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Numero do processo: 10850.002288/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE
DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA É nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações dos responsáveis incluídos pela fiscalização no pólo passivo da
obrigação tributária.
Numero da decisão: 9101-000.988
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo, a fim de que seja conhecido o Recurso Voluntário do responsável solidário Décio Castilho Afonso e apreciado o seu mérito.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Interessado FAZENDA NACIONAL PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA É nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações dos responsáveis incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo, a fim de que seja conhecido o Recurso Voluntário do responsável solidário Décio Castilho Afonso e apreciado o seu mérito. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 224DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pelo responsável solidário, com base no artigo 32, inciso II, do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, em face do Acórdão nº 10195.692, da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração, lavrado contra a empresa Comercial de Carnes e Derivados Valentim Ltda., exige IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, referentes aos anoscalendário de 1998 e 2002, cuja ciência se deu em 14/10/2002. Houve o arbitramento do lucro no período compreendido entre o 3º trimestre de 1998 e o último trimestre de 2002, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração. Ainda, houve a imposição de multa qualificada, em razão de o contribuinte não ter apresentado DIPJ`s e/ou DCTF`s durante o período fiscalizado. Foram indicados como responsáveis os Srs. Sebastião Giacheto Ferreira e Décio Castilho Alonso, nos termos do artigo 124, I e art. 135, II do Código Tributário Nacional. As impugnações apresentadas pelos responsáveis não foram conhecidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob o fundamento de ser incabível a discussão da responsabilidade no processo administrativo fiscal. Houve, ainda, apresentação de impugnação da pessoa jurídica contribuinte sem identificação do subscritor. A autuada notificada para comprovar o subscritor da mesma, não atendeu, razão pela qual tal impugnação também não restou conhecida. Sobrevieram, então, os Recursos Voluntários dos responsáveis Sebastião Giacheto Ferreira e Décio Castilho Alonso, bem como da autuada pessoa jurídica, tendo sido o Recurso desta última considerado intempestivo. O acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conheceu dos recursos, nos termos da seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS: RESPONSABILIDADE Incabível discutirse responsabilidade solidária no processo administrativo fiscal, pois tal questão está adstrita à fase de cobrança do crédito tributário. PEREMPÇÃO Não se conhece do recurso apresentado após o decurso do prazo legal. Recursos não conhecidos. Às fls. 2.172 e 2.173, consta o AR, em que os sujeitos passivos Décio Castilho Alonso e Sebastião Giacheto Ferreira foram intimados do referido acórdão. Entretanto, apenas o responsável Décio Castilho Alonso apresentou Recurso Especial, no qual traz como paradigma o Acórdão nº 10708.374, que entendeu ser nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações postas por contribuintes incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. Alega, ainda, que houve limitação ao exercício do direito de defesa, bem como que houve confusão entre a responsabilidade solidária e a responsabilidade subsidiária, requerendo, por fim, seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância. O Despacho de fls. 2.212/2.213 deu seguimento ao Recurso do responsável. A Fazenda Nacional apresentou Contrarazões, alegando que apenas no momento da cobrança do crédito judicialmente é que se discutirá a procedência da responsabilidade solidária. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Fl. 226DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 4 4 O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pelo que dele conheço. O Recurso, interposto pelo responsável solidário, requer a anulação do acórdão de primeira instância, uma vez que não restou conhecida sua impugnação. O fundamento do acórdão recorrido é no sentido de ser incabível a discussão sobre a responsabilidade solidária na instância administrativa. Alega o Recorrente violação ao direito de defesa, apontando acórdão paradigma que reputou nula a decisão que não permitiu contraditório dos responsáveis no processo administrativo. Desta forma, não se trata de decidir, in casu, se procedente ou não a responsabilidade imputada ao Recorrente, mas se cabível tal discussão no âmbito administrativo. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, LIV, assegurou aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, tanto no processo judicial quanto no processo administrativo. Verificase que tais direitos devem ser assegurados a todos os litigantes, razão pela qual, se o sujeito passivo indicado como responsável também é parte da lide, e dela poderá sofrer diversas consequências danosas, ao responsável também deve ser dada a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez Lopes (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª Edição, 2010) apontam as razões para assegurar o direito de defesa ao responsável no processo administrativo: “Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos à execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as consequências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no Cadin, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, esperase que o interessado possa sempre se defender contra o lançamento no âmbito do contencioso administrativo. Em substância, tratase de dar plea atuação ao princípio constitucional que garante o direito de defesa, não só no trâmite do processo judicial, mas também na precedente fase administrativa.” Seguindo tal orientação, diversos são os acórdãos deste Conselho em que se reconhece o direito de defesa do responsável solidário, verbis: “Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO Carece de respaldo legal a decisão de primeira instância que deixa de conhecer impugnações interpostas por sujeitos passivos solidários com base no argumento de que o acórdão prolatado em segundo grau é inexeqüível. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos Fl. 227DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 5 5 expendidos pelos indicados no autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 10517372, sessão de 18/12/2008)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A SÓCIO PESSOA FÍSICA E A TERCEIROS NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA ADMINISTRATIVA É nula a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar os argumentos das impugnações postas por contribuintes incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. (Acórdão nº 10708.374, sessão de 07/12/2005)” “PAF. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Tendo em vista que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira instância, deve ser declarada a nulidade do acórdão, por preterição do direito de defesa. Preliminar de nulidade acolhida. (Acórdão CSRF/0305.559, sessão de 12/11/2007)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. DIREITO À IMPUGNAÇÃO. NECESSIDADE DE CONHECIMENTO PELA DRJ. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento deve identificar os sujeitos passivos da relação obrigacional tributária, incluindo, quando possível, além do contribuinte o responsável tributário referido no inc. II do art. 121 do mesmo Código. Efetuado o lançamento contra o contribuinte e o responsável tributário, ambos têm direito à impugnação. Apresentada a impugnação em tempo hábil pelo responsável tributário, mas não sendo conhecida pela primeira instância, o processo deve ser anulado desde a decisão recorrida para que outra seja proferida, com análise dos argumentos de defesa de todos os sujeitos passivos impugnantes. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 20312.647, sessão de 12/12/2007)” A discussão acerca da responsabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal se faz ainda mais necessária frente à prerrogativa da Fazenda Pública de redirecionar a execução fiscal para terceiro, responsável solidário. O entendimento já pacificado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a inclusão de sócio na Certidão de Dívida Ativa, em razão da presunção de legalidade do ato administrativo, inverte o ônus da prova, cabendo, portanto, ao sujeito passivo comprovar que não restou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no artigo 135 do Código Tributário Nacional (excesso de mandato, infringência à lei ou ao contrato social). Nesse sentido o julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.104.900/ES, (Primeira Seção do STJ, Rel. Ministra Denise Arruda, DJe 1º/4/2009, sob o regime do artigo 543C do CPC), foi no sentido de que é possível o redirecionamento da execução fiscal de maneira a atingir sócio da empresa executada, desde que o seu nome conste da CDA. Assim, considerando que a inscrição em dívida ativa pressupõe a liquidez e certeza do crédito, inclusive em relação ao nome do devedor e de eventuais codevedores Fl. 228DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 6 6 responsáveis; considerando ser o lançamento atividade vinculada, que inclui a identificação do sujeito passivo, incluindo a identificação de responsável solidário; considerando que a indicação de responsável solidário por meio do lançamento deve estar acompanhada de provas, é certo que no âmbito administrativo deve ser possibilitada a discussão quanto ao vínculo de responsabilidade, garantindose o direito à ampla defesa e ao contraditório. Nesse sentido é o voto do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no acórdão CSRF/0105543, sessão de 19/06/2006: Primeiramente, cumpre examinar a legitimidade processual dos responsáveis solidários para atuar no processo administrativo fiscal. Essas pessoas sofreram a imputação da responsabilidade solidária pela fiscalização por débitos de empresa individual com fundamento no interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e, se mantida a exigência, os acusados seriam incluídos na certidão de dívida ativa, titulo que goza de liquidez e certeza e permite a cobrança do crédito tributário em Juizo. O efeito prático da presunção de certeza e liquidez estabelecida em lei é inverter o ônus da prova; invocandoa, a autoridade administrativa fica dispensada de provar a existência do crédito tributário que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa), provar o fato presumido não existir no caso / . Na cobrança executiva, não há lugar para discussões sobre o mérito da pretensão do fisco ao crédito tributário, incluindose as questões relativas à sujeição passiva. Como observa Paulo Cesar Conrado, no processo de execução, o Estadojuiz parte do "direito material tributário já dito".2 Como regra, a legitimidade passiva processual, ou seja, a legitimidade para se defender da imposição fiscal, decorre da própria sujeição passiva na relação jurídica material. Nesse aspecto, verificase que a fiscalização atribuiu a determinadas pessoas a responsabilidade pelo pagamento do tributo com fundamento em sua participação no fato jurídico tributário ou em função de seu vinculo com o realizador desse fato. Humberto Theodoro Júnior observa que o procedimento previsto na Lei de Execução Fiscal não se destina ao acertamento da relação creditícia entre o Fisco e o contribuinte, mas apenas se volta para a expropriação de bens do devedor para satisfação do direito ao credor (artigo 646, CPC). Segundo ele, o acertamento é fato que precede à execução e consolidase no título executivo. Por isto, no processo executivo, não há lugar para discussões e definições de situações controvertidas ou incertas no plano jurídico. 3 A imputação de responsabilidade pelo auditor fiscal e a, posterior, inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável se vê diante de uma demanda judicial expropriatória de seu patrimônio com fulcro na exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de Fl. 229DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 7 7 certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo fiscal. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos a execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no CADIN, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, devese .assegurar o direito de defesa administrativo do interessado quanto a tal imputação. A Suprema Corte tem reafirmado sua posição firme de que "não se pode desconhecer que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer cidadão ou entidade, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois cabe enfatizar o reconhecimento da legitimidade éticojurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público, de que resultem conseqüências gravosas no plano dos direitos e garantias individuais, exige a fiel observância do princípio do devido processo legal (CF, art. 5 0, LIV e LV)". A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sustenta a essencialidade desse princípio, "nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos." (grifei) 4 Dessa perspectiva não se afastou a Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 2° desse diploma legal determina, expressamente, que a Administração Pública obedecerá aos princípios da ampla defesa e do contraditório. O parágrafo único desse dispositivo estabelece que nos processos administrativos sejam observados, dentre outros, os critérios de "observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" (inciso VIII) e de "garantia dos direitos à comunicação" (inciso X). Além disso, a Lei n°9.784, de 1999, em várias passagens, resguarda o direito à informação aos acusados (art. 28) 6 e a interposição de recursos nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio (art. 2°, parágrafo único, inciso X)6. A propósito, ensina a eminente Professora Ada Pellegrini Grinover: "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio equivale à controvérsia, a contenda, e não a lide. Pode haver litigantes — e os há — sem acusação Fl. 230DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 8 8 alguma, em qualquer lide." 7 Com efeito, o inciso II do artigo 90 e 58 da Lei n° 9.784/99, lei geral do processo administrativo, incluem também, entre os legitimados para atuar no processo administrativo, "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direito ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada". A legitimação do terceiro se configura quando a solução que se dará à lide deve influir em outra relação jurídica de direito material em que ele faz parte como sujeito passivo, como é o caso da atribuição de responsabilidade solidária por interesse comum. A ausência de dispositivo específico disciplinando a matéria no Decreto n° 70.235/72 leva a concluir que esta norma geral aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cientificados da imputação de responsabilidade solidária pela fiscalização, nasce o direito ao acusado de ver suas alegações apreciadas pela Câmara Recorrida por força do que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, e o art. 50, VII, do texto constitucional. Firmado esse entendimento, passo a examinar a ilegitimidade passiva alegada pela decisão da turma julgadora de primeira instância. Nesse sentido, cabe observar o lançamento fiscal ter fundamento em interposição fictícia de pessoas, em que a pessoa jurídica realizou negócios jurídicos em seu nome apenas para ocultar os reais beneficiários dos rendimentos e que normalmente figurariam no pólo passivo da obrigação tributária. Segundo a fiscalização, a imputação os rendimentos foi realizada as pessoas que efetivamente praticaram o fato jurídico tributário, reunido em sociedade de fato ou comum. Essa, aliás, é a regra inscrita na Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5°, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário, como a seguir transcrito: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002." Como no caso em comento, a acusação trouxe evidências relativas à existência vários beneficiários da omissão de receita, Fl. 231DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 9 9 organizados sobre a gerência do principal interessado, impõe a fiscalização a solidariedade por força do interesse comum demonstrado pelo conjunto de pessoas (sociedade de fato). Como na solidariedade não há benefício de ordem, a exigência fiscal recai sobre todos os integrantes dessa sociedade de fato, arrolados no lançamento, podendo o fisco em fase de cobrança eleger, entre os devedores solidários, aqueles que irão responder, em parte ou integralmente, pela dívida. Não vislumbro também a possibilidade de tal imputação de responsabilidade por solidariedade ser realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, posteriormente, na fase de cobrança, como sustenta a decisão de primeiro grau. Neste processo, não estamos diante de hipótese de responsabilidade por substituição ou transferência a ensejar o redirecionamento da cobrança em razão de fato superveniente ocorrido após a inscrição em Dívida Ativa v.g., impossibilidade de cobrança do contribuinte — art. 134, atuação dos sócios com excesso de poder ou infração à lei — art. 135, evento sucessório — art 131/132/133). A identificação dos sujeitos passivos já era passível de conhecimento pelos agentes fiscais por ocasião da lavratura do auto de infração, pois a pluralidade de pessoas que compõe o pólo passivo da obrigação tributária, já pertencia à relação jurídica desde a ocorrência do fato jurídico tributário. O lançamento fiscal que traz os devedores solidários apenas explicita tal fato. Nesse caso, não é admissivel qualquer inovação no lançamento de ofício para inclusão de novas pessoas no pólo passivo da obrigação tributária após transcorrido o prazo decadencial previsto no 173 do Código Tributário Nacional. Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário e determinar o retorno à DRJ competente para apreciação das questões apresentadas pelos interessados (responsável principal e solidário) na impugnação ao lançamento. Ademais, as decisões com preterição do direito de defesa são nulas, conforme dispõe o artigo 59, II, do Decretolei nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do Decreto nº 70.235/72 (que dispõe especificamente sobre o processo administrativo fiscal), de se observar também, ainda que de forma subsidiária, o disposto na norma geral do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99), que garante a participação, inclusive com a possibilidade de produção de provas, daqueles que têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão. Esse é o teor dos mencionados dispositivos: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 232DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 10 10 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: [...] II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; Por fim, cumpre citar a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que estabelece os procedimentos a serem observados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, garantindo direito de defesa para todos os autuados como responsáveis, verbis: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Art. 8º Na hipótese de diligência ou de perícia, de que trata o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, todos os autuados que impugnaram ou recorreram do crédito tributário serão cientificados do resultado, sendolhes concedido prazo para manifestação. Por todo o exposto e considerando que a solidariedade foi imputada no lançamento, bem como que o Recorrente impugnou e recorreu, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do responsável Décio Castilho Afonso, para reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos, a fim de que seja conhecido seu Recurso Voluntário e apreciado o mérito. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 11 11 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009690/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005
Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL
Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário.
INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA.
Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2.
ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC
Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2301-002.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário. INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA. Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2. ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4.
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Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente VIACAO SERRA VERDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário. INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA. Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2. ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente) Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.025.2055, a qual exige contribuições previdenciárias devidas “pela empresa à Seguridade Social e a outras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados, declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP e em Guias de Recolhimento Rescisório do FGTS e Informações à Previdência Social — GRFP.” Segundo aponta o relatório fiscal às fl. 27 o crédito é decorrente de “divergências apontadas pelo sistema de controle de arrecadação do INSS — "AGUIA" e pelos documentos apresentados pelo contribuinte GFLP e Guias da Previdência Social – GPS.” Decorre portanto de divergências verificadas em GFIPS, GRFP e GPS. A autuada, devidamente intimada, apresentou impugnação alegando, em apertada síntese, a ilegalidade da contribuição destinada ao SAT, ao Sest/Senat, do Sebrae, do SalárioEducação; que a multa é excessiva, bem como a impossibilidade de aplicação da Taxa Selic e a inconstitucionalidade da Taxa Selic. A DRJ de Belo Horizonte manteve a autuação tal como lançada. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário o qual, em sede preliminar, sustenta a inexigibilidade do depósito prévio de 30% (trinta por cento) do valor do crédito tributário como requisito para o conhecimento do presente recurso e, no mérito, repisa os argumentos deduzidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Em relação à preliminar de desnecessidade de depósito prévio como condição para o processamento e conhecimento do presente recurso, destaco que o art. 19, inciso I, da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, publicada no DOU de 04/01/2008, revogou os §§ 1° e 2° do art. 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de1991, que determinavam a realização de depósito prévio, correspondente ao valor de 30% da exigência, como requisito de admissibilidade do recurso voluntário: "Art. 19. Ficam revogados: I a partir da data da publicação desta Medida Provisória, os §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei n2 8.213, de 24 de julho de 1991;” A mencionada Medida Provisória, por sua vez, foi convertida na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, cujo artigo 42, inciso I, manteve a citada revogação. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.009690/200799 Acórdão n.º 2301002.399 S2C1T1 Fl. 136 3 Destarte, não é mais cabível o depósito recursal para o seguimento de recurso interposto em processo administrativo referente a créditos previdenciários. No mérito, o recurso voluntário restringese a sustentar a ilegalidade das contribuições ao SAT, Sebrae, SalárioEducação, Sest/Senat, bem como alegar a ilegitimidade da multa e da Taxa Selic como juros de mora. Incidem, na espécie, as Súmulas CARF nº 2 e 4, respectivamente, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Notese que para se reconhecer as ilegalidades suscitadas pela recorrente deveria esse órgão fazer um juízo de pertinência da lei que institui as citadas contribuições com a Carta Magna, o que é vedado. O mesmo se pode dizer em relação à multa a qual foi aplicado dentro dos ditames legais previstos à época. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendose hígida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004867/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. PROVA.
Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado.
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FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, os membros da 2ª. Câmara da 1ª. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento negaram provimento ao recurso, exarando o Acórdão nº 3201 00160, de 21/05/2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O lançamento, portanto, foi julgado procedente no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 2 3 valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. A inconformidade do contribuinte referese às seguintes divergências: a) Dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR. b) Desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR. O Recorrente aponta acórdão paradigmas segundo os quais, comprovada a existência das áreas de reserva legal por outros meios, deve ser acatada a exclusão. c) Desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. d) Além disso questionou em preliminar o cerceamento de defesa em razão de não ter sido apreciada a documentação juntada aos autos que comprova que a Receita Federal não fez o levantamento dos preços de terras para os municípios localizados no Estado de Mato Grosso. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 307/309, e encaminhado à Fazenda Nacional para apresentação de contrarazões que, por sua vez, sustentou o seguinte que no tocante à necessidade de apresentação do ADA, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifico e individualmente da respectiva área, apresentando o ADA ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do termino do prazo fixado para a entrega da declaração. Em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal, deve ser destacado que o dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis, consoante determina a legislação. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade conforme consta do despacho às fls. 307/309, razão pela qual deve ser conhecido. Registro que o acórdão recorrido manteve a decisão de 1ª. Instância que, por sua vez, julgou procedente o lançamento no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. Conforme já mencionado, as teses controversas trazidas para apreciação deste colegiado referese à dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR; a desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR; e a desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. Também foi apresentada preliminar de cerceamento de defesa decorrente da não apreciação pelo órgão a quo das alegações relacionadas ao não levantamento de preços de terras pela Receita Federal, bem como as restrições de uso e acesso ao imóvel decorrente de Portaria da FUNAI. Contudo, não merece prosperar tal argumentação, tendo em vista os documentos acostados aos autos, ao contrário do que afirma o recorrente, não demonstrarem de maneira cabal o fato argüido. A apresentação de ofício elaborado Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural/MT declarando que as informações solicitadas pela Receita Federal e que serviriam para compor o banco de dados SIPT s exigiriam um esforço de coleta de dados em campo, bem como não se poderia utilizar os valores de terra nua baseados em dados históricos haja vista a possibilidade de distorções, não comprovam que os critérios para elaboração do SIPT não foram atendidos. Indica, apenas, que o órgão estadual não logrou êxito em atender a demanda do fisco federal que, por sua vez, tem outros meios para elaborar tais pesquisas, inexistindo norma legal que impossibilite a atuação do órgão federal ante a ausência de informação do órgão estadual. Ademais, há de ser ressaltado que tal matéria não se constitui em objeto do presente recurso especial, haja vista seu manejo ser restrito aos casos em que restar demonstrada divergência na jurisprudência entre os colegiados deste Conselho. Inicialmente, há de ser destacado que o Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas, registrese que este documento é instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural ITR, em até 100%, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (ARL), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 3 5 Interesse Ecológico (AIE), Servidão Florestal ou Ambiental (ASFA), áreas cobertas por Floresta Nativa (AFN) e áreas Alagadas para Usinas Hidrelétricas (AUH). Nesse sentido, deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas permite a redução do Imposto Territorial Rural do imóvel rural. Com isso, procurase estimular a preservação e proteção das florestas e, consequentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. O Ato Declaratório Ambiental tornouse obrigatório a partir da inclusão do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, Código Florestal Brasileiro, por meio da alteração implementada pela Lei 10.165, de 2000. Além disso, no tocante à necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR, observase que a Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, acrescentou o § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, estabelecendo que para fins de isenção do ITR relativa as áreas de proteção permanente e reserva legal, não há obrigatoriedade de prévia comprovação por parte do declarante. É dizer, ao apresentar o documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, o contribuinte não está obrigado a apresentar qualquer documentação, contudo, durante procedimento fiscal, tendo sido intimado a apresentar o referido documento com objetivo de comprovar a existência das áreas utilizadas para fins de isenção, verificase a necessidade de sua apresentação em conformidade ao art. 17O do Código Florestal. Nesse sentido, considerando que o lançamento reportase ao exercício 2002, posterior, portanto à modificações implementadas pela legislação, não há como acolher a pretensão do contribuinte de não lhe ser exigido o ato declaratório ambiental, tendo em vista encontrarse contrária às exigências legais. No que pertine à alegação de que estaria desobrigada de averbar a área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR, entendo que não merece prosperar a pretensão do contribuinte. De acordo com o texto legal, o conceito de Reserva Legal encontrase no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 1965, art. 1°, §2°, III, inserido pela MP n°. 2.16667, de 24.08.2001, como sendo "área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas." Para fins de gozo de isenção do ITR, as áreas de reserva legal devem estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no respectivo cartório. Tal obrigação decorre do comando legal previsto no § 8º do art. 16 do Código Florestal, Lei 4.771, de 1965, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.16667: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Com efeito, a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, ao disciplinar o instituto da reserva legal e consagrar a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel teve como objetivo, conforme o § 2º do art. 16, vedar "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área". Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Uma vez definida pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio. Tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. Nesse sentido, o art. 16 da Lei nº 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Art16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão ,desde que sejam mantidas, a título de reserva legal ,no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do §7º deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Como é possível observar, a depender da localização da propriedade haverá um percentual mínimo para definição da área de reserva legal, circunstância que, para usufruto da isenção, exige sua constituição por meio da averbação na matrícula do registro imobiliário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 4 7 No tocante ao laudo de avaliação e a exigência de atendimento aos requisitos da ABNT, destaca o contribuinte, respaldado em alguns julgados de outros colegiados, que o dispositivo legal não previu que o laudo esteja submisso aos critérios da ABNT, sendo necessário tão somente que a emissão seja feita por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitado. Importante destacar que os procedimentos para fixação do VTN mínimo, adotados pelo órgão lançador, obedecem às exigências contidas no parágrafo 2.° do art. 3° da Lei n°8.847/1994. Na hipótese de o contribuinte não concordar com o VTN mínimo lançado, a administração abriulhe a possibilidade de rever essa valoração, por meio de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual irá detalhar as condições de localização, padrão de terras e serviços públicos disponíveis para a propriedade em apreço e, assim, atribuirlhe justo valor, conforme previsto no § 4°, do artigo 3°, da Lei citada, que assim dispõe, "verbis": "§ 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." De fato, analisando o dispositivo legal, não encontramos a exigência de que o laudo deva cumprir as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, o próprio Código de Processo Civil, artigo 436, afirma que a autoridade julgadora “não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos.” Contudo, não se pode olvidar que a simples menção ao conceito de laudo nos remete a documento elaborado por um ou mais peritos capacitados para realizar determinada tarefa de acordo com critérios técnicos estabelecidos. Ora, quando se trata de exame de provas em que especificidades técnicas são essenciais para formação de convicção, encontrase pacificado no âmbito deste CARF, bem como do poder judiciário, que as Normas Técnicas da ABNT são os requisitos mínimos que devem ser exigidos para fins de apuração da verdade que se procura alcançar. Nesse sentido, a ABNT é entidade consagrada e reconhecido como o Fórum Nacional de Normalização, isto é, nela são discutidos padrões mínimos que devem ser atendidos com o propósito de evitar subjetivismos na elaboração de laudos e documentos de natureza técnica. Na medida em que são exigidos determinados requisitos, estes passam a valer para todas as pessoas envolvidas, permitindo uma melhor análise do conteúdo que se pretende evidenciar, sendo útil, especialmente, para os órgãos julgadores que são auxiliados por meio de laudos com o objetivo de produzirem provas técnicas, isto é, provas cuja grau de especialidade demandam profissionais com conhecimentos específicos. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais Temporárias (ABNT/CEET), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros), conforme consta do Prefácio da atualmente vigente Norma Técnica 146533 que trata da avaliação de bens imóveis. No que pertine a laudos de avaliação, verificase que a força probante de tais documentos encontrase justamente no atendimento dos requisitos normativos criados justamente para eliminar o elemento subjetivo da avaliação. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, o laudo apresentado pelo sujeito passivo com o objetivo de demonstrar o Valor da Terra Nua para efeito de calculo do ITR não atende ao mínimo exigido pelas Normas da ABNT razão pela qual o valor que foi apurado não tem o poder de alterar o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ressalto que a jurisprudência deste colegiado é pacífica no entendimento de que os laudos de avaliação somente possuem o poder de afastar o VTN estabelecido pelo sistema SIPT na hipótese de atender as normas procedimentais definidas pela ABNT, especificamente. Transcrevo trecho do acórdão recorrido, fl. 304/305, que reporta as razões de inadimissibilidade do laudo: “...o laudo trazido aos autos pelo contribuinte, verifica se estar indicada a metodologia utilizada (método comparativo direto de preços, tornandose como parâmetros comparativos o valor das terras brutas sem benfeitorias) e que ali se afirma ter chegado aquele VTN por meio de pesquisa de preços, que se teria realizado junto a entidades privadas (corretores e imobiliárias) e a entidades públicas (prefeitura e EMPAER), mas. em momento algum, são trazidos documentos que respaldem a dita pesquisa. nem mesmo urn rol indicativo desta. Não há qualquer documento que demonstre as fontes da pesquisa que se afirma têlo subsidiado: não há declaração da prefeitura, não há declaração da EMPAER, não há sequer comprovação de vendas imobiliárias realizadas no período que tenham sido efetuadas ao preço simbólico de R$ 1,00 por hectare. 0 que consta é indicação genérica das fontes de pesquisa, sem que as tenha concretamente indicado. O Laudo Técnico apresentado, apesar de ter sido elaborado por profissional habilitado e estar acompanhado de ART, não cumpriu as normas constantes da ABNT, como salientado no Auto de infração, limitandose a indicar um VTN por hectare para o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados como base para chegar a esse valor intimo de R1,00 por hectare, nem mesmo demonstrar que houve levantamento de preços de benfeitorias ou de areas distintas do imóvel. Demais . .disso, deixou de constar no laudo a indicação de, pelo menos, cinco transações ou ofertas de imóveis semelhantes no que diz respeito a situação, destinacão, forma; grau de aproveitamento, características tisicas e ambiência, devidamente verificados, como estatui a norma. Ante o exposto, pelos motivos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 5 9 (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000164/2004-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES Asatividades de reparação e manutenção de
aparelhos telefônicos não podem ser caracterizadas como atividades
regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce tal atividade regulamentada ou assemelhada.
