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Numero do processo: 10935.720061/2015-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS COM DESPESAS DE ALUGUÉIS. BENS ANTERIORMENTE PERTENCENTES AO PATRIMÔNIO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º/08/2004, é vedada a apropriação de créditos da não-cumulatividade das contribuições relativo a despesas de aluguéis de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS.
Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Creditório Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (suplente convocado) e Raphael M. Abad que afastavam a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS COM DESPESAS DE ALUGUÉIS. BENS ANTERIORMENTE PERTENCENTES AO PATRIMÔNIO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º/08/2004, é vedada a apropriação de créditos da não cumulatividade das contribuições relativo a despesas de aluguéis de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicamse ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 00 61 /2 01 5- 94 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.188 2 Creditório Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (suplente convocado) e Raphael M. Abad que afastavam a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Trata o presente de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, relativos aos anoscalendário de 2010 e 2011, relativo à glosa de créditos de aquisição de óleo diesel utilizado na entrega de bens revendidos e de créditos de aluguéis de imóvel que integrou o patrimônio da recorrente, com aplicação da multa qualificada de 150% por acusação de ocorrência de fraude. Em impugnação, a recorrente aduziu que: 1. O conceito de insumos se traduz na possibilidade de creditamento de todos os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 290 e 299 do RIR/99, não se limitando ao conceito da legislação do IPI; 2. A recorrente realiza o transporte próprio das mercadorias que entrega, estando tal valor contido no preço de venda das mercadorias e representa um custo para a empresa, e que seu contrato social prevê a prestação de transporte rodoviário e execução de serviços de carga e descarga de mercadorias; 3. O imóvel objeto do contrato de locação foi transferido em 2002, antes da entrada em vigência da vedação legal; 4. Não restou caracterizada a ação dolosa prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, que as duas glosas são matérias controvertidas judicialmente, citando decisão do STJ quanto à possibilidade de tomada de créditos sobre combustíveis utilizados em entrega própria de mercadorias vendidas, bem como a existência de recursos extraordinários questionando a constitucionalidade da vedação legal relativa à tomada de créditos de aluguéis adquiridos anteriormente a 1º de maio de 2004; Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.189 3 5. Não há previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício; 6. O processo administrativo deve ser pautado pela verdade material e que a autoridade fiscal não buscou verificar se os itens glosados eram utilizados no cumprimento do objeto social da recorrente, nem investigou se houve a intenção dolosa sobre os fatos tidos como fraudulentos. A Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 66.985, julgando a impugnação parcialmente procedente, reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Na sistemática de apuração não cumulativa, somente dão direito a crédito as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, não havendo previsão de creditamento no caso dos combustíveis gastos no transporte de mercadoria por empresa comercial. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEL DE IMÓVEL QUE PERTENCEU ANTERIORMENTE AO CONTRIBUINTE. VEDAÇÃO LEGAL. A vedação para o aproveitamento de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, referentes a despesas com alugueis de imóveis que já tenham integrado o seu patrimônio, contida no art. 31, § 3o , da Lei nº 10.865, de 2004, vigora a partir de 31/07/2004, independentemente da data de transmissão do bem transmitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.190 4 Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Na sistemática de apuração não cumulativa, somente dão direito a crédito as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, não havendo previsão de creditamento no caso dos combustíveis gastos no transporte de mercadoria por empresa comercial. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEL DE IMÓVEL QUE PERTENCEU ANTERIORMENTE AO CONTRIBUINTE. VEDAÇÃO LEGAL. A vedação para o aproveitamento de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, referentes a despesas com alugueis de imóveis que já tenham integrado o seu patrimônio, contida no art. 31, § 3o , da Lei nº 10.865, de 2004, vigora a partir de 31/07/2004, independentemente da data de transmissão do bem transmitido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 MULTA QUALIFICADA. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, observandose que a divergência na interpretação da legislação tributária, por si só, não caracteriza dolo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA. Impertinentes os questionamentos, em sede de impugnação, acerca da incidência de juros sobre multa de ofício, por não estarem contemplados na autuação. Os juros de mora indicados no lançamento em litígio foram calculados apenas sobre os valores dos tributos. De todo modo, observase que sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.191 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação, porém, inovando quanto ao pedido de apensamento dos autos ao processo nº 10935.720049/201580. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Passase, primeiramente, ao recurso voluntário. A recorrente defende a tese de que insumos correspondem aos custos e despesas operacionais dedutíveis segundo a legislação do IRPJ, especialmente os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99). Quanto à matéria, reitero meu entendimento sobre a definição de insumos, conforme exposto no Acórdão nº 3302003.096, que abaixo reproduzo. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.192 6 em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.193 7 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.194 8 A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.195 9 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.196 10 para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.197 11 lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Ressaltase, ainda, que a matéria também está submetida à repercussão geral no STF no RE com Agravo nº 790.928. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.198 12 combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.199 13 do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.200 14 No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.201 15 O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. A primeira glosa diz respeito ao aproveitamento de créditos na aquisição de óleo diesel, contabilizados na conta contábil 3.1.2.02.053 combustíveis e lubrificantes, utilizados em veículos que faziam a entrega das mercadorias vendidas pela própria recorrente. A recorrente, por seu turno, alega que o inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 crédito sobre bens adquiridos para revenda, bem como o inciso II, como bens utilizados como insumos na prestação de serviço de transporte. Sem razão, a recorrente. A atividade realizada foi de revenda de mercadorias e o óleo diesel utilizado nos veículos de frota própria que realizaram a entrega consiste em despesa operacional de vendas, de que trata o inciso III do artigo 187 da Lei nº 6.404/1976, a seguir transcrito: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.202 16 III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; Sobre este tópico, assim dispôs o Manual de Contabilidade Societária1: "30.2.1 Despesas de vendas As despesas de vendas representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bern como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como: marketing, distribuição, pessoal da área de vendas, pessoal administrativo interne de vendas, comissões sabre vendas, propaganda e publicidade, gastos estimados com garantia de produtos vendidos, perdas estimadas dos valores a receber, perdas estimadas em creditos de Jiquidação duvidosa etc." Frisese que a recorrente não prestou serviço de transporte a terceiro, o que poderia caracterizar receita de prestação de serviços e, consequentemente, atribuir a natureza de insumo ao combustível utilizado, mas dispendeu gastos com a distribuição dos produtos revendidos, o que caracteriza despesa operacional e não custo de serviço prestado. Não há nos autos, prova da prestação de serviços a terceiros, mas gastos com o transporte das próprias mercadorias vendidas, o que, embora, componha o preço de venda das mercadorias (como todos os demais custos e despesas da empresa, seja de forma direta ou indireta), não descaracteriza a operação de venda de mercadorias transformandoa em prestação de serviços. Portanto, tais valores não compõem o valor de aquisição dos bens revendidos, não se subsumindo à hipótese de creditamento do inciso I do artigo 3º, nem tampouco consistem em custo de serviços prestados, hipótese de que trata o inciso II do referido artigo. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 380200.473 Acórdão nº 380200.473: DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. Acórdão nº 3402001.104 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE FALTA DE RECOLHIMENTO CRÉDITOS INDEVIDOS – COMISSÕES DE COMPRAS, COMBUSTÍVEIS DA FROTA E ESTUFAMENTO DE CONTAINERS LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. 1 página 509 Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.203 17 O princípio da nãocumulatividade do COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “bens e serviços utilizados como insumo” empregada pelo legislador, designa cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens ou serviços, o que obviamente exclui a possibilidade de crédito relativamente aos custos incorridos nas etapas anterior e posterior à produção, como é o caso de Comissões de compras, Combustíveis da frota e com Estufamento de containers, cujo crédito é desautorizando. A outra glosa referese a aluguéis pagos à JD Agricultura e Participações Sociais Ltda, referente ao imóvel de matrícula 7327 do 1º Registro de Imóveis de Jundiaí, que foi transferido pela recorrente à JD em 19/03/2002, mediante incorporação ao capital social desta última. Constatouse, portanto, que o imóvel pertenceu ao patrimônio da recorrente, incidindo a vedação constante do §3º do artigo 31 da Lei nº 10.865/2004, conforme abaixo transcrito: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1o de maio. § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1o deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A recorrente, por sua vez, não contesta os fatos, mas alega que ocorreram antes da vigência do artigo 31 da Lei nº 10.865/2004, ou seja, alega que a vedação somente se aplicaria a transferências realizadas após a vigência do artigo 31. Entendo não ser a melhor interpretação desta vedação. A hipótese de creditamento é a prevista no inciso IV e §1º, II, do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, seguintes: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.204 18 de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; O creditamento ocorre sobre a despesa de aluguel incorrida no mês. A regra prevista no §3º do artigo 3º apenas considerou o fato de o bem já ter integrado o patrimônio como condição para incidir a vedação, sujeitandose apenas à anterioridade nonagesimal para surtir seus efeitos, o que foi observado no próprio caput do artigo. Destarte, não procedem os argumentos da recorrente. Seguindo em sua peça recursal, pugna pela apensação ao processo nº 10935.720049/201580, que trata de autuação de IRPJ e CSLL, alegando que os valores aqui lançados deveriam ali ser considerados despesas dedutíveis. Porém, vêse que a apensação é desnecessária, pois basta que a recorrente peça, naquele processo, a juntada da decisão definitiva aqui proferida, para se provar a situação de fato e a consequência jurídica lá alegadas. Ademais, as competências para julgamento de ambos se dão em seções distintas. Pede, ainda, o afastamento da aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício. Quanto à matéria, o artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.205 19 Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.206 20 De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.207 21 arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado2: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em 2 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.208 22 conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.209 23 ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.210 24 Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.211 25 expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.212 26 Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Concernente à observância ao princípio da verdade material e ao pedido de diligência, destacase que não há matéria fática a ser diligenciada, nem lide acerca da caracterização da necessidade de incorrer nas despesas cujos créditos foram glosados para o cumprimento de seu objeto social. A questão controvertida é matéria de direito, cujo conhecimento prescinde de realização de diligência. Relativamente ao pedido de juntada posterior de provas, destacase que é dever processual da recorrente apresentar as razões de fato e de direito por ocasião da impugnação ao Auto de Infração, ressalvadas as exceções contidas no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é a situação aqui tratada. Ademais, o pedido foi inócuo, já que nenhuma prova foi apresentada até o momento. Concluindo, são improcedentes as alegações do recurso voluntário. Concernente ao recurso de ofício, seu conhecimento deve ser realizado tendo como limite de alçada o vigente na data de sua apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 103, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O recurso foi interposto em razão de redução da multa aplicada de 150% para 75%, importando exoneração da multa no valor de R$ 1.490.931,55, superando o limite de alçada de que tratava a Portaria MF nº 3/2008. Referida portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63/2017, que estabeleceu novo limite, conforme transcrito abaixo: Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10935.720061/201594 Acórdão n.º 3302005.334 S3C3T2 Fl. 1.213 27 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O novo limite deve ser observado para efeito de conhecimento do recurso de ofício. Portanto, sendo o crédito relativo à redução da multa lançado inferior ao novo limite de alçada, o recurso de ofício não deve ser conhecido. Diante do exposto, voto para não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1217DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000783/2006-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173, I do CTN.
ARRENDAMENTO MERCANTIL DE VEÍCULOS. BENEFÍCIOS INDIRETOS.
Se não houver prova da utilização, nas atividades operacionais da empresa, de veiculo objeto de arrendamento mercantil, o valor da respectiva contraprestação deverá ser incluído na remuneração do beneficiário, sob pena de incidência do imposto, exclusivamente na fonte.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU RELATIVO A OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Uma vez não comprovada a causa ou a operação que motivou os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, é legitima a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%.
