo em conta as razões deduzidas no apelo recursal, não merece reforma a decisão de piso que manteve intacto o lançamento de ofício. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 464 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001330/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/12/2010
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE.
Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços.
Numero da decisão: 2201-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 30 /2 01 0- 11 Fl. 124DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por parte do sujeito passivo, de informar em sua folha de pagamento o total da remuneração paga aos seus segurados. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.317.8891, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.863,58 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 03. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 46). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1258.486 (fls. 87), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/12/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 88): 'Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.317.8891) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter deixado de elaborar folha de pagamento com a totalidade dos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, I, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 2.863,58, prevista nos art. 92 e 102, da Lei 8.212/91 e artigo 283, I, alínea “a” e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/10, tendo sido configurada circunstância agravante do artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 125 3 3. Nos relatórios fiscais de fls. 27/42 a fiscalização informou que: 3.1. Apurou na contabilidade da empresa pagamentos a título de PLR e AuxílioAlimentação os quais não foram incluídos nas folhas de pagamento de 01 a 12/2007; 3.2. Constatou a existência de lavratura de dois autos de infração, sob fundamento legal distinto do presente, cuja data de pagamento ocorreu há menos de cinco anos da infração ora cometida, o que configurou a reincidência genérica, elevando a penalidade aplicada em duas vezes. 4. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 46/49, aduzindo que: 4.1. A independência entre as obrigações acessória e principal não é absoluta, como neste caso em que as verbas não constituem base de cálculo para a contribuição previdenciária, de maneira que não há qualquer interesse para o fisco em seu cumprimento, nem respaldo normativo para tal exigência. 5. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de agosto de 2014, por meio de acesso ao seu domicílio tributário eletrônico, consoante se observa pelo despacho de folhas 115, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 118) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES Segundo o apelo, não houve descumprimento da obrigação de informação em folha de pagamento de remuneração de empregados, posto que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação e PLR. Vejamos seus argumentos (fls. 122) "Asseverese, inclusive, que especificamente no caso dos pagamentos de alimentação e ticket alimentação, no julgamento dos PTA's atrelados ao presente feito, a 12ª Turma da Delegacia Fl. 126DF CARF MF 4 da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, expressamente se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos e, por consequência lógica, a inexistência da obrigação acessória de discriminar esse pagamentos nas folhas de salário. Outrossim, nesses mesmos PTA's permanece a discussão acerca da incidência das contribuições também sobre o PLR, não tendo havido ainda decisão definitiva sobre o tema. (...) Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. A principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 126 5 Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do Fl. 128DF CARF MF 6 empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 127 7 Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista Fl. 130DF CARF MF 8 pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 128 9 paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. Fl. 132DF CARF MF 10 (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 36): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 129 11 superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. No que tange as alegações sobre a alimentação, mister recordar as considerações constantes da decisão de piso (fls. 89): 9. Além disso, ao enfrentar o mérito da obrigação principal afastouse a incidência de contribuição dos valores relativos à alimentação, mas não dos referentes à PLR, de modo que a ausência destes últimos na folha de pagamentos, seguindo a tese da Impugnante, já justificaria a aplicação da penalidade." (grifei) Acertada a decisão de primeira instância. Embora reconhecida a improcedência do lançamento quanto aos valores pagos a título de alimentação ou auxílio alimentação, deve manter a autuação em razão da ausência da discriminação na folha de pagamento do sujeito passivo, da remuneração relativa ao PLR. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 134DF CARF MF 12 Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901829/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 29 /2 01 3- 15 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.174. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.901829/201315 Acórdão n.º 3302005.014 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.008640/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel.
Numero da decisão: 2401-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 86 40 /2 00 4- 73 Fl. 351DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11080.008640/200473 Acórdão n.º 2401005.229 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 6/12, acompanhado do demonstrativo de fl. 5 e do Relatório Fiscal de fls. 13/15, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos anoscalendário 1999 e 2000, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 27.064,43, composto da seguinte forma: R$ 10.702,94 relativo ao Imposto; R$ 8.334,29 de Juros de mora (calculados até 29/10/2004); e R$ 8.027,20 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 7), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujos fatos geradores ocorreram em 30/11/1999 e 30/04/2000. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 11/15), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “[...] O Senhor Joel Lopes de Oliveira não relacionou nas suas declarações de bens apresentadas à Receita Federal, as salas comerciais n.º 208 e 208 do edifício localizado na av. Carlos Gomes, 815, em Porto Alegre, bem como, não relacionou a casa da rua Silva Jardim, 1602, em Torres/RS (folhas 53 a 55). Na DIRPF/2000, o Sr. Joel informa a venda da casa da rua Irmão Weibert, 225, por R$ 110.000,00, com custo de R$ 100.000,00, apurando ganho de capital de R$ 10.000,00, com imposto de renda de R$ 1.500,00, o qual foi recolhido aos cofres públicos, com os acréscimos legais, em 26/04/2000. Assim sendo, esta fiscalização intimou o interessado a apresentar cópia do(s) contrato(s) particular(es) de compra e venda de imóveis e/ou arras, contrato de promessa de compra e venda, escritura pública de compra e venda, relativo(s) a transações com imóveis, a partir de 01/01/1999, até a presente data (folha 17). Também foi intimado a comprovar o custo dos imóveis alienados. Em resposta, no dia 28 de outubro de 2004, este Serviço de Fiscalização recebeu uma correspondência, com os seguintes documentos: 1) A escritura pública de compra e venda, lavrada no 5º Tabelionato de Porto Alegre, em 04/12/1996 (folhas 20 a 22), onde o senhor Joel Lopes de Oliveira comprou o prédio de alvenaria n.