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Numero do processo: 10880.917108/2010-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de ressarcimento no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de declaração de compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento.
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se instaura em face de impugnação ou manifestação de inconformidade que tragam, de maneira expressa, as matérias contestadas, explicitando os fundamentos de fato e de direito, de maneira que os argumentos submetidos à primeira instância é que determinarão os limites da lide. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pela instância a quo. Se o colegiado a quo, por ausência de efetiva impugnação, não apreciou a matéria, não há que se falar em reforma do julgamento.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ex vi do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, restringe-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de modo que matéria não impugnada ou não recorrida escapa à competência deste órgão.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia quando se constata que o despacho decisório demonstra, de forma clara e precisa, a razão e os fundamentos da redução do crédito pleiteado e quando, nos autos, estão presentes os elementos necessários para a fundamentação da decisão.
Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
SUSTENTAÇÃO ORAL NOS JULGAMENTO DAS TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. Art. 61-A, §2º do Anexo II, RICARF. REQUERIMENTO PRÉVIO ATÉ 5 DIAS DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA.
O art. 61-A, §2º, do Anexo II do RICARF, dispõe sobre o pedido de sustentação oral no âmbito das Turmas Extraordinárias do CARF:
"A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)"
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ. SÚMULA CARF.
Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado (ainda sem trânsito em julgado) sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto.
Na mesma linha, veja-se o REsp nº. 1134903/SP, julgado no rito do art. 543-C do antigo CPC:
A aquisição de matéria-prima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade.
E, ainda:
Súmula CARF n° 18: A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.
Tais decisões são de reprodução obrigatória pelos membros do CARF, ex vi do art. 62, §2º, e art. 72, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF).
Numero da decisão: 3003-000.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante às glosas de créditos na aquisição de insumos destinados ao ativo permanente, brindes, bonificações, mercadorias e serviços não especificados, e, na parte conhecida, negar provimento com relação às glosas de créditos atinentes à aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de ressarcimento no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de declaração de compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se instaura em face de impugnação ou manifestação de inconformidade que tragam, de maneira expressa, as matérias contestadas, explicitando os fundamentos de fato e de direito, de maneira que os argumentos submetidos à primeira instância é que determinarão os limites da lide. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pela instância a quo. Se o colegiado a quo, por ausência de efetiva impugnação, não apreciou a matéria, não há que se falar em reforma do julgamento. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ex vi do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, restringese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de modo que matéria não impugnada ou não recorrida escapa à competência deste órgão. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 08 /2 01 0- 17 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 3 2 Indeferese pedido de perícia quando se constata que o despacho decisório demonstra, de forma clara e precisa, a razão e os fundamentos da redução do crédito pleiteado e quando, nos autos, estão presentes os elementos necessários para a fundamentação da decisão. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. SUSTENTAÇÃO ORAL NOS JULGAMENTO DAS TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. Art. 61A, §2º do Anexo II, RICARF. REQUERIMENTO PRÉVIO ATÉ 5 DIAS DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA. O art. 61A, §2º, do Anexo II do RICARF, dispõe sobre o pedido de sustentação oral no âmbito das Turmas Extraordinárias do CARF: "A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)" ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ. SÚMULA CARF. Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado (ainda sem trânsito em julgado) sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto. Na mesma linha, vejase o REsp nº. 1134903/SP, julgado no rito do art. 543 C do antigo CPC: A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade. E, ainda: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Tais decisões são de reprodução obrigatória pelos membros do CARF, ex vi do art. 62, §2º, e art. 72, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante às glosas de créditos na aquisição de insumos destinados ao ativo permanente, brindes, bonificações, mercadorias e serviços não especificados, e, na parte conhecida, negar provimento com relação às glosas de créditos atinentes à aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 5 4 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da glosa de créditos efetuada pela fiscalização, quais sejam, créditos calculados sobre aquisições tributadas à alíquota zero, compras para o ativo da empresa, bonificações, brindes, mercadorias e serviços não especificados. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que pelo princípio da nãocumulatividade, CTN, legislação do IPI e da PERDCOMP e doutrina que cita, teria créditos suficientes para compensar os débitos declarados, aos quais, portanto, não deveria incidir multa e juros. Encerrou requerendo a produção de todas as provas admitidas em direito, juntada de novos documentos e realização de prova pericial. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) em preliminar, que houve homologação tácita do pedido de restituição; (ii) no mérito, que o princípio da nãocumulatividade garante o direito ao crédito de IPI nas operações anteriores, assim como impõe a possibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou com alíquota zero. Invocando o princípio da verdade material, sustenta, ainda, a necessidade de diligência para que sejam requeridos os autos do Mandado de Procedimento Fiscal nº. 08.1.90.00201000853, onde se encontrariam documentos comprobatórios da destinação dos insumos que integram o crédito de IPI apurado no 3º. trimestre de 2005. Postula, também, pelo afastamento dos juros e multa, pela insubsistência dos débitos não homologados. Por fim, pleiteia por sustentação oral perante o CARF. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. O presente litígio versa sobre declarações de compensação, uma foi homologada parcialmente e a outra não foi homologada, e pedido de restituição/ressarcimento não deferido, em virtude de constatação de insuficiência e glosa de créditos, conforme se observa no despacho decisório às fls. 2 a 5.1 Em preliminar, a recorrente suscita, como visto, que houve homologação tácita do pedido de restituição. Nesse ponto, a recorrente lembra que transmitiu pedido de restituição em 11/10/2005, tendo o despacho decisório sido emitido em 01/11/2010. Compulsando os autos, verificase que o PER/DCOMP nº. 21260.88402.111005.1.1.018156, transmitido em 11/10/2005, foi indicado como origem de créditos para as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs. 29179.56553.051205.1.3.013143 (não homologada) e 42013.93595.051205.1.3.018010 (homologada parcialmente). Por tal razão, o despacho decisório se volta à verificação das referidas declarações de compensação e, ainda, do ressarcimento de eventual saldo credor remanescente do PER/DCOMP nº. 21260.88402.111005.1.1.018156. No tocante às declarações de compensação, importa assinalar que ambas foram transmitidas em 05/12/2005, tendo o despacho decisório sido exarado em 01/11/2010, com ciência ao sujeito passivo em 09/11/2010 (fl. 8), dentro, portanto, do prazo legal de cinco anos, da data de transmissão, para a homologação, pela autoridade tributária, daquelas declarações. Já com relação à análise de ressarcimento/restituição de eventual saldo credor do PER/DCOMP nº. 21260.88402.111005.1.1.018156, não há que se falar em sujeição, de tal análise, ao prazo de homologação de compensação, uma vez que, por óbvio, ressarcimento/restituição não se confunde com declaração de compensação, razão pela qual não se aplica a norma inscrita no parágrafo 5º, art. 74 da Lei nº. 9.430/96: o dispositivo expressamente se refere à declaração de compensação, não se aplicando, o prazo para a homologação tácita, aos pedidos de restituição ou ressarcimento. Passo à análise do mérito. Inicialmente, a recorrente sustenta que o direito creditório pleiteado foi apurado de acordo com a técnica de compensação de créditos e débitos, observandose o princípio da nãocumulatividade e a legislação então vigente. Argumenta que a impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos não tributados, isentos ou tributados à alíquota zero representa violação ao princípio da nãocumulatividade. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 7 6 Com relação a tais argumentos, importa lembrar que a questão acerca da impossibilidade de aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, se encontra pacificada na jurisprudência do CARF, podendose citar, a título de exemplo, os Acórdãos nºs. 3302004.629, julgado em 27/07/2017, 3201004.147, julgado em 25/07/2018, e 3302005.830, julgado em 25/09/2018, cujas ementas seguem transcritas na parte que interessa à presente análise: Acórdão nº. 3302004.629 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. Acórdão nº. 3201004.147 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. “A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade.” (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Recurso Voluntário Negado Acórdão nº. 3302005.830 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 8 7 A matéria está igualmente pacificada na esfera judicial. Com efeito, no RE nº. 398.365/RS, julgado ainda não definitivamente sob a sistemática de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão com o seguinte teor: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Na mesma linha de entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu, no REsp nº. 1134903/SP, julgado sobre a sistemática de recursos repetitivos (regime do artigo 543C do antigo CPC), decisão com o seguinte teor: RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369)RELATOR: MINISTRO LUIZ FUXRECORRENTE: COMPANHIA SIDERÚRGICA BELGO MINEIRA ADVOGADO: RODOLFO DE LIMA GROPEN E OUTRO(S)RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTAPROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da não cumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 9 8 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matéria prima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que:"Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Lembrese que esta decisão do STJ transitou em julgado, de maneira que sua observância se manifesta inafastável nos julgamentos do CARF, por força do art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, o qual dispõe que é obrigatória a reprodução, pelos conselheiros do CARF, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Sendo assim, tendo em vista o art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, devese aplicar, ao caso concreto, o teor da decisão no REsp nº. 1134903/SP, julgado segundo o regime do art. 543C do antigo CPC. Aplicase, também, ao presente caso, a Súmula CARF nº. 18, a seguir transcrita: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 10 9 Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Registrese que tal súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Diante do exposto, alinhome ao entendimento expresso nas decisões acima transcritas: na aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, não há que se falar em direito creditório de IPI, não se afigurando, com tal negativa de creditamento, qualquer ofensa à nãocumulatividade. Outro ponto de contestação trazido pela recorrente diz respeito às glosas de créditos atinentes à aquisição de insumos destinados ao ativo permanente, brindes, bonificações, mercadorias e serviços não especificados. A recorrente alega que tais glosas se basearam em mera presunção, não tendo ocorrido a verificação da real destinação das aquisições. Aduz, ainda, que o acórdão recorrido furtouse à realização de diligência para a apuração da verdade dos fatos. Importa assinalar, antes de tudo, que tais alegações da recorrente só estão presentes no Recurso Voluntário. Em sede de manifestação de inconformidade, a impugnante não redigiu sequer uma linha de argumentação para contestar especificamente as referidas glosas enunciadas no despacho decisório. A impugnação restringese à alegação genérica de que os créditos de IPI foram decorrentes de aquisição de matéria prima e insumos, e de mercadorias do exterior para revenda no país, sem haver efetiva demonstração das alegações com fundamentos de fato e de direito e provas. Apreciando a manifestação de inconformidade, o colegiado de primeira instância restringiuse, acertadamente, a se pronunciar sobre a matéria atinente à impossibilidade de creditamento de IPI na aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, não adentrando o mérito da glosa de insumos destinados ao ativo permanente, brindes, bonificações, entre outros, uma vez que tal ponto não havia sido ventilado na impugnação. Pois bem. Tendo em vista que tais alegações não foram trazidas em momento oportuno, isto é, em sede de manifestação de inconformidade, está caracterizada a inovação dos argumentos de defesa, configurando afronta às regras do contencioso administrativofiscal, razão pela qual a decisão do colegiado a quo se torna definitiva no tocante à questão das referidas glosas. Nesse sentido, lembrese que, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a impugnação/manifestação de inconformidade que tragam as matérias expressamente contestadas, com os fundamentos de fato e de direito, de maneira que os argumentos submetidos à primeira instância é que determinarão os limites da lide. Em outras palavras, o efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pela instância a quo. Se o colegiado a quo, por ausência de efetiva impugnação, não apreciou a matéria, não há que se falar em reforma do julgamento: a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ex vi do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de modo que matéria não impugnada ou não recorrida escapa à competência deste órgão. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 11 10 Nessa linha de entendimento, posicionamse, entre outros, o Acórdão nº. 3402005.706, julgado em 23/10/2018, e Acórdão nº. 9303004.566, julgado em 08/12/2016, cujas ementas seguem transcritas na parte que interessa à presente análise: Acórdão nº. 3402005.706 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2007 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a impugnação ou a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão sobre a questão pelo órgão a quo, por não ter sido ela sequer impugnada, não há que se falar em reforma do julgado nessa parte. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. Recurso Voluntário não conhecido Acórdão nº. 9303004.566 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Ainda que afastemos a preclusão, analisando o Recurso Voluntário, não vislumbro elementos fáticos e jurídicos para afastar as glosas enunciadas no despacho decisório. Explico. Como relatado, a recorrente alega, em sede recursal, que as glosas foram fundamentadas em mera presunção, não tendo ocorrido a verificação da real destinação das aquisições. Sustenta, também, que a primeira instância deveria ter realizado diligência com vistas à apuração da verdade material, aduzindo que todos os documentos que provariam suas alegações podem ser encontrados nos autos do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº. 08.1.90.002010008534. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 12 11 Há que se lembrar, em primeiro lugar, que a recorrente poderia ter juntado as provas necessárias para demonstrar suas alegações e afastar as glosas realizadas pela autoridade fiscal. Sobre a recorrente recai tal ônus, ex vi do Código de Processo Civil, art. 373, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Analisando os autos, verifico que, até a presente data, nenhuma documentação foi juntada pela recorrente para fundamentar seus argumentos. Nesse contexto, o pedido de realização de diligência não se sustenta, devendose lembrar que diligência não se afigura como remédio processual para suprir injustificada omissão probatória. Eventualmente, no caso de impossibilidade de apresentação de documentação em momento oportuno, poder seia cogitar em diligência. Este não é, todavia, o caso dos autos. Sublinhese, ademais, que, no caso concreto, as glosas enunciadas no despacho decisório vide fl. 3 são resultantes de ação fiscal, no curso do referido MPF nº. 08.1.90.002010008534, onde a autoridade fiscal, após analisar vários documentos entre os quais, os livros Registro de Apuração do IPI, Registro de Entradas, Registro de Saídas, arquivos digitais de notas fiscais, planilhas de insumos adquiridos, identificou as seguintes razões para as glosas: insumos tributados com alíquota zero quanto ao IPI; compras de bens para o Ativo Imobilizado ou não empregados diretamente nos produtos industrializados, para os quais o contribuinte informa a classificação fiscal “000.00.00”; e, notas fiscais de aquisição em operações sob o CFOP 1.910 (Entrada de bonificação, doação ou brinde), 1.949 e 2.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), operações essas não compatíveis com a manutenção de crédito de IPI. O mérito dessas glosas não foi contestado pelo contribuinte, e também não foram trazidos aos autos elementos que pudessem afastar as conclusões da fiscalização a respeito da materialidade dos fatos. A constatação transcrita integra o tópico IV (Procedimentos de verificação relativos ao crédito básico de IPI), item 8 do Termo de Informação Fiscal (fls. 287 a 291) cópia extraída do processo nº. 10880.917105/201075 (do qual a recorrente é parte). Tal informação fiscal é parte integrante do despacho decisório e nele está referido à fl. 3 no demonstrativo de apuração de créditos e débitos, a coluna C, atinente à glosa de créditos ressarcíveis, remete o detalhamento das glosas à referida informação fiscal , e seu acesso à recorrente se dá na página, na internet, do despacho decisório, conforme expresso na decisão (fl. 2). Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.917108/201017 Acórdão n.º 3003000.243 S3C0T3 Fl. 13 12 Da análise da informação fiscal, depreendese que as glosas efetuadas pela autoridade fiscal e expressas no despacho decisório (vide fl. 3), foram todas fundamentadas e decorrentes de análise minuciosa de vasta documentação apresentada pela recorrente. Mostra se, pois, infundada a alegação da recorrente de que as glosas foram resultantes de meras presunções pela autoridade fiscal. Como destacado na informação fiscal, a recorrente não contestou, durante a ação fiscal, o mérito das glosas nem tampouco trouxe elementos que pudessem afastar as conclusões da fiscalização. Isso se repetiu, como visto, na manifestação de inconformidade, oportunidade na qual não se verificou qualquer impugnação específica das glosas realizadas a título de aquisições destinadas ao ativo permanente, brindes, etc. De semelhante modo, em sede de recurso voluntário, a recorrente não trouxe contestação fundamentada e elementos probatórios para demonstrar a integralidade dos créditos pleiteados. Limitouse à refutação genérica das glosas, sem trazer, contudo, quaisquer elementos probatórios aptos a infirmar o despacho decisório. Buscou eximirse do ônus probatório com a mera alegação de que, no MPF nº. 08.1.90.002010008534, teria sido comprovada a origem de seus créditos: fato que, todavia, não se confirmou, tendo em vista as conclusões consubstanciadas na informação fiscal às fls. 287 a 291, termo integrante, como visto, do despacho decisório. Por fim, com relação ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, não conhecer do recurso no tocante às glosas de créditos na aquisição de insumos destinados ao ativo permanente, brindes, bonificações, mercadorias e serviços não especificados, e, na parte conhecida, negar provimento com relação às glosas de créditos atinentes à aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Vinícius Guimarães Relator Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722493/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal da autoridade tributária para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício, constituindo-se em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória. Eventuais irregularidades na sua prorrogação não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa.