Numero da decisão: 2402-006.059
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado como redator ad hoc o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 05/07/2017, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/03/2018, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Júnior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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INAPLICABILIDADE. Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173, I do CTN. ARRENDAMENTO MERCANTIL DE VEÍCULOS. BENEFÍCIOS INDIRETOS. Se não houver prova da utilização, nas atividades operacionais da empresa, de veiculo objeto de arrendamento mercantil, o valor da respectiva contraprestação deverá ser incluído na remuneração do beneficiário, sob pena de incidência do imposto, exclusivamente na fonte. PAGAMENTO SEM CAUSA OU RELATIVO A OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Uma vez não comprovada a causa ou a operação que motivou os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, é legitima a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 83 /2 00 6- 53 Fl. 954DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado como redator ad hoc o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 05/07/2017, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti e João Victor Ribeiro Aldinucci. Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/03/2018, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Júnior. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 955 3 Relatório Na condição de Redator ad hoc, transcrevo a seguir, em seu inteiro teor, o relatório lido pela relatora Bianca Felícia Rothschild na sessão de julgamento de 05/07/2017. De acordo com o TVF (fl. 491 e segs), no trabalho realizado na empresa para verificação do cumprimento das verificações obrigatórias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do ano calendário de 2001, foram constatadas irregularidades que levaram a constituir o crédito tributário do Imposto de Renda na Fonte. Desta forma, em relação ao recorrente, no ano calendário de 2001, foram constatadas irregularidades que levaram a constituir o crédito tributário do Imposto de Renda na Fonte, a saber: 1 Desembolsos com leasing indevidamente contabilizadas em despesas operacionais; 2 Pagamentos efetuados cuja operação não foi comprovada (AGT, Sítio e honorários advocatícios). Transcrevese relatório da decisão recorrida que reflete a ocorrência dos fatos: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de fls. 262 a 295, incidente sobre pagamentos de benefícios indiretos e pagamentos sem causa ou relativos a operação não comprovada, conforme previsto nos artigos 674, § 1 0, e 675 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999). No Termo de Verificação Fiscal de fls._245 a_ 252, consignouse o que segue: a empresa registrou, em conta de despesa (521012 — Arrendamento Mercantil), valores relativos a contraprestação de arrendamento mercantil de veículos de luxo, carros de passeio, sem nenhuma relação com a produção ou comercialização dos produtos (veículos relacionados as fls. 245 e 246); na conta 521014 (Honorários Advocatícios), a empresa apresenta registrados valores de despesas por serviços prestados por Evio Marcos Cilião, diretor presidente da empresa no anocalendário fiscalizado, em contrapartida as contas 20700003 (Contas a Pagar) e 2009000 (Fornecedores); no exame dessas contas, verificase que há registros de pagamentos feitos por cheque, nominais a Evio Marcos Cilião, contabilizados em contrapartida conta Bancos, que a empresa foi intimada a justificar; parte deles foram justificados como pagamentos feitos pela aquisição de títulos (T.D.A.), outros por serviços prestados e outros não foram justificados; Fl. 956DF CARF MF 4 os cheques emitidos e pagos ao Sr. Evio como sendo pagamentos por serviços prestados são considerados pagamentos feitos cuja operação não foi comprovada; os cheques que se destinaram aos pagamentos pela compra de títulos, conforme planilha composta pelo vinculo da data do pagamento do cheque e vencimento do titulo, serão considerados pagamentos feitos por causa comprovada; os demais, cuja razão não foi comprovada e nem mesmo demonstrada, serão tratados também como pagamentos sem causa; a contribuinte apresenta ainda registrados nas contas 20720003 e 20090000 valores de cheques destinados as empresas AGT ADM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA., CNPJ n° 61.182.036/0001 28, e SITIO DO ENGENHO ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS, CNPJ n° 00.710.579/000186; foi solicitada por meio de termo de intimação a identificação do bem ou direito adquirido e/ou outra razão econômica desses pagamentos, porém nenhum documento foi apresentado; os pagamentos estão contabilizados a crédito da conta Banco e a débito das contas 102723 e 102724 (Adiantamento de Fornecedores); não foram comprovados a compra do terreno e o pagamento conforme contrato, se ocorreu por recebimento de um bem, de direitos, de serviços ou quitação de empréstimo; são recursos entregues a terceiros e, para a operação registrada, não foi apresentada qualquer justificativa, demonstração, esclarecimento e muito menos documento; deve ser observado: 1) SÍTIO DO ENGENHO, AGT e VILLAGE são empresas que têm como responsável perante o Fisco o Sr. Alfons Gardemann, CPF n° 349.968.26991, presidente da Pado conforme AGO de 30/04/2001; 2) Evio Marcos Cilião, CPF n° 363.768.76900, no anocalendário de 2001 era diretorpresidente da Pado, conforme contratos de aquisição de títulos; 3) os veículos arrendados (citados no Termo de Verificação Fiscal) na maioria têm como cedente nos contratos de arrendamento o Sr. Alfons Gardemann ou o Sitio do Engenho; 4) na conta 20720003 foram registrados a crédito como aquisição dois veículos de luxo: uma BMW 323 preta e um Jeep Cherokee; 5) a empresa tem em sua declaração de rendimentos do anocalendário fiscalizado a informação na Ficha 45 de que possui dinheiro em espécie nos Estados Unidos e nas Ilhas Virgens (Britânicas) e direitos por empréstimo a empresa sediada no Uruguai. em anexo ao Termo de Verificação Fiscal, consta o demonstrativo dos cheques utilizados nos pagamentos a Evio Marcos Cilião, Sitio do Engenho, A.G.T. Empreendimentos e à Village, com a especificação da data, n° do lançamento, valor, n° do cheque, banco sacado (Demonstrativo n° 1, fls. 253 a 257), além do demonstrativo do reajustamento da base de cálculo do imposto (Demonstrativo n° 2, fls. 258 a 261). Fl. 957DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 956 5 Cientificada do lançamento em 17/05/2006, a interessada apresentou em 14/06/2006 a impugnação de fls. 299 a 305, acompanhada dos documentos de fls. 306 a 309. Alega, em síntese, o que segue: ocorreu a extinção do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até 17/05/2001, em virtude de homologação tácita; quanto aos pagamentos de leasing de veiculo, o lançamento se estriba em conjecturas desprovidas de embasamento fático e jurídico; a escrituração do contribuinte faz prova em seu favor das operações devidamente contabilizadas; a fiscalização considerou os veículos suntuosos e desnecessários a atividade da empresa, sem prova do valor dos bens arrendados (apenas são citadas as prestações do arrendamento), nem quanto à sua destinação; o pressuposto de que os veículos arrendados seriam de uso particular dos sócios, gerentes ou administradores, sem prova nos autos, não produz a certeza suficiente a ensejar a tributação; ainda que se considere que os pagamentos efetuados a tal titulo devam ser adicionados ao lucro liquido para a apuração do lucro real, não se poderia deduzir que se tratam de benefícios indiretos, sujeitandoos ainda à tributação na fonte, sem prova da utilização dos veículos por sócios, gerentes ou diretores, sob pena de inobservância do principio da tipicidade; a empresa tem sede em São Paulo e indústria em Cambé, norte do Paraná, o que justifica a utilização de veículos de melhor porte para garantir a segurança e reduzir o desconforto no transporte de técnicos especializados, representantes e inspetores oficiais nacionais e internacionais; no tocante aos pagamentos feitos às fornecedoras AGT e Sitio do Engenho, tratamse de empresas formalmente constituídas e com situação regular; foram devidamente contabilizados os pagamentos efetuados à AGT Administradora e Empreendimentos, ao Sitio do Engenho Ltda. e à Village Praça de Leilões e Eventos Ltda., bem como a emissão de cheques nominais a essas empresas, conforme já consta nestes autos e nos autos do Processo n° 19515.000782/200617; no que diz respeito aos contratos de mútuo, desconsiderados pela fiscalização, assinalese que, com o crédito que o Sitio do Engenho possuía perante a Pado, foi adquirida participação societária nesta empresa; se o Fisco quisesse desconsiderar os pagamentos, cujos beneficiários estão claramente identificados, deveria provar que os recursos não ingressaram em tais empresas; ainda que o pagamento não fosse justificável, não significa que se omitiu o beneficiário; todos os pagamentos estão plenamente identificados, à exceção de um, no valor de R$ 60.000,00, datado de 02/04/2001, lançado no Diário contra a conta 21005116; Fl. 958DF CARF MF 6 tratase de pagamento efetuado à Village Praça de Leilões e Eventos, conforme cópia do cheque anexada aos processos; havendo prova de quem recebeu o valor pago, pode o Fisco dirigirse ao beneficiário para tributálo como convier, pois, de outra forma, tributar exclusivamente na fonte e ainda exigir tributo do recebedor sobre o mesmo fato gerador é configurar bis in idem, vedado pelo ordenamento jurídico; em relação aos pagamentos efetuados à Advocacia Evio Marcos Cilião, também não procede o lançamento, posto que foi claramente identificado o beneficiário; há diversas notas fiscais para as quais foi efetuada a devida retenção do imposto na fonte, conforme DIRF relativas ao período, já de posse da Receita Federal; caberia ao Fisco intimar os beneficiários para prestar os esclarecimentos devidos, antes de reputar por inexistentes os pagamentos efetuados; a falta de intimação importa em nulidade do lançamento fiscal, que não observou o rito do procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos, previsto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Em sessão de julgamento de 23 de abril de 2009, a decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 759 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento, sob a tese de inobservância do rito para a desconsideração de negócios jurídicos, se sequer restou demonstrada a existência de qualquer negócio jurídico a justificar os pagamentos realizados pela empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 ARRENDAMENTO MERCANTIL DE VEÍCULOS. BENEFÍCIOS INDIRETOS. Se não houver prova da utilização, nas atividades operacionais da empresa, de veiculo objeto de arrendamento mercantil, o valor da respectiva contraprestação deverá ser incluído na remuneração do beneficiário, sob pena de incidência do imposto, exclusivamente na fonte. PAGAMENTO SEM CAUSA OU RELATIVO A OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Uma vez não comprovada a causa ou a operação que motivou os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, é legitima a incidência do imposto, exclusivamente na fonte,à alíquota de 35%. Lançamento Procedente Fl. 959DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 957 7 Cientificado da decisão de primeira instancia em 03/08/2009, conforme comprovante às fls. 818 o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 820 e segs., em 01/09/2009, o recurso voluntário repisando seus argumentos em relação a decadencia e trazendo a baila nova argumentação em relação ao IRRF, aduzindo, em síntese que: 1. Conforme o acórdão recorrido, tais despesas foram glosadas em razão de a recorrente não ter comprovado a efetividade das mesmas, tampouco a sua vinculação as atividades empresas, gerando, assim, a tributação exclusiva na fonte. 2. No ordenamento jurídico vigente, inferese que houve a eleição de determinados elementos de prova para demonstrar a efetividade dos negócios efetuados. Certos atos são provados pelo respectivo contrato, outros pela emissão de notas fiscais, pela emissão de faturas e duplicatas etc., de acordo com a sua natureza jurídica. Além disso, no que se refere ao imposto de renda, para que tais negócios possam ser deduzidos como despesas, é preciso que se refiram à atividade exercida, consubstanciando gastos necessários, normais e usuais. O problema, contudo, está em definir o que vem a ser a "necessidade", a "normalidade" e a "usualidade", o que implica diretamente no ônus da prova. 3. Não se nega que as despesas, para serem dedutíveis, devem estar ligadas is atividades da empresa. Tal ligação, entretanto, pode se revelar de várias maneiras. 4. Mediante analise de precedentes, conclui que a "necessidade", a "normalidade" e a "usualidade" da despesa não significa a sua vinculacão direta com o objeto social da empresa, mas sim que possa, de alguma forma, ainda que indiretamente, contribuir para o desenvolvimento das atividades. 5. É válido afirmar que a escrituração das despesas, de forma regular e nos ditames legais, contrariamente ao exposto na autuação e no acórdão recorrido, são presumidamente válidas, cabendo ao Auditor Fiscal demonstrar a sua desconexão is atividades da empresa. De igual forma, os contratos, notas fiscais e faturas apresentadas fazem prova da validade dos negócios a que se referem, cabendo ao Fisco a prova do contrário. 6. Apresentando o contribuinte inúmeros documentos que demonstram a efetividade das despesas, tal como se deu neste caso, e dizendo a necessidade de cada um deles, é incabível considerálos como "remunerações indiretas" e, a partir daí, constituir o respectivo IRRF. 7. Cabe ao Fisco comprovar cabalmente a entrega dos recursos a terceiros, sem os quais o lançamento é nulo, o que demonstra o ônus da prova atribuído ao Fisco de demonstrar a ilicitude das operações praticadas, o que não se vislumbra neste particular, já que a transferência de todos os recursos foi legitima e devidamente identificada. 