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Numero do processo: 10120.720345/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, não gera direito a créditos, para o comerciante atacadista ou varejista, a aquisição de automóveis e autopeças, sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, por expressa vedação legal. As disposições do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 aplicam-se tão-somente ao regime de tributação específico denominado REPORTO.
Recuso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, não gera direito a créditos, para o comerciante atacadista ou varejista, a aquisição de automóveis e autopeças, sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, por expressa vedação legal. As disposições do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 aplicamse tãosomente ao regime de tributação específico denominado REPORTO. Recuso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 03 45 /2 01 0- 51 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 3 a 14) baixados para tratamento manual, nos quais a contribuinte, acima identificada, pleiteou o ressarcimento de crédito de Pis nãocumulativa, incidente sobre a aquisição de veículos novos e peças em geral, nos valores de R$ 350.475,53, R$ 402.251,89, R$ 451.898,28 e R$, 442.475,41, relativos ao 1º, 2° 3° e 4° trimestres do anocalendário 2006. Intimada (fls. 17 e 18) a apresentar documentos e prestar esclarecimentos, a contribuinte, representada por seu procurador (Oracy Cavarcante Milhomens), em resumo, na petição (fls. 20 a 22) informou o seguinte: a sua principal atividade é compra e venda, no atacado e no varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionados na Lei 10.485, de 2002, que tiveram as alíquotas do Pis e da Cofins reduzidas 4 zero, relativamente a receita auferida, por força do disposto nos incisos I e II do § 2º do artigo 3º; os créditos de Pis e Cofins não cumulativos, objetos dos pedidos de ressarcimentos, têm origem na aplicação direta das alíquotas de 1,65% e 7,6%, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei 10.485, de 2002 (veículos automotores e autopeças), uma vez que as alíquotas da contribuição para o Pis e da Cofins foram reduzidas a zero na saída desses produtos, e a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos tem como fundamento o artigo 17 da Lei 11.033 de 2004, cujos pedidos de ressarcimentos dos créditos de Pis e de Cofins foram realizados com base no artigo 16 da Lei 11.116, de 2005. A autoridade fiscal examinou a questão e no despacho decisório (fls. 35 a 47) indeferiu os pedidos de ressarcimento, sob o argumento de que a Lei 10.637, de 2002, expressamente veda o direito ao creditamento da contribuição para o Pis apurado pelo regime monofásico. A contribuinte tomou ciência da decisão em 18/08/2010 (AR fl. 54). Inconformada, por intermédio de seus procuradores (Paulo Adriano Elias Magalhães e Oracy Cavalcante Milhomens), apresentou, em 01/09/2010, manifestação de inconformidade (fls. 55 a 88), na qual cita e transcreve dispositivos da legislação tributária sobre as contribuições (Pis e Cofins) cumulativas e nãocumulativas; cita dispositivo da Constituição Federal e faz um longo histórico sobre a legislação aplicável a essas contribuições, citando e transcrevendo inclusive dispositivos da legislação do IPI, bem como jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre esse imposto, e, na conclusão, apresenta as seguintes premissas, se: no Estado Democrático de Direito a legalidade é principio que deve reger a tributação. O único instrumento com poder para criar restrições ou vedação ao direito a creditarnento é a lei, havendo momento inicial em que realmente era negado; também inegável a existência de norrna que previu, expressamente, que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência: posteriormente, pela mesma forma que se estabelece preceitos cogentes, foi introduzido no universo jurídico o art. 17 da Lei n° 11.033/04, prevendo expressamente que mesmo quem faturasse com alíquota zero, ainda assim, poderia creditarse de PIS/COFINS; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720345/201051 Acórdão n.º 3202000.954 S3C2T2 Fl. 340 3 a Lei n° 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; o art. 16 da Lei 11.116/05, ao invés de restringir direito de creditamento, adotou mais garantias ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações. Nas novas normas sempre se ressalva o que fica regulado na norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu no presente caso, sendo certo que normasinfralegais não têm tal condão; o direito de creditamento é coerente com os objetivos desonerativos das inovações legislativas do PIS/COFINS e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais Setores serão incluídos na não cumulatividade, só não permite esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime de substituição; o art. 17 da Lei n° 11.033/04 é justamente norma geral para os casos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; foram revogados os preceitos das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 que mandavam aplicar, para a contribuinte, as normas anteriores a não cumulatividade, agora ficando as mesmas inteiramente enquadradas neste regime que tem como pressuposto o creditamento; finalmente, vieram as MP 413 e 451, de 2008, tentar restringir creditamento para a contribuinte baseado no art. 17 da Lei 11.033/04 , mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foram mantidas no ordenamento jurídico. Logo, viola o arcabouço jurídico, reprimir ou indeferir a tomada dos créditos aqui discutidos, amparada legalmente e constitucionalmente. Assim, por fim, requer a reforma do despacho decisório questionado para que sejam deferidos os pedidos de restituição em questão.” A DRJBrasília/DF (efls. 277/283) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Crédito de PIS/Pasep Incidência não cumulativa Tributação monofásica na aquisição de produtos para revenda Vedação legal. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS, a aquisição de automóveis e autopeças sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, não gera direito a créditos para o comerciante atacadista ou varejista desses produtos, por expressa vedação legal, não se aplicando, portanto, à disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 287/322), repisando os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescendo reforços quanto aos aspectos econômicos de fixação das alíquotas da Cofins não cumulativa e aos normativos que amparariam seu direito. Os mesmos dispositivos legais citados e transcritos na manifestação de inconformidade foram e repetidos no recurso voluntário. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília/DF, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório proferido pela DRFGoiânia/GO que indeferiu os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) de saldos credores da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo, apurados para os 4 (quatro) trimestres do ano calendário de 2006, no valor total de R$ 1.647.101,11.. Por meio do Despacho Decisório nº 556/2010, às efls. 38/49, a DRF indeferiu os pedidos de ressarcimento transmitidos pela recorrente, sob o fundamento de que a revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico não geram créditos da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo passíveis de ressarcimento. No mesmo sentido manifestouse a autoridade administrativa julgadora de piso. A despeito do extenso recurso voluntário apresentado pela querelante, a matéria restringese à análise do direito ao creditamento da contribuição para o PIS/PASEP sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração e pagamento desta contribuição, para fins de ressarcimento de suposto saldo credor trimestral apurado em decorrência de tal creditamento. O regime de tributação não cumulativa da contribuição para o PIS/PASEP foi instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Em seu art. 3º, I, “b”, a referida lei excetua o creditamento exatamente dos produtos dos quais pretende a recorrente verse creditada para fins de ressarcimento, quais sejam, veículos e autopeças, elencados nos incisos III e IV do §1º do art. 2º daquela lei. Vejase a redação vigente à época dos fatos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ........................................................................................................ Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720345/201051 Acórdão n.º 3202000.954 S3C2T2 Fl. 341 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): ........................................................................................................ b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) ....................................................................................................... III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifos não constantes do original) Por sua vez, a Lei nº 10.485/ 2002 assim dispõe sobre a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas decorrentes de vendas daqueles bens sujeitos à tributação monofásica: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2 Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (incluído pela Lei n" 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluido pela Lei n°10.865, de 2004) II o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória n' 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei n" 10.925, de 2004) (grifos não constantes do original) Pelos textos legais acima transcritos, vêse claramente que o art. 3º, I, “b”, da Lei n º. 10.637/2002, veda expressamente o creditamento pretendido pela recorrente. Assim, suas aquisições não geram direito a crédito e, por sua vez, não há qualquer valor a ser ressarcido. Alega a recorrente que o creditamento pretendido encontraria amparo no art. 17 da Lei nº. 11.033/2004, o qual assim estabelece: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acontece, porém, que a referida lei não se aplica à contribuinte, vez que diz respeito tãosomente ao regime de tributação específico denominado REPORTO, conforme se vê de sua própria ementa : Lei nº. 11.033, de 21 de dezembro de 2004 Altera a tributação do mercado financeiro e de capitais; institui o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO; altera as Leis nos 10.865, de 30 de abril de 2004, 8.850, de 28 de janeiro de 1994, 8.383, de 30 de dezembro de 1991, 10.522, de 19 de julho de 2002, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 10.925, de 23 de julho de 2004; e dá outras providências. (grifos não constantes do original) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720345/201051 Acórdão n.º 3202000.954 S3C2T2 Fl. 342 7 Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme demonstra a ementa abaixo transcrita, referente ao julgamento proferido no Resp nº 1.217.828/RS: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. (grifos não constantes do original) Neste sentido também é o precedente deste CARF, manifestado no Acórdão nº. 3301001.714, nos autos do processo nº. 10120.720343/201061. Naquela oportunidade, a Turma julgadora, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário oferecido pela mesma interessada, “NAVESA Nacional de Veículos Ltda”, que pretendia verse ressarcida em supostos créditos referentes à COFINS, relativos aos quatro trimestres de 2007. Referida decisão restou assim ementada: AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado Assim, por ausência de amparo legal à pretensão da recorrente, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000738/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6.
Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA.
A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente TRANSPORTES SANCAP S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 38 /2 01 0- 16 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 177 3 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.299.5578, lavrado em 24/09/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte do empregado e contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais e de empregados apuradas em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 236.991,79, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 06/10/2010, fls. 25, a recorrente apresentou impugnação, fls. 85/101, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 146/155, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/09/2011, fls. 158. O recurso voluntário, apresentado em 18/10/2011, fls. 159/172, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que houve nulidade nas intimações feitas por via postal. Entende que o auto de infração deve ser lavrado no estabelecimento do fiscalizado sob pena de nulidade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Conclui que inexistiu sonegação. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 178 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Intimação. Pessoal, postal ou por meio eletrônico. Ao contrário do que argumenta a recorrente, o Decreto 70.235/72 prevê várias formas de intimação, conforme podemos conferir no texto legal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Ademais temos a Súmula CARF nº 06: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Portanto, não havendo exclusividade de meio de intimação e sendo obedecidos os requisitos legais para a utilização do meio eleito, não há qualquer irregularidade nas intimações levadas a efeito pela fiscalização. Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. A respeito da Representação Fiscal para Fins Penais Os argumentos quanto ao ilícito penal não são objeto da discussão administrativa regida pelo Decreto 70.235/72. Se foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, com natureza de notitia criminis, quando e se esta for enviada ao Ministério Público, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Afastamos, portanto, os argumentos dessa natureza. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 179 7 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 180 9 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 181 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a: (a) nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; (b) nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000738/201016 Acórdão n.º 2301003.521 S2C3T1 Fl. 182 13 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11030.900022/2009-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1528.654/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, fls. 82 e 83 , que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar até o limite do crédito reconhecido as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 28. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase da manifestação de inconformidade de fls. 37/38, que contesta o Despacho Decisório eletrônico n° de rastreamento 816115232, fl. 31, datado de 19/01/2009. que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 00 02 2/ 20 09 -8 7 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900022/200987 Resolução nº 1801000.257 S1TE01 Fl. 3 2 não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP: 14326.68352.200808.1.7.031203 (fls.01/16), 29803.16464.311007.1.3.039993 (fls. 17/20), 01026.68935.231007.1.032090 (fls. 21/24) e 19663.74281.231007.1.7.038199 (fls. 25/28). em razão de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor de R$89.826,27, informado na DIPJ 2006 (anocalendário 2005) não corresponde ao valor original do saldo negativo de CSLL, de R$94.938,07, informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito. Tendo tomado ciência do despacho decisório em 28/01/2009. o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18/02/2009, alegando, em síntese, que: a) recebeu em 30/07/2008, um Termo de Intimação da Receita Federal (fl. 57). relativo à divergência de informações entre a DIPJ 2005 e o PER/DCOMP 20435.65270.231007.1.7.032427, no que se refere ao Saldo negativo de CSLL com a finalidade de compensações, tendo efetuado a correção deste PER/DCOMP dentro do prazo solicitado, através do PER/DCOMP retifícador n° 14326.68352.200808.1.7.03 1203, (fls. 01/16) porém, preencheu erroneamente a linha "Saldo Negativo" deste PER/DCOMP, com o valor de R$94.938,07, quando o valor correto deveria ser de R$89.826,27. o que foi detectado pelos sistemas da Receita Federal. Entretanto, o valor erroneamente informado não teve influência no crédito solicitado, pois o crédito está correto e comprovadamente descrito no próprio PER/DCOMP e DIPJ retificados e entregues; b) os demais PER/DCOMP entregues, vinculados ao PER/DCOMP original, também foram abrangidos pelo Despacho Decisório em forma de cascata, pois os saldos credores foram sendo aproveitados dentro de nossa necessidade e em períodos posteriores. O PER/DCOMP n° 29803.16464.311007.1.3.039993 (fls. 17/20), também faz parte desta cascata, sendo que onde consta n° do PER/DCOMP inicial 04823.88958.300507.1.3.039802 (fl. 18), leiase 22119.59804.280207.1.3.030727. Os saldos e transporte estão preenchidos corretamente; [...] Voto [...] A análise da documentação constante dos autos e pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal que controlam os pagamentos efetuados e as declarações apresentadas pelo contribuinte demonstra que o contribuinte realizou pagamentos de CSLL por estimativa referente aos meses de janeiro a dezembro de 2005 (fls. 75/76) que totalizam R$55.990,00, e não o valor informado na DIPJ 2006, de R$94.938,07 (fl. 66). Desta forma, o saldo negativo de CSLL confirmado para o ano calendário de 2005 é de R$50.788.20. e não aquele que o contribuinte fez constar no PER/DCOMP em análise, no valor de R$89.826,27. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório do contribuinte no montante do saldo negativo de CSLL confirmado de R$50.788,20.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 108 a 120, reiterando os termos da defesa exordial e acrescentando que não foi considerado pela Turma Julgadora de primeira instância as estimativas de CSLL que não foram pagas por Darf, mas foram compensadas mediante a apresentação de outros Per/Dcomp, que discrimina. 1 AR – 15/03/2012, fls 103; Recurso – 16/04/2012, efls. 108 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900022/200987 Resolução nº 1801000.257 S1TE01 Fl. 4 3 Em outras palavras, reitera veemente que o saldo negativo de CSLL, relativo ao ano calendário de 2005, é da ordem de R$ 89.826,27, e as estimativas de CSLL quitadas no mesmo ano calendário não se restringem apenas às pagas e acusadas no sistema de pagamentos da Administração Tributária, mas também àquelas compensadas, no valor total de R$ 94.938,07, consoante corretamente informado na DIPJ/06 (fls. 66). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne da questão litigiosa está em apurarse quanto a recorrente recolheu de estimativas de CSLL no anocalendário de 2005, por efetivo pagamento (Darf) e/ou compensação realizada nos meses do referido ano, visto que este valor reflete diretamente no saldo negativo de CSLL ora debatido. As pesquisas de quitação das referidas estimativas de CSLL de fls. 76 e 77 que fundamentaram o acórdão guerreado, de fato, contemplam apenas os efetivos pagamentos mensais das estimativas. A recorrente, por sua vez, argumenta que entregou DCTF, em 06 de abril de 2009, em prazo hábil, informando as compensações efetuadas (junta ao recurso) e explica que as estimativas mensais de março e abril foram quitadas com outros Per/Dcomp. Reproduzo o quadro abaixo, de efls, trazido no recurso voluntário: Em vista de não haver notícia, nestes autos, sobre o resultado dos Per/Dcomp assinalados pela recorrente, ou sobre as DCTF entregues pela recorrente relativas ao ano calendário de 2005, sendo insuficiente o demonstrativo da recorrente como prova, concluo que o processo carece de elementos para o litígio ser dirimido. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.900022/200987 Resolução nº 1801000.257 S1TE01 Fl. 5 4 Destarte, os autos devem retornar à unidade de jurisdição da recorrente para a análise das DCTF, entregues e processadas (ativas), e Per/Dcomp entregues pela empresa, que influenciem diretamente no saldo devedor de CSLL do anocalendário de 2005, bem como intimar a recorrente a exibir os livros e documentos contábeis, precipuamente balanços de suspensão/redução escriturados à época, respectivos. A autoridade fiscal designada deverá elaborar um Relatório Conclusivo, acompanhado das cópias dos documentos pertinentes. Do resultado das diligências, à recorrente deverá ser cientificada, sendolhe facultado manifestarse a respeito, em prazo regulamentar. Voto na conversão do julgamento na realização das diligências supra mencionadas.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.723758/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO.