NULIDADE. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA.
Não há que se falar em decretação da nulidade do auto de infração quando o ato administrativo encontra-se revestido dos requisitos exigidos para o lançamento.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1996. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO.
Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1996, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base nos instrumentos negociais, correspondente à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua. Considera-se custo de aquisição a importância consignada na escritura pública, corrigida na forma da legislação tributária, e valor de alienação, o preço efetivamente recebido.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO
A partir de 01/01/1997, para fins de apuração de ganho de capital de imóveis rurais, considera-se custo de aquisição e valor de alienação o valor da terra nua declarado no documento de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS.
Para efeito de apuração do ganho de capital os custos com benfeitorias somente podem ser computados quando comprovados por documentação hábil e idônea, e desde que não tenham sido deduzidos como despesa de custeio na apuração do resultado da atividade rural.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. BENFEITORIAS.
Para fins de determinação do ganho de capital a parcela correspondente às benfeitorias será acrescida ao valor de alienação da terra nua quando não comprovado que o contribuinte considerou os respectivos investimentos na apuração do resultado da atividade rural.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1994. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO.
Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1994, a legislação tributária possibilitou a atualização do valor em reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, ano-calendário de 1995, mediante sua multiplicação por 1,2246.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando resta demonstrado o procedimento doloso do sujeito passivo em utilizar data de aquisição do imóvel rural sabidamente inverídica na apuração do ganho de capital, com a finalidade de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das características materiais relacionadas ao fato gerador e reduzir o montante do imposto de renda devido na alienação.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. CABIMENTO.
Impõe-se o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo, após devidamente intimado e reintimado, não presta esclarecimentos sobre aspecto fundamental para a apuração da matéria tributável, configurando embaraço ao procedimento fiscal pela necessidade de realização de diligência a terceiro para confirmação do valor efetivamente recebido pelo alienante na venda dos imóveis rurais.
Numero da decisão: 2401-006.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como custo de aquisição das glebas rurais identificadas pelas matrículas nº 1.502 e 752, respectivamente, os valores de R$ 87.341,94 e R$ 190.246,61, em substituição àqueles atribuídos pela fiscalização tributária no cômputo do ganho de capital. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento a apuração do ganho de capital relativo ao imóvel de matrícula nº 833.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal da autoridade tributária para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício, constituindo-se em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória. Eventuais irregularidades na sua prorrogação não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa. NULIDADE. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não há que se falar em decretação da nulidade do auto de infração quando o ato administrativo encontra-se revestido dos requisitos exigidos para o lançamento. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1996. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1996, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base nos instrumentos negociais, correspondente à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua. Considera-se custo de aquisição a importância consignada na escritura pública, corrigida na forma da legislação tributária, e valor de alienação, o preço efetivamente recebido. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO A partir de 01/01/1997, para fins de apuração de ganho de capital de imóveis rurais, considera-se custo de aquisição e valor de alienação o valor da terra nua declarado no documento de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. Para efeito de apuração do ganho de capital os custos com benfeitorias somente podem ser computados quando comprovados por documentação hábil e idônea, e desde que não tenham sido deduzidos como despesa de custeio na apuração do resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. BENFEITORIAS. Para fins de determinação do ganho de capital a parcela correspondente às benfeitorias será acrescida ao valor de alienação da terra nua quando não comprovado que o contribuinte considerou os respectivos investimentos na apuração do resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1994. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1994, a legislação tributária possibilitou a atualização do valor em reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, ano-calendário de 1995, mediante sua multiplicação por 1,2246. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando resta demonstrado o procedimento doloso do sujeito passivo em utilizar data de aquisição do imóvel rural sabidamente inverídica na apuração do ganho de capital, com a finalidade de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das características materiais relacionadas ao fato gerador e reduzir o montante do imposto de renda devido na alienação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. CABIMENTO. Impõe-se o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo, após devidamente intimado e reintimado, não presta esclarecimentos sobre aspecto fundamental para a apuração da matéria tributável, configurando embaraço ao procedimento fiscal pela necessidade de realização de diligência a terceiro para confirmação do valor efetivamente recebido pelo alienante na venda dos imóveis rurais.
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ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal da autoridade tributária para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício, constituindose em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória. Eventuais irregularidades na sua prorrogação não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa. NULIDADE. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não há que se falar em decretação da nulidade do auto de infração quando o ato administrativo encontrase revestido dos requisitos exigidos para o lançamento. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1996. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1996, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base nos instrumentos negociais, correspondente à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua. Considerase custo de aquisição a importância consignada na escritura pública, corrigida na forma da legislação tributária, e valor de alienação, o preço efetivamente recebido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 24 93 /2 01 2- 65 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 398 2 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO A PARTIR DE 01/01/1997. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO A partir de 01/01/1997, para fins de apuração de ganho de capital de imóveis rurais, considerase custo de aquisição e valor de alienação o valor da terra nua declarado no documento de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. Para efeito de apuração do ganho de capital os custos com benfeitorias somente podem ser computados quando comprovados por documentação hábil e idônea, e desde que não tenham sido deduzidos como despesa de custeio na apuração do resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. BENFEITORIAS. Para fins de determinação do ganho de capital a parcela correspondente às benfeitorias será acrescida ao valor de alienação da terra nua quando não comprovado que o contribuinte considerou os respectivos investimentos na apuração do resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1994. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1994, a legislação tributária possibilitou a atualização do valor em reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, mediante sua multiplicação por 1,2246. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando resta demonstrado o procedimento doloso do sujeito passivo em utilizar data de aquisição do imóvel rural sabidamente inverídica na apuração do ganho de capital, com a finalidade de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das características materiais relacionadas ao fato gerador e reduzir o montante do imposto de renda devido na alienação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. CABIMENTO. Impõese o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo, após devidamente intimado e reintimado, não presta esclarecimentos sobre aspecto fundamental para a apuração da matéria tributável, configurando embaraço ao procedimento fiscal pela necessidade de realização de diligência a terceiro para confirmação do valor efetivamente recebido pelo alienante na venda dos imóveis rurais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 399 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como custo de aquisição das glebas rurais identificadas pelas matrículas nº 1.502 e 752, respectivamente, os valores de R$ 87.341,94 e R$ 190.246,61, em substituição àqueles atribuídos pela fiscalização tributária no cômputo do ganho de capital. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento a apuração do ganho de capital relativo ao imóvel de matrícula nº 833. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do Acórdão nº 1649.394, de 13/08/2013, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário lançado (fls. 327/345): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 400 4 Tratandose de imóvel rural adquirido até 31/12/1996, cujas escrituras públicas de aquisição e alienação não fazem nenhuma referência a custos de benfeitorias, temse que o ganho de capital será a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. O valor de alienação relativo às benfeitorias somente pode ser tributado como receita da atividade rural se o seu custo tiver sido deduzido como despesa de custeio da atividade rural e, neste caso, cabe ao contribuinte fazer prova de tal opção. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. No caso em que há mera omissão de rendimentos, sem que reste comprovado o dolo ou a fraude, não há que se aplicar a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às seguidas intimações encaminhadas pela fiscalização justifica o agravamento da multa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera se como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte manifestou expressa concordância. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Termo de Verificação Fiscal que, para o anocalendário de 2007, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), decorrente de (fls. 240/271): (i) ganho de capital na alienação de 3 (três) glebas rurais, localizadas no município de Mundo Novo (GO), com multa qualificada e agravada; e (ii) omissão de rendimentos pela cessão gratuita de imóvel, com multa qualificada. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 02/05/2012, e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 282 e 285/320). Intimada por via postal em 20/08/2013 da decisão do colegiado de primeira instância, a pessoa física apresentou recurso voluntário no dia 13/09/2013, em que repisa os argumentos de fato e direito contidos na sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 350/351 e 360/391): Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 401 5 (i) nulidade do procedimento fiscal, na medida em que houve vício na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) originário, ao não observar o prazo de 60 (sessenta) dias; (ii) nulidade do auto de infração, por falta de enquadramento legal, em inobservância ao princípio da legalidade; (iii) estão errados os cálculos relacionados ao ganho de capital na alienação das três glebas rurais, haja vista a equivocada interpretação pela fiscalização do art. 19 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, com fundamento em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil e no Manual de Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física; (iv) o auto de infração desprezou indevidamente custos de aquisição declarados e constantes do informe de bens e direitos do anocalendário de 2007, exercício de 2008, relativamente aos imóveis de matrículas nº 1.502 e 752, adquiridos até 31/12/1996; (v) a partir da utilização de metodologia adequada para a apuração do ganho de capital relativamente aos imóveis rurais adquiridos até e após o ano de 1996, resta demonstrado o pagamento a maior de imposto de renda pelo contribuinte, gerando direito à restituição e/ou compensação; (vi) quanto ao imóvel identificado pela matrícula nº 833, a alienação ocorreu somente da terra nua, sem quaisquer benfeitorias; (vii) é inadmissível o agravamento da multa de ofício, porquanto o recorrente cumpriu todas as intimações da fiscalização; e (viii) não se verifica dolo na apuração espontânea do ganho de capital pelo contribuinte, tão somente equívoco e despreparo do profissional de contabilidade responsável pelo preenchimento da declaração de rendimentos da pessoa física do anocalendário de 2007, inclusive no que tange à data de aquisição das três glebas rurais. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 402 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais A matéria controvertida na fase recursal diz respeito unicamente à exigência do ganho de capital na alienação das três glebas rurais, cujas matrículas são nº 1.502, 752 e 833, inclusive a aplicação de multa de ofício qualificada e agravada sobre a diferença do imposto de renda lançado. Preliminares a) Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Alega o recorrente a nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que as prorrogações do MPF originário, que foi expedido em 11/08/2010, não respeitaram em sua totalidade o prazo máximo de 60 (sessenta) dias de vigência para cada ato, nos termos da Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, e legislação superveniente. Pois bem. À época da ação fiscal, o MPF era um expediente administrativo instituído por norma infralegal destinado ao controle gerencial e procedimental dos trabalhos de fiscalização, para assegurarlhes mais eficiência e transparência. Entretanto, não tinha o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do auditorfiscal para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício. Em outras palavras, a validade do ato de lançamento tributário não decorria da expedição do MPF. De fato, o documento atestado pela autoridade administrativa não se sobrepõe ao art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), que trata o lançamento de ofício como atividade vinculada e obrigatória, nem é capaz de oporse ao art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, resultado da conversão da Medida Provisória nº 46, de 25 de junho de 2002, que estabelece as atribuições dos ocupantes do cargo de auditorfiscal da Receita Federal. Por tais razões, as eventuais irregularidades na prorrogação do MPF não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 403 7 formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa. Em outra parte, não se deve confundir o MPF, ou suas prorrogações, com os atos escritos praticados pela própria autoridade tributária designada para a execução do procedimento de fiscalização no sujeito passivo. A estes últimos, referese o § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e de consulta. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Os Termos de Prosseguimento de Procedimento Fiscal representam ato escrito que indica o prosseguimento dos trabalhos, nos termos do § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, cuja finalidade é manter a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo com relação aos fatos geradores sob exame fiscal. De acordo com o histórico de datas, não se verifica a recuperação da espontaneidade do fiscalizado no curso do procedimento de investigação (fls. 240/243). E mesmo que tivesse havido, o que se cogita apenas para fins de raciocínio, não implicaria a invalidade do procedimento fiscal, tendo em conta a ausência de correção das infrações apontadas no lançamento. Logo, sem razão o recorrente. b) Falta de Enquadramento Legal Afirma o recorrente, nesse ponto, que o ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido antes de 01/01/1997 está regido pelo art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996. A despeito da disciplina estipulada em lei, a descrição dos fatos e o enquadramento legal do auto de infração em nenhum momento fazem alusão à infrigência a dispositivos da Lei nº 9.393, de 1996, tendo o agente fiscal pautado sua linha de raciocínio em expedientes que distorcem a norma legal, tais como a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, e o Manual de Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Fisica. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 404 8 Ao final, o contribuinte pugna pela nulidade do auto de infração, diante da falta de indicação do enquadramento legal para a exigência do imposto suplementar. Pois bem. Ao contrário do alegado pelo sujeito passivo, a autuação fiscal está fundamentada, entre outros dispositivos de lei, no art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, porém a partir de interpretações da Administração Tributária contidas em Instruções Normativas e no Manual de Perguntas e Respostas do Imposto de Renda. Nesse sentido, confirase alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 243/246): (...) 2. DAS INFRAÇÕES APURADAS 2.1 Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos Considerando que os imóveis vendidos pelo contribuinte no ano calendário 2007 são rurais, impõese observar, para fins de apuração do ganho de capital, o disposto no art. 19 da Lei nº 9.393/96 e nos artigos 9º a 11 da IN SRF nº 84/01 (...) (...) Com o fito de melhor elucidar a matéria, trazemos à colação excerto da resposta à pergunta 590 disponível no site da RFB: (...) Nas petições protocolizadas em 30.09.2010 (fls. 07/22) e 11.10.2010 (fls. 25/55), o contribuinte defendeu que o valor de alienação, para fins de apuração do ganho de capital, deve ser o Valor da Terra Nua VTN, numa interpretação equivocada do art. 19 da Lei nº 9.393/96. Deveras, como já demonstrado, o VTN só pode ser considerado, a título de valor de alienação, para imóveis adquiridos após 01.01.1997 e que atendam os requisitos exigidos pela lei. (...) O auto de infração lavrado está revestido dos requisitos exigidos para o lançamento, dentre eles a detalhada descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos (art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972). Na realidade, a preliminar do recorrente confundese com o próprio mérito do lançamento, oportunidade em que se avaliará, neste voto, a correta subsunção do fato à norma de incidência tributária. Assim como no tópico anterior, a preliminar deve ser rejeitada. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 405 9 Mérito a) Ganho de Capital na Alienação dos Imóveis Rurais O ganho de capital foi apurado na alienação em conjunto de três glebas rurais, ocorrida no dia 28/11/2007 (matrículas nº 1.502, 752 e 833). A aquisição pelo contribuinte dos imóveis com matrículas nº 1.502 e 752 deuse até 31/12/1996, isto é, em 11/07/1989 e 20/01/1988 (fls. 222/223 e 227/229). Já a área de terras identificada pela matrícula nº 833 foi adquirida no dia 21/03/1997, portanto após 01/01/1997 (fls. 224/226). A controvérsia principal está na interpretação do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido, que dispõe acerca de normas do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR): Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Segundo o recorrente, independentemente do ano de aquisição do imóvel rural, se antes ou depois de 01/01/1997, o preço de alienação corresponde, necessariamente, ao valor da terra nua constante do documento de apuração para fins do ITR, relativamente ao ano da alienação. No tocante ao custo de aquisição do imóvel rural alienado, duas situações se apresentam, conforme a data de aquisição do imóvel. A primeira, com respeito aos imóveis adquiridos a partir de 1997, em que o custo considerase o valor da terra nua constante do documento de apuração para fins do ITR, com relação ao ano de aquisição. A segunda, com relação aos demais imóveis, adquiridos até 31/12/1996, que o custo de aquisição é aquele indicado na respectiva escritura pública, com as atualizações monetárias permitidas pela legislação tributária. Pois bem. Não compartilho da interpretação do recorrente, porquanto a evolução da legislação ao longo do tempo não lhe dá respaldo. O ganho de capital é espécie de renda derivada do produto do capital. De acordo com o art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos estão sujeitas à apuração do ganho de capital e tributação pelo imposto de renda, se positiva a diferença entre valor de transmissão e custo de aquisição: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 406 10 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) (DESTAQUEI) O preceptivo de lei acima transcrito impõe uma regra geral de tributação do ganho de capital, como resultado do acréscimo patrimonial, indiferente se alienação de imóvel urbano e rural. Mais que isso, percebese que a norma de incidência tributária nos ganhos de capital é suficientemente abrangente, pois engloba a transmissão de bens e direitos de qualquer natureza, de maneira que a alienação de benfeitorias, por si só, não foi excluída da base de cálculo. Com efeito, no caso do imóvel rural a terra nua é naturalmente a ele pertencente. Porém, as construções, instalações, melhoramentos, culturas permanentes e pastagens, entre outros, também fazem parte do imóvel, na medida em que conservam, aumentam ou facilitam o seu uso. Não só o acréscimo patrimonial experimentado na alienação da terra nua deve ser oferecido à tributação do imposto de renda, apurado como ganho de capital, mas também o incremento de riqueza decorrente da parcela de alienação das benfeitorias. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 407 11 Acontece que o legislador ordinário, por intermédio da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, concedeu tratamento tributário favorecido à atividade rural, inclusive com opção do contribuinte pelo resultado limitado a 20% da receita bruta do anocalendário. Essa legislação específica determinou que os investimentos com vistas ao desenvolvimento da atividade rural e à expansão e melhoria da produtividade, tais como as benfeitorias, podem ser considerados despesas inerentes à exploração da atividade rural, sendo que o valor atribuído a elas, quando da alienação do imóvel rural, integrará a receita bruta da atividade. Nessas hipóteses, os valores de aquisição e alienação de benfeitorias estão excluídos da apuração na sistemática do ganho de capital (art. 4º, §§ 2º e 3º, e art. 6º, da Lei nº 8.023, de 1990). Em contrapartida, o valor de alienação da terra nua não constitui receita da atividade rural, devendo o resultado positivo apurado ser tributado normalmente como ganho de capital. Há, portanto, uma sistemática de apuração do ganho de capital através da conjugação dos preceitos da Lei nº 7.713, de 1988, com o beneficio instituído na Lei nº 8.023, de 1990. Para efeito do resultado positivo da venda da terra nua, a aferição do custo de aquisição e do valor de alienação era realizada com base nos respectivos documentos de aquisição e de alienação do imóvel, segundo a regra geral de apuração do ganho de capital, observada, quanto ao custo, a possibilidade de atualização pelos critérios permitidos na legislação tributária. No entanto, quando a pessoa física deixa de considerar os respectivos investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da sua atividade rural, o acréscimo patrimonial não escapa à tributação do imposto de renda, efetivandose no âmbito da apuração sobre a forma de ganho de capital, mediante acréscimo ao valor da terra nua da parcela correspondente às benfeitorias, tanto em relação ao custo de aquisição quanto ao valor da alienação. O art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, antes copiado, trata especificamente da apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais, produzindo efeitos a partir do ano de 1997. Todavia, o dispositivo de lei não inovou de maneira significativa na estrutura tributária em vigor, uma vez que apenas determinou, para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural, que os custos de aquisição e alienação deveriam se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte para fins do ITR, nos respectivos anos. Não pretendeu o legislador, de maneira alguma, preconizar a apuração do ganho de capital limitada à terra nua, mas sim que a base de cálculo relativamente à terra nua deveria ser obtida a partir do valor declarado pelo próprio contribuinte, porquanto representativo do preço de mercado das terras. Esclareceu também, no seu parágrafo único, que o custo de aquisição correspondente a imóvel rural adquirido até 31/12/1996 levaria em conta o valor constante da Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 408 12 escritura pública, corrigido monetariamente na forma do art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com a edição do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, o legislador regulou que a base de cálculo como valor da terra nua declarado pelo contribuinte tivesse aplicação tão somente em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, e não para as aquisições anteriores. O art. 136 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), vigente à época dos fatos geradores, é explícito nessa linha de interpretação: Art. 136. Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19). Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no § 9º do art. 128 (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). (DESTAQUEI) Em verdade, o recorrente tem por ambição uma conjugação de critérios distintos para a apuração do ganho de capital, por serlhe mais vantajoso do ponto de vista tributário. Porém, tal interpretação encontra óbice no ordenamento jurídico, porque em flagrante descompasso com a proposta de mensuração do acréscimo patrimonial existente na alienação de imóvel rural. Realmente, com relação aos fatos ocorridos a partir de sua vigência, o "caput" do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, estipulou uma avaliação uniforme para a obtenção da diferença positiva entre valor de alienação e custo de aquisição do imóvel rural. Quer dizer, para os imóveis adquiridos a partir de 1997, o valor da terra nua passa a ser determinado pelo próprio contribuinte com base na sua declaração para fins de apuração do ITR, seja na aquisição ou na futura alienação. Por sua vez, a importância declarada deve refletir a autoavaliação da terra nua a preço de mercado, apurado em 1º de janeiro do ano da declaração (art. 8º, da Lei nº 9.393, de 1996). Quanto aos imóveis adquiridos até 31/12/1996, não houve mudanças, continuandose a determinar o ganho de capital com base nos respectivos instrumentos negociais, em regularidade com a legislação que lhe serve de sustentáculo, ou seja, a partir dos valores das operações de aquisição e alienação do imóvel rural, conforme regras de apuração anteriores à edição da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 409 13 Com amparo nessa linha de raciocínio, concluise que o lançamento tributário foi efetivado ao amparo legal. Para os imóveis adquiridos até 31/12/1996, identificados pelas matrículas nº 1.502 e 752, a fiscalização considerou o preço recebido na alienação, com dados extraídos da escritura pública de venda e compra e diligência realizada na pessoa física adquirente, Jefferson Junqueira Franco Neto (fls. 15/22 e 189/221). Segundo os elementos de prova carreados aos autos, os três imóveis foram alienados pelo montante global de R$ 5.807.581,10, e não a importância de R$ 4.600.000,000 que constou na escritura pública. Diante da resistência do recorrente em comprovar através de documentação idônea os valores efetivamente recebidos na alienação de suas terras, a autoridade fiscal optou em realizar uma proporção para encontrar o valor de cada um dos imóveis vendidos, pautada em critério razoável e pragmático em face da conduta adotada pela pessoa física. Senão vejamos (fls. 247): (...) Com o fito de identificarmos o valor real da alienação de cada um dos imóveis, proporcionalizamos o valor correto da venda em face dos valores de alienação de cada um dos imóveis declarados na escritura, da seguinte maneira: Imóvel (matrícula) Valor da escritura (R$) Valor real da operação (R$) 1.502 500.000,00 631.258,82 752 2.300.000,00 2.903.790,55 833 1.800.000,00 2.272.531,73 Total 4.600.000,00 5.807.581,10 É de se salientar que esta é a única maneira de se apurar o valor da alienação de cada imóvel, ante a ausência de instrumento particular, como informado pelo contribuinte (fls. 110/111) e pelo comprador (fl. 190), e a informação falsa prestada por ocasião da lavratura da escritura pública. De mais a mais, tal rateio observa a forma pela qual a operação foi 'tratada, como de "aquisição de Lima fazenda", conforme mencionado pelo comprador (fl. 214). (...) Em relação aos imóveis de matrículas nº 1.502 e 752, o agente lançador extraiu o custo de aquisição da Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 1995, exercício de 1996 (fls. 92/106), respectivamente, R$ 71.322,83 e R$ 155.354,08. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 410 14 O parâmetro utilizado pela fiscalização com base no valor constante na declaração de bens e direitos em 31/12/1995 afigurase bastante adequado, haja vista que reflete, em princípio, o valor atualizado de aquisição das terras, com origem em escritura pública, não sendo aplicado ao custo qualquer correção monetária a partir de 01/01/1996 (art. 17, da Lei nº 9.249, de 1995). Além do mais, é pertinente ressaltar que o próprio contribuinte confirmou que no anocalendário de 1991, exercício de 1992, atualizou os bens a valor de mercado na sua declaração de ajuste, conforme permitido pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (fls. 85). Quanto aos imóveis das matrículas nº 1.502 e 752, o contribuinte reclama que a fiscalização ignorou as declarações fiscais intermediárias e desprezou os valores constantes da DAA/2008, relativa ao anocalendário de 2007, o que implicou a subtração dos investimentos correspondentes às benfeitorias. No entanto, a fiscalização consignou expressamente na descrição dos fatos que não considerou tais valores porque o fiscalizado deixou de justificar, mesmo após devidamente intimado, a evolução dos valores dos custos dos imóveis a título de benfeitorias e/ou construções. Alegou a pessoa física, na oportunidade, que não tinha como comproválas já que não dispunha das cópias das declarações de rendimentos alcançadas pela decadência (fls. 80/85). Para efeito de apuração de ganho de capital os custos com benfeitorias somente podem ser computados quando comprovados por documentação hábil e idônea, e desde que não tenham sido deduzidos, como antes explicado, como despesa de custeio na apuração do resultado da atividade rural. Ao contrário do que sugere o recurso voluntário, é insuficiente a simples consulta e disponibilização das cópias das declarações anuais de rendimentos relativas aos anoscalendário de 1996 e seguintes, arquivadas pela Receita Federal do Brasil, já que a fiscalização solicitou prova documental da origem dos custos das benfeitorias realizadas no imóvel, que o contribuinte alega não mais possuir. O fato gerador do ganho de capital é demarcado pela data de alienação do imóvel. Em outras palavras, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a conservar em bom estado os documentos comprobatórios do custo de aquisição da terra e das benfeitorias realizadas no imóvel rural, mormente quando os valores pleiteados têm repercussão na base de cálculo de apuração do imposto de renda devido. Por outro lado, cabe dar razão ao recorrente quando assevera que a autoridade fiscal não considerou a correção monetária de 22,46% permitida sobre os custos de aquisição em 31/12/1995, disciplinada pelo § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 31, de 22 de maio de 1996, cujo ato administrativo consolidou as normas sobre apuração de ganho de capital: Bens ou direitos adquiridos até 31/12/94 Art. 9º Considerase custo dos bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994 o valor em Reais constante da declaração Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 411 15 relativa ao exercício de 1996, anocalendário 1995, atualizado até 1º de janeiro de 1996, mediante sua multiplicação por 1,2246. (...) Com efeito, à época não se concedeu permissão para a atualização correspondente à infração do ano de 1995 na declaração de bens do anobase de 1995, exercício de 1996, de modo que o valor dos bens em 31/12/1995 deveria ser igual àquele de 31/12/1994. A correção monetária foi posta em prática mais adiante, quando da declaração do anocalendário de 1997, na qual se permitiu que o custo do bem fosse corrigido quando da alienação, no montante da variação da UFIR em 1995 (22,46%). Assim sendo, os valores de R$ 71.322,83 e R$ 155.354,08, respectivamente, em relação aos imóveis das matrículas nº 1.502 e 752, uma vez multiplicado por 1,2246, passam para R$ 87.341,94 e R$ 190.246,61. No que tange à gleba de terras da matrícula nº 833, adquirida pelo contribuinte em 21/03/1997, o custo de aquisição e o valor da alienação do imóvel rural foram obtidos a partir da declaração apresentada para fins do ITR, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. O custo de aquisição do imóvel da matrícula nº 833 não constitui matéria controvertida. Por outro lado, quanto ao valor de alienação o recorrente alega que não existiu venda de quaisquer benfeitorias, de maneira que a fiscalização engordou de forma ilegal a base imponível para R$ 919.854,00. Tendo em vista o conjunto probatório que instrui os autos, não me parece que houve ilegalidade. Destacou a fiscalização que na declaração de ITR do exercício de 2007, além da expressão em moeda para a terra nua, foi incluída a informação de valores a título de benfeitorias na propriedade e de cultura, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas (fls. 39/45). É verdade que a escritura pública de venda e compra faz alusão à alienação de uma gleba de terras de cultura sem benfeitorias. Todavia, não restou esclarecido de maneira convincente o destino dado aos investimentos declarados existentes no início do mesmo ano da venda, já que o imóvel foi integralmente negociado (fls. 15/22). Além disso, o documento lavrado em cartório, em especial quanto às declarações das partes envolvidas, não está livre de desconfiança sobre a veracidade dos dados registrados, na medida em que o preço total, certo e ajustado, indicado na escritura não correspondeu a realidade do negócio jurídico, conforme revelou o procedimento de diligência fiscal efetivado junto à pessoa do adquirente. Na linha do que já afirmado, a despeito da intimação pela autoridade fiscal, o contribuinte não demonstrou se as benfeitorias foram ou não deduzidas como despesa de investimento na apuração do resultado da atividade rural, tampouco considerou os valores das benfeitorias como receita da atividade rural no anocalendário de 2007, segundo análise da declaração de ajuste anual (fls. 172/181). Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 412 16 Na forma da legislação em vigor para determinação do ganho de capital, a parcela correspondente às benfeitorias será acrescida ao valor de alienação da terra nua quando não comprovado que o contribuinte considerou os respectivos investimentos na apuração do resultado da atividade rural. Pondera ainda o recorrente em seu arrazoado que a metodologia fiscal deixou de observar a forma legal de oporse ao valor da terra nua declarado, criada pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que impõe para o lançamento de ofício do ITR a utilização das informações sobre preços de terras constantes em banco de dados do Governo Federal instituído para tal fim: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Como bem assentou a decisão de piso, relativamente ao imóvel rural adquirido após 01/01/1997, não houve falta de entrega da declaração de ITR ou contestação pela fiscalização do valor da terra nua declarado, bem como a autoridade tributária não caracterizou a subavaliação do preço das terras ou acusou a prestação de informações inexatas no documento de apuração do ITR. Não há que se falar, portanto, em desrespeito ao art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Por derradeiro, levandose em consideração o cálculo do ganho de capital apurado no auto de infração, apenas parcialmente retificado neste voto, é de se assinalar a improcedência do pleito do contribuinte pela restituição e/ou compensação em virtude de recolhimento de imposto a maior. b) Multa qualificada A fiscalização tributária fez incidir sobre o imposto de renda lançado de ofício a multa qualificada no importe de 150%, com fundamento no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 413 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Lei nº 4.502, de 1964 (...) Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (...) Segundo o agente lançador, no preenchimento da DAA/2008, anocalendário de 2007, o contribuinte inseriu datas falsas de aquisição das glebas rurais, com o propósito de se valer de percentuais de redução do ganho de capital mais elevados, resultando na diminuição expressiva do imposto de renda devido. No caso concreto, o declarante informou as seguintes datas de aquisição dos imóveis rurais alienados: (i) matrícula nº 1.502: 20/01/1978, em vez de 11/07/1989; (ii) matrícula nº 752: 20/01/1978, em vez de 20/01/1988; e (iii) matrícula nº 833: 20/01/1978, em vez de 21/03/1997 (fls. 182/188). Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 414 18 Para contrapor a fiscalização, o recorrente afirma a inaptidão da pessoa encarregada do cálculo do ganho de capital, a qual confundiu as regras de apuração de imóvel rural com imóvel urbano. De maneira equivocada, porém sem agir de máfé, o profissional de contabilidade utilizou o mesmo ano de aquisição para a data dos três imóveis, reproduzindo os erros em gênero, número e grau. O acórdão de primeira instância entendeu correta a qualificação da multa, em síntese com a seguinte análise (fls. 343/344): (...) Como bem assinalou a Fiscalização, os fatos acima apontados permitem concluir que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de fraude e de sonegação, haja vista que a prática descrita resultou na falta de recolhimento de tributos mediante omissão de informações, falsidade ideológica e cometimento de fraudes, circunstância na qual se impõe a aplicação da multa de 150%. A inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008, como a que diz respeito à data de aquisição do imóvel, fez o interessado beneficiarse indevidamente do percentual de redução previsto no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988, acarretando a redução indevida da base de cálculo. Essa inexatidão na data de aquisição do imóvel na ficha “Demonstrativo da Apuração do Ganhos de Capital”, também, reduziu indevidamente a base de cálculo do imposto, quando da aplicação do fator de redução previsto no art. 40 da Lei nº 11.196, de 2005. Vêse, portanto, que restou veementemente evidenciado o intuito do contribuinte de fugir à tributação por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de imóveis, mediante conduta dolosa e intencional do contribuinte, que procedeu à inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008, quando do preenchimento da ficha “Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital”, e reduziu o valor do imposto incidente. (...) Pois bem. Conforme detalhou o acórdão recorrido, as circunstâncias do caso concreto dão respaldo à qualificação da multa de ofício. No quadro referente aos bens e direitos na DAA/2008, anocalendário de 2007, os três imóveis rurais estavam regularmente declarados e discriminados com suas características principais, havendo no texto apontamento sobre o período/data de aquisição: 20/01/1988, ano de 1989 e 21/03/1997 (fls. 175/176). Não é crível acreditar que a reprodução em outra parte da DAA/2008 de uma mesma data fictícia e aleatória, em 20/01/1978, como momento da aquisição das três glebas rurais possa advir de mero equívoco do declarante, ou de quem foi designado para fazêla em seu nome, descuido que teria acarretado, ao final, a replicação em série da imprecisão do período de tempo. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 415 19 Como sublinhou a autoridade fiscal, o art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988, e o art. 40 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, estipulam percentuais de redução de ganho de capital os quais aumentam com a antiguidade da aquisição do imóvel pelo alienante, seja propriedade rural ou urbana, de tal modo que quanto mais antiga a data de aquisição do bem menor o imposto devido pela alienação. O ganho de capital é tributado em separado e de forma definitiva. O contribuinte calculou o imposto de renda devido na operação e antecipou o pagamento no dia 28/12/2007, sem prévio exame da autoridade administrativa (fls. 29). Por ocasião da demonstração da apuração dos ganhos de capital na DAA/2008, procurou dar aparência de exatidão à apuração do imposto realizada, utilizandose, inclusive, dos preços de alienação constantes da escritura pública de venda e compra (fls. 182/188). A estratégia de assinalar uma data mais antiga no cálculo do ganho de capital representou declaração à repartição fazendária de conteúdo ideologicamente falso, que implicou, por sua vez, a diminuição do rendimento sujeito à tributação definitiva e o aumento da parcela de rendimento isento e não tributável, cujos valores, transportados para a DAA/2008, são hábeis para justificar acréscimo patrimonial (fls. 174/175). Tratouse, portanto, de conduta dolosa intencional e voluntária, que não aparenta outra finalidade senão retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das características materiais relacionadas ao fato gerador, mediante o artifício da utilização de data de aquisição do imóvel rural sabidamente inverídica, para reduzir o montante do imposto de renda na venda, o que configura sonegação e fraude. A eventual dificuldade na aplicação das normas tributárias à operação de alienação dos imóveis rurais, especialmente quanto às regras de cálculo do ganho de capital, não explica fazer uso de período de tempo irreal. Com efeito, a especificação da data de aquisição do bem alienado é um elemento fático, alheio à necessidade de interpretação da legislação. c) Multa Agravada A fiscalização agravou a multa de ofício, mediante o aumento de metade, pela falta de atendimento à intimação para apresentação do comprovante de transferência bancária relativo ao preço recebido na alienação das três glebas rurais. Confirase o § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 416 20 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...) (DESTAQUEI) Explica a autoridade fiscal que o contribuinte se recusou a atender a intimação, sob a alegação de não dispor do comprovante e que a escritura pública era prova hábil e suficiente de tal operação. Ressalta a fiscalização que tal conduta causou embaraço à fiscalização, eis que houve a necessidade de instauração de procedimento fiscal em face do comprador dos imóveis rurais para a descoberta do real valor da transação. Por sua vez, o recorrente assevera, em síntese, que procurou cumprir todas as intimações da fiscalização. Acerca do valor da operação reforça que nenhuma valia tem para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural, porquanto a metodologia utiliza como parâmetro o valor da terra nua declarado. Dessa feita, quanto maior o valor recebido, maior também será a quantia considerada como rendimento isento e não tributável, a ser consignada em campo próprio da sua declaração de rendimentos. Pois bem. Da instrução processual, verificase que a autoridade tributária intimou e reintimou o contribuinte diversas vezes, recepcionadas as solicitações em 13/03/2011, 16/05/2011, 01/07/2011 e 17/08/2011, no sentido de obter cópia do comprovante de transferência de R$ 4.600.000,00 para a conta bancária do recorrente mantida junto ao Banco Bradesco S/A, conforme atestava a escritura pública de venda e compra (fls. 107/109, 112/115, 126/128 e 131/132). Contudo, em todas as respostas o recorrente comportouse de modo evasivo, alegando que não dispunha de documento comprobatório e/ou que a escritura pública já fornecida era o documento hábil e idôneo para demonstração da operação de venda e do recebimento do respectivo preço ajustado entre as partes, sobrepondose a qualquer outro (fls. 110/111, 116/117, 129/130 e 133/134). Diante da recusa do contribuinte, o agente fiscal teve que instaurar procedimento fiscal em face do comprador dos imóveis rurais, Jefferson Junqueira Franco Neto, para só então, após mais algumas tentativas, obter a prova documental da transferência bancária, a qual, por sinal, revelouse em montante superior ao declarado na escritura pública, no importe de R$ 5.807.581,10 (fls. 189/215). No cenário descrito, o agravamento da multa de ofício é devido e está amparado no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A decisão de piso não merece reforma, pois analisou com lucidez os fatos e a subsunção deles à penalidade prevista em lei. Reproduzo excerto do acórdão de primeira instância (fls. 345). (...) De fato, a fiscalização intimou o impugnante em 13/04/2011 (fl. 107), reintimou em 16/05/2013 (fl. 112, onde foi explicado que o intimado poderia obter dito documento em sua agência bancária), reintimou novamente em 01/07/2013 e 17/08/2011 (fls. 126 e 131). Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 417 21 Em todas as respostas, o impugnante limitouse a alegar que “a Escritura Pública de Compra e venda já fornecida à fiscalização é o documento hábil e idôneo, merecedor de fé pública e que se sobrepõe a qualquer outro documento para comprovação da operação de venda e conseguintemente do recebimento do respectivo preço ajustado entre as partes, conforme nela própria referido.”. Tal atitude configura, de fato, o embaraço à fiscalização, vez que a recusa reiterada de apresentar um documento que mostrouse fundamental na apuração do ganho de capital, assim deve ser caracterizada. Ressaltese que apesar de responder todas as intimações, o impugnante o fez de maneira evasiva, considerando que a exigência da fiscalização já havia sido suprida pela apresentação da escritura, em razão de tratarse de um instrumento que refletia o valor ajustado entre as partes. Tal resposta, posteriormente, mostrouse incorreta, vez que a TED obtida por intermédio de intimação ao comprador, demonstrou o contrário do que alegava o impugnante em resposta às intimações. Assim sendo, em harmonia com a jurisprudência já exposta no termo de verificação fiscal, é correto o agravamento da multa referente à omissão de rendimentos decorrentes do ganho de capital. (...) Acrescento que a legislação pátria impõe um dever geral de cooperação com o Fisco, que compreende, entre tantos aspectos, a obrigação de prestar, quando formalmente intimado, as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades tributárias no exercício de suas funções. Para ilustrar o suporte jurídico, transcrevo abaixo os arts. 927 e 928 do RIR/99, cujos dispositivos organizam e reproduzem os preceitos estipulados em lei, compatíveis com a atual ordem constitucional: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). (...) Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10830.722493/201265 Acórdão n.º 2401006.194 S2C4T1 Fl. 418 22 Não compete ao sujeito passivo sob fiscalização determinar o nível de aprofundamento da investigação tributária, tampouco definir a pertinência de documentos, esclarecimentos ou diligências para o desenvolvimento do trabalho fiscal. Incumbe à autoridade tributária o juízo de conveniência e oportunidade, no propósito de identificar a matéria tributável e verificar o cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo, no estrito exercício da atividade administrativa e com vistas ao atingimento do interesse público. A contestação sobre a relevância de um determinado documento e/ou esclarecimento para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural, assim como outras questões controvertidas, inclusive sobre interpretação de dispositivos da legislação tributária, devem ser levadas à discussão em momento próprio, na fase do contencioso administrativo fiscal. Por tais motivos, a relutância do fiscalizado é certamente reprovável e, a toda a evidência, configura embaraço à fiscalização, pois o agente fazendário, não possuindo os elementos necessários para a correta apuração do ganho de capital na alienação das glebas rurais adquiridas antes de 01/01/1997, teve que providenciar a intimação de terceiro para confirmar o valor efetivamente recebido pelo alienante na operação. Após a intimação do adquirente dos imóveis, a sua resposta apontou que o valor consignado na escritura pública de venda e compra não refletia a realidade do negócio jurídico entre as partes, evidenciando a relevância do esclarecimento para o lançamento tributário. À guisa de fecho, cabe dizer que o tempo de duração do procedimento de fiscalização explicase, em boa parte, pela resistência do contribuinte em prestar os esclarecimentos solicitados pela autoridade tributária, com a necessidade de promover diligência junto à pessoa física adquirente das glebas rurais. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para considerar como custo de aquisição das glebas rurais identificadas pelas matrículas nº 1.502 e 752, respectivamente, os valores de R$ 87.341,94 e R$ 190.246,61, em substituição àqueles atribuídos pela fiscalização tributária no cômputo do ganho de capital. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000038/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972.
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada.