º 225 da rua Irmão Weibert, em Porto Alegre, pelo preço certo e ajustado de R$ 53.000,00, tendo pago R$ 1.590,00, como imposto de transmissão inter vivos, em Fl. 353DF CARF MF 4 03/12/1996, mais R$ 249,00, também pelo mesmo imposto, nesta mesma data, valores que fazem parte do seu custo de aquisição, conforme determina a legislação. Não juntou nenhum outro comprovante de custo. 2) O Contrato particular de compra e venda, mútuo com obrigações, hipoteca de primeiro grau e outras avenças do HSBC, datado de 23/11/1999 (folhas 29 a 41), onde o Sr. Joel vende para Artemin Karam Neto e sua esposa Lucia Margarete Niary Karam, o prédio de alvenaria nº 225 da rua Irmão Weibert, por R$ 80.000,00. Na DIRPF/2000 o contribuinte apurou o ganho de capital na venda deste imóvel, considerando um custo de aquisição de R$ 100.000,00, que não foi comprovado. Em 26/04/2000 recolheu R$ 1.500,00 de imposto sobre o ganho de capital nesta transação com acréscimos legais (folha 65). Sendo assim, há um ganho de capital apurado na sua alienação de R$ 25.161,00, com R$ 1.500,00 de imposto recolhido a compensar. 3) O contrato de compromisso de compra e venda de imóvel, datado de 02/08/1999 (folhas 44/45), onde o Sr. Joel compra de Vanderlei da Silva Felix e sua esposa Loiva Otero Felix, o imóvel situado na av. Silva Jardim, nº 1602, na cidade de Torres, por R$ 98.808,00. 4) O contrato particular de promessa de compra e venda, datado de 20/04/2000, onde Jahir Boeira de Almeida Junior e a sua esposa Giovana Farenzena, vendem para Joel Lopes de Oliveira, os conjuntos 207, 208 e o Box 20, bloco B do Edifício Comercial sito à avenida Carlos Gomes, 815 e 817, por R$ 235.000,00, dando em parte do pagamento, pelo valor de R$ 155.000,00, o prédio de alvenaria, localizado na avenida Silva Jardim, 1602, no município de Torres (folhas 46 a 48). Sendo assim, há um ganho de capital apurado na sua alienação de R$ 56.192,00. Tendo em vista a apuração dos ganhos de capital e a falta do recolhimento do imposto incidente (folha 65), foi efetuado o lançamento dos mesmos por auto de infração, inteiramente na pessoa do senhor Joel Lopes de Oliveira. Também foram lançados os acréscimos moratórios e a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96.” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 74/86), alegando, resumidamente, o que segue: (i) Preliminarmente, sustenta a decadência em relação ao ganho de capital referente ao imóvel da rua Irmão Weibert, nº 225; (ii) No mérito, alega que as Declarações de Imposto de Renda foram prestadas corretamente, bem como o autuado não infringiu qualquer dispositivo legal e sequer deixou de recolher o imposto devido, razão pela qual não lhe pode exigido o montante lançado no auto de infração; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11080.008640/200473 Acórdão n.º 2401005.229 S2C4T1 Fl. 4 5 (iii) Inaplicabilidade da multa de ofício de 75%, ou, alternativamente, a redução para 20%; (iv) Inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1018.465 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 321/323, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO Podem ser acrescidos do custo de aquisição os gastos com obras e reformas comprovados com documentação hábil; valor que pode ser acrescido ao custo de aquisição pelas disposições legais, e informado na DIRPF, pode integrar o custo de aquisição se não for contestado no período de 5 anos. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança do jutos de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 04/06/2009, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 327. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 332/337), reprisando os mesmos argumentos lançados em sua peça de impugnação no que se refere a ausência de ganho de capital na alienação do imóvel situado na AV. Silva Jardim, nº 1602, na cidade de Torres. Defende que foram realizadas obras no referido imóvel que se incorporam ao custo de aquisição. Assim, requer o provimento do presente recurso para julgar improcedente o lançamento mantido. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 04/06/2009 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 327, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 06/07/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital na alienação de bens e direitos. Inferese dos autos, que a Turma julgadora em primeira instância administrativa deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, considerando comprovadas as benfeitorias realizadas no imóvel situado na Rua Irmão Weibert, 225, Porto Alegre, objeto de apuração de ganho de capital. De outra banda, quanto ao imóvel localizado na Rua Silva Jardim, 1602, Torres, verificase que a egrégia turma a quo entendeu devidamente comprovados apenas os gatos no valor de R$ 14.037,79, apurandose uma redução de R$ 2.105,66 (dois mil cento e cinco reais e sessenta e seis centavos) no imposto apurado em abril de 2000, com redução proporcional da multa de ofício e acréscimos legais. Quanto à parte mantida (imóvel situado na Rua Silva Jardim, 1602, Torres), sobre qual o Recorrente se insurge, passaremos a tratar conforme abaixo. Da análise do recurso, verificase que o Recorrente defende que foram realizadas obras necessárias no referido imóvel, que totalizam R$ 42.000,00 (quarenta e dois mil reais), as quais, segundo alega, incorporamse ao custo de aquisição. Narra que além das despesas já consideradas pelo acórdão guerreado, deve ser acrescida a taxa de R$ 15% da prestação de serviço do engenheiro responsável pela obra, no valor de R$ 6.300,00 (seis mil e trezentos reais), a comissão de 6% da imobiliária sobre a alienação do imóvel, resultante em R$ 9.300,00 (nove mil e trezentos reais), além dos débitos de IPTU no valor de R$ 2.656,58 (dois mil seiscentos e cinquenta e seis reais e cinquenta e oito centavos). Assim, entende que o custo de aquisição do imóvel em questão foi o montante de R$ 159.064,58 (cento e cinquenta e nove mil, sessenta e quatro reais e cinquenta e oito centavos), e, portanto, não houve ganho de capital a justificar o lançamento recorrido. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11080.008640/200473 Acórdão n.º 2401005.229 S2C4T1 Fl. 5 7 Em que pese o esforço do Recorrente, entendo que a decisão não merece qualquer censura nesse sentido. Diz o artigo 17, inciso I, alínea “e”, da Instrução Normativa SRF nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; Compulsando os autos, não há a efetiva comprovação dos valores gastos com o pagamento da taxa de R$ 15% da prestação de serviço do engenheiro responsável pela obra, da comissão de 6% da imobiliária sobre a alienação do imóvel, tampouco dos débitos de IPTU conforme sustenta o Recorrente. Anotese, por oportuno, que as benfeitorias acrescentadas ao custo de aquisição devem ser comprovadas mediante a apresentação de documentos hábeis, o que não se verifica na espécie. Assim, devido a falta da efetiva comprovação do valor pago (não foram apresentadas Notas Fiscais, Guias, Comprovante de Transferência), não há como acolher o pedido. Nesse sentido, não há que se cogitar reparo na decisão recorrida. Fl. 357DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722007/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 07 /2 00 8- 11 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.722007/200811 Acórdão n.º 9202006.372 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.722070/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado.
