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Numero do processo: 10735.004146/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO.
Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas dedutíveis restringem-se As efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas dedutíveis restringem-se As efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente. Recurso Voluntário Negado
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Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas dedutíveis restringemse As efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 02 a 04, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 4.261,39 mais cominações legais. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde pugnou pela anulação da notificação, carreando para os autos, comprovantes de despesas médicas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 40 a 44): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas A comprovação ou justificação, mediante documentação hábil e idônea. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.004146/200778 Acórdão n.º 2101001.452 S2C1T1 Fl. 2 3 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas dedutíveis restringemse As efetuadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e ao de seus dependente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou as seguintes despesas relativas aos prestadores: ARMANDO L. DA SILVA COIMBRA 430,00 MARCELO LANGONO TORRACO 6.500,00 CLAUDIA S.BARRETO 1.570,00 NOBUYASSU MATSUDA 270,00 GLAUCO VELLOSO 866,66 CESAR PRADO CABRAL 866,66 ALEXANDRE B. DE SIQUEIRA 866,66 PALMA ODONTO MEDI LTDA 346,00 TOTAL 11.715,98 De consequência manteve as glosas relativas às citadas despesas, votando pela improcedência da impugnação e mantendo a exigência de imposto suplementar de R$ 3.221,88 mais cominações legais. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 23/06/2010 (fl. 51), a Recorrente apresentou, em 15/07/2010, o recurso de fls. 52 a 54, mantendo os argumentos da impugnação e apresentando cópia dos recibos de despesas médicas. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 86, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. O julgador a quo manteve glosas relativas à determinadas despesas entendidas como não comprovadas. No voluntário, a recorrente informa o endereço dos seguintes prestadores, não informados por ocasião da sua impugnação em 1ª Instância. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas odontológicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.004146/200778 Acórdão n.º 2101001.452 S2C1T1 Fl. 3 5 Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração da contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Vejase as seguintes decisões deste colegiado: Acórdão nº : 10248789 DESPESAS MÉDICAS RECIBOS REQUISITOS ESSENCIAIS Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, podem ser completados, posteriormente, pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal. Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Ementa Assunto: IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Simples recibos comprovam despesas médicas realizadas, mas, se o Fisco teve motivos para duvidar da efetiva prestação de serviços, serão necessárias provas adicionais da autenticidade dos mesmos, mormente quando emitidos por profissional objeto de súmula administrativa. Multa qualificada mantida. IRPF GLOSA DESPESAS MEDICAS Ausência de apresentação de recibos ou quaisquer outros comprovantes de despesas médicas. Glosa com multa de ofício. Lançamento procedente. Recurso negado. (Acórdão 102489492ª Câmara – 1º Conselho de Contribuintes) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Como o recorrente não comprovou o efetivo pagamento das despesas, voto por negar provimento ao recurso. Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado eletronicamente) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000216/2008-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - IRREGULARIDADE
DA AUTUAÇÃO - OCORRÊNCIA.
Em relação aos levantamentos HON e VOL, tendo o fiscal autuante não
demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que
foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e
os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, há que se
falar em nulidade material da autuação fiscal posto ter sido elaborada em
desconformidade com o artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP,
com
dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.340
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para que se afaste a multa relativa aos levantamentos HON e
VOL por ocorrência de vício material.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - OCORRÊNCIA. Em relação aos levantamentos HON e VOL, tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, há que se falar em nulidade material da autuação fiscal posto ter sido elaborada em desconformidade com o artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 176 1 175 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14367.000216/200896 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240301.340 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente IGREJA PRESBITERIANA DE MANAUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO OCORRÊNCIA. Em relação aos levantamentos HON e VOL, tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, há que se falar em nulidade material da autuação fiscal posto ter sido elaborada em desconformidade com o artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se afaste a multa relativa aos levantamentos HON e VOL por ocorrência de vício material. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 177 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 168 a 172, interposto pela Recorrente – IGREJA PRESBITERIANA DE MANAUS contra Acórdão nº 0115.183 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 154 a 163, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.185.2730, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 119.214,55 reduzida para R$ 106.594,19. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.185.273 0, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os valores das contribuições previdenciárias referente às remunerações pagas a segurados contribuintes individuais prestadores de serviço, nas competências 01/2004 a 12/2004. Foram anexados ao Relatório Fiscal da Infração: Planilha demonstrativa da Multa Aplicada – fls. 08; Demonstrativo de diferenças não declaradas em GFIP, com a observação: Este Quadro demonstrativo envolve o total dè‘Contribuintes Individuais (Levantamentos: ADV, EVA, HON, PAS, SPF, VAR,VOL); Relatório de Lançamentos do AIOP nº 37.176.7130, que se refere ao processo principal, “parte da empresa”, no qual se visualiza as contas, rubricas contábeis, bem como o nome dos favorecidos, para acerto, caso seja de interesse da entidade autuada, com intuito de gozar dos benefícios do artigo 291 e parágrafos, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto No. 3048/99. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista no art. 32, §5° da Lei 8212/1991 e 284, inc. II, Decreto 3.048/99, com valor mínimo atualizado pela Portaria MPS/MF 77, de 11.03.2008, calculada de acordo com o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 15 a 19, no valor total de R$ 150.586,80. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Segundo se depreende do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 07, não ficaram caracterizadas nem circunstância agravante e nem circunstância atenuante. Foi emitido o TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 67 a 68, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0220100.2008.00597. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 30.10.2008, às fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o anexo do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 84 a 92 com Anexos às fls. 93 a 150, conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 156 a 157: 1 — Requer que a lide formada no presente auto de infração só seja julgada após o julgamento dos autos de infração DEBCAD 37.176.7121 e 37.176.7130, por serem os mesmos conexos com este; 2 A Igreja Presbiteriana de Manaus é pessoa jurídica de direito privado, do tipo "organização religiosa", segundo o artigo 44, inciso IV, do Código Civil, que foi acrescentado pela Lei n° n°10.825, 22/12/2003. Não é uma associação como diz o auto de infração na Introdução, item 1.1, do Relatório Fiscal; 3 — O auto de infração, ao esclarecer que considerou apenas alguns Pastores como ministros de confissão religiosa, evidencia que não compreendeu a estrutura religiosa da impugnante, pois não apenas os Pastores mas também os Evangelistas são ministros de confissão religiosa na estrutura eclesiástica da Igreja Presbiteriana de Manaus; 4 — Como organização religiosa que é e que tem por objetivo prestar cultos de adoração a Deus e pregar o evangelho de Jesus Cristo, a Igreja Presbiteriana de Manaus tem o direito de estabelecer livremente sua organização interna, pois nenhuma igreja, denominação religiosa ou grupo religioso tem obrigação de ter estrutura semelhante a de outra igreja (§1°, do art. 44, do Código Civil, acrescentado pela Lei n° 10.825, de 22/12/2003 c/c inciso VI, do art. 5°, da Constituição Federal); 5 — A estrutura eclesiástica dos trabalhos religiosos da Igreja Presbiteriana é composta pelo Pastor Titular, Pastores Auxiliares e Evangelistas. Todos têm responsabilidades de direção espiritual dos membros da Igreja e são considerados ministros de confissão religiosa ou de congregação; 6 — Os ministros Pastores geralmente possuem cursos superiores de teologia e são consagrados ao ministério pastoral; os ministros denominados Evangelistas possuem formação média de teologia ou experiência comprovada de liderança cristã, são agentes de transformação e têm como principal tarefa anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, em virtude de suas capacitações espirituais (dons) para fazer discípulos de Cristo. Os Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 178 5 Evangelistas são ordenados pela Igreja como líderes espirituais de parcelas dos membros, reunidos em Congregações, como faz prova com as atas de ordenações dos Evangelistas; 7 — Os levantamentos "PAS" e "EVA", que se referem a Evangelistas e Pastores, devem ser excluídos do presente crédito, posto que os Pastores e Evangelistas neles contidos são ministros de confissão religiosa, da mesma forma que o são os demais Pastores considerados como tal pela auditoria fiscal, ou seja, todos estão perfeitamente enquadrados como contribuintes individuais (art. 12, V, alínea "c", da Lei n° 8.212/91), na espécie de ministro de confissão religiosa; 8 — A Fiscalização não pode desprezar a organização interna da Igreja Presbiteriana para selecionar alguns pastores e Evangelistas como ministros (art. 12, V, alínea "c", c/c §13°, do artigo 22, ambos artigos da Lei n° 8.212/91) e enquadrar os demais Pastores e Evangelistas como contribuintes individuais autônomos ("nãoministros") (art. 12, alínea "g", da Lei n° 8.212/91), sob pena de tentar interferir em sua estrutura eclesiástica e na organização interna, o que é vedado pela Constituição Federal e pelo Código Civil; 9 — A fiscalização não levou em consideração a natureza dos ganhos financeiros dos Evangelistas e Pastores que figuram sob as rubricas "VA" e "PAS" no auto de infração. Eles não ganham honorários por serviço prestado, como se fossem autônomos. Eles ganham prebenda ou verba de representação (cita Wladimir Novaes Martinez). Prebenda significa rendimento de um canonicato ou renda eclesiástica. 10 — Não há qualquer contrato de prestação de serviço entre as pessoas físicas em comento e a Igreja Presbiteriana que justifique o seu enquadramento como autônomos ou empregados; 11 — Quanto aos levantamentos "HON" e "VOL", os mesmos também devem ser excluídos pois o valores lançados referemse a reembolso de gastos incorridos com transporte, alimentação e hospedagem de pessoas (fiéis da Igreja) que trabalharam voluntariamente e nada ganharam por este trabalho — no projeto social "PCA — Projeto Crianças do Amazonas", da Igreja Presbiteriana em convênio com a organização religiosa Visão Mundial, com o objetivo de prestar assistência social em comunidades ribeirinhas no interior do Estado do Amazonas e em outros projetos na cidade de Manaus ou no interior do Estado do Amazonas. Essas pessoas, voluntariamente, deram seu tempo e capacidade profissionais para ajudar essas comunidades, em complementação ao serviço prestado pelo Estado, que muitas vezes não existe nas vilas e vilarejos do Amazonas, ou, quando existe, funciona em condições precárias. 12 Solicita a exclusão da multa aplicada, considerando que não tem obrigação acessória de informar na GFIP, como contribuintes individuais/autônomos, seus Pastores e Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Evangelistas, posto que ministros de confissão religiosa, e tampouco as parcelas de reembolso de despesas dos voluntários que trabalham em seus projetos sociais, incluindo o PCA — Projeto Crianças do Amazonas. A Unidade julgadora de primeira instância analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 01 15.183 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 154 a 163, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AIOA DEBCAD 37.185.2730 (CFL 68) AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar Guias de, Recolhimento .do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações 'à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Deve ser reconhecida a procedência parcial da autuação quando constatado que parte dela se fundamenta em motivação fática não comprovada. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme rege o art. 2° da lei 9.784/99. É nula a parte da autuação que comprometa a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e que comprometa o exercício do direito de defesa do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 4° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE a presente autuação, nos termos do Relatório e Voto que integram este Julgado. Deste ato a Presidente desta Turma deixa de recorrer de ofício ao egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 366, inciso I e §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em razão Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 179 7 de o valor exonerado não ultrapassar o valor de alçada, de que trata o art. 1° da Portaria/MF n° 03, de 03/01/2008. Intimese para pagamento do crédito no prazo de 30 dias da ciência, com redução de 25%, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 305 do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores. Em relação aos Levantamentos constantes do processo principal AIOP nº 37.176.7130 e com reflexos no presente Auto de Infração – AIOA, a decisão de primeira instância informa que manteve neste presente AIOA a mesma decisão do processo principal: (i) excluiu os Levantamentos EVA e PAS por vício material devido à falta de motivação; (ii) manteve os Levantamentos ADV, SPF e VAR porque o contribuinte não impugnou estes Levantamentos que inclusive foram incluídos em parcelamento; (iii) manteve os Levantamentos HON e VOL. Segue trecho da decisão de primeira instância, em que anula por vício material os levantamentos EVA e PAS: Em se tratando de repartição do ônus da prova, entendo que caberia à autoridade fiscal trazer aos autos provas ou evidências que demonstrassem que os valores lançados pelo Fisco não se referem ao exercício do mister religioso, mesmo estando expresso este vocábulo (prebenda) nos registros contábeis. Se nada foi encontrado na auditoria neste sentido, não pode o Fisco lançar tais valores de forma a simplesmente transferir para o fiscalizado o ônus de uma prova que, neste caso, é seu — transferência indevida do ônus da prova. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme rege o art. 2° da lei 9.784/99. É nula, por vício material, a parte do lançamento fiscal que comprometa a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e que comprometa o exercício do direito de defesa do contribuinte. Isto posto, entendo pela improcedência dos lançamentos decorrentes do levantamentos "PAS" e "EVA", posto que imotivados, estando os mesmos em desacordo com o disposto no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Art. 9° A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (grifei) Disto isto, informo que, em 11/09/2009, foi exarado o Acórdão DRJ/Belém n° 0115.120, decorrente do julgamento do processo administrativo fiscal n° 14367.000219/200820 (AIOP DEBCAD 37.176.7130), julgando nulos, por vício material, os lançamentos decorrentes dos levantamentos "PAS" e "EVA", nos termos acima relatados, razão pela qual decido pela exclusão, no presente AI, dos mesmos lançamentos. