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Numero do processo: 15771.720300/2013-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 03 00 /2 01 3- 88 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720300/201388 Acórdão n.º 3803006.500 S3TE03 Fl. 305 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 23/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720300/201388 Acórdão n.º 3803006.500 S3TE03 Fl. 306 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720300/201388 Acórdão n.º 3803006.500 S3TE03 Fl. 307 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10850.721104/2011-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/11/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não compreendidas no conceito de faturamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/11/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não compreendidas no conceito de faturamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 11 04 /2 01 1- 65 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.126 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: RODOBENS ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS LTDA. . (contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: VALOR Fls. Do Período de PROCESSO PLEITEADO TRIBUTO Pleito Apuração 10850721104201165 R$ 194.190,64 Cofins 17/52 Vários 10850907864200943 R$ 25.362,05 Cofins 44/46 31/10/2001 10850909291201115 R$ 25.362,05 Cofins 2/4 31/10/2001 10850907866200932 R$ 23.892,11 Cofins 43/45 31/12/2001 10850909297201184 R$ 23.721,61 Cofins 2/4 31/1/2002 10850907863200907 R$ 23.617,75 Cofins 44/46 31/8/2001 10850909287201149 R$ 23.617,75 Cofins 2/4 31/8/2001 10850907875200923 R$ 22.975,81 Cofins 44/46 31/3/2002 10850909300201160 R$ 22.975,81 Cofins 2/4 31/3/2002 10850907877200912 R$ 22.536,55 Cofins 44/46 31/5/2002 10850909304201148 R$ 22.536,55 Cofins 2/4 31/5/2002 10850907868200921 R$ 21.967,90 Cofins 43/45 31/1/2002 10850907865200998 R$ 20.491,31 Cofins 43/45 30/11/2001 10850909293201104 R$ 20.491,31 Cofins 2/4 30/11/2001 10850907874200989 R$ 20.259,99 Cofins 43/45 28/2/2002 10850909299201173 R$ 20.259,99 Cofins 2/4 28/2/2002 10850906247201145 R$ 20.225,11 Cofins 2/5 30/9/2001 10850909289201138 R$ 20.225,11 Cofins 2/4 30/9/2001 10850907869200976 R$ 19.474,82 Cofins 43/45 31/1/2002 10850907870200909 R$ 19.404,12 Cofins 44/46 31/1/2002 10850907871200945 R$ 18.462,67 Cofins 43/45 31/1/2002 10850907872200990 R$ 17.750,30 Cofins 43/45 31/1/2002 10850907873200934 R$ 15.911,97 Cofins 43/45 31/1/2002 10850721100201187 R$ 11.083,85 PIS 8/12 Vários 10850909290201162 R$ 5.495,11 PIS 2/4 31/10/2001 10850909294201141 R$ 5.176,62 PIS 2/4 31/12/2001 10850909301201112 R$ 5.174,74 PIS 2/4 30/4/2002 10850909296201130 R$ 5.139,68 PIS 2/4 31/1/2002 10850909286201102 R$ 5.117,18 PIS 2/4 31/8/2001 10850909303201101 R$ 4.882,92 PIS 2/4 31/5/2002 10850909292201151 R$ 4.439,78 PIS 2/4 30/11/2001 10850909298201129 R$ 4.389,66 PIS 2/4 28/2/2002 10850909288201193 R$ 4.382,11 PIS 2/4 30/9/2001 10850909305201192 R$ 3.173,02 PIS 2/4 30/6/2002 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.127 3 Tais processos estão sendo juntados por "apensação", considerando principal o de n° 10850.721104/201165, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante "Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos Declaração de Compensação" PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 16e seguintes do"processo principal" transmitida em 30/08/2006 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de novembro/2002. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 75 a 79 do "processo principal", proferido em 07/06/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os "ece os e disposições da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 85 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art. 65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.128 4 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.129 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, deixo consignado que acompanho o procedimento adotado pela DRJ de, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos aos processos que estão juntados por "apensação", considerando principal o de n° 10850.721104/201165, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio, adotandose a decisão acatada pela Turma no presente acórdão para os demais processos apensados. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que o contribuinte: não retificou as DCTF para reduzir os valores devidos (confessados) e aflorar o pretenso direito creditório e não apresentou DIPJ e DACON retificadas com as novas apurações dos valores devidos a título de PIS/Cofins. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre valores de COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal Do exame do despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Apesar da autoridade fiscal ter feito a análise manual do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em PER eletrônico, esta considerou apenas o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não verificando efetivamente o mérito da questão, o que se tornou viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual foi seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não obstante as considerações da autoridade julgadora a quo, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, conforme ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.130 6 se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior . Portanto, mesmo que não tenha sido providenciada a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 78. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.131 7 Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721104/201165 Acórdão n.º 3801004.320 S3TE01 Fl. 1.132 8 Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de PIS e de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento, nos termos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12963.000428/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não tendo feito o Fisco, descabe qualificar a multa.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão o valor de R$ 2.300.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a de 150% para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos que somente desqualificava a multa.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 04 28 /2 01 0- 33 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não tendo feito o Fisco, descabe qualificar a multa. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão o valor de R$ 2.300.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos que somente desqualificava a multa. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 07/06/2010 (fls. 741/748), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 54.956.569,40, acrescida multa qualificada de 150% e juros de mora, calculados até 31/05/2010. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 743, o Fisco apurou Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do Termo de Verificação Fiscal em fls. 756/ que: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 904 3 “[...] O fiscalizado foi formalmente intimado em 27/06/2008, fl. 5, através do TERMO DE INÍCIO DE FI5CALIZA0(0, fls. 2/4, a JUSTIFICAR a discrepância encontrada do confronto entre os valores movimentados em suas contascorrentes e o declarado em sua declaração de Bens e Direitos e Rendimentos Tributáveis, Tributáveis Exclusivamente na Fonte e os Isentos e Não Tributáveis da sua DIRPF AJUSTE ANUAL, fls. 557/561, consoante o anocalendário de 2005. Esta obrigação de "justificar" reside no fato de que a soma de todas as movimentações financeira do fiscalizado alcança a cifra de mais de R$70.000.000,00 de reais (R$67.077.849,92) movimentado no Banco do Brasil, f1.587, mais (R$145.113,81) movimentado no Banco Itaú, fl. 584, mais (R$4.586.690,80) movimentado no Banco Bradesco, fl. 571; enquanto que os valores declarados que dão suporte as suas movimentações situamse no importe de R$2.316.365,97, (R$1.339,97 proventos do INSS + R$2.300.000,00 à titulo rendimentos diversos + R$15.026,00 rendimentos isentos e não tributáveis), fls. 58/559, valores estes insuficientes a justificar origem da movimentação financeira detectada. [...] Embora o fiscalizado diligentemente tenha apresentado os extratos bancários requeridos, do Banco do Brasil fls. 09 a 437, do Banco Bradesco fls. 438 a 531 e do Banco Itaú f Is. 532 a 543; objeto de auditoria minuciosa que adiante se explana os resultados obtidos, temos por convicção e presunção legal, que as explicações acerca das origens de seu volumoso numerário movimentado, cerca de 30 (trinta) vezes o valor liquido declarado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Ajuste Anual Simplificada, concernente ao ano calendário de 2005; não refletem, muito menos justificam a verdade material detectada, sobejamente que SALDO bancário não é o que importa para o presente caso, em face de que se requer, fundamentalmente, a justificativa quanto as origens deste volumoso numerário; se foi tributado, isento ou tributado exclusivamente na fonte, em resumo, se da prática desta movimentação financeira decorreu a sonegação de tributo. [...] A auditoria que se fez nos extratos bancários apresentados foram no sentido de se contabilizar todos os lançamentos à crédito, já desconsiderando estornos; desbloqueio de depósito seguido de estorno; cujo trabalho hercúleo realizado constatase e demonstrase o que segue: Extratos do Banco do Brasil, Agência 00647, contacorrente n° 14.9241: [...] O resultado do trabalho empreendido nestes extratos de 428 páginas foi sintetizado, em doze planilhas, fls. 588 a 649, consoante os doze meses do anocalendário de 2005, num total de 62 laudas, descrevendo 3.602 lançamentos a crédito nesta contacorrente, com valores individualizados variando de R$1,00 (lançado em 28.06.2005) a R$586.000,00, (deposito Fl. 923DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 cheque BB liquidado em 17.10.2005), dentre vários outros depósitos de vulto, todos consignados nestas planilhas lavradas e devidamente assinadas pela Autoridade Tributária signatária deste Termo, perfazendo um total de exatos R$67.077.849,92 (sessenta e sete milhes, setenta e sete mil, oitocentos e quarenta e nove reais e noventa e dois centavos), planilha de fl. 587, que carece identificação de suas origens, corroborados por documentos hábeis e idôneos, pois sem o qual serão levados a tributação do imposto sobre a renda de pessoa física. II Extratos do Banco Bradesco S/A, Ag. 13854, conta corrente n° 98191: [...] O resultado do trabalho empreendido nestes extratos foi sintetizado, em doze planilhas, fls. 572 a 583, consoante os doze meses do anocalendário de 2005, num total de 12 laudas, descrevendo 710 lançamentos a crédito nesta contacorrente, com valores individualizados variando de R$11,08 a R$61.787,79, (transferência entre AG CHQ/DINH KEIKO DO BRASIL, em 25.01.2005), dentre vários outros depósitos de vulto, todos consignados nestas planilhas lavradas e devidamente assinadas pela Autoridade Tributária signatária deste Termo, perfazendo um total de exatos R$4.586.690,46 (quatro milhões, seiscentos e noventa mil reais e quarenta e seis centavos), planilha de fl. 571, que carece identificação de suas origens, PRINCIPALMENTE os depósitos identificados como Recebimento Fornecedor Entel Construgaes Elétricas Ltda; Recebimento Fornecedor Cmel Serv. Centro de Manut de Equi.; Transf. CC P/ CC CPMF PJ KEIKO DO BRASIL IND E COM LTDA; Transf. Casa do Eletricista Ltda.; dentre outros; que sejam justificados e corroborados por documentos hábeis e idôneos; pois sem o qual serão levados à tributação do imposto sobre a renda de pessoa física. Ainda advertimos o fiscalizado de que: "Nestes extratos, especificamente, resta grande dúvida quanto a "conduta" do fiscalizado, se este estaria utilizando suas contas correntes, de pessoa física, para movimentação de receitas de sua empresa "Pasqua Condutores Elétricos Ltda.", num esquema próprio de omissão de receitas desta, o que, se confirmar, por si só, constitui grave crime contra a ordem tributária e fraude contra o sistema financeiro nacional." III Extratos do Banco 'tad S/A, Agência 086 1, conta corrente n° 00410 9: Encontramos nestes extratos desta contacorrente, fls. 533 a 543, vários depósitos cuja origem é conhecida, tais como "PGTO. INSS 00745872646" e "Credito CPMF Beneficio", que não foram tabulados em face sua origem conhecida; porem alinhavamos 18 depósitos intitulados: "Depósito Dinheiro", "CEI Depósito CHQ" e "AG Resgate facautplus", que durante o anocalendário perfizeram a quantia de R$145.113,81 (cento e quarenta e cinco mil, cento e treze reais e oitenta e um centavos), planilha de fl. 584, requerendo também sua justificação quanto sua origem, por meio de documentos hábeis e idôneos. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 905 5 No total somamse 4.330 depósitos à crédito, nas conta correntes auditadas, de valores variando de R$1,00 a R$586.000,00 a reclamar justificativa de suas origens, se licitas, se tributadas, oriundas do crime, da lavagem de dinheiro, sonegadas, da prática de agiotagem, uma incógnita! [...] Temos, em função de tudo o que foi descrito e provado nestes autos, que considerar o fato do fiscalizado movimentar quantia superior a mais de trinta vezes o declarado em sua DIRPF, o que evidencia dolo, smj, e nesta situação a lei nos impõe representálo penalmente, o que fazemos mediante o Processo n° 12963.000429/201088 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – IRPF. [...]” Foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais contra o contribuinte, processo n° 12963.000429/201088, e aplicouse, sobre o imposto apurado, multa proporcional qualificada de 150%, por ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária. Formalizouse, também, o Processo de Arrolamento de Bens Pessoa Física n° 12963.000430/201011. Cientificado da exigência tributária e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 09/07/2010 (fls. 468/796), acompanhada de documentos de fls. 797/841, alegando em síntese o que segue, conforme relatório da decisão a quo: [...] II — Da extinção do mandado de procedimento fiscal pelo descumprimento do prazo para a fiscalização. No presente caso, houve o descumprimento da Portaria SRF n° 6.087/2005, que traz uma regra de extinção do procedimento fiscal. Nunca foi comunicado ou entregue ao sujeito passivo qualquer demonstrativo de emissão e prorrogações do MPF. Ocorreu um vácuo de mais de 590 dias (mais de um ano e oito meses) sem qualquer manifestação fiscal, o que torna qualquer justificativa de prorrogação infundada. Logo, o MPF é nulo, bem como todos os atos que a ele se seguiram, segundo determina a regra do art. 15 da Portaria SRF n° 6.087/2005. III — Da origem dos depósitos. III1) Origem dos créditos. Para que não pairem dúvidas, reitera a origem dos créditos e justificativa da movimentação bancária (empréstimos informais a terceiros), tudo conforme informado anteriormente. Relembrando, nunca houve R$ 70.000.000,00 de renda e sim R$ 4.670.000,00, cujo IRPF devido vem sendo pago através do parcelamento firmado, conforme processo n° 13652.000109/200618. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Este contribuinte, em 2005, emprestava e recebia de terceiros o valor aproximado de R$ 4.500.000,00, de maneira informal e mensal, sendo que o lucro das citadas operações já foi tributado. É importante observar que ocorreu um acréscimo patrimonial mensal da pessoa física, que iniciou em 01/01/2005 com um capital, em dinheiro ou cheques, de R$ 2.909.911,00, e finalizou o ano de 2005 com R$ 5.179.349,00, também em dinheiro ou cheques. Todo esse acréscimo patrimonial está documentado pela movimentação bancária, objeto da fiscalização e devidamente auditada, para, ao final, comprovar o acréscimo patrimonial anual de aproximadamente R$ 2.300.000,00, devidamente oferecido tributação. III2) Declaração de rendimentos da pessoa física reflexos. Sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2005 indica com clareza o acréscimo patrimonial por ganhos decorrentes daquelas operações, conforme passa a demonstrar. III3) Quadro sinótico da movimentação bancária. Neste tópico sera apresentado um resumo extraído a partir do levantamento feito pelo agente fiscal como "movimento financeiro". III3.1) Banco do Brasil— agência 00647 — conta 14.9241. III3.2) Banco Bradesco — agencia 13844 — conta 9.8191. III3.3) Banco Itaú — agência 0861 — conta 4109. Os depósitos efetuados têm como contrapartida, nos mesmos meses, vários saques feitos a titulo de novos outros empréstimos, ficando como saldo na conta bancária à disposição do titular os valores que passa a demonstrar. Portanto, resta comprovado que nunca houve os R$ 70.000.000,00 como anotado no Termo de Constatação que lhe foi enviado pelo agente fiscal. Vultosa importância está prejudicada pelo vicio de erro, pois foi obtida pela soma dos depósitos bancários, sem descontar os valores sacados a titulo de novos outros empréstimos, negócio que nunca foi negado pelo contribuinte. Seguem as planilhas resumidas, cujos dados foram extraídos dos documentos apresentados pelo agente fiscal. Como restou demonstrado, movimentou mensalmente valores da ordem de aproximadamente R$ 4.000.000,00 entre depósitos e concomitantes saques, para novos empréstimos a terceiros, informalmente. “Vale frisar que em 2006, após ter realizado o acordo junto à RECEITA FEDERAL, uma vez que recebeu a intimação datada de 10 de março de 2006, se desfez dos poucos documentos que possuía. Sendo certo que controlava seus empréstimos por meio do recebimento de cheques (pagamentos futuros dos empréstimos, que também serviam de garantiu dos mesmos) que eram depositados em sua conta. E, após sua liberação, eram re emprestados”. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 906 7 IV — Da denúncia espontânea. Em agosto de 2006 foi realizada a denúncia espontânea sobre a movimentação do ano de 2005. Caso o agente fiscal não concordasse com tal procedimento, deveria ter, ao menos, contestado esta denúncia, dando inclusive margem para eventuais correções, se necessárias. V — Impossibilidade de tributar omissão de rendimentos mediante análise de dados anuais. Deve ser observado que, no confronto mensal das origens com os empréstimos, ficou demonstrada pelo contribuinte a variação patrimonial de aproximadamente R$ 2.300.000,00, que foi oferecida à tributação em 2006. A própria legislação, no RIR/99, em seu art. 55, XIII, determina que o acréscimo patrimonial da pessoa física deve ser apurado mensalmente. Logo, não é licito à fiscalização autuar o contribuinte pela somatória da movimentação bancária dos meses de 2005, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes em acórdãos mencionados na defesa. VI — Da ausência de crime contra a ordem tributária. “Não restou comprovado qualquer indicio de crime contra a ordem tributária, sendo certo que o contribuinte não agiu com dolo nem omitiu informação junto fiscalização. Isto desde 2006, ou seja, desde a primeira fiscalização sobre o ocorrido em 2005”. VII — Da multa. “A multa é totalmente desproporcional a suposta infração. Além disso, o contribuinte sempre, ao longo do procedimento que se iniciou em 10 de março de 2006 e do novo procedimento de fiscalização que se iniciou em 2008, bem como do terceiro procedimento de fiscalização de 2010, respondeu e juntou a documentação que possuía”. “Nunca houve qualquer dolo ou sequer indicio de dolo. Neste sentido a multa, caso a autuação se mantenha, deve ser minorada para o percentual de 20%”. VIII — Resumo. Após resumir sua defesa, ressalta "também a indignação do contribuinte com o procedimento de fiscalização que levou a uma autuação absurda, sem qualquer respaldo fático, sendo certo que o patrimônio acumulado do contribuinte ao longo de anos já está comprometido com o pagamento do parcelamento realizado em 2006. Mesmo assim, o Sr. Fiscal criou um patrimônio inexistente, de dezenas de milhões, sem qualquer embasamento fático do destino que se deu a este suposto patrimônio faraônico". IX — Do pedido. “Requer seja o presente Auto de Infração totalmente anulado, invalidando também o arrolamento e representação fiscal para fins penais, uma vez que é ilegal em seu Fl. 927DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 próprio procedimento (ausência de prorrogação) e não possui qualquer fundamento que invalide o procedimento de denúncia espontânea realizado em 2006 pelo contribuinte, desconsiderando a análise mensal da variação patrimonial”. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se configura nas hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, o que no presente caso não ocorreu. NORMAS PROCESSUAIS. MPF. FALTA DE CIÊNCIA EXPRESSA DA REVALIDAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, e alterações posteriores, é mero instrumento de controle administrativo gerencial. A possível falta da entrega ao contribuinte de Demonstrativos de Prorrogação do MPF, quando tais dados estão disponíveis na internei, não causa a nulidade do lançamento do crédito tributário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n° 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais, a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO ANUAL. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS. A guarda de documentos, que tenham repercussão tributária, deve ser mantida enquanto não se efetivar a caducidade do direito de a Fazenda Pública efetivar o lançamento, ou seja, enquanto não se operar a decadência, ou até o término do processo Fl. 928DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 907 9 administrativo fiscal, porventura instaurado em nome do contribuinte. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. No lançamento de oficio será aplicada a multa qualificada de 150% nos casos de ser evidente o intuito doloso por parte do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco sobre a obtenção de rendimentos tributáveis, em face das apurações realizadas pela autoridade autuante e reveladas nos autos do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0931.174 da 4ª Turma da DRJ/JFA em 08/09/2010 (fl. 861). Sobreveio Recurso Voluntário em 01/10/2010 (fl. 862/900), acompanhado do documentos de fl. 901, qual seja, cópia da Carteira da OAB do procurador do contribuinte, no qual o contribuinte ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminarmente, no que tange à arguição de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), especialmente à suposta ausência de ato formal de alteração/prorrogação do MPF, entendo que não há nenhum vício na emissão e/ou prorrogação do referido instrumento. No presente caso, houve a emissão regular de MPF e a consulta das prorrogações e/ou informações acerca do instrumento poderiam ser acessadas pelo contribuinte via internet, conforme prevê o art. 18 da Portaria RFB nº 11.371/2007. Ademais, consolidouse na jurisprudência desse Conselho que a falta do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade, com muito mais razão falhas de formalidade nos MPF ou vencimento do seu prazo não invalidam o lançamento, conforme se pode extrair da leitura dos excertos de acórdãos abaixo reproduzidos. MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de Fl. 929DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como consequência a nulidade do ato. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105558, julgado em 04.12.2006) MPF FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR NULIDADE INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105189, julgado em 14.03.2005) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (Acórdão CS RF nº 40106085, julgado em 11.11.2008) Por isso, rejeito esta preliminar. No mérito, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado à comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Cabe frisar, que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento Fl. 930DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 908 11 dos rendimentos presumidamente omitidos. Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. Inclusive, é entendimento pacificado neste E. Conselho, através da Súmula nº 26 do CARF, que não há necessidade de a fiscalização demonstrar sinais exteriores de riqueza para fundamentar lançamentos com base em depósitos bancários sem origem justificada: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. No presente recurso, alega o recorrente que “os depósitos efetuados têm como contrapartida, nos mesmos meses, vários saques feitos a titulo de novos outros empréstimos, ficando como saldo na conta bancária à disposição do titular os valores que passa a demonstrar.” Contudo, não obstante a tais argumentos, compulsando os autos, verificase que o contribuinte em momento algum, quer seja na impugnação ou no presente recurso, logrou comprovar a origem dos rendimentos que circularam por suas contas bancárias, limitandose tão somente à afirmar que trataramse de empréstimos informais, os quais concedia à terceiros. Com efeito, a alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação dos extratos bancários de tais operações (depósitos e saques). A demonstração das origens do expressivo numerário movimentado nas contas bancárias poderia facilmente ser comprovada através da apresentação de notas promissórias, contratos de mútuos e demais documentos que evidenciassem os aludidos empréstimos pactuados, que indicassem os respectivos valores e para quem fora emprestado, bem como de quem fora recebido, os quais, por conseguinte, poderiam ser transcritos para planilhas que especificassem cada empréstimo realizado. Neste caso, face à inversão do ônus da prova estabelecido por força legal do já supracitado art. 42 da Lei 9.430/96, o recorrente para ilidir a presunção relativa no que concerne à omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários sem origem comprovada, obrigatoriamente, deveria ter apresentado documentos que demonstrassem a movimentação financeira sustentada pelo mesmo, qual seja, empréstimos em já fora tributado o lucro, e neste caso, que houvesse a necessária coincidência entre os nomes dos beneficiários das alegadas operações financeiras – empréstimos. Ainda que não obrigatório, dado ao elevado numerário movimentado pelo recorrente, qual seja, mais de R$70.000.000,00 no ano sob litígio, seria razoável possuir Fl. 931DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 registros contábeis e quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem da referida movimentação financeira. Logo, não há como considerar justificadas a origem dos recursos que ingressaram nas contas bancárias do contribuinte, sendo correto o lançamento do crédito tributário por omissão de rendimentos através de depósitos bancários de origem não comprovada. No entanto, cabe observar que o valor dos rendimentos declarados na DAA 2006, como recebidos de pessoa jurídica pelo titular no valor de R$ 2.301.339,97, os quais, excluídos o valor de R$ 1.339,97, recebidos do INSS, foram declarados como sendo em decorrência de aumento patrimonial sem origem (R$ 2.300.000,00), e neste caso, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Neste sentido, cabe transcrever excertos de decisões deste Egrégio Conselho no mesmo sentido: “Processo nº 10860.006264/200271 Acórdão nº 2801003.734 – 1ª Turma Especial Sessão de 7 de outubro de 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.” “Processo nº 10820.002241/200514 Acórdão nº 2801003.654 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de agosto de 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de Fl. 932DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 2102003.167 S2C1T2 Fl. 909 13 cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.” Portanto, o valor de R$ 2.300.000,00, declarado como sendo de aumento patrimonial sem origem, deve ser excluído da omissão de rendimentos do presente lançamento. Finalmente, no que tange à multa qualificada, conforme se extraí do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 754, o Fisco, ao fundamentála, admite que possui dúvida quanto a conduta do recorrente, quiçá fez a prova que lhe competia, nos termos dos arts. 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, cuja prova é determinante para a aplicação da multa na forma qualificada. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. In verbis: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito de liberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que a diferenciada declaração inexata ou da falta ou pagamento a menor do tributo ou da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado (nota fiscal fria, calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os serviços etc), sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O intuito do contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Se, por um lado, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos recursos depositados nas suas contas bancárias, sob pena de serem considerados omissão de rendimentos quando não declarados, como ocorreu no lançamento em comento, de outra banda, compete à fiscalização apresentar os elementos de prova que demonstrem a intenção do contribuinte de fraudar o fisco. Embora o contribuinte não tenha conseguido comprovar a origem dos rendimentos que circularam nas suas contas bancárias, o próprio Fisco relata no Termo de Fl. 933DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Verificação Fiscal (fls. 752), que o recorrente diligentemente apresentou os extratos bancários requeridos. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a Preliminar, e no mérito dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, no sentido de excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 2.300.000,00, e desqualificar a multa de 150% para 75%. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 934DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13629.000746/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. A falta de análise da documentação acostada aos autos pela Impugnante implica em flagrante cerceamento do seu direito de defesa, devendo a nulidade ser reconhecida de ofício.
Numero da decisão: 2102-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, suscitada de ofício pela relatora, e determinar o retorno dos autos para que nova decisão seja proferida. Votou pelas conclusões a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/07/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, e CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. A falta de análise da documentação acostada aos autos pela Impugnante implica em flagrante cerceamento do seu direito de defesa, devendo a nulidade ser reconhecida de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, suscitada de ofício pela relatora, e determinar o retorno dos autos para que nova decisão seja proferida. Votou pelas conclusões a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 07 46 /2 00 7- 62 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, e CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06/08, para exigência da importância de R$ 10.506,70 (dez mil, quinhentos e seis reais e setenta centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, correspondente à dedução indevida de despesas, por não ter sido comprovado pelo Contribuinte, a incapacidade mental ou a tutela/curatela de quatro dependentes informados em sua DIRPF. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 01/05, por meio da qual postulou, em suma, a inclusão dos dependentes Alexsandro Bernardino Oliveira Ferreira e Natalia Bernardino Oliveira Ferreira, e a dedução de suas respectivas despesas com instrução. Na análise de suas alegações, os integrantes da 6ª Turma da DRJ/JFA decidiram em não conhecer da Impugnação do lançamento, em decisão da qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Quando, na defesa apresentada pelo contribuinte, a matéria do lançamento não foi por ele expressamente contestada, não há de se apreciar o seu mérito. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA. É incabível a retificação das informações consignadas na declaração de ajuste anual, após o contribuinte haver sido notificado do lançamento de ofício. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão em 15.09.2009, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 23/24, por meio do qual alegou: que o valor do lançamento fiscal seria exorbitante, tendo sido refeita a DIRPF por um Contador e que somente com as deduções aceitas pela fiscalização apresentaria um valor de imposto a pagar bem menor do que o que lhe foi enviado,sendo consequentemente reduzida a multa de ofício e o juros de mora; Fl. 40DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13629.000746/200762 Acórdão n.º 2102002.990 S2C1T2 Fl. 40 3 que somente agora teve posse de cópia da sua DIRPF e discorreu que “observou alguns erros de lançamentos que não foram observados pelas fiscalização e por ele mesmo, como despesas com dentistas como orthoface serviços odontológicos valor R$ 952,00 foram apenas lançados com código 05 em vez de 04 erradamente e foram consideradas como despesas médicas, despesas como Rede Pitágoras lançadas como código 04 em vez de código 02 despesas com instrução”; que não teria entendido como foram consideradas as despesas de código 04 como despesas médicas, tendo em vista que “pelo valor de R$26.986,93 de despesas medicas citadas na intimação só seria possível desta forma, considerando códigos 04 e 05 como sendo para o mesmo fim Ex: ortodoctor valor r$ 1821,00 código 04”, ressaltando ainda que o pedido da fiscalização à época era para apresentação de comprovantes de despesas médicas e não odontológicas. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 15.09.2009, como atesta o AR de fls. 22. O Recurso Voluntário foi interposto em 08.10.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ que deixou de conhecer da Impugnação tempestivamente apresentada pelo contribuinte, tendo em vista que a mesma não teria contraditado o lançamento, mas apenas solicitado a revisão da Declaração de Ajuste apresentada por ele. Tal decisão não pode prevalecer. Isto porque ao apresentar a Impugnação de fls. 01 o contribuinte estava se insurgindo contra o lançamento do qual fora cientificado, sendo certo que a caberia à DRJ ter analisado suas razões – ainda que fosse para afirmar que as mesmas não poderiam prosperar. A falta desta análise implicou em flagrante violação do direito de defesa do Recorrente, na medida em que o mesmo deixou de saber a razão de suas alegações não terem sido acolhidas. Releva lembrar que o cerceamento do direito de defesa da parte implica em nulidade da decisão assim proferida, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 41DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 I (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por isso, deve ser declarada, de ofício, a nulidade da decisão recorrida, determinandose o retorno dos autos à DRJ em Juiz de Fora para que uma nova decisão seja proferida, agora apreciando todos os argumentos trazidos pelo Recorrente em sua Impugnação – a exemplo do que vem sendo decidido no âmbito deste Conselho, como se vê do seguinte exemplo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE É nulo o acórdão que se silencia sobre alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, por cerceamento do direito à ampla defesa. (Ac. nº 10516.527 – julgado em 13.06.2007) Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de ACOLHER A PRELIMINAR suscitada de ofício, determinando o retorno dos autos à DRJ em Juiz de Fora. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 42DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001186/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.131