As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal
IRPF. LEI 8.852/1994. AUSÊNCIA DE OUTORGA DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal IRPF. LEI 8.852/1994. AUSÊNCIA DE OUTORGA DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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HIPÓTESE DE SUSPENSÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal IRPF. LEI 8.852/1994. AUSÊNCIA DE OUTORGA DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 37 58 /2 00 8- 12 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 07 a 09, formalizada em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2006, ano calendário de 2005, da qual ficaram constatadas as seguintes infrações: Omissão de rendimentos recebidos do COMANDO DA MARINHA, no valor de R$ 7.456,64; Omissão de rendimentos recebidos da CAPEMI Caixa de Pecúlios Pensões e Montep Beneficente, no valor de R$ 1.732,07, compensado o IRRF de R$ 259,81; Omissão de rendimentos recebidos da CAPEMI Caixa de Pecúlios Pensões e Montep Beneficente, no valor de R$ 2.739,77, compensado o IRRF de R$ 288,08, tendo como beneficiário o titular do CPF 944.592.66768. Cientificado do lançamento o Interessado apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL e, não se conformando com o indeferimento desta, fls. 05/06, apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Entende ser improcedente o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852, de 1994, o qual enumeraria hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física, dentre as quais o adicional por tempo de serviço, motivo pelo qual deduziu o valor de R$ 7.456,64 dos rendimentos tributáveis através da retificação de sua declaração de rendimentos. Conclui por requerer a retificação do lançamento no que se refere ao montante recebido da CAPEMI e a exclusão do adicional por tempo de serviço da base de cálculo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, examinando o assunto, entendeu que não pode prosperar a tese de que as verbas recebidas a título de adicional por tempo de serviço não seriam isentas, haja vista que “As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1º da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física”. Quanto ao lançamento relativo à omissão de rendimentos provenientes da fonte pagadora CAPEMI, a decisão de primeiro grau entendeu que a espontaneidade do contribuinte quanto à possibilidade de alterar a declaração fica excluída, diante da regular ciência regular do início do procedimento fiscal ou da notificado de lançamento fiscal. Cientificado em 11/04/2011, fls. 31, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 03/05/2011, fls. 35/36 (processo digital), reiterando os argumentos apresentados na impugnação, para aduzir que, como a “cobrança já prescreveu os cinco anos”, solicita o cancelamento do Darf, uma vez que o sistema da Receita Federal não lhe permite fazer uma nova retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15374.723758/200812 Acórdão n.º 2802002.458 S2TE02 Fl. 57 3 O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O exame do presente litígio se limitará à matéria atinente à omissão de rendimentos relativos à verba adicional por tempo de serviço, uma vez que o contribuinte não questionou a decisão de primeira instância acerca da omissão de rendimentos provenientes da fonte pagadora CAPEMI Caixa de Pecúlios Pensões e Montep Beneficente. O recorrente requer que seja declarada a prescrição do crédito tributário, ora exigido, por entender que já transcorrera o prazo de cinco anos estabelecido para tanto. A matéria está regulamentada no inciso III do art. .151 do Código Tributário Nacional que assim dispõe: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Uma vez apresentada a impugnação, bem como ingressado o recurso voluntário pelo contribuinte, o presente processo se submete às normas estabelecidas no Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta os processos administrativos fiscais, razão pela qual há que se considerar suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente. Assim, suspensa a exigibilidade do crédito, restará também suspenso o prazo prescricional. Vale ressaltar, ainda, que a questão da prescrição intercorrente encontrase pacificada no âmbito administrativo, em face da edição da Súmula CARF nº 11, enunciada nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” A discussão acerca da incidência ou não do imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço em face da publicação da Lei 8.852, de 1994, também já foi solucionada no âmbito do CARF, uma vez que foi editada a Súmula CARF nº 68, que possui o seguinte enunciado: “Súmula CARF nº 68. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16682.900884/2010-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 27872.20428.280307.1.3.043112, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469), relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 7.226,97, com o crédito de R$ 7.226,97, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 88 4/ 20 10 -9 2 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 3 2 realizado por meio de DARF (cód. 2319), referente ao período de apuração 30/11/2006, no valor total de R$ 24.089,90. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540406), emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.226,97. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 22/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/49, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 12B da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 12B da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 103.179,76, o qual faz jus; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 4 3 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 27872.20428.280307.1.3.043112 em 28/03/2007, no total de R$ 7.226,97 (principal: R$ 5.877,97; multa: R$ 1.175,60; juros: R$ 173,40), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 6.051,37, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 1.175,60; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.020, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 19/12/2013 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO.CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/01/2013. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 6 5 efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anobase encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, o crédito de R$ 7.226,97, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 24.089,90, referente ao período de apuração de 30/11/2006. declarado no PER/DCOMP nº 27872.20428.280307.1.3.043112 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 9.617.173,50 (fls.53/64), como demonstrado a seguir: ... Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 7 6 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 12B da DIPJ/2007, passando a fazer jus ao saldo negativo de R$ 103.179,76. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 65/67), que o motivo do acréscimo do saldo negativo está no preenchimento da Ficha12B (“Cálculo do IR sobre o Lucro Real”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” apresenta o valor de R$ 9.617.173,50, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 9.652.441,32. Consequentemente, o saldo negativo de R$ 67.911,94 das duas primeiras restou acrescido para R$ 103.179,76 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls.33/45) declara a compensação de débito de IRPJ utilizando o crédito de R$ 67.850,66, proveniente do saldo negativo retificado de R$ 103.179,76. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 35.329,10. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls. 108), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 68/71), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 35.329,10, para compensar débito de IRPJ, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 35.267,82. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de IRPJ integra o saldo negativo de R$ 103.179,76 pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 12B das respectivas declarações o efetivo valor do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” – R$ 9.652.441,32 – e, consequentemente, do saldo negativo – R$ 103.179,78 após todos os recolhimentos de estimativa de IRPJ efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 8 7 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de IRPJ recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 35.267,84, compõem efetivamente o saldo negativo de R$ 103.179,78, pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de saldo negativo, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 pelo de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo do saldo negativo de R$ 103.179,78, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater ao mencionado saldo negativo retificado. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte do saldo negativo de R$ 103.179,78, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 105 e 107). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 35.267,82 indicado no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 9 8 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 27872.20428.280307.1.3.043112 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 em que se analisa o saldo credor do IRPJ de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, relativo ao período de novembro/2006, compõe o saldo negativo de R$ 103.179,78, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900884/201092 Resolução nº 1802000.318 S1TE02 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.004523/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.381
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 52 3/ 20 10 -3 3 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 423 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por XPLOD CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.313.4517, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, pagamentos efetuados a contribuintes individuais, sócios da recorrente. Consta do relatório fiscal que o lançamento da multa fora justificado nos seguintes motivos e razões de fato e direito: 5.1. Dos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais — sócios 5.1.1. No decorrer do procedimento fiscal, através da análise dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, durante todo o ano calendário de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1029217, e com o histórico "PGTO SALARIOS", apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social. 5.1.2. Considerandose, ainda, que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, o contribuinte foi Intimado a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações em anexo, tratarse de transferências feitas aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3— LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO. 5.1.3. 0 contribuinte entregou a DIPJ 2007 (ano calendário 2006) com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. 5.1.4. Para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, entendese por lucro passível de distribuição, o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos, neles incluidos o IRPJ, CSLL, Cofins e contribuições para o PIS/Pasep. 5.1.4.1. A distribuição de lucros para as pessoas Jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido foi disciplinada pela legislação do IRPJ, conforme disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, art. 51 da Instrução Normativa SRF no 011, de 21 de fevereiro de 1996 e art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de Dezembro de 1997, que dispõem sobre o lucro das pessoas Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 424 3 jurídicas a partir do anocalendário de 1997 e ato Declaratório Normativo n° 4, de 29.02.96 (DOU de 05.03.96). 5.1.4.2. Importante dizer que algumas regras devem ser atendidas para a distribuição dos lucros ou dividendos acima do valor determinado permitido, como existência de lucros e o demonstrativo contábil que evidencie a existência desse lucro. 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "prolabore", pelo serviço prestado à empresa. Consta ainda do relatório fiscal que diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração do contribuinte e, considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta. A base de cálculo das contribuições fora apurada da seguinte forma: 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior, conforme demonstrado abaixo: [tabela no relatório fiscal] O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 30/11/2010 (fls. 01). Fora apresentada impugnação requerendo exclusivamente o apensamento do presente processo ao PAF n. 19515.004529/201019, processo este do qual originouse o presente lançamento, por ser reflexo ao mesmo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente processo deve aguardar o julgamento do processo administrativo n. 19515.004529/201019, do qual originouse como lançamento reflexo, tanto que o julgador de primeira instância analisou os argumentos de defesa constantes na impugnação ofertada naqueles autos, mesmo que de forma indireta, já que ao presente Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 425 4 processo fora juntada com a impugnação cópia dos argumentos de defesa utilizados naquele processo. 