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Numero do processo: 10580.901201/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
Numero da decisão: 3302-006.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 12 01 /2 00 8- 61 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 367 2 Relatório Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012: No dia 10/08/2004 a empresa TELEDATA SOLUÇÕES INTEGRADAS DE COMUNICAÇÃO LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins pago a maior no dia 14/11/2003 (PA 10/2003) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório emitido no dia 24/04/2008 (fl. 68). Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no cálculo da Cofins, conforme DIPJ/2004 e livro Razão. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a DIPJ não tem caráter de confissão de dívida, não modificando os efeitos advindos da DCTF, nos termos do Acórdão nº 1525.249, de 28/10/2010 fls. 83/84. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15/02/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 16/03/2011 (fls. 86/87), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, demonstra a base de cálculo da Cofins de 10/03 e a necessidade de retificar a DCTF para sanar a razão do indeferimento do seu pleito. No dia 15/06/2011, a empresa recorrente solicita a “juntada do pedido da DCTF período 2003 juntamente com o pedido de retificação de ofício em virtude da impossibilidade de envio pelo programa disponibilizado pela Receita da DCTF do período de 2003”. A Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012 foi para que a d. autoridade administradora executora da decisão intimasse a contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 dias. para que apresentasse as provas necessárias para comprovar a existência do crédito tributário pleiteado. Nesse sentido, o dispositivo contou com mais detalhes: (...) Neste aspecto, apenas o livro razão não é suficiente, sendo necessário que se comprove a diferença da base de cálculo do tributo que transformou o valor recolhido em indébito. A título de exemplificação deverão ser apresentados os elementos que compuseram o faturamento, os contratos Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 368 3 referentes às operações canceladas (se o caso); os estornos financeiros respectivos; planilha demonstrativa e relatório circunstanciado das diferenças, etc, etc. A autoridade administrativa deverá analisar as informações apresentadas e elaborar parecer conclusivo sobre a existência (ou não) do crédito tributário, indicando valores e esclarecimentos. Deste parecer, a Recorrente deverá ser intimada para apresentar manifestação em 30 dias. Após, os autos deverão ser encaminhados a este E. Conselho para julgamento. A i. relatora assim fundamentou a necessidade de diligência: (...) Conforme relatado, tratase de restituição de pagamento indevido de valores que não constam como crédito na DCTF. Em virtude deste fato não são reconhecidos como crédito pela Receita Federal e, consequentemente, não podem ser restituídos. O contribuinte esclareceu que tentou fazer a retificação da DCTF, mas não teve sucesso em virtude de já haver transcorrido o prazo decadencial de 5 anos. Para comprovar seu direito traz documento contábil com claro indício de existência do crédito pleiteado. Conforme tenho me manifestado em outros julgamentos, entendo que mais relevante do que o acerto do instrumento acessório (DCTF) é a substância do ato praticado, a realidade dos fatos. Neste sentido, se o contribuinte comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, o valor restituível não pode lhe ser negado. Registro que com isso não estou validando o comportamento de não apresentar DCTF (ou DCTF Retificadora), esta obrigação é do Contribuinte e deve ser cumprida com o costumeiro zelo. Todavia, excepcionalmente, entendo que a análise deve ser realizada in casu, principalmente em situações nas quais o contribuinte é impedido de apresentar a retificação do instrumento. Após intimação e reintimação da recorrente, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012, com o seguinte conteúdo, em síntese: (...) Objetivando acatar ao referido Despacho, e com fundamento no artigo 23 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) c/c o artigo 835, § 3º do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), foram emitidos documentos de intimação e reintimação, a fim de que fosse apresentada comprovação da existência do crédito pleiteado, ressaltando não Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 369 4 ser suficiente somente o Livro Razão, sendo necessária a elucidação da diferença da base de cálculo do tributo que teria transformado o valor recolhido em indébito. Os avisos de Recepção AR encontramse anexos aos autos, com datas de ciência em 13/07/2017 e 26/10/2017, respectivamente – fls.348/355. O Contribuinte, contudo, não atendeu às intimações. (...) Em razão do não atendimento, inviabilizamse as condições para elaboração de relatório circunstanciado acerca do assunto, motivo pelo qual determinamos pela ciência da presente Informação ao Interessado, com posterior retorno dos Autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Terceira Seção de Julgamento. Cientificada da informação acima, para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a recorrente deixou fluir o prazo in albis, e retornou o processo. Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Como se viu, o contribuinte teve mais uma chance para comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, todavia, o que se observou foi o silêncio às intimações para tanto. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, pelo indeferimento do pleito de restituição da recorrente, e bem assim pela não homologação das compensações declaradas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 370 5 Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901865/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 65 /2 01 2- 89 Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.321, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2501DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.675378/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 78 /2 00 9- 01 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.453, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002300/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
Numero da decisão: 3401-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 00 /2 00 6- 39 Fl. 536DF CARF MF 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, entendendo que houve contradição no julgado, o qual afastou a incidência de PIS/COFINS sobre o ato cooperativo, sem decisão definitiva de mérito sobre a questão pelo STF em sede de repercussão geral no RE 672.215/CE e por tal razão merecendo que o referido julgamento seja integrado nos embargos que opôs, pugnando, ao final, sejam recebidos e providos seus declaratórios para sanar o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O julgado colacionou os RE 598.085/RJ e 599.362/RJ, ambos com votação unânime, afetados à repercussão geral (temas 177 e 323, respectivamente), e como ficou consignado no acórdão ora embargado: .... entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. Ambos precedentes também foram colacionados, como se disse acima, inclusive por força do artigo 62, § 2° do RICARF, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401005.422 S3C4T1 Fl. 537 3 O mesmo procedimento adotado aos aludidos RE, também foram feitos nos casos dos REsp. 1.141.667/RS e 1.164.716/MG, ambos unânimes e afetados ao rito de recursos representativos de controvérsia (recursos repetitivos). Fixouse que a prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Por outra viseira, ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Pelo Estatuto Social, Balencete e DIPJ apresentados, ficou claro se tratar de atos praticados em prol de seus associados, típico ato cooperativo, logo, em consonância com os julgados citados. Não há contradição no julgado pelo fato de não ter sido citado o RE 672.215/CE, vez que todos os demais o foram. Ademais, a CSRF, corrobora o entendimento fixado no acórdão embargado (9303 005.043, v. u. em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Com essas considerações, rejeito os embargos apresentados.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.982890/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2000
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO.
Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório.
GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO. Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório. GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO. Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório. GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 28 90 /2 01 1- 18 Fl. 111DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de Declaração de Compensação n. 17289.96963.141009.1.1.01 5794, no valor de R$ 40.739,42 (quarenta mil e setecentos e trinta e nove reais e quarenta e dois centavos), referente a ressarcimento de IPI do 3º trimestre de 2009. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, homologar parcialmente a compensação sob as seguintes justificativas: Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Dessa forma, o valor do crédito reconhecido foi na monta de R$ 34.907,58. Manifestação de Inconformidade Em sede de manifestação de inconformidade, a manifestante alega, em suma, que o Despacho Decisório deve ser considerado nulo, tendo em vista a falta de fundamentação, resultando no cerceamento de sua defesa. Alega também que a apuração aconteceu por “Auditoria Interna”, não baseada em fatos concretos, isso porque o Auditor Fiscal não foi à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, deixando de oportunizar ao mesmo a fornecer informações, bem como acompanhar a fiscalização. Por fim, destacou que a Receita Federal não poderia embasar seu despacho decisório no artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), que fora revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Requereu, assim, o reconhecimento integral do direito creditório e consequente homologação das compensações. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 112 3 DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1449.716 2ª Turma da DRJ/RPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS NAS SITUAÇÕES DE CANCELADO OU NÃOCADASTRADO NO CADASTRO DO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO ou NÃOCADASTRADO no cadastro do CNPJ. NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A autoridade da primeira instância administrativa esclareceu que é possível acessar pelo sítio da Receita Federal, conforme comprovada pela mesma, RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO e RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS, onde consta que os créditos glosados advieram de optantes pelo SIMPLES, ou seja, não podem destacar o IPI. Não obstante, que não há fundamento na afirmação de cerceamento de defesa, pois as notas ficais glosadas foram informadas pela manifestante. Fl. 113DF CARF MF 4 Ademais, que a capitulação legal do Despacho está perfeita, nos termos do art. 144 do CTN, tendo em vista que o período de apuração é do ano de 2009 e o decreto que revogou o artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) é de 2010. Ressaltou que a manifestante deixou de impugnar especificamente o motivo da não homologação, ignorando a RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO, restando incontroversa a matéria nos termos do art 17 do PAF. Conclusão do voto Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante. Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário, busca a recorrente a reforma da decisão do julgador de primeira instância administrativa com base nos seguintes argumentos, em suma: Tendo em vista que a aquisição da matéria prima já sofreu tributação de IPI antes da industrialização, a inserção de destaque do imposto na venda do produto industrializado seria uma bi tributação. Diante disso, acredita poder utilizarse do crédito através de COMP. Alega que o artigo que embasou o Despacho Decisório está revogado (art. 14, J do Decreto n° 4.544/02 – RIPI), sendo que a data de lançamento é 30/01/2012 e esta seria a data de constituição de crédito tributário, de acordo com o art. 142 do CTN. Não obstante, repisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade: Alega também que a apuração aconteceu por “Auditoria Interna”, não baseada em fatos concretos, isso porque o Auditor Fiscal não foi à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, deixando de oportunizar ao mesmo a fornecer informações, bem como acompanhar a fiscalização. Por fim, destacou que a Receita Federal não poderia embasar seu despacho decisório no artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), que fora revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Com isso, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como a homologação de compensação declarada. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 113 5 Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 01.12.2015, conforme AR, fl. 89, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 09.12.2015, conforme comprova o carimbo da CAC / TATUAPÉ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Compensação de créditos no valor de R$ 40.739,42, objetivando compensar créditos, com crédito decorrente de pagamento a maior de IPI. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, pelo fato de que o saldo credor passível de compensação seria inferior do pleiteado. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO. Fl. 115DF CARF MF 6 Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. PRELIMINAR DE NULIDADE Cerceamento de defesa A argumentação empreendida pela recorrente, a respeito da utilização de Auditoria Interna, não merece prosperar. Segundo o recorrente, a auditoria não foi baseada em fatos concretos, pelo motivo de o Auditor Fiscal não ter ido à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, e, além do mais, haveria deixado de oportunizar ao ora recorrente, fornecer informações e acompanhar a fiscalização. A auditoria interna a que se refere o recorrente foi realizada em cima das próprias informações enviadas pela recorrente, e, merece destaque, que toda a documentação a que se refere a contribuinte poderia ter sido trazida aos autos quando da manifestação de inconformidade, ônus que não se desincumbiu de realizar. Fundamentação errada Existe a alegação pela impossibilidade de utilização, como fundamento do Despacho Decisório, do artigo art. 14, J do Decreto n° 4.544/02 – RIPI), uma vez ter sido revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Ocorre, que tal entendimento não pode prosperar, vez que os Períodos de apuração do tributo em questão ocorreu em 01/07/2009 a 30/09/2009, fora, portanto, da incidência temporal do Decreto 7.212 de 2010, sendo, por isso, correto o procedimento fiscal ao utilizar como fundamento o decreto 4.544/02. MÉRITO Ao enfrentar o mérito, deparase com a seguinte situação. O motivo da glosa, consoante exposto na decisão recorrida, foi a impossibilidade de a recorrente utilizar créditos de empresas com a situação cadastral com a opção pelo regime do Simples, vez que há vedacao legal para tanto. A autoridade da primeira instância administrativa esclareceu que é possível acessar pelo sítio da Receita Federal, conforme comprovada pela mesma, RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO e RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS, onde consta que os créditos glosados advieram de optantes pelo SIMPLES, ou seja, não podem destacar o IPI. Lei Complementar 123 Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional1. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 114 7 Acórdão: 3302002.882 INCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, não pode ser admitida a apropriação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de pessoa jurídica optante pelo Simples. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Contudo, ainda, agravar a situação da recorrente, permaneceu inerte quanto à glosa, não se manifestando a respeito do assunto, desde sua primeira manisfestação, o que tornou o assunto precluso para esta instância recursal, consoante Acórdão nº 3401004.446 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, não conhecendo as matérias não propostas na manifestação de inconformidade, por preclusão processual, e, na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.725601/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
NULIDADE DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA.
Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificam-se no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificam-se no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificam-se no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA. Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 56 01 /2 01 5- 11 Fl. 1934DF CARF MF 2 Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Por trazer uma síntese da autuação até a interposição da Impugnação Administrativa nos presentes autos, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 1461.167 da 2ª Turma da DRJ/RPO: "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/17, lavrado em 28/05/2015, com ciência Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.935 3 da contribuinte em 02/06/2015, totalizando o crédito tributário de R$ 25.256.535,85. Segundo a descrição dos fatos de fls. 04/06 e o relatório fiscal de fls. 19/56, foram constatadas as seguintes irregularidades: falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, produtos classificados no código 8418.30.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, de capacidade não superior a 400 litros, produtos classificados no código 8418.30.00, Ex 01 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, verticais, produtos classificados no código 8418.40.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%. Em virtude da existência de saldos credores de IPI nos períodos objeto do lançamento, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (fls. 14/16). Com base na nova reconstituição da escrita fiscal, foi também exigido que a contribuinte promova o estorno do crédito existente em seu Livro Registro de Apuração de IPI, em 31/12/2013 (vide fl. 1058), no valor de R$ 14.140.250,24. Conforme citado no Relatório Fiscal, a presente fiscalização abrangendo os períodos de apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, foi parcialmente encerrada em abril de 2015 e a exigência tributária correspondente formalizada no processo nº 10480.723765/201512, de 09/04/2015. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1206/1262 alegando, em síntese, que: a autuação foi decorrente de premissa incorreta da autoridade fiscal de que a impugnante não poderia ter reclassificado suas mercadorias; tal reclassificação foi embasada em testes e análises técnicas realizadas por profissionais com expertise na área; a classificação fiscal de máquinas e equipamentos deve ser realizada de acordo com a principal função por eles desempenhada; embora não tenha recorrido à consulta fiscal, a reclassificação foi respaldada em Laudo Técnico (fls. 1357/1369), em Norma internacional IEC62522 e portarias do INMETRO; classificar deve ser uma operação de análise técnica, não podendo se basear em dados singelos como fez o autuante; a autoridade fiscal não pode reclassificar mercadorias cujo mote de classificação é a identificação da principal função por elas exercida, sem realizar um teste científico; a autoridade fiscal subverteu as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, ao adotar como base o Parecer da OMA, e ignorar todas as demais regras de interpretação do Sistema Harmonizado; embora o Parecer da OMA trate especificamente de congeladores, a autoridade fiscal desconsidera esta informação, como se ela fosse irrelevante, e passa a se preocupar meramente com as características operacionais Fl. 1936DF CARF MF 4 secundárias descritas no texto da OMA, características estas que em momento algum foram eleitas como critério classificatório do sistema; os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias; o fato de o parecer da OMA não fazer a diferenciação entre conservadores e congeladores não implica que tais aparelhos sejam idênticos ou que devam ser classificados na mesma NCM; ao contrário, o Parecer da OMA pressupõe que a aludida diferenciação, atrelada à função principal do equipamento, já tenha sido realizado em momento anterior, a partir da análise das descrições e das notas explicativas de seção e de capítulo; quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores); a diferenciação somente ocorreu em 2007; a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para diferenciar conservadores e congeladores; por se tratar de uma tecnologia nova é que os conservadores devem se enquadrar na NCM residual 8418.50.90; apresenta justificativas técnicas para comprovar que os produtos vendidos são conservadores de alimento e não congeladores, em especial o fato de que congeladores são feitos para rebaixar a temperatura dos alimentos, enquanto que os conservadores são feitos para conservar as temperaturas; tanto a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) como o INMETRO fazem a diferenciação entre congeladores e conservadores; diversos elementos dos produtos que fabrica não se amoldam ao Parecer da OMA conforme demonstrado às fls. 1250/1253; transcreve diversas soluções de consulta para demonstrar que a Secretaria da Receita Federal já sedimentou o entendimento de que os conservadores se enquadram no NCM 8418.50.90; requer a realização de perícia técnica. Por fim, requereu que seja julgada a insubsistência do auto de infração." (efls. 1.808/1.810 grifei) Referido acórdão julgou improcedente a Impugnação, sendo ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.936 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 1.807) Intimada desta decisão em 29/06/2016 (efl. 1.827), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 06/07/2016 (efls. 1.828/1.887) alegando, em síntese: (i) nulidade do acórdão por preterição ao direito de defesa da empresa, vez que deixou de analisar os laudos elaborados por empresa independente e indeferiu o pedido de perícia; (ii) a improcedência da autuação fiscal, em razão da ausência de erro de classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas (conservadores), que foram corretamente enquadradas na NCM 8418.50.90 com alíquota zero de IPI, sendo descabida a pretensão da fiscalização de reclassificação para as NCMs 8418.30.00, 84108.30.00 Ex01 e 8418.40.00. Em fevereiro/2018 a empresa anexou Laudo Técnico produzido pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco IFPE (efls. 1.900/1.922) sobre as mercadorias por ela produzidas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A classificação fiscal das mercadorias é uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em julgamento neste E. CARF de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Fl. 1938DF CARF MF 6 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei). No presente processo, entende a fiscalização que os produtos comercializados pela empresa foram equivocadamente classificados na NCM 8418.50.901, com alíquota 0 de IPI, devendo ser reclassificados, a depender do modelo do produto, nas NCMs 8418.30.002, 8418.40.003 e 8418.40.00 Ex 014.Um breve histórico das diferentes classificações adotadas pela empresa a partir de 2009 foi traçado pela fiscalização: "Para os congeladores (freezers) em questão (produtos das linhas HCE, HDE, IHB, THG e THGI) a Mercofricon adotava o código NCM 8418.30.00 Congeladores (freezers) horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. Para os congeladores (freezers) da linha VCV1C a empresa adotava o código NCM 8418.40.00 Congeladores (freezers) verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 Iitros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. A partir do mês de junho/2009 começa a adotar para estes produtos a classificação fiscal do código NCM 8418.50.90. No período de 17/04/2009 até 31/10/2009 a Mercofricon foi beneficiada com a desoneração do IPI para os congeladores (freezers) enquadrados nos códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, tendo havido a redução de sua alíquota de 15% para 5%. Tal desoneração foi feita por meio do Decreto nº 6.825 de 17 de abril de 2009, que criou a exceção (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI. A partir de 01/11/2009, com o fim da exceção (Ex 01) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, a alíquota de IPI retornou para 15%, conforme art. 7º, inciso I, do Decreto nº 6.890 de 29 de junho de 2009 No ano de 2009, durante estas alterações da alíquota de IPI dos congeladores (freezers) para 15%, a Mercofricon promoveu uma brusca mudança na classificação fiscal anteriormente adotada, reenquadrandoos no código NCM 8418.50.90 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis 1 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio Outros 2 Congeladores ("freezers") horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros 3 Congeladores ("freezers") verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 litros 4 De capacidade não superior a 400 litros Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.937 7 semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio, sujeito à alíquota de IPI de 0%. Com o Decreto nº 7.631 de 1º de dezembro de 2011, art. 1º, a partir de 01/12/2011 o destaque (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI voltou a vigorar, com alíquotas prevista de 15%. Informese, ainda, que a Nota Complementar da TIPI, NC (855), fixa a alíquota incidente para os produtos classificados no código TIPI 8418.30.00 “Ex” 01 que apresentem índice de eficiência energética A, nos termos da legislação pertinente. Entretanto, a empresa permaneceu enquadrando seus freezers no código NCM 8418.50.90. Durante as verificações iniciais, além das mudanças de classificação fiscal citada acima, encontramos mais divergências relacionadas com a classificação fiscal dos produtos industrializados pela Mercofricon, das quais podemos citar as seguintes observações: a) Foi informado na DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA – DIPJ 2008, 2009 e 2010, para os produtos das linhas HCE, IHB, THG e THGSGI a classificação fiscal “8418.30.00”; Sendo declarada na DIPJ 2010 para o produto da linha HDE a classificação fiscal “8418.30.00”; Para os produtos da linha VCV1C nas DIPJ 2008, 2009 e 2010 a classificação fiscal adotada foi a “8418.40.00”; Para o período fiscalizado (2010 a 2012) a Mercofricon mudou para todos estes produtos (HCE, HDE, IHB, THG, THGI e VCV1C) para a classificação fiscal “8418.50.90; b) No período desta fiscalização (2010 a 2012), na “Relação de Produtos Industrializados no Estabelecimento”, (anexa), e em todas as notas fiscais de saídas os produtos das linhas HCE, HDE, IHB, SMR, THG, THGSGI e VCV1C a empresa está utilizando a classificação fiscal “8418.50.90”, com alíquota “0” do IPI;" (efls. 27/28) A fiscalização sintetizou as características dos produtos que ensejaram a sua reclassificação fiscal (variação de temperatura e capacidade) nas Tabelas 4 a 7 do Relatório Fiscal, abaixo reproduzidas em conformidade, respectivamente, com as efls. 42, 44, 46/48 dos autos: Fl. 1940DF CARF MF 8 Segundo consta do relato fiscal, a autuação se baseou nas informações prestadas pela empresa à época da fiscalização, dentre as quais o catálogo de produtos apresentado (efls. 801/828). Por sua vez, sustenta o contribuinte que a análise de seus produtos foi feita de forma equivocada pela fiscalização, vez que as mercadorias que possuem variação de temperatura abaixo de 30ºC não necessariamente são congeladores, podendo ser admitidos como conservadores, conforme identificado na NBR 9.525/1986. Na Impugnação, a empresa acostou aos autos normas técnicas internacionais (IEC 62552 às efls. 1.390/1.474 e tradução às efls. 1.665/1.689, norma ISO 5155 às efls. 1.690/1.732), normas técnicas nacionais (Portarias INMETRO às efls. 1.476/1.507 e efls. 1.647/1.663 e IN RFB 873/2008 e Parecer OMA às efls. 1.514/1.645) e manual dos produtos identificados como "Freezers/Conservadores Horizontal e Inclinados Uso Comercial" (efls. 1.509/1.512). Apresentou, ainda, laudo técnico elaborado por professores do Curso de Refrigeração e Climatização do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco IFPE quanto ao produto HCE411, único utilizado como exemplo no laudo e com as características técnicas analisadas (efls. 1.358/1.369) e Relatórios de Ensaio em seus produtos elaborados pelos Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul LABELO quanto aos produtos SMR 2200 (efls. 1.736/1.750), VCF 565 (efls. 1.752/1.767), HCE 411 (efls. 1.769/1.783) e HDE 411 (efls. 1.785/1.799). Estes relatórios identificavam inconformidades na temperatura de congelamento, em desconformidade com a norma técnica ISO 5155/1995. Frisese que somente os dois últimos produtos mencionados foram objeto de reclassificação fiscal e autuação. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.938 9 Neste ponto, importante afastar a alegação de nulidade da decisão aventada pela Recorrente. Com efeito, as provas apresentadas foram expressamente enfrentadas na r. decisão, que assim expressou: "Cabe ressaltar que a impugnante juntou aos autos, às fls. 1357/1369, Laudo Técnico para comprovar que fabricou e vendeu conservadores e não congeladores. No entanto, as conclusões do Laudo (vide item 6 à fl. 1363) referemse somente aos produtos da linha HCE. De qualquer forma, todo o esforço da impugnante, inclusive o que motivou o pedido de perícia, é demonstrar que produz conservadores, que se diferenciam dos congeladores, e como tal teriam uma classificação fiscal distinta. Porém, como será visto à frente, na análise da classificação fiscal, a distinção entre conservadores e congeladores é irrelevante para a correta classificação dos produtos, motivo pelo qual a perícia requerida é desnecessária." (efl. 1.810/1.811) Com isso, descabido se falar em nulidade da r. decisão. Em fevereiro/2018, a Recorrente apresentou laudo técnico elaborado pela Coordenação do Curso de Refrigeração e Climatização do IFPE, com fulcro nos ensaios realizados pelos Laboratórios LABELO, buscando evidenciar que seus produtos não são congeladores, mas sim, conservadores (efls. 1.900/1.922). Este laudo traz considerações quanto a cada um dos produtos envolvidos na autuação fazendo referência aos ensaios do LABELO. Afirmase neste laudo: "Os ensaios foram realizados em conformidade com a seguinte norma técnica: · International Organization for Standardization. ISO5155/1995 – Household Cefrigerating appliances – Frozen food storage cabinets and food freezers – Characteristics and test methods. Genève, Switzerland, 1995; Além disso, o laboratório de análise foi homologado pelo INMETRO, conforme norma técnica: · Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica. Procedimento de Ensaios PE 0.00.01. Rev. 01.Porto Alegre, RS, Brasil, 2012. Laboratório de ensaio acreditado pela ABNT NBR ISO/IEC 17025 sob o número CRL0075. Os ensaios utilizaram o método previsto nas normas técnicas acima, apto a medir a temperatura de armazenamento, consumo de energia e capacidade de congelamento de cada equipamento. O método, descrito no item 17 da ISO5155/1995, consiste em medir a capacidade de congelamento por meio de utilização de cargas térmicas que deverão atingir a temperatura 18°C no prazo de 24 horas. Foram realizados os ensaios para cada equipamento de modo a testar a eficácia de cada um, entretanto aqueles que não atenderam aos requisitos mínimos exigidos no item 13 da referida norma não foram submetidos aos ensaios do item 17, por estarem automaticamente excluídos, ou seja, não atendem a condição de congelador. Os testes foram realizados em todas as famílias de produtos impedindo uma análise isolada de uma única máquina." (efl. 1.915 grifei) Fl. 1942DF CARF MF 10 "Com base nos resultados dos ensaios realizados pelo LABELO Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, nos equipamentos fabricados pela Mercofricon S/A, foi confirmado que todos os produtos testados não possuem capacidade de congelamento e não atendem ao item 17 da norma ISO 5155/1995." (efl. 1.922) Importante evidenciar que não obstante o laudo técnico trazido pela empresa faça referência às distintos Relatórios da LABELO, eles não constam dos presentes autos. De fato, considerando os produtos que foram objeto de autuação, constam dos presentes autos apenas os relatórios n.º 101 e 102 referentes, respectivamente, aos produtos HCE 411 (efls. 1.769/1.783) e HDE 411 (efls. 1.785/1.799). Por sua vez, esses dois produtos e esses dois relatórios não foram mencionados no laudo técnico. Para melhor visualização, vejamos os argumentos veiculados pelas duas partes: Modelo Características identificadas pela empresa no laudo técnico do IFPE Características identificadas pela fiscalização HCE580 HCE216 HCE297 HCE311 "(...) resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família HCE não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.917) HCE392 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HCE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 1.769/1.783) HCE503 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 1.916) THG6 THG7 "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.918) THG8 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 1.918) THG 4I THG 5I THG 6I THG 7I THG 8I "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.918) Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos, com sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 22°C (efls. 40/41). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efls. 809/813). IHB 568 IHB722 "O resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos das famílias IHB e SMR não possuem capacidade de Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos em Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.939 11 SMR1900 congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.919) SMR1940 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. supermercados, com sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 20 °C ou 16 °C a 30 °C (efls. 43) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para supermercados (efl. 821). HDE216 HDE220 HDE265 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esses produtos, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE311 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 1.921) HDE324 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 1.785/1.799) HDE427 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE503 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 1.921) HDE521 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Congelador (freezer) horizontal podendo, alternativamente, ser utilizado como refrigerador, (temperatura ajustável dupla ação), com variação de temperatura de +5°C a 22 °C (efls. 44) Entre as duas funções que o produto é capaz de executar: congelamento e refrigeração, a função principal é a de congelamento, pois esta exige do equipamento maior poder de resfriamento. (efl. 45) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas duplaação (efls. 824/826) VCV1C O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Consta do laudo técnico considerações quanto ao modelo VCV4B (efl. 1.920) Congelador (freezer) vertical, com variação de temperatura de 18 C° a 23 °C com porta de vidro com formato tipo armário (carregamento de gêneros é efetuado pela frente) (efl. 47). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efl. 814) É pacífico, portanto, que as mercadorias são enquadradas na posição 8418 (Refrigeradores, congeladores “freezers” e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415). Fl. 1944DF CARF MF 12 Considerando os documentos e alegações trazidas pela Recorrente nestes autos, observase que ela sustenta que todos os seus produtos não atingem a temperatura 18°C no prazo de 24 horas não possuindo, com isso, a capacidade de congelamento na forma da ISO 5155/1995. Por sua vez, para a fiscalização, o fato dos produtos atingirem temperaturas abaixo de 18°C seria suficiente para enquadrála como congeladores destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais para fins de classificação fiscal. Contudo, a ampla documentação acostada aos autos pela Recorrente não consegue afastar a premissa fiscal: os produtos por ela comercializados são congeladores destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, ainda que não atendam as especificações técnicas exigidas pelo INMETRO para congeladores domésticos. O laudo técnico apresentado pela empresa em nenhum momento afirma que os produtos não possuem capacidade de congelamento, apenas buscam firmar que eles possuem capacidade de congelamento em desconformidade com a norma técnica do ISO 5155/1997. Essa norma técnica, entretanto, se aplica somente para refrigeradores e congeladores de uso doméstico, e não os comerciais como aqueles vendidos pela Recorrente. É o que se depreende da Portaria Inmetro n.º 20/2006, a qual se refere a própria Recorrente: "1. DEFINIÇÕES 1.1. Refrigeradores: Móvel termicamente isolado, dotado de máquina frigorífica que mantém o seu interior com temperatura adequada a conservar, resfriar ou refrigerar alimentos. (Fonte – Dicionário Aurélio). 2. REFERÊNCIAS 2.1. Lei 10.295/2001 Lei de Eficiência Energética. Estabelece a Política Nacional de Conservação de Energia. 2.2. Decreto nº 4.059/2001 Regulamenta a Lei de Eficiência Energética. 2.3. Portaria Inmetro nº 20/2006 Instituí, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, a etiquetagem compulsória de Refrigeradores e seus Assemelhados, de uso doméstico. 