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 168 a 172, onde alega em apertada síntese: (i) Voluntários de Projetos Sociais – HON e VOL Auto de Infração considerou devida a contribuição previdenciária dos valores pagos aos Voluntários do PCA — Projeto Crianças do Amazonas, sob o título de "HON", e outros Projetos Sociais, sob o título de "VOL". A autuação não procede porque o PCA é um projeto social da Igreja, em convênio com organização religiosa Visão Mundial, com o objetivo de prestar assistência social em comunidades ribeirinhas no interior do Estado do Amazonas, com utilização do Barco Hospital J.J. Mesquita, conforme Contrato .de Comodato juntado aos autos. O PCA assistia cerca de 1.700 crianças pobres, pelo sistema de apadrinhamento de crianças em situações de risco, levando assistência médica, odontológica, ambulatorial, treinamento para as famílias de geração de renda, do tipo agroecológico, para trabalhar a terra de modo sustentável, sem depreciar o meio ambiente. Esse projeto trabalhou a questão do saneamento básico, inclusive fazendo banheiros comunitários. Levou a alfabetização de adultos, treinamento de agentes de saúde comunitários. Ensinou a alimentação e cozinha alternativas, com aproveitamento de produtos anteriormente descartados (casca de ovos, casca de banana, mangará etc.). A Recorrente fez a juntada de algumas imagens para ilustrar os tipos de trabalho realizados (fotos anexadas aos autos). Os membros da Igreja que ajudaram na realização do PCA nada ganharam por seu trabalho voluntário, mas tiveram suas despesas de manutenção com alimentação e habitação reembolsados pela Igreja. Esses pagamentos é que foram desconsiderados pela fiscalização, sem atentar que são reembolsos de despesas de um trabalho voluntário, com um efeito social estupendo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 180 9 A fiscalização considerou que também seria devida contribuição dos pagamentos sob a rubrica "VOL", que significa Voluntários. Ora, essas pessoas, como o nome diz, são voluntárias de projetos sociais da Igreja, diferentes daquele realizado com o nome de Projeto PCA, mas a natureza da prestação dos serviços é de voluntários. Para realização desses projetos na cidade de Manaus ou no interior do Estado, de forma contínua, os fiéis contribuem voluntariamente com seus recursos financeiros para obras de assistência social. Além disso, alguns dos fiéis se dispõem a realizar as tarefas de ajuda às comunidades. Os voluntários que trabalham nos projetos sociais têm suas despesas de alimentação, transporte e habitação reembolsados pela Igreja. Portanto, os valores pagos são de reembolso de despesas no desempenho de seu trabalho voluntário. Não se caracterizam como pagamento por serviços prestados Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 175. É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 175. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO. (i) Voluntários de Projetos Sociais – HON e VOL Analisemos. Em primeiro lugar, a decisão de primeira instância informa que manteve neste presente AIOA a mesma decisão do processo principal: (i) excluiu os Levantamentos EVA e PAS por vício material devido à falta de motivação; (ii) manteve os Levantamentos ADV, SPF e VAR porque o contribuinte não impugnou estes Levantamentos que inclusive foram incluídos em parcelamento; (iii) manteve os Levantamentos HON e VOL. Desta forma, restam os reflexos neste recurso Voluntário dos Levantamentos HON, VOL, ADV, SPF e VAR. (i.1) Da não impugnação dos Levantamentos ADV, SPF e VAR. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 181 11 Em função da não impugnação pela Recorrente, serão mantidos tais levantamentos ADV, SPF e VAR com reflexos no cálculo da multa do presente AIOA nº 37.185.2730. (i.2) Dos levantamentos HON e VOL. Portanto, serão apreciados apenas os Levantamentos HON e VOL. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.185.273 0, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os valores das contribuições previdenciárias referente às remunerações pagas a segurados contribuintes individuais prestadores de serviço, nas competências 01/2004 a 12/2004. Foram anexados ao Relatório Fiscal da Infração: Planilha demonstrativa da Multa Aplicada – fls. 08; Demonstrativo de diferenças não declaradas em GFIP, apresentando os totais dos Levantamentos (ADV, EVA, HON, PAS, SPF, VAR, VOL) por competência; Relatório de Lançamentos do AIOP nº 37.176.7130, que se refere ao processo principal, “parte da empresa”. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista no art. 32, §5° da Lei 8212/1991 e 284, inc. II, Decreto 3.048/99, com valor mínimo atualizado pela Portaria MPS/MF 77, de 11.03.2008, calculada de acordo com o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 15 a 19, no valor total de R$ 150.586,80. A Recorrente em sua linha argumentativa em sede de Recurso Voluntário argumenta, em síntese, que os levantamentos HON e VOL não devem ser mantidos porque se referem a despesas de alimentação, transporte e habitação reembolsados pela Igreja. Ora, compulsando o Relatório Fiscal da Infração, bem como seus Anexos, as únicas referências que se tem dos Levantamentos HON e VOL: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 (1) uma simples linha de observação no Anexo Demonstrativo de diferenças não declaradas em GFIP, informando que: “Este Quadro demonstrativo envolve o total dè‘Contribuintes Individuais (Levantamentos: ADV, EVA, HON, PAS, SPF, VAR,VOL)” (2) o Relatório de Lançamentos do AIOP nº 37.176.7130, que se refere ao processo principal, “parte da empresa. Ressaltese que não foi juntado aos presentes autos qualquer prova documental que demonstre que os levantamentos HON e VOL se referem ao pagamento de serviços prestados por contribuintes individuais, posto que apenas aparece no Relatório de Lançamentos do AIOP nº 37.176.7130, Anexo do Relatório Fiscal da Infração, as referências a número de conta contábil e histórico. No mesmo diapasão, nos demais Anexos, Planilha demonstrativa da Multa Aplicada – fls. 08 e Demonstrativo de diferenças não declaradas em GFIP, não há elementos que fundamente a natureza jurídica dos Levantamentos HON e VOL. Desta forma, não há como se saber qual o critério utilizado pela Auditoria Fiscal para, por um lado, considerar os Levantamentos Hon e VOL como pagamento a contribuintes individuais e, por outro lado, desconsiderar o alegado pela Recorrente de que os Levantamentos HON e VOL se referem a reembolsos de despesas de alimentação, transporte e habitação. A autuação fiscal deveria ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000216/200896 Acórdão n.º 240301.340 S2C4T3 Fl. 182 13 §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ou seja, notase que o procedimento fiscal, em relação aos levantamentos HON e VOL, não atendeu aos preceitos do art. 293, Decreto 3.048/1999, havendo, pois, nulidade por vício material. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso para que se afaste a multa relativa aos levantamentos HON e VOL por ocorrência de vício material. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000226/2008-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO.
Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3802-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 02 26 /2 00 8- 72 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 21.863, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre – RS, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa, pleiteando o reconhecimento do crédito de COFINS nãocumulativo. No entanto após ação fiscal no processo em referência, o Delegado da Receita Federal glosou parte do crédito, sob o argumento de que os créditos apurados pela recorrente não estariam na legislação que rege a contribuição em comento. Dessa forma, foi reconhecido o crédito parcial da recorrente. Após o conhecimento da glosa parcial dos créditos mencionados, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a vedação ao aproveitamento de créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, assim como de despesas administrativas e comerciais que não se refiram diretamente à atividadefim do estabelecimento, veda o princípio da nãocumulatividade concebida na Constituição Federal através da Emenda Constitucional n° 42/2003 e viola, portanto, a disposição constitucional que regulamenta a matéria. Além disso, a Recorrente afirmou na sua Reclamação que as vedações de aproveitamento de crédito presentes nas Leis ordinárias que regulamentam as contribuições em questão são inválidas, ao passo que deveriam ser matéria de Lei Complementar, de acordo com o art. 146, III, “b”, da CRFB/88. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela improcedência da impugnação, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS e/ou PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000226/200872 Acórdão n.º 3802001.496 S3TE02 Fl. 6 3 Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que os gastos gerais de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual devem ser admitidos os créditos relativos aos mesmos. A recorrente argumentou, ainda, que as despesas com combustíveis são passíveis de reconhecimento de crédito, tendo em vista que foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a inconstitucionalidade das vedações presentes nas leis que regulamentam as contribuições em comento, tendo em vista que ferem o princípio da nãocumulatividade, bem como os limites aos créditos deveriam ser matéria de lei complementar; (b) os gastos de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal; e (c) as despesas com combustíveis foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa, e, por essa razão, tais despesas podem gerar crédito de COFINS. Compulsando os autos, verificase que os itens (b) e (c) não faziam parte dos argumentos de defesa presentes na Manifestação de Inconformidade. Tratase, portanto, de inovação de matéria defensiva na peça recursal no que diz respeito à conceituação dos gastos de fabricação como insumos e possibilidade de os gastos com combustíveis gerarem crédito de COFINS. Por essa razão, tais argumentos não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do Dec. 70.235/72, que diz em seu artigo 16, inc. III, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Além disso, o art. 17 do mesmo diploma arremata a impossibilidade de trazer matérias em instância superior que não tenham sido objeto da impugnação: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Frisese que não consta nos autos qualquer demonstração de que parte dos insumos adquiridos pela Recorrente venha a ser combustível, ou mesmo que se refira à atividade da empresa. Há apenas valores totalizados, que não permitem nem mesmo averiguar se se trata mesmo, e em que medida, de combustíveis ou outros insumos. No mais, a Recorrente argumenta que as vedações à concessão de crédito de PIS pelas despesas sob exame são inconstitucionais, pois são disciplinadas por leis ordinárias, enquanto há reserva de lei complementar, segundo o art. 146, inc. III, alínea “b”, da CRFB/88, e que elas ferem o princípio da nãocumulatividade à luz da EC 42/2003. No entanto, a esfera administrativa é incompetente para analisar a inconstitucionalidade de leis, pois esta é função jurisdicional que pode ser efetuada de maneira difusa ou concentrada. De maneira difusa, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros de um Tribunal (organismo do Poder Judiciário) ou do seu órgão especial, a Lei será declarada inconstitucional, conforme o art. 97 da CRFB/88. De forma concentrada, a competência para apreciar e julgar a inconstitucionalidade da Lei através da propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 102, inc. I, “a” da Constituição Federal. Sendo assim, verificase a impossibilidade de conceder o crédito de PIS pelas despesas da Recorrente, pois, para isso, deverseia declarar inconstitucional a Lei que disciplina a contribuição, o que extrapola a competência da esfera administrativa. Nessa toada, o art. 62 da Portaria MF 256/09, Regimento Interno do CARF, veda expressamente que os seus conselheiros afastem a aplicabilidade de lei em função de inconstitucionalidade arguida pelo Recorrente, senão vejamos in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Diante de todos os argumentos aqui expostos, tenho que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela inovação de matéria de defesa em sede recursal e pela impossibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de Lei em esfera administrativa. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000226/200872 Acórdão n.º 3802001.496 S3TE02 Fl. 7 5 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001921/96-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.063
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2" Câmara/1". Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. CELO GUERRA DE CASTRO Presidente >2TON L BARTOLI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10845.001921/96-18 s3-c2r1 Resolução n." 3201-00063 Fl. 226 Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 01/02), acompanhado do Demonstrativo de Apuração (fls. 03/07), lavrado em 19/06/1996, através do qual se imputa ao contribuinte a cobrança da contribuição ao Finsocial, em razão da falta de recolhimento, referente ao período de jan./90 a mar./92. Consta no bojo da autuação que a exigibilidade do lançamento está suspensa devido à existência de depósitos judiciais, vinculados à Ação Ordinária n° 89.0205714-3 da 3" Vara da Justiça Federal de Santos/SP. Fundamenta-se a autuação no art. 1", § 1°, do Decreto-Lei IV 1.940/82; arts. 16, 80 e 83, do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto n° 92.698/86; e art. 28 da Lei n" 7.738/89. Instrui o Al os seguintes documentos: 1. Termo de Início de Ação Fiscal (Il. 12); 2. DIRPJ exercícios 1992 e 1993 (fls. 13/19 e 20/21, respectivamente); 3. Depósitos efetuados junta a Caixa Econômica Federal (fls. 22/30); 4. Certidão de objeto e pé da Ação Ordinária n°89.0205714-3 (fl. 31); e 5. Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fl. 32). Cientificado do AI, o contribuinte apresenta sua impugnação às fls. 34/42, onde aduz, em suma, que: ajuizou, em 15/06/1989, a Ação Ordinária n°89.0205714-3, perante a 3" Vara da Justiça Federal de Santos/SP, compreendendo o período autuado, na qual se discute a constitucionalidade do Finsocial, bem como se busca o impedimento da prática de quaisquer medidas punitivas e/ou coativas, enquanto a ação estiver em trâmite; em 06.07.1989 ingressou, junto à DRF de Santos/SP, com o Processo Administrativo n" 10845.003950/89-68, o qual é vinculado à procedência da ação judicial acima referida, com a exclusiva finalidade de depositar administrativamente o valor do tributo, mês a mês, obstando, assim, eventual autuação; o período objeto do AI encontra-se garantido, conforme depósitos administrativos em anexos (fls. 54/68); g52 2 j? Processo n° 10845.001921/96- I 8 s3-c2ri 12cso1uçào n." 3201-00063 Fl. 227 iv. não pode ser autuado, vez que a ação judicial encontra-se sub judice, e isto afrontaria o princípio constitucional da jurisdição; v. cotejando os arts. 5, XXXV, CF e 151, CNT, conclui-se que quando • houver discussão judicial sobre a legalidade e constitucionalidade de um tributo, e ainda, quando existir depósito mensal do valor questionado do tributo, o crédito tributário será suspenso; vi. a autuação viola a tutela jurisdicional, que consiste no princípio constitucional da segurança jurídica; vii. compete ao poder judiciário dizer se a DRF pode ou não proceder a autuação, vez que tal questão está no pleito judicial; viii. o "Ato de Autuar", que está sub judice, não se confunde e nem impede o "Ato de Fiscalizar"; ix. em obediência ao Princípio da Jurisdição e ao da Segurança Jurídica, não pode ser autuada, pois está suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em função dos depósitos administrativos mensais referentes à exação fiscal; x. é totalmente improcedente a cobrança de multa de mora sobre o Finsocial, do período de 01/91 a 03/92, vez que ajuizou ação judicial que abrange o período autuado, bem como ingressou com o Processo Administrativo já citado, tendo efetuado mensalmente depósitos administrativos relativos ao tributo em questão, razão pela qual é suspensa a exigibilidade do crédito tributário; xi. a autuação é nula uma vez que não se sabe a origem dos percentuais empregados a título de multa de mora, no período de 01/91 a 03/92; xii. o Al foi lavrado em desobediência ao inc. IV, do art. 10, do Decreto Federal n° 70.235/72, posto que não trouxe em seu bojo a penalidade aplicável no que se tange à multa moratória; xiii. a não capitulação da multa aplicada acarreta no cerceamento ao direito de defesa; Processo n" 10845.001921/96-18 53-C2T1 1Resoluçào ft' 3201-00063 Fl. 228 XiV. o Al também é nulo porque deveria refletir a obtenção de dívida líquida e certa nos termos do CPC e não refletir suposta divida imprecisa, tal corno ocorre com o índice monetário utilizado nos supostos débitos de 01/91 a 03/92 (UFIR), posto que não há corno saber com clareza qual o valor cobrado pela Autoridade Administrativa neste período, ficando sujeito a exigencia de valor abusivo; XV. a Autuante ao adotar a UFIR como índice monetário de atualização 'I dos supostos débitos, apenas evidenciou um montante determinável dos supostos débitos, e não uma quantia determinada, corno exige o art. 586 do CPC; xvi. conforme se depreende do AI, os pretensos débitos foram corrigidos monetariamente pela TR/TRD que atualiza a UFIR; xvii. a TR/TRD tem a função de remunerar o capital, assim, não pode servir de parâmetro para atualização de débitos, sob pena de aviltamento ao princípio do ato jurídico perfeito; xviii. o Al é nulo, por exigir supostos débitos a maior, já que atualizados monetariamente pela TR-UFIR, o que os tomam ilíquidos, incertos e inexigíveis. Para corroborar o alegado transcreve lições doutrinárias, bem como cita jurisprudência do TRF da 3" Região e do STF. Diante do exposto, requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração, a fim que seja declarada sua nulidade. Anexa os documentos de fls. 43/99, dentre os quais: Petição inicial da Ação Ordinária n° 89.0205714-3 (fls. 43/50); Petição protocolizada junto à Receita Federal em Santos informando sobre o depósito administrativo (fls. 51/53); Depósitos administrativos efetuados na Caixa Econômica Federal (fls. 54/68); Cópia de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do Finsocial (fls. 70/87); Procuração (fl. 92); e Alteração Contratual (fls.93/99). Os autos foram encaminhados para o Grupo Intersistêmico de Medidas Judiciais da Delegacia da Receita Federal em Santos (fl. 103), o qual informa que a empresa em tela não se encontra domiciliada na cidade de Santos, e sim na cidade de São Paulo. Às fls. 104 a 125 foram anexados alguns documentos, quais sejam: Andamento processual da Ação Ordinária n" 89.02057143 (fls. 104/106); Acórdãos do TRF da 3" ReArgi -• 1, Processo n° 10845.001921/96-18 S3-C2T1 Resolução n." 3201-00063 Fl. 229 da Apelação n° 93.03.093539-0 e dos Embargos Declaratórios desta Apelação (fls. 107/125); e Andamento processual do processo n° 93.03.093539-0 (fls. 149/150). A Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e do Crédito Tributário Sub Judice (fl. 154), através da pesquisa realizada às fls. 126/141, confirmou os depósitos administrativos de fls. 22/30, informando que apenas o depósito de fl. 28 já foi convertido em renda da União, e que os demais estão à disposição da SRF na Caixa Econômica Federal, cuja conversão deverá ser solicitada junto à CEF, podendo concomitantemente proceder à cobrança das diferenças dos depósitos, após o retomo da DRJ. Informa, ainda, que pela consulta ao SICALC (fl. 146), constatou que os depósitos são insuficientes nos períodos de 05, 07, 09, 10, 11 e 12 de 1991, assim como de 02 e 03 de 1992. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I, que julgou pela procedência em parte do lançamento (fls. 155/164), nos termos da seguinte ementa (fl. 155): "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/01/1991 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL — CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Ações judiciais com depósitos do montante questionado, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário alusivo à contribuição, não impedem a lavratura do auto de infração para prevenir a decadência. Multa de oficio Descabe a aplicação de multa de oficio quando houver depósito integral em juízo do montante do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte" Ciente da decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresenta tempestivo (Termo de Ciência — fl. 182) Recurso Voluntário às fls. 184/188, no qual reitera os argumentos já explanados em sua Impugnação, bem como, em resumo, acrescenta o que segue: i. o período de janeiro a maio de 1991, estão decaídos por força do art. 150, § 4", do CTN; a Fazenda Nacional informa que somente um depósito efetuado nos autos do processo judicial foi convertido em renda em favor da União, • o' Processo n" I 0845.00 I 921/96-18 53-C2TI Resolução n." 3201-00063 Fl. 230 os demais "estão à disposição da SRF na Caixa Econômica Federal, cuja conversão, de competência do Sr. Delegado, deverá ser solicitada junto à CEF"; o próprio acórdão ora combatido reconhece a suficiência dos depósitos efetuados; os valores lançados no AI são superiores aos depositados em juízo, todavia, quando cotejados os valores depositados e os determinados pelo Poder Judiciário, torna-se inarredável admitir a suficiência dos depósitos, com o conseqüente afastamento da multa de oficio; v. uma vez havendo decisão judicial e depósitos suficientes à satisfação dos créditos da União, ante a conversão destes mesmos depósitos em renda, torna-se descabida a intimação para pagamento do tributo; vi. se considerada devida a multa de oficio, deve haver a chamada de retroatividade iii melius a favor do contribuinte, posto que hoje a penalidade vigente é menos onerosa, sendo 75%. Para corroborar o alegado, o contribuinte anexa os seguintes documentos: DARF (fls. 170 e 183-v); Alteração Contratual (fls. 171/178); Procurações (fls. 179 e 189); Substabeleciinento (fl. 180); e Cédula de Identidade da procuradora (fl. 181). Diante do acima exposto, requer que seja decretada a improcedência do lançamento em relação aos meses de competência de janeiro a maio de 1991. Outrossim, hão de ser exonerados os valores lançados que excederam o percentual de 0,5%, conforme decisão judicial. Por fim, tais valores são suficientes para satisfação dos tributos devidos nos meses de competência de junho de 1991 a março de 1992, bastando para satisfação do direito do Fisco a mera conversão em renda dos depósitos efetuados, logo, terão que ser afastada quaisquer penalidades por ventura exigidas. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, em 10.12.2008, em único volume, constando numeração até às fls. 224, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°314, de 25/08/99. É o relatório. Ai 6 4110 Processo n° 10845.001921/96-18 S3-C2T1 Resolução n." 3201-00063 FT 231 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLL Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. O crédito tributário, em comento, originou-se de Auto de Infração (fls. 01/07), com exigibilidade em virtude dos depósitos judiciais vinculados a Ação Ordinária n" 89.0205714-3, em trâmite perante a 3' Vara da Justiça Federal de Santos/SP, objetivando a cobrança das contribuições para o FIN SOCIAL, referentes aos fatos geradores de janeiro de 1991 a março de 1992 Feita esta breve síntese, passo a análise do caso em tela. Entretanto, saliento que o conjunto probatório não permite apreciar o mérito dos autos em comento. Explico: Observa-se dos autos que o contribuinte promoveu o depósito administrativo, junto à Delegacia da Receita Federal em Santos, dos valores referentes às parcelas do Finsocial, os quais estavam sendo discutidos judicialmente na Ação Ordinária n° 29.0205714- 3, que transitou em julgado em 01.09.1998 (extrato processual - fl. 149). A informação acima é fornecida pelo Recorrente na própria inicial da referida Ação Ordinária, especificamente às fls. 45 e se confirma através das guias de "depósito à disposição da Secretaria da Receita Federal", anexadas às fls. 22/30. Entretanto, observo que nos depósitos efetuados às fls. 22/30 consta o processo de n° 10845.001921/96-18, diverso, portanto, do processo em comento. Posteriormente, na manifestação da "Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e do Crédito Tributário Sub Adice" - ti. 154, resta confirmado os depósitos administrativos de fls. 22/30 contudo, há informação de Que apenas o depósito de fl. 28 foi convertido em renda da União; e que "os demais estão à disposição da SRF na Caixa Econômica Federal, cuja conversão, de competência do Sr. Delegado, deverá ser solicitada junto à CEF, Concomitantemente proceder à cobrança das diferenças dos depósitos, após o retorno da DRJ". E ainda informa que os depósitos realizados pelo contribuinte foram insuficientes nos períodos de 05, 07, 09, 10, 11 e 12/91, bem como nbs períodos de 02 e 03/92. A r. decisão ora recorrida exonerou o Recorrente da multa de oficio aplicada no Auto de Infração e manteve o valor de Finsocial lançado à aliquota de 0,5%, nos termos da decisão judicial. Às fls. 161 da referida decisão constam uma planilha demonstrativa dos valores lançados no Auto de Infração, dos valores áutorizados pela Justiça e dos valores depositados pelo contribuinte. Processo o' 10845.001921/96-18 53-C2"F 1 Resolução o." 3201-00063 Fl. 232 Realizado o cotejo entre a mencionada planilha e as informações, constantes às fls. 154, da "Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e do Crédito Tributário Sub Judice" (anteriormente citada), constato que, ao contrário do que esta afirma, os Períodos de Apuração de 07, 08, 10 e 12/91 foram depositados em valor aquém do lançado no Auto de Infração. Consigne-se, ainda, que o saldo total depositado administrativamente pelo contribuinte é superior ao valor exigido no Auto de Infração, conforme se verifica da citada planilha, que, como já dito, foi elaborada pela própria DRJ (vide fl. 161). Após o julgamento proferido pela DRJ em São Paulo 1, o contribuinte foi 1 intimado pela carta de tl. 168 a recolher os valores discriminados às fls. 169, que correspondem ao período de apuração de 01 a 10/1991 e 01 a 03/1992. Entretanto, destaco que após o julgamento da DRJ, não se vislumbra dos autos qualquer providência quanto aos valores depositados administrativamente pelo Recorrente, não se tendo qualquer notícia sobre o que aconteceu com as quantias ali depositadas. Ainda em análise dos autos constato que às fls. 224, há informação de que os débitos período de apuração compreendidos entre 06/1991 a 03/1992 foram transferidos para o processo n° 16151.000112/2008-32, o que poderia caracterizar duplicidade de cobrança. Diante do exposto e em observância ao princípio da verdade material, na busca de um julgamento justo e adequado, entendo por necessária a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que sejam esclarecidos os seguintes pontos: 1) A que título foram realizados os depósitos constantes às fls. 22/30? E por que constam nestes depósitos número de processo divergente destes autos? 2) Por que somente um depósito foi convertido em renda da União? 3) O que aconteceu com os depósitos que não foram convertidos em renda? 4) Do que precisamente se trata o processo n° 16151.000112/2008-32? 5) E por quais razões foram os débitos referentes ao período de 06/1991 a 03/1922 foram transferidos para o processo ri° 16151.000112/2008-32? 6) Por que a planilha elaborada pela DRJ às fls. 161 não condiz com a informação prestada pela DERAT/SPO/SP de fl. 154? 41C°1 8 hl, Processo n° 10845.001921/96-18 S3-C2T1 esoluçào n." 3201-00063 Fl. 233 Esclarecidas as divergências acima postas, o contribuinte deverá ser intimado para que, se assim entender, se manifeste sobre a planilha elaborada pela fiscalização, bem como apresente planilha demonstrando seus cálculos. Cumprida a diligência, tornem os autos a julgamento. Sala das Sessões, em 18 de nho de 2009. BAJOIL - Relator a7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 12457.011255/2007-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2006, 2007
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que deve ser convertida na multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria, caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DE ALIMENTOS RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO: LEANDRO DUARTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2006, 2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que deve ser convertida na multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria, caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 01 12 55 /2 00 7- 01 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Por retratar os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do acórdão de primeira instância: “(...) Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de ...omissis... referente a multa prevista no § 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Do Relatório de Ação Fiscal, que integra o auto de infração (fls. 16 a 47), se extrai que a empresa Agroworld Comercial Import Export de Alimentos Ltda, doravante denominada Agroworld, teve sua habilitação no Siscomex objeto de revisão por incompatibilidade entre os valores transacionados no comércio exterior e sua capacidade econômica e financeira, resultando em dúvidas quanto à origem dos recursos aplicados em tais operações. Conforme a Instrução Normativa nº 650/2006, em seu artigo 21, parágrafo 3°, o procedimento de revisão foi encerrado com vista à instauração de Procedimento Especial de Fiscalização da Instrução Normativa SRF n° 228/2002. Foram verificados dos livros contábeis e fiscais e dos extratos e comprovantes de depósitos bancários e demais documentos apresentados, que as importações declaradas como sendo por conta própria eram, em verdade, importações realizadas com recursos de terceiros, os quais permaneceram ocultos na transação comercial. As razões que levaram a fiscalização a essa conclusão foram as seguintes: Em tese, o volume importado excede em muito a capacidade operacional da empresa. Isto porque há incompatibilidade entre o Capital Social integralizado da empresa e o valor transacionado no comércio exterior, o que demonstra a falta de capacidade econômica da autuada. Deste modo, evidenciase o clássico indicio de ocultação do sujeito passivo ou dos reais responsáveis pelas operações de comércio exterior. Em diligência fiscal realizada no estabelecimento do importador, e pelo teor da declaração por escrito prestada pelos sócios de direito em atendimento as intimações lavradas ficou demonstrado que a interessada somente importava quando demandada por seus clientes, entregando a mercadoria diretamente no endereço solicitado, sem sequer transitar em estoque. A Agroworld atua, tão somente, como prestadora de serviços de importação, visto que realiza a importação por conta e ordem do interessado, com recursos provenientes dos mesmos. A interessada vem, reiteradamente, desde a primeira importação realizada em 03/03/2006, liquidando suas pendências cambiais com recursos depositados por terceiros que não figuram em sua contabilidade. A interessada não entregou o Livro Registro de Inventário, cuja escrituração é obrigatória. Não houve resposta por parte da fiscalizada, mediante documentação hábil e idônea, para comprovação da origem dos recursos que foram efetivamente recebidos via depósitos/créditos em contas correntes bancárias e que necessariamente foram utilizados na liquidação dos contratos de câmbio vinculados as transações de comércio exterior realizadas. Com base nas procurações públicas outorgadas pela interessada para um terceiro alheio ao quadro societário conferindo amplos, gerais e ilimitados poderes para este movimentar contas bancárias e gerenciar de fato a autuada, e nos demais Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12457.011255/200701 Acórdão n.