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Numero do processo: 11610.007067/2003-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE.
FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal.
Numero da decisão: 1402-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 70 67 /2 00 3- 64 Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório 1770 PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as compensações declaradas a partir de 14/05/2003 com saldo negativo de IRPJ apurados nos anoscalendário 2001 e 2002. A contribuinte havia vinculado compensações, também, a saldos negativos de CSLL apurados nos anoscalendário 2001 e 2002, mas estes foram integralmente reconhecidos. O saldo negativo de IRPJ de 2001, embora reconhecido parcialmente ( R$ 94.810,79 de R$ 96.448,55) não estaria disponível para compensação, vez que destinado a compensações sem processo ao longo do anocalendário 2002. Já o saldo negativo de IRPJ de 2002 foi parcialmente reconhecido (R$ 268.630,99 de R$ 985.365,13) em razão da glosa de retenções na fonte e de estimativas compensadas. À fl. 237 consta que os débitos controlados neste processo forma liquidados com o direito creditório reconhecido, deixandose de restituir o saldo remanescente por inexistência de pedido de restituição. Cientificada do reconhecimento parcial de seu direito creditório em 11/03/2009, a contribuinte manifestou sua inconformidade em face dos critérios adotados no despacho decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF SOBRE APLICAÇOES FINANCEIRAS Somente tem direito ao aproveitamento do IRRF de aplicações financeiras, se os rendimentos correspondentes ao IRF compuserem a base de calculo do IRPJ na apresentação da DIPJ relativa ao ano de auferimento desses rendimentos. REGIME DE COMPETÊNCIA Não basta a contribuinte alegar que ofereceu à tributação, em anos anteriores, pelo regime de competência, rendimentos financeiros, cujo IRRF foi utilizado nas DIPJ de anos posteriores, sendo necessário a apresentação de comprovação desse oferecimento através de documentação idônea. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/03/2010 (efl. 454), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 31/03/2010 (efls. 455/459), no qual argúi a nulidade da decisão de 1ª instância por cerceamento ao seu direito de defesa, que afirmou inidôneos os documentos apresentados e deixou de examinálos, hipótese na qual, em Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 4 3 seu entendimento, caberia diligenciar junto à Recorrente no sentido de validar ou não os documentos apresentados. Esclarece as referências questionadas nos extratos apresentados da contabilidade informatizada, afirma a desnecessidade de juntada dos informes de rendimento, e defende a devolução dos autos à 1ª instância para a prolação de nova decisão, agora com a necessária apreciação das provas/documentos produzidos. Defende que as provas apresentadas eram suficientes e que os rendimentos e retenções estão regularmente escriturados em seus Livros, mas ainda assim reapresenta os documentos com as formalidades exigidas, insistindo que os informes de rendimento já são de conhecimento do Fisco. Ao final, pede a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância ou, subsidiariamente, o reconhecimento das compensações legitimamente efetuadas. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Observase nos autos que o pedido subsidiário do sujeito passivo já se encontra atendido nos autos, na medida em que as compensações por ele declaradas foram liquidadas mediante imputação dos direitos creditórios informados e parcialmente reconhecidos. Conforme se vê às efls. 363/376, depois de cientificar o sujeito passivo do reconhecimento parcial de seu direito creditório, a autoridade local cadastrou nestes autos os débitos apontados nas DCOMP e imputoulhes o direito creditório total reconhecido, liquidando os débitos no valor total de R$ 39.915,59 e ainda remanescendo crédito de R$ 279.817,86 que não foi restituído devido à inexistência de pedido de restituição no prazo legal. Neste contexto, se o sujeito passivo tivesse cientificado desta liquidação, sequer teria interesse em manifestar inconformidade contra o despacho decisório de reconhecimento parcial do crédito, assim como não lhe resta qualquer interesse processual em discutir a validade da decisão de 1ª instância que apreciou seus argumentos. Esclareçase que desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a autoridade administrativa não tem mais competência de restituir indébitos tributários sem o prévio pedido do interessado, em razão da supressão do inciso III, antes contido no art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 210/2002: Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 5 4 III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). Assim, o remanescente do crédito permanece disponível nos sistemas de controle da RFB até que a interessada manifestese quanto à sua utilização em compensação, ou recebimento em espécie. E, somente se isto se der em valor superior àquele que restou disponível, haverá interesse processual na discussão da real existência do montante total de saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2001 e 2002, hipótese em que cumpriria à autoridade preparadora transportar para novos autos todos os elementos de convicção que resultaram na apuração do crédito indicado no despacho decisório, com vistas a processarse regularmente a defesa e o julgamento da matéria. Ausente qualquer ato da interessada relativamente ao crédito não utilizado em compensação, a discussão de seu efetivo valor somente se processaria em tese, sem qualquer efeito prático. Por estas razões, firmase, aqui, entendimento diverso daquele contido na decisão recorrida, que analisou a formação do direito creditório antes referido por vislumbrar ato de reconhecimento parcial daquele, e conseqüente glosa do excedente, passível de contestação no âmbito administrativo. Inexiste, assim, qualquer discordância que possa permitir a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Diante deste contexto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919181/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 81 /2 01 5- 20 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.955, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009455/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO.
Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO
Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontra-se consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural.
Numero da decisão: 2401-006.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontra-se consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 94 55 /2 00 7- 62 Fl. 497DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 0327.489 (fls. 364/368): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 308/318), lavrado em 09/11/2007, relativo ao Exercício de 2004, referente a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e comprovados, conforme planilha "DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL" (fls. 280/282). No Auto de Infração é exigido R$ 44.170,82 de Imposto de Renda, R$ 33.128,11 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 22.743,55 de Juros de Mora, calculados até 31/10/2007, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 110.042,48. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 14/11/2007 (AR fl. 326) e, em 14/12/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 332/336, instruída com os documentos nas fls. 338 a 358. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 3 3 O Processo foi encaminhado à DRJ/BSA para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0327.489, em 22/10/2008 a 3ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BSA, via Correio, em 30/01/2009 (AR fl. 382) e, inconformado com a decisão prolatada, em 27/02/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 395/409, instruída com os documentos nas fls. 411 a 487, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, alega que: 1. A Empresa A. J. R. Auto Posto Ltda., está INATIVA no período do ano de 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme cópia das respectivas declarações em anexo, portanto, inexiste o exercício da atividade de empresário no referido Posto de Gasolina, consequentemente, não há que se falar em rendimento de outras atividades, senão da atividade rural; 2. Exerce a Atividade Rural e apresenta as seguintes provas: a. Inscrições de Produtor Rural Docs. 2, 3, 4, 5 e 6 (fls. ); b. Controle de Vacinação de Bovinos exigido para criação de animais de grande porte Docs. 37, 38 e 39 (fls. ); c. Livro Caixa Docs. 07 a 26 (fls. ); 3. A insuficiência na declaração de ajuste não enseja no lançamento de forma mais severa, exceto quanto á multa de oficio, portanto, o tributo deve ser cobrado nos termos da atividade rural acrescido da multa de oficio; 4. O Contribuinte pratica exclusivamente a Atividade Rural, fato corroborado pelas narrativas fiscais e pelos documentos apresentados; 5. O Princípio da Motivação do Ato Administrativo e o Princípio do ônus "Probandi" impõem ao Fisco apresentar prova da acusação fiscal. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo que seja julgada a improcedência parcial do Auto de Infração, convertendo a tributação para Rendimentos da Atividade Rural. No caso de não ser acatado o requerido anteriormente, seja feita diligência para apuração dos fatos narrados. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto Em razões recursais, o contribuinte se insurge contra a imputação de variação patrimonial a descoberto. Aduz que inexiste atividade de empresário e, por conseguinte, não há que se falar em rendimento de outra atividade senão a da atividade rural. Requer a cobrança do tributo nos termos da atividade rural. A fiscalização constatou que o contribuinte apresentou Acréscimo Patrimonial a Descoberto incompatível aos seus rendimentos declarados e tributado no ano calendário de 2003, cujos resultados finais foram considerados como base de cálculo para lançamento e constituição do crédito tributário através da lavratura do Auto de Infração. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 4 5 [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Fl. 501DF CARF MF 6 Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. Em se tratando de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial e intimou o contribuinte para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, que a variação patrimonial a descoberto apurada na planilha em causa tem origem em rendimentos tributáveis, ou em rendimentos isentos, ou ainda em rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte, auferidos pelo contribuinte em períodos compatíveis com os dispêndios ou aplicações realizados. (fl. 276 e seguintes). Para possibilitar a defesa do contribuinte, todos os documentos por ele encaminhados à fiscalização foram devolvidos juntamente com uma via do termo de intimação. Ocorre que, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural. Entretanto, embora intimado para comprovar a variação patrimonial a descoberto, o contribuinte nada apresentou. Por ocasião da impugnação, nada articula ou apresenta documentos de forma a contrapor a acusação efetivamente. E mais, através da análise da documentação apresentada, não há efetiva comprovação de que todos os rendimentos auferidos se refiram exclusivamente a atividade rural, conforme assevera o contribuinte. Notese que o art. 18 da Lei 8.023/90, ao determinar a tributação dos demais rendimentos separadamente dos da atividade rural, assim estabelece: Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. O § 1º do artigo 18 da Lei nº 9.250, de 1995, estabelece a necessidade de manutenção de documentação que comprove a atividade rural nos seguintes termos: § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 5 7 No § 2º é prevista a possibilidade de arbitramento, quando por falta de escrituração, o contribuinte perde o direito de apurar o resultado com a diferença entre receitas/despesas, mas não se dispensa a documentação comprobatória. Destarte, para que os rendimentos auferidos tenha tributação aplicável aos rendimentos da atividade rural é essencial que fique demonstrado que, efetivamente, se enquadram nessa condição, entretanto, não traz aos autos provas capazes de demonstrar com clareza e eficácia a origem desses rendimentos como de atividade rural. Os documentos apresentados não são suficientes para subsidiar receitas e despesas da referida atividade. Assim, não logrando êxito o Recorrente em fazer prova do contrário, de forma clara e consistente, há que ser mantida a autuação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911739/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. INOCORRÊNCIA.
Quando alega ter cometido erro na apresentação de informações das declarações prestadas ao fisco cabe ao contribuinte apresentar provas concreta a demonstrar o erro cometido e os valores corretos de apuração. Assim não agindo, improcede o crédito pretendido.