Numero da decisão: 9101-001.061
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Procurador.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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HAGEDORN EXCLUSÃO DO SIMPLES As atividades de reparação e manutenção de aparelhos telefônicos não podem ser caracterizadas como atividades regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce tal atividade regulamentada ou assemelhada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Procurador. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 80/86), contra o Acórdão nº 30334.641 (fls. 69/74), proferido pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere a Ato Declaratório (Comunicação de Exclusão) nº. 555.944, de 02 de agosto de 2004 (fls. 03), por meio do qual o contribuinte ARTUR M. HAGEDORN, ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, art. 9º XIII, art.12, art.14, I, art.15, II, todos da Lei 9.317/96, art. 73 da Medida Provisória nº. 2.15834, de 27/07/2001 e art.20, XII, art.21, art.23, I, art.24, II, c/c parágrafo único, todos da Instrução Normativa SRF nº. 355/03. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de exercer atividade econômica vedada, relacionada a reparação e manutenção de aparelhos telefônicos. Cientificado da sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte apresentou Impugnação em 20.09.2004 (fls. 01), requerendo revisão de sua exclusão do SIMPLES. Foi proferido acórdão pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba Paraná (fls. 14/17) sob o nº. 0611.478, de 06 de julho de 2006, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Anocalendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO AO SIMPLES. A empresa que presta serviços de manutenção de equipamentos de telecomunicações não pode aderir a Simples (SIC) por caracterizar o exercício de profissão regulamentada. Solicitação Indeferida” A ciência do Acórdão nº. 0611.478 se deu em 11.08.2006 (fls. 23). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11.09.2006 (fls. 24/31), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o contribuinte alegou que (i) para executar serviço de engenharia na área de telecomunicações, há a necessidade de autorização prévia do CREA, e a recorrente empresa não possui registro no referido órgão; (ii) a empresa não possui funcionários, tratandose de uma empresa com faturamento exíguo, composta apenas por uma pessoa física que executa pequenos consertos em aparelhos telefônicos, além da venda dos mesmos; (iii) “Salta aos olhos o ponto de desacordo entre o entendimento do contribuinte e da Receita Federal, qual seja: a julgar pelo acórdão, entende a Receita tratarse de contribuinte que exerça a atividade de engenheiro, fato que não ocorre, como atestarão as Notas Fiscais de prestação de serviços e de venda de equipamentos que anexamos a este pedido. Além do que, não existe profissional habilitado como engenheiro no quadro da empresa, e baseiase o acórdão tão somente na descrição do objeto da sociedade.”; (iv), por fim, alega que é “evidente que a fiscalização não constatou in loco o que afirma através de um procedimento Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 3 3 gerado pelo sistema de informática, desconhecendo como já dissemos a real situação da empresa”. Sobreveio Acórdão nº. 30334.641 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. CANCELAMENTO DO ADE DE EXCLUSÃO. As informações constantes dos autos revelam que a atividade exercida pela recorrente, de serviços de reparação e manutenção de aparelhos telefônicos, de nenhuma forma se assemelha à atividade de engenharia ou qualquer outra profissão dependente de regulamentação legal, e não é impeditiva ao SIMPLES. O ADE de exclusão deve ser cancelado, reconhecendose o direito de permanência da empresa no SIMPLES." Contra esse acórdão, proferido à unanimidade, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual alega, primeiramente, que há divergência jurisprudencial com relação ao Acórdão nº. 30131.831, e no mérito alega que: (i) há impossibilidade de se anular ato declaratório de exclusão; (ii) a atividade de assistência técnica exercida pela Recorrida, a teor da Resolução CONFEA nº. 218/73, é efetivamente equiparada a atividade exclusiva de engenheiro; e (iii) não importa se o serviço vem a ser prestado efetivamente por engenheiro ou profissional legalmente habilitado, mas sim o fato de que a atividade exercida pela empresa em questão exija a prestação dos serviços profissionais de engenheiro ou técnico habilitado. O Despacho de fls. 95/97 determinou o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado Contrarrazões às fls. 107/110. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. O Recurso Especial é de divergência. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. VEDAÇÃO. Os serviços de instalação e manutenção de equipamentos de telefonia e telecomunicações, inerentes a profissões que exigem habilitação profissional legalmente exigida, vedam a pessoa jurídica que o presta de optar pelo Simples. Recurso Voluntário Improvido. (Acórdão nº 30131.831, relatora Conselheira Atalina Rodrigues Alves) A princípio, de se conhecer do Recurso Especial, não fosse a análise do caso concreto em razão da atividade efetivamente desenvolvida. Nessa medida, até para segurança quanto ao teor do julgado, conheço do Recurso para análise da norma aplicável ao caso concreto. Pois bem, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que a atividade exercida, qual seja: reparação e manutenção de aparelhos telefônicos, não exige profissional de engenharia. Desse modo, entende o contribuinte que sua atividade não se enquadra nas atividades descritas no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº. 9.317/96, o qual veda a opção pelo SIMPLES no caso de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (regulamentação). Nesse sentido, reproduzo a norma acima citada: “Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)” Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a atividade do contribuinte é atividade exclusiva de engenharia e, por esse, motivo não deve prosperar o entendimento de que o contribuinte se enquadre nas pessoas jurídicas que podem fazer a opção pelo SIMPLES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Vejamos que a própria DRJ assume que à vista do objeto social da ora Recorrida fica evidente que não são realizados qualquer serviço de engenheiro ou atividade assemelhada, previsto no artigo 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 (fls. 16). Mas prossegue afirmando que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que exercem atividades que exijam serviço profissional regulamentado. Em primeiro lugar este Tribunal não está vinculado a Ato Declaratório, podendo, desde logo, limitarse ao quanto afirmado desde o julgamento inicial, no sentido de que o contribuinte não realiza serviço de engenharia ou assemelhado. Em segundo lugar, entendo que o serviço prestado pelo contribuinte não equivale ao exercício de engenheiro e não é regulamentado. Nessa mesma linha entendeu o acórdão recorrido, que bem analisou os autos, e verificou que não restou comprovado pela fiscalização a equiparação da atividade exercida pelo contribuinte à de engenheiro, ao contrário, vale transcrição do seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: A autoridade administrativa não realizou nenhuma verificação in loco, nem tampouco logrou demonstrar documentalmente a realização de atividade impedida. E certo que o contribuinte trouxe aos autos, na fase recursal, cópias de notas fiscais de serviços para demonstrar que sua atividade, realizada pelo titular da empresa, é de pequenos consertos em aparelhos celulares, bem como venda de peças eventualmente utilizadas nesses consertos ou vendidas em avulso. Mas é esta singela atividade de conserto de celulares e venda de peças que a decisão recorrida pretendeu que equivalesse a atividade assemelhada a de profissão legalmente regulamentada. t, perfeitamente plausível que tais serviços de reparo e manutenção de celulares e/ou o comercio das peças correspondentes são atividades que nada tem de assemelhadas com engenharia, ou com qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida. Nesse mesmo sentido o voto condutor do Acórdão CSRF/40306.233, que trata de objeto semelhante: “Entendo que a atividade, embora possa vir a utilizar alguns conceitos próprios da Engenharia, não é atividade privativa de engenheiro, nem tampouco exige sua presença para o respectivo desenvolvimento. Tanto assim o é, que no próprio contrato social consta (fl. 12/13) que o administrador da sociedade, composta apenas por duas pessoas, identificase sob o termo genérico "empresário", demonstrando que não possui formação própria de engenheiro. Logo, diante da ausência de indícios que denotem a necessidade de supervisão ou mesmo a atuação direta de um engenheiro para a execução da atividade, parece a melhor conclusão lembrarmos que o tratamento tributário Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 6 6 simplificado, materializado, dentre outros diplomas, pela Lei n° 9.317/96, tem uma ratio protetiva das pequenas e micro empresas, decorrente do mandamento constitucional inserto no artigo 179, da Carta Magna. Logo, a exclusão da Interessada demandaria adequação razoável ao texto da lei o que não se nota nesse caso. Vale dizer, dessa forma, que o emprego inadequado da analogia nessa circunstância poderia representar, em última análise, a criação de nova hipótese de restrição a direito, especialmente inadmissível na seara tributária, fortemente vinculada ao Princípio da Legalidade”. De mais a mais, a jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na antiga competência, já firmou entendimento no sentido de que não é cabível à fiscalização equiparar livremente uma atividade a atividade de engenharia, sem que tal equiparação esteja devidamente fundamentada. Nesse sentido os acórdãos: “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Tratandose de empresa que exerça mais de uma atividade, cabe ao fisco a comprovação de que uma delas se enquadra nas vedações previstas no inciso XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96. Não havendo comprovação de que o contribuinte exercia atividade de engenheiro ou assemelhado, deve ser mantida a decisão proferida pela Terceira Câmara, cancelandose o Ato Declaratório de Exclusão. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão CSRF/40306.183, sessão de 30/10/2008) “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A atividade de prestação de serviço de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, para fim de exclusão do SIMPLES. Recurso Especial Negado”. (Acórdão CSRF/40306.233, sessão de 08/12/2008) Por fim, de se aplicar ao caso a Súmula CARF nº 57: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.”. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001470/2001-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - COLOCAÇÃO DE PISOS E FORROS - ART. 9°, INCISO V, § 4° DA LEI 9.317/96
A atividade de comércio com instalação de forros, pisos vinílicos, pisos emborrachados, pisos elevados, divisórias, carpetes e painéis wall, os quais se agregam ao solo e à obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-000.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11543.001470/2001-69 Recurso n° 332.754 Especial do Procurador Acórdão no 9101-000.920 — 1 2 Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BR BRAGA COMERCIAL LTDA. Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - COLOCAÇÃO DE PISOS E FORROS - ART. 9°, INCISO V, § 4° DA LEI 9.317/96 A atividade de comércio com instalação de forros, pisos vinilicos, pisos emborrachados, pisos elevados, divisórias, carpetes e painéis wall, os quais se agregam ao solo e à obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento ao recur. s, A to . doni F , lho - Relator. Editado em: 25 MAI 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre António Allanim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Corn base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, confoiiiie ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de comércio de forros e pisos, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso voluntário provido. " • 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Adoto o _relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever; '1 Em decorrência da representação fiscal de urna auditoria-fiscal da Previdência Social (fls. 1/4), na qual ela afirma que a atividade de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis exercida pela interessada lhe veda o direito a op cão pela sistemática de pagamento de tributos e contribuições de que trata a Lei n° 9.317, de 1996 (SIMPLES), houve por bem a Delegacia da Receita Federal em Vitória expedir, fundamentada no Parecer Seort n°2.891, de 2002 (fls. 30/31), o Ato Declaratório DRF/VTA n° 127, de 2002, para declarar a sua exclusão do SIMPLES. 