Decisão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do artigo 62-A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, conforme o realtório e voto proferidos pelo relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : VISTOS, relatados e discutidos estes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do artigo 62-A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, conforme o realtório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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T. ATENDIMENTO CENTRAL LTDA ME (RAZÃO SOCIALANTERIOR: CAD SP CENTRAL DE ATENDIMENTO E DISTRIBUIÇÃO LTDA ME) Recorrida FAZENDA NACIONAL VISTOS, relatados e discutidos estes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, conforme o realtório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 18 6/ 20 10 -2 2 Fl. 6709DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Destacando do relatório apresentado pela r. decisão de origem os trechos que entendo essenciais para a adequada compreensão da matéria discutida nestes autos, aponto: O interessado foi autuado, em 31/05/2010, no IRPJ e reflexos, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, por omissão de receitas, tendo sido exigido o crédito tributário total de RS 13.058.280,77, incluindo imposto, contribuições, multas de oficio de 150% e juros de mora calculados até 30/04/2010 (fls. 1 a 609). A fiscalização, em seu minucioso Termo de Constatação (TC), as fls. 459 a 494, dá conta, de inicio, dos seguintes aspectos preliminares: ASPECTOS PRELIMINARES. 1 esta ação fiscal referese aos fatos dos anoscalendário de 2005 e 2006, reportandose, este processo, apenas aos fatos do anocalendário de 2006, enquanto os do anocalendário de 2005 são tratados no processo administrativo de n.° 19515.000003/201051; 2 a atividade do contribuinte é "laboratórios fotográficos" e conexos, como serviço de encadernação e revelação fotográfico, assessoria técnica e mercadológica relacionada a esta atividade, e até 21/08/2006, também o comércio atacadista e varejista de materiais fotográficos e cinematográficos em geral; atua principalmente na execução de serviços de revelação de fotografias de eventos de formaturas, tendo como clientes fotógrafos individuais e empresas organizadoras de eventos de formaturas, conforme elementos; 3 a razão social do contribuinte, no inicio da ação fiscal e na época dos fatos, era CAD SP Central de Atendimento e Distribuição Ltda. — ME ("CAD"), mas, em seu curso, foi alterada para A. T. Atendimento Central Ltda. — ME ("AT"); 4 a empresa PH Photograph Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 02.446.499/000190, citada neste Termo, sendo referenciada por "PH"; 5 em 2006, segundo a documentação societária, o contribuinte era administrado pelos seguintes administradores não sócios: Marcelo Francisco Rainho (CPF 1 06.583.488 84) e Leideval Souza Alencar (CPF 091.703.70818); 6 "Breve Relato" da JUCESP, indica que, atualmente, o Sr. Leideval Souza Alencar consta como sócio e administrador, enquanto o Sr. Marcelo Francisco Rainho, que havia deixado de administrar a empresa por breve espaço de tempo após 2006, voltou à condição de administrador não sócio; 7 o contribuinte apresentou Declaração Simplificada relativa ao anocalendário de 2006, em 18/05/2007, sendo no inicio desta ação fiscal optante do SIMPLES (desde 01/01/2000), do qual foi excluído pelo ADE DERAT/SPO n.° 04/2010, conforme processo administrativo n.° 19515.0000161201021, com efeitos a partir de 01/01/2006; Fl. 6710DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 4 3 8 algumas das "empresas" listadas no sitio da internet "grupocad.com.br " eram controladas pelos administradores do contribuinte durante os anoscalendário de 2005 e 2006: Leideval Souza Alencar e Marcelo Francisco Rainho ou por Suemar Ferreira Lima Alencar, CPF 131.773.79890, sócia do contribuinte a partir de 26/08/2005; eis as empresas listadas: a) PJ Poder Jurídico: nome fantasia da PH, de titularidade de Marcelo Francisco Rainho; b) WPB Representação Fotográfica: identificada com a WPB Representações Fotográficas Ltda., CNPJ 01.805.400/000137, de titularidade de Marcelo Francisco Rainho; c) Classil Canudos Personalizados: identificada com a empresa Classil Serviços Personalizados de Canudos, Embalagens e Produtos Fotográficos Ltda. ME, CNPJ 08.823.615/000120, de titularidade de Suemar Ferreira Lima Alencar; d) EnCADernadora: identificada com a empresa Laborat6rio e Encadernadora CAD Ltda. ME, CNPJ 03.316.090/000112, de titularidade de Suemar Ferreira Lima Alencar. DETALHES DA AÇÃO FISCAL: RMF. O TC dá conta dos seguintes detalhes da ação fiscal: 1 as diversas intimações realizadas, inclusive pessoais, para o contribuinte apresentar seus livros contábeis e fiscais, bem como a relação dos bancos com os quais trabalhava em 2006 (23 ao todo, relacionadas à fl. 465); 2 apresentação, pelo contribuinte, de petição acompanhada de cópia de "Boletim de Ocorrência" policial informando que não poderia apresentar livros e documentos fiscais por terem sido consumidos em incêndio, em 20/04/2007; 3 intimação para apresentar todos os documentos relativos à sua movimentação financeira (incluindo extratos bancários, comprovantes de movimentações, contratos, procurações, etc.), do anocalendário de 2006, transcorrendo 45 dias (entre 09/03/2009 e 27/04/2009) sem que qualquer documento ou esclarecimento fosse apresentado; 4 apesar de o contribuinte ter sido alertado de que o não atendimento poderia configurar Embaraço à Fiscalização, bem como ensejar a quebra de sigilo bancário mediante expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), foi lavrado, em 27/04/2009, Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 130 a 133), com ciência em 04/05/2009; 5 como o contribuinte não atendeu à requisição, foram expedidas RMF's, nos termos do art. 3°, inciso VII, do Decreto n.° 3.724/2001 aos bancos Bradesco, Sudameris, Banco do Brasil, Nossa Caixa e Safra; Fl. 6711DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 5 4 6 após a emissão dos RMF, o contribuinte foi novamente intimado em 27/04/2009 (com ciência em 29/04/2009), a apresentar seus livros contábeis e fiscais do ano calendário de 2006, ou reconstituilos em caso de não dispor dos livros de acordo com as formalidades legais; após esta intimação, o contribuinte compareceu A repartição, em 17/07/2009, para apresentar reconstituição da sua contabilidade do anocalendário de 2006, em folhas soltas, intituladas "Livro Diário" e "Livro Razão"; 7 em resposta às RMF's, os bancos encaminharam os extratos bancários do ano calendário de 2006 (Anexos XXIII a XXIX); 8 novas RMF's foram emitidas para os bancos Nossa Caixa e Safra, solicitando cópias de cheques e relatórios identificando os cheques depositados em contas do contribuinte (Anexos XXIII a XXIX). PRIMEIRA CONTABILIDADE. O TC aponta que apesar da alegada impossibilidade de sua exibição – a contabilidade reconstituida foi apresentada, em 17/07/2009, em folhas soltas, que identificariam o Livro Diário e o Livro Razão (Anexos X a XIV), cuja análise mostra que: 1 quase todos os lançamentos referemse a movimentos de recursos entre Caixa e Bancos, e viceversa, sem objetivo aparente; 2 alguns pagamentos efetuados, demonstrados por notas fiscais de terceiros emitidas em nome do contribuinte, foram contabilizados indevidamente como empréstimos concedidos pelo contribuinte, na forma de pagamento de despesas que seriam, supostamente, da PH, cujo sócio majoritário e administrador é o Sr. Marcelo Francisco Rainho; 3 as referidas despesas, todavia, estão em nome do contribuinte, e não da PH, como demonstram as cópias de notas fiscais obtidas em procedimentos de circularização (Anexos XVI a XXII); 4 a PH já havia sido indevidamente utilizada pelo contribuinte como suposta fornecedora de recursos (mútuo), que se mostraram insubsistentes na primeira contabilidade apresentada, do anocalendário 2005. ANALISE INICIAL DA PRIMEIRA CONTABILIDADE. Conforme o TC, a análise dos lançamentos em contascorrentes mostra que: 1 o contribuinte contabilizou (nessa primeira versão de sua contabilidade) a maior parte das entradas como recursos provenientes de depósitos de recursos de "Caixa"; 2 todavia, os extratos bancários (Anexos I a III), mostram que os recebimentos de recursos em contas correntes do contribuinte se deram por meio de depósitos em cheques ou transferências bancárias, sendo pouco significativos os valores que, de acordo com os históricos dos lançamentos, poderiam terse originado de depósitos em dinheiro; Fl. 6712DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 6 5 3 assim, resta insubsistente a alegação de que os depósitos eram em dinheiro (oriundo de Caixa), pois os depósitos originaramse de outras contas bancárias de terceiros e, na maior parte, também não são oriundos da empresa PH. ANALISE DAS TRANSFERÊNCIAS DA PH. Conforme o TC, a análise das transferências oriundas da PH mostra que: 1 em razão de contratos de mútuo apresentados pelo contribuinte relativos ao ano calendário 2005 (analisados em outro processo administrativo), foi instaurado procedimento de diligencia vinculado a esta ação fiscal, em nome da PH, suposta fornecedora dos recursos financeiros; 2 intimada a comprovar a origem dos recursos e a capacidade financeira para supri los, bem como a efetiva entrega dos mesmos, a PH não atendeu A intimação no prazo; além disso, constatouse que a PH, sendo "factoring" irregularmente optante do SIMPLES – apresentou Declaração Simplificada para o anocalendário 2005 e DIPJ para o anocalendário 2006, ambas com todos os campos de receitas e resultado preenchidos com "zeros"; também está omissa na apresentação de DCTF; 3 em vista desses fatos, foi instaurada ação fiscal junto à PH, para apurar a sua receita própria e a eventual capacidade de suprimento de recursos ao contribuinte; 4 a escrita contábil da PH, juntada ao Anexo XV deste processo (em vista da referida diligência vinculada a este procedimento) levou à declaração de exclusão da PH do SIMPLES Federal através do ADE DERAT/SPO n.° 076/2009, expedido no âmbito do processo administrativo n.° 19515.003854/200912; 5 a análise das atividades da PH mostrou a realização de operações de "factoring", notadamente para fotógrafos e para empresas de eventos, e que a PH repassou ao contribuinte R$ 1.101.488,00, durante o anocalendário de 2006, identificados a partir da contabilidade do contribuinte; já os recursos transferidos do contribuinte para a PH somam R$ 735.192,88, no mesmo anocalendário; 6 além disso, a PH movimentou em suas contas bancárias, durante todo o ano calendário de 2006, R$ 4.001.201,95; 7 dessa forma, a partir dos elementos analisados durante a ação fiscal levada a efeito junto à PH, dos elementos destes autos, do cotejo entre as movimentações financeiras da PH e do contribuinte, concluise que: a) a PH não manteve, durante o anocalendário de 2006, movimentação de dinheiro em espécie em montante relevante, não sendo capaz de ter fornecido recursos financeiros ao contribuinte no período; b) as despesas pagas pelo contribuinte, nesse anocalendário, registradas em conta Caixa, não são da PH, mas, sim, do próprio contribuinte; c) não há saques em dinheiro, nos extratos bancários da PH, que pudessem indicar repasses ao contribuinte; Fl. 6713DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 7 6 d) foram identificadas transferências de conta corrente para conta corrente, oriundas da PH para o contribuinte, registradas na contabilidade do contribuinte e compatíveis com as informações dos extratos bancários das duas empresas, em 2006, totalizando R$ 1.101.488,00, conforme o "Demonstrativo de Transferências CAD SP x PH", parte integrante do Termo; esse valor decorre de pagamento de serviços prestados pelo contribuinte (detalhes as fls. 483 a 489 do TC); e) as transferências financeiras da PH não foram devolvidas; as transferências do contribuinte para a PH somaram, em 2006, apenas R$ 735.192,88; f) constatase que o objetivo principal da PH é "factoring" dedicado à aquisição de títulos de crédito e cobrança ligados a serviços de fotografia e eventos de formaturas; em especial, conforme entrevistas dos sócios, juntadas a este processo, a PH adquiria títulos de crédito para dar liquidez a fotógrafos e empresas de formatura, para que pudessem arcar com os custos dos serviços de revelação de fotografias e montagem de álbuns, fornecidos pelo contribuinte; g) portanto, a PH não manteve operações em espécie durante o anocalendário de 2006, não tendo gerado recursos que pudessem justificar o fornecimento ao contribuinte de recursos em espécie; além disso, as transferências bancárias da PH para o contribuinte não retomaram à PH, correspondendo, na realidade, a recursos decorrentes de títulos de cobrança adquiridos pela "factoring", com o compromisso de que os recursos fornecidos ao cliente fossem repassados diretamente ao contribuinte, em pagamento de serviços de revelação de fotografias e montagem de álbuns. CIRCULARIZACÃO Conforme o TC, a circularização de fornecedores do contribuinte mostrou que: 1 para verificar a legitimidade da contabilidade do contribuinte, que registrou a ocorrência de pagamentos de despesas de terceiros durante o período, foram instaurados procedimentos de diligência vinculados à presente ação fiscal, junto aos seguintes fornecedores do contribuinte, que indicaram seu CNPJ na DIPJ como destinatário de mercadorias durante os anoscalendário 2005 e 2006: a) Sulamericana Industrial Ltda., CNPJ 52.769.684/000194; b) Fabripel Comércio e Indústria de Papéis Ltda., CNPJ 43.844.464/000168; c) Tecniplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda,. CNPJ 01.496.786/0001 42; d) Comercio e Indústria de Papéis Indiano Ltda., CNPJ 54.515.275/000197; e) Fabricart Embalagens Ltda., CNPJ52.694.841/000140; f) MHM Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda., CNPJ 05.534.189/0001 16; Fl. 6714DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 8 7 g) Noritsu do Brasil Ltda., CNPJ 54.259.411/000125; h) Top Leather Sintéticos Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.122.816/0001 49; i) Kodak Brasileira Comércio de Produtos para Imagem e Serviços Ltda. CNPJ 61.186.938/000132; j) Indústria de Plásticos Bariri Ltda., CNPJ 71.827.618/000152; k) Papelão Apucaraninha Ltda., CNPJ 76.523.539/000197; 2 essas empresas foram intimadas a esclarecer sua relação com o contribuinte durante o anocalendário de 2006, bem como a apresentar cópias de notas fiscais de vendas de produtos para o mesmo, acompanhadas dos comprovantes dos pagamentos; 3 em resposta, as empresas apresentaram cópias de notas fiscais e comprovantes de pagamentos realizados pelo contribuinte durante 2006 (Anexos XVI a XXII); 4 todas as notas fiscais apresentadas constituem despesas do contribuinte no ano calendário sob análise que não estão contabilizadas e para as quais o contribuinte não dispõe, em sua contabilidade, de recursos para fazer frente aos pagamentos realizados; 5 esta análise reforça a total inconsistência da contabilidade com os documentos até agora analisados, restando comprovadas inúmeras despesas que o contribuinte não contabilizou e para as quais não dispunha de recursos contabilizados para efetuar os pagamentos; 6 cópias de todos os documentos obtidos em circularização foram encaminhados ao contribuinte em anexo ao Termo de Intimação lavrado em 21/09/2009 e cientificado ao contribuinte em 28/09/2009. ANALISE DA PRIMEIRA CONTABILIDADE. Conforme o TC, eis as irregularidades identificadas na escrituração contábil do contribuinte: 1 a contabilidade não apresenta registro de receitas durante o anocalendário de 2006, apesar das provas de que a empresa exerceu atividades operacionais no período (movimentações financeiras, aquisições de insumos, utilização de serviços de manutenção e assistência técnica, etc); 2 a contabilidade registra as entradas de recursos em bancos como sendo oriundas de Caixa, e as saídas de bancos (não relativas a pagamentos de taxas bancárias) como destinadas a Caixa (salvo poucas exceções registradas como pagamentos de despesas de terceiros); 3 todavia, a análise dos históricos dos lançamentos nos extratos bancários do contribuinte demonstra que as entradas de recursos em bancos decorrem de depósitos de cheques ou de transferências bancárias, e não de depósitos em dinheiro, pois muitos lançamentos de depósitos permaneceram temporariamente bloqueados, indicando compensação bancária; Fl. 6715DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 9 8 4 dessa forma, resta insubsistente a contabilização das entradas de recursos em bancos como oriundas de Caixa, pois os depósitos não foram feitos em dinheiro; 5 foram identificadas, mediante "circularização", notas fiscais emitidas em nome do contribuinte que indicam despesas e compras de máquinas e equipamentos, em 2006; todavia, tais notas fiscais não estão contabilizadas ou estão registradas (indevidamente) como empréstimos a terceiros, sendo que a contabilidade não mostra recursos financeiros capazes de dar suporte a todas as aquisições; 6 foram identificadas notas fiscais emitidas pela Noritsu do Brasil Ltda e Kodak Brasileira Comércio de Produtos para Imagem e Serviços Ltda, em 2006, comprovando a aquisição de insumos para revelação e ampliação de fotos, bem como materiais e peças de reposição e manutenção de equipamentos tipo "minilab", assim como aquisições de "minilab" entre 2001 e 2006; isso comprova a efetiva utilização dos "minilab", que têm por exclusiva finalidade a revelação e ampliação de fotos; todavia, a contabilidade do contribuinte não reflete essas despesas e aquisições, e não demonstra os resultados das atividades operacionais exercidas no anocalendário de 2006; 6 a contabilidade da PH demonstra que ela não dispõe de capacidade financeira para ter fornecido ao contribuinte valores relevantes para suportar suas operações, em 2006; 7 foram identificadas transferências financeiras entre as duas empresas, em 2006, relacionadas no "Demonstrativo de Transferências CAD SP x PH", que faz parte integrante do Termo; estas transferências totalizaram, em 2006, R$ 1.101.488,00, da PH para a CAD, e R$ 735.192,88 da CAD para a PH; dessa constatação verificase que parcela significativa dos recursos aqui tratados foi repassada pela PH à CAD durante 2006 e não foi devolvida; esse montante permaneceu em contas bancárias da CAD, concluindose que os valores que a CAD recebeu da PH referemse a valores descontados em operações de "factoring" pela PH para clientes dos ramos de fotografia e eventos, tendo sido tais recursos repassados à CAD em pagamento por serviços prestados aos mesmos clientes das operações de "factoring". ANÁLISE DA SEGUNDA CONTABILIDADE. Conforme o TC, quanto à segunda reconstituição da contabilidade do contribuinte, foi constatado que: 1 confrontado com as inúmeras irregularidades na escrita contábil, o contribuinte, por sua iniciativa, procedeu a nova reconstituição de sua escrita contábil, apresentada em 12/11/2009; 2 a nova escrita contábil, também em folhas soltas, cujo Livro Razão original foi apreendido em 25/11/2009 e juntado aos Anexos V a IX deste processo, apresenta o registro contábil das despesas identificadas pela fiscalização através dos procedimentos de circularização já descritos, bem como reconhece parte da receita de prestação de serviços e as despesas com folha de salários; 3 a análise dos novos registros contábeis mostra que o contribuinte registrou integralmente os depósitos e recebimentos de recursos que ingressaram em suas contas Fl. 6716DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 10 9 correntes durante o anocalendário de 2006, totalizando R$ 38.125.431,56; suas contrapartidas representariam, em principio, a suposta origem dos recursos, que seriam: 4 a análise de cada contrapartida dos lançamentos de recebimentos de recursos em Bancos mostra que: a) Empréstimos a Pagar: os lançamentos na conta contábil de Passivo Empréstimos a Pagar foram objeto de intimações ao contribuinte cientificadas em 12/02/2010, 16/03/2010 e 14/04/2010, não tendo os supostos empréstimos sido esclarecidos ou comprovados; análise mais detida leva A constatação de inconsistências entre essas contabilizações e os históricos descritivos