Numero da decisão: 1401-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. INOCORRÊNCIA. Quando alega ter cometido erro na apresentação de informações das declarações prestadas ao fisco cabe ao contribuinte apresentar provas concreta a demonstrar o erro cometido e os valores corretos de apuração. Assim não agindo, improcede o crédito pretendido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. INOCORRÊNCIA. Quando alega ter cometido erro na apresentação de informações das declarações prestadas ao fisco cabe ao contribuinte apresentar provas concreta a demonstrar o erro cometido e os valores corretos de apuração. Assim não agindo, improcede o crédito pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 17 39 /2 00 9- 82 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 107 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Cuidam os autos de Dcomp, débito de IRPJ – 4º trimestre/2007, com crédito de pagamento a maior de CSLL, arrecadado em 27/04/2007, período de apuração 03/2007. Irresignada com a nãohomologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Na DIPJ informou o valor correto da CSLL a pagar, contudo, cometeu equívoco no preenchimento da DCTF, declarando valor a maior que o devido. Entretanto, em 23/11/2009, entregou DCTF retificadora que evidencia e comprova o valor correto informado na DIPJ; De acordo com a jurisprudência administrativa, o erro de fato no preenchimento da DCTF não invalida o direito creditório; Por todo o exposto, requer seja homologada a compensação efetuada e suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento considerou improcedente e manteve a decisão atacada integralmente. Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisou apenas os elementos apresentados quando da manifestação de inconformidade. Não apresentou nenhum novo documento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Devo destacar, já no início deste voto, o fato de o recorrente, em sede de recurso voluntário, não ter feito nenhum contraponto ao que fora decidido pela decisão de Piso. Ora a decisão da Delegacia de Julgamento, a meu ver acertadamente, considerou improcedente a manifestação de inconformidade porque a empresa alegou o erro no preenchimento da DCTF Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 108 3 alegando, em seu benefício, que teria apresentado a DIPJ com a correta apuração do valor devido. A Delegacia de Julgamento não aceitou a argumentação da empresa porque esta não demonstrou a existência de erro de fato com nenhum outro documento. No entender da DRJ a DIPJ ´declaração meramente informativa e a DCTF constitui confissão de dívida, assim, as informações da DIPJ não poderiam servir de prova a confirma o erro na DCTF sem a apresentação de outros documentos. Assim, deveria o contribuinte, apresentar documentos de sua escrituração contábil de forma a contrapor as alegações da DRJ e demonstrar que a contabilidade da empresa apresentava valor de CSLL devida diverso do informado em DCTF. Infelizmente disso não cuidou o recorrente. Limitouse a recproduzir, em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e sequer produziu um único documento que pudesse confirmar os valores de apuração constantes em sua DIPJ. Já me posicionei, em diversos outros julgados, que o simples erro na apresentação da confissão de dívida na DCTF pode ser informado pelas informações da DIPJ quando apresentam valores diferentes, desde que demonstrado o mesmo valor na contabilidade da empresa. Ou seja, a existência de DIPJ com valor diferente constitui indício que milita em favor do contribuinte, no entanto, há de apresentar escrituração contábil ou fiscal, balancete, demonstrativo, ou seja outros elementos que confirmem o valor informado na DIPJ para que se possa infirmar a confissão realizada por meio da DCTF. Verifico que, no presente processo, o recorrente não apresentou sequer a DIPJ e sua íntegra. Limitouse a apresentar a ficha de apuração da CSLL trimestral e só. Ou seja, nem mesmo após tomar ciência da decisão da DRJ que especificava a necessidade de apresentação de documentação a suportar a DIPJ nada operou no sentido de confirmar estas informações. Assim, não há como se lhe reconhecer os pedidos, posto que não trouxe prova a demonstrar que os corretos valores de apuração são os apresentados na DIPJ e não na DCTF. Assim, tendo em vista que o Recurso Voluntário não trouxe novos elementos a par dos já apresentados na manifestação de inconformidade, não havendo nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentados os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 109 4 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, tanto quanto ao arbitramento do lucro, quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovadas (apesar de não constar recurso expresso em relação a este item) passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. Assim, concordando com os fundamentos da decisão de Piso, passo a transcrevêla e utilizar os seus fundamentos como fundamentos de decidir. A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Como se vê na síntese do relatório a contribuinte alega que tem crédito de pagamento a maior, pois erradamente apurado e informado em DCTF e que retificou a DCTF informando os valores corretos. Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. Examinandose os autos, verificase que a Decomp não foi homologada porque o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Agora, reclama que retificou a DCTF onde se demonstra que tem o crédito pleiteado, pois apurou e informou errado na declaração original. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 110 5 Ora, a contribuinte se restringe a afirmar, sem nada juntar aos autos que comprove o erro no preenchimento da DCTF, justificando assim a entrega de retificadora e a conseqüente existência de crédito a seu favor, por recolhimento efetuado a maior. Assim, como a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos, a compensação declarada pelo sujeito passivo não pode ser homologada, porque o crédito não existe. Nesse sentido, o artigo 170 do CTN assevera que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo, “in verbis”: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Negritei). Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar Por oportuno, no tocante à retificação de declarações de imposto há uma série de considerações a fazer, como segue: “Ad argumentandum”, sendo a Declaração de Imposto de Renda instrumento de apuração e afirmação do valor devido do crédito tributário, a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único); Neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp, a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º); Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais acompanhados de documentação hábil, a comprovar o crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública, não há como reconhecer o crédito reclamado e, em consequência, homologar a declaração de compensação; Ademais, a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 111 6 sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal; Vejase,”litteris”, a legislação que trata da retificação de declaração, CTN147: O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela; Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Quanto à suspensão da exigibilidade referida pela Manifestação, aplicase o disposto no art. 66 da Instrução Normativa 900/2008 e CTN151III, “verbis”: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º ao § 3º Omissis. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. § 6º ao § 8º Omissis. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I ao II omissis; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo Finalmente, cabe registrar que o julgador Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 112 7 deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º da Portaria MF nº 341//2011: São deveres do julgador: I ao IV omissis; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter a Decisão de nãohomologação da compensação declarada. Fim da transcrição do voto da decisão de Piso. Apresentados os fundamentos deste voto em consonância com o decidido pela decisão de Piso e em face da inexistência de novos argumentos em recurso voluntário, concordando este relator com os fundamentos de decidir apresentados pela Decisão de Piso voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720133/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.908
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.720133/201050 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.908 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 13 3/ 20 10 -5 0 Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 677DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003240/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que unidade de origem cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202-000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promova-se a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizando-lhe prazo para que, querendo, se manifeste sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que unidade de origem cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promovase a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizandolhe prazo para que, querendo, se manifeste sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício apresentados nos autos do processo nº 19515.003240/200515, em face do acórdão nº 1726.125, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOII), em sessão realizada em 27 de junho de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 24 0/ 20 05 -1 5 Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.117 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução do Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que assim os relatou: “Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir débitos referentes ao IRPF em função da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, o Contribuinte impugnou o lançamento apresentando provas. A DRJ deu provimento parcial ao lançamento, afastando parte do lançamento e recorreu de ofício. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário e mais provas. Chegando ao CARF, o processo foi inicialmente suspenso em função da declaração de repercussão geral no STF e, posteriormente, convertido em diligência. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Instaurado a fiscalização em 15/05/2005 pela emissão do MPF (fl. 2), e emitido o Termo de Início de Fiscalização em 19/05/2005 (fls. 18/19), o Contribuinte foi intimado em 25/05/2005 (fl. 20) para apresentar no prazo de 20 dias os extratos mensais das contas bancárias mantidas perante o Citibank; Banco Nossa Caixa; BankBoston; Bradesco; Banespa; e Santander referentes aos períodos de 01/01/2000 a 31/12/2001. Em 29/06/2005 "Termo de Embaraço à Fiscalização" (fl. 21) registrando o transcurso do prazo in albis e informando que, em caso de lançamento de ofício, a multa seria agravada nos termos do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Ato contínuo, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 23/34) para que as instituições financeiras apresentassem os referidos extratos bancários. Foram então juntados aos autos extratos bancários e cópias de cheques (fls. 35/689). Em 25/10/2005 foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 709/710 e docs. anexos fls. 711/747) para que o Contribuinte comprovasse, no prazo de 20 dias, a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes entre 2000 e 2001. O Contribuinte foi intimado por meio de AR em 26/10/2005 (fl. 726). Em 29/11/2005 foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 748/752), esclarecendo que: Foram constatados, ainda, valores referentes a cheques depositados devolvidos, não coincidentes com os depósitos verificados, nos montantes de R$ 167.650,21 e R$ 13.081,09, nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente (fls. 721 e 722). Esses montantes foram considerados para fins de apuração dos recursos cuja origem deixou de ser comprovada. Os montantes não comprovados dos depósitos/créditos verificados em contas correntes bancárias, passaram a corresponder, em face das constatações acima citadas, a R$ 6.421.198,84 (seis milhões, quatrocentos e vinte e um mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos) e R$ 9.649.889,73 (nove milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitocentos e oitenta e nove reais e setenta e três Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.118 3 centavos), nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente, conforme demonstrado às fls. 726 a 737. (...) Cumpre observar que na apuração dos montantes tributáveis em cada mês, conforme encontrase abaixo resumidamente demonstrado, foi atribuída ao fiscalizado, a terça parte dos valores dos depósitos/créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C." fls. 749/750; Em 01/12/2005 foi lavrado o auto de infração (fls. 756/758), que constituindo crédito de R$ 4.419,549,36 de Imposto e 4.971.993,03 de multa de ofício agravada, além dos juros. Foi apontado como infração: "001 DÉPOSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo." fl. 757. Intimado por AR em 12/12/2005 (fl. 761), o Contribuinte apresentou Impugnação em 11/01/2006 (Fls. 768/823 e docs. anexos fls. 824/2.140). Conforme o seu próprio resumo: "i) o auto de infração lavrado apresentava nulidade insanável, uma vez que, embora tempestiva a apresentação dos documentos exigidos, os mesmos não foram aceitos pela autoridade fiscal, requerendose, inclusive, a realização de prova testemunhal; ii) a majoração da multa de ofício deveria ser afastada, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que as intimações, foram regularmente atendidas pela ora Recorrente e as informações e os documentos apresentados foram injustamente recusados pela fiscalização; iii) a autoridade fiscal não utilizou critério uniforme na fiscalização promovida, uma vez que embora tivesse afastado grande parte dos depósitos efetuados. na conta corrente de n.° 030603282, mantida junto ao Banco Banespa S/A, por entender que tais valores originaramse de levantamentos judiciais, manteve os demais valores depositados em outras contascorrentes, cuja origem, igualmente, decorreu do levantamento de mandados judiciais; iv) a farta documentação apresentada demonstra, cabalmente, que quase a totalidade dos depósitos bancários questionados, originaramse do levantamento de depósitos judiciais, numerário esse decorrente de ações judiciais patrocinadas pela sociedade de advogados, destinado aos clientes da mesma, porque a eles devidos. iv) os documentos apresentados na impugnação administrativa deveriam ser submetidos à perícia contábil, procedendose, inclusive, à realização de diligências, visando comprovar a origem dos depósitos bancários em questão, demonstrandose a impossibilidade de tributação de tais valores." Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.119 4 Recebendo os autos, e considerando o volume da documentação juntada, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência (fl. 2.143/2.144) para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre as provas juntadas e sobre os argumentos ventilados na impugnação, bem como intimasse o Contribuinte do resultado da diligência para que se pronunciasse, caso desejasse. A autoridade diligenciadora lavrou então o "Relatório Fiscal" (fls. 2.147/2.156) esclarecendo, resumidamente, (1) que as alegações da Impugnante de que houve tentativa de apresentação de provas durante a fiscalização são inverídicas; (2) que os sócios também foram objeto de fiscalização de lavratura de autos de infração referente ao mesmo período, e que todos também se omitiram durante a fiscalização; (3) que a análise dos documentos juntados aos autos dispensa conhecimentos técnicos mais aprofundados, podendo ser realizado pela autoridade julgadora; e (4) que (4.1) não tendo sido constatadas incorreções, omissões ou inexatidões, e (4.2) já tendo decorrido o prazo para o lançamento de ofício, (4.3) não tendo mão de obra suficiente, então seria impossível realizar a diligência solicitada a qual levaria a verdadeira revisão do lançamento. Em 27/06/2008 foi proferido o Acórdão DRJ nº 1726.125 (fls. 2.157/2.177), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. "o fiscalizado participa como sócio da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C, juntamente com Alexandre Husni e Roberto Cabariti; As contas correntes nºs: 030603282 do Banco do Estado de São Paulo S/A, 010141314 da Nossa Caixa S/A e 271181 do Banco Itaú S/A, foram mantidas em conjunto pelos três sócios, nos anos calendário de 2000 e 2001; em parte dos documentos encaminhados pelo Banco do Estado de São Paulo S/A relativos à conta corrente nº 030603282, podem ser identificados registros indicativos de referiremse os valores creditados, a montantes pagos em cumprimento de Mandados de Levantamento Judicial (MJL), decorrentes de ações promovidas pelo fiscalizado e/ou demais cotitulares, no exercício da profissão; constatase ter sido determinado na Cláusula Segunda da Consolidação do Contrato Social de 11/05/1998 da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C (fls. 691 a 698), que "o objeto da sociedade é disciplinar o expediente e os resultados patrimoniais auferidos na prestação serviços advocatícios; tais serviços, porém serão exercidos individualmente, em se tratando de atos privativos, ainda mesmo que revertam ao patrimônio social os respectivos honorários". Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.120 5 Após 1' de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documento comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não simples apresentação de recibo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser negada a requisição para realização de perícia quando os quesitos formulados pelo impugnante referemse a própria comprovação de origem dos depósitos, cujo ônus é exclusivo do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. No caso de lançamento de oficio com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários e a não comprovação da origem dos depósitos não dá ensejo ao agravamento da multa. Os efeitos da omissão constituem a própria presunção de omissão © de rendimentos e o consequente lançamento, com multa de ofício de 75%. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista que foi exonerado o valor de R$ 2.903.827,36, a DRJ formalizou Recurso de Ofício. A Contribuinte, intimada em 10/12/2008 (fl. 2.186), interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2008 (fls. 2.189/2.244 e docs. anexos fls. 2.248/2.416), argumentando em síntese que: ∙ Que o lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é nulo tendo em vista que a Recorrente tentou apresentar as provas solicitadas durante a fiscalização mas a autoridade fiscalizadora se recusou a recebelas; ∙ Que a Secretaria da Receita Federal estava em greve no curso da fiscalização, o que atrapalhou o cumprimento dos prazos; ∙ Que a decisão recorrida é nula por ter sido proferida com cerceamento do direito de defesa do Recorrente, especificamente quanto à negativa de realização de prova pericial; ∙ Que a simples observação de depósitos/créditos bancários não é suficiente para configurar o auferimento de rendimento; Que a documentação apresentada demonstra que boa parte dos depósitos efetuados decorrem de levantamentos judiciais, nos quais constam os clientes do Contribuinte como beneficiários; ∙ Que foram apresentadas, ainda, microfilmagens, livros contábeis da sociedade advocatícia, recibos dos clientes, cartas de prestação de contas aos clientes etc.; Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.121 6 ∙ Apresenta diversas operações, indicando os fundamentos e as origens dos recursos depositados/creditados; e ∙ Argumenta que parte dos valores depositados decorreu da venda de bens imóveis, os quais já estavam caducos e, mesmo que não estivessem, foram tratados de forma inadequada, desrespeitando o art. 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Em 15/05/2013 foi proferida a Resolução nº 2202000.481 (fls. 2.430/2.435), determinando a suspensão do processo em função da tramitação de processo com declaração de Repercussão Geral sobre a mesma matéria perante o STF, nos termos do art. 62, §§1º e 2º do RICARF vigente à época, e do art. 2º, §3º, da Portaria CARF nº 001/2012. Em 07/10/2014 foi proferida a Resolução nº 2202000.595 (fls. 2.436/2.450), determinando a realização de diligência para: "1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se os cotitulares Dos contas em conjunto com o VICENTE RENATO PAOLILLO, recebera por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fls. 2.449/2.450; A autoridade diligenciadora então esclareceu em 26/03/2015 (fls. 2.461/2.462) que: ∙ A contribuinte mantinha 15 contas correntes em instituições financeiras diversas, das quais 5 eram individuais e 10 eram mantidas em cotitularidade; ∙ Que as contas mantidas em cotitularidade com seus sócios; ∙ Que todos os sócios foram intimados individualmente a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas correntes bancárias; ∙ Que os valores não comprovados foram divididos em três partes nas autuações, uma para cada sócio; e ∙ Que as pessoas físicas que eram cotitulares mas não eram sócias não foram intimadas. Intimada desse relatório em 27/03/2015 a se manifestar no prazo de 10 dias (fl. 2.463 e 2.466), o Contribuinte pediu em 01/04/2015 a dilatação do prazo para 15 dias (fl. 2.468) e, em 13/04/2015 apresentou mais provas (fl. 2.477 e docs. anexos fls. 2.921). É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte do lançamento realizado, mantendo, assim parcialmente o débito tributário. O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 2189/2244. Em Resolução de n.º 2202000.751, em sessão realizada em 15 de março de 2017, o colegiado entendeu por unanimidade converter o julgamento em diligência, para que sejam anexados aos autos cópias da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos; seja analisada a documentação juntada aos autos, elaborando relatório circunstanciado dos valores cuja origem o Contribuinte logrou apresentar provas; e seja o Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.122 7 Contribuinte intimado a, caso queira, se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com o retorno dos autos ao CARF, foi formalizada Informação Fiscal em 20/07/2017 (fls. 2.962/2.968) e documentação, em que se registrou: "Em atendimento ao solicitado, anexamos ao presente, cópia da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos." fl. 2.967; "Quanto à requisição de análise da documentação juntada aos autos, e elaboração de relatório circunstanciado dos valores cuja origem o contribuinte logrou apresentar provas (...) A aceitação ou não dos documentos trazidos por ocasião do Recurso Administrativo com objetivo de comprovar a origem dos créditos/depósitos efetuados nas contas de sua titularidade (ou titularidade conjunta), é atribuição da unidade julgadora. Submetêla a mesma autoridade produtora do feito poderia insinuar uma análise tendenciosa, com risco de ferir o princípio da análise independente pela delegacia recursal. A pretendida auditoria e a análise conclusiva não são temas objeto de um procedimento fiscal de diligência, a teor da definição estabelecida no artigo 3º da então vigente Portaria SRF nº 3.007/2001 (atual art. 3º da Port. RFB nº 1.687/2014): são procedimentos destinados a coletar (e não produzir) informações e outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Equiparase a um segundo exame a auditoria e análise que se propõe, o que é vetado pelo artigo 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Demais disso, com a revogação do artigo 19 do Decreto nº 70.235/1972 (art. 7º da Lei nº 8.748/1993) eliminouse a oitiva do autuante, após conclusão da fase investigatória." Dessa forma, proponho o retorno do processo à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais." fls. 2.967/2.968.” Com o retorno dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202000.812, onde se converteu novamente o julgamento em diligência, conforme voto do Relator Dilson Jatahy Fonseca Neto, que assim determinou: Constatase que os autos não se encontram em estágio apto a ser julgado. Efetivamente, constatase que o Contribuinte não foi intimado do resultado da diligência solicitada. É necessário suprir essa falta, cientificandoo do resultado ali apurado. Outrossim, diante do volume de provas constantes nos autos, fazse necessário elaborar planilha identificando, em ordem cronológica e separado por conta bancária, especificamente: (1) os valores dos Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.123 8 levantamentos judiciais comprovados nos autos; (2) os depósitos bancários incluídos na base de cálculo que coincidem com os valores identificados nos levantamentos judiciais; (3) os valores que o contribuinte comprovou ter repassado aos clientes, seja por meio de cheque, seja por meio de depósitos/transferências bancárias; (4) a soma dos valores identificados nas linhas acima; (5) quaisquer outros valores que considerar relevante. Diante do exposto, proponho diligência para, NESSA ORDEM: ∙ Primeiro, a intimação do Contribuinte do resultado da diligência solicitada pela Resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017; ∙ Depois, elabore a planilha especificada acima; ∙ Por fim, realize nova intimação do Contribuinte em relação ao resultado dessa nova diligência solicitada nesta presente resolução. O Contribuinte foi intimado conforme fl. 3068, Intimação 526/2018, das Resoluções n.º 2202000.812 e n.º 2202000.751, a qual foi recebida por AR em 07/05/2018. Em resposta à intimação o contribuinte em fls. 3072/3083 apresentou petição requerendo a nulidade do Auto do Infração, sob o fundamento de descumprimento da Súmula n.º 29 do CARF. Ainda, ressaltou que de acordo com o cumprimento da diligência apenas o contribuinte foi intimado, não havendo intimação dos demais cotitulares. Em fl. 3113 dos autos há o seguinte despacho de encaminhamento, de 12/07/2018: “Encaminho o processo à DIFIS/DERPF/SPO para elaboração da planilha, conforme determina o CARF por meio da Resolução n° 2202 000.812.” No dia seguinte (13/07/2018), à fl. 3114, sobreveio novo despacho de encaminhamento: “Tendo em vista o retorno de diligência, encaminhese o presente processo para prosseguimento.” Também em 13/07/2018 foi proferido outro despacho de encaminhamento: “Retorno de resolução. Para inclusão em pauta.” É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Constatase que os autos não se encontram em estágio apto a ser julgado. Consoante se verifica, embora no dia 12/07/2018 o processo tenha sido encaminhado à DIFIS/DERPF/SPO para elaboração da planilha, no dia seguinte o processo foi devolvido ao CARF sem planilha alguma juntada aos autos. A Resolução CARF nº 2202000.812 de forma clara assim determinou: Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.124 9 “(...) diante do volume de provas constantes nos autos, fazse necessário elaborar planilha identificando, em ordem cronológica e separado por conta bancária, especificamente: (1) os valores dos levantamentos judiciais comprovados nos autos; (2) os depósitos bancários incluídos na base de cálculo que coincidem com os valores identificados nos levantamentos judiciais; (3) os valores que o contribuinte comprovou ter repassado aos clientes, seja por meio de cheque, seja por meio de depósitos/transferências bancárias; (4) a soma dos valores identificados nas linhas acima; (5) quaisquer outros valores que considerar relevante. Diante do exposto, proponho diligência para, NESSA ORDEM: Primeiro, a intimação do Contribuinte do resultado da diligência solicitada pela Resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017; Depois, elabore a planilha especificada acima; Por fim, realize nova intimação do Contribuinte em relação ao resultado dessa nova diligência solicitada nesta presente resolução. Portanto, denotase que somente o primeiro item da diligência foi cumprido, restando ser realizado o restante. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para que Unidade Preparadora cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promovase a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizandolhe prazo para que querendo se manifestar sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3124DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.964145/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva –Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça –Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 45 /2 00 9- 14 Fl. 120DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1239.103, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. O presente processo versa sobre PER/DCOMP de nº 08612.93237.311008.1.3.044526, transmitido em 31/10/2008, utilizando para compensação o DARF quitado em 29/07/2005, PA 30/06/2005 (CÓDIGO 2089), no valor de R$ 35.409,50. A DERAT/RJO, por meio do Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, nos seguintes termos: Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade e alegou, em síntese, que “incorreu no erro em não retificar sua DIPJ e sua DCTF disponibilizando o crédito para compensação” e que a verdade material deve prevalecer. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por bem julgála improcedente e manteve o crédito tributário lançado, cuja ementa da decisão segue transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, com o objetivo de reforma da decisão, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, cujos argumentos, em síntese, foram: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.964145/200914 Acórdão n.º 1003000.708 S1C0T3 Fl. 3 3 a) a compensação fora efetuada de acordo com a legislação de regência e apenas por um erro no preenchimento de suas DCTF e DIPJ não constaram o valor dos créditos informados e, assim, não houve a homologação da DCOMP; b) tais declarações foram devidamente retificadas no sentido da comprovação do suposto crédito utilizado na compensação em questão, apesar de entender que o que garante o direito à compensação é o pagamento indevido ou maior, e não o correto preenchimento de declarações fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme já relatado, o presente processo versa sobre declaração de compensação não homologada, visto que a "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Isso se deu porque a DERAT, ao confrontar as informações prestadas na declaração de compensação com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF foi, assim, totalmente alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, a qual tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente admitiu que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada posteriormente ao despacho decisório (mesma data da retificação da DIPJ). Ocorre que, pela análise dos autos, está claro que Recorrente não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse existência do crédito alegado, bem como possibilidade a retificação de suas declarações após ser proferido o Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada. Afinal, o ônus da prova é do contribuinte a obrigação de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações anteriormente declaradas, já que as declarações apresentadas do contribuinte devem refletir a realidade de sua contabilidade. A razão disso é simples: a autoridade administrativa profere julgamento analisando os documentos carreados aos autos pela Recorrente, visando à busca da verdade material. Fl. 122DF CARF MF 4 Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". Assim sendo, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência de suposto erro de fato que desse guarida à retificação das declarações apresentadas. Erro de fato é aquele que se situa, por exemplo, no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Portanto, apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, desde que devidamente comprovadas, e, como já foi dito, isso não ocorreu E ausência de comprovação, como já dito, é incompatível com a retificação das declarações apresentadas pela Recorrente após a prolação do Despacho Decisório. É importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Qualquer alteração da DCTF, ou mesmo na DIPJ, após o despacho decisório deve ser realizada munidos de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior. Ademais, a determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é conditio sine qua non para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos. E, a Recorrente poderia têla providenciado em todo decorrer do processo. Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação de retificação. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.964145/200914 Acórdão n.º 1003000.708 S1C0T3 Fl. 4 5 Contudo, repisese: a Recorrente não trouxe à colação qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que evidenciasse o suposto erro no preenchimento das declarações, o que justificaria o recolhimento do imposto em valor superior ao declarado e a possibilidade de retificação das DCTF e DIPJ. Outrossim, é em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábilfiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter efetuado a homologação de ofício, uma vez identificada a correição das retificações realizadas. O contrário homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ e DCTF, ainda que retificadas, não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Ademais, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. De fato, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Logo, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve haver homologação da compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pela própria Recorrente. Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados, concluindose que não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciassem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 124DF CARF MF 6 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912511/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 25 11 /2 01 1- 15 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.583. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.912511/201115 Acórdão n.º 3401005.909 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.723819/2017-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.826