2. Irresignada com o ato declaratório, do qual foi cientificada em 31.01.2003 (fls. 37), a interessada o impugnou no dia 25 do mês seguinte (lIs. 38). Alegou, em síntese: 2.1. que o seu objeto social, conforme definido no seu contrato social, é o comércio varejista de móveis, artigos de iluminação e de outros artigos para residência; o comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente; e outras atividades de serviços prestados principalmente a empresas, não especificados anteriormente; 2.2. que a colocação de alguns dos produtos por ela comercializados, como persianas, portas sanfonadas, carpetes, divisórias, forros, etc., não desvirtua a sua finalidade principal, uma vez que a colocação é somente um ato acessório e necessário à concretização da venda; e 2.3. que não realiza construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, nem tampouco as atividades descritas nos itens II (sondagens, fundações e escavações) e III (quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou 2 Processo n° 11543.001470/2001-69 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.920 F1.2 subsolo) do Ato Dedaratório Normativo n°30, de 14.10_1999, do Coordenador Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. o relatório.' A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro indeferiu a solicitação da contribuinte. Alegou que entre os objetivos da interessada, definidos no seu contrato social e nas alterações contratuais procedidas em 15/12/1994 e 13/03/1995, constam a instalação e montagem de pisos, pinturas e reformas. Na alteração contratual do dia 17/02/1998, suas atividades foram substituídas por urna expressão genérica: "Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas, não especificados anteriormente". Não restam dúvidas de que a expressão empregada na última alteração contratual abrange as atividades anteriormente mencionadas, tendo a interessada continuado a exercer as atividades de instalação e montagem de pisos, pinturas e reformas, embora alegue que a colocação de alguns dos produtos por ela comercializados não desvirtua a sua finalidade principal, uma vez que a colocação é somente um ato acessório e necessário à concretização da venda. Inconformada, a contribuinte, por seu procurador, apresentou recurso a este Colegiado, repetindo as razões da impugnação e acrescentando que nunca efetuou serviços de instalações e montagens de pisos, pintaras e r,:■":krina, apesar de a atividade estar contida em seu objetivo social passado jamais efetuou serviços de construção e reforma e nunca manteve em seus quadros funcionais a presença de engenheiro ou arquiteto, o que seria necessário para a consecução dessa atividade-fim. Ainda, caso a contribuinte estivesse a exercer as atividades descritas, sua exclusão teria que ser, necessariamente, pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, tendo o Instituto Nacional de Seguro Social solicitado à Delegacia da Receita Federal a sua exclusão do Simples, como incurso, única e tão somente, no inciso V do referido diploma legal. Junta cópias de alteração de contrato social da firma Ns. 81/93). Ao final, requer a sua reinclusdo no Simples. o relatório. O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário/ do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, (i) a empresa admite que comercializa 'forros, pisos, etc., empregando mão-de-obra para colocação dos mesmos"; (a) é de todo diferente um serviço auxiliar de construção civil de outro exercido por empresa industrial e comercial, que vende estruturas metálicas, peças a serem montadas no local pretendido pelo cliente; (iii) o fabricante de estruturas metálicas, ainda que eventualmente ofereça ao comprador a instalação no local, ou apenas a manutenção dessas estruturas, cujas peculiaridades exigem mão-de-obra especifica e especializada, está muito mais próximo da empresa que vende material de construção do que da empreiteira de obras. 3 Em sede de recurso especial (fls. 114/119), argüi a Fazenda Nacional a contrariedade do acórdão recorrido à lei (artigo 9', inciso XIII, da Lei n. 9.317/96) e à prova dos autos, sob o fundamento de que (i) despeito de última alteração contratual realizada pelo contribuinte, este continuou a exercer as atividades de instalação e montagem de pisos, pinturas e reformas; e (ii) consoante o Ato Declaratório Normativo CST n° 30, de 1999, a vedação ao direito de optar pelo Simples de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, alcança as atividades de reforma, pintura, aplicação de tacos e azulejos, que se assemelham colocação de quaisquer pisos e revestimentos, e não distingue espécie alguma de reforma de construção. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 103/2007 (fls.121/123)), ante a configuração em tese da alegada afronta à lei e prova dos autos. A Contribuinte apresentou contra-razões. o relatório. 4 Processo n° 11 :_",- .42.001470/2001-69 Acórddo n.° 9101-f190.920 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dee tomo conhecimento. Cinge-se a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade vedada a inclusão no SIMPLES, na forma prevista no art, r, V da Lei n° 9.317/96. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pen contribuinte: "0 Objetivo da sociedade será a exploração de comércio varejista e Representação comercial de móveis, artigos de colchoaria, tapegui4, decoração, tecidos e artefatos de tecidos, pisos vinilicos e emborrachados." (fis4M) "Comercio varejista e atacadista de pisos vinilicos e emborrachados, tecidos e artefatos, artigos de tapeçaria, divisórias, forros, pisos elevados, cortinas e persianas, instalação e montagem, pintura e reforma", conforme alteração contratual de 15.12.1994. (fls. 13) "Comércio Varejista e Representação Comercial de Pisos Vinilicos e Emborrachados, Tecidos e Artefatos. Artigos de Tapeçaria, Divisórias, Forros, Pisos elevados, Cortinas e Persianas, Instalação, Montagem, Pintura e Reformas", conforme alteração contratual de 13.03.1995 . (fls. 16) "Comércio Varejista de móveis, artigos de iluminação e outros artigos para residência; Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente; Outras atividades de serviços prestados principedmente ris empresas, não especificados anteriormente", conforme alteração contratuai. de 17.02.1998. Por sua vez, em requerimento (consulta) formulada ao INSS em 20.03.2000-A, (fls. 24) a Contribuinte confessa (i) tratar-se de "microempresa optante pelo SIMPLES (Doe. Anexo), comercializando ferros, divisórias, pisos, etc., empregando miro-de-obra para colocação dos mesmos"; (ii) prestar serviços em favor de empresas de engenharia, as quais efetuam a retenção de 11% do respectivo valor da nota fiscal no ato de pagamento respectivo. Por fim, diga-se que o papel timbrado da empresa indica que sua atividade relaciona-se comercialização e colocação de "divisórias, paviflex, forros, carpetes, luminárias Balm, persianas, fórmicas e painéis wall" (fls. 24). Com a devida vênia ao entendimento do acórdão reicorrido, entendo que as atividades acima descritas estão inseridas na vedação prevista nó art. 9, V, §4°, da Lei 9.317/96, que assim dispõe, verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica 5 Sala das Sessii 2011. V - que se dedique a compra e a venda, ao loteamento, a incorporação ou à construção de imóveis; ss' 4° Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias azregadas ao solo ou subsolo". De fato, parece-me incontestável que as atividades de colocação de forros, pisos vinilicos, pisos emborrachados, pisos elevados, divisórias, carpetes e painéis wall configuram benfeitorias agregadas ao solo e/ou à obra de construção civil a que se referem a legislação acima citada. Não por outro motivo a Contribuinte presta serviços a empresas de engenharia (confoinie por ela confessado nos autos), os quais configuram notadamente serviços auxiliares de construção civil, também citados pela norma como impeditivos h. opção pela pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para dar-lhe provimento a fim de manter o ato declaratório de exclusão da Contribuinte do SIMPLES. Antonio Carlo ni Fi ho - Relator
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Numero do processo: 35588.006132/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/09/2003
LAVRATURA FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, , Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 474DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 264/269, é relativo às contribuições atinentes a parte patronal, ao seguro de acidente de trabalho (SAT), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT aos Terceiros e às devidas pelos segurados contribuintes individuais tendo como fato gerador os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais por meio de cartão de premiação, denominado "Flexcard" da Incentive House S/A, abrangendo o período de 11/2002 a 09/2003, totalizando uni valor de R$ 943.005,21 ( novecentos e quarenta e três mil e cinco reais e vinte e um centavos), consolidado em 27/10/2006. Ainda de acordo com o relatório fiscal o valor tributável, base de cálculo, foi apurado com base nas relações de beneficiários das notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A — CNPJ: 00.416.126/000141. Inconformada com a exigência fiscal, a notificada apresentou defesa tempestiva, fls. 273/314 (vol I e II). Preliminarmente Requer a produção de prova pericial como meio de assegurar o seu direito a ampla defesa, baseando suas argumentações em vasta doutrina jurídica. No mérito Alega que o valor pertinente ao principal foi atingido mediante o entendimento errôneo da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados empregados atou contribuintes individuais por meio do cartão de premiação denominado Flexcard da Incentive House S/A em função do atendimento de metas estabelecidas em vendas de produtos comercializados pela impugnante. Que ao contrário do sustentado pelo auditor, o pagamento do prêmio não era realizado de forma habitual e permanente, sendo mero incentivo, não podendo ser caracterizado como salário. Que a presente NFLD consigna procedimentos eivados de nulidade por parte da autoridade fiscal, bem como não encarta preceito legal correspondente a sanção aplicável, não havendo fipicidade no comportamento da defendente que justifique a lavratura da presente NFLD baseando suas argumentações no art. 142 do CTN e doutrina a respeito. Que certas formalidades foram deixadas de lado, eivando a NFLD em tela de nulidade insanável, baseandose no DecretoLei 05/75, alegando faltar elementos comprobatórios daquilo que se encontra materializado na peça impositiva, invoca os Princípios da Legalidade, da Restrifividade e da Razoabilidade, Alega também que a exigência fiscal não pode prosperar vez que a mesma está requerendo o pagamento da multa sem o devido respaldo legal apresentandose a NFLD em descompasso com a realidade factual e jurídica. Fl. 475DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.006132/200751 Acórdão n.º 240102.120 S2C4T1 Fl. 450 3 Aduz que a exigência contributiva se apresenta falha e insubsistente, seja por orientarse em interpretação equivoca das normas e dos fatos seja por apurar gravames sobre valores que não representam verdadeira base de cálculo contributiva, e, seja ainda por não representar uma hipótese de incidência previdenciária, do que resulta contrariedade a uma série de comandos legais constitucionais e infraconstitucionais. Alega também que no presente caso, a habitualidade é o elemento mais importante que não foi caracterizada para fundamentar integralmente as razões da autuação. Da não caracterização das valores pagos a título de premiação como parcelas integrantes do salário de contribuição Que o pagamento eventual de premiação não consiste numa parcela salarial propriamente dita, não devendo ser integrada à remuneração paga aos beneficiários. Não pode subsistir a NFLD no sentido de que os pagamentos apontados não se incluiriam dentre as exclusões previstas na lei 8212/91. Cita doutrina. Faz breve histórico acerca da legislação referente ao SAT, concluindo que os decretos que o legitimaram extrapolaram a competência legal que lhes foi outorgada, sendo que não pode retroagir a lei 9.528/97 para convalidar decretos ilegais. Apresenta parecer do Ministério Público Federal opinando acerca da inconsfitucionalidade do SAT, assim como apresenta jurisprudência sobre a inconstitucionalidade da contribuição providenciaria de acidente de trabalho, na qual o SAT se incluiria, argumentando também sobre o caráter complementar do SAT. Alega que há necessidade de lei complementar para a instituição do SAT, argumentando acerca da inconsfitucionalidade da base de cálculo do SAT devido à diferença de abrangência nos termos "folha de salário" (art. 195 CF) e "remuneração" (art. 22 da lei 8212). Traz argumentações e jurisprudência a respeito do grau de enquadramento do SAT das empresas pelo INSS. Requer a insubsistência do presente lançamento em decorrência de inexistir a base de cálculo apontada, protestando também pela produção de provas, inclusive perícia e juntada de novos documentos. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotofocação nº 17.402.4/037/2007, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRÉMIO VINCULADO À PRODUTIVIDADE. NATUREZA SALARIAL. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Cabe a autoridade julgadora determinar a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias. Entendese por salário de contribuição para o empregado a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a Fl. 476DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, artigo 28, inciso I, e parágrafos da Lei 8212/91, e alterações posteriores. Tem natureza salarial, sendo base de cálculo de contribuição previdenciária, o pagamento de verba vinculada à produtividade dos segurados e, portanto, com característica de prêmio. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 90 do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram o salário de contribuição. É legitima a contribuição da empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês aos segurados empregados, para o financiamento dos benefícios econcedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (art. 22, II e alineas, da Lei n° 8.212191). A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, fls, 414, em que reproduz as razões trazidas em sua impugnação, em que ao final, reafirma improcedência do lançamento previdenciário consolidado na NFLD n° 37.008.1714, e pede seu cancelamento e a anulação dos respectivos débitos nela inscritos, como ato da mais expressiva Justiça. Fl. 477DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.006132/200751 Acórdão n.º 240102.120 S2C4T1 Fl. 451 5 Voto Conselheiroa Cleusa Vieria de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merecer ser conhecido. Nos termos do § 1º do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99 DECRETO 3.048/99 – RPS. É de trinta dias o prazo para interposição de recurso e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivament No presene caso, como se verifica dos autos, a ciência do contribuinte da decisão a quo se deu em 14/04/2007, conforme Aviso de Recebimento –AR de fls. 344 e apresentação do recurso em 13/11/2007, fls 414, portanto, fora do prazo regulamentar. Lavrado o Termo de Transito em Julgado em 28/06/2007, fl. 350, a recorrente impetra Mandado de Segurança na 18ª' Vara Federal do Rio deJaneiro — processo n° 2007.51.01.0088410 que obteve provimento CONCEDENDO A SEGURANÇA "para que a autoridade impetrada receba e processe o recurso administrativo (...) sem a exigência de depósito de 30% (trinta por cento) do valor do crédito tributário julgado subsistente em primeira instância administrativa". A exegese da norma concreta acima mencionada permite concluir, com segurança, que não havia respaldo para o seguimento do recurso, haja vista que o mesmo era manifestamente intempestivo. Pelo exposto; VOTO no sentido de não conhecer do recurso por sua manifesta intempestividade. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 478DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 479DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11075.720019/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DIÁRIAS. ISENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARA O VALOR DE ATÉ 50% DA REMUNERAÇÃO.