das operações constantes dos extratos bancários do contribuinte; por isso, esses lançamentos serão objeto de maior análise As fls. 483 a 489, em vista das receitas omitidas pelo contribuinte nessas operações; b) Transferência Bancária: os valores contabilizados com contrapartida na conta Transferência Bancária guardam relação com as transferências bancárias entre contascorrentes do próprio contribuinte identificadas pela fiscalização, não havendo irregularidades quanto a este item; c) Clientes Diversos: as contrapartidas creditadas na conta Clientes Diversos podem ser divididas em função das contrapartidas dos lançamentos a débito na mesma conta Clientes Diversos, conforme abaixo demonstrado: d) a análise destes lançamentos mostra que: Fl. 6717DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 11 10 I Receita de prestação de serviços: do total de R$ 7.071.737,30 debitado na conta Clientes Diversos, R$ 3.196.748,19 foi creditado como receita de prestação de serviços, cujos tributos não foram declarados em DCTF ou Declaração Simplificada, sendo, por isso, objeto de lançamento de oficio; II Estornos e devoluções de depósitos bancários em contas correntes do contribuinte: o valor consolidado em 2006 de R$ 3.874.989,11 decorre de estornos e devoluções de depósitos constantes em extratos de contascorrentes, debitados na conta Clientes Diversos e creditados nas contas contábeis de Bancos; esses valores, por não consistirem recebimentos efetivos, não configuram receitas do contribuinte; III supostas operações de mútuo com a PH: R$ 1.101.488,00 foi registrado a débito de contas do grupo Bancos e a crédito da conta Contrato de Mútuo, como oriundo de mútuo com a PH; todavia, conforme sera detalhado As fls. 483 a 489, informações obtidas durante a ação fiscal demonstraram que a PH atuou, durante 2006, como "factoring";sendo assim, esse montante não decorre de mútuo, mas sim de repasse de recursos da PH para o contribuinte em pagamento dos serviços prestados por este aos clientes das operações de "factoring"; portanto, esse montante corresponde a receita do contribuinte, e será objeto de lançamento de oficio; IV o contribuinte apresentou supostos contratos de mútuo (posteriormente considerados insubsistentes) que amparariam operações de mútuo em 2005 (tratados em outro processo), mas nenhum contrato de mútuo foi apresentado que pudesse amparar operações realizadas em 2006, cujos totais de recebimentos em contas bancárias, por banco, contabilizados com contrapartida na conta Contrato de Mútuo são os seguintes: V Empréstimos em contas de Bancos: as contrapartidas registradas nas contas de Passivo Empréstimos de Bancos, em que é identificado o nome do banco, decorrem da apuração de saldos negativos de contascorrentes, e estão comprovados por extratos bancários do contribuinte; VI as contrapartidas dos demais lançamentos, pouco relevantes, demonstram operações de simples depósito em bancos de recursos de Caixa ou estornos / ressarcimentos pelos bancos de pequenas despesas, em geral debitadas indevidamente, não representando receitas efetivas do contribuinte; 5 assim, a análise da nova contabilidade apresentada pelo contribuinte mostrou que foram totalmente abandonados, pelo contribuinte, os elementos constantes da primeira reconstituição de contabilidade apresentada em 17/07/2009; Fl. 6718DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 12 11 6 a nova contabilidade, como já ressaltado, reconhece parcialmente as receitas de prestação de serviços auferidas pelo contribuinte durante 2006, e registra as despesas que viabilizaram a atividade de "laboratórios fotográficos", como já havia sido identificado na circularização; 7 assim, na nova contabilidade restam as seguintes omissões de receita, que darão origem a lançamento de oficio: a) Receitas de prestação de serviços reconhecidas e contabilizadas pelo contribuinte, cujos tributos e contribuições não foram pagos e nem declarados em DCTF; b) Receitas omitidas por meio da contabilização de recebimentos bancários com contrapartida A conta de Passivo Empréstimos a Pagar, empréstimos estes que não foram comprovados; c) Registro de recebimentos em contascorrentes sem contrapartida a uma conta de receita, mas sim A conta de Passivo Contrato de Mútuo, representando valores recebidos da PH; esses recebimentos são repasses dos pagamento de serviços prestados pelo contribuinte aos clientes de "factoring" da PH, ocultados na contabilidade como se fossem recursos decorrentes de mútuo; 8 apesar de várias intimações, nem o contribuinte e nem seus administradores apresentaram quaisquer esclarecimentos e documentos. INFRAÇÕES Portanto, eis as infrações identificadas no TC, cujo exame em grau de maior detalhe consta As fls. 483 a 489: 1 Receitas Contabilizadas e Não Declaradas; 2 Receitas omitidas de recebimentos por conta de Empréstimos a Pagar que não foram comprovados; 3 Receitas omitidas de recebimentos por conta de Contratos de Mútuo que não foram comprovados. REGIME DE TRIBUTAÇÃO: LUCRO REAL TRIMESTRAL O TC reporta, também, que consulta aos sistemas da RFB mostrou que o contribuinte não efetuou pagamentos de tributos ou contribuições federais fora do sistema do Simples Federal (exceto Fonte), em 2006, não tendo, portanto, havido opção por regime de tributação de IRPJ e CSLL nos termos dos arts. 222, caput e § único, 232, e 516, caput e §§ 1 0 e 40 do RIR199. Tampouco foram apresentadas DCTF's para o período analisado. Visto que o contribuinte foi excluído do SIMPLES Federal, de oficio, e reconstituiu sua escrita contábil de forma a permitir a apuração do lucro real, o lançamento de oficio é realizado com base na regra geral, que é a do Lucro Real Trimestral, conforme o art. 220 do RIR199. Em razão do enquadramento no Lucro Real, o lançamento dos reflexos de PIS e COFINS se dará pelo regime de apuração não cumulativo, não tendo, contudo, sido identificados créditos de PIS e COFINS Fl. 6719DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 13 12 passíveis de utilização. A base de cálculo dessas duas contribuições foi a receita total omitida (soma dos valores mensais dos três tipos de omissão de receita), sendo concedidos ao contribuinte os créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre as aquisições de insumos, creditados, em cada mês, na conta contábil 3.2.2.04.014 Compra p/ Util. na Prestação de Serviços (fls. 81 a 108 do Anexo IX). Esses valores estão apurados no "Demonstrativo de PIS não cumulativo e COFINS não cumulativa reflexos", parte integrante do Termo. MULTA QUALIFICADA O TC aponta, ainda, que como o contribuinte apresentou Declaração Simplificada para o anocalendário de 2006, com receita declarada notória e reiteradamente inferior à receita real auferida, bem como permaneceu indevidamente no regime do SIMPLES em 2006 e anos seguintes, apesar de auferir receita excedente ao limite do SIMPLES já em 2005, constatase a clara intenção do contribuinte de evitar que a administração tributária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, restando configurada a situação prevista no art. 71, inciso I, da Lei 4.502/64. Visto que contribuinte agiu repetidamente, no curso da ação fiscal, no sentido de evitar que a fiscalização tomasse conhecimento dos verdadeiros fatos ocorridos, deixando de apresentar documentos, apresentando contratos de mútuo e recibos que não refletem as operações realizadas, apresentando reconstituição de escrita contábil que não reflete as operações da empresa, recaiu, assim, no mesmo art. 71, inciso I, da Lei 4.502/64. Em face disto, a multa de oficio a ser aplicada é a qualificada, de 150%, conforme o art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, vigente a época e posteriormente renumerada pela Lei 11.488/2007, passando a constar do art. 44, inciso I, em percentual duplicado conforme §1° do mesmo artigo. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. O TC reporta, por fim, que constavam como sócios de direito do contribuinte, em 2006, as seguintes pessoas fisicas: Maria Aparecida Francisco Rainho (CPF 258.434.118 26) irmã de Marcelo Francisco Rainho; Maria Aparecida Beraldo Souza (CPF 113.483.69884); e, a partir de 26/08/2005, Suemar Ferreira Lima Alencar (CPF 131.773.798 90) esposa de Leideval Souza Alencar. No entanto, a administração da sociedade incumbia, em 2006, a Marcelo Francisco Rainho e a Leideval Souza Alencar que, apesar de serem formalmente apenas administradores não sócios, agiam, de fato, como sócios titulares do contribuinte, como comprova a amostra de cópias de cheques de emissão do contribuinte (Anexos XXIII a XXIX), que demonstram que as movimentações financeiras do contribuinte foram integralmente comandadas por Marcelo Francisco Rainho e Leideval Souza Alencar e como evidenciam as suas entrevistas (Anexo IV, com exemplo à fl. 492), que demonstram que os administradores são, na realidade, os sócios de fato do contribuinte, responsáveis pela concepção e condução dos negócios, e, por conseguinte, únicos beneficiários de seus resultados. Ambos foram intimados, pessoalmente, a esclarecer as irregularidades apuradas no curso desta ação fiscal, através das diligências vinculadas já referidas, conforme documentos (Anexo IV) e Termos de Intimação deste processo, sem que qualquer esclarecimento fosse prestado. Em face da clara responsabilidade dessas pessoas fisicas na administração do contribuinte, substituindo integralmente os sócios de direito na determinação das ações da empresa, e ainda agindo como os verdadeiros Fl. 6720DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 14 13 criadores e condutores do contribuinte, resta configurada a responsabilidade solidária dessas pessoas, com base no art. 124, inciso I, do CTN. Fazem parte integrante do TC os seguintes demonstrativos: 1 Demonstrativo de Apuração do Lucro Real Trimestral; 2 Demonstrativo de Receitas Indevidamente Contabilizadas como Empréstimos; 3 Demonstrativo de Valores Contabilizados como Empréstimos que não Configuram Receitas Efetivas; 4 Demonstrativo Consolidado de Histórico em Extrato Empréstimos a Pagar; 5 Demonstrativo de Lançamentos Conta Empréstimos a Pagar; 6 Demonstrativo de Transferências CAD SP x PH; 7 Demonstrativo de Históricos Bancários; 8 Demonstrativo de Depósitos Bloqueados; 9 Demonstrativo de Lançamentos em Extrato não Localizados na Contabilidade; 10 Demonstrativo de Apuração de PIS não Cumulativo e COFINS não Cumulativa. Integram este processo administrativo os seguintes anexos: 1 Anexos I a III: Extratos bancários do contribuinte ref. 2006; 2 Anexo IV: Extratos da internet com descrições das atividades das empresas CAD (site "grupocad.com.br") e PH (site "phfactoring.com.br "), bem como entrevistas dos administradores disponíveis na internet; termos e documentos iniciais da diligência Vinculada n.° 08190002009037879 junto à empresa PH; termos e intimações aos administradores do contribuinte, conforme diligências vinculadas controladas pelos MPF's 08190002009040284 (junto a Leideval Souza Alencar) e 08190002009040292 (junto a Marcelo Francisco Rainho);os temos juntados neste Anexo referemse a fatos de 2005; os termos referentes a 2006 foram cientificados simultaneamente à pessoa jurídica e aos administradores, sob amparo dos MPF's de diligências vinculadas aqui indicados, estando tais termos juntados aos volumes deste processo; 3 Anexo V a IX: Livro Razão (em folhas soltas) apresentados pelo contribuinte em 12/11/2009 (reconstituição da contabilidade); 4 Anexos X a XIV: Livros Razão (em folhas soltas) originalmente apresentado pelo contribuinte, em 17/07/2009 primeira contabilidade analisada; Fl. 6721DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 15 14 5 Anexo XV: Livro Razão (em folhas soltas) apresentado pela empresa PH; 6 Anexos XVI a XXII: documentos obtidos em procedimentos de diligências Vinculadas relativos a circularização junto a fornecedores do contribuinte; 7 Anexos XXIII a XXIX: amostragem de cópias de cheques emitidos pelo contribuinte e relatórios de cheques depositados em contascorrentes do contribuinte, fornecidos por instituições financeiras em atendimento a RMF' s; Os autos de infração constam As fls. 407 a 450, com as bases legais da autuação das três infrações ao IRPJ A fls. 414 a 418. Os Termos de Sujeição Passiva, com seus anexos, constam As fls. 451 a 609. A empresa apresentou impugnação, em 18/06/2010 (fls. 613 a 625), por meio de seu advogado (fls. 625 a 632), alegando, em resumo, que: 1 a inclusão dos administradores no pólo passivo do auto de infração com base no art. 124, I do CTN não deve prosperar, pois: a) esta solidariedade diz respeito as pessoas que tem interesse comum, como é o caso de imóvel com dois proprietários, com relação ao IPTU; b) não basta o simples inadimplemento da obrigação tributária para incluir responsáveis, sendo necessário possuir cargo de diretor, gerente ou representante e agir com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135 do CTN); c) traz jurisprudência judicial acerca da aplicação do art. 13 da Lei n.° 8.620/93 (solidariedade pelas dividas junto A Seguridade Social) e do art. 124, II, do CTN, em caso de dissolução irregular da sociedade; 2 a autuação foi efetuada com base em mera presunção, não havendo qualquer prova de que os valores na contacorrente da empresa correspondam As suas receitas operacionais de prestação de serviços, sendo certo que não se pode valorar incorretamente os fatos, que devem se submeter ao principio da verdade material e que o ônus da prova é da autoridade administrativa, conforme doutrina; 3 invoca a aplicação do art. 112 do CTN (interpretação da lei mais favorável ao acusado); 4 o valor da multa é inaceitável e absolutamente desvinculada da realidade sócioeconômica, devendo ser excluída ou ao menos reduzida, pois: a) configura confisco do patrimônio do contribuinte, conforme doutrina; b) a capacidade contributiva e a vedação do confisco são princípios constitucionais (art.145, par. 1 0, e art. 150, IV, da CF/88), razão pela qual a eqüidade, razoabilidade e senso de justiça, recomendam a exclusão de multas vultosas, como estas; traz jurisprudência judicial; Fl. 6722DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 16 15 5 é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa SELIC, conforme argumentos de praxe; Com base nessas considerações, apreciando as razões de defesa apresentados nos autos, manifestouse a douta 4a Turma da DRJ São Paulo I (SP) pela manutenção do lançamento, destacando, em sua ementa, as seguintes e específicas considerações: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. Nada impede a utilização da presunção como meio de prova de omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. MULTA QUALIFICADA (150%). TAXA SELIC. Não compete à instância administrativa negar aplicação à legislação tributária vigente sob a alegação de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, prerrogativa do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Provado que os administradores eram os sócios de fato da pessoa jurídica autuada, está correto atribuirlhes responsabilidade solidária passiva com base no art. 124, inciso I, do CTN. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a contribuinte no dia 27/04/2011 e o responsável, Sr. Marcelo Francisco Rainho no dia 26/04/2011 foi por ela então interposto o Recurso Voluntário no dia 23/05/2011, repisando os argumentos de defesa apresentados na impugnação e pretendendo, ao final, a reforma da r. decisão de origem com o cancelamento integral da autuação realizada. É esse o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A questão tratada nos autos, conforme aqui então devidamente apontado, refere se à efetivação de lançamentos fiscais contra a contribuinte, em decorrência da suposta omissão de receita verificada a partir da constatação da inexistência de inclusão em sua contabilidade de diversos créditos recebidos em suas contas bancárias, conforme informações obtidas a partir da Fl. 6723DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 17 16 emissão de RMF’s – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, expedidos contra diversos bancos, nos termos determinados pelas disposições do Art. 6o da Lei Complementar no 105/2001. Em que pese todas as matérias discutidas nos autos, verificase que, antes de sua regular apreciação, surge como de relevante destaque a discussão a respeito da validade do procedimento adotado para a informação das referidas informações, tema que, indubitavelmente, tangencia a constitucionalidade das disposições da apontada norma de regência. Apesar de não se mostrar admissível, per se, a discussão em sede administrativa – a respeito da (in)constitucionalidade de específicos atos legislativos, conforme, inclusive, expressamente contido nas disposições da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), verificase que, recentemente, a matéria fora destacada como de “Repercussão Geral” pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, fora reconhecida a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Observese a ementa da decisão: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Partes RECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui inteira relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 601314, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 6724DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 18 17 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso apontado.. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Fl. 6725DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 19 18 Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao Procurador Geral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (regularidade da quebra de sigilo bancário promovida pelos agentes da Receita Federal com espeque nas disposições do Art. 6o da LC 105/2001) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verificam, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito Fl. 6726DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001186/201022 Resolução nº 1301000.131 S1C3T1 Fl. 20 19 até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 6727DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10882.721420/2012-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO - SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF - REVOGAÇÃO DE NORMA
Anteriormente previa-se o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543-B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62- A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados, (ii) conhecer do recurso nas demais questões, (iii) rejeitar a preliminar de sobrestamento do recurso. No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto .
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO - SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF - REVOGAÇÃO DE NORMA Anteriormente previa-se o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543-B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62- A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 20 /2 01 2- 41 Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF REVOGAÇÃO DE NORMA Anteriormente previase o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados, (ii) conhecer do recurso nas demais questões, (iii) rejeitar a preliminar de sobrestamento do recurso. No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto . Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente). Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.398 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE CARAPICUÍBA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0540.246 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedente o Auto de Infração – AIOP nº 51.022.6787, no valor de R$ 53.940.321,74, referente às glosas de compensações indevidas no período de 04/2010 a 13/2011. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, segue a motivação para a lavratura da autuação: 2.1.1 Em 20/05/2011 foi encaminhado o Ofício Secat/DRFOSA n° 157/2011 à Prefeitura Municipal de Carapicuíba através do qual foram solicitados esclarecimentos acerca das compensações supostamente indevidas levantadas por este serviço. Considerando a origem do direito creditório objeto das compensações, foram requeridos os seguintes documentos: a) Certidão de Objeto e Pé das ações judiciais acompanhadas das decisões/acórdãos constantes nos autos; b) Petição inicial referente ao processo; 2.1.3 Em 14/06/2011 foi solicitada prorrogação de prazo. 2.1.4 Não havendo manifestação por parte do órgão, em 30/06/2011 foi efetuada nesta Delegacia uma reunião com a presença do Delegado Adjunto da D R F/OS A, do Assistente de Gabinete da DRF/OSA, de servidores do SECAT DRF/OSA, do Secretário de Finanças da Prefeitura de Carapicuíba além de representantes do escritório de advocacia 'Castellucci Figueiredo e Advogados Associados'. Na ocasião, foi acordado que seriam fornecidas informações detalhadas a respeito das compensações, o que não ocorreu. 2.2. Em 16/11/2011 deuse o início da presente fiscalização com a ciência por via postal (AR) do Termo de Início de Fiscalização. 2.3. Diante da negativa da Prefeitura de Carapicuíba em fornecer a documentação que deu suporte às compensações, em 02/02/2012 o MPF de n° 08.1.13.2011.002204 foi reemitido de modo a incluir operação fiscal 86801 (CP COMPENSAÇÃO INDEVIDA), períodos: 11/2009, 12/2009 e 04/2010 a 13/2011. 2.4. Em 14/02/2012 intimamos a contribuinte a apresentar o memorial dos valores contestados judicialmente discriminando valor, período de apuração e natureza jurídica da verba (rubrica); Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 2.5. Não havendo manifestação do contribuinte no sentido de comprovar as compensações e dada a inocorrência de quaisquer das hipóteses legais autorizativas do instituto da compensação, incluindo a decisão judicial transitada em julgado, restou caracterizada portanto a irregularidade de todas as compensações declaradas em GFIP conforme relação abaixo, com base no art 89 da Lei 8.212/91 2.6. Diante dos fatos, e para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, procedemos à lavratura de Auto de Infração, com a correspondente constituição do crédito tributário, em razão da GLOSA DAS COMPENSAÇÕES supra relacionadas, no período de 04/2010 a 13/2011. 2.7. Para constituição dos créditos tributários, tomouse como referência os valores constantes nas referidas GFIP's, relativas às compensações realizadas no período. O Termo de Verificação Fiscal aponta o código do levantamento efetuado: FP COMPENSADO EM GFIP: declarado em GFIP antes do início do Proc Fiscal/Órgão Público O Termo de Verificação Fiscal aponta também os fundamentos legais do débito: 4.5.1. O instituto da compensação tributária depende de autorização em lei eis que, nos termos do art.170 do Código Tributário Nacional: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública", (grifei) 4.5.2. Em se tratando de ação judicial, fazse mister o trânsito em definitivo da lide eis que segundo o art. 170A/CTN: "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 4.5.3. Os principais fundamentos legais do débito são: (i) Lei n° 8.212/91 art. 31, §1° (com as alterações da MP n° 1.66315, de 23/10/98, convertida na Lei n° 9.711, de 21/11/98) e art. 89 (com a redação dada pela Lei n° 9.129, de 20/11/95) e (ii) Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, arts. 247 a 249, 251, 253 e art. 219, §§ 4o e 9o ; estando essas e as demais normas, sustentáculos das rubricas lançadas neste AUTO DE INFRAÇÃO, devidamente demonstradas no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito A Recorrente teve ciência do AIOP em 26.04.2012, conforme informação nos autos às fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 89,é de 04/2010 a 12/2011. Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.399 5 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Inconformado com o Auto de Infração sob exame, o Município impugnouo por meio do expediente anexado às fls. 104 a 1813, postado nos Correios em 28/05/2012, por intermédio do qual, em breve síntese, postula: 1º) A “anulação, cancelamento e a desconstituição total dos créditos tributários constituídos” no AI nº 51.022.6787, por ter sido este lavrado sem a observância das disposições legais aplicáveis ao assunto e, via de conseqüência, preterido o direito de defesa do Município, em afronta aos seguintes dispositivos: LEGISLAÇÃO ▫ art. 12, incisos I e II, e § 2ºo do Decreto n° 7.574/2011; ▫ art. 38 do Decreto n° 7.574/2011; ▫ art. 62 do Decreto n° 70.235/72; ▫ art. 63 da Lei n° 9.430/96; ▫ art. 40, inciso III do Decreto n° 7.574/2011; ▫ art. 50, § 1º da Lei n° 9.784/99; ▫ art. 37 e 89 da Lei n° 8.212/91; ▫ arts. 15; 142 e 151, incisos IV e V do CTN; ▫ art. 5ºo , LV, da CF/88. DECISÕES JUDICIAIS ▫ MANDADO DE SEGURANÇA Processo nº 00010627.28.2010.4.03.6100 Liminar/Sentença/Acórdão TRF 3ª REG. ▫ MANDADO DE SEGURANÇA Processo n° 0000417.85.2011.4.03.6130 Liminar/SENTENÇA 2º) Que a "anulação" do lançamento fiscal seja decretada também pela "falta de motivação; vício formal e material", a saber: a) O procedimento fiscal foi instaurado durante a vigência da medida judicial contida nos MS proc. n°s 00010627.28.2010.4.03.6100 e 0000417.85.2011.4.03.6130, contrariando o art. 62 do Decreto n° 70.235/72 b) O auditor fiscal deixou de considerar "decisão judicial" proveniente dos "mandados de segurança proc. n° 00010627.28.2010.4.03.6100 e 0000417.85.2011.4.03.6130", concessivos de "decisões judiciais" suspendendo a exigibilidade da contribuição previdenciária "patronal" sobre as verbas "indenizatórias / compensatórias; c) O "lançamento fiscal" e o conseqüente "auto de infração" foi emitido sobre as "verbas indenizatórias/ compensatórias", com exigibilidade suspensa por decisão judicial contrariando o art. 151, V e VI do CTN; d) O "auto de infração" foi emitido na condição de "auto executoriedade" após prazo formal de 30 dias, sem atentar pelo fato da existência de "decisão judicial", cujo lançamento somente poderia ter sido realizado para "prevenir a decadência, a teor do "art. 63 da lei n° 9.430/96" e na forma do "art. 62 do decreto n° 70.235/72"; e) A fiscalização não desmembrou no "auto de infração debcad n° 51.022.6787" para cada tipo de tributo ou penalidade, Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 englobando em um único lançamento os tributos (verbas utilizadas para créditos de compensação) com incidência da exação do art. 20 da lei n° 8.212/91 e demais verbas com "exigibilidade suspensa por decisão judicial", contrariando o "art. 38, caput e § 1º do Decreto n° 7.574/2011”; f) A fiscalização não desmembrou o "auto de infração debcad n° 51.022.6787" multa e juros, para cada tipo de tributo ou penalidade, englobando em um único lançamento os tributos (verbas utilizadas para créditos de compensação) com incidência da exação do art. 20 da lei n° 8.212/91, demais verbas com "exigibilidade suspensa por decisão judicial", contrariando o "art. 38, caput e § 1º do Decreto n° 7.574/2011" e o art. 63 da Lei n° 9430/96; g) Não consta do "relatório fiscal" e no "FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO" o embasamento legal que o motivou a aplicar a multa e juros por lançamento de ofício, sobre as verbas com exigibilidade suspensa por decisão judicial, cujo dispositivo legal é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável de acordo com art. 37 da lei n° 8.212/91 c/c art. 40, inciso III do Decreto n° 7.574/2011; h) O auto de infração não preenche os requisitos constantes do "art. 142 do CTN", por equívoco na construção do lançamento quanto a verificação das condições legais para exigência do tributo e constituição do crédito tributário, cujo "ato administrativo" está sujeito aos princípios da "legalidade e da publicidade", assegurando ao contribuinte o direito do contraditório e a ampla defesa, o que somente se verifica quando a matéria tributária estiver adequadamente descrita, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apurando, não sendo o que ocorre no presente "auto de infração debcad n° 51.022.6787", contrariando a legislação vigente o "art. 12, inciso, II do Decreto n° 7.574/2011, com o cerceamento de defesa do município; e i) Não foram atendidos os requisitos indispensáveis à formalização do "MPF", contrariando os "arts. 12 e 13 da Portaria SRF n° 3007/01", "art. 31, inciso III, Portaria MPS n° 520" e art. 37, caput da CF/88" e jurisprudências iterativas do "CARF", conforme documentos anexos. Salientamos que o mencionado expediente de fls. 104 a 1813 é também composto de sete “pastas”, com denominação e conteúdo a seguir indicados: ▪ PASTA I – DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Contém as razões que expressam o entendimento do Município de que não há incidência de contribuições previdenciárias ou de contribuições destinadas a terceiros sobre os valores pagos aos seus servidores a título de “horasextras”, “férias indenizadas / férias convertidas em pecúnia”, “terço constitucional de férias”, “aviso prévio”, auxílioeducação”, “auxíliocreche”, “auxíliodoença”, “abono assiduidade”, “auxíliotransporte em pecúnia”, “abono único”, “adicional de insalubridade”, Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.400 7 “adicional de periculosidade”, “adicional noturno”, entendimento esse que, conforme a defesa procura demonstrar, coincide com o dos órgãos do Poder Judiciário, incluídos o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. ▪ PASTA II – DO DIREITO A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA SEM ANUÊNCIA DO JUDICIÁRIO OU RFB Contém as razões destinadas a evidenciar a legitimidade das compensações glosadas pela fiscalização, ou seja, que elas se deram em perfeita harmonia com os dispositivos legais de regência, com a doutrina pátria e com a jurisprudência dos órgãos do Poder Judiciário. ▪ PASTA III – DOS CÁLCULOS – VERBAS INDENIZATÓRIAS / COMPENSATÓRIAS Contém a “Memória de Cálculos” relativa à apuração e à atualização dos créditos resultantes dos alegados recolhimentos indevidos, bem como os resumos das Folhas de Pagamento do período de janeiro de 2002 a novembro de 2011. ▪ PASTA IV – DECISÕES JUDICIAIS – “MS” Contém peças relativas às ações judiciais mencionadas na petição de fls. 106 a 111, destinadas a comprovar o reconhecimento judicial dos créditos que motivaram as compensações glosadas pela fiscalização. ▪ PASTA V – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Contém as razões que expressam o entendimento do Município de que o presente auto de infração é nulo. ▪ PASTA VI – DA PRESCRIÇÃO Contém as razões que expressam o entendimento do Município de que os créditos que motivaram as compensações em comento não foram atingidos, sequer em parte, pela prescrição. ▪ PASTA VII – FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA Contém termos de decisões judiciais – proferidas, inclusive, pelo STJ e pelo STF –, destinados a corroborar a tese de legitimidade das compensações glosadas pela fiscalização. Houve solicitação de Diligência Fiscal pela autoridade de primeira instância a fim de que a AuditoriaFiscal pudesse se manifestar acerca de Por meio da Resolução nº 05003.424 (fls. 1830 a 1837), de 26/09/2012, esta 6ª Turma converteu o julgamento em diligência, a fim de que o auditor notificante esclarecesse: 1º) se o Município de Carapicuíba procedeu aos recolhimentos das importâncias apontadas como “créditos” nas planilhas contidas na “Pasta III” da defesa (fls. 624 a 1021); e 2º) se esses recolhimentos se deram a título de contribuições incidentes sobre as rubricas também ali indicadas A Informação Fiscal em resposta à solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Em decorrência de tais questionamentos, mencionada autoridade da RFB trouxe aos autos a “INFORMAÇÃO FISCAL” de fls. 1839 a 1841, onde alega, em essência, que: a) o presente auto foi lavrado porque “comprovada a inexistência de trânsito em julgado de todas as ações ajuizadas pelo órgão municipal, em total descompasso com o elenco de hipóteses autorizativas da compensação tributária exaustivamente veiculado pelo Código Tributário Nacional”, de forma que “qualquer questionamento envolvendo o montante dos indébitos que originaram as compensações glosadas deve se dar no âmbito das ações judiciais em curso por fazerem parte do pedido ajuizado”; b) além disso, “a resposta aos quesitos formulados pela DRJ fica prejudicada sobremaneira pelas características de apuração e pagamento da CP”, em razão das quais “impossível se torna atribuir qual rubrica teve a correspondente CP extinta e quais não, uma vez que o documento de arrecadação (GPS) não especifica o quanto de cada parcela corresponde”; e c) “outro fato relevante que prejudica a manifestação quanto aos quesitos da DRJ reside em que todos os valores dos créditos pleiteados apresentamse apurados utilizando o percentual de 21% sobre a respectiva base de cálculo, o que pressupõe a utilização de RAT/SAT de 1%, porém, o preenchimento das GFIP indica RAT/SAT de valor diferente”. Embora, como se vê, sem responder aos questionamentos formulados na Resolução nº 05003.424, o agente fiscal acrescenta que: a) na composição de seu suposto crédito, o Município incluiu algumas rubricas “que sequer foram levadas à tributação e, desta forma, não dão guarida a qualquer pretensão de recuperação”, a saber: “abono pecuniário” (cód. 47), “1/3 sobre férias indenizadas” (cód. 48), “auxílio pecuniário” (cód. 49), “triênio indenizado” (cód. 78) e “abono” (cód. 350); b) os dados do “ANEXO À INFORMAÇÃO FISCAL” (fls. 1842 e 1843) leva à conclusão de que “a base de cálculo apurada a partir da folha de pagamento com base no quantitativo de segurados nela informado e que deu origem aos créditos pleiteados, não é a mesma base de cálculo levada à tributação através das GFIP”; e c) o órgão fiscalizado “deixou de apurar em GFIP valores a pagar alegando compensação com os créditos que ora se discute, inclusive em competências que não foram objeto de lançamento”. O contribuinte atravessou Manifestação acerca da Informação Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Cientificado da Resolução nº 05003.424 e da informação fiscal dela resultante, o Município interpôs impugnação complementar (fls. 1848 a 1857), onde reitera as razões já expendidas em sua manifestação de fls. 104 a 1813 e, ainda, retifica de R$ Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.401 9 47.449.410,45 para R$ 44.379.402,97 o valor do crédito cujo reconhecimento é postulado, sendo tal modificação resultante: a) da inclusão de valores atinentes às rubricas “Férias” (R$ 3.200.636,94) e “SAT/RAT” (R$ 5.452.467,39), as quais, segundo afirma, não foram objeto da impugnação inicial; e b) da exclusão de valores relativos às rubricas “Abono pecuniário”, “1/3 sobre férias indenizadas”, “Auxílio pecuniário” e “Abono”, vez que sobre estas não houve incidência da contribuição previdenciária. Especificamente quanto à rubrica “SAT/RAT”, a impugnante aduz que no período de janeiro de 2002 a agosto de 2009 aplicou indevidamente a alíquota de 2%, quando, a seu ver, a alíquota correta é de 1%, daí resultando um crédito de R$ 5.452.467,39 e que foi utilizado para compensação com débitos vincendos previdenciários. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0540.246 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza cerceamento de defesa eventual deficiência ocorrida na fase inquisitória do procedimento fiscal, quando não se tinha ainda processo, mas mero procedimento de verificação da situação do contribuinte no tocante às suas obrigações para com a previdência social, culminado com o lançamento do crédito tributário. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE MATÉRIA. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. PREVIDENCIÁRIO. ABONOS. NATUREZA SALARIAL. CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. Ressalvados os que a lei excluiu expressamente do saláriode contribuição, os abonos concedidos aos segurados empregados têm natureza salarial e, por conseguinte, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL E DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. AUTOENQUADRAMENTO DA EMPRESA NA ATIVIDADE PREPONDERANTE. PROVA DA CORREÇÃO. INEXISTÊNCIA. RECUSA PELA RFB. POSSIBILIDADE. Para efeito da contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo, no entanto, à Secretaria da Receita Federal do Brasil recusálo quando não demonstrada a sua correção. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO DO DIREITO. A partir de 09/06/2005, desde que antes não tenha havido ajuizamento de ação ou pedido administrativo neste sentido, a repetição ou a compensação de indébito tributário se submete ao prazo prescricional de 5 (cinco) anos, contados do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.402 11 Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação interposta pelo sujeito passivo, mantendose o crédito constituído por meio do Auto de Infração nº 51.022.6787, na forma do voto do relator. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 09/12/1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19/07/2002. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, acrescentando uma Preliminar, em apertada síntese: (i) Em Preliminar do sobrestamento do Recurso Voluntário STF Repercussão Geral em RE 593.068 Portaria CARF nº 01/2012 sobrestamento COMO PODE SER EVIDENCIADO NO PRESENTE "REN°593.068" RECONHECEUSE A REPERCUSSÃO GERAL SOBRE AS VERBAS DE NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA/ COMPENSATÓRIA QUE NÃO IRÃO INTEGRAR OS PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO SERVIDOR, AS QUAIS SEJAM: "ADICIONAIS E GRATIFICAÇÕES TEMPORÁRIOS; TERÇO DE FÉRIAS; SERVIÇOS EXTRAORDINÁRIOS; ADICIONAL NOTURNO E ADICIONAL DE INSALUBRIDADE". DE ACORDO COM O "ART. 543B" DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, OS RECURSOS INTERPOSTOS QUE VERSEM SOBRE AS MATÉRIAS DISCUTIDAS, CONSTANTES DO "RE N° 593.068 REPERCUSSÃO GERAL" DEVERÃO FICAR SOBRESTADOS, RETORNANDO A ORIGEM PARA AGUARDAR O JULGAMENTO DO MÉRITO, O QUE APÓS DECISÃO DEVERÁ SER OBSERVADO O CONTIDO NO "ART. 543B DO CPC". COM BASE NO REFERIDO ARTIGO, O "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL" TEM DE FORMA INCONTINENTI OBSERVADO O QUE ASSEVERA A REGULAMENTAÇÃO, PRATICANDO O ATO DE "SOBRESTAR" TODOS OS RECURSOS ATINENTES A MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO "RE N° 593.068". (...) DIANTE DESSE NOVO INSTRUMENTO JURÍDICO, O "CARF CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS", EM 06 DE JANEIRO DE 2012, PUBLICOU A Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 "PORTARIA CARF N° 001", QUE VISA UNIFORMIZAR OS PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS PARA O SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO DE RECURSOS EM TRAMITAÇÃO, CONFORME PREVISTO NO § I º, ARTIGO 62 A, ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO ÓRGÃO. A REFERIDA PORTARIA DISPÕE QUE O PROCEDIMENTO DE SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS EM TRÂMITE NO CARF, SERÁ APLICADO NAS HIPÓTESES EM QUE HOUVER SIDO DETERMINADO PELO "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL", O SOBRESTAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS QUE VERSEM SOBRE MATÉRIA IDÊNTICA ÀQUELA DEBATIDA NA SUPREMA CORTE. POR FIM, A PORTARIA ESCLARECE QUE OS PROCESSOS QUE FOREM MANTIDOS SOBRESTADOS SOMENTE PODERÃO SER APRECIADOS PELO CARF APÓS DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO NO ÂMBITO DO STF. OU SEJA, OS JULGAMENTOS NÃO PODERÃO SER RETOMADOS, APENAS, COM O JULGAMENTO OU PUBLICAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS PELO STF, MAS TÃOSOMENTE COM O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. ASSIM A MEDIDA EVITA QUE PROCESSOS SEJAM JULGADOS DE FORMA PRECIPITADA ANTES DE UMA DECISÃO FINAL NA JUSTIÇA. A POSIÇÃO ADOTADA PELO CARF EM ACOMPANHAR O STF NO SOBRESTAMENTO DE MATÉRIAS, DEMONSTRA TOTAL CONSONÂNCIA COM A RACIONALIZAÇÃO DO TRÂMITE PROCESSUAL E AS DECISÕES PROFERIDAS (...) COMO EVIDENCIADO ACIMA, AS VERBAS AS QUAIS O MUNICÍPIO UTILIZOU PARA EFEITO DE COMPENSAÇÃO, COM DÉBITOS VINCENDOS PREVIDENCIÁRIOS E GLOSADOS PELO AUDITOR FISCAL, PORTANTO CONSTANTE NOS "AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.022.6787 SÃO AS MESMAS AS QUAIS O "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL" TEM SISTEMATICAMENTE APLICADO O "ART. 543B DO CPC", SOBRESTANDO TODOS OS RECURSOS ATÉ A ANÁLISE DE MÉRITO DO "RE N° 593.068 RECUPERAÇÃO GERAL ". ASSIM SENDO, DE ACORDO COM A "PORTARIA CARF N° 001/2012" ESTE "RECURSO VOLUNTÁRIO" DEVERÁ FICAR "SOBRESTADO", ATÉ QUE TENHA TRANSITADO EM JULGADO A RESPECTIVA DECISÃO DO "STFNO RE 593.068 REPERCUSSÃO GERAL", POR SE TRATAR DE "AUTO DE INFRAÇÃO" REFERENTE AS VERBAS UTILIZADAS PELO MUNICÍPIO, AS QUAIS ENCONTRAMSE "SUBJUDICE", A TEOR DO "ART. 543B DO CPC E ART. 328, P. ÚNICO DO REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ". Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.403 13 (ii) DO MÉRITO O Recorrente aduz que as provas que corroboram o direito alegado estão contidas nos documentos apresentados em sede de Impugnação e que devem ser mantidas neste Recurso Voluntário. (iii) CONCLUSÃO À VISTA DE TODO EXPOSTO, DEMONSTRADA A INSUBSISTÊNCIA E IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO FISCAL, ESPERA E REQUER O RECORRENTE SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO PARA FIM DE ASSIM SER DECIDIDO, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO E O SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO PROCESSO N" 10882721.420/201241 (DEBCAD N" 51.022.6787 NOS TERMOS DA PORTARIA CARF N° 001/2012, TENDO EM VISTA A REPERCUSSÃO GERAL DO RE 593.068. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE CARAPICUÍBA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0540.246 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedente o Auto de Infração – AIOP nº 51.022.6787, referente às glosas de compensações indevidas no período de 04/2010 a 13/2011. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso III do artigo 460 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.404 15 II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.405 17 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Em Preliminar do sobrestamento do Recurso Voluntário STF Repercussão Geral em RE 593.068 Portaria CARF nº 01/2012 sobrestamento Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Analisemos. A Recorrente requer o sobrestamento do Recurso Voluntário em função do Recurso Extraordinário nº 593.068 tramitando no STF que ensejaria a aplicação do art. 62A, § 1º, Anexo II do RICARF. De plano, em consulta à página do STF, em 11.04.2014, (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente =2639193&numeroProcesso=593068&classeProcesso=RE&numeroTema=163#) temos que o RE 593.068 (Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 40, §§ 2º e 12; 150, IV; 195, § 5º; e 201, § 11, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigibilidade de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade, tendo em vista a natureza jurídica de tais verbas) teve como último andamento processual estar concluso, em 14.01.2014, ao Relator Min. Roberto Barroso. Ademais, além de ainda não ter havido o julgamento deste RE 593.068 no STF, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: GABINETE DO MINISTRO PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Diante do exposto, não há que se sobrestar o presente Recurso Voluntário com fulcro no RE 593.068 do STF porque houve a revogação expressa dos parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II do regimento Interno do CARF. DO MÉRITO Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.406 19 (ii) DO MÉRITO O Recorrente aduz que as provas que corroboram o direito alegado estão contidas nos documentos apresentados em sede de Impugnação e que devem ser mantidas neste Recurso Voluntário. Analisemos. De plano, a Recorrente não produz qualquer argumentação nova ou fato novo em relação ao anteriormente apresentado em sede de Impugnação, tampouco combate a decisão de primeira instância, apenas reitera o que foi deduzido em sede de Impugnação. Ou seja, a Recorrente ao não se insurgindo contra a decisão de primeira instância, neste ponto, por via indireta aceita tal decisão de primeira instância de forma a não haver litígio. Ademais, neste sentido, a Recorrente, em sua CONCLUSÃO no Recurso Voluntário, apenas requer o sobrestamento do presente Recurso sem adentrar no Mérito, se atendo apenas aos argumentos deduzidos em Preliminar: À VISTA DE TODO EXPOSTO, DEMONSTRADA A INSUBSISTÊNCIA E PROCEDÊNCIA PARCIAL DA AÇÃO FISCAL, ESPERA E REQUER A RECORRENTE SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO PARA FIM DE ASSIM SER DECIDIDO, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO E O SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO PROCESSO NOS TERMOS DA PORTARIA CARF N° 001/2012, TENDO EM VISTA A REPERCUSSÃO GERAL DO RE 593.068. Não obstante o requerimento da Recorrente se centrar expressamente apenas no sobrestamento do Recurso Voluntário, iremos enfrentar os principais argumentos reiterados da Impugnação que são suficientes para que se decida a controvérsia: (ii.1) Da compensação A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.407 21 como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. 89, § 4º, Lei 8.212/1991, o qual remete ao art. 35, Lei 8212/1991 e ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Lei 8.212/1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, o Código Tributário Nacional, no art. 170A, expressamente veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 No entanto, temse nos autos a informação de que o sujeito passivo impetrou dois mandados de segurança cujo objeto é a discussão da incidência de contribuições previdenciárias em verbas pagas pela Recorrente aos segurados empregados. Aponta a decisão de primeira instância, às fls. 1908 a 1909, as rubricas discutidas nos Mandados de Segurança impetrados pela Recorrente: Ocorre que, nessas ações, o Município postula a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre as seguintes parcelas: MS 001062728.2010.4.03.6100 ▫ Férias terço constitucional ▫ Horas extras MS 000041785.2011.4.03.6130 ▫ Aviso prévio indenizado ▫ Férias indenizadas ▫ Férias em pecúnia ▫ Salário educação ▫ Auxíliocreche ▫ Auxíliodoença e auxílioacidente ▫ Abono assiduidade ▫ Abono único anual ▫ Vale transporte ▫ Adicional de periculosidade ▫ Adicional de insalubridade ▫ Adicional noturno Ora, da comparação destes dois róis com o da coluna “Impugnação Inicial” da tabela apresentada há pouco apresentada se constata, facilmente, que muitas das parcelas lá discriminadas não estão sendo discutidas pela autuada em juízo – ou, pelo menos, não por meio dos dois mandados de segurança acima identificados. Mais especificamente, as rubricas abordadas pelo Município em sua impugnação inicial e que não foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário nos MS nº 001062728.2010.4.03.6100 e 000041785.2011.4.03.6130 são as seguintes: ▫ Abono carga suplementar horas e valor ▫ Abono gratificação curso superior ▫ Abono gratificação curso técnico ▫ Abono gratificação geral ▫ Abono gratificação magistério ▫ Abono licença prêmio ▫ Abono local de serviço ▫ Abono pecuniário ▫ Abono sexta parte ▫ Abono tempo de serviço ▫ Abono triênio ▫ Auxílio pecuniário ▫ Plantão extra. Desta forma, em relação às rubricas discutidas em sede judicial, a decisão de primeira instância conclui que para parte das verbas discutidas no presente Processo Administrativo, o sujeito passivo realizou as compensações sem o trânsito em julgado dos mandados de segurança impetrados, em violação a dispositivo expresso do Código Tributário Nacional, art. 170A, CTN. Outrossim, examinandose o andamento processual dos Mandados de Segurança, em 14.03.2014, no site do TRF 3 (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/): MS nº 001062728.2010.4.03.6100 se encontra no TRF 3ª Região na fase conclusos para decisão de admissibilidade de Recurso em 30/07/2013; MS nº 000041785.2011.4.03.6130 se encontra no TRF 3ª Região na fase recebido para processamento de recurso em 07/04/2014; Diante do exposto, deve ser mantida a glosa de compensação em função da violação ao disposto expresso no art. 170A, CTN. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.721420/201241 Acórdão n.º 2403002.546 S2C4T3 Fl. 2.408 23 (ii.2) Das verbas indenizatórias submetidas à apreciação judicial Analisemos. Em relação às rubricas abordadas pelo Município em sua impugnação inicial e que foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário nos Mandados de Segurança nº 001062728.2010.4.03.6100 e nº 000041785.2011.4.03.6130, essas questões no Recurso Voluntário de que se os valores pagos pela Recorrente aos segurados empregados integram ou não o salário de contribuição, não serão conhecidas pois possuem o mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados pela Recorrente, exsurgindo a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (ii.3) Das verbas indenizatórias não submetidas à apreciação judicial Analisemos. Conforme o já visto no tópico (ii), a Recorrente não produz qualquer argumentação nova ou fato novo em relação ao anteriormente apresentado em sede de Impugnação, tampouco combate a decisão de primeira instância, apenas reitera o que foi deduzido em sede de Impugnação. Assim na forma do art. 17 do Decreto 70.235 e, ainda, em razão de não ter trazido à colação argumentos que refutassem os créditos constituídos os sobreditos levantamentos foram considerados matérias não impugnadas, verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Ou seja, a Recorrente ao não se insurgindo contra a decisão de primeira instância, neste ponto, por via indireta aceita tal decisão de primeira instância de forma a não haver litígio. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados; (ii) CONHECER do Recurso Voluntário nas demais questões, rejeitar a Preliminar de sobrestamento do Recurso Voluntário e, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000534/2004-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
Restando demonstrado que os rendimentos recebidos a título de aluguel foram reportados e tributados na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge, resta caracterizada a opção do contribuinte com base no art. 6º do Decreto nº 3.000/99.