Numero da decisão: 1001-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 38 /2 00 8- 21 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 692 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 590/604) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 196/200, que não homologou a compensação constante da DCOMP 37785.19220.301003.1.3.022292 (folhas 06/14), de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999 no valor de R$ 27.276,31, em virtude de inexistência de direito creditório. Ciência do acórdão DRJ em 15/07/2010 (folha 614). Recurso voluntário apresentado em 11/08/2010 (folha 616). A recorrente, às folhas 616/642, alega, em síntese: I Que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário em questão decorreu da compensação de estimativas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1996; II Que, intimado a comprovar a composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1996, anexou "Demonstrativo de Compensação do IRPJ", declaração de rendimentos do exercício 1997, os DARFs relativos às .estimativas do anocalendário 1996 e os DARFs referentes a retenção na fonte pela recorrente; III Que, em relação aos documentos apresentados, assim se pronunciou a fiscalização: a os DARF da retenção na fonte não foram considerados, pois tais retenções não têm o condão de contribuir na formação do saldo negativo apurado, já que tais pagamentos não se referem à contribuinte enquanto beneficiária de rendimentos, mas sim na qualidade de fonte pagadora; b comprovouse a quitação apenas das estimativas de janeiro, fevereiro (parcial) e março de 1996, resultando num saldo negativo daquele ano de R$ 44.171,43, integralmente absorvido por compensações de estimativas do anocalendário de 1997, não restando crédito para compensar qualquer estimativa do anocalendário de 1999; IV Que a DRJ manteve a não homologação porque entendeu que os documentos carreados aos autos não eram suficientes para comprovar que a compensação tenha sido válida; V Que a diligência requerida à DRJ deve ser deferida: a porque negála ofende os princípios do informalismo procedimental, verdade material e ampla defesa; Fl. 692DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 693 3 b porque o pedido de diligência não foi realizado sem os requisitos formais previstos no art. 16, IV do Decreto 70.235/1972; VI Que é dever da Administração, no curso do processo administrativo, diligenciar no sentido de arregimentar todos os elementos necessários ao julgamento da lide; VII Que pelo princípio do informalismo procedimental, deve o administrador comunicar ao requerente a necessidade de fornecer outros elementos e documentos; VIII Que pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal; IX Que a efetiva aplicação do princípio da verdade material implicaria, OBRIGATORIAMENTE, no fato de a Administração intimar a recorrente para complementar a documentação até então carreada aos autos; X Que a negativa à diligência solicitada, quando expressamente requerida, configurase como indiscutível ofensa ao princípio da ampla defesa; XI Que, diversamente do que parece ter entendido a Delegacia de Julgamento, a recorrente não invocou a seu favor o art. 66 da Lei 8.383/91, mas o art. 39 e, sendo assim, qualquer fundamento de direito invocado para indeferir a compensação realizada que se ampare no art, 66 citado mostrase absolutamente indevido, eis que não aplicável à matéria ora em discussão; XII Que o razão da recorrente também é um documento unilateralmente confeccionado, de forma que é incabível exigilo e negar validade a outros demonstrativos elaborados pela contribuinte, pois só a través de documentos contábeis (notas fiscais de entrada e saída, comprovantes de despesas, documentos relativos a custos de pessoal, etc) seria possível confirmar se há imposto a recuperar ou não; XIII Que a recorrente demonstrou analiticamente toda a compensação realizada desde 1992, sendo os inúmeros documentos carreados suficientes à mensuração do crédito; XIV Que a Fazenda Nacional não pode, em absoluto, questionar a validade da extinção das estimativas de 1996 adimplidas pela via da compensação, eis que, tacitamente, as homologou, minimamente, desde janeiro de 2002. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 694 4 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Após relatar detalhadamente o teor do despacho decisório original de do acórdão recorrido, a contribuinte inicialmente se insurge contra a negativa de seu requerimento de diligência. Entende que a autoridade fiscal tem o ônus de determinar diligências caso a documentação comprobatória acostada pelo sujeito passivo seja insuficiente. Enganase. As razões para que sejam da interessada o ônus e a iniciativa da comprovação dos valores declarados em DCTF e em DCOMP para o contribuinte decorrem da lei, da qual, conforme estabelece o art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, ninguém se escusa de cumprir, alegando que não a conhece. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de não homologação. Quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria Fl. 694DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 695 5 caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Desta forma, não há como acatar a alegação da contribuinte de que a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e certeza de seus créditos dependeria de manifestação nesse sentido da autoridade julgadora, e que a ausência desta manifestação representaria cerceamento de seu direito de defesa. Como visto, a obrigação da contribuinte comprovar o direito que pleiteia decorre da lei, da qual pressupõese que ela tenha conhecimento, sendo incabível decisão com o pressuposto inverso. O art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de determinação, de ofício ou a requerimento do impugnante, por parte da autoridade julgadora, da realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo fundamentadamente as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. O ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito Não se trata, portanto, de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória do direito alegado por parte da contribuinte recorrente, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a recorrente, o que, em declarações de compensação ou de pedidos de restituição, milita em seu desfavor. A contribuinte empenhase em combater a negativa a seu pedido de diligência, mas não logra trazer aos autos documentos expressamente citados no acórdão a quo. Em especial, em relação ao livro razão, afirma que constitui documento de confecção unilateral tanto quanto os demonstrativos que anexou e, portanto, de mesmo valor probatório. Esquece a recorrente que o caráter obrigatório do livro razão está expresso em lei, e sua inexistência ou incorreções acarretam penalidades legais. Além disso, a juntada de notas fiscais e outros documentos efetivamente comprobatórios seria de sua responsabilidade, conforma já analisado, e a apresentação do livro razão não constitui qualquer impeditivo para que as autoridades fiscais requisitem a apresentação de outros documentos, se entender necessários. Por isso, não parece fazer sentido a insurgência da recorrente em relação à negativa de diligência, acompanhada da omissão em trazer aos autos, por sua iniciativa os documentos que, em tese, comprovariam a liquidez e certeza do crédito que pleiteia. Desta forma, por todos os fundamentos já mencionados, rejeitase o pedido de diligência formulado. A recorrente alega que não invocou a seu favor o art. 66 da Lei 8.383/91, mas o art. 39 e, sendo assim, qualquer fundamento de direito invocado para indeferir a compensação realizada que se ampare no art, 66 citado mostrase absolutamente indevido, eis que não aplicável à matéria ora em discussão. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 696 6 Não se vislumbra relação lógica entre o fato da recorrente não ter citado o art. 66 da referida lei e uma suposta impossibilidade da autoridade julgadora utilizálo como fundamento. As menções a tal artigo foram absolutamente pertinentes, pois se referiram à impossibilidade de compensação de tributos distintos à luz daquela legislação. Quanto à suposta impossibilidade da Fazenda Nacional questionar a validade da extinção das estimativas de 1996 adimplidas pela via da compensação, por ter ocorrido homologação tácita em janeiro de 2002, enganase a contribuinte, mais uma vez. O dever da administração é de apurar a certeza e liquidez do crédito tributário (art. 170, CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ objeto de declaração de compensação, o prazo para apreciação da compensação, com possibilidade de não homologação, é de cinco anos contados da data da entrega da DCOMP, na forma do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Como se trata de Declaração de Compensação, conforme já explicitado, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre DCOMP não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. Assim, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em DCOMP para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Para tanto, não há como se furtar do levantamento do valor do imposto devido ao final do ano em que foram quitadas as estimativas, mesmo que não seja mais possível o lançamento de eventual diferença apurada nessa verificação. O procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Tal regramento é reproduzido, em essência, no caput do art. 278 do Decreto nº 9.500, de 22 de novembro de 2018: Art. 278. A pessoa jurídica fica obrigada a conservar, em boa guarda, a escrituração, a correspondência e os demais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles Fl. 696DF CARF MF Processo nº 17878.000038/200821 Acórdão n.º 1001001.208 S1C0T1 Fl. 697 7 consignados (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º; e Lei nº 10.406, de 2002 Código Civil, art. 1.194). Desta forma, após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de DCOMP homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 697DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.002653/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/08/2007
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/08/2007 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 53 /2 00 8- 09 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner para uso em impressoras a laser HP”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 03/25) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 25.112,69); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 50.225,39); PIS/PASEP – Importação (R$ 186,79) e COFINS – Importação (R$ 860,36), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 4.185,44, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. No curso do desembaraço aduaneiro da Declaração de Importação (DI) n° 08/10569110, registrada em 14/07/2008, foi constado que as mercadorias declaradas nos itens 2, 3, 4, 7, 8 e 10, da adição 001, são cartuchos de toner para uso em impressoras a laser HP compatíveis com equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou nos códigos NCM 8443.99.29. Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 3202001.436 S3C2T2 Fl. 239 3 Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3 c) do Sistema Harmonizado. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia e facsímile, é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39. Regularmente cientificada (fls. 04, 11, 17 e 21) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 131/137, na qual, em síntese: Defende que a Regra 3.c. não é aplicável ao caso, uma vez que a classificação dos "cartuchos de toner", que têm tudo a ver com a função de imprimir, deve obediência direta às RGI 1° e 6° c.c. RGC 1°, por se tratar de mercadoria compreendida no texto da posição 8443, no código tarifário NCM 8443.99.29 reservado às partes e acessórios de impressoras, não abrangidos pelos itens precedentes. Por conseguinte, há de prevalecer o critério objetivo, ou seja, o que é a mercadoria, suas características e como ela funciona, sem procurar estabelecerse, na ausência de qualquer suporte nas normas tarifárias, sua eventual utilização numa ou noutra máquina. Destaca que a Circular SECEX n° 041, de 26 de junho de 2008, ao propor alterações na NCM, com relação às impressoras e suas partes, reconheceu claramente que, no caso, a nomenclatura haveria que respeitar a mercadoria, e não à sua eventual utilização, critério esse que no mais das vezes, se utilizado, desataria discussões, que a ninguém aproveita. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Alega que a Solução de Consulta nº 50/2008, da SRRF 7°RFDIANA, classificou os cartuchos de toner para impressoras na NCM 8443.99.29, pelo que requer sua consideração como prova. Requer a improcedência do presente Auto de Infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/08/2007 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 3202001.436 S3C2T2 Fl. 240 5 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 3202001.436 S3C2T2 Fl. 241 7 integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.002653/200809 Acórdão n.º 3202001.436 S3C2T2 Fl. 242 9 posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner” devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728171/2013-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para restabelecer a dedução declarada para Matheus Alves do Nascimento no valor comprovado de R$ 5.130,84, mantendo-se a glosa da quantia de R$ 516,70, referente a Lorrany de Carvalho, por falta de amparo legal para a respectiva dedutibilidade.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para restabelecer a dedução declarada para Matheus Alves do Nascimento no valor comprovado de R$ 5.130,84, mantendose a glosa da quantia de R$ 516,70, referente a Lorrany de Carvalho, por falta de amparo legal para a respectiva dedutibilidade. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 81 71 /2 01 3- 91 Fl. 109DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 4.454,37, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 16.893,98, por falta de comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, eis que não foi apresentada decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (fls. 10/13). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando ter apresentado toda a documentação que ampara o direito à dedução pretendida (fls. 02/53). Pertinente registrar que reportada Impugnação se apresenta com o título de "Documentos Diversos Outros" no eprocesso, restando razoável a efetivação da respectiva correção. Julgamento de Primeira Instância A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília, por unanimidade, julgou procedente em parte a pretensão externada por meio de mencionada contestação, restabelecendo a dedução de R$ 11.246,44, mas mantendo a glosa da quantia de 5.647, sob o fundamento de que somente o valor estipulado em juízo está sujeito à dedução na DAA (fls. 72/76). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e correção de valores, sob a seguinte alegação: "não consta a apuração de cinco filhos, e falta a homologação de um acordo de alimentos que foi apresentado, então estou anexando todos os documento" (fls. 82/105). É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.728171/201391 Acórdão n.º 2003000.054 S2C0T3 Fl. 109 3 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Denominação Cientificado do Acórdão recorrido, o contribuinte apresentou sua "inconformidade", dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília, sob a denominação de "Impugnação", a qual foi encaminhada para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Contudo, em que pese a equivocada intitulação, mediante a aplicação do princípio da fungibilidade das formas, mencionada Peça de defesa deverá ser apreciado como sendo Recurso Voluntário, independentemente do título que lhe fora atribuído pelo recorrente (fls. 83). Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 21/08/2015 (fls. 80), e a Peça recursal foi recebida em 28/08/2015 (fls. 82), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; Fl. 111DF CARF MF 4 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Consoante visto no Relatório, o recorrente logrou êxito parcial perante o julgamento de origem, no qual foi restabelecida a dedução de R$ 11.246,44, restando a presente lide na glosa da quantia de R$ 5.647, referente a pagamentos de pensão alimentícia não amparados pelas normas do Direito de Família, em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Assim sendo, mais especificamente: 1. foram considerados comprovados pela autoridade lançadora os pagamentos no valor total de R$ 12.142,90, relativos às pensões alimentícias declaradas para: (a) Thayane de Oliveira e Vinícius Cordeiro de Oliveira Soares, representados por Ângela Cordeiro de Oliveira, no valor de R$ 4.640,78; (b) Evelyn Gabrielle de Sousa Soares e Ítalo Eduardo de Sousa Soares, representados por Gláucia Regina de Sousa, no valor de R$ 3.351,39; (c) Kathllen Soares e José Evandro Soares Jr., representados por Cleide Maria Coelho, no valor de R$ 4.150,73; 2. por ocasião da impugnação, foram comprovados os pagamentos no valor total de R$ 11.426,44, relativos às pensões alimentícias glosadas de: (a) Antenor Guilherme, representado por Francisca Abreu Couras, no valor de R$ 2.075,33 decisão judicial de fl. 44 e comprovante de pagamento acostado à fl.12; (b) Gabrielly de Lucena Lima, representada por Maria de Fátima Lucena Lima, no valor de R$ 2.075,33 determinação judicial de fls. 31/33 e comprovante de pagamento de fl.13; (c) Rayane dos Santos, representada por Maria do Carmo dos S. Araújo, no valor de R$ 4.640,78 decisão judicial de fls. 30/31 do processo nº 10166.728176/201313 e comprovante de pagamento de fl. 9; (d) Lorrany de Carvalho, representada por Maria Genilda de C Nascimento, no valor de R$ 2.455,00 determinação judicial de fls. 38/39 e comprovante de pagamento de fl.10;. 3. foi mantida a glosa na quantia de R$ 5.647,00, correspondente às pensões alimentícias pagas por liberalidade a: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.728171/201391 Acórdão n.º 2003000.054 S2C0T3 Fl. 110 5 (a) Lorrany de Carvalho, representada por Maria Genilda de C Nascimento, no valor remanescente de R$ 516,70, relativo à diferença a maior entre a quantia declarada e aquela fixado na respectiva decisão judicial (R$ 2.971,70 R$ 2.455,00); (b) Matheus Alves do Nascimento Soares, representado por Wdneia Maria Alves do Nascimento, no valor de R$5.130,84, pois não consta nos autos a homologação judicial do Acordo de Alimentos apresentado. Visto o panorama posto, vale ratificar que a lide a ser enfrentada se restringe à glosa de pensões destinadas aos alimentandos Matheus Alves do Nascimento Soares e Lorrany de Carvalho, motivada pela falta de comprovação da homologação do Acordo de Alimentos apresentado, como também da ocorrência de pagamento em valor superior àquele fixado na decisão judicial respectivamente. Nesse cenário, oportuno se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; É de se verificar que o recorrente logrou comprovar o requisito exigido para a dedução da pensão alimentícia paga ao alimentando Matheus Alves do Nascimento Soares, que estava pendente, porquanto apresentou a homologação judicial do Acordo de Alimentos questionado na decisão de piso (fls. 94/97). Por outro lado, nada acrescentou acerca do que já existe nos autos sobre a obrigação de alimentos destinada à alimentanda Lorrany de Carvalho. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto, restabelecendo a dedução declarada para Matheus Alves do Nascimento no valor comprovado de R$ 5.130,84, mantendose a glosa da quantia de R$ 516,70, referente a Lorrany de Carvalho, por falta de amparo legal para a respectiva dedutibilidade. Fl. 113DF CARF MF 6 É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908521/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/09/2003
PER/DCOMP. ERRO NA INFORMAÇÃO DO TIPO DE CRÉDITO. RETIFICAÇÃO APRESENTADA.