8. Pretendeu o Auditor que fosse demonstrada a estrita vinculação dos veículos adquiridos com as atividades da empresa — sabese ia como —, sendo que tais automóveis, por estarem cedidos aos diretores, representam remuneração indireta, passível, portanto, de dedução. De igual modo, constam na contabilidade, devidamente registrados, os pagamentos efetuados pela recorrente as empresas AGT Administradora e Empreendimentos, Sitio do Engenho Ltda. e Village Praça de Leilões e Eventos Ltda., lançados nos livro Diário e Razão, inclusive com os respectivos cheques nominais emitidos, conforme cópias já apresentadas. Fl. 960DF CARF MF 8 9. O que fez o Auditor Fiscal, bem como o acórdão recorrido, nada mais foi do que impor um ônus probatório impossível de ser cumprido. 10. De certo que a escrituração no lucro real demanda contabilidade mais acurada, estritamente baseada em documentos que lastreie. Contudo, no caso, tal escrituração se deu de forma regular, sendo toda a documentação apresentada. Mais do que isso, o absurdo grau de detalhamento pretendido pelo Fisco implica na impossibilidade imaterial da produção da prova, o que refoge à razoabilidade e à proporcionalidade das circunstâncias concretas. 11. Sendo assim, requer, com base nas provas já apresentadas na impugnação, seja reformado o acórdão recorrido, anulandose totalmente o auto de infração. 12. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformadose o Acórdão n° 1621.150, no sentido de se anular o lançamento tributário, nos termos desta defesa. 13. Requer, ainda, seja a recorrente intimada, em tempo hábil, acerca da inclusão do recurso em Pauta de Julgamento, viabilizandose, assim, a realização de sustentação oral. É o relatório. Esse foi o relatório da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 958 9 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Ad Hoc Transcrevo a seguir, em seu inteiro teor, o voto lido pela relatora Bianca Felícia Rothschild na sessão de julgamento de 05/07/2017. A i. relatora foi transferida para a 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) antes da conclusão da votação, que veio a ocorrer na sessão de julgamento realizada em 07 de março de 2018. O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 03/08/2009, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 01/09/2009. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Decadência Não obstante a recorrente alegar que se trata de lançamento por homologação e por isso, estar o lançamento sujeito as regras de decadência do art. 150, parágrafo 4 do CTN, entendo na esteira da decisão do STF que tal dispositivo somente seria aplicável caso houvesse pagamento antecipado. Inexistente o pagamento antecipado, deve ser aplicada a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, pela qual o prazo decadencial se inicia a partir do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, não houve o pagamento antecipado do imposto de renda, cuja incidência, exclusiva na fonte, ocorre na data do pagamento de benefícios indiretos ou relativo a operação não comprovada. Na esteira do que conclui o voto condutor da decisão da DRJ, em relação as obrigações tributárias objeto do lançamento, o Fisco poderia realizar o lançamento ainda em 2001. Portanto, o prazo mencionado no artigo 173, inciso I, do CTN começaria a fluir em 1 ° de janeiro de 2002 e se esgotaria em 31 de dezembro de 2006. Como o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 17 de maio de 2006, não se acolhe a argüição de extinção do prazo para a constituição do crédito tributário. Leasing Alega a recorrente que não havendo nos autos provas da destinação ou utilização dos veículos por sócios, gerentes ou diretores, é de se julgar improcedente o lançamento do imposto de renda na fonte como beneficio indireto. A DRJ, por sua vez, alega que "se não houver prova da utilização do veiculo nas atividades operacionais da empresa, o respectivo dispêndio deverá ser incluído na remuneração do beneficiário, ainda que seja um terceiro em relação à pessoa jurídica, sob pena de incidência do imposto, exclusivamente na fonte, na forma do artigo 675 do RIR/1999." Fl. 962DF CARF MF 10 Argumenta a recorrente que a empresa tem sede em São Paulo, mas sua industria fica em CambéPR. Argumenta que utiliza tais veículos para os respectivos translados, com a finalidade de transportar técnicos, representantes, inspetores e etc. Defende que o arrendamento de veículos de melhor porte não tem interesse em ostentar luxo, mas sim garantir maior segurança e reduzir desconforto na viagem, minimizando altos custos do transporte aéreo. Concordo com os argumentos da fiscalização de que (fl. 497): "Os veículos: Mercedes, Scenic, Cherokee não são veículos de serem utilizados na comercialização ou na produção de bens. São veículos de passeio, de uso particular dos sócios, diretores e gerentes." No mesmo sentido alega a fiscalização na fl. 491: "A empresa registrou em conta de despesa, valores relativos a contraprestação de arrendamento mercantil de veículos de luxo, carros de passeio; tipo de veículos que só são utilizados no transporte de administradores, diretores e gerentes da empresa, sem nenhuma relação com a produção ou comercialização dos produtos." Em relação ao fato da fabrica ser distante da matriz em São Paulo, é, deveras, fato facilmente comprovado através de consulta a rede mundial de computadores, no entanto entendo que tal argumento perde força quando se constata, também através de consulta a internet que há vôos disponíveis entre São Paulo e aeroporto próximo a fabrica. Vale observar, ademais, que em analise dos termos de arrendamento, consta como cessionário, em muitos casos, o presidente da empresa Sr. Alfons Gardemann (fl. 18) e, em outros casos o Sítio do Engenho, de propriedade do mesmo Sr. Alfons Gardemann, indicando, desta forma, que tais veículos eram deveras de uso particular, mas tiveram seu ônus de pagamento repassado do contribuinte, na forma de contrato de cessão (ex.: fl.88). Vejamos: 1) Veiculo Mercedes Benz ML 320 ano de fabricação 1998 modelo 1999 Cor prataPlaca CPD 5550 Arrendador BCN Leasing Arrendamento Mercantil Arrendatário Alfons Gardemann cedente Cessionária Pado S/A Industrial, Comercial e Importadora Valor da contraprestação R$ 5.789,20 —Periodo:janeiro a dezembro 2001 2) Veículo Mercedes Benz A190 ano de fabricação 2000modelo 2001 Cor azul Placa ALL 5555 Arrendador ABN AMRO Arrendamento Mercantil S/A Arrendatária Pado S/A Indl Coml e Importação Valor da contraprestação R$ 1.956,62 —Período: janeiro a dezembro 2001 Novembro e dezembro/2000 R$ 3.913,24 3)Veiculo Audi3 1.8T ano de fabricação e modelo 2000 Cor prataPlaca AAG 8668 Arrendador BRADESCO LEASING S/A Fl. 963DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 959 11 Arrendatário Sitio do Engenho Adm., e Part. Imobiliárias LtdaCedente Cessionária Pado S/a Industrial, Comercial e Importadora Valor da contraprestação R$ 1.994,48 Período: janeiro a dezembro/2001 08 11 e 12/2000R$3.988,96 4) Veículo Mercedes Bens ML 430 ano da fabricação 2000modelo 2001 Arrendador BCN Leasing Arrendamento Mercantil S/A Arrendatária Pado S/A Industrial, Comercial e Importadora Valor da contraprestação R$ 6.564,50 Período: fevereiro a dezembro/2001 5)Veiculo importadoMERCEDES ML 320 ano e modelo fabricação 1998 Arrendador Alfons Gardemann Arrendatária Pado S/A Industrial, Comercial e Importadora Valor da contraprestação R$ 5.789,20 Período: janeiro a dezembro/2001 6)Leasing —Renaut/Scenic RXE 2.0 ano/modelo fabricação 2000 cor verde Arrendadora ABN AMR arrendamento Mercantil Arrendatária Sitio do Engenho Administração, Emp. e Partic. Imobiliárias Ltda CNPJ 00.710.579/000186Cedente Cessionária Pado S/A Industrial, Comercial e Importadora Valor da contraprestaçãoR$ 1.640,15 Período: janeiro a dezembro/2001 e de setembro a dezembro/2000 7)Leasing Jeep Cherokee placa KLR 0426 ano modelo 1998 cor preta Arrendatário Alfons Gardemann Arrendadora Fináustria Arrendamento Mercantil S/A S/A contrato particular de cessão direitos do Sr. Alfons — diretor presidente para Pado Data do contrato 07/01/2000. Valor contraprestação R$ 4.027,85 —Periodo: janeiro a dezembro/2001 Total R$ 48.334,20 8) Veículo Mercedes Benz ML 430 ano de fabricação e modelo1999 ArrendadorSafra Leasing S/A Arrendamento Mercantil ArrendatáriaPado S/A Indl Com Importadora Valor da contraprestação R$ 8.132,06 A partir de dezembro/2001 9)Leasing Renaut/Scenic Azul Fl. 964DF CARF MF 12 Valor da contraprestação R$ 1.606,88 Período: janeiro a maio e dezembro 2001 Outro ponto que denuncia o é trecho do próprio Recurso Voluntário em que o contribuinte confessa que os veículos eram utilizados por diretores (fl. 842): " Pretendeu o Auditor que fosse demonstrada a estrita vinculação dos veículos adquiridos com as atividades da empresa — sabese ia como —, sendo que tais automóveis, por estarem cedidos aos diretores, representam remuneração indireta, passível, portanto, de dedução." Desta forma, voto por negar provimento ao recurso, tendo em vista que não são veículos comprovadamente utilizados nas atividades de produção de bens e são utilizados por gerentes e diretores da empresa, que devem ser considerados como beneficio indireto para fins do IRRF. Pagamentos a Evio Marcos Cilião, AGT, Sitio do Engenho Conforme Termo de Verificação Fiscal, na conta 521014 Honorários Advocatícios a empresa apresenta registrado valores de despesas por serviços prestados por Evio Marcos Cilião, diretor presidente da empresa nesse ano calendário fiscalizado (2001), valores contabilizados em contrapartida conta 20700003Contas a Pagar e 2009000 Fornecedores. No exame desta contas se verifica que ha registros de pagamentos feitos por cheque, nominais a Evio Marcos Cilião, contabilizados em conta banco, que a empresa foi intimada a justificar. Parte deles foram justifica pagamentos feitos pela aquisição de títulos de T.D.A , outros pelos serviços prestados não foram justificados. Os cheques emitidos e pagos ao Sr. Evio como sendo pagamentos por serviços prestados foram considerados pagamentos feitos cuja operação não foi comprovada. A fiscalização considerou que os cheques que se destinaram aos pagamentos pela compra de títulos eram pagamentos feitos por causa comprovada e os demais, cuja razão não foi comprovada e nem mesmo demonstrada, foram tratados também como pagamentos sem causa. Tendo em vista a falta de apresentação de documentação comprobatória mesmo em sede de recurso voluntário em relação a natureza do pagamento em questão, voto pela procedência do lançamento. Quanto à existência de retenção informada em DIRF, relativa a notas fiscais emitidas pela Advocacia Evio Marcos Cilião, verificase, em consulta à fl. 378, que a recorrente informa haver retido a importância de R$ 3.120,85, sob o código 1708 (IRRF Serviços Prestados por Pessoa Jurídica). Entretanto, o beneficiário indicado no Demonstrativo n° 1 (fl. 253), anexo ao Termo de Verificação Fiscal, é a pessoa física Evio Marcos Cilião. Além disso, os rendimentos discriminados na DIRF em referencia não coincidem com os valores relacionados no citado Demonstrativo n° 1, tampouco foi demonstrado que tiveram a mesma motivação. Outrossim, a incidência verificada nos autos é exclusiva na fonte, diversamente da retenção informada na DIRF mencionada. Ademais, em sede do julgamento administrativo presente, não cabe efetuar compensação tributária, que possui rito próprio. Ademais, conforme averiguado pela fiscalização, a empresa apresenta registrado também nas conta 20720003 e 20090000 valores de cheques destinados a empresa AGT ADM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.000783/200653 Acórdão n.º 2402006.059 S2C4T2 Fl. 960 13 CNPJ 61.182.036/000128 E SITIO DO ENGENHO ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS, CNPJ 00.710.579/000186. Conforme se identifica pelos autos, foi solicitado através do Termo de Intimação a identificação do bem ou direito adquirido e/ou outra razão econômica desses pagamentos. No entanto, conforme alegado pela fiscalização, nenhum documento foi apresentado. Tampouco há qualquer inovação probatória em suas peças de defesa, desta forma, voto pela procedência do julgamento. A recorrente, limitase a afirmar que os valores pagos ao Sitio do Engenho vinculamse a contrato de mútuo. Todavia, a efetividade do mútuo deveria ser demonstrada pela apresentação de prova da transferência de recursos do patrimônio daquela empresa para a autuada, o que não foi feito. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Com base nessas considerações, que acompanhei, decidiu o Colegiado por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659074/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.330