º 3403002.324 S3C4T3 Fl. 5 3 documentos comerciais encontrados na sede da interessada que atestam a efetiva atuação deste terceiro, restou exaustivamente delineado que, em tese, o gerente de fato da empresa tende a ser uma terceira pessoa, o Sr. Leandro Duarte. Este terceiro não figura no quadro societário da interessada nem como empregado da mesma. A interessada não contabiliza corretamente as vendas de mercadorias a prazo, ou seja, contabilizou todas as vendas como se tivessem sido recebidas à vista e em dinheiro via débito na conta Caixa. Registrar vendas a prazo como se tivessem sido efetuadas vista é um artifício comumente utilizado para encobrir eventual saldo credor de caixa que pode evidenciar, entre outras irregularidades, a utilização de recursos de terceiros para cumprir obrigações próprias. A fiscalizada recebia comissão por cada operação realizada no comércio exterior. Ou seja, a empresa Agroworld atuou no comércio exterior por conta (com recursos) e ordem (a pedido) de terceiros, ocultando do Fisco os reais adquirentes das mercadorias. Algumas supostas adquirentes declararam, em resposta a intimações realizadas pela fiscalização, que desconhecem a autuada Agroworld e que nunca realizaram transações comerciais com a referida empresa. Com base em documentos encontrados na sede da empresa, nos quais constavam os "valores pagos por fora" em cada operação realizada (fls. 113 a 115), verificouse que a fiscalizada praticava o subfaturamento de suas importações com o evidente intuito de pagar menos tributos por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias. A fiscalização apenas conseguiu comprovar o subfaturamento nos oito primeiros despachos realizados pela empresa, referente ao carregamento de alho, representando 20,78% do real valor das mercadorias. Os Srs. Celso Pinnow e Leandro Duarte (este último citado neste processo), despachantes aduaneiros, representantes legais da empresa perante o Siscomex, tinham conhecimento das irregularidades praticadas pela fiscalizada e, ainda assim, prestavam dolosamente informação falsa mediante uso de documento falso nas atividades relacionadas com o despacho aduaneiro. Diante das irregularidades descritas, foram lavrados autos de infração aplicando a pena de perdimento às mercadorias importadas e aplicando a sanção de cassação do registro dos despachantes aduaneiros Leandro Duarte e Celso Pinow e representação fiscal propondo inaptidão do CNPJ da fiscalizada. A pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro pois as mercadorias objeto da pena de perdimento foram entregues a consumo. No presente processo, foi incluído no pólo passivo da autuação o Sr. Leandro Duarte, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 13 a 15). A inclusão decorre do fato de terem sido encontrados documentos que demonstram que o interessado (sócio da empresa ABRAPAR, despachante que atuava em nome da autuada) a despeito de ter ciência dos valores "pago Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 por fora", registrava as declarações de importação com valor inferior ao praticado e, ainda, em virtude de haver procuração pública em que a autuada concede poderes amplos e gerais para gerir e administrar a empresa. Assim entendeu a fiscalização que restou caracterizado o interesse comum na situação, e que o interessado concorreu para a prática da infração. Intimada, a interessada AGROWORLD COMERCIAL IMPORT. EXPORT. DE ALIMENTOS LTDA. apresentou impugnação de folhas 103 a 113, anexando os documentos de folhas 114 a 132. Em síntese, traz as seguintes alegações: que é empresa com capital social condizente com suas atividades comerciais, sendo tal valor constituído em valores devidamente integralizados pelos sócios proprietários. que uma empresa não necessariamente precisa adquirir produtos e mantêlos em estoque até que encontre um comprador. Para a realização das operações de comércio exterior, utilizava o capital de giro próprio, sendo que quando o produto era desembaraçado na Estação Aduaneira Interior, a carga já estava vendida, seguindo então para o endereço do comprador. Em situações excepcionais, quando não se concretizavam as negociações, alugava espaço de terceiros para armazenar os produtos. não vislumbra qualquer indicio de fraude o fato de ter obtido um crédito junto ao exportador, pela tradição no mercado comprovado pelo representante comercial da empresa exportadora em solo brasileiro. é necessária a existência de provas para aplicar a pena de perdimento com fundamento na interposição fraudulenta de terceiros, e não meras ilações como apresentadas pelos auditores fiscais. Não se constituem provas suficientes para embasar a decretação da pena de perdimento nem indicio de interposição fraudulenta de terceiros o simples fato de ter nomeado seu despachante aduaneiro como procurador para fechamento de câmbio. Também não basta para a comprovação do instituto da interposição fraudulenta de terceiros a mera alegação de que os recursos utilizados para a concretização da negociação internacional não sejam da importadora, mister a comprovação da origem dos valores por parte da autoridade administrativa. Requer a procedência da impugnação e concessão de prazo para juntada do instrumento procuratório. Intimado, o responsável solidário Sr. Leandro Duarte apresentou impugnação de folhas 65 a 82, anexando documentos de folhas 83 a 102. Em síntese, alega que: não ocorre de fato a alegada solidariedade apontada pela fiscalização. Os elementos apresentados no Termo de sujeição passiva solidária são frágeis. Traz jurisprudência administrativa. que não há qualquer indício de interesse na empresa Agroworld. Somente atuava como mero despachante aduaneiro, realizando, no máximo, fechamento de câmbio, inerente da mesma forma a profissão que exercem. que é empresa com capital social condizente com suas atividades comerciais, sendo tal valor constituído em valores devidamente integralizados pelos sócios proprietários. que uma empresa não necessariamente precisa adquirir produtos e mantêlos em estoque até que encontre um comprador. Para a realização das operações de comércio exterior, utilizava o capital de giro próprio, sendo que quando o produto era desembaraçado na Estação Aduaneira Interior, a carga já estava vendida, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12457.011255/200701 Acórdão n.º 3403002.324 S3C4T3 Fl. 6 5 seguindo então para o endereço do comprador. Em situações excepcionais, quando não se concretizavam as negociações, alugava espaço de terceiros para armazenar os produtos. não vislumbra qualquer indicio de fraude o fato de ter obtido um crédito junto ao exportador, pela tradição no mercado comprovado pelo representante comercial da empresa exportadora em solo brasileiro. é necessária a existência de provas para aplicar a pena de perdimento com fundamento na interposição fraudulenta de terceiros, e não meras ilações como apresentadas pelos auditores fiscais. Não se constituem provas suficientes para embasar a decretação da pena de perdimento nem indicio de interposição fraudulenta de terceiros o simples fato de ter nomeado seu despachante aduaneiro como procurador para fechamento de câmbio. Também não basta para a comprovação do instituto da interposição fraudulenta de terceiros a mera alegação de que os recursos utilizados para a concretização da negociação internacional não sejam da importadora, mister a comprovação da origem dos valores por parte da autoridade administrativa. Requer a procedência da impugnação e, caso não seja este o entendimento dos julgadores, requer seja excluído da responsabilidade solidária atribuída através do termo de sujeição passiva solidária. Os interessados trazem ainda aos autos julgados do Tribunal Regional Federal da 4a Região relativos à aplicação da pena de perdimento com fundamento na suposta existência de interposição fraudulenta. É o relatório. (...)” A 1ª Turma da DRJFlorianópolis julgou improcedentes as impugnações. Quanto à impugnação da pessoa jurídica, foi rejeitada a alegação de que o capital de giro era proveniente de adiantamentos de clientes, pois a fiscalização comprovou que os depósitos nas contas da recorrente foram feitos pelos reais adquirentes dos produtos. Quanto à impugnação do responsável solidário, Sr. Leandro Duarte, foi decidido que a documentação juntada aos autos comprova que ele era o gerente de fato da autuada e que suas atividades iam muito além das de mero despachante aduaneiro. A pessoa jurídica foi regularmente notificada do acórdão de primeira instância em 07/12/2011(fl. 194) e não apresentou recurso voluntário. O responsável solidário, Sr. Leandro Duarte, foi notificado do acórdão da DRJ em 09/12/2011 (fl. 195) e apresentou recurso em 20/12/2011, alegando, em síntese, que o art. 128 do CTN não permite a responsabilização de qualquer terceiro. Para que o terceiro possa ser eleito responsável tributário, é preciso que tenha condições de arcar com o tributo sem onerar o próprio bolso. No caso concreto, a responsabilidade do recorrente está totalmente afastada, pois somente exercia a função de despachante aduaneiro, com poderes limitados ao fechamento de contratos de câmbio e nada mais. Acrescentou que não pertence ao quadro societário da autuada, que a autuada tem personalidade jurídica própria, que o fisco não provou ter exigido da empresa o pagamento do tributo e que essa se omitiu de efetuar o pagamento e também não provou que houve ação ou omissão de sócio quanto ao fato gerador da obrigação tributária. Quanto ao mérito da autuação reprisou e reforçou os argumentos expendidos na impugnação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Embora os argumentos relativos à responsabilidade tributária tenham sido deduzidos no recurso antes dos argumentos direcionados ao ataque do auto de infração, por uma questão de lógica a análise do recurso deve começar pelo ataque ao auto de infração. Conforme relatado, foi infligida à pessoa jurídica a multa regulamentar equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, com base na presunção legal não elidida de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior. O art. 23, § 2º do Decreto nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, estabelece que se presume a ocorrência de interposição fraudulenta na operação de comércio exterior quando não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Segundo a narrativa fiscal, o exame da documentação fiscal e contábil da empresa em cotejo com os registros de suas operações no Siscomex revelaram a existência de operações de comércio exterior em valores três vezes superiores à sua capacidade financeira, além da prática de subfaturamento das operações e importação. Intimada a apresentar por escrito a identificação das pessoas físicas e jurídicas que efetuaram depósitos nas contascorrentes da fiscalizada com o objetivo de fornecer o numerário necessário para a liquidação dos contratos de câmbio, a recorrente não atendeu à intimação (fls. 40/41). Assim, restou configurada a presunção relativa de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior. A teor do art. 23, V, § 1º, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, a interposição fraudulenta de terceiro é uma das irregularidades que constituem dano ao erário, punível com o perdimento das mercadorias importadas irregularmente. Considerando que no caso concreto as mercadorias já haviam sido entregues a consumo, foi corretamente aplicada a pena substitutiva prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias entregues a consumo. O principal argumento de defesa foi no sentido de que os valores depositados por terceiros eram na verdade adiantamento de clientes. Entretanto, o argumento não prospera, pois os supostos “clientes” responderam às intimações da fiscalização declarando que nunca tiveram relações comerciais com a recorrente. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12457.011255/200701 Acórdão n.º 3403002.324 S3C4T3 Fl. 7 7 Com efeito, o “cliente” Manancial Comércio de Temperos Ltda – ME declarou à fl. 152 que “desconhecemos a empresa AGROWORLD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE ALIMENTOS, CNPJ nº 07.480.367/000107; não conhecemos qualquer representante desta empresa, nem nunca mantivemos contato por telefone. Se constar alguma emissão de Notas Fiscais para nossa empresa tratarseá provavelmente do uso indevido de nossos dados cadastrais, por parte de alguém que não temos ciência”. O “cliente” Francisca Mônica Cândido de Vasconcelos, declarou na fl. 155 que “não realizei nenhuma relação comercial com a empresa AGROWORLD COMERCIAL IMPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ nº 07.480.367/000107, não só neste período como nunca efetuei compras nesta empresa, com efeito não há notas fiscais, livros escriturados com compra de mercadorias e documento que comprovem o pagamento de tais compras. (...)”. E o “cliente” Deilanea Ramos de Sá declarou à fl. 159 que “Nunca entrei em contato com essa empresa”. Portanto, permanecem não identificadas as pessoas físicas ou jurídicas que efetuaram depósitos nas contas bancárias da autuada com vistas às liquidações dos contratos de câmbio, restando plenamente caracterizada a presunção legal de interposição fraudulenta nas operações de importação. Relativamente à responsabilidade solidária, o Sr Leandro Duarte pretendeu esquivarse da imputação sob o argumento de que exercia as funções de mero despachante aduaneiro. Não é o que demonstram os documentos acostados pela fiscalização. O Sr. Leandro Duarte tinha poderes para administrar a pessoa jurídica e efetivamente praticou atos de gestão. Com efeito, na procuração por instrumento público de fls. 52 a 54 a pessoa jurídica AGROWORLD COMERCIAL IMPORTADORA E EXORTADORA DE ALIMENTOS LTDA, conferiu poderes ao Sr. Leandro Duarte que vão muito além das atribuições de um despachante aduaneiro. Tais poderes consistiam em: 1) Amplos, gerais e ilimitados poderes, para gerir e administrar a firma outorgante, podendo para tanto o mencionado procurador representála perante quaisquer estabelecimentos bancários e instituições financeiras, podendo junto aos mesmos abrir, movimentar e encerrar contas correntes, emitir, aceitar, endossar e descontar cheques, fazer depósitos e retiradas, contrair empréstimos, autorizar passes e remessas, requisitar talões de cheques, passar recibos, dar quitação, solicitar e obter saldos, assinar contratos de fechamento de câmbio, termos de responsabilidade ou compromisso, emitir e aceitar duplicatas, descontar, caucionar e entregar para cobrança bancária duplicatas e letras de câmbio; 2) Assinar toda correspondência da outorgante, inclusive a dirigida aos bancos, dando instruções sobre títulos, autorizando abatimentos, descontos, prorrogações de vencimentos, entregas, francas de pagamentos, protestos, cobrar e receber quaisquer quantias devidas à outorgante por qualquer título ou origem, passando os recibos e dando quitações; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 3) Admitir e demitir empregados, fixandolhes os respectivos salários e atribuições, assinando as respectivas carteiras de trabalho, cartas de aviso prévio e demais documentos, assinar guias para movimentação de conta vinculada do FGTS; 4) Representar a outorgante perante as repartições públicas federais, estaduais e municipais, podendo requerer parcelamento de débitos de tributos, comparecer em audiência, elaborar propostas para participação da outorgante em licitações, constituir advogados. Valendose dos poderes que lhe foram conferidos, foram praticados pelo Sr. Leandro Duarte atos de gestão da pessoa jurídica, como por exemplo: a) a prestação contas da Agroword à Abrapar Despachos Aduaneiros Ltda, reconhecendo despesas com despachos aduaneiros, inclusive os “valores pagos por fora” em decorrência da prática de subfaturamento das exportações, conforme fls. 55 a 61; e 2) saques de dinheiro em espécie na contacorrente 89.1207 mantida pela Agroworld no BRADESCO (fl. 138). Desse modo, é inconteste a prova de que o Sr. Leandro Duarte exerceu seus poderes de administrador da pessoa jurídica, enquadrandose na hipótese legal do art. 124, I, parágrafo único, do CTN, combinado com os arts. 94, § 2º e 95, ambos do DecretoLei nº 37/77. Tratandose de responsabilidade solidária, não há que se cogitar da necessidade de o fisco primeiro exaurir a possibilidade de cobrança da empresa para só então cobrar do responsável tributário. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16327.002245/00-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 1997, 1998
Embargos de Declaração - Omissão e Contradição - Inexistência. O Recurso apresentado não pode ser imposto como recurso de apelação. Esclarecimento apresentado evidencia a falta de omissão e contradição no acórdão combatido.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Vanessa Albuquerque Valente..