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .7 23 81 9/ 20 17 -9 1 Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.345 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1475.793, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que por unanimidade julgou improcedente a impugnação interposta, mantendo o crédito tributário exigido, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação. GLOSA DE CRÉDITO. ERRO DE ALÍQUOTA. LANÇAMENTO. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota na aquisição de insumos (quando isentos ZFM), justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam, efetivamente, uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização, ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A alteração de critério jurídico deve ser entendida como uma mudança de posição interpretativa da Administração a respeito de determinada norma. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.346 3 mas que jamais foi objeto de manifestação expressa por parte da Administração Tributária. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS IDÔNEOS. CLASSIFICAÇÃO EQUIVOCADA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Em matéria tributária, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento à legislação tributária, posto que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. Na situação, as notas fiscais de aquisição das mercadorias que originaram o suposto crédito, ao consignarem classificação fiscal equivocada que não se aplica ao produto comercializado, deixam de ostentar o amparo necessário a respaldar o crédito ficto escriturado, sendo cabível a glosa. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição inicial. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e abstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.347 4 Por bem descrever os fatos, transcrevo parte do relatório da decisão recorrida: Tratase IMPUGNAÇÃO contra auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, para constituir créditos tributários em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 64.526.078,67 (sessenta e quatro milhões, quinhentos e vinte e seis mil, setenta e oito reais e sessenta e sete centavos), consolidado na data do lançamento, em decorrência das infrações abaixo enumeradas: 1. Créditos Indevidos crédito básico indevido : o estabelecimento industrial creditouse indevidamente de créditos básicos, em desrespeito à legislação do imposto; 2. Créditos Indevidos (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO): O estabelecimento industrial calculou erroneamente créditos de IPI decorrentes de aquisições de "Kit concentrados" da empresa Recofarma. Conforme Termo de Verificação Fiscal, que fez parte integrante do auto de infração, o Fisco concluiu que o procedimento correto para classificação fiscal dos kits adquiridos pela fiscalizada é a aplicação da RGI nº 1 sobre cada componente individual, e não sobre o conjunto, como fez a empresa e tendo em vista que os componentes dos kits devem ser enquadrados em códigos tributados à alíquota zero, o imposto calculado, como se devido fosse, seria zero. Assim, seria INEXISTENTE o direito a crédito de IPI decorrente das aquisições dos Kits da Recofarma. Além dos créditos indevidos decorrentes das aquisições da Recofarma, quando da análise das PER nº 41605.81168.240912.1.1.015484, 37713.04827.240912.1.1.01 1315 e 15630.56923.250214.1.1.01.0966, referentes a créditos de IPI apurados no 1º e 2º trimestres de 2012 e 4º trimestre de 2013 de 2012 e 2013, houve glosas de créditos de IPI em decorrência de os materiais adquiridos não se enquadrarem no conceito de insumos, nos termos do art. 164 do Decreto nº 4.544/02, conforme processos e valores a seguir relacionados: Procedeuse, então à reconstituição da escrita fiscal do IPI no período compreendido nos autos. A Contribuinte foi intimada via postal em data de 31/01/2018 (fls. 1.019). O Recurso Voluntário de fls. 1.163 a 1.241 foi interposto em data de 26/02/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 1.042), pelo qual pede a reforma da decisão de primeira instância e, consequentemente, o cancelamento do auto de infração e extinção do crédito tributário exigido. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.348 5 i) Decadência do período anterior a 31/08/2012 por aplicação do artigo 183, parágrafo único, III do RIPI/2010 c/c artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; ii) Direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do art. 9° do DL 288/1967, com base na coisa julgada formada no Mandado de Segurança 95.00094703; iii) Direito ao crédito relativo à isenção do art. 6° do DecretoLei 1.435/1975; iv) Ausência de responsabilidade da recorrente (terceiro adquirente do concentrado) por suposto erro na classificação fiscal; v)Alteração de critério jurídico, com violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que em fiscalizações anteriores, a autoridade fiscal não glosou créditos de IPI decorrentes da aquisição de concentrados para bebidas não alcoólicas, sendo que o novo critério jurídico somente poderia alcançar fatos geradores posteriores à ciência do auto de infração (31/8/2017). Cita o Acórdão nº 3401 002.537, REsp 1.130.545/RJ e o Parecer PGFN n° 405/2003; vi) Competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal de produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo; vii) Trata sobre o Processo Produtivo Básico definido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n° 08/98, que conceitua o referido produto como "concentrado para bebidas não alcoólicas (código 0653); viii) Apresenta parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, com a conclusão de que se trata de “produto único”; ix) Segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH), o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) confirma que os concentrados entregues em forma de “kits” devem ser classificados numa mesma posição, uma vez que tais concentrados constituem “mercadoria unitária”; x) As Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há posição específica para classificar a mercadorias, o que ocorreria na hipótese com a posição 21.06.90.10 Ex. 01 e Ex. 02; xi) O fato de os concentrados fornecidos pela RECOFARMA não terem sido previamente homogeneizados não significa que não estejam prontos para uso pelo fabricante de refrigerantes; xii) Após ingresso dos concentrados no estabelecimento, todo processo produtivo se refere à elaboração de refrigerantes, confirmando a classificação fiscal em razão da destinação da mercadoria; xiii) Aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.349 6 xiv) Ilegalidade do auto de infração por alteração do critério jurídico, uma vez que a fiscalização concluiu que a maioria das partes do produto estariam classificadas em posições cujas alíquotas são iguais a zero, porém reconhecendo que uma das partes integrantes deveria ser classificada na posição 3302.10.00, cuja alíquota é de 5% e, no entanto, deixou de calcular este crédito por aplicação do artigo 142 do Código Tributário Nacional; xv) Impossibilidade de exigência de multa, de juros e de correção monetária; xvi) Incidência do artigo 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964 para afastar a multa aplicada em autuação; xvii) Exclusão da multa por incidência dos artigos 486, II, “a”, do RIPI/2002 e 567, II, “a”, do RIPI/2010; xviii) Cerceamento de defesa, uma vez que a autoridade fiscal não fundamentou a glosa dos créditos oriundos da aquisição de produtos empregados no processo de industrialização de refrigerantes; xix) Descabimento de juros sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1.271 a 1.341. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Preliminarmente. Inicialmente, é oportuno esclarecer que através do Recurso Extraordinário nº 592.891 (Tema 322), o Supremo Tribunal Federal discute, através da sistemática da Repercussão Geral, a constitucionalidade do aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI decorrentes de aquisição de insumos, matériaprima e material de embalagem, sob o regime de isenção, oriunda da Zona Franca de Manaus, conforme Ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Considerando a repercussão geral sobre a matéria objeto do presente recurso e, como não há previsão no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo ou no Decreto nº Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.350 7 70.235/72, aplicase, subsidiariamente, o artigo 151 do Código de Processo Civil, estendendo aos processos administrativos de caráter tributário o sobrestamento previsto pelo artigo 1.035, §52 do mesmo Diploma Legal. Consignase que, à luz do artigo 153, § 3º, II, da Constituição Federal e, havendo posterior reconhecimento da inconstitucionalidade pelo STF ainda na pendência de julgamento definitivo deste recurso, fatalmente deverá ser aplicado o artigo 62, parágrafo 2º3 do RICARF, o que poderá tornar prejudicado o resultado desta decisão. Por tais razões, preliminarmente, voto pelo sobrestamento do feito até julgamento final do Recurso Extraordinário nº 592.891 (Tema 322) do Supremo Tribunal Federal. 3. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Ultrapassada a preliminar de sobrestamento suscitada, fazse necessária a realização de diligência para melhor conclusão do Colegiado sobre o fundamento de defesa abaixo tratado: 3.1. A Recorrente alega que deve ser reconhecido o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrado para bebidas não alcoólicas por força de decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Individual nº 95.00094703. Da análise da petição inicial apresentada pela Contribuinte à fiscalização (fls. 177246), é possível constatar os seguintes fatos e pedidos: 1 “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” 2 Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.351 8 (...) A segurança foi concedida em Primeira Instância e confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que negou provimento ao Recurso de Apelação da Fazenda Nacional e Remessa de Ofício. Consta igualmente nos autos um extrato de andamento processual com a fase "Arquivado Definitivamente BAIXA FINDO" e " Remetidos os autos com ARQUIVAMENTO COM BAIXA para Setor de Distribuição". Observo que no Acórdão igualmente apresentado pela Contribuinte à fiscalização, consta o voto vista proferido pelo Eminente Desembargador Petrucio Ferreira, pelo qual foi aplicado o Princípio da Não Cumulatividade em relação ao IPI mesmo sem cobrança na operação anterior e por qualquer motivo. Vejamos a Ementa abaixo: Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.352 9 3.2. Por sua vez, reporto ao relatório da decisão recorrida sobre a alegação apresentada pela Contribuinte, que assim sintetiza: A AUTORIDADE reconheceu a existência do MSI n° 95.00094703, mas deixou de reconhecer o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, em razão de ter glosado a alíquota utilizada para calcular o respectivo crédito, face a suposto erro de classificação fiscal. Com efeito, é indiscutível e incontroverso que, nos autos do MSI n° 95.00094703, foi proferida decisão final reconhecendo à IMPUGNANTE o direito de se creditar do IPI decorrente da aquisição de insumo isento para refrigerantes, elaborado pela RECOFARMA, situada na Zona Franca de Manaus (fls. 139 a 202). Dessa forma, deve ser observada a referida coisa julgada que assegurou o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos para refrigerantes, elaborados pela RECOFARMA, situada na Zona Franca de Manaus, se acolhidos qualquer um dos fundamentos elencados nas seções anteriores. 3.3. E, na análise do pedido, o Eminente Julgador de Primeira Instância assim observou: De acordo com os autos, o MS 95.00094703 tratou do assunto “direito à manutenção dos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da ZFM” em tese, ou seja, o juízo não avaliou se os insumos adquiridos pelo estabelecimento são ou não uma mercadoria única ou um “KIT”, nem se o código NCM e alíquota adotada pelo estabelecimento estavam corretos. Estes fatos foram tidos como pressupostos para a adoção da tese em julgamento. (sem destaque no texto original) Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.353 10 3.4. Outrossim, no intuito de analisar a vinculação entre os objetos da demanda judicial e da autuação ora contestada, verifiquei que em Recurso de Apelação a União aventou os seguintes argumentos: (...) 3.5. Destaco, ainda, que entre os fundamentos de defesa do presente litígio, a Recorrente trata justamente do direito ao crédito com base na isenção de produtos industrializados da Zona Franca de Manaus por previsto no art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/754, a incidência dos artigos 95 e 237 do RIPI/20105 (Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010), bem como o artigo 9º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 19676. 4 Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o caput deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.354 11 3.6. Considerando os fatos acima e, para o correto julgamento por este Colegiado, entendo como imprescindível o acesso à íntegra do processo judicial, possibilitando a análise e compreensão exata quanto à matéria tratada no Mandado de Segurança Individual nº 95.00094703, em especial se houve questão prejudicial que possa coincidir com o objeto desta autuação, passível de produzir os efeitos da coisa julgada e, ainda, para análise das razões que serviram de fundamento daquela sentença. 3.7. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam realizadas as seguintes providências: 1) Intimação da Recorrente para apresentar nos autos, no prazo de 30 (trinta) dias: 1.1) Cópia Integral do Mandado de Segurança nº 95.00094703; 1.2) Certidão de trânsito em julgado; 1.3) Certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé). 2) Após apresentação dos documentos solicitados em Item 1, que seja intimada a PGFN para manifestação que entender pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA 5 Art. 95. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). 6 Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1º A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2º A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1º do art. 3º deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)” Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10384.723819/201791 Resolução nº 3402001.826 S3C4T2 Fl. 1.355 12 3.8. Após os prazos acima concedidos, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1355DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000809/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE.