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considerase não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 70 /2 01 4- 15 Fl. 1140DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A contribuinte obteve sentença judicial declarando a sua imunidade tributária. Como o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevê que as pessoas jurídicas imunes continuam a apurar e recolher a contribuição pelo regime cumulativo, mas a requerente havia recolhido a contribuição de acordo com o regime não cumulativo, ela retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), adequando os débitos a esse regime e compensou a diferença recolhida a maior por meio das DComp ora analisadas. A DRF/CampinasSP, por meio do despacho decisório de fls. 421/423, considerou as compensações não declaradas porquanto entendeu que se tratava de crédito discutido judicialmente e a legislação de regência prevê que a compensação somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da ação, caso contrário será considerada não declarada. Não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade nos casos de despacho decisório que considera a compensação não declarada, tampouco para suspensão dos débitos objeto da compensação. No entanto, a contribuinte obteve judicialmente, conforme fls. 717/718, a suspensão da exigibilidade dos débito objeto da compensação, bem assim o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho decisório prolatado. Em sua manifestação de inconformidade, de fls. 432/440, a contribuinte alega, em resumo, que obteve na Justiça, em antecipação de tutela, o reconhecimento sua imunidade Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.141 3 tributária recíproca, cuja apelação da União encontrase pendente de julgamento. Argumenta que o art. 8º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, bem assim o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem que as pessoas jurídicas imunes estão excepcionadas da apuração não cumulativa das contribuições sociais, assim foi obrigada a apurálas pelo regime cumulativo. No entanto, mesmo devendo apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo a partir de 25/02/2009, continuou a recolhêlos com base na sistemática não cumulativa até março de 2010. Desta forma, identificado o erro, a recorrente refez os cálculos desse período e “se utilizou das vias legais paras as respectivas compensações”. Alega que a compensação promovida foi por reflexo da declaração da imunidade tributária, não podendo se aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), pois não discute ou contesta a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp analisadas. E prossegue: De clareza ímpar o dispositivo que impede o aproveitamento de tributos que sejam alvos de discussão judicial por parte do contribuinte, ou seja, desde que o contribuinte questione a validade, existência, formação ou regularidade de algum tributo (no sentido estrito do termo, conforme definição já reconhecida), o mesmo não poderá ser alvo de aproveitamento/quitação através da sobreposição de créditos existentes a favor do contribuinte (indébito tributário), antes da definição de sua existência válida e o quantum devido, através do trânsito em julgado da respectiva sentença. Argumenta que “tributo” é sempre o valor devido pelo sujeito passivo ao Fisco e “crédito do sujeito passivo”, o valor devido por aquele a este, oriundo de recolhimentos indevidos. O indébito tributário, portanto, não é tributo nem receita do Estado, sendo mero ingresso de caixa, não sendo alcançado pela norma em comento. O termo tributo mantém maior rigidez nos arts. 170 a 174 do CTN, referindose sempre ao crédito do sujeito ativo. O crédito do sujeito passivo é sempre chamado de “crédito do sujeito passivo” para não ocorrer confusão. E conclui: Havendo, nesta seção, esta clara utilização do termo em sua concepção estrita, de uma análise sistemática, de enquadramento dos termos dentro do sistema normativo, verificamos que neste tópico, dos artigos 170 a 174, o termo Tributo não pode de modo algum ser confundido com os Créditos do Sujeito Passivo. O Artigo 170A encontrase inserido justamente neste ponto, necessitando respeitar esta regra implícita. Fl. 1142DF CARF MF 4 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 968/972), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantido íntegro o questionado despacho decisório, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 CRÉDITO JUDICIAL. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação cujo crédito provém de decisão judicial não transitada em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. EXCEÇÃO. Não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que considerou a compensação não declarada, salvo em caso de determinação judicial em sentido contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 12/1/2015, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fls. 975/978). Inconformada, em 10/2/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 999/1008, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. Em 24/11/2017, a recorrente protocolou a petição de fls. 1019/1020, em que comunicou a apresentação dos documentos de fls. 1060/1139 e requereu a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que já se encontravam suspenso por determinação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, não trata de matéria da competência deste Colegiado, por falta de previsão legal, porém, dele tomase conhecimento, em cumprimento da determinação judicial exarada no Mandado de Segurança nº 0007477 82.2014.4.03.6105, impetrado pela recorrente perante 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP, que determinou aplicação do rito processual/recursal do Decreto 70.235/1972. Conforme bem delineado no relatório precedente, a controvérsia cingese ao direito ou não de a recorrente proceder a compensação do suposto indébito tributário decorrente da mudança do regime não cumulativo para regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, amparada por decisão judicial não transitada em julgada. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.142 5 Para melhor compreensão do objeto lide, veja a seguir o resumo dos principais fatos que motivaram a recorrente a realizar o procedimento compensatório em apreço: Em 14 de novembro de 2008 o contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2008.61.05.0118663 (PAJ 12971.000226/200959), junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI "a" da Constituição Federal. Em 03 de dezembro de 2008 foi indeferida a antecipação de tutela. Em 25 de fevereiro de 2009 o TRF3 deferiu parcialmente a antecipação de tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010 o Juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal. Em 26 de abril de 2010 julgou procedente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para manter a antecipação da tutela deferida pelo TRF3. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo e até a presente data encontrase no Tribunal Regional Federal da 3 a Região aguardando julgamento, conforme pesquisa no site do Tribunal. No entanto, ainda sem o trânsito em julgado da ação, o contribuinte retificou suas obrigações acessórias (conforme extratos da DCTF em anexo, em que alterou a apuração da COFINS da nãocumulatividade para a cumulatividade) e requereu administrativamente a repetição do indébito na forma de declarações de compensação. Por sua vez, considerando que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos que estão com a exigibilidade suspensa, em face da sentença não definitiva, foi efetuado o lançamento dos créditos tributários devidos, os quais são controlados pelo processo administrativo 10830.723884/201205 (lançamentos relativos a COFINS e PIS), dentre outros. De acordo com o despacho decisório em apreço, a autoridade da unidade de origem da Receita Federal do Brasil considerou não declarada as referidas compensações, com base no art. 170A1 do CTN, que veda a compensação de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e tendo em conta o disposto no art. 