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 07 4/ 20 12 -9 4 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.659074/201294 Resolução nº 3402001.330 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.659074/201294 Resolução nº 3402001.330 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.659074/201294 Resolução nº 3402001.330 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007390/2005-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise sobre a forma de cálculo dos juros não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a forma de cálculo dos juros não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007390/200529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.117 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente IRACEMA PINTO DE SOUZA & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a forma de cálculo dos juros não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 90 /2 00 5- 29 Fl. 50DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 28) interposto contra o Acórdão n° 06 17.257, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 16 à 20), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Anocalendário: 2000 Ementa: MULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A DESTEMPO. Mantémse o lançamento quando não comprovado pelo interessado que a obrigação acessória foi satisfeita dentro do prazo legal, bem como que estava dispensado de cumprila. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação aduzem a impossibilidade da Contribuinte em pagar a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), por ser superior ao resultado financeiro da empresa. A empresa IRACEMA PINTO DE SOUZA & CIA LTDA, localizada à Rua: Piaui, n° 2010 — Vila Guaird — Curitiba/PR, inscrita no CNPJ sob o n°02.197.450/000141, vem por meio desta, impugnar dentro do prazo o Auto de Infração n° 462793646. Sabemos da exigibilidade da entrega no prazo da DCTF; porém, como nosso movimento é tão pequeno o valor da multa acaba sendo superior ao resultado financeiro da empresa. Somos uma empresa idônea, cumpridora das nossas obrigações, estamos lutando para dar continuidade em nossa atividade, por isso, pedimos humildemente para que seja revisto os valores, sendo a multa apenas uma forma de orientação e alerta e não fonte de arrecadação. No aguardo de suas providências, subscrevemonos. Noutro giro, em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte revela sua discordância com a forma de cálculo dos juros: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.007390/200529 Acórdão n.º 1002000.117 S1C0T2 Fl. 3 3 Vimos por meio desta apresentar nosso recurso ao Conselho de Contribuintes referente ao Processo n° 10980007.390/200529 da empresa IRACEMA PINTO DE SOUZA & CIA LTDA. A empresa Iracema Pinto de Souza & Cia Ltda de fato entregou a DCTF fora do prazo determinado pela legislação vigente. Neste caso cabe a multa de R$ 500,00, R$ 487.39, R$ 401,38 e R$ 315,37. Sabemos que se pagarmos no prazo teremos o valor reduzido a 30% (trinta por cento) ficando o valor total em R$ 1.704.14 menos desconto fica em R$ 1.192,89. Esse processo referese a DCTF do 1°, 2°, 3° e 4° trimestre de 2000. No concordamos com o valor dos juros indevido que a receita está querendo nos cobrar, sobre valores em julgamento e não em atraso. Pedimos que seja revisto o parecer dado referente esse processo e encaminhado com data do dia 07.04.2008. Desde já agradecemos à atenção e aguardamos retorno. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não o conheço. Percebese de imediato que os argumentos abordados em sede de Recurso Voluntário não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de Impugnação em primeira instância. Notase, pois, que o Recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a Recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e constante no Recurso Voluntário, qual seja, a inconformidade com o cálculo dos juros. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciar a referida matéria, inclusive, para evitar supressão de instância. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 52DF CARF MF 4 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.007390/200529 Acórdão n.º 1002000.117 S1C0T2 Fl. 4 5 Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929981/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.868
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 99 81 /2 00 9- 19 Fl. 106DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.145, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 108DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 110DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 112DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 114DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 116DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.929981/200919 Acórdão n.º 3402004.868 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900328/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 28 /2 01 2- 53 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900328/201253 Acórdão n.º 3301004.210 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.745. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900328/201253 Acórdão n.º 3301004.210 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900328/201253 Acórdão n.º 3301004.210 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.901820/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 20 /2 01 3- 04 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.165. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901820/201304 Acórdão n.º 3302005.006 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000622/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. REGIME NORMAL. BASE DE CÁLCULO.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19.
Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem.
Numero da decisão: 3302-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 09/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente momentaneamente, o conselheiro Raphael M. Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. REGIME NORMAL. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 09/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente momentaneamente, o conselheiro Raphael M. Abad.
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REGIME NORMAL. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 09/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente momentaneamente, o conselheiro Raphael M. Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 22 /2 00 5- 52 Fl. 197DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Entre as fls. 1 e 30 deste processo encontramse impressos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs), transmitidos pelo interessado, para quitar débitos da sua responsabilidade com crédito a que alega fazer jus. Segundo o Relatório da Ação Fiscal, das fls. 62 a 64, tratase de pedido de ressarcimento complementar, do crédito presumido do IPI, referente ao período que vai de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002, no valor de R$ 1.843.587,82, complemento esse referente a pedidos da mesma espécie, formalizados nos Processos nºs 13052.000434/0047, 13052.000124/200111, 13052.000342/200155,13052.000456/200103, 13052.000560/200190, 13052.000077/200296, 13052.000323/200248; 13052.000593/200211, 13052.000065/200342 e 13052.000086/200368, cujos valores foram integralmente ressarcidos ou compensados. O pedido complementar se refere ao valor da prestação de serviços, decorrente de industrialização por encomenda, e da aquisição de energia elétrica, formas, matrizes e navalhas. Os autores do relatório mencionado no item precedente concluíram que o requerente não tem direito ao cômputo do valor da prestação de serviços, decorrente de industrialização por encomenda, no período que vai de janeiro a setembro de 2001, por falta de amparo legal, que só veio a surgir com a edição da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, a partir do quarto trimestre de 2001, inclusive, e tampouco admitiram o valor da aquisição de energia elétrica, no cálculo do beneficio em questão, admitindo, todavia, os demais gastos antes referidos. Foram propostos o reconhecimento do valor complementar de R$ 395.441,41 e a glosa da parcela de R$ 1.448.146,41. Na seqüência, foi proferido o Despacho Decisório DRF/SCS de 10 de setembro de 2007 fl. 66, que reconheceu o direito ao ressarcimento complementar do crédito presumido do IPI, referente ao período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002, no valor de R$ 395.441,41, negando o direito ao valor de R$ 1.448.146,41. A ciência do referido despacho ocorreu em 19 de setembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), da fl. 68. O requerente apresentou, no devido prazo, em 17 de outubro de 2007, a manifestação de inconformidade, das fls. 69 a 93, firmada por procuradores, com mandato na fl. 95 e documentos nas fls. 94 e 96 a 117, alegando o que vem resumido na seqüência. O interessado discorre sobre as normas que regem o benefício em discussão, partindo da Medida Provisória nº 948, de 23 de março de 1995, passando pela Lei d 9. .363, de 13 de dezembro de 1996, até chegar na Lei n2 10.276, de 2001, concluindo que o produtor e exportador, como é o seu caso, tem o direito de ser Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302005.229 S3C3T2 Fl. 3 3 'ressarcido integralmente da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que incidiram em etapas anteriores, sobre todos os insumos utilizados no processo industrial, inclusive, no que diz respeito aos custos decorrentes de operações de beneficiamento, realizadas por terceiros, e os oriundos do consumo de energia elétrica. No tocante à industrialização realizada por terceiros, alega que sua atividade principal é a fabricação de calçados, sendo que, na hipótese de adquirir couro que necessite de beneficiamento, remete o referido produto para "ateliers", para curtimento ou realização de costura, colagem ou corte, operações cujos custos devem ser computados na apuração do crédito presumido do IPI, no seu entender, inclusive porque a receita do prestador de serviços, enseja o recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Cita e transcreve decisões, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e do Segundo Conselho de Contribuintes, a favor do seu entendimento. Sobre os gastos com energia elétrica, o requerente afirma que, embora o referido insumo não se integre fisicamente aos produtos exportados, sobre ele incidiram, em etapa, anterior, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, o que justificaria o seu cômputo, no cálculo do benefício em discussão. Também quanto a esse tópico, cita e transcreve decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, que coincide com a sua tese. Prossegue o interessado, dizendo que a Lei n g 10.276, de 2001, foi editada para dirimir dúvidas na interpretação da Le nº 9.363, de 1996, a respeito das glosas em comento. Finaliza dizendo que tem direito à atualização monetária do ressarcimento solicitado, desde a protocolização do pedido respectivo, e ao abono de juros Selic, citando jurisprudência e doutrina que entende aplicáveis à espécie." O Acórdão 1016.734, da 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre RS, Sessão de 30 de julho de 2008, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME NORMAL. BASE DE CÁLCULO. As aquisições de energia elétrica não integram a base de cálculo do crédito presumido, apurado pelo regime normal, por não haver consumo em contato direto com o produto em elaboração, não se enquadrando nos conceitos de MP e PI. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda,com remessa dos insumos e retorno do produto com Fl. 199DF CARF MF 4 suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de MP, PI e ME. ABONO DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. I DO MÉRITO Da Aplicação das Leis nºs 9363/1996 e 10.276/2001 A Lei 9363/96 instituiu o benefício fiscal do crédito presumido de IPI que incide sobre as aquisições no mercado interno de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), que são empregados na fabricação de produtos destinados à exportação, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS, devendo ser apurado mensalmente pelo estabelecimento matriz do contribuinte produtor e exportador. Vale lembrar que, atualmente, esse direito só poderá ser aproveitado pela pessoa jurídica, em ralação ao PIS e a COFINS cumulativas. O benefício foi incorporado ao Regulamento do IPI (arts. 241 a 250), sendo certo que, as normas para cálculo, utilização e apresentação das informações relativas ao crédito presumido obedecem as disposições da Portaria MF nº 93/2004 e das Instruções Normativas nºs 419 e 420, ambas de 2004. Existem duas formas de se calcular o crédito presumido, cala uma delas representada por uma lei. Assim temos a sistemática ordinária de cálculo, utilização e apresentação de informações, tratadas pela Lei nº 9363/96 e IN nº 419/2004, e a sistemática alternativa de cálculo, utilização e apresentação de informações, tratadas pela Lei nº 10.276/2001 e IN nº 420/2004. Pois bem. É Facultado ao contribuinte escolher uma das duas sistemáticas acima referidas, dentre aquele que melhor lhe aproveite, contudo, deve seguir os ditames legais para não incorrer em erros que lhe possam trazer prejuízos. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302005.229 S3C3T2 Fl. 4 5 A opção pela sistemática de apuração alternativa é formalizada no Demonstrativo de Crédito Presumido do IPI (DCP), no último trimestrecalendário do ano anterior ou DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de inicio de atividade da pessoa jurídica, é o que se extrai dos artigos 2º e 3º da IN SRF nº 420/04, vejamos: Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput. Art. 3º A opção será formalizada: I no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; II no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º. Na hipótese de o contribuinte produtor e exportador optar pela apuração do crédito presumido do IPI com base na sistemática alternativa, a opção é irretratável e abrangerá todo o anocalendário ou período remanescente deste, na hipótese de exercício quando do início das atividades da pessoa jurídica. Vale ressaltar que somente na sistemática alternativa que é permitido o aproveitamento dos créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, conforme dispõe o art, 4º da instrução normativa acima mencionada: Art. 4º A opção pelo regime alternativo de cálculo do crédito presumido implicará a observância dos seguintes procedimentos: I somente serão apropriados os valores relativos a combustíveis adquiridos e energia elétrica consumida no período abrangido pela opção, bem assim o valor relativo à prestação de serviços na industrialização por encomenda de produtos realizada no mesmo período; II remanescendo estoque final no último período de apuração de acordo com a sistemática anterior, referente a MP, PI e ME, este será considerado, pelo custo de aquisição, como estoque inicial do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo; III os valores de MP, PI e ME utilizados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à opção e computados, pelo custo de Fl. 201DF CARF MF 6 aquisição, a partir do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo. § 1º Se, da última apuração relativa à sistemática anterior, resultar valor: I positivo, este será considerado como crédito presumido do IPI, a ser aproveitado segundo o disposto no art. 22; II negativo, este será deduzido do crédito presumido relativo ao primeiro período de apuração na nova sistemática. § 2º Se, após a dedução a que se refere o inciso II do § 1º, ainda restar saldo negativo, o valor será deduzido do crédito relativo ao mês subseqüente e, assim, sucessivamente, até seu completo aproveitamento. A validade da afirmação de que somente na sistemática de apuração alternativa é possível