A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentarem-se em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos. Comprovado nos autos que as despesas financeiras glosadas atenderam a tais requisitos e se mostraram necessárias, usuais e normais à consecução dos objetivos sociais da contribuinte, impõe-se reconhecer sua dedutibilidade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1402-003.816
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentarem-se em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos. Comprovado nos autos que as despesas financeiras glosadas atenderam a tais requisitos e se mostraram necessárias, usuais e normais à consecução dos objetivos sociais da contribuinte, impõe-se reconhecer sua dedutibilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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(SUCEDIDA POR TELEMAR PARTICIPAÇÕES S.A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentaremse em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos. Comprovado nos autos que as despesas financeiras glosadas atenderam a tais requisitos e se mostraram necessárias, usuais e normais à consecução dos objetivos sociais da contribuinte, impõese reconhecer sua dedutibilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 09 /2 00 9- 18 Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.747 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.748 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RJO em sessão de 27 de março de 2018 (fls. 1572/1594)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos de IRPJ e de CSLL perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2004 e 2005, relativamente a glosa de despesas (AI – fls. 3 e 384/396). Para visualização reproduzse o AI de IRPJ (o de CSLL tem a mesma conformação): Antes de adentrar ao relato dos fatos, impende algumas ponderações preliminares. Inicialmente os lançamentos foram submetidos à mesma Turma Julgadora de 1ª Instância, com composição diferente que, em sessão de 28 de novembro de 2011, decidiu pela nulidade do lançamento (fls. 941/945), em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004, 2005 LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo o auto de infração lavrado contra empresa já extinta por incorporação, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Submetido à obrigatória revisão de ofício pelo CARF, em razão da ultrapassagem do limite de alçada, a então 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, mediante o Acórdão 1103000.830, de 07 de março de 2013 (fls. 967/989) ratificou a decisão inaugural, assentando na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.749 4 RECURSO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Sendo a sociedade incorporadora a responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da sucessão, declarase, por erro na identificação do sujeito passivo, a nulidade dos autos de infração formalizados em face da pessoa jurídica incorporada, já extinta quando da lavratura, tendo a fiscalização conhecimento de tal fato no curso do procedimento fiscal. Recurso de ofício negado. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou Recurso Especial (fls. 991/1006), admitido e provido pela 1ª Turma da CSRF, sessão de 05 de abril de 2017, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator, assim delineado na conclusão do Acórdão (fls. 1073): “Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar ao órgão julgador de primeira instância, para apreciação do mérito do litígio”. Em face desta novel posição processual, os autos retornaram à 1ª Instância para início de todo o procedimento litigioso, sendo apreciado pela mesma 1ª Turma da DRJ/RJO (fls. 1572/1594). Feitas estas pontuais colocações, passo à análise da lide, iniciando pela acusação fiscal. DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o Termo de Constatação Fiscal (fls. 382/383), bem resumido pela decisão recorrida, cujo relatório, com eventuais acréscimos adoto, a infração está assim delineada: “ Através do Termo de Intimação recebido em 27/08/2008, foi solicitado ao contribuinte, dentre outros documentos a apresentação dos contratos de financiamentos e empréstimos efetuados, tendo em vista os valores significativos apresentados em sua DIPJ, a título de despesas financeiras; Em resposta, o contribuinte apresentou um Contrato de Compra e Venda de Ações de Emissão de Brasil Telecom Participações S.A., datado de 27/07/2000, o qual estaria vigente durante o período de sua assinatura até o anocalendário de 2006, gerando despesas financeiras no período citado. Este contrato designava como vendedora BNDES PARTICIPAÇÕES S.A. (BANESPAR), e como compradora TECHOLD PARTICIPAÇÕES S.A. (TECHOLD), atualmente ARGOLIS HOLDING S.A. O objeto do contrato era a venda de 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão da BRASIL TELECOM PARTICIPAÇÕES S.A. livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames, e com todos os direitos inerentes até a presente data por parte do BNDESPAR a TECHOLD pelo valor de R$ 272.290.000,00, financiados pelo BNDESPAR, conforme contrato; Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.750 5 Verificando que as ações adquiridas não mais faziam parte do ativo da TECHOLD, foi elaborado Termo de Intimação, recebido pela interessada em 24/11/2008, solicitando esclarecimentos e respectivas documentações comprobatórias da situação das ações; Em resposta, o contribuinte informou que as ações foram transferidas pela TECHOLD ao próprio BNDESPAR em 30/08/2000, em decorrência da transformação de 177.623 debêntures da Primeira Emissão de TECHOLD de que a BNDESPAR era titular. Visando justificar esta operação, apresentou o contrato 98.2.345.3.2, de 31/07/1998, versando sobre ADIANTAMENTO PARA FUTURA SUBSCRIÇÃO DE DEBÊNTURES DE EMISSÃO DE TECHOLD, celebrado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e TECHOLD. Este contrato versava sobre a liberação imediata por parte do BNDES da quantia de R$ 6.000.000,00, que seria destinada à aquisição pela SOLPART PARTICIPAÇÕES S.A. de ações da TELE CENTRO SUL PARTICIPAÇÕES S.A., empresa licitada em leilão público de alienação de ações ordinárias e preferenciais de capital social das empresas federais de telecomunicações realizado no dia 29/07/1998, a título de adiantamento do valor das debêntures de que trata a cláusula sétima do referido contrato. A SOLDPART PARTICIPAÇÕES S.A. é interligada à TECHOLD; Através do Termo de Intimação recebido em 26/03/2009, foi solicitada a apresentação dos extratos bancários relativos aos contratos acima mencionados; Em resposta, o contribuinte redigiu relatório circunstanciado, resumindo todas as transações efetuadas relativas aos contratos mencionados, segundo as quais são parte de uma estrutura de financiamento modelada para as privatizações do setor de telecomunicações, anexando documentação comprobatória solicitada pela fiscalização; Foram executadas diligências junto ao BNDES, BNDESPAR e SOLPART, no sentido de confirmar as operações realizadas entre elas e o contribuinte fiscalizado, sendo tudo confirmado; Dentro do exposto e da documentação apresentada, observase que o contrato de compra e venda de ações de emissão de Brasil Telecom Participações S.A. foi complemento do contrato 98.2.345.3.2 de adiantamento para futura subscrição de debêntures de emissão de Techold, tendo em vista que o contribuinte fiscalizado não possuía na época do referido contrato recursos suficientes para liquidálo. Desta forma, o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada, conforme constatado através deste relatório e da documentação anexa, sendo portanto desnecessárias suas despesas financeiras relativas ao período fiscalizado”. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.751 6 Contrapondose ao trabalho fiscal, a autuada interpôs impugnação (fls. 446/475) na qual, depois de pregar pela nulidade do auto de infração em razão de que o Fisco na teria logrado êxito “em provar que tais valores deduzidos na apuração do lucro real não foram incorridos como gastos essenciais à atividade empresarial”, tendo, “sem fundamentar sua pretensão”, se limitado a afirmar que “o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada (...) sendo, portanto, desnecessárias suas despesas financeiras relativas ao período fiscalizado”, assentado mais duas preliminares, a saber: 1. Erro na Apuração de sua Base de Cálculo, quando aponta ter havido “flagrante erro de determinação da base de cálculo dos tributos apresentados, pois ao glosar a totalidade das despesas financeiras levadas a efeito pela interessada em 2005, o AFRFB acabou por abarcar diversas outras despesas financeiras que não foram, em nenhum momento, objeto de questionamento, tais como despesas com registros bancários e emolumentos, dentre outras”; e, 2. Erro na Identificação do Sujeito Passivo, pois o lançamento foi feito Argolis, sendo que, como já foi desde o início do processo fiscalizatório demonstrado ao AFRFB, “mencionada companhia foi extinta em 30 de junho de 2008, em decorrência de sua incorporação pela ora impugnante, conforme se pode depreender dos atos societários anexos, não podendo, assim, figurar na condição de sujeito passivo da obrigação tributária ora questionada”. No mérito, discorre longamente sobre a operação havida, buscando validála. Excertos da impugnação mostram a linha de defesa, onde alega a impugnante: “i) ter sido acusada de ter levado ao cômputo do seu lucro real despesas financeiras que não seriam revestidas da condição de necessidade, o que as tornaria indedutíveis para os fins de apuração do IRPJ e da CSLL; ii) tais despesas advêm do pagamento de juros pelo financiamento havido na aquisição, junto ao BNDESPAR, de ações da BRTP, tudo no contexto de uma estrutura de financiamento modelada para as privatizações do setor de telecomunicações, que merecem mais uma vez, por sua compreensível complexidade, um detalhamento; iii) em 31 de julho de 1998, a TECHOLD, sucedida da impugnante, firmou com o BNDES o Contrato de Adiantamento para Futura Subscrição de Debêntures nº 98.2.345.3.2, posteriormente cedido ao BNDESPAR, mediante o qual o banco adiantou o valor de R$$ 6.000.000,00, e a TECHOLD se comprometeu a promover, no prazo de 120 dias, a emissão privada de debêntures transformáveis, a critério do debenturista, em ações preferenciais de emissão da BRTP; iv) entretanto, considerando que a TECHOLD não detinha ações de emissão de BRTP, esta celebrou com o próprio BNDESPAR o Contrato de Opção de Compra de Ações, por força do qual passou a ter a opção de comprar ações de emissão de BRTP detidas pelo mesmo, garantindose, assim, para com a sua obrigação de entregar ações da BRTP contraída por ocasião da emissão das debêntures; v) no dia 27 de julho de 2000, o BNDESPAR subscreveu as debêntures emitidas, tendo, no mesmo ato, exigido a transformação dessas debêntures em ações preferenciais de emissão de BRTP, tal como comprovado pelo Boletim de Subscrição, pelo cheque e pelo Pedido de Transformação, todos já anexados; vi) a TECHOLD exerceu então a opção de compra de ações da BRTP detidas pelo BNDESPAR, tendo, por consequência, celebrado o Contrato de Compra e Venda Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.752 7 de Ações que suscitou as despesas glosadas pelo Auto no próprio dia 27 de julho de 2000; vii) por força desse Contrato de Compra e Venda de Ações, a TECHOLD comprou do BNDESPAR 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas: (a) 30% em 4 anos, contado do exercício da opção; (b) 30% em 5 anos, contado do exercício da opção; e (c) 40% em 6 anos, contado do exercício da opção. Todas essas parcelas seriam atualizadas pela variação da TJLP, acrescido de spread de 4% ao ano; viii) com as ações preferenciais de emissão de BRTP já em sua propriedade, a TECHOLD procedeu à respectiva transformação das debêntures, entregando as mesmas ações adquiridas junto ao BNDESPAR novamente a este, vis a vis uma obrigação sua; ix) ou seja, por ocasião da obrigação de entregar ao BNDESPAR ações preferenciais de BRTP em função da transformação das debêntures, TECHOLD adquiriu do próprio BNDESPAR as 9.833.513.884 ações desta mesma natureza, tornandose devedor da quantia de R$ 272.290.000,00. Esta quantia foi quitada em 3 parcelas, nos anos de 2004, 2005 e 2006 e gerou as despesas ora questionadas; x) ser imprescindível também mencionar que (fls. 468): xi) não se tratar, em nenhuma hipótese, de despesas necessárias à sua empresa controlada, no caso a SOLPART, mas de despesas havidas no interesse da própria TECHOLD, contraídas em função da necessidade de cumprir uma obrigação decorrente da transformação das debêntures de sua emissão; xii) nem se suscite que tudo isto foi engendrado, para, indiretamente, financiar a SOLPART, sua controlada, pois os recursos foram transferidos a ela em aumento do seu capital social. Assim, a TECHOLD, na verdade, buscou uma forma de financiamento de suas próprias operações, que nada mais é do que a particiapção em outras sociedades, conforme dispõe o seu estatuto social, no art. 3º; Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.753 8 xiii) desde já cumpre ressaltar que, de acordo com a boa aplicação da técnica contábil, as contrapartidas dos ajustes dos valores dos investimentos avaliados pelo patrimônio líquido (equivalência patrimonial) devem ser registradas em contas de receita ou despesa operacional que demonstrem o resultado apurado pela controlada ou coligada (lucro ou prejuízo), conforme art. 16 da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários nº 247/96, alterada pela 464/08; xiv) com efeito, a TECHOLD registra seu investimento em SOLPART pelo método da equivalência patrimonial, pois se trata de investimento relevante em sociedade controlada (art. 384 do RIR/99). E, como dito, os resultados de equivalência são resultados operacionais, sendo que “o acréscimo na conta de investimento que corresponde proporcionalmente ao lucro da coligada ou controlada será registrado em contrapartida como receita do ano da investidora. Essa receita entra como Outras Receitas e Despesas Operacionais no subgrupo de Lucros e Prejuízos de Participações em Outras Sociedades em conta própria designada ‘Participação nos resultados de coligadas ou controladas pelo método de equivalência patrimonial’ (in “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações : aplicável às demais sociedades / FIPECAFI” – e. ed. Ver. E atual. – São Paulo : Atlas, 2003, pág. 165); xv) assim, se admitirmos que as despesas financeiras efetuadas pela TECHOLD não eram necessárias a sua atividade, estaremos negando a finalidade principal de sua existência e admitindo que nenhuma sociedade holding poderá realizar investimentos em suas investidas, ou melhor, que os investimentos realizados por elas não podem preceder de recursos tomados a juros que gerem despesas financeiras passíveis de dedução no cômputo do lucro real; xvi) isto seria admitir que as holdings não são responsáveis pela saúde financeira de suas investidas, o que nitidamente vai de encontro às decisões administrativas e legislação ora analisadas; xvii) cita jurisprudência administrativa, discorre sobre o artigo 299 do RIR/99, afirma que não se trata de encargos financeiros de “empréstimos repassados”, posto que nestes casos, consideramse não necessárias as despesas financeiras correspondentes a empréstimos repassados a empresa interligada sem qualquer encargo financeiro; xviii) no caso se trata de juros incorridos com o fito de gerar recursos para investir em sua controlada (recursos levados à conta de capital social desta última), o que, por consequência, ensejou na geração dos resultados operacionais de equivalência patrimonial da impugnante como já descrito; xix) restar cabalmente comprovado, e isto sequer foi contestado em qualquer momento, que os recursos foram utilizados para aumento de capital da SOLPART, controlada da TECHOLD a quem a