O valor das diárias correspondente a até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91.
ACORDOS COLETIVOS. OBEDIÊNCIA Á LEI.
Os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91.
LIVROS COMERCIAIS. PROVA CONTRA O SEU AUTOR.
Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Na ausência de tais provas, permanece a força probante da escrita contábil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para o cálculo da multa mais benéfica de acordo com o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram para que seja efetuada a comparação do artigo citado com a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declarações de voto: Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para o cálculo da multa mais benéfica de acordo com o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram para que seja efetuada a comparação do artigo citado com a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declarações de voto: Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 312 1 311 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.720019/201007 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.356 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONT. PREV. NFLD DIÁRIAS Recorrente INTERFLET TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DIÁRIAS. ISENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARA O VALOR DE ATÉ 50% DA REMUNERAÇÃO. O valor das diárias correspondente a até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91. ACORDOS COLETIVOS. OBEDIÊNCIA Á LEI. Os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. LIVROS COMERCIAIS. PROVA CONTRA O SEU AUTOR. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Na ausência de tais provas, permanece a força probante da escrita contábil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, para o cálculo da multa mais benéfica de acordo com o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Cordeiro de Moraes, que votaram para que seja efetuada a comparação do artigo citado com a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declarações de voto: Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Declaração de voto (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Declaração de Voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 313 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 25/02/2010, que constituiu crédito tributário de R$ 103.658,35 referente a contribuição previdenciária devida pela empresa bem como ao adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT), por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 24/33, deixado de incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária valores de diárias pagas a seus empregados que excederam o limite de 50%, bem como deixado de incluir o prólabore pago aos diretores, nas competências 01/2005 a 12/2006. Após tomar ciência postal da autuação em 03/03/2010, fls. 266, a recorrente apresentou impugnação, fls. 267/271, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ/Santa Maria, no Acórdão de fls. 290/303, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/09/2010, fls. 297. O recurso voluntário, apresentado em 04/10/2010, fls. 302/308, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que o valor pago aos motoristas serve para ressarcir diversas despesas destes tais como, entre outras: pedágios não oficiais, enlonamento e desenlonamento. Insiste que são pagamentos previstos em Convenção Coletiva que tem natureza indenizatória. Quanto aos prólabores, devem permanecer os valores efetivamente recebidos e não aqueles utilizados por força e apenas para fins da contabilidade. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inicialmente, destacamos que não é a denominação do pagamento que determina sua natureza jurídica, mas sim suas características e suas finalidades. In casu, é fora de dúvida que o ressarcimento de despesas gerais tem natureza de diária, uma vez que é pago mensalmente sem necessidade de comprovação de efetividade de qualquer despesa. A natureza indenizatória do ressarcimento precisaria ser corroborada com comprovante de despesas, pois uma indenização deve, por sua própria natureza, servir para ressarcir um dano efetivo. Sendo diária, a parcela que não excede 50% do salário não comporá a remuneração do empregado conforme previsto no art. 457, §2º da CLT. Mas caso ultrapasse será parcela remuneratória que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. Diárias paga a empregado em montante que excede 50% da remuneração A lei 8.212/91 concedeu uma isenção para as diárias no §9º, alínea “h” do art. 28, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; O referido dispositivo isencional pode ser interpretado de duas formas. A primeira, consideraria que a isenção só é concedida quando o total das diárias não exceder 50% da remuneração. Sendo ultrapassado tal limite, não há isenção para qualquer parte das diárias pagas. A segunda forma de interpretar a isenção em destaque consideraria que o valor das diárias até 50% da remuneração estaria isento. Optamos pela segunda forma de interpretar o dispositivo, pois entendemos que na primeira hipótese – só há isenção se o total das diárias não ultrapassar 50% da remuneração – estaríamos negando qualquer hipótese de isenção no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. Explicamos. A incidência sobre as diárias a serem incluídas no saláriodecontribuição, conforme consta do art. 28, §8º, só ocorre no caso de o Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 314 5 total das diárias ultrapassar 50% da remuneração. Não ultrapassando tal limite, as diárias não compõem o saláriodecontribuição e não sofrem a incidência da contribuição a cargo do empregado ou trabalhador avulso. Tomando o dispositivo isencional em comento com a primeira hipótese hermenêutica, só concederíamos isenção para aqueles casos nos quais as diárias não ultrapassam 50% da remuneração, ou seja, concederíamos isenção para casos em que nem incidência há! Por isso, tal alternativa não nos parece ser a melhor opção hermenêutica no caso da contribuição incidente sobre o saláriodecontribuição. No caso da contribuição a cargo das empresas, a incidência não considera o saláriodecontribuição, mas por uma questão de coerência e tratamento isonômico, adotamos a mesma interpretação do dispositivo isencional que utilizamos para a contribuição incidente sobre o saláriode contribuição. Assim interpretamos a isenção da alínea “h” do 9º do art. 28, em todos os casos, como aplicável ao valor das diárias que não ultrapassam 50% da remuneração. Ressalvamos que não vemos nisso qualquer ofensa ao art. 111 do CTN, pois dado o aparente conflito entre as normas de incidência e de isenção, nossa interpretação acabou por harmonizar os dispositivos sem que utilizássemos uma interpretação ampliativa ou analógica. Passemos ao caso dos autos. Observamos, fls. 34/39, que a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo da contribuição previdenciária o valor total das diárias e não considerou a isenção da maneira como entendemos aplicável. Logo, devem ser excluídos do lançamento os valores das diárias que não atingem 50% da remuneração, mantendo os valores que ultrapassam tal limite sofrendo a incidência do tributo. Conteúdo dos Acordos Coletivos. Respeito à lei. Em que pese o entendimento da recorrente de que as Convenções Coletivas de Trabalho, conforme a CLT, produzem efeitos de lei entre as partes, conforme o art. 7o, XXVI da CF, vale esclarecer que estas não podem contrariar a lei. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 No tocante ao prólabore, a recorrente não trouxe qualquer prova que pudesse afastar a legalidade do procedimento da fiscalização. A diferença encontrada referese a diferença a maior entre o que foi escriturado e o que foi lançado em folha de pagamento. Conforme muito bem assinalado pela decisão a quo, a escrita contábil, faz prova contra o seu autor em conformidade com o Código Civil e o Código de Processo Civil, in verbis: Código Civil Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Código de Processo Civil Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes. Assim, não tendo a recorrente trazido aos autos provas de que a escrita contábil não corresponde à verdade dos fatos, permanece a força probante do conteúdo de seus livros, resultando na ausência de reparos a fazer no trabalho fiscal. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 315 7 definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 316 9 Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. No caso concreto, em relação à multa aplicada, não vislumbramos qualquer violação à lei, uma vez que a tabela de fls. 46 aponta que a penalidade mais benéfica foi aplicada ao caso. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a excluir da base de cálculo os valores das diárias até o limite de 50% da remuneração. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Declaração de Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, em relação à nãoincidência de contribuição previdenciária sobre a parte das diárias pagas que não atinge 50% da remuneração, pelas razões a seguir expostas. O Relator, entendendo que há conflito entre as normas de incidência e de isenção, faz uma interpretação da alínea “h” do 9º do art. 28, da Lei 8.212/91, e conclui que, nos casos em que as diárias pagas exceder 50% da remuneração, incide contribuição somente sobre a parte excedente, estando isento a parte que não exceder os 50% previstos na norma. Contudo, não vislumbro o conflito entre normas, apontado pelo Relator. A alínea “h”, do § 9o, transcrito no voto do relator, deixa claro que estão isentos da contribuição previdenciária as diárias, desde que não excedam os 50% da remuneração. Ou seja, se exceder o limite estipulado por lei, as diárias integram o salário de contribuição. E a alínea “a”, do § 8o, do art. 28, da Lei 8.212/91, não deixa margens para interpretação ao estabelecer que integram o salário de contribuição, pelo seu valor total, as diárias pagas quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal. Portanto, como no caso em tela as diárias pagas pelo contribuinte, objeto do lançamento, superam 50% da remuneração, entendo que devam integrar o salário de contribuição por seu valor total, por expressa determinação legal. Em relação às demais matérias, acompanho o entendimento do Relator. Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 317 11 Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11075.720019/201007 Acórdão n.º 230102.356 S2C3T1 Fl. 318 13 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002486/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA.