Nos termos do artigo 26, §1º da IN 600/05 a compensação será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DECOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante apresentação à SRF do formulário de Declaração de Compensação. Evidenciado que o sujeito passivo tentou retificar o erro na informação do crédito compensado antes do despacho de não homologação, a compensação deve ser analisada segundo os contornos do crédito informados na retificação
Numero da decisão: 1402-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito creditório como saldo negativo. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10865.901941/2009-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
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ERRO NA INFORMAÇÃO DO TIPO DE CRÉDITO. RETIFICAÇÃO APRESENTADA. Nos termos do artigo 26, §1º da IN 600/05 a compensação será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DECOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante apresentação à SRF do formulário de Declaração de Compensação. Evidenciado que o sujeito passivo tentou retificar o erro na informação do crédito compensado antes do despacho de não homologação, a compensação deve ser analisada segundo os contornos do crédito informados na retificação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito creditório como saldo negativo. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10865.901941/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 85 21 /2 00 9- 37 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10865.908521/200937 Acórdão n.º 1402003.759 S1C4T2 Fl. 3 2 Edeli Pereira Bessa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração de compensação (PER/DCOMP), por meio da qual o contribuinte, que apura os tributos devidos com base no lucro real estimativa mensal, pretende compensar débitos de CSLL com pagamento indevido de estimativa. O fundamento da ausência de homologação por parte da DRF Limeira foi o fato de que o DARF informado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal não havendo, assim, o alegado direito creditório. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) Possuía um saldo negativo referente a CSLL, de acordo com a DIPJ 2002, ano calendário 2001 b) Por ocasião da compensação do citado saldo negativo da CSLL, foi descrito como tipo de crédito "pagamento indevido ou a maior", e não como tipo de crédito "saldo negativo da CSLL". c) Ao tentar sanar tal irregularidade, foi verificada a impossibilidade da correção através do meio eletrônico disponível, ou seja, o sistema bloqueia o acesso da correção da mencionada pendência. d) Diante de tal impossibilidade, a Receita Federal foi procurada, tendo informado que deveria ser efetuada a correção dos PER/DCOMP, com base na IN SRF n°. 600, art. 26, par. 1o, através da Declaração de Compensação, conforme modelo aprovado pela já citada IN SRF n°. 600/2005. e) De acordo com as informações prestadas pela Receita Federal e tendo em vista o disposto na IN SRF 600/2005 protocolou o pedido físico de retificação do tipo de crédito constante da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que: a) Em 18/10/2004, disciplinando a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, o Secretário da Receita Federal emitiu a Instrução Normativa SRF nº 460/2004, cujos artigos 55 a 60 estabelecem critérios para Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação. Tal Instrução Normativa foi revogada pela de nº 600/2005, que por sua vez foi revogada pela de nº 900/2008, porém ambas disciplinam o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10865.908521/200937 Acórdão n.º 1402003.759 S1C4T2 Fl. 4 3 procedimento de retificação de PER/Dcomp. A IN SRF 600/2005, em seus artigos 56 a 61, já a IN RFB nº 900/2008, em seus artigos 76 a 81. b) A retificação da DCOMP apresentada em formulário ou eletronicamente somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. c) No caso sob análise, não há reparos a promover no despacho decisório, vez que o pleito do contribuinte, manifesto na defesa, não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado. d) Tratandose de novo pedido, não há de ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque tal pedido não fora dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência precípua do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão. Cientificada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) O pleito é de reconhecimento do direito à compensação e este não é alterado pelo erro na identificação da origem do crédito, sob orientação da própria RFB; b) A autoridade julgadora deveria ter baixado o processo em diligência, uma vez que considerou que não teria meios para analisar o pedido formulado pela Recorrente por necessitar de mais documentos; c) Ao contrário do alegado na decisão recorrida, o erro na indicação da origem do crédito é de natural material e não formal; É o relatório Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa , Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.755, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901941/2009 92, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.755): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida negou o pedido de compensação por dois motivos; a) falta de competência para promover retificação da Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10865.908521/200937 Acórdão n.º 1402003.759 S1C4T2 Fl. 5 4 declaração prestada pelo contribuinte e b) falta de comprovação do direito creditório. Alega o Recorrente que a decisão recorrida, ao deixar de analisar sua alegação quanto à inexistência do debito de IRPJ, seria nula por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a DRJ teria, sim, competência para analisar a referida alegação. Conforme se verifica pelo relatório, por ocasião da compensação do citado saldo negativo do IRPJ, foi descrito como tipo de crédito "pagamento indevido ou a maior", e não como tipo de crédito "saldo negativo do IRPJ". No entanto, ao tentar sanar tal irregularidade, a Recorrente constatou a impossibilidade da correção através do meio eletrônico disponível, ou seja, o sistema bloqueia o acesso da correção da mencionada pendência. Diante de tal impossibilidade, a Receita Federal foi procurada, tendo informado que deveria ser efetuada a correção dos PER/DCOMP, com base na IN SRF n°. 600, art. 26, par. 1o, através da Declaração de Compensação, conforme modelo aprovado pela já citada IN SRF n°. 600/2005. Art. 26 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DECOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante apresentação à SRF do formulário de Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito de crédito. (grifamos) Diante da impossibilidade de realizar a retificação por meio do Programa PER/DECOMP e em cumprimento a norma acima transcrita, a contribuinte protocolou pedido de retificação, nos seguintes termos: (...) Diante da impossibilidade de tal correção através do meio eletrônico, vimos apresentar com base na INSRF nº 600, art. 26, parágrafo 1º, a correção através da Declaração de Compensação modelo aprovado pela já citada INSRF nº 600/2005, onde estamos alterando somente o tipo de crédito, como segue: TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756959 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10865.908521/200937 Acórdão n.º 1402003.759 S1C4T2 Fl. 6 5 Nº da DCOMP Retificada 01990.17283.291003.1.3.047838 Nº da Declaração Retificadora: 42098.60646.180906.1.7.04 4644 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756959 Nº da DCOMP Retificada 01990.17283.291003.1.3.047838 Nº da Declaração Retificadora: 29360.91467.180906.1.7.04 2218 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756959 Nº da DCOMP Retificada 01990.17283.291003.1.3.047838 Nº da Declaração Retificadora: 11124.35585.180906.1.7.04 9249 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756600 Nº da DCOMP Retificada: 21779.69284.291003.1.3.047063 Nº da Declaração Retificadora: 26470.90620.180906.1.7.04 3913 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756627 Nº da Declaração Retificadora: 22645.21179.200705.1.3.04 6828 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756635 Nº da Declaração Retificadora: 03008.58375.200705.1.3.04 0095 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756644 Nº da Declaração Retificadora: 34832.52497.200705.1.3.04 6567 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL TERMO DE INTIMAÇÃO nº de rastreamento 621756658 Nº da Declaração Retificadora: 36636.59640.200705.1.3.04 0580 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10865.908521/200937 Acórdão n.º 1402003.759 S1C4T2 Fl. 7 6 Tipo de crédito saldo negativo da CSLL Diante do exposto, esperamos que sejam processadas as citadas alterações no campo "tipo de crédito" e, consequentemente sejam cancelados todos os termos de intimação já citados anteriormente. Verificase, portanto, que o contribuinte buscou corrigir o erro no preenchimento na DCOMP, mas encontrou obstáculos formais para sua implementação. De outro lado, os documentos apresentados naquela ocasião evidenciam que o direito creditório se referia, de fato, a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, já refletido em sua DIPJ àquela época. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito creditório como saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito creditório como saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa . Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.907439/2012-36
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal o do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal o do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 74 39 /2 01 2- 36 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1265.913, de 27 de maio de 2014, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por bem descrever os fatos e economia processual adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 040161482 emitido eletronicamente em 05/11/2012, fl. 69, referente à declaração de compensaçãoDcomp nº 38462.78300.240511.1.7.043077 transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) na referida Dcomp com crédito de imposto sobre a renda pessoa jurídicaIRPJ, código 2089, do 1º trimestre de 2011, no valor original na data de transmissão de R$ 35.093,92, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/04/2011 (R$ 113.297,25). 2. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência do crédito, foi exigido do interessado o débito de R$ 35.354,23 acrescido de encargos moratórios. 3. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 14/11/2012, conforme documento de fl.73, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl.2, em 13/12/2012, acompanhada de documentos, alegando, em síntese, que efetuou a correção da DCTF do mês de março de 2011 onde consta o referido débito e suas compensações. É o relatório. A 2ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 4 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando visa a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Ante a falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, não se homologa a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ no dia 22/07/2014 e, inconformada com a decisão, apresentou recurso voluntário no dia 20/08/2014, no qual destacou, em síntese, o seguinte: (i) A DIPJ 2012 apresentava o valor de R$ 96.228,50 de IRPJ a pagar referente ao 1º trimestre 2011. Afirma que, posteriormente, em 10/08/2012, a citada declaração foi retificada e o IRPJ a pagar foi alterado para R$ 76.537,42; (ii) Na DCTF apresentada em 20/05/2011, a Recorrente indicou o valor do débito como sendo o valor pago na DCTF, no importe de R$ 113.297,25. Aduz que o débito foi corrigido ma DCTF retificadora apresentada em 05/12/2012, passando a constar débito no valor de R$ 76.537,42. Sendo assim, a diferença entre o IRPJ pago por meio de DARF e o débito declarado na DCTF retificadora é de R$ 36.759,83; (iii) Defende a Recorrente a aplicação da verdade material, aduzindo que independente da confissão do débito, ou ter sido extinta pelo pagamento, o Fisco deveria se utilizar de todos os documentos para analisar se o pagamento realizado foi devido ou não, sob pena de infração ao princípio da legalidade. Que no relatório do r. acórdão, a autoridade julgadora reconhece o pagamento a maior, pois atribui informações que não foram supostamente prestadas pela Recorrente; (iv) Informa que a autoridade fiscal proferiu despacho decisório antes da retificação da DCTF, contudo poderia averiguar a existência do crédito ao confrontar com as informações constantes da DIPJ 2012 retificadora. Defende que a autoridade fiscal poderia, ao verificar a divergência de informações, intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos, mas não o fez; (v) A Recorrente declara que o entendimento adotado pela decisão recorrida não se coaduna com a legislação fiscal federal, nem com os princípios norteadores e informadores do processo administrativo da informalidade e da busca pela verdade material; (vi) A Recorrente esclarece que os valores declarados fazem prova em favor da mesma (art; 923 RIR/99) e cabe a autoridade administrativa provar eventual inverdade (art. 924 RIR/99). Aduz que o crédito foi regularmente declarado, escriturado e registrado e deve a autoridade administrativa provar a inexistência do crédito. Colaciona à peça a Solução de Consulta Interna COSIT nº 16; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 5 4 (vii) Defende a aplicação da verdade material ao processo e colaciona decisões do Conselho Administrativo Fiscal nesse sentido. Ainda, destaca que comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração é admissível a retificação da mesma; Por fim, requereu a procedência do recurso voluntário para que seja reconhecido o direito creditório referente ao IRPJ e, conseqüentemente, seja homologada a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou DCOMP nº 38462.78300.240511.1.7.043077 em razão de pagamento a maior de IRPJ, código 2089, do 1º trimestre de 2011, no valor original de R$ 35.093,92, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 29/04/2011 no importe de R$ 113.297,25. A compensação não foi homologada, e, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, tendo o valor recolhido sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. A Recorrente declara que recolheu a título de IRPJ, através de DARF do 1º trimestre de 2011, o valor de R$ 113.297,25, contudo, ao rever a apuração realizada para fins de determinação do valor devido a título de IRPJ, a Recorrente identificou que o valor do IRPJ correto era de R$ 76.537,42 e, por conseguinte, teria pago a mais a importância de R$ 36.759,83. Em julgamento de primeira instância, a DRJ não conheceu o direito creditório da Recorrente devido a ausência de provas. Destacando o seguinte: (...) 7. Nos termos do art. 170 do Código Tributário NacionalCTN, para que seja levada a efeito a compensação, o crédito do sujeito passivo com a Fazenda Nacional há que ser dotado de liquidez e certeza. 8. Quanto à necessidade de se demonstrar a liquidez e certeza do crédito que o contribuinte pretende utilizar na compensação, assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, Fl. 158DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 6 5 autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (art. 170, do CTN).” (STJ, 1ª T., AgRg no Resp 862.572/CE, Rel. Ministro LUIZ FUX,mai/08) 9. Como se trata de declaração de compensação, invertese o ônus da prova, ou seja, cabe ao contribuinte comprovar o seu direito líquido e certo, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização do crédito, consoante disposto no art. 264, do RIR/1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e, papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. 10. A apuração do IRPJ é consolidada da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa JurídicaDIPJ. Em consulta aos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil RFB, verificase que o interessado declarou na DIPJ/2012, ano calendário de 2011, apresentada em 29/06/2012, nº de arquivamento 1211182, IRPJ do 1º trimestre de 2011 no valor de R$ 96.228,50. Posteriormente, em 10/08/2012, apresentou retificadora, nº de arquivamento 1498998, e reduziu o IRPJ para R$ 76.537,42. 11. Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada em 20/05/2011, nº de arquivamento 100201120111880250229, foi declarado IRPJ no valor de R$ 113.297,25. A redução para R$ 76.537,42 somente ocorreu em 05/12/2012, ou seja, após a ciência do Despacho Decisório. 12. Com relação à DIPJ, é oportuno esclarecer não ser a mesma o meio hábil para confissão de dívida, o que está reservado à DCTF. Portanto, os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 13. Outrossim, com relação à apresentação de declaração retificadora que tenha por objeto a redução de tributos devidos, é oportuno observar o que dispõe o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. (...) § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifos e destaques não originais) 14. No presente caso, observase que o interessado não trouxe à colação qualquer documentação, a exemplo de livros e Fl. 159DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 7 6 documentos fiscais e contábeis, que evidencie o suposto erro na apuração do IRPJ (lucro presumido), o que justificaria o recolhimento do imposto em valor superior ao declarado. (negrito nosso). (...) Vêse que a DRJ textualmente informa que a Recorrente não trouxe aos autos no momento da manifestação de inconformidade nenhum documento fiscal e contábil da empresa que pudesse comprovar o crédito. Em seu recurso voluntário, a Recorrente declara que o crédito foi regularmente declarado, escriturado e registrado, mas entende que o ônus da prova de trazer esses documentos é da autoridade administrativa. Contudo, tal entendimento está equivocado, o dever de guarda da escrituração, que a própria Recorrente traz em seu recurso, é do contribuinte e só a ele é possível trazer tais documentos para comprovar seu crédito, a exemplo do Livro Razão, do Livro Diário, dentre outros. A Recorrente, contudo, no recurso voluntário, colacionou apenas a DCTF para demonstrar a existência do crédito, não tendo juntado nenhum outro documento. Além daqueles já constantes no processo. Nas suas razões de recurso, a Recorrente destaca o direito que possui em compensar tributo pago a maior, bem como que eventual não retificação da DCTF, por erro de fato, antes do despacho decisório, não exclui esse direito, destacando ainda que transferir o ônus da prova ao sujeito passivo da obrigação tributária pode prejudicar o contribuinte. Primeiramente, é preciso deixar claro que o contribuinte não teve sua declaração de compensação homologada porque, na data da apresentação da PER/DCOMP, não havia como a autoridade fiscal identificar a existência de crédito, haja vista que, pelas informações do r. acórdão e das próprias alegações da Recorrente, a DCTF não demonstrava a existência de crédito, visto ter sido essa retificada apenas após a ciência do Despacho Decisório. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, qualquer alteração no pedido desnatura o objeto. Ou seja, era impossível para a autoridade administrativa, no momento do Despacho Decisório, identificar o crédito que a Recorrente alega possuir, visto que a DCTF não havia sido retificada. Havendo alteração que reduza o valor do tributo, por determinação legal, o dever de comprovar é do contribuinte, o qual deve apresentar documentos contábil fiscais para comprovar o crédito. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 8 7 Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. É digno registrar que não se está negando o direito do contribuinte de compensar o crédito oriundo de pagamento a maior, por não ter retificado a DCTF antes do Despacho Decisório, contudo é indispensável a apresentação de documentos capazes de demonstrar o erro no valor da DCTF em razão de reduzir imposto. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os equívocos identificados na DCTF original não são meros erros formais. Em verdade, eles alteram significativamente as condições do pedido inicial. É importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Qualquer alteração da DCTF após o despacho decisório deve ser realizada munidos de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior. A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é condição para comprovar o erro da DCTF, que reduz tributo e, conseqüentemente, demonstrar a existência do crédito fiscal A Recorrente defende que se a autoridade fiscal tivesse analisado a DIPJ, teria identificado o equívoco, contudo a DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 9 8 dívida a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Assim, embora a DIPJ seja um documento importante, não comprova as alegações da Recorrente por se tratar de mera declaração sem efeitos de confissão de dívidas, tendo, pois, efeitos meramente informativos. Fazse necessário no mínimo o Livro Diário, que é registrado na junta comercial com a transcrição do Balanço, o Livro Razão, ou quaisquer outros documentos contábilfiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito e o conseqüente erro na DCTF original, sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas pela Recorrente. Como não houve retificação da DCTF antes do despacho decisório, deveria o Recorrente ter trazido aos autos documentos fiscais que demonstrassem o equívoco no cálculo do imposto (Parecer COSIT nº 2 de 28 de agosto de 2015). No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados podem ser considerados, pois podem ser produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972) Logo, não se está negando a existência de eventual crédito, mas é imprescindível a demonstração de erro no preenchimento da DCTF, que não pode ser feito apenas através da DIPJ, mas sim através de documentos contábilfiscais da empresa. Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou nenhum documento ao recurso voluntário, além da DCTF. Outrossim, importante destacar que é exatamente em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábil fiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter efetuado a homologação de ofício, uma vez identificada a correição das informações prestadas. O contrário homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Da mesma forma, o princípio da legalidade, pelo qual ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, a menos que seja previsto em lei, também está sendo obedecido, pois a previsão de demonstração da liquidez e certeza do crédito é uma determinação legal. Se há dúvidas quanto à certeza do crédito, não se pode homologar a compensação, sob pena de descumprimento legal. Ademais, em relação ao ônus da prova, que a Recorrente defende que não lhe deve ser atribuída, não pode prosperar, pois apenas a Recorrente possui meios capazes de demonstrar a robustez do crédito, através de seus livros fiscais, pois a DIPJ, como já debatido, Fl. 162DF CARF MF Processo nº 18470.907439/201236 Acórdão n.º 1003000.700 S1C0T3 Fl. 10 9 é mero documento de informação, sem poder de confissão de dívida e, por conseguinte, não é suficiente para demonstrar o equívoco apontado na DCTF. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da 2ª Turma da DRJ/RJ1. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720850/2014-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS EM DESACORDO COM A LEI. NEGOCIAÇÃO VIA COMISSÃO. AUSÊNCIA DE REPRESENTANTE SINDICAL.
Os pagamentos a título de PLR em dissonância com os requisitos da Lei n° 10.101 de 2000 devem ser incluídos na base de cálculo previdenciária.
ESTÁGIO. CONTRATO. REGULARIDADE.
Não compõe a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias os valores pagos a título de bolsa de estágio regularmente concedidas, nos termos do artigo 28, § 9º, "i" da Lei nº 8.212 de 1991.