o aproveitamento dos créditos na aquisição de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, é confirmada quando passase a aplicar as diretrizes do art. 43, da IN SRF nº 420/04, que transcrevemos abaixo: Art. 43. O retorno à sistemática de cálculo do crédito presumido prevista na Lei nº 9.363, de 1996, darseá com a observância das seguintes regras: I remanescendo estoque final no último período de apuração de acordo com a sistemática anterior, referente a MP, PI e ME, este será considerado, pelo custo de aquisição, como estoque inicial do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo; II remanescendo estoque final no último período de apuração de acordo com a sistemática anterior, relativo a combustíveis, este não poderá ser computado no valor do estoque inicial do primeiro período de apuração subseqüente; III os valores relativos a energia elétrica, combustíveis e prestação de serviços na industrialização por encomenda utilizados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à nova sistemática de cálculo, vedada sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido de períodos de apuração subseqüentes; IV os valores de MP, PI e ME utilizados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à nova sistemática de cálculo e computados, pelo custo de aquisição, a partir do primeiro período de apuração subseqüente. Assim, aplicando o acima exposto ao caso em comento, temos que os créditos apurados pela contribuinte recorrente nos períodos de apuração de janeiro de 2000 a setembro do mesmo ano, não foram abraçados pela Lei nº 10.276/2001 e IN SRF n° 420/04, vale dizer, neste período não havia ainda a sistemática de apuração alternativa, instituída pela lei de 2001, que permitiu o aproveitamento de créditos na aquisição de combustíveis, energia Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302005.229 S3C3T2 Fl. 5 7 elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, o que corrobora a correta glosa dos créditos promovida pela fiscalização. Nem se alegue que o aproveitamento dos créditos acima mencionados seriam permitidos pela Lei nº 9.363/1996, pois como demonstrado esse benefício não era permitido. Em relação ao período de apuração de janeiro a setembro de 2000, que se pleiteou o crédito presumido do art. 1° da Lei nº 9.363/96, sobre as aquisições de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, devemos aplicar a disciplina da Súmula CARF nº 19, que é de observância obrigatória deste Colegiado: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Desta forma, por falta de previsão legal quanto a possibilidade de aproveitamento dos créditos sobre as aquisições de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, bem como pela determinação regimentar de obrigatória observância quanto a aplicação das Súmulas deste E. Tribunal, voto pela manutenção das glosas dos créditos lançados pela contribuinte recorrente dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2000. II Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e, manter as glosas de créditos sobre as aquisições de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, lançados pela contribuinte recorrente nos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2000. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000317/2005-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, após a ocorrência do fato gerador, não autoriza a sua exclusão da tributação do ITR.
Numero da decisão: 9202-006.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 236 1 235 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13629.000317/200523 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.572 – 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAINTGOBAIN CANALIZAÇÃO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, após a ocorrência do fato gerador, não autoriza a sua exclusão da tributação do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em sessão plenária de 20/05/2008, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 30239.468 (fls. 138 a 147), assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 03 17 /2 00 5- 23 Fl. 236DF CARF MF 2 “ASSUNTO2 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURALITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para ser reconhecida para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal, deve, além de ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do ADA, estar averbada em cartório à margem da matricula do imóvel, admitindose que tal providência seja tomada depois de ocorrido o fato gerador do Imposto, mas até a apresentação da impugnação ao lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Cientificada do acórdão em 12/09/2008 (fls. 148), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 151), o Recurso Especial de fls. 152 a 163, com fundamento nos artigos 7º, inciso I, e 15, do Regimento Interno da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal, levada a cabo na decisão recorrida, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996, c/c art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (§ 8º do art. 16, da MP nº 2.16667/2001 à época) e 111 do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 302.229, de 26/09/20008 (fls. 161 a 163). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise das alegações e documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar a não tributação da área de utilização limitada/reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência de registro imobiliário tempestivo para que a área seja considerada não tributável; no que se refere à legislação utilizada para justificar a exigência, cabe invocar, primeiramente, o disposto no art. 10, da Lei nº 9.393, de 1.996, que diz, verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando~se a homologação posterior.” a exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR está prevista na alínea "a", inciso II, § 1º, do referido art. 10, da citada Lei nº 9.393, de 1.996, a seguir transcritos: § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 237 3 a exigência da averbação da área de utilização limitada/reserva legal à margem do seu registro imobiliário, a seu turno, está prevista, originariamente, no § 2° do art. 16, da Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1.989, hoje § 8º do mesmo dispositivo, conforme alteração da MP nº 2.16667, de 2001, a saber: "Art. 16. (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. ” desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393, de 1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência averbação à margem da matrícula do imóvel; além disso, tal exigência foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43, de 1997, com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67, de 1997: "Art. 10 (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67 97 de 01/09/I997) I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997)" por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei nº 9.393, de 1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de cada ano; assim, as áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação, se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício; tanto é verdade, que atualmente esse prazo consta expressamente indicado no parágrafo 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do ITR), que consolidou toda a legislação do ITR, da seguinte forma: "Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob Fl. 238DF CARF MF 4 regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001). § 1º. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador." dessa forma, a averbação da área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deveria ocorrer até 01/01/2001, data do respectivo fato gerador, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996; ocorre que, no presente caso, referida averbação somente ocorreu em 06/02/2001, donde se pode concluir que tal providência foi intempestiva para o exercício em questão (2001), só podendo vir a justificar a não tributação dessa área, a partir do exercício de 2002; acrescentese, conforme já aventado em relação à outra matéria, que, tratandose de isenção ou exclusão da tributação, conforme determina o art. 111 do CTN, deve ser observado o rigor da interpretação literal da lei; na realidade, a averbação da área de reserva legal, mais do que um meio acessório de promover a proteção da referida área, constitui um compromisso público firmado pelo proprietário do imóvel, de que aquela área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas; esse compromisso tornase de fácil compreensão, pois, caso contrário, seria totalmente inócuo o incentivo à preservação do meio ambiente. Imaginese a hipótese de o contribuinte poder apresentar a DITR, por seguidos exercícios, suprimindo áreas da tributação, com a alternativa de providenciar o cumprimento da exigência de averbação em cartório a qualquer tempo, podendo fazêlo, inclusive, somente quando solicitado pela fiscalização do imposto, como ocorreu no caso em tela; se assim fosse, nenhum efeito resultaria da medida de incentivo a conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da isenção fiscal e o Poder Público não teria qualquer garantia, o que não ocorre quando da existência da averbação da área no registro de imóveis; assim sendo, constatada a averbação intempestiva da área declarada como de utilização limitada/reserva legal, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração; o lançamento do imposto suplementar apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de utilização limitada/reserva legal e preservação permanente, indevidamente excluídas da tributação do ITR do exercício de 2001, está fundamentado no art. 14, da Lei nº 9.393, de 1.996, que assim dispõe: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. a Secretária da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 238 5 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. cabe acrescentar que a própria Medida Provisória nº 2.166, de 2001 art. 3º, para não deixar dúvidas quanto à cobrança do imposto suplementar, se comprovado que as áreas excluídas do ITR não estão devidamente regularizadas, alterou a redação do art. 10, da Lei nº 9.393, de 1.996, acrescentando: "Art 10 (...) § 7º: A declaração para fim de isenção do ITR relativo às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” a cobrança do imposto correspondente às áreas não averbadas / averbadas intempestivamente não pode ser entendida como uma "sanção", pois, na realidade, o que houve foi a exigência do imposto apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, indevidamente excluídas do ITR, nos termos da legislação citada anteriormente; no caso, pode ser entendida como sanção a cobrança de juros e multa calculados sobre o valor do imposto suplementar, nos termos da legislação de regência; assim, é de ser reconhecido que não restou comprovado o cumprimento, tempestivo, das exigências anteriormente fundamentadas, para fins de restabelecer, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, devendo, portanto, ser mantida a tributação. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 17/02/2009 (AR de fls. 165/verso), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 04/03/2009 (envelope de fls. 186), as Contrarrazões de fls. 166 a 186, contendo os seguintes argumentos, em resumo: a averbação da área de reserva legal depende da emissão de Termo de Preservação de Floresta" o que não foi feito pelo Órgão competente, conforme determina o parágrafo 4° do artigo l6 da Lei 477l, de 1965; a área de reserva legal “deve ser aprovada" pelo órgão ambiental estadual competente, ou mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada; a realidade fática e material demonstrou que a área estava preservada, tanto que foi pelo órgão competente aceita; Fl. 240DF CARF MF 6 a Lei 9396, de1996 define que as áreas sujeitas ao pagamento do ITR são aquelas “aproveitáveis", na qual não estão computadas as áreas de uso limitado, no caso 20% da propriedade a título de reserva legal; o Ibama certificou a existência da área de reserva legal e da impossibilidade de averbação desta área antes do órgão estadual emitir o “termo de preservação florestal"; a efetiva isenção do Imposto para as áreas de reserva legal e de preservação permanente depende da observância dos preceitos contidos no Código Tributário Nacional: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. o presente lançamento diz respeito ao exercício de 2001, portanto a DITR, tendo o fato gerador do imposto ocorrido no dia primeiro de janeiro daquele mesmo ano, conforme previsto no artigo l° da Lei 9.393, de 1996, o que de vital importância no que concerne aos efeitos do disposto do artigo 105 do Código Tributário Nacional na solução da presente lide: Art. 105 A legislação tributária aplicase imediatamente aos fotos geradores futuro e aos pendentes, assim entendidos, aqueles cujo ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. até a entrada em vigor da Lei 10.165, de 27/12/2000, a exoneração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência do existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal estava vinculada as exigências contidas nas leis então vigentes, ademais o ADA foi entregue no ano de 1998 ao Ibama; o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural tem função extrafiscal, com a qual se lhe atribui finalidade mais ampla, superando a meramente arrecadatória, com vistas a utilização da propriedade particular em benefício da coletividade; esta é a razão que está a desonerar o pagamento do imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, entre outras; o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do ITR), assim dispõe: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; (...) § 4° O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3° e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 239 7 ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis". o que se depreende do texto legal é que a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR está inserida em um programa mais amplo de controle do uso dos recursos naturais disponíveis, no qual se previu, inclusive, nova fonte de recursos destinada ao financiamento da fiscalização ambiental; sem a obtenção do ADA na data da ocorrência do fato gerador do imposto (prazo alargado por atos normativos do Secretaria da Receita Federal) e do “termo de preservação de florestas", requisitos formais definidos em Lei como necessários para a concessão do favor, não havia como Contribuinte usufruir da isenção, pois o Estado não havia cumprido e não satisfeito o seu dever, ao tempo e condições em que efetivou a declaração do ITR revisado pela fiscalização, estando tal exigência, sem dúvida, em consonância com toda a lógica que alicerça a obrigatoriedade de apresentação desse documento, conforme antes demonstrado; o cerne da questão está na data de averbação em cartório da área de reserva legal; tal exigência não é de total domínio do particular, o êxito depende da observâncio e implementação do próprio Estado e de cada um de seus elementos constitutivos; a averbação da reserva legal não é obrigação independente da vontade do órgão competente, pois foi criada restrição ao seu uso, impedindo que sua destinação sejo alterada por futuros compradores; não houve nenhum prejuízo o foto de a averbação terse dado depois do fato gerador, até o momento admitido em lei para a apresentação das provas Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) 4.