De acordo com o artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91, não se enquadram no conceito de salário-de-contribuição as verbas pagas pela empregadora a seus empregados a título de incentivo à educação, quando os cursos estejam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizadas em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso. Isso porque não retribuem o trabalho
efetivo e nem complementam o salário contratual, constituindo-se,
apenas, em investimento na qualificação profissional do trabalhador. A existência de requisitos para o pagamento deste incentivo à educação não descaracteriza a circunstância do benefício ser acessível a todos os funcionários, desde que
tais exigências guardem razoabilidade e proporcionalidade, conforme ocorre no caso em apreço.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.241
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o Julgamento o Dr. Luiz Romano, OAB/DF 14.303
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ESCELSA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUXÍLIOEDUCAÇÃO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. De acordo com o artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91, não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição as verbas pagas pela empregadora a seus empregados a título de incentivo à educação, quando os cursos estejam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizadas em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso. Isso porque não retribuem o trabalho efetivo e nem complementam o salário contratual, constituindose, apenas, em investimento na qualificação profissional do trabalhador. A existência de requisitos para o pagamento deste incentivo à educação não descaracteriza a circunstância do benefício ser acessível a todos os funcionários, desde que tais exigências guardem razoabilidade e proporcionalidade, conforme ocorre no caso em apreço. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o Julgamento o Dr. Luiz Romano, OAB/DF 14.303 CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 2 2 Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. Escelsa, CNPJ n° 28.152.650/000171, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.776.1898 (fls. 0130), para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos ou creditados pela empresa a seus empregados a título de Incentivo à Educação Formal (Reembolso PDE) em desacordo com a legislação vigente, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 03/2002 e 07/2005. A síntese do trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase no Relatório Fiscal de fls. 6166, de onde extraio as seguintes assertivas: A empresa, ao efetivar o pagamento da parcela referente ao Incentivo a Educação Formal (Reembolso PDE), conforme consta das Folhas de Pagamento, não comprovou a não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores, uma vez que os mesmos foram pagos ou creditados em desacordo com a legislação vigente, conforme a seguir demonstrado: 2.1. A Espírito Santo Centrais Elétrica S.A. — ESCELSA, com a finalidade de estimular a educação formal dos seus empregados, patrocina 50% (cinqüenta por cento) dos cursos de ensino superior. 2.2. Este benefício é aplicado a todos os empregados que preencherem os seguintes requisitos: a) ainda não tenham recebido patrocínio em curso anterior; b) quando o curso superior tiver correlação com atividades da empresa; c) tenha no mínimo 3 (três) anos de trabalho na Empresa, obtido nível médio de desempenho (ND) nas três últimas avaliações igual ou 'maior que 4,0 (quatro); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 3 3 d) não tenha sofrido punição nos últimos 12 meses a contar da data da solicitação do patrocínio e, e) seja aprovado pelo Diretor da área. 2.3. Este benefício é implementado através de reembolso ao empregado, mediante apresentação de comprovante de pagamento da mensalidade à instituição de Ensino. (...) 2.5. A Lei n° 9.394/96, foi regulamentada pelo Decreto n° 5.154, de 23/07/2004. Com a regulamentação constatase que a educação profissional compreende os cursos de graduação e pósgraduação dentre outros. Concluise assim que a educação superior (graduação e pósgraduação) está coberta pela não incidência de contribuição previdenciária, desde que extensivo a todos os empregados e dirigentes; 2.6. A Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. ESCELSA ao estabelecer os requisitos básicos e procedimentos para a obtenção do 'Incentivo a Educação Formal', está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, ferindo, desta forma, o ordenamento legal. 2.7. A empresa Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. ESCELSA, não estende o benefício de Incentivo a Educação Formal a todos os empregados e dirigentes, contrariando o disposto na alínea ‘t’, do § 9°, do art. 28, da Lei 8.212/91, c/c com o inciso XIX, do § 9°, do art. 214 do RPS. 2.8. Somente os empregados que possuem um vínculo superior a 3 (três) anos com a empresa fazem jus a esse benefício. 2.9. Essa vantagem quando paga aos empregados que se enquadram nas condições impostas pela empresa para a sua concessão, se inclui na conceituação de salário exposta no § 11, do art. 201 da Constituição Federal, que assim dispõe: (...) 2.10. A despesa do empregador com o Incentivo a Educação Formal convertese em benefício econômico para os empregados e dirigentes que recebem esse benefício, por ser uma vantagem auferida em decorrência de seu trabalho. 2.11. O salário é elemento remuneratório do trabalho, e se a legislação previdenciária não exclui quando não cumpridas as exigências legais previstas o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou única e exclusivamente em decorrência do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo de contribuição. 2.12. Diante do exposto acima, concluímos que a parcela paga pela empresa a título de Incentivo a Educação Formal a alguns empregados configura salário utilidade e, por conseguinte, integra o saláriodecontribuição. Assim, o pagamento do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 4 4 Incentivo a Educação Formal, faz parte da remuneração desses empregados para fins previdenciários, sendo, portanto, integrante da base de cálculo de contribuição. Portanto, o fundamento da autuação repousa no fato de que o benefício de Incentivo à Educação Formal não era extensivo a todos os empregados e dirigentes. A Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória (ES) considerou o lançamento procedente (fls. 174181). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 20501.473, que se encontra às fls. 306316, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/07/2005 PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. EDUCAÇÃO. Não integra o SaláriodeContribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário Provido A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para considerar insubsistente o lançamento, vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Intimada deste acórdão em 23/04/2009 (fls. 317), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 320329, onde alegou, em apertada síntese, que: a) A r. decisão recorrida baseiase na alegação de que a empresa cumpriu todos os requisitos exigidos pelo art. 28, § 9°, “t”, a fim de que o Incentivo à Educação Formal (Reembolso PDE) não constitua rubrica a ser incluída no saláriodecontribuição, e, desta forma, não há que se falar em pagamento de contribuições previdenciárias referentes a estes valores; b) O voto condutor do aresto não foi acompanhado pela unanimidade da e. Câmara a quo, no que se refere ao cumprimento dos requisitos elencados no art. 28, § 9°, "t" da lei 8.212/91 para fins de exclusão dos valores percebidos do denominado saláriodecontribuição; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 5 5 c) O acórdão ora recorrido, ao dar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa, nega vigência ao disposto nos arts. 28 da Lei 8.212/91, no § 9°, alínea "t" do mesmo artigo, no art. 214, § 9°, inciso XIX do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), bem como ao art. 111 do CTN; d) Da simples leitura do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 temos que a regra geral é a de que todo e qualquer rendimento pago durante o mês constitui saláriodecontribuição para fins de base de cálculo para as contribuições previdenciárias; e) Entretanto, por opção legislativa, o § 9° do mesmo artigo elenca os rendimentos que, apesar de serem percebidos pelo empregado, não constituem saláriodecontribuição. Válido colacionar desde já que estas hipóteses são taxativas, e que, por se tratarem de exceções, devem ser interpretadas restritivamente. A hipótese em discussão nos autos refere se ao §9°, alínea "t" do art. 28 da Lei 8.212/91; f) Para fazer jus à exclusão nesta hipótese a empresa deveria comprovar a obediência às seguintes condições: 1) que o curso de capacitação e/ou qualificação profissional seja vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa, 2) e não consista em substituição de parcela salarial, 3) e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; g) Notese que não basta o cumprimento de uma das exigências, a lei exigiu expressamente a demonstração de adimplemento de todas as condições previstas no artigo conjuntamente; h) Conforme se pode notar do Relatório Fiscal de fls. 62/66, a empresa deixou de adimplir a última condição acima exposta, uma vez que restringe o acesso ao incentivo ao cumprimento de determinadas condições não previstas em lei e que decorrem expressamente da conveniência da empresa; i) Não há que se admitir o argumento exposto no voto vencedor de que "a existência de regras para a concessão de um benefício não lhe retira a possibilidade de extensão a todos os empregados e diretores, (...)", uma vez que estas regras acabam por infringir dispositivo expresso de lei; j) A empresa poderia ter optado por fazer jus à exclusão prevista no art. 28, § 9°, alínea "t" da Lei 8.212/91 oferecendo o incentivo a todos os empregados e dirigentes e cumprindo as demais condições, entretanto, por razões de política interna da empresa, que não cabe à fiscalização questionar, a mesma optou por elencar uma série de requisitos para recebimento do benefício, o que acabou por desnaturar as condições benéficas que lhe foram atribuídas pela legislação. Notese não se tratar de "avaliar normas de gestão empresarial", mas sim de verificar os requisitos previstos em lei, e, entre eles, o acesso a todos os empregados e dirigentes, constituindo este sim dever da fiscalização; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 6 6 k) Ademais, há de se concordar que não há critério mais restritivo e subjetivo do que aquele que subordina a concessão do benefício à aprovação do diretor da área bem com a de que o empregado possua no mínimo 3 (três) anos de trabalho na Empresa e obtido nível médio de desempenho (ND) nas três últimas avaliações igual ou maior que 4,0(quatro); l) Frisese ainda que, por se tratar de renúncia fiscal já que, uma vez excluídas tais parcelas do saláriodecontribuição não haverá a incidência de contribuições previdenciárias devidas sobre estes valores a interpretação deve ser literal e restritiva, nos termos do art. 111, I, do CTN; m) Configurado que o incentivo oferecido pela empresa não é extensivo a todos os empregados e dirigentes na forma da lei, temse que tais valores convertemse em benefício econômico para os empregados e dirigentes que dele usufruem, correspondendo a uma vantagem auferida em decorrência do serviço prestado, devendo tal quantia ser enquadrada como saláriodecontribuição, nos termos do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, incidindo, por conseqüência sobre as mesmas as contribuições previdenciárias pertinentes; n) Requer o provimento do recurso, a fim de afastar a decisão recorrida, mantendose o lançamento em sua integralidade. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 258/2009 (fls. 330331), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 334 344, nas quais defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de demonstração fundamentada de contrariedade à lei. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Na visão deste julgador, a preliminar de não conhecimento do recurso, suscitada pela contribuinte em sede de contrarrazões, não pode prosperar, já que a Fazenda Nacional apontou contrariedade ao artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/91 e ao artigo 214, § 9°, inciso XIX do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), sob o fundamento de que o incentivo oferecido pela empresa não era extensivo a todos os empregados e dirigentes, conforme estas regras exigem, além de indicar negativa de vigência ao artigo 111 do Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 7 7 CTN, na medida em que, envolvendo renúncia fiscal, a questão deve ser interpretada literal e restritivamente. Segundo penso, agindo assim a recorrente atendeu à regra regimental. Saber se houve ou não contrariedade a tais dispositivos é matéria a ser enfrentada no mérito do julgamento, o que passo a fazer a partir de agora. Reitero que o acórdão proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para considerar improcedente a autuação. Segundo a recorrente, como o incentivo não atingia todos os empregados e dirigentes, os pagamentos efetivados a título de Incentivo à Educação Formal enquadramse no conceito de saláriodecontribuição, incidindo sobre eles as respectivas contribuições previdenciárias. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91 assim estabelece: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9°. Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; O artigo 214, § 9°, inciso XIX, do Decreto n° 3.048/99, praticamente reproduz o texto legal acima transcrito. No Relatório Fiscal de fls. 6166, a autoridade lançadora asseverou que a educação superior (graduação e pósgraduação) está abrangida por esta regra, desde que extensiva a todos os funcionários e dirigentes. Ainda de acordo com o trabalho desenvolvido pela fiscalização, verificase que com o objetivo de incentivar a educação formal de seus empregados, a interessada patrocinou 50% (cinqüenta por cento) dos seus cursos de ensino superior, desde que: a) não tivessem recebido patrocínio em curso anterior; b) houvesse correlação entre o curso superior e as atividades da empresa; c) tivessem no mínimo 3 (três) anos de trabalho na Empresa, com nível médio de desempenho (ND) nas três últimas avaliações igual ou 'maior que 4,0 (quatro); Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 8 8 d) não tivessem sofrido punição nos últimos 12 meses a contar da data da solicitação do patrocínio; e, e) fossem aprovados pelo Diretor da área. A regra em apreço, salvo melhor juízo, tem como objetivo evitar que o auxílioeducação seja concedido de forma a fraudar o pagamento de salários por meio de sua concessão a indivíduos específicos, determinados mediante critérios de seleção indiscriminada por parte da empresa. Sob minha ótica, a exigência do tempo mínimo de três anos de trabalho na empresa não descaracteriza o benefício concedido pelo artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91, na medida em que tal condição não veda o acesso de todos os funcionários de forma discriminatória ou sem razoabilidade. Visa, apenas, conceder tal incentivo para aqueles colaboradores que têm maior possibilidade de permanecer na empresa, justificando, assim, o investimento. Segundo penso, os valores pagos pela empresa a esse título não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição e, portanto, não estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária. Analisando situações semelhantes a esta, o Egrégio Tribunal Regional Federal – TRF da 4ª Região assim decidiu: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 31 DA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR PRINCIPAL. BOLSA DE ESTUDOS. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. DESCONSTITUIÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 3. Os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de auxílioeducação ou bolsa de estudos não podem ser considerados como salário in natura, por não retribuírem o trabalho efetivo nem complementarem o salário contratual. O benefício, embora tenha expressão econômica, constitui investimento na qualificação profissional do trabalhador, que não integra a remuneração do mesmo. 4. No caso, todos os cursos que a embargante propicia a seus empregados estão vinculados às necessidades da empresa. 5. O fato de haver requisitos para o deferimento das bolsas de estudos não descaracteriza a circunstância do benefício ser acessível a todos os funcionários, desde que tais exigências guardem razoabilidade e proporcionalidade. 6. Ante a procedência dos embargos, impõese a inversão dos ônus sucumbenciais. Verba honorária arbitrada em 10% sobre o valor da causa, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC e precedentes desta Turma. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 9 9 (TRF 4ª Região, Segunda Turma, AC n° 2000.72.01.006385 2/SC, Relatora Desembargadora Federal Luciane Amaral Corrêa Münch, D.E. de 26/03/2009) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTUDOS. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. 1. Os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de auxílioeducação ou bolsa de estudos não podem ser considerados como salário in natura, por não retribuírem o trabalho efetivo nem complementarem o salário contratual. 2. O benefício, embora tenha expressão econômica, constitui investimento na qualificação profissional do trabalhador, caracterizando verba empregada para o trabalho, que não integra a remuneração do mesmo. 3. O fato de haver requisitos para o deferimento das bolsas de estudos não descaracteriza a circunstância do benefício ser acessível a todos os funcionários, desde que tais exigências guardem razoabilidade e proporcionalidade (TRF 4ª Região, Segunda Turma, AC n° 2007.72.09.001104 2/SC, Relatora Desembargadora Federal Vânia Hack de Almeida, D.E. de 13/11/2008) Do voto proferido pela Relatora deste último acórdão citado, trago à colação as seguintes passagens: Por outro lado, o fato de haver requisitos para o deferimento das bolsas de estudos não descaracteriza a circunstância do benefício ser acessível a todos os funcionários, desde que tais exigências guardem razoabilidade e proporcionalidade, o que se verifica na hipótese concreta. Com efeito, pelo que se depreende das fls. 77/79, as exigências feitas pelas autoras não apresentam qualquer despropósito. Assim, somente a título de exemplo, para o curso de 2º grau supletivo, há carência de apenas 6 meses de contrato laboral com a empresa; para curso técnico e curso de graduação, de 12 meses; e, afinal, para pósgraduação/mestrado e MBA, 24 meses de empresa. De outra parte, a reserva de bolsas para membros da gerência só pertine aos cursos de mestrado e MBA (fl. 79), e ainda assim não se trata de reserva total, porquanto há vagas destinadas a empregados que não integram o quadro gerencial. Por fim, o fato de haver a possibilidade de restrição do número de vagas ofertadas também não pode ser considerado despropositado, pois não exige que sejam oferecidas bolsas para todos os empregados, mas sim que aquelas existentes, conforme as possibilidades econômicas da empresa, sejam disponibilizadas segundo critérios de razoabilidade. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 10 10 Cumpre destacar, também, o posicionamento do Egrégio TRF da 2ª Região, ilustrado pela ementa do seguinte julgado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. ART. 28, § 9°, “t” DA LEI N. 8.212/91. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DESTE TRF. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça encontrase pacificada no sentido de que as verbas pagas pelo empregador para o pagamento de cursos de capacitação a seus empregados não integra o saláriode contribuição, na esteira do determinado pelo art. 28, §9°, "t", da Lei n. 8.212/91 e mesmo antes do advento dessa disposição legal. 2. A circunstância de haver limitação quanto aos empregados aderentes, no sentido de que estejam na empresa, no mínimo, há mais de um ano, não implica violação à exigência da parte final da alínea "t" do §9° do art. 28 da Lei n. 8.212/91. 3. Apelação e remessa necessária improvidas. (TRF 2ª Região, Quarta Turma Especializada, Apelação Cível n° 2002.51.0223028, Relator Desembargador Federal Luiz Antonio Soares, DJU de 21/10/2009, p. 72) Eis as colocações feitas pelo Desembargador Federal Luiz Antonio Soares no votocondutor deste julgado: Desse modo, tratando a presente demanda de verbas pagas pela autora a seus empregados para fins de cursos de idiomas e pós graduação, a fim de melhor qualificálos para o desempenho de suas atividades, tratase de questão que se enquadra no entendimento jurisprudencial acima mencionado. Concluise, pois, pela impossibilidade de inclusão de tais rubricas no saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária. Ressalto que a circunstância de haver limitação quanto aos empregados aderentes, no sentido de que estejam na empresa, no mínimo, há mais de um ano, não implica violação à exigência da parte final da alínea “t” do §9o do art. 28 da Lei n. 8.212/91, in verbis: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 11 11 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”. A exigência de um mínimo de um ano na empresa não consiste em discriminação irrazoável, mas apenas visa a garantir que o benefício será concedido a funcionário que tem maior chance de permanecer na empresa. O dispositivo acima transcrito, na verdade, visa a evitar que o benefício seja estipulado de forma a fraudar pagamento de salário, por meio de sua concessão a indivíduos específicos, determinados mediante critérios de seleção indiscriminada por parte da empresa. Na hipótese, isso não ocorre, uma vez que, preenchida a condição, qualquer empregado terá acesso ao referido benefício. Sobre o tema, colaciono excerto de voto do Exmo. Desembargador Federal DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, por ocasião do julgamento da Apelação Cível n. 2003.72.08.007537 6/SC, que foi mantido pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa do REsp 953.742, acima transcrita: “No tocante à exigência de tempo de serviço para a concessão da bolsa, entendo que não configura discriminação, o que afastaria a aplicação do art. 28, § 9º, "t", da Lei nº 8.212/91. É que a carência exigida, de 6 meses, não veda o acesso de todos os funcionários de forma discriminatória ou sem razoabilidade. Tal sistema de carência é amplamente utilizado, inclusive pela Administração Pública, para a concessão de benefícios aos funcionários e se justifica para que o funcionário estabeleça um vínculo mais estável com a empresa, que tem mais garantias de retorno do custo financeiro que o benefício lhe acarreta”. Segundo penso, tais precedentes jurisprudenciais são plenamente aplicáveis ao caso, de modo que a decisão de segunda instância merece ser confirmada, pois a regra do artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91 dá guarida ao procedimento utilizado pela empresa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 36202.002486/200695 Acórdão n.º 920201.241 CSRFT2 Fl. 12 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 13016.000007/2003-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário,
não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação, com o intuito de trocar de regime no curso do ano-calendário.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação, com o intuito de trocar de regime no curso do ano-calendário. Recurso Especial do Procurador Provido.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PENASUL ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação, com o intuito de trocar de regime no curso do anocalendário. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório A decisão de primeira instância assim relatou os fatos: O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, para ressarcir o valor da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados, relativo ao segundo trimestre de 2002, no valor de R$ 234.938,52, conforme Pedido de Ressarcimento, da fl. 2, cumulado com o formulário Declaração de Compensação, da fl. 1, do referido crédito presumido do IPI, com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF). O interessado apurou o valor do crédito presumido do IPI, citado no item precedente, pelo regime normal da Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, conforme Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no 0000.100.2003.31297199, transmitida em 10 de fevereiro de 2003, segundo consta nas fls. 28. Posteriormente, em 10 de fevereiro de 2004, o estabelecimento transmitiu a(s) DCTF(s) no(s) 0000.100.2004.11887875, segundo consta nas fls. 27, 29 e 30, pela(s) qual(is) pretendeu retificar o valor do crédito presumido do IPI, referente ao mesmo trimestre, para R$ 288.254,91, benefício que, dessa feita, foi apurado pelo regime alternativo da Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001. Além disso, o estabelecimento transmitiu, em 10 de fevereiro de 2004, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), das fls. 23 a 26, para compensar a diferença a maior do crédito presumido do IPI, decorrente da pretendida troca de regime de apuração, com débito(s) de sua responsabilidade, no mesmo valor. O ressarcimento foi indeferido, em parte, pelo Despacho Decisório das fls. 31 a 33, da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul, que reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI apenas no valor originalmente solicitado, de R$ 234.938,52, e homologou as compensações até o valor do crédito reconhecido. Em resumo, o referido despacho não admitiu a parcela do benefício, decorrente da alteração do regime de apuração do crédito presumido do IPI, externada na(s) DCTF(s) retificadora(s). A ciência do requerente ocorreu em 15 de janeiro de 2007, pelo que consta nas fls. 45 e 46. Na seqüência, veio aos autos, no devido prazo, a manifestação de inconformidade, das fls. 47 a 60, firmada pela procuradora do estabelecimento, com mandato na fl. 62, e acompanhada por documentos. As alegações se acham resumidas adiante. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13016.000007/200355 Acórdão n.º 930301.436 CSRFT3 Fl. 172 3 Diz o interessado que o parágrafo único do art. 2o da Instrução Normativa SRF no 420, de 10 de maio de 2004, citado no Despacho Decisório, não admite a retificação da opção pelo regime alternativo da Lei no 10.276, de 2001, para o regime normal da Lei no 9.363, de 1996, mas não proíbe a retificação no sentido inverso (do regime normal, para o regime alternativo), efetuada no caso concreto. A par disso, argumenta o interessado, caso a IN SRF no 420, de 2004, realmente vedasse a retificação da opção, do regime normal, para o regime alternativo, esse ato não poderia retroagir, em prejuízo da retificação anteriormente formalizada pelo estabelecimento. Sob outro ponto de vista, a manifestação de inconformidade considera que a IN SRF no 420, de 2004, único fundamento da glosa contestada, é ato normativo que extrapolou o teor da Lei no 10.276, de 2001, ao vedar a retificação da opção pelo regime alternativo de apuração do crédito presumido do IPI, vedação essa inexistente no plano legal. O requerente afirma que, em si, a opção pelo regime de apuração do benefício em comento só é possível após o encerramento do anocalendário, ocasião em que se torna possível aferir a modalidade mais vantajosa de cálculo do crédito presumido. Por último, o interessado requer a procedência da sua manifestação de inconformidade, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório referente à parcela glosada do crédito presumido do IPI. Julgando feito, a turma julgadora de primeira instância, manteve o indeferimento do pleito do sujeito passivo em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. É ineficaz a retificação de pedido de ressarcimento e de declaração de compensação, baseada em retificação também ineficaz do regime de apuração do crédito presumido do IPI, esta última por inobservância do prazo para opção e a primeira por não se destinar a corrigir inexatidão material, única hipótese admissível. Solicitação indeferida. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, onde reedita, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. O Colegiado a quo, deu provimento ao recurso voluntário sob o argumento de que a instrução normativa entra em vigor na data de sua publicação, não sendo válido Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 dispositivo que determina a retroatividade de sua eficácia restritiva para período anterior à sua publicação. Regularmente intimada desse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresenta recurso especial, onde alega, em apertada síntese que a impossibilidade de mudança do regime já constava de diversos outros atos legais e normativos e que a IN/SRF nº 420/2004 veio apenas consolidar o que já constava em atos a ela precedentes. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls.140/141. Contrarrazões do sujeito passivo vieram às fls. 145 a 161. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão mudança de regime de apuração após realizada a opção por um dos dois regimes de apuração, o da Lei 9.363/1996 ou o alternativo trazido pela Medida Provisória 2.202/2001, cuja segunda reedição foi convertida na Lei 10.276/2001. Tanto a Lei 9.363/1996 quanto a 10.276/2001 atribuíram à Administração Tributária a regulamentação do benefício. No caso da modalidade alternativa de apuração do crédito presumido essa regulamentação foi feita por meio das Instruções Normativas SRF nºs. 69, de agosto de 2001, 315 de abril de 2003 e, finalmente, 420, de 10 de maio de 2004. O § 4º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 atribuiu, de forma expressa, competência para a Secretaria da Receita Federal fixar normas para o exercício da opção pelo regime alternativo por ela instituído. Aliás, o art. 3º desta mesma lei atribui a Secretaria da Receita Federal a competência para regulamentar toda a lei. Com isso, o exercício da opção pelo regime alternativo de crédito presumido do IPI deve ser feitos, nos exatos termos em que fixado por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para dar cumprimento ao determinado na lei 10.276/2001, a Secretaria da Receita Federal, baixou a Instrução Normativa SRF nº 69, de 2001, para regulamentar a fruição do benefício. Essa IN foi revogada pela IN SRF nº 315, de abril de 2003, a qual passou a disciplinar a fruição do crédito até a vigência da IN SRF nº 420, de 2004. Segundo os arts1. 2º e 3º da IN SRF, vigente à data dos fatos apurados nestes autos, a opção pelo regime alternativo de apuração do crédito presumido abrangerá todo o ano 1 Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I – todo o anocalendário; II – o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício da opção quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção será formalizada: I – no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13016.000007/200355 Acórdão n.