2. que o processo n. 19515.004529/201019 trata de lançamento de omissão de receitas, por depósitos bancários de origem não comprovada, motivo pelo qual possui irrestrita necessidade do reconhecimento da conexão com o presente caso; 3. que em tendo sido apurada omissão de rendimentos, a fiscalização previdenciária entendeu que tais valores deveriam ser atribuídos aos sócios na condição de pró labore lançado no presente processo; 4. que a exigência fiscal, baseada na suposta distribuição de lucros acima dos limites legais previstos na legislação fiscal/tributária, dando origem, por reflexo, a outros procedimentos fiscais (PT 19515.004520/201008, 19515.004521/201044, 19515.004523/201033 e 19515.004525/201022, é totalmente improcedente porquanto os lucros distribuídos pela Impugnada estão respaldados em seus assentamentos contábeis;: 5. que conforme Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício e o Balanço Patrimonial, no ano calendário de 2006, auferiu receitas no montante de R$ 384.029,20 que subtraído das despesas necessárias à manutenção de suas atividades operacionais na quantia de R$ 103.063,72 gerou o lucro contábil de R$ 280.965,48. 6. que se analisando as demonstrações contábeis acima, verificase que a Impugnante acusou em seu Patrimônio Liquido lucros de exercícios anteriores no montante de R$ 23.211,91, que somados ao lucro do anocalendário de 2006, após a dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na quantia de R$ 280.965,48 perfazem o total de R$ 304.177,39. 7. que a fiscalização, conforme consta dos itens 2.4.3 do Termo de Verificação Fiscal, apurou que no curso do anocalendário de 2006, distribuiu lucros no montante de R$446.681,62 (quatrocentos e quarenta e seis mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e dois centavos), portanto em valor inferior aos lucros acumulados constantes nos demonstrativos contábeis anexos; 8. que, portanto, o ilustre julgado de primeira instância não poderia desconsiderar as apurações constantes no balanço anual de 2006, equivocandose a afirmar que o Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 426 5 balanço patrimonial e demonstração de resultado do exercício social não são instrumentos legais para comprovar o montante de lucro efetivo da sociedade; 9. que a inexistência de empregados não permite ao intérprete inferir que os serviços não possam ser prestados, pois no centro da organização estão os sócios/técnicos habilitados para a realização do objeto social da empresa, que no caso é a prestação de consultoria em informática; 10. nada impede que os sócios abdiquem ao seu direito de retirada de prólabore, optando, somente, pela distribuição dos lucros; 11. que se os sócios não tiverem direito a remuneração via distribuição dos lucros, fica prejudicada a sua remuneração pelo capital investido na empresa, o que não pode ser acatado por este Eg. Conselho; 12. ilegalidade da SELIC; 13. deve ser suspensa a incidência dos juros moratórios durante o período em que perdurar o processo administrativo; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 427 6 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar a análise do presente caso, creio que para uma melhor análise dos argumentos expostos em sede de recurso voluntário, sejam necessários prévios esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, até diante das alegações constantes do recurso voluntário da recorrente, pela necessidade de reconhecimento da conexão do presente processo com os autos do PAF n. 19515.003425/201089. Da análise do relatório fiscal da infração, verificase que inicialmente assim consignou o ilustre auditor fiscal: 0 procedimento fiscal foi encerrado parcialmente, com a ciência do contribuinte em 30/11/2010,tendo sido emitidos o Al relativo ao IRPJ e reflexos (Proc. n°19515.003425/201089). Ou seja, a meu ver resta subtendido que o presente Auto de Infração, de fato decorreu do lançamento efetuado nos autos do processo 19515.003425/201089. Todavia, ao fazer tal afirmativa, deixo claro que tal fato, por si só, não enseja o reconhecimento de qualquer prejudicialidade entre os julgamentos. Todavia, ao continuar a análise do próprio relatório fiscal, vejo que o presente lançamento é efetuado em razão de terse verificado que a recorrente não possuía, no ano de 2006 lucro presumido calculado com base na receita apurada no período, suficiente a justificar os pagamentos efetuados aos sócios a título de retribuição pelo capital investido (distribuição de lucros). Vejamos o que ponderou o fiscal sobre o assunto: 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "prolabore", pelo serviço prestado à empresa. E mais a frente, justificou a aferição da base de cálculo da seguinte forma: 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior, conforme demonstrado abaixo: [tabela no relatório fiscal] Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004523/201033 Resolução nº 2402000.381 S2C4T2 Fl. 428 7 Ou seja, o fiscal consignou que determinou o lucro presumido sobre todas as receitas apuradas, sem se manifestar sobre qualquer correlação com o processo reflexo. Todavia, mais a frente, ao se manifestar sobre as receitas consideradas, fez questão de consignar em seu arrazoado a correlação das receitas entre o presente processo e o processo n. 19515.003425/201089 5.2.3. Cabe esclarecer que, para determinação da Receita, no encerramento parcial da presente ação fiscal foi apurada a Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviço e a Presunção de Omissão de Receitas decorrente dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas em anexo, integrantes do processo n° 19515.003425/201089, relativo ao IRPJ e reflexos: • ANEXO 1 PLANILHA DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS E NÃO JUSTIFICADOS; e • ANEXO 2 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES (item 1 — RECEITAS BRUTAS OMITIDAS e item 2— PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS) Em que pesem, portanto, os fundamentos lançados no v. acórdão de primeira instância, entendo de forma diferente, pois concluo que os dois processos de fato possuem correlação no que se refere a base de cálculo discutida. Tal fato, a meu ver, enseja que o julgador aja com cautela na análise do feito, de sorte, inclusive, a evitar sejam proferidas decisões contraditórias, mesmo que em se tratando de diferentes exações e distintos fatos geradores. E digo isso, pois, a meu ver, já que se trava naquele processo além das discussões acerca da multa isolada lançada, discussão que pode ensejar reflexos na base de cálculo do presente lançamento, que seja mais cauteloso que se aguarde o final daquele julgamento, para que então se proceda ao presente. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que baixem os autos do presente processo a origem e lá aguarde o julgamento final do processo n. 19515.003425/201089, no qual se apura a omissão de receitas que deram azo ao presente lançamento, retornando os autos a Este Eg. Conselho, com cópia das decisões que nele vierem a ser proferidas ou, se for, o caso, já tiverem sido proferidas. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16682.900890/2010-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 17494.34831.280307.1.3.043039, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 2.601,71, com o crédito de R$ 2.601,71, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 89 0/ 20 10 -4 0 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 3 2 realizado por meio de DARF (cód. 2469), referente ao período de apuração 30/11/2006, no valor total de R$ 8.672,36. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07 (nº de rastreamento 880540397),emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.601,71. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/56, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 17 da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 17 da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 12.797,06, o qual faz jus; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 4 3 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 17494.34831.280307.1.3.043039 em 28/03/2007, no total de R$ 2.601,71 (principal: R$ 2.116,07; multa: R$ 423,21; juros: R$ 62,43), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 2.178,49, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 423,21; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.026, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 11/09/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/10/2012. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e nº 28675.06910.211010.1.7.031728, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Neste contexto, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 6 5 efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, o crédito de R$ 2.601,71, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), no valor total de R$ 8.672,36, referente ao período de apuração de 30/11/2006, declarado no PER/DCOMP nº nº 17494.34831.280307.1.3.043039 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 16 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 3.493.601,64 (fls. 59/70), como demonstrado a seguir: ... Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 7 6 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 17 da DIPJ/2007, passando a fazer jus à base de cálculo negativa de R$ 12.797,06. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 71/73), que o motivo do acréscimo da base de cálculo negativa está no preenchimento da Ficha 17 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível da “CSLL Mensal Paga por Estimativa” apresenta o valor de R$ 3.493.601,64, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 3.506.298,06. Consequentemente, a base negativa de R$ 100,64 das duas primeiras restou acrescida para R$ 12.797,06 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 (fls.39/51) declara a compensação de débito de CSLL utilizando o crédito de R$ 75,12, proveniente da base de cálculo negativa retificada de R$ 12.797,06. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 12.721,94. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls.111), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 28675.06910.211010.1.7.031728 (fls.74/77), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 12.721,94, para compensar débito de CSLL, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 12.696,42. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de CSLL integra a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06 pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.03 6375, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 17 das respectivas declarações o efetivo valor da “Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Paga por Estimativa” – R$ 3.506.298,06 – e, consequentemente, da base de cálculo negativa – R$ 12.797,06 após todos os recolhimentos de estimativa de CSLL efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 8 7 terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de CSLL recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 12.696,41, compõem efetivamente a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.03 6375 e no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de base de cálculo negativa, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 pelo de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater à mencionada base de cálculo negativa retificada. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 109/110). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 12.696,42 indicado no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 9 8 proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, razão pela qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 17494.34831.280307.1.3.043039 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor da CSLL, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, em que se analisa o saldo credor da CSLL de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo da CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, relativo ao período de novembro/2006, compõe o saldo negativo de R$ 12.797,06, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900890/201040 Resolução nº 1802000.324 S1TE02 Fl. 10 9 saldo negativo, desde que reconhecido e, informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.912796/2009-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA.
Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice - em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente-, ambas as consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996.
Numero da decisão: 3403-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA. Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente, ambas as consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 96 /2 00 9- 33 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Federação Interfederativa das Cooperativas de Trabalho Médico do Estado de Minais Gerais ao Acórdão nº 3403 002.233, de 22/05/2013, em face de “omissão/obscuridade”. A ciência do julgamento ocorreu em 04/07/2013 (AR à fl. 171), tendo os embargos sido interpostos em 09/07/2013 (fl. 173). Argumenta a embargante que este tribunal furtouse a apreciar integralmente a Solução de Consulta nº 412/2004, limitandose a colacionar trecho da conclusão proferida, contrário à empresa, sem discutir excerto da decisão que reconhecia que a empresa não se enquadra no art. 13, V da Medida Provisória no 2.15835/2001, e, portanto, não era contribuinte do “PIS/Folha”. Nos embargos, afirmase ainda que este tribunal não apreciou a questão da legalidade do Decreto nº 4.524/2002 (art. 32, § 4o) e da IN SRF nº 247/2002, “únicas disposições normativas vigentes capazes de ensejar a cobrança do PIS/Folha da embargante”. Conclui a embargante afirmando que não seria possível afirmar a inexistência de documentação comprobatória sem a análise da “validade legal daqueles normativos”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe: “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP.” Do voto condutor do acórdão embargado, extraise ainda que: “A recorrente alega ainda que a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002, cuja aplicação foi afastada pela Solução de Consulta no 412, de 15/12/2004, e que afronta disposição legal. (...) Vejase que o julgador não identificou pagamento indevido ou a maior (e, por decorrência, crédito em favor da recorrente). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10680.912796/200933 Acórdão n.º 3403002.503 S3C4T3 Fl. 226 3 Também não encontrou motivação para que o pagamento informado (e confessado em DCTF) tivesse sido indevido ou a maior. A argumentação sobre o § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002 é feita a título exemplificativo, como resta claro na redação do voto, visto que seria uma possível alegação para considerar o pagamento indevido (alegação essa que, como destaca o próprio julgador, o contribuinte não faz em sua manifestação de inconformidade). (...) O julgamento de primeira instância, pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, assim, não teve por base o § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002, mas a falta de comprovação do crédito. Ademais, a Solução de Consulta apresentada (SRRF06/DISIT no 412/2004) é flagrantemente em sentido contrário ao atribuído pela recorrente em sua peça de defesa. Vejase que a conclusão da consulta é no sentido de que a recorrente “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. Não merece prosperar assim a argumentação de que a decisão da DRJ inovou, ou que fundamentou seu indeferimento em matéria que, inclusive, não foi objeto de questionamento na manifestação de inconformidade. Por consequência, incabível a análise em sede inaugural por este CARF de eventual tese de ilegalidade de decreto ou instrução normativa que sequer serviu de base à discussão em primeiro grau. Por fim, reiterese que a documentação carreada em sede de recurso voluntário, além de já estar toda disponível (e ser passível de apresentação) por ocasião da decisão de primeira instância, continua não comprovando a existência e a liquidez do crédito informado na DCOMP. (grifo nosso)” É cristalino, assim, que não há omissão em relação à análise de normas infralegais (Decreto e Instrução Normativa), mas uma expressa (e unânime) decisão pela exclusão de tal análise, pelo julgador, por não ter a matéria sido enfrentada em primeira instância (não tendo sido mencionado o assunto na manifestação de inconformidade e nem tendo constituído pressuposto motivador da decisão de primeira instância). Não se pode confundir omissão com tratamento do tema (exclusão de análise) em desacordo com o que desejava a embargante. Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 1 A Solução de Consulta encontrase integralmente transcrita em Anexo ao Recurso Voluntário (fls. 88 a 95). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10680.912796/200933 Acórdão n.º 3403002.503 S3C4T3 Fl. 227 5 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 14/11/2005 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 1.879,94, recolhidos em 15/06/2004) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.321,35). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Rosaldo Trevisan Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10980.926917/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do me´rito.
(assinado eletronicamente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado eletronicamente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 69 17 /2 00 9- 40 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado eletronicamente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 31): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 31): Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 29/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 37764.79965.261006.1.3.042015, nos termos do despacho decisório emitido em 07/07/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento nº 843134182). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 26/10/2006, a contribuinte indicou um crédito de R$ 788,91 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/12/2005, sob o código 2172, o valor de R$ 12.550,01), e Fl. 46DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.926917/200940 Acórdão n.º 3802001.616 S3TE02 Fl. 46 3 um débito de IRPJ (2089), do 3º trimestre de 2006, vencido em 31/10/2006, no valor original de R$ 883,82. Segundo o despacho decisório, cientificado em 14/07/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de COFINS de novembro de 2005, no valor de R$ 12.550,01. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 3741, sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 15/12/2011 (fls. 36), interpondo recurso tempestivo em 05/01/2012 (fls. 37). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência da nãocumulatividade da Cofins, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.926917/200940 Acórdão n.º 3802001.616 S3TE02 Fl. 47 5 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, reproduzido anteriormente, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à DRJ, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19515.003460/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL
Rejeitam-se as preliminares de nulidade suscitadas contra o procedimento administrativo fiscal, quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).
É válido o procedimento fiscal quando nos autos está comprovado que a Fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, sendo o MPF mero instrumento de controle das atividades e de procedimentos de Fiscalização, eventuais falhas na sua emissão e no seu trâmite, não são motivos que justifiquem a nulidade do lançamento.
PRELIMINAR. PROVAS ILÍCITAS.
Os termos constantes dos autos comprovam que a documentação constante dos autos foi obtida válida e licitamente, já que foram entregues espontaneamente pelos responsáveis tributários da empresa.
EMPRESA EXTINTA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
No caso de liquidação de sociedade de pessoas, os sócios respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação principal que não é mais possível de ser exigido da pessoa jurídica extinta.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
Comprovado nos autos que os contribuintes atenderam às intimações do fisco, ainda que parcialmente, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%.
AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente.
