Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10435.001288/2002-53
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
IMPORTAÇÃO. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITO INDEVIDO. DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO CONFIGURADO.
É indevido o crédito do IPI pago no desembaraço aduaneiro de bens
destinados ao ativo imobilizado da adquirente.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ADITAMENTO.
Não se pode aditar o ressarcimento se as normas processuais vigentes não mais permitem a apresentação de pedido manual.
INCIDÊNCIA DE JUROS NO RESSARCIMENTO. NÃO-CABIMENTO.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.031
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, quanto ao direito às aquisições créditos do ativo permanente e quanto ao direito de editar as DComps por meio de formulários de papel; II) pelo voto de qualidade, quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Ctrdoso, Domlos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200903
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 IMPORTAÇÃO. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITO INDEVIDO. DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO CONFIGURADO. É indevido o crédito do IPI pago no desembaraço aduaneiro de bens destinados ao ativo imobilizado da adquirente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ADITAMENTO. Não se pode aditar o ressarcimento se as normas processuais vigentes não mais permitem a apresentação de pedido manual. INCIDÊNCIA DE JUROS NO RESSARCIMENTO. NÃO-CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10435.001288/2002-53
conteudo_id_s : 5981216
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.031
nome_arquivo_s : Decisao_10435001288200253.pdf
nome_relator_s : ANTONIO ZOMER
nome_arquivo_pdf_s : 10435001288200253_5981216.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, quanto ao direito às aquisições créditos do ativo permanente e quanto ao direito de editar as DComps por meio de formulários de papel; II) pelo voto de qualidade, quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Ctrdoso, Domlos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
id : 7675397
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660194938880
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:19:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:19:27Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:19:27Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:19:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:19:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:19:27Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:19:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:19:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:19:27Z; created: 2009-09-30T11:19:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-30T11:19:27Z; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:19:27Z | Conteúdo => S2-CITI I Fl. 754 , 1. ! 1 . :::AIWA * ''',. ,, ;::' SEGUNDA GIJ NDA s EÇDÃA0 FAZENDA: AMENTO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 'x .. ÁrAul'e'offl ' , P**0 ,.. , Processo n" 10435.001288/2002-53 i Recurso n° 152.995 Voluntário Acórdão n" 2101-00.031 — l a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2009 Matéria IP I - Ressarcimento Recorrente ETICAL - ETIQUETAS CARUARU LTDA. Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 IMPORTAÇÃO. BENS DO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITO INDEVIDO. DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO CONFIGURADO. É indevido o crédito do IPI pago no desembaraço aduaneiro de bens destinados ao ativo imobilizado da adquirente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ADITAMENTO. Não se pode aditar o ressarcimento se as normas processuais vigentes não mais permitem a apresentação de pedido manual. INCIDÊNCIA DE JUROS NO RESSARCIMENTO. NÃO-CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 1" CÂMARA / l a TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, quanto ao direito às aquisições créditos do ativo permanente e quanto ao direito de editar as DComps por meio de formulários de papel; II) pelo voto de qualidade, o • Processo 11" 10435.001288/2002-53 S2-CITI Acórdão n." 2101-00.031 Fl. 755 quanto à atualização do re arcimento pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Ctrdoso, Domlos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. ANTO I() CARLOS A ULIM Pres 6ente or AN •NIO : ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Carlos Alberto Donassolo (Suplente). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, cumulado com pedidos de compensação, relativo ao período de 01/01/1999 a 30/06/2002, apresentado em 02/09/2002, com fundamento no art. II da Lei n 2 9.779/99. Ao analisar o pleito, a fiscalização concluiu que a empresa incluiu no valor do ressarcimento o IPI e o II pago na importação de máquinas, equipamentos e peças de reposição, propondo a glosa destes valores, bem como dos créditos decorrentes de outros bens que não se enquadram como matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Disse, ainda, a fiscalização que não poderia ampliar o período objeto do pedido inicial para os dois últimos trimestres de 2002 porque na época da verificação fiscal já estava em vigor as normas que obrigavam à apresentação dos pedidos de ressarcimento/compensação por via eletrônica. lrresignada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) fez seu pleito com base no art. 11 da Lei n° 9.779/1999, o qual também assegura o direito ao crédito do IPI em relação às máquinas, equipamentos e peças de reposição; b) com a alteração promovida pela Lei n" 10.637/2002 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, os pedidos de compensação pendentes foram convertidos em declaração de compensação, produzindo efeitos imediatos, inclusive com suspensão dos débitos; c) por questão de economia processual e ou de instrumentalidade das formas, não há sentido na exclusão das notas fiscais relativas aos terceiro e quarto trimestres de 2002, que não foram objeto do pedido original, mas que foram apresentadas à fiscalização, posto que o próprio pedido de direito creditório já é uma forma de comunicação do fisco para homologação; 2 Processo n° 10435.001288/2002-53 S2-CITI Acórdào n." 2101-00.031 Fl. 756 d) o total do direito creditório deve sofrer a incidência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Não houve manifestação quanto à glosa dos créditos de II pago na importação. A DRJ em Belém — PA, julgando a manifestação de inconformidade, manteve o indeferimento parcial do pleito, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 CRÉDITO. Máquinas, equipamentos e peças de reposição estão fora do conceito de matérias-primas, produtos intermediários e, muito, menos, de materiais de embalagem, motivo pelo qual não geram direito ao crédito do IPI de que trata o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento creVitos Solicitação Indeferida" No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, pugnando pela inclusão, no pedido de ressarcimento, do IPI pago nas aquisições de máquinas, equipamentos e peças de reposição, das notas fiscais dos terceiro e quarto trimestres de 2002 e a aplicação, sobre o crédito, dos juros calculados com base na taxa Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOM ER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. A primeira questão que se analisa é relativa à pretendida restituição ou ressarcimento do IPI pago no desembaraço aduaneiro de bens destinados ao ativo permanente, cujo direito, segundo a empresa, estaria amparado no art. 11 da Lei n2 9.779/99. O direito de crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro está regulamentado no art. 164 do RIPI/2002, verbis: J. ft 3 " Processo n" 10435.0W288/2002-53 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.031 Fl. 757 "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n" 4.502, de 1964, art. 25): V - cio imposto pago 110 desembaraço aduaneiro; VI - do imposto mencionado na nota .fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; O creditamento, todavia, só será possível se atendidos aos demais princípios que tratam da sistemática de apuração do IPI, dispostos em outros dispositivos do regulamento, a começar pelo art. 163 do mesmo RIPI, que dispõe sobre o funcionamento do princípio constitucional da não-cumulatividade, nos seguintes termos: "Art. 163. A não-cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei n" 5.172, de 1966, art. 49). § I" O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2" Regem-se, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178." Como se vê, em regra, o direito de creditamento foi instituído para evitar que o contribuinte pague na saída, a parcela do imposto paga quando da aquisição dos insumos utilizados na fabricação do produto industrializado. No caso de bens industrializados importados, que serão objeto de nova saída, o direito de crédito existe porque, nestas operações, o importador equipara-se a estabelecimento industrial (art. 92, I, do RIP1/2002), devendo destacar o imposto sobre o valor de revenda dos bens importados, mesmo que destinados ao ativo permanente das empresas adquirentes. A equiparação, portanto, ocorre quando o importador dá saída do seu estabelecimento, a qualquer título, de produto estrangeiro que tenha importado. Nessa operação, haverá urna segunda incidência do imposto. A equiparação prevalece ainda que a saída dos bens se dê a título de locação, comodato, uso, doação ou a qualquer outro título (PN n°367/71). O estabelecimento que adquire o bem para integrá-lo ao ativo permanente, no entanto, não tem direito de creditar-se do IPI pago na aquisição, a menos que haja lei específica dispondo neste sentido. Nestes casos de creditamento incentivado, o direito não decorre do princípio da não-cumulatividade mas de previsão legal expressa, porque a regra geral de ereditamento não o permite, como se depreende da simples leitura do inciso I do art. 164 do RI P1/2002, verbis: 4 " Processo n° I 0435.00 I 288/2002-53 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.031 Fl. 758 "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n" 4.502, de 1964, art. 25): 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem constMlidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente:" No caso da recorrente, o que se conclui pela análise dos autos, é que os bens importados não foram revendidos mas incorporados ao seu ativo permanente. Sendo assim, o pretendido direito de creditamento e o correspondente ressarcimento não encontram amparo legal, pois inexistia, ao tempo das operações, lei instituindo incentivo desta natureza para o setor industrial de atuação da recorrente. Não há, pois, qualquer reforma a ser feita na decisão recorrida, já que o regulamento do IPI não permite o creditamento do imposto pago no desembaraço aduaneiro de bens destinados ao ativo permanente. Neste sentido, já decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes, como demonstra a ementa do Acórdão n 2 201-69.975, de 17/10/1995, assim redigida: "CRÉDITO DO IMPOSTO — [...] Indevido o crédito na entrada de bens de importação própria destinados ao ativo. Na hipótese de que tais bens saiam em operação tributada, o crédito deve ser lançado nessa ocasião." Se não havia direito ao crédito, não nasce o direito ao ressarcimento do saldo credor previsto no art. 11 da Lei n 2 9.779/1999, como pretende a recorrente. A segunda questão objeto do litígio diz respeito à inclusão, no ressarcimento, durante o procedimento de fiscalização, de outros trimestres que não tenham sido objeto do pedido inicial, no caso, para os terceiro e quarto trimestre de 2002. O pedido inicial foi apresentado em 02/09/2002. Depois disto, foi editada a Instrução Normativa SRF n 2 323, de 24 de abril de 2003, em cujo art. 3 2 assim se dispôs, verbis: "Art. 3" Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF n" 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF 110 320, de 11 de abril de 2003. Parágrcifb único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerar-se-á não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação." 5 Processo n° 10435.001288/2002-53 S2-CIT1 Acórdão n." 2101-00.031 Fl. 759 Portanto, no momento em que foi iniciado o procedimento de fiscalização, em 10/05/2004, as normas que regiam o ressarcimento de créditos básicos de IPI determinavam que a formulação de pedido de ressarcimento fundado no art. 11 da Lei n 9- 9.779/1999 fosse feita, apenas por meio do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento, acompanhado, se fosse o caso, da Declaração eletrônica de Compensação (PER/DCOMP). Não haveria, pois, como a fiscalização, por uma questão de economia processual e ou de instrumentalidade das formas, como defende a recorrente, ultrapassar as disposições normativas expressas, vigentes no momento em que manifestada a pretensão de incluir novos períodos de apuração no pedido de ressarcimento/compensação objeto do presente processo. Por fim, requer a recorrente que os créditos sejam acrescidos de juros calculados por meio da taxa Selic, escorando o seu pleito na interpretação analógica do disposto no § 49. do art. 39 da Lei n2 9.250/95, que prescreveu a aplicação da taxa Selic na restituição e na compensação de indébitos tributários. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou-se no sentido de que a atualização monetária, segundo a variação da UFIR, era devida no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente do valor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, conforme metodologia de cálculo explicitada no Acórdão CSRF/02-0.723, válida até 31/12/1995. Entretanto esta jurisprudência não ampara a pretensão de se dar continuidade à atualização desses créditos, a partir de 31/12/1995, com base na taxa Selic, consoante o disposto no § 4 2 do art. 39 da Lei n2 9.250, de 26/12/1995, apesar de esse dispositivo legal ter derrogado e substituído, a partir de 1 2 de janeiro de 1996,0 § 3 2 do art. 66 da Lei ri2 8.383/91, que foi utilizado, por analogia, pela CSRF, para estender a correção monetária nele estabelecida para a compensação ou restituição de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI. Com efeito, todo o raciocínio desenvolvido no aludido acórdão, bem como no Parecer AGU n2 01/96 e nas decisões judiciais a que se reporta, dizem respeito exclusivamente à correção monetária como "...simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo 'pitu' a exigir expressa previsão legal". Ora, em sendo a referida taxa a média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, é evidente a sua natureza de taxa de juros e, assim, a sua desvalia como índice de inflação, já que informado por pressuposto econômico distinto. Por outro lado, o fato de o § 42 do art. 39 da Lei n2 9.250/95 ter instituído a incidência da taxa Selic sobre os indébitos tributários a partir do pagamento indevido, com o objetivo de igualar o tratamento dado aos créditos da Fazenda Pública aos dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido ou a maior de tributos, não autoriza a aplicação da analogia, para estender a incidência da referida taxa aos valores a serem ressarcidos, decorrentes de créditos incentivados do IPI. Aqui não se está a tratar de recursos do contribuinte que foram indevidamente carreados para a Fazenda Pública, mas sim de renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, uja concessão, à evidência, subordina-se aos termos e 6 • Processo n" 10435.001288/2002-53 S2-CITI Acórdão n." 2101-00.031 Fl. 760 condições do poder concedente e necessariamente deve ser objeto de estrita delimitação pela lei, que, por se tratar de disposição excepcional em proveito de empresas, como é consabido, não permite ao intérprete ir além do que nela estabelecido. Portanto, a adoção da taxa Selic como indexador monetário, além de configurar uma impropriedade técnica, implica urna desmesurada e adicional vantagem econômica aos agraciados (na realidade um extra, "plus"), sem a necessária previsão legal, condição inan-edável para a outorga de recursos públicos a particulares. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sess; ., em 03 de março de 2009. )14111111'' • /1: 01Z, ER 7
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000071/2009-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-007.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15758.000071/2009-73
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974138
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.553
nome_arquivo_s : Decisao_15758000071200973.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 15758000071200973_5974138.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7660212
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660219056128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15758.000071/200973 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.553 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria Multa Agravada Depósitos Bancários Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANSELMO MARCIONILIO DOS ANJOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 71 /2 00 9- 73 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.492, proferido na sessão de 13 de agosto de 2018, assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA 02 DO CARF. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 9202007.553 CSRFT2 Fl. 3 3 do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. ATENDIMENTO INCIPIENTE ÀS INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de ofício previsto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não é cabível em caso de lançamento com base em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, quando intimado, o contribuinte atende à fiscalização, ainda que de forma incipiente. A falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos pelo contribuinte não prejudica a constituição do crédito tributário pelo fisco, em razão da presunção disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: agravamento da multa de ofício, por falta de atendimento à intimação, nos casos de autuação com base no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção de Julgamento deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 188 a 193. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o agravamento da multa não é ato discricionário do agente; que no momento em que o sujeito passivo pratica alguma das condutas tipificadas como ensejadoras do agravamento, cabe ao agente adotar a medida, sem margem a discricionariedade; que no caso não há dúvida quanto ao desatendimento de intimação. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 08/06/2016 (efls. 206), o Contribuinte não apresentou Contrarrazões. Fl. 214DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Quanto ao mérito, o que se discute é a possibilidade de agravamento da multa de ofício no caso de desatendimento, pelo sujeito passivo, de intimação para comprovar origens de depósitos bancários. Penso que não. É certo que o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1.996, prevê o agravamento da multa nos casos que especifica. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Os inciso II e III evidentemente não se aplicam ao caso, e o inciso I referese a intimação para "prestar esclarecimentos". Ora, comprovar origens de depósitos bancários, comprovar despesas dedutíveis, e afins é prestar esclarecimento? O não atendimento desse tipo de intimação causa algum embaraço à atuação fiscal? Penso que não. Ao contrário, a não intimação enseja o lançamento, seja pela glosa das despesas, seja, no caso ora analisado, o lançamento com base em depósitos bancários de origens não comprovadas. O art. 42 da mesma Lei nº 9.430, de 19.42 pé claro quanto ao ponto: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, não comprovadas as origens dos depósitos bancários em caso de intimação, seja por apresentação de elementos de provas não aceitos como tal pela Autoridade Administrativa, seja simplesmente pela não apresentação de prova algum, a consequência é dada pela lei: a presunção de omissão de rendimentos, com a multa regular pela infração cometida. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 9202007.553 CSRFT2 Fl. 4 5 Este é o entendimento que tem prevalecido neste Colegiado. Como exemplo, o Acórdão nº 9202006.999, proferido na Sessão de 21 de junho de 2018, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004798/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91.