2.4. Normas Aplicáveis • ISO 7371 Household refrigerating appliances Refrigerators with or without lowtemperature compartment Characteristics and tests methods (Refrigeradores de 01 porta, compactos e "All refrigerator") • ISO 8187 Household refrigerating appliances Refrigeratorfreezers Characteristics and tests methods (Combinados) • ISO 5155 Household refrigerating appliances Frozen food storage cabinets and food freezers Characteristics and tests methods (Congeladores e Conservadores de alimentos congelados verticais e horizontais) • ISO 8561 Household refrigerating appliances Refrigerators, refrigerators freezers, frozen food storage cabinets and food freezers cooled by internal forced air circulation 3. CONDIÇÕES GERAIS 3.1 Nos distribuidores, produtores/importadores que comercializem exposição ou venda Condicionadores de Ar (artigo 6º da Lei 9933). Atenção: Não estão contemplados neste procedimento, os seguintes produtos: Refrigeradores e frigobares/compactos com porta de vidro; Climatizadores ou adegas de vinho/bebidas; Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.940 13 Congeladores/conservadores comerciais com porta cega ou porta de vidro (condensador/evaporadora com ventilação forçada desde que caracterizados como comerciais) e; Refrigeradores com sistema por absorção e termoelétricos." (grifei) Nesse sentido, os documentos e laudos apresentados pela Recorrente não afastam a premissa delineada pela fiscalização no Auto de Infração, de que seus produtos são congeladores, cuja classificação fiscal mais adequada, por mais específica, é aquela identificada pela fiscalização. As provas produzidas pela Recorrente não possuem pertinência com o presente caso. Mesmo reconhecendo a natureza comercial de seus produtos, todas as normas e considerações técnicas trazidas pela Recorrente nos autos se referem aos aparelhos de refrigeração de uso doméstico. Com isso, as provas trazidas aos autos pela Recorrente não trazem quaisquer elementos técnicos relevantes para a reclassificação fiscal, que merece ser mantida. Observase que quaisquer dos documentos técnicos trazidos pela Recorrente negam a existência de função de congelamento dos produtos, não trazendo diferenças relevantes para fins de classificação fiscal entre os produtos comercializados pela Recorrente e os congeladores. A indiferença entre os termos congeladores e conservadores, cuja ênfase é dada em todo momento pela Recorrente em sua defesa, foi bem apontada pela r. decisão recorrida com fulcro no Parecer da OMA, cujas razões se adota a seguir nos termos do art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "A OMA (Organização Mundial das Alfândegas) publica periodicamente, em francês e inglês, uma coletânea oficial contendo todos os pareceres aprovados pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH). A tradução para os diferentes idiomas nacionais e a sua posterior internalização é de competência de cada parte contratante à Convenção, no nosso caso, do Secretário da Receita Federal do Brasil. Destaquese que os pareceres de classificação são de cumprimento obrigatório por parte do Brasil e dos demais intervenientes no comércio internacional. Neste contexto, a Receita Federal expediu a IN RFB nº 873/2008 (vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação) e posteriormente a IN RFB nº 1.459/2014, ambas aprovando o texto dos Pareceres de Classificação do Comitê: “IN RFB nº 873/2008 A SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e de acordo com o disposto no item 2 do artigo 3º, combinado com o item 2 do artigo 8º da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988, resolve: Art. 1º Aprovar, na forma do Anexo Único a esta Instrução Normativa, que se encontra disponível no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), atualizados até julho de 2008, e adotar como vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas. Fl. 1946DF CARF MF 14 Art. 2º Adotar os mesmos pareceres de classificação como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas. Art. 3º Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 615, de 31 de janeiro de 2006. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.”(grifouse) Analisandose os Pareceres de Classificação contidos no Anexo Único da IN RFB nº 873/2008 (disponíveis no site da Receita Federal), destacase, para a solução da presente controvérsia, o Parecer relativo à posição 8418.30: “8418.30 1. Congelador (freezer) do tipo cofre, com uma tampa de vidro curvo, destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, segundo o modelo; um sistema de produção de frio incorporado permite manter uma temperatura compreendida entre 20 °C e 24 °C, para uma temperatura ambiente de 30 °C.” A impugnante fundamenta sua defesa na suposta distinção entre conservadores e congeladores, qual seja, a de que os congeladores destinariamse ao congelamento de alimentos enquanto que os conservadores destinariamse somente à conservação dos alimentos. Entretanto, conforme se pode notar no Parecer transcrito acima, o produto descrito é destinado à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, e é equivalente aos produtos fabricados pela autuada, com as mesmas características, funções e finalidades, e como se pode verificar também, é definido como “Congelador (freezer)”. Em sua impugnação, a autuada faz diversas críticas ao Parecer da OMA. Alega que os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias. Equivocase a recorrente. Conforme o art. 1º da IN SRF nº 873/2008 são “vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas”. Além disto, os Pareceres tem caráter “subsidiário fundamental”, e não residual, ou seja, auxiliam na interpretação das Regras de Classificação e dos Textos de Posição e Notas de Seção e Capítulos. Também não procede a alegação de que o Parecer da OMA trata de características operacionais secundárias do produto. Isto não faz sentido algum. Obviamente o que se descreve em um parecer é o produto em si, pela sua característica principal, e como a própria impugnante sustenta em sua defesa, é a função principal que determina a classificação fiscal do produto. Conforme está claro no Parecer transcrito, o produto é “destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, ...”. Assim como os conservadores fabricados pela contribuinte, o Parecer transcrito tem por objeto congeladores (freezers) destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios. Sustenta a impugnante que quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores), já que a diferenciação somente ocorreu em 2007; e por se tratar de uma tecnologia nova os conservadores deveriam se enquadrar na NCM residual 8418.50.90. A tese não tem amparo legal, já que o Parecer transcrito está vigente até a presente data. O entendimento e classificação fiscal adotados não foram alterados, o que demonstra que apesar da diferenciação ocorrida entre os diversos tipos de aparelhos, a OMA mantém o entendimento de que os conservadores pertencem ao grupo dos congeladores. Cabe refutar também, a alegação da autuada de que a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.941 15 diferenciar conservadores e congeladores. Como já discorrido, a classificação fiscal não é uma matéria eminentemente técnica, e ainda que fosse, não caberia questionar os critérios da OMA, que, como já discorrido, é o órgão internacional competente para classificar os produtos. Devese ressaltar ainda, que o quadro comparativo de fls. 1250/1253 elaborado pela impugnante, “DIFERENÇAS ENTRE AS CARACTERÍSTICAS SECUNDÁRIA LISTADAS NO PARECER DA OMA E AS PRESENTES NOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIALIZADOS PELA IMPUGNANTE”, não tem nenhum valor porque, como já mencionado, o Parecer da OMA não trata de características secundárias, e porque o produto utilizado como paradigma é um freezer com função principal de congelamento, enquanto que o produto objeto do Parecer é um freezer com função principal de conservação de alimentos, igual ao dos produtos fabricados pela autuada. Também em sua defesa, a impugnante transcreve, às fls. 1254/1255, algumas soluções de consulta proferidas pela Receita Federal. Entretanto, a maioria das soluções referemse a refrigeradores, e não a conservadores/congeladores. (...) Assim, pela aplicação obrigatória do Parecer da OMA, os conservadores de alimentos, tais como os fabricados pela contribuinte, fazem parte do grupo de congeladores, devendo ser classificados, conforme o modelo (horizontal ou vertical) e volume (capacidade abaixo de 800 litros para os horizontais e abaixo dos 900 litros para os verticais), nas posições 8418.3000 (horizontais) e 84184000 (verticais). Dessa forma, pela aplicação da Regra Geral de Interpretação nº 1, temos que: produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha IHB – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha SMR – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos Fl. 1948DF CARF MF 16 comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha VDF – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%; produtos da Linha VCV1C – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%. Portanto, mantémse o lançamento efetuado pela fiscalização em função da saída de produtos com erro de classificação fiscal e erro de alíquota." (efls 1.817/1.820) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 1949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005555/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra -Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo -Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de declarações de compensação (fls. 01/409) transmitidas pela contribuinte acima identificada, no valor de R$ 194.341,50, referentes ao crédito oriundo da ação judicial nº 95.15024641. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 05 55 5/ 20 08 -9 1 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 957 2 A Delegacia de origem, através do Despacho Decisório nº 645 – DRF/CXL, datado de 03/09/2008 (fls. 540/541), homologou as declarações de compensação vinculadas a ação ordinária citada até a quantia de R$27.672,52, conforme planilhas de cálculo às fls. 510/511. Cientificada em 11/02/2009 (fl. 610), a interessada apresentou, em 11/03/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 614/630), na qual alega que: a) Em face da coisa julgada material, a Manifestante pleiteou, por meio das respectivas Declarações de Compensação, apresentadas entre 2004 e 2005, a compensação dos valores indevidamente recolhidos, O montante total da compensação efetuada pela Manifestante atingiu, em janeiro de 1996, o valor de R$ 72.337,34 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e sete reais e trinta e quatro centavos); b) Não foi possível encontrar, no entanto, em nenhum momento, qualquer trecho que fizesse referência ao porquê de o valor homologado ter sido tão diferente daquele encontrado pela Manifestante e que foi objeto das Declarações de Compensação nos anos de 2004 e 2005; c) O que se percebe, na verdade, é que houve uma real supressão dos fundamentos no despacho decisório, os quais foram inadvertidamente substituídos por uma breve narração dos fatos (equivocadamente intitulados de “Fundamentos”). Entretanto, restringirse apenas aos fatos para homologar parcialmente uma compensação, sem se atentar para as razões que embasaram sua decisão, não se afigura como uma conduta correta e típica de uma autoridade cuja atividade é obrigatória e vinculada; d) Esse detalhe, portanto, é olvidado no despacho decisório e impede, ipso facto, o exercício da ampla defesa da Manifestante, já que os motivos que ensejaram a homologação apenas parcial da compensação não foram sequer abordados superficialmente pela decisão da O. Autoridade Fazendária; e) Além disso, extremamente relevante ressaltar que, da leitura da Notificação DRF/CXU Seort n° 15 e do Despacho Decisório DRF/CXL n° 645, em nenhum momento é possível constatar a menção a qualquer fato ou dispositivo legal que teria sido supostamente descumprido pela Manifestante em razão da compensação efetuada, e que, portanto, teria impedido o reconhecimento do seu direito creditório de forma integral; f) No