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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O Recurso apresentado não pode ser imposto como recurso de apelação. Esclarecimento apresentado evidencia a falta de omissão e contradição no acórdão combatido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Vanessa Albuquerque Valente.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 45 /0 0- 10 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002245/0010 Acórdão n.º 3101001.406 S3C1T1 Fl. 32 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de omissão e contradição que ela diz ter verificado no v.acórdão, de fls.656, proferido pela Primeira Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. O referido acórdão traz a seguinte ementa do voto condutor, que por maioria de votos deu provimento ao Recurso Voluntário: “Assunto: Imposto Sobre a Importação – II Ano –calendário: 1997, 1998 VALOR ADUANEIRO É indevida a inclusão dos Royalties na base de cálculo do imposto de importação, pois, tal valor não compôs o preço de importação no país importador, porque, o beneficiário dos mesmos é uma outra pessoa que não se confunde com a exportadora. Recurso Voluntário Provido.” Segundo a Procuradoria houve omissão quanto à circunstância de tanto as empresas exportadoras quanto a empresa recebedora dos royalties pertencerem ao mesmo Grupo econômico, o que caracteriza beneficiamento indireto. Ainda, que a decisão partiu de premissa fática equivocada, o que implicou contradição dentre o decidido e a prova dos autos. Finalmente requer: Diante do exposto e devidamente demonstrada a omissão e a contradição do acórdão, a União requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar os vícios apontados. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdãos, conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo deve ter por objetivo combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades na decisão do colegiado. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002245/0010 Acórdão n.º 3101001.406 S3C1T1 Fl. 33 3 Portanto, o acórdão atacado nos presentes embargos para ter sido viciado pela omissão/contradição deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis justificandose a sua desintoxicação. Também, caber lembrar que o acórdão aqui combatido é a decisão desse colegiado e que o contraditório legitimou seu resultado. O artigo 535 do CPC dispõe: Cabem embargos de declaração quando: I – houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II – for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou o tribunal. Assim, os embargos de declaração tem como objetivo sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão existente na decisão recorrida, não podendo ser confundido esse recurso com o recurso de apelação. Os embargos de declaração, ainda, que no processo administrativo tributário não pode ser utilizado por inconformidade com a decisão. Apontar erros como vicios para buscar os efeitos infringentes para modificar a decisão do colegiado é inadmissível. Aqui no meu entendimento, a Embargante teve essa intenção a de buscar outra decisão, modificando o acórdão apontando vícios, quando na verdade entende ter havido erros. Entretanto, cabe aqui no caso repetir o seguinte: OPINIÃO CONSULTIVA 4.2 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8, PARÁGRAFO 1 (c) DO ACORDO 1. Um importador adquire de um fabricante discos fonográficos que contêm obra musical. Segundo as leis do país de importação, o importador, quando revende os discos, deve pagar um royalty de 3% do preço de venda a uma terceira parte, o autor da composição musical, detentor do direito autoral. Nenhuma parte do royalty reverte direta ou indiretamente ao fabricante, nem se lhe transfere como consequência de uma obrigação derivada do contrato de venda. O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O ROYALTY NÃO DEVE SER ACRESCIDO AO PREÇO EFETIVAMENTE PAGO OU A PAGAR NA DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO; O PAGAMENTO DO ROYALTY NÃO CONSTITUI UMA CONDIÇÃO DA VENDA PARA EXPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS, MAS DECORRE DE UMA OBRIGAÇÃO LEGAL DO IMPORTADOR DE PAGAR AO POSSUIDOR DO DIREITO AUTORAL, QUANDO OS DISCOS FOREM VENDIDOS NO PAÍS DE IMPORTAÇÃO. Contudo, não há nos autos provas de que o exportador recebeu os royalty direta ou indiretamente, portanto, os mesmos não devem ser acrescidos no valor aduaneiro do importador no Brasil. Com esse esclarecimento, evidencia a falta de omissão e contradição no acórdão combatido. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002245/0010 Acórdão n.º 3101001.406 S3C1T1 Fl. 34 4 Isto posto, NEGO PROVIMENTO AOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Relator Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723755/2012-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. DEDUTIBILIDADE
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações, atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. DEDUTIBILIDADE Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações, atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador. Recurso provido
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. DEDUTIBILIDADE Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações, atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 55 /2 01 2- 26 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, exercício 2010 (fl. 3), lavrado em decorrência da dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 30.347,00, que resultou no imposto suplementar de R$ 12.405,21, acrescido de multa de oficio, juros de mora e demais encargos legais. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente, face à ausência de prova suficiente para verificação da efetividade dos pagamentos feitos aos profissionais emitentes das declarações anexas à Impugnação: Maria Nilza de Melo (fl. 5), Ana Elizabeth Barbosa Cavalcanti (fl.6), Maria Daniela Gomes Farias Santos (fl. 7) e João Bosco Teixeira (fl. 4). Nas razões de Voluntário (fl. 46/56), reiterase o conteúdo da Impugnação, no sentido de que as declarações e os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores seriam suficientes para legitimar as deduções pleiteadas. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente pela DRJ, face à ausência de prova suficiente para verificação da efetividade dos pagamentos feitos aos profissionais emitentes das declarações anexas à Impugnação: Maria Nilza de Melo (fl. 5), Ana Elizabeth Barbosa Cavalcanti (fl.6), Maria Daniela Gomes Farias Santos (fl. 7) e João Bosco Teixeira (fl. 4). Nos recibos emitidos por João Bosco Teixeira (fl. 4), há endereço, CPF, inscrição profissional e descrição do tratamento prestado à Recorrente. Nos recibos emitidos por Maria Nilza de Melo (fl. 5), há endereço, CPF, inscrição profissional e descrição do tratamento prestado à Recorrente e à sua dependente, Paula Lima Xavier. Nos recibos emitidos por Ana Elizabeth Barbosa Cavalcanti (fl. 6), há endereço, CPF, inscrição profissional e descrição do tratamento prestado ao dependente Daniel Lima Xavier. Nos recibos emitidos por Maria Daniela Gomes Farias Santos (fl. 7) há endereço, CPF, inscrição profissional e descrição do tratamento prestado à dependente Fernanda Lima Xavier. Atendidos os requisitos legais para o reconhecimento do direito à dedutibilidade de despesas médicas próprias e de seus dependentes (fl. 19), nos termos do §2º Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.723755/201226 Acórdão n.º 2802002.256 S2TE02 Fl. 156 3 do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e amparada pela prova quanto à guarda judicial destes (fls. 8 a 10), reconheço as despesas como dedutíveis, ante a inexistência de previsão legal pela prova efetiva do pagamento através de cheques nominativos, depósitos e extratos, da forma como exigido pelo AFRFB e pela DRJ. Assim, com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe com a Impugnação documentos comprobatórios de despesas médicas que, em meu entendimento, são suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque, nos recibos e nas declarações apresentadas, lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e descrição do tratamento e do beneficiário (o próprio Recorrente e sua cônjuge); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 67DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003030/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
Exercício: 1999
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar
n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações
financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e
critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do
fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN).
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o
auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua
lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE
1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de
1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As
presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Preliminares rejeitas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.192
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitas. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T13:49:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T13:49:12Z; Last-Modified: 2009-09-09T13:49:13Z; dcterms:modified: 2009-09-09T13:49:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T13:49:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T13:49:13Z; meta:save-date: 2009-09-09T13:49:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T13:49:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T13:49:12Z; created: 2009-09-09T13:49:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2009-09-09T13:49:12Z; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T13:49:12Z | Conteúdo => s2-c2T2 Fl. 1 .e.2&;,,...? MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .. ,..2, - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , . .. Processo n° .13839.003030/2003-18 Recurso n° 163.835 Voluntário Acórdão n° 2202-00.192 — 2' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CARLOS LEMOS Recorrida 2' TURMA/DRI-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, n—'---------17 i Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 2 em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da r Turma Ordinária da 2a Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Nr S• ftie ' resid , - Relator 28 AGO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃO CALOMINO ASTORGA, HELOÍSA GUARITA SOUZA, ANTONIO LOPO MARTINEZ, PEDRO ANAN JÚNIOR e GUSTAVO L1AN HADDAD. 2 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 3 Relatório LUIZ CARLOS LEMOS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n. 015.004.658-87, com domicílio fiscal na cidade de Jundiá, Estado de São Paulo, à Av. São Paulo, n° 850, Bairro Vila Progresso, jurisdicionado a DRFB em Jundiaí - SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 386/399, prolatada pela Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte - MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 404/425. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 08/09/03, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 359/362), com ciência através de AR, em 16/09/03 (fls. 358), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 243.469,62 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa fisica, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante deste auto de infração. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n° 9.481, de 1997 e artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. A Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 350/351, entre outros, os seguintes aspectos: - que decorrido o prazo legal constante do termo de Inicio de Fiscalização, emitimos o Termo de Intimação em 18/10/2002, uma vez que o contribuinte não atendeu a solicitação constante do Termo de Início; - que em resposta a referida intimação, datada de 24/10/2002, o contribuinte solicita a dispensa da entrega dos documentos em virtude de não ter como pagar as cópias dos extratos bancários solicitados; - que diante desse argumento solicitamos aos Bancos as cópias dos extratos bancários de conta corrente, poupança e aplicações financeiras, através das Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira, anexas aos autos; - que de posse das cópias dos extratos procedemos ao exame da movimentação financeira no período solicitado, e constatamos valores depositados e creditados nas contas correntes e poupanças, em montante superior aos recursos auferidos e lançados pelo contribuinte em sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Física para o exercício de 1999, ano-calendário de 1998; 3 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C272 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 4 - que em resposta ao questionamento do contribuinte, prorrogamos o prazo para apresentação dos documentos, entregamos ao contribuinte cópia de todos os extratos bancários da conta corrente e de poupança, possibilitando-lhe assim, o atendimento à intimação; - que não tendo o contribuinte se manifestado até a presente data, em complementar as informações já apresentadas em 02/06/2003, procedemos a apuração dos valores não comprovados, recompondo com os valores dos rendimentos auferidos declarados apurando uma diferença a ser tributada no valor de R$ 350.484,80 (R$ 402.377,01 — R$ 17.805,00 — R$ 33.415,54— R$ 671,67 (referentes, respectivamente, a diferença da alienação de um imóvel; rendimento tributável declarado e rendimento de tributação exclusiva). Em sua peça impugnatória de fls. 367/374, instruido pelos documentos de fls. 375/383, apresentada, tempestivamente, em 14/10/03, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tomar insubsistente o auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que se por um instante de insanidade mental fosse admitida a retroatividade da lei, mormente a lei tributária, ainda assim no caso em apreço a retroação não teria o condão de tomá-la incidente, posto que o § 40, inc. IV do art.2° do Decreto n° 3.724, de 2001 dispõe que "O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV — relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais); - que se denota claramente que, a declaração de renda prestada "caiu" na malha fina. A fiscalização para ter acesso a informações sigilosas em poder de terceiros (bancos) expediu MPF-F, porque pelas disposições retro mencionadas estava obstada, e passou, por primeiro, a solicitar, depois a intimar o contribuinte; - que, em assim agindo, o fisco atropelou não só a norma constitucional insculpida no art. 5 0, LVI, bem como, as disposições do art. 332 da Lei 5.869, de 1973; - que em face do critério adotado — por amostragem — e inexistindo no auto de infração e anexos que o integram qualquer noticia de análise individualizada de cada crédito apurado para determiná-lo como receita omitida, bem como da notícia da: (a) desconsideração de transferências de uma conta para outra do próprio ora impugnante e, ainda, noticia da (b) desconsideração de valores inferiores a R$ 12.000,00 até o somatório de R$ 80.000,00 no ano- calendário; - que se todo o procedimento já não estivesse maculado pela nulidade em razão do "modus agendi" da fiscalização, que atropelou disposições constitucionais e legais, estar-se-ia, em face do retro exposto, também diante de nulidade do auto impugnado, por inobservância das disposições legais pela fiscalização, que ela própria entendeu infringida pelo ora impugnante; - que para que se tenha um panorama dos fatos, e só por amostragem mesmo, anexa-se alguns documentos obtidos junto aos bancos que comprovam a existência de depósitos produzidos pelo ora impugnante em uma conta de sua titularidade com recursos que possuía em outra também de sua titularidade. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita 4 Processo n° 13839.00303012003-18 S2-C2T2 Acórdão ra.° 2202-00.192 Fl. 5 Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte - MG decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: • - que do Decreto n° 70.235, de 1972 depreende-se que no processo administrativo fiscal o cerceamento do direito de defesa resulta de despachos e decisões. Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o Auto de Infração. Após sua lavratura e ciência é aberto o prazo para o contribuinte impugnar a - exigência fiscal, sendo-lhe proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa. É somente com a impugnação do Auto de Infração, que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela; - que se verifica, ainda, que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, que ora se analisa. Tem-se, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 1966, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no artigo 10 do Decreto n°70.235, de 1972; - que se esclareça, ainda, que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF consiste em uma ordem emanada de dirigentes da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais (fiscalização, diligência, etc.) tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo, sendo somente uma exigência administrativa; - que o acesso às informações relativas à CPMF e a sua respectiva utilização para fiscalizar tributos de competência da União, além de prescindir de autorização judicial, não caracteriza violação do direito ao sigilo bancário; - que, não há, por outro lado, nulidade decorrente da utilização de dados relativos à CPMF para lançamento de imposto de renda do ano base de 1997. Embora a atual redação do parágrafo 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311 tenha sido dada pela Lei n° 10.174, de 2001, ele se aplica para lançamento de créditos cujos fatos geradores tenham ocorrido antes do advento da nova redação; - que a regra embora introduzida apenas em 09 de janeiro de 2001, pode ser utilizada para lançamento de tributo cujo fato gerador tenha ocorrido antes dessa data. Isso porque, em se tratando de norma que amplie os poderes de investigação da autoridade administrativa, o Código Tributário Nacional, no § 1° do artigo 144, expressamente admite a aplicação a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução; - que a razão para tratamento conferido pelo CTN às regras que ampliam os poderes de investigação da autoridade administrativa está na diferença que separa as normas de direito material daquelas que apenas disciplinam procedimentos, especificamente aqueles pertinentes à prova dos fatos; - que as normas de direito material são as que, incidindo sobre fatos, dão ensejo ao aparecimento de relações jurídicas, que não podem ser alteradas, com efeito, retroativo, por lei editada posteriormente, sob pena de violar o princípio da segurança jurídica. Diferentemente ocorre com as regras que estabelecem procedimentos, pois estas não podem alterar o conteúdo de relações jurídicas nascidas no passado e tampouco seus efeitos. Em Processo n° 13839.00303012003-18 S2-C2T2 Acórdão n.°2202-00.192 Fl. 6 outras palavras, tais regras não criam, não extinguem, nem modificam direitos ou obrigações, apenas permitem uma investigação mais precisa acerca de fatos ocorridos no passado; - que quanto à requisição direta de extratos bancários às instituições financeiras, o ordenamento jurídico vigente concede à autoridade administrativa tal poder, sem necessidade de prévia autorização judicial; - que se faz necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas, a omissão de rendimentos por ele representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação; - que depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou nção o faz satisfatoriamente; - que o contribuinte anexou na fase impugnatória alguns documentos obtidos junto aos bancos para comprovar a existência de depósitos produzidos pelo impugnante em uma conta de sua titularidade com recursos que possuía em outra também de sua titularidade no intuito de demonstrar que a fiscalização adotou o critério de amostragem desconsiderando as disposições legais sobre o assunto; - que a presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ónus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário; - que a fiscal autuante listou todas as etapas da fiscalização efetuada demonstrando no Termo de Verificação Fiscal n°01, fls. 350/352, os valores lançados no Auto de Infração, bem como os comprovados e os não comprovados nos autos; - que se saliente que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Exercício: 1999 Nulidade Estando os atos administrativos, consubstanciados no lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento FiscaL Sigilo Bancário. 6 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 7 Não caracteriza violação de sigilo bancário a utilização de dados relativos à movimentação de conta corrente, obtidos com fulcro no art. 6° da Lei Complementar n°105/2001 Aplicação da Lei no Tempo. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1999 Depósitos Bancário& Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/10/07, conforme Termo constante às fls. 400/401, o recorrente interpôs, tempestivamente (29/10/07), o recurso voluntário de fls. 404/424, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. 7 Processo n° 13839.00303012003-18 S2-C2T2 Acórdão n. 2202-00.192 Fl. 8 Voto Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Neste litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Da análise preliminar da matéria, verifica-se que a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contadas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, preliminarmente, a nulidade do auto de infração amparado nas teses de: quebra de sigilo bancário de forma irregular; ilegalidade da fiscalização por vício de origem; da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001 e da Lei Complementar n° 105, de 2001, bem como a falta de demonstração da base de cálculo e, no mérito, tece várias considerações sobre a impossibilidade de se tributar os depósitos bancários. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: valer-se de dados da CPMF para cobrar imposto de renda da pessoa fisica; utilização da Lei n° 10.174, de 2001 e Lei Complementar n° 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários do suplicante e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, bem como falta de demonstração da base de cálculo de forma individualizada, não cabe razão ao suplicante pelos motivos que se seguem. O primeiro aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. a Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 9 O segundo aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que é público e notório que a fiscalização tem origem em utilização indevida pela Secretaria da Receita Federal das informações apresentadas pelos bancos com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996 e que correspondiam a CPMF, quando era vedada a sua utilização para qualquer outra finalidade que não fosse para fiscalização deste tributo. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos extratos bancários que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resume-se na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5°e 60 do artigo 38, da Lei n°4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n° 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 50 da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5°, Xe XII, da CF: Inexistência. (..). 1— A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5°, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). 9 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 10 (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ- 8971DF:rel. Min. Francisco Rezelç j. em 23.11.94). Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n° 4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 2 0 O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidos em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §,f 20 e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5 0 Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6 0 O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se de 10 Processo n• 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.192 Fl. II fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5° e 6° do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n.° 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancária Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n.° 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados II Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 12 a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização. Já no comando da Lei n.° 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz-o seguinte: Art. 7° - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n."4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no g I' do art. 7°. Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. - A Lei n.° 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 50 e 6° que: 12 Processo n° 13839.00303012003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 13 5° - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6° - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Resta claro, portanto, a possibilidade da administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: Art. 10 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: I — a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II — o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil: III — o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. lida Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996; IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa: V — a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestaçã o de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3", 4°, 5", 6", 7° e 9° desta Lei Complementar. C.) 13 Processo n° 13839.003030/2003-1S S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 14 Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (.) Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38, § 5°, da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão — que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, la. Edição, 1984, pág. 746: O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para 14 Processo n°13839.003030/2003-IS S2-C2T2 Acórdão re.• 2202-00.192 Fl. 15 revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam do assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar, que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°5.172, de 1966— CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § I° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar n° 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar n° 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. 15 Processo n°13839.003030/2003-18 S2-C212 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 16 Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" - r edição, Malheiros Editores Ltda. — ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1 0 0 art. 144 reporta- se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico enquanto in fieri o procedimento de lançamento — legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2001.04.01.045127-815C, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados 16 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 17 relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e NI da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n° 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, 5 1°, do C77V, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela l a Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n o 2002.04.01.003040-0/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. I. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao „sç 3° do art. I I da Lei n° 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos económicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, f 19. Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n°105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n°3.724/01. 17 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 A. 18 A questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, I), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A titulo de exemplo, veja-se o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial n°506.232 — PR (Diário da Justiça de 16/02/04 — p. 00211): EMENTA - TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO IIVTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, ° DO CTN. I. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n° 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o 3 0 do art. li da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, I° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 18 Processo e 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 19 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § I° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal 9. Recurso Especial provido. Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concementes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. O suplicante alega, ainda, que o procedimento de lançamento tributário decorreu de informações extraídas dos valores que o recorrente pagou de CPMF. Em outras palavras, a fiscalização teria tomado como base de lançamento os dados da CPMF para cobrar o imposto. Argumento totalmente equivocado e dissociado da verdade dos fatos, já que nada consta em relação a dados da CPMF no Auto de Infração lavrado. A única verdade em tudo isso é que os dados sobre movimentação financeira da conta do suplicante, obtidas com base em informações prestadas pelas instituições 19 Processo no 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 20 financeiras à Secretaria da Receita Federal, foram utilizados pela autoridade lançadora para instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a existência de eventual crédito tributário devido pelo suplicante. Ora, o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. Por outro lado, é de se asseverar, que os dados concernentes a CPMF, repassados pelas instituições financeiras por força do disposto no art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 1996, pelo fato de não conterem discriminação individual dos valores dos débitos e créditos, não são passíveis de utilização como base de lançamento do IRPF. É, antes, um instrumento de informação que permite ao Fisco instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, ou seja, o fato da contribuinte não ter declarado as contas corrente em sua Declaração de Ajuste Anual e apresentar movimentação financeira elevada foram os parâmetros para que fosse selecionado para ser fiscalizado. Foi, somente, para se proceder ao parâmetro de seleção que serviu o Relatório de Movimentação Financeira, e jamais para se proceder a constituição do crédito tributário, como quer fazer crer a suplicante. Vale dizer, que o Relatório de Movimentação Financeira — Base CMPF não serviu de base para proceder ao lançamento tributário. Não restam dúvidas, para mim, que o fato motivador para a seleção do suplicante para ser fiscalizado foi à elevada movimentação financeira (movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados), sem, contudo, declarar à Receita Federal o trânsito de tais importâncias em suas respectivas contas bancárias e que o valor global desta movimentação financeira por estabelecimento bancário foi obtida com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 1996. Como, também não pairam dúvidas, caso fosse necessário, com o foi no presente caso, já que o suplicante não se esforçou para obtê-los, a Autoridade Administrativa Fiscal poderia solicitar para que as instituições bancárias para que apresentassem os extratos e esta não estaria cometendo nenhuma ilicitude. Foi isto que Autoridade Administrativa fez, devidamente, escutado na legislação de regência. No presente caso, após os estabelecimentos bancários repassarem os extratos bancários para a autoridade fiscal, esta, com base nestes extratos, realizou o lançamento do imposto de renda que entendeu devido, tomando-se como rendimentos omitidos os depósitos realizados em conta corrente dos quais o recorrente não logrou a comprovação de que se tratavam de rendimentos isentos, já tributados ou não tributados (sem comprovação da origem). Ou seja, procedeu ao lançamento normal, prevista em lei, tendo como base os valores constantes dos extratos bancários (depósitos bancários). Como se vê a discussão sobre o conteúdo do § 3°, do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, se toma inócua, já que o lançamento não foi procedido em cima de informações de dados da CPMF, ou seja, os dados da CPMF não serviram de suporte para o lançamento em questão e sim os valores constantes dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, conforme se contata dos autos do processo. A suplicante insiste em confundir 20 Processo n0 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 21 lançamento efetuado com base em dados da CPMF, com lançamento efetuado com base em extratos bancários. Diz a Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996: Art. II. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. sç I° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. É notório, que a lei cita que as instituições responsáveis pela retenção da CPMF prestarão informações necessárias à identificação dos contribuintes E OS VALORES GLOBAIS DAS RESPECTIVAS OPERAÇÕES. Da mesma forma, a lei cita que sobre estes VALORES GLOBAIS é vedada sua utilização para constituição do crédito tributário. Ora, se o lançamento não foi constituído sobre estes VALORES GLOBAIS anuais (e nem poderia, já que os depósitos devem ser individualizados e o fato gerador deve ser identificado no mês da ocorrência) e sim sobre os depósitos constantes dos extratos bancários da contribuinte, não há que se falar em Lei n°9.311, de 1996. É de se ressaltar, que os dados colhidos na arrecadação da CPMF demonstram a existência desses depósitos, entretanto, para o imposto de renda são meras informações. Por isso, é que os dados obtidos pela fiscalização através da CPMF não são passíveis de tributação no imposto de renda. Esses dados são meros indícios e indicam a possibilidade de existência de receitas ou rendimentos auferidos pelos contribuintes. Como se vê, não houve desrespeito a legislação de regência, já que o lançamento não foi efetuado sobre os valores constantes dos relatórios da CPMF e sim lançamento normal sobre valores constantes nos extratos bancários, conforme previsão legal contida no artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996. Entretanto, só por amor à discussão, partindo da premissa que houvesse legislação específica que tomasse possível o lançamento tomando como base os dados da CPMF, ainda assim, falece de razão o recorrente quando alega não poder o fisco imprimir efeitos retroativos à Lei n° 10.174, de 2001, para obtenção das informações junto às instituições financeiras, visto que em 1998 estava em pleno vigor a Lei n° 9.311, de 1996, que 21 Processo n° 13839.003030/2003-18 82-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.192 Fl. 22 expressamente proibia a sua utilização como forma de cobrar outros tributos especialmente o imposto de renda pessoa fisica. A Lei Complementar n° 105, de 2001, estabelece: Art. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: 1 — a troca de informações entre instituições financeiras, para fias cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil: — o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III — o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n°9.31!, de 24 de outubro de 1996; IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa: V — a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. C.) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por sua vez, a Lei 10.174, de 2001, estabelece: Art. 1° O art. 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: 22 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 23 "Art.11 (..). "§ 3°A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. É sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°5.172, de 1966— CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese do suplicante é de que a Lei n° 10.174, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei tf 10.174, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do criN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Conforme visto, anteriormente, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pela MM. Juiza Federal Substituta da 16' Vara Cível Federal em São Paulo — SP, nos autos do Mandado de Segurança o° 2001.61.00.028247-3, da qual se faz necessário à transcrição do seguinte excerto: Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, em ofensa ao art. 144 do CT1V, na medida em que a 23 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 24 lei a ser aplicada continuará sendo aquela lei material vigente à época do fato gerador,no caso, a lei vigente para o IRPJ em 1998, o que não se confunde com a lei que conferiu mecanismos à apuração do crédito tributário remanescente, esta sim promulgada em 2001, visto que ainda não decorreu o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, o que dá ensejo ao lançamento de oficio, garantido pelo art. 149, VIII, parágrafo único do CTN. Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2001.04.01.045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunaL No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n° 10.17412001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, if 1°, do C7'N, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela l' Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2002.04.01.003040-O/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao f 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em 24 Processo rr 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.192 Fl. 25 curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, f 19. Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01. No julgamento do Recurso Especial n° 506.232 — PR, cujo recorrente foi a Fazenda Nacional, o E. Superior Tribunal de Justiça confirmou a legitimidade da Lei n° 10.174, de 2001 e Lei Complementar n° 105, de 2001, que permitiram a utilização das informações obtidas a partir da arrecadação da CPMF, para a apuração de créditos tributários referentes ao imposto de renda nos seguintes termos: EMENTA - TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTER TEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, I" DO C7X 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n° 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o 55' 3' do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos 25 Processo n° I 3839.003030/20031 8 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 26 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da nonna que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e I° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Em síntese é de se concluir, novamente, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. Na situação analisada, somente para fins de argumentação, se poderia dizer que, no máximo, a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art. 11, § 3°, da Lei n° 9311, de 1996, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.174, de 2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente sobre aqueles valores globais que cita a lei, já que o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem- se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, entrando em vigor a Lei n° 10.174, de 2001, a fiscalização passa a ser autorizada a utilizar as prerrogativas concedidas pela lei a 26 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 27 partir daquela data, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais, ou seja, passa a dispor de um instrumento de fiscalização que anterionnente não possuía, podendo utilizá-lo conforme o interesse público que o ato administrativo pressupõe. Porém, na situação concreta dos autos, a constituição do crédito tributário, obedeceu estritamente o ritual normal de lançamento através de valores constantes em extratos bancários na vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Os valores globais das operações sobre a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras serviram tão-somente como parâmetros para selecionar o suplicante para ser fiscalizado, ou seja, a fiscalização utilizou os dados de que dispunha em virtude da fiscalização do recolhimento da CPMF para dar início à ação fiscal no imposto de renda, intimando o suplicante a esclarecer as discrepâncias constatadas entre os rendimentos declarados e o montante da movimentação bancária, e somente para isso. Acatar a pretensão do recorrente seria impor uma anistia geral para todos os contribuintes, que mesmo com a quebra de sigilo decretado pelo judiciário não seria possível se efetuar o lançamento do crédito tributário por ventura apurado, já que o mesmo confunde lançamento efetuado com base exclusiva em dados da CPMF, com lançamento com base em extratos bancários. Os dados da CPMF foram utilizados para dar início à fiscalização. O lançamento foi efetuado tendo como base os extratos bancários fornecidos pelos bancos em atendimento a requisição da autoridade lançadora e do próprio contribuinte. Assim, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que se falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. O suplicante argúi, ainda, preliminar de nulidade do lançamento amparado no entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, sob a alegação de que a autoridade lançadora teria ferido diversos princípios fundamentais tais como: falta da análise individualizada de cada crédito apurado para determiná-lo como receita omitida; desconsideração de transferências de uma conta para outra do próprio recorrente e desconsideração de valores inferiores a R$ 12.000,00 até o somatório de R$ 80.000,00. A preliminar deve ser rejeitada pelos motivos que se seguem. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O principio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valer-se de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levando-as aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. 27 Processo n°13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 28 O Decreto n.° 70.235/72, em seu artigo 9°, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notcação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1° da Lei n.°8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovaçã o do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei toma inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vicio na forma, o ato pode invalidar-se. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Com a devida vênia, foram os estabelecimento bancários que forneceram os dados para que a autoridade lançadora efetuasse o lançamento, sendo que os valores estão individualizados nos Demonstrativos e Relatórios de Fiscalização, que são partes integrantes do Auto de Infração e que o mesmo, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí - SP, cuja ciência foi através de AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pela Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor-Fiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de oficio do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracteriza-se pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmuda-se a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causa-lhe gravame com a aplicação de multa por suposto não-cumprimento de dever instrumental. 28 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2 T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 29 Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra-se com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juizo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referem-se à investigação fiscal propriamente dita, constituindo-se medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tão-somente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tão-somente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportuniza-se ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaura-se o processo, ou seja, configura-se o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. No mérito, a pedra angular da questão fiscal trazida à apreciação desta Câmara, se resume, como ficou consignado no Relatório, à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Da análise dos autos, observa-se que o suplicante inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, argumenta a falta de previsão legal para embasar lançamentos tendo por base tributável depósitos bancários, já que no seu entender a movimentação financeira somente pode ser utilizada para o cômputo da base de cálculo do IR ------- 29 Processo tf 13839.003030/2003-18 82-C2T2 Acórdão n..° 2202-00.192 Fl. 30 quando aliada a sinais exteriores de riqueza, e no caso em questão, pela inexistência de indícios de acréscimo patrimonial. Assim, o fisco não poderia ter utilizado a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência do respectivo fato imponível. Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei n°9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decreto-lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei n° 8.021, de 1990, ou Decreto-lei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. 30 Processo n° 13839.003030/2003-18 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 31 À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponivel à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n." 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. J 0 O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. f 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. I* 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1— os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). sç 4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na 31 Processo n° 13839.003030/2003-I S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.192 Fl. 32 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Lei n.° 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 17 de dezembro de 1996, passam a ser RS 12.000,00 (doze mil reais) e RE 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 58. O art. 42 da Lei n°9.430, de 17 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5 0 e 6°: "Art. 42. C.) § 50 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular ". Instrução Normativa SRF n° 246,20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1° Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. J° Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2° Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é 32 Processo n° 13839.00303012003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 33 imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2° Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3° Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1° Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 11.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000.00 (oitenta mil reais), dentro do ano-calendário. § 2 0 Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos. Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar, que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa fisica, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I — não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa fisica sob fiscalização; II — os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III — nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV — todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica fiscalizada; V — no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI — quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; 33 Processo n0 13839.003030/2003-18 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 34 VII — os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de oficio, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; II — caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa fisica ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III — na pessoa fisica a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; IV — na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V — na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano- calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII - para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados 34 Processo n°13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 35 traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação, submetendo-se aos limites individual e anual para os depósitos, como omissão de rendimentos, utilizando-se a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Faz-se necessário reforçar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. 35 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 36 Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal "júris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430/96, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verifica-se que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei n° 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 30, § 40, da Lei n°7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face do contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n° 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n° 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa fisica está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem 36 Processo n° 13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 37 que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção "juris tantum" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. É transparente que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei n° 8.021, de 1990. A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Não tenho dúvidas, de que no que diz respeito à comprovação dos depósitos que transitaram em conta de responsabilidade dos contribuintes, seria ocioso mencionar que todos os valores depositados são passíveis de comprovação. E, no tocante aos elementos comprobatórios, os quais, eventualmente, justifiquem depósitos, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Assim, para encerrar a presente discussão entendo, nesta linha de pensamento, que o suplicante não conseguiu equacionar os depósitos com as pretensas provas 37 Processo n°13839.003030/2003-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.192 Fl. 38 apresentadas, não conseguindo ilidir a presunção de omissão de rendimentos, cujo ônus era seu. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 30 de julho de 2009 NE S f:79 38 Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032600.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.002314/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL. EFEITO
SUSPENSIVO DA DECISÃO PROFERIDA. Os Embargos de Declaração
têm por finalidade esclarecer o conteúdo da decisão anteriormente proferida.
Se há alguma obscuridade, dúvida ou omissão é impossível permitir que a
decisão surta efeitos, sob pena de a decisão dos Embargos de Declaração
alterar seu conteúdo.
INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF
Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
CARF
é
de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão,
fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quando
à incidência de juros de mora nos depósitos judiciais, os Conselheiros Fabiola Cassiano
Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro
Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Ruy Gustavo
dos Santos Pontes – OAB/PE 7472187.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL. EFEITO SUSPENSIVO DA DECISÃO PROFERIDA. Os Embargos de Declaração têm por finalidade esclarecer o conteúdo da decisão anteriormente proferida. Se há alguma obscuridade, dúvida ou omissão é impossível permitir que a decisão surta efeitos, sob pena de a decisão dos Embargos de Declaração alterar seu conteúdo. INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão, fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quando à incidência de juros de mora nos depósitos judiciais, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Ruy Gustavo dos Santos Pontes – OAB/PE 7472187.
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EFEITO SUSPENSIVO DA DECISÃO PROFERIDA. Os Embargos de Declaração têm por finalidade esclarecer o conteúdo da decisão anteriormente proferida. Se há alguma obscuridade, dúvida ou omissão é impossível permitir que a decisão surta efeitos, sob pena de a decisão dos Embargos de Declaração alterar seu conteúdo. INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão, fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quando à incidência de juros de mora nos depósitos judiciais, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Ruy Gustavo dos Santos Pontes – OAB/PE 7472187. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora Fl. 772DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 07/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para fim de constituir débitos de contribuição ao Programa de Integração Social – PIS referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de março a junho de 2001. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: “A DEFIC/Rio de Janeiro/RJ lavrou Auto de Infração, fls. 05/09, para exigir a Contribuição para o PIS no valor de R$266.483,38, com a multa de oficio de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente e enquadramento legal às fl. 07. Conforme Termo de fl. 04, o lançamento decorre de levantamento efetuado em 10/2002 sobre vinculação indevida de créditos e débitos do PIS declarados em DCTF, para os periodos de 03 a 06/2001, a titulo de exigibilidade suspensa por medida judicial, em relação ao contribuinte Telecomunicações de Minas Gerais S/ATELEMIG, CNPJ 17.184.201/0001 99, incorporada pela interessada em 03/08/2001 (fl. I 12). A fl. 12, Memo da Equipe de Ações judiciais do SECAT/DRFB1 1/MG, referente ao MS nº 1999.38.00.019.6295 — alargamento da base de cálculo da contribuição previsto na Lei 9718/98, informando que a ação transitou em julgado em 23/04/2002, com acórdão favorável à Fazenda Nacional. Constatou, também, que a vinculação de parte dos débitos de 05/2000 a 06/2001 à suspensão por medida liminar, sem depósito e sem provimento judicia1 favorável, estava equivocada. Em 30/07/2001, o contribuinte efetuou um único depósito de R$ 962.314,62 sem discriminar os créditos tributários. Assim, confrontando os valores declarados em DCTF como suspensos com esse depósito, apurou um saldo devedor no valor de R$ 378.103,82, que corrigido com acréscimos legais ate 27/08/2002 resultou na Tabela de fl.13, base para apuração do crédito tributário, conforme fls. 04 e 07. Intimada em 14/10/2003, fl. 04, apresentou a impugnação de fls. 52/58, em 04/11 003, anexos de fls. 59/662, onde alegou, em Sintese, o seguinte: Fl. 773DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 330201.186 S3C3T2 Fl. 2 3 . em 05/1999 houve o deferimento da liminar quanto à Cofins e o indeferimento quanto ao PIS. A sentença de lª Instância concedeu a segurança, autorizando o recolhimento da Cofins conforme Lei Complementar 70/91 e do PIS pela Lei 9715/98. Com a exigibilidade suspensa, a impetrante continuou efetuando pagamento em DARF, optando a partir de 05/2000 por não recolher e declarar em DCTF, com exigibilidade suspensa, somente a parcela do crédito contestada judicialmente; . a 3ª. Turma do TRF da lª. Região deu provimento à apelação da União em 29/11/2000, reformando a sentença, tendo a Telemar/MG oposto embargos de declaração, cuja decisão só veio a ser publicada em 04/2002; . efetuou em 30/07/2001, o depósito integral dos valores contestados que não havia sido recolhidos por DARF, para suspender a exigibilidade do crédito com fulcro no art. 151, II do CTN, calculando principal e juros Selic, não aplicando a multa de mora uma vez que o depósito atendeu o prazo da Lei 9.430/96, art. 63, §2°; . o saldo apurado pelo Fisco decorre de considerar devida a multa de mora entre a data do vencimento e a data do depósito judicial, alem de aplicar a multa de oficio sobre o valo residual do debito apurado; . conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial, a exigibilidade encontravase suspensa até abril/2002, data da decisão que rejeitou os embargos. Na ausência de ordem expressa para que se de eficácia imediata à decisão embargada, esta só pode ser cumprida após publicada sua declaração; . continua em vigor a sentença de 1ª. instância, favorável em parte a ante, sendo descabido o lançamento mesmo com a finalidade especifica de evitar a decadência;. . ainda que se entendesse possível o lançamento só para evitar a decadência, ao cobrar a multa de oficio contraria a disposição do art. 63 da Lei 9430/96; ▪ de acordo com os arts. 132 e 134 do C'TN a PJ que resultar de fusão, transformação ou incorporação é responsável pelos tributos devidos até a data do respectivo sim, a multa de oficio não se aplica a incorporadora, não podendo extender o dispositivo; os sucessores só respondem pelo tributo e o STF tem decidido que multas punitivas só podem irrogadas ao infrator; . conforme decisão do STJ, somente a multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo Ser exigida do sucessor — que não é o caso dos a tos pois o lançamento foi efetuado em 13/10/2003, posterior ao ato da incorporação, em 02/08 001 • cita jurisprudência administrativa, para justificar a exclusão da multa; Fl. 774DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 • a taxa Selic é imprestável como índice de juros de mora, conforme reconhecimento pelo STJ, devendo ser aplicado o teto de 1% a.m.. A interessada juntou aos autos cópias de documentos referentes ao processo, dos quais destacam se as seguintes informações: . copias do Mandado de Segurança, de 26/05/1999, fls. 124/145; . Decisão da Juiza Federal da 20a Vara da Seção Judiciária do Estado de MG, em 27/05/ 999, fls. 184/188; • Interposto o Agravo da interessada em 09/06199, fls. 217/236, temse a Decisão de fl. 47: "mantenho a decisão agravada", em 04/08/99; e o Agravo da Unido, em 26/07/99, fls. 23/245, cuja decisão à fl. 249, em 20/08/99, suspendeu a liminar referente a Cofins; • As fls. 251/260, na Sentença n° 2818 de 1a instancia, de 30/08/99, publicada em 03/19/99, fl. 261, a liminar foi parcialmente revogada para conceder em parte a segurança, fl. 259, autorizando o recolhimento do PIS nos moldes da Lei 9.715/98; • Após embargos de declaração, fls. 266/272, rejeitados em 22/09/99, publicados em 28/09/99, fl. 275, e recurso de apelação da interessada, fls. 277/284 e da Unido, fls. 289/291, temse as contrarazões da interessada, fls. 295/313; . À fl. 318, os autos foram recebidos pelo TRF da lª. Região, sob n° AMS.01.00.0339172MG; Em 27/06/2000, fl. 336, saiu a Decisão da 3ª Turma do TRF da la. Região, publicada em 29/11/2000, fl. 338, reformando a sentença, "à unanimidade, negou provimento apelação da Telemig, deu provimento à apelação da Unido Federal...", reformando a sentença, denegando a segurança e julgando prejudicada a remessa; . A interessada entrou com Embargos de Declaração em 05/12/2000, fls.341/348, e em 23/05/2001, conforme fl. 352, solicitou guia para depósito judicial, conforme art. 151 do CTN, tendo efetuado o depósito de R$ 962.314,62, Código 7460, em 30/07/2001, fl. 363 , indicando no DARF como Período de Apuração para o PIS 05/2000 a 06/2001; . À fl. 370, a interessada referese a depósito judicial referente a fatos geradores de 08 2001, copia DARF de fl. 372 referente ao PIS; . Em 05/11/2001, fls. 374/382, a Telemar Norte Leste S/A comunica ao Juizo que, por ato de 13/07/2001, incorporou a Telecomunicações de Minas Gerais S/A Telemig (interessada), passando a responsável pelos tributo devidos e sendo a sua substituta processual (no Sistema CNPJ da SRF a data da incorporação é 03/08/2001, fl. 110); . Em 20/02/2002, a 3ª. Turma do TRF da lª. Região, por unanimidade, rejeitou os Embargos de Declaração, fls. 442/443, publicado em 05/04/2002, fl. 444; Fl. 775DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 330201.186 S3C3T2 Fl. 3 5 . À fl. 453, Certidão em 13/05/2002 de que o acórdão transitou em julgado em 23/04/2002; . À fl. 539, petição da interessada requerendo Desistência do feito em 30/09/2002, com conversão de depósito em renda e expedição de alvará de levantamento de crédito, tendo a manifestação da PGFN em 24/10/2002, fls. 589/591, e a decisão, indeferindo o pedido às fl. 592, nos seguintes termos: "a decisão ad quem transitou em julgado, conferindo ao revisor da sentença a imutabilidade peculiar a espécie",publicada em 15/11/2002; . a fl. 601, o Despacho de 26/02/2003, com a determinação de conversão em renda da União Federal de todos os depósitos judiciais relativos às exações questionadas. . às fls. 594/621, cópias do pedido de autorização de levantamento correspondente ao depósito de 08/2001, com seus desdobramentos, até o desfecho de fl. 621, 05/05/2003, que aditou a decisão de conversão em renda, excetuando o efetuado em agosto de 2001, o qual permanecerá à disposição do juizo até julgamento final do agravo de instrumento n° 2003.01.00.0079080MG pelo TRF – lª. Região; Juntei aos autos a consulta processual junto ao TRF da lª. Região de fls. 666/667.” Após a análise da defesa da Recorrente a Sétima Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ I, proferiu o acórdão nº 1213.7437, que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatada, por imputação do depósito judicial convertido em renda, a insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, procedente é o lançamento sobre a diferença, com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. Cabível o lançamento de multa de oficio quando a exigibilidade do crédito não estiver suspensa por liminar em mandado de segurança ou deposito integral do crédito tributário. MORA TAXA SELIC. E cabível, por expressa disposição percentual legal, a exigência de juros de mora em superior a 1%. A partir de 01/04/1995, os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente.” Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário contra a decisão exarada alegando, em síntese: (i) a vigência de decisão favorável à época do depósito judicial, Fl. 776DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 em vista do efeito suspensivo dos embargos de declaração; (ii) a impossibilidade de transferência da multa para o sucessor por incorporação e (iii) a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, registro que a controvérsia dos autos cingese a três pontos: (i) o efeito suspensivo dos Embargos de Declaração; (ii) a impossibilidade de sucessão de multa; (iii) a inconstitucionalidade declarada da Lei nº 9.718/98. (i) Do Efeito suspensivo dos Embargos de Declaração Do cômputo dos autos verifico que no caso em apreço a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.019.6295 na intenção de obter a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição ao PIS e Cofins previsto na Lei 9718/98. De acordo com as fls. 251/261 (fls. Eletrônica do volume II), a Recorrente obteve Sentença favorável ao seu pleito, (Sentença n° 2818, datada de 30/08/99, publicada em 03/09/99), autorizando o recolhimento do PIS nos moldes da Lei 9.715/98 e da Cofins nos termos da LC 70/91. Com base na mencionada decisão favorável a Recorrente deixou de recolher a parte controversa da contribuição ao PIS nos meses de 03 a 06/2001. Após analisar a remessa de ofício e o recurso de apelação (TRF da lª. Região, AMS.01.00.0339172MG), a 3ª Turma do TRF da lª. Região proferiu o acórdão publicado em 29/11/2000, fls. 13/29 (fls. Eletrônicas do volume II), reformando a sentença, "à unanimidade, negou provimento apelação da Telemig, deu provimento à apelação da União Federal...". Inconformada a Recorrente interpôs Embargos de Declaração (fls. 35/49 – Eletrônica, volume II). Às Fls.53/55 – eletrônica, volume II – consta petição da Recorrente solicitando guia para depósito e juntando planilha de valores, indicando a competência e a composição de cada período acrescido de juros (taxa selic). O depósito foi realizado em guia única na data de 13/07/2001 (fls. 66 – eletrônica, volume II). Os Embargos de Declaração foram julgados em 20/02/2002 (fls. 196/200 – Eletrônica, volume II). Em virtude da ordem dos fatos é que foi lavrado o auto de infração em análise. A fiscalização entendeu que os Embargos de Declaração não possuíam efeito Fl. 777DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 330201.186 S3C3T2 Fl. 4 7 suspensivo e, portanto, a Recorrente estava em mora. Por estar em mora deveria ter realizado o depósito acrescido de multa, o que não foi feito. Neste momento, ao invés de aplicar a multa isolada de 75% cabível à época (artigo 44, §1º, da Lei nº 98.430/96 recolhimento do principal sem multa de mora), a fiscalização optou por proceder à imputação do pagamento, considerando o valor acrescido e multa de mora, e lançou a diferença de principal/multa/juros. Por outro giro, em seu entender, a Recorrente depositou integralmente o valor devido, calculando para isso o principal acrescido dos juros, nos termos do §2º, artigo 63, Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Registrase que a autoridade administrativa entende inaplicável o mencionado artigo seja porque a contribuição ao PIS não teve decisão liminar favorável, apenas sentença, seja porque os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo. No que se refere à decisão favorável, não merece guarida a interpretação restritiva da decisão de primeira instância, ainda que não houvesse liminar, a Recorrente teve em seu favor decisão de mérito, válida, vigente e eficaz, uma vez que o recurso de apelação, em mandado de segurança não possui efeito suspensivo. Neste aspecto, na hipótese de a conduta da Recorrente não estar tipificada no §2º, estaria tipificada no §1º, pois o débito estava com a exigibilidade suspensa por força da sentença proferida no mandado de segurança “antes de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. Em relação aos efeitos dos Embargos de Declaração, a meu ver, e conforme manifestações já apresentadas em julgamentos desta Turma, os Embargos de Declaração têm efeito suspensivo, pois a regra geral que estabelece os efeitos dos recursos é a de que tenham efeito suspensivo e devolutivo. Destaco, ainda, que no meu entendimento o efeito suspensivo dos Embargos de Declaração independente dos efeitos que possuem os demais recursos cabíveis contra a decisão embargada cujo prazo os Embargos interrompem. Advêm da regra geral de que todos os recursos têm efeito suspensivo, a menos que a Lei venha a excepcionálo desta regra. Assim, entendo que não importa os efeitos que possuem os recursos seguintes cabíveis. Ressalto, ainda, que o efeito suspensivo é imprescindível aos Embargos de Declaração, na medida em que, uma vez opostos, a finalidade é que venham a esclarecer Fl. 778DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 alguma obscuridade, sanar omissão ou contradição, a fim de que a decisão possa ser adequadamente cumprida. Negar efeito suspensivo aos Embargos de Declaração seria permitir o cumprimento inadequado da decisão proferida, admitindose, inclusive, o risco de perda ou dano ao direito tratado. Corrobora este entendimento voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Alexandre Gomes, nos autos do processo nº 10680.021762/9987, verbis: “A regra processual esculpida no Código de Processo Civil tem como regra geral a suspensividade dos recursos, negandolhe expressamente tal efeito em casos específicos, como no Recurso Especial e Extraordinário1. Se a lei processual silencia a respeito dos efeitos aplicáveis aos declaratórios, não há como deixar de aplicarlhes a regra geral. Humberto Theodoro Junior2 assim ensina: Certo que em alguns casos a lei, prevendo a conveniência de autorizar a execução provisória, estatui que o recurso somente terá efeito devolutivo. Isto, porém, representa situação de exceção, que, por isso mesmo, se presta a confirmar a regra geral de que o efeito natural, na espécie, é o de suspender a eficácia do ato judicial impugnado. Ressalta, a propósito, BARBOSA MOREIRA, que o Código, ao cuidar das “Disposições Gerais” do capítulo pertinente aos recursos, julgou necessário indicar, logo no segundo dispositivo” (i.e., no art. 497) “os casos em que a interposição de recurso não tem efeito suspensivo”. Nesse sentido, aduz COUTURE que a privação provisória de efeitos da decisão recorrida “es connatural con los procedimientos de impugnación, y sólo en casos excepcionales es posible prescindir de la suspensión de los efectos del fallo impugnado”. A razão de ser desse enunciado legal situase no fato de que “a regra, na matéria, é a da suspensividade, como, aliás, ressumbra do tratamento dado, no particular, à apelação. Por conseguinte, sempre que o texto silencie, deve entenderse que o recurso é dotado de efeito suspensivo: assim ocorre com os embargos infringentes”. De igual teor é o pensamento, também, de NELSON NERY JÚNIOR, para quem “no sistema recursal do Código de Processo Civil brasileiro, a regra é o recebimento dos recursos nos efeitos suspensivo e devolutivo”. 