°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese o contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § 5.°. A juntada de documentos após a impugnação dever ser requerida a autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) Fl. 242DF CARF MF 8 § 6.°. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97). assim, poderia a Contribuinte apresentar a matrícula do imóvel, averbada com a área de reserva legal até a data de apresentação da impugnação ao lançamento de ofício; ademais, a efetiva averbação se deu poucos dias após o fato gerador da DITR/2001, menos de trinta dias; tais pressupostos são corroborados pela aplicação do supramencionado artigo 179 do Código Tributário Nacional, em combinação com o artigo 155, verbis. Art. 155. A concessão da moratória [leiase isenção] em caráter individual não gera direito adquirido e será revogada de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições [definidas em Lei,conforme 179] ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos [definidos em Lei,conforme 179] para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: há ainda que salientar por definitivo e detalhadamente que o artigo 16 da Lei 4.771, de 1965, determina que a definição e averbação da área de reserva legal não é de responsabilidade do proprietário rural mas sim da autoridade estadual competente; no caso do Estado de Minas Gerais como se dá este processo de definição e averbação da área de reserva legal, segundo o artigo l6 da Lei Estadual l4.309, de 2002, c/c artigo l8 do Decreto 43710, de 2002, que a regulamenta, não deixando dúvidas da necessidade do Estado definir o local exato e emitir o Termo de Preservação de Florestas, assinado por ele, para só então ser encaminhado ao Cartório de Registro de Imóveis; portanto, importantes conceitos legais da Lei 4771, de 1965, devem ser melhor estudados e considerados, vejamos: a área de reserva legal de uma propriedade não é uma faculdade do produtor, e sim uma obrigação (art. l6 da lei 4.771, de 1965); esta área deverá ser representativa e necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. l°, § 2°, III), portanto, não podendo, em hipótese alguma, ser explorada no ano anterior, sob pena de não servir à reserva legal da propriedade; quem define o local onde será localizada a reserva legal, é o órgão estadual competente (art. l6, § 4°), somente após esta definição é que será emitido o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, assinado pelo órgão para ser encaminhado ao cartório de registro de imóveis, sem o que é impossível ser averbada; a modalidade de reserva legal desta propriedade é a de área já preservada (art. l6, § 4°), e não as demais, nas quais a área poderia ter sido utilizada no ano anterior e ser preservada nos moldes do artigo 44, incisos I, II e III da Lei 4771, de 1965; assim, para alcançar o intuito da Lei 4771, de 1965, em relação à área de reserva legal, precisou a empresa primeiro requerer ao órgão estadual competente, antes Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 240 9 mesmo do ano de 2000 (exercício de 2001), para que fosse definida pela autoridade competente, a área de “uso limitado", o que seria impossível se tivesse explorado no ano anterior; assim, a área de 209,6 ha era imprestável à exploração, seja ela de que tipo tosse, portanto, excluídas das áreas aproveitáveis e da base de cálculo do imposto; uma vez liberado pelo órgão competente o Termo de Preservação de Floresta, o que ocorreu apenas no início de 2001, foi o documento averbado em Cartório de Registro de imóvel, pois a área já estava preservada, e em hipótese alguma poderá ter sido explorada no ano de 2000, por servir às obrigações ambientais da propriedade rural; esta área de aproximadamente 209,6 hectares, por ser considerada inaproveitável para qualquer natureza, e particularmente para efeitos tributários, é aquela não prevista dentre as descritas no inciso IV, do artigo 10 da lei 9393; por conseqüência, não pode servir de base ao cálculo no coeficiente do grau de utilização da propriedade rural, conforme determina o inciso VI, do artigo 10, da Lei 9393; portanto, o espírito do legislador (que pensou também nos efeitos ambientais de preservação ambiental) não pode ser preterido pelo espírito arrecadatório, pois se pudesse poderia a empresa ter utilizado aquela área e manter o seu grau de utilização em 100%, sem pensar na questão ambiental; o que se pretende proteger é o espírito da lei (CTN) que certamente não pensou apenas naqueles que averbaram um “Termo de Preservação de Floretas", precedido de vistoria e ato do Estado, mas principalmente para aquele que efetivamente preservou a área e dela não tirou qualquer proveito, para ao final ser considerada aproveitável e não utilizada, o que é um contrasenso; estes fatos serão devidamente provados por certidão inequívoca de vistoria de campo, emitida pelo órgão competente juntada nos termos da lei; certamente se o Estado possuísse a agilidade necessária à entrega deste termo de preservação de florestas, certamente antes seria a entrega deste documento ao cartório; antes mesmo do exercício de 2001 não havia qualquer tipo de exploração naquela porção de terra por ser uma área de preservação ambiental; caso ocorresse qualquer tipo de exploração naquela área no ano anterior ou anteriores, ela seria considerada imprestável para servir de reserva legal a ser averbada, devendo, pois ser a área de reserva legal considerada nas modalidades do artigo 44 da Lei 477l, de 1965, o que não ocorreu e está provado pelo Termo de Preservação de Florestas assinado pelo Estado que não faz qualquer menção ao fato, é o chamado princípio da verdade material; vêse, pois, a improcedência da glosa, que não está consoante com o entendimento do legislador, por isto a linha de pensamento que regula esta matéria deriva da determinação contida no § 7°, do artigo 10, da Lei 9.393, de 1996 (com redação alterada pela Medida Provisória n° 208064); Fl. 244DF CARF MF 10 não obstante as relevantes questões opostas, temos outro muito importante, que é o tato de ter sido apresentado e requerido ainda no ano de 1998, no dia 19 de setembro, ao Ibama, órgão competente, através do ADA Ato Declaratório Ambiental, protocolado sob o número 3l000625400 (cópia anexa), que fosse a área de 208,2 hectares, considerada como sendo de utilização limitada, assim, mutatis mutandi, por entendimento da lei e da fiscalização em outros processos em relação ao uso do ADA, fica acertado que a apresentação do ADA, antes do exercício, dá sim, direito a autuado, de se utilizar daquela área como de utilização limitada; outro mister muito importante é o fato de que o pedido da empresa, após protocolização do ADA Ato Declaratório Ambiental, onde já constava a área de 209,6 hectares como de utilização limitada (pois iria se tornar a área de reserva legal), o Órgão conveniado, o Ibama, esteve na propriedade e declarou via certidão, já entregue na Delegacia da Receita Federal de Coronel Fabriciano, e novamente encaminhado (DOC. ANEXO), o que se segue: “A vistoria no imóvel foi realizada com auxílio de uma planta topográfica e da documentação fundiária da propriedade. Verificamos que a data de protocolo do ADA n° 31000625400, foi de 2l de setembro de 1998. A área informada como reserva legal foi de 208 ha. Informamos ainda que o proprietário rural, às suas expensas, não pode averbar a área de reserva legal porque, conforme determina o artigo 16, § 4°, da Lei 4771/65, de 15/09/65, o órgão estadual competente será responsável por definir a área de reserva legal de uma propriedade. No caso de Minas Gerais , é o IEF Instituto Estadual de Florestas, que após vistoria , define a área e emite o Termo de Preservação de Florestas, com as características e confrontações desta área, e só após, com este termo assinado pelo Órgão e pela empresa que será encaminhado a cartório de registro de imóveis para ser averbado. O embasamento legal utilizado pelo órgão competente para definição da reserva legal foi o artigo l6 da Lei 4771/65. Pela característica fisionômicas da vegetação da reserva legal, concluise que não ocorre exploração florestal nesta área antes mesmo do ano de 1998." (destaques do Contribuinte) não há dúvida de que, desde o ano de l998, a empresa tenta, sem sucesso, conseguir junto ao órgão estadual competente, o Instituto Estadual de Florestas, este termo para ser averbado; enquanto isto, a Contribuinte não deveria pagar o imposto sobre esta área, que não podia ser explorada (uso limitado); notase que o Termo foi liberado e averbado apenas em fevereiro de 2001 ou seja, um mês após o fato gerador do ITR/200l, mas dentro do prazo de 6 meses a que se refere o inciso II, do artigo 17 da lN SRF nº 73, de 2000; do mesmo texto legal, vem a ordem jurídica para se fazer o lançamento suplementar, apenas se o contribuinte não requerer o fato ou se este não for reconhecido pelo Ibama; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 241 11 no caso em tela, não só foi requerido no prazo, como também o Ibama reconheceu a existência da área de reserva legal (artigo 2° da Lei 4771, de 1965), ainda que não estivesse averbada em 01/0l/2001. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do recurso ou, caso assim não se entenda, que a ele seja negado provimento. Distribuído o processo na Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para que esta verificasse, junto ao Instituto Estadual de Florestas, a efetiva data em que a Contribuinte solicitou o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta mencionado na matrícula de fls. 17, bem como esclarecesse acerca da procedência das informações constantes do Laudo Técnico de Vistoria de fls. 80/81, conforme Resolução n º 9202000.034, de 25/08/2016 (efls.217 a 228). Solicitadas as referidas informações, por meio do Ofício nº 0446/2017, de 21/08/2017 (efls.231/232), o Instituto Estadual de Florestas IEF/MG quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional, contra decisão não unânime proferida em 20/05/2008, foi interposto na modalidade de contrariedade à lei (artigos 7º, inciso I, e 15, do Regimento Interno da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais). Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com a regra de transição estabelecida no artigo 4º, da Portaria MF 256, de 2009, o Recurso Especial deve ser conhecido. Esclareçase que, embora o Contribuinte, em sede de Contrarrazões, peça o não conhecimento do apelo, não apresenta qualquer fundamento para o suposto óbice quanto à sua admissibilidade, de sorte que tal argumento não será considerado. Tratase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2001, tendo em vista glosa de 208,2 hectares relativos a ARL Área de Reserva Legal, uma vez que a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel ocorrera em data posterior à do fato gerador. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a averbação, embora posterior ao fato gerador, ocorreu antes da impugnação. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a manutenção da glosa, em face da intempestividade da averbação. Quanto à ARL, há efetivamente um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Fl. 246DF CARF MF 12 Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Não se trata, portanto, de simples formalidade ou de atividade meramente declaratória, mas sim da própria constituição da área, que inexiste antes de que seja promovida a competente averbação. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a averbação da ARL deve ser providenciada até esta data. No caso em apreço, tratandose do ITR do exercício de 2001, a averbação deveria ter sido providenciada até 1º/01/2001, o que só foi feito em 06/02/2001 (fls. 17). Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o atraso na averbação da Reserva Legal seria devido ao Poder Público, e que desde 1998 tentava conseguir, sem sucesso, junto ao Instituto Estadual de Florestas, o termo para ser averbado. Nesse sentido, apresenta Laudo Técnico de Vistoria, firmado por Fábio Milagres Rodrigues, Analista Ambiental do Ibama/MG (fls. 80/81). Entretanto, conforme certidão de fls. 17, a averbação da ARL Área de Reserva Legal de 208,25 hectares foi efetuada em 06/02/2001, e o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta foi firmado pela Contribuinte junto ao IBDF Delegacia Estadual do IBDF em Minas Gerais, IEF/MG, em 15/01/2001, portanto também posteriormente ao fato gerador. Com efeito, não consta dos autos qualquer documento comprovando que dito termo tenha sido solicitado antes do fato gerador, tampouco foi comprovada eventual morosidade do órgão ambiental mineiro, resultando improfícua a diligência solicitada por meio da Resolução nº 9202000.034, de 25/08/2016. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, restabelecendo a glosa da área declarada como de utilização limitada, no exercício em questão. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 242 13 Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000550/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL.