Numero da decisão: 2201-005.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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PAGAMENTOS EM DESACORDO COM A LEI. NEGOCIAÇÃO VIA COMISSÃO. AUSÊNCIA DE REPRESENTANTE SINDICAL. Os pagamentos a título de PLR em dissonância com os requisitos da Lei n° 10.101 de 2000 devem ser incluídos na base de cálculo previdenciária. ESTÁGIO. CONTRATO. REGULARIDADE. Não compõe a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias os valores pagos a título de bolsa de estágio regularmente concedidas, nos termos do artigo 28, § 9º, "i" da Lei nº 8.212 de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 50 /2 01 4- 40 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 601 2 Tratase de recurso de ofício (fls. 512/519) e de voluntário (fls. 534/553) interpostos contra decisão no acórdão nº 0272.015, proferido em sessão de 23 de fevereiro de 2017, pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) de fls. 512/519, a qual julgou procedente em parte a impugnação para retificar os créditos tributários apurados nos AIs nºs 51.052.8473 e 51.052.8481 e improcedente o crédito tributário apurado no AI nº 51.052.8490. O presente processo é constituído pelos seguintes autos de infração (AI), lavrados em 5/1/2015, em cujos valores consolidados já estão incluídos juros e multa de mora: i) AI nº 51.052.8473, no valor consolidado de R$ 4.435.089,30, correspondente à parte da empresa e a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, nas competências 2/2010, 3/2010, 8/2010 e 9/2010, decorrentes do pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR em desacordo com a legislação específica no tocante à participação das entidades representativas dos trabalhadores (fls. 47/52); ii) AI nº 51.052.8481, no valor consolidado de R$ 505.288,94, referente às contribuições destinadas a outras entidades (2,5% FNDE e 0,2% INCRA), que têm como fato gerador o pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR, nas competências 2/2010, 3/2010, 8/2010 e 9/2010, em desacordo com a legislação no tocante à participação das entidades representativas dos trabalhadores (fls. 53/57); e iii) AI nº 51.052.8490, no valor consolidado de R$ 269.984,72, concernente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa (22,5%), incidentes sobre remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais pelos serviços prestados ao contribuinte no período de 1/2010 a 12/2010 (fls. 58/63). A ciência dos referidos autos foi pessoal em 7/1/2015 (fls. 47, 53 e 58). Em 6/2/2015, dentro do prazo regulamentar previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 140/163), instruída com os documentos de fls. 164/429 e o processo foi encaminhado para julgamento. Segundo despacho Diligência Fiscal 6ª Turma da DRJ/BHE, de 26/8/2015, em virtude da impugnação apresentar além de questões de direito, questões materiais, o julgamento foi convertido em diligência para o pronunciamento da autoridade autuante e no caso se for a hipótese, demonstrar as retificações a serem procedidas nos autos de infração, concedendose prazo de 30 (trinta) dias da ciência da diligência para a empresa impugnante se manifestar a respeito (fls. 437/438). Em atendimento ao solicitado, foram prestados os esclarecimentos por meio do termo de Informação Fiscal (fls. 451/453). Cientificada da diligência em 4/8/2016, conforme informação contida nas fls. 456/457, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 459/465), com juntada de documentos de fls. 466/503 e o processo foi encaminhado à DRJ/BHE para seguimento. A 6ª Turma da DRJ/BHE, em sessão de 23 de fevereiro de 2017, no acórdão nº 0272.015, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo apenas o levantamento L1 PLR, para as competências 08/2010 e 09/2010, formalizado nos autos de infração – AI 51.052.8473 (parte patronal) e AI 51.052.8481 (parte devida a terceiros – outras entidades e fundos) e em relação ao AI 51.052.8490 o lançamento foi totalmente excluído por se tratar Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 602 3 apenas de estagiários indevidamente apurados pela fiscalização como contribuintes individuais, recorrendo de ofício da parte exonerada, cuja ementa segue abaixo (fls. 512/519): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). BOLSAS DE ESTÁGIO. As empresas somente fazem jus ao benefício fiscal de não incidência de contribuições previdenciárias e a Terceiros (Outras Entidades e Fundos), sobre valores pagos a título de PLR, se cumprirem com os requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000. Pagamentos a título de bolsas de estágio não configuram fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" O contribuinte tomou ciência do acórdão por meio de sua caixa postal, considerada seu domicílio tributário eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 6/4/2017, conforme termo de ciência por abertura de mensagem (fl. 531) e interpôs recurso voluntário em 27/4/2017 (fls. 534/553), instruído com os documentos de fls. 554/597. O presente processo compôs lote sorteado a esta conselheira em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos Relatora Recurso de Ofício Preliminarmente, o recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Em virtude da exclusão de montante superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 63 de 9 de fevereiro de 2017, foi interposto recurso de ofício. Os fundamentos do acórdão que culminaram com a exoneração do crédito, foram os seguintes: i) os pagamentos de participação nos lucros ou resultados em fevereiro e em março de 2010 não se referem a este ano, mas ao acordado no ano de 2009, e que neste ano houve a efetiva participação sindical; e ii) através da documentação juntada em defesa, os pagamentos a contribuintes individuais constantes da declaração do imposto sobre a renda na fonte – DIRF, remete a pagamentos de bolsas a estagiários, não sendo hipótese de incidência de contribuição previdenciária prevista na Lei nº 8.212/1991. De acordo com o relatório fiscal da diligência (fls. 501/502) corroborado com a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de impugnação: "(...) Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 603 4 PLR Em sua impugnação, o contribuinte argumentou que os pagamentos de PLR realizados nos meses de fevereiro e março de 2.010 estariam conforme a legislação de não incidência, uma vez que atenderam ao Acordo de PLR de 2009, no qual houve participação de representante sindical (fls. 240/253). De acordo com os argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, podese concluir que os pagamentos de PLR efetuados em fevereiro e março de 2.010 estavam relacionados, na realidade, aos resultados operacionais apurados no segundo semestre de 2.009, realizado mediante o Acordo de PLR de 2009, no qual houve efetivamente a participação da entidade sindical. Assim sendo, devem ser excluídos os valores referentes a pagamentos de PLR, lançados nos levantamentos L1 dos AI DEBCAD nos 51.052.8473 e 51.052.8481, nas competências 02/2010 e 03/2010. Segue, em anexo a esta Informação Fiscal, planilha, na qual são demonstrados os valores que devem ser excluídos. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Em sua impugnação, o contribuinte argumentou que os valores considerados pela Fiscalização como sendo pagamentos a contribuintes individuais tratase, na realidade, de pagamentos de bolsas de estágio a seus estagiários (termos de compromisso de estágio de fls. 255/339 e 342/429). A fim de corroborar este fato, o contribuinte apresentou os contratos de estágio de todas as pessoas relacionadas pela Fiscalização na planilha Anexo 2 do Relatório do AI DEBCAD no 51.052.8490. Com base nesses contratos de estágio apresentados pelo contribuinte, podese concluir que os pagamentos efetuados aos supostos contribuintes individuais correspondiam, na realidade, a pagamento de bolsas de estágio a seus estagiários. Por conseguinte, devem ser excluídos TODOS os valores lançados no levantamento L2 do AI DEBCAD no 51.052.8490. (...)" A questão foi assim relatada no Acórdão recorrido (fls. 517/519): "(...) Na situação, para a PLR de 2009, a fiscalização, agora em diligência fiscal verificou a participação do Sindicato dos trabalhadores, e, ainda, que os pagamentos efetuados nos meses de fevereiro e de março de 2010 estavam relacionados aos resultados operacionais do segundo semestre de 2009 mediante o acordado neste ano. De fato, o Acordo de 2008 e 2009, juntado em defesa às fls. 240/253, está a estipular a PLR do ano de 2009 para pagamentos no primeiro semestre de 2010, considerando os Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 604 5 lucros e resultados de 1º de julho a 31 de dezembro de 2009, de acordo com a periodicidade semestral estabelecida no item “7.1” do referido instrumento. Assim, dando razão a impugnante de que os pagamentos em fevereiro e em março de 2010 não se referem a este ano, mas ao acordado no ano de 2009, e que, para este, houve a efetiva participação sindical, devese excluir do levantamento L1 PLR os valores de contribuições apurados naquelas competências (02/2010 e 03/2010). (...) O outro fato gerador diz respeito a pagamentos a contribuintes individuais constantes da Declaração do Imposto sobre a Renda na Fonte – DIRF em relação ao qual a impugnante afirma tratar de pagamentos a estagiários. Através da documentação juntada em impugnação, a fiscalização, quando da diligência fiscal, confirmou que se tratavam, na realidade, de pagamentos a título de bolsas de estágio, e não de pagamentos a segurados contribuintes individuais. De fato, a documentação juntada em defesa remete a pagamentos de bolsas a estagiários, e, sabendo que isso não é hipótese de incidência de contribuição previdenciária prevista na Lei 8.212/1991, devem ser excluídos os valores apurados no levantamento L2 CI. (...)" Assim, com base nos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, tendo em vista que a própria autoridade lançadora, após análise da referida documentação, mediante diligência realizada, atesta a regularidade dos pagamentos de PLR nos meses de 2/2010 e 3/2010, relacionados aos resultados operacionais apurados no segundo semestre de 2009, estão em consonância com os requisitos da Lei nº 10.101 de 2000 e dos pagamentos de bolsas de estágio nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 19771, se enquadrando na hipótese de não incidência prevista no artigo 28, § 9º, "i" da Lei nº 8.212 de 19 de dezembro de 1991, não merece reparo o acórdão recorrido, razão pela qual negase provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, deve ser conhecido o recurso e passamos ao exame das alegações recursais. O Recorrente se insurge contra os pagamentos feitos a título de PLR em agosto e setembro de 2010, relativamente ao períodobase do primeiro semestre de 2010, 1 LEI Nº 6.494, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1977. Dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2º Grau e Supletivo e dá outras providências, revogada pela LEI Nº 11.788, DE 25 DE SETEMBRO DE 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 605 6 alegando que se deram em perfeita conformidade com os requisitos dispostos na Lei n.° 10.101 de 2000, que regulamentou o artigo 7°, inciso XI da Constituição Federal. Afirma que, segundo as autoridades fiscais, o acordo firmado entre a empresa e seus trabalhadores em 2010 não atenderia aos requisitos legais meramente por não ter havido a presença de membro do sindicato da categoria no procedimento, sendo este argumento, de cunho meramente formalista, não basta, por si só, para descaracterizar os pagamentos feitos pelo Recorrente a título de PLR. Ressalta que, quando o acordo for satisfatório às demais regras constantes da Lei n° 10.101 de 2000, muito embora não analisado pelo sindicato, a ausência da participação deste não terá qualquer implicação. Em defesa de sua tese colaciona jurisprudência advinda do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e decisões do CARF, requerendo, por fim, o provimento ao recurso voluntário, para o cancelamento integral da autuação, reconhecendose a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR efetuados, bem como que seja negado provimento ao recurso de ofício. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, pertinente se faz evocar a legislação de regência que regulamenta a matéria sob exame. A participação nos lucros e resultados é direito social do trabalho previsto no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal de 1988: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em Lei; (...)" As regras de isenção, nos termos do art. 150, § 6º da Constituição Federal de 1988, devem ser introduzidas no ordenamento jurídico através de leis específicas: "Art. 150 (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)" A isenção incluise nas modalidades de exclusão do crédito tributário, e, desse modo, a legislação que dispõe sobre o tema deve ser interpretada literalmente, em consonância com o Código Tributário Nacional – CTN, aprovado pela Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1996: "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 606 7 I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." A participação nos lucros ou resultados como prevista constitucionalmente é desvinculada da remuneração, não possuindo natureza jurídica salarial e não integrando o salário de contribuição, desde que paga em conformidade com lei específica. A regulamentação do tema em apreço ocorreu com a edição da Medida Provisória (MPV) nº 794 de 29 de dezembro de 1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, convertidas na Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000, com alterações por intermédio da Lei n° 12.832 de 20 de junho de 2013, a qual disciplina a PLR da empresa, estabelecendo os requisitos necessários para que a desvinculação da remuneração ocorra: "Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos,escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1° deste artigo: (Incluído pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de efeito) I – a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 607 8 para a negociação; (Incluído pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II – não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. (Incluído pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de eleito) Art. 3º A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3° Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados." Quanto a desvinculação da remuneração atribuída constitucionalmente à PLR, assim dispõe a alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 19912: "Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...)" A conseqüência do pagamento de tais valores em desacordo com a legislação de referencia está prevista no § 10 do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.º 3.048 de 6 de maio de 1999: "Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 2 Da mesma maneira dispõe o inciso X, § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 608 9 § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...)" Nos dispositivos citados, resta clara a relevância do atendimento integral ao que dispõe a legislação, no caso a Lei nº 10.101 de 2000, para que os pagamentos realizados a título de PLR assim sejam reconhecidos. Os requisitos necessários para a caracterização da PLR estão previstos no artigo 2º da referida lei: "(...) Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 609 10 d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4o Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação; (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) (...)" Como visto, o artigo 2º da Lei nº 10.101 de 2000 estabelece requisitos formais e materiais para a configuração da PLR. Dentre os requisitos formais, temos a negociação entre empregadores e empregados por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Como requisitos materiais, as regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No caso concreto se discute o descumprimento do requisito formal da participação do sindicato dos trabalhadores na PLR. Nos termos do artigo 2º, incisos I e II da Lei nº 10.101 de 2000, consoante redação vigente à época dos fatos: "Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo." De acordo com o teor do referido dispositivo o contribuinte tinha a opção de negociar com os trabalhadores a participação nos lucros ou resultados por meio de convenção ou acordo coletivo, porém optou pela negociação via comissão de empregados, conforme informação constante do relatório fiscal (fls. 6/21). No instrumento de negociação entre a empresa e empregados para a Participação Lucros ou Resultados não foram qualificados os representantes legais da empresa que ao final assinaram o acordo, houve a indicação e assinaturas dos representantes da comissão de empregados e não foi feita menção, não há assinatura e não existe vestígios de que algum representante indicado pelo sindicato tenha efetivamente participado do acordo firmado Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 610 11 (fls. 34/44). Também não foram carreadas aos autos nenhum tipo de prova de que tal representante tivesse participado da negociação. A lei não prescreve o assentimento do sindicato, mas sim que a comissão seja integrada, necessária e não facultativamente, por representante do sindicato. Ou seja, ela atribui a tal participação a qualidade de requisito formal de validade na formação da comissão para que esta seja apta a negociar as condições do PLR, visando o legislador resguardar os interesses dos trabalhadores no curso das negociações. Acerca do tema, oportuno transcrever excerto do voto da conselheira relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira do acórdão nº 2401003.142, julgado em sessão 13 de agosto de 2013: "(...) A participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional,frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apóiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados, razão pela qual são resistente a participar (o que se vislumbra apenas em caráter ilustrativo) Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Não há que se falar que o arquivamento do instrumento resultante no sindicato, tenha ratificado a concordância do sindicato. São duas obrigações expressamente previstas na lei, que em momento algum o legislador descreveu que o arquivamento supriria a ausência do sindicato na negociação. A lei é bem clara; se a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros desvinculados do salário, qual seria o objetivos de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, o texto constitucional seria suficiente, o que conforme vimos acima, não demonstra o posicionamento doutrinário a respeito do tema. (...)" Uma vez não atendido requisito de validade estabelecido na legislação para que os valores recebidos a título de PLR possam estar enquadrados nos termos da Lei nº 10.101 de 2000, há razão suficiente para manter o lançamento, em consonância com o decidido em sede de primeiro grau. Portanto, pelas razões apresentadas não merece reparo o acórdão recorrido. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 16682.720850/201440 Acórdão n.º 2201005.106 S2C2T1 Fl. 611 12 Conclusão Em razão do exposto, votase por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961014/2015-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 10 14 /2 01 5- 81 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.961014/201581 Acórdão n.º 3301005.917 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.971, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.961014/201581 Acórdão n.º 3301005.917 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.961014/201581 Acórdão n.º 3301005.917 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.961014/201581 Acórdão n.º 3301005.917 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723123/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pelo embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES DOS SERVIDORES AO RPPS. EXCLUSÃO.