º 930301.436 CSRFT3 Fl. 173 5 calendário, e que essa opção será formalizada no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestre calendário do ano anterior. De outro lado, o art. 162 desse ato normativo vedava a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. Em outro giro, as IN SRF nºs 69 e 106, ambas de 2001, determinavam que a opção pelo regime alternativo para o ano de 2002 deveria ser feito na DCTF do 4º trimestre de 2001 e, uma fez feita a opção, não seria admitida a mudança dentro do próprio ano calendário. Já a do anocalendário seguinte, isto é, 2003, seria feita com base na opção realizada no último trimestre de 2002, e, uma vez realizada a opção, ficava vedada a mudança dentro do próprio ano calendário. É completamente equivocado o entendimento daqueles que afirmam o § 4º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001, ao dispor que a opção entre as alternativas deverá ser exercida durante todo o anocalendário possibilitaria a opção em qualquer momento durante o ano calendário. Na realidade, o que este dispositivo diz é que a opção “abrangerá, obrigatoriamente, todo o ano calendário”, não fazendo nenhuma referência quanto ao momento da opção, matéria delegada à Secretaria da Receita Federal. Verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes.” (grifei) E o momento e o meio para efetuar a opção por um dos regimes de apuração do crédito presumido do IPI foram estabelecidos pela IN SRF nº 69/2001, 315 de 2003, ambas comentadas linhas acima, e 420 de 2004 Ressaltese, ainda, que a IN SRF nº 106/2001, que aprovou o Programa Gerador da DCTF 1.2., anotou nas instruções de preenchimento da “Pasta Crédito Presumido”, vedação expressa para mudança de opção durante o ano calendário. 2 Art. 16. Não será admitida a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Assim, devese concordar com a decisão de primeira instância quando afirma que: Os referidos atos normativos baixados pela SRF estabeleceram, em conformidade com os diplomas legais anteriormente citados e que lhes dão suporte, que a opção pelo regime alternativo abrange: o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida nesse ano; todo o anocalendário, se exercida nos anos subseqüentes; e o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. A IN SRF no 69, de 2001, estatuiu que a opção pelo regime alternativo deve ser formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) correspondente ao último trimestrecalendário do ano de 2001, ao último trimestre calendário do ano anterior, ou ao primeiro trimestrecalendário de atividades, conforme o caso. As INs SRF nos 315, de 2003, e 420, de 2004, estabeleceram que a opção em comento deve ser formalizada no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestre calendário do ano anterior ou no DCP relativo ao primeiro trimestrecalendário de atividades. Fica evidente, portanto, que a opção pelo regime alternativo do crédito presumido do IPI, ou o retorno ao regime normal do benefício, deve observar o prazo fixado pelas citadas normas. ................................................................................................ No caso concreto, a escolha do regime normal da Lei no 9.363, de 1996, ocorreu na DCTF referente ao quarto trimestre de 2001 e a pretendida retificação, para o regime alternativo da Lei no 10.276, de 2001, se deu em 2004, o que é realmente inadmissível. Em outro giro, devese ter presente que a Instrução Normativa SRF nº 376, de 23 de dezembro de 2003, dispõe em seu 3art. 7º que, somente se admite a retificação de declaração de compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP, ou declarada em formulários, nos casos de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da nãoocorrência da hipótese prevista no 4art. 8o dessa instrução normativa, qual seja, a retificação não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado. 3 Art. 7º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da nãoocorrência da hipótese prevista no art. 8º. 4 Art. 8º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação de referida Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13016.000007/200355 Acórdão n.º 930301.436 CSRFT3 Fl. 174 7 Compulsando os autos, é indene de dúvida que a retificação feita pelo sujeito passivo não se prestava à correção de inexatidões materiais. Assim, não há como deixar de reconhecer a ineficácia da retificação da declaração de compensação objeto destes autos. Esclareçase, por oportuno, que, no caso presente, a autoridade fazendária não suprimiu nem restringiu o direito da autuada ao crédito presumido, até por que não o poderia fazer, mas em cumprimento às normas regulamentadoras desse benefício, indeferiu a alteração de regime efetuada fora dos limites permitidos. Devese ainda ser lembrado que exemplo da Lei 9.363/1996 a Lei 10.276/2001 também delegou à autoridade fazendária, a regulamentação do benefício. Com base na delegação acima mencionada, foram expedidos diversos atos normativos, como são exemplos as Instruções Normativas comentadas nas linhas precedentes, para regulamentar as condições mínimas a serem cumpridas para a fruição do benefício fiscal sob exame. Assim, se o sujeito passivo não cumpre as determinações contidas nesses atos normativos emanados da autoridade competente, o resultado é o indeferimento do crédito pleiteado. Não se alegue que a atribuição à Receita Federal da competência para editar esses atos normativos que disciplinaram as condições para a fruição do incentivo, seria inconstitucional ou ilegal, pois, a possibilidade de deslegalização ou de degradação do grau hierárquico encontra limites nas matérias constitucionalmente reservadas à lei. A Constituição Federal, no tocante aos incentivos fiscais, só exige lei em sentido estrito, para sua concessão, nada dispondo sobre as condições a serem exigidas para a fruição e gozo. Por seu turno, o CTN, no artigo 97, onde elenca as matérias reservadas a lei, em sentido estrito, não menciona os requisitos para fruição dos incentivos fiscais. Com isso, temse que somente a concessão dos benéficos é reservada à lei em sentido estrito, a regulamentação não. Assim, se não existir reserva material de lei, pode o legislador atribuir à administração competência para disciplinar, por meio de ato normativo próprio, tais matérias. Como ocorreu no caso sob exame. Por derradeiro, merecer ser lembrado que deslegalização em matéria tributária não é novidade em nossos tribunais, o STF, no julgamento do RE nº 140.6991 /Pernambuco, com base no excelente voto do Ministro Ilmar Galvão, julgoua constitucional. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância que indeferiu o pleito do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11516.001213/2006-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE
PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA.
IMPOSSIBILIDADE.
À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI
referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos
favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT
na Tabela do IPI TIPI).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.233
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Presente ao julgamento o Dr.
Bruno Capello Fulginiti – OAB/68965.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001213/200669 Recurso nº 264.299 Voluntário Acórdão nº 330201.233 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria Ressarcimento de IPI Recorrente RBS ZERO HORA EDITORA JORNALÍSTICA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE. À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT na Tabela do IPI TIPI). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Presente ao julgamento o Dr. Bruno Capello Fulginiti – OAB/68965. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 02/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório da decisão de primeiro grau. “O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei n° 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A fiscalização apurou que parte dos créditos escriturados se referiam a insumos aplicados tanto na industrialização de produtos de alíquota zero, como em produtos não tributado pelo imposto (Livros e Listas Telefônicas), assim os saldos credores foram recalculados com a exclusão proporcional dos insumos empregados na produção do produto NT. Diante disso, foi exarado o Despacho Decisório da autoridade competente reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte as compensações. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando preliminarmente que, pelo disposto no § 4° do art. 150 do CTN os débitos do PIS e COFINS estariam prescritos. No mérito, em síntese argúi que tem direito ao crédito por força do principio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3°, II, da Constituição Federal; além disso, por serem seus produtos imunes, nos termos da CF/88, seu direito estaria garantido no art. 1º, § 4°, da IN SRF n°33/99. Encerrou solicitando o integral deferimento do pedido”. A DRJ, por unanimidade de votos, não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, aduzindo que a decisão de primeira instância destoa do caso controvertido, eis que o caso dos autos trata da manutenção do crédito do IPI incidente na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo de industrialização de produtos imunes, o acórdão discorreu acerca de produtos nãotributados. Aduz, também, que a decisão recorrida não poderia acatar as disposições do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006 por ser inaplicável ao presente caso. No mais, repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001213/200669 Acórdão n.º 330201.233 S3C3T2 Fl. 2 3 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Concernente a alegação de que a decisão de primeira instância destoa do cerne da questão, eis que tratou de crédito do IPI incidente na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo de industrialização de produtos nãotributados, quando os autos referemse a insumos aplicados em produtos imunes, entendo não assistir razão à Recorrente conforme defluise do seguinte trecho do voto condutor: “Em síntese, a inovação trazida pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 não revogou o direito ao crédito, bem como ao ressarcimento do saldo credor, no caso dos produtos tributados que gozem da imunidade constitucionalmente prevista nas exportações, isto não significando que a IN SRF n° 33/99, bem como a de n° 21/97, tenham permitido o crédito e o ressarcimento do imposto pago na produção dos casos de imunidade objetiva, tais como: energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do Pais, livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, que constam na TIPI como NT”. No tocante a afirmação de que a decisão recorrida não poderia acatar as disposições do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, entendo que tal pretensão não merece acolhida vez que a autoridade julgadora de primeira instância está vinculada aos ditames de atos dessa espécie, por força do disposto na Portaria MF n° 58/2006. Em relação ao crédito em baila, sem razão a Recorrente conforme se demonstrará adiante. O Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 475.551, julgou questão correlacionada com a matéria dos autos, concluindo descaber direito de crédito de IPI, relativamente a insumos empregados na fabricação de produtos isentos e de alíquota zero, com fatos anteriores à Lei no 9.779/99. Vejamos: EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, § 3º, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9.779/1999. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a consequência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5. Com o advento do art. 11 da Lei no 9.779/1999 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. 6. Recurso extraordinário provido. (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.a sp?s1=(475551.NUME.%20OU%20475551.ACMS.)&base=base Acordaos) O recurso acima sinaliza que, anterior ou posteriormente à referida lei, os insumos empregados em produtos não tributados não geram direito de crédito do IPI. A defesa da Interessada sustenta que os produtos fabricados seriam imunes e, relativamente a tais produtos, o direito de crédito existiria haja vista, principalmente, o disposto no art. 4º da IN SRF no 33/99, que assim dispõe: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. A argumentação, entretanto, não merece guarida. Ocorre que este dispositivo não pode ser analisado isoladamente, a boa técnica de hermenêutica recomenda que todo e Fl. 136DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001213/200669 Acórdão n.º 330201.233 S3C3T2 Fl. 3 5 qualquer excerto normativo deve ser interpretado de forma sistêmica e, sob este prisma, deve se levar em conta o que reza o § 3º do art. 2º do referido diploma normativo, vejamos: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). No mesmo sentido, temos o art. 190, § 1º1, do Regulamento do IPI – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/02. As disposições da Tipi para os produtos em questão são as seguintes: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (% 49.02 JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS, IMPRESSOS, MESMO ILUSTRADOS OU CONTENDO PUBLICIDADE 4902.10.00 Que se publiquem pelo menos 4 vezes por semana NT Ex 01 0 4902.90.00 Outros NT Ex 01 0 Noção cediça, os produtos imunes estão fora da incidência do imposto, da mesma forma que os não tributados. A diferença entre tais produtos poderia ser definida a partir da consideração de que os produtos NT não seriam considerados industrializados, enquanto que os produtos imunes seriam industrializados, mas protegidos da incidência do IPI por disposição constitucional. Se o emprego de insumos em produtos de alíquota zero e isentos, que estão dentro da incidência do imposto, dependeu de previsão legal (Lei no 9.779/99) para gerar direito de crédito, não faz sentido que o emprego dos mesmos insumos em produtos que sequer estão dentro do campo de incidência gerem crédito. 1 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Como bem asseverado pela decisão recorrida, a Instrução Normativa nº 33/99, ao considerar que o emprego de insumos em produtos imunes gera direito de crédito, está se referindo a imunidade decorrente de exportação de produtos, e não a imunidade objetiva. Tanto é que determina, em seu art. 2º, § 3º, sejam estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Dirimindo qualquer dúvida acerca disso, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 5, de 17 de abril de 2006, que assim dispõe: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação “NT” (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Ademais, esta questão está sedimentada no âmbito do CARF a teor da Súmula CARF nº 20, verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Corrobora neste sentido, a Súmula CARF nº 16 eis que contempla o aproveitamento dos créditos de IPI apenas dos insumos utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, in litteris: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Portanto, a imunidade decorrente da natureza do produto, que é o caso dos autos, não gera direito ao creditamento, pois não tem amparo na Lei no 9.779/99. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11516.001213/200669 Acórdão n.º 330201.233 S3C3T2 Fl. 4 7 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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