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 1144DF CARF MF 6 742, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996, que atribui a condição de não declarada a compensação de crédito objeto de decisão judicial sem trânsito em julgado. Por sua vez, no presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a compensação por ela promovida fora reflexo da declaração da imunidade tributária prolatada no âmbito da Ação Ordinária n° 2008.61.05.0118663, logo, não poderia ser aplicada ao presente caso a vedação determinada no art. 170A do CTN, pois, na referida ação não estava em discussão a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp colacionadas aos autos. Acontece que, diferentemente do que alegou a recorrente, a leitura da petição inicial (fls. 172/196) revela que, por meio da referida ação, expressamente ela pleiteou que a União fosse condenada “a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizadas, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária [...]”. Dessa forma, o teor da citada peça processual confirma que a referida ação foi proposta com o objetivo não só de não recolher os impostos e contribuições federais, bem como obter o direito de ser restituída dos valores dos impostos e contribuições indevidos recolhidos. E o fato de a sentença judicial prolatada no âmbito da referida ação (fls. 260/262) ter assegurado o direito de a recorrente ser restituída das quantias pagas indevidamente e de não pagar as quantias futuras em relação apenas aos impostos federais, em razão da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), não tem o condão de afastar a discussão judicial em torno do pedido de restituição e não pagamento das contribuições sociais. Até a decisão final, com trânsito em julgado, tal matéria ainda se encontra sob crivo do Poder Judiciário, portanto, ainda pendente de julgamento na esfera judicial. No caso, embora o pedido de não pagamento e restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não tenha sido acatado na referida decisão judicial, com base no entendimento de que as pessoas jurídicas imunes estavam sujeitas ao regime cumulativo de apuração das citadas contribuições, a recorrente apresentou várias Declarações de Compensação (DComp), incluindo as encartadas nos presentes autos, em que utilizou como crédito a diferença a maior entre o valor apurado e recolhido pelo regime não cumulativo e o valor supostamente devido pelo regime cumulativo. Dessa forma, resta demonstrado que o indébito tributário objeto do procedimento compensatório em apreço, inequivocamente, encontravase, na data da apresentação das DComp, e ainda se encontra em discussão na esfera judicial, segundo noticiam os autos. E somente após o trânsito em julgado da derradeira decisão judicial é que se 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou [...] Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.143 7 terá o desfecho definitivo para os pleitos de restituição formulados no âmbito do citado processo judicial. Dada essa circunstância, ao considerar não declarada as compensações em tela, o titular da unidade de origem da RFB decidiu em perfeita consonância com o disposto no art. 170A do CTN e em cumprimento ao que determina o art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Além disso, ainda que a recorrente não tivesse postulado em Juízo a restituição das referidas contribuições, o que se admite apenas por hipótese, indiretamente, a apuração do suposto indébito decorrente da mudança do regime apuração não cumulativo para regime cumulativo somente poderia ser feita após o do trânsito em julgado da decisão judicial final a ser prolatada no âmbito da citada ação ordinária. Dada essa condição, resta evidenciado que somente após proferida a decisão judicial final com trânsito em julgado, o eventual crédito apurado com base na adoção do novo regime apuração das contribuições ostentará os atributos da certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. E sem tais atributos, certamente, o suposto crédito não é passível de restituição e, por conseguinte, de compensação, consoante dispõe o caput do art. 74 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) grifos não originais Por todas essas razões, não merece reparo à decisão proferida no questionado despacho decisório, que considerou as compensações em apreço não declaradas, com respaldo no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901238/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DCOMP. LIVRO APÓS. LASTRO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS CREDORES APURADOS EM TRIMESTRES ANTERIORES AO DO PEDIDO.
Comprovado na escrituração do contribuinte a existência de lastro creditório suficiente para abatimento de débitos escriturais de IPI apurados em períodos subsequentes ao do pedido, e permanecendo intacto o saldo credor do trimestre solicitado, o direito creditório deve ser reconhecido em sua totalidade.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que negou provimento.
Assinatura Digital
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente Substituto.
Assinatura Digital
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCOMP. LIVRO APÓS. LASTRO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS CREDORES APURADOS EM TRIMESTRES ANTERIORES AO DO PEDIDO. Comprovado na escrituração do contribuinte a existência de lastro creditório suficiente para abatimento de débitos escriturais de IPI apurados em períodos subsequentes ao do pedido, e permanecendo intacto o saldo credor do trimestre solicitado, o direito creditório deve ser reconhecido em sua totalidade. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que negou provimento. Assinatura Digital WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente Substituto. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
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LIVRO APÓS. LASTRO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS CREDORES APURADOS EM TRIMESTRES ANTERIORES AO DO PEDIDO. Comprovado na escrituração do contribuinte a existência de lastro creditório suficiente para abatimento de débitos escriturais de IPI apurados em períodos subsequentes ao do pedido, e permanecendo intacto o saldo credor do trimestre solicitado, o direito creditório deve ser reconhecido em sua totalidade. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que negou provimento. Assinatura Digital WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente Substituto. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 12 38 /2 01 1- 59 Fl. 562DF CARF MF 2 Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Em análise no presente processo o litígio decorrente do despacho decisório de fl. 510, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Ponta GrossaPR por meio do sistema SCC1 da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da análise das declarações de compensação (DCOMPs) em que a contribuinte interessada pretendeu utilizar o valor de R$1.036.113,58 do saldo credor do IPI apurado no ao final do 2º trimestre/2006 com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, informado na DCOMP retificadora nº 38855.62552.290410.1.7.016019 e no PER residual retificador nº 08995.15594.100510.1.5.016222, para compensação de débitos próprios. A análise do direito creditório – e das respectivas compensações nele lastreadas – encontrase assim consignado no despacho decisório eletrônico nº 930844005: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima Identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$1.036.113,58 Valor do crédito reconhecido: R$480.331,93 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subseqüentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 05269.05125.180807.1.3.012331 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 1 SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensação que analisa o direito creditório pleiteado em ressarcimento (PER) ou como lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, operacionalizando tais compensações. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 563 3 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 08995.15594.100510.1.5.016222 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2011. Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto de análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu ‘Onde Encontro’, opção ‘PERDCOMP’, item ‘PER/DCOMPDespacho Decisório’. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008." Os detalhamentos do despacho decisório concernentes ao direito creditório reconhecido em parte e às compensações parcialmente homologadas encontramse nos demonstrativos de fls. 511/527. Cientificada do despacho decisório pela via postal em 18/05/2011 (fl. 528), a interessada manifestou em 16/06/2011 a sua inconformidade de fls. 02/05, assim transcrita: Fl. 564DF CARF MF 4 Ato contínuo, a DRJJUIZ DE FORA (MG) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCOMP. LIVRO APÓS. CONSUMO PARCIAL DO LASTRO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. O consumo/utilização de parte saldo credor do IPI passível de ressarcimento apurado ao final de trimestre calendário no abatimento de débitos escriturais de períodos de apuração pertencentes a trimestres subsequentes implica o deferimento parcial do ressarcimento que lastreia as compensações declaradas e, consequentemente, a homologação também parcial destas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 564 5 Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa argumenta que nos cálculos para apuração do direito creditório constante no acórdão da DRJ teria ocorrido um equivoco pois foi utilizado um saldo credor inicial menor que o realmente existente, o que levou a uma redução do seu direito creditório reconhecido. Para tanto, apresentou planilha com os cálculos que julga corretos. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Depreendese que o ponto central da lide trata da discordância quanto ao valor do saldo credor apurado no 2º trimestre de 2006 utilizado pela DRJ para abater os débitos de IPI apurado em períodos posteriores até o período antecedente a entrega da Perdcomp (março/2007), como forma de se chegar ao montante a ser efetivamente ressarcido. Em suma, a DRJ entendeu que os referidos débitos deveriam ser abatidos do saldo credor de IPI ressarcível, enquanto o Contribuinte, em posição discordante, entende que os referidos débitos deveriam ser abatidos do montante total do saldo credor de IPI (saldo credor de IPI ressarcível + saldo credor de IPI não ressarcível). Para melhor compreensão dos fatos, transcrevese a seguir a planilha "A" de apuração do Saldo Credor de IPI do 2º trimestre/2006: Planilha "A": Saldo Credor de Período Anterior Saldo Credor Período de Apuração Não Ressarcível Ressarcí vel Total Créditos Não Ressarcí veis Ajustados Créditos Ressarcí veis Ajustados Débitos Ajustados Não Ressarcí vel Ressarcível Total Saldo Devedor PER/DCOMP (a) (b) (c) (d) = (b) +(c) (e) (f) (g) (h) (i) (j) = (h) + (i) (l) (m) 1ª qui, jul/2004 666.036,64 0,00 666.036,64 0,00 7.380,01 5.058,96 660.977,68 7.380,01 668.357,69 0,00 2ª qui, jul/2004 660.977,68 7.380,01 668.357,69 0,00 11.448,81 4.190,84 656.786,84 18.828,82 675.615,66 0,00 1ª qui, ago/2004 656.786,84 18.828,82 675.615,66 19,83 9.140,89 8.591,82 648.214,85 27.969,71 676.184,56 0,00 2ª qui, ago/2004 648.214,85 27.969,71 676.184,56 0,00 14.233,59 5.689,93 642.524,92 42.203,30 684.728,22 0,00 1ª qui, set/2004 642.524,92 42.203,30 684.728,22 0,00 7.917,03 1.877,20 640.647,72 50.120,33 690.768,05 0,00 2ª qui, set/2004 640.647,72 50.120,33 690.768,05 0,00 333.180,38 6.097,20 634.550,52 383.300,71 1.017.851,23 0,00 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 367.109,05 01476.48842.291004.1.3.014827 Fl. 566DF CARF MF 6 Saldo Credor de Período Anterior Saldo Credor SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 650.742,18 1ª qui, out/2004 650.742,18 0,00 650.742,18 0,00 0,00 0,00 650.742,18 0,00 650.742,18 0,00 01476.48842.291004.1.3.014827 2ª qui, out/2004 650.742,18 0,00 650.742,18 14,30 0,00 11.179,56 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 32755.84560.121104.1.3.016740 1ª qui, nov/2004 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 0,00 0,00 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 31831.98066.151204.1.3.013785 2ª qui, nov/2004 639.576,92 0,00 639.576,92 137,20 0,00 7.277,17 632.436,95 0,00 632.436,95 0,00 31831.98066.151204.1.3.013785 dez2004 632.436,95 0,00 632.436,95 0,00 0,00 6.793,94 625.643,01 0,00 625.643,01 0,00 30020.53953.110105.1.3.014118 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 625.643,01 jan05 625.643,01 0,00 625.643,01 0,00 21,00 11.268,06 614.374,95 21,00 614.395,95 0,00 fev05 614.374,95 21,00 614.395,95 0,00 127,77 9.007,92 605.367,03 148,77 605.515,80 0,00 mar05 605.367,03 148,77 605.515,80 0,00 848.128,55 16.230,52 589.136,51 848.277,32 1.437.413,83 0,00 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 508.330,27 26316.20066.290405.1.3.015013 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 929.083,56 abr05 929.083,56 0,00 929.083,56 31,38 0,00 8.652,60 920.462,34 0,00 920.462,34 0,00 02784.79976.130505.1.3.013706 mai05 920.462,34 0,00 920.462,34 946,92 0,00 18.220,80 903.188,46 0,00 903.188,46 0,00 00453.00457.150605.1.3.010609 jun05 903.188,46 0,00 903.188,46 1.971,25 0,00 13.263,24 891.896,47 0,00 891.896,47 0,00 30152.55172.150705.1.3.018434 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 891.896,47 jul05 891.896,47 0,00 891.896,47 0,00 0,00 4.203,86 887.692,61 0,00 887.692,61 0,00 29713.49738.170805.1.3.013219 ago05 887.692,61 0,00 887.692,61 609,56 0,00 17.542,48 870.759,69 0,00 870.759,69 0,00 11475.05870.160905.1.3.019911 set05 870.759,69 0,00 870.759,69 313,69 0,00 11.663,51 859.409,87 0,00 859.409,87 0,00 23038.74834.141005.1.3.015067 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 859.409,87 out05 859.409,87 0,00 859.409,87 516,67 0,00 11.075,17 848.851,37 0,00 848.851,37 0,00 07816.24106.141105.1.3.012750 nov05 848.851,37 0,00 848.851,37 0,00 0,00 14.261,56 834.589,81 0,00 834.589,81 0,00 40396.77861.151205.1.3.013510 dez05 834.589,81 0,00 834.589,81 0,00 0,00 13.254,86 821.334,95 0,00 821.334,95 0,00 15616.76408.130106.1.3.019896 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 821.334,95 jan06 821.334,95 0,00 821.334,95 0,00 0,00 17.429,08 803.905,87 0,00 803.905,87 0,00 18782.31364.140206.1.3.019609 fev06 803.905,87 0,00 803.905,87 0,00 0,00 12.428,04 791.477,83 0,00 791.477,83 0,00 33042.11052.150306.1.3.017726 mar06 791.477,83 0,00 791.477,83 0,00 0,00 15.298,78 776.179,05 0,00 776.179,05 0,00 13880.56606.120406.1.3.010171 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 776.179,05 abr06 776.179,05 0,00 776.179,05 0,00 14,60 13.549,52 762.629,53 14,60 762.644,13 0,00 mai06 762.629,53 14,60 0,00 463,63 0,00 14.592,87 748.500,29 14,60 748.514,89 0,00 jun06 748.500,29 14,60 0,00 97,50 1.036.098,72 13.269,56 735.328,23 1.036.113,32 1.771.441,55 0,00 38855.62552.290410.1.7.016019 Cabe frisar que quanto aos valores apurados de saldo credor de IPI apurados na tabela acima não há mais controvérsia nos autos. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 565 7 Inicialmente, é oportuno reproduzir trecho do voto que explicita a diferenciação adotada no acórdão dos dois tipos de saldo credor apurados (ressarcível e o não ressarcível), in verbis: Sobre o "saldo de abertura" de determinado trimestre calendário, o valor a ser considerado pelo SCC decorre do processamento(s)/análise(s) efetuado(s) por tal sistema relativamente PER/DCOMP(s) de trimestre(s) de apuração anterior(es). Isso porque o processamento/análise dos PER/DCOMPs é levada a termo de forma ampla e encadeada, ou seja, todos os PER/DCOMP transmitidos são analisados não só quanto aos elementos pertencentes exclusivamente ao trimestre de referência, abrangendo também os elementos de ligação entre os trimestres (saldos de abertura e de fechamento). Sendo assim, a parcela do saldo credor do IPI apurado ao final de trimestres anteriores que foi, por meio da transmissão de PER/DCOMP pela interessada, solicitada em ressarcimento (em espécie) ou certificada pelo Fisco como lastro creditório efetivo de compensações declaradas, não poderá ser computada no trimestre de referência. E quanto à parcela remanescente do referido saldo credor, isto é, a parcela que não foi solicitada/certificada nos aludidos moldes, será transferida para o trimestre calendário seguinte como crédito não passível de ressarcimento, já que foi apurada não nesse trimestre seguinte, mas no anterior. Tal parcela corresponderá, então, ao valor de abertura desse trimestre seguinte e, por não ser passível de ressarcimento, somente poderá ser utilizada para abatimento de débitos escriturais do IPI consoante a sistemática constitucional da não cumulatividade que rege tal tributo. (grifo nosso) Como se vê no trecho do voto, o Julgador da DRJ considerou como saldo credor ressarcível aquele apurado no trimestre de apuração e como não ressarcível aquele saldo credor apurado acumulado em períodos anteriores ao trimestre de apuração e que não foi solicitado em ressarcimento e nem certificado pelo Fisco como lastro creditório. Em outro trecho do voto, o Julgador explica como chegou ao valor do crédito efetivamente ressarcível apurado, in verbis: Conforme o demonstrativo elaborado no presente voto, especificamente na linha "Mensal, Jun/2006", coluna "i" (intitulada "saldo credor ressarcível"), observase a apuração ao final do aludido 2º trimestre/2006 em questão de um saldo credor do IPI passível de ressarcimento no montante de R$1.036.113,32. Porém, como, para o 2º trimestre/2006 em questão, houve a transmissão de um pedido eletrônico de ressarcimento (PER) residual originalmente em 14/04/2007 (PER residual original nº 41394.63387.140407.1.1.010039), ocasião bem posterior ao encerramento do referido trimestre calendário (30/06/2006), devese perquirir se aquele valor de R$1.036.113,32, apurado como saldo credor do IPI passível de ressarcimento ao fim do Fl. 568DF CARF MF 8 citado 2º trimestre/2006, foi ou não utilizado/consumido, integral ou parcialmente, no abatimento(s) de débito(s) do imposto em período(s) de apuração posterior(es), computados até o mês de março/2007 (período de apuração mensal imediatamente anterior ao mês da transmissão do mencionado PER). Isso porque, se tiver havido tal utilização, somente a parcela remanescente, ou nada (no caso de utilização integral), poderá ser, no trimestre ora em questão (2º trimestre/2006), efetivamente ressarcível. Fazse a perquirição supramencionada por meio dos cálculos consignados na planilha "D" a seguir, referente ao "livro após" Percebese que o Julgador a quo partiu do saldo credor “ressarcível” apurado em junho/2006 para abater os débitos apurados em períodos posteriores até o período antecedente à apresentação da Perdcomp em 14/04/2007. O Contribuinte se insurge contra tal procedimento alegando que se deveria partir do saldo credor total (R$ 1.771.441,55), ou seja, do somatório do crédito “ressarcível” (R$ 1.036.113,32) e do “não ressarcível” (R$ 735.328,23). Para tanto, apresentou planilha com os seus cálculos demonstrando que o seu direito creditório deveria ter sido reconhecido integralmente. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 566 9 Observase que com o saneamento do equívoco existente no acórdão recorrido, em nenhum momento o Menor Saldo Credor, coluna (g ) da Planilha "D" ficou abaixo do valor do pedido da recorrente, ou seja, o pedido da recorrente merece total provimento, reconhecendose, assim, seu direito ao crédito no montante de R$ 1.036.113,32 (um milhão, trinta e seis mil, cento e treze reais e trinta e dois centavos). Cabe razão à Recorrente em suas alegações, conforme a seguir explicitado. É incontroverso nos autos a existência de um saldo credor acumulado no valor de R$ 735.328,23 (coluna h da Planilha "A") originado de períodos anteriores e não pertencente ao período ora analisado, “não ressarcível”, segundo nomenclatura utlizada. Esse saldo credor seria suficiente para abater todos os débitos apurados de IPI após junho/2006 até março/2007, sem necessidade de utilizar o saldo credor IPI (R$ 1.036.113,32) apurado no 2ºtrimestre/2006 que foi objeto do pedido de ressarcimento ora analisado. O próprio julgador da DRJ em trecho do acórdão indica que esse saldo credor "não ressarcível" poderia ser utilizado para abater os débitos escriturais apurados de IPI, in verbis: Sendo assim, a parcela do saldo credor do IPI apurado ao final de trimestres anteriores que foi, por meio da transmissão de PER/DCOMP pela interessada, solicitada em ressarcimento (em espécie) ou certificada pelo Fisco como lastro creditório efetivo de compensações declaradas, não poderá ser computada no trimestre de referência. E quanto à parcela remanescente do referido saldo credor, isto é, a parcela que não foi solicitada/certificada nos aludidos moldes, será transferida para o trimestre calendário seguinte como crédito não passível de ressarcimento, já que foi apurada não nesse trimestre seguinte, mas no anterior. Tal parcela corresponderá, então, ao valor de abertura desse trimestre seguinte e, por não ser passível de ressarcimento, somente poderá ser utilizada para abatimento de débitos escriturais do IPI consoante a sistemática constitucional da não cumulatividade que rege tal tributo. Fl. 570DF CARF MF 10 (negrito nosso) Restando comprovado nos autos que a Recorrente possuía saldo credor de IPI de períodos anteriores em valor suficiente para abater os referidos débitos, o saldo credor de IPI apurado no 2º trimestre de 2006 no montante de R$ 1.036.113,32, objeto do pedido de ressarcimento ora analisado, permanece intacto na sua totalidade, devendo ser reconhecido o direito creditório do Contribuinte nesse montante. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000931/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CISÃO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA.