impugnante sucedeu por incorporação; xx) e o fato das contrapartidas nos ajustes dos investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial (receitas ou despesas) estarem excluídas do cômputo do lucro real, conforme determina o art. 389 do RIR/99, não retira delas a natureza operacional, notadamente quando se tratam de sociedades holdings, que existem exclusivamente como veículos de investimento em outras sociedades; xxi) assim, mesmo que a impugnante não tivesse apropriado os juros ora glosados por ocasião do contrato de compra e venda a prazo das ações da BRTP como anteriormente descrito, o que se constituiu em uma obrigação própria, mas o Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.754 9 tivesse feito em decorrência de empréstimos tomados no mercado e destinados ao aumento do capital social de sua controlada (o que efetivamente foi feito), nada impediria sua dedução para fins fiscais, pois são sempre dedutíveis as despesas necessárias à manutenção da fonte produtora, e no caso das holdings puras tal fonte são as receitas de equivalência patrimonial; xxii) não ter cabimento algum não se permitir que uma holding aumente o capital de sua controlada, com a única finalidade de permitir que esta realize investimentos necessários a sua sobrevivência. Tratase de seu objeto social, e, mormente, sua finalidade; xxiii) não restam dúvidas, portanto, de que as despesas financeiras suportadas pela impugnante se revestem do caráter de necessidade, como já explicitado anteriormente, e, principalmente, fazem parte do objeto social e sua razão de existir da sociedade, uma vez que serviram para o posterior aumento de capital em SOLPART, conforme já comprovado através dos documentos e contratos apresentados em resposta aos Termos de Intimação da Receita Federal”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 1572/1594) Submetido o litígio ao crivo da 1ª Turma da DRJ/RJO, a Turma Julgadora, depois de afastar a preliminar de nulidade dos lançamentos e dos autos de infração e delimitar a aplicação da jurisprudência aos casos em que haja vinculação dos julgadores à que nela constar, enfrentou a manifestação da defesa na forma assim sintetizada (todos os destaques sã do original): “A regra geral, em termos de despesas operacionais, é no sentido de que, em princípio, todos os dispêndios da empresa são dedutíveis. A lei, não podendo prever uma a uma as inúmeras atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções, que consistem na não dedutibilidade, na limitação do valor dedutível, e na subordinação da dedutibilidade ao preenchimento de determinadas condições. Assim, o procedimento para se saber se uma despesa é dedutível consiste em verificar se existe dispositivo legal específico tratando da mesma. Caso exista, o tratamento fiscal seguirá o dispositivo específico. Não existindo, as despesas serão dedutíveis se observadas as quatro regras gerais básicas para dedutibilidade, que são: a) os valores não serem passíveis de apropriação direta em custos e não constituírem inversões de capital; b) serem despesas necessárias, entendidas assim as essenciais, normais e vinculadas à fonte produtora dos rendimentos; c) serem comprovadas e escrituradas; d) serem debitadas no períodobase competente Indubitavelmente, as regras citadas nos itens a e b oferecem as maiores dificuldades de análise. O conceito de necessidade, aparentemente, por ser oposto ao de mera liberalidade, seria definido por critérios puramente subjetivos. Todavia, não é assim: ele deve ser corolário direto da relação Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.755 10 havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. Portanto, consequência direta do confronto entre duas situações de fato: gastos versus receita. Tratandose da necessidade, deve haver um nexo direto entre as despesas e as atividades da empresa. Vale dizer, são despesas necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial não pode ir adiante. São dispêndios que possibilitam à empresa promover suas atividades que são, enfim, produtoras dos seus respectivos rendimentos. São dispêndios que colaboram para a consecução da atividade produtora da riqueza. (...) Quanto à usualidade, despesas usuais são aquelas normais ao exercício de certa atividade, verificandose de forma corriqueira. (...) Além da obrigatoriedade do preenchimento dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade da despesa, ela deve ser devidamente comprovada, ou seja, somente poderá ser considerada como dedutível a despesa para qual for demonstrada sua ocorrência com documentação hábil e suficiente, nos termos do parágrafo 1º do artigo 9º do DL 1.598/77. (...) Portanto, não basta comprovar que a despesa foi assumida e que houve desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio correspondeu à contrapartida de algo recebido. (...) Assim, considerando que as despesas têm o condão de reduzir o lucro líquido do exercício e, consequentemente, o crédito tributário devido, concluise que é ônus da interessada provar a existência e o preenchimento dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, diversamente do que afirma em sua impugnação. (...) Examinandose a impugnação apresentada pela sucessora da interessada às fl. 446/475, constatase que esta reproduz as informações acerca das operações de empréstimos / financiamentos e seus desdobramentos já fornecidas durante o procedimento de fiscalização bem como junta aos autos documentos já apresentados e examinados pela autoridade autuante. Ademais, durante o procedimento de fiscalização foram efetuadas diligências junto ao BNDESPAR e ao BNDES (fl. 433/438) e à empresa coligada SOLPART (fl. 439/443). Passase a relatar os fatos apurados frente à documentação e esclarecimentos constantes dos autos. Em 29/07/1998, a União Federal alienou 51,79% do capital votante da Tele Centro Sul Participações S.A., antiga denominação de Brasil Telecom Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.756 11 Participações S.A. (“BRTP”), para a SOLPART Participações S.A. (“SOLPART”), companhia de capital fechado controlada pela Techold, no Leilão Público Especial realizado no âmbito do processo de desestatização das Empresas Federais de Telecomunicações, previsto na Lei nº 9.472/97 (cópia do documento às fl. 289/295). Para fazer face ao pagamento das parcelas assumidas perante a União, o Conselho de Administração de Solpart deliberou em 30/07/1998 a emissão de 2.000.000 (dois milhões) de ações preferenciais, ao preço unitário de R$ 1.062,50, das quais 62% foram subscritas pela Techold e integralizadas em três fases. Por sua vez, a fim de cumprir a obrigação assumida com a controlada Solpart, em 31/07/1998, a Techold firmou junto ao BNDES Contrato de Adiantamento para Futura Subscrição de Debêntures (cópia do documento às fl. 142/162), mediante o qual: o BNDES liberou, a título de adiantamento, o valor de R$ 6.000.000,00, na data da assinatura do contrato, valor este destinado à aquisição pela SOLPART, de ações de emissão da TELE CENTRO SUL PARTICIPAÇÕES S.A.; e TECHOLD se comprometeu a promover a emissão privada de debêntures com garantia fidejussória, no prazo de 120 dias contado da data do referido contrato: quantidade: 1ª Série de 6.000 debêntures, 2ª Série de 174.623 debêntures e 3ª Série de 174.622 debêntures – valor da emissão: R$ 355.245.000,00 em 03/08/1998), transformáveis, a critério do debenturista, em ações ordinárias ou em ações preferenciais de emissão da empresa licitada (fl. 150). Em 30/11/1998, o Contrato nº 98.2.345.3.2. foi aditado pela 1ª vez (cópia do documento às fl. 163/164), visando prorrogar por 60 dias o prazo contratualmente estipulado para a emissão das debêntures. Em 12/06/2000, a Diretoria do BNDES autorizou a cessão do crédito do Contrato nº 98.2.345.3.2 para o BNDES Participações S.A. – BNDESPAR (“BNDESPAR”), o que foi formalizado por meio do Contrato Particular de Cessão de Crédito nº 00.2.317.8.1 (cópia do documento às fl. 323/324) celebrado em 27/07/2000 (conforme previsão contratual – Cláusula Décima Quinta – Cessão dos Direitos e Obrigações – fl. 161). Em 27/07/2000, o Contrato nº 98.2.345.3.2 foi aditado pela 2ª vez (cópia do documento às fl. 166/178), para, dentre outros: alterar o prazo previsto no referido contrato para a emissão das debêntures nele prevista para o dia 31 de julho de 2000; alterar o prazo de vigência do referido contrato para o dia 31 de julho de 2000; estabelecer que, a critério do debenturista, as debêntures poderão ser transformadas em ações preferenciais de emissão da Brasil Telecom Participações S.A., que deverão estar na titularidade da emitente na data da entrega das ações (fl. 331). Registrese que constam dos autos os Instrumentos Particulares relativos às 1ª, 2ª e 3ª Emissão de Debêntures, com Garantia Real e Fidejussória juntamente com os referidos Registros (cópias dos documentos às fl. 179/213, fl. 214/244 e fl. 245/268). Ainda em 27/07/2000, o BNDESPAR subscreveu as debêntures emitidas decorrentes das 3 séries, liquidando integralmente o contrato nº 98.2.345.3.2, tendo, no mesmo ato, exercido a opção de transformação de 50% dessas Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.757 12 debêntures (177.623) em ações preferenciais de emissão de BRTP (cópia do Boletim de Subscrição de Debêntures – fl. 352 e Carta de Opção – fl. 354). Esclareçase que consta no Boletim de Subscrição de Debêntures que do valor subscrito a importância de R$ 508.892.938,64 foi paga em dinheiro e o montante de R$ 7.614.480,00 foi integralizado mediante compensação com crédito de que a subscritora era titular. Ademais, a referida importância foi integralmente repassada por meio do cheque nº 327721 à SOLPART (fl. 859) em 27/07/2000. Na mesma data, foi celebrado o Contrato de Opção de Compra de Ações da Brasil Telecom Participações S.A. entre o BNDES Participações S.A. e a TECHOLD Participações (cópia do documento às fl. 270/280), por força do qual passou a ter a opção de comprar ações de emissão de BRTP de propriedade da BNDESPAR. A TECHOLD exerceu a referida opção de compra de ações imediatamente, tendo celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações de emissão de BRTP com a BNDESPAR no próprio dia 27/07/2000 (cópia do documento às fl. 356/366). Por força desse Contrato de Compra e Venda de Ações, TECHOLD comprou da BNDESPAR 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas: (a) 30% em 4 anos, contado do exercício da opção; (b) 30% em 5 anos, contado do exercício da opção; e (c) 40% em 6 anos, contado do exercício da opção. Temse, portanto, que por ocasião da obrigação de entregar à BNDESPAR ações preferenciais de BRTP em função da transformação das debêntures, TECHOLD adquiriu da BNDESPAR as 9.833.513.884 ações dessa mesma natureza, tornandose devedor da quantia de R$ 272.290.000,00. As ações preferenciais de BRTP teriam sido passadas então à custódia da TECHOLD por ocasião da sua aquisição e, no mesmo dia, foram devolvidas à BNDESPAR para cumprimento da obrigação decorrente da transformação das debêntures. Consta, ainda, dos autos que o empréstimo foi devidamente quitado em três parcelas, nos anos de 2004, 2005 e 2006 (Cópia da Declaração de Quitação – fl. 886). Salientese que foram as despesas financeiras relativas a este contrato que a fiscalização entendeu não necessárias, sendo objeto da presente autuação. Da análise das operações tais como efetuadas, constatase que, de fato, não logrou a interessada demonstrar a necessidade dos empréstimos obtidos: nem se argumente que os referidos empréstimos teriam sido imprescindíveis para a integralização das ações subscritas da SOLPART, uma vez que: “para fazer face ao pagamento das parcelas assumidas perante à União, o Conselho de Administração da Solpart deliberou em 30/07/1998 a emissão de 2.000.000 ações preferenciais” (ou seja, a Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.758 13 empresa SOLPART não tinha “caixa” para fazer frente aos compromissos assumidos); por sua vez, a TECHOLD assumiu diversos empréstimos para integralizar as ações da SOLPART por ela subscritas, tendo por objetivo final o pagamento de parcelas assumidas pela SOLPART perante à União; ou seja, os empréstimos obtidos pela TECHOLD se destinaram única e exclusivamente ao pagamento das parcelas assumidas pela SOLPART (a imediata transferência de numerário somente corrobora tal entendimento). Tais conclusões restam incontestes quando se analisa em ordem cronológica as operações realizadas (todas resultantes das obrigações assumidas pela SOLPART junto à União), salientando que várias delas foram, inclusive, efetivadas no mesmo dia, qual seja, 27/07/2000. Temse, do exposto, que a interessada não logrou demonstrar a necessidade das despesas financeiras relativas a empréstimos por ela contraídos, uma vez que se confirmou o apurado pela fiscalização, qual seja, o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada (os empréstimos, de fato, foram contraídos tendo como destino dos recursos o pagamento de obrigações assumidas pela empresa coligada SOLPART); é, portanto, devida glosa das despesas tal como efetuada”. Sobre o questionamento de erro material alegado pela contribuinte, a decisão a quo afastoua sob o argumento de que “a interessada não logrou atestar na impugnação, momento propício para contraditar, que as despesas financeiras declaradas na Ficha 06A da DIPJ 2006 incluíram outras além das relativas ao empréstimo em exame, não sendo suficiente à comprovação pretendida a simples exibição de cópias de folhas do Razão e Razão Analítico da conta Juros Sobre Empréstimos (fl. 915/917)”. Igualmente afastou o entendimento da impugnante de que seria inaplicável a multa de ofício em sucessora, reportandose ao decidido pelo STJ no Resp nº 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C do CPC/1973 e à revogação da Súmula CARF nº 47. Por fim, apontou que o decidido em relação ao IRPJ alcança as infrações relativas à CSLL. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2018 ACÓRDÃO DA CSRF. NOVO ACÓRDÃO PARA ANÁLISE DO MÉRITO. Em virtude de decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que entendeu pela ausência de nulidade do Auto de Infração por erro na identificação do sujeito passivo, apreciase, em novo acórdão, as demais alegações apresentadas na impugnação. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.759 14 Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Recursos Administrativos Fiscais e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não logrando a interessada demonstrar a necessidade das despesas financeiras deduzidas na apuração do lucro real, cabível se torna a sua glosa. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A incorporadora responde pelo pagamento da multa de ofício decorrente de operações da sucedida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 10/05/2018 (fls. 1606), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/06/2018 (fls. 1628/1657), no qual rebate os argumentos expendidos na decisão recorrida e, no mais, basicamente repisa o aduzido na peça inaugural de defesa, valendo pontuar excertos da peça recursal para melhor compreensão (todos os destaques constam, do original) : Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.760 15 Diz a recorrente: Ø o PN 32/81, definiu como despesa necessária “aquele gasto essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades que estejam vinculadas às fontes produtoras do rendimento”; Ø depois de citar doutrina de Mariz de Oliveira, adianta que “as despesas financeiras ora analisadas são aquelas incorridas pela Recorrente,por ocasião do contrato de Compra e Venda das Ações da BRTP firmado como BNDESPAR, com o fito de cumprir uma obrigação própria, decorrente da transformação de debêntures de sua emissão em ações desta companhia” (RV – fls. 1637); Ø ser dever da autoridade administrativa demonstrar que as despesas glosadas não seriam essenciais ou não foram efetivamente incorridas, o que não aconteceu no presente caso e que “sem estes elementos não pode haver imposição tributária”; Ø traz ensinamento de Marcus Vinícius Neder e segue afirmando que a autoridade autuante teria se limitado a afirmar que as despesas financeiras “não eram necessárias à Recorrente, sem apresentar qualquer base de fundamentação”; Ø assim, “tendo em vista que a autoridade fiscal não fundamentou sua demonstração de que as despesas financeiras flosadas são desnecessárias à Recorrente, não pode prosperar a presente autuação por haver em si vício insanável” (RV – fls. 1639), devendo o atuo de infração “ser cancelado” (ibidem – fls. 1641);o rendo, pelo que ou r suco aptu Ø transcreve jurisprudência e parte para a segunda preliminar: Ø argui que o Fisco “glosou surpreendentemente a totalidade das despesas financeiras descritas na linha 36 da Ficha 06A da DIPJ”, do anocalendário 2005, e que a DRJ avalizou este procedimento por entender que o Livro Razão não se prestaria como prova do alegado pela então impugnante; todavia, “ao glosar a totalidade das despesas (...), o autante “acabou por abarcar diversas outras despesas financeiras que não foram, em nenhum momento, objeto de questionamento, tais como despesas com registros bancários e emolumentos, dentre outros” (RV – fls. 1642); Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.761 16 Ø deste modo, “resta inequívoca a prova quanto ao erro na valoração do fato tributário”, estandose diante de verdadeiro vício formal que exige o cancelamento do auto de infração, “dado o seu incontestável caráter viciado” (RV – fls. 1647), não cumprindo os requisitos estabelecidos no artigo 10, do PAF; Ø passa, na sequência, ao mérito dos imputações: Ø diz ser necessário um completo detalhamento da operação para melhor entendimento dos fatos e expõe: Ø ter sido acusada de levar ao resultado despesas que não se revestiriam da condição de necessidade, por isso indedutíveis, porém, “tais despesas advém (...) do pagamento de juros pelo financiamento havido na aquisição, junto ao BNDESPAR, de ações da BRTP, tudo no contexto de uma estrutura de financiamento modelada para as privatizações do setor de telecomunicações”d Ø traz o quadro detalhado da operação (fotografia já vista neste voto por ocasião da transcrição da impugnação), e torna a realçar ter exercido a “opção de compra de ações da BRTP detidas pelo BNDESPAR, tendo, por consequência, celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações que suscitou as despesas glosadas pelo AUTO”; Ø que, por força deste contrato, “comprou do BNDESPAR 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas: a) 30% em 4 anos, contado do exercício da opção; b) 30% em 5 anos, contado do exercício da opção; e c) em 6 anos, contado do exercício da opção”, sendo tais montantes atualizados “pela variação da TJLP, acrescido de spread de 4% ao ano”, gerando “as despesas ora questionadas” (RV – fls. 1649); Ø aduz ter demonstrado que, em nenhuma hipótese, como alega o Fisco, as despesas seriam de sua controlada SOLPART, “mas de despesas havidas no interesse da própria TECHOLD [sucedida pela recorrente], contraídas em função da necessidade de cumprir uma obrigação decorrente da transformação das debêntures de sua emissão” (RV fls. 1650); Ø ademais, os recursos transferidos à SOLPART foram como aumento de capital, ou seja, a recorrente buscou “uma forma de financiamento de suas próprias operações, que nada mais é do que a participação em outras sociedades”, conforme seus estatuto social, artigo 3º (que transcreve); Ø que o reflexo deste aporte de capital na SOLPART se reflete quando da aplicação do MEP e que seus resultados, embora não sejam tributáveis, são considerados pela melhor doutrina como “operacionais”, fazendo Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.762 17 referência à obra “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações aplicável às demais sociedades”; Ø nessa linha, admitir que as despesas financeiras suportadas para fazer frente a investimentos em outras sociedades seriam indedutíveis revelaria negar a principal atividade de uma empresa holding e não admitir sua responsabilidade pela saúde financeira de suas investidas; Ø reproduz acórdãos do CARF, inclusive desta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção, em julgamento recente, e pontua não se estar diante de “empréstimos repassados”, quando as despesas financeiras suportadas não são consideradas necessárias e o empréstimo é repassado a empresa ligada “sem qualquer encargo financeiro”; que, “no caso, se tratam de juros incorridos com o fito de gerar recursos para investir em sua controlada (recursos levados à conta de capital social desta última), o que,por consequência, ensejou na geração dos resultados operacionais de equivalência patrimonial da Recorrente como acima já descrito” (RV – fls. 1654), sendo “cabalmente demonstrado” e sequer contestado em qualquer momento, “que os recursos foram utilizados para aumento de capital da SOLPART”, controlada da recorrente e por esta sucedida, via incorporação; Ø assenta não ter cabimento não se permitir que uma “holding aumente o capital de sua controlada, com a única finalidade de permitir que esta realize investimentos necessários à sua sobrevivência”, posto se tratar de “seu objeto social, e, mormente, de sua finalidade” (RV – fls. 1655), não restando dúvidas de que as despesas glosadas se revestem dos requisitos necessários à sua dedutibilidade, pelo que os lançamentos devem ser cancelados; Ø alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para que se comprove “que nem todas as despesas financeiras descritas na linha 36 da Ficha 06A se referem ao contrato com o BNDESPAR”, e finaliza pleiteando o provimento do recurso voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.763 18 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 10/05/2018 – fls. 1606 – protocolização do RV em 08/06/2018 – fls. 1624/1625), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls. 1660/1666) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Há duas preliminares de nulidade do auto, 1. “por inexistência de fundamentação e de prova tendente a descaracterizar as despesas havidas como operacionais”, e, 2. “por erro na apuração de sua base de cálculo”. Tendo em vista o conteúdo de ambas, serão apreciadas juntamente com o mérito. Como exaustivamente visto, a infração imputada pelo Fisco relacionase à glosa de despesas financeiras nos anoscalendário de 2004 e 2005 que, na acusação fiscal, não se revestiriam dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade exigidos pelo artigo 299, do RIR/1999, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º). Já a recorrente batese contra tal raciocínio sustentando sua correta contabilização despesa operacional dedutível. A decisão a quo manteve os lançamentos. Pois bem, embora a acusação se circunscreva unicamente à glosa de despesas financeiras, os elementos fáticos que levaram ao nascimento de referidos dispêndios Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.764 19 por parte da recorrente envolveram complexas operações no âmbito das privatizações na área das telecomunicações, além de contratos de empréstimos, emissão de debêntures, sua posterior conversão em ações, aportes de capital em empresa controlada pela contribuinte, aditivos de contratos, dentre outros fatos, o que aumenta a sua complexidade, mais não fosse, até pelo grau de subjetividade que acabam por envolver os conceitos de despesas “usuais”, “normais” e “necessárias”, além da sua efetividade e comprovação. Desse modo, para a Fiscalização a acusação é clara: a recorrente realizou empréstimos no mercado financeiro e repassou parte deles à sua controla SOLPART, registrando as despesas financeiras decorrentes destes financiamentos em sua contabilidade e opondoas à apuração do resultado do exercício e, em consequência, à própria apuração do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ (e da CSLL, por decorrência). É o literal dizer do Termo de Constatação Fiscal (fls. 383): “Desta forma, o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada, conforme constatado através deste relatório e da documentação anexa, sendo portanto desnecessárias suas despesas financeiras relativas ao período fiscalizado”. Já a recorrente, de modo até intrigante, faz contraponto à acusação adotando duas linhas de defesa: 1). que, “as despesas financeiras ora analisadas são aquelas incorridas pela Recorrente,por ocasião do contrato de Compra e Venda das Ações da BRTP firmado como BNDESPAR, com o fito de cumprir uma obrigação própria, decorrente da transformação de debêntures de sua emissão em ações desta companhia” (RV – fls. 1637), e que , “por força deste contrato, “comprou do BNDESPAR 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas: a) 30% em 4 anos, contado do exercício da opção; b) 30% em 5 anos, contado do exercício da opção; e c) em 6 anos, contado do exercício da opção”, sendo tais montantes atualizados “pela variação da TJLP, acrescido de spread de 4% ao ano”, gerando “as despesas ora questionadas” (RV – fls. 1649); 2) que, não se está diante de “empréstimos repassados”, quando as despesas financeiras suportadas não são consideradas necessárias e o empréstimo é repassado a empresa ligada “sem qualquer encargo financeiro”; que, “no caso, se tratam de juros incorridos com o fito de gerar recursos para investir em sua controlada (recursos levados à conta de capital social desta última), o que, por consequência, ensejou na geração dos resultados operacionais de equivalência patrimonial da Recorrente como acima já descrito” (RV – fls. 1654), sendo “cabalmente demonstrado” e sequer contestado em qualquer momento, “que os recursos foram utilizados para aumento de capital da SOLPART”, controlada da recorrente e por esta sucedida, via incorporação; Em suma, de um lado ou outro, a recorrente firma posição de que as despesas financeiras (incontestes) são fruto do desempenho de suas atividades sociais, por isso, dedutíveis do lucro tributável. Antes de ver a situação concreta, imperioso discorrer, ainda que brevemente, sobre a conceituação de despesas operacionais, na ótica da ciência contábil e da legislação fiscal e sua dicotomia. Sabidamente, “decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída ou redução de ativos ou incrementos em passivos, que resultam Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.765 20 em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição de resultado ou de capital aos proprietários da entidade” são DESPESAS, consoante definição do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (instituído pela Resolução CFC n.° 1.055/2005), através do “Pronunciamento Técnico CPC 00 – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”. Esta definição pode ser ainda tomada levandose em conta seu surgimento no curso das atividades ordinárias da entidade. Neste caso, ainda segundo o Pronunciamento Técnico acima referido, item 78, estas despesas seriam as que “surgem no curso das atividades ordinárias da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de um desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado”. Já a Resolução nº 1.374, de 08/12/2011, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em seu item 4.25, letra “b”, define: “despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais”. Nesse ponto, a leitura de textos doutrinários mostrase relevante, até porque as dificuldades de conceituação na contabilidade transpassam a barreira apenas do ativo e passivo, alcançando a ideia de despesas. Por exemplo, para Hendriksen e Breda, despesa é: “o uso ou consumo de mercadorias ou serviços no processo de obter receitas. Elas são as expirações dos fatores de serviços relacionados diretamente ou indiretamente na produção e vendas de produtos das empresas”. 2 Em claras palavras, as despesas são a contrapartida das receitas, participando da concepção de lucro. Confirmando esta concepção, Kam (1986) sustenta que “despesas são reduções no valor dos ativos ou aumento no valor das exigibilidades, devido à utilização de bens e serviços das operações principais ou centrais da entidade”. 3 Já o professor Sérgio de Iudícibus, com a cátedra que lhe é peculiar afirma que a despesa “representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”. 4 O mesmo Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, in “Dicionário de Termos de Contabilidade”, Atlas – SP – 2ª Ed., conceituam que “despesa, em sentido restrito, representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção ou a venda do produto (serviço) da entidade”. Em síntese, inexistem dúvidas de que a despesa é a concretização do esforço, em termos monetários, para a geração da receita, reduzindo o patrimônio da 2 HENDRIKSEN, Eldon S., BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antônio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 3 KAM, Vernon. Accounting theory. New York, John Wiley & Sons, 1986 4 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.766 21 empresa com a perspectiva e uma promessa latente de geração futura ou imediata de receita que deve, por definição, suplantar as despesas e assim gerar a parcela do lucro. De outra linha, a legislação comercial das sociedades por ações (Lei nº 6.404/1976, com alterações), pontua: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. § 2o A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados. § 5o As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 6o As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.767 22 A conjugação destes dispositivos, das normas reguladoras da ciência contábil e da mais conceituada doutrina leva à conclusão de que, nos registros permanentes feitos na escrituração e nos levantamentos das Demonstrações Financeiras e Balanço Patrimonial, o resultado de um determinado período será sempre apurado levandose em conta todos os fatos contábeis que afetam a azienda, observado o regime de competência. Neste patamar, indiscutível que qualquer despesa, tomado o termo nas concepções antes focadas, compõe o resultado da entidade, de forma negativa, reduzindo o patrimônio. Quanto a isso, inexistem dúvidas. A controvérsia instalase a partir do momento em que determinada despesa, que despesa é sob os ângulos contábil, patrimonial, comercial, econômico e societário, extrapola os limites destas ciências e se põe ao alcance do raio de ação da legislação fiscal, especialmente a do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Neste momento, o que é incontroverso doutrinariamente passa a se submeter ao crivo de outra legislação, de outros conceitos, de outra estrutura. Dizendo de modo diverso, se determinados estipêndios são “despesas” sob quaisquer dos enfoques antes vistos e afetam o resultado comercial da entidade, tais gastos, ainda que despesas sejam, PODEM NÃO SER DEDUTÍVEIS das bases imponíveis de IRPJ (e da CSLL, quando for o caso), simplesmente porque o legislador tributário assim o determinou. Estáse, assim, diante de uma regra excepcional trazida pela lei que, mesmo tendo tomado a contabilidade como ponto de partida para determinação e apuração do IRPJ, em determinado instante faz nela um “corte” e elimina (para fins exclusivamente fiscais), uma despesa que afetou o resultado apurado e a acresce a este mesmo resultado, encontrando uma base imponível diferente daquela que será definida para os propósitos comerciais e societários. É o parâmetro fixado pelo RIR/1999, artigos 247, § 1º e 249, I: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Neste ponto, chegase ao caso concreto e sobre o qual repousa o litígio: Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.768 23 → as despesas financeiras glosadas pelo Fisco seriam partícipes e essenciais para a execução da atividade empresarial da recorrente, concorreriam para a consecução de seus objetivos sociais e mostrarseiam, assim, usuais, normais e necessárias, por isso, “dedutíveis” da base de cálculo do IRPJ, como quer a contribuinte, ou se, como apregoa a Autoridade Tributária (e a decisão recorrida confirmou), não se revestem dos requisitos para tal desiderato, devendo ser adicionadas ao montante sobre o qual se calculará o tributo? Para a recorrente como já visto, tais despesas revestemse das características exigidas pelo artigo 299, do RIR/99, visto que surgidas pelo exercício de sua atividade; para o Fisco, a contribuinte fez empréstimos no sistema financeiro, assumindo os encargos decorrentes, e repassou tal valor, por mera liberalidade, para outra empresa do grupo, não sendo lícito, portanto, registrar os valores de tais encargos como sua despesa