O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador.
PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE.
A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizá-lo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalizar o voto. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 31 de agosto de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator "ad hoc".
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE. A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizálo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalizar o voto. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 31 de agosto de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 05 50 /2 01 0- 07 Fl. 22427DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator "ad hoc". Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Lenisa Rodrigues Prado. "Submetese a apreciação deste Colegiado o Recurso de Ofício em tela, em obediência aos ditames do art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/20171. A questão tem início na lavratura de auto de infração em desfavor da contribuinte TAP Manutenção e Engenharia Brasil S.A. porque não comprovou ter quitado os tributos e contribuições federais no período em que importou mercadorias com o benefício da isenção prevista na Lei n. 9.069/1995 (01/05/2005 a 31/12/2008). Por esse motivo, exigiuse da contribuinte todos os tributos incidentes sobre as operações, acrescidos de juros de mora e multa de mora. A fiscalização alega que a contribuinte usou nos despachos de importação invoices falsas, com o objetivo de agilizar os trâmites aduaneiros, dissimulando importações em caráter temporário e simulando importações a título definitivo com isenção e redução dos tributos e contribuições. Por esse motivo foi acrescido a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos limites determinados pelo § 1º do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente há época dos fatos. Cientificada sobre a autuação sofrida, a contribuinte apresentou impugnação tempestivamente (fls. 14021/14035). Relativo à ausência de certidão negativa, argumentou que os benefícios de isenção e de alíquota zero dos art. 2° e 3° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, são de caráter unicamente objetivo e não misto. Portanto, com fulcro no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 7, de 7 de julho de 1998, 1 Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 22428DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.426 3 entendeu que a comprovação da regularidade fiscal estava dispensada e que o lançamento neste aspecto deve ser declarado improcedente. Acrescenta ser equivocado o entendimento de que a alteração trazida pelo Decreto n° 5.268, de 9 de novembro de 2004, tenha alterado a natureza da isenção, pois além de entender que não tenha havido tal alteração, pondera que decreto regulamentar não possui o condão de alterar o disposto em lei: "(...) norma de isenção fiscal concedida peremptoriamente por lei somente pode ser alterada por outra norma de mesma hierarquia. Assim, tratandose de benefícios previstos em lei ordinária (Leis n° 8.032/90 e 10.865/04), tais benefícios somente poderiam ser alterados por nova lei de igual hierarquia, qual seja, nova lei ordinária" (fl. 140281). Invoca ainda os art. 111, 176 e 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e 172 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002. Quanto à utilização de invoices falsas, a contribuinte esclareceu que os documentos eram emitidos pela Varig S.A., através do sistema Spec2000, que uniformizava as faturas dos clientes e emitia um único documento na matriz ou na filial (Galeão ou Porto Alegre). Naquela oportunidade a contribuinte questionou a alegação da fiscalização de que as importações deveriam ser obrigatoriamente realizadas por admissão temporária, pois o Decreto n. 4.765, de 24/06/2003 teria revogado o parágrafo único do Decreto n. 4.543/2002. Em 28 de abril de 2011 foi determinada a baixa do processo em diligência para juntada de documento com conseqüente reabertura de prazo para complementação da impugnação. Na peça complementar de impugnação (fls. 1414114149), foram reiterados os argumentos anteriormente trazidos na impugnação original relativamente à análise da isenção. Em 16 de setembro de 2011, através da Resolução n° 11, foi determinada nova baixa do processo em diligência, nos seguintes termos: "(...) deve o processo retornar à unidade de origem para determinação dos valores dos tributos por adição de DI para cada uma das três exigências" (fl. 14195). Como conseqüência, determinouse a nova reabertura do prazo para complementação da impugnação "(...) acerca de tãosomente os novos elementos eventualmente trazidos aos autos e comprovar sua alegação de autorização para uniformização de faturas a cargo de uma única empresa (Varig) " (fl. 14195). A autoridade lançadora esclareceu: "(...) que, embora o relatório descreva estas duas irregularidades, houve o lançamento no sistema SAFIRA de apenas uma delas, tendo em vista que uma cobrança se sobrepõe a outra. Ou seja, a cobrança do II e do IPI se daria ou pela ausência de CND (que abrange todas as mercadorias) ou por se tratar de ferramentas que não estariam abrangidas por tal isenção. Neste sentido, optamos por lançar em virtude da ausência de CND (...)" (fl. 21890). Complementou: "Não obstante, anexei em fls. 21.864, tabela com os valores de II e IPI, caso houvesse um lançamento destacado. (...) Com relação a falta de certidão negativa, as DIs estão relacionadas em fls. 04 (volume I) a fls. 301 (volume II), com os respectivos valores tributáveis e valores individualizados por infração eDI (...)" (fls. 2189021891). Fl. 22429DF CARF MF 4 Quanto à não indicação das Declarações de Importações, e de seus respectivos valores, que foram objeto da conversão da pena de perdimento, esclareceu a autoridade lançadora: "Com relação ao item 2, referente à pena de perdimento por falsidade documental, como no SAFIRA não há campo específico para colocação do número da DI, o valor foi lançado de forma consolidada resultando no total de R$ 28.711.529,43, conforme fls. 1692 deste processo (volume IX). O relatório, por sua vez, no caso específico desta infração, reportase à TABELA III (item 5.2 do relatório anexo ao auto de infração, fls. 6.969, V. XXXIX), onde consta a relação das DIs autuadas com a conversão do perdimento em multa equivalente 100% do valor aduaneiro. Ocorre, de fato, que o valor aduaneiro não foi relacionado, por DI, na TABELA III. Por este motivo, anexamos novamente a relação das DIs da TABELA III (fls. 21.865), com os respectivos valores aduaneiros, cuja soma coincide com o valor consolidado lançado no SAFIRA para esta infração" (fl. 21891). Após manifestação acima, foi novamente reaberto o prazo para complemento dos argumentos impugnatórios e esclarecimentos acerca do mecanismo de uniformização das faturas. Em sua manifestação, a impugnante requer seja reconhecida a nulidade dos lançamentos pela ausência de individualização dos débitos exigidos pelo Fisco. Quanto ao pedido de comprovação da alegação da existência de autorização pelo Decex de uniformização das faturas, reiteroua e juntou cópia de carta enviada em fevereiro de 1992 pela Varig àquele órgão. Por fim, assim se manifestou acerca da responsabilidade pela busca da comprovação (fl. 21901): "Importante frisar que o DECEX é um órgão da própria Receita Federal e que eventuais dúvidas podem ser dirimidas em um simples ofício ao órgão, haja vista que a impugnante, em razão do decorrer de longos anos, não possui todos os documentos antigos relacionados à antiga VARIG. Ou seja, é necessário que seja expedido ofício ao DECEX para dirimir tal questão" Em 2011, sendo optante pelo parcelamento previsto nos art. 1° e 3° da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a ora impugnante solicitou exclusão dos débitos do presente processo do pedido de parcelamento (a indicação para parcelamento não abrangeu a totalidade dos débitos do processo), alegando ter indicado equivocadamente tais valores e não ter apresentado desistência da impugnação. No âmbito do processo n° 11520.720051/201160, restou decidido pela exclusão dos débitos do processo n° 18208.075608/201198, processo para o qual foram transferidos os débitos indicado para parcelamento (fl. 22011). Em 26 de fevereiro de 2014, sob a premissa de inexistir previsão de sistemas para revisão de débitos da Lei n° 11.941/2009, ou seja, ausente mecanismo para cancelamento da inclusão dos débitos no parcelamento e retorno dos mesmos ao presente processo, foi decidido pelo Chefe da Dicat/Demac/RJO pelo apensamento do Processo n° 18208.075608/201198 ao presente e envio à Sacat/IR/RJ (fls. 2201622017), que encaminhou o processo a esta DRJ para julgamento. Em agosto de 2014, a impugnante peticiona "(...) requerendo a juntada da mesma aos autos, para contribuir com o iminente julgamento dos doutos julgadores" (fl. 22044). Sustenta que atende tanto ao critério objetivo quanto subjetivo para concessão de isenção. Afirma, então, que a motivação dos autos limitouse à não apresentação de certidão negativa de débitos, para fins de comprovação de regularidade junto à Receita Federal, como prescrito pelo art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Arrola uma série de dispositivos regulamentadores e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) acerca Fl. 22430DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.427 5 da vedação de exigência de certidão negativa de débitos federais para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Conclui com o entendimento de que devam ser declarados improcedentes os autos de infração pois o gozo da isenção não estaria condicionada à comprovação da regularidade fiscal do importador. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, exonerando a integralidade da cobrança tributária, em decisão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE. A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizálo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Às folhas 22.419/22.420 dos autos eletrônicos está acostado Despacho exarado pela Superintendência Regional 7ª Região Fiscal/ Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro/ DEMAC/RJO, onde está registrado que: "Em atendimento ao despacho decisório exarado no processo 11520.720.051/201160, cópia de folhas 22.151 a 22.156, a transferência de parte dos débitos do presente processo para o processo 18208.075.608/2011 98, em função da adesão ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009, foi desfeita, e o processo 10074.000.550/201007 voltou a controlar a totalidade dos débitos, extratos de folhas 22.157 a 22.418. Com a implementação do sistema de revisão de consolidação da Lei n. 11.941/2009, o processo 18208.075.608/201198 foi excluído do parcelamento, e sendo assim, foi possível que a transferência de débitos Fl. 22431DF CARF MF 6 fosse desfeita, uma vez que, os débitos foram selecionados para parcelamento equivocadamente pelo contribuinte, que desejava prosseguir com a impugnação, conforme explicação contida no despacho de folhas 22.016 a 22.017. Implementada as alterações, conforme o despacho decisório de folhas 22.151 a 22.156, estando o presente processo controlando a totalidade dos débitos, proponho o retorno deste processo à SACAT/IRF/RJ para que seja analisado o envio do mesmo ao CARF para prosseguimento do julgamento". Diante da ordem emanada no documento acima transcrito e por força do por força do que dispõe o art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/2017, os autos deste processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. "MÉRITO Os lançamentos objeto do presente processo referemse a duas situações distintas. A primeira decorre da suposta obrigatoriedade de comprovação da regularidade fiscal do importador para fruir os benefícios de isenção e de alíquota zero dos art. 2° e 3°, da Lei n° 8.032/1990, e do art. 8°, da Lei n° 10.865/2004. A segunda situação provem da suposta utilização de documentação falsa para instrução dos despachos de importação. 