Numero da decisão: 1202-001.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, de forma a excluir a incidência dos juros sobre o valor da multa de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
EDITADO EM: 22/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitamse as preliminares de nulidade suscitadas contra o procedimento administrativo fiscal, quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). É válido o procedimento fiscal quando nos autos está comprovado que a Fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, sendo o MPF mero instrumento de controle das atividades e de procedimentos de Fiscalização, eventuais falhas na sua emissão e no seu trâmite, não são motivos que justifiquem a nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PROVAS ILÍCITAS. Os termos constantes dos autos comprovam que a documentação constante dos autos foi obtida válida e licitamente, já que foram entregues espontaneamente pelos responsáveis tributários da empresa. EMPRESA EXTINTA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No caso de liquidação de sociedade de pessoas, os sócios respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação principal que não é mais possível de ser exigido da pessoa jurídica extinta. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 60 /2 01 0- 06 Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado nos autos que os contribuintes atenderam às intimações do fisco, ainda que parcialmente, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, de forma a excluir a incidência dos juros sobre o valor da multa de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Relatório Tratase o presente processo de Autos de Infração (fls. 459/489), nos quais a fiscalização constatou “omissão de receitas da atividade verificada a partir do confronto das notas fiscais com os valores declarados na DIPJ”, constituindo créditos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/Pasep, relativos ao ano calendário de 2006, na seguinte conformidade: 2 Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 Imposto Juros Multa qualificada e agrava de 225% Valor do crédito IRPJ R$ 1.930.750,78 R$ 858.909,30 R$ 4.344.189,23 R$ 7.133.849,31 PIS/PASEP R$ 627.493,96 R$ 285.765,93 R$ 1.411.861,37 R$ 2.325.121,26 COFINS R$ 2.896.126,22 R$ 1.318.920,04 R$ 6.516.283,96 R$ 10.731.330,22 CSLL R$ 1.042.605,44 R$ 463.811,02 R$ 2.345.868,22 R$ 3.852.278,68 TOTAL R$ 24.042.579,47 Foram arrolados como responsáveis pelas infrações cometidas na empresa extinta Santa Flora Cotton Comercial Ltda., CNPJ nº 03.458.670/000144, o Sr. Milton Molento, CPF nº 062.283.05891, e o Sr. Kzanuri Ogasawara, CPF nº 188.479.27820. Após não localizada a empresa no endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil (fl. 65), encaminhouse o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 11/11/2009, aos dois sócios, solicitando os seguintes documentos relacionados ao IRPJ do AC 2006: livros diários e razão; livros de registro de inventário, registro de entradas e registro de saídas e GIAICMS; disponibilização da escrituração comercial e fiscal em meio magnético, do período de 2004 a 2007, através do Programa Gerador Sinco – Arquivos Contábeis; e os atos constitutivos, alterações e procuração, se for o caso. Porém, apenas o Sr. Milton Molento foi encontrado no endereço (fls. 66/71). Não atendido o Termo de Intimação Fiscal pelo Sr. Milton Molento, foi lavrado, em 03/02/2010, Termo de Constatação e Reintimação Fiscal solicitando novamente a apresentação de referidos documentos (fls. 72/74). Diante da ausência de recusa injustificada na apresentação dos documentos nos prazos solicitados, foi lavrado, em 02/03/2010, Termo de Embaraço à Ação Fiscal (fl. 75/76). Foram ainda lavrados os seguintes termos: Em 01/04/2010, Termo de Recebimento de Documentos (fl. 78); 3 Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Em 28/05/2010, Termo de Retenção e Recebimento de Documentos (fl. 79); Em 07/06/2010, Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fl. 80/81); Em 09/08/2010, Termo de Intimação Fiscal (fls. 82/83); Em 25/08/2010, Termo de Intimação Fiscal (fls. 84/85); Em 25/08/2010, Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 86/88) Neste último, constatouse, em síntese: O sujeito passivo atendeu parcialmente às intimações, apresentando: notas fiscais originais, faltando apenas as notas fiscais da série 4 numeradas de 492 a 500, sendo que todas as notas pertenciam à filial nº 000306; cópias do livro Registro de Saídas que abrangeram o período examinado; cópias das GIAICMS, de janeiro a outubro de 2006; cópias do contrato social, alterações e distrato social; e planilhas eletrônicas com a relação das notas fiscais emitidas de janeiro a outubro de 2006, séries 1 e 4; Não foram apresentados os Livros Diários, Razão, Registro de Inventário, Registro de Entradas e escrituração comercial e fiscal em meio magnético. Encerramento das atividades da empresa em outubro de 2006; A partir da conferência das planilhas eletrônicas apresentadas com as notas fiscais originais, foi elaborada, com algumas alterações, planilha denominada de “Totalização Mensal das Notas Fiscais Emitidas”, cujos valores foram comparados àqueles declarados à RFB através da DIPJ, resultado o trabalho na seguinte tabela: Mês Totalização NF Receita DIPJ jan/06 R$ 9.675.812,59 fev/06 R$ 9.322.467,88 mar/06 R$ 11.868.904,46 R$ 2.854.079,40 abr/06 R$ 11.249.009,43 mai/06 R$ 9.578.810,82 jun/06 R$ 12.485.609,46 R$ 2.862.727,25 jul/06 R$ 11.439.433,72 ago/06 R$ 13.961.559,59 set/06 R$ 12.249.869,72 R$ 2.671.908,73 4 Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 out/06 R$ 3.858.722,85 R$ 763.942,89 TOTAL R$ 105.690.200,52 R$ 9.152.658,27 Por fim, em 11/11/2009, foi lavrado Termo de Verificação Fiscal (fls. 452/456), extraindose, em suma, as seguintes conclusões fiscais expostas na decisão recorrida (2716/2729): [...] a) a empresa não foi localizada no endereço de cadastro da RFB, após três tentativas via postal para entrega do Termo de Início de Fiscalização (TIF); b) encaminhouse o TIF aos dois sócios (Milton Molento, CPF nº 062.283.05891 e Kazunori Ogasawara, CPF nº 188.479.27820), mas apenas o primeiro foi localizado no endereço constante dos cadastros da RFB; c) não houve qualquer manifestação das partes quanto ao TIF; d) após diversas outras solicitações e termos da Fiscalização (Termo de Constatação e Reintimação Fiscal – 03/02/2010, Termo de Embaraço à Ação Fiscal – 02/03/2010, Termo de Recebimento de Documentos – 01/04/2010, Termo de Retenção e Recebimento de Documentos – 28/05/2010, Termo de Constatação e Intimação Fiscal – 07/06/2010, Termo de Intimação Fiscal – 09/08/2010), foi lavrado, em 25/08/2010, o Termo de Constatação Fiscal e Intimação Fiscal, no qual o sujeito passivo foi intimado a justificar as diferenças apuradas entre os valores declarados na DIPJ do anocalendário 2006 (R$ 9.152.658,27) e o somatório das notas fiscais (R$ 105.690.200,52); e) o intimado não se manifestou para justificar a diferença apontada; f) o sujeito passivo obrigado ao cumprimento da obrigação principal revestese da condição de contribuinte ou de responsável. O CTN (Código Tributário Nacional) define como contribuinte aquele que tenha relação pessoal e direta com o fato gerador e, como responsável, aquele que, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei; g) o responsável tributário adquire essa condição por substituição daquele que deveria ser o contribuinte ou por transferência para si do dever de pagar o tributo que seria atribuível ao contribuinte; h) a responsabilidade solidária entre sujeitos passivos ocorre quando mais de um contribuinte ou responsável responde integralmente pelo mesmo crédito tributário, em função de sua coparticipação no fato gerador ou de designação legal (CTN, art. 124). Tão somente a lei pode definir o sujeito passivo, nos termos do art. 97, III e 121, do CTN, contribuinte ou responsável; i) quando é finalizada a dissolução da pessoa jurídica, entrase na fase de liquidação, em que são levantados os valores que compõem o patrimônio da sociedade ativo e passivo. Seguese o pagamento das dívidas, finalizando o procedimento com a partilha do resultado líquido final, que, se for positivo, será distribuído entre os sócios; j) para os efeitos tributários, entretanto, para que a dissolução da pessoa jurídica seja considerada regular, não basta o atendimento dos ritos formais para a sua baixa no registro comercial e nos cadastros fiscais. É requisito legal para este procedimento, conforme previsto nos arts. 1.102 e 1.109 da Lei n° 10.406/02 (Código Civil), a quitação de todas as suas obrigações, o que inclui obviamente as de natureza fiscal. Assim sendo, não há como considerar regular a extinção de pessoa jurídica que tenha excluído do conhecimento do Fisco obrigações de sua responsabilidade enquanto em atividade. Tanto é que a baixa no cadastro do CNPJ é aceita condicionalmente pela Receita Federal, com ressalva do direito à exigência de créditos tributários que venham a ser levantados posteriormente; k) a dissolução irregular de pessoa jurídica implica a substituição da sujeição passivo dela para os seus administradores; l) portanto, demonstrado que na baixa da empresa nos cadastros da 5 Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA JUCESP e da RFB não foram satisfeitas todas as obrigações tributárias, configura extinção irregular da pessoa jurídica e, consequentemente, os sócios gerentes ficam solidariamente responsáveis por aquelas obrigações tributárias; m) a empresa não ofereceu à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mais de 90% dos valores faturados nas notas fiscais, o que redundou na redução de tributos e contribuições a pagar, e o sujeito passivo, intimado a se justificar, não se manifestou; n) essa prática reiterada denota a intenção de lesar o fisco, afastando a possibilidade de desatenção eventual, enquadrando a sua conduta no tipo descrito no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137/90, o que levou a Fiscalização a lavra a Representação Fiscal para Fins Penais; o) além da representação fiscal para fins penais, foi qualificada a multa de ofício, pois a prática adotada pelo contribuinte incidiu no quanto previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/64; p) foi constatado embaraço à ação fiscal, lavrandose o Termo de Embaraço à Ação Fiscal, resultando no agravamento da multa de ofício em 50%, conforme art. 959 do RIR/99; q) as bases de cálculo foram apuradas conforme planilha “Apuração Mensal da Receita Omitida – Base de Cálculo do Auto de Infração”, pelo confronto da totalização mensal das notas fiscais das séries 1 e 4 com os valores informados na DIPJ e DCTF. Intimados da lavratura dos Autos de Infração, os Recorrentes apresentaram, em 26/11/2010, as respectivas Impugnações (fls. 2492/2522 e 2524/2558), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, a qual houve por bem rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, pela manutenção dos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, contra todos os interessados autuados, mas com redução da multa do ofício para 150%, nos termos da ementa descrita (fls. 2716/2729): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. Rejeitamse as preliminares de nulidade suscitadas contra o procedimento administrativo fiscal, quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). É válido o procedimento fiscal quando nos autos está comprovado que a Fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, sendo o MPF mero instrumento de controle das atividades e de procedimentos de Fiscalização, eventuais falhas na sua emissão e no seu trâmite, não são motivos que justifiquem a nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PROVAS ILÍCITAS. Os termos constantes dos autos comprovam que a documentação constante dos autos foi obtida válida e licitamente, já que foram entregues espontaneamente pelos responsáveis tributários da empresa. 