dedutível se os montantes emprestados foram transferidos para outra pessoa jurídica. Feitas estas dissertações conceituais, passo à análise do caso concreto. Registro que em casos deste tipo, que envolvem a dedutibilidade de despesas, sempre vi restritamente a sua aceitação como “dedutíveis”, mais não fossem, até pelo caráter de subjetividade (já mencionado atrás) que envolvem definições como “normais”, “usuais” e “necessárias”, impondo a análise fática e probatória de cada situação submetida a julgamento, tendo sido nessa linha restritiva que meus votos foram proferidos em diversos acórdãos por mim relatados, por exemplo, nºs 1402002.266, 1402002.290, 1402002.511, 1402002.964, dentre outros. Em outros casos que não de minha relatoria, tenho sido, muitas vezes, voz dissonante solitária em procedimentos que entendi não satisfeitos os requisitos que permitem a dedutibilidade pretendida pelo contribuinte, como ocorreu no Acórdão 1402 002.443 (citado pela defesa em seu RV), relatoria do I. Conselheiro desta 2ª Turma 4ª Câmara, Caio Cesar Nader Quintella. Em contraponto, não deixo de afastar acusações fiscais quando, à vista do que consta dos autos, a defendente traz robustos argumentos e consegue provar o atendimento ao que prescreve o artigo 299 do RIR/1999. Neste segmento, vejase o Ac. 1402002.748. Pois bem, no caso aqui trazido à apreciação do Colegiado de 2º Grau, vejo algumas nuances interessantes que merecem reflexão. Para melhor entendimento, percebase o resumo dos acontecimentos, conforme consta da narração da Fiscalização, de informações da recorrente e terceiros e de documentos juntados aos autos: 1. Em 29 de julho de 1998, a União Federal alienou 51,79% do capital votante da Tele Centro Sul Participações S.A., antiga denominação de Brasil Telecom Participações S.A. ("BRTP"), para a Solpart Participações S.A. ("SOLPART"), companhia de capital fechado controlada pela TECHOLD, no Leilão Público Especial realizado no âmbito do processo de desestatização das Empresas Federais de Telecomunicações, previsto na Lei n° 9.472/97 (fls. 289/295); 2. Referida aquisição fezse por R$ 2.070.000.000,00 dois bilhões e setenta milhões de reais – (fls. 290), pagáveis em três parcelas (cláusula segunda do Contrato – fls. 290), sendo a primeira à vista, equivalendo a 40 % (quarenta por cento) do preço ofertado e o restante em duas Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.769 24 parcelas anuais, iguais, com vencimento, respectivamente, em 12 e 24 meses; 3. A parcela “a vista”, no montante de RS 828.000.000,00 (40% de R$ 2.070.000.000,00) foi paga no ato da assinatura do Contrato (cláusula 2.9 – fls. 291); 4. Em 31 de julho de 1998, BNDES e TECHOLD firmaram o Contrato de Adiantamento para Futura Subscrição de Debêntures de Emissão de TECHOLD Contrato n° 98.2.345.3.2 – (fls. 298/318). (a) o BNDES concedeu empréstimo no valor de R$ 6.000.000,00, na data da assinatura do contrato, destinados a cobrir parcela do valor de aquisição a ser pago pela SOLPART pelas ações de emissão da Tele Centro Sul Participações S.A.; (b) TECHOLD se comprometeu a promover a emissão privada de debêntures com garantia fidejussória e com as seguintes características no prazo de 120 dias contado da data do referido contrato: Quantidade: 1ª Série de 6.000 debêntures; 2ª Série de 174.623 debêntures; 3ª Série de 174.622 debêntures. Valor de Emissão: R$ 355.245.000,00 em 3 de agosto de 1998. Transformação: Cada debênture será transformável, no caso de vencimento antecipável, a critério do debenturista em ações ordinárias ou em ações preferenciais de emissão da BRTP. 5. Em 31 de julho de 1998, o Contrato n° 98.2.345.3.2 foi aditado visando prorrogar por 60 dias o prazo contratualmente estipulado para a emissão das debêntures. 6. Em 12 de junho de 2000, a Diretoria do BNDES autorizou a cessão do crédito do Contrato n° 98.2.345.3.2 para a BNDES Participações S.A. — BNDESPAR, o que foi formalizado por meio do Contrato Particular de Cessão de Crédito n° 00.2.317.8.1 celebrado em 27 de julho de 2000. 7. No próprio dia 27 de julho de 2000, o Contrato n° 98.2.345.3.2 foi aditado pela 2ª vez para: a) alterar o prazo previsto no referido contrato para a emissão das debêntures nele prevista para o dia 31 de julho de 2000; Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.770 25 b) alterar o prazo de vigência do referido contrato para o dia 31 de julho de 2000; e, c) alterar algumas características e prever novos direitos a serem observados na emissão das referidas debêntures. 8. Ao final desses aditivos, a circunstância de transformabilidade das debêntures de TECHOLD em ações de emissão de BRTP foi mantida. 9. Considerando que, naquela data, TECHOLD não detinha ações de emissão de BRTP suficientes para fazer face à obrigação de transformação das debêntures referida acima, TECHOLD celebrou o Contrato de Opção de Compra de Ações, por força do qual passou a ter a opção de comprar ações de emissão de BRTP de propriedade da BNDESPAR. 10. Ainda no dia 27 de julho de 2000, a BNDESPAR subscreveu as debêntures emitidas decorrentes das 3 séries, liquidando integralmente o contrato n° 98.2.345.3.2, tendo, no mesmo ato, a BNDESPAR exercido a transformação de 50% dessas debêntures em ações preferenciais de emissão de BRTP, tal como comprovado pelo Boletim de Subscrição de Debêntures e pelo Pedido de Transformação. 11. Consequentemente, TECHOLD exerceu a referida opção de compra de ações imediatamente, tendo celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações de emissão de BRTP com a BNDESPAR no próprio dia 27 de julho de 2000. 12. Por força desse Contrato de Compra e Venda de Ações, TECHOLD comprou da BNDESPAR 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas: a) 30% em 4 anos, contado do exercício da opção; b) 30% em 5 anos, contado do exercício da opção; e, c) 40% em 6 anos, contado do exercício da opção. Todas essas parcelas seriam atualizadas pela variação da TJLP, acrescido de spread de 4% ao ano. 13. Com as ações preferenciais de emissão de BRTP em sua propriedade, TECHOLD procedeu à respectiva transformação de 50% das debêntures e converteu os outros 50% em ações de sua própria emissão. 14. O preço relativo às ações preferenciais de emissão de BRTP foi integralmente pago por TECHOLD à BNDESPAR na forma contratada, tendo a última parcela sido quitada em 27 de julho de 2006, conforme documentos anexos (fls. 367/381). Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.771 26 Como acima retratado (item 12), a recorrente firmou Contrato de Compra e Venda de Ações da BRTP, via BNDESPAR, assumindo um passivo de R$ 272.290.000,00 junto a esta instituição, vencendo juros pela variação da TJLP, mais spread de 4% ao ano (fls. 356/366): Resumindo, no que é pertinente para visualização das despesas financeiras surgidas em decorrência dos empréstimos, temse duas operações: i) uma, a que envolveu a aquisição, pela SOLPART, controlada da recorrente, de 51,79% das ações adquiridas em leilão da Tele Centro Sul Participações S.A, antiga denominação da Brasil Telecom Participações S.A. – BRTP (item 1, acima) pelo valor de R$ 2.070.000.000,00 dois bilhões e setenta milhões de reais – (fls. 290), quando se decidiu em 30/07/1998 pela emissão de 2.000.000 (dois milhões) de ações preferenciais, ao preço unitário de R$ 1.062,50 (um mil e sessenta e dois reais e cinquenta centavos), das quais 62% (R$ 1.317.500.000,00 em valores originais) foram subscritas pela recorrente e integralizadas em três etapas: i) 40% pelo preço de emissão até 03/08/1998; ii) 30% do preço de emissão atualizado pelo IGPDI acrescido de juros de 12% ao ano desde a data da subscrição até 29/07/1999; e iii) 30% do preço de emissão atualizado pelo IGPDI acrescido de juros de 12% ao ano desde a data da subscrição até 31/07/2000. Para tanto, segundo o Fisco (e há comprovação nos autos), na mesma data da operação acima, a recorrente firmou com o BNDES Contrato de Adiantamento para Futura Subscrição de Debêntures de Emissão de TECHOLD Contrato n° 98.2.345.3.2 – (fls. 298/318), no valor total de R$ 355.245.000,00 (em 03/08/1998) e, neste mesmo ato, recebeu, a título de “colaboração financeira”, destinada à aquisição pela SOLPART, de ações de emissão da TELE CENTRO SUL PARTICIPAÇÕES S/A. o montante de R$ 6.000.000,00 (cláusula 1.1 fls. 299). ii) a segunda, em 27 de julho de 2000, quando celebrou o Contrato de Compra e Venda de Ações de emissão de BRTP com a BNDESPAR e adquiriu 9.833.513.884 ações preferenciais de emissão de BRTP, pelo valor total de R$ 272.290.000,00, cujo pagamento se daria a prazo, em 3 parcelas. Ou seja, são dois contratos de empréstimos, basicamente vencendo juros pela TJLP mais spread de 4% ao ano. Para o Fisco (TCF – fls. 383), ambas as operações são uma só, posto que,“8 dentro do exposto e da documentação apresentada, observase que o contrato de compra e venda de ações de emissão de Brasil Telecom Participações S.A. foi complemento do contrato 98.2.345.3.2 de adiantamento para futura subscrição de debêntures de emissão de Techold, tendo em vista que o contribuinte fiscalizado não possuía na época do termino do contrato 98.2.345.3.2 recursos suficientes para liquidálo. Desta forma o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada,conforme constatado através deste relatório e da documentação anexa, sendo portanto desnecessárias suas despesas financeiras relativas ao período fiscalizado”. (destaque acrescido). Nesse ponto, há que se concordar, ainda que parcialmente, com a posição da acusação. Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.772 27 Todavia, não deixa de ser uma afirmativa temerária dizer que “o contribuinte fiscalizado não possuía na época do término do contrato 98.2.345.3.2 recursos suficientes para liquidálo” quando feita sem uma auditoria mais aprofundada e com enfoque nas disponibilidades imediatas da recorrente e nas condições que tinha para realizar valores mediante diversos mecanismos de que dispõem os agentes econômicos. De qualquer modo, fato é que houve o primeiro e o segundo empréstimos e que parte dos recursos foram utilizados efetivamente para adimplir a obrigação da recorrente de aportar o aumento de capital que subscreveu na SOLPART, recursos estes que, por via direta, foram manejados por sua controlada que, por sua vez, deles (recursos) pode ter se servido para quitar as demais parcelas relativas à aquisição que fez de 51,79% do capital votante da Tele Centro Sul Participações S.A., antiga denominação de Brasil Telecom Participações S.A. ("BRTP"). E, no final, graças a todo este emaranhado de operações, estamparamse os encargos financeiros assumidos pela recorrente e objeto da demanda ora em julgamento, cabendo definir se referidos dispêndios seriam dedutíveis pela contratante. Posto todo esse cenário, faço uma leitura diferente do entendimento fiscal e da decisão recorrida que perfilou não ter a interessada logrado demonstrar “a necessidade das despesas financeiras relativas a empréstimos por ela contraídos, uma vez que se confirmou o apurado pela fiscalização, qual seja, o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada (os empréstimos, de fato, foram contraídos tendo como destino dos recursos o pagamento de obrigações assumidas pela empresa coligada SOLPART)”, sendo, portanto, correta a glosa das despesas “tal como efetuada”. (Ac. DRJ – fls. 1591). De fato, para este Relator, os empréstimos – mesmo que parte deles tenha sido direcionada para quitar a subscrição que a recorrente fez de 62% (R$ 1.317.500.000,00 em valores originais de 03/08/1998) de ações da SOLPART (outra parcela do empréstimo foi utilizada para resgatar, em 2004, 2005 e 2006, de forma integral, o financiamento de R$ 272.290.000,00 obtido em 27/07/2000 (fls. 356/366) – mesmo, repitase, que a SOLPART tenha recebido indiretamente os benefícios financeiros advindos dos mencionados empréstimos contratados pela contribuinte, não consigo desconectar tais operações da própria atividade fim da autuada, ou seja, uma empresa holding que tem como fundamento maior e praticamente único justamente investir em outras empresas e delas retirar o retorno do investimento feito. E tudo isso mesmo se servindo de empréstimos obtidos no mercado financeiro, posto não ser improvável tenha feito uma análise do custo do dinheiro buscado exteriormente e entendido que, ainda assim, seria compensador realizar tal operação. Salientese, como, aliás, bem alertado pela defesa, que não se está diante de mero repasse de dinheiro de uma empresa para outra, sem cobrança de juros e por mera liberalidade, mas de aporte de capital da controladora em sua controlada, digase, pleno e rotineiro exercício de sua atividade e objeto social. Nesse segmento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 ÁGIO POR RENTABILIDADE FUTURA. AMORTIZAÇÃO. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.773 28 Não deve subsistir a glosa de despesas com amortização do ágio se a autuação não imputa vício nos negócios jurídicos do qual aflorou, pois ou se qualifica a operação como maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e a ela devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas financeiras incorridas pela pessoa jurídica em operação de crédito, cujo produto comprovadamente se destinou a aquisição de ativo permanente, pode ser deduzida na apuração do resultado, por se tratar de operação intrinsecamente ligada aos negócios da empresa, sobretudo por se tratar de uma holding. (Ac. 1302001.293). Excertos desta decisão bem fotografam o quadro (destaques acrescentados): “Acrescento que o conjunto de fatos questionados pelo Fisco se, por um lado, conduzem à indedutibilidade do ágio, pelos motivos já ventilados, devem também conduzir à conclusão de que os encargos financeiros decorrentes dos empréstimos eram necessários à atividade da empresa, visto que este foi o modo encontrado para honrar acordo firmado em momento anterior. Considero irrelevante que os empréstimos não tenham sido contraídos diretamente pela Itiquira e que, no caso concreto, tenham sido contraídos pela incorporada São Pedro, passando a seguir ao domínio da incorporadora Itiquira. Em qualquer caso, tenho que sua necessidade é incontestável. Quanto aos aspectos de normalidade e usualidade, se a empresa não dispunha de recursos próprios, nada mais normal do que recorrer ao mercado financeiro para obter os recursos para honrar o acordo de acionistas, tendo que arcar com os ônus daí decorrentes”. (Relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha). (...) “(...) ou seja, se os atos eram lícitos, não há como negarlhes os efeitos que lhes são próprios. Os juros incidentes sobre empréstimo contraído para aquisição de um ativo permanente são dedutíveis das bases tributáveis, mormente quando se trata de juros relativos a empréstimos contraídos por uma holding para aquisição de investimento, segundo a legislação do IRPJ e da CSLL, razão pela qual, voto por negar provimento ao recurso de ofício”. (palavras do Conselheiro Alberto Pinto S. Junior, em trecho do voto vencedor relativo a outra matéria, mas fazendo referência ao tema “glosa de despesas financeiras”). Em face de toda a moldura que se estampa nos autos e à vista do que foi discorrido, entendo que as despesas financeiras questionadas pelo Fisco neste procedimento atendem aos requisitos exigidos pelo artigo 299, do RIR/1999, sendo, assim, “necessárias” (§1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1402003.816 S1C4T2 Fl. 1.774 29 exigidas pela atividade da empresa), “usuais” e “normais” (§2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa), além de se mostrarem efetivas e devidamente comprovadas por documentação hábil, idônea e contemporânea aos fatos. Com estas considerações, entendo que os lançamentos pertinentes ao IRPJ não podem prevalecer. Sobre os lançamentos de CSLL, inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese a eles o decidido em relação ao IRPJ. Por fim, deixo de apreciar os demais argumentos assentados pela recorrente em razão da decisão aqui prolatada lhe ser favorável. Concluindo, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, afastando os lançamentos de IRPJ e de CSLL perpetrados. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1774DF CARF MF
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