1. LANÇAMENTO DECORRENTE DA DESQUALIFICAÇÃO DA ISENÇÃO DE II E IPI E DA ALÍQUOTA ZERO DE PIS/PASEP IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO Os fundamentos elencados pela autoridade fiscal para promover a autuação contra a contribuinte TAP são, em síntese, os seguintes: "Constatouse que a AUTUADA não conseguiu comprovar a quitação dos tributos e contribuições federais no período em que importou mercadorias com o beneficio da isenção. Assim, por tratarse de isenção mista (concedida em função da pessoa do importador e da destinação das mercadorias), com base na Lei n. 9.069/95, art. 60, foi revogado o benefício, indevidamente concedido, cobrandose da AUTUADA os tributos e contribuições incidentes sobre as operações, acrescidos de juros de mora e multa de mora. Indo além, verificouse que a AUTUADA usou nos despachos de importação, elencados na planilha anexa, INVOICES comprovadamente falsas. O objetivo da empresa seria agilizar os trâmites aduaneiros dissimulando importações em caráter temporário e simulando importações a título definitivo com incidência de isenções e redução dos tributos e contribuições. Desta forma, nestas operações foi exigida Fl. 22432DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.428 7 multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do art. 618, § 1º do Regulamento Aduaneiro vigente à época" (fl. 13823). "Entretanto, o documento de folhas 84 a 97 do Anexo XIX, informa que, no período compreendido entre abril de 2004 a julho de 2009, a TAP não possuía Certidão Negativa de Débitos nem Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa. Não obstante, a empresa foi intimada (item 4.2) a fazer prova da quitação dos tributos, apresentando Certidões Negativas de Débitos ou Certidões Positivas de Débitos com efeitos de Negativa referentes às contribuições federais no período compreendido entre 01/2005 a 12/2008. Nada foi apresentado a este respeito. Portanto, a TAP não comprovou a quitação de tributos e contribuições federais (...) Não fazendo prova da quitação de tributos e contribuições, resta a esta fiscalização revogar a isenção das importações relacionadas na TABELA I em anexo, nos termos do art. 155 combinado com o art. 179 do CTN, cobrando os tributos renunciados, acrescidos de juros e da multa de mora, deixando de propor a aplicação de multa de ofício por vedação expressa do inciso II do art. 155" . (fls. 13840/13841). Os dispositivos abaixo transcritos eram os vigentes há época dos fatos: *Sobre o Imposto de Importação: Art. 113 do Decreto n. 4.543/2002 Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do Imposto de Importação (Lei n. 5.172/66, art. 111. inciso II). *Sobre o PIS/Pasep Importação e COFINS Importação: Lei n. 10.865/2004 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, as alíquotas de: (...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (...) VII partes e peças da posição 88.03 destinadas aos veículos e aparelhos da posição 88.02 da NCM; (...) § 13. O Poder Executivo regulamentará: I o disposto no § 10 deste artigo, e II a utilização do benefício da alíquota 0 (zero) de que tratam os incisos I a VII do § 12 deste artigo. Lei n. 10.925/2004 Art. 6º Os arts. 8º (...) da Lei n. 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 8 (...) Fl. 22433DF CARF MF 8 § 12 (...) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; VII partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluídos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves de que trata o inciso VI deste parágrafo, de seus motores, suas partes, peças componentes, ferramentais e equipamentos. Decreto n. 5.171/2004 (com a redação conferida pelo Decreto n. 5.268/2004) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação nas operações de importação de: (...) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; e VII partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluídos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves de que trata o inciso VI deste artigo, de seus motores, suas partes, peças componentes, ferramentais e equipamentos. (...) § 3º O disposto neste artigo, em relação aos incisos VI e VII do caput, somente será aplicável ao importador que fizer prova da posse ou propriedade da aeronave. § 4º Na hipótese de o § 3º, caso a importação seja promovida I por oficina especializada em reparo, revisão, manutenção de aeronaves, esta deverá: a) apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave, e; b) estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa; II para operação de montagem, a empresa montadora deverá apresentar o certificado de homologação e o projeto de construção aprovado, ou documentos de efeito equivalente, na forma da legislação específica. A instância de origem julgou os lançamentos tributários improcedentes porque o ADN Cosit n. 7/1998 delimitou que os benefícios de natureza puramente objetiva prescindem da comprovação da regularidade fiscal. A propósito, segue texto do Ato Declaratório mencionado: "O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF n. 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei n. 9.069, de 29 de junho de 1995, declara, Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador" (grifos adicionados). Como muito bem reconhecido pela instância de origem, para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal não se exige certidão emitida pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 22434DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.429 9 A propósito: Instrução Normativa SRF n. 93/2001 Art. 16. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da SRF, é vedada a exigência de certidão de que trata o art. 1º, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade encarregada da análise do pedido. Em julgamento sobre direitos e fatos análogos aos do processo sob análise, este Conselho assim se pronunciou: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO VINCULADA. QUALIDADE DO IMPORTADOR E DESTINAÇÃO DO BEM. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Uma vez que comprovada na impugnação a condição definida em Lei para a concessão e fruição do beneficio fiscal previsto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, deve ser exonerado o crédito tributário constituído em face do não atendimento da exigência de comprovação feita pela Fiscalização Federal no curso do procedimento de fiscalização. IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. PARTES, PEÇAS E COMPONENTES. FERRAMENTAS. POSSIBILIDADE As operações de importação de ferramentas nos moldes do processo em análise encontramse abarcadas pela isenção para "partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações" prevista na alínea "j" do inciso II do artigo 2° da Lei n° 8.032/1990. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. APRESENTAÇÃO. RESPONSABILIDADE. E. vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Conforme atos normativos expedidos pela própria Receita Federal do Brasil, a verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe a unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (Acórdão n. 3102001.854, Recorrente BHS Brazilian Helicopter Services Taxi Aereo, Relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa). Por esses motivos, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. II. SOBRE OS LANÇAMENTOS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FALSA. Conforme relatório da fiscalização, a grande quantidade de importações declaradas como sem cobertura cambial chamou atenção dos auditores fiscais e ensejou aprofundamentos das análises. Após tecer várias considerações, desde os tipos de declaração de importação, modalidades de despacho e regimes de importação, o relatório pontua que as Declarações de Importação eram para consumo, com despacho na modalidade normal e foram instruídas com invoices de aquisição das mercadorias. Concomitantemente foram tais operações informadas como desacobertadas cambialmente. Fl. 22435DF CARF MF 10 Além disso, haveria informação prestada pela importadora de que seria "Material de cliente para atender aeronave em admissão temporária no Brasil em fase de revisão" (fl. 13845). Ainda, foi constatado que empresas completamente diferentes emitiam invoices com aparência idêntica e com a mesma assinatura. As autoridades concluíram que "(...) restou patente que as INVOICES apresentadas nos despachos aduaneiros elencados na planilha anexa não foram emitidas pelos vários fornecedores ali apontados, mas sim por uma mesma pessoa diversa deles" (fl. 13846). Alguns parágrafos adiante do auto de infração encontrase a seguinte observação: "(...) As características extrínsecas de documentos falsos associadas à falta de pagamento das aquisições ali registradas indicaram claramente que as INVOICES apresentadas eram falsas" . Buscou, então, a autoridade fiscal entender o motivo da irregularidade. Traçou uma série de premissas, de ordem comercial e fiscoaduaneira, e concluiu que deveria ter sido utilizado o regime de admissão temporária para essas operações sem cobertura cambial, o que não teria acontecido por entender que o procedimento de desembaraço seria menos célere. Afirmou na fl. 13847: "Diante desta realidade e do binômio celeridade/qualidade, a AUTUADA buscou, a margem da licitude, uma alternativa que atendia suas necessidades em todos os aspectos(tributos e rapidez). Assim, para dissimular a entrada temporária do bens, simulou a aquisição das mercadorias apresentando uma declaração de importação para 'consumo', modalidade de despacho 'normal', com pedido de isenção e redução dos tributos incidentes sobre a operação. Ocorre que este tipo de despacho aduaneiro somente é cabível para mercadorias trazidas a titulo definitivo pertencentes ao importador, pois, como seu próprio nome informa, destinase ao consumo das mercadorias. Além disso, a isenção pleiteada, também só é cabível nestes casos de importação definitiva" . Concluiu na folha seguinte: "Em face disso tudo, com o claro objetivo de desembaraçar rapidamente suas cargas, a AUTUADA dissimulou a real natureza da operação de entrada temporária dos bens, simulando uma operação de importação para consumo com pedido de isenção e redução dos tributos. Para tanto, sabendo que não poderia utilizar as INVOICES originais descrevendo uma simples remessa temporária de produtos, apresentou INVOICES forjando uma operação de aquisição que NUNCA aconteceu". Com base nos raciocínios ora apresentados e com fulcro na legislação aduaneira foi aplicada pena de perdimento das mercadorias por uso de documento falso para instrução dos despachos de importação, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. O acórdão que exonerou o contribuinte das penalidades impostas pelo auto de infração sob julgamento, reconheceu que o argumento de defesa deveria prevalecer; "o regime de admissão temporária não era de adoção obrigatória ao caso. A ausência de cobertura cambial pode ser requisito para a escolha de determinado regime, mas o contrário não é verdadeiro. A opção pelo regime comum é plausível desde que devidamente instruído". Também não merece reformas a conclusão a que chegou o relator da impugnação, quando assevera que: Fl. 22436DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.430 11 "Além disso, o documento apresentado como fatura para instrução do despacho é tido como falso, situação que alberga o lançamento efetuado. Entretanto, a não apresentação da fatura original assinada pelo exportador (art. 493, II, do Decreto n° 4.543/2002) mas uma fatura emitida de maneira diversa, não significa que tal documento seja falsificado para fins de perpetração de uma fraude. O intuito doloso de falsificar o documento deve estar cabalmente demonstrado, com fortes elementos probatórios, o que não é o caso dos autos". Em fina sintonia com a conclusão entalhada no acórdão recorrido, entendo que caberia à fiscalização demonstrar de maneira irrefutável a falsidade documental alegada para imposição da pena de perdimento. Ausente a comprovação da falsificação, poderseia, no máximo, reputar como não apresentado documento obrigatório para instrução do despacho, fato ensejador de aplicação de penalidade específica. Portanto, entendo que o lançamento por uso de documento falso não deve proceder. Diante de tudo que foi exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado Relatora Fl. 22437DF CARF MF
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