caso em comento, o despacho decisório sequer demonstra quais os critérios legais utilizados para se chegar ao valor de R$ 27.672,52 (vinte e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos), mais precisamente, o porquê de ter desconsiderado período que, de direito, a Manifestante pagou tributo indevidamente e, conseqüentemente tem o direito à compensação. Além disso, não demonstra quais os critérios, índices utilizados para a correção do indébito, o que impossibilita a Manifestante de saber se foi atendida ou não a coisa julgada; g) De acordo com o que se observa da planilha confeccionada pela Manifestante (doc. 07), a qual norteou toda a compensação por ela efetuada, o período compreendido no cálculo dos créditos oriundos da decisão judicial favorável no processo n° 95.15.024641 teve como marco inicial o mês de janeiro de 1989 (aqui considerado, em respeito às regras aplicadas ao tributo à época, como mês de pagamento da contribuição para o PIS); h) A D. Autoridade Fazendária, por seu turno, em planilha calculada pelo Secat/DRF/CxL (localizada às fls. 510 e 511 deste processo administrativo), considerou Fl. 957DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 958 3 como marco inicial do direito da Manifestante em seus cálculos, o mês de maio de 1990 (aqui considerado, em respeito às regras aplicadas ao tributo à época, como mês de pagamento da contribuição para o PIS); i) A Manifestante, no entanto, desconhece os motivos que levaram a D. Autoridade Fiscal a desconsiderar por completo o período anterior a maio de 1990, visto que, analisando as decisões proferidas na ação ordinária n° 95.15.024641, não é possível vislumbrar qualquer restrição imposta ao período anterior a maio de 1990; j) Resulta claro que o d. magistrado decidiu no sentido de que a Manifestante tem o direito á compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS nos moldes dos Decretoslei n°s 2.445 e 2.449/88, ainda mais quando se considerar que a Manifestante comprovou efetivamente que realizou todos esses recolhimentos tidos por indevidos, conforme atestam as DARFs ora juntadas aos autos (docs. 12 a 17 as quais demonstram o pagamento por parte da Manifestante da contribuição ao PIS no período de 1989 a 1995); l) Devese referir, ainda, que as demais decisões proferidas no processo ora em tela (docs. 09 e 10), tanto por parte do E. TRF da 4ª Região, como por parte do E. STJ, todas mantiveram esse entendimento, tendo modificado a decisão apenas no que diz respeito à correção monetária (expurgos inflacionários). A certidão narratória da ação ordinária n° 95.15.024641, da mesma forma, também é instrumento capaz de comprovar as alegações da Manifestante (doc. 11); m) Ao homologar apenas parcialmente a compensação efetuada pela Manifestante em face dos motivos acima delineados, a D. Autoridade Fiscal desrespeitou os termos da decisão judicial proferida na ação ordinária n°95.15.024641, posto que impôs indevida restrição quando, na r. sentença, nada havia sido determinado nesse sentido; n) A Manifestante com fulcro nessas decisões, procedeu ao cálculo do montante a compensar, os quais resultaram na planilha anexa, antes referida (doc. 07); o) A D. Autoridade Fazendária, no entanto, ao analisar a compensação efetuada pela Manifestante, e ao proferir o despacho decisório ora impugnado, não demonstrou quais os critérios, índices e expurgos utilizados para conferir o procedimento compensatório realizado pela Manifestante, limitandose apenas a referir que homologou o montante de R$ 27.672,52 (vinte e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos ) indicar onde residiria a divergência nos cálculos; p) A D. Autoridade Fiscal pretendeu efetuar a cobrança de multa de 20% sobre o valor do principal supostamente devido. Desta forma, tendo em vista que a Manifestante, em momento algum deixou de recolher tais tributos, como restou soberbamente demonstrado nos itens anteriores em que comprova que faz jus à compensação requerida, não há que se falar na aplicação de multa; Em vista do exposto, requer: a) Seja acolhida a preliminar de nulidade suscitada pela Manifestante, uma vez que o Despacho Decisório DRF/CXL n° 645 não apresentou qualquer fundamento que suportasse a decisão de homologar apenas parcialmente a compensação efetuada pela Manifestante, com fulcro nos arts. 10, 11 e 59 do Decreto n°70.235/72, art. 5°, inc. LV, da CF e art. 50 da Lei n° 9.784/99; b) Caso não acolhida a preliminar antes suscitada, ad argumentandum, seja integralmente homologada a compensação efetuada pela empresa, ora Manifestante, Fl. 958DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 959 4 tendo em vista que foi realizada nos exatos termos da decisão judicial oriunda da ação ordinária n° 95.15.024641, inclusive no que pertine à correção monetária e aplicação dos expurgos inflacionários; c) Em face da inexistência de previsão legal, deixe de ser aplicada a multa; d) Protesta por todos os meios de prova existentes, com base no art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72. Através da Resolução nº 169, de 02 de março de 2011, a Turma decidiu pela realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), modificado pela Lei nº 8.748, de 1993, e do artigo 10 da Portaria MF nº 58, de 2006, para as seguintes providências: Encaminhar estes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS para, ultrapassada a preliminar de nulidade, adotar as seguintes providências: a) Verificar a autenticidade dos DARF´s de fls. 676/713; b) Efetuar novos cálculos da restituição do PIS, considerandos os pagamentos confirmados no item acima, com período de apuração abrangido pela decisão judicial, ou seja, a partir de janeiro de 1989. c) Apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo; d) Dar ciência ao contribuinte deste despacho, assim como do resultado da diligência; e) Conceder ao impugnante o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre o resultado da diligência; f) Com o relatório acima referido, e, se for o caso, com a manifestação do sujeito passivo, encaminhar o presente processo a esta DRJ para prosseguimento do julgamento administrativo. A delegacia de origem cumpriu o estabelecido na Resolução supra, editando a Informação DRF/CXL/Seort nº 39, de 10 de junho de 2011 (fl. 730), a seguir transcrita: Durante análise da manifestação de inconformidade protocolizada pelo contribuinte em epígrafe, a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem adotasse diversas providências. 2. Os Darf s apresentados pelo contribuinte às fls. 676/713 foram confirmados às fls. 512 (informação fiscal), 497/505 e 720/726, à exceção do Darf da fl. 681 que não foi confirmado. 3. Foi efetuado cálculo do crédito de PIS para os períodos de apuração de janeiro de 1989 a janeiro de 1990 à fl. 729, em complemento ao cálculo realizado anteriormente às fls. 510/511. 4. Para apurar a base de cálculo do PIS nos anos de 1988 a 1989 foi utilizado o valor principal recolhido a título de Finsocial dividido pela alíquota vigente à época. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 960 5 5. Apurados os valores devidos a título de PIS, nos termos da LC n° 7/70 (com semestralidade), estes foram vinculados aos respectivos pagamentos. Os saldos dos Darf s foram atualizados pelos índices determinados na decisão judicial até 01/01/1996. 6. Cumprido o solicitado na diligência, proponho que seja dada ciência desta informação ao contribuinte, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, se entender necessário, exclusivamente quanto a esta informação, e posterior devolução à DRJ/BEL para prosseguimento. Cientificada do resultado da diligência, a interessada apresentou manifestou inconformidade, aduzindo que: (...) Ocorre que, na apuração do indébito, em especial as bases de cálculo compreendidas entre 07/1988 a 09/1988, a d. autoridade fiscal, ao ver da Requerente, data vénia, valeuse de guias DARFs equivocadas, eis que foram utilizadas aquelas cujas datas de vencimento se deram em 10/04/1989, 10/05/1989 e 12/06/1989, isto é, em período superior à semestralidade prevista em lei. Ora, se a base de cálculo a ser considerada pelo PIS semestralidade é a do sexto mês anterior ao vencimento, decorrência lógica é que para as bases de cálculo verificadas na planilha de fls. 729 dos autos, entre 07/1988 a 09/1988, deveriam ser considerados os DARFs com vencimento, respectivamente, em janeiro, fevereiro e março de 1989. Tais guias de arrecadação encontramse devidamente anexadas aos autos, às folhas 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989), sendo que os valores nelas expressos é que devem ser considerados como pagamento indevido em relação às bases de cálculo dos seis meses anteriores. Nem se diga que o DARF de fls. 681 não deva ser considerado como afirmado na citada Informação Fiscal, haja vista que foi devidamente quitado na rede bancária, apresentando de forma legível a respectiva autenticação bancária. Nesse ponto, a citada Informação Fiscal sequer justifica os motivos que levaram a autoridade fiscal a não considerar o documento de arrecadação de fls. 681. Há de se lembrar que é aplicável ao caso em comento o disposto no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, que assim estipula: (...) A consequência da inobservância, por parte da D. Autoridade Fiscalizadora, do quanto exposto no dispositivo legal acima citado é, indubitavelmente, a violação, completa e irrefutável, ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, ensejando, assim, a declaração da nulidade do ato, no ponto em que rejeita o mencionado documento comprobatório, nos exatos termos do art. 59 do Decreto n9 70.235/1972, in verbis: (...) Pelo exposto, no cálculo do indébito, em especial em relação às bases de cálculo de julho/1988 a setembro/1988, devem ser consideras as guias de pagamento de fls. 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989), além, é claro, dos valores já confirmados Fl. 960DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 961 6 nos presentes autos (R$27.672,52 e R$29.831,27) e que foram objeto de complementação. (...) Registrese, ainda, que a Requerente verificou haver divergências entre os índices de correção monetária aplicados na tabela de fls. 729 e aqueles fixados na sentença e no Manual do Conselho Nacional da Justiça Federal para as ações de repetição, como se verifica no caso concreto. O Manual aprovado pela Resolução nº 134, de 21 de dezembro de 2010, traz, com segurança, os índices verificados à época, como se apura da Tabela anexa (doe. 01). No caso concreto, tendo em vista que o crédito da Requerente foi reconhecido em ação de repetição de indébito transitada em julgado, devem ser aplicados os índices estabelecidos na r. sentença transitada em julgado, bem como aqueles divulgados pelo mencionado Manual, veículo idôneo e escorreito, que melhor reflete os índices do período verificado. (...) Por todo o motivo exposto, a Requerente postula o seguinte: a) no cálculo do indébito, somandose aos valores já confirmados em especial em relação às bases de cálculo de julho/1988 a setembro/1988, devem ser consideras as guias de pagamento de fls. 