A alteração do contrato social que aprova operação societária de cisão, por ser ato sujeito a análise pela Junta Comercial, não pode, antes do respectivo registro público, ser oposta a terceiros.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO.
E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos tributários de terceiros.
Numero da decisão: 1201-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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ALTERAÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA. A alteração do contrato social que aprova operação societária de cisão, por ser ato sujeito a análise pela Junta Comercial, não pode, antes do respectivo registro público, ser oposta a terceiros. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos tributários de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 31 /2 00 8- 45 Fl. 244DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório De acordo com o relato constante do Despacho Decisório (fls. 53/57): Tratase de processo administrativo formalizado para tratamento de Declarações de Compensação (DCOMP) transmitidas eletronicamente. A interessada transmitiu declarações de compensação para quitação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal de acordo com a tabela a seguir: Débito Compensado Período de Apuração Valor (R$) DCOMP IRPJ2089 1° Trimestre/2004 25.984,92 32309.77278.280404.1.3.547815 CSLL2372 1° Trimestre/2004 17.087,75 32309.77278.280404.1.3.547815 PIS8109 Abril/2004 4.411,84 26008.35871.130504.1.3.575514 Cofins 2172 Abril/2004 20.362,36 26008.35871.130504.1.3.575514 Cofins2172 Maio/2004 22.465,61 02871.10599.140604.1.3.570608 Como origem do crédito, informouse a ação judicial n° 97.00121038, tramitada na 6a Vara Federal de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, com trânsito em julgado em 05/11/2003. Nas DCOMP n° 32309.77278.280404.1.3.547815 e 26008.35871.130504.1.3.575514, informouse que o crédito era da empresa sucedida de CNPJ n° 80.858.202/000108, da qual a interessada teve origem por cisão parcial. Na DCOMP n° 02871.10599.140604.1.3.570608, o crédito foi informado como sendo da própria transmissora da declaração. Juntouse cópia de despachos/decisões exarados no Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial (PAJ) n° 10980.010056/9717 (fls. 07/35), que trata da ação judicial informada como crédito nas compensações objeto deste processo. As referidas declarações não foram homologadas sob a alegação de tratarse de hipóteses não permitidas de compensações com créditos de terceiros. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 62/66), argumentando que o crédito seria legítimo e decorrente de sucessão em face da cisão parcial da empresa detentora da autorização judicial que reconheceu os créditos, com incorporação do patrimônio cindido pela Recorrente. Em Sessão de 23 de novembro de 2012, a DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por meio do Acórdão nº 07.30.213 (fls. 145/148), cuja ementa ora transcrevo: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 3 3 PROVA. ALTERAÇÃO CONTRATUAL A alteração do contrato social, por ser ato sujeito a registro na junta comercial não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiros. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 154/159) por meio do qual reitera as alegações de defesa. O julgamento do recurso foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.340 fls. 186/188, a qual determinou o retorno dos autos a unidade de origem para as seguintes providências: a) preliminarmente, a JUCESC seja oficiada a apresentar certidão comprobatória do registro da cisão parcial havida entre a empresa Hirt Ltda e a recorrente, bem como esclareça as datas dos registros de tais documentos 1a Alteração Contratual das Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda; Protocolo de Intenção de Cisão Parcial; Justificação dos Administradores e Laudo de Avaliação do Patrimônio a ser cindido (cópia às efls. 174 a 183); b) de posse dos documentos, se efetivamente foram submetidos a registro na JUCESC em época anterior à emissão dos Per/Dcomp, a autoridade fiscal deverá verificar se os créditos judiciais recebidos pela empresa Hirt Ltda não se exauriram de outra forma, ou em benefício dela própria ou foram utilizados por outra empresa terceira; isto é, deverá ser verificado se o crédito existe para atender o pleito da recorrente. c) da análise dos documentos enviados pela JUCESC e da conclusão sobre a existência do crédito e viabilidade para atender os Per/Dcomp emitidos pela recorrente, deverá a autoridade fiscal lavrar um Relatório e encaminhar à recorrente para ciência, facultandolhe prazo regulamentar para se manifestar a respeito, se assim o desejar. A autoridade fiscal responsável preparou, como resultado da diligência, o termo de informação fiscal de fls. 235/238, do qual a contribuinte, mesmo intimada (fls. 240/241), não se manifestou. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. A presente discussão diz respeito à legitimidade do direito ao crédito pela Recorrente, em razão da absorção do patrimônio cindido pela empresa Comercial Hirt Ltda., empresa esta que obteve êxito quanto ao reconhecimento de créditos após determinada discussão judicial. Em razão da diligência que foi requerida a fim de verificar os competentes registros oficiais da cisão, a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina emitiu certidão que ora reproduzo: De acordo com a Certidão, verificase que a Recorrente, incorporadora do patrimônio cindido, ao registrar sua 1a alteração cadastral, aprovou a justificação dos administradores e o protocolo de intenção de cisão parcial da Comercial Hirt Ltda... Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 4 5 A cisão, porém, que teria sido aprovada por meio da 27a alteração contratual da sucedida, não foi registrada na Jucesc até o dia 20/01/2017 (data da emissão da certidão). Nesse contexto, assim concluiu a decisão de piso: 3. Portanto, a Jucesc certificou que a 1a alteração contratual da empresa foi registrada em 04/03/1998. Em decorrência, foi aprovada a justificação e o protocolo de intenção de cisão. A Jucesc ainda informou que todos os atos da cisão parcial e da incorporação foram aprovados pelos sócios cotistas (27a alteração contratual da Lojas Certo). Porém, esta alteração contratual não foi registrada na Jucesc até 20 de janeiro de 2017. 