SÚMULA CARF 91
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Deve-se ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2
A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO
A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado Administração pretender não homologar a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em darprovimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada aquestão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91. SÚMULA CARF 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Deve-se ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado Administração pretender não homologar a compensação declarada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13808.004798/2001-12
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975117
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.847
nome_arquivo_s : Decisao_13808004798200112.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 13808004798200112_5975117.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em darprovimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada aquestão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7663598
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660235833344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 174 1 173 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.004798/200112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.847 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente NOVA VULCÃO S/A TINTAS E VERNIZES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91. SÚMULA CARF 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Devese ser anulada a decisão que aplicou o prazo prescricional de 05 (cinco) anos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado Administração pretender não homologar a compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 47 98 /2 00 1- 12 Fl. 174DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 134/156, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1616.132 9ª Turma da DRJ/SPOI, efls. 113/123, que deferiu parcialmente o pedido de restituição. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, formulado pela contribuinte, acima identificada, protocolizado em 03/09/2001, no qual este pretende reaver valores recolhidos a título de contribuições para o PIS, no período de 03/1996 a 10/1998, apurados com base na ADIN N° 14170 que declarou a inconstitucionalidade do art. 17, in fine, da MP 1.325/96 e reedições posteriores, e do art. 18, in fine, da Lei 9.715/98 e na IN SRF n°006, de 19 de janeiro de 2000. 2. Mediante o Despacho Decisório de fls. 88 a 64, cientificado em 25/10/2006 (AR fl. 65Verso) a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em Sao Paulo indeferiu o pleito, sob o fundamento de: 2.1. DECADÊNCIA e IMPROCEDÊNCIA: Descabe a restituição dos valores pagos referentes A contribuição ao PIS/Pasep dos períodos de apuração entre 03/96 e 07/96, uma vez que o direito respectivo foi alcançado pela decadência, que se operou pelo transcurso do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário através do pagamento. Os recolhimentos referentes a contribuição ao PIS/Pasep dos períodos de apuração entre 03/96 e 10/98 deveriam ter sido feitos com fulcro na MP n°1.212/95 e suas reedições, convertida na n° 9.715/98. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13808.004798/200112 Acórdão n.º 3201004.847 S3C2T1 Fl. 175 3 2.2. Assim o Pedido de Restituição foi indeferido e as compensações não foram homologadas. 3. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade em 23/11/2006 (fls. 66 a 75), descrevendo, entre outros, os fatos tais como: 3.1. O referido processo administrativo objetivou a compensação de créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior da contribuição ao PIS, referente aos períodos de 03/1996 a 10/1998, relativos à diferença apurada entre o mês corrente e o mês do fato gerador, nos termos da LC 7/70. 3.1.1. Referido crédito, obtido em razão da diferença da contribuição recolhida e aquela calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao mês de ocorrência do fato gerador (PIS 6 meses) foi objeto de compensação com débitos relativos à contribuição ao PIS, no período compreendido de 09/2001 a 12/2001, e COFINS, no período de 07/2001 a 12/2001. 3.2. Quanto ao direito, alega na referida manifestação de inconformidade que: 3.2.1. No que se refere ao mérito da questão, cabe salientar que a matéria já foi superada no que tange a apuração da contribuição ao PIS, no sentido de que a mesma deve ser apurada de acordo com o disposto do artigo 6° LC 7/70, cuja exigência foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF de 1988. 3.2.2. Nesse sentido, o crédito do contribuinte, como já mencionado, decorre da diferença entre o valor recolhido, calculado com base no faturamento do mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, e o valor efetivamente devido, calculado com base no art. 6° da LC 7/70, ou seja, o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. Reproduz esse artigo e seu parágrafo. 3.3. No que tange ao prazo decadencial aplicável ao contribuinte, em relação ao recolhimento da restituição/compensação do crédito declarado, a alegação da autoridade administrativa no tocante à aplicação do artigo 3°da LC 118/2005 não pode e não deve prosperar. 3.3.1. A disposição no sentido de conferir ao dispositivo em questão caráter interpretativo a fim de retroagir sua incidência é inócua. A uma porque o mesmo não possui caráter interpretativo, mas a toda evidência inova, altera entendimento inequívoco em relação ao prazo estabelecido A. decadência do contribuinte em pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior. A duas porque conferir caráter interpretativo a tal determinação implica em flagrante ofensa à segurança jurídica, na medida em que a interpretação do dispositivo, enquanto conteúdo, sob aspecto da interpretação Fl. 176DF CARF MF 4 eminentemente jurídica, foi fornecido pelo Egrégio STF e, portanto, interpretação distinta implica em ofensa ao regime republicano e ao princípio de separação dos poderes. Nesse sentido, reproduz o AgRg no Ag 633462/SP e Acórdão do CC n° 134.819. 3.3.2. Deste modo, o direito de crédito relativo aos pagamentos indevidos referentes aos períodos de 03/96 a 10/98 não foi atingido pela decadência. O protocolo do pedido de compensação do contribuinte, realizado em data bem anterior à vigência da LC 118/05, precisamente em 03/09/2001, contemplou os pagamentos indevidos nos últimos anos, contados conforme orientação do STJ, ou seja, 5 anos a partir do fato gerador, acrescido de mais 5 anos, da data da homologação tácita do lançamento. 3.4. O prazo para que a autoridade fiscal homologue a declaração de compensação é de cinco anos, contados da data do protocolo do pedido/declaração, conforme o disposto do art. 74, § 5° da Lei 9.430/96, conforme reproduzido. 3.4.1. Deste modo, considerando que o referido pedido foi protocolizado em 03.09.2001, e que o despacho decisório foi expedido em 17.10.06, e ainda que a data de ciência do referido despacho pelo contribuinte foi em 26.10.2006, transcorridos, portanto cinco anos, um mês e vinte e três dias, resta inequívoca a decadência do fisco em relação à manifestação sobre a não homologação da compensação realizada e, conseqüentemente, sua homologação tácita, nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. 3.4.2. Operada a extinção do crédito tributário, seja mediante o pagamento ou compensação praticada pelo contribuinte e não havendo manifestação do fisco, no prazo previsto no artigo 150, § 4°, no sentido de determinar o crédito tributário do lançamento, nos termos em que previsto no artigo 142 do CTN, homologada tacitamente a extinção do crédito, ou a compensação, como preferir. 3.4.3. Ratificando esse entendimento, o artigo 74 e parágrafos da Lei 9.430/96, nos termos da redação que lhes foi conferida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 permitem, de modo incontestável, essa mesma conclusão. Reproduz o artigo 74 e parágrafos e Acórdão 138.002 do C.C. 3.4.4. Concluise, portanto, que o prazo para que a Fazenda Pública constitua crédito tributário em relação aos débitos que constaram na referida declaração foi extinto, não sendo possível, após o referido prazo a autoridade fiscal declarar como não homologada a referida declaração, com o fim de constituir crédito tributário uma vez que flagrante a ocorrência da decadência de seu direito. 3.5. Por fim, requer seja recebida a presente manifestação, no sentido de reformar a decisão exarada pela DRF. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13808.004798/200112 Acórdão n.º 3201004.847 S3C2T1 Fl. 176 5 A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1616.132 9ª Turma da DRJ/SPOI, efls. 113/123, está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento do tributo. PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6°, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela M.P. no 1.212/1995 e suas reedições, somente terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996, sendo que a Lei Complementar n° 7/1970 somente se aplica aos períodos anteriores a 29 de fevereiro de 1996. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado Administração pretender não homologar a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de PIS recolhido com base na MP 1.212/95 e reedições posteriores até a entrada em vigência da Lei 9.715/98, com base no R.E. 232.8963 e ADIN 1417STF, bem como pedido de compensação. Do Prazo Prescricional A Recorrente formulou pedido de compensação do PIS protocolando seus pedidos em 03 de setembro de 2001, 14 de setembro de 2001; 22 de outubro de 2001; 14 de novembro de 2001 e 14 de dezembro de 2001, 17 de janeiro de 2002 e 27de fevereiro de 2002. De forma sintética, a Recorrente defende que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o PIS, a prescrição do prazo para pleitear a restituição de tributos recolhidos indevidamente ocorre após cinco anos contados da data da homologação tácita, isto é, em 10 (dez) anos. Fl. 178DF CARF MF 6 Quando o Fisco não praticar nenhum ato que expressamente homologue o lançamento, o prazo para pleitear a devolução do tributo pago indevidamente somente prescreve em dez anos, ou seja, cinco anos para que ocorra a homologação tácita e mais cinco anos para se pleitear a restituição. (efl. 136) A Recorrente pugna pelo princípio da isonomia, cita jurisprudência e defende que a contagem do prazo prescricional só pode ter início quando da constituição em definitivo do crédito tributário. Da Jurisprudência A Recorrente cita a seu favor jurisprudência do STJ. Dos Tributos Declarados Inconstitucionais A Recorrente alega que no caso de pagamento indevido decorrente de exação inconstitucional, o prazo prescricional de cinco anos para o pedido de repetição de indébito começaria a ser contado a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declare a inconstitucionalidade da legislação com base na qual foi pago o tributo. No caso de tributo declarado inconstitucional, o prazo prescricional só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somado mais cinco anos, tendo como inicial a data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucional a lei em que se fundamentou o gravame. Nesse contexto, os doutrinadores pátrios, ao especificarem a nítida diferença entre o ato homologatório e o do lançamento, afirmam que enquanto aquele primeiro (homologação) prenuncia a extinção da obrigação, liberando o sujeito passivo, este outro (lançamento) declara o nascimento do vinculo, em virtude da ocorrência do fato jurídico. Um, certifica a quitação (a homologação), outro (o lançamento) certifica a divida. O lançamento é a certidão de nascimento da obrigação tributária, ao passo que a homologação é a certidão de óbito. (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, pág. 282). (efl. 140) A Recorrente reforça seu argumento com trechos de doutrina e jurisprudência dos tribunais superiores. Além disso, relata que o Conselho de Contribuintes, atual CARF, considera como prazo inicial de contagem da prescrição a Resolução do Senado Federal que deu efeitos erga omnes à declaração de inconstitucionalidade dada pela Suprema Corte. No Mérito No mérito, a Recorrente sustenta que a exigência do PIS com base na Medida Provisória 1.212/95 e reedições posteriores a partir de 10 de outubro de 1995, até a entrada em vigência da Lei 9.715/98 em 23 de fevereiro de 1999, foi considerada inconstitucional. Em vista do exposto, a Recorrente acredita ser detentora de créditos tributários resultantes do pagamento indevido para o PIS/PASEP. A mesma também argumenta contra as restrições impostas pela Instrução Normativa n° 21/97. Do Direito Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13808.004798/200112 Acórdão n.º 3201004.847 S3C2T1 Fl. 177 7 Quanto ao Direito, a Recorrente defende que antes do advento da Lei 9.715 de 25/11/1998 inexistia Lei que obrigasse o recolhimento do PIS. Argumenta ainda que a Lei 9.715 de 25 de novembro de 1998, em seu art. 18, violou o princípio da irretroatividade das leis, bem como o princípio da anterioridade nonagesimal, segundo o qual as contribuições para a seguridade social, só podem ser cobradas em 90 (noventa) dias da data da publicação da lei, de acordo com o artigo 195, § 6° da Constituição Federal. Notase, claramente, que o artigo 18 da Lei 9.715 de 25 de novembro de 1998, viola frontalmente os artigos 149 e 195 § 6° da Constituição Federal, pois aquele confere efeito retroativo a Lei (fatos geradores ocorridos a partir de 10 de Outubro de 1995), contrariando os preceitos constitucionais acima elencados, segundo os quais somente possibilita a cobrança das contribuições sociais após 90 (noventa) dias da publicação da lei que houver instituído ou modificado. Ademais, cabe ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal, declarou a inconstitucionalidade no artigo 18 da Lei 9.715/98, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de1° de outubro de 1995", que dava efeito retroativo a cobrança. (efl. 153) Nesse sentido, a Recorrente entende que somente, estaria obrigada a recolher o PIS a partir de 24/02/1999. Desta feita, entende ter direito a restituição/compensação dos recolhimentos relativos ao PIS efetuados antes de 24/02/1999. Do Pedido A Recorrente requer a reforma da decisão de primeira instância, para o fim de ser deferido o pedido de ressarcimento do PIS, bem como homologadas as demais compensações, tendo em vista os princípios constitucionais da legalidade, irretroatividade das leis e anterioridade nonagesimal em relação à cobrança das contribuições sociais, mantendo as compensações tacitamente homologadas para os débitos da Cofins informados nos pedidos de compensação de 14 de setembro de 2001 e 22 de outubro de 2001. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do recurso voluntário. De forma objetiva, a lide cingese em primeiro plano na análise da decadência/prescrição do pedido de restituição/compensação protocolado no dia 03/09/01 de valores recolhidos a título de PIS para os períodos de apuração de 03/96 a 10/98. Fl. 180DF CARF MF 8 A discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e a jurisprudência administrativa e judicial por algum tempo. De forma ilustrativa, a divisão pode ser vista na discussão da própria natureza do prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De forma direta é de amplo conhecimento que a Lei Complementar nº 118, de 9/2/2005, inovou na contagem dos prazos, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal ao invés do decimal para a decadência/prescrição. O assunto, contudo, encontrase resolvido por meio da Súmula CARF 91, cuja aplicação é vinculante nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF. Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, devese afastar a decadência/prescrição do presente caso, uma vez que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento levandose em conta que o pleito de restituição é anterior a 09/06/05. No tocante a certeza e liquidez e considerações relativas a certeza e liquidez do crédito tributário cabe a unidade de jurisdição analisar a documentação juntada pelo Recorrente e emitir pronunciamento. Quanto a análise de matérias de cunho constitucional cabe aplicar a Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente cabe concordar com a DRJ que os pedidos de compensação protocolados nos dias 14/09/2001 e 22/10/2001 ficaram homologados pois houve homologação tácita. 9.3. No caso dos autos, os pedidos de compensação foram protocolados nos dias 14/09/2001 (fl. 50) e 22/10/2001 (fl. 51) datas a partir das quais começam a contagem do prazo qüinqüenal para homologação, nos termos do § 4.° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96. 0 Despacho Decisório foi emitido em 03/10/2006, mas a ciência do mesmo deuse somente em 25/10/2006 (AR fl. 65verso) e não em 26.10.2006 como alegado, após encerrado o prazo de cinco anos previsto na referida Lei para a declaração de compensação mencionada. Portanto, já havia expirado o prazo legal sem que a Fazenda Pública houvesse se pronunciado, razão pela qual consideramse homologadas as compensações e definitivamente extintos os créditos tributários, a teor do § 5• 0 do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 e do § 4.° do art.150 do CTN. (efl. 123) Conclusão Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13808.004798/200112 Acórdão n.º 3201004.847 S3C2T1 Fl. 178 9 Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720321/2012-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de dependentes.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2001-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de dependentes. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13782.720321/2012-68
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986876
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-000.563
nome_arquivo_s : Decisao_13782720321201268.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 13782720321201268_5986876.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7693527
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660265193472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13782.720321/201268 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.563 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente JOSÉ HENRIQUE MOREIRA PILLAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de dependentes. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 03 21 /2 01 2- 68 Fl. 82DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, plano de saúde, Unimed, pago pelo contribuinte, para mãe e esposa. O recurso voluntário trata dessa matéria e repete argumentações sobre multa e juros. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre despesas médicas, plano de saúde, Unimed, pago pelo contribuinte, para mãe e esposa. Para o plano de saúde suportado pela contribuinte, para pessoa dependente, ou que poderia ser dependente na declaração, entendemos da mesma forma que a própria Receita Federal entendia até o ano de 2007: não há vedação legal para pagamento dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n 3000, de 1999: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; IIIlimitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13782.720321/201268 Acórdão n.º 2001000.563 S2C0T1 Fl. 3 3 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IVnão se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Vno caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2ºNa hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3ºConsideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4ºAs despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5ºAs despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Observese que as multa e juros, foram aplicados conforme a legislação, art. 957 do Decreto n. 3.000 de 26 de março de 1999, não existindo previsão para aplicálas de maneira diversa ao que foi feito, concordamos com os argumentos e fundamentos já expostos pela DRJ, em primeira instância, que reproduzimos a seguir em grande parte. Observese que as multas e juros, foram aplicados conforme a legislação, art. 957 do Decreto n. 3.000 de 26 de março de 1999, não existindo previsão para aplicálas de maneira diversa ao que foi feito. Foi contestada a incidência de juros sobre a multa, porque isso implicaria numa majoração indireta da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa. Sem razão a insurgência manifestada. O CTN, ao contrário do entendimento exposto na peça de resistência, ampara a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 84DF CARF MF 4 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. ... Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Efetuado o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN, extraise que multa de ofício integra o crédito tributário constituído. Assim, por decorrência lógica, é legitima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Esta assertiva está bem disciplinada pelo CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A incidência de juros sobre as multas de ofício foi introduzida pelo legislador ordinário através das Leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002. O § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002, dispõem da seguinte forma: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13782.720321/201268 Acórdão n.º 2001000.563 S2C0T1 Fl. 4 5 A multa de ofício é crédito da União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ela, assim como o imposto, compõe o crédito tributário, isto é fato. A cobrança de juros de mora decorre de lei. É devida a incidência de juros sobre o crédito tributário, incluindo a multa de ofício, não recolhido no seu vencimento. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, acatando despesas médicas, plano de saúde da Unimed, para mãe e esposa e negando provimento para mudança de cálculo em relação a multa e juros. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901108/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2000