Numero da decisão: 2201-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc.
EDITADO EM: 07/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Suplente convocado), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD e MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Restando demonstrado que os rendimentos recebidos a título de aluguel foram reportados e tributados na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge, resta caracterizada a opção do contribuinte com base no art. 6º do Decreto nº 3.000/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. EDITADO EM: 07/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Suplente convocado), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD e MARIA HELENA COTTA CARDOZO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 05 34 /2 00 4- 30 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração, de fls. 08 e seguintes, lavrado em face da Contribuinte PAULA LOPES DE CARVALHO – no qual foi apurado crédito tributário de R$ 2.660,47, sendo R$ 1.176,37 a título de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 882,27 a título de multa de oficio e R$ 601,83 a título de juros de mora (atualizados até a data da autuação) referente ao ano calendário de 2000. O lançamento foi decorrente da glosa de imposto de renda, no valor de R$ 1.298,00, proveniente de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos da pessoa jurídica CETIL INFORMÁTICA S.A., CNPJ 82.660.440/000130, e CETIL SISTEMAS DE INFORMÁTICA S.A., CNPJ 83.844.522/000105, alterando o imposto retido na fonte para R$ 0,00. O enquadramento legal, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase especificado em fl. 27. A Contribuinte foi cientificada do lançamento em 02/02/2004 (fl. 24), apresentando, tempestivamente, em 02/03/2004, Impugnação de fls. 01/06, argumentando, em síntese, que: · É casada em regime de comunhão total de bens com o Sr. Francisco Ribeiro de Carvalho, CPF 021.428.80800, e que, no anocalendário de 2000, o casal possuía alguns bens alugados a pessoas físicas e jurídicas. · Os rendimentos relativos aos aluguéis dos bens do casal totalizavam R$ 61.714,43, após a comissão cobrada pelas imobiliárias. · O seu cônjuge declarou como rendimentos tributáveis o valor de R$ 55.705,93, incluindo a receita relativa ao imóvel ocupado pela Cetil Sistemas de Informática Ltda., que efetuou o recolhimento do IRRF objeto de glosa do presente processo. · Caberia à Contribuinte oferecer à tributação apenas os rendimentos no valor de R$ 7.760,50, incluindo por equívoco o rendimento no valor de R$ 18.192,60, o que totalizou R$ 25.953,10. · Foi imprecisa também a inclusão do valor de R$ 1.298,00 de IRRF, que resultou em R$ 121,63 de imposto a restituir. · Não houve em nome da Contribuinte o recolhimento de IRRF por parte da empresa CET1L, e, diante disso, a Contribuinte concorda com a glosa efetuada. Entretanto, há que se efetuar concomitantemente a glosa de R$ 18.192,60 de rendimento tributável, uma vez que esse valor de aluguel foi regularmente declarado em nome de seu cônjuge. A 7ª Turma da DRJ/SP011, em sessão de 22 de novembro de 2007, julgou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ALUGUÉIS. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Não restando demonstrada que a opção exercida pelo casal atende à legislação, tributando 50% (cinqüenta por cento) do total dos rendimentos recebidos para cada cônjuge ou 100% (cem por cento) em nome de um dos cônjuges, é de se manter a exigência respectiva. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10840.000534/200430 Acórdão n.º 2201002.263 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificada da decisão em 11/12/2007, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 07/01/2008, às fls. 50 e seguintes aduzindo: · A Contribuinte confirma que incluiu, em sua declaração de rendimentos do ano calendário de 2000, aluguéis recebidos das empresas CETIL INFORMÁTICA S/A e CETIL SISTEMAS DE INFORMÁTICA S/A, no valor de R$ 18.192,60 (dezoito mil, cento e noventa e dois reais e sessenta centavos) e uma retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 1.298,04 (um mil, duzentos e noventa e oito reais e quatro centavos), relativos à locação do imóvel localizado na Rua Ceará, n° 2005, em Ribeirão Preto. Como a referida retenção foi feita em nome de seu marido, Francisco Ribeiro de Carvalho, a importância descontada a título de imposto de renda na fonte foi glosada, o que gerou o lançamento de imposto suplementar da ordem de R$ 1.176, 37 (um mil, cento e setenta e seis reais e trinta e sete centavos). · Inconformada, a Contribuinte apresentou tempestiva impugnação, na qual sustenta que os aludidos valores de alugueres foram integralmente submetidos à tributação do imposto de renda na declaração de seu cônjuge, Francisco Ribeiro de Carvalho, e que aquele valor constou de sua declaração por equívoco, como também o imposto de renda retido na fonte. Nessas condições, a glosa do imposto de renda retido na fonte há de ser mantida em virtude de tal retenção ter sido utilizada na declaração de rendimentos de seu marido. Contudo, em contrapartida, os respectivos rendimentos também deveriam ser desconsiderados, já que integralmente indicados e tributados na declaração do outro coproprietário do imóvel; o que não resultaria em nenhum imposto de renda suplementar a recolher e, sim, numa restituição de R$ 318,00 (trezentos e dezoito reais), relativa ao recolhimento do carne leão. O Recurso Voluntário foi julgado na sessão de 15 de outubro de 2013 pela 1ª Turma/2ª Câmara da Segunda Seção do CARF. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (despacho de fls. 59). Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia Redatora ad hoc. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Não há preliminares a serem vencida, então passase ao mérito. A lide versa acerca da glosa de imposto de renda retido na fonte (IRRF) pela fiscalização da Declaração de Rendimentos da Contribuinte, por tal imposto ser referente a aluguel recebido por seu cônjuge das empresas CETIL INFORMÁTICA S.A., CNPJ 82.660.440/000130, e CETIL SISTEMAS DE INFORMÁTICA S.A., CNPJ 83.844.522/0001 05. A Contribuinte alega que, de fato, os rendimentos de aluguéis foram recebidos pelo seu cônjuge e reportados em sua Declaração de Rendimento, assim como o IRRF pago sobre os mesmos. Porém, a Contribuinte acabou, erroneamente, por também por reportar em sua Declaração de Rendimentos os mesmos rendimentos e IRRF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Desta forma, a Contribuinte concorda com a exclusão feita pela fiscalização do IRRF, mas pleiteia que os rendimentos de aluguéis recebidos das empresas CETIL INFORMÁTICA S.A., CNPJ 82.660.440/000130, e CETIL SISTEMAS DE INFORMÁTICA S.A., CNPJ 83.844.522/000105 também sejam excluídos, pois foram reportados na Declaração de Rendimentos do seu cônjuge. Tendo como base o disposto no parágrafo único do art. 6º do Decreto nº 3.000/99, os rendimentos auferidos em razão de bens em comum podem ser tributados em sua totalidade em nome de um dos cônjuges. Confirase: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de: I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Assim, compulsandose os autos e a Declaração de Rendimentos do cônjuge (fls. 19 e seguintes), verificase que o valor de R$ 55.705,93 foi considerado como rendimentos. A Contribuinte também anexa a composição desse valor, conforme demonstrado no quadro a seguir: Conforme podese verificar os rendimentos auferidos pelo cônjuge do Contribuinte foram reportados em sua Declaração de Rendimentos. Desta feita, merece amparo o pleito da Contribuinte no sentido de que o valor de R$ 18.192,60 seja excluído como rendimento da sua Declaração de Rendimentos, pois já foram reportados oferecidos à tributação na Declaração de Rendimentos do seu cônjuge. Conclusão Diante do exposto, oriento o meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc Declaração do Cônjuge – Sr. Francisco Ribeiro de Carvalho Fonte Pagadora Rendimento Fls. CETIL INFORMATICA SA R$ 8.107,20 12 CETIL SISTEMAS DE INFORMÁTICA SA R$ 11.350,08 13 MARCO ANTÔNIO SERVELLI R$ 8.860,00 14 EURÍPEDES NUNES R$ 2.316,33 15 VILMA IGNÁCIO R$ 6.624,00 16 JOSÉ NETO R$ 13.331,20 16 MARIA HELENA ARANTES R$ 8.300,00 17 TOTAL R$ 58.588,81 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10840.000534/200430 Acórdão n.º 2201002.263 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 07/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10384.007469/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RENDIMENTO ISENTO DE IRPF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Em respeito ao princípio da verdade material, a unidade praparadora deve analisar o direito creditório do contribuinte decorrente de efeitos da decisão de julgamento que alterar o imposto apurado no ajuste anual como pedido de restituição.
Numero da decisão: 2102-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, determinando que a repartição de origem processe a petição de fl. 76 como um pedido de restituição das cotas pagas, por efeito do ajuste efetuado na decisão da DRJ.
Assinado digitalmente.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente.
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RENDIMENTO ISENTO DE IRPF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Em respeito ao princípio da verdade material, a unidade praparadora deve analisar o direito creditório do contribuinte decorrente de efeitos da decisão de julgamento que alterar o imposto apurado no ajuste anual como pedido de restituição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, determinando que a repartição de origem processe a petição de fl. 76 como um pedido de restituição das cotas pagas, por efeito do ajuste efetuado na decisão da DRJ. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente. Assinado digitalmente. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 85 1 84 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.007469/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.926 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria Pedido de Restituição Recorrente CONRADO MELO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RENDIMENTO ISENTO DE IRPF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Em respeito ao princípio da verdade material, a unidade praparadora deve analisar o direito creditório do contribuinte decorrente de efeitos da decisão de julgamento que alterar o imposto apurado no ajuste anual como pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, determinando que a repartição de origem processe a petição de fl. 76 como um pedido de restituição das cotas pagas, por efeito do ajuste efetuado na decisão da DRJ. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 74 69 /2 00 8- 21 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10384.007469/200821 Acórdão n.º 2102002.926 S2‐C1T2 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fl. 76, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 65 a 70, que julgou procedente em parte o lançamento do contribuinte para exonerar totalmente o crédito tributário exigido pela Notificação de Lançamento de IRPF de fls. 33 a 36 dos autos (Notificação nº 2006/603450515805046), lavrada em 29/09/2008, relativa ao anocalendário 2005, que substituiu integralmente a Notificação de Lançamento nº 2006/603420181142041, conforme documento de fl. 32. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 5.771,44, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 34, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 10.483,32, recebido do Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí – IAPEP. Assim, foi apurado imposto de renda suplementar no valor de R$ 2.833,31, sujeito à multa de ofício e aos juros de mora. DA IMPUGNAÇÃO Em 02/10/2008, o RECORRENTE apresentou a Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL de fl. 06, acompanhada dos documentos de fls. 07 a 10. Tendo em vista que referida SRL foi apresentada dentro do prazo de defesa, a mesma foi aceita como impugnação do lançamento, conforme dispõe o documento de fl. 50. O argumento central de sua defesa é a retificação do lançamento referente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, para que fosse excluída da base de cálculo do imposto de renda o valor dos proventos de aposentadoria do INSS, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/98, por ser portador de cardiopatia grave desde 08/1998 (CID I50.0 + I20.0), conforme Laudo médico de fl. 07. Na ocasião, juntou aos autos cópia dos comprovantes de rendimentos pagos e retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora (INSS), referente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 (fls. 08 a 10). A cópia de sua declaração do Imposto de Renda referente ao anocalendário 2005 encontrase acostada às fls. 58 a 62. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10384.007469/200821 Acórdão n.º 2102002.926 S2‐C1T2 Fl. 87 3 DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 65 a 70 dos autos, julgou procedente em parte a impugnação do RECORRENTE, através de acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO/REFORMA. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 c alterações. Conforme art. 111 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, as regras de isenção devem ser interpretadas literalmente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. ERRO DE FATO . PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora acatou as razões defendidas pelo RECORRENTE e considerou que os proventos de aposentadoria especial por ele recebidos do INSS (fl. 08) estavam isentos do IRPF, haja vista que o laudo médico apresentado atesta que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde agosto de 1998 (fl. 07). Neste sentido, entendeu que o contribuinte incorreu em erro de fato ao indicar na sua Declaração de Ajuste que tal rendimento, no valor de R$ 17.948,07, era tributável. No que diz respeito à omissão de rendimento recebido do IAPEP, no valor de R$ 10.483,32, a autoridade julgadora manteve o lançamento, argumentando que somente os rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstia grave, são isentos do IRPF. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10384.007469/200821 Acórdão n.º 2102002.926 S2‐C1T2 Fl. 88 4 Portanto, a DRJ de primeira instância exonerou o crédito tributário exigido, uma vez que o valor tido como isento do IRPF e que deveria ser subtraído dos rendimentos tributáveis (R$ 17.948,07) é superior ao valor do rendimento apontado como omisso (R$ 10.483,32), não havendo imposto a pagar. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 14/10/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 73, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 76, em 27/10/2011. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE solicita, tãosomente, que seja determinada a restituição do valor do IRPF recolhido a maior referente ao anocalendário 2005, conforme reconhecido no julgamento de primeira instância. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Entendo que deve ser acatado o pleito da RECORRENTE, uma vez que a DRJ de primeira instância revisou a notificação de lançamento e reconheceu, expressamente, que o RECORRENTE incorreu em erro de fato ao preencher sua declaração de ajuste referente ao anocalendário 2005, pois indicou como rendimento tributável o valor da aposentadoria recebido do INSS (R$ 17.948,07), enquanto, na realidade, tal rendimento é isento do IRPF, pois o contribuinte sofre de cardiopatia grave desde agosto de 1998 (fl. 07). Esses fatos são incontroversos no presente recurso. Ocorre que, apesar de a Impugnação do RECORRENTE ter sido julgada procedente em parte, com a manutenção da infração de omissão de rendimento no valor de R$ 10.483,32, não há crédito de imposto de renda suplementar a recolher, pois o valor da omissão Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10384.007469/200821 Acórdão n.º 2102002.926 S2‐C1T2 Fl. 89 5 é inferior ao valor tido como isento do IRPF e que deve ser subtraído dos rendimentos tributáveis (R$ 17.948,07). Assim, após revisar a Notificação de Lançamento, a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que o valor do imposto a pagar após as alterações seria de R$ 4.103,17, enquanto que o valor do imposto a pagar declarado e pago pelo RECORRENTE foi de R$ 6.205,57 (fl. 61). Assim, o pedido de fls. 76 do RECORRENTE, claramente, decorre dos efeitos da decisão da DRJ, que considerou isentos rendimentos pagos pelo INSS, tornando excessivos os pagamentos de imposto realizados através de quotas apuradas no ajuste anual. Por essa razão, referido pedido de fls. 76 dos deve ser apreciado pela Delegacia da Receita Federal de origem como um Pedido de Restituição. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, determinando que a DRF de origem do RECORRENTE processe a petição de fls. 76 dos autos como um Pedido de Restituição das quotas pagas por efeito do ajuste anual. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10280.904976/2011-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 6/ 20 11 -7 9 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904976/201179 Resolução nº 3803000.531 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10183.002539/2002-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
INTELIGIBILIDADE DE DECISÃO EMBARGADA. ELUCIDAÇÃO. CORRETO TRATAMENTO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Verificado que a decisão embargada não foi clara e inteligível o suficiente, é de se acolher os embargos, para esclarecimentos, devendo a autoridade administrativa observar rigorosamente no item esclarecido, nos termos aplicados pela DRJ, assim como quanto a matéria no acórdão embargado, que permanece inalterável quanto ao teor e efeitos.