1 Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. 2 Humberto Theodoro Júnior, Os Embargos de Declaração e Seus Efeitos, Juris Síntese 36, 08/02 (http://www.direitointegral.com/2008/12/embargosdeclaracaoefeitosuspensivo.html) Fl. 779DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 330201.186 S3C3T2 Fl. 5 9 Uma vez, pois, que o Código de Processo Civil não priva os embargos de declaração, por regra alguma, da natural eficácia suspensiva, urge reconhecêla, como decorrência natural e lógica do sistema recursal adotado por nosso direito positivo. É a conclusão a que chega a melhor doutrina: “Como os recursos em geral, salvo exceção expressa, os embargos de declaração mantêm em suspenso a eficácia da decisão recorrida”. Para NELSON NERY JÚNIOR, pelos fundamentos já expostos, “são também recebidos no duplo efeito os embargos de declaração (art. 538, caput, do CPC) e os embargos infringentes (art. 530, CPC)”. Anota NELSON LUIZ PINTO, sobre o tema, que os embargos de declaração, como os recursos em geral, são dotados dos efeitos devolutivo e suspensivo. Têm o efeito devolutivo “na medida em que proporcionam a devolução da matéria decidida ao Poder Judiciário”, embora a revisão a ser efetuada fique restrita ao “esclarecimento e integração do decisório embargado”. Sua interposição, outrossim, obsta à formação da coisa julgada ou à preclusão da decisão recorrida”. E, enfim, “possuem os embargos de declaração, também, efeito suspensivo da executoriedade da decisão recorrida, não permitindo que se proceda à execução provisória”. Aliás, mais do que qualquer outro recurso, os embargos de declaração não podem prescindir da força de suspender a decisão impugnada. Sua própria índole é a de aperfeiçoar o ato judicial que, como está, se revela lacunoso, contraditório ou impreciso, tornandose, por isso, de difícil compreensão e de perigosos resultados práticos. O julgamento de qualquer recurso tende a substituir o julgado anterior, ou seja, o que foi objeto de impugnação, de maneira que a eficácia natural do ato emanará do segundo julgamento e não do primeiro. Essa necessidade de aguardar o julgamento do recurso tornase muito mais enérgica nos casos do art. 535 do CPC, tanto que o Código manda interromper o prazo para o recurso principal, ou seja, para o recurso de impugnação e revisão do conteúdo do decisório embargado. Isto revela que há uma razão lógica para terse como de eficácia suspensa a sentença embargada. É que “não se pode compelir o legitimado a recorrer de ato judicial cujo sentido ele não alcança por causa da obscuridade, contradição ou omissão”. Fl. 780DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 10 No presente caso o depósito judicial foi realizado enquanto pendentes de análise os Embargos de Declaração, ou seja, enquanto vigia a sentença favorável à Recorrente. A decisão então favorável somente deixou de produzir efeitos (foi cassada) com a publicação do acórdão que julgou os Embargos de Declaração, o que ocorreu em 20/02/2002. Neste sentido, o auto de infração não poderia ter sido lavrado, pois o depósito, acrescido dos juros é suficiente para a quitação do débito. (ii) Da Impossibilidade de Sucessão de Multa Partindo da premissa que o cancelamento total do auto de infração não prevaleceu na turma de julgamento, e uma vez que se trata de órgão colegiado, passo a analisar os demais argumentos. Em relação à sucessão de multa, minha opinião pessoal é de que a razão pertence à Recorrente. Realmente, entendo que o Código Tributário Nacional é bastante claro ao se referir à transferência das multas punitivas para aDaniel, s sucessoras. O artigo 132 é cristalino ano indicar que a sucessão é apenas do valor do tributo, verbis: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." (destacamos) Ademais, as penalidades são de caráter personalíssimo, razão pela qual não seriam suscetíveis de transferência por incorporação. Todavia e, à despeito deste entendimento, é de se mencionar que este Egrégio Tribunal Administrativo possui uma Súmula sobre esta matéria, e a conclusão vai em sentido diametralmente oposto ao externado por esta Conselheira. É o que se verifica do texto abaixo mencionado: “Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Desta forma e por expressa determinação regimental (RICARF artigo 45, inciso VI), concluo pela possibilidade pela sucessão da multa no caso de incorporação de empresas no mesmo grupo econômico. (iii) Da Inconstitucionalidade Da Lei nº 9.718/98 Ao adentrar no mérito, que deve ser analisado em virtude da decadência ser parcial, duas questões restam para análise. A primeira é processual, e remete à possibilidade ou não deste Colegiado, uma vez autorizado por seu Regimento Interno, aplicar a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal quando da análise dos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Conforme relatado, verificase que a Recorrente apresentou medida judicial (mandado de segurança nº 99.00179226) para discutir a constitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98. Todavia, não obteve êxito nesta ação, sendo que a decisão do tribunal que lhe foi contrária transitou em julgado em abril/02. Fl. 781DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 330201.186 S3C3T2 Fl. 6 11 No presente recurso, pretende a Recorrente a aplicação do posicionamento do Supremo independentemente desta decisão judicial, uma vez que se trata de exigência fundada em norma nula. Pois bem. Confesso que me incomodo com a manutenção de uma cobrança pautada em legislação sabidamente inconstitucional. Pareceme absurdo, no que se refere à justiça, a manutenção de qualquer auto de infração fundamentado em “norma nula”. Isto porque, doutrinariamente falando, lei inconstitucional é lei nula, e a consequência da nulidade é justamente a ausência de produção de efeitos. Algo que nunca existiu – ou nunca deveria ter existido – certamente nunca produziu efeitos – ou nunca poderia têlos produzido. E, até então, a declaração de inconstitucionalidade traria a situação julgada para seu status quo ante,ou sejam para o estado imediatamente anterior. Digo que “até então” pois a “modulação” dos efeitos de uma declaração de inconstitucionalidade, a meu ver, trouxe certa confusão às estáticas significações de nulidade e anulação, sendo que hoje algo pode ser nulo mas produzir efeitos até um determinado momento. Todavia, e a despeito de toda divagação entre o que é nulo e o que é anulável, analisando o fato in concreto, temse que a Recorrente foi ao judiciário buscar um determinado provimento jurisdicional que lhe foi negado. Obteve uma ordem judicial contrária ao seu pleito, e solicita, a este tribunal, que altere esta ordem judicial. Não que os motivos não sejam relevantes, a ordem está pautada em uma norma que o Supremo Tribunal Federal disse ser nula, entretanto, ao fim o que se requer é que um tribunal administrativo altere uma decisão definitiva de um tribunal judicial, o que não pode ser feito por absoluta ausência de competência. Apenas o judiciário é competente para modificar decisão terminativa proferida por seus membros. Esta espécie de “controle”, inclusive em respeito ao pacto federativo, não pode ser realizada por órgão administrativo vinculado ao Poder Executivo. É a segurança jurídica do contribuinte, inclusive defendendo o cidadão do governante do próprio Estado. É exatamente por isso que o ordenamento jurídico prevê as possibilidades de reversão de decisão judicial transitada em julgado (Ação Rescisória, artigo 485 do Código de Processo Civil – CPC), trazendo inclusive limites para esta alteração. Limites estes impostos para os próprios membros do judiciário que irão reavaliar o que foi decidido. A questão aqui analisada se complica ainda mais, porque a decisão do tribunal superior que concluiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, não foi proferida em controle concentrado de constitucionalidade, mas apenas em controle difuso, em rigor aplicável apenas às partes participantes dos autos daqueles processos (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084). Da mesma forma, não foi requerida ao Senado Federal a expedição de uma Resolução, na intenção de que a citada norma fosse expurgada do ordenamento jurídico. Tais fatos são relevantes, porque a decisão do STF não possui efeitos erga omnes. Assim, ao acolher a tese da Recorrente este Colegiado, pertencente a um tribunal administrativo vinculado ao Poder Executivo, estaria contrariando uma decisão judicial transitada em julgado com base em precedente da Suprema Corte, em uma decisão que não tem efeitos para outros contribuintes ao não ser aqueles vinculados aos processos judiciais naquele momento julgados. Fl. 782DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Anoto que o Regimento Interno deste Tribunal permite que os julgadores administrativos reconheçam a inconstitucionalidade de leis já desta forma julgadas pelo Pleno do STF, certamente com a intenção de diminuir a quantidade de processos que mesmo tratando de causas decididas ainda tramitam pelo judiciário. Entretanto, entendo que tais regras, que são administrativas, não autorizam a utilização destas decisões para modificar a coisa julgada judicial. Desta forma, apesar de compreender que a manutenção da exigência significa permitir a cobrança de tributo pautado em norma considerada pela Suprema Corte nos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 como inconstitucional, em vista da questão específica ora analisada e das limitações que são impostas aos julgadores administrativos, não vejo outra opção a não ser negar provimento ao Recurso do contribuinte neste particular. Ante o exposto CONHEÇO do presente posto que de acordo com os pressupostos de admissibilidade, e no mérito DOU PROVIMENTO ao recurso, por reconhecer os efeitos suspensivos dos Embargos de Declaração para o fim de cancelar o auto de infração. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 783DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16537.001125/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/04/2000
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade.
RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA MORATÓRIA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Recorrente CIPLA INDÚSTRIA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/04/2000 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 11 25 /2 01 1- 08 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001125/201108 Acórdão n.º 2302002.488 S2C3T2 Fl. 262 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foi lavrada em 29/05/2000 e cientificada ao sujeito passivo em 30/05/2000, e referese às contribuições previdenciárias decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e as prestadoras de serviço, no período de 07/1997 a 01/1999 e à retenção de 11% advinda da redação dada pela Lei n.º 9711/98, ao artigo 31, da Lei n.º 8.212/91, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra nas competências de 02/1999 a 04/2000. Às fls. 97/98, constam discriminativos das notas fiscais relativas à responsabilidade solidária e às fls. 99/101, os discriminativos das notas fiscais sujeitas à retenção de 11%. Após a impugnação, Decisão Notificação julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a inconstitucionalidade do artigo 31 da Lei n.º 8.212/91;; b) que não é possível a cumulação de juros de mora com multa de mora; c) a vedação da multa moratória à empresa concordatária , o que é o seu caso; d) a impossibilidade da aplicação da taxa SELIC como juros moraratórios. Por fim, requer o provimento do recurso para que seja declarada a improcedência da notificação. O recurso apresentado não foi acompanhado do depósito recursal, o que levou à inscrição do crédito, posteriormente cancelada em vista da Súmula Vinculante n.º 21, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a exigibilidade do depósito recursal. O crédito retornou à esfera administrativa para exame do recurso de fls. 152/178. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O crédito referese às contribuições previdenciárias decorrentes da responsabilidade solidária da recorrente para com as prestadoras de serviço nas competências de 07/1997 a 01/1999, com base no disposto pelo artigo 31, da Lei n.º 8.212/91 e a partir de 02/1999 a 04/2000, o crédito referese à retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, em odebiência à nova redação dada ao artigo 31, pela Lein.º 9.711/98. A recorrente não se insurge contra as bases de cálculo do lançamento, de forma que em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, deixo de me manifestar sobre a pertinência da notificação, cujos valores foram apurados através das notas fiscais de prestação de serviço e da contabilidade da recorrente: Decreto n.º 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Quanto à alegação de inconstitucionalidade do artigo 31, da lei n.º 8.212/91, informo à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001125/201108 Acórdão n.º 2302002.488 S2C3T2 Fl. 263 5 Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à arguição de que lhe estaria vedada a aplicação da multa moratória por ser concordatária, informo à recorrente que a assertiva não encontra fundamento na legislação, onde nada há a respeito da não incidência da multa moratória às empresas concordatárias. Para ilustrar, faço referência a julgado do STJ no Recurso Especial cuja ementa transcrevo abaixo: Processo: REsp 503625 MG 2003/00161264 Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Julgamento: 07/12/2004 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 14/02/2005 p. 157 Ementa TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CERCEAMENTO DE DEFESA MULTA MORATÓRIA COBRADA DAS EMPRESAS EM CONCORDATA TAXA SELIC. 1. Quando a lide versa sobre matéria de direito está o juiz de primeiro grau autorizado a julgar antecipadamente a lide, sem necessidade de abrir às partes oportunidade para produção de provas. 2. Não é nula a CDA que, em relação aos juros, sem indicar a sistemática de seus cálculos, apenas menciona a lei a ser seguida para o cômputo. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 3. A jurisprudência desta Corte, pela 1ª Seção, firmou entendimento de que a multa moratória não deve ser paga pelas empresas em regime de falência, diferentemente das pessoas jurídicas que, em concordata, devem pagar a multa.(grifei) 4. A taxa SELIC, segundo o direito pretoriano, é o índice a ser aplicado para o pagamento dos tributos federais e, havendo lei estadual autorizando a sua incidência em relação aos tributos estaduais, deve incidir a partir de 01/01/96. 5. Recurso especial conhecido, mas improvido. É inócua a arguição da recorrente quando a impossibilidade da cumulação de juros de mora e multa de mora, sobre as contribuições incluídas nesta notificação, porque a aplicação de ambos está disposta pela Lei n.º 8.212/91, nos artigos 34 e 35, com a redação vigente à época do lançamento e dos fatos geradores. Conforme o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, deve ser aplicada a multa moratória para os casos de recolhimento em atraso, pois não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispunha, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001125/201108 Acórdão n.º 2302002.488 S2C3T2 Fl. 264 7 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, os juros e a multa de mora foram aplicados na forma da legislação vigente. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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