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/05/2000
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.616
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2000 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.901108/2008-12
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970604
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.616
nome_arquivo_s : Decisao_13819901108200812.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 13819901108200812_5970604.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7649611
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660281970688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 412 1 411 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901108/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.616 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THOMAS GREG & SONS GRÁFICA E SERVIÇOS, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2000 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 11 08 /2 00 8- 12 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 413 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1049.561, de 10/04/2014 (efls. 371a 373). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A contribuinte apresentou PER/Dcomp em 12/03/2004, com vistas a compensar os débitos nela discriminados com crédito no valor original de R$32.733,53, oriundo de pagamento indevido ou a maior. Em 09/05/2008, a autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório eletrônico, não reconheceu o direito creditório, afirmando que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 07). A ciência da decisão acima referida ocorreu em 20/05/2008 (fl. 10). Em 12/06/2008, a contribuinte apresentou petição (fls. 1117), na qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, na qual constou o valor originário recolhido sem qualquer atualização respeitante aos Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 414 3 juros, adiantamentos e compensações posteriores; refere que possuiu crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas e que há erro tão somente na obrigação acessória da entrega da declaração. Solicitou que seja acolhida a manifestação de inconformidade, reconhecido seu crédito e homologada a compensação. [...] A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, argumentando que o art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permitia retificação da DCOMP após a ciência do Despacho Decisório, pelo contribuinte, que a atualização monetária do pagamento dito indevido ou a maior fora feita através do programa gerador do PER/DCOMP, e que havia débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, o que motivou o contribuinte pleiteante a interpor recurso voluntário, em 15/09/2015 (efls. 378 a 387), no qual alega, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCOMP com valor do pagamento indevido/a maior de R$ 32.733,53 sem proceder à atualização monetária na forma dos demonstrativos que traz anexados; b) Tinha saldo a seu favor maior que o valor R$ 32.733,53, apurado nos anos calendário 2000 a 2004, conforme consta nos documentos que juntou aos autos; c) A DRJ/POA não teria conhecido da manifestação de inconformidade, deixando de analisar as alegações ali apostas. Por fim, pede pela nulidade da decisão recorrida, por nova análise das decisões que não homologaram a compensação, e pela suspensão da exigibilidade do débito correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 415 4 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Possibilidade de correção do erro formal ocorrido. O recorrente pugna pela nulidade do Acórdão n.º 1049.561, da DRJ/POA, de 10/04/2014, porque no seu entender haveria a possibilidade da correção do erro formal ocorrido, e teria então a Turma Julgadora da DRJ deixado de analisar as razões da manifestação de inconformidade. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure ou se impulsione o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As decisões das DRJs e do CARF, como atos administrativos, devem estar revestidas dos atributos que lhes conferem validade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado, o ato administrativo deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As autoridades tributárias responsáveis pelo julgamento de 1.ª instância agiram em cumprimento com o dever de ofício, e com zelo e dedicação as atribuições afetas ao cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o ato decisório, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.3 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Ao contrário do que aponta o recurso voluntário, a manifestação de inconformidade foi, sim, conhecida, tendo sido objeto de julgamento, como denotam a ementa e o texto do voto, no corpo do acórdão recorrido. O desenvolvimento das razões de decidir não deixa dúvida relativamente aos fundamentos daquela decisão: 1) O art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permite retificação da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório; 2) Que, ao contrário do que afirma o contribuinte na manifestação de inconformidade, o valor informado como crédito foi atualizado de R$ 32.733,53 para R$ 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 416 5 54.759,92 (efl. 3); e 3) Houve débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, e que isso difere bastante da hipótese de erro no preenchimento da declaração. Logo, é de se concluir que as alegações contidas na manifestação de inconformidade foram, sim, analisadas pela 1.ª Turma Julgadora da DRJ/POA. Assim, o Acórdão da 1.ª TURMA/DRJ/POA n.º 1049.561, de 10/04/2014, e fls. 371 a 373, contém todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que está instruído com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. Não obstante, a maneira como foram enfrentadas as questões na peça de defesa denota compreensão da fundamentação e da base legal correlata que ensejaram a não homologação expressa na decisão recorrida, não havendo qualquer indicativo de lesão aos princípios da ampla defesa e do contraditório. 2. Mérito. Ônus probatório. Liquidez e certeza do crédito nos procedimentos de compensação de tributos. De início, faz bastante sentido reproduzir alguns trechos do recurso voluntário, abaixo, para que seja confirmado que o núcleo da contestação ali exposta é que teria havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois não teriam sido considerados na composição de seu crédito atualizações de juros, adiantamentos e compensações posteriores, e que este erro deveria ser objeto de nova análise: [...] 3. Em 02/05/2008, a Recorrente apresentou petição em sede de Manifestação de Inconformidade, no qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, eis que teria constado o valor originário recolhido sem qualquer atualização quanto aos juros, adiantamentos e compensações posteriores, mas que havia crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas, e que havia apenas erro na obrigação acessória da entrega da declaração, razão pela qual o pleito deveria ser acolhido, com o reconhecimento do crédito e homologada a compensação. (grifo no original). 4. Todavia, não foi esse o entendimento da 1ª Turma da DRJ/POA, [...] [...] 7. Ora Srs. Julgadores, [...] a Recorrente possuía sim crédito em seu favor de valor mais do que suficiente para efetuar o pagamento do débito indicado na PER/DCOMP, via compensação, na forma prevista no artigo 170, do Código Tributário Nacional, como se verifica da planilha que instruiu a manifestação de inconformidade, apta a comprovar de modo inequívoco a existência de crédito líquido e certo em favor da Contribuinte. (grifei aqui). 8. Ocorre que, quando do preenchimento da Declaração de compensação, via PER/DCOMP, por lapso, a Impugnante acabou por informar que tinha saldo a seu favor de valor equivocado. Pois bem, naquela oportunidade, isto é, em 23.12.2003, a Impugnante informou que possuía crédito em seu favor no valor de de R$ 32.733,53, quando em verdade possuía saldo favorável total à época de valor mais Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 417 6 do que suficiente para suportar o pagamento da compensação. Referido saldo favorável foi apurado nos períodos compreendidos entre 2000 a 2004, como se verifica da acostadas aos Autos (sic). (grifos no original). [...] 13. Embora, num primeiro momento, tenha ocorrido erro no preenchimento de declaração de compensação, buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade apresentadas. 14. Por conseguinte, sendo indiscutível que a não homologação da compensação decorreu exclusivamente do erro no preenchimento do documento eletrônico, merecem ser anuladas as decisões que não homologaram as compensações em exame, devendo ser devolvidas às declarações de compensação à autoridade fiscal para nova análise, com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis. (grifei aqui). [...] 16. Nesse sentido, vale ressaltar, a jurisprudência pátria vem entendendo ser perfeitamente possível admitir a hipótese de que as decisões que não homologaram as compensações em exame devem ser à autoridade fiscal para nova análise (sic), com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis quando buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade, como se depreende da seguinte ementa, em situação absolutamente idêntica à presente: (grifei). TRIBUTÁRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. APRECIAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANULAÇÃO DOS DESPACHOS. CABIMENTO. 