4. A 1a (primeira) alteração contratual da empresa Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda. CNPJ 02.346.111/0001 80 versa sobre a aprovação da Justificação dos Administradores e o Protocolo de intenção de cisão parcial da empresa Comercial Hirt (efl. 174): 01. INCORPORAÇÃO DE PATRIMÔNIO CINDIDO: 01.1. Os sócioscotistas, através deste' instrumento, aprovam por unanimidade a JUSTIFICAÇÃO DOS ADMINISTRADORES e o PROTOCOLO DE INTENÇÃO DE CISÃO PARCIAL DA EMPRESA COMERCIAL HIRT LTDA, COM INCORPORAÇÃO DO PATRIMÔNIO CINDIDO PELA EMPRESA LOJAS CERTO MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA , 5. Foram aprovados os seguintes atos (efls. 174/175): a) Aprovação da Justificação dos Administradores e do Protocolo de Intenção de Cisão Parcial e de Incorporação; b) Indicação e aprovação dos peritos ENÉAS JEREMIAS DE QUEIROZ, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRC/SC sob n° 013 257/09 e no CPF sob n° 019 648 95987, SILVIO LUIZ DE COSTA, brasiieiro. casado, contador, inscrito no CRC/SC sob n° 18 970/Ot e no CPF sob n° 347 883 79953 e MARLEI ROSA MANTOANI, brasileira, solteira, contadora, inscrita no CRC/SC sob n° 019 969/O0 e no CPF sob n° 732 948 29949, todos residentes e damjcíliados em VideiraSC; c) Aprovação do Laudo de Avaliação; d) Aprovação da processo de Cisão Parcial e da Incorporação 6. Porém, a certidão não deixa dúvida de que o ato de cisão parcial e incorporação, no tocante à Comercial Hirt Ltda (27a alteração contratual), não foi objeto de registro naquela Junta. Tal registro era necessário, da ausência deste registro, visto o disposto na Lei 8.934/95: "Art. 1° O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: Fl. 248DF CARF MF 6 I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; II cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e manter atualizadas as informações pertinentes; (...) Art. 2° Os atos das firmas mercantis individuais e das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, independentemente de seu objeto, salvo as exceções previstas em lei. (...) Art. 32. O registro compreende: (... ) II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; III a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. (... ) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. " 7. Importa notar que os atos de registro produzem seus efeitos nos termos do artigo 36 acima mencionado. 8. A ausência do registro da 27a alteração contratual da Comercial Hirt prejudica, salvo entendimento diverso do Carf, o cumprimento dos itens (b) e (c) da diligência solicitada na Resolução 1801000.340 (fl. 186), [...] Como se percebe, a falta de registro da 27a alteração contratual da empresa Comercial Hirt (titular dos créditos judiciais ora compensados), alteração esta que tratou Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 5 7 justamente de aprovar a cisão pela empresa cindida, levou à autoridade fiscal responsável a se manifestar de forma desfavorável ao direito de compensação de tais créditos pela Recorrente. No entender da DRJ, o registro do ato na Junta pela empresa cindida é condição de validade e eficácia da cisão, nos termos do artigo 36 da lei 8.934/95. Assim, como não houve o registro competente, ineficaz a cisão perante terceiros. E se ineficaz a cisão aos olhos do público, os créditos não poderiam ter sido utilizados pela Recorrente, pois pertencentes a terceiros. Pois bem. De acordo com o texto constitucional (art. 22, XXV), é a União a pessoa política competente para legislar sobre registros públicos. No plano normativo, coube à Lei nº 8.934/94 (Lei de Registros Públicos de Empresas Mercantis) a missão de regulamentar os aspectos formais e legais que devem ser observados quando da apresentação de atos societários de empresas mercantis (atuais sociedades empresárias) a registro. A finalidade principal do registro de atos societários, segundo a lei, é garantir a publicidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos sujeitos a registro, entre sócios e perante terceiros, além de promover o cadastro de empresas nacionais e estrangeiras atuando no país e a proteção do nome empresarial. O registro público de atos empresariais é exercido enquanto função pública e, diante de sua autenticidade, validade e publicidade, busca conferir segurança jurídica não só as partes envolvidas, mas principalmente em relação a terceiros. A Lei de Registro de Empresas Mercantis determinou que os Serviços Públicos de Empresas Mercantis e Atividades Afins serão exercidos, em todo o território nacional, pelos seguintes órgãos: I o Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), órgão central, com funções supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano técnico; e supletiva, no plano administrativo; e II as Juntas Comerciais, como órgãos locais, com funções executora e administradora dos serviços de registro. Convém frisar, por oportuno, que todo ato, documento ou instrumento submetido a arquivamento, deve ser objeto de exame pela Junta Comercial, a quem compete fazer um juízo de admissibilidade e conformidade. Havendo identificação de algum vício, a Junta possui poderes para indeferir o pleito ou devolvêlo para saneamento. E dentre os atos necessários a esse rito encontramse justamente os eventos societários de fusão, cisão ou incorporação, nos termos do artigo 41, verbis: Art. 41. Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma desta lei: I o arquivamento: [...] b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de empresas mercantis; Fl. 250DF CARF MF 8 Notase, assim, que a cisão constitui ato societário solene, dependendo do cumprimento de suas formalidades para produzir efeitos. No que diz respeito ao prazo para apresentação dos atos societários para registro, o artigo 36 da Lei de Registro de Empresas Mercantis, utilizado como fundamento para a não homologação das compensações, prescreve que é de 30 (trinta) dias a contar da data da lavratura do ato. Nesses termos, se o ato for apresentado a registro dentro deste prazo, haverá efeito retroativo do registro. Caso contrário, ou seja, caso o ato de cisão não for levado a registro dentro de 30 (trinta) dias, o ato somente terá eficácia a partir de seu registro. É justamente esta a situação do ato societário de cisão da empresa Comercial Hirt Ltda., aprovada por ocasião da lavratura da 27a alteração contratual, mas que, segundo atestou a Junta Comercial competente, não foi levado a registro ao menos até o dia 20 de janeiro de 2017. Ocorre, porém, que a vinculação solene e formal do registro da cisão na Junta é pressuposto de validade e eficácia do ato perante o público. Nesse ponto, o referido artigo 36 é categórico: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Nesse sentido, aliás, o Novo Código Civil (de 2002), ao regulamentar os atos empresariais sujeitos a registro público, previu que o ato sujeito a registro não pode ser oponível a terceiros até a efetivação do seu respectivo registro (art. 1.1541). Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que a ausência de comprovação do registro do ato que aprovou a cisão, representado pela 27a alteração contratual da empresa cindida Comercial Hirt Ltda., é causa de ineficácia da cisão perante terceiros, dentre eles o fisco. Conseqüentemente, as compensações pleiteadas pelo contribuinte restam prejudicadas em razão da ausência de titularidade do direito creditório. Ante o exposto NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 1 Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.911024/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.189
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.911024/200908 Recurso nº Resolução nº 3402001.189 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2018 Assunto Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente MADEIREIRA BIANCHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 02 4/ 20 09 -0 8 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 189DF CARF MF
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