6 Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 EMPRESA EXTINTA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No caso de liquidação de sociedade de pessoas, os sócios respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação principal que não é mais possível de ser exigido da pessoa jurídica extinta. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado nos autos que os contribuintes atenderam às intimações do fisco, ainda que parcialmente, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido intimado em 11/05/2012, o Recorrente Sr. Milton Molento interpôs Recurso Voluntário (fls. 2762/2810) em 05/06/2012, merecendo destaque as seguintes alegações: O Termo de Início de Fiscalização lavrado em 11/11/2009, o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal lavrado em 03/02/2010 e o Termo de Embaraço à Fiscalização lavrado em 02/03/2010 foram enviados por AR e feitos em nome do sujeito passivo Santa Flora Cotton Comercial Ltda, pessoa jurídica já extinta na JUCESP e RFB, não sendo, portanto, sujeito de direitos e obrigações; Não existindo no mundo jurídico o sujeito passivo eleito são nulos todos os atos emanados pela autoridade lançadora e não poderia o Agente Fiscal da RFB ter dado continuidade ao procedimento fiscal; A autoridade lançadora deveria ter proposto o encerramento da fiscalização sem resultado com base no MPFF emitido e solicitado a emissão de novo MPFF em nome dos responsáveis eleitos; 7 Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA O MPFF expedido e os termos lavrados são nulos de pleno direito por terem sido emitidos em nome de pessoa sem personalidade jurídica, ferindo a legislação vigente, diante do erro na identificação do sujeito passivo; É incabível a ocorrência de embaraço à fiscalização realizado por empresa inexistente, tendo em vista que o único MPFF emitido em 11/11/2009 foi em nome da empresa Santa Flora Cotton Comercial Ltda. já extinta; É importante ressalvar que se houvesse a intenção da empresa ou responsável cometer a falta prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 (sonegação), não teria entregado todos os documentos à fiscalização. Isto é, não faria prova contra si própria. O que ocorreu foi erro, desencontro de informações, em virtude de problemas entre a contabilidade e a área fiscal. Nunca houve intenção dolosa de fraudar o fisco federal. Tanto é verdade que foram colocados à disposição da fiscalização todos os livros e notas fiscais emitidas; A empresa foi encerrada em obediência à legislação de regência, citando a súmula 435 do STJ; Não é aplicável o artigo 135 do CTN, tampouco a multa qualificada nos termos da Súmula Vinculante do CARF nº 25; A exigência tributária é excessiva comprometendo os meios de subsistência dos Recorrentes, em afronta à capacidade contributiva prevista no art. 145, §1º da Constituição; Não procede a incidência dos juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. O responsável Sr. Kazunori Ogasawara também apresentou Recurso Voluntário, em 05/06/2012, alegando os mesmos argumentos de fato e de direito do responsável Sr. Milton Molento (fls. 2828/2875). Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões preliminares e de mérito suscitadas. PRELIMINARES I. Nulidade do procedimento fiscal 8 Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 Basicamente, aduz a Recorrente pela nulidade do procedimento fiscal e da presente autuação, visto que o Mandado de Procedimento Fiscal expedido, bem como os termos fiscais lavrados o foram em nome da pessoa jurídica extinta “Santa Flora Cotton Comercial Ltda.”, não existente no mundo jurídico, resultando, com isso, erro na identificação do sujeito passivo, em afronta à legislação vigente. Inicialmente, cumpre informar que o Termo de Início de Fiscalização (fl. 62/63), lavrado em 11/11/2009, em nome da pessoa jurídica “Santa Flora Cotton Comercial Ltda.”, solicitando a apresentação de documentos, foi encaminhado 03 (três) vezes ao endereço cadastrado na Receita Federal do Brasil, porém foi devolvido com a informação “destinatário ausente” (cf. Aviso de Recebimento de fl. 65). Ao contrário do afirmado pelos Recorrentes, o mesmo Termo de Intimação Fiscal foi também lavrado em nome das pessoas responsáveis, ora Recorrentes – Kazunori Ogasawara e Milton Molento , e encaminhado aos respectivos endereços (fl. 66/71). Dos Avisos de Recebimento acostados às fls. 68 e 71, aferese que apenas o Sr. Milton foi encontrado no endereço informado. Não atendido o Termo de Início de Fiscalização pelo Recorrente Milton Molento, procedeuse à reintimação do responsável para a apresentação dos documentos solicitados, lavrandose Termo de Constatação e Reintimação Fiscal em 03/02/2010 (fl. 72/73), o qual foi entregue em 05/02/2010, conforme AR de fl. 74. Também, quando da lavratura do Termo de Embaraço à Fiscalização à Ação Fiscal (fls. 75/76) em 02/03/2010, a Fiscalização fez constar, além do contribuinte pessoa jurídica, o Recorrente Milton Molento, como responsável tributário, sendolhe encaminhado e entregue referido termo (cf. AR de fl. 77), no qual se registrou que “até a presente data, embora exaustivamente requisitados por esta Auditoria, os livros e documentos não foram exibidos, não havendo qualquer justificativa por escrito para este procedimento por parte do contribuinte”. Somente após lavrado o Termo de Embaraço à Ação Fiscal é que foram entregues, em 01/04/2010, procuração e atos constitutivos (Termo de Recebimento de Documentos de fl. 78) e, em 28/05/2010, alguns dos documentos solicitados, mormente Notas Fiscais e fotocópias das GIAs (Termo de Retenção e Recebimento de Documentos de fl. 79). Recebida e retida a documentação, há de ressaltar que foi conferida, novamente, a oportunidade para o Recorrente Sr. Milton Molento informar a ocorrência de eventual inadimplência em relação ao recebimento dos valores faturados nas notas fiscais entregues e, caso afirmativo, especificar as medidas que foram tomadas (Termo de Intimação Fiscal de fl. 82/83, lavrado em 09/08/2010). Em resposta, informou o Recorrente, por meio de sua procuradora Marisa Domingues de Faria Okimura (Procuração de fl. 06), que “não existe ou existiu inadimplência em relação às notas fiscais faturadas e entregues do ano de 2006” (fl. 158). Se não bastasse, o responsável Recorrente tomou conhecimento em 25/08/2010, por meio de sua procuradora, acerca de outro Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado (fls. 86/88), no qual, após examinados os documentos apresentados pelo sujeito 9 Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA passivo, com a descrição dos valores faturados em notas fiscais, em confronto com os valores declarados na DIPJ, constatouse divergências entre os valores mensais apurados nas notas fiscais e aqueles declarados à RFB. Contudo, mais uma vez, o Recorrente não atendeu à intimação, sem apresentar elementos a fim de infirmar as conclusões fiscais. Como se vê, não há que falar na nulidade do procedimento fiscal, alegada pelos Recorrentes, sob a justificativa de que os termos foram emitidos em nome de pessoa jurídica já extinta “sem personalidade jurídica”. Isso porque, conforme acima demonstrado, em todo o decorrer do procedimento fiscal, foram conferidas ao Recorrente Milton Molento diversas oportunidades para apresentar documentos e esclarecer eventual inadimplência tributária, bem como sobre as divergências de valores apontadas pela Fiscalização. Contudo, limitouse a ora deixar de atender às intimações fiscais, ora afirmar, genericamente, que não descumpriu obrigações tributárias no anocalendário de 2006, ora apresentar parte dos documentos, o que só fez após lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização. Salientase, ainda, que o Mandado de Procedimento Fiscal tratase de instrumento interno, expedido para fins de controle e organização das atividades da Fiscalização, destinado aos agentes fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil na execução de suas atividades, tendentes a verificar o cumprimento dos deveres tributários pelo sujeito passivo. Eventuais irregularidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, ainda que flagradas, o que não é a hipótese dos autos, não têm o condão de anular, por si só, o lançamento efetuado e todo o procedimento fiscalizatório que lhe antecede, tal como pretendem os Recorrentes. Nesse sentido, são os precedentes: “[...] MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei”. [...] Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. [...] (CARF. Acórdão 1802001.409 1ª Seção/2ª Turma Especial / Sessão de 06/011/2012). [...] MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. NULIDADE. O mandado de procedimento fiscal consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. A ausência de ciência do sujeito passivo da prorrogação do MPF, por si só, não caracteriza nulidade do auto de infração. [...] (CARF. Acórdão nº 180500.012 – 1ª Seção de Julgamento/5ª Turma Especial). Daí porque deve ser mantida a decisão recorrida no sentido de que “o Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa ligada à autorização e ao 10 Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 controle da execução dos procedimentos de fiscalização e a eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento”. No mais, o afastamento da preliminar de nulidade é de rigor na medida em que, além de os Autos de Infração lavrados terem observados os requisitos de validade prescritos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, os responsáveis tributários Milton Molento e Kazunori Ogasawara , apresentaram impugnações e os presentes recursos voluntários, demonstrando ciência de todos os elementos apurados pela Fiscalização, bem como exercendo plenamente o seu direito à ampla defesa, com a possibilidade de apresentar todos os argumentos, alegações e provas a fim de elidir as infrações apuradas e as conclusões contidas no Termo de Verificação Fiscal (452/458). A propósito, este também é o entendimento deste E. Conselho: AUTO DE INFRAÇÃO – NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Atendidos todos os requisitos do PAF e proporcionando plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. [...]. (CARF. Recurso 507.683, 3ª Câmara/ 2ªTurma Ordinária/1ª Seção. Sessão de 10/11/2010). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Há observância ao princípio do contraditório e ampla defesa quando a recorrente, durante o processo, é intimada de todos os atos praticados e lhe oportunizada a apresentação de impugnação, juntando provas e posterior apresentação de recurso voluntário, nos termos da legislação aplicável. [...]. (CARF. Recurso nº 120200.174. 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª Seção. Sessão de 29/09/2009) Por fim, também não restaram configuradas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.325/72, segundo o qual são nulos os atos e termos lavrados pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Correta, pois, a decisão da 2ª Turma da DRJ/CGE. O MÉRITO II. A responsabilidade tributária dos Recorrentes: dissolução irregular da pessoa jurídica, comprovação de intuito doloso e aplicação da multa qualificada de 150% De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 452/458, a autuação decorre de diferenças apuradas entre os valores declarados na DIPJ do ano calendário 2006 e o somatório das notas fiscais apresentadas, conforme abaixo especificado: 11 Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Mês Totalização NF Receita DIPJ jan/06 R$ 9.675.812,59 fev/06 R$ 9.322.467,88 mar/06 R$ 11.868.904,46 R$ 2.854.079,40 abr/06 R$ 11.249.009,43 mai/06 R$ 9.578.810,82 jun/06 R$ 12.485.609,46 R$ 2.862.727,25 jul/06 R$ 11.439.433,72 ago/06 R$ 13.961.559,59 set/06 R$ 12.249.869,72 R$ 2.671.908,73 out/06 R$ 3.858.722,85 R$ 763.942,89 TOTAL R$ 105.690.200,52 R$ 9.152.658,27 A fim de fundamentar a imputação da responsabilidade tributária em face dos sócios da empresa “Santa Flora Cotton Comercial Ltda.”, ora Recorrentes, a Fiscalização aduz que restou configurada a dissolução irregular da pessoa jurídica, uma vez que demonstrada a baixa da empresa nos cadastros da JUCESP e da RFB quando ainda não satisfeitas todas as obrigações tributárias. Os Recorrentes, por sua vez, restringemse a alegar que a empresa foi encerrada em obediência à legislação de regência, sem trazer, contudo, elementos probatórios para embasar sua alegação. Citam, ainda, a súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciosgerentes”, de tal sorte que não seria aplicável o art. 135 do CTN. Todavia, na esteira do entendimento jurisprudencial deste E. Conselho (vide Acórdãos nºs 0105.352; 10322.779, 10323.204 e 933.680), procedeu corretamente a Fiscalização ao formalizar a exigência tributária em face dos sócios da empresa extinta, uma vez que esta inexiste no mundo jurídico, sendo que também é o entendimento deste Tribunal Administrativo a configuração da dissolução irregular da empresa quando, ainda no exercício de suas atividades, a pessoa jurídica deixe de recolher os tributos à época devidos: 12 Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 [...] DISSOLUÇÃO IRREGULAR. LANÇAMENTO NO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. CABIMENTO Considerase irregular a extinção de pessoa jurídica que tenha excluído do conhecimento do Fisco obrigações de sua responsabilidade enquanto estava em atividade, sendo cabível o lançamento no responsável tributário. (CARF 1a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.866 de 30/03/2011) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DISSOLUCÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE SÓCIOGERENTE Constitui infração da lei e do contrato, com consequente responsabilidade pessoal do sóciogerente à época da infração, o desaparecimento da sociedade sem prévia dissolução legal e sem o pagamento das dívidas tributárias. Correto o lançamento contra o sócio gerente, na condição de responsável por substituição. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10186 .000 de 25.01.1994) Com efeito, a dissolução irregular da empresa constitui fundamento jurídico para a imputação da responsabilidade dos Recorrentes com base no art. 135 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: [...] RESPONSABILIDADE PESSOAL São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. [...] (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.145 de 23.05.2007) Ademais, a conduta dolosa, que também constitui pressuposto autorizador para a aplicação do art. 135 citado, restou comprovada nos autos, de modo que não procedem as alegações dos Recorrentes no sentido de que “nunca houve intenção dolosa de fraudar o fisco federal”, vislumbrandose as diferenças apontadas pela Fiscalização, mero “erro, desencontro de informações, em virtude de problemas entre a contabilidade e a área fiscal”. Com a devida vênia, como bem alinhavado na decisão recorrida, “as circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte dos impugnantes, de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes ao faturamento da empresa. A circunstância de ter a empresa apresentada DIPJ e DCTF com valores substancialmente menores do que o montante real das notas fiscais de venda, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, ou esquecimento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação” (não grifados no original). Deste modo, comprovado que os Recorrentes agiram dolosamente relativamente às receitas omitidas no decorrer do anocalendário de 2006, é de rigor a qualificação da multa em 150%. Vejamos: 13 Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizase como renda presumida a soma, mensal, dos depósitos e créditos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996. PROVA Compete ao contribuinte comprovar de forma inequívoca a natureza dos rendimentos percebidos. MULTA QUALIFICADA Comprovado o intuito de fraude e dolo, é pertinente a aplicação da multa qualificada, no caso. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10420563 do Processo 10850002995200347, Data: 17/03/2005). (não grifado no original) (...) EXIGÊNCIA DO IRPF COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Estando comprovado nos autos o intuito de reduzir ou suprimir o montante do imposto devido, aplicável a multa de ofício qualificada. Preliminar rejeitada. Recursos negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10247267 do Processo 13925000074200317, Data: 08/12/2005). (não grifado no original) Dessa forma, os lançamentos, pautados na imputação de responsabilidade tributária dos Recorrentes, nos termos do art. 135 do CTN, com a aplicação da multa qualificada de 150%, diante da dissolução irregular da empresa e da conduta dolosa relativa à omissão de receitas, estão em total observância à legislação tributária e à jurisprudência deste E. Conselho. Portanto, não assistem razão os Recorrentes quanto a esse tópico. III. Inaplicabilidade do agravamento da multa por embaraço à fiscalização e não incidência dos juros sobre a multa de ofício Acerca do agravamento da multa com base no art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/96, correta a decisão recorrida ao afirmar que “verificase que várias intimações foram atendidas pela procuradora dos sócios, mesmo que estes documentos não atendessem totalmente aos desejos do Fisco. Foram carreados aos autos, por exemplo, cópia do livro Registro de Saídas e de centenas de notas fiscais. Impõese assim afastar o agravamento da penalidade [...]”. Ademais, a partir da análise da documentação entregue à Fiscalização, lhe foi possível apurar o quantum de tributo devido no anocalendário de 2006 e, ato contínuo, efetuar o lançamento, o que acaba também por afastar a aplicação da multa agravada, consoante precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “[...] MULTA AGRAVADA. Incabível a aplicação de multa agravada por acusação de embaraço à fiscalização, quando o contribuinte, apesar de fora do prazo, atende aos termos da intimação e ainda verificase que o Fisco possuía em seu poder documentos que possibilitavam efetuar o lançamento [...]”. (CARF. Acórdão 9303001.727 – 3ª Turma/CSRF/ Sessão de 07/11/2011) – não grifados no original 14 Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2.898 Igualmente, não procede a incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, conforme também entendimento sedimentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao capta, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, capta, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. (1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011) 15 Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Relativamente à alegação de violação à capacidade contributiva, não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre a inconstitucionalidade da exigência tributária, tampouco sobre sua valoração, nos termos da Súmula CARF nº 02. Por fim, idêntica solução do lançamento de IRPJ deve ser dada aos lançamentos dos demais tributos (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), conforme pacífico entendimento desse E. Conselho no sentido de que a exigência principal de IRPJ se aplica aos lançamentos reflexos em questão, diante da estreita relação de causa e efeito entre eles (vide Acórdão nº 1301000.469 de 16/12/2010 e Acórdão nº 180100.480 de 21/02/2011). Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, de forma a excluir a incidência dos juros sobre o valor da multa de ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto 16 Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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