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989); e b) para a correção dos valores, deve ser considerado o IPC de janeiro de 1989 no índice de 42,72%, conforme estabelecido pela decisão transitada em julgado, bem como aqueles trazidos pelo Manual aprovado pela Resolução 134, de 21 de dezembro de 2010 do Conselho da Justiça Federal, o qual melhor reflete os índices do período em análise. Ato contínuo, a DRJBELÉM (PA) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não há que se cogitar em nulidade do despacho decisório. AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Em se tratando de cumprimento de decisão judicial, o cálculo da compensação deve ser feito nos estritos termos da sentença e/ou acórdãos proferidos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa se insurgiu apenas quanto a dois pontos: Fl. 961DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 962 7 a) confirmação do pagamento indevido supremacia do princípio da verdade material; e b) da correção monetária e dos expurgos inflacionários Estrita observância da coisa julgada em relação à aplicação do IPC em janeiro de 1989. É o Relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Conforme já consignado, trata o processo de declarações de compensação, decorrentes da declaração de inconstitucionalidade do PIS recolhido nos moldes dos Decs. 2.445/88 e 2.449/88 (ação judicial nº 95.15024641), que foram parcialmente homologadas pela unidade de origem, nos termos do Despacho Decisório nº 645 – DRF/CXL, datado de 03/09/2008 (fls. 540/541) e planilhas de cálculo às fls. 510/511. Um dos pontos argumentados pela Recorrente, quanto a metodologia de cálculo do seu quantum a restituir, diz respeito a não aplicação do expurgo inflacionário de 42,72 % referente a janeiro de 1989, nos termos da decisão judicial e Súmula 32 do TRF4. Segundo a Recorrente, a decisão judicial determina a aplicação na atualização monetária do seu crédito com os expurgos inflacionários previstos nas Súmulas 32 e 37 do TRF4, in verbis: Súmula 37 Deve ser reconhecido o direito à correção monetária integra na compensação (Súmula nº46 do extinto TRF), segundo a variação do BTNF, INPC e UFIR, sendo igualmente devidos, no cálculo da correção monetária, os expurgos do IPC nos meses de janeiro de 1989 (Súmula nº32 do TRF da 4ª Região), março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991 (Súmula nº37 do TRF da 4ª Região). Súmula 32 No caso de liquidação de débito judicial incluise o índice de 42,72% relativo a correção monetária de janeiro de 1989. Em análise da planilha "Repetição de Indébito PIS DL 2.445/88 e 2.449LC 07/70" constante da fls.741, constatouse que não há a informação da aplicação do expurgo inflacionário previsto na Súmula 32 do TRF4 para o período de apuração de mês de janeiro de 1989, apenas consta a informação de que na atualização monetária foi aplicada a OTN. Visando clarear essa situação, quanto a aplicação do expurgo no mês de janeiro de 1989 determinado na decisão judicial. este Colegiado, no julgamento realizado em 24 de outubro de 2017, baixou o processo em diligência fiscal a fim de que a Autoridade Fiscal esclarecesse a questão. Em resposta a diligência solicitada, a Autoridade Fiscal respondeu a solicitação nos seguintes termos: 1. O CARF solicita diligência, através da Resolução nº 3402001.166, de 24/10/2017,para que seja informado se foi aplicado a expurgo inflacionário previsto na Súmula nº 32 do TRF4(42,72%), conforme determina a decisão judicial. Determina ainda que, caso não tenha Fl. 962DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 963 8 sido aplicado o referido expurgo, seja refeito o cálculo do quantum a repetir do contribuinte e compensações e, por fim, que seja elaborado relatório fiscal detalhando os procedimentos realizados. 2. Resumidamente, podese dizer que um expurgo inflacionário decorre da não aplicação dos índices de inflação em um determinado período, ou da aplicação de percentual menor do que deveria ter sido utilizado, reduzindo seu valor real. 3. Assim, a aplicação do expurgo incide sobre os pagamentos indevidos ou a maior efetuados até o mês do expurgo, uma vez que a sua aplicação teria justamente o objetivo de repor a inflação apurada até aquele mês, atualizando o pagamento indevido ou a maior ao seu valor real. 4. Importante esclarecer que o expurgo inflacionário previsto na Súmula 32 do TRF4 de 42,72% referese ao mês de janeiro de 1989. 5. A DRF confeccionou a planilha “Repetição de Indébito – PIS DL 2.445/88 e 2.449 – LC 07/70” (fls. 514/515), que apurou o crédito passível de compensação do contribuinte, demonstra pagamentos de PIS efetuados de 07/05/1990 a 12/04/1995 e apurou crédito de R$ 27.672,52 (atualizado até 01/01/1996). 6. Em diligência solicitada pela DRJ/BEL, elaborouse a planilha complementar de fl. 776, demonstrandose pagamentos de PIS efetuados de 10/04/1989 a 10/04/1990, e apurouse crédito de R$ 29.831,27 (atualizado até 01/01/1996). 7. Ou seja: o pagamento de PIS mais antigo demonstrado nas planilhas de apuração de crédito (fls. 514/515 e 776) foi arrecadado em 10/04/1989. 8. Como seria possível aplicar o expurgo de janeiro de 1989 se não há pagamento a maior ou indevido efetuado em janeiro de 1989 (ou antes desta data) em nenhuma das planilhas de apuração do crédito? 9. Então, por óbvio, que o expurgo de janeiro de 1989 não foi aplicado, pois não há como aplicálo para pagamentos efetuados após janeiro de 1989! 10. Concluise, portanto, que não há recálculo do quantum a compensar para ser efetuado. Embora na referida diligência a Autoridade Fiscal tenha esclarecido suficientemente a questão quanto a não aplicação do expurgo inflacionário de janeiro de 1989 por não ter sido identificado pagamento em janeiro de 1989 (ou antes dessa data), discordase da afirmação de que não houve pagamento antes de 10/04/1989, isso porque, conforme se pode conferir na planilha de confirmação de fls. 738 , constam dois DARFs pagos sob o código 3885 (PIS Receita Operacional) e confirmados pela DRF de origem, nos valores de 2.451,09 (10/02/1989) e 511,24 (10/03/89) fls.687 e 688 que não foram considerados nos cálculos do quantum a restituir da Recorrente, conforme se pode conferir na própria planilha de "Repetição de Indébito PIS DL 2.445/88 e 2.449LC 07/70" constante da fls.741. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 964 9 Ressaltese que, quanto ao mês de janeiro de 1989, o DARF apresentado pela Recorrente no Valor de 2.175.741,17 não foi confirmado pela unidade de origem nos sistemas da Receita Federal, constituindose em motivo justificável para a sua não consideração nos cálculos. Compulsando as cópias dos autos do processo judicial (fls. 466), constatase que a restituição concedida pela autoridade judiciária referese a todo período abrangido pelos decretos julgados inconstitucionais, nos termos a seguir reproduzidos da sentença proferida na ação judicial nº 95.15024641: Pelo exposto, rejeitando a prefacial de prescrição, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido da parte autora, para o efeito de declarar o seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição para o PIS, por força dos Decretos leis 2.445 e 2.449. de 1988. já que inconstitucionais, através de compensação com as Parcelas vincendas do próprio PIS. devendo prevalecer a disciplina das Leis Complementares n°s 7/70 e 17/73, observandose a semestralidade no prazo de pagamento até o mês de janeiro de 1989, na forma da fundamentação. Os créditos ora reconhecidos como compensáveis poderão ser utilizados, no âmbito administrativo, para compensação nos moldes dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430. de 27.12.96. e regulamentação. (negritos nossos) Nesse passo, constatase que restaram alguns pagamentos feitos na sistemática de apuração do PIS pelos Decs. 2.445/88 e 2.449 que não foram considerados na compensação ora analisada. Assim, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para apuração do quantum a repetir de acordo com a decisão judicial citada, devendo a unidade de origem realizar os procedimentos a seguir indicados: a) Realizar novos cálculos da restituição do PIS, considerando os pagamentos de PIS (3885Receita Operacional) ocorridos em fevereiro/1989 e março/1989; b) Apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo; c) A Fiscalização deverá elaborar relatório conclusivo sobre os resultados obtidos na diligência; d) O contribuinte deverá ser notificado do Relatório Fiscal, abrindolhe o prazo de trinta dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Transcorrido o prazo de manifestação, restitua o processo a este Relator, a fim de que coloque o processo em pauta para julgamento pelo Colegiado. É como voto. (assinatura digital) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 964DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.627 S3C4T2 Fl. 965 10 Fl. 965DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909058/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 58 /2 00 9- 52 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela autoridade jurisdicionante face a ausência de crédito disponível. Cientificada da decisão denegatória de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando o que segue: Preliminarmente requer a nulidade do Despacho Decisório que indeferiu a compensação, sob os seguintes argumentos: " o despacho decisório ora recorrido é absolutamente NULO por (i) cercear o direito de defesa do contribuinte, na medida em que não descreve adequadamente as irregularidades supostamente apuradas e busca conveniente inversão do ônus da comprovação (o que via de regra é um em dever do fisco e não do contribuinte), e (ii) não conter uma descrição adequada dos valores que poderiam ser devidos pela Requerente, em prejuízo do disposto nos incisos III e IV do artigo lº do Decreto n° 70.235/72, e nos artigos 113, § 10 , e 142 do Código Tributário Nacional ("CTN")". No mérito afirma que, em razão das atividades que pratica, realiza diversas operações estaduais que envolvem o pagamento do ICMS, pelo regime de substituição tributária. O art. 7º da Portaria CAT nº 17/99, bem como os artigos 269 e 270 do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo (Decreto 45.900/2000) autorizam ao contribuinte se restituir do montante indevidamente pago do tributo. Nos anos de 2001 a 2003 a empresa procedeu ao creditamento do ICMSST, retido a maior pelo fornecedor, na compra de mercadorias, tendo em vista o diferencial de margem por ela efetivamente praticada e aquela utilizada pelo fornecedor para fins de cálculo do ICMSST, conforme atestam as anexas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA's). Com base no creditamento dos montantes de ICMSST (principal pago indevidamente, acrescido de juros), a Requerente ofereceu tais valores à tributação pelo(a) COFINS. Contudo, o ICMSST restituído pelo Fisco Estadual à Requerente não pode integrar a base de cálculo da COFINS: a um porque não configura receita do comerciante (mas sim do Estado) e, a dois, porque, não sendo o ICMS parte do faturamento próprio da empresa, não representa acréscimo patrimonial positivo, para fins de incidência do(a) COFINS. De acordo com o entendimento preponderante da doutrina, o termo receita corresponde a um fato que venha a modificar positivamente o patrimônio da pessoa jurídica. Em linhas gerais, o acréscimo patrimonial de uma pessoa jurídica ocorre com a incorporação de um novo direito, definido como tal pela norma jurídica, ao seu patrimônio. Em sendo assim, a princípio, poderseia dizer que a restituição de tributos configura receita para a pessoa jurídica que recebe tais valores. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 4 3 Contudo, por mais que seja caracterizado como um direito novo, a restituição de tributo pago indevidamente guarda intrínseca relação com um direito existente anteriormente no patrimônio da pessoa jurídica, qual seja, o caixa utilizado para efetuar o pagamento do tributo. Logo, em última análise, o direito à restituição nada mais é do que o próprio direito ao caixa utilizado para o pagamento do tributo, que já se encontrava incorporado ao patrimônio da sociedade. Poderseia equiparar a restituição de tributos pagos indevidamente a uma operação de mútuo, sendo o mutuário o Governo, enquanto o mutuante é a pessoa jurídica que tenha recolhido o tributo indevidamente. Como se sabe, em uma operação de mútuo, a devolução do valor do principal configura uma mera recomposição patrimonial. Assim, não há que se falar que a restituição de tributos recolhidos indevidamente é receita, já que lhe falta um dos elementos característicos do conceito de receita, qual seja, acréscimo patrimonial. O próprio legislador tributário já admite, ainda que não expressamente, que o ingresso de direito novo, vinculado a direito previamente existente com caráter de mera recomposição patrimonial, não configura receita. Tal entendimento estaria implicitamente previsto no artigo 30, §2°, II, da Lei 9.718/98 e no artigo 10, § 30, inciso V, alínea "b" da Lei n° 10.833/03. A Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/9a. Regido Fiscal, nos autos do Processo de Consulta nº 222/02 já se manifestou no sentido de que a mera restituição de tributos não é receita e, portanto, não está sujeita à incidência do PIS/COFINS. Também o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 23/12/2003 manifestouse no sentido de que não há incidência de PIS e de COFINS sobre valores de tributos pagos indevidamente. Consequentemente, os pagamentos efetuados a esse título configuram crédito da Requerente, passível de compensação. Os valores relativos ao ICMSST restituídos à Requerente, cuja incidência tem por fundamento o disposto no artigo 155 caput, inciso II, e § 2° da CF/88, foram incluídos na composição da base de cálculo da aludida contribuição, como faz prova as GIA's anexadas a estes autos. O C. STF, recentemente, por entender que a matéria tem cunho constitucional, iniciou o julgamento da constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (Recurso Extraordinário n° 240785). O julgamento foi paralisado com 6 (seis) votos favoráveis aos contribuintes, nos quais se reconheceu que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 5 4 Não sendo faturamento e nem receita, o valor do ICMS pago pelo contribuinte não representa medida de riqueza para fins de incidência de contribuição social instituída com fundamento no artigo 195, inciso I, alínea "b", da CF/88, antes ou depois da EC 20/98. Por esse motivo, a sua inclusão é indevida, uma vez que se está tributando algo que não carrega um signo presuntivo de riqueza para o contribuinte, mas representa uma receita apenas para o Estado. Assim, caso não seja reconhecido que a restituição de tributo indevidamente pago deva ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Requerente entende que, nos termos em que já reconhecido pela jurisprudência é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições. Além disso, a não homologação das compensações pretendida pela Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto dos referidos processos administrativos. Para que haja a exigência de multa e juros de mora, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento do crédito tributário. No caso, a empresa só estaria em mora se houvesse transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. Diante da Manifestação de Inconformidade, que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, mesmo depois de findo o referido prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse em curso. Uma vez que a Requerente, ao proceder a compensação, observou todas as normas e atos normativos expedidos pelas Autoridades Fiscais, de acordo com o artigo 100, parágrafo único do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo "a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário". Por todo o exposto, requerse o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, a homologação integral procedimento e o consequente cancelamento da exigência, seguido do arquivamento do processo administrativo. Requer também, enquanto não houver julgamento final do Processo Administrativo, que os débitos compensados não obstem a expedição de CND conjunta da Receita Federal do Brasil/Procuradoria da Fazenda Nacional. Protesta provar, por todos os meios de prova admitidos, a total improcedência da decisão recorrida, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos" (seleção e grifos nossos). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 6 5 O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão DRJ nº 02063.095. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.548, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.909051/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.548): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: I Preliminares I.1 Nulidade do Despacho Decisório Em sede de preliminares a Manifestante aduz a nulidade do despacho decisório combatido, por falta de descrição clara e precisa dos elementos que redundaram na não homologação da compensação efetuada, fato que lhe teria prejudicado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, além de macular o princípio da legalidade. O argumento não merece guarida. De início, importa destacar que o tratamento da DCOMP sob exame se deu de forma eletrônica. A partir da redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação eletrônica (DCOMP), na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato dessa declaração é a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 7 6 extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de ulterior homologação. Nesses termos, ao contribuinte cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos informados em DCOMP e, à autoridade fazendária, compete a verificação e a validação dessas informações. Estando em conformidade, sobrevém a homologação do procedimento compensatório, confirmando a extinção dos débitos compensados; do contrário, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, a Contribuinte transmitiu a DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500 para compensar suposto crédito de COFINS (Código 2172) decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação (DARF), recolhido em 14/06/2002, no valor de R$ 6.154.433,30, como origem desse crédito. Como se cuida de tratamento eletrônico, a verificação dos dados informados pela Contribuinte em DCOMP realiza se de forma eletrônica, em cotejo com as demais informações por ela prestadas à RFB em outras declarações (DCTF, DACON, DIPJ, por exemplo), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc),e resulta num despacho decisório de homologação/não homologação/homologação parcial da compensação declarada. Do cotejo dessas informações, o despacho decisório resultou na não homologação da DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, tendo em vista que, embora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do direito creditório, este se encontra integralmente utilizado na quitação de outros débitos da contribuinte, de forma que não existe saldo de crédito disponível para a compensação declarada na citada DCOMP. Equivale a dizer que, do exame das declarações apresentadas pela própria Interessada à Administração Tributária, é possível concluir pela inexistência de crédito passível de utilização na Dcomp ora analisada. Via de consequência, é de se reconhecer que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, vez que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Portanto, clara está a motivação do ato administrativo guerreado, que reside nas próprias declarações e documentos produzidos pela Contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não havendo que se falar em intimação prévia, nem violação ao contraditório, ou cerceamento de defesa. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 8 7 A empresa foi devidamente cientificada do despacho decisório, lavrado por autoridade competente, com observância de todas as prescrições legais; tendolhe sido oportunizada a apresentação de defesa e a produção de provas, no prazo legal. Ademais, as razões suscitadas na peça de defesa demonstram amplo conhecimento dos motivos que levaram à não homologação do procedimento compensatório. (...) II Mérito II.1 Da não incidência do Pis e da Cofins sobre a Restituição de Tributos Pagos Indevidamente O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24/12/2003, que dispõe sobre a tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica, por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, prescreve: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep. (...)Do acima transcrito, verificase que o citado Ato Declaratório Interpretativo explicita claramente que não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Todavia, por configurarem receita nova, os juros incidentes sobre o indébito devem compor a base de cálculo das contribuições para o Pis/PASEP e da Cofins, bem como do IRPJ e da CSLL. Além disso, há que se observar o período de apuração sobre o qual a Requerente argúi a existência do direito creditório (Maio/2002). Nesse período de apuração, a exigência da Cofins era regida pela Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do art. 3º foi tido por inconstitucional, em decisão plenária do STF que reconheceu, inclusive, a repercussão geral da matéria (RE nº 585.235, Relator: Min. Cezar Peluso, Data de julgamento: 10/09/2008). Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 9 8 Em função dos efeitos das decisões emanadas do STF foram editados, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por meio de listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, encontrase aquele objeto do RE nº 585.235, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98. Portanto, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26A do Decreto 70.235/72, que trata da não aplicação, pelo julgador administrativo, de dispositivo legal declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, resguardando a Fazenda Nacional de futuros prejuízos quando da fase de execução fiscal do crédito tributário. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Não obstante o reconhecimento, em tese, do direito vindicado pela Interessada, é preciso examinar a certeza e a liquidez do crédito pretendido, à vista do que dispõe o art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (g.n) Os documentos trazidos à colação não são suficientes à comprovação do alegado. As Guias de Informação e Apuração do ICMS acostadas não se prestam a comprovar que, no período requerido, os valores escriturados a título de ressarcimento do ICMSST (Cód. 007.19) compuseram, inequivocamente, a base de cálculo do(a) COFINS, como receitas. Tais documentos demonstram, somente, o quantum recuperado a título de ICMSST. Com efeito, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 10 9 direito probatório, qual seja, o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Nos termos do art. 333 do CPC, o ônus da prova cabe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Adaptandose essa regra ao Processo Administrativo Fiscal, constróise o seguinte raciocínio: por autor, deve ser identificado como a parte, na relação fisco contribuinte, titular de determinado direito, que toma a iniciativa de postulálo, mediante a adoção de algum procedimento; e por réu, a parte oposta, que apresenta resistência ao direito do autor. Nos casos de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, incumbe ao sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do crédito, posto que é dele a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp. De forma que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, caberá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao contribuinte, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do indébito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o direito creditório, visto que, sem tal evidenciação, o pedido fica inarredavelmente prejudicado. No caso, não tendo sido apresentadas pelo contribuinte provas inequívocas quanto à certeza e liquidez do direito creditório não se pode acatar o pedido. (...) A Reclamante insurgese, também, contra a cobrança de acréscimos legais (multa e juros moratórios) aos débitos compensados, aduzindo não estar em mora, eis que a Manifestação de inconformidade apresentada teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos alvo da compensação. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 11 10 Neste ponto, releva esclarecer que o objeto do presente litígio é a não homologação das compensações declaradas na DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, através do Despacho Decisório nº 821113075, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Não se trata de apreciação quanto à exigência de penalidades (ou mesmo quanto à cobrança dos débitos indevidamente compensados), mas apenas quanto ao não reconhecimento do direito creditório e à não homologação das compensações. (...) Nada obstante, merece esclarecer que os acréscimos moratórios decorrem da falta de recolhimento tempestivo do tributo devido, evidenciada a partir da não homologação das compensações efetuadas e têm por fundamento legal o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Quanto aos juros de mora, estes são devidos mesmo que a manifestação de inconformidade tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários compensados, conforme disposto no artigo 161 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. (destaque acrescido). Ademais, no caso específico de compensação, assim estabelece a IN 1.300/2012: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Sobre o requerimento para a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, cumpre ressaltar que o diploma processual tributário (Decreto nº 70.235/1972) dispõe, em seu art. 16, §4º, que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, sendo estipulado, no §5º, ainda, que a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do §4º (alíneas essas que apresentam as exceções à regra de preclusão). Não havendo as exceções (fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 12 11 posteriormente trazidos aos autos), ocorre a preclusão temporal e o contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Assim, caso queira o contribuinte apresentar provas em período posterior, poderá fazêlo desde que demonstre a ocorrência de uma das razões acima indicadas, sob pena de em assim não o fazendo, ter seu pleito de juntada indeferido. De qualquer forma, esta é questão a ser apreciada, concretamente, apenas quando do eventual encaminhamento ou produção de prova nova. À evidência, não é matéria a ser apreciada em tese" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10880.909058/200952 Acórdão n.º 3401005.557 S3C4T1 Fl. 13 12 probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente, que não logrou êxito em demonstrar a liquidez e a certeza do crédito vindicado. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.011200/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Direj/Cojul, para apreciação do requerimento de folhas 420 a 425, que pede a revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial. Após, o processo deve ser devolvido à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Direj/Cojul, para apreciação do requerimento de folhas 420 a 425, que pede a revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial. Após, o processo deve ser devolvido à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 11 20 0/ 20 07 -3 0 Fl. 428DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 215 ___________ Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280101.508, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de fls. 45 a 48, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 83.246,56, sendo R$ 26.146,92 de imposto e R$ 39.220,38 de multa de ofício de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de R$ 17.879,26 de juros de mora calculados até 31/08/2007. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos decorrente da constatação de acréscimo patrimonial não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 233/245. A DRJ/SDR, às fls. 278 e ss., julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que foi acatado o pleito referente à alteração de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose todas as origens de recursos e dispêndios, no Brasil e exterior. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 289/302. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 304/309, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para desqualificar a multa aplicada. A Decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 MEIOS DE PROVA. RECURSOS ENVIADOS AO EXTERIOR. São válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal, decorrentes de documento pericial emitido pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, elaborados a partir das mídias eletrônicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 313/324, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF – qualificação da multa de ofício. O Colegiado a quo, ao desqualificar a multa de ofício, deu à lei tributária interpretação diversa da conferida, em casos análogos. Os acórdãos paradigmas foram claros, em casos análogos ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.° Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10980.011200/200730 Resolução nº 9202000.212 CSRFT2 Fl. 216 3 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão significativa de rendimentos. Consideraram, ainda, que, quando a divergência entre a verdade real e a verdade declarada é discrepante, a multa qualificada deve ser aplicada. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 343/344, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, restando mantido o mesmo despacho pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, à fl. 345. Cientificado à fl. 359, às fls. 362/385, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. documentação em que se baseia a apuração de APD; e 2. momento em que ocorreu o acréscimo patrimonial. Explicou, primeiramente, a inconformidade do autuado contra a absoluta falta de comprovação de que os recursos eram de sua propriedade e que nem vieram de conta de sua propriedade e titularidade nem se destinaram a qualquer conta de sua propriedade ou titularidade. Que, portanto, a ementa da decisão recorrida é inadequada, o que força o recorrente a adotar paradigma com diferente descrição conclusiva, mas que preenche a condição de divergência por se referir a fato semelhante, qual seja a absoluta falta de comprovação de que o autuado detém a titularidade da conta do exterior e é o beneficiário dos recursos transferidos. Diante disso, o recorrente explicou que sua prova de divergência com relação ao conteúdo da matéria discutida com o contido em julgamento que discutiu igualmente a necessidade de prova de ser o contribuinte autuado o titular da conta bancária no exterior (ou se for o caso, no Brasil) e é o verdadeiro beneficiário dos recursos transferidos. Assim, o dissenso jurisprudencial se estabelece, porquanto a decisão recorrida entende não ser necessária a identificação objetiva da titularidade da conta bancária movimentada, tanto que simplesmente desprezou toda a argumentação em seu sentido, enquanto o paradigma afirma ser indispensável que isso se proceda sob pena de nulidade ou inadequação absoluta do lançamento. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 399/403, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, apenas em relação à seguinte divergência: documentação em que se baseia a apuração de APD. Em sede de Reexame Necessário, às fls. 404/405, o Despacho restou mantido. O Contribuinte foi cientificado à fl. 409. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 412/417, arguindo, no mérito, os fundamentos já aduzidos anteriormente. Às fls. 420/425, o Contribuinte apresentou contrarrazões relativa a parte que lhe foi negado seguimento do seu Recurso EspeciaL e também quanto a questão da multa qualificada. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10980.011200/200730 Resolução nº 9202000.212 CSRFT2 Fl. 217 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Observo que as contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte possuem natureza de Agravo contra o seguimento parcial do Recurso Especial por ele interposto. Assim em razão do princípio da fungibilidade, observados o momento e a oportunidade processual na qual este foi protocolado, é de se encaminhar o citado recurso em diligência para análise da autoridade competente. Diante do exposto converto o julgamento do recurso em diligência à Direj/Cojul, para apreciação do requerimento de folhas 420 a 425, que pede a revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial. Após, o processo deve ser devolvido à esta relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917153/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 53 /2 01 3- 14 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917153/201314 Acórdão n.º 3302006.396 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.445, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917153/201314 Acórdão n.º 3302006.396 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917153/201314 Acórdão n.º 3302006.396 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