Numero da decisão: 1202-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para dar-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Diefenthaler, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 INTELIGIBILIDADE DE DECISÃO EMBARGADA. ELUCIDAÇÃO. CORRETO TRATAMENTO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Verificado que a decisão embargada não foi clara e inteligível o suficiente, é de se acolher os embargos, para esclarecimentos, devendo a autoridade administrativa observar rigorosamente no item esclarecido, nos termos aplicados pela DRJ, assim como quanto a matéria no acórdão embargado, que permanece inalterável quanto ao teor e efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para darlhes provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves BuenoRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Diefenthaler, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 25 39 /2 00 2- 26 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 9 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 120200.028, proferido em 12 de maio de 2009, complementado pelo acórdão nº 110200.138, proferido em 29/01/2010, proferidos pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, de fls. 694 a 697 e fls. 718/720, respectivamente, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiram negar provimento ao recurso voluntário, tendo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O entendimento do recolhimento a destempo ou parcelamento como não caracterizando a denúncia espontânea é o mesmo do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificado do acórdão nº 120200.028, o embargante, tempestivamente, opôs os presentes Embargos (fls. 769 a 781), alegando contradição e omissão no supracitado acórdão. Em suas alegações, o embargante aduziu que no acórdão embargado houve o reconhecimento expresso de pagamento postergado de tributo incidente sobre o valor do PIS depositado em juízo. No entanto, o acórdão teria sido omisso por não ter excluído o tributo pago em postergação. Pagamento esse que, segundo o embargante, estaria devidamente comprovado no presente processo administrativo e teria sido reconhecido por este Conselho no voto do acórdão embargado. Argumentou que uma vez reconhecida a postergação do pagamento do Imposto de Renda em face dos depósitos de PIS em juízo, apenas seria possível a aplicação de juros de mora contados da data do fato gerador até o pagamento da parcela postergada. Na esteira deste raciocínio, a multa que deveria serlhe aplicada seria a multa de mora e não a multa de ofício. Para a embargante esses questionamentos não ficaram claros o suficientes no acórdão embargado, necessitando ser esclarecidos, para se afastar a omissão e sanar a contradição, tendo em vista que recebeu intimação nº 0953/12 – SECAT, comunicando a decisão deste Conselho e, em anexo, cobrando via DARF para pagamento do tributo (obrigação principal) mais multa de ofício (75%) e juros de mora. Além destes questionamentos abordados acima, relativos a postergação do IRPJ atinentes aos lançamentos sobre “recolhimento do PIS em juízo”, o embargante também alegou omissão quanto aos pagamentos a título de juros e multa do lançamento relativo ao “PIS recolhido em juízo”. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 10 3 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Do relatoriado acima é possível perceber que o embargante aborda dois pontos centrais em seu recurso que, em sua opinião, conteriam falhas que necessitariam ser aclaradas e ajustadas a situação já reconhecida no acórdão embargado, de modo a auxiliar e possibilitar a liquidação do acórdão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande – DRJ/MS. O primeiro tópico explorado pelo embargante diz respeito a “POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ REFERENTE AOS LANÇAMENTOS SOBRE O RECOLHIMNETO DO PIS EM JUÍZO” e se divide três questionamentos que serão em seguida enfrentados, quais sejam: comprovado o recolhimento do IRPJ devido, ainda que no anocalendário posterior (2000) àqueles em que deveria ter sido lançado (anoscalendários de 1998 e 1999), deve ser reconhecido, no mínimo, o pagamento do valor principal (tributo), ainda que não se considere este pagamento como denúncia espontânea apta a afastar a incidência dos juros e das multas; reconhecido o pagamento, ainda que somente do principal a título de IRPJ recolhido em atraso, devese deixar claro na decisão que os juros incidirão apenas no decorrer do período postergado, ou seja, do fato gerador até o recolhimento no período subsequente; não incidência da multa de 75% (multa de ofício), afastando a incidência de quaisquer multas, sob pena desta Turma realizar lançamento não efetuado pelo auditor fiscal. Primeiramente, antes de adentrar sobre tais levantamentos, cumprenos destacar que realmente há contradição dentro do acórdão ora embargado. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado Fl. 812DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 11 4 pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, página 196, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Pelos doutrinadores citados acima é possível inferir que no caso sob exame a simultaneidade de ideias heterogêneas interfere diretamente na compreensão da decisão e, consequentemente, produz efeitos negativos em seus regulares efeitos. Tanto é verdade que, o Sr. Relator do processo, no acórdão embargado, possivelmente pela má colocação de ideias , não assimilou que fora reconhecida e aceita a tese de postergação do pagamento do IRPJ, em parte, mas referente aos lançamentos sobre “recolhimento do PIS em juízo” outra foi a decisão tomada pela autoridade julgadora de primeira instância, releiase os fundamentos de decidir sobre este item da autuação: Resta, por último, a questão da dedução como despesa de contribuição para o PIS cuja exigibilidade estava suspensa. 18. Alega a impugnante que, percebendo o erro em que havia incorrido, procedeu, no ano de 2000, aos lançamentos pertinentes no sentido de regularizar a situação. 19. O procedimento seria o lançamento dos valores deduzidos indevidamente a débito da conta "PIS recolhido em Juízo" e a crédito da conta "Recuperação de Despesas". Dessa forma, tais valores teriam sido oferecidos à tributação, embora em momento posterior ao previsto na legislação, fato que autorizaria a aplicação do entendimento esposado nos itens 11a 13 supra. 20. Ocorre que essa situação não é a mesma daquela anterior (antecipação de despesas efetivamente incorridas). É que o depósito judicial quando o contribuinte demanda judicialmente contra o Fisco está na esfera patrimonial do depositante que sobre ele possui disponibilidade jurídica e, tanto é assim, que, por exemplo, em caso de desistência da ação não seria transferido para o ente tributante e sim voltaria a ser disponível economicamente para o contribuinte. 21. E esse é o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme pode ser visto na ementa abaixo transcrita: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA DE Fl. 813DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 12 5 IMPOSTO DE RENDA. Os valores depositados judicialmente com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário, em conformidade com o artigo 151, do CTN, não refogem ao âmbito patrimonial do contribuinte, constituindose assim em fato gerador do imposto de renda. "Os valores depositados, para os fins do art. 151, II, do CTN, permanecem no patrimônio do contribuinte, até o encerramento do processo. Por isto, seus rendimentos constituem fato gerador de imposto de renda." (REsp 194.989/PR, Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, D.J.U. 29/11/1999, Pág. 127). Precedentes. Agravo regimental impróvido. " 22. Com a vigência da Lei n. 8.541/92, conforme o disposto no seu artigo 7o passaram a ser considerados indedutíveis na apuração do lucro real os tributos não pagos, devendo, desse modo, ser adicionados ao lucro real. os tributos incorridos naquele período base, quando eram pagos em período subseqüente," até mesmo atendendo aos prazos de vencimento dos tributos e no seu artigo 8 o passaram a ser consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas como custo oü despesa, relativas a tributos ou contribuições e sua respectiva atualização monetária, cuja exigibilidade estivesse suspensa nos termos do art. 151 do CTN, houvesse ou não depósito judicial em garantia. 23. Os tributos passaram a ser dedutíveis apenas quando pagos. Assim, na hipótese de questionamento judicial, como os tributos não são pagos e apenas é depositado o valor equivalente, tais tributos passaram a ser indedutíveis devendo ser adicionados ao lucro real até a decisão final da lide. 24. O procedimento que a contribuinte alega ter efetuado poderia, em princípio, ter corrigido o erro inicial, por ela mesmo reconhecido. E para que não houvesse qualquer outro procedimento de ofício, deveria ter havido o recolhimento, também, dos consectarios legais (multa e juros moratórios) o que não ocorreu. 25. É de se salientar, ainda, que, anexas à impugnação, para a comprovação do alegado, vieram apenas cópias (emitidas por computador) de páginas do livro Razão Analítico relativas às contas correspondentes aos lançamentos efetuados (acostadas aos autos às f. 150 a 152), documentos não hábeis a tal mister. 26. Para comprovar tal alegação, deveriam ter sido carreadas aos autos cópias de páginas do livro Diário nas quais constassem os lançamentos correspondentes, atendidos, quanto às formalidades relativas ao referido livro, os requisitos enunciados no § 4 o do art. 257 do RIR/99 e na Instrução Normativa SRF n. 16/84. Além disso, a impugnante deveria evidenciar, de forma inequívoca, por meio de demonstrativos fundados em documentos hábeis (livro Diário, declaração de rendimentos apresentada etc.) que, de fato, o tributo havia sido recolhido, quer isoladamente, quer com o seu valor incluído nos recolhimentos relativos aos fatos geradores cujos vencimentos se deram após a correção contábil alegada. E a apresentação de tais documentos é ônus da contribuinte, sujeitandose inclusive à preclusão, a teor do § 4 o do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), "in verbis": Fl. 814DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 13 6 "Art. 16. (...) § 4.". A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n. 9.532/1997) " 27. Dessa forma, quanto a esse item, deve ser refutada a alegação trazida pela impugnante. 28. Em conclusão, temse que deveser exonerado o correspondente ao valor do principal do imposto devido em decorrência da apropriação das despesas relativas aos prêmios de seguro, e de parte dos juros moratórios, permanecendo intactos todos os demais valores, inclusive a multa de 7 5% respectiva ao valor exonerado, 29. A tabela abaixo referese aos valores .'originários do Auto de Infração, separadamente por infração: Anocalendário Infração Principal (RS) Multa 7 5% (R$) Juros até 3 1 / 0 5 / 0 2 (R$) 1998 1 Quotas de depreciação 8.385,95 6 . 2 8 9 , 46 5.044,15 1999 2Quotas de depreciação 8.596,39 6.447,29 3.253,73 1999 3Prêmios de Seguros 11.919,29 8.939,47 4.511,45 1998 4Tributos cf exigibilidade suspensa 82.314,25 ^ 61.735,69 4 9 . 5 1 2 , 02 1999 5Tributos cf exigibilidade suspensa 7 9 . 7 3 2 , 82 59.799,61 30.178,87 Total 190.948,70 143.211,52 92.500,22 30. Assim, por força desta decisão de primeira instância, são exonerados apenas os valores relativos ao principal da infração de número 3 (R$ 11.919,29) e parte dos juros moratórios, já que estes são devidos desde 31 de março de 2000, data de vencimento do imposto devido pelo ajuste anual do anocalendário 1999, até o instante em que se deu o pagamento, ou seja, 30 de março de 2001, data de vencimento do imposto devido pelóajuste anual do anocalendário 2000, pela taxa Fl. 815DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 14 7 SELIC acumulada para esse período que equivale a 18,02% (salientese que os pagamentos por estimativa foram efetuados com base na receita bruta conforme consta nas DIPJ dos exercícios 2000 e 2001). Remanescem, dessa forma, a multa e parte dos juros correspondentes a essa infração, estes no valor fixo de RS 2.147,85, e todos os demais valores lançados por meio do AI objeto deste processo, o que é evidenciado na tabela abaixo: Anocalendário Infração Principal (R$) Multa 75% (RS) Juros (R$) 1998 1 Quotas depreciação de 8.385,95 6.289,46 5.044,15 (calculados até 31/05/02) 1999 2Quotas depreciação de 8.596,39 6.447,29 3.253,73 (calculados até 31/05/02) 1999 3Prêmios Seguros de 0,00 8.939,47 2.147,85 (valor fixo) 1998 4Tributos exigibilidade suspensa c/ 82.314,25 61.735,69 49.512,02 (calculados até 31/05/02) 1999 5Tributos exigibilidade suspensa c/ 79.732,82 59.799,61 30.178,87 (calculados até 31/05/02) 31. Confonne já explicitado em itens pretéritos, o pagamento efetuado (cópia do DARF à f. 162) deve ser utilizado para a amortização, segundo as regras próprias (inclusive quanto à redução de multa), dos valores sobre os quais não recaiu a impugnação (infrações números 1 e 2 das tabelas supra) e dos valores da Fl. 816DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10183.002539/200226 Acórdão n.º 1202001.206 S1C2T2 Fl. 15 8 multa e dos juros da infração de número 3, devendo ser tomadas todas as providências quanto a valores porventura remanescentes (apartação e cobrança). O que restar do pagamento referese à multa e aos juros relativos às infrações números 4 e 5, a ser utilizado para a respectiva amortização após a definitividade do lançamento. É de se evidenciar que a interessada discriminou, na impugnação e segundo seus próprios cálculos, todas as parcelas relativas ao pagamento (f. 134, parte final). 32. Salientase, por fim, que o órgão de origem poderá tomar as providências que julgar pertinentes quanto a eventuais diferenças ainda existentes de multa e juros relativos à infração n. 3, uma vez o indício ao final do item 15 supra. Demonstrada as contradições e omissões acima é inescusável darse provimento aos embargos de declaração, para o fim de elucidar a situação que já tinha sido reconhecida no acórdão embargado, no entanto, não tinha ficado inteligível o suficiente, de modo a propiciar o cumprimento do acórdão devendo a autoridade administrativa, na execução do julgado, observar rigorosamente, neste aspecto e item de autuação o quanto decidido na decisão de primeira instância, na parte aqui transcrita, assim como o decidido no acórdão embargado, uma vez permanecendo seu inteiro teor e efeitos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 817DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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