1. A análise dos documentos demonstra que os pedidos de compensação (...) (grifei). [...] Antes de mais nada, é bom que se diga que o caráter inequívoco da confirmação do seu crédito, que o recorrente entende estabelecido pela planilha que foi acostada aos autos acompanhando o recurso voluntário — e que entende justificar a devolução do processo para que a autoridade fiscal proceda a nova análise do erro formal —, não se faz amparar por qualquer documento probatório que dê base aos dados contidos na planilha elaborada pelo próprio recorrente. Outra observação inicial importante é a de que o julgado colacionado ao corpo do recurso voluntário já traz no início de sua ementa o elemento condicionante que é o contexto probatório, particular para cada caso concreto, o que não caracteriza, de jeito algum, "(...) situação absolutamente idêntica à presente", como afirma o recorrente. Aliás, pelo contrário, é o que diferencia os casos. Deve restar consignado ainda que o julgado colacionado no recurso voluntário indiscutivelmente não traz qualquer semelhança com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF n.º 343/2015 (RICARF). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 418 7 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 2 a 6, e data de 12/03/2004. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior5. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois essas provas do direito creditório são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente oportunidades para tal, visto que não foram juntadas às peças de defesa administrativa impetradas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Cabe no processo administrativo a aplicação dos arts. 333, do CPC, e 373 do NCPC. Não há oposição deste relator à razoabilidade da busca da verdade material no processo administrativo. Isso não afasta, porém, a observação obrigatória da minúcia adstrita aos pedidos de compensação de tributos: o ônus da prova do direito creditório alegado é do contribuinte: Lei n.º 5.869/73 (CPC): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Lei n.º 13.105/2015 (NCPC): (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) A necessidade de se apurar a liquidez e certeza do crédito alegado em pedido de compensação decorre do texto legal do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN): 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 419 8 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei). Dado que a questão da nulidade pugnada pelo recorrente já fora analisada no item "1" deste voto, será dada atenção à pretensão do recurso quanto à devolução dos autos para que seja providenciada nova análise dos créditos compensáveis sob a influência do erro de preenchimento apontado. A propósito, a leitura do recurso voluntário permite concluir que ali se noticia erro de preenchimento do PER/DCOMP, conquanto o recorrente ora se refira a erro no PER/DCOMP, ora erro na DCTF. Diante dos elementos contidos no processo, não há razão para que se examine a possibilidade de remessa para que a autoridade fiscal refaça análise do PER/DCOMP em face do erro de preenchimento alegado em recurso voluntário. Embora o CARF não faça mais juízo absoluto a respeito da impossibilidade de retificação ou avaliação de noticiado erro de preenchimento da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório (art. 57 da IN SRF n.º 600/2005), é preciso que nos autos sejam juntadas provas robustas na direção da verossimilhança que justifique tal retificação/reavaliação. Vale bastante a leitura dos artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n.º 70.235/72. A leitura associada permite concluir pela realização de diligências somente quando houver dúvida razoável que possa ser sanada pela medida, e quando se demonstrar necessária sua providência, não para sanar ausência de produção de prova de responsabilidade do contribuinte que pretende compensar tributos, provas das quais já tinha a posse ou acesso, e para as quais o termo limite para apresentação seria o momento da interposição da manifestação de inconformidade. Sequer foi juntado ao recurso voluntário material probante nessa linha, que pudesse suscitar dúvida capaz de contextualizar a circunstância processual sob a necessidade de busca de uma verdade material. Decreto n.º 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 420 9 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) (grifei). Registro que falase aqui em diligência que possa ser solicitada por esta Turma Julgadora, tão somente, uma vez que não consta dos pedidos inseridos no recurso voluntário. O que o recorrente traz como material probante se resume a uma planilha elaborada por ele próprio e cópias das páginas do PER/DCOMP. O conjunto probatório referente às argumentações de defesa deveria conter cópias de sua escrita contábil/fiscal com os lançamentos que compuseram os valores de IRPJ apurados, pagos, compensados etc., registros das receitas e das apurações de resultado, cópias das DIPJs, DCTFs e DARFs correspondentes aos períodos de interesse (anos calendário 200 a 2004), documentos bancários (extratos, comprovantes de pagamento) e/ou outros que pudessem contribuir para evidenciar o erro alegado e, consequentemente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tudo isso já se encontrava em posse do recorrente ao tempo da manifestação de inconformidade, ou a seu alcance. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 421 10 Em que pese tudo acima, ainda que expirado o prazo legal para apresentação das provas (§ 4.º do art. 16 do Dec. n.º 70.235/72), a conjuntura de eventuais novas provas trazidas com substancial verossimilhança que apontassem com muita solidez para a racionalidade dos argumentos contidos no recurso voluntário, ou seja, para que se confirmasse o erro de preenchimento do PER/DCOMP, poderia talvez ensejar diligência na busca de uma verdade material. Em favor do conhecimento e valoração dos elementos probatórios segundo estas circunstâncias descritas, alinhamse diversos julgados do CARF, como ilustra um deles: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão n.º 1803000.765, 3.ª Turma Especial, 02/04/2011). Todavia, dado que o retorno dos autos para a Unidade Preparadora (DRF ou equivalente) teria tão somente o propósito de permitir àquela unidade solicitar ao recorrente as informações que este já poderia e deveria ter juntado aos autos, ultrapasso a medida da diligência por entendêla, neste caso, desnecessária. Aos órgãos julgadores não é dada competência para proceder auditoria, direta ou indiretamente. O certo é que o crédito pretendido pelo recorrente na forma como indicado na PER/DCOMP fora utilizado integralmente para quitar débito do mesmo período, informado em DCTF, deixando o recurso voluntário de demonstrar a existência do alegado crédito excedente que supriria o valor do débito que foi, segundo o recorrente, compensado com crédito cujo valor teria sido erroneamente declarado. É de se registrar que a cobrança do referido débito indicado no PER/DCOMP já se encontra sob o que dispõe o art. 151, III, do CTN, e assim perdurará desde que haja recurso pendente. Pelas razões expostas, não há contexto de provas capaz de retificar o Despacho Decisório de efl. 7, que vincula o pretenso crédito a débito confessado pelo próprio contribuinte recorrente. Por fim, no que ser refere a atualização por juros do valor do crédito pleiteado pelo recorrente, tão alardeada no seu recurso voluntário, é preciso consignar concordância com as conclusões da decisão recorrida a respeito: está mais do que claro que a atualização do crédito indicado no PER/DCOMP foi realizada, conforme demonstra a página 2 do referido PER/DCOMP, n.º 14190.49912.120304.1.3.040400, efl. 3 deste processo. Nada foi apresentado no recurso voluntário em termos de contestação das normas que regem os cálculos e parâmetros utilizados pelo programa PER/DCOMP na atualização dos créditos, tampouco, como já dito, em termos de comprovação dos valores constantes da planilha anexa ao referido recurso. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13819.901108/200812 Acórdão n.º 1002000.616 S1C0T2 Fl. 422 11 Por tudo analisado, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903486/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.692
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.903486/2012-14
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989622
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.692
nome_arquivo_s : Decisao_10283903486201214.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903486201214_5989622.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7698047
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660286164992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903486/201214 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.692 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BIC AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 86 /2 01 2- 14 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903486/201214 Acórdão n.º 3302006.692 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.552. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903486/201214 Acórdão n.º 3302006.692 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903486/201214 Acórdão n.º 3302006.692 S3C3T2 Fl. 5 4 restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903486/201214 Acórdão n.º 3302006.692 S3C3T2 Fl. 6 5 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903486/201214 Acórdão n.º 3302006.692 S3C3T2 Fl. 7 6 por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901964/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.901964/2015-42
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972869
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.668
nome_arquivo_s : Decisao_10830901964201542.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10830901964201542_5972869.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7655626
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660289310720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.901964/201542 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.668 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente FUNDACAO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 64 /2 01 5- 42 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.901964/201542 Acórdão n.º 3401005.668 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.129, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901964/201542 Acórdão n.º 3401005.668 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901964/201542 Acórdão n.º 3401005.668 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901964/201542 Acórdão n.º 3401005.668 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901964/201542 Acórdão n.º 3401005.668 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720084/2012-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESA COM EDUCAÇÃO DE ALIMENTANDO. LIMITE LEGAL ANUAL.
Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, as despesas de educação com alimentando em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública referida na Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A, sujeitam-se ao limite legal anual estabelecido para os dispêndios com instrução própria ou de dependente.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA
De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, incidem multa de ofício de 75% - setenta e cinco por cento - (art. 44, inciso I e § 3º) e juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC (art.61, § 3º) sobre o Imposto de Renda suplementar, apurado em decorrência de alteração no valor do imposto devido declarado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2003-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESA COM EDUCAÇÃO DE ALIMENTANDO. LIMITE LEGAL ANUAL. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, as despesas de educação com alimentando em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública referida na Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A, sujeitam-se ao limite legal anual estabelecido para os dispêndios com instrução própria ou de dependente. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, incidem multa de ofício de 75% - setenta e cinco por cento - (art. 44, inciso I e § 3º) e juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC (art.61, § 3º) sobre o Imposto de Renda suplementar, apurado em decorrência de alteração no valor do imposto devido declarado pelo contribuinte.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.720084/2012-17
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5992100
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.004
nome_arquivo_s : Decisao_11080720084201217.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO IBIAPINO LUZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080720084201217_5992100.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente. Francisco Ibiapino Luz - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7703973
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660294553600
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-17T11:59:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-17T11:59:03Z; Last-Modified: 2019-04-17T11:59:03Z; dcterms:modified: 2019-04-17T11:59:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-17T11:59:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-17T11:59:03Z; meta:save-date: 2019-04-17T11:59:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-17T11:59:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-17T11:59:03Z; created: 2019-04-17T11:59:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-04-17T11:59:03Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-17T11:59:03Z | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 166 1 165 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.720084/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.004 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL DESPESA COM EDUCAÇÃO DE ALIMENTANDO Recorrente JOAO ALBERTO BARBOSA PINTO OSORIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESA COM EDUCAÇÃO DE ALIMENTANDO. LIMITE LEGAL ANUAL. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, as despesas de educação com alimentando em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública referida na Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A, sujeitamse ao limite legal anual estabelecido para os dispêndios com instrução própria ou de dependente. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, incidem multa de ofício de 75% setenta e cinco por cento (art. 44, inciso I e § 3º) e juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC (art.61, § 3º) sobre o Imposto de Renda suplementar, apurado em decorrência de alteração no valor do imposto devido declarado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 00 84 /2 01 2- 17 Fl. 166DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 22.802,23, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2008, anobase de 2007, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial., por falta de comprovação do efetivo pagamento, nestes termos (fls. 22/29): 1. valor declarado: R$ 94.669,22; 2. valor comprovado: R$ 46.441,22; 3. valor glosado: R$ 48.228,00. Impugnação Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando que os pagamentos foram efetuados em virtude de decisão judicial e que a comprovação do pagamento está demonstrada nos cupons e extratos bancários acostados aos autos, os quais não foram considerados pelo autuante (fls. 02/17). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou procedente em parte a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes argumentos (fls. 93/95): 1. foi comprovado o pagamento do montante de R$ 85.861,22, aí incluídos os R$ 46.441,22 já considerados quando da aututação; 2. a despesa de educação do dependente foi deduzida, indevidamente, como pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 8.808,00, por assim ter sido classificada, não se sujeitando ao limite legal anual de R$ 2.480,66; 3. "Portanto, cabe tributar o valor de R$6.237,34 deduzido como pensão alimentícia." Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 102/162): 1. o fato de ter constado no acordo homologado judicialmente que o recorrente ficou responsável pelas despesas escolares do alimentando não afasta o caráter alimentar de mencionado pagamento (alimentos in natura); Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.720084/201217 Acórdão n.º 2003000.004 S2C0T3 Fl. 167 3 2. a despesa de educação com o alimentando Eduardo Borges Pinto Osório no valor de R$ 8.808,00 é totalmente deduzida como pensão alimentícia judicial, não se sujeitando ao limite individual anual estabelecido para a dedução com instrução no valor de R$ 2.480,66. Portanto, inexistente a glosa remanescente no valor de R$ 6.237,34, mantida pelos julgadores de primeira instância. 3. a extinção da pensão alimentícia ocorre por meio de Ação Exoneratória, e não com o atingimento da idade de 24 (vinte e quatro) anos, independentemente de prova da necessidade do alimentando inaplicável o comando da Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inciso III, § 1º; 4. mantida a decisão recorrida, a multa e o juro são inaplicáveis. A primeira, porque repressiva, e o recorrente não cometeu infração à legislação tributária, pois, apenas, se apropriou de um direito constitucional, que reputa violado; o segundo, porque ausente mora, já que inexigível e ilegal a autuação; 5. que o recurso é tempestivo, conforme documentos acostados aos autos; Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade Observase que dito Recurso Voluntário foi assinado pelo Sr. Tadeu Henrique Dutra Weinert, bastante procurador do Recorrente, nessa condição, detentor de legitimidade para recorrer (fls. 113/114). Consta nos autos que o Contribuinte foi intimado da decisão recorrida (Intimação de Resultado de Julgamento nº 2.498/2013 fls. 97/98), por via postal, com recebimento datado de 07/10/2013, segundafeira (Aviso de Recebimento fls. 99). Logo, o início da contagem do prazo ora questionado se deu no dia 08/10/2013, terçafeira, restando seu termo no dia 06/11/2013, quartafeira, data em que a Peça recursal foi interposta. Posto isto, inferese que referido Apelo atende aos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Consoante visto no Relatório, o recorrente logrou êxito parcial perante o julgamento de primeira instância, nestes termos: 1. por ocasião do lançamento, foi glosada a despesa de R$ 48.228,00, referente a pagamento de pensão alimentícia judicial; 2. no julgamento da impugnação, a DRJ considerou plenamente comprovada a quantia de R$ 41.900,66, aí incluída a dedução da despesa com educação do alimentando, no limite anual de R$ 2.480,66; Fl. 168DF CARF MF 4 3. restou em litígio o pagamento de R$ 6.327,34 e não o valor registrado no voto, na quantia de R$ 6.237,34 saldo remanescente da despesa comprovada, no montante de R$ 8.808,00, como tendo sido com a educação do alimentando (R$ 8.808,00 R$ 2.480,66 = R$ 6.327,34). Como se pode notar, a Lei nº 9.250, de 1995, impões dois pressupostos legais distintos, mas complementares, para a dedução de despesa com educação de alimentando, quais sejam: 1. que o pagamento derive das normas do direito de família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2. atendido o pressuposto acima, terá de ser respeitado o limite individual de despesa dedutível com instrução do contribuinte ou de seu dependente (art. 8º, inciso II, alínea "b" e § 3º). É de se verificar que o primeiro pressuposto disposto acima não carece de análise nesta oportunidade, porque já superado pela decisão de origem, a qual acatou todos os pagamentos como comprovados e decorrentes do direito de família. Por conseguinte, hábeis a provar o que se propuseram. Assim sendo, restou controvertida apenas a glosa da despesa com educação de alimentando, que excedeu o limite legal anual dedutível com despesa de instrução do contribuinte ou dependente segundo pressuposto visto. Nesse cenário, perfilhamos com a decisão de piso, fundamentado na legislação ali disposta (Lei nº 9.250, de 1995). Nestes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: 1. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos) para o anocalendário de 2007; [...] § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.720084/201217 Acórdão n.º 2003000.004 S2C0T3 Fl. 168 5 despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. Ante o exposto, não procede a alegação do impugnante, no sentido de que poderá deduzir, integralmente, a despesa com educação de alimentando no montante de R$ 8.808,00, contrariamente ao mandamento legal, que estabelece o teto de R$ 2.480,66 para referido anocalendário. Assim sendo, correta a Turma de Julgamento de origem por decidir manter a glosa na quantia remanescente de R$ 6.327,34. No ensejo, há de se recalcular o ajuste em face desta decisão, e, havendo apuração de imposto suplementar, a este deverão ser acrescidos multa de ofício e juros de mora, pois a argumentação do recorrente, no sentido de que não cometera infração (multa de ofício) nem ocorrera mora (juros), não se sustenta perante a legislação de regência. Nesse sentido, conforme a Lei nº 9.430, de 1996, incidem multa de ofício de 75% setenta e cinco por cento (art. 44, inciso I) e juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC (art.61, § 3º) sobre o Imposto de Renda suplementar, apurado em decorrência de alteração no valor do imposto devido. Confirmase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Art. 61. [...] [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002994/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3101-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar da competência para a apreciação da matéria em favor da Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 25/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.002994/2002-50
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972805
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3101-001.281
nome_arquivo_s : Decisao_10830002994200250.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Corintho Oliveira Machado
nome_arquivo_pdf_s : 10830002994200250_5972805.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar da competência para a apreciação da matéria em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 7655183
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660298747904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 182 1 181 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.002994/200250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.281 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente DOW CORNING DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar da competência para a apreciação da matéria em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 94 /2 00 2- 50 Fl. 188DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Faço uso do relato do acórdão de primeira instância, por bem lançado: Trata o presente processo de Pedido de Restituição, protocolizado em 22/03/2002 (fls. 01), pelo qual a interessada solicita a restituição de saldo negativo de IRPJ gerado no ano calendário de 2000, no valor de R$ 323.438,41. Na mesma data a interessada apresentou Pedido de Compensação (fl. 02) solicitando o aproveitamento de parte do valor pleiteado R$ 4.483,25 – para utilizálo na compensação de débito de CSLL – estimativa – de mesmo montante, do período de apuração fevereiro de 2002. Depois de analisar o pedido, a DRF em Campinas/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 84 a 87, proferido em 12/03/2007, indeferiu o pleito e não homologou a compensação pleiteada. Consta da decisão: “10. O saldo negativo pleiteado a restituir tem origem em Recolhimentos por Estimativa e IRRF, portanto fezse necessário verificar a consistência destes itens. 11. Análise realizada na DIPJ/01 com foco no IR mensal pago por Estimativa indica um valor de R$ 139.185,87 (fl. 47); originado dos meses de Fevereiro/00 – R$ 47.719,02 e Março/00 – R$ 91.466,85 (fl. 83). Entretanto consulta no SIEF – FISCEL, DCTF Gerencial e SINAL 08 (pág. 78, 79 e 83) não apresentaram informações sobre estes débitos, dessa forma não declarados e não quitados pelo contribuinte, impossibilitando seu aproveitamento. 12. Quanto ao IRRF do período de 2000, foi realizada análise comparativa entre os valores declarados em DIPJ pelo contribuinte e DIRF, apresentado pelas fontes pagadoras, mostrando compatibilidade entre as declarações (DIPJ fl. 48; e DIRF fl. 49 a58), estando portanto comprovado o saldo negativo no período no valor de R$ 184.252,50. 13. Pesquisa realizada no sistema DCTF Gerencial apresentou compensações efetuadas pelo contribuinte a partir do crédito pleiteado com os seguintes débitos: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 3101001.281 S3C1T1 Fl. 183 3 Cód. de tributo do débito PA Valor Compensado página 2362 Fevereiro02 R$ 203.416,52 64 2362 Março02 R$ 205.259,73 65 14. O débito tributo 2484, CSLL, período de apuração 02/2002, foi apresentado a compensar no presente processo e está informado em compensação DCTF (doc. fl. 39). 15. Efetuados os cálculos de compensação conforme demonstrativo nas fls. 80 a 82, os quais fazem parte do presente despacho, observase que o montante de R$ 184.252,50 foi completamente utilizado em compensações efetuadas pelo contribuinte e não há, portanto, qualquer crédito a ser restituído, além de o contribuinte ter utilizado montante maior que o disponível para compensar – valor este constante no documento fl. 82, atualizado até março de 2007”. Cientificada do conteúdo do despacho, em 16/03/2007, conforme atesta o Aviso de Recebimento anexado à fl 93, a contribuinte protocolizou, em 16/04/2007, manifestação de inconformidade, acostada às fls. 94 a 97, protestando contra o indeferimento do pleito. Segundo alega, a Administração reconheceu, a seu favor, parte do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 184.252,50, homologando as compensações a ele vinculadas, mas que o indeferimento da parcela restante do crédito reivindicado, no valor de R$ 139.185,87, não tem nenhum fundamento, diante da legitimidade do indébito de sua titularidade. Observa que os montantes de R$ 47.719,02 e R$ 91.466,85, relativos às estimativas de IRPJ dos meses de fevereiro/2000 e março/2000, respectivamente, cuja quitação não foi reconhecida pela autoridade administrativa diante da ausência de informações nos sistemas internos da RFB, na verdade teriam sido compensados com saldo negativo do anocalendário 1999. Afirma que, à época dos fatos, não havia obrigatoriedade de submeter esse tipo de compensação à apreciação administrativa, e que essa exigência só passou a vigorar com o advento da Instrução Normativa nº 210, de 2002. Ademais, segundo suas palavras, “os valores que a fiscalização julga não declarados foram devidamente informados em DCTF retificadora, é o que se verifica da análise da documentação anexa (documento 5)”. Julgando ser seu legítimo direito requer, ao final, o deferimento integral da restituição pleiteada bem como a homologação total da compensação efetuada. Fl. 190DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CAMPINAS/SP INDEFERIU o direito creditório em litígio, correspondente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000, e NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada, com manutenção do débito. Irresignada a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 144 e seguintes, que foi encaminhado para esta instância julgadora de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Dessarte, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 3101001.281 S3C1T1 Fl. 184 5 Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903497/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.703
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.903497/2012-96
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989633
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.703
nome_arquivo_s : Decisao_10283903497201296.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903497201296_5989633.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7698058
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660311330816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903497/201296 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.703 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BIC AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 97 /2 01 2- 96 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903497/201296 Acórdão n.º 3302006.703 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.563. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903497/201296 Acórdão n.º 3302006.703 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903497/201296 Acórdão n.º 3302006.703 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903497/201296 Acórdão n.º 3302006.703 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903497/201296 Acórdão n.º 3302006.703 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