As transferências relativas às contribuições dos Servidores ao RPPS para Autarquia instituída por Lei, por disposição Legal, devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-006.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as transferências relativas às contribuições dos servidores ao RPPS para a autarquia do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Inhumas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pelo embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. PASEP. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES DOS SERVIDORES AO RPPS. EXCLUSÃO. As transferências relativas às contribuições dos Servidores ao RPPS para Autarquia instituída por Lei, por disposição Legal, devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
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OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pelo embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. PASEP. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES DOS SERVIDORES AO RPPS. EXCLUSÃO. As transferências relativas às contribuições dos Servidores ao RPPS para Autarquia instituída por Lei, por disposição Legal, devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as transferências relativas às contribuições dos servidores ao RPPS para a autarquia do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Inhumas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 31 23 /2 01 1- 71 Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de declaração opostos pelo i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em face do acórdão nº 3302006.034, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 23/10/2018. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA DO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/07 IMPOSSIBILIDADE. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. A Contribuição para o Pasep será apurada mensalmente, à alíquota de 1% (um por cento), pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas (arts. 2º, III, 7º e 8º, III, da Lei nº 9.715/98). FUNDEB. FUNDO SEM PERSONALIDADE JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES TRANSFERIDOS E RECEBIDOS. As transferências efetuadas pela União aos Estados, Distrito Federal (DF) e Municípios que compõem a participação dos entes federativos ao FUNDEB, a exemplo do percentual do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), devem ser inseridas na base de cálculo do ente recebedor, em razão do inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9715, de 1998. Também por causa da parte final do referido art. 7º, anteriormente comentado, o ente transferidor (no caso, a União) deve excluir os valores repassados de sua base de cálculo. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 4 3 Os Estados, DF e Municípios transferidas ao FUNDEB, os entes transferidores devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo, em razão da parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição quando os entes beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo. Quanto à parcela de complementação, por se tratar de transferência constitucional e/ou legal, quando for transferida para os fundos, a União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado art. 7º, deverá excluir os valores entregues da base de cálculo da contribuição. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição no ente recebedor dos recursos, quando de sua alocação ao fundo. Caso a União venha a reter a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais quando da transferência aos demais entes, estes entes recebedores devem deduzir da contribuição devida os valores retidos. Os recursos distribuídos dos fundos aos Estados e Municípios (normalmente denominada Receitas do FUNDEB) deverão ser incluídos na base de cálculo do ente recebedor (transferências recebidas), em razão do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Poderá ser deduzido do valor da contribuição devida o valor retido pela STN nas transferências realizadas, em respeito ao § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, para que se evite a dupla tributação de recursos, vedada pelo art. 68, parágrafo único, do Decreto nº 4.524, de 2002. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a parcela de transferência ao FUNDEB, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Walker Araújo e Fenelon Moscoso que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Corintho Oliveira Machado não participaram da votação em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Fenelon Moscoso e Vinícius Guimarães (Suplente convocado) na sessão de julho de 2018. O embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Nos embargos foi apontada omissão quanto pontos apontados no recurso voluntário, a seguir elencados: (i) receitas transferidas para a Previdência Social do Regime Próprio dos servidores do município, incluindo os valores descontados dos servidores, bem como as contribuições patronais, (ii) valores de empenhos não pagos (restos a pagar) contabilizados como receita em razão da impossibilidade de cancelamento dos referidos empenhos e (iii) os valores repassados ao Fundo de Saúde. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 5 4 O juízo de admissibilidade e os embargos foram realizados em uma única peça. Passase então a análise das omissões apontadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. As conclusões trazidas pelos embargos foram as seguintes: O relator abordou as matérias relativas à preliminar de nulidade do auto de infração e por desobediência ao artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 e, no mérito, discorreu sobre a legislação relativa à base de cálculo do PIS/Pasep das pessoas jurídicas de direito público interno, apreciando especificamente a inclusão ou não dos valores destinados ao FUNDEB, decidindo pela impossibilidade de dedução da base de cálculo, o que foi objeto de voto vencedor divergente, concluindo pela possibilidade da dedução. Verificase, entretanto, que o recurso voluntário abordou outros valores que deveriam ser deduzidas da base de cálculo, a saber: receitas transferidas para a Previdência Social do Regime Próprio dos servidores do município, incluindo os valores descontados dos servidores, bem como as contribuições patronais, valores de empenhos não pagos (restos a pagar) contabilizados como receita em razão da impossibilidade de cancelamento dos referidos empenhos e os valores repassados ao Fundo de Saúde. Contudo, tais matérias não foram abordadas pelo colegiado, sendo necessária nova inclusão em pauta de julgamento. Com base nas razões acima expostas e no artigo 65 do Anexo II do RICARF, encaminho os autos para o Conselheiro José Renato Pereira de Deus, relator, para inclusão do processo em pauta de julgamento. Analisando o acórdão embargado verificase que realmente não houve menção quanto aos itens apontados nos embargos, razão pela qual devem ser submetidos a análise desse Colegiado. I Proêmio Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 6 5 Pois bem. A questão posta para resolução encontrase no espectro da Lei nº 9.715/1998, que é a legislação aplicável à contribuição ao PIS/Pasep dos entes públicos, e do Decreto nº 4.524/2002, que regulamentou o tributo. Consultada para dirimir dúvidas e responder a indagações sobre o assunto, a Cosit editou a Solução de Consulta nº 278/2017, que entendo deva ser observada na resolução do presente processo. Observese a ementa da referida consulta: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS E INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Em relação às transferências intragovernamentais: c) Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; d) Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de Solução de Consulta n.º 278 Cosit direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 7 6 Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. A contribuição dos servidores e a contribuição patronal devem compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). As receitas do Tesouro Nacional não devem ser incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das autarquias (§ 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), devendo tais valores ser tributados no ente transferidor, no caso, na União. As Fundações Públicas e os Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas devem recolher a contribuição para o PIS/Pasep com base no art. 13 da Medida Provisória nº 2.158 13, de 2001. Os recursos transferidos aos Consórcios Públicos de Direito Público por meio do contrato de rateio estão abrangidos pela regra inserida no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dispositivos Legais: Constituição da República Federativa do Brasil , de 5 de outubro de 1988; Lei nº 9.715, 25 de setembro de 1998, art. 2º, III, § 3º, § 6º e § 7º e art. 7 º; Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, art. 67, art. 68, parágrafo único e art. 69; Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, art. 11, § 1º e art. 12, § 2º e § 6º; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 41; Lei Complementar nº 08, de 3 de dezembro de 1970, art. 2º; Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007; Decreto nº 6.253, de 13 de novembro de 2007; Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990; Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, art. 25 e art. 50, IV; Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012; Medida Provisória nº 215835, de 24 de agosto de 2001, art. 13; Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, art. 6º, I e II, § 1º e art. 8º, § 1º. II Receitas transferidas ao RPPS Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 8 7 Quanto ao referido tópico ressaltase que a contribuição patronal a cargo do Município a favor do RPPS foi deduzida da base de cálculo do Pasep, fato que se verifica do relatório fiscal do auto de infração, bem como do acórdão de impugnação proferido pela DRJ. Resta verificar se os valores da contribuição retidos dos servidores públicos e transferidos ao RPPS. Na Solução de Consulta Cosit nº 278/2017, a matéria foi tratada de forma aprofundada, motivo pelo qual peço vênia para destacar alguns de seus pontos: (...) 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituemse notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como: [...] IV receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição (grifo nosso). Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 9 8 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 – SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social devese observar que a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI – Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, podese inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicandose esses conceitos ao caso concreto apresentado, temse que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 10 9 receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Pois bem. Conforme restou demonstrado acima, a contribuição ao RPPS retida do servidor pelo Município e transferida ao Instituto de Previdência Municipal é de fato receita, no entanto, receita da autarquia, havendo somente o repasse dos valores retidos pelo Município. Vale dizer, não se trata de receita do Município, não compondo, desta forma, a base de cálculo de sua contribuição ao PIS/Pasep. Ademais, o Fundo de Previdência Social de Inhumas FUNPRESI, que tem como finalidade prover recursos para garantir o financiamento dos benefícios do RPPS dos servidores do município, tem natureza de autarquia na forma do art. 249 da CF, c/c art. 71 da Lei nº 4.320/64. Tal natureza jurídica, autarquia municipal, é garantida pelo art. 71 da Lei Complementar Municipal nº 2.944/2014. Destarte, considerando o acima transcrito, entendo que os valores de contribuições retidos dos servidores pelo Município repassados ao RPPS, não devem compor a base de cálculo de sua contribuição ao PIS/Pasep. III Do cancelamento dos restos a pagar Quanto aos restos a pagar, segundo o entendimento do embargante, referida matéria não teria sido tratada no acórdão embargado. De fato a matéria não foi tratada na r. decisão, no entanto, em que pese ter sido ventilada em sede de Recurso Voluntário, o assunto não foi abordado pelo Município em sua impugnação, e por decorrência lógica, não foi tratado no acórdão da DRJ. Desta forma, como referida matéria não foi aduzida na impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Assim, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este Colegiado, delas não tomo conhecimento, sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. IV Repasse do FUNDEB do fundo de saúde Segundo a contribuinte recorrente, após discorrer sobre a natureza dos repasses destinados ao FUNDEB e ao FUNDO DE SAÚDE, tributálos seria permitir o bis in idem. Para a análise do presente tópico, peço vênia para lançar mão, novamente, das conclusões trazidas pela Solução de Consulta Cosit nº 278/2017: FUNDOS DE SAÚDE 22. A organização dos recursos do SUS e sua descentralização são realizadas por meio de Fundos Públicos e são previstos, Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 11 10 além dos diversos dispositivos da Constituição Federal de 1988, na Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e na Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Vejamos alguns dos principais dispositivos que versam a respeito da questão: CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I – descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II – atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III – participação da comunidade. § 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) I – no caso da União, na forma definida nos termos da lei complementar prevista no § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) § 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabelecerá: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) I – os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015) II – os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 12 11 Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades regionais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) III – as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) (...) ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS PROVISÓRIAS – ADCT Art. 77 (...) § 3º Os recursos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinados às ações e serviços públicos de saúde e os transferidos pela União para a mesma finalidade serão aplicados por meio de Fundo de Saúde que será acompanhado e fiscalizado por Conselho de Saúde, sem prejuízo do disposto no art. 74 da Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) LEI COMPLEMENTAR Nº 141, DE 13 DE JANEIRO DE 2012 CAPÍTULO III DA APLICAÇÃO DE RECURSOS EM AÇÕES E SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE Seção I Dos Recursos Mínimos Art. 5º A União aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, o montante correspondente ao valor empenhado no exercício financeiro anterior, apurado nos termos desta Lei Complementar, acrescido de, no mínimo, o percentual correspondente à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) ocorrida no ano anterior ao da lei orçamentária anual. (...) Art. 6º Os Estados e o Distrito Federal aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, 12% (doze por cento) da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam o art. 157, a alínea “a” do inciso I e o inciso II do caput do art. 159, todos da Constituição Federal, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios. Parágrafo único. (VETADO). Art. 7º Os Municípios e o Distrito Federal aplicarão anualmente em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, 15% (quinze por cento) da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 13 12 e dos recursos de que tratam o art. 158 e a alínea “b” do inciso I do caput e o § 3º do art. 159, todos da Constituição Federal. Parágrafo único. (VETADO). Art. 8º O Distrito Federal aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, 12% (doze por cento) do produto da arrecadação direta dos impostos que não possam ser segregados em base estadual e em base municipal. (...) Seção II Do Repasse e Aplicação dos Recursos Mínimos Art. 12. Os recursos da União serão repassados ao Fundo Nacional de Saúde e às demais unidades orçamentárias que compõem o órgão Ministério da Saúde, para ser aplicados em ações e serviços públicos de saúde. Art. 13. (VETADO). § 1o (VETADO). § 2º Os recursos da União previstos nesta Lei Complementar serão transferidos aos demais entes da Federação e movimentados, até a sua destinação final, em contas específicas mantidas em instituição financeira oficial federal, observados os critérios e procedimentos definidos em ato próprio do Chefe do Poder Executivo da União. § 3º (VETADO). § 4º A movimentação dos recursos repassados aos Fundos de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deve realizarse, exclusivamente, mediante cheque nominativo, ordem bancária, transferência eletrônica disponível ou outra modalidade de saque autorizada pelo Banco Central do Brasil, em que fique identificada a sua destinação e, no caso de pagamento, o credor. Art. 14. O Fundo de Saúde, instituído por lei e mantido em funcionamento pela administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, constituirseá em unidade orçamentária e gestora dos recursos destinados a ações e serviços públicos de saúde, ressalvados os recursos repassados diretamente às unidades vinculadas ao Ministério da Saúde. Art. 15. (VETADO). Art. 16. O repasse dos recursos previstos nos arts. 6o a 8o será feito diretamente ao Fundo de Saúde do respectivo ente da Federação e, no caso da União, também às demais unidades orçamentárias do Ministério da Saúde. (...) Seção III Da Movimentação dos Recursos da União (...) Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 14 13 Art. 18. Os recursos do Fundo Nacional de Saúde, destinados a despesas com as ações e serviços públicos de saúde, de custeio e capital, a serem executados pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios serão transferidos diretamente aos respectivos fundos de saúde, de forma regular e automática, dispensada a celebração de convênio ou outros instrumentos jurídicos. Parágrafo único. Em situações específicas, os recursos federais poderão ser transferidos aos Fundos de Saúde por meio de transferência voluntária realizada entre a União e os demais entes da Federação, adotados quaisquer dos meios formais previstos no inciso VI do art. 71 da Constituição Federal, observadas as normas de financiamento. Seção IV Da Movimentação dos Recursos dos Estados (...) Art. 20. As transferências dos Estados para os Municípios destinadas a financiar ações e serviços públicos de saúde serão realizadas diretamente aos Fundos Municipais de Saúde, de forma regular e automática, em conformidade com os critérios de transferência aprovados pelo respectivo Conselho de Saúde. Parágrafo único. Em situações específicas, os recursos estaduais poderão ser repassados aos Fundos de Saúde por meio de transferência voluntária realizada entre o Estado e seus Municípios, adotados quaisquer dos meios formais previstos no inciso VI do art. 71 da Constituição Federal, observadas as normas de financiamento. (...) 22.1. Depreendese da legislação que a gestão dos recursos da saúde é operacionalizada fundo a fundo, por meio de transferências intergovernamentais. Portanto, tendo em vista os comandos constitucionais e legais supra, os repasses dos recursos do SUS caracterizamse como transferências intergovernamentais constitucionais e/ou legais e estão submetidas às regras destas. A Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, firmou o enquadramento das transferências do SUS nessa modalidade de transferência, quando as excluiu do conceito de transferências voluntárias: Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde (grifo nosso). 22.2. Porém, o parágrafo único do art. 18 e o parágrafo único do art. 20 da Lei Complementar nº 141, de 2012, dispõem que, em situações específicas, os recursos federais e estaduais Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 15 14 poderão ser transferidos aos Fundos de Saúde por meio de transferência voluntária. Portanto, em tais casos, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, serão utilizadas as mesmas regras das transferências voluntárias para os recursos do SUS, desde que a transferência decorra de “convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”, nos termos do § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. 22.3. Ressaltese que os entes transferidores só podem excluir os valores da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais caso estes sejam destinados a outras entidades públicas (art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998). Assim, um hospital que possua personalidade jurídica de direito público, ao receber a transferência de recursos do SUS, sujeitase à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e deve incluir em sua base de cálculo o valor da transferência recebida, e o ente transferidor deve excluir da base de cálculo dessa contribuição os valores repassados. Caso o hospital não se constitua em entidade pública, ele não se submete à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e não é possível ao ente transferidor a dedução de tais valores da base de cálculo dessa contribuição. Assim, como base no acima exposto, podemos verificar que a exclusão da base de cálculo dos valores dos repasses ao Fundo de Saúde, ao contrário do pretendido pela recorrente, não são possíveis, não havendo reparo a ser feito quanto ao lançamento ocorrido com o auto de infração. V Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para excluir as transferências relativas às contribuições dos servidores ao RPPS para a autarquia do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Inhumas. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10120.723123/201171 Acórdão n.º 3302006.904 S3C3T2 Fl. 16 15 Fl. 1137DF CARF MF
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